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Química para Engenharia

Book · September 2011

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Caio Firme
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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Química para
Engenharia
Caio Lima Firme

Química para
Engenharia

Natal, 2011
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

Reitor Editor
José Ivonildo do Rêgo Helton Rubiano de Macedo

Vice-Reitora Capa
Ângela Maria Paiva Cruz Michele Holanda

Diretor da EDUFRN Revisão


Herculano Ricardo Campos

Conselho Editoral Editoração eletrônica


Cipriano Maia de Vasconcelos
(Presidente)
Ana Luiza Medeiros Pré-impressão
Humberto Hermenegildo de Araújo Jimmy Free Dedicatória
John Andrew Fossa
Herculano Ricardo Campos Supervisão editorial
Mônica Maria Fernandes Oliveira Alva Medeiros da Costa
Tânia Cristina Meira Garcia
Técia Maria de Oliveira Maranhão Supervisão gráfica
Dedico a minha esposa, Ludmila Martins de França Rêgo
Virgínia Maria Dantas de Araújo Francisco Guilherme de Santana
Willian Eufrásio Nunes Pereira

Divisão de Serviços Técnicos


Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede

Firme, Caio Lima.


Química para engenharia / Caio Lima Firme. – Natal, RN:
EDUFRN, 2011.
220 p.

ISBN 978-85-7273-718-0

1. Química. 2. Engenharia. 3. Química – Aplicações . I. Título.

CDD 540
RN/UF/BCZM 2011/12 CDU 54
Apresentação
O livro é dividido em três partes: (1) química básica; (2) experimentos
químicos; e (3) processos da indústria química. Na primeira parte, são
abordados temas como evolução histórica do modelo atômico, o átomo,
as ligações químicas, a tabela periódica, a classificação dos compostos
químicos inorgânicos, as reações químicas inorgânicas, soluções, equilíbrio,
cinética, termodinâmica, eletroquímica e corrosão. Na segunda parte, são
mostrados alguns experimentos, principalmente voltados à eletroquímica
e corrosão. Na terceira parte, há uma breve descrição de alguns processos
industriais químicos.
Muitos dos processos industriais abordados nesse livro estão
relacionados aos conhecimentos da química básica, apresentados na
primeira parte do livro. Dentre os processos industriais, podemos citar
a indústria de cimentos, o tratamento da água industrial, a metalurgia, a
indústria de eletrólitos e de gases industriais. Nesses processos, o leitor tem
a oportunidade de encontrar aplicação para o conhecimento que obteve na
primeira parte do livro. Por exemplo, o conhecimento acerca das reações
inorgânicas entre óxidos é aplicado nos processos industriais de obtenção
de cimento e de gases industriais.
Alguns dos tópicos encontrados no livro podem ser direcionados
para um ou mais de um curso de engenharia. Por exemplo, os tópicos
‘polímeros’ e ‘metalurgia’, na terceira parte do livro, são importantes
para a Engenharia de Materiais. Os tópicos ‘metalurgia’ e ‘indústria de
eletrólitos’ são importantes para estudantes de Engenharia Metalúrgica e
Engenharia Elétrica, respectivamente. Os tópicos ‘polímeros’ e ‘indústria
de plásticos’ são importantes para estudantes de Engenharia Mecânica.
Contudo, o tópico ‘corrosão’, abordado na primeira e segunda parte do
livro, é um importante assunto para os alunos de várias engenharias:
Engenharia Civil, Engenharia de Materiais, Engenharia Metalúrgica,
entre outras. Além disso, os processos industriais apresentados no livro
representam grande parte do parque industrial onde o futuro engenheiro
irá trabalhar. A familiarização com esses processos industriais, em uma
abordagem interdisciplinar com a Química Básica, representa importante
contribuição para a formação do futuro engenheiro.

Química para Engenharia 7


Sumário
Parte 1 – Química Básica

1. Tabela periódica condensada 13


2. Modelos atômicos 14
3. Átomo 15
4. Mecânica Quântica: breve história e números quânticos 17
5. Origem dos elementos químicos e suas propriedades 27
6. Usos dos principais elementos 28
7. Estado físico dos elementos químicos 31
8. Raio atômico 32
9. Eletronegatividade de Pauling 33
10. Energia de ionização e primeira energia de ionização 35
11. Densidade 36
12. Estrutura cristalina dos elementos 37
13. Ligações químicas 41
14. Ligação iônica 42
15. Composto iônico-sólido 44
16. Ligação metálica e metais 46
17. Ligação covalente e compostos covalentes 47
18. Interações intermoleculares 54
19. Dissolução de composto sólido 56
20. Compostos químicos e ligações químicas 57
21. Funções inorgânicas 59
22. Funções químicas e fórmulas químicas dos elementos
representativos 71
23. Composições químicas dos compostos formados por
elementos representativos conforme a regra do octeto 72
24. Reações químicas inorgânicas 72
25. Reatividade dos elementos químicos, em suas funções
químicas inorgânicas 77
26. Ocorrência dos elementos na crosta terrestre 78
27. Soluções 82
28. Princípios de uma reação química: introdução à
termodinâmica e cinética de uma reação 89

Química para Engenharia 9


29. Equilíbrio químico 93
30. Equilíbrio ácido-base 103
31. Reações redox 108
32. Eletroquímica 111
33. Corrosão 125

Parte 2 – Experimentos Químicos

1. Preparo de soluções 135


2. Ligações iônicas e covalentes 136
3. Reações de oxirredução 139
4. Determinação da dureza da água
5. Cinética química 146
141 Parte 1
6. Eletroquímica 152
7. Pilhas galvânicas de corrosão e pilhas eletrolíticas 159
8. Corrosão 164

Parte 3 – Processos da Indústria Química

1. Tratamento de água doméstica 171


2. Tratamento de água industrial 175
3. Cimento 178
4. Metalurgia 184
5. Indústria de eletrolíticos 190
6. Gases industriais 194
Química Básica
7. Petróleo e seu refino 197
8. Polímeros 207
9. Indústria de plásticos 214

10 Caio Lima Firme


1. Tabela periódica condensada

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
1 2
H He
1,00 4,0
3 4 5 6 7 8 9 10
Li Be B C N O F Ne
6,94 9,01 10,8 12 14 16 19 20,2
11 12 13 14 15 16 17 18
Na Mg Al Si P S Cl Ar
22,9 24,3 27,0 28,1 31,0 32,1 35,5 39,9
19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
30 31 32 33 34 35 36
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu
Zn Ga Ge As Se Br Kr
39,1 40,1 44,9 47,8 50,9 52,0 54,9 55,8 58,9 58,7 63,5
65,4 68,7 72,6 74,9 78,9 79,9 83,8
37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47
48 49 50 51 52 53 54
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag
Cd In Sn Sb Te I Xe
85,5 87,6 88,9 91,2 92,9 95,9 98,9 101 103 106 108
112 115 119 122 128 127 131
55 56 *71 72 73 74 75 76 77 78 79
80 81 82 83 84 85 86
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt AuHg Tl Pb Bi Po At Rn
133 137 175 178 181 184 186 190 192 195 197
201 204 207 209 209 210 222
87 88 #103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113
Fr Ra Lr Rf Db Sg Bh Hs Mt Uun Uuu Uub Uut
223 226 260

*57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
La Ce Pr Nd Pm Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb
139 140 141 144 147 150 152 157 159 162 165 167 169 173
# 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102
Ac Th Pa U Np Pu Am Cm Bk Cf Es Fm Md No
227 232 231 238 237 239 241 244 248 251 254 257 258 259

Considerações:
(1) O hidrogênio tem propriedades semelhantes aos alcalinos e aos
halogênios.
(2) Os lantanídeos (La ao Yb) e os actinídeos (Ac ao No)
ocupam posições entre os elementos Ba e Lu , e entre os elementos
Ra e Lr, respectivamente.
(3) Elemento 104 - Rf (ruterfórdio) ou Ku (kucharcóvio).
(4) Elemento 105 - Ns (nielbório) ou Ha (hánio).

Química para Engenharia 13


2. Modelos atômicos Heisenberg, Heisenberg postula o princípio da incerteza, onde é im-
De Broglie, Schroe- possível prever com exatidão a posição e energia exata de
dinger (1926) uma partícula. De Broglie relaciona a massa de uma par-
Mecânica Quântica tícula a certo comprimento de onda, provando que o elé-
Leucipo Matéria constituída do ‘ser’ (átomo) e do ‘não ser’ (vazio). O
tron sofre difração ao passar em um cristal de fenda igual
(500 aC) átomo é como se fosse um microuniverso.
ao seu comprimento de onda. Schroedinger desenvolve
Dalton Átomo é a parte indivisível da matéria. Matérias diferentes têm as equações de onda que tratam o elétron como onda e
(1803) átomos diferentes. Os átomos diferentes têm propriedades di- descrevem a densidade de probabilidade de elétrons nos
ferentes. átomos.
Experiência de Tubos de descarga elétrica de alta voltagem de um gás com
Crookes (1850) bomba de vácuo. Luz incandescente do gás sofre atração ou
repulsão de um campo elétrico e magnético. 3. Átomo
Thomson Átomo constituído de uma esfera carregada positivamente
(1890) onde os elétrons estão imersos ao redor do núcleo em anéis.
Um átomo divide-se em núcleo e eletrosfera. No núcleo se
encontram os prótons e os nêutrons. Na eletrosfera se encontram os
E x p e r i me nto Feixe de partículas alfa do polônio passa por uma fenda e atin-
de Rutherford ge uma placa de ouro. A maior parte do feixe passa direto e elétrons. Os prótons são partículas com carga positiva e os elétrons
uma parte sofre deflexão. são partículas com carga negativa. Os nêutrons são partículas
Rutherford Átomo consistindo de pequeno núcleo rodeado por um gran- com carga neutra. Os prótons e nêutrons possuem, praticamente,
(1920) de volume onde os elétrons estão distribuídos. O núcleo tem a mesma massa e são responsáveis pela massa total do átomo. Os
carga positiva por causa da partícula que ele chamou de pró- elétrons possuem massa desprezível em relação à massa dos prótons
ton. Esta partícula tem carga igual, em módulo, àquela do elé- e nêutrons. O módulo da carga do próton é igual ao módulo da
tron, mas tem massa muito maior que o mesmo. Os elétrons carga do elétron. Os prótons não se repelem no núcleo porque os
se movimentavam ao redor do núcleo aleatoriamente (sistema
planetário).
nêutrons impedem o contato entre eles. Os elétrons não se repelem
na eletrosfera porque eles ocupam posições distintas no espaço. A
Chadwick Desvendou o mistério da massa do núcleo ser superior que
(1932) a quantidade de prótons existentes no núcleo. Ele descobriu
eletrosfera é uma região de baixa densidade e possui um volume
uma partícula de massa próxima àquela do próton, mas eletri- muito maior que o do núcleo. A eletrosfera é responsável pelo
camente neutra (nêutron). volume total do átomo. O núcleo tem alta densidade e fica imerso
Absorção de Já se sabia que a onda eletromagnética tinha uma energia espe- dentro da eletrosfera.
chama e linhas cífica de acordo com seu comprimento de onda. Observou-se
espectrais que certos átomos na chama emitiam cores específicas. Sabia- m(nêutron)= m(próton) = 1786 m(elétron) ; |carga(próton)|= |carga (elétron)||
-se também que cada átomo através da difração do feixe de
elétrons produzia ao passar num prisma, linhas espectrais es- Elemento químico: representa o conjunto de átomos que tem o
pecíficas para cada átomo.
mesmo número atômico.
Bohr Bohr postulou que os elétrons tinham energias específicas e O número atômico é a identidade de um elemento. A massa
(1913) percorriam regiões específicas também. Ele propôs um mode-
lo planetário modificado no qual cada nível de energia quanti-
atômica não representa por si só a identidade do átomo, pois a grande
zado corresponde a uma órbita circular específica. maioria das propriedades que diferem os elementos químicos está
relacionada ao número de prótons (e, consequentemente, ao número
de elétrons) do que ao número de nêutrons.

14 Caio Lima Firme Química para Engenharia 15


Um elemento pode ter vários átomos com massas atômicas Átomos isóbaros: são átomos de elementos diferentes com o
diferentes. Estes átomos são ditos isótopos. mesmo número de massa.
Isótopos são átomos de mesmo número atômico que pertencem Átomos isótonos: são átomos de elementos diferentes com o
ao mesmo elemento químico, mas possuem massa atômica diferente. mesmo número de nêutrons.
Átomos isoeletrônicos: são átomos neutros e íons que tem o
Z
XA mesmo número de elétrons.
Íon: átomo ou conjunto de átomos que perdeu sua condição de
X : elemento químico neutralidade e que o número de prótons difere do número de elétrons.
z : número atômico Cátion: íon que possui maior quantidade de prótons do que de
A : massa atômica elétrons e é assim carregado positivamente.
Ânion: íon que possui maior quantidade de elétrons do que de
O elemento cloro tem dois isótopos: prótons e é assim carregado negativamente.
Nota: todo elemento químico neutro tem número de prótons
Cl 17 e 37Cl 17 igual ao número de elétrons.
35

estes isótopos têm abundâncias específicas na natureza. Por


exemplo, o cloro 35 tem abundância de 75% e o cloro 37 de 25%. Isto 4. Mecânica Quântica: breve história e números
quer dizer que se pegarmos 100 litros de cloro, 75L correspondem quânticos
ao cloro 35 e 25L correspondem ao cloro 37. A massa atômica do
elemento cloro é a média ponderal das massas dos dois átomos. A Mecânica Quântica é a ciência que explica a natureza e as
propriedades microscópicas (propriedades elétricas, magnéticas,
M = (35.75) + (37. 25) / 100 = 35,5 eletrônicas, espectroscópicas etc.) da matéria. Ela surge a partir
da teorização de uma série de experimentos físicos importantes. O
Pelo fato de alguns elementos terem vários isótopos (cada um primeiro deles foi o corpo negro. O corpo negro é um objeto que
com uma massa diferente e uma abundância diferente), a magnitude absorve toda radiação eletromagnética que incide nele quando este
da massa atômica dos elementos químicos não é um número inteiro. objeto está frio. Contudo, um corpo negro emite um espectro de luz
dependente da temperatura. Planck deduziu a equação matemática
Elemento cloro: 36,5 Cl 17 para explicar o fenômeno do corpo negro e concluiu que havia
energia quantizada, ou seja, a energia não variava de forma contínua
O hidrogênio tem três isótopos importantes: e sim em determinados ‘pacotes’ de magnitudes específicas. A partir
daí, ele chegou à importante constante h (chamada constante de
1
H 1 (hidrogênio), 1 D 2 (deutério) e 1 T 3 (trítio) Planck). O experimento do efeito fotoelétrico foi outro importante
experimento em que Einstein obteve uma constante com o mesmo
O carbono tem três isótopos importantes: valor da constante de Planck em um experimento totalmente
distinto, provando a existência da quantização da energia e dando
C12 (99,8%), 6 C 13 (0,1%) e 6 C14 (0,1%) origem à fórmula E=h.n, em que n representa a frequência de uma
6
determinada onda eletromagnética. Outro experimento importante

16 Caio Lima Firme Química para Engenharia 17


foi o experimento da dupla fenda, em que foi provada a natureza 1 – n (número quântico principal): indica em qual camada está
ondulatória do elétron cujo cálculo experimental do comprimento o elétron
de onda (l) foi equivalente àquele obtido pela fórmula de De 2 – l (número quântico secundário): indica em qual subnível
Broglie (l=h/p, em que p é o momento linear do fóton ou elétron). está o elétron
O experimento de Stern e Gerlach, em que um feixe átomos de 3 – ml (número quântico magnético): indica em qual orbital
prata ou sódio passa por dois magnetos de pólos opostos, mostrou está o elétron
que o elétron desemparelhado desses átomos possuía um momento 4 – s (spin): indica o momento angular spin do elétron.
magnético spin de valores -1/2h e +1/2h de acordo com o desvio do
eixo de emissão do feixe de átomos. Na verdade, existem cinco números quânticos para o átomo
A equação de Schroedinger (HY=EY) resulta da combinação de hidrogênio e suas designações corretas são mostradas na tabela
de uma propriedade de uma partícula (energia cinética e potencial abaixo:
de uma partícula) e de uma característica de uma onda (uma função
de onda), seguindo o princípio da dualidade partícula-onda, em Número quântico Símbolo Valores permitidos Especificações
uma autoequação. Uma autoequação é aquela em que um operador Associado à energia
(equação matermática) atua em uma função e gera um valor real Principal n 1, 2,3..
do elétron
associado àquela função. O operador Hamiltoniano, H, tem duas Momento angular or- Magnitude,
l 0, 1, 2,...
equações matemáticas ou operadores: operador da energia cinética bital [l(l+1)]1/2ħ
e o operador da energia potencial. Momento angular mag- Componente no eixo
ml l, l-1,..., -l
No caso do átomo de hidrogênio, o Hamiltoniano e a nético z de magnitude mlħ
autoequação envolvidas são: Momento angular spin Magnitude,
s ½
[s(s+1)]1/2ħ
 2 2  2 2 Momento angular spin Componente no eixo
H Y =E Y ∴  − ∇ r + V (r)  Y ( r ) =Er Y ( r ) ∴ H =− ∇ r + V (r) magnético
ms ±½
z de magnitude msħ
 2m  2m
A seguir, será mostrada uma forma simplificada acerca dos
onde o primeiro termo do Hamiltoniano é o operador da energia números quânticos do átomo de hidrogênio, e que é usado, de forma
cinética e o segundo termo, V(r), é o operador da energia potencial. aproximada, para todos outros átomos da tabela periódica:
A autoequação HY=EY é transformada em uma equação A eletrosfera se divide em 7 camadas basicamente. São
diferencial envolvendo certas condições de contorno. Procura- chamadas de camadas: K, L, M, N, O, P, Q. Cada camada tem um
se encontrar a melhor função de onda associada àquela equação número específico de subníveis. Existem quatro tipos de subníveis:
diferencial e àquelas condições de contorno, e, a partir daí, chega- s, p, d e f. Cada subnível tem um número específico de orbitais.
se aos números quânticos (resultados da autoequação desenvolvida De forma simplificada, podemos entender que o orbital é o
como equação diferencial). espaço geométrico descrito pelo movimento do elétron. Cada orbital
Os números quânticos relacionados aos átomos correspondem tem uma geometria específica. Em cada orbital só podem existir no
ao resultado da equação de Schroedinger aplicada ao átomo de máximo dois elétrons, de acordo com o princípio de exclusão de
hidrogênio. Os números quânticos e suas definições, geralmente Pauli.
apresentadas em livros introdutórios de Química, são:

18 Caio Lima Firme Química para Engenharia 19


O subnível s tem apenas um orbital. Este orbital tem geometria
esférica. O subnível s só pode ter dois elétrons no máximo. O Subnível d:
subnível p tem três orbitais com geometria semelhante (em forma
de hastes), mas cada um ocupando um eixo do espaço diferente. O Subnível f:
subnível p tem no máximo 6 elétrons, visto que tem três orbitais.
O subnível d tem cinco orbitais, consequentemente, o subnível d Cada retângulo representa um determinado orbital ou número
pode ter no máximo 10 elétrons. O subnível f tem sete orbitais, e quântico magnético, ml, e, consequentemente, cada retângulo tem
consequentemente, o subnível f pode ter no máximo 14 elétrons. um número quântico específico.

Subnível s:
ml: 0
Subnível p:
ml: -1 0 1
Subnível d:
ml: -2 -1 0 1 2
Subnível f:
ml: -3 -2 -1 0 1 2 3

A cada camada é associado um determinado número de


subníveis, como mostrado abaixo:
Cada camada tem um número quântico específico
Camada Subnível Subnível Subnível Subnível
Camada K L M N O P Q K s
Número quântico (n) 1 2 3 4 5 6 7 L s p
M s p d
Cada subnível tem um número quântico específico: N s p d f
O s p d f
Subnível s p d f P s p d
Número quântico (l) 0 1 2 3 Q s

Os orbitais de cada subnível podem ser representados por um O número de elétrons existentes em um subnível é representado
retângulo. por um número localizado acima e a direita da letra que representa
aquele subnível. A camada que ocupa o subnível é representada por
Subnível s: um número a esquerda da letra. Veja o quadro a seguir:

Subnível p:

20 Caio Lima Firme Química para Engenharia 21


Camada Subnível Subnível Subnível Subnível O spin é uma propriedade intrínseca do elétron. Classicamente,
K 1s2 pode-se associar um determinado spin do elétron a um ‘sentido de
L 2s2 2p6
sua rotação’. Contudo, na verdade, não é provado que o elétron tem
rotação, apesar de possuir dois valores distintos de spin. A seguir é
M 3s2 3p6 3d10
mostrada as duas representações em seta para o spin.
N 4s2 4p6 4d10 4f14
O 5s2
5p 6
5d10
5f14
P 6s2 6p6 6d10
Q 7s2

Cada camada e subnível têm certa quantidade de energia


específica. As camadas inferiores têm menor energia que as camadas
Uma forma simplificada de entender a consequência do
superiores. Ordem crescente de energia dos subníveis é mostrado a
Princípio de exclusão de Pauli é que cada elétron se difere de outro
abaixo e é conhecida como distribuição de Pauling:
elétron, em um mesmo átomo, em pelo menos um dos números
quânticos, ou seja, nenhum elétron, em um mesmo átomo, tem todos
1s2 < 2s2 < 2p6 < 3s2 < 3p6 < 4s2 < 3d10 < 4p6 < 5s2 < 4d10 < 5p6 < 6s2 os números quânticos iguais.
É importante saber que o elétron de diferenciação é o elétron
Em termos práticos, a distribuição de Pauling pode ser de maior energia do átomo, contudo, o último elétron de um átomo
facilmente visualizada a partir do quadro anterior usando linhas não é necessariamente o elétron de diferenciação.
diagonais que unem os subníveis de cima para baixo. Exemplo: Quais são os números quânticos do último elétron e
do elétron de diferenciação do elemento ferro?
Camada Subnível Subnível Subnível Subnível
K 1s2 Ferro tem Z=26
L 2s2 2p 6

M 3s2 3p6 3d10 1s2


2s2 2p6
N 4s2 4p6 4d10 4f14
3s2 3p6 3d6
O 5s2 5p6 5d10 5f14 4s2
P 6s2 6p6 6d10
Q 7s2 O elétron mais afastado se encontra no subnível 4s e possui os
seguintes números quânticos:
O número quântico spin não surge naturalmente do
desenvolvimento da Equação de Schroedinger para o átomo de n = 4, l = 0, ml = 0, s = + ½
hidrogênio. O spin do elétron foi observado no experimento de Stern O elétron de diferenciação se encontra no subnível 3d.
e Gerlach. Na física clássica, podemos entender que o spin representa
o sentido de rotação do elétron ao redor de seu próprio eixo. Na
mecânica quântica, o spin não é associado a nenhum movimento.

22 Caio Lima Firme Química para Engenharia 23


De acordo com a regra de Hund, para o preenchimento dos Classificações dos elementos, subníveis de maior energia e
elétrons em um determinado subnível, primeiramente, colocamos os massa ponderal
elétrons com mesmo spin de forma a preencher pela metade todos os
orbitais do mesmo subnível, a seguir, colocamos os elétrons de spin Obs.: n é o número do período (da tabela) em que está o elemento.
contrário em cada um dos orbitais semipreenchidos até preencher
todos os orbitais do mesmo subnível. Grupos (elementos do mesmo grupo têm características em comum)
IA IIA IIIA IVA VA VIA VIIA VIIIA
3d 6
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
1 A A C H G
P L Elementos representativos A A A
2 L C
Os números quânticos do elétron de diferenciação do átomo de ferro E A L L S
3 C L
são: R C C
A I
Í 4 N O O N
L O G G
O 5 ns np
2 1-3 O
n = 3, l = 2, ml = -2, s = + ½ I T
Ê Ê
D 6
E Elementos de transição B
N R N N
O R (n-1)d1-10ns2 R
7 O O I I E
Outra definição importante é a de elétrons de valência. Os S O O ns2
O ns2 ns2
elétrons de valência são os últimos elétrons de um átomo, e por isso, ns
1
ns2 np4 np5
np6

são facilmente desprendidos do mesmo para fazerem ligações.

Subníveis de maior energia

Série dos lantanídeos (n-2)f1-14(n-1)d10ns2


Série dos actinídeos (n-2)f1-14(n-1)d10ns2

Núméro atômico, Z: representa a identidade do elemento químico


Z
elemento
A

Massa atômica, A: média ponderal das massas atômicas dos


isótopos de um determinado elemento

Nota: o período em que se encontra um elemento representa o


número de camadas que este elemento possui. O grupo em que se
encontra o elemento representa o subnível de maior energia dele.

24 Caio Lima Firme Química para Engenharia 25


Distribuição eletrônica geral da camada de valência: 5. Origem dos elementos químicos e suas propriedades
arranjo dos elementos químicos dentro da tabela e exceções
ao diagrama de distribuição dos elétrons de Pauling Nome; Nome;
símbolo; símbolo;
Origem Origem
Nota: esta tabela mostra a distribuição eletrônica da camada de ano de ano de des-
descoberta coberta
valência dos elementos. A diagramação da tabela periódica moderna
Aurum (latim) de hari Anthemonium (grego)
e a compreensão da origem de muitas propriedades físicas e químicas
(sânscrito) = amarelo. Au- Antimônio originado de Stibium
deve-se a essa distribuição eletrônica na camada de valência. rora é deusa do amanhecer. (Sb) (latim) (Sb2S3) = mar-
Ouro (Au)
1450 ca. Nome dado porque
Obs.: n é o número do período (da tabela) em que está o elemento e este mineral faz mar-
também representa o número de camadas que este elemento possui. cas na pele.
Se, por exemplo, um elemento está no 4o período da tabela, ele Cromo Khroma (grego) = cor Bromos (grego) = fe-
possui 4 camadas. (Cr) Diferentes compostos de
Bromo (Br)
der. Nome dado por
1826
1797 cromo têm cores diferentes. causa do cheiro ruim
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 da substância.
n s1-2 n s2 p1-6 He Argentum (latim) vem de Hydros (grego) =
2
1s Hidrogênio
argunas (sânscrito) = bri- água, gen (grego) =
Li Be B C N O F Ne (H)
2s1 2s2 2s2p1 2s2p2 2s2p3 2s2p4 2s2p5 2s2p6 Prata (Ag) lhar. produtor. Quando o
1766
Na Mg (n-1) d /ns
1-10 1-2 Al Si P S Cl Ar hidrogênio queima
3s1 3s2 3s2p1 3s2p2 3s2p3 3s2p4 3s2p5 3s2p6 produz água.
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr
Sulveri (sânscrito) = inimi- Oksys (grego) = áci-
4s1 4s2 3d14s2 3d24s2 3d34s2 3d54s1 3d54s2 3d64s2 3d74s2 3d84s2 3d 4s 3d 4s 4s2p1 4s2p2 4s2p3 4s2p4 4s2p5 4s2p6 Oxigênio
10 1 10 2

Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe go do cobre. Quanto mais do. gen (grego) = pro-


(O)
5s1 5s2 4d15s2 4d25s2 4d45s1 4d55s1 4d65s1 4d75s1 4d85s1 4d 5s 4d 5s 4d 5s
10 0 10 1 10 2
5s2p1 5s2p2 5s2p3 5s2p4 5s2p5 5s2p6 Enxofre (S) enxofre menos metálico o dutor. Para Lavoisier,
1774
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At Rn metal (alquimia). todos os ácidos conti-
6s1 6s2 5d16s2 5d26s2 5d26s2 5d46s2 5d56s2 5d66s2 5d76s2 5d96s1 5d 6s 5d 6s 6s2p1 6s2p2 6s2p3 6s2p4 6s2p5 6s2p6
10 1 10 2
nham oxigênio.
Fr Ra
7s1 7s2
Stannum conectado a stag- Phos (grego) = brilho.
num (hindú-europeu) = Phero (grego) = ali-
gotejante devido à facilida- mentador.
de do estanho se derreter. Fósforo (P) Descoberto por Hen-
Estanho
1669 nig Brand (1670) ao
(Sn)
Observe que os elementos representativos seguem um procurar pela ‘pedra-
padrão de distribuição eletrônica diferente dos elementos de -filosofal’. O fósforo
branco emite luz no
transição. Nos elementos representativos, o preenchimento
escuro.
dos elétrons ocorre no último subnível e nos elementos de
Kloros (grego) = verde- Arsenikos (grego) =
transição ocorre no penúltimo (ou antepenúltimo) subnível. Cloro (Cl) -amarelo. Nome dado por
Arsênico
corajoso(alquimia).
Observe também que os elementos Cu, Ag e Au (metais nobres) (As)
1774 causa da cor do gás. Materiais de cobre
1250
removem um elétron do subnível s para ficar com o subnível d com arsênico ficavam
totalmente preenchido, estabilizando ainda mais estes átomos. mais duros e fortes.

26 Caio Lima Firme Química para Engenharia 27


Em homenagem ao deus Tantalus, filho de Jú- Sódio Na Magnésio Mg Alumínio Al
romano dos mensageiros. piter, foi condenado a
Mercúrio Hydrargyrum de hydri- Tântalo (Ta) ficar até o pescoço na Sal de cozinha; rodas de liga leve; utensílios domésticos;
(Hg) -argyros (grego) significa 1802 água, mas ela afunda- soda cáustica; tijolo refratário; folhas, tubos e cabos;
água prateada. va quando ele tentava vidro. fogos de sinalização. agente floculante.
bebê-la. Ta2O5 não se Enxofre S Cloro Cl Titânio Ti
dissolve em água.
O mineral é cinza. Quando Tung (sueco) =pesado, Fogos de artifício, pólvo- desinfetante; constituinte de ligas;
as plantas são aquecidas sten (sueco) = pedra. ra; branqueador; catalisador;
um resíduo cinza aparece. Nome usado para in- ácido sulfúrico; plástico PVC. pigmento para tinta.
O sólido era extraído com dicar a alta densidade vulcanização de borra-
Potássio Tungstênio
água e depois evaporado dele. W, wolfram, de cha;
(K) (W)
em um pote de ferro. O wolf (alemão) = lobo, conservantes.
1807 1783
sólido era chamado potash rahm (alemão) = sujo. Cromo Cr Ferro Fe Cobalto Co
(cinza do pote).Potássio é Assim chamado por-
chamado Kalium em ale- que era difícil obter es- proteção a superfícies aço; constituinte do aço;
mão e o nome vem de ‘al- tanho sem tungstênio. metálicas; imãs; catalisador de gás de
-quali’ (árabe) = o cinza. fita de áudio e vídeo catalisador. escape;
Barys (grego) = pesado. Helios (grego) = sol. ferramentas. pigmentos.
Bário (Ba) Bário era o metal na barita Hélio (He) Deduzido do exame Cobre Cu Zinco Zn Nióbio Nb
1808 o qual é muito denso. 1868 espectroscópico da co-
roa solar durante um arame; cabo elétrico; proteção para metais; ferramentas de corte;
eclipse em 1868. medalhas; panelas; acumulador; calha; tubulação;
caldeiras; peça para automóvel; eletrodo de solda elétri-
hélice para navio. aditivo para borracha. ca;
superimã.
6. Usos dos principais elementos
Rutênio Ru Platina Pt Flúor F

Hidrogênio H Hélio He Lítio Li contato elétrico; coroa de dente; aditivo para pasta den-
resistência elétrica. catalisador; tal;
Combustível de foguete; enchimento de balões; combustível para fogue- cunha para fundição. propelente para aeros-
agente redutor. gás refrigerante. te; sol;
bateria para marca- gravação em vidro.
-passo.
Carbono C Nitrogênio N Oxigênio O Prata Ag Cádmio Cd Lantânio La

grafite para lápis; líquido refrigerante; reagente da combustão; espelho e vidro cortante; bateria recarregável; pedra para isqueiro;
eletrodo; preparação do amoníaco; constituinte dos óxi- bateria; porcas e parafusos; eletrodo de bateria;
diamante; adubos; dos; catalisador; fotômetro; lente de câmara foto-
constituinte do aço. combustível para foguetes. agente oxidante. papel fotográfico. proteção anticorrosiva. gráfica.

28 Caio Lima Firme Química para Engenharia 29


Tungstênio W Cálcio Ca Neônio Ne 7. Estado físico dos elementos químicos (T= 293oK)
eletrodo de solda; constituinte dos ossos; iluminação de letreiros; 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
fio de lâmpada e TV; adubo químico; tubo de TV, laser líqui- AM AM
material para granada, gesso; cimento; concreto; do; refrigerante. H He
bala; carga para papel e tinta. gás gás
ferramenta de perfuração. met met AM AM AM AM AM AM
Li Be B C N O F Ne
Iodo I Mercúrio Hg Potássio K sol sol sol sol gás gás gás gás
met met met SMT AM AM AM AM
tintura de iodo; indicador do barômetro adubo químico; Na Mg Al Si P S Cl Ar
lâmpada de iodo; e termômetro; vidro e lente; sol sol sol sol sol sol gás gás
pigmento de tinta; lâmpadas; fósforo e pólvora. met met met met met met met met met met met met met SMT SMT SMT AM AM
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr
sal iodado; amálgamas odontológicas. sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol liq gás
Bactericida. met met met met met met art met met met met met met met met SMT AM AM
Silício Si Selênio Se Bromo Br Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe
sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol 128 sól gás
met met met met met met met met met met met met met met met SMT rad rad
chip eletrônico; fotômetro; purificador de água; Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At Rn
ferramentas; lente da copiadora; gás lacrimogênio; sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol liq sol sol sol sol sol gás
vidro, cimento; célula solar; papel fotográfico, filme; rad rad met met art art art art art art art art art
borracha de silicone. xampu anticaspa. desinfetante. Fr Ra Lr Rf Db Sg Bh Hs Mt Uun Uuu Uub Uut
sol sol sol

Estrôncio Sr Índio In Estanho Sn metais nobres


met met met met rad met met met met met met met met met
fonte de radiação beta; célula solar; lata, moeda, solda; La Ce Pr Nd Pm Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb
tinta fosforescente; fotocélulas; tinta antiadesiva; sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol sol
fogos de artifício; solda para vidro. vidro fosco, esmaltado. rad rad rad rad art art art art art art art art art art
fonte de luz. Ac Th Pa U Np Pu Am Cm Bk Cf Es Fm Md No
sol sol sol sol
Chumbo Pb Níquel Ni Fósforo P
met-metal; SMT-semimetal; AM-ametal;
acumulador; moeda; fogos de artifício; líq-líquido; sol-sólido; art-artificial; rad-radioativo
solda; catalisador; adubo químico;
secante para tinta; constituinte do aço; cerâmica;
proteção contra radiação. bateria recarregável. ATP e ADP. Características dos tipos de elementos:
1) Metal: conduz eletricidade e calor; tem brilho e maleabilidade.
2) Ametal: não conduz eletricidade nem calor.
3) Semimetal: são semicondutores elétricos e térmicos.
4) Elemento radioativo: tem núcleo instável que emite constantemente
radiações.
5) Elemento artificial: tem núcleo tão instável que não existe na
natureza; deve ser sintetizado pelo homem.

30 Caio Lima Firme Química para Engenharia 31


8. Raio atômico (covalente), em Angstroms (10-10m) 2) Dentro de um mesmo período: da direita para esquerda.
Quando vamos da esquerda para direita dentro de um período,
aumenta-se o número de prótons e número de elétrons sem aumentar
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
consideravelmente a distância entre núcleo e elétrons (mais externos),
H
0,37 porque o número de camadas não é alterado. Valendo-se da fórmula
Li Be B C N O F da força elétrica, F = K Qq / d2 (sendo Q = carga total dos prótons, q
1,23 0,89 0,80 0,77 0,74 0,74 0,72 = carga total dos elétrons e d = distância entre as cargas), à medida
Na Mg Al Si P S Cl
1,57 1,36 1,25 1,17 1,10 1,04 0,99
que vamos da esquerda para direita da tabela periódica, aumenta-
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br se Q e q sem aumentar d. Consequentemente, a força de atração
2,03 1,74 1,44 1,32 1,22 1,17 1,17 1,17 1,16 1,15 1,17 1,25 1,25 1,22 1,21 1,14 1,14 aumenta ao ir da direita para a esquerda na tabela periódica, dentro
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
2,16 1,91 1,62 1,45 1,34 1,29 - 1,24 1,25 1,28 1,34 1,41 1,50 1,40 1,41 1,37 1,33 do mesmo período, e ocorre uma contração do raio atômico. Então,
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At quando vamos da direita para esquerda na tabela periódica, dentro de
2,35 1,98 1,69 1,44 1,34 1,30 1,28 1,26 1,26 1,29 1,34 1,44 1,55 1,46 1,52 - -
um mesmo período, ocorre uma ligeira diminuição do raio atômico.

|Q1| = |q1|<|Q2| = |q2|; d1 = d2; Fel(1)<Fel(2)

9. Eletronegatividade de Pauling

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
H
2,1
Li Be B C N O F
1,0 1,5 2,0 2,5 3,1 3,5 4,1
Na Mg Al Si P S Cl
1,0 1,2 1,5 1,7 2,1 2,4 2,8
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
0,9 1,0 1,2 1,3 1,5 1,6 1,6 1,6 1,7 1,8 1,8 1,7 1,8 2,0 2,2 2,5 2,7
O raio atômico representa o raio do átomo. O aumento do raio Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
0,9 1,0 1,1 1,2 1,2 1,3 1,4 1,4 1,4 1,4 1,5 1,5 1,5 1,7 1,8 2,0 2,2
atômico ocorre nas seguintes situações:
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At
0,9 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,5 1,6 1,4 1,4 1,4 1,4 1,5 1,7 1,8 1,9
1) Dentro de um mesmo grupo: de cima para baixo.
Como o período em que se encontra um elemento representa o
número de camadas que ele possui, à medida que vamos de cima para
baixo em um mesmo grupo, aumenta-se o número de camadas do
átomo e também seu raio atômico. Este é um aumento pronunciado.

