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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO

CAMPUS CARAÚBAS
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ALINE RIBERIO
ANDERSON MILLANO
FERNANDO GABRIEL
MYRELLE YASMINE
THAYSE SILVA LOPES

PROTÓTIPO DE BARRAGEM

CARAÚBAS - RN
2017
ALINE RIBERIO
ANDERSON MILLANO
FERNANDO GABRIEL
MYRELLE YASMINE
THAYSE SILVA LOPES

PROTÓTIPO DE BARRAGEM

Trabalho apresentado para disciplina de Barragens e


Obras de Terra na Universidade Federal Rural do
Semi-Árido (UFERSA), como exigência para
obtenção parcial da nota da terceira unidade.

Profº. Wellington Lorran Gaia Ferreira.

CARAÚBAS - RN
2017
1. INTRODUÇÃO

As barragens são definidas como obstáculos artificiais capazes da reter fluidos, seja ele
água ou fluidos de qualquer outra natureza, detritos e rejeitos, oriundos de minério por exemplo.
Estas barragens tem por finalidade barrar ou acumular os matérias mencionados com objetivo
de armazenamento ou controle (CBDB, 2013).
Podem variar em tamanhos, formas e materiais, formadas por maciços de terra ou de
concreto. “De acordo com o CBDB (2013), os principais tipos existentes de barragens são as
de aterro, de concreto-gravidade e de concreto em arco”. Além dos elementos que à compõe,
tais como crista ou coroamento, taludes de jusante e de montante, sua estrutura é composta por
vertedouros, descarregadores, casas de força elétrica e unidades de controle – comportas.
Classificadas em barragens de pequeno ou de grande porte de acordo com as características do
barramento (altura, capacidade do reservatório e do vertedouro, dentre outras).
No Brasil, em geral, as barragens são utilizadas para: Fornecimento de água, de
abastecimento doméstico, industrial e/ou para irrigação; Produção de energia elétrica
(hidrelétricas); Controle de cheias, como os reservatórios de amortecimento de ondas de cheia;
Recreação; Controle de sedimentação; Além de outras diversas finalidades. Barragens que
possuem apenas uma das funções acima são conhecidas como “barragens de função única”, já
as que possuem mais de uma função são chamadas de “barragem de uso múltiplo” (CBDB,
2013).
De acordo com registros arqueológicos, historicamente estas estruturas, ao longo dos
anos, tem servido como fonte confiável de água para a vida das pessoas, permitindo que as
populações coletem e armazenem água, quando existentes em abundancia, e depois utilizem a
água armazenada nas épocas de seca. Sendo estas barragens de fundamental importância para
o desenvolvimento da humanidade (CBDB, 2013).
Diante da importância destas estruturas e levando-se em consideração as condições
necessárias de segurança das barragens ao longo de sua vida útil, criou-se a Lei nº 12.334 de 20
de setembro de 2010, conhecida por Lei de Segurança de Barragens, que estabeleceu a Política
Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Esta Lei atribui aos responsáveis o compromisso
de desenvolver e implementar o Plano de Segurança da Barragem, de acordo com metodologias
e procedimentos adequados para sua construção.
De acordo com as responsabilidades atribuídas ao profissional responsável pela execução
da obra e após os conteúdos expostos em sala, foi proposto a construção de um protótipo de
barragem visando a segurança e seu bom desempenho diante das condições que serão impostas
durante os testes, bem como sua otimização de acordo com a utilização de materiais disponíveis.
O presente trabalho aborda os procedimentos de escolha dos materiais, dimensionamento do
protótipo utilizando o software Slide 6.0 e o seu processo executivo.
2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

Apresentar a sequência adotada para elaboração do projeto de um protótipo de barragem


de terra, com foco nos aspectos relacionados à percolação e estabilidade de taludes.

2.2. Objetivos Específicos

 Aplicar os conhecimentos teóricos abordados em sala de aula para o


desenvolvimento prático do projeto;
 Propiciar o conhecimento de fatores importantes durante o planejamento
e execução de uma barragem de terra, com base na construção de um
protótipo;
 Escolher dentre os materiais disponíveis aquele que apresente um melhor
coeficiente de permeabilidade com o intuito de evitar o colapso do
protótipo;
 Estudar o comportamento dos taludes frente aos problemas de infiltração
existentes.
3. METODOLOGIA

3.1. Escolha dos Materiais

De acordo com a Lei Nº 12.334/2010, as barragens são estruturas destinadas “à contenção


ou acumulação de substâncias líquidas ou de misturas de líquidos e sólidos”, sendo assim, seus
projetos devem assegurar o controle de fluxo, a estabilidade e a compatibilidade das
deformações. Por tanto é de extrema importância escolher corretamente os materiais a serem
utilizadas, bem como conhecer sua granulometria, permeabilidade e coesão.
Para o presente trabalho optou-se pela mistura entre materiais provindos de três
localidades diferentes, com intuito de se obter um solo com uma curva granulométrica bem
graduada de modo a atender os requisitos de permeabilidade e estabilidade. A tabela 1 contém
as localidades dos solos que compõe a mistura.

