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Moderna PLUS

FÍSICA 2
oS FundAmentoS dA FÍSICA
RAMALHO • NICOLAU • TOLEDO

Francisco Ramalho Junior


Professor de Física em cursos pré-vestibulares.

Nicolau Gilberto Ferraro


Licenciado em Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Engenheiro metalurgista pela Escola Politécnica da USP. Professor de Física em
cursos pré-vestibulares e em escolas do Ensino Médio e Superior.

Paulo Antônio de Toledo Soares


Médico diplomado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Professor de Física em cursos pré-vestibulares e em escolas do Ensino Médio.

Exemplar do professor

10a edição

FIS_PLUS 2_SUMARIO.indd 1 26.08.09 16:55:03


© Francisco Ramalho Junior, Nicolau Gilberto Ferraro,
Paulo Antônio de Toledo Soares, 2009

Moderna PLUS
Coordenação de Projeto e Inovação: Sérgio Quadros, Sandra Homma
Coordenação editorial: Rita Helena Bröckelmann
Edição de texto: Alexandre Braga D’Avila (coordenação), Edna Emiko Nomura,
Tomas Masatsugui Hirayama, Erich Gonçalves da Silva, Eugenio Dalle Olle,
Horácio Nakazone, Luciana Ribeiro Guimarães, Caio Alencar de Matos
Assistência editorial: Denise Minematsu
Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Homma
Projeto gráfico e capa: Everson de Paula, Marta Cerqueira Leite
Foto: Sol - © Masterfile/Other Images,
Raio-X do Sol - © Photodisc/Getty Images
Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues
Coordenação de revisão: Elaine C. del Nero
Revisão: Márcia da Cruz Nóboa Leme, Nelson José de Camargo
Coordenação de arte: Wilson Gazzoni Agostinho
Edição de arte: Fernanda Fencz, Alexandre de Paula, A+ Comunicação
Ilustrações: Adilson Secco, Nelson Matsuda, Studio Caparroz
Assessoria de projetos visuais: William H iroshi Taciro
Edição de infografia: Erich Gonçalves da Silva, Alexandre Braga D‘Avila,
Tomas Masatsugui Hirayama, Eugenio Dalle Olle
Cartografia: Alessandro Passos da Costa
Editoração eletrônica: Grapho Editoração
Coordenação de pesquisa iconográfica: Ana Lucia Soares
Pesquisa iconográfica: Ana Carolina Muniz, Angélica Nakamura,
Camila D’Angelo, Carlos Luvizari, Flávia Aline de Morais, Marcia Sato,
Thais R. Semprebom, Vera Lucia da Silva Barrionuevo
As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de
Informação e Documentação da Editora Moderna
Coordenação de bureau: Américo Jesus
Tratamento de imagens: Luiz C. Costa, Rubens M. Rodrigues
Pré-impressão: Everton L. de Oliveira, Helio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto
Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Ramalho Junior, Francisco


Os Fundamentos da Física / Francisco Ramalho
Junior, Nicolau Gilberto Ferraro, Paulo Antônio de Toledo
Soares. — 10. ed. — São Paulo : Moderna, 2009.

Conteúdo: V. 1. Mecânica — V. 2. Termologia,


óptica e ondas — V. 3. Eletricidade, introdução à
física moderna e análise dimensional.
Bibliografia.

1. Física (Ensino médio) 2. Física (Ensino médio) –


Problemas, exercícios etc. I. Ferraro, Nicolau Gilberto.
II. Soares, Paulo Antônio de Toledo. III. Título.

09-07089 CDD-530.7

Índices para catálogo sistemático:


1. Física : Estudo e ensino 530.7

ISBN 978-85-16-07414-2

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Todos os direitos reservados
EDITORA MODERNA LTDA.
Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho
São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
Fax (0_ _11) 2790-1501
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2015
Impresso na China

1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

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Apresentação
Nesta coleção, a Física é apresentada como uma ciência
moderna e profundamente inserida em sua vida. Estudá-la,
paralelamente às demais disciplinas, é um compromisso que
você tem consigo mesmo, a fim de se desenvolver como
cidadão, apto a contribuir, com seus conhecimentos e uma
formação científica bem estruturada, para o progresso da
sociedade em que vive.
Além de desenvolver o conteúdo básico de Física estabelecido
para o Ensino Médio, procura-se nesta obra relacionar as leis
e os fenômenos físicos ao dia a dia e ao desenvolvimento de
processos tecnológicos. A exposição teórica de um assunto vem
sempre acompanhada por exercícios resolvidos, cuja finalidade
é analisar, elucidar e mesmo ampliar a teoria apresentada. Com
objetivo semelhante ao dos exercícios resolvidos, há exercícios
propostos, para que você possa exercitar e assimilar os itens
teóricos. Há ainda exercícios propostos de recapitulação, que,
além de um grau de dificuldade maior que os anteriores, têm por
objetivo revisar e complementar os assuntos abordados. No final
de cada capítulo, você encontra os testes propostos, ordenados
de acordo com a exposição da teoria. Exercícios especiais,
presentes em alguns capítulos, têm outra finalidade: aprofundar
ainda mais os conteúdos e relacioná-los com conceitos vistos
anteriormente. Além disso, em toda a obra são incluídas questões
de vestibulares, do Enem e das Olimpíadas de Física.
Acompanhando a evolução tecnológica de nossa sociedade,
em cada capítulo indicamos endereços eletrônicos (Entre na
rede), onde o aluno poderá obter informações sobre os diversos
assuntos desenvolvidos e trabalhar com animações e simulações
de alguns fenômenos estudados.
No Portal Moderna Plus, você aluno encontra:
•   Textos sobre História da Física, que situam no tempo os
cientistas e seus feitos, com a descrição de seus estudos, suas
pesquisas e suas descobertas, revelando que a ciência está em
constante desenvolvimento. Complementando a biografia,
criamos o item Enquanto isso..., em que fazemos breves
considerações a respeito de personalidades importantes do
período, em diferentes ramos de atividade.
•   A Física em nosso Mundo, que são leituras especiais indicadas
no final de cada capítulo, com a finalidade de mostrar que essa
ciência está fortemente relacionada com a vida e o cotidiano
do ser humano. Após cada uma dessas leituras, sugerimos
novos exercícios em Teste sua leitura, para que você possa
aplicar os conhecimentos apresentados no texto.
•   Atividades experimentais. A intenção desses experimentos é
propiciar a você que “ponha a mão na massa”, estabelecendo
assim um vínculo mais profundo com a Física. Com isso, será
mais fácil compreender os pilares dessa ciência e, assim o
desejamos, fascinar-se com ela.

Ramalho, Nicolau e Toledo


organização DiDática
Abertura de Parte
Cada Parte está organizada
em Unidades, com seus
respectivos Capítulos.

A Coleção Moderna Plus Física é PARTE I

composta de três livros. O conteúdo Unidade A


Introdução à Termologia

de cada ano letivo é encadernado Capítulo 1 Conceitos fundamentais, 14

separadamente em três partes: Parte I,


Unidade B
A temperatura e seus efeitos
PARTE

I
Capítulo 2 Termometria, 22

Parte II e Parte III, que serão utilizadas Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos
e líquidos, 41

em um ano letivo. Assim, você leva para a Unidade C


A energia térmica em trânsito

sala de aula apenas a Parte na qual está


Capítulo 4 Calor: energia térmica em
trânsito, 63

Capítulo 5 Mudanças de fase, 83

o conteúdo em estudo.
Capítulo 6 Diagramas de fases, 99

Capítulo 7 Propagação do calor, 124

Unidade D
Estudo dos gases
e Termodinâmica

Capítulo 8 Estudo dos gases, 147

Capítulo 9 As leis da Termodinâmica, 171

Abertura de Unidade
No início de cada
Unidade há indicação
do tema sobre o qual os
Capítulos que ela reúne
serão trabalhados.

UNIDADE C

Capítulo

7
Propagação do calor

Neve para se aquecer Isolantes na natureza


A pelagem, densa e de comprimentos variados,
Lkhkjknpa(pailan]pqn]]^]etk`ko/,k?jac]perko* dos ursos-polares armazena ar em seu interior
Kmqark_Œb]ne]l]n]oalnkpacan`kbnek;?kjopnq]qi] e juntamente com uma espessa camada de
gordura sob a pele isola o corpo do animal
_]o]`ajaraKmqal]na_aaopn]jdkŠqi]okhq‰‡k do meio ambiente, protegendo-o do frio.
A propagação do calor pode
Abertura de Capítulo
^]op]jpaajcajdko]*Koechqoo‡k_kjopnq‰—aoaomqei“o
realizar-se de três diferentes iqepk]jpec]omqac]n]jpen]i]ok^narerŒj_e]`aooalkrk
maneiras: condução, jqi`kohqc]naoi]eoej“olepko`klh]jap]*
convecção e irradiação,
Cada abertura de estando presente em várias
situações práticas. Em uma
Para se construir um iglu

Capítulo apresenta
garrafa térmica, por exemplo,
a neve usada nos blocos
procura-se minimizar as trocas deve estar bem dura O revestimento das paredes e dos
de calor que ocorreriam por (para sustentar o peso dormitórios é feito com peles de

imagem retratando
dos outros blocos). foca, para que o esquimó não fique
meio dos três processos. em contato direto com a neve.
1 mm
1 mm
7.1 Fluxo de calor

situações cotidianas
A gordura também é um
O fluxo de calor através de uma ótimo isolante térmico. Os
superfície é a quantidade de calor esquimós seguem uma dieta Neve, não gelo!
transmitida por unidade de tempo. com grandes concentrações

com a Física ou que


A neve funciona muito bem
de lipídios, para que, assim
como isolante térmico, pois,
7.2 Condução térmica como os ursos, possam
quando compactada, guarda
armazenar boa quantidade
Para que ocorra transmissão de pequenas bolsas de ar em seu

propicia a aquisição
de gordura sob a pele.
interior, diferentemente do
calor por condução térmica, é gelo, embora este também seja
necessária a presença de um meio isolante. Isso faz toda diferença,
material. Hoje em dia não se usam pois o ar é um ótimo isolante

de informações sobre 7.3 Convecção térmica


A convecção térmica consiste no
os iglus como moradia,
apenas como abrigo em
temporadas de caça.
térmico, evitando a transferência
de calor por condução.

assuntos relacionados movimento de massas fluidas que


trocam de posição por diferença de
densidade.

ao Capítulo. 7.4 Noções de irradiação


térmica
Alasca
Círculo
Polar Ártico

Na irradiação térmica a
transmissão de energia ocorre Canadá
sem a necessidade de um
meio material.
Rússia
A fogueira e o calor
emanado pelo
-3 oC
corpo aquecem o
ar, elevando-o junto
Para pensar
Groenlândia
-30 oC
com a umidade, que
Os inuítes Oceano
congela ao passar pelas 1. Por que um iglu de gelo não seria tão eficien- Vale a pena
Ártico te quanto um de neve? Dentro do iglu, a temperatura
Os inuítes são um grupo de frestas entre os blocos,
vedando os espaços e pode chegar a “confortáveis” -3 oC.
esquimós que habitam o 2. É comum ouvirmos falar que uma blusa de
reforçando a estrutura. Considerando que a temperatura externa
norte do Canadá, o Alasca e a Groenlândia lã nos esquenta no frio. Essa afirmação está
fica próxima dos -30 oC, dormir dentro
Groenlândia. É deles o costume correta? Justifique.
de um iglu é uma ótima alternativa.
de construir iglus.

Há uma breve descrição Alguns temas foram Cada infográfico


do que será estudado destacados com apresenta algumas
no Capítulo e um foco infografias, criando questões que
(objetivo) para cada oportunidade para possibilitam
Seção do Capítulo. você exercitar a o estudo do
leitura de imagens. tema proposto.

FIS_PLUS 2_SUMARIO.indd 4 26.08.09 17:27:12


Leitura
Quadro com ampliação do
tema com base em relatos
históricos, aplicações e
desenvolvimento tecnológico.

!EXPERIoNCIADE*OULE
Seção 4.3 HfcWUgXYWU`cf"7U`cf…aYhfc EXERCÍCIOS ESPECIAIS de Calorimetria
0ARACHEGARAOEQUIVALENTEMEChNICODOCALOR *AMES0RESCOTT
Objetivos 8c]gWcfdcgAYBg~cWc`cWUXcgbiafYW]bhchYfa]WUaYbhY]gc`UXc" *OULEREALIZOUUMASmRIEDEEXPERIoNCIAS!MAISCONHECIDADELAS
Analisar o GYUhYadYfUhifUXYAaU]cfeiYUXYB \zhfUbgZYfƒbW]UXYWU`cfXc APRESENTADAEMNUMAMONOGRAFIAg2OYAL3OCIETY CONSISTIA
funcionamento de um df]aY]fcdUfUcgY[ibXc UheiYgYYghUVY`Y€UcYei]`…Vf]chfa]Wcfig. 6" DEUMASmRIEDEPfSGIRANTESFIXADASEMTORNODEUMEIXOVER
7cacb~c\zcihfcgWcfdcghfcWUbXcWU`cf gYAdYfXYf dcfYlYad`c )$WU` TICAL COLOCADASEMUMACUBATERMICAMENTEISOLADADOEXTERIOR
Abertura de Seção
calorímetro e as trocas
de calor entre corpos em bYggY]bhYfjU`cXYhYadc BhYfzfYWYV]XcYlUhUaYbhY)$WU`"DY`UWcb! IMERSASEMfGUA
seu interior. jYb€~cXYg]bU]gYghUVY`YW]XU. /DISPOSITIVOUTILIZADOPOR*OULEESTfILUSTRADO ESQUEMATI
CAMENTE NA FIGURA AO LADO / MOVIMENTO DE ROTAljO DAS PfS

Cada Capítulo é organizado


Enunciar e aplicar QA 5 2)$WU`QB 5)$WU`
mOBTIDOCOMOAUXqLIODEUMMOLINETE OQUALmACIONADOPELA
o princípio geral das
QUEDADEDOISBLOCOS!VELOCIDADEDEROTAljODOEIXOVERTICAL
trocas de calor.
PERMANECEPRATICAMENTECONSTANTE DEVIDOgGRANDERESISToNCIA

em seções. No início Termos e conceitos


˜WU`cf…aYhfc
A Calor B A B DAfGUAAOMOVIMENTODASPfS3ENDOASSIM AENERGIACINmTICA
DOSBLOCOSTAMBmMPRATICAMENTENjOVARIADURANTEAQUEDA MAS
AENERGIAPOTENCIALDELESmTOTALMENTETRANSFORMADAEMENERGIA

de cada Seção existe A > B : A cede calor para B

Figura 6. Os corpos A e B trocam calor até atingir o equilíbrio térmico.


'A = 'B : equilíbrio térmico TmRMICAEMCONSEQUoNCIA AfGUASEAQUECE5TILIZANDO SEUM
TERMxMETRO DE PRECISjO MEDE SE A VARIAljO DE TEMPERATURA
SOFRIDAPELOLqQUIDO

a descrição dos seus DYfWYVY!gYeiY.


$ESSE MODO SENDO CONHECIDO O PESO 0 DE CADA BLOCO E A
ALTURADEQUEDA( mPOSSqVELDETERMINARAENERGIAPOTENCIAL%

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

DOSBLOCOSgALTURA(

Objetivos e também dos QA 5 2QB ci QA 1 QB 5$ %503(

Termos e Conceitos que DcXYacgYbh~cYbibW]Ufcdf]bW…d]c[YfU`eiYXYgWfYjYUghfcWUgXY


WU`cf. 3ENDOMAMASSADEfGUA CSEUCALORESPECqFICOESJAVARIAljODETEMPERATURA AQUANTIDADEDECALOR1AB
SORVIDAPELAfGUANOPROCESSOSERfDADAPOR

serão estudados nela. GYXc]gciaU]gWcfdcghfcWUaWU`cfYbhfYg] UgcaUU`[Vf]WUXUg


eiUbh]XUXYgXYWU`cfhfcWUXUgdY`cgWcfdcg UhcYghUVY`YW]aYbhc
15M3C3SJ
#OMPARANDOASDUASQUANTIDADES mPOSSqVELESTABELECERARELAljOENTREAUNIDADEDAENERGIAMEChNICAJOULE

Os Termos e Conceitos
EAUNIDADEDAQUANTIDADEDECALORCALORIA 
XcYei]`…Vf]chfa]Wc bi`U"

CAL5 *

serão retomados no ;YfU`aYbhY cgWcfdcgeiYhfcWUaWU`cfg~cWc`cWUXcgbc]bhYf]cfXY


X]gdcg]h]jcgYgdYW]U]gXYbca]bUXcgWU`cf…aYhfcg ]gc`UXcghYfa]WUaYb! /RIGINALMENTE OSPESOSUTILIZADOSPOR*OULETINHAMLIBRASCADAUM CAqAMDEUMAALTURADEJARDASEA
hYXcaY]cYlhYf]cf"CaU]gigUXccWU`cf…aYhfcXYa]ghifU UdfYgYbhUXc
Caderno do Estudante
VELOCIDADEDEQUEDAERADEPmPORSEGUNDO!OPERAljOFOIREPETIDADEZESSEISVEZESEATEMPERATURADAfGUAFOI
bUZchcUgY[i]fY]`ighfUXcYaWcfhY(fig. 7)" DETERMINADACOMOAUXqLIODEUMTERMxMETROSENSqVEL CAPAZDEDETECTARDIFERENlASDETEMPERATURADECENTmSIMO
DEGRAU&AHRENHEIT4ODASESSASUNIDADESSjODOSISTEMAINGLoS

promovendo revisitação aos /VALORDOEQUIVALENTEMEChNICODOCALORCOMOENTjOFOICHAMADO ENCONTRADOPOR*OULEFOI EMUNIDADES


DEHOJE  JOULES
PARACALORIA°UMVALORBEMACEITfVELPARAASCONDIlzESEMQUEOSEXPERIMENTOSFORAM

Capítulo 4˜7U`cf.YbYf[]Uhfa]WUYahf|bg]hc
Termômetro Agitador REALIZADOS/VALOREXATODESSAEQUIVALoNCIAFOIOBTIDOPOSTERIORMENTE FRUTODEEXPERIoNCIASMAISCUIDADOSA

Unidade C˜5YbYf[]Uhfa]WUYahf|bg]hc
temas do Capítulo. Dessa Isolante térmico
MENTECONDUZIDAS

maneira, você tem uma Vaso de metal

visão geral sobre a Seção


Água Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/joule/joule.htm (acesso em julho/2009),
Suporte você poderá reproduzir, por meio de uma simulação, a experiência de Joule, com a transformação de energia mecânica em calor.

que irá estudar. Figura 7. Corte de um calorímetro de mistura.


Conteúdo digital Moderna PLUS \hhd.##kkk"acXYfbUd`ig"Wca"Vf
5b]aU€~c. A experiência de Joule

Conteúdo digital Moderna PLUS \hhd.##kkk"acXYfbUd`ig"Wca"Vf


G]ai`UXcf.Calorímetro
* Kjkiafkqha$F%(mqa`aoecj]]qje`]`a`aajance]jkOE(bke]pne^qŽ`kaidkiaj]cai]k_eajpeop](ai-445*
71 80

Conteúdo digital Moderna Plus: ícone Entre na rede: sugestões de


com indicação de conteúdo digital no endereços eletrônicos com
portal do Projeto Moderna Plus, como mais informações sobre o
leituras complementares, animações, assunto do Capítulo, além de
exercícios extras, simulações e vídeos animações e simulações dos
relativos ao tema estudado. conteúdos trabalhados.

P. 44 (Faap-SP) Um disco circular de ferro, cuja área vale sendo de 2,3 3 1025 K21 e o coeficiente de dilatação
100 cm2, ajusta-se exatamente numa cavidade volumétrica da glicerina de 5,1 3 1024 K21. Se a tem-
EXERCÍCIOS ESPECIAIS de Calorimetria praticada num bloco de cobre, estando ambos
a 0 wC. Determine a área da coroa circular vazia
peratura do sistema taça-glicerina for aumentada
para 39 wC, a glicerina transbordará ou não? Em caso
quando o conjunto estiver a 100 wC. Os coeficien- afirmativo, determine o volume transbordado; em

Exercícios resolvidos:
c (cal/g C)
 tes de dilatação linear do ferro e do cobre valem caso negativo, determine o volume de glicerina que
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
0,42 respectivamente 10 3 1026 wC21 e 16 3 1026 wC21. ainda caberia no interior da taça.
0,30
R.26 O calor específico de uma substância no estado

têm como função analisar,


P. 45 (Mackenzie-SP) O coeficiente de dilatação linear P. 48 (UFPE) Uma caixa cúbica metálica de 10 c está com-
líquido varia com a temperatura, sob pressão A médio do ferro é igual a 0,0000117 wC21. De quanto pletamente cheia de óleo, quando a temperatura do
constante, segundo o gráfico. Determine a quan- deve aumentar a temperatura de um bloco de ferro conjunto é de 20 wC. Elevando-se a temperatura até
tidade de calor necessária para aquecer 50 g para que seu volume aumente de 1%? 30 wC, um volume igual a 80 cm3 de óleo transborda.
0 10 70 (C)

elucidar e ampliar a
dessa substância entre 10 wC e 70 wC. Sabendo-se que o coeficiente de dilatação volumé-
Q 0,42 1 0,30 Q P. 46 (Fuvest-SP) A 10 wC, 100 gotas idênticas de um líqui- trica do óleo é igual a 0,9 3 1023 wC21, determine:
c (cal/g  C) A 5 __ 5 ___________ 3 (70 2 10) ] __ 5 0,36 3 60 ]
0,42 m 2 m do ocupam um volume de 1,0 cm3. A 60 wC, o volume a) a dilatação do recipiente, em cm3;

teoria apresentada.
Q ocupado pelo líquido é de 1,01 cm3. Calcule: b) o coeficiente de dilatação linear do metal.
0,30 ] ___ 5 21,6 ] Q 5 1.080 cal
50 a) a massa de 1 gota de líquido a 10 wC, sabendo-
-se que sua densidade, a essa temperatura, é
P. 49 (FEI-SP) Um recipiente de vidro tem capacidade
de 0,90 g/cm3;

Exercícios propostos:
R.27 De que altura deve cair, partindo do repouso, um C0 5 91,000 cm3 a 0 wC e contém, a essa tempera-
corpo de massa 2 kg, para que sua temperatura b) o coeficiente de dilatação volumétrica do lí- tura, 90,000 cm3 de mercúrio. A que temperatura
0 10 70 (C)
se eleve de 5 wC ao se chocar inelasticamente com quido. o recipiente estará completamente cheio de
Solução: o chão? Admita que somente o corpo absorva a mercúrio?

propõem o exercício
Como o calor específico é variável, não se pode usar energia térmica desprendida. O calor específico do P. 47 (UFPR) Uma taça de alumínio de 120 cm3 contém (Dados: coeficiente de dilatação linear do vi-
diretamente a equação fundamental da Calorime- material do corpo é 0,04 cal/g 3 wC. 119 cm3 de glicerina a 21 wC. Considere o coe- dro 5 32 3 1026 wC21; coeficiente de dilatação cúbica
tria Q 5 mcSJ. No caso, como a variação do calor Adote g 5 10 m/s2 e 1 cal 5 4 J. ficiente de dilatação linear do alumínio como do mercúrio 5 182 3 1026 wC21)
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

específico é linear com a temperatura, pode-se

e assimilação dos
Solução:
adotar no intervalo considerado o calor específico
A energia potencial gravitacional do corpo (E p)
médio como a média aritmética dos calores espe-
em relação ao solo vai se converter totalmente em
cíficos extremos. Então:
calor (Q ) que aquece o corpo:

conteúdos teóricos. 0,30 1 0,42


cM 5 ___________ ] cM 5 0,36 cal/g 3 wC
2
Aplica-se agora a equação fundamental da Calo-
Ep 5 Q
Sendo Ep 5 mgh e Q 5 m 3 c 3 SJ, vem:
c 3 SJ
TESTES PROPOSTOS

Exercícios propostos de
rimetria usando-se esse valor médio para o calor mgh 5 m 3 c 3 SJ ] h 5 ______
g
específico (Q 5 m 3 cM 3 SJ). T. 41 (UFRN) João precisa abrir um recipiente de con- T. 43 (UFV-MG) A figura
Sendo m 5 50 g e SJ 5 70 wC 2 10 wC 5 60 wC, temos: No entanto, para que essa fórmula possa ser usada, serva cuja tampa está emperrada. O recipiente é ao lado ilustra uma
o calor específico deve ser expresso em J/kg 3 wC. Esfera
de vidro comum, e a tampa é de alumínio. Para esfera maciça de

recapitulação: apresentam Q 5 50 3 0,36 3 60 ]

Resposta: 1.080 calorias


Q 5 1.080 cal Assim:
cal 4J
c 5 0,004 _____ 5 0,04 3 ___________
g3C 1023 kg 3 wC
5 160 J/kg 3 °C
facilitar a abertura, sugeriu-se que ele colocasse
a tampa próximo da chama do fogão por alguns
segundos e, imediatamente após afastar o reci-
diâmetro L e uma
barra de mesmo
material com com-

um grau de dificuldade
Observação: 160 3 5 pien te da chama, tentasse abri-lo. O procedi- primento também
Outra solução (mais geral, pois pode ser usada Portanto: h 5 _______ ] h 5 80 m mento sugerido vai favorecer a separação entre igual a L, ambos a
10
mesmo que a variação do calor específico não seja a tampa e o recipiente, facilitando a tarefa de uma mesma tem- L
Resposta: 80 m Barra
linear) seria a utilização de uma propriedade do destampá-lo, porque: peratura inicial.

maior e auxiliam na revisão gráfico c # J.


Se o calor específico fosse constante, teríamos o
gráfico abaixo.
R. 28 Uma bala de chumbo de 5 g de massa move-se a
uma velocidade de 40 m/s no instante em que se
a) o coeficiente de dilatação térmica do vidro é
maior que o do alumínio.
b) o coeficiente de dilatação térmica do alumínio Quando a temperatura dos dois corpos for ele-

e complementação dos
choca com uma parede, ficando nela inscrustada. é maior que o do vidro. vada para um mesmo valor final, a razão entre o
c Supondo que toda a energia mecânica da bala tenha aumento do diâmetro da esfera e o aumento do
c) o calor da chama diminui a pressão interna do
c se convertido em calor que a aqueceu, determine sua comprimento da barra será:
Capítulo 4˜7U`cf.YbYf[]Uhfa]WUYahf|bg]hc

líquido da conserva.
elevação de temperatura (dados: calor específico do

assuntos abordados.
d) o calor da chama diminui o volume do reci- 1 1 9 3
A chumbo 5 0,03 cal/g 3 wC; g 5 10 m/s2; 1 cal 5 4,18 J). a) __ b) 1 c) __ d) __ e) __
Unidade B˜5hYadYfUhifUYgYigYZY]hcg

piente. 3 9 1 1
Solução:
0   A energia cinética da bala se converte, com o im-
T. 44 (Uema) Um arame de aço, dobrado conforme a

Testes propostos:
pacto, no calor que vai aquecê-la: T. 42 (PUC-SP) Um mecânico de automóveis precisa sol-
A área destacada, no intervalo de temperatura SJ, figura, está engastado no teto, no ponto A. Aumen-
Ec 5 Q tar um anel que está fortemente preso a um eixo. tando a sua temperatura de maneira homogênea,
seria dada numericamente por: mv2
Sendo Ec 5 ____ e Q 5 m 3 c 3 SJ, vem: Sabe-se que o anel é feito de aço, de coeficiente de a extremidade B terá um deslocamento que será
A 5 c 3 SJ 2 dilatação linear 1,1 3 1025 wC21, e o eixo, de alumínio,

questões das provas de


mais bem representado por qual dos vetores?
Mas, da equação fundamental, obtemos: mv 2
v2 cujo coeficiente é 2,3 3 1025 wC21. Lembrando que
____ 5 m 3 c 3 SJ ] SJ 5 ___ tanto o aço quanto o alumínio são bons condu- a)
Q 2 2c A
Q 5 m 3 c 3 SJ ] __ 5 c 3 SJ tores térmicos e sabendo-se que o anel não pode

vestibulares mais recentes


m Para usar essa fórmula, o calor específico deve estar ser danificado e que não está soldado ao eixo, o b) a
Q em J/kg 3 wC. Então: mecânico deve:
Comparando: A 5 __ (numericamente) cal 4,18 J a) aquecer somente o eixo. c) B
m c 5 0,03 3 ______ 5 0,03 3 ___________ 5 125,4 J/kg 3 °C
g 3 wC 1023 kg 3 wC

ordenadas de acordo com a


b) aquecer o conjunto (anel 1 eixo).
Essa propriedade pode ser generalizada para qual- 2 d) a
(40) c) resfriar o conjunto (anel 1 eixo).
quer gráfico que forneça a variação do calor espe- Assim: SJ 5 _________ ] SJ 7 6,38 wC
cífico com a temperatura. Para o caso do problema 2 3 125,4 d) resfriar somente o anel.
e)
a a

exposição da teoria.
apresentado: Resposta: 7 6,38 wC e) aquecer o eixo e, logo após, resfriar o anel.

81 58

Exercícios especiais:
questões de
aprofundamento que se
relacionam com conceitos
vistos anteriormente.

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SumárIo gerAl
Unidade A Introdução à Termologia
PARTE
I Capítulo 1
Seção
Conceitos fundamentais 14

1.1 Termologia: observações macroscópicas,


interpretações microscópicas, 16
1. Energia térmica e calor ______________________________________________ 16
2. Noção de temperatura _______________________________________________ 17
3. Os estados de agregação da matéria _________________________________ 18

Unidade B A temperatura e seus efeitos

Capítulo 2 termometria 22
Seção

2.1 Medida da temperatura, 23


1. Termômetro _________________________________________________________ 23
Leitura — O “termômetro” de Galileu ___________________________________ 24
2.2 Graduação de um termômetro. Escalas termométricas, 25
1. Conversão entre as escalas Celsius e Fahrenheit ______________________ 26
Leitura — A medida da temperatura corporal ___________________________ 27
2. Variação de temperatura _____________________________________________ 29
Leitura — O termômetro de máxima e mínima ___________________________ 30
3. Função termométrica ________________________________________________ 32
Leitura — Outros tipos de termômetro _________________________________ 32
2.3 A temperatura como medida da agitação térmica.
A escala absoluta Kelvin, 34
Leitura — Temperaturas absolutas notáveis ____________________________ 36
Exercícios propostos de recapitulação, 37

Capítulo 3 dilatação térmica de sólidos e líquidos 41


Seção

3.1 Introdução, 42
3.2 Dilatação dos sólidos, 43
1. Dilatação linear______________________________________________________ 43
Dilatação relativa, 45; Gráficos da dilatação linear, 46
Leitura — A lâmina bimetálica _________________________________________ 47
Leitura — A dilatação térmica no dia a dia ______________________________ 49
2. Dilatação superficial _________________________________________________ 50
3. Dilatação volumétrica________________________________________________ 52
3.3 Dilatação térmica dos líquidos, 54
Relação entre os coeficientes, 55
Exercícios propostos de recapitulação, 57

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Unidade C A energia térmica em trânsito

Capítulo 4 Calor: energia térmica em trânsito 63


Seção
4.1 Calor: energia térmica em trânsito, 64
1. Calor sensível e calor latente _________________________________________ 65
4.2 Quantidade de calor sensível. Equação fundamental da Calorimetria.
Calor específico, 66
1. Capacidade térmica de um corpo _____________________________________ 68
4.3 Trocas de calor. Calorímetro, 71
Exercícios propostos de recapitulação, 74
Leitura — A experiência de Joule _______________________________________ 80
Exercícios especiais de Calorimetria, 81

Capítulo 5 Mudanças de fase 83


Seção
5.1 Considerações gerais, 84
5.2 Quantidade de calor latente, 86
1. Curvas de aquecimento e de resfriamento ____________________________ 87
2. O fenômeno da superfusão ___________________________________________ 93
Exercícios propostos de recapitulação, 94

Capítulo 6 Diagramas de fases 99


Seção
6.1 Diagrama de fases, 100
6.2 Equilíbrio sólido-líquido. Fusão e solidificação, 102
1. Substâncias que se dilatam na fusão _________________________________ 103
2. Substâncias que se contraem na fusão _______________________________ 103
6.3 Equilíbrio líquido-vapor. Ebulição e condensação, 106
6.4 Pressão máxima de vapor. Isotermas de Andrews, 108
6.5 Umidade do ar. Evaporação, 112
6.6 Equilíbrio sólido-vapor. Sublimação, 114
Leitura — O ciclo da água na natureza __________________________________ 115
Exercícios propostos de recapitulação, 116

Capítulo 7 Propagação do calor 124


Seção
7.1 Fluxo de calor, 126
7.2 Condução térmica, 127
1. Lei da condução térmica _____________________________________________ 128
2. Aplicações da condução térmica _____________________________________ 131
Leitura — A condução do calor no dia a dia _____________________________ 132
7.3 Convecção térmica, 133
7.4 Noções de irradiação térmica, 135
Leitura — Radiômetro de Crookes, 137

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SUMÁRIO geRal

1. Lei de Stefan-Boltzmann. Lei de Kirchhoff _____________________________ 137


Potência irradiada, 138
2. Aplicações e efeitos da irradiação ____________________________________ 139
Estufas, 139; O efeito estufa, 140; Usos dos raios infravermelhos, 140
Leitura — A garrafa térmica ___________________________________________ 141
Exercícios propostos de recapitulação, 141

Unidade D Estudo dos gases e Termodinâmica

Capítulo 8 estudo dos gases 147


Seção
8.1 As transformações gasosas, 148
1. Transformação isocórica _____________________________________________ 149
2. Transformação isobárica _____________________________________________ 150
3. Transformação isotérmica ___________________________________________ 151
8.2 Conceito de mol. Número de Avogadro, 155
8.3 Equação de Clapeyron, 156
1. Lei geral dos gases perfeitos _________________________________________ 157
8.4 Teoria cinética dos gases, 161
1. Pressão, temperatura absoluta e energia cinética de um gás __________ 163
Pressão exercida por um gás, 163; Energia cinética do gás, 163; Velocidade
média das moléculas, 164; Energia cinética média por moléculas, 164
Exercícios propostos de recapitulação, 165

Capítulo 9 as leis da Termodinâmica 171


Seção
9.1 Considerações preliminares, 172
1. Trabalho numa transformação ________________________________________ 173
9.2 O princípio da conservação da energia aplicado à Termodinâmica, 177
1. Energia interna. Lei de Joule para os gases perfeitos __________________ 177
2. Primeira lei da Termodinâmica ________________________________________ 178
9.3 Transformações gasosas, 181
1. Transformação isotérmica (temperatura constante) ___________________ 181
2. Transformação isobárica (pressão constante) _________________________ 183
3. Transformação isocórica (volume constante) __________________________ 183
4. Transformação adiabática ___________________________________________ 187
5. Transformação cíclica. Conversão de calor em
trabalho e de trabalho em calor ______________________________________ 193
9.4 A conversão de calor em trabalho, 196
1. Transformações reversíveis e transformações irreversíveis ____________ 196
2. Segunda lei da Termodinâmica _______________________________________ 196
3. Conversão de calor em trabalho: máquina térmica _____________________ 198
4. Conversão de trabalho em calor: máquina frigorífica ___________________ 199
5. Ciclo de Carnot ______________________________________________________ 201
6. Escala Kelvin termodinâmica _________________________________________ 204
9.5 Princípio da degradação da energia, 205
1. Desordem e entropia ________________________________________________ 205
Leitura — O demônio de Maxwell_______________________________________ 207
Exercícios propostos de recapitulação, 208

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Unidade E Óptica Geométrica
PARTE
II Capítulo 10 Introdução à Óptica Geométrica
Seção
218

10.1 Conceitos fundamentais, 220


1. Meios transparentes, translúcidos e opacos __________________________ 222
2. Fenômenos ópticos __________________________________________________ 222
3. A cor de um corpo por reflexão _______________________________________ 223
Leitura — Cores primárias, secundárias e complementares ______________ 224
Leitura — O azul do céu _______________________________________________ 225
10.2 Princípios da Óptica Geométrica, 226
1. Princípio da propagação retilínea da luz. Sombra e penumbra __________ 226
Eclipses, 227; Câmara escura de orifício, 229; Ângulo visual, 230
2. Princípio da reversibilidade dos raios de luz ___________________________ 230
3. Princípio da independência dos raios de luz ___________________________ 231
Leitura — O método de Roemer para a
determinação da velocidade de propagação da luz ______________________ 233

Capítulo 11 Reflexão da luz. Espelhos planos 237


Seção

11.1 Reflexão da luz. Leis da reflexão, 238


11.2 Imagens em um espelho plano, 240
1. Imagem de um ponto ________________________________________________ 240
2. Imagem de um objeto extenso _______________________________________ 242
3. Campo visual de um espelho plano ___________________________________ 244
11.3 Deslocamento de um espelho plano, 246
1. Translação de um espelho plano ______________________________________ 246
2. Rotação de um espelho plano ________________________________________ 248
11.4 Imagens de um objeto entre dois espelhos planos, 250
Leitura — O periscópio ________________________________________________ 253
Exercícios propostos de recapitulação, 253

Capítulo 12 Espelhos esféricos 260


Seção

12.1 Definições e elementos, 262


12.2 Espelhos esféricos de Gauss, 264
1. Focos de um espelho esférico de Gauss _______________________________ 264
2. Propriedades dos espelhos esféricos de Gauss________________________ 266
Leitura — Carl Friedrich Gauss _________________________________________ 267
12.3 Construção geométrica de imagens, 268
12.4 Estudo analítico dos espelhos esféricos, 272
1. O referencial de Gauss _______________________________________________ 272
2. Equação dos pontos conjugados (equação de Gauss) __________________ 273
3. Aumento linear transversal___________________________________________ 274
Exercícios propostos de recapitulação, 278

