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R ev. d o M u seu d e A rq u eo lo g ia e E tn o lo g ia , S. Paulo, 3: 159-164, 1993.

MUSEU CONTEMPORÂNEO E OS GABINETES


DE CURIOSIDADES

Patrícia Tavares Raffaini *

RAFFAINI, P. T. Museu Contemporâneo e os Gabinetes de Curiosidades. Rev. do M useu


d e A rq u eo lo g ia e E tn o lo g ia , S. Paulo, 3: 159-164, 1993.

RESUM O: Através de uma análise dos Gabinetes de Curiosidades


em seu contexto cultural dos sécs. XVI-XVII, busca-se recuperar traços
que ainda permanecem na atitude do público frente às exposições nos
M useus Contemporâneos.

UNITERMOS: Gabinetes de Curiosidades - Coleções - História dos


M useus - M useologia.

Introdução compreender os referenciais desse grande público,


com vistas a orientar o trabalho museológico no
A tualm ente a afirm ação “M useu não é
sentido de atraí-lo para a instituição Museu.
depósito de velharias” não deveria ser necessária
entre os profissionais de Museu, dando lugar a
várias propostas do que seria Museu e de como Os Gabinetes de Curiosidades
ele atuaria no contexto cultural de nossa sociedade. Existentes por toda a Europa, durante os
No entanto, ainda permanece difundida entre o séculos XVI e XVII, coleções de objetos raros
grande público a noção de que Museu é, além de ou curiosos receberam o nome de Gabinetes de
lugar de “ velharias” , lugar onde podem ser Curiosidades ou Câmaras de M aravilhas, em
encontrados objetos únicos, curiosos, maravilhosos. alemão Kunst und Wunderkammer. Pomian, no
Seria interessante, então, refletir sobre a texto “La culture de la Curiosité”, conta que
possível herança cultural que leva esse grande existiram centenas, senão milhares, de gabinetes
público a esperar do Museu exatamente o contrário pela E uropa, neste período, m antidos por
do que seus profissionais propõem. Deste modo, príncipes ou casas reais, humanistas, artistas ou
procurarei abordar uma provável herança cultural ricos burgueses; elementos representantes da
deixada pelos Gabinetes de Curiosidades dos cultura erudita in teressada em conhecer e
séculos XVI e XVII, e a necessidade de se colecionar o mundo que os cercava. Podemos
mencionar, dentre estes, alguns dos mais conhecidos,
o Gabinete dos Médicis em Florença, as coleções do
(*) Dpto. de História da Faculdade de Filosofia, Letras e
imperador Rodolpho (1576-1612), em Praga, a
Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Pós-
Graduação.
(1) É interessante lembrar que a palavra “velharia” denota
uma desqualificação desses objetos, por parte dos profissionais (2) Germain Bazin, nos esclarece que a palavra francesa
de Museu. Contudo, eles não têm esse sentido para o público, “Cabinet”é procedente do italiano e designava primeiramente
sendo importantes o suficiente para poderem fazer parte de um local reduzido, um m óvel, no qual se guardavam
um Museu. documentos íntimos ou objetos pessoais (Bazin, 1987).

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coleção do arquiduque Ferdinando, no castelo de a riqueza, a instrução de seus proprietários, assim


