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Rio de Janeiro, Janeiro 2018 .

No 14

Filantropocapitalismo
Os dois lados de uma mesma moeda

Gastón Palopoli do Ministério de Saúde da Argentina fala sobre o Violência na América do Sul, uma questão de Saúde Pública
Mapeamento da Capacidade de Produção de Medicamentos da UNASUL por Félix Rigoli
INSTITUCIONAL

INSTITUCIONAL
ISAGS-UNASUL
Diretora Executiva: Carina Vance
Chefa de Administração e Recursos Humanos:
Gabriela Jaramillo
Coordenadora de Relações Internacionais:
Luana Bermudez

GESTÃO DA INFORMAÇÃO
E DA COMUNICAÇÃO
Coordenadora: Flávia Bueno
Editor-Chefe: Manoel Giffoni
Reportagem: Ángela Acosta, Beatriz
Nascimento, Carina Vance, Félix Rigoli,
Flávia Bueno, Gabriela Jaramillo, Luana
Bermudez, Mario Camelo
Colaborador: Manoel Giffoni
Equipe: Carlos de Lima
Contato: comunica@isags-unasur.org
Telefone: +55 21 2505 4400

Esse é o informe do Instituto Sul-Americano


de Governo em Saúde (ISAGS), o centro de
pensamento estratégico na área de saúde da
União das Nações Sul-Americanas (UNASUL)
que visa contribuir para a melhoria da qualidade do
governo em saúde na América do Sul por meio da
formação de lideranças, gestão do conhecimento
e apoio técnico aos sistemas de saúde.
Filantrocapitalismo
Quais são as implicações para a saúde global e a sua governança?
Mark Zuckerberg, Bill Gates, Carlos Slim, Warren O termo filantrocapitalismo é cunhado em 2008
Buffett, Jeff Bezos, Michael Bloomberg. Todos por Matthew Bishop, editor da revista The Economist.
conhecem esses nomes. Porém, alguém saberia Segundo Bishop3, os filantrocapitalistas não são
dizer o que estes e outros mega-bilionários têm a ver doadores tradicionais; são investidores sociais que
com a saúde global? De que forma os homens mais direcionam recursos às causas que elegem como
ricos do mundo interferem nas decisões de saúde prioritárias. O filantrocapitalismo tem uma dupla
pública tomadas nas instâncias multilaterais mais vertente: demonstra o potencial filantrópico do
importantes? A resposta para estas perguntas está próprio sistema capitalista e, ao mesmo tempo, infiltra
no filantrocapitalismo: a combinação – polêmica e por a filantropia em princípios e práticas de empresas com
vezes perigosa – entre seus interesses em filantropia fins lucrativos4. Como foi mencionado pelo Presidente
e seus papéis de mega-capitalistas em uma sociedade do Programa de Saúde Global da Fundação Bill &
altamente concentradora de riqueza e de renda. Melinda Gates, Trevor Mundel, na 36ª Conferência
Em exemplo da combinação de interesses de saúde Anual de Saúde da J.P. Morgan, “há uma certa razão
pública com interesses comerciais se vê em muitas comercial para o envolvimento com saúde global”5.
iniciativas encabeçadas pela Fundação Bill & Melinda
Gates (FBMG). Este último dia 08 de janeiro, em FILANTROPICAPITALISMO E SAÚDE PÚBLICA
discurso proferido durante a 36ª Conferência Anual de
Saúde organizada pela grande corporação financeira O filantrocapitalismo alcança a saúde pública ainda no
J.P.Morgan, Bill Gates animou os empresários final do século XIX, com a Fundação Rockefeller. Ela é
presentes a apoiar iniciativas de promoção de saúde a primeira a promover ações filantrópicas diretamente
pública, “não apenas porque é o correto, mas também no campo da saúde, tanto no território estadunidense,
porque pode ser lucrativo”1. quanto em outros países da região latino-americana.
Ao longo de sua história, operacionalizou programas
Nesse sentido, os lucros dos grandes empresários
de saúde pública em 93 países e foi responsável pela
mundiais estão tornando-se cada vez maiores. Em
fundação de mais de 20 importantes escolas de saúde
janeiro de 2017, o Relatório da Oxfam denominado
pública, como a USP, no Brasil, e Escola de Saúde
“Uma Economia para os 99%”2 destacou que os 8
Pública de Toronto, no Canadá.
homens mais ricos do mundo têm renda equivalente
a 3,6 bilhões de pessoas – metade da população Nos dias atuais, o principal exemplo desta modalidade
mundial. Esses 8 homens são considerados mega- é a Fundação Bill & Melinda Gates (FBMG), que é
filantropos, designando milhões de dólares de suas nesse momento quem pauta grande parte da agenda
fortunas a saúde pública, pesquisa científica, educação internacional não só de saúde global, mas também de
e causas humanitárias. desenvolvimento, educação, entre outros temas.

