Você está na página 1de 17

RECURSOS

HUMANOS
RECURSOS HUMANOS

A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO


DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS
EM ADMINISTRAÇÃO
THE DIALECTIC OF PLEASURE AND SUFFERING OF SCHOLARS: A STUDY WITH
MASTER STUDENTS IN ADMINISTRATION

ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO DIOGO HENRIQUE HELAL


Universidade Federal da Paraiba
BISPO
Universidade Federal da Paraiba

Data de submissão: 13 jul. 2013. Data de aprovação:


27 set. 2013. Sistema de avaliação: Double blind review.
Universidade FUMEC / FACE. Prof. Dr. Henrique Cordeiro
Martins. Prof. Dr. Cid Gonçalves Filho. Prof. Dr. Luiz Claudio
Vieira de Oliveira

RESUMO

Este estudo objetiva a apropriação de conceitos da Psicodinâmica De-


jouriana para entender o processo de prazer e sofrimento de mestran-
dos em Administração de uma Instituição Federal de Ensino Superior
(IFES) localizada em João Pessoa, na Paraíba. Como instrumento de co-
leta de dados, utilizou-se a entrevista. Após análise, foi possível emitir
conclusões nesses termos: apesar da coexistência de prazer e sofrimen-
to na atividade desenvolvida, percebeu-se que a exigência de qualidade
e quantidade das atividades conflita com o tempo que possuem para de-
senvolvê-las, fazendo com que se sintam pressionados e até castigados,
o que pode terminar por afetar o funcionamento psíquico.

PALAVRAS-CHAVE:

Prazer. Sofrimento. Discentes. Psicodinâmica. Dialética.


A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

ABSTRACT

This study aims at the appropriation of concepts of Dejourian Psychodinamics


to understand the process of pleasure and suffering of master students of Ad-
ministration from a Federal Higher Education Institution (FHEI) located in João
Pessoa in Paraiba. An interview was used as an instrument of data collection. Af-
ter the analysis it was possible to provide conclusions in these terms: in spite of
the coexistence of pleasure and suffering in the developed activity, it was noticed
that the demands for quality and quantity of activities conflict with the time they
have to develop them, making them feel pressured and even punished, which
could end up affecting the psychic functioning.

KEYWORDS:

Pleasure. Suffering. Students. Psychodynamic. Dialectic.

INTRODUÇÃO entender o trabalhar dos sujeitos, numa


Neste estudo, buscar-se-á a apropria- busca de aprofundar o conhecimento so-
ção de conceitos da Psicodinâmica De- mente sobre esse aspecto. A proposta da
jouriana para entender o processo de psicodinâmica não se resume a um estudo
prazer e sofrimento a partir da percepção sobre o trabalhar, mas à constituição de um
de mestrandos de uma Instituição Federal processo de ação, em que aqueles que atu-
de Ensino Superior (IFES) localizada em am por meio dela agem como facilitadores
João Pessoa, na Paraíba. A Psicodinâmica que se propõem a uma escuta arriscada, a
enfatiza o trabalho e sua preocupação é um papel de sistematizar ideias construídas
inerente ao prazer e ao sofrimento vivido em grupos de expressão.
por trabalhadores em decorrência da or- De acordo com Dejours (2012b), não
ganização de seu trabalho. Considera-se, é possível realizar uma pesquisa com essa
assim, para este estudo, a atividade inte- temática sem penetrar no campo da vivên-
lectual desenvolvida pelos discentes como cia subjetiva, do sofrimento e do prazer no
sinônimo de trabalho. trabalho. Segundo o autor, esse é um es-
Cumpre destacar que o trabalho não paço bem guardado pelas defesas, que não
é o único elemento em torno do qual se abrem facilmente ao olhar dos colegas
se organiza o drama humano (AMADO; e, posteriormente, àquele do estranho. As-
ENRIQUEZ, 2011). Muitos autores, con- sim, para a coleta dos dados da pesquisa,
tudo, o consideram como central da vida fez-se uso de entrevistas individuais e se-
(BORGES, 1997; MORIN, 2001; ANTU- miestruturadas, a fim de compreender a
NES, 2011). subjetividade da relação dos discentes de
Sznelwar, Uchida e Lancman (2011) con- um curso de mestrado acadêmico e sua
sideram que a Psicodinâmica do Trabalho tarefa, ou seja, aquela exigida pelo próprio
não pode ser resumida a uma tentativa de curso para sua formação.

122 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

Sentidos do trabalho Afirma o autor que, de certa forma, essas


De acordo com Dejours (2005a, p.11, transformações estão estreitamente liga-
apud SZNELWAR; UCHIDA; LANCMAN, das ao desenvolvimento do capitalismo.
2011), “trabalho é a atividade manifestada Sobre a participação central do trabalho
por homens e mulheres para realizar o na conformação da identidade, há muito se
que ainda não está prescrito pela organi- sabe que as vivências compartilhadas entre
zação do trabalho”. O trabalho é enten- os trabalhadores abrangem dimensões cog-
dido como locus do estabelecimento de nitivas, afetivas e políticas. Essas dimensões
relações em que as dimensões cognitivas possibilitam que os trabalhadores constru-
e afetivas do sujeito são postas à prova, de- am representações de si diretamente liga-
senvolvidas e intensamente vivenciadas nas das às situações e relações de trabalho, que
múltiplas experiências que o contexto la- são também atributos definidores de um
boral proporciona. Na esfera da intersubje- “eu” (JACQUES, 2002, apud VERONESE;
tividade produzida pelo trabalho, vivências ESTEVES, 2009, p. 221).
e aprendizagens incorporam-se à dimensão
identitária dos sujeitos em interação, de tal Psicodinâmica do trabalho
modo que formas de trabalhar, pautadas Bouyer (2010) aponta que algo inte-
na cooperação e solidariedade, possam ter ressante vem ocorrendo na compreensão
um impacto significativo sobre a identidade atual sobre as patologias relacionadas ao
dos trabalhadores associados (VERONESE; trabalho: um deslocamento epistemológico
ESTEVES, 2009, p. 219-220). rumo aos aspectos nem tanto concretos,
Para Bouyer (2010), a questão da identi- nem tanto materiais do trabalho e assim,
dade é fundamental, pois constitui uma ar- mais próximo da vivência subjetiva dos que
madura da saúde mental. Não há crise psi- trabalham, ou seja, da intersubjetividade do
copatológica que não esteja centrada numa trabalhador. Para Dejours (2012b, p. 62) “a
crise de identidade. O trabalho tem, ainda, especificidade da psicopatologia do traba-
uma função psíquica, sendo este um dos lho coloca em perspectiva e se apoia sobre
grandes alicerces de constituição do sujeito dois polos: as relações sociais do trabalho
e de sua rede de significados. Segundo Bou- e a vivência subjetiva de prazer e de sofri-
yer (2010, p. 253), quando esses processos mento no trabalho”.
encontram-se impedidos ou dificultados, A ampliação do conceito permitiu o
abre-se espaço para o sofrimento e, talvez, deslocamento da análise das doenças men-
posteriormente, para as descompensações tais para a análise das estratégias individu-
psicopatológicas. Isso permite compreen- ais e coletivas dos trabalhadores contra o
der a gênese dos danos à estrutura psíqui- sofrimento e doenças mentais decorrentes
ca dos trabalhadores pela organização do da sua atividade laboral (VILELA; GARCIA;
trabalho em suas novas facetas no mundo VIEIRA, 2011).
contemporâneo. Para Dejours (2012a), um trabalho monó-
Segundo Chanlat (2011), os sobressaltos tono e repetitivo tende a fechar as vias de
identitários são engendrados pelas trans- descarga psíquica, fazendo com que a ener-
formações pelas quais passam nossas so- gia se acumule, tornando o trabalho fonte de
ciedades, o trabalho e nossas organizações. tensão e desprazer. Na contrapartida, quando

