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SOBRETENSÕES TRANSITÓRIAS EM INSTALAÇÕES PREDIAIS

ASPECTOS SOBRE A ESPECIFICAÇÃO DO DPS


Wagner Almeida Barbosa
Clamper Indústria e Comércio Ltda

I. INTRODUÇÃO

A especificação e projeto de um Sistema de Proteção contra Surtos estão ligados a fatores


importantes que vão desde as condições da infra-estrutura do sistema até a eficiência,
performance e requisitos de segurança dos DPS a serem adotados.
Este trabalho tem como objetivo apresentar aspectos práticos sobre a aplicação de DPS em
instalações elétricas de baixa tensão considerando as condições brasileiras no que tange à
predominância de sistemas com neutro aterrado bem como características de isolamento da
instalação.

II. SOBRETENSÕES NAS LINHAS ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO

As sobretensões nas linhas elétricas de baixa tensão podem ser provocadas por faltas em outra
instalação de tensão mais elevada, por chaveamentos de cargas elétricas ou ainda por descargas
atmosféricas.
Apesar do alto poder destrutivo, dada a intensidade da corrente que pode chegar a 200kA
segundo dados estatísticos, só uma parcela dessa corrente irá atingir as linhas elétricas de uma
instalação predial de baixa tensão.
Do ponto de vista da avaliação dos efeitos dos raios sobre os sistemas de energia existem duas
situações principais a considerar:

Incidência direta (descarga direta)

Ao atingir diretamente as instalações ou a rede elétrica à descarga se propaga estabelecendo


valores elevados de sobretensões em diferentes pontos da instalação em função das impedâncias
dos caminhos percorridos.

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Incidência próxima (descarga indireta)

Quando a descarga atinge as proximidades de uma instalação ou linha elétrica, a existência de


diferentes formas de acoplamento (resistivo, indutivo, capacitivo) permitirá que parte da energia da
descarga seja transferida para as instalações e ou linha elétrica provocando sobretensões
transitórias nos diferentes circuitos da instalação.

III. EFEITOS DAS SOBRETENSÕES TRANSITÓRIAS

Sobre semicondutores

A maioria dos dispositivos semicondutores utilizados atualmente nos circuitos eletrônicos dos
eletrodomésticos não possui tolerância suficiente para suportar sobretensões transitórias que
excedam a tensão nominal desses dispositivos.
Mesmo os transientes de tensão de menor intensidade podem degradar os semicondutores
diminuindo conseqüentemente a vida útil dos eletrodomésticos.
O dano no componente ocorre quando uma elevada tensão reversa é aplicada, mesmo que seja
por alguns microssegundos, na junção PN do semicondutor.

Sobre contatos eletromecânicos

Uma alta tensão gerada no chaveamento de uma carga indutiva poderá causar derretimento,
erosão bem como transferência de material nos contatos de contatores e disjuntores dependendo
do tipo de metal utilizado.
A utilização de técnicas de supressão de transientes podem reduzir significativamente o montante
de energia dissipada nos contatos elétricos durante os chaveamentos aumentando
conseqüentemente a vida útil desses contatos elétricos. O uso de supressores, especificamente,
varistores, pode ainda reduzir o ruído gerado pelo arco elétrico.

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Sobre a isolação da instalação