3
Quais seriam, então, as implicações para a saúde global pobreza para eliminar a varíola - e não precisamos eliminar
e sua governança que decorrem do filantrocapitalismo? a pobreza antes de reduzir a malária. Precisamos produzir e
Será que os temas definidos como prioritários por essas entregar uma vacina - e a vacina salvará vidas, melhorará a
fundações realmente refletem os maiores problemas do saúde e reduzirá a pobreza”7.
mundo e a necessidade das populações? Não se pode negar a importância das vacinas como
Alegadamente, o filantrocapitalismo permite que o instrumentos da saúde pública, porém essa visão centrada
capitalismo beneficie a todos, aos que compram os bens na doença acaba ignorando os determinantes sociais
produzidos pelo sistema, aos que têm empregos também da saúde. Existe grande evidência de que as taxas de
gerados pelo sistema, e aos que são alvo das ações mortalidade e morbidade tendem a diminuir com a melhora
filantrópicas realizadas por essas empresas. A lógica está das condições de vida da população, como o acesso à
baseada na crença de que abordagens de negócios podem educação, alimentação, água potável, moradia, atenção
resolver problemas sociais de maneira mais eficiente que as primária à saúde, saneamento básico, emprego, entre
abordagens governamentais ou da sociedade civil, criando outros, além de condições ambientais.
assim um sistema em que as decisões são tomadas por quem No âmbito da OMS, uma das estratégias para lidar com
detém a riqueza – riqueza esta que torna-se extrema graças essa questão é o Marco para Colaboração com Agentes
às desigualdades inerentes ao próprio sistema capitalista, Não-Estatais (FENSA, em inglês). Aprovado na 69ª edição
já que grande parte dos lucros acumulados por esses da AMS (2016), o FENSA estabelece o fundamento, os
mega-bilionários vem de exonerações fiscais, especulações princípios, os benefícios e os riscos inerentes à colaboração
financeiras, preços monopolísticos, exploração de com estes atores, e engloba todas as modalidades de
trabalhadores e destruição de recursos naturais. relacionamento em todos os níveis da OMS. O documento é
Pode-se observar que a filantropia muitas vezes é subsidiada um marco para os países, pois ressalta a importância de uma
com recursos públicos, já que uma quantidade considerável regulação adequada e transparente com estas instâncias.
de recursos destinados a ela, na realidade, deveria ser Este pode ser um bom instrumento para que os Estados
destinada aos Estados por meio de impostos pagos pelas reforcem seu papel central na definição da agenda global,
empresas que financiam essas ações filantrópicas. e não deixem que essas elites filantrópicas orientem as
Em outras palavras, o filantrocapitalismo é consagrado por políticas públicas com base na acumulação de capital e
seus praticantes como uma forma de salvar o mundo, porém ignorando a justiça social. Além disso, é imprescindível um
as pessoas que investem esses recursos são as mesmas trabalho coletivo de advocacy para cobrar a responsabilidade
responsáveis pela exacerbação das desigualdades do sistema. social desses atores. Como defende Birn, “pode ser que
A filantropia é utilizada para preservar o capitalismo como ainda vivamos em um mundo dominado pelas pessoas ricas,
sistema e, ao mesmo tempo, apaziguar suas contradições, mas não temos que nos contentar com a agenda pautada
legitimando a riqueza que gera desigualdade. por elas para a saúde global”8.
Anne-Emanuelle Birn, estudiosa reconhecida no campo
da saúde global, destaca que uma das principais diferenças
entre a Fundação Rockfeller e a Fundação Bill & Melinda
Gates é que a primeira apoiou a criação de uma agência Referências:
pública de coordenação de saúde global – a Organização 1 https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-01-08/bill-gates-says-private-sector-can-
profit-from-public-health
Mundial da Saúde – porém a segunda tem abordagens 2 Oxfam. Uma economia para os 99%. Janeiro de 2017. Disponível em https://www.oxfam.org/
privatizadoras, que acabam prejudicando o mandato da OMS sites/www.oxfam.org/files/file_attachments/bp-economy-for-99-percent-160117-en.pdf
3 Bishop, Matthew. The birth of philanthrocapitalism. The Economist, fevereiro de 2006.
de promoção da saúde como direito humano fundamental.
Disponível em http://www.economist.com/node/5517656 
O filantrocapitalismo permite que decisões cruciais para 4 Bishop, Mathew; Green, Michael. http://philanthrocapitalism.net/ 
5 https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-01-08/bill-gates-says-private-sector-can-
a sociedade sejam tomadas pela iniciativa privada, cujo profit-from-public-health
objetivo principal não é garantir o bem-estar da população, 6 Birn, Anne Emanuelle. Philanthrocapitalism, past and present: The Rockefeller Foundation,
e sim maximizar seus lucros. Além disso, estas empresas the Gates Foundation, and the setting(s) of the international/global health agenda.
Disponível em:  http://www.hypothesisjournal.com/wp-content/uploads/2014/11/
privadas prestam contas somente para suas próprias HJ229%E2%80%94FIN_Nov1_2014.pdf
diretorias, diferente das entidades governamentais que 7 Presentation by Mr Bill Gates, Co-founder of the Bill and Melinda Gates Foundation at the
Fifty-eighth World Health Assembly, Monday, 16 May 2005. Disponível em: http://apps.who.int/
têm uma responsabilidade social. Isso pode gerar diversos
gb/archive/pdf_files/WHA58/A58_DIV8-en.pdf 
conflitos de interesse, como, por exemplo, as relações 8 Birn, Anne Emanuelle. Philanthrocapitalism, past and present: The Rockefeller
estreitas entre a FBMG e a Big Pharma, ou o fato de que Foundation, the Gates Foundation, and the setting(s) of the international/global health
agenda. Disponível em:  http://www.hypothesisjournal.com/wp-content/uploads/2014/11/
os dois últimos presidentes do Programa de Saúde Global e HJ229%E2%80%94FIN_Nov1_2014.pdf. Livre tradução ao português.
outros executivos de alto nível da Fundação já trabalharam
– muitos em cargos de alto nível – em companhias
farmacêuticas, como a Novartis e a GSK.6
Os filantrocapitalistas tendem a ter uma visão mais
voltada para soluções tecnológicas e rentáveis (às vezes
luanabermudez@eisags-unasur.org
beatriznascimento@isags-unasur.org

de execução mais simples) para problemas estruturais


e complexos. Um exemplo disso é o discurso de Bill
Beatriz Nascimento

Gates na Assembleia Mundial da Saúde (AMS) no ano de


Luana Bermudez

2005: “Alguns apontam para a saúde melhor no mundo


desenvolvido e dizem que só podemos melhorar a saúde
quando eliminarmos a pobreza. E eliminar a pobreza é um
objetivo importante. Mas o mundo não teve que eliminar a

4
PALAVRAS DO ESPECIALISTA
A CHAVE PARA UMA GESTÃO TRANSPARENTE E EFICIENTE
por Gabriela Jaramillo, Chefe de Administração e Recursos Humanos do ISAGS

Transparência e eficiência são conceitos que se discutem com frequência quando


pensamos na gestão de recursos, mas quando os recursos em questão são públicos,
a transparência e a eficiência se transformam em princípios máximos para a sua
administração. São ideias fortes separadamente, mas que juntas, conseguem uma
complementariedade que permite desenvolvê-las ao máximo. Se a ideia é buscar
uma gestão transparente dos recursos, você basicamente deve abrir seus resultados
financeiros, publicando contas claras e demonstrando os processos e os resultados
da instituição. Obviamente, a transparência significa a comprovação de que o maior
benefício institucional foi alcançado com os recursos designados, ou seja, que se
atingiu uma gestão eficiente.
Em uma empresa privada, a prestação de contas financeiras pode ser restrita ao
conselho diretor e aos acionistas donos da companhia. No setor público, não existe
nem deve existir a opção de manter tal restrição, já que os fundos com os quais se
trabalha foram aportados pelo público em geral e são eles os verdadeiros “acionistas”
das instituições governamentais. A informação da gestão pública deve ser divulgada
e publicada de maneira que seja acessível e clara para todos os que queiram consultá-
la. Nós, os organismos internacionais financiados com fundos governamentais, não
só devemos atuar com essas mesmas regras, como também com o conhecimento
de que o orçamento que utilizamos representa o esforço de milhões de pessoas de
vários países às quais devemos ações certeiras e uma prestação de contas clara do
uso de seus recursos.
A chave para uma gestão eficiente e transparente é se certificar de construir uma
cultura de trabalho que priorize os interesses institucionais sobre qualquer outro.
Normalmente estamos acostumados a ver os “cabeças” dos departamentos como
os que garantem essa gestão institucional: os presidentes, diretores, coordenadores,
etc. Em outros casos, o uso de recursos está associado às áreas administrativas e
financeiras, mas uma gestão eficiente vai muito além de áreas e pessoas específicas.
A lógica de trabalho em conjunto deve permear todos os membros da equipe, se
queremos ter certeza de um melhor rendimento da verba institucional. No ISAGS
iniciamos campanhas de eficiência que foram bem-sucedidas graças ao compromisso
demonstrado por todos que fazem parte desta instituição. E uma gestão próspera
vai desde a implementação de novos processos de compras até à redução de
consumo de energia elétrica, coisa que não é tarefa de alguns poucos, mas sim
de um coletivo motivado. Entre outros resultados, conseguimos reduzir os custos
operativos do Instituto, de 2016 a 2017, em mais de 15% ou cerca de USD$ 240 mil, o
que nos permite dedicar mais recursos para cumprir diretamente com os objetivos
institucionais. Tudo isso pode ser verificado em nossos informes anuais disponíveis
publicamente em atenção à política de transparência impulsionada pelos países que
compõem a UNASUL.
No fim das contas, tudo o que um organismo público deve fazer, seja nacional ou
internacional, é se esforçar para atingir o objetivo para o qual ele foi criado e para o
qual milhões de pessoas contribuem diariamente. A gestão eficiente e transparente
dos recursos não deve ser vista com um olhar financeiro frio, senão como uma melhor
estratégia de equipe para conseguir os resultados e as metas que impulsionam o dia
a dia de uma instituição. Por isso, no ISAGS, estamos trabalhando continuamente,
com transparência e eficiência, para que cada ação que tomemos e cada recurso que
utilizemos fomente a governança e a liderança em saúde nos países da América do Sul.