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 123
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

um trabalho é livremente organizado, as vias frentamento (DEJOURS; ABDOUCHELI,


de descarga são mais adaptáveis e o trabalho 2012). Estas, de acordo com Viana e Macha-
tende a trazer relaxamento a um tal ponto do (2011), referem-se às reações do tra-
que, quando concluída a tarefa, o trabalhador balhador para lidar de forma equilibrante
se sinta melhor que antes. Dejours cita os ar- com as questões postas pelo trabalho.
tistas, os pesquisadores e cirugiões, quando Segundo Dejours e Abdoucheli (2012),
estão satisfeitos com seu trabalho. Esse é o as estratégias defensivas são construídas, or-
trabalho equilibrante. Dessa forma, resume ganizadas e gerenciadas coletivamente. Cabe
Dejours (2012a, p. 28): “a carga psíquica de destacar as diferenças entre um mecanismo
trabalho aumenta quando a liberdade de or- de defesa individual e uma estratégia coletiva
ganização do trabalho diminui”. de defesa. O mecanismo de defesa individual
Por outro lado, Dejours (2012a, p. 31) está interiorizado; ele persiste mesmo sem a
considera que “um trabalho intelectual pode presença física de outros. Já a estratégia coleti-
se revelar mais patogênico que um trabalho va de defesa se sustenta apenas por consenso,
manual”. Assim, para o autor, não existe uma dependendo de condições externas, ou seja,
única organização do trabalho que seria a so- só funciona a partir do momento que há acor-
lução para diminuir a carga psíquica de todos do partilhado entre os membros do grupo.
os trabalhadores. Para Dal Rosso (2006), se Na luta contra a doença mental e o alí-
a intensificação do trabalho material atinge vio do sofrimento, o uso dos mecanismos de
o físico do trabalhador, a intensificação nas defesa individual e sua importância merecem
atividades imateriais conduz a problemas de ser consideradas. No entanto, cumpre lem-
saúde centrados mais em espaços cognitivos, brar que o uso desse tipo de defesa pode le-
emotivos, relacionais e sociais do trabalhador var ao surgimento de doenças do corpo em
e do grupo a que pertence. resposta às pressões organizacionais. Cons-
Para a Psicodinâmica do Trabalho, há tata-se, assim, que as consequências de se vi-
dois elementos centrais na relação entre venciar pressões psíquicas não se limitam à
a pessoa e seu trabalho: a visibilidade e o saúde mental, mas podem pôr em causa tam-
reconhecimento (DEJOURS, 1998, apud bém a saúde física (DEJOURS, 2007).
CHANLAT, 2011). Para Chanlat (2011), o Não havendo a comunhão na intersub-
reconhecimento está no coração da dinâ- jetividade, no diálogo, estão vedadas as
mica humana do trabalho. De acordo com possibilidades de amenizar e de enfrentar
a psicodinâmica do trabalho, o reconheci- o sofrimento de forma coletiva, com o
mento passa por dois tipos de julgamento: apoio do grupo para a criação de estraté-
o julgamento da beleza, que é aquele dos gias coletivas de defesa. O sofrimento é,
pares, e o julgamento de utilidade, aquele assim, vivenciado na solidão, no interior do
dos resultados, da hierarquia e que geral- mundo singular de cada um. Nesses casos,
mente é considerado o mais importante. o trabalho pode se tornar fonte de aliena-
No entanto, nem sempre esses aspectos ção e sofrimento, ao falhar em sua função
são levados em consideração. Destacam- de operador do simbólico.
se, assim, o conflito entre a organização do Sem uma mobilização da dinâmica inter-
trabalho e o funcionamento psíquico, e as subjetiva, não há solução terapêutica: a solu-
estratégias defensivas resultantes deste en- ção “terapêutica” consiste aqui em estimular

124 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

a dinâmica intersubjetiva de transformação parte, a divisão dos homens, que atinge as


da organização do trabalho. É a contribuição relações que os trabalhadores estabelecem
para esse processo de transformação que entre si no local de trabalho.
permite aos sujeitos conjurar o sofrimento. Neste sentido, cabe introduzir a questão
Conjurar, transformar em sentido, em inte- da dialética sofrimento-prazer associada ao
ligibilidade e em ação não significa que se trabalho, elemento central para a Psicodinâ-
anula o sofrimento.Trata-se da possibilidade mica. Segundo Dejours (2007), na luta contra
de transformá-lo em sentido e em prazer o sofrimento, o sujeito chega a elaborar so-
(DEJOURS; ABDOUCHELI; JAYET, 1994, luções originais que, muitas vezes são favorá-
apud BOUYER, 2010, p. 255). veis à produção e a saúde. Esse sofrimento
é utilizado para enfrentar os problemas e os
Prazer e sofrimento imprevistos e pode ser denominado de sofri-
Em todo ator social há uma pessoa que mento criativo. De outra parte, nessa mesma
tem desejos, sonhos e ambições. Ser trata- luta contra o sofrimento, o sujeito pode che-
do como um objeto é algo indesejável para gar a soluções desfavoráveis à produção e à
qualquer pessoa, pois esse comportamen- saúde.Trata-se do sofrimento patogênico.
to é baseado, em grande medida, numa ne- Falar em sofrimento, criativo e patogê-
gação da subjetividade (CHANLAT, 2011). nico, não significa que existam dois tipos
Todo laço social no trabalho mobiliza de sofrimento, mas que, na realidade, esses
uma carga afetiva, que pode ser mais ou termos designam dois destinos diferentes
menos forte, segundo o tipo de emprego do sofrimento: “o destino do sofrimento
e as situações concretas de trabalho. Des- criativo é o de se transformar em prazer e
sa forma, considera-se que “a carga afetiva em experiência estruturante. O destino do
está no centro das relações de trabalho” sofrimento patogênico é a doença que sur-
(CHANLAT, 2011, p. 114). Com isso, são ge quando as defesas não cumprem mais
os gestores que, por suas decisões e seus sua função defensiva” (MOLINIER, 2006,
comportamentos, são considerados ele- p. 60, apud SZNELWAR; UCHIDA; LAN-
mentos-chave na produção do prazer ou CMAN, 2011, p. 15).
do sofrimento no trabalho (CHANLAT, O sentido de prazer no trabalho emer-
2011). Para este estudo, os professores po- ge quando: “o trabalho cria identidade. Pos-
dem ser visualizados como gestores res- sibilita aprender sobre um fazer específico,
ponsáveis, a partir de suas decisões e seus criar, inovar e desenvolver novas formas
comportamentos, por produzir prazer ou para a execução da tarefa, bem como são
sofrimento nos seus alunos. oferecidas condições de interagir com os
Dejours (2007, p. 153) considera que as outros, de socialização e transformação do
pressões do trabalho, que põem particular- trabalho” (MENDES, 2007, p. 51). Em outro
mente em causa o equilíbrio psíquico e a extremo, sabe-se que a dimensão física e
saúde mental, derivam da organização do material do trabalho consome as energias
trabalho. Por organização do trabalho se do corpo do trabalhador, produzindo can-
entende, por um lado, a divisão das tare- saço físico, acidentes e doenças do trabalho.
fas, que atinge diretamente a questão do Dal Rosso (2006) considera que a tran-
interesse e do tédio no trabalho; de outra sição do paradigma da materialidade para o

