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* t f UDERAR Formação de liderança de jovens

Ú b írll b íJíiJh i
£ADü íSC£ j JÍ.

Preletores:

DIA 05/11/15 - QUINTA-FEIRA 13: 3 0 - 14:00 Devocional 10:45 - 12:00 Sexualidade -


19 Horas - Culto de Abertura 14:00 - 15:15 Louvor e Adoração Jamiel Lopes/SP
Palavra de Abertura - Pr José - Nilton Didini/SP
Wellington Bezerra da Costa 15:15 - 15:45 Estatísticas - 12:00- 13:30 Almoço
Pregação - Pr Wellington Júnior Maceió/AL
15:45 - 17:00 Vida de Santidade - 13: 3 0 - 14:00 Devocional
Joari Carlecio/SC 14:00 - 15:15 Mídia e a Universi­
DIA 06/11/2015 - SEXTA-FEIRA dade - Luaran Lins/MA
08:30 - 09:00 Devocional
19:30 - 20:00 Devocional 15:15 - 15:45 Encontro Nacional
09: 00 - 10:15 Missões e Ministério
20:00 - 21:30 Pr José Wellington da Juventude - Ronaldo Rodri­
- Pr Raul Cavalcante/MA
Costa Júnior gues de Souza/RJ
10:15 - 10:45 Estatísticas - AD
15:45 - 17:00 A Força da Juven­
Brasilia/DF
10:45 - 12:00 Perfil do Líder da
DIA 07/11/2015-SÁBADO tude - Pr. Lélis Marinho/SP
08:30 - 09:00 Devocional
Atualidade - Pr Jose Satírio dos
09:00 - 10:15 Drogas - Arnaldo 19:30 - 20:00 Devocional
Santos/COLOMBIA
Senna/SP 20:00 - 21:30 Pr João Barbosa/SP
10:15 - 10:45 Estatísticas - AD
12:00 - 13:30 Almoço Cacoal/RO
EST A BELEC EN D O RELACIO NAM ENTO S SAUD ÁVEIS
Vivendo e Aprendendo a Viver
Comentarista: Esdras Costa Bentho 4otrimestre 2015
Lição 1
Fundamentos Bíblicos para Relacionamentos Saudáveis 3
Lição 2
Relacionamento em FamíLia 10
Lição 3
Relacionamento no Ambiente de Trabalho 17
Lição 4
Relacionamento entre Amigos 25
Lição 5
Relacionamento com Pessoas Difíceis 32
Lição 6
Relacionamento Sentimental 40
Lição 7
Relacionamentos Descartáveis? 47
Lição 8
0 Relacionamento com Pessoas de uma Fé Diferente 54
Lição 9
0 Que Pode Prejudicar os Relacionamentos 62
Lição 10
Ausência de Relacionamentos 69
Lição l i .
Relacionamento e Perdão 76
Lição 12
Relacionamentos Solidários 83
Lição 13
Relacionamento com Deus 90
DA R E D A Ç Ã O

CMD ESTABELECENDO
CASA PUBLICADORA DAS RELACIONAMENTOS
ASSEM BLEIAS DE DEUS
SAUDÁVEIS
VIVENDO E
Presidente da Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil A PREN D EN D O A V IV ER
José Wellington Bezerra da Costa
Presidente do Conselho Administrativo A vida é feita de relacionamentos.
José Wellington Costa Júnior Quem não deseja se relacionar com
Diretor Executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza o próximo, não pode viver bem em
Gerente de Publicações sociedade. Porém, atualmente, temos
Alexandre Claudino Coelho visto o quanto os relacionamentos estão
Consultoria Doutrinária e Teológica
distantes, frios e até doentios. As pesso­
Antonio Gilberto e
Claudionor de Andrade
as estão cada dia mais superficiais em
Gerente Financeiro suas relações. Isso se deve, em grande
Josafá Frankün Santos Bomfim parte, ao uso das redes sociais que nos
Gerente de Produção permitem conhecer e comunicar com
Jarbas Ramires Silva
várias pessoas, porém, sempre de forma
Gerente Comercial
Cícero da Silva virtual. Mas na realidade do dia a dia,
Gerente da Rede de Lojas como anda nossos relacionamentos? 0
João Batista Guilherme da Silva tema desse trimestre é bem relevante
Chefe de Arte & Design
para os nossos dias. Gostaríamos de
Wagner de Almeida
Chefe do Setor de Educação Cristã convidá-lo para uma reflexão a respeito
César Moisés Carvalho de seus relacionamentos nas diversas
Comentarista esferas da vida. Quantos, atualmente, não
Esdras Costa Bentho
estão fora da igreja, feridos, magoados,
Editora
Telma Bueno
por causa de relacionamentos!
Designer, Diagramação e Capa O homem, criatura de Deus, é um
Suzane Barboza ser gregário. Por isso, Deus deseja nos
Fotos ajudar a ter relacionamentos saudáveis
Shutterstock
e duradouros.
Que Deus o abençoe.
Até o próximo trimestre.
RIO DE JANEIRO
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LIÇÃO

1
04 /10 /20 15

FUNDAMENTOS BÍBLICOS
PARA RELACIONAMENTOS
SAUDÁVEIS
TEXTO DO DIA
“Oh! Quão bom e quão
r AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA - Gn 11-23; 21-15
suave é que os irmãos Deus prepara um lindo jardim
vivam em união!” para o homem
(Sl 1331) TERÇA - Gn 124,25; 21920
Deus cria seres para compa­
nhia do homem
QUARTA-Gn 126-31
Deus cria o homem à sua imagem
QUINTA-Gn 221-25
SÍNTESE Deus cria para o homem al­
A base de todos os guém que lhe fosse semelhante
relacionamentos cristãos SEXTA-Gn 216,17
saudáveis está na comunhão e Obediência, adoração e amor
unidade da própria Trindade: SÁBADO - Gn 3.1-24
Pai, Filho e Espírito Santo. Os relacionamentos com 0
Criador, a natureza e a criatu- ,
ra corrompidos Á

JOVENS 3
OBJETIVOS

■ D E S C R E V E R os fundamentos teológicos dos rela­


cionamentos cristãos;
•APRESENTAR as bases dos relacionamentos saudáveis;
•CO M PREEN DER os princípios dos relacionamentos
saudáveis.

INTERAÇÃO

Neste trimestre estudaremos a respeito dos relacionamentos


em suas dimensões bíblica, pessoal, social e humana que
envolvem respectivamente teologia, psicologia, sociologia e
antropologia. Envolver-se com o presente tema não é apenas
um desafio, mas também um aprendizado - todos podemos
e devemos repensar e melhorar nossos relacionamentos.
Aproveite estas lições para refletir e criar relacionamentos
sólidos. Seja um exemplo para seus alunos.
Ocomentarista, Esdras Costa Bentho, é pastor, graduado
em Pedagogia, Mestre em Teologia pela PUC-Rio, professor
da FAECAD e autor de várias obras publicadas pela CPAD.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta lição desenvolva o conceito de afetividade com os alunos.


A afetividade é uma qualidade ou condição do ser psíquico
que caracteriza uma capacidade de vivenciar internamente
a realidade exterior, sentindo o impacto que essa realidade
produz no interior na pessoa. É por meio dela que a pessoa
reage emocionalmente a um estimulo. Ela é um modo de ser,
porque o ser humano não “tem uma afetividade”, ele é afeti­
vidade. Assim, sem demorar-se muito, no terceiro subtópico
do tópico I, provoque os alunos com as seguintes questões: (1)
“A afetividade que uma pessoa sente por outra pode levá-la
a racionalização (enganando-se a si mesma) e a verbalização
(confundindo os outros) para camuflar os defeitos do outro
alertado por pais, conselheiros e amigos?”(2) “Você é capaz
de identificar a influência da razão e da afetividade em suas
decisões?”Trata-se de perguntas profundas que levarão seus
alunos a refletirem! Se desejar, escreva-as numa folha de
papel e entregue aos alunos para que respondam em casa.
Isso é pessoal, não procure ler se alguém não lhe der esse
direito. É para autoconhecimento do aluno.
TEXTO BÍBLICO

Gênesis 2.18-24 21 Então, o Senhor Deus fez cair um sono


18 E disse o Senhor Deus: Não é bom pesado sobre Adão, e este adorme­
que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ceu; e tomou uma das suas costelas
adjutora que esteja como diante dele. e cerrou a carne em seu lugar.
19 Havendo, pois, o Senhor Deus formado 22 E da costela que o Senhor Deus tomou
da terra todo animal do campo e toda do homem formou uma mulher; e
ave dos céus, os trouxe a Adão, para trouxe-a a Adão.
este ver como lhes chamaria; e tudo 23 E disse Adão: Esta é agora osso dos
o que Adão chamou a toda a alma meus ossos e carne da minha carne;
vivente, isso foi o seu nome. esta será chamada varoa, porquanto
20 E Adão pôs os nomes a todo o gado, do varão foi tomada.
e às aves dos céus, e a todo animal do 24 Portanto, deixará o varão o seu pai e a
campo; mas para o homem não se achava sua mãe e apegar-se-á à sua mulher,
adjutora que estivesse como diante dele. e serão ambos uma carne.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
“Nenhum homem é uma ilha isolada". Essa importante estrofe do pregador
John Donne (1572-1631), lembra-nos de que vivemos numa comunidade global,
formada por pessoas de etnias e culturas diferentes. Todos recebemos do
Criador a mesmíssima vida soprada em Adão (Gn 2.7; 53; At 17.25,26). 0 Senhor
é doador da vida e de reLacionamentos saudáveis, “porque nele vivemos, e nos
movemos, e existimos" (At 17.28). Nessa lição, estudaremos os fundamentos
bíbücos para a vida em comunidade e para os relacionamentos saudáveis.

I - DEUS VIU QUE NÃO É BOM QUE (Gn 1.27; 1 Co 11,7). Todos participam da
O HOMEM VIVA SOZINHO (Gn 2.18) vida do Criador! Tanto o homem quanto a
1. Relacionamento com Deus: a ima­ mulher são capacitados pela imagem de
gem divina (Gn 1.26). Na Antiguidade, Deus a viver em comunhão com o Senhor
apenas os grandes reis eram considera­ e com o semelhante na personalidade e
dos “imagem de Deus”. Todavia, a Bíblia socialidade que advém da semelhança
revela que isso não estava limitado aos com o Criador!
monarcas, mas a todo homem - todos 2. Relacionamento com a criação:
foram criados por Deus! Quão inovador distinção e preservação (Gn 1.21-25).
não soou essa boa-nova aos ouvidos O mundo não é uma emanação divina.
dos escravos, pobres, crianças, anciãos Tudo que existe foi criado por Deus. Essa
e muLheres do Antigo Oriente: “E criou mensagem soou como uma novidade na
Deus o homem à sua imagem; à imagem Antiguidade, acostumada a ver nas coisas
de Deus o criou; macho e fêmea os criou” criadas um reflexo da divindade (Dt 4.15-19;

JOVENS 5
Rm 1,20-23), A Bíblia ensina que somente era diferente e complementar (Gn 2.21-23).
Deus é digno de adoração. Tudo é criação Nisto se constitui a identidade do sujeito:
de Deus e somente o Senhor é Deus! O o eu (si) - o que sou - e o outro - o que
Deus que se relaciona com a humanidade não sou. No primeiro, “o que sou”, somos
é o mesmo que criou livre e amorosamente chamados a ser sujeitos e controlar nossas
todas as coisas e as entregou ao cuidado vidas (rejeitando a dominação, a escravidão
do homem (Gn 1.28; 2.15). O homem é cria­ - autonomia), a escolher por nós mesmos
tura, mas distinta das coisas criadas (Gn (rejeitando a manipulação - liberdade), e
1.26). Ele foi criado à imagem de Deus e a desenvolver meu modo próprio de ser
capacitado para desenvolver a experiência pessoa (rejeitando a coisificação e instru­
da receptividade. Ele responde perante mentalização - sujeito). No segundo, “o
Deus a respeito de seus relacionamentos outro”, é verdadeiro o mesmo em relação
com os que lhe são semelhantes e com o ao primeiro, permitindo que aquilo que
mundo criado (Gn 4.8-13), Foi criado capaz desejo para mim (autonomia, liberdade,
de ser responsável diante do outro e da condição de sujeito) seja também direito
criação (Gn 3). Sua relação é dialógica com do outro, numa relação solidária.
Deus (Gn 3.8,9) e de preservação e trans­
formação responsável das coisas criadas. O Pense!
3. Relacionamento com o outro: iden­ A imagem de Deus capacita-nos a
tidade e solidariedade (Gn 2.18-25). O viver plenamente com Deus, a dis-
tinguir-se da criação e a entender
Senhor afirma que "não é bom que o
o próximo. Como valorizamos a
homem esteja só”(Gn 2.18). Como pode imagem de Deus em nós?
estar sozinho se desfruta da comunhão
com Deus e da presença de todos os
© Ponto Importante
animais (Gn 2.19; 3.8)? Embora o homem O homem foi criado para viver e
desfrutasse da comunhão com o Criador valorizar relacionamentos corre­
e com a criação, ambos relacionamentos tos e saudáveis.
davam-se de modo distintos e, por isso,
ele estava incompleto. O relacionamento II - FUND AM ENTO S DOS RELA ­
do homem com o mundo era mediante CIONAM ENTOS SAUDÁVEIS (Rm
o trabalho, a celebração da vida (Gn 12.9-21)
2.5,15,19,20); enquanto com Deus por 1. Amor fraterno (Rm 12.10). A principal
meio da fé, da obediência, do amor e da base de todo relacionamento saudável é o
adoração (Gn 2.16,17; 3.8). Uma dimensão amor fraterno. Trata-se do tipode amizade
física e imanente (mundo), e outra espiritual em que o outro é aceito e respeitado como
e transcendente (Criador). As dimensões tal. É um amor interpessoal, que valoriza
espiritual e corpórea estavam integradas. as qualidades, respeita as diferenças e
Faltava-Lhe, portanto, a dimensão interpes­ suporta as fragilidades. É um amor capaz
soal e afetiva (o outro): o relacionamento de se alegrar com as conquistas do ou­
com outros seres humanos pelo diálogo, tro, e de se entristecer com o infortúnio
amizade, amor e abertura ao que lhe é alheio (Rm 12.15). Ele é cordial e fraterno
igual. Essa dimensão deu-se por meio da (Rm 12.10), e se esforça pela paz (v. 18).
criação do outro que, embora semelhante O amor fraterno é uma das principais

6 JOVENS
colunas dos relacionamentos saudáveis nifestado integral e completamente nas
(Hb 13.1), e não existe qualquer amizade interações humanas pelo simples fato de o
verdadeira (1 Pe 3.8) que subsista sem ele homem manifestar feixes de sentimentos
(1 Ts 4.9). O amor fraternal desenvolve-se contraditórios, positivos e negativos: amor
inicialmente na família, entre os parentes e ódio, humildade e soberba, justiça e
consanguíneos, porque o núcleo familiar é injustiça. Todavia, esse amor é derramado
o lugar mais apropriado para o surgimento no coração do filho de Deus para que ele
e crescimento das interações humanas ame como Deus também ama (Rm 5.5;
frutíferas que se estenderão por toda vida. Jo 13.35). É desenvolvido na caminhada
Ao Longo da vida social, o amor fraternal diária com o Senhor e a comunidade de fé.
é compartilhado com outras pessoas 3. Amor agápico ordenado por Jesus.
independente do parentesco, da etnia e Embora o amor agápico não se apresente
posição social, chegando a tornar-se mais em sua plenitude nas limitações humanas,
profundo e significativo do que os laços em Cristo, a pessoa pode amar com a
familiares (Pv 17,17; 18.24). Esse sentimento mesma excelência com que Cristo ama e,
é caracterizado pela dedicação, compro­ assim, cumprir o mandato divino (Jo 13.34).
misso, interesse, respeito pela outra pessoa Esse amor agápico é uma ordenança e a
e, assim como a Epafrodito, pode levar até identidade (1 Jo 4 7- 13) mediante a qual o
ao sacrifício (Fp 2.19-30; 4.18). A base dele mundo conhece os discípulos de Cristo
é o amor agápico (1 Ts 4.9). (Jo 13.35). Esse amor é incondicional e
2. Amor agápico (Jo 13.34). Este é onão exige uma resposta positiva da outra
amor com que Deus ama-nos (Jo 3,16). Na pessoa! Quem o possui ama sem exigir
verdade, o amor que é o próprio Deus (1 qualquer coisa em troca, mesmo que seja
Jo 4.8,16). Esse é o amor pelo qual Deus reciprocidade. É nesse sentido que se fala
deu seu Filho para morrer pelos homens do amor de Cristo pela Igreja e do amor
(1 Jo 4,10), e o Filho deu-se a si mesmo à de Deus pelos homens (1 Jo 4.10; Jo 3.16).
morte pela humanidade (Jo 15.13). Devemos Portanto, somente o temos, o vivemos
“amaro próximo como a nós mesmos”(Mt e o comunicamos em união com Cristo
22.39). Todavia, tal amor pode sucumbir Jesus. Os relacionamentos entre os filhos
ao egoísmo, e aos interesses pessoais. de Deus devem superar suas diferenças e
Jesus deu-nos novo mandamento: que inquietações por meio do amadurecimento
amemos uns outros, assim como ele do amor agápico na vida da comunidade
nos amou (Jo 15.12). Um amor disposto de fé, a Igreja (1 Jo 4.16-21).
ao sacrifício, cujo interesse não é o “si”,
mas o “outro". A descrição mais completa O Pense!
desse amor encontra-se em 1 Coríntios 0 amor fraternal e o agápico são a
13.1-13 e o seu exemplo mais singular essência dos relacionamentos sau­
em Fiüpenses 2.5-11 e 2 Coríntios 8.9. Em dáveis e frutíferos. 0 que implica a
falta deles em nós?
todas as dimensões possíveis esse amor
se expressa por inteiro somente na Pessoa
O Ponto Importante
do Pai (1 Jo 4.8,16), do Filho (Ef 3.19) e do
A vocação cristã consiste em refle­
Espírito Santo (Rm 15.30; ver 2 Co 13.13). tir intensamente o mesmo amor
Deste modo, o amor agápico não é ma­ de Jesus.

JOVENS 7
III - PRINCÍPIO S PARA SE ESTA­ SUBSÍDIO
B E LE C E R RELACIO N A M EN TO S
SAUDÁVEIS “AComunidade
1. Respeito (íTm 2,2 IARA]). O respeito [...] O desejo por comunidade nos foi
é um valor moral necessário ao convívio dado por Deus, Ademais, a comunidade
saudável e harmônico. Por meio dele é necessária para o desenvolvimento
apreciamos e reconhecemos o próximo do cristão, É quase impossivel desen­
volver um estilo de vida cristão sem
e os seus direitos: à vida, à felicidade; ao
o companheirismo da Igreja; de fato,
trabalho; ao culto; à Livre expressão de
'a formação ocorre no contexto das
ideias. No mundo globalizado e multi­ relações’. Somente na comunidade
cultural de hoje, o respeito é uma neces­ é que a pessoa toma conhecimento
sidade para a boa convivência. Nenhum de quem é, desenvolve seu caráter e
relacionamento saudável subsiste sem vive de acordo com ele. Mas a comu­
respeito mútuo (Rm 13.7; Ef 5.33; 1 Tm nidade deve ser uma comunidade fiel,
3.8; Tt 2.2 -ARA). pois devemos nos preocupar em nos
2. Ética (Êx 20; Mt 5-7; 2 Tm 3.16). Em formar fielmente.
aspecto prático, a ética refere-se às nor­ Definição
mas de conduta sob as quais a sociedade A palavra do Novo Testamento
e o individuo vivem. Todavia, a base da usada para identificar o tipo de comu­
nidade necessária é koinonia, Paulo a
élica cristã não são os costumes sociais,
usou para indicar ‘o companheirismo do
mas o caráter santo e misericordioso de
relacionamento dos cristãos com Cristo
Deus, os ensinos de Jesus, e as Escri­ e, por conseguinte, uns com os outros.
turas. Estes fundamentam a vida e os Koinonia tem o significado básico de
relacionamentos saudáveis dos cristãos. 'compartilhar algo com alguém'. Assim,
3. Alteridade (Lc 6.36,37). O homem é para nós, fcoinonia é o companheirismo
um ser social! Ele vive em comunidade e dos crentes em Cristo, que deve ser
interage com o outro, que lhe é diferente. encontrado na Igreja,
Isto cria uma relação de interdependência Características da Koinonia
e solidariedade, que são necessárias ao Howard Snyder especifica três
desenvolvimento pessoal e coletivo do ser aspectos da comunidade cristã impor­
tante para este estudo; compromisso
humano. Por meio da alteridade a pessoa
e concerto, vida com partilhada e
se coloca no lugar da outra, procurando
transcendência. Pode ser proveitoso
entendê-la, respeitando as diferenças
aplicar estes aspectos da koinonia aos
que existem entre ambas. elementos que Jam es McClendon
sugere que os cristãos precisam: es­
O Pense! tabilidade (para o corpo), integridade
Respeito, ética e alteridade são (para a mente) e liberdade (para o
como estradas de duas vias. O que espírito). Os cristãos precisam estar
aconteceria se vivêssemos preo­
em um ambiente que venha a nutrir o
cupados apenas conosco? ■
corpo, a mente e o espírito i„.l" (PAL-
MER, M.D Panorama do Pensamento
Ponto Importante Cristão. í.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
0 amor verdadeiro abre-se ao
2001, p. 305)-
mistério que é o outro.

8 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
PALMER, M D, Panorama do Pensamento Cristão.
ted.Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
COLSON, C. E, Agora como Viveremos? l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

CONCLUSÃO

A Sagrada Escritura revela 0 maior de todos os segredos para a construção de um rela­


cionamento saudável: 0 Senhor não estava solitário na eternidade, mas compartilhava da
comunhão perfeita do Filho e do Espírito Santo! É a relação perfeita de amor entre as três
benditas pessoas da Deidade que possibilita-nos entender 0 desejo do Senhor Jesus ao dizer.
“Que todos sejam um, como tu, ó Pai, 0 és em mim, e eu em ti: que também eles sejam um em
nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21). Sejamos unidos, nos esforcemos
para sermos unidos, e vivamos reLacionamentos saudáveis, porque essa é a vontade de Deus.

HORA DA REVISÃO

1. Qual foi o grande impacto que o conceito de “imagem de Deus”causou na An­


tiguidade?
De que todos são iguais diante de Deus pois todos são imagem de Deus.
2 . 0 homem é imagem de Deus e foi capacitado para quê?
A viver em comunhão com o Senhor e com o semelhante na personalidade e
socialidade que advém da semelhança com o Criador!
3. No que consiste a identidade do sujeito? Explique.
No que sou (eu), que implica autonomia e liberdade: e no que não sou (outro) que
implica que o outro tem o mesmo direito à autônima e liberdade.
4. Qual foi a grande mudança no mandamento de “amar o próximo como a ti mesmo"?
Um amor disposto ao sacrifício, cujo interesse não é o “si", mas o “outro”.
5. Quais os três princípios para o relacionamento saudável? Explique-os brevemente.
Respeito- valor moral necessário ao convívio saudáveLÉtica- normas de conduta
para se viver. Alteridade - colocar-se no lugar da outra pessoa.

Anotações
LIÇAO

2
11/10 /2 0 15

RELACIONAMENTO
EM FAMÍLIA
TEXTO DO DIA r AGENDA DE LEITURA
“D eus faz que 0 s o litá rio SEGUNDA - Gn 224
v iv a em fa m ília A instituição da primeira família
(SL 68.6a) TERÇA-Gn 3.12-20
A crise na primeira família
QUARTA-Gn 4.8-16
A primeira tragédia entre irmãos
QUINTA - Gn 4.18-24
A família monogâmica ameaçada
* SÍNTESE SEXTA - Gn 4.25-26
Restauração do propósito divino
Deus criou a família como
na família
centro de comunhão e
realização humana, um lugar SÁBADO-Ef 522-6.4
por meio do qual as bênçãos Princípios divinos para uma
divinas fluiriam sobre a Terra. família saudável

10 JOVENS
OBJETIVOS

■ CO M PR EEN D ER o propósito da criação da família;


•EN TEN D ER o significado de honrar os pais;
•D ESEN VO LVER a boa comunicação em família.

INTERAÇÃO

Como foi a recepção da lição anterior entre os alunos? O desejo


dos editores é que essas lições se transformem em atitudes
que mudem, fortifiquem e ampliem os relacionamentos por
meio de uma reflexão mais bíblica do que social, todavia, sem
ignorar a contribuição de ambas à completa compreensão do
temário. Portanto, leia atentamente o texto complementar
na seção Subsídio; adapte a lição ao contexto social e nível de
compreensão de seus alunos, pesquise em fontes confiáveis,
e empregue recursos didáticos diversificados. Que o Senhor
continue abençoando vossa vida e ministério.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta lição, depois da introdução ao tema, distribua um


pedaço de papeL para cada aluno e solicite que eles escre­
vam apenas uma palavra que descreva o conceito de família
para eles. Não pode ser dois ou três vocábulos, mas apenas
e exclusivamente um.
Fique atento aos termos e escreva-os no quadro ou outro
lugar apropriado. De acordo com o desenvolvimento da aula,
inclua essas palavras em sua ministração, ora conceituando
-as, ora afirmando ou corrigindo-as. Seja perspicaz e procure
compreender o que levou o aluno a destacar tal palavra.
TEXTO BÍBLICO
íbémíwémmiiíibimí^ ébhhhmmmw ébbbbbi

Salmos 128.1-6; Ef 6.1-4 todos os dias da tua vida.


Salmos 128 6 E verás os filhos de teus filhos e a paz
1 Bem-aventurado aquele que teme ao sobre Israel.
Senhor e anda nos seus caminhos! Efésios 6
2 Pois comerás do trabalho das tuas 1 Vós, filhos, sede obedientes a vossos
mãos, feliz serás, e te irá bem, pais no Senhor, porque isto é justo.
3 Atua mulher será como a videira frutífera 2 Honra a teu pai e a tua mãe, que é o
aos lados da tua casa; os teus filhos, como primeiro mandamento com promessa,
plantas de oliveira, à roda da tua mesa. 3 para que te vá bem, e vivas muito
4 Eis que assim será abençoado o ho­ tempo sobre a terra.
mem que teme ao Senhor! 4 E vós, pais, não provoqueis a ira a
5 O Senhor te abençoará desde Sião, vossos filhos, mas criai-os na doutrina
e tu verás o bem de Jerusalém em e admoestação do Senhor

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
No contexto da vida pós-moderna há uma grande crise e desconfiança nas
instituições. Por vários fatores, nem sempre fáceis de serem compreendidos,
0 homem moderno se opõe as instituições tradicionais, como a religião e a
família. Está última tem sido alvo de ataques que procuram ru ir os funda­
mentos bíblicos e cristãos que servem de âncora para uma família saudável
e feliz. Nesta lição, estudaremos que a família cristã é um centro por meio
do qual as bênçãos divinas devem fluir sobre toda a terra (Gn 12.3).

I - O I D E A L DA FAMÍLIA (Gn 2.18). A solidão é um agravo à saúde


1 . 0 propósito de Deus (Gn 2.18-24). psicofísica da criatura humana e, por
Deus criou a família para ser um centro mais esta razão, o Senhor não deixaria
de comunhão entre homem e mulher a criatura feita à sua imagem sem um
e os filhos gerados dessa relação. A semelhante para comungar e expressar
família seria um núcleo irradiador das tudo quanto recebera da parte de Deus.
bênçãos divinas e realizações humanas. Homem e mulher, portanto, fazem parte
O trabalho (Gn 2.15), a subsistência (Gn do mesmo projeto divino e ambos são
1.29,30), o lazer (Gn 2.1-3), o prazer e pro- responsáveis pela harmonia familiar,
criação (Gn 1.28), e os papéis sociais dos desenvolvimento da afetividade e cresci­
membros da família (Gn 2.24), estavam mento pessoal É na família que podemos
interligados harmoniosamente com o crescer no conhecimento do Senhor (Os
propósito do Criador. Deus vira que não 6.3), amadurecer nossas emoções, e nos
era bom que o homem estivesse só desenvoLver como pessoas plenamente
(Sl 68.6), e, por isso, criou-lhe a família realizadas (Lc 1.80; 2.52).

