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O PREÂMBULO DO

CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL
RESUMO & ANÁLISE

Joana Graça
21500992 | DIREITO PROCESSUAL PENAL | 12 DE MARÇO DE 2018
Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

ÍNDICE

PÁG.

1. Introdução…………………………………………............
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2. Contextualização…………………………………………..
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3. Finalidades…………………………………………...........
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4. Características………………………………………….....
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5. Conclusões…………………………………………............
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Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

1. INTRODUÇÃO

A elaboração desta análise-resumo do respetivo preâmbulo do Código de Processo


Penal, diploma fundamental da cadeira de Direito Processual Penal, foi solicitada no
âmbito da mesma, pelo Professor Flávio Roques, com prazo previsto de entrega no dia
12 de março de 2018.

O preâmbulo do Código de Processo Penal encontra-se dividido em 4 partes: 1) a


primeira parte apresenta-se como um momento introdutório e de contextualização do
próprio Código de Processo Penal, acompanhada da enunciação dos diversos problemas
e investidas subjacente à reforma do mesmo diploma; 2) de seguida, o preambulo
debruça-se sobre as finalidades do Código de Processo Penal, de modo a compreender de
um modo simples a estrutura básica do mesmo, enunciando distinções basilares à
compreensão deste último; 3) num terceiro momento, é possível observar um elenco de
características que incidem sobre aquela que é a realidade estrutural do processo penal
em Portugal, assim como as mudanças que se realizaram e que subsistem na atualidade;
4) apresenta-se uma conclusão do que foi descrito nos capítulos supracitados.

2. CONTEXTUALIZAÇÃO

O presente Código de Processo Penal, num primeiro momento, acentua a


necessidade de uma revisão sistemática e global do ordenamento processual penal.
Acaba-se por destacar não só essa necessidade, reclamada e aguardada pelos pensadores
e praticantes do direito, como também a extrema importância que susta essa mesma
reforma, no âmbito de uma resposta célere e consistente aos inúmeros estímulos que
emergem no ceio da sociedade portuguesa.

No entanto, o melhoramento ou reforma no contexto e aplicação do direito


processual penal não foi alvo apenas de uma tentativa: no decorrer da história
constitucional e política do povo português, foram inúmeras as investidas com o intuito
de reformular a codificação do mesmo diploma, de modo a superar tais desafios
constantes que nascem naturalmente no âmbito de uma comunidade, e que necessitam de
resposta.

Surge, consequentemente, uma produção incessante de diplomas legais em matéria


de processo penal, baseados em horizontes históricos, ideais e redes culturais diversas,

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Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

tendo o seu apogeu de agravamento aquando da Revolução dos Cravos, em 25 de Abril


de 1974: aqui, encontrava-se todo um leque de contradições e disfuncionalidades que
dificultavam a confiança num regime concretamente aplicável, consubstanciado num
sistema coerente e com uma finalidade assumida e adotada.

Ainda no domínio da contextualização, este primeiro momento passa agora a


integrar e a elencar as matrizes basilares no qual assenta este Código, que tem como
função, como já descrito nas prévias considerações, dar resposta a situações que
naturalmente surjam entre os indivíduos que se inserem numa sociedade, no ambito
processual penal. Acrescenta-se ainda que, para entender melhor o espírito e essência
deste diploma, e consequente consensual e generalizada aceitação, é preciso entender
estas matrizes e, para além destas, as soluções apresentadas.

De modo a compreender então as linhas orientadoras deste código, faz-se,


primeiramente a distinção entre condicionalismos exógenos e condicionalismos
endógenos. Sucintamente, os condicionalismos exógenos relacionam-se com a
perseverante conexão internacional que Portugal mantém com as restantes comunidades
e entidades mundiais, com o objetivo de partilhar ensinamentos vantajosos para ambos
os lados, num processo de reforma onde aderem as massas interessadas na reforma das
instituições processuais penais. Quando se foca nos condicionalismos endógenos,
falamos nos que emanam da experiencia jurídica nacional, que não deve de modo algum
ser posta de parte pelos primeiros condicionalismos, uma vez que demonstram a
individualidade que está presente na história e cultura de Portugal: a título de exemplo,
menciona-se a figura da vítima-assistente, ou seja, a possibilidade da vítima requerer a
sua constituição como assistente e intervir no processo (podendo oferecer provas e
requerer diligências), que é característica individualizadora no nosso sistema processual
penal, mas que tem vindo a influenciar os restantes sistemas dos diversos países.