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 125
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

da imaterialidade é acompanhada por diver- foi utilizada a técnica de entrevista individual


sas consequências. Estas ocorrem, tendo em semiestruturada. Os temas abordados fo-
vista, que o trabalho imaterial não está mais ram: a forma como os alunos enxergam o
limitado a horários específicos em uma de- curso, as dificuldades enfrentadas durante o
terminada localização, uma vez que as novas primeiro ano do curso, os sentimentos (pra-
tecnologias de informação e comunicação zer e sofrimento) relacionados ao curso e
tornam possível o trabalhador ser produtivo as estratégias utilizadas para lidar com eles.
tanto fora do escritório, da sala de aula ou da Os dados foram coletados entre os me-
própria universidade como no interior des- ses de junho e julho de 2013. Os discentes
tes. Tem-se, assim, uma quebra de “limites” foram contatados por e-mail e, quando do
tanto de tempo quanto de espaço (TOWERS; aceite, eram agendados dia e horário para
DUXBURY; HIGGINS et al, 2006). Assim, en- a entrevista. As entrevistas foram aplicadas
quanto “a intensificação do trabalho material pelos pesquisadores, com duração média
atinge o físico do trabalhador, a intensificação de 40 minutos, sendo conduzidas de forma
nas atividades imateriais conduz a problemas aberta, permitindo-se que os participantes
de saúde centrados mais em espaços cogniti- expressassem livremente suas opiniões so-
vos, emotivos, relacionais e sociais da pessoa bre os temas propostos.
do trabalhador e do grupo a que pertence” Após a transcrição na íntegra das cinco
(DAL ROSSO, 2005, p. 65). entrevistas realizadas, foi feita a codificação
É este tipo de atividade imaterial que dos discursos. Para Gibbs (2009), as cate-
esta pesquisa busca investigar, tendo em gorias se definem por meio da relação en-
vista que a atividade de estudar, pesquisar tre os conceitos e as experiências relatadas
e produzir artigos é um tipo de atividade pelos entrevistados. Em seguida, as catego-
imaterial que não tem fronteiras de tempo rias foram agrupadas em temas. A partir de
e espaço para ocorrerem. então, foi realizada a análise interpretativa
dos discursos.
Metodologia
A pesquisa foi realizada em um Programa Análise dos dados
de Pós Graduação Stricto Senso em Adminis- Foram entrevistados cinco discentes de
tração, localizado na cidade de João Pessoa, um curso de mestrado acadêmico, sendo
Paraíba. Participaram deste estudo cinco quatro do sexo masculino e um do sexo
estudantes do programa em nível de mes- feminino. Todos eles alunos do segundo
trado acadêmico, todos eles cursando o se- ano do curso. No momento da entrevista,
gundo ano. Os sujeitos foram selecionados eles estavam entre o 15º e o 16º mês de
por acessibilidade. A priori, não foi definido curso, e apenas um deles havia qualificado
o número de alunos a serem entrevistados, seu projeto de dissertação. A idade variava
pois se decidiu realizar a coleta até o mo- entre 24 e 28 anos. Dos entrevistados, qua-
mento em que houvesse convergências su- tro haviam concluído o curso de graduação
ficientes para configurar o fenômeno estu- em Administração na mesma instituição
dado. Nesta pesquisa, a saturação dos dados em que fazem o curso de mestrado e um
foi alcançada com cinco entrevistas. deles havia concluído também o curso de
Como instrumento de coleta de dados, administração, porém, em outra instituição

126 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

pública federal na mesma cidade. Dois en- empresa [relatando experiência da gra-
trevistados possuíam outro curso superior, duação], a gente abriu muito a cabeça
realizado simultaneamente com a gradua- pra essa visão de consultor e de pesqui-
ção em Administração. sador. [MS5]
Três entrevistados concluíram o curso Os motivos de terem escolhido o mes-
de Administração no ano de 2010, e dois mo programa de pós-graduação da uni-
deles no ano de 2011. Dos três que conclu- versidade na qual fizeram a graduação, ou
íram em 2010, apenas um havia participado ainda da mesma cidade em que residem,
de uma seleção anterior para o mestrado, foram expostos pelos entrevistados e di-
sem obter êxito. Os três, que concluíram zem respeito, principalmente, à proximi-
a graduação em 2010, passaram o ano de dade com a família remetendo a questões
2011 empregados formalmente em empre- financeiras e afetivas.
sas privadas de ramos diversos. Três deles [...] pra eu sair daqui de João Pessoa era
foram bolsistas do PIBIC (Programa Insti- muito complicado financeiramente fa-
tucional de Bolsas de Iniciação Científica). lando, entendeu? [MS1]
Os entrevistados relataram os motivos [...] na verdade a minha intenção era fa-
de terem decidido fazer um curso de mes- zer em Recife, mas, aí eu pensei assim,
trado acadêmico. Percebe-se na fala destes aqui em João Pessoa todos os professo-
que há uma expectativa de melhoria das res que eram da pós-graduação eu não
condições de vida. Eles enxergam na car- tive contato com nenhum deles na gra-
reira docente melhores oportunidades do duação, [...] e minha casa fica a cinco
que os empregos ofertados nas empresas minutos aqui da universidade, aí tem a
privadas da cidade. questão da família também que me fez
Aí pra não ficar parada [relatando o fim pesar, a questão da namorada, questões
da graduação] e também não tinha ex- familiares mesmo e a questão de conhe-
periência de mercado, resolvi e tive opor- cer os professores daqui que eram tops
tunidade de começar a trabalhar. [...] eu [...] porque lá em Recife eu não conhe-
trabalhava na parte administrativa. Só cia ninguém, não tenho família lá, apesar
que com o passar do tempo eu fui vendo de ser perto, [...] tem toda a questão de
que [...] eu não ia crescer mais do que custo também. [MS2]
aquilo mesmo e eu fui vendo que não ia Quando questionados sobre a vida de
ter futuro mesmo. [MS1] estudantes de mestrado, especialmente
Outros afirmam terem optado pelo quando do ingresso no curso, os alunos
mestrado a partir das experiências vividas relatam o que Dejours (2012a, p. 28) afir-
na graduação e fora dela: ma: “a carga psíquica de trabalho aumenta
Pela experiência de vida que eu já tive, quando a liberdade de organização do tra-
é eu já dei aula de reforço de física, eu balho diminui”.
já dei aula de reforço de inglês, eu tenho Ahhh [suspiro], primeiro eu me senti
um contato muito forte com a prática ótima, né? A gente se sente ótima, fui
da docência, entendeu? Já fui monitor na aprovada, tão inteligente, ai meu Deus, a
universidade. [...] [MS2]. gente é tudo. Só que quando começa as
[...] a gente tinha que ir atrás de uma disciplinas, aquela coisa sufocante, ééé

