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Profa°: Desireé Alves

 Influência da tensão de pré-adensamento na resistência das argilas:

- Baixa permeabilidade das argilas:


Estudo do seu comportamento de carregamento drenado e não drenado;
- Comportamento de argilas com diferentes “e” nas curvas (σxε);
ARGILA AREIA
 Ensaios triaxiais drenados (CID):
 Possui baixa permeabilidade – as fases do ensaio devem ser suficientemente
lentas para permitir a saída da água, ou seja, as medidas obtidas no ensaio
devem ser tomadas quando as poropressões tiverem se dissipado totalmente.

 Fases do ensaio

1. Aplicação de tensão confinante =


aumento imediato de poropressão
(a tensão confinante é absorvida
totalmente pela água)
 Ensaios triaxiais drenados (CID):

 Fases do ensaio
2. Consolidação drenada
Abertura da válvula de
drenagem:
• Permite a consolidação e a
dissipação das poropressões.
• Duração típica de 24 a 48 horas.
• Término da fase: Variação de
volume da amostra e
Poropressão nula.
 Ensaios triaxiais drenados (CID):

 Fases do ensaio

3. Cisalhamento drenado
Válvula de drenagem aberta =
• Aplicação da tensão-desvio de
forma controlada (poropressões
devem se manter nulas);
• Duração de até uma semana;
• As deformações axiais e
volumétricas são registradas
durante todo o ensaio.
 Resistência das argilas em termos de
tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD

- Argilas Normalmente Adensadas:


∆σd cresce lentamente com as
deformações verticais;
A resistência das argilas (valor máximo de
∆σd) aumenta com a tensão confinante;
∆σd máx ocorre para deformações de 15 a
20% no carregamento axial, quando
estas não variam mais;
O módulo de Young E’ (inclinação inicial da
curva de tensão-deformação),
aumentam com a tensão confinante.
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD

- Argilas Normalmente Adensadas:


 Resistência das argilas em
termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD

- Estado Crítico
- Estado estável, a grandes
deformações, em que a resistência e o
volume da argila normalmente
adensada não variam mais.
- Os valores p’, s e t também não
alteram mais.
- Envoltória de Mohr-Coulomb
 os parâmetros a’ = 0 e α’ = 2,5º na TTE
 correspondentes a c’ = 0 e φ ≅ 25º na envoltória de Mohr-Coulomb.

•A resistência drenada das argilas normalmente adensadas pode ser expressa pela
equação utilizada para as areias.

•Os pontos correspondentes à ruptura coincidem com os de estado crítico


- Comportamento Normalizado
 Características de tensão-deformação-
resistência de amostras semelhantes,
consolidadas em laboratório sob pressões
confinantes diferentes, são diretamente
proporcionais às pressões de consolidação.

 A figura apresenta as ordenadas


normalizadas em relação à pressão
confinante, isto é, divididas pelo valor de σ’c.
Neste caso, o comportamento é
normalizado porque as curvas resultantes
são coincidentes.
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD
- Argilas Sobreadensadas:

 A argila NA não apresenta pico de resistência e as deformações volumétricas


são de compressão;
 O estado crítico é atingido para deformações axiais da ordem de 20%.
 Já a argila PA apresenta um pico de resistência na ruptura, seguido de
amolecimento, ou enfraquecimento, com o aumento da deformação.
 O volume apresenta um ligeiro decréscimo, logo recuperado, e tende a
aumentar durante todo o ensaio, que foi paralisado quando as deformações
axiais atingiram cerca de 20%.
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD
- Argilas Sobreadensadas:
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD
- Argilas Sobreadensadas:

A presença de um pico acima do estado crítico está de acordo com a


existência de uma coesão efetiva em argilas sobreadensadas. De fato, uma
argila PA pode apresentar um valor de c’ maior que zero em um ensaio
triaxial. Entretanto, à medida que o material se aproxima do estado crítico e a
TTE retorna à envoltória de estado crítico, o valor de c’ tende a zero para
grandes deformações.
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD.
- Argilas Sobreadensadas:

• ∆σd cresce rapidamente em


função da deformação;
• ∆σd máx ocorre para menores
deformações, tanto menores
quanto maior for o OCR;
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD.
- Argilas Sobreadensadas x Normalmente Adensadas:
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD.

