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Resistência dos materiais,

volume 1

Humberto Ritt

Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares


© 2011 by Universidade de Uberaba

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Produção de Material Didático:


• Comissão Central de Produção
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Editoração:
Supervisão de Editoração
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Capa:
Toninho Cartoon

Edição:
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário

Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE

Ritt, Humberto.
S11r Resistência dos materiais, volume 1 / Humberto Ritt, Larissa Soriani Zanini
Ribeiro Soares – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2011
140 p. : il.

ISBN 978-85-7777-459-3

1. Mecânica dos sólidos. 2. Deformações e tensões. 3. Resistência ao


cisalhamento. I. Ritt, Humberto. II. Soares, Larissa Soriani Zanini Ribeiro.III.
Universidade de Uberaba. IV. Título.

CDD: 531
Sobre os autores
Humberto Ritt

Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de


Janeiro (UFRJ). Graduado em Engenharia Civil pela Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM). Docente da Universidade Federal
do Triângulo Mineiro (UFTM).

Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Graduada em Engenharia Civil pela Universidade de Uberaba


(Uniube). Professora das disciplinas Física e Matemática no Ensino
Médio, na rede estadual de ensino.
Sumário
Apresentação..................................................................................................VII

Capítulo 1 Análise de tensões: carga axial e esforço cortante......1


1.1 Conceitos fundamentais.................................................................................3
1.2 Conceito de tensão e suas unidades.............................................................5
1.3 Tensão normal média em uma barra sujeita à carga axial............................... 6
1.4 Tensão de cisalhamento...............................................................................10
1.5 Tensão de esmagamento.............................................................................14
1.6 Softwares e programas de apoio.................................................................15
1.7 Tensões admissíveis....................................................................................18
1.8 Tensões atuantes em um plano oblíquo ao eixo..........................................22

Capítulo 2 Análise de tensões e deformações: carregamento


axial e Lei de Hooke....................................................29
2.1 Conceito de deformação.............................................................................. 31
2.2 Deformação específica normal..................................................................... 31
2.3 Propriedades mecânicas dos materiais – diagrama tensão x deformação.....36
2.4 Comportamento elástico e plástico dos materiais........................................ 47
2.5 Lei de Hooke e módulo de elasticidade....................................................... 49
2.6 Deformação de barras sujeitas a cargas axiais........................................... 52
2.7 Problemas envolvendo variação de temperatura......................................... 61

Capítulo 3 Análise de tensões e deformações: estados múltiplos


de carregamento.........................................................71
3.1 Coeficiente de Poisson................................................................................. 72
3.2 Deformação de cisalhamento....................................................................... 80
3.3 Relação entre E, ν e G................................................................................. 86
3.4 Lei de Hooke generalizada........................................................................... 88
3.5 Tensões devidas a carregamento combinado – aplicação da Lei de Hooke
generalizada a vasos de pressão................................................................. 94
3.6 Princípio de Saint-Venant............................................................................. 98
3.7 Deformação plástica................................................................................... 100
3.8 Concentração de tensão............................................................................ 101

Capítulo 4 Tensão normal e de cisalhamento em vigas,


carregamento combinado (flexão oblíqua composta).. 105
4.1 Deformação em elementos retilíneos......................................................... 106
4.2 Flexão.........................................................................................................109
4.3 Tensão normal............................................................................................109
4.4 Tensão de cisalhamento em vigas............................................................. 116
4.5 Combinação de carregamento combinado – flexão oblíqua composta........124
Apresentação
Caro(a) aluno(a).

A Resistência dos materiais, também chamada de Mecânica dos


materiais ou Mecânica dos sólidos, é um ramo das ciências físicas
que estuda a resposta dos corpos diante da ação de forças, tratan-
do-as como corpos deformáveis. Estuda as tensões e deformações
causadas em elementos, equipamentos ou estruturas, considerando
as forças extremas aplicadas e as condições de apoio, além do com-
portamento do material diante dos esforços internos ou solicitantes.

Ela é importante para todas as engenharias, uma vez que possibilita


o cálculo das máximas tensões (determinantes de sua resistência)
em estruturas mediante esforços internos que atuam sobre ela e,
também, as máximas deformações (determinantes de sua rigidez).
Essas duas grandezas são fundamentais, pois nos informam se a
estrutura resistirá ou não aos esforços aplicados ou não apresentará
deformações excessivas que podem comprometer o desempenho e
funcionalidade.

Na análise ou projeto de uma máquina ou estrutura, é necessário


aplicar as equações de equilíbrio estático para determinar os esfor-
ços que atuam sobre o elemento, bem como em suas seções trans-
versais. Por essa razão, uma revisão dos conceitos fundamentais da
estática é importante neste momento.

A compreensão e a determinação do comportamento do material dian-


te das solicitações, envolvendo suas dimensões, estabilidade, princí-
pios e respostas, abordadas em resistência dos materiais, constitui-
-se nos fundamentos para as fórmulas e procedimentos de projetos
definidos nas normas de dimensionamento. O livro Resistência dos
materiais, volume 1, foi organizamos em quatro capítulos, distribuí-
dos como segue:
VIII UNIUBE

• no primeiro capítulo, intitulado “Análise de tensões: carga axial


e esforço cortante”, você aprenderá os conceitos da resistên-
cia dos materiais para solucionar problemas, a utilizar ordens
de grandeza e consistência de unidades, a determinar tensões
causadas por carga axial e esforço cortante (cisalhante). Verá,
também, softwares específicos para análise de tensões;
• no segundo capítulo, intitulado “Análise de tensões e deforma-
ções: carregamento axial e Lei de Hooke”, você dará continuida-
de aos estudos sobre os conceitos de resistência dos materiais,
a determinar tensões e deformações causadas por carregamento
axial, variação de temperatura e esforço cortante. Verá o com-
portamento dos materiais diante das solicitações, de acordo com
suas propriedades mecânicas;
• no terceiro capítulo, intitulado “Análise de tensões e deforma-
ções: estados múltiplos de carregamento”, você aprenderá a
calcular tensões e deformações causadas por um estado geral
de carregamento;
• no quarto capítulo, intitulado “Tensão normal e de cisalhamento
em vigas, carregamento combinado (flexão oblíqua composta)”,
você verá como determinar as tensões causadas pelos carrega-
mentos nas vigas e o esforço cortante (cisalhamento), como criar
condições para verificação das condições de segurança de um
elemento estrutural. Aprenderá a avaliar a resposta da estrutura
frente à combinação e solicitações de esforços.

Os conteúdos abordados são fundamentais para sua atuação. Assim,


recomendamos que estude-os com afinco e determinação.

Bons estudos!
UNIUBE 1
Capítulo Análise de tensões: carga
1 axial e esforço cortante

Humberto Ritt
Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Introdução

Para sua atuação na engenharia civil, é fundamental que você


tenha conhecimentos sobre o comportamento dos materiais
diante dos carregamentos a eles impostos, por exemplo, for-
ças, pesos, ventos, sobrecargas etc.

Assim, elaboramos este capítulo, cujo objetivo principal é o es-


tudo das tensões nos materiais (estruturas, máquinas, equipa-
mentos etc.). Para tanto, utilizaremos os conceitos abordados
nas etapas anteriores, nos capítulos intitulados Estática dos
pontos materiais, Equilíbrio dos Corpos Rígidos e Esforços In-
ternos em Estruturas.

A Resistência dos materiais ou Mecânica dos materiais, ou


também chamada de Mecânica dos sólidos, é um ramo das
ciências físicas que estuda a resposta dos corpos diante da
ação de forças, tratando-as como corpos deformáveis. Estuda
as tensões e deformações causadas em elementos, equipa-
mentos ou estruturas, considerando as forças extremas apli-
cadas e as condições de apoio, além do comportamento do
material diante dos esforços internos ou solicitantes.

Na análise ou projeto de uma máquina ou estrutura, é neces-


sário aplicar as equações de equilíbrio estático para determi-
nar os esforços que atuam sobre o elemento, bem como em
suas seções transversais. Por essa razão, uma revisão dos
conceitos fundamentais da estática é importante neste mo-
mento.
2 UNIUBE

A compreensão e a determinação do comportamento do ma-


terial diante das solicitações, envolvendo suas dimensões,
estabilidade, princípios e respostas, abordadas em resistên-
cia dos materiais, constitui-se nos fundamentos para as fór-
mulas e procedimentos de projetos definidos nas normas de
dimensionamento.

Nas próximas páginas deste capítulo, apresentaremos con-


ceitos, fundamentos, formulação e aplicações referentes à
análise de tensões devidas ao carregamento axial e cisa-
lhante. Primeiramente, veremos o conceito de tensão e suas
unidades, seguido da diferenciação entre tensão normal, ten-
são de cisalhamento e tensão de esmagamento. As tensões
atuantes em um plano oblíquo e a utilização de coeficientes
de segurança para determinação de tensão admissível serão
discutidas em seguida.

Objetivos
Ao completar os estudos propostos neste capítulo, espera-
se que você seja capaz de:

• empregar conceitos da resistências dos materiais para


solucionar problemas;
• utilizar ordens de grandeza e consistência de unidades;
• determinar tensões causadas por carga axial e esforço
cortante (cisalhante);
• conhecer softwares específicos para análise de tensões.

Esquema

1.1 Conceitos fundamentais


1.2 Conceito de tensão e suas unidades
1.3 Tensão normal média em uma barra sujeita à carga axial
1.4 Tensão de cisalhamento
1.5 Tensão de esmagamento
UNIUBE 3

1.6 Softwares e programas de apoio


1.7 Tensões admissíveis
1.8 Tensões atuantes em um plano oblíquo ao eixo

1.1 Conceitos fundamentais


Para exemplificar uma situação-problema envolvendo a Resistên-
cia dos materiais, considere o esquema apresentado pela Figura 1.

Figura 1: Estrutura composta de uma barra BDE e um cabo


AD, sujeitos a um carregamento W aplicado no ponto E.

A força de tração no cabo AD e as reações de apoio no pino B po-


dem ser determinadas através das equações de equilíbrio estático,
porém algumas questões podem ser respondidas somente por meio
do emprego de princípios e procedimentos da resistência dos mate-
riais, como:

• qual a carga W que causaria a ruptura do cabo ou a quebra da


barra, e onde isto ocorreria?
• qual a relação entre o deslocamento vertical δ e o peso W?
• qual a melhor seção transversal para a barra?
• qual o material adequado para o cabo e para a barra?
4 UNIUBE

As duas primeiras questões envolvem a análise, ou seja, a obtenção


de dados do sistema de carregamento através do estudo do compor-
tamento deste diante do carregamento. As outras duas são questões
de projeto, em que, segundo critérios de desempenho, são seleciona-
dos o material e a sua geometria.

Visualiza-se na Figura 1, a configuração deformada da montagem


após a aplicação do carregamento, pois a resistência dos materiais
considera os corpos como sendo deformáveis, ou seja, eles variam
de tamanho e/ou forma, devido à aplicação de cargas ou variação
de temperatura. Estas mudanças são chamadas de deformação,
que podem ser tão pequenas que, às vezes, são invisíveis a olho nu.

Portanto, os problemas da mecânica dos materiais envolvendo os


corpos deformáveis enquadram-se em duas categorias: problemas
de resistência, ou seja, o elemento tem que ser forte o bastante para
suportar o carregamento sem apresentar colapso ou problemas de
rigidez, nos quais ele tem que ser rígido o suficiente, ou seja, a sua
deformação tem que estar dentro de limites aceitáveis.

Para resolver os problemas de resistência e rigidez, três equações


fundamentais são usadas:

• as condições de equilíbrio estático, que você aprendeu em seu


estudo anterior de estática, aplicando-as a partículas e a corpos
rígidos, através do uso de diagramas de corpo livre – DCL. Por
meio destas equações, são determinadas as reações de apoio e
os esforços internos solicitantes nas seções transversais;
• a geometria da deformação, que inclui as simplificações e idea-
lizações, como as condições de contorno e conexões, elemento
rígido, suporte fixo e pequenos deslocamentos;
• o comportamento do material, isto é, as relações força-tempera-
tura-deformação que descrevem os materiais, estabelecidas por
experimentos.
UNIUBE 5

1.2 Conceito de tensão e suas unidades

Considerando o cabo AD da montagem apresentada anteriormente


na Figura 1, tem-se uma força interna FAD de tração, representando a
resultante das forças elementares que se encontram distribuídas em
toda a área da transversal A do cabo AD, que pode ser representada
pela Figura 2.

Figura 2: Seção transversal do cabo AD e as forças distribuídas na área.

A resistência do cabo AD depende da capacidade do material em


suportar a intensidade das forças distribuídas sem apresentar ruptura.

Conceitua-se como tensão atuante a força por unidade de área ou a


intensidade das forças distribuídas em uma seção transversal, Figu-
ra 3, indicada pela letra grega σ (sigma).

Considerando uma barra sujeita a uma força axial P, a tensão é obti-


da dividindo-se P pela área da seção transversal A.

P
σ=
A

Figura 3: Distribuição da tensão atuante na seção transversal de uma barra.


6 UNIUBE

No Sistema Internacional de Unidades, a tensão é expressa em N/m2,


chamada de pascal (Pa). Em termos práticos, utilizam-se múltiplos
dessa unidade:
1 kPa quilopascal = 10³ Pa = 1000 N/m²
1 MPa megapascal = 106 Pa = 1000000 N/m²
1 GPa gigapascal = 109 Pa = 1000000000 N/m2

Na maioria das vezes, utiliza-se a força em N e a área em m2, tendo


como resultado a tensão em N/m2, que equivale a 1 Pa.

No Sistema Inglês, a força é expressa em libras (lb) ou quilolibras (kip)


e a área em polegadas quadradas (in2), sendo a tensão expressa em
lb/in2 (psi) ou kip/in2 (ksi).

1.3 Tensão normal média em uma barra sujeita à carga


axial

A tensão em um ponto da seção transversal Figura 4 é o valor limite


da força por unidade de área, quando a área tende a zero.

Figura 4: Tensão atuante em uma seção


transversal.
UNIUBE 7

Entretanto, algumas hipóteses devem ser estabelecidas:

• a barra é prismática, ou seja, é reta e tem a mesma seção ao


longo de todo o seu comprimento;
• a barra permanece reta após a carga ser aplicada e as seções
transversais permanecem planas durante a deformação;
• não são consideradas as regiões próximas às extremidades,
onde as forças externas provocam distorções. Portanto, a dis-
tribuição da tensão é uniforme;
• a carga é aplicada ao longo do eixo que passa pelo centroide
da seção transversal;
• o material é homogêneo, isto é, possui as mesmas propriedades
físicas e mecânicas em todo o seu volume;
• o material é isotrópico, isto é, possui essas mesmas proprieda-
des em todas as direções.

Desta forma, tem-se a expressão para o cálculo da tensão normal


atuante em uma barra:

P
σ=
A
Sendo:

• P: a carga axial;
• A: a área da seção transversal.

Este tipo de tensão ocorre, por exemplo, em cabos, tirantes, pilares,


colunas, escoras e treliças. Quanto ao sinal, a tensão é positiva em
barras tracionadas e negativa em barras comprimidas, conforme re-
presentamos na Figura 5.
8 UNIUBE

Figura 5: Tensão normal de tração e compressão.

Exemplo 1

Determine a tensão normal atuante nas barras da treliça (mão-fran-


cesa) mostrada na Figura 6.