12 JOVENS
2. 0 pecado (Gn 3). O pecado é umapara a felicidade no Lar são o temor ao
ofensa contra Deus (Rm 3.23), e o próximo Senhor e a submissão aos seus manda­
(Mt 6,14). Ele afasta as pessoas tanto de mentos (v.i). Observando deste modo,
Deus como do outro, A primeira crise as realizações pelas quais a sociedade
familiar foi provocada pela desobedi­ tanto Labuta fluiriam naturalmente no
ência ao mandato divino (Gn 3.11), pela lar: prosperidade financeira e realização
falta de franqueza e transparência no no trabalho (v.2), completa realização no
diálogo (Gn 3.1-5,12,13). e pelo egoismo matrimônio e na criação dos filhos (v.3);
na satisfação das necessidades pessoais porque assim é abençoado aquele que
(Gn 3.6). Nesta crise encontram-se os in­ teme ao Senhor (v.5).
fortúnios que atingem a família hodierna:
desobediência, falta de diálogo, egoís­ © Pense!
mo e medo. O primeiro registro bíblico Cada membro da família é res­
da palavra “medo”, ''temor” ou “pavor” ponsável pela unidade e harmo­
nia doméstica. 0 que você está
acha-se em paralelo ao problema do
fazendo para essa harmonia?
mal moral ou da Queda. Diz a Bíblia: "E
chamou o Senhor Deus a Adão e disse-
O Ponto Importante
lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua A bênção do Senhor está sobre a
voz soar no jardim, e temi, porque estava família cujo fundamento é Cristo.
nu, e escondi-me” (Gn 3.9,10). O medo,
segundo Gênesis, é produto do pecado, II - O SIGNIFICADO DE “HONRAR
ou melhor, da perda da comunhão com PAI E MÃE”(Éx 20,12; Ef 5.22,23; 6.1,2)
Deus. Não há medo quando o crente 1. Obediência. O mais básico sentido
está na relação certa com o Criador! de honrar os pais é obedecê-los (Pv 4.1-4;
Enquanto Adão mantinha-se em har­ 23.22). Segundo a BíbLia, a desobediência
monia e comunhão com Deus, nada o aos pais implica em duras indigências
atemorizava. O medo não existia antes e maldições (Pv 20.20; 30.17: Êx 21.15;
da Queda, mas assumiu o controle das Lv 20.9). Contudo, um filho submisso
emoções humanas quando a criatura é a alegria dos pais (Pv 10.1; 13.1; 15.20).
fora suficientemente corajosa para de­ Neste aspecto, honrar os pais significa
sobedecer o mandamento divino! respeitá-los, obedecê-los e acatar seus
3. O lar abençoado por Deus (Sl conselhos. O mandamento de honrar
128.1-6). Pelo fato de os homens serem pai e mãe é incondicional, imutável e
pecadores, nenhuma família será perfeita, vigente pelo tempo que os pais vive­
porquanto as pessoas que a compõe rem. Infelizmente, alguns acham que
são imperfeitas. É preciso entender isso tornar-se aduLto e contrair matrimônio
e não exigir dos familiares uma perfeição são ocasiões para livrarem-se dos pais.
impossível de alcançar. Comece dando- Em nenhuma fase da vida a pessoa está
lhes o exemplo. Aceite e ame-os com todo livre do cumprimento dessa ordem.
desprendimento. O amor tudo suporta (1 2. Provisão. O segundo sentido do
Co 13.7: Ef 4.2: CL 3.13). Todavia, o lar pode mandamento é prover os pais em suas
e deve ser um Lugar onde as bênçãos do necessidades. Qualquer teoria ou prática
Senhor estão presentes. O fundamento que pretenda desobrigar os filhos dessa

JOVENS 13
responsabilidade contradiz as Escrituras fjjjjjl Ponto Importante
(Mc 7.10-13). De acordo com Jesus, susten­ Desonrar os pais é ofender
tar os pais na velhice (Mc 711-13) era um Àquele que nos deu o
mandamento que não poderia ser anulado mandamento: o Senhor.
pela tradição. O Novo Testamento ensina
III - A COMUNICAÇÃO NA FAMÍLIA
o apreço e consideração pelos pais na
velhice. Timóteo foi proibido por Paulo (Sl 19 14 ; 1413;1 Co 15.33)
1. A arte da comunicação familiar.
a repreender asperamente um ancião.
Deveria admoestar os idosos como a pais Há um interesse social cada vez maior
e mães (1 Tm 5.1,2), e as viúvas com mais na arte da comunicação. Contudo, muito
de sessenta anos deveriam ser registradas empenho é feito na área do crescimento
na lista oficial de “viúvas da igreja" (vv.9,11). profissional e pouco para melhorar a
Todavia, a responsabilidade de cuidar dos comunicação doméstica. Há pessoas
pais em avançada idade era dos paren­ que conversam com todos no trabalho,
tes próximos: “Mas se alguém não tem na escola e na igreja, mas são de poucas
cuidado dos seus e principalmente dos falas com a familia. Não têm interesse no
da sua familia, negou a fé e é pior do que diáLogo com os pais, filhos, irmãos, esposa.
o infiel" (v.8). Cuidar dos pais implica em Comunicam-se mais pelas redes sociais
suprir suas carências materiais (Sl 3725) com os estranhos, enquanto se fazem
e não desprezá-los na velhice (Pv 23.22). estranhos à própria familia. A única coisa
Na morte, Jesus lembrou-se do cuidado que comunicam é quando diz respeito às
devido à sua mãe (Jo 19.26,27), traduzindo necessidades pessoais. Sabe-se que é
deste modo o solicito pedido do salmista impossível não se comunicar. As pessoas
ao Senhor: "Não me rejeites no tempo da estão sempre se comunicando, seja com
velhice; não me desampares, quando gestos, seja com posturas ou tom de voz.
se for acabando a minha força”(Sl 71.9). Até mesmo ficar em silêncio é uma forma
3. Preservação moral. 0 terceiro as­ de comunicação. O receio que alguns
pecto do mandamento é a preservação possuem em se comunicar na família
moraL dos pais. A observação a esse reside no fato de que o diálogo modifica,
preceito trouxe bênçãos para Sem e muda ou afeta os sujeitos da comunicação.
Jafé, mas a desobediência incorreu em Quando os membros familiares interagem
maldição para Canaã (Gn 9.20-29), Isto constantemente por meio do diáLogo, eles
implica em não expor os pais ao ridículo, estimulam e reforçam o que está sendo
divulgar suas fraquezas, debochar da dito por meio de atitudes e gestos de modo
seniLidade dos pais, entre outras (Pv que a comunicação define e aprofunda
11.13; 19 26). Atente para o conselho de o relacionamento na família (Cl 3.16,7).
Provérbios 30.17. Lembre-se: “A glória A comunicação, portanto, influencia o
dos filhos são seus pais”(Pv 17.6), comportamento e as atitudes das pessoas.
2. Como melhorar a comunicação
O Pense! na famíLia (Tg 3). Toda família é singular.
Honrar os pais é o primeiro
Não existe uma família que seja igual a
mandamento com promessa:
prosperidade e vida longa! Nãc outra. Deste modo, não se pode receitar
almejas tais bênçãos? regras para se estabelecer a comunica­

14 JOVENS
ção doméstica, mas é possível observar
SUBSÍDIO
algumas normas gerais. Primeiro, pro­
cure conversar a respeito daquilo que “Família, Centro de Comunhão
interessa ao outro (Pv 10.32). Segundo, Deus é quem decidiu criar a família.
seja atencioso ao seu interlocutor (Pv Esta foi formada para ser um centro
15.23) Terceiro, use palavras educadas e de comunhão e cooperação entre os
afáveis (Pv 15.1,4; 16,24). Quarto, resista à cônjuges. Um núcleo por meio do qual
tentação de interromper a conversa (Pv as bênçãos divinas fluiriam e se espa­
lhariam sobre a terra (Gn 1.28). Não era
15.31). Quinto, não atenda as redes sociais
parte do projeto célico que o homem
enquanto conversa. Sexto, não ofenda
vivesse só, sem ninguém ao seu lado
e, se ofendido, mostre tolerância (v.17).
para compartilhar tudo o que era e tudo
Sétimo, respeite e não fale mal dos outros o que recebeu da parte de Deus. pois o
(Tg 4.11). Oitavo, rompa as barreiras que homem sente-se pessoa não apenas pelo
foram erguidas devido os problemas do que é, mas tambem quando vê o seu
passado, Nono, perdoe e aceite o perdão reflexo no outro que lhe é semelhante.
de seus parentes. Pai, mãe, irmãos e ir­ Portanto, a sentença divina ecoada nos
mãs são laços que se estabelecem para umbrais eternos expressa o amor e o
sempre. Décimo, freqüente as reuniões cuidado celeste para com a vida afetiva
e celebrações familiares. do homem. O próprio Deus não estava
3. Comece por você. A mudança para solitário na eternidade, mas partilhava de
incomensurável comunhão com o Filho
uma comunicação frutífera na família
e o Santo Espírito, Deus é um ser pessoal
deve começar por você. Seja o exemplo!
e sociável às suas criaturas morais. No
Não espere que o outro tome a iniciativa,
entanto, contrapondo a natureza divina
Portanto, mostre-se aberto ao diálogo à humana, concluímos que o intrínseco
em família. Procure conhecer o perfil e relacionamento entre a divindade e o
áreas de interesse dos seus familiares. ente humano dá-se em níveis transcen­
Começar um diálogo a partir daquilo que dentais, metafísicos. Por conseguinte,
seu parente gosta é um bom início. Vença faltava ao homem alguém que lhe fosse
a barreira que a racionalidade impôs ao semethante, ossos dos seus ossos, carne
homem moderno e aprenda a demonstrar de sua carne, alguém que se chamasse
seus sentimentos. Diga aos seus pais, ‘varoa’ porquanto do 'varão' foi formada.
irmãos e irmãs o quanto você ama-os. Essa correspondência não foi encontrada
nos seres irracionais criados, mas na
Tome a iniciativa e crie oportunidades e
criatura tomada de sua própria carne
ambiente propício à comunicação.
e essência. A mulher era ao homem o
vis-à-vis de sua existência. Seu reflexo.
O Pense! Partida e chegada. O homem e a mulher
Não escolhestes a famíiia a quaL
se identificam mutuamente por compar­
pertences, mas tens a oportunida­
tilharem da mesmíssima imagem divina:
de de torná-la uma grande bênçãoI
'E criou Deus o homem à sua imagem; à
imagem de Deus o criou; macho e fêmea
© Ponto Importante os criou' (Gn 1.27)" (BENTHO, Esdras C. A
A família é um presente de Deus
Família no Antigo Testamento. i.ed. Rio
para o pleno desenvolvimento de
nossa humanidade. de Janeiro: CPAD, 2006, p. 24).

JOVENS 15
ESTANTE DO PROFESSOR

BENTHO, Esdras C, A Família no Antigo Testamento.


i.ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2006.
SOARES, Esequias. Casamento, Divórcio & Sexo à Luz da Bíblia
led . Rio de Janeiro; CPAD, 2011.

CONCLUSÃO

0 Senhor deu a você uma família para o pleno desenvolvimento de seus dons e com­
petências. A família é o primeiro núcleo social no qual todos os homens são inseridos.
E nela que o indivíduo se descobre diferente do outro, constrói sua identidade e inicia
sua descoberta do mundo e do mistério da vida. Portanto, valorize seus pais, irmãos
e irmãs, avós e avôs, tios e tias, primos e primas. Construa um ambiente 0 qual você
possa chamar de “lar”, que sirva-te de refúgio, fortaleza e escola.

HORA DA REVISÃO

1. Qual o propósito de Deus ao criar a família?


Ser um centro de comunhão entre homem e mulher e os filhos gerados dessa
relação.
2. Quais os dois fundamentos da bênção do Senhor na família?
O temor ao Senhor e a submissão aos seus mandamentos.
3. Procure no dicionário os significados da palavra “honra".
Conjunto de ações e qualidades que fazem com que alguém seja respeitado.
4. Cite e comente os três aspectos do mandamento de honrar os pais.
Obediência aos seus ensinos, provisão de suas necessidades e preservação de
sua vida e honra.
5. Cite duas normas para melhorar a comunicação na família.
Conversar a respeito do que interessa o outro (Pv 10.32) e ser atencioso ao in­
terlocutor.

Anotações
RELACIONAMENTO
NO AMBIENTE DE
TRABALHO
TEXTO DO DIA r AGENDA DE LEITURA
“E quanto ao homem, a quem SEGUNDA - Gn ZU-Í5
Deus deu riquezas e fazenda O Senhor institui 0 trabaLho
e Lhe deu poder para delas TERÇA-Gn 3.17-19
comer, e tomar a sua porção,
A desobediência tornou 0
e gozar do seu trabalho, isso é
trabalho penoso
dom de Deus.”(Ec 5.19)
QUARTA - Ec 3.11-13
A dignidade do trabalho e
direitos do trabalhador
SÍNTESE QUINTA - Ec 217-24; 6.7
Futilidade e bênçãos
O Senhor deu 0 trabalho
provenientes do trabaLho
ao homem para o pleno
desenvolvimento de sua SEXTA - Ec 9.7-10
criatividade, potencialidades, A felicidade do trabalhador
humanização e felicidade. SÁBADO-Ec 4.4
O trabalhador competente é
invejado pelo incompetente

JOVENS 17
........-■.................. «„ .. II
OBJETIVOS
III <1111 lilm i ■,'liW V irm ihm ri

•COMPREENDER os diversos conceitos de trabalho;


•REFLETIR sobre o relacionamento no trabalho;
•REPENSAR o relacionamento com os superiores no
trabalho.

INTERAÇÃO

Professor como está a motivação de seus alunos para o tema em


apreço? Eles participam das aulas? Respondem as questões?
É necessário ensinar os assuntos com dinamismo, criatividade
e profundidade, cuidando sempre da boa comunicação. Não
são poucos os educandos que desconsideram o tema “relacio­
namento”por considerarem que já o conhece. Para eles, uma
auLa monótona e repetitiva é desmotivadora. Todavia, você
deve ministrar subsidiado por todos os recursos didáticos e
retóricos disponíveis. Ilustrações, palavras e expressões en­
fáticas, gesticulações apropriadas; “tocar”não apenas a razão,
mas a alma, e os sentimentos de seus educandos.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, com base no Subsídio 2, faça um gráfico no quadro,


ou com outro recurso que estiver disponíveL, contendo o se­
guinte tema; “Os Propósitos Bíblicos do Trabalho”.
Distribua adequadamente o espaço em que será escrito, e, de
modo gráfico, disponha os conteúdos:
1) Deus criou os seres humanos para trabaLhar.
2) Para prover subsistência aos necessitados.
3) Desenvolvimento da cultura.
A fonte ou referência, base para o gráfico e também a explicação
dele é o próprio Referencial Teórico. Se possível leia todo o
referencial diretamente no livro indicado.
TEXTO BÍBLICO

2 Tessalonicenses 3.7-13 10 Porque, quando ainda estávamos


7 Porque vós mesmos sabeis como convosco, vos mandamos isto: que,
convém imitar-nos, pois que não nos se alguém não quiser trabalhar, não
houvemos desordenadamente entre coma também,
vós, 11 Porquanto ouvimos que alguns entre
8 nem, de graça, comemos o pão de vós andam desordenadamente, não
homem algum, mas com trabalho e trabalhando, antes, fazendo coisas vãs.
fadiga, trabalhando noite e dia, para 12 A esses tais, porém, mandamos e
não sermos pesados a nenhum de exortamos, por nosso Senhor Jesus
vós; Cristo, que, trabalhando com sossego,
9 não porque não tivéssemos autoridade, comam o seu próprio pão.
mas para vos dar em nós mesmos 13 E vós, irmãos, não vos canseis de fazer
exemplo, para nos imitardes. o bem.

COMENTÁRIO
'-«-•- • -Ato.**-.. .

INTRODUÇÃO
0 trabalho deve ser visto pelo cristão não como peso, ou fruto do pecado, como
equivocadamente pensam alguns, mas como possibilidade de crescimento
e desenvolvimento humano dados por Deus para a plena humanização e
realização do homem.

I - V O C Ê E O T R A B A L H O (Ec homem para fazer dele um “trabalhador".


2.17-24 ; 6.7) O interesse não está no homem, em sua
1. Civilização industrial e o trabalho compLeta humanização, mas em sua
Ur 22.3,13; Am 8.4-6; Tg 5.4). Na civiliza­ capacidade de produzir e consumir cada
ção industrial, o homem está a serviço vez mais. O indivíduo é preparado para
do sistema de produção e distribuição. O ser “trabalhador", “consumidor" em vez
trabalho nessa perspectiva é uma ativi­ de um ser pleno, realizado e consciente.
dade racional que se propõe a produzir A exclusão social de um sem-número
bens para o consumo, satisfação das de pessoas, a situação desumanizante
necessidades com vistas a felicidade de milhões de trabalhadores nos países
do indivíduo e progresso da civilização. de Terceiro Mundo, as injustiças sociais
Nesse aspecto, é valorizada a pessoa e trabalhistas que lhes são cometidas, e
que trabalha e a que tem capacidade de o sucateamento das reservas naturais
consumir os bens produzidos. O “ter”vem atestam a crueldade e desumanização
à frente do “ser”.As instituições da socie­ da qual os trabalhadores e o mundo
dade industrial preparam e modelam o são vítimas.

JOVENS 19
2. Perspectivas bíblica e humana após o pecado de ser expulso do Éden,
(Gn 2.4-15,19; 1.28). O conceito bíblico é que vemos aLgo acerca do extenuante
do trabalho é muito distinto daquele trabalho do “suor do rosto”(Gn 3.17-19).
dos povos m esopotâm icos, e mais Assim, não é o trabaLho que é amaldi­
tarde também dos gregos. Na epopeia çoado, mas a terra: “Maldita é a terra por
de Atra-Hasis, por exemplo, o trabalho causa de ti”(Gn 3,17). Junto ao trabalho,
é um castigo imposto aos homens para Deus estabeleceu o descanso (Gn 2.2:
que os deuses inferiores sejam libertos Hb 4.4: Êx 23.12; Ec 5.12) e o direito de
dos sofrimentos advindos das atividades usufruir do fruto de suas mãos (Ec 3.13;
extenuantes. Entre os gregos, Hesíodo 9.7-10). Afirmou certa vez Elifaz que “o
afirmava que no paraíso os seres hu­ homem nasce para o trabalho” Uó 5.7).
manos deviam viver, assim como os 3. 0 trabalho em o Novo Testamento
deuses, livres de trabaLho e labuta, pois (Ef 6.5-9). Jesus valorizou o trabaLho,
a própria natureza proveria o necessário sendo Ele próprio um carpinteiro (Mt
para a subsistência do homem. Todavia, 13.55; Mc 6.3). O Deus encarnado assumiu
na ótica bíblica, o trabalho realizado pelo a cultura e o trabaLho como expressões
homem reflete o exempLo do próprio de dignidade humana e empregou di­
Deus (Gn 2.1-3; Jo 5.17) e a efetivação versas profissões de seu tempo como
do mandato dEle (Gn 2.15). No hebraico, símbolos do Reino de Deus (Mt 13). Seus
o termo usado para descrever a “obra" apóstolos também eram trabalhadores
ou o “trabalho" de Deus (mela'hhto) em (Mt 4.18-20; 9.9; 1 Co 4.12) e ressaltaram
Gênesis 2.2 é o mesmo para falar do a dignidade do trabalho (Rm 4.4; 1 Co
“serviço”ou “trabalho" de José (Gn 39.11). 9.6; 1 Tm 5.18; 2 Tm 2.6), porquanto todo
O homem trabalhava no paraíso com um trabalho, sem exceção, tem a mesma
propósito específico: “lavrar e o guardar” dignidade. Eles, inclusive, combateram
(Gn 2.5,15). O trabalho, portanto, é um aqueles que deixavam de trabalhar por
meio de o ser humano desenvolver sua causa da iminente Vinda de Cristo (1 Ts
criatividade, potencialidade, transformar 4.11; 2 Ts 3.10-12), e os que faziam do
o mundo em cultura (“lavrar e guardar") evangelho uma fonte de lucro, evitan­
e realizar-se como humano, na plena do assim, o trabalho braçal (1 Tm 6.5).
efetivação da im agem de Deus no Ambos se eximiram de suas responsa­
homem (Gn 1.26-28). Não é um modo bilidades materiais esperando com isso
de exploração dessas competências, agradar a Deus, seja ao esperar o seu
mas do pleno aperfeiçoamento delas. retorno iminente, seja dedicando-se à
Mediante o trabalho, o homem ad ­ pregação itinerante. Paulo, no entanto,
ministra responsavelmente o mundo repreende-os aberta e severamente (1
criado por Deus. O trabaLho, contudo, Ts 4.11; 2 Ts 3.10).
deixa de ser Lúdico para se transformar
em peso quando o homem afasta-se O Pense!
Deus criou o trabaLho para 0
do caminho proposto pelo Senhor (Gn
pleno desenvolvimento dos
3.19). Primeiramente, a Bíblia afirma a talentos do homem. Como você
responsabilidade do homem em cuidar tem empregado esses dons para
do jardim (Gn 2.15), e somente depois, o benefício da humanidade?

20 JOVENS
0 Ponto Importante das relações humanas e da vida em
Condene toda e qualquer injusti­ sociedade. Ele surge todas as vezes
ça cometida contra o trabalhador, _ que os interesses, opiniões e tendências
de alguém do grupo são incompatíveis
II - V O CÊ E AS PESSOAS NO AM­ com os do outro. É preciso que haja
BIEN TE DE TRA BA LH O (Gl 5.22) maturidade, paciência, compreensão
1. Ambiente de trabalho saudável. É e rapidez das partes para resolver os
no ambiente de trabalho que se realiza conflitos, uma vez que eles provocam
boa parte das atividades profissionais. rusgas nos relacionamentos e geram
Independente de qual seja a profissão sentimentos negativos e prejudiciais,
e o Lugar de trabalho, a pessoa passa tanto para o profissionaL quanto para a
mais tempo com os demais profissio­ organização (Pv. 3.29; 27.9; Mt 5.22-25;
nais do que com a própria família. Isto Ef 4.26). As diferenças estarão sempre
é suficiente para que cada profissional presentes em qualquer ambiente de
se dedique a cultivar um ambiente de trabalho, os desacordos também. Não
trabalho saudável, onde seja possível são necessariamente as diferenças e os
a valorização do indivíduo, o respeito desacordos que afetam a harmonia no
às diferenças, e a solidariedade. A má trabalho, mas como o profissional lida
qualidade no ambiente de trabalho é nessas e com essas situações. A postura,
responsável por muitos problemas: o tom de voz, o modo de falar e de se
exclusão, isolamento, individualismo, comportar devem refletir segurança
estresse, frustrações, falta de entusiasmo, e maturidade quando tais situações
desmotivações e improdutividade. Coisas surgirem. Os conflitos existem e podem
que afetam a saúde psicofísica da pessoa. contribuir para a resolução de problemas
É responsabilidade de todos cultivar um e maturidade afetiva dos profissionais.
ambiente de trabalho saudável!
2. Construindo ambientes saudáveis O Pense!
(Rm 12.18; Mc 9.50; 1 Pe 3.11). Infelizmente, 0 trabalho é uma oportunidade
a construção de um ambiente de trabalho de você desenvolver suas habi­
saudável não depende exclusivamente lidades em conquistar e manter
amigos ao seu lado
de você. É responsabilidade de todos!
Ele é construído na relação cotidiana dos
profissionais que não poucas vezes, es­
0 Ponto Importante
A inveja e a cobiça são sentimen­
barram nos valores e interesses do outro
tos destrutivos'que afetam as
que são diferentes dos seus (Mt 5-7) e, relações pessoais no trabalho,
às vezes, da própria empresa. Todavia é
necessário desenvolver uma relação de III - V O C Ê E SE U S SU PERIO RES
confiança, respeito, cooperação, cordia­ NO TRA BA LH O (Ef 6.5-9)
lidade, imparcialidade e solidariedade, 1. Relacionamento equilibrado. No
sempre respeitando a dignidade alheia trabalho, principalmente quando se
e as diferenças (Rm 12.17-21; Pv 25.9,10). está iniciando a carreira, o profissional
3. Lidando com os conflitos (Pv ou aprendiz precisa Lidar com alguns
15.1,18; Ec 4.4). Os conflitos fazem parte superiores: diretor, chefe, gerente, en­

J0VEN S 21
carregado, outros. De modo geral, cria- um contra o outro, abafar os talentos
se no ambiente de trabalho tanto uma dos profissionais e ser responsável pelo
relação profissional quanto de amizade, mau ambiente de trabalho.
sendo necessário distinguir a ambas. Seja,
portanto, diligente (Pv 22,29), humilde (Pv © Pense!
25.6.7) de comunicação precisa (Pv 25.11), Jamais reclame de seu chefe para
outro funcionário. Nas empresas
e exerça seu trabalho com satisfação (Ef
as palavras têm asas.
6.7), Não seja bajulador, mas saiba elogiar
os colegas e chefes sem exagerar (Pv
O Ponto Importante
15.23). O bajulador é o profissional que Seja apaixonado pelo seu traba­
elogia exageradamente aos superiores lho e encontre nele realização e
para obter algum benefício pessoal no crescimento pessoal.
ambiente de trabalho. Essa atitude pode
prejudicar a imagem profissional entre
os colegas, mesmo que funcione com
certos chefes vaidosos. O bajulador pro­
cura manipular o outro e suas decisões
com elogios. Todavia, o elogio sincero
Caro professor, In­
felizm ente na Escola Dom inical
demonstra a vontade do profissional
e em nossos grupos de estudos
de estabeLecer laços de confiança e
bíblicos deixamos nossos alunos
reciprocidade (Sl 12.2; Pv 10.31; 12.6,18).
muito tempo somente ouvindo,
2. Obediência aos princípios divinos.
e o resultado é que acabam por
A Bíblia ensina o cristão à obediência de
tornarem-se passivos demais. Não
coração aos superiores (Rm 13.7), como
abrimos espaço para as perguntas
se estivesse submetendo-se ao próprio
e não permitimos que os alunos
Cristo (Ef 6.5,7), porque esta é a vontade
descubram as respostas sozinhos.
de Deus (Ef 6.6). Dificilmente alguém cres­
Em geral os alunos ficam sempre
cerá em sua profissão tomando atitude
quietinhos, ouvindo o professor,
de insubordinação aos seus líderes. Estes,
sem fazer nenhuma interrupção.
no entanto, devem Liderar sem ameaças
Segundo John Gregpry, a apatia
ou revanchismo, sabendo que Deus não
é uma das maiores inim igas da
faz acepção de pessoas (Ef 6.8,9).
atenção. Damos tudo pronto, não
3. Relacionamento com chefe in­
abrimos espaço para o fazer, para
competente. Essa é uma realidade em
a criatividade, para o diálogo e a
muitas profissões e empresas, lamenta-
reflexão. Precisamos colocar nos­
veLmente. O incompetente é inseguro,
sos alunos para pensar, perguntar
desconfiado, imaturo e invejoso e, às
mais, se mexer mais, Como nos diz
vezes, de difícil relacionamento, O que
Celso Antunes, o aluno tem que ser
fazer? Procure trabalhar em parceria
o protagonista e não o espectador”
com ele; não o desonre; não comente
(BUENO, Telma. Boas Ideias para
as falhas dele com outros; suporte resig­
Professores de Escola Dominical. 1.
nado os agravos. O chefe incompetente
ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 10).
pode desestabilizar a equipe, colocar

22 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Por que trabalhamos? “O propósito do trabalho
Primeiro, Deus criou os seres hu­ Primeiramente, o propósito do
manos para trabalhar. Considere os trabalho é atender as necessidades
dois relatos da criação nos primeiros da vida. De acordo com o apóstolo
capitulos de Gênesis. Em Gênesis 1.26, Paulo, os cristãos devem trabalhar com
lemos que Deus criou os seres humanos sossego e comer o seu próprio pão (2
como macho e fêmea para domina­ Ts 3.12); devem trabalhar para que não
rem' sobre a terá, Dois versículos mais necessitem de coisa alguma (1 Ts 4.12b).
adiante, Deus abençoou o primeiro casal Como Karl Barth afirmou, o primeiro
humano e ordenou-lhes que ‘sujeitasse’ item em questão em todas as áreas
a terra e a dominasse’ sobre todos os do trabalho humano é a necessidade
seres vivos (o que, a propósito, não dos seres humanos 'ganharem o pão
lhe deu licença para destruir o meio cotidiano e um pouco mais’.
ambiente). O domínio' que só pode ser O segundo e estreitamente rela­
exercido pelo trabalho, é o propósito cionado propósito do trabalho é prover
para o qual Deus criou os seres humanos subsistência aos necessitados. Em
(não o único propósito, mas um propó­ Efésios, os cristãos são exortados a
sito). Que isso esteja mencionado aqui trabalhar, ‘fazendo com as mãos o que
explicitamente é, sem dúvida, signifi­ é bom’, para que tenham o que “repartir
cativo, O trabalho, podemos concluir, com o que tiver necessidade' (At 4.34),
pertence essencialmente à própria O terceiro propósito do trabalho é
natureza dos seres humanos confor­ o desenvolvimento da cultura. Superfi­
me originalmente criados por Deus. cialmente, este propósito do trabalho
Isto é porque encontramos realização não é tão óbvio quanto os outros dois.
pessoal no trabalho significativo, e, por Contudo, não é menos importante.
outro lado, se não podemos trabalhar Nas mitologias antigas o trabalho do
achamos que nossa vida é vazia e sem homem era para liberar os deuses do
sentido [...] Para os gregos, viver com trabalho estrênuo. Em Gênesis 2 é Deus
os deuses significava viver sem traba­ quem trabalha para os seres humanos:
lho. Para os hebreus, viver com Deus Deus planta o jardim para a provisão
significava ter trabalho significativo, A humana (Gn 2,8)... O trabalho humano
característica mais notável no Antigo está, se lhe aprouver, ‘desmistificado’
Testamento não é tanto que os seres [...]" (PALMER, M.D. Panorama do Pen­
humanos são designados a trabalhar, samento Cristão. í.ed. Rio de Janeiro:
mas que Deus trabalha’’(PALMER, M.D. CPAD, 2001, pp. 229, 230-1)*
Panorama do Pensamento Cristão, led.
Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p. 226-7).

