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NOVA VERSÃO INTERNACIONAL

ATRAVÉS DA VIDA E DOS

TEM PO S BÍBLIC O S
0 autor deste livro reivindica ter sido discípulo de Jesus e testemunha confiável das coisas que descreveu (21.24). A maioria dos leitores
toma por certa sua identificação com o “ discípulo a quem Jesus amava” (21.20), título aplicado a João, filho de Zebedeu, desde as tradições
mais antigas da Igreja.
O evangelho de João é em geral datado tardiamente — para o final do século I — , mas há razões para acreditar que foi escrito
muito mais cedo. O papiro John Rylands (p52) sugere que a obra já estava em ampla circulação no século II d.C. (ver “0 papiro John
Rylands [p52]” , em Jo 18). Alguns até sugeriram uma data anterior à destruição do templo em 70 d.C. (ver a seção “ Fatos culturais e
destaques” abaixo). Também é possível que João tenha sido escrito de Éfeso.

DESTINATÁRIO
0 evangelho de João foi escrito para cristãos não judeus e céticos influenciados por filosofias gregas populares que reivindicavam que
Jesus era divino, mas não verdadeiramente humano (ver “ Os gnósticos e seus escritos sagrados” , em 1Jo 4). João expressa em 20.31 seu
propósito primário ao escrever o evangelho: “ para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus” .

FATOS CULTURAIS E DESTAQUES


Os que defendem uma data mais antiga para o evangelho de João não veem nenhuma implicação, em qualquer parte do livro, de que
Jerusalém e o templo já haviam sido destruídos. Na realidade, a apresentação joanina da purificação do templo por Jesus, e o argumento
de que o corpo de Jesus é o verdadeiro templo (cap. 2), seria surpreendente se o edifício já não existisse. Ao contrário, não haveria jus­
tificativa melhor para a condenação de Jesus à corrupção no templo e a alegação de tê-lo suplantado na sua pessoa. Mais que isso, em
2.21, imediatamente depois de ter informado que Jesus falou da destruição “ deste templo” , se João tivesse escrito depois de 70 d.C., teria
ignorado uma oportunidade perfeita de registrar a desolação do templo de Jerusalém, quando, em vez disso, esclareceu que Jesus falava
do próprio corpo.

LINHA DO T E M P O

10 A.C. D.C.1 10

R e in a d o d e H e ro d e s , o G ra n d e (ca . 3 7 - 4 a.C .) j

N a s c im e n to d e J e s u s (c a . 6 / 5 a.C .)

F u g a d e J e s u s p a ra o E g ito (ca . 5 /4 a.C .)

In íc io d o m in is té rio d e J o ã o B a tis ta (ca . 2 6 d.C .)

In íc io d o m in is té rio d e J e s u s (c a . 2 6 a .C .)

M o rte , re s s u r r e iç ã o e a s c e n s ã o d e J e s u s (ca . 3 0 d.C .)

C o n v e rs ã o d e P a u lo (ca . 3 5 d.C .)

R e d a ç ã o d o e v a n g e lh o d e J o ã o (c a . 8 9 - 9 5 d.C .)

E x ílio d e J o ã o e m P a tm o s (ca . 8 9 - 9 5 d .C .)
I N T R O D U Ç Ã O A J OÃO 1 71 9

ENQUANTO VOCÊ LÊ
Procure "sinais” no evangelho de João que apontam Jesus como o Messias, o Filho de Deus. Observe os vários destinatários a quem Jesus
se dirige neste evangelho. A quem ele falava em determinado ponto? Como interagiu com eles? Seu estilo mudava conforme o destinatário?

VOCÊ S A B I A ?
• Os mestres religiosos judaicos raramente falavam com mulheres em público (4.27).
• Muitos judeus acreditavam que a alma permanecia próxima do corpo durante três dias ãpós a morte, na esperança de retomar para
ele (11.17).
• 0 costume judaico determinava três dias de luto muito pesado, depois quatro dias de luto pesado, seguidos por luto leve para o restante
dos trinta dias (11.19).
• Pessoas “ tementes a Deus” eram atraídas ao judaísmo por seu monoteísmo e moralidade, mas repelidos por seu nacionalismo e
exigências como a circuncisão. Elas adoravam nas sinagogas, mas não se tornavam prosélitos convertidos (12.20),

TEMAS
0 evangelho de João inclui os seguintes temas:
1. Jesus é Deus. João identifica Jesus como a Palavra que estava com Deus no princípio (1.1,2), Aquele “vindo do Pai” (1.14), e que o tornou
conhecido (1.18). Jesus é “ igual a Deus” (5.18) e se identifica como Deus (8.58; 9.35-37; 10.36; 14.9).
2. Jesus é o Messias. Os milagres registrados em João são “ sinais” que apontam para a identidade messiânica de Jesus — indicadores da
presença de Deus nas obras e palavras de Jesus, cada qual chamando a um compromisso: quem de fato é este Jesus?
3. A escolha, fé ou incredulidade. Os milagres de Jesus estimulavam fé em alguns (2.11; 9.1-39; 11.1 -44), mas só fez reforçar a oposição
de outros (11.46-57). Costumamos afirmar que “ver é crer” , mas em João crer é ver.

SUMÁRIO
I. Prólogo (1.1-18)
II. Início do ministério de Jesus (1.19-51)
III. Ministério de Jesus (2— 11)
IV. A Semana da Paixão (12— 19)
A. A unção dos pés de Jesus por Maria (12.1-11)
B. A entrada triunfal (12.12-19)
C. Os gregos procuram Jesus (12.20-36)
D. A rejeição pelos Judeus (12.37-50)
E. Discursos de despedida (13— 17)
F. Traição, prisão e julgamento de Jesus (18.1— 19.15)
G. A crucificação e o sepultamento (19.16-42)
V. A Ressurreição (20.1-29)
VI. Declaração de Propósito (20.30,31)
VII. Epílogo (21)
1 720 I OÃO 1 . 1

A Palavra Tornou-se C arne


Vozes antigas V
0Logos (discurso, razão) é designado para
J 1 No princípio era aquele que é a Palavra0.3 Ele estava com
Deusb e era Deus.c 2 Ele estava com Deus no princípio.d
1.1 aA p 19.13;
HJo 17.5; 1Jo 1.2;
cFp 2.6
1.2dGn 1.1
distinguir o benéfico do prejudicial, e as­ 3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, 1.3 «1 Co 8.6;
simtambém o certo e o errado. Por isso, nada do que existe teria sido feito.e 4 Nele estava a vida,f e esta Cl 1.16; Hb 1.2
1.4U o 5.26;
diferentemente dos outros animais, é a era a luz9 dos homens. 5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a 1 1 .2 5 ;1 4 .6 ;
propriedadedistintiva do homem: queele derrotaram.*711
9 J0 8 .1 2
1 . 5 hJ o 3 .1 9
somente tema capacidade de perceber o 6 Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João.'7 Ele 1.6'M t 3.1
beme o mal, o certo e o errado e as ou­ 1:7 Jv. 1 5 ,19,32;
veio como testemunha, para testificar) acerca da luz, a fim de que «v. 12
tras qualidades. Eé a comunicação dessas
por meio dele todos os homens cressem.k 8 Ele próprio não era a
coisas que faz uma família e uma cidade-
-Estado. luz, mas veio como testemunha da luz.9 Estava chegando ao mun­ 1 . 9 'U o 2.8;
mls 4 9.6
do a verdadeira luz,1que ilumina todos os homens.cm
— A ristóteles sobre o Logos
10 Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito
Política, 1253a (tradução por Duane Garrett)
por intermédio dele,nmas o mundo não o reconheceu.11 Veio para
Vero artigo "0 logos nas literaturasgrega ejudaica", em o que era seu, mas os seus não o receberam.12 Contudo, aos que o 1.12°v. 7;
João 1. P 1 J0 3.23; QGI3.26
receberam, aos que creram0 em seu nome,P deu-lhes o direito de se
tomarem filhos de Deus,^13 os quais não nasceram por descendência naturaK nem pela vontade da 1.13 U o 3.6;
T g 1.18; 1Pe 1.23;
carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.r 1 J o 3 .9

14 Aquele que é a Palavra tornou-se carne8 e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do 1.14SGI 4.4;
Fp 2 .7 ,8 ;
Unigênitoe vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.1 1T m 3.16;
Hb 2 .1 4 ; \ io 14.6
15 João dá testemunhoudele. Ele exclama: “Este é aquele de quem eu falei: aquele que vem depois 1.15 “ v. 7 ;vv . 30;
de mim é superior a mim, porque já existia antes de mim”.v 16 Todos recebemos da sua plenitude,w Mt3.11
1.16* E f 1.23;
Cl 1.19
graça sobrei g raça.17 Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés;x a graça e a verdade vieram por 1.17 *Jo 7.19;
intermédio de Jesus Cristo.y18 Ninguém jamais viu a Deus,z mas o Deus? Unigênito,3 que está junto w . 14
1.18 zÊx 33.20;
do Pai, o tornou conhecido. Jo 6 .4 6 ; Cl 1.15;
1 T m 6 .1 6 ;
aJo 3 .16,18;
João Batista N ega S er Ele o Cristo 1 J o 4.9

19 Este foi o testemunho de João, quando os judeusb de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas 1.19 »Jo 2.18;
5.1 0 ,1 6 ; 6 .4 1 ,5 2
para lhe perguntarem quem ele e ra .20 Ele confessou e não negou; declarou abertamente: “Não sou o 1 .2 0 ‘ J o 3.28;
Lc 3 .1 5 ,1 6
Cristo'1”.0
1.21 <<Mt 11.14;
21 Perguntaram-lhe: “E então, quem é você? É Elias?”d eDt 18.15

0 1 . 1 O u o Verbo. G r e g o : Logos.
b 1 . 5 O u trevas, mas as trevas não a compreenderam.
c 1 . 9 O u Esta era a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo.
1 1 . 1 3 G r e g o : de sangues.
e 1 . 1 4 O u IJnico-, ta m b é m n o v e rsíc u lo 18.
f 1 . 1 6 O u em lugar de.
9 1 .1 8 Vários manuscritos dizem o Filho.
h 1 . 2 0 O u Messias. T a n t o Cristo (g reg o) c o m o Messias (h e b ra ic o ) s ig n ific a m Ungido; ta m b é m e m to d o o liv r o d e Jo ã o .

1.1 A tradição sustenta que o apóstolo João foi o autor do evangelho que é o testemunho dos anciãos de Éfeso (21.24). A crença tradicional com
leva seu nome e aponta como data e lugar de autoria o fim do século I respeito à autoria e data do quarto evangelho recebeu forte confirmação
d.C., na Ásia Menor (ver a introdução). Essa tradição pode ser rastrea- na descoberta de um fragmento de um códice de papiro muito antigo do
da desde Eusébio, antigo historiador da Igreja, do início do século IV evangelho de João, que parece ter se originado na comunidade cristã
(ver At 1.1). As testemunhas mais importantes, depois de Eusébio, são do médio Egito (ver “O papiro John Rylands [p52]”, em Jo 18). Com
Orígenes, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Ireneu, que organizou o base em sólidas evidências, foi estabelecido que esse fragmento de papiro
Cânon Muratoriano. Ireneu, uma das mais antigas dessas testemunhas, pertenceu a um códice que circulou naquela região, na primeira pane
era discípulo de Policarpo, que, por sua vez, fora discípulo do apóstolo do século II.
João. A conclusão de que essa tradição pode ser rastreada até o discípulo 1.15 Em tempos antigos, a pessoa mais velha era muito respeitada e
a quem Jesus amava, portanto, parece legítima. Além disso, por causa de considerada mais importante que os mais jovens. De forma geral, as
suas longas viagens, o testemunho de Ireneu pode ser considerado re­ pessoas teriam classificado Jesus, em termos de respeito, inferior a João,
presentativo, a primeira certeza da igreja primitiva, que esse pai de igreja que era mais velho. João Batista explica que essa relação de idade era
grega conheceu muito bem. Na realidade, os escritores antigos (men­ apenas aparente, visto que Jesus, como a Palavra, existia desde antes do
cionados acima) mostram que, no último quarto do século II, o quarto nascimento da Terra.
evangelho era conhecido e lido por toda a cristandade — na África, na 1.19 Os “judeus” constituem uma delegação comissionada pelo Sinédrio
Ásia Menor, na Itália, na Gália e na Síria — e atribuído ao bem conhe­ (ver nota em Mc 14.55) para investigar as atividades de um mestre não
cido apóstolo João. autorizado.
Até mesmo entre as testemunhas mais antigas, Justino Mártir (Apologia, Os “levitas” são os descendentes da tribo de Levi, nomeada para exe­
1.61) fez uma citação de João 3.3-5. Ele usou várias expressões desse cutar determinadas tarefas no tabernáculo (Nm 3.17-37) e mais tarde
evangelho (cf. Diálogo com Trijzo, 105). A sua doutrina do Logos (ver no templo. Também tinham responsabilidades pedagógicas (2Cr 35.3;
“O logos nas literaturas grega e judaica”, em Jo 1, e “As escolas filosóficas Ne 8.7-9), e provavelmente nesse papel é que foram enviados com os
gregas”, em Cl 2) pressupõe familiaridade com o quarto evangelho, que sacerdotes a João Batista.
seu aluno Taciano incluiu no seu Diatessaron ou Harmonia. Inácio, mar- 1.21 Os judeus recordavam-se de que Elias não havia morrido (2Rs
tirizado por volta do ano 110 d.C., aludiu ao evangelho de João repetida­ 2.11) e acreditavam que ele voltaria à terra para anunciar o tempo do
mente (v. suas epístolas; Pequena recensão). Muito significativo também fim.
J OÃO 1 . 2 8 1721

Ele disse: “Não sou”.


“É o Profeta?”e
Ele respondeu: “Não”.
22 Finalmente perguntaram: “Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que
nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio?”
1.23 <Mt 3.1; 23 João respondeu com as palavras do profeta Isaías: “Eu sou a voz do que clama no deserto:01
9|s 40.3
‘Façam um caminho reto para o Senhor’
24 Alguns fariseus que tinham sido enviados 25 interrogaram-no: “Então, por que você batiza,
se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?”
26 Respondeu João: “Eu batizo com‘ água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem.
27 Ele é aquele que vem depois de mim,he não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias”.
1 .2 8 U 0 3.26 ; 28 Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão,' onde João estava batizando.
1 0 .4 0

a 1 .2 3 Ou que clama: No deserto façam .


» 1 .2 3 Is 40.3.
f 1 .2 6 Ou em; também nos versículos 31 e 33.

1.23 O Batista aplica a profecia de Isaías 40.3 ao próprio ministério, que 1.25 “O Cristo” significa “o Ungido”. Nos tempos de AT, unção
consiste em chamar o povo ao arrependimento, como preparação para significava ser separado para o serviço, especialmente como rei (cf. ISm
a vinda do Messias. Os homens de Qumran (ver “Qumran e o Novo 16.1,13) ou sacerdote (Ex 28.41; 29.7; 30.30; 40.13,15), mas o povo
Testamento”, em Lc 6) aplicavam essas palavras a si mesmos, porém se não estava olhando apenas para um ungido, e sim para “o Ungido”, o
preparavam para a vinda do Senhor por meio do isolamento do mundo,
numa tentativa de assegurar a própria salvação. João concentrou-se em 1.26 Ver “Batismo no mundo antigo”, em Mt 3.
ajudar as pessoas a chegar ao Messias. 1.27 Os discípulos executavam todos os tipo de serviço para seus rabinos
1.24 Os fariseus (ver notas em Mt 3-7; Lc 5.17) formavam o partido (os mestres), mas soltar as correias das sandálias era algo a que se negavam,
religioso conservador. porque era uma tarefa servil, compatível apenas com o trabalho escravo.

O lo g o s nas literaturas grega e judaica


J0 Ã 0 1 A teologia joanina da Palavra (logos, "explicação" ou "coisa", o filósofo Herádito que eram governados por paixões e emoções
no grego) está arraigada ao AT, mas também (ca. 535-475 a.C.) usava-a no sentido de se haviam separado do logos universal e se
se refere a interesses filosóficos prementes princípio de ordenação para o Universo. tornado selvagens em seu comportamento.
do mundo grego. A frase: "No princípio era Assim, o logos é a lógica divina responsável Esse conceito veio a constituir a base para o
aquele que é a Palavra" (Jo 1.1) obviamente pela ordem do Universo. Herádito parece ter sistema ético estoico.2
ecoa Gênesis 1, que registra o fato de Deus associado o fato com o fogo e articulado o 0 que João quer dizer quando descreve
criar simplesmente falando (e.g., "Haja luz", logos com a razão no interior do ser huma­ Jesus como o logosl Como já foi dito, a liga­
v. 3). Ou seja, Deus criou por meio de sua pa­ no. Esse sentido de logos foi desenvolvido de ção com Gênesis 1 é fundamental: o logos
lavra. Existe pouca dúvida quanto a ser essa a maneira mais completa pelos estoicos. Eles é aquele pelo qual "todas as coisas foram
base para o uso de logos em João 1: a palavra ensinavam que o Universo fora permeado feitas" (v. 3), ou seja, Cristo. Mas pode haver
de Deus fez o Universo existir de maneira or­ com os logos, conferindo ordem e racionali­ uma aplicação secundária do termo, que fa­
denada. Os Targuns1ecoam essa compreen­ dade a todas as coisas. No estoicismo tardio, laria ao leitor grego mais instruído. Cristo, na
são da Palavra divina, empregando o termo o logos era comparável ao pneuma ("espíri­ sua pessoa, é o Logos. A verdade, o princípio
memra (derivado da palavra aramaica para to"), uma espécie de combinação de fogo orientador do Universo e da alma de todo
"falar") ao descrever a atividade criadora de e ar, permeado pela razão. Havia um logos ser humano, não uma simples abstração da
Deus, e isso pode ter contribuído para o voca­ dentro de cada pessoa (í.e., a razão humana) "racionalidade" teórica, mas uma pessoa. Por
bulário que encontramos em João 1. e um logos que permeava o Universo (i.e., a essa pessoa, o Logos, o indivíduo pode che­
A palavra logos tinha também uma tra­ racionalidade que governa o mundo). Por gar à harmonia com Deus e com sua criação.
dição rica no pensamento grego. Ao mesmo extensão, o logos dentro do ser humano
tempo em que era um termo geral, signifi­ capacita-o a agir em harmonia com o logos
cando simplesmente "palavra", "descrição", do Universo. Entretanto, pensava-se, aqueles

'Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito. 2Ver "As escolas filosóficas gregas", em Cl 2.
1 722 J OÃO 1 . 2 9

Jesus, o C ordeiro de Deus


29 No dia seguinte, João viu Jesus aproximando-se e disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deusj que1.29iv. 3 6 ; Is 53.7;
1Pe 1.19; A p 5 .6
tira o pecado do mundo!30 Este é aquele a quem eu me referi, quando disse: Vem depois de mim um 1.30 ty. 1527
homem que é superior a mim, porque já existia antes de mim.k31 Eu mesmo não o conhecia, mas por
isso é que vim batizando com água: para que ele viesse a ser revelado a Israel”.
32 Então João deu o seguinte testemunho: “Eu vi o Espírito descer dos céus como pomba e perma­1 .3 2 * 1 1 1 * :
MC1.10
necer sobre ele.133 Eu não o teria reconhecido se aquele que me enviou para batizar com águam não 1 .3 3 - M c l*
" M t3 .1 1 ; l á : ' i
me tivesse dito: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e permanecer, esse é o que batiza com
o Espírito Santo’.n 34 Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus”.0

Os Prim eiros Discípulos de Jesus (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Lc 5.1-11)


35 No dia seguinte, JoãoP estava ali novamente com dois dos seus discípulos.36 Quando viu Jesus 1.35 PMt 3.1
1.36 «V. 2 9
passando, disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus!”1!
37 Ouvindo-o dizer isso, os dois discípulos seguiram Jesus.38 Voltando-se e vendo Jesus que os dois 1.38 Tf. 49;
M Í2 3 .7
o seguiam, perguntou-lhes: “O que vocês querem?”
Eles disseram: “Rabi”r (que significa “Mestre”), “onde estás hospedado?”
39 Respondeu ele: “Venham e verão”.
Então foram, por volta das quatro horas da tarde0, viram onde ele estava hospedado e passaram
com ele aquele dia.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e que
haviam seguido Jesus.410 primeiro que ele encontrou foi Simão, seu irmão, e lhe disse: “Achamos o
Messias” (isto é, o Cristo).s 42 E o levou a Jesus. 1.42<Gn 1 7 .5 ,1 1
“ M t 16.18
Jesus olhou para ele e disse: “Você é Simão, filho de João. Será chamado1Cefas” (que traduzido é
“Pedro4”).11

Jesus C ham a Filipe e N atanael


43 No dia seguinte, Jesus decidiu partir para a Galileia. Quando encontrou Filipe,vdisse-lhe: “Siga-me”.w 1.43 >M t 10.3;
J o 6 .5 -7 ; 1 2 2 1 2 2 ;
44Filipe, como André e Pedro, era da cidade de Betsaida* 45 Filipe encontrou Natanael* e lhe 14.8,9; « M t 4 .19
1.44 >M t 11.21:
disse: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Leize a respeito de quem os profetas também Jo 12.21
escreveram:3 Jesus de Nazaré,b filho de José”.c 1.45>Jo21i
t o 24.27;
46 Perguntou Natanael: “Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?”d »Lc 24.27;
W t 2 .2 3 ; M c 1.24:
Disse Filipe: “Venha e veja”. tL c 3 .2 3
1 .4 6 ^ 0 7 . 4 1 , 4 2 .
47 Ao ver Natanael se aproximando, disse Jesus: “Aí está um verdadeiro israelita,e em quem não 52
1.47 «Rm 9.4,6;
há falsidade”.f *SI 32 .2
48 Perguntou Natanael: “De onde me conheces?”
Jesus respondeu: “Eu o vi quando você ainda estava debaixo da figueira, antes de Filipe o chamar”.
49 Então Natanael declarou: “M estre^ tu és o Filho de Deus,htu és o Rei de Israel!”1 1.49 «V.38;
M t 2 3 .7 ; "v. 34;
50 Jesus disse: “Você crê porque eu disse que o vi debaixo da figueira.1* Você verá coisas maiores M t4 .3 ;M t2 £
27 .4 2 ; J o 12.13
do que essa!” 51E então acrescentou: “Digo a verdade: Vocês verão o céu aberto) e os anjos de Deus 151 iM t 3.16;
subindo e descendok sobre o Filho do homem”.1 * G n 2 8 .1 2 ;« t8 2 0

0 1 . 3 9 Grego: hora décima.


b 1 . 4 2 Tanto Cefas (aramaico) como Pedro (grego) significam pedra.
c 1 . 4 9 Isto é, Rabi; também em 3.2,26; 4.31; 6.25; 9.2 e 11.8.
1 1 . 5 0 O u Você crê... figueira?.

1.28 A Betânia mencionada em outro lugar nos Evangelhos distava cerca 1.39 “Por volta das quatro horas da tarde”: a hora décima, no origüu.
de 3 quilômetros de Jerusalém, apenas (ver nota em Mt 21.17). O local grego.
desta outra Betânia é incerto, exceto que ficava do lado oriental do Jor­ 1.40 André, um dos 12 apóstolos (Mt 10.2), era de Betsaida, mas depc_;
dão (ver “Betânia, do outro lado do Jordão”, em Jo 10). viveu com Pedro em Cafamaum (ver Mc 1.29 e nota; ver também noa
1.35-37 João Batista incentivou dois de seus discípulos a seguir a Jesus. em Mt 4.13), na qual eles pescavam para sobreviver (ver Mt 4.18).
Um era André (v. 40), e o outro não é mencionado pelo nome. Em Ma­ 1.44 Para mais informações sobre Betsaida, ver nota em Mc 8.22.
teus, Marcos e Lucas, os primeiros convertidos a Jesus são identificados 1.45 José era o pai legal de Jesus, embora não seu pai natural.
como André, Pedro, Tiago e João (ver Mc 1.16-20). O discípulo não 1.46 Para mais informações sobre Nazaré, ver notas em Mt 2.23; 4.12-
mencionado pode ser uma referência velada do apóstolo João, o autor 16.
do evangelho, e provavelmente a personagem misteriosa por atrás do 1.48 A sombra de uma figueira era o lugar favorito para estudo e oração
título “o discípulo a quem Jesus amava” (Jo 13.23; 21.7,20; ver também em épocas mais quentes do ano.
19.26; 20.2).
JOÃ O 2:3 1 723

Jesus T ra n sfo rm a Á g u a e m V in h o

No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia.mA mãe de Jesus" estava ali;2 Jesus e
2
2.1 " J o 4.46; 21.2;
"Mt 12.46
seus discípulos também haviam sido convidados para o casam ento.3 Tendo acabado o vinho, a
mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.

2.1 Caná é mencionada apenas no evangelho de João. Situava-se a oeste 2 .3 Faltar vinho era mais que um pequeno embaraço social, visto que
do mar da Galileia, mas a localização exata é desconhecida. A maioria a família tinha a obrigação para providenciar um banquete ao nível do
dos estudiosos acredita que Khirbet Qana, situada 14,5 quilômetros a padrão socialmente exigido. Não havia grande variedade de bebidas, e as
norte de Nazaré e exatamente ao norte do vale Beit Netofa, é a candidata pessoas geralmente bebiam água ou vinho (ver “Vinho e bebida alcoólica
provável (ver “Caná da Galileia”, em Jo 2). no mundo antigo”, em lPe 4).
Ver “Casamentos no antigo Israel”, em Ct 3.

SÍTIOS A RQ U EO LÓ GICO S

C A N Á DA G A L I L E I A
JOÃO 2 João é o único escritor do NT a men­ Os peregrinos cristãos, por muito tem­ ao norte de Nazaré e exatamente ao norte
cionar Caná da Galileia, e só ele oferece pis­ po, associaram Caná com a aldeia de Kefr do vale Beit Netofa, é a candidata mais pro­
tas de sua localização. 0 fato de a família de Kenna, situada 6,5 quilômetros a nordeste vável (embora Kefr Kenna e Khirbet Qana
Jesus ter amigos e parentes e de ser possível de Nazaré (ver mapa 9). Essa localização atendam às indicações do evangelho de
estar presente a um casamento ali indica provavelmente é incorreta, não obstante João). I
que Caná não ficava longe de Nazaré.' Além existam ali igrejas que aleguem preservar a As escavações em Khirbet Qana come­
disso, fica subentendido em João 4.46-54 tradição do milagre acontecido no casamento. çaram em 1998. Foram achados resquícios f f
que a viagem de Caná a Cafarnaum exigia Hoje a maioria dos estudiosos concorda em desde o período neolítico até o período
pouco mais que uma jornada de meio dia.2 que Khirbet Qana, localizada 14,5 quilômetros moderno, porém a maioria das evidências
materiais (cerâmica, moedas e restos de ha­
bitações) data do período romano até o perío­
do bizantino. Ruínas do que pode ter sido I
uma sinagoga do século I (embora ainda
sem comprovação definitiva) também fo­
ram encontradas, com um miqveh (tanque
para o ritual judeu de purificação). A água
que abastecia a aldeia era armazenada em
cisternas, visto que ali parece não ter havido f
nenhum aqueduto.3 João 2.6 menciona que
a água era armazenada em grandes potes
de pedra. Arqueologicamente, não é prová­
vel que se encontrem evidências definitivas
de que Khirbet Qana seja Caná da Galileia,
mesmo assim a possibilidade de se desco­
brirem ali artefatos da época em que Jesus
realizou seu primeiro milagre é fascinante.

'Ver "Nazaré”, em Mc 1. 2Ver "Cafarnaum", em


Mc 9. !Ver "Poços, cisternas e aquedutos no
mundo antigo", em .Ir 38.

Recipientes de pedra para armazenamento


Preserving BibleTimes; © dr. James C.Martin; usado compermissão doMuseude Israel
1724 JOÃ O 2.4

4 Respondeu Jesus: “Que temos nós em comum, mulher?0’PA minha hora*í ainda não chegou”. 2^‘JO’Ç*
»Mta2S
3 Sua mãe disse aos serviçais: “Façam tudo o que ele mandar”.r ‘M 2 6 . - . Í . I -
2 5 -& - 4 -S
6 Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais;s
em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros". J o lZ

7 Disse Jesus aos serviçais: “Encham os potes com água”. E os encheram até a borda.
8 Então lhes disse: “Agora, levem um pouco ao encarregado da festa”.
Eles assim fizeram,9 e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho,' sem
saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou
o noivo 10 e disse: “Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam
bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”.
11 Este sinal milagroso,u em Caná da Galileia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a 2.11 * 22. Ml.
sua glória,v e os seus discípulos creram nele.w 12.37 i
'JO 114
Jesus Purifica o Templo "Êx 14.31

12 Depois disso ele desceu a Cafarnaum* com sua mãe, seus irmãosv e seus discípulos. Ali ficaram 2.12
**1 2 .4 6
durante alguns dias.
13 Quando já estava chegando a Páscoa2 judaica, Jesus subiu a Jerusalém.3 14 No pátio do templo 2.13yoi'!
«16-i-e
viu alguns vendendo bois, ovelhas e pombas, e outros assentados diante de mesas, trocando dinheiro. LC 2.41
13Então ele fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois;
espalhou as moedas dos cambistas e virou as suas m esas.16 Aos que vendiam pombas disse: “Tirem
estas coisas daqui! Parem de fazer da casa de meu Paibum mercado!”
17 Seus discípulos lembraram-se que está escrito: “O zelo pela tua casa me consumirá”6.0 2 .1 7 = S 6 S i

18 Então os judeus lhe perguntaram: “Que sinal milagroso o senhor pode mostrar-nos como prova 2 .1 8

da sua autoridade para fazer tudo isso?”d


19 Jesus lhes respondeu: “Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias”.e 2 .1 9 « s r
2 7 .4 0 : M c «
20 Os judeus responderam: “Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor 15.29
vai levantá-lo em três dias?” 21 Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo.f 22 Depois que ressus­ 2Í 1 1 C 06-Í
2 .2 2 a U 2 i-:-í
citou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito.9 Então creram na Escritura J o 1 Z 1 6 ;1 í- 2
e na palavra que Jesus dissera.
23 Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa,h muitos viram os sinais milagrosos que ele
estava realizando e creram em seu nome^.24 Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos.
23 Não precisava que ninguém lhe desse testemunho a respeito do homem, pois ele bem sabia 2o^ que 5 M t9 4
Jo 6.61,64 13."
havia no homem.'