Figura 6: Estrutura em treliça, composta de


barras de seção circular.

Resolução

Deve-se, inicialmente, encontrar as forças internas atuantes nas bar-


ras AB e BC, fazendo-se o diagrama de corpo livre (DCL) do ponto B,
e aplicando as equações de equilíbrio estático da partícula:
UNIUBE 9

Figura 7: Diagrama de corpo livre.

IMPORTANTE!

O sinal negativo indica S.C.A., ou seja, sentido contrário ao arbitrado,


sendo, portanto, a barra BC comprimida.

Substituindo o valor de , obtém-se o valor de :

(a barra AB é tracionada)

A tensão normal é obtida através da expressão :

• barra AB:

• barra BC:
10 UNIUBE

Atividade 1

A barra rígida ABC Figura 8 suporta um peso W = 80 kN. A barra é


rotulada no ponto A e suportada por uma haste (1) em B, que tem
uma seção transversal circular. Se a tensão normal na haste (1) é
limitada em 30 MPa, determine o diâmetro mínimo requerido para a
haste, em mm.

Figura 8: Barra rígida ABC.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

1.4 Tensão de cisalhamento

Um tipo diferente de tensão ocorre quando as forças são aplicadas


transversalmente à barra, conforme mostra a Figura 9.

Figura 9: Barra submetida a forças transversais.


UNIUBE 11

Se considerarmos uma seção transversal entre os pontos de aplica-


ção das forças, tem-se uma força cortante V = P, que dividida pela
área, fornece a tensão média de cisalhamento, representada pela le-
tra grega τ (tau).
V
τ=
A

A tensão de cisalhamento ocorre, por exemplo, em ligações cola-


das, parafusadas ou soldadas.

A Figura 10 mostra a ligação entre barras através de um parafuso


em A e de um pino em B.

Figura 10: Detalhe de ligação entre barras, através de parafuso e pino.

O parafuso A está sujeito ao cisalhamento simples, pois apresenta


apenas uma área de corte. O pino B apresenta duas áreas de cor-
te, sujeito, portanto, ao cisalhamento duplo.

Exemplo 2

A barra AB, com seção transversal em perfil I, suporta o carrega-


mento uniformemente distribuído, conforme mostrado nas figuras
11 e 12. Determine:

• a tensão normal atuante na haste (1);


• a tensão de cisalhamento atuante no pino A;
• a tensão de cisalhamento atuante no pino B.
12 UNIUBE

Figura 11: Carregamento horizontal distribuído


uniformemente sobre um perfil.

Resolução

Fazendo-se o DCL da barra AB, onde a carga uniforme distribuída


de 20 kN/m é substituída por sua resultante 100 kN (20 kN/m.5 m).

Figura 12: Diagrama de corpo livre.


UNIUBE 13

∑M
↵+
A =0 F1 . sen θ . 5 – 100 . 2,5 = 0

F1 = 97,2 kN

∑ Fx = 0
→+
Ax + F1.senθ = 100

Ax = – 50 kN

∑ Fy = 0
↑+
Ay . = F1 cosθ

Ay . = 83,35 kN

A força resultante de cisalhamento no pino A é dada por:

A2 = Ax2 + Ax2 A = 97,2 kN

O comprimento da haste (1) é dado por:

L12 = 32 + 52 = 5830 mm

A tensão normal atuante na haste (1):

97, 2.10³
=σ1 = 137,5MPa
π .30²
4

A tensão de cisalhamento atuante no pino A:

97, 2.10³
=τA = 198MPa
π .25²
4

A tensão de cisalhamento atuante no pino B:

97, 2.10³
=τB = 154, 7 MPa
2.π .20²
4
14 UNIUBE

Atividade 2

A montagem mostrada na Figura 13 é suportada pela haste AB e


pelo suporte C, na qual o parafuso tem um diâmetro de 32 mm e está
sujeito a cisalhamento duplo. Determine a tensão de cisalhamento
atuante no parafuso C.

Figura 13: Montagem – Haste, suporte e parafuso.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

1.5 Tensão de esmagamento

Um tipo especial de tensão normal ocorre em ligações com parafu-


sos, pinos ou rebites, ao longo da superfície de contato destes com
as barras, conforme mostra a Figura 14. Esta tensão, se atingir va-
lores elevados, pode causar um esmagamento da barra em torno
do parafuso, e causar o colapso da ligação. É expressa por:

P
σ e
=
D.t

Sendo:

• D: o diâmetro do parafuso;
• t: a espessura da barra.
UNIUBE 15

Figura 14: Tensão de esmagamento atuante em uma ligação.

1.6 Softwares e programas de apoio

Vamos conhecer um pouco do Mecmovie!

É um sistema integrado de aprendizagem, por meio do qual pode-


-se acompanhar todas as etapas da resolução de um problema
envolvendo a análise de tensão e deformação. A seguir, na Figura
15, é mostrada a tela inicial do programa.

Figura 15: Tela principal do programa Mecmovie.


16 UNIUBE

Acesse o endereço <http://web.mst.edu/~mecmovie>, clique em uma


das opções do menu à esquerda, como por exemplo 1.Stress. Clique
novamente sobre uma das janelas mostradas à direita, e acompa-
nhe os conceitos, o desenvolvimento da formulação e a resolução
dos exercícios.

Algumas das janelas apresentam a opção “try one” ou “concept


checkpoints”, onde é exposto um problema, que após ser resolvido
manualmente, à parte, digita-se as respostas nas janelas correspon-
dentes. (Figura 16).

Figura 16: Tela do Mecmovie, mostrando os exemplos sobre análise de tensão.

Exemplo 3

Determine a tensão normal atuante na área bruta e na área líquida


da chapa, bem como a tensão de esmagamento que ocorre entre
o pino e a chapa e a tensão de cisalhamento no pino. Considere
P = 16 kN. (Figura 17).
UNIUBE 17

Figura 17: Montagem sujeita a uma carga P.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Resolução

Verificação da tensão normal na área bruta da chapa:

P 16000
σ= σ= σ = 48,5MPa
A 6.55

Verificação da tensão normal na área líquida da chapa, como é exe-


cutado um furo na chapa para a instalação do pino, com o mesmo
diâmetro deste, a largura útil fica reduzida: 55 – 15 = 40 mm:

P 16000
σ= σ= σ = 66, 7MPa
A 6.40

Verificação da tensão de esmagamento atuante entre o pino e a chapa:

P 16000
σe = σ= σ e = 177,8MPa
D.t 15.6
18 UNIUBE

Verificação da tensão de cisalhamento no pino, como se tem apenas


um pino, que apresenta somente uma área de corte, em que A é a

π .15²
=
área da seção transversal do pino (A = 176, 7 mm² ), tem-se:
4

P 16000
τ= τ= τ = 90, 6MPa
A 176, 7

PESQUISANDO NA WEB

Outros exemplos de situação-problema são disponibilizados por meio do


software MDSolids, programa educacional para análise de tensões e de-
formações, que pode ser obtido no endereço <http://www.mdsolids.com>.

Outra importante ferramenta para o estudo da resistência dos mate-


riais é o programa Mecmovie, disponível no endereço <http://web.mst.
edu/~mecmovie>.

1.7 Tensões admissíveis

O projeto de engenharia compreende a concepção de componen-


tes, sistemas ou processos, utilizando-se dos recursos naturais para
atender às necessidades da sociedade em diversas áreas, como ha-
bitação e infraestrutura.

A resistência dos materiais é fundamental para o desenvolvimento


destes projetos que envolvem estruturas, como pontes, torres, co-
berturas, vigas, pilares etc.

Nestes, a seleção de uma configuração viável para a estrutura, a


especificação do material e as dimensões dos elementos que a com-
põem, devem ser feitas de modo a garantir que não ocorram falhas
sob as diversas condições de carregamento.
UNIUBE 19

O engenheiro projetista deve levar em consideração incertezas como


suposições e aproximações feitas em relação às cargas externas atu-
antes, dimensões, processo de fabricação do material e execução.

O engenheiro deve assegurar que a carga de ruptura Pu (que causa


a falha de um elemento) esteja acima do carregamento admissível
Padm. Assim:

Pu
Padm =
CS
Sendo:

• CS: o Coeficiente de Segurança ou Fator de Segurança (FS).

O CS está relacionado à natureza da falha, importância do elemen-


to, tipo de carregamento, custo etc., e varia geralmente de 1 a 5 e
é especificado em normas relativas a cada material.

Se existir uma relação linear entre as cargas aplicadas e as ten-


sões devidas, pode-se usar:
σu
σ adm =
CS
τu
τ adm =
CS
Sendo:
• σu e τu: as tensões últimas;
• σadm e τadm: as tensões normal e de cisalhamento admissíveis,
respectivamente.

Exemplo 4

Determine a carga máxima P que pode ser aplicada à montagem


ilustrada, sabendo-se que o material da barra (1) apresenta uma
tensão normal última de 480 MPa e a tensão de cisalhamento úl-
tima nos parafusos é de 360 MPa, e desejando-se atender a um
coeficiente de segurança igual a 3,0, como mostra a Figura 18.
20 UNIUBE

Diâmetro dos parafusos = 25 mm

Dimensões da chapa (1) = 200 . 10 mm

Figura 18: Detalhe da ligação entre a barra (1) e um suporte, através de dois
parafusos.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Resolução

Cálculo das tensões admissíveis:

σu 480
σ adm
= = = 160 N / mm 2
= 160 MPa
CS 3

τu 360
τ adm
= = = 120 N / mm 2
= 120 MPa
CS 3

Verificação da tensão normal na área bruta da barra (1):

P P
σ= 160 = P = 320000 N
A 10.200

Verificação da tensão normal na área líquida da barra (1), como são


executados furos na barra para a instalação dos parafusos, com o mes-
mo diâmetro destes, a largura útil fica reduzida: 200 – 2.25 = 150 mm:

P P
σ= 160 = P = 240000 N
A 10.150

Verificação da tensão de esmagamento atuante entre os parafusos


e a barra (1):

P P
σe = 160 = P = 80000 N
D.t 2.25.10
UNIUBE 21

Verificação da tensão de cisalhamento nos parafusos, como são


dois parafusos e cada um apresenta duas áreas de corte, em que A

π .25²
=
é a área da seção transversal do parafuso (A = 490,9mm² ),
tem-se: 4

P P
τ= 120 = P = 235632 N
4A 4.490,9

Portanto, a carga máxima que pode ser aplicada é (80000 N ou 80


kN). Observe que é o menor dos valores encontrados, pois atende
a todos os critérios de segurança.

Atividade 3

Duas barras de material plástico (1) e (2) são unidas através de


chapas coladas, como mostra a Figura 19. A tensão de cisalhamento
última da cola é de 5 MPa. Se uma carga axial de tração de 70
kN é aplicada, qual o comprimento da chapa L requerido, em mm,
desejando-se atender a um coeficiente de segurança igual a 4.

Figura 19: Representação de barras de material plástico


unidas por chapas coladas.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Atividade 4

A estrutura mostrada na Figura 20 suporta uma carga, w, unifor-


memente distribuída. A tensão normal última na haste (1) é de 280
MPa, e a tensão de cisalhamento última nos pinos é de 200 MPa.
22 UNIUBE

Desejando-se atender a um coeficiente de segurança mínimo de 2,3,


determine a máxima carga distribuída w que pode ser aplicada so-
bre a estrutura e a tensões causadas na haste (1) e nos pinos B e C
quando esta for aplicada.

Figura 20: Estrutura.

1.8 Tensões atuantes em um plano oblíquo ao eixo

Considerando uma barra submetida a um carregamento axial P,


conforme mostra a Figura 21.

Figura 21: Carga axial P aplicada a uma barra,


considerando um plano inclinado.
UNIUBE 23

Se analisarmos uma seção que forma um ângulo θ, medido entre o


plano inclinado e a perpendicular ao eixo, tem-se a decomposição
da força P em suas componentes normal (N) e tangencial (V), ex-
pressas por Figura 22.

Figura 22: Tensão normal e de cisalhamento atuantes em um plano oblíquo.

N = P.cos θ V = P.sen θ

A tensão normal σθ e de cisalhamento θ atuantes no plano inclinado


são expressas por:

N V
σθ = τθ =
Aθ Aθ

A área da seção inclinada Aθ pode ser obtida a partir da área da


seção transversal A:

A
Aθ =
cos θ

Substituindo-se nas expressões, tem-se:

P P
σθ = cos ²θ τθ = cos θ .senθ
A A

Estas tensões ocorrem, por exemplo, em ligações soldadas ou co-


ladas, sendo que a tensão normal máxima acontece quando θ = 0o,
ou seja, quando a seção em análise é perpendicular ao eixo. Já a
tensão de cisalhamento máxima ocorre para θ = 45o.
24 UNIUBE

Exemplo 5

Uma coluna de uma edificação de dois pavimentos é fabricada em


aço com E = 200 GPa, empregando-se as seções tubulares quadra-
das, obtidas a partir de chapas soldadas, como indicadas na Figura
23. O carregamento proveniente das vigas dos pavimentos é trans-
mitido às colunas através de cargas axiais aplicadas nos pontos A e
B, como mostrado. Desprezando o peso próprio dos tubos, determi-
ne as tensões atuantes na solda (plano oblíquo) do trecho AB, e a
tensão normal atuante na seção transversal situada no ponto médio
do trecho BC.

Figura 23: Coluna de uma edificação de dois pavimentos, sujeita à carga axial.

Resolução

Cálculo da área da seção transversal dos tubos:

Aa-a = 1802 – 1602 = 6800 mm2

Ab-b = 2402 – 2102 = 13500 mm2


UNIUBE 25

Tensões atuantes na solda – plano oblíquo ao eixo:

P 340.10³
=σθ = cos ²θ .cos
= ²30 37,5MPa
A 6800

P 340.10³
=τθ = cos θ .senθ cos
= 30.sen30 21, 7 MPa
A 6800

Tensão atuante na seção b-b, sendo que a carga axial atuante


nesta seção é de: 340 + 220 + 220 = 780 kN:

P  780.10³ 
σ= =  = 57,8MPa (compressão)
A  13500 

Atividade 5

A barra mostrada na Figura 24 apresenta uma seção transversal re-


tangular de 120 x 15 mm. Se uma carga axial P, de 70 kN, é aplicada,
determine as componentes normal (N) e tangencial (V) atuantes na
superfície inclinada e as tensões atuantes no plano oblíquo a-a.

Figura 24: Representação


seção transversal retangular.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
26 UNIUBE

SAIBA MAIS

Finalizamos este texto introdutório com a indicação de algumas ativida-


des de aplicação dos conceitos e formulação sobre análise de tensões.
Para tanto, acesse o endereço <//web.mst.edu/~mecmovie>.

Acompanhe os exemplos resolvidos e resolva os seguintes tópicos:

• M 1.1 - Normal, shear and bearing stress – example – try one;


• M 1.2 - Normal stress – basic problems – concept checkpoints;
• M 1.3 - Shear stress – basic problems – concept checkpoints;
• M 1.4 - Load capacity of two-bar assembly – example – try one;
• M 1.5 - Shear stress -pin-supported – example – concept
checkpoints;
• M 1.12 - Stresses on inclined plane – example – try one;
• M 1.13 - Force based on inclined plane stresses – example
– try one;
• M 4.1 - Beam-strut structure - factors of safety – example – try
one;
• M 4.2 - Design bolts for splice plate connection – example- try
one;
• M 4.3 - Load capacity of beam-strut structure – example – try
one;

Resumo

Neste capítulo, iniciamos o estudo da Resistência dos Materiais. O


assunto que aqui foi abordado é a base para demais conteúdos que
serão vistos ao longo dos próximos capítulos.