- Envoltórias de resistência das argilas normalmente adensadas e sobreadensadas:

  c' .tg ' P/ solos S.A.

P/ solos N.A.

   .tg '
 Aplicação da resistência drenada em análise de estabilidade

 A aplicação prática em análise de estabilidade da resistência drenada das


argilas, ou seja, da equação de Mohr-Coulomb τff = c’ + σ’ff tan φ’, utilizando
parâmetros efetivos de resistência c’ e φ’, só é possível se as condições de
drenagem in situ forem compatíveis com as simuladas nos ensaios de
laboratório.
 Aplicação da resistência drenada em análise de estabilidade

Aplicações da resistência drenada:

(a) aterro sobre argila mole


construído lentamente;
(b) barragem de terra com núcleo
argiloso, longo tempo após o
enchimento do reservatório;
(c) Fundação direta construída
lentamente (Ladd, 1971)
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD.
- Valores típicos de resistência de argilas:
Solos Normalmente adensados: ↓ c ; ↑ ϕ
Solos Sobreadensados: ↑ c ; ↓ ϕ
Quanto maior for σ’vm , maior será a coesão.
 Resistência das argilas em termos de tensões efetivas:
Análise para ensaios triaxiais CD.
- Valores típicos de resistência de argilas:
- O ângulo de atrito diminui com o índice de plasticidade do solo
 Comparação entre o comportamento das areias e das argilas:

Argilas N.A. ≈ Areias fofas

Argilas S.A. ≈ Areias compactas

ecr  Areias
OCRcr  Argilas
 Comparação entre o comportamento das areias e das argilas:
Areia fofa e Argila Areia compacta e
normalmente adensada Argila pré- adensada

Variação de volume do
corpo de prova provocada
pela pressão de
confinamento da câmara
 Comparação entre o comportamento das areias e das argilas:
Envoltória de ruptura de tensão efetiva a partir de ensaios drenados em Areia
fofa e Argila normalmente adensada
 Comparação entre o comportamento das areias e das argilas:
Envoltória de ruptura de tensão efetiva a partir de ensaios drenados em
Argila sobre adensada
 Exercício: Uma argila saturada, apresenta uma tensão de pré-adensamento,
com compressão isotrópica, de 100kPa, correspondente a um índice de
vazios igual a 2. Seu índice de compressão é igual a 1 e seu índice de
recompressão é igual a 0,1. Num ensaio CD convencional, com confinante
igual a 100kPa, essa argila apresentou tensão desviadora na ruptura igual a
180kPa e variação de volume igual de 9%.
(a) Qual é a envoltória de resistência dessa argila para tensões acima da tensão
de pré-adensamento?
(b) Outro ensaio CD foi realizado com a mesma argila , com confinante igual a
200kPa . Qual é a tensão desviadora na ruptura? Qual é o índice de vazios do
corpo de prova após a aplicação da pressão confinante?
 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

 Representa o comportamento da argila em situação de drenagem


praticamente impedida- Obras de duração relativamente curta (aterros
construídos rapidamente, escavações, aterros de barragens homogêneas
etc).

- O CP é submetido a tensão confinante e é adensado;

- Ao final dessa etapa, a poro pressão é nula;

- A drenagem é interrompida e o carregamento axial é aplicado;

- No ensaio CU, analisar as tensões confinantes acima e abaixo de σ’vm;


 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

Fases do ensaio
- Consolidação
- O CP é submetido a tensão confinante e é adensado com a válvula de
drenagem aberta;
- Ao final dessa etapa, o acréscimo de poro pressão é nula e o volume da
amostra terá variado;

- Cisalhamento não-drenado
- A drenagem é interrompida e o carregamento axial é aplicado;
- Em solos saturados o volume da amostra não varia.
- No ensaio CU, analisar as tensões confinantes acima e abaixo de σ’vm;
 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

Fases do ensaio
• Cisalhamento não-drenado
 A tensão-desvio é aplicada de
forma controlada, de forma
que a poropressão no interior
da amostra sejam uniformes
(poropressão no meio da
amostra a mesma da base)
 Duração de 8 a 36 horas no
cisalhamento
 Registram-se deformações
axiais e as poropressões
 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:
* Argilas Normalmente Adensadas:
- Após aplicação da tensão confinante e do adensamento, a amostra
encontra-se como se o ensaio fosse CD;
- Poro pressão positiva;
- Poropressão aumenta com a deformação;
- Não há variação de volume.
 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