Ambras, em Viena, e a Câmara de Curiosidades do como as particularidades nacionais e ainda os
duque Alberto V, da Baviera. interesses e gostos pessoais de cada um.
No entanto, os G abinetes não eram só Entretanto, na sua diversidade, os gabinetes
privilégio da nobreza. No mesmo texto, K. Pomian possuem um ponto em comum, os que são seme­
analisa o Gabinete de um médico de Castres, Pierre lhantes a esse de Pierre Borel serão um “micro­
Borel (1620-1671), que continha uma grande cosm o” , um com pêndio do universo. “Um
diversidade de objetos. A diversidade de objetos gabinete é então o universo inteiro que se pode
colecionados era uma das características de muitos ver de um só golpe, é o universo reduzido, por
Gabinetes, como depreendemos pelas gravuras de assim dizer a dimensão dos olhos” (Pomian, 1982:342).
época que os reproduzem, ou pelos catálogos e Os objetos existentes no gabinete de Borel,
inventários que listam estas peças. Eram realmente assim como em outros, carregam muito do mara­
poucos os Gabinetes que possuíam coleções vilhoso, do fabuloso, do curioso. Monstros de duas
homogêneas. cabeças, monstros m arinhos, fragmentos de
Em grandes coleções como na do rei Frederico múmias, anomalias animais, chifres de unicórnios,
III (1648-1670), da Dinamarca, existiam na e outros, m ostram o universo m aravilhoso,
Kunstkammer real várias salas específicas por tipo fantástico, existente nos gabinetes. Assim como
de objeto: gabinete das medalhas, gabinete das as antiguidades greco-romanas m ostram um
curiosidades naturais, gabinetes das índias e outros. passado ideal, os instrumentos científicos, como
Já em gabinetes menores, como o do médico Pierre lunetas, microscópios, globos terrestres, instrumentos
Borel, os objetos foram divididos em várias astronômicos, mostram a engenhosidade da natureza
categorias: “raridades do homem”, “bestas de quatro humana.
pés”, “pássaros”, “peixes e zoóphitos do mar”, Neste contexto de coleção, os objetos de
“conchas”, “outras maravilhas marinhas”, “insetos cultura material, provenientes do Novo Mundo,
e serpentes”, “plantas, primeiramente os bulbos e ganham um novo sentido, são curiosidades de um
raízes”, “folhas”, “flores”, “sementes e grãos”, mundo que acaba de ser descoberto. “As expe­
“frutas raras”, “outras frutas e sementes”, “minerais, dições que voltam dos países longínquos trazem,
primeiramente as pedras”, “coisas transformadas com efeito, não só mercadorias altamente van­
em pedras”, “outros minerais”, “antiguidades” e tajosas mas também todo um novo saber, e novos
“coisas artificiais” (Pomian, 1982:338). semióforos: tecidos, ourivesarias, porcelanas, fatos
Por esta enumeração, que consta no catálogo de plumas, ídolos, fetiches, exemplares da flora e
deste gabinete e por outros catálogos e inventários, da fauna, conchas, pedras afluem assim aos
notamos o desejo de englobar todo o universo gabinetes dos príncipes e aos dos sábios. Todos
conhecido e dividindo-o em três grandes categorias: esses objetos, qualquer que fosse o seu estatuto
obras de Deus (homens, animais, plantas); produtos original, tomam-se na Europa semióforos, porque
da natureza (pedras); objetos de fabricação humana recolhidos não pelo seu valor de uso mas por causa
(artefatos). Existiam também dentro desse e de de seu significado, como representantes do
outros gabinetes, outros tipos de classificação, invisível: países exóticos, sociedades diferentes,
como por exemplo, a que tem como parâmetro os outros climas.’’(Pomian, 1985:77).
quatro elementos: fogo, terra, água e ar. Ana Cristina Guilhotti, no artigo “A Imagem
Os diferentes tipos de classificação, ainda que Visual, descoberta, conquista e museificação da
nos pareçam insólitos, refletem uma determinada América, século XVI e XVII”, aborda também
ordem e sistema de classificação, na organização esse aspecto do desejo de totalidade, de univer­
e disposição dos objetos pelo gabinete, tal como salidade que estrutura os gabinetes e coloca o papel
será visto adiante pela análise de gravuras de dos objetos de cultura material americana nesses
época. Esse sistema classificatório e a constituição
específica desses gabinetes, pode nos mostrar
como o homem, inserido na cultura erudita dos
(3) M. Foucault explora a reanimação da noção de micro­
séculos XVI e XVII, percebe o mundo a sua volta cosmo, através da Idade Média e desde o início da Renascença
e como o classifica. As diferentes categorias dos por uma tradição neoplatônica, no livro As P alavras e as
objetos dos gabinetes mostram as posições sociais, Coisas (Foucault, 1966).