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SUMÁRIO geRal

Capítulo 13 Refração luminosa 283


Seção
13.1 Considerações preliminares, 284
1. Índice de refração. Refringência ______________________________________ 285
13.2 Leis da refração, 287
1. Ângulo limite. Reflexão total __________________________________________ 290
13.3 Dioptro plano, 293
13.4 Lâmina de faces paralelas, 296
Leitura — Imagem de um objeto através da lâmina de faces paralelas _____ 296
13.5 Prisma, 299
1. Prismas de reflexão total ____________________________________________ 302
2. Dispersão luminosa __________________________________________________ 304
13.6 Refração da luz na atmosfera, 306
Exercícios propostos de recapitulação, 308

Capítulo 14 lentes esféricas delgadas 319


Seção
14.1 Introdução, 320
1. Comportamento óptico das lentes____________________________________ 321
2. Focos de uma lente delgada __________________________________________ 324
14.2 Propriedades das lentes delgadas, 325
1. Construção geométrica de imagens __________________________________ 327
14.3 Estudo analítico das lentes, 332
1. O referencial de Gauss _______________________________________________ 332
2. Distância focal e vergência das lentes ________________________________ 333
3. Fórmula dos fabricantes de lentes ____________________________________ 334
4. Equação dos pontos conjugados (equação de Gauss) __________________ 336
5. Aumento linear transversal___________________________________________ 336
Exercícios propostos de recapitulação, 340

Capítulo 15 Instrumentos ópticos 347


Seção
15.1 Associação de lentes. Lentes justapostas, 348
15.2 Instrumentos de projeção, 350
1. Câmera fotográfica __________________________________________________ 350
Câmera digital, 351
Leitura — O dispositivo que registra as imagens numa câmera digital _____ 351
2. Projetores __________________________________________________________ 352
Leitura — O retroprojetor______________________________________________ 353
15.3 Instrumentos de observação, 354
1. Lupa ou lente de aumento____________________________________________ 354
2. Microscópio composto_______________________________________________ 355
Leitura — A evolução do microscópio ___________________________________ 356
3. Luneta astronômica _________________________________________________ 358
4. Luneta terrestre _____________________________________________________ 360
5. Telescópio __________________________________________________________ 361

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15.4 O olho humano, 362
1. Anomalias da visão __________________________________________________ 364
Miopia, 364; Hipermetropia, 366; Presbiopia, 368; Astigmatismo, 368
Leitura: Análise de uma receita de óculos ______________________________ 369
2. Outras anomalias visuais ____________________________________________ 369
Daltonismo, 370; Estrabismo, 370; Catarata, 370
Exercícios propostos de recapitulação, 371

Unidade F Ondas
PARTE
III Capítulo 16 Movimento harmônico simples (MHS)
Seção
378

16.1 Movimentos periódicos, 380


16.2 Movimento harmônico simples (MHS), 382
1. Energia no MHS _____________________________________________________ 385
16.3 Funções horárias e gráficos do MHS, 388
1. O MHS e o movimento circular uniforme _______________________________ 388
2. Função horária do MHS ______________________________________________ 389
3. Função da velocidade escalar do MHS ________________________________ 389
4. Função da aceleração escalar do MHS ________________________________ 390
5. Gráficos cinemáticos do MHS ________________________________________ 391
6. Fase inicial nas funções horárias _____________________________________ 392
16.4 Associação de molas, 396
16.5 Pêndulo simples, 398
Exercícios propostos de recapitulação, 400

Capítulo 17 Ondas 407


Seção
17.1 Conceito de onda, 408
1. Natureza das ondas _________________________________________________ 409
2. Tipos de onda _______________________________________________________ 410
17.2 Propagação de um pulso transversal em meios unidimensionais, 411
1. Reflexão e refração de pulsos ________________________________________ 413
17.3 Ondas periódicas, 415
17.4 Função de onda, 418
1. Concordância e oposição de fase _____________________________________ 419
17.5 Frente de onda. Princípio de Huygens, 420
17.6 Fenômenos ondulatórios, 422
1. Reflexão de ondas ___________________________________________________ 422
2. Refração de ondas___________________________________________________ 423
3. Difração de ondas ___________________________________________________ 426
4. Polarização de ondas ________________________________________________ 427
Leitura — Eliminação de reflexos_______________________________________ 428
Leitura — Cinema em três dimensões __________________________________ 429
Leitura — Fontes luminosas comuns e fontes laser ______________________ 429
Exercícios propostos de recapitulação, 430

FIS_PLUS 2_SUMARIO.indd 11 08.09.09 16:00:43


SUMÁRIO geRal

Capítulo 18 Interferência de ondas 438


Seção

18.1 Princípio da superposição, 440


18.2 Interferência em uma dimensão. Onda estacionária, 443
18.3 Interferência em duas dimensões, 446
18.4 Interferência de ondas luminosas, 451
1. A experiência de Young ______________________________________________ 451
2. Interferência em lâminas delgadas ___________________________________ 453
3. Os anéis de Newton__________________________________________________ 454
Leitura — O fenômeno da interferência da luz no dia a dia ________________ 455
Exercícios propostos de recapitulação, 457

Capítulo 19 acústica 462


Seção

19.1 Ondas sonoras, 464


1. A velocidade do som _________________________________________________ 465
A barreira do som, 466
19.2 Qualidades fisiológicas do som, 471
1. Altura _______________________________________________________________ 471
2. Intensidade _________________________________________________________ 471
3. Timbre ______________________________________________________________ 473
Leitura — A escala musical ____________________________________________ 474
19.3 Propriedades das ondas sonoras, 476
1. Reflexão sonora. Reforço, reverberação e eco _________________________ 476
Leitura — O sonar ____________________________________________________ 477
2. Refração e difração sonora___________________________________________ 477
3. Interferência sonora _________________________________________________ 477
Leitura — A tecnologia do silêncio______________________________________ 478
19.4 Fontes sonoras, 481
1. Cordas vibrantes. Ressonância _______________________________________ 481
Leitura — Outros exemplos de ressonância _____________________________ 483
2. Colunas de ar vibrante. Tubos sonoros ________________________________ 485
19.5 Efeito Doppler, 490
Leitura — O efeito Doppler para a luz ___________________________________ 491
Leitura — A ultrassonografia __________________________________________ 493
Exercícios propostos de recapitulação, 494
Linha do tempo, 506
Apêndice, 508
O Sistema Internacional de Unidades _________________________________ 508
Quadro Geral de Unidades, 510
Grandezas físicas____________________________________________________ 510
Constantes físicas __________________________________________________ 510
Bibliografia, 511
Créditos das fotos, 512

FIS_PLUS 2_SUMARIO.indd 12 08.09.09 16:01:44


pArte I
Unidade A
Introdução à Termologia

Capítulo 1 Conceitos fundamentais, 14

Unidade B
A temperatura e seus efeitos
PARTE

I
Capítulo 2 Termometria, 22

Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos


e líquidos, 41

Unidade C
A energia térmica em trânsito

Capítulo 4 Calor: energia térmica em


trânsito, 63

Capítulo 5 Mudanças de fase, 83

Capítulo 6 Diagramas de fases, 99

Capítulo 7 Propagação do calor, 124

Unidade D
Estudo dos gases
e Termodinâmica

Capítulo 8 Estudo dos gases, 147

Capítulo 9 As leis da Termodinâmica, 171

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UNIDADE A Introdução à Termologia

Capítulo
Conceitos

1 fundamentais

Ilhas urbanas de calor


Em regiões urbanas ocorre um fenômeno denominado
1

3
1
Ilha de calor que se caracteriza por apresentar 2
temperaturas até 10 oC maiores do que nas regiões
Controlar as variações de adjacentes. Esse fenômeno decorre da pouca vegetação,
temperatura no ambiente em da impermeabilização do solo e da concentração de
que vive é uma preocupação poluentes, entre outros fatores. 3
constante dos seres humanos 2
desde os primórdios da
A temperatura superficial
humanidade. Aquecer-se,
1 A temperatura ambiente média
conservar alimentos e em cada região depende, entre
movimentar máquinas são outros fatores, da cobertura
exemplos de situações do solo. Regiões densamente
urbanizadas são mais quentes,
nas quais se pode notar a 3 A cobertura do solo
áreas próximas a vegetação e
importância dos fenômenos 2 Áreas pouco vegetadas e de corpos d’água são mais frias.
solos impermeabilizados
térmicos. reduzem a evaporação e
minimizam a umidade do ar. Temperatura
1.1 Termologia: observações A absorção da luz solar pelos (+/- 1 °C)
materiais que constituem os 31.5 - 32°
macroscópicas, interpretações 31°
edifícios eleva a temperatura do 30,5°
microscópicas A concentração urbana 30°
solo e a emissão de calor para a 29,5°
A análise de aspectos macroscópicos A grande mancha atmosfera. 29°
rosada mostra o solo 28,5°
e microscópicos propicia uma impermeabilizado e a 4 28°
27,5°
compreensão mais profunda de um grande concentração 27°
26,5°
mesmo fenômeno. Alta densidade de edifícios
de edificações na 4 e ausência de vegetação
26°
25,5°
Do ponto de vista microscópico, região metropolitana 25°
de São Paulo (SP). Alta densidade de edifícios 24,5°
podemos considerar a temperatura 23,5 - 24°
e vias pouco arborizadas
de um corpo com a medida do grau
Regiões residenciais
de agitação de suas moléculas. De 4 pouco arborizadas
um modo geral, a matéria pode
se apresentar na natureza em três Regiões residenciais
densamente arborizadas
estados de agregação: sólido,
líquido ou gasoso. A energia Parques e bosques urbanos
térmica, quando em trânsito de Zona rural e regiões de mata
um corpo para outro, recebe o Corpos d’água
nome de calor.

Para pensar

Diferenças regionais
1 Horto Florestal
2 USP
3 Brás 4 Parelheiros 1. Qual é a influência da vege-
Numa cidade com as dimensões de São Paulo, Grande cobertura Poucos edifícios Grande Baixa urbanização tação e dos corpos d’água
podemos observar diferentes microclimas, vegetal, rodeada e vegetação concentração e cobertura vegetal na temperatura ambiente?
evidenciando grandes variações de temperatura ao por região altamente abundante: urbana e abundante, próxima 2. Por que as regiões densa-
longo da metrópole. A heterogeneidade climática urbanizada: temperaturas vias pouco aos reservatórios de mente urbanizadas têm
pode ser justificada por fatores tão distintos quanto temperaturas entre entre 26 ºC arborizadas: água: temperaturas temperaturas maiores que
a alta urbanização (prédios e asfalto) e áreas de 28 ºC e 29 ºC. e 28 ºC. temperaturas entre 24 ºC e 25 ºC. outras regiões?
preservação ambiental, entre outros. entre 31 ºC e 32 ºC.
Seção 1.1 Termologia: observações
macroscópicas, interpretações
microscópicas
Objetivos Na Termologia, ramo da Física com que iniciamos o segundo volume,
Estudar a Termologia, estudamos os fenômenos ligados à energia térmica (fenômenos térmi-
considerando os cos). Esses fenômenos, assim como outros fenômenos físicos, podem ser
aspectos macroscópicos interpretados sob duas perspectivas que frequentemente se completam:
e microscópicos a macroscópica e a microscópica.
da matéria. O estudo macroscópico está relacionado com os aspectos globais do
Conceituar energia sistema, como o volume que ocupa, sua temperatura e outras proprieda-
térmica, calor e des que podemos perceber por nossos sentidos. Ao estudar a Mecânica,
temperatura. no primeiro volume, geralmente adotamos o ponto de vista macroscópico,
Enunciar a lei zero da analisando apenas as propriedades do sistema na sua interação com o
Termodinâmica. ambiente, como energia mecânica, posição, velocidade etc. Entretanto,
muitas vezes, para uma compreensão mais aprofundada de um fenômeno,
Caracterizar os três
é importante adotar também o ponto de vista microscópico, considerando
estados de agregação

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


então grandezas que não percebemos pelos nossos sentidos e que são
da matéria.
medidas indiretamente.
Conceituar fase de
Nos fenômenos térmicos, microscopicamente, consideramos a ener-
um sistema e fase
gia das moléculas, suas velocidades, interações etc. Nessa análise, os
de uma substância.
resultados obtidos devem ser compatíveis com o estudo feito por meio
de grandezas macroscópicas.
Termos e conceitos
• termologia As perspectivas macroscópica e microscópica completam-se na Ter-
mologia, propiciando uma compreensão mais profunda de um mesmo
• estudo macroscópico
fenômeno. Exemplificando, a noção de temperatura obtida a partir da sen-
• estudo microscópico
sação táctil de quente e frio (ponto de vista macroscópico) aprofunda-se
• energia térmica
ao considerarmos o movimento molecular e entendermos a temperatura
• calor
a partir desse movimento (ponto de vista microscópico).
• temperatura
• estados de agregação Esse entrelaçamento de perspectivas ocorre em vários outros ramos
da Física, sendo característico do estudo atual dessa ciência.

1 Energia térmica e calor


As moléculas constituintes da matéria estão sempre em movimento,
denominado agitação térmica. A energia cinética associada a esse
movimento é denominada energia térmica.
A energia térmica de um corpo pode variar. Por exemplo, se uma certa
quantidade de água for colocada junto à chama de um bico de gás, o movi-
mento de suas moléculas se torna mais intenso, isto é, sua energia térmica
aumenta. Por outro lado, adicionando-se gelo à água, ocorre a diminuição
do movimento molecular da água, isto é, sua energia térmica diminui. Essa
ocorrência é ilustrada nas figuras 1A e 1B, nas quais as moléculas de água
são representadas esquematicamente por pequenas esferas.
Nesses exemplos, identificamos um corpo quente (a chama do bico de
gás) e um corpo frio (o gelo). Note que, ao empregar os termos “quente” e
“frio”, estamos utilizando uma noção subjetiva de temperatura, baseada
em sensações apreendidas pelo tato. Embora seja uma forma imprecisa
de caracterizar a temperatura, essa é a noção que utilizamos no dia a dia
Para nós, a fonte de calor mais para dizer que um corpo quente está a uma temperatura mais elevada
importante é o Sol. que um corpo frio.
16

V2_P1_UN_A_CAP_01.indd 16 22.08.09 09:15:46


A B

Figura 1. As moléculas da água quente se agitam mais intensamente.

Ainda pelos exemplos apresentados, podemos concluir que a energia térmica transferiu-se
de um corpo para outro (do bico de gás para a água, na figura 1A, e da água para o gelo, na
figura 1B), em virtude da diferença de temperatura entre eles. À energia térmica em trânsi-
to damos o nome de calor. Por isso não se deve falar em calor “contido” num corpo. Quando
for necessário dar a ideia da energia contida num corpo, relacionada com a agitação de suas
moléculas, deve-se usar a expressão energia térmica.
O fato de que o calor é uma forma de energia só foi definitivamente estabelecido na Física no
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

século XIX, graças aos trabalhos dos cientistas William Thompson (conde de Rumford), Joseph
Mayer e James Prescott Joule. Nos modelos aceitos até então, o calor era entendido como uma
substância imponderável (fluido calórico) que se incorporava aos corpos ou sistemas.
A medida da quantidade de calor trocada entre dois corpos é, portanto, uma medida de
energia. Sendo assim, a unidade de quantidade de calor no Sistema Internacional é o joule (J).
Entretanto, a caloria (símbolo cal), unidade estabelecida antes de se entender o calor como
forma de energia, continua sendo utilizada para medir as quantidades de calor.
A relação entre a caloria (cal) e o joule (J) é:

1 cal 5 4,1868 J

2 Noção de temperatura
Supondo não haver mudança de fase, quando o corpo recebe energia térmica, suas molé-
culas passam a se agitar mais intensamente — a temperatura aumenta. Ao perder energia, as
moléculas do corpo se agitam com menor intensidade — a temperatura diminui. Na figura 2,
as moléculas do gás, representadas esquematicamente por pequenas esferas, aumentam seu
grau de agitação ao receberem energia térmica da chama do bico de gás.
Capítulo 1 • Conceitos fundamentais

Figura 2. As moléculas do gás, quando colocado sobre a chama, adquirem mais energia cinética,
ou seja, o gás passa a apresentar uma temperatura mais elevada.

17

V2_P1_UN_A_CAP_01.indd 17 22.08.09 09:15:47


A transferência de calor entre dois corpos, como acentuamos anteriormente, pode ser expli-
cada pela diferença entre suas temperaturas. Quando dois corpos são colocados em presença
um do outro, as moléculas do corpo quente (mais rápidas) transferem energia cinética para
as moléculas do corpo frio (mais lentas). Com isso, as moléculas do corpo frio aumentam sua
velocidade e as moléculas do corpo quente têm sua velocidade diminuída, até ser alcançada
uma situação de equilíbrio. Em outras palavras, há transferência de energia térmica (calor) do
corpo mais quente para o corpo mais frio.

A situação final de equilíbrio, caracterizada pela igualdade das temperaturas dos


corpos, constitui o equilíbrio térmico. Assim, dois corpos em equilíbrio térmico possuem
obrigatoriamente temperaturas iguais. Uma vez alcançada essa situação, não mais há
transferência de calor entre eles.

Sendo assim, podemos concluir que: “se dois corpos estão em equilíbrio térmico com um
terceiro, eles estão em equilíbrio térmico entre si”. Esse enunciado constitui a chamada lei
zero da Termodinâmica. Assim, se um corpo A está em equilíbrio térmico com um corpo C e
um corpo B também está em equilíbrio térmico com o corpo C, então os corpos A e B estão em
equilíbrio térmico entre si.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


3 Os estados de agregação da matéria
Estamos habituados com o fato de a água apresentar-se como líquido, sólido ou vapor,
podendo passar de uma para outra situação. Assim, como se mostra na figura 3, um cubo
de gelo (sólido) pode derreter, passando a líquido; e este, por aquecimento, pode passar
a vapor.

Cubo Bolhas de vapor


de gelo
Forma de
alumínio

Água
líquida

Figura 3. Esquema de um dispositivo em que o gelo se transforma em água líquida, e esta, por
aquecimento, se transforma em vapor.

Sólido, líquido e gasoso constituem os estados de agregação da matéria (há uma dife-
rença física entre gás e vapor que discutiremos em outro capítulo, mas ambos correspondem
ao estado gasoso). De modo geral, os materiais que nos rodeiam se encontram em um desses
Unidade A • Introdução à Termologia

estados de agregação.
Um sólido tem volume e forma definidos. Um líquido assume a forma do recipiente que
o contém, mas seu volume é definido. Um gás ou um vapor preenche totalmente um reci-
piente fechado no qual seja colocado, qualquer que seja a forma deste. Portanto, gases e
vapores não têm forma nem volume definidos: a forma e o volume são do recipiente no qual
se encontram.
Para explicar esses estados de agregação, admite-se que qualquer material é formado de
moléculas e que estas estão em movimento, mais intenso ou menos intenso, com maior ou
menor liberdade, conforme a intensidade das forças de coesão* entre elas.

* as que se desenvolvem entre moléculas de naturezas diferentes.


Chamam-se forças de coesão as forças que se desenvolvem entre moléculas de mesma natureza, e forças de adesão

18

V2_P1_UN_A_CAP_01.indd 18 22.08.09 09:15:48


No estado sólido, as forças de coesão são muito intensas, restringindo o movimento das
moléculas a uma ligeira vibração em torno de uma posição média. Na figura 4, que representa
esquematicamente as moléculas, esse movimento restrito é mostrado em A (no destaque).
Por conseguinte, as moléculas, fortemente coesas, dispõem-se com regularidade, geralmente
formando uma rede cristalina. Assim, os sólidos apresentam forma e volume definidos.

A B

Vapor

Sólido Líquido

Figura 4. Representação esquemática de como se apresentam as moléculas do


corpo no estado sólido (A) e nos estados líquido e gasoso (B).

No estado líquido, as distâncias entre as moléculas são, em média, maiores que no estado
sólido. No entanto, as forças de coesão ainda são apreciáveis e a liberdade de movimentação
das moléculas é limitada, havendo apenas o deslizamento de umas em relação às outras (fig.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

4B). Em consequência, os líquidos apresentam volume definido, mas sua forma é variável,
adaptando-se à do recipiente.
No estado gasoso, as forças de coesão entre as moléculas têm intensidade muito pequena,
possibilitando uma movimentação bem mais intensa que nos outros estados (fig. 4B). Conse-
quentemente, os gases e vapores têm a propriedade de se difundir por todo o espaço em que
se encontram, não apresentando nem forma nem volume definidos.
Tanto uma mistura gasosa como uma mistura homogênea de líquidos apresentam uma
única fase — a fase gasosa, no primeiro caso, e a fase líquida, no segundo. Uma pedra de gelo
flutuando na água constitui um sistema com duas fases distintas: a fase sólida e a fase líquida.
Assim, fase de um sistema é uma parte geometricamente definida e fisicamente homogênea
desse sistema. Por isso, podemos nos referir aos estados de agregação de uma substância
como fases da substância.

A água pode se apresentar, na


Capítulo 1 • Conceitos fundamentais

Natureza, em suas três fases: líquida,


no mar, nos lagos e rios e nas nuvens
(em forma de gotículas em suspensão
na atmosfera); vapor, em mistura com
os gases que constituem o ar; sólida,
nas geleiras, nos icebergs e nas crostas
de gelo que cobrem os picos das
montanhas mais elevadas.

Entre na rede No endereço eletrônico http://www2.biglobe.ne.jp/~norimari/science/JavaApp/Mole/e-Mole.html


(acesso em julho/2009), você poderá, por meio de uma simulação, analisar a diferença entre os estados sólido, líquido
e gasoso de uma substância.

19

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testes propostos
T. 1 (PUC-Campinas-SP) Sobre o conceito de calor, pode-se afirmar que se trata de uma:
a) medida da temperatura do sistema. d) quantidade relacionada com o atrito.
b) forma de energia em trânsito. e) energia que os corpos possuem.
c) substância fluida.

T. 2 (UFSM-RS) Calor é:
a) a energia contida em um corpo.
b) a energia que se transfere de um corpo para outro, quando existe uma diferença de tempe-
ratura entre eles.
c) um fluido invisível e sem peso, que é transmitido de um corpo para outro.
d) a transferência de temperatura de um corpo para outro.
e) a energia que se transfere espontaneamente do corpo de menor temperatura para o de maior
temperatura.

T. 3 (Unifesp) O SI (Sistema Internacional de Unidades) adota como unidade de calor o joule, pois calor
é energia. No entanto, só tem sentido falar em calor como energia em trânsito, ou seja, energia
que se transfere de um corpo a outro em decorrência da diferença de temperatura entre eles.
Assinale a afirmação em que o conceito de calor está empregado corretamente.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


a) A temperatura de um corpo diminui quando ele perde parte do calor que nele estava arma-
zenado.
b) A temperatura de um corpo aumenta quando ele acumula calor.
c) A temperatura de um corpo diminui quando ele cede calor para o meio ambiente.
d) O aumento da temperatura de um corpo é um indicador de que esse corpo armazenou calor.
e) Um corpo só pode atingir o zero absoluto se for esvaziado de todo o calor nele contido.

T. 4 (Unisa-SP) O fato de o calor passar de um corpo para outro deve-se:


a) à quantidade de calor existente em cada um.
b) à diferença de temperatura entre eles.
c) à energia cinética total de suas moléculas.
d) ao número de calorias existentes em cada um.
e) Nada do que se afirmou acima é verdadeiro.

T. 5 (UFPR) No século XVII, uma das interpretações para a natureza do calor considerava-o um fluido
imponderável que preenchia os espaços entre os átomos dos corpos quentes. Essa interpretação
explicava corretamente alguns fenômenos, porém, falhava em outros. Isso motivou a proposição
de uma outra interpretação, que teve origem em trabalhos de Mayer, Rumford e Joule, entre
outros pesquisadores.
Com relação aos conceitos de temperatura, calor e trabalho atualmente aceitos pela Física, avalie
as seguintes afirmativas:
I. Temperatura e calor representam o mesmo conceito físico.
II. Calor e trabalho estão relacionados com transferência de energia.
III. A temperatura de um gás está relacionada com a energia cinética de agitação de suas mo-
léculas.
Unidade A • Introdução à Termologia

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
b) Somente a afirmativa I é verdadeira.
c) Somente a afirmativa II é verdadeira.
d) Somente a afirmativa III é verdadeira.
e) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.

T. 6 (UFV-MG) Quando dois corpos de materiais diferentes estão em equilíbrio térmico, isolados do
meio ambiente, pode-se afirmar que:
a) o mais quente é o que possui menor massa.
b) apesar do contato, suas temperaturas não variam.
c) o mais quente fornece calor ao mais frio.
d) o mais frio fornece calor ao mais quente.
e) suas temperaturas dependem de suas densidades.

20

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T. 7 (UFRGS-RS) Selecione a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo, na
ordem em que elas aparecem.
Quando um corpo mais quente entra em contato com um corpo mais frio, depois de certo tempo
ambos atingem a mesma temperatura. O que será que “passa” de um corpo para o outro quando
eles estão a diferentes temperaturas? Será que é transferida a própria temperatura?
Em 1770, o cientista britânico Joseph Black obteve respostas para essas questões. Ele mostrou
que, quando misturamos partes iguais de um líquido (leite, por exemplo) a temperaturas ini-
ciais diferentes, as temperaturas de ambas as partes significativamente; no entanto,
se derramarmos um copo de leite morno num balde cheio de água com vários cubos de gelo
fundente, e isolarmos esse sistema como um todo, a temperatura do leite sofrerá uma mudança
significativa, mas a temperatura da mistura de água e gelo não. Com esse simples experimento,
fica confirmado que “aquilo” que é transferido nesse processo a temperatura.
A fim de medir a temperatura da mistura de gelo e água, um termômetro, inicialmente à tem-
peratura ambiente, é introduzido no sistema e entra em equilíbrio térmico com ele. Nesse caso,
o termômetro uma variação em sua própria temperatura.
a) mudam — não é — sofre
b) não mudam — é — sofre
c) mudam — não é — não sofre
d) mudam — é — não sofre
e) não mudam — é — não sofre

T. 8 (Fatec-SP) Três corpos encostados entre si estão em equilíbrio térmico. Nessa situação:
a) os três corpos apresentam-se no mesmo estado físico.
b) a temperatura dos três corpos é a mesma.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c) o calor contido em cada um deles é o mesmo.


d) o corpo de maior massa tem mais calor que os outros dois.
e) há mais de uma proposição correta.

T. 9 Dois corpos A e B, de massas mA e mB tais que mA . mB, estão às temperaturas JA e JB, respectiva-
mente, com JA % JB. Num dado instante, eles são postos em contato. Ao alcançarem o equilíbrio
térmico, teremos para as temperaturas finais JeA e JeB:
a) JeA . JeB b) JeA 5 JeB c) JeA , JeB d) JeA % JeB

T. 10 Se dois corpos estiverem em equilíbrio térmico com um terceiro, conclui-se que:


a) os três acham-se em repouso.
b) os dois corpos estão em equilíbrio térmico entre si.
c) a diferença entre as temperaturas dos corpos é diferente de zero.
d) a temperatura do terceiro corpo aumenta.
e) os dois corpos possuem a mesma quantidade de calor.

T. 11 (FEI-SP) Um sistema isolado termicamente do meio possui três corpos, um de ferro, um de


alumínio e outro de cobre. Após um certo tempo, verifica-se que as temperaturas do ferro e do
alumínio aumentaram. Podemos concluir que:
a) o corpo de cobre também aumentou a sua temperatura.
b) o corpo de cobre ganhou calor do corpo de alumínio e cedeu calor para o corpo de ferro.
c) o corpo de cobre cedeu calor para o corpo de alumínio e recebeu calor do corpo de ferro.
d) o corpo de cobre permaneceu com a mesma temperatura.
e) o corpo de cobre diminuiu a sua temperatura.
Capítulo 1 • Conceitos fundamentais

T. 12 As forças de coesão entre as moléculas de uma substância:


a) são mais intensas no estado gasoso do que nos estados sólido e líquido, em virtude de maior
agitação.
b) são menos intensas no estado sólido do que nos estados gasoso e líquido, em vista da estru-
tura cristalina.
c) não dependem do estado de agregação da substância.
d) têm maior intensidade no estado sólido e menos intensidade no estado gasoso.
e) têm intensidade desprezível no estado sólido.

21

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UNIDADE B A temperatura
e seus efeitos

Capítulo

2
Termometria

U m dos primeiros dispositivos para avaliar as


temperaturas foi criado por Galileu no século
XVII. Desde então, esses equipamentos foram se tor-
nando mais sofisticados e hoje se tem a possibilidade
Para desenvolver o estudo da
de medir com precisão temperaturas extremamente
medida de temperatura, é de
fundamental importância o baixas, como a do nitrogênio líquido, ou extrema-
conhecimento dos critérios mente elevadas, como a dos metais incandescentes
adotados para a criação das nas siderúrgicas.
escalas termométricas, tanto
as escalas relativas usuais –
Celsius e Fahrenheit – como
a escala absoluta Kelvin,
estabelecida com base no
conceito de zero absoluto.

2.1 Medida da temperatura


A avaliação da temperatura de
um corpo, pela sensação térmica
produzida por ele, tem caráter
subjetivo.

2.2 Graduação de um
termômetro. Escalas
termométricas
A graduação de um termômetro
envolve a escolha de dois pontos
fixos.

2.3 A temperatura como


medida da agitação térmica.
A escala absoluta Kelvin
A medida da agitação térmica das
partículas de um corpo permitiu o
desenvolvimento da escala absoluta
Kelvin. Sua origem é o zero absoluto.

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Seção 2.1 Medida da temperatura
Objetivos Frequentemente usamos os termos frio, quente, morno etc. para
Conceituar grandeza traduzir a sensação que temos ao entrar em contato com um sistema.
termométrica. Assim, do mesmo modo que a luz impressiona nossa visão (sensação
Relacionar luminosa) e que o som impressiona nossa audição (sensação sonora), é
as grandezas o sentido do tato que nos proporciona a sensação térmica, que constitui
termométricas a primeira noção de temperatura de um sistema.
e as medidas de Esse critério sensorial para avaliar temperaturas, no entanto, é im-
temperaturas. preciso, pois depende da pessoa que sente e das condições nas quais
Descrever o se encontrava anteriormente.
termômetro
de mercúrio.

Termos e conceitos
• sensação térmica
• substância
termométrica
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• grandeza
termométrica
• função termométrica
• termômetro
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Atividade experimental: Sensação térmica

Termômetro
Para tornar mais precisa a noção de temperatura, recorremos às
variações que certas propriedades dos corpos sofrem quando muda a
sensação térmica. Por exemplo, o comprimento de uma barra aumenta
(dilatação) quando ela se torna mais quente. Desse modo, a temperatura
J da barra pode ser avaliada indiretamente pelo valor assumido por seu
comprimento L (fig. 1).

L1
θ1

L2
θ2 Figura 1. A cada valor L
do comprimento da barra
L3
corresponde um valor J de
θ3 temperatura.

De modo geral, sendo x uma grandeza conveniente que define uma


das propriedades do corpo (como o comprimento L, no caso da
Capítulo 2 • Termometria

barra), a cada valor de x faz-se corresponder um determinado valor J


de temperatura.

A grandeza x é denominada grandeza termométrica. A correspondên-


cia entre os valores da grandeza x e da temperatura J constitui a função
termométrica. Ao corpo em observação dá-se o nome de termômetro. A
barra da figura 1, na qual a cada valor do comprimento L (grandeza termo-
métrica) corresponde um valor da temperatura J, poderia, em princípio,
ser usada como termômetro.
23

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Até o advento dos modernos termômetros digitais, que usam recursos
da eletrônica na medida da temperatura, os termômetros mais utilizados
eram os de mercúrio, como o representado na figura 2. O termômetro de
mercúrio baseia-se na dilatação de certa quantidade de mercúrio contido
num recipiente de vidro (bulbo), ligado a um tubo capilar, isto é, um tubo
de diâmetro bem pequeno. A escolha do mercúrio como substância ter-
mométrica deve-se ao fato de ser um líquido de dilatação regular numa
faixa de temperaturas bem ampla. Além disso, o mercúrio é facilmente
visualizável, por ser opaco e brilhante. Nas considerações seguintes,
admitiremos sempre a utilização de termômetros de mercúrio no estudo
das escalas de temperatura.
O emprego do termômetro para avaliação da temperatura de um
sistema fundamenta-se no fato de que, após algum tempo em contato,
o sistema e o termômetro adquirem a mesma temperatura, isto é,
alcançam o equilíbrio térmico.

Figura 2. O termômetro de mercúrio.

O “termômetro” de Galileu

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Um dos primeiros dispositivos criados para avaliar temperaturas
foi o termoscópio a ar inventado por Galileu, do qual se vê uma réplica
na foto. Esse termoscópio não pode ser considerado propriamente um
termômetro, uma vez que não estabelece valores numéricos para a
temperatura — ele apenas indica se um corpo está mais quente ou
mais frio que outro, tomado como referência.
O termoscópio de Galileu é constituído de um bulbo ligado a um
tubo de vidro que tem a extremidade inferior imersa em um líquido.
Quando a temperatura do ar contido no bulbo aumenta, a pressão do
ar também aumenta e o nível do líquido desce. Quando a temperatura
do ar diminui, a pressão do ar diminui e o nível do líquido sobe. Consta
que, originalmente, Galileu teria usado vinho no seu termoscópio para
visualizar melhor o nível do líquido.
Antes dos primeiros termômetros, outros termoscópios foram
construídos. Em 1631, o médico e químico francês Jean Rey (1583-
-1645) conectou um tubo vertical aberto a um recipiente
cheio de água. Nesse aparelho, com o aumento
da temperatura, a água subia pelo tubo.
Embora a substância termométrica fosse o
líquido e não o ar, a imprecisão ainda era
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

grande, devido à influência da pressão


atmosférica, à pouca dilatação da água
e à evaporação do líquido.

O princípio de funcionamento
do termoscópio é hoje utilizado
em brinquedos como o da
figura. Colocando-se a mão em
contato com o recipiente inferior,
o vidro se aquece e aumenta
a pressão interna do vapor
existente na parte de baixo.
Como consequência, o líquido é
“empurrado” para cima.

24
Seção 2.2 Graduação de um termômetro.
Escalas termométricas
Objetivos O conjunto dos valores numéricos que a temperatura J pode assumir
Conceituar escala constitui uma escala termométrica, que é estabelecida ao se graduar
termométrica. um termômetro.
Descrever o Para a graduação de um termômetro comum de mercúrio procede-se
procedimento para se da seguinte maneira:
graduar um termômetro. 1o) Escolhem-se dois sistemas cujas temperaturas sejam invariáveis no
Utilizar diferentes decorrer do tempo e que possam ser reproduzidos facilmente quando
escalas termométricas. necessário. Essas temperaturas são denominadas pontos fixos, sendo
Relacionar as usualmente escolhidas:
temperaturas nas • ponto do gelo (JG) — temperatura de fusão do gelo sob pressão
escalas Celsius e normal (1 atm);
Fahrenheit. • ponto do vapor (JV) — temperatura de ebulição da água sob pressão
Converter as variações normal (1 atm).
de temperatura medidas 2o) O termômetro é colocado em presença dos sistemas que definem os
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nas escalas Celsius e pontos fixos (fig. 3). A cada um deles vai corresponder uma altura da
Fahrenheit. coluna líquida. A cada altura atribui-se um valor numérico arbitrário
Conhecer as de temperatura, geralmente fazendo o menor corresponder ao ponto
diferentes grandezas do gelo (JG), e o outro, ao ponto do vapor (JV).
termométricas.

Termos e conceitos θG θV
• ponto do gelo
• ponto do vapor
• função termométrica
• hipertermia
• hipotermia Gelo em Água em
fusão ebulição

Figura 3. Graduação de um termômetro: JG indica a temperatura


da fusão do gelo, e JV, a temperatura da ebulição da água, sob
pressão normal.

3o) O intervalo delimitado entre as marcações feitas (correspondentes


às temperaturas JV e JG) é dividido em partes iguais. Cada uma das
partes em que fica dividido o intervalo é a unidade da escala (o grau
da escala).
Atualmente a escala mais usada é a escala Celsius*, que adota os va-
Capítulo 2 • Termometria

lores 0 (zero) para o ponto do gelo e 100 para o ponto do vapor (fig. 4). O
intervalo entre os pontos fixos é dividido em cem partes**. Cada uma dessas
cem partes é a unidade da escala, o grau Celsius, cujo símbolo é wC.

* tronomia, tornando-se professor dessa ciência em 1730. Em 1948 seu nome foi adotado
CELSIUS, Anders (1701-1744), astrônomo e físico sueco. Dedicou-se principalmente à As-

para a escala que criou.


** Toda escala em que o intervalo entre o ponto do gelo e o ponto do vapor é dividido em
cem partes é dita centesimal ou centígrada. A escala Celsius é uma escala centesimal ou
centígrada, mas não é a única.

25

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Em alguns países usa-se a escala Fahrenheit*, que adota os valores 32 para o ponto do
gelo e 212 para o ponto do vapor (fig. 5). O intervalo é dividido em 180 partes, cada uma das
quais corresponde ao grau Fahrenheit, cujo símbolo é wF.

100 °C (θV ) 212 °F (θV )

100 180
partes partes
iguais 62 1 grau iguais
Celsius 1 grau
61 (°C) 122 Fahrenheit
121 (°F)

0 °C (θV ) 32 °F (θG )

Figura 4. Escala Celsius. Figura 5. Escala Fahrenheit.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Note que a escolha dos valores que definem a escala é arbitrária: na escala Celsius os valores
de JG e JV são 0 (zero) e 100, enquanto na escala Fahrenheit os valores são 32 e 212.

