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JOSEVAL MARTINS VIANA PRATICA ForenskE eM PROCESSO ee) CIVIL CU TES MN torete emeCemrre teat tsa oC LCe (Oe) OO Sea iecCre mae} Babee) Saeco eM) € suspeigao do juiz SCAM CR Cle try SOM m (Le) de tutela de urgéncia SCC mate () com preliminar e reconvengao BCC MET} Bete) See R CMS TLL} Se eNO Embargos de Declaragao Recurso Ordinario Saco silt) SRG en cele lirte i) Sm OU Son te eons creole Basu lees a ly ey Geren sya ea ta] LES CeO arty i Bowe % JOSEVAL MARTINS VIANA _ ForensE em PROGESSO Procuragao ad judicia Substabelecimento Excegées de impedimento Embargos de Declaragao e suspeigao do juiz Recurso Ordindrio [Erm = , . oo ONA Intervengao de terceiros Recurso Especial L ORS amt Recurso Extraordinario < Pe de tutela de urgéncia . SN S/ _ . Agravo em Recurso Especial Contestagao, contestagao e em Recurso Extraordinario com preliminar e . aang. Embargos de Divergéncia Agravo de Instrumento Agravo Interno a ee . 2 s 3 3 S = S S 2 s 3 2 3 2 S S . . reconvengao - toe em Recurso Especial e em * Agao resciséria Recurso Extraordinario * Apelacao 2017 | EDITORA JisRODIVM. www.editorajuspodivm.com.br | ¢ EDITORA jisPODIVM www.editorajuspodivm.com.br Rua Mato Grosso, 175 ~ Pituba, CEP: 41830-151 = Salvador — Behla ‘Tel: (71) 3363-8617 / Fax: (71) 3363-5050 - E-mail: fale@editorajuspodivm.com.br Copyright: EdigGes JusPODIVM, Conselho Editorial: Dirley da Cunha Jr, Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie Didier Jr, José Henrique Mouta, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Jinior, Nestor Tavora, Robério Nunes Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo: Pampiona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha. Capa e Diagramagao: Marcelo S, Brando (santibrando@gmail.com) Viana, Joseval Martins V614p —_Prdtca forense em pracesso civil / Joseval Martins Viana ~ Salvador: Ed, Jus- Podivm, 2017. 480 p. Bibliografia, ISBN 978-85-442-1438-1, 1. Direlto processual civil. 2, Pratica forense. |, Viana, Joseval Martins. tL Thule, 0D 342.1 ‘Todos os direitos desta ediglo reservados & Edigbes JusPODIVM, £ terminantemente proibida a reprodugo total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou proceso, sem a expressa autorizacio do autor e da Edigées JusPODIVM. A violago dos direitos autorals caracteriza crime descrito na legislagéo em vigor, sem prejufzo das sangBes cvis cabivels. SCOT OCCCHCOC CEES Dedico este livro 4 minha esposa Zuleica e aos meus filhos Lucas e Daniella. SOCHHSHSOSHHOHHSHSSHSHSHSHHSHOSOSOHCHOOHOSHCOCECOSEECE O Direito Processual Civil sofreu profundas modifica- gées nos tltimos anos, exigindo constantes atualizagdes para o exercicio da advocacia. Essa nova realidade insta o profissional do direito a buscar frequentemente atualiza- cdo e aperfeigoamento. Trata-se de uma necessidade que deve ser atendida, mormente para aquele que deseja atuar com exceléncia, eficiéncia e sucesso no Direito. Dessa forma, conjugando minha experiéncia no campo profissional com aquela auferida nas salas de aula (mais de duas décadas de pratica na Advocacia e docéncia em Direito), venho produzindo obras com o objetivo de atuali- zar, orientar e aperfeicoar os profissionais e estudantes de Direito, procurando tornar o ensino do Direito Processual Civil mais dinamico e pratico. Constatei também a necessidade de elaborar esta re- levante obra que conduz o profissional da area juridica a atuar com maior destreza, seguranga e capacidade. Pratica Forense em Processo Civil tem uma caracteristica impar: conjuga a explanacéo dos temas de que trata — com obje- tividade, sintese e clareza — ao exemplo pratico, utilizando pecas processuais e modelos juridicos diversos, resultando numa facil compreensao e aplicag&o na pratica juridica. PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana Esta obra é util para os profissionais e estudantes de Direito, porque traz de forma teérica e pratica as mudan- cas do Direito Processual Civil. Para o advogado e para a advogada, a obra indica os novos conceitos e os novos procedimentos das aces judiciais e as pecas totalmente atualizadas, fornecendo uma visdo geral das mudangas. Para o estudante e para a estudante de Direito, o livro torna-se um instrumento eficaz de aprendizagem, porque apresenta a teoria e a pratica por meio das pegas proces- suais, proporcionando o conhecimento do novo sistema processual civil. Trata-se de obra imprescindivel e imperdivel para todos os profissionais da area do Direito, seja para atualizar, am- pliar ou aperfeicoar o conhecimento utilizado na pratica juridica diaria. O Autor 000O80090OHO0O OOOOH OHHOOHHOS CORE OSO CCOSOSSEHHSEEHOHOHHHEHEHS OHH EHOOOHOOS SUMARIO Capitulo I - PROCURAGAO AD JUDICIA 1. Conceito ..... 2. Extens&o dos poderes conferidos pelo outorgante ao advogado 3. Modelo da procuragao ad judicia com poderes para o foro em geral 4, Modelo da procuracao ad judicia com poderes para o foro em geral e poderes especiais 5. Modelo da procuracdo ad fudicia et extra sees 27 6. Modelo de procurac&o ad judicia para integrantes de sociedade de advogados ..... Capitulo Il - SUBSTABELECIMENTO 1, Conceito 2. Modelos de substabelecimento 2.1. Modelo de substabelecirento com reserva de poderes 2.2. Modelo de substabelecimento sem reserva de poderes ......... PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana Capitulo III - DA ASSISTENCIA ..... Capitulo IV - DENUNCIAGAO DA LIDE aA nv e Bw YN Rp Conceito Finalidade Cabimento Atuac&o do assistente no processo Procedimento ..,......... Modelo da petic&o de assisténcia ......... 