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 127
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

estressante [...] Graças a Deus eu sou cias tuas, se tu tens, trazer cases de fora
organizada, eu consegui dar conta, tudo pra incrementar a discussão [MS4]
dentro do prazo, tudo direitinho, mas, foi Os discentes falam da importância do
difícil, muito difícil. [MS1] mestrado em suas vidas e, apesar da pres-
[...] a gente acaba sendo impactado pela são e da carga excessiva apontada pelos
visão de alguns professores que a gente entrevistados, eles conseguem superar as
acha que são severos demais, cobram dificuldades e seguir em frente, possivel-
muito, mas também se não fosse essa mente em função da liberdade que o tra-
cobrança, talvez a gente não conseguisse balho intelectual possui, especialmente se
chegar a determinado patamar no mes- comparado a um trabalho manual, já que
trado. [MS5] a liberdade é considerada “como condição
Ainda em relação à organização do tra- necessária à estabilidade psicossomática”
balho, os alunos relembram a mudança de (SELIGMANN-SILVA, 2012, p. 16).
contexto na passagem da graduação para a Então esse peso dele trás consequências
pós-graduação. Um dos entrevistados de- boas também que é essa visão mais crí-
monstra um sentimento de raiva. De forma tica, essa nova forma de enxergar a re-
contrária, pelos mesmos motivos, outro alidade, a vida em si porque você passa
entrevistado demonstra sentimentos de a conhecer a teoria e passa a ver como
prazer. Os relatos apresentados devem ser cientista e assim, você tem uma visão
uma preocupação para o curso de gradua- mais crítica mesmo. [MS2]
ção, pois, pelas falas, parece que o nível está Talvez eu não consiga descrever [...], mas
aquém da capacidade dos estudantes. existe uma transformação profunda na
A carga é muito excessiva [...] e assim pessoa em relação a organização, princi-
de certa forma a gente se decepcionou palmente disciplina, assumir horários. Tal-
no primeiro momento porque a gente vez eu não viria a ser o que sou hoje se
não teve essa abordagem na gradua- eu não tivesse entrado no mestrado.[MS5]
ção, [...] que nos fizesse compreender a Por outro lado, os alunos acreditam que
amplitude, a gama de autores, a gama a forma de organização do trabalho pode-
de teorias relacionadas à administração, ria ser diferente.
que a gente tem essa aproximação na [...] Eu achava e ainda acho que não
pós e porque a gente não vê isso na gra- precisa ser dessa forma, entendeu? A
duação? [MS2] gente tem de primar pela racionalida-
O nível sobe muito em relação ao da gra- de do tempo, do aporte teórico que o
duação. Muito mais focado, muito mais professor tá querendo passar pra ver se
denso em termos de quantidade de leitura é viável ou não porque você sobrecarre-
[...] O professor cobra muito. [...] Tudo fica ga o aluno e o aluno às vezes fica triste
muito mais intenso no mestrado do que porque tem alguns momentos que ele
na graduação. E tudo é visto de forma dife- não consegue dar tudo de si ali, simples-
renciada. Até a forma como se é visto pelo mente tem alguns momentos que não é
professor do mestrado. Dá um seminário viável, tá além da capacidade cognitiva,
de quatro horas, tu tem que dizer um con- não da capacidade cognitiva, mas, da ca-
teúdo, ir além das leituras, dizer experiên- pacidade de tempo. [MS2]

128 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

Sabe-se que, no que se refere aos tra- possível por questões de timidez. [MS1]
balhos manuais, a aceleração do ritmo de [...] o mestrado dá uma visão crítica mui-
trabalho afeta as relações sociais e familia- to mais forte e lhe dá um conhecimento
res. Dejours (2012a, p. 31), contudo, consi- muito maior do que você teve na gradu-
dera que “um trabalho intelectual pode se ação e que você teve em alguma outra
revelar mais patogênico que um trabalho fase. [...] O aluno do mestrado quando
manual”. Tal questão pode ser observada sai do primeiro ano ele com certeza tem
nas falas dos mestrandos sobre as relações uma visão diferente do que quando ele
com a família e os amigos. Uma fala recor- entrou no mestrado. [MS2]
rente é que “só quem vive é que entende”. Eu acho que a principal diferença é a
[...] não é todo mundo que entende, só disciplina. Eu programar os estudos, me
quem entende a gente é quem passou focar em alguma coisa, capacidade de
ou que tá passando junto com a gente, pesquisar também, [...] Isso me ajudou
até mesmo em casa é difícil porque você muito. [MS5]
estudar dia de domingo, [...] que todo Os mestrandos ainda relataram sobre
mundo quer fazer uma coisa diferente suas expectativas para o futuro. Elas dizem
e você pedindo silêncio, por exemplo, é respeito, principalmente, à autonomia fi-
muito complicado [...] amigos de fora do nanceira e à emancipação da família, mos-
mestrado que eu acho que é porque não trando que o prazer advindo da atividade
sabem como é então jogam pedra mes- discente também diz respeito a essas ex-
mo. Não tiveram a vivência. [MS1] pectativas. Segundo resultados de pesquisa
Neste mesmo sentido, outro aluno relata: realizada por Morin,Tonelli e Pliopas (2007)
[...] a família não compreende essa di- com jovens administradores da cidade de
nâmica, rapaz, até falando assim você São Paulo, identificou-se que um trabalho
vai ficar louco, literalmente louco. Um pa- tem sentido quando “o dinheiro ganho
ciente de psiquiatra. [...] cuidado, cuida- como fruto do trabalho é associado à pers-
do com isso, você vai ficar doido. [MS2] pectiva de autonomia e independência do
Em relação à realização profissional com trabalhador”. Os autores ainda colocaram
o mestrado, os entrevistados apresenta- que essa autonomia pode estar presente
ram o prazer relacionado ao orgulho da- ou ser projetada para o futuro, conforme
quilo que acreditam já terem conquistado podemos observar nas falas a seguir:
durante o curso. Para Dejours (1992), a re- Uma coisa que me fazia seguir em fren-
alização com a profissão tende a reduzir o te é... são os sonhos pessoais mesmo,
sofrimento. eu tenho que terminar isso, vai ser bom
O que eu aprendi no mestrado, [...], o que para mim, para minha carreira, vai ser
eu aprendi em quatro anos não chega bom para eu ter maiores oportunidades
nem perto do que eu aprendi em um ano no futuro e eu conseguir me emancipar
de disciplina. Eu não sei como é que con- definitivamente, deixar de morar na casa
segue ser tão diferente. [...] eu não tinha de minha mãe, foi motivação pessoal de
tanta segurança quanto eu tenho hoje, querer realmente mudar o meu futuro,
saber que eu posso realizar algumas ati- isso foi o principal, a principal coisa que
vidades que antes eu achava que era im- me motivava, [...]. [MS2]