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História da Física: A história do termômetro e das escalas termométricas

1 Conversão entre as escalas Celsius e Fahrenheit


Às vezes é necessário transformar a indicação da escala Fahrenheit na correspondente
indicação da escala Celsius ou vice-versa. Para obtermos a relação entre as leituras nas duas
escalas, devemos estabelecer a proporção entre os segmentos a e b (fig. 6), determinados no
capilar do termômetro.
Sejam JC a leitura em graus Celsius e JF a 100 °C 212 °F
Ponto
leitura em graus Fahrenheit para a temperatura do vapor
de um sistema. A relação entre os segmentos
a e b não depende da unidade em que são ex-
pressos. Assim:
θC θF
Temperatura
JC 2 0
a ________
__ JF 2 32 JC JF 2 32 do sistema b
5 5 _________ ] ____ 5 ________
b 100 2 0 212 2 32 100 180
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

JC
___ JF 2 32
Simplificando: 5 ________ 0 °C 32 °F
5 9 Ponto
do gelo

Isolando JC e JFe vem:


Figura 6. Conversão entre as leituras nas escalas
Celsius e Fahrenheit.
5
JC 5 __ (JF 2 32) e JF 5 1,8JC 1 32
9

* álcool nos termômetros. Em 1724 foi eleito membro da Sociedade Real inglesa.
FAHRENHEIT, Daniel Gabriel (1686-1736), físico alemão. Foi quem propôs, em 1714, a utilização do mercúrio em vez de

26

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 26 22.08.09 08:48:27


A medida da temperatura corporal

A avaliação da temperatura do corpo humano é de grande importância na


Medicina. Quando a temperatura corporal aumenta além de 37 wC (que pode
ser considerado um valor médio normal), dizemos que a pessoa está com febre
ou hipertermia. Há também situações de anormalidade em que a temperatura
diminui abaixo de 37 wC, caracterizando uma hipotermia.
Os termômetros utilizados na medida da temperatura corporal são deno-
minados termômetros clínicos. Atualmente existe um grande número deles no
mercado, a maior parte do tipo digital. Entretanto, ainda é muito difundido o
termômetro clínico de mercúrio. Nele, junto ao bulbo, no início do tubo capilar,
há um estreitamento, que não impede a movimentação da coluna líquida quan-
do a temperatura sobe e o mercúrio se dilata. Entretanto, se a temperatura
diminuir, o mercúrio não consegue voltar para o bulbo, continuando a
indicar a maior temperatura que foi medida. Portanto, trata-se
de um termômetro de máxima. Para ser usado novamente,
o termômetro deve ser vigorosamente sacudido, de tal
maneira que o mercúrio retorne ao bulbo.
O termômetro clínico da foto está graduado nas
escalas Celsius (entre 35 wC e 42 wC) e Fahrenheit
O estreitamento no tubo
(entre 94 wF e 108 wF). A graduação é feita apenas
capilar impede o retorno
entre esses valores porque eles correspondem, do mercúrio ao bulbo,
aproximadamente, aos limites extremos da tem- fixando a marcação da
peratura do corpo humano. temperatura máxima.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
R. 1 A temperatura média do corpo humano é 36,5 °C. R. 2 Dois termômetros, um graduado na escala Celsius
Determine o valor dessa temperatura na escala e o outro na escala Fahrenheit, fornecem a mesma
Fahrenheit. leitura para a temperatura de um gás. Determine
o valor dessa temperatura.
Solução:
Comparando as escalas
Celsius e Fahrenheit, 100 °C 212 °F
obtemos:
JC JF 2 32
____ 5 _______ ou
100 180

JF 2 32
JC _______
___
ou 5 θC θF
5 9 θC θF

Sendo JC 5 36,5 wC, vem:


JF 2 32
36,5 _______
_____ 5 ]
Capítulo 2 • Termometria

5 9 0 °C 32 °F
JF 1 32
] 7,3 5 _______ ] Gás
9
] 65,7 5 JF 2 32 ]

] JF 5 97,7 wF
Solução:
Resposta: 97,7 wF Se a temperatura do gás é indicada pelo mesmo
Observação: número nas escalas Celsius e Fahrenheit, podemos
Na escala Fahrenheit, a temperatura do corpo hu- escrever:
mano está normalmente em torno de 100 °F. JC 5 X wC JF 5 X wF

27

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 27 24.08.09 13:23:04


Substituindo na expressão de conversão, vem: a) Estabeleça a fórmula de conversão entre as duas
escalas.
___ JF 2 32
JC _______ X X 2 32
5 ] __ 5 _______ ] b) Determine a temperatura registrada por um
5 9 5 9
termômetro graduado na escala X quando a
] 9X 5 5X 2 160 ] 4X 5 2160 ] X 5 240 temperatura for 50 wC.
c) Determine que temperatura registra um ter-
Portanto: JC 5 240 wC e JF 5 240 wF mômetro graduado na escala Celsius para um
sistema em que o termômetro graduado na
Resposta: 240 wC e 240 wF escala X registra 10 wX.
Observe que essa é a única temperatura indicada d) Há uma temperatura em que os dois termô-
pelo mesmo valor nessas duas escalas. metros (graduados na escala X e na escala
Celsius, respectivamente) registram valores
que coincidem numericamente. Qual é essa
R. 3 Certa escala termométrica adota os valores 220 e temperatura?
580, respectivamente, para os pontos do gelo e do
vapor. Determine: Solução:
a) a fórmula de conversão entre essa escala e a a) Analisando o gráfico, verificamos que 15 wX cor-
escala Celsius; respondem a 0 wC e 35 wX correspondem a 80 wC.
b) a indicação que nessa escala corresponde a 20 wC.
Solução: X C
a) Comparando a esca- 35 °X 80 °C
100 °C 580 °E
la Celsius (C) e a es-
cala (E) criada neste
exercício, temos:
JC 2 0

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


a ________
__ 5 5
b 100 2 0

JE 2 (220) b
5 ____________ ] θC θE θX θC
580 2 (220)

JC JE 1 20 a
] ____ 5 _______
100 600
15 °X 0 °C
Simplificando: 0 °C –20 °E
JE 1 20
JC 5 _______ ]
6
] 6JC 5 JE 1 20 ]
Comparando as escalas, obtemos:

] JE 5 6JC 2 20 JX 2 15
________ JC 2 0 JX 2 15 JC
5 _______ ] ________ 5 ___ ]
35 2 15 80 2 0 20 80
b) Para determinar a indicação JE que corresponde
JC JC
a JC 5 20 wC, usamos a relação anterior: ] JX 2 15 5 ___ ] JX 5 ___ 1 15 ]
JE 5 6JC 2 20 ] JE 5 6 3 20 2 20 ] 4 4

] JE 5 120 2 20 ] JE 5 100 wE ] JX 5 0,25JC 1 15

Resposta: a) JE 5 6JC 2 20; b) 100 wE b) Para JC 5 50 wC, vem:


JX 5 0,25 3 50 1 15 ] JX 5 12,5 1 15 ]
R. 4 Uma escala termométrica X relaciona-se com a
escala Celsius segundo o gráfico apresentado, no ] JX 5 27,5 wX
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

qual em ordenadas se representam os valores de


JX (temperaturas expressas na escala X) e em abs- c) Para JX 5 10 wX, vem:
cissas os valores de JC (temperaturas expressas na
escala Celsius). 10 5 0,25JC 1 15 ] 0,25JC 5 25 ]

θX (°X) ] JC 5 220 wC

d) Se os valores coincidem numericamente nas


35 duas escalas, temos: JX 5 JC 5 J. Na fórmula de
conversão, temos:
J 5 0,25J 1 15 ] J 2 0,25J 5 15 ]
] 0,75J 5 15 ] J 5 20
15
Portanto: JX 5 20 wX e JC 5 20 wC

Respostas: a) JX 5 0,25JC 1 15; b) 27,5 wX;


0 80 θC (°C) c) 220 wC; d) 20 wX; 20 wC

28

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ExErcícIos propostos
P. 1 Complete a tabela: P. 5 Na temperatura do ponto do gelo um termômetro
defeituoso marca 20,3 wC e na temperatura de
Celsius Fahrenheit ebulição da água sob pressão normal 1100,2 wC.
Determine qual é a única indicação correta desse
400 wC termômetro. (Sugestão: admita que o termômetro
defeituoso crie uma nova escala.)
99,5 wF

180 wC
P. 6 O gráfico indica θA (°A)
249 wF como se relacio- 10
nam as leituras JA
e JB para as tempe-
P. 2 Medindo a temperatura de um líquido com dois ter-
raturas registradas
mômetros, um de escala Celsius e o outro de escala
por dois termôme-
Fahrenheit, um estudante verificou que ambos davam
tros graduados res- 0 24 θB (°B)
a mesma indicação em módulo, porém os sinais eram
pectivamente nas
diferentes. Determine a temperatura do líquido. –5
escalas A e B.

P. 3 No deserto do Saara registrou-se certo dia a tem-


peratura de X wC. Se a escala utilizada tivesse sido Determine:
a Fahrenheit, a leitura seria 72 unidades mais alta. a) a fórmula de conversão entre JA e JB;
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Determine o valor dessa temperatura. b) a indicação do termômetro graduado na escala


A quando o outro registra 96 wB;
P. 4 Uma escala arbitrária adota os valores 5 e 365 para c) a indicação do termômetro graduado na escala
os pontos fixos fundamentais (ponto do gelo e B quando o outro registra 0 wA;
ponto do vapor, respectivamente). Determine que d) a temperatura em que coincidem as leituras nos
indicação nessa escala corresponde ao 0 wF. dois termômetros.

2 Variação de temperatura
Consideremos que a temperatura de um sistema varie de um valor inicial J1 para um valor
final J2 num dado intervalo de tempo. A variação de temperatura SJ é dada pela diferença entre
o valor final J2 e o valor inicial J1:

SJ 5 J2 2 J1

Assim, a variação de temperatura será positiva (SJ  0) quan- 100 °C 212 °F


θV
do a temperatura aumentar (J2  J1); negativa (SJ  0) quando
a temperatura diminuir (J2  J1); e será nula (SJ 5 0) quando a
temperatura final for igual à inicial (J2 5 J1).
θ2
Vamos correlacionar as variações de temperatura expressas
na escala Celsius (SJC) e na Fahrenheit (SJF). Na figura 7, a relação a b ∆θC ∆θF
entre os segmentos a (correspondente à variação de temperatura
ocorrida) e b (correspondente ao intervalo entre as temperaturas θ1

do ponto do gelo e do ponto do vapor) não depende da unidade em


que são expressos.
0 °C 32 °F
θG
Capítulo 2 • Termometria

a SJC SJF SJC SJF


Então: __ 5 _________ 5 _________ ] ____ 5 ____
b 100 2 0 212 2 32 100 180

SJC ____
____ SJF Figura 7. Conversão entre
Simplificando: 5 variações de temperatura.
5 9

5
Isolando SJC e SJF , vem: SJC 5 __ SJF e SJF 5 1,8 SJC
9

29

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O termômetro de máxima e mínima

As temperaturas máxima e mínima de um am- interna do tubo. O índice a indica a menor temperatura
biente, em dado intervalo de tempo, são registradas e o índice b indica a maior temperatura ocorrida num
por um tipo especial de termômetro: o termômetro de determinado período.
máxima e mínima. Inicialmente os índices são colocados em contato
O termômetro apresentado na figura 1 é constituído com as superfícies livres do mercúrio, nos dois ramos,
de dois bulbos (A e B), ligados a um tubo em U de peque- com o auxílio de um pequeno ímã.
no diâmetro, o qual contém mercúrio na parte inferior. Quando ocorre um aumento de temperatura, o álcool
O bulbo A, o ramo esquerdo e o ramo direito do tubo do bulbo A se dilata. Com isso, o nível do mercúrio no
estão completamente cheios de álcool. O bulbo B, por ramo esquerdo desce (sem arrastar o índice a) e o nível
sua vez, está parcialmente cheio de álcool. Nos ramos do mercúrio no ramo direito sobe, arrastando o índice
do termômetro existem dois índices de ferro esmalta- b para cima, de modo a indicar a máxima temperatura
do (a e b), banhados pelo álcool e aderentes à parede ocorrida.

1 A B 2

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Álcool Álcool

Índice b

Índice a

Mercúrio

Mercúrio

Nas estações meteorológicas, os termômetros de


máxima e de mínima ficam dispostos na horizontal.
Os termômetros na vertical são destinados à
determinação da umidade do ar.

Quando há uma diminuição de temperatura, o álcool determinado momento era de 27 wC (indicada pelo nível
de A se contrai. Com isso, o nível do mercúrio no ramo di- de mercúrio nos dois lados).
reito desce (sem arrastar o índice b) e o nível do mercúrio Os boletins meteorológicos, divulgados na tevê, na
no ramo esquerdo sobe, arrastando o índice a para cima, internet, no rádio e em jornais, geralmente informam
de modo a indicar a mínima temperatura ocorrida. as temperaturas máxima e mínima em várias cidades
Observe na figura 1 que a temperatura máxima do planeta. Muitas vezes, essas temperaturas são ava-
foi de 30 wC, a mínima de 10 wC e a temperatura num liadas com o uso de termômetros desse tipo.
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

30

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ExErcícIos rEsolvIDos
R. 5 Em certo dia, na cidade de Salvador, o serviço de meteorologia anunciou uma temperatura
máxima de 40 wC e uma mínima de 25 wC.
a) Qual é a variação de temperatura entre os instantes em que foram assinaladas as tempera-
turas máxima e mínima?
b) Qual é o valor dessa variação de temperatura expresso na escala Fahrenheit?

Solução:
a) Quando o serviço de meteorologia anuncia a temperatura máxima e a temperatura mínima
de um dia, usualmente não indica qual delas ocorreu antes. Assim, temos duas hipóteses a
considerar:
1a hipótese — A temperatura mínima ocorreu antes da máxima.
Então: J1 5 25 wC e J2 5 40 wC

SJC 5 J2 2 J1 5 40 2 25 ] SJC 5 15 wC (aumento de temperatura)

2a hipótese — A temperatura mínima ocorreu depois da máxima.


Então: J1 5 40 wC e J2 5 25 wC

SJC 5 J2 2 J1 5 25 2 40 ] SJC 5 215 wC (diminuição de temperatura)


Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) A variação expressa na escala Fahrenheit, no caso de aumento de temperatura, será dada por:

____ SJC
SJF ____ SJF 15
5 ] ____ 5 ___ ] SJF 5 27 wF
9 5 9 5

No caso de diminuição de temperatura: SJF 5 227 wF

Respostas: a) 15 wC ou 215 wC; b) 27 wF ou 227 wF

R. 6 Existe a possibilidade de as variações de temperatura nas escalas Celsius e Fahrenheit serem


expressas pelo mesmo valor numérico?

Solução:
Se fizermos, na fórmula de conversão entre as variações de temperatura, SJF 5 SJC 5 X, ob-
teremos:

SJC ____
____ SJF X X
5 ] __ 5 __ ] 9X 5 5X
5 9 5 9

Assim, essa igualdade só é válida para X 5 0. Portanto, só há coincidência entre os valores nu-

méricos das variações de temperatura nas escalas Celsius e Fahrenheit quando SJC 5 0 wC e

SJF 5 0 wF , isto é, quando a temperatura final é igual à temperatura inicial.

ExErcícIos propostos
Capítulo 2 • Termometria

P. 7 Em certa região da Terra, a temperatura máxima registrada no decorrer de um ano foi de 42 wC


e a mínima foi de 17 wC. Determine:
a) a variação de temperatura entre os instantes em que essas temperaturas foram registradas;
b) o valor dessa variação de temperatura expresso em graus Fahrenheit.

P. 8 Um sistema inicialmente na temperatura de 20 wC sofre uma variação de 235 wC. Determine:


a) a temperatura final do sistema na escala Celsius;
b) a variação de temperatura do sistema expressa na escala Fahrenheit;
c) a temperatura final do sistema na escala Fahrenheit.

31

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3 Função termométrica
Existem vários tipos de termômetros, diferindo
uns dos outros pela grandeza termométrica. Por
exemplo, nos termômetros de líquido, como os de
mercúrio, a grandeza termométrica é o volume do lí-
quido, que, ao variar, faz mudar a altura da coluna.
Nos termômetros de gás, a grandeza termométri-
ca é o volume do gás (quando a pressão é mantida
constante) ou a pressão do gás (quando o volume é
mantido constante). No termômetro de resistência de
platina, a grandeza termométrica é a resistência elé-
trica, que é estudada em Eletricidade, no Volume 3.
A fórmula que relaciona os valores da grandeza
termométrica com os respectivos valores da tem-
peratura é denominada função termométrica, que No termômetro de platina, a grandeza
geralmente é do primeiro grau. termométrica é a resistência elétrica.

Outros tipos de termômetro

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


O termômetro de mercúrio ainda é de uso muito difundido, pela facilidade de
construção e de manuseio aliada a uma boa precisão. Por isso, em laboratórios (nas
situações em que não se exige um rigor muito grande nas medições) e nas residências
(para medir a temperatura corporal ou para uso culinário), o termômetro de mercúrio
é normalmente o escolhido.
Existem, entretanto, vários outros tipos de termômetro. Entre os mais simples
estão o termômetro de álcool (1), em que o líquido termométrico é álcool com corante,
e o termômetro metálico (2), baseado na dilatação de uma lâmina bimetálica. Dentre
os mais sofisticados, destacam-se os chamados termômetros digitais (3), geralmente
baseados na variação da resistência elétrica de um condutor metálico em função da
temperatura.

3
1

2
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

Diferentes aplicações demandam


diferentes tipos de termômetro,
cada um com sua própria grandeza
termométrica.

32

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 32 22.08.09 08:48:39


ExErcícIo rEsolvIDo

R. 7 Num termômetro de mercúrio, a coluna líquida apresenta 0,4 cm quando em presença do gelo
em fusão (0 wC) e 20,4 cm em presença de vapores de água em ebulição (100 wC). Determine:
a) a função termométrica desse termômetro na escala Celsius;
b) a temperatura indicada por esse termômetro quando sua coluna líquida apresenta 8,4 cm
de altura.
Solução:
a) A função termométrica adotada é do primeiro grau. Assim, pode-
20,4 cm 100 °C
mos fazer a comparação entre a grandeza termométrica (h) e a
temperatura (J):

h 2 0,4
a __________
__ J20
5 5 ________
b 20,4 2 0,4 100 2 0

h 2 0,4 ____
_______ J
5
20 100 b
h θ
J
h 2 0,4 5 __
5
a
J 5 5h 2 2
0,4 cm 0 °C
Essa equação expressa a função termométrica desse termômetro
na escala Celsius.

b) Substituindo na fórmula acima h 5 8,4 cm, obtemos:

J 5 5 3 8,4 2 2 5 42 2 2 ] J 5 40 wC

Respostas: a) J 5 5h 2 2; b) 40 wC

ExErcícIos propostos

P. 9 A coluna líquida de um termômetro de mercúrio apresen- 50 mm


ta altura de 5 mm quando o termômetro é colocado num
recipiente contendo gelo em fusão. Quando o termômetro
é colocado em vapores de água em ebulição sob pressão
normal, a coluna líquida apresenta 50 mm.
Determine:
a) a função termométrica desse termômetro na escala
Celsius;
b) a temperatura de um corpo em presença do qual a coluna
5 mm
líquida apresenta 15 mm de altura.
Capítulo 2 • Termometria

P. 10 No termômetro de gás, a volume constante, a grandeza termométrica é a pressão que o gás


exerce. Um termômetro nessas condições indica uma pressão de 5 mmHg quando em equilíbrio
com o ponto do gelo, e uma pressão de 7 mmHg no equilíbrio térmico com o ponto do vapor.
a) Estabeleça a função termométrica desse termômetro para a escala Fahrenheit.
b) Determine a temperatura de um forno sabendo que a pressão do gás no equilíbrio térmico é
9,5 mmHg.

33

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 33 22.08.09 08:48:42


Seção 2.3 A temperatura como medida
da agitação térmica. A escala
absoluta Kelvin
Objetivos As partículas constituintes de um gás estão em movimento desor-
Compreender os denado. Esse movimento é denominado agitação térmica. Assim, cada
princípios da criação da partícula constituinte do gás é dotada de energia cinética própria. A
escala Kelvin. soma das energias cinéticas individuais de todas as partículas constitui
Relacionar a a energia térmica do gás.
temperatura na Quanto mais intensa a agitação térmica, maior será a energia cinética
escala Kelvin com de cada molécula e, em consequência, maior a temperatura (fig. 8).
a temperatura na
A B
escala Celsius.
Converter as
variações de
temperatura
medidas nas escalas

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Celsius e Kelvin.

Termos e conceitos
• zero absoluto
• energia do ponto zero

Figura 8. Ao se aquecer o gás, suas moléculas se agitam mais intensamente.


Na situação (B), a temperatura é maior que na situação (A).

O fato de haver um número maior ou menor de moléculas altera a


energia térmica total do corpo; no entanto, se cada molécula continua
com a mesma energia cinética média que possuía, o grau de agitação é
o mesmo e, consequentemente, a temperatura também é a mesma.
Imaginemos, por exemplo, um recipiente A contendo um gás, no qual
cada molécula tem uma energia cinética média de 4 3 10221 J (fig. 9A). Se
o ligarmos a um recipiente B (fig. 9B) com o mesmo número de moléculas,
tendo cada uma delas os mesmos 4 3 10221 J de energia cinética média, a
energia térmica total do sistema formado será maior, mas a temperatura
não irá se alterar.
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

A B

A A B

θ θ

Figura 9. O sistema (A 1 B) possui maior energia térmica que o sistema A, mas a


temperatura é a mesma.

34

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No Capítulo 8 (Estudo dos gases) voltaremos a discutir a relação entre temperatura e agi-
tação térmica. Por ora, podemos concluir:

A temperatura pode ser entendida como uma medida do nível energético de um sistema.
Dois corpos podem apresentar temperaturas iguais (mesmo nível energético), mas possuir
energias térmicas totais diferentes.

Experimentalmente, o físico irlandês William Thomson (lorde


Kelvin*) verificou que a pressão de um gás rarefeito diminuía
1
_______ do valor inicial, quando resfriado a volume constante,
273,15
de 0 wC para 21 wC. Por extrapolação, concluiu que, se o gás não
mudasse de estado, sua pressão seria nula na temperatura de
2273,15 wC (que se costuma aproximar para 2273 wC).
A esse estado térmico, em que se anularia a pressão do
gás, foi dado o nome de zero absoluto — o limite inferior de
temperatura. Todas as tentativas para alcançar o zero absoluto
falharam. Ele é inatingível, embora seja possível aproximar-se
dele indefinidamente. À medida que a temperatura de um cor-
po se aproxima do zero absoluto, a energia cinética de suas
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

moléculas tende para um valor finito que se denomina energia


do ponto zero — que, apesar do nome, não é nula.
Com base nesse estado térmico, lorde Kelvin estabeleceu,
em 1848, a escala absoluta que hoje leva o seu nome. A origem
(zero) da escala Kelvin é o zero absoluto e a unidade adotada é Retrato de William Thomson,
o kelvin** (símbolo K), cuja extensão é igual à do grau Celsius lorde Kelvin.
(wC). Assim, uma variação de temperatura de 1 wC corresponde
a uma variação de temperatura de 1 K.
373 K 100 °C
Generalizando, qualquer variação de temperatura na escala
Celsius (SJC) é numericamente igual à variação de temperatura
correspondente na escala Kelvin (ST):

SJC5 ST T θC

Observe que as indicações que se correspondem nas es-


calas Celsius (JC) e Kelvin (T) nunca coincidem. Realmente, o
ponto de congelamento da água (0 wC) corresponde a 273 K 273 K 0 °C
(que se lê 273 kelvins) e o ponto de ebulição da água (100 wC)
corresponde a 373 K. Assim, comparando as indicações da
escala Celsius e da escala absoluta Kelvin, para um mesmo
estado térmico (fig. 10), notamos que a temperatura absoluta
(T) é sempre 273 unidades mais alta que a correspondente
temperatura Celsius (JC).
0K –273 °C
Figura 10. A temperatura
T 5 JC  273 absoluta T é igual à temperatura
Capítulo 2 • Termometria

Celsius JC somada a 273.

Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/cero/cero.htm (acesso em


julho/2009), você poderá simular uma experiência na qual certo volume de ar é aquecido desde 0 wC até 100 wC. A variação
de pressão do ar é analisada graficamente, verificando-se por extrapolação que se anula no zero absoluto (2273 °C).

* LORDE KELVIN é o título de nobreza que o célebre físico irlandês William Thomson (1824-1907) recebeu em 1892 da
rainha Vitória. Aos 34 anos, ao instalar o primeiro cabo telegráfico sob o Oceano Atlântico, foi sagrado cavaleiro, rece-
bendo o título de Sir. Ao morrer, foi enterrado ao lado da sepultura de Newton, na Abadia de Westminster, Londres.
** A unidade de temperatura termodinâmica (absoluta) do Sistema Internacional de Unidades é o kelvin (K), não se
utilizando mais o grau Kelvin (wK) como era feito antigamente.

35

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Temperaturas absolutas notáveis

Apresentamos, a seguir, algumas temperaturas notáveis, expressas em kelvin, desde o interior das estrelas
mais quentes até o zero absoluto, que representam os dois extremos conhecidos.

Interior das estrelas Turbina a vapor 9 3 102 K


109 K
mais quentes
Temperaturas familiares ao homem 273 K a 373 K
Bomba de hidrogênio 108 K
Oxigênio vaporiza-se sob
Interior do Sol 107 K 90 K
pressão normal
6
Coroa solar 10 K
Superfície de Plutão entre 38 K e 63 K
Bomba atômica 3 3 105 K
Hidrogênio vaporiza-se sob
Temperatura em que todas as 20 K
1,5 3 104 K pressão normal
moléculas estão ionizadas
Hélio vaporiza-se sob
Superfície do Sol 6 3 103 K 4K
pressão normal
Filamento de lâmpada
3 3 103 K Hélio solidifica-se sob alta pressão 1K
incandescente

Chama de fogão 1,1 3 103 K Zero absoluto 0K

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Está no Guinness
De acordo com o Guinness 2008, o livro dos recordes, a temperatura mais baixa até hoje conseguida foi de
450 3 10212 K. Essa temperatura foi obtida por uma equipe do MIT, liderada por Aaron Leanhardt, em Cambridge,
Massachusetts, EUA.

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A Física em nosso Mundo: Criogenia – A Física das baixas temperaturas

ExErcícIo rEsolvIDo
R. 8 A temperatura corporal humana pode variar entre 35 wC e 42 wC na escala Celsius.
a) Determine os valores desses limites na escala absoluta Kelvin.
b) Calcule a variação quando a temperatura de uma pessoa se altera do menor para o maior
dos valores citados acima, nas duas escalas.
Solução:
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

a) A indicação absoluta é 273 unidades maior que a indicação Celsius: T 5 JC 1 273. Assim:

JC 5 35 wC ] T 5 35 1 273 ] T 5 308 K

JeC 5 42 wC ] Te 5 42 1 273 ] Te 5 315 K

b) Na escala Celsius: J1 5 35 wC e S2 5 42 wC. Assim:

SJC 5 J2 2 J1 5 42 2 35 ] SJC 5 7 wC

Na escala Kelvin: T1 5 308 K e T2 5 315 K. Então:

ST 5 T2 2 T1 5 315 2 308 ] ST 5 7 K

Observe que as variações de temperatura coincidem nas duas escalas:

SJC 5 ST

Respostas: a) A temperatura corporal na escala Kelvin varia entre 308 K e 315 K; b) 7 °C e 7 K

36

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ExErcícIos propostos
P. 11 O álcool etílico tem ponto de congelamento de P. 13 Em certa cidade, num dia de verão, a temperatura
239 wC sob pressão normal. Determine essa tem- mínima foi de 22 wC, e a máxima, de 33 wC. Deter-
peratura na escala Kelvin. mine:
a) os valores das temperaturas mínima e máxima
P. 12 (FICB-DF) Quando um termômetro graduado na es- referidas expressos na escala absoluta Kelvin;
cala Celsius sofrer uma variação de 32 graus em sua b) a máxima variação de temperatura ocorrida
temperatura, qual será a correspondente variação nesse dia, expressa nas escalas Celsius e Kelvin.
de temperatura para um termômetro graduado na
escala Kelvin?

ExErcícIos propostos DE rEcApItUlAção


P. 14 (PUC-SP) Um médico inglês mede a temperatura de P. 19 (EEM-SP) Pode-se medir a temperatura com um
um paciente com suspeita de infecção e obtém em termômetro de mercúrio. Neste, a grandeza ter-
seu termômetro clínico o valor de 102,2 wF (graus mométrica é o comprimento L de uma coluna
Fahrenheit). capilar, medida a partir de uma origem comum.
a) Tem ele motivo de preocupação com o paciente? Verifica-se que L 5 2,34 cm, quando o termômetro
Justifique. está em equilíbrio térmico com o gelo em fusão, e
b) Por que um doente com febre sente frio? Respon- L 5 12,34 cm, quando o equilíbrio térmico é com a
da e defina também o conceito físico de calor. água em ebulição (num ambiente em que a pressão
atmosférica é 1 atm).
a) Calcule o comprimento da coluna de mercúrio
P. 15 Uma escala arbitrária adota para o ponto do gelo e quando a temperatura é J 5 25 wC.
para o ponto do vapor, respectivamente, os valores b) Calcule a temperatura do ambiente quando
210 e 240. Estabeleça as fórmulas de conversão L 5 8,84 cm.
dessa escala para as escalas Celsius e Fahrenheit.
Determine a indicação da referida escala para o
zero absoluto. P. 20 (UFRJ) Em uma escala termométrica, que chamaremos
de escala médica, o grau é chamado de grau médico
e representado por °M. A escala médica é definida
P. 16 Numa escala arbitrária E, o zero corresponde a por dois procedimentos básicos: no primeiro, faz-se
210 wC e a indicação 100 wE corresponde a 40 wC. corresponder 0 wM a 36 wC e 100 wM a 44 wC; no segun-
Determine: do, obtém-se uma unidade de wM pela divisão do
a) a fórmula de conversão entre as indicações da intervalo de 0 wM a 100 wM em 100 partes iguais.
escala E e da escala Celsius; a) Calcule a variação em graus médicos que cor-
b) as leituras que, na escala E, correspondem ao responde à variação de 1 wC.
ponto do gelo e ao ponto do vapor; b) Calcule, em graus médicos, a temperatura de um
c) as indicações cujos valores absolutos coincidem paciente que apresenta uma febre de 40 wC.
nas escalas E e Celsius.
P. 21 (Cesgranrio-RJ) h (cm)
P. 17 (Olimpíada Brasileira de Física) Ao se construir uma Com o objetivo
escala termométrica arbitrária X, verificou-se que de recalibrar um
velho termôme- θV 30
a temperatura de 240 wX coincide com o mesmo
valor na antiga escala de temperatura Réaumur, tro com a escala
que adota respectivamente 0 wR e 80 wR para os totalmente apa-
θL 18
pontos fixos fundamentais (ponto do gelo e ponto gada, um estu-
dante o coloca em
do vapor). Verificou-se ainda que a temperatura de θG 10
275 wX coincide com o mesmo valor na escala equilíbrio térmi-
Capítulo 2 • Termometria

Celsius. Determine na escala X as leituras corres- co, primeiro com


gelo fundente e, 0
pondentes a 0 wC e a 80 wR. θG θ V θ (°C)
depois, com água
em ebulição sob pressão atmosférica normal. Em
P. 18 Um termômetro de escala Celsius tornou-se ine- cada caso, ele anota a altura atingida pela coluna de
xato, conservando, entretanto, seção interna uni- mercúrio: 10,0 cm e 30,0 cm, respectivamente, medi-
forme. Quando as temperaturas são 0 wC e 70 wC, da sempre a partir do centro do bulbo. Em seguida, ele
ele marca, respectivamente, 22w e 71w. Determine espera que o termômetro entre em equilíbrio térmico
uma fórmula que forneça as temperaturas exatas com o laboratório e verifica que, nessa situação, a
T em função das que se leem no termômetro defei- altura da coluna de mercúrio é de 18,0 cm.
tuoso D. Quais das temperaturas lidas coincidem Qual é a temperatura do laboratório na escala
em valor absoluto? Celsius desse termômetro?

37

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 37 22.08.09 08:48:45


testes propostos
T. 13 (Unifesp) A figura reproduz uma gravura do ter- T. 18 (Unimep-SP) Mergulham-se dois termômetros na
moscópio de Galileu, um termômetro primitivo por água: um graduado na escala Celsius e o outro
ele construído no início do século XVII. No termos- na Fahrenheit. Espera-se o equilíbrio térmico e
cópio, o ar é aprisionado no bulbo superior, ligado nota-se que a diferença entre as leituras nos dois
por um tubo a um recipiente aberto contendo um termômetros é igual a 92. A temperatura da água
líquido colorido. valerá, portanto:
Assim, pode-se concluir que, a) 28 wC e 120 wF d) 75 wC e 167 wF
se a temperatura ambiente b) 32 wC e 124 wF e) 80 wC e 172 wF
subir, a altura da coluna de Ar
c) 60 wC e 152 wF
líquido colorido:
a) aumenta, pois aumentam
o volume e a pressão do ar T. 19 (UEPG-PR) Em um recipiente contendo água, dois
contido no bulbo. termômetros medem, simultaneamente, a tem-
b) diminui, pois aumentam peratura. Um dos termômetros está graduado na
o volume e a pressão do escala Fahrenheit e o outro na escala Celsius, e a
ar contido no bulbo. diferença entre a medida obtida na escala Fahren-
c) aumenta, em decorrência heit e a medida obtida na escala Celsius é igual a
da dilatação do líquido 100w. A partir desses dados, é correto afirmar que
contido no recipiente. a água encontra-se a uma temperatura igual a:
a) 45 wC d) 95 wC
d) diminui, em decorrência
Líquido b) 185 wC e) 75 wC

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


da dilatação do líquido
contido no recipiente. c) 85 wC
e) pode aumentar ou dimi-
nuir, dependendo do líqui- T. 20 (Mackenzie-SP) Um viajante, ao desembarcar no
do contido no recipiente. aeroporto de Londres, observou que o valor da
Ar temperatura do ambiente na escala Fahrenheit
é o quíntuplo do valor da temperatura na escala
Celsius. Esta temperatura é de:
a) 5 wC d) 20 wC
T. 14 (Olimpíada Paulista de Física) Uma empresa brasilei- b) 10 wC e) 25 wC
ra do setor de alimentos deseja exportar sua massa
c) 15 wC
para bolos. A legislação vigente no país importador
exige que as temperaturas sejam expressas na es-
cala Fahrenheit. Se o forno para assar o bolo deve T. 21 (UFF-RJ) Um turista brasileiro, ao desembarcar no
ser preaquecido a uma temperatura de 150 wC, qual aeroporto de Chicago, observou que o valor da tem-
é o valor correspondente na escala Fahrenheit? peratura lá indicado, em wF, era um quinto do valor
a) 151 wF c) 253 wF e) 212 wF correspondente em wC. O valor observado foi:
b) 202 wF d) 302 wF a) 22 wF d) 0 wF
b) 2 wF e) 24 wF
T. 15 (Mackenzie-SP) No dia 1o de janeiro de 1997, Chi- c) 4 wF
cago amanheceu com a temperatura de 5 wF. Essa
temperatura, na escala Celsius, corresponde a: T. 22 (Mackenzie-SP) A indicação de uma temperatura na
a) 215 wC c) 25 wC e) 8 wC escala Fahrenheit excede em 2 unidades o dobro da
b) 210 wC d) 2 wC correspondente indicação na escala Celsius. Essa
temperatura é:
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

T. 16 (Fuvest-SP) A televisão noticia que a temperatura em a) 300 wC d) 100 wC


Nova York chegou aos 104 graus (naturalmente 104 b) 170 wC e) 50 wC
graus Fahrenheit). Converta para graus Celsius. c) 150 wC
a) 44 wC c) 36 wC e) 0 wC
b) 40 wC d) 30 wC
T. 23 (FEI-SP) Uma diferença de temperatura de 100 wC
equivale a:
T. 17 (FMTM-MG) A fim de diminuir o risco de explosão a) 112 wF d) 132 wF
durante um incêndio, os botijões de gás possuem b) 212 wF e) 68 wF
um pequeno pino com aspecto de parafuso, conhe- c) 180 wF
cido como plugue fusível. Uma vez que a tempera-
tura do botijão chegue a 172 wF, a liga metálica desse
dispositivo de segurança se funde, permitindo que T. 24 (Ufac) A temperatura em Rio Branco, em certo dia,
o gás escape. Em termos de nossa escala habitual, sofreu uma variação de 15 wC. Na escala Fahrenheit,
o derretimento do plugue fusível ocorre, aproxima- essa variação corresponde a:
damente, a: a) 108 wF d) 27 wF
a) 69 wC c) 85 wC e) 101 wC b) 71 wF e) 1 wF
b) 78 wC d) 96 wC c) 44 wF

38

V2_P1_UN_B_CAP_02.indd 38 22.08.09 14:18:50


T. 25 (ITA-SP) Para medir a febre de pacientes, um estu- T. 30 (Uece) Comparando-se a escala E de um termôme-
dante de medicina criou sua própria escala linear tro com a escala C (Celsius), obteve-se este gráfico
de temperaturas. Nessa nova escala, os valores de de correspondência entre as medidas:
0 (zero) e 10 (dez) correspondem respectivamente a
37 wC e 40 wC. A temperatura de mesmo valor numé- E
rico em ambas as escalas é aproximadamente:
90
a) 52,9 wC d) 28,5 wC
b) 28,5 wC e) 228,5 wC
c) 74,3 wC

T. 26 (Mackenzie-SP) Um termômetro mal graduado na


escala Celsius indica para a água, à pressão nor-
mal, o valor de 1 wC para a fusão e o de 99 wC para
a ebulição. A única temperatura correta que esse
termômeto poderá indicar é a de:
a) 45 wC d) 53 wC 0 50 C
b) 47 wC e) 55 wC –10
c) 50 wC
Quando o termômetro Celsius estiver registrando
90 wC, o termômetro E estará marcando:
T. 27 (UFS-SE) A equação de conversão de uma escala a) 100 wE d) 170 wE
X para a escala Celsius é dada pela expressão b) 120 wE e) 200 wE
5 c) 150 wE
JX 5 __ JC 2 20, onde JX é a temperatura em graus X
4
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e JC a temperatura em graus Celsius. Pode-se afir-


mar que os pontos fixos da escala X corresponden- T. 31 (Uema) O gráfico estabelece a relação entre uma
tes à fusão do gelo e à ebulição da água sob pressão escala termométrica hipotética de temperatura e
normal são, respectivamente: a escala Celsius.
a) 220 wX e 105 wX d) 10 wX e 105 wX
θH (°H)
b) 220 wX e 125 wX e) 20 wX e 125 wX
c) 0 wX e 95 wX
20
T. 28 (Ufam) Uma escala termométrica X é construída
de modo que a temperatura de 0 wX corresponde
a 24 wF, e a temperatura de 100 wX corresponde a
68 wF. Nesta escala X, a temperatura de fusão do
gelo vale:
a) 30 wX d) 40 wX –25 0 θC (°C)
b) 20 wX e) 10 wX
c) 50 wX A temperatura da água em ebulição, nessa escala
hipotética, vale:
a) 60 wH d) 120 wH
T. 29 (PUC-RS) Duas escalas termométricas quaisquer, X
b) 100 wH e) 125 wH
e Y, relacionam-se conforme o diagrama seguinte.
c) 80 wH
X Y

100 200 T. 32 (Unifor-CE) O gráfico representa a relação entre


uma escala de temperatura arbitrária X e a escala
Celsius.

