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A radiação solar em Portugal: sua importância como factor do clima Autor(es): Publicado por: URL Accessed

A radiação solar em Portugal: sua importância como factor do clima

Autor(es):

Publicado por:

URL

persistente:

Accessed :

Morais, J. Custódio de

Museu Mineralógico e Geológico

http://hdl.handle.net/10316.2/37919

21-Feb-2018 11:16:14

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A radiação solar em Portugal: sua importância como factor do clima Autor(es): Publicado por: URL Accessed

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digitalis.uc.pt

A Radiação Solar em Portugal

Sua importância como factor do clima

O

estudo

da

radiação

solar

tem

tomado

nos

últimos

anos

grande

impulso,

pois

é

do

Sol

que

provém

pràtica-

mente

toda

a

energia que se manifesta

à

superfície

da

Terra,

e

o

seu

conhecimento é fundamental no estudo da

meteorologia.

O presente trabalho é uma síntese dos resultados publi­ cados nos Observatórios das 3 Universidades, especialmente dos de Coimbra, aproveitando no fim os resultados dèste estudo para verificar a importância dèste factor no clima de alguns postos do continente português.

RADIAÇÃO

SOLAR

DIRECTA,

SÔBRE

UMA

SUPERFÍCIE NORMAL AOS RAIOS SOLARES

a) Variação durante o ano

Em 1936 no Instituto Geofísico de Coimbra publicou-se o resultado das observações da radiação solar feitas em 1916 com o pirheliómetro de compensação de Angstrom (1), com uma pequena introdução mostrando que é nos primeiros tempos da primavera que se encontram os valores máximos

4

da radiação, e notando que estes fenómenos são muito com­ plexos e irregulares. Um ano de observações aí publicado é muito pouco para tirar conclusões. Actualmente está o Observador-chefe Dr. Sousa Brandão encarregado dêstes estudos, e dèle obtivemos uma nova série de 200 observações feitas de Julho de 1939 a Abril de 1942. Pondo de parte a variação da chamada «constante solar», a principal causa da variação da intensidade dos raios sola­ res está na massa de ar atravessada. Nas observações publicadas, estas massas de ar veem, em geral, indicadas, mas para estudar as variações da radia­ ção precisamos reduzir aquelas intensidades às mesmas mas­ sas de ar, para as tornar comparáveis.

A lei que regula o enfraquecimento da radiação é sensi­ velmente

l = I 0 p m

em que l é a intensidade no instante da observação, I 0 a constante solar, (ou intensidade antes de entrar na atmos­

fera) m

a

massa

de

ar

atravessada

pelos

raios

solares,

tomando para unidade

a

massa

atravessada

na

vertical,

à

pressão de 760 mm., p uma constante chamada coeficiente

de transmissão.

Para

compararmos

as

duas

séries

de

observações

temos

de as reduzir às mesmas massas de ar, obtendo o quadro dos valores dos coeficientes de transmissão da série de 1916, em que m foi calculado pela fórmula de Bemporad (2), e

as reduções aos mesmos valores de m pelo processo gráfico de Hand (2), ampliado por nós.

Não

estão

feitas

as

reduções

à

distância

média

do

sol,

atendendo a que se destinam os resultados só à comparação

das 2 séries. Os valores correspondentes da série mais moderna mos-

5

tram valores dos coeficientes em média maiores, a que cor­ responde uma intensidade média também maior de 0,14 calorias por minuto e por centímetro quadrado.

No

quadro

da

página

seguinte

expomos

as

médias

das

duas séries de observações, dando o mesmo pêso a cada

observação.

Quadro dos coeficientes de transmissão

Série de 1916

5 tram valores dos coeficientes em média maiores, a que cor­ responde uma intensidade média também

Para o cálculo dêste quadro associámos os valores de m e I à volta de valores inteiros de m, e calculámos as médias correspondentes. Depois pelo cálculo algébrico calculámos os valores de I para m inteiro.

