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N O V A V E R S Ã O I N T E R N A C I O N A L

FAÇA UMA JORNADA VISUAL

ATRAVÉS DA V I D A E DOS

TEMPOS BÍBLICOS
V#*
INTRODUÇÃO A

AUTOR, LUGAR E DATA DA R E D A Ç Ã O


Se levarmos em consideração o fato de que o livro de Ester dá grande ênfase ao nacionalismo judaico e à celebração perpétua da festa
judaica do Purim, concluiremos que seu autor, desconhecido, foi um judeu. Os estudiosos acreditam que ele vivia numa cidade da Pérsia,
por causa de seu conhecimento dos costumes persas e do cenário do livro — Susã, a capital desse império. Também acreditam que a data
mais antiga para a redação desse livro seja em tomo de 460 a.C., pouco depois dos acontecimentos narrados e antes do retomo de Esdras a
Jerusalém. A data sugerida mais recente gira em tomo de 350 a.C., um pouco antes de os gregos conquistarem o Império Persa, em 331 a.C.

DESTINATÁRIO
0 destinatário era composto, sem dúvida, pelos israelitas que estavam a par dos acontecimentos registrados no livro e pelos judeus que
viviam em outras regiões, além, é claro, das gerações subsequentes.

FATOS CULTURAIS E DESTAQUES


Durante toda a história de Israel, Deus protegeu seu povo escolhido de toda espécie de perigos. Sim, ele os castigou quando se recusaram
a confessar seus pecados e honrar sua aliança com ele, mas trabalhou incansavelmente nos bastidores, oferecendo seu perdão e revelando
seus grandiosos planos para essa nação e também para toda a humanidade. Durante o reinado do rei persa Xerxes (486-465 a.C.), época
em que viveu a geração anterior a Esdras e aos livros de Esdras e Neemias, por ele escritos, Deus usou esse poderoso rei e alguns servos
fiéis para salvar os judeus do extermínio e preservar a linhagem davídica, da qual descenderia o Messias.

LINHA DO T E M P O

1400 A.C. 1300 1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400

Queda de Jerusalém (586 aC.)


i
Conquista da Babilônia pela Pérsia (539 aC.)
1
Primeiro retomo dos exilados a Jerusalém (538 aC.)
i
Reinado de Xerxes na Pérsia (486-465 aC.)
1
Reinado de Ester na Pérsia (479 aC.)
1
Segundo retomo dos exilados a Jerusalém, sob a liderança de Esdras (458 aC.)
1
Torroim
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I
Reconstrução dos muros de Jerusalém (445 aC.)
1
Redação do livro de Ester (ca 460-350 aC.)

ENQUANTO VOCÊ LÊ
Sob vários aspectos, o livro de Ester pode ser lido como uma novela curta. À medida que a trama se desenvolve, pessoas piedosas confiam
no Senhor e caminham pela fé. Enquanto lê, tente imaginar o que teria acontecido aos Judeus, à linhagem davídica e às promessas de Deus a
respeito do Messias se o plano de Hamã tivesse dado certo. O édito de Hamã foi o último grande esforço para destruir o povo de Deus no
período do AT. Atente para as múltiplas ironias dessa história, inclusive o trágico destino de Hamã. Pense sobre a influência que duas pes­
soas piedosas exerceram unicamente pelo fato de terem confiado em Deus, obedecido à sua Palavra e se deixado guiar por ele. Pergunte-se
por que o autor, provavelmente de forma deliberada, evitou qualquer menção explícita a Deus, à oração, ao culto e ao sacrifício neste livro,
embora Deus tenha trabalhado de forma tão poderosa ao longo de seu enredo.
INTRODUÇÃO A ESTER 715

VOCÊ S A B IA ?
• 0 historiador grego Heródoto afirma que os persas bebiam enquanto deliberavam sobre assuntos de Estado, crendo que a embriagues
os deixava mais próximos do mundo espiritual (1.10-12).
• A prática persa do “enforcamento” era, na verdade, a empalação com o propósito de expor o cadáver publicamente (2.23).
• Entre os persas, a única coisa mais estimada que um grande número de filhos era a coragem na batalha (5.11).
• 0 protocolo persa ditava que ninguém, exceto o rei, podia ficar sozinho com uma mulher do harém real (7.7,8).
• 0 Purim ainda é celebrado até hoje. 0 livro inteiro de Ester é lido na sinagoga nesse feriado, durante uma cerimônia bem movimentada.
0 povo aplaude alegremente ao ouvir o nome de Mardoqueu e assovia, vaiando, ao ouvir o nome de Hamã (9.29-32).

TEMAS
0 livro de Ester inclui os seguintes temas:
1. A soberania de Deus. Quem é o verdadeiro herói de Ester? É claro que Mardoqueu e Ester demonstraram admirável disposição para o
autossacrificio, mas o livro deixa implícito que uma força anônima estava orquestrando os acontecimentos nos bastidores. As “coincidên­
cias” são perfeitas demais para serem atribuídas à mera sorte. 0 livro de Ester demonstra que Deus está, de fato, no controle da História:
ele é o herói que salva e protege os seus, usando pessoas e acontecimentos normais.
2. Serviço. Ester e Mardoqueu foram pessoas comuns que Deus usou de maneira maravilhosa em tempo e lugar específicos para cumprir
seus propósitos (4.14). A confiança no cuidado providencial de Deus e em sua habilidade de trabalhar nos bastidores é essencial a qualquer
pessoa chamada para realizar seu trabalho e cumprir o propósito divino.
3. Obediência. Exigências conflitantes por obediência e lealdades contrárias obrigam os cristãos, às vezes, a fazer escolhas difíceis.
Ester optou por obedecer a Mardoqueu (2.10,20; 4.8-16), mas ao fazer isso desafiou as leis persas (4.11,16; 5.1,2). Mardoqueu recusou-se
a obedecer à ordem do rei (3.2-8), mas seguiu as instruções de Ester (4.17). A obediência a Deus deve ter sempre a precedência sobre a
obediência aos homens (At 4.19,20; 5.29).
4. Orgulho. Hamã é o protótipo do indivíduo arrogante. (3.5;5.9-14; 7.8-10), ilustrando a verdade de Provérbios16.18: “0
antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda”.É nítidoo contraste com Mardoqueu,o qual,não procurando honra pa
que o Senhor o exaltasse aos olhos do rei (6.1 -13; 8.9-15; cf. Tg 4.10).

SUMÁRIO
I.As festas de Xerxes (1.1— 2.18)
II.As festas de Ester (2.19— 7.10)
III. A festa do Purim (8— 10)
716 ESTER 1.1

A Rainha Vasti Afronta o Rei


Foi no tempo de Xerxes0,a que reinou sobre cento e vinte e sete províncias,bdesde a índia até a 1.1 € d 4.6;
I Etiópia6.112 Naquela época o rei Xerxes reinava em seu trono na cidadela de Susãd3 e, no terceiro Dn 3.2; 6.1;
ano do seu remado, deu um banquetee a todos os seus nobres e oficiais. Estavam presentes os líderes cEt
Dn 9.1; bEt 9.30;

8.9
1.2 dEd 4.9;
militares da Pérsia e da Média, os príncipes e os nobres das províncias. Ne 1.1; Et 2.8
1.3 e1Rs 3.15;
4 Durante cento e oitenta dias ele mostrou a enorme riqueza de seu reino e o esplendor e a glóriaEt 2.18
de sua majestade. 5 Terminados esses dias, o rei deu um banquete no jardim internof do palácio, de 1.5 »Jz 14.17;
o2Rs 21.18;
sete dias,s para todo o povo que estava na cidadela de Susã, do mais rico ao mais pobre. 6 O jardim Et 7.7,8
possuía forrações em branco e azul, presas com cordas de linho branco e tecido roxo, ligadas por anéis 1.6 t í 7.8;
Ez 23.41; Am 3.12;
de prata a colunas de mármore. Tinha assentos11de ouro e de prata num piso de mosaicos de pórfiro, 6.4
mármore, madrepérola e outras pedras preciosas.7 Pela generosidade do rei,' o vinho real era servido 1.7 Et 2.18; Dn 5.2
em grande quantidade, em diferentes taças de ouro.8 Por ordem real, cada convidado tinha permissão
de beber o quanto desejasse, pois o rei tinha dado instruções a todos os mordomos do palácio que os
servissem à vontade.
9Enquanto isso, a rainha Vasti também oferecia um banquetei às mulheres, no palácio do rei Xerxes. 1.9)1 Rs 3.15
10 No sétimo dia, quando o rei Xerxes já estava alegrek por causa do vinho,1ordenou aos sete 1.10 *Jz 16.25;
Rt 3.7;'Gn 14.18;
oficiais que o serviam — Meumã, Bizta, Harbona,mBigtá, Abagta, Zetar e Carcas — 11 que trou- Et 3.15; 5.6; 7.2;
Pv 31.4-7; Dn 5.1-
m xessem" à sua presença a rainha Vasti, usando a coroa real. 4; mEt 7.9
1.11 "Ct 2.4;
Ele queria mostrar aos seus súditos e aos nobres a beleza dela,0 oSl 45.11; Ez 16.14
V o z e s a n t ig a s pois era de fato muito bonita.12 Quando, porém, os oficiais trans­ 1.12 PGn 39.19;
Et 2.21; 7.7;
Então o rei cortou a cabeça e a mão mitiram a ordem do rei à rainha Vasti, esta se recusou a ir, e o rei Pv 19.12
direita de Ciro e, em sua perseguição, ficou furioso e indignado.P
irrompeu contra o acampamento de 13 Como era costume o rei consultar especialistas em questões1.13 oi Cr 12.32;
Jr 10.7; Dn 2.12
Ciro. Os que estavam com Arieu não de direito e justiça, ele mandou chamar os sábios que entendiam
mantiveram sua posição, mas fugiram das leisfl14 e que eram muito amigos do rei: Carsena, Setar, Ada- 1.14 2Rs 25.19;
Ed 7.14
para o acampamento, para a posição da mata, Társis, Meres, Marsena e Memucã; eles eram os sete nobresr
qual tinham saído. A informação é de que da Pérsia e da Média que tinham acesso direto ao rei e eram os
estavam um quarto de milha distantes
mais importantes do reino.
pela estrada. Então o rei e seus homens
15 O rei lhes perguntou: “De acordo com a lei, o que se deve fa­
tomaram muitas espécies de despojos,
em particular a concubina fócia de Ciro,
zer à rainha Vasti? Ela não obedeceu à ordem do rei Xerxes trans­
que tinha fama de ser bela e inteligente. mitida pelos oficiais”.
A jovem milésia, porém, depois de ter 16 Então Memucã respondeu na presença do rei e dos nobres:
sido capturada por alguns homens do “A rainha Vasti não ofendeu somente o rei, mas também todos os
rei, fugiu nua na direção dos gregos que nobres e os povos de todas as províncias do rei Xerxes,17 pois a
guardavam as bagagens. Eles haviam en­ conduta da rainha se tornará conhecida por todas as mulheres, e
trado em formação de batalha e mataram assim também elas desprezarão seus maridos e dirão: ‘Õ rei Xerxes
muitos saqueadores, ainda que alguns
ordenou que a rainha Vasti fosse à sua presença, mas ela não foi’.
gregos também morressem. Esses gregos
18 Hoje mesmo as mulheres persas e medas da nobreza que fi­ 1.18 spv 19.13;
não desertaram, mas salvaram a jovem e 27.15
carem sabendo do comportamento da rainha agirão da mesma
tudo o mais, fossem propriedades, fossem
pessoas, que veio para junto deles. maneira com todos os nobres do rei. Isso provocará desrespeito
e discórdia sem fim.s
— XENOFONTE DESCREVE 0 HEROÍSMO DAS
19 “Por isso, se for do agrado do rei,1que ele emita um decreto1.19 € c 8.4;
TROPAS GREGAS DEPOIS DA DERROTA DE ClRO, 0 “Et 8.8; Dn 6.8,12
JOVEM, EM CüNAXA.
real e que seja incluído na lei irrevogável11da Pérsia e da Média,
Xenofonte, Andbase, 1.10, traduzido para o inglês por determinando que Vasti nunca mais compareça na presença
Duane Garrett
a 1 .1 Hebraico: Assuero, variante do nome persa Xerxes.
Ver o artigo “História persa antiga até Dario", em Et 1.
b 1 .1 Hebraico: Cuxe.