θX (°X)
60
50 θY
Capítulo 2 • Termometria

0 –100
0 60 θC (°C)

Na escala X, ao nível do mar, a temperatura de fusão


do gelo e a de ebulição da água valem, respectiva-
O valor JY na escala Y que corresponde a 50 graus mente:
na escala X é: a) 100 e 0 d) 0 e 100
a) 250 c) 50 e) 150 b) 60 e 40 e) 240 e 60
b) 0 d) 100 c) 60 e 240

39

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T. 33 (UEL-PR) O gráfico a seguir representa a relação T. 36 (Uneb-BA) Numa cidade onde a pressão atmosférica
entre a temperatura medida numa escala X e a vale 1 atm, a coluna de mercúrio de um termômetro
mesma temperatura medida na escala Celsius. apresenta altura de 4 cm, quando em equilíbrio tér-
mico com gelo em fusão, e possui altura de 14 cm,
θ (°X) quando em equilíbrio térmico com água em ebulição.
30 A altura da coluna de mercúrio quando a indicação
do termômetro é de 30 wC é, em cm:
25
a) 3 b) 4 c) 7 d) 11 e) 17
20
15
10 T. 37 (Mackenzie-SP) O célebre físico irlandês William
Thomson, que ficou mundialmente conhecido
5
10 pelo título de lorde Kelvin, entre tantos trabalhos
0 20 30 θ (°C) que desenvolveu, “criou” a escala termométrica
–5 absoluta. Essa escala, conhecida por escala Kelvin,
consequentemente não admite valores negativos,
e, para tanto, estabeleceu como zero o estado de
mínima energia molecular. Conceitualmente sua
Pelo gráfico, pode-se concluir que o intervalo de
colocação é consistente, pois a temperatura de um
temperatura de 1,0 °C é equivalente a:
corpo se refere à medida:
a) 0,50 wX c) 1,0 wX e) 2,0 wX
a) da quantidade de movimento das moléculas do
b) 0,80 wX d) 1,5 wX
corpo.
b) da quantidade de calor do corpo.
T. 34 (Mackenzie-SP) Um profissional, necessitando c) da energia térmica associada ao corpo.
efetuar uma medida de temperatura, utilizou um d) da energia cinética das moléculas do corpo.
termômetro cujas escalas termométricas inicial- e) do grau de agitação das moléculas do corpo.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


mente impressas ao lado da coluna de mercúrio
estavam ilegíveis. Para atingir seu objetivo, colocou
o termômetro inicialmente numa vasilha com gelo T. 38 (Unirio-RJ) O nitrogênio, à pressão de 1,0 atm, se
fundente, sob pressão normal, e verificou que no condensa a uma temperatura de 2392 graus numa
equilíbrio térmico a coluna de mercúrio atingiu escala termométrica X. O gráfico representa a corres-
8,0 cm. Ao colocar o termômetro em contato com pondência entre essa escala e a escala K (Kelvin).
água fervente, também sob pressão normal, o equi-
X
líbrio térmico se deu com a coluna de mercúrio
atingindo 20,0 cm de altura. Se nesse termômetro
200
utilizarmos as escalas Celsius e Fahrenheit e a
temperatura a ser medida for expressa pelo mes-
mo valor nas duas escalas, a coluna de mercúrio 0 273 373 K
terá altura de:
a) 0,33 cm c) 3,2 cm e) 6,0 cm
b) 0,80 cm d) 4,0 cm

T. 35 (UFBA) As indicações para os pontos de fusão do gelo


e de ebulição da água sob pressão normal de dois Em função dos dados apresentados no gráfico, po-
termômetros, um na escala Celsius e outro na escala demos verificar que a temperatura de condensação
Fahrenheit, distam 20 cm, conforme a figura. do nitrogênio, em kelvin, é dada por:
a) 56 c) 100 e) 273
b) 77 d) 200

T. 39 (Mackenzie-SP) Para medir a temperatura de um


certo corpo, utilizou-se um termômetro graduado
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

na escala Fahrenheit e o valor obtido correspondeu


4
a __ da indicação de um termômetro graduado na
20 cm 5
escala Celsius, para o mesmo estado térmico. Se a es-
cala adotada tivesse sido a Kelvin, esta temperatura
seria indicada por:
5 cm a) 305 K c) 241 K e) 25,6 K
b) 273 K d) 32 K

T. 40 (UFPA) Em um certo instante a temperatura de um


°C °F corpo, medida na escala Kelvin, foi de 300 K. De-
corrido um certo tempo, mediu-se a temperatura
A 5 cm do ponto de fusão do gelo os termômetros desse mesmo corpo e o termômetro indicou 68 wF. A
registram temperaturas iguais a: variação de temperatura sofrida pelo corpo, medida
a) 25 wC e 77 wF d) 25 wC e 45 wF na escala Celsius, foi de:
b) 20 wC e 40 wF e) 25 wC e 53 wF a) 232 wC c) 27 wC e) 368 wC
c) 20 wC e 45 wF b) 25 wC d) 212 wC

40

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uNidade B

Capítulo Dilatação

3
térmica de
sólidos e líquidos

N a construção civil o fenômeno da dilatação tér-


mica tem grande importância e deve ser levado
em consideração, por exemplo, no planejamento de
pontes, viadutos e vias férreas. As juntas de dilatação
A mudança nas dimensões
são responsáveis por minimizar os efeitos da dilata-
dos corpos, quando sofrem
variações de temperatura, ção em situações como a mostrada na imagem.
é um fenômeno que pode
ser facilmente observado
em situações do cotidiano.
Quando observamos a coluna
de mercúrio de um termômetro
clínico se expandir ao entrar
em contato com uma pessoa
com febre, estamos observando
a ocorrência da dilatação
térmica dos materiais.

3.1 Introdução
A variação da temperatura
geralmente acarreta, nos sólidos
e nos líquidos, mudanças nas
suas dimensões.

3.2 Dilatação dos sólidos


A variação das dimensões de
um sólido depende da variação
da temperatura, de suas dimensões
iniciais e do material que
o constitui.

3.3 Dilatação térmica dos


líquidos
Para analisarmos a dilatação de
um líquido precisamos conhecer
a dilatação do recipiente que
o contém.

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Seção 3.1 Introdução
Objetivos Após o estudo da temperatura e de sua medida, feito no capítulo an­
Analisar o aspecto terior, passaremos agora a considerar um dos efeitos da temperatura:
microscópico da a dilatação.
variação das dimensões Geralmente, quando a temperatura de um corpo aumenta, suas dimen­
de um corpo quando sões também aumentam. A esse fenômeno dá-se o nome de dilatação
varia sua temperatura. térmica. Quando diminuem as dimensões do corpo, em virtude da dimi­
Caracterizar as nuição da temperatura, temos a contração térmica.
dilatações linear, A dilatação de um corpo pelo aumento de temperatura é consequência
superficial e volumétrica do aumento da agitação das partículas constituintes do corpo — sejam
para os sólidos. elas átomos, moléculas ou íons, de acordo com o material. As colisões
entre essas partículas tornam-se mais violentas após o aquecimento, o
Termos e conceitos que causa uma separação maior entre elas.
• dilatação térmica Imaginemos uma experiência simples para evidenciar esse fato. Um
• contração térmica termômetro de mercúrio é colocado no interior de um líquido. Se subme­
• dilatação linear termos o líquido à chama de um bico de gás (fig. 1), o termômetro indicará
• dilatação superficial um aumento da temperatura.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


• dilatação volumétrica

Figura 1. Em diversos
instrumentos de medição,
o fenômeno da dilatação
térmica é utilizado como
meio para obtenção de
medidas de temperatura,
como ocorre no termômetro
de mercúrio.

A indicação do termômetro se faz da seguinte maneira: o líquido recebe


calor da chama, aumentando a energia cinética de suas moléculas; essas
moléculas golpeiam o vidro do bulbo do termômetro com maior frequên­
cia e mais violentamente; as partículas do vidro passam a vibrar mais
intensamente e transmitem essa energia de vibração às partículas do
mercúrio, também por meio de colisões; a energia cinética das partículas
do mercúrio aumenta e, com isso, a distância média entre elas aumenta;
desse modo, a coluna de mercúrio se dilata.
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

A dilatação
da substância
termométrica
(neste caso, o álcool)
constitui o princípio
de funcionamento
dos termômetros
de coluna líquida.

42

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A dilatação térmica é sempre volumétrica (fig. 2C), pois as moléculas afastam-se umas das
outras em qualquer direção que se considere. Se analisarmos a dilatação em uma só direção
(variação do comprimento de uma barra, variação do diâmetro de uma esfera, variação de uma
aresta de um cubo), estaremos estudando a dilatação linear (fig. 2A). Ao analisar a dilatação
de duas das dimensões (variação da área de uma placa, variação da área da face de um cubo),
estaremos estudando a dilatação superficial (fig. 2B).

A B C

Figura 2. (A) Dilatação linear. (B) Dilatação superficial. (C) Dilatação volumétrica.

Então, por conveniência, faremos o estudo da dilatação dos sólidos da seguinte maneira:
• dilatação linear — aumento de uma das dimensões do corpo, como no caso do comprimento
de uma barra (fig. 2A);
• dilatação superficial — aumento da área de uma superfície, como a de uma placa (fig. 2B);
• dilatação volumétrica — aumento do volume do corpo (fig. 2C).
No caso dos líquidos, por não terem forma própria e estarem contidos em recipientes sóli­
dos, costumamos estudar apenas sua dilatação volumétrica.

Seção 3.2
Dilatação dos sólidos
Objetivos 1 Dilatação linear
Avaliar a dilatação
Quando aumentamos de 10 wC a temperatura de uma barra de ferro com
térmica de corpos
100 cm de comprimento, essa dimensão aumenta de 0,012 cm (fig. 3A).
sólidos utilizando as
Submetida ao mesmo aquecimento, uma barra de ferro com o dobro do
leis da dilatação linear,
comprimento (200 cm) tem sua dimensão aumentada de 0,024 cm, ou seja,
superficial e volumétrica.
sofre uma dilatação igual ao dobro da anterior (fig. 3B).
Definir dilatação
relativa. A L 0 = 100 cm ∆L

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


Construir e analisar
gráficos obtidos a partir ∆L = 0,012 cm
da lei de dilatação linear.

Termos e conceitos B L0 = 200 cm ∆L


• coeficiente de
dilatação linear
∆L = 0,024 cm
• grau Celsius recíproco
• coeficiente de
Figura 3. Influência do comprimento inicial na dilatação.
dilatação superficial
• coeficiente Para uma barra com outro comprimento inicial, a mesma elevação de
de dilatação temperatura acarretará uma outra dilatação, proporcional ao compri­
volumétrica mento inicial dessa barra.

A variação de comprimento SL de uma barra que sofre aquecimento


é diretamente proporcional ao seu comprimento inicial L0.

43

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Voltando ao exemplo da barra de ferro, de comprimento inicial L0  100 cm, a elevação de
10 wC na temperatura produz uma dilatação de 0,012 cm (fig. 4A). Uma elevação de tempe­
ratura duas vezes maior (20 wC) faz o comprimento da barra aumentar de 0,024 cm, isto é,
acarreta uma dilatação igual ao dobro da anterior (fig. 4B).

∆θ = 10 °C ∆L

∆L = 0,012 cm

∆θ = 20 °C ∆L

∆L = 0,024 cm

Figura 4. Influência da variação de temperatura na dilatação.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


A variação de comprimento SL de uma barra que sofre aquecimento é
diretamente proporcional à variação de temperatura SJ.

Repetindo as experiências com barras de materiais diferentes, observamos o mesmo com­


portamento, mas a dilatação é específica para cada caso.

A variação de comprimento SL de uma barra que sofre aquecimento


depende do material que a constitui.

Tendo em vista que a dilatação SL de uma barra é diretamente proporcional ao comprimento


inicial L0 e à variação de temperatura SJ, temos:

SL  a 3 L0 3 SJ

Nessa fórmula, a é uma constante de proporcionalidade denominada coeficiente de dila-


tação linear, característico de cada material. Essa fórmula expressa, algebricamente, a lei
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

da dilatação linear.
Tomemos novamente o primeiro exemplo apresentado. O comprimento inicial é L0  100 cm,
a variação de temperatura é SJ  10 wC e a dilatação (variação de comprimento) é SL  0,012 cm.
O coeficiente de dilatação linear será dado por:

SL 0,012 cm cm
a  _______ ] a  _______________ ] a  0,000012 _______
L0 3 SJ 100 cm 3 10 wC cm 3 wC

O valor encontrado é o coeficiente de dilatação linear do ferro e tem o seguinte significado:

Ocorre uma dilatação de 0,000012 cm para cada cm de comprimento


da barra e para cada wC de variação de temperatura.

44

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 44 22.08.09 08:51:29


Assim, para o ferro, podemos escrever: a  0,000012 wC1 ou a  12 3 106 wC1.
A unidade do coeficiente de dilatação é o inverso do grau Celsius, chamado grau Celsius
recíproco, de símbolo wC1.
Na fórmula SL  a 3 L0 3 SJ, observe que, para o mesmo L0 e o mesmo SJ, sofre maior dilatação SL
o material de maior coeficiente de dilatação a. Os metais estão entre as substâncias que mais
se dilatam, isto é, que apresentam maior coeficiente de dilatação. Outros materiais, como o
vidro pirex, apresentam pequeno coeficiente de dilatação e, portanto, dilatação reduzida.
Para comparação, apresentamos alguns coeficientes de dilatação linear:

Chumbo: 27 3 106 wC1


Maior Zinco: 26 3 106 wC1
dilatação Alumínio: 22 3 106 wC1
Prata: 19 3 106 wC1
Ouro: 15 3 106 wC1
Concreto: 12 3 106 wC1
Vidro comum: 9 3 106 wC1
Menor Granito: 8 3 106 wC1
dilatação Vidro pirex: 3,2 3 106 wC1 O vidro pirex é mais resistente a choques térmicos
do que o vidro comum porque tem pequeno coeficiente de
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6 1
Porcelana: 3 3 10 wC dilatação térmica.

O coeficiente de dilatação linear, como foi definido, corresponde a um valor médio entre a
SL
temperatura inicial e a temperatura final. É possível definir um coeficiente a  _______ para
L0 3 SJ
SL
dada temperatura pelo limite da expressão _______ quando o intervalo de temperatura SJ tende
L0 3 SJ
a zero. Contudo, não sendo muito grande a variação de temperatura, o valor médio do coeficiente
de dilatação praticamente coincide com o coeficiente em dada temperatura.
Outra fórmula para a dilatação linear é obtida substituindo-se SL por (L  L0), sendo L o
comprimento final.

L  L0  a 3 L0 3 SJ ] L  L0  a 3 L0 3 SJ

L  L0 3 (1  a 3 SJ)

Dilatação relativa
Chama-se dilatação relativa de um corpo a relação entre o valor da dilatação que esse Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos
corpo sofre e o valor inicial de suas dimensões. Essa relação pode ser dada porcentualmente,
o que é bastante comum.
Assim, quando dizemos que o comprimento de uma barra aumentou de 0,5%, isso significa
que a relação entre sua dilatação SL e seu volume inicial L0 vale:

SL 0,5
___  0,5%  ____  0,005
L0 100

Com base na fórmula que expressa a lei da dilatação, poderíamos escrever, nesse caso:

0,5
a 3 SJ  ____  0,005
100

Observe que, conhecida a dilatação relativa e a variação de temperatura, podemos obter o


coeficiente de dilatação do material que constitui a barra.
45

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 45 22.08.09 08:51:30


Gráficos da dilatação linear
Vamos imaginar uma experiência na qual uma barra de comprimento inicial L0 é submetida,
a partir de 0 wC, a temperaturas sucessivamente maiores, como, por exemplo, 5 wC, 10 wC, 15 wC,
20 wC, ... 50 wC. Se anotarmos o comprimento L da barra para cada temperatura e lançarmos no
gráfico L # J, obteremos uma curva que, para um intervalo pequeno de temperatura, pode ser
considerada uma reta (fig. 5), valendo a fórmula L  L0 (1  a 3 SJ).
Como SJ  (J  J0), temos:
L  L0  [1  a 3 (J  J0)]
Se J0  0 wC, vem:

L  L0  a 3 L0 3 J (função do primeiro grau)

L
L = L0 + α • L 0 • θ
L

L – L0
Figura 5. Gráfico da função
ϕ L  L0 1 a 3 L0 3 J.
L0
θ

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


0 θ θ (°C)

No gráfico:
L  L0
tg A  ______  a 3 L0 (coeficiente angular da reta)
J

De SL  a 3 L0 (J  J0), se J0  0 wC, vem:

SL  a 3 L0 3 J (função linear)

Seu gráfico é o da figura 6, no qual:


SL
tg A  ___  a 3 L0 (coeficiente angular da reta)
J

∆L

∆L ∆L = α • L0 • θ
Figura 6. Gráfico da função
∆L SL  a 3 L0 3 J.
ϕ
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

0 θ θ (°C)
θ

O dilatômetro da
figura destina-se à
medição da dilatação
linear de barras
metálicas de
diferentes
materiais.

46

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 46 22.08.09 08:51:32


A lâmina bimetálica

A lâmina bimetálica é um dispositivo constituído por duas tiras justapostas e A


bem aderidas, feitas de metais com diferentes coeficientes de dilatação (fig. A). A
Ao serem aquecidas, as tiras se dilatam provocando o encurvamento da lâmina
para o lado da tira de menor coeficiente de dilatação (fig. B).
Uma aplicação prática comum da lâmina bimetálica é o seu uso no chama-
B Situação inicial
do pisca-pisca. As fotos seguintes ilustram uma montagem simples em que
(αA > αB )
uma lâmina bimetálica funciona como interruptor de um circuito, ligando-o e B
desligando-o continuamente. Partindo da situação em que a lâmpada está acesa
A
(foto 1), a corrente elétrica, ao passar pela lâmina, determina o aquecimento
desta. Com isso, a lâmina se encurva, abrindo o circuito (foto 2). Interrompida
a corrente, a lâmina esfria, volta à posição inicial, fecha o circuito e novamente
a lâmpada se acende (foto 3). A lâmina volta a se aquecer pela passagem da B Situação após aquecimento
corrente, encurva-se e abre o circuito, repetindo-se o ciclo. (∆θ > 0)

1 2 3

exercícios resolvidos
R. 9 Uma barra apresenta a 10 wC comprimento de 90 m, R. 10 Duas barras A e B de materiais diferentes apresen-
sendo feita de um material cujo coeficiente de tam, a 0 wC, comprimentos respectivamente iguais
dilatação linear médio vale 19 3 1026 wC21. A barra é a 75,0 cm e 75,3 cm. A que temperatura devem ser
aquecida até 20 wC. Determine: aquecidas para que seus comprimentos se tornem
a) a dilatação ocorrida; iguais? Os coeficientes de dilatação linear dos ma-
b) a dilatação relativa, expressa em porcenta- teriais de A e B valem, respectivamente, 5,4 3 1025 wC21
gem; e 2,4 3 1025 wC21.
c) o comprimento final da barra. Solução:

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


Solução: Pede-se a temperatura em que LA 5 LB. Mas:
a) Pela lei da dilatação linear (SL 5 a 3 L0 3 SJ), sendo
dados a 5 19 3 1026 wC21, L0 5 90 m 5 9.000 cm LA 5 L0 3 (1  aA 3 SJ) e LB 5 L0 3 (1  aB 3 SJ)
A B

e SJ 5 20 wC 2 10 wC 5 10 wC, resulta:
Logo:
SL 5 19 3 1026 3 9.000 3 10 ]
L0 3 (1  aA  SJ) 5 L0 3 (1  aB 3 SJ)
] SL 5 171 3 1022 ]
A B
SL 5 1,71 cm
São dados:
b) A dilatação relativa é dada por:
L0 5 75,0 cm; L0 5 75,3 cm; SJ 5 J 2 0 5 J;
1,71
A B
SL ______
___ SL
5 5 0,00019 ] ___ 5 0,00019 3 100% ] aA 5 5,4 3 1025 wC21; aB 5 2,4 3 1025 wC21
L0 9.000 L0
Substituindo esses valores:
SL
___
] 5 0,019% 75,0 3 (1  5,4 3 1025 J) 5 75,3 3 (1  2,4 3 1025 J) ]
L0
] 75,0  405 3 1025 J 5 75,3  180,72 3 1025 J ]
c) O comprimento final L vale:
] 224,28 3 1025 J 5 0,3 ]
L 5 L0  SL ] L 5 9.000  1,71 ]
0,3
L 5 9.001,71 cm ] J 5 ____________ ] J 7 133,76 wC
] 224,28 3 1025
Respostas: a) 1,71 cm; b) 1,9%; c) 9.001,71 cm Resposta: 7 133,76 wC

47
R. 11 O gráfico mostra como varia o comprimento de R. 12 Na figura, a plataforma P é horizontal por estar
uma barra metálica em função da temperatura. apoiada nas barras A e B de coeficientes de dilata-
ção iguais, respectivamente, a aA e aB. Determine a
L (cm) relação entre os comprimentos iniciais LA e LB das
barras, a fim de que a plataforma P permaneça
8,06 horizontal em qualquer temperatura.

P
8,02 B

0 40 θ (°C) A

a) Determine o coeficiente de dilatação linear


médio do metal, no intervalo de temperatura
considerado.
b) Considerando que o gráfico continue com as Solução:
mesmas características para J . 40 wC, deter- Para a plataforma P permanecer horizontal, qual-
mine o comprimento da barra a 70 wC. quer que seja a variação de temperatura SJ, as
duas barras devem sofrer a mesma dilatação SL,
Solução: conforme mostra a figura:
a) Do gráfico, obtemos os valores:
L0  8,02 cm; SL  L  L0  8,06 m  8,02 m  ∆LA ∆LB
 0,04 m; SJ  40 wC  0 wC  40 wC
P
O coeficiente de dilatação linear médio no in-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


B
tervalo de temperatura considerado é dado por:
SL
a  ______ A
L0 3 SJ
Substituindo os valores:

0,04
a  _________ ] a 7 1,25 3 104 wC1
8,02 3 40 SLA  SLB
b) Para a temperatura J  70 wC: Mas:
SJ  J  J0  70 wC  0 wC  70 wC SLA  aA 3 LA 3 SJ e SLB  aB 3 LB 3 SJ

O comprimento final da barra será dado por: Portanto:

L  L0 3 (1  a 3 SJ) ] LA ___aB
aA 3 LA 3 SJ  aB 3 LB 3 SJ ] ___ 
4 LB aA
] L  8,02 3 (1  1,25 3 10 3 70) ]
LA a B
Resposta: ___  ___ , isto é, os comprimentos iniciais
] L  8,09 cm LB aA
das barras devem estar na razão inversa dos coe-
Respostas: a) 7 1,25 3 104 wC1; b) 8,09 cm ficientes de dilatação linear.

exercícios propostos
P. 22 Uma barra de ouro tem a 0 wC o comprimento de P. 24 Duas barras, uma de cobre e outra de latão, têm o
100 cm. Determine o comprimento da barra quando mesmo comprimento a 10 wC e, a 110 wC, os seus
sua temperatura passa a ser 50 wC. O coeficiente de comprimentos diferem em 1 mm. Os coeficientes
dilatação linear médio do ouro para o intervalo de de dilatação linear são: para o cobre  16 3 106 wC1;
temperatura considerado vale 15 3 106 wC1. para o latão  20 3 106 wC1. Determine o compri-
mento, a 10 wC, de cada barra.

P. 23 Com o auxílio de uma barra de ferro quer-se de-


terminar a temperatura de um forno. Para tal, a P. 25 (UFBA) Duas lâminas, uma de aço e outra de bron-
barra, inicialmente a 20 wC, é introduzida no forno. ze, têm comprimentos de 20 cm a uma tempera-
Verifica-se que, após o equilíbrio térmico, o alonga- tura de 15 wC. Sabendo que os coeficientes de dila-
mento da barra é um centésimo do comprimento tação linear valem, respectivamente, 12 3 106 wC1
inicial. Sendo 12 3 106 wC1 o coeficiente de dilata- e 18 3 106 wC1, calcule a diferença de comprimento
ção linear médio do ferro, determine a temperatura quando as lâminas atingem uma temperatura
do forno. de 5 wC.

48

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 48 22.08.09 08:51:36


P. 26 Na figura está representado o gráfico do com- P. 27 Na figura dada, a plataforma P é horizontal por
primento L de duas barras, A e B, em função da estar apoiada nas colunas A (de alumínio) e B (de
temperatura. Sejam respectivamente aA e aB os ferro). O desnível entre os apoios é de 30 cm. Calcule
coeficientes de dilatação linear do material das quais devem ser os comprimentos das barras a 0 wC
barras A e B. Determine: para que a plataforma P permaneça horizontal em
qualquer temperatura. São dados os coeficientes
L (cm) de dilatação linear do alumínio (2,4 3 105 wC1) e do
A ferro (1,2 3 105 wC1).
104
P
A
B
102
B
30 cm
100

0 100 θ (°C)
P. 28 (UFRJ) Duas barras metálicas são tais que a dife-
rença entre seus comprimentos, em qualquer tem-
a) os valores dos coeficientes aA e aB; peratura, é igual a 3 cm. Sendo os coeficientes de
b) a temperatura em que a diferença entre os dilatação linear médios 15 3 106 wC1 e 20 3 106 wC1,
comprimentos das duas barras é igual a 4 cm. determine os comprimentos das barras a 0 wC.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A dilatação térmica no dia a dia

Quando ocorre um impedimento à livre dilatação ou


1
contração de um corpo, surgem forças internas de tensão que
podem levá-lo a se romper ou a se deformar. Por isso, há mui-
tas situações do cotidiano em que a dilatação (ou a contração)
térmica é “facilitada” para evitar problemas desse tipo.
Nas ferrovias, as barras dos trilhos devem ser assen-
tadas com um espaço entre elas, para permitir a livre
dilatação quando a temperatura varia. Se isso não fosse
feito, os trilhos poderiam se entortar, devido à tensão a
que ficariam submetidos.
Em pontes, viadutos e grandes construções, empregam-se as chamadas juntas de dilatação (foto 1). Elas evitam que
variações das dimensões devidas a mudanças de temperatura venham a danificar a estrutura do concreto. Às vezes, a
junta de dilatação consiste em roletes sobre os quais a estrutura pode deslizar, compensando os efeitos da dilatação.
Nos calçamentos, separam-se as placas de cimento por ripas de madeira ou varas de plástico (foto 2), que
“absorvem” eventuais dilatações das placas, impedindo que elas rachem.
Os fios instalados entre os postes nas ruas ou entre as torres das linhas de alta tensão não são esticados. Esse
procedimento visa a evitar que, no inverno, com a queda de temperatura, a contração possa esticar esses fios a
Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos
ponto de eles se romperem. É possível observar ainda que, nos dias quentes de verão, os fios entre os postes cos-
tumam se apresentar mais curvos, em virtude da dilatação.
Em canalizações longas (foto 3), colocam-se, de trechos em trechos, tubos formando curvas (”cotovelos”), para
possibilitar que ocorra dilatação ou contração térmica sem que haja danos.

2 3

49

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 49 22.08.09 08:51:39


(θ0 )

2 Dilatação superficial x0

Considere a placa retangular da figura 7, que apresenta na temperatura inicial J0 área


A0  x0 3 y0, sendo x0 e y0 suas dimensões lineares. Na temperatura
y0 final J, a área é A  x 3 y,
em que x e y são suas dimensões lineares nessa temperatura.

(θ0 ) (θ)

x0 x

y0 y
Figura 7. O aumento da temperatura acarreta aumento das dimensões
lineares da placa e, portanto, de sua área.
(θ)

Aplicando a lei da
x dilatação linear a cada uma das dimensões, vem:

x  x0 3 (1  a 3 SJ)
y y  y0 3 (1  a 3 SJ)

Multiplicando membro a membro essas fórmulas, obtemos:

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


xy  x0y0 3 (1  a  SJ)2
A  A0 3 (1  2a 3 SJ  a2 3 SJ2)

Desprezando o termo a2 3 SJ2 por ser muito pequeno e fazendo 2a  d, vem:

A  A0 3 (1  d 3 SJ)

Nessa fórmula, d  2a constitui o coeficiente de dilatação superficial do material de


que é feita a placa, tendo também como unidade o grau Celsius recíproco (wC1). Por exemplo:

Porcelana: d  63 106 wC1 Ouro: d  30 3 106 wC1


Ferro: d  243 106 wC1 Alumínio: d  44 3 106 wC1

A partir da fórmula anterior:


A  A0  d 3 A0 3 SJ ] A  A0  d 3 A0 3 SJ
Mas: A  A0  SA é a variação de área sofrida pela placa. Assim:
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

SA  d 3 A0 3 SJ

Portanto:

A dilatação superficial SA é diretamente


proporcional à área inicial A0 e à variação
de temperatura SJ.

As lajotas cerâmicas que constituem


alguns pisos são espaçadas entre si
para evitar problemas decorrentes
da dilatação superficial.

50

V2_P1_UN_B_CAP_03.indd 50 22.08.09 08:51:41


exercícios resolvidos
R. 13 Uma placa apresenta inicialmente área de 1 m2 a 0 wC. Ao ser aquecida até 50 wC, sua área au-
menta de 0,8 cm2. Determine o coeficiente de dilatação superficial e o coeficiente de dilatação
linear médio do material que constitui a placa.
Solução:
São dados:
A0  1 m2  104 cm2;
SA  0,8 cm2;
SJ  50 wC  0 wC  50 wC A0 ∆A
Aplicando a fórmula da dilatação superficial (SA  d 3 A0 3 SJ), resulta:
SA 0,8
SA  d 3 A0 3 SJ ] d  _______ ] d  ________ ] d  16 3 107 wC1
A0 3 SJ 104 3 50
d
Mas: d  2a ] a  __ ] a  8 3 107 wC1
2
Respostas: d  16 3 107 wC1 e a  8 3 107 wC1

R. 14 Um disco de ebonite tem orifício central de diâmetro igual a 1 cm. Determine o aumento da área
do orifício quando a temperatura do disco varia de 10 wC para 100 wC. O coeficiente de dilatação
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

superficial médio da ebonite é, no intervalo considerado, igual a 1,6 3 104 wC1.


Solução:
Quando o disco é aquecido, o orifício central aumenta de diâmetro, como se fosse
constituído pelo material do disco. A área inicial do orifício vale:
sd02
A0  sR02  ____
4
10 °C
Sendo d0  1 cm, vem: A0  s 3 0,25 cm2
A variação de temperatura é SJ  100 wC  10 wC  90 wC e o coeficiente de dilatação
superficial é d  1,6 3 104 wC1.
Aplicando a fórmula da dilatação superficial (SA  d 3 A0 3 SJ), vem:

SA  1,6 3 104 3 s 3 0,25 3 90 ] SA  36s 3 104 cm2

Resposta: 36s 3 104 cm2 100 °C


Observação:
Podemos explicar o aumento do orifício tendo em vista que, na dilatação, há aumento da distância
entre as moléculas. De fato, aumentando a distância entre as moléculas da borda do orifício, o
perímetro deste aumenta, aumentando assim o seu diâmetro.

exercícios propostos Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos

P. 29 Uma chapa de chumbo tem área de 900 cm2 a 10 wC. Determine a área de sua superfície a 60 wC.
O coeficiente de dilatação linear médio do chumbo entre 10 wC e 60 wC vale 27 3 106 wC1.

P. 30 Um anel de ouro apresenta área interna de 5 cm2 a 20 wC. Determine a dilatação superficial dessa
área interna quando o anel é aquecido a 120 wC. Entre 20 wC e 120 wC, o coeficiente de dilatação
superficial médio do ouro é 30 3 106 wC1.

P. 31 (Faap-SP) Um pino cilíndrico de alumínio (d  coeficiente de dilatação superficial  4,0 3 105 wC1)
tem raio 20,000 mm a 20 wC. A que temperatura ele deve ser resfriado para se ajustar exatamente
num orifício de raio 19,988 mm?

P. 32 (Fuvest-SP) Considere uma chapa de ferro circular, com um orifício circular concêntrico. À tem-
peratura inicial de 30 wC, o orifício tem um diâmetro de 1,0 cm. A chapa é então aquecida a 330 wC.
a) Qual é a variação do diâmetro do furo, se o coeficiente de dilatação linear do ferro é 12 3 106 wC1?
b) A variação do diâmetro do furo depende do diâmetro da chapa?

51

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3 Dilatação volumétrica
Na figura 8 está representado um sólido homogêneo com forma de paralelepípedo em duas
temperaturas, J0 e J . J0. As dimensões lineares desse sólido são x0, y0 e z0 na temperatura
inicial J0, passando para x, y e z quando na temperatura final J. Os volumes inicial e final valem,
respectivamente, V0  x0y0z0 e V  xyz.

(θ)
(θ0 )

x0 z0 x z
y0
y
Figura 8. Quando a temperatura aumenta, aumentam as dimensões lineares do
sólido e, portanto, seu volume.

Aplicando a lei da dilatação linear a cada uma das dimensões, vem:

x  x0 3 (1  a 3 SJ)
y  y0 3 (1  a 3 SJ)
z  z0 3 (1  a 3 SJ)

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Multiplicando membro a membro as fórmulas anteriores, obtemos:

xyz  x0y0z0 3 (1  a 3 SJ)3


V  V0 3 (1  3a 3 SJ  3a2 3 SJ2  a3 3 SJ3)

Os termos que apresentam a2 e a3 são muito pequenos e podem ser desprezados. Assim,
fazendo 3a  D, vem:

V  V0 3 (1  D 3 SJ)

Nessa fórmula, D  3a constitui o coeficiente de dilatação volumétrica do material de


que é feito o sólido, sendo medido, como os coeficientes anteriores, em grau Celsius recíproco
(wC1). Alguns exemplos:

Porcelana: D  9 3 106 wC1 Ouro: D  45 3 106 wC1


Ferro: D  36 3 106 wC1 Alumínio: D  66 3 106 wC1

A partir da fórmula anterior:


V  V0  D 3 V0 3 SJ ] V  V0  D 3 V0 3 SJ
Como V  V0  SV é a variação de volume sofrida pelo sólido, temos:
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

SV  D 3 V0 3 SJ

Portanto:

A dilatação volumétrica SV é diretamente proporcional ao volume inicial V0


e à variação de temperatura SJ.

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Atividade experimental: O anel de Gravezande

52

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exercícios resolvidos
R. 15 O coeficiente de dilatação linear médio de um sólido homogêneo é 12,2 3 106 wC1. Um cubo
desse material tem volume de 20 cm3 a 10 wC. Determine:
a) o aumento de volume sofrido pelo cubo quando sua temperatura se eleva para 40 °C;
b) a dilatação relativa correspondente, expressa em porcentagem.
Solução:
a) O coeficiente de dilatação volumétrica é o triplo do coeficiente de dila- θ = 40 °C
tação linear: D  3a.
θ0 = 10 °C
Como a  12,2 3 106 wC1, vem:
D  3 3 12,2 3 106 ] D  36,6 3 106 wC1 V
V0
3
O volume inicial é V0  20 cm ; a variação de temperatura vale:
SJ  J  J0  40  10 ] SJ  30 wC Inicial Final

Aplicando a fórmula da dilatação volumétrica, obtemos:

SV  D 3 V0 3 SJ ] SV  36,6 3 106 3 20 3 30 ] SV 7 0,022 cm3

b) A dilatação relativa vale:

___ 0,022
SV ______ SV
___
  0,0011 ]  0,11%
V0 20 V0
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Respostas: a) O volume do cubo aumenta aproximadamente 0,022 cm3; b) 0,11%


Observação:
Note que o volume inicial do cubo era de 20 cm3 e o aumento de volume foi de apenas 0,022 cm3,
aproximadamente. Portanto, a dilatação relativa é de apenas 0,11%, uma alteração volumétrica
que somente poderá ser percebida com o auxílio de aparelhos extremamente sensíveis.