* Argilas Normalmente Adensadas:

- Como não há drenagem no ensaio CU, o carregamento axial provoca o


aparecimento de poro pressão;
- Reduz a tensão confinante sobre a amostra, reduzindo a resistência da argila;
- Tensão desviadora suportada no ensaio CU é menor que no ensaio CD.
 Resistência das argilas em ensaio
adensado rápido - CU ou R.
Resistência não-drenada da argila:

* Argilas Normalmente Adensadas:

- Diferentemente do ensaio adensado


drenado, as tensões principais efetiva
e total não são as mesmas no ensaio
adensado não-drenado.
- Análise das tensões principais:

- d) e f) – areia fofa e argila


normalmente adensada
- e) e g) – areia compacta e argila
sobreadensada
 Resistência das argilas em ensaio
adensado rápido - CU ou R.
Resistência não-drenada da argila:

* Argilas Normalmente Adensadas:


 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

• Argilas Normalmente Adensadas:


• Envoltória de ruptura de tensão total e efetiva
 Resistência das argilas em ensaio adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:

• Argilas Sobre Adensadas:


• Envoltória de ruptura de tensão total
 Resistência das argilas em ensaio
adensado rápido - CU ou R. Resistência
não-drenada da argila:
•Argilas Sobre Adensadas:
- Como não há drenagem no
ensaio CU, a água nos vazios fica
submetida a um estado de tensão de
tração (poropressão negativa);
- Logo, a tensão confinante
efetiva corresponde um aumento de
resistência, maior que no ensaio CD;
- Na ruptura, a tensão desviadora
no ensaio CU é maior do que no ensaio
CD, poropressão negativa e sem variação
de volume.
 Método φ=0 e Ensaios UU :

• Averiguar o comportamento dos solos de baixa permeabilidade e


saturados, quando sujeitos a uma solicitação quase instantânea.

•A drenagem não é permitida durante nenhum estágio, por isso pode ser
realizado rapidamente.
•A poropressão aumentará com a aplicação da pressão de confinamento e
também por causa da aplicação da tensão desviadora.
•A poropressão total u no corpo de prova pode ser dada como:

• u = uc + ∆ud
 Ensaio não adensado não-drenado da argila UU :
-Ao se aplicar a tensão confinante, surge uma poro pressão de igual valor;
-A amostra é submetida a carregamentos axiais sem drenagem;
-A envoltória será uma reta horizontal (a tensão axial acrescentada durante a
ruptura é praticamente a mesma independentemente da tensão de
confinamento da câmara);
-A ordenada ou coesão da argila será a resistência não drenada da argila;
-Ângulo de atrito é igual a zero (siltes ou argilas saturadas);
Tensões totais
 Ensaio não adensado não-drenado da argila UU :
• Averiguar o comportamento dos solos de baixa
permeabilidade e saturados, quando sujeitos a uma
solicitação quase instantânea.

•A forma teoricamente correta para se analisar a


resistência ao cisalhamento em P é através das tensões
efetivas.

Resistência em termos de pressões efetivas


equação de Mohr-Coulomb
τff = c’ + [σff – (u0 – Δu)] tan φ’
(ou a transformada tf = a’ + (s – u) tan α’),
Os valores de σ e u0 são fáceis de se determinar, e c’ e φ’
podem ser obtidos através de ensaios CIU ou CID.
O grande problema é a determinação de Δu in situ
durante o carregamento.
 Método φ=0 :
Para resolver esse impasse, Skempton propôs um
tratamento em termos de tensões totais integralmente
fictício, mas que funciona bem nas aplicações práticas.

Em lugar da TTE e da envoltória efetiva de resistência,


utiliza-se uma envoltória fictícia horizontal (daí a
denominação φu = 0) que passa pelo ponto B da TTT.

O intercepto na origem desta envoltória fictícia é cu,


denominado de resistência não-drenada.

Com isso, a determinação da resistência do ponto P passa


a ser feita com apenas um parâmetro cu, pois tf = cu.
 Método φ=0 e Ensaios UU :
 Determinação de cu em ensaios
triaxiais:

 A resistência não-drenada de solos


saturados e de baixa permeabilidade
é determinada em ensaios triaxiais
tipo UU, em amostras com o mesmo
índice de vazios in situ e0.