5
REGULAÇÃO DE PREÇOS
DE MEDICAMENTOS NA
AMÉRICA DO SUL:
RESULTADOS E
ESTRATÉGIAS CONCRETAS
DA COLÔMBIA
Em geral, os medicamentos são um componente significativo
do gasto em saúde. Os dados sobre o total do gasto
farmacêutico confirmam essa premissa e também mostram
que essa proporção varia consideravelmente entre os países
de baixa e alta renda, sendo 19.7% de participação em países
de alta renda a 30.4% em países de baixa renda (OMS 2011).
O mercado farmacêutico é altamente distorcido e requer
complexas intervenções para corrigir essas distorsões visando
preços realmente competitivos. Assim, no âmbito público,
são promovidas políticas e regulações que promocionam a
concorrência no setor farmacêutico ou que intervêm sobre os
preços, como é o caso de alguns países na região como Brasil,
Colômbia e Equador, que adotaram ações como essas.
As políticas farmacêuticas de aquisição e regulação de
preços propõem determinar ou afetar quanto que se paga
pelos medicamentos. Podem estar dirigidas a diferentes
componentes, tais como preços no atacado, no varejo,
impostos do medicamento e preços de reembolso. Alguns
exemplos são: os controles de preço, os preços máximos,
as negociações de preços, o estabelecimento de preços de
referência, a fixação de preços de índice e as políticas de
fixação de preços baseadas no volume.
Estas políticas podem ter um impacto no gasto de
medicamentos em duas formas: por meio da mudança de
preços; e indiretamente por meio de mudanças no uso dos
medicamentos que tiveram seus preços alterados. Como
as políticas de regulação de preços de medicamentos talvez
afetem o uso dos fármacos, também poderiam implicar em
efeitos sobre a saúde e a utilização de outros serviços de
assistência sanitária.

O CASO DA COLÔMBIA
No fim de 2017, Colômbia publicou sua mais recente
intervenção de preços de medicamentos, na qual além de definir
o valor máximo de venda para 225 apresentações comerciais
de produtos farmacêuticos e atualizar os valores máximos de
venda de 558 medicamentos, representa un longo caminho de
experiências e aprendizagens em regulação de preços.
6
Desde 2006, a Comissão Nacional de Preços de Medicamentos e Dispositivos Médicos1
exige o relatório dos valores de venda por parte de laboratórios e distribuidores atacadistas
e dos preços de compra por parte de outros atores do sistema de saúde, como as
seguradoras ou os prestadores de serviço. Há mais de 10 anos, Colômbia conta com uma
plataforma de informação de preços, o SISMED, que de maneira transparente permite
a consulta destes relatórios. Até essa data, o país contava com medidas de controle de
valores, mas foi tomada a decisão política de eliminá-las, e foi adotado um regime de
liberdade de preços e de respeito à lei da oferta e da demanda. Naquele momento, foi
considerada a possibilidade de que o sistema de informação permitiria reduzir certas
assimetrias que tanto distorsionam o mercado farmacêutico e isso seria suficiente para
conseguir ótimos preços.
O resultado foi o oposto e o gasto farmacêutico cresceu na Colômbia como nunca antes
na história. Então, em 2010, depois de uma mudança de governo, tornou-se evidente a
necessidade de tomar medidas para controlar os preços dos medicamentos. A informação
do SISMED foi um insumo fundamental para intervir apropriadamente no mercado. Uma
breve restrospectiva realizada pela atual Diretora de Medicamentos e Tecnologias em
Saúde, Carolina Gómez, reconhece diversos episódios cruciais em momentos tão críticos
como a declaração de Estado de Emergência Social por parte do Governo, produto do
desfinanciamento e do peso do gasto em medicamentos para o Sistema de Saúde no país.
Nesta ocasião, a intervenção de limites de reembolso, baseada em uma metodologia de
referência de preços locais, permitiu uma redução de cerca de 35%. Este controle direto de
gasto evidenciou que os valores locais de medicamentos estavam acima dos internacionais.
Estas experiências prévias implicam em uma reformulação da política de regulação
de preços e, desde 2013, Colômbia conta com um modelo baseado em referências
internacionais de valores de medicamentos pelo qual se organizam grupos que recebem
um preço de referência construído a partir do percentil 25 dos importes disponíveis em
17 países, entre os quais cinco da região: Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru e Uruguai.
Membros da equipe técnica do Ministério coincidem em destacar as fontes de
informação de compras públicas dos países sul-americanos. Estimam que as mesmas
representam insumos relevantes na construção dos preços de referência internacional.
Foram destacados o Banco de Preços do Brasil, Chilecompra, Cenabast, SERCOP, preços
de regulação do Ministério de Saúde Pública do Equador, CEASE e Uruguai Compras.
Segundo Carolina Gómez, a transição a preços de referência internacional permitiu
contar com tetos mais baixos, outro episódio que sem dúvida trouxe uma grande economia
para o Sistema de Saúde da Colômbia desde 2013, representada particularmente nas
transações de medicamentos no canal institucional e em um uso mais eficiente das
contribuições dos cidadãos. A economia projetada com essa última regulação é de cerca
de US$ 18,9 milhões para o próximo ano.
Para a Diretora de Medicamentos, a experiência colombiana também evidencia horizontes
futuros de regulação como a possibilidade de conseguir economias no setor varejista, o
que representaria um resultado tão importante quanto a economia do gasto direto dos
cidadãos. Outros assuntos que poderiam gerar mais economia estão relacionados a incluir
medicamentos genéricos que não se encontrem no mercado colombiano na construção
do preço de referência. Da mesma forma, a regulação por apresentação comercial de
produto farmacêutico não facilita a aplicação geral dos preços máximos de venda aos
grupos de medicamentos estabelecidos. Sobre isso, o Ministério está numa transição de
regular por unidade mínima de princípio ativo.
A América do Sul conta com evidências que facilitam a tomada de decisão na
implementação de políticas de regulação de preços de medicamentos. Neste campo,
Colômbia é referência na região, pois sua metodologia de preços de referência
internacional conseguiu resultados e impacto no gasto e na gestão financeira do Sistema
de Saúde durante os últimos anos.
angelaacosta@isags-unasur.org
Dra. Ángela Acosta