R. 16 Um tubo de ensaio apresenta, a 0 wC, um volume interno (limitado pelas paredes) de 20 cm3.
Determine o volume interno desse tubo a 50 wC. O coeficiente de dilatação volumétrica médio
do vidro é 25 3 106 wC1 para o intervalo de temperatura considerado.
Solução:
O volume interno de um recipiente varia com a temperatura como se ele fosse maciço, cons- θ = 50 °C
θ0 = 0 °C
tituído pelo material de suas paredes.
São dados o volume inicial (V0  20 cm3) e o coeficiente de dilatação volumétrica
(D  25 3 106 wC1).
Variação de temperatura:
SJ  J  J0  50 wC  0 wC  50 wC
Aplicando a fórmula da dilatação volumétrica, obtemos:
SV  D 3 V0 3 SJ ] SV  25 3 106 3 20 3 50 ] V  0,025 cm3
O volume final do tubo é dado pela soma do volume inicial com o aumento de volume:

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


V  V0  SV ] V  20  0,025 ] V  20,025 cm3

Resposta: 20,025 cm3

exercícios propostos
P. 33 Um paralelepípedo de chumbo tem a 0 wC o volume O vidro que constitui o balão tem coeficiente de
de 100 litros. A que temperatura ele deve ser aque- dilatação volumétrica médio igual a 3 3 106 wC1
cido para que seu volume aumente de 0,405 litro? entre 0 wC e 50 wC.
O coeficiente de dilatação linear médio do chumbo
é 27 3 106 wC1 para o intervalo de temperatura P. 35 (PUC-RS) Um paralelepípedo a 10 wC possui dimen-
considerado. sões iguais a 10 # 20 # 30 cm, sendo constituído de
um material cujo coeficiente de dilatação térmica
P. 34 Um balão de vidro apresenta a 0 wC volume in- linear é 8,0 3 106 wC1. Qual é o acréscimo de volume
terno de 500 mc. Determine a variação do volume que ele sofre quando sua temperatura é elevada
interno desse balão quando ele é aquecido até 50 wC. para 110 wC?

53

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Seção 3.3 Dilatação térmica dos líquidos
Objetivos A dilatação volumétrica de um líquido (fig. 9) segue uma lei idêntica
Diferenciar dilatação à da dilatação dos sólidos, válida quando o intervalo de temperatura
real de dilatação considerado não é muito grande. Assim, a variação SV do volume líquido
aparente. é diretamente proporcional ao volume inicial V0 e à variação de tempe­
Relacionar o ratura SJ ocorrida:
coeficiente de dilatação
SV  D 3 V0 3 SJ
aparente de um líquido
com os coeficientes
de dilatação real do Nessa fórmula, D é uma constante de proporcionalidade denominada
líquido e de dilatação coeficiente de dilatação real do líquido, cuja unidade é o grau Celsius
volumétrica do frasco. recíproco: wC1.

Termos e conceitos θ0 θ0 θ θ
• dilatação real
• dilatação aparente
V0 V0 V V

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Figura 9. A dilatação térmica de um líquido é estudada estando
ele num recipiente sólido.

Alguns exemplos de coeficientes de dilatação real:


Mercúrio: D  180 3 106 wC1
Maior
Glicerina: D  490 3 106 wC1
dilatação
Benzeno: D  1.060 3 106 wC1
Como o líquido sempre está contido num recipiente sólido, que também
se dilata, a medida da dilatação do líquido é feita indiretamente. Vamos
discutir um dos processos de medida indireta da dilatação do líquido.
De modo geral, os líquidos se dilatam mais que os sólidos. Por isso, um
recipiente completamente cheio com líquido transborda quando aquecido.
Por exemplo: completando-se o tanque de combustível de um carro numa
manhã fria, provavelmente ocorrerá vazamento em virtude do aumento de
temperatura, ao longo do dia, caso não haja consumo de combustível.
Considere o mesmo frasco da figura 9, agora provido de um “ladrão”
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

(fig. 10). Nesse frasco é colocado um líquido até o nível do ladrão (fig. 10A).
Quando se aquece o conjunto, parte do líquido sai pelo ladrão (fig. 10B).

A B
Ladrão
Ladrão Líquido
Líquido
Ladrão
Ladrão extravasado
extravasado

Figura 10. O volume de líquido que extravasa corresponde à medida da


dilatação aparente.

54

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O volume de líquido extravasado equivale à dilatação aparente do líquido (SVap.) e não à
dilatação real (SV), pois o frasco também se dilata. Por exemplo, considerando que transbor-
dam 5 cm3, temos:
SVap.  5 cm3
Sendo conhecida a dilatação do frasco (aumento de seu volume interno), podemos deter-
minar a dilatação real sofrida pelo líquido. Por exemplo, se o volume do recipiente até a altura
do ladrão aumenta de 2 cm3 (SVF  2 cm3), a dilatação real do líquido será:

SV  SVap.  SVF

Sendo SVap.  5 cm3 e SVF  2 cm3, temos:

SV  5  2 ] SV  7 cm3

A dilatação aparente SVap. e a dilatação do frasco SVF são proporcionais ao volume inicial
V0 e à variação de temperatura SJ:

SVap.  Dap. 3 V0 3 SJ SVF  DF 3 V0 3 SJ


Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nessas fórmulas, Dap. é o coeficiente de dilatação aparente do líquido e DF é o coeficiente


de dilatação volumétrica do frasco.

O volume de
líquido que extravasa
equivale à dilatação
aparente do líquido.

Relação entre os coeficientes


Comparando as fórmulas anteriores com a lei da dilatação do líquido (SV  D 3 V0 3 SJ),
obtemos:
SV  SVap.  SVF ] Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos
] D 3 V0 3 SJ  Dap.V0 3 SJ  DF 3 V0 3 SJ
Portanto:
D  Dap.  DF ou Dap.  D  DF

O coeficiente de dilatação aparente de um líquido é dado pela diferença entre o coeficiente


de dilatação real e o coeficiente de dilatação volumétrica do frasco.

Sendo assim, o coeficiente de dilatação aparente depende da natureza do líquido e do ma-


terial que constitui o recipiente que o contém.

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A Física em nosso Mundo: O comportamento anômalo da água

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exercícios resolvidos
R. 17 Um recipiente de vidro de coeficiente de dilatação Portanto:
linear médio 9 3 106 wC1 tem volume de 100 cm3
a 0 wC, estando completamente cheio com um líqui- V
___ DF
SV  SVF ] D 3 V 3 SJ  DF 3 VF 3 SJ ]  __
do. Ao ser aquecido até 200 wC, extravasam 5 cm3 VF D
de líquido. Determine:
a) o coeficiente de dilatação aparente do líquido; Observe que os volumes iniciais do líquido e do
b) o coeficiente de dilatação real do líquido. frasco devem estar na razão inversa dos respectivos
coeficientes de dilatação, conclusão análoga à que
Solução: foi estabelecida no exercício R.12.
a) O extravasamento mede a dilatação aparente Substituindo os valores numéricos:
do líquido: SVap.  5 cm3
Temos ainda: V0  100 cm3; VF  30 cm3
SJ  200 wC  0 wC  200 wC DF  24 3 106 wC1
Da fórmula SVap.  Dap. 3 V0 3 SJ, obtemos: D  180 3 106 wC1
DF 24 3 106
SVap. 2,5 V  VF 3 __ __________
D  30 180 3 106 ]
5
Dap.  _______  _________  _______  2,5 3 104 ]
V0 3 SJ 100 3 200 10.000
] V  4 cm3
4 1
] Dap.  2,5 3 10 wC
Resposta: 4 cm3

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b) O coeficiente de dilatação real D é dado pela
soma: D  Dap.  DF
R. 19 Um líquido cujo coeficiente de dilatação térmica é
O coeficiente de dilatação volumétrica do frasco D tem densidade d0 na temperatura inicial J0. Ao ser
é o triplo do coeficiente de dilatação linear: aquecido até uma temperatura J, sua densidade se
altera para d. Relacione a densidade final d com a
DF  3aF  3 3 9 3 106  27 3 106 ]
variação de temperatura ocorrida SJ, com a den-
] DF  0,27 3 104 wC1 sidade inicial d0 e com o coeficiente de dilatação
térmica D.
Somando:
D  (2,5 3 104)  (0,27 3 104) ]

] D  2,77 3 104 wC1 V0 V

Respostas: a) 2,5 3 104 wC1; b) 2,77 3 104 wC1


(θ0 ) (θ)

Solução:
R. 18 Um recipiente de vidro tem a 0 wC volume interno Seja m a massa de certa porção de líquido que ocu-
de 30 cm3. Calcule o volume de mercúrio a ser pa o volume V0 na temperatura J0 e o volume V na
colocado no recipiente de modo que o volume da temperatura J. Sendo D o coeficiente de dilatação
parte vazia não se altere ao variar a temperatura. térmica do líquido, temos:
Dados: coeficiente de dilatação volumétrica do
V  V0 3 (1  D 3 SJ)
vidro  24 3 106 wC1; coeficiente de dilatação do
mercúrio  180 3 106 wC1. As densidades do líquido nas temperaturas referi-
das são dadas por:
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

Solução:
m m
O volume da parte vazia é dado pela d0  ___  d  __ 
diferença entre os volumes do frasco V0 V
(VF) e do líquido (V). Para que ele per- m
maneça constante com a variação Substituindo V em : d  _______________ 
V0 3 (1  D 3 SJ)
de temperatura, é necessário que o
líquido e o frasco sofram dilatações
d0
iguais (SV  SVF). Substituindo  em : d  __________
Pelas leis da dilatação: 1  D 3 SJ

SV  D 3 V 3 SJ d0
SVF  DF 3 VF 3 SJ Resposta: d  __________
1  D 3 SJ

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exercícios propostos
P. 36 Um certo frasco de vidro está completamente cheio, P. 38 A 0 wC, um recipiente de vidro tem capacidade de
com 50 cm3 de mercúrio. O conjunto se encontra 700 cm3. Qual volume de mercúrio deve ser coloca-
inicialmente a 28 wC. No caso, o coeficiente de di- do a 0 wC no recipiente para que, aumentando-se a
latação médio do mercúrio tem um valor igual a temperatura, não se altere o volume da parte vazia?
180 3 106 wC1 e o coeficiente de dilatação linear mé- O coeficiente de dilatação volumétrica médio do
dio do vidro vale 9 3 106 wC1. Determine o volume 1 1
vidro é _______ wC1, e o do mercúrio, ______ wC1.
de mercúrio extravasado quando a temperatura do 38.850 5.550
conjunto se eleva para 48 wC.

P. 39 (FEI-SP) Um recipiente cujo volume é de 1.000 cm3


P. 37 Um recipiente tem, a 0 wC, capacidade (volume a 0 wC contém 980 cm3 de um líquido à mesma
interno) de 1.000 cm3. Seu coeficiente de dilatação temperatura. O conjunto é aquecido e, a partir de
volumétrica é 25 3 106 wC1 e ele está completamen- uma certa temperatura, o líquido começa a trans-
te cheio de glicerina. Aquecendo-se o recipiente bordar. Sabendo-se que o coeficiente de dilatação
a 100 wC, há um extravasamento de 50,5 cm3 de volumétrica do recipiente vale 2 3 105 wC1 e o do
glicerina. Determine: líquido vale 1 3 103 wC1, qual é a temperatura
a) o coeficiente de dilatação aparente da glicerina; em que ocorre o início de transbordamento do
b) o coeficiente de dilatação real da glicerina. líquido?

exercícios propostos de recapitulação


P. 40 (PUC-SP) A tampa de zinco de um frasco de vidro Desprezando as espessuras das barras, determine:
agarrou no gargalo de rosca externa e não foi pos- a) a variação da distância entre as extremidades A
sível soltá-la. Sendo os coeficientes de dilatação e B quando as barras são aquecidas até 400 K;
linear do zinco e do vidro respectivamente iguais a b) a distância até o ponto A de um ponto C da barra
30 3 106 e 8,5 3 106 wC1, como proceder? Justifique de zinco cuja distância ao ponto A não varia com
sua resposta. Temos à disposição um caldeirão com a temperatura.
água quente e outro com água gelada.
P. 43 (Vunesp) A figura mostra uma lâmina bimetálica,
de comprimento L0 na temperatura J0, que deve
P. 41 (ITA-SP) O coeficiente médio de dilatação térmica
tocar o contato C quando aquecida. A lâmina é
linear do aço é 1,2 3 105 wC1. Usando trilhos de aço
feita dos metais I e II, cujas variações relativas
de 8,0 m de comprimento, um engenheiro cons-
SL
truiu uma ferrovia deixando um espaço de 0,50 cm do comprimento ___ em função da variação de tem-
L0
entre os trilhos, quando a temperatura era de
peratura SJ  J  J0 encontram-se no gráfico.
28 wC. Num dia de sol forte os trilhos soltaram-se
dos dormentes. Que temperatura, no mínimo, deve Lâmina bimetálica em θ = θ0
ter sido atingida pelos trilhos?

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


C
P. 42 (Fuvest-SP) Duas barras metálicas finas, uma de ∆L
––– (� 10 –6)
zinco e outra de ferro, cujos comprimentos, a uma L0
temperatura de 300 K, valem 5,0 m e 12,0 m, res-
pectivamente, são sobrepostas e aparafusadas uma 700
II
à outra em uma de suas extremidades, conforme 600
ilustra a figura. As outras extremidades B e A das
500
barras de zinco e ferro, respectivamente, permane-
cem livres. Os coeficientes de dilatação linear do 400
zinco e do ferro valem 3,0 3 105 K1 e 1,0 3 105 K1, I
300
respectivamente.
200
C B A 100
Zinco 0
Ferro 0 5 10 15 20 25 30 35 ∆θ (°C)

Determine:
a) o coeficiente de dilatação linear dos metais I e II;
5m b) qual dos metais deve ser utilizado na parte su-
12 m perior da lâmina para que o dispositivo funcione
como desejado (justifique sua resposta).

57

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P. 44 (Faap-SP) Um disco circular de ferro, cuja área vale sendo de 2,3 3 105 K1 e o coeficiente de dilatação
100 cm2, ajusta-se exatamente numa cavidade volumétrica da glicerina de 5,1 3 104 K1. Se a tem-
praticada num bloco de cobre, estando ambos peratura do sistema taça-glicerina for aumentada
a 0 wC. Determine a área da coroa circular vazia para 39 wC, a glicerina transbordará ou não? Em caso
quando o conjunto estiver a 100 wC. Os coeficien- afirmativo, determine o volume transbordado; em
tes de dilatação linear do ferro e do cobre valem caso negativo, determine o volume de glicerina que
respectivamente 10 3 106 wC1 e 16 3 106 wC1. ainda caberia no interior da taça.

P. 45 (Mackenzie-SP) O coeficiente de dilatação linear P. 48 (UFPE) Uma caixa cúbica metálica de 10 c está com-
médio do ferro é igual a 0,0000117 wC1. De quanto pletamente cheia de óleo, quando a temperatura do
deve aumentar a temperatura de um bloco de ferro conjunto é de 20 wC. Elevando-se a temperatura até
para que seu volume aumente de 1%? 30 wC, um volume igual a 80 cm3 de óleo transborda.
Sabendo-se que o coeficiente de dilatação volumé-
P. 46 (Fuvest-SP) A 10 wC, 100 gotas idênticas de um líqui- trica do óleo é igual a 0,9 3 103 wC1, determine:
do ocupam um volume de 1,0 cm3. A 60 wC, o volume a) a dilatação do recipiente, em cm3;
ocupado pelo líquido é de 1,01 cm3. Calcule: b) o coeficiente de dilatação linear do metal.
a) a massa de 1 gota de líquido a 10 wC, sabendo-
-se que sua densidade, a essa temperatura, é
P. 49 (FEI-SP) Um recipiente de vidro tem capacidade
de 0,90 g/cm3;
C0  91,000 cm3 a 0 wC e contém, a essa tempera-
b) o coeficiente de dilatação volumétrica do lí- tura, 90,000 cm3 de mercúrio. A que temperatura
quido. o recipiente estará completamente cheio de
mercúrio?
P. 47 (UFPR) Uma taça de alumínio de 120 cm3 contém (Dados: coeficiente de dilatação linear do vi-
119 cm3 de glicerina a 21 wC. Considere o coe- dro  32 3 106 wC1; coeficiente de dilatação cúbica
ficiente de dilatação linear do alumínio como do mercúrio  182 3 106 wC1)

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


testes propostos
T. 41 (UFRN) João precisa abrir um recipiente de con- T. 43 (UFV-MG) A figura
serva cuja tampa está emperrada. O recipiente é ao lado ilustra uma
Esfera
de vidro comum, e a tampa é de alumínio. Para esfera maciça de
facilitar a abertura, sugeriu-se que ele colocasse diâmetro L e uma
a tampa próximo da chama do fogão por alguns barra de mesmo
segundos e, imediatamente após afastar o reci- material com com-
pien te da chama, tentasse abri-lo. O procedi- primento também
mento sugerido vai favorecer a separação entre igual a L, ambos a
a tampa e o recipiente, facilitando a tarefa de uma mesma tem- L Barra
destampá-lo, porque: peratura inicial.
a) o coeficiente de dilatação térmica do vidro é
maior que o do alumínio.
b) o coeficiente de dilatação térmica do alumínio Quando a temperatura dos dois corpos for ele-
é maior que o do vidro. vada para um mesmo valor final, a razão entre o
aumento do diâmetro da esfera e o aumento do
c) o calor da chama diminui a pressão interna do
comprimento da barra será:
líquido da conserva.
d) o calor da chama diminui o volume do reci- 1 1 9 3
a) __ b) 1 c) __ d) __ e) __
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

piente. 3 9 1 1

T. 44 (Uema) Um arame de aço, dobrado conforme a


T. 42 (PUC-SP) Um mecânico de automóveis precisa sol- figura, está engastado no teto, no ponto A. Aumen-
tar um anel que está fortemente preso a um eixo. tando a sua temperatura de maneira homogênea,
Sabe-se que o anel é feito de aço, de coeficiente de a extremidade B terá um deslocamento que será
dilatação linear 1,1 3 105 wC1, e o eixo, de alumínio, mais bem representado por qual dos vetores?
cujo coeficiente é 2,3 3 105 wC1. Lembrando que
tanto o aço quanto o alumínio são bons condu- a)
A
tores térmicos e sabendo-se que o anel não pode
ser danificado e que não está soldado ao eixo, o b) a
mecânico deve:
a) aquecer somente o eixo. c) B
b) aquecer o conjunto (anel  eixo).
d) a
c) resfriar o conjunto (anel  eixo).
d) resfriar somente o anel.
e)
e) aquecer o eixo e, logo após, resfriar o anel. a a

58

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T. 45 (Unirio-RJ) Um quadrado foi montado com três has- T. 49 (UCPel-RS) Duas barras A e B com coeficientes de
tes de alumínio (aAc  24 3 106 wC1) e uma haste de dilatação linear aA e aB, respectivamente, apre-
aço (aAço  12 3 106 wC1), todas inicialmente à mesma sentam comprimentos iniciais diferentes, a 0 wC.
temperatura. O sistema é, então, submetido a um O da A é o dobro do da B. As barras, ao sofrerem
processo de aquecimento, de forma que a variação igual aumento de temperatura, apresentam igual
de temperatura é a mesma em todas as hastes. dilatação linear. Pode-se afirmar que:
a) aA  2aB d) aA  3aB
Aço aB
b) aA  aB e) aA  ___
3
aB
c) aA  ___
2
Alumínio Alumínio
T. 50 (FEI-SP) Duas barras, sendo uma de ferro e outra de
alumínio, de mesmo comprimento L  1 m a 20 wC,
são unidas e aquecidas até 320 wC.
Alumínio
Li
Podemos afirmar que, ao final do processo de aque-
cimento, a figura formada pelas hastes estará mais
Fe Aº
próxima de um:
a) quadrado. d) trapézio retângulo.
b) retângulo. e) trapézio isósceles. Sabe-se que o coeficiente de dilatação linear do fer-
c) losango. ro é de 12 3 106 wC1 e o do alumínio, de 22 3 106 wC1.
Qual é o comprimento final após o aquecimento?
a) Lf  2,0108 m d) Lf  2,0120 m
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

T. 46 (Uespi) O coeficiente de dilatação térmica linear de b) Lf  2,0202 m e) Lf  2,0102 m


um material sendo de 2,0 3 106 wC1, significa dizer c) Lf  2,0360 m
que:
a) o material sofre uma variação de 2,0 m para cada
106 wC1 de variação de temperatura. T. 51 (Funrei-MG) A figura mostra uma ponte apoiada
b) 2,0 m desse material sofrem uma variação de sobre dois pilares feitos de materiais diferentes.
106 m para cada 1 wC na temperatura.
c) o comprimento de uma barra do material não
sofre variação para variação de temperatura de
2,0 wC.
d) para cada 1 wC na variação da temperatura, cada
metro do material varia de 2,0 cm.
e) se uma haste de 2,0 m variar em 10 wC sua tem-
peratura, sofrerá uma variação de 0,04 mm no 40 m 30 m
seu comprimento.

T. 47 (Uniube-MG) No continente europeu uma linha


férrea da ordem de 600 km de extensão tem sua
temperatura variando de 10 wC no inverno até
30 wC no verão. O coeficiente de dilatação linear
do material de que é feito o trilho é 105 wC1. A O pilar mais longo, de comprimento L1  40 m, pos-

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


variação de comprimento que os trilhos sofrem sui coeficiente de dilatação linear a1  18 3 106 wC1.
na sua extensão é, em m, igual a: O pilar mais curto tem comprimento L2  30 m. Para
a) 40 d) 200 que a ponte permaneça sempre na horizontal, o
b) 100 e) 240 material do segundo pilar deve ter um coeficiente
c) 140 de dilatação linear a2 igual a:
a) 42 3 106 wC1 d) 21 3 106 wC1
b) 24 3 106 wC1 e) 36 3 106 wC1
T. 48 (Uepa) Os trilhos de trem, normalmente de 20 m de c) 13,5 3 106 wC1
comprimento, são colocados de modo a manterem
entre duas pontas consecutivas uma pequena folga
chamada junta de dilatação. Isso evita que eles se T. 52 (Ufes) Quer-se encaixar um rolamento cilíndrico,
espremam, sofrendo deformações devido à ação do feito de aço, em um mancal cilíndrico, feito de liga
calor nos dias quentes. Considere que uma variação de alumínio. O coeficiente de dilatação linear da
de temperatura da noite para o (meio) dia possa liga de alumínio vale 25,0 3 106 wC1. À temperatura
chegar a (aproximadamente) 25 wC, fazendo-os de 22 wC, o rolamento tem o diâmetro externo 0,1%
dilatar cerca de 5 mm. Nesse caso, o coeficiente de maior que o diâmetro interno do mancal. A tempe-
dilatação linear do material de que é feito o trilho ratura mínima à qual o mancal deve ser aquecido,
é, em wC1, de: para que o rolamento se encaixe, é:
a) 104 d) 2 3 105 a) 20 wC d) 60 wC
b) 1 e) 105 b) 40 wC e) 62 wC
c) 103 c) 42 wC

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T. 53 (PUC-RS) Um termostato é um dispositivo utilizado A corrente, suposta contínua, entra pelo ponto 1 e
para controlar a temperatura em diversos equi- sai pelo ponto 2, conforme a figura I, aquecendo a
pamentos elétricos. Um dos tipos de termostato resistência. À medida que a temperatura aumenta,
é construído com duas lâminas metálicas 1 e 2, as lâminas vão se encurvando, devido à dilatação
firmemente ligadas, conforme a figura I. dos metais, sem interromper o contato. Quando
a temperatura desejada é alcançada, uma das
lâminas é detida pelo parafuso, enquanto a outra
1 2 1 2 continua encurvando-se, interrompendo o contato
entre elas, conforme a figura II.
Com relação à temperatura do ferro regulada pelo
parafuso e aos coeficientes de dilatação dos metais
das lâminas, é correto afirmar que, quanto mais
apertado o parafuso:
a) menor será a temperatura de funcionamento e
aI . aII.
Figura I. Figura II. b) maior será a temperatura de funcionamento
e aI , aII.
Quando a temperatura aumenta, o conjunto se
c) maior será a temperatura de funcionamento e
curva em forma de arco (fig. II), fazendo com
aI . aII.
que, a partir de certa temperatura, o circuito seja
d) menor será a temperatura de funcionamento
aberto, interrompendo a passagem de corrente
e aI , aII.
elétrica. Supondo que a lâmina seja constituída
de ferro e cobre, cujos coeficientes de dilatação e) menor será a temperatura de funcionamento e
linear médios são, respectivamente, 1,2 3 105 wC1 aI  aII.
e 1,7 3 105 wC1, para produzir-se o efeito descrito,
a lâmina deve ter coeficiente de dilatação T. 55 (UFPR) Um cientista está à procura de um mate-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


do que a outra, correspondendo, portanto, rial que tenha um coeficiente de dilatação alto.
ao . O objetivo dele é produzir vigas desse material
As informações que preenchem correta e respec- para utilizá-las como suportes para os telhados
tivamente as lacunas estão reunidas em: das casas. Assim, nos dias muito quentes, as vi-
a) 1 — menor — ferro d) 2 — menor — ferro gas dilatar-se-iam bastante, elevando o telhado e
b) 1 — menor — cobre e) 2 — maior — ferro permitindo uma certa circulação de ar pela casa,
c) 1 — maior — cobre refrescando o ambiente. Nos dias frios, as vigas
encolheriam e o telhado abaixaria, não permitindo
a circulação de ar. Após algumas experiências, ele
T. 54 (UFF-RJ) Nos ferros elétricos automáticos, a tem-
obteve um composto com o qual fez uma barra.
peratura de funcionamento, que é previamente
Em seguida, o cientista mediu o comprimento L
regulada por um parafuso, é controlada por um
da barra em função da temperatura T e obteve o
termostato constituído de duas lâminas bimetáli-
gráfico da figura.
cas de igual composição.
Os dois metais que formam cada uma das lâminas L (m)
têm coeficientes de dilatação aI (o mais interno) e aII. 2,24
As duas lâminas estão encurvadas e dispostas em 2
contato elétrico, uma no interior da outra, como
indicam as figuras abaixo.

0 20 220 T (°C)
1 α II
Analisando o gráfico, é correto afirmar que o coe-
2
1 α II ficiente de dilatação linear do material produzido
αI
2 pelo cientista vale:
αI
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

a) a  6 3 104 wC1
b) a  5 3 105 wC1
Contato elétrico c) a  2 3 105 wC1
Figura I. Contato elétrico d) a  3 3 103 wC1
e) a  4 3 104 wC1

1 α II T. 56 (UFRGS-RS) Uma barra de aço e uma barra de vidro


2
1 α II têm o mesmo comprimento à temperatura de 0 wC,
αI mas, a 100 wC, seus comprimentos diferem de 0,1 cm.
2
αI (Considere os coeficientes de dilatação linear do
aço e do vidro iguais a 12 3 106 wC1 e 8 3 106 wC1,
respectivamente.) Qual é o comprimento das duas
Contato elétrico barras à temperatura de 0 wC?
interrompido
Contato elétrico a) 50 cm d) 250 cm
interrompido b) 83 cm e) 400 cm
Figura II. c) 125 cm

60

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T. 57 (Olimpíada Brasileira de Física) Duas barras metá- T. 62 (Mackenzie-SP) Uma haste homogênea é constituída
licas, de comprimentos diferentes e coeficientes de um certo material e possui comprimento L0 a
de dilatação iguais, são aquecidas e, a partir dos uma temperatura inicial J0. Após ser aquecida até a
valores medidos para o comprimento e a tempera- temperatura J, o comprimento da haste aumenta de
tura, foi elaborado um gráfico. A figura que melhor 0,20%. Uma placa de 2,50 3 103 cm2, à temperatura J0 e
representa o gráfico obtido é: constituída do mesmo material da haste, é também
aquecida. Ao sofrer a mesma variação de tempera-
a) L (cm) d) L (cm)
tura da haste, a área da placa passará a ser:
a) 2,51 3 103 cm2 d) 3,50 3 103 cm2
b) 2,55 3 103 cm2 e) 3,60 3 103 cm2
3 2
c) 2,60 3 10 cm

T (°C) T (°C) T. 63 (UFC-CE) Numa experiência de laboratório sobre


b) L (cm) e) L (cm) dilatação superficial, foram feitas várias medidas da
área A da superfície de uma lâmina circular de vidro
em função da temperatura J. Os resultados das
medidas estão representados no gráfico abaixo.

A (cm2 )
T (°C) T (°C)
25,00180
c) L (cm)
25,00135
25,00090
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

25,00045

T (°C) 25,00000

T. 58 (UFPB) Se o diâmetro de uma moeda aumenta 0,2%


quando sua temperatura é elevada em 100 wC, os 0 30 31 32 33 34 θ (°C)
aumentos percentuais na espessura, na área e no
Com base nos dados experimentais fornecidos
volume serão respectivamente:
no gráfico, pode-se afirmar, corretamente, que o
a) 0,1%, 0,2%, 0,2% d) 0,2%, 0,4%, 0,6%
valor numérico do coeficiente de dilatação linear
b) 0,2%, 0,2%, 0,2% e) 0,3%, 0,4%, 0,8% do vidro é:
c) 0,2%, 0,4%, 0,5% a) 24 3 106 wC1 d) 9 3 106 wC1
6 1
b) 18 3 10 wC e) 6 3 106 wC1
T. 59 (PUC-RJ) Uma chapa quadrada, feita de um material 6
c) 12 3 10 wC 1

encontrado no planeta Marte, tem área A  100,0 cm2


a uma temperatura de 100 wC. A uma temperatura
de 0,0 wC, qual será a área da chapa em cm2? Con- T. 64 Um paralelepípedo a 20 wC tem volume de 6 c, sendo
sidere que o coeficiente de expansão linear do constituído de um material cujo coeficiente de dila-
material é a  2,0 3 103 wC1. tação linear é 8 3 106 wC1. Quando sua temperatura
a) 74,0 b) 64,0 c) 54,0 d) 44,0 e) 34,0 aumenta para 120 wC, o acréscimo de volume, em
cm3, é:
a) 144 c) 14,4 e) 4,80
T. 60 (Unic-MT) Uma chapa de alumínio tem um furo
central de 100 cm de raio, estando numa tempe- b) 72,0 d) 9,60

Capítulo 3 • Dilatação térmica de sólidos e líquidos


ratura de 12 wC.
T. 65 (Fuvest-SP) Um termô-
metro especial, de líquido
dentro de um recipiente de
vidro, é constituído de um
bulbo de 1 cm3 e um tubo
com secção transversal de
1 mm2. À temperatura de 12 mm
20 wC, o líquido preenche
completamente o bulbo
Sabendo-se que aAc  22 3 106 wC1, a nova área do até a base do tubo. À tem-
furo quando a chapa for aquecida até 122 wC será: peratura de 50 wC, o líquido
Bulbo
a) 2,425 m2 c) 4,155 m2 e) 5,425 m2 preenche o tubo até uma
b) 3,140 m 2
d) 3,155 m 2
altura de 12 mm.
Considere desprezíveis os efeitos da dilatação do
T. 61 (Mackenzie-SP) Uma esfera de certa liga metálica, vidro e da pressão do gás acima da coluna do líqui-
ao ser aquecida de 100 wC, tem seu volume aumen- do. Podemos afirmar que o coeficiente de dilatação
tado de 4,5%. Uma haste dessa mesma liga metáli- volumétrica médio do líquido vale:
ca, ao ser aquecida de 100 wC, terá seu comprimento a) 3 # 104 wC1 d) 20 # 104 wC1
aumentado de: b) 4 # 104 wC1 e) 36 # 104 wC1
4 1
a) 1,0% b) 1,5% c) 2,0% d) 3,0% e) 4,5% c) 12 # 10 wC

61

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T. 66 (Ufal) Um recipiente cúbico de zinco, de coefi- T. 69 (UFRN) Suponha um recipiente com capacidade
ciente de dilatação térmica linear 25 3 106 wC1, de 1,0 litro cheio com um líquido que tem o
tem lado 20 cm à temperatura de 20 wC. Nessa coeficiente de dilatação volumétrica duas vezes
temperatura ele é preenchido completamen- maior que o coeficiente do material do recipiente
te com mercúrio, de coeficiente de dilatação (dado: coeficiente de dilatação volumétrica do
180 3 10 6 wC 1. O sistema é levado, então, à tempe- líquido  2 3 105 wC1).
ratura final de 120 wC. Analise as afirmações. Qual a quantidade de líquido que transbordará
01) O coeficiente de dilatação da superfície lateral quando o conjunto sofrer uma variação de tem-
do cubo é 50 3 106 wC1. peratura de 30 wC?
02) A dilatação apresentada pelo lado do cubo a) 0,01 cm3 c) 0,30 cm3 e) 1,00 cm3
3 3
é 20 cm. b) 0,09 cm d) 0,60 cm
04) A dilatação apresentada pelo recipiente
é 20 cm 3. T. 70 (UEG-GO) A dilatação dos líquidos obedece —
08) A dilatação do mercúrio é 144 cm3. quando o intervalo da temperatura não é muito
16) Certamente ocorreu transbordamento maior grande — às mesmas leis de dilatação dos sólidos.
que 100 cm3 de mercúrio. Qualquer líquido assume a forma do recipiente que
o contém e ambos dilatam conforme as mesmas
Dê como resposta a soma dos números que prece-
leis. Sendo assim, a dilatação do líquido é medida
dem as afirmativas corretas.
indiretamente. Em um automóvel, o coeficiente de
dilatação do tanque é 63 # 106 wC1 e o coeficiente
T. 67 (UCSal-BA) Um recipiente de volume V está repleto de dilatação real da gasolina é 9,6 # 104 wC1.
de um líquido a 20 wC. Aquecendo-se o conjunto a Com base nessas informações, assinale a alterna-
50 wC, transbordam 2,0 cm3 do líquido. Esses 2,0 cm3 tiva correta.
correspondem: a) Se uma pessoa enche o tanque de combustível
a) à dilatação real do líquido. do seu carro em um dia quente, à noite haverá

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


derramamento de combustível devido à redução
b) à dilatação aparente do líquido.
no volume do tanque.
c) à soma da dilatação real com a dilatação apa- b) Enchendo o tanque em um dia extremamente
rente do líquido. quente, essa pessoa terá um lucro considerável
d) à diferença entre a dilatação real e a dilatação porque o combustível estará dilatado.
aparente do líquido. c) O coeficiente de dilatação aparente da gasolina
e) a três vezes a dilatação real do líquido. é 7,26 # 105 wC1.
d) Para uma variação de 10 wC na temperatura de
100 litros de gasolina, há um aumento de volu-
T. 68 (Mackenzie-SP) Em uma experiência para determi- me igual a 0,063 litro.
narmos o coeficiente de dilatação linear do vidro, to-
e) O volume extravasado de um tanque de gasolina
mamos um frasco de vidro de volume 1.000 cm3 e o
totalmente cheio com 200 litros é aproximada-
preenchemos totalmente com mercúrio (coeficien-
mente 4,48 litros, quando há um aumento de
te de dilatação volumétrica  1,8 3 104 wC1). Após
temperatura de 25 wC.
elevarmos a temperatura do conjunto de 100 wC,
observamos que 3,0 cm3 de mercúrio transbordam.
Dessa forma, podemos afirmar que o coeficiente T. 71 (Unifor-CE) Um recipiente de vidro com capacida-
de dilatação linear do vidro que constitui esse de de 1.000 cm3 contém 980 cm3 de glicerina, na
frasco vale: temperatura de 20 wC. Aquecendo o conjunto até a
a) 5,0 3 105 wC1 temperatura J, verifica-se que a glicerina começa
b) 4,0 3 105 wC1 a transbordar (dados: coeficiente de dilatação vo-
lumétrica da glicerina  48 3 105 wC1; coeficiente
c) 3,0 3 105 wC1
de dilatação linear do vidro  9,0 3 106 wC1). Na
d) 2,0 3 105 wC1 escala Celsius, o valor de J é mais próximo de:
e) 1,0 3 105 wC1 a) 120 b) 90 c) 80 d) 65 e) 25
Unidade B • A temperatura e seus efeitos

62

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Física 2
ramalho
Moderna plus nicolau
1
os fundamentos toledo
Parte I
Unidade B da física
Capítulo 2 Termometria

Atividade Realize a experiência com supervisão do seu professor


experimental

A sensação térmica
Encha três bacias com água em temperaturas diferentes: a primeira com
água gelada, a segunda com água à temperatura ambiente e a terceira com água
quente (cuidado, pois você deverá colocar a mão dentro dela).
Inicialmente, ponha ambas as mãos dentro da bacia do meio.
• Houve diferença na sensação térmica que você teve em cada uma das mãos,
em contato com essa água?
Em seguida, coloque a mão direita na água gelada e a mão esquerda na
água quente, mantendo-as mer­gu­lha­das por cerca de meio minuto. Findo esse
intervalo de tempo, retire-as e volte a colocá-las ao mesmo tempo dentro da
bacia do meio.
• A sensação que você teve foi a mesma nas duas mãos?
• Descreva a sensação em cada uma de suas mãos ao mergulhá-las na água
à temperatura ambiente.
• Explique por que a sensação térmica não é um bom critério para avaliar a
temperatura de um sistema.