Sugerimos, ainda, que exercícios propostos sejam feitos sempre re-


tornando às explicações e que os Softwares e programas de apoio
indicados sejam acessados e usados como ferramenta complemen-
tar aos estudos.
UNIUBE 27

Referências
BEER, F. P. e JOHNSTON, E. R. Resistência dos materiais. 3. ed.
São Paulo: Makron Books Ltda, 1996, p. 1 a 63.

______. Mecânica vetorial para engenheiros: estática. 5. ed.


São Paulo: McGraw-Hill Ltda, 1994, 793p.

CRAIG JR., R. R. Mecânica dos materiais. 2. ed. Rio de Janeiro:


LTC SA, 2003, p.1 a 76.

HIBBELER, R.C. Resistência dos materiais. 5. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2004.

______. Estática: mecânica para engenharia. 10. ed. São Paulo:


Pearson-Prentice Hall, 2005, p. 277 a 285.

PHILPOT, A. T. MecMovies for Mechanics of Materials. Missouri


University of Science & Technology. Disponível em: <http://web.mst.
edu/~mecmovie/>. Acesso em: 12 ago. 2011.
Capítulo Análise de tensões e
2 deformações: carregamento
axial e Lei de Hooke

Humberto Ritt
Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Introdução

Para sua atuação na engenharia civil, é fundamental que você


compreenda o comportamento dos materiais diante das solici-
tações, não somente com intuito de analisar as tensões, mas
também as deformações que são impostas pelos projetos,
não permitindo que estas ultrapassem seu valor admissível a
ponto de impedirem que as estruturas/máquinas tenham um
baixo desempenho relacionado à função para a qual são des-
tinadas.

Assim, elaboramos neste capítulo, cujo objetivo principal é


o estudo de tensões e deformações em diversas situações,
como estruturas, máquinas e equipamentos. Para tal, utiliza-
remos os conceitos abordados nas etapas anteriores, nos ca-
pítulos intitulados Estática dos pontos materiais, Equilíbrio dos
corpos rígidos e Esforços internos em estruturas. Além destes,
é fundamental o capítulo Análise de tensões: carga axial e es-
forço cortante, estudado nesta etapa.

Neste capítulo, veremos que, quando um corpo é submetido


à ação de uma força, ele tende a mudar sua forma ou tama-
nho. A estas alterações, damos o nome de deformações, que
podem ser facilmente percebidas ou não. Desta forma, apre-
sentaremos a vocês os conceitos, fundamentos, formulações
e aplicações referentes à análise de deformações consideran-
do-se as estruturas como deformáveis.

Primeiramente, vamos conceituar deformação específica, apre-


sentando os diagramas tensão versus deformação, através dos
30 UNIUBE

quais pode-se obter diversas propriedades dos materiais. Discu-


tiremos, também, as deformações produzidas por variação de
temperatura e cargas axiais de tração ou compressão.

A solução de problemas estaticamente indeterminados a


partir de equações envolvendo deformações e tensões tér-
micas completam este capítulo.

Objetivos

Ao completar os estudos propostos neste capítulo, espera-


se que você seja capaz de:

• definir as grandezas e determinar as deformações cau-


sadas por carregamento axial (esforço normal), variação
de temperatura e esforço cortante (cisalhamento);
• relacionar a segunda Lei de Newton com a Lei de Hooke;
• conhecer softwares específicos para análise de defor-
mações;
• compreender o comportamento dos materiais diante das
solicitações, de acordo com suas propriedades mecânicas.

Esquema

2.1 Conceito de deformação


2.2 Deformação específica normal
2.3 Propriedades mecânicas dos materiais – diagrama ten-
são x deformação
2.4 Comportamento elástico e plástico dos materiais
2.5 Lei de Hooke e módulo de elasticidade
2.6 Deformação de barras sujeitas a cargas axiais
2.7 Problemas envolvendo variação de temperatura
UNIUBE 31

2.1 Conceito de deformação

Portanto, na análise ou projeto de uma estrutura ou equipamento, é


importante também, além de verificar as tensões, determinar as de-
formações, de modo a evitar que sejam tão significativas ao ponto
de comprometer o seu desempenho ou funcionamento para o qual
estavam destinadas.

Quando um corpo é submetido a uma força, ele tende a mudar de


forma ou tamanho. Estas mudanças são chamadas de deforma-
ção, que podem ser bastante visíveis como por exemplo em uma
fita de borracha quando esticada, ou praticamente imperceptíveis
nas vigas e pilares de uma edificação. Outra deformação ocorre
devido à variação de temperatura no corpo, como em trilhos de
ferrovia, provocada pelas condições atmosféricas.

Nas próximas páginas deste capítulo, apresentaremos conceitos,


fundamentos, formulações e aplicações referentes à análise de de-
formações considerando na prática as estruturas como deformáveis.

2.2 Deformação específica normal

Considerando a barra BC, de seção transversal A e comprimento


L, fixada no ponto B. Aplicando uma carga axial de tração P, na
extremidade C, a barra sofre um alongamento δ (delta), conforme
representado pela Figura 1.

Figura 1: Deformação em uma barra


submetida à tração.
32 UNIUBE

Define-se como deformação específica normal, expressa pela letra


grega ε (épsilon), a deformação por unidade de comprimento. Assim:

δ
ε=
L
Sendo:

δ: o comprimento final (Lf) - comprimento inicial (Li);


L: o comprimento da barra.

Tomando por exemplo, uma barra de comprimento L = 1m = 1000


mm que apresentou uma deformação de 0,01 mm, tem-se:

0, 01
=ε mm 1.10−5 mm /=
= 0, 00001mm /= mm 10.10
= −6
10 µ
1000

Considerando que µ = micro = 10-6

Esta expressão é caracterizada por duas suposições:

o eixo do elemento continua reto;


as seções transversais, planas e perpendiculares ao eixo antes da
deformação, permanecem desta maneira depois da deformação. E
também não giram em torno do eixo.

No caso de uma barra cuja área da seção transversal varia ao longo


do comprimento, Figura 2, tem-se:
∆δ dδ
=ε lim
=
∆x
∆x → 0 dx
UNIUBE 33

Figura 2: Geometria da deformação axial.

Exemplo 1

Uma barra rígida ABC é suportada por três hastes (Figura 3). Não há
deformação antes de a carga P ser aplicada. Após a carga vertical P ser
aplicada, a deformação específica na haste (1) é de 1200 µ. Determine:

• a deformação específica nas hastes (2);


• a deformação específica nas hastes (2) se uma folga de 0,5 mm
existisse na conexão entre as hastes (2) e a barra rígida, antes
de a carga ser aplicada.

Figura 3: Barra rígida sustentada por


três hastes.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
34 UNIUBE

Resolução

Usando a expressão para deformação específica, pode-se calcular


a deformação (alongamento) da haste (1) Figura 4:

δ
ε = ∴δ1 = 1200.10−6.1500 δ1 = 1,8mm
L

Figura 4: Geometria da deformação


produzida pela carga P.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Devido à simetria da montagem, a barra rígida ABC permanece ho-


rizontal. Desta forma, os deslocamentos verticais dos pontos A e C
são os mesmos que do ponto B, que corresponde ao alongamento
da haste (1).

Como a barra ABC é rígida, o alongamento das hastes (2) é igual ao


deslocamento vertical dos pontos A e C. A deformação específica da
haste (2) é calculada, fazendo-se:

δ 1,8
ε= ε2 = =ε 2 0, 002mm
= 0.10−6 2000 µ
/ mm 2,=
L 900

Considerando, agora, que existe uma folga entre as hastes (2) e a bar-
ra rígida antes de a carga ser aplicada. Esta folga não afeta a deforma-
UNIUBE 35

ção da haste (1) e, consequentemente, da barra rígida. Portanto, os


deslocamentos verticais dos pontos A e C permanecem sendo 1,8 mm.

Entretanto, os primeiros 0,5 mm do deslocamento vertical da barra


não afetam a haste (2), devido a esta folga. Assim, a deformação
(alongamento) da haste (2) é dada por:

δ2 = 1,8 – 0,5 = 1,3 mm

A deformação específica na haste (2) é calculada por:

δ 1,3
ε= ε2 = =ε 2 0, 001444= 444.10−6 1444 µ
mm / mm 1,=
L 900

Atividade 1

Uma barra rígida ABC é suportada por três hastes (Figura 5). Não
há deformação antes de a carga P ser aplicada. Após a carga ver-
tical P ser aplicada, a deformação específica na barra (1) é de 820
µ. Determine o deslocamento vertical da barra rígida no ponto B e
deformação específica nas hastes (2), se uma folga de 0,35 mm
existisse na conexão entre as hastes (1) e a barra rígida, antes de
a carga ser aplicada.

Figura 5: Barra rígida sustentada por três hastes.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
36 UNIUBE

2.3 Propriedades mecânicas dos materiais – diagrama


tensão x deformação

Com o objetivo de relacionar os carregamentos atuantes nas estru-


turas de engenharia com as deformações devidas às cargas, reali-
zam-se ensaios para determinar o comportamento carga versus de-
formação nos materiais (aço, concreto, madeira ou alumínio) usados
na fabricação das estruturas. Várias propriedades mecânicas são
obtidas a partir de ensaios de tração ou compressão, em que a re-
sistência de um material depende de sua capacidade de suportar
um carregamento sem apresentar deformação excessiva ou ruptura.

Para realizar o ensaio de tração ou compressão, é confeccionado,


a partir de uma amostra da matéria, um corpo de prova com dimen-
sões padronizadas por normas específicas para cada material.

A Figura 6 mostra um corpo de prova típico para metais, como fer-


ro fundido, onde são feitas marcas separadas de uma distância Lo
(comprimento de referência). Mede-se também, o diâmetro do para
determinar a área da seção transversal A.

Figura 6: Corpo de prova metálico para ensaio de tração.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Utiliza-se uma máquina de ensaios, como mostrada nas figuras 7 e


8, onde uma carga axial P é aplicada gradualmente.
UNIUBE 37

Figura 7: Máquina de ensaios de materiais.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Figura 8: Máquina de ensaios de


materiais computadorizada.
Fonte: Adaptado de Instron (2011).

O valor de P é aumentado a uma taxa lenta e constante, até atingir


a ruptura. Os valores de carga são registrados, bem como alonga-
mento δ = L - Lo, entre as marcas, em cada incremento de tensão de
carga (Figura 9).
38 UNIUBE

Figura 9: Exemplos de corpos de prova.


(a) corpo de prova sendo submetido à tração.
(b) corpo de prova com extensômetro.
(c) corpo de prova em concreto.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Para cada conjunto de valores de P e δ, registrados no ensaio,


calcula-se a tensão normal σ, dividindo-se P (carga aplicada) pela
área de seção transversal inicial Ao.

P
σ=
Ao

Da mesma forma, a deformação específica é encontrada pela lei-


tura direta em um extensômetro elétrico de resistência, ou dividin-
do-se o alongamento δ pelo comprimento inicial Lo.

δ
ε=
Lo

Colocando-se os valores de ε como abscissa e σ como ordenada


em um gráfico, a curva resultante é chamada de diagrama tensão
versus deformação, convencional de engenharia, conforme repre-
sentado, genericamente, pela Figura 10.
UNIUBE 39

Figura 10: Diagrama tensão versus deformação.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Este diagrama varia de material para material e, para um mesmo


material, dependendo da temperatura, da taxa de incremento de
carga, imperfeições ou composições químicas.

Muitas propriedades mecânicas importantes dos materiais são ob-


tidas a partir destes diagramas, que nos permitem, inclusive, distin-
guir duas categorias: materiais dúcteis e frágeis.

Na Figura 11, é mostrado o diagrama tensão versus deformação,


para o aço estrutural, em que se identificam quatro etapas distintas
de comportamento do material, dependendo da deformação nele
provocada, ou seja, a região elástica, escoamento, endurecimento
por deformação e estricção.
40 UNIUBE

Figura 11: Diagramas tensão x deformação convencional e real para material


dúctil (aço). Sem escala.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

A região elástica (comportamento elástico), começando na origem


dos eixos e estendendo-se até o limite de proporcionalidade (σLP),
compreende uma relação linear entre a tensão e a deformação. O
gráfico é representado por uma reta, no qual a tensão é proporcio-
nal à deformação. O material é linearmente elástico, ou seja, se a
carga for removida, o corpo volta à sua forma original. Se a ten-
são for aumentada acima de σLP, o material pode ainda apresentar
o comportamento elástico, que continua até alcançar o limite de
elasticidade que, para o aço, é muito próximo ao limite de propor-
cionalidade.

Aumentando a tensão acima do limite de elasticidade, tem-se o


escoamento, causado pelo deslizamento relativo entre camadas do
material em superfícies oblíquas, associado a tensões de cisalha-
mento. A tensão que provoca este fenômeno é chamada de limite
de escoamento (σe). O corpo se deforma permanentemente e con-
tinuará a alongar-se sem qualquer aumento de carga, num trecho
chamado de patamar de escoamento.
UNIUBE 41

Após o escoamento, o material refaz as ligações entre as camadas


e um carregamento adicional pode ser aplicado. O diagrama assu-
me a forma de uma curva, alcançando a tensão máxima chamada
de limite de resistência (σr) ou tensão de última (σu). Este aumento
na curva é chamado de endurecimento por deformação.

Durante o ensaio de tração, enquanto o corpo apresenta um alon-


gamento, a área da seção transversal decresce de maneira unifor-
me ao longo de seu comprimento. Ao atingir o limite de resistência,
a área da seção transversal diminui uma região localizada. Esse
fenômeno é chamado de estricção e como a área é menor, a carga
é decrescente e o diagrama curva-se para baixo, até que ocorra a
ruptura numa tensão chamada de tensão de ruptura (σrup), como
pode ser representado pela Figura 12.

Figura 12: Corpo de prova submetido a tração, apresentando a estricção (a) e


ruptura (b).
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Ao construirmos o diagrama tensão versus deformação convencio-


nal de engenharia, utilizaremos a área de seção transversal e o com-
primento inicial para calcular a tensão e a deformação. Se usarmos
a área e o comprimento em cada instante, teríamos o diagrama de
tensão versus deformação real, conforme mostra a Figura 13.
42 UNIUBE

Figura 13: Diagramas tensão-deformação convencional e real.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Na prática, utilizaremos o diagrama convencional, pois apesar dos dia-


gramas serem diferentes a partir do endurecimento por deformação,
a maioria dos projetos é feita com tensões dentro do regime elástico.

PESQUISANDO NA WEB

Você pode utilizar o programa computacional MDSOLIDS, disponível


no endereço <www.mdsolids.com>, para traçar curvas tensão versus
deformação, a partir de dados carga versus deslocamento.

Exemplificamos a construção de uma destas curvas na Figura 14.


UNIUBE 43

Figura 14: Tela do software MDsolids – módulo stress-strain curves.


Fonte: Adaptado de MDsolids (2011).

