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GENEALOGIA E BIOGRAFIA DE JOÃO CAPISTRANO DE MACEDO ALCKMIN

E DE SEUS DESCENDENTES

Dom Viçoso / MG (Foto: Gilberto M. Palma)


(Terra onde João Capistrano de Macedo Alckmin tinha a Fazenda do Rosário e lá construiu uma Capela
dedicada a Nossa Senhora do Rosário, onde o bispo Dom Viçoso ia fazer crisma e em torno da qual se
desenvolveu uma povoação, dando origem a cidade de Dom Viçoso).

AUTOR: JOSÉ NILTON DE PAIVA

Pouso Alto / MG, Julho de 2012.


ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 4
2. BIOGRAFIA DE JOÃO CAPISTRANO DE MACEDO ALCKMIN................................................ 7
2.1 A Origem do Sobrenome “Capistrano”. .............................................................................. 8
2.2 A Origem do Sobrenome “Alckmin”. .................................................................................. 8
2.3 Genealogia da Família Capistrano Macedo Alckmin ......................................................... 9
2.4 Genealogia da União das Famílias Capistrano, Paiva, Negreiros e Gorgulho. ............... 10
2.5 Casamento e Filhos ......................................................................................................... 11
2.6 Pais e Irmãos de João Capistrano de Macedo Alckmin ................................................... 12
2.7 Fazenda do Rosário: A Origem da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário (atual Cidade de
Dom Viçoso / MG) ......................................................................................................................... 13
2.8 Fazenda dos Pintos ......................................................................................................... 14
2.9 Distrito de Nossa Senhora do Carmo de Pouso Alto ....................................................... 17
2.10 Ponte do Carmo ............................................................................................................... 18
2.11 Censo de Pouso Alto, no ano de 1839 ............................................................................ 20
2.12 Pouso Alto ........................................................................................................................ 21
2.13 A Participação de João Capistrano de Macedo Alckmin na Revolução de 1842 em Minas
Gerais. 22
2.14 Bacharelado de João Capistrano na Primeira Turma da Primeira Faculdade de Direito do
Brasil 25
2.14.1 Os ilustres professores da Primeira Turma da Faculdade de Direito de São Paulo 26
3 BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA MACEDO ALCKMIN ............................. 28
3.1 João Rodrigues de Macedo: O Benemérito da Cidade de Campanha/MG ..................... 28
3.2 Alexandrina Melquiades de Macedo Alckmin: A Benemérita da Cidade de São Carlos/SP.
30
4 TESTAMENTOS E CERTIDÕES DA FAMÍLIA DE JOÃO CAPISTRANO DE MACEDO
ALCKMIN .......................................................................................................................................... 31
4.1 Testamento de João Rodrigues de Macedo (pai de João Capistrano de Macedo Alckmin)
31
4.2 Testamento de Rita Francisca de Alckmin (mãe de João Capistrano de Macedo Alckmin)
31
4.3 Certidão de Casamento dos Avós Maternos de João Capistrano de Macedo Alckmin ... 32
4.4 Testamento de Custódio Ferreira Pedroso (Avô Materno de João Capistrano Macedo de
Alckmin) ....................................................................................................................................... 33
4.5 Testamento de Maria Josefa Alcamin (bisavó de João Capistrano de Macedo Alckmin) 34
5. GENEALOGIA E BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA RODRIGUES
ALCKMIN .......................................................................................................................................... 36
5.1 Biografia de João Capistrano Ribeiro de Alckmin (filho de João Capistrano Macedo
Alckmin) ....................................................................................................................................... 37
5.2 Biografia de André Rodrigues Alckmin (filho de João Capistrano Ribeiro Alckmin) ........ 38
5.3 Biografia de José Geraldo Rodrigues Alckmin (neto de João Capistrano Ribeiro Alckmin)
39
5.4 Biografia de Geraldo José Rodrigues Alckmin (atual Governador do Estado de São
Paulo) 40
6. GENEALOGIA DA FAMÍLIA CAPISTRANO PAIVA.................................................................. 41
6.1 Casamentos e Filhos de José Capistrano de Paiva ....................................................... 42
7. CASAMENTO DE JOSÉ CAPISTRANO DE PAIVA E MARIA ISABEL NEGREIROS ............. 49
7.1 O Namoro ..................................................................................................................... 49
7.2 O Casamento de Zeca Paiva e Maria Isabel (Bebé) .................................................... 52
8. BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA PAIVA ................................................... 53
8.1 Biografia de José Capistrano de Paiva (neto de João Capistrano de Macedo Alckmin) . 53
8.1.1 José Capistrano de Paiva – O pai exemplar ............................................................ 55
8.1.2 Falecimento de José Capistrano de Paiva ............................................................... 56
8.2 Biografia do Dr. José Capistrano de Paiva Filho (meu irmão, bisneto de João Capistrano
de Macedo Alckmin) .................................................................................................................... 58
8.3 Biografia do Coronel Alceu Vilela Paiva (tataraneto de João Capistrano de Macedo
Alckmin) ....................................................................................................................................... 60

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8.4 Guiomar de Paiva Brandão (tataraneta de João Capistrano Macedo de Alckmin) .......... 62
9. CERTIDÕES E TESTAMENTOS DA FAMÍLIA PAIVA ............................................................. 63
9.1 Certidões de Batismo e de Casamento dos Tataravós de Zeca Paiva ............................ 63
9.2 Testamento de Tomásia Maria da Silva (Tataravó de Zeca Paiva) ................................. 64
9.3 Testamento de José de Paiva e Silva (Bisavô de Zeca Paiva) ........................................ 65
9.4 Censo de 1831 da família de Joaquim Severino de Paiva e Silva (avô de Zeca Paiva) ........ 65
9.5 Inventário de Maria Bento Carneiro (1ª Esposa de Joaquim Severino de Paiva e Silva) 66
9.6 Testamento de Joaquim Severino de Paiva e Silva (Avô de Zeca Paiva) ....................... 67
10. GENEALOGIA DA FAMÍLIA GORGULHO................................................................................ 69
10.1 A união das famílias Gorgulho e Negreiros ..................................................................... 70
10.2 O Casal João Capistrano Gorgulho (João do Morro) e Maria Imaculada Negreiros
Gorgulho ...................................................................................................................................... 70
10.3 Registros de Batizado, Casamento e de Dispensa de Impedimento Matrimonial da família
Noronha Gorgulho ....................................................................................................................... 71
10.4 Registros de Falecimento de José da Silva Gorgulho e de Domingos da Silva Gorgulho72
10.5 Testamento do Capitão Diogo Garcia (tataravô materno de José da Silva Gorgulho
Noronha) ...................................................................................................................................... 73
10.6 Inventário e Testamento de Antonio Luis Gonçalves (avô materno de José da Silva
Gorgulho de Noronha) ................................................................................................................. 75
11. BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA GORGULHO ......................................... 76
11.1 Biografia de Miguel Archanjo Gorgulho (bisneto de João Capistrano Macedo de Alckmin)
76
11.1.1 Cronologia da vida de Miguel Archanjo Gorgulho .................................................... 77
11.1.2 Monumento do acidente de JK na Dutra, sugerido por Miguel Gorgulho ................ 78
11.1.3 Decreto Municipal nº 4.203 dá denominação a Unidade de Pronto Atendimento:
UPA Miguel Archanjo Gorgulho ............................................................................................... 79
11.1.4 A origem do apelido “Pelé” do nosso rei do futebol. ................................................ 79
11.2 Biografia do ator Paulo Gorgulho (tataraneto de João Capistrano Macedo de Alckmin) . 80
11.3 Biografia da psicóloga Mônica Gorgulho (tataraneta de João Capistrano Macedo de
Alckmin) ....................................................................................................................................... 81
12. GENEALOGIA DA FAMÍLIA NEGREIROS ............................................................................... 82
12.1 Antônio José de Negreiros Macedo (bisavô do Vovô Zotinho) ........................................ 83
12.2 O casal Maria do Carmo Capistrano Alckmin e Antônio José de Negreiros (Tonico) ...... 83
12.3 Sebastião Capistrano de Negreiros (pai do Vovô Zotinho) .............................................. 85
12.4 Maria José Gorgulho Negreiros (mãe do Vovô Zotinho) .................................................. 86
13 RESUMO DA AUTOBIOGRAFIA DE SEBASTIÃO CRISÓSTOMO DE NEGREIROS (VOVÔ
ZOTINHO) ........................................................................................................................................ 87
14 OS FILHOS DE SEBASTIÃO CRISÓSTOMO (VOVÔ ZOTINHO) E MARIA DE JESÚS (VOVÓ
MARIA) ............................................................................................................................................. 97
14.1 Maria Alaíde Negreiros Arruda ......................................................................................... 98
14.2 Maria Isabel Negreiros Paiva (Bebé, minha mãe) ......................................................... 101
14.3 Maria Auxiliadora (Dorinha) Negreiros Lima .................................................................. 110
14.4 Terezinha Negreiros Pereira .......................................................................................... 114
14.5 Maria da Glória (Tigró) Negreiros Nogueira ................................................................... 116
14.6 Maria de Jesús (Zuza) Negreiros Nogueira ................................................................... 117
14.7 Yolanda Negreiros Nogueira .......................................................................................... 118
14.8 José de Arimathéia Negreiros ........................................................................................ 121

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1. INTRODUÇÃO
O importante é não perdermos de vista a memória da nossa história e
tudo de positivo que ela nos legou como riquíssima herança, pois, em
tempos de globalização, tem sido comum a perca da identidade histórica
de muitos povos e a derrocada de seus valores mais expressivos.
Fonte: http://www.campanha.mg.gov.br/cidade.html
Site da Prefeitura Municipal de Campanha / MG

Este livro trás a genealogia e a biografia de figuras ilustres da família de João Capistrano
de Macedo Alckmin e de seus descendentes, com o objetivo de relembrar aos familiares e
mostrar ao público em geral um pouco da biografia de grandes personagens de nossa
família e prestar um tributo à suas memórias, não deixando que o tempo e o esquecimento
acabem por limpar e esconder as marcas que eles deixaram na história e principalmente
no coração dos familiares e amigos.

O Capítulo 2 trás a biografia e a genealogia de João Capistrano de Macedo Alckmin, que


foi um rico fazendeiro, advogado bacharelado em 1832 na primeira turma da primeira
faculdade de direito do Brasil (atual USP), juiz de órfãos de Campanha/MG, deputado pela
Província de Minas Gerais e respeitado jurisconsulto. Neste capítulo há também resumos
de testamentos dos pais, avós e bisavós de João Capistrano de Macedo Alckmin.

Ainda no Capítulo 2, o item 2.7, trás a origem da criação da Freguesia de Nossa Senhora
do Rosário, cuja povoação teve início, em 1835, quando João Capistrano de Macedo
Alckmin mudou com sua esposa para a sua Fazenda do Rosário e lá construíram uma
Ermida (Capela) dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Nessa capela, o Bispo de
Mariana, Dom Viçoso, ia uma vez por ano, fazer a crisma dos cristãos do lugarejo. Anos
mais tarde, em 28 de setembro de 1887, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do
Rosário, depois denominada Dom Viçoso, em homenagem ao Bispo de Mariana. Dr.
Augusto César Capistrano de Alckmin, filho de João Capistrano Macedo de Alckmin, que
foi um famoso médico, formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, doou o
terreno de dois alqueires para a construção da escola, igreja e casa paroquial, necessárias
para consolidar a criação da Freguesia e foi homenageado com seu nome em uma Praça
em Dom Viçoso/MG.
.
O item 3.1 do Capítulo 3 trás a biografia do pai de João Capistrano de Macedo Alckmin, o
português João Rodrigues de Macedo, foi comerciante em Campanha/MG. Era um homem
modesto, muito religioso, caridoso e gozou de grande consideração por suas virtudes,
ajudava aos pobres e gerenciou obras na igreja matriz, construída por escravos e liderou a
construção da Santa Casa de Misericórdia de Campanha, que foi uma das primeiras do
Brasil. A foto de seu retrato, pintado a óleo sobre tela, exposto no Museu de Campanha
/MG, consta também neste capítulo.

O item 3.2 do Capítulo 3 trás a biografia da irmã de João Capistrano de Macedo Alckmin,
Alexandrina Melchiades de Alckmin, que junto com seu esposo João Alves de Oliveira, em
1841, comprou a Fazenda do Monjolinho, com cerca de mil cabeças de gado, situada
entre Araraquara e Rio Claro/SP. Com a morte de seu esposo, Alexandrina passou a
gerenciar a Fazenda e doou uma grande extensão de terras (726 mil metros quadrados) à
Câmara Municipal de São Carlos, permitindo a expansão da cidade de São Carlos,
praticamente dobrando o que havia antes da doação. Alexandrina foi homenageada com
seu nome “Dona Alexandrina” em rua central de São Carlos/SP.

O Capítulo 4 trás testamentos e certidões dos pais, avós e bisavós de João Capistrano de
Macedo Alckmin.

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O item 5.1 do Capítulo 5 trás a biografia do filho de João Capistrano de Macedo Alckmin, o
também advogado João Capistrano Ribeiro Alckmin, que, seguindo o exemplo de seu pai,
cursou a Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP), bacharelando-se em 19 de
novembro de 1860. Começou sua magistratura em Silveiras, no Estado de São Paulo.
Voltou para Minas Gerais, exercendo a função de Juiz de Direito nas cidades de Cambuí,
Camanducaia e Baependi. Foi Juiz Municipal em Três Pontas, onde participou da
implantação do Sistema de Transporte do Rio Verde. Foi vereador em Cristina, no período
de 1867 a 1870, quando recepcionou a Princesa Isabel que veio em visita à Cristina. Em
21 de abril de 1892, foi nomeado o 1º Juiz de Direito de Santa Rita do Sapucaí.

O item 5.2 do Capítulo 5 trás a biografia do filho de João Capistrano Ribeiro Alckmin, o
professor André Rodrigues de Alckmin, que foi professor e diretor de escolas públicas em
Itu e Guaratinguetá / SP.

O item 5.3 do Capítulo 5 trás a biografia do filho do professor André Rodrigues de Alckmin,
o advogado José Geraldo Rodrigues de Alckmin, que foi juiz do Tribunal Superior Eleitoral
e Ministro do Supremo Tribunal Federal.

O item 5.4 do Capítulo 5 trás a biografia do neto do professor André Rodrigues de


Alckmin, o médico Geraldo José Rodrigues de Alckmin Filho, o atual Governador do
Estado de São Paulo.

O Capítulo 6 trás a genealogia da família de meu pai José Capistrano Paiva (Zeca Paiva)
e o Capítulo 7 conta o seu namoro e casamento com minha mãe Maria Isabel Negreiros
de Paiva.

O item 8.1 do Capítulo 8 trás a biografia de meu pai José Capistrano de Paiva, que é neto
de João Capistrano de Macedo Alckmin. Meu pai foi farmacêutico, juiz de paz, prefeito,
inspetor municipal e professor, e foi homenageado com o título de cidadão honorário e tem
o seu busto e nome na praça central de Pouso Alto/MG.

O item 8.2 do Capítulo 8 trás a biografia de meu irmão, o médico José Capistrano de
Paiva Filho, pioneiro da cirurgia geral do Sul de Minas.

O item 8.3 do Capítulo 8 trás a biografia do meu sobrinho Alceu Vilela Paiva, filho do meu
irmão Argemiro Paiva. Alceu, coronel reformado do Exército Brasileiro e engenheiro
diplomado pelo Instituto Militar de Engenharia, foi agraciado pela Academia de História
Militar Terrestre do Brasil, com a Medalha do Mérito Histórico Militar. Foi titular da
Secretaria de Obras da Prefeitura de Resende, no período de 1966 a 1972; presidente do
Conselho Fiscal da Federação de Academias de História Militar Terrestre do Brasil
(FAHIMTB); professor de Física e Resistência das Matérias, na Academia Militar de
Agulhas Negras (AMAN), por 16 anos (1964 a1980); instrutor de História Militar no período
de 1978 a 1980 e atuou politicamente em Resende, presidindo o Diretório Municipal do
PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

O item 8.3 do Capítulo 8 trás a biografia do minha sobrinha, a pedagoga, escritora e


poetisa Guiomar de Paiva Brandão, filha de José Capistrano de Paiva Filho. Guiomar
escreveu vários livros para adultos e crianças, ganhou vários concursos e foi premiada
pela “Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA”.

O Capítulo 9 trás testamentos e certidões de antepassados da família Paiva.

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O Capítulo 10 trás a genealogia da família Gorgulho, cuja união os Capistrano Alckmin
teve início com o casamento de Maria da Glória Capistrano Alckmin (filha de João
Capistrano Macedo de Alckmin) com José da Silva Gorgulho de Noronha.

O item 11.1 do Capítulo 11 trás a biografia do empresário Miguel Archanjo Gorgulho,


bisneto de João Capistrano Macedo de Alckmin. Miguel Gorgulho recebeu as mais altas
condecorações pelos relevantes serviços prestados à comunidade de São Lourenço e ao
Estado de Minas. Em 21 de abril de 1997, recebeu em Ouro Preto, a “Grande Medalha da
Inconfidência”, pelas mãos do então governador de Minas, Eduardo Azeredo. Em 1999
recebeu o título de cidadão honorário de São Lourenço e em 12 de setembro de 2009,
recebeu em Diamantina, das mãos do então Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a
“Grande Medalha Presidente Juscelino Kubitschek”, a qual é concedida a personalidades
que prestam ou tenham prestado serviços relevantes à sociedade, contribuindo para o
crescimento de instituições políticas e governamentais.

O item 11.2 do Capítulo 11 trás a biografia do famoso ator Paulo Gorgulho, tataraneto de
João Capistrano Macedo de Alckmin. Paulo Gorgulho surgiu na televisão na telenovela
Carmem, em 1987, mas estourou mesmo como galã na novela Pantanal. Ele atua também
em teatro e cinema.

O item 11.2 do Capítulo 11 trás a biografia da psicóloga Mônica Gorgulho, tataraneto de


João Capistrano Macedo de Alckmin. Mônica Gorgulho é autora do livro "Dependências -
Compreensão e Assistência às Toxicomanias: a compreensão do PROAD"; coordenadora
do Setor de Redução de Danos do PROAD; conselheira do Conselho Estadual de
Entorpecentes – CONEN e Consultora Técnica da Secretaria Nacional Anti-Drogas –
SENAD.

O Capítulo 12 trás a genealogia da família Negreiros, cuja união com os Capistrano


Alckmin teve início com o casamento de Maria do Carmo Capistrano Alckmin (filha de
João Capistrano de Macedo Alckmin) com Antonio José Negreiros.

No Capítulo 12 estão também descritas breves biografias de integrantes da família


Negreiros, como por exemplo, de Sebastião Capistrano Negreiros, filho de Maria do
Carmo Capistrano Alckmin e Antônio José Negreiros (Tonico), que foi um e político
influente e foi vereador em Cristina/MG. Sebastião Capistrano Negreiros escreveu um
drama religioso para teatro, intitulado “Jesus, o Cego e a Leprosa”, dirigiu e atuou com
membros da família negreiros, fazendo grande sucesso. Essa peça teatral escrita por
Sebastião Negreiros, foi também apresentada pelo famoso Circo-Teatro Arethuzza, com a
participação de Arethuzza Neves (consagrada atriz daquela época) e sua família.
O Capítulo 13 trás o resumo da autobiografia do vovô Sebastião Crisóstomo de Negreiros
(vovô Zotinho), bisneto de João Capistrano de Macedo Alckmin. Vovô Zotinho era
fazendeiro, agricultor, comerciante e professor e vereador do Rosário de Dom Viçoso. A
autobiografia completa está disponibilizada no site www.espeschit.com.br/books

O Capitulo 14 cita os descendentes de Sebastião Crisóstomo de Negreiros (vovô Zotinho)


e Maria de Jesús Nogueira, com fotos.

Antecipo meus agradecimentos, caso queiram enviar comentários, complementações e


sugestões, para o e-mail jose.nilton.paiva@gmail.com, os quais poderão eventualmente
ser considerados na próxima edição revisada.

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2. BIOGRAFIA DE JOÃO CAPISTRANO DE MACEDO ALCKMIN

João Capistrano de Macedo Alckmin era filho do virtuoso e benemérito cidadão


campanhense João Rodrigues de Macedo. Foi o avô de meu pai José Capistrano de Paiva,
bisavô de Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Vovô Zotinho) e tataravô do médico e atual
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. João Capistrano foi um famoso advogado,
respeitado jurisconsulto, grande latifundiário da região do Sul de Minas e proeminente
deputado pela Província1 de Minas Gerais.
Talvez, devido ao exemplo e a tradição familiar de dedicação aos estudos e ao trabalho
e certamente também devido ao apoio e incentivo dos pais, há na família de João Capistrano
de Macedo Alckmin, muitos descendentes que foram ou são figuras ilustres e famosas, cujas
biografias serão descritas nesse livro.
“Logo após o nascimento do primeiro filho João Capistrano, o casal João Rodrigues de Macedo e
Rita Francisca de Alckmin, mudou para Pouso Alto e em seguida para Campanha. João Rodrigues
de Macedo se estabeleceu no comércio e gozou de grande consideração pelas suas virtudes, pois
era leal e generoso. Depois de ter liderado a construção da Santa Casa de Misericórdia, uma das
primeiras do Brasil, João Rodrigues foi seu Tesoureiro. Na construção da Catedral, João Rodrigues
de Macedo foi um dos principais colaboradores. Quase meio século morador em Campanha, se deu
o seu desenlace em 08/12/1854. A cidade chorou sua morte e em massa, acompanhou seus restos
mortais até o sepulcro.”
Fonte: Artigo do Padre José do Patrocínio Lefort, publicado na Voz Diocesana de 03/05/1956.

João Capistrano nasceu em São João Del Rei / MG, em 23 de outubro de 1811. Foi o
primeiro filho de João Rodrigues de Macedo, natural de Barcelinhos, Braga - Portugal, nascido
em 1776 e de Rita Francisca de Alckmin, nascida em São João Del Rei no dia 3 de Outubro de
1794. Foi um grande latifundiário da região do Sul de Minas, proprietário de enormes glebas
de terra e de fazendas. Suas terras começavam na Estação de Pouso Alto (atual São
Sebastião do Rio Verde / MG) e se estendiam por quilômetros e quilômetros, passando por
sua Fazenda do Rosário (que originou a Vila de Nossa Senhora do Rosário, atual cidade de
Dom Viçoso / MG) e indo além de sua Fazenda dos Pintos (atual Pintos Negreiros, município
de Maria da Fé / MG).
Em 1812, com um ano, João Capistrano de Macedo Alckmin mudou com seus pais
para a Vila de Campanha, no Sul de Minas Gerais, onde ele passou a infância e
adolescência e fez seus estudos primário e ginasial. Campanha foi sede administrativa e
jurídica do Sul de Minas e pioneira em Instrução, com escolas de merecido renome, sendo
considerada “O Berço da Cultura Sul Mineira”.

1
De 1720 a 1808 Minas era uma Capitania. A partir desta data tornou-se Província de Minas Gerais até o Brasil se
transformar em uma República, em 15 de novembro de 1889, quando cada Província passou a se chamar Estado.

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Em 01/03/1828, João Capistrano, então com 16 anos, iniciou seu curso superior na
primeira turma da recém criada Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a primeira
Faculdade de Direito do Brasil (atual USP), bacharelando-se em 1832. Essa primeira turma foi
composta por trinta e três alunos: nove da própria cidade de São Paulo, oito do Interior de São
Paulo, dez do Rio de Janeiro, dois da Bahia e quatro de Minas Gerais.

“São Paulo, onde foi instalada uma das duas faculdades de Direito criadas no Brasil em 1827, era
uma cidade pequena, de cerca de 10.000 habitantes e de economia basicamente de subsistência.
É em São Paulo que passam a viver jovens abastados de diferentes lugares do Brasil visando se
tornar bacharéis ou doutores que mais tarde ocupariam a maioria dos cargos políticos e
administrativos do Império. Na lista de formandos de 1832, de um total de 34, doze eram de São
Paulo, dez do Rio de Janeiro, cinco da Bahia, quatro de Minas Gerais e três do Rio Grande do Sul.
Muitos destes formandos tornaram-se expressões políticas importantes durante o Império, chegando
a ocupar cargos de maior relevância no país.”
Fonte: Revista da Faculdade de Direito de São Paulo, Ed. Espíndola, Siqueira&Comp., v. VIII, 1900.

João Capistrano de Macedo Alckmin exerceu o cargo de Juiz de Órfãos em


Campanha/MG no período de 1833 a 1835. Foi eleito Deputado Estadual pela Província de
Minas Gerais, no período de 1842 a 1843.

2.1 A Origem do Sobrenome “Capistrano”.

João Capistrano de Macedo Alckmin recebeu o nome “João Capistrano” por ter
nascido no dia consagrado a São João Capistrano, no dia 23 de outubro, que foi o dia em
que o santo faleceu. Coincidentemente, ambos foram advogados, políticos, ricos e muito
religiosos. João Capistrano de Macedo Alckmin adotou o nome “Capistrano” como
sobrenome dos filhos. Alguns filhos deram continuidade ao sobrenome “Capistrano” na
família.
São João de Capistrano foi um religioso italiano, venerado como santo pela Igreja Católica. Ele nasceu em
Campestrano no dia 24 de junho de 1386 e faleceu em Ilok no dia 23 de outubro de 1456. Cursou Direito
na Universidade de Perúsia e se tornou governador de uma cidade na Itália, sendo preso devido a
perseguições políticas. Muito desiludido após o falecimento de sua esposa, dedicou sua vida a Deus.
Vendeu seus bens e doou o dinheiro aos pobres, inspirado por São Francisco. Se tornou sacerdote e
encarou com humildade e dedicação todas as tarefas que lhe foram impostas. Fonte: Wikipédia - A
Enciclopédia Livre.

2.2 A Origem do Sobrenome “Alckmin”.

A bisavó de João Capistrano de Macedo Alckmin, Maria Josefa de Alcamin,


nascida em São João Del Rei, originou o sobrenome “Alckmin” na família, pois registrou
sua filha com o nome Maria Emiliana Justina de Alckmin (avó de João Capistrano de
Macedo Alckmin), empregando a grafia “Alckmin” ao invés de “Alcamin” do seu
sobrenome.

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2.3 Genealogia da Família Capistrano Macedo Alckmin
Maria Hipólita
Antonio Rodrigues José da Costa
Chaves Alcamin Ferreira Custódia
Maria Josefa Doou terras
Maria Joaquina Nascidos em para ampliação de
Caetana Moura. Alexandrina São Carlos/SP, onde
Braga / Portugal Melquíades há uma rua com seu
Maria Josefa de nome: Rua Dona
Major João Rodrigues Ana Izabel Alexandrina.
de Macedo. Alcamin (solteira)
Casamento em (? – 1794)
(1776 – 1854) SJDR em 1809 Generosa
Rita Francisca de Origem do
Alckmin Maria Emiliana sobrenome “Alckmin”
(1794 – 1857). Justina de Alckmin Francisca

Alferes Custódio Casamento em Joana Carolina


Ferreira Pedroso SJDR em 1793
(? – 1820) Rita

João Capistrano de Luiz Capistrano Fazendeiro e professor


Macedo Alckmin em Carmo de Minas
Custódia Guimarães
(1811 - ?)
Pais de José Capistrano de Paiva
Casamento Maria Augusta Maria Custódia (meu pai), famoso farmacêutico e
em 1835 Cesarino Ribeiro cidadão honorário de Pouso Alto..
(1812 – 1882) Francisco Teodoro Paiva

João Capistrano Advogado, com brilhante carreira


Ribeiro de Alckmin como juiz de direito e vereador em
Cristina/MG. Bisavô do atual
Maria Joana Rodrigues Governador de SP, Dr. Geraldo
Alckmin

Maria Victória.
Francisco Mario Moura
Rangel

Manuela Augusta Pais de João Bráulio Moinhos de


Vilhena Jr.(médico, secretário de
Desembargador João finanças, Deputado Estadual MG
Bráulio Moinhos Vilhena

Padre José Calazans.

Maria do Carmo Avós do Vovô Zotinho, fazendeiro,


agricultor, comerciante, professor e
Antônio José Negreiros vereador no Rosário de Dom Viçoso.

Altina Elina Negreiros


Famoso médico no Sul de Minas
Augusto César
Ana de Noronha
Avós de Miguel Archanjo Gorgulho
Maria da Glória (famoso empresário, cidadão honorário
José da Silva Gorgulho de São Lourenço) e bisavós de Paulo
Noronha Gorgulho (famoso ator)

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2.4 Genealogia da União das Famílias Capistrano, Paiva, Negreiros e Gorgulho.
“Família tão grande e unida, como a nossa, não existe outra.”
(Alaíde Negreiros Arruda)
João Capistrano
Macedo Alckmin
Maria Augusta
Ribeiro

Maria Custodia Maria do Carmo Augusto César Maria da Glória


Capistrano Alckmin Capistrano Alckmin Capistrano Alckmin Capistrano Alckmin
Francisco Antônio (Tonico) Altina NEGREIROS José Noronha
Theodoro PAIVA José NEGREIROS GORGULHO

1ª esposa: Quinhinha José


João Negreiros Augusto
José Bruno João Capistrano. Gorgulho
Marica C. Paiva
2ª esposa: Maria Maria
Imaculada Negreiros Tereza
Joaquim
Osmilda
Maria Rita Vilhena 3ª esposa: Mª Rita Vilhena Tomás
Sebastião Capistrano
Ladislau Negreiros Afonso

Manoela Ten. João 2ª esposa: 1ª esposa:


Negreiros Irmã
Matilda Lavínia Maria José Ângela
Antoninha Negreiros Gorgulho
José Capistrano
de Paiva Mª da Glória José Maria

3ª esposa: Maria Maria Alaíde


Isabel Negreiros José Faustino

Sebastião Antônio Érico


Zélia Maria Isabel Crisóstomo
Zezinho N. (Bebé) (Vovô Zotinho)
Arruda Mª do Carmo
Fernando Maria de
Olga N. Mª Auxiliadora Jesus Nogueira
Lima (Dorinha) (Vovó Maria) Mª da Glória
Tião
Mª Terezinha Rafael Archanjo
Evaldo Vilciléia N. Goica
Martins
Mª da Glória Gabriel Archanjo
Marcia Gabriel N. (Tigró) Carmita
Arruda
Miguel Archanjo
Marilda Mª de Jesus Niquinho
(Zuza)
Mª Catarina
José Nilton João
Yolanda Crisóstomo
(Landinha) Maria
Edmar
José
José Bartolomeu Maria de Jesus
Maria José Arimatheia

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2.5 Casamento e Filhos

João Capistrano de Macedo Alckmin casou com Maria Augusta Ribeiro, nascida em
Pouso Alto em 1812 e falecida em 1882, filha de um grande proprietário de terras, dono da
Fazenda do Condado, próxima ao Distrito de Nossa Senhora do Carmo de Pouso Alto.
João Capistrano e Maria Augusta tiveram nove filhos:

1º) João Capistrano Ribeiro de Alckmin:


João Capistrano nasceu na Fazenda do Rosário, naquela época pertencente a Pouso Alto/MG, em 25 de
junho de 1837. Faleceu em 1900 em Águas de São Lourenço/MG.
Casou com Maria Joana Rodrigues, tendo 15 filhos: Adeodato, Cícero, Cristiano, João Lino, Zizinha, Maria
Jesuína, José Calazans, Gabriel, Marieta, João Capistrano de Alckmin Júnior, Almeirinda, Jorge Americano,
André Rodrigues de Alckmin, Luiz e Waldomiro.
O filho André Rodrigues Alckmin foi o pai de José Geraldo Rodrigues de Alckmin (advogado, Juiz do TSE e
Ministro do STF) e avô do médico e o atual Governador do Estado de São Paulo, Geraldo José Rodrigues de
Alckmin Filho.
João Capistrano Ribeiro de Alckmin, seguindo o exemplo do pai, bacharelou-se advogado na Faculdade de
Direito do Largo de São Francisco (atual USP) e fez brilhante carreira como juiz de direito em várias cidades
de Minas Gerais e como vereador em Cristina/MG.
2º) Maria Custodia Capistrano Alckmin:
Maria Custodia nasceu na Fazenda do Rosário - Pouso Alto/MG.
Casou com Francisco Teodoro de Paiva, tendo cinco filhos: José Capistrano de Paiva (meu pai, famoso
farmacêutico, Juiz de Paz, professor e cidadão honorário de Pouso Alto), Marica, Ladislau, Osmilda e Matilda.
3º) Luiz Capistrano Alckmin:
Luiz nasceu na Fazenda do Rosário, em 1839, Distrito de Nossa Senhora do Carmo Casou com Maria
Custódia Guimarães, tendo uma filha: Maria Augusta Alckmin.
Luiz era fazendeiro e professor.
4º) Maria Vitória Capistrano Alckmin:
Maria Victoria casou com Francisco Mario Rangel e após ficar viúva, casou com seu segundo esposo
Francisco José Santiago.
5º) Manuela Augusta Capistrano Alckmin:
Manuela nasceu na Fazenda do Rosário, em Dom Viçoso / MG, no dia 8 de novembro de 1840. Casou-se
com o Desembargador João Braulio de Vilhena. Tiveram 2 filhos: Antonio Braulio de Vilhena e João Braulio
de Vilhena Junior (médico, secretário de finanças e Deputado Estadual de Minas Gerais).
6º) Padre José Calazanz Capistrano Alckmin:
Padre José Calazans nasceu em Dom Viçoso / MG no dia 20 de outubro de 1842.
7º) Maria do Carmo Capistrano Alckmin:
Maria do Carmo nasceu em Dom Viçoso / MG no dia 22 de novembro de 1846. Casou-se com Antônio
(Tonico) José Negreiros (avô do Vovô Zotinho).
Tiveram 9 filhos: Altina Eulina (casou com Augusto César Capistrano de Alckmin, filho de João Capistrano),
Sebastião (pai do Vovô Zotinho), Quinhinha (1ª esposa de João Capistrano Gorgulho), Joaquim (1º esposo de
Maria Rita Vilhena), José Bruno, Antoninha, João Negreiros (casou com minha tia Marica Paiva), Maria da
Glória e Maria Imaculada (2ª esposa de João Capistrano Gorgulho).
8º) Augusto César Capistrano Alckmin:
Augusto César nasceu em Dom Viçoso / MG em 17 de janeiro de 1848. Sua 1ª esposa foi sua sobrinha Altina
Negreiros, sem geração. Sua 2ª esposa foi Anna de Noronha, com dois filhos.
Augusto César foi fazendeiro e famoso médico no Sul de Minas, homenageado com seu nome em uma Praça
em Dom Viçoso/MG.
9º) Maria da Glória Capistrano Alckmin:
Maria da Glória nasceu em Dom Viçoso / MG em 17 de abril de 1849. Casou com José da Silva Gorgulho de
Noronha. Tiveram 2 filhos: Maria José Gorgulho (mãe do Vovô Zotinho, nascida em Virginia/MG no dia 16 de
março de 1875) e João Capistrano Gorgulho (casado com a prima e ex-cunhada Maria Imaculada, pais de
Miguel Archanjo Gorgulho, famoso empresário, cidadão honorário de São Lourenço e avós de Paulo
Gorgulho (famoso ator de telenovelas, cinema e teatro).

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2.6 Pais e Irmãos de João Capistrano de Macedo Alckmin

Os pais de João Capistrano de Macedo Alckmin foram o Major João Rodrigues de


Macedo, nascido em 1776, em Barcelinhos, Braga, Portugal, e Rita Francisca de Alckmin,
nascida em 03/10/1794, em São João Del Rei / MG.

CERTIDÃO DE CASAMENTO DE JOÃO RODRIGUES E RITA FRANCISCA

Casamento – São João Del Rei, aos 13-08-1809, matriz, Alferes. João Rodrigues Chaves de
Macedo, filho de Antonio Rodrigues Chaves e Maria Joaquina, natural da freguesia do Senhor da
Cruz da Vila de Barcellos, Arcebispado de Braga; casamento com Rita Francisca de Alckmin, filha
do Alferes Custodio Ferreira Pedrozo e Maria Emeliana de Alckmin.
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais.
Site: http://www.projetocompartilhar.org

João Rodrigues e Rita Francisca tiveram dez filhos:

1) João Capistrano de Macedo Alckmin (1811 - ?): Nascido em São João Del Rei em 23 de
outubro de 1811. Casou com Maria Augusta Ribeiro (1812 – 1882), tendo nove filhos: Luiz
Capistrano Alckmin, Maria Custodia Capistrano Alckmin, João Capistrano Ribeiro Alckmin, Maria
Vitória Capistrano Alckmin, Manuela Augusta Capistrano Alckmin, José Calazans Capistrano
Alckmin, Maria do Carmo Capistrano Alckmin, Augusto César Capistrano Alckmin e Maria da Gloria
Capistrano Alckmin.

2) Maria Hipólita Alckmin (1815 - ?): Nascida em Campanha / MG em 22 de agosto de 1815.


Casou com José Caetano Padilha, tendo quatro filhos: Ana Rita de Alckmin, João Caetano Padilha,
José Cândido Padilha e Tomé Benedito Padilha.

3) Alexandrina Melquiades de Alckmin (1816 – 1878): Nascida em Campanha / MG em 22 de


dezembro de 1816. Casou com João Alves de Oliveira (? – 1866), tendo dezesseis filhos: Ana
Eulália, Bento, Custódia Guilhermina, Francisco, Generosa, Honório, Inês, Joana, Joaquim, José
Alckmin de Oliveira, Luis, Maria Ignácia, Porfíria, Porfírio, Possidônia e Francisca Ignez.

4) Francisco de Macedo Alckmin (1818 – 1825): Nascido em Campanha / MG em 18 de outubro


de 1818 e falecido em 06 de outubro de 1825. Solteiro.

5) Custódia Guilhermina de Macedo (1820 - ?): Nascida em Campanha / MG em 02 de abril de


1820. Casou com Francisco Herculano da Gama, tendo quatro filhos: Francisco Herculano,
Anacleta Guilhermina, Benvinda Guilhermina e Delminda Guilhermina.

6) Rita de Macedo Alckmin (1822 - ?): Nascida em Campanha / MG em 14 de janeiro de 1822.


Casou com Manoel Joaquim Oliveira, que faleceu sem deixar filhos.

7) Ana Izabel Alckmin (1824 - ?): Nascida em Campanha em 02 de novembro de 1824. Casou
com Antônio Ribeiro Caldas (1802 - ?), tendo um filho: Antônio Rodrigues de Caldas.

8) Generosa Cândida de Macedo (1825 - ?): Nascida em Campanha em 08 de setembro de 1825.


Casou em 1ª núpcia com Luiz Antonio Xavier dos Reys com quem teve um filho: João; e em 2ª
núpcias com Joaquim Alves Nery filho (1826 - ?), com quem teve um filho: Adalberto Alves Nery.

9) Francisca de Assis Alckmin (1832 - ?): Nascida em Campanha / MG em 16 de outubro de 1832.


Casou com José Alves Musa, sem filhos.

10) Joana Carolina de Macedo (1836 – 1900): Nascida em Campanha / MG em 16 de junho de


1836 e falecida em 15 de dezembro de 1900. Casou com José de Souza Soares (1826 – 1890),
tendo quatorze filhos: João, José, Delmira, Ana de Jesus, Antônio, Maria, Alfredo, Benvinda de
Souza, Benvinda da Conceição, Francisca, Joaquim, Alexandrina, Manuel, Custódia.

FONTE: http://records.ancestry.com/Joao_Rodrigues_De_Macedo_records.ashx?pid=170396646

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2.7 Fazenda do Rosário: A Origem da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário
(atual Cidade de Dom Viçoso / MG)

Em 1835 João Capistrano de Macedo Alckmin mudou sua esposa Maria Augusta
Ribeiro, para a sua Fazenda do Rosário, localizada próxima do Arraial de Nossa Senhora do
Carmo de Pouso Alto (futuro Carmo de Minas), onde construíram uma Ermida (Capela)
dedicada a Nossa Senhora do Rosário, em torno da qual se desenvolveu uma povoação.
Na capela de Nossa Senhora do Rosário eram celebradas missas, batizados e
casamentos. O Bispo de Mariana, Dom Viçoso, uma vez por ano ia ao Rosário, fazer a crisma
dos cristãos do lugarejo. Anos mais tarde, em 28 de setembro de 1887, através da Lei 3442,
foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, depois denominada Dom Viçoso, em
homenagem ao Bispo de Mariana.

Foto da Praça Dr. Augusto César Alckmin, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Dr. Augusto,
filho de João Capistrano, doou o terreno para a construção da escola, igreja e casa paroquial, sendo
homenageado com seu nome dado à Praça. Foto: Giberto M. Palma

Dr. Augusto César Capistrano de Alckmin, filho de João Capistrano Macedo de Alckmin, famoso
médico, formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, doou o terreno de dois alqueires
para a construção da escola, igreja e casa paroquial, necessárias para consolidar a criação da
Freguesia de Nossa Senhora do Rosário.

Criação da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Dom Viçoso


LEI Nº 3442 - DE 28 DE SETEMBRO DE 1887

Cria districtos de paz, transfere de umas para outras freguezias diversas fazendas, eleva à freguezia
differentes districtos e contém a respeito outras disposições.
O Dr. Luiz Eugenio Horta Barbosa, presidente da Província de Minas Geraes: Faço saber a todos os seus
habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou e eu Sanccionei a Lei seguinte:

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§ 6º Ficam elevados a categoria de freguezias as povoações do Rosário e Bocanina, da fregueziado Carmo
da Christina, e Virginia, do mesmo municipio da cidade da Christina, e sob denominação de - Freguezia de
Nossa Senhora do Rosario de Dom Viçoso, sendo as suas divisas as seguintes: começando no
Sobradinho, compreendendo as terras de Manoel Delfino, por suas divisas a atravessar o rio da Palma, e
deste ao alto da serra da Christina, por este além até a fazenda de Lucas José de Souza e divisas desta
com as de Antonio Vieira da Silva, até as terras de Manoel Caetano; pelas divisas destas com a fazenda de
Antonio Vieira da Silva até as da fazenda de S. Francisco, donde seguirão os limites ao lugar denominado
"Pinto"; d'ahi, as divisas das fazendas de José da Silva Gorgulho2 e do capitão Antonio José de
Negreiros Macedo3, pelos limites da fazenda do Rosário, a terminarem no Sobradinho, onde começaram.
A freguezia será inaugurada logo que seja assignada a escriptura de doação de terreno para o respectivo
patrimonio, construcção de capella e casa para escolas publicas.
O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio da Presidencia da Provincia
de Minas Gerais aos vinte e oito dias do mez de setembro do Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jezuz
Christo de mil oitocentos e oitenta e sete, sexagésimo sexto da Independência e do Império.
LUIZ EUGENIO HORTA BARBOSA
Sellada e publicada nesta secretaria aos 8 de outubro de 1887.
(Fonte: Livro de Leis Mineiras Tomo LIV Parte 1ª Páginas 255 a 262)

2.8 Fazenda dos Pintos


João Capistrano de Macedo Alckmin comprou a Fazenda dos Pintos e as terras da
Sesmaria4 da Santa Cruz dos Pintos (atual Pintos Negreiros) de Manoel Pereira Barros,
filho do Capitão Mor Manoel Pereira Pinto, ex-donatário dessa Sesmaria, que lhe foi
outorgada pelo governo imperial no ano de 1774.

Mapa da Sesmaria da Santa Cruz dos Pintos, atual Pintos Negreiros, distrito de Maria da Fé/MG.