1 La Comisión está compuesta por el Ministro de Salud, el Ministro de Comercio y


un delegado del presidente de la República. El Secretario Técnico de la Comisión es el
Director de Medicamentos y Tecnologías en Salud del Ministerio de Salud, quien está a
cargo de hacer todo el trabajo que conduce a la regulación de precios y de conformar y
dirigir el equipo de personas encargadas de esta labor. 7
UMA EPIDEMIA DE

CESÁREAS
Desde 1985, há um consenso entre especialistas à redução da morte materna ou neonatal.
de que as taxas de cesáreas não devem ultrapassar
De acordo com a Organização Mundial da Saúde1,
15% dos partos. É claro que existem benefícios
ainda não existe um modelo padrão de classificação
neste procedimento quanto a salvar vidas de mães
para monitorar e comparar as taxas de cesarianas
e crianças quando é necessário e indicado por
entre os países.
motivos médicos.
Isso porque a análise dessas taxas é influenciada
No entanto, em muitos países da América
por uma série de fatores minuciosos. Para chegar
do Sul, estas taxas são extremamente altas,
a padrões comparáveis, a OMS recomenda a
especialmente em instituições privadas, sem
utilização da classificação de Robson.
justificativa plausível. Além disso, não há indícios
de que altas taxas de cesáreas estejam associadas

Entre os anos 2003 e 2008, a OMS realizou


uma Pesquisa Global sobre Saúde Materna e AS CATEGORIAS DA
Perinatal. Os dados demonstram que, no mundo, CLASSIFICAÇÃO SÃO ORGANIZADAS
dos mais de 280 mil partos analisados, uma COM BASE EM CINCO CARACTERÍSTICAS
média de 25,7% era de cesáreas2. OBSTÉTRICAS BÁSICAS:
Na América Latina foram analisados dados 1. paridade (nulípara, multípara, com ou sem cesárea prévia);
de 120 instituições de oito países
(Argentina, Brasil, Cuba, Equador, 2. começo do trabalho de parto (espontâneo, induzido,
México, Nicarágua, Paraguai e ou cesárea antes do começo do trabalho de parto);
Peru), com uma taxa de cesáreas de 33%. 3. idade gestacional (parto prematuro o a termo);
Em instituições privadas o número
chegou a 51%, com uma média mais alta 4. apresentação fetal (cefálica ou pélvica)
que em instituições públicas em e situação transversa ou córmica;
TODOS os países analisados.
5. quantidade de fetos (único ou múltiplo).
A descoberta mais
importante deste
estudo global é que
Proporção de Cesáreas
existe uma associação
0 10 20 30 40 50 60 70 80
bastante significativa
Argentina entre cesáreas e
10 Público (n=7453)
4 Privado (n=3295) resultados severos
Brasil
Intraparto para as mães.
15 Público (n=12643)
4 Privado (n=2554) Emergência OUTROS DADOS
Cuba
17 Público (n=12642)
Eletivo
Na base de dados da OMS3, é possível encontrar dados
Equador de outros países sul-americanos, que variam em relação
14 Público (n=11638)
2 Seguridade Social (n=652) ao ano, mas que mostram uma importante diferença (em
2 Privado (n=124)
geral, superior a 50%) entre os partos por cesárea em
México áreas rurais versus urbanas.
5 Público (n=5799)
15 Seguridade Social (n=14628)
2 Privado (n=465)
País Ano Rural Urbano

Nicaragua
Argentina 2011 - 43,1
7 Público (n=5342)
1 Seguridade Social (n=294) Bolivia 2008 7,6 29,5
Paraguai Brasil 1996 21,4 41,6
5 Público (n=2936)
1 Seguridade Social (n=589) Colômbia 2010 27,2 40,6
Peru
13 Público (n=12642)
Guiana 2009 12,9 16,8
4 Seguridade Social (n=3579)
Peru 2012 11,8 35,4
Linha pontilhada = nível intermediário para todas as instituições
Suriname 2010 13,8 22,1
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS
CAUSAS DESTA EPIDEMIA DE
CIRURGIAS DESNECESSÁRIAS?
FATORES ECONÔMICOS:
Já que é mais conveniente para prestadores de serviços de saúde
agendar várias cesáreas em um mesmo dia do que atender partos
normais que podem durar várias horas, mesmo que as cesáreas Experiências da América do Sul
representem um risco maior para mulheres e recém-nascidos.
Para diminuir as altas taxas de cirurgias
FALTA DE INFORMAÇÃO: desnecessárias e suas consequências
Muitas vezes a mulher grávida não recebe as informações para mães e bebês, diversos países
adequadas para tomar a melhor decisão sobre o que gostaria de estão implementando ações em seus
fazer, ou recebe informação equivocada ou tendenciosa sobre as sistemas de saúde.
reais condições do parto normal versus o parto por cirurgia.
ARGENTINA4
FATORES CULTURAIS: Em 2004, o Senado e a Câmara de
Muitas mulheres acreditam que o parto normal é muito traumático, Deputados da Argentina aprovaram a Lei de
ou, baseadas em critérios de alguns profissionais da saúde, podem Parto Humanizado N. 25.929, regulamentada
até considerar que é primitivo e sujo. Além disso, a cesárea permite em 2015. O texto prevê direitos da família
fazer a esterilização da mulher, o que muitas escolhem no momento da gestação, no parto e pós-
no momento do parto. parto, entre eles, o direito à informação e
participação nas decisões, o direito a um
parto respeitoso, evitando práticas não
justificadas, o direito de escolher quem
acompanhará a mãe durante o trabalho de
parto, parto e pós-parto, entre outros.

BRASIL5
O Brasil possui o Projeto Parto Adequado
(2015), uma iniciativa da Agência Nacional
de Saúde Suplementaria (ANS), que regula
os seguros privados de saúde no país, e
colaboradores. O projeto tem o apoio do
Ministério da Saúde e tem como objetivo
identificar modelos inovadores e plausíveis
de atenção ao parto e ao nascimento, que
promovam o parto normal, reduzindo o número
de cesarianas desnecessárias. Em 18 meses de
execução, a iniciativa já conseguiu evitar cerca
de 10 mil cesáreas desnecessárias.