Com o conhecimento sobre o comportamento tensão-deformação


dos materiais, destacamos algumas propriedades mais significati-
vas destes para o engenheiro projetar ou analisar um equipamento
ou estrutura, que são resistência, rigidez e ductilidade.

Resistência
Medida por meio de três valores retirados do diagrama tensão-deforma-
ção, como o limite de escoamento, que é a maior tensão que o material
pode suportar, sem sofrer deformação permanente, o limite de resistên-
cia ou limite último, que é o máximo valor de tensão que o material pode
suportar e, finalmente, o limite de ruptura, que é o valor da tensão no
instante da ruptura.

Rigidez
Medida por meio da relação entre a tensão e a deformação, princi-
palmente na região linear elástica.
44 UNIUBE

Ductilidade
Quando um material, na temperatura ambiente, pode apresentar gran-
de deformação antes de atingir a ruptura ele é classificado como ma-
terial dúctil. Já aquele que fratura sob pequena deformação, é chama-
do de material frágil.

Portanto, os materiais são classificados como dúcteis ou frágeis,


dependendo das características do diagrama tensão-deformação.
O aço estrutural, por exemplo, é um material dúctil à temperatura
ambiente. Isto permite que seja conformado ou dobrado para fabri-
car perfis ou vergalhões. É capaz de absorver choques e energia e,
quando sobrecarregado, exibe grande deformação antes de falhar,
prevenindo deste modo que falhas repentinas e catastróficas ocor-
ram. O alumínio, latão, cobre e o níquel entre outros, podem ser
classificados como dúcteis.

A ductilidade é medida através do alongamento percentual dado


pela equação:

Lf − Lo
alongamento
= [%] ⋅100
Lo

Em que: Lf e Lo são, respectivamente, os comprimentos finais e


iniciais do corpo de prova. Outra medida de ductilidade é dada pela
redução percentual de área, expressa por:

Ao − Af
redução _ área
= [%] ⋅100
Ao

Em que: Ao e Af são, respectivamente, a área da seção transversal


original e a área final da seção onde ocorre a fratura.

Os materiais frágeis, como ferro fundido, vidro, pedra e concreto


entre outros, caracterizam-se por uma ruptura que ocorre sem ne-
nhuma alteração significativa no modo de deformação. Não existe
diferença entre o valor da tensão última e a tensão de ruptura, e a
deformação é muito menor do que nos materiais dúcteis. A superfície
de fratura é perpendicular ao carregamento e não ocorre a estricção.
UNIUBE 45

A Figura 15 representa o diagrama de tensão-deformação de mate-


riais frágeis e dúcteis.

Figura 15: Diagrama tensão-deformação para material frágil e dúctil.

Alguns materiais são classificados como plásticos ou polímeros,


como o nylon. Outros, como o concreto armado, são chamados de
materiais compósitos, pois combinam dois ou mais materiais com
o objetivo de melhorar suas propriedades. A madeira é classificada
como moderadamente dúctil, variando suas características de resis-
tência de uma espécie para outra. Como é um material constituído
por fibras, suas propriedades mecânicas dependem da orientação
destas em relação ao carregamento.

Os diagramas tensão x deformação para o aço estrutural e alumínio,


mostrados na Figura 16, apresentam diferenças na região do esco-
amento. O valor da tensão de escoamento para o aço estrutural é
bem-definido pelo patamar de escoamento.
46 UNIUBE

Figura 16: Diagrama tensão-deformação para aço estrutural com baixo


teor de carbono (low-carbon steel) e liga de alumínio (aluminum alloy).
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Já para o alumínio, que não tem um limite de escoamento definido


pelo trecho horizontal do diagrama, as tensões aumentam, de for-
ma não linear, até atingir a tensão última. Neste caso, um valor con-
vencional para a tensão de escoamento é obtido construindo-se
uma linha reta paralela à linha que representa o trecho linear inicial
do diagrama, veja na Figura 17, correspondente no eixo das abs-
cissas à deformação específica ε = 0,2 %. A interseção dessa reta
com o diagrama estabelece a tensão convencional de escoamento.

Caso o ensaio do corpo de prova de um material dúctil fosse feito


à compressão, o diagrama tensão versus deformação seria o mes-
mo, exceto pelo fato de não ocorrer a estricção (Figura 18).

Observa-se, também, que para a maior parte dos materiais frágeis,


a tensão última de compressão é muito maior que na tração, como
exemplo, o concreto que tem uma resistência muito baixa à tração,
a qual normalmente é desprezada.
UNIUBE 47

Figura 17: Obtenção da tensão de escoamento para um


material dúctil sem patamar de escoamento.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Figura 18: Corpo de prova de um material frágil no instante da ruptura.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

2.4 Comportamento elástico e plástico dos materiais

Quando as deformações causadas por um carregamento desapare-


cem com a retirada deste, tem-se um material com comportamento
elástico. O limite de elasticidade é o maior valor para o qual o ma-
terial ainda apresenta comportamento elástico. A Figura 19 mostra
o comportamento elástico do material ao ser carregado e descarre-
gado. O traçado da curva de descarregamento é coincidente com o
traçado da curva de carregamento.
48 UNIUBE

Figura 19: Comportamento elástico e plástico.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Entretanto, se o valor de tensão atingida for superior ao limite de


elasticidade, o traçado da curva de descarregamento segue uma li-
nha reta paralela à região elástica. A deformação é chamada de de-
formação permanente, residual ou plástica. Para o aço estrutural, o
limite elástico, limite de escoamento e limite de proporcionalidade
são muito próximos, podendo adotar como referência a tensão no
limite de escoamento.

Conforme mencionado anteriormente, a deformação plástica é de-


vida ao escorregamento de planos cristalinos, de forma instantâ-
nea. Dependendo do material e da sua temperatura, pode ocorrer
um processo de deformação plástica dependente do tempo, cha-
mado de fluência. Este fenômeno é significativo e deve ser levado
em conta em projetos sujeitos a altas temperaturas. Outro fenô-
meno relacionado ao comportamento tensão versus deformação
dependente do tempo é chamado de relaxação de tensão sob de-
formação constante.
UNIUBE 49

IMPORTANTE!

A temperatura representa um efeito significativo sobre as proprieda-


des dos materiais, como o limite de escoamento e a ductilidade. Com
o aumento da temperatura, tem-se um decréscimo na resistência e um
aumento na ductilidade e uma diminuição da rigidez do material.

Outro fenômeno denominado fadiga deve ser considerado no pro-


jeto de equipamentos e estruturas sujeitas a carregamentos repe-
tidos. Nesses casos, a ruptura ocorre a uma tensão bem abaixo
da tensão de ruptura obtida com carregamento estático, e é uma
ruptura frágil, mesmo para materiais dúcteis.

2.5 Lei de Hooke e módulo de elasticidade

A maior parte das estruturas e equipamentos é projetada de modo


que as tensões e deformações permaneçam na região elástica ini-
cial do diagrama σ versus ε. Nesta parte, a maioria dos materiais
exibe um comportamento linear, em que a tensão normal σ é dire-
tamente proporcional à deformação especifica ε. Desse modo:

σ = E.ε

Esta equação é denominada Lei de Hooke (Robert Hooke, mate-


mático inglês, 1635-1703). O coeficiente E é chamado de módulo
de elasticidade do material, ou módulo de Young, expresso geral-
mente em GPa ou MPa. A Lei de Hooke é válida até o limite de
proporcionalidade.

A Figura 20 mostra diferentes ligas de aço que tem o mesmo mó-


dulo de elasticidade, ou seja, a mesma rigidez. Entretanto, a resis-
tência medida pela tensão última é diferente entre eles.
50 UNIUBE

Figura 20: Diagrama tensão-deformação


para diferentes aços.

Exemplo 2

Um tubo com material com módulo de elasticidade de 180 GPa é


submetido á uma força axial de tração de 115 kN. Sabendo que o
diâmetro externo do tubo é de 46 mm e a espessura da parede é de
7 mm, determine a deformação específica (Figura 21).

Figura 21: Tubo submetido à carregamento axial de tração.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
UNIUBE 51

Resolução:

Dint = Dext – 2.espessura = 46 – 2 . 7 = 32 mm

π .D 2 π .(46² − 32²)
Área da seção
= = = 857, 655 mm 2
4 4

P 15.1000
Tensão normal: σ= = = 134, 087 MPa
A 857, 655

A deformação específica é dada pela lei de Hooke:

134, 087
σ = E.ε ∴ ε= ε = 0, 000745mm / mm
180000

Exemplo 3

Duas marcas são feitas distantes 300 mm, em uma barra sólida
com diâmetro de 22 mm, conforme mostra a Figura 22. Quando
uma carga axial de tração de 70 kN foi aplicada, a distância medida
entre as marcas é de 300,6175 mm. Determine o módulo de elas-
ticidade do material.

Figura 22: Barra sólida sujeita à tração.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
52 UNIUBE

Resolução:

Área da seção transversal:

π .D 2 π .222
A = = = 380,133 mm2
4 4

Tensão normal:

P 70.100
σ= = = 184,146 MPa
A 380,133

Deformação específica:

300, 6175 − 300


ε= ε = 0, 002058mm / mm
300

Módulo de elasticidade:

184,146
σ = E.ε ∴ E= = E 89478
= MPa 89,5GPa
0, 002058

2.6 Deformação de barras sujeitas a cargas axiais

Considerando uma barra homogênea, feita com um material iso-


trópico, de comprimento L e seção transversal de área A uniforme,
sujeita à força axial de tração P, aplicada na extremidade.

A barra então apresenta um alongamento δ, representado pela Fi-


gura 23.
UNIUBE 53

Figura 23: Deformação de barra sujeita à


carga axial.

Caso a tensão atuante σ não exceder o limite de proporcionalidade


do material, pode-se aplicar a Lei de Hooke

Assim:

σ
se σ = E.ε de forma que ε= (I)
E
δ
e ε= de forma que δ = ε .L (II)
L

Substituindo (I) em (II), tem-se:

σ
δ= L (III)
E

Ainda,

P
se σ= (IV)
A

Substituindo (IV) em (III), tem-se que:

P.L
δ=
A.E
54 UNIUBE

Valendo-se do seguinte:

• δ é positivo no caso de tração, ou seja a barra apresenta um


alongamento;
• δ é negativo no caso de compressão, ou seja a barra apresenta
um encurtamento.

Caso forem aplicadas forças em outros pontos ao longo da bar-


ra, ou esta apresentar partes com diferentes seções ou materiais,
deve-se dividi-la em trechos e aplicar a expressão:

n
Pi Li
δ =∑
i =1 Ei Ai

No caso da seção transversal, ou mesmo a carga, ser variável em


função de x, tem-se:

P( x) dδ
σ= e ε=
A( x) dx
se σ = E.ε

P( x)  dδ  P( x)dx
então, = E  então, dδ =
A( x)  dx  A( x) E

Integrando esta expressão ao longo do comprimento L, tem-se:

L
P( x)dx
δ =∫
0
A( x) E

Exemplo 4

Uma barra de comprimento 5 m e seção transversal retangular 25 x


50 mm é confeccionada com um material com módulo de elasticidade
de 70 GPa (70000 MPa). Determine a carga máxima P que pode ser
aplicada, sabendo-se que a tensão normal não pode exceder 150
MPa e que o alongamento não pode ser maior que 10 mm (Figura 24).
UNIUBE 55

Figura 24: Barra de seção retangular sujeita a uma força P aplicada na extremidade.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Resolução

Área da seção transversal: A = 25 . 50 = 1250 mm2

Considerando a deformação:

PL P.5000
δ= 10 = ∴=P 175000
= N 175kN
EA 70000.1250

Considerando a tensão:

P P
σ= 150 = ∴=P 187500
= N 187,5kN
A 1250

A carga máxima que pode ser aplicada é de 175 kN.

Exemplo 5

A montagem mostrada na Figura 25 é composta de dois segmentos


com seção circular maciça, com os diâmetros indicados na figura.
O segmento (1) é feito em latão com módulo de elasticidade de 120
GPa e o segmento (2) em alumínio, com E = 70 GPa. Determine a
deformação total da montagem, se uma força de 60 kN é aplicada
na extremidade.
56 UNIUBE

Figura 25: montagem sujeita a uma força aplicada na extremidade.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Resolução

Área da seção transversal:

π .D 2 π .202
A1
= = = 314,159 mm 2
4 4

π .D 2 π .142
A2
= = = 153,938 mm 2
4 4

Deformação:

PL
ä= e δ = δ1 + 2
EA

6000.800 60000.500
=δ +
120000.314,159 70000.153,938

δ = 1,273 + 2,784 = 4,057 mm

Atividade 2

Determine a deformação total da montagem mostrada na Figura 26,


composta de barras de seção circular maciça, conforme os diâmetros
indicados. Os trechos (1) e (3) são feitos em bronze com E = 120
GPa e o trecho (2) em alumínio com E = 70 GPa.
UNIUBE 57

Figura 26: Montagem composta de barras circulares maciças.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Exemplo 6

A montagem mostrada na Figura 27 é composta de três hastes e


uma barra rígida ACB. Se uma força de 80 kN é aplicada na extremi-
dade D, determine o deslocamento vertical dos pontos A, B, C e D.

Figura 27: montagem composta de


três hastes e uma barra rígida ACB.
Fonte: Adaptado de Philpot (2011).
58 UNIUBE

Resolução

Estabelecendo o diagrama de corpo livre da barra ACB e aplicando


as equações de equilíbrio estático.

∑ F = F + F − 80kN = 0
y 1 2

∑M = ( F )(1.0m) − (80kN )(0, 7 m) =


A 2 0

Logo,
F1 = 24kN
F2 = 56kN
F3 = 80kN

Calculando-se o alongamento das hastes (1), (2) e (3) , pela fórmula

PL
δ=
EA
24000.3000
δ1 = δ1 = 2,4 mm
200000.150
UNIUBE 59

56000.1800
δ2 = δ2 = 3,6 mm
70000.400

80000.1800
δ3 = δ3 = 5,14 mm
70000.400

O deslocamento vertical do ponto A é igual à deformação da barra


(1) VA = δ1.

O deslocamento vertical do ponto B é igual à deformação da barra


(2) VB = δ2.

Como a barra ACB é considerada rígida, através de semelhança de


triângulos, pode-se obter o deslocamento vertical do ponto C (VC).

∆ 1, 20mm
= =∴∆ 0,84mm
0, 7 m 1m

VC= VA + ∆= 2, 40mm + 0,84mm ∴VC= 3, 24mm

O deslocamento vertical do ponto D (VD) é devido ao deslocamento


do ponto C somado à deformação da barra (3):

VD = VC + e3 = 3, 24mm + 5, 24mm ∴VD = 8,38mm


60 UNIUBE

Atividade 3

A montagem da Figura 28 é constituída de um tubo plástico com


diâmetro externo de 132 mm e espessura de parede de 8 mm. Se
o deslocamento vertical do ponto C em relação à placa rígida A
não deve exceder 6 mm quando uma carga de 30 kN é aplicada na
haste, determine o diâmetro mínimo para esta, considerando que
o módulo de elasticidade do tubo é de 3 GPa e da haste 70 GPa.