O Encontro de Jesus com Nicodemos


Havia um fariseu chamado Nicodemos,! uma autoridade entre os judeus.k 2 Ele veio a Jesus, à 3.1 Uo 7.50:
3 19.39; *Lc22.-:
noite, e disse: “Mestre, sabemos que ensinas da parte de Deus, pois ninguém pode realizar os 32 Uo 9.1632
sinais milagrosos1que estás fazendo, se Deus não estiver com ele”.m
mAt 2.22:1 0 JI

3 Em resposta, Jesus declarou: “Digo a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer 1 3 "Jo 1.13
lP e l2 3
de novoá”.n
4 Perguntou Nicodemos: “Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar
pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!”
3 Respondeu Jesus: “Digo a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer
da água e do Espírito.0 6 O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito.P 3.6 pJ o 1.13
1Co 15.50
7 Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo.8 O vento6 sopra
« 2 .6 Grego: 2 ou 3 metretas. A metreta era uma medida de capacidade de cerca de 40 litros.
‘ 2.17 SI 69.9.
f 2 .2 3 Ou creram nele.
d 3 .3 Ou nascer de cima; também no versículo 7.
e 3 .8 Traduz o mesmo termo grego para designar espírito.

2.6 Os judeus tomavam-se cerimonialmente impuros durante as cir­ sobre Cafarnaum, ver nota em Mt 4.13; sobre “irmáos”, ver noca a z
cunstâncias normais de vida diária e se purificavam derramando água Lc8.19).
sobre as máos. Para um banquete prolongado, com muitos convidados, 2.13 Ver nota em Lc 2.41.
era necessário reunir grande quantidade de água para esse propósito. 2.14 Ver nota em Lc 19.45.
2.8,9 O “encarregado da festa” era aparentemente um dos convidados 2.20 O novo templo de Herodes só foi finalizado em 63/64 c_C
que servia como mestre de cerimônia (ver “Casamentos no antigo O significado aqui é que a obra no edifício já se estendia por quarern
Israel”, em Ct 3). e seis anos. Visto que a construçáo começara por volta de 19/20 a.C
2.10 De forma geral, depois que o paladar dos convidados estava entor­ (ver “O templo de Herodes”, em Mc 11), o ano do acontecimento ac _
pecido, o “vinho inferior” era servido. registrado é cerca de 27 d.C.
2.12 Situada à margem do lago, Cafarnaum estava num nível mais bai­ 3.1 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3-7 e
xo que Caná, por isso ele “desceu” para Cafarnaum (para informações Lc5.17.
JOÃ O 4.6 1725

onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com
todos os nascidos do Espírito”.
3.9 qJo 6.52,60 9 Perguntou Nicodemos: “Como pode ser isso?”<i
3 . 1 0 l c 2 .4 6 10 Disse Jesus: “Você é mestre em Israelr e não entende essas coisas?11 Asseguro que nós falamos
3 .1 1 sJo 1.18;
7 .1 6 ,1 7 ; ty. 32 do que conhecemoss e testemunhamos do que vimos, mas mesmo assim vocês não aceitam o nosso
testemunho.*12Eu falei de coisas terrenas e vocês não creram; como crerão se falar de coisas celestiais?
3 . 1 3 uP v 30.4;
13 Ninguém jamais subiu ao céu,ua não ser aquele que veio do céu:v o Filho do homem.*14 Da mesma
A t 2 .3 4 ; Ef 4 .8 -1 0 ;
vJo 6 .3 8 ,4 2 forma como Moisés levantou a serpente no deserto,w assim também é necessário que o Filho do
3 . 1 4 "N m 2 1.8 ,9 ;
«Jo 8 .2 8 ; 12 .32 homem seja levantado/15 para que todo o que nele crerv tenha a vida eterna.
3 . 1 5 w . 1 6,3 6
3 . 1 6 zRm 5.8;
16 “Porque Deus tanto amouz o mundo que deu o seu Filho Unigênito6, para que todo o que nele
Ef 2.4 ; 1 J o 4 .9 ,1 0 ; crer não pereça, mas tenha a vida eterna.3 17 Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo,b não para con­
av. 3 6 ; J o 6 .2 9 ,4 0 ;
1 1 .2 5 ,2 6 denar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.c 18 Quem nele crê não é condenado,d
3 . 1 7 bJ o 6.2 9 ,5 7 ;
1 0 .3 6 ;1 1 .4 2 ; mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.e 19 Este é o
1 7 .8 ,2 1 ;2 0 .2 1 ;
cJo 12 .4 7 ;
julgamento: a luzf veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras
1 J o 4 .1 4 eram m ás.20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam
3 . 1 8 dJ o 5.2 4;
e1 J o 4 .9 manifestas.s21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas
3 . 1 9 U o 1.4; 8 .1 2
3 . 2 0 9Ef 5 .1 1 ,1 3 obras são realizadas por intermédio de Deus”.c

O Testem unho de João Batista acerca de Jesus


22 Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judeia, onde passou algum tempo
com eles e batizava.h 23 João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali
3 .2 4 M 4 .1 2 ; 14 .3 muitas águas, e o povo vinha para ser batizado.24 (Isto se deu antes de João ser preso.)'25 Surgiu uma
3 . 2 5 U o 2.6
discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu** a respeito da purificação cerimonialj
3 . 2 6 * M t 23.7 ; 26 Eles se dirigiram a João e lhe disseram: “Mestre,k aquele homem que estava contigo no outro lado
U o 1 .7
do Jordão, do qual testemunhaste,1está batizando, e todos estão se dirigindo a ele”.
3 . 2 8 -"Jo 1 .2 0 ,2 3 27 A isso João respondeu: “Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus.28 Vocês mesmos
são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele.m
3 . 2 9 nM t 9 .1 5 ; 29 A noiva pertence ao noivo.n O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve enche-se
oJo 1 6 .2 4 ; 1 7 .1 3;
Fp 2.2 ; 1 J o 1.4; de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa.0 30 É necessário
2 J o 12
que ele cresça e que eu diminua.
3 .3 1 pv. 1 3 ; 31 “Aquele que vem do altoP está acima de todos; aquele que é da terra pertence à terra e fala
<Uo 8 .2 3 ; 1Jo 4 .5
3 . 3 2 rJ o 8 .2 6 ; como quem é da terra.Q Aquele que vem dos céus está acima de todos.32 Ele testifica o que tem visto e
15.1 5 ; sv.11
ouvido,r mas ninguém aceita o seu testemunho.s 33 Aquele que o aceita confirma que Deus é verdadei­
3 . 3 4 V 17; ro. 34 Pois aquele que Deus enviou* fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espíritou sem limitações.
uM t 12.18;
Lc 4 .1 8 ; A t 10 .38 35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos.v 36 Quem crê no Filho tem a vida eterna;wjá quem
3 .3 5 vM t 28 .1 8; rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”.e
J o 5 .2 0 ,2 2 ; 1 7.2
3 . 3 6 «v. 15;
Jo 5 .2 4 ; 6 .4 7 Jesus Conversa com um a Samaritana
Os fariseus ouviram falar que Jesus/ estava fazendo e batizando mais discípulos do que João,x
4
4 .1 xJo 3 .2 2 ,2 6

2 embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. 3 Quando o Senhor ficou
sabendo disso, saiu da Judeiav e voltou uma vez mais à Galileia.
4 . 5 ^Gn 33 .1 9 ; 4 Era-lhe necessário passar por Samaria.5 Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar,
4 8 .2 2 ; J s 2 4 .3 2
perto das terras que Jacó dera a seu filho José.2 6 Havia ali o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem,
sentou-se à beira do poço. Isto se deu por volta do meio-dia^.
a 3 .1 3 Alguns manuscritos acrescentam que está no céu.
b 3 .1 6 Ou Único-, também no versículo 18.
c 3 .2 1 Alguns intérpretes encerram a citação no fim do versículo 15.
d 3 .2 5 Alguns manuscritos dizem e certos judeus.
e 3 .3 6 Alguns intérpretes encerram a citação no fim do versículo 30.
f 4 .1 Muitos manuscritos dizem o Senhor.
9 4 .6 Grego: da hora sexta.

3.22 Esse é o único registro de que Jesus ministrava batismos, embora 4.1 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3.7 e
em 4.2 esteja claro que eram seus discípulos, e não o próprio Jesus, que Lc 5.17.
batizavam as pessoas (ver “Batismo no mundo antigo”, em Mt 3). 4.4 Samaria aqui é uma referência à região inteira, não apenas à cidade.
3.23 O local de Enom é incerto; pode ter sido aproximadamente a quase Os judeus costumavam evitar Samaria, cruzando o Jordão e viajando
13 quilômetros ao sul de Citópolis (Beth Sharí), a oeste do rio Jordão. pelo lado oriental do rio (ver notas em Mt 10.5; Lc 9.52). Talvez a ne­
3.25 Os Manuscritos do mar Morto (Qumran) mostram que alguns ju­ cessidade de passar por Samaria estivesse relacionada com a missão de
deus estavam profundamente interessados na maneira certa de alcançar a Jesus, não com a geografia.
purificação cerimonial. (Ver “Interpretação bíblica em Qumran e entre os 4.5 Sicar era uma aldeia pequena perto de Siquém (ver “Siquém”, em
antigos rabinos”, em Mt 23; e “Qumran e o Novo Testamento”, em Lc 6). Js24).
3.29 Ver “Casamentos no antigo Israel”, em Ct 3. 4.6 Em seu sentido mais básico, o poço é uma cova ou buraco cavado
na terra até o lençol de água (o nível no qual o solo é permanentemente
1726 J OÃO 4 .7

7 Nisso veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dê-me um pouco de água”.
8 (Os seus discípulos tinham ido à cidade3 comprar comida.)
9 A mulher samaritana lhe perguntou: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana,b 4.9 »Mt 10.5;
Lc 9.52,53
água para beber?” (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.3)
10 Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem está pedindo água, você lhe 4 . 1 0 cls 44.3;
J r 2.13; Zc 14.8;
teria pedido e dele receberia água viva”.c JO 7.37,38;
11 Disse a mulher: “O senhor não tem com que tirar água, e o poço é fundo. Onde pode conseguir Ap 21.6; 22.1,17
essa água viva?12 Acaso o senhor é maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço,d do qual ele 4 . 1 2 “v. 6
mesmo bebeu, bem como seus filhos e seu gado?”
13 Jesus respondeu: “Quem beber desta água terá sede outra vez,14 mas quem beber da água que4 . 1 4 eJo 6.35;
'Jo 7.38; iM t 25.46
eu lhe der nunca mais terá sede.e Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de
águaf a jorrar para a vida eterna”.9
15 A mulher lhe disse: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede,h nem precise 4 . 1 5 "JO 6.34

voltar aqui para tirar água”.


16 Ele lhe disse: “Vá, chame o seu marido e volte”.
17 “Não tenho marido”, respondeu ela.
Disse-lhe Jesus: “Você falou corretamente, dizendo que não tem m arido.18 O fato é que você já
teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade”.
19 Disse a mulher: “Senhor, vejo que é profeta.'20 Nossos antepassados adoraram neste monte) mas4 . 1 9 M t 21.11
4 . 2 0 I D tl 1.29;
vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.k JS 8.33; » U 9.53
21 Jesus declarou: “Creia em mim, mulher: está próxima a hora1em que vocês não adorarão o Pai4 . 2 1 'Jo 5.28;
16.2; mM11.11;
nem neste monte, nem em Jerusalém.m 22 Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem;11 1Tm 2.8
4 . 2 2 "2RS17.28-
nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.0 23 No entanto, está chegando a 41; °ls 2.3;
hora, e de fato já chegou,p em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito^ e em verdade. Rm 3.1,2; 9.4,5
4 . 2 3 íJo 5.25;
São estes os adoradores que o Pai procura.24 Deus é espírito/ e é necessário que os seus adoradores o 16.32; »Fp 3.3
4 . 2 4 f p 3.3
adorem em espírito e em verdade”.
25 Disse a mulher: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo)s está para vir. Quando ele vier, explicará 4 . 2 5 « M t 1 . 1 6
tudo para nós”.
26 Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.1 4 . 2 6 Uo 8.24;
9.35-37

Os Discípulos Voltam da Cidade


27 Naquele momento, os seus discípulos voltaram11e ficaram surpresos ao encontrá-lo conversando
com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “Que queres saber?” ou: “Por que estás conversando com ela?”

a 4.9 Ou não usam pratos que os samaritanos usaram.

saturado com água). Para segurança e permanência, nos tempos bíblicos, 4.9 Os judeus estariam cerimonialmente impuros se usassem um utensí­
os poços eram geralmente cercados por paredes de pedra. No caso de lio usaao para beber manejado por um samaritano, pois acreditavam que
alguns poços famosos, como o poço de Jacó, em Sicar (cap. 4), as paredes todos os samaritanos eram “impuros” (ver “Os samaritanos”, em Jo 8).
eram construídas com pedras adornadas. Deve-se distinguir o poço da 4.11 Ver nota no versículo 6.
cisterna (que servia para armazenar água, Jr 2.13), da nascente (que é 4.18 Os judeus acreditavam que a mulher podia ser divorciada duas ou,
encontrada na superfície) e da fonte (da qual a água jorra ativamente, no máximo, três vezes. Se os samaritanos seguiam o mesmo padrão, a
Js 15.9). Para comentários adicionais sobre poços, ver nota em J1 1.20; vida dessa mulher fora excessivamente imoral. Aparentemente, ela não se
ver também “Poços, cisternas e aquedutos no mundo antigo”, em Jr 38. casara com o parceiro com quem vivia agora.
A moderna Bir Ya‘kub é sem dúvida o “poço de Jacó” citado nesse ver­ 4.20 O próprio lugar de adoração fora por muito tempo motivo de
sículo. Por mais de vinte e três séculos, os samaritanos e os judeus deram debate entre os judeus e os samaritanos. Os samaritanos defendiam
testemunho disso. O território mencionado por João fora comprado por que o monte Gerizim era especialmente sagrado. Haviam construído
Jacó (Gn 33.19), depois retomado à força dos amorreus (Gn 48.22). O um templo ali, por volta de 400 a.C., que os judeus destruíram em
poço fica perto da base de monte Gerizim, e Jesus pode ter aludido aos 128 a.C. (Ver “Ò templo samaritano no monte Gerizim”, em Jo 4; e
seus penhascos com a expressão “neste monte” (Jo 4.21). Uma abertura “Os samaritanos”, em Jo 8).
estreita de 1,3 metro de comprimento foi cavada através da pedra calcá­ 4.22 A Bíblia dos samaritanos continha apenas o Pentateuco. Os samari­
ria. Um explorador, em 670 a.C., alegou que sua profundidade era de 75 tanos adoravam o verdadeiro Deus, mas o fato de rejeitarem grande parte
metros, enquanto outro informou em 1697 que era de 33 metros. Em da Revelação significava que pouco sabiam a respeito dele.
1861, o major Anderson declarou que não passava de 23 metros. 4.25 Os samaritanos esperavam um Messias, mas sua rejeição a todos
Quando o poço foi finalmente limpo, em 1935, constatou-se que sua os escritos inspirados que não faziam parte do Pentateuco significa que
profundidade era de 42 metros. Durante séculos, os turistas lançaram pouca coisa sabiam a respeito dele. Pensavam nele principalmente como
seixos dentro do poço, até que os católicos gregos compraram o local e o um mestre.
puseram sob sua guarda. 4.26 Essa é a única ocasião em que Jesus, antes de seu julgamento, de­
Por volta do meio-dia”: a hora sexta, no original grego. clara ser o Messias (ver, porém, Mc 9.41). O termo “messias” não tinha
4.7 As pessoas costumavam tirar água no final da tarefe, não no calor do em Samaria as implicações políticas que se verificavam na Judeia, o que
meio-dia (ver Gn 24.11). Mas a prática é atestada por Josefo: ele declara pode ter motivado Jesus a usar essa designação aqui.
que as mulheres jovens a quem Moisés ajudou (Ex 2.15-17) vieram tirar 4.27 Os mestres religiosos judaicos raramente falavam com mulheres
água ao meio-dia. em público.
] OÃO 4 . 3 6 1 727

4.29 vv. 17,18; 28 Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo:29 “Venham ver um
m 12.23;
Jo 7.26,31 homem que me disse tudo o que tenho feito.v Será que ele não é o Cristo?”w30 Então saíram da cidade
e foram para onde ele estava.
31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com ele: “Mestre,x come alguma coisa”.
vJó 23.12;
4 .3 2 32 Mas ele lhes disse: “Tenho algo para comerv que vocês não conhecem”.
Mt 4.4; Jo 6.27
33 Então os seus discípulos disseram uns aos outros: “Será que alguém lhe trouxe comida?”
4 . 3 4 zM t 26.39; 34 Disse Jesus: “Á minha comida é fazer a vontade2 daquele que me enviou e concluir a sua obra.3
Jo 6.38; 17.4;
19.30; aJo 19.30 35 Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita ? Eu digo a vocês: Abram os olhos e vejam
4 . 3 5 bM t 9.37;
Lc 10.2 os campos! Eles estão maduros para a colheita.b 36 Aquele que colhe já recebe o seu salário e colhec
4.36 cRm 1.13;
dM t 25.46

S Í T I O S A R Q U E O L Ó G I C O S

O TEMPLO SAMARITANO
NO MONTE GERIZIM
JOÃO 4 A rivalidade entre samaritanos e •?* Desde o tempo da construção do templo esperança de que um profeta semelhante
judeus datava de muitos séculos.1De acordo samaritano (geralmente datado de 388 a.C.), a ele surgiria para restaurar seu santuário.
com 2Reis 17, os samaritanos descendiam Samaria funcionou como templo-Estado Essa personagem messiânica era denomi­
de povos da Mesopotâmia estabelecidos à sob a liderança de uma aristocracia sacerdo­ nada o Restaurador. Um documento sama­
força na região norte de Israel, pelo rei da tal própria. ritano, o MemarMarqah, embora escrito no
Assíria, por ocasião do exílio de 722 a.C.2 •f* No período da dominação grega, o tem­ século IV d.C., contém tradições samaritanas
Eles combinaram a adoração de Yahweh plo samaritano dedicado ao Júpiter (Zeus) mais antigas e declara: "Deixe o Restaurador
com práticas idólatras. A construção de um Hospitaleiro (2Mc 6.2).3 vir com segurança e oferecer um verdadeiro
templo samaritano dedicado a Yahweh ❖ Depois do êxito dos macabeus na guer­ sacrifício. 0 Restaurador virá em paz e re­
no monte Gerizim e o estabelecimento de ra, o templo samaritano foi atacado e des­ velará a verdade, purificará o mundo e es­
um sacerdócio hereditário rival datam do truído pelo sacerdote-rei hasmoneu João tabelecerá os líderes do povo como eram em
século IV a.C. Josefo informa que o sumo Hircano, em 128 a.C. (Antiguidadesjudaicas, outro tempo" (MemarMarqah, 2.33,70,180).
sacerdote Manassés esteve a ponto de ser 13). Esse ato selou uma discórdia permanen­ A mulher samaritana expressa essa expecta­
expulso de Jerusalém por causa de sua espo­ te entre as duas comunidades e fundamenta tiva ao declarar: "eu sei que o Messias [...]
sa estrangeira, Nicasis, filha do samaritano em grande parte a hostilidade entre judeus e está para vir. Quando ele vier, explicará tudo
Sambalate. Sambalate, por sua vez, pro­ samaritanos refletida no NT (v. 9). para nós" (v. 25). A resposta de Jesus é suave,
meteu preservar o sacerdócio de Manassés, ❖ 0 imperador Adriano construiu ali outro como de praxe: "Eu sou o Messias! Eu, que
indicá-lo como governador de seu território templo dedicado a Zeus (século II d.C.). estou falando com você" (v. 26).
e construir no monte Gerizim um templo ❖ 0 imperador cristão Justiniano construiu
semelhante ao de Jerusalém, com a condi­ uma igreja no mesmo lugar (séc. VI), mais
ção de que Manassés permanecesse casado tarde destruída pelos árabes (séc. VII).
com sua filha (Josefo, Antiguidadesjudaicas,
11.8 .2 ). Os arqueólogos descobriram as ruínas
Os samaritanos, entretanto, considera- da igreja de Justiniano, do templo de Adria­
vam-se descendentes fiéis de Israel e viam no e do templo que João Hircano destruiu.
os judeus como apóstatas. Eles aceitavam As palavras da mulher no poço refletiam a
apenas o Pentateuco como Escritura, devoção dos samaritanos para com esse
numa versão em que o monte Gerizim é o lu­ local.
gar escolhido para o santuário (Dt 11.29,30; Os samaritanos, como os judeus, espe­
cf. Jo 4.20). ravam a vinda do Messias. Reverenciavam
A história em torno do local do templo Moisés como seu verdadeiro profeta e, basea­
no monte Gerizim é bastante confusa: dos em Deuteronômio 18, alimentavam a

'Ver "Os samaritanos", em Jo 8. 2Ver "Oseias, rei de Israel, e Salmaneser V, rei da Assíria", em 2Rs 17. JLivro apócrifo.
1 72 8 ] O A O 4. 3 7

4.37 ®Jó 31.8 ; firuto para a vida eterna,'J de forma que se alegram juntos o que semeia e o que colhe.37 Assim é verda­
M q 6 .1 5
deiro o ditado: ‘Um semeia, e outro colhe’.e 38 Eu os enviei para colherem o que vocês não cultivaram.
Outros realizaram o trabalho árduo, e vocês vieram a usufruir do trabalho deles”.

M uitos Sam aritanos Creem


39 Muitos samaritanos daquela cidadef creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela mu­
lher: “Ele me disse tudo o que tenho feito”.040 Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos insis­
tiram em que ficasse com eles, e ele ficou dois dias.41E, por causa da sua palavra, muitos outros creram.
4.42 hLc 2.1 1 ; 42 E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos
1Jo 4 .1 4
o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.h

Jesus C ura o Filho de um Oficial


4.43 *v. 4 0 43 Depois daqueles dois dias,' ele partiu para a Galileia. 44 (O próprio Jesus tinha afirmado que
4.44 iM t 13 .5 7 ;
L c 4 .24 nenhum profeta tem honra em sua própria terra.))45 Quando chegou à Galileia, os galileus deram-lhe
4.45 U o 2 .23 boas-vindas. Eles tinham visto tudo o que ele fizera em Jerusalém, por ocasião da festa da Páscoa,k
pois também haviam estado lá.
4.46'Jo 2.1 -1 1 46 Mais uma vez ele visitou Caná da Galileia, onde tinha transformado água em vinho.1E havia ali um
4.47 mv . 3 ,5 4 oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum.47 Quando ele ouviu Mar que Jesus tinha che­
gado à Galileia, vindo da Judeia,mprocurou-o e suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à
beira da morte.
4.48 nDn 4 .2 ,3 ; 48 Disse-lhe Jesus: “Se vocês não virem sinais e maravilhas," nunca crerão”.
J o 2 .1 1 ; A t 2 .4 3 ;
14 .3; Rm 15 .1 9 ; 49 O oficial do rei disse: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra!”
2C o 12.1 2; Hb 2 .4
50 Jesus respondeu: “Pode ir. O seu filho continuará vivo”. O homem confiou na palavra de Jesus
e partiu. 51 Estando ele ainda a caminho, seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o
menino estava vivo.52 Quando perguntou a que horas o seu filho tinha melhorado, eles lhe disseram:
“A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde0”.
53 Então o pai constatou que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: “O seu filho
continuará vivo”. Assim, creram ele e todos os de sua casa.0
4.54 pv. 4 8; 54 Esse foi o segundo sinal milagrosoP que Jesus realizou depois que veio da Judeia para a Galileia.
J o 2 .1 1

A C ura Junto ao T anque de Betesda


5 .2 oNm 3 .1; Algum tempo depois, Jesus subiu a Jerusalém para uma festa dos judeus. 2Há em Jerusalém,
12 .3 9 ;
fJo 1 9 .1 3 ,1 7 ,2 0 ;
2 0 .1 6 ; A t 21 .4 0 ;
2 2.2 ; 2 6 .1 4
5 perto da porta das Ovelhas,15 um tanque que, em aramaicoV é chamado BetesdaS tendo cinco
entradas em volta. 3 Ali costumava ficar grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos,
mancos e paralíticos. Eles esperavam um movimento nas águas.'*4 De vez em quando descia um
anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitadas as águas,
era curado de qualquer doença que tivesse. 5 Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e
oito an os.6 Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus
lhe perguntou: “Você quer ser curado?”
7 Disse o paralítico: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água
é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”.
5 .8 sM t 9 .5 ,6 ; 8 Então Jesus lhe disse: “Levante-se! Pegue a sua maca e ande”.s 9 Imediatamente o homem ficou
M c 2 .1 1 ; Lc 5 .2 4
5 .9 U o 9 .1 4
curado, pegou a maca e começou a andar.
5.10 “v. 16; Isso aconteceu num sábado,*10 e, por essa razão, os judeus11 disseram ao homem que havia sido
vNm 1 3 .1 5 -2 2 ;
J r 1 7 .2 1 ; M t 12 .2 curado: “Hoje é sábado, não é permitido a você carregar a maca”.v
11 Mas ele respondeu: “O homem que me curou me disse: ‘Pegue a sua maca e ande’ ”.
12 Então lhe perguntaram: “Quem é esse homem que mandou você pegar a maca e andar?”
fl 4 .5 2 Grego: à hora sétima.
b 5 .2 Grego: em hebraico; também em 19.13,17,20 e 20.16.
c 5 .2 Alguns manuscritos dizem Betzata; outros trazem Betsaida.
d 5 .3 A maioria dos manuscritos mais antigos não trazem essa frase e todo o versículo 4.

4.39 “Aquela cidade” é Sicar (v. 5). que o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém. Outros, porém,
4.42 Para mais informações sobre Jesus como Salvador, ver nota em observam que João usa às vezes o tempo presente para falar do passado.
Lc 2.11. Betesda geralmente é identificada pelos tanques gêmeos situados perto
4.46 Evidentemente, “um oficial do rei” era alguém a serviço de Herodes. da atual Igreja de Santa Ana. Parece que havia uma colunata em cada um
4.52 “Uma hora da tarde”: a hora sétima, no original grego. dos quatro lados e outra entre os dois tanques (ver “O tanque de Betesda,
5.1 A “festa dos judeus” provavelmente é a Páscoa ou o Pentecostes em Jerusalém”, em Jo 5).
(a festa das cabanas; ver “Festas de Israel”, em Lv 23). 5.10 Não era a própria Lei, mas sua interpretação tradicional que proibia
5.2 O uso do tempo presente (“há”) pode significar que o tanque ainda levar cargas de qualquer natureza no sábado (ver nota em Mt 15.2).
existia quando Joáo escreveu seu evangelho, o que levou alguns a sugerir
J OÃO 5 . 1 3 1 729

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

O T A N Q U E DE B E T E S D A
EM J E R U S A L É M
impressionante. 0 dispendioso complexo
dos dias de João provavelmente datava do rei­
nado de Herodes, o Grande,2 mas os tanques
sem dúvida já estavam em uso antes disso
e talvez estivessem no local de uma fonte
intermitente. A conexão entre o tanque e o
processo de cura é atestada náo apenas no
quarto evangelho, mas também nos res­
quícios arqueológicos, que indicam que até
os romanos começaram a buscar a cura ali,
depois de terem conquistado Jerusalém, por
volta de 135 d.C.
Existe certa controvérsia sobre a tradu­
ção "porta das Ovelhas”, em João 5.2. A tra­
dição cristã primitiva entendia que o correto
deveria ser "tanque das Ovelhas". Ambas as
traduções são possíveis, mas a evidência his­
tórica para a última não é tão forte. Eusébio
observa que as águas do tanque eram de cor
avermelhada, e alguns supõem que isso se
devia ao costume de se lavarem ali
nhas dos animais oferecidos em sacrifício.
O mais provável, porém, é que a coloração
vermelha fosse um simples fator geológico
e que os tanques foram construídos para
facilitar a purificação ritual dos visitantes
do templo.3

’Ver "Qumran e o Novo Testamento", em Lc 6.


2Ver "Herodes, o Grande", em Mc 3. 3Ver
"Batismo no mundo antigo", em Mt 3.

Betesda (acima) e as escavações dos


tanques (à direita)
Foto: © ToddBolen/Bible Plaíes.com

JOÃO 5 0 tanque de Betesda era um local


bem conhecido dos judeus de Jerusalém.
É mencionado, por exemplo, no Rolo de
cobre de Qumran, ali denominado "lugar
da água derramada".1Estava situado próxi­
mo das ruínas da Basílica de Santa Ana, ao
norte do monte do Templo. 0 "tanque", na
verdade, eram dois e estavam cercados por
quatro pórticos, havendo um quinto pórti­
co situado entre eles. A visão conjunta dos
pórticos elegantes e dos tanques devia ser
1730 } OÃO 5 . 1 3

13 0 homem que fora curado não tinha ideia de quem era ele, pois Jesus havia desaparecido no
meio da multidão.
14 Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Olhe, você está curado. Não volte a pecar,w 5.14 «Mc 2.5:
Jo 8.11
para que algo pior não aconteça a você”. 15 O homem foi contar aos judeusx que fora Jesus quem o S .1 S - J 0 1.19
tinha curado.