JOVENS 23
ESTANTE DO PROFESSOR
i^M8ÉM8Éte8ÍiÍttiMMÉ6IÉÉWHM8ÉÍÍilHBBÉÍHÉÍ8BHMMMMBl>Mli'[rii'

BENTHO, Esdras C, Hermenêutica Fácil e Descomplicada.


l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
VINE. W. E. Dicionário Vine, led. Rio de Janeiro: CPAD, 2003,

CONCLUSÃO

0 relacionamento do cristão no trabalho deve ser impulsionado por uma atitude de


temor e obediência aos princípios da Palavra de Deus e de respeito e cooperação com
os colegas de profissão.

HORA DA REVISÃO

1. Descreva o trabalho na perspectiva da civilização industrial.


Na civilização industrial, o homem está a serviço do sistema de produção e
distribuição.
2. Qual a visão bíblica a respeito do trabalho?
Na ótica bíblica, o trabalho realizado pelo homem reflete o exemplo do próprio
Deus e a efetivação do mandato dEle.
3. Quais são os problemas adquiridos pelo mau ambiente de trabalho?
Exclusão, isolamento, individualismo, estresse, frustrações, falta de entusiasmo,
desmotivações e improdutividade.
4. Quais eLementos são necessários para um ambiente de trabalho saudável?
Confiança, respeito, cooperação, cordialidade, imparcialidade e solidariedade,
sempre respeitando a,dignidade alheia e as diferenças.
5. Quais os princípios bíblicos para o relacionamento com os superiores?
Obediência de coração aos superiores como se estivesse submetendo-se ao
próprio Cristo,

Anotações
RELACIONAMENTO
ENTRE AMIGOS
TEXTO DO DIA AGENDA DE LEITURA
“O hom em que tem m u ito s SEGUNDA-Pv 17.17
am ig o s pode c o n g ra tu la r-se , Grandes amigos tornam-se
m as há am igo m a is chegado grandes irmãos
do que u m irm ã o .” TERÇA - Pv 1824
(Pv 18.24) Amigos mais chegados do que
irmãos
QUARTA-Pv 1420
“Amizade”obtida por meio das
riquezas
SÍNTESE QUINTA - Pv 1628
Os amigos são dádivas 0 difamador separa os
de Deus. Grandes amigos melhores amigos
tornam-se grandes irmãos. SEXTA-Pv 2211
Regras para ter amigos famosos
SÁBADO-Pv 27.10
Não se deve ab an d o n ar 0
am igo na ad versidade

JOVENS 25
OBJETIVOS

CO M PREEN D ER os conceitos bíblicos de amigo;


R E F L E T IR sobre as bases nas quais construím os
amizades;
R EPEN SAR os relacionamentos virtuais.

INTERAÇÃO

O verdadeiro amigo está presente em todas as circunstâncias.


Ele se cala, quando preciso. Aconselha, quando necessário.
Sorri, quando todos à nossa volta parecem nos odiar. Quan­
do erramos, lá está ele, disposto a nos compreender. Amigos
assim, não estão ã venda! Não se encontram a granel! São
especiais! São, simplesmente, amigos. Seja amigo de seus
alunos. Conquiste a confiança e o apreço deles. Invista no seu
relacionamento com eles.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, inicie a aula perguntando aos alunos se eles conhe­


cem a expressão Amigo da Onça”. Peça-lhes que comentem
o que eles entendem da expressão. A seguir, explique-lhes
que Amigo da Onça”é uma expressão popular que significa
“falso amigo". Originalmente foi um personagem criado por
Péricles de Andrade Maranhão (1924-1961) para a revista
O Cruzeiro, em 1943. Esse personagem era um sádico que
colocava os seus “amigos”em situações embaraçosas. Numa
dessas ilustrações (09/05/1959), uma senhora com cerca de
quase 80 anos está visitando um museu arqueológico e con­
templando a ossada de um dinossauro, quando, de repente, 0
“Amigo da Onça”pergunta: “Conheceu algum pessoalmente?”
Ninguém precisa e nem deseja um amigo sem tato ou que não
respeita os sentimentos alheios, não é mesmo? Você pode
imprimir da internet algumas dessas ilustrações do “Amigo
da Onça”, ou outra qualquer. Procure pela expressão ou pelo
nome de Péricles de Andrade Maranhão.

26 JOVENS
TEXTO BÍBLICO

i Samuel 18.1-4; 2 Samuel 1.25-27 trazia sobre si e a deu a Davi, como


1 Samuel 18 também as suas vestes, até a sua
1 E Sucedeu que, acabando ele de falar espada, e o seu arco, e o seu cinto.
com Saul, a alma de Jônatas se ligou 2 Samuel 1
com a alma de Davi; e Jônatas o amou 25 Como caíram os valentes no meio da
como à sua própria alma. peleja! Jônatas nos teus altos foi ferido!
2 E Saul, naquele dia, o tomou e não 26 Angustiado estou por ti, meu irmão
lhe permitiu que tornasse para casa Jônatas; quão amabilíssimo me eras!
de seu pai. Mais maravilhoso me era o teu amor
3 E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque do que o amor das mulheres.
Jônatas o amava como à sua própria alma 27 Como caíram os valentes, e pereceram
4 E Jônatas se despojou da capa que as armas de guerra!

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Marcus Tullius Cícero (106 - 3 a.C.) afirmou em seu “Diálogo sobre a Am i­
zade" que, excetuando a sabedoria, não há entre os homens um dom maior
do que a amizade. Para o filósofo, o amigo é alguém com quem se pode
conversar como se estivesse falando consigo mesmo. A amizade, dizia ele,
nunca é impertinente, jam ais molesta. Na amizade nada é fingido, nada
dissimulado, tudo quanto nela há é verdadeiro. Outro grande pensador da
Antiguidade, Aristóteles (382 - 322 a.C.), afirmou, em “Ética a Nicômaco”, que
a amizade é extremamente necessária à vida, pois ajuda aos jovens a evitar o
erro, e ampara aos mais velhos. Nesta lição estudaremos 0 valor da amizade,
0 ensino das Escrituras e os princípios que regem a verdadeira amizade.

I - “A M IGO S MAIS C H E G A D O S nas línguas bíblicas, refere-se a qualquer


DO QUE IRMÃOS" (l Sm 18 .1-6 ) pessoa amiga ou conhecida ao acaso.
1 . 0 ensino bíblico sobre amigos (Pv Mais especificamente, um amigo é uma
18.24). As Escrituras não tratam o tema de pessoa a qual desfrutámos de amizade,
modo sistemático, entretanto, encontramos companheirismo, confiança e afeição
referências ao assunto em muitas partes recíprocos (Pv 17.17; 18.24; Jó 2.11; 42.10;
da Bíblia. O termo hebraico mais comum é Ec 410). A amizade, por conseguinte, é
rêa, que designa desde um amigo íntimo, o sentimento afetuoso que existe entre
companheiro, até um vizinho ou próximo as pessoas que se chamam de amigos
(Gn 38.12; Êx 2.13; 21.14; Lv 19.18; Jz 7.13). O (Fp 1.7; Fm 17).
vocábulo grego que corresponde ao ante­ 2. Exemplos de amizade na Bíblia.
rior é hetairos, isto é, amigo, companheiro Entre os vários exemplos da Bíblia, des­
ou camarada (Mt 11.16; 20.13). Deste modo, tacam-se:

JOVENS 27
a) DavieJônatas (1 Sm 18.1-4:19.1-7:2 Sm Lv 20.10; Dt 5.18; Pv 6.32). Davi foi duramente
1.25-27). Ambos encontraram um no outro repreendido pelo pecado de adultério, mas
a confiança, amizade e afeição que Lhes não há qualquer repreensão a respeito de
faltavam no seio familiar. Jônatas era um sua amizade pública com Jônatas (1 Sm 18.1-
amigo desinteressado, fraterno, generoso 4). Se houvesse nessa amizade qualquer
e fiel Davi, por sua vez, retribuiu a amizade indício de um relacionamento pernicioso,
de Jônatas sendo misericordioso com seus a Bíblia prontamente condenaria.
descendentes após a morte do amigo (1 b) Termo hebraico. É importante obser­
var o que a Bíblia afirma: “a alma de Jônatas
Sm 20.11-17; 2 Sm 9).
b) Noemi e Rute (Rt 114-17). Ambas pas­ se ligou (qãshar) com a alma de Davi" (1 Sm
saram por muitas adversidades, tornando 18.1). O termo hebraico, que significa “atar,
ligar, amarrar, conspirar”, é o mesmo para
Provérbios 17.17 uma realidade em suas
se referir ao amor de Jacó por Benjamim
vidas. Ainda hoje, o voto de Rute é uma das
(Gn 44.30), ou a união entre pessoas para
mais belas pérolas da literatura. A amizade
conspirar contra outra (1 Rs 16.9). Deste
iniciou na adversidade, acompanhou-as
modo, no primeiro caso, a expressão denota
durante a vida, e as coroou de êxito no fim
“amarrar-se inseparavelmente por laços
da história (Rt 1-4).
de amor fraterno”e descreve o mais puro,
c) Pauto e Epafrodito (Fp 2.25-30). 0 modo
significativo e sincero sentimento fraterno
afetuoso pelo qual Paulo se refere ao ami­
que alguém possa nutrir pelo seu próximo.
go traduz a profunda amizade entre eles,
É uma aliança de amor semelhante aos
Epafrodito estava disposto, se necessário,
laços fraternais que unem um pai ao seu
a morrer a favor de Paulo. Como ignorar
filho por toda vida. Observe que o próprio
tal amizade?
Saul demonstrou por Davi um profundo
3. Desfazendo equívocos. Somente
amor e isto nunca foi considerado um
a perversidade humana (Rm 1.18-32) e a
sentimento impróprio (1 Sm 16.21), A mesma
corrupção da mente e do coração (2 Co 44;
paLavra para se referir ao amor de Saul
Tt 1.15) podem imaginar nesses exemplos
por Davi é empregada para falar do amor
de amizade sincera, em tempos de cor­
entre Jônatas e Davi, em 2 Samuel 1.26,
rupção, alguma referência homossexual,
Jamais se cogitou a possibilidade de o
apesar da proibição das Escrituras (1 Co
amor-amizade entre esses dois valentes se
6.9,10; Lv 18.22; 20.13). referir a qualquer tipo de relacionamento
Vejamos o que diz a Bíblia a respeito condenável pela Escritura.
dessa interpretação perversa: Além dos erros de lógica, distorção do
a) Proibição da Escrituras. Com base contexto e das expressões hebraicas, tais
nas várias proibições da Lei (Lv 20.13; 18.22), pessoas ignoram as amizades decantadas
podemos afirmar com segurança que não pela literatura: Frodo Bolseiro e Samwise,
havia qualquer resquício de relacionamento Sherlock Holmes e Dr. Watson, Dom
homoafetivo entre Davi e Jônatas. Lem­ Quixote e Sancho Pança, entre outros
bremos que Davi ao cometer o pecado de exemplos imortais,
adultério foi duramente repreendido por
Deus (2 Sm 12.1-25; Sl 51). Os dois pecados, © Pense!
de adultério e homossexualidade, eram Na adversidade surge um amigo
condenados pela Lei do Senhor (Êx 20.14; e na confiança nasce um irmão.

28 JOVENS
C l Ponto Importante outros por afinidades, ainda por relação
Verdadeiros amigos são dádivas de trabalho, agremiação, tradição ou
de Deus, conserve-os.
crença. De modo geral, as circunstâncias
e afeições desenvolvem o grau da ami­
II - TIPO S E FORMAS DE AM IZA­
zade (Ec 4.9,10). Alguns se aproximam
DES (Pv 17.17)
para tirar vantagens (Pv 14,20; 19.4,6),
1.0 que determina os tipos de ami­
outros para dar bons conselhos (Pv 27.6).
zades (Pv 17.17)? O presente provérbio
Provérbios 2.17, no entanto, emprega o
apresenta um desenvolvimento progres­
termo 'ctllüp, “amigo do coração”(“guia"
sivo da amizade. Ela surge sem que as
na ARC) para designar a amizade sobre
pessoas premeditem uma aliança dura­
ataque de pessoas mal intencionadas ou
doura, e cresce à medida que afinidades,
invejosas (Pv 16.28; 17.9). Isto serve para
interesses e pontos comuns manifestam-
se ao longo do relacionamento. A prova lembrar aos amigos que a mais profunda
da maturação da amizade ou o início de e sincera amizade deve ser preservada
um profundo companheirismo pode por ambos, uma vez que o difamador se
ocorrer nos momentos de infortúnios ou deleita em causar inimizades (Pv 16.28).
adversidades, quando então se distingue Quantas amizades já foram desfeitas
os verdadeiros amigos dos outros. As pelos invejosos e caluniadores! Um
amizades sinceras e belas, que mere­ verdadeiro amigo deve ser estimado
cem a celebração dos versos poéticos, como se estima o ouro. Assim como se
nascem nas mais difíceis circunstâncias preserva uma joia preciosa dos olhos
e desafios como nos apresenta a Bíblia invejosos e gananciosos é mister que
ao falar da amizade entre Noemi e Rute assim se faça às amizades sinceras e
(Rt 1.14-17). As amizades formadas em valiosas forjadas e provadas no cadinho
tempos de prosperidade e felicidade são da vida.
muitas (Pv 14.20; 19.4,6,7), mas em tempos 3. Relacionamentos corretos entre
de adversidade somente os verdadeiros amigos. A Bíblia traz várias orientações
amigos permanecem (Pv 17.17). Deste quanto à manutenção, preservação e
modo, apoiar um amigo ou conhecido seleção de amigos: não ser inoportuno
na adversidade (Pv 27.10) pode evoluir (Pv 25.17), não abandonar na adversidade
para uma relação madura, até mesmo (Pv 27.10), ser conselheiro (Pv 27.5,6),
superando a dos laços familiares (Rt 1.14- evitar as más companhias (Pv i3.20;iCo
17; 1 Sm 18.1-4). Todavia, vários fatores 15 33). escolher as boas companhias
determinam os tipos e a evolução das (Pv 12.26), ser fiel ao Senhor (Pv 16.7).
amizades: afeição, apoio, similaridades, Os exemplos destacados demonstram
confidência, traços de personalidade, carisma para se obter amigos, discerni­
frequência de contato, entre outros. mento para escolhê-los e honestidade
2. Os tipos e formas de amizades para preservá-los. É difícil encontrar
(Pv 18.24; Jo 15 15 ). Nem todos são bons amigos e desfrutar de sinceras
classificados como melhores amigos amizades no contexto fútil das relações
(Mt 26.50; Jo 6.66-71; 13.23). Uns são humanas modernas. Todavia, não é raro
colegas, conhecidos, amigos, vizinhos. achar um verdadeiro amigo e, quando
Alguns são por graus de parentesco, encontrá-lo, preserve-o.

JOVENS 29
© Pense! C l Ponto Importante
A difamação é a arma do invejoso Construa relacionamentos sólidos
para separar os melhores amigos. a partir de sua comunidade cristã.

& Ponto Importante


Os amigos devem ser preservados. SUBSÍDIO

III- ALÉM DO V IR T U A L “Discernindo os valores culturais


A cultura da mídia de entreteni­
1. Quantidade e qualidade nas ami­
mento pode ser definida como uma
zades, Alguns têm grande quantidade
mercadoria de vator empacotada.
de contatos no smartphone e “amigos"
Os cristãos que entram nos templos
no Facebook, mas continuam sozinhos. do entretenimento popular têm de
Quantidade de “curtidas”e de “amigos” estar cientes de qual ideologia e va­
não significa qualidade nas amizades. Às lores estão sendo vendidos, de qual
vezes, quando a qualidade na amizade mensagem Hollywood está tentando
falha, busca-se a solução do problema vender, Para sermos discriminantes
com a quantidade. Quando essa quanti­ destes produtos, primeiro temos de
dade afeta a individualidade ou torna-se ser discernentes. Algumas pessoas
incômoda, descarta-se com um simples fazem uma pergunta preliminar: se
“delete". A proximidade virtual torna as sequer devemos entrar em contato
com a cultura popular. Para o cristão,
interações humanas mais rápidas, inten­
todas as coisas, inclusive interagir
sas e freqüentes, contudo, mais banais,
com a mídia de entretenimento, são
descartáveis e breves. O individuo está
lícitas, mas nem tudo é necessaria­
conectado virtualmente, mas não está mente proveitoso ou edificante. Assim,
engajado com o outro socialmente. Os enquanto Deus dá permissão para o
relacionamentos costumam ser efêmeros espiritualmente maduro explorar e
em vez de substantivos. desfrutar nosso mundo, a sabedoria
2. Além da aparência fugaz. As ami­ prescreve que exerçamos prudência
zades devem resistir aos modismos tec­ e discrim inação. Podemos assistir
nológicos modernos, muito embora estes todos os filmes para a glória de Deus?
também possam contribuir positivamente Certamente que não. Muitos filmes
à manutenção dos amigos e o encontro seriam um impedimento definitivo para
o nosso desenvolvimento espiritual.
de outros. Amigos devem ser cultivados
Exercer nossa liberdade ofenderá
por meio de reLacionamentos sólidos.
algum as pessoas? Provavetmente
3. Igreja como centro de amizades sim. Por ísso temos de buscar 0 bem
saudáveis. Construa relacionamentos só­ do próximo, fazendo escolhas cons­
lidos a partir de sua convivência na igreja. cientes sobre o entretenimento que
A igreja é uma comunidade propícia ao vemos. E temos de nos perguntar:
desenvolvimento de amizades sadias e de certa perspectiva bíblica, isto é
sólidas que perdurarão por toda vida. digno do meu dinheiro e do meu
tem po?’(PALMER. M.D. Panorama
O Pense! do Pensamento Cristão, led. Rio de
A igreja é fonte de amizades Janeiro: CPAD, 2001, p. 398-9).
duradouras.

30 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR

CARVALHO, César Moisés. Uma Pedagogia para a Educação Cristã,


í.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento.
í.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

CONCLUSÃO

Ainda maior e melhor é ter 0 Senhor como verdadeiro Amigo. Moisés (Êx 33.11), Abraão
(Is 41.8; Tg 2.23) destacaram-se como amigos de Deus. 0 Senhor jamais decepciona,
jamais abandona. Ele é verdadeiro amigo.

HORA DA REVISÃO

1. Faça a distinção entre amigo e amizade.


Amigo é uma pessoa a qual desfrutamos de amizade e companheirismo: amizade
é o sentimento afetuoso que existe entre as pessoas que se chamam de amigos.
2. Cite dois exemplos de amizade sincera na Bíblia,
Davi e Jõnatas (iSm 18.1-4), Noemi e Rute (Rt 1.14-17).
3. O que determina os tipos de amizades?
Afeição, apoio, similaridades, confidência, traços de personalidade, frequência
de contato, entre outros,
4. O que as pessoas buscam quando a qualidade na amizade não é encontrada
nas redes sociais?
Elas passam a buscar quantidade!
5. Porque a igreja é um excelente lugar para amizades duradouras?
Ela é o corpo de Cristo e centro de comunhão dos santos.

Anotações
LIÇÃO

5
0 1/11/2 0 15

RELACIONAMENTO
COM PESSOAS DIFÍCEIS
TEXTO DO DIA AGENDA DE LEITURA
“Se for possível, quando SEGUNDA-At 7.9,10
estiver em vós, tende paz Relacionamento de José com
com todos os homens.” seus irmãos
(Rm 12.18) TERÇA - 2Tm 4.14,15
Relacionamento de Paulo com
Alexandre
QUARTA - Nm 16-18
Relacionamento de Moisés e
Arão contra os insurgentes
SÍNTESE QUINTA - At 1536-39
Relacionamento dos amigos
O dever do cristão é Paulo e Bamabé
viver em paz com todos, SEXTA- 3 Jo 9-11
independentemente do Relacionamento de João com
credo, etnia e cultura, mesmo Diótrofes
que a pessoa seja de difícil SÁBADO -Gn 13.7-12
convivência. 0 relacionamento familiar de i
Abraão e Ló em conflito

32 JOVENS
OBJETIVOS

•DEFINIR o conceito de “pessoas difíceis”;


•D E SC R EV E R as características das pessoas difíceis;
•REPENSAR os relacionamentos com pessoas difíceis.

INTERAÇÃO

A presente lição trata do relacionamento com pessoas difí­


ceis. Esse tipo de pessoa está na igreja, no trabaLho, na escola
e até mesmo na família. Na sociedade moderna precisamos
saber conviver e respeitar as diferenças de ideias, religião e
cultura, no entanto, o cristão discerne tudo pela Palavra de
Deus. O professor, por exemplo, é um crente difícil de convi­
ver? As pessoas gostam de estar ao seu lado e conviver com
você? Essas são perguntas que precisam ser feita antes do
início da aula. Assim, leia atentamente a Lição, aplicando-a
primeiramente à sua vida, e se for necessário mudar, mesmo
que isso leve tempo, procure fazê-lo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor nessa Lição faremos um trabalho muito simples,


mas que irá dinamizar o tópico III. No lado esquerdo do qua­
dro, cartaz ou qualquer recurso disponível, você escreverá
os subtópicos em três colunas:
(1) Invejosa e Ciumenta;
(2) Opressora e Agressiva;
(3) Murmuradora e Mexeriqueira.
Abaixo de cada um desses três títulos, solicite aos alunos que
sugiram nomes de personagens bíblicos que exemplifiquem
a respectiva coluna. Por exemplo: (l) Caim; {2) Saul; (3) Míriam.
Deste modo, solicite ao aprendente que justifique a inclusão
de tal personagem na respectiva coluna. Boa aula!
TEXTO BÍBLICO

Gênesis 37.1-8. falar com ele pacificamente.


1 E Jacó habitou na terra das peregri­ 5 Sonhou também José um sonho,
nações de seu pai, na terra de Canaã. que contou a seus irmãos; por isso, o
2 Estas são as gerações de Jacó: Sendo aborreciam ainda mais.
José de dezessete anos, apascentava 6 E disse-lhes; Ouvi, peço-vos, este
as ovelhas com seus irmãos; e estava sonho, que tenho sonhado:
este jovem com os filhos de Bila e 7 Eis que estávamos atando molhos
com os filhos de Zilpa, mulheres de no meio do campo, e eis que o meu
seu pai; e José trazia uma má fama molho se levantava e também ficava
deles a seu pai, em pé; e eis que os vossos molhos
3 E Israel amava a José mais do que a o rodeavam e se inclinavam ao meu
todos os seus filhos, porque era filho molho.
da sua velhice; e fez-lhe uma túnica 8 Então, lhe disseram seus irmãos: Tu,
de várias cores. pois, deveras reinarás sobre nós? Tu
4 Vendo, pois, seus irmãos que seu pai deveras terás domínio sobre nós? Por
o amava mais do que a todos os seus isso, tanto mais o aborreciam por seus
irmãos, aborreceram-no e não podiam sonhos e por suas palavras.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Conviver e relacionar-se com pessoas é uma arte! Exige tato, experiên­
cia e cuidado. As pessoas são diferentes de m uitos modos, inclusive na
forma como gostam de serem tratadas. Talvez uma bajulação faça bem
ao ego de uma pessoa, mas outra recebe com desconfiança e desprezo.
Há formas universais de tratar alguém. Todos desejam ser tratados com
educação, respeito e cordialidade. Todavia, com alguns isto não basta,
são necessárias altas dosagens de paciência, tolerância e resignação.
É sobre esse tipo de pessoa que certa psicoterapeuta chama de “por­
co-espinho”, e um outro psicólogo conceitua como "gente tóxica”, que
tratarem os nessa lição.

I - O QUE SÃO PESSOAS DIFÍCEIS? na-se uma criatura perigosa, expelindo


a. Das metáforas ao conceito (Pv espinhos que se fixam na musculatura
15.18; 16.18,27). A metáfora “porco-es­ do oponente, gerando dor e inflamação.
pinho" ajuda esclarecer o sentido de As figuras coloquiais “fio desencapado"
"pessoas d ifíceis”. Naturalmente, o e “pavio curto”expressam semelhante
porco-espinho é um animal dócil, mas conceito. Trata-se de pessoas cujo rela­
sob ataque, pressão ou cutucado, tor­ cionamento sempre é delicado e tenso

34 JOVENS
por um lado, e distorcido e conflituoso em tudo o que fazia (vv. 14,15,29) e não
por outro. É claro que os conflitos fazem olhava-o com bons olhos (v.9), razão
parte dos relacionamentos e, considera­ pela qual tentou matá-lo por diversas
dos positivamente, Levam à maturidade vezes (v.n, 17-19). Ele invejava o apreço
emotiva e relacionai Mas o que está em que todos tinham por Davi, e a inveja
vista aqui é aquela forma irracional que tornou-se em ódio (v.30). Não é sem
chega às raias do abuso, manipulação razão que o salmista orava ao Senhor
e maus-tratos verbais gratuitos. A Biblia pedindo livramento (Sl 17.8-12).
recomenda cuidado no trato com os tais
(Pv 22.24.25). O Pense!
2. Halitose de personalidade. A “pes­ Os relacionamentos tornam-se
soa difícil" de conviver traz um grande insuportáveis quando a inveja é
sua maior medida.
custo a si mesma e àqueles que estão
em seu entorno. Ela sofre de um mal
em sua personalidade que afasta as
O Ponto Importante
A inveja assinala sua presença
pessoas. Alguns especialistas chamam quando a pessoa não se alegra
isso de “halitose de personalidade". A com o sucesso do outro.
halitose é responsável pelo mau hálito
e, aplicada ao contexto, indica a pessoa II - CARACTERÍSTICAS DAS PES­
que afasta as outras de si por causa de SO AS DIFÍCEIS
seu comportamento irritante. Falta-lhe 1. Invejosa e ciumenta (Pv 28.22; At
aquele “bom cheiro de Cristo" (2 Co 2.14- 7 .9 ; Tg 3.15; Rm 13.13). A inveja é um
16) que aguça 0 caráter e a personalidade sentimento destrutivo provocado pela
e torna a pessoa querida e amada (Ct 1.3). insatisfação pessoal a respeito da feli­
Geralmente esses indivíduos precisam cidade e sucesso alheio (Pv 14.30). Ela
de aconselhamento especializado (Cf. se distingue do ciúme, uma outra obra
Pv 12.20; 13.10; 8.14-16; Cl 3.16). da carne (Gn 30.1; Rm 13.13; Gl 5.21). A
3. O que diz a Bíblia. A Bíblia não pessoa tem ciúme do que é dela e inveja
trata sistematicamente a respeito da do que é do outro. O ciumento quer
convivência com pessoas difíceis, mas primazia e exclusividade (Nm 11.27-29;
traz algumas recomendações e casos Rm 11.11), já o invejoso tende a destruir
onde elas podem ser vistas, entre elas; ou ignorar o que alguém conquistou e
a) José e seus irmãos (Gn 37). Movidos a influenciar negativamente as outras
pelo ódio e inveja, os irmãos de José pessoas (Gn 4.5; 3711) J \ inveja e o ciúme
fizeram de tudo para tornar sua vida são pecados (Gl 5.20, 21) e opostos ao
insuportável, a ponto de não falarem amor (1 Co 13.4). Na Bíblia são conhecidos
mais pacificamente com ele (vv. 4,11) Caim (Gn 4.5), os patriarcas (At 7.9), Saul
e tramarem sua morte (v.18). Deus fez (1 Sm 18.8) e os principais sacerdotes (Mc
com que o mal fosse transformado em 15.10), todos, pessoas tóxicas, capazes
bênção, mas o processo foi doloroso de oprimir, injuriar, planejar o mal e até
(At 7.9; Rm 8.28). cometer assassinatos (Mt 27.18). O justo
b) Davi e Saut (1 Sm 18.6-30). Saul é advertido a não ter inveja dos ímpios
temia o fato de Davi ser bem-sucedido (Sl 37.1; Pv 3.31; 23.17).