Figura 28: Montagem constituída de tubo e haste, sujeita à carga axial.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Atividade 4

Considerando a montagem da Figura 29, onde a barra rígida ABD


suporta uma carga de 80 kN, determine as tensões normais atuantes
nas hastes (1) e (2) e o deslocamento horizontal do ponto C.
UNIUBE 61

Figura 29: Montagem constituída de barra rígida e hastes.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

2.7 Problemas envolvendo variação de temperatura

No estudo das deformações desenvolvido até o momento, consi-


deramos a temperatura como sendo constante (Figura 30). Entre-
tanto, mudanças na temperatura podem provocar alterações nas
dimensões de um material. Em geral, quando a temperatura au-
menta, a peça apresenta um alongamento (dilatação) e quando a
temperatura diminui, a peça sofre uma contração (encurtamento).

Considerando uma barra, homogênea e de seção transversal cons-


tante, disposta sobre uma superfície horizontal sem atrito. Se a
temperatura for aumentada de um valor ∆T, a barra se alonga de
um valor δT, que é proporcional ao comprimento desta e à variação
de temperatura.
62 UNIUBE

Figura 30: Deformação devida à variação de temperatura.

A deformação devida à variação de temperatura é dada por:

δ T α .L.∆T
=

Sendo:

• α é o coeficiente de dilatação térmica linear., característico de


cada material. Por exemplo, para o alumínio, α = 24 x 10-6 oC-1;
• ∆T é a variação de temperatura, ou seja, ∆T = Tf - Ti.

A deformação térmica específica é dada por:

δT
εT = ε T= α .∆T
L

Neste caso, porém, não existem tensões relacionadas à deformação.

Entretanto, quando a barra estiver contida entre apoios fixos, que


impedem que a deformação ocorra, o que produz tensões térmicas,
que devem ser consideradas no projeto.

Neste caso, o problema é estaticamente indeterminado. É neces-


sário calcular a intensidade da força P conforme as figuras 31 e 32,
levando em conta as condições de deformação nula.
UNIUBE 63

Figura 31: Barra contida entre apoios fixos.

Aplicando o método da superposição dos efeitos, retirando o apoio


da esquerda, a barra deforma-se livremente devido à variação de
temperatura. Aplica-se, então, sobre a barra, a força P que represen-
ta a reação do apoio, que causa uma deformação δP .

Figura 32: Aplicação do método da superposição.

Como a deformação total deve ser nula, tem-se:

δ = δT + δ P = 0

P.L
α .L.∆T + =0
E. A
Assim:

− E. A.α .∆T
P=
64 UNIUBE

A tensão atuante na barra devida à variação de temperatura, cha-


mada de tensão térmica é dada por:

P
σ ==
− E.α .∆T
A

Exemplo 7

Uma barra horizontal rígida ABC é fixada ao pino em A e susten-


tada pelo cabo (1). Após a carga W ser colocada no ponto C e a
temperatura aumentar 50 oC , observou-se um deslocamento verti-
cal no ponto C de 2,52 mm. Determine a deformação específica e a
tensão normal no cabo (1) e o valor de W (Figura 33).

Figura 33: Montagem submetida à variação de temperatura e ao carregamento W.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

Resolução

Como a barra ABC é considerada como rígida, o deslocamento ver-


tical VB do ponto B é obtido por semelhança de triângulos.
UNIUBE 65

A deformação específica do cabo (1) é dada por:

0,84
ε= =ε 0,=
0014mm / mm 1400 µ
600

O alongamento do cabo (1) devido à variação de temperatura e ao


carregamento é dado por:

F1.L
δ1= α .L.∆T +
E. A

F1.600
=0,84 12.10−6.600.50 +
200000.2

0, 48
F1 = F1 = 320 N
1,5.10−3

A tensão normal no cabo (1) é dada por:

P 320
σ= = = 160 MPa
A 2

O valor de W é obtido fazendo-se o DCL da barra ABC e aplicando


somatório de momento em A igual a zero.

F1.400 − W .1200 =
0 W = 106, 67 N
66 UNIUBE

Exemplo 8

A barra AB, Figura 34, é perfeitamente ajustada aos anteparos fixos


quando a temperatura é de + 25 oC. Determine as tensões atuantes
nas partes AC e CB da barra para a temperatura de - 50 oC. Usar E
= 200 GPa e α = 12 x 10-6 oC-1.

Figura 34: Problema estaticamente indeterminado sujeito


à variação de temperatura.
Fonte: Adaptado de Beer e Johnston (1996).

Resolução

Como o problema (Figura 35) é estaticamente indeterminado, deve-


-se determinar as reações nos apoios, retirando-se o apoio B e apli-
cando o método da superposição:

Figura 35: Aplicação do método da superposição.


UNIUBE 67

∆T =−
( 50) − (25) =−75º C

A deformação correspondente á esta variação de temperatura é de:

δ= α .L.∆T= 12.10−6.(−75).600= 0,54mm

Aplicando a reação desconhecida a extremidade B, tem-se a defor-


mação correspondente δR, calculado por:

P.L
δ=
E. A

RB .300 RB .300
=δR +
200000.800 200000.400

δ R = RB .5, 625.10−6

Como a deformação total é nula, tem-se:

δ = δT + δ P = 0

0,54 + RB .5, 625.10−6 =


0 RB = 96000 N

Conhecida a reação, têm-se os esforços nos trechos 1 e 2, obten-


do-se, então, as tensões atuantes nos trechos AC e CB:

96000
=
• tensão no trecho AC: σ = 240 MPa
400

96000
=
• tensão no trecho CB: σ = 120 MPa
800
68 UNIUBE

Atividade 5

Uma estrutura é composta de duas barras unidas através do flange


B. Estas barras são fixadas aos suportes rígidos A e C. Uma carga
axial de 145 kN é aplicada no flange B na direção mostrada na
Figura 36, bem como a temperatura da montagem apresenta uma
variação ∆T indicada. Determine as tensões normais atuantes no
ponto médio de cada barra, bem como o deslocamento horizontal
do ponto B. Considere A1 = 1210 mm², E1 = 40 GPa, α1 = 25,7.10-6
ºC-1, A2 = 1340 mm², E2 = 160 GPa e α2 = 13,7.10-6 ºC-1,

Figura 36: Montagem submetida à variação de temperatura.


Fonte: Adaptado de Philpot (2011).

SAIBA MAIS

Finalizamos este texto com a indicação de algumas atividades de apli-


cação dos conceitos e formulação sobre análise de tensões e deforma-
ções. Para tanto, acesse o endereço <http://web.mst.edu/~mecmovie>.

Acompanhe os exemplos resolvidos e resolva os seguintes tópicos:

• M 2.1 - Normal strain in rod assembly - pinned rigid bar - example


– try one;
• M 2.3 - Normal strain - basic problems - concept checkpoints;
• M 3.3 - Hooke´s law - basic problems - concept checkpoints;
• M 5.1 - Axial deformation - basic problems - concept checkpoints;
UNIUBE 69

• M 5.2 - Compound axial members - basic problems - concept


checkpoint;
• M 5.5 - Rod and post in series - example – try one;
• M 5.6 - Coaxial tube and core - example – try one;
• M 5.7 - Rigid bar and two axial members - example – try one;
• M 5.8 - Rigid bar with two opposing members - example – try one;
• M 5.13 - Rod and post with temperature change - example – try
one;
• M 5.14 - Coaxial bars with temperature - example – try one.

Resumo

Neste capítulo, foram apresentados os conceitos fundamentais refe-


rentes à análise de deformações (cargas axiais de tração e compres-
são e variação de temperatura). Esses conceitos serão fundamen-
tais para os estudos posteriores que se seguirão, pois ao se projetar
e calcular uma estrutura, um engenheiro tem que estar atento às
deformações sofridas por um elemento.

Referências

BEER, F. P. e JOHNSTON, E. R. Resistência dos materiais. 3. ed.


São Paulo: Makron Books Ltda, 1996.

______. Mecânica vetorial para engenheiros: estática. 5. ed.


São Paulo: McGraw-Hill Ltda, 1994, 793p.

CRAIG JR., R. R. Mecânica dos materiais. 2. ed. Rio de Janeiro:


LTC SA, 2003.

HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 5. ed. São Paulo:


Pearson-Prentice Hall, 2004.
70 UNIUBE

______. Estática: mecânica para engenharia. 10. ed. São Paulo:


Pearson-Prentice Hall, 2005.

INSTRON. Disponível em: <http://www.instron.com.br>. Acesso em:


08 ago. 2011.

MDSolids. Educational software for mechanics of materials.


Disponível em: <http://www.mdsolids.com>. Acesso em: 08 ago. 2011.

PHILPOT, A. T. MecMovies for Mechanics of Materials. Missouri


University of Science & Tecnology. Disponível em:
<http://web.mst.edu/~mecmovie/>. Acesso em: 12 ago. 2011.
Capítulo Análise de tensões e
3 deformações: estados
múltiplos de carregamento

Humberto Ritt
Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Introdução

Nos capítulos anteriores, estudamos os conceitos de tensão e


deformação, utilizados para representar a distribuição da força
no interior de um corpo e analisar a modificação na geometria
do corpo.

Neste capítulo, iremos relacionar tensão e deformação atra-


vés do princípio de Saint-Venant, a fim de analisar diferentes
formas de carregamento (aplicação de cargas). Esse princípio
é muito utilizado no campo da Engenharia Civil, pois a partir
dele, pode-se classificar um elemento como sendo rígido ou
flexível, a fim de calcular da maneira mais adequada o ele-
mento em questão.

Além disso, estudaremos as propriedades dos materiais a fim


de caracterizar e escolher os mais adequados que podem ser
utilizados em uma determinada situação. Sempre com o obje-
tivo de evidenciar a importância do correto levantamento das
propriedades elástico-inelásticas dos materiais.

Para estudarmos o comportamento dos materiais diante de


determinadas solicitações, iniciaremos com o estudo das de-
formações por meio do Coeficiente de Poisson.
72 UNIUBE

Objetivos

Ao completar os estudos propostos neste capítulo, espera-


mos que você seja capaz de:

• determinar a deformação em elementos axialmente


carregados;
• obter as deformações em peças com carregamentos
combinados;
• conhecer o conceito de deformação plástica e diferen-
ciá-la de deformação elástica;

• aplicar o princípio de Saint-Venant.

• dimensionar elementos estruturais, vasos de pressão,


tubos e tanques de armazenamento.

Esquema

3.1 Coeficiente de Poisson


3.2 Deformação de cisalhamento
3.3 Relação entre e, ν e g
3.4 Lei de Hooke generalizada
3.5 Tensões devidas a carregamento combinado – aplica-
ção da Lei de Hooke generalizada a vasos de pressão
3.6 Princípio de Saint-Venant
3.7 Deformação plástica
3.8 Concentração de tensão

3.1 Coeficiente de Poisson


Considerando uma barra deformável, de comprimento L, submeti-
da a uma força axial P de tração, Figura 1 (a) e de compressão, Fi-
gura 1 (b), aplicada na direção longitudinal x, sendo que as tensões
e deformações desenvolvidas atendem à Lei de Hooke.
UNIUBE 73

Figura 1: Deformação de uma barra: (a) barra tracionada; (b) barra comprimida.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Considerando a Lei de Hooke:

σ x = E.ε x

em que E é o módulo de elasticidade do material.

Tem-se:

σx δx
εx = εx =
E ou Lx

Sendo:

• δx: a deformação (alongamento ou encurtamento);


• x: o comprimento.
74 UNIUBE

O alongamento δ produzido na direção longitudinal x, pela força de


tração na Figura 1 (a), é acompanhado por uma contração δ’ nas
direções transversais y e z. Já na Figura 1 (b), o encurtamento δ’ na
direção longitudinal é acompanhado por uma expansão nas direções
transversais.

Assumindo que o material é homogêneo e isotrópico, isto é, que suas


propriedades mecânicas são independentes do ponto e da direção
considerada, respectivamente, tem-se que a deformação específica
é a mesma para qualquer direção transversal:

εx = εz

A relação entre a deformação específica transversal e longitudinal é


chamada de Coeficiente de Poisson, expresso pela letra grega ν (nü):

ε transversal
ν= ou
ε longitudinal

εy ε
ν=
− = − z
εx εx

ν .σ x
εy =
εz =
−ν .ε x =

E

Observa-se que o Coeficiente de Poisson não pode ser maior que


0,5 porque, se fosse, um elemento tensionado poderia atingir vo-
lume nulo ou negativo. Valores típicos para aços estão na faixa de
0,20 a 0,40. A borracha apresenta valor perto de 0,5 e cortiça, perto
de 0 (essa é uma das razões para o uso da cortiça em rolhas de
garrafas – praticamente não há variação de comprimento ao ser
pressionada pelos lados).

Portanto, o Coeficiente de Poisson é adimensional e com valores


no intervalo 0 ≤ ν ≤ 0,5.
UNIUBE 75

SAIBA MAIS

Valores característicos do Coeficiente de Poisson para alguns


materiais:

• νaço = 0,33;
• νconcreto = 0,15;
• νalumínio = 0,35.

O sinal negativo é utilizado porque o alongamento longitudinal (de-


formação positiva) é acompanhado por uma contração transversal
(deformação negativa) e vice-versa.

Exemplo 1

A barra cilíndrica representada na Figura 2, feita de aço, com E = 200


GPa e ν = 0,3 e tensão de escoamento de 350 MPa. Se o compri-
mento inicial da barra for de 1,2 m e diâmetro D = 25 mm, determine
a variação no comprimento e no diâmetro, quando a carga axial P =
45 kN for aplicada.

Figura 2: Barra cilíndrica de aço.


76 UNIUBE

Resolução

Cálculo da tensão normal atuante:

Px 45000
σ= = = 91, 7 MPa
Ax  π .25² 
x

 
 4 

Assim sendo, a barra está na região de comportamento linear


elástico e a Lei de Hooke poderá ser usada, pois a tensão atuante
(91,7 MPa) é menor que a tensão e escoamento (350 MPa).

Alongamento (variação no comprimento):

P.L 45000.1200
δ
= = = 0,55mm
E. A  π .25² 
200000.  
 4 

Deformação específica longitudinal:

δx 0,55
σ=
x = −4
= 4,58.10= −6
458.10= 458µ
Lx 1200

Ou através da Lei de Hooke:

σx 91, 7
σ=
x = −4
= 4,58.10= −6
458.10= 458µ
E 200000

Variação no diâmetro (contração):

εy =
εz =
−ν .ε x =
−0,3.458µ = −137, 4 µ
−1,374.10−4 =

δy =
ε y .Ly =
−137, 4 µ .25 =
−3, 44.10−3 mm =
−0, 0034mm
UNIUBE 77

Exemplo 2

Um cilindro de latão, representado na Figura 3, de comprimento


Lo = 25 mm e diâmetro do = 15 mm, é comprimido entre duas pla-
cas rígidas, com uma força P = 23 kN. Se a redução medida no
comprimento for de 0,0267 mm, qual é o módulo de elasticidade do
material? Se o aumento no diâmetro for de 0,0053 mm, qual o valor
do Coeficiente de Poisson?

Figura 3: Barra sujeita


à compressão.