Sobretensões transitórias podem causar disrupção da isolação tanto nas instalações como nos
equipamentos tendo como efeitos distúrbios temporários na operação, falhas instantâneas ou
danos nos circuitos mais sensíveis.
Normas internacionais tais como IEC e UL, possuem tabelas que recomendam distâncias mínimas
entre partes metálicas bem como entre fios e carcaças que podem ser vistas como uma forma de
proteger, limitando as sobretensões em outras partes do circuito.
Se a impedância da instalação limitar a corrente de curto circuito no caso de uma disrupção, os
dispositivos de proteção contra curto circuito e sobrecargas (fusíveis e disjuntores) poderão não
operar.
Considerando a entrada de energia de uma unidade consumidora em baixa tensão, a norma ANSI-
IEEE- C62.41 estabelece parâmetros para classificar as instalações em categorias considerando o
nível de exposição das instalações a descargas atmosféricas.
Para equipamentos localizados na categoria B, ou seja, após o medidor de energia da
concessionária, em uma área de exposição elevada a descargas atmosféricas, o valor da tensão
impulsiva em onda 1,2x50µs a ser aplicada nos DPS (Dispositivo Protetor Contra Surtos) deve ser
de 6kV, o que é compatível com a tensão disruptiva do medidor de energia da concessionária.

O texto sugerido pela CE – 03:064.1 – Comissão de Estudos de Instalações Elétricas de Baixa


Tensão - GT- 4 – Sobretensões – Draft – 2001 (revisão da NBR 5410), seguindo recomendações
contidas na IEC 60364-4-443, contém tabela com valores de suportabilidade a sobretensões
transitórias de acordo com a categoria dos equipamentos.

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Nível permissível de sobretensão transitória (kV)
1,2/50 µs 10/700 µs
Tensão nominal Uo da instalação em corrente Linhas
alternada (V) elétricas
de sinal
Categoria dos Monofásico Trifásico Monofásico
equipamentos
115/230 127/220 220/380 220/440
120/240 120/208
127/254
I
Equipamento 0,8 1,5 -
especialmente
protegido
II
Aparelhos 1,5 2,5 -
eletrodomésticos e
eletroprofissionais
III
Circuitos de distribuição 2,5 4,0 -
e terminais
IV
Localizados na origem 6,0 6,0 1,5
da instalação
Valores diferentes de tensão nominal são definidos pelas autoridades e/ou engenheiros
de sistemas (vide IEC 60664-1 e IEC 61663-2).
Os valores estabelecidos de tensão nominal entre fase e neutro (Uo) são 127 V e 220 V.

Pode-se observar que para os equipamentos localizados na origem da instalação o nível


permissível de sobretensão é de 6kV em forma de onda 1,2x50µs. Neste caso está sendo
considerada a localização dos equipamentos após o medidor, dentro da edificação. Em situações
de equipamentos localizados externamente à edificação, poderão ocorrer valores superiores de
sobretensões transitórias. Para fins de ensaios de equipamentos e DPS, está previsto na norma
C62.41 20kV (categoria C) em forma de onda 1,2/50µs.

IV. CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA ELÉTRICO

O sistema de distribuição de energia elétrica no Brasil é tipicamente aéreo com linha de


distribuição em média e baixa tensão compartilhando a mesma posteação e possui esquema de
aterramento tipo TN, ou seja, neutro multiaterrado.
A rede de média tensão, no caso 13,8kV, está protegida normalmente nos transformadores e no
final de linha através de Pára-raios com tensão nominal de 12kV e corrente nominal de descarga
de 10kA em forma de onda 8/20µs. Cabe lembrar que o condutor neutro atua como blindagem da
rede de distribuição atenuando as sobretensões induzidas em aproximadamente 16% tendo como
benefício um aumento na vida útil dos Pára-raios.

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V. ASPECTOS IMPORTANTES A SEREM CONSIDERADOS NO DIMENSIONAMENTO DE DPS
PARA A ENTRADA DAS INSTALAÇÕES PREDIAIS

Máxima Tensão de Operação Contínua (MCOV)

O que se pode observar no mercado, atualmente, é que técnicos e engenheiros, na tentativa de se


obter uma baixa tensão residual (de grampeamento) nos DPS, têm especificado módulos
protetores com Máxima Tensão de Operação Contínua – (MCOV) muitas vezes próxima da faixa
de tolerância da tensão da instalação, tornando os DPS susceptíveis a sobretensões temporárias
(TOV) provocadas, por exemplo, por acidentes na rede elétrica do tipo falta de neutro ou até
mesmo curto circuito em outras instalações de tensões mais elevadas.
Como qualquer outro componente eletrônico, os DPS também podem sofrer sobrecargas em
função de sobretensões temporárias, porém estas falhas não podem comprometer a segurança
das instalações.