1.1 Xerxes governou o Império Persa de 48 6 a 4 65 a.C. (ver “História dos homens que ele tentava convencer a ir à guerra a favor do império.
persa antiga de Xerxes em diante”, em E t 1; e “Xerxes, Vasti e Ester”, em E provável que a visão da rainha pretendesse inspirar patriotismo, embora
Et 7). Ele é mais conhecido por sua invasão fracassada à Grécia. o estado embriagado de Xerxes também tivesse essa função. O historia­
1.2 Susã (ver “Susã”, em Et 9), localizada no Elão (sudoeste do Irã), era dor grego Heródoto afirma que os persas bebiam enquanto deliberavam
a capital de inverno da Pérsia. As outras três capitais eram Ecbatana (Ed sobre assuntos de Estado (cf. 3.15), crendo que a embriaguês os deixava
6.2), Babilônia e Persépolis. Susã aparece numa das visões de Daniel (Dn mais próximos do mundo espiritual.
8.2) e Neemias trabalhou nesta cidade (Ne 1.1). 1.13,14 Esdras 7.1 4 e o historiador grego Heródoto informam que sete
1.10-12 A bela Vasti era o troféu do poder e da glória de Xerxes. homens serviam como conselheiros imediatos do rei (ver “Conselheiros
Evidentemente, ele esperava uma entrada dramática da rainha diante e concubinas: a vida no antigo palácio real”, em Et 2).
História persa antiga até Dario
ESTER 1 A Pérsia (o moderno Irã) é citada
pela primeira vez em documentos assírios1
do século IX a.C. 0 Império Persa alcançou seu
apogeu sob a liderança dos reis aquem êni-
das, nos séculos VI a V a.C. Os acontecimentos
dos últimos livros da Bíblia hebraica (Esdras,
Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias)
aconteceram na época do domínio persa.2
Não sabemos quase nada sobre os pri­
meiros persas, exceto que, com os medos,
eram um povo indo-europeu proveniente do
norte que entrou na Mesopotâmia pelo leste
por volta de 1000 a.C. Durante o século VII
a.C., os medos tornaram-se um poder unifi­
cado, governando os persas. Finalmente, em
612 a.C., numa aliança com os caldeus,3 os
medos capturaram Nínive e acabaram com o
Império Assírio.4 Por fim, com a ascensão do
rei hoje conhecido como Ciro, o Grande (ca.
559-530 a.C.),5 os persas se tornaram os par­ Arqueiros persas do reinado de Dario I
ceiros dominantes na aliança com os medos. Preserving Bible Times; © dr. James C Martin; usado com permissão do Museu do Louvre

Ciro começou a expandir o poder dos per­ dote chamado Gaumata, alegou falsamente nizou seu vasto reino em 20 distritos admi­
sas. Rumando para o Ocidente, derrotou Cre- que Bardiya, irmão de Cambises, havia to­ nistrativos ou satrapias, que permitiam certa
so, rei de Sardes, na Ásia M enor, porém sua mado o poder enquanto Cambises estava no autonomia aos povos ali estabelecidos.
campanha mais importante foi contra o rei Egito. Cambises morreu no caminho de volta A Judeia fazia parte da satrapia chamada
babilônio Nabonido.6 Ele derrotou o exér­ para a Pérsia, e Dario, assumindo o controle Além do Rio (ver Ed 4.10; Ne 2.7). De acordo
cito babilônio em Ópis e, em 12 de outubro de algumas das tropas que estavam retor­ com Esdras 6, Dario confirmou o decreto de
de 539 a.C., a Babilônia caiu sem contestação nando, continuou até a Pérsia. Com a ajuda Ciro, permitindo que os judeus reconstruís­
(Heródoto, História, 1.189-191 ).7 Depois de de outros seis homens importantes, matou sem o templo de Jerusalém, até mesmo as­
assegurar a proteção de seu império, Ciro Gaumata. Os seis homens proclamaram sumindo as despesas da obra. Não devemos
procurou estabelecer-se como governante Dario o novo rei. Embora não pertencesse à
supor, entretanto, que Dario fosse um devoto
benevolente. Protegeu os templos existen­ linhagem real, Dario era membro de outra
do Deus de Israel. Para ele, a religião era uma
tes da pilhagem e reconstruiu outros. Como família aquemênida.9
ferramenta política e uma forma de obter o
parte de sua política, emitiu um decreto em A ascensão de Dario ao poder é matéria
apoio dos povos conquistados.
539 a.C. autorizando o retorno dos judeus de debate entre os historiadores. Alguns di­
Dario superestimou seu poder quando
exilados e a reconstrução do templo de Je­ zem que ele não foi mais que um usurpador,
rusalém (2Cr 36.22,23; Ed 1.1-4; Is 44.28).* invadiu a Grécia.11 As cidades-Estado gregas
que matou o legítimo herdeiro. Outros con­
Ciro morreu durante uma campanha militar na costa oeste da Ásia Menor (Turquia) esti­
sideram a história convincente. De qualquer
na Ásia Central e foi sucedido por seu filho modo, Dario provou ser um administra­ veram sob o controle persa, mas começaram
Cambises (530-522 a.C.). dor hábil e capaz. Estabeleceu um novo sistema a resistir à autoridade persa com a ajuda da
Cambises conquistou territórios distan­ legal, introduziu o sistema monetário e cons­ cidade de Atenas. Dario concluiu que deveria
tes, como o Egito, porém morreu sem deixar truiu palácios imperiais em Susã (ver mapa subjugar a Grécia continental e, então, mar­
herdeiro, em 522 a.C. Foi sucedido por Dario 8a), Persépolis e Babilônia.10 Ainda no início chou para lá com um grande exército, em
I Histaspes (522-486 a.C.; Ed 4.24; Ag 1.1; Zc de seu reinado, sufocou rebeliões por todo o 490 a.C., mas suas tropas foram derrotadas
1.1). De acordo com o registro oficial de Dario império, ao mesmo tempo em que estendeu na batalha de Maratona. Dario morreu em
(registrado numa inscrição sobre a face de suas fronteiras para o Oriente até o rio Indo e 486 a.C. e foi sucedido por seu filho Xerxes
um despenhadeiro em Beistum), um sacer­ para o Ocidente até o mar Egeu. Dario orga- (ca. 485-465 a.C.).
'Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito. 2Ver "0 período pós-exílico do Antigo Testamento: o período persa", em Ne 7. 3Ver "Os caldeus",
em Dn 9. <Ver "Nínive", em Na 1. sVer "Ciro, o Grande", em Ed 1. 6Ver "0 cilindro de Nabonido de Sipar", em 2Cr 36. 'Ver "Heródoto e a queda da Babilônia",
em Jr 50. 8Ver "0 cilindro de Ciro", em Ed 6. 9Ver "Dario I", em Ed 5. ™Para mais informações sobre essas cidades, ver "Susã", em Et 9; "Persépolis", em Dn 10;
"Babilônia", em Is 13. n Ver "Grécia: das cidades-Estado independentes até Alexandre, o Grande", em At 20.
718 ESTER 1.20

do rei Xerxes. Também dê o rei a sua posição de rainha a outra que seja melhor do que ela.20 Assim,
quando o decreto real for proclamado em todo o seu imenso domínio, todas as mulheres respeitarão
seus maridos, do mais rico ao mais pobre”.
210 rei e seus nobres aceitaram de bom grado o conselho, de modo que o rei pôs em prática
a proposta de Memucã.22 Para isso, enviou cartas a todas as partes do reino, a cada província e a cada 1.22 «Ne 13.24;
povo, em sua própria escrita e em sua própria língua,”proclamando que todo homem deveria mandar uni 2.1 2 '
em sua própria casa.

História persa antiga de Xerxes em diante


ESTER 1 Xerxes, chamado Assuero em al­ detalhes do livro sugerem que 0autor estava contada na famosa obra Anábase, do histo­
gumas traduções, é 0 rei persa no núcleo bem familiarizado com a vida na corte persa. riador grego Xenofonte.)
do livro de Ester. Sua primeira preocupação Xerxes foi sucedido por seu filho Arta­ Artaxerxes II foi sucedido por Artaxerxes
após assumir 0trono foi as rebeliões no Egito xerxes I (ca. 464-424 a.C.).2 A guerra contra a III (ca. 358-338), que se manteve no trono
e na Babilônia, mas depois disso ele voltou Grécia ainda não havia terminado, apenas se à custa de uma campanha de carnificina e
sua atenção para a Grécia. Planejando uma deslocara da Grécia continental para 0 leste terror. Em resposta às rebeliões nas provín­
nova invasão, reuniu 0 que talvez tenha sido do Mediterrâneo. Logo depois de assumir 0 cias ocidentais, destruiu a cidade fenícia4
0 maior exército da história antiga e, com trono, Artaxerxes precisou enfrentar uma de Sidom e promoveu uma guerra brutal no
os recursos fornecidos pelas suas cidades- grande rebelião por parte dos egípcios, cuja Egito. Ele próprio foi substituído por Dario
-Estado do Mediterrâneo, construiu uma causa recebia apoio militar dos atenienses. III, que teve a má sorte de precisar defender
formidável força naval. Intentando subjugar A guerra foi sangrenta e demorada, esten- seu império contra 0 exército grego, liderado
os gregos pela vantagem numérica, iniciou dendo-se de 460 a 450 a.C., mas por fim os por um dos mais hábeis generais da história
a invasão. persas conseguiram esmagar a rebelião e antiga: Alexandre, 0 Grande. Após sucessivas
A campanha revelou-se um desastre. expulsar os gregos. Exaustos, gregos e persas batalhas, Alexandre derrotou os exércitos
Os persas organizaram-se para abater um decidiram estabelecer um tratado de paz persas e determinou 0fim do Império Persa.
pequeno contingente de espartanos que (a Paz de Cálias). Foi durante 0 reinado de
defendia 0 desfiladeiro das Termópilas e só Artaxerxes que Esdras e Neemias realizaram
0 conseguiram após sofrer pesadas baixas e seu trabalho em Jerusalém — 0 primeiro
deixar aos gregos um legado de heróis caídos chegou no sétimo ano de Artaxerxes, e 0
em batalha, aos quais se reuniriam. Xerxes segundo, no vigésimo ano desse rei.3
continuou avançando e tomou a maior par­ Nos anos que se seguiram, a sucessão
te do território grego, mas sua esquadra foi dinástica quase sempre envolvia conflitos
esmagada por uma frota grega bem menor na entre pretendentes rivais ao trono da Pérsia.
baía de Salamina, perto de Atenas, em 480 a.C. Dario II reinou de 423 a 404 e passou boa
0 exército persa foi expulso da Grécia depois parte desse tempo sufocando revoltas. Ele foi
de ser definitivamente derrotado em Platéia, sucedido por Artaxerxes II (ca. 404-358), que
em 479 a.C. iniciou seu reinado com uma guerra civil con­
A história de Ester abrange boa parte do tra Ciro, 0 Jovem. Ciro foi morto na batalha
reinado de Xerxes.1 Ainda que os detalhes de Cunaxa (401 a.C.), e os 10 mil mercenários
de Ester não sejam confirmados por fontes gregos que ele havia contratado tiveram de
externas, 0 relato bíblico combina com a lutar por todo 0 caminho de volta para casa
cronologia do tempo de Xerxes, e muitos através do território persa. (Essa história é