32 Caio Lima Firme Química para Engenharia 33


10. Energia de ionização e primeira energia de ionização
(kJ.mol-1)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
He
2372
Li Be B C N O F Ne
520 899 801 1086 1043 1410 1681 2080
Na Mg Al Si P S Cl Ar
496 737 577 786 1012 999 1255 1521
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr
419 590 631 656 650 652 717 762 758 736 745 906 579 760 947 941 1142 1351
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe
403 549 616 674 664 685 703 711 720 804 731 876 558 708 834 869 1191 1170
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At Rn
376 503 541 760 760 770 759 840 900 870 889 1007 589 715 703 813 912 1037

Eletronegatividade: é a capacidade que têm os elementos


de receberem elétrons (de ficarem negativos), ou seja, de terem
excesso de elétrons em relação ao número de prótons. Elementos
pequenos (menor raio atômico) têm maior capacidade de receber
elétrons (maior eletronegatividade) do que os elementos grandes
(maior raio atômico). Consequentemente, os ametais são muito mais
eletronegativos que os metais.
A eletronegatividade é inversamente proporcional ao raio
atômico, pois quanto menor o raio atômico, maior a eletronegatividade

Raio atômico eletronegatividade

A eletropositividade é a capacidade que têm os elementos de


doarem elétron (de ficarem positivos), ou seja, de ficarem com falta
de elétrons em relação ao número de prótons. Elementos grandes têm
maior facilidade para doar elétrons do que os elementos pequenos. Energia de ionização é a energia necessária para retirar um
A eletropositividade é diretamente proporcional ao raio atômico, ou ou mais elétrons de um átomo no seu estado fundamental e gasoso.
seja, quanto maior o raio atômico, maior é a eletropositividade. O primeiro potencial de ionização é a energia necessária para retirar
o último elétron da camada mais externa ao qual ele pertence. O
segundo potencial de ionização corresponde à retirada do penúltimo
Raio atômico eletropositividade elétron da camada mais externa ao qual ele pertence. E por aí vai.

34 Caio Lima Firme Química para Engenharia 35


À medida que os elétrons vão sendo retirados, o íon vai 12. Estrutura cristalina dos elementos
assumindo cargas positivas maiores (+1, +2, +3 etc.), o que aumenta
a atração do núcleo pelos elétrons remanescentes, causando uma Um cristal é um objeto sólido que possui um padrão básico
retração do raio atômico e levando-se a uma maior dificuldade para de inúmeras repetições nas três dimensões do espaço. A fim de
a retirada do elétron remanescente mais externo. Com isso, faz-se descrever a estrutura cristalina, é necessário conhecer apenas a
necessário um dispêndio de maior quantidade de energia para se unidade repetitiva mais simples dessa estrutura, conhecida como
retirar esses elétrons do átomo. célula unitária, para descrever sua repetição no espaço. Abaixo, são
A energia de ionização é inversamente proporcional ao raio mostradas as figuras representativas das células unitárias primárias.
atômico. Quanto maior o raio do átomo, menor a energia de ionização. Alguns átomos metálicos têm mais de uma célula unitária.
Quanto menor o raio atômico maior a energia de ionização. Mesmo os halogênios flúor e cloro, quando sólidos, formam
estruturas cristalinas organizadas.
11. Densidade (g.cm-3)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
d=m/v Li Be B C N O F
b h - d/gf - - cm F2
sendo m = massa e v = volume. Na Mg Al Si P S Cl
b h cp d cov anéis cm Cl2
A densidade é função da estrutura cristalina do átomo. Quanto K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
b c/ h c / h h / b b h / b cp c/b c/h c/h c hd cp d cov cprl cm Br2
mais organizada a estrutura cristalina, mais densa será a estrutura Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
cristalina daquele elemento. Quanto maior forem as interações b c h h/b b h/b h c/h c c c hd cd d/cp cp cprl cm I2
Cs Ba La Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At
interatômicas na estrutura cristalina, mais densa será a estrutura b b c/h h/b b b / cp h c/h c c c cp cp cp cd cp -
cristalina do elemento também.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Li Be B C N O F
0,54 1,85 2,35 2,65 - - -
Na Mg Al Si P S Cl
0,97 1,74 2,70 2,34 1,82 2,1 -
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
0,86 1,55 3,0 4,50 6,11 7,14 7,43 7,87 8,90 8,91 8,95 7,14 5,90 5,32 5,77 4,19 3,19
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
1,53 2,63 4,5 6,51 8,57 10,3 11,5 12,4 12,4 12,0 10,5 8,65 7,31 7,27 6,70 6,25 4,94
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At b-cúbico de corpo centrado; c-cúbico; h-hexagonal;
1,90 3,62 6,17 13,3 16,6 19,3 21,0 22,5 22,6 21,4 19,3 13,5 11,8 11,3 9,81 9,14 -
cp- estrutura complexa; d- diamante; gf- grafite;
hd- hexagonal distorcida; cd- cúbica distorcida;
cm- camada de; cov- covalente; cprl- cadeia paralela

36 Caio Lima Firme Química para Engenharia 37


Exercícios 3) Um elemento que apresenta número atômico Z = 16 pertence:

1) Os elementos I, II e III têm as seguintes configurações eletrônicas a) Ao grupo IIA (metais alcalino-terrosos).
em suas camadas de valência: b) Ao grupo 0 (gases nobres).
c) Ao grupo VIA (calcogênios).
I) 3s2 3p3 II) 4s2 4p5 III) 3s2 d) Ao grupo VIIA (halogênios).
e) Ao grupo IA (metais alcalinos).
Com base nestas informações, assinale a afirmação errada.
4) Das alternativas indicadas abaixo, qual é constituído de elementos
a) O elemento I é um não metal. da tabela periódica com características químicas distintas?
b) O elemento II é um halogênio.
c) O elemento III é um metal alcalino-terroso. a) He; Ne; Ar. d) F; Cl; Br.
d) Os elementos I e III pertencem ao terceiro período da tabela b) Mg; Ca; Sr. e) Li; Na; K.
periódica. c) Li; Be; B.
e) Os três elementos pertencem ao mesmo grupo da tabela
periódica. 5) As famílias de elementos químicos cujos átomos têm elevada
energia de ionização são:
2) Responda à questão seguinte com base na análise das afirmativas
abaixo: a) Halogênios e gases nobres.
b) Alcalinos e alcalino-terrosos.
I) Em um mesmo período os elementos apresentam os c) Alcalinos e halogênios.
mesmos números de níveis. d) Alcalinos e gases nobres.
II) Os elementos do grupo 2A apresentam, na última camada, e) Alcalino-terrosos e elementos de transição.
a configuração geral ns2.
III) Quando o subnível mais energético é do subnível s ou p o 6) Ao consultar a tabela periódica localizamos um elemento que
elemento é de transição. pertence à família 7A e ao 3º período, com o número de massa igual a
IV) Em um mesmo grupo os elementos apresentam o mesmo 35. Podemos afirmar que o átomo desse elemento, no estado neutro,
número de camadas. possui:

Conclui-se que, com relação à estrutura de classificação da tabela a) 7 prótons, 7 elétrons, 7 nêutros.
periódica dos elementos, estão corretas as afirmativas: b) 11 prótons, 11elétrons, 11 nêutrons.
c) 17 prótons, 17 elétrons, 17 nêutrons.
a) I e II. d) II e IV. d) 17 prótons, 17 elétrons, 18 neutrons.
b) I e III. e) III e V. e) 17 prótons, 18 elétrons, 17 nêutrons.
c) II e III.

38 Caio Lima Firme Química para Engenharia 39


7) Qual dos átomos abaixo requer o menor fornecimento de energia a) 1s2 2s1 ( ) gases nobres
para que perca um elétron? b) 1s2 2s2 2p6 ( ) halogênios
c) 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4 ( ) alcalinos
a) Cs. d) F. d) 1s2 2s2 2p5 ( ) calcogênios
b) Ba. e) Br.
c) Ne. 12) Dê os números quânticos do elétron de diferenciação do Si
(silício).
8) Dois elementos, A e B, possuem como maiores subníveis
energéticos 3p5 e 3p3, respectivamente. Com relação à a) n=3, l=2, ml=0, s=+1/2
eletronegatividade e ao raio atômico podemos afirmar que: b) n=3, l=1, ml=0, s=+1/2
c) n=4, l=1,ml=0, s=+1/2
a) A é maior que B nas duas propriedades. d) n=4, l=2, ml=0, s=+1/2
b) A tem maior eletronegatividade e menor raio atômico que B.
c) A e B têm a mesma eletronegatividade. 13. Ligações químicas
d) A tem menor eletronegatividade e menor raio atômico que B.
Com exceção dos átomos do grupo dos gases nobres, todos
9) Para cada item, envolva o átomo que apresenta a maior outros átomos tendem ficar unidos com outro(s) átomo(s) do mesmo
eletronegatividade. elemento químico ou de elementos químicos diferentes. Essa união
entre os átomos ocorre por interações eletrostáticas atrativas entre
a) Na, Al prótons de um átomo e elétrons de outro átomo que formam uma
b) C, O determinada ligação química. As ligações químicas se dividem em
c) F, Br ligações iônicas, metálicas e covalentes. Como dito antes, todas
d) P Cl essas ligações são de natureza eletrostática, porém se diferem na
distribuição dos elétrons de valência entre os átomos ligantes. No
10) Para cada item, envolva o átomo que apresenta a maior energia caso da ligação iônica, um ou mais elétrons de valência migra(m)
de ionização. de um átomo para outro átomo, formando cátions e ânions. No caso
da ligação metálica, os elétrons de valência formam uma banda de
a) K, Br condução em que os elétrons de valência transitam aleatoriamente
b) Si, Ar entre todos os átomos do metal. E, no caso da ligação covalente, os
c) Ca, Mg elétrons, ou melhor, a densidade de carga eletrônica é compartilhada
d) B, N entre dois átomos ligantes. Essa densidade eletrônica localizada
na região da ligação gera uma força estabilizante atrativa entre os
11) Correlacione a configuração eletrônica do átomo com a sua átomos da ligação.
posição na tabela. A tendência do elétron migrar totalmente para outro átomo
(ligação iônica), ou de ficar numa banda de condução (ligação
metálica) ou de ficar na região da ligação entre dois átomos (ligação
covalente) depende da natureza dos átomos ligantes, e esta depende

40 Caio Lima Firme Química para Engenharia 41


principalmente da eletronegatividade ou eletropositividade desses Mostre quais das ligações abaixo são ligações iônicas
átomos.
Quando há união entre um átomo muito eletropositivo (metal a) C C b) H C c) H Cl d) Na O e) K H
dos grupos 1 ou 2) e um átomo muito eletronegativo (ametal dos grupos f) Cl Cl g) S O h) P H i) K I
16 e 17), tende-se haver a transferência total de um ou mais elétrons
do átomo mais eletropositivo para o átomo mais eletronegativo,
formando a chamada ligação iônica. Quando há união entre átomos Esquema da formação de uma ligação iônica antes, durante e
eletropositivos (metais, em geral), há tendência de se formar uma depois de sua formação.
banda de condução em que os elétrons de valência passam a transitar
entre todos os átomos metálicos aleatoriamente, formando a ligação
metálica. Quando ocorre a união entre átomos eletronegativos
(ametais), há uma transferência parcial de elétrons para a região da
ligação entre os ametais, formando a ligação covalente. Vale à pena
ressaltar que a natureza de todas essas ligações químicas é a mesma,
ou seja, interação eletrostática e que os gases nobres são os elementos
menos reativos da tabela periódica, pois eles têm o último subnível
eletrônico (ns2 np6) totalmente preenchido. Isto confere uma ótima
estabilidade a eles.
Também é importante enfatizar que a força de uma única
ligação iônica é mais fraca do que a força de uma única ligação
covalente (simples). Contudo, isso não pode ser confundido com
o fato do ponto de fusão de um composto iônico (sal de cozinha,
por exemplo) ser maior do que o ponto de fusão de um composto
covalente (glicose, por exemplo). Isto ocorre porque no caso do
NaCl sólido, há seis interações eletrostáticas entre cada átomo de
Na+ com seis átomos de Cl- e seis interações eletrostáticas de um
átomo de Cl- com seis átomos de Na+ para serem quebradas para cada
conjunto de 12 átomos de NaCl. No caso da glicose, as interações
a serem quebradas de modo a levar o sólido covalente se fundir são
interações mais fracas entre cada molécula de glicose.

14. Ligação iônica

A ligação iônica ocorre entre um átomo muito eletropositivo


(grupos 1 e 2) e um átomo muito eletronegativo (grupos 16 e 17).
Consequentemente, as ligações iônicas se formarão entre átomos
com grande diferença de volume atômico (ou raio atômico).

42 Caio Lima Firme Química para Engenharia 43


A carga positiva (+) representa a falta de um elétron, ou seja, a vários ânions e um ânion está unido a vários cátions (formando uma
há um próton a mais no elemento químico. A carga negativa (-) rede cristalina) através de uma geometria organizada. Os átomos
representa o excesso de um elétron, ou seja, há um elétron a mais no possuem cargas opostas (cátion e ânion) e se mantêm unidos por
elemento químico. ligação eletrostática.
No caso do NaCl, temos uma rede cristalina em forma de cubo
Regra do octeto: os elementos mais próximos aos gases em que um Na+ está cercado por 6 Cl- e um Cl- está cercado por 6
nobres tendem a adquirir a configuração eletrônica do gás nobre Na+. Isto confere ao sólido iônico alto ponto de fusão e ebulição.
(principalmente se a ligação for iônica), respeitando a regra do octeto Para cada composto sólido iônico existe uma rede cristalina
(oito elétrons na camada de valência). com uma geometria específica e um número de coordenação
Então, os metais alcalinos e alcalinos terrosos, quando reagem específico.
com os calcogênios e halogênios, tendem a formar ligação iônica,
ambos adquirindo a configuração do gás nobre mais próximo. Para o NaCl

10
Ne - 1s2 2s2 2p6
11
Na – 1s2 2s2 2p6 3s1
17
Cl - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
18
Ar - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6

Considerando as configurações eletrônicas acima, o Na deve


doar um elétron para adquirir a configuração do Ne e o Cl deve
receber um elétron para adquirir a configuração do Ar. Quando Na
e Cl eles se unem, reagem espontaneamente e formam uma ligação
iônica.

Na(s) + 1/2 Cl2 (g) NaCl (s)

11
Na+ - 1s2 2s2 2p6 = [ Ne ]
17
Cl- - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 = [ Ar ]

15. Composto sólido iônico

O sólido iônico é um composto formado por ânions e cátions


unidos numa rede cristalina (cristal). Nesta rede, um cátion está unido

44 Caio Lima Firme Química para Engenharia 45


Para o CsCl capacidade dos metais de conduzirem calor e eletricidade. As
interações eletrostáticas entre os elétrons da banda de condução e os
cátions metálicos conferem a estabilidade ao metal.
Exemplo de ligações metálicas:

Na - Na
Fe - Fe (ferro)
Cu - Sn (bronze)
Cu - Zn (latão)

Os metais alcalinos e alcalinos terrosos são moles e os metais


de transição são mais duros e mais densos, pois têm também ligações
covalentes entre os cátions.
A estrutura cristalina dos metais e a banda de condução é que
conferem o brilho e refletividade aos metais.

17. Ligação covalente e compostos covalentes

A ligação covalente ocorre a partir de uma transferência parcial


densidade de carga entre os átomos ligantes de modo a gerar uma
Obs.: as linhas unindo os íons não representam as ligações iônicas, e densidade eletrônica entre estes átomos. É a interação eletrostática
sim a geometria do cristal sólido. entre os elétrons compartilhados de valência na região da ligação
e os prótons dos átomos ligantes que confere a estabilidade da
ligação covalente. É importante enfatizar que elétrons se repelem
16. Ligação metálica e metais eletrostaticamente e que a força magnética de spins contrários não
compensa a repulsão eletrostática dos mesmos elétrons, pois a força
Ligação metálica é a ligação entre metais do mesmo elemento magnética é muito menor que a força eletrostática. Portanto, a idéia
ou metais de elementos diferentes (ligas metálicas). Os metais de compartilhamento de elétrons não implica em uma interação
formam sólidos de estrutura cristalina semelhante ao dos sólidos atrativa entre os elétrons, e sim em uma interação atrativa entre
iônicos. prótons e elétrons compartilhados.
No caso das ligações metálicas, ocorre exclusiva formação A ligação covalente ocorre entre dois ametais (elementos
de cargas positivas. Os átomos metálicos são elementos volumosos eletronegativos). Átomos que não têm muita facilidade para doar
com um, dois ou mais elétrons de valência. elétron(s) fazem ligação covalente. Neste caso, não ocorre uma
A ligação metálica é a interação entre os elétrons livres e efetiva transferência de elétron(s) como ocorre na ligação iônica.
deslocalizados da banda de condução do metal e cátions metálicos De acordo com o modelo de Lewis, uma ligação covalente
da estrutura cristalina. Esta banda de condução é que confere a sempre envolve dois elétrons. Estes dois elétrons da ligação covalente

46 Caio Lima Firme Química para Engenharia 47


ocupam a região da ligação entre os núcleos dos dois átomos. Uma A ligação covalente heterogênea ocorre entre átomos de
ligação covalente é representada por um segmento de reta entre os elementos químicos diferentes. Na ligação covalente heterogênea
dois átomos ligantes. há uma diferença de eletronegatividade entre os átomos envolvidos.
Consequentemente, há uma desigual distribuição da densidade
C H eletrônica entre os átomos ligantes, gerando um momento dipolo na
ligação (a nuvem eletrônica é desigualmente distribuída).
Então, um traço [ ____ ] indica uma ligação covalente em que
há presença de dois elétrons de valência na região da ligação entre
os dois átomos.

Por causa da distribuição desigual da densidade eletrônica


(ou nuvem eletrônica) na ligação covalente heterogênea, o átomo
mais eletronegativo adquire uma carga parcialmente negativa (d-)
e o átomo menos eletronegativo fica com uma carga parcialmente
A ligação covalente homogênea é uma ligação covalente entre positiva (d+).
átomos do mesmo elemento químico.
C O C H
O O C C d+ d- d- d
+

Neste tipo de ligação, não há diferença de eletronegatividade O H P O


entre os átomos da ligação covalente. Consequentemente, a densidade d- d+ d+ d-
eletrônica é igualmente distribuída entre os átomos ligantes e, por
isso, a ligação covalente homogênea é dita ser apolar, porque não S O S H
gera momento dipolo na ligação. d+ d- d- d+

N O N C
d+ d- d- d+

Como no caso da ligação heterogênea há formação de uma


carga parcial positiva e uma carga parcial negativa nos átomos
ligantes, a ligação covalente heterogenia é dita ser uma ligação polar
porque possui momento dipolo.

48 Caio Lima Firme Química para Engenharia 49


Sendo conhecidas as cargas parciais nos átomos da ligação
heterogênea, é possível calcular um momento dipolo (m). O momento - Ligação covalente tripla ocorre quando há três ligações
dipolo é o produto da carga elétrica (q) e a distância (r). A unidade do covalentes entre os átomos envolvidos.
momento dipolo é 1D = 10-18 esu.cm, em que “esu” significa unidade
eletrostática. Por exemplo, a carga de um elétron ou próton é 4,8
x10-10 esu. Em uma ligação que tem 0,2 de carga positiva e negativa
C C
nas terminações da ligação com uma separação de 1,54Å (1Å=10-
Características dos compostos covalentes
8
cm), teria um dipolo associado de (0,2)(4,8 x10-10 esu)(1,54x10-8
cm)=1,47x10-18 esu.cm = 1,47D.
Nos compostos covalentes sólidos ou líquidos há dois tipos de
ligação: as ligações interatômicas em uma mesma molécula (ligação
Na ligação heterogênea, usa-se uma seta para indicar o
covalentes) e as interações intermoleculares (interações de van der
elemento mais eletronegativo.
Waals e dipolo-dipolo) entre mais de uma molécula. Neste ponto, é

importante entender que a análise em questão não se limita a somente
S O S H
uma molécula, mas a um conjunto de moléculas que interagem entre si
d+
d -
d -
d+ por meio de ligações intermoleculares. As ligações intermoleculares
são muito mais fracas que as ligações covalentes porque a sua força
N O N C eletrostática é bem menor.
d+
d -
d -
d+ Por causa da fraca interação intermolecular existente nas
moléculas covalentes, os compostos covalentes têm baixos pontos
No caso da ligação homogênea, não surge uma polaridade de ebulição e fusão. É importante enfatizar também que ponto de
entre os átomos, e a ligação é chamada de apolar. ebulição e ponto de fusão são propriedades macroscópicas que
Resumindo: dependem diretamente das interações intermoleculares entre um
conjunto de várias moléculas, neste caso, moléculas covalentes. Não
- Ligação covalente polar: ocorre entre átomos de elementos é possível analisar o ponto de fusão e ebulição de uma molécula sem
diferentes. levar em conta as interações intermoleculares.
- Ligação covalente apolar: ocorre entre átomos do mesmo As moléculas covalentes podem ser polares ou apolares.
elemento. Moléculas polares são aquelas que apresentam um dipolo bem
A ligação covalente simples ocorre apenas quando há uma definido, ou seja, em uma parte da molécula concentra-se a carga
ligação covalente entre os átomos envolvidos. positiva e na outra parte da molécula concentra-se a carga negativa.
Uma molécula apolar não possui dipolo, ou seja, as cargas positiva
S H e negativa não se concentram em pontos distintos e separados. A
molécula da água (H2O) é polar enquanto a molécula do dióxido de
- Ligação covalente dupla ocorre quando há duas ligações carbono (CO2) é apolar.
covalentes entre os átomos envolvidos. As moléculas covalentes são isolantes elétricos, ou seja, não
conduzem eletricidade (ver primeiro experimento da parte 2). A
maioria dos compostos covalentes são gases ou líquidos, contudo há
C O vários compostos covalentes sólidos (e.g. vários produtos naturais).

50 Caio Lima Firme Química para Engenharia 51


Dentre os ametais, o carbono pode formar cadeias longas NH3 (forma dipolo = molécula polar)
(inclusive polímeros) devido à alta energia de suas ligações e a
estabilidade proporcionada pela geometria de suas cadeias. O silício,
elemento abaixo do carbono, possui parcialmente esta característica
de formar cadeias longas (polímero de silicone).

Polaridade dos compostos covalentes

Como visto anteriormente, as ligações covalentes heterogêneas


apresentam polaridade, ou seja, apresentam cargas parciais entre
os átomos da ligação. Contudo, uma molécula pode ter mais de PCl5 (não forma dipolo = molécula apolar)
uma ligação covalente polar, e a molécula ainda assim ser apolar,
Obs.: o Cl é mais eletronegativo que o P
ou seja, não ter momento dipolo. O momento dipolo diferente de
zero da molécula indica que a molécula tem duas regiões distintas
e separadas, uma de carga positiva e outra de carga negativa. A
polaridade de uma molécula é medida pela equação do ‘momento
dipolo’ (m). A separação de cargas na molécula depende de dois
fatores: da existência de ligações covalentes heterogêneas e de um
arranjo espacial (geometria da molécula) que possibilite a separação
nítida de duas regiões de carga. Consequentemente, toda molécula
diatômica simples (ex.: Cl2) é apolar, pois tem apenas ligação
covalente homogênea.
SF6 (não forma dipolo = molécula apolar)
CCl4 (não forma dipolo = molécula apolar) Obs.: o F é mais eletronegativo que o S

52 Caio Lima Firme Química para Engenharia 53


Exercícios de água, ácido fluorídrico e amônia existem inúmeras moléculas
covalentes polares (dipolos). Cada dipolo interage com seus dipolos
1) CO2 e SO3 são polares? explique. vizinhos através da atração entre cargas parciais opostas existentes
2) H2O é polar? explique. nas moléculas vizinhas.

18. Interações intermoleculares

As moléculas dos compostos covalentes (líquidos e sólidos)


são unidas entre si por interações intermoleculares conhecidas como
‘interação de van der Waals’. Existem dois tipos: (1) interação dipolo-
dipolo e (2) dispersão de London (ou dipolo-dipolo induzido).

Interação dipolo-dipolo
van der Waals
Dispersão de London Líquido de ácido fluorídrico (HF)

A interação dipolo-dipolo é mais forte que a dispersão de


London. As interações intermoleculares são responsáveis por
algumas propriedades macroscópicas das moléculas covalentes
como pontos de ebulição e de fusão e solubilidade das moléculas.
Ou seja, pontos de ebulição e fusão não são propriedades de uma só
molécula e sim de um conjunto de moléculas do mesmo composto
covalente. Quando avaliamos essas propriedades, devemos levar em
conta as interações intermoleculares em um conjunto de moléculas
do mesmo composto covalente. 2) Dispersão de London

1) Interação dipolo-dipolo A dispersão de London ocorre entre moléculas covalentes


apolares. As moléculas apolares formam dipolos momentâneos
A interação dipolo-dipolo ocorre entre moléculas que possuem pela movimentação dos elétrons da ligação covalente ao redor da
momento dipolo diferente de zero (moléculas polares). molécula. Estes dipolos momentâneos induzem a polarização de
moléculas apolares vizinhas e assim têm-se dipolos induzidos. Os
dipolos induzidos são atraídos pelas cargas opostas momentâneas
dos dipolos vizinhos. Este tipo de interação só ocorre com moléculas
A interação dipolo-dipolo também é uma interação eletrostática
apolares (CO2, CCl4, Br2 e N2)
entre a região de carga positiva de uma molécula com a região de
carga negativa da molécula vizinha. Moléculas como H2O, HF e
NH3 (polares) são representadas pela figura acima. Em um líquido

54 Caio Lima Firme Química para Engenharia 55


Observações: NaCl(s) + H2O Na+(aq) + Cl-(aq)
1) As interações intermoleculares em compostos covalentes são mais
fracas em relação às interações dos compostos iônicos e metálicos
no retículo cristalino.
2) Os compostos covalentes têm pontos de fusão menores que
aqueles dos compostos iônicos.
3) Os compostos covalentes (sólidos e líquidos) não conduzem calor
e eletricidade.

19. Dissolução de composto sólido

A dissolução é um processo termodinâmico que depende da


interação entre as moléculas do soluto e do solvente. Quanto mais
forte for essa interação, mais facilmente um soluto se dissolve em
um solvente. A força da interação entre soluto e solvente depende,
principalmente, da afinidade em termos de polaridade entre eles, ou Mecanismo de dissolução do NaCl sólido pela água.
seja, um sólido ou um líquido (soluto) dissolve-se em um solvente
quando há certa afinidade por polaridade entre o soluto e o solvente.
Assim, podemos dizer que um solvente muito polar só dissolve 20. Compostos químicos e ligações químicas
(completamente) um soluto muito polar; solvente de polaridade
média só dissolve (completamente) um soluto de polaridade média;
e solvente apolar só dissolve soluto apolar. Compostos iônicos
A dissolução de um composto sólido iônico ou covalente por
um determinado solvente consiste na capacidade do solvente de se
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
inserir na estrutura do soluto iônico ou molecular de modo que certa
Li Be B C N O F
quantidade de moléculas de solvente coordene cada íon ou molécula
do soluto. Na Mg Al Si P S Cl
No caso da dissolução de um composto iônico, quando ele é K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
dissolvido por um solvente, ele forma íons dispersos na solução.
No caso da dissolução de um composto covalente, ele mantém Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I

sua unidade molecular porque o solvente não quebra as ligações Cs Ba La Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At


covalentes da molécula. O solvente quebra apenas as ligações
intermoleculares.
Óxidos iônicos Compostos covalentes entre si Óxidos covalentes
Hidretos iônicos Hidretos covalentes

56 Caio Lima Firme Química para Engenharia 57


Exercícios 6) Os tipos de ligações dos compostos LiF, SCl2 e Cl2 são,
respectivamente:
1) Explicar porque o íon sódio (Na+) é muito estável que o átomo de
sódio (Na0). a) Covalente apolar, covalente polar, iônica.
b) Iônica, covalente apolar, covalente polar.
2) O cloreto de amônio (NH4Cl) possui: c) Covalente polar, iônica, covalente apolar.
d) Covalente apolar, iônica, covalente polar.
a) 2 ligações iônicas e 3 covalentes. e) Iônica, covalente polar, covalente apolar.
b) 1 ligação iônica e 4 covalentes.
c) 1 ligação iônica e 1 covalente. 7) Diga que tipo de ligação ocorre entre os átomos das moléculas
d) 1 ligação iônica e 3 covalentes. KF, Br2, CaCl2, SO2:

3) Os átomos X e Y apresentam configurações eletrônicas 1s2 2s2 a) Iônica; iônica; covalente; covalente.
2p6 3s1 e 1s2 2s2 2p5, respectivamente. Entre estes átomos forma-se b) Covalente; iônica; covalente; iônica.
um composto
c) Covalente; covalente; iônica; iônica.
a) Iônico, de fórmula XY2. d) Iônica; covalente; iônica; covalente.
b) Molecular, de fórmula XY2.
c) Molecular, de fórmula XY4. 8) Qual das moléculas abaixo é polar?
d) Iônico, de fórmula XY4.
e) Iônico, de fórmula XY. a) H2
b) CO2
4) O elemento “X”, do terceiro período, que tem maior afinidade c) NH3
eletrônica, combina-se com o elemento “Z”, do quarto período, d) SO3
que possui menor energia de ionização. A fórmula do composto
resultante será 21. Funções inorgânicas

a) ZX. b) ZX2. c) Z3X. As funções inorgânicas são: ácidos, bases, sais, óxidos,
d) ZX3. e) Z2X3. hidretos. Os hidretos e óxidos são sempre compostos binários.
Compostos binários são compostos constituídos de apenas dois
5) No CO2, a polaridade da molécula e a polaridade das ligações são, elementos químicos.
respectivamente: Ácidos são compostos que diminuem o pH de uma solução
aquosa, ou seja, aumentam a concentração de íons hidrônio (H3O+).
a) Apolar e polares. Bases: são compostos que aumentam o pH de uma solução aquosa,
b) Apolar e apolares. ou seja, diminuem a concentração de íons hidrônio. Sais são produtos
c) Polar e apolares. da reação de uma base com um ácido. Óxidos são compostos
d) Polar e polares. binários cujo elemento pertinente a todos é o oxigênio. Hidretos são
compostos binários cujo elemento pertinente a todos é o hidrogênio.

58 Caio Lima Firme Química para Engenharia 59


HNO3 + H2O H3O+ + NO3-
Função Fórmula geral HClO4 + H2O H3O+ + ClO4--
Ácidos (Bronsted) HX / HXO
Bases (Bronsted) XOH Ácidos fracos
Hidreto HX / XH
Óxido XO
Em uma abordagem simples, um ácido fraco pode ser entendido
como aquele que, dentro de um conjunto de moléculas daquele
Sal XY
ácido, uma parte do conjunto destas moléculas doa prótons para o
solvente e a outra parte do conjunto fica na sua forma molecular
Ácidos
(não desprotonada). Por exemplo, considerando um conjunto de dez
moléculas de um ácido fraco, suponhamos que apenas três doam
Classificação dos ácidos prótons para o solvente e o resto não doa prótons. Esta situação
é representada por uma reação em equilíbrio entre o ácido e o
I) Ácido de ARRHENIUS solvente (água, por exemplo). Nesta reação em equilíbrio (reação
de dissociação do ácido no solvente), pode-se entender, de forma
É um ácido que contém hidrogênio e que produz íons H+ em simplificada, que num conjunto com certa quantidade de moléculas
uma solução aquosa. de ácido (reagente), apenas parte deste conjunto vai para a forma
desprotonada (produto).
Ex.: HCl, HF Veja o exemplo abaixo para o ácido acético (CH3COOH).
O ácido acético é um ácido fraco. Quando o adicionamos à água,
II) Ácido de BRONSTED - LOWRY forma-se um equilíbrio entre reagentes e produtos. Este equilíbrio
ocorre porque apenas parte das moléculas de CH3COOH doam o
É um ácido que doa um próton (H+) para qualquer solvente. seu próton H+ para a molécula de água. Esta situação é representada
O ácido de Bronsted-Lowry é um ácido em qualquer solvente ou pela equação química abaixo, em que as duas setas indicam uma
mesmo isoladamente. Cátions hidrogenados (NH4+, HSO4-, H2PO4 -, reação (de dissociação do ácido acético na água) em equilíbrio. No
H3O+) são considerados ácidos porque tendem a doar prótons. equilíbrio, temos as espécies CH3COO-, H3O+, CH3COOH, H2O
presentes na solução.
Ácidos fortes
CH3COOH + H2O CH3COO- + H3O+
De forma simplificada, um ácido forte pode ser entendido
como aquele que, dentro de qualquer conjunto de moléculas deste
Tipos de ácidos
ácido, todas as moléculas, doam seus prótons (H+) para o solvente.
Os ácidos inorgânicos fortes são: HBr, HCl, HI, HNO3, HClO4,
1) Hidrácidos: são ácidos sem oxigênio (HCl)
H2SO4
2) Oxiácidos: são ácidos com oxigênio (H2SO4)
HBr + H2O H3O+ + Br -
HI + H2O H3O+ + I -

60 Caio Lima Firme Química para Engenharia 61


Bases hidróxido para o solvente ou recebe próton H+ do solvente. Então,
a dissociação da base fraca em um solvente forma uma reação em
Classificação das bases equilíbrio, como mostrada no exemplo abaixo.

I) Bases de ARRHENIUS Importante: todas as bases fracas de Arrhenius são hidróxidos de


natureza covalente (bases covalentes).
São substâncias que produzem o íon hidróxido (HO-) em H2O
solução aquosa. Al(OH)3 Al+3(aq) + 3HO-(aq)

Ex.: NaOH, Ca(OH)2


Propriedades dos ácidos e bases
II) Bases de BRONSTED-LOWRY
A maior parte dos ácidos é solúvel em água e são substâncias
Base é uma espécie que tende a receber um próton. Ânions covalentes. Afora as bases dos metais alcalinos e alcalinos terrosos,
(Cl-, SO4-2, F-) são considerados bases, pois podem receber prótons. todas as outras bases são insolúveis em água e são moléculas
covalentes.
Ex.: NH3, NH2CHCHNH2, RNH2, sendo R=-(CH2)nCH3,
HSO4, CH3COO-, etc. Sais

Bases fortes Definição

Em analogia ao conceito simplificado de ácidos fortes, uma São compostos que podem ser formados na reação de um ácido
base forte é um composto que, em qualquer conjunto de moléculas com uma base.
da base em questão, todas as moléculas doam completamente o íon
hidróxido para o solvente ou todas as moléculas recebem o próton HCl + NaOH NaCl + H2O
H+ do solvente. 2HNO3 + Ca(OH)2 Ca(NO3)2 + 2H2O
Importante: todas as bases fortes de Arrhenius são hidróxidos
de natureza iônica (bases iônicas). São elas: NaOH, Ca(OH)2, KOH Os sais são compostos iônicos que possuem, pelo menos, um
e Ba(OH)2. cátion diferente do H+ e um ânion diferente do OH-. Os sais são
formados pela ligação iônica de um cátion com um ânion.
H2O
NaOH Na+(aq) + HO-(aq)
Ex.: NaHSO4, CaCl2, KI, AlF3
Bases fracas
Propriedades
Em analogia com a definição simlificada de ácidos fracos,
uma base fraca é um composto que, a partir de qualquer conjunto Os sais têm diferentes solubilidades em água. Sua solubilidade
de moléculas, apenas parte das moléculas da base em questão doa o varia de acordo com o pH da solução. Quase todos os sais são solúveis

62 Caio Lima Firme Química para Engenharia 63


em água. As exceções são os sulfatos de metais alcalinos terrosos, c) Sais duplos
sulfetos de metais alcalinos e alcalinos terrosos, e cloretos, brometos
e iodetos de prata e chumbo. São sais derivados de um ácido com duas bases diferentes ou
Os sais sólidos têm diferentes tipos de cores. de uma base com dois ácidos diferentes.