1. Conceito 2. 3. 4, Nao obrigatoriedade da denunciagao da lide 5. Legitimacgaéo 6. Tipos de denunciacdo e procedimento 7. Recursos da denunciagao da lide . 53 9. Modelo de petig&o (denunciacao da lide pelo réu) _...... 54 Capitulo V - CHAMAMENTO AO PROCESSO. .........ceeeeeeee 59 1. Conceito 0 00008808 0OOOOSOTOHHOHOOHHOHHHHOOOHOEZO SOSHSHSHSSHSHSHSSHOSHHSHSHSHHCHOHHHHOHHHHHHOSEEO SUMARIO Capitulo VI - DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAGAO DA PERSONALIDADE JURIDICA esses 67 1. Introdugao 2. Do incidente de desconsideracgdo da personalidade ju- vidica .... 3. Do procedimento 3.1. Incidente de desconsiderag&o da personalidade juridica no curso do processo .... 3.2. Desconsiderac&io da personalidade jurfdica re- querida na inicial 3.3. Modelo de petigaéo do incidente de desconside- ragao da personalidade juridica Capitulo VI - DO “AMICUS CURIAE” 1. Conceito Requisitos Requerimento 2. 3. 4. Procedimento ... 5 Modelo da petic&o “amicus curiae” 94, Capitulo VIII - DAS EXCEGOES DE IMPEDIMENTO E SUS- PEIGAO . 97 1. Introdugio 2. Excecao de impedimento e de suspeicio 3. Procedimento das excecdes de impedimento e suspei- cao 6. Modelo de petigdes de impedimento e suspeicio ...... 109 tt PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana 6.1. Modelo de peticg&o de excecdo de impedimento 109 6.2. Modelo de petig&o de excegao de suspeic&o ..... ait Capitulo IX — PETIGAO INICIAL 1. Petic&o inicial .... Requisitos da petig&o inicial ... Do indeferimento da petic&o inicial Improcedéncia liminar do pedido da petig&o inicial ... vos Poy Modelo de peticio inicial 5.1. Petig&o inicial de ag&o resciso contratual cumu- lada com restituigéo de parcelas pagas e com perdas e danos . . 145 5.2. Modelo de petic&o inicial pleiteando indenizacgio por danos morais {erro médico) . 154 5.3. Modelo de petig&o inicial de acao estimatéria ou “quanti minoris” . 168 5.4. Modelo de peticg&o inicial de agfo de alimen- tos 174 5.5. Agio de obrigacao de fazer com pedido de tutela proviséria de urgéncia cumulada com acgfo de indenizac&o por danos morais por erro médico 177 5.6. Modelo de ag&o reivindicatéria - retrovenda ... 197 Capitulo KX - CONTESTAGAO 1. Conceito .... 2. Aspectos formais da contestacao 12 20008000 HOHHHHOEOHHHOHOHOHOO8OOHSED SUMARIO 3. Impugnac&o ponto a ponto dos pedidos formulados pelo autor na inicial .... 4. Defesa preliminar Defesa material ou de mérito 6. Modelos de contestag&o 6.1. Estrutura de modelo de contestag&o com preli- minar (ilegitimidade passiva do réu e inépcia da inicial) .... 6.2. Modelo de contestag&o 6.3. Modelo de contestac&o com pedido de prelimi- nar Capitulo XI — RECONVENGAO NA CONTESTAGAO E RECON- VENGAO AUTONOMA 233 Conceito .... Finalidade .... 1 2 3. Requisitos 4. Procedimento da reconvenc&o na contestagao e de forma auténoma 4.2. Reconveng&o em pega AUtGNOMA eresssesessereeneere 239 Modelos de Contestac&o com reconvenc4o ee 241 6. Modelo de reconvengéo .......... Capitulo XII - REPLICA... . 249 . 249 250 1. Conceito .... 2. Ocorréncia da réplica 3. Modelo de réplica PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana Capitulo XIII - DA PRODUGAO ANTECIPADA DA PROVA .. 255 1. Conceito 2. Requisitos 3. Modelo de petigaéo — Producg&o antecipada da prova antecedente 4 acao principal 4, Modelo de peticao - Produc&o antecipada da prova antecedente incidental Capitulo XIV - DA EXIBIGAO DE DOCUMENTO OU COISA ... 269 1. Introdugiio . 269 2. Exibigao de documento ou coisa em poder de tercei- ro . 272 3. Modelo de exibic&o de documento ou coisa . 274 3.1. Modelo de exibigéo de documento contra a par- . 274 3.2. Modelo de exibicdo de documento contra tercei- 277 Capitulo XV - DA ARGUIGAO DE FALSIDADE . 281 1. Conceito .... 281 2. Do procedimento . 282 3. Modelo da arguicao do incidente de falsidade. ........... 284 Capitulo XVI ~ LIQUIDAGAO DE SENTENGA . 287 1. Introducéo 287 2. Liquidag&o de sentenga por arbitramento . 289 4 9 80H F000OOO0OOH OOOOH HHOCHHOHOOOOEOO 000000 OOHHHOHHHOHHOEOHHHHHHHHEHSOEEO SUMARIO S. Procedimento da liquidag&o da sentenga por arbitra- mento .. 2390 Liquidac&o da pelo procedimento comum 292 7. Procedimento da liquidacao de sentenga pelo procedi- mento comum .. 8. Modelo de liquidacao de sentenga por arbitramento .... 295 9. Modelo de liquidac&o de sentenga pelo procedimento comum 297 Capitulo XVII - DO CUMPRIMENTO DA SENTENGA ....... 301 1. Introducéo 2. Cumprimento da sentenga que reconhece a exigibili- dade de obrigacdo de pagar quantia Certa ues 303 3. Modelo de impugnag&o 4 sentenGa o..eeccseteces 307 Capitulo XVIII - DA AGAO RESCISORIA 1. ye wD Capitulo XIX — RECURSOS 1. Introducéo Requisitos da ag&o rescis6ria 2... eects Legitimidade de partes .... Procedimento da ac&o resciséria Modelo de ac&o resciséria .... Conceito . Classificagao Pressupostos de admissibilidade Desisténcia e reniincia PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana Capitulo XX - ESPECIES DE RECURSO 1. Recurso adesivo 2. Processamento do recurso adesivo Efeitos an ew 6.2. Modelo do Recurso Adesivo em Recurso de Ape- lag&o 2. Recurso de apelacio 2.1. Introdugfo ... 2.2. Interposig&o do recurso de apelagfo ou... 353 2.3. Efeitos do recurso de apelacao ............ 