2
José da Silva Gorgulho: natural de Porto/Portugal, pai de José da Silva Gorgulho de Noronha;
3 Antonio José de Negreiros Macedo (bisavô do Vovô Zotinho);
4
Sesmaria é um instituto jurídico que surgiu em Portugal no século XIV para a distribuição de terras
destinadas à produção. O governo português implantou também esse sistema no Brasil, a partir de 1530,
para estimular a produção. O sistema sesmarial brasileiro terminou em 17 de julho de 1822 (Resolução 76),
quando foi promulgada a Lei de Terras, que reconheceu as sesmarias antigas, ratificou formalmente o
regime das posses e instituiu a compra como a única forma de obtenção de terras. Fonte: Wikipédia – A
Enciclopédia Livre.

14/124
A origem do nome “Fazenda dos Pintos”, talvez tenha sido originado do nome da Sesmaria da Santa Cruz
dos Pintos ou do nome do “Ribeirão dos Pintos” que a banhava.
A Fazenda dos Pintos pertencia a Manoel Pereira Barros, falecido em 1849, casado com Dª Luciana Ignácia
Vilela, era um grande estabelecimento agrícola, com todo o necessário para a lavoura de fumo e cereais,
grande escravatura, pois Barros era um homem muito abastado. Quando morreu já estava quase arruinado.
Grande parte da escravatura e toda a grande fazenda com seus pertences foram à praça para com o
produto da arrematação pagar seus credores. Das duas fazendas existentes nessa Sesmaria a dos Pintos
foi comprada de Manoel Pereira Barros, seu primitivo dono pelo Dr. João Capistrano Macedo de Alckmin.
Fonte: Livro “O Sertão da Pedra Branca” de Luiz Barcellos de Toledo.

Aos pés da serra da mantiqueira , tem um vale de singular beleza feito por
belos montes e montanhas verdes e azuis de se refletir, que tem noites de
luar, tem céu estrelado, tem histórias de assombração nas noites de inverno
em volta do fogão de lenha, café no bule, ... e que mesmo distante essa
será minha terra e será sempre minha . Vale a pena conhecer Pintos
Negreiros. (Teresa Gorgulho).

Vista parcial do aprazível lugarejo “Pintos Negreiros”, distrito de Maria da Fé, Sul de Minas Gerais, onde João
Capistrano de Macedo Alckmin tinha sua Fazenda dos Pintos. (Foto: Jonas Carvalho, disponível no blog
http://pintosnegreiros.blogspot.com.br/2011_10_01_archive.html)

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A Fazenda dos Pintos (hoje denominado “Pintos Negreiros”, Distrito de Maria da
Fé/MG) foi herdada pelas filhas de João Capistrano Macedo de Alckmin: Maria do Carmo
Capistrano Alckmin, casada com Antônio José de Negreiros (avós do Vovô Zotinho) e
Maria da Glória Capistrano Alckmin, casada com José da Silva Gorgulho de Noronha
(avós do empresário Miguel Archanjo Gorgulho). Os descendentes das famílias Negreiros
e Gorgulho formaram a maioria da população de Pintos Negreiros.

CASA GRANDE: A SEDE DA FAZENDA DOS PINTOS

A Casa Grande, sede da fazenda dos Pintos, foi construída sobre paredões de pedras enormes, colocadas
uma sobre as outras, em uma área de mais de mil metros quadrados. Sobre os paredões, repousavam
enormes vigas de madeira de lei e sobre estas, o corpo da casa. A sala de visitas, bastante espaçosa, tinha
uma porta, logo á direita, que dava entrada ao salão de festas e reuniões. Havia um corredor tendo à sua
esquerda três portas para os quartos da lateral da casa, e à sua direita uma seqüência a oito quartos, quatro
deles com portas para o salão de jantar, dois para a sala de visitas e mais dois para o salão de festas. Havia
também um quarto para guardar os doces e quitutes nos dias de festa e quitandas, consumidas diariamente
pela família e hóspedes, um quarto para guardar selas e outros materiais de montaria e outro para guardar
as imagens de santos, usados em procissões. Após o corredor e a despensa ficava a cozinha. Esta,
respeitável pelo seu tamanho, tinha um fogão enorme e uma grande mesa. A poucos passos da porta da
cozinha, havia um riacho, que corria entre as pedras e que abastecia a fazenda.
O curral ia até ao moinho e o córrego. O paiol ficava logo depois de ambos. A água, depois de servir o
moinho, corria entre as pedras, na parte plana e, logo em seguida, era dividida, uma parte abastecia a Casa
Grande, a outra corria por uma valeta até encontrar o rio. Havia duas jabuticabeiras seculares com troncos
enormes e copas em forma de imensos guarda-chuvas.

Fonte: Livro “A Fazenda dos Pintos” de Antônio Negreiros Bernardes.

Diário da Tigró – 1 de Agosto de 1960 (Lembranças dos Pintos Negreiros)

Hoje chegou uma turma de parentes para visitar a mamãe, que se encontra doente. Até a madrinha
Nair que mora lá nos Pintos Negreiros, em sua fazenda dos Pimentas, onde fui nascida e criada veio, junto
com a Tia Carmita e uma turma de primos.Quando apontou, chegando em casa, a tia Carmita, eu dei uma
risadinha amarela, as lágrimas brotaram-me dos olhos. Mas ainda não tive tempo de chorar, achei melhor
deixar para outra hora de mais sossego. Fui para o fogão e desci as panelas. Só lá pra banda da tarde que
terminou o almoço. Mamãe, por ver todo aquele pessoal amigo, ficou mais animada e parece que melhorou..
À tarde tive tempo para conversar mais sossegada com a minha madrinha Nair. Comecei logo cedo
a fazer-lhe as perguntas: - Fale-me madrinha, de tudo e de todos, acaricia a minha saudade daquela terra
boa, daquele povo amigo, dos parentes que moravam todos reunidos naquela terra, onde viveram meu
bisavô, meus avós, meus pais, minhas irmãs, meu irmãozinho. Foi lá onde nascemos. Tenho saudade
daquele tempo. Até das folhas secas que eu pisava, atravessando a mata no caminho dos Pimentas, da
criançada que “saracotiavam” nas muralhas e paredões da Casa Grande do vovô.
Mas ela simplesmente me respondeu: - Aquele tempo já passou e tudo mudou. Não há mais os
Pintos dos Negreiros. Lá não tem mais ninguém daquele tempo. Está habitado por gente de caras novas e
estranhas. Não é mais como antigamente, quando os dois mil alqueires de terra e todas as casas eram de
um só dono. Era tudo governado e mandado pelos Negreiros. Tudo aquilo eram do casal Antônio José
Negreiros (Tonico) e Maria do Carmo Capistrano de Alckmin, que eram seus bisavós e avós de seu pai e do
meu marido João Negreiros. Hoje tem milhares de donos. Até a tradicional Casa Grande, que foi feita por
escravos, pertence a outros donos. Usina, moinho, paiol, mangueirais e mesmo a casa, estão tudo se
acabando. Só restam saudades e o nome, que ainda permanece: Pintos Negreiros.

Fonte: Diário da Tigró – Autobiografia do Vovô Zotinho, Capítulo 9.

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2.9 Distrito de Nossa Senhora do Carmo de Pouso Alto

O Distrito de Nossa Senhora do Carmo de Pouso Alto era onde João Capistrano de
Macedo Alckmin tinha a Fazenda do Rosário e onde nasceram seus filhos. Conforme
Almanaque Sul-Mineiro de 1874 e 1884, Carmo de Pouso Alto era um lugar cheio de vida
e animação: “Há lugares para serem vistos ao longe; a proximidade ou impede que bem
os aprecie, ou diminui muito sua beleza. Carmo está nesse caso; a vista do alto do morro,
por onde passa a estrada que da Vila de Campanha vai à Corte, tem um aspecto que
agrada, dali se divisa todas as suas casas, edificadas em uma colina fronteira e que
parecem colocadas em perfeita ordem. Nossa Senhora do Carmo é a padroeira do lugar.

A morte de alguns dos melhores habitantes dessa terra privou-a de constante


auxílio que eles lhes davam. O Capitão Antônio Luiz Pinto, Capitão Luiz Gomes Nogueira,
José da Silva Gorgulho5, Vicente Ferreira Alves, Capitão Antônio Lopes Pinto e José
Macado de Abreu, são beneméritos desse lugar e morrendo, deixaram um vácuo que até
hoje não tem sido preenchido. Nos últimos anos, perdeu a Freguesia, distintos cidadãos,
Dr. João Capistrano Macedo de Alckmin e outros, todos notáveis pelo merecimento que
os distinguia e que tão estimados havia tornado no lugar, pelo qual com tão sincera boa
vontade se revelaram.
Dos filhos desse lugar, formou-se em Direito o Dr. João Capistrano Ribeiro de
Alckmin (filho de João Capistrano Macedo Alckmin), hoje advogado em Cristina.
Estão matriculados na Faculdade de Medicina da Corte, Augusto Cesar Capistrano de
Alckmin (filho de João Capistrano Macedo Alckmin) e José Paulo Ribeiro de Noronha.
Fazendeiros: Dr. Augusto César Ribeiro de Alckmin e Luis Capistrano Ribeiro
de Alckmin (filhos de João Capistrano Macedo Alckmin), Francisco Theodoro de Paiva6
e outros. Comerciante (Rancheira): Ana Engrácia de Noronha, e outros.
Carmo de Pouso Alto passou a se chamar Carmo do Rio Verde, pela Lei nº 3058 de
28 de outubro de 1882. A Freguesia do Carmo dista 4 léguas (26 km) de Pouso Alto, 4
léguas (26 km) de Cristina (sede do Termo e Comarca), 10 léguas (66 km) de Campanha,
1 ½ léguas (10 km) da Ponte do Carmo, onde se está construindo uma Estação da
Estrada de Ferro do Rio Verde.
Fonte: Almanaque Sul-Mineiro 1874 e 1884 - Bernardo Saturnino da Veiga – Tipografia
Monitor Sul-Mineiro.

5
José da Silva Gorgulho (1807–1884): natural de Porto/Portugal, comerciante e agricultor no Carmo de Pouso
Alto, pai de José da Silva Gorgulho de Noronha, genro de João Capistrano (casou com sua filha Maria da Glória).
6
Francisco Theodoro de Paiva (meu avô paterno): casado com Maria Custódia Capistrano Alckmin, filha de
João Capistrano Macedo Alckmin tinha uma fazenda no Carmo de Pouso Alto.

17/124
2.10 Ponte do Carmo

Também pertencia ao Distrito do Carmo de Pouso Alto, o lugarejo denominado Ponte


do Carmo, onde foi construída a Estação Ferroviária Ponte do Carmo, da Estrada de Ferro do
Rio Verde. Ponte do Carmo foi assim chamada devido ao pontilhão da ferrovia sob o Rio
Verde e por pertencer a Carmo de Pouso Alto.
O terreno onde foi construída a Estação da Ponte Carmo foi uma doação de Joaquim
Pereira da Silva, o Barão do Monte Verde, para a “Minas and Rio Railway”, conforme registro
de 24/12/1883 no cartório em Cristina/MG.
A estação da Ponte do Carmo, depois chamada de Américo Lobo, em homenagem ao
Ministro do Supremo Tribunal Federal, falecido em 01/10/1903, teve grande movimento, na
época em que a estação de São Lourenço era incipiente, no final do século XIX. Hoje ela está
desativada, porém a ferrovia e o trem com locomotiva a vapor estão sendo recuperados, para
operação, como trem turístico.
A Ponte do Carmo é um aprazível lugar, de natureza exuberante, onde nossa grande
família se reunia nas férias, feriados e comemorações de aniversariantes. Lá moram netos e
bisnetos do Vovô Zotinho, sendo ainda um ponto de encontro da família.

Estação ferroviária Ponte do Carmo, onde morou o Vovô Zotinho, bisneto de João Capistrano Macedo de
Alckmin, junto ao Rio Verde e às exuberantes montanhas do Sul de Minas.
Foto: Gabriel Arruda.

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“Sou um homem feliz, tenho uma família abençoada e
numerosa. Tive por esposa uma Santa Maria e bons filhos e
netos. Eu nunca vivi desprezado, minha casa está sempre cheia
de parentes e amigos. Peço a Deus que quando eu morrer, que
vocês conservem a mesma harmonia, recebendo as visitas de
meus filhos, netos e todos que quiserem aqui vir, que as portas
estejam sempre abertas.”
Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Vovô Zotinho)

Caio Arruda, neto do Barão de Monte Verde, junto com seus dois irmãos, herdou do
Barão uma grande fazenda (chamada Fazendinha) na Ponte do Carmo. Ele casou com Tia
Alaíde Negreiros, filha de Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Vovô Zotinho, bisneto de João
Capistrano). Com o falecimento do Caio Arruda, após o Inventário, Tia Alaíde e seus dois filhos
receberam terras e gado na Ponte do Carmo. Vovô Zotinho, Vovó Maria e filhas solteiras,
mudaram para a Ponte do Carmo, para ajudarem Tia Alaíde a gerenciar a fazenda.

Vovô Sebastião Crisóstomo Negreiros (Vovô Zotinho) com alguns netos e bisnetos e com os filhos José
Arimathéia (Tio Zé), Alaíde, Maria Izabel (Bebé), Glorinha (Tigró) e Zuza, na casa da estação ferroviária da
Ponte do Carmo.

A minha casa na Ponte do Carmo (contada por Vovô Zotinho)


A minha casa na Ponte do Carmo fica na beira da linha, perto de dois rios, um do Aterrado que nasce na Serra dos
Pintos, passando no Rosário, Dom Viçoso, Serrinha, Campos e vem até o Rio Verde, que é um grande rio que
nasce na Mantiqueira, para lá do túnel de Passa Quatro, passa em Itanhandú, São Sebastião do Rio Verde, aqui e
depois São Lourenço. A minha casa sempre foi muito alegre, com a graça de Deus e a minha boa esposa, filhos,
parentes e amigos. Fazíamos reuniões quase todas as semanas. Trabalhávamos de dia e de noite era aquela
brincadeira.

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No dia do meu aniversário, dia 27 de janeiro, a minha esposa, filhos e parentes sempre fazem festa neste dia.
Em um desses dias, ela pediu ao padre Francisco para vir celebrar uma missa aqui. Às 9 horas ele desembarcou
aqui na Estação Ferroviária Américo Lobo de surpresa, juntamente com a banda de Conceição do Rio Verde,
regida pelo maestro Pedro Maradei, meu colega de infância. Ele era o maestro da nossa orquestra no Rosário de
Dom Viçoso, no meu tempo de moço. Foi uma bonita surpresa. A banda chegou em casa tocando nosso antigo
“Capitão Caçula”. Eu saí no terreiro e de tão contente e alegre, sentei em uma pedra e chorei bastante. Recordei o
meu tempo em que já se vai longe.
Nas férias e feriados a família toda se reunia aqui na minha casa. Vinham minhas filhas, meu filho Padre Zé e
meus netos, filhos da Bebé, da Alaíde, da Landinha, da Terezinha e da Dorinha e eram chamados de “Turma do
Zé”. Sabiam se divertir.
Passávamos os natais todos juntos, aqui na Ponte do Carmo ou em Pouso Alto. Era comemorado com muita
alegria, união e amor, verdadeiro natal em família unida com a Sagrada Família de Nazaré Jesus, Maria e José.
Fonte: Autobiografia do Vovô Zotinho.

2.11 Censo de Pouso Alto, no ano de 1839

Conforme Mapa Estatístico de População de Pouso Alto de 1939, abaixo transcrito,


João Capistrano de Macedo Alckmin e sua esposa Maria Augusta Ribeiro, ambos com 28
anos, moravam em sua Fazenda do Rosário, com os filhos Maria Custodia (minha avó
paterna), João Capistrano Ribeiro de Alckmin (bisavô do atual Governador de SP, Geraldo
Alckmin), Francisco (?) e 31 escravos.

Censo 1839 Pouso Alto-MG - 8º quarteirão:


João Capistrano de Macedo Alckmin - Doutor, 28 anos, branco, casado,
Maria Augusta Ribeiro - Dona, 28 anos, branca, casada.
João Capistrano Ribeiro de Alckmin, 3 anos, branco,
Maria Custódia Capistrano Alckmin, 1 ano, branco
Francisco 16, branco, solteiro,
nº de moradores no fogo: 36
nº de escravos: 31
FONTE: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais, disponível no site
<www.projetocompartilhar.org>
O casal Antonio José de Negreiros Macedo e sua esposa Altina Eulinda (bisavós do
Vovô Zotinho), coincidentemente, em 1939, tinham também 28 anos, tal qual o casal João
Capistrano e Maria Augusta.

Censo 1839 Pouso Alto-MG - 1º Quarteirão


Antonio Jose de Negreiros Macedo - 28 anos, branco, casado, negociante, lê e escreve
Altina Eulinda – Dona, 28 anos, branca casado
Maria Umbelina, 4 anos, branca
Ana Emilia, 2 anos, branca
Isabel, 42 anos, parda, escrava alforriada, solteira, agregada
nº de moradores no fogo:11
nº de escravos: 6
FONTE: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais, disponível no site
<www.projetocompartilhar.org>
Antonio José de Negreiros Macedo era comerciante em Pouso Alto. Seu filho Antonio
José Negreiros (Tonico) casou com Maria do Carmo Capistrano Alckmin, filha de João
Capistrano Macedo de Alckmin.

20/124
Antonio José de Negreiros Macedo faleceu em 1884, conforme registro do Almanaque
Sul Mineiro:

Baixou ao túmulo, o Alferes Antonio José de Negreiros Macedo, legando aos que a ele sobreviveram,
exemplos de bondade, de grandeza d’alma e de dedicação pela terra do berço. Foi um patriota que
deveria ser imitado.
Fonte: Almanaque Sul Mineiro, 1884.

2.12 Pouso Alto

A Fazenda do Rosário, de João Capistrano Macedo Alckmin, localizava-se no Distrito


do Carmo de Pouso Alto, que pertencia a cidade de Pouso Alto. Maria Augusta Ribeiro,
esposa de João Capistrano, nasceu em Pouso Alto, em 1812, na Fazenda do Condado, que
era vizinha à Fazenda do Rosário.
A história do município de Pouso Alto está intimamente ligada à penetração das
bandeiras de sertanistas e de aventureiros que demandavam os sertões das Minas Gerais em
busca de riquezas.
Pouso Alto se formou em torno de um cruzeiro, símbolo da fé cristã dos desbravadores
daquele tempo. Diz à tradição que, em 1692, os traficantes de gentio Antônio Delgado da
Veiga e seu filho João da Veiga e Manoel Garcia: paulistas de Taubaté, embrenharam-se no
sertão, recebendo de um silvícola aprisionado a confidência de que abundava ouro nas
socavas da grande serra, que se levanta ao Sul de Minas Gerais, formando o limite natural
entre os estados do Rio e São Paulo. Seduzidos pela perspectiva de melhor negócio do que a
submissão do gentio, empreenderam aqueles homens, acompanhados de índios mansos, a
arribada através das encostas e cumes da Mantiqueira, percorrendo a região onde vivia o livre
indígena. Ao transporem o Vale do Paraíba, encontraram um aldeamento de índios Goitacás,
no qual pernoitaram, levantando depois no cimo do morro, onde pousaram, um rancho de
folhas de palmeira, denominando-o Pouso Alto.
A capelinha primitiva foi constituída canonicamente em 1784, sendo dela encarregado o
Rev. Padre Vital Gomes Freire. Elevada à freguesia coletiva em 16 de janeiro de 1752. Por
Ordem régia de 2 de agosto de 1752, ficou criado o curato de Nossa Senhora da Conceição
dos Pousos Altos. O Decreto Imperial de 14 de junho de 1832 elevou o curato à categoria de
Freguesia, edificando-se a seguir a primeira igreja Matriz, tendo por oráculo Nossa Senhora da
Conceição. Constituído o distrito de Paz em 1843. Pela Lei nº 2079, de 18 de dezembro de
1874, ficou criada a Vila e Município de Pouso Alto, que foi elevada a cidade pela Lei nº 2461,
de 19 de outubro de 1878. No local do antigo rancho, ergue-se hoje a igreja Matriz, em torno
da qual se estende a bela e acolhedora cidade.
Fonte: http://revistademinas.com.br/?p=cidades.ver&id=65

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Vista parcial de Pouso Alto. Acima, a igreja matriz, construída no mesmo local onde os bandeirantes fizeram um
rancho para pernoitaram e o denominaram de pouso alto. Foto: Miquelina Russano.

2.13 A Participação de João Capistrano de Macedo Alckmin na Revolução de 1842


em Minas Gerais.

O motivo da Revolução de 1842 foi que, em 1831, após a abdicação de Dom Pedro I e
com o início da Regência, houve uma descentralização do poder e as províncias puderam ter
certa autonomia em razão das reformas que consolidaram o poder liberal nos anos da
Regência. Com a antecipação da maioridade do Imperador Dom Pedro II, em 1841, o Governo
voltou a ficar nas mãos dos Conservadores, que anularam as conquistas alcançadas na
Regência, num movimento chamado Regresso, e para culminar, em 1º de maio de 1842,
dissolveram a Câmara dos Deputados, cuja maioria era liberal. O movimento revolucionário
eclodiu nas Províncias de São Paulo e depois em Minas Gerais, demonstrando a insatisfação
com as reformas conservadoras.
João Capistrano de Macedo Alckmin apoiou a Revolução de 1842, quando participou
da Assembléia Provincial de 17 de julho de 1842, em São João Del Rei / MG, convocada pelo
Governo insurgente, sendo nomeado, nessa ocasião, Juiz de Direito da Comarca do Rio
Verde.

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Ata da Assembléia Provincial de 17 de julho de 1842 - São João Del Rei / MG
As onze horas do dia 17 de julho de 1842 no Paço da Câmara Municipal de São João Del Rei,
estando presentes os Srs, Deputados Antonio Fernandes Moreira, Dr. Manoel de Mello Franco, Dr.
Francisco de Assis e Almeida, Dr. Francisco José de Araújo e Oliveira, Dr. João Capistrano de Macedo
Alckmin, Coronel Antonio Joaquim de Oliveira Penna, Tenente Coronel Manoel Jose dos Santos, Theófilo
Benedicto Ottoni, José Pedro Dias de Carvalho, Cônego José Antonio Marinho, Vigário Felisberto Rodrigues
Milagres. Dr. José Christiano Garção Stockler e Mariano José de Brito Lambert, em número de treze. O Sr.
Cônego Marinho propôs para Presidente o Sr. Moreira e para secretários os Srs. Dr. Stockler e Lambert, os
quais foram aprovados por aclamação.
O Sr. Presidente convidou aos ditos Srs. Deputados a prestarem juramento e a tomarem assento, o
que se verificou. O Sr. Cônego Marinho apresentou e mandou a Mesa a seguinte indicação: “Que seja
encaminhada pelos Deputados presentes uma mensagem de apoio ao Presidente Interino da Província,
assegurando-lhe a franca, leal e decidida cooperação e aprovação dos seus atos praticados e os que houver
a praticar, para salvar a Constituição e o Trono”. A proposta foi colocada em discussão, unanimemente
aprovada e a mensagem foi emitida e assinada pelos treze deputados presentes.
O Sr. Presidente levantou a Sessão, de que para constar lavrei a presente.
Maximiano José de Brito Lambert - Segundo Secretário
José Cristiano Garção Stokler – Presidente.
FONTE: História da Revolução de Minas Gerais em 1842, Rio de Janeiro, Tipografia de J.J. Barroso e
Comp. 1843

Revolução de 1842 na Província de São Paulo


Em São Paulo a Revolução iniciou no dia 17 de maio de 1842, após a sessão pública da Câmara de
Sorocaba, na qual o coronel Rafael Tobias de Aguiar foi nomeado Presidente Interino da Província. O
Governo enviou para combater a Revolução em São Paulo o 12º Batalhão de Caçadores, sob o comando de
Luiz Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias (futuro Duque de Caxias). Caxias partiu de navio do Porto do
Rio de Janeiro em 19 de maio de 1842, fazendo escala em São Sebastião, deixando lá um contingente que
junto com a Guarda Nacional de São Sebastião e de Ubatuba, seguiram para proteger Campinas, que era
reduto legalista.
Barão de Caxias desembarcou em Santos no dia 21 de maio, seguindo nesse mesmo dia para a
Capital. Quando os rebeldes organizaram a marcha de sua “Coluna Libertadora” para atacarem a cidade de
São Paulo, Caxias já os esperava na altura da ponte sobre o Rio Pinheiros, considerada a porta da cidade,
com seu batalhão de guardas nacionais e de batalhões provisórios formado por voluntários. No dia 8 de
junho de 1842 as tropas de Caxias atacaram o acampamento da “Coluna Libertadora”, surpreendendo-os e
causando uma debandada generalizada, mediante a superioridade tática do Exército Pacificador e a
inabilidade dos rebeldes, seu despreparo e fraqueza diante das tropas do Governo.
Caxias chegou à Sorocaba, em 18 de junho de 1842 e prendeu o vice-presidente interino e Senador
Padre Diogo Antonio Feijó (Ministro da Justiça em 1831 e Regente no período de 1835 a 1837), contudo o
tratou com todo o zelo possível e o manteve em sua residência guardada por um oficial que depois o
acompanharia até a Corte.
O presidente interino Tobias de Aguiar já havia fugido com destino ao Rio Grande do Sul. Ele
pretendia fugir para o Uruguai, quando foi preso por Caxias que se encontrava no comando da repressão
aos Farrapos, em dezembro de 1842.

Revolução de 1842 na Província de Minas Gerais


Minas aderiu ao movimento em 10 de junho de 1842. Os insurgentes aclamaram José Feliciano Pinto
Coelho (futuro Barão de Cocais), como Presidente Interino da Província. José Feliciano enviou carta à Dom Pedro
II, com um “Manifesto Mineiro” afirmando que sua aclamação pela Guarda Nacional e o pelo Povo tinha como
objetivo dirigir os esforços da Província na sustentação e defesa da Constituição do Estado e do Trono de Sua
Majestade Imperial Dom Pedro II, enfatizando que lutaria decididamente até o momento em que o Imperador
estivesse livre e se fizesse ouvir, as armas seriam, então, imediatamente depostas. A batalha final da Revolução
se deu em 20 de agosto de 1842, no Arraial de Santa Luzia, quando o Barão de Caxias venceu os revolucionários.
Todos os líderes da Revolução foram julgados e considerados inocentes, pois os jurados alegaram que eles
defendiam a Constituição do Estado e o Trono de Sua Majestade Imperial Dom Pedro II e que não agrediram o
Império, não havendo neste caso, nenhuma conspiração, nenhum crime de lesa-magestade ou lesa-pátria. Em 14
de março de 1844 foi assinado pelo Imperador Dom Pedro II o Decreto de Anistia em artigo único: “Ficam
anistiados todos os crimes políticos de 1842 e em perpétuo silêncio os processos que por motivo deles se tenham
instaurado.”
FONTE: Livro “História da Revolução em Minas Gerais de 1842” de José Antônio Marinho”, Rio de Janeiro,
Tipografia de J.J. Barroso e Comp. 1843

23/124
Ofício de 17 de julho de 1842 do Juiz Municipal e de Órfãos da Vila de Baependi
ao Ministério da Justiça:
Ilmº e Exmº Sr. Paulino José Soares de Sousa – Ministro e Secretário de Estado dos Negócios de
Justiça.
Reporto a V.Exc., os acontecimentos que tiveram lugar na Vila de Baependi, depois que tomei posse
do cargo de Juiz Municipal e de órfãos desse Termo. No dia 21 de junho tomei posse no mencionado cargo
e no dia 22 parti com uma força para prender o Bacharel formado João Capistrano de Macedo Alckmin,
que, segundo constava, achava-se fortificado em sua fazenda, na Freguesia do Carmo, o qual, avisado,
talvez em tempo, pode evadir-se, e na busca a que procedi só encontrei, em uma Ermida (capela), cinco
balas e seis cartuchos embalados.
Ao voltar, encontrei, na distância de duas léguas, o Sargento Mor José Ribeiro da Luz, que se
recolhia com uma força de 55 soldados armados, e foi quando soube de sua capitulação da Vila de
Baependi à força inimiga, feita através da assinatura de um Termo de Rendição7.
Desta feita, voltei daquele ponto para a Freguesia do Carmo com a mencionada força, onde oficiei
ao Subdelegado de Pouso Alto, o Sargento Mor Francisco Theodoro da Silva, perguntando se poderíamos
reunir para ocuparmos Pouso Alto, e ali esperarmos as forças que estão vindo do Rio, e que, no caso de não
assentir esta minha opinião, eu me retiraria com as forças que pudesse para a cidade de Campanha, e ali
esperaria a ocasião oportuna para batermos os insurgentes. O subdelegado me respondeu em um ofício,
que eu me dirigisse para Campanha, pois as forças que estão vindo do Rio demorariam (Barão de Caxias
enviou para Pouso Alto o seu irmão Major Francisco de Lima e Silva Filho, que lá chegou em 25 de
julho de 1842).
Dirigi-me então para a cidade de Campanha, e quando íamos chegando a Lambari, encontrei uma
força de cem soldados, todos a cavalo, comandada pelo Sargento Mor Joaquim José Rabello, que vinha em
socorro a Baependi, logo que soube da entrega dessa Vila. Voltamos todos para a cidade de Campanha,
onde se está organizando uma força de 450 praças, sob o comando do Coronel Julião Florêncio Meyer,
acompanhando igualmente o Delegado do Chefe de Polícia da Campanha, Sargento Mor Antonio Joaquim
Gomes.
Chegamos ao Arraial de Conceição do Rio Verde, e lá reunimos todas as forças, em número de um
mil e tantos praças. Entramos em Baependi no dia 15 de junho de 1849, encontrando apenas um piquete
dos sediciosos postados no alto da Vila, que logo fugiram, fazendo fogo assim que nos avistaram, para dar
sinal. Os insurgentes, como eram em menor número se retiraram, entricheirando-se no Ribeirão.
Deus guarde V.Exc. por muitos anos.
Vila de Baependi, 17 de julho de 1842
Aleixo Ferreira Tavares de Carvalho – Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Baependi

Ata da Assembléia Provincial de 17 de julho de 1842 - São João Del Rei / MG


As onze horas do dia 17 de julho de 1842 no Paço da Câmara Municipal de São João Del Rei,
estando presentes os Srs, Deputados Antonio Fernandes Moreira, Dr. Manoel de Mello Franco, Dr.
Francisco de Assis e Almeida, Dr. Francisco José de Araújo e Oliveira, Dr. João Capistrano de Macedo
Alckmin, Coronel Antonio Joaquim de Oliveira Penna, Tenente Coronel Manoel Jose dos Santos, Theófilo
Benedicto Ottoni, José Pedro Dias de Carvalho, Cônego José Antonio Marinho, Vigário Felisberto Rodrigues
Milagres. Dr. José Christiano Garção Stockler e Mariano José de Brito Lambert, em número de treze. O Sr.
Cônego Marinho propôs para Presidente o Sr. Moreira e para secretários os Srs. Dr. Stockler e Lambert, os
quais foram aprovados por aclamação.
O Sr. Presidente convidou aos ditos Srs. Deputados a prestarem juramento e a tomarem assento, o
que se verificou. O Sr. Cônego Marinho apresentou e mandou a Mesa a seguinte indicação: “Que seja
encaminhada pelos Deputados presentes uma mensagem de apoio ao Presidente Interino da Província,
assegurando-lhe a franca, leal e decidida cooperação e aprovação dos seus atos praticados e os que houver
a praticar, para salvar a Constituição e o Trono”. A proposta foi colocada em discussão, unanimemente
aprovada e a mensagem foi emitida e assinada pelos treze deputados presentes. O Sr. Presidente levantou
a Sessão, de que para constar lavrei a presente.
Maximiano José de Brito Lambert - Segundo Secretário
José Cristiano Garção Stokler – Presidente.

7 Gabriel Francisco Junqueira (futuro Barão de Alfenas), formou uma coluna chamada “Coluna Junqueira”,
com um contingente de 1200 homens que em 26 de julho de 1842, cercou a Vila de Baependi, que contava
com uma força de 800 homens da Guarda Nacional e exigiu a assinatura de um Termo de Rendição em que
os governistas se comprometiam a entregar as armas, soltar os presos políticos, reconhecer o Governo
Interino e suspender o cumprimento da Reforma Judiciária, enquanto que os insurgentes se comprometiam
a não perseguir, não prender e não punir nenhum governista local. No mesmo dia 26 de julho, o comandante
da Legião Coronel Joaquim Nogueira de Sá, e demais representante da Câmara de Baependi assinaram o
Termo de Rendição reconhecendo José Feliciano como Presidente e capitulando diante das forças rebeldes,
entregando o controle da cidade, sem haver confrontos.

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Os revolucionários foram vencidos pelo Barão de Caxias (futuro Duque de Caxias) em
20 de agosto de 1842, na batalha final no Arraial de Santa Luzia. Todos os líderes da
Revolução foram julgados e considerados inocentes. Todos os revolucionários foram
anistiados de seus crimes políticos, em 14 de março de 1844, pelo Imperador Dom Pedro II
Com o fim da Revolução de 1842, João Capistrano de Macedo Alckmin deixou a
política, passando a atuar como conceituado jurisconsulto e administrador de suas fazendas.

2.14 Bacharelado de João Capistrano na Primeira Turma da Primeira Faculdade de


Direito do Brasil
Em 01/03/1828, João Capistrano de Macedo Alckmin iniciou seu curso superior na
primeira turma da recém criada Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a primeira
Faculdade de Direito do Brasil (atual USP), bacharelando-se em 1832. Essa primeira turma era
composta por trinta e três alunos, sendo nove da própria cidade de São Paulo, oito do Interior
de São Paulo, dez do Rio de Janeiro, dois da Bahia e quatro de Minas Gerais (três alunos de
Campanha, no Sul de Minas, sendo um deles João Capistrano de Macedo Alckmin).

A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (atual USP), localizada no Convento


de São Francisco, em São Paulo, foi criada pela Lei Imperial de 11 de Agosto de 1827,
assinada por Dom Pedro I. Essa data 11 de agosto começou a ser comemorada todos os anos
pelos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. O respeito pela
profissão na época era tão grande que os donos de restaurantes faziam questão de bancar a
conta dos estudantes de direito, oferecendo refeições gratuitas aos estudantes, nesta data.
Esse dia 11 de agosto ficou instituído no Brasil, como o dia do estudante e também ficou
conhecido como o “Dia da Pindura”. Pindura significa o ato de comprar fiado.

A Inauguração da Primeira Faculdade de Direito do Brasil


A cerimônia inaugural dos cursos jurídicos, ocorreu em 1º de março de 1828, compareceu a elite
paulistana – autoridades civis, militares e eclesiásticas, todas as pessoas gradas da capital, com as respectivas
esposas e filhas. Era a primeira vez que São Paulo conquistava ares de metrópole. Na presença do presidente da
Província, conselheiro Tomás Xavier Garcia de Almeida, a cerimônia teve início às quatro horas da tarde, regida
pelo tenente-general Arouche, diretor da instituição. Presentes também estavam os primeiros 27 alunos
matriculados. A aula magna, de Direito Internacional, foi dada pelo professor José Maria de Avellar Brotero, o
primeiro lente de Academia.Conforme os cronistas da época, a festa se seguiu ao Te Deum, cantado pelo padre
mestre guardião, frei José de Santa Delfina, com mesa farta e euforia geral.
O entusiasmo deve ter contagiado moços e famílias, pois em menos de um mês o número de inscritos
elevou-se a 33, todos, aliás, por exigência legal, proficientes em Português, latim, História Universal, Geografia,
Retórica, Filosofia, Aritmética, Geometria, Língua e Literatura Francesa, disciplinas obrigatórias do curso
preparatório ao primeiro ano chamado Curso Anexo.

Fonte: “Dois Séculos de Justiça” de Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, disponível no site
http://www.fundacaoarcadas.org.br/PDF/Livro_dois-seculos.pdf

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Naquela época não havia vestibular, mas por exigência legal, os alunos tinham que
comprovar proficiência em Português, latim, História Universal, Geografia, Retórica, Filosofia,
Aritmética, Geometria, Língua e Literatura Francesa. O curso da Faculdade de Direito do Largo
de São Francisco era distribuído em cinco anos e em nove disciplinas, seguindo o modelo de
curso existente em Coimbra e eram ministradas por docentes de “notoriedades”.

“O governo, por decreto de 11 de Agosto de 1827 criou duas academias de Ciências Sociais e
Jurídicas, uma ao Norte e outra ao Sul do Brasil; aquela na cidade de Olinda e esta na cidade de São Paulo,
atendendo assim a uma das mais palpitantes necessidades do nascente Império.
Era então Ministro da pasta respectiva o Dr. José Feliciano Fernandes Pinheiro, que soube arrostar com
todos os embaraços opostos pelo espírito de bairrismo, fazendo prevalecer o pensamento que quatro anos
antes concebido e procurado realizar como deputado.
Como principio de execução apareceu o Decreto de 13 de Agosto do mesmo ano de 1827 pelo qual
foram nomeados o tenente-general Dr. José Arouche de Toledo Rendon para diretor, e o Dr. José Maria de
Avelar Brotero para lente da cadeira do 1º ano da Academia de São Paulo.
No dia 1º de Março de 1828 foi celebrada com toda pompa compatível com os recursos da época, a solene
abertura e instalação da mesma Academia, em presença do então presidente da Província conselheiro
Thomaz Garcia Xavier da Veiga, bispo Diocesano, Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade,
funcionários civis, militares e eclesiásticos, e grande concurso de pessoas gradas.
Tiveram lugar na sala que foi preparada para este fim, na antiga sacristia do Convento dos
Religiosos Franciscanos, que a cederam, e que afinal largaram todo o convento, voluntariamente cedido
pelo
Provincial, a 8 de Novembro de 1828.”
Fonte: Livro “Almanak Literário de São Paulo - Memórias sobre a Faculdade de Direito da Cidade de São
Paulo” de M. E. A. Marques.
Disponível no site: http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=28548

No primeiro ano, as disciplinas eram Direito Natural, Direito Público, Análise da


Constituição do Império, Direito das Gentes e Diplomacia. No segundo ano, havia a
continuação das matérias do ano anterior acrescido da disciplina de Direito Público
Eclesiástico. No terceiro ano, havia as disciplinas de Direito Civil Pátrio, Direito Pátrio Criminal
e a Teoria do Processo Criminal. No quarto ano havia a continuação do Direito Civil Pátrio e
Direito Mercantil e Marítimo. No quinto e último ano, as duas últimas disciplinas do curso:
Economia Política e Teoria e Prática do Processo, adaptado pelas leis do Império.
FONTE: VAMPRÉ, Spencer. Memórias para História da Academia de São Paulo. São
Paulo: Saraiva & CIA Editores, 1924.

2.14.1 Os ilustres professores da Primeira Turma da Faculdade de Direito de São


Paulo

Transcrevo a seguir, breve biografia dos ilustres professores da Primeira Turma da


Faculdade de Direito de São Paulo:
- Direito Natural: José Maria de Avelar Brotero
Nasceu em Lisboa a 17 de fevereiro de 1798. Concluiu o curso de direito na Universidade de Coimbra em
1819, seguindo a carreira da magistratura. Chegou ao Rio de Janeiro em 1825, então com 27 anos de idade.
Coube-lhe a missão de implantar o curso jurídico em São Paulo, sendo o seu primeiro professor. Adquiriu a
cidadania brasileira em 1833, sendo agraciado com título de Conselheiro do Império. Faleceu em São Paulo
em 1873.

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- Direito Eclesiástico: Baltazar da Silva Lisboa
Nasceu em 6 de janeiro de 1761. Estudou na Universidade de Coimbra, graduando-se doutor em direito civil
e canônico. Foi distinguido pelo imperador Dom Pedro I com o título de conselheiro e uma cadeira de lente
na Faculdade de Direito de São Paulo.
- Processo Civil e Criminal: Luiz Nicolau Fagundes Varela
Brasileiro, formado em Coimbra, foi deputado no Brasil nos tempos de Dom Pedro I, foi professor da
fundação da Academia de Direito de São Paulo e pai do poeta Fagundes Varela.
- Direito Natural Teoria e Prática do Processo Civil e Comercial: Padre Antonio Maria de Moura
Mineiro e sacerdote, já depois de investido das ordens sacras formou-se em leis na Universidade de
Coimbra. Professor da Faculdade de Direito de São Paulo em 1828. Deputado por Minas nas Legislaturas
de 1830 a 1833 e de 1834 a 1837. Em 1833 foi nomeado Bispo do Rio de Janeiro, não tendo sido sua
nomeação confirmada pelo Papa, por se haver pronunciado contrário ao celibato clerical, de acordo com
Feijó. Faleceu em 1842.
- Economia Política: Carlos Carneiro de Campos, 3.º Visconde de Caravelas
Político brasileiro, diretor do Banco do Brasil, conselheiro de Estado, Ministro da Fazenda, deputado
provincial e geral, presidente de província e senador do Império do Brasil de 1857 a 1860.
- Direito Criminal: José Joaquim Fernando Torres
Político brasileiro, deputado provincial, deputado geral, presidente de província, ministro do Império, ministro
da Justiça e senador do Império do Brasil de 1862 a 1863.
- Direito Pátrio: Prudêncio Geraldes Tavares da Veiga Cabral
Criador da ciência da administração no Brasil. Nasceu em 1800 em Cuiabá, província de Mato Grosso.
Bacharel em Direito na universidade de Coimbra, em 1822. Em abril de 1829 foi nomeado professor da
cadeira de Direito Pátrio na Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi nomeado Diretor em 1843. Na
legislatura de 1858 foi eleito deputado provincial. Legou à posteridade uma obra notabilíssima – Direito
Administrativo Brasileiro (1859). Era do conselho do Imperador.
- Direito Civil: João Cândido de Deus e Silva
Nascido em 1787, no Pará, fez seus estudos universitários na Europa, bacharelando-se em Direito. Foi
professor da Faculdade de Direito de São Paulo, Desembargador da relação no Maranhão, Deputado-Geral
pelo Pará, em duas legislaturas, Secretário de Governo da Província do Rio de Janeiro e presidente da
Câmara da Vila da Parnaíba.
FONTE: Enciclopédia Livre

Anos depois, estudariam também na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco,


seguindo o exemplo de João Capistrano de Macedo Alckmin, com brilhantes carreiras, o seu
filho, João Capistrano Ribeiro de Alckmin (Juiz de Direito de várias cidades dos Sul de Minas e
vereador em Cristina/MG) e o seu bisneto José Geraldo Rodrigues de Alckmin
(Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ministro do Supremo Tribunal Federal e
Juiz do Tribunal Superior Eleitoral).

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3 BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA MACEDO ALCKMIN

3.1 João Rodrigues de Macedo: O Benemérito da Cidade de Campanha/MG

“A classe pobre encontrou em João Rodrigues de Macedo, o


mais constante benfeitor e com ela despendeu durante o tempo
que viveu nessa cidade, em esmolas, concessões e outros atos
de beneficiência, cerca de 100 contos de réis.” (Fonte: “A Nova
Província”, periódico de Campanha de 23/12/1854).

