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Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto -


CBC2005
Setembro / 2005 ISBN 85-98576-07-7
Volume V - Inovações Tecnológicas para o Concreto
Trabalho 47CBC0395 - p. V597-612
© 2005 IBRACON.

DOSAGEM DE FINOS EM CONCRETOS COM AGREGADOS MIÚDOS E


GRAÚDOS BRITADOS
MIX CONCRETE DESIGN MADE OF FINE AND COARSE CRUSHED AGGREGATES

Guilherme Teodoro Buest (1); Narciso G. Silva (2); Vicente Coney Campiteli (3)

(1) Eng. Civil, Engenheiro da Hagen-Rheydt do Brasil, Mestrando do PPGCC – UFPR.


e-mail: guilhermebuest@terra.com.br

(2) Eng. Civil, Professor do CEFET-PR, Mestrando do PPGCC – UFPR.


e-mail: ngsilva@cefetpr.br

(3) Eng. Civil, Professor Dr. do Departamento de Eng. Civil da Universidade Estadual de Ponta
Grossa, PR e do PPGCC – UFPR.
e-mail: vicente@uepg.br

Rua Padre Agostinho, 2677 – apto. 75 Champagnat


Curitiba/Pr – CEP: 80.710-000

Resumo
Tendo em vista as restrições legais impostas à extração de agregados miúdos naturais por causa da
degradação ambiental daí decorrente, tem-se procurado substituir os naturais por britados. Este trabalho
tem por objetivo o estudo da substituição integral dos agregados naturais por britados, através da dosagem
da fração fina do agregado miúdo. O preparo do agregado miúdo, proveniente de "bica corrida", com DMC =
9,5 mm, consiste em separar a fração fina através de uma peneira de abertura 1,87 mm, determinando-se o
teor de material pulverulento presente no material passante e lavando o material retido. A dosagem é feita
em duas etapas: em argamassa e em concreto. Em argamassa, para três traços (1:2,5; 1:3,5; 1:4,5 em
massa), variou-se o teor de finos (passante) nos teores de 0, 15, 30, 45 e 60%. Para cada caso determina-
se a água para a Consistência (NBR 7215) para IC de 230±5 mm. Com as curvas de a/c X finos, determina-
se, para cada traço, o teor ótimo de finos, definido pelo ponto de mínimo da curva. Os pontos ótimos para
cada traço definem a reta de teores ótimos de finos X relação água/cimento. Após a definição da proporção
ótima entre finos e granilha, determina-se a proporção ótima entre granilha e brita 1, através da massa
unitária compacta máxima (NBR 7810), com a variação entre os teores de granilha e brita 1. Com estas
proporções ótimas definidas são preparados concretos escolhendo-se três relações água/cimento de
referência mantendo constante a relação brita 1 X granilha. Variando-se os teores de finos, ajusta-se a
trabalhabilidade, baseado no método do IPT. Para este estudo fixou-se o abatimento do tronco de cone em
70±10mm. Após os ajustes do concreto fresco, fez-se o ajuste da resistência à compressão, determinando-
se as curvas de Abrams, de Lyse e de Molinari. Fez-se uma análise da manutenção do limite de material
pulverulento da norma NBR 7211, comparando-os com os concretos ajustados. Resultados de porosidade
acompanham o trabalho.
Palavras-Chave: Dosagem de concreto; agregados miúdos britados; argamassa; otimização de finos; material
pulverulento.

Abstract
Considering the legal restrictions imposed to the natural tiny aggregate extraction because of their ambient
degradation, it has been tried to substitute the natural for crushed ones. The goal of this work was the study
of the full substitution of the natural aggregates for the fine fraction of the tiny aggregate dosage. The tiny
aggregate preparation came from total aggregate minor than 9,5mm (DMC), involves the fine fraction

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separation through a 1,87 mm opening bolter, to determine the dusty material content, considered part of the
passing material, and to wash the restrained material for the fine withdrawal. The dosage was made in two
stages: in mortar and concrete. In mortar, were used three traces (1:2,5; 1:3,5; 1:4,5 in mass), the content of
the fines (the passage ones) variation was made with the aggregates texts of 0,15 , 30, 45 and 60%. For
each case, was determined the water for the Index of Consistency in the table (NBR 7215) of 230±5 mm.
After the mortar definition, and after optimized proportion between fines (the passage ones) and the fine
crushed aggregate (the restrained ones), the concretes were prepared, keeping the relation of the rock
crushed 1 x the fine crushed aggregate constant, varying the fines contents (the fines x the fine crushed
aggregate relation), through the plasticity adjust fase, based on the IPT method. The slump test was fixed
for this study in 70 ± 10 mm. After the fresh concrete adjusts, the compression resistance was adjusting also,
to determine the Abrams, Lyse and Molinari’s curves. An maintenance analyses of the dusty material limited
from the NBR 7211, compared them with the concrete adjusted. The porosity results follow the work.
Keywords: mix concrete design; aggregates fine crushed; mortar; optimization of fine; material dusty.