24. Algumas consideragdes importantes sobre a nova sistematica do recurso de apelac&o_ ......... 356 2.4.1. Questdes resolvidas na fase de conhe- cimento que nao comportam agravo de instrumento .. 357 2.4.2. Alegacéo de fatos novos no recurso de apelacao . 358 2.4.3. Pedido ou defesa com mais de um fun- damento no recurso de apelacg&o 358 2.4.4. Extingao do processo sem resolugao de TMETHEO eee ceeeeseeeeeeseceeseneenesnenneennenneess 360 2.4.5. Nulidade sanavel no curso do processo, quando da interposicao do recurso de apelagao ©0000 OOOTOOOOO OH OOOOH HOOOHOHOOROOEE ©0000 HOHHHHHHHSHHOHHCHHHOHHOHOHSCOHEOCO SUMARIO 2.5. Procedimento do recurso de apelac&o 25. Preparo .... 2.6. Modelo de peticao de interposig&o de recurso de apelacio .. 2.7, Modelo das Razdes do Recurso de Apelaco ..... 372 Agravo de instrumento wieesceessssesssseceneeesssesccnseescsseeees 375 3.1. Introdugao 3.4. Modelo de agravo de instrumento wees 384 Embargos de declaracgéo 4.1. Conceito 4.2. Procedimento 4.3, Embargos de declarag&o com efeito infringen- te... Modelo de embargos de declarac&o para o juiz de di- reito da causa . Recurso ordinario 6.1. Introducgao 6.2, Cabimento 6.3. Processamento ... 6.4. Modelo do recurso ordinario Recursos especial e extraordinario 7.1. Processamento ....... 7.2. Modelo de recurso especial . 7.3. Modelo de recurso extraordinario nario PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana 9, Embargos de divergéncia AL REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 10.1. 10.2. Outros modelos 41.1. 10.2. 10.3. 10.4. 10.5. 10.6. Procedimento Modelo dos embargos de divergéncia ween 448 Agravo interno em recurso especial Modelo de agravo interno em recurso especial 456 Modelo de agravo interposto contra decisdo que nao admitiu recurso extraordinario Modelo de embargos de divergéncia Modelo de Agravo Interno ao Tribunal de Justica que negou seguimento ao Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiga Diferenca entre Agravo Interno enderegado ao Desembargador do Tribunal de Justica e Agravo Intemmo enderecado ao Ministro do Superior Tri- bunal de Justica ©0880 0000 0088088 HHHHHOOHHOHCOHO8OD @ e 6 6 6 e e e e e e e e e 6 6 e e e e e e e e e e e e e e e PROCURAGAO AD JUDICIA 1. CONCEITO Autor e réu devem ser representados em juizo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. Quando os litigantes contratam um advogado, assinam um documento chamado de procuracéo ad ju- dicia. E o instrumento do mandato judicial, utilizado por ele (outorgado) para representar seu cliente (outorgante) nas agoes judiciais. A procuragao ad judicia é o instrumento de mandato. Pode ser conferida por instrumento ptiblico ou por ins- trumento particular assinado pela parte. A procuracao ad judicia por instrumento piblico é elaborada pelo tabelido. A procuragao ad judicia por instrumento particular é aquela produzida pelo préprio advogado. E licito A parte que for advogado postular em causa propria. A ac&o pode ser de qualquer natureza. Nao se PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana esqueca de que, nesse caso, o advogado nao assina pro- curacio ad judicia, porque nao se outorga procura¢ao para si mesmo. Devera, na qualificagao, informar ao juiz de direito que é advogado e esta atuando em causa propria. Tera ainda de declarar, na petic&o inicial ou na contesta- c&o, o endereco, seu niimero de inscrig&o na Order dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimacoes. Precisa também informar o juizo sobre qualquer mu- danca de endereco. Se o advogado nao registrar essas informacdes, o juiz de direito mandaré que supra essas omissées, no prazo de 05 (cinco) dias, antes de determinar a citac&éo do réu, sob pena de indeferimento da peticdo inicial. Por fim, se o advogado n&o informar ao juiz sobre qualquer mudanga de endereco, e as intimagdes dos ter mos e atos processuais forem enviadas ao endereco antigo, serao consideradas validas. O advogado n&o podera postular em juizo sem procura- c&o, exceto para evitar preclusio, decadéncia ou prescricao, ou para praticar ato considerado urgente; no entanto, de- vera exibir a procuracdo ad judicia no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogavel por igual periodo por despacho do juiz. £ importante salientar que 0 advogado deve protocolar a procurac&o parva ratificar os atos processuais praticados sem a procuracg&o. Se nao o fizer, os atos serao ineficazes e o advogado respondera pelas despesas, perdas e danos. 08200800 8OOOOOO8OHOHHHHOHOHHHOHHOHOEOS ©0000 O8 OHHH OH OH OOOOH HOHHHOHOHCHOECHEEOO Capitulo | PROCURACAO AD JUDICIA 2, EXTENSAO DOS PODERES CONFERIDOS PELO OUTORGANTE AO ADVOGADO De acordo com o tipo de procurag&o ad judicia, ela pode ser geral ou com poderes especiais. A procuracio ad judicia com poder geral abrange todos os negécios do mandante. Nesse caso, segundo o art. 105 do CPC, habilita o advo- gado a praticar todos os atos do processo. Por exemplo: distribuir a peticao inicial, apresentar contestac&o, interpor agravo de instrumento etc. A procuragio ad judicia com poderes especiais confere ao advogado a receber citacao, confessar, reconhecer a procedéncia do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a acao, receber, dar quitac&o, firmar compromisso e assinar decla- rag&o de hipossuficiéncia econémica, que devern constar de clausula especifica. Quando o advogado requerer justica gratuita a favor de seu cliente, devera incluir na