Vida p o r meio do Filho


16 Então os judeus passaram a perseguir Jesus, porque ele estava fazendo essas coisas no sábado.
17 Disse-lhes Jesus: “Meu Pai continua trabalhando* até hoje, e eu também estou trabalhando”. 5 .1 7 yJo 9.4 ; 14 - :
18 Por essa razão, os judeus mais ainda queriam matá-lo,z pois não somente estava violando o sábado, 5 .1 8 zJ o 7.1;
^ 0 1 0 .3 0 ,3 3 ; 15.7
mas também estava dizendo que Deus era seu próprio Pai, igualando-se a Deus.a
19 Jesus lhes deu esta resposta: “Eu digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si5 .1 9 ty . 30;
J o 8 .2 8
mesmo;b só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz. 20 Pois o Pai 5 .2 0 cJ o 3.35;
ama ao Filhoc e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de vocês, ele lhe mostrará obras ainda «Uo 14.12
maiores do que estas.d 21 Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida,e o Filho 5.21 eRm 4.17;
8 .1 1 ; U o 11.25
também dá vidaf a quem ele quer.22 Além disso, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento 5 .2 2 W . 27;
J o 9 .3 9 ; A t 10.42:
ao Filho,8 23 para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, tam­ 17.31
5 .2 3 hLc 10.16;
bém não honra o Pai que o enviou.h
1J0 2 .23
24 “Eu asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e5 .2 4 U o 3.18;
i1 J o 3.1 4
não será condenado,' mas já passou da morte para a vidaj 25 Eu afirmo que está chegando a hora, e já 5 .2 5 'U o 4.23;
Uo 8 .4 3 ,4 7
chegou,k em que os mortos ouvirão1a voz do Filho de Deus, e aqueles que a ouvirem viverão.26 Pois,
da mesma forma como o Pai tem vida em si mesmo, ele concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.
27 E deu-lhe autoridade para julgar,mporque é o Filho do homem. 5 2 7 "V . 22;
A t 10.4 2 ; 17.31
28 “Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora" em que todos os que estiverem5 .2 8 nJ o 4.21
nos túmulos ouvirão a sua voz 29 e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que 5 2 9 °Dn 12.2;
M t 25.46
fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados.0 30 Por mim mesmo, nada posso fazer;P eu julgo 5 .3 0 pv. 19;
<Uo8.16;
apenas conforme ouço, e o meu julgamento é justo,1! pois não procuro agradar a mim mesmo, mas M 26.3 9 ; J o 4.34:
àquele que me enviou/ 6 .3 8

Testem unhos acerca de Jesus


31 “Se testifico acerca de mim mesmo, o meu testemunho não é válido.11332 Há outro que testemu­5.31 sJ o 8 .1 4
5 .3 2 ty. 37; J o 8 .18
nha em meu favor,* e sei que o seu testemunho a meu respeito é válido.
33 “Vocês enviaram representantes a João, e ele testemunhou11da verdade. 34 Não que eu busque5 .3 3 “J o 1.7
5 .3 4 v1Jo 5 .9
testemunhov humano, mas menciono isso para que vocês sejam salvos.35 João era uma candeia que 5 .3 5 «2Pe 1.1 9
queimava e irradiava luz,we durante certo tempo vocês quiseram alegrar-se com a sua luz.
36 “Eu tenho um testemunho maior que o de João;x a própria obra que o Pai me deu para concluir,5 .3 6 X1 J o 5.9;
yJo 14.1 1 ; 15.24;
e que estou realizando,>testemunha que o Pai me enviou.2 37 E o Pai que me enviou, ele mesmo tes­ U o 3 .1 7 ; 10.25
temunhou a meu respeito.3 Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma,b 38 nem a sua 5bD.3t 74a.1J2o;81Tm .1 8 ;

palavra habita em vocês,c pois não creem naquele que ele enviou.d39 Vocês estudam cuidadosamente4 1 .1 7 ; J o 1.18
5 .3 8 c1 J o 2.14;
as Escrituras,e porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham dJ o 3 .1 7
5 .3 9 eR m 2.1 7 ,1 8 ;
a meu respeito;f 40 contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida. l c 24.2 7 ,4 4 ;
A t 13 .2 7
41 “Eu não aceito glória dos homens,9 42 mas conheço vocês. Sei que vocês não têm o amor de Deus.
5 . 4 1 9V. 4 4
43 Eu vim em nome de meu Pai, e vocês não me aceitaram; mas, se outro vier em seu próprio nome,
vocês o aceitarão.44 Como vocês podem crer, se aceitam glória uns dos outros, mas não procuram a
glória que vem do Deusc único?h
45 “Contudo, não pensem que eu os acusarei perante o Pai. Quem os acusa é Moisés,' em quem5 .4 5 Uo 9.28;
iR m 2 .1 7
estão as suas esperanças.)46 Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu 5 .4 6 3.15;
respeito.k47 Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo?”1 LC 2 4 .2 7 ,4 4 ;
A t 26 .2 2
0 5.31 Os judeus exigiam mais de um testemunho para condenar ou justificar uma declaração. 5 . 4 7 'Lc 16.29,31
b 5.39 Ou Estudem cuidadosamente.
c 5.44 Alguns manuscritos antigos não trazem Deus.

5.17 Os judeus não se referiam a Deus como “meu Pai”, por considera­ que Deus não deu esse privilégio a ninguém mais. Jesus reivindicava uma
rem o termo íntimo demais — embora talvez usassem a expressão “nosso prerrogativa que, de acordo com seus oponentes, era exclusiva de Deus.
Pai” ou, na oração, “meu Pai no céu”. 5.22 Os judeus acreditavam que o Pai é o Juiz do mundo, portanto esse
5.18 Os judeus não contestaram a ideia de que Deus é o Pai de todos, ensino de Jesus parecia herético para eles.
mas protestaram fortemente contra a relação especial que Jesus alegava 5.46 Os autores do N T às vezes ressaltam e em toda parte presumem
ter com o Pai — uma relação tão íntima como fazer-se igual a Deus. que o AT, lido corretamente, de maneira profunda, aponta para Cristo
5.21 Os judeus (à exceção dos saduceus) acreditavam firmemente que (ver Lc 24.25-27,44).
Deus ressuscitaria os mortos. Mas também tinham a convicção de
JOÃO 6.31 1731

A P rim e ira M u ltip lica çã o dos P ães (Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17)

Algum tempo depois, Jesus partiu para a outra margem do mar da Galileia (ou seja, do mar de
6.2 ">Jo 2.11 6 Tiberíades), 2 e grande multidão continuava a segui-lo, porque vira os sinais milagrosos"1 que
ele tinha realizado nos doentes.3 Então Jesus subiu ao monte" e sentou-se com os seus discípulos.
6.3”v.15
6.4°Jo2.13; 4 Estava próxima a festa judaica da Páscoa.0
11.55
6.5 pJ o 1.43 5 Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a FilipeiP
“Onde compraremos pão para esse povo comer?” 6 Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois
já tinha em mente o que ia fazer.
7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos denários0 não comprariam pão suficiente para que cada um
recebesse um pedaço!”
6.8 «Jo 1 .40 8 Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro,1! tomou a palavra:9 “Aqui está um rapaz com
6.9 Í R s 4 .4 3
cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?”r
10 Disse Jesus: “Mandem o povo assentar-se”. Havia muita grama naquele lugar, e todos se assen­
6.11 sv. 23 ; taram. Eram cerca de cinco mil homens.11 Então Jesus tomou os pães, deu graçass e os repartiu entre
M t 1 4 .1 9
os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes.
12 Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos seus discípulos: “Ajuntem os
pedaços que sobraram. Que nada seja desperdiçado”. 13 Então eles os ajuntaram e encheram doze
cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido.
6.14U0 2 .1 1 ; 14 Depois de ver o sinal milagroso1que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: “Sem dúvida
“ D t 1 8 .1 5 ,1 8 ;
M t 11.3; 21.11 este é o Profeta que devia vir ao mundo”. " 15 Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo reiv à força,
6.15<Jo 1 8.36 ;
" M t 14 .23 ; retirou-se novamente sozinho para o monte.w
M c 6 .4 6

Jesus A n d a sobre as Águas (Mt 14.22-36; Mc 6.45-56)


16 Ao anoitecer seus discípulos desceram para o m a r,17 entraram num barco e começaram a tra­
vessia para Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.18 Soprava
6.19 «Jó 9.8 um vento forte, e as águas estavam agitadas.19 Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilô­
6.20 »Mt 1 4 .2 7 metros*’, viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar,x e ficaram aterrorizados.20 Mas
ele lhes disse: “Sou eu! Não tenham medo!”v21 Então resolveram recebê-lo no barco, e logo chegaram
à praia para a qual se dirigiam.
6.22 .-V. 2 ; «V. 22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do marz percebeu que apenas um
1 5 -2 1
barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham
partido sozinhos.3 23 Então alguns barcos de Tiberíadesbaproximaram-se do lugar onde o povo tinha
comido o pão após o Senhor ter dado graças.0 24 Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os
discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus.

Jesus, o Pão da Vida


6.25 « 2 3 . 7 25 Quando o encontraram do outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Mestre,dquando chegaste aqui?”
6.26 ®v. 2 4 ; *v. 3 0; 26 Jesus respondeu: “A verdade é que vocês estão me procurando,e não porque viram os sinais
J o 2 .1 1
6.27* 5 5 .2 ; "v. milagrosos/ mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos.27 Não trabalhem pela comida que se
54; M t 25.4 6 ;
Jo 4 .1 4 ; 'M t 8.20; estraga, mas pela comida que permaneces para a vida eterna,h a qual o Filho do homem' dará a vocês.
jR m 4.11 ;1 C o 9.2;
2Co 1.22; Ef 1.13;
Deus, o Pai, nele colocou o seu seloi de aprovação”.
4 .3 0 ; 2 T m 2.1 9; 28 Então perguntaram-lhe: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?”
A p 7 .3
6.29 «1Jo 3.2 3; 29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crerknaquele que ele enviou”.1
■Jo3 .1 7
6.30 mJ o 2.1 1; 30 Então perguntaram-lhe: “Que sinal milagroso"1 mostrarás para que o vejamos e creiamos em
"M t 1 2 .3 8
6.31 "N m 1 1 .7 -9 ; ti?" Que farás?31 Os nossos antepassados comeram o maná0 no deserto; como está escrito: ‘Ele lhes
PÊX 1 6 .4 ,1 5 ;
N m 9 .1 5 ; SI
7 8 .2 4 ;
deu a comer pão dos céusv ’.P
1 0 5 .4 0
a 6 .7 O denário era uma moeda de prata equivalente à diária de um trabalhador braçal.
b 6 .1 9 Grego: 25 ou 30 estádios. Um estádio eqüivalia a 185 metros.
! 6 .3 1 Êx 16.4; Ne 9.15; SI 78.24,25.

6.1 A “outra margem” é a costa nordeste, provavelmente perto de Betsai- 6.9 Para mais informações sobre os “pães de cevada”, ver nota em
da (ver Lc 9.10; ver também nota em Mc 8.22). Mc 6.38.
O mar de Tiberíades provavelmente era o nome romano oficial do mar 6.10 Ver nota em Mt 14.21.
da Galileia (ver nota em Mc 1.16). A designação provém da cidade de 6.12 Sobre a frase: “Ajuntem os pedaços”, ver nota em Mc 6.43.
Tiberíades (que recebeu esse nome por causa do imperador Tibério 6.13 Para mais informações sobre os “cestos”, ver nota em Mt 14.20.
César), fundada em cerca de 20 d.C. (ver “Tiberíades”, em Jo 6). 6.15 O povo queria obrigar Jesus a definir politicamente sua missão e
6.5 Filipe era proveniente das cercanias de Betsaida (ver nota em Mc 8.22), seu trabalho — tornar-se rei a fim de rivalizar com os herodianos e com
por isso era natural que lhe perguntassem onde se poderia comprar pão. os romanos. Jesus, porém, não queria tomar parte nesse tipo de realeza.
1 732 I OÃO 6 . 3 2

32 Declarou-lhes Jesus: “Digo a verdade: Não foi Moisés quem deu a vocês pão do céu, mas é meu
Pai quem dá a vocês o verdadeiro pão do céu .33 Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu<i e dá
vida ao mundo”.
34 Disseram eles: “Senhor, dá-nos sempre desse pão!”r
35Então Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida® Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele 6.35 ®V. 4 8,51;
Uo 4.14
que crê em mim nunca terá sede.*36 Mas, como eu disse, vocês me viram, mas ainda não creem.
37 Todo aquele que o Pai me der11virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei.38 Pois desci dos 6 . 3 7 "V. 3 9 ;
J o 1 7 .2 ,6 ,9 ,2 4
céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.v 39 E esta é a 6 . 3 8 "Jo 4 .3 4 ; 5.3 0
6 . 3 9 » J o 10.28;
vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu,wmas os ressuscite no 17.1 2 ; 18.9; *v.
4 0 4 4 ^14
último d ia *40 Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha 6 .4 0 yjo 3.15,16
a vida eterna,y e eu o ressuscitarei no último dia”.
41 Com isso os judeus começaram a criticar Jesus, porque dissera: “Eu sou o pão que desceu do
céu”. 42 E diziam: “Este não é Jesus, o filho de José?z Não conhecemos seu pai e sua mãe?a Como ele 6 . 4 2 zLc 4.22;
aJo 7 .2 7 ,2 8 ; «v.
pode dizer: ‘Desci do céu’?”b 3 8 ,6 2

43 Respondeu Jesus: “Parem de me criticar.44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou,6 . 4 4 cv . 65;
J r 31.3; J o 12.32
não o atrair;c e eu o ressuscitarei no último d ia.45 Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão ensinados 6 . 4 5 dls 54.13;
J r 31.3 3 ,3 4 ;
por Deus’0.1* Todos os que ouvem o Pai e dele aprendem vêm a mim. '“ Ninguém viu o Pai, a não ser Hb 8 .1 0 ,1 1 ; 1 0 .1 6
6 . 4 6 <Uo 1.18;
aquele que vem de Deus;e somente ele viu o P ai.47 Asseguro a vocês que aquele que crê tem a vida 5 .3 7 ; 7.2 9
eterna.48 Eu sou o pão da vida.f 49 Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram.s 6 . 4 8 <V. 35,51
6 . 4 9 9V. 3 1 ,5 8
50 Todavia, aqui está o pão que desce do céu,h para que não morra quem dele com er.51 Eu sou o pão 6 . 5 0 ty . 33
6 .5 1 iHb 10.10
vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne,
que eu darei pela vida do mundo”.1
52 Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si:i “Como pode este homem nos6 . 5 2 U o 7.43;
9 .1 6 ; 1 0 .1 9
oferecer a sua carne para comermos?”

6 .4 5 Is 54.13.

6.45 “Profetas” é o nome da seção do AT da qual essa citação foi tirada. (agrupados pelos judeus como o Livro dos Doze) —-, mas também c
Essa seção inclui não apenas os Profetas Posteriores — Isaías, Jeremias Profetas Anteriores (Josué, Juizes, Samuel e Reis).
e Ezequiel, que chamamos Profetas Maiores, e os 12 Profetas Menores

S Í T I O S A RQJJ E O L O G I C O S

TI B E R Í A D E S
J0Ã0 6 Herodes Antipas, filho de Herodes, Vários sepulcros, descobertos ali duran­ Antipas construiu a cidade de acordo com
o Grande, e tetrarca da Galileia (Mt 14.1; te os estágios iniciais de sua construção,3 os padrões greco-romanos da época, que
Lc 3.19),1 fundou a cidade de Tiberiades foram removidos dali, e novos edifícios se incluía um estádio, o fórum, banhos públi­
(ver mapa 9) por volta de 20 d.C. A cidade ergueram sobre eles. Por esse motivo, a cos e um luxuoso palácio real adornado com
recebeu esse nome em honra do imperador cidade tornou-se impura para os judeus pie­ estátuas de animais, o que constituíanina
romano Tibério, que governou de 14 a dosos (cf. Nm 19.16). Como resultado, Hero­ ofensa para os judeus. Tiberiades, portanto,
37 d.C.2 A Tiberiades antiga ficava situada des foi obrigado a povoar a cidade com uma era uma cidade gentia por definição, mas
na costa ocidental do mar da Galileia 3,2 mistura de galileus, estrangeiros e escravos Antipas também construiu uma grande
quilômetros ao sul de Magdala e 1,6 quilô­ libertos. De acordo com Josefo, a povoação sinagoga para os judeus que moravam ali.=
metro ao norte das águas termais de Hama- contínua da cidade foi assegurada pela con­ Tiberiades cresceu em importância como
te. 0 local é identificado geralmente como cessão de terras e casas e pela emancipação centro urbano e administrativo, por isso o
Khirbet Qunaytirah, ao norte da Tiberiades de um grande número de escravos, que mar da Galileia veio a ser conhecido como mar
moderna. foram libertos sob a condição de viverem de Tiberiades (Jo 6.1; 21.1).6
ali (Josefo, Antiguidades judaicas, 18.2.3).4
1Ver também "Herodes, o Grande", em Mc 3. 2Ver Tibério César, o imperador durante o ministério de Jesus", em Lc 20. 3Ver "Túmulos no antigo Israel", em
Jz 17. 4Ver "Escravidão no mundo greco-romano", em Fm. 5Ver "Sinagogas antigas", em At 9. 6Para mais informações sobre outras edificações atribuídas a
Herodes Antipas, ver "Séforis", em Mc 6.
J OÃO 7 . 1 7

6.53 «Mt 8.20 53 Jesus lhes disse: “Eu digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homemk e não
6.54 V. 39 beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos.54 Todo aquele que come a minha carne e bebe
o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.155 Pois a minha carne é verdadeira
5 .5 6 ” J o 1 5 .4 -7 ; comida e o meu sangue é verdadeira bebida. 56 Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu
1Jo 3 .2 4 ; 4 .1 5
6 . 5 7 "J o 3 .17 sangue permanece em mim e eu nele.m57 Da mesma forma como o Pai que vive me enviou" e eu vivo
6 . 5 8 "V. 4 9 -5 1 ; por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. 58 Este é o pão que
J o 3 .3 6 desceu dos céus. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta
deste pão viverá para sempre”.0 59 Ele disse isso quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.

M uitos Discípulos A bandonam Jesus


6 .6 0 pv. 6 6 60 Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulosP disseram: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?”
6.61 « 1 1 . 6 61 Sabendo em seu íntimo que os seus discípulos estavam se queixando do que ouviram, Jesus
6 . 6 2 'M c 16.1 9; lhes disse: “Isso os escandaliza?'! «2 Que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subir para onde
J o 3 .1 3 ; 1 7.5
6 .6 3 s2Co 3.6 estava antes?r 63 O Espírito dá vida;s a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu disse
6 .6 4 iJ o 2 .2 5 são espírito e vida.64 Contudo, há alguns de vocês que não creem”. Pois Jesus sabia* desde o princípio
6 .6 5 «v. 3 7 ,4 4 quais deles não criam e quem o iria trair.65 E prosseguiu: “É por isso que eu disse a vocês que ninguém
pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai”.u
6 .6 6 > 6 0 66 Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulosvvoltaram atrás e deixaram de segui-lo.
6 .6 7 « M t 10 .2 67 Jesus perguntou aos Doze:w“Vocês também não querem ir?”
6 .6 8 « 1 6 . 1 6 68 Simão Pedro lhe respondeu:* “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.
6 .6 9 iM c 8.29; 69 Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus”.v
U 9 .2 0
6 .7 0 M o 1 5 .16 ,19 ; 70 Então Jesus respondeu: “Não fui eu que os escolhi,2 os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo!”8
M o 1 3 .2 7
71 (Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, que, embora fosse um dos Doze, mais tarde haveria
de traí-lo.)

Jesus Vai à Festa das Cabanas


Depois disso Jesus percorreu a Galileia, mantendo-se deliberadamente longe da Judeia, porque
7
7.1 "J o 1.19;
° J o 5 .1 8
7 .2 "L v 23 .3 4 ; ali os judeusbprocuravam tirar-lhe a vida.c 2 Mas, ao se aproximar a festa judaica das cabanas0,d
D t 16 .16
7 . 3 'M t 12 .46
3 os irmãos de Jesuse lhe disseram: “Você deve sair daqui e ir para a Judeia, para que os seus discí­
pulos possam ver as obras que você faz. 4 Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age
em segredo. Visto que você está fazendo estas coisas, mostre-se ao mundo”. 5 Pois nem os seus
irmãos criam nele.*
6 Então Jesus lhes disse: “Para mim ainda não chegou o tempo certo;9 para vocês qualquer tempo
7 .7 "J o 1 5 .1 8 ,1 9; é certo.7 O mundo não pode odiá-los,h mas a mim odeia porque dou testemunho de que o que ele faz
U o 3 .1 9 ,2 0
7 .8 lv. 6 é mau.' 8 Vão vocês à festa; eu ainda6 não subirei a esta festa, porque para mim ainda não chegou o
tempo apropriado”.!9 Tendo dito isso, permaneceu na Galileia.
10 Contudo, depois que os seus irmãos subiram para a festa, ele também subiu, não abertamente, mas
7 .1 1 M o 11 .56 em segredo.11 Na festa os judeus o estavam esperandoke perguntavam: “Onde está aquele homem?”
7 . 1 2 'V. 4 0 ,4 3 12Entre a multidão havia muitos boatos a respeito dele. Alguns diziam: “É um bom homem”.
7 .1 3 "\Jo 9.2 2; Outros respondiam: “Não, ele está enganando o povo”.113 Mas ninguém falava dele em público,
1 2 .4 2 ; 1 9 .3 8
por medo dos judeus.m

Jesus Ensina na Festa


7 .1 4 "V. 2 8; 14Quando a festa estava na metade, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar.n15 Os judeus0 ficaram
M t 2 6 .5 5
7 .1 5 °Jo 1.19; admirados e perguntaram: “Como foi que este homem adquiriu tanta instrução,p sem ter estudado?”1!
PAt 2 6.2 4 ;
« 1 3 .5 4 16Jesus respondeu: “O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou/
7 . 1 6 rJ o 3.11;
1 4 .2 4 17 Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirás se o meu ensino vem de Deus ou se falo por
7 .1 7 *S I 2 5 .1 4 ;
J o 8.4 3 ‘ 7 .2 Ou dos tabemáculos.
b 7 .8 Vários manuscritos não trazem ainda.

6.59 Ver “A sinagoga de Cafarnaum”, em Mt 17. 7.3 Para mais informações sobre os irmãos de Jesus, ver nota em Lc 8.19.
6.60 A ideia de comer a carne do Filho do Homem e beber seu sangue 7.14 Na metade da festa, o número de participantes teria chegado ao
sem dúvida chocou a maioria dos ouvintes judeus de Jesus. máximo. Ensinar nos pátios do templo num momento como esse era
6.69 Sobre a expressão “Santo de Deus”, ver nota em Mc 1.24. garantia de muitos ouvintes (ver “Os degraus em que os rabinos ensina­
6.71 Para mais informações sobre o nome Iscariotes, ver nota em Mc vam, nas escavações do muro Sul”, em Jo 10).
3.19. 7.15 Os judeus queriam saber em que escola Jesus havia estudado.
7.1 Visto que 6.4 se refere à festa da Páscoa e 7.2 à festa das cabanas, o Os padrões educacionais para os rabinos eram bem estabelecidos nos
intervalo subentendido aqui é de aproximadamente seis meses. dias de Jesus. Estudos avançados numa escola rabínica eram comuns (cf.
7.2 A festa das cabanas celebrava o término da colheita e comemorava Paulo com Gamaliel, em At 22.3). Jesus não possuía uma credencial
a bondade de Deus para com o povo durante a peregrinação no deserto desse tipo.
(ver “Festas de Israel”, em Lv 23).
1734 J OÃO 7 . 1 8

mim m esm o.18 Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória,* mas aquele que busca a 7 . 1 8 U o 5.41;
8 .5 0 ,5 4
glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito.19 Moisés não deu a Lei 7 . 1 9 “J o 1.17; vv.
1; M t 12 .1 4
a vocês?u No entanto, nenhum de vocês lhe obedece. Por que vocês procuram matar-me?”v
20 “Você está endemoninhado”,wrespondeu a multidão. “Quem está procurando matá-lo?” 7 . 2 0 wJ o 8.48;
10.20
21 Jesus lhes disse: “Fiz um milagre1, e vocês todos estão admirados.22 No entanto, porque Moisés 7 . 2 2 xLv 12.3;
vGn 1 7 .1 0 -1 4
deu a vocês a circuncisão* (embora, na verdade, ela não tenha vindo de Moisés, mas dos patriarcas),*
vocês circuncidam no sábado.23 Ora, se um menino pode ser circuncidado no sábado para que a Lei
de Moisés não seja quebrada, por que vocês ficam cheios de ira contra mim por ter curado completa­
mente um homem no sábado? 24Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos”.2 7 . 2 4 *ls 11.3,4;
J o 8 .1 5

É Jesus o Cristo?
25 Então alguns habitantes de Jerusalém começaram a perguntar: “Não é este o homem que estão
procurando m atar?26 Aqui está ele, falando publicamente, e não lhe dizem uma palavra. Será que as
autoridades3 chegaram à conclusão de que ele é realmente o Cristo?27 Mas nós sabemos de onde é este 7 .2 7 »M t 13.55;
Lc 4 .22
homem;b quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele é”.
28 Enquanto ensinava no pátio do templo,0 Jesus exclamou: “Sim, vocês me conhecem e sabem de7 .2 8 cv. 14;
dJ o 8.14;
onde sou.d Eu não estou aqui por mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro.e Vocês não o eJo 8 .2 6 ,4 2
conhecem,29 mas eu o conheço* porque venho da parte dele, e ele me enviou”. 7 . 2 9 m 11.27

30 Então tentaram prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos,a porque a sua hora ainda não havia7 . 3 0 9v. 32,44;
J o 1 0 .3 9
chegado.31 Assim mesmo, muitos no meio da multidão creram nelehe diziam: “Quando o Cristo vier, 7 .3 1 hJ o 8.30;
U o 2.11
fará mais sinais milagrosos' do que este homem fez?”
32 Os fariseus ouviram a multidão falando essas coisas a respeito dele. Então os chefes dos sacer­
dotes e os fariseus enviaram guardas do templo para o prenderem.
33 Disse-lhes Jesus: “Estou com vocês apenas por pouco tempoi e logo irei para aquele que me 7 .3 3 U o 13.33;
16.16;
enviou.k 34 Vocês procurarão por mim, mas não me encontrarão; vocês não podem ir ao lugar onde kJo 1 6 .5 ,1 0 ,1 7 ,2 8
7 . 3 4 Uo 8.21;
eu estarei”.1 1 3.33
35 Os judeus disseram uns aos outros: “Aonde pretende ir este homem, que não o possamos en­7 . 3 5 mT g 1.1;
"J o 12.2 0 ; 1Pe 1.1
contrar? Para onde vive o nosso povo, espalhado"1 entre os gregos,n a fim de ensiná-lo?36 O que ele
quis dizer quando falou: ‘Vocês procurarão por mim, mas não me encontrarão’ e ‘vocês não podem
ir ao lugar onde eu estarei’?”
37 No último e mais importante dia da festa,0 Jesus levantou-se e disse em alta voz: “Se alguém tem7 . 3 7 °Lv 23.36;
Pis 55.1; A p 2 2 .1 7
sede, venha a mim e beba.P38 Quem crer em mim, como diz a Escritura,1! do seu interiorr fluirão rios 7 . 3 8 Pis 58.11;
de água viva”.s 39 Ele estava se referindo ao Espirito,* que mais tarde receberiam os que nele cressem.u rJ7 .o3 94 .1U 0l 2.28;
; sJ o 4 .1 4

Até então o Espírito ainda não tinha sido dado, pois Jesus ainda não fora glorificado.*' A t 2.1 7 ,3 3 ;
“ J o 20.22;
40 Ouvindo as suas palavras, alguns no meio do povo disseram: “Certamente este homem é o vJo 12.23;
1 3 .3 1 ,3 2
Profeta”.w 7 . 4 0 « M t 21.11;
J o 1.21
41 Outros disseram: “Ele é o Cristo”. 7 .4 1 *v. 52;
Ainda outros perguntaram: “Como pode o Cristo vir da Galileia?x 42 A Escritura não diz que o J o 1.46
7 . 4 2 vM t 1.1;
Cristo virá da descendência6 de Davi.v da cidade de Belém,2 onde viveu Davi?” 43 Assim o povo ficou zM q 5.2 ; M t 2.5,6;
L c 2 .4
dividido3 por causa de Jesus.44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.b 7 . 4 3 aJo 9.16;
1 0 .1 9
7 . 4 4 ty . 30
A Incredulidade dos Líderes Judeus
45 Finalmente, os guardas do templo voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus, os quais
lhes perguntaram: “Por que vocês não o trouxeram?”
46 “Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala”,c declararam os guardas.
a 7.21 Grego: uma obra.
b 7.42 Grego: semente.

