Você está na página 1de 163

Curso de Direito Administrativo para TRE MG

Profº Cyonil Borges – Aula 01

AULA 01: ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

Oi Pessoal,

Bom, vamos ao que interessa. Como prometido, um arquivo só de


exercícios.
O tema, hoje, é Administração direta e indireta, bem como
Agências (reguladoras e executivas) e Terceiro Setor.
Vamos que vamos.
Cyonil Borges.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

QUESTÕES EM SEQUÊNCIA

1. (2008/FCC – MPR – Ag.Administrativo-N12)


desconcentração administrativa é:
a) terceirização de execução de serviços para empresas
permissionárias, com ou sem licitação.
b) atribuir a outrem poderes da Administração.
c) delegação de execução de serviços para empresas concessionárias,
mediante licitação.
d) repartição das funções entre os vários órgãos de uma mesma
administração.
e) descentralização das atividades públicas ou de utilidade pública.1

2. (2008/FCC – MPR - Cargo M11) No que diz respeito à teoria


de organização administrativa, analise:
I. Repartição de funções entre os vários órgãos de uma mesma
Administração.
II. Transferência, por meio de contrato ou ato administrativo
unilateral, da execução de determinado serviço público a pessoa
jurídica de direito privado.
Os conceitos acima se referem, respectivamente, a
a) descentralização por colaboração e desconcentração
administrativa.
b) descentralização territorial e descentralização por serviços.
c) autoadministração e descentralização por serviços.
d) desconcentração administrativa e descentralização por
colaboração.
e) desconcentração por colaboração e descentralização por serviços.2

3. (2007/Cespe – SEGER-ES) O fenômeno da descentralização


é efetivado por meio de delegação quando o Estado cria uma
entidade e a ela transfere, por lei, determinado serviço
público. (Certo/Errado)3

1
LETRA D.
2
LETRA D
3
ERRADO.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

4. (2008/FCC – MPR – Ag. Administrativo-N12) Assinale a


alternativa referente a órgãos ou entidades que NÃO integram
a Administração Indireta:
a) Ministérios; Secretarias de Estado; e Secretarias Municipais.
b) sociedades de economia mista; empresas públicas; e autarquias.
c) fundações instituídas pelo Poder Público; autarquias; e sociedade
de economia mista.
d) autarquias; sociedades de economia mista; e consórcios públicos.
e) sociedades de economia mista; consórcios públicos; e empresa
pública.4

5. (2006/FCC – TRE - Analista) É correto afirmar que os


órgãos públicos, a exemplo dos Ministérios, Secretarias
Estaduais e Municipais:
a) se distinguem do Estado, por serem autônomas.
b) são pessoas, sujeitos de direitos e obrigações .
c) não têm personalidade jurídica.
d) têm relação de representação com a vontade do agente público.
e) têm relação interorgânica e não interpessoal ou intersubjetiva.5

6. (2006/ESAF – AFC/CGU) Assinale, entre as hipóteses


abaixo, aquela que corresponde à competência legislativa do
Congresso Nacional, prevista na Constituição Federal, sobre a
organização administrativa do Poder Executivo.
a) Criação, extinção e atribuições de órgãos da Administração
Pública.
b) Criação, extinção e atribuições de Ministérios, órgãos e entidades
da Administração Pública.
c) Criação e extinção de órgãos da Administração Direta
d) Criação e extinção de Ministérios e órgãos da Administração
Pública.
e) Criação e extinção de órgãos e entidades da Administração Direta
e Indireta.6
4
LETRA A.
5
LETRA C.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

7. (2006/FCC – Analista/TRE) Quanto aos órgãos públicos é


INCORRETO afirmar que:
a) os órgãos simples ou unitários são dotados de um único centro de
competência ou atribuições.
b) os órgãos públicos são centros de competência dotados de
personalidade jurídica própria, sendo responsáveis exclusivos por
suas ações e omissões.
c) os Ministérios, na área federal, são considerados órgãos
compostos, uma vez que possuem em sua estrutura outros órgãos
públicos.
d) o Tribunal Superior Eleitoral, de acordo com sua posição na
estrutura estatal, é um órgão independente, posto que possui origem
constitucional.
e) os colegiados são os órgãos que decidem e agem pela
manifestação de vontade da maioria de seus membros.7