'Ver "Xerxes, Vasti e Ester", em Et 7. 2Ver "Artaxerxes 1, 0 rei da Pérsia", em Ed 7. 3Ver "Cronologia de Esdras e Neemias", em Ne 2. 4Ver Glossário na p. 2080 para as
definições das palavras em negrito.
ESTER 2.22 719

A Coroação da Rainha Ester


2.1 "Et 1.19,20;
7.10 2 Algum tempo depois, quando cessou a indignação do rei Xerxes,wele se lembrou de Vasti, do
que ela havia feito e do que ele tinha decretado contra ela.2 Então os conselheiros do rei sugeri­
ram que se procurassem belas virgens para o rei3 e que se nomeassem comissários em cada provín­
cia do império para trazerem todas essas lindas moças ao harém da cidadela de Susã. Elas estariam
sob os cuidados de Hegai, oficial responsável pelo harém, e deveriam receber tratamento de beleza.
4 A moça que mais agradasse o rei seria rainha em lugar de Vasti. Esse conselho agradou o rei,
e ele o pôs em execução.
2.5 >1Sm 9.1; 5 Nesse tempo vivia na cidadela de Susã um judeu chamado Mardoqueu, da tribo de Benjamim,
Et 3.2 filho de Jair, neto de Simei e bisneto de Quis.x 6 Ele fora levado de Jerusalém para o exílio por Nabu­
2.6 »2Rs 24.6,15;
2Cr 36.10,20; codonosor, rei da Babilônia, entre os que foram levados prisioneiros com Joaquim'1,'' rei de Judá.2
zDn 1.1-5; 5.13
2.7 =Gn 41.45; 7 Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem
»Gn 39.6 mãe. Essa moça, também conhecida como Ester,3 era atraentebe muito bonita, e Mardoqueu a havia
tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram.
2 .8 1*. 3,15; 8 Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazidas à cidadela
Ne 1.1; Et 1.2; de Susãc e colocadas sob os cuidados de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada
Dn 8.2
2.9 "Gn 39.21; a Hegai, encarregado do harém.9 A moça o agradou e ele a favoreceu.dEle logo lhe providenciou trata­
•v. 3,12; Gn 37.3;
1Sm 9.22-24;
mento de beleza e comida especial.e Designou-lhe sete moças escolhidas do palácio do rei e transferiu-
2Rs 25.30; -a, junto com suas jovens, para o melhor lugar do harém.
Ez 16.9-13; Dn 1.5
2.10 V. 20 10 Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu
a havia proibido de fazê-lo.f 11 Diariamente ele caminhava de um lado para outro perto do pátio do
harém para saber como Ester estava e o que lhe estava acontecendo.
2.12 !Pv 27.9; 12 Antes de qualquer daquelas moças apresentar-se ao rei Xerxes, devia completar doze meses
Ct 1.3; Is 3.24
de tratamento de beleza prescritos para as mulheres: seis meses com óleo de mirra e seis meses com
perfumess e cosméticos.13 Quando ia apresentar-se ao rei, a moça recebia tudo o que quisesse levar
2.14 n1Rs 11.3; consigo do harém para o palácio do rei.14A tarde ela ia para lá e de manhã voltava para outra parte do
Ct 6.8; Dn 5.2; harém, que ficava sob os cuidados de Saasgaz, oficial responsável pelas concubinas.hEla não voltava
Et 4.11
ao rei, a menos que dela ele se agradasse e a mandasse chamar pelo nome.'
2.15 JEt 9.29; 15 Quando chegou a vez de Ester, filha de Abiaíl, i>ktio de Mardoqueu, que a tinha adotado como
►SI 45.14; 'Gn 18.3; filha, ela não pediu nada além daquilo que Hegai, oficial responsável pelo harém, sugeriu. Ester cau­
30.27; Et 5.8
sava boa impressão1a todos os que a viam.16 Ela foi levada ao rei Xerxes, à residência real, no décimo
mês, o mês de tebete*”, no sétimo ano do seu reinado.
2.17 mEt 1.11; 17 O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou
Ez 16.9-13 sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens. Então ele colocou nela uma coroa real e
2.18 n1Rs 3.15; tornou-a rainhamem lugar de Vasti.18 O rei deu um grande banquete," o banquete de Ester, para
Et 1.3; «Gn 40.20; todos os seus nobres e oficiais.0 Proclamou feriado em todas as províncias e distribuiu presentes por
PEt 1,7
sua generosidade real.P

Mardoqueu Descobre uma Conspiração


2.19 iv. 21; 19 Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do
Et 3.2; 4.2; 5.13
2.20^.10 palácio real.(i20 Ester havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme
a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava
sob sua tutela/
2.21 sGn 40.2; 21 Um dia, quando Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real, Bigtã e Teres, dois dos
Et 6.2; € t 1.12;
3.5; 5.9; 7.7 oficiaiss do rei que guardavam a entrada, estavam indignados* e conspiravam para assassinar o rei
Xerxes.22 Mardoqueu, porém, descobriu o plano e o contou à rainha Ester, que, por sua vez, passou a
0 2.6 Hebraico: Jeconias, variante de Joaquim .
b 2.16 Aproximadamente dezembro/janeiro.

2 .1 As guerras contra os gregos antecederam a procura da nova rainha. 2.12 Ver “Perfumes e óleos de unçáo”, em Jo 12.
2 .5 A presença de uma grande população judaica na Medo-Pérsia foi 2.21-23 Heródoto faz referência a um oficial que aparece na lista dos
confirmada pela descoberta de um conjunto de textos em Nipur (sul da “benfeitores” do rei, registrada nos arquivos persas. Atos de lealdade
Mesopotâmia) datados do período de Artaxerxes I (4 6 5 -4 2 4 a.C.) e eram geralmente recompensados imediatamente e de forma generosa
de Dario II (424-405 a.C.). Esses arquivos contêm os nomes de cerca de pelos reis persas, mas a recompensa de Mardoqueu foi, em princípio,
cem judeus que viviam naquela cidade, alguns dos quais haviam desconsiderada, embora sua boa ação não tenha passado despercebida.
alcançado elevada posição social e riqueza. E provável que houvesse ou­
tras populações judaicas semelhantes em outras cidades medo-persas.
720 ESTER 2.23

Conselheiros e concubinas: a vida no antigo palácio real


ESTER 2 Compreender a natureza da vida rei considerar ou não seu conselho confiável Entre as concubinas do período persa
palaciana no mundo antigo é uma tarefa (ver 2Sm 15.32— 17.14). Os oficiais do rei havia mulheres estrangeiras — filhas de
complicada, uma vez que o que se aplica a Xerxes aconselharam-no a destituir Vasti de outros reis com os quais foram feitas alian­
determinado período e lugar pode não ser sua posição de rainha e substituí-la por outra, ças. 0 fato de elas terem servas indica que
a realidade de outro. Nem todas as cortes a fim de que as outras mulheres do império, não eram de posição social inferior, embora
antigas, por exemplo, seguiam as mesmas sabendo da atitude da rainha, não tratassem seus direitos dentro da família real estives­
regras. Entretanto, com base nos vários os maridos com desprezo e o próprio rei se sem restritos ao de esposas secundárias.
exemplos do mundo bíblico, é possível deli­ tornasse objeto de zombaria (Et 1.13ss). Em alguns contextos, o acesso às concubinas
near algumas tendências gerais da vida nos do palácio eqüivalia ao direito da realeza
palácios do antigo Oriente M édio. Esposas e concubinas reais (cf. 2Sm 3.7; 16.21,22; 1Rs2.22ss), de modo que
0 rei dormia num quarto separado das o harém era protegido por eunucos ou por
Conselheiros e altos oficiais mulheres. Em M ari, a rainha também tinha outros oficiais. 0 acesso das concubinas ao
Por serem consultores do rei, os con­ um aposento separado das concubinas e das rei era limitado (Et 2.14; 4.11), mas isso não
selheiros e cortesãos acontecia por causa de
eram tidos em alta esti­ seu status. Na verda­
ma. Os conselhos deles de, nenhuma pessoa,
influenciavam o rei e qualquer que fosse sua
a corte de muitas ma­ posição social, podia se
neiras, e sua influência aproximar de um rei
tanto podia ser negati­ persa sem ter sido con­
va (2Cr 22.3ss) quanto vocada (4.11). Entre­
positiva (e.g., Baruque tanto, nem mesmo os
usou sua influência oficiais podiam ficar a
para permitir a leitura sós com uma mulher
das profecias de Jere­ real (e.g., Mardoqueu
mias não apenas ao enviou a informação
povo, mas também aos sobre a conspiração de
seus colegas oficiais; Hamã a Ester por meio
2Cr 22.3ss). Esperava- do eunuco Hatá; 4.5-9).
-se dos altos oficiais Na corte assíria, a pe­
que fossem "sábios", nalidade para um cor­
mas no antigo Oriente tesão que tentasse um
Médio a sabedoria encontro particular
envolvia não apenas a com uma mulher real
Cena de caça num palácio assírio da cidade de Corsabade era a morte.
educação ou o bom julga­
Preserving Bible Times; © dr. James C. M artin; usado com permissão do Museu Britânico
mento, mas também a ha­ As mulheres do rei
bilidade de interpretar presságios e a prática outras mulheres. Os conceitos de "harém" podiam usar sua influência para interceder
da adivinhação (como nos exemplos de José e de "concubinas" têm conotações deprecia­ junto a ele, especialmente a favor de mem­
e Daniel, que possuíam habilidade para inter­ tivas nos tempos modernos, mas não era o bros da família. Dessa forma, Ester estava
pretar sonhos e resolver enigmas).1 caso no antigo Oriente Médio. 0 harém refe­ autorizada a revelar a conspiração contra o
0 principal dever do conselheiro real era ria-se simplesmente às mulheres palacianas rei, descoberta por Mardoqueu (2.21-23),
fornecer ao rei conselhos que lhe permitissem (incluindo concubinas e escravas) ou à área e também a interceder a favor de seu povo
manter o poder e o prestígio. Desse modo, em que viviam. A mulher real persa não ape­ quando Hamã tentou destruí-lo (7.1ss).
um conselheiro sábio podia criar ou destruir nas oferecia banquetes (5.8); mas também Além de supervisionar os assuntos da família
um rei, e o prestígio de um conselheiro acompanhava o rei em caçadas e até mesmo e vigiar o harém, a rainha também possuía
(e às vezes sua vida!) dependia do fato de o em campanhas militares. propriedades e cuidava de tarefas menores.

'Ver "Adivinhação na Acádia", em Dt 18; e "Oráculos sobre sonhos no mundo antigo", em Jó 4.


EST ER 4.2 721

2.23 "Gn 40.19; informação ao rei, em nome de Mardoqueu.23 Depois de investigada a informação e descobrindo-se
Pv 26.27; >Et 6.1; que era verdadeira, os dois oficiais foram enforcados0.uTudo isso foi escrito nos registros históricos,v
102 na presença do rei.

