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FQE0001 Físico-Química Experimental Exp.

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Difusão e Efusão

1. Introdução

A maioria dos processos químicos depende do movimento das moléculas nos gases e
nos líquidos. Uma das propriedades de transporte de matéria é a difusão, definida como a
migração de matéria ao longo de um gradiente de concentração. Um tipo especial de difusão é
a efusão, definida como a migração de moléculas gasosas de dentro de um recipiente através
de um pequeno orifício.
O modelo cinético de um gás perfeito pode ser utilizado para entender algumas
propriedades de transporte das moléculas gasosas. Neste modelo, admite-se que:
1. O gás é constituído por moléculas de massa m em movimento aleatório incessante;
2. O tamanho das moléculas é desprezível, no sentido que os diâmetros são muito
menores que as distâncias percorridas;
3. As moléculas só interagem quando em contato nas colisões, que são elásticas
(colisões onde há conservação da energia cinética)

A partir destas hipóteses é possível calcular a variação do momento quando as


moléculas de um gás se chocam ou colidem com a parede do recipiente. Considerando que a
pressão p de um gás é resultante da força com que suas moléculas atingem as paredes do
recipiente de volume V que as contem, pode-se calcular essa força a partir da velocidade de
!"
variação do momento (ρ = mv) segundo a Segunda Lei de Newton 𝐹 = !" , obtendo-se a
seguinte expressão:
1
𝑝𝑉 = 𝑛𝑀𝑐 !
3

Onde M é a massa molar, e c é velocidade média quadrática das moléculas. Ou seja,


p.V = constante, relacionada com a massa molar e a velocidade das moléculas.
Entretanto, pela Lei dos Gases Perfeitos, pV = nRT, e assim, temos que a velocidade
média quadrática das moléculas numa temperatura T é dada por:
!
3𝑅𝑇 !
𝑐=
𝑀

Ou seja, para uma temperatura constante, a velocidade de propagação de um gás é


inversamente proporcional ao quadrado da sua massa molar. Desta maneira, gases diferentes
devem se propagar com velocidades diferentes. Este comportamento descreve a Lei de Efusão
de Graham, que diz o seguinte: “A pressão e temperatura constantes, as velocidades de
difusão de vários gases variam inversamente com a raiz quadrada de suas densidades ou pesos
moleculares”.
Matematicamente, a Lei de Graham pode ser escrita como:
!
3𝑅𝑇 !
𝑐! 𝑀! 𝑀!
= ! =
𝑐! 𝑀!
3𝑅𝑇 !
𝑀!
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A Lei de Graham é o princípio em que se baseia o processo de difusão fracionada, um


método de separação de isótopos por difusão através do uso de paredes porosas. Nesse
processo, o isótopo mais pesado difunde mais lentamente. Conforme a diferença de massas
entre os isótopos, a separação é assim efetuada em maior ou menor número de estágios
Por exemplo, as plantas de enriquecimento de urânio para reatores nucleares utilizam
difusão fracionada para separar o U235 do U238 a partir do hexafluoreto de urânio (UF6), que é
um sólido volátil. O vapor de UF6 experimenta então a efusão através de uma série de
barreiras porosas. As moléculas de UF6 contendo U235, que são mais leves que aquelas
contendo U238, experimentam a efusão mais rapidamente, podendo ser separadas do resto.
Entretanto, a razão entre o tempo requerido para a efusão de uma mesma quantidade de
235
UF6 e 238UF6 é somente 1,004. Para melhorar a separação, o vapor é passado através de
vários estágios de efusão, e conseqüentemente, a planta de enriquecimento de urânio deve ser
muito grande. A planta original de Oak Ridge, Tennessee, usa 4000 estágios e cobre uma área
de 43 acres. Ou seja, tais plantas, vitais para defesa nuclear e geração de energia nuclear, são
difíceis de serem escondidas.

2. Objetivos

Comprovar a Lei de Graham monitorando a velocidade de difusão de dois gases diferentes.


Calcular a velocidade média dos gases em questão.

3. Procedimento Experimental

3.1 - Materiais utilizados

• Tubo de vidro
• 2 rolhas perfuradas
• Régua e cronômetro
• Ácido clorídrico concentrado
• Hidróxido de amônio concentrado

3.2 - Procedimento

Monte um sistema conforme mostrado na Figura acima. O sistema consiste num tubo de
vidro preso a um suporte por meio de uma garra, e onde estão adaptadas duas rolhas
perfuradas. O orifício da rolha deve ser preenchido com algodão.
Retire as rolhas e embeba um dos pedaços de algodão com hidróxido de amônio, e o outro
pedaço de algodão com ácido clorídrico.
Adapte simultaneamente as rolhas nas extremidades do tubo e inicie a contagem do tempo.
Observe o tempo necessário para a formação de um anel branco de cloreto de amônio no
interior do tubo. Marque a posição do anel no tubo.
Meça a distância que percorreu o gás NH3 e a distância percorrida pelo gás HCl.
Lave e seque o tubo de vidro. Repita a operação por mais duas vezes.
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4. Discussão dos Resultados

Calcule as velocidades médias, obtidas experimentalmente, para os gases NH3 e HCl.


Verifique a obediência à Lei de Graham.

5. Questões
1. Calcule as velocidades médias teóricas para os gases NH3 e HCl (utilize R =
8,3145 J.K-1.mol-1) na mesma temperatura em que foi realizado o experimento e
compare com os resultados obtidos.
2. A expressão desenvolvida na Introdução para o cálculo da velocidade média de
moléculas gasosas utilizou o modelo cinético dos gases, válida para gases
perfeitos. Explique por que, mesmo assim, a Lei de Graham é observada em gases
reais.

6. Referências Bibliográficas

1. Souza, N.J.Mello de; Martins Filho, H.P.; Experimentos em Físico-Química. Segunda


Edição. Neoprinte Ltda:Curitiba. 1995.
2. Atkins, P; de Paula, J.; Físico-Química. Vols. 1-2. Nona Edição. LTC:Rio de Janeiro.
2012.
3. Lei de Graham de difusão e efusão, estimativa da densidade de dióxido de carbono
(CO2). UNESP. http://www2.fc.unesp.br/lvq/exp04.htm ; acessado em 19/06/2013.