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O BATISMO

Mt 28.18-20: Deus nos deu meios visíveis com os quais podemos exercitar nossa fé
nEle. São os meios de graça: A Palavra e os Sacramentos.
Os sacramentos são sinais exteriores e visíveis de uma graça interior e espiritual.
“...Uma santa ordenação instituída por Cristo na sua igreja, para significar, selar e conferir
àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os
fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as demais graças, e os obrigar à obediência; para
testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns com os outros e para distinguir entre eles
os que estão de fora”.(Catecismo Maior - 162).

3 observações importantes:
1- O sacramento não tem poder em si mesmo. Ele é um símbolo ou sinal.
2- Eles constam de duas partes: um sinal sensível, uma graça invisível.
3- O Senhor Jesus instituiu apenas dois: O BATISMO e a SANTA CEIA.

I- O SIGNIFICADO DO BATISMO:
O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo, significa selar a nossa união com Cristo (Gl 13.27), a remissão dos pecados
pelo seu sangue (At 2.38, Ef 1.7), a regeneração pelo Espírito (Tt 3.5), a adoção e
ressurreição para a vida eterna (Gl 3.26-29), bem como a admissão à igreja visível,
professando publicamente pertencer inteira e unicamente ao Senhor.(Cat. Maior-165).

II- QUEM DEVE RECEBER O BATISMO ?


O Batismo deve ser administrado àqueles que professarem publicamente a sua fé
em Cristo ( Rm 10.9,10: Mt 10.32,33), visto que se eu não professar, confessar a Cristo
diante dos homens, Cristo me negará conhecer diante do Pai.
O Batismo é para os que crêem em Cristo e para seus filhos. Ele não salva ninguém,
mas faz parte da salvação, como mandamento de Cristo (ordenação), pelo qual
participamos de suas bênçãos pela fé.

III- O MODO DE MINISTRAR O BATISMO:


São três os modos de ministrar o batismo: ASPERSÃO, EFUSÃO e IMERSÃO.
A IPB batiza por aspersão, embora reconheça a validade dos outros dois modos. Eis
as nossas razões para batizar por aspersão:
1- A imersão não está estabelecida como o único modo de batismo no N.T.: não há
qualquer referência categórica sobre esse assunto.
2- Batizar não significa somente submergir, mas também molhar, lavar, derramar e
aspergir. A palavra BATIZAR é um termo que identifica o sacramento, não o modo de
aplicar o sacramento(compare Mt 15.2 com Mc 7.3,4 e Lc 11.38 - onde batizar é sinônimo
de lavar, no texto grego).
3- Todas as cerimônias de purificação dos judeus eram feitas por aspersão e a raiz do
cristianismo é judaica (Nm 8.7; 19.13,18,19; Hb 9.13). Os batismos judaicos eram por
aspersão.
4- O batismo com o Espírito Santo, no pentecostes, aconteceu por derramamento, e
não por imersão. Línguas de fogo parecem mais simbolizar a aspersão do que a imersão.
Veja também Joel 2.28: “DERRAMAREI O MEU ESPÍRITO SOBRE TODA A CARNE” (Cnf.
Atos 2.17).
5- As referências ao batismo de Jesus não ensinam a imersão (Mt 3.13-17). As
preposições gregas ali usadas (dois casos dos quatro) não demonstram claramente a
imersão. “eis” e “ek” (estar dentro e ir para dentro) não implica necessariamente em estar
imerso. Em outros dois casos a expressão usada é APÓ, que quer dizer “partindo de” ou
“desde”, que deixa claro ser a imersão somente uma possibilidade remota. No N.T., há
casos de “ek” ser usado com o sentido de APÓ, e não o contrário.
6- Existem referências que apontam para o simbolismo do batismo com água na
forma de aspersão ( Ez 36.25; Hb 9.13,14; 19-22; I Pe 1.2; I Co 10.2; Hb 12.24).
7- A Escritura demonstra que o elemento do batismo(água) deve ser aplicada ao
sujeito (pessoa), e não o sujeito(pessoa) ao elemento ( água) ( Lc 3,16; Jo 1.26,33b; At
1.5; At 10.47).
8- Muitas das referências ao batismo no N.T., favorecem a aspersão como modo
utilizado pelos apóstolos, visto que o contexto e as circunstâncias demonstram a
impossibilidade da imersão. Em At 9.17,18, Paulo é batizado de pé, dentro de uma casa.
Em At 2, no Pentecostes foram batizados 3000 pessoas em um só dia, numa cidade que
não tinha um local apropriado e que estava cheia de peregrinos. Em At 10, Cornélio e sua
família; Em At 16, as famílias de Lídia e do carcereiro de Filipos. Será que havia tanques
apropriados ou piscinas em suas casas ? Difícil de comprovar. Os batismos na época do
N.T. geralmente eram feitos onde as pessoas confessavam a Cristo (no local), sendo
batizadas imediatamente, sem demora. Os catecúmenos (cursos de preparação para o
batismo) surgiram depois para evitar as heresias que estavam entrando na igreja.
9- As pinturas mais antigas que se tem notícias, que retratam batismos(catacumbas
de Roma), fazem-no com batismos de ou por efusão ou aspersão, mas raramente por
imersão. A imersão foi popularizada com o movimento radical anabatista, no sec. XVI (mais
ou menos em 1530).

Conclusão:
1- O Batismo deve ser recebido por fé. Não espere um efeito mágico em sua vida,
porque ele não existe. Ele é um ato de obediência a Cristo.
2- Lembre-se que o Batismo é um sinal inicial e selador de seu compromisso com
Cristo, portanto deve ser tomado com temor e amor.
3- A questão do modo da ministração do Batismo é Secundária, mas a I.P.B crê ser a
Aspersão mais bíblica. Nenhum membro batizado em uma igreja reconhecidamente
evangélica será batizado outra vez na IPB. Embora a Igreja Católica batize por
aspersão(Efusão), nós não concordamos com o significado da salvação batismal ( diz que
ele apaga a mancha do pecado original e nos faz cristãos) usados por eles. O modo é
secundário, mas o significado bíblico não é, por isso batizamos de novo.
4- O Batismo é uma obrigação, não uma opção. Lembre-se que o próprio Jesus Cristo
foi batizado, “para cumprir toda a justiça”(Mt 3.15).

A CEIA DO SENHOR
I Co 11.23-29

Recordando: Os sacramentos são ordenanças do próprio Senhor Jesus Cristo. Seu


valor está no seu significado e não no seu aspecto ritual. Portanto não deve ser ministrado
à parte: 1- Da pregação da palavra (esta ensina o seu significado); 2- Da fé. Os
sacramentos são para os membros do corpo de cristo, a igreja; são para os salvos, não
para os incrédulos.
A igreja protestante reconhece apenas dois sacramentos, porque a Bíblia só aponta
dois como ordens claras de Jesus para a sua ministração: O Batismo e a Ceia. Se o
casamento fosse um sacramento, todos deveriam se casar, o que a Bíblia não ensina em
lugar algum. Os sacramentos são para os salvos que sabem discernir a natureza divina da
igreja e dela participam como redimidos em Cristo. A igreja deve participar daquilo que
recebeu do Senhor (11.23).

I- O Aspecto Memorativo da Ceia:


Ela nos relembra o sacrifício de Cristo por nossos pecados na cruz. Aponta para a
nossa redenção e salvação. O seu corpo foi partido por nós e o seu sangue derramado em
nosso favor. Jesus é a nossa Páscoa. Nesse aspecto tem a função didática. É uma
oportunidade de ensino para as crianças sobre o seu significado, anunciando-lhes a Cristo,
mantendo a família unida sob o cuidado e a palavra de Deus.

II- O Aspecto Proclamador:


V.26: “Anunciais, todas as vezes”. Anunciamos a morte e a vinda do Senhor. A
continuidade da ministração da Ceia é uma dramatização do Evangelho. Ela se torna um
convite aos descrentes presentes à sua celebração para que recebam a Cristo como seu
Salvador e Senhor. A Ceia nos lembra de nossa tarefa. Não querer participar da Ceia é
negligenciar a responsabilidade da pregação do Evangelho. Ela é a confirmação de que
continuaremos pregando o evangelho “até que ele venha”.

III- O Aspecto de Juízo:


V.27: Quem comer indignamente, é réu do corpo e do sangue. Isso acontece
quando não há fé ao tomar. O que devemos fazer ?
1- Examinar-se: fazer um teste consigo mesmo.
2- Discernir o corpo: (este é o motivo porque as crianças não tomam a Ceia). Não tratar a
Ceia como algo comum, mas como expressão da unidade da igreja que adora o seu
Salvador em comunhão e fraternidade.
3- Disciplinados pelo Senhor. Deus cuida para que não andemos no caminho errado; uma
atitude errada para com a Ceia pode provocar doenças e até mesmo a morte.
O texto diz: Examine-se e coma do pão e beba do cálice. Não deixe de tomar, mas
acerte sua situação com Deus, para que traga a cura e a bênção para sua igreja. Confesse
o pecado, recebendo o perdão e a purificação do mesmo. Assim, a Ceia será alimento para
a fé.