No Museu da cidade de Campanha está exposto o retrato de João Rodrigues de


Macedo, pintado a óleo sobre tela:

Retrato de João Rodrigues de Macedo (pai de João Capistrano de Macedo Alckmin),


pintado a óleo sobre tela, exposto no Museu de Campanha /MG

Major João Rodrigues de Macedo (pai de João Capistrano de Macedo Alckmin) era
um homem modesto, muito religioso, caridoso e gozou de grande consideração por suas
virtudes. Ajudava aos pobres e gerenciava as obras que mandava fazer na igreja matriz e
liderou a construção da Santa Casa de Misericórdia de Campanha, que foi uma das
primeiras do Brasil.

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“Major João Rodrigues de Macedo, homônimo de um caritativo cidadão que viveu em Ouro Preto, foi
generoso e dedicado benfeitor da Matriz de Campanha /MG. Era a caridade que conforta o espírito, mata a
fome e alivia o sofrimento do pobre e do enfermo; o homem religioso que não reparava os estragos da casa
em que residia e que despendia grandes somas na obra que se fazia no templo de Deus. Modesto em
extremo, mais que simples em seu trajar, as próprias roupas com que vestia mostravam a singeleza de sua
alma. Muitas vezes nós o vimos, a qualquer hora do dia, abandonar os interesses de sua vida comercial e o
repouso que sua idade reclamava, para ir, e por longas horas, presidir consertos e obras que mandava fazer
na igreja matriz, sem procurar auxílio estranho. Quando no caminho para casa, encontrava a pobreza,
espalhava por ela avultadas esmolas, recolhendo em suas mãos as lágrimas dos infelizes, preciosas
pérolas, que a seus olhos tinham um valor inestimável. Major João Rodrigues de Macedo também muito
contribuiu para a construção da Santa Casa de Caridade, criada pela Lei de 22 de fevereiro de 1830. A
Santa Casa foi iniciada pela deliberação da municipalidade de Campanha e foi construída mendigando-se
auxílio de todos quantos se interessavam pela sorte dos enfermos pobres. Em uma das salas desse edifício
vê-se o retrato, pintado a óleo, do Major João Rodrigues de Macedo.”
Fonte: Artigo de Bernardo Saturnino da Veiga, publicado no Almanak Sul Mineiro de 1874

Vista parcial de Campanha / Sul de Minas. Ao fundo, a Igreja Matriz de Santo Antônio, que João Rodrigues de
Macedo ajudou na sua construção. Foto disponível em <httpvilhenatbv.blogspot.com>

Campanha é a cidade mais antiga do Sul das Minas Gerais, cidade histórica, povoação iniciada no ciclo do ouro,
reconhecida oficialmente em 2 de outubro de 1737. Elevada à freguesia em 6 de fevereiro de 1752, à vila em 29 de
outubro de 1798 e à cidade em 9 de março de 1840. O nome “Campanha” se deve à topografia, pois a cidade se
encontra localizada numa colina circundada por extensas campinas. Campanha foi sede administrativa e jurídica
do Sul de Minas. Pioneira da instrução, de merecido renome. Pela sua grande extensão territorial e pela riqueza
natural e cultural, Campanha é considerada a cidade-mãe, fertilizadora das outras cidades – o berço do Sul de
Minas.
Fonte:Enciclopédia Livre <http://pt.wikipedia.org/wiki/Campanha_(Minas_Gerais)

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João Rodrigues de Macedo faleceu em 08 de dezembro de 1854, aos 78 anos,
quando já era bisavô, em Campanha, Sul de Minas Gerais.
Nota de Falecimento de João Rodrigues de Macedo
1854 – Morre na cidade da Campanha o Sargento-Mor João Rodrigues de Macedo, nascido em
1776 em Portugal (Freguesia de Barcelinhos, Arcebispado de Braga). Desde moço fixou residência
na Campanha, onde constituiu família e dedicou-se ao comércio. Homem laborioso, honrado e de
caráter singelo e leal, assinalou-se especialmente por sua religiosidade e gênio filantrópico e
fervorosamente caridoso, despendendo em esmolas e outros atos de beneficiência, grande parte de
seus recursos que lhe proporcionava o trabalho.
Fonte: Efemérides Mineiras, ano de 1854, pág. 372.

3.2 Alexandrina Melquiades de Macedo Alckmin: A Benemérita da Cidade de São


Carlos/SP.

Alexandrina Melquiades de Macedo Alckmin, irmã de João Capistrano de Macedo


Alckmin, nasceu em 22 de dezembro de 1816 e casou-se com João Alves de Oliveira.
Alexandrina Melquiades de Alckmin (1816 – 1878): Nascida em Campanha / MG em 22 de
dezembro de 1816. Casou com João Alves de Oliveira (? – 1866), tendo dezesseis filhos: Ana
Eulália, Bento, Custódia Guilhermina, Francisco, Generosa, Honório, Inês, Joana, Joaquim, José de
Oliveira, Luis, Maria Ignácia, Porfíria, Porfírio, Possidônia e Francisca Ignez.
FONTE: http://records.ancestry.com/Joao_Rodrigues_De_Macedo_records.ashx?pid=170396646
Em 1841 o casal comprou a Fazenda do Monjolinho, com cerca de mil cabeças de
gado, situada entre Araraquara e Rio Claro, próximo onde, em 1857, foi fundada a
povoação de São Carlos do Pinhal.

Em 1841 a Fazenda do Monjolinho foi negociada (Livro de Notas, n.5, f.145 Cartório 1º Ofício de
Piracicaba) a João Alves de Oliveira pelo preço total de 26:500$000 (vinte e seis contos e
quinhentos mil reis), com mil e dezessete cabeças de animais vacum a cavalares na importância de
treze contos duzentos e vinte e hum mil reis, as terras por oitocentos mil reis, as casas por trezentos
mil reis, e os utensílios, porcos, currais e outras benfeitorias por quatro contos e vinte e nove mil reis,
de acordo com a escritura de 22 de outubro de 1841. FONTE: TORRES, Maria T. Um lavrador
paulista do tempo do Império, Revista de Administração Municipal, CLXII,1968, pp. 203, 210.
Com o falecimento do esposo em 1866, Alexandrina passou a gerenciar a Fazenda
do Monjolinho. Conforme escritura de 27 de julho de 1867, Alexandrina doou uma grande
extensão de terras à Câmara Municipal de São Carlos, correspondente a 30 alqueires
paulistas (726 mil metros quadrados), permitindo a expansão da cidade para o lado norte,
praticamente dobrando o que havia antes da doação.

A ocupação do topo da planície central de São Carlos só ocorreu após a morte de João Alves. Em
1867, sua viúva Dª Alexandrina, doou uma área de 300 por 500 braças (aproximadamente 50
hectares) à Câmara Municipal de São Carlos, começando no pátio da Igreja Matriz, medindo-se 500
braças ao longo da Rua do Comércio (hoje denominada Rua São Carlos) e 150 braças de lado da
mesma rua.
FONTE: Livro “O Jardim Público da cidade de São Carlos do Pinhal” de Ary Pinto da Neves, 1983.
Alexandrina faleceu em 11 de outubro de 1878, sendo sepultada em São Carlos.
Em sua homenagem foi dado o seu nome a uma das ruas do centro de São Carlos: Rua
Dona Alexandrina. Uma das placas da Rua Dona Alexandrina tem a inscrição: “Benfeitora
da Cidade”.

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4 TESTAMENTOS E CERTIDÕES DA FAMÍLIA DE JOÃO CAPISTRANO DE MACEDO
ALCKMIN

4.1 Testamento de João Rodrigues de Macedo (pai de João Capistrano de Macedo


Alckmin)
João Rodrigues de Macedo (pai de João Capistrano de Macedo Alckmin) faleceu
em 08 de dezembro de 1854, aos 78 anos, quando já era bisavô, em Campanha, Sul de
Minas Gerais, deixando o Testamento abaixo transcrito:

TESTAMENTO DE JOÃO RODRIGUES DE MACEDO

Eu, João Rodrigues de Macedo, natural da freguesia de Barcelinhos, Arcebispado de Braga do


Reino de Portugal, filho de Antonio Rodrigues Chaves e Dª Joaquina Rodrigues Chaves, já falecidos. Sou
casado com Dª Rita Francisca de Alckmin de cujo consórcio tivemos os filhos seguintes, os quais são os
legítimos herdeiros das duas terças partes dos meus bens:
= João Capistrano de Macedo Alckmin;
= Dona Maria, já falecida, e que deixou filhos;
= Dona Custodia, casada com Francisco Herculano Vilas Boas da Gama;
= Dona Alexandrina, casada com João Alves de Oliveira;
= Dona Anna, casada com Antonio Ribeiro Caldas;
= Dona Generosa, casada em 1ª núpcia com Luiz Antonio Xavier dos Reys e em 2ª núpcias com
Joaquim Nery filho;
= Dona Francisca, casada com Jose Alves Muza;
= Dona Joanna, casada com Jose de Souza Soares;
= Dona Rita, casada com Manoel Joaquim de Souza e Oliveira. Faleceu sem deixar descendentes.
Testamenteiros: 1º meu filho João e meu genro Jose de Souza Soares conjuntos; 2º meus genros
Francisco Herculano e Joaquim Nery também conjuntos.
Deixo a quantia de 200$000 réis para cada um de meus netos e netas, filhos de minha filha D.
Joanna e de seu marido Jose de Souza Soares e que forem vivos ao tempo de minha morte, quer os já
nascidos quer os que nascer em minha vida.
Deixo a minha bisneta, filha de Francisco Pereira do Nascimento cujo nome ignoro, 300$000 réis e
declaro que o mesmo Pereira já recebeu a quantia de 500$000 réis por conta da herança que sua mulher
tem de herdar de mim.
Nomeio o meu genro Jose de Souza Soares para Tutor de meus netos, filhos de minha filha
Generoza e de seu primeiro marido Luiz Antonio Xavier dos Reys e quando o mesmo não possa por
qualquer motivo será nomeado meu filho João Capistrano o Tutor. Deixo 100$000 para meu neto João, filho
da mesma minha filha Generoza e de seu primeiro marido.
Declaro que meu genro Joaquim Nery tem morado em minha Fazenda do Lambary e que o mesmo
não tem parte alguma nela e quando ele queira por ventura cobrar alguma quantia a titulo de benfeitorias,
de despesa ou qualquer motivo os meus herdeiros compensarão (...) e desfrute que ele tem feito na mesma.
O resto da minha terça se repartira igualmente entre meus herdeiros.

Campanha 03-11-1854 João Rodrigues de Macedo


Aprovação 03-11-1854; Abertura: 18-12-1854;
Aceitação: 20-12-1854 Dr. João Capistrano de Macedo Alckmin e Jose de Souza Soares

Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais

4.2 Testamento de Rita Francisca de Alckmin (mãe de João Capistrano de Macedo


Alckmin)
Rita Francisca de Alckmin (mãe de João Capistrano de Macedo Alckmin) faleceu
em 16/03/1857, aos 63 anos, deixando o Testamento abaixo transcrito, no qual ela institui
o filho João Capistrano como herdeiro de sua terça parte:

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TESTAMENTO DE RITA FRANCISCA DE ALCKMIN

“Eu, Rita Francisca de Alckmin, sou filha de Custodio Ribeiro Pedrozo e Maria Emilianna Alkmim,
ambos já falecidos. Fui casada com o finado João Rodrigues de Macedo de cujo matrimonio existem vivos
os filhos seguintes: João Capistrano de Macedo Alckmin; Alexandrina Melchiades; Custodia Guilhermina;
Ana Izabel; Generosa Candida; Francisca de Assis e Joana Carolina, todos casados e com filhos e que
falecendo minha filha Maria Hypolita deixou três filhos cujos são também meus herdeiros por direito de
representação, e falecendo minha filha Ritta casada, não deixou filhos.

Testamenteiros:
1º meu filho João Capistrano de Macedo Alckmin;
2º ao Reverendíssimo Sr. Conego Antonio Felippe de Araujo, e
3º a meu genro Joaquim Nery.

Deixo a minha neta e afilhada Anna Ritta, filha de minha falecida filha Maria, 400$000.
Deixo a minha neta e afilhada Maria Victoria, filha de meu filho João, 400$000.
Deixo a minha afilhada e netos Francisca Ignes, Francisco, Joana filhos de minha filha Alexandrina, 400$000
a cada um.
Deixo a minha neta Anacleta, filha de minha filha Custodia, 400$000.
Cumpridas todas as minhas disposições instituo por herdeiros do remanescente de minha terça a meu filho
João Capistrano de Macedo Alckmin.

Campanha, 21-12-1854 Rita Francisca de Alckmin,


Aprovação 22-12-1854
Abertura: 16-03-1857
Aceitação 14-04-1857 Dr. João Capistrano de Macedo Alkmim.”

Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais

4.3 Certidão de Casamento dos Avós Maternos de João Capistrano de Macedo


Alckmin
Os avós maternos de João Capistrano de Macedo Alckmin foram Custódio Ferreira
Pedroso, natural da Freguesia de Santa Eulália de Passos, Bispado do Porto, Comarca de
Pena Fiel e Maria Emiliana Justina de Alckmin, natural de São João Del Rei.
Custódio Ferreira Pedroso chegou ao Brasil em fins do século XVIII e casou com
Maria Emiliana Justina de Alckmin, aos 29 de novembro de 1793, em São João Del
Rei/MG, conforme Certidão abaixo:

CERTIDÃO DE CASAMENTO DE CUSTÓDIO E MARIA EMILIANA


Casamento – São João Del Rei, aos 29-09-1793, na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, Custodio
Ferreira Pedrozo, filho de Domingos Antonio Passos e Mariana Ferreira, nascido na freguesia de
Santa Eulália, Bispado do Porto; casado com Maria Emiliana Justina de Alckmin, filha natural de
Maria Josefa de Alcamin, nascida nesta freguesia. Testemunhas: Capitão Joaquim Coelho de
Souza, Capitão Gonçalo Ferreira de Freitas e outros.
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais
Site: http://www.projetocompartilhar.org

Custódio era um rico negociante de armas e bebidas. Por volta de 1812 ele saiu de
Minas Gerais e andou por vários lugares, negociando armas e bebidas nas praças do Rio
de Janeiro, São Paulo e Santos.

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4.4 Testamento de Custódio Ferreira Pedroso (Avô Materno de João Capistrano
Macedo de Alckmin)

Declaro mais que para salvar minha alma, digo, que para salvar
minha consciência, o meu Testamenteiro dará a Manoel Ribeiro
Malta desta Vila de Santos, quatrocentos mil réis por algum
engano que eu poderia ter em todo o tempo que tivemos
sociedade, se for demais eu lhe perdôo e se for de menos
também que me perdoe, pelo amor de Deus.
(Trecho do Testamento de Custódio Ferreira Pedroso)

Custódio Ferreira Pedroso faleceu em Santos/SP aos 24 de novembro de 1820.


No seu Testamento, Custódio declara que chegou ao Brasil há vinte e tantos anos, que é
casado na Vila de São João Del Rei / MG, com Maria Emiliana de Alckmin, de cujo
matrimônio tem dois filhos: José Máximo de Alckmin e Rita Francisca de Alckmin, a qual
se acha casada com João Rodrigues Macedo, que são os seus legítimos herdeiros.

TESTAMENTO DE CUSTÓDIO FERREIRA PEDROSO

Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo três pessoas distintas e um só Deus
verdadeiro.
Saibam quantos este Público Instrumento virem que sendo no Ano do Nascimento de Nosso Senhor
Jesus Cristo de mil oitocentos e vinte aos dezenove dias do mês de Outubro, eu Custódio Ferreira Pedroso,
achando-me doente de uma moléstia interior, mas não de cama e sim andando de pé em meu perfeito juízo
que Deus Nosso Senhor me deu e não sabendo o que fará de mim por isso para por a minha alma no
caminho da salvação faço este meu Testamento na forma seguinte:
Declaro que sou natural da Freguesia de Santa Eulalia de Passos, Bispado do Porto Comarca de
Pena Fiel, filho legítimo de Domingos Antonio Passos e de Mariana Ferreira, esta é falecida e o pai não é
certeza.
Declaro que existo no Brasil há vinte e tantos anos por diversas terras, e sou casado a face da igreja
há vinte e oito anos mais ou menos, em Minas Gerais na vila de São João del Rei com Maria Emiliana de
Alkmin, filha natural de Maria Josefa de Alckmin da mesma vila, e residente na dita, de cujo matrimônio
tenho dois filhos: José Máximo de Alkmin e Rita Francisca de Alkmin, esta se acha casada com João
Rodrigues Macedo, que são os meus legítimos herdeiros.
Declaro que há oito anos mais ou menos, passei daquela Capitania de Minas Gerais, para esta de
São Paulo e para outras mais para onde tenho andado, com o nome suposto de Antonio José Teixeira, por
motivos particulares que tive para mudar o dito meu nome.
Declaro que deixo a minha mulher por minha testamenteira, em segundo lugar ao Senhor João
Batista Rodrigues da Silva, em terceiro lugar ao Senhor Alferes José Martins Viana.
Declaro que o meu corpo será envolto no Hábito de Nossa Senhora do Monte do Carmo de quem
sou indigno Irmão Terceiro da sua Venerável Ordem, em Minas Gerais e meu corpo será sepultado na
Capela da dita Ordem, quero que seja enterrado na Igreja dos Reverendos Religiosos em qualquer sepultura
que for possível.
Declaro que tenho em sociedade com o Senhor Manoel Ribeiro Malta cinco mil cruzados e ao que
constar de uma conta corrente que fez Manoel Ferreira Duarte, cuja conta existe em poder do meu sócio
Malta, dinheiro em quantia para girar em negócio por conta de ambos, de que não há clarezas e só sim
assentos de parte a parte, mas desta quantia já tenho recebido a maior parte, porém ainda não estamos
líquidos desta conta, e por isso dever-se-á estar pela conta dos lucros que der um e outro.
Declaro que possuo fora da sociedade, casas com sua frente de pedra, com três portas e seus
respectivos fundos, nesta vila na esquina da Rua da Prata que tomei em meu pagamento a Manoel Ferreira
da Paixão pela quantia de cento e cinqüenta mil réis e passou-me escritura no cartório do Tabelião Barroso
e nesta dita quantia acima tem o dito meu sócio Malta quarenta mil réis que também lhe era devedor o dito
Paixão.

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Declaro que tenho sociedade na cidade de São Paulo com Antonio Fernandes da Mota em uma
venda de molhados há dois anos mais ou menos. Declaro que em poder do dito meu sócio Malta tenho
dezesseis armas de fogo que lhe remeti para ele vender por minha conta de principal a seis mil réis cada
uma.
Declaro que devo a Praça do Rio de Janeiro, tanto em nome de Custódio Ferreira Poderoso (meu
primeiro nome) como depois que mudei em Antonio José Teixeira, tudo aquilo que constar das minhas
firmas, tanto de um nome como de outro, que tudo o meu Testamenteiro pagará dos meus bens.
Declaro que feitas as minhas disposições, da minha terça se dará de esmola a um filho de Ana
Escolástica dos Prazeres, de nome João Damasceno, trezentos mil réis, cuja quantia se conservará em
poder de meu compadre o Senhor Alferes José Martins Viana a quem meu Testamenteiro entregará. E o dito
Viana fará toda a diligência para a por a render enquanto o dito João Damasceno não tomar estado, ou tiver
idade para se emancipar; e que logo completo estas condições, se lhe entregará a dita quantia, e dos lucros
da mesma assistirá para os seus diários; e caso o tal Damasceno morra antes deste tempo se entregará a
dita quantia aos meus herdeiros.
Declaro que da minha terça se dará a meu afilhado José, filho de José Martins Viana e de Ana
Antonia Rodrigues Ferreira desta vila, a quantia de cinqüenta mil réis.
Declaro que feitas as minhas disposições, o remanescente da minha terça o meu Testamenteiro
entregará as minhas netas, filhas de João Rodrigues de Macedo e de minha filha Rita Francisca de Alcamin,
sendo que minha mulher tome conta do meu Testamento e logo que seja o segundo ou o terceiro nomeado,
estes entregarão a dita minha mulher aonde se conservará até elas tomarem estado.
Declaro mais que para salvar minha alma, digo, que para salvar minha consciência, o meu
Testamenteiro dará a Manoel Ribeiro Malta desta vila quatrocentos mil réis por algum engano que eu
poderia ter em todo o tempo que tivemos sociedade, se for demais eu lhe perdôo e se for de menos também
que me perdoe pelo amor de Deus.
Declaro que ao tempo do meu falecimento minha mulher, primeira testamenteira nomeada não se
achar presente nesta vila, meu segundo ou terceiro testamenteiro tomará conta do meu Testamento e de
todos os meus bens fazendo logo aviso a dita minha mulher para que venha tomar conta do Testamento e
de tudo aquilo que me pertence.
Declaro que se dará do Monte Mor ao Senhor Francisco Ignacio, casado com uma filha de Rosa
Maria de Mello, moradores em Mapindin, a quantia de doze mil réis por engano que tivemos em conta de
umas fazendas que lhe comprei.
Roguei ao Senhor João José Gonçalves que escrevesse este meu testamento.
Custódio Ferreira Pedroso

Aprovação do Testamento: 23-10-1820


Local: Vila e Praça de Santos.
FONTE: Museu Regional de São João del Rei, Ano: 1821, Caixa: 190
Local: Vila de São João del Rei
Site: http://www.projetocompartilhar.org

4.5 Testamento de Maria Josefa Alcamin (bisavó de João Capistrano de Macedo


Alckmin)

Maria Josefa de Alcamin, bisavó de João Capistrano de Macedo Alckmin, era mãe
solteira e foi a responsável pela origem do sobrenome “Alckmin”, pois registrou sua filha
com o nome Maria Emiliana Justina de Alckmin, empregando a grafia “Alckmin” ao invés
de “Alcamin” do seu sobrenome.

Maria Josefa de Alcamin faleceu aos 29 de novembro de 1794, com Testamento


abaixo transcrito, cuja única herdeira é sua filha Maria Emiliana Justina de Alckmin (avó de
João Capistrano de Macedo Alckmin).

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TESTAMENTO DE MARIA JOSEFA DE ALCAMIN

Jesus, Maria e José. Eu Maria Josefa de Alcamin estando enferma de cama e em meu
perfeito juízo faço o meu testamento na forma seguinte:
Declaro que sou natural desta vila de São João Del Rei, filha natural de Jose da Costa
Alcamin e de Josefa Caetana Moura, aquele falecido da vida presente e ela ainda sobrevive.
Nunca fui casada e sempre me conservei no estado de solteira e tenho uma filha, Maria
Emiliana Justina de Alckmin que esta casada com Custódio Ferreira Pedroso a qual é minha
herdeira e por tal a instituo.
Nomeio por meus testamenteiros em primeiro lugar ao Reverendo Senhor Vicente de Araújo
Pereira, em segundo ao Senhor Dr. Gomes da Silva Pereira, em terceiro a dita minha filha e seu
marido fazendo estes dois uma só pessoa (...).
Quero ser sepultada na igreja matriz desta vila em sepultura que me pertence como irmã de
Nossa Senhora da Boa Morte, envolto o meu corpo em hábito de terceira de Nossa Senhora do
Monte do Carmo (...).
Pagas as minhas dividas se dividirão os meus bens em três partes, duas das quais são da
dita minha filha e herdeira e a terceira fica sendo livre por ser meus bens adquiridos e não dados.
(...) a meu rogo o escreveu José Joaquim dos Santos Lisboa (...)
Vila de São João Del Rei, 12 de Novembro de 1794.

Maria Josefa de Alcamin

Aprovação:12-11-1794
Local: Vila de São João Del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes em casas de morada da
testadora Dona Maria Josefa de Alcamin moradora nesta vila.
Abertura: aos vinte e nove de Novembro de mil setecentos e noventa e quatro me foi entregue este
testamento com que faleceu a testadora Maria Josefa de Alcamin (...).

Fonte: Museu Regional de São João Del Rei / Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais.
Site: http://www.projetocompartilhar.org

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5. GENEALOGIA E BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA
RODRIGUES ALCKMIN

João Capistrano
Macedo Alckmin
Maria Augusta
Ribeiro

João Capistrano
Ribeiro Alckmin
Maria Joana
Rodrigues

André Rodrigues
Alckmin
Foto: André Rodrigues Alckmin, esposa
Ida Thusnelda
Ida Ravache e seu filho André.
Lindegger Ravache

José Geraldo Geraldo José


Rodrigues Alckmin Rodrigues Alckmin
(Zeca) José Geraldo (Zeca) e Geraldo José
Ida Thusnelda Mirian Penteado Rodrigues Alckmin, quando eram
Lindegger Ravache Rodrigues alunos do Seminário em Taubaté/SP.

Geraldo José
Rodrigues Alckmin
Filho
Maria Lucia
Guimarães Ribeiro

José Geraldo Rodrigues Alckmin:


bacharel em Direito na USP, em 18 de
janeiro de 1938. José Geraldo foi Juiz do
TSE e Ministro do STF.

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho,


Fonte das fotos da família Rodrigues atual Governador do Estado de São
Alckmin: Livro Simplesmente Justo de Dante Paulo.
Marcello Claramonte Gallian. Fonte: Wickpedia

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5.1 Biografia de João Capistrano Ribeiro de Alckmin (filho de João Capistrano Macedo
Alckmin)
João Capistrano Ribeiro de Alckmin, filho de João Capistrano de Macedo Alckmin,
nasceu em Pouso Alto em 25 de janeiro de 1837. Seguindo o exemplo de seu pai, cursou a
Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP).
Diploma de Bacharelado em Direito, conferido a João Capistrano Ribeiro de Alckmin, pela Faculdade
de Direito de São Paulo:
“Sob os auspícios do Muito Alto e Muito Poderoso Príncipe o Senhor Dom Pedro II, Imperador Constitucional e
Defensor Perpétuo do Brasil, etc..., Conferindo o Diploma de Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas ao Dr.
João Capistrano Ribeiro de Alckmin, na data de 19 de novembro de 1860.”
Documento assinado por:: Conselheiro Manuel Joaquim de Amaral Gurgel e Conselheiro Ramalho.
Fonte: Centenário de Jornal Estado de Minas Gerais de 1892
Começou sua magistratura em Silveiras, no Estado de São Paulo. Voltou para Minas
Gerais, exercendo a função de Juiz de Direito nas cidades de Cambuí, Camanducaia e
Baependi. Foi Juiz Municipal em Três Pontas, onde participou da implantação do Sistema de
Transporte do Rio Verde, inaugurado em 15 de agosto de 1863.

Foi vereador em Cristina, no período de 1867 a 1870, quando em dezembro de 1868,


recepcionou a Princesa Isabel que veio à Cristina agradecer a homenagem prestada à sua
mãe, a Imperatriz Tereza Cristina Maria de Bourbon (esposa de D. Pedro II), por dar o nome
“Cristina” à Vila.
João Capistrano Ribeiro de Alckmin casou com Maria Joana Rodrigues em Cristina no
dia 9 de janeiro de 1864. Maria Joana era filha de João José Rodrigues (Juiz Municipal em
Cristina e Porto Feliz) e irmã do General Antônio Cândido Rodrigues. Tiveram 15 filhos: João
Lino, Maria Jesuína, Adeodato, José Calazans, Gabriel, Marieta, Almeirinda, João Capistrano
Ribeiro de Alckmin Júnior, Jorge, André Rodrigues de Alckmin, Christiano, Luiz, Waldomiro,
Jesuína e Cícero.
Em 21 de abril de 1892, João Capistrano Ribeiro de Alckmin foi nomeado o 1º Juiz de
Direito de Santa Rita do Sapucaí. Ao se instalar com sua família nesta cidade, criou um
ambiente de muita alegria em seu lar. Amantes de música, sua família tinha uma verdadeira
orquestra em sua casa, pois os filhos tocavam vários instrumentos, enquanto a mãe cantava.
Os santarritenses Antônio Mendes (farmacêutico) e sua esposa Dona Elisa Salmon, que
conheceram a família de João Capistrano Ribeiro de Alckmin, diziam que, ao passarem sob a
janela da casa do Juiz, situada na Praça do Mercado, paravam para ouvirem as lindas
canções que de lá se desprendiam.
João Capistrano Ribeiro de Alckmin faleceu em 2 de março de 1900 e foi enterrado em
Pouso Alto/MG. Segundo sua neta Marieta Capistrano de Alckmin Campos do Amaral, devido
a chuvas torrenciais, as estradas ficaram intransitáveis e seu caixão foi levado de canoa,
descendo o Rio Sapucaí e subindo o Rio Verde até Pouso Alto.
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5.2 Biografia de André Rodrigues Alckmin (filho de João Capistrano Ribeiro
Alckmin)

André Rodrigues Alckmin, filho de João Capistrano Ribeiro Alckmin e Maria Joana
Rodrigues, foi um competente professor e diretor de escolas públicas em Itu e
Guaratinguetá/SP. André nasceu em 4 de fevereiro de 1878, numa fazenda do município
de Baependi, no sul de Minas.
Estudou as primeiras letras em Silveiras/SP, onde seu pai começou a exercer a
magistratura. Quando seu pai foi para Cambui/MG, como Juiz de Direito, o jovem André
seguiu para São Paulo, a fim de estudar na Escola Normal da Praça da República, a
melhor do Estado. Morava numa pensão e trabalhava no Correio, das seis da tarde até
meia noite.
Diplomado em 1901, foi nomeado logo em seguida, Professor Adjunto do Grupo
Escolar Cesário Mota, em Itu. André Alckmin angariou rapidamente o respeito e a
admiração dos alunos, colegas e pais. No ano seguinte já exercia o cargo de diretor do
mesmo estabelecimento.
André casou com Ida Ravache em 8 de dezembro de 1903. Ida era descendente de
imigrantes alemães e freqüentou o Colégio Patrocínio, dirigido pelas irmãs de São José,
obtendo bom preparo e sólida formação católica. Tiveram cinco filhos: André Rodrigues
Alckmin Filho, José Geraldo Rodrigues Alckmin (pai de Geraldo José Rodrigues Alckmin
Filho, Governador do Estado de São Paulo), João Rodrigues Alckmin, Maria Joana
Alckmin e Geraldo José Rodrigues Alckmin (conceituado advogado, Juiz do TSE e
Ministro do STF).
Em 1907 André mudou-se com a família para Guaratinguetá, onde assumiu o cargo
de diretor da Escola Complementar dessa cidade. Alguns anos depois adquiriu um sítio na
Estrada dos Motas e aí construiu sua casa e um pomar muito bem planejado, cercado por
água, para evitar formigas. Na frente da casa foi plantado um jardim com um caramanchão
e um viveiro de pássaros, que eram cuidados pela Dª Ida.
Em 1928 foi nomeado “Inspetor-Fiscal da Escola Normal de Lorena” e em 1931.
“Lente de Português e Literatura da Escola Normal de Guaratinguetá”. Além disso, exercia
o magistério particular no Ginásio Nogueira da Gama e no Ginásio São Joaquim, de
Lorena.
André fez de sua profissão um modo de ser e, em casa, costumava acompanhar os
estudos dos filhos.

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André era um homem muito piedoso e tinha uma profunda religiosidade. Costumava
ir as missas todos os dias e pertencia à “Conferência de São Vicente Sagrado Coração de
Jesus”, da qual foi presidente. Preocupava-se muito com os pobres e mendigos e as
vezes os convidava para almoçar em sua casa.
Faleceu em 28 de março de 1932, aos 54 anos, sendo homenageado com seu
nome em várias escolas do Estado de São Paulo.

5.3 Biografia de José Geraldo Rodrigues Alckmin (neto de João Capistrano Ribeiro
Alckmin)
“Desde a infância, no lar cristão, em que aprendi do espírito bondoso,
austero e reto de meu pai, a ser fiel no cumprimento do dever. Em que
aprendi, na admirável firmeza de ânimo e no carinho materno, a
aceitar mais despreocupadamente êxitos e reveses, certo de que uns
e outros são integrantes de toda existência humana. E irmãos
admiráveis e bons companheiros de todos os instantes, que ajudaram
o irmão mais moço a encaminhar-se na vida.”
José Geraldo Rodrigues Alckmin

José Geraldo Rodrigues Alckmin nasceu em 4 de abril de 1915, num sítio da área
rural de Guaratinguetá. Era o quinto filho do casal André Rodrigues de Alckmin e Ida
Ravache.
José Geraldo fez seus estudos primários no Ginásio São Joaquim de Lorena e no
Colégio Nogueira da Gama de Guará, escolas onde lecionava o seu pai. Aos nove anos foi
coroinha na capela do Colégio Salesiano. Paralelamente ao curso ginasial, seguindo a
tradição da família, fez o curso normal na Escola Normal de Guaratinguetá, onde se
formou como professor em 1933. Neste mesmo ano passou no vestibular na Faculdade de
Direito, onde fez muitos amigos, que o admiravam pela sua simpatia, simplicidade e
inteligência.
Em 1934 foi empossado como imortal na Academia de letras da Faculdade,
revelando dotes literários. Obteve o grau de bacharel em Direito no dia 18 de janeiro de
1938, em cerimônia realizada no Teatro Municipal de São Paulo.

José Geraldo Rodrigues Alckmin (Guaratinguetá, 4 de abril de 1915 — Brasília, 6 de novembro de


1978) foi um juiz e magistrado e professor brasileiro. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal,
nomeado durante o regime militar.

Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na turma de


1937. Ingressou na magistratura em 1940, sendo nomeado juiz substituto da seção judiciária em
Mogi-Mirim. Foi, sucessivamente, juiz da comarca de São Luiz do Paraitinga, da Vara Auxiliar da
Fazenda Municipal de São Paulo, da 1ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio Preto, da 3ª
Vara Criminal e de Menores de Campinas, da 10ª Vara Cível da cidade de São Paulo e da Vara dos
Feitos da Fazenda Nacional.

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Ascendeu ao Tribunal de Alçada, como juiz, em 1958, exercendo a presidência de 1961 a 1963. Em
1957 auxiliou na fundação da Faculdade de Direito de Taubaté da Universidade de Taubaté, tendo
sido professor na instituição. Foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo em
1964, desempenhando as funções de corregedor geral da Justiça no de 1970 a 1971.

Foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal por decreto do presidente Emílio Garrastazu
Médici de 3 de outubro de 1972, tomando posse em 11 de outubro do mesmo ano.
Indicado juiz do Tribunal Superior Eleitoral, tomou posse como substituto em 5 de abril de 1973 e,
como efetivo, em 20 de fevereiro de 1975. Eleito vice-presidente, assumiu as respectivas funções
em 12 de novembro de 1975, exercendo-as até 7 de novembro de 1977, quando ascendeu à
presidência, onde permaneceu até seu falecimento.

Foi professor de Direito Processual Civil na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e
titular de Direito Judiciário Civil na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie.
Foi também suplente do então senador André Franco Montoro. Seu sobrinho, Geraldo José
Rodrigues Alckmin Filho, foi governador de São Paulo e candidato à Presidência da República em
2006.

Condecorações: Grande Oficial da Ordem do Mérito do Rio Branco; Grande Oficial do Mérito Militar;
Oficial do Mérito Aeronáutico; Grã-Cruz do Mérito Judiciário Militar; Ordem do Mérito Judiciário
Militar; Ordem do Mérito Judiciário.

Fonte: Wikipédia – A Enciclopédia Livre.

José Geraldo Rodrigues Alckmin era casado com Ana Maria Rangel Alckmin.
Faleceu no dia 6 de novembro de 1978, em Brasília, sendo sepultado em Guaratinguetá,
Estado de São Paulo. Os municípios de São Paulo, Guaratinguetá e Pindamonhangaba
prestaram-lhe significativa homenagem dando seu nome a logradouros públicos e escolas
municipais e estaduais.

5.4 Biografia de Geraldo José Rodrigues Alckmin (atual Governador do Estado de


São Paulo)

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, bisneto de João Capistrano Ribeiro Alckmin,
nasceu em Pindamonhangaba, no dia 7 de novembro de 1952. É um médico e político
brasileiro. É o atual Governador de São Paulo.

Foi vice-governador entre 1995 e 2001 e governador de São Paulo entre 2001 e
2006. Em 2006 foi candidato à presidência da República pelo PSDB, sendo derrotado. Em
2008 foi candidato à prefeitura paulistana, ocupou o cargo de secretário de
Desenvolvimento do estado de São Paulo, e nas eleições de 2010 foi eleito governador do
estado de São Paulo com 50,63% dos votos válidos.
Em 2010, após ser eleito em 1º turno governador do estado de São Paulo, Geraldo
Alckmin foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano.

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6. GENEALOGIA DA FAMÍLIA CAPISTRANO PAIVA
Natural de
João Capistrano Macedo Alckmin Bostelo/Portugal
Antônio (Tonico) Casamento Capitão Domingos
Maria Augusta Ribeiro José Negreiros em SJDR em de Paiva
Maria do Carmo 28-08-1736 Tomásia Maria Natural de
Capistrano Alckmin da Silva Lisboa/Portugal

1ª esposa: Maria
Sebastião Capistrano Josefa de Trindade
Negreiros 1ª esposa: Maria
Maria Custodia Bento Carneiro Tenente José de
Capistrano Alckmin Maria José Paiva e Silva
Gorgulho Coronel Joaquim Severino
de Paiva e Silva 2ª esposa: Isabel
Francisco Theodoro Nunes de Siqueira
de Paiva 2ª esposa: Ana
Flauzina Souza
Sebastião Crisóstomo
Negreiros (Zotinho)
Maria de
Jesus Nogueira

Argemiro
Morais de
Paiva

Dr. José
Capistrano de
Paiva Filho

1ª esposa: Maria das


Chagas Tales de Morais
José Capistrano (Zeca) de Paiva
1881 - 1962
2ª esposa: 3ª esposa: Maria
Nazinha Gouvêa Isabel Negreiros Zeca Paiva (1904) Zeca Paiva

Zélia
Maria Geny
Fernando
Walter Lineu
Sebastião
Nadir
Evaldo
Ir. Terezinha
Marcia
José Benedito
Marilda
Paulo
José Nilton
Vicente Valery
Edmar
Geraldo de Zeca Paiva (1940) Zeca Paiva em sua farmácia
Moraes Maria José

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Breve Biografia de José Capistrano de Paiva

José Capistrano de Paiva (meu pai, Zeca Paiva), neto


de João Capistrano Macedo Alckmin, nasceu em Dom
Viçoso, no dia 16 de novembro de 1881, filho de
Francisco Theodoro de Paiva e Maria Custódia
Capistrano de Paiva.
Zeca Paiva estudou na Escola de Farmácia de Ouro
Preto, graduando-se em 1902. Zeca foi um competente
e famoso farmacêutico. Iniciou sua carreira com sua
famosa “Farmácia Paiva” em Espírito Santo do
Pinhal/SP e depois se estabeleceu em Pouso Alto.
Como, naquela época, não havia médico na cidade,
Zeca também prestava serviços médicos e obstetrícios,
atendendo chamados urgentes, inclusive da população
rural.
Foi também influente político, juiz de direito e paz,
prefeito, inspetor municipal e conceituado professor de
matemática no Ginásio de Pouso Alto.
Foi respeitado, admirado e querido por todos, sendo
homenageado com o título de cidadão honorário e com
Maria Isabel (mamãe) com Joselisa
seu busto e nome na praça central de Pouso Alto/MG.
(minha. filha), em frente ao busto de
meu pai José Capistrano de Paiva.

6.1 Casamentos e Filhos de José Capistrano de Paiva

José Capistrano de Paiva (Zeca) casou


três vezes e foi pai de dezenove filhos.

Sua primeira esposa foi Maria das


Chagas Tales de Morais, com a qual teve
dois filhos: Argemiro Morais Paiva
(engenheiro, trabalhou no DNER, participou
da construção da Rodovia Presidente Dutra)
e Dr. José Capistrano de Paiva Filho (médico,
pioneiro da cirurgia geral do Sul de Minas
Gerais).

Maria das Chagas faleceu em 1909,


quando seus filhos Argemiro e José tinham
apenas quatro e dois anos.

José e Argemiro, filhos de José Capistrano de Paiva


e Maria das Chagas Tales de Morais (1ª esposa)

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José Capistrano de Paiva (meu pai Zeca Paiva) e sua primeira esposa Maria das Chagas Tales de Morais

José e Argemiro, filhos da 1ª esposa e Maria Geni, Meu irmão Dr. José Capistrano de Paiva Filho
filha da 2ª esposa de Zeca Paiva (Dez/1916) e meu pai José Capistrano de Paiva.

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Carta de José Capistrano de Paiva à sua mãe, pedindo-lhe permissão para noivar com Maria das Chagas
Tales de Morais.

Ouro Preto, 25 de julho de 1902

Minha prezada mãe,


Em primeiro lugar faço ardentes votos ao Altíssimo para que esta lhe encontre juntamente com o papai
e minhas irmãs no gozo de perfeita saúde.
Ao começar esta, sinto meu coração palpitar, porque vou tentar erguer uma pontinha do véu que
encobre minha felicidade futura. Entretanto o faço sem receio e cheio de confiança, porque a minha consciência
me diz que eu devo ter algum direito de ser feliz, visto que até aqui, tenho sempre me esforçado para
desempenhar bem os meus deveres e ser um homem de bem.
E mais confiança tenho, porque vou entregar o primeiro elo dessa corrente ideal à minha boa e
carinhosa mãe, que por me estimar de coração, não contrariará minha vontade, e até procurará fazer com meu
idolatrado pai seja também a meu favor.
Como a Sra. já sabe, há 3 anos que gosto de
uma moça d’aqui e tive portanto, tempo em demasia
para estudá-la e ver se o seu gênio, o seu caráter e sua
educação eram perfeitas e se ela era dotada de
predicados indispensáveis a uma mãe de família, a uma
esposa, a uma companheira para as lutas dessa vida. E
nesse estudo não me deixei levar pelos excessos de um
amor extremado, deixando-me vendar pelo véu da
paixão, nem me enganar pelos atrativos do
encantamento.
Dedico-lhe intenso amor, é verdade. Mas o meu
amor é todo muito natural, muito puro e cercado de
todas as qualidades que o façam duradouro e eterno,
sem vaidades. Estou convicto e comigo todas quantas a
conhecem, que esta moça é em tudo digna de mim.
Todas lhe reconhecem as mais belas qualidades e um
coração otimamente formado. Ë filha de distinta família,
aqui muito estimada e de muita consideração. Está
estudando na escola normal, faltando-lhe apenas dois
anos para se titular, o que, para mim, dada a carreira
que vou seguir, é uma vantagem enorme. Já na fronte
lhe sorriem 14 primaveras. É de muito expediente e
trabalhadeira, despida de vaidades e de preconceitos: é
enfim riquíssima de virtudes e boas qualidades.
Como sabe também, em novembro serei
farmacêutico, se Deus quiser, mas entendo que devo
pedir agora, com um prazo indeterminado, tencionando
casar-me depois de estabelecido e com os necessários
meios de me manter com família. Receio, porém, que
meu bom pai se oponha a essa minha deliberação. É
por isso que me dirijo a Sra., confiando que a ternura de
seu coração me auxilie.
A Sra. como coisa sua, como se eu nada
pedisse, pode procurar saber a opinião dele e me
responder a fim de que eu peça a devida licença. Se ele
for contrário a este meu projeto único que me fará feliz,
peco-lhe que advogue em minha causa e alcance dele
uma opinião favorável. Espero uma resposta para que
então lhe escreva pedindo vênia para fazer o pedido de
casamento.
Beijando respeitosamente suas mãos, de papai,
Maria das Chagas Tales de Morais, primeira e enviando mil saudades às minhas irmãs, finalizo esta.
esposa de José Capistrano de Paiva Seu filho do coração,
Zeca.

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No segundo matrimônio, José Capistrano de Paiva casou com Nazinha Gouvêa,
tendo sete filhos: Maria Geni, Walter Lineu, Nadir, Terezinha (Irmã Antoinete), José
Benedito (Dito), Paulo e Vicente.