6

Quadro dos valores de I e de p, média das 2 séries de observações de Coimbra

Como para o cálculo dêste quadro introduzimos uma
Como
para
o
cálculo
dêste
quadro
introduzimos
uma

correcção proveniente da distância variável da Terra ao Sol, os valores de p exprimem agora as condições de transpa­ rência da atmosfera. Vê-se nele : i) que os coeficientes cal­

culados pela dita fórmula aumentam com a massa de ar, o que é geral nos outros observatórios.

2)

que

êles

são

maiores

no

inverno

do

que

no

verão,

isto é, há mais transparência da atmosfera no inverno.

 

Atribui-se

êste

facto

à

maior

tensão

do

vapor de

água

atmosférico no verão, e também, segundo Linke, às corren­ tes de convecção atmosférica (3) que são maiores no verão.

Para

vêr

a

influência da tensão do vapor

de água

exis­

tente na atmosfera servimo-nos do gráfico de Kimball (4) aproveitando as observações de 1916.

Obtivemos

para

m=

1,5

os

valores

de

p

no inverno

maiores do que no verão em cêrca de 4%.

 

Devemos

notar

que

os

valores

de

p

calculados

pelo

7

método de Kimball, tomando em conta os valores da tensão do vapor, são menores do que os valores observados, o que só significa que a atmosfera em Coimbra é muito pura, pois é uma cidade com pequena indústria.

Concorre,

como

dissemos, para esta irregularidade o

pequeno número de observações.

Façamos agora o mesmo cálculo para as medidas feitas

no

Porto (Serra

do Pilar),

reduzindo

os valores

de

/

e

m

que

andam

à volta

de

m

inteiro, pela média

aritmética, e

calculando

em seguida

pela álgebra

os

valores de

/

e

p para

m inteiro. Obtivemos o quadro 3, para o que demos ás

médias mensais o mesmo pêso, embora não resultem do mesmo número de observações (5).

Quadro

dos

valores

de

I

e

de

p

para

valores

inteiros

de

m,

deduzidos das obs. da Serra do Pilar no ano de 1939 a 1942

7 método de Kimball, tomando em conta os valores da tensão do vapor, são menores do

8

Da comparação deste quadro com o anterior resulta que a transparência da atmosfera ê nas duas cidades sensivel­ mente a mesma, pelo menos nas épocas em que são feitas as observações, que excluem os dias de sol encoberto.

Os valores médios transparência são:

da intensidade e dos coeficientes de

8 Da comparação deste quadro com o anterior resulta que a transparência da atmosfera ê nas

Para comparação calculámos também os coeficientes de transmissão para Madrid, deduzidos do período de Setembro de 1910 a Agosto de 1924. Verifica-se que eles são sensi­ velmente iguais aos de Coimbra e Porto, estando em geral abaixo dos nossos 0.02, mas tais diferenças estão abaixo dos erros das observações.

b ) Variação durante o dia

Com

o

fim

de

investigar esta variação, utilizámos das

observações de Coimbra aqueles dias em que houve obser­ vações de manhã e de tarde, mas não muito perto do meio

dia verdadeiro, para comparar as intensidades da radiação, ou a turvação da atmosfera, na manhã e na tarde. Aproveitámos para êste estudo o novo factor de turvação de Linke (3), que exprime, na opinião deste autor, melhor que qualquer outro as condições de transparência atmosfé­ rica. Diz que êle é sensivelmente independente das massas de ar, e que a uma variação no seu valor corresponde uma variação nas condições atmosféricas.

9

Com este factor a comparação da turvação da atmosfera

é feita não com uma atmosfera pura e sêca (atmosfera de Rayleigh) mas com uma tável.
é
feita não
com uma atmosfera pura
e
sêca (atmosfera de
Rayleigh) mas com uma
tável. O seu valor é
que
tem
i
cm.
de
água
precipi­
em que
é
a constante
solar, I a intensidade
observada, e
I 0

I w =i é a intensidade numa atmosfera correspondente em que a massa de água precipitável é I cm. c. Para o cálculo dêste factor publicou o autor um gráfico com as entradas: I (reduzida à distância média da Terra ao Sol) e massa do ar m. Com èste gráfico obtivemos os valores:

9 Com este factor a comparação da turvação da atmosfera é feita não com uma atmosfera
 

Na

série

moderna

usámos

12

observações

de

inverno

e

14

de

verão,

e

na

série

antiga

3o

de

Janeiro

e

15

de

Junho.