SÉRGIO DOTTA JR/CID


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Parte I
Unidade B da física
Capítulo 2 Termometria

A Física em nosso mundo

Criogenia — a Física das baixas


temperaturas
A palavra criogenia se origina do grego e, literalmente, significa “criação
jim varney/spl-latinstock

do frio”. Temperaturas muito reduzidas têm atualmente várias aplicações


— desde as mais simples, como na conservação e no transporte de produtos
perecíveis, até sua utilização em Medicina e Veterinária.
Na área médica, em certas cirurgias utiliza-se o chamado bisturi crio-
gênico, no qual circula nitrogênio líquido, com temperaturas da ordem
de 77 K. Com esse instrumento, só a parte a ser removida fica submetida a
baixas temperaturas, sendo preservados os tecidos sadios. A cicatrização
das incisões feitas com esse bisturi ocorre em menos tempo e com menor
risco de infecção, comparando-se com os bisturis convencionais.
Outra aplicação é a conservação do sangue e de seus componentes em
baixas temperaturas para posterior utilização. Um procedimento moderno,
adotado por muitos pais, consiste em coletar o sangue do cordão umbilical
do recém-nascido e conservá-lo em baixas temperaturas. A intenção seria a
futura utilização das células-tronco presentes nesse sangue que possibilitem
Num laboratório, uma amostra de
tecido é retirada de um tanque com a cura de doenças que a criança possa vir a ter em sua vida.
nitrogênio líquido, onde foi armazenada
para biópsia.
A inseminação artificial, tanto em seres humanos como em animais, depende
muito da criogenia. Nos bancos de esperma, o sêmen deve ser mantido extrema-
mente resfriado, para que o material a ser usado não perca suas características.
Outro uso da tecnologia de baixas temperaturas são os combustíveis
criogênicos, principalmente compostos de oxigênio e hidrogênio, usados
jIJi press/STRINGER/afp-getty images

na propulsão de foguetes.
A criogenia é amplamente utilizada em tecnologias que dependem da
supercondutividade. Esse fenômeno se manifesta em certos materiais que,
em temperaturas baixas, praticamente não oferecem resistência à passagem
da corrente elétrica, sendo por isso chamados supercondutores.
As aplicações técnicas dos supercondutores são as mais variadas.
Os aparelhos de ressonância magnética nuclear, largamente usados na
Medicina Diagnóstica, dependem de técnicas criogênicas para manter
a temperatura dos supercondutores que garantem seu funcionamento.
A supercondutividade também é utilizada nos trens-bala japoneses (trens
de “levitação magnética”), possibilitando que eles desenvolvam velocidades
da ordem de 500 km/h.
Outras aplicações:
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Maglev, o trem-bala que “levita”


sobre os trilhos, durante uma viagem
experimental em que atingiu a • pneus velhos e plásticos, após serem congelados com nitrogênio líquido,
velocidade de 580 km/h. Tsuru, são pulverizados e misturados com asfalto para pavimentação (essa
Japão, 2003.
mistura aumenta a aderência da pista);
• o aço tratado com nitrogênio líquido é mais duro e resistente ao desgaste;
• retirando-se moléculas de ar de um ambiente por meio da absorção a
baixas temperaturas, conseguem-se pressões muito baixas, simulando
ambiente extraterrestre.
Física 2
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2
os fundamentos toledo
Parte I
Unidade B da física
Capítulo 2 Termometria

Entrando no campo da ficção científica, cabe por fim citar a criônica, um


ramo da criogenia. Trata-se do conjunto de técnicas para preservar, utilizando
temperaturas muito baixas, pessoas legalmente mortas ou animais para uma
possível reanimação futura, na crença de que a ciência e a tecnologia poderão,
algum dia, remediar qualquer enfermidade e reverter os danos causados pelo
processo de criopreservação.

Teste sua leitura

para o entendimento das propriedades físicas


L.1 (Vunesp) Sêmen bovino para inseminação
e químicas de sistemas nessas temperaturas
artificial é conservado em nitrogênio líquido
pouco comuns. Nesse laboratório, uma má-
que, à pressão normal, tem temperatura de
quina retira o gás nitrogênio do ar e o liquefaz
78 K. Calcule essa temperatura em:
a uma temperatura de 77,0 kelvins (K), que
a) graus Celsius (°C); corresponde a 2196 graus Celsius (°C). Nessa
b) graus Fahrenheit (°F). temperatura o nitrogênio é usado cotidiana-
mente pelos departamentos de Física, Quí-
L.2 (Unifesp) O texto a seguir foi extraído de uma mica e Biologia da UFRN, como também por
matéria sobre congelamento de cadáveres para pecuaristas no congelamento de sêmen para
sua preservação por muitos anos, publicada no reprodução animal.
jornal O Estado de S. Paulo de 21/7/2002. O nitrogênio líquido, em virtude de suas caracte-
“Após a morte clínica, o corpo é resfriado com rísticas, necessita ser manuseado adequadamen-
gelo. Uma injeção de anticoagulantes é aplica- te, pois pessoas não habilitadas poderão sofrer
da e um fluido especial é bombeado para o co- acidentes e ser vítimas de explosões. Imagine
uma pessoa desavisada transportando, num
ração, espalhando-se pelo corpo e empurrando
dia quente de verão, uma porção de nitrogênio
para fora os fluidos naturais. O corpo é colocado
líquido numa garrafa plástica fechada. Como o
numa câmara com gás nitrogênio, onde os
nitrogênio líquido tende a entrar em equilíbrio
fluidos endurecem em vez de congelar. Assim
térmico com o ambiente, mudará de estado fí-
que atinge a temperatura de 2321°, o corpo é sico, transformando-se em um gás. A tendência
levado para um tanque de nitrogênio líquido, desse gás é se expandir, podendo provocar uma
onde fica de cabeça para baixo.” explosão.
Na matéria, não consta a unidade de tempera- Admita que:
tura usada. I. o nitrogênio rapidamente se transforma em
Considerando que o valor indicado de 2321° gás, cuja pressão (p) num ambiente de volu-
esteja correto e que pertença a uma das escalas, me invariável é diretamente proporcional à
Kelvin, Celsius ou Fahrenheit, pode-se concluir temperatura absoluta (T);
que foi usada a escala: II. a pressão interna e a temperatura iniciais
a) Kelvin, pois trata-se de um trabalho cien­ desse gás são, respectivamente, 2,00 atmos-
tífico e esta é a unidade adotada pelo Sis­ feras e 78,0 K;
tema Internacional. III. a garrafa utilizada pode suportar uma pressão
b) Fahrenheit, por ser um valor inferior ao zero máxima de 4,00 atmosferas e o volume dessa
absoluto e, portanto, só pode ser me­di­do garrafa não varia até que a explosão ocorra.
nessa escala. Diante dessas considerações, é correto dizer
c) Fahrenheit, pois as escalas Celsius e Kelvin que a temperatura limite (do gás nitrogênio)
não admitem esse valor numérico de tempe- que a garrafa suporta sem explodir é:
ratura. a) 273 K c) 234 K
d) Celsius, pois só ela tem valores nu- b) 156 K d) 128 K
méricos negativos para a indicação de
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temperaturas. L.4 (UFPB) Uma determinada cerâmica não apresen-


e) Celsius, por tratar-se de uma matéria pu- ta nenhuma propriedade notável à temperatura
blicada em língua portuguesa e essa ser a ambiente (20 °C). Entretanto, quando sua tem-
unidade adotada oficialmente no Brasil. peratura sofre uma redução de 200 K, ela exibe
o extraordinário fenômeno da supercondutivi-
dade. Em graus Celsius, essa redução é de:
L.3 (UFRN) O departamento de Física da UFRN pos-
sui um laboratório de pesquisa em criogenia, a) 23 d) 53
ciência que estuda a produção e manutenção b) 73 e) 453
de temperaturas muito baixas, contribuindo c) 200
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Capítulo 2 Termometria

história da física

A história do termômetro
e das escalas termométricas
Parece ter sido o famoso médico grego GALENO, em 170 d.C., o primeiro
a ter a ideia de utilizar uma escala de temperaturas, tomando como base
a ebulição da água e a fusão do gelo. Em suas notas médicas, ele sugeria,
em torno dessas temperaturas, quatro “graus de calor” acima e quatro
“graus de frio” abaixo. Entretanto, suas observações não são suficiente-
ibrary/keystone

mente claras e precisas para dizermos que ele tenha criado uma escala
de temperaturas.
Os primeiros equipamentos para avaliar temperaturas eram aparelhos
art l

simples chamados termoscópios. Admite-se que GALILEU (1564-1642), em


an
em

1610, tenha concebido um dos primeiros termoscópios, utilizando vinho na


g
rid
eb

sua construção. Na verdade, esses aparelhos usam o ar como substância ter-


th

mométrica, pois é sua expansão ou contração que faz movimentar a coluna


líquida, como vimos ao analisar o termoscópio de Galileu. Os termos­cópios são
Cláudio Galeno
aparelhos sem grande precisão, servindo mais para verificar se a temperatura
subiu ou desceu, ou para comparar corpos mais frios ou mais quentes.
A constatação de que a água e o álcool dilatam-se em faixas de tempera-
tura comuns na vida cotidiana possibilitou a construção de aparelhos mais
aperfeiçoados. Em 1641, o grão-duque da Toscana, FERDINANDO II, construiu
o primeiro termômetro selado, que usava líquido em vez de ar como substân-
cia termométrica. Nesse termômetro usou-se álcool dentro de um recipiente
de vidro e foram marcados, em um tubo, 50 graus. Entretanto, como não foi
especificado um ponto fixo como o “zero” da escala, as indicações careciam
de precisão.
A primeira escala termométrica confiável é atribuída ao cientista in-
glês ROBERT HOOKE (1635-1703), que, em 1664, idealizou-a usando em seu
termômetro água com tinta vermelha em vez de álcool. Nessa escala, o
“zero” era o ponto de congelamento da água e cada grau correspondia a
um aumento de 2 milésimos no volume do líquido do
termômetro. A escala de Hooke foi usada pela
s-latinstock

Real Sociedade inglesa até 1709, e com ela se


fez o primeiro registro meteorológico de que
se tem notícia.
rb i
per/co

O astrônomo dinamarquês OLAF


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isto er coo

ROEMER (1644-1710) criou, em 1702, a


stock

primeira escala com dois pontos fixos:


ph

/latin

adotou o “zero” para uma mistura de gelo


cr

ak g

e água (ou de gelo e cloreto de amônia, se-


gundo alguns) e o valor 60 para água ferven-
te. Com essa escala, Roemer registrou a tem-
Réplica de um termômetro peratura diá­ria de Copenhague durante os anos
a álcool rudimentar. de 1708 e 1709. Olaf Roemer
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Parte I
Unidade B da física
Capítulo 2 Termometria

Após uma visita a Roemer, em 1708, o físico alemão DANIEL GABRIEL


FAHRENHEIT (1686-1736) começou a construir seus próprios termômetros e,
em 1714, passou a usar o mercúrio como substância termométrica. A escala
que leva seu nome foi criada em 1724, adotando como “zero” uma mistura de
sal de amônia, gelo e água e o valor 96 para a temperatura do corpo humano.
Após algum tempo, fez ajustes em sua escala, atribuindo os valores 32 e 212,
ck
respectivamente, para os pontos de congelamento e ebulição da água.
to
ns
ti Contemporâneo de Fahrenheit, o físico e biólogo francês RENÉ-ANTOINE
la
/
g
ak

DE RÉAUMUR (1683-1757) criou uma escala para os termômetros de álcool que


construía. Com o valor zero para o ponto do gelo e 80 para o ponto de ebulição
da água, essa escala hoje só tem valor histórico.
Em 1742, o astrônomo e físico sueco ANDERS CELSIUS (1701-1744) apre-
sentou à Real Sociedade sueca sua escala, que adotava “zero” para o ponto de
ebulição da água e 100 para seu ponto de congelamento. Foi o biólogo sueco
CARLOS LINEU (1707-1778) quem, em 1745, propôs a inversão dos valores,
estabelecendo a escala definitiva usada até hoje — zero para o ponto de gelo
e 100 para o ponto de ebulição da água. A substituição do nome da unidade
(de grau centígrado para grau Celsius) e a adoção do nome da escala (escala
Celsius) ocorreram apenas em 1948.
A escala científica adotada hoje é a escala absoluta, criada em 1848 pelo
físico inglês conhecido como LORDE KELVIN (1824-1907). A unidade de medida
Anders Celsius (gravura de 1735,
colorizada digitalmente). dessa escala, o kelvin (K), é a unidade de temperatura termodinâmica no SI.

Enquanto isso...

Consulte a Linha do tempo, nas páginas finais do livro, onde são assinalados os principais acontecimentos históricos
que ocorreram na época em que viveram Celsius, Fahrenheit e Roemer (de 1664 a 1744), além de personagens importantes,
em vários ramos de atividade, que viveram nesse mesmo período. Dentre eles, salientamos:
• George Washington (1732-1799)
Primeiro presidente dos Estados Unidos, é considerado o Pai da Pátria pelos norte-americanos. Participou ativamente
da Guerra da Independência dos EUA, que culminou com o reconhecimento do novo país em 1783.
• Johannes Vermeer (1632-1675)
Pintor holandês, é considerado o segundo nome da Idade de Ouro da pintura holandesa, atrás apenas de Rembrandt.
Sua obra mais conhecida, Moça com brinco de pérola, considerada a Monalisa holandesa, deu origem ao filme inglês
homônimo de 2003, dirigido por Peter Webber e estrelado por Scarlett Johansson.
• Giambattista Tiepolo (1696-1770)
Pintor veneziano, é considerado um dos grandes mestres da pintura italiana. Com estilo grandioso, criou cenários que
evocam uma dimensão terrena voltada para o infinito e a ficção. Convidado pelo rei da Espanha Carlos III, elaborou
várias pinturas para o Palácio Real de Aranjuez, vindo a falecer em Madri, onde foi enterrado.
• George Friedrich Haendel (1696-1759)
Compositor barroco alemão. Suas obras incluem 32 oratórios, 40 óperas, 110 cantatas, 20 concertos, 39 sonatas, fugas,
suítes, obras sacras e obras orquestrais. Entre as mais conhecidas, estão O Messias e Judas Macabeu.
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• Immanuel Kant (1724-1804)


Filósofo prussiano, é considerado o último grande filósofo da era moderna, um dos mais in­fluentes pensadores do
Iluminismo. Teve gran­de impacto no Romantismo alemão.
• Thomas Hobbes (1588-1679)
Teórico político e filósofo inglês. Em sua obra mais importante, Leviatã, expõe seus pontos de vista sobre a natureza humana e
sobre a necessidade de governos e sociedades. Segundo ele, cada homem tem direito a tudo e por isso há um constante con-
flito de todos contra todos. Para evitar que essa “guerra” se concretize, as sociedades estabelecem um contrato social.
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os fundamentos toledo
Parte I
Unidade B da física
Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos e líquidos

Atividade Realize a experiência com supervisão do seu professor


experimental

O anel de Gravezande
Um dispositivo simples para comprovar experimentalmente o fenômeno da
dilatação térmica é o chamado anel de Gravezande, constituído de uma esfera
metálica e de um anel feitos do mesmo material. À temperatura ambiente, a
esfera passa facilmente pelo anel (foto 1). No entanto, se a esfera for aquecida
(foto 2), ela sofre dilatação e não mais atra­ves­sa o anel (foto 3).

1 2 3
levy mendes jr. & luiz ferraz netto

levy mendes jr. & luiz ferraz netto

levy mendes jr. & luiz ferraz netto


• O que aconteceria se o anel fosse aquecido até atingir a mesma tempera-
tura da esfera?
• Qual seria o resultado da experiência se, em vez de aquecer a esfera, dei-
xássemos o anel algum tempo no congelador?
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Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos e líquidos

A Física em nosso mundo

O comportamento anômalo da água


d (g/cm3 )
Aquecendo certa massa m de água, inicialmente
1,0000
a 0 °C (figura a), verificamos que de 0 °C a 4 °C o volu-
me diminui, pois o nível da água no recipiente baixa, 0,9999

ocorrendo contração. A partir de 4 °C, continuando o 0,9998


aquecimento, o nível da água sobe, o que significa au- 0,9997
mento de volume, ocorrendo dilatação. Portanto, a água 0,9996
apresenta comportamento excepcional, contraindo-se 0 2 4 6 8 10 θ (°C)
quando aquecida de 0 °C a 4 °C. O gráfico abaixo (figura Esse comportamento anômalo da água pode ser ex-
b) mostra aproximadamente como varia o volume da plicado pelo modo peculiar com que suas moléculas se
água com o aumento de temperatura. interligam quando no estado líquido. Como se estuda em
a) Química, as moléculas de água apresentam um caráter po-
lar, isto é, em cada molécula há uma parte com polaridade
positiva e outra com polaridade negativa. Essas diferenças
de polaridade fazem com que ocorram ligações de natureza
elétrica entre as moléculas: são as pontes de hidrogênio,
representadas esquematicamente na figura abaixo.

θ = 0 °C θ = 4 °C θ > 4 °C

b) V (cm3 )

..... H O ..... H O ..... H O ..... H O .....

H H H H
0 4 θ (°C)
As pontes de hidrogênio.
Observe que a 4 °C a massa m de água apresenta
A elevação da temperatura da água provoca um aumen-
volume mínimo. to na agitação molecular que tende a romper as pontes de
@ __ ​    ​ varia inversamente com o
A densidade ​ d 5 ​ m
V  # hidrogênio, aproximando as moléculas. Normalmente a
maior agitação aumenta a distância intermolecular. Por-
volume V. Logo, de 0 °C a 4 °C, a densidade da água au-
tanto, com o aquecimento, verificam-se na água dois efeitos
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menta, pois o volume diminui nesse intervalo. Acima opostos: o rompimento das pontes de hidrogênio, tenden-
de 4 °C, o volume da água aumenta e, portanto, a densi- do a aproximar as moléculas (diminuindo o volume), e a
dade diminui. Sendo o volume da água mínimo a 4 °C, maior agitação molecular, que tende a afastar as moléculas
nessa temperatura ela apresenta sua densidade máxima. (aumentando o volume). Da predominância de um ou de
O gráfico a seguir mostra como a densidade da água varia outro efeito decorre o comportamento da água: de 0 a 4 °C,
com a temperatura: verifica-se que sua densidade máxima o primeiro efeito é predominante e o volume da água dimi-
(0,99997 g/cm3 q 1 g/cm3) ocorre rigorosamente à tempe- nui (contração); de 4 °C em diante, o segundo efeito passa a
ratura de 3,98 °C (q 4 °C). predominar e o volume da água aumenta (dilatação).
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Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos e líquidos

O comportamento particular da água explica por que certos lagos se conge-


lam na superfície, permanecendo líquida a água no fundo. Na figura abaixo, está
representado o corte de um lago. Quando cai a temperatura ambiente, a água da
superfície se resfria e com isso desce, pois adquire densidade maior que a água
do fundo; e esta, sendo mais quente (menos densa), sobe.
Quando a temperatura se torna inferior a 4 °C, porém, a movimentação por
diferença de densidade deixa de ocorrer, pois a essa temperatura a água tem
densidade máxima. E, com a continuidade do resfriamento do ambiente, a den-
sidade da água superficial diminui, não podendo mais descer. Assim, chega a se
formar gelo na superfície e a água no fundo permanece líquida. Contribui para
esse fenômeno o fato de a água e o gelo serem isolantes térmicos. No diagrama à
direita, representa-se uma situação em que o ambiente está a 25 °C e a água no
fundo está a 4 °C.

Gelo
θamb – 5 °C

4 °C
2005 WILSON/DIST. BY ATLANTIC SYNDICATION/UNIVERSAL PRESS SYNDICATE
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Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos e líquidos

Teste sua leitura

L.5 (Ufla-MG) Um bulbo de vidro conectado a um Assinale a afirmativa correta.



tubo fino, com coeficiente de dilatação despre- a) O volume da água aumenta e sua densida-
zível, contendo certa massa de água na fase de diminui, quando ela é resfriada abaixo
líquida é mostrado a seguir em três situações de 4 °C.
de temperatura. Na primeira, o sistema está a
4 °C; na segunda, a 1 °C; e na terceira, a 10 °C. b) Entre 4 °C e 0 °C, a diminuição de temperatura
Conforme a temperatura, a água ocupa uma faz com que a água se torne mais densa.
certa porção do tubo. c) Quando a água é aquecida, a partir de 4 °C
sua densidade e seu volume aumentam.
d) Quando a água está a 4 °C, ela apresenta a
sua menor densidade.

L.7 (UFPel-RS) A água, substância fundamental


para a vida no planeta, apresenta uma grande
4 °C 1 °C 10 °C quantidade de comportamentos anômalos.
Suponha que um recipiente, feito com um
Tal fenômeno é explicado:
determinado material hipotético, se encontre
a) pelo aumento de volume da água de 0 °C a
completamente cheio de água a 4 °C (observe
4 °C, seguido da diminuição do volume a
partir de 4 °C. o gráfico a seguir).
b) pela diminuição da densidade da água de
Volume
0 °C a 4 °C, seguido do aumento da densidade
a partir de 4 °C.
c) pelo aumento do volume da água a partir Água
de 0 °C.
d) pelo aumento da densidade da água de 0 °C
a 4 °C, seguido da diminuição da densidade
a partir de 4 °C. Material
e) pela diminuição do volume da água a partir hipotético
de 0 °C.
4 Temperatura (°C)
L.6 (PUC-MG) Quando aumentamos a tempera-
tura dos sólidos e dos líquidos, normalmente
seus volumes aumentam. Entretanto, algumas De acordo com o gráfico e seus conhecimentos,
substâncias apresentam um comportamento é correto afirmar que:
anômalo, como é o caso da água, mostrado no a) apenas a diminuição de temperatura fará
gráfico abaixo. com que a água transborde.
b) tanto o aumento da temperatura quanto
sua diminuição não provocarão o transbor-
2,5 damento da água.
c) qualquer variação de temperatura fará com
Volume (cm3)

2,0
que a água transborde.
1,5
d) a água transbordará apenas para tempera-
1,0 turas negativas.
0,5 e) a água não transbordará com um aumen-
to de temperatura, somente se o calor
2 4 6 8 10 12 14 16 18 específico da substância for menor que
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Temperatura (°C) o da água.


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Unidade B da física
Capítulo 3 Dilatação térmica de sólidos e líquidos

L.8 (Mackenzie-SP) Diz um ditado popular: “A natureza é sábia!”. De fato! Ao


observarmos os diversos fenômenos da natureza, ficamos encantados
com muitos pormenores, sem os quais não poderia haver vida na face
da Terra, conforme a conhecemos. Um desses pormenores, de extrema
importância, é o comportamento anômalo da água, no estado líquido,
durante seu aquecimento ou resfriamento sob pressão normal. Se não
existisse tal comportamento, a vida subaquática nos lagos e rios, prin-
cipalmente nas regiões mais frias de nosso planeta, não seria possível.
Dos gráficos abaixo, o que melhor representa esse comportamento
anômalo é:

a) Volume (cm3) d) Volume (cm3)

0 4 Temperatura (°C) 0 14,5 Temperatura (°C)

b) Volume (cm3) e) Volume (cm3)

0 4 Temperatura (°C) 0 14,5 Temperatura (°C)

c) Volume (cm3)

0 14,5 15,5 Temperatura (°C)


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UNIDADE C A energia
UNIDADE A A natureza
térmica
daem
vida
trânsito

Capítulo
Calor: energia

4 térmica em trânsito

E m uma lareira, a energia térmica obtida na com-


bustão da lenha é transferida ao ambiente, cuja
temperatura é menor que a sua. O calor propaga-se
em todo o ambiente proporcionando o aumento da
Os efeitos do calor sobre os
temperatura.
corpos fazem parte do
nosso cotidiano e podem ser
facilmente percebidos. A ideia
de que o calor é uma forma
de energia foi estabelecida
no final do século XIX, quando
se passou a considerar o
calor como energia térmica
em trânsito entre corpos de
diferentes temperaturas.

4.1 Calor: energia térmica em


trânsito
A energia térmica que um corpo
cede ou recebe pode produzir
variação de sua temperatura ou
mudança de seu estado físico.

4.2 Quantidade de
calor sensível. Equação
fundamental da Calorimetria.
Calor específico
Quantidade de calor sensível é a
medida do calor cedido
ou recebido por um
corpo, responsável
pela variação de
temperatura.

4.3 Trocas de calor.


Calorímetro
Os corpos que
constituem um
sistema termicamente
isolado não trocam
calor com o meio
exterior.

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Seção 4.1 Calor: energia térmica em trânsito
Objetivos Considere dois corpos A e B em diferentes temperaturas, JA e JB, tais
Conceituar calor. que JA  JB (fig. 1A). Colocando-os em presença um do outro, verifica-se
Diferenciar calor que a energia térmica é transferida de A para B. Essa energia térmica
sensível e calor latente. em trânsito é denominada calor. A passagem do calor cessa ao ser
atingido o equilíbrio térmico, isto é, quando as temperaturas se igua-
Termos e conceitos lam (fig. 1B).
• caloria
A JA  JB

θA Calor θB

A B

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


B JeA 5 JeB (equilíbrio térmico)

θ’A θ’B

A B
Figura 1. O corpo A cede calor ao corpo B, até as temperaturas se igualarem.

Calor é energia térmica em trânsito entre


corpos a diferentes temperaturas.
Unidade C • A energia térmica em trânsito

O chá quente está a uma Estando a água à temperatura


temperatura maior que a das mãos ambiente, o calor se propaga da
que seguram a xícara, fornecendo água para o gelo.
calor a elas.

64

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 64 22.08.09 08:54:28


Como vimos no Capítulo 1, a unidade em que é medida a quantidade de calor Q trocada pelos
corpos é a unidade de energia, visto que se trata de energia térmica em trânsito. Assim, no
Sistema Internacional, a unidade de quantidade de calor é o joule (J). Entretanto, por razões
históricas, existe outra unidade, a caloria (cal), cuja relação com o joule é:

*
1 cal 5 4,1868 J

Um múltiplo da caloria bastante utilizado é a quilocaloria (kcal):

1 kcal 5 1.000 cal

Calor sensível e calor latente


Se levarmos ao fogo água líquida na temperatura ambiente (fig. 2), logo verificaremos pelo
termômetro que ela se aquece, isto é, sofre uma elevação de temperatura. Se, entretanto, fizer-
mos o mesmo com um bloco de gelo a 0 wC (fig. 3), verificaremos que ele se derrete, isto é, se
transforma em líquido, mas sua temperatura não se modifica até que todo o gelo se derreta.
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60 °C

20 °C

0 °C 0 °C

Figura 2. A água líquida se aquece ao ser levada Figura 3. Em presença do fogo, o gelo a 0 wC se
ao fogo. derrete, não sofrendo variação de temperatura.

Portanto, quando um corpo recebe calor, este pode produzir variação de temperatura ou
mudança de estado. Quando o efeito produzido é a variação de temperatura, dizemos que o
corpo recebeu calor sensível. Se o efeito se traduz pela mudança de estado, o calor recebido
pelo corpo é dito calor latente. Nos exemplos citados, a água líquida recebeu calor sensível Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
e o gelo recebeu calor latente.
De modo análogo, quando um corpo cede calor, se houver diminuição de temperatura,
diz-se que o corpo perdeu calor sensível; se houver mudança de estado, o corpo terá perdido
calor latente.
Neste capítulo analisaremos apenas situações em que os corpos trocam calor sensível,
isto é, situações em que não ocorrem mudanças de estado. As trocas de calor latente serão
analisadas no capítulo seguinte, quando do estudo das mudanças de fase.

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História da Física: A evolução do conceito de calor
Vídeo: Calor sensível e calor latente

* Na leitura sobre a experiência de Joule, neste capítulo (página 80), você saberá como essa correspondência foi obtida
pela primeira vez.

65

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 65 22.08.09 08:54:29


Seção 4.2 Quantidade de calor sensível.
Equação fundamental da
Calorimetria. Calor específico
Objetivos Considere uma esfera A de ferro, que é aquecida, recebendo 220 ca-
Relacionar a lorias. Sua temperatura se eleva de 20 wC (fig. 4A). Outra esfera B, idêntica
quantidade de calor à primeira, à mesma temperatura inicial Ji, é aquecida por uma fonte mais
recebido ou cedido por intensa, recebendo uma quantidade de calor três vezes superior, isto é,
um corpo com a variação 660 calorias. Com isso, sua temperatura se eleva de 60 wC (fig. 4B).
da temperatura, com a
A B
massa e com o material
do qual o corpo é feito.
Enunciar a equação
θi A θi A A A
θi + 20 °C θi + 20 °C θi B θi B B θi + 60 °CB θi + 60 °C
fundamental da
Calorimetria.
Conceituar calor
específico, capacidade

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térmica e equivalente
Figura 4. O corpo B recebe maior quantidade de calor e, por isso, sofre maior
em água de um corpo. variação de temperatura.

Termos e conceitos Estudos comprovam que essa proporcionalidade é válida para corpos
• calor recebido de qualquer material. Assim, de modo geral, podemos enunciar:
• calor cedido
As quantidades de calor Q recebidas (ou cedidas) por corpos de
mesmo material e de mesma massa são diretamente proporcionais
às variações de temperatura SJ.

Considere agora duas esferas C e D de mesmo material (ferro), mas de


massas diferentes (por exemplo, mC 5 100 gramas e mD 5 300 gramas,
isto é, mD 5 3mC). Para que sofram a mesma variação de temperatura
(SJ 5 20 wC, por exemplo) essas esferas (fig. 5) devem receber quanti-
dades de calor diferentes (por exemplo, C recebe QC 5 220 calorias e D
recebe QD 5 660 calorias, isto é, QD 5 3QC):

A B
Unidade C • A energia térmica em trânsito

θi C θi CC θi + 20 C θi + 20
θi D θi DD θi + 20 D θi + 20
220 cal 220 cal
6660 cal 6660 cal

Figura 5. O corpo D recebeu maior quantidade de calor para sofrer a mesma


variação de temperatura que o corpo C.

As quantidades de calor recebidas (ou cedidas) por corpos de mesmo


material e de massas diferentes, sujeitos à mesma variação de
temperatura, são diretamente proporcionais às massas.

66

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 66 22.08.09 08:54:30


Resumindo as conclusões anteriores, podemos enunciar:

A quantidade de calor Q recebida (ou cedida) por um corpo é diretamente proporcional à sua
massa m e à variação de temperatura SJ sofrida pelo corpo.

Assim:

Q 5 c 3 m 3 SJ ] Q 5 m 3 c 3 SJ

Nessa fórmula, conhecida como equação fundamental da Calorimetria, o coeficiente de


proporcionalidade c é uma característica do material que constitui o corpo, denominada calor
específico. Sua unidade usual é cal/g 3 wC, como se deduz a partir da equação anterior.

*
@ unidade : gcal3 wC #
Q
Q 5 m 3 c 3 SJ ] c 5 _______ ______
m 3 SJ

Observe que, se m 5 1 g e SJ 5 1 wC, c 5 Q (numericamente), isto é, o calor específico de uma


substância mede numericamente a quantidade de calor que faz variar em 1 wC a temperatura
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da massa de 1 g da substância.
Vejamos um exemplo. O calor específico do ferro vale 0,11 cal/g 3 wC; portanto, para elevar
em 1 wC a temperatura da massa de 1 g de ferro, devemos fornecer a essa massa 0,11 cal.
Substâncias diferentes apresentam diferentes calores específicos. A água é uma das subs-
tâncias de maior calor específico na natureza. De modo geral, os metais apresentam baixo calor
específico. Veja estes exemplos:

Latão: 0,092 cal/g 3 wC Prata: 0,056 cal/g 3 wC Ouro: 0,032 cal/g 3 wC

Para uma dada substância, o calor específico depende do estado de agregação. Tomando
como exemplo a água, temos os seguintes valores para o calor específico, de acordo com cada
estado físico:

Gelo: 0,50 cal/g 3 wC Água líquida: 1,00 cal/g 3 wC Vapor d’água**: 0,48 cal/g 3 wC

Quando a temperatura de um corpo aumenta, significa que ele recebeu calor. Se a tempe-
ratura de um corpo diminui, é porque ele cedeu calor. Essa diferença é analisada de acordo
com o seguinte critério:

Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito


SJ 5 Jf 2 Ji
Aumento de temperatura p Calor recebido
Jf  Ji ] SJ  0 ] Q  0
Diminuição de temperatura p Calor cedido
Jf  Ji ] SJ  0 ] Q  0

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A Física em nosso Mundo: As calorias dos alimentos

* O calor específico definido por essa fórmula é um valor médio para o intervalo de temperatura SJ. O calor específico
a uma dada temperatura é dado pelo limite dessa expressão, quando SJ tende a zero. A rigor, o calor específico de
uma substância depende da temperatura. Em nosso curso, não levaremos em conta essa variação.
** Sob pressão de 1 atmosfera e a 110 wC de temperatura.

67

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Capacidade térmica de um corpo
Considere que a temperatura de um corpo sofra uma variação de temperatura SJ, ao re-
ceber certa quantidade de calor Q. Define-se capacidade térmica C desse corpo a grandeza
dada pela fórmula:

Q
C 5 ___
SJ

A unidade usual de capacidade térmica é a caloria por grau Celsius (cal/wC).


Vamos supor que, ao receber 2.000 calorias (Q 5 2.000 cal), a temperatura de um
bloco metálico aumente de 20 wC para 420 wC, tendo ocorrido a variação de temperatura
SJ 5 420 wC 2 20 wC 5 400 wC. A capacidade térmica desse bloco será dada por:

Q 2.000
C 5 ___ ] C 5 ______ ] C 5 5 cal/wC
SJ 400

A capacidade térmica representa numericamente a quantidade de calor que o corpo deve


trocar para sofrer uma variação unitária de temperatura. No exemplo, o corpo deve receber
5 calorias para que sua temperatura varie de 1 grau Celsius.

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O nome dessa grandeza (capacidade térmica) vem do seguinte fato: ela pode ser entendida
como a medida da capacidade de receber ou perder calor que um corpo apresenta, para uma
dada variação de temperatura. Um corpo de baixa capacidade térmica troca quantidades de
calor relativamente pequenas para sofrer uma dada variação de temperatura. As fagulhas de
um esmeril, por exemplo, apresentam alta temperatura, mas não queimam a pele do operador
porque têm pequena capacidade térmica — isto é, elas cedem pouco calor até que o equilíbrio
térmico se estabeleça.
Substituindo, na fórmula de definição da capacidade térmica, a quantidade de calor expressa
pela equação fundamental de calorimetria (Q 5 m 3 c 3 SJ), teremos:

m 3 c 3 SJ
C 5 __________ ] C 5 mc
SJ

Portanto, a capacidade térmica de um corpo também pode ser expressa como o produto
de sua massa (m) pelo calor específico da substância que o constitui (c).
Chama-se equivalente em água de um corpo a massa de água cuja capacidade térmica é
igual à capacidade térmica do corpo. Por exemplo, seja C 5 5 cal/wC a capacidade térmica de
um corpo. Sendo o calor específico da água ca 5 1 cal/g 3 wC, concluímos que o equivalente em
água do corpo é ma 5 5 g.
Unidade C • A energia térmica em trânsito

Mesmo sem luvas, o operador não tem suas mãos Por que as gotas de óleo que espirram da frigideira
queimadas pelas fagulhas por estas terem baixa queimam as mãos do cozinheiro?
capacidade térmica.

68

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 68 24.08.09 13:57:49


exercícios resolvidos
R. 20 Um corpo de massa 200 g é constituído por uma substância de calor específico 0,4 cal/g 3 wC.
Determine:
a) a quantidade de calor que o corpo deve receber para que sua temperatura varie de 5 wC para
35 wC;
b) que quantidade de calor deve ceder para que sua temperatura diminua de 15 wC;
c) a capacidade térmica do corpo.
Solução:
a) Para a temperatura aumentar de Ji 5 5 wC para Jf 5 35 wC (Jf  Ji), o corpo deve receber calor
(Q  0):
SJ 5 Jf 2 Ji 5 35 2 5 ] SJ 5 30 wC

Substituindo esse valor (SJ 5 30 wC) e os demais dados (m 5 200 g; c 5 0,4 cal/g 3 wC) na equação
fundamental da Calorimetria, obtemos:

Q 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 0,4 3 30 ] Q 5 2.400 cal

b) Para a temperatura diminuir (Jf  Ji), o corpo deve ceder calor (Q  0).
Sendo SJ 5 215 wC, m 5 200 g e c 5 0,4 cal/g 3 wC, temos:

Q 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 0,4 3 (215) ] Q 5 21.200 cal


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O sinal negativo indica calor cedido.


Q
c) Podemos calcular a capacidade térmica do corpo pela fórmula C 5 ___.
SJ
Como Q 5 2.400 cal para SJ 5 30 wC, vem:
2.400
C 5 ______ ] C 5 80 cal/wC
30
Outra alternativa é utilizar a fórmula C 5 mc, sendo m 5 200 g e c 5 0,4 cal/g 3 wC:

C 5 200 3 0,4 ] C 5 80 cal/wC

Respostas: a) 2.400 calorias; b) 1.200 calorias; c) 80 cal/wC

R. 21 A temperatura de 100 g de um líquido cujo calor específico é 0,5 cal/g 3 °C sobe de 210 °C até 30 °C.
Em quantos minutos será realizado esse aquecimento com uma fonte que fornece 50 calorias por
minuto?