Maria Geni, entre seu filho Edinho e sua nora.

Nazinha Gouvêa (2ª esposa de Zeca Paiva)

Walter Lineu e sua esposa Ione

Terezinha (Irmã Antoinete)


Nadir e Zélia (minhas irmãs), Maria Isabel
(mamãe), José Nilton (eu) e minha filha Joselisa.

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Paulo Paiva

Vicente Paiva
Benedito (Dito)

No período em que ficou viúvo pela segunda vez, José Capistrano de Paiva teve
um filho: Geraldo de Moraes.

Minha irmã Zélia, meu irmão Geraldo e sua esposa Carminha, José Nilton (eu) e Guiomar Paiva
(minha sobrinha poetisa, filha de meu irmão Dr. José Capistrano de Paiva Filho).

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No seu terceiro matrimônio, Zeca Paiva casou com Maria Isabel Negreiros (Dª
Bebé, minha mãe), tendo nove filhos: Zélia, Padre.Fernando, Sebastião, Evaldo, Marcia,
Marilda, José Nilton, Edmar e Maria José.

1ª fila: Evaldo, Fernando, Zélia, tia Glorinha (Tigró), Bebé (mamãe), Marcia. Maria José e Marilda
2ª fila: Maria José, Edmar, Tião, Márcia, José Nilton.

Irmãos Negreiros Paiva, durante encontro de família, no lugarejo Pintos Negreiros – Maria da Fé/MG.
Ao fundo, a Igreja dos Pintos, nas terras que outrora pertenceram a João Capistrano de Macedo Alckmin.
1ª Fila: Padre Fernando, Sebastião (Tião), Evaldo, José Nilton, Edmar;
2ªFila: Maria José, Zélia, Márcia e Marilda.
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Celebração da 1ª missa do meu irmão Padre Fernando, em Pouso Alto:
1ª fila acima: Evaldo, Tião. Lineu, Argemiro, Padre Fernando, Maria Isabel (mamãe), Benedito (Dito),
Dr. José Paiva e sua esposa Maria de Lourdes (Maninha), Vicente e Paulo Paiva.
Abaixo: Marilda, Zuza (esposa do Argemiro), Márcia, Zélia, Maria José, Edmar e José Nilton.
Abaixo à direita: minhas irmãs Nadir, Teresinha e Maria Geni, em frente ao busto de meu pai Zeca Paiva.
Obs.: Fernando, ao ver essa foto, disse: - Que família mais séria, só eu estou sorrindo.

Aniversário de 80 anos de Maria Isabel (mamãe), com os Maria Isabel (Bebé) com as filhas Zélia, Marilda,
filhos Tião, Edmar, Fernando, Evaldo e José Nilton. Maria José, Marcia e netos Vilmar e Pedro José.

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7. CASAMENTO DE JOSÉ CAPISTRANO DE PAIVA E MARIA ISABEL NEGREIROS

Casamento de José Capistrano de Paiva com Maria Isabel


Negreiros (meus pais)

7.1 O Namoro
Sebastião Capistrano Negreiros (pai do Vovô Zotinho), morava com sua família
(filhos e netos), na sede da Fazenda dos Pintos, a Casa Grande. Ele gostava de organizar
teatros para ser representado para o povo dos Pintos e do Rosário de Dom Viçoso.
Num desses teatros, ele e o seu filho Zé Maria, escreveram e ensaiaram um drama
bíblico chamado “Jesus, o Cego e a Leprosa”, em 3 atos, com 10 personagens, os quais
foram: Betú (José Maria Negreiros), Abigail (Dorinha), Faristeu Jonatã (José Augusto),
Cristo (Sebastião Capistrano Negreiros), Lásaro (João Negreiros), Maria Madalena (Maria
Isabel – Bebé), Marta (Alaíde), Rute (Terezinha), Célio (José Maria Negreiros), Nicodemos
(José Bartolomeu), Fariseu Gamalier (Sebastião Capistrano de Negreiros).

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Vovó Maria (esposa do Vovô Zotinho) fez o vestuário adequado para cada um dos
personagens. Os personagens decoraram e treinaram os seus papéis e representaram o
drama, três vezes no barracão da tia Imaculada, na Fazenda dos Pintos e duas vezes no
Rosário de Dom Viçoso. O drama fez muito sucesso, o povo gostou muito.
O sucesso do drama chegou ao conhecimento do Zeca Paiva, o qual já estava
viúvo do 2º casamento. Ele convidou o seu primo Sebastião Capistrano Negreiros, para
levar o drama lá no Grupo Escolar de Pouso Alto, que tinha uma sala apropriada para
teatro. Os atores foram e fizeram a apresentação. Sebastião Capistrano Negreiros pediu
para o Zeca Paiva servir de ponto. O povo gostou muito e pediram bis. Na segunda
apresentação o Zeca Paiva disse: “Não precisam de ponto, estão bem preparados, vou
assistir da platéia”
Maria Isabel (Bebé) representava a Madalena, muito apreciada por todos, com seu
gênio alegre, expansiva e bonita, com seus 18 anos. Prosou muito com o Sr. Paiva, que
lhe disse que ia visitá-la na casa da sua Vó Escolática (sogra do Vovô Zotinho). No dia
seguinte Zeca Paiva foi e almoçou com a Dª Escolástica, com quem ele queria muito bem.
Ao se despedir, Zeca Paiva falou com a bebé: “Eu vou lá na sua casa fazer uma
visita a seu pai. Nós somos velhos amigos.” Passado uns dias, Zeca Paiva foi a Fazenda
dos Pintos, passando primeiro na Casa Grande, para visitar o primo e amigo Sebastião
Capistrano Negreiros e depois foram juntos à casa do Zotinho.
Ao chegar, Zeca Paiva foi direto ao assunto e foi logo pedindo o consentimento
para casar com a Bebé:
- Você já deve saber que eu gosto da Bebé, quero casar com ela para te ajudar acabar de
criá-la e para ela ser minha companheira até o fim da vida. Eu gosto muito dela e sei que é
uma boa menina e de boa família. Quero casar com ela e quero logo o casamento. Não
precisa enxoval. Tenho a casa pronta.
Vovô Zotinho foi até a cozinha e lá estava a Bebé espantadinha, escutando atrás da
porta a conversa deles, e falou: “Se o Sr. quiser eu quero salvar a alma dele”. Sr. Paiva é
muito bom homem, mas católico, só de missa aos domingos.
Zeca Paiva passou uns três dias nos Pintos. Trouxe a Belinha e a Zorilda, filha do
seu irmão Ladislau, para ajudarem no casamento. Zotinho nada respondeu, pois achava
um absurdo a diferença de idade: ele com quase 60 e ela com 19 anos. Sua esposa Maria
espantou também, mas queria muito bem o Sr. Paiva e falou com a Bebé:
- Vamos rezar minha filha.

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Sebastião Capistrano Negreiros (pai do Vovô Zotinho) falou com o Zeca Paiva:
“A diferença de idade é muito desigual.” Zeca Paiva respondeu: “Há quase 10 anos que
estou viúvo, queria ficar “bilontra” (libertino), mas não está no meu gênio. Meus filhos já
estão grandes, faltam apenas dois para se casar, mas a tia Zezé toma conta deles.”
Zotinho respondeu-lhe que daria a resposta lá em Pouso Alto.
Chegando em Pouso Alto, Zotinho pediu a opinião de sua sogra Dª Escolática e ela
lhe disse que fazia gosto do casamento e queria o Zeca Paiva como seu neto, pois o
queria muito bem. Zotinho chamou o Zeca Paiva e deu-lhe o consentimento para casar
com sua filha. Zeca Paiva ficou muito feliz. Maria, esposa do Zotinho, deu a idéia de se
realizar o casamento junto com o aniversário da sua mãe Dª Escolástica. Todos acharam
uma boa idéia. Dias depois Zeca Paiva escreveu a seguinte carta para a noivinha Bebé:

Carta de Zeca Paiva à noiva Maria Isabel (Bebé) Negreiros.

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7.2 O Casamento de Zeca Paiva e Maria Isabel (Bebé)
Em 12 de agosto de 1941, dia do casamento, o padre Zequinha chegou ao meio
dia, com os noivos. A igreja encheu de gente. Terminado o casamento foram todos para a
chácara da Dª Escolástica, com os noivos à frente e o povo acompanhando. O terreiro e a
casa estavam cheios de gente. Fez-se o casamento civil. Após a cerimônia do casamento,
foi servido o jantar. Teve discursos dos tios e até a Dorinha (irmã da noiva) fez um
discurso para os recém-casados. Teve terceira e quarta mesas, que serviram com muita
fartura.
Terminado o jantar, quase de noite, todos foram para a cidade dançar no Grupo de
Pouso Alto. Sebastião Capistrano Negreiros marcou a quadrilha. Eduardo, farmacêutico,
genro do Zeca Paiva, distribuiu chocolate, à vontade, para o povo na rua. No outro dia, os
recém casados foram para São Paulo, onde foram passar a lua de mel.
Passado um mês do casamento, vovô Zotinho e filhas foram fazer uma visita ao Sr.
Paiva e Bebé. Foram a cavalo e passaram dois dias em Pouso Alto. Bebé estava
satisfeita e o Sr. Paiva todo contente. Zotinho deixou Terezinha e Glorinha para fazer
companhia pra Bebé, voltando com Alaíde e Dorinha.

Casamento de José Capistrano de Paiva e Maria Isabel (Bebé) Negreiros - Chácara da Dª Escolástica:
1ª Fila: Terezinha Negreiros, José Bartolomeu, Maurício, José Augusto, Paulo Paiva, João C. Negreiros, Tia Dorinha,
Chiquinho Furriel, Tia Alaíde, Joaquim Ribeiro, Elza, Mariinha, Moacir Ribeiro.
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2ª Fila: Paulo (filho do Joaquim), Marta (filha do Gabriel), Terezinha Espeschit, Guiomar Brito, Maria Benedita, Maria
Geralda, Vicente Paiva, Tigró, Terezinha, filha do Sr. Lulu, Candinha, Gláucia, Rute Espeschit, os noivos Maria Isabel
(Bebé) e Zeca Paiva, Izabel Maria Gondim, Tia Marica Paiva, Nenê Toledo e Arildo, Geraldo (filho da tia Marica).
8. BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA PAIVA

Estão descritas a seguir as biografias das seguintes figuras ilustres da família


Capistrano Paiva:
- José Capistrano de Paiva (meu pai Zeca Paiva), neto de João Capistrano Macedo Alckmin,
foi um famoso farmacêutico, juiz de paz, prefeito, inspetor municipal e professor Pouso Alto,
Foi homenageado com o título de cidadão honorário e tem o seu nome e busto na praça
central de Pouso Alto/MG;
- José Capistrano de Paiva Filho (meu irmão), médico e pioneiro da cirurgia geral do Sul de
Minas;
- Alceu Vilela Paiva (meu sobrinho, filho do meu irmão Argemiro), foi engenheiro diplomado
pelo Instituto Militar de Engenharia, coronel reformado do Exército Brasileiro, titular da
Secretaria de Obras da Prefeitura de Resende/RJ e proprietário de uma construtora;
- Guiomar de Paiva Brandão (minha sobrinha, filha do meu irmão José Capistrano de Paiva
Filho) pedagoga, escritora e poetisa, escreveu vários livros para adultos e crianças, ganhou
vários concursos e foi premiada pela “Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA”.

8.1 Biografia de José Capistrano de Paiva (neto de João Capistrano de Macedo


Alckmin)
Reconhecendo os altos e incontestáveis méritos deste sul-mineiro, o Sr. José
Capistrano de Paiva, houve por bem o Executivo Municipal e a egrégia Câmara
dos Vereadores, galardoar esse vulto insigne, dando-lhe, em solenidade oficial,
o título honroso de “Cidadão Honorário” de Pouso Alto. O ato teve lugar no dia
25 de agosto de 1958, no salão da Câmara Municipal, tendo o Exmo. Sr. Dr.
Geraldo Henrique da Cruz, Juiz de Direito da Comarca, enaltecido num vibrante
discurso a personalidade desse patriarca pousoaltense.
FONTE: Jornal “A Montanha” de 25 de Agosto de 1958.

José Capistrano de Paiva (meu pai, Zeca Paiva), neto de João Capistrano Macedo
Alckmin, nasceu em Dom Viçoso, no dia 16 de novembro de 1881, filho de Francisco
Theodoro de Paiva e Maria Custódia Capistrano de Paiva.
Zeca Paiva foi um famoso farmacêutico, formado em 1902 na Escola de Farmácia
de Ouro Preto. Iniciou sua carreira com sua famosa “Farmácia Paiva” em Espírito Santo
do Pinhal/SP e depois se estabeleceu em Pouso Alto. Além de competente farmacêutico,
ele também prestava serviços médicos e obstetrícios, atendendo chamados urgentes, pois
naquela época não havia médico em Pouso Alto. Foi também um influente político,
conceituado Juiz de Direito e Paz, excelente e dedicado professor de matemática do
Ginásio de Pouso Alto.
Foi respeitado, admirado e querido por todos, sendo homenageado com o título de
cidadão honorário e com seu busto e nome na praça central de Pouso Alto/MG.
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José Capistrano de Paiva com Juscelino Busto de meu pai José Capistrano de Paiva na
Kubitschek, quando este fazia campanha Praça também com o seu nome em Pouso
para Governador do Estado de MG, em Alto/MG
Pouso Alto.

1ª fila: Zélia (minha irmã), Bebé (mamãe), tia Alaíde;


José Capistrano de Paiva (papai) e irmã. 2ª fila: Zeca (papai), Maria e Zotinho (avós maternos);
3ª fila: José Nilton (eu) , Edmar e Maria José (meus irmãos).

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Trecho do discurso de colocação da Placa em homenagem ao Sr. José Capistrano de Paiva, do Conselho
Regional de Farmácia ao Sr. Paiva, em 19/10/1984:

José Capistrano de Paiva, farmacêutico famoso de Pouso Alto, mas era também o médico famoso para ricos e
pobres, ninguém saia de sua farmácia sem levar os medicamentos necessários, porque sua bondade era
enorme. Muitos remédios eram fabricados por ele mesmo em sua própria farmácia. Pessoas de longe vinham
procurar os remédios milagrosos do Sr. Paiva. Era parteiro excelente, quando era chamado, saía de casa com sol
ou chuva, a cavalo, de carro de boi, e às vezes até dormia nas roças distantes. Quanto ganhava? Não cobrava
nada, ganhava amizade sincera e isso não tem preço. Algumas vezes chegava em sua casa verduras, legumes,
abóboras, frangos e até alguma leitoa que o fulano mandou para o Sr. Paiva em agradecimento e que Deus lhe
pague e abençoe. Muitas pessoas ilustres de Pouso Alto nasceram em suas mãos.

8.1.1 José Capistrano de Paiva – O pai exemplar

Não bastasse o exemplo de vida digna, honrada, a grandeza de alma, a retidão de


caráter e de princípios, José Capistrano de Paiva foi também um ótimo pai. Mesmo com a
idade avançada e as muitas ocupações que exercia, sempre dava atenção aos seus filhos.
Lembro-me, quando eu era ainda criança, ele sempre brincava comigo e meus irmãos, me
jogava para o alto e eu dava risadas e pedia bis. Ele costumava fazer brincadeiras de
mágicas para nos entreter e depois nos ensinava os truques, para brincarmos com nossos
colegas.

Papai nunca falava palavrões e não permitia que os filhos o fizessem. Quando eu
tinha uns três anos, lembro que meus irmãos Tião e Evaldo me ensinaram um palavrão e
me pediram para dizê-lo ao papai. Quando eu proferi o palavrão para o papai, ele ficou
muito bravo e foi atrás do Tião e Evaldo, que estavam rindo no outro lado da sala e
xingou:
- Ô seus “poaias”, quem é que ensinou o palavrão para o menino?
Quando papai queria xingar, ele falava “poaia”. Anos mais tarde, procurei o significado
dessa palavra no dicionário e vi que significa “pessoa sem graça”, “pessoa enjoada”, “erva
daninha”.
Papai me ensinou a jogar xadrez. Ele era mestre em xadrez e vencia todas as
partidas que jogava na praça em frente sua farmácia, entre um atendimento e outro. Após
aprender com ele o movimento das peças, jogamos algumas partidas e às vezes ele me
deixava ganhar, para me deixar feliz.
Aos domingos de manhã, religiosamente, ele nos dava um dinheirinho, para
comprar picolé e doces. Todo domingo, após tomarmos o café da manhã, corria-mos para
a sua farmácia, pedíamos sua benção e estendíamos a mão, pedindo:
- Cadê nosso dinheiro de domingo?
Ele já tinha o dinheiro trocado no bolso e nos dava, com um sorriso no rosto e saíamos
correndo para o bar para comprar picolé e doces.

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Quando papai era Juiz de Paz, ele assinava todas as páginas de um grosso lvro de
Registros e me pedi ajuda para passar as páginas e o “mata-borrão”.
Ao concluir a atividade, ele me dava um dinheirinho para pagar o serviço.
Eu dizia-lhe: “Não precisa pai”. Mas ele fazia questão de me gratificar.
Papai e alguns sócios construíram um pari (armadilha para capturar peixes, feita em
bambu e esteira de talas), na foz do ribeirão de Pouso Alto com o Rio Verde. Nos fins de
semana ele ia ao lá pescar no pari com os amigos e quase sempre nos levava, eu e meu
irmão Edmar. Quando ouvíamos o barulho de peixe caindo na armadilha, íamos correndo
pega-lo, sob o olhar cuidadoso do papai. Pegávamos bastante lambaris, os quais eram
então repartidos entre os participantes da pescaria e sempre levávamos para casa uma
boa quantidade de peixes, que a mamãe fazia no almoço do dia seguinte.
Papai sempre ia visitar o irmão Ladislau (Tio Lalau), que morava em Guaratinguetá
e cada vez levava um dos filhos. Uma vez eu fui com ele, de trem “maria fumaça”. Foi um
passeio muito legal. Eu gostava de observar as paisagens. Fomos muito bem recebidos
pelo tio Lalau e família, que nos aguardavam com um lauto banquete.

8.1.2 Falecimento de José Capistrano de Paiva

Meu pai José Capistrano de Paiva faleceu em 23 de outubro de 1962, com 82 anos.
Nessa ocasião eu estava com apenas 10 anos e estava no quarto ano primário. Nesse
dia, eram 7:00 h da manhã, eu já estava saindo de casa para ir para a escola, quando ouvi
papai chamando pela mamãe, com seu assovio característico. Eu voltei, vi papai se
dirigindo à cozinha à procura da mamãe e eu falei-lhe que ela já tinha ido para a missa.
Papai voltou para sua cama e falou-me:
- Hoje você não precisa ir à escola, fica aqui comigo.
Ele nunca me permitiu faltar à escola. Foi então que reparei que ele estava suando
e levava as mãos ao peito, demonstrando estar sentindo muita dor. Eu fiquei muito
nervoso e preocupado, pois logo vi que poderia se tratar de um novo enfarte. Ele já tinha
tido um enfarte há uns dois anos atrás. Naquela ocasião ele parou de fumar e eu ouvi a
seguinte conversa dele com Tia Alaíde:
- Eu parei de fumar, mas não sei não, acho que não vai demorar muito e eu terei outro
enfarte e da próxima vez, eu não agüentarei. Eu fico preocupado é com as crianças.
- Não se preocupe Sr. Paiva, o Sr. ainda vai viver por muitos anos. Agora, quanto às
crianças, o Sr. pode ficar despreocupado, que a gente cuida.

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Mediante essa recordação, logo vi, que talvez, tivesse chegado o dia ao qual papai
havia se referido. Papai pediu-me para eu ir chamar o Zé Mendes, que era o farmacêutico
que trabalhava com ele na farmácia. Naquela época não havia médico na cidade.
Atravessei a praça correndo e chamei o Zé Mendes dizendo-lhe que o papai não estava
bem. Ele veio apressado junto comigo. Quando chegou, Zé Mendes foi logo abrindo a
camisa do papai, para examiná-lo e pediu-me para abrir as janelas para ventilar.
Pressentindo que papai estava piorando, falei ao Zé Mendes que eu iria à Igreja chamar a
mamãe e fui correndo para a Igreja.
Chegando à Igreja, a missa já havia terminado e a mamãe já havia descido, talvez
alguém tenha ido buscá-la de carro. Lá do adro da Igreja, olhei para a rua da minha casa e
vi que estava cheia de carros e de gente. Então fiz uma prece a Deus pedindo-Lhe para
dar forças para que papai pudesse resistir mais uma vez ao enfarte, mas que se não fosse
possível afastar esse cálice, se tivesse chegado sua hora de encontrá-Lo, que Ele o
receba com honras no céu, pois papai é um homem muito bom e faz por merecer ir direto
ao céu, ao Seu encontro e se juntar aos anjos, santos e entes queridos.
Quando voltei, a casa estava cheia. Não me deixaram entrar no quarto do papai,
havia muito choro. Eu estava, com um nó na garganta, apenas rezava. Mamãe chegou a
tempo de ver papai com vida. Papai lhe dirigiu suas últimas palavras: ”Eu estou morrendo
mulher!”. Mamãe, que segurava um crucifixo em suas mãos, aproximou-o dos lábios do
papai, ele o beijou e em seguida deu o último suspiro. Papai também recebeu a extrema
unção, rezada pelo Padre Paulo. Com quase 82 anos, papai foi para o céu, receber seu
merecido descanso. Saí para a Praça e pouco tempo depois vieram meus colegas da
escola, me consolaram e me deram os pêsames. Não houve aula, devido ao falecimento
do papai.
FALECIMENTO DO SR. PAIVA (DIÁRIO DA TIGRÓ)

No dia 23 de outubro de 1962 o Sr. Paiva passou dessa vida para outra, deixando um vazio, imensa tristeza
e saudade para todos os pousoaltenses. Bebé, viúva, com seus nove filhos, só a filha mais velha, a Zélia,
está formada e trabalhando como professora. Os outros oito estão estudando: Fernando é seminarista; Tião
e Evaldo estão no ginásio, Márcia e Marilda no colégio interno em Barbacena, onde a Irmã Antoinette é a
diretora; Zé Nilton e Edmar estão no primário e a Maria José, está apenas com 3 anos.
Em tempos atrás eu não considerava o Sr. Paiva, o santo da minha devoção, mas porque eu era muito nova,
não conhecia a personalidade dele e nem sabia que o bom exemplo grava muito mais no coração da gente,
educa muito melhor uma criança do que um sermão ou pancadas e violência.
O Sr. Paiva era um homem exemplar. Parecia não ser muito católico, mas era, praticava o catolicismo com
muito fervor. Ele logo que casou com a Bebé, ralhava com ela porque ela gostava de ir à missa todos os
dias. Um dia a Bebé chegou lá em casa pulando de alegria e falou para o papai e mamãe:
- Fiz novena para Santa Terezinha e alcancei a graça que pedi. Hoje eu ví o Zeca fazer o sinal da "Santa
Cruz”. Louvado seja Deus.
Um dia eu fui a Pouso Alto visitar a mamãe (Vovó Maria) e ela me disse:
- Estou com muita pena da Bebé. A viuvez é muito triste, nunca pensei do Sr. Paiva fôsse na minha frente.
Cheguei aqui mais morta do que viva. Ele sempre tão atencioso e bondoso para comigo. Ele era um respeito
nesta casa.

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8.2 Biografia do Dr. José Capistrano de Paiva Filho (meu irmão, bisneto de João
Capistrano de Macedo Alckmin)
Dr.José Paiva foi um exemplo de uma vida de trabalho, competência
profissional, dedicação e de amor. Trazia na alma a mesma simplicidade do
nome e nos gestos, toda a grandeza e sabedoria de uma vida bem vivida.
(Marília de Paiva Costa, filha do Dr. José Paiva)
Meu irmão José Capistrano de Paiva Filho é filho de José Capistrano de Paiva com
Maria de Chagas Telles de Moraes. Dr. José Paiva nasceu em 26 de dezembro de 1907
em São José do Pinhal / SP, onde nosso pai morava quando teve sua primeira “Pharmácia
Paiva”. Sua mãe, Maria de Chagas, faleceu quando ele tinha apenas dois anos. Foi então
morar em Itanhandú/MG, com os avós Francisco Paiva e Maria Custódia (filha de João
Capistrano de Macedo Alckmin).
Menino humilde, José aprendeu desde cedo a trabalhar e com a austeridade de seu
avô, lhe foi moldado uma nobreza de caráter, que sempre o acompanhou. Fez o curso
secundário no Colégio São Joaquim dos padres salesianos. Ainda estudante, trabalhava
como professor numa escolinha noturna, fundada por ele, para alfabetização dos adultos.
Em 1927 ingressou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, onde residiu por
dois anos, trabalhando como revisor do jornal “Correio de Minas”.
Em 1929 transferiu-se para o Rio de Janeiro, terminando seus estudos na
Faculdade de Medicina da Praia Vermelha. A cerimônia de formatura foi no Teatro João
Caetano, em 03 de outubro de 1932.

Dr. José Capistrano de Paiva Filho e sua esposa Maria de Lourdes Mendes (Maninha)
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Em 26 de dezembro de 1933 casou-se com Maria de Lourdes Mendes (Maninha).
Tiveram quatro filhos: Roberto, Guiomar, Maria José e Ernesto.
Em 1935 José mudou-se para Pouso Alto, onde abriu um consultório, na Farmácia
Paiva, de seu pai. Em Pouso Alto exerceu também a função de Promotor Público.
Em 1936 transferiu-se para Itanhandú, onde nasceram os seus filhos Maria José,
Roberto, Ernesto e Marília. A filha caçula Guiomar nasceu em Caxambu.
Em Itanhandu, além de sua vida profissional, lecionou História Natural no Colégio
Sul-Mineiro. Em 1947 foi eleito Prefeito Municipal de Itanhandu e Vice-Provedor da Casa
de Caridade, sendo seu primeiro cirurgião.
Atendendo Convite, Dr. José Paiva mudou-se para Caxambu, tomando o comando
da Cirurgia e Clínica do Hospital São Vicente de Paula. Dr. José Paiva foi o primeiro em
cirurgia no Sul de Minas, sendo também o pioneiro a fazer a transfusão de sangue.
Em 1950 foi nomeado pela Secretaria da Saúde para organizar o Hospital Regional
do S.A.M. em Caxambu. Em 1959 foi nomeado médico pelo ministério da justiça para a
Escola Wenceslau Braz. Exerceu as funções de médico do Hospital Infantil da Casa Virão
Poterns, do DNER, da Hidrominas e do Funrural.
Dr. José Paiva ganhou fama de excelente médico e cirurgião. Seu nome é
reconhecido por toda a redondeza do sul de Minas. Ele se tornou o médico de confiança
de muitas famílias.

“Assim os anos foram passando... Sem perceber, José Paiva foi


escrevendo o livro de sua própria vida! Um tesouro cheio de histórias
variadas, bonitas, tristes, alegres, engraçadas, pitorescas e todas
muito interessantes. Os capítulos eram muito emocionantes... sobre
vidas que salvou e criancinhas que ajudou a nascer.“
Fonte: Livro José – Uma História de Verdade, de Marília de Paiva
Costa (filha do Dr. José Paiva).

José comprou terras em Itanhandú e montou uma pequena fazenda, adquiriu gado
holandês e cavalos, plantou pés de café e montou um ótimo pomar.
Dr. José Paiva me deu de presente, pela minha formatura em Engenharia, uma novilha da
raça holandesa, entregando-a na fazendinha da minha tia Glorinha (Tigró), na Ponte do
Carmo.

José era muito bondoso e um bom filho. Quando passava por Pouso Alto, ele
sempre visitava nosso pai, e nos presenteava com deliciosos frutos do seu pomar (caquis,
laranjas e tangerinas) e trazia também queijo e ricota, que papai gostava muito. Todo natal
ele nos presenteava com uma leitoa, que mamãe temperava e assava no forno a lenha.
Saboreávamos a deliciosa leitoa no natal e no ano novo.

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Dr. José Paiva faleceu em julho de 1980 e recebeu muitas homenagens. Uma delas
foi o título de “Pioneiro da Cirurgia Geral do Sul de Minas”.

“Jamais pensei em encontrar em uma cidade pequena como esta, um cirurgião


de tal gabarito e capacidade profissional, como o Dr. José Paiva.”
Professor Ellis Ribeiro, catedrático da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

8.3 Biografia do Coronel Alceu Vilela Paiva (tataraneto de João Capistrano de Macedo
Alckmin)
“A trajetória do coronel Alceu Vilela Paiva comprova ter sido ele um
homem que prestou relevantes serviços ao município de Resende.
Ele deixa exemplos de honestidade, elevado espírito público,
competência profissional e um amor grandioso pela nossa cidade. A
Prefeitura lamenta profundamente sua morte, na certeza de que
Resende perdeu um dos mais importantes homens públicos que já
passaram por esta terra.” (José Rechuan, Prefeito de Resende/RJ –
Artigo publicado no jornal “A Folha do Interior”, de 25/01/2012).
Mineiro de Pouso Alto/MG, Alceu Vilela Paiva (meu sobrinho, filho do meu irmão
Argemiro Paiva), coronel reformado do Exército Brasileiro, e engenheiro diplomado pelo
Instituto Militar de Engenharia, era casado com Yolanda Pinto Paiva (ex-presidente da
Associação Pestalozzi de Resende). O casal teve três filhos: Alceu Vilela Paiva Júnior
(presidente da Câmara Municipal de Resende nos anos de 1999 e 2002), Cristiane Pinto
Paiva Guia (fonoaudióloga) e Luiz Antônio Vilela Paiva (oficial do Exército brasileiro).

Coronel Alceu Vilela Paiva, em seu aniversário de 80 anos, em 2/07/2011,


comemorado em seu sítio em Resende / RJ.

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Alceu ingressou na carreira militar em 1952, como cadete da AMAN (Academia
Militar das Agulhas Negras), quando passou a fazer parte da Turma Barão do Rio Branco
(arma de Engenharia). Os vários anos de dedicação ao Exército foram reconhecidos por
meio de várias honrarias. Alceu foi agraciado pela Academia de História Militar Terrestre
do Brasil, com a Medalha do Mérito Histórico Militar. Em 2011, Alceu recebeu uma
homenagem concedida pelo Poder Legislativo da Câmara Municipal de Resende, durante
as comemorações dos dois séculos de existência da AMAN.
Alceu exerceu muitas atividades e funções em sua carreira, algumas das quais,
destacamos abaixo:
- Titular da Secretaria de Obras da Prefeitura de Resende, no período de 1966 a 1972;
- Presidente do Conselho Fiscal da Federação de Academias de História Militar Terrestre
do Brasil (FAHIMTB);
- Professor de Física e Resistência das Matérias, na Academia Militar de Agulhas Negras
(AMAN), por 16 anos (1964 a1980);
- Instrutor de História Militar no período de 1978 a 1980;
- Proprietário da Construtora Manejo Ltda. (COMAL), onde realizando obras em várias
indústrias e em obras públicas de Resende;
- Dirigiu obras da Prefeitura de Resende no período de 1971/72;
- Presidiu a Cooperativa Agropecuária de Resende, nos períodos de 1975 a 78 e de 1997
a 98, como fazendeiro que veio a se tornar;
- Presidiu a Confraria dos Cidadãos de Resende, sempre preocupado com o exercício da
cidadania;
- Membro do Rotary Club de Resende;
- Acadêmico da Academia Resendense de História (ARDHIS);
- Atuou politicamente em Resende, presidindo o Diretório Municipal do PTB (Partido
Trabalhista Brasileiro), sigla pela qual se candidatou a prefeito de Resende na eleição
municipal de 1982.
Parte para a eternidade, prezado amigo e solidário confrade, confiante que a tua passagem pela terra
foi profícua, um exemplo precioso de cidadania comunitária resendense, onde deixastes marcas
profundas de tua notável contribuição para um mundo melhor para os que aqui ficam temporariamente!
Vai feliz e realizado ao encontro de tua companheira modelar, por cerca 60 anos, Dª.Yolanda Pinto
Paiva, cuja falta e saudades percebia em tuas manifestações sinceras, nas diversas visitas que te fiz
para tratar de assuntos de nossa FAHIMTB. Saudades amenizadas com a presença e cuidados de tua
neta Catia e bisneto. Honrastes teus pais Argemiro Morais Paiva e Dª. Maria de Jesus Vilela Paiva,
exemplos de encaminhamento de família numerosa, com limitados recursos, a bons e honrosos
destinos, com seus exemplos de que tanto de orgulhavas.
Fonte: Artigo do Coronel Cláudio Moreira Bento, disponível no site
<http://www.ahimtb.org.br/celaceuvilelap.htm>
 

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8.4 Guiomar de Paiva Brandão (tataraneta de João Capistrano Macedo de Alckmin)

“Da mesma forma que alimentamos o nosso corpo, precisamos


também alimentar nosso espírito” Guiomar de Paiva Brandão.

Guiomar de Paiva Brandão é pedagoga, escritora e


poetisa. Geminiana de 02 de junho, natural de
Caxambu, Sul de Minas, é filha do meu irmão José
Capistrano de Paiva Filho e de Maria de Lourdes
Mendes (conhecidos como Dr. Paiva e Maninha).
É casada com Augusto Brandão e têm quatro filhos:
Daniel, Tatiana, Thaís e André.

Guiomar é formada em Pedagogia com ênfase em Orientação Educacional pela


UNINCOR, Três Corações e escreve contos e poemas para adultos e crianças.
Lançou seu primeiro livro “Jovens poetas de uma pequena cidade” aos 17 anos. Ganhou o
“Concurso João de Barro” de Belo Horizonte, com seu livro “Giramundo”. Ganhou o
prêmio “Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA” com o livro infantil “Liga pra
mim”.
Guiomar é membro da “Academia Caxambuense de Letras”, da “Associação
Cultural de Caxambu”, da “Academia Poços-Caldense de Letras” e da “Sociedade Mineira
dos Poetas Vivos e Afins.”

Nossa escritora Guiomar, desde muito cedo, escreve poemas para adultos, contos e poemas para
criança. Seu primeiro livro aconteceu aos 17 anos na Semana de Arte em Caxambu. O livro se
chamava “Jovens poetas de uma pequena cidade” e foi prefaciada pelo conceituado escritor Carlos
Heitor Cony.
Guiomar possui vários livros infantis e inúmeras poesias premiadas para adultos. Pela Editora Lê
tem oito livros publicados, um pela José Olympio Editora – RJ e reeditado “Giramundo” pela
Armazém de Idéias – BH.
Guiomar é formada em Pedagogia com ênfase em Orientação Educacional pela UNINCOR, Três
Corações. Participou de vários concursos nacionais e locais, ganhando o Concurso João de Barro
de Belo Horizonte com o livro infantil “Giramundo” e recebeu a premiação no Palácio das Artes em
Belo Horizonte –MG.Ganhou também o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) com
o livro infantil “Liga pra mim” e recebeu o troféu no Memorial da América Latina em São Paulo,
capital.
Possui poesias publicadas em várias Antologias Poéticas inclusive Antologia de Literatura
Internacional – Del Secchi, em breve pela Editora Alba de Aníbal Albuquerque em Varginha/MG.
Guiomar é membro fundador da Academia Caxambuense de Letras, da Academia Poços-Caldense
de Letras e pertence também à Sociedade Mineira dos Poetas Vivos e afins, membro da Associação
Cultural de Caxambu.
Este ano, seu livro “A Dona Vassoura”, completa 23 anos. Este livro faz parte do acervo do
Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE/2010, composto por várias obras literárias. Foram
editados 20.000 livros e distribuídos para as escolas em todo Brasil.
Fonte jornal “A Voz do Sul de Minas – Ano I nº 7 – Junho/2010.

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9. CERTIDÕES E TESTAMENTOS DA FAMÍLIA PAIVA

9.1 Certidões de Batismo e de Casamento dos Tataravós de Zeca Paiva

Domingos de Paiva (tataravô de José Capistrano de Paiva), nasceu aos 15/09/1698


na Freguesia de Santa Madalena do lugar de Bustello, Comarca de Chaves, Arcebispado
de Braga, Vila Real – Portugal, onde seus pais eram moradores.

CERTIDÃO DE BATISMO DE DOMINGOS DE PAIVA


Freguesia de Bostelo, Vila Real – Batismos
Aos quinze dias do mês de setembro do ano de mil seiscentos e noventa e oito anos eu, o
padre Felipe Pereira, batizei solenemente na forma do ritual romano a Domingos filho legítimo
de Antonio Fernandes e sua mulher Madalena de Paiva. Foram padrinhos Domingos e sua
irmã Domingas, solteiros filhos de Antonio Martins e sua mulher Maria Gonçalves, todos do
lugar de Bustello e por verdade fiz este assento era ut supra - Pe Felipe Pereira
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais
Site: www.projetocompartilhar.org

Tomásia Maria da Silva (tataravó de José Capistrano de Paiva), nasceu em


Lisboa/Portugal, aos 11/10/1720 e foi batizada em 24 do mesmo mês e ano na Igreja de
Nossa Senhora de Monte Sião, Distrito de Setúbal.

CERTIDÃO DE BATISMO DE TOMÁSIA MARIA DA SILVA


Igreja Nossa Senhora de Monte Sião, Amora, Setúbal – óbitos e batismos - Arquivo Distrital de
Setubal, Batismos 1694-1790, Amora 13, Lv 3º, Sec Prat 3, Est 9, nº 2/3
Aos vinte e quatro do mes de outubro de mil setecentos e vinte batizei Thomasia, filha de Paulo
da Silva da Fonseca, natural da cidade de Braga e de Antonia Caetana, natural (...) de Extremes
filha de João Delgado ja defunto, e de Josefa da Sylva sua mulher, moradores na cidade de
Lisboa. Nasceu aos onze do mês de outubro. Foram padrinhos Antonio Rodrigues Coitinho (...) e
Margarida do O’ da cidade de Lisboa (...)
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais
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Com 38 anos, Domingos de Paiva casou na Capela da Conceição da Vila de São


João Del Rei aos 28/08/1736, com Tomásia Maria da Silva, então com 16 anos:

CERTIDÃO DE CASAMENTO DE DOMINGOS DE PAIVA E TOMÁSIA MARIA DA SILVA

Paróquia de São João Del Rei – Casamentos


Aos vinte e oito do Mês de Agosto do ano de mil setecentos e trinta e seis na Capela da
Conceição desta Vila de São João de Del Rey feitas as denunciações na forma do Sagrado
Concilio Tridentino sem se descobrir impedimento por (...) do Reverendo Vigário da Vara Doutor
Manoel (...) Coutinho que se me apresentou e com licença do Revendo Padre Antonio Martins
na presença das Testemunhas Antonio de Freitas e Antonio Vaz de Siqueira (e?) de mim se
casaram em face da Igreja solenemente por palavras Domingos de Paiva filho legitimo de
Antonio Fernandes e de sua mulher Madalena de Paiva natural da Freguesia de Santa
Madalena do lugar de Bustello, Comarca de Chaves, Arcebispado de Braga com Tomásia Maria
filha legitima de Paulo da Silva Fonseca e de sua mulher Antonia Caetana, natural da Freguesia
de Nossa Senhora do Monte Sion do lugar de Amora Arcebispado de Lisboa de que fiz este
assento – Francisco de Almeida Faria
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais
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Domingos e Tomásia tiveram nove filhos: Antonio de Paiva e Silva, Capitão
Domingos de Paiva e Silva, Manoel de Paiva e Silva, João de Paiva e Silva, Francisco
Manoel de Paiva, Tenente José de Paiva e Silva (bisavô de Zeca Paiva), Luiz José de
Paiva, Mariana de Paiva e Silva e Ana Joaquina de Paiva

9.2 Testamento de Tomásia Maria da Silva (Tataravó de Zeca Paiva)

Eu, TOMÁSIA MARIA DA SILVA,por me achar enferma e de idade avançada em anos porém em
meu perfeito juízo faço meu testamento pela forma seguinte:

Declaro que sou natural de Lisboa, filha legítima de PAULO DA SILVA DA FONSECA e de
ANTONIA CAETANA e hoje moradora nesta Freguesia da Vila de São João del Rei. Declaro que sou Irmã
Terceira da Ordem do Carmo da Vila de São João del Rei.
Meu corpo será envolto em habito terceiro digo em habito do Carmo e sepultado na capela de Nossa
Senhora de Madre de Deus ou onde for mais cômodo conforme o lugar do meu falecimento.
Declaro e nomeio meus testamenteiros em primeiro lugar a meu filho o Capitão DOMINGOS DE
PAIVA E SILVA, em segundo lugar a meu filho ANTONIO DE PAIVA E SILVA em terceiro lugar a meu filho
JOÃO DE PAIVA, a cada um dos quais ou solidão concedo todos os poderes necessários para a boa
administração desta minha testamentária, os constituo meus bastantes procuradores com livre e igual
administração.
Declaro que fui casada com DOMINGOS DE PAIVA de cujo matrimonio tive os filhos que são os
seguintes: DOMINGOS, ANTONIO, JOÃO, MANOEL, FRANCISCO, JOSÉ, LUIZ, MARIANA e ANA, os quais
instituo por meus herdeiros universais de todos os meus bens, pagas as minhas dívidas.
O meu testamenteiro por meu falecimento mandará dizer pela minha alma dezesseis missas de
corpo presente de esmola de oitava cada uma. Mandará dizer mais por minha alma cincoenta missas de
esmola de meia oitava destas serão ditas trinta e duas dentro do oitavário próximo do meu falecimento e as
outras com a mais possível brevidade. Mandará dizer mais trinta e oito missas onde parecer mais
conveniente ao meu testamenteiro a saber dez pelas almas do Purgatório, oito pela alma de meu irmão
marido, dez pelas almas de meus defuntos, dez pela alma de meu falecido genro PANTALEÃO FERREIRA
DA COSTA. Deixo dez oitavas para dizer em missas pelas almas dos pobres.
Deixo para a Capela de Nossa Senhora Madre de Deus dez oitavas. Deixo para minha neta ANA
filha de JOÃO DE PAIVA dez oitavas e ao mesmo JOÃO DE PAIVA. Deixo outras dez oitavas a meu filho
JOSÉ. O meu testamenteiro passará carta de liberdade a minha escrava Joana crioula pois a deixo liberta.
O que sobrar da minha terça será dividido em três partes uma para missas pela minha alma e de
meu marido, outra será repartida pelos pobres e outra parte deixo a meu filho. Deixo a meu testamenteiro (fl
06) (.....) Declaro (.....) Ordem Terceira do Carmo da Vila de São João del Rei o que ela disser (....) herdeiros
ou herdeiro de JOÃO VASCO DA SILVA o que constar da minha obrigação.
Ao falecido LUIZ MANOEL fiquei devendo cinco oitavas o meu testamenteiro as dará a quem por
direito pertencer e após meus filhos DOMINGOS e ANTONIO devo o que eles disserem. A meu capelão
devo de ordenado que lhe fiz e mais de restos de dezenove oitavas e três quartos e meu testamenteiro não
deixe de pagar-lhe. Devo mais dividas médicas meu testamenteiro não duvide pagá-las sendo pessoas
dignas de crédito. Deixo a meus testamenteiros cinco anos para dar contas.
Peço a cada um dos meus testamenteiros no lugar que acima os declaro queiram aceitar esta minha
testamentária por serviço de Deus e por me fazerem mercê e satisfazer tudo o quanto nela determino e rogo
as justiças de Sua Magestade dêem a este inteiro vigor e se neste faltar alguma clausula ou cláusulas
necessárias a que as leis por expressas e declaradas e hei por ele rogado tudo quanto digo por derogado
qualquer codicilio e testamento que tenho feito precedente a este e por ser esta minha última e derradeira
vontade pedi e roguei ao Padre ANTONIO FRANCISCO PENA FORTE este por mim fizesse e por
testemunha assinasse eu somente me assinei.
Rio Grande dezenove de Setembro de mil setecentos e noventa e nove.
Tomásia Maria da Silva.