1 Introdução
O concreto de cimento Portland é o segundo produto mais consumido no mundo,
segundo dados da ABCP (2005), e o seu consumo atinge a 2.700 kg/habitante, enquanto
que a água atinge a 11.000 kg/habitante. Suas propriedades, como a resistência à
compressão, a impermeabilidade, a possibilidade de produção de peças de diferentes
geometrias e a possibilidade de incorporar reforços para resistir à tração e ao
cisalhamento, são algumas das razões principais deste consumo. Considerando que pelo
menos três quartas partes do volume de concreto são ocupadas pelos agregados, a sua
qualidade apresenta considerável importância (NEVILLE, 1997). As suas características,
tais como a granulometria, principalmente a das frações mais finas, a forma e a textura
superficial das partículas afetam a trabalhabilidade no estado fresco, influindo na
capacidade de empacotamento, que por sua vez afeta as propriedades no estado
endurecido.
Há muitos fatores que vêm contribuindo para a escassez de agregados miúdos
naturais para concretos em regiões próximas às grandes metrópoles. Entre estes fatores
está o impacto ambiental decorrente da exploração, muitas vezes desordenada, das
jazidas, causando graves problemas ambientais, sem possibilidade de recomposição do
ambiente explorado. Neste sentido, a atual legislação vem obrigando os produtores a
lançar mão de técnicas de gerenciamento e de extração cada vez mais caros ou até de
interdição de jazidas, que não atendem às suas exigências. Além disso, a expansão
urbana vem ocupando as áreas de extração de areia, induzindo a sua exploração em
áreas mais afastadas do centro consumidor, onerando conseqüentemente, os custos de
operação e transporte. Com isso a busca, pelo meio técnico, de alternativas de
substituição total ou parcial do agregado miúdo natural, tem aumentado
significativamente, para fazer frente a esta escassez crescente de oferta e de preço de
agregado miúdo no mercado. Uma destas alternativas, talvez a mais viável, tem sido a
sua substituição por agregado miúdo proveniente de britagem de rochas, chamado de
“finos de pedreira” ou “areia artificial” (NBR 9935, 1987).
Da produção de pedras britadas resultam elevadas quantidades de material fino,
em geral menores do que 4,8 mm, na forma de “bica corrida1”, que têm sido considerados
como agregado miúdo britado ou areia artificial. As areias artificiais são, portanto,
agregados miúdos resultantes da britagem de rocha e apresentam dimensão máxima
característica de 4,8 mm, contendo material com dimensões menores do que 0,075 mm
em quantidades menores do que 5% (NBR 7211, 1983).
SODRÉ (2000), comenta que a substituição de parte dos agregados miúdos
naturais pelos agregados miúdos britados, como um agregado composto, reduziria a

1
Material que passa por determinada peneira durante o processo de separação por tamanhos após a britagem, incluindo
todos as partículas até as de mais finas dimensões.

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demanda pelas areias naturais e, conseqüentemente, a área de exploração, diminuindo


assim o impacto ambiental.
Conforme SOARES & MENDES (1999), algumas utilizações de areia artificial vêm
sendo testadas, citando a possibilidade de seu emprego no segmento da pavimentação,
na fabricação de blocos para construção civil e ainda na produção de concretos
convencionais, destacando que são poucos os estudos de utilização de areia artificial de
rocha basáltica. COELHO (2001), estudando areia artificial de basalto, explica que a sua
produção é de aproximadamente 15% do volume do material produzido em uma empresa
de mineração.
As areias artificiais de basalto em geral apresentam partículas lamelares e com
acentuado volume de material pulverulento, dificultando a dosagem de concretos. Para a
superação do atrito interno requer-se elevado teor de fração fina do agregado miúdo
(incluindo o material pulverulento), para que, conjugado com dosagem adequada de água,
se consiga a superação do atrito interno. Assim, se houver falta de finos no agregado
miúdo, o concreto se apresentará pouco coesivo, com tendência à segregação. Por outro
lado, com a dosagem de elevadas quantidades de fração fina no agregado miúdo a
exigência de água será majorada, aumentando a retração e também o consumo de
cimento para uma mesma relação água/cimento. Há, portanto uma relação de
compromisso entre o teor da fração fina no agregado miúdo e a trabalhabilidade.
Atualmente é possível dosar finos de britagem em agregados miúdos em plantas
industriais, utilizando separador de finos por lavagem e também posterior dosagem de
finos na areia artificial através de hidro-ciclones. Por esta razão estabeleceu-se um
método de dosagem de concreto com substituição total de agregados miúdos naturais por
artificial, mediante otimização de finos no agregado miúdo.
O objetivo deste trabalho é apresentar um estudo de dosagem de concreto, que
consiste em obter a substituição total do agregado miúdo natural por agregado miúdo
artificial, através do ajuste da fração fina do agregado miúdo, para com isto sugerir
parâmetros facilitadores da dosagem. O método de dosagem utilizado neste artigo é
baseado no método IPT, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
(HELENE & TERZIAN, 1992) e no critério de ajuste de dosagem desenvolvido por
CAMPITELI (2004).