O Plano de Hamã para Exterminar os Judeus

3
3.1 «v. 10; Depois desses acontecimentos, o rei Xerxes honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de
êx 17.8-16;
Nm 24.7; Agague,™ promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais
Dt 25.17-19;
1Sm 14.48; Et nobres.2 Todos os oficiais do palácio real curvavam-se e prostravam-se diante de Hamã, conforme
5.11
as ordens do rei. Mardoqueu, porém, não se curvava nem se prostrava diante dele.
3.3 «Et 5.9; 3 Então os oficiais do palácio real perguntaram a Mardoqueu: “Por que você desobedece à ordem
Dn 3.12
3.4 »Gn 39.10 do rei?”x 4 Dia após dia eles lhe falavam, mas ele não lhes dava atenção e dizia que era judeu.y Então
contaram tudo a Hamã para ver se o comportamento de Mardoqueu seria tolerado.
3.5 í t 2.21; 5,9 5 Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado.26 Contudo,
3.6 *Pv 16.25;
•SI 74.8; 83.4; sabendo quem era o povo de Mardoqueu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou
cEt 9.24
uma forma3 de exterminai* todos os judeus,c o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes.
3.7 «Et 9.24,26; 7 No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o
«Lv 16.8;
1Sm10.21;i».13; pur,disto é, a sorte,e na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano.
Ed 6.15; Et 9.19
E foi sorteado o décimo segundo mês, o mês de adar6.*
3.8 »At 16.20,21; 8 Então Hamã disse ao rei Xerxes: “Existe certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas
hJr 29.7; Dn 6,13;
'Ed 4.15 as províncias do teu império, cujos costumesfl são diferentes dos de todos os outros povos e que não
obedecemh às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los.'9 Se for do agrado do rei, que se decrete a
destruição deles, e eu colocarei trezentas e cinqüenta toneladasc de prata na tesouraria real à disposi­
ção para que se execute esse trabalho”.)
3.10 kGn 41.42; 10 Em vista disso, o rei tirou seu anel-selokdo dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de
Et 7.6; 8.2
Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse:11 “Fique com a prata e faça com o povo o que você
achar melhor”.
3 .12'Ne 13.24; 12 Assim, no décimo terceiro dia do primeiro mês, os secretários do rei foram convocados. Hamã
"Gn 38.18;
1Rs 21.8; ordenou que escrevessem cartas na língua1e na escrita de cada povo aos sátrapas do rei, aos gover­
Et 8.8-10
nadores das várias províncias e aos chefes de cada povo. Tudo foi escrito em nome do rei Xerxes e
3.13 »1Sm 15.3; seladomcom o seu anel.13As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império
Ed 4.6; Et 8.10-14;
°v. 7; PEt 8.11; com a ordem de exterminar e aniquilar completamente todos os judeus,njovens e idosos, mulheres e
9.10
crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar,0 e de saquearP
os seus bens.14 Uma cópia do decreto deveria ser publicada como lei em cada província e levada ao
conhecimento do povo de cada nação, a fim de que estivessem prontos para aquele àiafi
3.15 € t 8.14; 15 Por ordem do rei, os mensageiros saíram às pressas, e o decreto foi publicado na cidadela de
■Et 1.10; « 8 .1 5
Susã.r O rei e Hamã assentaram-se para beber,s mas a cidade de Susã estava em confusão.*

O Pedido de Mardoqueu a Ester


4.1 uNm 14.6; Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes,uvestiu-se de pano
>2Sm 13.19;
Ez 27.30,31; Jn
3.5,6; »Êx 11.6;
SI 30.11
4 de saco, cobriu-se de cinza,v e saiu pela cidade, chorandowamargamente em alta voz.2 Foi até a
porta do palácio real,xmas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permissão de entrar.
4.2 >Et 2.19

a 2 . 2 3 Ou p en du rados em p ostes; ou ainda em palados.


b 3 . 7 Aproximadamente fevereiro/março; também no versículo 13.
f 3 . 9 Hebraico: 10.000 talentos. Um talento eqüivalia a 35 quilos.

2.23Entre os persas, a empalaçáo era comum como forma de execuçáo, do destino (cf. Pv 16.33; At 1.26). Hamã lançou a sorte (essencialmen­
como se vê nos quadros e estátuas do antigo Oriente Médio e nos co­ te, rolou os dados) para determinar a data da morte dos judeus. Deus,
mentários do historiador grego Heródoto (3.125,129; 4.43). Segundo porém, determinou a forma em que os dados cairiam (ver “Lançando
Heródoto (3.159), Dario I empalou 3 mil babilônios quando conquis­ sortes”, em Jó 6). Há certa ironia no fato de o mês em que os judeus
tou a cidade da Babilônia, ato que o próprio Dario registrou na inscrição celebram a Páscoa, quando foram libertos do Egito, ser também o mês
de Beistrm. Na prática israelita e cananeia, o enforcamento era a exibi­ em que Hamã começou a tramar sua destruição (Êx 12.1-11).
ção do cadáver, não o modo de execução (D t 2 1.22,23; Js 8.29; 10.26; 3.9 Heródoto (3.95) registra que a renda anual do Império Persa era de
ÍSm 31.8-10; 2Sm 4.12; 21.9,10). A execução de um oficial da corte 525 toneladas de prata. Se for correta essa cifra, o que Hamã oferece é
dois terços desse montante — uma soma enorme. Presumivelmente, esse
na narrativa de José parece também ter sido por empalaçáo (Gn 40.19).
dinheiro seria tirado das riquezas defraudadas às vítimas do decreto.
Os filhos de Hamã foram mortos à espada, e depois os cadáveres foram
A expressão “para que se execute esse trabalho”, ou “para quem o execu­
exibidos dessa maneira (Et 9.5-14).
ta”, pode representar a renda dos oficiais da coletoria que iriam recolher
3.7 A palavra p u r acha-se em textos acádios, e a celebração chamada o dinheiro ao tesouro ou dos oficiais que executariam o decreto.
Purim recebeu seu nome do plural desse substantivo (v. 9.23-32), com o
significado de “sorte” (como aqui). Ela introduz na história o elemento
3.10 Ver “Anéis de sinete”, em Et 8.
ML M M
A C R E D I B I L I D A D E DA

MARDOQUEU
E MARDUKA
ESTER 3 0 livro de Ester é singular no AT em vários sentidos: não te foi, primeiramente, parte de uma coleção que pertenceu a um lor­
há menção explícita ao nome de Deus na história, a personagem de inglês, Amherst de Hackney. Com sua morte, a coleção foi vendida
principal á uma mulher e o cenário é ambientado na corte real da ao Museu Vorderasiatische, de Berlim. 0 assiriólogo alemão Arthur
Pérsia.1 Como acontece com outros relatos bíblicos, os arqueólogos Ungnad foi o primeiro a notar a referência a Marduka e sugeriu sua
têm questionado a historicidade da história e de suas principais possível conexão com o Mardoqueu bíblico num breve artigo publi­
personagens. A figura de Mardoqueu tem sido alvo de um questio­ cado em 1941.0 texto completo do tablete foi publicado em 1960.
namento especial: é plausível que um judeu conseguisse tanto pres­ 0 mínimo que se pode dizer é que ele confirma a existência de
tígio no governo persa? 0 nome Mardoqueu refere-se a uma pessoa um oficial real persa chamado Marduka/Mardoqueu e, em princí­
real que viveu nesse período e aparece nos documentos aramaicos pio, concorda com o perfil do bíblico Mardoqueu, que é retratado
como Mrdk e nos tabletes cuneiformes como Mar-du-uk-ka ou como um oficial do rei que "estava sentado junto à porta do palácio
Mar-duk-ka. real" (Et 2.19; 5.13; 6.10)! e que mais tarde foi investido de autori­
A historicidade de Mardoqueu recebe sua possível confirmação dade administrativa (8.2). A natureza fragmentária da evidência e
num texto em escrita cuneiforme datado dos últimos anos de Dario I2 ou o fato de esse nome ser comum, porém, fazem que a identificação
do início do reinado de Xerxes 1.0 tablete menciona um certo oficial de Marduka com o Mardoqueu bíblico seja matéria de discussão.4
ou escriba governamental chamado Marduka no contexto de uma
lista de pagamentos feitos a oficiais persas e seus assessores. 0 table-

'Ver "História persa antiga de Xerxes em diante” , em Et 1. 2Ver "Dario I", em Ed 5. 3Ver "A porta do Rei", em Et 4. *Ver "Seria Ester uma ficção religiosa?", em Et 5.

3 Em cada província onde chegou o decreto com a ordem do rei, houve grande pranto entre os
judeus, com jejum, choro e lamento. Muitos se deitavam em pano de saco e em cinza.
4 Quando as criadas de Ester e os oficiais responsáveis pelo harém lhe contaram o que se passava com
Mardoqueu, ela ficou muito aflita e mandou-lhe roupas para que as vestisse e tirasse o pano de saco; mas
ele não quis aceitá-las.5 Então Ester convocou Hatá, um dos oficiais do rei, nomeado para ajudá-la, e
deu-lhe ordens para descobrir o que estava perturbando Mardoqueu e por que ele estava agindo assim.
6 Hatá foi falar com Mardoqueu na praça da cidade, em frente da porta do palácio real.
7 Mardoqueu contou-lhe tudo o que lhe tinha acontecido e quanta prata Hamã tinha prometido de- 4.7 >Et 3.9; 7.4
positar na tesouraria real para a destruição dos judeus.v8 Deu-lhe também uma cópia do decreto que
falava do extermínio e que tinha sido anunciado em Susã, para que ele o mostrasse a Ester e insistisse
com ela para que fosse à presença do rei implorar misericórdia e interceder em favor do seu povo.
9 Hatá retornou e relatou a Ester tudo o que Mardoqueu lhe tinha dito.10 Então ela o instruiu que
dissesse o seguinte a Mardoqueu:11 “Todos os oficiais do rei e o povo das províncias do império sabem 4.11 >Et 2.14;
BDn 2.9; “Et 5.1,2;
que existe somente uma leizpara qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei no pátio interno 8.4
sem por ele ser chamado:3 será morto, a não ser que o rei estenda o cetro de ourobpara a pessoa e lhe
poupe a vida. E eu não sou chamada à presença do rei há mais de trinta dias”.
12 Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester,13 mandou dizer-lhe: “Não pense que pelo fato
de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará,14pois, se você ficar cáadac 4,14 cEc 3.7;
Is 62.1; Am 5.13;
nesta hora, socorrode livramento*5surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família do seu pai «Et 9.16,22;
eGn 45.7; Dt 28.29;
morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este* que você chegou à posição de rainha?” tGn 50.20
15 Então Ester mandou esta resposta a Mardoqueu:16 “Vá reunir todos os judeus que estão em4.16 92Cr 20.3;
Et 9.31; “Gn 43.14
Susã, e jejuems em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas
ESTER 5.10

criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que
morrer, morrerei”.h
17 Mardoqueu retirou-se e cumpriu todas as instruções de Ester.