Como testemunha que este fiz a rogo da sobredita e vi assinar.


Padre Antonio Francisco Pena Forte.
Arquivado no Museu Regional de São João del-Rei
Testamenteiro : DOMINGOS DE PAIVA E SILVA
Testamento Redigido: Rio Grande
Data de abertura: 20/09/1799

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9.3 Testamento de José de Paiva e Silva (Bisavô de Zeca Paiva)

José de Paiva e Silva foi batizado aos 21/08/1737:


Matriz Nossa Senhora do Pilar de São João del Rei e capelas filiadas, Capela
Nossa Senhora da Conceição da Barra, batizado, aos 21-08-1737, Jose, filho de
Domingos de Paiva e Tomásia Maria da Fonseca Silva.

José casou com sua primeira esposa Maria Josefa da Trindade, filha de Leandro de
Campos Silva e Juliana de Oliveira Cunha. Maria Josefa faleceu aos 05/02/1775. Com
filhos pequenos para criar, José casou novamente em fins de 1775, com Isabel Nunes de
Siqueira.
José de Paiva e Silva (bisavô de Zeca Paiva) ditou seu testamento em 1795.

TRECHOS DO TESTAMENTO DE JOSÉ DE PAIVA E SILVA

Eu Jose de Paiva e Silva, rogo a milha mulher Isabel Nunes de Siqueira e a meu filho Gaspar Jose
de Paiva e a meu cunhado Inácio Pereira Gularte queiram ser meus testamenteiros....
Declaro que fui casado com Maria Josefa da Trindade e do seu falecimento me ficaram três filhos
Giralda, Gaspar e Francisca os quais se acham casados. Declaro que minha filha Giralda que se acha
casada com Jose da Costa Souza levou desta casa uma crioula por nome Ana e um cavalo com sela e freio
e xareis de pano vermelho e os mais gastos e despesas próprios de seu casamento.
Declaro que desta mulher segunda tive ate hoje 9 filhos. Tomazia, Maria, Escolástica, João, Antonia,
Jose, Vicente, Joaquim, Pedro e estão casadas Tomazia e Maria.
Devo a Cristóvão da Cunha primo do Coronel Antonio da Cunha , 9 oitavas;
Declaro mais que em meu nome se acha um credito do Coronel Henrique Dias de
Vasconcelos,..(rasgado )...Antonio de Almeida.....(rasgado) cunhado do mesmo Coronel, o qual por seu
falecimento, deixou a..rasgado... e ao falecido André da Silveira ou seus herdeiros.
Se acha outro credito meu de 20.000 ao Capitão João Ribeiro do Turvo da Aiuruoca e a João
Ferreira Guimarães tio do Capitão Bento Ferreira..

Cúria Diocesana de Campanha – MG


Livro de Óbitos de Campanha CAMP-LO 04 – 1804(sic)-1815
Testador: José de Paiva e Silva
Testamento transcrito no livro de óbitos – Não consta a data de abertura nem o registro do falecimento
Data - 1795
Local – Freguesia de Campanha do Rio Verde
Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais
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9.4 Censo de 1831 da família de Joaquim Severino de Paiva e Silva (avô de Zeca
Paiva)

Joaquim Severino de Paiva e Silva, nascido em Conceição da Barra de Minas, em


1792, casou duas vezes: a primeira vez com Maria Benta Carneiro e a segunda vez com
Ana Flauzina de Souza.
Joaquim e Maria Benta tiveram nove filhos: Ana Isabel de Paiva (nascida em 1822),
Maria Cândida de Paiva (nascida em 1824), Manoel Severino de Paiva, Joaquina Cândida
de Paiva, Emerenciana Umbelina de Paiva, Placidina Honoria de Paiva, Antonio Carneiro
de Paiva, Joaquim Severino de Paiva Junior; João Carneiro de Paiva.

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Joaquim e Ana Flauzina tiveram dois filhos: José e Francisco (pai de José
Capistrano de Paiva).
Joaquim Severino de Paiva e Silva, além de fazendeiro e agricultor, era também
negociante e trabalhava com a condução de tropas (conforme inventário de sua esposa,
ele tinha 57 burros) de Minas para a Corte, e vice-versa, comercializando tanto os gêneros
da terra, como o fumo, feijão, farinha, arroz, açúcar e aguardente de cana, toucinho e
trazia do Rio de Janeiro mercadorias, tais como farinhas de trigo, vinhos e mais gêneros
vindos da Europa.
Conforme Censo em 1831 na Freguesia de Santa Catarina (atual Natércia/MG),
Joaquim Severino de Paiva e Maria Benta Carneiro, tinham respectivamente 39 e 29 anos
e tinham quatro filhos (Manoel, Ana, Maria e Joaquina) e 36 escravos.

Censo 10-11-1831 Freguesia de Santa Catarina


Joaquim Severino de Paiva, branco, 39, casado, negociante
Maria Bento Carneiro, branco, 29, casado
Manoel, branco, 3
Ana, branco, 9
Maria, branco, 8
Joaquina, branco, 1
Teresa, crioulo, 60, viúva
Pedro Jose, crioulo, 25, solteiro
36 escravos

Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais


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9.5 Inventário de Maria Bento Carneiro (1ª Esposa de Joaquim Severino de Paiva e
Silva)

Maria Benta Carneiro, primeira esposa de Joaquim Severino de Paiva, faleceu na


Freguesia de Santa Catarina (atual Natércia/MG) aos 10/03/1849 e foi inventariada no
mesmo ano.
Conforme Inventário de Maria Bento Carneiro, o rebanho era composto por 78
cabeças de gado vacum (vacas com crias, reses, garrotes e bois de carro), 57 eqüinos e
121 cabeças de porco. Entre as plantações e os mantimentos, havia uma roça de milho
plantada, 80 carros de milho no paiol, além de fumo em rolos. Percebe-se que a prática de
um movimentado comércio, evidenciado pela quantidade e valor expressivos de dívidas
ativas: 449 pessoas tinham contas ao casal, totalizando 26:258$999 (vinte e seis contos,
duzentos e cinqüenta e oito mil, novecentos e noventa e nove réis).

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INVENTARIO DE MARIA BENTO CARNEIRO:

Inventariada: Maria Bento Carneiro


Inventariante: Coronel Joaquim Severino de Paiva e Silva - viúvo
Inicio do Inventario: 5 de Novembro de 1849
Declarou o inventariante que sua mulher faleceu a 10 de Março de 1849 deixando os filhos:

1- Ana Isabel de Paiva, 27 anos, casada com Antonio Carneiro Santiago;


2- Maria Cândida de Paiva casada com Antonio Ribeiro da Luz;
3- Manoel Severino de Paiva, 21 anos, casado;
4- Joaquina Cândida de Paiva, 19 anos, casada com Manoel Carneiro Santiago Neto;
5- Emerenciana Umbelina de Paiva, 17 anos, solteira;
6- Placidina Honoria de Paiva, 15 anos;
7- Antonio Carneiro de Paiva, 13 anos;
8- Joaquim Severino de Paiva Junior, 12 anos;
9- João Carneiro de Paiva, 12 anos.
Louvados – Coronel Roque de Souza Magalhães e Capitão João Antonio Dias
BENS –
- 99 escravos: 47:490$000
- Fazendas Caconde, São Bernardo e outras terras na Freguesia de Santa Catarina com suas benfeitorias:
40:000$000
-Morada de casas na Freguesia de Santa Catarina – no largo da matriz mais duas casas ao lado –
2:500$000
- Dinheiro 765$000
- Jóias 170$800
- Utensílios, móveis e ferramentas 755$680
- Produção, plantações e mantimentos 5:352$49
- Animais: 78 cabeças de gado vacum (vacas com crias, reses, garrotes e bois de carro), 57 eqüinos e 121
cabeças de porco. 7:136$000
- Plantações e mantimentos: roça de milho plantada, 80 carros de milho no paiol, porção de fumo em rolos:
4:408$490.
- Imóveis rurais 42:707$500
- Imóveis urbanos 2:300$000
DIVIDAS ATIVAS
- Rol de devedores 450 somam o valor de 26:258$999.
Total (monte-mor bruto) 133:228$573 (cento e trinta e três contos, duzentos e vinte e oito mil, quinhentos e
setenta e três réis).

Dizem o Coronel Joaquim Severino de Paiva e sua segunda mulher Dona Ana Flauzina de Souza que
residem na Fazenda São Bernardo.
Dizem Manoel Severino de Paiva e outros herdeiros que tendo falecido seu irmão e cunhado Antonio
Carneiro de Paiva, em estado de orfandade, pedem que seus bens sejam partilhados pelos demais
herdeiros.

FONTE: CEMEC – CAMPANHA – Inventário post mortem de dona Maria Bento Carneiro (1849), cx 22.
Local – Freguesia de Santa Catarina – Fazenda São Bernardo casa de moradia do viúvo

9.6 Testamento de Joaquim Severino de Paiva e Silva (Avô de Zeca Paiva)

Coronel Joaquim Severino de Paiva e Silva faleceu na Freguesia de Santa Catarina


(atual Natércia/MG), em 01/03/1857, aos 74 anos.
Joaquim Severino deixou o restante de sua terça parte para instrução dos filhos
José e Francisco (pai do Zeca Paiva), nomeando como tutor dos mesmos o seu genro
Capitão Antonio Ribeiro da Luz, casado com sua filha Maria Cândida de Paiva..

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TESTAMENTO DE JOAQUIM SEVERINO DE PAIVA E SILVA

CAMARA MUNICIPAL DE CAMPANHA - MG


Centro de Memória Cultural do Sul de Minas
CPA 04, Testamentos - Campanha da Princesa 1854-1871;
Registro do testamento com que faleceu Joaquim Severino de Paiva e Silva, 74 aos 01-03-1857 de quem é
testamenteiro Manoel Severino de Paiva.

Eu Joaquim Severino de Paiva e Silva, residente nesta freguesia de Santa Catarina. Fui cc. Dona Maria
Bento Carneiro, já falecida, de cujo matrimonio tivemos os seguintes filhos:

= Anna, cc. Cap. Antonio Carneiro Santiago;


= D. Maria, cc. Cap. Antonio Ribeiro da Luz;
= Manoel Severino de Paiva;
= D. Joaquina, cc. Manoel Carneiro Netto;
= D. Emerenciana cc. João Tristão de Azevedo;
= D. Placidina, cc. Antonio Ribeiro de Magalhães;
= Antonio, falecido;
= Joaquim;
= e João.

Passando as segundas núpcias com D. Anna Flauzina de Souza tivemos dois filhos = José e = Francisco,
todos meus legítimos herdeiros.

Testamenteiros: 1º meu filho Cap. Manoel Severido de Paiva, 2º meu genro Cap. Antonio Carneiro Santiago,
3º meu genro Cap. Antonio Ribeiro da Luz.
(...) meu testamenteiro entregara a minha mulher D, Anna Flauzina de Souza a quantia de quatro contos de
reis constantes da Escritura de nosso casamento passada no cartório desta freguesia.
Legou escravos aos genros e:
- a Joaquina, f. de Domenciano da Silva Vieira, 100$000;
O restante da minha terça deixo aos meus dois filhos do segundo matrimonio José e Francisco para sua
instrução e nomeio para tutor dos mesmos o Capitão Antonio Ribeiro da Luz (...).

Freguesia de Santa Catarina 25-02-1857 Joaquim Severino de Paiva e Silva


Aprovação: 25-02-1857 Abertura: 01-03-1857 Aceitação: 04-03-1857 Manoel Severino de Paiva.

Fonte: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais


Site: www.projetocompartilhar.org

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10. GENEALOGIA DA FAMÍLIA GORGULHO
Moradores da Ilha Manoel Gonçalves
Capitão Luiz Gomes ? Fayal/Açores/Portugal,.Correia 1670-1724
Nogueira Freire
Maria Nunes 1667-1742
Maria Joaquina Oliveira Naturais
José da Silva de Porto / Domingos da Silva
Gorgulho 1815-1874 Portugal Gorgulho 1810-1859 Júlia Maria da
Carlos Gomes Caridade 1707-1787
Maria Luiza de Ana Engrácia Noronha
Maria Amália Noronha Capitão Diogo
Garcia 1690-1762
Domiciano José
Joaquim Gomes Monteiro de Noronha
João Luiz Gonçalves
Maria Ernestina Mariana Justina Meireles 1740-1821
João Gomes Maria Ângela Cruz
Luiz José Monteiro
Mariana Justina de Noronha
Antônio Luis Gonçalves
José Gomes Mariana Florentina (? – 1854)
Luiza Cândida Mariana Ernestina de
Noronha 1803-1862
Luiza Nogueira Casamento em
João Capistrano de Macedo Alckmin Baependi/MG
José Luiz G.Noronha em 1818
Maria Augusta Cesarino Ribeiro

1ª) América
2ª) Ana Noronha
Maria do Carmo José da Silva Gorgulho Clara de Noronha
Capistrano Alckmin Dr. Augusto César de Noronha 1848-1888
Capistrano Alckmin João Silvio de Moura
Antônio José de 2ª) Maria da Glória Rangel
Negreiros 1ª) Altina Negreiros Capistrano Alckmin
1ª) Quinhinha Negreiros
Sebastião Capistrano João da Silva Gorgulho
Negreiros (João do Morro) 1877-1936
Maria José Gorgulho 2ª) Maria Imaculada
Capistrano Negreiros
Sebastião Crisóstomo 1888 - 1946
(Vovô Zotinho)
José Faustino 1904-1978
Maria de Jesús
(Vovó Maria) 1ª Ana Maria 2ª Geralda Antonio Érico 1905-1977
Ana Maria Fernandes
Goica
Maria do Carmo 1907-1988
Dotte Otello
Rodolfo Lauer Maria da Glória 1909-1998
Carmita Sebastião dos Santos
Carlos Lauer Rafael Archanjo 1911-1983
Geralda Fernandes Gabriel Archanjo 1913-2003
Niquinho
Ana dos Santos
Otacília
Miguel Archanjo 1916-2010
João Crisóstomo Amélia Flori Maria Catarina 1918-2007
Nair Pedro Virgilino
Maria Gorgulho 1923-2003
José Bartolomeu
João Virgilino Maria de Jesus 1927-1995
Lourdes
Afonso Chaves

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10.1 A união das famílias Gorgulho e Negreiros

A união das famílias Gorgulho e Negreiros teve início com o casamento de José da
Silva Gorgulho de Noronha e Maria da Glória Capistrano Alckmin (filha de João Capistrano
Macedo de Alckmin) e teve continuidade com o casamento dos filhos João Capistrano
Gorgulho (João do Morro), que casou sua prima Quinhinha Capistrano Negreiros, filha de
Maria do Carmo Capistrano Alckmin e Antonio José Negreiros (Tonico). Ainda com 20
anos, João do Morro ficou viúvo de sua primeira esposa Quinhinha, que faleceu pouco
tempo depois do casamento, sem deixar filhos.
Após ficar viúvo, ainda com 20 anos, João Capistrano Gorgulho foi morar com sua
irmã Maria José Gorgulho, pois eles eram órfãos, perderam a mãe Maria da Glória
Capistrano e o pai José da Silva Gorgulho Noronha, quando ainda eram crianças.
Após oito anos de viúves João Capistrano Gorgulho casou-se em 2ª núpcias com a
sua ex-cunhada e prima, que ele ajudou a criar, Maria Imaculada Negreiros, com quem
teve dez filhos: José Gorgulho, Antônio Gorgulho, Carma, Glória, Rafael, Gabriel, Miguel,
Catarina, Maria e Zuzu.
A união das famílias Gorgulho e Negreiros continuou com o casamento de Maria
José Gorgulho com seu primo Sebastião Capistrano Negreiros, filho de Maria do Carmo
Capistrano Alckmin e Antonio José Negreiros (Tonico), com quem teve seis filhos:
Sebastião Crisóstomo (Vovô Zotinho), Goica, Carmita, Niquinho, João e José Bartolomeu.

10.2 O Casal João Capistrano Gorgulho (João do Morro) e Maria Imaculada Negreiros
Gorgulho

João Capistrano Gorgulho (João do Morro)


casou-se em 2ª núpcias com a sua ex-cunhada e
prima Maria Imaculada Negreiros, com quem
teve dez filhos: José Gorgulho, Antônio
Gorgulho, Carma, Glória, Rafael, Gabriel, Miguel,
Catarina, Maria e Zuzu.
O casal Maria Imaculada e João do Morro

João Capistrano Gorgulho, apelidado de João do Morro, era o amigo inseparável de Sebastião Capistrano
Negreiros (pai do Vovô Zotinho). Era um homem muito bom, honrado, virtuoso, inteligente e sempre alegre.
Também era “curioso”, como o povo dizia, porque tudo ele sabia fazer. Quando as máquinas começavam a
quebrar agulhas, as mulheres chamavam o João do Morro e ele dava um jeito. Perdeu a mãe quando
criança e com apenas 11 anos, perdeu também o pai, José da Silva Gorgulho Noronha. Fazia parte de uma
bandinha de música que formaram na Casa Grande. Tocava clarinete. Contam que quando morreu seu pai,
convidaram o maestro da bandinha para ir tocar no enterro. O maestro disse que tocaria somente se o João
do Morro também tocasse. O João foi e tocou com as lagrimas descendo.
FONTE: Autobiografia do Vovô Zotinho

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Tia Imaculada, mulher magra, irrequieta, muito hábil e inteligente, por demais religiosa, chegou mesmo a ser
carola. Catequista por convicção, tinha muita facilidade para transmitir seus ensinamentos. Era a "tia Culada"
da criançada. Todos nos Pintos da minha geração, crianças ou adultos, sobrinhos ou não, devem ou
deveram a ela um pouco do que sabem, principalmente no que diz respeito à religião ou à Bíblia. Aos
domingos, por volta das duas da tarde, reuníamos-nos em casa para o catecismo. Era uma reunião
espontânea que durava cerca de uma hora. Primeiro, era dada uma aula de religião e depois, ela contava
uma história da Sagrada Escritura deixando sempre o final para o domingo seguinte, criando natural
expectativa. Ao término da reunião, distribuía laranjas ou balas. As reuniões eram feitas no porão de sua
casa. A Igreja e o Cemitério dos Pintos são frutos de seu trabalho e persistência, angariou fundos para sua
implementação. Fonte: A Fazenda dos Pintos, de Antonio Negreiros Bernardes

10.3 Registros de Batizado, Casamento e de Dispensa de Impedimento Matrimonial da


família Noronha Gorgulho

Registro de Casamento de Antônio Luis Gonçalves e Mariana Ernestina de Noronha


(avós maternos de José da Silva Gorgulho de Noronha)
Antonio Luís Gonçalves, casou em Baependi aos 01/09/1818, com Mariana Ernestina de Noronha, filha do
Sargento Mor Domiciano José Monteiro de Noronha e Marianna Justina de Meirelles
Baependi - Casamentos - aos 01 setembro 1818 - Capitão Antonio Luiz Gonçalves e Marianna Ernestina de
Noronha.
Ele filho do Capitão João Luiz Gonçalves e Dª. Maria Angelica.
Ela filha do Sargento Mor Domiciano Jose Monteiro de Noronha e Dª. Marianna Justina de Meirelles.

Registro de Casamento de Domiciano José Monteiro de Noronha e Mariana Justina Meirelles


(bisavós maternos de José da Silva Gorgulho de Noronha)
Baependi - Casamentos - aos 15 fevereiro 1795 matriz de Baependi - Domiciano José
Monteiro de Noronha e Dª. Marianna Justina de Meirelles.
Ele filho do Capitão Antonio Monteiro de Noronha, falecido, e Dª. Maria da Rosa, nascido e batizado na
Freguesia de Sto. Antonio do Oiro Branco.
Ela filha. do Capitão Jose de Meirelles Freire, falecido, e Dª Magdalena Gonçalves da Cruz, nascida e
batizada na Freguesia de Baependi.

Registro de batizado de João Luiz Gonçalves


(bisavô de José da Silva Gorgulho de Noronha)
Matriz de Nossa Senhora do Pilar SJDR e capelas filiadas, cap. S. Miguel do Cajuru aos
10-08-1740 João Luiz Gonçalves, filho de Diogo Garcia e Julia Maria da Caridade.
Padrinhos: João Pr.ª de Carvalho e s/m Ana Maria do Nascimento.

Registro de casamento de João Luiz Gonçalves e Maria Ângela da Cruz


(bisavós de José da Silva Gorgulho de Noronha)
Matriz de Nossa Senhora do Pilar SJDR e capelas filiadas, cap. Madre de Deus aos 18-05-1761 João Luiz
Gonçalves, desta, filho de Diogo Garcia e Julia Maria da Caridade casou com Maria Ângela da Cruz, desta,
filho de Antonio Martins Saldanha e Luzia da Cruz;
Testemunhas: Padre Matias Pas e Jose Leite Ribeiro.

Processo de dispensa de impedimento matrimonial dos primos Maria Ernestina de Souza Gorgulho
(filha de José da Silva Gorgulho e de Maria Luiza de Noronha) e de Joaquim Gomes Nogueira (filho
do Capitão Luiz Gomes de Nogueira Freire, que é primo-irmão da avó de Maria Luiza)
Arquivo da Cúria da Diocese de Campanha – MG - CMI-LPM 01
Processos de Dispensa de Impedimentos Matrimoniais
Silvestre Ferraz- MG
Oradores: Joaquim Gomes Nogueira e Maria Ernestina de Souza Gorgulho
Ano: 1856
Moradores na Freguesia do Carmo
Impedimento de consangüinidade em quarto grau misto de terceiro. O Pai do orador é primo irmão da Avó
da oradora.
-A oradora é filha legitima de Jose da Silva Gorgulho e de Maria Luiza de Noronha, natural do Carmo;
-O orador é filho legitimo do Capitão Luis Gomes Nogueira Freire e de Dona Maria Joaquina de Oliveira,
natural de Carmo e vive sob o pátrio poder.
Testemunha – Candido Luis Gonçalves de Noronha, solteiro, natural de Aiuruoca, residente no Carmo,
caixeiro com idade de 19 anos, disse ser consangüíneo da oradora em segundo grau.

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Processo de dispensa de impedimento matrimonial de Luiz José Monteiro de Noronha (irmão de
Mariana Ernestina de Noronha) com sua sobrinha Mariana Florentina de Noronha. José da Silva
Gorgulho foi testemunha.

Arquivo da Cúria Diocesana de Campanha - POA -LPM - 10 - 1840 a 1847


Dispensa de Impedimentos
1846 - Oradores - Luis Jose Monteiro de Noronha e Mariana Florentina de Noronha.
Moradores na Freguesia do Carmo de Pouso Alto. Orador natural de Baependi
Consangüinidade em segundo grau misto de primeiro:
O orador é irmão da mãe da oradora.
Orador - filho legitimo do sargento mor Domiciano Jose Monteiro de Noronha e Mariana Justina de Meireles,
natural de Baependi, morador no Carmo, vive de seu negocio;
Oradora - filha legitima do Capitão Antonio Luis Gonçalves e de Dona Mariana Ernestina de Noronha.
Oradora é viúva, moça e sem filhos possui 4 contos de sua legitima paterna;
Orador tem 400.000 em bens.
Testemunhas:
1- Ezequiel Plácido de Noronha, homem branco, solteiro, natural de Aiuruoca morador no Carmo, vive de
seu negocio, 23 anos, parente dos oradores em segundo grau;
2- Tomas Joaquim de Arantes, homem branco, casado, natural de Aiuruoca, morador no Carmo, vive de
suas agências, 25 anos, parente dos oradores em segundo grau;
3- José da Silva Gorgulho, homem branco, casado, natural da cidade do Porto / Portugal, morador no
Carmo, vive de comercio e agricultura, 39 anos, parente por afinidade em primeiro grau com a oradora e em
segundo grau com o orador.
Fonte: Projeto Compartilhar. Site: www.projetocompartilhar.org

Processo de dispensa de impedimento matrimonial de José Luiz Gonçalves de Noronha e Luiza


Cândida Nogueira, pais de América de Noronha, que foi a 1ª esposa de José da Silva Gorgulho de
Noronha. José da Silva Gorgulho foi testemunha.

José Luiz Gonçalves de Noronha casou com Luiza Cândida Nogueira, dispensados do parentesco de
consangüinidade:
Carmo de Minas, MG Igreja N Sra do Carmo matrimônio - aos 12-06-1852, nesta matriz,
dispensados do parentesco de consanguinidade Jose Luiz Gonçalves de Noronha, f.ilho
do Capitão Antonio Luiz Gonçalves e Dª. Mariana Ernestina de Noronha casou com Dª
Luiza Candida Nogueira, filha do Capitão Luiz Gomes Nogueira Freire e Dª Maria
Joaquina de Oliveira.
Testemunhas: Luiz Jose Monteiro de Noronha e Jose da Silva Gorgulho
Fonte: Projeto Compartilhar. Site: www.projetocompartilhar.org

10.4 Registros de Falecimento de José da Silva Gorgulho e de Domingos da Silva


Gorgulho
Nota de falecimento de José da Silva Gorgulho - Almanaque Sul-Mineiro 1874:
“O lugarejo Nossa Senhora do Carmo foi elevado a Freguesia em 14 de julho de 1832. Nesse tempo era um lugar
cheio de vida e animação. A morte de alguns dos seus melhores habitantes dessa terra privou-a do constante
auxílio que lhes davam. O Capitão Antonio Luiz Pinto, Capitão Luiz Gomes Nogueira, José da Silva Gorgulho,
Vicente Ferreira Alves, Capitão Antonio Lopes Pinto e José Machado de Abreu, são beneméritos desse lugar e
morrendo, deixaram um vácuo que até hoje não tem sido preenchido.”
Fonte: Almanaque Sul-Mineiro 1874 de Bernardo Saturnino da Veiga, página 120 – Tipografia Monitor Sul-Mineiro.

Registro de Falecimento de Domingos da Silva Gorgulho (pai de José da Silva Gorgulho de Noronha).
"Aos 30 dias de outubro de ano de mil oitocentos e cinquenta e nove, faleceu da vida presente com os
sacramentos da penitência e extrema unção DOMINGOS DA SILVA GORGULHO casado com Dª. ANA
ERNESTINA DE NORONHA. Seu cadáver em caixão foi acompanhado por mim e mais dois reverendos
sacerdotes celebrando três missas de corpo presente, acompanhada também pelas irmandades do Santíssimo
Sacramento e de Nossa Senhora da Boa Morte. Foi sepultado no cemitério desta freguesia de Nossa Senhora do
Carmo, de que para constar mandei fazer este assento que assino Vigário Padre Ignácio Joaquim Nogueira de
Carvalho"
Livro de Óbito de Carmo de Minas 03 pg 59
Fonte: Site http://www.desena.com.br/persons/person928.html

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10.5 Testamento do Capitão Diogo Garcia (tataravô materno de José da Silva
Gorgulho Noronha)
... de todo o remanescente de minha terça nomeio e instituo minha
alma herdeira universal e meu testamenteiro disporá tudo em missas
pela minha alma e pelas almas do Purgatório cujas missas se
mandarão na mesma Capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo
da dita Vila pela esmola costumada.
Fonte: Testamento do Capitão Diogo Garcia
Diogo Garcia (1690 – 1762) e sua esposa Julia Maria da Caridade (1707 – 1787)
nasceram na Freguesia de Nossa Senhora das Angustias da Vila de Horta, Ilha do Fayal,
Açores. Vieram para a Vila de São João Del Rey / MG, onde se casaram em 1724.

TESTAMENTO DE DIOGO GARCIA (PARCIAL)

Museu Regional de São João del Rei


Caixa 55, folhas 262
Data de ABERTURA – 16 de Abril de 1762
Local: Fazenda Rio Grande, em casa do testador
Em nome da Santíssima Trindade, Padre Filho e Espírito Santo, três pessoas distintas e um só Deus
verdadeiro.
Saibam quantos este Instrumento Testamento virem como no Ano do Nascimento de Nosso Senhor
Jesus Cristo de mil setecentos e sessenta e dois anos, aos vinte e três dias do mês de Março do dito ano
nesta minha Fazenda do Rio Grande donde eu Diogo Garcia sou morador estando em meu perfeito juízo e
entendimento que Deus Nosso Senhor foi servido dar-me e doente em minha cama com uma grande
enfermidade e temendo me a morte e desejando por minha alma no caminho da salvação por não saber o
que o mesmo Senhor de mim disporá e quando será servido levar-me para si faço este meu Testamento da
forma seguinte:
Primeiramente encomendo minha alma a Santíssima Trindade que a criou e rogo ao Eterno Padre
que pela morte de Seu Unigênito Filho a queira receber assim como recebeu a Sua estando para expirar na
Sagrada Arvore da Cruz, a meu Senhor Jesus Cristo peço que assim como neste mundo me remiu com o
seu precioso sangue me de na outra vida seus divinos merecimentos para merecer a Salvação, ao Divino
Espírito Santo queira lumiar minha alma com sua Divina Luz para que saia desta vida na visão de seu Divino
amor, a Virgem Maria Mãe de Deus e Senhora Nossa no juízo particular queira ser minha advogada e
intercessora diante de seu Divino Filho, ao Arcanjo São Miguel e a todos os Santos e Santas da corte do
Céu, particularmente ao anjo da minha Guarda aos Santos do meu nome cabidas minhas especiais
devoções rogo sejam meus intercessores quando minha alma desde mundo partir para que vá gozar da bem
aventurança para que foi criada porque como verdadeiro cristão protesto viver e morrer na Santa Igreja
Romana em cuja fé espero salvar a minha alma não pelos meus merecimentos mas pela Sagrada Paixão do
Unigênito Filho de Deus.
Declaro que sou natural e batizado na Freguesia de Nossa Senhora das Angustias da Vila da Ilha do
Fayal do Bispado de Angra, filho legitimo de Matheus Luiz e de sua mulher Ana Garcia, já defuntos.
Sou casado com Julia Maria da Caridade de quem tenho havido por matrimonio os filhos seguintes;
Ana Maria do Nascimento; Elena Maria do Espírito Santo; Julia Maria; Catarina Maria do Espirito Santo;
João Luiz Gonçalves todos casados – assim mais solteiros os seguintes: José Garcia; Diogo Garcia; Tereza;
Madalena; Manoel; Antonio; Francisca; Mateus; os quais instituo meus legítimos herdeiros nas duas partes
de meus bens como declaração porem que as sobreditas cinco filhas e um filho casados se acham dotados
de três mil cruzados cada um livre de vestuários e algumas alfaias mais e para complemento dos ditos dotes
só resta dever a minha filha Catarina Maria do Espírito Santo mulher de Gregório José Álvares cento e
quinze mil réis e a meu filho João Luiz Gonçalves só lhe tenho dado umas terras que partem com o meu
genro Domingos Villela e com os herdeiros de Francisco Martins cujas terras lhe dei em quatrocentos mil
réis e dois negros em duzentos e oitenta mil réis e sete éguas a sete oitavas cada uma e doze cabeças de
gado vacum a preço de quatro oitavas cada uma cinco foices novas por seis oitavas e quatro os quais
referidos bens importam oitocentos e três mil e novecentos réis e se lhe inteirará o resto que falta para o
compito dos três mil cruzados e querendo os ditos meus filhos ou filhas dotados entrar a herdar meus bens
entraram também a colação com seus dotes menos a minha primeira filha Ana que também foi dotada na
dita quantia de três mil cruzados em um sitio que lhes dei na paragem chamada Cajuru no dito valor de três
mil cruzados porque no caso de que exceda esta quantia a igualdade das legitimas dos ditos meus filhos se
lhe preencherá o excesso pelos bens da minha terça pela preferência que tem da primeira dotada.

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Peço a minha mulher Julia Maria da Caridade em primeiro lugar queira por serviço de Deus e por me
fazer mercê ser minha testamenteira, em segundo lugar a meu genro o Senhor Alferes Manoel Pereira do
Amaral, em terceiro lugar a meu filho José Garcia em quarto lugar ao Senhor da Mesa da Venerável Ordem
Terceira de Nossa Senhora do Carmo da dita Vila de São João de El Rei a todos e a cada um de per si
peço queiram aceitar este meu testamento e correrem com as disposições dele.
Declaro que sou Irmão Professo na Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo da dita
Vila de São João de el Rei e se lhe pagará tudo o que ao tempo do meu falecimento constar eu lhe seja
devedor e lhe peço acompanhe meu corpo a sepultura podendo ser. Declaro que sou Irmão da Irmandade
do Santíssimo Sacramento e das Almas da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar da dita Vila e se lhe
pagará por meu falecimento o que constar ser eu devedor e podendo ser acompanharão meu corpo a
sepultura.
Ordeno que meu corpo seja sepultado na Capela da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora
do Monte do Carmo da dita Vila de São João envolto no Habito da Religião Carmelita e não havendo em o
meu próprio de terceiro e me acompanhará o meu Reverendo Parocho com mais dezesseis sacerdotes os
quais todos dirão Missa de corpo presente pela minha alma e assim mais dirão Missa de corpo presente
todos os mais sacerdotes que se acharem na dita Vila no dia de meu enterro e de tudo se lhes pagará a
esmola costumada e tambem se levará em conta o meu Testamenteiro toda a cera que se gastar no meu
funeral e sendo o caso que se não possam celebrar as missas no dia do meu enterro por algum justo
impedimento se celebrarão no dia seguinte e se porá um rol em a Capela da dita Venerável Ordem em o
qual se assinarão os reverendos Sacerdotes porque sempre quero que se celebrem as Missas na dita
capela.
Ordeno que no dia terceiro, sétimo e trinta do meu enterro se mandem celebrar Missas por minha
alma por sufrágio de esmola cada um .... cruzado de ouro e peço aos Senhores Reverendos Sacerdotes
queiram rezar um responso por minha alma pelo amor de Deus advirto que o dia terceiro se contara do dia
em que meu corpo apresentado na Igreja.
Ordeno se mandem celebrar pela minha alma duzentas missas a saber cinquenta por meu pai e
cinquenta por minha mãe mais cinquenta pelas almas da minha maior obrigação e outras cinquenta pelas
almas do purgatório todas estas referidas Missas serão ditas na mesma freguesia de esmola cada uma de
meia oitava de ouro, tudo por modo de sufrágio.
Ordeno que se mandem celebrar mais cento e sessenta missas nesta dita Vila de esmola cada uma
de meia oitava de ouro.
E de todo o resto que de minha terça sobrar se houverem bens que bem bastem para o que
determino de todo o remanescente de minha terça nomeio e instituo minha alma herdeira universal e meu
testamenteiro disporá tudo em missas pela minha alma e pelas almas do Purgatório cujas missas se
mandarão na mesma Capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo da dita Vila pela esmola costumada.
E para darem expedimento a tudo aqui declarado torno a pedir a minha mulher Julia Maria da
Caridade e mais senhores em o principio deste declarados queiram aceitar serem meus Testamenteiros
benfeitores e administradores de meus bens e tutores de meus filhos menores e curadores de seus bens
para lhos arrecadarem e administrarem, venderem em praça e fora dela, cobrarem arrecadarem entregarem
e remeterem tanto pela parte de meus filhos como legatários para o que os hei por abonados e lhes faço
sessão e traspasso de todo o domínio que em meus bens tenho como se em minha vida lhos entregasse, e
lhes concedo todos os poderes que em direito posso e missão concedidos.
E por ser esta a minha ultima vontade de modo que tenho dito fiz este meu testamento e quero valha
como Testamento Codecilio para o que peço e rogo as Justiças de Sua Magestade que Deus guarde assim
Eclesiásticas como seculares que em tudo façam guardar e cumprir como nele se contem e declara ou como
em direito melhor lugar haja com todas as clausulas que por Direito para sua validade lhe são necessárias
que todas aqui hei por expressas e declaradas como se de cada uma fizesse expressa e declarada menção
pelo qual revogo e hei por revogado outro qualquer Testamento que antes haja feito por estar este conforme
a minha última vontade do modo que o ditei e por firmeza dos que pedi e roguei ao Ajudante João Cosme
Vieira que este me fizesse e comigo assinasse como testemunha e me assinei com o meu sinal costumado
que é uma cruz feita pela minha própria mão
Eu o fiz a rogo do Testador em dito li co.... acima.
Declaro mais que a carta de que acima faço menção fica sendo parte deste Testamento e só o
testamenteiro que este meu Testamento aceitar a poderá abrir e para cumprimento do nele disposto haverá
a si duzentos e um mil réis dos quais se lhe não pedirá contas como acima determino em dito (ilegível)

Diogo + Garcia
Fonte: Projeto Compartilhar. Site www.projetocompartilhar.org

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10.6 Inventário e Testamento de Antonio Luis Gonçalves (avô materno de José da
Silva Gorgulho de Noronha)

Antonio Luis Gonçalves faleceu na Fazenda do Taboão em Serranos, Freguesia de Aiuruoca em


junho de 1838. Após a morte do marido a viúva Mariana Ernestina de Noronha se mudou para a Freguesia
do Carmo de Baependi – Fazenda “Criminosos”, troca que fez das terras do Tabuão com o Tenente
Francisco José Ribeiro.
Inventário de Antonio Luis Gonçalves
Museu Regional de São João Del Rei - Inventários de Baependi – numero 124
Inventariado: Antonio Luis Gonçalves
Inventariante : Mariana Ernestina de Noronha - viúva
Data do Inventario : 1839
Local : Fazenda do Tabuão, Freguesia de Aiuruoca, comarca de Paraibuna
DADOS DO INVENTARIO:
“... em casas de residência da viúva Inventariante, declarou que seu marido faleceu em junho de 1838, com
testamento, deixando os filhos herdeiros:
1- JOÃO, solteiro, 17 anos de idade;
2- MARIANA FLORENTINA GONÇALVES DE NORONHA, casada com CANDIDO LUIS GONÇALVES;
3- MARIA LUISA DE NORONHA GORGULHO, casada com JOSE DA SILVA GORGULHO;
4- ANA, solteira, 13 anos;
5- PLACIDINA ERNESTINA DE NORONHA, casada com o Alferes ANTONIO JOAQUIM DA SILVA.
6- FLORENTINA, solteira, 11 anos, gêmea de:
7- FLORA, solteira, 11 anos;
8- DOMICIANO, 10 anos;
9- JOSÉ, 7 anos;
10- AMELIA, 6 anos;
11- RITA, 5 anos;
12- FRANCISCO, 4 anos;
13- CANDIDO, 3 anos;
14- LUISA, 3 anos;
15- URBANO, 1 ano;
16- ANTONIO, 2 meses de idade
Curador do órfãos- Sargento mor Domiciano Jose Monteiro de Noronha (avô dos mesmos)
Louvados para avaliação dos Bens : Antonio Moreira da Costa e Jose Justino Alves.
BENS
52 escravos
BENS DE RAIZ:
- Fazenda denominada Tabuão, divide com o Capitão Manoel Luis Gonçalves e João Custodio pelo
Nascente. Pelo Norte com Francisco Luis e herdeiros de Custodio de Souza Pinto. Pelo Poente com
Domingos Teodoro de Azevedo, Capitão Manoel Luis Gonçalves – 12:000$000
- Terreiro da fazenda com engenho de cana – 1:000$000;
DIVIDAS ATIVAS
Herdeira Maria – 400$000;
Domiciano Jose Monteiro de Noronha – 745$560.
MONTE MOR: 34:486$420
Testemunha: Modesto Antonio Vilela dos Reis, solteiro, natural e morador na Freguesia de Aiuruoca, onde
vive de sua lavoura, ...”

Testamento de Antonio Luis Gonçalves (Trechos)


“...sou natural desta freguesia de Aiuruoca, filho legitimo do Capitão Antonio(sic) Luis Gonçalves e de Maria
Ângela da Cruz, já falecidos, casado com Mariana Ernestina de Noronha.
Nomeio como primeiro testamenteiro minha mulher Mariana, conjuntamente com meu sobrinho Candido Luis
Gonçalves; Em segundo lugar a meu irmão Manoel Luis Gonçalves conjuntamente com o Alferes Domiciano
Jose de Noronha...”.
Declara ter filhos naturais (nomes ilegíveis)
Em 1840- Troca da Fazenda do Tabuão com o Tenente Francisco Jose Ribeiro, por outra em Baependi
denominada “dos criminosos”.
Avaliação da fazenda de Francisco Jose Ribeiro, morador na freguesia do Carmo, nos Criminosos – 1350
alqueires – 36:460$000
Avaliação da Fazenda do Tabuão em novembro de 1839 – 612 alqueires – 19:540$000
1845 – mãe e filhos órfãos são moradores agora na Freguesia do Carmo e pedem que o inventário seja
enviado para Baependi. Fonte: Projeto Compartilhar. Site: www.projetocompartilhar.org

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11. BIOGRAFIA DE PESSOAS ILUSTRES DA FAMÍLIA GORGULHO

Estão descritas a seguir as seguintes biografias de algumas figuras ilustres da família


Gorgulho:

- Miguel Archanjo Gorgulho (bisneto de João Capistrano Macedo Alckmin): empresário,


cidadão honorário de São Lourenço, recebeu as mais altas condecorações do Estado de
Minas Gerais: a “Grande Medalha da Inconfidência” e a “Grande Medalha Presidente
Juscelino Kubitschek”, pelos seus grandes feitos;
- Paulo Gorgulho (tataraneto de João Capistrano Macedo Alckmin): famoso ator de
telenovelas, filmes e teatro;
- Mônica Gorgulho (tataraneta de João Capistrano Macedo Alckmin.

11.1 Biografia de Miguel Archanjo Gorgulho (bisneto de João Capistrano Macedo de


Alckmin)

Não é fácil ser excepcional, sendo simples. Ser austero, sendo um poço de
doçura. Ser alegre, contador de causos e de bem com a vida, sendo um
trabalhador exigente e duríssimo cumpridor de seus deveres. Não é fácil,
mas, com certeza, é possível. Mesmo, porque, Miguel Archanjo Gorgulho é
tudo isso: um ser humano que é verdadeiro caleidoscópio de lealdade, de
grandeza, de exemplos e de bem viver. Aos 90 anos, cheio de histórias e
de amigos, Miguel Archanjo Gorgulho é reverenciado sobretudo por duas
qualidades que fazem dele uma referência na vida de São Lourenço:
bondade e simplicidade.
(José Silvestre Gorgulho, 2006

Miguel Archanjo Gorgulho foi um grande empresário de São Lourenço e foi


homenageado recebendo as mais altas condecorações do Estado de Minas Gerais. Em 21 de
abril de 1997, pelos relevantes serviços prestados à comunidade de São Lourenço e ao
Estado de Minas, recebeu em Ouro Preto, a “Grande Medalha da Inconfidência”, pelas mãos
do então governador de Minas, Eduardo Azeredo. Em 1999 recebeu o título de cidadão
honorário de São Lourenço. Em 12 de setembro de 2009, recebeu em Diamantina, das mãos
do então Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a “Grande Medalha Presidente Juscelino
Kubitschek”, a qual é concedida a personalidades que prestam ou tenham prestado serviços
relevantes à sociedade, contribuindo para o crescimento de instituições políticas e
governamentais.