água, que era então levada de volta e derramada como oferta no altar,
7.22 Ver “Circuncisão no mundo antigo”, em Rm 3. acompanhada por uma recitação de Is 12.3. No último dia da celebração
7.32 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3.7 e Lc 5.17. (o sétimo ou oitavo dia), Jesus anunciou que ele mesmo era a fonte de
Sobre “os chefes dos sacerdotes”, ver nota em Mt 2.4. “água viva”.
7.35 Desde os tempos do exílio, muitos judeus viviam fora da Terra Os mestres normalmente se sentavam para ensinar, por isso Jesus cha­
Santa e eram achados na maioria das cidades do Império Romano (ver mou a atenção para sua mensagem estando de pé.
“A diáspora judaica no século I d.C.”, em At 2). 7.42 Existiam diferentes ideias sobre o lugar de origem do Messias
7.37,38 A festa das cabanas durava sete dias (Lv 23.34; Dt 16.13,15), (cf. v. 27).
porém incluía uma “assembleia de encerramento” no oitavo dia (Lv 23.36). 7.46 Os guardas sabiam que teriam problemas por não efetuar a prisão,
A celebração incluía uma procissão diária desde o templo até o tanque mas não mencionaram a hostilidade do povo, que poderiam apresentar
de Siloé (ver “O tanque de Siloé”, em Jo 9), do qual um sacerdote tirava
J OÃO 8 . 1 6 1735

7.47 ty. 12 47 “Será que vocês também foram enganados?”,d perguntaram os fariseus.48 “Por acaso alguém
7.48 «Jo 12.42
das autoridades ou dos fariseus creu nele?e 49 Não! Mas essa ralé que nada entende da lei é maldita.”
50 Nicodemos,1um deles, que antes tinha procurado Jesus, perguntou-lhes:51 “A nossa lei condena
alguém, sem primeiro ouvi-lo para saber o que ele está fazendo?”
52 Eles responderam: “Você também é da Galileia? Verifique, e descobrirá que da Galileia não
surge profeta“”.s

53 Então cada um foi para a sua casa.

Jesus, porém, foi para o monte das 01iveiras.h2 Ao amanhecer ele apareceu novamente no tem­
8
8.1 «Mt 21.1
8.2 V. 20;
M t 26.55 plo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo.13 Os mestres da
lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé
diante de todos 4 e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.
8 .5 iLv 20.10; 5 Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres j E o senhor, que diz?” 6 Eles estavam usando
Dt 22.22
8.6 « 2 2 . 1 5 , 1 8 ; essa pergunta como armadilha,k a fim de terem uma base para acusá-lo.1
'M t 12.10
8 .7 "iDt 17.7; Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. 7 Visto que continuavam a
"Rm 2.1,22
interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar
pedramnela”.n8 Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.
9 Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só,
com a mulher em pé diante dele.10 Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: “Mulher, onde estão
eles? Ninguém a condenou?”
8.11 «Jo 3.17; 11 “Ninguém, Senhor”, disse ela.
PJ0 5.14
Declarou Jesus: “Eu também não a condeno.0 Agora vá e abandone sua vida de pecado”.P

A Validade do Testem unho de Jesus


8.12 «Jo 6.35; i2 Falando novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou? a luz do mundo/ Quem me segue, nunca
'Jo 1.4; 12.35; . ,, ,.. , „ „
* pv 4.18; Mt 5.14 andara em trevas, mas tera a luz da vida .s
8.13 u o 5.31 13 Os fariseus lhe disseram: “Você está testemunhando a respeito de si próprio. O seu testemunho
não é válido!”t

8 .1 4 uJo 13.3; 14 Respondeu Jesus: “Ainda que eu mesmo testemunhe em meu favor, o meu testemunho é vá­
16.28; vJo 7.28;
9.29 lido, pois sei de onde vim e para onde vou.u Mas vocês não sabem de onde vimv nem para onde vou.
8.15 "J o 7.24; 15 Vocês julgam por padrões humanos;" eu não julgo nin guém /16 Mesmo que eu julgue, as minhas
'‘Jo 3.17
8.16 vJo 5.30
a 7 .5 2 Dois manuscritos dizem o Profeta.

como desculpa aos fariseus. Eles ficaram impressionados de modo favo­ deviam estar ansiosos para humilhá-la, e talvez a tivessem mantido em
rável com os ensinos de Jesus e resolveram não lhe causar dificuldades. prisão domiciliar até falarem com Jesus.
7.47 Os fariseus devem ter ficado muito irritados. Era natural que os 8.4 Circunstâncias comprometedoras eram evidência insuficiente de
chefes dos sacerdotes repreendessem os guardas do templo. adultério; a lei judaica exigia testemunhas que tivessem presenciado o ato.
7.49 Os fariseus exageravam a ignorância do povo a respeito das 8.5 Os acusadores alteraram ligeiramente a Lei. O apedrejamento
Escrituras (cf. v. 42), embora o judeu normal prestasse pouca atenção não era prescrito, a menos que a mulher fosse uma noiva virgem
às minúcias que interessavam tanto aos fariseus. A “lei” (as tradições dos (Dt 22.23,24). E a Lei exigia a execução de ambos os infratores
líderes religiosos; ver nota em Mt 15.2) era um fardo grande demais para (Lv 20.10; Dt 22.22), não apenas da mulher.
quem ganhava a vida trabalhando duro, por isso esses regulamentos eram 8.6 Os romanos não permitiam que os judeus executassem a pena de
amplamente ignorados. morte (ver 18.31 e nota). Desse modo, se Jesus sentenciasse a mulher
7.52 Para mais informações sobre a Galileia, ver nota em Mt 4.12-16. ao apedrejamento, poderia ser acusado de desrespeitar os romanos.
Os chefes dos sacerdotes e os fariseus estavam furiosos — e errados. Jonas Se declarasse o oposto, porém, poderia ser acusado de não respeitar a Lei.
era natural da Galileia, e talvez outros profetas. 8.7 Jesus menciona o ato de atirar pedras, por isso não há como acusá-
7.53— 8.11 As evidências indicam que essa história não fàzia parte do -lo de desrespeitar a Lei, mas as qualificações exigidas impediram os
evangelho original de João. Nenhum texto antigo do NT, seja do Orien­ acusadores de agir. (A expressão “sem pecado” é bastante genérica, signi­
te, seja do Ocidente, ou dos pais da igreja primitiva contêm esses versí­ ficando “sem qualquer pecado”, náo “sem esse pecado”).
culos. Alguns acreditam que existiam como um registro independente 8.12 A festa das cabanas incluía cerimônias espetaculares que simboli­
que circulou durante algum tempo e que só mais tarde foi inserido no zavam temas múltiplos: colheita, seca, a escuridão iminente do inverno,
evangelho de João. a peregrinação no deserto depois do Êxodo. Quatro suportes, cada um
8.1 Ver “O monte das Oliveiras”, em Zc 14. contendo quatro tigelas douradas, eram colocados no pátio das Mulhe­
8.3 Para mais informações sobre os “mestres da lei”, ver nota em Mt 2.4 res, que era bastante freqüentado. As tigelas, grandes e cheias óleo, ilumi­
e Lc 5.17. navam o local durante a festa. No último dia da festa das cabanas, Jesus
Esse pecado náo pode ser cometido por alguém sozinho, e assim surge estava ensinando na tesouraria, localizada no pátio das mulheres. Foi
a pergunta: por que só um ofensor foi trazido? O incidente foi armado nesse cenário, entre as 16 tigelas de óleo acesas, que Jesus se identificou
para apanhar Jesus em contradição (ver Jo 8.6 e nota), e providências como a verdadeira luz do mundo.
foram tomadas para que o homem escapasse. Os acusadores da mulher
1736 J OÃO 8 . 1 7

decisões são verdadeiras, porque não estou sozinho. Eu estou com o Pai, que me enviou.»17 Na Lei 8 .1 7 *D t 17.6;
M t 1 8 .1 6
de vocês está escrito que o testemunho de dois homens é válido.12 18 Eu testemunho acerca de mim 8 .1 8 aJo 5.3 7
mesmo; a minha outra testemunha é o Pai, que me enviou”.3
19 Então perguntaram-lhe: “Onde está o seu pai?” 8 .1 9 bJ o 16.3;
cJ o 14.7; 1 J o 2.2 3
Respondeu Jesus: “Vocês não conhecem nem a mim nem a meu Pai.b Se me conhecessem, também
conheceriam a meu Pai”.c 20 Ele proferiu essas palavras enquanto ensinavadno templo, perto do lugar onde 8 .2 0 dM t 26.55;
•M c 12.41;
se colocavam as ofertas6.6 No entanto, ninguém o prendeu, porque a sua hora ainda não havia chegado.f fM t 26.1 8 ; J o 7 .3 0
21 Mais uma vez, Jesus lhes disse: “Eu vou embora, e vocês procurarão por mim, e morrerãoS em 8.21 oEz 3.18;
hJo 7 .3 4 ; 1 3 .3 3
seus pecados. Para onde vou, vocês não podem ir”.*1
22 Isso levou os judeus a perguntarem: “Será que ele irá matar-se? Será por isso que ele diz: 'Para
onde vou, vocês não podem ir’?”
23 Mas ele continuou: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; 8 .2 3 'J o 3.31;
1 7 .1 4
eu não sou deste mundo.'24 Eu disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crerem que 8 .2 4 iJ o 4.26;
1 3 .1 9
Eu Souc,i de fato morrerão em seus pecados”.
25 “Quem é você?”, perguntaram eles.
“Exatamente o que tenho dito o tempo todo”, respondeu Jesus.26 “Tenho muitas coisas para dizer 8 .2 6 KJo 7.28;
'Jo 3 .3 2 ; 1 5 .1 5
e julgar a respeito de vocês. Pois aquele que me enviou merece confiança,k e digo ao mundo aquilo
que dele ouvi.”1
27 Eles não entenderam que lhes estava falando a respeito do Pai. 28 Então Jesus disse: “Quando8 . 2 8 mJ o 3 .1 4 ;
5.19; 1 2 .3 2
vocês levantarem o Filho do homem,msaberão que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas falo
exatamente o que o Pai me ensinou.29 Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho," 8 .2 9 "v. 16;
J o 16.3 2 ; »Jo 4.34;
pois sempre faço o que lhe agrada”.0 30 Tendo dito essas coisas, muitos creram nele.P 5.30; 6.3 8
8 .3 0 pJ o 7.31

Os Filhos de A braão e os Filhos do Diabo


31 Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha8.31 o J o 1 5 .7 ;
2Jo9
palavra,verdadeiramente serão meus discípulos.32 E conhecerão a verdade, e a verdade os libertara \r 8 .3 2 A m 8.2;
T g 2 .1 2
33 Eles lhe responderam: “Somos descendentes* de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. 8 .3 3 8v. 37 ,3 9 ;
M t3 .9
Como você pode dizer que seremos livres?”
34 Jesus respondeu: “Digo a vocês a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado.* 8 .3 4 <Rm 6.16;
2 P e 2 .1 9
35 O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sêmpre.u36 Portanto, 8 .3 5 UGI 4 .3 0

se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres. 37 Eu sei que vocês são descendentes de Abraão. 8 .3 7 v 39,40

Contudo, estão procurando matar-me,v porque em vocês não há lugar para a minha palavra. 38 Eu 8 .3 8 « J o 5.1 9 ,3 0 ;
1 4 .1 0 ,2 4
estou dizendo o que vi na presença do Pai,we vocês fazem o que ouviram do pai de vocêse”.
39 “Abraão é o nosso pai”, responderam eles. 8 .3 9 *v. 37;
R m 9 .7 ; Gl 3.7
Disse Jesus: “Se vocês fossem filhos de Abraão,* fariam/' as obras que Abraão fez.40 Mas vocês estão 8 .4 0 w . 26

procurando matar-me, sendo que eu falei a vocês a verdade que ouvi de Deus;* Abraão não agiu assim.
41 Vocês estão fazendo as obras do pai de vocês”.z 8.41 *v. 3 8 ,4 4 ;
als 6 3 .1 6 ; 6 4.8
Protestaram eles: “Nós não somos filhos ilegítimos?. 0 único Pai que temos é Deus”.3
42 Disse-lhes Jesus: “Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam,1»pois eu vim de Deusc e agora8 .4 2 b1 J o 5.1;
cJo 16 .2 7 ; 17.8;
estou aqui. Eu não vim por mim mesmo,d mas ele me enviou.6 43 Por que a minha linguagem não é dJ o 7 .2 8 ; eJ o 3 .1 7
clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo.
44 “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo,* e querem realizar o desejo dele.s Ele foi homicida8 .4 4 f1 J o 3.8 ; ov.
38,4 1 ; hGn 3 .4
desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua
própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.*145 No entanto, vocês não creem em mim, porque 8 .4 5 Uo 18.37

digo a verdade!' 46 Qual de vocês pode me acusar de algum pecado? Se estou falando a verdade,
porque vocês não creem em m im ?47 Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus dizJ Vocês não o 8 .4 7 U o 18.37;
1J0 4.6
ouvem porque não pertencem a Deus”.

“ 8.17 Dt 17.6; 19.15.


b 8.20 Grego: gazofilácio.
c 8.24 Uma referência ao nome de Deus; também nos versículos 2 8 e 5 8 .
d 8.33 Grego: semente; também no versículo 37.
e 8.38 Ou Pai. Portanto, façam o que vocês ouviram do Pai.
f 8.39 Alguns manuscritos dizem Se vocês são filhos de Abraão, então façam.
9 8.41 Grego: não nascemos de pom eia, termo genérico que se refere a práticas sexuais ilícitas.
h 10.9 Ouficará em segurança.

8.13 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3.7 e Lc 5.17. nos — e também de seus opressores egípcios, assírios, babilônios, persas
8.33 A declaração dos judeus de que “nunca tinham sido escravos de e sírios. Talvez estejam dizendo que jamais aceitaram o status de povo
ninguém” constitui uma surpreendente omissão dos dominadores roma- dominado, uma vez que eram descendentes de Abraão.
J OÃO 8 . 5 9

As D eclarações de Jesus acerca de si mesmo


8.48 Wlt 10.5; V. 48 Os judeus lhe responderam: “Não estamos certos em dizer que você é samaritanok e está
52; J o 7.20
endemoninhado?”1
49 Disse Jesus: “Não estou endemoninhado! Ao contrário, honro o meu Pai, e vocês me desonram.
8 . 5 0 ” V. 5 4; 50 Não estou buscando glória para mim mesmo;mmas há quem a busque e julgue.51 Asseguro que, se
J o 5.41
8 . 5 1 ”J o 1 1 .2 6 alguém obedecer à minha palavra, jamais verá a morte”.n
52 Diante disso, os judeus exclamaram: “Agora sabemos que você está endemoninhado! Abraão
morreu, bem como os profetas, mas você diz que, se alguém obedecer à sua palavra, nunca experi­
mentará a morte. 53 Você é maior do que o nosso pai Abraão?0 Ele morreu, bem como os profetas.
Quem você pensa que é?”
8 . 5 4 p*. 50; 54 Respondeu Jesus: “Se glorifico a mim mesmo,p a minha glória nada significa. Meu Pai, que
U 0 16 .1 4 ; 1 7 .1 ,5
8 . 5 5 >v. 1 9;
vocês dizem ser o seu Deus, é quem me glorifica.'! 55 Vocês não o conhecem / mas eu o conheço®
sJo 7 .2 8 ,2 9 ; Se eu dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vocês, mas eu de fato o conheço e obedeço
U o 1 5 .1 0
8 5 6 “V . 3 7 ,3 9 ; à sua palavra.456 Abraão,0 pai de vocês, regozijou-se porque veria o meu dia; ele o viuv e alegrou-se”.
• M t 13 .1 7 ;
Hb 1 1 .1 3 57 Disseram-lhe os judeus: “Você ainda não tem cinqüenta anos, e viu Abraão?”
8 . 5 8 » J o 1 .2;
1 7 .5 ,2 4 ; »ÊX 3 .1 4 58 Respondeu Jesus: “Eu afirmo que antes de Abraão nascer,wEu Sou!”x 59 Então eles apanharam
8 . 5 9 >Lv 2 4 .1 6 ;
J o 1 0 .3 1 ; 11 .8;
pedras para apedrejá-lo,v mas Jesus escondeu-se2 e saiu do templo.
■Jo 1 2 .3 6

8.44 As palavras de Jesus aqui náo se aplicam ao povo judeu como um 8.57 Jesus tinha aproximadamente 30 anos de idade quando começou
todo, mas apenas aos seus oponentes judeus. seu ministério (ver Lc 3.23 e nota).
8.48 Os judeus podem ter chamado Jesus de “samaritano” como forma 8.59 Os ouvintes de Jesus só podiam interpretar sua reivindicação como
de acusá-lo de ser negligente nas observâncias judaicas ou que ele era blasfêmia, pecado para a qual o apedrejamento era a penalidade prescrita
samaritano de nascença (para mais informações sobre os samaritanos, ver (Lv 24.16).
nota em Lc 10.33; ver também “Os samaritanos”, em Jo 8).

Os samaritanos
J0Ã0 8 Os samaritanos acreditavam que 0s samaritanos rejeitavam a ideia de que Je­ galileus que estava a caminho de Jerusa­
eram descendentes das tribos do norte exi­ rusalém fosse um lugar especial nos planos lém (Josefo, Antiguidades judaicas, 20.6.1;
ladas em 722 a.C. pela Assíria.1 Em 2Reis 17, de Deus, e a tensão crescente com respeito Guerras dos judeus, 2.12.3). Os judeus evi­
porém, está registrado que os samaritanos ao local do santuário é evidente em João tavam passar por Samaria quando viajavam
eram um grupo composto, pelo menos em 4.20. Os samaritanos acreditavam no Deus entre a Judeia e a Galileia. A acusação dos
parte, de pagãos que o rei da Assíria mandara de Israel, reconheciam Moisés como seu judeus contra Jesus, segundo a qual ele era
trazer de outras nações para ocupar o terri­ profeta, o Pentateuco como sua revelação samaritano e, portanto, possesso de demô­
tório de Israel. Em Esdras 4, os samaritanos e aguardavam o dia em que ele enviaria o nios, é consistente com o forte sentimento
aparecem como estorvo para os judeus, que "profeta como [Moisés]", conforme havia antissamaritano que motivara a destruição
buscavam restabelecer a si mesmos e ao seu prometido (Dt 18.18). Não aceitavam nem do santuário. Alguns escritos judaicos da
templo na terra após o retorno do exílio. reconheciam como canônico outro escrito época (e.g., Eclesiástico, 50.25,26; Jubiieus,
Esse grupo não se identificava tanto com do AT além do Pentateuco. 30.5-6; Testamento de Levi, 7.2)4 confirmam
Samaria quanto com o monte Gerizim, per­ 0 sumo sacerdote e governante judaico essa hostilidade (ver também Jo 4.7-9).
to de Siquém, apontado por seus moradores João Hircano destruiu o santuário de Samaria Os samaritanos eram considerados apóstatas
como o lugar que Deus havia escolhido para no monte Gerizim em 128 a.C., e as tensões e idólatras (em parte, com base em Gn 35.4) e
erguer seu santuário (ver Dt 12.5,11,21,26; entre judeus e samaritanos chegaram vistos como mais propensos que os judeus a
14.24,25; 16.6; 17.8; 18.6; 262)? Eles acre­ ao limite no século I d.C. Os samaritanos estarem endemoniados. Jesus, entretanto,
ditavam que Israel se tornara apóstata de­ espalharam ossos no templo de Jerusa­ aparentemente considerava os samaritanos
pois que o santuário foi removido de Siquém lém durante a Páscoa de 6/7 d.C., e em 52 um subgrupo genuíno do povo da aliança, a
(mapa 4), na época de Eli, o sacerdote.3 d.C. massacraram um grupo de peregrinos despeito de alguma mistura.
1Ver "Oseias, rei de Israel, e Salmaneser V, rei da Assíria", em 2Rs 17. 2Ver "0 templo samaritano no monte Gerizim", em Jo 4. 3Ver "Siquém", em Js 24.
4Edesiástico é um livro apócrifo, enquanto Jubileus e o Testamento de Levi são pseudepigráfícos.
173 8 J OÃO 9. 1

Jesu s C u ra u m C eg o d e N a scen ça

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. 2 Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre,3 quem 9 .2 * M t 23.7;
9 pecou:b este homem0 ou seus pais,11para que ele nascesse cego?”
3
"v. 3 4; Lc 13.2;
A t 28.4; f z 18.20;

Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se ma­9“ Êx 20.5; J ó 2 1 .1 9
.3 eJ o 11 .4
nifestasse na vida dele.e 4 Enquanto é dia,f precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite 9 .4 tJo 11.9; 12.35

se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.9 9 .5 U o 1.4; 8.12;
1 2 .4 6
6 Tendo dito isso, cuspiuh no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem. 9 .6 "M c 7 .3 3 ; 8.23

7 Então disse-lhe: “Vá lavar-se no tanque de Siloé”1(que significa “enviado”). O homem foi, lavou-se 9 .7 V. 11;
2R S 5.10; Lc 13.4;
e voltou vendo j lis 3 5 .5 ; J o 1 1.3 7

8 Seus vizinhos e os que anteriormente o tinham visto mendigando perguntaram: “Não é este o 9.8 «At 3.2 ,1 0
mesmo homem que costumava ficar sentado, mendigando?”k9 Alguns afirmavam que era ele.
Outros diziam: “Não, apenas se parece com ele”.
Mas ele próprio insistia: “Sou eu mesmo”.
10 “Então, como foram abertos os seus olhos?”, interrogaram-no eles.
11 Ele respondeu: “O homem chamado Jesus misturou terra com saliva, colocou-a nos meus olhos
e me disse que fosse lavar-me em Siloé. Fui, lavei-me, e agora vejo”J
12 Eles lhe perguntaram: “Onde está esse homem?”
“Não sei”, disse ele.

Os Fariseus Investigam a C ura

13 Levaram aos fariseus o homem que fora cego.14 Era sábadomo dia em que Jesus havia misturado 9 . 1 4 ™ jo 5 .9

terra com saliva e aberto os olhos daquele hom em .15 Então os fariseus também lhe perguntaram como 9 .1 5 «v. 10
ele recuperara a vista." O homem respondeu: “Ele colocou uma mistura de terra e saliva em meus
olhos, eu me lavei e agora vejo”.

9.2 Os rabinos ensinavam, baseados em Êx 34.7, que, se alguém sofria principal de água desenvolvido pelo rei Ezequias (ver nota em Jl 1.20;
de uma doença física congênita, era porque os pais ou os avós haviam ver também “O tanque de Siloé”, em Jo 9; e “O túnel de Ezequias”, em
cometido algum pecado ou porque o próprio doente pecara antes do 2Rs 20). Esse tanque ainda existe hoje.
nascimento. 9.13 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3.7 e Lc 5.17.
9.6 Ver “Doenças e medicamentos no mundo antigo”, em Lc 4, e “Mila- 9.14 Ver nota em Mc 3.2; ver também “Sábado, ano sabático e Jubileu”,
greiros profissionais e mágicos no século I d.C.”, em Lc 19. em Lv 25.
9.7 O tanque de Siloé, escavado na rocha, na extremidade sul do monte
principal sobre o qual Jerusalém foi construída, fazia parte do sistema

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

O T A N Q U E DE SI L OÉ
JOÃO 9 A água do tanque de Siloé, em Jeru­ ro, o "inferior" ("açude velho", na A/W), era tificado como o tanque de Siloé dos dias de
salém, era considerada sagrada. De acordo o mais antigo (cf. Is 8.6; 22.9-11) e recebia Jesus. Entretanto, em 2004, os restos de um
com a tradição rabínica, durante a celebra­ água da fonte de Giom, a leste da cidade, tanque até então desconhecido foram acha­
ção da festa das cabanas, retirava-se água através de um curto canal. 0 segundo, ou dos a sudeste do tanque superior, próximo
do tanque com um recipiente dourado, que "superior", também recebia água da fonte do tanque inferior, numa área conhecida
depois era levada em procissão até o templo de Giom, mas que chegava através de um como jardim do Rei. As evidências numis-
(cf. Jo 7).1Jesus instruiu o homem que havia túnel subterrâneo escavado na rocha pelo rei máticas — moedas do período tardio dos
nascido cego a lavar-se nesse tanque (9.1- Ezequias por volta do ano 701 a.C.2 Ezequias hasmoneus (ca. 90 a.C.) e do período da
7), embora a cura fosse realizada por Jesus situou estrategicamente o tanque superior revolta judaica (ca. 63 d.C.) — comprovam
— a fonte da "água viva" (7.38). dentro dos muros da cidade para garantir que esse tanque estava em uso nos dias de
A questão sobre a localização do tanque o suprimento de água. 0 tanque inferior Jesus. Foi achada também uma escadaria de
de Siloé tem sido examinada com base nos estava situado fora da cidade no tempo três lances que conduzem até esse tanque,
relatos da Bíblia, de Josefo, dos antigos dos reis. o qual media 68,5 metros de comprimento
peregrinos e dos achados arqueológicos. Por muito tempo, o tanque superior foi num dos lados. Esse é, sem nenhuma dúvi­
Havia, na verdade, dois tanques. 0 primei­ considerado o melhor candidato a ser iden­ da, o "tanque de Siloé" de João 9.
'Ver "Festas de Israel", em Lv 23. 2Ver "0 túnel de Ezequias", em 2Rs 20.
J OÃO 1 0 . 2 17 3 9

9.16°M t12.2; 16 Alguns dos fariseus disseram: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado”.0
=J0 6.52; 7.43;
10.19 Mas outros perguntavam: “Como pode um pecador fazer tais sinais milagrosos?” E houve divisão
entre eles.P
17 Tornaram, pois, a perguntar ao cego: “Que diz você a respeito dele? Foram os seus olhos que
ele abriu”.
O homem respondeu: “Ele é um profeta”.'!
9 . 1 8 rJ o 1 .1 9 18 Os judeusr não acreditaram que ele fora cego e havia sido curado enquanto não mandaram
buscar os seus p ais.19 Então perguntaram: “É este o seu filho, o qual vocês dizem que nasceu cego?
Como ele pode ver agora?”
20 Responderam os pais: “Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego. 21 Mas não sabemos
como ele pode ver agora ou quem lhe abriu os olhos. Perguntem a ele. Idade ele tem; falará por si
9 .2 2 sJ o 7 .1 3 ; mesmo”. 22 Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus,s pois estes já haviam decidido
V . 3 4 ; L c 6.2 2;
«Jo 12.4 2 ; 1 6 .2 que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso' da sinagoga.u23 Foi por isso que seus
9 .2 3 K . 21
pais disseram: “Idade ele tem; perguntem a ele”.v
9 .2 4 " J s 7.1 9 ; 24 Pela segunda vez, chamaram o homem que fora cego e lhe disseram: “Para a glória de Deus,w
>v. 16
diga a verdade. Sabemos que esse homem é pecador”.1*
25 Ele respondeu: “Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!”
26 Então lhe perguntaram: “O que fez ele a você? Como abriu os seus olhos?”
9 .2 7 w . 15 27 Ele respondeu: “Eu já disse,y e vocês não me deram ouvidos. Por que querem ouvir outra vez?
9 .2 8 "Jo 5 .4 5
Acaso vocês também querem ser discípulos dele?”
28 Então, eles o insultaram e disseram: “Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés!2
29 Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse, nem sabemos de onde ele vem”.a
30 O homem respondeu: “Ora, isso é extraordinário! Vocês não sabem de onde ele vem, contudo
9.31 »Gn 1 8 .2 3 - ele me abriu os olhos. 31 Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que o teme e
3 2 ; SI 3 4 .1 5 ,1 6 ;
6 6 .1 8 ; 14 5 .1 9 ,2 0 ; pratica a sua vontade.b
Pv 15.2 9 ; Is 1.15;
5 9 .1 ,2 ; J o 15.7; 32 “Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego de nascença tivessem sido abertos.33 Se esse
T g 5 .1 6 -1 8 ;
1Jo 5 .1 4 ,1 5 homem não fosse de Deus,c não poderia fazer coisa alguma”.
9 . 3 3 = v .1 6 ; J o 3 .2
9 .3 4 “V. 2 ; '» .
34 Diante disso, eles responderam: “Você nasceu cheio de pecado;d como tem a ousadia de nos
2 2 ,3 5 ; Is 66.5 ensinar?” E o expulsaram®

A C egueira Espiritual
35 Jesus ouviu que o haviam expulsado e, ao encontrá-lo, disse: “Você crê no Filho do homem?”
9 .3 6 >Rm 1 0.1 4 36 Perguntou o homem: “Quem é ele, Senhor, para que eu nele creia?”f
9 .3 7 «Jo 4.2 6 37 Disse Jesus: “Você já o tem visto. É aquele qüe está falando com você”.s
9 .3 8 "M t 28 .9 38 Então o homem disse: “Senhor, eu creio”. E o adorou.h
9 .3 9 Uo 5 .22 ; 39 Disse Jesus: “Eu vim a este mundo' para julgamento,) a fim de que os cegos vejamke os que veem
U o 3 .1 9 ; l c 4.1 8;
'M t 1 3 .1 3 se tornem cegos”.1
40 Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: “Acaso nós também
somos cegos?”m
9.41 "J o 1 5 .2 2 ,2 4 41 Disse Jesus: “Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que
podem ver, a culpa de vocês permanece.11

10
O Pastor e o seu Rebanho
Eu asseguro a vocês que aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe
10.2 "V. 11,14 por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.0

9.22 A excomunhão é relatada já no tempo de Esdras (Ed 10.8), mas 9.40 Para os fariseus, era inacreditável que alguém os considerasse espiri­
não há praticamente nenhuma informação sobre como era praticada tualmente cegos (ver notas em Mt 3.7; Lc 5.17).
nos tempos do NT. A sinagoga era o centro da vida comunitária judai­ 10.1-30 Esses versículos deveriam ser entendidos à luz do conceito vete-
ca (ver notas em Mc 1.21; Lc 21.12; ver também “Sinagogas antigas”, rotestamentário de pastor como “cuidador” do povo de Deus. O concei­
em At 9), assim a excomunhão cortava a pessoa de muitas relações to de governante como “pastor” de uma nação e de seu povo era comum
sociais (embora, de certa forma, não da adoração, pelo menos em tem­ no antigo Oriente Médio (ver nota em Is 44.28; ver também “Pastoreio
pos posteriores). de ovelhas no mundo antigo”, em Ez 34).
9.34 “O expulsaram” pode significar “o excomungaram” (ver nota no 10.1 O aprisco das ovelhas era uma área cercada com uma entrada ape­
v. 22). nas. Os muros impediam que as ovelhas se desgarrassem.
1740 J OÃO 10. 3

3 O porteiro abre-lhe a porta, e as ovelhas ouvem a sua voz.P Ele chama as suas ovelhas pelo nome 10.3 pv.
4,5,14,16,27
e as leva para fora.4 Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o
seguem, porque conhecem a sua v o z.5 Mas nunca seguirão um estranho; na verdade, fugirão dele,
porque não reconhecem a voz de estranhos”. 6 Jesus usou essa comparação,1! mas eles não compre­
enderam o que lhes estava falando.
7 Então Jesus afirmou de novo: “Digo a verdade: Eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram
antes de mimr eram ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram.9 Eu sou a porta; quem entra
por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem".10 O ladrão vem apenas para roubar,
10.11 «v. 14;
matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente. Is 40 .1 1 ; E z 3 4 .1 1 -
1 6,2 3 ; Hb 13.20;
11 “Eu sou o bom pastor.s O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.112 O assalariado não é o pastor1Pe 5 .4 ; Ap 7.17;
U o 15.1 3 ; 1 J o 3.16
a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo vem, abandona as ovelhas e foge.u Então 10.12 uZ c 1 1 .1 6 ,1 7
10.14 vv. 11;
o lobo ataca o rebanho e o dispersa.13 Ele foge porque é assalariado e não se importa com as ovelhas. "v .2 7
14 10.15 *M t 1 1 .2 7
“Eu sou o bom pastor;v conheço as minhas ovelhas,we elas me conhecem,15 assim como o Pai10.16 vis 56.8;
me conhece e eu conheço o Pai;x e dou a minha vida pelas ovelhas.16 Tenho outras ovelhasv que não *Jo 11.52;
Ef 2 .1 1 -1 9
são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um 10.16 € z 37.2 4 ;
1 P e 2 .2 5
10.17^. 1 1 ,1 5 ,1 8
a 10.9 Ouficará em segurança.