Por outro lado, é referido o papel crucial da Constituição da República Portuguesa


e do Código Penal português que não só preestabelecem o sentido e alcance das soluções
consagradas em processo penal, como limitam o espetro de variações disponíveis para o
efeito. Como exemplo significativo da influência que estes dois diplomas têm no ceio de
aplicação do direito processual penal temos a consagração constitucional dos princípios
basilares do processo penal na CRP, sendo vistos como direitos fundamentais e, no que
toca ao Código Penal, a autonomia do momento processual de determinação e medida da
pena.
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Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

3. FINALIDADES

Após uma contextualização direcionada à compreensão das pressuposições


inerentes ao Código Processual Penal, o preâmbulo desvia a atenção agora para aquelas
que são as metas a cumprir ao instrumentalizar este diploma no ceio de um Estado
democrático e social. É aqui que se define a finalidade primordial do processo penal: a
realização da justiça no caso concreto, através de meios admissíveis e idóneo a preservar
a paz jurídica na sociedade. Este três ideais são de extrema importância, mas não é o
objetivo do ordenamento português absolutizar cada um deles, sob pena de um regime
tirano e absolutista; tenta-se, pois, encontrar um equilíbrio consensual entre estas três
finalidades com o desígnio de as realizar de forma justificável e admissível.

Fruto das metamorfoses políticas e sociais mais recentes, surgem inovações


conflituantes entre os fins do processo penal: por um lado, encontram-se as ideologias
patentes na dualidade Estado de direito social moderno e Estado de direito clássico liberal;
por outro, a contraposição entre o relevo constitucional que certos direitos fundamentais
teriam, com a assunção desses direitos como valores simbólicos no Estado
contemporâneo. São estas clivagens que de certo modo necessitam de um regime
integrado de soluções compromissórias, seguindo uma lógica uniformizada e absoluta.

Assim, podemos esculpir todo o domínio processual penal através de dois eixos:
horizontal e vertical. O primeiro encontra a sua vigência na distinção entre criminalidade
grave e pequena criminalidade, que divergem de acordo com a danosidade e alarme social
que desencadeiam sendo que, consequentemente, determinam uma resposta social e
formal diferente aquando de uma situação ou outra. O segundo eixo desdobra-se naquilo
que são espaços de conflito e espaços de consenso no processo penal: o primeiro caso
relacionamos com a criminalidade grave, que deve sempre encontrar-se num meio de
reconhecimento de conflito; o segundo caso, o relacionamos com a pequena
criminalidade, tendo subjacente aqui que a busca de consenso e pacificação estabilizadora
das normas, valem como imperativo ético-jurídico (v.g. relevo atribuído à confissão livre
e integral).

Esta segunda parte do preâmbulo finda com a conclusão, de extrema importância,


que o controle eficaz de criminalidade só pode prevalecer mediante a formalização da
conflitualidade real.

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Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

De um modo geral e de modo a concluir esta fração do preâmbulo, pode-se acrescer


de maneira correta e de acordo com o que lecionado nas aulas, como glosa ao lado das
disposições citadas no âmbito das finalidades, que o direito processual penal visa uma
tripla finalidade: a realização da justiça e a descoberta da verdade material, a proteção
dos direitos fundamentais das pessoas e o restabelecimento da paz jurídica