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11.1.1 Cronologia da vida de Miguel Archanjo Gorgulho
1916 – Em 22 de fevereiro de 1916, nasce nos Pintos Negreiros, Distrito de Maria da Fé, Sul de Minas Gerais,
Miguel Archanjo Gorgulho. É o sétimo filho do casal João Capistrano Gorgulho e Maria Imaculada Negreiros
Gorgulho. Os outros nove irmãos são: José Faustino Gorgulho, Antônio Érico Gorgulho, Maria do Carmo Gorgulho,
Maria da Glória Gorgulho, Rafael Archanjo Gorgulho, Gabriel Archanjo Gorgulho, Maria Catarina Gorgulho, Maria
de Jesus (Zuzu) Gorgulho, Maria Gorgulho. Miguel passou a infância na fazenda do pais, nos Pintos Negreiros,
onde estudou na escola rural, fundada por sua própria mãe.
1928 – É matriculado no Seminário Padre Antônio Maria Claret, em São Paulo, mas por motivos de saúde voltou
para casa dos pais.
1929 – É matriculado no Colégio Marista Sagrado Coração de Jesus, em Varginha.
1930 – Volta para a fazenda dos pais e dedica-se exclusivamente ao trabalho rural, sendo retireiro e tropeiro.
1936 – Nesse ano morre seu pai. Ainda muito doente, João Capistrano Gorgulho – mais conhecido como João do
Morro – ouve do filho Miguel uma promessa: só se casaria depois de ver as duas irmãs caçulas, Zuzu e Maria
Gorgulho, formadas.
1938 – Muda-se para São Lourenço com o compromisso e trabalhar e ajudar na educação das irmãs. Nessa
missão teve a ajuda importante da Diretora do Colégio Santa Úrsula de São Lourenço, Madre Ambrósia Röbig.
Consegue seu primeiro emprego como vendedor do Armazém Avenida, de Laurentino Marques da Silva e
Henrique Cafasso.
1939 – Como sacristão e ajudante do Pároco Frei Luciano Wagner, foi servente na construção da Igreja Matriz de
São Lourenço.
1940 – Foi trabalhar na Casa Candal, na rua Cel. José Justino. A casa era dirigida pelos irmãos Antônio e Júlio
Candal.
1941 - Participou com Dr. Ural Prazeres e outros companheiros da fundação do Aero-Clube de São Lourenço.
Nesta ocasião conheceu sua futura esposa Amélia Flori, filha de Victor Flori e Ana Maria Forastieri, pioneiros de
São Lourenço.
1942 - Montou seu próprio negócio, estabelecendo-se na Rua 15 de Novembro um pequeno armazém, tendo
como sócio majoritário o amigo e compadre Joaquim Pereira Maduro.
1943/44 - Com um grupo de amigos, como Joaquim Maduro e José França, monta em São Lourenço um time de
futebol chamado Vasco da Gama. O campo do Vasquinho, como era carinhosamente chamado, ficava ao lado do
Hotel Brasil, onde hoje está o Parque das Águas 2. No Vasquinho jogava Dondinho, pai de Pelé. Aliás, o apelido
Pelé vem do goleiro do Vasquinho, o Bilé, que o filho de Dondinho queria imitar. Com apenas 4 anos, o garoto
trocava o B pelo P e se dizia Plé. Por ficar zangado quando o chamavam de Pelé e não por Bilé, o apelido acabou
pegando. Apesar da família continuar chamando Edson Arantes do Nascimento de Dico, o apelido Pelé nasceu em
São Lourenço e ganhou o Brasil e o mundo.
1944 – As irmãs Zuzu e Maria Gorgulho se formam professoras.
1945 – Em 31 de março, casa-se com Amélia Flori.
1946 – Passa a sociedade do armazém para seu primo Geraldo Gorgulho volta à vida rural, mudando-se para a
Fazenda do Aterrado, onde como arrendatário trabalhou com agropecuária. Nesse ano nasce, em São Lourenço,
seu primeiro filho, José Silvestre Gorgulho (hoje casado com Regina Célia Belloti Lopes).
1953 – Nasce outro filho: Miguel Flori Gorgulho.
1954 – Volta para os Pintos Negreiros, onde compra as terras que eram de seu pai e continua trabalhando com
agropecuária.
1954 – Nasce seu filho João Vitor Gorgulho (hoje casado com Jovelina Cabral).
1956 – É eleito vereador pelo PSD, no município de Maria da Fé.
1957 – Juntamente com os irmãos Gabriel Gorgulho e Rafael Gorgulho, vai a Belo Horizonte e consegue com D.
Júlia Kubitschek, mãe do então Presidente Juscelino Kubitschek, a construção do Grupo Escolar São José, nos
Pintos Negreiros.
1958 – Nasce Maria Imaculada Gorgulho (hoje casada com Antônio Gannam).
1959 – Nasce seu filho caçula Luiz Antônio Gorgulho.
1963 – Volta com a família para São Lourenço e com mais três sócios (João Flori, José Carboni Filho e José
Ildefonso Fernandes) compra a mais tradicional loja da cidade, a Casa Dutra. A partir desta época, participou de
vários movimentos sociais e econômicos de interesse do município, com destaque para os trabalhos na
Associação Comercial e Industrial de São Lourenço.
1972 – Inaugura o Supermercado Carrossel, com os mesmos sócios da Casa Dutra.
1973 – Cria a ORGANIZAÇÃO GORGULHO, loja no ramo de materiais de construção, e dá uma participação para
seus sobrinhos José Carlos Bernardes e Victor Fleury Curado.
1976 – Seu filho, João Vitor Gorgulho, formado em Administração de Empresas, em Belo Horizonte, assume a
direção e o destino da ORGANIZAÇÃO GORGULHO.
1979 – Foi presidente da FAP – Federação Associativa Paroquial durante dois anos. Sua participação na vida
religiosa era intensa e desde que chegou a São Lourenço pela primeira vez, em 1938, foi sacristão do Frei Luciano
Wagner. Mais tarde, com o Frei Alberto Preis e alguns companheiros (Heitor Jesuíno, Mário Cabizuca, José
Cambraia, José Junqueira, José Cláudio Sanches) criou a Congregação Mariana.

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1980 - Participou sempre e das formas mais variadas dos movimentos assistenciais do município: ajudou na
construção da Casa de Maria, a pedido de Antônio Modesto Negreiros e Joaquim Ramos. Por cinco anos cedeu
graciosamente um imóvel na Rua Batista Luzardo para acolher a Casa dos Meninos.
1983 – Ganha a primeira neta, Maria Fernanda Lopes Gorgulho, seguida por outros seis netos: Talita Gorgulho
Gannam, Amélia Cabral Gorgulho, Mariana Gorgulho Gannam, Rodrigo César Lopes Gorgulho, Rebeca Cabral
Gorgulho e Antônio Gorgulho Gannam.
1989 - Foi peça importante na transferência e na construção da nova casa Casa dos Meninos, no Bairro da
Estação, tendo sido homenageado na sua inauguração, da qual também participaram o ex-governador e senador
do Rio, Amaral Peixoto, sua esposa, a filha do Presidente Getúlio Vargas, Alzira Vargas, e a filha Celina Vargas do
Amaral Peixoto.
1990 – Como na área social, também a educacional recebeu todo apoio de Miguel Gorgulho. Os primeiros e
decisivos passos da Faculdade Santa Marta foram dados graças a seu apoio: os dois primeiros anos do Curso
Superior de Administração aconteceram nas salas do segundo andar de prédio de sua propriedade na rua Olavo
Gomes Pinto, 61. Sem receber um centavo de aluguel.
1996 – É inaugurada nos Pintos Negreiros uma praça, ao lado do campo de futebol, com uma placa em
homenagem a Miguel Gorgulho, pela doação para a comunidade do terreno onde fica a praça de esportes.
1997 – Em 21 de Abril, recebeu a mais alta Comenda de Minas Gerais, pelos relevantes serviços prestados à
comunidade de São Lourenço e ao Estado de Minas: a Medalha da Inconfidência, entregue dia 21 de Abril, em
Ouro Preto, pelo então governador de Minas, Eduardo Azeredo, tendo como Patrono, o Ministro da Fazenda,
Embaixador Pedro Malan.
1999 - Acreditou nos ideais dos fundadores do Movimento Viva São Loureço Viva e deu grande força a esse
resgate de cidadania ao ceder, graciosamente, a sala onde até hoje funciona a mais importante ONG do Sul de
Minas.
2004 – Recebe o Título de Cidadão Honorário de São Lourenço, outorgado pela Câmara Municipal, na legislatura
de 1999, numa proposta do vereador Isac Ribeiro.
2005 - Depois dessa vida de luta, Miguel Gorgulho vive hoje em sua chácara, próxima ao Aeroporto de São
Lourenço. Costuma dizer que está numa ótima e nem merece a tranqüilidade e a satisfação que Deus está lhe
dando. “Sou feliz ao lado de minha mulher Amélia, de meus filhos e de toda minha família. Recebo com a maior
alegria todos os meus amigos”. E acrescenta enérgico: “Mas estou pronto para encarar qualquer missão e
qualquer desafio que seja pelo progresso do Sul de Minas, pela melhoria da qualidade de vida do povo de minha
cidade e até, se for preciso, pegar em armas para acabar de uma vez por todas com essa safadeza, com essa
corrupção e essa impunidade. O Brasil e meus netos merecem um novo século menos violento, mais justo e mais
cristão”.
2006 – No dia 22 de fevereiro, reúne filhos, netos, sobrinhos e amigos, em São Lourenço, para comemorar seus
90 anos.
Fonte: Site de José Silvestre Gorgulho: www.gorgulho.com

2009 - Em 12 de setembro de 2009, Miguel Gorgulho recebeu, pela mãos do então Governador de Minas Gerais,
Aécio Neves, a Grande Medalha Presidente Juscelino Kubitschek, a qual é concedida a personalidades que
prestam ou tenham prestado serviços relevantes à sociedade, contribuindo para o crescimento de instituições
políticas e governamentais. No palanque, na Praça JK, os agraciados receberam as medalhas e, em seguida,
discursaram o prefeito municipal de Diamantina, Geraldo da Silva Macedo, o ex-presidente Itamar Franco, orador
oficial, e o governador Aécio Neves. Ao som do Hino Nacional houve o hasteamento da bandeira, o governador
Aécio Neves depositou flores no monumento da JK, seguido do toque de silêncio. No encerramento da cerimônia,
houve o desfile da Guarda de Honra.
Fonte Agência Minas de 12 de setembro de 2009
Site: http://passadicovirtual.blogspot.com.br/2009_09_01_archive.html

2010 - Miguel Archanjo Gorgulho faleceu no último dia de 2010, aos 94 anos.

11.1.2 Monumento do acidente de JK na Dutra, sugerido por Miguel Gorgulho

Em 12 de setembro de 1980, dia em que JK completaria 79 anos, dona Sara e o presidente João
Batista Figueiredo inauguraram o Memorial JK, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, no qual seria
instalado também um museu e uma biblioteca.
Miguel Archanjo Gorgulho, grande admirador de Juscelino Kubitschek, escreveu à viúva de JK, Dª
Sara Kubitschek, que ela, com sua autoridade, com seu amor à memória do grande Presidente, pedisse ao
Departamento Nacional de Estradas de Rodagens que reservasse uma pequena área ao lado da Via Dutra,
no seu acostamento, onde Juscelino Kubitschek sofreu o acidente, onde se pudesse construir algo que
lembrasse que naquele ponto havia falecido o grande Presidente Juscelino.

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Dª Sarah recebeu essa carta, falou com o arquiteto Oscar Niemeyer e recebeu dele o projeto do
monumento, o qual foi aprovado no Senado Federal em 05/02/1996, apresentado pelo Senador José
Roberto Arruda e remetido ao Departamento Nacional de Estadas de Rodagem, para construção do marco à
beira da Via Dutra, lembrando o ponto onde o Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira foi acidentado e
faleceu.
Em 20 de agosto de 2006 foi inaugurado o monumento erguido em homenagem ao ex-presidente
Juscelino Kubitschek e a seu motorista, Geraldo Ribeiro, no local do acidente, quilômetro 328 da Rodovia
Presidente Dutra (BR-116), sentido São Paulo - Rio. Participaram da solenidade as filhas do ex-presidente e
de seu motorista, Maria Estela Kubitschek e Maria de Lourdes Ribeiro, além de membros da Sociedade dos
Amigos de JK (SAJK), e do inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Bernardo, que prestou atendimento a JK
logo após o acidente, lembrando os 30 anos de falecimento da dupla. A construção do monumento teve o
apoio da prefeitura de Resende e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
O desejo de Miguel Archanjo Gorgulho foi assim atendido, a partir de sua solicitação em uma
simples carta escrita à Dª Sara Kubitschek.

11.1.3 Decreto Municipal nº 4.203 dá denominação a Unidade de Pronto Atendimento:


UPA Miguel Archanjo Gorgulho
O Prefeito do Município de São Lourenço-MG, no uso de suas atribuições e nos termos do que
dispõe o inciso IX e XXIV do Art. 90 da Lei Orgânica Municipal – LOM; considerando os relevantes serviços
prestados à comunidade sãolourenciana através da sua honestidade, honradez e exemplo de vida;
considerando sua criatividade, competência e inteligência demonstrada na criação e administração de seu
empreendimento que muito contribuiu em prol do progresso de nosso Município, através da geração de
emprego e renda para a sociedade local; considerando que constitui competência do Poder Executivo
Municipal promover a denominação dos diversos logradouros públicos, sendo este um louvável instrumento
para o reconhecimento e homenagem àqueles que sempre contribuíram para a constituição de uma
sociedade melhor; DECRETA:
Art. 1º Fica denominada “Unidade de Pronto Atendimento MIGUEL ARCHANJO GORGULHO”, a
Unidade de Pronto Atendimento – UPA localizada na Rua Jaime Sotto Maior, s/nº, no Bairro Federal, neste
Município.
Art. 2º Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação.
Prefeitura Municipal de São Lourenço, em 08 de Julho de 2011.
José Sacido Barcia Neto - Prefeito Municipal
Bernadete Cláudia Divino de Castro - Secretária Municipal de Administração

11.1.4 A origem do apelido “Pelé” do nosso rei do futebol.

Miguel Archanjo Gorgulho gostava de contar os causos de sua vida. Um caso


histórico que ele testemunhou e que poucos conhecem, é sobre a origem do apelido
“Pelé”, do nosso glorioso rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento.
Miguel Gorgulho criou, junto com alguns empresários de São Lourenço, um time de
chamado Vasquinho. Treinavam em um campo ao lado do Hotel Brasil, onde está hoje o
Parque das Águas. O pai do Pelé, o João Ramos do Nascimento, de apelido Dondinho,
jogava nesse time. O Dondinho era um monstro, desequilibrava qualquer partida.
O Vasquinho contava também com um ótimo goleiro chamado Bilé.
Dondinho vinha de Três Corações para São Lourenço de trem e trazia seu filho, que
nessa ocasião devia ter uns 4 ou 5 anos. Mas o garotinho ficava na beira do campo e
sempre queria brincar de goleiro e dizia logo que era o Bilé, o goleiro celebridade. Mas,
como grande parte das crianças na sua idade, o filho do Dondinho trocava o B pelo P.
Então ele dizia: chuta aí para o Pilé. Então, a garotada começou a chamá-lo por Pelé, que
virou o apelido do nome brasileiro mais conhecido no mundo.

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A origem do apelido do nosso rei do futebol “Pelé”, contada por Miguel Archanjo Gorgulho
Corria os anos de 1944 e 45. Havia um goleiro que fez história aqui na região. O nome dele era Bilé.
Aliás, há pouco tempo eu vi no Globo Esporte uma matéria sobre goleiros e citava o Bilé (José Lino da
Conceição Faustino) como um dos maiores goleiros da época. Um goleiro que todo mundo queria imitar.
Quando deu a matéria no Globo Esporte ainda chamei meu filho João Vitor e disse para ele: - Olha só, a
Globo errou! A reportagem disse que Bilé nasceu em São Lourenço. Não foi. Bilé jogou em São Lourenço,
mas nasceu em Dom Viçoso [O município de D. Viçoso fica a 20 km de São Lourenço]. O irmão dele é o
Basílio que mora até hoje nos Pintos Negreiros, um distrito do município de Maria da Fé, também no Sul de
Minas. O que o “seu” Miguel Gorgulho vai contar agora é a maior jogada do Bilé. E pouca gente sabe:
“Nessa época, em 1944/45, juntamos alguns empresários aqui de São Lourenço resolvemos criar
um time de futebol. Criamos um time chamado Vasco da Gama. Fomos atrás de um campo para treinar e
acabamos conseguindo uma área ao lado do Hotel Brasil, onde está hoje o Parque das Águas II. Campo
pronto, time formado, o Vasquinho – como era carinhosamente chamado - começou a ganhar e a fazer um
sucesso tremendo!”
Para formar o Vasquinho, nós pegamos alguns jogadores daqui de São Lourenço como o goleiro
Bilé, o Pessoa e uns outros. Para reforçar o time fomos buscar em Três Corações, perto daqui, outros bons
jogadores. Um deles era soldado do Batalhão. Na época era também ferroviário. Acho que trabalhava na
Rede. Jogava muita bola. O nome dele era Dondinho (João Ramos do Nascimento). Contratamos outros
bons jogadores, como o Zé da Bola e o Gradim.
O Dondinho era um monstro, desequilibrava qualquer partida. Ele vinha para São Lourenço de trem
e trazia seu filho que devia ter uns 4 ou 5 anos. Mas o garotinho ficava na beira do campo e sempre queria
brincar de goleiro. E dizia logo que era o Bilé, o goleiro celebridade. Mas, como grande parte das crianças na
sua idade, o filho do Dondinho trocava o B pelo P. Então ele dizia: chuta aí para o Plé. Ele dizia assim
mesmo Plé. E como o pai dele era muito respeitado e o melhor do time, todos nós queríamos muito agradar
o garoto para deixar o pai feliz. E fazia a maior farra com ele. Só que tinha um detalhe: como ele não
conseguia falar Bilé, só dizia Plé, a criançada pegava no pé dele. Fazia questão de chamá-lo de Plé. Ele não
gostava. Fazia pirraça, chorava. Eu me lembro bem dele com o nariz escorrendo e chorando, quando as
pessoas teimavam em chamar o garoto de Plé. Ele queria ser chamado era de Bilé.
Acontece que como o Dondinho, também o Zé da Bola, o Gradim acabavam trazendo suas famílias,
filhos, sobrinhos e amigos para ver o Vasquinho jogar aqui em São Lourenço. Era fácil vir de Três Corações.
Só 100 km e trem direto. Pegava o trem lá e saltava aqui. E o negócio de chamar o garotinho de Plé foi
ficando sério. O interessante é que o apelido dele na família era Dico. Mas quanto mais o menino achava
ruim com o novo apelido, tanto mais a criançada pegava no pé dele. Começou no campo do Vasquinho,
depois era na rua, depois era no trem de volta e depois era lá na casa dele em Três Corações.
O Vasquinho durou mais alguns anos e acabou. Nesta mesma época, a Rede Ferroviária transferiu o
Dondinho para Bauru e pelas dificuldades de comunicação na época, acabamos perdendo totalmente o
contato tanto com o Dondinho como com seu filho Edson Arantes do Nascimento. Só depois, em 1957 e 58
é que voltamos a ouvir falar no filho do Dondinho. Não mais como Plé, mas como o consagrado Pelé.”
FONTE: Site de José Silvestre Gorgulho www.gorgulho.com

11.2 Biografia do ator Paulo Gorgulho (tataraneto de João Capistrano Macedo de


Alckmin)

Paulo Cesar Gorgulho, nascido em São


Lourenço/MG em 5 de maio de 1959 é um famoso
ator brasileiro. É filho de Gabriel Archanjo Gorgulho
e Anna dos Santos. Vem de uma família grande,
com 13 irmãos. Mudou-se para São Paulo aos três
anos. Nas aulas de teatro amador da escola
descobriu sua vocação. Formado pela EAD (USP),
surgiu na televisão na telenovela Carmem, em 1987,
mas estourou mesmo como galã em Pantanal, de
1990. Viveu José Leôncio na primeira fase da
telenovela e, por pedidos do público, voltou na
segunda fase, como José Lucas de Nada.
Paulo Gorgulho é casado com a costureira
Vânia Gnaspini com quem tem três filhos: Catarina,
Guilherme e Joaquim.
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Em 1991, já na Rede Globo, fez O Dono do Mundo, de Gilberto Braga e, em 1992,
Despedida de Solteiro, escrita por Walter Negrão. Em 1994 foi a vez de Fera Ferida, de
Aguinaldo Silva e, dois anos depois, a minissérie Decadência, de Gilberto Braga. Em 2002
participou da minissérie O Quinto dos Infernos, dirigido por Wolf Maya. Em 2007, Paulo
Gorgulho fez uma participação em Caminhos do Coração, novela da Record, onde
interpretou Josias, o marido de Cassandra (Angelina Muniz), que desaparece no início da
história.
No teatro, Gorgulho protagonizou peças como Sua Excelência, o Candidato (1990),
de Marcos Caruso, e Mephisto (1993), com direção de José Wilker. Em 2001, encenou Eu
Falo o que Elas Querem Ouvir, de Mário Prata, sob direção de Roberto Lage. Também
atuou no espetáculo Frankenteins, de Jô Soares.
No cinema, Gorgulho estreou em Filhos e Amantes (1981), dirigido por Francisco
Ramalho Jr.. A seguir fez O País dos Tenentes (1987), de João Batista de Andrade.
Trabalhou também em For All - O Trampolim da Vitória (1997), de Luiz Carlos Lacerda; e
Uma Aventura do Zico (1999), de Antonio Carlos da Fontoura.
Fonte: Wikipédia, A Enciclopédia Livre.

11.3 Biografia da psicóloga Mônica Gorgulho (tataraneta de João Capistrano Macedo de


Alckmin)

Mônica Gorgulho é psicóloga clínica,


mestre em psicologia social, com
experiência de 20 anos na área de
tratamento, 10 anos desenvolvidos junto
ao PROAD – EPM/UNIFESP. Trabalha
na área de drogas desde 1990.
É coordenadora da Dínamo-Informação
Responsável sobre Drogas e Afins,
diretora da IHRA – International Harm
Reduction Associatio e membro do
Comitê Assessor do Ministério da Saúde
para assuntos de álcool e outras drogas.

Mônica Gorgulho é coordenadora do Setor de Redução de Danos do PROAD -


Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Departamento de Psiquiatria da
Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo). É Conselheira do
Conselho Estadual de Entorpecentes - CONEN São Paulo. É Consultora Técnica da
Secretaria Nacional Anti-Drogas – SENAD. É secretária executiva da Rede Brasileira de
Redução de Danos – REDUC. É autora do livro "Dependências - Compreensão e
Assistência às Toxicomanias: a compreensão do PROAD".

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12. GENEALOGIA DA FAMÍLIA NEGREIROS

Antônio José de Negreiros João Capistrano de Macedo


Macedo 1811 - 1884 Alckmin (1811 - ?)
Altina Eulinda (1811 - ?) Maria Augusta Cesarino
Ribeiro (1812 – 1882)
Maria Umbelina

Ana Emília Antônio Modesto

Tereza

Tenente João Negreiros

Maria do Carmo Augusto César Capistrano Maria da Glória Capistrano


Capistrano Alckmin 1846-? Alckmin 1848 - ? Alckmin 1849–1882

Antônio José de Altina Capistrano José da Silva Gorgulho


Negreiros 1843–1935 Negreiros Noronha (1848-1888)

1ª) Quinhinha
Joaquim João da Silva Gorgulho 1877-1936
Maria Rita 2ª) Maria Imaculada

Sebastião Crisóstomo Alaíde


3ª) Maria Rita 2ª) Lavínia (Zotinho) 1896-1976
Caio Arruda
Sebastião Capistrano Maria de Jesús
Negreiros Nogueira 1894-1965
Maria Isabel -Bebé
1ª) Maria José Gorgulho
Goica José C. Paiva
José Bruno Dotte Otello
Dorinha
Marica
Niquinho Geraldo Lima
Antoninha Otacília
Terezinha
Manoel Gondim
João Negreiros Francisco Pereira
Nair
Manoela Tigró
João Bráulio Vilhena José Bartolomeu
Zuza
Lourdes
João Negreiros
Yolanda
Marica Paiva
José Ferreira
Maria da Glória
José Arimathéia
Virgílio Bernardes
Lélia Avelino

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12.1 Antônio José de Negreiros Macedo (bisavô do Vovô Zotinho)

Conforme Censo de 1839 de Pouso Alto, Antonio José de Negreiros Macedo, tinha 28
anos, estava casado com Altina Eulinda, também com 28 anos e tinha as filhas Ana Emilia de
2 anos e Maria Umbelina de 4 anos. Seu filho Antonio (Tonico) José Negreiros nasceu em
1843.

Censo 1839 Pouso Alto-MG - 1º Quarteirão


Antonio Jose de Negreiros Macedo - 28 anos, branco, casado, negociante, lê e escreve
Altina Eulinda – Dona, 28 anos, branca casado
Maria Umbelina, 4 anos, branca
Ana Emilia, 2 anos, branca
Isabel, 42 anos, parda, escrava alforriada, solteira, agregada
nº de moradores no fogo:11
nº de escravos: 6
FONTE: Centro de Memória Cultural do Sul de Minas Gerais, disponível no site
<www.projetocompartilhar.org>

Antonio José de Negreiros Macedo faleceu em 1884, conforme registro do Almanaque


Sul Mineiro:

Baixou ao túmulo, o Alferes Antonio José de Negreiros Macedo, legando aos que a ele sobreviveram,
exemplos de bondade, de grandeza d’alma e de dedicação pela terra do berço. Foi um patriota que
deveria ser imitado.
Fonte: Almanaque Sul Mineiro, 1884.

12.2 O casal Maria do Carmo Capistrano Alckmin e Antônio José de Negreiros


(Tonico)

Maria do Carmo Capistrano Alckmin, filha de João Capistrano de Macedo Alckmin,


nasceu em Dom Viçoso em 22 de dezembro de 1846. Maria do Carmo era uma mulher
inteligente, dinâmica, obstinada e muito religiosa. Ela recebeu de herança dos seus pais a
Fazenda dos Pintos, com 1500 alqueires mineiros. Fez em vida a doação de 100 alqueires
para cada um dos seus 10 filhos e fez um Testamento da sua terça parte (500 alqueires) e da
sede da fazenda (Casa Grande), designando como testamenteiro o filho mais velho, Sebastião
Capistrano Negreiros (pai do vovô Zotinho).
Casou-se com Antônio José Negreiros (conhecido como Tonico). Tonico era um
homem culto, dinâmico e idealista. Maria do Carmo e Tonico eram bondosos e humanos.
As famílias que chegavam aos Pintos e pediam a eles permissão para construírem moradia,
tinham sempre o consentimento para construir suas casas, com paiol, chiqueiro e horta e a
única condição imposta como pagamento era que o homem da casa prestasse serviço por
dois dias ao mês, para limpeza da várzea e manutenção da estrada dos Pintos a Dom Viçoso.

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Vovô Tonico acordava muito cedo, sendo quase sempre o primeiro a se levantar. Gostava que o fogo do
fogão estivesse aceso. Após lavar o rosto, assentava-se em seu banco sobre a taipa, onde tomava café
acompanhado de uma quitanda: biscoito de polvilho, bolacha ou bolo de fubá. Logo depois, já com o sol um
pouco quente, saía para dirigir os trabalhos de limpeza da várzea. Quando ia a lugares mais distantes ou ia
cuidar da manutenção da estrada, pegava seu cavalo, o Rucinho, que já estava arreado e à sua espera.
O almoço e o café do meio dia eram levados por um de nós ou por um camarada. Mas, por recomendação
da minha mãe, voltava para casa antes do escurecer e já encontrava o jantar pronto. Nos dias que não tinha
camarada e serviço determinado, ele próprio ia arrancar as pragas que apareciam nas proximidades da
casa. Nos dias chuvosos e mais frios fazia suas refeições assentado sobre a taipa do fogão.
Fonte: Livro Fazenda dos Pintos de Antônio Bernardes.

Maria do Carmo Capistrano Alckmin e Antônio José Negreiros tiveram dez filhos:

- Altina Eulina Capistrano de Negreiros:


Altina Eulina casou-se com seu tio Dr. Augusto Cesar Capistrano de Alckmin (médico, filho de João Capistrano de
Macedo Alckmin), tendo 3 filhos: Monsenhor José Augusto, Maria de Jesus e Joaquim (farmacêutico).

- Joaquim Capistrano de Negreiros:


Joaquim casou-se com sua sobrinha Maria Rita Vilhena. Tiveram 2 filhas: Sinhá e Inês. Após ter ficado
viúva, Maria Rita (tia Ita) casou-se em 3ª núpcias com o seu tio e ex-cunhado Sebastião Negreiros.

- Quinhinha Capistrano de Negreiros:


Quinhina casou-se com o seu primo João Capistrano de Gorgulho. Ela faleceu com pouco tempo de casada,
sem deixar filhos.

- Sebastião Capistrano de Negreiros (pai do Vovô Zotinho):


Sebastião Capistrano Negreiros casou-se três vezes. Sua primeira esposa foi Maria José Gorgulho, com que teve
seis filhos: Sebastião Crisóstomo (Vovô Zotinho), Goica, Garotita , Niquinho e João Crisóstomo e José Bartolomeu.
O segundo casamento foi com sua prima Lavinia, filha do seu tio Tenente João Negreiros, com quem teve dois
filhos: Erasmo e José Maria Negreiros.
O terceiro casamento foi com sua sobrinha e ex-cunhada Maria Rita Vilhena, com quem teve cinco filhos: José
Augusto, Maria José (Irmã Ângela), Afonso, Tomaz e Maria Tereza.

- José Bruno Capistrano de Negreiros:


José Bruno vendeu as terras que recebeu de herança nos Pintos e construiu uma boa casa no Rosário, mudando-
se para lá. José Bruno foi vereador em Cristina no período de 1923 a 1927 Casou-se com Marica, com quem teve
sete filhos: Conceição, Ordália, Carminha, Geraldina, Benedita, Antônio Bruno e Lourdinha.

- Antoninha Capistrano de Negreiros:


Antoninha casou-se com o português Manoel Gondim Manduca, com quem teve dez filhos: Carminha,
Augusta, José Olegário, Ciro, Zacarias, Pequetita, Belinha, Santinha, Idália e Basilissa.

- Manoela Capistrano de Negreiros:


Manoela casou-se com o Dr. João Braúlio de Vilhena, com que teve cinco filhos: Maria Rita, José Bráulio,
Zezé, Toniquinho e Maria das Dores.

- João Capistrano de Negreiros:


João Negreiros casou-se com a sua prima Marica Capistrano de Paiva (irmã de meu pai José Capistrano de
Paiva), com quem teve dois filhos: Geraldo e Conceição (Ção). Conceição e seu esposo Geraldo Guedes
foram meus padrinhos de batismo. Além de parentes, eram muito amigos de meus pais e eram muito
bondosos.

- Maria da Glória Capistrano de Negreiros:


Maria da Glória (Glorinha) estudou no internato do colégio de Mariana, considerado um dos melhores
daquele tempo. Casou-se com Virgílio Ribeiro Bernardes. Tiveram oito filhos: José Maria, Maria do Rosário,
Henrique, Antônio, Maria do Carmo, Remijo, Maria Esméria e Manoel.

- Maria Imaculada Capistrano de Negreiros:


Maria Imaculada (Culaca) estudou no internato do colégio de Mariana junto com sua irmã Maria da Glória.
Casou-se com seu primo e ex-cunhado João Capistrano de Gorgulho (João do Morro), com quem teve dez
filhos: José, Antônio, Maria do Carmo (Carma), Maria da Glória, Rafael, Gabriel, Miguel, Catarina, Maria e
Zuzu.

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12.3 Sebastião Capistrano de Negreiros (pai do Vovô Zotinho)

Meu pai Sebastião Negreiros foi o filho que nunca quis sair dos Pintos,
sempre trabalhando na Casa Grande, junto com o Vovô Tonico, que tinha
muita confiança nele, para tudo: do machado ao gabinete. Tião era um
homem instruído e atirado aos empreendimentos (Vovô Zotinho)

Sebastião Capistrano Negreiros, filho de Maria do Carmo


Capistrano Alckmin e Antônio José Negreiros (Tonico),
político influente, era o líder dos Pintos e tinha influência
também no Rosário, Carmo de Minas e Cristina. Foi vereador
em Cristina/MG no período de 1908 a 1912.
Sebastião Negreiros era agradável, envolvente, muito
inteligente, bom orador, sempre abria polêmicas com as
pessoas mais cultas e era respeitado por todos. Estudou
interno no colégio de Mariana, o mais famoso na ocasião, até
concluir o nível médio. Contemporâneo de Rui Barbosa, era
Rita Vilhena, Sebastião Capistrano Negreiros seu admirador.
e seu pai Antonio (Tonico) José Negreiros.

Sebastião Capistrano Negreiros foi também escritor, escreveu um drama religioso para teatro, em 3 atos e
10 personagens, intitulado “Jesus, o Cego e a Leprosa”, a qual dirigiu e ensaiou os atores da família
Negreiros, sendo ele próprio um dos atores e o apresentaram nos Pintos, Rosário e em Pouso Alto, fazendo
grande sucesso. Essa peça teatral escrita por Sebastião Negreiros, foi também apresentada pelo famoso
Circo-Teatro Pavilhão Arethuzza8.

Todos no povoado dos Pintos eram amigos, uns ajudavam os outros. Na ocasião das capinas e das colheitas de
roças, Sebastião (Tião) Capistrano Negreiros oganizava grandes mutirões com festas e bailes que eram muitos
divertidos. Todos os roceiros faziam seus mutirões, fazendo rodízio: hoje pra mim, amanhã pra você.
Um dia o Chico Leite, que era seu arrendeiro, chegou perto dele e disse-lhe, quase chorando:
- Sr. Sebastião, minha casa caiu com a tempestade desta noite. Eu, minha mulher e meus dez filhos estamos ao
tempo. Por favor, ajude-nos!
Na Casa Grande havia um grande sino de bronze. Tião Negreiros ordenou tocar o sino para chamar o povo dos
Pintos. O sino era o único meio de comunicação com o povoado. As badaladas do sino ecoaram por todas as
grotas das longínquas montanhas dos Pintos Negreiros. Em pouco tempo reuniu-se uma multidão na Casa
Grande. Tião pediu ao seu filho Zotinho para arrear a tropa de burros e ordenou aos camaradas para cortar a
madeira necessária para erguer a casa. A madeira foi cortada, foi também providenciado o cipó e embira para
amarrar as madeiras, o sapé para cobrir a casa e o barro para cobrir as paredes da casa. Doze cozinheiras
apresentaram-se voluntariamente e fizeram uma comida mineira deliciosa: macarrão, galinha, canjiquinha, costela
de porco, feijoada, batata e angu. A casa foi erguida e barreada em um só dia.
Fonte: Autobiografia do Vovô Zotinho.

Sebastião Capistrano Negreiros casou-se três vezes. Sua primeira esposa foi sua prima Maria José
Gorgulho (filha de Maria da Glória Capistrano Alckmin e José da Silva Gorgulho Noronha), com quem teve
seis filhos:

- Sebastião Crisóstomo (Vovô Zotinho), o filho mais velho de Sebastião Negreiros, casou com Maria de Jesus
Nogueira (Vovó Maria), que era pousoaltense, com quem teve 8 filhos: Maria Alaíde, Maria Isabel (Bebé), Maria
Auxiliadora (Dorinha), Maria Tereza (Terezinha), Maria da Glória (Tigró), Maria de Jesús (Zuza), Yolanda
(Landinha) e José Arimathéa (tio Zé);
- Goíca, casou-se com o italiano Dotte Otelo, que tinha uma fábrica de queijos, tendo cinco filhos: Walter,
José, Ana Maria e os gêmeos Rômulo e Remo;
- Carmita, casou-se com o alemão Carlos Lauer, tendo um casal de filhos: Eduardo e Alda;

8
Arethuzza Neves consagrou-se como a mais respeitada atriz de circo-teatro no Brasil. Ela trabalhava no
Circo Colombo de seu pai e em 1º de outubro de 1917 ela casou com Macário Ferreira. Seu pai deu de
presente de casamento, um outro circo, que ela o denominou de Circo-Teatro Pavilhão Arethuzza, que ficou
famoso no Brasil por suas grandiosas apresentações teatrais. No sul de Minas o Circo Teatro Arethuzza se
apresentou nas cidades de Itajubá, Três Corações, Três Pontas, Machado e Poços de Caldas. O Circo-
Teatrro Arethuzza encerrou suas atividades no ano de 1964.

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- Niquinho, era farmacêutico, casou-se com Otacília, tendo 9 filhos: Laerte, Evaldo, Zé Neves, Everaldo,
Hugo, Roberto, Maria Ângela, Tereza, Heloiza;
- João Crisóstomo, casou-se com Nair, tendo seis filhos: Juarez, Sebastião, João, Antônio, Maria José e
Maria Aparecida;
- José Bartolomeu, casou-se com a professora Lourdes, tendo dez filhos: Célio, Sebastião, Artemiro,
Ondina, Alair, Alda, Bernadete, Margarida, Ilma, Maria Tereza.
O segundo casamento de Tião Negreiros foi com sua prima Lavínia, filha do seu tio Tenente João
Negreiros, com quem teve dois filhos: Erasmo e José Maria Negreiros.
O terceiro casamento foi com sua sobrinha (filha de sua irmã Manoela) e ex-cunhada (viúva de seu irmão
Joaquim) Maria Rita Vilhena, com quem teve cinco filhos: José Augusto, Maria José (Irmã Ângela), Afonso, Tomaz
e Maria Tereza.

12.4 Maria José Gorgulho Negreiros (mãe do Vovô Zotinho)

Minha mãe Maria José muito trabalhou na construção do Rosário (atual Dom
Viçoso). Ela era muito religiosa, as imagens de Nossa Senhora do Rosário e a
de São José, com 1,20 m de altura, que estão no altar da Igreja do Rosário,
foram doadas por ela. (Vovô Zotinho)

Maria José Gorgulho Negreiros, filha de Maria da Glória Capistrano Alckmin e José da
Silva Gorgulho Noronha, foi a primeira esposa do primo Sebastião Capistrano Negreiros.
Ela era uma mulher muito boa, de muita fé, caridosa e muito estimada por todos. Era forte
e trabalhadora, gostava muito da roça. Costumava passar a semana em um bom rancho,
onde cozinhava para os camaradas que trabalhavam na lavoura.
Maria José era muito religiosa. Fez uma promessa de todo o ano fazer romaria à Aparecida do Norte. Ela reunia a
família e os colonos, arrendeiros ou até mesmo estranhos que quisessem tomar parte da peregrinação à “Capela
de Nossa Senhora de Aparecida”. Levavam-se burros com colchão e jacá carregando mantimentos, utensílios de
cozinha e encerado para barracas. Alguns iam a cavalo, outros iam a pé, usando atalhos, contornando montanhas,
beirando precipícios e grotas profundas, corredeiras perigosas, andando por trilhos nas florestas e acabavam
chegando juntos aos pousos. A descida da Serra da Mantiqueira era mais penosa, trilhos estreitos, pedras que
rolavam, escadas íngremes, até chegarem em Piquete, no Estado de São Paulo, onde pernoitavam. De lá,
passavam por Lorena, depois Guará e então chegavam à Capela de N. Sra. Aparecida, onde o povo arranchava
na Casa Santa. A viagem durava seis dias.
Fonte: Livro Fazenda dos Pintos de Antônio Bernardes.

Falecimento de Maria José Gorgulho Negreiros, contado pelo seu filho Zotinho
Em 1911, quando eu tinha 15 anos e estudava interno no Colégio Salesiano Dom Bosco de Lorena/SP, depois de
uns três meses que cheguei no colégio, recebi uma carta do papai dizendo que a mamãe estava passando mal.
Eu pensei que até ela já poderia ter morrido. Pedi ao diretor e no outro dia fui de trem para Pouso Alto, chegando lá
à tarde. As duas moças do tio Augusto Alckmin, Conceição e Jesus, estavam prontas para seguir para os Pintos,
pois souberam que a mamãe estava nas “últimas”. Viajamos a noite toda à cavalo e chegamos ao Rosário às 8
horas da manhã. Na saída do Rosário para os Pintos, encontramos com o povo trazendo a mamãe para enterrar.
O sino da igreja bateu para o enterro e daí meia hora chegou o cônego Jose Augusto de Cristina com muita gente
de lá. Às 10 horas ele celebrou missa de corpo presente. A igreja estava cheia. Tinha gente de todos os lados. Na
casa ao lado da igreja estava a tia Glorinha, a única filha solteira da vovó Maria do Carmo Negreiros. Todos os
meus irmãos estavam de camisas pretas.
Às 11 horas mais ou menos, bateu o sino e o povo saiu levando-a para o cemitério. Até esta hora eu estava
rezando com fé e com um nó na garganta, mas ainda não tinha chorado. Saí na porta da igreja, encontrei a tia
Luiza, “negra escrava” da mamãe, que deu de mamar para ela e tio João do Morro e nunca se separou da mamãe,
cozinheira dos ranchos das roças. Eu falei:
- A benção tia Luiza.
Ela como era de costume respondeu:
- Deus Nosso Sinhô que te bençôa, fio meu! E que ponha a alma de sua mãe no reino da glória!
Nessa hora cambaleei e chorei doido. A negra me pegou pelo braço e levou em casa e me pôs na cama. Aí eu
tratei de dormir, pois estava cansado e com sono.
Mamãe era uma mulher forte e de muita saúde. Morreu com pneumonia, após o sétimo dia de doente, com 35
anos, deixando viúvo o Sebastião Capistrano Negreiros, com 33 anos.
Fonte: Autobiografia do Vovô Zotinho.

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13 RESUMO DA AUTOBIOGRAFIA DE SEBASTIÃO CRISÓSTOMO DE
NEGREIROS (VOVÔ ZOTINHO)

Sebastião Crisóstomo de Negreiros (conhecido pelo


apelido de Zotinho), bisneto de João Capistrano Macedo
de Alckmin, era fazendeiro, agricultor, comerciante e
professor. Nasceu no dia 27/01/1896, no lugarejo
chamado Pintos Negreiros, pertencente ao município de
Maria da Fé, no sul de Minas Gerais. Zotinho foi eleito o
primeiro vereador do novo Distrito do Rosário de Dom
Viçoso. Logo que tomou posse, Zotinho conseguiu verba
para fazer nova estrada dos Pintos à São Lourenço,
chamando o seu tio João do Morro para implementa-la,
encurtando a estrada velha em 1 légua. Conseguiu
também liberação de verba para instalação de luz elétrica
no Rosário, que foi feita pelo Padre João Luiz Espeschit,
pároco de Pouso Alto, que também era engenheiro com
especialização em águas e energia elétrica.

O TOMBO E A FRATURA NO JOELHO:

Zotinho morava com seus avós, tios, pais e irmãos, na sede da Fazenda dos Pintos, chamada de “Casa
Grande”, no lugarejo chamado Pintos Negreiros
Em 1902, quando tinha 6 anos, Zotinho levou um tombo na escadaria da Casa Grande e fraturou o joelho,
ficando com muita dor na perna direita. Foi chamado o Dr Augusto César Capistrano Alckmin (filho de João
Capistrano Macedo de Alckmin), que verificou que a perna estava encolhendo e que seria necessário
consultar um especialista em luxação.