Resolução

Cálculo da área da seção transversal:

π .15²
=A = 176, 7 mm²
4

Cálculo do módulo de elasticidade:

P.L P.L
A partir da equação δ = , tem-se E = . Assim:
E. A δ .A

23000.25
E=
0, 0267.176, 7

=E 121877
= MPa 121,9GPa
78 UNIUBE

Cálculo do coeficiente de Poisson:

A deformação específica transversal é:

δy 0, 0053
ε=
y = −4
= 3,53.10= 353µ
Ly 15

A deformação específica longitudinal é:

δ x −0, 0267
εx = == −1068µ
−1, 068.10−3 =
Lx 25

εy 353µ
ν=
− = − 0,33
=
εx −1068µ

Exemplo 3

Determine o módulo de elasticidade e o Coeficiente de Poisson do


material de uma barra, que tem 1000 mm de comprimento e seção
transversal retangular 90 x 30 mm, sabendo-se que, quando uma
carga axial de tração de 270 kN for aplicada, o seu comprimento
aumenta 0,5 mm e sua largura diminui em 0,015 mm, como repre-
sentado na Figura 4.

Figura 4: Barra sujeita à carga de tração axial.


UNIUBE 79

Resolução

Deformação específica longitudinal:

δx 0,5
ε=
x = −4
= 5, 0.10= −6
500.10= 500 µ
Lx 1000

Deformação específica transversal:

δ y −0, 015
εy = == −1, 67.10−4 = −167 µ
−167.10−6 =
Ly 90

Coeficiente de Poisson:

ε −167 µ
− y =
ν= − 0,33
=
εx 500 µ

Módulo de elasticidade:

Px 270000
σ=
x = = 100 MPa
Ax 90.30

100
σ x= E.ε x → E= = 200000 MPa= 200GPa
500

Atividade 1

Uma barra cilíndrica é feita em cobre com módulo de elasticidade


E = 117 GPa e Coeficiente de Poisson ν = 0,33. A barra tem um
diâmetro inicial do = 50,795 mm. Um anel com diâmetro interno
d = 50,8 mm está livre para deslizar ao longo da barra cilíndrica, veja
a Figura 5. Qual o valor da carga de compressão axial P que pode
ser aplicada de maneira que o anel ainda possa deslizar?
80 UNIUBE

Figura 5: Barra cilíndrica sujeita à carga axial de compressão com anel


externo.

3.2 Deformação de cisalhamento


Tomando-se um cubo elementar de lado unitário, conforme mostra-
do na Figura 6, sujeito às tensões de cisalhamento τxy e τyx, em
que τxy é a componente da tensão de cisalhamento na direção do
eixo y, que atua na face perpendicular ao eixo x.

Figura 6: Deformação por cisalhamento.


Fonte: Adaptado de Beer (1995).

Este cubo pode se deformar, como mostrado na Figura 7, em que os


ângulos entre as arestas sofrem um aumento ou redução do ângulo
de um valor γxy, expressos em radianos, que define a distorção do
cubo e é chamado de deformação de cisalhamento.
UNIUBE 81

Figura 7: Deformação por cisalhamento.


Fonte: Adaptado de Beer (1995).

Tomando-se a face situada no plano xy, como na Figura 8, tem-se:

Figura 8: Deformação de cisalhamento no plano xy.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Suposições:
• as dimensões do elemento retangular são muito pequenas e seu
formato deformado será um paralelepípedo;
• os segmentos de reta são muito pequenos e permanecem retos
após a deformação do corpo.

Observações:

• deformações normais provocam mudança de volume do elemen-


to retangular;
• deformações por cisalhamento provocam mudança no seu for-
mato.
82 UNIUBE

O comportamento de um material homogêneo e isotrópico, subme-


tido ao cisalhamento pode ser analisado em laboratório por meio de
corpos de prova, com seção circular, submetido à torção. Medindo-
-se o torque aplicado e o ângulo de torção respectivo, podem estes
dados serem usados para construir um diagrama tensão x deforma-
ção (Figura 9), semelhante àqueles das tensões normais para um
teste de tração.

Figura 9: Diagrama tensão x deformação de cisalhamento.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Para a maioria dos materiais, a parte inicial deste diagrama é uma


linha reta, sendo a Lei de Hooke para cisalhamento expressa por:

τ = γ .G

Em que G é uma propriedade mecânica do material, chamada de


módulo de elasticidade transversal, expresso em MPa ou GPa.
UNIUBE 83

Exemplo 4

Submetendo-se um corpo de prova de um metal a um teste de tor-


ção, obteve-se o diagrama tensão x deformação de cisalhamento
mostrado. Determine, a partir da análise do gráfico, o módulo de
elasticidade transversal G.

Considerando um bloco desse material, mostrado na Figura 10, de-


termine a distância horizontal máxima d que o topo do bloco pode
ser deslocado, quando submetido a uma força de cisalhamento V.
Qual é o valor de V necessário para este deslocamento?

Figura 10: Diagrama tensão x deformação de cisalhamento (a) e bloco (b).


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Resolução

O módulo de elasticidade transversal ou módulo de cisalhamento


pode ser determinado a partir das coordenadas do ponto A do gráfico.

O limite de proporcionalidade, isto é, até onde a Lei de Hooke é válida,


é de 358 MPa e a deformação de cisalhamento γ correspondente é
de 0,008 rad. Substituindo estes valores na Lei de Hooke, tem-se:

τ 358
τ = γ .G G= G= G = 44750 MPa
γ 0, 008
84 UNIUBE

Como as deformações de cisalhamento γ são muito pequenas, po-


de-se assumir que:

tg (γ ) ≅ γ

Assim:

tg (0, 008) ≅ 0, 008rad

d
tg (γ ) ≅ d = 50.0, 008 d = 0, 40mm
50

A tensão de cisalhamento no bloco é dada por:

V
τ ==V 358.75.100
= 2685000 =N 2685kN
A

Exemplo 5

Um suporte utilizado para atenuar as vibrações em um equipamen-


to (amortecedor) é constituído de três chapas rígidas A, B e C, aco-
pladas por meio de duas peças em borracha, de dimensões da se-
ção transversal 60 x 40 mm. Considerando G = 0,3 MPa, determine
o deslocamento vertical do ponto A, causado por deformações de
cisalhamento, quando uma força vertical de 200 N é aplicada. Veja
o esquema apresentado na Figura 11.

Figura 11: Suporte amortecedor


de vibrações.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).
UNIUBE 85

Resolução

Como a força cisalhante atuante em cada peça de borracha é igual


à metade da carga aplicada, tem-se V = 200 / 2 = 100N.

A tensão de cisalhamento atuante entre as chapas e a borracha é de:

V 100
τ= = = 0, 042 MPa
A 60.40

Por meio da Lei de Hooke, obtém-se a deformação de cisalhamento:

0, 042
τ = γ .G γ= γ = 0,14rad
0,3

Como as deformações de cisalhamento γ são muito pequenas, po-


de-se assumir que:
86 UNIUBE

Assim:
δV
tg (γ ) =
40 δV = 40.0,14 δV = 5, 6mm

Atividade 2

Um amortecedor de vibrações, Figura12, é constituído por dois blo-


cos de borracha coladas à placa AB e dois suportes fixos, como
mostra a figura. Determine o módulo de elasticidade transversal de
borracha a ser usada, sabendo-se que, para uma força vertical P de
28 kN, o deslocamento vertical de placa AB deve ser, no máximo, 2
mm. Considere a = 30 mm, h = 150 mm e espessura = 100 mm.

Figura 12: Suporte amortecedor


de vibrações.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

3.3 Relação entre E, ν e G

O módulo de elasticidade longitudinal E, o coeficiente de Poisson


ν e o módulo de elasticidade transversal G, relacionam-se pela ex-
pressão:

E
G=
2.(1 +ν )
UNIUBE 87

Esta equação foi deduzida considerando-se um elemento orienta-


do a 45° em relação ao eixo de uma barra carregada axialmente.

Exemplo 6

Um corpo de prova de alumínio tem diâmetro inicial d = 20 mm e


comprimento de referência inicial Lo = 260 mm, Figura 13. Quando
uma força axial de tração de 100 kN é aplicada, a barra sofre um
alongamento de 1,18 mm. Determine o módulo de elasticidade e a
variação no diâmetro. Considere G = 26 GPa.

Figura 13: Corpo de prova metálico para ensaio de tração.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Resolução

A tensão normal é dada por:

100000
σ=
P  π .20² 
σ=  
A  4  σ = 318,3MPa

A deformação específica longitudinal será de:

δ 1,18
ε= ε= = ε 4,538.10
= −3
4538µ
L 260
88 UNIUBE

Como a Lei de Hooke é válida, tem-se o módulo de elasticidade


através de:

318,3
σ = E.ε =E = 70141MPa
4538µ

O Coeficiente de Poisson é determinado pela expressão:

E 70141
G= 26000 = ν = 0,35
2.(1 +ν ) 2.(1 +ν )

Como a deformação específica longitudinal é igual a 4538 µ, tem-


-se a deformação específica transversal, fazendo-se:

ε transv
ν= − ε transv = −ν .ε longit
ε longit

ε transv = −0,35.4538µ ε transv = −1588µ

A variação no diâmetro é obtida por:

δ
ε= δ = −1588µ .20 δ = −0, 0318mm
L

3.4 Lei de Hooke generalizada

Consideramos, até o momento, a análise de tensões e deformações


em barras sujeitas a cargas axiais. Considerando este eixo como

Px
sendo o eixo x, determinou-se a tensão normal σ x = e a defor-
Ax
σx
mação específica longitudinal ε x = , bem como as deformações
E
ν .σ x
específicas transversais ε y =
εz =
−ν .ε x = − .
E
UNIUBE 89

Considerando agora um elemento sujeito à ação de cargas que atu-


am nas direções dos três eixos, produzindo tensões normais atuan-
tes nas faces perpendiculares a estes, σx, σy e σz, tem-se um estado
de carregamento triaxial, mostrado na Figura 14 a seguir.

Figura 14: Estado triaxial de tensões.

Para escrever as expressões, considera-se um cubo elementar de


lados unitários, sujeitos a um estado triaxial de tensão. O cubo de-
forma-se, sendo εx, εy e εz as deformações específicas nas direções
dos três eixos coordenados.

Baseando-se no princípio da superposição, pode-se separar o efei-


to provocado por cada componente de tensão e somar os resulta-
dos. Este princípio, usado várias vezes no estudo da resistência
dos materiais, nos diz que o efeito provocado em uma estrutura por
um determinado carregamento combinado pode ser obtido, deter-
minando-se separadamente os efeitos dos vários carregamentos e
combinando-se os resultados obtidos.

Para a aplicação deste princípio, é necessário que cada efeito seja


diretamente proporcional ao carregamento que o produz e que a
deformação causada seja pequena e não afete as condições de
aplicação dos outros carregamentos.
90 UNIUBE

Deste modo, considerando-se inicialmente a aplicação da tensão

σx
σx, tem-se na direção do eixo x, uma deformação igual a e nas
E
ν .σ x
direções y e z, −ν .ε x =
− .
E

Aplicando-se separadamente a tensão σy, tem-se na direção do eixo

σy ν .σ y
y, uma deformação igual a e nas direções x e z, −ν .ε y =
− .
E E
Fazendo de maneira análoga para a direção z e combinando os
resultados, tem-se a Lei de Hooke Generalizada:

σ v.σ v.σ
εx = x − y − z
E E E

v.σ x σ y v.σ z
εy =
− + −
E E E

v.σ x v.σ y σ z
εz =
− − +
E E E

Exemplo 7

Uma placa de dimensões 800 x 1200 mm e espessura de 10 mm é


submetida a cargas axiais aplicadas, conforme a Figura 15.

Adotando-se E = 200 GPa e ν = 0,3, determine as variações que


ocorrem nas dimensões desta placa.
UNIUBE 91

Figura 15: Placa sujeita a cargas aplicadas


segundo os eixos x e y.

Resolução

Nota-se que para esta situação σz = 0 e as tensões que atuam nas


faces perpendiculares aos eixos x e y, são:

Px 960000
σ=
x = = 120 MPa
Ax 10.800

Py 840000
σ=
y = = 70 MPa
Ay 10.1200

As deformações específicas são calculadas através da Lei de Hooke


Generalizada:

σ v.σ
εx = x − y =
(120 − 0,3.70 ) =4,95.10−4 =495µ
E E 200000

v.σ x σ y ( −0,3.120 + 70 )
εy =
− + = = 170 µ
1, 7.10−4 =
E E 200000

v.σ x v.σ y ( −0,3.(120 + 70) )


εz =
− − = = 285µ
−2,85.10−4 =
E E 200000
92 UNIUBE

As variações nas dimensões são dadas por:

δ
ε= δ = ε .L
L

δ x ε=
= x .Lx 495µ .1200
= 0,594mm

δ y ε=
= y .Ly 170 µ=
.800 0,136mm

δz =
ε z .Lz =
−285µ .10 =
−0, 00285mm

Exemplo 8

Uma placa de alumínio, com módulo de elasticidade de 70 GPa e


Coeficiente de Poisson de 0,35 é submetida a um estado biaxial de
tensões, como mostrado na Figura 16. Determine os valores de σx
e σy, sabendo-se que a deformação específica medida na direção x
foi de 600 µ e – 200 µ na direção y.

Figura 16: Placa sujeita a tensões aplicadas segundo os eixos x e y.

Resolução

Nota-se que, para esta situação, σz = 0 e as tensões que atuam nas


faces perpendiculares aos eixos x e y são calculadas através da
Lei de Hooke Generalizada:
UNIUBE 93

σx v.σ y
ε=
x −
E E

v.σ x σ y
εy =
− +
E E

Substituindo os valores, tem-se:

= σ x − 0,35.σ y
600.10−6.70000

−0,35.σ x + σ y
−200.10−6.70000 =

= σ x − 0,35.σ y
42

−14 =−0,35.σ x + σ y

Multiplicando a primeira linha por 0,35:

0,147 0,35.σ x − 0,1255.σ y


=

Somando à segunda linha, tem-se:

0 + 0,8755.σ y
−13,853 = σ y = −15,8MPa

Substituindo na primeira linha, tem-se a tensão atuante na direção x:

σ x − 0,35.(−15,8)
42 = σ x = 36,5MPa

Atividade 3

Uma barra em cobre, cujas dimensões são apresentadas na Figura


17, com módulo de elasticidade de 120 GPa e Coeficiente de Pois-
son de 0,34, está submetida a um carregamento aplicado em suas
94 UNIUBE

faces, conforme mostrado a seguir. Sabendo-se que o comprimen-


to aumentou 2,4 mm e a altura diminuiu 0,32 mm, determine o valor
das cargas aplicadas e a variação na espessura.

Figura 17: Barra submetida a um carregamento.

3.5 Tensões devidas a carregamento combinado –


aplicação da Lei de Hooke generalizada a vasos
de pressão

Uma situação de estado biaxial de tensão ocorre em vasos de


pressão de paredes de pequena espessura, que podem ser, por
exemplo, desde recipientes para desodorante spray até tanques de
armazenamento de gases em instalações industriais.

Os vasos de pressão mais comuns são os esféricos e os cilíndri-


cos, submetidos à pressão interna. São considerados de parede
fina se a razão entre o raio e espessura da parede for maior ou
igual a 10, isto é, se r/t ≥ 10.