JOVENS 35
2. Opressora e agressiva (Êx 23.9; mexeriqueiro é intriguista e bisbilhoteiro.
Lv 19.33; Pv 14.31). O opressor tem um Uma das características desse execrável
conceito equivocado acerca do poder personagem é revelar os segredos que
que exerce. Ele converte a legitima au­ lhe são confidenciados (Pv 11.13). Seu
toridade em opressão e a submissão em prazer está em revelar aos outros aquilo
pena (Gn 16.6; Êx 1.11; 1 Tm 1.13). Nesses que lhe foi transmitido em secreto. Ele
dois versículos, o termo hebraico {‘anã) gosta de insinuar maliciosamente dúvi­
significa “humilhar" (ARA) ou “afligir”(ARC) das a respeito do cárater, das palavras
e, no contexto, refere-se ao sofrimento e atos das pessoas. Ele é tão perigoso à
advindo de uma tarefa difícil de realizar, unidade do grupo e à comunhão frater­
podendo se estender ao castigo físico nal que a Bíblia o condena tenazmente:
(1 Tm 1.13 cf. At 26.9-11). O opressor é “Não andarás como mexeriqueiro entre
autoritário e se favorece de sua função o teu povo”(Lv 19.16; 2 Co 12.20). Paulo
superior para impor sua vontade sobre também repreende as mulheres mexe-
os outros. Essa suposta superioridade riqueiras na igreja. Elas se intrometiam
às vezes é condicionada pela cultura na vida particular dos irmãos e falavam
(machismo, patriarcalismo, paternalismo), o que não convinha “de casa em casa”
resultando em hostilidade e agressões (1 Tm 5.11-13). Disseminavam mentiras,
às mulheres, crianças e indefesos (Sl intrigas e dúvidas concernentes à vida
10.18; 34.18). O salmista pedia ao Senhor dos crentes. No Salmo 101.5, o Senhor
para que o livrasse de gente dessa laia é muitíssimo claro: “Aquele que difama
(Sl 72.4; 119.121). o seu próximo às escondidas, eu o des­
3. Murmuradora e mexiriqueira (Nm truirei”. É muito difícil se relacionar com
17.5; Dt 1.27; 1 Co 10.10). Um dos termos tais pessoas (2 Tm 2.17).
hebraicos para murmuração (hãgâ) des­
creve o arrulhar da pomba e o rugir do O Pense!
leão após a captura da presa (Is 38.14; É necessário a paciência de Jó e
a perseverança de Jeremias para
31.4). A murmuração pode se manifestar
suportar pessoas tóxicas.
sutil e docilmente como o arrulhar da
inofensiva pomba, como também mani­
© Ponto importante
festa-se perigosa e ameaçadora como o Prudência, sabedoria e tolerância
rugir do leão. Em ambas situações ela é são antídotos contra as pessoas
perigosa e repreensiva. Tais metáforas difíceis.
descrevem o caráter sutil e ameaçador
do murmurador e do mexiriqueiro, o “fo­ III - COMO SE RELACIONAR COM
foqueiro”. Ambos usam as palavras para PESSO A S D IFÍCEIS
provocarem intrigas, rebeliões e para 1. Ninguém é perfeito (2 Cr 6.36;
falarem mal do próximo (Êx 15.24:16.2; Rm 3.23). Todos, de igual modo, são
Nm 14.2; 16.41; Lv 19.16; Pv 11.13), Segundo imperfeitos (Gl 5.19-21), e dependentes
a Bíblia, essas pessoas tóxicas espalham da graça de Jesus Cristo para serem
veneno pela língua mentirosa (Pv 6.17), pessoas cujo caráter reflita a transfor­
e, como flecha, procuram ferir outros mação operada pelo Espírito Santo (Gl
disseminando desconfiança (Jr 9.8). O 5.22-25). Todavia, cabe também a cada

36 JOVENS
um, que confia na obra transformadora divino (Tg 1.22-25), e a norma de fé e
de Cristo, esforçar-se para se tornar prática para a vida cristã (2 Tm 3.16,17).
uma pessoa melhor, aprofundando e Deste modo, cuide de si, mas não se
melhorando o caráter, as emoções e esqueça do outro (2 Tm 2.1, 22-26; 3.14;
os relacionamentos com o outro (Gl 4 -5 ). Cuidar de si é uma condição indis­
5 26; Ef 4.1-3. 23-32). pensável para cuidar do outro. Desejar o
2. Não tente transform á-las (Pv melhor para si mesmo, no entanto, não
16.2; 18.1; 29.1). Uma pessoa de difícil significa desejar o pior para o próximo.
convivência geralmente é alguém que Para os gregos o cuidar de si (epimeteia
não sabe dominar a si própria e possui heautou) designava um conjunto de
uma visão distorcida de Deus, de si e ocupações desenvolvidas pelo indivíduo
dos outros (Pv 16.17-21; 14.31), Ela se numa relação consigo mesmo (estudo,
apega, mesmo sem o saber, a fatores meditação, exercícios físicos). Ao mesmo
psicológicos de sofrimento e dessasso- tempo, essa atenção às necessidades
cego: ciúmes (por sentir ameaçado seu individuais era uma atividade social
objeto de apego, Rm 13.13), rivalidade e e, com isto, um cuidado com o outro
competição (por considerar que outros {epimeteia ton aílon) que se manifestava
disputam o mesmo objetivo, Pv 17.14), na ética cristã que ensina; “E como vós
orgulho e vaidade (por considerar-se quereis que os homens vos façam, da
superior, Pv 16.18). Esses sentimentos mesma maneira fazei-lhes vós também
são convertidos em atos de ira, agressão, (Lc 6.31).
indiferença, manipulação e opressão.
É melhor afastar-se (Rm 16.17; Is 2.22; © Pense!
Pv 14.16). A obra do Espírito Santo trans­
3, Cuide de si, não se esqueça do forma pessoas difíceis em pesso­
outro (Lv 19.18; Mt 19.19; 22.39). O jovem as dóceis.
deve discernir todas suas ações por
meio das Escrituras (Sl 119.9,105). Ela é O Ponto Importante
Qualquer pessoa pode ter seu
um espelho mediante o qual o cristão
momento de “pessoa tóxica",
lê e vê a si mesmo segundo o padrão portanto, vigie.

“Cuidar de sí é uma condição indispensável


para cuidar do outro. Desejar o melhor para
si mesmo, no entanto, não significa desejar
o pior para o próximo."

JOVENS 37
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
T iq u e Atento para o Triângulo “A anatomia de um desmancha
do Crítico -prazer
Alguns críticos expressam suas Os desmancha-prazeres' são au­
queixas de maneiras claramente des­ tomaticamente negativos acerca de
trutivas. tudo o que lhe provoca empolgação,
Em vez de criticá-lo frente a frente, Se você recebe um aumento, eles
eles se queixam de você para outras sempre acham que não foi o suficiente.
pessoas, criando um triângulo de três Se você vence uma competição, eles
pessoas que se tornam envolvidas ficam decepcionados com o prêmio. Se
no processo critico. De modo muito você atinge alguma meta, eles não a
semelhante aos "fofoqueiros," esses reconhecem, A natureza negativa dos
críticos analisam o seu desempenho na desmancha-prazeres, entretanto, é
frente dos seus colegas quando você composta de vários traços específicos.
não está presente, Normalmente, você Eles são cínicos, pessimistas, depre­
conseguirá detectar esses críticos pelas ciativos, desanimadores, insatisfeitos,
observações que eles fazem sobre as melancólicos, estagnantes, rejeitadores
outras pessoas quando estão na sua e contaminantes.
companhia. Você pode baixar a sua Cínicos
guarda porque essas pessoas fazem Harry Emerson Fosdick, um mi­
com que você se sinta um dos seus- nistro influente no começo do século
confidentes mais íntimos, A verdade é XX, fez uma observação interessante:
que você, junto com quase todos os 'Observe em quais temas as pessoas
demais, não passa de mais um alvo das se comportam de forma cínica, e você,
suas criticas, Quando estiver com esse normalmente, descobrirá quais são
tipo de crítico, abaixe-se e seja rápido. as suas carências'. Isto, seguramente,
Conheça o seu Crítico mais Mordaz... é verdadeiro no que diz respeito aos
e Aceite a sua Graça desmancha-prazeres, O cinismo cor­
O nosso maior e mais severo criti­ re nas suas veias, e mesmo que ele
co é alguém que nos conhece muito esteja disfarçado em contemplação
de perto: Deus. Ele conhece todas as meditativa, sempre é uma farpa en-
coisas. Na cruz, o dedo acusador de rustida que visa atacar as qualidades
Deus, que certa vez esteve apontado da outra pessoa que lhe provocam
para nós, transformou-se em uma mão inveja"(PARROTT, Les. Lidando com
aberta que, agora, estendia-se em Pessoas Difíceis, í.ed. Rio de Janeiro
nossa direção, O nosso Juiz se tornou CPAD, 2014).
o nosso Salvador, O nosso maior cri­
tico se transformou no nosso Melhor
Amigo" (PARROTT, Les, Lidando com
Pessoas Difíceis, led . Rio de Janeiro
CPAD, 2014 ),

38 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
PARROTT, Les, Lidando com Pessoas Difíceis.
í.ed. Rio de Janeiro CPAD, 2014.
BUENO. Telma. Boas ideias para Professores de Educação Cristã.
i.ed. Rio de Janeiro CPAD, 2015.

CONCLUSÃO

0 Espírito Santo pode transformar uma pessoa difícil em pessoa dócil (At 9). Portanto, 0
jovem deve orar ao Senhor e agir prudente e sabiamente para contruir relacionamentos
saudáveis, mesmo com pessoas difíceis.

HORA DA REVISÃO

1. Defina pessoas difíceis.


Trata-se de pessoas cujo relacionamento sempre é delicado e tenso por um lado,
e distorcido e conflituoso por outro,
2. O que é “halitose da personalidade"?
Indica a pessoa que afasta as outras de si por causa de seu comportamento irritante,
3. Cite duas características das pessoas difíceis.
Invejosa e ciumenta.
4. Quais são os fatores psicológicos destrutivos aos quais as pessoas difíceis se
apegam?
Ciúmes, rivalidade, orgulho e vaidade.
5. O que as Escrituras são para a vida prática e diária do jovem?
Um espelho mediante o qual o cristão lê e vê a si mesmo segundo o padrão
divino, e a norma de fé e prática para a vida cristã.

Anotações
LIÇÃO

6
0 8 /11/2 0 15

RELACIONAMENTO
SENTIMENTAL
TEXTO DO DIA ' AGENDA DE LEITURA
“[...] O solteiro cuida das SEGUNDA-Gn 218-24
coisas do Senhor, em como O casamento instituído por
há de agradar ao Senhor.” Deus
(1 Co 7.32b) TERÇA- 1 Co 7.25-36
Recomendações aos jovens
solteiros
QUARTA -P v 30.1820
0 mistério do encontro

SÍNTESE QUINTA-2 Sm 13
Os desatinos da paixão
Relacionamentos corretos doentia e pecaminosa
e saudáveis são bênçãos do
SEXTA-Ct 7.6,7
Senhor sobre 0 cristão
0 verdadeiro amor entre
que decide agradar a
homem e mulher
Deus ainda jovem.
SÁBADO -1 Co 6.18-20
Fugir de toda impureza

40 JOVENS
OBJETIVOS

•REFLETIR sobre os sentimentos e maturidade afetiva;


•COMPREENDER a relação entre paixão e razão;
•RECONSIDERAR relacionamentos problemáticos.

INTERAÇÃO

Como ficou demonstrado nas lições anteriores, nossas lições


não tratam do relacionamento como algo separado da consti­
tuição do ser humano e da vida. Ele não é um “departamento”,
uma “divisão", um “setor privado" que não se comunica com o
ser integral, ou que dele pode ser distinguido, seccionado ou
separado. Mesmo pessoas consideradas maduras são capazes
de reagir de modo imaturo em determinada circunstância do
relacionamento. Toda decisão nos relacionamentos afeta o ser
humano total e não apenas uma parte dele.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, use a argumentação a seguir no subtópico “Maturidade


afetiva”. “A maturidade afetiva é obtida no processo da educação
e vida humana. Há pessoas avançadas em idade (maturidade
cronológica) que ainda não alcançaram a maturidade afetiva,
e ainda que raro, pessoas jovens que demonstram maturidade
nas decisões pessoais e nos relacionamentos afetivos. Todavia, é
necessário afirmar que a maturidade afetiva designa um ponto
de referência na educação integral do ser humano que nunca
é atingido de maneira plena e conclusiva, mas que, embora
observável em algumas pessoas, se constrói na caminhada
da vida.”Terminada a argumentação, ministre o subtópico.
Ao terminar, solicite à classe exemplos de personagens que
demonstraram maturidade afetiva e outros que foram egoístas
em seus relacionamentos. Analise os personagens. Agora você
está preparado para o próximo assunto.

JOVENS 41
TEXTO BÍBLICO

i Corintios 13.1-7 ainda que entregasse o meu corpo


para ser queimado, e não tivesse amor,
1 Ainda que eu falasse as línguas dos
nada disso me aproveitaria.
homens e dos anjos e não tivesse
amor, seria como o metal que soa ou 4 O amor é sofredor, é benigno; o amor
como o sino que tine. não é invejoso; o amor não trata com
leviandade, não se ensoberbece,
2 E ainda que tivesse o dom de profecia,
e conhecesse todos os mistérios e toda 5 não se porta com indecência, não
a ciência, e ainda que tivesse toda a busca os seus interesses, não se irrita,
fé, de maneira tal que transportasse não suspeita mal;
os montes, e não tivesse amor, nada 6 não folga com a injustiça, mas folga
seria. com a verdade;
3 E ainda que distribuísse toda a minha 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
fortuna para sustento dos pobres, e suporta.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje, há uma profunda crise de identidade, agravada pela falta de
maturidade e responsabilidade afetiva. 0 que muitos jovens conhecem sobre
afetividade, sentimento e amor são extraídos dos péssimos e pecaminosos
modelos disseminados pelas novelas, filmes e revistas sobre a vida dos famosos.
Pouco se encontra na sociedade acerca de exemplos de amor e relacionamentos
afetivos corretos e bíblicos. Os jovens não encontram bons e sadios exemplos
de masculinidade e, as jovens, muito pouco de feminilidade. Nesta lição estu­
daremos a respeito dos relacionamentos afetivos corretos e bíblicos.

I - "O AMOR E LIN D O !” (l Co 13) mem estava perfeitamente integrado ao


1. Os sentimentos constituem o ser Criador, consigo mesmo, o outro e com a
(Fp 2.2,5; 3.15,16). 0 ser humano foi criado criação. Seus sentimentos expressavam
por Deus constituído de um conjunto essa harmoniosa relação.
de sentimentos saudáveis e corretos 2. A corrupção d o s sentimentos
que espelhavam a natureza santa do (Rm 1,18-32). Todavia, com a entrada do
próprio Senhor (Gn 1.26-28; 2.18-25). Foi pecado no mundo (Rm 5.12), o homem
no relacionamento amoroso, gracioso e e a mulher passaram a experimentar
acolhedor de Deus com o homem no sentimentos conflitantes: cobiça e medo
Éden, que a criatura humana dimen­ (Gn 3.6,10), culpa e vergonha (Gn 3.11),
sionou o reflexo da imagem do Senhor egoísmo e desconfiança (Gn 3.12,13).
em si mesma. Ele era um ser integral e Afastados voluntariamente do Altíssimo,
perfeito porque o seu Criador assim o ambos tornaram-se espiritualmente
era (Gn 17.1; Dt 18.13). Deste modo, o ho­ alienados (Rm 3.23) e mutilados em seu

42 JOVENS
caráter, personalidade e sentimentos do próprio indivíduo e, por isso, tende a
(Rm 1.18-32). Somente retornando a Deus ser egoísta, coisificar e instrumentalizar o
por meio de Cristo (Cl 1.15; Rm 8,29; Hb outro, como no caso de Amnom (2 Sm 13),
1.3), o homem pode refletir o caráter e Fatores bioquímicos explicam a euforia, o
sentimentos originários em Deus, ou humor, ansiedade e obsessão pela pessoa
seja, a mesmíssima imagem refletida a qual se está apaixonado e a tendência
no Filho (Ef 4.24; 2 Co 3.18; 2.14-16; Rm de se perder a razão por causa da atração
5.12-21; 1 Co 1.30-31). (Gn 38.14-19; Jz 14.1-3)- Por isso, atender as
3. Maturidade afetiva (1 Co 13; Ef orientações paternas ajuda a equilibrar as
5.1-6.9). A dimensão afetiva no ser hu­ emoções (Pv 4.1-10).
mano perpassa toda sua existência, seja 2. Os desatinos da paixão pecami­
biológica, seja psíquica ou espiritual (1 nosa (2 Sm 13; 1 Ts 4 5)- Amnom estava
Ts 5.23). Certos especialistas atribuem à obcecado porTamar, sua meia-irmã (v.i,
alma, ou ao nível psíquico, as experiên­ 4). Embora o termo original “am ou-a”
cias afetivas - emoções e sentimentos ('õhab) tenha vários sentidos (Gn 22.2;
contudo é o sujeito inteiro que as ex­ 24.26; 34.3), aqui se refere ao forte afeto
perimentam. Todo o ser é afetado e não emocional e ao desejo sexual desenfre­
apenas uma de suas constituições. Deste ado (vv.11-14). Nesse sentido, a paixão é
modo, o amor deve animar e guiar todos considerada pecado (1 Ts 4-5). A angústia
os relacionamentos, principalmente os de Amnon (v.2) traduz o “aperto”e "afli­
sentimentais (1 Co 13.7). É o amor que nos ção" psicológicos que ele sofria pela
conduz à maturidade de nossas emoções, impossibilidade de obter Tamar (v.2). A
sentimentos e relacionamentos corretos trama hedionda incluía dissimulação,
(1 Co 13.4-5)- Ele nunca falha (v,8). fingimento, mentira (v.5) e, ironicamente,
conforme o termo hebraico üebhibhoth),
O Pense! a preparação de bolos em formato de
Na criação, os sentimentos do ho­ coração (v.6). Depois de cumprir seu
mem refletiam a perfeição divina.
intento contra a vontade da jovem, ele
a desprezou (vv.15-16, 22).
O Ponto Importante 3. Discernindo o amor e suas formas
Os cristãos, regenerados em
Cristo, devem refletira imagem (1 Co 13). Nem sempre é fácil discernir o
de Cristo, amor verdadeiro de uma mera atração,
da paixão, da amizade ou do desejo.
II - APAIXONADO, NÃO ILUDIDO Isto, porque em um relacionamento
(Rm 14,13; 2 Tm 2.22) sentimental existe a presença de cada
1. Paixão e razão (2 Sm 13). A paixão se um deles. Vejamos:
caracteriza por um forte sentimento que se a) Philia. Designa a amizade sincera,
manifesta na pessoa pelo desejo irrefreável na qual age o amor interpessoal e o
de algo. Em si mesma e em boa medida respeito de uma pessoa para com a
ela não é prejudicial, uma vez que está outra (Hb 13.1). É um amor que exige
presente nos relacionamentos sentimen­ reciprocidade, mas na qual também
tais. Todavia, a paixão tem como objetivo atua o interesse pelas qualidades da
a satisfação que procede da necessidade outra. Tem estreita relação, embora

JOVENS 43
distinto, com storge - a afeição natural formas de encontros sexuais e senti­
entre membros de um núcleo famiLiar. mentais mediados pela internet têm
b) Eros. Refere-se ao amor como sido “rede de pecado", e “laço de morte”
desejo, na qual pode estar presente para os jovens (Pv 13.14). Não são poucos
ou não o “desejo sexual". Entendido aqueles que tiveram seus corações par­
corretamente, eros não é por si mesmo tidos e as esperanças despedaçadas, e
pecaminoso (Gn 26.8). Ele está presente até mesmo alguns que perderam suas
em várias situações da vida amorosa vidas devido os encontros marcados às
de um casal (Ct 4). Contudo tende a ser escondidas dos pais. Fuja de toda forma
egoísta e desregrado, principalmente de impureza sexual! Seu corpo é templo
quando coisifica e instrumentaliza a do Espírito Santo (1 Co 6.18-20). Não caia
outra pessoa (2 Sm 13; Gl 5,19; Pv 7.6-27). no laço do Diabo (íTm 3.7; Sl 116.3; 1419).
c)Ágape. Trata-se do amor com que “Amor" virtual é uma fantasia perigosa.
Deus ama, sendo Ele próprio Amor (1 Jo 2. Reconstruindo o coração partido
4.16-21). É o amor sacrifical de Cristo (Jo (2 Sm 13.19-22; Pv 18.19). Reconstruir um
15.13; 2 Co 5.14) e o novo mandamento coração partido não é imediato. Leva-se
(Jo 15.12). O cristão vive esse amor de tempo, paciência e resignação, E depen­
modo imperfeito, pois somente o amor dendo do caso, haveria necessidade de
de Cristo é completamente gratuito e ajuda especializada. Portanto, é melhor
perfeito (Ef 3.19). prevenir-se contra relacionamentos ruins
Deste modo, essas dimensões do e esperar no Senhor (Sl 42.5; 4 3 5 )- Veja o
amor são necessárias ao amadurecimento caso de Tamar, após o terrível “encontro",
do sujeito, mas devem coexistir em equi­ sentiu-se humilhada, rejeitada e ferida
líbrio para o fortaLecimento das relações (v.19 ver 2 Sm 14 27). A cura das feridas
sentimentais verdadeiras e sinceras. emocionais leva tempo e as cicatrizes per­
manecem por toda vida. Ninguém deseja
^ Pense! um relacionamento afetivo que traga dores
0 amor deve ser vivido em suas sentimentais, rusgas familiares e às vezes
dimensões afetivas: “philia", “eros” até o afastamento da pessoa dos amigos
e “ágape
e da comunidade da fé. Esses elementos
são excelentes ingredientes para avolumar
© Ponto Importante os romances, instigar a leitura, favorecer a
0 amor “eros" tende a coisifi-
car e instrumentalizar o outro, trama e criar um best-seller, mas na vida
cuidado!. que é real causam decepções, tristezas
e infindáveis desgostos. Deixemos essas
III- CORAÇÃO PARTIDO, ESPERAN­ aventuras somente para a arte, a literatura
ÇAS DESPEDAÇADAS (Mt 7.9-11) e para a ficção.
1. Atração fatal (Pv 7 6-27; 2 Sm 13; 3. Propósitos para além de um re­
Jz 16). Sentir-se atraído pelo sexo opos­ lacionamento. Muitos jovens cristãos
to faz parte da constituição humana e, estão decididos a se casarem, ao preço
corretamente entendido, é saudável e de suas vidas e virtudes. Andam atrás
necessário (Gn 2.24; Pv 30.18,19). Porém de sua cara-metade nas redes sociais,
o erotismo pecaminoso e as modernas e para isso criam nichnames (apelidos),

44 JOVENS
perfis faLsos, perdem tempo com chat
SUBSÍDIO
de relacionamentos, entre outros re­
cursos mentirosos e fantasiosos (Pv “Como proteger o seu coração
27.20). A possibilidade de magoarem-se da paixão
e se ferirem é muito maior do que a de Vem como uma gripe. As palmas
conquistarem um amor duradouro e das suas mãos transpiram. Você sente
verdadeiro. Isto não quer dizer que não frio e arrepios. O seu rosto fica quente e
a sua boca, seca. A cegueira perturba a
seja possível encontrar amigos e rela­
visão dos seus olhos. E quando ela vem
cionamentos afetivos sérios nas redes
para perto, você age de modo delirante,
sociais. Sabe-se que a rede social tem
gaguejando - as poucas palavras você
sido um canal útil para algumas pessoas pode dizer... Um dia, tudo o que você
encontrarem parceiros e amigos com pode fazer é sonhar com Lisa; no dia
os mesmos gostos e afinidades e, a seguinte, ela é mais parecida com um
partir desse conhecimento preliminar, pesadelo l.J
desenvolverem um relacionamento Estes conselhos deterão suas emo­
afetivo maduro e responsável. ções e o ajudarão a manter uma pers­
Todavia, é preciso tomar muito cui­ pectiva equilibrada.
dado ao procurar nos sites de relaciona­ a) Lembre-se de que você ainda é
mentos alguém para compartilhar seus jovem; você tem tempo de sobra an­
tes de se casar e muito para aprender
segredos e sua vida. O perigo está sem­
antes disso.
pre à espreita, uma vez que do teclado
b) Com preenda que você pro­
à vida real existe muita diferença, e se a
vavelmente não vai encontrar a sua
pessoa não perceber rapidamente esses futura esposa na escola de Ensino
perigos pode amargar por muito tempo. Fundamental ou Médio.
Assim, não considere que os relatos po­ c) Aprenda por intermédio dos seus
sitivos sejam em si mesmo um motivo a conhecimentos. Comece a conhecer
mais para “cair de cabeça" nesses sites a Stacie, se você estiver interessado
em busca de relacionamentos afetivos. nela, mas mantenha isso no nivel da
Na maioria das vezes, as fotos dos perfis amizade,
são melhores do que o “original", e as d) Converse com alguém mais
palavras virtuais doces e românticas são velho e mais sábio a respeito dos
seus sentimentos de paixão arreba­
laços e redes que escondem uma má
tadora. Essa pessoa será capaz de
intenção. É preciso cuidado e discerni­
lhe dar alguns critérios para dizer se
mento! Espere no Senhor, porque Ele
você está perdidamente apaixonado
deseja a tua felicidade! (Sl 128.1; 20.5). ou mais do que isso”(ROSS. Michael.
Cresci e Agora? í.ed. Rio de Janeiro:
O Pense! CPAD, 2013, p.100).
É possível ser curado das feridas
emocionais, mas o que fazer com
as cicatrizes?

O Ponto Importante
Dê preferência a um relaciona­
mento real ao fantasioso.

JOVENS 45
ESTANTE DO PROFESSOR

GEORGE, Jim, Um Jovem Segundo o Coração de Deus,


íed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
ROSS, Michael, Cresci e Agora? í.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

CONCLUSÃO

Os relacionamentos sentimentais que proveem da bênção do Senhor sobre a vida


do jovem cristão são construtivos e Levam à maturidade afetiva, ao crescimento
pessoal, e a comunhão com Cristo. Eles são presentes divinos aos jovens que per­
manecem fiéis ao Senhor (Sl 119.9).

HORA DA REVISÃO

1. Como o homem dimensionou o reflexo da imagem de Deus em si mesmo?


No relacionamento amoroso, gracioso e acolhedor de Deus com o homem no Éden.
2. Como o homem pode refletir mais uma vez os sentimentos originários em Deus?
Retornando a Deus por meio de Cristo.
3. Por que a paixão tende a ser egoísta e coisificar o outro?
Porque tem como objetivo a satisfação que procede da necessidade do próprio
indivíduo,
4. Descreva os três tipos básicos de amor.
Philia (amizade), Eros (desejo) Agápe (amor).
5. É pecado sentir-se atraído pelo sexo oposto? Justifique.
Não, pois faz parte da constituição humana e, corretamente entendido, é sau­
dável e necessário.