10.3,4 O porteiro aparentemente tomava conta de um grande aprisco deas que lhes pertenciam. As ovelhas respondiam à voz de seu pastor e
ovelhas, no qual eram mantidos vários rebanhos. seguiam só a elè.
Os pastores na Terra Santa guiavam as ovelhas caminhando à frente
delas (em vez de forçá-las) e náo chamavam as ovelhas ao acaso, apenas

SÍTIOS ARQ JJEO LÓ G I C O S

BETÂNIA, DO O U T R O
LADO DO J O R D Ã O
J0Ã0 10 Depois de um debate particular­ do nome Betânia) é mostrado no mosaica Outros estudiosos acreditam que o
mente difícil com os judeus, Jesus retirou-se de Madaba, do século VI d.C., designado termo "Betânia" é para ser, de preferência,
para uma região que ficava no lado oriental como "Ainon (fonte) que agora é Sapsafas". identificado com a região de Bataneia, na
do rio Jordão, "o lugar onde João batizava"1 A antiga Sapsafas foi identificada como Transjordânia do norte. Isso indica que a
(Jo 10.40). Esse local é identificado como o uádi el-Kharrar, pequeno leito de rio com Betânia "do outro lado do Jordão" (mapa
"Betãnia, do outro lado do Jordão" (1.28, pouco mais de 1,6 quilômetro de compri­ 9) era uma região, não uma cidade. Alguns
f
A/W). Os antigos peregrinos afirmavam que mento, 8 quilômetros ao norte do mar Mor­ escritos judaicos confirmam possíveis liga­
um lugar chamado Sapsafas, ao norte do to. Investigações localizaram ali "o monte de ções lingüísticas entre os nomes Betânia e
mar Morto e a leste do rio Jordão, era o local Elias" no início do uádi, a 1,6 quilômetro do Bataneia. Nas gerações que precedem ime­
em que Jesus foi batizado, e uma igreja foi rio Jordão. Escavações no monte revelaram diatamente o nascimento de Jesus, algumas
dedicada ali a João Batista. É interessante três igrejas, três cavernas e três tanques ba­ seitas judaicas piedosas mudaram-se para
que os peregrinos também identificassem tismais do período romano e do período essa região, muitas das quais aguardavam a
um monte nas vizinhanças como o lugar de bizantino. A uns 300 metros do rio Jordão vinda do Ungido de Deus, vindo do norte.2
no qual Elias teria sido elevado ao céu numa existe de fato uma igreja, identificada pelos Não é sem sentido a ideia de que João Batista
carruagem de fogo (2Rs 2.1-14), talvez as­ escavadores como a Igreja de São João Ba­ começou seu ministério entre um ou mais
sociando erroneamente o primeiro Elias com tista, mencionada pelos antigos peregrinos desses grupos ou associado a eles.
João Batista, que era chamado "segundo — o local tradicional do batismo de Jesus
Elias" (cf.M t 11.14; 17.11-13; Lc 1.17). Um (Jo 1.29-34).
lugar chamado Beth-abara (possível variante
'Ver “Batismo no mundo antigo", em Mt 3; ver também o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito, 2Ver "Escatologia judaica no século I d.C.";
em Rm 6.
J OÃO 1 0 . 2 1 1 741

10.18 cMt 26.53; só rebanho2 e um só pastor.3 17 Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vidab para
dJo 15.10; Fp 2.8;
Hb 5.8 retomá-la.18Ninguém a tira de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade.0 Tenho autoridade
para dá-la e para retomá-la. Esta ordem recebi de meu Pai”d.
1 0 . 1 9 eJ o 7.43; 19 Diante dessas palavras, os judeus ficaram outra vez divididos®20 Muitos deles diziam: “Ele está
9.1 6
1 0 . 2 0 'J o 7 .20 ; endemoninhadof e enlouqueceu.9 Por que ouvi-lo?”
9M c 3.21
1 0 .2 1 hM t 4 .2 4 ; 21 Mas outros diziam: “Essas palavras não são de um endemoninhado.h Pode um demônio abrir
'Êx 4 .1 1 ;
J o 9 .3 2 ,3 3 os olhos dos cegos?”'

SÍTIOS A RQ U EO LÓ GICO S

OS D E G R A U S EM Q U E OS R A B I N O S
E N S I N A V A M , NAS E S C A V A Ç Õ E S D O
M U R O SUL
JOÃO 10 As pessoas que vinham adorar
no templo de Herodes aproximavam-
-se pelo lado sul de Jerusalém.1 Vários
caminhos convergiam para uma, praça
grande, pavimentada de pedra, à sombra
de um imponente muro de retenção,
coroado com a parte mais alta do pórtico
Real (lc 4.9; Josefo, Antiguidades judaicas,
15.11.5). A praça continha vários banhos ri­
tuais e constituía um significativo centro da
vida pública. Era também o lugar de reunião
das crescentes multidões que faziam seu
caminho até Jerusalém durante as festas de
peregrinação.2 Grandes escadarias subiam
a partir da praça na direção de dois portões
arqueados, construídos no muro Sul.
A maior dessas escadarias monumentais
foi descoberta em 1968, e grande parte de
seu esplendor original foi restaurado. Mede
157 metros de largura e se eleva a pouco
menos de 7 metros, com 30 degraus feitos
de pedras cortadas e polidas. A largura e o
espaçamento dos degraus levam alguns a
conjecturar que as escadarias foram construí­
das para corresponder aos padrões rítmicos
que caracterizam os Cânticos de Peregrina­
ção (i.e., S1120— 134). Desses degraus, os
mestres poderiam falar ao povo reunido na
praça. Jesus provavelmente usou esse ponto
estratégico para ensinar, embora os Evange­
lhos mencionem explicitamente apenas os
discursos proferidos nos pórticos situados no
próprio monte do Templo (Jo 10.23).

Wer "0 templo de Herodes", em Mc 11. Escavações ao lado do monte do Templo e os degraus do lado sul
2Ver "Festas de Israel", em Lv 23. Foto: © Todd Bolen/Bible Places.com
1742 J OÃO 1 0 . 2 2

A Incredulidade dos Judeus


22 Celebrava-se a festa da Dedicação, em Jerusalém. Era inverno,23 e Jesus estava no templo, cami­1 0 .2 3 IAt 3.11;
5.12
nhando pelo Pórtico de Salomão j 24 Os judeuskreuniram-se ao redor dele e perguntaram: “Até quando 1 0 .2 4 M o 1.19;
Uo 16.2 5 ,2 9
nos deixará em suspense? Se é você o Cristo, diga-nos abertamente”.1
25 Jesus respondeu: “Eu já disse,mmas vocês não creem. As obras que eu realizo em nome de meu 1 0 .2 5 " J o 8.58;
nJ o 5.3 6
Pai falam por mim," 26 mas vocês não creem, porque não são minhas ovelhas.0 27 As minhas ovelhas 1 0 .2 6 M o 8 .47
10.27PV. 14; IV. 4
ouvem a minha voz; eu as conheço,p e elas me seguem.fl 28 Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais 1 0 .2 8 UO 6 .3 9
perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.r 29 Meu Pai, que as deu para mim,s é maior do 10.29= Jo
17 .2 ,6 ,2 4 ; U o
que todos;at ninguém as pode arrancar da mão de meu P ai.30 Eu e o Pai somos um”.u 14.28
31 Novamente os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo,v 32 mas Jesus lhes disse: “Eu mostrei11 70 .2.310-2“ Jo3
muitas boas obras da parte do Pai. Por qual delas vocês querem me apedrejar?” 10.31 vJ o 8 .59

33 Responderam os judeus: “Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, 1 0 .3 3 » L v 24.16;
J o 5 .18
porque você é um simples homem e se apresenta como Deus”.w
34 Jesus lhes respondeu: “Não está escrito na Lei de vocês:x ‘Eu disse: Vocês são deuses’1’?''35 Se ele 1 0 .3 4 «Jo 8.17; Rm
3.19; vSI 82.6
chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a palavra de Deus (e a Escritura não pode ser anulada),36 que 1 0 .3 6 > J r1 .5 ;" J o
6 .6 9 ; "JO 3 .1 7 ; =Jo
dizer a respeito daquele a quem o Pai santificou2.3 e enviou ao mundo?b Então, por que vocês me 5 .1 7 ,1 8
acusam de blasfêmia porque eu disse: Sou Filho de Deus?c 37 Se eu não realizo as obras do meu Pai,d 1 0 .3 7 «V. 25; J o
15.24
não creiam em mim. 38 Mas, se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para 1 0 .3 8 -J o 14.10,
11,20; 17.21
que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai”.e 39 Outra vez tentaram prendê-lo,* 1 0 .3 9 'J o 7.30;
■Lc 4.30; J o 8.59
mas ele se livrou das mãos deles.9
40 Então Jesus atravessou novamente o Jordãohe foi para o lugar onde João batizava nos primeiros1 0 .4 0 M o 1.28
dias do seu ministério. Ali ficou,41 e muita gente foi até onde ele estava, dizendo: “Embora João nunca 1 0 4 1 Uo 2.11;
3.30; U o 1 .26,27,
tenha realizado um sinal milagroso,' tudo o que ele disse a respeito deste homem era verdade”! 3 0 .3 4
1 0 .4 2 M o 7.31
42 E ali muitos creram em Jesus.k

A M orte de Lázaro
Havia um homem chamado Lázaro. Ele era de Betânia,1do povoado de Maria e de sua irmã
n Marta.mE aconteceu que Lázaro ficou doente.2 Maria, sua irmã, era a mesma que derramara
perfume sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com os cabelos."3 Então as irmãs de Lázaro manda­ Lc
11.1 'M t 21 .1 7 ;
mLc 10.38
11 .2 "M c 14.3;
7 .3 8 ; J 0 1 2 .3
11 .3 «v. 5 ,3 6
ram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas0 está doente”.
4 Ao ouvir isso, Jesus disse: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus.P para1 1 .4 pv . 40; J o 9.3
que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”. 5 Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro.
6 No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava.
7 Depois disse aos seus discípulos: “Vamos voltar para a Judeia”.1!
8 Estes disseram: “Mestre,r há pouco os judeus tentaram apedrejar-te,s e assim mesmo vais voltar 1 1 .8 M t 23.7;
s jo 8 .5 9 ; 10.31
para lá?”
9 Jesus respondeu: “O dia não tem doze horas? Quem anda de dia não tropeça, pois vê a luz deste 11 .9 U o 9 .4 ; 1 2 .3 5

mundo.*10 Quando anda de noite, tropeça, pois nele não há luz”.


11 Depois de dizer isso, prosseguiu dizendo-lhes: “Nosso amigo0 Lázaro adormeceu,v mas vou até 11.11 “ v. 3; vA t
7.6 0
lá para acordá-lo”.
12 Seus discípulos responderam: “Senhor, se ele dorme, vai melhorar”. 13 Jesus tinha falado de sua
morte, mas os seus discípulos pensaram que ele estava falando simplesmente do sono.w
14 Então lhes disse claramente: “Lázaro m orreu,15 e para o bem de vocês estou contente por não
ter estado lá, para que vocês creiam. Mas vamos até ele”.
16 Então Tomé,x chamado Dídimoc, disse aos outros discípulos: “Vamos também para morrermos1 1 .1 6 xM t 10.3;
J o 14.5; 2 0 .2 4 -2 8 ;
com ele”. 2 1 .2 ; A t 1.13

0 10.29 Muitos manuscritos antigos dizem O que meu Pai me deu é maior do que tudo.
» 10.34 SI 82.6.
< 11.16 Tanto Tomé (aramaico) como Dídimo (grego) significam gêmeo.

10.22 A festa da dedicação celebrava a dedicação do templo por Judas Semelhante a uma colunata grega (ver “A cidade antiga”, em At 12), é
Macabeu, em dezembro de 164 a.C., depois que a casa de Deus foi pro­ geralmente, porém de forma equivocada, datada do tempo de Salomão.
fanada por Antíoco Epifânio (ver “Antíoco IV Epifânio”, em Dn 11; e 10.30,31 A reivindicação de ser “um” com o Pai, feita por Jesus, não
“O período intertestamental”, em Ml 3). Essa foi a última grande liber­ poderia ser mais clara. Na mente do povo, essa “blasfêmia” exigia a morte
tação que os judeus experimentaram. por apedrejamento.
10.23 O pórtico de Salomão era uma varanda que acompanhava o lado 10.34 A Lei, em seu sentido mais estrito, significava o Pentateuco, mas o
interno do muro que cercava o pátio exterior. Havia fileiras de colunas termo também era usado, como aqui, para designar o AT inteiro (ver “O
de mais de 8 metros de altura e uma cobertura de madeira de cedro. Antigo Testamento da igreja primitiva”, em 2Tm 3).
11.2 Sobre o ato de “derramar perfume”, ver nota em 12.3.
J OÃO 1 1 . 3 3 1743

Jesu s C o n fo r ta a s Ir m ã s d e L á z a r o

1 1 .1 7 W. 6 ,3 9 17 Ao chegar, Jesus verificou que Lázaro já estava no sepulcro havia quatro dias.v18 Betânia2 distava
1 1 .1 8 *. 1
1 1 . 1 9 * . 3 1; cerca de três quilômetros0 de Jerusalém,19 e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para
J ó 2.11
1 1 .2 0 bLc 1 0 .3 8 -
confortá-las pela perda do irmão.3 20 Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi encontrá-lo,
42
mas Maria ficou em casa.b
11.21 * . 3 2 ,3 7 21 Disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido.0 22 Mas sei que,
1 1 . 2 2 * . 4 1 ,4 2 ;
J o 9.31 mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires”.d
23 Disse-lhe Jesus: “O seu irmão vai ressuscitar”.
1 1 .2 4 ®Dn 1 2.2 ; 24 Marta respondeu: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição,e no último dia”.
J o 5 .2 8 ,2 9 ;
A t 2 4 .1 5 25 Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida.f Aquele que crê em mim, ainda que morra,
1 1 . 2 5 'J o 1.4
viverá;26 e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?”
1 1 .2 7 9 L c 2 .1 1 ; 27 Ela lhe respondeu: “Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo,9 o Filho de Deush que devia
"M t 1 6 .1 6 ; U o 6 .1 4
vir ao mundo”.'
1 1 .2 8 JMt 2 6.1 8 ; 28 E depois de dizer isso, foi para casa e, chamando à parte Maria, disse-lhe: “O Mestrei está aqui
J o 1 3 .1 3
1 1 . 3 0 * . 20 e está chamando você”. 29 Ao ouvir isso, Maria levantou-se depressa e foi ao encontro dele.30 Jesus
1 1.3 1 «v.19
1 1 .3 2 " * 21 ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.k31 Quando nota­
ram que ela se levantou depressa e saiu, os judeus, que a estavam confortando1em casa, seguiram-na,
supondo que ela ia ao sepulcro, para ali ch orar.32 Chegando ao lugar onde Jesus estava e vendo-o,
Maria prostrou-se aos seus pés e disse: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido”.m
1 1 .3 3 * . 3 8 ; 33 Ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-sen no espírito e
°Jo 1 2 .2 7
perturbou-se.0
0 1 1 .1 8 Grego: 1 5 estádios. Um estádio eqüivalia a 185 metros.

1 1 .1 7 Muitos judeus acreditavam que a alma permanecia próxima do dos trinta dias. Era então habitual, como hoje, que os amigos visitassem
corpo durante três dias após a morte, na esperança de retornar para ele. a família para confortá-los.
Se essa crença estivesse na mente das pessoas ali, obviamente pensariam 1 1 .2 8 É significativo que Marta chame Jesus de “Mestre”: os rabinos nor­
que já não havia esperança, pois Lázaro estava morto de maneira irre­ malmente não ensinavam mulheres, porém Jesus fazia isso com frequência.
versível. 1 1 .3 1 Prantear junto ao sepulcro era comum, e os judeus presumiram
11.18 Para mais informações sobre Betânia, ver nota em Mt 21.17. imediatamente que isso estava na mente de Maria (ver “Pano de saco e
1 1 .1 9 O costume judaico determinava três dias de luto muito pesado, cinzas: rituais de lamentação”, em SI 30; e “Práticas judaicas relativas ao
depois quatro dias de luto pesado, seguidos por luto leve para o restante sepultamento”, em Lc 9).

SÍTIOS ARQ UEO LÓ GICO S

BETÂNIA E O TÚ M ULO
DE L ÁZ ARO
JOflO 11 A casa de Lázaro e de suas irmãs, Lázaro, Jesus fez de Betânia a base de seu fica do lado norte. Embora seja impossível
Maria e Marta, ficava em Betânia (ver mapa ministério em Jerusalém durante a Semana comprovar que se trata do túmulo original
9), distante de Jerusalém cerca de 3 quilô­ da Paixão (Mc 11.11). de Lázaro, a tradição é muito antiga, não há
metros, no declive oriental do monte das Escavações realizadas pelos francisca- motivos para que seja considerada suspeita.
Oliveiras (Jo 11.1,18; de acordo com 1.19- nos em Betânia descobriram as ruínas de
28, havia outra Betânia "do outro lado do
Jordão", na qual João Batista exercia seu
igrejas cristãs datadas do século IV d.C. De
interesse particular é o túmulo de Lázaro,
I
ministério).1A Betânia de Lázaro é chamada que, segundo Eusébio, tornou-se um local
hoje el-Azariyeh, nome que preserva sua de peregrinação, que não foi alterado até
associação com Lázaro. Por causa de seu hoje. 0 túmulo foi modificado: sua entra­
estreito relacionamento com a família de da original ficava no lado leste, mas agora

'Ver "Betânia, do outro lado do Jordão", em Jo 10.


1 744 J OÃO 1 1 . 3 4

34 “Onde o colocaram?”, perguntou ele.


“Vem e vê, Senhor”, responderam eles.
35 Jesus chorou.P 1 1 .3 5 PLc 19.41

36 Então os judeus disseram: “Vejam como ele o amava!”'! 1 1 .3 6 ov. 3

37 Mas alguns deles disseram: “Ele, que abriu os olhos do cego,r não poderia ter impedido que este 1 1 .3 7 rJ o 9.6,7; ®v.
2 1 ,3 2
homem morresse?”s

Jesus Ressuscita Lázaro


38 Jesus, outra vez profundamente comovido,1 foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra 1 1 .3 8 lv. 33;
uM t2 7 .6 0 ; Lc 24.2;
colocada à entrada.u JO 20.1

39 “Tirem a pedra”, disse ele.


Disse Marta, irmã do morto: “Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias”.v
40 Disse-lhe Jesus: “Não falei que, se você cresse,™ veria a glória de Deus?”* 1 1 .4 0 »v. 2 3 -2 5 ;
XV. 4
41 Então tiraram a pedra. Jesus olhou para cimav e disse: “Pai,z eu te agradeço porque me ouviste. 1 1 .4 1 yJo 17.1;
zM t 1 1 .2 5
42 Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa do povo que está aqui,3 para que creia que 1 1 .4 2 a jo 12.30;
tu me enviaste”.b bJ o 3 .1 7

43 Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: “Lázaro, venha para fora!”c 44 O morto saiu, com1 1 .4 3 < tc 7.1 4
1 1 .4 4 <Uo 19.40;
as mãos e os pés envolvidos em faixas de linhod e o rosto envolto num pano.e eJ o 20 .7

Disse-lhes Jesus: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir”.

A Conspiração p a ra M a ta r Jesus
45 Muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria,f vendo o que Jesus fizera,9 creram nele.h 1 1 .4 5 V . 19;
9J0 2.23;
46 Mas alguns deles foram contar aos fariseus o que Jesus tinha feito.47 Então os chefes dos sacerdotes hÊx 14.3 1 ; J o 7.31
1 1 .4 7 V. 57;
e os fariseus' convocaram uma reunião) do Sinádrio0.1* iM t 26.3; kM t 5.22;
“O que estamos fazendo?”, perguntaram eles. “Aí está esse homem realizando muitos sinais U o 2.11

milagrosos.148 Se o deixarmos, todos crerão nele, e então os romanos virão e tirarão tanto o nosso
lugar6 como a nossa nação.”
49 Então um deles, chamado Caifás,mque naquele ano era o sumo sacerdote," tomou a palavra e1 1 .4 9 mM t 2 6 .3 ; "v.
51; J o 18 .1 3 ,1 4
disse: “Nada sabeis! 50 Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não 1 1 .5 0 °Jo 1 8 .1 4

pereça toda a nação”.0


51 Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus
morreria pela nação judaica,52 e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que 1 1 .5 2 Pis 49.6;
J o 10.16
estão espalhados, para reuni-los num povo.P53 E daquele dia em diante, resolveram tirar-lhe a vida.1) 1 1 .5 3 qM t 1 2 .1 4

54 Por essa razão, Jesus não andava mais publicamente entre os judeus.r Em vez disso, retirou-se
para uma região próxima do deserto, para um povoado chamado Efraim, onde ficou com os seus
discípulos.
55 Ao se aproximar a Páscoa judaica,s muitos foram daquela região para Jerusalém a fim de partici­ 1 1 .5 5 sÊx 12.13,
2 3 ,2 7 ; M t 26.1,2;
parem das purificações cerimoniais* antes da Páscoa.56 Continuavam procurando Jesusue, no templo, M c 14.1; J o 13.1;
t2C r 30.1 7 ,1 8
perguntavam uns aos outros: “O que vocês acham? Será que ele virá à festa?” 57 Mas os chefes dos 1 1 .5 6 «Jo 7.11

sacerdotes e os fariseus tinham ordenado que, se alguém soubesse onde Jesus estava, o denunciasse,
para que o pudessem prender.

0 1 1 .4 7 Conselho dos principais líderes do povo judeu.


b 1 1 .4 8 Ou templo.

11.33 A palavra grega para “chorar”, usada duas vezes neste versículo, Mt 3.7; Lc 5.17). Eram desprovidos de poder político, mas chefiavam os
denota forte expressão de pesar, ou seja, “lamentação”. sacerdotes (ver nota em Mt 2.4) e foram proeminentes nos acontecimen­
11.35 A palavra grega para “chorou”, nesse versículo, náo é a mesma que tos que conduziram à crucificação de Jesus.
indica lamentação de forma audível (como no v. 33). Refere-se, em vez 11.49 Para mais informações sobre Caifás, ver nota em Mt 26.3; ver
disso, ao lamento silencioso (“derramar lágrimas”). também “Os sumos sacerdotes Anás e Caifás”, em At 4; e “Sacerdócio
11.38 Uma “gruta com uma pedra colocada à entrada” era o tipo co­ judaico e vida religiosa no século I d.C.”, em Lc 18.
mum de lugar de sepultamento na Terra Santa, na época, especialmente Caifás era saduceu (ver nota em Mt 3.7). Josefo registra que os saduceus
dos ricos (ver “Betânia e o túmulo de Lázaro”, em Jo 11). “nos seus relacionamentos com os amigos [eram] tão rudes quanto com
11.39 Sobre os “quatro dias”, ver notas no versículo 17 e em Mt 26.12; os estranhos” {Guerras dosjudeus, 2.8.14).
ver também “Práticas judaicas relativas ao sepultamento”, em Lc 9; 11.54 Depois da ressurreição de Lázaro, Jesus retirou-se para Efraim,
e “Perfumes e óleos de unção”, em Jo 12. pequena cidade provavelmente situada 19 quilômetros ao norte de Jeru­
11.44 As “faixas de linho” eram ataduras estreitas. Às vezes, usava-se salém. Mas, como se aproximava a Páscoa, ele retornou a Betânia 12.1 .
uma mortalha, como um grande lençol. O “pano” que envolvia o rosto 11.55 Estar cerimonialmente limpo era especialmente importante numa
era um artigo separado. época como a Páscoa (ver “Pureza ritual em Israel e no antigo Oriente
11.47 Nos quatro Evangelhos, os fariseus aparecem como os principais Médio”, em Lv 10; e “A páscoa”, em 2Cr 30). Caso contrário, náo teria
oponentes de Jesus, durante todo o seu ministério público (ver notas em sido possível manter a festa (ver notas em 2.6; 18.28).
J OÃO 1 2 . 2 2 1745

Jesu s é U ngido e m B etâ n ia (Mt 26.6-13; Mc 14.3-9)


1 2.1 «Jo 11 .5 5 ; 1 ^ Seis dias antes da Páscoav Jesus chegou a Betânia," onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos
" M t 2 1 .1 7
1 2 .2 «Lc 1 0 .3 8 -4 2 _L ^im ortos. 2 Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia,* enquanto Lázaro estava à mesa
12 .3 >Mc 14.3; com ele.3 Então Maria pegou um frasco" de nardo puro, que era um perfume caro,v derramou-o sobre
■ J011.2
os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos.2 E a casa encheu-se com a fragrância do perfume.
1 2 .4 > N lt1 0 .4 4 Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo,3 fez uma objeção:
12 .6 »Jo 13 .29 5 “Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários4”.
6 Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa
de dinheiro,bcostumava tirar o que nela era colocado.
1 2 .7 "J o 19 .40 7 Respondeu Jesus: “Deixe-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento.0 8 Pois os
1 2 .8 dD t 15.11
pobres vocês sempre terão consigo,d mas a mim vocês nem sempre terão”.
1 2 .9 * J o 1 1 .4 3 ,4 4 9 Enquanto isso, uma grande multidão de judeus, ao descobrir que Jesus estava ah, veio, não ape­
nas por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem ele ressuscitara dos mortos.e 10 Assim,
12.1 1 fv. 17 ,18 ; os chefes dos sacerdotes fizeram planos para matar também Lázaro,11 pois por causa delef muitos
J o 1 1 .4 5 ; 9Jo 7.31
estavam se afastando dos judeus e crendo em Jesus.9

A Entrada Triunfal (Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Lc 19.28-40)


12 No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa ouviu falar que Jesus estava
1 2 .1 3 "S11 18 .25 , chegando a Jerusalém.13 Pegaram ramos de palmeiras e saíram ao seu encontro, gritando:
2 6; 'J o 1.4 9
“Hosana!1”
“Bendito é o que vem em nome do Senhor!”*
“Bendito é o Rei de Israel!”'

14Jesus conseguiu um jumentinho e montou nele, como está escrito:

15 “Não tenha medo, ó cidadec de Sião;


eis que o seu rei vem,
montado num jumentinho”/j

1 2 .1 6 *M c 9.32; 16 A princípio seus discípulos não entenderam isso.k Só depois que Jesus foi glorificado,1eles se
U o 2 .2 2 ; 7 .39 ;
1 4 .2 6 lembraram de que essas coisas estavam escritas a respeito dele e lhe foram feitas.
1 2 .1 7 mJ o 1 1 .4 2 17 A multidão que estava com ele,mquando mandara Lázaro sair do sepulcro e o ressuscitara dos
1 2 .1 8 "v. 11 mortos, continuou a espalhar o fato.18 Muitas pessoas, por terem ouvido falar que ele realizara tal sinal
1 2 .1 9 «Jo 1 1.4 7, milagroso,nforam ao seu encontro.19 E assim os fariseus disseram uns aos outros: “Não conseguimos
48
nada. Olhem como o mundo todo vai atrás dele!”0

Jesus Prediz sua M orte


1 2 .2 0 «Jo 7 .35 ; 20 Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns gregos.P21 Eles se
A í 1 1 .2 0
1251 aMt 11.21; aproximaram de Filipe, que era de Betsaida<í da Galileia, com um pedido: “Senhor, queremos ver
J 0 1 .4 4
Jesus”. 22 Filipe foi dizê-lo a André, e os dois juntos 0 disseram a Jesus.
a 12.3 Grego: 1 litra. A litra era uma medida de capacidade de cerca de um terço de litro.
b 12.5 O denário era uma moeda de prata equivalente à diária de um trabalhador braçal.
c 12.13 Expressão hebraica que significa “Salve!”, e que se tomou exclamação de louvor.
d 12.13 SI 118.25,26.
e 12.15 Grego: filha,
f 12.15 Zc 9.9.

12.1 Para mais informações sobre Betânia, ver nota em Mt 21.17. 12.12 Durante a Páscoa e a festa dos pães sem fermento, que durava
12.3 “Nardo” é tanto o nome de uma planta quanto o óleo perfumado uma semana, a população de Jerusalém aumentava de cerca de 50 mil
que ela produz. Por ser exorbitantemente caro, o ato de devoção de para centènas de milhares.
Maria foi dispendioso — uma medida (473 ml) de nardo teria custado 12.13 Os ramos de palmeiras eram usados em celebrações de vitória (ver
cerca de um ano do salário de um trabalhador diarista. Sua ação também “Ramos de palmeira em Israel”, em Ap 7; sobre a expressão “Hosana!”,
foi incomum, porque ela derramou o óleo nos pés de Jesus (normalmen­ ver nota em Mt 21.9.
te era derramado sobre a cabeça) e usou os próprios cabelos para secá-los 12.14 Ver “Um rei cavalgando em um jumento: significado político-
(uma mulher respeitável não desataria o cabelo em público). -cultural no antigo Oriente Médio”, em Mt 21.
12.4 Para mais informações sobre o nome Iscariotes, ver nota em Mc 3.19. 12.19 Para mais informações sobre os fariseus, ver nota em Mt 3.7 e
12.5 Era costume dos judeus presentear os pobres na noite de Páscoa. Lc 5.17.
12.7 O perfume estava normalmente associado com festividades, mas 12.20 Os “gregos” provavelmente são homens “tementes a Deus”, atraí­
também era usado em sepultamentos. Para práticas de sepultamento no dos ao judaísmo por seu monoteísmo e moralidade, mas repelidos por
NT, ver nota em Mt 26.12; ver também “Práticas judaicas relativas ao seu nacionalismo e exigências como a circuncisão. Adoravam nas sinago­
sepultamento”, em Lc 9; e “Perfumes e óleos de unção”, em Jo 12. gas, mas não se tomavam prosélitos convertidos (cf. nota em At 16.14).
12.21 Para mais informações sobre Betsaida, ver nota em Mc 8.22.
1746 } OÃO 12.23
23 Jesus respondeu: “Chegou a hora de ser glorificado o Filho do hom em/ 24 Digo verdadeiramente12.23 Uo 13.32;
17.1
que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer,s continuará ele só. Mas, se morrer, dará muito fruto. 1 2 .2 4 *1 0 )1 5 .3 6

25 Aquele que ama a sua vida a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo a con­ 1 2 .2 5 m 10.39;
M c 8.35; Lc 1 4 .2 6
s e r v a i para a vida eterna.26 Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também 1 2 .2 6 uJ o 14.3;
17.2 4 ; 2Co 5.8;
estará.u Aquele que me serve, meu Pai o honrará. 1T S 4 .1 7
27 “Agora meu coração está perturbado,v e o que direi? Pai,w salva-me desta hora?x Não; eu vim1 2 .2 7 vM t 26.38,
39; J o 1 1 .33,38;
exatamente para isto, para esta hora.28 Pai, glorifica o teu nome!” 13.2 1 ; « M t 11.25;
xv. 2 3
1 2 .2 8 vM t 3.1 7

-í -
i
imfíÊÊÊsSi
NOTAS HISTÓ RICAS E CULTURAIS
m m m

Perfumes e óleos de unção


importadas da Arábia, do Irã, da índia e de
outros lugares. Esses perfumes, portanto,
eram muito caros, como sugere João 12.3-5.
A fonte primária de óleo era a oliveira,
cultivada amplamente no mundo mediter-
No período greco-romano, acrescen-
tavam-se aos óleos as fragrâncias de narciso,
canela, açafrão e outras plantas, e as pessoas se
ungiam após o banho.3 As fragrâncias eram
obtidas de várias formas, dependendo
da natureza da planta (raiz, flores, secreção da
casca de uma árvore etc.), mas quase sempre
a matéria-prima era destilada ou de algum
modo espremida ou prensada. A menção do
NT a essas essências reflete algo dos valores
da cultura da época.