O vaso de pressão cilíndrico mostrado na Figura 18 apresenta


espessura de parede t e raio interno r, e está sujeito às tensões
normais nas direções circunferencial e longitudinal σ1 e σ2, respec-
tivamente, quando uma pressão manométrica interna p for desen-
volvida por um gás ou fluido contido no vaso.
UNIUBE 95

Figura 18: Vaso de pressão cilíndrico.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

As tensões são dadas pelas expressões:

pr pr
σ1 = σ2 =
t 2.t

Para o caso de vasos de pressão esféricos, verifica-se que a tensão


será a mesma independentemente da orientação. Um elemento do
material estará sujeito ao estado de tensão biaxial, como mostrado na
Figura 19, em que:

Figura 19: Vaso de pressão esférico.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).
96 UNIUBE

Veja um exemplo e, a seguir, faça a atividade subsequente.

Exemplo 9

Um círculo de diâmetro inicial 150 mm foi desenhado na superfície


do vaso, com r = 1,5 m e t = 15 mm, veja a Figura 20. Quando o
vaso foi submetido à pressão interna, observou-se que o círculo
deformou-se, sendo que o diâmetro AB apresentava 150,0498 mm
e CD 150,2444 mm de comprimento. Determine as tensões atuan-
tes no aço, a pressão interna aplicada e a variação na espessura,
quando a pressão interna é aplicada. Adote E = 200 GPa e ν = 0,33.

Figura 20: Vaso submetido à pressão.

Resolução

Considerando o diâmetro AB como sendo a direção x e o diâmetro


CD como sendo o eixo y, tem-se as deformações:

δ x 150, 0498 −=
= 150 0, 0498mm

δ y 150, 2444 −=
= 150 0, 2444mm

As deformações específicas serão:

δx 0, 0498
ε=
x = = 3,32.10−4
Lx 150

δy 0, 2444
ε=
y = = 1, 63.10−3
Ly 150
UNIUBE 97

Sendo σz = 0 e substituindo os valores na Lei de Hooke Generalizada,


tem-se:

σx v.σ y
ε=
x −
E E
v.σ x σ y
εy =
− +
E E

3,32.10−4 =
(σ x − 0,33.σ y )
200000

1, 63.10−3 =
( −, 033.σ x +σ y )
200000

4 σ x − 0,33.σ y
66,=

−0,33.σ x + σ y
326 =

Multiplicando a primeira linha por 0,33:

21,9 0,33σ x − 0,109.σ y


=

E somando à segunda linha, tem-se:

347,8= 0 + 0,891.σ y σ y = 390,5MPa

Substituindo na primeira linha, tem-se a tensão atuante na direção x:

4 σ x − 0,33.(390,5)
66,= σ x = 195,3MPa

O valor da pressão interna aplicada será de:

p.r 390,5.15
σ=
1 σ=
v p= p = 3,9 MPa
t 1500
98 UNIUBE

A variação na espessura será de:

v.σ v.σ y ( −0,33.(195,3 + 390,5) )


εz =
− x− = −966, 6.10−6
=
E E 200000

δz
εz = δz =
−966, 6.10−6.15 =
−0, 014mm
Lz

Atividade 4

Um vaso de pressão cilíndrico, Figura 21, com espessura de pare-


de t e raio interno r, está sujeito às tensões normais nas direções
circunferencial e longitudinal σ1 e σ2, respectivamente, quando uma
pressão manométrica interna p for desenvolvida por um gás ou flui-
do contido no vaso.

Figura 21: Vaso submetido à pressão.

Um círculo de diâmetro inicial 120 mm foi desenhado na superfície


do vaso, que apresenta um r = 2,4 m e t = 15 mm. Quando o vaso
foi submetido à pressão interna de 1,875 MPa, observou-se que o
círculo deformou-se. Determine a variação no diâmetro AB (longi-
tudinal) e no diâmetro CD (circunferencial) deste círculo. Adote E =
200 GPa e ν = 0,30.

3.6 Princípio de Saint-Venant


No estudo da resistência dos materiais, vimos tensão como gran-
deza que representa a medida de distribuição de força nas seções
transversais de um elemento sujeito a um carregamento e defor-
mação como uma medida da modificação na geometria deste ele-
UNIUBE 99

mento. Vimos que na região linear elástica do diagrama tensão x


deformação, aplica-se a Lei de Hooke.

Considerando a barra mostrada na Figura 22, engastada na base e


submetida a uma força de tração aplicada na extremidade, obser-
va-se uma deformação localizada em cada extremidade, indicada
pelas distorções das linhas da malha desenhada. Esta alteração
diminui em seções situadas na parte central.

Figura 22: Deformação em barra sujeita à carga axial.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Como existe uma relação entre tensão e deformação, verifica-se que


a tensão distribui-se mais uniformemente em uma seção transversal
distante das extremidades, como mostrado na Figura 23.

Figura 23: Distribuição de tensão em seções transversais ao


longo da barra.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).
100 UNIUBE

Este comportamento da tensão e da deformação é denominado


Princípio de Saint-Venant, descrevendo que a tensão e a deforma-
ção produzidas em pontos do corpo suficientemente distantes da
região de aplicação da carga serão uniformes.

3.7 Deformação plástica

O estudo da resistência dos materiais feito até o momento baseou-


-se na existência de uma relação linear entre tensão e deformação,
expressa pela Lei de Hooke. Desta maneira, nas aplicações feitas, o
limite de proporcionalidade não foi ultrapassado. O comportamento
do material foi elástico, voltando à sua forma inicial após a retirada
do carregamento.

Caso a tensão de escoamento do material for excedida, ocorrem


deformações plásticas e a análise do problema deve ser feita, ba-
seando-se em relações não-lineares entre tensões e deformações,
como exemplificado na Figura 24.

Figura 24: Diagrama tensão x deformação.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Quando um corpo está sujeito à deformação elástica, não há ruptu-


ra das ligações químicas. Ocorre apenas um alongamento dessas
pela presença de uma força adicional que se soma às forças ele-
trostáticas existentes que estão em equilíbrio no material.
UNIUBE 101

Assim, quando se aplica um esforço externo, os átomos se deslo-


cam de suas posições iniciais, porém, ao cessar esse esforço, eles
retornam às suas posições de origem. Logo, a deformação elástica
é retornável e pode ser repetida indefinidas vezes sem alterar a
resistência nem as propriedades do material.

Na Figura 25, estão representados mecanismos de deformação


plástica, na qual as discordâncias que são planos incompletos de
átomos gerados no momento da cristalização do material ocorrem
devido à má formação dos planos vizinhos.

Figura 25: Mecanismo de deformação plástica.


Fonte: Adaptado de Callister (2002).

3.8 Concentração de tensão

Vimos que nas regiões próximas dos pontos de aplicação das car-
gas, o valor das tensões é muito maior que a tensão média ao lon-
go da peça. Além disso, se a barra apresentar descontinuidades,
como variação brusca de seção ou orifícios, ocorre valores eleva-
dos de tensões no entorno destes locais.

Consideremos uma barra submetida à carga axial, contendo um


furo, como representado na Figura 26. A tensão normal atuante na
seção transversal a-a distribui-se conforme mostrado. Esta distri-
buição verdadeira, na prática da engenharia, não precisa ser deter-
minada. Determina-se a tensão máxima, a partir da qual o elemen-
to é projetado para resistir a esta tensão.
102 UNIUBE

Figura 26: Distribuição de tensão em barra sujeita à carga axial.


Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Desta maneira, define-se a relação denominada de coeficiente de


concentração de tensões:

σ máx P
K= , sendo σ méd =
σ méd A

Os coeficientes de concentração de tensões são expressos em fun-


ção dos parâmetros geométricos envolvidos e os resultados assim
obtidos são colocados geralmente em gráficos, como os mostrados
nas Figuras 27 e 28. Estes coeficientes foram determinados base-
ando-se em um carregamento estático, cuja tensão desenvolvida
não ultrapassa o limite de proporcionalidade.

Figura 27: Coeficiente de concentração de


tensões para caso de barra sujeita à carga axial,
apresentando mudança brusca de seção.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).
UNIUBE 103

Figura 28: Coeficiente de concentração de tensões


para caso de barra sujeita à carga
axial, apresentando orifício.
Fonte: Adaptado de Hibbeler (2004).

Muitas falhas em elementos estruturais ou mecânicos são devidas


à concentração de tensões. No ponto em que a tensão atingir o
limite de proporcionalidade, forma-se uma trinca e uma maior con-
centração de tensão se desenvolve na extremidade desta trinca,
progredindo a sua formação. Além disso, nos elementos sujeitos
a carregamentos, a concentração de tensão causa uma fissura ou
trinca no material, se a tensão exceder o limite de resistência à fa-
diga do material, sendo este dúctil ou frágil.

SAIBA MAIS

Finalizamos este texto com a indicação de algumas atividades de


aplicação dos conceitos e formulação sobre análise de tensões. Para
tanto, acesse o endereço <//web.mst.edu/~mecmovie>.
Acompanhe os exemplos resolvidos e resolva os seguintes tópicos:
• M 12.1 – The amazing stress camera;
• M 13.7 – Generalized hooke´s law: biaxial stress;
• M 14.5 – Critical strain for pressure tank.
104 UNIUBE

Resumo
Neste capítulo, estudamos os conceitos básicos de tensão e defor-
mação, como também vistos anteriormente no Capítulo 2, mas ago-
ra de forma aplicada a diversas situações, como em estruturas e má-
quinas. Para isso, usamos os métodos experimentais que nos levam
à determinação do diagrama tensão x deformação de um material.
Esse assunto é muito importante para termos conhecimento sobre
os materiais empregados nos projetos de engenharia.

Referências
BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Resistência dos materiais. 3. ed.
São Paulo: Makron Books Ltda., 1996.

______. Mecânica vetorial para engenheiros: estática. 5. ed.


São Paulo: McGraw-Hill Ltda., 1994, 793p.

CALLISTER, W. D. Ciência e Engenharia de Materiais:


uma introdução. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002.

CRAIG JR, R. R. Mecânica dos materiais. 2. ed. Rio de Janeiro:


LTC SA, 2003.

HIBBELER, R.C. Resistência dos materiais. 5. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2004.

______. Estática: mecânica para engenharia. 10. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2005.
Capítulo Tensão normal e de
4 cisalhamento em vigas,
carregamento combinado
(flexão oblíqua composta)
Humberto Ritt
Larissa Soriani Zanini Ribeiro Soares

Introdução

Vigas são elementos estruturais muito importantes na engenha-


ria, responsáveis pela sustentação, por exemplo, de lajes. Uma
viga, quando submetida a um carregamento externo poderá es-
tar sujeita a solicitações normais, cisalhante e de flexão, atuan-
tes em suas seções transversais. Por este motivo, normalmen-
te, as vigas são barras retas e prismáticas, ocasionando maior
resistência ao cisalhamento e flexão.

Neste capítulo, os estudos dos esforços solicitantes serão apli-


cados a uma viga, uma vez que para a atuação nas engenha-
rias é de suma importância o conhecimento desse elemento
estrutural.

Objetivos

Ao completar o estudo deste capítulo, esperamos que você


seja capaz de:

• determinar as tensões causadas pelos carregamentos


nas vigas e o esforço cortante (cisalhamento);
• propiciar condições para verificar as condições de se-
gurança de um elemento estrutural;
• avaliar a resposta da estrutura frente à combinação
solicitações de esforços.
106 UNIUBE

Esquema

4.1 Deformação em elementos retilíneos


4.2 Flexão
4.3 Tensão normal
4.4 Tensão de cisalhamento em vigas
4.5 Combinação de carregamento combinado – flexão oblí-
qua composta

4.1 Deformação em elementos retilíneos

Seja uma viga carregada com uma carga uniformemente distribuída,


conforme Figura 1, as cargas que atuam nessa viga a fazem fletir (ou
curvar), e assim deformar o seu eixo em uma curva. A deformação
tende a alterar a forma e a dimensão da peça.

Figura 1: Viga com carregamento uniformemente distribuído.

Uma parte da viga que, antes da solicitação ser aplicada, apresen-


tava uma espessura ∆s, depois da solicitação, fica com uma es-
pessura variável, sendo maior na parte de baixo e menor no topo,
conforme mostrado na Figura 2. Esta variação, naturalmente, ocor-
re devido a curvatura sofrida pela viga. Vejamos com detalhes, na
Figura 2, a seguir.
UNIUBE 107

Na figura, a espessura da fatia a uma distância y, medida perpen-


dicularmente e a partir do eixo longitudinal da viga, está sendo indi-
cada por ∆s. Este eixo longitudinal da viga passa por um ponto da
seção transversal que seja pertencente a uma linha conhecida como
Linha Neutra (L.N.), responsável pela separação da zona comprimi-
da da zona tracionada da viga (Superfície Neutra).

Figura 2: Deformação de uma viga quando sujeita a carregamentos.


Fonte: Adaptado de Pacheco (2008).

Sendo:

• L.N.: a linha neutra;


• y: uma distância arbitrária acima da L.N.;
• M: momento fletor;
• ∆S: comprimento antes da deformação;
• ∆S`: comprimento após deformação;
• ∆θ: ângulo entre os lados da seção do transversal do elemento;
• Ρ: raio de curvatura.

As linhas longitudinais na parte inferior da viga são alongadas (tra-


cionadas), enquanto aquelas na parte superior são diminuídas (com-
primidas).

A deflexão da viga em qualquer ponto ao longo de seu eixo é o des-


locamento desse ponto em relação à sua posição original, medida
na direção de y.
108 UNIUBE

O cálculo da deformação normal longitudinal baseia-se na definição


da deformação específica normal a qual:

∆S '− ∆S
ε = lim
∆S → 0 ∆S
Sendo:
ε: deformação plástica;
∆S: comprimento antes da deformação;
∆S`: comprimento após deformação;

Os valores de ∆S e ∆S´ podem ser obtidos através do ângulo, ∆θ, e


do comprimento de curvatura, ρ, e substituídos na equação anterior
assim:
( ρ − y ).∆θ − ρ .∆θ 1
ε = lim ε=
− .x . y =
− k. y
ρ .∆θ ou ρ

A deformação específica normal longitudinal varia linearmente de


acordo com a distância y relativa ao eixo neutro, Figura 3, ou seja:

• ponto acima da superfície neutra: y > 0, k > 0 → ε < 0 →


encurtamento;
• ponto abaixo da superfície neutra: y < 0, k < 0 → ε > 0 →
alongamento.

Figura 3: Deformação em relação ao eixo neutro.


UNIUBE 109

Para o valor de ε máximo, temos que determinar o ponto mais afas-


tado da linha neutra, o que ocasionará:
−y
ε p y
= ⇒ ε=
− ε máx
ε máx c c
p

4.2 Flexão

Flexão Simples é um esforço comum devido ao efeito do momento


fletor (M) e o esforço cortante (V) atuante na peça. Quando o esforço
cortante é igual a zero, podemos dizer que se trata de flexão pura.
A flexão é também um dos mais desfavoráveis esforços, no entanto
não pode ser evitado em muitos casos. Elementos sujeitos à flexão
podem ser vistos em edificações, estruturas, máquinas e em muitos
outros lugares.

A flexão pode ser classificada como pura ou simples:


• pura: quando só há momento fletor atuando na peça, ou seja,
esforço cortante é nulo;
• simples: quando há momento fletor e esforço solicitante na peça.

PONTO CHAVE

O Momento Fletor na peça resulta em uma tensão normal (σ), enquanto


o esforço cortante gera uma tensão de cisalhamento ( τ ).

