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NOVA VERSÃO INTERNACIONAL

ATRAVÉS DA VIDA E DOS

TEM PO S BÍBLIC O S
Introdução a

AUTOR, LUGAR E D A T A DA R EDAÇÃO


A carta aos Colossenses apresenta-se como obra de Paulo. Nos dias de hoje, entretanto, muitos especialistas acreditam que ela foi escrita
sob pseudônimo (uma falsificação de assinatura atribuída a Paulo). Alguns alegam que o estilo da carta é diferente do de Paulo — argu­
mento difícil de demonstrar numa epístola tão curta. Outros entendem que a linguagem exaltada e cósmica a respeito de Cristo em 1.15-20
vai além do que vemos em outras cartas de Paulo, mas a verdade é que ideias semelhantes são verificadas em passagens como 1 Coríntios
8.6. Outras objeções à autoria paulina de Colossenses (e.g., a falta da ênfase na fé versus obras) não se sustentam.
As similaridades com Efésios sugerem que Paulo escreveu as duas cartas quase ao mesmo tempo. Colossos estava situada no
vale do rio Lico, para o interior a partir de Éfeso e não muito distante de Laodiceia, e Paulo, evidentemente, enviou as cartas a várias
igrejas da região — inclusive Efésios, que talvez fosse uma carta circular (ver “A carta aos laodicenses” , em Cl 4; e “A autoria de
Efésios” , em Ef 4). Paulo estava na prisão na época em que escreveu Colossenses (4.3), mais provavelmente em Roma e possivelmente
em Cesareia. A data provável de sua redação é por volta de 60 d.C.

DESTINATÁRIO
Esta carta foi escrita para os cristãos de Colossos, igreja implantada por Epafras, colaborador de Paulo (1.7; 4.12), que se juntou ao apóstolo
na prisão domiciliar em Roma (4.12; Fm 23; ver At 28.16-31), quando este provavelmente escreveu esta carta.

FATOS CULTURAIS E DESTAQUES


Epafras apresentou a Paulo um relatório simples da situação das igrejas do vale do rio Lico. Apesar de muitas das notícias serem boas,
alguns assuntos deixaram Paulo preocupado. Uma corrente de falso ensinamento havia surgido em Colossos, mas não está claro se era um
corpo unificado de falsas doutrinas ou um amálgama de erros, superstições e equívocos: tabus em torno da comida e dos dias sagrados,
devoção a seres angélicos e uma teologia falsamente sofisticada que pode ter servido de base para as heresias gnósticas que surgiram
mais tarde (cap. 2). Grande parte da carta, entretanto, é ocupada de exortações gerais à vida cristã (ver esp. cap. 3 e 4).

LINHA DO T E M P O

1 0 A.C. D.C.1 10

Vida de Jesus (ca. 6/5 a.C.-30 d.C.)

Conversão de Paulo (ca. 35 d.C.)

Viagens missionárias de Paulo (ca. 46-67 d.C.)

Concilio de Jerusalém (ca. 50-51 d.C.)

Reinado de Nero (ca. 54-68 d.C.)

Primeira prisão de Paulo em Roma (ca. 59-62 d.C.) a


Redação da carta aos Colossenses (ca. 60-62 d.C.)

Prisão e morte de Paulo em Roma (ca. 67-68 d.C.)


I
Destruição do templo de Jerusalém (ca. 70 d.C.)
1 934 I N T R O D U Ç Ã O A C OL OS S E NS E S

ENQUANTO V O C Ê LÊ
Procure uma passagem eloqüente acerca da supremacia de Cristo, observe os modelos básicos para a vida cristã e interações familiares e
considere o aviso de Paulo contra a mistura de elementos de várias religiões.

VOCÊ S AB IA ?
• “ Escrita de dívida” era um termo comercial referente a um certificado de dívida assinado pelo devedor (2.14).
• Desarmar o inimigo é um retrato dos soldados vencidos, privados de roupas e armas, como símbolo da derrota total (2.15).
• 0 erro básico da heresia colossense era uma visão distorcida de Cristo: acreditava-se que ele era menor que uma divindade (2.19).
• 0 “ bárbaro” era alguém que não falava grego e, por isso, não era tido como civilizado (3.11).

TEMAS
A carta aos Colossenses contém os seguintes temas:
1. Advertência contra a heresia. Paulo rotula a heresia colossense de fraude baseada na tradição humana e nos “ princípios elementares
deste mundo" (2.8,20), pois nega a suficiência de Cristo e diminui a esperança cristã na obra consumada na cruz.
2. A supremacia de Cristo. Paulo afirma que: a) Cristo é Deus (1.15; 2.9); b) ele é o Criador de todas as coisas (1.16); c) toda a plenitude
de Deus habita nele (1.19; 2.9); d) Cristo é superior aos anjos (2.10,15); e) Cristo é o Cabeça da Igreja (1.18), por meio de quem os crentes
alcançam a “ plenitude” (2.10); f) em Cristo, todas as exigências da Lei mosaica se encontraram (2.11,16,17); g) o ascetismo não tem valor
(2.23), enquanto a vida “ escondida em Cristo” (3.3) resulta em glória (3.4); h) o próprio Cristo é o “ mistério de Deus” (2.2; ver 1.25-27; 4.3),
nenhum outro conhecimento secreto é necessário.
3. A vida cristã. Paulo insiste em que a união do crente com Cristo (3.1-4) resulta num viver santo. Destaca atitudes (3.5-17) que devem
dirigir os relacionamentos na família e na igreja. A liderança deve ser exercida, mas a dominação é inaceitável.

SUMÁRIO
I. Saudação, ação de graças e oração (1.1 -14)
II. Cristo é supremo (1.15-23)
III. O ministério de Paulo (1.24— 2.7)
IV. A liberdade das regras humanas por meio da vida em Cristo (2.8-23)
A. Advertência concernente à heresia (2.8-15)
B. Os rituais e o ascetismo não são sinais de maturidade (2.16-19)
C. A falsa prática do ascetismo (2.20-23)
V. Regras para um viver santo (3.1— 4.6)
A. Fazer morrer o velho eu e revestir-se do novo eu (3.1 -17)
B. Regras para as famílias cristãs (3.18— 4.1)
C. Outras instruções (4.2-6)
VI. Saudações finais e conclusão (4.7-18)
C OL OS S E NS E S 1 . 1 2 1935

Paulo, apóstolo3 de Cristo Jesus pela vontade de Deus,b e o irmão Timóteo,


1 .1 a1 Co 1 .1;
b2Co 1.1
1 . 2 cCI 4.1 8;
dRm 1 .7
1 2 aos santos e fiéis* irmãos em Cristo que estão em Colossos:
A vocês, graçac e paz da parte de Deus nosso Paid e do Senhor Jesus Cristo^.