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 129
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

[...] eu prefiro ter um pouco de indepen- para quem um trabalho, para ter sentido,
dência em relação aos meus pais porque deve ser fonte de experiências de relações
eu sei que hoje eu acabo dependendo humanas satisfatórias,
muito deles e isso atrapalha no meu pró- Você acaba saindo muito com as pesso-
prio processo de aprendizagem [...] essas as do mestrado porque os tempos aca-
coisas me levam a pensar num doutorado bam batendo, como o mestrado obedece
fora e talvez mesmo se eu não passar em a um calendário que é diferente do da
nenhum, eu acho que vou morar em ou- maioria das pessoas, ele acaba limitando
tra cidade [...] por isso mesmo porque sei você. Aí você não sai no fim de semana,
que é um sofrimento que vai contribuir não sai no fim de semana, aí no único
com a minha vida que eu vou sofrer um fim de semana que você pode sair, os
pouco por um curto período de tempo, teus amigos de fora do mestrado não
mas que num futuro isso vai me dar [...] podem, mas os do mestrado podem aí
maior autonomia [MS3] acaba saindo com eles. Mas esses mo-
Outra categoria que emergiu a partir mentos também são bons, ne? Tem mui-
da interpretação das entrevistas foram as to dessa confraternização, dessa alegria
relações que se formam entre os partici- de ficar com teus amigos do mestrado
pantes de um mesmo grupo. Esta catego- porque você sabe que vai poder encon-
ria é relevante, uma vez que a construção trar lá na frente [MS3]
da identidade individual é pautada nas re- No entanto, cumpre lembrar que a car-
lações cotidianas, a partir, especialmente, ga afetiva, elemento central nas relações
das trocas materiais e afetivas (BOUYER, de trabalho (CHANLAT, 2011), também
2010). Assim, o bom relacionamento com envolve elementos negativos, conforme re-
os pares é fundamental para a saúde psí- lato de um dos entrevistados:
quica dos indivíduos, dando sentido ao que [...] teve um momento também que eu
fazem e gerando prazer, o que pode ser tive muita raiva. Foi nesses trabalhos em
observado nas falas de MS1 e MS4. grupo, apesar de compreender muito
[...] minha turma do mestrado muito o lado da pessoa, das dificuldades que
boa, todo mundo muito compreensivo, ela tinha, ela me colocou muitos empe-
ninguém criticava ninguém, até porque cilhos e eu vi que ela não tinha tanto
tava todo mundo no mesmo barco [...] compromisso com a pesquisa. [...] O que
[MS1] eu sentia tinha que controlar essa mi-
[...] nunca vi uma turma tão unida quan- nha dificuldade que eu tinha com ela e
to a turma de métodos quantitativos. [...] de que perderia a nossa relação como
turma é muito tranquila [...]. Não teve colegas de curso por causa de uma pes-
concorrência entre a gente. quisa. [MS3]
[MS4] Sentimentos como medo e ansiedade,
O relacionamento com os pares tam- que levam o indivíduo ao sofrimento, fo-
bém ultrapassa a convivência da sala de ram também destacados pelos entrevis-
aula, conforme pode ser verificado na fala tados quando eles lembravam o primeiro
de MS3, o que contribui para o sentido do ano de curso. Para Bouyer (2010), o traba-
trabalho, de acordo com Morin (2001), lho possui uma função psíquica e é um dos

130 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

grandes alicerces na constituição do sujeito beça e jogar no lixo porque parecia que
e de sua rede de significados. Quando es- nada que a gente fazia tava bom, [...]
tes processos encontram-se impedidos ou os professores podendo amenizar ...mais
dificultados, o sofrimento tende a apare- eles castigam, a verdade é essa parecia
cer e, inclusive, a levar a descompensações um castigo.[MS1]
psicossomáticas. As falas dos entrevistados [...] sentimento foi de tristeza por eu não
revelam isso. estar compreendendo, por eu não, não,
O primeiro ano é... Meu Deus! O primei- não tá facilmente lidando com o mate-
ro ano é desumano, mas, é aquilo que eu rial, com a carga de leitura, com o nível
disse, eu mantive o equilíbrio que muita de leitura também, assim você ter de ler
gente que tava comigo naquele momen- trocentas coisas [...], a pressão do pri-
to não manteve esse equilíbrio. [MS1] meiro ano do mestrado ela se assemelha
[...] se eu quisesse descrever o mestra- ou é muito mais forte do que pressão de
do em uma palavra seria “peso”. Assim, treinees [MS2]
é um peso muito forte. É um peso que As situações que os alunos põem em
altera sua rotina de vida. É um peso que pauta apresentam sentimentos como medo
muitas vezes você sai com sequelas dele, e ansiedade, além da angústia em realizar as
principalmente com sequelas de saúde, atividades exigidas pelo curso, e colocam a
[...] então é por aí, é um peso, é um peso própria formação em questão. No que diz
muito forte. [MS2] respeito à pós-graduação no Brasil, o siste-
Ansiedade, muita ansiedade. Não sabia ma de avaliação é centrado no produtivis-
se eu ia conseguir fazer o que é exigido, mo, fazendo com que os professores sejam
o que estava programado, se eu ia conse- forçados a focar mais na quantidade (tex-
guir fazer as provas, artigos [...]. [MS5] tos, seminários, artigos produzidos e publi-
Para Freitas (2006, apud CUPERTINO; cados) do que na qualidade (análise, refle-
GARCIA, 2012), há ressignificação do so- xão e crítica), levando ao distanciamento
frimento quando o trabalhador é obrigado do propósito pedagógico de formação aca-
a aceitar os elementos que não são positi- dêmica. Conforme Gradella Júnior (2010),
vos na realidade do trabalho, principalmen- antes de ser mera função informativa e
te quando estão diante das possibilidades comunicativa, o compromisso educativo
do desemprego. No caso dos discentes da ou a atividade fim da universidade é a
pós-graduação entrevistados, todos bolsis- formação, não só dos sujeitos humanos,
tas da Capes ou CNPq, isso parece se con- mas também a dos profissionais que
firmar quando eles declaram que querem estarão em relação de trabalho na so-
corresponder ao que os professores e o ciedade em geral. Mais especificamente,
próprio programa esperam deles, apesar um moto contínuo que estará formando
da pressão a que sentem ser submetidos. profissionais na função de educadores e
[...] é uma pressão tão grande, é uma pesquisadores [...]
vontade de corresponder tão grande Assim, as falas revelam momentos de
que por mais que você faça você acha sofrimento que, se não transformados, po-
que faltou. [...] determinadas disciplinas deriam se tornar patogênicos.
eram assim, [...] era pra arrancar a ca- Então quando eu terminei de falar, e eu