2 Materiais e Métodos

2.1 Materiais
Para o estudo experimental foram empregados os seguintes materiais: cimento
Portland CP II Z 32 (Tabela 1), agregado miúdo (“bica corrida”) e agregado graúdo
britado, obtidos de basalto da região de Ponta Grossa.
O agregado miúdo2 foi separado em duas frações, em laboratório, por
peneiramento em peneira comercial denominada de “Cal 55”, com abertura média da
malha de 1,87 mm, resultando em granilha - material retido - e finos - material passante -
(Figuras 1 a 5). O agregado graúdo selecionado foi brita N° 1 - NBR 7211/83 – (Figura 6).
Tanto a granilha como a brita, foram lavadas em betoneira para a eliminação do material
pulverulento e seco ao ar, à sombra. Com o material fino foi feita a determinação do teor
de material pulverulento (NBR 7219/87).

2
Foi denominado neste trabalho como agregado miúdo, mas trata-se de material com DMC = 9,5 mm.

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Figura 1 – Agregado de “bica corrida” Figura 2 – Peneiramento manual

Figura 3 – Seleção do material retido Figura 4 – Granilha

Figura 5 – Fino passante # 1,87 mm Figura 6 – Brita n° 1

A otimização granulométrica dos agregados foi feita em duas etapas. Uma delas
consistiu na obtenção da proporção ótima entre a granilha e a brita n°1, através da massa
unitária compacta (NBR 7810/83) máxima e outra, relativa à mistura de finos com
granilha, foi objeto de dados obtidos em argamassas de cimento e areia artificial.
As caracterizações dos materiais utilizados são apresentadas a seguir (tabelas 1 a
3 e figura 7).
Tabela 1 – Caracterização física e química do cimento CPII Z 32
ENSAIOS FÍSICOS
Ensaios Método Resultado médio
Massa unitária no estado solto (kg/m³) NBR 7251 1.197
Massa específica (kg/m³) NBR 6474 2.946
ANÁLISE QUÍMICA (%)
CaO Equivalente Perda Resíduo
SiO2 Al2O3 Fe2O3 CaO MgO SO3
Livre Alcalino ao fogo insolúvel
22,94 7,25 3,12 51,9 5,26 1,22 0,78 2,99 5,61 14,80

Tabela 2 – Granulometria dos agregados - NBR 7217/87


Porcentagens retidas acumuladas nas peneiras (mm)
Materiais
25 19 12,5 9,5 4,8 2,4 1,2 0,6 0,3 0,15 Fundo
Brita n° 1 0 3,2 52,4 78,6 100 100 100 100 100 100 100
Granilha 0 0 0 0 21,0 70,1 99,3 99,8 100 100 100
Finos da areia 0 0 0 0 0 0,2 9,9 41,1 42,1 71,7 100
Finos sem pulverulento 0 0 0 0 0 0 8,2 49,4 72,6 88,2 100

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Tabela 3 – Caracterização física dos agregados


Ensaios Finos
Norma
Unid. Brita 1 Granilha sem
(NBR) integral
pulverulento
Módulo de finura 7217 - 6,818 4,902 1,650 2,184
Dimensão máxima característica 7217 (mm) 19,0 9,5 2,4 2,4
Classificação 7211 - Brita 1 Brita 0 Zona 1 Zona 1
Teor de material pulverulento 7219 (%) 0.0 0.0 27,845 0.0

100
Porcentagem Acumulada

80

60

40

20

0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26

Abertura de Peneiras (mm)


Brita 1 Granilha Finos da Areia Finos sem pó
Figura 7 – Granulometria dos agregados

2.2 Métodos
Para dosagem de concreto utilizando agregado total britado, há necessidade de se
dosar os finos (dimensões menores do que 0,15 mm), em geral com excessiva
quantidade de material pulverulento, para garantir a trabalhabilidade adequada ao
concreto, especialmente no que se refere à coesão e a bombeabilidade. Para isso,
dispondo-se de agregado miúdo britado, a simples dosagem do concreto considerando o
agregado miúdo como um todo, fica prejudicada, pois não é possível definir o teor ideal da
fração fina (< 0,15 mm). Por esta razão optou-se pela separação do agregado miúdo
disponível (“bica corrida” – DMC = 9,5 mm) em duas partes como descrito acima, dando
destaque especial ao material passante pela peneira de 1,87 mm. Esta não é a situação
ideal, a qual seria separar o material passante pela peneira de 0,15 mm e não pela
peneira de 1,87 mm. A adoção desta peneira se baseou na facilidade operacional para
separar uma fração, com menor DMC possível, que contivesse o pulverulento, em escala
de laboratório. Com isto, tem-se a dosagem de concreto com três agregados: brita 1,
granilha e finos3 (<1,87 mm).
Segundo CAMPITELI (2001), os procedimentos para dosagem, são adotados em
função das propriedades desejadas para uma determinada aplicação com materiais
disponíveis. A dosagem se baseia em regras e procedimentos práticos para obtenção do
traço, sendo testado em laboratório, portanto a dosagem não é apenas teórica, empírica,
mas experimental. O método experimental de dosagem do concreto adotado neste
trabalho se baseia no método do IPT, que se subdivide em três fases: caracterização dos
materiais, determinação de um traço piloto e ajuste do traço piloto. O ajuste do traço piloto
se baseou no trabalho de CAMPITELI (2004).
Antes do ajuste do concreto com estes três agregados, é interessante se chegar a
um traço piloto o mais próximo possível do traço ajustado, para que as operações de
ajuste sejam rápidas. Para se obter esta aproximação, o método de dosagem foi dividido
em duas etapas: em argamassa e em concreto.
3
A partir deste ponto do trabalho, a denominação fração fina ou finos, se refere ao material passante pela peneira de
1,87 mm. Trata-se de material com granulometria equivalente à areia fina com excesso de material pulverulento.