Ação de Graças
1 . 3 eRm 1 .8 3 Sempre agradecemos a Deus,e o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vocês,
1 . 4 »GI 5 .6; 4 pois temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amorf que têm por todos os santos,9
aEf 1 .1 5
1 . 5 h1 T s 5 .8 ; 5 por causa da esperançahque está reservada a vocês nos céus,' a respeito da qual ouviram por meio da
T t1 .2 ; '1Pe 1.4
1 .6 iR m 10.1 8;
palavra da verdade, o evangelho 6 que chegou até vocês. Por todo o mundoi este evangelho vai fruti-
KJo 15 .16 ficandoke crescendo, como também ocorre entre vocês, desde o dia em que o ouviram e entenderam
1 . 7 'Fm 2 3 ; < 1 4 . 7 a graça de Deus em toda a sua verdade.7 Vocês o aprenderam de Epafras,1nosso amado cooperador,
1 . 8 "R m 1 5 .3 0 fiel ministromde Cristo para conoscoS 8 que também nos falou do amor que vocês têm no Espírito.11
1 . 9 °Ef 1.15 ; 9 Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos,0 não deixamos de orar por vocês e de pedir que
pEf 5 .1 7 ; qEf 1.17
sejam cheios do pleno conhecimento da vontadeP de Deus, com toda a sabedoria e entendimento
1 .1 0 « 4 . 1 espirituais 10 E isso para que vocês vivam de maneira dignar do Senhor e em tudo possam agradá-lo,
1 .1 1 € f 3.16 ; frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e 11 sendo fortalecidos com todo
« 4 .2
o poder,s de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência1com alegria,
1 . 1 2 uEf 5.20; 12dando graças ao Pai,u que nosd tornou dignos de participar da herançav dos santos no reino da luz.
vAt 2 0 .3 2
0 1.2 Ou crentes.
b 1 .2 Vários manuscritos não trazem e do Senhor Jesus Cristo.
c 1 .7 Vários manuscritos dizem para com vocês.
d 1 .1 2 Alguns manuscritos dizem os.

1.1,2As canas antigas começavam com uma identificação simples do 1.2 Sobre os “irmãos”, ver nota em Rm 1.13.
remetente e dos destinatários, seguida de uma saudação (ver “As cartas Colossos era conhecida pela lã macia e pelo tecido tingido que se pro­
no mundo greco-romano”, em 2Co 3). duzia ali. O sítio que abriga as ruínas da cidade está localizado próximo
1.1 Sobre o termo “apóstolo”, ver nota em 2Co 1.1. à vila turca de Honaz (ver “Colossos”, em Tg 5).
Para mais informações sobre Timóteo, ver nota em At 16.1.

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

COLOSSOS
COLOSSENSES 1 Colossos (ou Colosso) na mais Importante rota comercial de Éfeso em Roma, e incentivou o apóstolo a escrever
estava localizada na província romana da até o Eufrates, era um lugar de grande a carta. 0 nome Epafras é uma forma reduzida
Ásia Menor,1 no vale do rio Lico, 194 qui­ importância desde os tempos remotos. 0 rei de Epafrodito (de "Afrodite", deusa grega
lômetros a leste de Éfeso, atualmente na persa, Xerxes, visitou-a em 481 a.C., e Ciro, do amor), sugerindo que ele era um con­
parte sudoeste da Turquia2. Antiga cidade o Jovem, em 401 a.C. Na época de Paulo, tal­ vertido do paganismo. Não é o Epafrodito
da Frigia, situava-se na margem sul do rio vez a cidade já tivesse perdido um pouco de de Filipenses 2.25 e 4.18. Arquipo também
Lico e distava cerca de 18 quilômetros de sua importância. Sua economia dependia exerceu um ministério frutífero em Colossos
Laodiceia e 21 quilômetros de Hierápolis. de comércio e dos tecidos, particularmen­ (Cl 4.17; Fm 2). Filemom era membro ativo
0 sítio está hoje desocupado, e não há esca­ te de uma lã púrpura característica, chamada dessa igreja, assim como Onésimo (Cl 4.9), .
vações ali no momento, apesar de algumas colossinus. Colossos perdeu sua importância após
inscrições terem sido encontradas no local. A igreja de Colossos foi estabelecida na a mudança no sistema de rotas, depois que
0 pouco que sabemos de Colossos vem da terceira viagem missionária de Paulo, du­ Laodiceia se tornou a cidade mais impor­
numismática (o estudo de moedas e objetos rante os três anos que ele permaneceu em tante. Nos séculos VII e VIII, sua posição a
afins) e de comentários feitos por escritores Éfeso, mas não foi implantada pelo apóstolo expôs às terríveis invasões dos sarracenos,
antigos,3 mas até que a cidade possa ser es­ (2.1), e sim por Epafras (1.7,12,13), nativo e a população mudou-se para Chonae (hoje
cavada, nossa compreensão de sua história de Colossos e evangelista nas vizinhas Honaz), fortaleza na encosta do monte
permanecerá incerta. Laodiceia e Hierápolis (ver 4.13). Paulo o Cadmo, cerca de 5 quilômetros mais ao sul.
0 historiador Heródoto (História, 7.30) amava e admirava, chamando-o "nosso No século XII, os turcos destruíram a cidade.
faz referência, em 480 a.C., a Colossos como amado cooperador", "fiel ministro de Cristo" Os arqueólogos escavaram ali ruínas de uma
"uma grande cidade da Frigia", e Xenofonte e "meu companheiro de prisão" (Fm 23). igreja antiga.
(Anábase, 1.2.6) a descreve, em 400 a.C, Epafras foi quem informou Paulo do
como grande e próspera. Colossos, localizada problema da igreja de Colossos, que estava

'Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito, 2Ver "História primitiva de Éfeso" em 2Tm 1; e "Éfeso nos tempos de Paulo", em 2Tm 4; ver
também o mapa 13. !Ver "Moedas e numismática", em Lc 15.
1936 C OL OS S E NS E S 1. 13

13 Pois ele nos resgatou do domínio das trevas™ e nos transportou para o Reinox do seu Filho amado,» 1.13 wAt 26.18;
« 6 .1 2 ; 2Pe 1.11;
14 em quem temos a redenção",z a saber, o perdão dos pecados.3 * 3 .1 7
1.14 flm 3.24;
€ f1 .7
A Supremacia de Cristo
15 Ele é a imagemb do Deus invisível,0 o primogênito sobre toda a criação,16 pois nele foram cria-1.15 b2Co 4.4;
‘Jo1.18
dasdtodas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos sejam soberanias, pode­ 1.1 6 dJo 1.3;
res ou autoridades;e todas as coisas foram criadas por ele e para ele.f 17 Ele é antes de todas as coisas,9 •Ef 1.20,21;
iRm 11.36
e nele tudo subsiste.18 Ele é a cabeça11do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os 1.17 sJo 1.2
1.18hEf 1.22;
mortos,' para que em tudo tenha a supremacia.19 Pois foi do agrado) de Deus que nele habitasse toda a 'At 26.23; Ap 1.5
1.1 9 ® 1.5;
plenitude61420 e por meio dele reconciliasse1consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto "Jo 1.16
as que estão nos céus,mestabelecendo a paz pelo seu sangue" derramado na cruz. 1.20 '2Co 5.18;
"■Ef 1.10; "Ef 2.13
21 Antes vocês estavam separados de Deus e, na mente de vocês,0 eram inimigosP por causa do1.21 °Rm 5.10;
PEf 2.3
mauc procedimento de vocês.22 Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físicoi de Cristo**, mediante 1.22 iRm 7.4;
t f 5.27
a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação/ 23 desde 1.23 sEf 3.17;
que continuem alicerçadoss e firmes na fé, sem se afastarem da esperança* do evangelho, que vocês <v.5;“Rm10.18;
"V. 25; 1Co 3.5
ouviram e que tem sido proclamado a todos os que estão debaixo do céu.u Esse é o evangelho do qual
eu, Paulo, me tornei ministro.v

O Trabalho de Paulo pela Igreja


24 Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo' o que resta das 1.24"2Co1.5
aflições de Cristo,wem favor do seu corpo, que é a igreja.25 Dela me tornei ministro» de acordo com a 1 .2 5 23; vEf 3.2
responsabilidade, por Deus a mim atribuída.v de apresentar a vocês plenamente a palavra de Deus,26 o 1 .2 6 zRm 16.25
mistério2 que esteve oculto durante épocas e gerações, mas que agora foi manifestado a seus santos.
27 A ele quis Deus dar a conhecer3 entre os gentiosf a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em
vocês, a esperança da glória.
28 Nós o proclamamos, advertindob e ensinando a cada um com toda a sabedoria,0 para que apre­ 1 . 2 8 »CI 3.16;
‘ 1Co 2.6,7;
sentemos todo homem perfeitodem Cristo.29 Para isso eu me esforço,e lutando* conforme a sua força, dEf 5.27
1 . 2 9 e1Co 15.10;
que atua poderosamente em mim.o *CI 2.1; sEf 1.19
Quero que vocês saibam quanto estou lutandoh por vocês, pelos que estão em Laodiceia' e por
2
2 .1 *01.2 9; 4.12;
•Ap1.11
todos os que ainda não me conhecem pessoalmente.2 Esforço-me para que eles sejam fortaleci­ 2 . 2 JQ 4.8

dos em seu coração,) estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a
fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. 3 Nele estão escondidos todos 2 .3 KRm 11.33;
1Co 1.24,30
os tesouros da sabedoria e do conhecimento.k 4 Eu digo isso para que ninguém os engane com 2 .4 'Rm 16.18
argumentos que só parecem convincentes.15 Porque, embora esteja fisicamente longe de vocês, em 2 . 5 m1Ts 2.17;
"1 Co 14.40;
espíritom estou presente e me alegro em ver como estão vivendo em ordem11 e como está firme0 a °1Pe5.9
fé que vocês têm em Cristo.

Livres do Legalismo por meio de Cristo


6 Portanto, assim como vocês receberam Cristo Jesus,p o Senhor, continuem a viver nele,7 enraiza-2.6 pCI 1.10
2.7 € f 3.17
dosQ e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão.

a 1 .1 4 Alguns manuscritos dizem redenção por meio do seu sangue,


b 1 .1 9 Ou Pois toda a plenitude agradou-se em habitar nele.
c 1 .2 1 Oü conforme demonstrado pelo mau.
d 1 .2 2 Grego: corpo da sua carne.
e 1 .2 4 Grego: na minha carne.
f 1 .2 7 Isto é, os que não são judeus.

1.15-20 Esses versículos podem ter sido a letra de um hino da igreja 1.27 Paulo resume o segredo do cosmo, que todos os filósofos, visioná­
primitiva sobre a supremacia de Cristo (ver “A hinódia cristã primitiva”, rios, sábios e investigadores religiosos haviam buscado desde o início:
em Tg 5). “Cristo em vocês, a esperança da glória”.
1.15 Assim como o filho primogênito tinha certos privilégios e direitos 1.28 “Perfeito” (ou “totalmente maduro”) era um termo empregado
no mundo bíblico (ver “Direitos do primogênito”, em Gn 25), Cristo pelas religiões de mistério (ver “Religiões de mistério”, em Cl 3) e pe­
detém certos direitos sobre a toda a criação — prioridade, proeminência los gnósticos (ver “Heresias no cristianismo primitivo”, em 2Co 10;
e soberania (v. 16-18). e “Os gnósticos e seus escritos sagrados”, em ljo 4) para descrever os
1.16 Os termos “tronos”, “soberanias”, “poderes” e “autoridades” são possuidores dos segredos ou conhecimentos ostentados pelos seguidores
referências aos anjos. A hierarquia angelical tinha posição de destaque da religião em questão.
na heresia colossense. 2.1 A carta tem pór objetivo ser lida também na igreja de Laodiceia
1.26 No ambiente religioso pagão de Colossos, a palavra “mistério” (próxima à atual Denizli, na Turquia).
apontava para os ritos e símbolos ocultos ao não iniciado (ver “Religiões 2.2 Sobre o “mistério”, ver nota em 1.26.
de mistério”, em Cl 3). Paulo usa a palavra em sentido mais judaico, com 2.3 Paulo ressalta o conhecimento porque está refutando uma heresia
referência aos planos secretos de Deus para os últimos dias. O mistério que considerava o saber um meio de salvação.
cristão não é conhecimento secreto restrito a um pequeno grupo: é reve­ 2.6-8 Um grupo da igreja colossense estava promovendo a filosofia do
lação das verdades divinas antes ocultas, mas agora proclamadas a todos. ascetismo (renúncia como forma de disciplina espiritual).
C O L OS S E NS E S 2 . 1 4 1937