Na escolha da Máxima Tensão de Operação Contínua, que muitas vezes corresponde ao valor da
tensão nominal do DPS, deve-se utilizar preferencialmente DPS com tensão nominal superior à
tensão entre fases do sistema para se evitar operação indevida em casos sobretensões
temporárias. Uma falta de neutro, por exemplo, na entrada de energia fará com que a tensão entre
fase e neutro seja praticamente duplicada, porém a corrente de curto circuito neste caso é limitada
pela impedância da instalação impedindo muitas vezes que dispositivos de proteção tipo
disjuntores e fusíveis atuem. O DPS deve ser provido de proteção térmica para prover a
desconexão por elevação de temperatura.

Tensão Residual ou Nível de Proteção

Independente da tecnologia utilizada na construção do DPS, ou seja, varistor de óxido de zinco,


diodo de avalanche de silício ou gaps/centelhadores, a tensão residual normalmente é função da
corrente de surto esperada e, portanto deve-se vincular o valor da tensão residual a uma corrente
de surto bem como à forma de onda utilizada.
As normas IEC 61643, IEEE C62.34 e UL 1449 possuem procedimentos de ensaios para
determinação da tensão residual no DPS para vários valores de correntes impulsivas sendo a
forma de onda mais utilizada a 8/20 µs.
Deve ser avaliado pelo projetista se a tensão residual do DPS em uma dada corrente
(normalmente utiliza-se a corrente nominal do DPS conforme NBR 5410) é inferior à tensão
suportável pelo equipamento a ser protegido.

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Corrente de Surto e Energia

Vários cientistas têm concentrado esforços para caracterizar a dispersão da corrente no caso de
uma descarga direta na edificação ou na rede de distribuição de energia objetivando verificar os
efeitos na entrada de energia das edificações para dimensionamento de DPS apropriados.
A dispersão da corrente será função de uma série de variáveis tais como impedância característica
da linha, altura da linha em relação ao solo, impedâncias de aterramento, número de aterramentos
ao longo das linhas, nível de isolação das instalações, dentre outras.

As estatísticas brasileiras no que tange as correntes de descargas medidas na estação de


pesquisa do Morro do Cachimbo da Cemig, mostram valores medianos da ordem de 45kA para a
primeira descarga e 16kA para descarga subseqüente.

Considerando uma rede de distribuição com as características descritas, estudos recentes


mostram que o valor médio da corrente de surto de uma sobretensão transitória que chega a uma
unidade consumidora situada em cidades (residência, prédio, escritório, indústria, etc), em sua
grande maioria, não ultrapassa 1,2 kA. Valores acima de 5 kA e até 25 kA acontecem no máximo
em 15 % dos eventos induzidos por descargas atmosféricas que caem na terra. A probabilidade de
ocorrer uma corrente elétrica superior a 25 kA, na entrada de energia elétrica de baixa tensão de
uma unidade consumidora, é de uma vez em cada 4.115 anos.
Através de simulações computacionais efetuadas pela USP-IEE, envolvendo modelamento de
transformador, isolamento das redes primária e secundária, pára-raios primários e secundários,
resistências de aterramento, e instalações de consumidores, foram obtidas informações de surtos
tanto em linhas sem proteção quanto em linhas protegidas de diferentes formas e, além disso,
foram analisadas as correntes e a energia dissipada pelos dispositivos de proteção.No caso de
uma descarga de 90kA incidindo diretamente na rede de média tensão, junto ao transformador,
pôde-se observar disrupções na baixa tensão face aos elevados valores de tensões induzidas,
com tensões superiores a 30kV principalmente nas pontas da linha.
De um banco de dados contendo várias simulações para descargas de 90kA e DPS instalado no
secundário do transformador, a maior energia depositada no DPS foi da ordem de 980 Joules e a
maior corrente de surto drenada foi de 16,1kA.