Anotações
RELACIONAMENTOS
DESCARTÁVEIS?
TEXTO DO DIA AGENDA DE LEITURA
“O meu mandamento é este: SEGUNDA-Gn 37.13-22
Que vos ameis uns aos outros, Sentença de morte ao irmão
assim como eu vos ameis.”
(Jo 15.12) TERÇA-2 Sm 13.1-22
Paixão efêmera leva a relacio­
namentos descartáveis
QUARTA-1 Sm 18.17-19
Planos impiedosos acompanham
relacionamentos descartáveis
SÍNTESE QUINTA-Rt 11-22
Relacionamentos maduros
Os relacionamentos construídos em Deus
descartáveis são frutos de
uma sociedade que coisifica
SEXTA- 1 Sm 18.1-6
Relacionamentos maduros
0 outro e o instrumentaliza
produzem amizades fiéis
com propósitos fúteís,
materiais e inumanos. SÁBADO - Jo 16.1-33
Jesus, fiel amigo

JOVENS 47
OBJETIVOS

•Refletir sobre os relacionamentos nas redes sociais;


•Debater as relações de consumo;
•Estabelecer relacionamentos duradouros.

INTERAÇÃO

“Devemos proporcionar ao aluno vivências enriquecedoras e


favorecedoras à sua ampliação do saber.” Há muitas possibili­
dades de se interpretar essa expressão da professora Jussara
Hoffmann, mas prefiro aquela que a traduz dentro do contexto
da vida. O professor não é apenas um "arquiteto cognitivo”como
se expressou importante pedagogo, mas também alguém que
proporciona aos alunos experiências significativas que am­
pliam não apenas os aspectos cognitivos mas também afetivos
e relacionais. A educação aperfeiçoa o ser humano e o conduz
à maturidade humana.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, o uso das redes sociais é uma realidade na socie­


dade moderna. Com base nos dados sobre o uso da Internet
no Brasil e no mundo, proponha um “debate”entre o alunato.
Os dados apenas descrevem o crescimento da Internet, por
isso desenvolva uma discussão a respeito do uso inteligente
da web e das mudanças que esses novos hábitos provocam
no indivíduo, na família e na sociedade. Os dados a seguir
foram divulgados pelos meios de comunicação e adaptadas
para este quadro: “As últimas estatísticas afirmam que até o
final de 2014 houve cerca de 107,7 milhões de internautas no
Brasil, enquanto em 2013 havia 99,2 milhões. A estimativa é
que nesse ano 0 mundo atinja a marca de 3 bilhões de pessoas
conectadas à Internet, 0 que eqüivale a 42,4% da população
mundial. Segundo os observadores sociais, até 2018 quase a
metade do mundo vai acessar a web pelo menos uma vez ao
mês. Dados do IBGE afirmam que 24,2 milhões de lares com
renda de até dois salários mínimos e cerca de 7,5 milhões
de lares na área rural do país ainda não estão conectados à
Internet.”Permita que os alunos se expressem; incentive-os
a discutirem a questão.
Professor, para a próxima aula, solicite os alunos que tragam
uma descrição da presença da religião e da religiosidade no
bairro ou comunidade que ele reside.
TEXTO BÍBLICO

Gênesis 3713-20 me, peço-te, onde eles apascentam.


13 Disse, pois, Israel a José: Não apascen­ 17 E disse aquele varão: Foram-se da­
tam os teus irmãosjunto de Siquém? qui, porque ouvi-lhes dizer: Vamos a
Vem, e enviar-te-ei a eles. E ele Lhe Dotã. José, pois, seguiu seus irmãos
disse: Eis-me aqui. e achou-os em Dotã.
14 E ele lhe disse: Ora, vai, e vê como 18 E viram -no de longe e, antes que
estão teus irmãos e como está o chegasse a eles, conspiraram contra
rebanho, e traze-me resposta. Assim, ele, para o matarem.
o enviou do vale de Hebrom, e José
19 E disseram uns aos outros: Eis lá vem
veio a Siquém.
o sonhador-mor!
15 E achou-o um varão, porque ele andava
20 Vinde, pois, agora, e matemo-lo, e
errado pelo campo, e perguntou-lhe
lancem o-lo numa destas covas, e
o varão, dizendo: Que procuras?
diremos: Uma besta-fera o comeu; e
16 E ele disse: Procuro meus irmãos; dize- veremos que será dos seus sonhos.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Alguns especialistas sentimentais falam das interações humanas como se fosse
um território mapeado e plenamente explorado. Eles fornecem receitas para todos
os tipos de relacionamentos, e os explicam com base na biologia, na psicologia
e na sociologia como se o encontro entre duas pessoas fosse exato e fixo como
uma equação matemática, Essas ciências ajudam a entender vários elementos
ligados aos relacionamentos e não é sábio negar suas pesquisas e resultados, no
entanto, não eliminam o mistério que circunda 0 amor, a vida, o encontro entre
um homem e uma mulher e amizade entre as pessoas (1 Sm 20.17 Ct 8.6).

I - OS RELACIONAMENTOS NAS relacionamentos e identidades culturais.


REDES SOCIAIS O mundo já não é mais o monobloco
1. Da sociedade da informação à de maciço de antigamente, mas um espaço
redes (Ec 1.4). O mundo globalizado passou multicultural e plural. Esta sociedade possui
de uma sociedade da informação para novas, interessantes e também perigosas
uma sociedade de redes. Na primeira, formas de relacionamentos (virtuais), que
a informação era seu produto principal, devem ser discernidas de acordo com a
na segunda, é a comunicação (Dn 12.4; perspectiva bíblica e cristã (1 Co 2.14,15).
Ap 1.7). Ambas, porém, tem o mesmo 2. Proximidade virtual (Ec 3.14,15). As
ícone: o computador ligado à rede. Essa novas tecnologias (smartphones, tabletes)
radical mudança fez ruir as fronteiras permitiram o acesso aos centros de co­
entre os países e trouxe novas formas de municação criados para relacionamentos

JOVENS 49
(facebook, chats). Esses instrumentos 1. Relacionamentos de consumo (Ec
permitem “permanecer em contato" com 3.16). Entre os males causados pelas novas
alguém ao mesmo tempo que mantém formas de relacionamentos virtuais, estão
o usuário à parte dos relacionamentos a afetividade e as interações humanas
concretos: familiares e amigos próxi­ como mais uma mercadoria de consumo.
mos. Por meios de tais redes, o indivíduo Pela ilógica consumista, toda mercadoria
substitui um relacionamento sério por deve ser descartada ao se tonar obsoleta
um recreativo, concreto por um abstrato, ou trocada quando outra melhor surge
real por um virtual (Pv 14.21). Deste modo, no mercado. Se estabelece a troca, ou
são mais descartáveis (Pv 18.19). É mais a substituição, causada pela perda de
fácil e menos constrangedor “deletar" valor intrínseco do produto. Esse mesmo
um relacionamento virtual do que um no desvio é aplicado aos relacionamentos
mundo real, de pessoas reais (Pv 26.18,19). (Pv 27.10). Eles são descartados quando
A “proximidade" virtual tornou as relações não oferecem mais vantagens, trocados
humanas banais e breves, contrário ao quando uma nova oferta de interação
que ensina a Bíblia (Pv 25.21,22). humana se apresenta mais “lucrativa”
3. Coisificação do sujeito (2 Tm 3.1-4). (Pv 28.21). Os laços humanos tornaram-
Um dos grandes males provocados pela se frágeis no mundo virtual e facilmente
modernidade e que está muito presente substituíveis, sem qualquer remorso (Pv
nas redes de relacionamentos virtuais 18.19). Os relacionamentos são frágeis
é a coisificação da pessoa humana - o porque a moral, a virtude e os princípios
equivocado conceito de que a pessoa é divinos estão se tornando obsoletos para
um objeto como qualquer outro. Nesta o homem moderno (Lv 19.11-18; Pv 30.5,6).
sociedade desumana, que prioriza o espe­ 2. Relacionam entos sólidos (Ec
táculo e a instrumentalização do homem, 11.9-10). Cada vez mais raro, mas não
o sujeito é desumanizado e transformado completamente desaparecido, estão as
em simples mercadoria (v.3). O valor da interações humanas construídas com
pessoa é tido peLa sua utilidade e, por base no respeito, na confiança e no valor
isso, “deletada” ou descartada quando intrínseco da pessoa e de seu caráter,
não é mais útil à instrumentaLização do Um relacionamento sólido nega-se a
outro (1 Tm 4.1,2). coisificar o outro, mas valoriza-o pelo que
ele é, não peLo que tem, ou vantagens
O Pense! que possam ser oferecidas (Pv 17.17; Ct
Relacionamentos saudáveis são 1.3). Há reciprocidade e satisfação pela
duradouros!
realização do outro.
3. Padrões morais constroem relacio­
O Ponto Importante namentos sólidos. A base dos relaciona­
Relacionamentos podem nascer
virtualmente; se maduros, levarão mentos descartáveis é a moralidade relativa
à amizade sincera. e pecaminosa da geração pós-moderna.
Frouxidão moral resulta em interações
II - RELACIONAMENTOS DURA­ humanas descartáveis (Mt 5-7). Sem padrão
DOUROS X RELACIONAMENTOS moral nas interações pessoais o humano se
DESCARTÁVEIS dissolve no relativismo e a humanidade no

50 JOVENS
humano desaparece. Todavia, as interações fiança - certeza íntima do procedimento
humanas fundamentadas na virtude,-ética correto de outrem (2 Ts 3.4:1 Sm 23.16;
e moral das Sagradas Escrituras, dignificam Sl 56.4); c) reciprocidade - responder
o homem e o insere na completa e perfeita positivamente a uma outra ação positiva
humanidade vivida e ensinada por Jesus (1 Sm 20.12-17; 2 Sm 19.26-28); d) afinidade
(Ef 4.22-24; 2 Co 3.18). - sintonia com o outro (2 Sm 23.14-17). Se
apenas uma dessas quatro colunas ruírem,
O Pense! o relacionamento entrará em crise (Pv 18.19;
Não se constrói um sólido e
Ec 10.4). Deste modo, relacionamentos
verdadeiro relacionamento com
as mentiras e falsidades do mundo duradouros são construídos ao longo
virtual. do processo das interações humanas
e da maturidade afetiva dos indivíduos.
© Ponto Importante Os relacionamentos humanos não são
A coisificação da pessoa humana perfeitos, no entanto, podem e devem ser
é responsável pela prostituição
estabelecidos em fundamentos sólidos
virtual e fragilidade dos relaciona­
mentos. como o respeito, a verdade, a confiança, a
reciprocidade, a afinidade e acima de tudo
III - ESTABELECENDO RELACIO­ o amor fraterno. Sem essas bases, o rela­
NAMENTOS DURADOUROS cionamento não subsiste às intempéries e
1. Uma vida, muitos amigos (Ec 3.1-22). desafios que a própria vida e a experiência
A vida humana é constituída de ciclos: impõem sobre ele. É necessário que cada
infância, adolescência, juventude e ve­ indivíduo esteja plenamente cõnscio de
lhice (Ec 1.4). Em cada uma dessas fases que relacionamentos maduros e sólidos
construímos relacionamentos na família, são construídos em conjunto. Cada uma
igreja, escola e trabalho. Alguns desses são das partes precisa contribuir para o pro­
laços consanguíneos (Gn 21.1-7), outros de gresso e maturidade do relacionamento.
afinidades (Rt 1.16: Dt 34.9) e aLguns apenas A responsabilidade não pode ser atribuída
circunstanciais (Gn 40). Nesses períodos, apenas a um indivíduo, ambos são sujeitos
relacionamentos são construídos, des­ responsáveis pela maturidade e firmeza
feitos e fortalecidos. Alguns sobrevivem do relacionamento.
ao tempo e as circunstâncias, enquanto 3. Anjos do amor: idolatria e falsa
outros são breves e frágeis, Disto todos espiritualidade (Ap 19.9,10; Hb 1,14). Entre
precisam estar conscientes. as pessoas místicas, encontram-se aque­
2. Relacionamentos duradores (Ec las que acreditam ePn “anjos do amor".
4-9 - 12). Esses tipos de relacionamentos Segundo a religião do anticristo, a Nova
não surgem por acaso. Mesmo sem a Era, esses seres seriam os responsáveis
percepção dos sujeitos envolvidos, estão por “curar” e “acertar" as “turbulências”
imbricados diversos elementos ligados à nos reLacionamentos. Deve-se rezar e
personaLidade, psique, afinidades entre acender velas em nome deles, porque
outras características. Todavia é possível “adoram ser paparicados". Assim, um
traçar as bases das interações humanas “anjo de conexão" entrará em ação a fim
duradouras: a) respeito - tratar com apreço de harmonizar o relacionamento, e o da
e poLidez (1 Tm 2.2; 3.8,11: Rm 13.7): b) con­ "guarda”dará conselhos afetivos. Ledo

JOVENS 51
engano! Leia Colossenses 2.8-23 quanto SUBSÍDIO
à falsa reverência aos anjos.
Para o jovem cristão é redundante “Os cristãos interativos
afirmar o perigo dessas práticas esotéricas. Quando apareceu a telegrafia, uma
das primeiras tecnologias de comuni­
Todavia, o conselho mostra-se oportuno
cação revolucionárias, a mensagem
nos dias atuais em que a falsa espirituali­
profética que Samuel Morse lançou
dade grassa não apenas fora da igreja mas
para meditação pública foi; ‘O que foi
também dentro dela. Na sociedade existe que Deus fe z ? Deveríamos fazer a
toda uma plataforma mística e esotérica mesma pergunta hoje com a explosão
que procura harmonizar a pessoa consigo das novas tecnologias interativas de
mesma e a restabelecer relacionamentos comunicação.
partidos por meio de recursos espiritualis­ Depois de décadas de pesquisas
tas: jogo de búzios, tarologia, quiromancia, sobre os efeitos anti-sociais da mídia,
astrologia e energização de cristais, entre as nações ao redor do mundo desco­
outros infindáveis recursos místicos e briram o poderoso impacto positivo do
bruxarias. Infelizmente, muitíssimas pes­ entretenimento pró-social durante as
décadas de 1980 e 1990 I...I O uso do
soas em todo o Brasil estão dispostas a
entretenimento para a educação tam­
pagar o que for a qualquer especialista ou
bém está se espalhando rapidamente
charlatão que garanta trazer o “seu amor"
nos países ocidentais. Infelizmente, o
em trinta dias ou menos. Outras procuram pornógrafo está criando outra vez uma
lugares como a “Cidade da Paz", o “Vale do desconfiança das novas fronteiras da
Amanhecer”e a “Cidade Eclética", todas mídia, como a Internet. Em vez de per­
situadas em Brasília, para submeterem-se mitir que os usos corruptores potenciais
a diversos procedimentos místicos a fim da tecnologia de comunicação nos
de solucionarem seus probLemas, entre façam bater em retirada por causa dos
eles, amorosos. gigantes da Canaã do ciberespaço, o
Entre os brasileiros estes pecados são povo de Deus deveria estar agressiva­
cada vez mais comuns e difundidos nas mente procurando saber como Ele quer
usar os CD-ROMs. a realidade virtual
mídias eletrônicas e impressas. A Bíblia,
interativa e a World Wide Web (a rede
entretanto, condena todas essas práticas,
mundial) para o cumprimento de seus
mesmo que seja o aparentemente inofen­
propósitos" (PALMER, M.D. Panorama
sivo horóscopo, e proíbe terminantemente do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro;
que as pessoas procurem tais especialistas CPAD, 2001, p. 412).
(Lv 19.26,31; Dt 18.9-12; 2 Rs 21.6; Is 47 .13;
Jr 27.9; Ap 22.15).

© Pense!
Os anjos não devem ser adorados,
reverenciados ou cultuados.

Ponto Importante
0 respeito, a confiança, a recipro­
cidade e a afinidade são os pilares
dos relacionamentos maduros.

52 JOVENS
* - A *— ..... .........
ESTANTE DO PROFESSOR
. ..... ....... .............................................................. ................... _ . ..............................

PALMA, Anthony D, O Batismo no-Espírito Santo e Com Fogo, i,ed.


Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
BENTHO, Esdras C, Igreja: Identidade & Símbolos. led.Rio de Janeiro: CPAD, 2010,

CONCLUSÃO

Os relacionamentos devem ser construídos tendo a Sagrada Escritura como fundamento


e inspiração. Ela instrui a respeito dos relacionamentos do homem com Deus, consigo,
com 0 próximo e com a criação. Atentai para sua instrução (Sl 119.9).

HORA DA REVISÃO

1. Qual deve ser a atitude do jovem em relação as novas formas de relacionamentos


virtuais?
Discernir de acordo com a perspectiva bíblica e cristã.
2. Qual a conseqüência que a proximidade virtual trouxe aos relacionamentos?
Tornou as relações humanas banais e breves,
3. Descreva o grande mal provocado pela modernidade e presente nas redes sociais.
Tornar a afetividade e as interações humanas como mais uma mercadoria de
consumo,
4. Defina relação de consumo.
Relacionamentos descartáveis, quando não oferecem mais vantagens, trocáveis
quando uma nova oferta de interação humana se apresenta mais “lucrativa"
5. Quais os pilares dos relacionamentos maduros?
a) Respeito, confiança, reciprocidade e afinidade.

Anotações

JMJT
22/11/2015

0 RELACIONAMENTO
COM PESSOAS DE UMA
FÉ DIFERENTE
TEXTO DO DIA r AGENDA DE LEITURA
“Mas Deus, não tendo SEGUNDA-Jo 4.1-30
em conta os tempos da 0 relacionamento de Jesus
ignorância, anuncia agora a com a religião samaritana
todos os homens, em todo TERÇA-L c 9.51-56
Lugar, que se arrependam .” Jesus repreende a intolerância
(At 17.30) religiosa dos apóstolos
QUARTA- 1 Co 110-17
Relacionamento conflituoso
entre os domésticos da fé
SÍNTESE QUINTA - At 5.17-42
A intolerância religiosa dos
na revelação de Deus em judeus à fé cristã
Cristo, e nisto se distingue SEXTA - Gl 16-24
das demais crenças e Pela pureza do Evangelho
religiões, embora reconheça 0 SÁBADO - Mc 16.14-20
direito de todos expressarem A missão imperativa da Igreja^
livremente suas crenças.

54 JOVENS
OBJETIVOS

EXPLICAR o sentido de religião na esfera secular e


bíblica;
COMPREENDER que as religiões não são iguais no
plano bíblico.
DESENVOLVER tolerância, respeito e civilidade com
as demais religiões.

INTERAÇÃO

Nesta lição estudaremos um tema muito presente na realidade


social e urbana das metrópoles: a religião nos espaços públi­
cos e o relacionamento do cristão com pessoas de crenças
diferentes. Este é o momento de reafirmar a necessidade
de os alunos serem pacientes e tolerantes com aqueles que
professam uma crença diferente, evitando as controvérsias
desrespeitosas e agressivas que só impedem a comunicação
eficiente do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Lem­
bre-se, o texto de 1 Pedro 3.15, exorta o cristão a “defender”
a fé com mansidão.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A aproximação dos jovens com pessoas de crenças ou re­


ligiões diferentes é uma realidade na sociedade brasileira.
O fenômeno religioso", ou seja, a presença da religião nos
espaços públicos, é um dado que 0 cristão deve refletir. Na
Europa, a religião tem recuado para os espaços privados da
vida doméstica e se restringido à tradição familiar. No Brasil,
no entanto, a religião está presente em todos setores, seja
público, seja privado. Solicite aos aprendentes que descrevam
suas observações do fenômeno religioso e da religiosidade
popular em sua comunidade. A seguir ministre a respeito
dos relacionamentos com pessoas de tradição religiosa
distinta. Boa aula!
TEXTO BÍBLICO

Atos 17.16,18,22-28 nele há, sendo Senhor do céu e da


terra, não habita em templos feitos
16 E, enquanto Paulo os esperava em
Atenas, o seu espírito se comovia em por mãos de homens.
si mesmo, vendo a cidade tão entregue 25 Nem tampouco é servido por mãos de
à idolatria. homens, como que necessitando de
18 E alguns dos filósofos epicureus e alguma coisa: pois ele mesmo é quem
estoicos contendiam com ele. Uns dá a todos a vida, a respiração e todas as
diziam: Que quer dizer este paroleiro? coisas;
E outros: Parece que é pregador de 26 e de um só fez toda a geração dos ho­
deuses estranhos. Porque lhes anun­ mens para habitar sobre toda a face da
ciava a Jesus e a ressurreição. terra, determinando os tempos já dantes
22 E, estando Paulo no meio do Areópago, ordenados e os limites da sua habitação,
disse: Varões atenienses, em tudo vos 27 para que buscassem ao Senhor, se,
vejo um tanto supersticiosos; porventura, tateando, o pudessem
23 porque, passando eu e vendo os vossos achar, ainda que não está longe de
santuários, achei também um altar em cada um de nós;
que estava escrito: AO DEUS DESCO­ 28 porque nele vivemos, e nos movemos,
NHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não e existimos, como também alguns dos
o conhecendo é o que eu vos anuncio. vossos poetas disseram: Pois somos
24 O Deus que fez o mundo e tudo que também sua geração.

COMENTÁRIO

r INTRODUÇÃO
A globalização do mundo trouxe à fé cristã imperiosos desafios. Novas
culturas emergiram das regiões mais remotas do planeta e se difundiram
nos países de tradição judaico-cristã. Se a era Moderna foi marcada pela
difusão do Cristianismo no Ocidente, a Pós-Moderna se anuncia como era
plural, caracterizada pela expansão e presença de várias crenças orientais
e tradições religiosas até então ignoradas pelos cidadãos das metrópoles.
Na modernidade, a fé cristã era inquestionável e exclusiva, na pós-mo-
dernidade tornou-se mais uma opção no variado cardápio religioso. 0
Cristianismo, portanto, não é a única religião a disputar pelo interesse
e adesão das pessoas, mas divide o espaço público com outras crenças e
saberes religiosos opostos. Nesta lição, estudaremos o sentido de religião
e a forma de 0 cristão se relacionar com pessoas de crenças diferentes.

I - RELIGIÃO NO CONTEXTO fácil definição, embora a religiosidade


MODERNO esteja presente nos espaços públicos e
1. Sentido secular de religião? (At privados por meio dos templos, símbolos,
17.16-22). Religião não é uma palavra de músicas e costumes sociais (w.16,22). Uns

56 JOVENS
afirmam que ela é fruto da cultura, da €1 Ponto Importante
autoconsciência do homem, do medo, O artigo 18 da Declaração dos
e há aqueles que descrevem-na como Direitos Humanos garante a
“ópio" para suportar as angústias da vida liberdade religiosa a todos,
e suspiro da criatura oprimida. O sentido
positivo de religião designa assim uma
II - FÉ CRISTÃ NO CONTEXTO
atitude de reverência a Deus manifesta
DAS RELIGIÕES MUNDIAIS
1. Todas as religiões são iguais? (At
nos ritos, cultos, crenças e doutrinas. A
17.23-29). O fato de o homem não com­
religião é um fenômeno presente em
preender adequadamente a revelação de
todas as metrópoles brasileiras assim
Deus deu origem às muitas religiões (Rm
como fora nos dias de Paulo.
1.20-23). Contudo, tais religiões estavam
2. Sentido bíblico de religião. Toda­
afastadas do propósito divino (At 17.29),
via, esses conceitos não expressam o
embora aspectos do conhecimento de
pensamento das Escrituras. A religião
Deus ainda fossem percebidos nelas (At
não procede da busca do homem pelo
17.23, 28; Rm 1.21,22; 2.12-16; Tt 1.12,13).
divino, mas da revelação que Deus fez
Do ponto de vista histórico e social as
de si mesmo às suas criaturas (Jo 1.16;
religiões apresentam muitas semelhan­
1 Tm 6.15,16). ELa surge por iniciativa
ças (templos, ritos, grandes narrativas) e
do Senhor e não pela busca do pró­
concordam quanto ao valor da criatura
prio homem (Gn 3.8). É Deus quem se
humana, da preservação do planeta
revela ao homem, e não o homem a
e solidariedade. Sob a perspectiva da
Deus (Gn 12.1-3; Êx 3.1-14; Rm 1.19). Foi
verdade bíblica e salvífica, no entanto,
por meio da revelação divina ao povo
elas são muito distintas e até mesmo
hebreu que o monoteísmo se difundiu
contraditórias. 0 budismo, por exemplo,
e apregoou às religiões politeístas da
possui templos, ritos e valoriza a vida
Antiguidade a crença no Deus único
humana assim como o cristianismo. To­
e verdadeiro.
davia, nele não há o conceito de um Deus
3. A religião na sociedade brasileira
pessoal, de pecado e salvação como na
(Sl 33.12). O Brasil assegura o direito à
fé cristã. O budismo é muito diferente da
liberdade religiosa a todos os cidadãos
fé cristã e os ensinos de ambas religiões
e a completa separação entre o Estado
são opostos e se contradizem.
e as instituições religiosas. Deste modo,
A respeito da distinção entre os cre­
cada cidadão pode manifestar sua reli­
dos das religiões, Gilbert K. Chesterton
gião e expressar a sua crença, individual
(1874-1936) com propriedade cifirmou que
ou coletivamente, de modo público ou
“os credos que existem para destruírem
particular, com toda liberdade. Esse fun­
um ao outro têm escrituras, do mesmo
damento é estendido a todas as pessoas
modo que exércitos que existem para
e religiões em todo território nacional.
destruírem um ao outro têm canhões".
É claro que aqui, para não nos determos
© Pense!
A Revelação é um ato amoroso em mais pormenores, temos um abis­
pelo qual Deus se dá a conhecer mo irreconciliável entre mulçumanos e
e comunica sua vontade aos cristãos ortodoxos a respeito de Deus e
homens. de Cristo, embora ambos sejam mono-

JOVENS 57
teístas. É certo que as religiões, como da fé em Jesus, quer nas religiões
afirma um dos fundadores da psicologia independente da fé cristã. Hick, entre­
moderna, William James (1842-1910), tanto, propõe a perspectiva pluralista,
concordam em muitas partes: uma que defende a ideia de uma Realidade
inquietude a respeito de alguma coisa Última e inefável que é a fonte de toda
que está errada conosco e a solução salvação e mediante a qual as tradições
de que podemos ser salvos do erro. religiosas estão alinhadas em contextos
Todavia, embora sejam reconhecidas de salvação e libertação. Nesse as­
as semelhanças em sua forma e função, pecto, todos os sistemas de crenças e
as religiões mundiais “reivindicam coisas credos são verdadeiros, pois refletem
contraditórias sobre a realidade supre­ esta Realidade Última, e assim todas
ma, a libertação condicional e espiritual as religiões mundiais são inspiradas
do ser humano”. Portanto, as religiões e convertidas em fonte de salvação
não são iguais, embora haja "pontos de pela mesma influência transcendente
concordância" (At 17.16-29), e elas não do Logos. Portanto, segundo Hick, é
procedem da revelação de Deus em preciso abandonar o Jesus de Nazaré
Cristo, embora algumas tenham-no em dos Evangelhos e aceitar como novo
grande consideração. paradigma o Cristo cósmico ou Logos
2. A fé cristã é superior às outras eterno, que se traduz como o Trans­
religiões? Os cientistas das religiões cendente, o Divino, o Último ou Real,
acusam a fé cristã de arrogar-se su­ e que se manifestou como Cristo para
perior as demais crenças e religiões. o Cristão, Dharma para os hinduístas
Afirmam que os cristãos são exclusi­ e budistas, Allah para os m ulçum a-
vistas e intolerantes. A razão dessa nos, e assim por diante. Essa posição
superioridade reside no fato de a fé dificilm ente seria sustentada pelos
cristã apregoar que Jesus é o único primeiros teólogos da igreja nascente
caminho de salvação que conduz o e, provavelmente, seria condenada
homem a Deus (Jo 14.6; At 4.12). Por pelos primeiros concílios.
causa desta revelação bíblica eles É necessário observar, contudo, que
recriminam o cristão (1 Pe 2.19-25). existe contradição nesse sistema pelo
A posição defendida pelo cristianis­ fato de ele não contemplar as diferenças
mo bíblico é chamada de exclusivista que existem entre as religiões mundiais.
e rejeitada por John Harwood Hick Mesmo religiões monoteístas como o
(1922-2012), um filósofo da religião e cristianismo e o islamismo distinguem o
principal expoente contra a exclusivi­ único Deus das obras criadas, entretanto,
dade da salvação em Jesus. Para Hick o islamismo não aceita o testemunho do
a forma como o cristianismo apregoa Novo Testamento de que Deus é mais
a salvação exclusivamente em Jesus completamente revelado em Jesus Cris­
Cristo está equivocada, como também to, bem como o monoteísmo judaico não
os teólogos inclusivistas. A teologia aceita o fato de que o Novo Testamento
inclusivista afirma que a salvação acon­ contém uma maior revelação do Deus
tece em todo o mundo, dentro e fora trino. Obviamente que não é difícil para
das religiões mundiais, quer por meio o mulçumano pronunciar a sentença de

58 JOVENS
culpados de idolatria contra os cristãos III - RELACIONAMENTO COM
quando estes adoram a Deus em três PESSOAS DE OUTRAS CRENÇAS
pessoas consideram a Cristo como a 1. Relacionam ento religioso (At
encarnação de Deus. 17.17-23). O diálogo com pessoas de
Todavia, a exclusividade da salvação crenças diferentes está presente em
em Cristo não significa superioridade e todos os relacionamentos cristãos onde
intolerância. Como pode ser intolerante a segunda pessoa professa um credo
e orgulhosa a fé no Cristo que a todos distinto ou procede de uma outra religião.
acolheu indistintamente (Jo 4.7-9; Mt Jesus (Jo 4 -1- 30 ) e Paulo (At 17) deram
15.21-28), e a todos deu exemplo de profundas lições no que concerne ao
profunda humildade (Fp 2,5-10; Jo 13.1- diálogo religioso. Neste diálogo devemos
20; 14.28)?
aproveitar a oportunidade para falar da
3. A singularidade da salvação em salvação em Jesus Cristo.
Cristo. Jesus é o único mediador entre 2. Relacionamento inter-religioso (1
Deus e os homens (1 Tm 2.5; Hb 9.11-15). Pe 3.15-18). O relacionamento do cristão
Ele não apenas manifestou a salvação, com pessoas de outras religiões deve
mas a realizou na história. A salvação ser com todo respeito, mas sincero e
revelada e operada por Jesus é única, firme. Com sabedoria, exponha a razão
exclusiva e singular. Há salvação fora de sua esperança. Seu testemunho deve
das instituições religiosas, mas não há ser tão eloqüente quanto suas palavras.
salvação fora de Jesus.
Pense!
© Pense! A missão primordial da Igreja é 0
Jesus não apenas manifestou anúncio da salvação em Cristo.
a saivação, mas a realizou na
história.
d Ponto Importante
0 testemunho que Jesus dá de si
O Ponto Importante mesmo e 0 seu exemplo evan-
A mediação salvífica de Jesus gelizador são paradigmas para o
Cristo é específica e única. diálogo religioso.