2.8 riT m 6.20; 8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas/ que se fundamen­
tam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo,s e não em Cristo.
2.10 0 1 .2 2 9 P q í s em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade,10 e, por estarem nele, que

2.11 «Rn 2.29; é 0 Cabeça* de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude.11 Nele também vocês foram
Fp 3.3, "Gi 5.24 com uma circuncisão feita por mãos humanas,v mas com a circuncisão feita por
c i r c u n c i ( j a (i 0 S íu u ã o

2.12 »Rm 6.5; Cristo, que é 0 despojar do corpo da carne'1. 12 Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele
no batismo e com ele foram ressuscitadoswmediante a fé no poder de Deus que 0 ressuscitou dentre
os mortos*
2.13 »Ef 2.1,5 13 Quando vocês estavam mortos em pecadosV e na incircuncisão da sua carne*’, Deus osc vivificou
2.14 íf 2.15 ; com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões14 e cancelou a escrita de dívida, que consistia em
*1Pe2.24 r o -1

0 2 .1 1 Isto é, da velha vida dos não regenerados.


6 2 .1 3 Ou da sua natureza pecaminosa; também no versículo 23.
f 2 .1 3 Alguns manuscritos dizem nos.

2.8-23 No NT, há referências a pedidos por conhecimento e sabedoria nar a fé em Cristo com conhecimentos secretos e regulamentos humanos
(e.g., ICo 1.17-31; 8.1; 13.8) que podem ter sido as raízes do gnosticis- quanto a práticas físicas e externas, como a circuncisão, os alimentos, as
mo (ver “Os gnósticos e seus escritos sagrados”, em ljo 4). Havia uma bebidas e a observância das festas religiosas (ver nota sobre a “filosofia”
heresia na igreja de Colossos e um falsò ensinamento nas igrejas que em ICo 1.18— 2.16).
Timóteo conhecia (lTm 1.3-11; 4.3-16; 2Tm 2.18; 3.5-7), que pode ter 2.9 A declaração de que a própria essência da Divindade estava total­
designado uma falsa gnôsis (lTm 6.20). Mais tarde, nas cartas de João, mente presente no corpo humano de Jesus era uma refutação cabal à
há referências a um falso ensinamento sobre a humanidade de Jesus (ljo doutrina gnóstica.
4.3; 2Jo 7). Mas não há nada no N T acerca das doutrinas gnósticas que 2.11 Ver “Circuncisão no mundo antigo”, em Rm 3.
os mestres da igreja enfrentariam mais ou menos um século mais tarde. 2.12 Ver nota em Rm 6.3-4.
2.8 O termo grego stoicheia, traduzido por “princípios elementares deste 2.14 A “escrita de dívida” era o termo comercial com que o devedor, de
mundo” (“verdades elementares”, em Hb 5.12), nesse contexto denota próprio punho, fazia saber o montante de sua dívida. Paulo emprega essa
ensinos religiosos rudimentares, falsos e mundanos (ver “As escolas filo­ linguagem para designar a Lei mosaica com todos os seus regulamentos,
sóficas gregas”, em Cl 2). Paulo está se contrapondo à heresia colossense, segundo a qual toda pessoa é devedora diante de Deus.
que ensinava, entre outras coisas, que, para ser salvo, era preciso combi­

As escolasfilosóficas gregas
COLOSSENSES 2 A filosofia helenfstica (gre­ alguns céticos consideravam a "suspensão do no discurso estoico, essencialmente, pouca
ga) pode ser dividida em várias escolas ou julgamento" a abordagem mais razoável da diferença entre natureza, logos e Deus.1
tradições no século I d.C.: filosofia, outros modificaram essa teoria para • r Os epicureus. Essa escola de filosofia foi
incluir uma medida de probabilidade. fundada por Epicuro (séc. IV a.C.). Seus segui­
•I* Filosofia clássica. Platão ainda exercia ❖ Os estoicos. Os céticos eram bastante crí­ dores se opunham às concepções tradicionais
profunda influência. Os que com maior zelo ticos a respeito da escola mais influente da dos deuses, relegando-os à intermundia, re­
aderiram aos seus ensinamentos (Filo de filosofia helenista, os estoicos (chamados
gião "entre os mundos", na qual não podiam
Alexandria é o mais notável) são conhecidos assim por causa da stoa, ou colunata, da
receber informação das relações humanas.
hoje como platonistas ecléticos. Os seguido­ qual Zenão de Cítio, seu fundador, ensinava).
Os seguidores de Epicuro anteciparam os
res de Aristóteles, conhecidos como peripaté- Conhecidos por seus altos padrões morais
evolucionistas modernos quanto à crença
ticos, ainda subsistiam. e pela dedicação ao dever, os estoicos en­
•I* Os céticos. A linha descendente direta da num Universo fechado que emergiu da coli­
sinavam que a realidade é essencialmente
Academia de Platão assumiu uma postura material, governada por um logos, espécie são casual de átomos num vazio. Em questão
mais negativa com relação à possibilidade de substância divina brilhante que invade o de ética, consideravam o prazer a essência
de se adquirir o conhecimento verdadeiro. cosmos e lhe confere ordem e direção, Esse do bem. Para eles, o prazer não significava devo­
Por isso, ficaram conhecidos como céticos. logos, diziam, está também no interior do ser ção aos excessos sensuais, e sim uma vida vi­
Diz-se dessa tradição que ela começou com humano e o capadta a compreender o Universo. vida com moderação, uma vez que as virtudes
Pirro de Élis (séc. IV a.C.), daí a designação 0 objetivo dos estoicos, portanto, era uma tradicionais da prudência e da justiça, afirma­
do ceticismo como "pirronismo". Enquanto vida vivida "de acordo com a Natureza". Havia vam, produziam a verdadeira felicidade.
'Ver "0 logos nas literaturas grega e judaica", em Jo 1.
193 8 C OL OS S E NS E S 2 . 1 5