PbCl2 branco Sb2S3 laranja I) duas bases mais um ácido


HgS preto Cr(OH)3 verde
Bi2S3 castanho MnS rosa KOH + NaOH + H2SO4 KNaSO4 + 2 H2O
CuS amarelo BaCO3 branco
II) dois ácidos mais uma base
Classificação dos sais
HBr + HCl + Ca(OH)2 CaBrCl + 2 H2O
a) Hidrogeno-sais
Tipos de íons
São sais derivados de reações incompletas entre ácidos
polipróticos e bases, cujo hidrogênio do sal deriva destes ácidos I) Íons simples: são íons de apenas um elemento: Cl-, F-, Na+,
(H2SO4, H3PO4). O-2, Mg+2
II) Íons complexos: são ânions ou cátions derivados de ácidos
NaOH + H2SO4 NaHSO4 + H 2O ou bases, respectivamente. São íons contendo vários átomos unidos
por ligações covalentes.
NaHSO4 + NaOH Na2SO4 + H2O
Íons complexos mais comuns:
NaOH + H3PO4 NaH2PO4 + H2O
HIPOCLORITO ClO- BISSULFITO HSO3-
b) Hidroxi-sais PERMANGANATO MnO4 -
NITRITO NO2-
HIPOIODITO IO- FOSFITO HPO3-2
São sais derivados de reações incompletas entre ácidos HIPOBROMITO BrO -
FOSFATO PO4-3
monopróticos e bases poli-hidróxidas (Ca(OH)2, Al(OH)3 ), cujo CLORATO ClO3- HIPOFOSFITO H2PO2-
hidróxido do sal deriva destas bases. CLORITO ClO- CIANETO CN-
IODATO IO3- NITRATO NO3-
Ca(OH)2 + HCl Ca(OH)Cl + H2O
BROMATO BrO3- BICARBONATO HCO3-
PERCLORATO ClO4- CARBONATO CO3-2
Al(OH)3 + 2 HCl Al(OH)Cl2 + 2H2O
SULFATO SO4-2 DICROMATO Cr2O7-2
TIOSSULFATO S2O3-2 CROMATO CrO4-2
BISSULFATO HSO4 -
MANGANATO MnO4-2
SULFITO SO3-2 AMÔNIO NH4+

64 Caio Lima Firme Química para Engenharia 65


Óxidos II) Óxidos ácidos

São compostos binários nos quais o oxigênio é o elemento São compostos do oxigênio com ametal ou semimetal. São
pertinente a todos e o mais eletronegativo. Os óxidos constituem compostos covalentes de estado gasoso.
um grupo muito numeroso, visto que todos os elementos químicos
formam óxidos. Existem óxidos gasosos e sólidos, sendo, a grande Os óxidos ácidos reagem com água produzindo ácido:
maioria, sólidos. Os óxidos gasosos são: SO2, CO2, NO2, CO, NO,
SO3. Os óxidos sólidos são todos os outros: Fe2O3, MnO2, SiO2, CrO3, SO3 + H2O H2SO4
Al2O3, etc. Os óxidos sólidos formam retículos cristalinos parecidos
com aqueles dos compostos iônicos e metais. Os óxidos ácidos reagem com base produzindo sal e água (veja
os exemplos no tópico ‘indústria de cimentos’):
Nota: os óxidos desempenham importante papel em várias indústrias,
como a indústria do cimento, de gases industriais e nas metalúrgicas. SO3 + 2NaOH Na2SO4 + H2O
O conhecimento de suas propriedades e reações é determinante para
a compreensão desses processos industriais. III) Óxidos anfóteros

Classificação Os óxidos anfóteros vêm dos elementos anfóteros. Os óxidos


anfóteros podem se comportar como oxido ácido ou como óxido
I) Óxidos básicos básico. São eles:

Be, B, Al, Ga, Sn, Sb, Bi, Pb, Zn, Cd, Hg, As
São compostos de oxigênio e um metal. São compostos iônicos
(semimetais e metais de transição)
sólidos. Exemplos:
* Os óxidos anfóteros são moléculas covalentes no estado
Na2O, CaO, FeO, Fe2O3, CuO, Cu2O3
sólido e são insolúveis em água.
* Os óxidos anfóteros só reagem com ácidos ou bases fortes.
• Os óxidos básicos reagem com a água formando base (veja
os exemplos no tópico ‘indústria de cimentos’): ZnO + 2 HCl ZnCl2 + H2O
2 NaOH + ZnO Na2ZnO2 + H2O
Na2O + H2O 2NaOH

• Os óxidos básicos reagem com ácido formando sal e água Propriedades


Na2O + 2HCl 2NaCl + H2O Os minérios, na grande maioria, são óxidos ou sulfetos de um
determinado elemento. A maioria dos minérios encontrados na crosta
terrestre é constituída de óxidos. Existem também alguns minérios
constituídos de sulfetos. Sulfetos são compostos binários em que o

66 Caio Lima Firme Química para Engenharia 67


enxofre é o elemento pertinente a todos e o mais eletronegativo. A Funções químicas e forças de ácidos e bases
grande maioria dos metais utilizados pelo homem vem da redução de
minerais (óxidos e sulfetos) com carvão (carbono). Exemplo: Nota: as funções químicas podem ser classificadas de acordo com a
posição na tabela periódica dos elementos químicos que as compõem. Por
2Fe2O3 + 3C 4Fe + 3CO2 exemplo, os metais alcalinos e alcalinos terrosos formam óxidos básicos,
peróxidos básicos e bases fortes, enquanto alguns ametais (O, S, Cl, Br, I e
Nota: veja mais exemplos no tópico ‘metalurgia’ e ‘indústria de N) formam ácidos de Arrhenius fortes e óxidos ácidos.
eletrólitos’
Oxiácidos e hidrácidos
Os únicos metais livres são os metais nobres. E mesmo assim, Ácidos fortes de Arrhenius
alguns deles podem ser encontrados como óxidos também.
Além de serem matéria-prima para obtenção de metais, os 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
óxidos são os constituintes de argila (Fe2O3, SiO2, Al2O3), cimento Li Be B C N O F
[(CaO)2SiO2, (CaO)3Al2O3, (CaO)3Al2O3Fe2O3] e vidro (SiO2) e
Na Mg Al Si P S Cl
muitos outros materiais importantes.
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br

Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
Hidretos
Cs Ba La Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At

São compostos binários em que o hidrogênio é o elemento óxidos anfóteros


pertinente a todos eles. O Nox do hidrogênio pode ser -1 (hidretos
iônicos) ou +1 (hidretos covalentes) Óxidos básicos (óxidos iônicos - sól.) Óxidos ácidos
Peróxidos e superóxidos (óxidos covalentes - liq/gás)
Bases fortes de Arrhenius Hidretos covalentes
Ex.: NaH, CaH2, CH4, NH3, HCl

Os hidretos de metais alcalinos e alcalinos terrosos são


compostos iônicos sólidos. Estes hidretos reagem com água
formando bases. O hidrogênio destes hidretos tem Nox = -1.

NaH + H2O NaOH + H2


CaH2 + 2H2O Ca(OH)2 + 2H2

Os hidretos dos semimetais e ametais são compostos covalentes


líquidos ou gasosos. Neste caso, o hidrogênio tem Nox = +1.

68 Caio Lima Firme Química para Engenharia 69


Exercícios 22. Funções químicas e fórmulas químicas dos elementos
representativos
1) Classifique os óxidos:
Funções G r u p o G r u p o G r u p o G r u p o G r u p o G r u p o G r u p o
a) P2O5 b) MnO c) As2O3 químicas IA IIA IIIA IVA VA VIA VIIA

d) NO e) Na2O2 f) Al2O3 Bases BOH B(OH)2 B(OH)3 B(OH)4


g) SnO2 h) CO i) H2O2 Óxidos E2O EO E2O3 EO2 / E2O5 / EO2 /
EO E2O3 EO3
Hidretos EH EH2 EH3 EH4 EH3 H2E HE
2) Óxidos dos elementos não metálicos são tipicamente:

a) Básicos, pequenas moléculas e unidos ionicamente.


Ácidos H4XO4 N* H2XO3 HX
b) Ácidos, grandes moléculas e unidos covalentemente. H2XO3 H3XO2 H2XO4 HXO
c) Ácidos, pequenas moléculas e unidos covalentemente. H3XO3 H2X HXO2
d) Ácidos, pequenas moléculas e unidos ionicamente. H3XO4 HXO3
e) Básicos, pequenas moléculas e unidos covalentemente. HXO4
B / E / X => elementos dos respectivos grupos
3) Dê a classificação dos compostos: BaO, AlH3, HNO3, CaSO4 e
Mg(OH)2: *N - HNO; HNO2; HNO3

a) Óxido, ácido, hidreto, sal, base. Elementos dos grupos I(A) e II(A): óxidos básicos / bases fortes
b) Base, hidreto, ácido, óxido, sal. Elementos dos grupos V(A), VI(A) e VII(A): óxidos ácidos / ácidos
c) Óxido, ácido, base, sal, hidreto. fortes, mas também formam ácidos fracos
d) Óxido, hidreto, ácido, sal, base. Elementos dos grupos III(A) e IV(A): óxidos anfóteros / bases e
ácidos fracos
4) Dê a característica das funções químicas: Al2O3, HI, Al(OH)3,
N2O3:

a) Óxido anfótero, ácido forte, base fraca, óxido ácido.


b) Óxido anfótero, ácido fraco, base fraca, óxido anfótero.
c) Óxido básico, ácido forte, base forte, óxido ácido.
d) Óxido básico, ácido fraco, base forte, óxido anfótero.

70 Caio Lima Firme Química para Engenharia 71


23. Composições químicas dos compostos formados por Alguns dos principais tipos reações químicas (em geral)
elementos representativos conforme a regra do octeto
1) Reação de neutralização: é uma reação em solução aquosa
Nota: tendo-se como referência os gases nobres, as composições entre um ácido e uma base, produzindo um sal e água.
químicas dos compostos formados por elementos representativos 2) Reação de combustão: é uma reação de uma substância com
podem ser deduzidas a partir da posição dos elementos constituintes oxigênio. São reações altamente exotérmicas e irreversíveis.
do composto na tabela periódica, para os casos em que a regra do 3) Reação de decomposição térmica: é uma reação que
octeto é respeitada. A regra do octeto é a tendência do elemento decompõem um sal através de aquecimento, produzindo geralmente
representativo adquirir oito elétrons na sua camada de valência e ter óxidos.
a mesma configuração eletrônica do gás nobre mais próximo a ele. 4) Reação de redução térmica: é uma reação em que um
minério (óxido ou sulfeto) é transformado em metal através de alta
IA IIA IIIA IVA VA VIA VIIA VIIIA
temperatura e pressão.
5) Reação eletroquímica: há dois tipos, uma é a reação de
1 2 3 4 5... 13 14 15 16 17 18
10 11 12 eletrólise (decomposição de uma substância através de diferença de
alcali- alcalinos g r u p o g r u p o gr up o c a l c o - h a l o - g a s e s
potencial elétrico) e a outra é a reação de pilhas (reações espontâneas
nos terrosos do B do C do N gênios gênios nobres que produzem energia elétrica).
doa 1 doa 2 doa 3 doa ou re c e b e recebe 2 re c eb e referên- 6) Reação radioativa: há dois tipos, uma é a reação de fissão
elétron elétrons elétrons recebe 4 3 elétrons 1 elé- cia da nuclear (quebra de núcleo de um átomo produzindo alta energia), e
elétrons e l é - tron regra do
trons octeto outra é a reação de fusão nuclear (fusão de dois núcleos atômicos
Na2O MgCl2 Al2O3 CO2 N2O3 K2S HCl produzindo alta energia).
KCl CaO AlCl3 CH4 NH3 CaS NaI 7) Reação de oxirredução: é uma reação em que ocorre
HF MgF2 Al(OH)3 Al2S3 CaF2 variação do número de oxidação de alguns átomos envolvidos na
H2S Ca(OH)2 reação química.
NaOH

Principais reações inorgânicas


24. Reações químicas inorgânicas
1) Ácido + base sal + água (ver tópico ‘indústria de eletrólitos
Equações químicas – magnésio’)

Assim como os símbolos químicos e as fórmulas químicas H2SO4 + Ca(OH)2 CaSO4 + 2H2O
representam os elementos e os compostos químicos, respectivamente, 2HNO3 + Cu(OH)2 Cu(NO3)2 + 2 H2O
as equações químicas representam as reações químicas.
Uma equação química balanceada deve mostrar que os átomos 2) Óxido básico + ácido sal + água
são conservados na reação, ou seja, o número de átomos nos reagentes
é igual ao número de átomos nos produtos. Uma equação química O óxido básico funciona como uma base
balanceada é consistente com o fato de que, nas reações químicas,
átomos não são criados ou destruídos. H2SO4 + Li2O Li2SO4 + H2O

72 Caio Lima Firme Química para Engenharia 73


9) Peróxido + água base + H2O2
3) Óxido básico + água base
O peróxido é um óxido básico que produz H2O2
K2O + H2O 2KOH
CaO + H2O Ca(OH)2 Na2O2 + H2O 2NaOH + H2O2

4) Óxido ácido + base sal + água 10) Peróxido + ácido sal + H2O2

O óxido ácido funciona como um ácido K2O2 + 2HCl 2 KCl + H2O2

N2O5 + 2KOH 2 KNO3 + H2O 11) Reações de dupla troca:

5) Óxido ácido + água oxiácido I) ácido1 + sal1 ácido2 + sal2

SO3 + H2O H2SO4 O sal2 deve ser insolúvel ou o ácido2 deve ser mais fraco que o ácido1
P2O5 + 3H2O 2H3PO4 para que ocorra a reação.

6) Óxido ácido + óxido básico sal (ver tópico ‘indústria de H2SO4 + CaF2 2HF + CaSO4
cimentos’)
II) base1 + sal1 base2 + sal2
CO2 + CaO CaCO3
Cl2O5 + K2O 2 KClO3 O sal2 deve ser insolúvel ou a base2 dever ser mais fraca que a base1
para que ocorra a reação.
7) Óxido anfótero + base forte sal + água
2NaOH + CuSO4 Cu(OH)2 + Na2SO4
Por causa da base forte, o óxido anfótero comporta-se como óxido
ácido III) sal1 + sal2 sal3 + sal4

ZnO + 2NaOH NaZnO2 + H2O O sal3 ou sal4 deve ser insolúvel para que ocorra a reação

8) Óxido anfótero + ácido forte sal + água AgNO3 + NaCl AgCl + NaNO3

Por causa do ácido forte, o óxido anfótero comporta-se como óxido 12) Formação de óxidos (ver tópico ‘gases industriais’)
básico
Reação do O2 com um elemento químico (a altas temperaturas)
Al2O3 + 3 H2SO4 Al2(SO4)3 + 3 H2O

74 Caio Lima Firme Química para Engenharia 75


2C + O2 2CO Reações químicas impossíveis:
S + O2 SO2
2Cu + O2 2CuO óxido anfótero + óxido anfótero
4Al + 3O2 2 Al2O3 óxido anfótero + ácido fraco
óxido anfótero + base fraca
13) Formação de hidretos (ver tópico ‘gases industriais’) óxido ácido + ácido
óxido básico + base
Reação do H2 com o elemento óxido básico + óxido básico
óxido ácido + óxido ácido
H2 + Cl2 2 HCl
H2 + S H2S 25. Reatividade dos elementos químicos, em suas
Ca + H2 CaH2 funções químicas inorgânicas
Obs.: Todas as reações acima são reversíveis, apesar de não terem
Grupos
sido representadas assim.
1 2 3 ... 8 9 10 11...15 16 17 18
Metais Metais São Ametais São
14) Decomposição térmica (ver tópico ‘metalurgia’) mais reati- reativos, muito mais gases
vos da moles e reativos reati- inertes.
tabela. pouco como vos. Na Não
I) hidrácidos hidrogênio + halogênio São os densos. ácidos ou forma de reagem
mais Formam metais São os mais óxidos. óxido, com
moles e bases densos e nobres e Na rea- nenhum
2HI H2 + I2 menos fortes. duros. menos rea- forma de gem com elemen-
densos. São Não reagem tivos. Muito óxidos todos to.
São os átomos com a água. duros e reagem óxidos de Existem
Exceções: HCl e HF maiores grandes São en- muito den- com metais. apenas
átomos e e reagem contrados sos. todos os São os na
reagem fortemente livres, como São encon- óxidos menores atmos-
II) oxiácidos água + óxido correspondente violenta- com a óxidos ou trados de metal. átomos. fera
mente água. sulfetos. livres na Neste Formam
com a São encon- Formam natureza. grupo há ácidos
2H3PO3 3H2O + P2O3 água. São trados bases fracas. Não reagem metal e muito
encontra- como sais São metais com ar ou semime- fortes
dos como pequenos. água. tal.
Exceções: H2SO4, HNO3 e H3PO4 (ácidos muito fortes) sais. Têm estru-
tura cris-
talina bem
III) bases água + óxido correspondente definida

Ca(OH)2 H2O + CaO

Exceções: hidróxidos de metais alcalinos (bases muito fortes)

76 Caio Lima Firme Química para Engenharia 77


Em consequência das observações a respeito da tabela anterior, Abundância dos elementos na crosta terrestre (g/tonelada da
podemos desenvolver uma nova tabela baseada na reatividade crosta)
de alguns dos elementos ou de suas correspondentes funções
inorgânicas, mostrada a seguir. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
Li Be B C N O F
35o 51o 38o 17o 33o 1o 13o
Reatividade de elementos e de suas correspondentes funções químicas inorgânicas 18 2,0 9,0 180 19 455* 544
Na Mg * x103 X Al Si P S Cl
7o 6o abundância 3o 2o 11o 16o 20o
H He H 22,7* 22,6* quantidade 83* 272* 1,12* 340 126
B Be Li Ne F O N C K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
8o 5o 31o 9o 19o 21o 11o 4o 30o 22o 25o 24o 33o 54o 52o 68o 47o
Al Mg Na Ar Cl S P Si 18,4* 46,6* 25 6,32* 136 122 1,06* 62* 29 99 68 76 19 1,5 1,8 0,05 2,5
Ga Ca K Kr Br Se As Ge Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
23o 15o 29o 18o 32o 56o - 77o 77o 69o 66o 65o 63o 49 64o 74o 62o
In Sr Rb Xe I Te Sb Sn Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd 78 384 31 162 20 1,2 0,0001 0,0001 0,015 0,08 0,16 0,24 2,1 0,20 0,001 0,46

Tl Ba Cs Rn At Po Bi Pb Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi
46o 14o 59 45o 53o 56o 76o 72o 740 70o 73o 66o 60o 36o 71o
2,6 390 0,8 2,8 1,7 1,2 0,0007 0,005 0,001 0,01 0,004 0,08 0,7 13 0,008

26. Ocorrência dos elementos na crosta terrestre


Nota: ver tópico ‘metalurgia’
Considerações:
1) O Tc não ocorre na natureza. Exercícios
2) Os alcalinos são encontrados como cloretos.
3) Os metais nobres são encontrados livres na natureza. 1) O dióxido de carbono solidificado, “gelo seco”; é usado como
4) A grande maioria dos minérios é constituída de oxigênio. agente refrigerante para temperatura da ordem de -78°C. O dióxido
de carbono é uma molécula apolar, apesar de ser constituído por
ocorrência: ânions de metais ligações covalentes polares, justifique a afirmativa.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
2) Baseado na localização dos elementos da tabela periódica, o
Li Be
Ocorrência: Oxiânions ou óxidos duplos
B C N O F
químico pode correlacionar os dados referentes aos elementos
Na Mg Al Si P S Cl e predizer logicamente propriedades e reações. Recorra à tabela
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br periódica e determine.
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
a) O elemento que é um alcalino terroso e tem maior eletronegatividade
Cs Ba La Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At de seu grupo.
b) O elemento que forma o composto iônico com os elementos do
grupo 1A com fórmula X2Y e tem menor raio atômico de seu grupo.
ocorrência: ocorrência: compostos
alcaninos:Cl- ocorrência: estado nativo enxofre(sulfetos) ou 3) Um caminhão transportando ácido sulfúrico capotou, derramando
alcalinos terrosos: SO4-2, CO3-2 de oxigênio (óxidos)
o ácido na estrada. O ácido foi totalmente neutralizado por uma

78 Caio Lima Firme Química para Engenharia 79


solução aquosa de hidróxido de sódio. Essa neutralização pode ser 9) Os sais inorgânicos podem ser obtidos em laboratório através de
corretamente representada pela equação abaixo: reações de:
I) ácidos com base
H2SO4 + NaOH Y + H 2O II) ácidos com óxidos básicos
III) ácidos com óxidos ácidos
Qual é a substância Y? IV) óxido ácido com óxido básico
V) bases com óxidos básicos
4) Escreva as funções químicas dos seguintes elementos:
as alternativas corretas são:
(a) Ba(OH)2 (b) AsH3 (c) NO2 (d) H2SO4 (e) KCl a) I, II e III b) I, II e IV c) I, II e V
d) I, III e IV e) I, III e V
5) Dentre as reações abaixo, identifique aquela que não ocorre.
10) Podendo dispor, como reagentes, de BaO, SO3 e de soluções
a) Br2O3 + 3H2SO4 Br2(SO4)3 + 3H2O aquosas de H2SO4, HCl, Ba(OH)2 e BaCl2, equacione quatro reações
b) KOH + HNO3 KNO3 + H2O que permitam obter sulfato de bário.
c) P2O5 + 3H2O 2 H3PO4
d) Al2O3 + 3H2SO4 Al2(SO4)3 + 3H2O 11) Dê a classificação dos compostos: BaO, AlH3, HNO3, CaSO4 e
e) K2O + SO3 K2SO4 Mg(OH)2:

6) Dentre as reações abaixo, identifique aquela que não ocorre. a) Óxido, ácido, hidreto, sal, base.
b) Base, hidreto, ácido, óxido, sal.
a) H2SO4 + Ca(OH)2 CaSO4 + 2H2O c) Óxido, ácido, base, sal, hidreto.
b) BaO + 2HCl BaCl2 + H2O d) Óxido, hidreto, ácido, sal, base.
c) K2O2 + 2HI 2KI + H2O2
d) SrO + CO2 SrCO3
12) Dê a característica das funções químicas: Al2O3, HI, Al(OH)3,
e) NaH + HNO3 NaNO3 + H2
N2O3:
a) Óxido anfótero, ácido forte, base fraca, óxido ácido.
7) A substância que adicionada, em proporção adequada, neutraliza
b) Óxido anfótero, ácido fraco, base fraca, óxido anfótero.
o ácido clorídrico é:
c) Óxido básico, ácido forte, base forte, óxido ácido.
d) Óxido básico, ácido fraco, base forte, óxido anfótero.
a) H2O b) SO2 c) CO d) H3PO4 e) Na2O

8) Um óxido que reage tanto com o ácido sulfúrico como com o 13) Envolva todas as reações possíveis de acontecer:
hidróxido de sódio originando diferentes sais pode ser o: a) 2Al(OH)3 + 3GeO2 Al2(GeO4)3 + 3H2
b) 2HCl + K2O 2KCl + H2O
a) Al2O3 b) K2O c) Na2O d) Cl2O5 e) P2O3 c) Al2O3 + 3SnO Al2(SnO2)3
d) Ca(OH)2 + H2SO4 CaSO4 + 2H2O
e) 3H2CO3 + Al2O3 Al2(CO3)3 + 3H2O

80 Caio Lima Firme Química para Engenharia 81


27. Soluções Exemplos:

Unidades de medida 1) Qual é o número de mol de átomos de argônio em 13 x 1023 átomos


de argônio?
Cientistas em todo o mundo adotam um sistema de unidades 1 mol de átomos de Ar
13x1023 átomos de Ar x =2,158 mol de átomos de Ar
padronizado chamado SI (sistema internacional de unidades). Para 6,022x1023 átomos de Ar
massa tem-se kg, g, mg, mg, e volume tem-se L, mL, mL
O peso está relacionado com a massa pela fórmula: W=mg. 2) Quantos mol estão presentes em um pedaço de sódio de massa de
Contudo, o peso depende da localidade. Já a massa independe do 15,0g?
lugar. Por isso, os dados analíticos são sempre baseados na massa e 1 mol de átomo de Na
não no peso. 15,0g de Na x =0,655 mol de átomos de Na
22,9g de S
O mol é a unidade base SI para a quantidade de uma espécie 6,02 x 1023 átomos de Na
química. O mol está sempre associado com uma fórmula química ou 0,655 mol de átomos de Na x =3,94 x 1023 átomos de Na
1 mol de átomos de Na
átomo e refere-se ao número de Avogadro (6,022 x 1023). O número
de Avogadro corresponde ao número de átomos ou moléculas
3) Qual é a massa molar (M) da glicose (C6H12O6)?
necessárias para compor uma massa igual à massa atômica ou
molecular da substância, em gramas. Por exemplo, a massa atômica 6 mol C 12,0g 12 mol H 1,0g 6 mol O 16,0 g
M(C6 H12 O6 )= x + x + x ol de C6 H12 O6
=180,0 g/mo
do ferro é 55,85 u. Então, são necessários 6,022 x 1023 átomos de mol C6 H12 O6 1 mol C mol C6 H12 O6 mol H mol C6 H12 O6 mol O

ferro para ter uma massa de 55,85g. A massa atômica do enxofre é


32,1 u. São necessários 6,022 x 1023 átomos de enxofre para termos O número de mol (nmol) é definido como a massa total (g) de uma
uma massa de 32,1g. espécie química sobre sua massa molar. Exemplos:
A massa molar (M): é a massa em gramas de 1 mol de uma
substância ou átomo. Um átomo de oxigênio tem 16 Daltons e um a) Se temos 46g de Na,
mol de átomos de oxigênio tem 16,0 g. A unidade Dalton, Da, é
usada como uma unidade da massa molar, com a definição 1 Da = nmol (Na)= 46/23 = 2 mol
1 g/mol. A massa molecular e massa atômica referem-se à massa de
uma molécula ou átomo relativa à unidade de massa atômica u (igual b) Se temos 72g de H2O
a 1/12 da massa do 12C).
nmol (H2O)= 4 mol
Nota: mol é a palavra usada para representar a unidade e o símbolo.
A unidade possui plural, mas o símbolo não. Então, pode-se usar mol Equação química e seu balanceamento:
ou mols para o plural. Neste livro, adotamos mol para o plural.
Qualitativamente, uma equação química descreve os produtos
e os reagentes de uma reação. Quantitativamente, contudo, uma
equação química balanceada especifica uma relação numérica das
quantidades de reagentes e produtos de uma reação. Veja o exemplo
abaixo:

82 Caio Lima Firme Química para Engenharia 83


e) As frações são menos práticas, por isso, normalmente usamos
2Fe2O3 + 3C 4Fe + 3CO2 coeficientes inteiros.

Neste caso, duas moléculas de Fe2O3 se combinam com três Equação química balanceada:
átomos de carbono para formar três moléculas de dióxido de carbono
e quatro átomos de ferro, ou que dois mol de Fe2O3 se combinam CH4 + 2O2 CO2 + 2H2O
com três mol de carbono para formar três mol de dióxido de carbono
e 4 mol de ferro. Reagente limitante
Os coeficientes na equação química balanceada descrevem
razões fixas das quantidades de reagentes e produtos. Uma equação A razão estequiométrica dos reagentes é naturalmente fixa.
química descreve a quantidade química equivalente de reagentes Se uma quantidade adicional (em excesso) de qualquer um dos
e produtos. Então, para o caso acima, podemos obter os seguintes reagentes estiver presente além da razão estequiométrica, o excesso
fatores unitários: permanecerá sem reagir.
Por exemplo, sabendo-se que a razão estequiométrica entre
2 moléculas de Fe 2 O3 2 moléculas de Fe 2 O3 3 átomos de C H2 e O2 para a formação da molécula de água é 2:1, se 2,5 mol de
∴ ∴
3 átomos de C 4 átomos de Fe 3 moléculas de CO 2 moléculas de H2 e 1,0 mol de moléculas de O2 estiverem presentes
2 mol de Fe 2 O3 2 mol de Fe 2 O3 3 mol de C no início da reação de formação da água, somente 2,0 mol de H2
∴ ∴ reagirão, deixando 0,5 mol sem reagir. Neste caso, o oxigênio é o
3 mol de C 4 mol de Fe 3 mol de CO 2
reagente limitante, devido à quantidade de água formada ser limitada
Muitas das equações químicas mais simples podem ser pela quantidade de oxigênio presente, não pelo hidrogênio. O
balanceadas pelo método da tentativa e erro. Por exemplo, no hidrogênio encontra-se em excesso.
balanceamento da equação da queima do metano, podemos seguir O reagente limitante pode ser prontamente identificado por
os seguintes passos: comparação entre a razão de mol de moléculas de reagente realmente
presente e a razão estequiométrica indicada na equação.
Equação química não balanceada: Na reação de formação da molécula de dóxido de enxofre
(SO2), 15,0g de S e 16g de O2 são misturados e reagem. Quantos
CH4 + O2 CO2 + H2O gramas de SO2 são formados? O número de mol de moléculas de
cada reagente realmente presente:
a) Escolha um elemento para balancear em primeiro lugar. Um bom
procedimento é iniciar com a fórmula que tem o maior número de S + O2 SO2
átomos ou elementos;
b) Primeiro, balanceie o carbono. Coloque 1 na frente do CO2; 1 mol de S
15 g de S x =0,47 mol de S
c) Olhe para o outro elemento, H, em CH4. Coloque 2 na frente do 32,1g de S
H2O;
d) Falta balancear os átomos de oxigênio. Deve-se colocar um 1 mol de O2
16 g de O2 x =0,50 mol de O2
coeficiente apropriado em O2 de acordo com o número de átomos de 32,0g de O2
oxigênio no lado direito da equação. Coloque 2;

84 Caio Lima Firme Química para Engenharia 85


mol de O2 0,5
química é o número de mol dessa espécie (soluto) que está dissolvida
razão real: = =1,06 em um litro da solução (não um litro do solvente). A unidade é
mol de S 0,47
molaridade (M) ou mol.L-1. A molaridade também expressa o número
de milimol por mililitro da solução.
Como a razão entre os reagentes é igual a 1 e a razão real é
A concentração também é normalmente expressa em termos
maior que 1,06, podemos observar que o O2 está presente em excesso
de percentual: percentual em peso (pp), ou percentual em volume
de 0,06 mol. Como o S é o reagente limitante para formação de SO2,
(pv) ou percentual em peso/volume (ppv).
todos os átomos de S (0,47 mol de S) são usados.
Soluções muito diluídas são expressas em partes por milhão
(ppm). Em soluções aquosas, em que a densidade é 1,00 g/mL, 1
Soluções e dissolução do soluto:
ppm é igual a 1,00 mg/L.
Uma solução é uma mistura homogênea de solvente e soluto
dissolvido, formando uma única fase. Se diferentes fases podem ser n o de mol soluto n o de mmol soluto
CM = =
vistas a olho nu ou microscópio, a mistura é heterogênea e não é n o L da solução n o mL da solução
solução.As soluções podem ser classificadas quanto ao seu estado massa do soluto
físico: solução sólida, solução líquida e solução gasosa. porcentagem por peso (pp) = x 100%
massa da solução
Quando um soluto sólido é adicionado a um solvente líquido,
imediatamente após a adição, o estado sólido começa a se desaparecer volume do soluto
porcentagem por volume (pv) = x 100%
e, pouco a pouco, moléculas do solvente atacam a superfície do volume da solução
retículo cristalino, removendo partículas do soluto, rodeando-as, e massa do soluto
finalmente, dispersando-as. porcentagem por peso e volume (ppv) = x 100%
volume da solução
A facilidade com que tudo isso ocorre depende das intensidades
massa do soluto
relativas de três interações intermoleculares (ou entre partículas): partes por milhão (ppm)= x 1006
(1) a força das interações entre as partículas do soluto anterior a massa da solução
sua dissolução; (2) força da interação intermolecular nas moléculas
do solvente antes da dissolução; e (3) a força das interações que Saturação e solubilidade
são formadas entre as partículas do soluto e solvente durante a
dissolução. O termo saturado denota a maior concentração de soluto que
Quando a dissolução se realiza, as interações soluto-soluto e uma solução pode conter e estar em equilíbrio com alguma porção
solvente-solvente são substituídas por interações soluto-solvente. de soluto não dissolvido com o qual está em contato.
Em geral, a alta solubilidade de um sólido em um líquido é A solução supersaturada é aquela em que a concentração
favorecida pelas fracas forças das interações soluto-soluto e pelas do soluto é maior do que aquela da solução saturada. A solução
fortes forças das interações soluto-solvente. supersaturada é instável e seu soluto tende eventualmente a se
cristalizar. O equilíbrio de solubilidade não é possível em uma
Fórmulas da concentração solução supersaturada. Se mais soluto é adicionado, a cristalização
ocorre rapidamente. Solução insaturada, por sua vez, é aquela em que
Há várias formas de expressar a concentração de sólidos em o soluto tem concentração menor do que a de uma solução saturada.
solução. A concentração molar (CM) da solução de uma espécie

86 Caio Lima Firme Química para Engenharia 87


Soluções supersaturadas são geralmente feitas primeiro 28. Princípios de uma reação química: introdução à
preparando-se uma solução saturada sob certas condições e então termodinâmica e cinética de uma reação
mudando estas condições para outras nas quais o soluto é menos
solúvel. Frequentemente, a temperatura é mudada para diminuir a Cada molécula tem uma energia específica, chamada energia
solubilidade. livre de Gibbs (G). Essa energia é o resultado de uma série de fatores:
A solubilidade de um soluto em um dado solvente é definida (1) a energia eletrônica da molécula; (2) a energia vibracional
como a concentração da solução saturada (CS). A 25º C, a ureia das moléculas; (3) energia rotacional da molécula; e (4) energia
[CO(NH2)2] pode ser dissolvida em água até um total de 19 mol translacional da molécula. Os três últimos termos levam em conta
por litro de solução formada. Neste ponto, a solução é saturada, e o que toda molécula vibra, rotaciona e translaciona em qualquer
equilíbrio é atingido entre a ureia dissolvida e o sólido em excesso. temperatura ou estado físico em magnitudes diferentes. No caso
A ureia tem uma solubilidade maior que o NaCl em água porque a do primeiro termo da energia, a energia eletrônica, ela depende
uréia pode formar ligações de hidrogênio com a água. A solubilidade particularmente das ligações químicas que existem na molécula.
do NaCl em água é de 5 mol/L. Quando ocorre uma reação química, algumas ligações químicas
Alguns solutos são infinitamente solúveis em um dado são quebradas e/ou formadas para se obter o produto. Considerando a
solvente, enquanto outros têm solubilidade tão baixa que não são reação geral entre A-B e C-D, quando a reação chega ao estágio em que
mensuráveis por métodos diretos. Embora não haja nenhum soluto as moléculas dos reagentes têm algumas de suas ligações quebradas, a
completamente insolúvel, o termo insolúvel é comumente aplicado energia do sistema [somatório da energia do(s) reagente(s)] aumenta
para uma substância cuja solubilidade é extremamente baixa. até um máximo, chamado de estado de transição. Depois, novas
ligações são formadas, diminuindo a energia do sistema, até se obter
Exercícios o produto(s) da reação. Portanto, todas as reações (salvo exceções)
passam por um máximo na energia do sistema chamado de estado
1) Foram agitados 100g de cloreto de cálcio em 50g de água a 20oC. de transição. O diagrama da evolução da energia de uma reação,
O sistema ficou heterogêneo. Após filtração foram obtidos 75g de passando dos reagentes para o estado de transição e deste para os
solução saturada. Calcule o Cs do cloreto de cálcio a 20oC. produtos, é mostrada abaixo, para uma reação hipotética entre as
2) A uma determinada temperatura, o CS do cloreto de cálcio é 200g/L moléculas A-B e C-D, formando os produtos A-D e B-C. Observa-se
H2O. Calcule a massa necessária para preparar uma solução saturada que no ponto mais alto da curva ou máximo da energia do sistema,
contendo 50g desse sal. temos o estado de transição, em que aparecem traços (ligações
3) A 20oC, foram agitados 90g de NaCl em 200g de H2O. O sistema tracejadas). As ligações tracejadas representam ligações que estão
ficou heterogêneo. Após aquecimento, a 30oC, uma parte do sendo quebradas e ligações que estão sendo formadas. Neste estágio,
precipitado se dissolveu. Qual a massa do precipitado NaCl a 30oC? o sistema (constituído pelo somatório das duas moléculas) tem um
máximo de energia. O máximo de energia sempre ocorre quando
Dados: CS20C(NaCl) = 36g/100g H2O; e CS30C(NaCl) = 40g/100g H2O há ligações sendo quebradas, pois desestabiliza a molécula. A partir
desse ponto máximo de energia (estado de transição), novas ligações
4) Prepare uma solução de 1,5 M de NaNO3 em 500 mL de etanol. são feitas, levando à diminuição da energia do sistema até o ponto
5) A uma solução de 2,5 M de MgCl2 em 1,5L de água foram em que se formam as moléculas do produto.
adicionados 2,5 L de água. Qual é a nova concentração molar da
solução? Depois, essa solução diluída foi evaporada 2,5L de água.
Qual é a nova concentração molar?