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A otimização granulométrica do agregado total, obtida pela dosagem do concreto,


consiste em otimizar granulometricamente a granilha e a brita 1, através da obtenção da
massa unitária compacta máxima, cuja percentagem ótima permanece invariável até o
final da dosagem e a otimização dos finos com a granilha. Esta última etapa é obtida com
a conclusão da dosagem do concreto, mas é aproximada preliminarmente através de
estudos com argamassas de cimento, finos e granilha, para facilitar as operações de
ajuste do concreto.

2.2.1 Otimização granulométrica de Brita 1 com Granilha

A otimização entre a brita 1 e a granilha foi feita por meio da massa unitária
compacta máxima – MUc - (NBR 7810, 1982). Misturam-se diferentes proporções de cada
agregado, determinando-se para cada caso, a MUc. À proporção que apresentar maior
MUc, será considerada ótima. A Figura 8 mostra o gráfico gerado com os valores obtidos.
Compacta (kg/dm3)

1.850
Massa Unitária

1.800

1.750

1.700
y = -0,0837x2 + 9,3981x + 1570,6
1.650
R2 = 0,9953
1.600

1.550
0 20 40 60 80 100 120

Brita 1 (%)

Figura 8 – Gráfico Massa unitária compacta x Brita 1.

Determinando o ponto de máximo a partir da equação de ajuste (Fig. 8), obtêm-se


os seguintes teores ótimos entre a brita 1 e a granilha: 59 e 41% respectivamente, o que
corresponde a uma relação brita 1 x granilha de 1,439.

2.2.2 Estudos com argamassas

Produziu-se três argamassas com traços em massa 1:2,5; 1:3,5; 1:4,5 e para cada
uma delas fez-se à variação dos finos nos teores de 0, 15, 30, 45 e 60% em relação ao
total de finos mais granilha. Para cada caso determinou-se a água para obtenção do
Índice de Consistência na mesa (NBR 7215) constante de 230± 5 mm (Tabela 4).
Tabela 4 – Determinação do Índice de Consistência
TRAÇOS EM CIMENTO FINOS GRANILHA ÁGUA H IC a/c
MASSA (g) (g) (%) (mm) (l/kg)
TEOR (%) QTDE. INICIAL FINAL
0 0 1175,0 200,0 210,0 12,8 232,0 0,447
15 176,3 998,8 210,0 195,0 11,9 225,0 0,415
1:2,5:0,35 470 30 352,5 822,5 205,0 200,0 12,2 225,0 0,426
45 528,8 646,3 207,0 207,0 12,6 231,0 0,440
60 705,0 470,0 215,0 220,0 13,4 227,0 0,468
0 0 1260,0 210,0 210,0 13,0 225,5 0,583
15 189,0 1071,0 200,0 200,0 12,3 228,0 0,556
1:3,5:0,45 360 30 378,0 882,0 205,0 190,0 11,7 227,5 0,528
45 567,0 693,0 195,0 205,0 12,7 228,0 0,569
60 756,0 504,0 218,0 218,0 13,5 235,0 0,606
0 0,0 1350,0 215,0 230,0 13,9 226,0 0,767
15 202,5 1147,5 210,0 220,0 13,3 230,4 0,733
1:4,5:0,55 300 30 405,0 945,0 210,0 210,0 12,7 225,0 0,700
45 607,5 742,5 210,0 210,0 12,7 230,0 0,700
60 810,0 540,0 215,0 215,0 13,0 232,5 0,717

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Relacionando-se água/cimento com os respectivos teores de finos, constata-se que


o teor ótimo de finos para cada traço fica determinado pelo consumo mínimo de água
para a obtenção do IC padrão (Figura 9).