ordenanças2 e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na craz,a 15 e, tendo despojado os 2 .1 5 bEf 6.12;
cLc 10.18
poderes e as autoridades,15fez deles um espetáculo público, triunfando sobre elesc n a cruz.
16 Portanto, não perm itam que ninguém os julgue0 pelo que vocês com em ou bebem ,e ou com2 .1 6 dRm 14.3,4;
eRm 14.17;
relação a alguma festividade religiosaf ou à celebração das luas novasa ou dos dias de sábado.h 17 Essas U m 14.5;
coisas são som bras do que haveria de vir;' a realidade, porém , encontra-se em Cristo'1. 18 Não perm itam 91 Cr 23.31;
hGI 4 .1 0
que ninguém que tenha prazer num a falsa humildadei e na adoração de anjos os im peça de alcançar o 2 . 1 7 'Hb 8.5
2 .1 8 iv. 23;
prêm io.k Tal pessoa conta detalhadam ente suas visões, e sua m ente carnal a torna orgulh osa.19 Trata- kFp 3 .1 4
2 .1 9 'Ef 1.22;
-se de alguém que não está unido à Cabeça,1a partir da qual todo o corpo, sustentado e unido por seus mEf 4 .1 6
ligam entos e ju ntas, efetua o crescim ento dado por Deus.m
20 Já q u e v o c ê s m o r r e r a m c o m C r is to p a r a o s p r in c íp io s e le m e n ta r e s d e s te m u n d o , n p o r q u e ,2 .2 0 "Gl 4.3,9;
c o m o se a in d a p e r te n c e s s e m a e le , v o c ê s se s u b m e t e m a r e g r a s :021“ N ã o m a n u s e ie !” , “ N ã o p r o v e ! ” , «v. 14,16
“ N ã o to q u e !”?22T o d a s essas coisas estão d e s tin a d a s a perecerP p e lo uso , p o is se b a s e ia m e m m a n d a m e n to s 2 .2 2 p1 Co 6.13;
e e n s in o s h u m a n o s .f 23Essas re g ra s t ê m , d e fa to , a p a r ê n c ia d e s a b e d o ria , c o m s u a p re te n s a re lig io s id a d e , T<ilst 129.13;
.14
M t 15.9;

fa ls a h u m ild a d e e s e v e rid a d e c o m o c o r p o , m a s n ã o t ê m v a lo r a lg u m p a r a re fr e a r os im p u ls o s d a c a rn e .

Instruções para um Viver Santo


Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo
3 está assentado à direita de D eu s.2 M antenham o pensam ento nas coisas do alto, e não nas coisas
terren as/ 3 Pois vocês m orreram ,s e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. 4 Quando
3 .2 f p 3 .1 9 ,2 0
3 .3 sRm 6.2;
2C0 5 .14
Cristo, que é a sua6 vida, for manifestado,* então vocês tam bém serão m anifestados com ele em glória.u 3 .4 »1 Co 1.7;
u1Pe 1.13; 1 J o 3 .2
5 Assim , façam m orrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: im oralidade sexual, im3­.5 v E f5 .3 ; * E f5 .5
pureza, paixão, desejos m aus e a ganância,“ que é idolatria.w 6 É por causa dessas coisas que vem a 3 .6 xRm 1.1 8

ira de Deus» sobre os que vivem na desobediências 7 as quais vocês praticaram no passado,» quan­ 3 .7 vEf 2 .2

do costum avam viver nelas. 8 M as, agora, abandonem 2 todas estas coisas: ira, indignação, maldade, 3 .8 € f 4.22;
*Ef 4.31; t>Ef 4 .29
m aledicência8 e linguagem indecente no falar.b 9 Não m intam uns aos outros,0 visto que vocês já se 3 .9 cEf 4 .2 2 ,2 5
despiram do velho homem^ com suas p rá tica s10 e se revestiram do novo, o qual está sendo renovadod 3 .1 0 dRm 12.2;
Ef 4.23; eEf 2.1 0
em conhecim ento, à im agem do seu Criador.e 11 Nessa nova vida já não há diferença entre grego e 3 .11 fRm 10.12;
fl1 Co 7.19;
judeu,1 circunciso e incircunciso.o bárbaro* e citaf, escravo e livre,h m as Cristo é tudo' e está em todos. hGI 3.28; 'Ef 1.2 3
12 Portanto, com o povo escolhido de Deus, santo e am ado, revistam -se de profunda com paixão,3 .1 2 iFp 2.3;
k2Co 6.6;
bondade, humildade,) m ansidão e paciência.k 13 Suportem -se uns aos outros1e perdoem as queixas Gl 5 .2 2 ,2 3
3 . 1 3 'Ef 4.2;
que tiverem uns contra os outros. Perdoem com o o Senhor lhes perdoou."114 A cim a de tudo, porém,
mEf 4 .3 2
revistam -se do am or,n que é o elo perfeito.0 3 .1 4 "1 Co 1 3 .1 -1 3 ;
°Ef 4 .3
15 Q u e a p a z d e C ristoP seja o ju iz e m seu co ra ç ã o , v is to q u e vo cês fo ra m c h a m a d o s p a r a v iv e r e m p a z , 3 .1 5 PJo 1 4 .2 7

c o m o m e m b r o s d e u m só c o rp o . E s e ja m a g ra d e c id o s .16H a b ite r ic a m e n te e m vo c ê s a p a la v r a d e C ris to ;'! 3 .1 6 «Rm 10.17;


rC11.28; € f 5 .1 9

0 2 .1 7 Grego: o corpo, porém, é de Cristo.


b 3 .4 Alguns manuscritos dizem nossa.
c 3 .6 Alguns manuscritos antigos não trazem sobre os que vivem na desobediência.
d 3 .9 Isto é, da velha vida dos não regenerados.
e 3 .1 1 Isto é, aquele que não possuía cultura grega.
f 3 .1 1 Isto é, habitante da região ao norte do mar Negro, que não fazia parte do Império Romano.

