Você está na página 1de 5

AS ÁRVORES E OS LIVROS

As árvores como os livros têm folhas


e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,


as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,


e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar


no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.

Jorge Sousa Braga


Herbário, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999

poema das árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco


se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,


e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,


e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.


Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.


Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.


Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós


E entretanto dar flores.

antónio gedeão
Obra Poética, Lisboa, edições JSC, 2001

Cada árvore é um ser para ser em nós

Cada árvore é um ser para ser em nós


Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses
António Ramos Rosa

Árvore é vida (Natureza) Adicionar aos Favoritos do Ilhado


Árvore, fonte de vida
Fonte de amor
Fonte de sobrevivência
Para aqueles que têm consciência

A árvore produz fruto para alimentar


Que jamais pode faltar

Aqui ou em qualquer lugar


Todos, dela, vão sempre precisar

A árvore é fonte de abrigo


Dela, somos todos amigos
É uma fonte alimentar
Que todos devem preservar

A árvore é fonte de ar
Que todos necessitamos para respirar
Devemos todos respeitar
Para que nunca possa faltar

É tão lindo ver o sol beijar a flor


Isso mostra que por ela o sol tem amor
E lhe dá muito valor
Pois seus frutos possuem sabor!

A árvore necessita da terra


Para sobreviver na atmosfera
O homem, sem ela, se desespera
E o planeta sem ela se degenera

São as árvores que nos dão sombra


Nos servem de casa quando não temos
É por isso que devemos a ela
Todo o nosso respeito e amor!

És minha amiga particular


Sempre quero junto dela ficar
Nunca sozinha vou te deixar
Pois, é minha irmã e sempre será!

Autora: (Reginaldo Francisco de Oliveira e Gilson João)

1. Conto UMA NOITE DE VERÃO NA ILHA ENCANTADA... Quem me dera... CENTRO


CULTURAL SOLAR DA BEIRA Março de 2008 Era uma vez... Num lugar muito
distante... Muito mais ali adiante... Uma velha do tempo da carochinha... Não era
linda, mas muito catita... Digamos que a nossa velhinha... Era às vezes quase
bonita... Um dia, quando o verão... Começou a esfriar então... Uma linda
formiguinha... Não parava de trabalhar... E, é claro, que para o céu a coitadinha...
Não tinha tempo de olhar... Enquanto isso... Na Ilha Encantada... A velhinha se sentiu
desanimada... Por sua própria natureza... Estava triste, num silêncio lento, lento...
Cortava o coração, com certeza... Sentindo um vazio por dentro, num grande
lamento...

2. E assim... Foi tomada por uma doce emoção... Saudades de sua Ilha... numa noite de
verão... Um vento passou suspirando... E a velhinha num embalo... Sacudiu-se toda
balançando... E...Sonhou com muitas histórias, um doce regalo... Sentia o riso da
cigarra... E da formiga, sua garra... O zumbido dos insetos e seus carinhos... E dos
passarinhos toda cantoria... Abrigados em seus galhos e ninhos... Gostava muito de
contar suas histórias e de toda essa euforia... Mas... tcham... tcham... tcham...
tcham... Quando acordou que decepção!... Estava no meio da escuridão... E logo
sentiu que acabava... Com imenso horror e medo!... Da solidão pavorosa que a
atacava... Quando... a lua sumiu e o vento veio mais cedo... Queria correr, mas não
dava... E a pobre velhinha, estava petrificada... Era uma solitária situação
enraizada... Assim a velha árvore ficava a imaginar... Queria um dia de verão neste
momento fugaz... Alguém para lhe salvar e depois pode voar... Como os insetos para
onde lhes apraz...

3. Até que... Até que o inverno chegou... E com muito frio se espalhou... No entanto a
formiguinha... Decidiu ficar na área... Estava preocupada, a pequeninha!... Era
somente uma humilde operária... Olhando imensamente para aquela escuridão...
Tudo desconhecia de sua grande missão... E na Ilha Encantada, perto da boa
velhinha... Foi buscar abrigo e proteção... Encontrou uma casinha... Para melhorar
sua situação... Aconchegante! Quentinha!... Isso era tudo o que tinha... Foi entrando
de mansinho... E... Qual não foi sua surpresa... Nesse mundo tão quentinho... Estava
tudo uma beleza... Aconteceu entretanto... Que uma cigarra era a questão... De tanto
cantar sua canção... Foi expulsa pela formiga... De toda Ilha e daquela região...
Arranjou uma inimiga... Não encontrava uma explicação...

4. A cigarra estava a vagar... Abandonada, quase à morte... Mas, de repente, que boa
sorte... Encontrou uma casinha... _Oba! Uma toca, um acalanto... Correu, correu, bem
depressinha... Precisava se aquecer no seu canto... Aconchegante! Quentinha!... Isso
era tudo o que tinha... Foi entrando de mansinho... E... Qual não foi sua surpresa...
Nesse mundo tão quentinho... Estava tudo uma beleza... Deu de cara com sua
inimiga... E agora, se não era a terrível formiga... Assim, começou a cantar bem
devagar... Que mundo tão pequenino!... Agora ia ter que enfrentar... Era obra do
destino!... E que destino!!!!! E assim todos foram buscar proteção... No inverno ou no
verão... Na Ilha Encantada nos galhos da boa velhinha... Suas casas construíram...
Mosca, mosquito e joaninha... Uns chegaram, outros partiram...

5. Numa grande profusão... Espantaram a solidão... Mas o que é de agradar... Mil


histórias surgiram no verão... E na Ilha Encantada a Velha Árvore conseguiu
encantar... Até mesmo o velho dragão... Ei, você ai... Escute com atenção... Mesmo
que você não seja um dragão... Entre na Ilha Encantada de mansinho... E... perto da
Velha Árvore tenha uma surpresa... Nesse mundo tão quentinho... Vai estar tudo uma
beleza... Então vá em frente... Apague a luz, feche a porta... Isso é o que mais
importa... Uma nova história está acontecendo... Muitas já estão brotando... E você já
vai ficar sabendo... Para com São Chico continuar sonhando...

Os pássaros nascem na ponta das árvores


As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
O pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo

Você também pode gostar