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A FIGUEIRA MURCHA E A ESTERILIDADE CRISTÃ

Mateus 21.17-20

INTRODUÇÃO

1. O Texto
Essa história só e encontrada aqui e em Marcos 11.12-14,20-26. É bom lembrar que
há uma diferença fundamental entre as duas versões do relato.
a) Na versão do Mateus a figueira se seca imediatamente: “E a figueira secou
imediatamente. ” Esse imediatamente significa em seguida.
b) Por outro lado, na versão do Marcos não passa nada com a figueira em
seguida; só na manhã seguinte, quando voltam a passar pelo mesmo caminho, os
discípulos se dão conta de que se secou.

Visto que existem estas duas versões do relato, pode-se deduzir que houve algum
desenvolvimento e como a versão de Marcos é a mais antiga, deve ser a mais fiel
aos fatos.

2. A Figueira
Marcos informa-nos que, embora não fosse estação de figo, a arvore tinha folhas. As
folhas da figueira nascem na mesma época que os frutos ou pouco depois dele.
Portanto, em geral, as folhas indicam que há fruto, mesmo que ainda não esteja
totalmente maduro.

O fato de não ser tempo de figo explica por que Jesus foi até essa arvore especifica,
que se destacava por estar com folhas. Suas folhas anunciavam que estava dando
fruto, mas o anuncio era falso. Jesus, incapaz de satisfazer sua fome, viu a
oportunidade de ensinar uma lição memorável e amaldiçoou a figueira, não porque
não estava produzindo frutos, quer na estação quer fora dela, mas porque ela deu
uma amostra de vida que promete fruto, mas não produz nenhum. 1

3. A Explicação
Este episódio da figueira sendo amaldiçoada por Jesus tem um significado
importante aqui. Dada sua proximidade com a purificação do templo, e um
indiciamento dos principais sacerdotes e escribas, que se opõem as ações de Jesus.
a) Transformar a casa de oração em comércio, v. 12-13
b) O desprezo a prática de misericórdia, v.14-15
c) E o desconhecimento da questão profética em que as crianças louvam ao
Senhor Jesus, v. 16 (Sl 8.2). 2

Jesus usou a figueira como uma lição objetiva, como um sinal dramático ou
como simbolismo profético acerca do destino da infrutífera Israel, tudo está bem
claro. A figueira era uma figura e um símbolo familiar para Israel, e esta parece ser a
lição na parábola da figueira infrutífera em Lucas 13:6-9. O sacrifício de uma árvore,
à beira do caminho, se justificaria, se ele pudesse despertar os doze e a sua nação

1
CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010, p. 517
2
ARRINGTON, French L. & STRONDSTAD, Roger. Comentário Pentecostal – Novo Testamento. Rio de
Janeiro, CPAD, 2003, p. 118.
para o terrível perigo que os ameaçava (cf. 21:41,43). A lição igualmente podia ser
aplicada como advertência contra a esterilidade na vida individual (cf. João 15:2-6). 3

O intimo relacionamento entre a purificação do templo e o ressecamento da figueira


nos sugere que este último elemento incidental deve ser tomado como profecia: a
nação judaica haveria de vir a ser julgada por não ter produzido o fruto que seria de
se esperar de um povo privilegiado por Deus. Um pouco antes, Joao Batista havia
dito aos fariseus e saduceus que “toda arvore que não produz bom fruto, será
cortada e lançada ao fogo” (3:10). 4

A árvore pretensiosa, porém estéril, era um perfeito emblema de Israel. a figueira


pretensiosa tinha seu fac-símile no templo, onde nesse mesmo dia (segunda-feira),
como já se observou, estava se realizando um ativo negócio para que os sacrifícios
pudessem ser oferecidos, enquanto, ao mesmo tempo, os sacerdotes estavam
conspirando para matar aquele sem o qual essas oferendas eram destituídas de
qualquer sentido. Rica de folhas, porém carente de frutos. Febril atividade religiosa
(?), porém insincera e destituída de verdade.5

Mathew Henry, diz que: “Isso representa a situação da nação e do povo judeu em
particular. Eles eram uma figueira plantada no caminho de Deus, como uma igreja.
(...) Jesus (...) encontrou somente folhas. Eles chamavam Abraão de seu pai, mas
não faziam as obras de Abraão; eles professavam estar esperando o Messias
prometido, mas, quando Ele veio, eles não o receberam. A maldição que Ele lhes
infligiu: que nenhum fruto cresceria entre eles, ou seria colhido deles, como uma
igreja ou como um povo, desde então e para sempre. ” 6

4. Aplicação
Está parábola é uma palavra de exortação, é um grito de condenação, a esterilidade
da vida cristã e aos crentes sem frutos.
a) Esta atitude simbólica ensinava que a inutilidade atrai o desastre. Essa é a
lei da vida. Algo inútil, está no caminho da eliminação. Tanto as coisas como as
pessoas só justificam sua existência quando cumprem com o objetivo para o qual
foram criadas. A figueira era inútil, portanto estava condenada.
b) Este incidente ensina que a profissão sem a prática está condenada. A
árvore tinha folhas, isso indicava que teria figos, mas não os tinha, sua pretensão
era falsa, de maneira que estava condenado. 7

Spurgeon escreveu: “Enganam-se todos quantos pensam que basta produzir apenas
a "folhagem" do cristianismo, sem contudo evidenciarem uma vida santa. A profissão
de fé sem a graça divina é a pompa funerária de uma alma morta" 8

