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Ética e Economia

Existem diversas opiniões sobre a relação da ética com a economia. Para uns, são duas
realidades distintas e independentes;

Para outros são dois mundos em consonância, ou seja, o sistema económico funciona
melhor perante o binómio economia-ética.

Na nossa opinião de facto a ética e a economia estão relacionadas. Ambos refletem o


nosso comportamento. A ética, através dos nossos atos, vai influenciar a nossa economia,
isto é, através da nossa capacidade de governar as nossas contas e também os nossos
gastos, por exemplo, vamos conseguir ter uma noção da forma como lidamos com a
economia, pois esta está presente em tudo o que fazemos.
Se olharmos para o mundo atual, podemos ver que, de uma certa forma, todos se
aproveitam de tudo e de todos. Desde o chefe que explora o empregado, ao empregado
que não é leal, ao cidadão que foge aos impostos e até mesmo ao estado que tira dinheiro
aos cidadãos e às empresas.
Tudo isto leva a uma economia e a uma ética de fachada, onde a palavra desrespeito,
sobressai.
A melhor estratégia, ou até mesmo a melhor solução, encontra-se no diálogo entre a ética
e a economia. Isto porque sem valores em sociedade, esta não teria qualquer sentido.
Neste contexto encontra-se o respeito para com o ser humano, uma melhor qualidade de
vida e também valores a serem reconhecidos. Todos necessitamos, quer estejamos onde
estivermos, de valores, de regras. É com eles que conseguimos adquirir um bom ambiente
de trabalho, um bom ambiente na escola, uma boa relação com os outros.

Penso que os valores são muito importantes para a nossa comunidade pois é com eles
que conseguimos também adquirir respeito.
No mundo atual existe muita insegurança no trabalho. Se as empresas derem
oportunidade de conseguirmos adquirir confiança, todos nós iremos trabalhar com prazer e
dar um grande sucesso à empresa.
DESIGUALDADES E CRISE ECONÓMICA

A profunda desigualdade que se continua a verificar em Portugal a


nível da repartição do rendimento, provam de uma forma clara,
constitui também um importante obstáculo ao desenvolvimento do
País e é também um fator que contribui para agravar a crise atual que
Portugal enfrenta.

Efetivamente, a atual crise que abala todo o sistema capitalista


mundial, e também Portugal, é uma crise de excesso de produção,
não relativamente às necessidades das pessoas, mas sim em relação
ao poder de compra da maioria da população.

Em Portugal este facto é claro e de fácil compreensão. Durante muitos


anos, a extrema desigualdade na repartição dos rendimentos, que
contribuía também para que o poder de compra da maioria da
população fosse insuficiente para a cobrir as suas necessidades, foi
atenuado pelo recurso ao endividamento. Tal facto determinou que o
endividamento dos portugueses tenha atingido no fim de 2002,
segundo o Banco de Portugal, o correspondente a cerca de 103% do
rendimento disponível, isto é, se os portugueses tivessem de pagar
num único ano o que pediram emprestado, todo o seu rendimento de
um ano seria insuficiente para pagar as suas dívidas.

Mas como é evidente, o endividamento tem limites, até porque há que


pagar todos os anos encargos a divida que incluem os juros e as
amortizações dos empréstimos pedidos, e se os empréstimos
aumentarem os encargos destes tornam-se cada vez mais
incomportáveis para a maioria das famílias portuguesas.

A conjugação destes dois factores – uma profunda desigualdade na


repartição do rendimento que contribui também para que o poder de
compra da maioria da maioria da população portuguesa seja muito
baixo e limitações a um maior e continuado recurso ao crédito – teve
consequências graves e imediatas no mercado interno, que deixou de
crescer ao ritmo a que se estava a verificar, e que era base do
desenvolvimento do País, tendo-se contraído fortemente o que está a
causar neste momento dificuldades acrescidas ao escoamento
(venda) da produção por um número crescente de empresas
Numa sociedade democrática, a pobreza configura uma situação de violação
de direitos humanos fundamentais, tratando-se, pois, de um problema de
cidadania.