2.15 Desarmar o inimigo é um retrato dos soldados vencidos, privados O termo “cita” era usado pelos escritores clássico para designar os
de roupas e armas, como símbolo da derrota total. bárbaros das estepes. Em linguagem coloquial, denotava o selvagem e
A procissão triunfal é uma metáfora que lembra um general romano o não civilizado. Cítia era o nome dado pelos gregos a uma região mal
conduzindo seus prisioneiros pelas ruas da cidade, para que todos tes­ definida entre os Cárpatos e o rio Don, a porção ocidental que incluía os
temunhem sua vitória. campos de trigo de terra negra da moderna Ucrânia. A estepe era aberta
2.18 O gnosticismo do século II concebia uma lista de seres espirituais a invasões de nômades, e as tribos indo-europeias que a ocuparam no
emanados de Deus, por meio dos quais se podia chegar a Deus. século VII a.C. são aquelas para quem o termo “cita” é mais apropriado.
No NT, a palavra “mente” geralmente ocorre em sentido ético, como Deve ter havido uma considerável “migração” nessa época, porque os
aqui e em Rm 7.25 (ver “Coração, respiração, garganta e intestinos: citas apareceram na Mesopotâmia superior e na Síria entre 650 e 620
antropologia hebraica antiga”, em Pv 6). a.C., e outro grupo alcançou o Danúbio médio. O sul da Rússia, para
2.19 O erro básico da heresia colossense era uma visão distorcida de falar em termos geográficos modernos, foi largamente ocupado. Os nô­
Cristo: acreditava-se que ele era menor que uma divindade. mades eram soldados formidáveis: possuíam uma cavalaria de arqueiros
2.20 Sobre os “princípios elementares deste mundo”, ver nota no ver­ velozes e eram versados nas táticas de guerra no deserto e em estratégia
sículo 8. de mobilidade. Pela tática da “terra arrasada” e de defesa simulada, frus­
2.21 A natureza rigorosamente ascética da heresia é vista aqui. Essas proi­ traram um ataque de Dario em 512 a.C., e venceram Zopirião, general
bições parecem levar as leis cerimoniais do AT a extremos. de Alexandre, em 325. Eles exploravam o trabalho dos antigos habitantes
2.23 Esse versículo contém uma análise detalhada da heresia colossense. e exportavam grandes quantidades de trigo para as colônias gregas do
1) Parece oferecer um sistema impressionante da filosofia religiosa. 2) mar Negro. Vasos gregos e obras em metal eram dados em troca, e as
Trata-se, no entanto, de um sistema criado pelos falsos mestres (“pre­ tumbas dos líderes produziram esses artefatos em profusão. Os celtas e
tensa religiosidade”), que não tem origem divina. 3) Os falsos mestres os samaritanos parecem ter expulsado os citas durante os três últimos
queriam exibir sua alegada humildade. 4) Parecia ser o resultado de um séculos antes de Cristo.
rigoroso ascetismo, que fazia mau uso do corpo. 3.16 Algumas das doutrinas mais importantes eram expressas na igreja
3.1 Ver “ ‘A mão direita’ no pensamento antigo”, em Hb 1. primitiva na forma de hinos (ver “Hinódia cristã primitiva”, em Tg 5).
3.11 O “bárbaro” era alguém que não falava grego e, por isso, não era
tido como civilizado.
C OL OS S E NS E S 3 . 1 9 1939

ensinem e aconselhem -se uns aos outros com toda a sabedoriar e cantem salm os, hinos e cânticos
3 .1 7 >ico 10 .3 1 ; espirituais com gratidão a Deus em seu coração.s 17 Tudo 0 que fizerem,1seja em palavra seja em ação,
"Ef 5.20
façam -no em n om e do Senhor Jesus, dando por m eio dele graçasu a Deus Pai.

Responsabilidade Social
18 M ulheres, sujeite-se cada um a a seu m arido,v com o convém a quem está no Senhor.
19 M aridos, am e cada um a sua m ulher e não a tratem com amargura.