O Pedido de Ester ao Rei


Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha' e colocou-se no pátio interno do palácio, em
5.1 € t 4.16;
Ez 16.13; iPv 21.1
5.2 « 4 .1 1 ; 8.4;
PV21.1
5 frente do salão do rei.i O rei estava no trono, de frente para a entrada. 2 Quando viu a rainha
Ester ali no pátio, teve misericórdia dela e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão. Ester
aproximou-se e tocou a ponta do cetro.k
5.3 Et 7.2; 3 E o rei lhe perguntou: “Que há, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Mesmo que seja a metade do
Dn 5.16; Mc 6.23
reino,1será dado a você”.
4 Respondeu Ester: “Se for do agrado do rei, venha com Hamã a um banquete que lhe preparei”.
5 Disse o rei: “Tragam Hamã imediatamente, para que ele atenda ao pedido de Ester”.
5.6 "Et 1.10; Então o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado.6 Enquanto bebiam vinho,mo
nMc 6.23; «Et 7.2;
9.12 rei tornou a perguntar a Ester: “Qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? Mesmo
que seja a metade do reino,nserá concedido a você”.0
5.8 PEt 2.15; 7.3;
8.5; H Rs 3.15; 7 E Ester respondeu: “Este é o meu pedido e o meu desejo:8 Se o rei tem consideração por mimP e
Et 6.14 se lhe agrada atender e conceder o meu pedido, que o rei e Hamã venham amanhã ao banquete^ que
lhes prepararei. Então responderei à pergunta do rei”.

A Ira de Hamã contra Mardoqueu


5 .9 'Et 2.21;
Pv 14.17; € t 3.3,5 9 Naquele dia, Hamã saiu alegre e contente. Mas ficou furiosor quando viu que Mardoqueu,s que
estava junto à porta do palácio real, não se levantou nem mostrou respeito em sua presença.10 Hamã,
porém, controlou-se e foi para casa.

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

A P O R T A D O REI
ESTER 4 Susã (ver mapa 8a), a cidade Xerxes comemora a construção da
na qual ficava o palácio de verão dos portaria por seu predecessor, Dario, e
reis persas, é o cenário do livro de Ester. honra o deus persa Ahura Mazda.2 Uma
Uma pesquisa arqueológica conduzi­ monumental estátua de Dario estava
da durante a década de 1970 por um posicionada na extremidade ocidental
grupo francês descobriu alguns locais da porta.3 0 historiador Heródoto men­
mencionados no livro.1 Um achado ciona os queixosos diante da porta do
particularmente interessante foi a rei persa (História, 3.117), e é possível
portaria mencionada em Ester 2.19-21, que o regulamento mencionado em
3.2,3,4.2 e em outras passagens. Essa 4.2 — de que ninguém poderia entrar
portaria localizada cerca de 80 metros pela porta vestido de pano de saco —
a leste do palácio, era uma estrutura tivesse a intenção de demonstrar que
imponente, medindo quase 40 me­ os solicitantes poderiam chegar até ali,
tros de um lado a outro, ladeada por mas não tinham permissão para passar
pesadas colunas. 0 pavimento central daquele ponto.
tinha uma área de 21 metros quadra­
dos. Uma inscrição trilíngue do próprio

1Ver "Susã", em Et 9. 2Ver "Xerxes, Vasti e Ester", em Et 7. 3Ver "Dario I", em Ed 5. Restauração das portas do palácio de Salmaneser III da Assíria,
ilustrando a grandiosidade de uma portaria antiga
Preserving Bible Times; © dr. James C. M artin; usado com permissão do Museu Britânico
A C R E D I B I L I D A D E DA

B / L IA
SERIA ESTER v

UMA FI C ÇÃO R E L I G I O S A ?
ESTER 5 0 livro de Ester é considerado pela maioria dos eruditos de (em Ester) significam a mesma coisa, mas essa semelhança não está
hoje um livro não histórico ainda que a história em si seja contada confirmada. 0 número de províncias em Ester pode se referir a subdi­
de forma sincera e nada indique que seja ficcional. Contudo, apesar visões menores.
dos milagres e outras ocorrências "impossíveis" estarem ausentes, ♦ A ideia de que um decreto era irrevogável não é documentada
os estudiosos estão preocupados com aparentes exageros ou prová­ fora da Bíblia, mas pode ser mais bem compreendida como um as­
veis inexatidões: sunto de etiqueta real ou de tradição, não como uma lei formal.
♦ A respeito da duração do tempo necessário para planejar um mas­
♦ A duração dos cento e oitenta dias de uma festa (1.1-4) parece sacre, duas coisas se destacam. Primeira: esse assunto exigiria tempo
excessiva. e planejamento, em razão do tamanho e da composição do império.
♦ Seis meses de tratamento com óleo e seis meses adicionais de Segunda: é absolutamente verossímil que um homem do mundo an­
embelezamento com especiarias (2.12) parecem exagerados.1 tigo lançasse a sorte a fim de determinar o dia em que iria pôr em
♦ 0 livro declara que havia 127 províncias persas (1.1), enquanto o prática um plano como esse arquitetado por Hamã.3
historiador Heródoto menciona apenas 20. ♦ 0 texto não declara que Hamã era descendente do Agague de
♦ A ideia de que um decreto persa era irrevogável (1.19; 8.9) é con­ ISamuel 15. Na verdade, o significado de "agaguita", em Ester é
siderada duvidosa— ver, porém, Daniel 6. desconhecido.
♦ Planejar o massacre dos judeus com um ano de antecedência ♦ É possível que a rainha a quem Heródoto chama Amestris fosse,
(Et 3.8-15) parece improvável para os estudiosos. de fato, Ester, já que os dois nomes parecem estar linguisticamente
♦ Parece coincidência demais que Hamã fosse descendente de Aga- relacionados (embora alguns estudiosos acreditem que Amestris seja
gue, o amalequita, o inimigo de Israel que custou a coroa de Saul (3.1; o equivalente a Vasti).
ver ISm 15). ♦ Há notáveis semelhanças entre as declarações do livro sobre a
♦ Diferentemente do relato bíblico, Heródoto identifica Amestris,2 Pérsia do século V e o que sabemos daquela região e daquela socieda­
não Vasti, como a rainha de Xerxes. de por meio da arqueologia.4 Pode-se notar que o autor possuía mais
♦ Embora o nome de Mardoqueu e de Parsandata, filho de Hamã que conhecimento superficial da vida persa daquele período, a julgar
(Et 9.7), sejam atestados em outros documentos do período persa, pelas referências ao vocabulário e aos costumes persas e também por
Xerxes é a única figura histórica indisputável do livro. ele saber que o rei tinha sete conselheiros (Et 1.14), que as pessoas
♦ Os dados arqueológicos do período persa não confirmam a his- faziam suas refeições reclinadas em sofás (7.8) e que os cavalos reais
toricidade do livro. poderiam usar coroas (6.8).

Assim, o livro de Ester costuma ser considerado uma sátira, cujo É muito raro que a arqueologia forneça provas diretas de qual­
destinatário seriam os judeus que habitavam fora da Terra Santa. quer acontecimento histórico. 0 que acontece frequentemente
Contudo, esses desafios, embora não sejam insignificantes, não são é que a reconstrução da história é feita pela combinação dos relatos
tão conclusivos, como podem parecer à primeira vista: encontrados em textos com os artefatos descobertos pela arque­
ologia, embora esse trabalho exija certa medida de confiança na
♦ Os aparentes exageros podem ser resultado de uma técnica nar­ credibilidade dos textos. Se todas as narrativas do mundo antigo
rativa. 0 banquete de cento e oitenta dias pode ter sido basicamente tivessem de ser confirmadas sem sobra de dúvida pela arqueologia,
a reunião dos líderes com o propósito de estabelecer as estratégias simplesmente não teríamos a história antiga.
da invasão à Grécia.2 Da mesma forma, os seis meses de preparação das 0 livro de Ester reivindica de forma implícita, porém com vee­
mulheres provavelmente incluíam o período de treinamento no mência, o fato de ser histórico. É precisamente como história que o
decoro e nos protocolos da corte. Aparentemente, o propósito do au­ livro de Ester é mais significativo, pois marca o início de uma longa e
tor era destacar o esplendor da corte persa, o que não significa que os triste saga de massacres e holocaustos promovidos contra os judeus.
acontecimentos tenham sido manipulados.
♦ A discrepância no número de províncias do império está baseada
no fato de que a satrapeia grega (em Heródoto) e a medinah hebraica

Wer "Perfumes e óleos de unção", em Jo 12. 2Ver "Xerxes, Vasti e Ester", em Et 7. 3Ver "Lançando sortes", em Jó 6. 4Ver "Mardoqueu e Marduka", em Et 3; e "A
porta do Rei", em Et 4.
ESTER 7.2 725

5.11 "Pv 13.16; Reunindo seus amigos e Zeres,* sua mulher,11 Hamã vangloriou-seude sua grande riqueza, de seus
vEt 9.7-10,13
muitos filhosve de como o rei o havia honrado e promovido acima de todos os outros nobres e oficiais.
5.12 “ JÓ 22.29; 12 E acrescentou Hamã: “Além disso, sou o únicowque a rainha Ester convidou para acompanhar o rei
Pv 16.18; 29,23
5.13 «Et 2.19 ao banquete que ela lhe ofereceu. Ela me convidou para comparecer amanhã, com o rei.13Mas tudo isso
não me dará satisfação enquanto eu vir aquele judeu Mardoqueu sentado junto à porta do palácio realx”.
5.14 « t 7.9; 14 Então Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos lhe sugeriram: “Mande fazer uma forca, de mais de
€ d 6.11; Et 6.4
vinte metros0 1 de altura, e logo pela manhã peça ao rei que Mardoqueu seja enforcado2nela. Assim você
poderá acompanhar o rei ao jantar e alegrar-se”. A sugestão agradou Hamã, e ele mandou fazer a forca.

Hamã é Obrigado a Honrar Mardoqueu


Naquela noite, o rei não conseguiu dormir;3 por isso ordenou que trouxessem o livro das crôni­
6.1 *Dn 2.1; 6.18;
“Et 2.23; 10.2
6 cas15do seu reinado e que o lessem para ele. 2 E foi lido o registro de que Mardoqueu tinha de­
nunciado Bigtã e Teres, dois dos oficiais do rei que guardavam a entrada do Palácio e que haviam
conspirado para assassinar o rei Xerxes.
3 “Que honra e reconhecimento Mardoqueu recebeu por isso?”, perguntou o rei.
Seus oficiais responderam: “Nada lhe foi feito”.0
4 O rei perguntou: “Quem está no pátio?” Ora, Hamã havia acabado de entrar no pátio externo do
palácio para pedir ao rei o enforcamento de Mardoqueu na forca que ele lhe havia preparado.
5 Os oficiais do rei responderam: “É Hamã que está no pátio”.
“Façam-no entrar”, ordenou o rei.
6 Entrando Hamã, o rei lhe perguntou: “O que se deve fazer ao homem que o rei tem o prazer de
honrar?”
E Hamã pensou consigo: “A quem o rei teria prazer de honrar, senão a mim?” 7 Por isso respondeu
6.8 dGn 41.42; ao rei: “Ao homem que o rei tem prazer de honrar,8 ordena que tragam um manto do próprio reide
Is 52.1 ;«1 Rs 1.33
6.9 'Gn 41.43 um cavaloe que o rei montou, e que ele leve o brasão6 do rei na cabeça.9 Em seguida, sejam o manto e
o cavalo confiados a alguns dos príncipes mais nobres do rei, e ponham eles o manto sobre o homem
que o rei deseja honrar e o conduzam sobre o cavalo pelas ruas da cidade, proclamando diante dele:
‘Isto é o que se faz ao homem que o rei tem o prazer de honrar!r ”
10 O rei ordenou então a Hamã: “Vá depressa apanhar o manto e o cavalo e faça ao judeu Mardo­
queu o que você sugeriu. Ele está sentado junto à porta do palácio real. Não omita nada do que você
recomendou”.
11 Então Hamã apanhou9 o cavalo, vestiu Mardoqueu com o manto e o conduziu sobre o cavalo pelas
ruas da cidade, proclamando à frente dele: “Isto é o que se faz ao homem que o rei tem o prazer de honrar!”
6.12 »2Sm 15.30; 12 Depois disso, Mardoqueu voltou para a porta do palácio real. Hamã, porém, correu para casa
Jr 14.3,4; Mq 3.7
6.13 Et 5.10; com o rosto coberto,hmuito aborrecido13e contou a Zeres,' sua mulher, e a todos os seus amigos tudo
ISI 57.6; Pv 26.27;
28.18 o que lhe havia acontecido.
Tanto os seus conselheiros como Zeres, sua mulher, lhe disseram: “Visto que Mardoqueu, diante
de quem começou a sua queda,i é de origem judaica, você não terá condições de enfrentá-lo.
6.14 »1Rs 3.15; Sem dúvida, você ficará arruinado!” 14 E, enquanto ainda conversavam, chegaram os oficiais do rei e,
Et 5.8
às pressas, levaram Hamã para o banquetekque Ester havia preparado.