 A pobreza na nossa sociedade não é uma fatalidade, porquanto os


recursos materiais, humanos e de conhecimento, já alcançados, são
suficientes para todos. Se persiste a pobreza – e até em alguns casos se
agrava - , é porque a economia funciona desfocada da prioridade de
satisfação das necessidades das pessoas dotadas de menor poder de
compra, porque os frutos do desenvolvimento e do progresso
material não se repartem com justiça, e porque a sociedade não
dispõe de mecanismos para proporcionar a todos uma igualdade de
oportunidades no acesso a bens essenciais e a serviços básicos de
saúde, educação, habitação ou segurança.

 Consideramos a pobreza como uma violação de direitos humanos.


Reconhecer esta situação deve levar à implementação de mecanismos
institucionais que façam valer, em todas as circunstâncias, o direito a
não ser pobre.

 Cabe ao Estado, a nível central e a nível autárquico, um papel


determinante na luta contra a pobreza, através da adopção de
medidas, programas e projectos direccionados para prevenir as causas
geradoras da pobreza e para minimizar as suas consequências.

 Por seu turno, a sociedade civil deve apoiar e pressionar os poderes


públicos e suas instituições para que adoptem e executem as medidas
pertinentes, tal como desenvolver aquelas acções de proximidade para
as quais nem o mercado nem o estado têm respostas satisfatórias.

 Há ainda que sensibilizar a sociedade para um sistema de valores não


mercantilistas, que promova a ideia de que o desenvolvimento não se
reduz ao mero crescimento económico, antes pressupõe
sustentabilidade e coesão social.

 A pobreza não é uma realidade homogénea, antes assume diferentes


naturezas e múltiplos rostos de que ouvimos nesta Audição
testemunhos eloquentes. Assim sendo, só através de uma maior
participação dos pobres na concretização das medidas e projectos que
lhes são dirigidos se pode encontrar as respostas mais eficientes. Em
particular, é essencial dar maior poder às mulheres, que continuam a
ser discriminadas socialmente e no mercado de trabalho. O maior
envolvimento e responsabilização dos pobres favorece, ainda, o
combate à subsídio-dependência.

 Esta Audição trouxe múltiplos ensinamentos relativos à percepção que


a população portuguesa tem acerca da pobreza e pôs em evidência que
existem muitos preconceitos sobre as respectivas causas. Por exemplo,
a associação da pobreza à preguiça, quando, na verdade, os pobres
são, maioritariamente, trabalhadores no activo ou reformados.

 O conhecimento científico desta realidade social é, pois, indispensável


para a definição e avaliação de estratégias, políticas e boas práticas.
Consideramos ser urgente proceder à melhoria das estatísticas acerca
das desigualdades e, em particular, acerca da pobreza.

 A erradicação da pobreza constitui também uma mais valia para as


pessoas não pobres e para a sociedade no seu todo que ganha em
aproveitamento de recursos humanos potenciais, em coesão social, em
segurança e em qualidade de vida.

 O empenhamento em erradicar a pobreza tem levado a destacar a


importância das iniciativas no âmbito da Economia Social e do
Terceiro Sector, em cujo domínio importa acelerar a inovação social e
para isso existem instrumentos inovadores que podem ser
implementados. Por exemplo, por que não a constituição de um fundo
de solidariedade constituído com base em activos bancários não
reclamáveis e sua aplicação em investimentos no terceiro sector? Por
que não uma academia e certificação de excelência de boas práticas na
gestão do terceiro sector?

 Por último, queremos concluir com uma palavra de solidariedade para


com os pobres do Mundo. O século XXI iniciou-se com a formalização de
um Pacto mundial que visava reduzir significativamente a pobreza
no Mundo até 2015. A avaliação feita a meio deste período mostra
lacunas e défices de concretização que importa superar nos próximos
anos. Esse será, seguramente, o melhor modo de celebrar o 60º
aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos.