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1.Nas igrejas batistas as Escrituras Sagradas são o único fundamento de fé e conduta.

Em nossa maneira de interpretá-la não prosperam os extremos do fundamentalismo


ou do liberalismo. Para nós, nenhum outro documento ou livro se aproxima nem de
perto da autoridade da Bíblia.
2.Cada crente batista exerce o privilégio do livre e responsável exame da Palavra de
Deus. Apreciamos uma leitura piedosa e respeitosa da Bíblia. Respaldamos nosso
estudo do texto bíblico numa exegese fundamentada cientificamente e no uso de
consistentes regras da hermenêutica.
3.Cremos que a Bíblia é sua melhor intérprete, não se contradiz, mas se complementa.
É palavra divina, revelação progressiva de Deus e de Sua vontade, escrita por seres
humanos inspirados pelo Espírito Santo, que respeitou as peculiaridades de suas
personalidades e da estrutura cultural de cada tempo, sem que ela perdesse sua
extraordinária unidade. O Espírito Santo hoje não mais inspira novas verdades, mas
ilumina as mentes dos que a leem com fé para compreenderem as verdades já
reveladas.
4.Entre nós predomina o conceito de igreja local. Somos as igrejas batistas no Brasil
e não a igreja batista. Nossa união denominacional se dá por um processo que
reconhecemos ser mais difícil, mas muito mais maduro e coerente com a liberdade
com que Deus nos criou, e que exige extrema grandeza, desprendimento e sabedoria
de todos nós: a cooperação voluntária.
5.Nossas igrejas são autônomas, mas não independentes ou autossuficientes.
Valorizamos a interdependência e a comunhão fraterna com as igrejas coirmãs. Não
obstante nossas igrejas se autogovernarem, primam por serem submissas à soberana
vontade de Deus, às orientações de Sua Palavra e fiéis às doutrinas e princípios que
concordemente julgamos coerentes com as Escrituras.
6.Formamos uma Convenção de igrejas e espontaneamente decidimos nos unir a ela,
para preservação da identidade e da unidade doutrinária para viabilizar maiores
realizações para o Reino de Deus, contribuindo com recursos financeiros e humanos
para seu crescimento, seguindo suas orientações, diretrizes e filosofia, definidas,
aliás, pela demonstração da vontade da maioria e entendidas como expressão de
nossa compreensão da vontade de Deus contidas na Sua Palavra. Quando pensamos
ou queremos agir de maneira diferente, consideramos dignos nos desfilarmos da
denominação e respeitarmos todos os direitos legais e morais, inclusive patrimoniais
do grupo que deseja manter-se fiel aos princípios de fé batistas.
7.Nossa Convenção se estrutura por áreas afins à missão da igreja, que é a
implantação do reino de Deus. Com a união dos esforços de todas as nossas igrejas,
pois uma isoladamente não conseguiria tanto, podemos realizar com mais eficácia e
volume a obra de evangelização do Brasil e do mundo, a obra de ação social, de
educação cristã e de formação teológico-ministerial.
8.. Nossas igrejas são democráticas. Adotamos um governo congregacional. Cada
membro tem direito a voz e voto. Prevalece a vontade da maior parte. Quem perde,
humildemente, segue a maioria. Temos ciência, entretanto, de que mesmo a vontade
da maioria e até a unanimidade pode, em algum momento, não representar a vontade
de Deus e, muitas vezes, algumas decisões podem ser revistas.
9. Somos avessos ao autoritarismo, mas entendemos a importância da autoridade,
principalmente a espiritual. Temos mecanismos regimentais para mudar nossa
liderança quando ela não está servindo bem. Não somos presbiteriais (governo de
alguns) ou episcopais (governo de um). Não temos líderes infalíveis nem prosperam
entre nós, por muito tempo, donos da verdade e da última palavra.
10. Sabemos para onde vão os recursos arrecadados em nosso meio. Podemos
definir onde vão ser gastos e, ainda melhor, receber periodicamente relatórios
auditados das entradas e saídas. Nosso mundo batista é mais transparente.
11. Nossas igrejas mantêm-se separadas do Estado. Queremos ser a consciência do
Estado, voz profética fiel, incontaminável, irrepreensível, orientadora e questionadora
do poder público, politicamente somos apartidários, o que não impede que os
membros individualmente façam suas opções. Como parte do reino de Deus, usamos
nossa influência na busca da construção de um mundo melhor e de uma sociedade
mais justa.
12.Entendemos que não devemos receber favorecimentos ou doação de recursos
públicos para a manutenção de nossos cultos, templos e ações evangelísticas.