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 131
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

estava nervosa porque eu não conseguia mação do sofrimento e não sua eliminação.
respirar e falar, tipo assim, ficava atra- Dejours chama o sofrimento, que se opõe
palhando sabe? [...] Eu não conseguia ao patogênico, de sofrimento criativo.
equilibrar a respiração com a fala. Tam- O sofrimento tem que ser alguma coi-
bém tem aquela parte assim de angús- sa que me leve a crescer e não a ficar
tia de você tá só estudando ninguém lhe enterrado no próprio sofrimento [...].
entende, o povo lhe critica bastante [...] [MS3]
Não chorei em nenhum momento. Quis Então os primeiros cinco meses, seis me-
chorar, mas, não chorei. Quis me deses- ses foi muito intenso. Foi muito intenso
perar, mas, eu consegui segurar a emo- assim, porque pra mim o relaxamento
ção, mas, se a pessoa não tiver equilíbrio, era a saída, é um hobby, faz parte, mas
acaba que enlouquece. [MS1] ao mesmo tempo eu tava gostando da-
Outro sentimento indicativo do sofri- quela coisa. [MS4]
mento é ausência de valorização e reco- A psicodinâmica do trabalho se preocu-
nhecimento, ressaltada pelos entrevistados, pa em compreender o sofrimento gerado
conforme se verifica nas falas de MS1 e MS2. no trabalho e o gerenciamento do mes-
[...] o que me chateia mais assim, o sen- mo bem como a utilização de estratégias
timento nessa jornada é justamente a na constante busca do prazer (DEJOURS,
incompreensão das pessoas [...] deixei 1992). Assim, percebe-se, por meio dos
várias vezes de sair pra poder, já que eu discursos dos entrevistados que, apesar
não estudo de noite mesmo que eu não dos sentimentos de sofrimento relatados,
consigo, eu tenho que focar no dia, du- o equilíbrio é sempre buscado, e eles rela-
rante o dia então muitas vezes os ami- tam momentos de prazer vividos durante
gos chamavam e eu dizia – hoje eu não o curso. Estes remetem às relações sociais
posso – eu nem dizia mais, chegou um com os colegas, além do feedback dado por
ponto de eu nem dizer mais que era por professores e o sentimento de estar fazen-
causa do mestrado porque eu já estava do o melhor.
sendo taxada como a doida, a chata, a [...] o sentimento que tenho é de reali-
besta.[...] as pessoas não entendem e zação pessoal porque o que eu tinha em
julgam você [MS1] mente, foi até mais... Aumentou o senti-
[...] eu me julgo uma pessoa inteligen- mento de realização pessoal. Hoje tá o
te na medida em que tenho facilidade resultado e esse sentimento assim posi-
em compreender assuntos, mas, eu vi tivo. [...] Eu acho que só pela discussão,
que aqui no mestrado vi que isso é ficha pesquisa, disciplina. Sabe, talvez precise
pequena, então assim, eu me senti, a dis- de algo mais, mas essas oportunidades
ciplina supera o talento, então é isso, foi que eu tive, agora no final, já passando o
isso. [MS2] período inicial que é de um ano, de dar
O sofrimento, para Dejours (2012b), é o uns cursos, [...]. [MS4]
espaço de luta que cobre o campo situado Os momentos de prazer eram os mo-
entre o “bem estar”, de um lado, e a doen- mentos que a turma estava junta, con-
ça mental ou a loucura, de outro. Assim, a fraternizando. Na maioria dos seminá-
psicodinâmica do trabalho busca a transfor- rios a gente fazia um coffee break, a

132 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

gente saiu algumas vezes. São os prin- Mas sempre que eu encontrava com al-
cipais momentos de prazer. Às vezes a gum problema mais complicado eu ten-
apresentação de algum trabalho que tava fazer uma piada porque eu tinha
você gostou muito do tema. Um artigo que rir da situação. Se eu não risse eu ía
que você gosta do tema, que você gosta ficar alimentando sentimentos negativos.
de trabalhar você sente prazer. Ate mes- Eu acho que encarar essas coisas com
mo aula que você se interessa mais é bom humor. [MS3]
sempre bom. [...] as amizades que fiz no Quanto às estratégias coletivas, sair com
curso, sensação de tá evoluindo muito no os colegas e a própria convivência em con-
curso. [MS5] fraternizações foram as estratégias mais
De acordo com Dejours e Abdoucheli recorrentes apresentadas pelos entrevis-
(2012), as estratégias defensivas, que são ne- tados. Para Dejours (1999, apud BOUYER,
cessárias para a continuação do trabalho e 2010, p. 251), “o sofrimento pertence à or-
adaptação às pressões para evitar a loucura, dem do singular; o sofrimento coletivo é
ainda contribuem para estabilizar a relação inconcebível, já que não existe, porém po-
subjetiva com a organização do trabalho. dem ser observadas estratégias coletivas
Os entrevistados relataram as estratégias de defesa fundadas em uma cooperação
individuais e coletivas que utilizam para o en- entre sujeitos, mesmo que o sofrimento
frentamento do sofrimento. Quanto às estra- permaneça sempre individual e único”.
tégias individuais, a mais prevalente foi a or- [...] compartilho com todo mundo de
ganização sistemática das atividades a serem uma vez que é por meio das redes so-
realizadas, além da própria carga de estudo. ciais. E aí, essa forma de externalizar,
Eu fazia o seguinte, eu administrava por para mim, foi sempre positiva. [...] Os
metas mesmo, por exemplo, se eu tinha momentos que a gente fala mais, se sol-
uma carga de leitura “x” eu via o quanto ta mais em grupo é quando a gente ia
ou se eu tinha três artigos de uma dis- pra um barzinho conversar, aí a gente
ciplina eu pegava o artigo e via o con- acabava debatendo mais essas cosias,
teúdo dele pelo resumo, se esse artigo acabava falando mais sobre nossos pro-
fosse muito complicado eu separava tipo fessores, orientadores, sobre nossos cole-
uma manhã inteira e uma parte da tar- gas de sala que pareciam mais alheios,
de para ler. [MS2] sobre os colegas de sala que são mais
Eu tinha uma agenda, eu botava, na se- próximos. [MS3]
gunda feira, o que eu tinha que fazer [...] algo que percebi bem recorrente ali
durante a semana. Pra poder sair no fi- é conversar. A gente se juntar pra con-
nal de semana. E várias vezes eu conse- versar e externalizar as frustrações, as
gui. Não conseguia quando tinha prova, tristezas com relação ao curso. [MS5]
prova de estatística, quando tinha artigo Quando o sofrimento está presente no
pra entregar no final da disciplina, aí não trabalho do indivíduo, sabe-se que ele ten-
tinha como não. Mas tentava por o má- de a afetar a saúde mental deste e, quando
ximo por meta [...]. [MS4] esse sofrimento persiste e não é transfor-
Outro entrevistado apontou o bom hu- mado, ele tende a ser extrapolado para
mor como mecanismo de defesa. problemas físicos. Em relação à saúde, os

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 133
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

entrevistados relataram algumas situações vivência (cursar o mestrado), envolve tanto


nas quais sentiram a saúde afetada: prazer como sofrimento.
[...] um seminário que eu tava até tran- Em relação ao contexto do trabalho,
quila antes, mas, na hora que o professor os alunos relatam um aumento da carga
chegou eu fiquei tão... eu não conseguia psíquica. Mencionou-se que a entrada no
nem falar [...] eu lembro perfeitamente mestrado foi traumática e sufocante, ha-
de tudo que aconteceu naquele dia. In- vendo a necessidade de sacrificar, inclusive,
clusive da minha respiração e da fala, a convivência com a família e amigos. Dessa
aquela agonia que eu não sabia se eu forma, constatou-se a diminuição da liber-
respirava, se eu falava, se eu passava dade de organização do trabalho. Tal visão
mal.[...] também que nesse dia eu tremi, em relação ao mestrado parece, em parte,
que eu ainda não tinha tremido foi na ter ocorrido em função da mudança brusca
prova de X, a primeira prova que não de exigência observada entre os níveis de
tinha nada de apresentação, mas, quan- graduação e mestrado, gerando nos alunos
do eu peguei no lápis, eu nunca me vi sentimentos diversos. Enquanto uns de-
naquela situação, eu tava assim ó [fez o monstraram raiva pelo baixo nível de exi-
gesto da mão tremendo] tremendo, tre- gência da graduação, outro colocou que,
mendo muito. [MS1] depois de um ano de mestrado, se sente
Ansiedade, muita ansiedade [...]. Meche pronto a gerir uma empresa e considera o
com o físico também. Acaba externali- fato prazeroso.
zando no corpo, acaba sentindo algumas Por outro lado, os entrevistados acredi-
coisas, refluxo. [MS5] tam que a forma de organização do traba-
Percebe-se, a partir da interpretação das lho poderia ser diferente. Eles reconhecem
falas dos entrevistados, que os alunos do que aprenderam a partir da exigência, mas
mestrado acadêmico, aqui entrevistados, que também sofreram. Falam em sentimen-
vivenciam a dialética entre os sentimentos tos de tristeza advindos do esforço nem
de prazer e os de sofrimento.Tendo em vis- sempre reconhecido e insistem que teriam
ta que, ao mesmo tempo em que relatam aprendido de outra forma, sem necessaria-
sentimentos como angústia e medo, típicos mente se sentirem castigados, conforme
do sofrimento, falam também da boa rela- expressado por um dos entrevistados. Os
ção com os pares e da alegria de reconhe- alunos ainda alegaram que o ritmo intenso
cerem o quanto o mestrado já contribuiu afetou as relações sociais e familiares.
para as suas vidas. Quanto aos sentimentos em relação às
atividades os entrevistados apresentaram o
CONSIDERAÇÕES FINAIS prazer relacionado ao orgulho pelo que acre-
Este estudo buscou analisar as percep- ditam já terem conquistado durante o curso.
ções de mestrandos de uma Instituição Fe- Eles ainda falaram de suas expectativas para
deral de Ensino Superior (IFES), localizada com o futuro e estas dizem respeito à eman-
em João Pessoa, na Paraíba, em relação às cipação familiar e financeira, possivelmente
vivências de prazer e sofrimento durante o obtidas com a conclusão do curso.
primeiro ano de curso. Os resultados indi- Observou-se que o relacionamento
cam uma relação dialética, em que a mesma com os pares tem sido fundamental no

134 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)
ANA CAROLINA KRUTA DE ARAÚJO BISPO, DIOGO HENRIQUE HELAL

processo. Os mestrandos afirmam que, prazer/sofrimento nas atividades do mes-


com seus pares, o relacionamento é pra- trado. Esses achados corroboram os de
zeroso. Consideram que a turma é unida e Cupertino e Garcia (2012), que realizaram
que há apoio mútuo. um estudo com professores de uma Ins-
Em relação ao sofrimento vivenciado tituição Federal de Ensino Superior (IFES)
pelos alunos, o medo, a ansiedade e a an- mineira, localizada em Belo Horizonte. Os
gústia foram relatados como sentimentos autores observaram, a partir dos dados
que podem, inclusive, levar a descompen- das entrevistas, que prazer e sofrimento
sações psicossomáticas. Esses sentimentos no trabalho coexistem no ambiente labo-
são agravados na medida em que os alunos ral dos professores e não são excludentes.
querem corresponder às exigências e, por Esses resultados também corroboram o
vezes, se sentem incapazes de fazê-lo. estudo desenvolvido por Menezes, Nepo-
Apesar de todos esses sentimentos, os muceno e Batista-dos-Santos (2011), que
alunos têm conseguido transformá-los em teve por objetivo compreender os senti-
um sofrimento criativo, na perspectiva da dos que um grupo de professores de uma
psicodinâmica. Nesse sentido, os alunos re- universidade pública federal, localizada no
latam momentos de prazer vividos durante semiárido brasileiro, atribui ao seu traba-
o curso, que remetem às relações sociais lho, em tempos de flexibilidade. Os resul-
com os colegas, ao feedback dado por pro- tados desse estudo (MENEZES; NEPOMU-
fessores e ao sentimento de estar fazendo CENO; BATISTA-DOS-SANTOS, 2011)
o melhor. indicaram que a vivência do prazer, no
Quanto aos mecanismos de defesa, os trabalho dos professores, coocorre com o
entrevistados relataram a utilização de estra- desprazer, sendo semelhantes aos resulta-
tégias individuais e coletivas. Quanto às indi- dos encontrados nesse artigo.
viduais, a mais prevalente foi a organização Neste estudo, percebeu-se que a exigên-
sistemática das atividades a serem realizadas. cia de qualidade e quantidade das atividades
O bom humor também foi relatado como desenvolvidas por eles conflitam com o tem-
modo de lidar com as pressões do curso. po que possuem para desenvolvê-las, fazen-
Quanto às coletivas, sair com os cole- do com que se sintam pressionados, o que
gas da turma e a própria convivência em pode terminar por afetar o funcionamento
confraternizações foram as mais recor- psíquico. Cumpre destacar que poucas es-
rentes, de acordo com as entrevistas. Por tratégias coletivas de defesa foram citadas
fim, em função do sofrimento, problemas e isso deve ter ocorrido em decorrência de
como insônia e gastrite foram relatados a organização do trabalho e de o trabalho
pelos entrevistados. intelectual serem algo realizado mais indivi-
A partir desses resultados pode-se con- dualmente e presentes no ambiente compe-
cluir que os mestrandos vivem a dialética titivo do mundo acadêmico.