0,8
y = 4E-05x2 - 0,0035x + 0,7693
R2 = 0,9813

0,7
Relação água/cimento (l/kg)

y = 6E-05x2 - 0,0034x + 0,5848


R2 = 0,9119

0,6

y = 4E-05x2 - 0,0019x + 0,4432


0,5 R2 = 0,9282

0,4
0 10 20 30 40 50 60 70
Teor de finos (%)

traço 1: 2,5 traço 1: 3,5 traço 1: 4,5

Figura 9 – Relação água/cimento x Teor de Finos Argamassa

Para cada curva determinou-se as equações de ajuste pelo método dos mínimos
quadrados (vide Fig. 9), cujos pontos de teores de finos x relações água/cimento para
cada traço ficaram definidos pelos seguintes pares ordenados: traço 1:2,5 = (43,75;
0,693), traço 1:3,5 = (28,30; 0,537) e traço 1:4,5 = (23,75; 0,421). Com estes três pontos,
traçou-se o gráfico da Figura 10, cuja reta ajustada define as relações ótimas entre
água/cimento e os correspondentes teores de finos (relações finos/granilha).
Relação água/cimento (l/kg)

0,8

0,7 y = 0,0127x + 0,1446


R2 = 0,9523
0,6

0,5

0,4
20 25 30 35 40 45

Teor Ótimo de Finos na Argamassa (%)

Figura 10 – Relação água/cimento x Teor Ótimo de Finos na Argamassa

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2.2.3 Concreto

Esta etapa se refere ao estabelecimento dos traços iniciais e dos ajustes do


concreto nos estados fresco e endurecido. O estabelecimento dos traços iniciais se
baseia na relação entre a brita 1 e a granilha (item 2.2.1) e nas relações entre os finos e a
granilha (item 2.2.2), definidas pela equação dada na Figura 10.
Na seqüência a seguir tem-se o procedimento para o cálculo dos três traços (rico,
médio e pobre - método do IPT):
a) definir as três relações água/cimento - baseando-se em experiência anterior4;
b) definir as relações finos/granilha - através da equação y = 0,0127x + 0,1446, onde "y" é
a relação água/cimento em l/kg e "x" é a relação finos/granilha em %;
c) calcular os traços considerando a relação fixa Brita 1 x Granilha (ver item 2.2.1),
adotando valores de relação água/materiais secos (H), supondo-a constante para os
três traços, para um dado abatimento do tronco de cone, como por exemplo, a partir da
expressão de CAMPITELI (1994):

783.(148 − DMC ) + (163 − DMC ).S


H=
4419.MEp

onde: DMC = Dimensão Máxima Característica do agregado graúdo (mm);


S = Abatimento do tranco de cone (mm);
MEp = Massa específica do agregado graúdo (kg/dm3).

Com isto, os três traços a serem submetidos ao ajuste da trabalhabilidade são os


determinados a seguir:

a) Relações água/cimento selecionadas = 0,45 - 0,55 - 0,65 l/kg;


b) Relações finos x granilha (T): - para a/c = 0,45 l/kg → T = 0,219
- para a/c = 0,55 l/kg → T = 0,343
- para a/c = 0.65 l/kg → T = 0,466
c) Traços, para relação constante brita 1 x granilha: k = 1,439:

Para o exemplo a seguir, considerou-se abatimento do tronco de cone de 70 mm,


DMC = 19,0 mm e MEp = 2,957 kg/dm3, tendo-se obtido uma relação água/materiais
secos preliminar (H), antes do ajuste da trabalhabilidade, de 8,5%.

a/c 100
Sabendo que H = .100 , m = (a / c ) − 1 e sendo o traço do concreto em
1+ m H
massa dado por 1: F: G: B: a/c onde F = Finos; G= Granilha; B = Brita 1 e sabendo que
m=1+F+G+B, utilizando os dados listados acima, os traços iniciais são dados a seguir:

Traço Rico...= 1 : 0,354 : 1,616 : 2,325 : 0,450


Traço Médio = 1 : 0,674 : 1,966 : 2,830 : 0,550
Traço Pobre = 1 : 1,066 : 2,288 : 3,292 : 0,650

4
Em geral as relações água/cimento de 0,45 - 0,55 - 0,65 cobrem a maioria das possibilidades para as resistências à
compressão de concretos para fins estruturais para os cimento nacionais.

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A - Ajuste da trabalhabilidade do concreto

Os ajustes experimentais dos traços acima são feitos no estado fresco para se
garantir a consistência, a coesão e a facilidade de acabamento superficial e no estado
endurecido, para garantir alguma propriedade de interesse, em geral a resistência à
compressão (HELENE, 1992). Estes ajustes, neste trabalho, se basearam em CAMPITELI
(2004), levando-se em conta o teor de finos em vez do teor de argamassa seca como
preconiza o método do IPT. As planilhas das tabelas 6 a 8 mostram o encaminhamento
dos ajustes.
Como elemento variável no ajuste da coesão, definiu-se o Teor de Finos (P), dado
pela relação:

F
P= × 100 (%) ...............................................(1)
G + B1

P B1
onde, F = ⋅ (G + B1) , mas de 2.2.1, k = , portanto, B1 = k.G
100 G

P P
com isso, F = ⋅ (G + k .G ) , o que leva a F = ⋅ G.(1 + k )
100 100

Mas m = F + G + B1 e considerando que B1=k.G, tem-se que G.(1+k) = m - F

P
conseqüentemente F = ⋅ (m − F) e finalmente
100
P
F= ⋅ m .....................................................(2)
100 + P

