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DIREITO EMPRESARIAL.

Secutirização.

1. Origem e aspectos gerais:

O termo securitização tem origem na palavra inglesa security, que tem por
significado valor imobiliário. Assim, tem-se que o uso da securitização refere-se à
criação e emprego de valores mobiliários.

Na época de seu surgimento, ainda na década de 1970, a securitização para o


mercado financeiro consistia na estruturação e venda de investimentos negociáveis, de
modo a passar o risco integral que em regra seria de um único credor a distintos
investidores. Isto é dizer que à época a securitização era empregada com a finalidade
de angariar recursos como opção para emprego de débitos bancários.

Dessa forma, as funções econômicas da securitização podem ser resumidas em


três aspectos:

a) mobilizar riquezas;

b) dispersar riscos, já que estes são transferidos aos investidores;

c) desintermediar o processo de financiamento.

A Lei 9.514/97 criou o CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários, que é título


causal, emitido por companhias securitizadoras de crédito, como promessa de
pagamento, sob a forma escritural, com registro no sistema CETIP. Ademais, a referida
Lei define a securitização como:

Art. 8º A securitização de créditos imobiliários é a operação pela qual tais


créditos são expressamente vinculados à emissão de uma série de títulos de
crédito, mediante Termo de Securitização de Créditos, lavrado por uma
companhia securitizadora, do qual constarão os seguintes elementos:

I - a identificação do devedor e o valor nominal de cada crédito que lastreie a emissão,


com a individuação do imóvel a que esteja vinculado e a indicação do Cartório de
Registro de Imóveis em que esteja registrado e respectiva matrícula, bem como a
indicação do ato pelo qual o crédito foi cedido; (Redação dada pela Lei nº 10.931,
de 2004)
II - a identificação dos títulos emitidos;
III - a constituição de outras garantias de resgate dos títulos da série emitida, se for o
caso.

O referido procedimento ocorre através das companhias securitizadoras de créditos


imobiliários, que são definidas no art. 3º como:

Art. 3º As companhias securitizadoras de créditos imobiliários, instituições não


financeiras constituídas sob a forma de sociedade por ações, terão por finalidade
a aquisição e securitização desses créditos e a emissão e colocação, no mercado
financeiro, de Certificados de Recebíveis Imobiliários, podendo emitir outros
títulos de crédito, realizar negócios e prestar serviços compatíveis com as suas
atividades.

2. Procedimento de securitização:

Podemos dizer que a securitização possui três figuras principais, o originador, a


securitizadora e investidores. Vejamos:

Empresa Originadora Secutirizadora Investidores

É o proprietário original do É um veículo criado Adquirem os títulos


ativo a ser securitizado. especialmente para esse ofertados, gerando lucro ao
fim, pode ser uma emissor (securitizadora),
sociedade, um fundo ou sendo este repassado ao
E o que são exatamente
um trust. originador como
esses ativos?
pagamento pela cessão
O ativo pode ser um fluxo
Emite títulos financeiros dos ativos/créditos
de recebimentos, um bem,
ou um direito de qualquer baseados nos créditos repassados.
ordem, desde que possa recebidos, captando
ser cedido e gerar uma recursos de investidores
renda. Ademais, podem que serão posteriormente
ainda ser lastro de repassados ao originador.
operações de securitização
as receitas futuras, desde
que determináveis.

Assim, podemos dizer que a securitização ocorre da seguinte forma:

1) A empresa originadora, transfere por meio de cessão onerosa ou outras formas de


transmissão previstas na Lei, recebíveis de sua titularidade para uma outra empresa, a
companhia securitizadora, constituída especificamente para tanto.

2) A securitizadora adquirirá os recebíveis da originadora com determinado deságio 1, e,


tendo-os por lastro, emitirá os CRI que serão ofertados publicamente no mercado de
capitais.

3) Com os recursos obtidos por meio dessa oferta pública de CRI, a securitizadora
pagará a originadora pelos créditos a ela cedidos.

1
Negociação em que foi pago por um título um valor inferior ao seu valor nominal.
Ou ainda, em termos mais simples para facilitar o entendimento:

1) O originador converte diversos ativos financeiros em títulos negociáveis e os repassa


ao emissor (securitizadora).

2) O emissor, tendo adquirido os recebíveis da empresa originadora sob a forma de


títulos de crédito, os oferta no mercado de capitais.

3) Com a oferta pública dos títulos e valores mobiliários, e o seu pagamento pelos
investidores, o emissor tem a possibilidade de ressarcir o originador pelos créditos que
lhe foram cedidos.

3. Securitização vs Factoring:

O Factoring (faturização ou fomento mercantil/comercial) é o contrato por meio do qual


um empresário (faturizado) cede a uma instituição de factoring (faturizadora), total ou
parcialmente, os títulos de créditos recebidos com a atividade empresária para que a
factoring antecipe os pagamentos a prazo ou faça apenas a administração desses
créditos.

Tanto as empresas de securitização como as de factoring adquirem ativos empresariais


ofertados por empresas que comercializam bens e mercadorias ou prestam serviços a
prazo. Todavia, as empresas de Securitização o fazem para promover sua atividade
empresarial, enquanto que nas de Factoring, a aquisição dos recebíveis é sua atividade
finalística.

Vale ressaltar que as securitizadoras, ao contrário das factorings, não se


responsabilizam pelo inadimplemento do crédito, já que podem acionar a empresa
cedente e devedores solidários.

Ou seja, algumas emissões de CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários podem


contar com a coobrigação do cedente, assumida no contrato de cessão. Em tal caso, o
cedente não apenas se responsabiliza pela existência do crédito, mas também pela
solvência do credor, de forma solidária.

O seguinte quadro ajuda a entender as diferenças e compreender melhor as funções


das empresas de Securitização:

Factoring e Securitização

Semelhanças Diferenças

Em ambas as atividades existe a Os recursos utilizados no factoring são


antecipação de recebíveis, com a próprios, ao passo que na securitização
aplicação de deságio. existe o emprego de recursos dos
investidores.

Quanto as atividades desempenhadas, o


fomento mercantil, além de adquirir os
recebíveis, igualmente presta serviços das
mais diversas naturezas, ao passo que a
securitizadora somente na aquisição de
créditos cedidos pela originadora.

Na securitização é possível acordar a


responsabilidade do cedente, enquanto no
fomento mercantil, até o presente
momento, o regresso fica limitado aos
vícios de origem, isso por força de
entendimento jurisprudencial.

Risco de inadimplência: Na securitização o


risco de inadimplência é transferido aos
investidores, já no factoring este é
suportado pela empresa de factoring.