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05/03/2018 O que há por trás da ideologia de gênero | Gazeta do Povo

ARTIGOS
ARTIGO

O que há por trás da


ideologia de gênero
Estamos diante de uma “agenda” política
internacional e não de um movimento espontâneo
ou da defesa de classes

João Luiz Agner Regiani [26/12/2017] [18h00]

Foto: Brunno Covello/Arquivo Gazeta do Povo

Para começar a discutir a questão do gênero, é preciso compreender que estamos diante de uma
“agenda” política internacional e não de um movimento espontâneo ou da defesa de classes,
como costumamos ouvir e ler.

Nunca foi tão importante estar bem informado.


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EXPERIMENTE POR R$ 0,99 NO 1º MÊS

O conceito de “gênero” foi usado pela primeira vez no fim dos anos 60 pelo dr. John Money,
psicólogo neozelandês e professor da John Hopkins University, de Baltimore, que manteve o
termo restrito à área da psicologia. O dr. Money sustentou que a percepção que as pessoas têm
de sua própria sexualidade, a qual denominou “identidade de gênero”, dependeria
simplesmente da educação recebida e poderia ser diferente do sexo. Essa teoria veio abaixo
quando o dr. Money usou como cobaia dois gêmeos canadenses, um deles educado como
menina e o outro, como menino. O gêmeo criado como menina passou a vida sentindo-se
diferente e não se encaixava neste papel. O fim da história? O suicídio (o documentário Dr. Money
e o menino sem pênis conta essa história na íntegra).

Sequencialmente, entre os anos 60 e 80, o termo ganhou contornos de agenda política de grupos
de estudos feministas, patrocinados por grandes fundações, nas maiores universidades
americanas. Destacam-se duas autoras deste período, ambas apontando que, para a revolução
ser completa, era necessário “abolir a família”. Kate Millet (no livro The Sexual Politics) expõe que
seria por meio de uma sexualidade “polimorficamente perversa”. E Shulamith Firestone, em seu
livro The Dialectic of Sex, que avança mais no pensamento revolucionário, afirma que “as
mulheres e as crianças deveriam ser libertadas para usar sua sexualidade como quiserem” e
complementa: “Devemos incluir a opressão das crianças em qualquer programa feminista
revolucionário (...) Nossa etapa final deve ser a eliminação das próprias condições da
feminilidade e da infância. O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família;
então, se nós nos desfizermos da família, iremos de fato desfazer-nos das repressões que
moldam a sexualidade em formas específicas”. Essa retórica foi baseada no pensamento de
Friedrich Engels e Karl Marx, no livro A Origem da Família, a Propriedade Privada e o Estado, que
define a família “patriarcal” como a primeira de todas as opressões de classe.

Não há nenhuma base cientifica que sustente as hipóteses


dos ideólogos de gênero

A partir dos anos 90 surge a maior expoente desta ideologia: Judith Butler, professora do
Departamento de Retórica e Literatura Comparada da Universidade da Califórnia em Berkeley.
No seu livro Gender Trouble – Feminism and the Subversion of Identity, ela apresenta as
ferramentas para a abolição da família através da desconstrução da heteronormatividade, como
podemos ver: “Faremos [no terceiro e último capítulo do livro] um esforço para subverter as
noções naturalizadas do gênero que dão suporte à hegemonia masculina e ao poder
heterossexual, para criar problemas de gênero por meio da confusão subversiva daquelas
categorias que buscam manter o gênero como ilusões fundadoras da identidade”.

Portanto, pode-se concluir por que esse ideário é chamado “ideologia de gênero”: trata-se de um
conceito unicamente formado por retórica, agindo por meio de convencimento e persuasão,
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alienando a consciência humana. A afirmação dos ideólogos de gênero é de que nascemos


neutros, sem sexo definido; que os órgãos sexuais, os hormônios e os cromossomos não dizem
nada sobre a identidade do indíviduo.

Ideologia de Gênero
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LEIA MAIS

Associações científicas têm se pronunciado sobre o tema. Conforme declaração do American


College of Pediatricians de março de 2016, a sexualidade humana é uma característica biológica
binária objetiva: XY (homem) e XX (mulher) são marcadores genéticos saudáveis – e não
marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou
feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária, com o propósito óbvio da
reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é autoevidente. E continua,
dizendo que ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. E ainda faz
uma advertência: ”Condicionar as crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação
química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil. Apoiar a discordância de
gênero como normal através da educação pública e de políticas legais confundirá as crianças e
os pais, levando mais crianças a procurar ‘clínicas de gênero’, onde tomarão drogas
bloqueadoras da puberdade. Por sua vez, isso garantirá que elas ‘escolherão’ uma vida toda de
hormônios cancerígenos e tóxicos e provavelmente considerarão passar por uma mutilação
cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo ao chegar à vida adulta”.

Leia também: A ideologia de gênero perde espaço na BNCC (editorial de 11 de dezembro de


2017)

Leia também: A insistência na “pedagogia lacradora” (editorial de 5 de novembro de 2017)

Recentemente, no Brasil, a AMD, associação de médicos que estudam questões de diversidade,


entre eles o gênero, sustentou a declaração da American College of Pediatricians e completou,
advertindo que não há nenhuma base cientifica que sustente as hipóteses dos ideólogos de

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gênero e que, portanto, não se justifica aplicá-la na educação; isso seria fazer de nossas escolas
laboratórios e de nossas crianças, cobaias.

Mas por que tanta pressão em aprovar e implementar na legislação nacional uma ideologia que
comprovadamente não tem fundamentação cientifica? Para responder a esta pergunta, é
necessário resgatar o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) da Secretaria Especial dos
Direitos Humanos da Presidência da República, no seu Decreto 7.037, de 21 de dezembro de
2009, em que se proclama o “Objetivo Estratégico V” (pagina 98, item d): “Reconhecer e incluir
nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas
por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da
heteronormatividade”.

O projeto – por enquanto, frustrado – era implementar a ideologia de gênero no sistema


educacional brasileiro através da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que será homologada
e terá vigor no próximo ano em todas as escolas do país, públicas e privadas. Assim foi feito em
vários países, nos quais observamos um alarmante número de crianças confusas sobre o próprio
sexo – um exemplo é a Inglaterra, que nos últimos cinco anos registrou aumento em 1.000% do
número de crianças que se submetem a tratamento transgênero. Porque é isso que a ideologia
de gênero faz: desconstrói a identidade humana por onde passa.

João Luiz Agner Regiani é advogado.

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