Ar
NOTAS HISTÓRICAS E CULTURAIS

Religiões de mistério
COLOSSENSES 3 As religiões de mistério século II d.C., é tido como persa em sua ori­ de Ovídio. Em muitas religiões de mistério,
eram cultos secretos que surgiram durante gem, mas uma recente pesquisa indica que 0 iniciado se submetia a uma morte e um
0 período greco-romano e envolviam a ado­ seus ensinamentos podem ter surgido no mun­ renascimento rituais por um frenesi extático
ração de divindades da Grécia, do Egito e do do greco-romano. A adoração ocorria numa ou por um ritual secreto. Uma inscrição num
Oriente Médio. Diferentemente das religiões sala pequena, semelhante a uma caverna, mitreu descreve 0 iniciado como "piamente
oficiais (como 0 culto imperial),1 que envol­ chamada "mitreu", que continha inscrições e renascido".
viam pouco mais que promessas de lealdade, símbolos enigmáticos, as primeiras pistas da Alguns têm sugerido que Paulo pode ter
essas religiões ofereciam salvação pessoal e natureza da religião. 0 tema principal circun­ sido influenciado por esses cultos em sua
um sentimento de pertença à uma comuni­ dava um homem, Mitra, que aparentemente compreensão do "mistério" do evangelho
dade. Os membros participavam de rituais, havia matado um touro. Na iconografia, de Cristo. É mais provável, no entanto, que 0
e esperava-se que mantivessem em segredo Mitra está acompanhado de um cachorro, apóstolo use 0 termo "mistério" para se re­
tanto os ritos quanto os ensinamentos, daí a de uma serpente, de um corvo e de um es­ ferir ao fato de que as profecias do AT, que
designação "religiões de mistério". Exemplos corpião. Todas essas criaturas se comparam a têm muito de misterioso, encontrem sentido
famosos são os mistérios gregos eleusianos e constelações (Touro, Cão Menor, Hidra, Corvo e cumprimento em Cristo. Sem dúvida, nada
dionisíacos,2 os mistérios de Mitra e 0 culto e Escorpião, respectivamente), e assim 0 cul­ indica que os convertidos ao cristianismo
egípcio a ísis e Osíris. to pode ter sido de orientação astrológica e precisassem jurar que iriam manter seus prin­
Cada culto era distinto, porém muitos baseado na crença de que Mitra era 0 regente cípios e práticas em segredo. Além disso,
cultos de mistério compartilhavam um tema do cosmos. Os membros do culto ascendiam Paulo provavelmente queria anunciar seus
de morte e vida após a morte. Os mistérios por uma hierarquia de sete níveis, correspon­ convertidos gentios que 0 verdadeiro cami­
eleusianos concentravam-se no mito da des­ dendo aos sete planetas — os ícones solares nho para 0 renascimento e a ressurreição
cida anual de Perséfone, a filha de Deméter, e lunares são invariavelmente encontrados é por meio de Cristo, e a palavra "mistério"
ao Hades e seu subsequente retorno à terra num mitreu. ajudava a transmitir essa realidade.
dos vivos. 0 culto a (sis e Osíris era semelhan­ Os cultos centrados na fertilidade geral­
te. Na religião egípcia, Osíris, 0 senhor dos mente eram acompanhados de um simbo­
mortos, era também tido como uma fonte lismo erótico e incluíam rituais secretos, às
de vida e renovação. Osíris foi assassinado vezes cruentos ou orgiásticos. Os mistérios
por seu irmão, Set, mas sua esposa-irmã, ísis, dionisíacos, que envolviam um tipo de lou­
localizou seus restos espalhados e realizou cura extática, foram por um tempo banidos
um tipo de ressurreição. pelo Senado romano. 0 temor popular e 0
Alguns cultos concentravam-se no poder fascínio pelo frenesi orgiástico são refleti­
cósmico. 0 culto a Mitra, que se tornou po­ dos nas obras de literatura antiga como
pular entre os homens romanos por volta do As bacantes, de Eurípedes, e Metamorfose,

1Ver "0 culto imperial", em Mc 12. 2Ver "0 culto a Dionísio", em Ef 5 .


1940 C OL OS S E NS E S 3 . 2 0

20 F ilh o s, o b e d e ça m a seu s p ais e m tu d o , p o is isso a g rad a ao S en h o r.


21 P ais, n ã o irr ite m seu s filh os, p a ra q u e eles n ão d e sa n im e m .
22 E scrav o s, o b ed eça m em tu d o a seu s sen h o res te rre n o s , n ã o so m e n te p a ra ag rad á-lo s qu an d o eles
e stã o o b serv an d o , m a s co m sin cerid a d e d e co ra ç ã o , p elo fa to d e v o cês te m e re m o S e n h o r .23 T u d o o
3.24 »At 2 0 .3 2 q u e fizerem , fa ça m d e to d o o co ra çã o , co m o p a ra o S en h o r, e n ã o p a ra o s h o m e n s ,24 sa b e n d o qu e re-
3.25 *At 10.34 ce b e rã o d o S e n h o r a re co m p e n sa d a h e ra n ça .w É a C risto , o S en h o r, q u e v o c ê s estã o s e r v in d o .25 Q u em
c o m e te r in ju s tiç a re ce b e rá d e v o lta in ju s tiça , e n ã o h a v erá ex ceçã o p a ra n in g u ém .x

4
S e n h o re s, d e e m a o s seu s e s c ra v o s o q u e é ju s to e d ir e ito , s a b e n d o q u e v o c ê s ta m b é m tê m u m
S e n h o r n o s céu s.

Outras Instruções
4.2 yLc 18.1 2 D e d iq u e m -se à oração,v e s te ja m alerta e s e ja m a g ra d e c id o s .3 A o m e s m o te m p o , o re m ta m b é m
4.3 zA t 14 .2 7;
í f 6 .1 9 ,2 0 p o r n ó s , p a r a q u e D eu s a b r a u m a p o rta 2 p a r a a n o s s a m e n s a g e m , a fim d e q u e p o ss a m o s p r o c la m a r
o m is té r io d e C risto , p e lo q u a l e s to u p re s o .3 4 O re m p a ra q u e e u p o ss a m a n ife s tá -lo a b e rta m e n te ,
4.5 bEf 5.15; c o m o m e c u m p r e fa z ê -lo . 5 S e ja m s á b io s b n o p r o c e d im e n to p a r a c o m o s d e fo r a ;c a p r o v e ite m ao
cM c 4 .11 ; dEf 5 .1 6
4 .6 < 0 4 .2 9 ; m á x im o to d as as o p o rtu n id a d e s.0 6 O seu fa la r s e ja s e m p re ag rad áv ele e te m p era d o c o m sal,f p a r a q u e
'M c 9.50;
91
Pe 3 .1 5 s a ib a m co m o re s p o n d e r a cad a um .9

Saudações Finais
4.7 hAt 20.4; 7 Tíquicoh inform ará vocês de todas as coisas a m eu respeito. Ele é um irm ão am ado, m inistro fiel
0 6 .2 1 ,2 2
4.8 iEf 6 .2 1 ,2 2 e cooperador' no serviço do S e n h o r.8 Eu o envio a vocês precisam ente com o propósito de que saibam
de tudo o que se passa conosco0, e para que ele lhes fortaleça o coração j 9 Ele irá com O nésim o,k fiel e
am ado irm ão, que é um de vocês. Eles irão contar tudo o que está acontecendo aqui.
4.10'At 19 .29 ; 10 Aristarco,1m eu companheiro de prisão, envia saudações, bem com o M arcos, prim o de Barnabé.m
mAt 4 .3 6
V ocês receberam instruções a respeito de M arcos, e, se ele for visitá-los, re ce b am -n o .11 Jesus, cham a­
do Justo, tam bém envia saudações. Esses são os únicos da circuncisão que são m eus cooperadores em
4.12 "Cl 1.7; favor do Reino de Deus. Eles têm sido um a fonte.de ânim o para m im .12 Epafras,n que é um de vocês
Fm 23; oRm 15.30;
P1C0 2 .6 e servoè de Cristo Jesus, envia saudações. Ele está sem pre batalhando por vocês em oração,0 para que,
com o pessoas madurasP e plen am en te convictas, continu em firm es em toda a vontade de Deus.
13 D ele dou testem u nh o de que se esforça m uito p or vocês e pelos que estão em Laodiceia^ e em
4.14 r2 T m
4.11; H ierápolis.14 Lucas,r o m édico amado, e Dem ass enviam saud ações.15 Saúdem os irm ãos de Laodiceia,
Fm 24; *2Tm 4 .1 0
4.15 A m 16 .5 bem com o N infa e a igreja que se reúne em sua casa.1
16 Depois que esta carta for lida entre vocês, façam que tam bém seja lidau na igreja dos laodicenses
e que vocês igualm ente leiam a carta de Laodiceia.
4.17 vFm 2; 17 Digam a Arquipo:v “Cuide em cum prir o m inistério que você recebeu no Senhor”.w
* 2 T m 4 .5
4.18 X1 Co 16.2 1; 18 Eu, Paulo, escrevo esta saudação de próprio punho.x Lembrem-sev das m inhas algemas. A graça
vHb 13.3;
z1 T m 6 .2 1 ; seja com vocês.2
2 T m 4 .2 2 ; T t 3 .1 5 ;
Hb 1 3 .2 5
0 4 .8 Alguns manuscritos dizem de que ele saiba de tudo o que se passa com vocês.
b 4 .1 2 Isto é, escravo.

3.20,21 Para mais informações sobre a relaçáo entre pais e filhos, ver Apesar de Marcos estar no centro da disputa entre Paulo e Barnabé (ver
nota em E f 6.1. At 15.36-40), mais tarde Paulo admitiu que ele era “útil para o minis­
3.22— 4.1 Paulo náo defende a escravidão nem apoia as revoltas contra tério” (2Tm 4.11).
os senhores. Pelo contrário, conclama escravos e senhores a demonstrar 4.13 Para mais informações sobre Laodiceia, ver nota em 2.1.
princípios cristãos no relacionamento, para assim tentar transformar a Hierápolis era uma cidade da Ásia Menor (atual Turquia), a cerca de 10
instituição de dentro para fora (ver “Escravidão no mundo greco-roma- quilômetros de Laodiceia e a 22,5 quilômetros de Colossos. A igreja ali
no”, em Fm). talvez tenha sido implantada durante a estada de três anos de Paulo em
4.3 Sobre o “mistério”, ver nota em 1.26. Éfeso por (At 19), mas provavelmente não pelo apóstolo.
4.6 Sobre “sal”, ver nota em Mt 5.13. 4.14 Lucas escreve a respeito de Paulo em Atos e o acompanhou em
4.9 Aparentemente, Onésimo, escravo que pertencia a Filemom, havia algumas viagens (ver nota em At 16.10). Estava com Paulo em Roma
roubado seu dono (Fm 18) e fugido, crime que sob a lei romana era por ocasião do encarceramento (At 28), quando foi escrita essa carta.
punido com a morte. Mas Onésimo, por meio do ministério de Paulo, 4.15 Os exemplos neotestamentários de pessoas que hospedavam igrejas
se tornou cristão (Fm 10). Onésimo concordou em retornar para seu domésticas são Priscila e Áquila (Rm 16.3; ICo 16.19), Filemom (Fm
dono, e Paulo escreveu uma carta a Filemom, pedindo que este aceitasse 2) e Maria, a mãe de João (Át 12.12). Ver “Igrejas domésticas e edifícios
o escravo de volta como um irmão em Cristo (Fm 16). eclesiásticos primitivos”, em 2Jo; ver também nota em ICo 16.19).
4.10 O macedônio Aristarco estava com Paulo no tumulto de Éfeso (At 4.16 A prática na igreja primitiva era proceder à leitura das cartas de
19.29), por isso era conhecido em Colossos. Também acompanhou o Paulo em voz alta diante da congregação reunida.
apóstolo até a Grécia (At 20.4) e na viagem do apóstolo a Roma (At 27.2). 4.18 0 costume de Paulo era ditar suas cartas e então escrever de próprio
Marcos, também chamado João Marcos, escreveu o segundo evangelho. punho umas poucas saudações. Sua assinatura garantia a autenticidade
Era amigo íntimo de Pedro e primo de Barnabé (ver nota em At 13.1,2). da carta (ver “Materiais de escrita no mundo antigo”, em 3Jo).
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C A R T A A OS
LAODICENSES
_<vV: ____________________________________
COLOSSENSES 4 Em Colossenses 4.16, Paulo instrui os colossenses ♦ Alguns especialistas identificam a carta aos Efésios como a "carta
a ler a "carta de Laodiceia". É provável que ele esteja se referindo a de Laodiceia", porque Marcião, herege do século II, faz referência à
uma carta que havia escrito para os cristãos daquela cidade. Já se su­ carta aos Efésios com esse nome. Além disso, alguns manuscritos
geriu como identificação dessa carta um documento latino apócrifo, antigos não especificam Éfeso como o destino da carta em Efésios 1.1.1
a carta de Paulo aos Efésios ou um texto que não existe mais. Paulo pode ter pretendido que Efésios circulasse entre as igrejas no
vale do rio Lico, inclusive Laodiceia e Colossos. Isso não exige, entre­
♦ A latina Epístola aos laodicenses contém muitas frases paulinas tanto, que consideremos Efésios a carta perdida de Colossenses 4.16.
encontradas em Filipenses e em Gálatas, por isso induziu os leitores ♦ Muitas cartas escritas por Paulo foram perdidas. É bem possível,
a trocar cartas com Colossos. É duvidoso que Paulo tenha escrito esse portanto, que a carta mencionada em Colossenses 4.16 simplesmente
documento. 0 mais provável é que seu autor tenha forjado a carta não tenha sido preservada.2
com base em Colossenses 4.16.

'Ver "A autoria de Efésios", em Ef 4. 2Ver "A carta 'perdida' dos coríntios endereçada a Paulo”, em 1Co 7; è "Visitas e cartas de Paulo a Corinto", em 2Co 2.

Ruínas de Laodiceia, no vale do rio Lico


© Dr. James C. Martin

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