EQUADOR6
Em 2015, o Ministério de Saúde Pública
do Equador promulgou a Guia de Prática
Clínica de atenção ao parto por cesárea,
Referências:
1 – WHO, 2015. WHO statement on caesarean section rates. Disponible en http://apps.who.int/iris/bits- com o objetivo de regular a prática em
tream/10665/161442/1/WHO_RHR_15.02_eng.pdf?ua=1 Acceso en 08/01/2018.
2 – Souza et al. 2010. Caesarean section without medical indications is associated with an increased risk of adverse
todo o Sistema Nacional de Saúde, o
short-term maternal outcomes: the 2004-2008 WHO Global Survey on Maternal and Perinatal Health. Disponible en que inclui os estabelecimentos privados.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2993644/ Acceso en 08/01/2018.
3 – WHO. 2018. Global Health Observatory data repository - Births by caesarean section. Disponible en <http://apps. Adicionalmente, é uma política do Ministério
who.int/gho/data/node.main.nHE-1572?lang=en> Acceso en 09/01/2018
– Argentina. 2005. Ley 25.929. Disponible en <http://servicios.infoleg.gob.ar/infolegInternet/ane- a atenção integral à saúde da mãe e do
xos/95000-99999/98805/norma.htm> Acceso en 08/01/2018.
4- Brasil. 2018. Projeto Parto Adequado. Disponível em <http://www.ans.gov.br/gestao-em-saude/projeto-parto-ade-
filho, incluindo o parto com pertinência
quado> Acceso en 08/01/2018. intercultural, como o vertical, também
5 – Ecuador. 2015. Ministerio de Salud expide guía para evitar el abuso de las cesáreas Disponible en <http://www.
salud.gob.ec/ministerio-de-salud-expide-guia-para-evitar-el-abuso-de-las-cesareas/> Acceso en 09/01/2018 praticado em outros países da UNASUL.
VIOLÊNCIA NA AMÉRICA DO SUL:
UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA
O que você acha da ideia de se mudar para Aleppo? sete apresentam tendências crescentes em suas taxas de
Mesmo que as imagens de horror tão frequentemente homicídios, comparadas com a Ásia e a Europa, onde existe
reproduzidas nas manchetes dos jornais façam com que apenas um país com tendências de crescimento em crimes
isso pareça absurdo, vale a pena comparar as estatísticas entre as 46 nações estudadas. Por essas razões, é possível
de violência entre os nossos países sul-americanos com as caracterizar a violência como uma epidemia regional que
da Síria para entender melhor essa perspectiva. requer ações conjuntas para enfrentá-la.
Devem ser agregadas às cifras de mortalidade um
Síria Estado do Rio número estimado de cinco vítimas não-fatais de fatos
de Janeiro violentos por cada morte, o que representa em nossa
região umas 400 mil pessoas afetadas de forma física
População 18.430.000 16.635.000 (feridas, hospitalizadas, etc.) e em forma de estresse
Mortes violentas 2188 1867 traumático devido ao ataque violento. Infelizmente este
número na realidade é, muitas vezes, maior já que também
(1o Trimestre 2017) devem ser agregadas aí as conhecidas taxas de violência
Taxa de homicídios 47,48 44,89 intrafamiliar que são sub-representadas nas estatísticas
por 100.000 (anual) dos serviços de saúde.
Também, para o objeto deste artigo deveríamos
contabilizar um grupo quantitativamente ainda maior
Dentro dos estudos da carga de doenças transmissíveis e de danos violentos à saúde constituído pelos acidentes
não transmissíveis, muitas vezes fica oculta uma epidemia de trânsito e acidentes relacionados ao trabalho. Estes
que tem um forte impacto nos anos de vida perdidos da dois aspectos são quantitativamente comparáveis aos
população sul-americana e que possui impactos ainda produzidos pela violência intencional e deverão ser
mais intensos na coesão do tecido social, assim como na objeto de uma análise futura, pois apresentam algumas
prestação dos serviços públicos de saúde e educação. Trata- semelhanças, ainda que tenham determinantes diferentes.
se do conjunto de morbidade e mortalidade por lesões Se for contabilizado o fato de que mais de 50% das
externas, derivadas de ações violentas intencionadas. vítimas de violência intencional são pessoas entre 15 e 29
Das aproximadamente 500 mil pessoas que anos, é fácil entender que a carga de anos de vida perdida
morrem a cada ano por causas violentas produzidas é de uma magnitude maior que todos as outras agressões
intencionalmente, 19% são habitantes da América do Sul1, à saúde existentes, excluindo as doenças cardiovasculares.
apesar da nossa região representar em total menos de 6% Vários estudos também sinalizam que a violência possui
da população mundial. Quase todos os países do mundo incidências desproporcionais nas populações mais
com as maiores taxas de homicídios estão na América do desfavorecidas, tanto na forma de vítimas como de
Sul ou na América Central e no Caribe. Dos nove países agressores.
nos quais o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Para agravar esta situação, mesmo que a mortalidade por
Crime (UNODC, em inglês) recolhe dados em nossa região, diferentes causas venha sendo paulatinamente reduzida,
CORRELAÇÃO ENTRE INEQUIDADE E VIOLÊNCIA

África Subsaariana
5
Leste e Sul Asiático
4 Leste Europeu
América Latina
3
OECD 70
60

Indice de homicidios
2
50
Índice de Homicídios

1 40
30
0
20
-1 10
0
-2 0 40 50 60
20 25 30 35 40 45 50 55 60 65

Coeficiente Gini Coeficiente Gini

NO MUNDO NA AMÉRICA DO SUL


Fonte: Fajnzylber et al 2002.

essa queda é limitada pelo aumento da violência. No Brasil, organizada. O estudo se concentrou nas guerras civis6,
por exemplo, entre 1980 e 2011 a taxa de mortalidade geral mas, como sinalizam vários autores, é possível pensar em
caiu 3,5%, mas a taxa de mortalidade por causas externas muitas das situações de violência em nossa região como
subiu 28,5%2. Mesmo assim, o setor saúde possui poucas guerras civis não declaradas. Este estudo mostrou que
iniciativas destinadas a tratar este grave problema, muitas cada desvio padrão de aumento de população matriculada
vezes relegado à esfera da segurança pública. na escola primária diminuía em até 73% as possibilidades
de violência armada organizada.
COMO É GERADA A VIOLÊNCIA?
Portanto, a violência na América do Sul é uma grave
Diferentemente de outros problemas de saúde, a
epidemia, especialmente injusta pois ataca a população
violência e suas consequências são completamente
mais pobre com efeitos tanto na saúde física, como
produzidas por ações humanas e, portanto, teoricamente
mental e social. Possui raízes profundas nas inequidades,
poderiam ser prevenidas. O problema está na crescente
na falta de presença do estado relacionada sobretudo à
constatação de que a violência possui raízes profundas
saúde, à educação e ao cuidado da lei em nossas cidades,
na sociedade na qual se desenvolve. Não é segredo que
divididas por abismos sociais. A cura desta epidemia será
os índices de desenvolvimento humano e de violência
multidimensional, atacando as causas de forma intensa e
estão inversamente correlacionados em termos gerais.
prolongada no tempo. Rudolf Virchow (1821-1902) dizia
No entanto, existem outros fatores que influenciam. Por
que a política é a medicina em larga escala. Precisaremos
exemplo, a Índia possui um PIB per capita que representa a
que esta epidemia seja combatida com políticas que
metade do PIB brasileiro, e seu índice de desenvolvimento
alcancem toda a sociedade e suas determinações.
humano é 20% menor do que o do Brasil, e a sua taxa
de homicídios é oito vezes menor3. Um estudioso das
Referências:
tendências da violência no mundo, Steven Pinker4 relaciona 1 https://www.unodc.org/documents/data-and-analysis/Crime-statistics/Chapter4-Global-
violência com pobreza e não conclui que essa explicação Burden-of-Armed-Violence-report.pdf
2 http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2013/mapa2013_homicidios_juventude.pdf
seja suficiente. No entanto, ao relacionar as taxas de 3 http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2013/mapa2013_homicidios_juventude.pdf pag. 29
homicídios com os diferentes coeficientes de inequidade 4 Pinker S. The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined. Penguin Books, 2011
aparecem relações mais consistentes. 5 Fajnzylber P, Lederman D, Loayza N. World Bank. Inequality And Violent Crime. 2002 http://
siteresources.worldbank.org/DEC/Resources/Crime%26Inequality.pdf
Mesmo assim, todos os estudos que trabalham esta 6 Thyne, C. ABC’s, 123’s, and the Golden Rule: The Pacifying Effect of Education on Civil War,
relação entre inequidade e violência mostram que, em 1980–1999. http://www.uky.edu/~clthyn2/thyne-ISQ-06.pdf 2006.