Depois de três meses Zotinho começou a andar, porém a perna ficou fraca, e ele tinha que por a mão no
joelho para afirmá-la e não sentir dor. Maria do Carmo, a avó do Zotinho, não querendo ver o neto agachar-
se para por a mão no joelho, mandou fazer uma bonita muleta de almofada com estribo embaixo para
suspender e descansar a perna. Zotinho usava a muleta quando a avó estava por perto, ó, para agradá-la,
mas quando saía para brincar, ele preferia deixar a muleta em casa e punha a mão direita no joelho para
poder correr com a criançada. Sebastião Capistrano Negreiros, pai do Zotinho, levou-o à um especialista em
luxação, formado pela Faculdade de Medicina do Rio, o Barão de Pedro Afonso. Ele falou que seria
necessário fazer uma operação para por a perna no lugar, mas que ela ficaria sem movimento na parte
superior. Mediante esse diagnóstico, Zotinho não quis operar a perna..

ESTUDOS:

Em 1909, aos 13 anos, após concluir o 3º ano de estudos com o professor e tio Joaquim, na escola instalada
na Casa Grande, Zotinho foi estudar no Colégio Salesiano de Dom Bosco em Lorena. No final do primeiro
ano de estudos, êle tirou as melhores notas nas provas e recebeu três medalhas. Na cerimônia de
premiação, como não tinha parentes lá, a Condessa do Conde Moreira Lima é que lhe entregou as
medalhas. No segundo ano, o nome do Zotinho foi para o quadro de honra, o qual era posto na sala de
visitas. Quando estava no 3º ano colegial, sua mãe faleceu e ele voltou para sua casa, para ajudar seu pai a
cuidar da Fazenda dos Pintos.

A ORQUESTRA:

Aos 17 anos, Zotinho formou uma orquestra com sanfona, violões e pandeiros, para alegrar e animar o
pessoal dos Pintos Negreiros. Ele tocava o violão junto com a orquestra e organizava tudo. Zotinho levava a
orquestra ao Rosário, quando era celebrada a missa pelo cônego José Augusto. A orquestra do Zotinho
recepcionava o Cônego José Augusto, que chegava no sábado e voltava na segunda. Eram três dias de
festa. Quando o Cônego apontava na porteira, Zotinho soltava foguetes e pedia para tocar o sino da igreja e
a orquestra tocava o dobrado “Capitão Caçula”. O Cônego chegava alegre e sorridente.
No domingo, após a missa, Zotinho organizava um chá dançante na casa de instrução ao lado da igreja.
Lá toda a família se reunia. Tião, o pai do Zotinho, marcava a quadrilha.

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O PRIMEIRO AMOR:

Em 1913, quando Zotinho tinha 17 anos, chegou aos Pintos Dª Melica, que era viúva e tinha quatro filhos:
Deoclides, José, Sebastião e Maria da Conceição, de apelido “Pequenina”. Na Casa Grande, Zotinho foi
apresentado às moças recém-chegadas, a Pequenina e a Deoclides. Pequenina era muito bonita e alegre, sentou-
se perto dele, contando com muita graça a sua vida de criança e a morte de seu pai, que fazia pouco tempo que
tinha falecido. Neste dia Zotinho foi embora para o Rosário com dó da menina.

Zotinho fazia questão de convidar a Dª Melica, mãe da Pequenina, para que ela levasse suas filhas ao chá
dançante de sua orquestra. Zotinho simpatizou-se pela Pequenina e ela também por ele. Depois de quase um ano
de convivência com a Pequenina, Zotinho pediu ao seu tio José Bruno para falar com Dª Melica, se ela consentiria
o namoro deles. José Bruno foi e trouxe a resposta: - A menina quer muito, a mãe dela disse que te estima muito e
te quer bem, mas acha a Pequenina muito criança.

De fato, a Pequenina tinha apenas 14 anos e Zotinho estava com 19 anos No outro dia vieram as primas e irmãos
da Pequenina falar com o Zotinho que ela queria casar com ele. Os dois estavam apaixonados e continuaram
encontrando-se nas festas e reuniões. A mãe resolveu levá-la para Itatiaia, para casa de um tio. Embarcariam em
Pouso Alto. Zotinho montou seu cavalo e foi até Pouso Alto. Lá chegando, foi para a casa de suas primas
Conceição e Jesus, onde encontrou com a Pequenina.

Pequenina disse que a viagem para Itatiaia está marcada para o dia seguinte, mas que ela não queria ir. Zotinho
aconselhou-a a não desobedecer a mãe e que ele esperaria por ela. Passaram a noite conversando. No outro dia
cedo, antes da Dª Melica chegar, Zotinho despediu-se da Pequenina, arriou seu cavalo e voltou para os Pintos.

Passado uma semana Zotinho recebeu uma carta da Pequenina, pedindo-lhe para que ele desistisse de casar
com ela. Na carta tinha lágrimas, pois a tinta estava manchada. Zotinho respondeu: - Se as suas palavras são do
coração, farei o seu pedido, mas se foram ditadas por uma força estranha, eu persistirei no meu intento.

Uns seis meses depois Zotinho ficou sabendo que a Pequenina havia retornado no trem para Silvestre Ferraz,
onde morava o tio dela. Zotinho pegou seu cavalo e seguiu para lá. Chegando no largo da igreja, de longe,
Zotinho avistou a Pequenina na janela. Quando ele foi se aproximando, ela saiu da janela. Zotinho apeou,
alimentou seu cavalo, apertou o arreio e a Pequenina não apareceu. Então Zotinho montou seu cavalo e retornou
para os Pintos, decidido a não mais procura-la.

Após alguns dias, a Pequenina foi ao Rosário e perguntou ao Cônego José Augusto se ele faria o casamento dela
com o Zotinho, sem o consentimento da mãe. O cônego, que sabia de tudo, respondeu que faria sim o casamento.
Zotinho comprou saias compridas, chapéu de pluma e providenciou um cavalo de cilião (montaria feminina) para a
Pequenina. Porém a Goica, irmã do Zotinho, o aconselhou que não fizesse isto, que casar assim, sem o
consentimento dos pais, não dá certo. Ela também achava a Pequenina muito criança para se casar. Assim, como
o Zotinho tinha muita consideração pela sua irmã Goica, como se fosse sua mãe, ele acatou os conselhos dela e
resolveu dar um tempo. Mas em suas preces ele pedia: - Minha Nossa Senhora, fazei com que eu case com a
Pequenina, se não, não sei o que faço!

NAMORO COM MARIA DE JESUS E PEDIDO DE CASAMENTO:

Já haviam passado dois anos desde que Zotinho e a Pequenina tinham rompido o namoro. Zotinho levou sua
orquestra para tocar em um baile em Pouso Alto. Zotinho e o pessoal da orquestra, após o baile, dormiram na casa
de sua prima Belinha, esposa do Atílio. De manhã foram foi buscar os cavalos que estavam no pasto da chácara
da Dª Escolástica, no Mesquita.

Lá Zotinho conheceu as três filhas da Dª Escolática: Maria de Jesus, Ritinha, Escolástica e Ana. Elas já o
conheciam de nome e à sua família. À tarde chegaram os filhos dela, os quais Zotinho já os conhecia. Como o
papo estava bom, Zotinho resolveu ficar mais um dia em Pouso Alto e não retornou com o pessoal da orquestra. À
noite Zotinho voltou para a casa da Belinha, as três moças o acompanharam até a entrada de Pouso Alto. Foram
conversando sobre as famílias. Ao despedirem-se a Escolástica, que era afilhada da Maria, me pediu a benção e
me chamou de padrinho. Elas disseram: - Amanhã cedo nós viremos pagar sua visita.
No outro dia, de manhã, Maria, Ritinha e Escolática foram pagar a visita e levaram também o irmão Teófilo, que foi
junto com o Zotinho para o Rosário, pois ele trabalhava com o Diamantino, negociante de lá.
Zotinho e Teófilo foram conversando pelo caminho. Teófilo contou que sua mãe gostou muito dele. Zotinho falou
ao Teófilo que tinha simpatizado muito com a mãe dele e com todos, mas não contou que estava gostando da sua
irmã Maria. Zotinho não perguntou a idade da Maria, achava que teria uns 20 anos.

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Chegando aos Pintos, Zotinho contou a seu pai e a suas tias Goica, Carmita que ele estava gostando da Maria e
acharam bom. No sábado seguinte Zotinho voltou a Pouso Alto, foi com sua tia Goica. Joaquim Lucio, irmão da
Maria, avisou lá na chácara que Zotinho e Goica estavam na cidade. As meninas foram a noite e os encontraram
na reza, na igreja. Ficaram de prosa até tarde e os convidaram para almoçar na chácara. No dia seguinte foram,
almoçaram e passaram o dia na chácara, todos alegres e contentes. Proseando com o Zotinho, Escolástica contou
que a mãe gostou muito dele e que a sua irmã Maria perguntou para a sua mãe: - Ele serve para seu genro? E a
mãe disse a Maria: - Ele tem namorada firme lá.
A Belinha e a Goica conversaram com a Maria sobre casamento. Ela falou: - Já comecei uma novena e se for
vontade de Deus e de todos, eu caso com ele. No outro dia, 2ª feira cedinho, despediram-se, porque Zotinho era
professor no Rosário e tinha de dar aula. Zotinho falou com a Maria, todo nervoso, apertando suas mãos: - Sábado
eu volto. E ela respondeu baixinho: - Venha pousar aqui.

Sexta feira à noite Zotinho voltou à Chácara, desta vez foi com a com a Benedita, filha do tio Zé Bruno, mocinha
bonita e alegre, que era colega da Escolástica e Ana (Donana) no Grupo e apresentaram teatros juntas.
Dessa vez Zotinho pediu à Maria se ela queria namorar com êle e que ele queria casar logo. Ela respondeu-lhe:
- Pode falar com a mamãe.
Zotinho ficou dois dias na chácara e não teve coragem de falar com a Dª Escolástica, apesar de ser bem tratado
por ela. Maria falou-lhe: - Você está sem coragem de falar com a mamãe, então lhe escreva uma carta. Chegando
nos Pintos Zotinho escreveu uma carta à Dª Escolática, pedindo a autorização para noivar com a sua filha Maria.
Zotinho voltou à Pouso Alto, na sexta feira à noite, como de costume. Levou pessoalmente a carta e a entregou ao
Joaquim Lúcio para levar para Dª Escolástica. Pousou na Belinha. No outro dia cedo veio a Escolástica falar-lhe
que ele fosse lá saber a resposta da carta. Zotinho foi com a Belinha. Na chegada vieram ao seu encontro as três
meninas Maria, Ritinha e Donana, todas alegres e satisfeitas. Maria cumprimentou o Zotinho, apertando-lhe a mão
e disse-lhe: - Que Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Pouso Alto, nos proteja. Zotinho..

Chegando a chácara, a mesa do almoço foi posta e com todos reunidos, Dª Escolástica falou, alegre e sorridente:
- Todos nós fazemos gosto, que vocês sejam muito felizes.
Almoçaram alegres e contentes. Depois do almoço Zorinho pegou o cavalo e foi embora porque precisava lecionar.
Disse: - No fim de semana voltarei, se Deus quiser.
Chegando na Casa Grande, contou tudo ao pai e tias Goica e Carmita.

No sábado seguinte Zotinho voltou a Pouso Alto, com o Teofinho, levando um cavalo de cilião e faloui com o ele:
- Vou ver se trago a Maria para conhecer o meu povo.
Passou o domingo lá, com todos. Na 2ª feira cedo Zotinho, Teófilo e a Maria, juntamente com as cunhadas Ritinha
e Escolástica, foram para o Rosário, com licença de ficarem duas semanas. Apearam na ponte da vaca, para
comerem a matula, beber água e descansar. Quando foram montar para seguir a viagem, o primeiro cavalo que
Zotinho pegou foi o da Maria. Ela veio rindo e ele a pos no cavalo. Ela lhe fez um afago no rosto, em
agradecimento. Zotinho estava radiante de alegria, e agradeceu a Nossa Senhora de Rosário e a proteção de sua
mãe, que ia lhedar uma esposa bonita, boa, carinhosa, atenciosa e ajuizada.
No Rosário elas ficaram uma semana. Passearam nos Pintos, conhecendo o resto da família. Assistiram umas das
missas do Cônego. Dançaram na Casa de Instrução, conforme o costume. Maria ficou sabendo pelas primas e
irmãs do Zotinho como ele vivia e contaram-lhe o drama vivido com a Pequenina. Ela a conheceu pessoalmente.

Maria, quando ia passar roupa, sendo a janela dela em frente do Zotinho, vinha na janela para espiar. Maria, a
noiva bonita noiva, gênio bom e paciente, fez amizade com todos.
Zotinho escreveu uma pequena poesia e a recitou para Maria:
“Maria de outra Maria, você tem o nome e a condição.
Ela é a rainha do céu e você é a rainha do meu coração.
Deus, com perícia divina e mão de mestre, fabricou três sóis,
um deles anda vagando no espaço e os outros dois,
são os seus olhos, luz da minha vida.”
Em retribuição, Maria chamou a Escolástica e cantaram bonitas músicas para o Zotinho.

Zotinho combinou com a Maria para fazer o casamento no Rosário, daí a dois meses, o que ela achou bom e disse
que estava pronta para cumprir os seus gostos. Zotinho disse-lhe que no domingo iria lá para combinar com a
sogra e levar as alianças. As alianças foram presentes do Dr. Dario Vilhena.
Quando Zotinho chegou na chácara, veio a menina Escolástica, muito alegre, encontrar com ele e disse-lhe:
- Minha madrinha já está fazendo o enxoval.
A futura sogra e os cunhados receberam to Zotinho alegres e contentes. Eles estavam contando os dias para o
casamento no Rosário e só falavam no passeio. Maria veio lá de dentro, bonita e sorridente, com um vestido
xadrez azul muito bonito, que ela mesma fez, vestido este que era o mesmo que ela estava usando quando
conheceu o Zotinho.

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O CASAMENTO DE ZOTINHO E MARIA

Aos 19/09/1919 realizou-se o casamento de Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho) com Maria de Jesus
Nogueira Negreiros, na igreja do Rosário de Dom Viçoso. A festa durou uns oito dias, como era de praxe e foi
realizada na casa do Sebastião Negreiros, pai do Zotinho, que ficava ao lado da igreja. Uns oito dias antes do
casamento Zotinho levou a sogra Dª Escolástica e filhas para o Rosário, para ajudarem na preparação da festa.

No dia do casamento a Pequenina falou com as primas: - Hoje perdi as minhas esperanças, mas depois do
casamento, o primeiro abraço no Zotinho, sou eu que vou dar.
Na igreja a Pequenina ficou perto da Goica que era minha madrinha. Quando acabou a cerimônia do casamento, a
Goica abraçou o Zotinho e o segundo abraço foi com a Pequenina, menina boa e conformada. Casou uns cinco
meses depois com um moço de Cristina, os quais tiveram muitos filhos e ela foi muito feliz também.

Zotinho e Maria foram residir nos Pintos, na casa onde morou a Dª Maria José, mãe do Zotinho. Era uma casa
confortável com água boa, um bom paiol com chiqueiro por baixo, um moinho d’água de lado, um mangueirão para
criar porcos, uma horta com jabuticabeiras e árvores frutíferas plantadas por sua santa mãe.

Geraldo Lima, que nesta ocasião era o motorista do caminhão do Zotinho e depois foi seu genro, gostava de
escrever e fez um verso para o Zotinho:

Pequenina, flor em botão,


Fora o meu primeiro amor
Também a primeira dor
Mas Deus, com sabedoria,
Deu-me outra em seu lugar
Fui feliz e de invejar,
Não preciso seu nome contar,
Mesmo assim eu digo: foi a Maria,
Um anjo que eu, nem merecia.

TRABALHO:
“O trabalho honrado é oração. Da oração recebemos a graça de Deus e com a
graça de Deus, nada nos faltará.”
(Zotinho)

Aos 15 anos, Zotinho comprou uma casinha na beira da estrada dos Pintos Negreiros, com dois cômodos,
armazém e balcão e começou a negociar uma dispensa sortida, para os camaradas e toda a família. Após o
casamento, ele tinha agora uma sócia, a sua esposa Maria, que sabia fazer tudo com gosto e perfeição. O
seu capital era o bom nome do seu pai Sebastião e do seu tio João do Morro, que eram seu fiadores e
conselheiros. Em pouco tempo a vendinha passou a ser um grande mercado. Êle tinha duas tropas de
burros para comprar as mercadorias, enquanto uma levava os cereais a outra trazia os mantimentos para a
venda. Zotinho trazia boas sementes, auxiliava os trabalhadores e arrumava bons preços para suas
mercadorias.

Em 1930 Sebastião Negreiros mudou para uma chácara em Passa Quatro e pediu ao seu filho Zotinho para cuidar
da fazenda e da Casa Grande, junto com seus irmãos. Havia muito trabalho a ser feito e um bom gado leiteiro para
cuidar. Perto do moinho havia um grande paiol com 600 a 800 cargueiros de milho e um chiqueiro, com uns 60
capados. Zotinho organizava a criadagem, punha o povo no trabalho, uns na lavoura, outros roçando pasto, outros
renovando as cercas e outros limpando os córregos e arrumando os bebedouros para o gado. Ele distribuía e
ensinava os trabalhos, dando emprego e ganho para muitas famílias.

Em 1931 Zotinho organizou o casamento dos dois irmãos João e José Bartolomeu, que moravam com ele na Casa
Grande. Zotinho providenciou uma casa o João e esposa Nair, outra para o José Bartolomeu e sua esposa Maria
Bustamonte morarem e abriu uma escola municipal, sendo nomeada a cunhada Maria Bustamonte como
professora.

Zotinho comprou um caminhão Ford 1928, por um conto e quinhentos, para utilizá-lo no transporte de mercadorias
e de madeira que ele vendia em São Lourenço. Chamou para ser seu chofer Geraldo Lima (seu futuro genro), um
menino de 12 anos, órfão de pai, cuja mãe morava em Itajubá. Rapaz esperto e ativo sabia guiar bem. Em pouco
tempo, com o treino de viajar por estas bibocas, sem estradas e sem recursos, ficou um bom mecânico.

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ELEIÇÃO PARA VEREADOR:

José Nogueira, moço bom, trabalhador e muito relacionado com o povo, convidou o Zotinho para ser candidato a
vereador no distrito de Rosário, em disputa com o seu tio José Bruno, que era também candidato a vereador pelo
outro partido. Zotinho consultou seu pai. Seu pai Sebastião Negreiros respondeu-lhe que seria muito difícil ele
vencer essa eleição, mas que seria uma honra, os poucos votos que ele conseguisse. Com o apoio do pai e de
toda a família, Zotinho aceitou a proposta. Teria quase um ano para trabalhar.

Chegou o dia da eleição. O avô do Zotinho (Tonico Negreiros), com mais de 80 anos, foi um dos primeiros a
chegar para votar, dizendo que o seu voto seria para o seu neto Zotinho. Foi um dia movimentado, gente para todo
o lado. O resultado da eleição foi contado voto a voto. No início da apuração Zotinho estava perdendo, mas depois
passou à frente do seu tio José Bruno. Lá pela meia noite saiu o resultado. Zotinho venceu por apenas dois votos
de diferença. Zotinho dedicou a sua vitória ao seu avô Tonico, porque se ele tivesse votado no seu filho José
Bruno, o resultado seria empate e o José Bruno, sendo mais velho, ganharia. A festa foi completa, Zotinho foi eleito
o primeiro vereador do Distrito do Rosário e o José Nogueira foi eleito o presidente da Câmara.

Logo que tomou posse, Zotinho conseguiu uma verba para fazer a estrada dos Pintos à São Lourenço. Zotinho
chamou o seu tio João da Silva Gorgulho (João do Morro), o qual em pouco tempo fez a estrada, encurtando em
quase uma légua a estrada velha.

Zotinho e José Nogueira conseguiram também uma verba para instalação de luz elétrica no Rosário.
Chamaram o Padre João Luiz Espeschit, pároco de Pouso Alto, que também era engenheiro com
especialização em águas e energia elétrica, e já havia construído, junto com seu irmão Antônio Espeschit
(que casou-se com Rita, futura cunhada do Zotinho) os sistemas de tratamento de água e esgoto, usina
hidrelétrica e iluminação pública de Pouso Alto.

O TIME DE FUTEBOL:

Nos pés do morro da Casa Grande Zotinho fez um campo de futebol e treinou um time com o pessoal dos Pintos,
que jogava com times visitantes e também jogavam fora, no Rosário, na Virginia, na Água Limpa e pela
redondeza.
Niquinho, irmão do Zotinho, assistiu o jogo Rosário x Pintos e gostou muito. Chegando em Cruzília, onde morava,
Niquinho combinou com o time de lá e mandou um ofício convidando o time dos Pintos para jogar em Cruzília.
Maria, esposa do Zotinho fez um bonito uniforme para o time. Chegando lá foram recebidos com foguetes, banda e
festa.
O time de lá era formado por bons jogadores do colégio. Os times formaram-se, o juiz apitou a saída. Logo de
início o goleiro dos Pintos fez uma bela defesa, pegou a bola virando cambota. A torcida gostou de ver e aplaudiu.
Zotinho ficou entusiasmado e gritou para o pessoal: - Segura meu povo!. O primeiro tempo terminou em zero a
zero. Iniciou o segundo tempo, jogo bonito e apertado. O jogo terminou empatado em zero a zero. Foi aquela
foguetada, a banda tocou e todos foram jantar, contentes e alegres. Passaram a noite dançando. No outro dia
almoçaram e pegaram o tope de regresso para a Casa Grande, no caminhão Ford do Zotinho.

MUDANÇA PARA OS “PIMENTAS”:

Maria aconselhou o Zotinho a mudarem-se para os Pimentas, um bom terreno, lá no alto da serra, que foi herdado
da Dª Maria José, mãe do Zotinho.
Zotinho aceitou o conselho da esposa. Comprou por trinta mil reis uma casinha se sapé com três cômodos: uma
cozinha no meio, um quarto de um lado e um quarto e sala de entrada de outro lado. Ficava na beira do córrego da
divisa com o terreno dele.

A mudança para lá foi fácil. Maria arrumou as panelas, as roupas e os colchões.


Num sábado cedo Zotinho arrumou os cargueiros. Maria levou debaixo do braço um quadro da morte de São José,
quadro este que foi da mãe do Zotinho. Os cargueiros iam na frente e a Maria com a criançada acompanhando.
Zotinho passou o dia lá em baixo e de tarde, quando subiu para a nova casa, de longe avistou a criançada
brincando em um terreno limpo, em volta de uns pessegueiros carregados de bonitos frutos. Na porta da casa, a
uns dois metros, havia um bonito pessegueiro amarelo. Embaixo dele havia uma mesinha tosca feita de bambu e
um cepo serrado que servia de banco. Quando Zotinho chegou, Maria serviu o jantar para ele, com a criançada
cantando e brincando em volta,junto com outras seis crianças de um vizinho arrendeiro que morava uns cem
metros para baixo. Zotinho gostava de ver todos alegres.

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Zotinho e Maria ficaram ali sentados até alta hora da noite, apreciando as estrelas e a bonita lua cheia nascendo
no horizonte e olhando as crianças brincarem. Maria já tinha feito umas broas de milho, chamou todos ali na mesa
para tomar café com broa. Depois do café rezaram o terço. E foram dormir. Zotinho e Maria arrumaram a cama na
sala e as crianças no quartinho. A Glorinha, com 5 anos, acordou de madrugada, gritando para a mãe abrir a
janela. Maria correu e fez uns buracos na parede. Zotinho dormiu gostoso, pois já estava acostumado a dormir nos
ranchos com os tropeiros e boiadeiros, e naquele dia, estava com mulher e filhos.

Zotinho dizia que o melhor tempo de sua vida foi quando ele, sua dedicada esposa Maria e seus oito filhos, ainda
crianças, moraram nos Pimentas Nas residências onde eles moravam, sempre houve uma calorosa tradição de
amor hospitaleiro, cultivado por eles, que sempre acolhiam as visitas com muito carinho e amor cristão. A casa nos
Pimentas era simples, sem muito conforto, coberta de sapê, que depois foi feita uma maior, mas a harmonia e a
alegria que reinava ali naquele lar era tanta, que recebiam visitas todos os dias. Maria punha fogo no forno que era
feito de cupim e esquentava que era uma beleza. Assava quitanda, rosca da rainha, pão de milho, broinha de fubá,
porco, cabrito, galinha e muitos outros assados deliciosos. Zotinho e Maria ficavam muito satisfeitos em receberem
as visitas e amparavam com amor e alegria todos que ali chegavam. A parentada toda gostava de visitar e passar
dias na casa do Zotinho e Maria.

MARIA, A SANTA ESPOSA DO ZOTINHO:

Minha boa esposa Maria de Jesús Nogueira era filha de Escolástica


Nogueira e Teófilo Luiz Gonçalves. Era um anjo, mulher de muita fé,
sabia fazer tudo com gosto e perfeição. Ela não esteve na escola,
aprendeu a ler e a escrever em casa com sua mãe. Com seus livros de
rezas e com os evangelhos explicados pelos vigários, ela sabia a religião
melhor do que eu que estudei no seminário. Mulher forte, de muita saúde
e trabalhadora. Quando menina comprou uma máquina de costura,
pagando a prestações, com seu próprio serviço, fazendo costura para a
família e vizinhos. Maria fazia todo o serviço de casa com todo o carinho.
Além de cozinhar, lavar e passar roupa ela torrava o café e socava no
pilão, carregava água de longe, levava refeição para a criadagem no
trabalho da lavoura. O coração de minha esposa Maria sempre foi uma
casa com as portas abertas, atraia e cativava os visitantes. Ela fazia,
ajudada por suas filhas, refeições simples, porém deliciosas, como por
exemplo, canjiquinha, costela de porco, batata baroa, angu e couve.
Todos saboreavam e elogiavam. Para a Maria não tinha tempo ruim.
Mansa e humilde de coração, sempre dizia: - Tudo que Deus faz é para
melhor! (Autobiografia do Vovô Zotinho)

Maria e Zotinho tinham muita fé em Deus e amor e caridade para com o próximo, tudo faziam para agradar a seu
semelhante. Os parentes e amigos sempre o visitavam e eram muito bem recebidos. Uma ocasião chegou muita
gente para visitá-los e como não havia mais mantimentos na despensa, Maria perguntou ao Zotinho o que fariam e
ele respondeu: - Põe mais água no feijão, onde comem dois, comem três.
E todos comiam e ainda sobrava. Zotinho dizia que a água que a esposa botava no feijão era igual a das Bodas de
Canaan.
O lar de Maria e Zotinho era simples, sem muito conforto, mas a harmonia e a alegria que reinava ali era tanta, que
chegavam visitas quase todos os dias e todos que lá chegavam eram bem recebidos, com amor e alegria.
Todos ficavam admirados com o amor, respeito, afeto e dedicação que Vô Zotinho e Vó Maria tinham um pelo
outro. Zotinho chegava cansado do trabalho, Maria lhe preparava o banho e servia-lhe o jantar. Ambos oravam em
ação de graças.
Em uma visita de Rita Vilhena à casa da Maria, as duas conversavam:
- Eu fico admirada Maria e gosto de ver você e o Zotinho como se dão bem e como se respeitam, pois eu nunca vi
nenhum de vocês proferirem palavrões ou falar alto com o outro.
- Olha Ita, eu e o Zotinho vivemos unidos em um só corpo e uma só alma, quer na dor ou na alegria.
- Então Maria, vocês vão partir o queijo lá no céu!
Maria fazia o serviço da casa e cuidava dos filhos, com todo o carinho. Uma noite, Maria enquanto contava
histórias bíblicas para os filhos, respondia perguntas dos filhos. Glorinha (Tigró), então com seis anos, perguntou:
- Mamãe, o que é operário?
- O seu pai é um operário e patrão, ele trabalha para nos sustentar, é o cabeça da casa, é o responsável pela
lavoura, pela tropa de burros e pela serraria.
- Mamãe, e a Senhora o que é?
- Eu sou a serva do Senhor e a companheira do seu pai para o ajudar no trabalho cotidiano e unidos carregarmos
nossa cruz.

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MUDANÇA PARA POUSO ALTO:

Após o casamento da filha Maria Isabel (Bebé) com o Sr. José Capistrano de Paiva, com residência em Pouso
Alto, Zotinho resolveu também mudar-se para lá, para ficar mais perto da filha Isabel e também porque é a terra
natal de sua esposa Maria, que iria ficar perto de sua mãe, irmãos e demais parentes.

Zotinho, com quase 50 anos de idade, era a primeira vez que saía de mudança dos Pintos. Ia contente e satisfeito
por ver a alegria da família. Ele também, desde pequenininho, lidava em Pouso Alto, e conhecia muita gente de lá.
Zotinho pediu para o Joaquim Mendes ir na frente, juntamente com as meninas e seguiu atrás com a Maria,
carregando o Arimathéia. Na passagem da cidade, ao escurecer, Zotinho lembrou de quando São José foi para o
Egito, vendo sua esposa como Nossa Senhora, carregando o Menino Jesus no colo.

Chegamos lá, Zotinho e Maria já acharam tudo arrumado e a janta feita pelas meninas que chegaram mais cedo.

DOENÇA DA MINHA ESPOSA MARIA

Em 1958, na sua casa da Ponte do Carmo, Maria teve


uma crise de ameaço de derrame. O Sr. Clemente,
Agente da Estação Américo Lobo, telegrafou
imediatamente para São Lourenço, lá eles telefonaram
para a Farmácia Americana e o Niquinho que estava com
o automóvel na porta, trouxe a injeção. Logo depois da
reação Maria melhorou.
Niquinho falou com o Zotinho que restava apenas um
sopro de vida para Maria, que o coração estava por um
fio, até ao pegar uma palha no chão, ela poderia morrer e
que poderia ter apenas uns 6 meses de vida ou, por um
milagre, Deus poderia deixa-la ficar mais um tempo
conosco.
Zotinho, embora fosse muito resignado e conformado,
manifestou uma profunda tristeza e ficou abatido com os
dizeres do Niquinho de que restava apenas um sopro de
vida para sua companheira, aquela que fazia o impossível
para agradar a ele e filhos, aquela que nunca reclamava
de nada, que enfrentava as situações difíceis com um
sorriso no rosto, sempre incentivando-o dizendo que dias
melhores virão. Quando não havia quase o que comer em
casa, ela inventava, quase que por um milagre, os mais
deliciosos pratos para o esposo e filhos.

No outro dia veio o Frei Filoteo, trouxe comunhão para ela


e falou com o Zotinho que achava melhor ungir, porque
era doença de coração. Frei Filoteo falando com ela, ela
disse que queria ser ungida. Foi ungida e ficou tão
Maria, esposa do Zotinho, amparada pela Alaíde, satisfeita que no outro dia levantou e sentou-se na sala
sua 1ª filha e pelo filho caçula José Arimathéia. para conversar com as visitas. Ela pediu ao Frei Filoteo e
quase todos os dias ele trazia comunhão para ela.

No ano de 1961, Maria, com seu coração manso e humilde, disse ao Zotinho: - Meu velho, minhas forças estão
cada vez mais diminuindo. Parece que os remédios receitados pelo Niquinho não estão fazendo mais efeito, estou
perdendo as esperanças de alcançar com vida a ordenação de nosso filho José.
Zotinho, conhecendo bem sua esposa, sabia que se ela abria a boca para pronunciar uma queixa é porque era
verdade. O Niquinho já o havia prevenido que o estado de saúde dela era grave.

Bebé e Zeca Paiva ofereceram a casa em Pouso Alto para Zotinho e Maria lá morarem, para que ela pudesse
melhor se cuidar. Eles agradeceram e mudaram-se para Pouso Alto, acompanhados da Alaíde e filhos. Na casa da
Ponte do Carmo ficaram a Glorinha (Tigró), que cuidava do gado e da lavoura e a Zuza, que era a professora da
Escola.

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CARTA DE JOSÉ ARIMATHÉIA NEGREIROS A SUA MÃE

A partir de setembro de 1960, comecei a receber noticias entrecortadas sobre o estado de saúde de minha mãe.
No início não liguei muito, mas no dia 7/12/60, recebi uma carta que não deixava dúvida: sua doença era grave.
Logo a seguir, escrevi-lhe dizendo que ficava triste, mas também consolado.
“É sempre uma alegria que sinto quando recebo cartas daí. Mas, desta vez, fiquei bastante preocupado por causa
do estado de saúde da senhora. Realmente, existem problemas que desgostam na vida. Mas, para nós cristãos,
estes problemas não devem existir. Não digo isto apenas para consolo, mas esta é a verdade. Tudo o que
acontece na nossa vida tem um significado, em tudo está a mão bondosa de Deus. A doença da senhora me
entristece sim, mas deve consolar-nos também. Toda a vida a senhora foi dedicada ao serviço de Deus, numa
forma perfeita da qual eu e todos nós somos testemunhas. Portanto, temos motivos de sobra para alegrarmo-nos
com a vontade de Deus que deseja ainda acrescentar estes méritos grandíssimos do sofrimento ao grande
cabedal de merecimentos que a senhora já conquistou. “
Falei depois sobre o Corpo Místico de Cristo e o valor de nossas orações sobre a união com Cristo na Eucaristia,
penhor de vida eterna e portanto, de despreocupação quanto ao futuro. Ainda falei da intenção de começar
amanhã, festa da Imaculada Conceição, uma novena em seu intento. No dia seguinte (8/12/60), acrescentei uma
folha à carta do dia anterior:
“Hoje comecei a novena a Nossa Senhora pelo restabelecimento da senhora. Creio firmemente que Nosso Senhor
Jesus Cristo e Nossa Senhora farão esta obra, para eles tão simples. Hoje, de tarde, fui à igreja de Santa Maria
Maior, a igreja mais importante do mundo dedicada a Nossa Senhora. A função foi celebrada pelo próprio Papa
João XXIII. Ele fez um belíssimo sermão , no fim do qual dirigiu uma oração a Nossa Senhora pedindo a proteção
dEla sobre todos os cristãos, crianças, velhos e doentes. Eu ia repetindo mentalmente as suas súplicas e as
aplicava à senhora, não por causa dos meus méritos, mas porque eu rezava junto com o Papa. No final, o Santo
Padre aplicou a benção a todos os presentes e a todos os nossos parentes ausentes, principalmente aos doentes.
E quando a recebia, pensava na senhora. Saí da igreja com a certeza de que a senhora estivesse passando bem.
Hoje, dia da Imaculada Conceição de Maria, é impossível que Ela não escute uma oração feita na Sua igreja
principal, em companhia do Vigário de Seu Filho na terra...”
Fonte: Livro “Oh Felix Culpa” de José Arimathéia Negreiros

Ordenação do Padre José de Arimathéia Negreiros e celebração da primeira missa em Pouso Alro

Zotinho e Maria receberam uma correspondência de Roma que trazia a participação que o Padre José de
Arimathéa havia se ordenado sacerdote barnabita na Igreja de São Pedro em Roma: “Recordando minha
ordenação ao sacerdócio e primeira missa, Padre José de Arimathéa Negreiros – Roma, 16 e 17 de junho de
1962. Junto veio um canudo de papel, trazendo a benção do Papa com indulgências para a hora da morte, para
meus pais: Sebastião Crisóstomo. de Negreiros e Maria de Jesús Nogueira de Negreiros e para os irmãs do Padre
José e seus esposo. O Sr. Paiva foi um dos primeiros que pegou a benção do Papa e ficou tão contente, que
levou-a e sentou-se no banco da praça em frente a sua casa e mostrava-a para todos seus amigos e parentes,
com muita alegria e satisfação.

Junto, vieram também de Roma, os convites para a 1ª missa do Padre Arimathéa aqui no Brasil, na sua terra natal.
O Padre nasceu nos Pintos dos Negreiros, mas foi criado em Pouso Alto, terra de sua mãe Maria.
Sua mãe, já estava morando em Pouso Alto há quatro anos, milagrosamente, esperando pelo filho padre.
Padre Paulo falou com ela: - Façam os convites que a festa eu farei tudo por minha conta.
Padre Arimathéa veio de avião para São Lourenço na véspera da festa e pousou na casa de sua tia Carmita.

Padre Paulo pediu a todos os paroquianos que tivessem carro, para irem encontrar no Triângulo. Zotinho pediu
para o Vicente Paiva buscar o Padre José, porque foi ele que o levou para o Colégio em Caxambu, há 15 anos
atrás. Vicente foi com a sua Kombi e trouxe o Padre José e a família do primeiro afilhado do Zotinho, O Gabriel
Gorgulho, com sua esposa e 10 filhos.

No dia 22 de julho de 1962 chegou em Pouso Alto o Padre José de Arimathéia Negreiros, para celebrar a sua
primeira missa no Brasil. Foi recebido com um festão organizado pelo reverendíssimo Padre Paulo.
Padre José chegou em uma comitiva de muitos carros, todos buzinando e aclamando-o. Zotinho e Maria
esperavam-no sentados em frente à Farmácia Paiva.

Quando repicou os sinos da Igreja e pipocou a foguetada, a banda do Sr. José Maestro tocou o Capitão Caçula,
que sempre era tocada nas ocasiões festivas, As duas praças de Pouso Alto estavam cheias de gente e o povo
cantando com a banda: “Nós somos da Pátria amada, fiéis soldados, por ela amados. Nas cores da nossa farda,
rebrilha a glória, surge a vitória ...”

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Cerimônia de ordenação do Padre José de Arimathéia Negreiros (Tio Zé) em Roma, em 17/06/1962.

Chegou o Padre José de Arimathéa, alegre e sorridente. Abraçou os pais, cumprimentou ao Sr. Paiva, suas irmãs,
tios e com um aceno todo o povo da praça. Sentou-se em uma cadeira, no meio dos seus pais.

No salão de festas do Grupo Escolar foi representado pelos sobrinhos do Padre Zé, uma peça teatral contando a
vida do nosso Tio Zé. A peça foi produzida e dirigida pela minha irmã Zélia. Todos gostaram e aplaudiram de pé.
Zotinho, Maria, Tio Zé e suas irmãs choraram de alegria. Zeca Paiva e Bebé também ficaram muito emocionados,
pois foi ali naquele mesmo palco há 23 anos atrás, na ocasião que Sebastião Negreiros (pai do Zotinho), filhas e
netos representaram um drama bíblico, foi naquele dia que nasceu o amor entre os dois e agora, eles estavam
presenciando a peça representando a história de nossa família, contracenada pelos frutos do abençoado amor
iniciado ali naquele teatro.
Depois do teatro houve os discursos e os retratistas tirando fotos.

Todos foram então para a Igreja, que encheu, com o povo vindo de todos os lados. Vieram umas 40 pessoas dos
Pintos, terra natal do Zotinho, em um caminhão cedido pela Prefeitura de Pouso Alto.

Todos ficaram admirados da calma e satisfação da Maria, que encontrava-se doente. Ela, ao lado do Zotinho,
comungou na mão do filho padre. De vez em quando tinha que enxugar as lágrimas. Apresentava um sorriso
tranqüilo e a face serena, estampando o equilíbrio da presença de Deus. Um caboclo disse: - Não comparando,
mais parecia uma santa.

Padre Zé recebeu muitos presentes. Lembro-me de um que veio de Maringá, Paraná: o paramento completo que
ele celebrou sua primeira missa, mandado pelos meus dois genros: Geraldo e Chiquinho. Padre Zé trouxe da Itália
também muitas novidades e presentes: uns santinhos redondos com imã para pregar em carros. Ele presenteou
quase todos que tinham automóveis.

Além de outros mais ele trouxe para a sua mãe uma bonita caixinha com espelho, dava-se corda e tocava-se uma
bonita música: “Arrivederte Roma”. Levaram a dita cuja para o Joaquim Lúcio, meu cunhado mais velho, doente de
cama, mas sempre brincalhão. Pegou a caixinha, olhou o espelho e disse: - O Papa até que é simpático e moço.
O pessoal achou graça, pois o Papa era ele no espelho.

Depois Padre Zé foi celebrar a missa nos Pintos, sua terra natal. Lá também houve uma grande festança. Zotinho
foi com o Padre Paulo, que fez um lindo sermão elogiando o Padre Zé, filho daquele lugar tão lindo. Desta vez o
banquete foi na casa do João Negreiros, irmão do Zotinho.

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Quem fez a saudação das boas vindas ao Padre Zé foi o Silvestre Gorgulho, seminarista em Belo Horizonte com o
Padre João Parreira. Ele é filho de Miguel Gorgulho e Amélia Gorgulho. Falou também o prefeito de Maria da Fé.
O Padre Zé foi para a Igreja celebrar.

De tarde, Zotinho e Padre Zé deixaram o povo comendo e foram para Pouso Alto, pois as moças e rapazes
ficaram lá para o baile. Chegaram alta hora da noite e encontraram Maria na cama com o terço na mão, acordada
à espera deles. Padre Zé recostou-se nos pés da cama da sua mãe e conversando com ela contou a viagem e a
festa nos Pintos. Ali amanheceram.

Zotinho e Maria, na primeira missa do filho Padre José Arimathéia, em 22 de junho de 1962.

Observação: A autobiografia completa do Vovô Zotinho, pode ser vista no site


www.espeschit.com.br/books

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14 OS FILHOS DE SEBASTIÃO CRISÓSTOMO (VOVÔ ZOTINHO) E MARIA DE
JESÚS (VOVÓ MARIA)

Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Vovô Zotinho) e Maria de Jesus Nogueira Negreiros (Vovó Maria)
tiveram oito filhos: Maria Alaíde, Maria Isabel (Bebé), Maria Auxiliadora (Dorinha), Maria Tereza (Terezinha), Maria
da Glória (Tigró), Maria de Jesús (Zuza), Iolanda (Landinha) e José Arimathéa (tio Zé).

Vovô Zotinho e família, em visita ao Parque de São Lourenço:


Esq. Para direita: Pagem, Augusta, Vovó Maria com Dorinha no colo, Carmita, Donana,
Vovô Zotinho, Alaíde, Maria Isabel (Bebé).

Alaíde, Dorinha, Vovó Maria, Terezinha, Vovô Zotinho, Dorinha, Terezinha, José Arimathéia,
Zotinho e José Arimathéia Alaíde, Glorinha (Tigró) e Landinha

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14.1 Maria Alaíde Negreiros Arruda

Em 07 de julho de 1920 nasceu Maria Alaide, a primeira


filha de Maria de Jesus e Zotinho.
Alaíde, mulher boa, humilde, trabalhadora e caridosa, para
ela não tinha tempo ruim, sempre alegre, contente e
obediente e sempre rente com os camaradas no serviço.
Alaíde era de muita saúde e pau para toda obra, foi criada
sem remédios. Quando tinha 4 anos ela carregava a Bebé
nas costas. A Bebé batia as pernas e dizia: - Anda Alaíde,
para alcançar as outras.
Muitos diziam que a Alaíde, no trabalho, era o homem que
Zotinho não tinha. Era muito boa na enxada, nas capinas
e plantações, deixava os outros pra trás.
Alaíde, com 11 anos. já tirava leite, era retireira na Casa
Grande. Os camaradas amarravam as vacas e ela tirava o
leite. Um mês antes dela nascer, a sua avó Dª Escolástica
Nogueira, veio para ajudar. O batizado da Alaíde foi
comemorado com uma grande festa. Vieram os parentes
dos Pintos e de Pouso Alto. A festa durou uma semana,
como era de costume. Todas as noites o tio João do
Morro, com sua sanfoninha, fazia o arrasta-pé.