Tabela 1: Solos utilizados no maçico

Solos Localidade
Solo 1 Aterro próximo à entrada da cidade de Caraúbas – RN 233
Solo 2 Solo utilizado no maciço da barragem de Caraúbas - RN
Solo 3 Zona rural da cidade de Apodi - RN

O filtro utilizado no maciço do protótipo de barragem será composto por material mais
permeável que o restante do maciço, de modo a conduzir o fluxo pelo mesmo. Os matérias que
compõe o filtro serão pedrisco (brita 0) e areia grossa, ambos disponíveis no comércio local.

3.2. Dados do Solo

Para o desenvolvimento do projeto realizou-se os ensaios de análise granulométrica,


massa específica da mistura de solo adotada e os de caracterização tátil-visual.

3.2.1. Granulometria

A análise granulométrica ou granulometria dos solos consiste na determinação


das dimensões dos grãos, obtendo-se em porcentagem a massa dos mesmos. Ou seja,
é a distribuição das dimensões das partículas do agregado e suas respectivas
porcentagens de ocorrência.
Foi realizada a análise granulométrica para a mistura escolhida, e após isso,
fez-se a curva granulométrica para caracterizar se o solo é bem graduado ou não. O
procedimento para este ensaio seguiu-se a norma NBR 7181 – Solo – Análise
granulométrica e NBR 5734 – Peneiras para ensaio - Especificação.
Primeiramente foi realizado a homogeneização dos três solos e o quarteamento
das amostras para a realização do ensaio. E antes de iniciar o ensaio de peneiramento,
o operador conferiu o estado de conservação das peneiras, pois qualquer dano, poderia
vir a interferir nos resultados. A série de peneiras que foi utilizada foi de acordo com
a NBR 5734, sendo elas, 50 – 38 – 25 – 19 - 9,5 – 4,8 – 2,0 – 1,2 – 0,6 – 0,42 – 0,3 –
0,15 e 0,075 mm, incluindo o fundo. Assim, olhou a dimensão máxima do agregado
para saber o peso da amostra que foi utilizado no ensaio, sendo ele de 4kg.
Passando-se a amostra de 4 kg na peneira 2 dividiu-se o peneiramento em fino
e grosso, onde a massa retida nesta peneira foi destinada ao peneiramento grosso e da
massa passante coletou-se 120 g para a realização do peneiramento fino. As massas
retidas foram pesadas em uma balança com a sensibilidade de 0,1g, colocando-as em
uma planilha utilizando o programa Excel e fez-se a curva granulométrica.
Com base no ensaio descrito a tabela 2 expressa os valores correspondentes a
mistura natural dos solos, assim como a figura 2 expressa a curva granulométrica da
mesma.

Granulometria
Mistura
Peneira Malha Massa retida (g) Retida Retida Acumulada (%) Passante
(mm) (%) (%)
19 3/4" 44,8 1,12 1,12 98,88
9,5 3/8" 92,4 2,31 3,43 96,57
4,75 4 170,4 4,26 7,69 92,31
2 10 14,3 0,36 8,04 91,96
1,18 16 585,4 14,62 22,67 77,33
0,6 30 1198,3 29,94 52,60 47,40
0,425 40 447,4 11,18 63,78 36,22
0,25 60 695,7 17,38 81,16 18,84
0,15 100 435,2 10,87 92,04 7,96
0,075 200 294,2 7,35 99,39 0,61
0 Fundo 24,5 0,61 100,00 0,00
SOMA 4002,5 100,00
MASSA UTILIZADA = 4 kg

3.2.2. Massa Específica

A massa específica da mistura de solo foi obtida de acordo com o que se prescreve na
NBR 6508, utilizando-se de um picnômetro com capacidade de 250 ml, disponível no
laboratório de solos da UFERSA Campús Caraúbas. Inicialmente pesou-se uma amostra de solo
de 30 gramas e adicionou ao picnômetro (M1), em seguida determinou-se a massa do
picnômetro + água + solo (M2), determinou-se a massa do picnômetro somente com água (M3)
e a massa do picnômetro vazio (M4). Desta forma a massa específica da amostra é dada pela
equação 1.

