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Enfoque

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DA EDUCAÇÃO
SEGREGADA À Rosana Glat e Edicléa
Mascarenhas Fernandes1
Faculdade de Educação /

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: Universidade do Estado do Rio de Janeiro


e-mail: rglat@terra.com.br
ediclea@globo.com
educ.inclusiva@bol.com.br

Uma breve reflexão sobre os


paradigmas educacionais no contexto
da educação especial brasileira
Resumo
É apresentada uma análise dos pa-
radigmas educacionais que permearam a
história da Educação Especial Brasileira.
O modelo Médico, com sua ênfase em tera-
pia e pouco investimento na atividade aca-
dêmica, é seguido, nos anos 70 pelo para-
digma Educacional, de base comportamen-
tal, ainda numa proposta de Educação Es-
pecial segregada do ensino regular. A filo-
sofia da Integração, na década de 80 privi-
legia o construtivismo e o sociointeracionis-
mo com novo olhar sobre as possibilidades
de construção de conhecimento de alunos
com deficiência, bem como o enfoque psi-
cossocial que investiga os processos de in-
teração social, marginalização e estigma
das pessoas com deficiências. A partir da
década de 90 o paradigma da Educação
1
Rosana Glat, Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, lecionando no curso de Pedagogia e no Programa de
Pós-graduação em Educação; coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em
Educação Inclusiva (NEI-UERJ). É membro do Conselho Municipal de Educa-
ção do Rio de Janeiro.
Edicléa Mascarenhas Fernandes, Professora Adjunta da Faculdade de Educação
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, lecionando no curso de Pedagogia;
coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva (NEI-UERJ).
É Psicóloga do Hospital Infantil Ismélia da Silveira, onde coordena o Projeto
Vamos Brincar.

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Inclusiva suscita diversos questionamentos sobre o llowed, in the 70s, by the Educational paradigm, with
modelo tradicional de Educação Especial, bem como a behavioral basis, still as a segregated Special Edu-
novos desafios para a construção de uma escola de qua- cation. The Integration Philosophy of the 80s empha-
lidade para todos. sizes the Constructivism and Sociointeractionism with
Palavras chave: Educação Especial, Educação In- their new view about the possibilities of construction
clusiva, Paradigmas Educacionais of knowledge of handicapped students, as well as the
Psychosocial approach that investigates the processes
of social interaction, marginalization and stigma of
Abstract people with handicaps. From the 90s on, the Inclusive
Education paradigm brings several questions about the
It is presented here an analysis of the educatio- traditional Special Education model, as well as new
nal paradigms that supported Brazilian Special Edu- challenges in order to build a school of quality for all.
cation. The Medical model with emphasis on therapi- Key words: Special Education, Inclusive Educa-
es and little investment in academic activities, is fo- tion, Educational Paradigms.

A educação de alunos com ne-


cessidades educacionais especiais
que, tradicionalmente se pautava
num modelo de atendimento segre-
gado, tem se voltado nas últimas
duas décadas para a Educação Inclu-
siva. Esta proposta ganhou força, so-
bretudo a partir da segunda metade
da década de 90 com a difusão da
conhecida Declaração de Salamanca
(UNESCO, 1994), que entre outros
pontos, propõe que “as crianças e
jovens com necessidades educativas
especiais devem ter acesso às esco-
las regulares, que a elas devem se
adequar...”, pois tais escolas “cons-
tituem os meios mais capazes para
combater as atitudes discriminató-
rias, construindo uma sociedade in-
clusiva e atingindo a educação para que, na prática, todos esses mode- crônica, e todo o atendimento pres-
todos...” (p. 8-9, grifo nosso). los co-existem, em diferentes con- tado a essa clientela, mesmo quan-
Sob este enfoque, a Educação figurações, nas redes educacionais do envolvia a área educacional era
Especial, que por muito tempo con- de nosso país. considerado pelo viés terapêutico. A
figurou-se como um sistema para- A Educação Especial se cons- avaliação e identificação eram pau-
lelo de ensino, vem redimensionan- tituiu originalmente como campo de tadas em exames médicos e psico-
do o seu papel, antes restrito ao aten- saber e área de atuação a partir de lógicos com ênfase nos testes pro-
dimento direto dos educandos com um modelo médico ou clínico. Em- jetivos e de inteligência, e rígida
necessidades especiais, para atuar, bora hoje bastante criticado, é pre- classificação etiológica.