1V e r "D o e n ç a s e m e d ic a m e n to s n o m u n d o a n tig o ",


Prensa giratória de azeitonas
e m Lc 4. 2V e r "P rá tic a s ju d a ic a s re la tiv a s ao s e p u l-
Preserving BibleTimes; © dr. James C. Martin; usado compermissão do Museu Eretz Israel
ta m e n t o " , e m Lc 9. 3V e r "B a n h o ", e m 2S m 11.
JOÃO 12 Por diversas razões, os povos do pacientes e nos atletas com óleo; Tiago 5.14
mundo antigo estavam habituados a usar recomenda ungir o doente com óleo.1
fragrâncias, perfumes e óleos de unção: Os perfumes e espe­
ciarias eram usados com
•J* Eies valorizavam os poderes presentes e propósitos especiais, como
sugestivos dos aromas. Os perfumes tinham para embalsamar os mortos
função cosmética e funcionavam como afro- (Jo 19.39,40)2
disíacos (e.g., Ct 1.12,13), mas havia também
uma fórmula de perfume sagrado, de uso ex­ A maioria dos perfumes
clusivo dos sacerdotes de Israel e para unção originava-se das plantas
dos objetos do santuário (Éx 30.22-33). (e.g., olíbano — um tipo
❖ Os óleos serviam a um propósito higiêni­ de incenso — , mirra, nar-
co, antes da invenção do sabão e do xampu do, açafrão, aloé e cálamo).
(e.g., ungia-se o couro cabeludo com óleos Considerando que nenhu­
para combater os piolhos). ma dessas especiarias e
Cesta de azeitonas
•5* Os óleos eram usados como remédio. fragrâncias era natural da
PreservingBibleTimes; © dr. James C. Martin; usadocompermissão doMuseu EretzIsrael
Os médicos gregos faziam massagens nos Terra Santa, tinham de ser
J OÃO 1 3 . 5 1747

Então veio uma voz dos céus:V “Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente”. 29 A multidão que
ali estava e a ouviu disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado.
1 2 .3 0 zJ o 1 1 .4 2 30 Jesus disse: “Esta voz veio por causa de vocês2 e não por minha causa.31 Chegou a hora de ser
1 2 .3 1 aJo 16 .11 ;
b jo 14.3 0 ; 16.11; julgado este mundo;3 agora será expulso o príncipe deste mundo.b 32 Mas eu, quando for levantado
2C o 4.4 ; Ef 2.2; da terra,c atrairei todos a mim”.d 33 Ele disse isso para indicar o tipo de morte que haveria de sofrer.e
1Jo 4 .4
1 2 .3 2 ° v . 34; 34 A multidão falou: “A Lei nos ensina que o Cristo permanecerá para sempre;1como podes dizer:
J o 3 .1 4 ; 8.28 ;
<Uo 6 .4 4 ‘O Filho do homems precisa ser levantado’?11Quem é esse ‘Filho do homem’?”
1 2 .3 3 «Jo 1 8 .3 2
1 2 .3 4 fS11 10 .4 ;
35 Disse-lhes então Jesus: “Por mais um pouco de tempo a luz* estará entre vocês. Andem enquanto
Is 9 .7 ; Ez 37.2 5 ; vocês têm a luzj para que as trevas não os surpreendam,k pois aquele que anda nas trevas não sabe
Dn 7 .1 4 ; aM t 8.20;
M o 3 .1 4 para onde está in d o .36 Creiam na luz enquanto vocês a têm, para que se tornem filhos da luz”.1
1 2 .3 5 v . 4 6;
iE f 5.8 ; M J o 2.11 Terminando de falar, Jesus saiu e ocultou-se deles.m
1 2 . 3 6 'Lc 16 .8;
"\Jo 8 .5 9
A Incredulidade dos Judeus
1 2 .3 7 "J o 2.11 37 Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais milagrosos,0 não creram nele.38 Isso aconteceu
1 2 .3 8 °ls 53 .1;
R m 1 0 .1 6 para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse:

“Senhor, quem creu em nossa mensagem,


e a quem foi revelado o braço do Senhor?”*0

39 Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar:

1 2 .4 0 Pis 6 .1 0 ; 40 “Cegou os seus olhos


M t 1 3 .1 3 ,1 5
e endureceu-lhes o coração,
para que não vejam com os olhos
nem entendam com o coração,
nem se convertam, e eu os cure”&.P
1 2 .4 1 Pis 6 .1 -4 ; 41 Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus^ e falou sobre ele.r
rLc 2 4 .2 7
1 2 .4 2 «v. 11; 42 Ainda assim, muitos líderes dos judeus creram nele.s Mas, por causa dos fariseus,1não confessa­
J o 7 .4 8 ; U o 7 .13 ;
uJ o 9 .2 2 vam a sua fé, com medo de serem expulsos da sinagoga;u 43 pois preferiam a aprovaçãoc dos homens
1 2 .4 3 vJo 5 .4 4
do que a aprovação de Deus.v
1 2 .4 4 wM t 10 .40 ; 44 Então Jesus disse em alta voz: “Quem crê em mim, não crê apenas em mim, mas naquele que
J 0 5 .2 4
1 2 .4 5 *Jo 1 4 .9 me enviou.w45 Quem me vê, vê aquele que me enviou.x 46 Eu vim ao mundo como luz,y para que todo
1 2 .4 6 yJo 1.4;
3 .1 9 ;8 .1 2 ; 9 .5
aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.
1 2 .4 7 *Jo 3 .1 7 47 “Se alguém ouve as minhas palavras e não lhes obedece, eu não o julgo. Pois não vim para julgar
1 2 .4 8 aJo 5 .4 5 o mundo, mas para salvá-lo.z 48 Há um juiz para quem me rejeita e não aceita as minhas palavras; a
própria palavra que proferi o condenará3 no último dia.49 Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai
que me enviou me ordenoub o que dizer e o que falar. 50 Sei que o seu mandamento é a vida eterna.
Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer”.

Jesus Lava os Pés dos Discípulos


1 3 .1 cJ o 1 1 .5 5; 1 O U m pouco antes da festa da Páscoa,c sabendo Jesus que havia chegado o tempod em que
iJ o 1 2.2 3;
eJo 1 6.2 8 X J deixaria este mundo e iria para o Pai,e tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os
até o fim.d
2 Estava sendo servido o jantar, e o Diabo já havia induzido Judas Iscariotes, filho de Simão, a
1 3 .3 » M t2 8 .1 8 ; trair Jesus.3 Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder,f e que viera de
sJo 8 .42 ;
1 6 .2 7 ,2 8 ,3 0 DeusQ e estava voltando para Deus;4 assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha
em volta da cintura. 5 Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus
discípulos,h enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura.

0 12.38 Is 53.1.
b 12.40 Is 6.10.
c 12.43 Grego: glória.
d 13.1 Ou mostrou-lhes então que os amava perfeitamente.

12.34 A “Lei” aqui parece significar as Escrituras do AT em geral (ver “O 13.5 As pessoas do tempo de Jesus caminhavam nas estradas empoeira-
Antigo Testamento da igreja primitiva”, em 2Tm 3). das calçadas apenas com sandálias, e os pés ficavam cobertos de sujeira.
12.42 Muitos líderes judaicos criam em Jesus, entretanto permaneciam As regras de etiqueta exigiam que, quando um viajante entrasse numa
como seguidores secretos, por medo da excomunhão (ver nota em 9-22). casa como convidado, o anfitrião tomasse as providências para lhe lavar
Dois desses casos no evangelho são Nicodemos e José de Arimateia (ver os pés. Essa tarefe desagradável era geralmente delegada ao criado mais
3.12; 19.38,39). humilde da casa (ver nota em 1.27).
13.1 Ver “A Páscoa”, em 2Cr 30.
J OÃO 13. 6

6 Chegou-se a Simão Pedro, que lhe disse: “Senhor, vais lavar os meus pés?”
7 Respondeu Jesus: “Você não compreende agora o que estou fazendo a você; mais tarde, porém,
entenderá”.'
8 Disse Pedro: “Não; nunca lavarás os meus pés!”.
Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não terá parte comigo”.
9 Respondeu Simão Pedro: “Então, Senhor, não apenas os meus pés, mas também as minhas mãos
e a minha cabeça!”
10 Respondeu Jesus: “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo.
Vocês estão limpos,! mas nem todos”. 11 Pois ele sabia quem iria traí-lo e, por isso, disse que nem
todos estavam limpos.
12 Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tomou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então
lhes perguntou: “Vocês entendem o que fiz a vocês?13 Vocês me chamam ‘Mestre’k e ‘Senhor’,1e com 1 3 .1 3 K J o 1 1 .2 8 ;
'L c 6 .4 6 ; 1C 0.12.3;
razão, pois eu o sou.14 Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei os seus pés, vocês também Fp 2.11
devem lavar os pés uns dos outros.m15 Eu dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz."16Digo ver­ 11 33 .1.1 45 n>1Pe 5.5
"M t 1 1 .2 9
dadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor,0 como também nenhum mensageiro" é 1 3 .1 6 °M t 10.24;
Lc 6 .4 0 ; J o 1 5 .2 0
maior do que aquele que o enviou.17 Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem.P 1 3 .1 7 PMt 7.24,25;
Lc 11 .2 8 ; T g 1.25

Jesus Prediz qu e Será Traído (Mt26:17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7*23)


18 “Não estou me referindo a todos vocês;'! conheço os que escolhi/ Mas isto acontece para que se1 3 .1 8 ov. 10;
rJo 1 5 .16,19;
cumpra a Escritura: Aquele que partilhava do meu pãos voltou-se* contra mim6’.11 sM t 26.23;
U O 6 .7 0 ; “SI 4 1 .9

a 1 3 .1 6 Grego: apóstolo.
b 1 3 .1 8 Grego: levantou o calcanhar contra mim. SI 41.9.

13.10 O homem banhava-se antes de ir a uma festa (ver “Banho”, em 13.18 Comer páo com alguém era sinal de íntimo relacionamento.
2Sm 11). Quando chegasse, precisava apenas lavar os pés para ser consi­
derado limpo outra vez.

.TEXTO S E ARTEFATOS ANTIGOS

O TRICLÍNIO
JOÃO 13 0 tridínio era a sala de jantar de 0 jantar romano tradicional (convivium) 0 registro da Última Ceia, em João 13, indi­
uma casa romana. Alguns dos mais admirá­ envolvia nove convidados, com três pessoas ca que Jesus e os discípulos seguiam uma
veis exemplos de tridínio foram escavados em cada um dos três divãs organizados em versão modificada desse costume. A Última
em Pompeia, nas casas de Menandro, Pansa, três lados de um quadrado. 0 entreteni­ Ceia não foi uma refeição de convivium, mas
Castor e Pólux e dos Cupidos Dourados.1 Nas mento tomava lugar no espaço aberto. a ceia da Páscoa, e a sala tinha de conter os
habitações mais ricas, as paredes do tridínio Considerando-se que cada divã servia a mais 12 discípulos que faziam parte do círculo
eram adornadas com afrescos de cenas mi­ de um convidado, cada pessoa colocava a íntimo de Jesus.3 É óbvio que não havia
tológicas ou pastoris. A sala era localizada cabeça perto da mesa e direcionava o resto nenhum entretenimento, assim é provável
de tal forma que proporcionava uma visão do corpo para trás. Os corpos então se sobre­ que quatro divãs tenham sido organizados
do Jardim, criando um fundo cênico para a punham, e a cabeça de um participante fica­ ao redor de uma mesa central. Os 13 parti­
experiência gastronômica. Tinha a forma va perto do peito do convidado ao lado (os cipantes estavam reclinados enquanto co­
retangular e continha divãs compridos, dis­ pás eram direcionados para trás e para longe miam, e João estava reclinado contra o peito
postos ao longo de três de suas paredes, daí da mesa). Por essa razão, de acordo com o de Jesus, o qual ocupava naturalmente a
0 nome. A armação dos divãs normalmente historiador Plínio, dizia-se que um comensal posição de um superior. A posição de João,
era de madeira com adornos de bronze. Cor­ mentia "no peito" do outro. 0 historiador próximo de Jesus, indica que o discípulo era
reias de couro cruzavam o fundo aberto da Lívio registra que um tipo de hierarquia seu amigo mais íntimo, o que realmente
armação e serviam de apoio para as almofa­ caracterizava esse sistema de redinamento. está implícito na narrativa (v. 23).
das. Os comensais reclinavam-se sobre seu A cabeça da pessoa inferior ficava perto do
lado esquerdo, deixando a mão direita livre tronco da pessoa superior.
para pegar a comida da mesa baixa colocada Nos tempos do NT, muitos judeus
no centro da sala. haviam adotado o estilo romano de jantar.2
'Ver "Pompeia”, em Rm 13. 2Ver "Refeições judaicas e hábitos alimentares", em Mt 9. 3Ver "A Última Ceia e a Páscoa", em M t 26.
J OÃO 1 4 . 1 4 1 749

13.19«Jo 1 4.29 ; 19“Estou dizendo antes que aconteça, a fim de que, quando acontecer, vocês creiamv que Eu Sou“.w
1 6 .4 »Jo 8.24;
13.20 «Mt 10 .40 ; 20Eu garanto: Quem receber aquele que eu enviar estará me recebendo; e quem me recebe recebe
L c 10 .16
aquele que me enviou”.*
13.21 »Jo 12 .27 ; 21 Depois de dizer isso, Jesus perturbou-se em espírito'' e declarou: “Digo que certamente um de
*M t 26.21
vocês me trairá”.2
13.23 «Jo 19 .2 6 ; 22 Seus discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia.23 Um deles, o discí­
2 0 .2 ; 2 1 .7 ,2 0
pulo a quem Jesus amava,a estava reclinado ao lado dele.24 Simão Pedro fez sinais para esse discípulo,
como a dizer: “Pergunte-lhe a quem ele está se referindo”.
13.25 M o 2 1 .2 0 25 Inclinando-se esse discípulo para Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”b
26 Respondeu Jesus: “Aquele a quem eu der este pedaço de pão molhado no prato”. Então, mo­
13.27'L c 2 2.3 lhando o pedaço de pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Tão logo Judas comeu o pão,
Satanás entrou nele.c “O que você está para fazer, faça depressa”, disse-lhe Jesus. 28 Mas ninguém à
1 3 .2 9 "J o 12.6 mesa entendeu por que Jesus lhe disse isso.29 Visto que Judas era o encarregado do dinheiro,d alguns
pensaram que Jesus estava lhe dizendo que comprasse o necessário para a festa, ou que desse algo aos
13.30 "L c 22 .5 3 pobres.30 Assim que comeu o pão, Judas saiu. E era noite.e

Jesus Prediz que Pedro o Negará (Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34)


13.31 fJo 7.3 9; 31 Depois que Judas saiu, Jesus disse: “Agora o Filho do homem é glorificado,f e Deus é glorificado
U o 14 .1 3 ; 17.4;
1 Pe 4.11 nele.s32 Se Deus é glorificado nele,11Deus também glorificará o Filho nele mesmo,he o glorificará em breve.
13.32 M o 17.1
13.33 Uo 7 .3 3 ,3 4 33 “Meus filhinhos, vou estar com vocês apenas mais um pouco. Vocês procurarão por mim e,
como eu disse aos judeus, agora digó à vocês: Para onde eu vou, vocês não podem ir.1
13.3411 J o 2 .7 -1 1 ; 34 “Um novo mandamentoi dou a vocês: Amem-se uns aos outros.k Como eu os amei, vocês
3 .1 1 ;tv 1 9 .1 8 ;
1 T S 4 .9 ; 1Pe 1.22; devem amar-se uns aos outros.135 Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se
Uo 15 .1 2 ; Ef 5 .2 ;
1 J o 4.10,11
amarem uns aos outros”.m
13.35 m1 J o 3.14; 36 Simão Pedro lhe perguntou: “Senhor, para onde vais?”
4 .2 0
13.36 " * .3 3 ; Jesus respondeu: “Para onde vou, vocês não podem seguir-me agora," mas me seguirão mais tarde”.0
Jo 1 4 .2 ; «Jo 21.1 8,
19; 2Pe 1 .14 37 Pedro perguntou: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Darei a minha vida por ti!”
13.38 PJo 1 8 .2 7 38 Então Jesus respondeu: “Você dará a vida por mim? Asseguro que, antes que o galo cante, você
me negará três vezeslP

Jesus Fortalece os seus Discipulos


“Não se perturbe o coração de vocês.Q Creiam em Deus;c creiam também em mim. 2 Na casa
14.1 iv . 2 7
14.2 Uo 1 3 .3 3 ,3 6

14.3 M o 1 2 .2 6
M de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu teria dito a vocês. Vour preparar lu­
gar para vocês.1* 3 E, quando eu for e preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês
estejam onde eu estiver.8 4 Vocês conhecem o caminho para onde vou”.

Jesus, o C am inho p a ra o Pai


1 4 .5 U o 1 1 .1 6 5 Disse-lhe Tomé:4“Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber o caminho?”
1 4 .6 "J o 10.9; 6 Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho,u a verdade e a vida.v Ninguém vem ao Pai, a não ser por
vJ o 1 1 .2 5
1 4 .7 » J o 8 .1 9 mim. 7 Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam1' também o meu Pai.w Já agora vocês o
conhecem e o têm visto”.
8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”.
14.9 " J 0 12 .45 ; 9 Jesus respondeu: “Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês duran­
Cl 1.1 5; H b 1 .3
14.10 »Jo 10 .3 8 ; te tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai.x Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Você não crê que
M o 5 .1 9
eu estou no Pai e que o Pai está em mim?v As palavras que eu digo não são apenas minhas.2Ao contrá­
14.11 M o 5.36; rio, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.11 Creiam em mim quando digo que estou no
10.38
14.12 »M t 21 .21 ; Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras.3 12 Digo a verdade:
"L c 1 0 .1 7
Aquele que crêb em mim fará também as obras que tenho realizado.0 Fará coisas ainda maiores do
14.13 "M t 7,7 que estas, porque eu estou indo para o P ai.13 E eu farei o que vocês pediremd em meu nome, para que
o Pai seja glorificado no Filho.14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.
0 13.19 Uma referência ao nome de Deus.
b 13.32 Vários manuscritos não trazem Se Deus églorificado nele.
c 14.1 Ou Vocês creem em Deus.
d 14.2 Ou não teria eu dito a vocês que vou preparar lugar para vocês?.
e 14.7 Alguns manuscritos dizem me têm conhecido, conhecerão.

13.23 Para um jantar, os convidados reclinavâm-se em divãs, apoiando- 13.26 Ver nota em Mt 26.23.
-se no cotovelo esquerdo, com a cabeça em direção à mesa (ver “Refei­
ções judaicas e hábitos alimentares”, em Mt 9; e “O triclínio”, em Jo 13).
1750 J OÃO 1 4 . 1 5

Jesus Promete o Espírito Santo


15“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos®16E eu pedirei ao Pai, e ele dará a 14.15 <v. 21,23;
J o 1 5 .1 0 ; 1Jo 5 .3
vocês outro Conselheirof para estar com vocês para sem pre,17 o Espírito da verdade.s O mundo não 1 4 .1 6 'J 0 15.26;
pode recebê-lo,h porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e 16.7 14.17QJ015.26;
estará0 em vocês,18 Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês.119 Dentro de pouco tempo o mundo 16.1 3 ; 1Jo 4.6;
»1 Co 2 .1 4
não me verá mais; vocês, porém, me verãoJ Porque eu vivo, vocês também viverão.k 20 Naquele dia, 14.18 V. 3 ,28
14.19'Jo 7 .3 3 ,3 4 ;
compreenderão que estou em meu Pai,1vocês em mim, e eu em vocês. 21 Quem tem os meus man­ 16.1 6 ; M o 6.5 7
1 4.20 U o 10.38
damentos e lhes obedece, esse é o que me ama.mAquele que me ama será amado por meu Pai,n e eu 14.21 » 1 J o 5.3;
também o amarei e me revelarei a ele”. « 1Ü 02.5

22 Disse então Judas0 (não o Iscariotes); “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”P 14.22 »LC 6.16;
A t 1.13; PAt 10.41
23 Respondeu Jesus: “Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra.'! Meu Pai o amará, nós vire­ 14.23 V . 15;
r1 J o 2 .2 4 ;A p 3 .2 Q
mos a ele e faremos morada nele.r 24 Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas 14.24 sJ o 7 .1 6
palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou.®
23 “Tudo isso tenho dito enquanto ainda estou com vocês.26 Mas o Conselheiro,4o Espírito Santo,14.26 U o 15.26;
16.7; «At 2.33;
que o Pai enviará em meu nome,uensinará a vocês todas as coisasv e fará vocês lembrarem tudo o que «J016.13;
eu disse.w27 Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês.x Não a dou como o mundo a dá. Não se «1JJoo 2.2 2.2 0 ,2 7 ;
2
perturbe o seu coração, nem tenham medo. 1 4 . 2 7 xJo 16.33;
Fp 4 .7 ; Cl 3.1 5
28 “Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês.» Se vocês me amassem, ficariam contentes1 4 .2 8 w . 2 -4 ,1 8 ;
zJ o 5.18;
porque vou para o Pai,z pois o Pai é maior do que eu.a 29 Isso eu digo agora, antes que aconteça, para U o 1 0 .2 9 ; Fp 2.6
1 4 .2 9 U o 13.19;
que, quando acontecer, vocês creiam.b30 Já não falarei muito, pois o príncipe deste mundoc está vindo. 16.4
Ele não tem nenhum direito sobre m im .31 Todavia é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e 1 4 . 3 0 U o 12.31
1 4 .3 1 dJ o 10.18;
que faço o que meu Pai me ordenou.d Levantem-se, vamo-nos daqui! 12.49

A Videira e os Ramos
1 H “Eu sou a videira verdadeira,e e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em mim, 15.1 «Is 5 .1 -7
X 3 não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda*1, para que dê mais fruto ainda.3 Vocês já 1 5 .3 U o 13.10;
17.1 7 ; Ef 5.2 6
estão limpos, pela palavra que tenho falado.14 Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês.e 15.4 sJo 6.56;
1 J o 2.6
Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Vocês também não
podem dar fruto se não permanecerem em mim.
5 “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito1 5 .5 ty . 16
fruto;*1pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. 6 Se alguém não permanecer em mim, 1 5 . 6 *v. 2

será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados.1
7 Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que
quiserem, e será concedido.) 8 Meu Pai é glorifkadokpelo fato de vocês darem muito fruto; e assim 1 5 .8 m 5.16;
•Jo 8.31
serão meus discípulos.1
9 “Como o Pai me amou,massim eu os amei; permaneçam no meu am o r.10 Se vocês obedecerem1 5 .9 <Uo 17.23,
2 4 ,2 6
aos meus mandamentos," permanecerão no meu amor, assim como tenho obedecido aos mandamen­ 1 5 .1 0 "J o 1 4 .1 5

tos de meu Pai e em seu amor permaneço.11 Tenho dito estas palavras para que a minha alegria esteja 1 5 .1 1 °Jo 1 7 .1 3
em vocês e a alegria de vocês seja completa.0 12 0 meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros 1 5 .1 2 PJo 13.34

como eu os amei.P13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.i 1 5 .1 3 U o 10.11:
R m 5.7 ,8
14 Vocês serão meus amigos/ se fizerem o que eu ordeno.8 15 Já não os chamo servos, porque o servo 1 5 . 1 4 1 c 12.4;
sM t 1 2 .5 0
não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi 1 5 .1 5 «Jo 8.2 6

de meu Pai eu tornei conhecido a vocês.*16 Vocês não me escolheram, mas eu os escolhiupara irem e 1 5 .1 6 U o 6.70;
13.18
darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai conceda a vocês o que pedirem em meu nome.
17 Este é o meu mandamento: Amem-se uns aos outros.v

O M u n d o Odeia os Discípulos
18 “Se o mundo os odeia,w tenham em mente que antes me odiou.19 Se vocês pertencessem ao1 5 .1 8 w1 J o 3 .13
1 5 .1 9 *v. 16;
mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi,x yJo 17.14
a 14.17 Alguns manuscritos dizem está.
b 15.2 0 termo grego traduzido como poda também significa limpa.

1 4 .1 6 “Conselheiro” significa “auxiliador” ou “advogado”. É um ter­ 1 5 .1 5 Um servo era apenas um agente, fazendo algo ordenado por seu
mo legal, cujo significado é mais amplo que “conselho para defesa”, mestre, em geral sem entender o propósito, mas Jesus tratava seus amigos
referindo-se, em vez disso, a qualquer pessoa que ajudasse alguém em numa base de confiança mútua.
dificuldade com a lei. 1 5 .1 6 Os discípulos geralmente escolhiam o rabino particular a quem
1 4 .2 6 Sobre o Conselheiro, ver nota no versículo 16. desejavam estar ligados, mas náo era o caso dos discípulos de Jesus: ele
os escolheu.
FONTES
EXTRABÍBLICAS ACERCA
DO J E S U S H I S T Ó R I C O
JOÃ015 Os leitores cristãos sempre desejaram saber se há referên­
cias a Jesus fora do NT. Embora alguns inimigos do cristianismo re­
jeitem o NT, afirmando que existe pouca ou nenhuma evidência real
de que Jesus tenha vivido em alguma época, existem, na realidade,
confirmações em fontes judaicas e romanas. Alguns textos rabínicos
sobreviveram, e também uma passagem importante do antigo his­
toriador judaico Flávio Josefo.
Um texto rabínico do Talmude babilônio é especialmente
significativo. Essa passagem, denominada Sinédrio 43a, afirma que
Jesus foi "pendurado" na véspera da Páscoa por ser feiticeiro e in­
citar o povo à apostasia, mas que, antes de sua execução, os líderes
judaicos aguardaram quarenta dias para que alguém apresentasse
evidências em sua defesa. Isso contradiz o registro do NT, mas afirma
a existência de Jesus, sua condenação pelos líderes judaicos e a exe­
cução no período da Páscoa. Uma videira com seus ramos
© d r. James C. Martin
Um texto de Josefo, conhecido como o Testimonium Flavianum,
é encontrado na obra Antiguidadesjudaicas (18.63-64; essa obra foi
concluída em 93 d.C., cerca de sessenta anos após a crucificação de que essas perturbações foram instigadas por "Chrestus" (Cresto), que
Jesus). Descrevendo os dias de Pôncio Pilatos, declara: muitos estudiosos entendem ser uma versão adulterada de "Cristo".
As autoridades romanas, em 49 d.C., poderiam facilmente ter enten­
Nesse momento Jesus, um homem sábio (se for apropriado dido mal a causa das revoltas judaicas em sua cidade. Se os judeus
chamá-lo de um homem), apareceu. Pois ele era autor de feitos tivessem se revoltado por causa da presença de cristãos entre eles, os
incríveis, mestre de homens que com alegria recebiam a verdade romanos, que procuravam entender a confusão, podem ter chegado
e atraiu para si muitos judeus — e muitos gregos, também. à conclusão de que alguém chamado Chrestus estava no centro do
Esse homem era o Cristo. E, quando Pilatos o executou pela conflito. As autoridades locais de Roma, nessa fase antiga da história
incitação dos principais líderes entre nós, aqueles que o tinham cristã, teriam pouco conhecimento da nova religião ou do grau de dis­
amado primeiro não se renderam. Porque ele apareceu nova­ córdia que ela havia criado entre os judeus. É importante perceber
mente a eles, vivo, no terceiro dia (os profetas divinos haviam o fato de que essa expulsão dos judeus de Roma também é mencio­
falado a respeito dele, dessa e de outras incontáveis maravilhas). nada em Atos 18.2.
E, até este dia, a tribo dos "cristãos" (nomeada depois dele) não O historiador romano Tácito, escrevendo em por volta de 115
desapareceu. d.C., menciona os cristãos nos Anais (15.44). Embora considerasse o
cristianismo uma superstição, deixa claro que Nero havia incrimina­
A controvérsia cerca o Testimonium por causa de seu tom con­ do os cristãos injustamente, fazendo deles bodes expiatórios para os
fessional, o que leva alguns estudiosos a argumentar que se trata da incêndios de Roma, em 64 d.C.' Sobre o termo "cristão", ele declara:
interpolação de um escritor cristão posterior. No entanto, na mesma "0 autor deste nome, Cristo, sofreu a punição final pelas mãos do pro­
obra (20.200), Josefo descreve o martírio de Tiago, a quem ele sim­ curador Pôncio Pilatos, durante o governo de Tibério". 0 NT também
plesmente identifica como "o irmão de Jesus, chamado Cristo". Uma indica que Jesus foi crucificado durante o reinado de Tibério (14 a 37
referência como essa a respeito de Jesus indica que ele percebia que d.C.).2
Jesus dispensava apresentações ou que o próprio Josefo já o havia
apresentado ao leitor. Pondo a questão em perspectiva, é importante perceber que é
Há várias referências a cristãos e indiretamente a Jesus na litera­ escassa a evidência de qualquer espécie no mundo antigo em geral.
tura romana. Duas são particularmente importantes: Muitas pessoas e muitos episódios da história antiga seriam desco­
nhecidos de nós, não fosse alguma menção num único documento
•J* Suetônio, em Cláudio (25.4), na obra A vida dos doze césares ou inscrição, e existem lacunas significativas em nosso conhecimen­
(ca. 120 d.C.), descreve perturbações de ordem pública entre os ju­ to. Considerados todos os aspectos, pode-se dizer que a evidência do
deus em Roma, durante o reinado de Cláudio, em 49 d.C. Declara Jesus histórico em fontes antigas, além do NT e da Igreja, é ampla.

’Ver "Nero, o perseguidor dos cristãos", em Fp 4. 2Ver "Tibério César, o imperador durante o ministério de Jesus", em Lc 20.
1 752 J OÃO 1 5 . 2 0

tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia.y20 Lembrem-se das palavras que eu disse: Nenhum 15.20 zJo 13.16;
a2Tm 3.12
escravo é maior do que o seu senhor.*2 Se me perseguiram, também perseguirão vocês.3 Se obede­
ceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês. 21 Tratarão assim vocês por causa do meu 1 5 .2 1 bM t 10.22;
cJ o 16 .3
nome,b pois não conhecem aquele que me enviou.0 22 Se eu não tivesse vindo e falado a vocês, não 1 5 . 2 2 “ J o 9.41;
R m 1.2 0
seriam culpados de pecado. Agora, contudo, eles não têm desculpa para o seu pecado.d23 Aquele que
me odeia, também odeia o meu P ai.24 Se eu não tivesse realizado no meio deles obras que ninguém
mais fez,e eles não seriam culpados de pecado. Mas agora eles as viram e odiaram a mim e a meu
1 5 .2 5 * 8 1 35.19;
Pai.25 Mas isto aconteceu para se cumprir o que está escrito na Lei deles: ‘Odiaram-me sem razão’è.f 6 9.4
1 5 .2 6 9 jo 14.16;
26 “Quando vier o Conselheiro,9 que eu enviarei a vocês da parte do Pai,h o Espírito da verdade'hJ o 14 .2 6 ; 'Jo
14.1 7 ; i1 J o 5.7
que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeitoj 27 E vocês também testemunharão,kpois estão 1 5 .2 7 t c 24.4 8 ;
comigo desde o princípio.1 1Jo 1.2; 4.14;
'Lc 1.2
1 “Eu tenho dito tudo issompara que vocês não venham a tropeçar.n 2 Vocês serão expulsos das 1 6 .1 mJ o 1 5 .1 8 -
27; nM t 1 1.6
-L U sinagogas;0 de fato, virá o tempo quando quem os matar pensará que está prestando culto a 1 6 .2 °Jo 9.22;
pIs 6 6 .5 ;
Deus.P3 Farão essas coisas porque não conheceram nem o Pai, nem a mim.q4 Estou dizendo isto A t 2 6 .9 ,1 0 ; A p 6.9
1 6 .3 qJo 15.21;
para que, quando chegar a hora, lembrem-ser de que eu os avisei. Não disse isso a vocês no princí­ 17.2 5 ; U o 3.1
1 6 .4 rJ o 13.19
pio, porque eu estava com vocês.