procuragéo ad judicia cléusu- la especifica para assinar declarag&o de hipossuficiéncia a favor de seu cliente. Se o cliente nao for efetivamente hipossuficiente, o advogado responderé civil, criminal e administrativamente, uma vez que tem o dever de atuar com idoneidade e ética durante o andamento processual. No dia a dia forense, o advogado nfo precisa firmar declaracao de hipossuficiéncia, podendo requerer a gra- tuidade da justiga na peticHo inicial, na contestag&o, na petigao para o ingresso de terceiro no processo ou em recurso, de acordo com o ari. 99 do CPC. 2 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana A procurag&o pode ser assinada digitalmente, na for- ma da lei. Devera conter ainda o nome do advogado, seu ntimero de inscricio na Ordem dos Advogados do Brasil e endereco completo. Convém acrescentar ainda o numero do RG e do CPF/ME. Se 0 advogado integrar sociedade de advogados, a pro- curacao também devera conter o nome da sociedade, seu niimero de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereco completo. DispGe o art. 107 do CPC que o advogado tem direito a: I-examinar, em cartério de forum e secretaria de tribu- nal, mesmo sem procurac&o, autos de qualquer processo, independentemente da fase de tramitacao, assegurados a obtencAo de cépias e o registro de anotacées, salvo na hipétese de segredo de justica, nas quais apenas 0 advo- gado constituido tera acesso aos autos; Il-requerer, como procurador, vista dos autos de qual- quer processo, pelo prazo de 05 (cinco) dias; Ill — retirar os autos do cartério ou da secretaria, pelo prazo legal, sempre que neles couber falar por determi- nac&o do juiz, nos casos previstos em lei. Ao receber os autos, o advogado assinara carga em livro ou documento préprio. Se o prazo for comum as partes, os procuradores poderao retirar os autos somente em conjunto ou mediante prévio ajuste, por petigao nos autos. 22 PRE RR ERRATA ET RARER RAEI SS 00000 OH HOHHHHHOHHHOHHHHHHOHOHHBOECOSD Capitulo | PROCURACAO AD JUDICIA E licito ao advogado, quando o prazo for comum, retirar os autos para obtengao de cépias, pelo prazo de 2 (duas) horas a 6 (seis) horas, independentemente de ajuste e sem prejuizo da continuidade do prazo. O procurador perder no mesmo processo o direito a fazer carga dos autos do processo se nfo devolvé-los tempestivamente, exceto se 9 prazo for prorrogado pelo juiz. Nao é necessArio reconhecer firma da procuracao ad Judicia. No entanto, se a procurac&o for ad judicia et extra, devera ter firma reconhecida. Isso porque essa procura- cao pode ser utilizada tanto nos autos do processo como fora dele, corn todos os poderes que foram conferidos ao procurador. Se a procuracio ad judicia et extra for utilizada apenas nos autos do processo, entéo néo ha necessidade do reconhecimento de firma. 23 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana 3. MODELO DA PROCURAGAO AD JUDICIA COM PODERES PARA O FORO EM GERAL | PROCURACAO “AD JUDICIA” ' Pelo presente instrumento particular de mandato, SICRANO DE TAL, brasileiro, casado, empresario, portador da Céwdula de | Identidade RG/SP/SSP n. devidamente inscrito no CPF/MF n. residente e | domiciliado na Rua n. ___, no bairro de nesta Capital, CEP nomeia e consti- tui seu bastante procurador o advogado Fulano de Tal, brasi- leiro, casado, portador da Cédula de Identidade RG/SP/SSP n. e do CPF/MF n. devide- mente inscrito nos Quadros da Ordem dos Advogados do Brasil — Seccdo de — com escritério profissional situado na Rua n. no bairro de nesta Capital, CEP nesta Capital, conferindo-lhe plenos e gerais poderes, com a clausula ad judicia, a fim de representar os interesses do outorgante em qualquer Juizo, Instancia ou Tribunal, podendo propor contra quem de direito as acdes competentes, bem como funcionar na defesa das con- trarias, seguindo umas e outras até final decisdo, usando todos os recursos legais e acompanhando-os até o transito em julgado, inclusive para assinar declaragdo de hipossuficiéncia econdmica e ainda substabelecer esta a outrem, com ou sem reserva de iguais poderes, dando tudo por bom, firme e valioso. Local e data. 24 ©8000 0000008 OOOOHHOHOHHOHOH OOOOH OCOO SOHOHSOHSSHSHSSHSSHOHSHSHSHHHHHSHHSHHSCHOHHOHSEH _ Capitulo | PROCURAGAO AD JUDICIA 4, MODELO DA PROCURAGAO AD JUDICIA COM PODERES PARA O FORO EM GERAL E PODERES ESPECIAIS PROCURACAO “AD JUDICIA” SICRANO DE TAL, brasileiro, casado, empresario, portador da Cédula de Identidade RG/SP/SSP n. devidamente inscrito no CPF/MF n. residente e domiciliado na Rua n no bairro de nesta Capital, CEP pelo presente instrumento nomeia e constitui seu bastante procurador bastante procurador o advogado Fulano de Tal, brasileiro, casado, portador da Cédula de Identidade RG/SP/ SSP n. e do CPF/MF n. , devidamente inscrito nos Quadros da Ordem dos Advogados do Brasil — Secc&o de — com escritério profissio- nal situado na Rua n. __, no bairro de nesta Capital, CEP , telefone nesta Capital, conferindo-lhes plenos e gerais poderes, com a clausula ad judicia, a fim de representar os in- teresses do outorgante em qualquer juizo, instancia ou tribunal, podendo propor contra quem de direito as agdes competentes, bem como funcionar na defesa das contrarias, seguindo umas e outras até final deciséo, usando todos os recursos legais e acompanhando-os até o transite em julgado, concedendo-lhes, ainda, poderes especiais para confessar, reconhecer a