O Enforcamento de H am ã
7.1 'Gn 40.20-22; 0 rei e Hamã foram ao banquete1com a rainha Ester,2 e, enquanto estavam bebendo vinhomno
Mt 22.1-14
7.2 "E t 1.10;
"Et 5.3; «Et 9.12
7 segundo dia, o rei perguntou de novo: “Rainha Ester, qual é o seu pedido? Você será atendida.
Qual o seu desejo? Mesmo que seja a metade do reino,n isso será concedido a você”.0

0 5 . 1 4 Hebraico: 50 côvados. O côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros.


b 6 . 8 Ou e q u e o h om em traga a coroa.

5.11 Hamã tinha dez filhos (9.7-10). Heródoto (1.136) relata que, entre imediatamente. No mundo pagão da Pérsia antiga, a satisfação do orgulho
os persas, a única coisa mais estimada que um grande número de filhos humano nas demandas pela honra e pelo respeito ultrapassavam o valor
era a coragem na batalha. O rei persa mandava presentes ao súdito que da vida humana.
tivesse um grande número de filhos (cf. Sl 127.3-5). 6 .8 Na Antiguidade, atribuía-se muito significado às vestes reais. Vestir
5.14 A sugestão de Zeres lembra o conselho dado por Jezabel ao seu ma­ as roupas do rei era sinal de grande favor concedido (ISm 18.4). Usar
rido, o rei Acabe, quando este se achava emburrado como uma criança vestes de outra pessoa era participar de seu poder, de sua estatura, de sua
mimada (IR s 21.1-16). A solução de Jezabel consistiu num assassinato honra ou de sua santidade (2Rs 2.13,14; Is 61.3,10; Zc 3; M c 5.27).
“legal” (a pena de morte por crime de blasfêmia), para que Acabe pudesse 6.14Os hóspedes eram em geral escoltados às festas (ver G n 43.15-26;
obter o que desejava. Aqui, Zeres aconselha Hamã a matar Mardoqueu cf. M t 22.1-14).
A C R E D I B I L I D A D E DA
*v

XERXES, |
VASTI E ESTER
ESTER 7 Xerxes I, que governou o Império Persa entre 486 e 465 ofereceu no terceiro ano de seu reinado (483 a.C.; Et 1.3,4), pode ter
a.C.,1 é mais conhecido por sua invasão fracassada à Grécia. 0 palá­ sido uma extensa sessão de planejamento para a campanha na
cio de Xerxes em Susã (mapa 8a) foi escavado, e foram encontrados Grécia.
alguns registros administrativos datados do período de seu reina­ ♦ 0 banquete oferecido à elite foi seguido por uma versão mais
do.2 0 historiador Heródoto (ca. 484-425 a.C.), em sua história da curta, de sete dias, oferecida a todos os habitantes de Susã (1.5-9),
guerra entre os gregos e os persas, oferece um grande número e foi durante esse banquete que Vasti envergonhou o rei, desobede­
de informações sobre Xerxes. Todavia, embora nessa obra o registro dos cendo à sua ordem (v. 10-22). Xerxes não tomou nenhum providência
acontecimentos principais da guerra seja de modo geral confiável, para substituir Vasti até o sexto ano de seu reinado (480 a.C.; 2.1-4),
suas anedotas acerca da vida na corte persa são atualmente rejei­ talvez por ter estado fora do país por três anos, sufocando a rebelião
tadas por muitos historiadores modernos e reputadas como simples na Babilônia (482 a.C.)3e comandando a fracassada invasão à Grécia
mexericos. Acredita-se que, por ser grego, Heródoto quis retratar o (481/480 a.C.).3 Ester foi selecionada como candidata em potencial ao
rei persa como fraco e mulherengo. Além de Heródoto, a única fonte cargo de rainha e depois de um ano de preparação (2.12) foi escolhida
maior de informações sobre Xerxes é a Bíblia. como a nova rainha, no sétimo ano do reinado de Xerxes (479 a.C.; v.
16). Catorze anos depois, Xerxes foi assassinado durante uma intriga
♦ Esdras registra que "no início do reinado de Xerxes" os inimigos palaciana.
dos judeus "apresentaram uma acusação contra o povo de Judá e de ♦ Heródoto diz que a rainha de Xerxes se chamava Amestris, e al­
Jerusalém” (Ed 4.6). 0 Egito rebelou-se em 486 a.C., e a falsa alegação guns estudiosos acreditam que Amestris seja Vasti, enquanto outros
pode ter sido que os judeus estariam planejando fazer o mesmo. pensam que se trata de Ester. Entretanto, vale lembrar que as infor­
Assim, o livro de Esdras foi escrito numa época em que o Império mações de Heródoto sobre a vida na corte persa não devem ser usadas
Persa estaria alarmado com os rumores de uma revolta. como base para avaliar o livro de Ester.4
♦ Depois de sufocar a revolta egípcia, em 485 a.C., Xerxes invadiu a
Grécia em 481/480 a.C. 0 banquete de cento e oitenta dias que Xerxes

'Ver “ Dario I", em Ed 5; e "História persa antiga de Xerxes em diante", em Et 1. 2Ver "A porta do Rei", em Et 4; e "Susã", em Et 9. 3Ver "Babilônia", em Is 13.
4Ver "Conselheiros e concubinas: a vida no antigo palácio real", em Et 2.

3 Então a rainha Ester respondeu: “Se posso contar com o favorP do rei e se isto lhe agrada, poupe 7.3 PEt 2.15
a minha vida e a vida do meu povo; este é o meu pedido e o meu desejo.4 Pois eu e meu povo fomos 7.4 € t 3.9
vendidos para destruição, morte e aniquilação.Q Se apenas tivéssemos sido vendidos como escravos e
escravas, eu teria ficado em silêncio, porque nenhuma aflição como essa justificaria perturbar o reiV
5 O rei Xerxes perguntou à rainha Ester: “Quem se atreveu a uma coisa dessas? Onde está ele?”
6 Respondeu Ester: “O adversário e inimigo é Hamã, esse perverso”.
Diante disso, Hamã ficou apavorado na presença do rei e da rainha.7 Furioso/ o rei levantou-se, 7.7 'Gn 34.7;
Et 1.12; Pv 19.12;
deixou o vinho, saiu dali e foi para o jardim do palácio.s E percebendo Hamã que o rei já tinha decidido 20.1,2; «2RS21.18;
«Et 6.13
condená-lo,1ficou ali para implorar por sua vida à rainha Ester.
8 E voltando o rei do jardim do palácio ao salão do banquete, viu Hamã caído sobre o assentouonde7.8 «Et 1.6;
vGn 39.14;
Ester estava reclinada.v E então exclamou: “Chegaria ele ao cúmulo de violentar a rainha na minha wGn 34.7; xEt6.12
presença e em minha própria casa?”w
Mal o rei terminou de dizer isso, alguns oficiais cobriram o rosto de Hamã.x 9 E um deles, chamado 7.9 vEt 1.10;
zEt 5.14;
Harbona,v que estava a serviço do rei, disse: “Há uma forca de mais de vinte metros^ de altura2junto à «SI 7.14-16; 9.16;
Pv 11.5,6; 26.27;
casa de Hamã, que ele fez para Mardoqueu, aquele que intercedeu pela vida do rei”. Mt7.2

0 7.4 O u em silêncio, apesar de que o bem que oferece o nosso inimigo não se compara com a perda que o rei sofreria.
b 7.9 H e b ra ic o : 50 côvados. O cô va d o era u m a m e d id a lin e a r de cerca de 45 c e n tím e tro s .

7 .7 ,8 O protocolo persa ditava que ninguém, exceto o rei, podia ficar Hamã devia ter deixado a presença de Ester. O que ele fez — dirigir-se
sozinho com uma mulher do harém real (ver “Conselheiros e concubinas: ao local de repouso dela — era algo impensável,
a vida no antigo palácio real”, em Et 2). Uma vez que o rei havia saído,
ESTER 8.2 727

7.10 »Pv 10.28; Então o rei ordenou: “Enforquem-no nela!”a 10 Assim Hamãbmorreu na forca0 que tinha prepa-
'H9'25, 6'24,
•Et 2.1 rado para Mardoqueu;11e a ira do rei se acalmou.e

O Decreto do Rei em Favor dos Judeus


8.1 'Et 2.7; 7.6; Q Naquele mesmo dia, o rei Xerxes deu à rainha Ester todos os bens de Hamã,f o inimigo dos
Pv 22.22,23
" .................... O /judeus.
j E Mardoqueu foi trazido à presença do rei, pois Ester lhe dissera que ele era seu parente.
8.2 9Gn 41.42; 2 qrei tirou seu anel-selo,9 que havia tomado de Hamã, e o deu a Mardoqueu; e Ester o nomeou
Et 3.10; hPv 13.22; n
Dn 2.48 administrador dos bens de Hamã.h

8.1 H eród oto0.128,129) e Josefo {Antiguidadesjudaicas, 11.17) confir­


mam que os bens dos traidores eram confiscados pela coroa. Xerxes deu
as riquezas de Hamã (5.11) de presente para Ester.