uma maioria esmagadora, a violência é representada por


atos da população pobre contra a própria população pobre.
Pinker e Fajnzylber et al.5 entendem que o fator principal
desta relação entre inequidade e violência começa no fato
de que os governos que mantêm regimes desiguais não
prestam atenção e nem dedicam recursos ao que acontece
felixrigoli@isags-unasur.org

com as populações marginalizadas, as que devem resolver


seus conflitos sem o poder estatal.
Infelizmente, estes estudos mostram que a violência
tem uma importante inércia, ou seja, os condicionantes
devem ser modificados durante longos períodos para que
Félix Rigoli

os índices possam baixar de forma contínua. Da mesma


maneira, foram estudados os efeitos de uma maior
equidade no acesso à educação em relação à violência
ENTREVISTA:
GASTÓN PALÓPOLI
Coordenador do Grupo Técnico de Acesso Universal a
Medicamentos da UNASUL (GAUMU)

Em janeiro começou o Mapeamento de oferta associada existente em cada um dos países


Capacidades de Produção de Medicamentos da que compõem a região da UNASUL. Por exemplo,
UNASUL, um projeto conjunto do Grupo Técnico de esperamos indicar os casos de produção local,
Acesso Universal a Medicamentos da UNASUL e do e considerar outras variáveis relevantes como a
ISAGS. O coordenador do GAUMU, Gastón Palópoli, condição em relação ao registro sanitário, a existência
assessor da Direção de Economia da Saúde do de proteção mediante direitos de propriedade
Ministério da Saúde da Nação Argentina, conta os intelectual, a procedência do ingrediente farmacêutico
detalhes do projeto. ativo, aspectos associados aos padrões de fabricação
e de qualidade, entre outros.
Quando o Mapeamento da Capacidade de
Complementando, o Mapeamento avançará em uma
Produção de Medicamentos da UNASUL terminar,
seção especial destinada a identificar, caracterizar e
com que tipo de informação os países da região
analisar a oferta de medicamentos e insumos realizada
poderão contar? por laboratórios de produção pública que estejam
O Mapeamento oferecerá aos países que compõem localizados nos países da UNASUL. No entanto, tal
a região da UNASUL informação estratégica e inédita caracterização não se encontrará sujeita somente à
sobre o que se produz, como se produz, onde se produz lista de “estratégicos” senão que deverá considerar
e quem produz os medicamentos. O seu diferencial está a produção total realizada pelos laboratórios de
no fato de que, hoje em dia, esse tipo de informação se dependência estatal.
encontra atomizado e disperso em diversos sistemas
Finalmente e levando em consideração toda a
nacionais de informação, em publicações, relatórios e
informação gerada, o Mapeamento oferecerá um
demais registros existentes. O Mapeamento, como seu
diagnóstico dos principais desafios que são enfrentados
nome indica, permitirá consolidar todos estes insumos
na atualidade e serão identificadas possíveis
e nos devolverá um mapa regional, que com um olhar
recomendações de ações que possam fortalecer
integrador, que constituirá uma base ideal para o
a cooperação regional em termos de produção de
desenho de políticas sul-americanas.
medicamentos e promover o acesso à população.
Sendo assim, o Mapeamento terá enfoque nos
medicamentos, incluindo vacinas, e insumos que sejam Os critérios de qualidade, a produção dos
estratégicos para cada um dos países que integram a medicamentos, os sistemas de distribuição e
região da UNASUL. Desta maneira, serão os próprios descarte, entre outros, não são uniformes na
países os encarregados de definir a lista de produtos região. Como é possível se certificar de que o
a serem estudados, e para isso deverão tomar em Mapeamento ofereça um panorama completo e,
consideração uma perspectiva sanitária e dar especial ao mesmo tempo, fiel às peculiaridades de uma
ênfase a aqueles medicamentos e insumos onde a região complexa como a nossa?
produção regional poderia ser um fator relevante para
Isso é verdade, existem particularidades entre os
garantir o acesso aos medicamentos para a população.
países que compõem a UNASUL que implicarão em
Uma vez definida a lista, estes produtos serão considerações e reflexões adequadas. Este aspecto tem
analisados profundamente. Para que isso ocorra, sido levado em conta pelo GAUMU desde o desenho
avançaremos na identificação e descrição da do projeto do Mapeamento. É por isso que a primeira
12
atividade prevista é uma caracterização geral dos sistemas obrigatórias e determinar a base sobre as quais elas
de produção, distribuição e descarte de medicamentos são concedidas.
existentes nos países que formam a UNASUL, oferecendo No entanto, alguns países devem enfrentar desafios
uma visão comparativa sobre o assunto. adicionais já que ao não contar com capacidades
Esta informação será vital para poder compreender produtivas locais necessitam buscar soluções fora
as semelhanças e diferenças entre as nações das fronteiras nacionais, e diante de tais cenários, o
e permitirá desenvolver uma metodologia de Mapeamento facilitará a identificação de possíveis
levantamento e caracterização que se ajuste às fornecedores localizados na região que possam
diversas realidades dos países da UNASUL. abastecer a demanda requerida.

Como o Mapeamento poderá ajudar no caminho Assim, o Mapeamento facilitará o desenvolvimento