 Amostra indeformada com o mínimo


de perturbação, de forma a preservar
sua umidade natural e o valor de e0.
 Determinação de cu em ensaios triaxiais:

 Obtém-se a curva de tensão-deformação


permitindo o cálculo das tensões totais na
ruptura e a obtenção do círculo de Mohr.
 Ensaio não adensado não-drenado da argila UU :
 Com base nos resultados de um ensaio triaxial UU com σ3 = 100 kPa, em amostra de
argila do Rio de Janeiro, na profundidade de 4,5 m, apresentados no quadro 12.2, traçar
a curva de tensão-deformação e determinar o valor da resistência não-drenada cu.
A curva ( σ 1 – σ3) × ε1.

O valor de ( σ1 – σ3)max
é 14 kPa e o de cu é 14/2
= 7 kPa.
 Influência da perturbação da amostra

As perturbações introduzidas na amostra provocam alterações na umidade, no índice


de vazios, na tensão efetiva e em outras propriedades.

As perturbações são introduzidas na amostra durante:


 a coleta,
 a retirada do solo,
 o alívio de tensões,
 o transporte,
 o armazenamento e, finalmente,
 a moldagem do corpo-de-prova (amolgamento)

 Entretanto, é muito importante obter amostras de alta qualidade e com a maior


dimensão (diâmetro) possível, pois a qualidade é diretamente proporcional à
dimensão. Os valores de cu, particularmente, são muito influenciados pelas
dimensões da amostra, quanto maior o diâmetro, maiores os valores de c.
 Ensaios in situ – Procedimentos alternativos de determinação da resistência. Ecluindo
os problemas inerentes à perturbação na amostragem, que afetam os resultados dos
ensaios de laboratório.

 Ensaio de palheta in situ EP ou VST:

 O ensaio é utilizado em solos argilosos, cujo


comportamento pode ser caracterizado pela
drenagem impedida, constando da inserção, no
solo, de uma palheta cruciforme ,com relação
entre altura (H) e diâmetro (D) igual a 2, sendo tais
dimensões padronizadas pela ABNT NBR 10905:
diâmetro de 65 mm e altura de 130 mm.
 Ensaio de palheta in situ EP ou VST:

 Mediante a aplicação de uma rotação lenta de 6º/min, registra-se a curva de torque


versus rotação.
 Ensaio de palheta in situ EP ou VST:

 Os resultados são interpretados admitindo-se que a resistência ao cisalhamento não


drenada cu se distribua igualmente ao longo da superfície cilíndrica circunscrita à
palheta. Isso conduz a:
onde T é o torque máximo aplicado (kNm) e D,
o diâmetro da palheta, igual a 0,065 m.

Correção dos valores de cu fornecidos pelo VST

A experiência na construção de aterros e nas escavações em depósitos de argila em


muitos países tem demonstrado que, para aplicação em projetos, o perfil de cu fornecido
pelo EP deve ser corrigido pela equação:

A correção é como um meio de se levarem em


conta as diferenças de velocidade de deformação,
os efeitos de anisotropia e a fluência.
 Correção dos valores de cu fornecidos pelo VST
 As recomendações mais recentes, publicadas por Aas et al (1986), são
para obter a relação cu/σ’vo, onde cu é a resistência fornecida pelo EP e
σ’vo a pressão efetiva vertical in situ, e empregar a figura 12.15b, que
fornece μ para argilas NA e PA.
Ex.: Obtém-se a relação cu/σ’vo para
várias profundidades ao longo da
camada de argila, sendo σ’vo
calculado adotando-se γ = 13 kN/m³.
Como nos primeiros 3 m da argila o
valor médio de cu é
aproximadamente constante, e com
base na história de tensões,
considerou-se que esses 3 m iniciais
são PA e, a partir daí, NA. Os
cálculos constam do quadro.
 ORTIGÃO, J.A.R. (2007). Introdução à Mecânica dos Solos dos
Estados Críticos. 3ª edição. Terratek.
 PINTO, C. S. (2002). Curso Básico de Mecânica dos Solos em
16 Aulas. Oficina de Textos.
 DAS, B. M. (2006). Fundamentos de Engenharia Geotécnica.
6ªed. Editora Thomson.

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