Substituindo a expressão (2) em m = F + G + k. G, obtém-se

m ⎛ 100 ⎞
G= ⋅⎜ ⎟ ...............................................(3)
1 + k ⎝ 100 + P ⎠
B1
Considerando que k = , tem-se
G
B1 = k.G .........................................................(4)

A partir do traço inicial, produz-se o concreto em laboratório e verifica-se a


consistência, a coesão e a capacidade de acabamento superficial. Se o valor de P
adotado inicialmente não for suficiente para atender à coesão e ao acabamento, aumenta-
se este valor aleatoriamente e faz-se nova verificação com outro traço recalculado com as
expressões de 2 a 4 acima. Da mesma maneira, se a consistência não for adequada,
aumenta-se ou diminui-se o valor de H, conforme o "slump" tenha sido insuficiente ou
excessivo. Para auxiliar nesta operação de ajuste de H, pode-se utilizar a expressão 5
(CAMPITELI, 1994) a seguir, e o ajuste dos traços estão detalhados nas planilhas das
tabelas 6 a 8.

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0,1
⎛S ⎞
⎜ procurado ⎟
H =H .
novo anterior ⎜ S ⎟ .........................................(5)
⎝ obtido ⎠

Tabela 6 – Planilha de ajuste para o traço de concreto com relação a/c = 0,650
Materiais
Alterações
Agregado P m H slump Teor de
Obs.
cimento areia água (%) (kg) (%) (mm) Pulverulento
Nº Espécie brita
Finos Gran. (%)
Traço Pobre 1 1,066 2,288 3,293 0,65 Atrito
0 19,0 6,647 8,5 0 8,9
Quantidade 7 7,46 16,02 23,05 4,55 Excessivo
Traço 1 1,436 1,962 2,824 0,65
Pouca
1 Quantidade 9 12,92 17,66 25,42 5,85 30,0 6,222 9,0 40 11,8
Coesão
Acréscimo 2 5,46 1,65 2,37 1,30
Traço 1 1,515 1,774 2,553 0,65
Coeso
2 Quantidade 11 16,66 19,52 28,09 7,15 35,0 5,842 9,5 70 12,8
ajustado
Acréscimo 2 3,74 1,86 2,67 1,30

Tabela 7 – Planilha de ajuste para o traço de concreto com relação a/c = 0,550
Materiais
Alterações
Agregado P m H slump Teor de
Obs.
cimento areia água (%) (kg) (%) (mm) Pulverulento
Nº Espécie brita
Finos Gran. (%)
Traço Médio 1 0,674 1,966 2,830 0,55 Atrito
0 25,0 5,471 8,5 0 7,1
Quantidade 7 4,72 13,76 19,81 3,85 Excessivo
Traço 1 1,179 1,612 2,320 0,55
Pouca
1 Quantidade 9 10,62 14,51 20,88 4,95 30,0 5,111 9,0 55 11,8
Coesão
Acréscimo 2 5,90 0,75 1,07 1,10
Traço 1 1,018 1,546 2,225 0,55
Coeso
2 Quantidade 11 11,20 17,01 24,48 6,05 27,0 4,789 9,5 70 11,1
ajustado
Acréscimo 2 0,59 2,50 3,60 1,10

Tabela 8 – Planilha de ajuste para o traço de concreto com relação a/c = 0,450
Materiais
Alterações
Agregado P m H slump Teor de
Obs.
cimento areia água (%) (kg) (%) (mm) Pulverulento
Nº Espécie brita
Finos Gran. (%)
Traço Rico 1 0,354 1,616 2,325 0,45 Atrito
0 15,0 4,293 8,5 20 5,0
Quantidade 7 2,48 11,31 16,28 3,15 Excessivo
Traço 1 0,667 1,367 1,967 0,45
Pouca
1 Quantidade 9 6,00 12,30 17,70 4,05 20,0 4,000 9,0 50 9,1
Coesão
Acréscimo 2 3,52 0,99 1,43 0,90
Traço 1 0,623 1,277 1,837 0,45
Coeso
2 Quantidade 10 6,23 12,77 18,37 4,50 20,0 3,737 9,5 70 9,1
ajustado
Acréscimo 1 0,23 0,47 0,67 0,45
Para a primeira mistura em cada traço utilizou-se 7,00 kg de cimento e as
correspondentes quantidades para os demais materiais. No caso de necessidade de
alterações do traço inicial para o ajuste da consistência e/ou da coesão, o acréscimo de
cimento a betoneira vem a ser de 1,00 kg para cada alteração e os correspondentes
acréscimos dos demais materiais, de acordo com o novo traço.
Segundo CAMPITELI (2004), se para um acréscimo de 1,00 kg de cimento em uma
dada alteração corresponder número negativo para acréscimo em alguns dos demais
materiais, refaz-se os cálculos adotando-se acréscimo de 2,00 kg de cimento.

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Após os ajustes dos três concretos, os teores de finos foram relacionados com as
correspondentes relações água/cimento, de acordo com os seguintes pares ordenados:
traço pobre = (0,650; 35,0), traço médio = (0,550; 27,0) e traço rico = (0,450; 20,0),
obtendo-se o gráfico da Figura 11, cuja reta ajustada define as relações ótimas entre
água/cimento e os correspondentes teores de finos.