 
 

Nota-se

que

a

turvação

é

maior

no

verão

do

que no

inverno, e também que a turvação aumenta

com

a

tensão

de vapor (pois as observações antigas indicam êste elemento

na

hora

da

observação).

Em

geral

 

mais

turvação de

manhã do que de tarde.

10

RADIAÇÃO GLOBAL SOBRE UMA SUPERFÍCIE HORIZONTAL

a ) Radiação difusa

A radiação global

abrange não

a radiação

directa do

sol, mas também a radiação do céu, com ou sem nuvens.

Nos

dias em

que houve em Coimbra medida da radia­

ção directa para aferição dos valores registados nos instru­ mentos, fez-se também a medida da radiação difusa sobre uma superfície horizontal, tirando à radiação global a com­ ponente vertical da radiação directa sobre a superfície hori­ zontal.

10 RADIAÇÃO GLOBAL SOBRE UMA SUPERFÍCIE HORIZONTAL a ) R adiação difusa A radiação global abrange

11

No

gráfico

n.°

1

resumimos os

resultados destas

medi­

das, tomando como abcissas as massas de ar, e ordenadas as intensidades da radiação global no instante da obser­ vação.

nos número de observações donde foram deduzidos, e estão ligados aos pontos que representam a intensidade da radia­ ção difusa. Os pontos isolados correspondem a observações únicas.

meses

o

Os números colocados

vários

indicam

As observações com

massas

de

ar

perto

de

3

vão

resu­

midas na última vertical com 5 observações.

 

Vê-se

no

gráfico

que

a

intensidade

da

radiação difusa

diminue um pouco com o aumento das massas de ar, e é

menor no inverno com o valor médio o.13, do que no verão com o valor médio 0,17.

Esta variação depende mais da

massa

de

ar

do

que

da

temperatura, como verificámos eliminando o efeito das mas­ sas de ar.

As

relações

das

intensidades

da

radiação

difusa

para

a

global, deduzidas das curvas médias são:

Verão (Maio a Agosto)................. Inverno (Janeiro a Dezembro) .

0,12

o,18

para massas de ar inferiores a 3 (altura do sol maior que 20 o ), e dias claros.

Kimball

(2)

mam dêstes.

para Washington valores que se aproxi­

b) Radiação global

Em

Coimbra esta

radiação é

medida

(8)

com

o solarí-

grafo de Gorczynski, (comparado várias vezes com o solarí-

metro

do mesmo

autor), e na

sua falta com o actinógrafo de

Robitzch.

12

Os resultados das medidas

feitas

em dias claros,

isto

é, em que a curva do registrador é muito regular são:

12 Os resultados das medidas feitas só em dias claros, isto é, em que a curva

Estes números exprimem a radiação total média, durante

o dia, expressa em cal. gram. min. cm. q.

Vê-se

na

tabela

que

o

fenómeno

é

bastante

irregular

de ano para ano, apresentando o máximo em Julho e o

mínimo em

Janeiro,

com

um

pequeno

mínimo

secundário

mi Junho.

Se

tomarmos

porém,

não

os dias

claros,

mas

todos

3s dias, o fenómeno é muito mais irregular, sendo os valo­ res médios dos 5 anos (38 a 42) os seguintes:

No gráfico n.° 2 representámos por traços cheios estes valores da radiação global quere para os
No
gráfico
n.°
2
representámos
por
traços
cheios
estes
valores da
radiação global
quere
para
os
dias
claros,
quere

para todos os dias. Vê-se bem, no mesmo gráfico, que a

variação desta radiação acompanha a variação da percen­ tagem das horas do brilho do sol.