de políticas específicas ao oferecer um panorama
rumo a uma soberania produtiva?
atualizado e detalhado sobre as capacidades
A importância de contribuir com o avanço rumo produtivas regionais. Os gestores de política
a uma soberania produtiva regional é o principal pública de cada país poderão consultar o mapa de
pilar do Mapeamento. De fato isso foi demonstrado capacidades produtivas e a partir daí identificar
no objetivo geral do estudo, que foi definido da possíveis sócios estratégicos com os quais poderão
seguinte maneira: “analisar as capacidades públicas articular ações.
e privadas de produção de medicamentos e insumos
estratégicos existentes nos países que integram O Mapeamento e o Banco de Preços são dois
a região da UNASUL, para contribuir com o Grupo resultados bastante concretos da integração
Técnico de Acesso Universal a Medicamentos da regional e demonstram a vitalidade do GAUMU.
UNASUL (GAUMU) na realização de recomendações Quais são os projetos que o grupo pensa a futuro?
orientadas a fortalecer a coordenação das
Desde a sua criação, o GAUMU se envolveu no
capacidades produtivas da região”.
desenvolvimento de estratégias e planos de trabalho
O Mapeamento permitirá comparar dois universos, para melhorar o acesso aos medicamentos na região.
por um lado o conjunto de medicamentos e insumos
Diante disso, sua agenda de trabalho foi sendo
considerados estratégicos pelos países e por outro,
construída a partir de duas grandes vertentes. A
o mapa do que efetivamente se produz na região.
primeira foi definida pelo Plano Quinquenal da
Consequentemente, o GAUMU poderá identificar os
UNASUL e a segunda foi sendo construída de
espaços existentes para a implementação de políticas
maneira reativa à realidade regional e internacional, a
específicas, e delinear diversas ações e estratégias a
partir de instruções recebidas por parte do Conselho,
serem implementadas de acordo com cada caso.
da necessidade manifestada por algum dos países
Na Reunião Ministerial da OMC em Buenos Aires integrantes ou pela priorização que os mesmos
no fim de dezembro, finalmente foi aprovada a pontos focais do GAUMU realizarão no marco de
emenda ao Acordo TRIPS que permite que os agendas internacionais de algum assunto que, por sua
países produtores de genéricos que tenham licenças relevância e/ou importância para a região, deveria
compulsórias exportem os medicamentos a países ser incorporado nas temáticas do Grupo.
menos desenvolvidos. Como estabelecer mais Tal característica garante grande dinamismo ao
informação sobre a produção dos vizinhos ajudará os GAUMU em relação à sua agenda futura de trabalho,
países a fazer um melhor uso das flexibilidades? visto que em grande parte as ações que serão
implementadas dependerão dos novos desafios que
Atualmente, os sistemas de saúde enfrentam
a região deva enfrentar. Particularmente, os projetos
grandes desafios em relação ao acesso aos
de “Mapeamento de Capacidades Regionais de
medicamentos. Problemas como o alto preço, a
Produção de Medicamentos” e do “Banco de Preços
escassez, e o desabastecimento se encontram
de Medicamentos da UNASUL” foram concebidos
presentes na região e no mundo inteiro. Em tal
em resposta ao Plano Quinquenal 2010-2015
contexto a política de medicamentos constitui um
correspondente ao GAUMU.
instrumento chave para lidar com essas situações,
nas quais o uso das flexibilidades previstas no Acordo Na mesma linha, o GAUMU conta com outros pré-
sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade projetos que já foram acordados pelo Grupo Técnico
Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS) e que no futuro poderão formar parte de maneira
oferece aos países possíveis soluções para corrigir ativa da sua agenda de trabalho, segundo seja
situações de mercado não desejadas. requerido. Entre os pré-projetos do GAUMU podemos
mencionar a construção de uma base de dados sobre
Neste sentido devemos lembrar que a Declaração
patentes e de oposições a patentes; um mapeamento
Relativa ao Acordo sobre os TRIPS e a Saúde Pública,
dos requisitos para o registro de medicamentos nos
adotada em 14 de novembro de 2001 (Declaração
países da UNASUL; o fortalecimento dos incentivos
de Doha), reafirmou o direito dos Membros da OMC
à produção de medicamentos genéricos; análises
de utilizar ao máximo as flexibilidades previstas
e o desenvolvimento de incentivos à prescrição de
no TRIPS e em particular em conceder licenças
medicamentos genéricos, entre outros. 13
AO PONTO Por Carina Vance

Cidadania Sul-Americana e Recursos Humanos em Saúde


A construção da cidadania sul-americana é uma impactos de relevância. Por um lado, os sistemas de
aspiração dos países membros da UNASUL desde a saúde universais, objetivo sul-americano baseado
sua fundação. Envolve muito mais do que mudanças no reconhecimento da saúde como um direito,
na legislação migratória das nações, e tem profunda devem acolher os migrantes. Em 2016, tivemos
relação com mudanças culturais e de construção da a oportunidade no ISAGS de analisar os avanços
identidade sul-americana. Já desde o nascimento regionais neste assunto com a participação de
da UNASUL, os chefes de Estado planejavam uma representantes dos Ministérios da Saúde da região,
“cidadania sul-americana que permita alcançar identificando avanços e metas. Existe uma grande
progressivamente o reconhecimento de direitos mobilidade humana na América do Sul, sobretudo,
civis, políticos, laborais e sociais para os nacionais entre os próprios países da região, e todos os países
de um Estado membro em qualquer um dos outros têm estratégias de atenção às necessidades de
Estados membros”. No Relatório Conceitual sobre saúde destas populações.
Cidadania Sul-Americana da UNASUL, de 2014, Outra perspectiva que surge do debate é a
essa ideia é concebida como uma meta essencial mobilidade dos profissionais e trabalhadores da
da integração que busca alcançar um sentido de saúde. Infelizmente os países da nossa região, como
pertencimento comum entre os cidadãos sul- muitos outros países em desenvolvimento no mundo,
americanos, e a livre mobilidade humana na região tiveram que enfrentar sérios problemas relacionados
é um elemento essencial deste processo. ao fenômeno conhecido como “fuga de cérebros”.
No setor saúde, a mobilidade humana possui Os recursos humanos em saúde são essenciais para
SALUD SUR

o funcionamento dos sistemas e contar com um do setor Saúde. Pelo contrário. Alcançar sistemas
número de profissionais e trabalhadores da saúde de saúde universais e conquistar a cidadania sul-
que permita cobrir as necessidades de cada país é americana se baseiam sobre os mesmos princípios
um dos processos mais complexos enfrentados por de respeito aos direitos. O que sim deve ser feito é
eles. Conseguir que a formação de profissionais e continuar trabalhando para diminuir as assimetrias
trabalhadores se baseie nas necessidades do sistema que existem dentro e entre os países da região
de saúde e no interesse público, coordenando com quanto aos recursos destinados aos sistemas de
universidades e institutos técnicos, por si só, já é saúde e às desigualdades nas condições de vida, para
um desafio. Somado a isso o fato de que, uma vez que não sejam estes os fatores que impulsionem a
formados, muitos profissionais optam por sair do emigração de profissionais.
país, seja para estudar ou para trabalhar, buscando O Conselho de Saúde Sul-Americano (CSS) tomou
melhores condições, tem sido uma problemática decisões de impacto no campo dos Recursos
crítica para os sistemas. Humanos em saúde, sendo uma delas a criação
Analisando a situação regional em relação ao do ISAGS, que tem como objetivo fortalecer as
número de médicos, por exemplo, podemos observar capacidades de líderes em saúde da região. Na
que, segundo os dados mais recentes da Organização última reunião do Conselho, em setembro de 2017,
Pan-Americana da Saúde (OPS/OMS) sobre os os ministros da Saúde entraram em acordo sobre
países das Américas, a lacuna entre uns e outros é trabalhar articuladamente para atingir objetivos
muito grande. Na América do Sul, o país com a taxa comuns para as políticas de Recursos Humanos
mais alta de médicos é o Uruguai, com 47.9 por cada em saúde na região. Esta importante iniciativa
10 mil habitantes. Esta cifra também é a segunda que atualmente é liderada pelo Peru, como país
mais alta em toda a região das Américas, logo após coordenador do Grupo Técnico de Recursos
Cuba, que ocupa o primeiro lugar. No outro extremo Humanos em Saúde da UNASUL, poderá justamente
existem países da região com menos de dez médicos tratar o tipo de problemáticas abordadas neste
por 10 mil habitantes. As assimetrias são claras. artigo com a intenção de gerar uma região na qual
Mesmo que grande parte da emigração de os Sistemas de Saúde gozem de suficiência na
profissionais da saúde de países sul-americanos distribuição e preparação de seus profissionais.
ocorra em direção aos países da Europa, Estados A livre mobilidade humana, efetivamente é um
Unidos ou Canadá, grande parte acontece elemento necessário para conseguir Sistemas de
efetivamente entre os países da região. A livre Saúde verdadeiramente universais. Na UNASUL,
mobilidade dos cidadãos sul-americanos teria algum trabalhar para alcançar sua concretização é tarefa
impacto? Possivelmente, mas isso não significa que de todos os setores, e de maneira muito importante,
deveria existir uma contraposição à medida a partir do setor Saúde.
PÍLULAS
142ª REUNIÃO DO CONSELHO EXECUTIVO
DA OMS
Entre os dias 22 e 27 de janeiro, a Organização
INSTITUCIONAL COMEÇA A EXECUÇÃO DO Mundial da Saúde (OMS) organiza a 142ª Reunião
de seu Conselho Executivo, em Genebra, Suíça.