Embora muito se esqueçam disso, mas cada um de nós fomos colocados no jardim
de Deus (Igreja) para produzirmos frutos – “Não fostes vós que me escolhestes a
3
ALLEN, Clifton. Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamento. Rio de Janeiro: JUERP, 1986, p. 250
4
MOUNCE, Robert H. Mateus: Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1996, p.
208-209.
5
HENDRIKSEN, William. Mateus: Comentário do Novo Testamento [Volume 2]. São Paulo: Cultura Cristã,
2000, p. 383.
6
HENRY, Mathew. Mateus a João: Comentário Bíblico do Novo Testamento. Rio de janeiro: CPAD, 2008, p.
270.
7
BARCLAY, W. Mateus – Novo Testamento Comentado. Buenos Aires: Ediciones La Aurora, 1984, p. 681-682.
8
SPURGEON, Charles. A Figueira Murcha. São Paulo: PES, 2009. P.3
mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e
deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em
meu nome, ele vo-lo conceda” - Jo 15:16.

Caso não venhamos produzir o fruto tão desejado pelo Senhor, seremos cortados da
sua comunhão e atirado ao fogo da provação e condenação eterna – “Já está posto
o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada
e lançada ao fogo” - Mt 3:10.

Nós somos como figueiras plantadas no jardim de Deus (igreja) e que o Senhor
Jesus no tempo dele irá fazer uma breve inspeção na nossa vida.

I. A INSPEÇÃO PELO REI JESUS.


a) Ele procurará fruto, v.19 - Ele perscruta profundamente a nossa vida para ver
se tem fruto, alguma fé genuína, algum amor verdadeiro, algum fervor na oração. Se
ele não ver frutos não ficará satisfeito.

b) Jesus tem o direito de esperar fruto quando Ele vem procurá-lo - Ele tinha
direito de encontrar fruto porque o fruto aparece primeiro, depois as folhas. Aquela
árvore estava fazendo propaganda de algo que ela não possuía. Conforme João
15.8 o Pai é glorificado quando produzimos muito fruto e essa é a prova de que
somos discípulos de Jesus – “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e
assim vos tornareis meus discípulos”.

c) Fruto e o que o Senhor deseja ardentemente - Jesus teve fome. Ele procurava
fruto e não folhas. Ele não se satisfaz com folhas. Ele sente necessidade de sermos
santos – “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus,
tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” - Rm 6:22.

Santidade é o fruto que cada crente deve produzir.

d) Quando Jesus se aproxima de uma alma Ele se aproxima com


discernimento agudo - Dele não se zomba. A Ele não podemos enganar. Já pensei
ser figo aquilo que não passava de folha. Mas Jesus não comete engano.

Ele não julga segundo a aparência – “Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu
próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se
vindimam uvas”, Lc 6:44.

II. UMA PROFISSÃO FERVENTE, MAS SEM FRUTO.


a) Onde deveria achar fruto, achou somente folhas - Se eu professo a fé sem a
possuir não se trata de uma mentira? Se eu professo arrependimento sem tê-lo não
é uma mentira? Se eu participo de ceia, mas estou em pecado e não amo aos meus
irmãos não é isso uma mentira? A profissão de fé sem a graça divina é a pompa
funerária de uma alma morta.

A Palavra de Deus diz – “E também já está posto o machado à raiz das árvores;
toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”, Lc 3.9.
b) Jesus condenou a árvore infrutífera - Jesus não apenas a amaldiçoou, ela já
era uma maldição. Ela não servia para o revigoramento de ninguém – “Toda árvore
que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” Mt 7:19.

c) Ele pronunciou a sentença contra ela - A sentença foi fica como está, estéril,
sem fruto - “e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não
tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira
secou imediatamente”, - Mt 21:19.

“Como secou imediatamente a figueira?” Não havia causa visível para a figueira
murchar, mas tinha sido uma destruição secreta, um verme na sua raiz; não
somente as suas folhas secaram, mas todo o corpo da arvore; ela murchou
imediatamente e ficou como uma madeira seca. As maldições do Evangelho são, por
isso, as mais terríveis, pois trabalham de maneira imperceptível e silenciosa, como
um fogo não espalhado, mas efetivamente. 9

Continue sem a graça. Jesus dirá no dia final APARTAI-VOS para aqueles que
viveram a vida toda apartados. Continue o imundo sendo imundo.

CONCLUSÃO
Deus nos plantou neste mundo com um único propósito – “Não fostes vós que me
escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para
que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto
pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” - Jo 15:16.

Este fruto é um tipo de fruto que só poderemos produzi se tivermos com total
compromisso com o Senhor Jesus – “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem
permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis
fazer”, Jo 15:5.

Esses frutos são bem especificados na própria Palavra do Senhor:

a) Frutos de santidade – “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,


longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Contra estas coisas não há lei”, – Gl 5.22-23.

b) Frutos da luz – “porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e


verdade”, Ef 5:9.

c) Frutos de louvor – “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre,


sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome”, Hb 13:15.

Se Deus visitasse o seu jardim nesta noite que tipo de árvores ele iria encontrar: -
Folhas ou frutos?

9
HENRY, Mathew. Mateus a João: Comentário Bíblico do Novo Testamento. Rio de janeiro: CPAD, 2008, p.
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