A Obra do Espírito Santo


5 “Agora que vou para aquele que me enviou,s nenhum de vocês me pergunta: ‘Para onde vais?*1 1 6 .5 sJ o 7.33;
U o 13 .3 6 ; 14.5
6 Porque falei estas coisas, o coração de vocês encheu-se de tristeza.7 Mas eu afirmo que é para o bem 1 6 . 7 “J o 1 4 .16,26;
15.2 6 ; vJo 7 .3 9
de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheirou não virá para vocês; mas, se eu for, eu o enviarei.v
8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. 9 Do pecado,w porque os
homens não creem em m im ;10 da justiça,x porque vou para o Pai, e vocês não me verão m ais;11 e do 1 6 .1 0 *A t 3.14;
7.52; 1Pe 3.1 8
juízo, porque o príncipe deste mundov já está condenado. 1 6 .1 1 yJo 12.31

12 “Tenho ainda muito que dizer, mas vocês não o podem suportar agora.213 Mas, quando o Espírito1 6 .1 2 *M c 4.3 3
1 6 .1 3 aJo 14.17;
da verdade3 vier, ele os guiará a toda a verdade.b Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e bJ o 1 4 .2 6

anunciará a vocês o que está por v ir.14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará
conhecido a vocês.15 Tudo o que pertence ao Pai é meu.° Por isso eu disse que o Espírito receberá do
que é meu e o tornará conhecido a vocês.
16 “Mais um poucod e já não me verão; um pouco mais, e me verão de novo”.e 1 6 .1 6 «Jo 7.33;
eJ o 1 4 .1 8 -2 4

A Tristeza dos Discípulos Será Transform ada em Alegria


17 Alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: “O que ele quer dizer com isso: ‘Mais 1 6 .1 7 V . 1 6 ; s v .5

um pouco e não me verão’; e ‘um pouco mais e me verão de novo’,f e ‘porque vou para o Pai’?”9
18 E perguntavam: “Que quer dizer ‘um pouco mais’? Não entendemos o que ele está dizendo”.
19 Jesus percebeu que desejavam interrogá-lo a respeito disso, pelo que lhes disse: “Vocês estão per­
guntando uns aos outros o que eu quis dizer quando falei: Mais um pouco e não me verão; um pouco
mais e me verão de novo?20 Digo que certamente vocês chorarão e se lamentarão,h mas o mundo se 1 6 .2 0 hLc 23 .2 7 ;
U o 2 0 .2 0
alegrará. Vocês se entristecerão, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria.'21A mulher que está 1 6 .2 1 ils 26 .1 7 ;
1Ts 5.3
dando à luz sente dores,i porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia,
por causa da alegria de ter vindo ao mundo.22 Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para 1 6 .2 2 ty . 6; V. 16

vocês,kmas eu os verei outra vez,1e vocês se alegrarão, e ninguém tirará essa alegria de vocês.23 Naquele
dia, vocês não me perguntarão mais nada. Eu asseguro que meu Pai dará a vocês tudo o que pedirem 1 6 .2 3 mM t 7.7;
J o 15.16
em meu nome.m24 Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a 1 6 .2 4 "J o 3.29;
15.11
alegria de vocês seja completa.0
25 “Embora eu tenha falado por meio de figuras,0 vem a horaP em que não usarei mais esse tipo1 6 .2 5 °M t 13.34;
J o 10.6; p v .2
de linguagem, mas falarei abertamente a respeito de meu Pai. 26 Nesse dia, vocês pedirão em meu 1 6 .2 6 <iv. 2 3 ,2 4

nome.^ Não digo que pedirei ao Pai em favor de vocês,27 pois o próprio Pai os ama, porquanto vocês 1 6 .2 7 rJ o 1 4 .2 1 ,2 3

° 15.20 Jo 13.16.
b 15.25 SI 35.19; 69.4.

15.21 Para mais informações sobre o “nome”, ver nota em Jr 16.21. 16.20 “Chorar” é aqui o verbo que indica lamentação em voz alta, como
15.25 Sobre a “Lei”, ver nota em 12.34. em 11.33 (ver nota ali), que denota tristeza profunda e sua expressão
15.26 Sobre o Conselheiro, ver nota em 14.16. externa.
16.2 Sobre a frase: “Vocês serão expulsos da sinagoga”, ver nota em 9.22. 16.23,26 Para mais informações sobre o “nome”, ver nota em Jr 16.21.
J OÃO 1 7 . 2 6 1753

16.28 Mo 13.3 me amaramr e creram que eu vim de Deus.28 Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo
e volto para o Pai”.s
1 6 2 9 «V. 2 5
29Então os discípulos de Jesus disseram: “Agora estás falando claramente, e não por figuras.1
30 Agora podemos perceber que sabes todas as coisas e nem precisas que te façam perguntas. Por isso
cremos que vieste de Deus”.
1 6 .3 2 uv. 2 ,25 ; 31 Respondeu Jesus: “Agora vocês creem?32 Aproxima-se a hora,ue já chegou, quando vocês serão
* M l 26 .3 1 ;
« J o 8 .1 6 ,2 9 espalhadosv cada um para a sua casa. Vocês me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois
meu Pai está comigo.w
1 6 .3 3 xJo 1 4 .2 7; 33 “Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz.x Neste mundo vocês terão aflições;V
yJo 1 5 .1 8 -2 1 ;
f l m 8 .3 7 ; 1 J o 4 .4 contudo, tenham ânimo! Eu venci2 o mundo”.

Jesus Ora p o r si m esm o


1 7 .1 M o 1 1 .4 1 ; ^ ^ D e p o is de dizer isso, Jesus olhou para o céua e orou:
M o 12 .2 3 ;
1 3 .3 1 ,3 2
1 7 2 cv. 6 ,9 ,2 4 ; “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique.b2 Pois lhe deste auto­
Dn 7.1 4;
J o 6 .3 7 ,3 9 ridade sobre toda a humanidade0, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.c 3 Esta
1 7 . 3 <V. 8 ,1 8 ,2 1 , é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.d
2 3 ,2 5 ; J o 3 .1 7
1 7 . 4 M o 1 3 .3 1 ; 4 Eu te glorifiqueie na terra, completando a obra que me deste para fazer.f 5 E agora, Pai, glorifica-
fJ o 4 .3 4
1 7 . 5 9Fp 2.6; -me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo9 antes que o mundo existisse.h
M o 1 .2

Jesus Ora p o r seus Discípulos


1 7 . 6 v . 2 6 ; iv. 2; 6 “Eu revelei teu nome' àqueles que do mundo me deste.i Eles eram teus; tu os deste a mim,
J o 6 .3 7 ,3 9
1 7 .8 1 4 ,2 6 ; e eles têm obedecido à tua palavra.7 Agora eles sabem que tudo o que me deste vem de t i.8 Pois
'Jo 16 .2 7 ; " v .
3 ,1 8 ,2 1 ,2 3 ,2 5 ; eu lhes transmiti as palavras que me deste,k e eles as aceitaram. Eles reconheceram de fato que
J o 3 .1 7
1 7 . 9 "L c 2 2 .3 2 vim de ti1e creram que me enviaste."19 Eu rogo por eles.nNão estou rogando pelo mundo, mas por
1 7 .1 0 M o 1 6 .1 5 aqueles que me deste, pois são teus.10 Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu.0 E eu tenho
1 7 .1 1 pJ o 13.1; sido glorificado por meio deles.11 Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo,P
M o 7 .3 3 ; «V. 2 1 -
23 ; M o 1 0 .3 0 e eu vou para ti.q Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um /
1 7 .1 2 U o 6 .39 ; assim como somos um.s 12 Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me
M o 6 .7 0
deste. Nenhum deles se perdeu/ a não ser aquele que estava destinado à perdiçãofc,u para que se
cumprisse a Escritura.
1 7 .1 3 M o 3 .2 9
13 “Agora vou para ti, mas digo estas coisas enquanto ainda estou no mundo, para que eles
1 7 .1 4 " J o 1 5 .1 9 ; tenham a plenitude da minha alegria.v 14 Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou,w pois eles
M o 8 .2 3
1 7 .1 5 y M t 5.3 7 não são do mundo, como eu também não sou.x 15 Não rogo que os tires do mundo, mas que os
1 7 . 1 6 *v. 1 4 protejas do Maligno.v16 Eles não são do mundo, como eu também não sou.z 17 Santifica-os
1 7 .1 7 M o 1 5 .3
1 7 .1 8 ty . 3 ,8 ,2 1, na verdade; a tua palavra é a verdade.3 18 Assim como me enviaste ao mundo,b eu os enviei ao
2 3 ,2 5 ; M o 20.21
mundo.c 19 Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade.

Jesus Ora p o r Todos os Crentes


20 “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por
1 7 .2 1 M o 10 .38 ; meio da mensagem deles,21 para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti.d
•v. 3 ,8 ,1 8 ,2 3 ,2 5 ;
J 0 3 .1 7 Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.e 22 Dei-lhes a glória
1 7 .2 2 «Jo 1 4 .2 0
1 7 .2 3 M o 3 .1 7 ; que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um:f 23 eu neles e tu em mim. Que eles
M o 1 6 .2 7
sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste,9 e os amasteh como
igualmente me amaste.
1 7 2 4 'J o 12 .2 6 ; 24 “Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou' e vejam a minha glória,! a
U o 1 .1 4 ; *v. 5 ;
M t 2 5 .3 4 glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo.k
1 7 .2 5 U o 15 .2 1;
1 6 .3 ; " v .
25 “Pai justo, embora o mundo não te conheça,1eu te conheço, e estes sabem que me enviaste.m
3 ,8 ,1 8 ,2 1 ,2 3 ; 26Eu os fiz conhecer o teu nomen e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim
J o 3 .1 7 ; 7.2 9;
1 6 .2 7 esteja neles,0 e eu neles esteja”.
1 7 .2 6 "v . 6;
M o 1 5 .9
a 17.2 Grego: carne.
b 1 7 .1 2 Grego: a não ser o filho da perdição.

17.1 A postura habitual na oração era olhar para cima, para o céu, em­
bora às vezes Jesus se prostrasse (ver Mt 26.39).
1 754 J OÃO 18. 1

J e s u s é P r e s o (Mt 26.47-56; Mc 14.43-50; Lc 22.47-53)

1 Q Tendo terminado de orar, Jesus saiu com os seus discípulos e atravessou o vale do Cedrom.P 18.1 P2Sm 15.23;
«v. 26; * 2 6 . 3 6
-L O D o outro lado havia um olival,11 onde entrou com eles.r
2 Ora, Judas, o traidor, conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se reunira ali com os seus1 8 .2 sL c 2 1 .3 7 ;
2 2 .3 9
discípulos®3 Então Judas foi para o olival, levando* consigo um destacamento de soldados e alguns 1 8 .3 W 1.16;
guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus,ulevando tochas, lanternas e armas. "V.12
4 Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer,v saiu e lhes perguntou: “A quem vocês estão 1 8 .4 >Jo 6.64;
1 3 .1 ,1 1 ; »v. 7
procurando?”w
5 “A Jesus de Nazaré”, responderam eles.
“Sou eu”, disse Jesus.
(E Judas, o traidor, estava com eles.)6 Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra.
7 Novamente lhes perguntou: “A quem procuram?”1*
E eles disseram: “A Jesus de Nazaré”.
8 Respondeu Jesus: “Já disse a vocês que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem ir embora
estes homens”. 9 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras que ele dissera: “Não perdi
nenhum dos que me deste”'I.v
10 Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe
a orelha direita. (O nome daquele servo era Malco.)
11 Jesus, porém, ordenou a Pedro: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice2 que o
Pai me deu?”

Jesus é Levado a A nás


12 Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus3 prenderam1 8 .1 2 «V. 3
Jesus. Amarraram-no13 e o levaram primeiramente a Anás, que era sogro de Caifás,b o sumo sacerdote 1 8 .1 3 «V. 24;
M Í2 6 .3
naquele ano.14Caifás era quem tinha dito aos judeus que seria bom que um homem morresse pelo povo.0 1 8 .1 4 “J o 1 1 .4 9 -
51

Pedro N ega Jesus (Mt 26.69,70; Mc 14.66-68; Lc 22.54-57)


15 Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote,d1 8 .1 5 dM t 26.3;
* M t 26.58;
este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,e 16 mas Pedro teve que ficar M c 14.54;
Lc 2 2 .5 4
esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou,
falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar.
17 Ela então perguntou a Pedro: “Você não é um dos discípulos desse homem?” 1 8 .1 7 lv. 25

Ele respondeu: “Não sou”.f


18 Fazia frio; os servos e os guardas estavam ao redor de uma fogueiras que haviam feito para se 1 8 .1 8 «Jo 21.9;
hM c 1 4 .5 4 ,6 7
aquecerem. Pedro também estava em pé com eles, aquecendo-se.h

O Sum o Sacerdote Interroga Jesus


19 Enquanto isso, o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e dos seus ensi­
namentos.
20 Respondeu-lhe Jesus: “Eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas1e no 1 8 .2 0 iM t 4.23;
J M t2 6 .5 5 ;l J o 7 .2 6
templo,i onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em segredo.k21 Por que me interrogas? Pergunta
aos que me ouviram. Certamente eles sabem o que eu disse”.

« 18.9 Jo 6.39.

18.1 O vale do Cedrom está situado a leste de Jerusalém e permanece 18.14 Ver 11.49,50.
seco, exceto durante a estação chuvosa. 18.15 O termo “conhecido” implica mais que um conhecimento
Para mais informações sobre o “olival”, ver nota em Mt 26.36-56. casual: o discípulo (talvez João) tinha o direito de entrada na casa do
18.3 Os “guardas” eram o equivalente à guarda do templo, enviados sumo sacerdote.
pelos chefes dos sacerdotes e fariseus (ver notas em Mt 2.4; 3.7; Mc 14.55). 18.17 A criada era provavelmente a pessoa menos importante imagi­
As “tochas” eram varas longas com trapos encharcados de óleo na pon­ nável do grupo (ver “Escravidão no mundo greco-romano”, em Fm).
ta, e as “lanternas” eram recipientes de terracota em que se podiam 18.18 Sobre as “brasas”, ver nota em SI 120.4.
inserir lâmpadas domésticas. 18.19-21 Num julgamento judaico formal, o juiz não fazia perguntas di­
18.12 A razão de terem amarrado Jesus não está clara. Talvez fosse o retas ao acusado. Em vez disso, ele chamava testemunhas, cujas palavras
procedimento padrão, à semelhança do uso das modernas algemas. determinavam o resultado. Se duas ou mais testemunhas concordassem
18.13 Anás fora deposto do sumo sacerdócio pelos romanos em 15 d.C., acerca de uma acusação, o veredito era selado. Do acusado, não era exigi­
mas ainda era considerado por muitos o verdadeiro sumo sacerdote (ver do que provasse sua inocência, porém a cena aqui se assemelha mais a um
nota em Lc 3.2; ver também “Os sumos sacerdotes Anás e Caifás”, em interrogatório policial que a um julgamento. Talvez Anás considerasse a
At 4; e “Sacerdócio judaico e vida religiosa no século I d.C.”, em Lc 18). ocasião uma investigação preliminar, não um julgamento. Deduzindo
Na lei judaica, ninguém podia ser condenado no mesmo dia de seu jul­ que Anás havia interrogado algumas testemunhas, Jesus desmascarou o
gamento. As duas inquirições — aqui e diante de Caifás — podem ter plano do sacerdote, que era fazê-lo incriminar-se. Em essência, Jesus es­
sido realizadas para dar legitimidade aos procedimentos. tava exigindo um julgamento.
J OÃO 1 8 . 3 0

1 8 .2 2 '» . 3; 22 Quando Jesus disse isso, um dos guardas1que estava perto bateu-lhe no rosto.m“Isso é jeito de
mM t 16 .2 1 ;
J o 1 9.3 responder ao sumo sacerdote?”, perguntou ele.
1 8 .2 3 "M t 5.39 ; 23 Respondeu Jesus: “Se eu disse algo de mal, denuncie o mal. Mas, se falei a verdade, por que me
A t 2 3 .2 -5
1 8 .2 4 «V. 13; bateu?”n 24 Então, Anás enviou" Jesus, de mãos amarradas, a Caifás,0 o sumo sacerdote.
M t2 6 .3

Pedro Nega fesus M ais Duas Vezes (Mt26.71-75;Mc 14.69-72;Lc22.58-62)


1 8 .2 5 pv. 1 8 ; 25 Enquanto Simão Pedro estava se aquecendo, p perguntaram-lhe: “Você não é um dos discípulos
w . 17
dele?”
Ele negou, dizendo: “Não sou”.0
1 8 . 2 6 ^ 1 0; >v.1 26 Um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem cuja orelha Pedro cortara/ insistiu:
1 8 .2 7 U 0 1 3 .3 8 “Eu não o vi com ele no olival?”s 27 Mais uma vez Pedro negou, e no mesmo instante um galo cantou.1

Jesus diante de Pilatos


1 8 .2 8 "M t 27 .2; 28 Em seguida, os judeus levaram Jesus da casa de Caifás para o PretórioM Já estava amanhecendo
M c 1 5 .1 ;L C 2 3.1 ;
"v . 3 3 ; J 0 1 9 .9 ; e, para evitar contaminação cerimonial, os judeus não entraram no Pretório;vpois queriam participar
" J o 1 1.5 5
da Páscoa.w 29 Então Pilatos saiu para falar com eles e perguntou: “Que acusação vocês têm contra
este homem?”
30 Responderam eles: “Se ele não fosse criminoso, não o teríamos entregado a ti”.
a 1 8 .2 4 Ou Ora, Anás havia enviado.
b 1 8 .2 8 Residência oficial do governador romano; também no versículo 33.

18.22 O verbo “bateu” significa um golpe ou uma bofetada com a máo Os chefes dos sacerdotes evidentemente organizaram uma segunda
aberta — outra ação ilegal. sessão do Sinédrio (ver “O Sinédrio”, em At 23) depois do amanhecer
18.26 O jardim por certo estava escuro, assim como o pátio (havia ape­ para dar aparência de legalidade às suas ações, realizada imediatamente
nas o brilho de brasas acesas, mas que não tinham chamas). após a primeira, talvez entre seis e sete horas da manhã.
18.27 Ver nota em Mt 26.34. O judeu tornava-se cerimonialmente impuro ao entrar numa residên­
18.28 O governador romano na época era Pôncio Pilatos (ver nota em cia gentia, daí a precaução.
Lc3.1). A “Páscoa” aqui pode se referir a uma combinação com a festa dos pães
sem fermento, que juntas duravam sete dias e incluíam várias refeições.

TEXTOS E ARTEFATOS ANTIGOS

O papiro Jo h n Rylands (P52)


JOÃO 18 0 papiro John Rylands (p52) é a Apesar de seu tamanho minúsculo (me­ é fragmento provavelmente foi copiado de
cópia mais antiga já descoberta de qualquer nos de 9 centímetros de alto a baixo), esse 25 a 30 anos após a composição do próprio
porção do NT, datando da primeira metade fragmento de papiro é bastante significa­ evangelho. Se levarmos em conta que em
do século II d.C. Um fragmento muito pe­ tivo. Ele testifica que, na primeira metade alguns fragmentos da literatura grega ou
queno de um códice (texto em forma de do século II, o evangelho de João já era lido latina, o manuscrito mais antigo disponível
folhas, como um livro moderno, em con­ no Egito, longe de Éfeso, na Ásia Menor, o é datado em mais de mil anos após a com­
traste com o rolo) do evangelho de João, local mais provável de sua composição.2 posição do texto original, esse intervalo de
que contém partes de João 18.31-33 de um Parece improvável que o evangelho de João tempo é extremamente curto. Existe uma
lado, e os versículos 37 e 38 do outro lado.1 tenha sido composto depois do final do quantidade enorme de textos gregos do NT,
0 fragmento foi adquirido no Egito, em século I, visto que teria levado tempo para e eles nos dão boas razões para confiar que
1920, e agora se encontra na Biblioteca John ser aceito e disseminado tão longe de seu o NT que lemos hoje reflete com precisão o
Rylands, em Manchester, na Inglaterra. lugar de origem. 0 manuscrito do qual p52 que constava dos manuscritos originais.3

'Ver “Materiais de escrita no mundo antigo", em 3Jo. -Ver "História primitiva de Éfeso", em 2Tm 1; e "Éfeso nos tempos de Paulo", em 2Tm 4. 3Ver 'Textos do Novo
Testamento", em Rm15.
175 6 J OÃO 1 8 . 3 1

31 Pilatos disse: “Levem-no e julguem-no conforme a lei de vocês”.


“Mas nós não temos o direito de executar ninguém”, protestaram os judeus.32 Isso aconteceu para 1&32»Mt 20.19;
26.2; Jo 3.14;
que se cumprissem as palavras que Jesus tinha dito, indicando a espécie de mortex que ele estava para 8.28; 12.32,33

sofrer.
33 Pilatos então voltou para o Pretório,'' chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?”2 18.33 W . 28,29;
Jo 19.9; " l c 23.3;
34 Perguntou-lhe Jesus: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito?” Mt2.2
35 Respondeu Pilatos: “Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que o entre­
garam a mim. Que foi que você fez?”
36 Disse Jesus: “O meu Reino3 não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir 18.36 aM t 3.2;
“Ml 26.53;
que os judeus me prendessem.bMas agora o meu Reino não é daqui”.c °Lc 17 .2 1 ; J o 6.15

37 “Então, você é rei!”, disse Pilatos. 18.37 <Uo 3.32;


'J o 8.47; 1Jo 4.6
Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para
testemunhar da verdade.d Todos os que são da verdade me ouvem”.e
38 “Que é a verdade?”, perguntou Pilatos. Ele disse isso e saiu novamente para onde estavam os 18.381c 23.4;
J o 19 .4 ,6
judeus, e disse: “Não acho nele motivo algum de acusação.*39 Contudo, segundo o costume de vocês,
devo libertar um prisioneiro por ocasião da Páscoa. Querem que eu solte ‘o rei dos judeus’?”
40 Eles, em resposta, gritaram: “Não, ele não! Queremos Barrabás!” Ora, Barrabás era um bandido.s

Jesus é C ondenado à Crucificação


1 Q E n tã o Pilatos mandou açoitar Jesus.h2 Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a puse-
19.1 « 2 5 . 3 ;
Is 50.6; 53.5;
_L y ram na cabeça dele. Vestiram-no com uma capa de púrpura, 3 e, chegando-se a ele, diziam: Mt 2 7 ,2 6
1 9 . 3 'Mt 27.29;
“Salve, rei dos judeus!”' E batiam-lhe no rosto j U o 18.22

4 Mais uma vez, Pilatos saiu e disse aos judeus: “Vejam, eu o estou trazendo a vocês,k para que1 9 4 ^ 0 1 8 . 3 8 ; ^ .
6; Lc 23 .4
saibam que não acho nele motivo algum de acusação”.15 Quando Jesus veio para fora, usando a coroa 19.5m v. 2
de espinhos e a capa de púrpura,mdisse-lhes Pilatos: “Eis o homem!”
6 Ao vê-lo, os chefes dos sacerdotes e os guardas gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” 1 9 .6 "At 3.13; «V.
4; Lc 23 .4
Mas Pilatos respondeu: “Levem-no vocês e crucifiquem-no.n Quanto a mim, não encontro base
para acusá-lo”.0
7 Os judeus insistiram: “Temos uma lei e, de acordo com essa lei, ele deve morrer,P porque se 19.7 PLv 24.16;
"Mt 26 .6 3 -6 6 ;
declarou Filho de Deus”.(t J o 5 .1 8 ; 1 0 .3 3

8 Ao ouvir isso, Pilatos ficou ainda mais amedrontado 9 e voltou para dentro do palácio/ Então 19.9 rJo 18.33;
=Mc 14.61
perguntou a Jesus: “De onde você vem?”, mas Jesus não lhe deu resposta.s 10 “Você se nega a falar
comigo?”, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?”
11 Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim se esta não te fosse dada de cima.* 19.11 tRm 13.1;
"J o 1 8 .2 8 -3 0 ;
Por isso, aquele que me entregou a tiu é culpado de um pecado maior”. At 3 .1 3
12 Daí em diante Pilatos procurou libertar Jesus, mas os judeus gritavam: “Se deixares esse homem
livre, não és amigo de César. Quem se diz reiv opõe-se a César”.
13 Ao ouvir isso, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se na cadeira de juiz,wnum lugar conhecido 19.13 " M t 27.19;
*Jo 5.2
como Pavimento de Pedra (que em aramaicox é Gábata).14 Era o Dia da Preparação^ na semana da 19.14 »M t 27.62;
* M c 1 5 .2 5 ;* v .
Páscoa, por volta das seis horas da manhã.2 19,21

“Eis o rei de vocês”,3 disse Pilatos aos judeus.

18.31-33 Ver “O papiro John Rylands (p52)”, em Jo 18. 19.2 Ver nota em Mt 27.28-31.
18.31 Os judeus queriam uma execução, não um julgamento justo. 19.3 “Salve” é uma interjeição encontrada apenas nos Evangelhos (ver
Ao Sinédrio (ver “O Sinédrio”, em At 23) havia sido negado, pelo governo também Mt 27.29) como a tradução da palavra grega chaire, usada como
romano, o direito de executar a pena de morte, exceto no caso do estran­ saudação ou cumprimento. Uma saudação semelhante ainda pode ser
geiro que invadisse as áreas sagradas do templo. Assim, Jesus tinha de ser ouvida na Grécia moderna.
entregue a Pilatos para ser executado. Essa restrição era importante, porque 19.12 Algumas pessoas detinham o status oficial de “amigos de César”,
de outra forma os aliados de Roma poderiam ser eliminados em silêncio, por mas o termo parece ser usado aqui em sentido geral.
meio de execuções legais nos territórios dominados. Ao que parece, os romanos 19.13 Sobre a frase “sentou-se na cadeira de juiz”, ver “O Sinédrio”,
às vezes toleravam execuções locais (e.g., a morte de Estêvão, em At 7), mas em At 23.
no geral arrogavam a si o direito único de infligir a pena de morte. 19.14 Para mais informações sobre o Dia da Preparação, ver nota no
18.32 A execução judaica era por apedrejamento, porém a morte de versículo 31.
Jesus tinha de ser pela crucificação, pois só assim ele sofreria a maldi­ O texto grego diz “hora sexta”, que corresponde ao meio-dia. É possível
ção associada a essa forma particular de execução (ver Dt 21.22,23). que o evangelho de Marcos contenha o erro de um copista (ver “Crítica
Os romanos, não os judeus, mataram Jesus. textual”, em Is 51; e “Primitivas correções escribais”, em 2Sm 4), pois
18.39 Na época, era também costume em outros lugares libertar prisio­ os numerais gregos para três e seis podiam ser confundidos. Pode ser
neiros em ocasiões especiais. também que João esteja usando a marcação de tempo dos romanos -—
18.40 Barrabás era um rebelde e assassino (ver notas em Mt 27.16; nesse caso, o comparecimento diante de Pilatos teria sido às seis horas da
Mc 15.7). manhã, e a crucificação, às nove horas (a “hora terceira” de acordo com
19.1 Para informações sobre o açoitamento romano, ver nota em Mt 27.26. o cômputo judaico).
J OÃO 1 9 . 1 6 1 757

15 Mas eles gritaram: “Mata! Mata! Crucifica-o!”


“Devo crucificar o rei de vocês?”, perguntou Pilatos.
1 9.16 m 27.26;
“Não temos rei, senão César”, responderam os chefes dos sacerdotes.
Mc 15.15; 16 Finalmente Pilatos o entregou a eles para ser crucificado.b
Lc 23.25

19.15 A declaração enfática dos chefes dos sacerdotes de que eles não
tinham outro rei senão César é uma contradição direta à declaração do
AT de que Deus é o único o Rei de Israel (lSm 8.7; 10.19).

v.

NOTAS HISTÓRICAS E CULTURAIS

A crucificação
JOÃO 19 No mundo antigo, a crucificação forma de execução, mais que ser decapitado, cerebral e cardíaca. Para terminar a tortura,
era vista como uma forma particularmente ser lançado aos animais selvagens ou mes­ as pernas da vítima podiam ser quebradas,
infame e dolorosa de execução. Relevos de mo ser queimado vivo, razão por que essa então a morte seguiria rapidamente. Às ve­
batalhas assírias descrevem um precursor penalidade horrível era geralmente imposta zes, a acusação era escrita e pregada à cruz,
para a crucificação — vítimas empaladas aos estrangeiros vistos como ameaças ao go­ acima da cabeça do condenado. Como forma
(espetadas) em postes fora dos muros das verno romano. de dissuadir o povo da rebelião e do crime,
cidades conquistadas. Os persas fizeram Também há registros da prática da cruci­ as crucificações eram realizadas normalmen­
amplo uso da crucificação, embora às vezes ficação entre os judeus. Flávio Josefo escreve te em locais visíveis.
ela só acontecesse depois de a vítima ter que o sumo sacerdote saduceu Alexandre Nos tempos de Jesus, a crucificação era
sido executada por outro meio (Heródoto, Janeu (no cargo de 103 a 76 a.C.) cometeu a usada pelos romanos para exercitar e exi­
Histórias, 3.125.2-3). Também há relatos de seguinte atrocidade contra os seus inimigos, bir de forma horrível sua autoridade sobre
que a crucificação era usada por vários povos os fariseus: "Enquanto jantava num lugar os outros povos. Esse tipo de execução e a
— assírios, citas, celtas, germanos, bretões, visível com suas concubinas, ele ordenou tortura eram vistos pelos judeus como uma
habitantes da índia — , embora a confiabili­ que aproximadamente 800 deles fossem forma amaldiçoada de morte. Deuteronô-
dade de alguns desses registros seja questio­ crucificados, e, enquanto eles ainda estavam mio 21.23 afirma que "qualquer que for
nável. Comum à maioria dessas culturas era vivos, diante de seus olhos, seus filhos e suas pendurado num madeiro está debaixo da
a perspectiva de que a crucificação era uma esposas tiveram a garganta cortada" (Anti­ maldição de Deus". Documentos descober­
forma de execução reservada aos piores cri­ guidadesjudaicas, 13.14.2).4 tos em Qumran revelam que muitos judeus
minosos e aos escravos. As vítimas ainda eram açoitadas ou tor­ dos tempos de Jesus aplicavam esse texto
A prática da crucificação foi difundida nos turadas de alguma forma antes da crucifica­ à crucificação romana. Essa perspectiva da
tempos de Alexandre, o Grande (356-323 ção. As crucificações eram realizadas numa crucificação demonstra por que o apóstolo
a.C.).' Tornou-se a forma comum de execu­ estaca vertical, às vezes com uma trave ho­ Paulo escreveu que a cruz de Cristo "é es­
ção para os traidores, os exércitos derrotados rizontal próxima do topo ou no próprio topo. cândalo para os judeus e loucura para os
e os escravos rebeldes. Mais tarde, sob o Im­ Podiam ser fixados blocos à estaca, como um gentios" (ICo 1.23). Quem teria imaginado
pério Romano, apenas quem não era cidadão assento, como apoio para os pés ou ambos. que o Santo de Deus levaria voluntariamente
romano, os romanos das classes mais baixas Dependendo da presença desses blocos, a ví­ sobre si a maldição que deveria ser nossa?
e os criminosos violentos podiam ser crucifi­ tima poderia continuar viva por até três dias. Esse emblema de vergonha tornou-se assim
cados.2 As únicas exceções eram os casos de Os blocos permitiam à vítima descansar um o símbolo de nossa salvação.
alta traição ou de deserção em tempos pouco o próprio peso, aumentando a chance
de guerra. Os escravos eram especialmente de respirar e facilitando a circulação. Sem os
vulneráveis à crucificação. A literatura la­ blocos, o peso do corpo descansaria total­
tina reflete o temor sentido pelos escravos mente nos braços presos à trave por cordas,
diante da perspectiva desse fim.3 Era aceita por pregos ou por ambos, isso impedia a res­
oficialmente como a mais dolorosa e infame piração e a circulação e induzia a uma parada

'Ver “Grécia: das cidades-Estado independentes até Alexandre, o Grande”, em At 20. JVer "0 Império Romano", em Rm 4. 3Ver "Escravidão no mundo greco-
-romano”, em Fm. 4Ver também "Os saduceus", em Mt 22; e "Os fariseus", em Mt 5.
1 75 8 J OÃO 1 9 . 1 7

A C r u c ific a ç ã o (M t 27.32-44; Mc 15.21-32; Lc 23.26-43)

Então os soldados encarregaram-se de Jesus. 17 Levando a sua própria cruz,c ele saiu para o lu­ 19.17 cGn 22.6;
Lc 14.2 7 ; 23.26;
gar chamado Caveirad (que em aramaicoe é chamado Gólgota).18 Ali o crucificaram, e com ele dois «Lc 23 .3 3 ; eJo 5.2
19.18'L c 2 3 .3 2
outros,* um de cada lado de Jesus.