𝑀1 − 𝑀4
𝜌= (1)
(𝑀3 − 𝑀4 ) − (𝑀2 − 𝑀1 )

118 − 87,8
𝜌=
(335,6 − 87,8) − (353,6 − 118)
𝑔
𝜌 = 2,4754 = 2475,4 𝑘𝑔/𝑚3
𝑐𝑚3

3.2.3. Tátil-Visual

Foram realizados nove testes tátil-visuais de modo a auxiliar na caracterização do solo


utilizado. Dentre eles estão:
 Teste visual (exame de granulometria), que consiste na observação visual do
tamanho, forma, cor e constituição mineralógica dos grãos do solo. Permite
distinguir entre solos grossos e finos.
 Teste do tato, que consiste em apertar e/ou friccionar entre os dedos, a amostra de
solo: os solos “ásperos" são de comportamento arenoso e os solos "macios" são de
comportamento argiloso.
 Teste do corte, que consiste em cortar a amostra com uma lâmina fina e observar a
superfície do corte: sendo "polida" (ou lisa), trata-se de um solo de comportamento
argiloso; sendo "fosca" (ou rugosa), trata-se de um solo de comportamento arenoso.
 Teste da dilatância (ou da mobilidade da água ou ainda, da "sacudidela"), que
consiste em colocar na palma da mão uma pasta de solo (em umidade escolhida) e
sacudi-la batendo leve e rapidamente uma das mãos contra a outra. A dilatância se
manifesta pelo aparecimento de água à superfície da pasta e posterior
desaparecimento ao se amassar a amostra entre os dedos: os solos de
comportamento arenoso reagem sensível e prontamente ao teste, enquanto que os
de comportamento argiloso não reagem.
 Teste de resistência seca, que consiste em tentar desagregar (pressionando com os
dedos) uma amostra seca do solo: se a resistência for pequena, trata-se de um solo
de comportamento arenoso; se for elevada, de solo de comportamento argiloso.
 Teste de desagregação do solo submerso, que consiste em colocar um torrão de solo
em um recipiente contendo água, sem deixar o torrão imerso por completo:
desagregação da amostra é rápida quando os solos são siltosos e lenta quando são
argilosos.
 Teste de sujar as mãos, que consiste em umedecer uma amostra de solo, amassá-la
fazendo uma pasta e esfregá-la na palma da mão, colocando, em seguida, sob água
corrente: o solo arenoso lava-se facilmente, isto é, os grãos de areia limpam-se
rapidamente das mãos. O solo siltoso só limpa depois que bastante água correu
sobre a mão, sendo necessário sempre alguma fricção para limpeza total. Já o solo
mais argiloso oferece dificuldade de se desprender da palma da mão, porque os
grãos muito finos impregnam-se na pele, sendo necessário friccionar
vigorosamente para a palma da mão se ver livre da pasta.
 Teste de dispersão em água, que consiste em desagregar completamente uma
amostra de solo e colocar uma porção num recipiente de vidro contendo água.
Agita-se o conjunto, em seguida imobiliza-se o recipiente, deixando-o em repouso
e observa-se o tempo de deposição da maior parte das partículas do solo: os solos
mais arenosos assentam suas partículas em poucos segundos enquanto que os
argilosos podem levar horas.
 Teste de plasticidade (ou da "cobrinha"), que consiste em umedecer uma amostra
de solo, manipular bastante essa massa entre os dedos e tentar moldar com ela uma
“cobrinha": se isto não for possível, o solo é arenoso. Se for possível, mas ela se
quebrar ao se tentar dobrá-la, o solo é areno-argiloso. Se a cobrinha se dobrar, mas
se quebrar ao se tentar fazer um círculo, o solo é argilo-arenoso. Se a cobrinha for
dobrada em forma de círculo sem se quebrar, o solo é argiloso.

Com base em todos os testes tátil-visuais realizados pôde-se constatar que o solo possui
comportamento arenoso diante de aspectos como plasticidade, resistência, textura, e etc,
verificados nos testes.

4. PERFIL ADOTADO

Para a definição inicial das dimensões do protótipo de barragem seguiu-se as instruções


do material fornecido pelo professor e de acordo com as dimensões do recipiente em vidro que
irá contê-la (aquário), de dimensões 30cm x 30 cm x 100cm.
Primeiramente para a crista da barragem adotou-se a equação 2.

𝐻 (2)
𝐵= +3
5

Sendo
H: A altura da barragem definida como sendo 25 cm.
As dimensões dos taludes foram obtidas a partir da altura da barragem e das inclinações
adotadas: Inclinação talude a montante 2:1; Inclinação talude a jusante 1,5:1.
Com tais dimensões o perfil da barragem é o que se segue na figura 2.
Figura 2: Perfil do protótipo de barragem
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

6. REFERÊNCIAS

CBDB – Comitê Brasileiro de Barragens. Apresentação das Barragens. 2013. Disponível em:
<http://www.cbdb.org.br/5-38/Apresentação das Barragens>. Acesso em: 10 set. 2017.

BRASIL. Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010. Política Nacional de Segurança de


Barragens. Brasília.

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