R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 out./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa) 135
A DIALÉTICA DO PRAZER E SOFRIMENTO
DE ACADÊMICOS: UM ESTUDO COM MESTRANDOS EM ADMINISTRAÇÃO

REFERÊNCIAS

AMADO, G.; ENRIQUEZ, E. Psico- balho. São Paulo: Atlas, 2012b. MORIN, E. Os sentidos do trabalho.
dinâmica do trabalho e psicos- DEJOURS, C.; ABDOUCHELI, E. Iti- RAE – Revista de Administra-
sociologia. In: BENDASSOLLI, P.; nerário teórico em psicopatolo- ção de Empresas, EA-ESP/FGV,
SOBOLL, L. (Org.). Clínicas do gia do trabalho. In: DEJOURS, C.; São Paulo, v. 41, n. 3, p. 8-19, jul./
Trabalho. São Paulo: Atlas, 2011. ABDOUCHELI, E.; JAYET, C. Psi- set.2001.
ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? codinâmica do trabalho. São MORIN, E.; TONELLI, M. J.; PLIOPAS,
15. ed. São Paulo:, Cortez; Cam- Paulo: Atlas, 2012. A. L.V. O trabalho e seus sentidos.
pinas: Editora da Unicamp, 2011. DEJOURS, C. A Loucura do traba- Psicol. Soc., Porto Alegre, v. 19,
BORGES, L. O. Os atributos e medidas lho. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2007. Número especial.
do significado do trabalho. Psico- Oboré, 1992. SELIGMANN-SILVA, E. Da psicopa-
logia: teoria e pesquisa, [S. l.], v. 13, GIBBS, G. Análise de dados qua- tologia à psicodinâmica do tra-
n. 2, p. 211-220, maio/ago. 1997. litativos. Porto Alegre: Artmed, balho: marcos de um percurso.
BOUYER, G. Contribuição da psico- 2009. IN: DEJOURS, C.; ABDOUCHE-
dinâmica do trabalho para o deba- GRADELLA JÚNIOR, O. Sofrimento LI, E.; JAYET, C. et al. Psicodinâ-
te. Rev. bras. saúde ocup., São psíquico e trabalho intelectual. mica do trabalho. São Paulo:
Paulo, v. 35, n. 122, dez. 2010. Cadernos de Psicologia So- Atlas, 2012.
CHANLAT, J. O desafio social da ges- cial do Trabalho, [S. l.], v. 13, n. 1, SZNELWAR, L. I.; UCHIDA, S.; LAN-
tão: a contribuição das ciências p. 133-148, 2010. CMAN, S. A subjetividade no tra-
sociais. In: BENDASSOLLI, P.; SO- MENDES, A. R. (Org.). Psicodinâmi- balho em questão. Tempo soc.,
BOLL, L. (Org.). Clínicas do tra- ca do Trabalho: teoria, método São Paulo, v. 23, n. 1, 2011.
balho. São Paulo: Atlas, 2011. e pesquisas. São Paulo: Casa do TOWERS, I.; DUXBURY, L.; HIGGINS,
CUPERTINO, V.; GARCIA, F. Prazer Psicólogo, 2007. C.; THOMAS, J. Time thieves and
e sofrimento na prática docente MENDES, L.; CHAVES, C. J. A.; SAN- space invaders. Journal of Or-
no ensino superior: estudo de TOS, M. C.; MELLO NETO, G. A ganizational Change Manage-
caso em uma IFES mineira. In: Dialética Prazer/Desprazer no ment, [S. l.], v. 19, n. 5, 2006.
ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO Trabalho: Vivências de Significa- VERONESE, M.; ESTEVES, E. Identi-
NACIONAL DE PÓS-GRADU- do e Sofrimento no Trabalho de dade. In.: CATTANI, A. D. et al.
AÇÃO E PESQUISA EM ADMI- Professor Universitário. In: EN- Dicionário internacional de
NISTRAÇÃO, 39., 2012, Rio de CONTRO DA ASSOCIAÇÃO outra economia. Coimbra: Al-
Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: NACIONAL DE PÓS-GRADU- medina, 2009.
ANPAD, 2012. AÇÃO E PESQUISA EM AD- VIANA, E. A. de S.; MACHADO, M. N.
DAL ROSSO, S. Intensidade e ima- MINISTRAÇÃO, 30., 2006, Sal- da M. Sentido do trabalho no dis-
terialidade do trabalho e saúde. vador. Anais... Rio de Janeiro: curso dos trabalhadores de uma
Trab. educ. saúde, Rio de Janei- ANPAD, 2006. ONG em Belo Horizonte. Psicol.
ro, v. 4, n. 1, mar. 2006. MENEZES, L.; NEPOMUCENO, L.; Soc., [S. l.], v. 23, n. 1, abr. 2011.
DEJOURS, C. A Carga Psíquica do BATISTA-DOS-SANTOS, A. Os VILELA, E. ; GARCIA, F.; VIEIRA, A. Vi-
Trabalho. In: DEJOURS, C.; AB- sentidos do trabalho para um gru- vências de prazer-sofrimento no
DOUCHELI, E.; JAYET, C. et al. po de professores de uma univer- trabalho do professor universitá-
Psicodinâmica do trabalho. sidade pública. In: ENCONTRO rio. In: ENCONTRO DA ASSO-
São Paulo: Atlas, 2012a. DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL CIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-
DEJOURS, C. Trabalho e saúde men- DE PÓS-GRADUAÇÃO E PES- GRADUAÇÃO E PESQUISA EM
tal: da pesquisa à ação. In: DEJOU- QUISA EM ADMINISTRAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, 38., 2011, Rio
RS, C.; ABDOUCHELI, E.; JAYET, 38., 2011. Rio de Janeiro. Anais... de Janeiro. Anais... Rio de Janei-
C. et al. Psicodinâmica do tra- Rio de Janeiro: ANPAD, 2011. ro: ANPAD, 2011.

136 R. Adm. FACES Journal Belo Horizonte v. 12 n. 4 p. 120-136 ou./dez. 2013. ISSN 1984-6975 (online). ISSN 1517-8900 (Impressa)