19.17 A cruz podia ter a forma de T, X, Y ou I, além da tradicional. O 19.18 Sobre o verbo “crucificaram”, ver “A crucificação”, em Jo 19.
condenado normalmente carregava uma viga da própria cruz até o lugar
da execução (ver nota em Mc 15.21).

Constantino e o papel da rainha Helena na preservação dos locais sagrados

JOÃO 19 0 caminho de peregrinação cristã


e seus locais designados tomaram forma
distintiva no século IV d.C. (o antigo período
bizantino),1 por influência e envolvimento
direto da rainha Helena e de seu filho Cons­
tantino, o Grande. Flávia Júlia Helena nasceu
em 248 d.C., na Bitínia. Casou-se com Cons-
tâncio Goro e deu à luz o futuro imperador
Constantino, em 273 d.C.
Depois de sua conversão ao cristianismo,
Constantino embarcou num ambicioso pro­
grama de melhorias dos locais sagrados. Sua
realização mais significativa foi a descoberta
e a escavação do local (provável) do sepul-
tamento de Jesus.2 De acordo com Eusébio,
a área inteira havia estado coberta com
escombros e fora convertida em santuário
pagão. Constantino ordenou que a área fosse
limpa e purificada. Ele, então, patrocinou a
construção da Igreja do Santo Sepulcro, em
326 d.C., para marcar o lugar do sofrimento
de Jesus. De acordo com Eusébio, o obje­
tivo de Constantino era a construção da es­
trutura mais bela de todo o império (Vida de 0 Arco de Constantino
PreservingBibleTimes; © dr. James C. Martin; usado compermissãodo Ministériode Propriedades
Constantino, 3.31). e Atividades Culturais — Superintendência Arqueológica de Roma
Nesse mesmo ano, Helena viajou para as
províncias orientais e passou um bom tempo da Ascensão, no monte das Oliveiras, para a Helena a descoberta da cruz real, sobre a
visitando a Terra Santa. Sob o patrocínio do indicar o lugar de sua ascensão (Vida de qual Jesus foi crucificado, e do tituius, a placa
império, ela consagrou duas igrejas impor­ Constantino, 3.42).4 Se esses locais são, de que anunciava a acusação contra ele: "Jesus
tantes: a Igreja da Natividade, em Belém, fato, aqueles em que Jesus nasceu e foi se­ Nazareno, o rei dos judeus" (Jo 19.19).
para marcar a gruta na qual, segundo se pultado, ainda é motivo de debates. Os regis­
pensava, Cristo havia nascido,3 e a Igreja tros lendários posteriores também atribuem

'Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito. 2Ver “Localização do túmulo de Jesus", em M t 27. 3Ver "0 lugar do nascimento de Jesus", em
Lc 2. 4Ver "0 monte das Oliveiras", em Zc 14.
J OÃO 1 9 . 3 8 1759

1B .19sM c1.24; 19 Pilatos mandou preparar uma placa e pregá-la na cruz, com a seguinte inscrição: J E S U S
«v. 14,21
19.20 iHb 13.12 N A Z A R E N O , B O R E I D O S J U D E U S . h 20 Muitos dos judeus leram a placa, pois o lugar
em que Jesus foi crucificado ficava próximo da cidade,' e a placa estava escrita em aramaico, latim e
grego. 21 Os chefes dos sacerdotes dos judeus protestaram junto a Pilatos: “Não escrevas ‘O Rei dos
Judeus’, mas sim que esse homem se dizia rei dos judeus”.)
22 Pilatos respondeu: “O que escrevi, escrevi”.
23 Tendo crucificado Jesus, os soldados tomaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes,
uma para cada um deles, restando a túnica. Esta, porém, era sem costura, tecida numa única peça,
de alto a baixo.
1 9 .2 4 «v. 24 “Não a rasguemos”, disseram uns aos outros. “Vamos decidir por sorteio quem ficará com ela.”
2 8 ,3 6 ,3 7 ; M t 1 .22 ;
'SI 2 2 .1 8 Isso aconteceu para que se cumprissek a Escritura que diz:

“Dividiram as minhas roupas entre si,


e tiraram sortes pelas minhas vestes”0.1

Foi o que os soldados fizeram.


1 9 .2 5 " M t 2 7.55 , 25 Perto da cruzm de Jesus estavam sua mãe,n a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria
5 6 ; M c 1 5 .40 ,41 ;
Lc 2 3.4 9; Madalena.0 26 Quando Jesus viu sua mãeP ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava,19 disse à sua
"M t 12 .46 ;
«Lc 2 4 .1 8 mãe: “Aí está o seu filho”, 27 e ao discípulo: “Aí está a sua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo
1 9 .2 6 >M t 1 2.46 ;
oJo 13 .23
a recebeu em sua família.

A M orte de Jesus (Mt 27.45-56; Mc 15.33-41; Lc 23.44-49)


1 9 .2 8 'V. 3 0 ; 28 Mais tarde, sabendo então que tudo estava concluído/ para que a Escritura se cumprisse,s Jesus
J o 13 .1; sv.
2 4 ,3 6 ,3 7 disse: “Tenho sede”. 29 Estava ali uma vasilha cheia de vinagre.4Então embeberam uma esponja nela,
1 9 .2 9 « 1 6 9 .2 1
1 9 .3 0 «Lc 12 .50 ; colocaram a esponja na ponta de um caniço de hissopo e a ergueram até os lábios de Jesus.30 Tendo-o
J o 17.4
provado, Jesus disse: “Está consumado!”u Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito.
19.31 <v. 14 ,4 2 ;
" D t 2 1 .2 3 ; J s 8.29;
31 Era o Dia da Preparaçãov e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Como não
10 .2 6 ,2 7 queriam que os corpos permanecessem na cruzw durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que
mandasse quebrar as pernas dos crucificados e retirar os corp os.32 Vieram, então, os soldados e
quebraram as pernas do primeiro homem que fora crucificado com Jesus e, em seguida, as do outro.x
33 Mas, quando chegaram a Jesus, constatando que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.
1 9 .3 4 » Z c 12.1 0; 34 Em vez disso, um dos soldados perfurou^ o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água.z
>1J0 5.6 ,8
1 9 .3 5 «LC 2 4.4 8 ; 35 Aquele que o viu,a disso deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro.15Ele sabe que está
«Jo 15 .2 7 ; 2 1 .2 4
1 9 .3 6 «V. dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam.36 Estas coisas aconteceram para
2 4 ,2 8 .3 7 ; M t 1.22;
«Ex 12 .4 6 ; Nm
que se cumprisse a Escritura:0 “Nenhum dos seus ossos será quebrado”6,d 37 e, como diz a Escritura
9 .1 2 ; SI 3 4 .2 0 noutro lugar: “Olharão para aquele que traspassaram”c.e
1 9 .3 7 »Zc 12 .1 0 ;
A p 1 .7
O Sepultamento de Jesus (Mt 27.57-61; Mc 15.42-47; Lc 23.50-56)
38 Depois disso José de Arimateia pediu a Pilatos o corpo de Jesus. José era discípulo de Jesus, mas o era
secretamente, porque tinha medo dos judeus. Com a permissão de Pilatos, veio e levou embora o corpo.
■ 19.24 SI 22.18.
‘ 19.36 Êx 12.46; Nm 9.12; SI 34.20.
< 19.37 Zc 12.10.

19.19 Sobre a “inscrição”, ver nota em Mc 15.26; ver também “Cons- o Dia da Preparação era a sexta-feira e o “sábado especialmente sagrado”
tantino e o papel da rainha Helena na preservação dos locais sagrados”, iniciava no sábado (ver “A Ultima Ceia e a Páscoa”, em Mt 26).
em jo 19. As pernas das vítimas eram quebradas para acelerar a morte, impedindo
19.20 O aramaico era um dos idiomas do povo judeu na época (com o que usassem a força delas para se erguer e facilitar a respiração.
hebraico), o latim era o idioma oficial de Roma e o grego era o idioma 19.34 O lado de Jesus foi provavelmente perfurado para se ter dupla cer­
comum de comunicação por todo o império. A inscrição em três idio­ teza de que ele estava morto, apesar de que talvez não passasse de um ato
mas pode solucionar as leves diferenças na formulação das palavras nos de brutalidade. O fluxo súbito de sangue e água significa que a lança per­
quatro Evangelhos. furou o pericárdio (membrana que cerca o coração) e o próprio coração.
19.23 As roupas de Jesus provavelmente consistiam de uma vestimenta 19.35 Ver “Seria fidedigno o evangelho de João?”, em Jo 20.
de baixo e de uma veste exterior, um cinto, sandálias e possivelmente 19.36,37 E extraordinário que Jesus tenha sido o único dos três a não
uma cobertura para a cabeça. Como a vestimenta de baixo era sem cos­ ter as pernas quebradas (ver nota no v. 31) e que tenha sofrido um golpe
tura, era valiosa demais para ser cortada em pedaços. de lança incomum (ver nota no v. 34), que não quebrou nenhum osso.
19.27 Ao receber Maria em sua casa, o discípulo tomou a responsabi­ 19.38 José, membro rico (Mt 27.57) do Sinéario (Mc 15.43), havia
lidade de cuidar dela. Talvez os irmãos de Jesus ainda não acreditassem discordado do processo de execução de Jesus (Lc 23.50,51). Nicodemos
nele (ver nota em Lc 8.19). também era membro do Sinédrio (3.1; 7.50,51).
19.29 Sobre o “vinagre”, ver nota em Mt 27.48. A localização de Arimateia é duvidosa. Acredita-se que seja Ramataim-
Hissopo é o nome aado a várias plantas (ver “O hissopo e os rituais -Zofim, a Ramá que era residência de Samuel, na região montanhosa de
de purificação”, em SI 51; ver também nota em Mc 15.36, sobre o Efraim, situada 33 quilômetros a noroeste de Jerusalém.
procedimento de oferecer esse líquido numa esponja erguida até seus Era preciso ter permissão para retirar o corpo de uma vítima de crucificação,
lábios num talo dessa planta). porque, de outra forma, alguém podia levar a vítima embora antes que
19.31 O Dia de Preparação normalmente era a sexta-feira, o dia em que as ela morresse e reanimá-la. O pedido de José, entretanto, era incomum
pessoas se preparavam para o sábado. Aqui indica a sexta-feira da semana (ver nota em Mc 15.45). E possível que José e Nicodemos tenham sido
da Páscoa. O ‘sábado especialmente sagrado” era o que caía no tempo de excomungados da sinagoga (ver nota em 9.22) e expulsos do Sinédrio
Páscoa Na ocasião a refeição de Páscoa era comida na quinta-feira à noite, por causa de suas açóes.
1760 J OÃO 1 9 . 3 9

39 Ele estava acompanhado de Nicodemos,f aquele que antes tinha visitado Jesus à noite. Nicodemos 1 9 .3 9 'Jo 3.1; 7.50

levou cerca de trinta e quatro quilos” de uma mistura de mirra e aloés.40 Tomando o corpo de Jesus, 1 9 .4 0 iL c 24.1 2 ;
J o 11.4 4 ; 2 0.5,7;
os dois o envolveram em faixas de linho,9 com as especiarias, de acordo com os costumes judaicos de " M t2 6 .1 2

sepultamento/ 41 No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim; e no jardim, um sepulcro novo,
onde ninguém jamais fora colocado.42 Por ser o Dia da Preparação' dos judeus, e visto que o sepulcro 1 9 .4 2 V . 14,31 ;lv .
20,41
ficava perto,i colocaram Jesus ali.

A Ressurreição (Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12)


O primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalenak chegou ao 20.1 *v. 18;
Jo 19.25;
Z j \ J sepulcro e viu que a pedra da entrada tinha sido removida.12 Então correu ao encontro de 'M t 27.60,66
2 0 .2 mJ o 13.23;
Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava,m e disse: “Tiraram o Senhor do "V. 13
sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!”11
3 Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro.0 4 Os dois corriam, mas o outro discípu­
lo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.5 Ele se curvou e olhou para dentro,P viu as 2 0 .5 pv. 11;
o jo 19.40
faixas de linho? ali, mas não entrou.6 A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no
sepulcro e viu as faixas de linho,7 bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus/ Ele estava 2 0 .7 'J o 1 1 .4 4

dobrado à parte, separado das faixas de linho. 8 Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao 2 0 .8 sv. 4

sepulcro,s também entrou. Ele viu e creu .9 (Eles ainda não haviam compreendido que, conforme a 2 0 . 9 <Mt 22.2 9 ;
J o 2.22;
Escritura/era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos.)u “ Lc 2 4 .2 6 ,4 6

Jesus A parece a M aria M adalena


10 Os discípulos voltaram para c a s a .11 Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando.
Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcrov 12 e viu dois anjos vestidos de branco,w 2 0 .1 2 « M t 2 8.2,3;
M c 16.5; Lc 24.4;
sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. A t 5.1 9

13 Eles lhe perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?”* 2 0 .1 3 *v. 15; w . 2

“Levaram embora o meu Senhor”, respondeu ela, “e não sei onde o puseram”.v14 Nisso ela se 2 0 .1 4 m 28.9;
M c 16.9;
voltou e viu Jesus ali, em pé,z mas não o reconheceu.3 aLc 24 .1 6 ; J o 2 1.4

15 Disse ele: “Mulher, por que está chorando?b Quem você está procurando?”
Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: “Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou,
e eu o levarei”.
16 Jesus lhe disse: “Maria!” 2 0 .1 6 U o 5.2;
dM t 23.7
Então, voltando-se para ele, Maria exclamou em aram aico/ “Rabôni!”d (que significa “Mestre!”).
17 Jesus disse: “Não me segure, pois ainda não voltei para o Pai. Vá, porém, a meus irmãos6 e diga- 2 0 .1 7 eMt 28.10;
fJ o 7.3 3
-lhes: Estou voltando para meu Paif e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês”.
18 Maria Madalenas foi e anunciou aos discípulos:11“Eu vi o Senhor!” E contou o que ele lhe dissera. 2 0 .1 8 9v. 1;
hLc 2 4 .1 0 ,2 2 ,2 3

Jesus A parece aos Discípulos (Lc 24.36-49)


19Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, 2 0 .1 9 Uo 7.13;
Uo 14.2 7 ; kv.
21 ,2 6 ; Lc 2 4 .3 6 -3 9
a 19.39 Grego: 100 litras. A litra era uma medida de capacidade de cerca de um terço de litro.

19.39,40 Trinta e quatro quilos era uma quantia muito grande de mirra uma sepultura como essa pesava de 1 a 3 toneladas. Consequentemente,
e aloés, equivalente ao que era usado em sepultamentos reais (ver nota o milagre foi uma pedra desse tamanho ter sido removida do sepulcro de
em Mt 26.12; ver também “Perfumes e óleos de unção”, em Jo 12). Jesus (ver também Lc 24.2).
As “faixas de linho” (v. 40) eram tiras estreitas como ataduras. Havia 20.6,7 Se alguém tivesse roubado o corpo de Jesus, as faixas de linho
também uma mortalha, um grande lençol (Mt 27.59; Mc 15.46; Lc o lenço provavelmente teriam se perdido ou estariam espalhados pelo
23.53; ver “A controvérsia em torno do sudário de Turim”, em Mc 15; chão. No entanto, o lenço estava dobrado à parte, separado das faixas
e “Práticas judaicas relativas ao sepultamento”, em Lc 9; ver também de linho.
nota em Mt 26.12). 20.9 Ver “A ressurreição de Jesus”, em Mt 28.
19.41 Ver “Localização do túmulo de Jesus”, em Mt 27. 20.11 Como em 11.33 (ver nota ali), “chorando” significa “lamentar de
20.1 Sobre a frase “estando ainda escuro”, ver nota em Lc 24.1. forma audível”, uma expressão de profundo sofrimento.
Os sepulcros dos tempos do NT eram cavernas ou buracos escava­ 20.12 Ver “Anjos e espíritos guardiões na Bíblia e no antigo Oriente
dos em penhascos. Visto que somente as roupas do sepultamento são Médio”, em Zc 1.
mencionadas com relação aos sepulcros, parece correto afirmar que os 20.17 “Meus irmãos” provavelmente são os discípulos e também aos
judeus não utilizavam nem caixões nem sarcófagos. Os sepulcros não membros da família de Jesus, que provavelmente não acreditavam nele
levavam nenhuma inscrição ou pintura. O embalsamamento, iniciado até esse momento (ver nota em Lc 8.19), embora eles evidentemente se
no Egito havia muito tempo (Gn 50.2), tornara-se logo uma arte perdida tornaram discípulos não muito depois (ver At 1.14 e nota; ver também
(Jo 11.39). A abertura geral de um sepulcro dava acesso às catacumbas, nota em Jd 1).
que se abriam sobre bases que davam apoio às portas de pedra. A porta de 20.19 “Paz seja com vocês!” era uma saudação hebraica comum.
A C R E D I B I L I D A D E DA

SERIA F I D E D I G N O ________

O E V A N G E L H O DE J O Ã O ?

4* Em qualquer tentativa
de avaliar a confiabilidade de
João, deve-se dar um lugar
de honra ao testemunho do
próprio João sobre a natureza
de seu esforço literário. Só João,
nos Evangelhos, apresenta uma
declaração explícita de propósi­
to (cf. v. 30,31). Essa declaração
reflete a intenção do escritor de
apresentar registros seletivos
do ministério de Jesus, tendo
como objetivo persuadir o leitor
de que Jesus de Nazaré de fato
é o Messias prometido. 0 após­
tolo está ciente de que Jesus
realizou muitas outras coisas,
comentando ao final do registro
de seu evangelho: "Se cada uma
delas fosse escrita, penso que
Sepulcro de k o c h im do século I d.C. (a ressurreição de Jesus é o milagre mais significativo já registrado)
© d r. James C Martin nem mesmo no mundo inteiro
haveria espaço suficiente para
JOÃO 20 Existem diferenças óbvias e evidentes entre o evangelho os livros que seriam escritos" (21.25). Muitas das omissões verificadas
de João e os Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Entre em João são, portanto, reconhecidas por ele e não podem ser conside­
essas diferenças, podemos mencionar: radas evidências contra a historicidade de seu evangelho.
❖ Nenhum outro evangelho trata do tema da verdade com tanta
• f João não contém nenhuma parábola narrativa, nenhum registro frequência quanto João. Ele registra diversos sinais e apresenta um
da transfiguração, da ceia do Senhor e da tentação de Jesus e nenhum verdadeiro desfile de testemunhas para reforçar a tese principal de
relato de exorcismo realizado por Jesus. seu trabalho. A confiabilidade dessas testemunhas oculares, inclusive
• f João contém uma grande quantia de material não encontrado na a reivindicação explícita do próprio João de ter sido uma delas (19.35),
tradição dos Sinóticos, como o registro dos diálogos com Nicodemos, é essencial ao seu propósito e deve lembrar o leitor de que a precisão
com a mulher samaritana e com os discípulos, e também de milagres era muito importante para esse apóstolo e escritor.
significativos (e.g., a transformação de água em vinho e a ressurreição •J* Essa preocupação por relatos precisos é refletida no registro exa­
de Lázaro). to dos números (2.20; 21.11), na tradução de termos estrangeiros
❖ João relata um extenso ministério de Jesus para os judeus, incluindo (1.38,41; 20.16) e nas descrições precisas de pessoas, lugares e cos­
várias visitas a Jerusalém, enquanto os Evangelhos Sinóticos focalizam tumes (2.6; 4.20; 5.2; 19.40).
no seu ministério na Galileia. •b Uma leitura cuidadosa de João revela numerosas concordâncias
• f Certas características da narrativa de João apresentam dificulda­ com os Evangelhos Sinóticos, tanto nos temas amplos quanto em
des cronológicas para entender a ação de Jesus no templo (Jo 2) e a detalhes específicos.
seqüência precisa dos acontecimentos durante a Semana da Paixão.
•I* Talvez as diferenças estilísticas mais significativas e notáveis Os leitores modernos de João devem evitar o exagero nas con­
estejam entre o Jesus de João, que discursa poeticamente sobre os tradições aparentes e o esforço excessivo para harmonizar João com
temas da luz, da vida, do testemunho e da verdade, e o Jesus dos os Evangelhos Sinóticos. João cumpriu com sucesso seu objetivo
Sinóticos, que discute com vigor e de modo consistente o tema do declarado: apresentar um testemunho eloqüente, preciso e convin­
Reino de Deus. cente de que Jesus de fato é o Messias, o Filho de Deus (20.31).

Todas essas diferenças têm gerado especulações com respeito


à confiabilidade histórica desse documento como um testemunho
concernente a Jesus (20.31). No entanto, há razões significativas
para acreditar que João é historicamente preciso:
1 7 62 J OÀO 2 0 . 2 0

por medo dos judeus,' Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Pazi seja com vocês!”k20 Tendo dito 2 0 .2 0 'Lc 24.39,40;
Jo 19.34;
isso, mostrou-lhes as mãos e o lado.1Os discípulos alegraram-semquando viram o Senhor. " J o 16.20,22

21 Novamente Jesus disse: “Paz seja com vocês!" Assim como o Pai me enviou,0 eu os envio”.P 20.21 "v. 19;
°Jo 3.17;
22 E com isso, soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo.1! 23 ge perdoarem os pecados de pM t 28.1 9 ;
J o 17.18
alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados”/ 2 0 .2 2 <Uo 7.39;
A t 2 .3 8 ; 8 .1 5 -1 7 ;
19.2; Gl 3 .2
Jesus A parece a Tom é 2 0 . 2 3 1V!t 16.19;
18.18
24Tomé,s chamado Dídimo, um dos Doze, não estava com os discípulos quando Jesus apareceu. 2 0 .2 4 sJo 11.16

25 Os outros discípulos lhe disseram: “Vimos o Senhor!” Mas ele lhes disse: “Se eu não vir as marcas 2 0 .2 5 W. 20;
“ M c 16.11
dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão
no seu lado,1 não crerei”.u
26 Uma semana mais tarde, os seus discípulos estavam outra vez ali, e Tomé com eles. Apesar de2 0 .2 6 vJ o 14.27;
«V. 21
estarem trancadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “Pazv seja com vocês!”w
27 E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a 2 0 .2 7 *v. 25;
Lc 2 4 .4 0
no meu lado. Pare de duvidar e creia”.x
28 Disse-lhe Tomé: “Senhor meu e Deus meu!”
29 Então Jesus lhe disse: “Porque me viu, você creu?y Felizes os que não viram e creram”.2 2 0 .2 9 yJo 3.15;
z1Pe 1.8
30 Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais milagrosos,3 que não estão 2 0 .3 0 M o 2.11;
bJ o 2 1 .2 5
registrados neste livro.b 31 Mas estes foram escritos para que vocês creiam"0 que Jesus é o Cristo, o 20.31 cJ o 3.15;
19 .3 5 ; dM t 4.3;
Filho de Deusde, crendo, tenham vida em seu nome.e eM t 2 5 .4 6

Jesus e a Pesca Maravilhosa


^ 1 Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos,' à margem do mar de 21.1 *Jo 2 0 .1 9 ,2 6 ;
9jo6.1
A i 1_ TiberíadesM Foi assim :2 Estavam juntos Simão Pedro; Tomé,h chamado Dídimo; Natanael,' 21.2 M o 11.16;
U o 1.45; U o 2.1;
de Caná da Galileia;i os filhos de Zebedeu;ke dois outros discípulos.3 “Vou pescar”, disse-lhes Simão kM t 4.21
2 1 .3 'LC 5.5
Pedro. E eles disseram: “Nós vamos com você”. Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite
não pegaram nada.1
4 Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram.m 2 1 . 4 mL c 2 4 .1 6 ;
J o 2 0 .1 4
5 Ele lhes perguntou: “Filhos, vocês têm algo para comer?”
Eles responderam que não.
6 Ele disse: “Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão”. Eles a lançaram e não
conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes.n
7 O discípulo a quem Jesus amava0 disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo-o dizer
isso, vestiu a capa, pois a havia tirado, e lançou-se ao mar. 8 Os outros discípulos vieram no barco,
arrastando a rede cheia de peixes, pois estavam apenas a cerca de noventa metros^ da praia.9 Quando 2 1 . 9 pJ o 18.1 8 ; ov.
10,13
desembarcaram, viram ali uma fogueira,P peixe sobre brasas^ e um pouco de pão.
10 Disse-lhes Jesus: “Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar”.
11 Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia. Ela estava cheia: tinha cento e cin­
qüenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu.12 Jesus lhes disse:
“Venham com erV Nenhum dos discípulos tinha coragem de lhe perguntar: “Quem és tu?” Sabiam
que era o Senhor.13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e o deu a eles, fazendo o mesmo com o peixe.r 2 1 .1 3 'V. 9

14 Esta foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos,s depois que ressuscitou dos mortos. 2 1 .1 4 sJ o 2 0 .1 9 ,2 6

Jesus Restaura Pedro


15 Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais2 1 .1 5 M t 26.33,
35; J o 13.37;
do que estes?” “Lc 12.32

a 2 0 .3 1 Alguns manuscritos dizem continuem a crer.


b 2 1 .1 Isto é, o mar da Galileia.
c 2 1 .8 Grego: 200 côvados. O côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros.
6 2 1 .1 2 Grego: “Tomem o desjejum”.

20.30.31 Ver “Seria fidedigno o evangelho de João?”, em Jo 20. 21.7 É curioso que Pedro tenha vestido sua capa (a palavra aparece
20.31 O nome de Jesus simboliza tudo que ele é e representa (ver nota apenas aqui no NT) antes de pular para dentro da água. Entretanto,
em Jr 16.21). os judeus consideravam a saudaçáo um ato religioso, que só podia ser
21.1 Para mais informações sobre o mar de Tiberíades, ver nota em 6.1. executada quando a pessoa estivesse vestida. Pedro pode ter se preparado
21.3 O período da noite era favorável aos pescadores nos tempos antigos para saudar seu Senhor.
(ver “A pesca nos tempos do Novo Testamento”, em Lc 5). 21.9 As “brasas” são literalmente “carvões em chamas” (ver nota em
18.26; ver também nota em SI 120.4).
J OÃO 2 1 . 2 5

Disse ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”.4


Disse Jesus: “Cuide dos meus cordeiros”.u
21.16 vMt 2,6; 16Novamente Jesus disse: “Simão, filho de João, você me ama?”
At 20.28;
1 Pe 5.2,3 Ele respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”.
Disse Jesus: “Pastoreie as minhas ovelhas”.v
2 1 .1 7 » J o 13 .3 8 ; 17 Pela terceira vez, ele lhe disse: “Simão, filho de João, você me ama?”
"J o 1 6 .3 0 ; w . 16
Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez “Você me ama?”we lhe disse:
“Senhor, tu sabes todas as coisasx e sabes que te amo”.
Disse-lhe Jesus: “Cuide das minhas ovelhas.*18 Digo a verdade: Quando você era mais jovem,
vestia-se e ia para onde queria; mas, quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o
2 1 .1 9 í J o 1 2.3 3; levará para onde você não deseja ir”. 19 Jesus disse isso para indicar o tipo de morte2 com a qual Pedro
18.3 2 ; "2Pe 1 .14
iria glorificar a Deus.a E então lhe disse: “Siga-me!”
2 1 .2 0 "v. 7;
20 Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amavab os seguia. (Este era o que estivera
J o 13 .23 ;
'J o 1 3 .2 5 ao lado de Jesus durante a ceia e perguntara: “Senhor, quem te irá trair?”)0 21 Quando Pedro o viu,
perguntou: “Senhor, e quanto a ele?”
2 1 .2 2 dM t 1 6 .2 7; 22 Respondeu Jesus: “Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte,do que importa? Quanto
1Co 4.5 ; Ap 2.2 5;
«V.19 a você, siga-me!”.8 23 Foi por isso que se espalhou entre os irmãos* o rumor de que aquele discípulo não
2 1 .2 3 'A t 1.1 6
iria morrer. Mas Jesus não disse que ele não iria morrer; apenas disse: “Se eu quiser que ele permaneça
vivo até que eu volte, o que importa?”
2 1 .2 4 U o 15 .27 ; 24 Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas0 e que as registrou. Sabemos que o seu
"J o 1 9 .3 5
testemunho é verdadeiro.11
2 1 .2 5 U o 2 0 .3 0 25 Jesus fez também muitas outras coisas.' Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem mesmo
no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os livros que seriam escritos.

21.18,19 A igreja primitiva entendia a frase “estenderá as mãos” (v. 18)


como uma profecia acerca da crucificação. Pedro seria um mártir. A tra­
dição diz que ele foi crucificado de cabeça para baixo.