14

Vê-se que os valores dos dias claros mostram uma trans­ parência aproximadamente igual a o,85 até Maio, e dimi­ nuindo um pouco em Junho começa de novo a subir tendo em Ou., No., e De. transparência acima de 0,9. O facto da transparência do ar deduzida das observações globais ser inferior à deduzida das directas explica-se facil­ mente, pois que as radiações directas são deduzidas entre nós de observações com massas de ar em geral abaixo de 3,

e como os coef. de transparência aumentam com as massas de ar e as massas de ar médias durante o dia são maiores que 3, a radiação global é recebida em média com maior coef. de transparência.

Nos

gráficos de

Kennedy (II)

vê-se qual

a

massa de

ar

média durante os vários meses, para a nossa latitude :

14 Vê-se que os valores dos dias claros mostram uma trans­ parência aproximadamente igual a o

com o valor médio 3.61, acima dos valores habituais das nossas observações.

No gráfico n.°

3 representamos os mesmos factos para o

Porto deduzidos das observações de 3 anos (1940-41-42)

para a radiação de todos os dias

Mostram êstes gráficos que a transparência no Porto é
Mostram
êstes
gráficos
que
a
transparência
no
Porto
é

um pouco menor do que em Coimbra, mas esta deferença

15

de transparência não está de harmonia com o resultado das medidas directas, pois que então vimos que os coeficientes de transparência eram sensivelmente iguais.

Uma

das

causas

desta

menor

transparência

no

Porto

deve estar no maior número de dias com nevoeiro pois há nesta cidade em média (9) 188 dias com nevoeiro, ao passo que em Coimbra há só 64, e naturalmente nestes dias não

há observações de radiação directa.

15 de transparência não está de harmonia com o resultado das medidas directas, pois que então

O

facto é porém mais complexo pois a mesma explica­

ção não serve para Lisboa, onde parece haver também menor transparência, quando o número de dias de nevoeiro, é ainda menor.

16

Para ilucidação publicamos o quadro (das normais de 3o anos) dos elementos que podem influir na radiação:

Uma das causas das anomalias da radiação deve estar
Uma
das
causas
das
anomalias
da
radiação
deve
estar

no pequeno número de anos de observações, pois Hand (10) num artigo passando em revista o estudo da radiação solar traça curvas médias de várias estações americanas, onde a mais regular, de Madison, resulta de 26 anos de observa­ ções. Estas curvas são muito mais irregulares do que as nossas, pois, emquanto as nossas representam só médias mensais, aquelas representam médias semanais.

Nas

nossas

curvas,

apesar

de

número de anos nota-se :

deduzidas

1.°

que

o máximo absoluto

para os

dias

de

pequeno

de

céu

claro

tem lugar em Julho e o mínimo em Janeiro, havendo outro

máximo em Maio.

— único no mês de Julho, e mínimo em Janeiro.

2.

0

nas

médias

de

todos

os dias

uma

máximo

E

a

variação

de

nebulosidade

que

introduz

variação da radiação global, pois que

em

geral

a

as

grande

nuvens

refletem para o espaço a radiação que nos interrompem.

Deve-se

porém

notar

que

nem

sempre

assim

sucede,

pois que quando as nuvens são tipo Cu e Cb (8) os valo­

17

res da radiação baixo. Porisso

a

elevam-se no registo, pois há reflexão para

da

radiação

dos

dias

claros

não

é

a

curva

envolvente da curva de todos os dias. Durante o dia passa-se um fenómeno análogo ao que se passa durante o ano, isto é, na segunda metade do dia a intensidade da radiação é um pouco superior à da primeira metade, como se vê no

17 res da radiação baixo. Porisso a elevam-se no registo, pois há reflexão para da radiação

Para compararmos as 3 estações portuguesas : Coimbra, Porto e Lisboa, visto que em Coimbra se separam os dias claros partimos destas medidas para calcularmos os coefi-

18

cientes de transparência, tanto mais que êles se aproximam bastante dos deduzidos na radiação directa. Os valores dêstes coef. deduzimo-los da comparação dos quadros de Maurin com os valores obtidos em Coimbra. Partindo dêstes coef. deduzimos, pelos mesmos quadros, os valores da radiação global para as várias latitudes do Con­ tinente.