A salvação revelada e operada por Jesus


é única, exclusiva e singular, Há salvação
fora das instituições religiosas, mas
não há salvação fora de Jesus,

JOVENS 59
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“A Nova Apologética e o diálogo “Definição de Seita


inter-religioso O termo 'seita', do grego ‘hairesis’,
U A Nova Apologética Cristã precisa procede de uma raiz que significa
estar disposta a dialogar no atual con­ 'selecionar', ‘escolher’ ou ‘facção’, tra­
texto do pluralismo religioso. Diálogo duzido pela Vulgata Latina por 'secta',
inter-religioso, missão evangelizado- O termo e seus derivados acham-se
ra e Anúncio são diferentes, O diálogo com abundância nas páginas do Novo
inter-religioso como o conjunto das Testamento (Mt 12.18; 1C0 11.19; Gl
relações inter-religiosas, positivas e 5,20; Fp 122; 2Ts 2.13; Hb 11.25; 2Pe 2.1).
construtivas, com pessoas e comu­ Um herege era alguém cuja opinião
nidades de outros credos para um distinguia-se da teoria de um partido
conhecimento mútuo e um recíproco ou escola de pensamento historica­
enriquecimento não impede a missão mente estabelecido, Essas escolas de
evangelizadora e o Anúncio, isto é, a pensamento declaravam suas teorias
comunicação do mistério de salvação por meio de afirmações doutrinárias
realizado por Deus para todos em que expressavam o ponto de vista
Jesus Cristo, O diálogo representa um oficial de seu mestre ou escola. Cha­
desafio, mas não um impedimento à mava-se assim dogmas ao conjunto
missão evangelizadora. Deste modo, o teórico abraçado pelos adeptos de
diálogo não deve substituir o Anúncio, certas correntes filosóficas ou religiosas
pois se constitui a tarefa primordial da que as confessavam publicamente. A
Igreja fazer crescer o Reino de nosso declaração pública necessariamente
Senhor e do seu Cristo [,..1. A Igreja devia estar de acordo com alguma
entra em diálogo de salvação com confissão religiosa ou conjunto de
todos, mas a natureza de seu diálogo doutrinas, como apresentam as peri-
não é meramente antropológico, mas copes neotestamentárias de Jo 1:20; At
teológico, O diálogo da Igreja é um di­ 24:14; Rm 10:9,10; l Tm 6:12; Tt 1:16. Uma
álogo de salvação, embora não esteja confissão dogmática distinguia-se da
excluído o diálogo da vida. das obras mera opinião do populacho. Quando
e da experiência religiosa”(BENTHO, surgia uma nova percepção que se
Esdras C, Como Identificar uma Seita. distinguia da tradição entendia-se a
Mensageiro da Paz, 2014), nova perspectiva como seita" (BENTHO,
Esdras C. Como Identificar uma Seita.
Mensageiro da Paz, 2014).

60 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR

DEERE, Jack, Surpreendido pelo Poder do Espirito.


l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995,
WARREN, Neil Clark; PARROTT, Les. l.ed. A Vida dos seus Sonhos: Três Segredos
para se Sentir Bem no Fundo de sua Alma, 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

CONCLUSÃO

Vivemos numa sociedade plural onde 0 indivíduo tem o direito de expressar sua
crença ou mesmo de se pronunciar ateu. É imperativo que 0 cristão saiba respeitar
as diferenças religiosas sem negar-se ao mandato cristão de apregoar a saLvação em
Cristo. Pregue o Evangelho com firmeza e sabedoria.

HORA DA REVISÃO

1. Descreva o sentido positivo de religião.


Atitude de reverência a Deus manifesta nos ritos, cultos, crenças e doutrinas.
2. Descreva o sentido de religião na Bíblia.
Ela surge por iniciativa do Senhor e não pela busca do próprio homem.
3. Todas as religiões são iguais?
Do ponto de vista histórico e social apresentam muitas semelhanças, mas sob a
perspectiva da verdade biblica e salvífica são distintas e contraditórias.
4. Por que a fé cristã não é orgulhosa e intolerante?
Porque não pode ser intolerante e orgulhosa a fé no Cristo que a todos acolheu
indistintamente e a todos deu exemplo de profunda humildade.
5 - Cite exemplos de diálogo religioso.
Jesus (Jo 4.1-30) e Paulo (At 17).

Anotações
LIÇÃO

v s j1
29 /11/20 15

0 QUE PODE
PREJUDICAR OS
RELACIONAMENTOS
TEXTO DO DIA AGENDA DE LEITURA
“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo SEGUNDA- 1 Co 110-13
nome de nosso Senhor Jesus Partidarismos enfraquecem os
Cristo, que digais todos uma relacionamentos
mesma coisa e que não haja entre TERÇA - At 1536-41
vós dissensões; antes, sejais uni­ Contendas prejudicam os rela­
dos, em um mesmo sentido e em
cionamentos
um mesmo parecer.”(l Co lio )
QUARTA-Gl 211-14
Hipocrisias afetam os relacio­
namentos
SÍNTESE QUINTA - 1 Co 3.1-23
0 relacionamento entre os Dissensões causam danos aos
cristãos deve refletir o mesmo relacionamentos
amor e unidade tipificados por SEXTA -1 Co 13.1-13
Cristo e a igreja. 0 amor ágape é a base dos rela­
cionamentos
SÁBADO - Jo 17.1-26

62 JOVENS
OBJETIVOS

•EXPLICAR a construção do sujeito e sua identidade;


•COMPREENDER os prejuízos dos retacionamentos
doentios;
•CONSTRUIR bons relacionamentos.

INTERAÇÃO

Mais uma vez retomamos o tema dos relacionamentos em sua


interface com a maturidade afetiva e a construção do sujeito.
Nesta lição aparecerá expressões como “educar as emoções”,
maturidade afetiva”, “conviver com as diferenças", “educação
dos sentimentos”e “construção de relacionamentos”. Por si
mesmos, esses vocábulos já constituem um estudo a parte.
Essa não é apenas uma preocupação da educação cristã como
também da educação humanista, que busca a alfabetização
das emoções humanas. A Unesco entre outros órgãos tem
procurado difundir a necessidade de não apenas preparar as
pessoas para o mundo do trabalho, mas também para convi­
verem consigo e com os outros, questões que estão na pauta
da educação cristã.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, solicite aos alunos que descrevam, segundo en­


tendem, o papel das emoções nos retacionamentos e como
as emoções podem ajudar ou prejudicar os relacionamentos.
Lembre-se que o processo de maturidade afetiva inicia com
a família. E ali que a afetividade e o modo como se lida com
ela são construídos. Esse processo recebe ainda influência da
socialização da pessoa nos espaços fora do núcleo familiar.
Também a cultura na qual o indivíduo está inserido participa
do processo de construção da identidade do sujeito e de sua
afetividade. Tudo isso ocorre quase que ao mesmo tempo
interferindo em cada um dos processos numa fabulosa
síntese! Assim, falar de relações é fazer referências a esses
tipos de conexões que unem as pessoas a si mesmas ou a
outras. O elemento que dá consistência a essas relações são
as emoções. Estas definem a característica, o conteúdo e a
intensidade dessas conexões. Daí serem importantes para
os relacionamentos.
TEXTO BÍBLICO

Atos 15.36-41 a Panfília se tinha apartado deles e


não os acompanhou naquela obra.
36 Alguns dias depois, disse Pauto a
Barnabé: Tornemos a visitar nossos 39 E tal contenda houve entre eles, que se
irmãos por todas as cidades em que apartaram um do outro. Barnabé, levando
já anunciamos a palavra do Senhor, consigo a Marcos, navegou para Chipre.
para ver como estão. 40 E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu,
37 E Barnabé aconselhava que tomassem encomendado pelos irmãos à graça
consigo a João, chamado Marcos. de Deus.
38 Mas a Paulo parecia razoável que não 41 E passou pela Siria e Cilícia, confir­
tomassem consigo aquele que desde mando as igrejas.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Não existem relacionamentos perfeitos. Eles são construídos e dependentes
da experiência, maturidade e sabedoria da pessoa em interpretar e corrigir
as experiências afetivas negativas (Pv 15.31), transformando-as em lições
positivas para que não se repita os erros cometidos (Pv 9.9; 13.16). É preciso
educar as emoções para conviver com as diferenças e não responder 0
agravo com outro (Pv 15.1,18,23). Isto não ocorre de um dia para 0 outro,
mas é um processo que perdura por toda vida. Nesta lição observaremos
como os relacionamentos afetam a estrutura do próprio ser.

I - RELACIONAMENTOS SAUDÁ­ participação dos cristãos na educação


VEIS E AFETIVIDADE (Jo 13.34) do indivíduo e da sociedade.
1. A construção do sujeito (Sl 139 13- 2. Construção de relacionamentos
18). O homem, seja como indivíduo, seja saudáveis (Ec 3 .1- 7). A construção do
como espécie, é um ser em construção sujeito não é um processo retilíneo,
(v.16). Ele não nasce pronto, acabado, mas repleto de serpenteamentos, de
mas do início ao fim da vida está em rupturas e retomadas de rumo, como
permanente desenvolvimento de sua afirma Eclesiastes 3. Ele cresce no cul­
personalidade, talentos, habilidades e tivo da vida social e deve ser sábio para
relacionamentos (Sl 103.14-16). O homem distinguir os relacionamentos bons dos
não é apenas capaz de aprender, como maus, as boas companhias das más, as
também em desaprender, adquirir novos interações frutíferas das frívolas e assim
hábitos e caminhar rumo à maturidade sucessivamente (Pv 13.20; 14.8). É no
(Ec 3.1-7). Ele cria e recria a si mesmo. encontro dos vários afluentes da vida
Daí a razão pela qual é importante a social, espiritual e afetiva que a vida e

64 JOVENS
a identidade do sujeito são construídas, 1. Relacionamentos doentios afetam
Ele tanto exerce quanto sofre influências todo o ser (1 Sm 18.7-9). O desenvol­
e deve proceder de tal modo que as in­ vimento integral do homem não deve
fluências negativas não modifiquem seu ser fragmentado na imatura linguagem
comportamento e suas escolhas cristãs teológica da dicotomia ou tricotomia
(Pv 14.33; 1 Co 13.11). O homem deve ser (Lc 2.52; 1 Ts 5.23; Hb 4.12) ou mesmo
bom e puro apesar de toda lama que o nas expressões da psicologia (motor,
cerca (Pv 4.20-27; 16.2; 21.21). afetivo, cognitivo, social), como se o
3. Relacionamentos e afetividade crescimento afetivo saudável ou doentio
(Pv 5.21-23). Entendendo as interações se manifestasse em uma das partes sem
humanas como parte de um processo afetar ou ter relação com o todo. O ser
necessário à construção do sujeito, e humano se desenvolve numa totalidade
que esse desenvolvimento não ocorre e cada uma das dimensões que o com­
exatamente como fórmulas matemáticas, põe é afetada como também influencia
mas se trata de uma construção social na umas às outras. No exemplo de Saul, o
qual o indivíduo se constitui e prossegue primeiro a ser prejudicado foi o próprio
se constituindo, a pessoa é responsável rei que, tomado de profunda inveja e
por aquilo que cultiva e pelas escolhas que ira (Pv 14,17. 30). não teve maturidade
faz ao longo do caminho (Pv 16.9; 22.24-26). para resolver seus dilemas e conflitos,
Nessa lida, a educação dos sentimentos vindo a cometer suicídio (1 Sm 31.1-6). O
desenvolvidos nas interações sociais na desgaste emocional de Saul teria sido
infância e adolescência são muito signi­ evitado se ele dominasse a si próprio (Pv
ficativas para a nova fase da vida adulta, 30.33; 25.28; Gl 5.22).
a qual o jovem já se encontra no início. 2. Sentimentos doentios minam a
alegria de viver (1 Sm 31.1-7). A falta de
O Pense! maturidade afetiva de Saul levou-o a
O homem deve ser bom e puro se ocupar em destruir a Davi (1 Sm 18.7-
apesar de toda Lama que o cerca. 15; 19.1-11). Ele tinha família, um reino e
exércitos para cuidar, no entanto, ignorou
© Ponto Importante todas as suas responsabilidades como
*Se és capaz de. entre a plebe,
pai, rei e comandante para perseguir
não te corromperes, e, entre reis,
não perdera naturalidade, e de o músico de Javé (l Sm 18.10-19). Saul
amigos, quer bons. quer maus, te estabeleceu para si um objetivo vil que
defenderes, se a todos podes ser afetou e prejudicou toda sua vida emo­
de alguma utilidade, e se és capaz cional, social e espiritual. Sua energia e
de dar, segundo por segundo, ao vida foram drenadas por sentimentos
minuto fatal todo valor e brilho,
doentios que o levaram à amargura e
tua é a terra com tudo o que
existe no mundo, e - o que ainda é mais tarde ao suicídio. Cultivar a ira, a
muito mais - és um Homem, meu vingança, a mágoa, entre outras emoções
filho!.’ (Rudyard Kipling} e sentimentos ruins prejudica a totalidade
da vida humana. A força dessas emoções
II - RELACIONAMENTOS DOEN­ não pode ser subestimada e negligen­
TIOS E O SER ciada por qualquer pessoa. Elas sobre­

JOVENS 65
põem-se a razão e influenciam profunda III - BONS RELACIONAMENTOS
e completamente o comportamento do SÃO CONSTRUÍDOS
indivíduo, sem que ele próprio atine para 1. Bons relacionamentos e sociedade
isso. De pouco adianta a oração, a leitura (1 Sm 18.1). Para compreender a base dos
das Escrituras e o aconselhamento se a bons e dos maus relacionamentos é preciso
pessoa não tomar a decisão de perdoar entender a construção do próprio sujeito em
o suposto ofensor (Mt 5.44; 6.12; Ef 4.32), seus diversos níveis: social, cultural religioso.
deixar a ira, abandonar o furor e não As interações sociais são construídas com
procurar a vingança (Sl 37.8). Para vencer base nos valores advindos da experiência de
tais emoções e sentimentos destrutivos vida e formação da personalidade e caráter
o salmista aconselha: “não te indignes das pessoas. Nisto, a educação familiar
para fazer o mal", “não tenhas inveja dos como também a sociedade pode interferir
que praticam a iniqüidade”, “deixa a ira”, positiva ou negativamente na construção ou
“abandona o furor" (Sl 37.1,7.8). Proibi-los não de relacionamentos maduros (Pv 23.13;
não é suficiente, segundo Davi, que tanto 20.11; 29.15). Todavia, isso não significa que o
sofreu injustiças, é necessário assumir sujeito esteja mecanicamente determinado
uma nova postura: “confia no Senhor", por essas relações sociais, contudo, não
“faze o bem”, “deleita-te no Senhor”, “des­ se pode negar as influências externas na
cansa no Senhor e espera nele”(vv. 3-7). formação da afetividade. Da mesma forma
3. Dominando a si próprio (Pv 25.28). como se aprende bons hábitos pode-se
Sentir raiva, inveja, ciúmes entre outros também com algum esforço abandonar
sentimentos que afetam a vida psicossocial os maus costumes e sentimentos que
do homem, embora não desejável, faz parte prejudicam as interações humanas.
da vida humana e da aprendizagem afetiva a 2. Bons relacionamentos são cons­
qual o homem está trilhando e são descritos truídos (1 Sm 18,1). Bons relacionamentos
na Bíblia como pecado. Todavia, é necessário são construídos ao longo do processo de
dominar e refrear tais sentimentos e impul­ aprendizado de vida do indivíduo. Eles são
sos. Caim (Gn 48-15), Saul (l Sm 18.7-15) e capazes de estimular o que há de melhor
Sansão Uz 14-16) são exemplos de pessoas no outro, revelando qualidades que talvez
que se deixaram levar por sentimentos que fossem ignoradas pela própria pessoa (iSm
19.1-7), pois favorece o conhecimento de
destruíram suas vidas. Leia a recomendação
si e do outro (1 Sm 18.3,4). Eles não surgem
de Deus a Caim (Gn 4.7).
de modo inesperado e mágico, mas de­
senvolvem-se à medida que os interesses
O Pense!
A verdadeira grandeza do homem e afinidades correspondem ao do outro.
é medida peia força dos sentimen­ Neste aspecto, é importante escolher e
tos que ele domina, e não pelos iniciar boas amizades e relacionamentos
sentimentos que o dominam. saudáveis nos grupos de afinidades como
a família e a igreja. Nesses dois grupos
O Ponto importante principais, os valores, os objetivos e as
“0 domínio-próprio é uma con­ crenças são possivelmente mais afins do
quista diária, em que as pequenas
que noutros grupos de interesse como os
vitórias de hoje preparam as vi­
tórias maiores de amanhã."(Júlio da empresa, da universidade, onde nem
Schwantes). sempre se encontram pessoas dispostas

66 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR

HUGHES, Kent, Disciplinas do Homem Cristão, l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997
LUCADO, Max, Quebrando a Rotina. 1, ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

CONCLUSÃO
Personagens como Caim, Saul e Sansão ilustram como a falta de domínio pessoal
sobre os sentimentos e desejos podem prejudicar as interações humanas. Portanto,
se você tem dificuldade em dominar a si próprio ore a Deus pedindo 0 fruto do
Espírito (Gl 5-22).

HORA DA REVISÃO

1. O que se pode afirmar acerca da construção do sujeito?


Ele não nasce pronto, acabado, mas do início ao fim da vida está em permanente
desenvolvimento de sua personalidade.
2. Quais sentimentos desgastaram a vida emocionaL de Saul?
Inveja e ira,
3. Qual a pior conseqüência dos sentimentos destrutivos de Saul?
Suicídio.
4. Como são construídos os bons relacionamentos?
Ao longo do processo de aprendizado de vida do indivíduo.
5. O que é mais raro e vulgar nos relacionamentos?
O vulgar é ter muitas “curtidas” e “amigos" nas redes sociais, mas raro são os
amigos para se estabelecer relacionamentos verdadeiros e duradouros.

Anotações
LIÇÃO

06/12/2015

AUSÊNCIA DE
RELACIONAMENTOS
TEXTO DO DIA AGENDA DE LEITURA
“Deus faz que o so litário viva SEGUNDA-1 Sm 1-2
em fam ília; liberta aqueles Sozinha, mas não desamparada
que estão presos em grilhões; TERÇA-Ec 4.9-12
m as os rebeldes habitam Lamento sobre o solitário
em terra seca.”(Sl 68.6)
QUARTA-Sl 102.3-11
Os males da solidão
QUINTA-Sl 128.1-6
A bênção da companhia familiar
SEXTA-Ec 3.1-8
Há tempo para tudo: abraçar e
se afastar
SÁBADO-Gn 3222-32
A sós com Deus

JOVENS 69
OBJETIVOS

•DISTINGUIR solidão de solitude;


•COMPREENDER as causas da solidão;
•RELACIONAR solidão e redes sociais.

INTERAÇÃO

O ônus de se viver em solidão não é algo que se administra


facilmente. 0 ser humano é um ser social e sociável. Viver
em solidão é uma desventura. Mesmo as pessoas que vivem
sozinhas e não sofrem de solidão, cedo ou tarde, sentem a
necessidade de uma maior aproximação com outras a pon­
to de dividir seu espaço e vida. É a vida que se encaminha
para cumprir o mandato do Éden; “Não é bom que o homem
esteja só"!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para a dinâmica desta lição você precisará de uma


urna (caixa de sapato), papel e canetas. Antes de os alunos
chegarem à sala, coloque a urna fechada em local de fácil
acesso, juntamente com papel e caneta. Em frente a urna ou
em Local visível coloque um cartaz com a seguinte pergunta:
“Viver em solidão é algo que se administra facilmente?" Dê
sua opinião ou faça uma pergunta. Depois de todos parti­
ciparem, abra a urna e discuta os comentários e perguntas
feitas com base na Lição.
OBJETIVOS

•COMPREENDER os conceitos bíblicos de amigo;


•R EFLETIR sobre as bases nas quais construímos
amizades;
•REPENSAR os relacionamentos virtuais.

INTERAÇÃO

O verdadeiro amigo está presente em todas as circunstâncias.


ELe se cala, quando preciso. Aconselha, quando necessário.
Sorri, quando todos à nossa volta parecem nos odiar. Quan­
do erramos, lá está ele, disposto a nos compreender. Amigos
assim, não estão à venda! Não se encontram a granel! São
especiais! São, simplesmente, amigos. Seja amigo de seus
alunos. Conquiste a confiança e o apreço deles. Invista no seu
reLacionamento com eles.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, inicie a aula perguntando aos alunos se eles conhe­


cem a expressão “Amigo da Onça”. Peça-lhes que comentem
o que eles entendem da expressão. A seguir, explique-lhes
que “Amigo da Onça" é uma expressão popular que significa
“falso amigo”. Originalmente foi um personagem criado por
Péricles de Andrade Maranhão (1924-1961) para a revista
O Cruzeiro, em 1943. Esse personagem era um sádico que
colocava os seus “amigos”em situações embaraçosas. Numa
dessas ilustrações (09/05/1959), uma senhora com cerca de
quase 80 anos está visitando um museu arqueológico e con­
templando a ossada de um dinossauro, quando, de repente, o
“Amigo da Onça”pergunta: “Conheceu algum pessoaLmente?”
Ninguém precisa e nem deseja um amigo sem tato ou que não
respeita os sentimentos alheios, não é mesmo? Você pode
imprimir da internet algumas dessas ilustrações do “Amigo
%
da Onça”, ou outra qualquer. Procure pela expressão ou pelo
nome de Péricles de Andrade Maranhão.

26 JOVENS
2. Filosofia e solidão.Certo filósofo não poucas encontram-se nesse estado
existencialista definiu a solidão como a devido ao isolamento social. Este último
condição do homem no mundo: ele nas­ é caracterizado por um afastamento do
ce, cresce e assim morre. O homem luta convívio com outras pessoas provo­
em toda sua existência para fugir dessa cado por fatores psicológicos, como a
inelutável condição, criando mecanismos sociofobia, condições sociais, como a
sociais que aliviem o sentimento de soli­ exclusão e marginalização social, e a
dão. Sem Deus, a criatura está “lançada” exclusão do indivíduo da convivência
no mundo para viver a angústia que esse com o grupo social. Essas formas de
estado provoca. Todavia, o ensino das isolamento contribuem para a solidão,
Escrituras é muito distinto. Ela afirma algumas vezes o indivíduo contribui
que “o Senhor faz que o solitário viva para a situação, noutras ele é "jogado"
em família" (Sl 68.6), porque disse Deus para ela.
ao criar o homem: “Não é bom que o 2. Dificuldade de se integrar e fazer
homem esteja só" (Gn 2.18). amigos. Embora o homem seja um ser
3. Solidão e solitude (Mt 1423). Sentir social, não poucas pessoas têm difi­
solidão e “estar sozinho" são coisas dife­ culdade em se integrar e fazer amigos.
rentes. Há pessoas que estão sozinhas, Algumas dificuldades partem do caráter e
mas não sentem solidão, e outras rode­ personalidade do indivíduo. Ser conheci­
adas de gente que sentem-se solitárias. do como fofoqueiro, brigão, mexeriqueiro
A solitude é voluntária, consciente e, na (Pv 11.13; Lv 19.16) e mal humorado (Sl
maioria das vezes, criativa e necessária 32.4) dificulta a inserção social. A timidez
para o autoconhecimento. Ela é percebida também dificulta a inserção. A reclusão
quando o estudante se “afasta” para se também pode estar relacionada a fato­
dedicar a pesquisa ou um crente se retira res psicológicos como a distimia, uma
para orar (Lc 5.16: Mc 14.32). Diferente da depressão moderada responsável pela
solidão, a solitude é positiva e necessária baixa autoestima, mau humor, tristeza,
ao crescimento espiritual e pessoal. isolamento social e desânimo do indi­
víduo, na qual é necessário tratamento
© Pense! especiaLizado.
“Soiidão: um Lugar bom de visitar
3. Como integrar-se e fazer amigos.
uma vez ou outra, mas ruim
de adotar como morada." (Josh Apesar dos milhares de indivíduos que
BiLlings) circundam os espaços sociais (escola,
igreja, transportes, trabalho) integrar-se
© Ponto Importante e fazer amigos é um desafio para todos,
0 cristão nunca está sozinho, indistintamente. As pessoas cada vez
mesmo guando a solidão 0
mais privatizam seus espaços e não
atinge, pois o Consolador divino é
sua eterna companhia. permitem que outros se acheguem.
Noutra instância, 0 desafio de integrar-se
II - SOLIDÃO E ISOLAMENTO ocorre quando se muda de escola, de
SOCIAL: MALES MODERNOS cidade, de igreja. O que fazer? As regras
1. Solidão e isoLamento (Pv 2710). básicas e universais compreendem: ser
Algumas pessoas sofrem de solidão e gentil (Pv 16.24), respeitador, asseado,

72 JOVENS
motivado e inspirador. Criar Laços le- cancelam o mistério do encontro do olhar
va-se tempo, assim, tenha paciência e das expressões faciais que carregam
e sabedoria. sentido às palavras e os sentimentos
que elas comunicam, de modo que a
Pense! hipocrisia é latente. Quarto, o tempo que
“A felicidade de um amigo delei- as pessoas dedicam aos seus aparelhos
ta-nos. Enriquece-nos. Não nos
tira nada. Caso a amizade sofra conectados a web a distanciam daquelas
com isso, é porque não existe." que estão mais próximas.
(Jean Cocteau) 2. Interações sociais - relações efê­

& Ponto Importante


“Não há solidão mais triste do
meras. Várias pessoas abandonaram as
interações humanas reais e concretas e
as trocaram pelas virtuais e fantasiosas
que a do homem sem amizades.
A falta de amigos faz com que na esperança de não se ferirem como
o mundo pareça um deserto." é comum nas relações reais. Todavia,
(Francis Bacon) pesquisas revelam que uma em cada
três pessoas conectadas ao Facebook
III - R ED ES SO CIA IS E SOLIDÃO sentem-se solitárias e frustradas com as
1. Redes sociais e interação humana. experiências negativas na rede. Vivemos
Não é novidade alguma o fato de que a era do “amor líquido”, de laços afetivos
as redes sociais procuram conectar as instáveis, fluídos e fáceis para deletar, na
pessoas e, no entanto, a solidão dos qual a rede social está na vanguarda. É
que estão plugados à rede não diminui, óbvio que isto não é conseqüência das
mas avança. Elas foram criadas com a redes sociais, mas da modernidade. A
intenção de unir e fortalecer as interações rede é apenas um espelho daquilo que
humanas, mas segue trajetória oposta. nos transforma no contexto social.
Primeiramente, pelo fato de que na vida
real não é possível se relacionar com © Pense!
tantos “amigos”como se propõe a rede A maioria das pessoas não nave­
virtual. Segundo porque os relacionamen­ ga na internet.... Naufraga!" (Ton
tos virtuais permitem "editar”a conversa Cadioli)
e por meio das ferramentas apresentar
o "melhor de si”numa artificialidade im­
© Ponto Importante
“A rede é apenas um espelho
possível no mundo concreto. Terceiro, os daquilo que nos transforma no
instrumentos de acesso às redes virtuais contexto social."