4.3 Tensão normal

Seja a Figura 4, a seguir, um corte transversal da viga da Figura 1:


110 UNIUBE

centroide

Figura 4: Seção transversal da Figura 1.

A tensão normal (σ) e a deformação específica (ε) variam linearmen-


te ao longo da altura da seção, sendo nulas no centroide e máximas
na face superior e inferior, conforme ilustrado na Figura 5.

Figura 5: Variação da tensão


normal (σ).
UNIUBE 111

M
σ= .y
I
Sendo:
• M: momento fletor;
• I: momento de inércia;
• Y: coordenada do ponto de análise.

Essa equação é chamada de fórmula e flexão. Tensões calculadas


a partir da fórmula de flexão são chamadas de tensões de flexão
(tensão normal).

A tensão normal é resultado da flexão pura.

M
σ máx = . y máx
I

Raio de curvatura ρ: quando cargas são aplicadas a uma viga, seu


eixo longitudinal é deformado em uma curva, conforme visto na Fi-
gura 1. As tensões e deformações são diretamente relacionadas a
esta curvatura.
A curvatura é dada por:

1 M
=
ρ E.I

Sendo:
• ρ: raio de curvatura;
• M: momento fletor;
• E.I: rigidez à flexão.

Considerando momentos positivos, valores positivos de y geram


tensões de compressão, enquanto que valores negativos produ-
zem tensões de tração, Figura 6.
112 UNIUBE

Figura 6: Convenção de sinais de momentos fletores.

RELEMBRANDO

Para o melhor entendimento do assunto estudado, aconselhamos que


sejam relembrados os seguintes itens já vistos:
• cálculo do momento de inércia;
• momento fletor e esforço cortante;
• tensão normal e tensão de cisalhamento;
• tensão normal de cisalhamento admissível.

Compreendidas as equações apresentadas anteriormente, vamos


fazer o exemplo seguinte.

Exemplo 1

Qual a máxima carga distribuída q que pode ser aplicada à viga


biapoiada, com 5 metros de comprimento (Figura 7), sabendo-se
que σu = 60 MPa, com um coeficiente de segurança, C.S, para
tração = 2,5 e compressão = 4 ?

Figura 7: Viga biapoiada com detalhes da seção transversal.


UNIUBE 113

Resolução

Tensão admissível:

σu
σ adm =
CS

Tensão admissível para tração:

60 KN
σ adm
= (t ) = 24 MPa
= 2, 40 2
2,5 cm

Tensão admissível para compressão:

60 KN
σ adm
= (c) = 15MPa
= 1,50 2
4 cm

Veja as figuras 8, 9 e 10.

Diagramas de Esforços Solicitantes

Figura 8: Diagramas de esforços solicitantes.

O momento máximo encontra-se no meio do vão, uma vez que o


esforço solicitante é nulo no centro da viga.

q.L L q.L L q.L2


M máx = . − . =
2 2 2 4 8
114 UNIUBE

Figura 9: Centroide da seção.

∑ Ai . yi
y=
∑A

(6.30.33) + (6.30.15)
=y = 24 cm
6.30.2

Cálculo do momento de inércia:

b.h3
I= I + A.d 2 e I =
12

(30.63 ) (6.303 )
I
= + 30.6.(33 − 24) 2 + 2
+ 6.30.(15 − 24)= 43200 cm 4
12 12

Tensão:

M
σ = .y
I
UNIUBE 115

Figura 10: Distribuição das tensões ao longo de y.

Compressão = 1,50 KN/cm²:

M
=1,50 = .12 5400 KN .cm
43200

Tração = 2,40 KN/cm²:

M
2, 40
= = . 24 4320 KN .cm
43200

Como Mmáx admissível = 4.320 KN.cm e L = 5 m = 500 cm:

q.L2 q.5002
M máx= = 4320
= q 0,14 KN / cm
∴= = 14 KN / m
8 8

Atividade 1

Determine a tensão normal máxima aplicada no elemento de seção


transversal a seguir, Figura 11, sabendo que o mesmo foi projetado
para suportar um momento máximo de 50 N.m
116 UNIUBE

Figura 11: Seção transversal de uma


viga com perfil I.

Atividade 2

A Figura 12, a seguir, mostra uma viga com extremidade engastada


e outra livre AB que está sujeita a um carregamento uniformemente
distribuído (q) e um carregamento concentrado em B. Determine
o maior valor da carga (q), sabendo-se que a viga admite tensão
máxima de flexão no valor 38,00 MPa.

Figura 12: Viga engastada com detalhe da seção transversal.

4.4 Tensão de cisalhamento em vigas

Como foi visto anteriormente, as solicitações normais (de tração


e compressão) e momentos fletores geram tensões normais, σ, já
a tensão de cisalhamento, τ , ocorre quando as forças são aplica-
das transversalmente à barra, como exemplificado pela Figura 13.
UNIUBE 117

Figura 13: Esquema de carregamento em uma viga biapoiada.

Esforços solicitantes:

Momento Fletor (M) - σ - (D.M.F);


Esforços Cortantes (V) - τ - (D.E.C).

O cisalhamento é uma solicitação resultante da ação do carrega-


mento na direção transversal à viga, gerando tensões de corte, τ ,
nas seções transversais da peça.

V .Q
τ=
I .b

Sendo:

τ : tensão de cisalhamento;
V: força de cisalhamento interno – calculada através do diagrama
de esforço cortante;
Q: momento estático de área situado acima do ponto em análise, em
relação ao eixo que passa pelo centroide, de modo que Q = ∑ A.d ;
I: momento de inércia;
b: largura da seção do ponto em análise.

A tensão de cisalhamento τ distribui-se ao longo da seção segun-


do uma parábola, sendo nula nas faces e máximas no centroide,
Figura 14.
118 UNIUBE

Figura 14: Distribuição das tensões de cisalhamento


ao longo da seção.

Compreendidas as equações apresentadas anteriormente, vamos


fazer os exemplos seguintes.

Exemplo 2

Para a seção transversal “T” de uma viga, figura 15 e 16, determine


a tensão de cisalhamento máxima de cisalhamento para um esforço
cortante de 80 KN.

Figura 15: Seção transversal de uma viga.


UNIUBE 119

Resolução

Cálculo do centroide:

∑ Ai . yi (6.40.43) + (6.40.20)
y=
= y = 31,50 cm
∑A (6.40) + (6.40)

Momento de Inércia:

b.h3
I= I + A.d 2 e I =
12

(40.63 ) (6.403 )
I= + 40.6.(43 − 31,5) 2 + + 6.40.(20 − 31,5) 2 = 96200 cm 4
12 12

Momento Estático:
Q = ∑ A.d

Figura 16: Dimensões para cálculo de Q.

Q = (6.8,50).4, 25 + (40.6).11,50 = 2976, 75 cm³


120 UNIUBE

Tensão máxima de cisalhamento:

V .Q 80 KN . 2976, 75cm3
τ=
= τ = 0,= 4126 KN / cm 2 4,13MPa
I .b 96200 cm 4 . 6cm

Exemplo 3

Seja a viga representada pela Figura 17, biapoiada e sujeita ao car-


regamento conforme ilustrado. Determine a máxima tensão normal
e de cisalhamento que atuam na viga.

Figura 17: Viga biapoiada com seção transversal em “I”.

Resolução

Cálculo das reações de apoio:

(10.5) + 20
RVA
= RVB
= = 35 KN
2

Cálculo do Centroide: como o perfil I é simétrico, temos:

(6 + 50 + 6)
=y = 31 cm
2
UNIUBE 121

Cálculo do momento de inércia: para facilitar o cálculo do momento


de inércia, o perfil I será obtido como sendo a diferença entre os dois
retângulos a seguir, Figura 18.

Figura 18: Divisão do perfil I em dois retângulos.

Veja as figuras 19 e 20.

b.h3 42.623 36.503


I = I= − = 459148cm 4
12 12 12

Diagramas de esforços solicitantes:

Figura 19: Diagrama de esforço cortante.

Figura 20: Diagrama de momento fletor.


122 UNIUBE

O momento máximo no centro do vão será o somatório dos efeitos


da carga concentrada mais o da carga distribuída:

P.L q.L2 (20.5) 10.52


M máx = + = + =56, 25 KN .m
4 8 4 8

IMPORTANTE!

O Momento Fletor máximo também pode ser realizado através do


cálculo da área do Diagrama de Esforços Cortantes:

MD − ME =
Área DEC

(35 + 10). 2,5 Mmáx = 56, 25 KN .m


M máx − 0
= = 56, 25 KN .m
2

Cálculo da tensão Normal:

M
σ = .y
I

56, 25.102 KN .cm . 31cm


=σ = 4
0,38
= KN / cm 2 3,80 MPa
459148cm

A Figura 21 mostra o cálculo da tensão de cisalhamento:

V .Q
τ=
I .b
UNIUBE 123

Figura 21: Distâncias até o eixo


de análise (centroide) da seção.

Q= (6.25).12,5 + (6.42).28= 8931 cm3

35 KN .8.931 cm3
=τ = 0,11 KN / cm 2
459148 cm 4 .6 cm

Atividade 3

Determine a máxima tensão normal e de cisalhamento que atuam


na viga ilustrada, Figura 22, a seguir:

Figura 22: Viga com detalhe da seção transversal.


124 UNIUBE

Atividade 4

Determine a maior carga q que pode ser aplicada à viga a seguir,


Figura 23, sabendo que a mesma suporta uma tensão de cisalha-
mento máxima no valor de 22,5 MPa.

Figura 23: Viga com detalhe da seção transversal.

4.5 Combinação de carregamento combinado – flexão


oblíqua composta

Até o momento, foi visto que em um sistema estrutural, sujeito a um


carregamento, atuam esforços solicitantes sobre ele (esforço nor-
mal, esforço de cisalhamento e momento) ocasionando as tensões;
no entanto, estes foram vistos de forma isolada.

Neste item, abordaremos a combinação destas solicitações uma


vez que uma estrutura está sujeita a mais de um tipo de solicitação
atuante. A flexão composta pode ser vista em pilares, vigas proten-
didas e muros de arrimos.

A flexão composta é a ação da força normal combinada com mo-


mentos fletores. Os momentos fletores decorrem da excentricidade
(e) com relação aos eixos y e z do elemento.
UNIUBE 125

O estudo da flexão oblíqua deve ser feito com todas as cargas re-
duzidas ao centroide da seção.

Para calcularmos a combinação de carregamento, como exemplifi-


cado pela Figura 24, devemos primeiramente proceder aos seguin-
tes itens:

• determinar as solicitações internas (força normal, força cisa-


lhamento e momento);
• calcular as componentes das tensões (tensão normal e de ci-
salhamento);
• aplicar o princípio da superposição de efeitos.

Figura 24: Combinação dos carregamentos.


126 UNIUBE

Sendo:
• e1 e e2: as excentricidades;
• Y e Z: as coordenadas do ponto em análise;
• My e Mz: momentos em torno do eixo.

Mz
σ= .x . y
Iz

σ=
± σ 0 ± σ1 ± σ 2

Compreendidas as equações apresentadas anteriormente, vamos


fazer o exemplo seguinte?

Exemplo 4

Uma carga P = 600 KN é aplicada na face do elemento mostrado


na Figura 25, a seguir, considerando a seção com dimensões de 20
x 50 cm, determine o estado de tensão máximo e a tensão em cada
ponto das arestas (A, B, C, D), sabendo que as excentricidades
valem e1 = 15 cm e e2 = 5 cm.

Figura 25: Carga aplicada a elemento


estrutural.
UNIUBE 127

Resolução

Cálculo da área:
= = 1000 cm 2
A 20.50

Inércia em relação ao eixo y:

50.203
=Iy = 33333,33 cm 4
12

Inércia em relação ao eixo z:

20.503
=Iz = 208333,33 cm 4
12

Momentos: P = - 600 KN
My =
− P . e1 = − 9000 KN .cm
− 600.15 =

Mz =
− P . e2 = − 3000 KN .cm
− 600.5 =

Tensões:
P −600
σ0 = = = − 0, 60 KN / cm²
A 1000

My −9000
σ1 = xz = .10 = − 2, 70 KN / cm²
Iy 33333,33

Mz −3.000
σ2 = xz = .25 = − 0,36 KN / cm²
Iz 208333,33

Tensão Máxima = Combinação dos carregamentos:


σ=
± σ 0 ± σ1 ± σ 2

σ máx =
− 0, 60 − 2, 70 − 0,36

σ máx = − 3, 66kN / cm²


128 UNIUBE

Tensão nos pontos da aresta: deve-se analisar sinais, conforme


mostrado na Figura 24:

σA = 1, 74 KN / cm²
− 0, 60 + 2, 70 − 0,36 =

σ B= − 3, 66 KN / cm²
− 0, 60 − 2, 70 − 0,36 =

σ C 2, 46 KN / cm²
− 0, 60 + 2, 70 + 0,36 =
=

σ D − 2,94 KN / cm²
− 0, 60 − 2, 70 + 0,36 =
=

Atividade 5

Determine a tensão normal atuante e a tensão de cisalhamento


atuante no ponto B da elemento apresentado na Figura 26.

Figura 26: Perfil L sujeito a flexão oblíqua.


UNIUBE 129

SAIBA MAIS

Finalizamos com a indicação de algumas atividades de aplicação dos


conceitos e formulação sobre análise de tensões normal, cisalhamento
e carregamento combinado. Para tanto, acesse o endereço <http://web.
mst.edu/~mecmovie>.

Acompanhe os exemplos resolvidos e resolva os seguintes tópicos:


• M.8.3 - Bending stresses in a flanged shape;
• M.8.5 - Centroide calculation: tee shape;
• M.8.6 - Centroide calculation: u – shape;
• M.8.7 - Tee shape section properties;
• M.8.8 - Moments and bending stress;
• M.8.9 - Determine maximum bending stresses.

PESQUISANDO NA WEB

Uma importante ferramenta para o estudo da resistência dos materiais


é o programa FTOLL.

O FTOLL é usado para a resolução de problemas que envolvam vários


carregamentos, além de diferentes tipos de apoios e geometria diver-
sificada da estrutura. É um Programa Gráfico-Interativo para Ensino
de Comportamento de Estruturas, programa que apresenta sob a for-
ma de diagramas cotados com os valores extremos, a distribuição ao
longo da viga de forças normais, das forças cortantes e do momento
fletor, além das flechas da linha elástica.

Resumo
Neste capítulo, foi dado continuidade ao assunto visto no decorrer
deste livro, flexão e tensão, porém agora vistos de maneira aplicada
e combinados em um elemento muito importante para nós engenhei-
ros, uma viga. Esse estudo aplicado é de suma importância para os
demais conteúdos específicos que começaram a ser trabalhados a
partir de agora, portanto, o entendimento do que aqui foi abordado se
faz necessário para que não haja entraves aos estudos posteriores.

Sugerimos, ainda, que os exercícios propostos sejam feitos sempre


retornando às explicações para um maior entendimento.
130 UNIUBE

Referências
BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Resistência dos materiais. 3. ed.
São Paulo: Makron Books Ltda., 1996.

HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 5. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2004.

PACHECO, A. Flexão. Disponível em: <http://www.chasqueweb.ufrgs.


br/~apacheco/ENG01140/.../ENG01140_16%20Flexao.pdf data 26.
ago. 2008>. Acesso em: 01 abr. 2010.

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