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Circunscrição :1 - BRASILIA
Processo :2016.01.1.018946-6
Vara : 206 - SEXTA VARA CÍVEL DE BRASÍLIA

SENTENÇA

Trata-se da segunda fase da ação de prestação de contas ajuizada em 07/03/2016 por ASOF - ASSOCIAÇÃO DOS
OFICIAIS DA POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL em desfavor de SÉRGIO ROBERTO ROBALO,
HERMES PEREIRA DE MATOS e ERIC RODRIGUES DE SALES, objetivando que os requeridos apresentem as
contas relativas ao período entre 03/10/2011 a 02/10/2013, em que exerceram as funções de Presidente, Primeiro e
Segundo Tesoureiro da Associação autora, haja vista a apuração, por meio de auditoria externa, de uma diferença
contábil no valor total de R$ 28.737,02 nas contas da Associação durante a gestão dos réus, possivelmente
decorrente da emissão de dois cheques de alto valor sem a comprovação dos gastos.

Acompanham a inicial os documentos de fls. 11/79.

Devidamente citados os réus, conforme mandados de fls. 108, 109 e 141.

O 2º réu HERMES PEREIRA DE MATOS apresentou contestação e documentos às fls. 11/120, na qual alega, em
síntese, que durante o período em questão esteve afastado da função de tesoureiro da Associação autora
porquanto desempenhou função na Força Nacional de Segurança, motivo pelo qual suscita preliminar de carência
de ação e ilegitimidade passiva, pugnando pela improcedência da ação.

O 3º requerido ERIC RODRIGUES DE SALES apresentou defesa às fls. 122/132, alegando ter ficado
sobrecarregado ao acumular as funções de 1º e 2º tesoureiro da Associação. Afirma que contava com a ajuda da
uma funcionária para realizar serviços gerais, dentre eles o pagamento de contas, razão pela qual deixou os dois
cheques em branco mencionados pela autora para que dita funcionária efetivasse pagamentos de contas devidas
pela Associação, mediante assinatura do Presidente, que não prestou as contas devidas.

Ressalta que o pagamento de doações, patrocínios e outras despesas excepcionais com valor elevado passa por
aprovação do Conselho Fiscal e afirma que os dois cheques foram usados para tal fim sem o seu conhecimento e
sem a submissão ao referido Conselho, atribuindo a responsabilidade pelos gastos exclusivamente ao Presidente,
1º réu.

O prazo para contestação transcorreu sem manifestação do 1º réu SÉRGIO ROBERTO ROBALO, conforme
certificado à fl. 143.

Réplica às fls. 147/151 e especificação de provas às fls. 154, 155/157 e 160.

A sentença proferida às fls. 163/165 encerrou a primeira fase da presente ação, acolheu a tese do 2º réu Hermes
Pereira de Matos e o excluiu da obrigação de prestar contas, julgando parcialmente procedente o pedido para
condenar os réus Sérgio Roberto Robalo e Eric Rodrigues de Sales a prestarem as contas referidas na petição
inicial, no prazo de 15 (quinze) dias.

A sentença consignou, em sua parte dispositiva, que as contas deveriam ser apresentadas na forma adequada, já
instruídas com os documentos justificativos, especificando-se as receitas, a aplicação das despesas e os eventuais
investimentos, bem como o respectivo saldo.

Os réus condenados apresentaram a petição de fls. 167/172, acompanhada dos documentos comprobatórios de fls.
174/221, na qual informam que a Associação autora firmou contrato de publicidade com o BRB para diversos
eventos, dentre eles o de Concursos de Saltos Coronel Rabelo, nos qual foram gastos os valores de R$ 9.414,55 e
R$ 6.059,43 com aquisição de material elétrico da empresa Damasco Materiais Elétricos, totalizando o valor de R$
15.474,98 referente ao primeiro cheque questionado na inicial.

Afirma que também contrataram, para o evento acima mencionado, uma tela de LED modular, no valor de R$
4.500,00 e palco modular por R$ 2.500,00, além do equipamento de som e luz com mesa de PDA no montante de
R$ 3.000,00, quantias referentes ao cheque de fl. 39, sacado em dinheiro.

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Quanto aos R$ 3.000,00 restantes, asseveram os réus que a ASOF contribuiu para o patrocínio da revista da turma
de Aspirantes, como forma de angariar novos associados.

Por fim, requerem o recebimento e aprovação da prestação de contas efetivada, aduzindo que, após a saída do 1º
réu da presidência da ASOF, o BRB pagou R$ 50.000,00 à autora pelos gastos realizados com o referido evento.

A parte autora se manifestou às fls. 225/229 sobre os documentos apresentados pelos réus, acolhendo
parcialmente as contas referentes ao montante constante do 1º cheque questionado (fls. 35/36).

Entretanto, entendeu não comprovados os gastos relativos ao valor constante do cheque de fls. 38/39.

Às fls. 233/261 os réus reiteram a regularidade dos gastos e juntam cópias dos documentos anteriormente
apresentados.

É o relatório.

DECIDO.

Na ação de exigir contas, prevista no art. 550 do NCPC, há duas fases distintas no procedimento. Primeiramente
analisa-se se há ou não o dever da parte ré em prestar as contas que lhe são exigidas e, somente no caso de ser
reconhecido esse direito da parte autora, é que eventualmente poderá haver a condenação em uma obrigação de
fazer.

O momento processual se coaduna com a segunda fase da ação de exigir contas, prestando-se a avaliar a
regularidade das contas apresentadas.

Após a procedência do pedido quanto ao 1º e ao 3º réus na primeira fase, foram apresentados os documentos de
fls. 167/221, tempestivamente, tendo a parte autora acolhido parcialmente as contas, porquanto impugnou somente
as contas relativas ao segundo cheque questionado na inicial (fls. 38/39).

Não obstante, as contas relativas ao 2º cheque também são boas. Vejamos.

O art. 551 do NCPC estabelece que "(...) As contas do réu serão apresentadas na forma adequada, especificando-
se as receitas, a aplicação das despesas e os investimentos, se houver.".

Como se observa, os réus apresentaram à fl. 258 relatório pormenorizado acerca dos gastos com a aquisição de
material elétrico e prestação de serviços elétricos, comprovando os referidos gastos por meio dos recibos de fls. 260
e 261, os quais correspondem ao valor constante no cheque de fls. 39/40.

Dessa forma, não merece prosperar a alegação de que os recibos juntados não comprovam os gastos referentes ao
cheque de fls. 39/40, pois cabalmente demonstrado que todas as despesas ora questionadas decorreram do evento
mencionado pelos réus, o qual efetivamente demandou custos elevados em razão de sua aparente magnitude.

Portanto, no caso, as contas dos réus devem ser acolhidas na integralidade.

Via de consequência, não merece prosperar o pedido de condenação dos requeridos ao valor remanescente
indicado pela parte autora.

Pelas razões expendidas, CONSIDERO BOAS as contas apresentadas pelos réus e julgo IMPROCEDENTE o
pedido inicial.

Por conseguinte, declaro extinto o processo, com resolução do mérito, com amparo no art. 487, inciso I, do NCPC.

Em face da sucumbência, arcará a parte autora com as custas processuais e honorários advocatícios, fixados em
R$ 2.000,00, em conformidade com o art. 85, § 8º, do Novo Código de Processo Civil.

Transitada em julgado, recolhidas as custas e não havendo outros requerimentos, arquivem-se os presentes autos.

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Sentença registrada eletronicamente nesta data. Publique-se. Intimem-se.

Brasília - DF, quinta-feira, 14/09/2017 às 19h23.

Processo Incluído em pauta : 15/09/2017

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