prioritariamente como suporte à ciso resgatar que, como lembra Fer- Nas instituições especializadas
escola regular no recebimento des- nandes (1999), os médicos foram o trabalho era organizado com base
te alunado. De forma sucinta, esse os primeiros que despertaram para em um conjunto de terapias indivi-
artigo pretende acompanhar a tra- a necessidade de escolarização des- duais (fisioterapia, fonoaudiologia,
jetória da área no Brasil, consideran- sa clientela que se encontrava “mis- psicologia, psicopedagogia, etc) e
do os paradigmas teóricos vigentes, turada” nos hospitais psiquiátricos, pouca ênfase era dada à atividade
bem como a política educacional da sem distinção de idade, principal- acadêmica, que não ocupava mais
época. Ressaltando, porém, que um mente no caso da deficiência men- do que uma pequena fração do ho-
paradigma não se esgota com a in- tal. Sob esse enfoque, a deficiência rário dos alunos (GLAT, 1989). A
trodução de uma nova proposta, e era entendida como uma doença educação escolar não era conside-
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rada como necessária, ou mesmo variáveis e observação direta do perando, pelo menos em parte, suas
possível, principalmente para aque- comportamento. Esse foi o momen- dificuldades e possibilitando sua in-
les com deficiências cognitivas e / to dos “métodos e técnicas” e das tegração e participação mais ativa
ou sensoriais severas. O trabalho especificidades da Educação Espe- na vida social. Acompanhando a
educacional era relegado a um in- cial (metodologias de ensino para tendência mundial da luta contra a
terminável processo de “prontidão alunos com deficiência visual, au- marginalização das minorias, come-
para a alfabetização”, sem maiores ditiva, mental, superdotação, etc)3. çou a se consolidar em nosso país,
perspectivas já que não havia expec- Porém, apesar dos avanços, no início da década de 80, a filoso-
tativas quanto à capacidade desses este modelo não representou a ga- fia da Integração e Normalização. A
indivíduos desenvolverem-se acade- rantia de ingresso de alunos com de- premissa básica desse conceito é
micamente e ingressarem na cultu- ficiências no sistema de ensino. A que pessoas com deficiências têm
ra formal. Educação Especial funcionava o direito de usufruir as condições de
Os anos 70 representaram a como um serviço paralelo, com vida o mais comuns ou normais pos-
institucionalização da Educação métodos ainda de forte ênfase clí- síveis na comunidade onde vivem,
Especial em nosso país, com a preo- nica e currículos próprios. As clas- participando das mesmas atividades
cupação do sistema educacional
público em garantir o acesso à es-
cola aos portadores de deficiênci-
as 2. Em sua progressiva afirmação
“NO ENTANTO AINDA SÃO
prático-teórica, a Educação Especial
absorveu os avanços da Pedagogia e POUCAS AS PESQUISAS,
da Psicologia da Aprendizagem, so-
bretudo de enfoque comportamen- EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS
tal. O desenvolvimento de novos
métodos e técnicas de ensino base- EDUCATIVAS, VALIDADAS
ados nos princípios de modificação
de comportamento e controle de
estímulos permitiu a aprendizagem
CIENTIFICAMENTE, QUE
e o desenvolvimento acadêmico
desses sujeitos, até então alijados do
MOSTREM COMO FAZER PARA
processo educacional. “O deficien-
te pode aprender”, tornou-se a pa- INCLUIR NO COTIDIANO DE
lavra de ordem, resultando numa
mudança de paradigma do “mode- UMA CLASSE REGULAR (...)”
lo médico”, predominante até então,
para o “modelo educacional”. A ên- ses especiais implantadas nas déca- sociais, educacionais e de lazer que
fase não era mais a deficiência in- das de 70 e 80 serviram mais como os demais (GLAT, 1989; 1995; PE-
trínseca do indivíduo, mas sim a fa- espaços de segregação para aqueles REIRA, 1990).