proce- déncia do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre © qual se funda a agdo, receber e dar quita¢ao, firmar com- promisso, assinar declaragao de hipossuficiéncia econdmica e 5 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana — ~ a se ‘praticar todos os demais atos que se fizerem necessérios ao fiel i cumprimento deste mandato, podendo, ainda, substabelecer i 6 ©0000 00H SOOO OEOOOHHHHHOHO6 OOOOH OEOE SOCOHOHSHSHSSHHHEHSBHSEHHHOHOCHHHHHCOHOCHCEEOO Capitulo | PROCURACAO AD JUDICIA 5. MODELO DA PROCURAGAO AD JUDICIA ET EXTRA PROCURACAO “AD JUDICIA” SICRANO DE TAL, brasileiro, casado, empresdrio, portador da Cédula de Identidade RG/SP/SSP n. devidamente inscrito no CPF/MF n. residente e domiciliado na Rua ni, no bairro de nesta Capital, CEP pelo presente instrumento nomeia e constitui seu bastante procurador bastante procurador o advogado Fulano de Tal, brasileiro, casado, portador da Cédula de Identidade RG/SP/ SSP n. e do CPF/MF n. devidamente inscrite nos Quadros da Ordem dos Advogados do Brasil — Secgio de — com escritério profissio- ' nal situado na Rua n. ___, no bairro de nesta Capital, CEP telefone nesta Capital, conferindo-lhes plenos e gerais poderes, com a clausula ad judicia et extra, a fim de represen- tar os interesses do outorgante em qualquer juizo, instancia ou tribunal, podendo propor contra quem de direito as agdes competentes, bem como funcionar na defesa das contrarias, seguindo umas e outras até final decisdo, usando todos os : recursos legais e acompanhando-os até o transito em julgado, concedendo-lhes, ainda, poderes especiais para confessar, re- conhecer a procedéncia do pedido, transigir, desistir, renunciar —' ao direito sobre o qual se funda a acdo, receber e dar quitagao, : firmar compromisso, assinar declaraco de hipossuficiéncia ioe es cone — 27 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana econémica e praticar todos os demais atos que se, fizerem necessdrios ao fiel cumprimento deste mandato, inclusive propor e acompanhar processo administrative de concessao de beneficio previdencidrio no INSS, Bei stig, ainda, substa- belecer esta a outrem, com ou sem reserva dei iguais poderes, dando tudo por bom, firme e valioso. Local e data. 28 SCOOHHHSHOSHOHOSHOOHOHOHOHHSHHHSSOSCOOCOOEOCE SOCOHSHSSHSOSSSESSHSSSSCHHOSSHSHSHSSCECHOCEOEEEOCO Capitulo 1 PROCURACAO AD JUDICIA 6. MODELO DE PROCURAGAO AD JUDICIA PARA INTEGRANTES DE SOCIEDADE DE ADVOGADOS PROCURACAO AD JUDICIA Pelo presente instrumento particular de manda- to, NTL COMUNICAGOES LTDA., inscrita no CNP) sob n. estabelecida nesta Capital, na Ave- nida n Centro, CEP , nesta Capital, telefones con- tato@ntlcomunicacoes.com.br, neste ato, representada por seu representante legal Fulano de Tal, brasileiro, casado, ad- ministrador de empresas, portador da Cédula de [dentidade RG/SP/SSP n. devidamente inscrito no CPF/MF sob o n. fulanode- tal@comunicacoes.com.br, residente e domiciliado na Ave- nida n. ___, no bairro de CEP , nesta Capital, de acordo com o contrato social, nomeia e constitui como seus procuradores os advogados Beltrano de Tal, brasileiro, casado, advogado, portador da Cédula de Identidade RG/SP/SSP n. e do CPF/MF sob on. devidamente inscrito nos Quadros da Ordem dos Advogados do Brasil — Secc3o de So Paulo — sob o numero e Sicrano de Tal, brasileiro, casado, advogado, inscrito na Ordem dos Advogacos do Brasil — seco Sao Paulo — sob o nimero ambos com escritdrio profissional situado na Rua ne no bairro de CEP , nesta Capital, in- tegrantes da sociedade de advogados 2g PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil ~ Seccdo de Sdo Paulo—sobon. edo CNPJsobon. com sede nesta Capital, na Rua n no i bairro de Centro, CEP telefone , conferindo-lhes plenos e gerais poderes, com a clausula ad judicia, a fim de representar os interesses do outorgante em qualquer juizo, instancia ou tribunal, po- dendo propor contra quem de direito as agdes competentes, bem como funcionar na defesa das contrarias, seguindo umas e outras até final deciséo, usando todos os recursos legais e acompanhando-os até o transito em julgado, concedendo-lhes, ainda, poderes especiais para confessar, reconhecer a proce- ' déncia do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre © qual se funda a acdo, receber e dar quitacdo, firmar com- promisso, assinar declaragdo de hipossuficiéncia econémica e praticar todos os demals atos que se fizerem necessarios ao fiel ' cumprimento deste mandato, podendo, ainda, substabelecer esta a outrem, com ou sem reserva de iguais poderes, dando i tudo por bom, firme e valioso. Local e data. 30 000080 FHOOFHHCOOEHEHOHHHHOHOOEOOCOCOCEOOSEOCS e e e e e e 6 6 e ° e e e ° ° e ® 6 e 6 e e e ° e e ° e e e e os SUBSTABELECIMENTO 1. CONCEITO O substabelecimento é o meio pelo qual o mandatario transfere para outro advogado os poderes que lhe foram outorgados pelo mandante. Pode ser substabelecido com ou sem reserva de poderes. Com reserva de poderes, o ad- vogado que substabeleceu para o outro fica representando o mandante na demanda. Sem reserva, 0 advogado deixa definitivamente de representar o outorgante. A procuragao ad judicia tem de registrar a autorizacao para substabelecer. Se o mandante proibir o substabele- cimento, o mandatario devera excluir da procuragao ad Judicia os poderes para o substabelecimento. Se mesmo assim o mandatario se fizer substituir no cumprimento do mandato, ele