88 Caio Lima Firme Química para Engenharia 89


Pelo fato de uma reação ser exotérmica não significa
necessariamente que ela ocorrerá num período de tempo razoável.
Um DG<0 é necessário, mas não é uma condição suficiente para
As moléculas do produto podem ter energia maior ou menor
uma reação ocorrer de forma significativa. Por exemplo, H2 e O2
que a energia das moléculas dos reagentes. No caso acima, podemos formam H2O com um DG altamente negativo, mas as misturas de H2
ver que as moléculas dos produtos têm energia total menor do que a e O2 podem ficar por séculos a temperatura ambiente sem reagirem.
energia total das moléculas dos reagentes. Nesse caso, a diferença de Ou seja, a velocidade com que uma reação ocorre não depende da
energia livre de Gibbs (DG), ou seja, DG = Gprodutos - Greagentes, é menor energia dos produtos e dos reagentes. A velocidade de uma reação
do que zero (DG<0), pois Gprodutos < Greagentes. Essa reação é dita ser
depende da energia do estado de transição.
exotérmica. No diagrama abaixo, vemos uma situação contrária, em
Como dito antes, o estado de transição representa a maior
que a energia total dos produtos (agora A-C e B-D) é menor do que a
energia do sistema reacional em que há quebra de algumas ligações
energia total dos reagentes. Nesse caso, a diferença de energia livre
químicas dos reagentes e formação de novas ligações químicas
de Gibbs (DG = Gprodutos - Greagentes) é maior do que zero (DG>0). Essa
que originarão os produtos. A energia necessária para se chegar ao
reação é dita ser endotérmica. É importante saber que a condição
estado de transição é conhecida como energia de ativação (Eat). A
necessária para a reação ocorrer espontaneamente é que DG<0. energia de ativação (energia do estado de transição) está relacionada
à velocidade da reação. Quanto maior a energia de ativação mais
lenta será a reação. Quanto menor a energia de ativação, mais rápida
será a reação. Para uma reação ocorrer, é necessário vencer a barreira
da energia de ativação. Isto ocorre quando as moléculas têm energia
cinética suficiente para provocar um choque efetivo a ponto de
promover quebras de ligações químicas e formar outras.

90 Caio Lima Firme Química para Engenharia 91


Relação entre a temperatura e a velocidade da reação Fatores relacionados à cinética de uma reação

As moléculas possuem uma determinada velocidade média Para que a reação ocorra, é necessária que a concentração
que depende de suas massas moleculares e da temperatura do das espécies químicas seja suficiente para haver a reação, de modo
sistema. Moléculas mais leves possuem maior velocidade média que a possibilitar um número suficiente de choques efetivos entre os
moléculas mais pesadas. A energia cinética das moléculas (mv2/2) reagentes. Além disso, é preciso que haja energia cinética suficiente
depende da massa e da velocidade das moléculas. A energia cinética para que as espécies se choquem e quebrem suas ligações para formar
mínima para haver uma reação representa a energia que as moléculas novas ligações dos produtos. Também é necessário que o choque
necessitam para possibilitar a quebra das ligações dos reagentes, ou entre as moléculas dos reagentes deva ocorrer em uma posição
seja, para haver uma reação, é necessário que as moléculas (reagentes) favorável que permita a formação do estado de transição.
se choquem com uma energia mínima para romper suas ligações e
possibilitar a formação de novas ligações. A energia cinética mínima 29. Equilíbrio químico
corresponde à energia de ativação da reação.
A uma dada temperatura, apenas uma fração de moléculas terá No início de uma determinada reação, só há espécies químicas
energia suficiente para isto. Se aumentarmos a temperatura, maior dos reagentes. Assim que começa a reação, a quantidade de reagentes
porção de moléculas adquirirá energia mínima para haver reação, ou diminui e a quantidade dos produtos aumenta. Em soluções diluídas,
seja, a reação ocorrerá mais rapidamente. Intuitivamente, podemos consideradas soluções ideais, a grandeza utilizada é a concentração.
observar então que a velocidade da reação depende diretamente da À medida que a reação prossegue, a concentração dos reagentes
temperatura do sistema reacional. Assim, quanto maior a temperatura diminui e a concentração dos produtos aumenta até se chegar ao
da reação, maior é a velocidade da reação ponto de equilíbrio. No ponto de equilíbrio, a concentração dos
reagentes e produtos se mantêm constante.

92 Caio Lima Firme Química para Engenharia 93


Teoricamente, todos os tipos de reação química deveriam ser Para a reação abaixo:
reversíveis. Contudo, na prática, algumas delas são irreversíveis
de acordo com as condições em que ocorrem. Por exemplo, na CO2(g) + H2(g) CO(g) + H2O(g)
combustão de um alcano em um ambiente aberto, um composto
orgânico, a reação é irreversível porque os produtos são lançados à considere as seguintes situações e os correspondentes
atmosfera, impossibilitando a reação inversa. diagramas de concentração versus tempo:
As reações reversíveis são aquelas em que as moléculas dos
reagentes reagem entre si para formar as moléculas dos produtos e, 1) Adicionar quantidades iguais, digamos 1 mol, de CO2(g) e
da mesma forma, as moléculas dos produtos reagem entre si para H2(g) a um recipiente fechado de 1L de volume (reator hermeticamente
formar as moléculas dos reagentes. A reversibilidade das reações fechado) e esperar a reação chegar ao equilíbrio (diagrama I).
está de acordo com o princípio da microrreversibilidade das reações 2) Adicionar quantidades iguais, digamos 1 mol, de CO(g)
em que o caminho para se chegar aos produtos é o mesmo dos e H2O(g) a um reator hermeticamente fechado de mesmo volume
produtos para se chegar aos reagentes, passando pelo mesmo estado que o anterior (diagrama II). Neste caso, a reação inicial é a reação
de transição. inversa do primeiro caso. Entretanto, o resultado final é o mesmo, ou
seja, as concentrações finais de (I) e (II) são as mesmas, porém com
reagentes e produtos trocados.

O fato da concentração dos reagentes da primeira reação


(CO2 + H2 CO + H2O) ser igual à concentração dos produtos da
segunda reação (CO + H2O CO2 + H2) para a mesma quantidade
Assim, podemos entender as reações reversíveis como sendo de reagentes de partida e mesmo volume do reator (hermeticamente
uma reação de dois sentidos opostos. Toda reação química reversível, fechado), diagramas I e II, indica que há uma constante associada a
essas reações, conhecida como constante de equilíbrio (K). Ou seja,
ao se iniciar, tende alcançar este ponto de equilíbrio, em que as
toda reação em equilíbrio está associada a uma constante, chamada
concentrações das espécies químicas (ou compostos químicos) dos
de constante de equilíbrio.
reagentes e as concentrações das espécies químicas (ou compostos
químicos) dos produtos se mantêm constantes, considerando uma
solução ideal.

94 Caio Lima Firme Química para Engenharia 95


Para uma reação geral, mostrada abaixo:
Considere a tabela a seguir que mostra a evolução da
n
A + mB o
C + pD concentração de reagentes e produto com o tempo:

[C ] [ D ]
o p
Tempo [N2] [H2] [NH3] Q
Qeq= K= t0 1,000 1,000 0 0
[ A] [ B ]
n m

t1 0,900 0,700 0,300 0,29


t2 0,800 0,500 0,400 1,60
Se os regentes forem gases, K pode ser expresso como: t3 0,790 0,400 0,430 3,65
t4 0,752 0,360 0,462 6,08
( pC ) ( pD )
o p
t5 0,752 0,360 0,462 6,08
Qeq= K=
( p A ) ( pB )
n m

No tempo inicial t0, os dois reagentes têm a mesma concentração


inicial, 1 molar, A quantidade Q aumenta até t4. No tempo t4 é
onde os coeficientes n, m, o e p representam o número de moléculas alcançado o equilíbrio químico, em que a grandeza Q é substituída
ou moles de A, B, C e D, respectivamente, e Q é a expressão da lei pela constante de equilíbrio K.
da ação das massas. A quantidade Q é zero no início da reação e
vai aumentando até chegar ao ponto de equilíbrio de uma reação. Constante de equilíbrio e velocidade da reação
No equilíbrio, a quantidade Q se torna uma constante, chamada de
constante de equilíbrio (K). Quando uma reação química começa, a velocidade dessa
reação (vd) é máxima (vd = max), pois a concentração dos reagentes
Considere a reação: é máxima, e a velocidade da reação é proporcional à concentração
dos reagentes, como vimos na seção anterior . Então, v a [reagentes]
N2(g) + 3H2(g) 2NH3(g) A velocidade da reação de volta (vi) vai aumentando à medida
que a reação ocorre, pois vai aumentando a concentração dos
A expressão da lei da ação das massas para um sistema de produtos. No equilíbrio, vd = vi.
gases ideais é: A partir daí, as concentrações dos reagentes e produtos não
mais se alteram, caso não haja nenhuma perturbação no sistema,
[NH 3 ]2 e as velocidades de ida (velocidade direta) e de volta (velocidade
Q=
[N 2 ].[H 2 ]3 inversa) são iguais e constantes. Logo, o equilíbrio químico de uma
reação química é um equilíbrio dinâmico. Veja a figura abaixo:

96 Caio Lima Firme Química para Engenharia 97


Ao se adicionar maior quantidade de N2 após o equilíbrio
químico ser atingido, há um aumento no consumo de H2 e se produz
maior quantidade de NH3 de modo que o equilíbrio químico seja
restabelecido. As concentrações finais, após a adição de mais N2 é
diferente daquelas antes da adição de N2, contudo a constante de
equilíbrio é a mesma para as duas situações.

Princípio de Le Chatêlier

Quando reações químicas em equilíbrio são submetidas a


qualquer perturbação, a reação química se desloca para um sentido
ou outro (reação direta ou inversa) para minimizar a perturbação e
voltar à situação de equilíbrio. Suponhamos a reação reversível entre
nitrogênio (N2) e hidrogênio (H2) para formar amônia (NH3).

98 Caio Lima Firme Química para Engenharia 99


Na indústria principalmente, há duas formas de aumentar Ou seja, para reações endotérmicas (DG>0), quanto menor DG da
o rendimento na obtenção dos produtos: (1) retirando parte dos reação, maior é a constante de equilíbrio da reação.
produtos, o que desloca o equilíbrio no sentido da formação dos
produtos; ou (2) aumentando a concentração dos reagentes, o que Equilíbrio químico e calor de soluções
também desloca o equilíbrio no sentido da formação dos produtos.
Em muitas reações na indústria é feito o acréscimo de um À medida que adicionamos, aos poucos, um soluto solúvel em
dos reagentes (o mais barato) ou a retirada do subproduto (produto um determinado solvente, vemos que, no início, o soluto se dissolve
sem interesse industrial) para deslocar o equilíbrio na direção de com facilidade, mas, à medida que mais soluto é adicionado, a
formação dos produtos e obter maior concentração do produto. dificuldade para solubilizá-lo aumenta, até o ponto que não é mais
Por exemplo, para aumentar a produção do PET [poli(tereftalato possível solubilizar o soluto naquele solvente. Neste ponto, a
de etileno)] a partir da reação: velocidade da dissolução do soluto é igual ao do processo inverso
e se alcança um equilíbrio. O soluto não consegue se solubilizar
além daquela razão de solubilidade (quantidade de soluto/volume de
solvente). Neste ponto a solução é dita saturada.
Uma solução saturada é aquela que está em equilíbrio com
excesso de soluto, ou seria se estivesse presente excesso de soluto.
usa-se etileno glicol em excesso e retiram-se as moléculas de água Ou seja, mesmo que o excesso de soluto seja filtrado, ainda sim
com auxílio de um agente dessecante (ver tópico ‘indústria de teremos uma solução saturada.
polímeros’).

Termodinâmica e equilíbrio químico

A constante de equilíbrio de uma reação reversível é uma


característica peculiar de cada reação química reversível, ou
seja, cada reação, em equilíbrio, tem uma constante de equilíbrio
específica e única. Isto ocorre porque cada reação tem uma variação
da energia livre de Gibbs (DG) específica. A relação entre a constante
de equilíbrio e a variação da energia livre de Gibbs é:

DG = -2,3RT log K
Algumas substâncias se dissolvem com desprendimento de
Como cada molécula tem uma energia específica, cada reação calor (DH<0), outras com absorção de calor (DH>0). Essa variação
química tem um DG específico, e consequentemente, uma constante de entalpia é chamada de calor de solução. O calor de solução é
de equilíbrio específica. dividido em duas etapas: (1) desintegração do retículo cristalino
DG DG formando os respectivos íons ou moléculas, que é um processo

DG =− RT ln K ∴ K =e RT
∴K =
1 e RT
∴DG ↑ K ↓ endotérmico (em que absorve energia); (2) solvatação (ou hidratação)
dos íons ou moléculas em que cada íon ou molécula é solvatado por

100 Caio Lima Firme Química para Engenharia 101


uma quantidade de água por força íon-dipolo, sendo um processo 30. Equilíbrio ácido-base
exotérmico (em que libera energia). A entalpia resultante (entalpia
de solvatação) é a diferença de entalpia reticular e entalpia de A reação de dissociação dos ácidos (HA) e bases (BOH) fracas
hidratação. na água é uma reação reversível.
No caso do processo endotérmico, a intensidade da energia de
hidratação é menor do que a energia reticular. Em outras palavras, a HA + H2O A- + H3O+
energia liberada quando os íons são hidratados não é suficiente para
compensar aquela necessária para romper o retículo cristalino. BOH + H2O B+ + HO- + H2O
No caso endotérmico, um aumento de temperatura muda o
equilíbrio para a direita, favorecendo a solução e assim aumentando Como a concentração da água é praticamente constante
a solubilidade. A maioria dos sólidos exibe solubilidades que durante a dissociação dos ácidos e bases, ela pode ser negligenciada
aumentam com a temperatura. No caso exotérmico, um aumento de da equação química que descreve a reação de dissociação.
temperatura altera o equilíbrio para a esquerda, favorecendo o soluto
não dissolvido e, assim, diminuindo a solubilidade. HA A- + H+

BOH B+ + HO-

A constante de equilíbrio da reação de dissociação dos ácidos


e bases é chamada constante de dissociação de ácidos (Ka) e bases
(Kb).

[A - ].[H + ] [B+ ].[HO- ]


Ka = Kb =
[HA] [BOH]

A força de um ácido é indicada pela magnitude da sua constante


de dissociação em solução. Quanto mais fraco é um ácido, menor é
sua constante de dissociação.

CH3COOH Ka= 1,8 x 10-5


HCN Ka= 4,0 x 10-10
HClO Ka= 3,2 x 10-8
H2SO3 Ka= 1,3 x 10-2
H2PO4 Ka= 7,6 x 10-3
H2SO4 ácido muito forte

102 Caio Lima Firme Química para Engenharia 103


NH4OH Kb= 1,8 x 10-5 Como a concentração da água é praticamente constante, o
NH2OH Ka= 9,1 x 10-9 produto K.[H2O]2 pode ser substituído por Kw.
NaOH base muito forte
K[H 2 O]2 =K w =[H 3O + ][HO- ]
Os ácidos e bases muito fortes se dissociam quase que
completamente. Em uma solução ácida a concentração de íons
A 25oC, Kw = 1,0 x 10-14
hidrogênio é maior que íons hidroxila. Em uma solução básica a
concentração de íons hidroxila é maior que a de íons hidrogênio. Na
Em solução aquosa diluída, a concentração molar da água é:
solução neutra a concentração de íons hidrogênio é igual à de íons
hidroxila. 1000g H 2 O 1mol H 2 O
[H 2 O] = x =55,6M
1L H 2 O 18g H 2 O
Solução ácida: [H+] > [HO-]
Solução básica: [H+] < [HO-]
Alguns exemplos são dados a seguir:
Solução neutra: [H+] = [HO-]
1) A concentração de HO- na solução de HCl 0,02 M é:
Produto iônico da água
HCl H+ + Cl- (ácido forte)
A água é um exemplo clássico de solvente anfiprótico, isto é,
[H+] = [Cl-] = 0,02 M
um solvente que pode agir como ácido ou como base, dependendo
do soluto. Solventes anfipróticos passam por autoionização para
formar um par de espécies iônicas. H2O H+ + HO-

ácido1 + base2 base1 + ácido2 Kw = [H+].[HO-]

H2O + H2O H 3O+ + HO- 1,0 x 10-14 = 0,02 [HO-]


[HO-] = 0,5 x 10-12 = 5,0 x 10-13
A extensão na qual a autoionização ocorre é pequena na
temperatura ambiente. A concentração dos íons hidrônio e hidróxido 2) A concentração de H+ na solução de Ca(OH)2 0,02 M é:
a temperatura ambiente é apenas 10-7.
Soluções aquosas contêm pequenas quantidades de íons Ca(OH)2 Ca+2 + 2HO- (base forte)
hidrônio e hidróxido como consequência da autoionização da água.
Uma constante de equilíbrio para esta reação é dada a seguir: [Ca+2] = 0,02 M
[HO-] = 0,02 M
[H 3O + ][HO- ] Kw= 1,0 x 10-14 = [HO-] [H+]
K= 0,04 [H+] = 1,0 x 10-14
[H 2 O]2
[H+] = 2,5 x 10-13 M

104 Caio Lima Firme Química para Engenharia 105


pH de soluções aquosas
1,0 x 10-14 = [H+] [HO-]
pH = - log [H ]
+

Obs.: a água destilada é uma solução neutra


Faixas de pH:
0 < pH < 7 solução ácida Então, [H+] = [HO-]
pH = 7 solução neutra Logo, 1,0 x 10-14 = [H+]2
7 < pH < 14 solução básica
[H+] = 10-7 M
Concentração de [HO-] e [H+] a partir do pH: pH = - log 10-7 = 7,0

pH = 1,0 - log [H+] = 1,0; [H+] = 10-1 M; 10-14 = 10-1 [HO-]; 3) O pH da solução aquosa de NaOH 0,01M é:
[HO-]= 10-13 M
NaOH Na+ + HO- (base forte)
pH = 6,0 - log [H+] = 6,0; [H+] = 10-6 M ; 10-14 = 10-6 [HO-];
[HO-]= 10-8 M [Na+] = [HO-] = 0,01M

pH = 8,0 - log [H+] = 8,0; [H+] = 10-8 M; 10-14 = 10-8 [HO-]; H2O H+ + HO-
[HO-]= 10-4 M
Kw = [H+] [HO-]
Então, à medida que aumenta o pH, diminui a concentração de
íons hidrogênio e aumenta a concentração de íons hidroxila. 0,01 [H+] = 1,0 x 10-14
Alguns exemplos são dados a seguir: [H+]= 10-12M

1) O pH da solução aquosa com HCl 0,001M é: pH = 12

HCl H+ + Cl- (ácido forte) Exercícios

[H+] = [Cl-] = 0,001 M = 1,0 x 10-3M 1) A produção de sabão é feita a partir da reação entre soda cáustica
pH = - log 10-3 = 3,0 (NaOH) e a gordura (bem mais barato que a soda cáustica), e
tem como subproduto glicerina. Dê as duas melhores formas de
2) O pH da água destilada é: aumentar a produção de sabão.

H2O H+ + HO- Soda cáustica + gordura sabão + glicerina

Kw = [H+] [HO-]

106 Caio Lima Firme Química para Engenharia 107


a) Aumentar a concentração da soda cáustica. Exemplos:
b) Aumentar a concentração da gordura.
c) Retirar o sabão formado. NaCl: Nox (Na) = +1 H2S: Nox (H) = +1
d) Retirar a glicerina formada. Nox (Cl) = -1 Nox (S) = -2

2) Preparar uma solução de potassa 0,1M a partir de KOH (sólido) CaO: Nox (Ca) = +2 HCl: Nox (H) = +1
em 100mL de solvente etanol. Preparar também uma solução Nox (O) = -2 Nox (Cl) = -1
sulfocrômica 0,2M a partir de SO3 (sólido) em 100mL de solvente
água. KF: Nox (K) = +1 CO2: Nox (C) = +4
Nox (F) = -1 Nox (O) = -2
a) Potassa: 5,6g de KOH; Sulfocrômica: 1,6g de SO3.
b) Potassa: 0,56g de KOH; Sulfocrômica: 0,16g de SO3. Quando uma espécie química é oxidada, o seu Nox aumenta
c) Potassa: 0,56g de KOH; Sulfocrômica: 1,6g de SO3. (fica mais positivo ou menos negativo). Quando uma espécie química
d) Potassa: 0,56g de KOH; Sulfocrômica: 0,80g de SO3. é reduzida o seu Nox diminui (fica mais negativo ou menos positivo).
Oxidação: perda de elétrons
3) Qual é a concentração de OH- na solução aquosa de HCl 0,02M?
a) [OH-] = 5 x 10-12M. Na Na+ + e-
b) [OH-] = 5 x 10-13M. Fe Fe+2 + 2e-
c) [OH-] = 5 x 10-14M. Sn+2 Sn+4 + 2e-
d) [OH-] = 5 x 10-11M.
Redução: ganho de elétrons
31. Reação redox
Cl2 + 2e- 2Cl-
Definição Fe+3 + 3e- Fe
2H+ + 2e- H2
Uma reação de oxirredução (redox) envolve a transferência de
elétrons de uma espécie química para outra. A espécie química que Observação: uma espécie química com um só elemento tem
perde elétrons sofre oxidação. A espécie química que ganha elétrons Nox = 0. Exemplos: Na, K, Mg, Fe, O2, S2, Cl2, H2 etc.
sofre redução. Na maioria dos casos em reações redox, a espécie
química que ganha elétrons é mais eletronegativa que a espécie Exemplos de reação redox (não balanceadas):
química que perde elétrons.
CrO4-2 + Fe(OH)2 CrO2- + Fe(OH)3
Nox (número de oxidação) Cr2O7-2 + Fe+2 Fe+3 + Cr+3
MnO4 + I
- -
MnO2 + IO3-
O Nox é o número de elétrons ganho ou perdido por um MnO4- + Cl- Mn+2 + Cl2
átomo ao se associar com outro átomo. O átomo mais eletronegativo
geralmente recebe elétrons do átomo menos eletronegativo.

108 Caio Lima Firme Química para Engenharia 109


Estados de oxidação dos elementos químicos 9) Ga, In e Tl têm Nox = +1; Ge, Sn e Pb têm Nox = +2; As, Sb
e Bi têm Nox = +3 por causa do efeito do par inerte que está próximo
Nota: Os elementos representativos que sofrem hibridização (grupos do núcleo.
14, 15, 16 e 17) têm mais de um número de oxidação, mas estes estão
restritos também às distribuições eletrônicas da última camada dos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
elementos. Li Be B C N O F
+1 +2 +3 -2; -4 -1; -2 -1
+2; +4
* -1/2;
+2
1) Os metais alcalinos tem Nox = +1(em compostos), pois Na Mg Al Si P S Cl
tendem a perder 1 elétron. +1 +2 +3 -2; -4
* -2; +2 -1 até
+4 +4; +6 -7
2) Os metais alcalinos terrosos tem Nox = +2 (em compostos), K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
pois tendem a perder 1 elétron. +1 +2 +3 +2; +3 +2; +5 +2; +3 +1 até +1 até +2 até +1 até +1 até
+4 +6 +7 +6 +4 +4 +4
+2 +1; +3 +2; +4 -3 -2; +4 -1; +1
+3; +5 +6 +5 +7
3) Os halogênios em compostos iônicos têm Nox = - 1, mas em Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
compostos covalentes com oxigênio têm Nox variável pois podem +1 +2 +3 +4 +3; +5 +2 até +1 até +3 até +1; +3 +2; +4 +1 até +2 +1; +3 +2; +4 -3 -2; +4 -1; +1
+6 +7 +8 até+6 +3 +3; +5 +6 +5 +7
sofrer hibridização com orbitais d vazios. O oxigênio (elemento mais Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi
+1 +2 +3 +4 +5 +2 até +2 até +3 até +1 até +2 até +1 até +1; +2 +1; +3 +2; +4 +3; +5
eletronegativo) ‘induz’ a hibridização dos orbitais dos halogênios, +6 +7 +8 +6 +6 +5
fazendo-os terem várias ligações covalentes com o oxigênio. Ex.:
HClO4 , HClO2 , HBrO3 , HIO4 (oxoácidos). Exceção: Flúor (Nox Obs.: chamamos a atenção na tabela acima dos elementos com apenas
= - 1). um número de oxidação e aqueles do mesmo grupo com números de
4) O oxigênio tem Nox variável por causa dos vários tipos de oxidação iguais.
óxidos existentes. No peróxido (O2-2) o Nox = -1 . No superóxido , o
Nox = -1/2 .Em compostos com flúor (mais eletronegativo), o Nox *Nox (N) = -3; -2; -1; -1/3; +2; +3; 4; +6
= +2. *Nox (P) = -2; -3; +1; +3; +4; +5
5) Os outros calcogênios têm Nox = -2 quando em compostos
iônicos. Em compostos covalentes com oxigênio e halogênios, os
calcogênios assumem Nox variável, pois o oxigênio e halogênios
32. Eletroquímica
os ‘induzem’ a hibridizarem seus orbitais e fazerem várias ligações
covalentes (oxigênio e halogênios são mais eletronegativos). Ex.: A eletroquímica é o estudo da reação de oxirredução. Numa
H2SO4, H2SO3, SO2, SO3, H2S2O6. reação de oxirredução ocorrem duas semirreações. Cada uma delas
6) O nitrogênio e o fósforo têm vários Nox pois formam vários representa uma mudança do número de oxidação de uma espécie
óxidos e oxoácidos diferentes (NO, NO2, N2O, N2O4, N2O5, N2O3, química.
P4O6, P4O10 , P4O7, HNO3, HNO2, H3PO4, H4P2O7, H3PO3).
7) Os outros elementos do grupo do nitrogênio têm Nox Exemplo:
variável pois formam compostos covalentes com o oxigênio e
halogênios que os ‘induzem’ a hibridizarem seus orbitais fazendo Zn(s) Zn+2 + 2e- (semirreação)
várias ligações covalentes. Cu+2(aq) + 2e- Cu(s) (semirreação)
8) O hidrogênio tem Nox = +1 quando ligado a um ametal e
Nox = -1 quando ligado a um metal. Em uma semirreação ocorre a oxidação (ânodo) e em outra
semirreação ocorre a redução (cátodo).

110 Caio Lima Firme Química para Engenharia 111


Ânodo: região onde ocorre a oxidação
Cátodo: região onde ocorre a redução

Uma célula eletroquímica é um dispositivo que utiliza reações


de oxirredução para produzir a interconversão de energia elétrica e
química. A célula galvânica converte a energia química em energia
elétrica (reação espontânea). A célula eletrolítica converte a energia
elétrica em química (reação não espontânea).
As semirreações podem acontecer em um mesmo
compartimento ou em compartimentos separados, desde que sejam
unidas por algum condutor. Dentro de uma célula eletroquímica
ocorre a passagem da corrente elétrica em um circuito fechado.

Exemplos de esquemas de células eletroquímicas: Os eletrodos em uma célula eletroquímica servem como
dispositivos de remoção de elétrons no ânodo e de fonte de elétrons
no cátodo. O eletrodo pode ser inerte quando somente transporta
elétrons ou não inerte quando transporta elétrons e participa da
reação.

Células galvânicas

Para que haja uma reação redox numa célula galvânica (reação
espontânea), deve haver uma diferença de potencial (ddp) entre o
cátodo e o ânodo. Esta ddp é chamada de tensão da célula (ecélula).
A tensão da célula é dada pela fórmula: ecélula = eânodo + ecátodo. Então,
a tensão da célula é o somatório da tensão do ânodo e da tensão do
cátodo. Mas, a tensão absoluta de um eletrodo não pode ser medida.
O que se faz é adotar um eletrodo como referência (eletrodo-padrão)
e lhe atribuir valor zero. Daí, o eletrodo-padrão é colocado em
contato com outro eletrodo em que se mede a ddp. O eletrodo-padrão
adotado é o eletrodo de hidrogênio.

112 Caio Lima Firme Química para Engenharia 113


e H2= Pt| H2(g)| H+(aq)

Quanto mais negativo o potencial de um eletrodo (espécie


química), maior é sua capacidade de se oxidar. Quanto mais positivo
Para se medir o potencial de um eletrodo basta colocá-lo em o potencial de um eletrodo, maior é sua capacidade de se reduzir.
contato com o eletrodo-padrão (e0 = 0). O valor de ddp gerado será o
potencial deste eletrodo. Para haver ddp entre os eletrodos, deve haver
uma diferença de eletronegatividade entre eles. Então, o potencial
de um eletrodo tem relação direta com a sua eletronegatividade.
Contudo, há casos que fogem a esta relação pelo fato da maior
influência de outros fatores. O potencial químico é caracterizado pela energia que uma
As espécies químicas mais eletropositivas que o hidrogênio espécie adquire ou perde ao doar um elétron, estando na sua forma
irão doar e- para o hidrogênio. Neste caso, o seu potencial tem sinal hidratada. O cálculo do potencial químico (e) de um metal (M) é
negativo. representado a partir do ciclo de Born-Harber mostrado abaixo:

As espécies químicas mais eletronegativas que o hidrogênio


irão receber e- do hidrogênio. Neste caso, o seu potencial tem sinal
positivo.

114 Caio Lima Firme Química para Engenharia 115


a) ânodo: eletrodo em que há oxidação (corrosão) doando
M(sólido) + energia sublimação M(g) (DHs) elétrons para o meio externo e liberando cátions (do metal) para a
M(g) + energia de ionização M(g)+ + e- (I) solução.
M+(g) + H2O M+(aq) + energia de hidratação (DHh) b) eletrólito: condutor (líquido ou ar atmosférico) contendo
íons que transportam a corrente elétrica do ânodo para o cátodo;
M(sólido) + H2O M+(aq) + e- (e) c) cátodo: eletrodo em que há redução, ou seja, onde se recebe
os elétrons vindos do meio externo;
e = DHs + I + DHh d) circuito metálico: ligação metálica entre o ânodo e o cátodo
por onde se movimenta corrente elétrica, no sentido ânodo-cátodo.
Onde, M: metal
Pergunta: Ao se colocar cobre e ferro em solução aquosa de
Apesar de ser possível calcular teoricamente o potencial NaCl (ponte salina), unidos por um fio condutor, quem se oxidará e
químico de uma espécie, não podemos medi-lo experimentalmente, quem se reduzirá?
pois só é possível medir a diferença de potencial (ddp) entre duas
espécies químicas. Então, foi feita uma série de convenções ou e0Cu+2/Cu = +0,34V e0Fe+2/Fe = -0,45V
padronizações:
Pergunta: Ao se colocar zinco e ferro unidos por um fio
1) e = potencial-padrão de redução (medido nas condições-
0 condutor, em uma solução aquosa de NaCl, quem se oxidará e quem
padrão: T=25oC e concentração iônica de 1,0M da espécie oxidada se reduzirá?
do eletrodo).
2) Há espécies que irão doar elétrons para o hidrogênio e e0Zn+2/Zn = -0,76V
outras irão receber dele. Para padronizar, foi adotado o potencial de
redução (e não o potencial de oxidação). Exemplo: Calcule a tensão produzida a 250C por uma célula
3) O potencial-padrão é convencionado no sentido da redução galvânica na qual se dá a reação com concentrações iônicas igual a
de uma espécie química (e0Sn+4/Sn+2, e0Al+3/Al, etc.). Se em uma 1,0M.
determinada célula, a espécie química é oxidada, ao invés de ser
reduzida, o sinal do seu potencial deve ser invertido. Ag+ + Cr+2 Ag(s) + Cr+3

Daí, chegou-se ao potencial padrão de redução (eo). Este e0Cr+3/Cr+2 = -0,41V e0Ag+/Ag = +0,80V
potencial é somente um parâmetro de referência. Quando, por
exemplo, tem-se um eletrodo de um metal e uma solução contendo o Ânodo (oxidação): Cr+2 Cr+3 + 1e- (espécie oxidada)
cátion deste metal em concentração diferente de 1M, o seu potencial Obs.: o sinal do e0Cr+3/Cr+2 deve ser invertido.
de redução será diferente, sendo uma diferença pequena (ver mais e0ânodo = +0,41V
adiante). Cátodo (redução): Ag+ + 1e- Ag(s)
Uma pilha galvânica apresenta os seguintes componentes: e cátodo = +0,80V
0

e0 célula = e0ânodo + e0cátodo = 0,41 + 0,80 = 1,21V

116 Caio Lima Firme Química para Engenharia 117


Para a reação ser espontânea, o e0célula deve ser positivo. Se
e0célula for negativo, a reação é não espontânea.

Reação espontânea: eocélula > 0

Problema: Diga se a reação: Sn+2 + 2I- Sn (s) + I2, é espontânea


ou não.

Dados: e0Sn+2/Sn = -0,14V ; e0I2/2I- = -0,54V

Problema: Qual das reações abaixo ocorrerá espontaneamente? Qual


é o e0 da célula?

Dados:
Zn+2 + Cu(s) Cu+2 + Zn(s)
Cu+2 + Zn(s) Zn+2 + Cu(s)

Para se calcular o potencial de redução de uma célula galvânica


fora da concentração-padrão (1,0M) deve-se usar a equação de
Nernst.

0, 06 [conc.iônica − anodo]
e=
célula e célula
0
− log
n [conc.iônica − catodo]
Em que n é o número de elétrons envolvidos na reação redox

Problema: Calcule na reação redox: Na(s) + Ag+ Ag(s) + Na+, a


tensão produzida a 25oC com [Na+] = 0,1M e [Ag+] = 0,01 M.

Células eletrolíticas Experimentos simples de célula galvânica e célula eletrolítica

Na célula eletrolítica, a tensão aplicada por uma fonte externa Possíveis formas de redução da água:
é oposta à tensão produzida pela célula galvânica. Na célula
eletrolítica, o cátodo e o ânodo são invertidos porque a energia H2O + 1/2 O2 + 2e- 2OH-
elétrica proveniente de uma fonte externa é usada para inverter o ou
sentido (termodinamicamente) espontâneo de uma reação, forçando 2H2O + 2e- H2 + 2OH-
uma reação não espontânea. (ver tópico ‘indústria de eletrolíticos’)

118 Caio Lima Firme Química para Engenharia 119


Em ambas as formas ocorrem a liberação de íons hidroxila 2HCl, cujo e0célula=1,36V (célula galvânica). Ver tópico ‘indústria
(OH ), fazendo com que o pH da água aumente. Se colocarmos um
-
de eletrolíticos’.
indicador ácido-base é possível observar em que região ocorre a
redução. O indicador usado é a fenolftaleína, cujo pH de viragem é
em torno de 9,0. Abaixo de pH 9,0 a fenolftaleína é incolor e acima
de pH 9,0 a fenolftaleína é rosa. Então, a região que apresentar a cor
rosa é a região onde está havendo a redução (cátodo).