'
v c à m m m i- - < - ■■ ■ ■

NOTAS HI S T ÓRI CAS E C UL T UR AI S

Aneís de sinete
ESTER 8 0 sinete era um tipo de selo p n iM lI O T in iK i ........
usado como anel ou num cordão ao re­
dor do pescoço, e seu uso consistia em
deixar impressões na argila ou na cera.
Essas impressões funcionavam como
assinaturas para autorizar ou autenticar ‘-da ■' ^
documentos ou para indicar que algo
é à * * ’ j ' **:«•;* f 0
havia sido lacrado pelo proprietário do
sinete.1 Embora o uso de anéis-selos
seja atestado desde os tempos antigos : C ' V ....................... " ■
H- 11 ■ ■ N M M M H M B iW H H P »- rrifiT itiiriW iiB 8 ilifT i
(Gn 41.42), também era comum no
antigo Oriente Médio o uso de selos
cilíndricos2 e escaravelhos (besouros de
pedra usados como talismã, ornamento ou v m ) k lh , , j
símbolo de ressurreição). ü3L' ív 'j É L
Os selos em forma de anel se tornaram
mais populares a partir do século V a.C.,
e a maioria dos exemplos bíblicos são do
final do período pré-exílico (Jr 22.24) ou
s^Ê N. 1 %
do período persa. 0 rei Dario usou seu
anel-selo para selar a pedra colocada sobre
a cova dos leões (Dn 6.17),3 e os governa­
dores entregavam anéis-selos para conferir
importância oficial a determinadas pessoas
..!m ^m m K tÊ Ê Ê
i m ^^^êK Ê Ê 0Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê IÊ ^afm m
e também para lhes permitir implementar
negócios oficiais. 0 rei Xerxes entregou seu Impressões de um selo cilíndrico
anel-selo a Hamã, autori­ Preserving Bible Times; © dr. James C. Martin; usado com permissão do Museu Britânico

zando-o a fazer o que


quisesse com os judeus
(Et 3.10ss). Mais tar­ queu, que emitiu um édito que garantia o comparando-o com seu anel-selo, ainda que
de, Xerxes pediu direito de defesa dos judeus contra quais­ o nome de Deus estivesse estampado em seu
o anel de volta e quer agressores (8.2,8).4 Em Ageu 2.23, Deus representante como validação de seu ofício.
entregou-o a Mardo- escolhe Zorobabel como seu representante,

0 anel-selo do faraó 'Para informaÇ°es sol)re 0 us0 * sel° s n0 perfodo do NT, ver "Rolos, selos e códices", em Ap 5. 20s cilindros (geralmente de pedra) eram
estampados com entalhes — imagens buriladas, de modo a ficar abaixo da superfície para produzir uma impressão em relevo. 0 cilindro criava
Tutancamon uma jmpress| 0 so|jre a arg||a úmida quando era rolado sobre ela. 3Ver "Dario, o medo", em Dn 6. 4Ver "Mardoqueu e Marduka", em Et 3.
© The Schsyen Collection; foto:
cortesia do sr. M artin Scheyen
728 ESTER 8.3

3 Mas Ester tornou a implorar ao rei, chorando aos seus pés, que revogasse o plano maligno de
Hamã, o agagita, contra os judeus.4 Então o rei estendeu o cetro de ouro' para Ester, e ela se levantou 8.4 0 4.11; 5.2
diante dele e disse:
5 “Se for do agrado do rei, se posso contar com o seu favor e se ele considerar justo, que se escreva
uma ordem revogando as cartas que Hamã, filho do agagita Hamedata, escreveu para que os judeus
fossem exterminados em todas as províncias do império.6 Pois, como suportarei ver a desgraça que
cairá sobre o meu povo? Como suportarei a destruição da minha própria família?”)
7 O rei Xerxes respondeu à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: “Mandei enforcar Hamã e dei os
seus bens a Ester porque ele atentou contra os judeus. 8 Escrevam agora outro decretokem nome do 8.8 «Et 3.12-14;
'Gn 41.42;
rei, em favor dos judeus, como melhor lhes parecer, e selem-no com o anel-selo1do rei, pois nenhum "EM .19; Dn 6.15
documento escrito em nome do rei e selado com o seu anel pode ser revogado”.nn
9 Isso aconteceu no vigésimo terceiro dia do terceiro mês, o mês de sivã". Os secretários do rei8.9 "Et 1.1;
•Et 1.2 2
foram imediatamente convocados e escreveram todas as ordens de Mardoqueu aos judeus, aos sá-
trapas, aos governadores e aos nobres das cento e vinte e sete províncias que se estendiam da índia
até a Etiópia*’." Essas ordens foram redigidas na língua e na escrita de cada província e de cada povo
e também na língua e na escrita0 dos judeus.10 Mardoqueu escreveu em nome do rei Xerxes, selou as
cartas com o anel-selo do rei e as enviou por meio de mensageiros montados em cavalos velozes,
das estrebarias do próprio rei.
110 decreto do rei concedia aos judeus de cada cidade o direito de se reunirem e de se prote­ 8.11 PEt 9.10,
15,16
gerem, de destruir, matar e aniquilar qualquer força armada de qualquer povo ou província que os
ameaçasse, a eles, suas mulheres e seus filhos17, e o direito de saquearP os bens dos seus inimigos. 8.12 <iEt 3.13; 9.1
12 O decreto entrou em vigor nas províncias do rei Xerxes no décimo terceiro dia do décimo segundo
mês, o mês de adaKfl13 Uma cópia do decreto foi publicada como lei em cada província e levada ao
conhecimento do povo de cada nação, a fim de que naquele diar os judeus estivessem prontos para
vingar-se dos seus inimigos.
14 Os mensageiros, montando cavalos das estrebarias do rei, saíram a galope, por causa da ordem
do rei. O decreto também foi publicado na cidadela de Susã.
15 Mardoqueus saiu da presença do rei usando vestes reais em azul e branco, uma grande coroa de 8.1 5 € t 9.4;
•Gn 4 1 .4 2 ; "Et 3.1 5
ouro e um manto púrpura de linho fino.* E a cidadela de Susã exultava de alegria.u 16 Para os judeus 8.16«SI 9 7 .1 0 -1 2 ;
foi uma ocasião de felicidade, alegria,vjúbilo e honra.w17 Em cada província e em cada cidade, onde «Sl 1 1 2 .4
8.17«Et 9 .1 9 ,2 7 ;
quer que chegasse o decreto do rei, havia alegriax e júbilo entre os judeus, com banquetes e festas. Sl 3 5 .2 7 ; Pv 1 1.10;
>ÊX 1 5 .1 4 ,1 6 ;
Muitos que pertenciam a outros povos do reino tornaram-se judeus, porque o temorv dos judeus Dt 1 1 . 2 5 ; ® 9.3
tinha se apoderado deles.z

A Vitória dos Judeus


No décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adare,a entraria em vigor o decreto 9.1 aEt8.12;
9 bjr 29.4-7;
do rei. Naquele dia, os inimigos dos judeus esperavam vencê-los, mas aconteceu o contrário: os cEt 3.12-14;
Pv 22.22,23
judeus dominarambaqueles que os odiavam,0 2 reunindo-se em suas cidades,dem todas as provín­ 9.2 “v. 15-18;
€ t 8.11,17;
cias do rei Xerxes, para atacar os que buscavam a sua destruição. Ninguém conseguia resistir-lhes,e Sl 71.13,24
porque todos os povos estavam com medo deles.3 E todos os nobres das províncias, os sátrapas, 9.3 í d 8.36
os governadores e os administradores do rei apoiaram os judeus,* porque o medo que tinham de
Mardoqueu havia se apoderado deles.4 Mardoqueu era influentes no palácio; sua fama espalhou-se 9.4 9Êx 11.3;
h2Sm 3.1; 1Cr 11 .£
pelas províncias, e ele se tornava cada vez mais poderoso.11
5 Os judeus feriram todos os seus inimigos à espada, matando-os e destruindo-os,' e fizeram o que
quiseram com eles.6 Na cidadela de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens.7 Tam­
bém mataram Parsandata, Dalfom, Aspata,8 Porata, Adalia, Aridata,9 Farmasta, Arisai, Aridai e Vaisata,
10os dez filhos) de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus. Mas não se apossaram dos seus bens.k 9.1 OiEt 5.11;
•<Gn 14.23;
1Sm 14.32;
0 8 .9 Aproximadamente maio/junho. Et 3.13; 8.11
b 8.9 Hebraico: Cuxe.
c 8 . 1 1 Ou inclusive m ulheres e crianças.
d 8 . 1 2 Aproximadamente fevereiro/março.
e 9.1 Aproximadamente fevereiro/março; também nos versículos 1 5 ,1 7 ,1 9 e 21.

9.10 0 autor repete três vezes que os judeus “não se apossaram dos seus despojos (ver “Herem, guerra santa”, em ISm 15). Abraão (Gn 14) recu­
bens” (v. 10,15,16), embora o decreto de Mardoqueu lhes permitisse tal sou-se a aceitar qualquer recompensa material do rei de Sodoma. Ele não
coisa (8.11). Mardoqueu incluiu essa cláusula porque estava literalmente podia aceitar que uma cidade ímpia fosse a fonte de sua prosperidade.
invertendo os termos do decreto de Hamã (3.13), mas uma das regras da Esse acontecimento constituiu-se num precedente para o povo de Deus.
guerra santa antiga praticada pelos judeus era que não se deveria tomar
ESTER 9.13 729

9.12 €t 5.6; 7.2 11 Naquele mesmo dia, o total de mortos na cidadela de Susã foi relatado ao rei,12que disse à rainha
Ester: “Os judeus mataram e destruíram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã na cidadela de
Susã. Que terão feito nas outras províncias do império? Agora, diga qual é o seu pedido, e você será
atendida. Tem ainda algum desejo? Este será concedido a você”.1
9"Dt2 ? 2 22 á 13 ^esPon<^eu Ester: “Se for do agrado do rei, que os judeus de Susã tenham autorização para
executar também amanhã o decreto de hoje, para que os corpos dos dez filhos de Hamãmsejam
pendurados" na forca”.

9 .1 3 A ideia de pendurar alguém na forca diz respeito, nesse caso, à


exibição dos corpos, não ao método de execução (ver v. 7 -10 e a nota
em 2 .2 3 ).

'hlÊÊ ■ « »
P OV OS , T E R R A S E G O V E R N A N T E S A N T I G O S

Susã
ESTER 9 Susã (mapa 8a; a atual Shush, no "Susã"; 9.13-15), que
Irã) foi habitada desde o IV milênio a.C. até não era fortificada,
o século XIII d.C. Já desde o início, a cidade na margem leste,
se tornou um centro religioso, com templos da cidade alta ,
dedicados a Inshushinak ("senhor de Susã") e fortificada, na
outras divindades. Durante o III milênio a.C., margem oeste
Susã e outra cidade chamada Anshan foram (i.e., a "cidadela de
o centro da civilização elam ita, abrigando Susã", em 1.5; cf. Dn
uma grande e próspera população. Durante 8.2). Uma vila de artesãos
o II e início do I milênio a.C., Susã foi várias foi localizada no lado leste
vezes uma capital elamita independente e da cidadela. Entre os res­
outras vezes controlada por forças estrangei­ tos da cidadela estão uma
ras, como os babilônios e os assírios, e se porta monumental (cf. Et
tornou um importante centro comercial que 2.19,21) com inscrições
mantinha contatos com a (ndia, a Arábia e trilíngues (cf. 1.22) e um
a Grécia. grande palácio com duas di­
Susã atingiu o apogeu de seu poder visões: uma sala de audiências de
nos séculos XIII e XII a.C. Um de seus reis, três acres e uma área residencial
Shutruk-Nahunte, conquistou a Babilônia e de dez acres com quatro pátios
trouxe para Susã fabulosos espólios de guer­ internos contínuos (cf. 4.11;
ra, como o Código de Hamurabi (descoberto 5.1,2; 6.4).2 0 palácio de Dario foi
na acrópole de Susã em 1900). Em 646 a.C., queimado durante o reinado de
a cidade foi destruída pelos assírios sob o Artaxerxes I3 e restaurado duran­
comando de Assurbanipal e reconstruída um te o reinado de Artaxerxes II, que
pouco depois, mas foi conquistada por Ciro construiu um palácio provisório
da Pérsia em 539 a.C.1 na cidade baixa. Alexandre,
Dario I (522-486 a.C.) fez de Susã o pa­ o Grande, tomou Susã sem luta,
lácio de inverno do Im pério Persa e, com e a cidade continuou a florescer
essa qualidade, seu prestígio e prosperidade como centro de comércio e de
aumentaram grandemente. A cidade chegou produção têxtil, tendo uma gran­
ao tamanho de 625 acres. Os achados arqueo­ de população judaica, até que finalmente foi
lógicos correspondem ao que encontramos Capitel da coluna de uma sala de audiências
abandonada em meados do século XIII d.C.
do palácio de Dario I, em Susã
no livro de Ester. Durante o reinado de Da­ Preserving Bible Times; © dr. James C M artin; usado com permissão
rio, um canal separava a cidade baixa (i.e., do Museu do Louvre

1Ver "Ciro, o grande", em Ed 1. 2Ver "A porta do Rei", em Et 4. 3Ver "Artaxerxes I, o rei da Pérsia", em Ed 7.
730 ESTER 9.14

14 Então o rei deu ordens para que assim fosse feito. 0 decreto foi publicado em Susã, e os corpos dos
dez filhos de Hamã foram pendurados0na forca.15Os judeus de Susã ajuntaram-se no décimo quarto dia 9.15 PGn 14.23;
Et 8.11
do mês de adar e mataram trezentos homens em Susã, mas não se apossaram dos seus bens.P
16 Enquanto isso, o restante dos judeus que viviam nas províncias do império também se ajunta-9.16 € t 4.14;
rDt 25.19;
ram para se protegerem e se livrarem^ dos seus inimigos/ Eles mataram setenta e cinco mil deles,s mas s1Cr 4.43
não se apossaram dos seus bens.17 Isso aconteceu no décimo terceiro dia do mês de adar, e no décimo
quarto dia descansaram e fizeram dessa data um dia de festa1e de alegria.