Relação água/cimento (l/kg)


0,7
y = 0,0133x + 0,1861
R2 = 0,9985
0,6

0,5

0,4
10 15 20 25 30 35 40
Teor Ótimo de Finos no Concreto(%)

Figura 11 – Relação água/cimento x Teor Ótimo de Finos no Concreto ajustado

Comparando-se os resultados contidos nos gráficos das Figuras 10 e 11, constata-


se que as retas podem ser consideradas paralelas, já que os respectivos coeficientes
angulares são praticamente iguais. A diferença observada está nos coeficientes
angulares, com diferença dada por ∆ = 0,1861 - 0,1446 = 0,0415. Assim, ao se
determinar à reta a partir das argamassas, basta se fazer um acréscimo no coeficiente
linear, no valor de 0,0415 para se obter a equação que fornecerá os valores de F para o
cálculo dos traços iniciais de concreto muito próximos dos ajustados. Com isso, apenas
com eventuais pequenas alterações nos valores de P, o concreto estará ajustado quanto
à coesão e ao acabamento superficial.
A granulometria do agregado total após os ajustes podem ser visualizados no gráfico
da Figura 12.
100
Porcentagem Acumulada

80

60

40

20

0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26
Brita 1 Granilha Finos da Areia Abertura de Peneiras# (mm)
Finos sem pó Traço pobre Traço médio
Traço rico

Figura 12 – Granulometria do agregado total

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B - Teor de material pulverulento

A NBR 7211 preconiza que o teor máximo admissível para agregados miúdos
concretos não sujeitos a desgaste superficial deve ser de 7%. Com o material utilizado
neste trabalho, constatou-se que o material que passa pela peneira de 1,87 mm contém
27,845% (Tabela 3), o que corresponde aos teores de 12,8 - 11,1 e 9,1% respectivamente
nos traços pobre, médio e rico.
Para atender ao limite da norma, de 7%, o concreto deverá ter comportamento
diferente do ótimo obtido nos ajustes descritos acima. Para verificar a intensidade destas
diferenças, preparou-se três concretos com teores de finos (F) correspondentes ao teor
de material pulverulento de 7%, de acordo com as equações abaixo.
(0,27845 ⋅ F )
Considerando que Material Pulverulento = ⋅ 100 e fixando este valor no limite
(F + G )
0,27845.F
da norma, tem-se = 7% e portanto
F +G
G = 2,978. F .......................................................(6)

Como m = F + G + B1, substituindo B1 = k.G, tem-se m = F + 2,439.G e substituindo G


pela equação (5), tem-se m = 8,263.F e então,
F = 0,121.m .......................................................(7)
100
Com m = (a/c) − 1 e B1 = 1,439.G, pode-se calcular os traços pobre, médio e
H
rico, com a/c = 0,65 - 0,55 - 0,45 respectivamente, com 7% de material pulverulento cada
um e com H = 9,5%.
Traço Rico ...= 1 : 0,452 : 1,347 : 1,938 : 0,450 (m = 3,737)
Traço Médio = 1 : 0,580 : 1,726 : 2,484 : 0,550 (m = 4,790)
Traço Pobre = 1 : 0,707 : 2,106 : 3,030 : 0,650 (m = 5,842)
Após a mistura dos traços determinou-se a análise do abatimento e coesão para
cada traço (Figuras 12 a 14). Observa-se a falta de coesão nos três concretos,
especialmente nos traços pobre e médio.

Figura 12 – Ensaio de abatimento de tronco de cone para o traço pobre

Figura 13 – Ensaio de abatimento de tronco de cone para o traço médio

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(a) (b)
Figuras 14 – Ensaio de abatimento de tronco de cone para o traço rico (a) e
na figura (b) o concreto demonstra pouca coesão, desmoronando após batida na lateral.

C - Ajuste da resistência à compressão dos concretos

Após o atendimento dos ajustes da trabalhabilidade os traços, foi feita a moldagem


em moldes cilíndricos de 15x30cm dos três traços para o ensaio de compressão axial,
três corpos de prova para cada traço para a idade de 7 dias e, em moldes cilíndricos de
10x20 cm para porosidade, para ensaios aos 14 dias de idade. Os resultados estão
apresentados na Tabela 9.
Para apresentação dos resultados, foi gerado o diagrama de dosagem do concreto
ajustado com agregado britado e com traço para 7% de material pulverulento, limite da
norma NBR 7211(1983), ilustrando as curvas de Abrams, de Lyse e de Molinari (Figura
15). A seguir são apresentadas as equações ajustadas pelo método dos mínimos
quadrados correspondentes.
Abrams

Traços Ajustados ________________________________

Traços com7%material pulverulento ________________

Molinari Lyse

Figura 15 – Diagrama de Dosagem IPT – Traços ajustados e com 7% de material pulverulento

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Verifica-se, através do diagrama, que as resistências dos concretos ajustados são


superiores aos concretos com 7% de material pulverulento.