Entretanto, consideramos como legítimas, extensivo a todas as confissões religiosas,
as imunidades tributárias constitucionais em função de nossa natureza não econômica
e dos enfoques sócio espirituais de nossa missão. Não nos opomos à formalização
de parcerias públicas ou privadas para projetos sociais, em prol dos mais pobres,
desde que elas não comprometam nossa autonomia, princípios éticos e autoridade
espiritual.
13. Como batistas, preconizamos a absoluta liberdade de consciência. Defendemos
que todos têm liberdade para escolher sua religião, pregar suas convicções,
respeitando direitos e crenças alheias. Acreditamos que cada pessoa é livre e
responsável diante de Deus. Entretanto, somos impelidos a anunciar a todos, com
obstinação e sabedoria, aquilo que firmemente cremos, para que tenham a liberdade
de poder aceitar ou rejeitar.
14.Abraçamos o sacerdócio universal de todos os crentes. Todos têm acesso direto
ao Pai. Nossos pastores não são gurus ou mediadores. São profetas, intérpretes da
Palavra revelada de Deus. São seres humanos, um pouco mais preparados e
convictos da convocação divina para o ministério pastoral. Não são proprietários ou
concessionários de bênçãos celestiais. São pessoas comuns, mas chamadas e
capacitadas por Deus, para instruírem e cuidarem do rebanho do Senhor. Nossos
pastores não são donos do rebanho, nem vão prestar contas diante de Deus por
ovelhas que se dispersam, mas, sim, pelo ministério para o qual foram convocados,
se o cumpriram bem. Para nós, todos os salvos somos ministros e intercessores diante
de Deus e a verdade revelada está disponível a todos
15.Não temos pressa para batizar ninguém. Queremos ver, antes, naquele que quer
ser batizado, evidências de crente regenerado e ter alguma certeza de que cada
batizando está ciente do preço a ser pago por um discípulo de Cristo. Por isso,
também, não batizamos bebês ou crianças, que não podem ter plena consciência
disso, até porque não achamos que o batismo em si produza salvação. Só o tempo e
os frutos dirão se o batismo representou realmente uma conversão verdadeira.
16.Entendemos como biblicamente adequado o batismo por imersão, por simbolizar
melhor o novo nascimento (morte para o mundo e ressurreição para uma nova vida
em Cristo) e a identificação com a morte e ressurreição de Cristo, sem deixar de ter
como irmãos em Cristo aqueles que foram batizados de outra forma, mas sob a égide
de uma genuína fé em Jesus Cristo.
17.A Ceia que celebramos não é santa. Santo é o Senhor da ceia. Não entendemos
que os elementos mudem de substância, ou passem a possuir qualquer presença
mística divina. Na ceia do Senhor, nenhuma graça e unção de mistério são
transmitidas ou conferidas, a não ser a bênção da comunhão, da gratidão, da
recordação, do memorial do bendito sacrifício de Cristo na cruz.
18. Aguardamos com serenidade e expectativa a volta de Jesus, o juízo final e a
entrada no novo Céu e na nova Terra para qualquer tempo. Enquanto isso, queremos
ser sal e luz e instrumentos usados por Deus para implantação dos valores do Reino
neste mundo. Não somos prisioneiros de sistemas escatológicos detalhistas, de
dispensacionalismos esquemáticos rígidos ou de milenismos literais.
19.Não compactuamos com promessas vãs de prosperidade para os que contribuem.
Dizimamos por obediência a Bíblia, por consciência da necessidade da obra e pela
alegria de dar. Continuamos crendo num Deus que nos ama, que nos tem como filhos,
possuindo ou não fartura de bens materiais ou de saúde.
20.Predomina entre nós a doutrina da abstenção (não participar) em relação ao uso
de bebidas alcoólicas (bem como cigarros e outras drogas), ainda que alguns poucos
prefiram o princípio da temperança (participar com moderação). Por amor aos
potencialmente ou ex- viciados e evitando o risco de atribuir à frágil carne o poder de
autocontrolar-se, a grande maioria de nós prefere abster-se.
21.Defendemos o casamento santo, indissolúvel e monogâmico. Absorvemos com
tristeza o divórcio pela “dureza dos corações” dos seres humanos que não
conseguiram se manter juntos, mas não o recomendamos. Temos como abençoado
o sexo somente dentro do casamento.
22.Não ignoramos o poder de Satanás, mas não o superestimamos, vendo-o em todo
lugar e em qualquer coisa, colocando-o em igualdade com Jesus. Contamos com o
discernimento do Espírito para julgar corretamente manifestações parecidas com
possessões ou influências demoníacas, pois temos consciência que a maioria tem
outras razões que as explicam. Em discernindo-as como realmente malignas,
enfrentamos no poder de Jesus, com oração, com amor e respeito à pessoa humana,
sem as usarmos para promover espetáculo público com elas. Nas igrejas batistas só
Jesus Cristo tem lugar de destaque.