Fenolftaleína: pH<9 (incolor); pH>9 (vermelho)

2 K3Fe(CN)6 + 3Fe+2 Fe3[Fe(CN)6]2 + 6K+


(amar.-laranja) (azul)
2 K3Fe(CN)6 + 3Cu+2 Cu3[Fe(CN)6]2 + 6K+
(amar.-laranja) (castanho-laranja)

Solução A: fenolftaleína + K3Fe(CN)6 + NaCl + H2O

Eletrólise
Problema: Qual é a tensão mínima para a eletrólise de NaCl fundido?
Geralmente, a eletrólise é realizada aplicando-se uma Dados: e0Na+/Na= -2,71V;
tensão a um par de eletrodos inertes imersos em um líquido. Por
exemplo, quando se aplica uma tensão gradualmente crescente no
ácido clorídrico (HCl), não ocorre produção de H2 e Cl2 até que se
ultrapasse a tensão de 1,36V, pois a reação espontânea é: H2 + Cl2

120 Caio Lima Firme Química para Engenharia 121


Potencial-padrão de redução dos elementos químicos Exercícios

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 1) Dê o Nox para o átomo de enxofre (S) em cada uma das moléculas


H2 a seguir: Na2S, S8, SO2 e SO3.
2
H-
0,0
Li+ Be+2 B C N O2 F2 a) –1, +8, +4, +3.
Li Be CH4 H O 2F-
-3,0 -1,8 0,13
2 2
1,23 2,9 b) –2, 0, +2, +3.
Na+ Mg+2 Al+3 Si P S Cl2 c) –2, 0, +4, +6.
Na Mg Al SiH4 PH3 S-2 2Cl-
-2,7 -2,4 -1,67 0,10 0,06 -0,48 1,35 d) –2, +8, +2, +3.
K+ Ca+2 Sc+3 Ti+2 V+2 Cr+3 Mn+2 Fe+2 Co+2 Ni+2 Cu+ Zn+2 Ga+3 Ge As Se Br2
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga AsH Se-2 Br-
-2,9 -2,9 -2,08 -1,63 -1,19 -0,74 -1,18 -0,44 -0,28 -0,25 0,52 -0,76 -0,56 -0,6 -0,92 1,07
2) Diga quem se oxidará e quem se reduzirá ao se colocar zinco (Zn)
Rb+ Sr+2 Y+3 Zr+4 Nb+3 Mo+3 Tc+2 Ru+2 Rh+3 Pd+2 Ag+ Cd+2 In+3 Sn+2 Sb Te I2 e cobre (Cu) em NaCl 3% p/v unidos por um fio condutor.
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn SbH3 Te-2 2I-
-2,9 -2,9 -2,37 -1,56 -1,1 -0,20 -0,40 -0,40 0,80 0,98 0,79 -0,40 -0,34 -0,14 0,5 -1,14 0,53
Cs+ Ba+2 Lu+3 Hf Ta W+3 Re Os Ir+3 Pt+2 Au+ 2
Hg+2 Tl+3 Pb+2 Bi Po At eo Cu+/ Cu= +0,521V; eo Zn+2/ Zn= -0,762V
Cs Ba Lu W Ir Pt Au 2
Hg Tl Pb
-2,9 -2,9 -2,25 -0,11 -1,15 -1,20 1,69 0,80 -0,34 -0,1
a) Não haverá reação redox.
b) O zinco se oxidará e o cobre se reduzirá.
Obs.: Um dos fatores que determinam o valor do potencial-padrão c) O cobre se oxidará e o zinco se reduzirá.
de redução, de acordo com o ciclo de Born-Harber, é a energia d) O zinco se oxidará e o oxigênio (O2) da água se reduzirá.
de ionização, que depende diretamente da eletronegatividade. e) O cobre se oxidará e o oxigênio (O2) da água se reduzirá.
Então, podemos afirmar que existe certa correspondência entre
a eletronegatividade dos elementos químicos e seus valores de 3) Calcule a tensão produzida a 25oC por uma célula galvânica na
potencial-padrão de redução. Esta correspondência pode ser qual se dá a reação abaixo com as concentrações iônicas igual a
observada nos elementos da tabela acima que estão com a cela em 1,0M.
negrito. Observe que os alcalinos terrosos têm os maiores valores eo Ca+2/ Ca= - 2,868V; eo Fe+2/ Fe= -0,447V
negativos enquanto os halogênios têm os maiores valores positivos.
Observe que o potencial-padrão de redução fica mais negativo de cima Ca + Fe+2 Fe + Ca+2
para baixo nos alcalinos terrosos e fica menos positivo de cima para
baixo nos halogênios. Observe também que, no quarto período da a) eo célula= -3,315V.
tabela periódica, o potencial-padrão de redução fica menos negativo b) eo célula= +2,421V.
da esquerda para a direita da tabela periódica. Essas observações c) eocélula= +3,315V.
estão de acordo com a eletronegatividade dos elementos químicos. d) eocélula= -2,421V.

4) Qual das reações abaixo ocorrerá espontaneamente? Qual é o eo


célula?
eo Pb+2/ Pb= - 0,126V; eo Zn+2/ Zn= -0,762V

122 Caio Lima Firme Química para Engenharia 123


Reação 1: Zn+2 + Pb Zn + Pb+2 33. Corrosão
Reação 2: Pb+2 + Zn Pb + Zn+2
A corrosão é a deterioração de um material metálico por ação
a) Reação 1; eo célula = -0,636V. eletroquímica ou química do meio ambiente. Esta deterioração
b) Reação 1; eo célula = +0,888V. representa alterações indesejáveis sofridas pelo material como
c) Reação 2; eo célula = -0,888V. variações químicas e/ou modificações estruturais. A corrosão é
d) Reação 2; eo célula = +0,636V. um processo espontâneo constantemente transformando materiais
metálicos de modo que sua durabilidade e desempenho deixam de
5) Para proteger um determinado metal adiciona-se pequena satisfazer os fins a que se destinam.
quantidade de outro metal (ânodo de sacrifício) para evitar que o As estruturas metálicas existem em vários setores da indústria
metal de interesse se oxide. Qual seria o melhor ânodo de sacrifício e do nosso cotidiano e elas representam investimentos vultosos que
para o casco de um navio (constituído de ferro (Fe))? exigem durabilidade e resistência a corrosão.
Em 1965, o custo anual da corrosão no EUA era em torno de
a) Cobre (Cu); eo Cu+/ Cu= +0,521V. 10 bilhões de dólares. Em 1971 o custo anual da corrosão no Reino
b) Zinco (Zn); eo Zn+2/ Zn= -0,762V. Unido foi calculado em torno de 3,5% do PIB britânico.
c) Prata (Ag); eo Ag+/ Ag= +0,799V. Com exceção dos metais nobres (encontrados livres na
d) Magnésio (Mg); eo Mg+2/ Mg = -2,372V. natureza), os outros metais são encontrados na forma de seus óxidos
ou sulfetos (minérios).
6) Calcule o e da célula galvânica, a 25oC, cujas concentrações Admite-se que a corrosão é o inverso do processo metalúrgico
iônicas são [Ba+2]=0,2M e [Fe+2] = 0,02M e cujos potenciais-padrão (ver tópico ‘metalurgia’). Na metalurgia se extrai o metal puro do
seu minério através de elevadas temperaturas e pressões (processo
são mostrados abaixo:
não espontâneo). O aço, por exemplo, vem da metalurgia da hematita
(Fe2O3) em Fe puro. Já a corrosão é um processo espontâneo da
eo Ba+2/ Ba= -2,912V; eo Fe+2/ Fe= -0,447V
transformação do Fe puro em Fe2O3 (ferrugem).
Ba + Fe+2 Ba+2 + Fe
metalurgia
composto + energia metal (puro)
a) e célula = +3,389V. corrosão

b) e célula = -3,389V.
c) e célula = +3,359V. Para haver uma corrosão deve existir uma diferença de
d) e célula = +2,465V. potencial entre dois eletrodos. Uma reação de corrosão é uma reação
e) e célula = -2,465V. de oxirredução que é caracterizada como uma pilha galvânica
f) e célula = +2,495V. (espontânea) de corrosão.
g) e célula = +2,435V. A corrosão pode ocorrer sob diferentes formas. O conhecimento
h) e célula = -2,435V. das mesmas é muito importante no estudo de um processo corrosivo.
i) e célula = +2,405V. As formas de corrosão localizada (puntiforme, intergranular, e
j) e célula = +2,525V. intraganular) são as mais prejudiciais. Pois, embora a perda de massa

124 Caio Lima Firme Química para Engenharia 125


seja pequena com esta corrosão, causa rápida perda de espessura e 2) meio neutro ou básico, aerado:
originam pontos de concentração de tensões (com início de fratura),
ocasionando a diminuição da resistência mecânica do material. H2O + ½ O2 +2e- 2HO-

Meios corrosivos 3) meio ácido, aerado:

A ação corrosiva da atmosfera depende das substâncias 2H+ + ½ O2 + 2e- H2O


poluentes presentes; da temperatura; e da umidade relativa.
A presença de H2S na atmosfera, concentrado nos arredores Quanto maior for a acidez e maior a concentração de oxigênio
de refinarias e mangues, causa o escurecimento da prata e do cobre no meio corrosivo, mais intensa será a corrosão.
por formação de Ag2S e CuS. Este gás também é responsável pela Em soluções neutras, não aeradas, o hidrogênio formado no
decomposição de revestimentos com tintas a base de zarcão (Pb3O4). cátodo pode ficar adsorvido na superfície metálica, diminuindo o
A amônia (NH3), que está concentrada nos arredores de fábricas processo corrosivo. Na presença de oxigênio, o hidrogênio adsorvido
de fertilizantes, em conjunto com oxigênio e água, ataca fortemente reage com o mesmo para formar água, e assim, acelera o processo
o cobre e suas ligas. corrosivo. No caso do cromo, alumínio e titânio, oxigênio, a corrosão
O SO2 e SO3, frequentes constituintes de atmosferas industriais, pode ser retardada através da formação de uma película protetora de
formam H2SO3 e H2SO4, na presença de umidade no ar, que são Cr2O3, Al2O3 e TiO2, respectivamente.
altamente corrosivos.
Corrosão do ferro

Mecanismos de corrosão No caso do ferro imerso em solução aquosa, o ferro se oxida


para Fe+2 e o oxigênio dissolvido na água se reduz para HO-. Os íons
A corrosão envolve reações químicas em que há transferência metálicos Fe+2 migram para o cátodo (região com carga negativa)
de elétron, através de uma interface ou eletrólito (sais), saindo de e os íons hidroxila HO- migram para o ânodo (região com carga
uma região (metal atacado) e indo para outra região. A corrosão é positiva), e numa região intermediária eles se encontram formando
considerada uma pilha de corrosão. Na corrosão, o potencial do Fe(OH)2. Então, o produto da corrosão se forma sempre em uma
metal oxidado por corrosão é chamado de potencial de corrosão. O região entre ânodo e o cátodo. O Fe(OH)2 formado sofre ainda
potencial de corrosão varia de acordo com o meio corrosivo (mais oxidação dependendo do meio.
aerado, menos aerado, umidade, temperatura etc.).
No processo de corrosão do ferro metálico, no ânodo ocorre a meio aerado: 2Fe(OH)2 + H2O + ½ O2 2Fe(OH)3
oxidação do Fe para Fe+2 e no cátodo podem ocorrer vários tipos de 2Fe(OH)3 Fe2O3.H2O (amarelo) + 2H2O
redução dependendo do meio. As reações no cátodo são:
meio não aerado: 3Fe(OH)2 Fe3O4 (preto) + 2H2O + H2
1) meio neutro ou básico, não aerado:

2H2O + 2e- H2 + 2HO-

126 Caio Lima Firme Química para Engenharia 127


As reações acima explicam as colorações observadas na 2Fe + 2H2SO4 + O2 2FeSO4 + 2H2O
corrosão atmosférica do ferro ou suas ligas, onde se observa que a
ferrugem (produto da corrosão do ferro) apresenta na parte superior Corrosão do ferro em atmosferas marinhas
(mais oxigenada) cor amarela e na parte inferior cor preta.
De forma geral, no ânodo ocorre a formação do cátion metálico Em atmosferas marinhas, o poluente encontrado em maior
M e no cátodo a hidroxila, e o produto da corrosão é M(OH)n.
+n
quantidade é o NaCl, devido à presença de névoa salina. O NaCl
é um eletrólito forte e gera um processo corrosivo acelerado e o
Ação do SO2 na corrosão do ferro e cobre produto da corrosão do ferro conterá também FeCl3, que é muito
solúvel em água e corrosivo, pois se hidrolisa formando HCl que
O SO2 é um dos poluentes mais freqüentes em atmosferas ataca novamente o ferro.
industriais e o principal responsável pela corrosão do ferro nessas
atmosferas. 2 FeCl3 + 3H2O Fe2O3 + 6HCl

SO2 + ½ O2 SO3 Então, em atmosferas poluídas, o ferro sofre corrosão mais


intensa. A adição de cromo, níquel e coberto forma camadas
O SO2 e SO3 gasosos podem reagir com a água (umidade) da protetoras que impedem a continuação da corrosão ao formarem sais
atmosfera: básicos insolúveis.

SO2 + H2O H2SO3 Aços de baixa liga


SO3 + H2O H2SO4
Os aços de baixa liga são aqueles que, dentro de certas
Ácidos reagem com o ferro: circunstâncias, se recobrem de uma ferrugem protetora. Apesar
do aço de baixa liga não ter resistência à corrosão como o aço
2Fe + 2H2SO3 FeS + FeSO4 + 2H2O inoxidável ou o aço de alta liga, ele apresenta maior resistência à
2Fe + 2H2SO4 + O2 2FeSO4 + 2H2O corrosão atmosférica que o aço carbono comum. Esta resistência
do aço de baixa se deve à formação de ferrugem durante o período
O produto da corrosão do ferro (FeSO4) pode reagir com a inicial da corrosão, que tende a se estabilizar formando um filme
água formando H2SO4 que volta atacar o Fe: de óxido muito denso que nem água nem o oxigênio conseguem
penetrar, cessando a corrosão.
FeSO4 + 2H2O Fe(OH)2 + H2SO4 O aço de baixa liga é muito usado em construção de edifícios,
pontes, viadutos, sem que haja necessidade de pintá-los. Após o
Fe + SO2 + O2 FeSO4 período de estabilização da ferrugem (1 a 2 anos), o aço fica com
uma coloração típica castanho-escura. Mas, estes aços não resistem,
O ácido formado ataca novamente o Fe: sem pintura, a atmosfera marinha.
A ferrugem formada sobre aços de baixa liga é constituída
2FeSO4 + ½ O2 + 5H2O 2Fe(OH)3 + 2H2SO4 de uma camada externa não protetora (Fe3O4 e gFeOOH) e de uma
camada interna protetora e densa de a-FeOOH. Os elementos cobre,

128 Caio Lima Firme Química para Engenharia 129


cromo, fósforo, constituintes, em maior quantidade, no aço de baixa Aço galvanizado
liga do que no aço carbono, concentram-se na região densa de
ferrugem. Um dos maiores usos do zinco é como revestimento para evitar
a corrosão de chapas ou estruturas de ferro expostas aos ambientes
Corrosão intragranular do aço corrosivos, pois o zinco apresenta boa resistência à corrosão e tem
potencial de redução padrão (e0) mais negativo que o do ferro,
A corrosão intragranular de aços inoxidáveis pode ocorrer servindo como ânodo de sacrifício (oxidação do zinco ao invés do
quando o aço passa por um tratamento térmico prolongado em ferro, na presença de eletrólito).
temperaturas inferiores a 500oC ou aquecimentos rápidos em O aço galvanizado é o aço que é revestido com zinco. Não se
temperaturas entre 500 a 950oC, como, por exemplo, na soldagem. justifica o emprego do zinco para proteção contra corrosão apenas
A soldagem de aços pode torná-los sujeitos à corrosão intragranular por funcionar como ânodo de sacrifício, pois o mesmo sofreria um
em torno de toda a extensão do cordão de solda. Nesta região, rápido desgaste com a corrosão. O zinco, exposto às condições
durante a operação da solda, ocorre a formação de carbetos de cromo atmosféricas, forma uma película fina de cor branco-acinzentada de
(Cr23C6) deixando-a deficiente de cromo (inibidor da corrosão). ZnO, que é aderente, não porosa e protetora. Na presença de H2O e CO2
Quanto maior o teor de carbono no aço, maior é a facilidade de na atmosfera, a camada de ZnO é convertida em ZnCO3.3Zn(OH)2,
corrosão intragranular. Com 0,1% de carbono ou mais, o aço pode que também reduz enormemente a corrosão.
ser severamente corroído quando aquecido a 600oC por 5 minutos. Na presença de poluentes atmosféricos e umidade elevada,
Com 0,03% de carbono, o aço é dificilmente atacado por corrosão podem-se formar outros sais de zinco que não são tão protetores
intragranular. quanto o ZnO e ZnCO3.3Zn(OH)2. Para evitar esta corrosão do
aço galvanizado é recomendável fazer umectação das superfícies
Heterogeneidades do material do aço com óleo contendo inibidor de corrosão e providenciar a
cromatização após a galvanização.
Superfícies metálicas altamente polidas podem apresentar
potenciais diferentes dos de superfícies rugosas, o que pode causar Corrosão por aeração diferencial
corrosão.
As bordas de superfície metálica tornam-se mais suscetíveis Assim como pode ocorrer corrosão de um material por simples
ao ataque da corrosão por serem mais rugosas e desiguais. heterogeneidade de sua forma, a distribuição diferencial de oxigênio
Diferenças de forma de material podem ocasionar problemas de atmosférico ao longo da superfície de um material pode causar a
corrosão. Superfícies convexas mostram menores sobretensões para corrosão também.
o hidrogênio do que superfícies côncavas. Além disso, a diferença Em tanques de aço contendo soluções aquosas estagnadas
de diâmetro de um fio metálico também pode ocasionar diferença de ocorre corrosão na parte do aço exatamente abaixo da superfície da
potencial e corrosão. água.
Qualquer parte de um material sujeito às deformações pode Em tubulações parcialmente enterradas ocorre corrosão na
apresentar potencial diferente de uma parte não deformada. área da tubulação logo abaixo do nível do solo.
Quando ocorre corrosão por aeração diferencial, o cátodo é
a região com maior concentração de oxigênio e o ânodo é onde há
menor concentração de oxigênio.

130 Caio Lima Firme Química para Engenharia 131


Potenciais de corrosão

A aplicação dos potenciais de redução padrão para a previsão


de uma reação química é limitada. Estes potenciais são medidos a
partir de um eletrodo constituído de um metal em contato com a
solução 1M de seus íons a 25oC. Qualquer mudança da concentração
do íon do metal acarretará alteração do potencial de redução (equação
de Nernst).
O potencial de redução padrão (e0) ou potencial de redução

Parte 2
não padrão (e), que tem concentração do íon do metal diferente de
1M são considerados potenciais reversíveis, em que há equilíbrio
entre o metal e os íons desse metal em solução (Mn+ +ne- M).
Os potenciais de eletrodo que se estabelecem sobre uma
superfície de um metal em contato com um eletrólito, que não contém
íons desse mesmo elemento (metal), são considerados irreversíveis.
Como, por exemplo, o metal ferro em solução de NaCl (no eletrólito
não há Fe+n). Este é o caso dos fenômenos de corrosão.
Então, o potencial de um metal em contato com um eletrólito
que não contém íons desse metal é irreversível, ou seja, nunca
atinge um equilíbrio. Assim, a oxidação do ferro (Fe Fe+2 + 2e-)
prossegue indefinidamente sem nunca atingir o equilíbrio, porque o
Fe+2 formado no ânodo reage com HO- formado no cátodo formando
produtos Fe(OH)2 e Fe(OH)3, que são insolúveis na solução. Desta
forma, não há como haver a reversibilidade, ou seja, o íon Fe+2 reagir
com 2e- e formar Fe metálico. Então, na corrosão, ocorre uma reação
Experimentos Químicos
irreversível cujo potencial do eletrodo é diferente do potencial de
redução. Esse potencial é chamado de potencial de corrosão.
O potencial real de um dado metal sofrendo corrosão, em
uma dada solução, depende da temperatura, de películas formadas,
formação de íons complexos, impurezas na solução etc.

132 Caio Lima Firme


1. Preparo de soluções

M (concentração molar) = no mol do soluto / 1,0 L solução

Mol = 6 ,02 x 1023 átomos ou moléculas

p.a.: peso atômico


MM: massa molecular
u.a: unidade atômica (1/12 da massa do núcleo do carbono)

átomo de oxigênio (O)= 16 u.a.


Mol átomo de oxigênio (mol O)= 16 g
molécula de oxigênio (O2)= 32 u.a.
Mol molécula de oxigênio (O2) = 32 g

no mol (molécula ou átomo) = massa (g) da molécula ou átomo /


mol molécula ou átomo

Exemplo

KNO3 0,1M em 10mL de H2O

MM (KNO3) = 101 [p.a.(K) + p.a.(N) + 3 p.a.(O)]


1 M (KNO3) = 1 mol KNO3 / 1,0 L H2O

Obs.: quando o soluto é um sólido M= no mol soluto / L solvente

1M KNO3 101g KNO3 1000 mL H2O


0,1M KNO3 x 1000 ml H2O

x = 10,1g KNO3 (não econômico)

0,1M KNO3 10,1g KNO3 1000 mL H2O


0,1M KNO3 y 10 mL H2O

y = 0,1 g KNO3

Química para Engenharia 135


Então para fazer a solução de KNO3 0,1M em 10mL de H2O, Eletrólitos
basta dissolver 0,1g de KNO3 em 10mL de H2O.
São substâncias que conduzem a corrente elétrica em solução
2. Ligações iônicas e covalentes aquosa ou no estado líquido. As soluções eletrolíticas são preparadas,
a partir de substâncias dissolvidas em água.
Introdução Dissociação: Os compostos iônicos, no estado sólido, quando
dissolvidos em água, se dissociam, liberando íons livres na solução
Os átomos podem ligar-se de muitos modos. Os tipos mais aquosa
importantes são a ligação iônica e covalente. Os compostos são
chamados iônicos ou covalentes dependendo do tipo de ligação que Ex. NaCl + H2O(l) Na+(aq) + Cl-
possuem.
A ligação iônica é uma interação eletrostática entre os íons Ionização: Um composto covalente sofre ionização quando é
(cátions e ânions) formados. Alguns íons são formados, por átomos dissolvido em água e tem sua(s) ligação(ões) covalente(s) rompidas,
unidos através de ligação covalente, mas o caráter do composto formando íons na solução aquosa.
formado é iônico, como por exemplo: SO4-2, NO3-, etc.
As moléculas formadas a partir de ligações covalentes têm seus Ex. HCl(s) + H2O(l) H3O+(aq) + Cl-
átomos unidos através de uma interação eletrostática entre prótons
(dos átomos ligantes) e elétrons na região da ligação. Nos líquidos Procedimento experimental
e nos sólidos, as moléculas podem também ser unidas por forças
intermoleculares, tais como ligação de hidrogênio, forças de van der Materiais e reagentes
Waals e outras.
 Aparelho para conduzir corrente elétrica
Características entre compostos iônicos e covalentes  cadinho de porcelana, tripé e triângulo
 KNO3 0,1 mol/L NaOH 0,5 mol/L
Características Iônico Covalente  Sacarose 0,1 mol/L
líquidos, gasosos e  Ácido acético (CH3COOH)
Estado físico sólidos
poucos sólidos
Ponto de ebulição e fusão mais alto baixos Experimento
Solubilidade muitos solúveis muitos insolúveis
Conduzem no estado lí- MM (KNO3) = 101g; MM (NaOH) = 40 g; MM (C12H22O11 –
não conduzem, a não
Condutividade elétrica quido ou em solução
ser ionizados.
sacarose) = 342,3g
aquosa
Condução elétrica: passagem de elétrons por um determinado
meio
Transformador (fonte): transforma corrente alternada em
corrente contínua. A Corrente contínua: só tem um único sentido de
corrente

136 Caio Lima Firme Química para Engenharia 137


3. Reações de oxirredução
Condução da corrente elétrica
Introdução
- Obter um aparelho para verificar a condutibilidade elétrica,
conforme o esquema. As reações de oxirredução são consideradas aquelas em que
- Separar 4 béqueres numerados e colocar em cada um deles, ocorre transferência de elétrons, entre as espécies químicas ou
as soluções abaixo, na seguinte ordem; moléculas envolvidas.
A oxidação representa a doação de elétrons de uma molécula
Conduz (ou espécie química) para outra. A molécula (ou espécie química)
Béquer Solução Solução molecular / iônica
sim /não que recebe os elétrons se reduz. A redução representa o ganho de
n1 KNO3 0,1 mol/L elétrons de uma molécula (ou espécie química).
n2 NaOH 0,5 mol/L Na reação de oxirredução, ocorrem duas semirreações: a de
n3 Sacarose 0,1 mol/L oxidação e a de redução.
n4 CH3COOH
Oxidação: X X+n + ne-
- Para cada substância e em cada caso, imergir as pontas com Redução: Y + ne -
Y-n
os bastões e verificar se a lâmpada acende ou não.
- Com sólidos realizar as mesmas técnicas acima após a fusão A soma das duas semirreações representa a reação de
dos mesmos em cadinhos de porcelana, ver esquema. oxirredução:

Representação do experimento X+Y X+n + Y-n

Agentes redutores são as moléculas (ou espécies químicas)


que provocam a redução de outra espécie, ou seja, doam elétrons
para esta outra espécie. Consequentemente, o agente redutor sofre
oxidação.
Agentes oxidantes são as moléculas (ou espécies químicas)
que provocam a redução de outra espécie, ou seja, recebem desta
outra espécie. Consequentemente, o agente oxidante sofre redução.

Materiais e reagentes:

 Tubos de ensaio
 Zn(NO3)2 0,1M
 Pb(NO3)2 0,1M
 Cu(NO3)2 0,1M
 KI 0,1 M

138 Caio Lima Firme Química para Engenharia 139


 H2SO4 conc Equações:
 K2Cr2O7 0,1 M
 FeCl3 0,1M 1) 2MnO4- + 10 I- + 16 H+ 2 Mn+2 + 5I2 + 8 H2O
 KMnO4 0,2M 2) Cr2O7= + 6 I- + 14 H+ 2 Cr+2 + 3I2 + 7 H2O
3) 2 Fe+3 + 2 I- 2 Fe+2 + I2
Reações redox
- Para cada reação coloque o número de oxidação das espécies
- Separe 9 tubos de ensaio em 3 baterias (A,B,C) com 3 tubos envolvidas e diga se ela reduziu ou oxidou.
(1,2,3) para cada bateria e adicione na bateria A 2,0 mL de solução
Zn(NO3)2 0,1M . Reduziu/
Espécie Nox Espécie Nox Espécie
- Na bateria B, adicione 2,0 mL de solução Pb(NO3)2 0,1M e na oxidou
bateria C, adicione 2,0 mL de solução Cu(NO3)2 0,1M. MnO4- Mn+2 MnO4-
- Coloque no tubo 1, de cada bateria, pedaços de zinco, no tubo Cr2O7= Cr+2 Cr2O7=
2 pedaços de chumbo e no tubo 3, pedaços de cobre. Fe+3 Fe+2 Fe+3
- Anote os tubos onde ocorrem as reações redox (sim/não).
I- I2 I-
- Escreva as equações iônicas das reações ocorridas.

Solução 4. Determinação da dureza da água


Metal Bateria A Bateria B Bateria C
Introdução
Zn(NO3)2 Pb(NO3)2 Cu(NO3)2
Zn Água dura representa todos os tipos de água que contém
Pb presença de sais de cálcio e magnésio. A dureza pode ser temporária,
Cu em que os sais de cálcio e magnésio se apresentam sob a forma de
bicarbonatos, ou permanente, em que os sais de cálcio e magnésio
Agentes oxidantes estão sob a forma de nitratos, cloretos ou sulfatos.
Os sais de cálcio e magnésio são indesejáveis em muitos
Neste experimento, iremos testar o poder oxidante dos processos como: lavanderias, por aumentar o consumo de sabão
compostos: KMnO4, K2Cr2O7 e FeCl3. e detergente e reduzir a eficiência do processo de lavagem;
processamento de frutas e hortaliças, por causar o endurecimento do
- Coloque em 3 tubos de ensaio 2,0 mL de solução KI e 1,0 mL produto; em águas para geração de vapor, por causar incrustações,
de H2SO4 concentrado. prejudicando o processo de transferência de calor e gerando riscos
- Adicione no tubo 1: 5,0 mL de KMnO4 0,2M; no tubo 2: 5,0 de explosão por superaquecimento; em indústrias de cerveja, que
mL de K2Cr2O7 0,1M e no tubo 3: 5,0 mL de FeCl3 0,1M. requer água de baixa alcalinidade; em indústrias de refrigerantes,
- Compare o tempo aproximado de cada reação. Quanto menor onde os sais de cálcio e magnésio são responsáveis pela formação
for o tempo de reação, maior é o poder oxidante. de flocos levando o produto a apresentar problemas de turbidez etc.

140 Caio Lima Firme Química para Engenharia 141


Os bicarbonatos de cálcio e magnésio, que são responsáveis reversível, o aumento da concentração de H+ desloca o equilíbrio
pela dureza temporária da água, podem ser precipitados sob a da reação para esquerda, diminuindo a estabilidade (quantidade)
forma de carbonatos mediante tratamento com um álcali (hidróxido da espécie cátion-EDTA. Para evitar que isso ocorra, é usada uma
de cálcio, carbonato de sódio ou hidróxido de sódio). Os cloretos, solução tampão que é capaz de manter o pH estável.
nitratos e sulfatos de cálcio e magnésio, responsável pela dureza
permanente, só podem ser removidos por precipitação quando
tratados com carbonato de sódio.

Dureza temporária: Ca(HCO3)2 + Mg(HCO3)2


Dureza permanente: CaSO4 + Ca(NO3)2 + CaCl2 + MgSO4 +
Mg(NO3)2 + MgCl2
Para poder observar que o EDTA reagiu completamente
Ca(HCO3)2 D
CaCO3 + H2O + CO2 com todas as espécies catiônicas presentes, é necessário o uso de
um indicador. Os indicadores (Ind) usados na complexometria
Dureza total: CaSO4 + Ca(NO3)2 + CaCl2 + MgSO4 + Mg(NO3)2 + (titulação através de uma reação de complexação) são chamados
MgCl2 + Ca(HCO3)2 + Mg(HCO3)2 metalocrômicos. Estes são compostos orgânicos corados que reagem
com íons metálicos e formam complexos com coloração diferente
Para se medir a dureza da água (quantidade de Ca+2 e Mg+2) daquela que possuem na forma livre. O EDTA (H2Y=) tende a formar
deve ser feita a titulação com EDTA (ácido etileno diamínico um complexo cátion-EDTA (MYn-4) mais estável que o complexo
tetracético). O EDTA é um agente complexante que doa elétrons cátion-indicador (MIndn+). Então, a medida que se adiciona EDTA na
para uma outra espécie, formando ligação covalente. O EDTA é uma solução com cátion e indicador, o EDTA desloca a reação no sentido
molécula (zuiteriônica) com 4 sítios ativos de complexação (-COO-), de formação do complexo cátion-EDTA. Quando toda fração molar
sendo que cada sítio pode doar apenas 1(um) elétron para o cátion do cátion migrou do complexo cátion-indicador para o complexo
complexado. O EDTA é um excelente agente complexante por causa cátion-EDTA, a cor da solução muda porque só haverá a presença da
da sua disponibilidade comercial, a estabilidade de seus complexos espécie indicadora
e da capacidade de complexar qualquer cátion (desde cátion com
carga +1 até +4) em razão 1:1 (ver tópicos ‘tratamento de água Ind + Mn+ MIndn+
doméstica’ e ‘tratamento de água industrial’). (cor A) (cor B)
A titulação do EDTA com os cátions Ca++ e Mg++, presentes
na água dura, determina a concentração deles na água. Este tipo de M-Indn+ + H2Y= MYn-4 + Ind
reação é chamada de complexação, em que representamos o EDTA (cor B) (cor A)
por H2Y=.
Materiais e reagentes
Mn+ + H2Y= MY(n-4) + 2H+
 Erlenmeyer 250mL
Nesta reação são liberados íons hidrogênio (H ). A estabilidade
+  Bureta 50mL
do complexo cátion-EDTA depende do pH. Como a reação é  solução EDTA aproximadamente 0,01M

142 Caio Lima Firme Química para Engenharia 143


 Indicador murexida 6. Calcular a dureza total (DT) usando a seguinte expressão:
 Indicador negro de eriocromo-T
 Indicador fenolftaleína Dt (mg CaCO3/L) = (VEDTA / 10 ) x 1000
 Indicador alaranjado de metila
 Solução amostra de água dura c) Determinação da dureza de Ca++ e Mg++
 Solução tampão de pH=10 (NH4OH/NH4Cl)
 Solução de oxalato de amônio 5% p/V A dureza da amostra de água dura do laboratório se deve
 Solução padrão de CaCO3 0,01M exclusivamente à presença de Ca++ e Mg++. Sendo assim, pode-se
determinar a influência de cada um desses cátions na dureza da água.
Procedimento experimental
1. Transferir 10mL de água dura para um Erlenmeyer de 250
a) Padronização da solução EDTA aproximadamente 0,01M mL.
2. Adicionar 5mL de solução de oxalato de amônio a 5% (para
1. Pipetar 25,00 mL de solução-padrão de CaCO3 0,01M para remoção de íons Ca++ da solução na forma de oxalato de cálcio que
Erlenmeyer de 250 mL. é insolúvel).
2. Adicionar 40 mL de água destilada e 10 mL de KOH 10% 3. Filtrar a solução resultante e adicionar água destilada até
p/v. completar 25mL.
3. Colocar uma pitada do indicador murexida. 4. Acrescentar 1mL de solução tampão (NH4OH/NH4Cl) e 2
4. Titular com solução de EDTA aproximadamente 0,01M até gotas do indicador negro de eriocromo-T.
que a cor da solução passe de vermelha cereja para lilás. 5. Aferir uma bureta de 50mL com solução de EDTA.
5. Anotar o volume gasto (VL) de EDTA. 6. Titular a amostra de água dura e anotar o volume de solução
6. Determinar a concentração exata de EDTA. de EDTA gasto para a cor da solução mudar de vinho para azul.
7. Calcular a concentração de íons Mg++ de acordo com a
M(EDTA) x VL = V(CaCO3) x M(CaCO3) seguinte expressão:

b) Determinação da dureza total DMg++(mg CaCO3/L) = (VEDTA / 10 ) x 1000


Dca++ = DT - DMg++
1. Transferir 10 mL de água dura para um Erlenmeyer de 250
mL e posteriormente mais 40 mL de água destilada. d) Determinação da dureza temporária e da dureza permanente
2. Acrescentar 1 mL de solução tampão (NH4OH/NH4Cl) e 2
gotas do indicador negro de eriocromo-T. A amostra de água dura do laboratório apresenta uma
3. Aferir uma bureta de 50 mL com solução de EDTA 0,01M, alcalinidade devida exclusivamente à presença de bicarbonato
cuja concentração é dada pela seguinte relação: 1 mL EDTA = 1 mg (HCO3-). Sendo assim, se a solução for neutralizada, decompõe o
de CaCO3. HCO3- e indiretamente determina-se a dureza temporária.
4. Titular a amostra de água preparada com a solução de EDTA.
5. Anotar o volume de EDTA gasto para a cor mudar de vinho 1. Transferir 50mL de água dura para Erlenmeyer de 250mL.
para azul. 2. Adicionar 2 gotas de fenolftaleína.