lha do meio em proporcionar con- que não se enquadravam no siste- O modelo segregado de Edu-
dições adequadas que promovessem ma regular de ensino, do que uma cação Especial passou a ser severa-
a aprendizagem e o desenvolvimen- possibilidade para ingresso na rede mente questionado, desencadeando
to do aluno com deficiência (GLAT, pública de alunos com deficiências, a busca por alternativas pedagógi-
1985; 1995; KADLEC & GLAT, cuja maioria ainda continuava em cas para a inserção de todos os alu-
1984). instituições privadas (BUENO, nos, mesmo os portadores de defi-
A metodologia de pesquisa pri- 1993; FERNANDES, 1999). ciências severas, preferencialmente,
vilegiada era da análise aplicada do Recursos e métodos de ensino no sistema regular de ensino (como
comportamento, com ênfase nos mais eficazes proporcionaram às recomendado no artigo 208 da
estudos de natureza experimental e pessoas com deficiências maiores Constituição Federal de 1988). Foi
semi-experimental, com controle de condições de adaptação social, su- assim instituída, no âmbito das po-
2
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5692/71 no artigo 9o recomendava que alunos com deficiências físicas ou mentais, os que se líticas educacionais, a Integração4.
encontrassem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deveriam receber tratamento especial, de
acordo com as normas fixadas pelos Conselhos de Educação. E, em 1973, foi criado o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) Este modelo, que até hoje ainda é o
que introduziu a Educação Especial no planejamento de políticas públicas, ao mesmo tempo em que iniciou a implantação de subsistemas
de Educação Especial nas diversas redes públicas de ensino, por meio da criação de escolas e classes especiais, e projetos de formação de
mais prevalente em nossos sistemas
recursos humanos especializados, inclusive no exterior (FERREIRA & GLAT, 2003). escolares, visa preparar alunos
3 Em 1978 o MEC propôs o “Projeto Prioritário de Reformulação de Currículos para a Educação Especial” para cada área de deficiência e
superdotação. Neste contexto, a oferta do atendimento ao excepcional poderia ocorrer em escolas regulares, clínicas ou centros de oriundos das classes e escolas espe-
reabilitação.
4 Neste período o CENESP publicou os Subsídios para Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial (1984), apoiado nos ciais para serem integrados em clas-
princípios filosóficos da normalização, integração e individualização, propondo as modalidades de atendimento: classes especiais, salas de
recursos, ensino itinerante, escolas e centros especiais. ses regulares recebendo, na medida
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de suas necessidades, atendimento os direitos sociais, que precederam a de acordo com as Diretrizes Cur-
paralelo em salas de recursos ou ou- Constituinte, as quais enfatizavam riculares Nacionais para Educação
tras modalidades especializadas. reivindicações populares e deman- Especial (MEC-SEESP, 1998), im-
O “deficiente pode se integrar na das de grupos ou categorias até en- plica em uma nova postura da escola
sociedade” tornou-se, assim, a matriz tão excluídos dos espaços sociais. regular que deve propor no projeto po-
política, filosófica e científica da Edu- Neste movimento, a luta pela ampli- lítico-pedagógico, no currículo, na me-
cação Especial. Este novo pensar so- ação do acesso e da qualidade da edu- todologia, na avaliação e nas estraté-
bre o espaço social das pessoas com cação das pessoas com deficiência gias de ensino, ações que favoreçam
deficiências, que tomou força em culminou, no inicio dos anos 90, com a inclusão social e práticas educati-
nosso país com o processo de rede- a proposta de Educação Inclusiva, vas diferenciadas que atendam a to-
mocratização, resultou em uma trans- hoje amparada e fomentada pela le- dos os alunos. Pois, numa escola in-
formação radical nas políticas públi- gislação em vigor, e determinante das clusiva a diversidade é valorizada em
cas, nos objetivos e na qualidade dos políticas públicas educacionais em detrimento da homogeneidade.
serviços de atendimento a este alu- nível federal, estadual e municipal Porém, para oferecer uma edu-
nado. (FERREIRA & GLAT, 2003). cação de qualidade para todos os edu-
Em termos de conceituação O conceito de escola inclusiva, candos, inclusive os alunos com ne-
teórica, sentiu-se, nesse momento, as
lacunas do modelo comportamental
/ instrumentalista em preparar ade-
quadamente as pessoas com defi-
ciências para sua plena integração so-
cial e educacional. Nesse sentido, dois
campos de investigação começaram
a se desenvolver. O primeiro voltado
para Psicologia da Aprendizagem, por
meio do estudo e aplicação para a
Educação Especial do construtivismo
de Jean Piaget e Emília Ferreiro e do
sociointeracionismo de Vigotsky. Es-
tas pesquisas mostraram que é possí-
vel para pessoas com deficiência cons-
truir conhecimento e se apropriar da
leitura e escrita em situações de inte-
ração social (MOUSSATCHÉ, 1992;
FERNANDES, 1993; FERNANDES,
1994; e outros).
A outra vertente teórica mais vol-
tada para os aspectos “psicossociais”
(AMARAL, 1995; GLAT, 1989; 1995;
OMOTE, 1994; e outros), teve o in-
teresse investigativo dirigido para as
condições de interação social, margi-
nalização, socialização, estigma que
promovem e mantêm a segregação
das pessoas com deficiências. Este
enfoque buscava entender o signifi-
cado ou representações que as pes-
soas têm sobre o deficiente, e como
esse significado determina o tipo de
relação que se estabelece com ele.
Recapitulando, no Brasil a ten-
dência para inserção de alunos com
necessidades especiais na rede regu-
lar de ensino já anunciada desde o fi-
nal dos anos 70, tomou vulto na dé-
cada de 80 com as discussões sobre
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cessidades especiais, a escola precisa condições institucionais necessári- BUENO, J. G. S. Educação Especial brasilei-
capacitar seus professores, preparar- as para sua viabilização. ra: integração / segregação do aluno dife-
se, organizar-se, enfim, adaptar-se. No que tange à produção de co- rente. São Paulo: EDUC/PUCSP, 1993.
“Inclusão não significa, simplesmen- nhecimento, na última década tem FERNANDES, E. M. Construtivismo e Edu-
cação Especial. Revista Integração. MEC /
te, matricular os educandos com ne- sido acumulado um significativo acer-
SEESP, 5 (11), pg 22-23, 1994
cessidades especiais na classe co- vo de pesquisas no Brasil, que ofere-
________ .”Educaç ão para todos - Saúde
mum, ignorando suas necessidades cem dados importantes sobre o pro- para todos”: a urgência da adoção de um
específicas, mas significa dar ao pro- cesso de inclusão e as dificuldades paradigma multidisciplinar nas políticas pú-
fessor e à escola o suporte necessá- enfrentadas pelo sistema educacional blicas de atenção à pessoas portadoras de
rio à sua ação pedagógica” (MEC- brasileiro para sua implementação. deficiências. Revista do Benjamim Cons-
SEESP, 1998). No entanto, ainda são poucas as pes- tant, 5 (14), pg. 3-19, 1999.
Conforme mostram Ferreira e quisas, experiências e práticas educa- FERNANDES, S. M. M. A educação do defi-
Glat (2003), o movimento em prol cionais, validadas cientificamente, que ciente auditivo: um espaço dialógico de
produção de conhecimento. Dissertação de
da Educação Inclusiva trouxe em sua mostrem como fazer para incluir no Mestrado, Universidade do Estado do Rio
gênese uma discussão sobre a finali- cotidiano de uma classe regular alunos de Janeiro, 1993.
dade da Educação Especial, mor- que apresentem diferentes tipos de ne- FERREIRA, J. R. e GLAT, R. Reformas edu-
mente no seu excesso de especializa- cessidades educacionais especiais. Se- cacionais pós-LDB: a inclusão do aluno
ção. A classificação de diferentes ti- gundo estudo de Glat, Ferreira, Oli- com necessidades especiais no contexto
pos de deficiências começou a ser veira e Senna (2003): da municipalização. In: Souza, D. B. & Fa-
colocada em segundo plano na de- ria, L. C. M. (Orgs.) Descentralização,
municipalização e financiamento da Edu-
finição geral de alunos com neces- Os atuais desafios da Educação cação no Brasil pós-LDB, pg. 372-390. Rio
sidades educacionais especiais, am- Inclusiva brasileira centram-se de Janeiro: DP&A, 2003.