A Comemoração do Purim
18 Os judeus de Susã, porém, tinham se reunido no décimo terceiro e no décimo quarto dias e no
décimo quinto descansaram e dele fizeram um dia de festa e de alegria.
19 Por isso os judeus que vivem em vilas e povoados comemoram o décimo quarto dia do mês de 9.19 uEt 3.7;
vv. 22;
adarucomo um dia de festa e de alegria, um dia de troca de presentes.v Dt 16.11,14; Ne
8.10,12; Et 2.9;
20 Mardoqueu registrou esses acontecimentos e enviou cartas a todos os judeus de todas as pro­ Ap 11.10
víncias do rei Xerxes, próximas e distantes,21 determinando que anualmente se comemorassem o
décimo quarto e o décimo quinto dias do mês de adar, 22 pois nesses dias os judeus livraram-sew 9.22 «Et 4.14;
xNe 8.12;
dos seus inimigos; nesse mês a sua tristeza tornou-se em alegria; e o seu pranto, num dia de festa.x Sl 30.11,12;
Escreveu-lhes dizendo que comemorassem aquelas datas como dias de festa e de alegria, de troca de v2Rs 25.30
presentesv e de ofertas aos pobres.
23 E assim os judeus adotaram como costume aquela comemoração, conforme o que Mardoqueu
lhes tinha ordenado por escrito. 24 Pois Hamã, filho do agagita2 Hamedata, inimigo de todos os 9.24 zÊx 17.8-16;
■Et 3.7; »Lv 16.8
judeus, tinha tramado contra eles para destruí-los e tinha lançado o pur,a isto é, a sortebpara a ruína
e destruição deles.25 Mas, quando isso chegou ao conhecimento do reia, ele deu ordens escritas para 9.25 °SI 7.16;
dDt 21.22,23;
que o plano maligno de Hamã contra os judeus se voltasse contra a sua própria cabeça,c e para que “Et 7.10
ele e seus filhos fossem enforcados.d-e 26 Por isso aqueles dias foram chamados Purim, da palavra pur.f 9.26 V 20; Et 3.7
Considerando tudo o que estava escrito nessa carta, o que tinham visto e o que tinha acontecido,
27 os judeus decidiram estabelecer o costume de que eles e os seus descendentes e todos os que se
tornassem judeus não deixariam de comemorar anualmente esses dois dias, na forma prescrita e na
data certa.28 Esses dias seriam lembrados e comemorados em cada família de cada geração, em cada
província e em cada cidade, e jamais deveriam deixar de ser comemorados pelos judeus. E os seus
descendentes jamais deveriam esquecer-se de tais dias.
29 Então a rainha Ester, filha de Abiail,9 e o judeu Mardoqueu escreveram com toda a autoridade9.29 sEt 2.15
uma segunda carta para confirmar a primeira, acerca do Purim.30 Mardoqueu enviou cartas a todos 9.30 "Et 1.1
os judeus das cento e vinte e sete provínciashdo império de Xerxes, desejando-lhes paz e segurança, 9.31 'Et 4.16;
JEt 4.1 -3
31 e confirmando que os dias de Purim deveriam ser comemorados nas datas determinadas, conforme
o judeu Mardoqueu e a rainha Ester tinham decretado e estabelecido para si mesmos, para todos os ju­
deus e para os seus descendentes, e acrescentou observações sobre tempos de jejum' e de lamentaçãoJ
32 O decreto de Ester confirmou as regras do Purim, e isso foi escrito nos registros.

A Grandeza de Mardoqueu
1 re* Xerxes impôs tributos a todo o império, até sobre as distantes regiões costeiras.k2 Todos os 10.1 *SI 72.10;
97.1; Is 24.15
-L v/seus atos de força e de poder, e o relato completo da grandeza de Mardoqueu,1a quem o rei dera 10.2'Et 8.15;
9.4; mGn 41.44;
autoridade,mestão registrados no livro das crônicas11dos reis da Média e da Pérsia.3 O judeu Mardo­ "Et 2.23
queu foi o segundo0 na hierarquia,p depois do rei Xerxes.^ Era homem importante entre os judeus e 10.3 «Dn 5.7;
PGn 41.43;
foi muito amado por eles, pois trabalhou para o bem do seu povo e promoveu o bem-estar de todos.r iGn 41.40;
Ne 2.10; Jr 29.4-
7; Dn 6.3
a 9 . 2 5 Ou qu an do Ester f o i à p resen ça d o rei.

9 .1 8 ,1 9 O autor explica a tradição de observar a festa do Purim em dois por Deus, essa celebração começou como uma resposta espontânea da
dias diferentes: é observada no dia 14 na maioria das cidades, mas os fidelidade dele à aliança.
judeus de Susã a observavam no dia 15. H oje é observada no dia 14, O Purim é celebrado até hoje. O livro inteiro de Ester é lido na sina­
a não ser em Jerusalém, na qual é observada no dia 15. goga nesse feriado, durante uma cerimônia bem movimentada. O povo
9.20. Alguns entendem a frase “Mardoqueu registrou esses aconteci­ aplaude alegremente ao ouvir o nome de Mardoqueu e assovia, vaiando,
mentos” como indicação de que ele escreveu o livro de Ester. É mais ao ouvir o nome de Hamã (ver “A canonicidade de Ester”, em Et 10).
natural, no entanto, entender que Mardoqueu registrou os fatos nas Outros dias santos importantes do período pós-exílico são o Hanuká,
cartas que enviou. que celebra a vitória judaica sobre Antíoco IV da Síria (ver “Antíoco
9 .2 9 -3 2 O Purim juntou-se às cinco festas judaicas já existentes ordena­ IV Epifânio”, em Dn 11), e o Tisha B ’Av, que lamenta a destruição
das por Moisés na Torá. A despeito de não ser um mandamento prescrito de Jerusalém.
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*■* -1 A C R E D I B I L I D A D E DA

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ESTER 10 No início de sua história, a situação do livro de Ester era seria natural encontrar numa obra canônica. Outros acreditam que o
controversa com relação ao cânon da Bíblia hebraica.1Ester é o úni­ livro seja uma parábola ou uma composição de dois ou mais mitos
co livro do AT não representado nos manuscritos do m ar Morto, persas e palestinos. Além disso, o judeus e os primeiros cristãos de­ Wi
sugerindo que a comunidade de Qum ran provavelmente não o con­ vem ter feito objeções à canonicidade de Ester por causa da embria­ p ta ?
siderava Escritura Sagrada. Embora a celebração do Purim (feriado guez que costumava acompanhar as antigas celebrações do Purim.
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inaugurado em 8.16,17 para comemorar a libertação dos judeus) A despeito dessas objeções, há sólidas razões para se aceitar a
tenha origem no livro de Ester, os rabis do século II d.C. citavam o canonicidade de Ester:
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texto conhecido como Megillat Taanit — não Ester— para explicar
sua celebração, isso indica que o livro de Ester não era tido em tão alta ♦ 0 livro é orientado por relatos implícitos da fidelidade e da sobe­
conta quanto essa obra tardia (o Megillat Taanit data do séc. I d.C.). rania de Deus, ainda que seu nome não seja mencionado. Do início
jp
0 status de Ester também foi debatido nos círculos cristãos. ao fim, o leitor percebe a mão de Deus trabalhando para libertar seu in ,
Esse livro não consta no mais antigo catálogo canônico cristão, povo das ameaças dos inimigos estrangeiros. Os acontecimentos não
o do bispo Melito de Sardes (ca. 167 d.C.), nem foi reconhecido por são "miraculosos" no sentido de "sobrenatural", mas sugerem inter­
outros líderes cristãos, como Atanásio (295-373 d.C.) e Martinho venção divina. m
Lutero, que propôs a remoção de Ester do cânon das Escrituras. ♦ A omissão de temas como a observância da Lei, o sacrifício, o tím
No entanto, alguns pais da igreja prim itiva, como Orígenes templo de Jerusalém, e outros, não constitui um obstáculo insuperá­
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(ca. 185-254), Agostinho (354-430), Inocêncio I (401-417) e João vel quando se leva em consideração que os acontecimentos descritos
Damasceno (675-745) incluíram Ester entre os livros aceitos do AT. no livro ocorreram no período do exílio. Os judeus estavam vivendo •
Concílios como o de Hipona (393) e o de Cartago (397) reconhece­ na Pérsia, longe do altar de Jerusalém, que desde as reformas de t e ,
ram oficialmente a canonicidade do livro de Ester e o aceitaram Josias era o único local aceitável para oferecer sacrifícios a Yahweh.
como Escritura Sagrada. Portanto, é compreensível que esses temas não sejam mencionados.
Mais tarde, foi debatida a versão grega de Ester (que contém 107 Contudo, a familiaridade dos judeus com as tradições sagradas é jp
versículos não encontrados no texto hebraico). Essas adições foram demonstrada no conhecimento da eficácia do jejum comunal (4.16;
m
consideradas apócrifas pela igreja protestante e omitidas na Bíblia cf. 2Cr 20.3; Jr 36.9)J e no tema da providência divina, que subjaz a
protestante, publicada durante a Reforma, porém o Concilio de todo o livro.
Trento (católico romano, 1546) classificou as adições de Ester como ♦ Para os judeus que viveram em opressão até a época de Cristo e bt
deuterocanônicas, e até hoje a Igreja católica romana as inclui na também para os cristãos perseguidos de nossos dias, o livro de Ester
Bíblia no final do livro de Ester.2 demonstra o cuidado de Deus e os atos divinos a favor de seu povo e
As objeções judaicas e comprova que todos os assun­ m
cristãs à canonicidade de tos humanos estão, no final IIU
Ester têm sido muitas das contas, sob seu controle.
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e variadas. Alguns estu­
diosos ressaltam a omis­ Com as exceções apresen­
são a qualquer referência tadas acima, a maioria dos
a Deus. No livro, há quase judeus e cristãos têm aceitado
200 alusões ao rei da Pér­ o livro de Ester como Escritura
sia, mas nem uma única Sagrada por mais de dois mil
referência direta a Deus! anos. Sua transmissão e sua
Da mesma forma, não há mensagem exigem que ele
menções à oração, à Lei, permaneça como uma porção
à aliança, a Jerusalém ou fundamental da mensagem
a qualquer outro tema que de Deus ao seu povo.

Tigela de Artaxerxes I com inscrições


Preserving Bible Times; © dr. James C. M artin; usado com permissão do Museu Britânico

Wer "0 cânon do Novo Testamento", em 2Pe 3. 2Ver "Os Apócrifos", em Tt 1. 3Ver "0 jejum na Bíblia e no antigo Oriente Médio", em M t 6.