NAMORO E CASAMENTO:

Alaíde foi lecionar na Ponte do Carmo, à convite do Dr. Silvio, prefeito de Pouso Alto. Ela ficava com o Gabriel
Gorgulho, na casinha da escola, para lá do pontilhão. Mais para cá, na Fazendinha, moravam os dois irmãos
Nhonhô e Caio e a prima Marica, que foi criada com eles desde pequena. Todos os três eram solteirões.
Gostavam muito do gênio alegre da Alaíde. Davam leite, todo dia, à vontade, para ela, e muitas frutas: goiabas,
laranjas, etc. Alaíde ia sempre jogar víspora lá. Ia com o Gabriel e o Sr. Costa, que era agente aqui na Estação.
Logo depois o Gabriel mudou-se para Cristina. Alaíde levava uma das irmãs ou o José Arimathéia para
companhia.

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Sr. Caio gostava de passear com ela na linha, em frente à casinha. Um dia, conversando com o Zotinho, Caio
perguntou-lhe: - Posso ir lá conversar com Alaíde?
- Perfeitamente Sr. Caio, conheço o Sr. e minha filha. Que o Sr. seja o protetor dela aí.
Caio, homem bom e caridoso, rico e humilde. É filho do Dr. Albertino, médico da Marinha, neto do Barão de Pouso
Alto. Foi criado no Rio de Janeiro. Com a morte do pai, vieram o três irmãos morar na fazenda da Ponte do Carmo.
Caio cantava muito bem. Muito educado e alegre, gostava de contar anedotas e piadas engraçadas. Todos
gostavam muito dele.

Um dia, chegando na Chácara do Zotinho, em Pouso Alto, ele foi entrando e falando:
- Estou muito acostumado com a Alaíde e gosto dela. Vim pedi-la em casamento. Quero me casar com ela.
Zotinho chamou a Maria e a Alaíde e elas combinaram o casamento.
Alaíde falando com ele sobre religião, ele disse:
- Para mim todas as religiões são boas. Eu sei que sou batizado.
Alaíde foi com o Caio à igreja para ele confessar e fazer a primeira comunhão. Caio saiu alegre e satisfeito do
confessionário, gostou muito da confissão. Cumpriu a penitencia e no outro dia comungou com muita devoção.
Casaram na igreja de Pouso Alto e os noivos e convidados foram almoçar na Chácara Santa Cruz, residência do
Zotinho e família. De tarde, no mesmo dia, embarcaram para o Rio.

FALECIMENTO DO CAIO:

Caio ficou doente, mas continuava sempre alegre e cantando. Tomava alguns remédios em São Lourenço e com o
tempo a doença foi se agravando. Os médicos mandaram-no para o Rio. Alaíde deixou os dois filhos pequenos
com a Sá Marica e foi com ele. Ficou no hospital quase dois meses em tratamento, com problema de uréia. Os
médicos puseram uma sonda na cintura dele e um vidro para tirar a urina. Tomava muito remédio e uma dieta
rigorosa. Falaram que depois que ele melhorasse, que voltasse para ser operado.
Caio sempre alegre, participava do jogo de víspora na fazendinha, os parentes e vizinhos passavam um bom
pedaço da noite reunidos. Numa das noites, terminado o jogo na Fazendinha, o Caio pegou o violão e cantaram o
“O moirão da porteira”. Foram deitar. De madrugada ele levantou-se. Alaíde perguntou o que ele ia fazer e ele
disse: - Vou tomar água.
Ele foi calçar o chinelo e caiu na cama. Alaíde gritou o Nhonhô e Sá Marica. Quando chegaram, Caio já estava
morto. Morreu como um passarinho, como diz o povo.
Caio faleceu em 24 de janeiro de 1953 e foi enterrado no cemitério de Pouso Alto.

Zotinho vendeu sua chácara em Pouso Alto e veio de mudança para a Ponte do Carmo, com sua esposa Maria e
as filhas Glorinha e Zuza, para ajudarem Alaíde a cuidar da fazenda que ela e os filhos herdaram após o
falecimento do Caio.

As irmãs Terezinha, Landinha, Alaíde e Maria Isabel Os filhos Zezinho e Albertino com Alaíde, no seu
(Bebé) na festa 80 anos da Alaíde em 07/07/2000. aniversário de 90 anos.

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FILHOS E NETOS:

Alaíde e Caio tiveram dois filhos: José Joaquim Negreiros Arruda (Zezinho) e Albertino Raimundo Negreiros
Arruda.
1º) José Joaquim Negreiros Arruda (Zezinho) casou com sua prima Olga Negreiros de Lima, tendo seis filhos:
Caio, Erick, José (Arrudinha), Rafael, Isabele e Gabriel.

2º) Albertino Raimundo Negreiros Arruda casou com Deise de Araújo Tito, tendo dois filhos: Renata e Alex.

Alaíde, filhos e netos

Filhos do Zezinho e Olga: Caio, Érick, Arrudinha,


Gabriel, Isabele e Rafael.

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14.2 Maria Isabel Negreiros Paiva (Bebé, minha mãe)

Em 30 de janeiro de 1922 nasceu Maria


Isabel (Bebé), a segunda filha de Maria de
Jesus Nogueira e Sebastião Crisóstomo de
Negreiros (Zotinho).

Maria Isabel sempre foi muito alegre, com um


sorriso no rosto, nunca manifestou estar
zangada, contrariada ou triste. Foi uma mãe
abnegada, com amor incomensurável, fé
inabalável, sempre alegre, meiga, amiga de
todos, nunca se queixou de nada, resignada
em suas dores, sem deixar transparecê-las,
enfim, foi um grande exemplo de vida cristã.

O PRIMEIRO TRABALHO, AOS 12 ANOS:

José Bruno (tio do Zotinho) e sua esposa Marica, já com idades avançadas, ficaram doentes, ele com
impureza no sangue e ela com fraqueza no pulmão. As suas filhas já estavam casadas, menos uma, a
Lourdinha, que era surda e necessitava cuidados. José Bruno pediu ao sobrinho Zotinho se ele teria alguém
que pudesse ajudá-los. Zotinho perguntou a sua esposa Maria se poderia mandar uma de suas filhas para
cuidar do tio José Bruno. Maria perguntou se não seria arriscado a sua filha se contaminar com a doença
deles. Zotinho retrucou: - Não Maria, Deus é quem guarda.
Assim, a Maria Isabel (Bebé), com apenas 12 anos, foi para cuidar deles. Por muito tempo Bebé foi a dona
da casa do tio Zé Bruno, ela era a enfermeira, a cozinheira, a arrumadeira, a lavadeira e a pagem. O tio José
Bruno pagava-lhe bem e ela dava o dinheiro para os seus pais, para ajudar nas despesas da casa. Depois
de algum tempo, o Antônio Bruno, o único filho do tio José Bruno, casou-se com Aparecida, filha do Tonico
Ribeiro, o maior fazendeiro do Rosário. Bebé morou por uns tempos na casa dele, como pagem de suas três
filhas.

O CONVENTO:

Bebé pediu consentimento aos pais para ir para o convento, porque ela queria ser freira. Embora muito a contra-
gosto, Zotinho e Maria concordaram. Zotinho respondeu a sua filha:
- Isabel minha filha, nós concordamos com sua vontade, eu e sua mãe te abençoamos. Porém, garanto-lhe que
uma boa esposa e boa mãe têm o mesmo merecimento de uma esposa de Cristo presa em um convento.
O trabalho honrado é oração e através da oração recebemos a graça de Deus e com a graça de Deus, nada nos
falta.
Bebé partiu para o convento em São Lourenço. Os seus pais e suas irmãs choravam sua ausência em casa.
No convento, Bebé ficou doente e foi chamado o farmacêutico Sr. Atílio. Ele receitou à Madre Superiora, que para
o restabelecimento da Maria Isabel, ela deveria passar uma temporada em uma região de clima bom, indicando os
Pintos Negreiros, sua terra natal, onde moravam seus pais, irmãos e demais parentes. Todos deram aleluias à
volta da Bebé para casa. E não se falou mais em convento.

CASAMENTO DE MARIA ISABEL NEGREIROS E JOSÉ CAPISTRANO DE PAIVA: ver no item 7.2

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FALECIMENTO DE MARIA ISABEL (BEBÉ) E DE SEU FILHO PADRE FERNANDO:

Em 30/05/2005, minha santa mãe Maria Isabel (Bebé) dormiu e acordou no Céu.
Em 04/09/2005, Seu filho e companheiro inseparável, nosso querido e santo Padre Fernando, foi ao seu encontro
(versão de José Nilton, o autor)

Mamãe é mais uma santa no céu, e realmente é o que ela é, todos nós
que vivemos na graça de Deus somos santos.
(Padre Fernando)

Meu aniversário, no dia 29/05/2005, passei com minha mãe, no seu último dia de vida.

Mamãe estava adoentada e de cama, mas com esforço, de manhã, ela levantou-se e com passos lentos,
amparada pela Márcia, caminhou em direção da cozinha, parando para ler em voz baixa uma oração à
Nossa Senhora, que estava pregada na parede do corredor. Neste momento eu cheguei, segurei-lhe sua
mão, e também acompanhei a leitura da linda oração. Ela sorriu para mim, apertando minha mão.

Ela comemorou comigo e minhas irmãs, cantando os parabéns e brindou com um copo de guaraná,
desejando-me muitas felicidades. Apesar de seu olhar triste, demonstrava alegria, com aquele seu sorriso
meigo e carinhoso que lhe era peculiar.

Mamãe sempre teve muita saúde e nunca se queixou de doença em toda sua vida. Mesmo no último dia de
sua vida, muito doente, ainda assim demonstrava alegria, talvez para não nos preocupar.

Após passar algum tempo na cozinha e pouco se alimentar, foi para sua cama. À tarde, mesmo sem forças,
fez questão de levantar-se, não conseguindo, caiu ao pé da cama. Sem queixar-se de nada, ainda riu dessa
situação e fez questão de tomar banho, amparada pelas filhas.

Nós estávamos felizes, achando que ela estava melhorando, mas creio eu, ela estava se despedindo.
Ela conversou ao telefone com os filhos e fez questão de tomar seu último banho, para se preparar e ficar
pronta para sua partida ao céu.

À meia noite, seu filho Padre Fernando ligou, como de praxe, e após conversar com a mamãe ele pediu a
sua benção. Ela o abençoou e por sua vez, também lhe pediu sua benção, como padre. Padre Fernando
deu-lhe a benção completa: - Deus te abençôe, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, Amém. Descanse
em Paz!

Nesta noite, mamãe dormiu serenamente e acordou no Paraíso, junto à Deus, Nossa Senhora, anjos e
santos.

Cerca de três meses depois, em 04/09/05, nosso querido Padre. Fernando, quando subia as escadarias
para celebrar missa na igreja de Nossa Senhora. da Penna em Jacarepaguá – Rio de janeiro, teve um
infarto fulminante e foi fazer companhia para a mamãe, e juntos, estão agora, olhando por nós, não mais
em oração, mas intercedendo diretamente à Deus e Nossa Senhora, na Casa Celestial.

Nossa família nunca será a mesma depois da partida de nossa querida Dª Bebé e saudoso Padre Fernando,
que sempre recebiam a todos com alegria, carinho e muita bondade e amor no coração. Mas sabemos
também que eles não gostavam de tristezas e que cumpriram suas missões aqui na terra demonstrando e
nos ensinando o valor da fé, da esperança, da caridade, da fraternidade e do amor em Deus e ao próximo.

Mamãe e Fernando estão em seus merecidos e especiais lugares no céu, junto a Deus e nossos familiares
que lá se encontram, olhando e intercedendo por nós, para que sejamos sempre bons e tenhamos uma vida
plena, santa e feliz, até que um dia novamente nos encontremos no céu.

“Ninguém nunca irá para sempre, quando se deixa uma saudade.”

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Padre Fernando e sua mãe Maria Isabel (Bebé)

Falecimento do Padre Fernando Negreiros de Paiva

No dia 04 de setembro de 2005, Pe. Fernando subia para a igreja de N. Sra.


da Penna, com a intenção de concelebrar com Pe. Henrique, mas neste dia,
Nosso Senhor tinha reservado para ele, não a subida à Penna, mas a
subida ao céu, portanto, não foi Pe. Fernando que subiu à Penna, mas
Nossa Senhora da Penna que veio até ele, para levá-lo ao céu.
(Padre Francisco Noronha Cintra)

Acometido por mal súbito faleceu no dia 04 de setembro de 2005, Pe. Fernando Negreiros de Paiva.
De fala mansa, sua qualidade característica era a bondade. Pe. Fernando, o bom, era o que se ouvia pela
Paróquia.
Nasceu em Pouso Alto, sul de Minas Gerais, em 07 de julho de 1944, um dos 18 filhos de Maria Izabel
Negreiros de Paiva e José Capistrano de Paiva.
De família muito piedosa acompanhava sempre a mãe à igreja e participava da Missa diariamente. Com 11
anos ingressou no Seminário em Caxambu, aos 17 anos veio para Jacarepaguá, onde fez o Noviciado.
Em 1965 foi para Roma, onde estudou Teologia e foi ordenado em 1968. Sua 1ª Missa foi na capital italiana,
a 2ª foi na cidade natal de sua mãe, a cidade de Pintos Negreiros.
Trabalhou em 1970, na Paróquia de Santo Antônio Maria Zaccaria, no Tanque, juntamente com Pe.
Ambrósio.
Em 1972 esteve no Rio Grande do Sul e em 1988 na Paróquia de São Paulo Apóstolo, em Copacabana.
Em 1989 veio para a Paróquia de N.Sra. de Loreto, até 1992, quando foi chamado para Belo Horizonte,
onde permaneceu no serviço da Congregação.
Fonte: Editorial de “O Mensageiro” Edição de Outubro/2005

Dia 04 de setembro, às 18:40h, nossa comunidade passou por mais um momento difícil, mais uma perda,
mais uma despedida.
Pe. Fernando, homem simples, humano e dedicado ao seu ministério apostólico, dava-se sem medidas, não
existia hora do dia e da noite em que ele não estivesse disponível para quem solicitasse seu atendimento.
Ele nos ensinou muito como Barnabita, a viver a pobreza e a vida de oração. Desprendido, despojado ao
extremo. Tudo que possuía era também do próximo. Sua simplicidade não era falta de cultura, muito pelo
contrário, pois além dos seus estudos de Filosofia e Teologia feitos na Itália, era também pedagogo e falava
fluentemente o italiano, o francês e o latim. Daí podemos perceber que era um homem culto.
Pe. Fernando foi meu formador no Seminário, juntamente com Pe. Luiz Fernando e outros. Nosso professor
de latim e francês, posso dizer do fundo do meu coração, que de todos os meus confrades barnabitas,
ninguém viveu ou vive a pobreza, com tanta intensidade como ele a viveu.
Foi amigo dos pobres, sem medida. Quantas vezes foi incompreendido por causa das suas atitudes.
Algumas vezes tirava de casa para dar aos outros. Sempre com um sorriso sereno e um olhar confiante na
Providência Divina.

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Onde estava, havia sempre pessoas privilegiadas. Pedia sempre para que as pessoas fizessem o bem pelo
próximo. Às vezes até "desobedecia" aos seus superiores para proteger os empobrecidos. Devotíssimo de
Nossa Senhora, acompanhava os casais das equipes de Nossa Senhora.
Confesso que no dia em que fui com os seminaristas arrumar o seu quarto, vimos o exemplo de um
barnabita pobre para os pobres.
No dia 04 de setembro, Pe. Fernando subia para a igreja de N. Sra. da Penna, com a intenção de
concelebrar com Pe. Henrique, mas neste dia, Nosso Senhor tinha reservado para ele, não a subida à
Penna, mas a subida ao céu, portanto, não foi Pe. Fernando que subiu à Penna, mas Nossa Senhora da
Penna que veio até ele, para levá-lo ao céu.
Que Deus seja louvado, irmão, por tudo que fez por nós e por todos aqueles que Deus lhe confiou.
Fino a quando eu viver você estará presente no meu coração e nas minhas orações.
Pe. Francisco Noronha Cintra (Pároco)

Fonte: “O Mensageiro” Edição de Outubro/2005 – Paróquia N.Sra. do Loreto – Jacarepaguá - Rio de Janeiro
Site: http://www.loreto.org.br/out2005_falecimento.asp

Fernando, Zélia, Evaldo, Sebastião Maria Isabel (Bebé), Padre Fernando.


Edmar, Vovó Maria, Maria José

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FILHOS E NETOS:

Maria Isabel Negreiros de Paiva e José Capistrano de Paiva tiveram nove filhos: Zélia, Fernando, Sebastião,
Evaldo, Márcia, Marilda, José Nilton, Edmar e Maria José.

1º) Zélia Negreiros de Paiva casou com Vito Elias Martins, tendo cinco filhos: Vitor Elias (Vitinho), Vilmar,
Vilker, Vilmara e Vilciléia;

2º) Padre Fernando Negreiros de Paiva.

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3º) Sebastião Negreiros de Paiva casou com Margarida Maria de Oliveira, tendo três filhos: Flávia, Claudia
e Luiz Fernando;

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4º) Evaldo Negreiros de Paiva, com Maria Helena, teve uma filha Lina Audrey e com Ayla Patrícia
Bitencourt, teve dois filhos: Miguel e Rafael.

5º) Marcia Negreiros de Paiva

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6º) Marilda Negreiros de Paiva

Marilda e Vilker Maria Isabel (Bebé), Maria José, Marilda e Marcia

7º) José Nilton de Paiva casou com Elisabete Péres Queiroz, tendo uma filha: Joselisa;

Joselisa, José Nilton e Elisabete, uma homenagem ao tempo dos barões, de nossos antepassados.
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8º) Edmar Negreiros de Paiva casou com Fátima Campos Alves, tendo um filho: Daniel;

9º) Maria José Negreiros de Paiva casou com Nilton Pereira tendo um filho: Pedro José.

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14.3 Maria Auxiliadora (Dorinha) Negreiros Lima
Em 05 de julho de 1923 nasceu Maria Auxiliadora (Dorinha), a terceira filha de Maria de Jesus Nogueira e
Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho).

CASAMENTO DA DORINHA NEGREIROS COM O GERALDO LIMA


Zé Bartolomeu, antes de ir para Luminária, foi na casa do Zotinho, na
Chácara Santa Cruz em Pouso Alto, buscar a Dorinha para lecionar no
lugar da esposa dele nos Pintos. Levou a Dorinha para fazer exame em
Maria da Fé com o prefeito Arlindo Zarone. Chegando lá no hotel,
encontrou um senhor mecânico e radialista que tinha ido arrumar o rádio
para o prefeito. A Dorinha em conversa com ele, perguntou:
- O Sr. é o Geraldo Lima?
- Sou, e a Srta. quem é?
- Sou a filha do Zotinho.
Ele lembrou, levantou e veio: - Ah! Você é a Dorinha!
E conversaram muito.

Dorinha foi examinada pela irmã do prefeito, que fazia as perguntas, ela
: ia respondendo tudo e confirmando com um sorriso. O prefeito disse: -
Este teu sorriso, menina, vale dez. Dorinha foi para os Pintos, lá com a
Carmita e lecionou uns seis meses lá.

Passado um certo tempo, Zotinho comprou uma charrete da fábrica de


Itajubá, a qual o Geraldo Lima a trouxe para a Chácara Santa Cruz.
Geraldo Lima foi muito bem recebido por todos, afinal fazia muito tempo,
quase dez anos, que não Zotinho e família não o via.
Conversando com o Zotinho, Geraldo Lima falou que queria casar com a
Dorinha. Zotinho consultou o seu pai Sebastião Negreiros e ele disse não
ser a favor do casamento.
Geraldo soube e escreveu ao Sebastião Negreiros uma carta muito
melosa, porém ele não respondeu a carta.
Dorinha sabendo de tudo, disse ao seu pai Zotinho que queria casar com
o Geraldo.

Zotinho chamou o Geraldo e combinou o casamento, que foi realizado


em Aparecida do Norte, no altar de Nossa Senhora Aparecida, pelo
Padre José Costa Campos. A festa foi no Hotel Negro Rei de
Aparecida.Terminada a festa, Dorinha e Geraldo entraram no automóvel
e foram para Itajubá. Passado uns dias a Dorinha pediu que uma das
irmãs fosse ficar com ela. Zotinho levou a Terezinha.

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DORINHA E FILHOS NA PONTE DO CARMO:

Dorinha e filhos moraram um tempo na Ponte do Carmo, de jul/1959 a dez/1960. A sua volta a Londrina, foi
registrada no Diário da Tigró, abaixo transcrito:

Diário da Tigró - 31 de Dezembro de 1960 – Despedida da Dorinha e Filhos

Hoje, ultimo dia do ano, tenho que agradecer milhares de graças que recebi durante todo o ano. Não tenho
palavras, mas meu coração sabe sentir e em tudo ver o dedo do Criador e nosso Redentor que nos conforta nas
horas de angústia, nunca nos dá sofrimento sem recompensa, a dor conta os segundos, a felicidade esquece as
horas. Eu, graças a Deus, devo me julgar a criatura mais feliz, pela bondade e os belos exemplos de meus
queridos pais.
Dorinha partiu no trem das 9:00 horas. Levou oito filhos. As quatro meninas ficaram para estudar em Campanha.
Eu fiz tudo para ver se não chorava, mas na hora da despedida, não pude conter as lágrimas quando o papai
abençoou a Dorinha dizendo: - No céu e na terra, louvemos a Deus. Vai minha filha, junto ao teu marido. É seu
dever. Vai e cumpre a sua missão de esposa e mãe cristã, que Deus te abençoe.
Papai fez silêncio e mamãe tomou a palavra: - Minha filha, nós vamos sentir muita falta de você e das crianças,
mas o dever te chama. Vai com Deus, nas minhas orações você será sempre lembrada.
E daí o pranto foi geral. A mamãe, quando o Arimatéia partiu para a Itália ela não chorou. Foi forte e despediu-se
do filho dizendo: - Vai contente meu filho, que eu também fico muito alegre.
Mas agora, coitada, talvez por estar doente e pensar que talvez despeça da filha sem esperança de encontrá-la
mais. Isso não podemos afirmar, mas Deus sabe o que faz.
O certo é que a Dorinha já foi. Como passou depressa um ano e meio. Como está triste agora sem a Dorinha
rodeada de gentinha, que estou “turtuviada”, sem assunto, sem jeito até de trabalhar por toda a Providência.
Enxergo a mana e as crianças lá do lado que fica a casinha de sapé onde ela morou.
Eu daqui de casa, da horta ou do arrozal sempre acompanhava o que se passava lá. O alvoroço das crianças, ela
lavando roupa na bica de água cristalina. Eu vou custar muito para esquecer do tempinho que a mana morou aqui.
Seja feita a vontade de Deus.
O dia hoje passou igualzinho eu. De vez em quando o sol mostrava a cara e de repente “embruscava” e a água
derramava. Eu também, fazendo um grande esforço, fazia cara de alegre e enxugava as lágrimas quando entrava
no quarto do papai e mamãe, que estão também bombardiados. Eu estou com os olhos tão inchados e o nariz
vermelho que nem pude ir a missa da meia noite. A Zuza foi com os meninos. Yolanda chegou aqui no trem da
noite. Foi boa a presença dela e das filhinhas. Alivia um pouco a falta da Dorinha. Agora a pouco rezamos o terço
em família. No fim o papai rezou meio engasgado, três Aves Maria por intenção da turma, para eles fazerem uma
boa viagem.
Eu sou muito manhosa. Acho que nunca passei uma noite de insônia, mas hoje acho que vai ser difícil. O sono
sumiu, pois já são 22:00 horas. O papai está com o rádio ligado e vai esperar a meia-noite para ouvir a missa de
passagem de ano. Eu também quero ouvi-la, vai ser na rádio Aparecida. Vai ser irradiado a benção do Papa João
XXIII para todo o mundo.

Bem, tenho que parar de papear, pois esta é a última folha desse caderno e o último dia do ano. A meia noite está
chegando e eu quero preparar o coração para receber Jesus e começar bem o Ano Novo. Amanhã, primeiro
domingo do ano e do mês. Não posso deixar de ir à missa. Meu Jesus, eu me ofereço toda a Vós, meus olhos,
meus ouvidos, minha boca, meu coração, inteiramente todo meu ser. Guardai-me e defendei-me de todo o mal,
para que nunca possa ofender-vos.
Até o Próximo Ano.

Diário 6 de Junho de 1960 – Primeira Comunhão dos Filhos da Dorinha

Desde segunda até sábado estive ajudando a Dorinha a preparar os meninos para a Primeira Comunhão.
Eles receberam Jesus pela primeira vez num dia muito bonito: no primeiro domingo de junho e também do Divino
Espírito Santo. Como o dia da Primeira Comunhão nunca deve ser esquecido, eu preparei uma festinha para
esperar mamãe, Dorinha e os meninos, que foram de véspera para a cidade e vieram depois da missa. Quando
aqui chegaram, a mesa já estava posta e nós, com satisfação, sentamos à mesa: mamãe, Dorinha e os 12 filhos,
Zuza e eu. Papai e Alaíde não tomaram parte porque foram à missa das 10 horas e não deu para chegarem a
tempo.

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FILHOS E NETOS:

Maria Auxiliadora (Dorinha) Negreiros e Geraldo Lima tiveram catorze filhos: Abgail, Júlia, Neuza, Olga, Maria
Isabel, Francisco, Geraldo, Cláudio, Silvia, Joana D’Arque, Maria José, Estevão, Luiz Eugênio e Soraia.

- Abgail Negreiros de Lima casou com Antonio Magno Nogueira Espeschit, tendo seis filhos: Antonio Magno
(Toni, o 1º neto do Zotinho), Guilherme, Luciene, Érika, Raquel e Mônica;
- Júlia Negreiros de Lima casou com Eurídice Takarara, tendo três filhos: Cristiane, Eurídice Júnior e Letícia;
- Neusa Negreiros de Lima casou com Takeshi Otsuka, tendo dois filhos: Carolina e Jaqueline;
- Olga Negreiros de Lima casou com seu primo José Joaquim (Zezinho) Negreiros Arruda, tendo seis filhos: Caio,
Erick, José (Arrudinha), Rafael, Isabele e Gabriel;
- Maria Isabel Negreiros de Lima casou com Gilberto Navolar, tendo três filhos: Henrique, Daniela e Alexandre;
- Francisco Negreiros Lima casou com os filhos Francisco Júnior e Andréa;
- Geraldo Negreiros de Lima;
- Cláudio Negreiros de Lima;
- Silvia Imaculada Negreiros de Lima casou com Pedro de Oliveira, tendo três filhos: Silvia Regina, André e
Rodrigo;
- Joana D’Arque Negreiros de Lima;
- Maria José Negreiros de Lima casou com Diógenes Martins, tendo os filhos Ricardo e Gabriela;
- Estevão Negreiros de Lima;
- Luis Eugênio Negreiros de Lima;
- Soraia Negreiros de Lima casou com Sebastião, tendo os filhos Suelen e Mateus.

Dorinha Negreiros Lima, Geraldo Lima e família

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Aniversário 80 anos de Dorinha. Ao fundo as
irmãs Terezinha, Alaíde e Maria Isabel (Bebé). Aniversário de 84 anos: Dorinha e Silvia

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14.4 Terezinha Negreiros Pereira

Terezinha Negreiros é a quarta filha de Maria de Jesus


Nogueira e Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho).
Terezinha Negreiros casou com Francisco Pereira, em
Itajubá. A festa do casamento foi na casa da Dorinha,
que já casada com o Geraldo Lima, morava em Itajubá.
Vovô Zotinho tirou a passagem de trem de Pouso Alto
para Itajubá, para umas quinze pessoas, ida e volta.
Foram também o Sr. Caio com a Alaíde e Darci Miranda,
de São Lourenço, o qual foi padrinho.

Aniversário de 80 anos da tia Terezinha, Dorinha, Bebé, Alaíde, Terezinha (jan-78)


acompanhada das irmãs Landinha e Alaíde

FILHOS:

Terezinha Negreiros Lima e Francisco Pereira tiveram onze filhos: Marcelo, Marcos, Marcio, Magno, Mário, Mauro,
Maria de Fátima, Moacir, Marcílio, Milton e Margareth.

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14.5 Maria da Glória (Tigró) Negreiros Nogueira

A cruz que minhas irmãs casadas carregavam, devido a


responsabilidade de criar os filhos, é de madeira com enfeites
de mármore, ferro e bronze, enquanto que a cruz que eu
carrego é levíssima, feita de tecido de palha. (Tigró)

Em 09 de abril de 1930 nasceu Maria da


Glória (Glorinha ou Tigró) Negreiros Nogueira,
a quinta filha de Maria de Jesus Nogueira e
Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho).
Tigró era muito amorosa, fervorosa e
trabalhadora.
Ela administrava a fazenda, junto com os pais
Zotinho e Maria e com as irmãs Alaíde e Zuza.
Dava ordens aos camaradas, cuidava de sua
horta e pomar, tratava com muito carinho os
animais, cuidava da casa e fazia deliciosas
refeições, as vezes simples, mas sempre
saborosas.

Tigró era maravilhosa, a tia que nos acolhia com muito carinho, fazia a comida gostosa, um franguinho caipira de
dar água na boca até hoje, nos servia a todos e sempre oferecia mais um pouquinho. Pra finalizar o dia, contava os
causos reunidos na cozinha, fazendo todos rirem e depois ainda puxava o terço contemplando muito bem os
mistérios. Obrigado Tigró! (José Joaquim Negreiros Arruda)

O DIÁRIO DA TIGRÓ:

Tigró escrevia um diário, descrevendo com detalhes o cotidiano de sua vida e da família, cuja leitura nos trás
muitas recordações. Transcrevo abaixo uma página do seu diário, quando ela comprou dois alqueires de terra,
onde ela fez uma horta e um pomar, nomeando-o de Sítio da Providência.

Diário da Tigró – 15 de maio de 1960 – Sítio da Providência

A Providência é minha, mas o uso e fruto é da humanidade! (Tigró)

Acabo de receber uma grande graça da Sagrada Família e todos os Santos, graça que venho pedindo e rezando
há quase 10 anos. Eu estava com 12 anos, quando mudamos para Pouso Alto. Saí dos Pintos Negreiros, terra
onde nasci e passei toda a minha infância. Que tempo bom foi aquele. Morei 10 anos em Pouso Alto na Chácara
Santa Cruz, também não foi muito ruim. Lá se realizou o casamento das minhas três irmãs mais velhas, uma já era
casada. Restavam dos filhos do Zotinho e Maria, quatro solteiros: eu, mais duas irmãs e um irmãozinho caçula,
que futuramente será um padre.
Minha irmã mais velha, casada com um fazendeiro, ficou viúva com dois filhos pequenos. Recebeu de herança do
marido uma fazendinha. Então o papai vendeu a Chácara e viemos morar aqui com ela. Há quase dez anos
estamos residindo na sua propriedade. Está muito bom. Todos trabalham para beneficiar a fazendinha dela.
Mas eu, que sou solteirona e não pretendo me casar, pedi a Nossa Senhora, que me ajudasse a comprar um
pedacinho de terra para que com meu esforço e trabalho, fizesse o lar mais querido de todos. E hoje, que dia cheio
de graça, recebi a escritura do terreno. Oh, que felicidade, que alegria, meu Deus!
Hoje foi o primeiro dia que contemplei e admirei com grande satisfação o meu pedacinho de terra, o qual dei o
nome de Providência. É em gratidão a Nossa Senhora. Na horta passo grande parte do meu tempo fazendo
plantações de verduras, legumes, pomar e arvoredos. Faço isto todos os dias com muito prazer, ainda mais agora,
que tenho nas mãos a escritura, farei com mais gosto.
Hoje, trabalhando na horta, junto com minhas manas Zuza e Dorinha fizemos a colheita de batata doce, tiramos
batata de três quilos, preparamos dez canteiros e os enchemos de alface, chicória e acelga. Nisto chegou a Alaíde
que comentou que está ficando bonita a horta. Respondi-lhe:
- Leva um pouco para o almoço. A Providência é minha, mas o uso e fruto é da humanidade!

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À tarde fui cuidar das plantações no Cafundó. Lá é o lugar onde fizemos a plantação de fumo, em uma grota e um
bachadão. É o melhor terreno da fazendinha para lavoura. Na solidão e o silêncio em que eu me encontrava, então
pude contemplar a beleza da natureza: a linda lavoura de fumo, as verdejantes montanhas, a água brotando na
pedreira, o céu azul de um sol de estio, o cantar dos pássaros, como é bela a natureza!
De repente, para quebrar o silêncio, ouvi lá de longe a voz de meu pai que vinha montado no seu cavalo baio e um
bonito cão o acompanhava, trazendo as vacas para o pasto bom e também trouxe café. Ambos sentamos à
sombra de uma grande árvore, à beira de um córrego e saboriamos o lanche. Que delicia, café com leite e bolo de
fubá com amendoim. Conversando com o papai, ele me disse que está muito bonito o Fumar. Deus ajuda quem
trabalha. O tesouro está na terra e o trabalho é oração!

Fonte: Diário da Tigró. Disponível no livro Autobiografia do Vovô Zotinho, site www.espeschit.com.br/books

14.6 Maria de Jesús (Zuza) Negreiros Nogueira

Maria de Jesús (Zuza) Negreiros Nogueira é a sexta filha de


Maria de Jesus Nogueira e Sebastião Crisóstomo de Negreiros
(Zotinho).
Zuza era a professora da Escola Melo Viana da Ponte do
Carmo, nomeada pelo então prefeito de Pouso Alto, Sr. José
Ribeiro Pires.
Zuza ajudava a Tigró na cozinha e na falta da Tigró ela também
fazia deliciosas refeições. Zuza era também a charreteira, sabia
manobrar bem os cavalos e ia no mercado em São Lourenço
fazer as compras da casa, com o seu salário de professora.
Quando o caminhão leiteiro não vinha para levar o leite, Zuza
arriava a charrete, punha os dois latões de 50 litros de leite na
charrete levava à fábrica da Vigor em São Lourenço.

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14.7 Yolanda Negreiros Nogueira

Em 30 de abril de 1934 nasceu Yolanda (Landinha)


Negreiros, a sétima filha de Maria de Jesus e
Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho).

Landinha estudou no Colégio Sion em Campanha.


Ela era professora na Escola Melo Viana da Ponte
do Carmo, nomeada no lugar da irmã Zuza, que se
aposentou.

Casamento de Yolanda Negreiros e José Ferreira Nogueira (transcrição da Autobiografia do Vovô Zotinho)

Transcrição da Autobiografia do Vovô Zotinho:

Em 03 de janeiro de 1954 casou-se a minha filha mais nova Yolanda Negreiros, com José Ferreira Nogueira, do
município de Virgínia, família dos Gonçalves. O casamento foi feito na igreja de Pouso Alto, pelo padre Hélvio.
Teve um jantar na casa da minha filha Isabel (Bebé).
Minha esposa Maria foi uma semana antes para a casa da Bebé, para ajudar nos preparativos da festa.
Donana, irmã da Maria, também ajudou muito. Fizeram rosca da rainha, bolos, sequilhos, doces e muitas outras
iguarias. Foi servido um café com muita fartura para todos os convidados e um jantar para a família. Dormiu muita
gente na casa do Sr. Paiva. Bebé disse: - Fiquem à vontade, faz de conta que a casa é de vocês.

Na tarde do mesmo dia os recém-casados foram para São Lourenço em lua de mel. Vieram morar comigo na
Ponte do Carmo. Fiz uma casa para eles no Cafundó, perto do retiro. José Ferreira, moço criado na fazenda e no
trabalho, sabia fazer qualquer serviço. Tomava conta do retiro e ajudava a Alaíde a tirar o leite. Hoje moram na
casa que foi minha, na beira da linha, perto do pontilhão. São vizinhos comigo, que moro na Estação de Américo
Lobo, com duas filhas solteiras: Zuza e Glorinha.

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Landinha, José Ferreira, Zuza, Cristina e Zélia

FILHOS E NETOS:

Yolanda (Landinha) Negreiros Nogueira e José Ferreira Nogueira tiveram oito filhos:
- Maria Salete Negreiros Nogueira casou com Vicente de Castro, tendo três filhas: Juliana, Luciana e Jovana;
- Maria de Fátima Negreiros Nogueira casou com Joaquim Mattos (Nino), tendo um filho: Felipe José.
- Terezinha de Jesus Negreiros Nogueira casou com Edson Paulo Rosa, tendo três filhos: Edson, Érika e Ellen;
- Geraldo Ferreira Nogueira casou com Carla Mara Rangel de Oliveira, tendo três filhos: Geisa, Geovana e
Gesiel;
- Eliana Maria Negreiros Nogueira casou com José Antonio Ferreira Chinait, tendo três filhas: Joseana, Tatiana
Maria e Natália de Fátima;
- Márcia Negreiros Nogueira com Acácio Mendes de Andrade, teve uma filha: Anete e com Sebastião César
Araújo, teve dois filhos: Antonio José e Aline;
- Maria Clara Negreiros Nogueira casou com Luiz Paulo Caetano, tendo três filhas: Paula, Maíra e Cinthia;
- Maria Cristina Negreiros Nogueira casou Rubens Ferreira Gondim, tendo três filhos: Ítalo, Lívia Yolanda e Isaac

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Juliana, Luciana, Jovana Cinthia, Paula, Clara, Ítalo

Clara, Antonio, Márcia e Geiza

Maíra, Clara, Marcia, Aline, Élen, Geiza

Jovana e filhas

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14.8 José Arimathéia Negreiros

Em 03 de janeiro de 1938 nasceu oitavo filho de Maria de Jesus


Nogueira e Sebastião Crisóstomo de Negreiros (Zotinho) e o
único filho homem e o caçula, José Arimathéia Negreiros.

NASCIMENTO E BATIZADO:
Carmita convidou a Maria e as meninas para irem assistir o
catecismo da tia Imaculada no domingo de manhã..
Maria, que já estava com nove meses de gravidez. Lá pelas 9
horas da manhã Maria voltou com a Sra. Ritinha. Fez o almoço e
um chá, bebeu e foi para a cama. Zotinho achou que era
cansaço de viagem e não se preocupou. Daí a pouco Maria o
chamou no quarto e o rapazinho já tinha nascido e choramingou.
Zotinho limpou a boquinha dele, olhou para ele e falou: - É
homem o diabinho. E Maria disse:
- Ah, Zotinho, não fala assim não!
Zotinho chamou a Sra. Ritinha para vir cuidar dela. Mais tarde
chegou a tia Imaculada e a Goica. Maria era muito estimada por
todos. No outro dia era visita de todos os lados: do alto da serra,
da canela da vargem, algumas de longe e do Rosário.
Zotinho providenciou o batizado. Convidou para padrinho o José
Gorgulho. No domingo seguinte Maria já estava de pé e
preparou um jantar para os padrinhos e convidados. Zotinho e
Maria, família e convidados foram batizar o menino no Rosário.
O batismo foi as 2 horas da tarde. Jantaram e beberam vinho.
Zotinho e seu filho José Arimathéia O chá dançante foi lá na casa da tia Imaculada.

INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA:
Quando era pequeno, as meninas brincavam de coroação, com o Arimathéia, embaixo do guatambu. Quando as
meninas saíam para o terreiro, ele queria ir com elas no guatambu. A primeira palavra que ele falou foi: - “Vo no
bu”. Quando ele começou a engatinhar, descia a porta da cozinha e ia no córrego de aguar a horta. Lá, ele
sentava, deitava na areias e gritava: - Hoi, hoi, hoi ! Alaíde corria, trazia ele e o punha na bacia de água morna.
Ele gostava, e quando tirava ele ficava bravo. Alaíde o embrulhava, punha-o na cama e ele dormia.

José de Arimathéa, com 5 anos, tinha um cachorro branco, pintado de preto, que era o seu companheiro para
brincar na grama em frente a janela do meu quarto. Ele deitava junto com o cachorro e rolava para lá e para cá. O
cachorro saía e depois vinha de carreira saltando em cima dele. Ele levantava, o cachorro pegava por trás na
bunda dele e ele puxava para frente. O cachorro tinha mais força que ele e o puxava para trás.

Chegava um pretinho, filho do Barra Mansa, pouco maior que ele e chamava:
- “Bamo nada Zé”?
Arimathéa falava:
- Espera aí, vou falar com a mamãe.
Maria não gostava que ele fosse nadar. Ele vinha e pedia para o Zotinho, mas voltava e falava com a mãe:
- O papai deixou mãe.
Ela dizia: - Então vai.

Com 10 anos, tirou o diploma no Grupo. Ele queria estudar para padre. Zotinho procurou saber no seminário de
Campanha, mas disseram que naquele ano não tinha mais vaga.
Nas festas juninas o padre Hélvio convidou o Padre Pedro, da congregação Barnabita de Caxambu, para vir ajudar
nas confissões em Pouso Alto. Maria, conversando com o padre Pedro, mostrou o Zé, que queria ser padre.
Ele disse: - Nós temos o colégio em Caxambu, vou conversar com o diretor e mandarei o estatuto.

Passado uns dias Zotinho recebeu uma carta do Padre Sisnando, o diretor do colégio. Mandou o estatuto e disse
que podia mandar menino e que faria o que puder por ele. No estatuto dizia o que precisava e a disciplina do
colégio. Não tinha férias. Pedia um atestado de boa conduta.

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Zotinho falou com o seu filho Zé: - Vamos deixar para o ano?
Zé falou: - Ah, papai, é melhor eu ir agora, ao menos eu aproveito este resto de ano para fazer o admissão.
Zotinho gostou da resolução do menino e falou com a Maria: - Arruma a mala para ele ir.
No outro dia o Padre Hélvio levou o Zé para o colégio em Caxambu.
Zotinho falou para seu filho: - O que você for precisando lá, você me peça.

Na volta o Padre Hélvio trouxe uma bonita carta do padre diretor para o Zotinho que dizia:
- Acabo de receber o seu menino. Tive ótima impressão dele. Respondeu minhas perguntas com clareza e
firmeza.
A carta dizia ainda para o Zotinho assinar um documento que dizia:
- Dou, com toda satisfação e alegria, o meu filho para ser padre. Até a 4ª série do ginásio eu ajudaria no que
pudesse e da 4ª série em diante, as despesas correriam por conta da congregação.

José Arimathéia passou três anos sem ir na sua casa, mas todos os domingos escrevia uma carta para os pais.
Fez admissão no final do ano e entrou para o 1º colegial. Até no meio do 1º ano ele foi muito apertado, mas depois
ele pegou o quadro de honra e foi até o fim em 1º e 2º lugares.

No ano de 1958, José Arimathéia passou uns dias na casa de seus pais para despedir-se da família e partir para
terminar os seus estudos em Roma, na Itália, onde iria passar quatro anos, para se ordenar Padre.
Ele embarcou ali mesmo no Carmo, na Estação de Américo Lobo, rumo ao Rio para viajar de navio para Roma.
Não foi fácil para os pais Zotinho e Maria e para suas irmãs a ausência do Zé, o único filho, o caçula. Mas para
consolo, ele sempre escrevia preciosas cartas, portadora de boas noticias, a cada 15 dias.

José Arimathéia com as irmãs Maria Isabel (Bebé), Dorinha e Alaíde

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CASAMENTO E FILHOS:

José de Arimathéia Negreiros casou com Lélia Avelino, tendo três filhas:

- Érika Michele Avelino Negreiros casou com Leandro Finotti


- Nadja Christine Avelino Negreiros casou com Paulo Melo
- Máslova Francine Avelino Negreiros.

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