Solução:
A temperatura varia de Ji 5 210 wC para Jf 5 30 wC. Logo, a variação de temperatura é:
SJ 5 Jf 2 Ji 5 30 wC 2 (210 wC) 5 40 wC
São dados: m 5 100 g; c 5 0,5 cal/g 3 wC. A quantidade de calor Q recebida pelo corpo vale:
Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
Q 5 m 3 c 3 SJ 5 100 3 0,5 3 40 ] Q 5 2.000 cal
A fonte fornece 50 cal/min (fluxo ou potência da fonte). Assim, por regra de três simples e direta:

50 cal 1 min 2.000


x 5 ______ ] x 5 40 min
2.000 cal x 50

Resposta: 40 min

R. 22 Um corpo de massa 200 g é aquecido por uma fonte de potência constante θ (°C)
e igual a 200 calorias por minuto. O gráfico mostra como varia, no tempo, a
temperatura do corpo. Determine a capacidade térmica do corpo e o calor 60
específico da substância que o constitui.
40

20

0 10 20 30 t (min)

69

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 69 22.08.09 08:54:34


Solução:
Os dados para a solução do exercício são extraídos do gráfico. A temperatura do corpo variou
de 20 wC para 60 wC em 30 min.
SJ 5 60 wC 2 20 wC 5 40 wC
O calor fornecido pela fonte pode ser calculado por regra de três simples e direta:

1 min 200 cal


Q 5 6.000 cal
30 min Q

A capacidade térmica do corpo será dada por:

Q 6.000
C 5 ___ ] C 5 ______ ] C 5 150 cal/wC
SJ 40
O calor específico da substância pode ser calculado a partir da equação fundamental (Q 5 m 3 c 3 SJ):

Q 5 6.000 cal
Q 6.000
C 5 _______ m 5 200 g C 5 ________ ] C 5 0,75 cal/g 3 wC
m 3 SJ 200 3 40
SJ 5 40 wC

O calor específico também pode ser obtido pela relação:

C 150
c 5 __ ] c 5 ____ ] c 5 0,75 cal/g wC
m 200

Resposta: 150 cal/wC e 0,75 cal/g 3 wC

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exercícios propostos
P. 50 Um corpo de massa 50 g recebe 300 cal e sua temperatura sobe de 210 wC até 20 wC. Determine
a capacidade térmica do corpo e o calor específico da substância que o constitui.

P. 51 Um quilograma de glicerina, de calor específico 0,6 cal/g 3 wC, inicialmente a 230 wC, recebe
12.000 cal de uma fonte. Determine a temperatura final da glicerina.

P. 52 Uma fonte térmica fornece, em cada minuto, 20 cal. Para produzir um aquecimento de 30 wC em
50 g de um líquido, são necessários 15 min. Determine o calor específico do líquido e a capaci-
dade térmica dessa quantidade de líquido.

P. 53 Para sofrer determinada variação de temperatura, um bloco metálico deve permanecer 3 min
em presença de uma fonte de fluxo constante. A mesma massa de água, para sofrer a mes-
ma variação de temperatura, exige 12 min em presença da fonte (calor específico da água:
c 5 1 cal/g 3 wC). Determine o calor específico do metal.

P. 54 Um corpo é colocado em presença de uma fonte térmica θ (°C)


de fluxo 2 cal/s. O gráfico do aquecimento em função do
Unidade C • A energia térmica em trânsito

tempo, em minutos, é o apresentado. Sendo 60 g a massa 50


do corpo, determine sua capacidade térmica e o calor 40
específico do material que o constitui. 30
20
10

0 3 6 t (min)

P. 55 O gráfico fornece a quantidade de calor absorvida por Q (cal)


três corpos A, B e C em função da temperatura. Calcule, C
B
para cada um dos corpos, a capacidade térmica e o calor 100
específico das substâncias que os constituem. São dadas 80 A
as massas: mA 5 mB 5 20 g e mC 5 10 g. 60
40
20

10 20 θ (°C)

70

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Seção 4.3 Trocas de calor. Calorímetro
Objetivos Dois corpos A e B são colocados num recinto termicamente isolado.
Analisar o Se a temperatura de A é maior que a de B, há transferência de calor do
funcionamento de um primeiro para o segundo, até que se estabeleça o equilíbrio térmico (fig. 6).
calorímetro e as trocas Como não há outros corpos trocando calor, se A perder, por exemplo, 50 cal
de calor entre corpos em nesse intervalo de tempo, B terá recebido exatamente 50 cal. Pela con-
seu interior. venção de sinais estabelecida:
Enunciar e aplicar QA 5 250 cal QB 5 50 cal
o princípio geral das
trocas de calor.

Termos e conceitos A Calor B A B

• calorímetro
θA > θB : A cede calor para B θ'A = θ'B : equilíbrio térmico

Figura 6. Os corpos A e B trocam calor até atingir o equilíbrio térmico.

Percebe-se que:
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

QA 5 2QB ou QA 1 QB 5 0

Podemos então enunciar o princípio geral que descreve as trocas de


calor:

Se dois ou mais corpos trocam calor entre si, a soma algébrica das
quantidades de calor trocadas pelos corpos, até o estabelecimento
do equilíbrio térmico, é nula.

Geralmente, os corpos que trocam calor são colocados no interior de


dispositivos especiais denominados calorímetros, isolados termicamen-
te do meio exterior. O mais usado é o calorímetro de mistura, apresentado
na foto a seguir e ilustrado em corte (fig. 7).

Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito


Termômetro Agitador

Isolante térmico

Vaso de metal

Água

Suporte

Figura 7. Corte de um calorímetro de mistura.

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Simulador: Calorímetro

71

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O calorímetro participa das trocas de calor, embora na maioria dos casos essa participação
seja pouco acentuada. No entanto, quando o calorímetro absorve uma quantidade de calor
considerável, devemos levar em conta sua capacidade térmica C, expressa pela relação entre
Q
o calor absorvido Q e a variação de temperatura SJ que ele sofre C 5 ___ .
SJ @ #
Por exemplo: se numa variação de temperatura de 20 wC o calorímetro absorve 60 cal, sua
capacidade térmica vale:
Q 5 60 cal Q 60
C 5 ___ 5 ___ ] C 5 3 cal/ wC
SJ 5 20 wC SJ 20

exercícios resolvidos
R. 23 Um broche de prata de massa 20 g a 160 wC é colocado em 28 g de água inicialmente a 30 wC. Qual
será a temperatura final de equilíbrio térmico, admitindo trocas de calor apenas entre a prata
e a água?
(Dados: calor específico da prata 5 0,056 cal/g 3 wC; calor específico da água 5 1,0 cal/g 3 wC)
Solução:
160 °C

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


A temperatura final Jf de equilíbrio térmico deve ter um valor
intermediário entre 30 wC e 160 wC. A água recebe calor, sua Broche de
temperatura aumentando de 30 wC para Jf. A prata perde calor, prata
Equilíbrio
sua temperatura diminuindo de 160 wC para Jf. Esquemati- θf
térmico
camente, as variações de temperatura são as apresentadas Água
ao lado. 30 °C
Para facilitar os cálculos, é recomendável dispor os dados do
problema em uma tabela:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Água 28 g 1,0 30 wC x5? x 2 30

Broche de prata 20 g 0,056 160 wC x5? x 2 160

Calculemos as quantidades de calor trocadas.


1) Calor recebido pela água: Q 1 5 m 3 c 3 SJ 5 28 3 1,0 (x 2 30) ] Q 1 5 28x 2 840
2) Calor perdido pelo broche de prata: Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 20 3 0,056 (x 2 160) ] Q 2 5 1,12x 2 179,2
De acordo com o princípio geral das trocas de calor, a soma das quantidades de calor trocadas
é nula (Q 1 1 Q 2 5 0). Logo:
28x 2 840 1 1,12x 2 179,2 5 0 ] 29,12x 2 1.019,2 5 0 ] 29,12x 5 1.019,2 ] x 5 35 wC
Resposta: 35 wC

R. 24 Num calorímetro de capacidade térmica 8,0 cal/wC, inicialmente a 10 wC, são colocados 200 g de
Unidade C • A energia térmica em trânsito

um líquido de calor específico 0,40 cal/g 3 wC. Verifica-se que o equilíbrio térmico se estabelece
a 50 wC. Determine a temperatura inicial do líquido.
Solução:
A troca de calor se dá entre o calorímetro (que recebe) e o líqui- x
do (que perde). Esquematizando as variações de temperatura, Líquido Equilíbrio
teremos: 50 °C
térmico
Calorímetro
10 °C

Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/calorimetro/


calorimetro.htm (acesso em julho/2009), você poderá simular um exercício de Calorimetria, calculando o
valor do calor específico de um sólido ou o equivalente em água de um calorímetro, introduzindo dados no
simulador e obtendo a resposta.

72

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 72 22.08.09 08:54:37


Dispondo os dados em uma tabela, para facilitar os cálculos:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Calorímetro 8,0 cal/wC 10 wC 50 wC 40 wC

Líquido 200 g 0,40 x5? 50 wC 50 2 x

Calculemos as quantidades de calor trocadas.


1) Calor recebido pelo calorímetro: Q 1 5 C 3 SJ 5 8,0 3 40 ] Q 1 5 320 cal
2) Calor perdido pelo líquido: Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 0,40 3 (50 2 x) ] Q 2 5 4.000 2 80x
Aplicando o princípio geral das trocas de calor (Q 1 1 Q 2 5 0):

4.320
320 1 4.000 2 80x 5 0 ] 80x 5 4.320 ] x 5 ______ ] x 5 54 wC
80
Resposta: 54 wC

R. 25 No interior de um calorímetro de capacidade térmica 6 cal/wC encontram-se 85 g de um líquido


a 18 wC. Um bloco de cobre de massa 120 g e calor específico 0,094 cal/g 3 wC, aquecido a 100 wC,
é colocado dentro do calorímetro. O equilíbrio térmico se estabelece a 42 wC. Determine o calor
específico do líquido.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Solução:
Três corpos trocam calor entre si: o calorímetro,
o líquido e o bloco de cobre. A temperatura do 100 °C
calorímetro aumenta de 18 wC para 42 wC; portan-
to, o calorímetro recebe calor. A temperatura do Bloco de
cobre
líquido também varia de 18 wC para 42 wC e, assim,
o líquido recebe calor. O bloco de cobre sofre um Equilíbrio
42 °C
abaixamento de temperatura de 100 wC para 42 wC; térmico
Calorímetro Líquido
logo, o bloco perde calor.
18 °C
Podemos indicar em um único esquema as va-
riações de temperatura dos vários corpos, até se
estabelecer o equilíbrio térmico, como apresentado
ao lado.
Para facilitar os cálculos, convém dispor os dados em uma tabela:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Calorímetro C 5 6 cal/°C 18 wC 42 wC 24 wC

Líquido 85 g x5? 18 wC 42 wC 24 wC

Bloco de cobre 120 g 0,094 100 wC 42 wC 258 wC


Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito

Calculemos as quantidades de calor trocadas.


1) Calor recebido pelo calorímetro: Q 1 5 C 3 SJ 5 6 3 24 ] Q 1 5 144 cal
2) Calor recebido pelo líquido: Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 85 3 x 3 24 ] Q 2 5 2.040x
3) Calor perdido pelo bloco de cobre: Q 3 5 m 3 c 3 SJ 5 120 3 0,094 3 (258) ] Q 3 5 2654,24 cal
Pelo princípio geral das trocas de calor, é nula a soma das quantidades de calor trocadas
(Q 1 1 Q 2 1 Q 3 5 0):

144 1 2.040x 2 654,24 5 0 ] 2.040x 5 510,24 ] x 7 0,25 cal/g 3 wC

Resposta: 7 0,25 cal/g 3 wC

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Atividade experimental: Determinação da capacidade térmica de um
calorímetro

73

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exercícios propostos
P. 56 Colocam-se 500 g de ferro (c 5 0,1 cal/g 3 wC) a 42 wC a 98 wC e a amostra aquecida foi rapidamente trans-
num recipiente de capacidade térmica desprezível ferida para um calorímetro de cobre bem isolado. O
contendo 500 g de água (c 5 1 cal/g 3 wC) a 20 wC. De- calor específico do cobre é 0,093 cal/g 3 wC e a massa
termine a temperatura final de equilíbrio térmico. de cobre no calorímetro é de 150 g. No interior do
calorímetro há 200 g de água, cujo calor específico
P. 57 Um bloco de alumínio (c 5 0,22 cal/g 3 wC) de massa é 1,0 cal/g 3 wC. A temperatura do calorímetro e da
100 g é deixado no interior de um forno até entrar água antes de receber a amostra aquecida era de
em equilíbrio térmico com ele. Logo ao ser retirado, 21,0 wC. Após receber a amostra, e restabelecido o
é colocado em 4.400 g de água (c 5 1 cal/g 3 wC) a equilíbrio térmico, a temperatura atingiu 24,6 wC.
30 wC. A temperatura de equilíbrio térmico é 32 wC. Determine o calor específico do metal em questão.
Determine a temperatura do forno.
P. 60 (Mackenzie-SP) Um calorímetro de capacidade
P. 58 Num calorímetro cuja capacidade térmica é térmica 40 cal/wC contém 110 g de água (calor
5,0 cal/wC, inicialmente a 10 wC, são colocados 300 g específico 5 1 cal/g 3 wC) a 90 wC. Que massa de
de um líquido de calor específico 0,20 cal/g 3 wC na alumínio (calor específico 5 0,2 cal/g 3 wC), a 20 wC,
temperatura de 41 wC. devemos colocar nesse calorímetro para esfriar a
a) A que temperatura se estabelece o equilíbrio água a 80 wC?
térmico?
b) Em seguida, coloca-se no calorímetro um bloco P. 61 Um bloco de cobre (c 5 0,095 cal/g 3 wC) de massa
metálico de massa 500 g a 200 wC e o novo equilí- 300 g é aquecido até a temperatura de 88 wC. A se-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


brio térmico se estabelece a 60 wC. Qual é o calor guir é colocado em 548 g de água (c 5 1,0 cal/g 3 wC),
específico do metal de que é feito o bloco? contidos em um calorímetro de alumínio
(c 5 0,22 cal/g 3 wC) que está à temperatura de 25 wC.
P. 59 (ITA-SP) Na determinação do calor específico de um O equilíbrio térmico se estabelece a 28 wC. Deter-
metal, aqueceu-se uma amostra de 50 g desse metal mine a massa do calorímetro.

exercícios propostos de recapitulação


P. 62 (F.M. Jundiaí-SP) A capacidade de um material mB 5 30 mA, num intervalo em que a temperatura
absorver ou perder calor é uma propriedade varia de 0 wC a 40 wC. Com base nesses dados, calcule
característica desse material, conhecida como
calor específico. A tabela fornece os valores do calor @ #
cA
a razão __ dos calores específicos das substân-
cB
específico de alguns materiais, a 25 wC e 1 atm. cias que compõem os corpos A e B, explicando como
você obteve essa solução.
Calor específico a 25 wC
Material Q (cal)
e 1 atm (J 3 g21 3 wC21)
B
40
Água 4,18
30
Unidade C • A energia térmica em trânsito

Etanol 2,44
20 A
Ferro 0,45
10
a) Se iguais quantidades de água e de ferro ficarem
expostas, durante o mesmo período de tempo, 0 10 20 30 40 θ (°C)
à mesma fonte de energia, qual ficará mais
quente e alcançará temperatura mais elevada?
Justifique. P. 64 (Fuvest-SP) Um recipiente de vidro de 500 g e calor
b) Para que as mesmas quantidades de água e de específico 0,20 cal/g 3 °C contém 500 g de água cujo
etanol sofram a mesma variação de temperatura calor específico é 1,0 cal/g 3 °C. O sistema encontra-se
em igual intervalo de tempo, deve ser fornecida isolado e em equilíbrio térmico. Quando recebe
maior ou menor quantidade de calor para a uma certa quantidade de calor, o sistema tem sua
água? Justifique. temperatura elevada. Determine:
a) a razão entre a quantidade de calor absorvida
P. 63 (UFPR) O gráfico mostrado na figura a seguir apre- pela água e a recebida pelo vidro;
senta as quantidades de calor absorvidas por dois b) a quantidade de calor absorvida pelo sistema para
corpos A e B, cujas massas estão relacionadas por uma elevação de 1,0 °C em sua temperatura.

74

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P. 65 (UFPE) Considere que uma pequena boca de fogão b) O aparelho de ar condicionado é acionado
a gás fornece tipicamente a potência de 250 cal/s. automaticamente quando a temperatura do
Supondo que toda a energia térmica fornecida é ambiente atinge 27 wC, abaixando-a para 25 wC.
transmitida a 200 g de água, inicialmente a 30 wC, Quanto tempo depois da chegada das pessoas
calcule o tempo, em segundos, necessário para no escritório o aparelho é acionado?
que a água comece a ferver. Considere a pressão
atmosférica de 1 atm e o calor específico da água
P. 70 (Unicamp-SP) Desconfiada de que o anel que ga-
igual a 1 cal/g 3 wC.
nhara do namorado não era uma liga de ouro de boa
qualidade, uma estudante resolveu tirar a dúvida,
P. 66 (Fuvest-SP) Um recipiente contendo 3.600 g de valendo-se de um experimento de calorimetria
água à temperatura inicial de 80 wC é posto num baseado no fato de que metais diferentes possuem
local onde a temperatura ambiente permanece diferentes calores específicos. Inicialmente, a estu-
sempre igual a 20 wC. Após 5 h o recipiente e a água dante deixou o anel de 4,0 g por um longo tempo
entram em equilíbrio térmico com o meio ambien- dentro de uma vasilha com água fervente (100 wC).
te. Durante esse período, ao final de cada hora, as Tirou, então, o anel dessa vasilha e o mergulhou em
seguintes temperaturas foram registradas para a um outro recipiente, bem isolado termicamente,
água: 55 wC, 40 wC, 30 wC, 24 wC e 20 wC. Dado o calor contendo 2,0 mc de água a 15 wC. Mediu a tempe-
específico da água (c 5 1,0 cal/g 3 wC), pede-se: ratura final da água em equilíbrio térmico com o
a) um esboço indicando valores nos eixos do gráfico anel. O calor específico da água é igual a 1,0 cal/g 3
da temperatura da água em função do tempo; wC, e sua densidade é igual a 1,0 g/cm3. Despreze a
b) em média, quantas calorias por segundo a água troca de calor entre a água e o recipiente.
transferiu para o ambiente. a) Sabendo-se que o calor específico do ouro é
cAu 5 0,03 cal/g 3 wC, qual deveria ser a temperatura
final de equilíbrio se o anel fosse de ouro puro?
P. 67 (Unicamp-SP) Em um aquário de 10 c, completamen- b) A temperatura final de equilíbrio medida pela
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

te cheio de água, encontra-se um pequeno aquece- estudante foi de 22 wC. Encontre o calor especí-
dor de 60 W. Sabendo-se que em 25 min a tempera- fico do anel.
tura da água aumentou de 2 wC, pergunta-se:
c) A partir do gráfico e da tabela abaixo, determine
a) Que quantidade de energia foi absorvida pela
qual é a porcentagem de ouro do anel e quantos
água?
quilates ele tem.
b) Que fração da energia fornecida pelo aquecedor
foi perdida para o exterior? 0,090
Calor específico (cal/ g • °C)

(Dados: calor específico da água 5 1 cal/g 3 wC; Liga de Au-Cu


densidade da água 5 1 kg/c; 1 cal 5 4,0 J)
0,075

P. 68 (Unicamp-SP) Para resfriar um motor de automóvel, 0,060


faz-se circular água por ele. A água entra no motor
a uma temperatura de 80 wC com vazão de 0,4 c/s,
e sai a uma temperatura de 95 wC. A água quente é 0,045
resfriada a 80 wC no radiador, voltando em seguida
para o motor através de um circuito fechado. 0,030
a) Qual é a potência térmica absorvida pela água ao 0 25 50 75 100
passar pelo motor? Considere o calor específico % de Au
da água igual a 4.200 J/kg 3 wC e sua densidade
igual a 1.000 kg/m3.
Liga de Au-Cu
b) Quando um “aditivo para radiador” é acrescenta-
do à água, o calor específico da solução aumenta % de Au Quilates
para 5.250 J/kg 3 wC, sem mudança na sua densi-
dade. Caso essa solução a 80 wC fosse injetada no 0 0
motor em lugar da água, e absorvesse a mesma Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
25 6
potência térmica, qual seria a sua temperatura
na saída do motor? 50 12

75 18
P. 69 (Unicamp-SP) Um escritório tem dimensões iguais
a 5 m # 5 m # 3 m e possui paredes bem isoladas. 100 24
Inicialmente a temperatura no interior do escritório
é de 25 wC. Chegam então as 4 pessoas que nele
trabalham, e cada uma liga seu microcomputador. P. 71 (UFRJ) Em um calorímetro ideal, há 98 g de água à
Tanto a pessoa como o microcomputador dissi- temperatura de 0 wC. Dois cubinhos metálicos são
pam em média 100 W cada, na forma de calor. introduzidos no calorímetro. Um deles tem massa
O aparelho de ar condicionado instalado tem a 8,0 g, calor específico 0,25 cal/g 3 wC e está à tempe-
capacidade de diminuir em 5 wC a temperatura do ratura de 400 wC. O outro tem 10 g de massa, calor
escritório em meia hora, com as pessoas presen- específico 0,20 cal/g 3 wC e está à temperatura de
tes e os micros ligados. A eficiência do aparelho 100 wC. Posteriormente, esse último cubinho é re-
é de 50%. Considere o calor específico do ar igual a tirado do calorímetro e verifica-se, nesse instante,
1.000 J/kg 3 wC e sua densidade igual a 1,2 kg/m3. que sua temperatura é 50 wC. Calcule a temperatura
a) Determine a potência elétrica consumida pelo final de equilíbrio da água e do cubinho que perma-
aparelho de ar condicionado. nece no calorímetro (dado: cágua 5 1,0 cal/g 3 wC).

75

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P. 72 (Vunesp) Uma zelosa “mãe de primeira viagem” garrafa térmica (calorímetro de capacidade
precisa preparar o banho do recém-nascido, mas térmica desprezível) contendo 100 g de água a
não tem termômetro. Seu pediatra disse que a 20 wC. Mediu a temperatura de equilíbrio entre
temperatura ideal para o banho é de 38 wC. Ela mora o objeto e a água e encontrou 31 wC.
à beira-mar e acabou de ouvir, pelo rádio, que a 2. Colocou novamente na estufa dois objetos metá-
temperatura ambiente é 32 wC. Como boa estudante licos idênticos ao anterior. Após o equilíbrio tér-
de Física, resolve misturar água fervente com água mico, colocou-os na garrafa térmica, contendo,
à temperatura ambiente, para obter a temperatura novamente, 100 g de água a 20 wC. Mediu a nova
desejada. temperatura de equilíbrio térmico entre os dois
a) Enuncie o princípio físico em que se baseia o objetos e a água e encontrou 40 wC.
seu procedimento. Admitindo-se que o indicador de temperatura da
b) Suponha que ela dispõe de uma banheira com estufa estivesse funcionando corretamente, qual
10 litros de água à temperatura ambiente. Cal- deveria ser a temperatura indicada na estufa?
cule qual é, aproximadamente, o volume de
água fervente que ela deve misturar à água da
banheira para obter a temperatura ideal. Admita P. 74 (UFU-MG) As temperaturas iniciais de uma massa
desprezível o calor absorvido pela banheira e m de um líquido A, 2m de um líquido B e 3m de um
que a água não transborde. líquido C são respectivamente iguais a 60 wC, 40 wC
e 20 wC. Misturando-se os líquidos A e C, a tempera-
tura de equilíbrio é 30 wC; misturando-se os líquidos
P. 73 (UFG-GO) Um biólogo, querendo verificar se estava B e C, a temperatura de equilíbrio é 25 wC.
correta a temperatura indicada por sua estufa, fez a) Qual é a temperatura de equilíbrio, quando se
a seguinte experiência: misturam os líquidos A e B?
1. Colocou um objeto metálico na estufa. Após o b) Se o calor específico do líquido C é 0,5 cal/g 3 wC,
equilíbrio térmico, colocou o objeto em uma qual é o calor específico do líquido B?

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


testes propostos
T. 72 (UEPB) Considere a seguinte situação: Com base no exposto, julgue as afirmações a
Um aluno pegou quatro recipientes contendo seguir.
água em temperaturas variadas. Em seguida mer- I. No recipiente com água fria ocorre transferên-
gulhou uma das mãos no recipiente com água fria cia de energia na forma de frio da água fria para
(5 wC) e a outra mão no recipiente com água morna a mão; e no recipiente com água morna ocorre
(45 wC). Após dois minutos, retirou-as e mergulhou transferência de energia na forma de calor da
imediatamente em outros dois recipientes com água morna para a mão.
água a temperatura ambiente (25 wC), conforme a
II. No recipiente com água fria ocorre transferên-
ilustração abaixo. Lembre-se de que a temperatura
cia de energia na forma de calor da mão para
do corpo humano é de aproximadamente 36 wC.
a água fria; e no recipiente com água morna
A ocorre transferência de energia na forma de
calor da água morna para a mão.
III. No recipiente com água fria ocorre transferência
de energia na forma de trabalho da água fria para
5 °C 25 °C 25 °C 45 °C a mão; e no recipiente com água morna ocorre
Unidade C • A energia térmica em trânsito

transferência de energia na forma de calor da


água morna para a mão.
B IV. No passo B (ver ilustração), a mão que sente
a maior diferença de temperatura é a mão
imersa na água fria. No passo C, apesar de
a água dos recipientes estar a uma mesma
temperatura (25 wC), a mão oriunda da água
25 °C 25 °C
fria passa uma sensação de ser colocada em
5 °C 45 °C uma água morna; e a outra mão, uma sensação
de água fria.
Estão corretas:
C
a) apenas II, III e IV.
b) apenas I, II e III.
c) apenas II e IV.
5 °C 45 °C d) apenas I e IV.
25 °C 25 °C e) todas as alternativas.

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T. 73 (Vunesp) A respeito da informação “O calor espe- tanto o corpo metálico como a água sofrem igual
cífico de uma substância pode ser considerado variação de temperatura. Durante a experiência,
constante e vale 3 J/g 3 wC”, três estudantes, I, II e não ocorre mudança do estado de agregação mo-
III, forneceram as explicações seguintes: lecular das duas substâncias. Sendo 1 cal/g 3 wC o
I. Se não ocorrer mudança de estado, a transfe- calor específico da água, o calor específico da liga
rência de 3 J de energia térmica para 1 g dessa metálica é:
substância provoca elevação de 1 wC na sua a) 0,20 cal/g 3 wC d) 0,35 cal/g 3 wC
temperatura. b) 0,25 cal/g 3 wC e) 0,40 cal/g 3 wC
II. Qualquer massa em gramas de um corpo cons- c) 0,30 cal/g 3 wC
truído com essa substância necessita de 3 J de
energia térmica para que sua temperatura se
eleve de 1 wC. T. 77 (UFRRJ) Um estudante de Física Experimental for-
III. Se não ocorrer mudança de estado, a transfe- nece calor a um certo corpo, inicialmente à tem-
rência de 1 J de energia térmica para 3 g dessa peratura de 10 wC. Ele constrói o gráfico indicado na
substância provoca elevação de 1 wC na sua figura, onde, no eixo vertical, registra as quantidades
temperatura. de calor cedidas ao corpo, enquanto, no eixo hori-
Dentre as explicações apresentadas: zontal, vai registrando a temperatura do corpo.
a) apenas I está correta.
b) apenas II está correta. Q (cal)
c) apenas III está correta.
d) apenas I e II estão corretas.
80
e) apenas II e III estão corretas.

40
T. 74 (Ufes) Dois objetos, A e B, são constituídos do mes-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mo material e recebem a mesma quantidade de


calor. Observa-se que a variação da temperatura do
objeto A é o dobro da variação da temperatura 0 10 20 30 θ (°C)
do objeto B. Podemos, então, afirmar que:
a) a capacidade térmica de B é o dobro da de A.
Consideremos agora um outro corpo, com o dobro
b) o calor específico de B é o dobro do de A. da massa do primeiro, feito da mesma substância e
c) a capacidade térmica de A é o dobro da de B. também inicialmente a 10 wC. Com base no gráfico,
d) o calor específico de A é o dobro do de B. podemos dizer que, fornecendo uma quantidade
e) os dois objetos têm coeficiente de dilatação de calor igual a 120 calorias a esse outro corpo, sua
térmica diferente. temperatura final será de:
a) 18 wC c) 40 wC e) 25 wC
b) 20 wC d) 30 wC
T. 75 (UCSal-BA) A massa, a temperatura e o calor espe-
cífico de cinco amostras de materiais sólidos estão
apresentados na tabela. T. 78 (Vunesp) O gráfico representa a temperatura em
função do tempo de um líquido aquecido em um
calorímetro.
Calor
Massa Temperatura
Amostra específico
(g) (wC) Temperatura (°C)
(cal/g 3 wC)

1 10 80 0,20 57
54
2 20 70 0,10 51
48
3 15 80 0,10 45 Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
42
4 30 60 0,05 39
36
5 20 50 0,20 33
30
27
Essas amostras são, simultaneamente, imersas em 24
um recipiente com água, atingindo rapidamente
o equilíbrio térmico a 30 wC. Dentre essas, a que
0 1 2 3 4 5 6 Tempo (min)
cedeu maior quantidade de calor para a água foi a
amostra de número:
a) 4 c) 3 e) 1 Considerando-se desprezível a capacidade térmica
do calorímetro e que o aquecimento foi obtido atra-
b) 5 d) 2
vés de uma resistência elétrica, dissipando energia
à taxa constante de 120 W, a capacidade térmica
T. 76 (Mackenzie-SP) No laboratório de Física, um es- do líquido vale:
tudante observa que, fornecendo a mesma quan- a) 12 J/wC d) 600 J/wC
tidade de calor a um corpo de 400 g de certa liga b) 20 J/wC e) 1.200 J/wC
metálica e a uma massa de água líquida de 100 g, c) 120 J/wC

77

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 77 22.08.09 08:54:41


T. 79 (Uniube-MG) Uma fonte térmica fornece 55 cal/s T. 82 (UFF-RJ)
com potência constante. Um corpo de massa 100 g Duelo de Gigantes
absorve totalmente a energia proveniente da fonte
O Rio Amazonas é o maior rio do mundo em volume
e tem temperatura variando em função do tempo,
de água, com uma vazão em sua foz de, aproxima-
conforme o gráfico.
damente, 175 milhões de litros por segundo. A usina
θ (°C) hidroelétrica de Itaipu (foto) também é a maior do
mundo, em operação. A potência instalada da usina
é de 12,6 # 109 W.
45

20

0 10 t (s)

A capacidade térmica desse corpo e o calor es-


pecífico da substância de que é constituído são,
respectivamente, iguais a:
a) 2,2 cal/ wC e 0,022 cal/g 3 wC
b) 2,2 cal/ wC e 0,22 cal/g 3 wC
c) 2,2 cal/ wC e 2,2 cal/g 3 wC
d) 22 cal/ wC e 0,22 cal/g 3 wC
e) 22 cal/ wC e 0,022 cal/g 3 wC Suponha que toda essa potência fosse utilizada
para aquecer a água que flui pela foz do Rio Ama-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


zonas, sem que houvesse perdas de energia.Nesse
T. 80 (UFSC) O gráfico representa a quantidade de calor caso, a variação de temperatura dessa água, em
absorvida por dois objetos, A e B, ao serem aque- graus Celsius, seria da ordem de:
cidos, em função de suas temperaturas. a) 1022
Q (cal) b) 1021
c) 100
A d) 101
B
e) 102
400
Calor específico da água: 1,0 cal/g 3 wC
Densidade da água: 1,0 g/cm3
0 10 20 θ (°C) 1 cal 5 4,2 J

Observe o gráfico e assinale a(s) proposição(ões)


correta(s). T. 83 (Fuvest-SP) Dois recipientes iguais A e B, conten-
01) A capacidade térmica do objeto A é maior que do dois líquidos diferentes, inicialmente a 20 wC,
a do objeto B. são colocados sobre uma placa térmica, da qual
recebem aproximadamente a mesma quantidade
02) A partir do gráfico é possível determinar as
de calor. Com isso, o líquido em A atinge 40 wC,
capacidades térmicas dos objetos A e B.
enquanto o líquido em B, 80 wC.
04) Pode-se afirmar que o calor específico do ob-
jeto A é maior que o do objeto B. A B
08) A variação de temperatura do objeto B, por ca- Placa
loria absorvida, é maior que a variação de tem- térmica
peratura do objeto A, por caloria absorvida.
16) Se a massa do objeto A for de 200 g, seu calor
Unidade C • A energia térmica em trânsito

Fase inicial
específico será 0,2 cal/g 3 wC.
Dê como resposta a soma dos números que prece-
A B
dem as afirmativas corretas.

T. 81 (UFG-GO) O cérebro de um homem típico, saudável


e em repouso, consome uma potência de aproxima-
damente 16 W. Supondo que a energia gasta pelo Fase final
cérebro em 1 min fosse completamente usada para
aquecer 10 mc de água, a variação de temperatura Se os recipientes forem retirados da placa e seus
seria de, aproximadamente: líquidos misturados, a temperatura final da mistura
ficará em torno de:
Densidade da água: 1,0 3 103 kg/m3 a) 45 wC
Calor específico da água: 4,2 3 103 J/kg 3 wC b) 50 wC
c) 55 wC
a) 0,5 wC c) 11 wC e) 48 wC d) 60 wC
b) 2 wC d) 23 wC e) 65 wC

78

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 78 22.08.09 08:54:42


T. 84 (ITA-SP) Numa cozinha industrial, a água de um O calor específico cA do material A vale:
caldeirão é aquecida de 10 wC a 20 wC, sendo mis- a) 0,44 cal/g 3 wC
turada, em seguida, à água a 80 wC de um segundo b) 0,33 cal/g 3 wC
caldeirão, resultando 10 c de água a 32 wC, após a c) 0,22 cal/g 3 wC
mistura. Considere que haja troca de calor apenas
d) 0,11 cal/g 3 wC
entre as duas porções de água misturadas e que a
e) 0,06 cal/g 3 wC
densidade absoluta da água, de 1 kg/c, não varia
com a temperatura, sendo, ainda, seu calor espe-
cífico c 5 1,0 cal 3 g21 3 wC21. A quantidade de calor T. 87 (Mackenzie-SP) Um calorímetro de capacidade
recebida pela água do primeiro caldeirão ao ser térmica 5,0 cal/wC contém 200 g de água (calor es-
aquecida até 20 wC é de: pecífico 5 1,0 cal/g 3 wC) a 20 wC. Ao colocarmos um
a) 20 kcal bloco metálico de 500 g à temperatura de 100 wC
b) 50 kcal no interior desse calorímetro, observamos que o
c) 60 kcal sistema atinge o equilíbrio térmico a 60 wC. O calor
d) 80 kcal específico do metal que constitui esse bloco, em
cal/g 3 wC, é:
e) 120 kcal
a) 0,30
b) 0,36
T. 85 (Mackenzie-SP) Em um experimento, dispõe-se c) 0,41
de um bloco metálico de capacidade térmica d) 0,46
80 cal/wC, à temperatura de 100 wC. Esse bloco é
e) 0,52
colocado no interior de um calorímetro de capa-
cidade térmica 8 cal/wC, que contém 200 g de água

@ cal
#
c 5 1 ______ a 20 wC. Sabendo que o equilíbrio tér-
g 3 wC
T. 88 (E. Naval-RJ) Um bloco metálico A encontra-se,
inicialmente, à temperatura J wC. Sendo colocado
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mico ocorre a 40 wC, podemos afirmar que a quanti- em contato com outro bloco B de material diferente,
dade de energia térmica dissipada pelo calorímetro mas de mesma massa, inicialmente a 0 wC, verifica-
foi de: -se, no equilíbrio térmico, que a temperatura dos
a) 280 cal dois blocos é de 0,75 J wC. Supondo que só houve
b) 340 cal troca de calor entre os dois corpos, a relação entre
c) 480 cal
d) 520 cal 1
@ #
cA
os calores específicos dos materiais A e B __ é:
cB
a) __
e) 640 cal 4
b) 4
c) 0,4
T. 86 (UFC-CE) Uma quantidade m do material A, de calor
d) 40
específico desconhecido, foi posta em contato térmi-
co com igual quantidade m do material B, cujo calor e) 3
específico é cB 5 0,22 cal/g 3 wC. Os materiais em con-
tato foram isolados termicamente da vizinhança,
T. 89 (Fuvest-SP) Dois recipientes iguais, A e B, contêm,
e a temperatura de cada um foi medida ao longo
respectivamente, 2,0 litros e 1,0 litro de água à
do tempo até o equilíbrio térmico entre eles ser
temperatura de 20 wC. Utilizando um aquecedor
atingido. A figura mostra os gráficos de temperatura
elétrico, de potência constante, e mantendo-o li-
versus tempo, resultantes dessas medidas.
gado durante 80 s, aquece-se a água do recipiente
θ (°C) A até a temperatura de 60 wC. A seguir, transfere-se
1,0 litro de água de A para B, que passa a conter 2,0
100 litros de água à temperatura J. Essa mesma situa-
ção final, para o recipiente B, poderia ser alcançada
80
colocando-se 2,0 litros de água a 20 wC em B e, a
60 seguir, ligando-se o mesmo aquecedor elétrico em Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
Material A B, mantendo-o ligado durante um tempo aproxi-
40 mado de:
a) 40 s
20
Material B b) 60 s
0 c) 80 s
15 30 45 60 75 t (min) d) 100 s
–20
e) 120 s

79

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A experiência de Joule

Para chegar ao equivalente mecânico do calor, James Prescott


Joule realizou uma série de experiências. A mais conhecida delas,
apresentada em 1845 numa monografia à Royal Society, consistia
de uma série de pás girantes fixadas em torno de um eixo ver-
tical, colocadas em uma cuba termicamente isolada do exterior,
imersas em água.
O dispositivo utilizado por Joule está ilustrado, esquemati-
camente, na figura ao lado. O movimento de rotação das pás
é obtido com o auxílio de um molinete, o qual é acionado pela
queda de dois blocos. A velocidade de rotação do eixo vertical
permanece praticamente constante, devido à grande resistência
da água ao movimento das pás. Sendo assim, a energia cinética
dos blocos também praticamente não varia durante a queda, mas
a energia potencial deles é totalmente transformada em energia
térmica; em consequência, a água se aquece. Utilizando-se um
termômetro de precisão, mede-se a variação de temperatura
sofrida pelo líquido.
Desse modo, sendo conhecido o peso P de cada bloco e a
altura de queda H, é possível determinar a energia potencial E

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


dos blocos à altura H:
E 5 2P 3 H

Sendo m a massa de água, c seu calor específico e SJ a variação de temperatura, a quantidade de calor Q ab-
sorvida pela água no processo será dada por:
Q 5 m 3 c 3 SJ
Comparando as duas quantidades, é possível estabelecer a relação entre a unidade da energia mecânica (joule)
e a unidade da quantidade de calor (caloria):

1 cal 5 4,1868 J

Originalmente, os pesos utilizados por Joule tinham 4 libras cada um, caíam de uma altura de 12 jardas e a
velocidade de queda era de 1 pé por segundo. A operação foi repetida dezesseis vezes e a temperatura da água foi
determinada com o auxílio de um termômetro sensível, capaz de detectar diferenças de temperatura de 1 centésimo
de grau Fahrenheit. Todas essas unidades são do sistema inglês.
O valor do equivalente mecânico do calor (como então foi chamado) encontrado por Joule foi, em unidades
de hoje, 4,15 joules* para 1 caloria — um valor bem aceitável para as condições em que os experimentos foram
realizados. O valor exato dessa equivalência foi obtido posteriormente, fruto de experiências mais cuidadosa-
Unidade C • A energia térmica em trânsito

mente conduzidas.

Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/joule/joule.htm (acesso em julho/2009),


você poderá reproduzir, por meio de uma simulação, a experiência de Joule, com a transformação de energia mecânica em calor.

Conteúdo digital Moderna PLUS http://www.modernaplus.com.br


Animação: A experiência de Joule

* O nome joule (J), que designa a unidade de energia no SI, foi atribuído em homenagem ao cientista, em 1889.
80

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 80 22.08.09 08:54:44


exercícios especiais de Calorimetria

c (cal/g • °C)
ExERCíCioS RESoLvidoS
0,42
0,30
R.26 O calor específico de uma substância no estado
líquido varia com a temperatura, sob pressão A
constante, segundo o gráfico. Determine a quan-
tidade de calor necessária para aquecer 50 g
0 10 70 θ (°C)
dessa substância entre 10 wC e 70 wC.
Q 0,42 1 0,30 Q
c (cal/g • °C) A 5 __ 5 ___________ 3 (70 2 10) ] __ 5 0,36 3 60 ]
0,42 m 2 m
0,30 Q
] ___ 5 21,6 ] Q 5 1.080 cal
50

R.27 De que altura deve cair, partindo do repouso, um


0 10 70 θ (°C) corpo de massa 2 kg, para que sua temperatura
se eleve de 5 wC ao se chocar inelasticamente com
Solução: o chão? Admita que somente o corpo absorva a
Como o calor específico é variável, não se pode usar energia térmica desprendida. O calor específico do
diretamente a equação fundamental da Calorime- material do corpo é 0,04 cal/g 3 wC.
tria Q 5 mcSJ. No caso, como a variação do calor Adote g 5 10 m/s2 e 1 cal 5 4 J.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

específico é linear com a temperatura, pode-se


Solução:
adotar no intervalo considerado o calor específico
A energia potencial gravitacional do corpo (E p)
médio como a média aritmética dos calores espe-
em relação ao solo vai se converter totalmente em
cíficos extremos. Então:
calor (Q ) que aquece o corpo:
0,30 1 0,42 Ep 5 Q
cM 5 ___________ ] cM 5 0,36 cal/g 3 wC
2 Sendo Ep 5 mgh e Q 5 m 3 c 3 SJ, vem:
Aplica-se agora a equação fundamental da Calo-
c 3 SJ
rimetria usando-se esse valor médio para o calor mgh 5 m 3 c 3 SJ ] h 5 ______
g
específico (Q 5 m 3 cM 3 SJ).
Sendo m 5 50 g e SJ 5 70 wC 2 10 wC 5 60 wC, temos: No entanto, para que essa fórmula possa ser usada,
o calor específico deve ser expresso em J/kg 3 wC.
Q 5 50 3 0,36 3 60 ] Q 5 1.080 cal Assim:
cal 4J
Resposta: 1.080 calorias c 5 0,004 _____ 5 0,04 3 ___________ 5 160 J/kg 3 °C
g3C 1023 kg 3 wC
Observação: 160 3 5
Outra solução (mais geral, pois pode ser usada Portanto: h 5 _______ ] h 5 80 m
10
mesmo que a variação do calor específico não seja
Resposta: 80 m
linear) seria a utilização de uma propriedade do
gráfico c # J.
Se o calor específico fosse constante, teríamos o R. 28 Uma bala de chumbo de 5 g de massa move-se a
gráfico abaixo. uma velocidade de 40 m/s no instante em que se
choca com uma parede, ficando nela inscrustada.
c Supondo que toda a energia mecânica da bala tenha
c se convertido em calor que a aqueceu, determine sua
elevação de temperatura (dados: calor específico do Capítulo 4 • Calor: energia térmica em trânsito
A chumbo 5 0,03 cal/g 3 wC; g 5 10 m/s2; 1 cal 5 4,18 J).
Solução:
0 ∆θ θ A energia cinética da bala se converte, com o im-
pacto, no calor que vai aquecê-la:
A área destacada, no intervalo de temperatura SJ, Ec 5 Q
seria dada numericamente por: mv2
A 5 c 3 SJ Sendo Ec 5 ____ e Q 5 m 3 c 3 SJ, vem:
2
Mas, da equação fundamental, obtemos: mv 2
v2
____ 5 m 3 c 3 SJ ] SJ 5 ___
Q 2 2c
Q 5 m 3 c 3 SJ ] __ 5 c 3 SJ
m Para usar essa fórmula, o calor específico deve estar
Q em J/kg 3 wC. Então:
Comparando: A 5 __ (numericamente) cal 4,18 J
m c 5 0,03 3 ______ 5 0,03 3 ___________ 5 125,4 J/kg 3 °C
g 3 wC 1023 kg 3 wC
Essa propriedade pode ser generalizada para qual-
(40)2
quer gráfico que forneça a variação do calor espe- Assim: SJ 5 _________ ] SJ 7 6,38 wC
cífico com a temperatura. Para o caso do problema 2 3 125,4
apresentado: Resposta: 7 6,38 wC

81

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 81 22.08.09 08:54:45


exercícios propostos
P. 75 Suponha que o calor específico de uma substância P. 79 (AFA-SP) A figura apresenta o esquema simplificado
varie com a temperatura segundo o gráfico. Determi- da experiência de Joule. O bloco tem massa 10 kg
ne a quantidade de calor necessária para aquecer 60 g e está a uma altura h 5 4,20 m. Quando ele cai,
dessa substância no intervalo de temperaturas produz o movimento das pás, mergulhadas em
considerado. 1 kg de água.

c (cal/g • °C)
0,5

0,3

h
0 10 22 θ (°C)

P. 76 Vamos supor que o calor específico de uma subs- Supondo que toda a variação de energia potencial
tância varie num certo intervalo de temperatura gravitacional do sistema foi transformada em ca-
obedecendo ao gráfico abaixo. lor, considerando cágua 5 1 cal/g 3 wC, 1 cal 5 4,2 J e
g 5 10 m/s2, determine a variação de temperatura
c (cal/g • °C) da água.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


0,27
0,22 P. 80 (UFRJ) Um recipiente de capacidade térmica des-
prezível contém 1 kg de um líquido extremamente
viscoso. Dispara-se um projétil de 2 3 1022 kg que,
ao penetrar no líquido, vai rapidamente ao repou-
so. Verifica-se então que a temperatura do líquido
sofre um acréscimo de 3 wC. Sabendo que o calor
0 20 40 θ (°C) específico do líquido é 3 J/kg 3 wC, calcule a veloci-
dade com que o projétil penetra no líquido.
a) Determine a quantidade de calor necessária
para aquecer 150 g da substância de 0 a 40 wC.
P. 81 (Uerj) Um corpo de massa 2,0 kg é lançado do ponto
b) Qual é o calor específico médio da substância
A, conforme indicado na figura, sobre um plano
no intervalo de temperaturas considerado?
horizontal, com uma velocidade de 20 m/s. Em
seguida, sobe uma rampa até atingir uma altura
P. 77 (Unifei-MG) As experiências básicas para a obtenção máxima de 2,0 m, no ponto B (dado: g 5 10 m/s2).
do equivalente mecânico da caloria foram reali-
zadas durante um período de quase 30 anos pelo B
cervejeiro e cientista amador inglês James Prescott
Joule. Mesmo em lua de mel, Joule foi encontrado,
munido de um imenso termômetro, subindo ao 2,0 m
topo de uma cachoeira. Queria verificar a diferen-
ça de temperatura que a água deveria apresentar, A
conforme seus cálculos, entre o início e o fim da
Sabe-se que o calor gerado no processo foi todo
queda (para as Cataratas do Niágara, ele estimou
absorvido pelo corpo e que um termômetro sensível
essa diferença em aproximadamente 0,2 wC).
ligado ao corpo acusa uma variação de temperatura
(Dados: 1 cal 5 4,18 J; c 5 1 cal/g 3 wC; g 5 10 m/s2)
de 1 wC.
a) De que altura devem cair 10 g de água para que
Unidade C • A energia térmica em trânsito

a) Determine o calor específico médio do material


a sua temperatura aumente 1 wC? (admita que
que constitui o corpo, em J/kg 3 wC.
toda a energia potencial da água é transformada
em energia interna quando a água se choca com b) Indique se a altura máxima atingida pelo corpo,
o chão). caso não houvesse dissipação de energia, seria
maior, menor ou igual a 2,0 m. Justifique sua
b) E 100 g de água?
resposta.

P. 78 (Olimpíada Brasileira de Física) Uma bola de massa


m, cuja velocidade inicial é vi 5 20 m/s, sofre a ação P. 82 (Mackenzie-SP) Um martelo com 2 kg de massa é
de uma força aceleradora constante de 15 N, durante usado para golpear um bloco de chumbo de massa
um percurso retilíneo de 10 m. Ao final do percurso 5 kg, cuja temperatura se eleva de 20 wC a 30 wC após
a bola se choca inelasticamente com uma parede, ter recebido 50 golpes. Admita que 80% da energia
produzindo, entre outros efeitos, deformação e calor. mecânica seja retida pelo chumbo. Determine:
Suponha que apenas 50% da energia cinética da bola a) a altura de queda equivalente do martelo em
seja convertida em calor e que 75% deste calor seja cada golpe;
absorvido pela bola. Se o calor específico da bola vale b) a velocidade do martelo no momento do golpe.
0,2 J/g 3 wC e o aumento de temperatura da bola foi (Dados: calor específico do chumbo 5
de 6 wC, qual é a massa da bola? 5 0,031 cal/g 3 wC; g 5 10 m/s2; 1 cal 5 4,18 J)

82

V2_P1_UN_C_CAP_04.indd 82 22.08.09 08:54:47


uNidade c

Capítulo

5
Mudanças de fase

D enomina-se fase de uma substância o seu es-


tado de agregação, que pode ser sólido, líquido
ou gasoso. As mudanças de fase em substâncias pu-
ras têm lugar a pressões e temperaturas definidas.
A mudança na temperatura
A quantidade de calor necessária para produzir uma
de uma substância pode ser
mudança de fase chama-se calor latente. Em uma
acompanhada por uma série
erupção vulcânica podemos observar que rochas no
de modificações perceptíveis
ou não a olho nu. estado líquido, a lava, após o seu resfriamento, tor-
nam-se sólidas e passam a formar o solo do local
Dentre tais modificações,
atingido pela erupção.
podemos destacar as
mudanças de estado físico,
que acontecem em pressões e
temperaturas características
para cada uma das
substâncias.

5.1 Considerações gerais


Em determinadas condições
de pressão e temperatura, uma
substância pode passar de uma
fase para outra.

5.2 Quantidade de
calor latente
A quantidade
de calor latente
necessária para
que ocorra uma
mudança de fase
depende da massa
e da natureza da
substância.

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 83 22.08.09 09:20:36


Seção 5.1 Considerações gerais
Objetivos Como vimos no Capítulo 1, uma substância pura pode se apresentar
Caracterizar os em três fases ou estados de agregação: sólido, líquido e gasoso. A água,
estados de agregação por exemplo, pode estar, conforme as condições, na fase sólida (gelo), na
de uma substância. fase líquida (água líquida) ou na fase gasosa (vapor-d’água).
Analisar as mudanças Na fase gasosa, a substância não apresenta nem forma nem volume
de fase de uma definidos. As forças de coesão entre as moléculas são pouco intensas,
substância considerando permitindo-lhes grande liberdade de movimentação.
suas características Na fase líquida, as distâncias médias entre as moléculas são bem meno-
microscópicas. res que nos gases à mesma pressão. No entanto, o fato de a forma do líquido
ser facilmente variável indica que suas moléculas ainda possuem certa liber-
Termos e conceitos dade de movimentação. A menor distância intermolecular, porém, faz com
• distância que as forças de coesão entre as moléculas sejam mais intensas no líquido.
intermolecular Do mesmo modo que nos gases, podemos estabelecer que as moléculas do
• força de coesão líquido possuem energia cinética média dependente da temperatura.
• retículo cristalino Na fase sólida, as moléculas estão dispostas com regularidade, num
arranjo especial denominado retículo cristalino. As forças de coesão são

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


intensas, permitindo às moléculas apenas ligeiras vibrações em torno
de suas posições na estrutura do material. Os sólidos possuem forma e
volume bem definidos.

A distribuição das moléculas em um cristal de neve determina sua bela forma.


Unidade C • A energia térmica em trânsito

Na figura 1, representamos as três fases de uma substância e suas


características macroscópicas.

Sólido – forma e Líquido – volume definido; Gasoso – volume e


volume definidos forma do recipiente forma do recipiente
Figura 1. As fases ou estados de agregação de uma substância.

84

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 84 22.08.09 09:20:38


Em determinadas condições de pressão e temperatura, uma substância pode passar de
uma fase para outra, ocorrendo então uma mudança de fase ou mudança de estado de
agregação. As mudanças de fase possíveis a uma substância e seus respectivos nomes estão
representados na figura 2.

Líquido

Va
po
Co ique

riz
(l
nd faç


são

en ão

ão
ão
Fu

saç )

ific

ão
lid
So
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sublimação
Sólido Gasoso
Sublimação (cristalização)
Figura 2. As mudanças de fase de uma substância.

Quando um sólido cristalino recebe calor, suas moléculas passam a se agitar mais inten-
samente. À temperatura de fusão, a agitação térmica é suficientemente forte para destruir a
estrutura cristalina. As moléculas adquirem energia suficiente para se livrarem das adjacentes,
passando a ter a liberdade de movimento característica dos líquidos.
Durante a fusão, a temperatura não varia, pois o calor trocado ao longo do processo cor-
responde à energia necessária para desfazer o retículo cristalino do sólido.
Terminada a fusão, aquecendo-se o líquido formado, a temperatura volta a aumentar, isto é,
aumenta a agitação de suas moléculas. Uma vez alcançada a temperatura de ebulição, o calor
recebido pelo líquido corresponde à energia necessária para vencer as forças de coesão entre
as moléculas: o líquido ferve, e a temperatura não varia durante esse processo.

A B C

(A) Ferro líquido: a fusão do ferro ocorre a 1.535 wC, sob pressão normal. (B) Nitrogênio líquido: a condensação
do nitrogênio ocorre a 195,8 wC, sob pressão normal. (C) O vapor de água que sai do bico da chaleira é invisível.
Ao se afastar, o vapor se resfria e se condensa, formando a “fumaça”, constituída de gotículas de água líquida.

85

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 85 22.08.09 09:20:40


Seção 5.2 Quantidade de calor latente
Objetivos Imaginemos um recipiente contendo gelo inicialmente a 0 wC (fig. 3A).
Analisar o que ocorre Se colocarmos esse sistema em presença de uma fonte de calor (fig. 3B),
com a temperatura notaremos que, com o passar do tempo, o gelo se transforma em água
durante as mudanças líquida (fusão do gelo), mas a temperatura durante a fusão permanece
de fase. constante (0 wC). Assim, o sistema está recebendo calor da fonte, mas a
Conceituar temperatura não varia.
calor latente.
A B C
Construir e analisar 0 °C 0 °C 0 °C
curvas de aquecimento
e de resfriamento de
diferentes materiais.

Termos e conceitos
• curva de aquecimento
• curva de resfriamento
• calor latente

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Figura 3. Enquanto o gelo derrete, a temperatura se mantém em 0 wC, sob pressão
normal.

Quando o gelo derrete, verifica-se que ele deve receber, por gra-
ma, 80 calorias, mantendo-se a temperatura constante em 0 wC. Essa
quantidade (80 cal/g) é denominada calor latente de fusão do gelo:
LF 5 80 cal/g. Assim:

Calor latente* L de uma mudança de fase é a quantidade de calor que


a substância recebe (ou cede), por unidade de massa, durante a
transformação, mantendo-se constante a temperatura.

Já vimos que, para um corpo que recebe calor, a quantidade de calor


trocado é positiva (Q  0); e, para aquele que cede calor, a quantidade
trocada é negativa (Q  0). Do mesmo modo, o calor latente poderá ser
positivo ou negativo, conforme a mudança de fase ocorra com ganho ou
perda de calor. Por exemplo:

Fusão do gelo (a 0 wC) LF 5 80 cal/g


Unidade C • A energia térmica em trânsito

Solidificação da água (a 0 wC) LS 5 80 cal/g

Vaporização da água (a 100 wC) LV 5 540 cal/g

Condensação do vapor (a 100 wC) LC 5 540 cal/g

De modo geral, para a massa m de um material sofrendo mudança de


fase, de calor latente L, a quantidade total de calor Q trocada no processo
pode ser calculada pela fórmula:

Q5m3L

* de 1 g. Entretanto, já está consagrado pelo uso falar-se apenas em calor latente, omitindo-se
Na verdade, o que se define é um calor latente específico, uma vez que se refere à massa

o termo “específico”.

86

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 86 22.08.09 09:20:42


1 Curvas de aquecimento e de resfriamento
Vamos supor que tenhamos, num recipiente, certa massa
de gelo inicialmente a 20 wC, sob pressão normal. Se levar- –20 °C
mos esse sistema ao fogo (fig. 4), acompanhando como varia
a temperatura no decorrer do tempo, veremos que o proces-
so todo pode ser dividido em cinco etapas distintas:
A) aquecimento do gelo de 20 wC a 0 wC;
B) fusão do gelo a 0 wC;
C) aquecimento da água líquida de 0 wC a 100 wC; Figura 4. Aquecimento de gelo a
partir de 20 wC.
D) vaporização (fervura) da água líquida a 100 wC;
θ (°C)
E) aquecimento do vapor acima de 100 wC (possível so- 100
D E
mente se o confinarmos em um recipiente adequado).
Essas várias etapas podem ser “visualizadas” num
gráfico cartesiano, em que se colocam os valores da tem- C
peratura no eixo das ordenadas e a quantidade de calor
B
trocado no eixo das abscissas (fig. 5). O conjunto das 0 A Q
retas obtidas nesse gráfico recebe o nome de curva de –20
aquecimento da água. Figura 5. Curva de aquecimento da
Se considerarmos o processo inverso, com perda de calor água sob pressão normal.
de um sistema constituído por vapor-d’água inicialmente a
θ (°C)
110 wC, sob pressão normal, obteremos a curva de resfria-
mento da água (fig. 6), com as seguintes etapas: 110 A B
100
A) resfriamento do vapor de 110 wC a 100 wC;
C
B) condensação (liquefação) do vapor a 100 wC;
C) resfriamento da água líquida de 100 wC a 0 wC; D
0 E Q
D) solidificação da água a 0 wC;
Figura 6. Curva de resfriamento da
E) resfriamento do gelo abaixo de 0 wC. água sob pressão normal.

exercícios resolvidos
R. 29 Temos inicialmente 200 gramas de gelo a 10 wC. Determine a quantidade de calor que essa
massa de gelo deve receber para se transformar em 200 g de água líquida a 20 wC. Trace a curva
de aquecimento do processo (dados: calor específico do gelo 5 0,5 cal/g 3 wC; calor específico da
água 5 1 cal/g 3 wC; calor latente de fusão do gelo 5 80 cal/g).
Solução:
Ao se transformar o gelo, a 10 wC, em água a 20 wC, ocorre a fusão do gelo na temperatura de
0 wC. Portanto, o processo deve ser subdividido em três etapas. Esquematicamente:
Capítulo 5 • Mudanças de fase

Gelo a Gelo a Água a Água a


–10 °C –10 °C 0 °C 0 °C 20 °C
0 °C 0 °C 20 °C

∆θ = 10 °C Fusão ∆θ = 20 °C

87

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 87 22.08.09 09:20:43


1a etapa: aquecimento do gelo (m 5 200 g; SJ1 5 0 wC  (10 wC) 5 10 wC; c1 5 0,5 cal/g 3 wC)

Q 1 5 m 3 c1 3 SJ1 5 200 3 0,5 3 10 ] Q 1 5 1.000 cal

2a etapa: fusão do gelo (m 5 200 g; LF 5 80 cal/g)

Q 2 5 m 3 LF 5 200 3 80 ] Q 2 5 16.000 cal

3a etapa: aquecimento da água líquida (m 5 200 g; SJ3 5 20 wC  0 wC 5 20 wC; c3 5 1 cal/g 3 wC)

Q 3 5 m 3 c3 3 SJ3 5 200 3 1 3 20 ] Q 3 5 4.000 cal

A quantidade total de calor Q será dada pela soma: Q 5 Q 1 1 Q 2 1 Q 3

Q 5 1.000 1 16.000 1 4.000 ] Q 5 21.000 cal

Com os dados deste exercício, podemos traçar θ (°C)


a curva de aquecimento do sistema.
No eixo das ordenadas, lançamos as tem-
peraturas indicadas pelo termômetro, e no 20
eixo das abscissas, a quantidade de calor
fornecida pela fonte. A primeira reta inclinada Líquido
10
Q1
corresponde ao aquecimento do gelo, a reta Q2 Q3
coincidente com o eixo das abscissas indica a

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


fusão do gelo e a segunda reta inclinada cor- 0 1.000 (Fusão) 17.000 21.000 Q (cal)
responde ao aquecimento da água resultante Sólido
–10
da fusão.
Tem-se:
Q 1 5 1.000 cal
Q 2 5 17.000 cal  1.000 cal 5 16.000 cal
Q 3 5 21.000 cal  17.000 cal 5 4.000 cal
Resposta: O sistema deve receber 21.000 cal ou 21 kcal.

R. 30 Fez-se uma cavidade num grande bloco de gelo a 0 wC e no seu interior colocou-se um corpo sólido
de massa 16 g a 100 wC. Estando o sistema isolado termicamente do meio exterior, verificou-se,
após o equilíbrio térmico, que se formaram 2,5 g de água líquida. Determine o calor específico
do material que constitui o corpo. É dado o calor latente de fusão de gelo: 80 cal/g.

Solução:
A temperatura final de equilíbrio térmico é 0 wC. Enquanto o corpo perde calor e sua temperatura
cai de 100 wC para 0 wC, o gelo recebe calor e a massa de 2,5 g se derrete, sofrendo fusão sem
variação de temperatura. Esquematicamente:

Gelo a 0 °C 100 °C Corpo

Ao ceder calor
para o gelo, o
Unidade C • A energia térmica em trânsito

corpo sofre
redução de
temperatura.
0 °C
Gelo Água líquida
Ao receber
calor do corpo,
o gelo a 0 °C
sofre fusão.

Dispondo os dados em uma tabela, temos:

m c Ji Jf SJ

(1) Corpo 16 g x5? 100 wC 0 wC 100 wC

(2) Fusão do gelo 2,5 g LF 5 80 cal/g

88

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Cálculo das quantidades de calor:

Q 1 5 m 3 c 3 SJ 5 16 3 x (100) ] Q 1 5 1.600x

Q 2 5 m 3 LF 5 2,5 3 80 ] Q 2 5 200 cal

Como Q 1 1 Q 2 5 0, temos:

1.600x 1 200 5 0 ] 200 5 1.600x ] x 5 0,125 cal/g 3 wC

Resposta: 0,125 cal/g 3 wC

R. 31 Uma pedra de gelo a 0 wC é colocada em 200 g de água a 30 wC, num recipiente de capacidade
térmica desprezível e isolado termicamente. O equilíbrio térmico se estabelece em 20 wC (dados:
calor específico da água c 5 1,0 cal/g 3 wC; calor latente de fusão do gelo L 5 80 cal/g). Qual é a
massa da pedra de gelo?
Solução:
Ao receber calor da água, o gelo se derrete. Terminada a fusão, a água resultante continua re-
cebendo calor, tendo sua temperatura se elevado de 0 wC para 20 wC. Enquanto isso, a água do
recipiente perde calor e sua temperatura cai de 30 wC para 20 wC. Graficamente, essas ocorrências
podem ser assim representadas:

θ (°C) θ (°C)

30 30 Água
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

20 20

10 Água
(Fusão)
0 t 0 t

Esquematicamente:

Água líquida
30 °C
Equilíbrio
20 °C
térmico
10 °C
(Fusão)
0 °C
Gelo Água
líquida

Dispondo os dados em uma tabela, para facilitar os cálculos, temos:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Fusão do gelo x5? LF 5 80 cal/g

Água da fusão x5? 1,0 0 wC 20 wC 20 wC

Água do recipiente 200 g 1,0 30 wC 20 wC 10 wC

Cálculo das quantidades de calor trocadas


Capítulo 5 • Mudanças de fase

Fusão do gelo: Q 1 5 m 3 LF 5 x 3 80 ] Q 1 5 80x


Aquecimento da água resultante da fusão: Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 x 3 1,0 3 20 ] Q 2 5 20x
Resfriamento da água do recipiente: Q 3 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 1,0 3 (10) ] Q 3 5 2.000 cal
Mas Q 1 1 Q 2 1 Q 3 5 0. Então:
80x 1 20x  2.000 5 0 ] 100x 5 2.000 ] x 5 20 g
Resposta: 20 g

Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/fusion/fusion.


htm (acesso em julho/2009), você poderá simular um problema de trocas de calor com mudança de estado,
numa mistura de água e gelo em fusão.

89

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 89 22.08.09 09:20:45


R. 32 Colocam-se 40 g de gelo a 0 wC em 100 g de água a 20 wC contidos num calorímetro de capacidade
térmica desprezível (dados: calor específico da água c 5 1,0 cal/g 3 wC; calor latente de fusão do
gelo L 5 80 cal/g).
Ao ser atingido o equilíbrio térmico:
a) qual é a temperatura? b) qual é a massa de água existente no calorímetro?
Solução:
a) Quanto à temperatura final de equilíbrio térmico, há duas possibilidades, que podem ser
graficamente representadas do seguinte modo:

(I) θ f > 0 °C (II) θ f = 0 °C

θ (°C) θ (°C)

20 Água do 20 Água do
calorímetro
calorímetro
θf
Água
(Fusão) da fusão (Fusão)
0 t 0 t

Para decidir entre as duas possibilidades, devemos avaliar previamente as quantidades de


calor trocadas. Na hipótese (I), considera-se que o calor liberado pela água do calorímetro
é suficiente para derreter todo o gelo e ainda aquecer até Jf a água resultante. Na hipótese
(II), o calor que a água do calorímetro libera não é suficiente para derreter todo o gelo e a
temperatura final é 0 wC.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


A quantidade de calor necessária para derreter totalmente (m 5 40 g) é:
Q 1 5 m 3 LF 5 40 3 80 ] Q 1 5 3.200 cal
A máxima quantidade de calor que a água do calorímetro (m 5 100 g) pode fornecer corres-
ponde a uma variação de temperatura desde 20 wC até 0 wC, isto é: SJ 5 0 wC  20 wC 5 20 wC.
Então:
Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 100 3 1,0 3 (20) ] Q 2 5 2.000 cal
Comparando Q 1 e Q 2, verificamos que a quantidade de calor máxima que a água do calorí-
metro pode perder (2.000 cal) é insuficiente para derreter todo o gelo, pois para isso seriam
necessárias 3.200 cal. Assim, apenas parte do gelo derrete; portanto:

Jf 5 0 wC

Se eventualmente tivéssemos OQ 2O  Q 1, ocorreria o previsto na hipótese (I), e a resolução do


problema seguiria o modelo do exercício resolvido anterior.
b) Sabendo que Jf 5 0 wC, devemos calcular agora a massa de gelo que derrete. Tabelando os dados:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Fusão do gelo x5? LF 5 80 cal/g

Água do calorímetro 100 g 1,0 20 wC 0 wC 20 wC

Cálculo das quantidades de calor:


Q 1 5 m 3 LF 5 x 3 80 ] Q 1 5 80x
Unidade C • A energia térmica em trânsito

Q 2 5 m 3 c 3 SJ 5 100 3 1,0 3 (20) ] Q 2 5 2.000 cal


Aplicando o princípio geral das trocas de calor:
Q1 1 Q2 5 0
2.000
80x  2.000 5 0 ] 80x 5 2.000 ] x 5 ______ ] x 5 25 g
80
Portanto, apenas 25 g de gelo se convertem em água, fazendo com que, no equilíbrio térmico,
exista no calorímetro a seguinte massa total de água:

mT 5 100 1 25 ] mT 5 125 g

Respostas: a) 0 wC; b) 125 g

Entre na rede No endereço eletrônico http://www.sc.ehu.es/sbweb/fisica/estadistica/otros/latente/latente.


htm (acesso em julho/2009), você poderá fazer a simulação com água em ebulição, traçando a curva de
aquecimento, desde a água líquida até sua total vaporização.

90

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 90 22.08.09 09:20:46


R. 33 Um calorímetro de capacidade térmica desprezível tem no seu interior uma pedra de gelo
a 20 wC com 200 g de massa. A esse calorímetro faz-se chegar vapor de água a 100 wC, até
que a temperatura do sistema seja 60 wC. Sendo os calores latentes LF 5 80 cal/g (fusão) e
LC 5 540 cal/g (condensação), calcule a massa de água existente nesse momento no caloríme-
tro. São dados os calores específicos do gelo (0,5 cal/g 3 wC) e da água líquida (1 cal/g 3 wC).
Solução:
À medida que o gelo recebe calor, sua temperatura se eleva de 20 wC até 0 wC; chegando a 0 wC,
ele se derrete, e após a fusão a água resultante se aquece de 0 wC até 60 wC. Enquanto isso, o vapor
perde calor e se condensa; após o término da condensação, a água resultante se resfria de 100 wC
a 60 wC. Os gráficos da temperatura em função do tempo são os seguintes:

θ (°C) θ (°C)
(Condensação)
100 100
Água
60 60
Água
(Fusão)
0 Gelo t 0 t
–20

Esquematicamente:

(Condensação) Vapor
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

100 °C
Água
líquida Equilíbrio
60 °C
térmico
Água
líquida

(Fusão)
–20 °C
Gelo

Tabelando os dados:

m c (cal/g 3 wC) Ji Jf SJ

Gelo 200 g 0,5 20 wC 0 wC 20 wC

Fusão do gelo 200 g LF 5 80 cal/g

Água da fusão 200 g 1 0 wC 60 wC 60 wC

Condensação do vapor x5? LC 5 540 cal/g

Água da condensação x5? 1 100 wC 60 wC 40 wC

Cálculo das quantidades de calor trocadas


Aquecimento do gelo: Q 1 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 0,5 3 20 ] Q 1 5 2.000 cal
Fusão do gelo: Q 2 5 m 3 LF 5 200 3 80 ] Q 2 5 16.000 cal
Capítulo 5 • Mudanças de fase

Aquecimento da água resultante da fusão: Q 3 5 m 3 c 3 SJ 5 200 3 1 3 60 ] Q 3 5 12.000 cal


Condensação do vapor: Q 4 5 m 3 LC 5 x (540) ] Q 4 5 540x
Resfriamento da água resultante da condensação: Q 5 5 m 3 c 3 SJ 5 x 3 1 3 (40) ] Q 5 5 40x
Como Q 1 1 Q 2 1 Q 3 1 Q 4 1 Q 5 5 0, temos:
30.000
2.000 1 16.000 1 12.000  540x  40x 5 0 ] 30.000 5 580x ] x 5 _______ ] x 7 51,7 g
580
Como é pedida a massa total de água, devemos somar as massas de água provenientes da fusão
do gelo e da condensação do vapor:
mT 7 200 1 51,7 ] mT 7 251,7 g

Resposta: No equilíbrio térmico há 251,7 g de água, aproximadamente.

91

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 91 22.08.09 09:20:47


exercícios propostos
P. 83 Quantas calorias são necessárias para transformar 100 g de gelo, a 20 wC, em água a 60 wC? O
gelo funde a 0 wC, tem calor específico 0,5 cal/g 3 wC e seu calor latente de fusão é 80 cal/g. O calor
específico da água é 1 cal/g 3 wC. Construa a curva de aquecimento do sistema.

P. 84 Temos 50 g de vapor de água a 120 wC. Que quantidade de calor deve ser perdida até o sistema
ser formado por 50 g de água líquida a 70 wC? Sabe-se que o vapor se condensa a 100 wC com calor
latente LC 5 540 cal/g. Os calores específicos valem 0,48 cal/g 3 wC para o vapor e 1,0 cal/g 3 °C
para o líquido. Construa ainda a curva de resfriamento correspondente ao processo.

P. 85 Um corpo, inicialmente líquido, de 50 g, θ (°C)


sofre o processo calorimétrico represen-
60
tado graficamente abaixo.
Determine: 50
a) o calor latente da mudança de fase
40
(vaporização) ocorrida;
b) a capacidade térmica do corpo antes 30
e depois da mudança de fase; 20
c) o calor específico da substância no
estado líquido e no estado de vapor. 10

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


0 1 2 3 4 32 33 Q (102 cal)

P. 86 Num bloco de gelo em fusão faz-se uma cavidade onde são colocados 80 g de um metal de calor
específico 0,03 cal/g 3 wC a 200 wC. Calcule a massa de água que se forma até o equilíbrio térmico.
O calor latente de fusão do gelo é 80 cal/g.

P. 87 Num recipiente há uma grande quantidade de água a 100 wC, sob pressão normal. Ao se co-
locar nela um bloco metálico de 500 g a 270 wC, qual será a massa de vapor que se forma em
virtude da troca de calor entre o bloco e a água? Suponha não haver perdas de calor para o
ambiente e adote LV 5 540 cal/g (calor latente de vaporização da água) e c 5 0,40 cal/g 3 wC (calor
específico do metal).

P. 88 Num recipiente de capacidade térmica 30 cal/wC há 20 g de um líquido de calor específico 0,5 cal/g 3 wC,
a 60 wC. Colocando-se nesse líquido 10 g de gelo em fusão, qual será a temperatura final de
equilíbrio, admitindo-se que o sistema está termicamente isolado do ambiente? O calor latente
de fusão do gelo é 80 cal/g e o calor específico da água é 1 cal/g 3 wC.

P. 89 Em um calorímetro de capacidade térmica desprezível, são colocados 10 g de gelo a 0 wC, sob


pressão normal, e 10 g de água à temperatura J. Sendo 80 cal/g o calor latente de fusão do gelo
e 1,0 cal/g 3 wC o calor específico da água, determine o valor da temperatura J para que, no equi-
líbrio térmico, reste apenas água a 0 wC.
Unidade C • A energia térmica em trânsito

P. 90 Misturam-se, num calorímetro de capacidade térmica desprezível, 200 g de gelo a 0 wC com 200 g
de água a 40 wC. Sendo 80 cal/g o calor latente de fusão do gelo e 1,0 cal/g 3 wC o calor específico da
água, determine:
a) a temperatura de equilíbrio térmico;
b) a massa de gelo que se funde.

P. 91 Um bloco de gelo de massa 500 g a 10 wC é colocado num calorímetro de capacidade térmica
9,8 cal/wC. Faz-se chegar, então, a esse calorímetro, vapor de água a 100 wC em quantidade su-
ficiente para o equilíbrio térmico se dar a 50 wC. Sendo LF 5 80 cal/g o calor latente de fusão do
gelo e LC 5 540 cal/g o calor latente de condensação do vapor a 100 wC, calcule a massa de
vapor introduzida no calorímetro (dados: cágua 5 1,0 cal/g 3 wC; cgelo 5 0,50 cal/g 3 wC).

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Atividade experimental: Determinação da potência de uma fonte de calor

92

V2_P1_UN_C_CAP_05.indd 92 22.08.09 09:20:48


2 O fenômeno da superfusão
Ao se resfriar um líquido, é possível ocasionalmente θ (°C)
ocorrer um atraso na solidificação e o líquido atingir, sem
mudar de fase, temperaturas inferiores à de solidificação
(fig. 7). Esse fenômeno excepcional é denominado super-
fusão ou sobrefusão. O líquido em estado de superfusão
é instável, de modo que a simples agitação do sistema C
ou a colocação de um fragmento sólido interrompe o 0 A |Q|
fenômeno, com a solidificação parcial ou total do líquido
acompanhada de elevação da temperatura. –2
B
Uma situação comum em que acontece a superfusão é
quando guardamos garrafas de cerveja ou de refrigerante Figura 7. Superfusão da água:
no congelador. Ao pegarmos uma delas, sem o devido cui- AB — água em superfusão, alcançando
temperatura inferior a 0 wC;
dado, costuma haver o congelamento de parte do líquido BC — interrupção do fenômeno, ocorrendo
que estava em superfusão. solidificação parcial da água e elevação
da temperatura até 0 wC.
Em condições especiais, utilizando tubos capilares, já
se conseguiu levar a água, sob pressão normal, à tempe-