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últimos. Para a autora, a totalidade que essas determinada cultura, mas um único elemento que
coleções “(•••) permitiu alcançar é problemática, pois contivesse todos os traços representativos, um
consiste na reunião de fragmentos selecionados ou “exempla” . Buscava-se, assim, o raro, não o
possíveis de se obter (...)” (Guilhotti, 1991/92:33). comum. Esses objetos etnográficos provenientes
Todavia, mesmo possuindo coleções que hoje da América podiam ser encontrados em gabinetes
realmente nos parecem tão diversas e fragmentadas, de Viena, Bolonha, Praga, Copenhague, Uppsala,
o gabinete de curiosidades representa todo um Holanda, e também da Inglaterra.
universo, constitui um microcosmos reunido em Ana Cristina Guilhotti, ainda no mesmo
uma única sala, possui, assim, a totalidade, a uni­ artigo, descreve as peças etnográficas encontradas
versalidade almejada na época, segundo a visão de no inventário do gabinete de Antônio Gigante
mundo específica do contexto europeu dos séculos (1535-1598), localizado em Bolonha, observando
XVI e XVÜ. Deste modo, os objetos etnográficos, a disparidade de objetos que o compunham, o que
assim como outros dentro do gabinete, são seria freqüente em outros gabinetes. Os objetos
representantes do universo que se deseja conhecer, das “índias Ocidentais”encontrados nesta coleção,
possuir, apresentam o que não se pode ver, o que são “um mapa pré-colombiano, consistindo em
está distante. duas partes de um Codex, dois cocares de penas
No entanto, na busca da totalidade, as da Flórida, nove ídolos de pedra do Novo Mundo,
coleções etnográficas não procuravam abranger um machado de pedra, uma faca de pedra com o
toda uma série de elementos representativos de cabo de madeira, com a qual eles sacrificavam,

Fig. 1 -Museo Wormicmi, 1655 (Museum,1988, m l 60)

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Fig. 2-M useu de Ferrante Imperato, 1672 (Negei,J986). F. Imperato, Historia Naturale, Napoli,
1672.

Fig. 3- Museu de Francesco Calceolari, 1622(Negei, 1986)

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uma série de arcos, flechas e pedras (utilizadas do século XV e são banidas novamente, desta vez
como instrumentos cortantes) , um mosaico de não pela Igreja mas pelas instituições da ciência.
penas e um a m itra m ex ican o s” (Im pey & Quanto aos gabinetes de curiosidades, com sua
MacGregor, 1985:18 qpzft/Guilhotti, 1991/92:33). aspiração de tomar visível todo o ser, eles se
As gravuras de época que retratam os transformam em gabinetes de história natural,
gabinetes ilustram a mesma diversidade nas subordinados a perguntas científicas” (Pomian,
coleções. A figuração do “Museo Wormiani” (1655) 1982:358).5
contém várias peças etnográficas como flechas e Esses gabinetes e m useus são, assim ,
arcos, remos, elementos de vestuário, instrumentos adquiridos ou doados às universidades, passando
musicais, misturados a uma grande diversidade definitivamente para o poder das instituições
de objetos de história natural: animais empalhados, científicas, que os organizam com prerrogativas e
peixes, conchas, pedras, como também peças da propósitos científicos.
antiguidade e muitos outros objetos .4 Em três Mas será realmente findo o tempo da curio­
outras g rav u ras, a do “M useo di Ferrante sidade? Hoje não acreditamos mais na idéia de
Imperato” (1672), em Nápoles, do “Museo di microcosmos, na idéia de que reunindo peças
Francesco Calceolari” (1622), em Verona, e da representativas de todo o mundo em uma única
W underkammer do doutor Domenico Tessari sala, se isso é possível, estaremos representando
(1667), em Pádua, não encontramos uma presença todo o universo. Entretanto, basta essa postura
marcante de peças etnográficas, sendo que nos dois intelectual para que o curioso, o raro, o fantástico
primeiros existem predominantemente coleções de deixem de exercer seu fascínio sobre nós e o
história natural e antiguidades, e no terceiro a público que visita atualmente nossos museus?
tônica da coleção são as raridades (ver ilustrações). Quanto ainda existe dos traços culurais rema­
Mesmo não sendo o ponto forte dos gabinetes de nescentes do “tempo dos gabinetes”?
curiosidades, os objetos de cultura material,
provenientes do mundo recém-descoberto, aparecem
em muitos deles, como objetos curiosos de um A curiosidade no Museu Contemporâneo
mundo ainda deconhecido, remoto. Bruno Bettelheim nos fala, em seu ensaio “As
A Renascença, com seu culto à antiguidade crianças e os museus”, da fascinação que objetos
clássica, a Queda de Constantinopla, colocando valiosos, raros, maravilhosos, exercem sobre as
os europeus em contato direto com o Império crianças e sobre o público em geral. Citando
Otomano, e as Grandes Navegações, que trazem Francis Bacon, “do assombro nasce o conhecimento”,
à Europa um novo mundo, distante, com uma ele discorre sobre a importância deste assombro
natureza e povos até então desconhecidos, no processo de aquisição do conhecim ento,
transformam a Europa. A cultura da curiosidade, criticando, assim, os m useus modernos que
em suas m últiplas formas, se tom a um dos procuram transmitir um conhecimento racional
componentes básicos da cultura erudita dos acabado para as crianças. “Um número excessivo
séculos XVI e XVII. de museus modernos procura transmitir às crianças
Tendo ingressado na cultura oficial no final conhecimentos que não despertarão o menor
do século XV, a cultura da curiosidade é banida assombro. Acho que o melhor seria instilar na
no final do século XVII. O nascimento do saber criança o respeito, o assombro, únicos sentimentos
científico coloca a necessidade de adestramento capazes de gerar um conhecimento sugestivo. Tal
do conhecer, a necessid ad e do m étodo. A conhecimento realmente enriquece nossas vidas,
curiosidade se toma, então, um vício capaz de pois permite transcender os limites do cotidiano,
perverter o conhecimento, na medida em que ela uma experiência muito necessária se quisermos
não traça limites, não tem regras nem um método,
como o que é proposto no século XVIII. “(...) as
ciências curiosas entram na cultura oficial no fim
(5) Ainda que Pomian refira-se a esta atuação da Igreja no
período m edieval, devem os lembrar que ela própria
mantinha em seu poder coleções de curiosidades. Esses
(4) Esta coleção do “Museo Wormiani” foi posteriormente objetos, alguns existentes até hoje, tinham, por vezes, um
comprada pelo rei Frederico III, da Dinamarca. papel apotropaico.