Quadro da radiação global para os dias claros e para as várias latitudes de Portugal continental

Tem-se procurado uma relação algébrica simples entre a radiação global para os dias claros, e a
Tem-se
procurado
uma
relação
algébrica
simples
entre
a
radiação
global
para
os
dias
claros,
e
a
radiação
global

para todos os dias, por intermédio das horas do brilho do sol, pois esta grandeza determina-se há muitos anos em vários postos.

Teremos

assim

maneira

de

calcular

a

radiação

global

para estes postos, desde que pelo quadro anterior conheça­ mos a radiação global para os dias claros e a percentagem de horas de insolação.

19

Usa-se para isso a fórmula de Angstrom

19 Usa-se para isso a fórmula de Angstrom em que Q representa a intensidade da radiação

em que Q representa a intensidade da radiação global para todos os dias, Q 0 idem para os dias claros, a um coeficiente

19 Usa-se para isso a fórmula de Angstrom em que Q representa a intensidade da radiação

a calcular experimentalmente, a percentagem de horas

de brilho do sol. Nesta fórmula há

dois termos ; o primeiro corresponde

aos dias

sem

sol

(s

=

o),

e

o segundo

é função de nebulo­

sidade.

 
 

Conhecendo

em

Coimbra

Q,

Q 0

deduzimos

os valores

de a para os vários meses, e supondo-os constantes em todo

o

Pais

podemos calcular para os vários postos a radiação Q

(para todos

os

dias)

em

função

da

radiação

calculada

no

quadro anterior.

 
Estes valores de a são cerca do duplo dos valores apre­
Estes
valores de
a
são cerca
do duplo dos valores apre­

sentados em Estocolmo, Paris, Washington, isto é, entre nós, num clima de transição para o clima mediterrâneo, tem menos influência a nebulosidade, pois que o primeiro factor na fórmula de Angstrom é maior do que nos climas mais frios. Aproveitando êstes valores de a calculámos para Lisboa e Porto a radiação global. Comparando-os depois com os valores desta radiação ai observados, nota-se que os valores calculados são em geral superiores aos observados, facto já

20

atrás notado ao compararmos a radiação global de Coimbra com a do Porto.

Note-se que a foi deduzido de 5 anos, e os valores de Q observados em Lisboa
Note-se
que
a
foi
deduzido
de
5
anos,
e
os
valores
de
Q
observados
em
Lisboa
e
Porto
são
deduzidos
de
3
anos (1940-1-2).

Como aplicação da fórmula empírica de Angstrom, e dada a importância climática dos valores da radiação glo­ bal, calculámos para vários postos o seu valor, partindo, como já dissemos, da percentagem da insolação. Para ver a importância deste elemento na agricultura escolhemos, dos postos dos Anais do Observatório Central Meteorológico, 4 situados em regiões de culturas caracterís- ticas. Viana como região do vinho verde. Régua como região do vinho do porto. Évora como região do trigo. Faro como região da amendoeira e figueira, marítima.

21

Radiação global diária

21 Radiação global diária Neste quadro os valores de Coimbra são os observados em 5 anos

Neste quadro os valores de Coimbra são os observados

em

5

anos

(média); os de

Lisboa e Porto são os calculados

dos

mesmos 5 anos

de insolação, e os outros são deduzidos

de

3

anos

de observações (1940-41-42), não são por isso

facilmente comparáveis. Publicamos porisso o quadro da insolação nos 3 anos:

Insolação (1940-41-42) %

21 Radiação global diária Neste quadro os valores de Coimbra são os observados em 5 anos

Nota-se que :

Viana tem muito menos radiação global que o Porto, devido à sua maior latitude e menor insolação.