8. (2010/FCC – TRF/4R – EXECUTOR DE MANDADOS) No que


se refere aos órgãos públicos, é INCORRETO afirmar ser
característica destes (algumas não presentes em todos),
dentre outras, o fato de que:
(A) não possuem personalidade jurídica e são resultado da
desconcentração.
(B) podem firmar, por meio de seus administradores, contratos de
gestão com outros órgãos.
(C) alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
(D) não possuem patrimônio próprio, mas integram a estrutura da
pessoa jurídica.
(E) têm capacidade para representar em juízo a pessoa jurídica que
integram.8

9. (2011/FCC – TRF-20R – Analista/judiciária) Considere a


seguinte afirmação, acerca da classificação dos órgãos
públicos:
São os que se localizam na cúpula da Administração, subordinados
diretamente à chefia dos órgãos independentes; gozam de autonomia
6
LETRA D.
7
LETRA B.
8
LETRA E.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

administrativa, financeira e técnica e participam das decisões


governamentais.
A afirmação trata dos órgãos públicos denominados
a) dependentes.
b) independentes.
c) superiores.
d) subalternos.
e) autônomos.9

10. (2011/FCC – TRF-20R – Analista/Execução de


Mandados) Quanto à classificação dos órgãos públicos,
considere as seguintes assertivas:
I. Órgãos públicos “locais” são aqueles que atuam sobre uma parte
do território, como as Delegacias Regionais da Receita Federal, as
Delegacias de Polícia, os Postos de Saúde, entre outros.
II. Os órgãos públicos denominados superiores são órgãos de direção,
controle e comando; gozam de autonomia administrativa e financeira.
III. A Presidência da República e a Diretoria de uma escola são
exemplos de órgãos públicos singulares.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.10

11. (2011/FCC – TRT-23R – Analista/Judiciária) No que


concerne à classificação quanto à posição estatal, os órgãos
públicos autônomos são:
a) órgãos de direção, controle e comando, mas sujeitos à
subordinação e ao controle hierárquico de uma chefia; não gozam de
autonomia administrativa nem financeira.
b) os que se localizam na cúpula da Administração, subordinados
diretamente à chefia dos órgãos independentes; gozam de autonomia
administrativa, financeira e técnica e participam das decisões
governamentais.

9
LETRA E.
10
LETRA C.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

c) os originários da Constituição e representativos dos três Poderes


do Estado, sem qualquer subordinação hierárquica ou funcional,
sujeitos apenas aos controles constitucionais de um sobre o outro, e
suas atribuições são exercidas por agentes políticos.
d) os que se acham subordinados hierarquicamente a órgãos
superiores de decisão, exercendo principalmente funções de
execução.
e) órgãos de direção e comando, não sujeitos à subordinação e ao
controle hierárquico de uma chefia, gozando de autonomia
administrativa e financeira, como, por exemplo, as Casas
Legislativas.11
Gabarito: alternativa B.

12. (2011/FCC – TRE – Analista/Judiciária) Os órgãos


públicos:
a) confundem-se com as pessoas físicas, porque congregam funções
que estas vão exercer.
b) são singulares quando constituídos por um único centro de
atribuições, sem subdivisões internas, como ocorre com as seções
integradas em órgãos maiores.
c) não são parte integrante da estrutura da Administração Pública.
d) não têm personalidade jurídica própria.
e) são compostos quando constituídos por vários agentes, sendo
exemplo, o Tribunal de Impostos e Taxas.12

13. (2011/FCC – TRE-TO – Analista/Judiciária) Os órgãos


públicos
a) São classificados como entidades estatais
b) Têm autonomia política
c) Têm personalidade jurídica
d) São soberanos
e) São centros de competência instituídos para o desempenho de
funções estatais.13