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alcançar a plenitude de nossa hum anidade” diálogo Museu-Público, ao pensarmos um Museu


(Bettelheim, 1991:138). para a comunidade. R espeitando esta idéia
Desta maneira, valorizando tal sentimento tradicional de Museu como espaço onde se dá a
frente ao curioso como forma de aprendizado e de relação com peças raras, m aravilhosas, que
transcendência, Bruno Bettelheim nos mostra que transcendem nossa realidade, poderemos con­
esta relação entre o público e o objeto curioso é quistar este público, para que ele usufruindo da
fecunda e não deve ser rejeitada pelos Museus. instituição Museu, inicie a construção do seu
Por ser justamente emocional e não racional, ela conhecimento.
conquista o público, levando-o à construção de seu
próprio conhecimento. Assim, o principal papel
do M useu seria: “ ... independentem ente do Agradecimentos
conteúdo que possa ter: estimular - e o que é mais
importante, cativar - a sua imaginação; despertar M eus agradecim entos à ProfA T hekla
sua curiosidade para que deseje aprofundar o Hartmann (MAE-USP), às Prof55. Ana Cristina
significado daquilo a que se expõe no museu...” Guilhotti e Maria José Elias (MP-USP) e a Vera
(Bettelheim, 1991:144). d’Horta ( Museu Lasar Segali), pelas indicações
Por conseguinte, a expectativa que envolve bibliográficas e pelo empréstimo de material
o público em relação ao M useu deveria ser iconográfico, à Prof5. Maria Isabel D ’Agostino
respeitada e utilizada como ponto inicial no Fleming, pela discussão do texto.

RAFFAINI, R T. The Contemporary Museum and the Cabinets o f Curiosities. Rev. doM u seu
de A rqueologia eE tn ologia, S. Paulo, 3:159-164, 1993.

ABSTRACT: Through an analysis provided by the “Cabinets of Curiosi­


ties”, over the XVI - XVII centuries cultural context, we are trying to restore
tracks which have still remained at people’s atitudes in face of the Contempo­
rary Museums exhibitions.

UNITERMS: Cabinets of Curisities - Collections - Museums History -


Museology.

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R e ceb id o p a ra p u b lica çã o em 10 de maio de 1993.

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