respondera ao seu constituinte pelos prejuizos ocorridos no processo, ainda que tenham sido provenientes de caso fortuito, exceto se o mandante provar PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana que o prejuizo teria acontecido meso que nfo tivesse havido substabelecimento. O cliente do advogado deve estar ciente do substabele- cimento com ou sem reserva de poderes, porque este ato envolve duas questées relevantes: confiabilidade e ética. Quando o cliente contrata o advogado, existe confiabilidade entre eles. A escolha pode ter sido realizada por indicagao, por especializagéo ou mesmo porque advogado e clientes sao amigos. Por isso, 0 substabelecimento do mandato exige prévio conhecimento do cliente. A ética esté relacionada exatamente com o prévio co- nhecimento do cliente. Ora, o cliente outorgou mandato ao advogado de sua confianga. Dai exigirse que o advogado esclareca ao cliente que o substabelecimento outorga po- deres a outro advogado que, muitas vezes, nado é da con- fianca do cliente. A cientificacio do substabelecimento ao mandante é de suma importancia, uma vez que o cliente pode n&o autorizar. No caso do substabelecimento sem reserva de poderes, o outorgante tem o direito de escolher outro advogado de sua confianga. 82 SOHOHOHSHSHOSSHSSHREOKCOSCHOOHSHOSOSCOEOOCHOHSECOCS SOCHHHSNHOHSSSSESHSHSSHOSHSHSHSSHSSHHHSHEEEEO Capitulo II SUBSTABELECIMENTO 2. MODELOS DE SUBSTABELECIMENTO 2.1. Modelo de substabelecimento com reserva de poderes SUBSTABELECIMENTO Pelo presente instrumento particular e na melhor forma de direito, substabeleco, sem reserva de iguais, os poderes que me foram conferidos por Fulano de Tal, devidamente qualificado | nestes autos de processo, a fim de representa-lo diante da / ____ Vara Civel da Comarca de nos autos da agado de , Processo n. ao advogado Sicrano de Tal, brasileiro, casado, advogado, devida- mente inscrito nos Quadros dos Advogados do Brasil, Seccio sobon. portador do RG/SP/ SPP n. , fulano@bol.com.br, devidamente inscrito no CPF/MF n. fissional estabelecido na Rua com escritorio pro- n. no bairro de , CEP nesta Capital. Local e data. Assinatura, nome e OAB PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana 2.2. Modelo de substabelecimento sem reserva de poderes SUBSTABELECIMENTO Fulano de Tal, brasileiro, casado, advogado, devidamen- te inscrito nos Quadros dos Advogados do Brasil, Secgdo sob on. , portador do RG/SP/ SPP n. , fulano@bol.com.br, devidamente inscrito no CPF/MF n. com escritério pro- fissional estabelecido na Rua n.__, no bairro de CEP nesta Capital, substabe- lece com reserva de poderes na pessoa do advogado Sicrano de Tal, brasileiro, casado, advogado, portador do RG/SP/SPP n. , sicrano@bol.com.br, devidamente ins- com escritério pro- crito no CPF/MF n. ‘ fissional estabelecido na Rua n.__, no : bairro de CEP , hesta Capital, os poderes conferidos por Empresa Sucesso Total, mediante o Instrumen- to Particular de Mandato nos Autos da Acao de que move em face de perante a Vara Civel da Comarca de Local e data. Assinatura, nome e OAB. 34 SHOOCHHHSOHSSHSSSOHSOKEOHCHSHOHHHNESSSHOS OO LOEECOS @ ® e 6 @ e e e ® e e e e ® ® © e e ® e © e @ e e e e e e e e @ ® e e e DA ASSISTENCIA 1. CONCEITO Assisténcia é o meio pelo qual um terceiro (assistente) que tem interesse juridico numa determinada demanda ingresse nela para auxiliar autor ou réu (assistido), visto que os efeitos da sentenca da acao atingir&o tanto o assis- tido quanto o assistente. Esse instituto juridico encontra-se previsto nos arts. 119 a 124 do CPC. Convém salientar que sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente serd considerado seu substituto processual. A posicéo do assistente é de terceiro que tenta auxiliar uma das partes e obter vitéria no processo. O assistente nado defende direito préprio, mas direito alheio. O conceito de assisténcia apresenta pelo menos dois requisitos essenciais para o cabimento desse instituto juridico, a saber: PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana a) acao judicial em andamento; b) terceiro que tenha interesse juridico na demanda. Ora, como o terceiro interviré na lide, isso somente sera possivel com a existéncia de uma dermanda. Além disso, a assist€ncia é acao judicial acesséria, uma vez que se a aco principal for extinta, ocorrera o mesmo com a assis- téncia. Um “terceiro” nao é considerado parte no processo. Em razdo disso, ele deve demonstrar o interesse juridico da demanda, ou seja, deveré demonstrar por meio de um raciocinio convincente que se o assistido perder a causa, a sentenca ira causarlhe prejuizo juridicamente relevante. O grau de intensidade do interesse juridico do assistente indicara o seu enquadramento na assisténcia, porque ha duas espécies, a saber: a) assist@éncia simples ou adesiva: o assistente inter- vém no processo para auxiliar autor ou réu, sem defender direito préprio; b) assisténcia litisconsorcial ou qualificada: o assis- tente defende direito préprio erm face de uma das partes. Assim, passa a ser litisconsorte no processo e nao um mero assistente. O assistente litisconsorcial mantém re- lacio juridica prépria com o litigante da parte assistida. Exemplo de assistente simples: sublocatario, em agao de despejo movida contra o locatario, cuja sentenga desfa- voravel ao locatério certamente atingira o sublocatario. 