4. CARACTERÍSTICAS

A penúltima fração do presente preâmbulo é referente aos aspetos caracterizadores


do sistema processual penal, tendo sido destacados três: 1) estrutura acusatória do
sistema, ou seja, caracteriza-se essencialmente por ser uma disputa entre duas partes, a
acusação e defesa, disciplinada e decidida por um terceiro, o juiz ou tribunal, que
ocupando uma situação de independência relativamente ao acusador e ao acusado, não
pode promover o processo, nem condenar para além da acusação; 2) conversão da fase
do inquérito, fase obrigatória de investigação que se inicia sempre a partir do Ministério
Público, em fase normal e geral para reflexão acerca da decisão de acusação/não
acusação, assim como a fase da instrução, que se descreve como uma fase facultativa
requerida pelo arguido ou pelo assistente; 3) a inovação do regime de recursos. Este
último aspeto encontra o seu apoio na palavra “recurso”, que é o meio processual
destinado a sujeitar a decisão a um novo juízo de apreciação, agora por parte de um
tribunal hierarquicamente superior; o regime dos recursos em processo penal sofreu uma
autêntica revolução, pois só a partir de 1988, com a entrada em vigor do atual Código de
Processo Penal, o sistema judiciário português passou a dispor de um regime próprio e
específico em matéria de recursos penais, pois outrora os recursos penais escoravam toda
a respetiva lógica no sistema de recursos do processo civil. Atualmente, com a reforma
do regime dos recursos, têm-se como meta a assunção do pressuposto de que o direito de
recurso constitui uma garantia constitucional de defesa, e um corolário da garantia de
acesso ao direito e aos tribunais, devendo-se subordinar a um desígnio de celeridade e
eficiência processual associado à presunção de inocência e à descoberta da verdade
material, através de um duplo grau de jurisdição autêntico.

No tocante ao princípio da celeridade processual, pode-se dizer que este decorre do


artigo 32.º, n.º 2, da CRP. A celeridade na conclusão do processo é do interesse do arguido
e, por isso, foi erigida em garantia constitucional, mas é também do interesse do ofendido
e da comunidade. Este principio acarreta duas vertentes: eficiência, que pode embarcar
pela perspetiva da capacidade de prevenção patente ao nosso ordenamento jurídico
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Análise-resumo do preâmbulo do código de processo penal

(emanando segurança e prontidão do sistema) ou pela perspetiva de antidoto eficaz contra


o recurso a modos espontâneos e informais de autotutela catalisadores de conflitos
dificilmente contravaleis; celeridade, que se relacionada com a rapidez com que um
processo se desenvolve, pois um processo que se arraste durante longo tempo converte-
se num sofrimento acrescido para o próprio arguido, que poderá ser (ou não) inocente. A
aceleração processual atualmente está refletida, v.g., na nova disciplina em matéria de
prazos; na delimitação e articulação da competência de diversas instancias de controle
(por exemplo, Ministério Público ou juiz de instrução) prevenindo eventuais conflitos;
redução substancial das formas de processo, apresentando-se a forma de processo comum
(geral) ou, por outro lado, as formas de processo especial (sumário e sumaríssimo).

A propósito dos sujeitos e intervenientes processuais, é possível dizer que também


ocorreu, de certo modo, uma reforma abrangente, principalmente em três direções: 1)
maximização cuidadosa da delimitação legal; 2) alargamento e reforço das competências
dos órgãos das diferentes instancias de controle; 3) reforço da posição jurídica do arguido.

De modo a finalizar esta secção do preâmbulo, descreve-se a figura das medidas de


coação (que se inserem no âmbito da prisão preventiva), que se submetem aos princípios
da proporcionalidade, necessidade e legalidade; por outro lado, acrescenta-se o facto do
aparecimento de novas modalidades das mesmas, v.g. obrigação de permanência na
habitação. Estes exemplos demonstram a evolução das soluções no âmbito de processo
penal adaptas à realidade do mundo contemporâneo.

5. CONCLUSÕES

O preâmbulo do Código de Processo Penal termina uma reflexão direcionada às


conclusões referentes ao descrito ao longo dos parágrafos, fazendo uma introdução
àquelas que vão ser as bases legais de todo o diploma, salientado que o mesmo se
apresenta como uma peça fundamental aquando do defrontamento com dualidades tais
como: vertente liberal e vertente social do Estado; justiça e eficiência na aplicação da lei
penal; exigências de segurança da comunidade e respeito pelos direitos das pessoas.
Acredita-se que, assim, este Código de Processo Penal, tem legitimidade para responder
aos desafios que diariamente se lhe opõem.