14. (2008/FCC – PMREC – Procurador) Determinado Estado


criou, regularmente, uma autarquia para executar atividades

11
LETRA B.
12
LETRA D.
13
LETRA E.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

típicas da Administração estadual que melhor seriam


exercidas de forma descentralizada.
Em relação a esta pessoa jurídica instituída, pode-se afirmar que se
trata de pessoa jurídica:
a) de direito público, com personalidade jurídica própria, embora
sujeita ao poder de autotutela do ente que a instituiu.
b) de direito público, não sujeita a controle do ente que a instituiu
quando gerar receitas próprias que lhe confiram auto-suficiência
financeira.
c) sujeita ao regime jurídico de direito privado quando for auto-
suficiente e ao regime jurídico de direito público quando depender de
verbas públicas, sem prejuízo, em ambos os casos, da submissão à
tutela do ente que a instituiu.
d) sujeita ao regime jurídico de direito público, criada por Decreto,
integrante da Administração Indireta e, portanto, sujeita a controle
do ente que a instituiu.
e) de direito público, dotada das prerrogativas e restrições próprias
do regime jurídico-administrativo e sujeita ao poder de tutela do ente
que a instituiu.14

15. (2008/CESPE – PGE/CE – Procurador) Assinale a opção


correta acerca das autarquias.
a) As autarquias são detentoras, em nome próprio, de direitos e
obrigações, poderes e deveres, prerrogativas e responsabilidades.
b) As autarquias são hierarquicamente subordinadas à administração
pública que as criou.
c) As autarquias são criadas e extintas por ato do chefe do Poder
Executivo.
d) Ao criar uma autarquia, a administração pública apenas transfere a
ela a execução de determinado serviço público, permanecendo com a
titularidade desse serviço.
e) As autarquias não estão sujeitas ao controle externo do Poder
Legislativo.15

14
LETRA E.
15
LETRA A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

16. (2007/VUNESP – Procurador) Não é um privilégio das


autarquias:
a) imunidade de tributos sobre seu patrimônio, renda e serviços.
b) prescrição quinquenal de suas dívidas passivas.
c) ampliação do prazo para desocupação de prédio locado para seus
serviços, quando decretado o despejo.
d) impossibilidade de usucapião de seus bens imóveis.
e) recurso de ofício nas sentenças que julgarem improcedente a
execução de seus créditos fiscais.16

17. (2006/FCC – Defensoria/SP) Recurso hierárquico


impróprio é:
a) aquele que é dirigido à autoridade superior na organização
federativa.
b) o pedido de reconsideração apresentado à autoridade máxima de
uma estrutura administrativa.
c) o pedido de revisão das decisões proferidas em processos
disciplinares, para a própria autoridade sancionadora.
d) a avocação do recurso administrativo pela chefia do órgão
administrativo.
e) o recurso interposto contra a decisão de dirigente de entidade da
Administração Indireta, para a autoridade a que está vinculada, na
Administração Direta.17

18. (2010/FCC – CASA CIVIL – EXECUTIVO) Além de outras,


NÃO constitui característica das autarquias, a
(A) especialização dos fins ou atividades.
(B) criação por lei.
(C) personalidade jurídica pública.
(D) capacidade de autodeterminação.
(E) isenção de controle ou tutela.18

16
LETRA A.
17
LETRA E.
18
LETRA E.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

19. (2011/FCC – TCE/SE – Analista de Controle Externo) As


autarquias:
(A) são necessariamente criadas por lei.
(B) organizam-se sob a forma de sociedades.
(C) possuem capacidade de autoadministração, o que as isenta do
controle administrativo.
(D) possuem personalidade jurídica de direito privado, não obstante
integrem a Administração Pública.
(E) regem-se pelas normas aplicáveis às empresas privadas.19

20. (2006/FCC – TRT-20ªR) Tendo em vista as entidades da


administração indireta considere:
I. Capacidade de autoadministração; especialização dos fins ou
atividades; e sujeição a controle ou tutela.
II. Sujeição ao controle estatal; vinculação aos fins definidos na lei
instituidora; e desempenho de atividade de natureza econômica.
Tais situações são características, respectivamente, das
a) organizações do terceiro setor; dos serviços sociais autônomos e
agências reguladoras.
b) fundações; das organizações do terceiro setor e serviços sociais
autônomos.
c) empresas públicas; das autarquias e agências reguladoras ou
executivas.
d) autarquias; das sociedades de economia mista e empresas
públicas.
e) sociedades de economia mista; das empresas públicas e
fundações.20

21. (2006/FCC – MP/Jurídica) Dentre as entidades da


administração indireta, a sociedade de economia mista
caracteriza-se por ser pessoa jurídica de direito:
a) público, destinada exclusivamente à prestação de serviços
públicos, dotada de autonomia administrativa e financeira, bem como
possuidora de patrimônio próprio.