144 Caio Lima Firme Química para Engenharia 145


3. Observar se a solução continua incolor. A cor rosa não deve Ou seja, quanto menor a energia de ativação maior a velocidade da
aparecer, pois se a alcalinidade deve-se unicamente à presença de reação.
bicarbonato (HCO3-), o pH estará numa faixa alcalina abaixo de 9, Uma reação pode ter várias etapas, ou seja, uma sequência de
que é o ponto onde a fenolftaleína muda de cor. reações que ocorrem para se chegar ao produto final. Neste caso, a
4. Adicionar 2 gotas de indicador alaranjado de metila. reação global não representa o mecanismo em que se processou a
5. Titular com solução de ácido sulfúrico (H2SO4) 0,1N e reação. Quando uma reação possui várias etapas, somente a etapa
anotar o volume gasto para a solução mudar a coloração de laranja lenta da reação é que determina a velocidade da reação porque ela é
para vermelho tijolo; a relação é 1mL H2SO4 p/ 1 mg CaCO3. que tem a maior barreira energética. Se o sistema reacional vence a
6. Calcular a dureza temporária (Dt) de acordo com a seguinte barreira energética da etapa lenta, as barreiras energéticas das etapas
expressão: rápidas são vencidas facilmente. A concentração dos reagentes nas
etapas rápidas da reação global não afetam a velocidade da reação
Dt (mg CaCO3/L) = (VH2SO4 / 50) x 1000 global, somente a concentração dos reagentes na etapa lenta é que
D P = DT - D t determinam a velocidade da reação global.
Para acelerar uma reação são usados catalisadores, que são
Negro de eriocromo: |MgInd|- + H2Y= |MgY|= + HInd= + H+ substâncias que participam das etapas de uma reação, mas não
(verm. vinho) (incolor) (inc.) (azul) participam da reação global. Os catalisadores não são consumidos
na reação total. Em uma determinada etapa, eles chegam a ser
consumidos, mas no final, eles são regenerados. Algumas reações só
Murexida: |CaH4Ind|+ CaH3Ind |CaH2Ind|- ocorrem se os catalisadores estiverem presentes.
(amar. alaranj) (violeta) (vermelho) Para que uma reação ocorra, é necessário que o meio reacional
(por exemplo, solvente) permita o movimento das espécies químicas,
conhecido como difusão. Quanto mais facilmente as espécies
5. Cinética química
químicas se difundirem, mais rapidamente a reação ocorre.
Também é necessária que a concentração das espécies químicas
Introdução
seja suficiente para haver a reação, de modo a possibilitar um número
suficiente de choques efetivos entre os reagentes. Além disso, é
Nas reações químicas, existem dois fatores importantes que
preciso que haja energia cinética suficiente para que as espécies se
devem ser analisados: controle cinético e controle termodinâmico.
choquem e quebrem suas ligações para formar novas ligações dos
O controle termodinâmico está relacionado à diferença de
produtos. Também é necessário que os fragmentos das moléculas
energia total entre reagentes e produtos. Se a energia total dos produtos
que contêm as ligações a se quebrarem entrem em contato pelo
for maior que aquela dos reagentes, a reação é endotérmica (o sistema
choque (efetivo) para promover a quebra de suas ligações. Assim,
reacional absorve energia). Se a energia total dos produtos é menor
não basta ter a energia cinética mínima para haver reação (veja tópico
que dos reagentes, a reação é exotérmica (o sistema reacional libera
‘Princípios de uma reação química: introdução à termodinâmica e
energia). Uma reação espontânea é aquela que ocorre naturalmente
cinética de uma reação’), o choque entre as moléculas dos reagentes
sem que seja necessário doar energia para ocorrer. Toda reação
deve ocorrer em uma posição favorável que permita a formação do
espontânea é exotérmica.
estado de transição.
O controle cinético está relacionado à velocidade da reação, e
esta última, por sua vez, está relacionada à energia de ativação (Eat).

146 Caio Lima Firme Química para Engenharia 147


Pelo princípio da microrreversibilidade, uma reação química 1. Agite vigorosamente o frasco durante 3 segundos. A solução
tem, geralmente, dois sentidos: primeiro, dos reagentes para os fica azul, mas volta a ficar incolor à medida que o líquido fica imóvel.
produtos e; segundo, dos produtos para os reagentes. Quando a Agite novamente e observe o mesmo fenômeno.
velocidade de um sentido é igual a do outro sentido, dizemos que a 2. Aqueça o frasco, mantendo-o imóvel. Observe que a cor
reação está em equilíbrio químico. A maioria das reações químicas azul não aparece.
tem um equilíbrio químico, pois se as moléculas dos reagentes se 3. Acople o frasco a uma bomba de vácuo ou trompa d’água.
chocam para formar os produtos, nada impede que as moléculas dos Sob vácuo, agite o frasco vigorosamente durante 3 segundos.
produtos se choquem para formar os reagentes novamente (princípio Observe que a coloração azul não aparece.
da microrreversibilidade). As reações que têm equilíbrio químico são
chamadas de reações reversíveis. Reações que não têm equilíbrio Quais conclusões podem ser tiradas a partir das observações
químico são chamadas de irreversíveis. As reações de combustão e experimentais acima? Quais reações e quais espécies (de forma
de corrosão são irreversíveis porque um dos produtos é perdido para geral) estão envolvidas nas reações?
o meio externo (sai do meio reacional) quando a reação se processa. ______________________________________________________
______________________________________________________
Materiais e reagentes ______________________________________________________
______________________________________________________
 Erlenmeyer 250mL ______________________________________________________
 Rolha
 Tripé gás(atm) gás (líq)
 Manta de aquecimento
 Bico de Bunsen gás (líq) + Y(liq) subst. azul
 Cronômetro
 Termômetro subst. azul + X(liq) subst. incolor
 Papel de pH universal
 Dextrose 4. Agite o frasco por 3, 6, 9 e 12 segundos. Anote o tempo que
 NaOH leva para a cor azul sumir do frasco para cada tempo de agitação, e
 Azul de metileno 1% em etanol anote na tabela abaixo:
 Água destilada
Tempo de agitação: 3s 6s 9s 12s
Procedimento experimental Duração do azul:
Tempo agitação / duração
Encha um frasco (Erlenmeyer) de (500mL) 250mL com
do azul (velocidade da
(250mL)125mL de água e adicione (5,0) 2,5 gramas de NaOH e
reação)
(5,0) 2,5 gramas de glicose (dextrose). Agite o frasco até a completa
dissolução dos mesmos. Adicionar (1,0) 0,5mL de uma solução 1%
de azul de metileno em etanol. Tampe o frasco com uma rolha. A
solução resultante torna-se incolor.

148 Caio Lima Firme Química para Engenharia 149


Observe que a intensidade da cor azul não aumenta com o tempo 9. Aqueça o frasco em banho Maria até 50oC. Observe que,
de agitação, mas a duração do azul aumenta proporcionalmente com com o frasco parado, nada ocorre. Agite por 3 segundos e anote o
o aumento do tempo de agitação. tempo que levou para descolorir.
Qual é a influência da temperatura na reação? Qual é a
Que conclusões podem ser tiradas com esta observação? influência do oxigênio na reação?
______________________________________________________ ______________________________________________________
______________________________________________________ ______________________________________________________
______________________________________________________ ______________________________________________________
______________________________________________________ ______________________________________________________
AzMe: azul de metileno
5. Aumente a concentração da glicose adicionando (1,0) 0,5 GlOH: glicose
grama e agite o frasco por 3 segundos. Anote o tempo que leva para
ficar azul. Veja que a concentração da glicose está relacionada com Etapas da reação:
a velocidade da reação. rápida
6. Aumente a concentração de hidróxido de sódio adicionando 1) O2(g) O2(aq)
(1,0) 0,5g e agite o frasco por 3 segundos. Anote o tempo que leva rápida
para ficar azul. Veja que a concentração do hidróxido de sódio está 2) O2(aq) + AzMe (incolor) AzMe (azul)
relacionada com a velocidade da reação.
7. Aumente a concentração de azul de metileno adicionando Obs.: O2 aumenta a [AzMe(azul)], mas não aumenta Vel reação)
(1,0) 0,5mL e agite o frasco por 3 segundos. Anote o tempo que leva rápida
para ficar azul. Veja que a concentração do azul de metileno está 3) GlOH + OH- GlO- + H2O
relacionada com a velocidade da reação. lenta
Quais são os fatores que determinam a velocidade da reação? 4) GlO- + AzMe (azul)
AzMe (incolor)
+ OH- + produtos
______________________________________________________ incolores
_____________________________________________________
______________________________________________________ Reação global:
OH- / AzMe
8. Meça o pH com o frasco parado usando um papel de pH O2 (g) + GlOH(aq) produtos incolores
universal. Agite o frasco por 3 e 6 segundos, e após a formação
da substância incolor em cada agitação meça o pH. Faça um teste Velocidade da reação:
branco com uma solução básica e neutra.
Se o NaOH for consumido na reação global, o pH deve se Vel = k [AzMe].[GlOH].[OH-]
alterar. O que foi observado? Que conclusão pode ser tirada a respeito
do papel do NaOH na reação? Qual é a única situação em que há aumento da intensidade do
______________________________________________________ azul? Por que a intensidade da cor azul não aumenta com o aumento
______________________________________________________ do tempo de agitação ou aumento da concentração de glicose ou
______________________________________________________ hidróxido de sódio?

150 Caio Lima Firme Química para Engenharia 151


6. Eletroquímica 4a convenção: como uma espécie química pode se oxidar
ou reduzir frente a outra espécie química, para padronizar, foi
Introdução estabelecido que o potencial de uma espécie indicaria o sentido da
sua redução.
Todo elemento químico tem um potencial elétrico medido em Uma pilha galvânica apresenta os seguintes componentes:
relação ao eletrodo de hidrogênio. E se elementos diferentes são a) ânodo: eletrodo em que há oxidação (corrosão) doando
postos em contato gera-se diferença de potencial. Uma corrente elétrons para o meio externo e liberando cátions (do metal) para a
elétrica surge a partir dos elétrons que saem de um elemento químico solução.
em direção ou outro. b) eletrólito: condutor (líquido ou ar atmosférico) contendo
O elemento químico com potencial mais negativo doará íons que transportam a corrente elétrica do ânodo para o cátodo;
elétrons para o elemento de potencial mais positivo. A diferença de c) cátodo: eletrodo em que há redução, ou seja, onde se recebe
potencial entre eles pode ser medida através de um voltímetro. os elétrons vindos do meio externo;
O elemento que doa elétrons se oxida (chamado ânodo) d) circuito metálico: ligação metálica entre o ânodo e o cátodo
e o elemento que recebe elétrons se reduz (chamado cátodo). Os por onde se movimenta corrente elétrica, no sentido ânodo-cátodo.
elementos que sofrem oxidação (perda de elétrons) e os que sofrem Para a reação ser espontânea, a diferença do potencial elétrico
redução (ganho de elétrons) variam seu Nox (número de oxidação). dos reagentes da reação deve ser positivo. (De0 > 0)
Em toda reação de oxirredução ocorre variação de Nox dos
elementos envolvidos, e esta variação de Nox gera corrente elétrica. Materiais e reagentes
Apesar de ser possível calcular teoricamente o potencial
químico de uma espécie, não podemos medi-lo experimentalmente,  Béquer 100mL
pois só é possível medir a diferença de potencial (ddp) entre duas  3 Béqueres 50mL
espécies químicas. Então, foi feita uma série de convenções:  Voltímetro
1a convenção: usar um eletrodo de referência padrão: eletrodo  Fonte de corrente contínua
de hidrogênio.  Soluções de Cu+2, Zn+2, Fe+2 e Al+3
2a convenção: estabelecer uma condição padrão: (I) temperatura  Fios de cobre
de 25 C; (II) o eletrodo da espécie química deve apresentar-se na
o
 Eletrodos de grafite
forma reduzida (metal) e na forma oxidada (sal com cátion do metal)  Ferro, cobre, alumínio e zinco metálicos
e a concentração do cátion do metal deve ser de 1M.  Solução aquosa de acetato de chumbo 1M
3a convenção: todo eletrodo que doar elétrons para o eletrodo  Solução aquosa de iodeto de potássio 1M
de hidrogênio receberá sinal negativo no seu potencial e todo eletrodo  Solução aquosa de cloreto de sódio 1M
(espécie química) que receber elétrons do hidrogênio receberá sinal  Solução NaCl 3% p/v
positivo no seu potencial.  Indicador fenolftaleína
 Solução aquosa de ferricianeto de potássio K3Fe(CN)6
Obs.: Lembre-se que um voltímetro só mede o valor da ddp.
Ele não indica o sentido da corrente.

152 Caio Lima Firme Química para Engenharia 153


Procedimento experimental Para que serve o NaCl?
Os potenciais do cobre e do zinco são iguais aos seus potenciais-
- Preparo da solução A: em um béquer de 100ml, colocar padrão? Por quê?
80ml de solução aquosa, a 3% de cloreto de sódio (NaCl), 0,5mL de A pilha da experiência é igual à pilha para medir o potencial
solução alcoólica a 1% de fenolftaleína e 1mL de solução aquosa de padrão? Quais são as diferenças?
ferricianeto de potássio {K3Fe(CN)6}.
a) Transferir 40mL da solução A para um béquer de 50mL (ou b) Transferir 40mL da solução A para um béquer de 50mL (ou
para um tubo em U) e mergulhar dois eletrodos metálicos, sendo um para um tubo em U) e mergulhar dois eletrodos metálicos, sendo um
de zinco (Zn) e outro de cobre (Cu), ligando-os por meio de um fio de zinco (Zn) e outro de cobre (Cu), ligando-os, respectivamente,
de cobre. Aguardar alguns minutos e observar o aparecimento de ao pólo negativo e pólo positivo de uma fonte de alimentação de
coloração róseo-avermelhada em torno do eletrodo de cobre e de um corrente contínua. Observar a formação de grande quantidade de
resíduo esbranquiçado em torno do eletrodo de zinco. resíduo castanho-alaranjado em torno do ânodo de cobre e coloração
Indique onde é o catado e o ânodo. Explique porque houve rosa em torno do zinco, assim que se liga a fonte de alimentação.
aparecimento da cor azul e da cor rosa.
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________

Qual eletrodo tem potencial mais negativo?


Qual eletrodo doará elétrons?
O zinco irá se oxidar ou reduzir? E o cobre?
Qual é a cor da solução alcoólica a 1% de fenolftaleína antes
da reação?
Qual é a cor da solução aquosa de ferrocianeto de potássio
antes da reação? Sentido da corrente (Zn Cu) Sentido da corrente (Cu Zn)
Indique onde é o catado e o ânodo. Escreva as semirreações
Reações envolvidas no cátodo: Reações envolvidas no ânodo: que estão ocorrendo em cada uma deles (ânodo e cátodo). Explique
porque houve aparecimento da cor azul e da cor rosa.
H2O + 1/2 O2 + 2e- 2OH- Zn Zn+2 +2e- ______________________________________________________
2H2O + 2e -
H2 + 2OH- ______________________________________________________
HInd Ind- + H+ ______________________________________________________
______________________________________________________
Ao iniciar a reação eletroquímica, o pH da solução muda? ______________________________________________________
A coloração do indicador mudou após a reação eletroquímica?
A coloração da solução aquosa de ferrocianeto de potássio Qual eletrodo doará elétrons?
mudou após a reação eletroquímica? O zinco irá se oxidar ou reduzir? E o cobre?

154 Caio Lima Firme Química para Engenharia 155


Qual é a cor da solução aquosa de ferrocianeto de potássio Quais são as reações que ocorrem? (não balanceadas
após a reação? estequiometricamente):
Para que serve a solução aquosa de ferrocianeto de potássio?
Por que o sentido da corrente neste caso foi o inverso da do (1) Al + Fe+2 Al+3 + Fe ou Fe + Al+3 Fe+2 + Al
caso anterior? (2) Zn + Fe+2 Zn+2 + Fe ou Fe + Zn+2 Fe+2 + Zn
(3) Al + Cu+2 Al+3 + Cu ou Cu + Al+3 Cu+2 + Al
c) Em uma placa de vidro colocar (4) Zn + Cu+2 Zn+2 + Cu ou Cu + Zn+2 Cu+2 + Zn
- tiras de papel embebidas em soluções de alumínio, ferro, (5) Al + Zn+2 Al+3 + Zn ou Zn + Al+3 Zn+2 + Al
zinco e cobre (6) Fe + Cu+2 Fe+2+ Cu ou Cu + Fe+2 Cu+2 + Fe
- sobre cada tira colocar o metal correspondente ao da solução
- tira de papel embebida em cloreto de sódio 4N atravessada Diferença de potencial padrão (De0) de cada reação:
nas outras tiras.
(1) De0 (Al /Fe) =-0,44-(-1,66) = 1,22 V
Medir a tensão sobre cada par de placa metálica e anotar esses (2) De0 (Zn/Fe) = -0,44 -(-0,76) = 0,32 V
valores. (3) De0 (Al/Cu) =0,34-(-1,66) = 2,00 V
(4) De0 (Zn/Cu) = 0,34 - (-0,76) = 1,10 V
(5) De0 (Al/Zn) = - 0,76 -(-1,66) = 0,90 V
(6) De0 (Cu/Fe) = 0,34 - (-0,44) = 0,78 V

Justifique a escolha de cada reação como a que irá ocorrer.

Qual é a função da tira de papel embebida em cloreto de sódio


4M? (tente medir as ddps entre os eletrodos sem a tira de NaCl)

Dê a concentração de cada solução usada:


Para a reação redox ocorrer: De0>0
Em que: De0(reação) = e0(reduz) - e0(oxida)
Solução Concentração
Voltagem (V)
Fe Zn Cu Al
Fe X X X X
Zn X X X
Cu X X
Al X

156 Caio Lima Firme Química para Engenharia 157


Os valores medidos de De para cada reação foram diferentes
dos respectivos De0? Por quê? 7. Pilhas galvânicas de corrosão e pilhas eletrolíticas
______________________________________________________
_____________________________________________________ Introdução
______________________________________________________
As pilhas eletroquímicas são dispositivos que permitem a
d) Transferir 20mL da solução de acetato de chumbo 1M para transformação de energia química, liberada pelas reações redox que
um béquer de 50mL (chamado béquer 1). Transferir 20mL da solução ocorrem nos eletrodos, em energia elétrica; ou de energia elétrica,
de iodeto de potássio 1M para outro béquer de 50mL (chamado fornecida por fonte de corrente elétrica, em energia química,
béquer 2). Transferir 20mL da solução de cloreto de sódio 1M provocando reações redox nos eletrodos.
para outro béquer de 50mL (chamado béquer3). Adicionar 2 gotas No primeiro caso, tem-se um processo espontâneo (pilha
de fenolftaleína em cada béquer. Conectar uma fonte de corrente galvânica) e, no segundo, há necessidade de uma fonte externa
contínua a dois eletrodos de grafite e imergir os eletrodos a cada um de energia, no caso, elétrica, caracterizando um processo não-
dos béqueres. Anotar o que acontece em cada solução. espontâneo (pilha eletrolítica).
Apesar de ser possível calcular teoricamente o potencial
Béquer 1:_________________________________________ químico de uma espécie, não podemos medi-lo experimentalmente,
______________________________________________________ pois só é possível medir a diferença de potencial (ddp) entre duas
Béquer 2:_________________________________________ espécies químicas. Então, a partir de uma série de convenções,
______________________________________________________ chega-se aos potenciais-padrão de redução.
Béquer 3:_________________________________________ Contudo, quando se tem um eletrodo contendo apenas o metal,
______________________________________________________ o potencial de redução geralmente é bem diferente do potencial
de redução padrão. Esta é a situação da corrosão de um metal. Na
corrosão, o metal se oxida liberando cátions para o meio externo,
em quantidade irrisória. O potencial deste metal, nesta situação, é
chamado de potencial de corrosão. O potencial de corrosão também
varia de acordo com o meio corrosivo (mais aerado, menos aerado,
umidade, temperatura etc.). Para medir o potencial de corrosão, é
feito um ensaio em laboratório, repetindo as condições em que se
encontra o metal, e medindo seu potencial em relação a um eletrodo
de referência.
Para haver uma corrosão deve haver um diferença de
potencial entre dois eletrodos. Uma reação de corrosão é uma reação
de oxirredução que é caracterizada como uma pilha galvânica
(espontânea) de corrosão.
Retirando-se um dos componentes da pilha galvânica, destrói-
se a pilha. Evidentemente, pode-se retirar o cátodo, a ligação
metálica ou o eletrólito. O ânodo, sendo a própria estrutura metálica

158 Caio Lima Firme Química para Engenharia 159


que se deseja proteger, não pode ser retirado, então se aplica nele um dependendo da diferença de potencial e da quantidade de oxigênio
sistema de proteção (ânodo de sacrifício). dissolvido.
No caso dos metais ferro e cobre, para evidenciar que os mesmos
estão sofrendo corrosão, é usado um composto chamado ferrocianeto Possíveis formas de redução da água:
de potássio [K3Fe(CN)6]. O ferrocianeto de potássio reage com o cátion
Fe+2 formando ferrocianeto de ferro [Fe3[Fe(CN)6]2]. O ferrocianeto H2O + 1/2 O2 + 2e- 2OH-
de potássio reage com o cátion Cu+2 formando [Cu3[Fe(CN)6]2]. O ou
ferrocianeto de potássio tem cor amarelo-alaranjado. O ferrocianeto 2H2O + 2e- H2 + 2OH-
de ferro tem cor azul. E o ferrocianeto de cobre tem cor castanho-
alaranjado. Em ambas as formas ocorrem a liberação de íons hidroxila
(OH ), fazendo com que o pH da água aumente. Se colocarmos um
-

2 K3Fe(CN)6 + 3Fe+2 Fe3[Fe(CN)6]2 + 6K+ indicador ácido-base é possível observar em que região na pilha de
(amar.-laranja) (azul) corrosão ocorre a redução. O indicador usado é a fenolftaleína, cujo
2 K3Fe(CN)6 + 3Cu+2 Cu3[Fe(CN)6]2 + 6K+ pH de viragem é em torno de 9,0. Abaixo de pH 9,0 a fenolftaleína
(amar.-laranja) (castanho-laranja) é incolor e acima de pH 9,0 a fenolftaleína é rosa. Então, a região
que apresentar a cor rosa é a região onde está havendo a redução
Então, o ferrocianeto de potássio é um indicador da corrosão (cátodo).
do ferro metálico e do cobre metálico. Se o ferro metálico é colocado
na solução alaranjada de ferrocianeto de potássio e esta solução Materiais e reagentes
começa a ficar azul, indica que o ferro está sofrendo corrosão. Se o
cobre metálico é colocado na solução alaranjada de ferrocianeto de  Béquer 200mL
potássio e esta solução começa a ficar castanho-alaranjada, indica  4 Béqueres 50 mL
que o cobre está sofrendo corrosão.  Fonte de corrente contínua
Um metal nunca pode ser reduzido. Ele, por si só, já está na  Fios de cobre
forma mais reduzida (Nox=0). No caso da nossa experiência com  Ferro, cobre e zinco metálicos
pilhas galvânicas de corrosão, colocamos dois metais diferentes
 Solução NaCl 3% p/v
em contato por um fio condutor e imersos numa solução contendo
 Indicador fenolftaleína
o eletrólito (NaCl). Haverá uma reação química, indicando que
 Solução aquosa de ferricianeto de potássio K3Fe(CN)6
há diferença de potencial entre os metais. Um dos metais sofrerá
oxidação (ânodo) doando elétrons para o outro metal e doando seus
cátions para a solução. Mas como o outro metal não pode se reduzir,
Procedimento experimental
ele doa estes elétrons para a solução. A solução, contendo água e NaCl,
receberá estes elétrons. Várias são as possibilidades de redução: do a) Pilhas de eletrodos metálicos diferentes
cátion Na+, do íon hidrogênio H+ ou do oxigênio dissolvido na água
(O2 (aq)). O cátion Na+ seria o último a sofrer redução porque ele tem É o tipo de pilha galvânica de corrosão que ocorre quando dois
um potencial de redução padrão muito negativo (maior tendência metais diferentes estão em contato e imersos num mesmo eletrólito.
em doar do que receber). A água pode se reduzir de várias formas, - Preparo da solução A: em um béquer de 200 ml colocar 160
ml de solução aquosa a 3% de cloreto de sódio (NaCl), 1 mL de

160 Caio Lima Firme Química para Engenharia 161


solução alcoólica a 1% de fenolftaleína e 2mL de solução aquosa de eo Zn2+/Zn = - 0,763 V
ferricianeto de potássio {K3Fe(CN)6}. eo Fe2+/Fe = - 0,44 V
- Transferir 40mL da solução A para um béquer de 50mL (ou eo Cu2+/Cu = + 0,34 V
para um tubo em U) e mergulhar dois eletrodos metálicos, sendo um
de cobre (Cu) e outro de ferro (Fe), ligando-os por meio de um fio - Transferir 40mL da solução A para um béquer de 50mL (ou
de cobre. Aguardar alguns minutos e observar o aparecimento de para um tubo em U) e mergulhar dois eletrodos metálicos, sendo um
coloração róseo-avermelhada em torno do eletrodo de cobre e de um de cobre (Cu) e outro de ferro (Fe), ligando-os, respectivamente,
depósito azul em torno do eletrodo de ferro. ao pólo negativo e pólo positivo de uma fonte de alimentação de
corrente contínua. Observar, logo que se liga a fonte de alimentação,
Indique onde é o catado e o ânodo. Escreva as semirreações a formação de grande quantidade de resíduo azul em torno do ânodo
que estão ocorrendo em cada uma deles (ânodo e cátodo). Explique de ferro e forte coloração róseo-avermelhada em torno de cátodo do
porque houve aparecimento da cor azul e da cor rosa. cobre.
- Seguir o mesmo procedimento da experiência anterior, porém
______________________________________________________ ligue o cobre ao polo positivo e o ferro ao polo negativo da fonte
_____________________________________________________ de alimentação. Observe que, neste caso, há formação de resíduo
______________________________________________________ ligeiramente castanho-alaranjado em torno do eletrodo de cobre e
______________________________________________________ coloração róseo-avermelhada em torno do ferro.
______________________________________________________
______________________________________________________ Explique os fenômenos observados, baseados nas
representações abaixo:

- Transferir 40mL da solução A para um béquer de 50mL (ou


para um tubo em U) e mergulhar dois eletrodos metálicos, sendo um
de zinco (Zn) e outro de ferro (Fe), ligando-os por meio de um fio
de cobre ou outro condutor. Aguardar alguns minutos e observar o
aparecimento de coloração róseo-avermelhada em torno do eletrodo
de ferro e de um resíduo esbranquiçado em torno do eletrodo de
zinco.
Indique onde é o catado e o ânodo. Escreva as semirreações
que estão ocorrendo em cada um deles (ânodo e cátodo). Explique
porque houve aparecimento da cor esbranquiçada e da cor rosa.
______________________________________________________
______________________________________________________
_____________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________

162 Caio Lima Firme Química para Engenharia 163


8. Corrosão O produto da corrosão pode ser Fe3O4 (preto) quando o meio
não é aerado e Fe2O3 (laranja) quando o meio é aerado.
Introdução Os processos corrosivos são dependentes do tipo de atmosfera,
ou seja, do ambiente corrosivo. Uma atmosfera industrial geralmente
A corrosão é a deterioração de um material metálico por ação é muito agressiva, pois o gás SO2 costuma estar presente e ele acelera
eletroquímica ou química do meio ambiente. Esta deterioração o processo corrosivo:
representa alterações indesejáveis sofridas pelo material como
variações químicas e/ou modificações estruturais. A corrosão é Fe + SO2 + O2 FeSO4
um processo espontâneo constantemente transformando materiais 2FeSO4 + 1/2O2 + 5H2O 2Fe(OH)3 + 2H2SO4
metálicos de modo que sua durabilidade e desempenho deixam de 2Fe + 2H2SO4 + O2 2FeSO4 + 2H2O
satisfazer os fins a que se destinam.
A umidade é altamente relevante no processo corrosivo, pois Pilha de aeração diferencial é a pilha constituída de materiais
se sabe que em atmosfera de baixa umidade o Fe não sofre corrosão. metálicos da mesma natureza, em contato com um mesmo eletrólito e
Mas em umidade acima de 70%, a corrosão é acelerada. de concentração uniforme, mas apresentando regiões com diferentes
Outro fator importante na corrosão é aquela que ocorre em teores de gases dissolvidos. Como ocorre com mais frequência em
atmosfera marinha, onde há uma névoa salina contendo NaCl e regiões diferentemente aeradas, é conhecida como o nome de pilha
MgCl2. Estes sais formam um filme de eletrólito (ponte salina) que de aeração diferencial ou de oxigenação diferencial.
aumenta o processo corrosivo em 5 vezes mais do que aquele em Observa-se experimentalmente que o zinco de alta pureza
atmosfera rural. resiste mais à ação de ácido sulfúrico ou clorídrico diluído que o
A corrosão envolve reações químicas em que há transferência zinco comercial. Aparentemente, o ataque é feito uniformemente
de elétron, através de uma interface ou eletrólito (sais), saindo de sobre toda a superfície do zinco comercial, mas se observado em um
uma região (metal atacado) e indo para outra região. A corrosão é microscópio, verifica-se que o desprendimento do hidrogênio gasoso
considerada uma pilha de corrosão. Na corrosão, o potencial do ocorre somente em determinados pontos da superfície do zinco. As
metal oxidado por corrosão é chamado de potencial de corrosão. O impurezas (ferro, carbono, cobre) normalmente presentes no zinco
potencial de corrosão varia de acordo com o meio corrosivo (mais funcionam como microcátodos, agindo o zinco como ânodo.
aerado, menos aerado, umidade, temperatura etc.). Para medir o Quando os ânodos e os cátodos estão em contato direto, em
potencial de corrosão, é feito um ensaio em laboratório, repetindo as presença de um eletrólito, forma-se a pilha de ação local, sendo
condições em que se encontra o metal, e medindo seu potencial em também característica desse tipo de pilha a existência de um número
relação a um eletrodo de referência. muito grande de pilhas locais.
No ânodo ocorre a oxidação do Fe para Fe+2 e no cátodo podem
ocorrer vários tipos de redução dependendo do meio. As reações no Materiais e reagentes
cátodo são:
 Béquer 100mL e 50mL
1) Meio básico / neutro, não aerado: 2H2O(aq) + 2e H2 (g) + 2OH (aq)
-  Placa petri
2) Meio básico / neutro, aerado: H2O(aq) + 1/2O2 (g)+ 2e 2OH-(aq)  Lâmpada de 1,5V
3) Meio ácido, não aerado: 2H+(aq) + 2e H2 (g)  H2SO4 3M e 0,2M
4) Meio ácido, aerado: 1/2O2 (g) + 2H+(aq) + 2e H2O(aq)  HCl diluído

164 Caio Lima Firme Química para Engenharia 165


 HNO3 diluído b) Corrosão do alumínio
 Fios de cobre e fios magnésio
 Placa de ferro e pedaços de zinco Em dois tubos de ensaio, colocar uma placa de alumínio e a
 Nitrato de mercúrio cada uma delas adicionar:
 Solução NaCl 3% p/v 1- Solução de HCl (diluída)
 Indicador fenolftaleína 2- Solução de HNO3 (diluída)
 Solução aquosa de ferricianeto de potássio K3Fe(CN)6 Observar que ocorre a corrosão do metal, ou seja, o alumínio
é oxidado pelo hidrogênio. A placa de alumínio (Al0) oxida-se para
Procedimento experimental Al+3 (íon na solução) e o hidrogênio do ácido (H+) se reduz-se para
H2 (gasoso).
a) Ânodo de sacrifício na corrosão

Tem-se uma lâmpada de 1,5 V onde foram soldados a ela dois


fios de cobre, sendo um fio de cobre enrolado com fio de magnésio.
Estes dois fios têm suas extremidades espiraladas. Coloque em
um béquer 20 ml de H2SO4 3M. Em seguida, mergulhe os fios da
lâmpada nesta solução evitando que elas se toquem.
O que ocorre? Explique o porquê. O que acontece com o fio de
Mg? Qual é a reação?

e0 (Mg+2/Mg) = -2,37 V
3HCl + Al à AlCl3 + 3/2H2
e0 (Cu+2 / Cu) = +0,34 V
3HNO3 + Al à Al(NO3)3 + 3/2H2

Escrever as semirreações que ocorrem em cada tubo.


______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________

- Depois limpar uma placa de alumínio com lixa e em seguida


lavar e enxugá-la com papel de filtro. A seguir adicionar 1 gota de
nitrato de mercúrio sobre a placa e minutos depois remover o nitrato
e secar a placa com papel de filtro. Deixar a placa exposta ao ar.
- Observar a formação crescente do óxido de alumínio sobre a
área onde foi aplicada a gota de nitrato.

166 Caio Lima Firme Química para Engenharia 167


Comentar os fenômenos observados.
______________________________________________________
_____________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________
______________________________________________________

c) Pilha de aeração diferencial

- Preparo da solução A: em um béquer de 50 ml colocar 20


ml de solução aquosa a 3% de cloreto de sódio (NaCl), 5 gotas de
solução alcoólica a 1% de fenolftaleína e 10 gotas de solução aquosa
de ferricianeto de potássio {K3Fe(CN)6}.
Parte 3
- Colocar em uma placa de ferro, limpa, 3-4 gotas da solução
A. Esperar alguns minutos e observar que no centro da gota
desenvolverá cor azul e nas bordas cor róseo-avermelhada.

Explique o fenômeno observado.


______________________________________________________
_____________________________________________________
______________________________________________________

d) Pilha de ação local Processos da Indústria


Química
- Em um béquer de 100mL, adicionar cerca de 30mL de
solução 0,1N de ácido sulfúrico (H2SO4). Mergulhar nesta solução
um pedaço de zinco pró-análise (PA). Observar o ocorrido. Colocar
um pedaço de fio de cobre em contato com o zinco e observar o
ocorrido. Explique os fenômenos observados.

e) Proteção por ânodos de sacrifício

Colocar em uma placa de petri uma quantidade da solução


A suficiente para submergir um prego envolto com uma fita de
magnésio (Mg). Observe o fenômeno e explique-o.