36 SCOHHHOSSHSHSHOSOSEOSOSCHSHOHHSHOECHEOECOCCOSEESCOS SOCOHOHOKHCSHSHSHOSESESHHOHOSHEHOHHOHHHEHHECHEEOCEH Capitulo Il DA ASSISTENCIA Exemplo de assistente litisconsorcial: o herdeiro que as- siste o espdlio em acao judicial. A assisténcia pode ser proposta em qualquer tipo de procedimento e em todos os graus de jurisdic&o, dando, portanto, ao terceiro a oportunidade de requerer 0 seu ingresso no processo, como assistente, tanto em primeiro quanto em segundo grau, em qualquer tipo de procedi- mento, ou seja, procedimento comum, especial e jurisdigfio voluntaria, exceto no processo de execucio. E possivel propor a assisténcia até mesmo nos casos de embargos do devedor, uma vez que ele tem natureza de aciio de conhecimento. Devemos observar que, ao ingressar no processo, o assistente receberé o processo no estado em que se en- contra, isto é, nféo poderé praticar quaisquer atos ou requerer provas que foram praticadas ou requeridas em atos processuais anteriores 4 sua entrada. Portanto, se 0 assistente ingressa no processo depois de ja decorrido o prazo para oferecer a contestacdo, nao poderé mais con- testa-la e assim por diante. 2. FINALIDADE © assistente nao protege direito préprio, mas defende direito de um dos demandantes, embora tenha interesse a ser protegido indiretamente em virtude da sentenga, cujo efeito podera atingi-lo. a7 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana 3. CABIMENTO O assistente podera interferir na relag&o juridica pro- cessual de outrem somente se tiver interesse. Ressaltamos que o interesse do assistente n&o tern o escopo de prote- ger seu direito subjetivo, uma vez que no forma relagao juridica processual com os litigantes. Esse interesse ha de ser juridico, por isso o art. 119 do CPC preleciona que o assistente deve ter interesse juridico para interferir no processo no qual nao é parte. A assisténcia é cabivel no processo de conhecimento, por isso abrange o procedimento comum e de jurisdi¢ao voluntaria. Também nao ha impedimento legal para propor a assisténcia nos processos de procedimento especial, nas acdes monitérias e nos embargos do devedor. 4, ATUAGAO DO ASSISTENTE NO PROGESSO A atuacéo do assistente no processo sera delimitada de acordo com a espécie de assist@ncia, ou seja, simples ou litisconsorcial. Em sendo admitido, 0 assistente podera exercer os seguintes atos: a) seré admitido como auxiliar da parte principal, b) exerceré os mesmos poderes que 0 assistido; c) deveré sujeitarse aos mesmos 6nus processuais que © assistido. 38 SPOOHHSHSNSHSHSHSHSSHSHSHOHSSHSHOHSOKSEHSSCSCHEOCOOCOECESOCO Capitulo Il DA ASSISTENCIA Devemos observar, em primeiro lugar, que 0 artigo 121, do Cédigo de Processo Civil utiliza a express&o “auxiliar da parte principal’. Nesse caso, trata-se do assistente simples e nfo litisconsorcial. O assistente ‘simples é mero auxi- liador do assistido. Ainda que o assistente n&o seja parte na causa, exerce os mesmos poderes do que o assistido, tais como, produzir provas, contestar, opor-se a atos da parte contraria, recorrer etc. Nao podera praticar nenhum ato contrario 4 defesa do assistido, visto que o direito em discusso é do assistido e nao de ambos. Alguns atos pro- cessuais praticados pelo assistente est&o sujeitos aos atos realizados pelo assistido. Exemplos: o assistente sé pode arrolar testemunhas se 0 assistido nfo desistir da produgao de provas; pode recorrer da sentenga, se o assistido nao tiver renunciado ao direito de fazé-lo etc. O assistente também fica sujeito aos mesros 6nus que forem. atribuidos ao assistido, como, por exemplo, paga- mento proporcional das despesas processuais. No caso de honorarios advocaticios, o assistente ndo sera condenado neles nem os recebera, caso o assistido seja o vencedor. Por sua vez, o artigo 124 do novo Cédigo de Proces~ so Civil ensina que: “Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentenga influir na relag&o juridica entre ele e o adversario do assistido.” Esse artigo trata do assistente litisconsorcial, visto que ele é praticamente parte no processo. A redacao da lei nao deixa divida sobre o assunto: “... toda vez que a sentenga influir na relag&o juridica entre ele e o adversario do assistido.” 0 30 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL - Joseval Martins Viana verbo “influir” significa “produzir certos efeitos”. Quando a sentencga produzir efeitos juridicos entre o assistente e 0 adversario do assistido, trata-se de assistente litisconsor- cial. Como se sabe, esse tipo de assistente defende direito proprio contra o adversario do assistido. Podemos exemplificar da seguinte forma: um determi- nado condémino propée demanda reivindicatéria contra quem indevidamente se apossou do condominio. Os de- mais condéminos poderiam propor separadamente a mes- ma acao judicial, porém optararn por ingressar naquela demanda ja em curso e o fazem na qualidade de assis- tentes do condémino que ja havia ajuizado a demanda, tornando-se, assim, assistentes litisconsorciais, porque a sentenca proferida na ac&o reivindicatéria atingira todos os demais condéminos. © procedimento aplicado para o assistente simples in- gressar na causa é o mesmo para 0 litisconsorcial. O pedido de intervencao seguira os mesmos passos enumerados no artigo 120 do CPC, a saber: elaboracéo de petic&o inicial, intimacio das partes, impugnacao no prazo de quinze dias, provas e decis&o, cujo recurso é 0 agravo de instrumento (art. 1.015, IX, do CPC). Tudo isso sem a suspensfo