Segundo PETRUCCI (1978) e HELENE (1992),

A
Equação de Abrams : fcj =
Bx
onde, fcj = resistência à compressão à idade de j dias;
A = constante empírica;
B = constante que depende do tipo de aglomerante e da idade do concreto;
x = relação água/cimento (l/kg).

100
Equação de Lyse : m = ⋅ x −1
H
onde, m = traço total (kg);
H = relação água/materiais secos (%);

10000
Equação de Molinari : C =
k1 + k 2 ⋅ m
onde, C = consumo de cimento (kg/m3);
k1 e k2 = constantes.

Constata-se que em todos os resultados, o concreto com teor de material


pulverulento de 7% se apresenta com menor desempenho em relação ao concreto
ajustado (tabela 9).
Tabela 9 - Resultados de resistência à compressão e porosidade
Resistência à Porosidade aos 14
Traços compressão axial aos 7 dias
dias (MPa) (%)
Traços ajustados
Pobre 14,8 13,7
Médio 19,4 11,3
Rico 27,6 9,7
Traços com 7%
Pobre 8,2 17,4
Médio 13,3 15,6
Rico 23,1 12,6

3 Conclusão
O método de dosagem apresentado neste trabalho se mostrou viável, na medida
em que é possível se fazer todas as variações de quantidades para os respectivos
ajustes, de maneira relativamente simples. A determinação das proporções entre os finos
e a granilha através das argamassas, após a correção da reta de teores ótimos de finos
facilita o processo de ajuste final do concreto.
Para a dosagem adequada dos concretos com substituição dos agregados miúdos
naturais por britados depende dos limites de materiais pulverulentos estabelecidos

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atualmente pela NBR 7211. No caso estudado, se forem mantidos os atuais limites da
norma, torna-se inviável a substituição integral, em função da redução de todas as
propriedades analisadas.
Estudos mais aprofundados precisam ser feitos para viabilizar esta prática, para
maior proteção ambiental, seja para contribuir para a redução da degradação por
exploração de jazidas de areia, seja porque a utilização dos finos de pedreira não têm
atualmente usos tão intensivos, resultando em estoques indesejáveis por razões
ambientais e econômicas. Estudos necessários: influência do arredondamento de
partículas e da otimização granulométrica mais rigorosa no desempenho destes concretos
e também, em cada caso, a exsudação, a retração, o módulo de deformação e outros
relativos à durabilidade.

4 Agradecimentos
Ao Laboratório de Materiais de Construção Civil da Universidade Estadual de Ponta
Grossa, ao laboratorista Paulo Ubirajara dos Santos e Cimento Itambé.

5 Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9935: agregados -


terminologia. Rio de Janeiro, 1987.

_________. NBR 7211: Agregados para concreto - Especificação. Rio de Janeiro, 1983.

_________. NBR 7219: Agregados - Determinação do teor de materiais pulverulentos -


Método de ensaio. Rio de Janeiro, 1987.

_________. NBR 7215: Ensaio de Cimento Portland - Método de Ensaio. Rio de Janeiro,
1982.

_________. NBR 7810: Agregado em estado compactado seco - Determinação da Massa


Unitária – Método de Ensaio. Rio de Janeiro, 1982.

_________. NBR 5739: Concreto - Ensaio de Compressão de corpos-de-prova cilíndricos.


Rio de Janeiro, 1994.

_________. NBR NM 67:98 Concreto - Determinação da Consistência pelo Abatimento do


tronco de cone, 1998.

_________. NBR NM 248:01 Agregados - Determinação da Composição Granulométrica,


2001.

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Concreto. Disponível em: <http: //www.abcp.org.br. Acesso em: 25 jan. 2005.

CAMPITELI, V.C. Concreto de Cimento Portland: um método de dosagem. Revista de


Engenharia Civil da Universidade do Minho. Minho, Portugal. N.º 20, p. 5-16 mai/04.

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CAMPITELI, V.C. Tecnologia do concreto: aspectos práticos. Universidade Estadual


de Ponta Grossa, Notas de Aula. 2001.

CAMPITELI, V.C., Controle de produção de concreto: práticas para alterações em serviço.


In: 36o. REIBRAC - Reunião Anual do Ibracon, 1994. Anais... Porto Alegre, Instituto
Brasileiro do Concreto, 1994.

COELHO, H. P.T. Caracterização do Filler Basáltico: Estudo de Caso na Pedreira


Financial em Campo Grande. Campo Grande – MS, 2001, Monografia apresentada na
pós-graduação em Saneamento Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul.

HELENE, P.R.L. TERZIAN, P. Manual de Dosagem e Controle do Concreto. Ed. Pini.


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MEHTA, P.K. MONTEIRO, P.J.M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. Ed.


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NEVILLE, A.M. Propriedades do Concreto. 2o. Edição, Ed. Pini. São Paulo. 1997.

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SOARES, L. MENDES, K. S. O Aproveitamento de finos de Pedreiras. Brasil Mineral,


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