pliando-se aí o leque de alunos que na necessidade de desenvolver GLAT, R. Um enfoque educacional para a
deveriam receber algum tipo de su- instrumentos de monitoramen- Educação Especial. Fórum Educacional, 9
porte, já que agora considera-se, tam- to sistemáticos (indicadores dos (1), pg. 88-100, 1985.
bém, qualquer dificuldade escolar, per- programas implantados), reali- ________ . Somos iguais a vocês: depoi-
manente ou temporária. zação de pesquisas qualitativas mentos de mulheres com deficiência men-
Neste contexto, é que se descor- e quantitativas que possam evi- tal. Rio de Janeiro: Agir Editora, 1989.
tina o novo campo de atuação da Edu- denciar os resultados dos progra- ________ . A integração social do porta-
dor de deficiência: uma reflexão. Rio de
cação Especial. Não visando impor- mas implantados e identificação
Janeiro: Editora Sette Letras, 1995.
tar métodos e técnicas especializados de experiências de sucesso; im-
GLAT, R.. FERREIRA, J. R; OLIVEIRA, E.
para a classe regular, mas sim, tornan- plantação de programas de ca- da S. G.& SENNA, L. A. G. Panorama
do-se um sistema de suporte perma- pacitação de recursos humanos Nacional da Educação Inclusiva no Brasil.
nente e efetivo para os alunos com que incluam a formação de pro- Relatório de consultoria técnica, Banco
necessidades especiais incluídos, bem fessores dentro da realidade das Mundial, 2003. Disponível em
como para seus professores. Como escolas e na sala de aula regular www.cnotinfor.pt/projectos/worldbank/in-
clusiva, acessado em 30/01/2005.
mencionado, a Educação Especial do sistema de ensino ( p.35).
não é mais concebida como um sis- KADLEC, V. P. S. e GLAT, R. A criança e suas
deficiências: métodos e técnicas de atua-
tema educacional paralelo ou segre- Esses autores apontam também ção psicopedagógica. Rio de Janeiro: Edi-
gado, mas como um conjunto de re- para o fomento de formas de partici- tora Agir, 1984.
cursos que a escola regular deverá dis- pação das comunidades escolares na MOUSSATCHÉ, A. H. A. Aquisição de lin-
por para atender à diversidade de seus construção dos planos estratégicos de guagem escrita em crianças portadoras de
alunos. ação para tornar as suas escolas mais Síndrome de Down. Dissertação de Mes-
No entanto, em que pese o inclusivas, valorizando e utilizando os trado, Universidade do Estado do Rio de
recursos já existentes, levando-se em Janeiro, 1992.
crescente reconhecimento da Edu-
cação Inclusiva como forma priori- conta as particularidades contextuais OMOTE, S. Deficiência e não-deficiência:
e locais. recortes do mesmo tecido. Revista Brasi-
tária de atendimento a alunos com leira de Educação Especial, 1(2), pg. 65-
necessidades educacionais especi- 74, 1994.
ais, na prática este modelo ainda Bibliografia PEREIRA, O. S. Educação integrada: somos
não se configura em nosso país todos responsáveis. Revista Integração, 3
como uma proposta educacional AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência (6), 16-17, 1990.
(em companhia de Hércules). São Paulo:
amplamente difundida e comparti- Robel, 1995.
UNESCO. Declaração de Salamanca e Linha
lhada. Embora nos últimos anos de Ação sobre Necessidades Educativas
BRASIL. Ministério da Educação. Secreta- Especiais. Brasília: CORDE, 1994.
tenham sido desenvolvidas experi- ria de Educação Especial. Diretrizes Cur-
ências promissoras, a grande maio- riculares Nacionais para a Educação Es-
ria das redes de ensino carece das pecial, 1998.
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