168 Caio Lima Firme


1. Tratamento de água doméstica

A água é absolutamente fundamental para a vida. Suas


características químicas e físicas, como a baixa viscosidade e alta
polaridade, a tornam o solvente mais importante entre todos os
outros.
Os maiores usos da água doce são para uso doméstico,
industrial e para agricultura. A maior parte da água usada nas casas
e nas indústrias é para lavar e retirar materiais indesejáveis. Em todo
o mundo, o maior uso da água é para irrigação, representando cerca
de 69% do total. Em seguida vem a água usada para indústria (23%)
e por último, água para consumo doméstico (8%).
Normalmente,a água dos mar tem aplicação restrita, tais como
refrigeração e congelamento de pescado, refrigeração em centrais
termonucleares e para processos de dessalinização para consumo
diverso devido ao seu alto grau de salinidade.
A presença de sais solúveis nas águas dos rios é muito inferior
que nas águas do mar e, em geral, apenas um pouco menor que nas
águas subterrâneas ou de lagos. Cloretos ou sulfatos de sódio, de
potássio, de cálcio e de magnésio estão sempre presentes.
As águas dos rios estão sujeitas a contaminações por detritos
vegetais, animais, humanos e resíduos industriais. As contaminações
por micro-organismos são frequentes, principalmente nas
proximidades dos grandes centros. Normalmente, as águas dos rios
apresentam problemas de cor, odor e sabor, exceto quando se trata de
ribeirinhos que correm por regiões pouco habitadas e principalmente
os de regiões montanhosas.
Todas as fontes de água possuem sais inorgânicos dissolvidos
em maior ou menor concentração, dependendo da sua origem e do
tipo de solo associado a elas. Os principais sais inorgânicos presentes
como contaminantes naturais das águas são os sais de cloretos,
bicarbonatos, sulfatos e nitratos de sódio, cálcio e magnésio. Embora
menos comuns, outros contaminantes, como a sílica e os sais de ferro
e manganês, também podem estar presentes.
Quase todas as águas possuem alcalinidade sob a forma de
bicarbonatos de cálcio [Ca(HCO3)2], magnésio [Mg(HCO3)2], sódio
(NaHCO3) e potássio (KHCO3) e também por causa de sulfatos de

Química para Engenharia 171


cálcio (CaSO4), magnésio (MgSO4), sódio (Na2SO4) e potássio da água. Ele tem importante papel no processo de purificação da
(K2SO4) porque eles são sais de ácidos fracos e ao sofrerem hidrólise água. O agente coagulante mais empregado é o sulfato de alumínio.
aumentam o pH da água. [Al2(SO4)3]. O sulfato de alumínio é um sal de uma base fraca, e
Água dura são todas as águas que contêm presença de sais de portanto, o seu cátion sofre hidrólise formando íons hidrônios na
cálcio e magnésio. A dureza pode ser temporária, quando os sais de água, levando a diminuição do pH:
cálcio e magnésio se apresentam sob a forma de bicarbonatos, ou
permanente, quando os sais de cálcio e magnésio estão sob a forma Al+3 + H2O Al(OH)3 + H3O+
de nitratos, cloretos ou sulfatos.
Portanto, a água in natura nunca é pura, mesmo quando ela Adiciona-se Ca(OH)2 para aumentar o pH e aumentar a
é proveniente de uma precipitação pluviométrica, porque contém concentração de Al(OH)3. É o hidróxido de alumínio o responsável
sólidos e gases dissolvidos. A água pode ser ácida (por causa do por formar os flóculos.
CO2 e ácidos orgân icos dissolvidos na água), ter gases dissolvidos Os ensaios do teste de Jarro são feitos para determinar o pH
(SO2, por exemplo), ser turva (por causa dos materiais sólidos em ótimo de floculação e quantidade necessária e suficiente de agente
suspensão na água), ser alcalina (devido a presença de carbonatos, coagulante para o tratamento de água. Esses ensaios reproduzem,
silicatos e fosfatos na água); ser ‘dura’ (por causa da quantidade em escala de laboratório, as operações de adição dos coagulantes,
de bicarbonatos, sulfatos, nitratos e cloretos de cálcio e magnésio floculação, decantação, determinação do pH ótimo de floculação,
presentes na água), e ter odor e sabor (devido à presença de materiais dosagem econômica, velocidade de agitação, extensão de floculação,
orgânicos em decomposição na água). período de retenção na decantação etc., que serão transmitidos à
A primeira etapa do tratamento da água é a remoção de material estação de tratamento, a fim de se obter uma água, dentro dos padrões
grosseiro. Ela é feita a partir de grades ou peneiras, que podem ser desejados para o consumo.
fixas ou flutuantes, localizadas junto ao sítio de captação da água de Feita a adição do floculante a água deve passar por uma região
modo a evitar a entrada desses materiais nos tanques de floculação. de agitação com um grau de turbilhonamento relativamente elevado,
Em seguida, a água é conduzida em fluxo ascendente a uma para que haja a formação dos flocos. A seguir, é conduzida a um
série de decantadores de remoção de material inorgânico grosseiro. tanque em que é submetida a uma leve agitação apenas para permitir
Eles são construídos em alvenaria e constituem-se em uma seção o contato entre os flocos e, assim proporcionar condições adequadas
alargada do duto de captação onde a velocidade de escoamento da ao seu crescimento e facilitar a operação seguinte de decantação.
água é reduzida a valores suficientemente baixos para permitir a Após o processo de floculação, a água é deixada em relativo
sedimentação do material inorgânico grosseiro. repouso para que ocorra a decantação dos flóculos formados. Os
Depois, material sólido finamente dividido e em suspensão flóculos formados, ao se decantarem, arrastam uma parte substancial
é separado por um processo envolvendo floculação, decantação e dos microorganismos presentes, assim como das matérias orgânicas
filtração. solúveis.
O processo de floculação consiste em adicionar à água um O processo de filtração remove os flocos menores e que não se
agente floculante, normalmente o sulfato de alumínio, sulfato ferroso decantaram. Usualmente são usados filtros de areia construídos em
ou o aluminato de sódio. Os polieletrólitos são também empregados um suporte perfurado, sobre o qual se coloca uma camada de seixos,
como agentes floculantes. que, por sua vez, recebe uma camada de areia grossa e, a seguir,
O agente coagulante ou floculante é uma molécula capaz de uma camada de areia fina. Com o tempo, os poros das camadas de
aglomerar sólidos em suspensão para que possam ser depois separados areia são obstruídos e a operação de filtração é interrompida para a

172 Caio Lima Firme Química para Engenharia 173


lavagem dos filtros de areia. Esta operação é feita injetando-se ar na 2. Tratamento de água industrial
parte inferior do filtro, em contra corrente ao fluxo de filtração, para
que os flóculos retidos sejam liberados, seguido de injeção de água Qualquer unidade fabril necessita dispor de fornecimento
de lavagem na parte inferior do filtro, também em contra corrente ao adequado de água e de condições satisfatórias para dispor de seus
fluxo de filtração. rejeitos. Estes dois itens são tão importantes que qualquer falha em um
Após a filtração a água deve ter seu pH corrigido para ou em outro poderá levar uma indústria a paralisar suas atividades. A
aproximadamente 7, usando hidróxido de cálcio. água é normalmente requerida na indústria para: consumo humano;
Os processos de floculação, decantação e filtração reduzem limpeza em geral; processamento; aquecimento; resfriamento;
significativamente a carga microbiana da água tratada. Contudo, esterilização; acondicionamento de ambientes; geração de vapor;
deve ser feita adição de cloro para melhorar ainda mais o padrão geração de energia; etc.
microbiológico da água que deixa a unidade de filtração. As águas utilizadas na indústria podem ser classificadas em:
O processo de esterilização da água mais empregado é a adição água de uso geral; água de processo; água de resfriamento; e água de
de cloro na água. O cloro pode ser usado sob a forma de cloro líquido geração de vapor.
(Cl2), hipoclorito de sódio (NaClO) e dióxido de cloro (ClO2). A água de uso geral é empregada para a limpeza de
Para tratamento de grandes volumes de água, a forma mais equipamentos, limpeza de pisos e paredes, combate ao incêndio, etc.
econômica é o cloro líquido, porque o Cl2 é muito barato. Em contato A água para este tipo de aplicação deve ser: potável; clara; sem odor;
com a água, o cloro reage produzindo ácido hipocloroso, que é, na sem gosto; livre de íons ou substâncias tóxicas e microbiologicamente
verdade, a forma ativa responsável pela esterilização da água: aceitável.
A água de processo é destinada à produção de produtos
Cl2 + H2O HClO + HCl alimentícios e de cosméticos como de sucos, refrigerantes, sorvetes,
desinfetantes, sabão, detergentes, xampus, cremes, emulsões etc. A
Por sua vez, o ácido hipocloroso reage com a amônia e os água para este tipo de aplicação deve ser: potável; clara; sem odor;
compostos orgânicos nitrogenados produzindo cloraminas: sem gosto; livre de íons ou substâncias tóxicas e microbiologicamente
aceitável. No caso da indústria de refrigerante, por exemplo, a água
HClO + NH3 NH2Cl + H2O deve ter baixa dureza e deve ser isenta de cloro.
A água de resfriamento requer uma água de menor nível de
HClO + RNH2 RNHCl + H2O pureza que aquela empregada para a água de processamento. A água
de resfriamento não precisa ser potável e tratamentos para eliminação
As cloraminas, embora menos ativas que o ácido hipocloroso, de gosto, cor íons ou substâncias tóxicas e odor não precisam ser
são também bactericidas poderosas, com a vantagem de serem mais efetuados. Contudo, a água de resfriamento deve ter mínimo grau
estáveis e serem, portanto, capazes de proporcionar um tempo de de dureza porque a elevada concentração de íons cálcio e magnésio
proteção mais longo. (dureza) aumentam a possibilidade de incrustação das paredes dos
trocadores de calor, prejudicando o processo de transferência de calor
e gerando condições de riscos de explosão por superaquecimento.
A água de caldeira é usada para geração de vapor, não
necessitando ter baixo nível de microrganismos, ser incolor, não
ter gosto e ser ausente de íons tóxicos. Entretanto, a eliminação de

174 Caio Lima Firme Química para Engenharia 175


sólidos dissolvidos relacionados à dureza da água, a remoção dos
gases dissolvidos, principalmente o oxigênio, e a correção do pH são
sempre necessárias.
Para fins industriais, a escolha da fonte de suprimento de água
deve ser feita, sempre que possível, com base em uma análise de
custo e benefício, mais do que em uma análise econômica simples.
A maioria das indústrias, localizadas nas proximidades dos
grandes centros urbanos, lança mão dos sistemas municipais de
abastecimento para suprir suas necessidades de águas. Em geral,
as águas supridas pelo sistema municipal de abastecimento já
receberam os tratamentos de clarificação, filtração e esterilização.
São sempre águas potáveis e adequadas para a maioria das aplicações
Como a maioria das águas destinadas a indústria necessitam de
industriais. Entretanto, algumas aplicações requerem tratamentos
tratamento para redução ou eliminação da sua dureza, isto pode ser
especializados para remover contaminantes que são prejudiciais ao
feito por um dos três processos disponíveis: precipitação; tratamento
processo. Nesses casos, a indústria deve ter o seu próprio sistema de
com zeólitas; ou tratamento com resinas trocadoras de íons.
tratamento secundário da água. Em condições como esta, pode ser
Os bicarbonatos de cálcio e magnésio, que são responsáveis
economicamente vantajoso a indústria tratar toda sua água.
pela dureza temporária da água, podem ser precipitados sob a
As primeiras etapas do tratamento da água industrial são
forma de carbonatos mediante tratamento com um álcali (hidróxido
semelhantes àquelas do tratamento da água doméstica.
de cálcio, carbonato de sódio ou hidróxido de sódio). Os cloretos,
Para reduzir o nivel de sais solúveis, a água passa por um
nitratos e sulfatos de cálcio e magnésio, responsável pela dureza
tratamento com resinas trocadoras de íons. A troca iônica é uma
permanente, só podem ser removidos por precipitação quando
reação química em que os íons hidratados móveis de um sólido são
tratados com carbonato de sódio.
trocados pelos íons de mesma carga numa solução.
O processo de precipitação deve ser acompanhado de
As resinas catiônicas podem ser classificadas em fortemente
floculação, decantação e filtração, para facilitar a remoção dos
ácidas e fracamente ácidas.
precipitados.
As resinas fortemente ácidas têm pequena afinidade pelo íon
O ferro e o manganês, quando presentes, quase sempre se
H+, uma vez que estas resinas contêm os grupos sulfônicos (HSO3)
apresentam sob a forma de bicarbonatos. O ferro e o manganês
que são facilmente ionizáveis.
podem ser removidos por: aeração seguida de decantação e filtração
A reação que ocorre na resina trocadora de íons, considerando
(oxidação do carbonato de ferro, formando óxidos insolúveis);
apenas a alcalinidade devido a presença de bicarbonato de cálcio, é:
tratamento com resinas trocadoras de íons; oxidação com Cl2.(em
que o cloro oxida o ferro e o manganês, formando óxidos insolúveis).
2HR + Ca(HCO3)2 CaR2 + 2H2CO3, onde R é a resina Os gases mais comumente encontrados nas águas naturais são
o nitrogênio, oxigênio, gás carbônico e ácido sulfídrico. O oxigênio
dissolvido na água pode ocasionar corrosão nas tubulações e em
trocadores de calor. O gás carbônico dissolvido na água pode dar
origem a processos de corrosão nas tubulações e trocadores de calor.
O H2S, além de ser muito corrosivo, proporciona desagradável odor

176 Caio Lima Firme Química para Engenharia 177


e sabor na água. O nitrogênio é o menos nocivo de todos, por ser Estes óxidos devem estar presentes em proporções adequadas
relativamente inerte. Entretanto, quando a água se destina à geração e isentos de quantidades apreciáveis de contaminantes no cimento de
de vapor, o N2, o O2 e o CO2 dão origem a gases não condensáveis modo a não afetar as características do cimento.
que podem diminuir a eficiência dos trocadores de calor. Os contaminantes mais prejudiciais são os óxidos K2O e Na2O.
O CO2, o N2 e o O2 podem ser removidos por aquecimento. Estes óxidos causam:
A água é aquecida por vapor direto até a ebulição e esses gases são
arrastados pelo vapor e eliminados como gases incondensáveis. Para (1) formação de anéis (incrustações) de K2O e Na2O ou K2SO4
água de aquecimento ou água de geração de vapor, o O2 remanescente e Na2SO4,, provenientes da reação entre K2O e Na2O, com o SO3
pode ser eliminado com sulfito de sódio ou hidrazina. oriundo da decomposição térmica do gesso;

3. Cimento CaSO4 CaO + SO3 (decomposição térmica do gesso).


SO3 + K2O K2SO4
O cimento Portland tem origem nas rochas da ilha de SO3 + Na2O Na2SO4
Portland, de natureza vulcânica, cujo minério moído é um excelente
aglomerante. Em 1756, descobriu-se que calcário e argila, misturados (2) Ataque ao revestimento refratário do forno. Os óxidos
em proporção adequada, funcionam como agente aglomerante com alcalinos Na2O e K2O reagem com o material refratário do forno, de
propriedades semelhantes ao do minério das rochas de Portland. Em natureza ácida, destruindo o mesmo;
1945, J. C. Johnson definiu a temperatura ideal para a calcinação, (3) Alteração da composição do clínquer. Os álcalis podem
bem como a melhor proporção entre calcário e argila para a produção reagir com a carga do forno para formar os compostos S12C23K,
de cimento Portland. S12C23Na, A3C8K e A3C8N que impedem que parte do CaO reaja com
As matérias-primas básicas para fabricação de cimento são o os óxidos SiO2, Al2O3, e Fe2O3 para formar os compostos principais
calcário (CaCO3.MgCO3) e a argila (Fe2O3, SiO2, Al3O3). O calcário é do cimento;
a principal fonte de CaO a partir da calcinação do calcário a 1200oC, (4) Alteração do tempo de pega do cimento. Os álcalis reagem
formando CO2 e CaO. A argila fornece os óxidos SiO2, Al2O3, e Fe2O3. com o CO2 da atmosfera para formar os correspondentes carbonatos
Estes óxidos formam o clinquer (mistura de aluminatos, silicatos e de potássio ou de sódio, geranda a pega falsa.
ferritos de cálcio). No processo de cliquerização, o calcário, sendo
o óxido de cálcio de natureza alcalina, e a argila, cujos óxidos SiO2, K2O + CO2 K2CO3
Al2O3, e Fe2O3 são de natureza ácida, ou seja, os óxidos do clínquer, K2CO3 + CaO K2O + CaCO3
reagem entre si (reação entre óxido básico e óxido ácido), a mais de Na2O + CO2 Na2CO3
1300 oC, para formar os compostos do cimento, mostrados abaixo: Na2CO3 + CaO Na2O + CaCO3

2 CaO + SiO2 (CaO)2SiO2 O calcário é a principal matéria-prima para a fabricação do


3 CaO + SiO2 (CaO)3SiO2 cimento e, para esta finalidade, deve apresentar baixo teor de MgCO3.
3 CaO + Al2O3 (CaO)3Al2O3 A participação do MgO nos cimentos Portland não deve exceder
3 CaO + Al2O3 + Fe2O3 (CaO)3Al2O3Fe2O3 a 5%. O minério de calcário mais adequado para a fabricação de
cimento é o calcário-calcítico cuja porcentagem de calcita (CaCO3)
é maior que 95%.

178 Caio Lima Firme Química para Engenharia 179


As argilas são constituídas de silicatos hidratados de alumínio, O C3A é o principal responsável pela pega do cimento.
óxidos ou hidróxidos de alumínio, ferro e titânio. Na fabricação Sua participação na composição do cimento pode ser reduzida
do cimento sua função é complementar os teores de SiO2, Al2O3, adicionando-se Fe2O3 que reage com parte do Al2O3 formando do
e Fe2O3, deficientes nos calcários, levando a formação de um bom C4AF, e reduzindo assim a formação do C3A e a velocidade de pega.
clínquer. O C3S é o principal responsável pela resistência inicial do
A adição de areia (Si02), minério de ferro (Fe2O3), bauxita cimento. O C3S sofre a reaçao de hidratação facilmente. Para reduzir
(Al2O3) e gesso (CaSO4) pode ser necessária para ajustar as o teor de C3S no cimento, deve-se reduzir a proporção entre óxido
proporções de determinados componentes existentes no cimento. de cálcio e de silício, CaO: SiO2, o que aumentará a percentagem de
A sílica (SiO2) afeta o tempo de pega, a resistência inicial C2S no cimento, o que leva a um aumento no tempo de pega e a uma
(resistência alcançada nos sete primeiros dias de pega do cimento) diminuição da resistência inicial do cimento.
e final do cimento (resistência alcançada em um ano de hidratação Os compostos C2S e o C3S são responsáveis pela resistência
do cimento), a velocidade de liberação de calor durante a reação de final do cimento. O C2S é o composto que mais contribui para a
hidratação do cimento e calor total liberado na reação de hidratação resistência após noventa dias de cura.
do cimento. A pega do cimento ocorre quando se adiciona água ao cimento,
O gesso é adicionado para regular o tempo de endurecimento obtendo uma pasta plástica, que com o decorrer do tempo vai perdendo
do cimento. O cimento Portland é obtido a partir da mistura de esta plasticidade, pois o C3A se expande ao sofrer hidratação.
clinquer com gesso. O começo da perda da plasticidade acompanhada da elevação da
A adição do gesso é feita no processo de moagem do clínquer. temperatura da pasta é o início da pega. Quando a pasta de cimento
Caso fosse adicionado na etapa da queima do cimento levaria a sua deixa de ser deformada por pequena carga e começa a formar um
decomposição em CaO e SO3, em que o SO3 reage com Na2O e bloco rígido representa o fim da pega. O tempo de pega é função
K2O, formando K2SO4 e Na2SO4 (incrustações). Contudo, pode ser direta do teor de C3A, que é o composto que reage instantaneamente
que esta reação seja necessária para evitar que Na2O e K2O reajam com a água. Então, quanto maior for o teor de C3A, menor será o
com os óxidos de cálcio, silício e alumínio, diminuindo a quantidade tempo de pega. O tempo de pega varia também com a quantidade de
destes óxidos que são importantes componentes do cimento. água de amassamento, isto é, quanto mais água mais lento é a pega.
A adição de minério de ferro (Fe2O3) é feito para regular o calor
de hidratação do cimento, reduzindo a formação de C3A (ver quadro Processos de fabricação do cimento:
abaixo). O Fe2O3 ajuda a regular o tempo de pega, a resistência
inicial e a resistência final do cimento. Existem 3 processos parta produção de Cimento Portland:
No quadro abaixo descrevemos alguns símbolos que
representam alguns silicatos e aluminatos, aglomerados de calcário - Processo via úmida
e argila. - Processo via semisseca
- Processo via seca
Nome Símbolo Fórmula
Silicato de dicálcio C2S (CaO)2SiO2 Em qualquer processo de fabricação de cimento aparecem
Silicato de tricálcio C3S (CaO)3SiO2 sempre as mesmas etapas abaixo:
Aluminato de tricálcio C3A (CaO)3Al2O3
Aluminoferrito de tetracálcio C4AF (CaO) 3Al2O3Fe2O3

180 Caio Lima Firme Química para Engenharia 181


I - Zona de desidratação.

Nesta parte do forno, a matéria-prima perde, por evaporação,


toda a água usada para o processo de moagem. Quando a temperatura
atinge os 550 °C, a argila perde a água de constituição, liberando
SiO2 e Al2O3 que se tornam reativos, dando início às reações que
A britagem da matéria-prima é uma operação de moagem levarão à formação dos compostos do cimento.
grosseira do calcário e da argila a partir de um moinho de mandíbula
e de martelo. Esta operação tem por finalidade reduzir o calcário e II - Zona de calcinação.
a argila a partículas com tamanhos inferiores a 2,5cm de diâmetro.
Depois de moídos, os minérios passam por um conjunto de peneiras Acima de 550 °C e abaixo de 1.000 °C, começa a formação de
que separam as partículas de diâmetro acima do especificado. Estas compostos do cimento.
partículas voltam à britagem a fim de terem seu tamanho requerido.
Após a britagem, a mistura de calcário e argila passa pelo CaCO3 CaO + CO2
processo de moagem para reduzir o diâmetro das partículas do minério SiO2 + 2CaO C2S
a um tamanho inferior a 70 mesh. Esta operação é, normalmente, Fe2O3 + 2CaO C2F
conduzida em moinhos do tipo bola. A moagem pode ser realizada Al2O3 + CaO CA
em processo via úmida, via semiúmida ou via seca.
O material que deixa o moinho passa por um jogo de peneiras Entre 1000°C e 1200°C, as reações entre o CaO e os óxidos
para eliminar partículas de tamanho acima do requerido. As partículas ácidos continuam, formando outros compostos do cimento como o
maiores que 70 mesh são enviadas novamente para o moinho, onde C4AF.
sofre nova moagem.
A seguir, ocorre a homogeneização dos particulados de Al2O3 + 4 CaO + Fe2O3 C4AF
calcário e argila, antes do processo de queima da matéria-prima, de
modo a assegurar a uniformidade da matéria-prima usada no forno III - Zona de clinquerização.
de clinquerização. No processo via úmida, a homogeneização é feita
por meio de agitadores mecânicos associados ao ar comprimido. Acima dos 1.300°C, a velocidade de formação dos compostos
No processo via seca, a homogeneização é feita em silos, através de do cimento aumenta e forma-se também o C3S.
sistema pneumático.
A queima, ou processo de clinquerização calcina a mistura SiO2 + 3 CaO C3S
homogeneizada de calcário e argila levando à formação do clínquer
(C3A, C3S, C4AF e C2S). A queima é realizada em fornos cilíndricos Ao sair do forno, o pelot se resfria até a temperatura ambiente
e giratórios que são aquecidos por gases de combustão. através de borrifamento de gotas d’água.
No processo via úmida, o forno de clinquerização pode ser
dividido nas seguintes zonas:

182 Caio Lima Firme Química para Engenharia 183


4. Metalurgia
Abundância dos elementos na crosta terrestre (g/tonelada da
Ocorrência dos elementos na crosta terrestre - minérios crosta)

Considerações: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17
1) O Tc não ocorre na natureza. Li
35o
Be
51o
B
38o
C
17o
N O
33o 1o 13o
F

2) Os alcalinos são encontrados como cloretos. 18 2,0 9,0 180 19 455* 544
3) Os metais nobres são encontrados livres na natureza. Na Mg * x103 X Al Si P S Cl
7o 6o abundância 3o 2o 11o 16o 20o
4) A grande maioria dos minérios é constituída de oxigênio. 22,7* 22,6* quantidade 83* 272* 1,12* 340 126

K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
8o 5o 31o 9o 19o 21o 11o 4o 30o 22o 25o 24o 33o 54o 52o 68o 47o
ocorrência: ânions de metais
18,4* 46,6* 25 6,32* 136 122 1,06* 62* 29 99 68 76 19 1,5 1,8 0,05 2,5
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 23o 15o 29o 18o 32o 56o - 77o 77o 69o 66o 65o 63o 49 64o 74o 62o
78 384 31 162 20 1,2 0,0001 0,0001 0,015 0,08 0,16 0,24 2,1 0,20 0,001 0,46
Li Be B C N O F
Cs Ba Lu Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi
Ocorrência: Oxiânions ou óxidos duplos
46o 14o 59 45o 53o 56o 76o 72o 740 70o 73o 66o 60o 36o 71o
Na Al Si P S Cl 1,2 0,0007 0,005 0,001 0,01 0,004 0,08 0,7 13 0,008
Mg 2,6 390 0,8 2,8 1,7
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br
Considerações:
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I 1) A grande abundância do oxigênio e do silício deve-se à
Cs Ba La Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Tl Pb Bi Po At
formação dos respectivos minérios, óxidos e silicatos, de metais.
2) Os metais nobres são os menos abundantes dos metais.
3) O 3o e o 4o período da tabela periódica têm a maioria dos
ocorrência: ocorrência: compostos elementos mais abundantes.
alcaninos:Cl- ocorrência: estado nativo enxofre(sulfetos) ou
alcalinos terrosos: SO4-2, CO3-2 de oxigênio (óxidos)
4.1 Cobre

O cobre tem enorme importância tecnológica por causa de sua


alta condutividade elétrica e porque forma ligas importantes como o
bronze (liga de estanho e cobre).
Os principais minérios do cobre são:

a) Cobre nativo: geralmente, em pequenas quantidades na


zona superficial de oxidação dos depósitos;
b) Minerais sulfetados: Calcosita (Cu2S) [ortorrômbico];
Covelita (CuS) [hexagonal]; Calcopirita (CuFeS2) [tetragonal];
c) Minerais oxidados: Cuprita (CuO2) [isométrico]; Malaquita
(Cu(OH)2 CuCO3) [monoclínico]; Azurita (Cu(OH)2.2CuCO3)
[monoclínico].

184 Caio Lima Firme Química para Engenharia 185


A calcopirita é o mineral de cobre mais largamente distribuído Reações envolvidas:
na superfície da Terra. A calcopirita e a calcosita são os principais
sulfetos utilizados na metalurgia do cobre. FeS + 3/2 O2 FeO + SO2
Os minérios sulfetados de cobre (PbS e ZnS) devem ser 2FeO + SiO2 2FeO.SiO2
concentrados e separados de outros minérios antes de ser feita a sua Cu2S + 3/2 O2 Cu2O + SO2
redução para cobre metálico. Para isto, é feita a flotação que se baseia Cu2S + 2 Cu2O 6Cu + SO2
no fato de que as superfícies dos sólidos apresentam umectabilidades
diferentes por líquidos de polaridades diferentes. Na flotação se 4.2 Zinco
adiciona o agente espumante (óleo de pinho), o coletor de sulfetos
(etilxantato de potássio) e suficiente quantidade de íons cianeto As indústrias consumidoras de zinco são: as indústrias
(CN-) para formar as micelas, onde se concentram os minérios em galvanizadoras (para fazer aço galvanizado); fabricantes de ligas de
forma de espumas, passando a flutuar. zinco para fundição; fabricantes de pigmentos; fabricantes de sais
Na flotação é empregada uma sequência de separações: em (para fins diversos); fabricantes de laminados. Os galvanizadores
primeiro lugar é feita a flotação de PbS, sedimentando CuS, ZnS e consomem 45% do zinco produzido; pigmentos e sais 20%; ligas de
ganga; em segundo lugar é feita a flotação do CuS, sedimentando zinco 17%; latão (liga Zn-Cu) 8% e outras aplicações 10%.
ZnS e ganga; por último, é feita a flotação de ZnS, sedimentando a A galvanização é a principal responsável pelo consumo de
ganga. zinco. O produto siderúrgico galvanizado se apresenta na forma de:
Um dos processos pirometalúrgicos de obtenção do cobre chapas, arames, perfis, tubos e outras.
consiste na reação do minério de cobre com o coque e o fundente. As peças de liga de zinco (conhecidas comercialmente como
Mas, a escória resultante carreia muito metal. Por causa desta perda ZAMAC) têm particular emprego na indústria automobilística e na
de cobre elevada, este processo não é muito usado. de eletrodomésticos.
O processo mais usado consiste em ustular o minério de cobre O principal produto da liga de cobre e zinco é o latão. O teor
para eliminar parte do enxofre no mesmo e oxidar o Fe para FeS para de Zn contido na liga é em torno de 40%.
que, na fusão mática, o FeS possa reagir com Cu2O para formar FeO. Os pigmentos a base de pó de Zn, para fabricação de tintas
Este último pode se escorificar com SiO2. anticorrosivas, vem apresentando crescimento considerável,
O minério ustulado vai para o forno de reverbero (que mantém particularmente na proteção de estruturas metálicas, de pontes,
a temperatura constante) onde se adiciona o fundente e ar. O usinas elétricas e na indústria química e de petróleo.
fundente é usado para diminuir a temperatura de fusão do minério. O zinco é inalterável ao ar seco. Ao ar úmido, o Zn se carbonata
O forno de reverbero tem por finalidade obter um mate e escorificar formando uma camada protetora. O Zinco, a 500oC, queima-se ao ar,
certas impurezas, como o óxido de ferro. O mate cuprífero obtido da dando ZnO. O zinco é um elemento anfótero.
fusão mática tem 95% de mate (Cu2S, CuS e FeS) e 5% de escória Os minérios sulfetados (esfalerita ou blenda ZnS; marmatita
(FeO.SiO2). (Zn, Fe).S) apresentam, quando brutos, um teor médio de 3% de
A escória consiste de FeO.SiO2 que é separada do mate. O Zn. A blenda (ZnS) sempre se apresenta acompanhada de outros
Cu2S (do mate) reage com O2 para produzir Cu2O. O óxido de cobre sulfetos (galena, pirita, calcopirita etc.). Então, é indispensável um
reage com outra porção de Cu2S para produzir cobre metálico. tratamento mecânico para concentração (flotação), em que se eleva a
concentração de 3% para até 35 a 65%.

186 Caio Lima Firme Química para Engenharia 187


O processo térmico de obtenção do zinco consiste na calcinação
controlada e parcial, em 2 etapas, do (Zn,Fe)S formando ZnO,
FeO, Fe2O3, em que o ZnO é separado dos outros por destilação e é
reduzido pelo carbono para formar zinco.

D
ZnS, FeS ZnO, FeO, Fe2O3, ZnS, FeS

destilação
D
CO2 + Zn ZnO + C

4.3 Aço

O aço é uma liga de ferro, carbono e metais como níquel,


titânio, zinco, cromo, sendo que o ferro constitui mais de 90% do
aço. O ferro é produzido a partir da redução do óxido de ferro (Fe2O3)
pelo carbono (C).

D
2Fe2O3 + 3C 3CO2 + 4Fe

A fonte de carbono é o carvão mineral ou o carvão vegetal. O


carvão é transformado em coque (carbono fixo + cinzas) na seção
chamada coqueria. A fonte de Fe2O3 é a hematita e a limonita. A
sua redução ocorre no alto-forno, onde também se acrescenta CaCO3
que tem a função de diminuir a temperatura da reação. O ar também
é adicionado para reagir com o carbono. Então, o coque, hematita,
ar e carbonato de cálcio são adicionados ao alto-forno onde ocorre
a reação de redução do óxido de ferro III em ferro fundido ou ferro
gusa, cuja reação global é mostrada acima. Na verdade, esta reação
de redução ocorre em várias etapas em que o oxigênio do ar reage
com o carbono para formar o CO e CO2 e o monóxido de carbono
reage com Fe2O3 para formar FeO e Fe3O4 que são subsequentemente
reduzidos ao ferro gusa pelo CO e C.

188 Caio Lima Firme Química para Engenharia 189


5. Indústria de eletrolíticos Este metal é o mais abundante no mundo. Cerca de 8,05%
da crosta sólida da terra são constituídos por ele. A bauxita, rica em
5.1 Introdução alumina (Al2O3), é o minério mais utilizado. Contudo, a obtenção
do alumínio é relativamente difícil e os processos de extração do
A energia elétrica pode provocar uma série de reações alumínio metálico ainda não são econômicos.
químicas, chamadas de eletrólise, que é a base das indústrias O processo de redução da alumina para alumínio não é feito a
eletrolíticas. Alguns dos produtos manufaturados na indústria de partir do carbono porque o alumínio se desprende com o vapor por
eletrolíticos são a soda cáustica, o hidrogênio e o magnésio (que ter baixa densidade e baixo ponto de fusão, sendo arrastado pelo
podem ser produzidos por outros métodos), alumínio e carbeto de monóxido de carbono. Se o vapor é resfriado ele volta a formar
cálcio (substâncias que não podem ser obtidas economicamente por alumina novamente.
nenhum outro processo). Para se produzir alumínio metálico utiliza-se as células
A eletrólise ocorre a partir de corrente contínua e as indústrias eletrolíticas a altas temperaturas (940-980oC). Na parte inferior das
eletroquímicas usam o retificador a arco de mercúrio, com um só células eletrolíticas (cátodo) é depositado o alumínio que é retirado
ânodo, para converter a corrente alternada em contínua. através de chapa coletora. Obtêm-se alumínio com 99,40 a 99,80%
Compostos e metais processados eletroquimicamente de pureza.
A produção de 1 tonelada de alumínio consome, em média, 2
Substância Processo Kwh/kg toneladas de alumina, 100kg de criolita (2NaF.AlF3), que é o solvente
Alumina fundida Fusão eletrotérmica 2,2-3,3 da alumina, e 400kg de coque de petróleo.
Alumínio Redução eletrolítica da alu- 22-26,5 O processo eletrolítico de redução da alumina em alumínio só
mina a alumínio se tornou viável e possível com descoberta da “criolita”, um solvente
Cobre Eletrorrecuperação 2,3-3,3 adequado que dissolve facilmente uma boa quantidade de alumina e
Cobre Eletrorrefinação 0,20-0,35
é inerte a eletrólise.
O processo Bayer de transformação da bauxita em alumina
Magnésio metal. Eletrólise do MgCl2 7,6-28,7
consiste em misturar o minério com NaOH e aquecer a mistura
Soda cáustica e cloro Eletrólise da Salmoura 2,95
com vapor a alta pressão de modo a se obter hidróxido de alumínio
Zinco Precipitação eletrolítica 3,1-3,44
(Al(OH)3) que, após ser lavado e calcinado, transforma-se em
alumina Al2O3.n H2O.
5.2 Alumínio A bauxita é britada emoída de modo a se obter partículas
entre 80 e 100 mesh. O pó da bauxita é misturado com uma solução
O alumínio é um metal branco-azulado, muito leve, dúctil, de NaOH num tanque de mistura e segue depois para o autoclave
maleável e é bom condutor de eletricidade e calor (o dobro da (recipiente de aço submetido a altas pressões e elevada temperatura)
condutividade do cobre). Além disso, o alumínio possui excelente em que é produzida uma solução de NaAlO2. Este produto é separado
resistência à corrosão. dos resíduos em suspensão (hidróxido de ferro impuro e sílica) por
O alumínio forma comumente ligas com outros metais. A liga sedimentação ou decantação e por filtração sob pressão. Em seguida,
de alumínio e magnésio é empregada em estruturas de aeronaves, a solução pura de NaAlO2 reage com a água formando alumina
automóveis, caminhões e trens. (cobre, magnésio, zinco etc.) e, por hidratada. A suspensão de alumina hidratada é filtrada e calcinada,
isso, sua utilidade é muito grande. obtendo-se Al2O3 com 99,5 a 100% de pureza.

190 Caio Lima Firme Química para Engenharia 191


A alumina pura segue para a cuba eletrolítica a 940-980 oC, O NaCl é adicionado ao banho para abaixar o ponto de fusão
dissolvida em um banho de criolita. O alumínio líquido se deposita do MgCl2 e também para elevar a condutividade do eletrólito. A
no fundo da cuba e é retirado por sucção, de onde segue para a temperatura usual da eletrólise do MgCl2 é de 710oC porque o ponto
fundição. de fusão do Mg é 651oC. Através da eletrólise, se obtém magnésio
fundido com 99,9% de pureza. O magnésio segue do cátodo para
5.3 Magnésio poços colocados em frente à cuba mediante canais, .