Considerando a energia depositada em DPS localizados na entrada de uma edificação atendida


por uma rede de distribuição em baixa tensão do tipo TN, especialistas defendem valores de
dissipação de energia que vão de 200 a 3500 Joules para descargas diretas e de 80 a 840 Joules
para descargas indiretas, ou seja, próximas da instalação.

No cenário de uma descarga considerada rara, ou seja, com baixa probabilidade de ocorrência
incidindo diretamente na edificação, será necessário DPS de alta capacidade energética para
suportar 3500 Joules. Por outro lado, deve-se considerar um banco de dados estatísticos e
experiências de campo ao longo de vários anos na aplicação de DPS com capacidade energética
da ordem de 500 Joules utilizados não somente nas entradas das edificações mas também no
secundário de transformadores junto à rede de distribuição de energia.

Na verdade estes resultados fornecem dados para uma análise de custo/benefício e risco
envolvendo a probabilidade de uma corrente de descarga da ordem de 100kA, e o custo para se
implantar um sistema de proteção contra surtos que suporte condições mais severas. Deve-se
ainda levar em conta na análise, fatores que serão determinantes para diminuição da corrente tais
como, “flashes over” distribuídos de forma randômica na instalação e a probabilidade de
ocorrência, uma vez que descargas com valores acima de 85kA têm probabilidade de ocorrência
menor do que 5%.

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Simulações considerando DPS adicionais em cascata ou até mesmo DPS internos aos
equipamentos, utilizados para atender aos requisitos da IEC 61000-4-5, mostram que a energia
depositada nestes componentes seria muito superior à máxima suportada no caso de uma
descarga de 100KA direta na instalação. Os DPS internos aos equipamentos, quando aplicáveis,
são utilizados para atender aos requisitos de compatibilidade eletromagnética especificamente no
que tange aos ensaios de resistibilidade a perturbações eletromagnéticas que são usualmente
resolvidos com a utilização de varistores ou diodos de avalanche de silício de baixa capacidade de
dissipação de energia. Esses componentes são normalmente inseridos nos cartões de circuitos
impressos das fontes de alimentação e são submetidos a tensões de no máximo 4KV em forma de
onda 1,2/50µs para o nível 4 (condição mais severa).
A tabela a seguir mostra valores de energia dissipada em DPS secundário interno ou externo ao
equipamento, em função da distância em relação ao DPS primário localizado na entrada da
edificação para uma descarga de 100KA e energia de 3500 Joules a ser drenada pelos DPS
(primário e secundário).

Energia depositada no DPS secundário ou interno ao equipamento


DPS
0,1 m 1m 10 m

130V 2560 Joules 2030 Joules 890 Joules

Escolha da Tecnologia

Focando a proteção contra sobretensões transitórias em linhas elétricas de baixa tensão, existem
várias tecnologias de componentes disponíveis no mercado. Todas possuem características
particulares com vantagens e desvantagens. Dependendo das características dos componentes
e/ou dos circuitos a serem protegidos, estes dispositivos podem ser utilizados individualmente ou
associados em cascata, juntamente com elementos de filtro, etc. O três elementos mais utilizados
estão listados na tabela a seguir.