A solitude é voluntária, consciente e, na


maioria das vezes, criativa e necessária para
o autoconhecímento.

JOVENS 73
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Caráter, sua dimensão antropo- _“Para que você se torne o homem
teológica ou a mulher que Deus deseja é ne­
Deus criou o homem em duas fases cessário que o seu temperamento,
distintas. Na primeira o Eterno forma personalidade e caráter se tornem
(hb. asah) a parte somática, corporal subservientes dos projetos de Deus
e visível do homem, a partir do "pó da para a tua vida. Até que Deus prevaleça
terra" (Gn 2.7a). Esse primeiro estágio sobre nossas vidas (2C0 2.14), alguns
é chamado de criação mediata ou precisam ser jogados numa cisterna,
formativa. Na segunda fase Deus cria como José (Gn 3720); outros, ser ali­
(hb. bara) o homem à sua imagem e mentado por corvos, como Elias (íRs
sem elhança (Gn 1.26,27; 2,7b). Essa 17.6); e, alguns, apresentar sua língua
imagem entende-se por moral e na­ aos serafins, como fez Isaías (Is 6.6,7).
tural. A natural diz respeito àquilo que O caminho que Deus escolhe para
o homem é: ser racional (intelecto), forjar o caráter de seus cooperadores
emocional e volitivo (vontade). A moral algumas vezes é íngreme e inóspito.
relaciona-se à constituição do caráter, Mas, quando eles saem da fornalha,
da moral e da ética. Diz respeito à é perceptível até m esmo para os
constituição moral do homem, suas pagãos que e les andaram com o
disposições intrínsecas que inclui o quarto Homem na fornalha (Dn 3,25-
caráter e a qualidade deste: justo e 27). Deus jamais chamou alguém para
santo. Antes da Queda, o homem era uma grande missão sem que esse
perfeito em santidade, retidão e justiça. escolhido passasse por uma profunda
Essas qualidades não procediam do transformação moral.
próprio homem, mas eram reflexos Se desejas que o Deus de José,
dos atributos morais e imanentes do Elias e Isaías realize em você o mes­
Senhor. Os atributos morais de Deus mo que fez com eles, coloque o seu
refletiam-se na constituição do sujeito caráter no altar do Espirito; apresente
(Ef 4,24: Lv 20.7; 1 Jo 2.29; 3.2,3). Porém, a sua personalidade Àquele que a
após a Queda, a natureza moral do ho­ todos transforma segundo a imagem
mem foi corrompida pelo pecado (Rm de Cristo. Só assim serás a pessoa que
1.18-32; 3.23). Somente a obra salvífica Deus deseja que você seja" (BENTHO,
de nosso Senhor Jesus Cristo, median­ Esdras C. Revista Ensinador Cristão,
te a ministração do Espirito Santo, é 2008).
capaz de revestir o homem de uma
nova natureza, criada segundo Deus
(Ef 4.24; 1C0 1,30)" (BENTHO, Esdras
C. Revista Ensinador Cristão, 2008).

74 JOVENS
carregado, outros. De modo geral, cria- um contra o outro, abafar os talentos
se no ambiente de trabalho tanto uma dos profissionais e ser responsável pelo
relação profissional quanto de amizade, mau ambiente de trabalho.
sendo necessário distinguir a ambas. Seja,
portanto, diligente (Pv 22.29), humilde (Pv ^ Pense!
25.6.7) de comunicação precisa (Pv 25.11), Jamais reclame de seu chefe para
outro funcionário. Nas empresas
e exerça seu trabalho com satisfação (Ef
as palavras têm asas.
6.7). Não seja bajulador, mas saiba elogiar
os colegas e chefes sem exagerar (Pv
0 Ponto Importante
15.23). O bajulador é o profissional que Seja apaixonado pelo seu traba­
elogia exageradamente aos superiores lho e encontre nele realização e
para obter algum beneficio pessoal no crescimento pessoal.
ambiente de trabalho. Essa atitude pode
prejudicar a imagem profissional entre
os colegas, mesmo que funcione com
certos chefes vaidosos. O bajulador pro­
cura manipular o outro e suas decisões
com elogios. Todavia, o elogio sincero
Caro professor, In­
felizm ente na Escola Dom inical
demonstra a vontade do profissional
e em nossos grupos de estudos
de estabelecer laços de confiança e
bíblicos deixamos nossos alunos
reciprocidade (Sl 12.2; Pv 10.31; 12.6,18).
muito tempo somente ouvindo,
2. Obediência aos princípios divinos.
e o resultado é que acabam por
A Bíblia ensina o cristão à obediência de
tornarem-se passivos demais. Não
coração aos superiores (Rm 13.7), como
abrimos espaço para as perguntas
se estivesse submetendo-se ao próprio
e não permitimos que os alunos
Cristo (Ef 6.5,7), porque esta é a vontade
descubram as respostas sozinhos.
de Deus (Ef 6.6), Dificilmente alguém cres­
Em geral os alunos ficam sempre
cerá em sua profissão tomando atitude
quietinhos, ouvindo o professor,
de insubordinação aos seus líderes. Estes,
sem fazer nenhuma interrupção.
no entanto, devem liderar sem ameaças
Segundo John Gregpry, a apatia
ou revanchísmo, sabendo que Deus não
é uma das maiores inim igas da
faz acepção de pessoas (Ef 6.8,9).
atenção. Damos tudo pronto, não
3. Relacionamento com chefe in­
abrimos espaço para o fazer, para
competente. Essa é uma realidade em
a criatividade, para o diálogo e a
muitas profissões e empresas, lamenta­
reflexão. Precisamos colocar nos­
velmente. O incompetente é inseguro,
sos alunos para pensar, perguntar
desconfiado, imaturo e invejoso e, às
mais, se mexer mais. Como nos diz
vezes, de difícil relacionamento. O que
Celso Antunes, o aluno tem que ser
fazer? Procure trabalhar em parceria
o protagonista e não o espectador"
com ele; não o desonre; não comente
(BUENO, TeLma. Boas Ideias para
as falhas dele com outros; suporte resig­
Professores de Escola Dominical, 1.
nado os agravos. O chefe incompetente
ed. Rio de Janeiro; CPAD, 2015, p. 10).
pode desestabilizar a equipe, colocar

22 JOVENS
RELACIONAMENTO
E PERDÃO
TEXTO DO DIA 1 AGENDA DE LEITURA
“Então, Pedro, aproxim ando-se SEGUNDA - 1 Co 13.1-13
dele, disse: Senhor, até quantas Perdão é o amor em ação
vezes pecará meu irmão contra
mim, e eu Lhe perdoarei? Até
TERÇA -G n 45.1-14
sete? Jesus Lhe disse: Não te O perdão irrestrito de José
digo que até sete, mas até se- QUARTA-At 7.54-60
^ t e n t a vezes sete.”(Mt 18.21,22) 0 perdão orante de Estêvão
QUINTA-Sl 511-19
SupLicando 0 pardão divino
SÍNTESE SEXTA - Mt 6.9-15
Exortação ao perdão
A doutrina bíblica do perdão
é um báLsamo santo sobre a SÁBADO-Mt 5.43-48
consciência pecaminosa do O perdão conduz à perfeição
homem e uma ponte para
relacionamentos rompidos.

76 JOVENS
•DEFINIR perdão nas Línguas bíblicas;
•DESFAZER os equívocos sobre o perdão;
•PRATICAR o perdão como uma dádiva.

INTERAÇÃO

Professor, como orientadores de nossos alunos, precisamos


sempre estar em comunhão com nosso Senhor Jesus Cristo. Não
somos apenas “transmissores”de doutrinas, mas profetas para
a presente geração. Deste modo, é necessário que vigiemos para
que a inquietação da vida cotidiana não subtraia os instantes que
costumamos dedicar à comunhão diária com Cristo. Trabalho,
estudo, tempo gasto no trânsito, nas filas - tudo coopera para
a fragilidade dos relacionamentos seja social, seja espiritual.
Contudo, precisamos nos dedicar a oração, ao estudo da Palavra
e adoração ao Senhor. Não é possível influenciar nossos alunos
apenas com palavras é preciso exemplo!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta lição estudaremos um tema muito conhecido pelos


cristãos: a prática do perdão. Embora conhecido enquanto dou­
trina, muitos cristãos não perdoam com facilidade os agravos
cometidos. Por isso é necessário sempre retornar ao assunto.
O perdão envolve um ofensor (aquele que cometeu a ofensa)
e um ofendido (aquele que sofreu a ofensa). Quem administra
o perdão é este último. A ele cabe o dever de perdoar a ofensa
cometida. Assim, oriente aos alunos a respeito do valor do per­
dão como mandamento divino e como saúde para as emoções
e relacionamentos.

JOVENS 77
TEXTO BÍBLICO

Mateus 18.21-35 cem dinheiros e, lançando mão dele,


21 Então, Pedro, aproximando-se dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que
disse: Senhor, até quantas vezes pe­ me deves.
cará meu irmão contra mim, e eu lhe 29 Então, o seu companheiro, prostrando-
perdoarei? Até sete? se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê
22 Jesus lhe disse: Não te digo que até generoso para comigo, e tudo te pagarei.
sete, mas até setenta vezes sete. 30 Ele, porém, não quis; antes, foi en-
23 Por isso, o Reino dos céus pode com­ cerrá-lo na prisão, até que pagasse a
parar-se a um certo rei que quis fazer dívida.
contas com os seus servos; 31 Vendo, pois, os seus conservos o que
24 e, começando a fazer contas, foi-lhe lhe acontecia, contristaram-se muito
apresentado um que lhe devia dez e foram declarar ao seu senhor tudo
mil talentos. o que se passara.
25 E, não tendo com que pagar, o seu 32 Então, o seu senhor, chamando-o à sua
senhor mandou que ele, e sua mulher, presença, disse-lhe: Servo malvado,
e seus filhos fossem vendidos, com perdoei-te toda aquela dívida, porque
tudo quanto tinha, para que a dívida me suplicaste.
se lhe pagasse. 33 Não devias tu, igualmente, ter com­
26 Então, aquele servo, prostrando-se, o paixão do teu companheiro, como eu
reverenciava, dizendo: Senhor, sê ge­ também tive misericórdia de ti?
neroso para comigo, e tudo te pagarei. 34 E, indignado, o seu senhor o entregou
27 Então, o senhor daquele servo, mo­ aos atormentadores, até que pagasse
vido de íntima compaixão, soltou-o e tudo o que devia.
perdoou-lhe a divida. 35 Assim vos fará também meu Pai ce­
28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou lestial, se do coração não perdoardes,
um dos seus conservos que lhe devia cada um a seu irmão, as suas ofensas.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
A doutrina do perdão é um dos grandes pilares dos ensinos do Novo
Testamento. Não é possível ser verdadeiro im itador de Cristo sem o
exercício do perdão. Jesus não apenas perdoou como também ensinou
0 perdão, seja por parábolas, seja por ensinos diretos. 0 perdão vence os
sentimentos de ira e vingança e estabelece a paz entre Deus e 0 homem e
entre 0 homem e 0 seu próximo. Nesta lição estudaremos a doutrina do
perdão e sua importância nas interações humanas.

I - O QUE E O PERDÃO e Novo Testamentos é variado e rico.


1. Nas línguas bíblicas. O vocabulário No hebraico, sãtach, designa a ação
para “perdão" nas Escrituras do Antigo misericordiosa de Deus mediante a qual

78 JOVENS
OBJETIVOS

•COMPREENDER os diversos conceitos de trabalho;


•REFLETIR sobre o relacionamento no trabalho;
•REPENSAR o relacionamento com os superiores no
trabalho.

INTERAÇÃO

Professor como está a motivação de seus alunos para o tema em


apreço? Eles participam das aulas? Respondem as questões?
É necessário ensinar os assuntos com dinamismo, criatividade
e profundidade, cuidando sempre da boa comunicação. Não
são poucos os educandos que desconsideram o tema “relacio­
namento”por considerarem que já o conhece. Para eles, uma
aula monótona e repetitiva é desmotivadora. Todavia, você
deve ministrar subsidiado por todos os recursos didáticos e
retóricos disponíveis. Ilustrações, palavras e expressões en­
fáticas, gesticulações apropriadas; “tocar”não apenas a razão,
mas a alma, e os sentimentos de seus educandos.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, com base no Subsídio 2, faça um gráfico no quadro,


ou com outro recurso que estiver disponível, contendo o se­
guinte tema: “Os Propósitos Bíblicos do Trabalho".
Distribua adequadamente o espaço em que será escrito, e, de
modo gráfico, disponha os conteúdos:
1) Deus criou os seres humanos para trabalhar
2) Para prover subsistência aos necessitados.
3) Desenvolvimento da cultura.
A fonte ou referência, base para o gráfico e também a explicação
dele é o próprio Referencial Teórico. Se possível leia todo o
referencial diretamente no Livro indicado.
do Ladrão na cruz, a justiça veio primei­ Dn 9.9). Ninguém perdoa a Deus, pois
ro e, depois, o perdão (Lc 23.39-43). O Ele é Perfejto e Justo (Sl 9.8; 18.30:19.7;
perdão opera na esfera do sentimento 98.9: Mt 548). Na segunda, diz respeito
e da subjetividade, a justiça, no entanto,ao tratamento dispensado ao próximo
é concreta e objetiva (Mt 5.44; 6.12; 18.21,22; Rm 12.14,19). Essas
duas dimensões são interdependentes
d Pense! (Mt 6.12; 18.23-35).
Jesus ensinou que a justiça divi­ 3. A dádiva do perdão. Perdoar é
na é distributiva e misericordiosa um ato de pura graça e de superação
(Mt 20.1-16).
à ofensa recebida (Mt 18.21,22). Quem
exerce o perdão lida melhor com o
O Ponto Importante
O exercício do perdão é uma lem­ ressentimento e mágoas que advêm
brança de nossa posição diante das injustiças sofridas. Perdoar é o
de Deus. melhor remédio para curar as feridas
da alma: tristeza, angústia, compaixão
III - PERDÃO, BASE DE RELACIO­ própria, depressão entre outras. Quando
NAMENTOS SAUDÁVEIS a pessoa perdoa ela abre-se para uma
1. Conflitos nos relacionamentos (Cl nova e saudável experiência na qual
3.13). Todo relacionamento humano está as doenças psicossomáticas não se
sujeito a conflitos, desavenças e queixas instalam sobre sua vida. O exercicio do
(At 15.36-39; 1 Co 1.10-30). Não existe perdão traz saúde para a vida. Perdoe
interação humana perfeita e por isso a e viva feliz!
dádiva do perdão deve estar presente
(Mt 18.21,22). ^ Pense!
2. As duas dimensões do perdão. O “Assim vos fará também meu
perdão entendido corretamente abran­ Pai celestial, se do coração não
ge duas dimensões da vida humana: perdoardes, cada um a seu irmão,
vertical e horizontal. Na primeira advém as suas ofensas"(Mt 18.35).
de Deus para o homem, removendo a
© Ponto importante
culpa e se constituindo um ato de graça
"Ojuízo final será sem miseri­
mediante o qual o ser humano é restau­ córdia sobre aquele que não fez
rado à comunhão com Deus (2 Co 5.19; misericórdia" (Tg 2.13).

Todo relacionamento humano está sujeito


a conflitos, desavenças e queixas.

80 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“Perdoar não é uma opção “Perdoar não é esquecer


Perdoar não pode ser uma opção, Deus é o único que consegue apa­
até porque não há outra saída para gar nossas culpas e pecados, deles
quem foi ferido. Quem não perdoa anula não se lembrando mais, tornando-nos,
a possítalítídade de ser livre, vivendo a cada vez que pedimos perdão a Ele.
aprisionado às lem branças do que novas criaturas, limpas da nódoa do
passou. Dentro desta ótica, o perdão pecado e brancos como a neve.
é o passaporte para a Liberdade; quem Bom seria se tivéssemos um mar
não perdoa sofre e vivência a mágoa de esquecimento. Jogaríamos nele
noite e dia, carregando um fardo que as nossas mágoas, os fatos que nos
pode transformar-se em doenças do fazem sofrer, as palavras que nos ma­
físíco e da alma, ou até ser as duas chucaram. nossos desapontamentos,
associadas (doenças psicossomáticas). fracassos e tragédias - e para ficar
O irônico é que muitas vezes quem melhor ainda, colocaríamos uma placa
comete o erro se arrepende, busca ao redor com os letreiros ‘É proibido
ajustar-se. procura terapia para co­ pescar'. Não seria, simplismente. ma­
nhecer seus motivos e fortalecer-se ravilhoso?
contra quedas futuras, e até passa a ter Infelizmente isto não é possíveL Nós.
uma vida emocional e espiritual mais humanos, temos uma memória que não
frutífera do que antes da queda. Até se apaga Alguns podem até passar
porque uma das capacidades humanas por traumas ou dores tão profundas,
é aprender com o erro e com a dor, que submergem em uma amnésia
tornando-nos pessoas mais conscientes temporária ou permanente os fatos e
de fraquezas e tendências. Contudo, período que os fizeram sofrer: é comum
quem foi ferido, se não decidir perdoar que pessoas que sofram acidentes
e submeter-se ao processo de perdão, graves esqueçam os momentos que
viverá sob o peso da dor da traição e antecederam o fato.
pagará o preço emocionalmente pelo A única forma de apagar definitiva­
erro do ofensor, mente a memória é remover do cérebro
É por essa razão que perdoar não as áreas onde eLa se concentra, por
é uma opção dentre outras para ser uma lobotomía ou por perda da massa
considerada. Mas é a opção, a única cinzenta. E isto certamente não é o
decisão correta a ser tomada para que desejamos* (CRUZ, Elaine Sócios
que você seja livre da dor, da ira, das Amigos&Amados: 0 5 Três Pilares do
doenças, do envelhecimento precoce, Casamento, i ed, CPAD: Rio de Janeiro:
dos olhos turvos, da aniquilação dos 2005. p.203.)
projetos de vida”(CRUZ. Elaine. Sócios
Amigos&Amados: Os Três Pilares do
Casamento. i.ed.CPAD: Rio de Janeiro:
2005, p.206.)

JOVENS 81
ESTANTE DO PROFESSOR

BENTHO, Esdras C, Â Famítía no Antigo Testamento,


le d . Rio de Janeiro: CPAD, 2006,
SOARES, Esequías Casamento, Divórcio & Sexo á Luz da Bíblia
i.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 20U.

CONCLUSÃO
............
0 Senhor deu a você uma família para 0 pleno desenvolvimento de seus dons e com­
petências. A família é 0 primeiro núcleo social no qual todos os homens são inseridos.
É nela que 0 indivíduo se descobre diferente do outro, constrói sua identidade e inicia
sua descoberta do mundo e do mistério da vida. Portanto, valorize seus pais, irmãos
e irmãs, avós e avôs, tios e tias, primos e primas. Construa um ambiente 0 qual você
possa chamar de “lar”, que sirva-te de refúgio, fortaleza e escola.

HORA DA REVISÃO

1. Qual o propósito de Deus ao criar a familia?


Ser um centro de comunhão entre homem e mulher e os filhos gerados dessa
relação.
2. Quais os dois fundamentos da bênção do Senhor na família?
O temor ao Senhor e a submissão aos seus mandamentos
3. Procure no dicionário os significados da palavra “honra”
Conjunto de ações e qualidades que fazem com que alguém seja respeitado,
4. Cite e comente os três aspectos do mandamento de honrar os pais.
Obediência aos seus ensinos, provisão de suas necessidades e preservação de
sua vida e honra,
5. Cite duas normas para melhorar a comunicação na família.
Conversar a respeito do que interessa o outro {Pv 10.32) e ser atencioso ao in­
terlocutor.

Anotações
RELACIONAMENTOS
SOLIDÁRIOS
TEXTO DO DIA r AGENDA DE LEITURA
“A religião pura e imaculada SEGUNDA-Sl 103.17
para com Deus, o Pai, é esta: A misericórdia de Deus é eterna
visitar os órfãos e as viúvas nas
suas tribulações e guardar-se TERÇA - Sl 106.1-48
da corrupção do mundo.” Louvor a Deus por sua infinita
(Tg 1.27) misericórdia
QUARTA-Zc 7.9
Imperativo à justiça e
misericórdia humanas
ã SÍNTESE QUINTA-TgZ13
Juízo sem misericórdia aos
A misericordiosa solidariedade inclementes
de Deus em Cristo motiva os
homens a se compadecer e SEXTA -L c 10.25-37
Solidariedade em ação
socorrer o próximo em
suas necessidades. SÁBADO-Hb 217
Jesus misericordioso e fiel
sacerdote

JOVENS 83
OBJETIVOS

•DEFINIR solidariedade;
•CO M PREEN D ER a solidariedade na Biblia;
•E N V O LV ER -SE com atividades voluntárias.

INTERAÇÃO

Esperamos que as lições ministradas tenham trazido renovação


na vida dos alunos. Não podemos esperar menos quando a Pa­
lavra de Deus está em ação! Ela não retorna a Deus sem antes
cumprir seus propósitos. É maravilhoso observar o crescimento
espiritual e social dos alunos a partir de um fundamento tão
sólido como as Escrituras. Que o Senhor continue abençoando
sua vida, dádiva do amor de Jesus.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, solidariedade, bondade e benignidade são o amor


em ação. Proponha à classe, a possibilidade de se reaLizar
neste domingo uma atitude bondosa e benigna para alguém
ou uma família, seja ela cristã ou não. Esta visita pode ser
feita a um aluno da Escola Dominical, ou a um parente ne­
cessitado dele. Procure saber qual a necessidade da pessoa
ou família e, conforme a necessidade, recolha a contribuição
dos alunos. Marque o horário da visita, reúna-se com o grupo
na hora marcada, ore, leia Tiago 1.27 e faça a obra do Senhor.
Lembre-se, as lições deste trimestre são mais práticas do
que teóricas, mais interpessoais do que pessoais. Tratam da
vida cristã em sua praticidade diária, e não apenas em suas
doutrinas principais.

84 JOVENS
TEXTO BÍBLICO

Tiago 2.5-17 matarás. Se tu, pois, não cometeres


5 Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, adultério, mas matares, estás feito
não escolheu Deus aos pobres deste transgressor da lei.
mundo para serem ricos na fé e herdeiros 12 Assim falai e assim procedei, como
do Reino que prometeu aos que o amam? devendo ser julg ad o s pela lei da
6 Mas vós desonrastes o pobre. Porven­ liberdade.
tura, não vos oprimem os ricos e não 13 Porque o juízo será sem misericórdia
vos arrastam aos tribunais? sobre aquele que não fez misericór­
7 Porventura, não blasfemam eles o bom dia; e a misericórdia triunfa sobre o
nome que sobre vós foi invocado? juízo.
8 Todavia, se cumprirdes, conforme 14 Meus irmãos, que aproveita se alguém
a Escritura, a lei real: Amarás a teu disser que tem fé e não tiver as obras?
próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Porventura, a fé pode salvá-lo?
9 Mas, se fazeis acepção de pessoas, 15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e
cometeis pecado e sois redarguidos tiverem falta de mantimento cotidiano,
pela lei como transgressores.
16 e algum de vós lhes disser: Ide em
10 Porque qualquer que guardar toda a lei paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes
e tropeçar em um só ponto tornou-se não derdes as coisas necessárias para
culpado de todos. o corpo, que proveito virá daí?
11 Porque aquele que disse: Não come- 17 Assim também a fé, se não tiver as
terás adultério, também disse: Não obras, é morta em si mesma.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Solidariedade é 0 amor em ação. Nestes dias em que 0 egocentrismo e a
competitividade invadem a vida de milhões de pessoas, 0 cristão é desa­
fiado a “remar contra a maré”do indiferentismo. Estender as mãos ao que
tropeça, alimentar a boca faminta, vestir ao maltrapilho e visitar 0 enfermo
são atitudes simples, mas com grande efeito sobre 0 necessitado. Nesta
lição estudaremos os relacionamentos solidários.