É um metal branco prateado e é o metal estrutural mais leve


que existe. A maior fonte de magnésio é a água do mar. O maior
emprego do magnésio é na formação de ligas com alumínio para
indústria de aeronaves, automobilística e ferroviária.
Até o início do século XX, o magnésio era usado no pó da
iluminação instantânea e em fogos de artifício. Ao se descobrir o
uso do magnésio em ligas com alumínio, a produção de magnésio
cresceu significativamente. As ligas mais comuns de magnésio
são: AZ91B (Al 6,5%, Mn 0,2%, Zn 3,0% e Mg o restante), para a
produção de produtos por fundição a pressão e AZ31 (Mn 1,5% e o
restante Mg) para produção de produtos forjados.
O método mais barato de fabricar o magnésio é mediante a
eletrólise do MgCl2 da água do mar. O processo de redução pelo Diagrama de Blocos do Processo Dow - Obtenção do Mg metálico
carvão não gera bons rendimentos do produto. a partir da água do mar.
O MgCl2 é obtido a partir de salinas, de salmouras de poços
salgados e também da reação de hidróxido de magnésio (da água do 5.4 Sódio
mar ou da dolomita) com ácido clorídrico.
A água do mar contém MgCl2 e NaCl. Para se obter apenas O sódio é um metal branco prateado, mole e muito reativo.
MgCl2 da água do mar é necessário, primeiramente, calcinar conchas Reage violentamente com a água e é geralmente estocado sob
de ostras (fonte de calcário) até formar cal. Esta é misturada com querosene ou qualquer outro alcano.
água do mar, provocando precipitação do Mg(OH)2. O Mg(OH)2 é O sódio é usado na fabricação do chumbo tetrametila e do
filtrado e, a seguir, reage com HCl, que é obtido a partir da água e do chumbo tetraetila, além de ser usado para a obtenção de Na2O2, para
cloro desprendidos das células eletrolíticas. Então, se forma MgCl2 fabricação de cianeto de sódio e de sais de sódio-alquilas.
em solução. O MgCl2 aquoso é evaporado até o MgCl2 sólido, num Da mesma forma que o magnésio, o método mais importante
evaporador a fogo direto. O MgCl2 desidratado é colocado em uma de preparação do sódio é a partir a eletrólise do NaCl da água do mar.
cuba eletrolítica Dow. Esta cuba é uma caixa retangular de aço com
cobertura de cerâmica com capacidade para cerca de 10 toneladas de 2 NaCl 2 Na + Cl2
MgCl2 e sais fundidos. As partes internas da cuba servem de cátodos,
e no topo da célula, estão suspensos 22 ânodos de grafita. A cuba da célula eletrolítica tem revestimento refratário em
que o ânodo é feito de carvão e cátodo é feito de ferro. Eles ficam

192 Caio Lima Firme Química para Engenharia 193


em compartimentos separados para facilitar a recuperação do Na e temperatura ambiente sob pressão entre 6 a 12 kgf/cm2. O GLP é
do Cl2. O CaCl2 é adicionado para diminuir o ponto de fusão do recuperado no topo da torre de destilação atmosférica e nas unidades
NaCl (fundente). Assim, consegue-se operar a 600oC (ponto de fusão de craqueamento catalítico fluido e hidrocraqueamento nas refinarias
do NaCl) ao invés de 804oC. Além disso, a temperatura mais baixa de petróleo. O GLP é uma mistura proveniente de várias unidades
de operação aumenta o tempo de vida do revestimento refratário da diferentes de processo. O GLP tem amplo uso como gás de cozinha.
cuba e facilita a coleta de Cl2.
No cátodo deposita-se uma mistura de sódio e cálcio, em que 6.3 Dióxido de carbono (CO2)
o abaixamento da temperatura diminui a solubilidade do cálcio no
sódio. O sódio bruto é filtrado a aproximadamente 110oC, gerando A forma sólida do dióxido de carbono (gelo seco) é muito
sódio com 99,9% de pureza. O sódio fundido é vazado num carro- usada para refrigerar sorvetes e carnes. O gás de dióxido de carbono é
tanque contendo nitrogênio líquido, onde se solidifica. empregado para carbonatar bebidas e também é usado na fabricação
de ácido salicílico e na neutralização de álcalis (bases a partir de
6. Gases industriais elementos alcalinos).
O CO2 é produzido a partir da combustão de gás combustível,
6.1 Gás natural óleo combustível e coque, contendo 10 a 18% de CO2.
350 C, 14 atm
O gás natural é basicamente metano (80 a 90%), etano (5 a CH4 + 2 O2 CO2 + 2 H2O
10%) e outros gases em menores proporções. O gás natural pode
estar associado ao petróleo ou não. É um excelente combustível O CO2 é resfriado e lavado para retirar impurezas.
porque contém baixo nível de compostos sulfurados e queima com
baixas emissões de NOx e particulados. O gás natural brasileiro
contém considerável porcentagem de H2S. Este é retirado através
de unidades de dessulfuração. O gás natural também contém certa
quantidade de gases condensáveis como GLP, nafta leve e água.
Eles são retirados através de condensação ou absorção em leitos
de sílica gel, alumina ou peneira molecular. A presença de frações
condensáveis no gás natural pode levar à formação de depósitos
(hidratos) nas tubulações, causando obstruções na passagem do gás
e corrosão. Para facilitar a detecção de vazamentos do gás natural é
feita sua odorização usando mercaptans. O gás natural é usado na
Usa-se um sistema de absorção para concentrar o CO2
produção de amônia, como combustível e como redutor siderúrgico.
chegando-se até 99% de pureza. Uma das reações reversíveis usadas
para a concentração do CO2 é mostrada abaixo:
6.2 Gás liquefeito do petróleo
Na2CO3 + CO2 + H2O 2 NaHCO3
O gás liquefeito do petróleo (GLP) é constituído basicamente
de hidrocarbonetos C3 (propano e propeno) e C4 (butano e buteno).
Seu nome, gás liquefeito, se refere ao fato dele se liquefazer a

194 Caio Lima Firme Química para Engenharia 195


O CO2 quase puro deve sofrer outros tratamentos químicos
para a remoção de impurezas menores que contaminam o gás. O CO2 6.5 Amônia (NH3)
é purificado em um lavador a permanganato de potássio que oxida o
H2S a SO2 que é removido do CO2. A amônia é muito empregada para produzir fertilizantes. O
NH3 é produzido pela reação entre N2 e H2. A reação se realiza a 150
6.4 Hidrogênio (H2) atm e através dos catalisadores de Fe e Al2O3.
Fe, 150 atm
O hidrogênio é empregado como combustível de foguetes, na 1/2 N2 + 3/2 H2 NH3
produção de amônia (NH3), na hidrogenação de óleos comestíveis,
nos fornos para tratamento de metais, e na reação química de muitas A conversão aumenta com o aumento da pressão de N2 e H2,
indústrias químicas. mas diminui com o aumento da temperatura.
O hidrogênio é basicamente produzido através da reforma de
hidrocarbonetos oriundos do petróleo e da eletrólise da água. 6.6 Dióxido de enxofre (SO2)
O H2 obtido através da reforma de hidrocarbonetos ocorre pela
reação de etano, metano, propano ou butano com H2O utilizando Ni O SO2 é matéria-prima para a produção de H2SO4. Ele é
ou FeO como cocatalisadores. Esta reação é muito endotérmica e é empregado como agente alvejante, na remoção do cloro e como
favorecida pela temperatura elevada. Normalmente, faz-se a reação agente desinfetante. Além disso, é usado no tratamento da polpa de
com excesso de vapor d´água para impedir a formação de carvão. papel e matéria-prima em muitas fábricas.
O CO produzido na reforma dos hidrocarbonetos leves reage com O SO2 é produzido pela queima do enxofre (S) ou do ácido
vapor d´água em excesso (para deslocar a reação para a direita) a uma sulfídrico (H2S).
temperatura mais baixa (por ser uma reação levemente exotérmica)
para produzir o CO2. S(s) + O2(g) SO2(g)

Ni, 810 C, 27 atm


O enxofre e o ar (O2) entram em um queimador, são aquecidos
CH4, C2H6, C3H8, C4H10 + H2O (exc) CO + H2
e entram na câmara de combustão a 1200oC. Os gases são resfriados
FeO, 300 C
e passam por um absorvedor para retirar N2 e O2.
CO + H2O (exc) CO2 + H2

O método eletrolítico é outra forma de se produzir H2 a


7. Petróleo e seu refino
partir da eletrólise da água. A eletrólise ocorre em solução aquosa
O petróleo é definido pelos geólogos como sendo uma
alcalina a 70oC produzindo hidrogênio de alta pureza. A tensão
substância oleosa inflamável formada por compostos orgânicos
teórica de decomposição do eletrólito, a temperatura ambiente, é de
(hidrocarbonetos saturados e insaturados, principalmente)
1,23V. Contudo, na realidade, são usadas 2,0 a 2,25V por causa da
resultantes da decomposição, durante milhões de anos, de restos
sobretensão do hidrogênio nos eletrodos e da resistência da própria
animais e vegetais. Estes resíduos fósseis se transformaram em
cuba.
combustível devido ao aumento da pressão e temperatura por causa
da formação de novas camadas de sedimento e pela ação de bactérias
2H2O(l) 2H2(g) + O2(g)

196 Caio Lima Firme Química para Engenharia 197


na transformação final. Devido à alta pressão e sua densidade, o Nome da fração Conteúdo de carbono Usos mais comuns
petróleo assim formado se movimentou por entre os poros das rochas Gás natural C1 – C4 Combustível
e passou a ocupar os espaços vazios. Éter de petróleo C5– C6 Solvente
Estes compostos do petróleo são constituídos basicamente de
Nafta C6 – C7 Solvente
carbono e hidrogênio. O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos
Gasolina C6– C12 Combustível
de composições diferentes. Em seu estado natural, o petróleo é
praticamente inútil, mas quando refinado fornece combustíveis, Querosene C12 – C18 Combustível
lubrificantes, solventes e asfalto. Ele é a principal matéria-prima Óleo diesel Acima de C18 Combustível
para produção de plásticos, fertilizantes, detergentes, pesticidas, Óleo lubrificante Alta M.M. Lubrificante
cosméticos, medicamentos e tecidos. Graxas Alta M.M. Lubrificante
O petróleo líquido é geralmente denominado óleo cru. O petróleo Asfalto Alta M.M. Asfalto
pode apresentar diversas colorações, desde amarelo amarronzado
(menos viscoso e menos denso) a negro (mais viscoso e mais
denso). Os compostos mais comuns no petróleo são hidrocarbonetos Os principais derivados do petróleo:
parafínicos, naftênicos, aromáticos e heterocompostos.
Os óleos mais pesados são ricos em heterocompostos e a) Gás combustível: resíduo gasoso da refinaria, mistura de
aromáticos e contém piche, alcatrão e asfalto. Os óleos mais leves etano, metano e etileno.
são ricos em alcanos e naftênicos. O petróleo gasoso é referente ao b) Gás liquefeito de petróleo (GLP): constituído de baixo
gás natural. peso molecular, são gasosos em condições ambientais, formados de
propano, propeno, butano e buteno. Pode ser produzido através da
Os tipos de petróleo são: destilação do petróleo e nos processos de craqueamento térmico ou
catalítico.
1) Petróleo parafínico: se caracteriza por ser constituído, em c) Gasolina: mistura de hidrocarbonetos entre 7 a 11 átomos
sua grande porcentagem, de hidrocarbonetos de cadeias abertas, de carbonos. Pode ser produzida no processo de destilação direta do
possuindo baixa densidade e alto ponto de fluidez.
petróleo e também no craqueamento catalítico ou térmico de frações
2) Petróleo naftênico: os constituintes pertencem à classe dos
mais pesadas. A gasolina produzida pelo craqueamento possui maior
hidrocarbonetos cicloparafínicos. Há o petróleo naftênico leve, com
índice de octanas, devido ao tipo de hidrocarbonetos formados.
elevadas quantidades de gasolina e destilados médios. Há o petróleo
d) Querosene: produto intermediário entre a gasolina e óleo
naftênico pesado, com elevada porcentagem de resíduo asfáltico e
diesel. É produzido na destilação atmosférica.
baixa quantidade de destilados leves.
3) Petróleo aromático: petróleo de base aromática apresentando e) Óleo diesel: derivado do petróleo empregado como
gasolina de alto índice de octano e solventes de excelente qualidade, combustível em motores de combustão interna. Ele é produzido
devido à presença de aromáticos do tipo benzeno, tolueno e xileno. na destilação atmosférica. As propriedades de cada óleo diesel
dependem dos tipos de hidrocarbonetos presentes. Quanto maior o
teor de hidrocarbonetos parafínicos, melhor o desempenho do óleo
diesel.
f) Óleo lubrificante: são frações mais pesadas do petróleo,
obtidas através da destilação a vácuo. Devem satisfazer especificações

198 Caio Lima Firme Química para Engenharia 199


de viscosidade e fluidez para serem utilizado como óleos lubrificantes superfície o material triturado pela broca. À medida que a perfuração
básicos. avança, são acrescentados tubos em segmentos de 10 metros. Depois
Os contaminantes do petróleo são: compostos sulforosos (H2S de perfurado, utiliza-se no poço a árvore de natal para controlar a
e mercaptans), sais (NaCl, CaCl2 e MgCl2), metais (ferro, níquel, pressão interna do poço para que haja sempre saída de petróleo.
vanádio, sódio e cobre), ácidos naftênicos e sólidos em suspensão e A perfuração no mar é feita através de plataformas flutuantes ou
água. O H2S e os ácidos naftênicos causam corrosão. Os sais causam fixas e através de navios-sonda. Existem dois tipos de plataformas:
incrustações nas tubulações, envenenam os catalisadores e também a submersível, que se apóia em flutuadores e que podem ter sua
causam corrosão. profundidade alterada, mantendo-se sempre abaixo da zona de ação
Os hidrocarbonetos encontram-se em depósitos naturais no das ondas; e a autoelevável, que se apóia no fundo do mar por meio
estado gasoso (gás natural), líquido (petróleo) e semissólido (asfalto, de pernas com até 150m de comprimento. Estas pernas são reerguidas
resinas e graxas). por sistemas hidráulicos.
Excluindo os afloramentos, o petróleo pode ser encontrado em O refino do petróleo é feito a partir do óleo obtido de jazidas
profundidades que variam entre 50 a 70.000 metros. submarinas e terrestres e constitui em uma série de operações
O petróleo é encontrado em bacias sedimentares. A acumulação de destilações fracionadas do petróleo dentro de uma torre de
do petróleo depende do arranjo e de certas características das rochas craqueamento que fraciona o mesmo em uma série de produtos
sedimentares no subsolo aquático e terrestre, devendo haver poros específicos.
capazes de armazenar o petróleo. A primeira etapa do processo de refino é a destilação fracionada
Através do estudo das rochas na superfície, pode-se prever primária, através da qual são extraídas as principais frações que dão
sua constituição a grandes profundidades, auxiliado também pela origem a gasolina, óleo diesel, nafta, querosene e parte do GLP.
aerofotogrametria e satélites, que fazem uma radiografia do solo O resíduo da destilação primária é processado na destilação
através de instrumentos valiosos. a vácuo onde é extraído mais uma parte do óleo diesel e frações
O gás natural também é encontrado em jazidas e é produzido do gasóleo. O resíduo da destilação a vácuo pode ser usado como
juntamente com ele. Mas existem jazidas de gás natural sem petróleo. asfalto.
São esses gases que geram alta pressão dentro da rocha e que fazem o Uma série de outras unidades do processo de refino
petróleo sair espontaneamente assim que o poço é perfurado. Quando (craqueamento catalítico) transforma frações pesadas em mais leves,
a pressão do petróleo é muito baixa para sair espontaneamente, aumentando o rendimento do refino.
usa-se o cavalo de pau para forçar a saída do mesmo. O cavalo de
pau é um equipamento instalado na boca do poço que faz bombeio
mecânico para promover a elevação artificial dos fluidos. Refino do petróleo:
A perfuração em terra é feita através de uma sonda consistindo
de uma estrutura metálica em torre que sustenta uma coluna de I – Separação
perfuração em que uma broca vai perfurando o solo através de II – Craqueamento catalítico
movimentos de rotação da broca e da força-peso da coluna. Uma III – Reforma catalítica
mistura de argila, aditivos químicos e água (lama de perfuração) é IV – Hidrocraqueamento
constantemente injetada no poço durante a perfuração para manter V – Alquilação
a pressão lateral das paredes do poço para que não desmorone e VI – Produção de lubrificantes
também para lubrificar e resfriar a broca. A lama de perfuração traz a

200 Caio Lima Firme Química para Engenharia 201


I) Separação No topo da torre saem vapor d’água e hidrocarbonetos leves.
Esses gases são continuamente retirados para produzir vácuo. O
O petróleo passa por um processo de dessalinização antes de produto residual é constituído de hidrocarbonetos de altíssimo peso
ser refinado para retirar os sais que vêm junto do petróleo e que molecular e podem ser vendidos como óleo combustível ou asfalto.
podem prejudicar o processo de refino. O petróleo é aquecido e
introduzido na dessalgadora com água, onde passa por um campo II) Craqueamento catalítico
elétrico de alta voltagem. O campo elétrico acelera o processo de
decantação do óleo, separando da água que contém os sais solúveis, As unidades do craqueamento em leito fluidizado (FCC) são:
Após ser dessalinizado, o petróleo passa por uma bateria de
préaquecimento por trocadores de calor e depois vai para uma torre - Seção de conversão
de pré-flash, onde separa os gases solúveis (etano, eteno, propano, - Seção de fracionamento
buteno e propadieno). A torre de pré-flash serve para melhorar - Seção de recuperação de gases
a eficiência da separação de gases de petróleo. O que sai na parte - Seção de tratamento
de cima da torre pré-flash são gases leves e pesados. Estes são
separados através de resfriamento. O óleo que sai da parte de baixo é II.A – Seção de conversão
novamente préaquecido em fornos tubulares. O petróleo vaporizado
sai dos fornos e é introduzido na torre de destilação atmosférica O gasóleo proveniente da destilação à vácuo é aquecido e segue
onde há a separação do petróleo em duas correntes: gasosa e líquida. para o riser. O riser é uma tubulação vertical de grande diâmetro,
A corrente gasosa é constituída de frações vaporizadas que sobem ao onde se faz a mistura de gasóleo e catalisador (zeólita – pó fino a base
topo da torre de destilação atmosférica. A corrente líquida desce para de sílica e alumina). Na base do riser o gasóleo vaporizado recebe
a base da torre. Os produtos laterais da torre de destilação são óleo o catalisador com o qual reage a alta temperatura (650oC). A reação
diesel, querosene, nafta pesada. Os produtos do topo são a nafta leve catalítica consiste na quebra das cadeias de hidrocarbonetos do
e o GLP. O produto do fundo é o óleo cru. gasóleo em frações menores. A finalidade desse processo é produzir
O resíduo (subproduto) da destilação atmosférica – óleo cru gasolina e GLP. No reator, logo acima do riser, completam-se as
reduzido – apresenta alto peso molecular e baixo valor comercial, reações catalíticas. A seguir, o catalisador é regenerado e retorna
sendo utilizado como óleo combustível. No entanto, podem ser para o reator.
separadas frações de valor econômico, como gasóleos.
Os gasóleos têm ponto de ebulição mais alto do que a II.B – Seção de fracionamento
temperatura limite da torre de destilação atmosférica. Então, ao
diminuir a pressão reduzida do líquido, diminui-se seu ponto de A seção de fracionamento recebe o efluente (produto) do reator
ebulição também. Por isso, o resíduo entra na torre de destilação a e o fraciona em vários produtos, através de sua torre de destilação.
vácuo (com pressão de destilação reduzida) onde terá diminuído o Esta seção também recupera o gasóleo não convertido e retorna-o
seu ponto de ebulição. Antes de entrar na torre de destilação a vácuo, para o reator. O produto de fundo da torre de destilação da seção
o resíduo passa pelo forno de temperatura controlada para aquecê- de fracionamento (ou fracionador) é constituído de frações residuais
lo. No forno também se injeta uma corrente de vapor d’água para pesadas. O que sai do fracionador pelo topo é gás natural, gasolina,
aumentar a turbulência do cru reduzido, para fazê-lo destilar mais óleo leve de reciclo e óleo clarificado. A borra de catalisador e o óleo
rapidamente. pesado de reciclo (do fundo do fracionador) voltam para o reator.

202 Caio Lima Firme Química para Engenharia 203


II.C – Seção de recuperação de gases III.A – Seção de pré-tratamento

Esta seção recebe as frações convertidas e as fracionam em A seção de pré-tratamento consiste em retirar os contaminantes
nafta, GLP, e gás combustível. Possui uma torre de destilação para da gasolina estabilizada vinda do craqueamento catalítico para que
separar o GLP (propano e butano) do gás natural (metano e etano). eles não reduzam a atividade do catalisador da seção de reforma.
Depois esses gases são separados do etano e metano por resfriamento, Na seção de pré-tratamento, ocorre a reação de hidrogenação, na
onde o butano e o propano se liquefazem. Os gases leves (metano temperatura entre 260 a 340oC, usando o catalisador de cobalto-
e etano) são levados para a torre absorvedora primária onde se molibdênio suportado em alumina.
injeta gasolina para retirar alguma porção de propano e butano
que tenha sido carreado. A gasolina mais GLP descem pelo fundo R-SH + H2 R-H + H2S
da torre absorvedora primária, e no topo da torre sai gás natural R-NH2 + H2 R-H + NH3
com um pouco de gasolina. Esta corrente gasosa vai para a torre R-OH + H2 R-H + H2O
absorvedora secundária onde é injetado gasóleo leve de reciclo
que absorve a gasolina arrastada pelo gás natural. O gasóleo leve de Os produtos do reator vão para o tambor separador de alta
reciclo mais a gasolina saem pelo fundo da torre, e o gás natural sai pressão onde se separa o H2 não reagido do restante que sai como
pelo topo da torre. fase líquida. Esta fase líquida (NH3, H2O, H2S e gasolina) vai para
A gasolina misturada com gás natural e GLP vai para a torre a torre de retificação onde se separa os contaminantes (NH3, H2O,
retificadora onde ocorre a separação do gás natural (que sai pelo H2S) da gasolina.
topo da torre) da mistura gasolina e GLP (que sai pelo fundo da
torre). Esta mistura vai para a debutanizadora que separa o GLP III.B – Seção de reformas
da gasolina. O GLP vai para a seção de tratamento para retirar
resíduos de enxofre e depois é separado em propano e butano e vão A gasolina (nafta) pré-tratada recebe nova adição de H2 e
para a unidade de alquilação catalítica. segue para uma série de fornos e reatores (em batelada), passando
por leitos catalíticos onde ocorrem as reações de reforma. Ocorrem
III) Reforma catalítica várias reações, uma delas é a reação de desidrogenação (formação
de aromáticos). Nessa reação, usa-se a platina suportada em alumina
A reforma catalítica consiste no rearranjo na estrutura molecular como catalisador.
dos hidrocarbonetos contidos em certas frações do petróleo. Seus
objetivos são: obter um produto com elevado teor de octanagem, III.C – Seção de estabilização
usado em motores de alta taxa de compressão; e formar produtos
ricos em hidrocarbonetos aromáticos, que são posteriormente O efluente (produto) do último reator da seção de reformas vai
fracionados. para o tambor separador, onde se separa a fase gasosa rica em H2
A unidade da reforma catalítica (URC) é constituída de três (que volta para o início da reforma catalítica) da fase líquida que vai
seções fundamentais: seção de pré-tratamento; seção de reforma; para a torre estabilizadora. Lá, são separados GLP e gás natural do
seção de estabilização. reformado catalítico (gasolina reformada).

204 Caio Lima Firme Química para Engenharia 205


IV) Hidrocraqueamento É necessário que a concentração do HF no reator seja alta (em
torno de 90%) e que a proporção HF / hidrocarbonetos seja 1:2 para
O processo de hidrocraqueamento visa obter moléculas que o HF produza apenas metade do total de hidrocarbonetos em
de massas moleculares mais baixas. No início do processo, o carbocátions, havendo uma reação de adição entre um carbocátion
H2 é adicionado sob pressões elevadas. As finalidades do H2 no e um hidrocarboneto (propeno ou buteno). Além disso, deve um
hidrocraqueamento são: reduzir a deposição do coque sobre o excesso de isobutano em relação aos hidrocarbonetos para que o
catalisador; hidrogenar compostos aromáticos, facilitando sua isobutano termine eficientemente a reação após a primeira adição
decomposição; e eliminação de contaminantes. entre um carbocátion e um propeno ou buteno, evitando que ocorra
A mistura (fração pesada de óleo + hidrogênio) tem sua uma reação de polimerização.
temperatura elevada quando ela passa através dos fornos. Depois, Pelo topo do reator sai uma mistura de hidrocarbonetos
a mistura entra no reator primário de leito fixo, constituídas de e catalisador. Esta mistura passa por um tambor de decantação,
várias camadas de catalisador alternadas com distribuidores de fluxo. separando o ácido dos hidrocarbonetos. O ácido volta para o reator
O efluente do reator é resfriado e vai para o tambor de alta pressão, para ser reutilizado e os hidrocarbonetos são enviados para a seção
para separar o hidrogênio das frações craqueadas de óleo. O líquido de recuperação dos reagentes. Na seção de recuperação de reagentes,
resultante é aquecido em fornos e vai para a torre de fracionamento, os hidrocarbonetos vão primeiramente para a torre debutanizadora,
onde se separa nafta pesada, querosene e óleo diesel. O produto do para retirar o isobutano e buteno não reagidos. O efluente vai para a
fundo (hidrocarbonetos pesados não convertidos) é préaquecido torre depropanizadora, onde se retira o propeno não reagido.
em fornos e vai para o reator secundário. O efluente do reator
secundário é resfriado para se retirar o H2, e depois vai para a torre
de fracionamento onde se completa a conversão.
8. Polímeros
V) Alquilação catalítica
Polímeros são macromoléculas que possuem unidades
O processo de alquilação catalítica é utilizado para obtenção químicas ligadas por covalência, repetidas regularmente ao longo da
de gasolina de alto índice de octanagem e de aromáticos ramificados cadeia, denominadas meros. Monômeros são moléculas capazes de
de interesse industrial. A carga, contendo butenos, propenos e reagir para formar polímeros. Polimerização é a reação que conduz
isobutano (usado para terminar a reação), é previamente tratada à formação de um polímero. Existem dois tipos de polimerização:
para retirar contaminantes. Depois, ela é enviada para unidades polimerização por adição e polimerização por condensação. A
dessecadoras (alumina e sílica-gel ativadas) para se retirar a polimerização por adição é feita a partir da reação de um monômero
umidade, pois é usado HF (ácido fluorídrico) que é altamente reativo e um iniciador. A polimerização por condensação é feita a partir da
com a água. O HF reage com os alquenos, produzindo carbocátions e reação de um monômero ácido e um monômero básico.
formando hidrocarbonetos com maior índice de octanos. A proporção
alqueno / isobutano é ajustada para que o isobutano termine a reação
eficientemente a partir de transferência de cadeia. Uma carga rica
em buteno produzirá uma gasolina com índice de octanagem maior
do que uma carga rica em propeno. A temperatura da reação é de 25
a 40oC.

206 Caio Lima Firme Química para Engenharia 207


Polimerização por adição Em que:
MW – Peso molecular ponderal médio
Mi – Massa molecular de moléculas de classe i
Ni – número de moléculas de classe i

Os polímeros são morfologicamente classificados em amorfos


e semicristalinos. Polímeros semicristalinos possuem regiões em que
as cadeias estão organizadas em um retículo cristalino semelhante ao
cristais dos metais e sólidos iônicos; e regiões em que as cadeias
Polimerização por condensação estão aleatoriamente arranjadas (região amorfa). Ou seja, polímeros
semicristalinos possuem regiões cristalinas e regiões amorfas.

Polímero semicristalino

O peso molecular de um polímero é determinado pelo produto


do peso molecular do monômero e do número de repetições do Os polímeros podem ser divididos, quanto aos seus
polímero. Polímeros de baixo peso molecular são denominados comportamentos mecânicos, em plásticos, borrachas e fibras.
oligômeros. Geralmente, oligômeros são óleos ou géis e polímeros Borracha é um material macromolecular que exibe elasticidade
são sólidos. Os polímeros formam longas cadeias constituídas de em longa faixa, à temperatura ambiente. Plástico é um material
várias unidades repetidas do monômero. Mas, em um material macromolecular que por ação de calor e/ou pressão pode se tornar
polimérico, existem polímeros com tamanhos de cadeia diferentes. fluido e moldável. Fibra é uma macromolécula linear, orientada
Quanto maior a faixa de diferentes tamanhos das cadeias, maior é longitudinalmente, com estreita faixa de extensibilidade.
sua polidispersão (cadeias poliméricas com massas moleculares
diferentes).


∞ 2
ni M i
O ponto de fusão cristalina (Tm) de um polímero é a
MW = i =1 temperatura em que se destrói completamente a estrutura organizada
ni M i da sua região cristalina, tornando-o fluido. Os plásticos fundem por
aquecimento e solidificam sob resfriamento. Eles são classificados
de termoplásticos.

208 Caio Lima Firme Química para Engenharia 209


Esses monômeros (dienos) têm que ter capacidade de fazer ligações
cruzadas a partir do processo de vulcanização. Isso é possível com a
presença de ligações duplas na cadeia polimérica. A maior parte dos
polímeros que compõem as borrachas é obtida por poliadição.

Isopreno: Poliisopreno:

A borracha é um polímero que tem ligações cruzadas entre As fibras são usadas para fazer tecidos de roupas, toalha, roupa
as suas cadeias poliméricas o que confere elasticidade ao mesmo, de cama etc. As fibras têm alta resistência na direção da fibra e baixa
mas o torna não moldável, ou seja, não se funde sob aquecimento. resistência na direção ortogonal.
A vulcanização é a formação das ligações cruzadas feitas a partir
da ligação enxofre –S-S- entre as cadeias de poliisopreno ou
poliisobutano.
As borrachas podem ser homopoliméricas (polímeros
advindos de um só monômero) ou copoliméricas (polímeros obtidos
a partir de mais de um monômero). A mistura polimérica (blenda ou
compósito) contém o somatório das propriedades de cada um dos
polímeros constituintes.
A borracha natural é originada do látex coagulado ou
vulcanizado. O látex é uma dispersão coloidal de isopreno Polímeros oligoméricos podem ter aplicação importante no
polimerizado em água com pequena porcentagem de impurezas. A setor de adesivos (como o polipropileno). Muitas vezes é feito uma
borracha sintética é feita a partir da polimerização de uma variedade mistura polimérica, em que dois polímeros são misturados a alta
de monômeros, incluindo o isopreno, 1,3-butadieno e cloropreno temperatura com o auxílio de um agente compatibilizante.
(2-cloro-1,3-butadieno). Na borracha sintética não há impurezas Diferentes polímeros (plástico, fibra ou borracha) têm
e é possível controlar a quantidade de ligações duplas cis e trans. comportamentos mecânicos distintos. Esses polímeros podem ser

210 Caio Lima Firme Química para Engenharia 211


classificados de acordo com a tensão aplicada longitudinalmente ao
seu corpo de prova. O gráfico da tensão aplicada versus o estiramento
do corpo de prova é específico para cada tipo de material polimérico.

O termo resina foi inicialmente aplicado na terminologia da


Botânica representando gotas líquidas muito viscosas encontradas
no tronco de árvores ou secreção hidrocarbônica (terpenos) de
muitas plantas. Resinas são polímeros com estrutura tridimensional,
insolúveis em água, mas solúveis em solventes orgânicos, fusíveis e
que amolecem gradualmente com o aquecimento. Resinas sintéticas
têm sido dadas o nome de resina porque elas se solidificam da
mesma forma que algumas resinas de plantas solidificam, mas elas
não derivam de plantas.

212 Caio Lima Firme Química para Engenharia 213


na indústria da borracha, o uso do látex para fazer pneus, brinquedos,
Nome Sigla Propriedades Usos
etc. Ainda hoje, os polímeros naturais têm grande aplicabilidade, mas
Polietileno de alta HDPE Propriedades mecâni- Material hospitalar,
os polímeros sintéticos (obtidos a partir de um determinado método
densidade cas moderadas, resis- fita-lacre, bombonas
tência mecânica exce- de polimerização de um determinado monômero ou monômeros)
lente tiveram um crescimento exponencial na indústria em geral. A
Polietileno de LDPE Boas propriedades me- Filmes e frascos para celulóide, produzida no final do século XIX, representou o primeiro
baixa densidade cânicas, resistência quí- embalagens, utensílios material polimérico semissintético obtido a partir da nitração da
mica excelente. celulose. Muitos polímeros sintéticos úteis surgiram apenas a partir
Polipropileno PP Propriedades mecâni- Para-choques, carca- de 1930.
cas moderadas, resis- ças de eletrodomésti- Os plásticos não somente podem substituir os metais e outros
tência mecânica exce- cos etc. materiais, como também podem ser usados com eles. Os plásticos
lente têm uma grande variedade de aplicações devido à grande variação
Poliestireno PS Transparência. Rigidez Utensílios, embalagens de propriedades mecânicas, elétricas, reológicas, entre outras. O
elevada.
emprego de um material plástico numa aplicação específica depende
Poli(cloreto de PVC Propriedades mecâni- Revestimento de fios, da sua composição, das suas propriedades particulares e da forma
vinila) cas elevadas, rigidez tubulações, estofa-
elevada, resistência ele- mento
do objeto. Na indústria de automóveis e aeronaves, vários tipos
vada a chama. de plásticos são empregados graças a sua resistência mecânica,
Policarbonato PC Excelentes proprieda- Escudos, janelas de se-
a sua resistência a óleos e sua resistência elétrica. Em virtude da
des mecânicas, boa es- gurança, capacetes existência de equipamentos de moldagem conveniente, os plásticos
tabilidade dimensional, substituíram completamente os metais em certos componentes de
resistência a chama. grandes dimensões como nos painéis de instrumentos de automóveis.
Poliuretano PU alta resistência a abra- amortecedores, sola- Os plásticos são muito empregados no mercado de embalagens
são e ao rasgamento dos (garrafas, sacos plásticos etc.) apesar da crescente preocupação pela
poluição do meio ambiente provocado pelo descarte irresponsável
O processamento de polímeros é definido como a atividade dos mesmos na natureza. Na construção civil, os plásticos são
de engenharia relacionada às operações realizadas em materiais empregados como tubos de PVC da rede elétrica e hidráulica. Em
poliméricos de modo a aumentar suas utilidades. Primariamente, suma, há uma grande variedade de aplicações dos plásticos devido
o processamento de polímeros lida com a conversão de materiais as suas propriedades gerais.
poliméricos crus em produtos acabados. Há vários tipos de A indústria de plásticos geralmente é dividida em dois
processamentos de polímeros, dentre os principais são sopro, setores industriais distintos: aquele que produz o polímero a partir
extrusão e injeção. da matéria-prima e aquele que transforma o polímero cru em uma
determinada peça com aplicação específica usando determinado
9. Indústria de plásticos tipo de moldagem. A moldagem do plástico pode ser feita de
diferentes formas, dependendo da peça a ser produzida. O princípio
Inicialmente, os polímeros naturais foram os primeiros da moldagem, contudo, é o mesmo, independentemente do tipo de
materiais poliméricos usados pelo homem, por exemplo, na indústria processamento do plástico, ou seja, aquecimento sob forma de calor,
têxtil o uso de algodão e seda, na indústria de papel, o uso de celulose, pressão e/ou cisalhamento de forma a fundir o material polimérico.

214 Caio Lima Firme Química para Engenharia 215


O fluido polimérico formado passa pela matriz para adquirir uma
determinada forma e, em seguida, é resfriado ao se formar a peça
desejada.
A moldagem do plástico por extrusão representa um processo
semicontínuo de produção em que o material é fluidizado a partir
de tensão de cisalhamento, calor e pressão gerados ao passar por O PET foi preparado pela primeira vez em 1946 e introduzido
uma (ou mais de uma) rosca sem fim e é forçado através de uma no mercado em 1953 como fibra têxtil e peças moldadas por injeção
matriz de modo a adquirir uma forma predeterminada. A extrusão em 1966. As garrafas PET foram feitas no pela primeira vez nos
não é empregada apenas para polímeros, ela é empregada também na EUA em 1977, apresentando leveza, boa resistência e transparência.
indústria de alimentos e de produção de peças metálicas. O processo E chegou no Brasil em 1988/1989.
de extrusão de polímeros é empregado para a produção de fibras, As propriedades do PET são brilho, transparência, alta
varetas, canos, filmes, cobertura de cabos e placas. resistência mecânica e barreira a gases, resistência química, baixa
O processamento de termoplásticos por moldagem por injeção densidade e baixo custo. O PET semicristalino tem baixa velocidade
compreende a maior porção da indústria. A primeira máquina foi de cristalização. Por isso o fato dele ser transparente. A temperatura
construída em 1872 para o processamento da celuloide. A moldagem de fusão cristalina (Tm) do PET comercial varia entre 255 a 265oC
por injeção é um processo em batelada que também utiliza um sistema (impurezas que formam cristais imperfeitos) e do PET (sem história
de rosca sem fim para fundir o material polimérico cru (pélets) térmica) 280oC.
formando um fluido polimérico que passa através de uma cavidade e O consumo mundial de PET para garrafas em 2002 foi de
segue para um molde. O fluido polimérico preenche toda a cavidade 8.000.000 toneladas. Mas, a coleta de garrafas PET pós-consumo no
do molde, adquirindo a configuração deste molde. O molde tem mesmo ano foi de apenas 1.400.000 toneladas.
um eficiente sistema de refrigeração que resfria fluido polimérico O PET é preparado em dois estágios: Primeiro, a
contido no molde, transformando-o em uma peça com um formato transestereficação do tereftalato de amida mais etileno glicol
desejado. A maior utilidade da moldagem por injeção é a produção catalisada por íons Mg+2, Zn+2 ou Mn+2 ou do ácido tereftálico+
de objetos multidimensionais pequenos ou de tamanhos médios com glicol etilênico (excesso de etileno glicol e remoção de água)
formas precisas e complicadas. A quantidade de distintos objetos formando BHET (bis-hidróxi-etileno); Depois, o aquecimento a alta
produzidos é incrivelmente grande: de escovas de dente e de cabelo temperatura sob vácuo do BHET catalisada por acetato de chumbo,
a tampas de garrafa. zinco, cálcio, manganês ou magnésio.
Ciclo industrial da produção do PET a partir do éster tereftálico
9.1 Produção de PET

PET [poli(tereftalato de etileno)] é um polímero obtido através


da reação de policondensação (reações entre ácido e base gerando
moléculas de água como coproduto) entre o ácido tereftálico (ou
éster tereftálico) e o etileno glicol.

216 Caio Lima Firme Química para Engenharia 217


O PET é usado para fazer fibras, filmes, fitas magnéticas,
garrafas, embalagens para sucos, molhos e produtos de higiene e
limpeza.
A garrafa de PET é processada pela técnica injeção-sopro
em que pélets de PET são injetados em uma pré-forma (15% de
cristalização). Em seguida, os pélets são aquecidos e assoprados
por uma corrente de ar dentro da pré-forma, fazendo o plástico se
estender até o molde frio (30% de cristalização – estiramento e
maior orientação). A garrafa PET produzida tem uma queda de 28%
do peso molecular em relação ao PET virgem.
Os plásticos são os materiais que mais aparecem no lixo urbano,
contribuindo para a poluição ambiental e impedindo o escoamento
das águas das chuvas. A reciclagem visa reduzir a geração de lixo
sólido e conservar a matéria-prima. A reciclagem pode ser de três
tipos: mecânica, química e incineração.
O gasto de energia para produzir pellets de PET virgem é da
ordem de 83MJ/kg. O gasto de energia para produzir pellets de PET
reciclado é de apenas 9 MJ/kg, representando uma economia de 74MJ/
kg. A energia recuperada a partir da incineração do PET é de 33MJ/
kg, ou seja, a economia gerada pela incineração (como combustível)
é menos da metade da reciclagem e ainda tem o inconveniente de
gerar poluentes atmosféricos nocivos ao meio-ambiente.

218 Caio Lima Firme


IMPRESSÃO E ACABAMENTO
Oficinas Gráficas da EDUFRN
Editora da UFRN, em maio de 2011.

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