22

Porto

tem

no

verão

menos

radiação

do

que

a

Régua,

apesar da mesma latitude, o que é devido à continentalidade desta, (maior insolação):

Régua logo em Junho tem mais insolação que Coimbra, (apesar da sua latitude mais alta) mas não iguala a de Lis­ boa, pois aqui há menor latitude e quási sempre mais inso­ lação. Évora apesar da mesma latitude tem no verão um pouco mais de insolação que Lisboa e se esta figura quási com a mesma radiação é porque a sua insolação de 5 anos (que foi utilizada no cálculo da radição) é superior à dos 3 anos que utilizámos para Évora.

RADIAÇÃO ABSORVIDA PELA ATMOSFERA E PELA TERRA, SEGUNDO SIMPSON

Uma grande

parte da

radiação solar

que chega

à

terra

é imediatamente reflectida pelas nuvens, e aquela que atinge

o solo é em parte irradiada para a atmosfera e desta para o espaço. Maurin (7) resume o método de Simpson para se avaliar

aproximadamente a quantidade de

energia

solar

absorvida

pela atmosfera e a terra, como diferença entra a que chega à parte superior da atmosfera, e a que é depois emitida para o espaço.

Para calcular a energia recebida do sol utiliza a fórmula

22 Porto tem no verão menos radiação do que a Régua, apesar da mesma latitude, o

em que

S

é

a

energia

que

atinge

 

o

limite

superior

da

atmosfera, radiação solar que

e

a

é

a

albedo, isto

é

enviada

é,

para

a

fracção da

o

espaço.

energia da

São

valores

crescentes com a percentagem da nebulosidade, um pouco

23

maiores que esta para valores menores que o.3o, decres­ cendo em seguida para 0.60 quando a nebulosidade atinge o valor 0.80.

Para

calcular

a

radiação

emitida

para

o

espaço

supõe

que a terra irradia como um corpo negro, e obtem os coefi­

cientes R 1 e R 2 que permitem calcular respectivamente a energia irradiada para o espaço respectivamente com o céu claro e com nuvens, pela fórmula

23 maiores que esta para valores menores que o.3o, decres­ cendo em seguida para 0.60 quando

em que C indica a nebulosidade. O quadro seguinte mostra para os vários postos os valo­ res da energia absorvida, expressa por

23 maiores que esta para valores menores que o.3o, decres­ cendo em seguida para 0.60 quando

em calorias por cm. q. por dia.

23 maiores que esta para valores menores que o.3o, decres­ cendo em seguida para 0.60 quando

Note-se que êstes valores são deduzidos dos valores nor­ mais (de 3o anos) de nebulosidade para Porto, Moncorvo, Coimbra e Lisboa, e dos valores de 3 anos (40-41-42) para os outros postos.

24

Nos gráficos seguintes

vê-se como

as

curvas

de

s

(grá­

fico n.° 4) e da temperatura (n.° 5) seguem quási paralelas

(embora esta venha atrazada, nas nossas me'dias, um mês) visto que é desta energia absorvida que resulta a tempera-

24 Nos gráficos seguintes vê-se como as curvas de s (grá­ fico n.° 4) e da

25

tura do ambiente, pondo de parte a empregada na evapora­ ção, a absorvida pela vegetação, etc. Se somarmos as calorias dêste quadro para os meses de verão, nota-se que o calor recebido na Régua só é excedido

25 tura do ambiente, pondo de parte a empregada na evapora­ ção, a absorvida pela vegetação,

26

pelo recebido em Faro, com menor latitude, como mostra o

quadro, e o calor recebido nas costas do Minho anda por metade daquele. Isto é, a
quadro,
e
o
calor
recebido nas
costas do
Minho anda por
metade daquele.
Isto
é,
a partir
da
época em que
o calor recebido
pelo

ambiente é igual ao emitido, (s = R), e que nas curvas vai indicado pela linha 0 — o, é a região da Régua a que recebe mais quantidade de calor, se exceptuarmos Faro, bastante a Sul.