23.Pregamos e promovemos um evangelho de ação integral. Como Jesus ensinou,
não é só a alma do homem que precisa de salvação, mas também suas emoções e
seu corpo, bem como sua família, a sociedade e as estruturas sociais, econômicas e
políticas. Mesmo tendo consciência de que a redenção completa só se dará com a
volta de Cristo, lutamos para que os valores e os ideais do Evangelho façam diferença
já.
24.Compreendemos a importância da obra do Espírito Santo, que age como e onde
quer, mas nunca contrário à sua própria Palavra, trazendo confusão. Queremos estar
abertos ao Seu mover, mas somos cuidadosos ao afirmar que certos
comportamentos, sem precedentes nas Escrituras ou tiradas fora de seu contexto,
sejam realmente ações dEle. Nossa cautela nos tem livrado de embarcar em
movimentos fugazes ditos do Espírito.
25. Temos clareza que a missão dos anjos é específica, ocasional e dirigida por Deus.
A presença permanente, protetora, conscientizadora e orientadora é prioritariamente
do Espírito Santo de Deus, que habita no coração daqueles que, pela fé, recebem a
Cristo Jesus como Salvado e Senhor.
26. Cremos que Deus, por Sua soberania, tem poder para curar e realizar milagres
ainda hoje, com quem, onde e quando quer. Segundo Sua perfeita vontade, pode
também não curar. A exemplo de Jesus, preferimos que as pessoas se acheguem a
Ele em busca da cura espiritual e do milagre da salvação, pois estes são eternos. Não
somos afeitos a dar ordem a Deus para que milagres e curas aconteçam. Não
manipulamos situações e emoções, nem estimulamos sua busca frenética. Mesmo
testemunhando muitas curas em nossas igrejas, somos, como Cristo, prudentes em
alardeá-las. Sempre que precisamos de um milagre, pedimos por ele a Deus,
confiantes e submissos à Sua vontade.
27.Somos, por origem, avessos à espiritualização ou divinização de objetos, imagens
e pessoas. Não atribuímos poder sobrenatural às coisas. Não nos identificamos com
místicos, feiticeiros, esotéricos ou fanáticos religiosos. Cremos na suficiência de Jesus
Cristo. Exercitamos nossa fé com sobriedade e apoiados na boa doutrina cristã.
Cultuamos exclusivamente ao Deus triúno, Senhor absoluto de nossas vidas e do
amanhã. Nossos templos e qualquer dia da semana ou ano não são santos. Ainda
que tenhamos por nossos salões de culto e suas dependências zelo, eles só
representam santuários quando o povo remido nele se reúne em nome de Jesus e
para adorar a Deus. Eles são espaços para adoração, comunhão, crescimento cristão
e serviço à comunidade ao redor dele, em nome de Jesus. Templos do Espírito Santo
são, primordialmente, os salvos em Jesus, onde o Espírito habita, onde quer que
estejam.
28.É muito bom ser batista porque, ainda que precisemos construir alguns grandes e
bonitos templos e prédios para nossas instituições servirem mais e melhor, temos
consciência de nossa condição de peregrinos e de que nossa prioridade é a
evangelização e o cuidado espiritual de nosso país e mundo. Nossas agências
missionárias e igrejas, com ofertas levantadas entre nós, sustentam centenas de
missionários que, espalhados pelo Brasil e por toda a Terra, semeiam o Evangelho da
graça (não da Lei), da paz (não do confronto), do livre arbítrio (não da imposição), da
liberdade (não da dominação), da misericórdia (não da arrogância), do amor (não do
ódio), do perdão (não da vingança), da justiça (não da corrupção), da retidão (não da
imoralidade), da santidade (não do pecado). As Boas Novas do bom e do maravilhoso
Deus, que salva vidas e transforma o mundo em um lugar melhor.
29.Somos um exército de milhares de homens e mulheres, jovens e crianças, que
voluntariamente servem a Deus em suas igrejas e comunidades. Ainda que tenhamos
alguns que precisem dedicar-se exclusivamente à obra, e que para isso necessitam
do justo sustento, prevalece entre nós o trabalho dedicado e espontâneo da imensa
maioria dos filhos de Deus que desejam adorar e servir ao Senhor no mundo, como
resposta de gratidão e amor pela salvação que recebemos.
30.É melhor ser batista porque, ainda que tenhamos coisas para melhorar,
fragilidades para superar e defeitos para corrigir, nosso sistema tem muitos
mecanismos e recursos para que qualquer um, sendo usado por Deus, encaminhe
propostas que visem a aperfeiçoar ou mudar o que for necessário para servirmos mais
e melhor ao Senhor e sermos um povo abençoado e abençoador neste tempo e neste
mundo.

*Walmir Vieira é Pastor Batista e Diretor do Colégio Batista Shepard - Tijuca, Rio de
Janeiro/RJ

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