I - O QUE É SER SOLIDÁRIO (Mt sopa quente faz aquecer a alma e acende
25-34-36) a esperança de uma nova realidade (At
1. Solidariedade é um ato de amor 9.39). Solidariedade é um ato de empatia.
(Mt 25.40). Amor que doa de seu tempo, Colocar-se no Lugar de outrem; sentir
de seus recursos, de suas energias a a dor do outro como se fosse a sua
fim de amenizar a dor alheia (Lc 10.25- própria dor (Mt 9.36). Neste tempo em
37 ). Uma simples visita ao enfermo; um que os homens buscam apenas aquilo
cobertor para cobrir o desabrigado; uma que os interessam, preocupar-se com

JOVENS 85
a necessidade de alguém é uma das atos solidários de Jesus foram movidos
mais extraordinárias demonstrações por íntima compaixão e misericórdia (Mt
do espirito que move o cristianismo (Gt 14.14; 1532 ; 20.34).
2.10 ver Dt 15.4; Mt 19.21; Rm 15.26). Fé
e caridade, duas grandes virtudes cris­ © Pense!
tãs (1 Co 13,13). A primeira relaciona-se “Solidariedade é enxergar no pró­
ao nosso compromisso com Deus, a ximo as lágrimas nunca choradas
segunda, com o próximo (Lv 19.18; Mt e as angústias nunca verbaliza­
das." (Augusto Cury)
5 4 3 ; 19-19 ; 22.39; Rm 13.9).
2. Três dons solidários. A misericórdia
O Ponto Importante
(Lc 6.36) e a compaixão (Mt 14.14) são man­ Jesus foi solidário e diferente
damentos universais a todos os cristãos. daqueles que ajudavam os pobres
É dever de cada crente ser compassivo e acompanhados de uma comitiva
misericordioso com o seu próximo. Todavia, de músicos para divulgar suas de­
há alguns cristãos a quem Deus chama monstrações de caridade (Mt 6.1-UÍ
para exercer a solidariedade, misericórdia
ou compaixão em niveis sobrenaturais, isto II - A BÍBLIA E A SOLIDARIEDADE
é, muito além do que o mandamento e 1. Solidariedade no Antigo T e s­
as possibilidades humanas o permitem. tamento. O termo solidariedade não
Esta compaixão extraordinária é obtida aparece na Bíblia, mas o conceito é
mediante três dons: de misericórdia (Rm abundante. No Antigo Testamento ela
12.8), socorros (1 Co 12.28) e contribuição é descrita por um vocábulo (rachamim)
(Rm 12.8). Exerça os dons solidários con­ que designa “terna misericórdia", “com­
forme a vontade de Deus. paixão", “ser misericordioso" e “bondade".
3. Jesus, exemplo maior de solida­ Por ser derivada da palavra “ventre”
riedade (2 Co 8.9; Fp 2.5-8). A Bíblia fala (racham), descreve o mais profundo e
da solidariedade como um ato divino (Is íntimo sentimento que Deus tem pelo
53.1-12). Jesus foi solidário com as ne­ homem (Êx 33 -19; SL 103.13; Os 2.19; Mq
cessidades da humanidade (Lc 4.18,19) 7.17), o homem por Deus (Sl 18.1) e peto
e ordenou: "Ide [„.l e aprendei o que seu próximo (Jr 50.42). É assim que o
significa: Misericórdia quero e não sacri­ Senhor afirma por meio de Zacarias:
fício" (Mt 9.13). A solidariedade de Jesus “Executai juízo verdadeiro, mostrai pieda­
acha-se primeiro na encarnação e morte de e misericórdia cada um a seu irmão"
substituta e sacrifical (Mt 8.16,17). Ele (Zc 7.9). O conceito de solidariedade
assumiu a natureza humana completa, misericordiosa em Deus, expressa o
exceto o pecado (Fp 2.5-8). Revestiu-se equivalente a graça (charís) em Cristo
de carne, a fim de satisfazer as neces­ nas páginas do Novo Testamento.
sidades espirituais dos homens (Jo 1.14; 2, Solidariedade em o Novo Tes­
3.16). Sua identificação com a humani­ tamento. Como no Antigo, o Novo
dade foi tão profunda que, sendo rico, Testamento também não traz o termo,
tornou-se pobre; santo, foi crucificado mas a ideia está presente de Mateus a
como um pecador, “para que, pela sua Apocalipse, por meio das expressões
pobreza, enriquecêsseís”(2 Co 8.9). Os “sentir compaixão”, “ sentir misericór­

86 JOVENS
dia", “com padecer”, “caridade", que Para que a igreja não se esquecesse
traduzem uma das palavras gregas raais do dever de.amar fraternalmente aos
importantes para solidariedade (eleos). cristãos estrangeiros, dos que estavam
Esse vocábulo expressa o irromper da encarcerados por sua fé, e daqueles
misericórdia divina no centro da desgraça filhos de Deus que estavam sofrendo
humana (Mt 9.27; 15 22; 17.15; Mc 10.47,48; maus tratos por causa da piedade e fé
Lc 17.13). tanto para os doentes quanto em Cristo (Hb 11.25, 36-38), o escritor
para os endem oninhados (Mt 15.22; afirma enfaticamente: “Lembrai-vos" (v.3).
1715). A misericordiosa solidariedade de É dever da comunidade cristã nunca
Deus em Cristo motiva os homens a se se esquecer daqueles que professam
compadecerem e sentirem as angústias a mesma fé em Cristo e se encontram
e necessidades do outro (Mt 5.7; 18.33). em dificuldade, seja ela qual for.
Por fim, afirma Tiago que a misericor­
diosa solidariedade demonstrada aqui © Pense!
no mundo terá um grande peso no juízo “A solidariedade é o sentimento
escatológico que se aproxima (Tg 2.13). que melhor expressa o respeito
3. Solidariedade descritas na Bíblia pela dignidade humana."(Franz
(Is 58.6-11; Hb 13.1-8). A Bíblia descreve Kafka)
alguns importantes atos de misericordio­
sa solidariedade que devem e podem ser fSl Ponto Importante
“Mas dirá alguém: Tu tens a fé,
desenvolvidos pelos cristãos: hospitali­
e eu tenho as obras; mostra-me
dade (Hb 13.2); vestir os desprovidos (At a tua fé sem as tuas obras, e eu
9.39); alimentar os famintos (Rm 12.20); te mostrarei a minha fé pelas
visitar os presos (Hb 13.3), os órfãos e as minhas obras."(Tg2.18)
viúvas e socorrer as pessoas em sofri­
mento (Tg 1.27). A exortação do versículo III - TRABALHO S VOLUNTÁRIOS
inicial do capítulo treze de Hebreus é (Lc 14 .12 -14 )
emblemática: “Permaneça o amor fra­ 1. O que é ser um voluntário? Um
ternal”. Este mandamento cristão estava voluntário é a pessoa cujo interesse
associado à vida da igreja Primitiva e ao pessoal e espírito solidário dedica parte
ensino de Jesus, que resumiu a Lei da de seu tempo e talentos para prestar
Antiga Aliança na dupla ordem de amar serviços de utilidade pública e solidária
a Deus e ao próximo como a si mesmo sob a forma de diversas atividades, or­
(Mt 22.37-40; Mc 12.29-31; Rm 13.9,10). ganizadas ou não, papa a promoção do
Este amor fraterno (phiíadelphia) designa bem-estar social, da atenção e socorro
uma das qualidades do amor agápe das necessidades humanas, colaborando
(Rm 12.10; 1 Pd 1.22; 2.17) que deve ser para o bem de seu semelhante.
praticado por todos os filhos de Deus, 2. Quem deve realizar trabalhos
principalmente entre os domésticos da voluntários. Seja de quem for a ini­
fé. Os exemplos da manifestação do ciativa, de uma instituição ou de uma
amor fraterno são claros: Hospitalida­ pessoa, movido por fatores religiosos ou
de, e solidariedade com os que estão humanistas, a prática da solidariedade
encarcerados e maltratados (vv.1,2). misericordiosa expressa o mais nobre

JOVENS 87
e poderoso sentimento cristão: o amor. íjÜ Ponto Importante
Todos indistintamente devem realizar “Houve mestres que ordenaram
atividades que auxiliem e socorram às pessoas, venderam o que
os desprovidos e excluídos sociais. As tinham, e muitos tornaram-se
fanáticos. Nós, todavia, deixamos
crianças, adolescentes, jovens e anciãos, o Espírito guiar os crentes e
obreiros - todos devem envolver-se, dizer-lhes o que ofertar. Quando
inicialmente, nas obras sociais da igreja e, alguém fica cheio do Espírito, a
depois, em outras atividades até mesmo sua carteira converte-se e Deus
fora do âmbito eclesiástico. A igreja é o torna mordomo. Se Deus lhe
ordenar: ‘Venda!’, ele vende"(W.
chamada a manifestar o amor de Cris­
Seymour)
to aos sem esperança e necessitados.
Diante do contexto de pobreza, injustiça
e exclusão social que as pessoas vivem
nas metrópoles e nas áreas rurais, a igreja
SUBSÍDIO
deve pronunciar-se contra as injustiças, “Você deseja ser uma pessoa mais
contra o trabalho escravo e infantil, amorosa? Comece aceitando o seu
contra os excluídos sociais, e contra as lugar como filho muito amado: ‘Sede,.
instituições políticas corruptas. Apesar pois, imitadores de Deus, como filhos
de o Brasil ter avançado no combate amados; e andai em amor, como tam­
à pobreza ainda assim, a insegurança bém Cristo vos amou' (Ef 5,1,2).
alimentar é uma ameaça que ronda os Você quer aprender a perdoar? En­
tão pense em como vocè foi perdoado:
lares de muitos brasileiros. Por razões se­
‘Sede uns para com os outros benignos,
melhantes a essas é que a Bíblia orienta
misericordiosos, perdoando-vos uns
que “nos lembremos dos pobres”e isto
aos outros, como também Deus vos
devemos fazer com diligência (Gl 2.10). perdoou em Cristo’ (Ef 4. 32 ).
3. Trabalhos sociais. Esses traba­ Você acha difícil pensar nos outros
lhos são muitos e variados. Vão desde em primeiro lugar: ‘Sendo em forma
visitação aos orfanatos e distribuição de Deus, não teve por usurpação ser
de alimentos e vestimentas até ações igual a Deus'(Fp 2.6).
sociais que visam mudar a condição de Você precisa ter mais paciência?
exclusão social do desvalido. No Brasil Beba da paciência de Deus (2 Pe 3.9).
há muitos bons exemplos de trabalhos Será a generosidade uma virtude
sociais praticados por instituições fi­ ilusória? Pense em como Deus foi
generoso com você (Rm 5.8). Você
lantrópicas e ONGs, no entanto, cabe à
tem dificuldade de suportar parentes
igreja desenvolver e aperfeiçoar seus
ingratos ou vizinhos mal-humorados?
próprios projetos sociais, dentro dos
Deus lhe suporta quando você age
valores cristãos, com toda pureza e dessa maneira: ‘Porque ele é benig­
transparência de propósitos. no até para com os ingratos e maus'
(Lc 6.35).
© Pense! Será que somos capazes de amar
“A felicidade de grandes Ho­ desta maneira?" (LUCADO, Max. Um
mens consiste em levar amor e Amor que Vale a Pena. í.ed. Rio de
solidariedade a quem necessita." Janeiro: CPAD, 2003. p. 7 ).
(Walyson Garrett)

88 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR

LUCADO, Max. Um Amor que Vale a Pena. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
STANLEY, Charles Paz: Um Maravilhoso Presente de Deus para Você. led.
Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

CONCLUSÃO

Não encolha a sua mão ao carente, 0 teu ombro ao lastimador, e não feche os teus
olhos aos necessitados, pois ouvirás: “Vinde bendito de meu Pai... porque tive fome e,
destes-me de comer: tive sede, e deste-me de beber" (Mt 25.34,42).

HORA DA REVISÃO

1. Defina solidariedade.
Amor que doa de seu tempo, de seus recursos, de suas energias a fim de ame­
nizar a dor alheia.
2. Descreva três dons solidários.
Misericórdia (Rm 12.8), socorros (1 Co 12,28) e contribuição (Rm 12.8).
3. Defina solidariedade no Antigo Testamento.
Designa “terna misericórdia”, “compaixão", “ser misericordioso" e “bondade".
4. Descreva a solidariedade no Novo Testamento.
"Sentir compaixão", “sentir misericórdia", "compadecer", “caridade".
5.0 que é um voluntário?
É a pessoa cujo interesse pessoal e espirito solidário dedica parte de seu tempo
e talentos para prestar serviços de utilidade pública e solidária sob a forma de
diversas atividades, organizadas ou não, para a promoção do bem-estar social,
da atenção e socorro das necessidades humanas, colaborando para o bem de
seu semelhante.

Anotações
LIÇÃO

13
27/12/2015

RELACIONAMENTO
COM DEUS
TEXTO DO DIA 1 f AGENDA DE LEITURA
“Co nheçam os e prossigam os SEGUNDA-Gn 121-9
em conhecer ao Senhor: com o Deus revela-se a Abraão
a alva, será a sua saída: e ele a TERÇA-Gn 28.10-17
nós v irá com o a chuva, com o Deus revela-se a Jacó
chuva serôdia que rega a terra.”
QUARTA-Êx 3.1-22
(Os 6.3 ) ~ Deus revela-se a Moisés
QUINTA -Jo 11-17
Deus revela-se por meio de
r SÍNTESE Jesus

0 mistério que é D<sus se


SEXTA -A t 9.1-19
Jesus revela-se a Paulo
descobre ao cami nhar
com Ele pela f<é! SÁBADO-Ap 19,20
Jesus revela-se à Igreja

J
90 JOVENS
Rm 1.20-23). A Bíblia ensina que somente era diferente e complementar (Gn 2.21-23).
Deus é digno de adoração. Tudo é criação Nisto se constitui a identidade do sujeito:
de Deus e somente o Senhor é Deus! O o eu (si) - o que sou - e o outro - o que
Deus que se relaciona com a humanidade não sou. No primeiro, “o que sou", somos
é o mesmo que criou livre e amorosamente chamados a ser sujeitos e controlar nossas
todas as coisas e as entregou ao cuidado vidas (rejeitando a dominação, a escravidão
do homem <Gn 1.28; 2.15). O homem é cria­ - autonomia), a escolher por nós mesmos
tura, mas distinta das coisas criadas (Gn (rejeitando a manipuLação - liberdade), e
1.26). Ele foi criado à imagem de Deus e a desenvolver meu modo próprio de ser
capacitado para desenvolver a experiência pessoa (rejeitando a coisificação e instru­
da receptividade. Ele responde perante mentalização - sujeito). No segundo, “o
Deus a respeito de seus relacionamentos outro", é verdadeiro o mesmo em relação
com os que lhe são semelhantes e com o ao primeiro, permitindo que aquilo que
mundo criado (Gn 4.8-13). Foi criado capaz desejo para mim (autonomia, liberdade,
de ser responsável diante do outro e da condição de sujeito) seja também direito
criação (Gn 3). Sua relação é dialógica com do outro, numa relação solidária.
Deus (Gn 3.8,9) e de preservação e trans­
formação responsável das coisas criadas. © Pense!
3. Relacionamento com o outro: iden­ A imagem de Deus capacita-nos a
tidade e solidariedade (Gn 2.18-25). O viver pLenamente com Deus, a dis-
tinguir-se da criação e a entender
Senhor afirma que “não é bom que o
o próximo. Como valorizamos a
homem esteja só" (Gn 2.18). Como pode imagem de Deus em nós?
estar sozinho se desfruta da comunhão
com Deus e da presença de todos os Ponto Importante
animais (Gn 2.19; 3.8)? Embora o homem 0 homem foi criado para viver e
desfrutasse da comunhão com o Criador valorizar relacionamentos corre­
e com a criação, ambos relacionamentos tos e saudáveis.
davam-se de modo distintos e, por isso,
ele estava incompLeto, O relacionamento II - FUNDAMENTOS DOS RELA­
do homem com o mundo era mediante CIONAMENTOS SAUDÁVEIS (Rm
o trabalho, a celebração da vida (Gn 12.9-21)
2.5,15,19,20); enquanto com Deus por 1. Amor fraterno (Rm 12.10). A principal
meio da fé, da obediência, do amor e da base de todo relacionamento saudável é o
adoração (Gn 2.16,17; 3 -8 ). Uma dimensão amor fraterno. Trata-sê do tipo de amizade
física e imanente (mundo), e outra espirituaL em que o outro é aceito e respeitado como
e transcendente (Criador). As dimensões tal. É um amor interpessoal, que valoriza
espiritual e corpórea estavam integradas. as qualidades, respeita as diferenças e
Faltava-lhe, portanto, a dimensão interpes­ suporta as fragilidades, É um amor capaz
soal e afetiva (o outro): o relacionamento de se alegrar com as conquistas do ou­
com outros seres humanos pelo diálogo, tro, e de se entristecer com o infortúnio
amizade, amor e abertura ao que lhe é alheio (Rm 12.15), Ele é cordial e fraterno
igual. Essa dimensão deu-se por meio da (Rm 12.10), e se esforça pela paz (v. 18).
criação do outro que, embora semelhante O amor fraterno é uma das principais

6 JOVENS
TEXTO BÍBLICO
irrn m n tfm < iia M M B É M M ÍÍlÍlÉ líS w ÍB É ^ ÍÉ ÍIM lfiÍlttÉ ÍB É W É B É ^ fi8 fia S i^ M M S S

Salmo 139.1-14 Seol a minha cama, eis que tu ali estás


1 Senhor, tu me sondaste e me conheces. também;

2 Tu conheces o meu assentar e o meu g se tomar as asas da alva, se habitar


levantar; de longe entendes o meu nas extremidades do mar,
pensamento. 10 até ali a tua mão me guiará e a tua
destra me susterá.
3 Cercas o meu andar e o meu deitar; e
conheces todos os meus caminhos. 11 Se disser: decerto que as trevas me
encobrirão; então, a noite será luz à
4 Sem que haja uma palavra na minha
roda de mim.
língua, eis que, ó Senhor, tudo co­
nheces. 12 Nem ainda as trevas me escondem
de ti; mas a noite resplandece como
5 Tu me cercaste em volta e puseste
o dia; as trevas e a luz são para ti a
sobre mim a tua mão.
mesma coisa.
6 Tal ciência é para mim maravilho­
13 Pois possuíste o meu interior; entre-
síssima; tão alta, que não a posso
teceste-me no ventre de minha mãe.
atingir.
14 Eu te louvarei, porque de um modo
7 Para onde me irei do teu Espírito ou terrível e tão maravilhoso fui formado;
para onde fugirei da tua face? maravilhosas são as tuas obras, e a
8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no minha alma o sabe muito bem.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
As Escrituras afirmam que Deus se revelou, deu-se a conhecer e comunicou
aos homens sua vontade e propósitos a fim de que estes se relacionem com
Ele por meio de Jesus Cristo, seu Filho. É uma iniciativa do próprio Senhor,
mas 0 homem precisa responder a esse apelo. Nesta lição estudaremos os
fundamentos do relacionamento entre Deus e os homens.

I - DEUS SE REVELA AO HOMEM ou “revelar-se", como na revelação


1. O sentido bíblico de revelação. de Deus a Jacó (Gn 35.7; 28.10-17). O
O hebraico bíblico possui diversas Novo Testamento emprega a palavra
palavras que correspondem ao ter­ apokalypsis com o sentido de “reve­
mo “revelação” na Língua portuguesa. lar", “desvendar”, “tirar o véu” ou “dar
Contudo, o vocábulo gãlâ, “descobrir”, a conhecer" (Lc 2.32; is 42.6; Rm 16.25).
“revelar", "tirar", “manifestar”, "aparecer" A doutrina da revelação de Deus nas
ou “revelar", é usado em sentido refle­ Escrituras descreve assim a comunica­
xivo com o significado de “desnudar-se" ção, revelação e manifestação de Deus

92 JOVENS
ao homem. Ele revela sua mensagem, © Pense!
vontade e propósitos. “A unidade do Pai e do FiLho
2. O conceito doutrinário de reve­ permite que se faça no FiLho uma
experiência de Deus. Jesus é o
lação. A revelação é uma ação livre e
único hermeneuta da nossa expe­
graciosa de Deus mediante a qual Ele se riência cristã."(Mario França)
dá a conhecer às criaturas e lhes trans­
mite um conhecimento de Si e de Sua O Ponto Importante
vontade, que de outra forma o homem “A experiência de Deus se define
jamais saberia (Ef 1,9; 3.3; Dn 2.28, 47). É não apenas como a experiência
do homem para com Deus, mas
uma iniciativa divina motivada pelo amor
também a experiência de Deus
(1 Tm 6.16). Essa revelação é apresentada conosco."(J. Moltmann)
por meio da criação (Gn 1.1-25; Sl 19.1;
50.6; Rm 1.19,20), do homem criado “à II - RELACIONAMENTO COM DEUS
sua imagem” (Gn 1.27), das Escrituras, 1. Relacionamento que se realiza
que registram em palavras e ensinos os no mistério, Deus é mistério (Is 45.15)
eventos da experiência salvifica do povo Isto significa que o Senhor não pode ser
de Deus no Antigo e Novo Testamentos plenamente conhecido (1 Tm 6.16). Ele
(Hb 1.1; Mt 22.29) e que alcança seu clímax transcende a qualquer definição obtida
na vida, pessoa e ensinos de Jesus Cristo pela mais profunda experiência (Êx
(Mt 1,21-23) com a outorga do bendito 33.11,20; Dt 34.10). Ele é um indizível mis­
dom do Espírito Santo (Jo 14.16,17). tério (Êx 33.18-23; Jo 6.46). Tanto a Abraão
3. Revelação e experiência de Deus. quanto a Moisés, o Senhor não apontou
As Escrituras apresentam a ação e re­ o caminho a seguir ou descortinou seus
velação de Deus no âmago da história projetos para que eles soubessem para
e experiência do povo de Deus (Gn onde ir ou o que fazer, porém, disse-lhes
12.1; Êx 3.14 ver Sl 105). A comunidade que estaria caminhando com eles (Gn 12.
judaica reunida no Templo era exorta­ i, “te mostrarei"; Êx 33.14, “irei contigo”,
da a lembrar-se “das maravilhas" e do ver 2 Sm 7,6,7). O mistério que é Deus
“concerto”que o Senhor havia “feito, dos se descobre ao caminhar com Ele pela
seus prodígios e dos juízos" no meio da fé! (Hb 11.6,8-10, 24-28).
congregação (Si 105.5-7). Ela confiava 2. Relacionamento que se concretiza
nas experiências de Deus entre os em Cristo. Jesus é a revelação absoluta
patriarcas da nação, no passado, como de Deus e a base de toda comunhão e
promessa da ação divina no presente, relacionamento corretos com Ele (Jo
e a certeza da presença do Senhor no 14.6). O rosto de Deus oculto a Moisés
futuro (Êx 3.15-18; Sl 118.6). Confiavam na (Êx 33.20) foi revelado ao mundo em
intervenção divina tanto nas questões Jesus de Nazaré, o Cristo (Jo 1.14,18; 6.46;
individuais (Dn 6.26,27; At 5.17-23), quanto 14 7-11; Hb 1.1-3). "Ninguém conhece o
nos problemas nacionais (Êx 15; Sl 23; Filho, senão o Pai; e ninguém conhece
47 ). Essas experiências de Deus com o o Pai, senão o Filho e aquele a quem o
seu povo serviram de fonte e base de Filho quiser revelar”! (Mt 11.27; Lc 10.22).
sabedoria para todo o Israel e a igreja O que Jesus afirmou não é misterioso
primitiva (Sl 25.4,5; Ec 12.14). embora envolva o mistério de Deus no

JOVENS 93
Antigo Testamento: o véu que envolve marcaram a experiência do povo de
o mistério de Deus é removido por Je­ Deus na Escritura foram a revelação de
sus. Ele é quem revelou o Pai (Jo 1.18). Yahweh no Sinai (Êx 19; 20), a Encarnação
Assim todo e qualquer conhecimento do Filho de Deus (Mt 1.18-25; Lc 1.35; Jo
de Deus só pode ser obtido por meio 1.14,18; Fp 2.6-11) e a descida do Espírito
de um relacionamento concreto com Santo no dia de Pentecostes (At 2). Esta
Cristo (Jo 17.20-26:16.24-28). última evoca os sinais que concluíram
3. Relacionamento que se vive no a Aliança no monte Sinai (At 2.2 ver Êx
Espírito. O relacionamento com Deus por 19.16-18), dando a entender que o Espí­
meio de Cristo se vive na vida do Espírito rito dará início a Nova Aliança realizada
(Jo 3.5-8). É preciso notar que a vida no por Jesus (Mt 26.26-29), O Pai revela, o
Espírito, assim como a experiência de Deus Filho redime e o Espírito nos insere na
no Antigo Testamento, realiza-se também unidade trinitária (Jo 17,21-24; l Ts 4-8).
no mistério (Jo 3.8). O Espírito procede 2. Experiência do Espírito e d is­
do Pai, mas é enviado por Jesus (Jo 16.7) cernimento. A experiência de Deus
para dar testemunho dele (Jo 15.26,27). Ele em Cristo, por meio do Espírito Santo
realiza uma profunda transformação no é antes de tudo transformadora (Jo
discípulo de Cristo para viver a experiência 7 38-39). Toda e qualquer experiência
de Deus em Cristo (Jo 7 -37- 39 : At 1.8). do Espírito sempre remeterá o crente
ou a comunidade a Cristo (2 Co 3.17,18).
d Pense! Ele é 0 Espírito de Jesus (Gl 4.6; Fp 1.19).
“0 extraordinário do Espírito Assim, Jesus é o critério para discernir
de Deus esconde-se e revela-se as experiências autênticas do Espírito,
no ordinário quotidiano da vida pois elas levam a Cristo (1 Co 12.3; 1J0
humana."(Carlos Mesters)
2.22,23; 4-1-6; 5 .5 - 9 )-

^ Ponto Importante
“É o Espírito que convence, que
O Pense!
“Não extingais 0 Espírito"(1Ts5.131
guia, anuncia as coisas futuras e
glorifica a Jesus (Jo 16.S-14J.”
© Ponto importante
“Atos dos Apóstolos é um firme
III-A VIDA NO ESPÍRITO testemunho da gloriosa experi­
1. Do Sinai ao Pentecostes. Três ência e realidade do Espírito na
grandes e importantes eventos que Igreja."

Jesus é o critério para discernir as


experiências autênticas do Espírito, pois
elas levam a Cristo.

94 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
"Os cristãos estão unidos corri “Fé e paciência são dois ingre­
Cristo através de dois relacionamen­ dientes inseparáveis para se tomar
tos espirituais: eles estão em Cristo e posse das promessas de Deus. A fé
Cristo habita neles (‘Vós, em mim, e eu, nas promessas de Deus é o estímulo
em vós', Jo 14 20), Nossa posição em para as conquistas dos nossos so­
Cristo é permanente e nos dá inúmeras nhos, especialmente, quando esses
bênçãos espirituais que promovem sonhos estão de acordo com a vontade
nossa santificação. Cada crente, por de Deus, Abrão tinha dado passos
exemplo, é uma nova criatura em gigantescos na direção da vontade
Cristo, o que o capacita a levar uma de Deus. Ele havia aprendido a im ­
vida transformada (2C0 5,17). O relacio­ portância do caminho da obediência
namento Cristo em nós significa sua para a verdadeira felicidade, mas não
residência permanente no crente (Cl pôde evitar as circunstâncias desse
1.27). A essência da santificação cristã caminho, Grandes provações teriam
é experimentar a presença pessoal de de ser vencidas para que Abrão re­
Cristo, 'Cristo vive em mim'. Gl 2.20. conhecesse a soberania divina e a
Os cristãos podem manifestar Cristo dependência a Ele. Fragilidade e fé
em suas vidas somente porque Ele são termos opostos na nossa peregri­
reside neles (Fp 1.20,21). A santificação nação espiritual. Por natureza somos
sempre trabalha de dentro para fora. frágeis e suscetíveis às intempéries da
Através de nossa união com Cristo, sua vida. A fé é o elemento espiritual que
vida espiritual nos preenche, permeia nos capacita a reagir nos momentos
nossas vidas e se mostra através de de fraquezas. Abrão já havia vencido
nós (Gl 2.20), de modo que “a vida de grandes reveses e, agora, depois de
Jesus se manifeste também em nos­ haver chegado à Terra Prometida
sos corpos”(2C0 4.10). Compreender de leite e mel não poderia deixar-se
que temos uma nova vida através da ofuscar pelo desânimo. Porém, se
união com Cristo nos ajuda a evitar depara com uma terra seca e vazia,
duas ideias falsas. A primeira delas é onde a fome espalhava-se entre os
que nossa união espiritual com Cris­ seus habitantes. Esse caos na terra de
to é uma união morta. Em segundo Canaã ia de encontro à promessa de
lugar, que nossa conexão espiritual uma terra de ‘leite e mel’; um tempo
com Cristo é uma união estática. Em de provações que expôs toda a fra­
vez disso, ela é uma união dinâmica, gilidade emocional de Abrão. Na vida
na qual a vida espiritual de Cristo flui cristã quando empreendemos andar
através de nós. Cristo é semelhante no caminho da fé não imaginamos
à videira e sua vida é como seiva que encontrar as dificuldades e adversí-
aviva, fortifica e nos nutre como seus dades desse caminho”.
ramos (Jo 15.1-8)’ (HOLLOMAN, Henry. (CABRAL, Elienai. Abraão: As Expe­
O Poder da Santificação, l.ed. Rio de riências de Nosso Pai na Fé. led. Rio de
Janeiro: CPAD, 2003. pp.29-30), Janeiro: CPAD, 2002, pp. 27-8),

JOVENS 95
ESTANTE DO PROFESSOR

HOLLOMAN, Henry, O Poder da Santificação, ted. Rio de Janeiro: CRAD, 2OG3.


CABRAL, Elíenaí Abraão: As Experiências de Nosso Pai na Fé,
le d . Rio de janeiro: CPAO, 2002.

CONCLUSÃO
wwkàNHwHMHM

É a vontade de Deus que 0 crente viva a vida no Espírito com liberdade e discernimento,
sem extinguir sua presença na comunidade. 0 Espírito de Cristo é o agente divino que
nos insere na comunhão trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo.

HORA DA REVISÃO

1. Descreva o sentido bíblico de revelação.


A comunicação, revelação e manifestação de Deus ao homem.
2. Defina o conceito doutrinário de revelação.
A revelação é uma ação Livre e graciosa de Deus mediante a qual Ele se dá a
conhecer às criaturas e as transmite um conhecimento de Si e de Sua vontade.
3. O que significa afirmar que Deus é mistério?
Que o Senhor não pode ser plenamente conhecido.
4. É possível se relacionar com Deus à parte de Cristo?
Não é possível.
5. Quais são os três importantes eventos que marcaram a experiência do povo de Deus?
A revelação de Yahweh no Sinai (Êx 19; 20), a Encarnação do Filho de Deus (Mt
1.18-25) e a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2).

Anotações
CONFERENCIAS
REGIAO SUDESTE
25* CONFERÊNCIA DE ESCOLA DOMINICAL 1j (
24, 25, 26 e 27 de março de 2016

REGIÃO NORTE C * C 0 A t 00 C A F É

26aCONFERENCIA DE ESCOLA DOMINICAL


21, 22, 23 e 24 de julho de 2016

REGIÃO SUL
27' CONFERENCIA DE ESCOLA DOMINICAL
22, 23, 24 e 25 de setembro de 2016
2 4 a CONFERÊNCIA MUNDIAL PENTECOSTAL
7 A 10 'DE SETEMBRO DE 2016
r

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