Este elemento é muito mais importante, que a tempera­ tura, mas, atentas as dificuldades das medidas de vários ele­ mentos que a compõem, Maurin considera a radiação global como a quantidade de energia que melhor parece definir os fenómenos térmicos à superfície da Terra.

EXPRESSÕES DA TEMPERATURA E DA RADIAÇÃO GLOBAL EM COIMBRA PELAS SÉRIES DE FOURIER

Temos sempre crença na simplicidade dos fenómenos naturais, ou por outra, procuramos sempre a maneira de

interpretar esses

fenómenos por expressões matemàtica-

mente simples. Noutros tempos explicavam-se os movimentos dos plane­

27

tas pela teoria dos epiciclos, hoje, procuram-se expressões matematicamente simples, análogas à teoria dos epiciclos, como as séries de Fourier, para exprimir, embora não para explicar, vários fenómenos meteorológicos. Para verificarmos até que ponto se podem exprimir estes ekmentos pelas séries de Fourier fizemos o cálculo dos seus coeficientes, e das diferenças (Δ) entre os valores observados e os valores calculados (Δ = obs.— calc.). Para a temperatura calculamos aquêles coeficientes a partir dos valores normais de 75 anos (12) e a partir dos 5 anos em que houve medidas de radiação. Para a radiação global fizemos o cálculo para todos os dias, e também para os dias claros.

Os coeficientes da fórmula dum elemento

27 tas pela teoria dos epiciclos, hoje, procuram-se expressões matematicamente simples, análogas à teoria dos epiciclos,

em que a 0 é o seu valor médio, x o tempo expresso em arco contado a partir do meio de Janeiro (1 mês—3o°), são

27 tas pela teoria dos epiciclos, hoje, procuram-se expressões matematicamente simples, análogas à teoria dos epiciclos,

A temperatura normal dum dia dado será

com seguinte das diferenças Δ. um erro médio inferior a o°,2 como se vê na tabela
com
seguinte das diferenças Δ.
um
erro
médio inferior
a
o°,2
como
se
na tabela

28

A temperatura média deduzida dos 5 anos em que houve observações de radiação mostra já uma média dos desvios maior do que o dobro dos outros.

Na radiação global para os dias claros a média dos des­ vios atinge o valor de
Na radiação global para os dias claros
a
média dos
des­
vios atinge
o valor
de
10 calorias
por
dia,
e
este
valor mais
do que duplica
para
a radiação de
todos os dias,
tudo cal­

culado a partir dos 5 anos de observações de 1938 a 42.

J. Custódio de Morais

BIBLIOGRAFIA

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

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A radiação solar em Coimbra Inst. Geof. de Coimbra — 1936. A. Ferraz de Carvalho. Monthly Weather Review — Dec. 1937. Neste número I. Hand apresenta um resumo dos métodos empregados nos estudos da radiação solar, e dos resultados obtidos nos Estados Unidos, acentuando a importância deste estudo na meteorologia, na ocea­ nografia, na agricultura, na biologia, na medicina e na engenharia, afirmando mesmo que, quando um dia se esgotarem as reservas de petróleos e carvões de terra, o homem se verá obrigado a uti­ lizar directamente a energia solar, o que já se está fazendo em pequena escala. Handbuch der Geophysik Bde viii Lf 2 pág. 249. Berlim — 1943. Mont. We. Rev. — 1927, pág. 167; id — 1937, pág. 430. Boletins Mensais e Resumo Anual. Obs. da S. a do Pilar.— 1938 a 1942. Porto. Mon. We. Rev. Abril de 1927; idem, Dezembro de 1917. Maurin. Etude pratique des rayonements. Paris—1937. Estudos actinómetricos. Instituto Geofísico de Coimbra. Estão publicados os resultados das medidas dos anos de 1938-39-40. O clima de Portugal. Obs. do Inf. D. Luiz. Lisboa— 1942. Mon. We. Rev. Dez. — 1937. Mon We. Rev. Nov.— 1940. Clima de Coimbra. Normais etc. Inst. Geof. — 1942.