do pro- cesso principal. Em suma, 0 que se aplica no procedimento do assistente simples, aplica-se no litisconsorcial. Notemos, ainda, que nao se aplica o disposto no artigo 122 do Cédigo de Processo Civil para o assistente litiscon- sorcial: “A assisténcia simples nao obsta a que a parte principal reconhega a procedéncia do pedido, desista da 40 SOHCHOSHSOSHTTPHSSSSEHSHOHCOHSHEHOSSEHSCHOHOOCCESOOOE SCOHOSNSESHSSHSSSOHSESCHSEHOHSHHSHHECHOSCHHHOOE Capitulo III DA ASSISTENCIA ac&o, renuncie ao direito sobre o que se funda a aco ou transija sobre direitos controvertidos.” O assistente litisconsorcial néo pode desistir da ag&o, reconhecer o pedido ou renunciar ao direito em que se funda a ac&o. Salientemos que o assistente litisconsor cial é aquele que mantém relacao juridica prépria com o adversario da parte assistida e que poderia desde o inicio ingressar na demanda como litisconsorte facultativo. 5. PROCEDIMENTO Inicialmente, faz-se necessario reforgar a ideia de que o instituto da assisténcia pode ocorrer em qualquer tipo de procedimento e em qualquer grau de jurisdic&o, entre- tanto, o assistente recebe o processo no estado em que se encontra. A peticao é elaborada corn base no art. 319 e 320 do CPC. Essa peticaéo apresenta duas excegdes: requer-se a intimacdo das partes e nao se da valor 4 causa. A petigao é enderecada ao juiz de direito que tomou conhecimento da ag&o entre os demandantes. Devemos qualificar o as- sistente, bem como as partes que serao ouvidas e poderao impugnar o pedido do assistente no prazo de cinco dias, contados da intimag&o. Essa intimacao é feita na pessoa dos advogados dos litigantes. Se nao houver impugnacao, 0 juiz poder ou nao admi- ti-la ern seus respectivos termos, deferindo ou indeferindo 41 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana o pedido. Em havendo impugnagao de qualquer das partes, alegando falta de interesse juridico para intervir a favor do assistido, 0 juiz decidira o pedido incidentalmente nos préprios autos. Uma vez que o julgamento do incidente sera por meio de decisdo interlocutéria, 0 recurso sera agravo de instrumento (art. 1.015, Ix, do CPC). 42 SSCHHOHHSNSHHRSFPSSSHSHSHSSCHSSESOHOSCHSSOSSEOCOCECOCE SOCHOHOSHSSCHOSSHSOSSSHSSSHSHEHSHSHEHOSHSCECHESEEESOSS Capitulo III DA ASSISTENCIA 6. MODELO DA PETICGAO DE ASSISTENCIA EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 332 VARA CIVEL DO FORO CENTRAL Autos do Processo n. 123.456.789.10 Nome completo, estado civil [exist€ncia de unigo esté- vel], profisséo, portador da Cédula de Identidade RG n. [...], devidamente inscrito no CPF/MF n. [...], endereco eletrénico, residente e domiciliado na Rua [...] n. L...], no bairro de [...], CEP [..., nesta Capital, vem, mut respeitosamente, @ presenga de Vossa Exceléncia, por intermédio de seu advogado e bastante procurador infra-assinado (Procuragao “ad judicia” em anexo), com fundamento nos artigos 121 a 123 do Cédigo de Processo Civil, nos autos da aco em epigrafe, promovida por [Nome completo] em face de [Nome completo], intervir na demanda como ASSISTENTE DO REU, de acordo com os motivos de fato e de direito abaixo expostos: 1. A aco principal versa sobre agao de despejo cominada com cobranga de alugueres. Segundo consta da inicial, o as- sistido n&o teria pagado os seis tiltimos meses de alugueres. Agora, o assistido sofre as consequéncias da acao judicial de despejo por falta de pagamento. 2. O assistente é sublocador do assistido e esté amparado pela 52 cldusula do contrato de locag#o que permite ao lo- cador sublocar o imével. Assim, se o locatdrio for despejado, 43 PRATICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL + Joseval Martins Viana os reflexos jurfdicos da sentenga alcancar&o o assistente. Ha, portanto, interesse juridico em que a sentenga seja favoravel ao assistido. 3. Preleciona o art. 119 do CPC que: “Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro, juridicamente inte- ressado em que a sentenga seja favoravel a uma delas podera intervir no processo para assisti-la.” Segundo o teor desse artigo, a assisténcia é perfeitamente possivel nesta ago, pois 0 assistente tem interesse juridico na demanda, visto que a sentenga proferida nestes autos influird na relagao juridica o assistente e o adversério do assistido. 4, Neste sentido, dispde o aresto abaixo colacionado: “O instituto da assisténcie, de acordo com o art. 119 do CPC, tem lugar quando, pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, existe interesse juridico de terceiro em que a sentenca seja favoravel a uma delas, ocasiéo em que poderé intervir no processo para assisti-la, Ha interesse jurfdico de terceiro quando a relacao jurfdica da qual seja titular possa ser reflexamente atingida pela sentenga que vier a ser proferi- da entre assistido e a parte contraria. O interesse meramente econémico ou moral nao enseja a assisténcia, se no vier qualificado como interesse também juridico.” (NERY JUNIOR, Nelson @ NERY, Rosa Maria de Andrade. Cédigo de Processo Civil Comentado e Legislag&o Extravagante. 9 ed., rev., ampl., e atual. — Sdo Paulo : Revista dos Tribunais, 2006, p. 232). (ST), REsp 779,775/MT, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, jul. 10.04.2007, DJ 31.05.2007, p. 347). 5. Convém observar que o litisconsdércio somente é au- torizado nos casos de sublocaco legitima, ou seja, quando 44 SOSCHOCHSHOSHSHCSOHEOHSSOHSOCHESSHEOSSSEESESEOS