PLANO OPERATIVO ANUAL 2018 DO ISAGS No encontro, será decidida a ordem do dia para
a próxima Assembleia Mundial da Saúde (AMS).
Anualmente, o ISAGS submete ao seu Conselho Diretivo as propostas As principais funções do Conselho Executivo
de trabalho do ano seguinte para aprovação no chamado Plano Operativo consistem em dar efeito às decisões e políticas da
Anual (POA 2018). O documento reúne e sistematiza as principais ações Assembleia, em assessorá-la e, de maneira geral,
que serão desenvolvidas pelo Instituto em suas distintas áreas de atuação. em facilitar seu trabalho.
“Depois de um excelente ano de atividades e de um bom posicionamento
regional em 2017, seguiremos analisando e difundindo os assuntos
CÂNCER NA COLÔMBIA
mais importantes de Saúde na América do Sul, além de acompanhar
os processos de integração regional para que alcancemos uma região O Instituto Nacional de Cancerologia da Colômbia
mais saudável e com menos inequidades”, afirma a diretora executiva do (INC-ESE) acaba de lançar a quarta edição da
instituto, Carina Vance. publicação “Atlas da mortalidade por câncer em
Colômbia”, com informações do período 2007-

NOVOS PROJETOS DAS ÁREAS QUE 2011. O trabalho contribui para a difusão periódica
de informação de vigilância epidemiológica do
câncer no país e aporta ao cumprimento das metas
COMPÕEM O ISAGS da linha estratégica de gestão do conhecimento
do Plano Decenal para o Controle do Câncer na
Em 2018, um dos projetos mais importantes é um estudo sobre os riscos, Colômbia 2012-2021.
ameaças e vulnerabilidade em relação ao impacto epidemiológico das
mudanças ambientais na região sul-americana. Para este projeto, coordenado
por nosso especialista em Vigilância em Saúde, Eduardo Hage, é esperado o PERU TEM UM NOVO MINISTRO DA SAÚDE
lançamento de uma publicação, além de um workshop presencial na sede do O Dr. Abel Hernán Salinas Rivas é o novo ministro
Instituto. A área também apoiará a Rede de Gestão de Riscos e Desastres da da Saúde do Peru. O novo titular do setor é médico
UNASUL na implementação do seu plano de trabalho. de profissão, formado pela Universidade Nacional
Na área de Medicamentos e Tecnologias da Saúde, coordenada por Autônoma do México (UNAM), e com mestrado em
Ángela Acosta, será realizado um workshop sobre a pertinência e a Gerência de Serviços da Saúde pela Universidade
atual contribuição do desenvolvimento de avaliação de tecnologias em San Martín de Porres. O Dr. Salinas é médico pediatra
saúde na atualização das listas básicas nacionais de medicamentos,
e foi fundador do Serviço de Cuidados Intensivos
além de um estudo sobre os processos e abordagens de judicialização
Pediátricos, além de diretor executivo do Hospital
de medicamentos na região. Já a área de Determinação Social da Saúde,
coordenada por Francisco Armada, dará enfoque numa investigação sobre Maria Auxiliadora, trabalhando nesta instituição
as barreiras para a promoção das políticas inovadoras de alimentação por mais de 20 anos. Também foi secretário de
saudável e também em uma publicação técnica sobre os mecanismos de Coordenação do Conselho Nacional de Saúde
participação social em Saúde na América do Sul. do Peru, assessor do Gabinete do Ministério, e
Nosso especialista em Sistemas e Serviços de Saúde, Félix Rígoli, superintendente adjunto da Superintendência
coordenará a implementação de uma nova plataforma virtual de dados Nacional de Garantia da Saúde.
sobre assimetrias dos sistemas de saúde da região. O novo mecanismo de
consulta e busca de informações da América do Sul estará disponível no
novo site do ISAGS (outro projeto aprovado no POA 2018). O especialista CURSO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS
também será responsável pela realização de um workshop regional PÚBLICAS EM DIREITOS HUMANOS
sobre o Fortalecimento de Redes Integradas de Serviços de Saúde, além
de seguir promovendo o fortalecimento de capacidades em apoio aos Entre os dias 5 e 9 de fevereiro, o Instituto
Alinhamentos de Políticas de Recursos Humanos na região. de Políticas Públicas em Direitos Humanos do
Mercosul (IPPDH) organiza a fase presencial da
Também foram aprovadas as ações e metas propostas para as demais
unidades do ISAGS. Depois de um bem-sucedido curso sobre Diplomacia segunda edição do Curso Internacional de Políticas
da Saúde, oferecido a funcionários dos ministérios de Saúde dos países Públicas em Direitos Humanos. Após 12 semanas
da UNASUL, o ISAGS desenvolverá um novo curso virtual: o I Curso da fase virtual, que contou com a participação de
Sul-Americano de Governo em Saúde, que será coordenado pela área 50 pessoas de 15 países, a semana presencial terá
de Relações Internacionais. Já a área de Comunicação continuará seu painéis e mesas de debate abertos ao público. O
trabalho de gerar, produzir e difundir conhecimento por meio das suas objetivo das discussões serão as políticas públicas
plataformas oficiais e também desenvolverá um seminário virtual de e os direitos humanos, além de outros temas como
Comunicação em Saúde. igualdade e não discriminação, acesso à informação,
Siga as redes sociais do ISAGS e leia a revista mensal, “Saúde ao Sul”, institucionalidade em direitos humanos, cooperação
para acompanhar, sugerir, e participar das nossas ações. internacional e educação. A programação de
atividades está em: ippdh.mercosur.int.