Tempo de Capacidade Custo


Elemento energética Características
resposta (por fase)
(Joules)
- Grande variedade de opções de
USD 44,00
correntes e tensões;
MOV 25ns De 80 a 5000J (DPS de
- Possui um bom tempo de
1500J)
resposta;
- È extremamente rápido; USD 130,00
SAD 100 ps Até 500J - Possui níveis preciosos de (DPS de
tensão residual; 250J)
- Possui alta capacidade
USD 110,00
energética; (DPS de
-Dependendo do fabricante,
7000J)
0,1 a10µs serão necessários cuidados + custo de
Até 700KJ/Ω especiais na montagem em
Spark Gap (depende coordenação
função da expulsão de gases
de dv/dt) + proteções
durante a operação;
secundárias a
- Exige maior atenção na
jusante
coordenação entre as proteções
à jusante;

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VI. CONCLUSÕES

• Deve ser evitado por parte dos fabricantes de equipamentos, principalmente os de


eletrodomésticos, a utilização de componentes de supressão de surtos com Máxima
Tensão de Operação Contínua - MCOV muito próxima da tensão nominal da instalação. A
Seleção do DPS deve ser focada na resistibilidade do equipamento, tanto em modo comum
quanto no modo transversal;
• Os rompimentos na isolação devem ser levados em consideração na avaliação de risco,
pois certamente haverá uma diminuição no pacote de energia a ser drenado pelo DPS
localizado na entrada da edificação;
• Caso seja considerado no dimensionamento do DPS para a entrada da edificação um
pacote de energia devido a uma descarga rara, alguns procedimentos de ensaios talvez
tenham que ser revistos, pois:
- Haverá dificuldade para coordenar as proteções à jusante da entrada de energia
principalmente as internas aos equipamentos;
- As proteções internas que atendem aos requisitos da IEC 61000-4-5, com capacidades
de dissipação de energia menor que 70Joules, ficarão expostas a valores bem mais
elevados, independente da coordenação com o DPS primário a montante;
• Na escolha da tecnologia do DPS, deve ser efetuada uma análise de risco no que tange ao
nível de exposição da instalação a descargas atmosféricas com valores de correntes acima
de 100KA e conseqüentemente valores elevados de energia. Esta análise deve fornecer
subsídios para que a especificação do DPS tenha também como objetivo, além da
segurança da instalação, uma melhor relação custo/benefício, pois as condições de campo
não apresentam estatísticas de falhas freqüentes;
• Os DPS construídos a base de varistor de óxido de zinco possuem uma melhor relação
custo/benefício, pois possuem uma alta capacidade energética bem como uma larga gama
de modelos disponíveis além do custo mais baixo. Deve-se considerar ainda o histórico de
vários anos no uso desses componentes tanto para instalações elétricas de baixa tensão
quanto para linhas de transmissão e distribuição de energia em alta e média tensão
respectivamente;
• Os DPS constituídos por SAD – Diodos de Avalanche de Silício possuem melhor
performance no que tange a limitação de tensão, tempo de resposta além de não sofrer
degradação segundo os fabricantes, desde que não seja ultrapassada a capacidade
máxima. Porém ainda são dispositivos com custo mais elevado. Por exemplo, a tensão
residual de um SAD de 220V e 250Joules, é no máximo 360V em 10KA considerando a
forma de onda 8/20µs.

VII. BIBLIOGRAFIA

ABNT/NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa tensão – 1997

CE – 03:064.1 – Comissão de Estudos de Instalações Elétricas de Baixa Tensão - GT- 4 –


Sobretensões – Draft – 2001

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8
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Martzloff, François, e Mansoor, Arshad – The Role and Stress of Surge-Protective Devices in
Sharing Lightning Current – EMC Europe 2002, September 2002.

Autor:
Wagner Almeida Barbosa, Engenheiro Eletricista, 11 anos atuando como Gerente do
Departamento de Desenvolvimento da Clamper indústria e Comércio Ltda. Consultor e membro de
grupos de trabalho junto ao COBEI, ANATEL e outros envolvendo estudos sobre Proteção Contra
Surtos Elétricos.
Wagner@clamper.com.br
Clamper Indústria e Comércio Ltda
Rodovia LMG 800 KM 01, Nº 128, Distrito Industrial Genesco Aparecido de Oliveira
Lagoa Santa- MG – Cep: 33400-000