19
LETRA A.
20
LETRA D.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

b) privado, autorizada por lei para a exploração de atividades


econômicas, detentora de privilégios fiscais e constituída sob a forma
de sociedade por quotas de responsabilidade limitada.
c) público, criada por lei para a exploração de atividade econômica,
com capital exclusivamente privado e organizada sob qualquer das
formas empresariais admitidas em lei.
d) privado, criada para a prestação de serviços públicos ou
exploração de atividade econômica, contando com capital misto e
constituída sob a modalidade de sociedade anônima.
e) público, instituída por lei para a prestação de serviços públicos ou
exploração de atividades econômicas, com capital público e dotada de
autonomia administrativa e financeira.21

22. (2011/FCC – TRF/1R – Analista) NÃO é considerada


característica da sociedade de economia mista:
(A) a criação independente de lei específica autorizadora.
(B) a personalidade jurídica de direito privado.
(C) a sujeição a controle estatal.
(D) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei.
(E) o desempenho de atividade de natureza econômica.22

23. (2010/FCC – ALESP – LICITAÇÕES) O regime jurídico das


sociedades de economia mista que exploram atividade
econômica é o mesmo:
(A) das empresas privadas, inclusive no que diz respeito às
obrigações trabalhistas e tributárias, sujeitando-se, porém, aos
princípios que regem a Administração pública.
(B) das entidades integrantes da administração direta, exceto no que
diz respeito aos contratos de trabalho, que se regem pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
(C) das empresas privadas, exceto no que diz respeito ao processo de
execução judicial de suas dívidas, em face da impenhorabilidade de
seus bens e rendas.
(D) estabelecido na lei das sociedades anônimas, sendo vedado ao
acionista controlador orientar os negócios da companhia para fins
diversos da obtenção de lucro, sob pena de abuso de poder.

21
LETRA D.
22
LETRA A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(E) das empresas privadas, exceto no que diz respeito às obrigações


tributárias, que são parcialmente afastadas em face da imunidade em
relação a impostos incidentes sobre seu patrimônio e renda.23

24. (2010/FCC – CASA CIVIL – EXECUTIVO) É certo que, as


Sociedades de Economia Mista:
(A) têm como objeto a prestação de uma atividade econômica
empresarial, vedada a realização de atividade pública.
(B) embora pertencendo à Administração direta, ostentam estrutura e
funcionamento de empresa particular.
(C) não têm, por natureza, qualquer privilégio estatal, só auferindo as
prerrogativas administrativas, tributárias e processuais concedidas
especificamente na lei criadora ou em dispositivos especiais.
(D) possuem capital exclusivamente privado e direção exclusiva do
ente estatal ao qual estão subordinadas.
(E) somente podem ser instituídas pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal, vedada a sua criação pelos Municípios.24

25. (2011/FCC – TCE/SE – Analista de Controle Externo) As


empresas públicas:
(A) são pessoas jurídicas de direito público interno que
desempenham atividade econômica.
(B) possuem vínculo contratual com o Estado, notadamente por meio
de contrato de concessão.
(C) são organizadas invariavelmente sob a forma de sociedades
anônimas.
(D) exercem atividade de relevante interesse coletivo, embora não
detenham capital público.
(E) necessitam de autorização legislativa para serem criadas.25

26. (2010/FCC – TRE/AL – Analista Judiciário-


Administrativa) A entidade dotada de personalidade jurídica
de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo
da União, se federal, criada para exploração de atividade
econômica que o Governo seja levado a exercer por força de
contingência ou conveniência administrativa, denomina-se:
(A) Autarquia Especial.

23
LETRA A.
24
LETRA C.
25
LETRA E.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(B) Sociedade de Economia Mista.


(C) Empresa Pública.
(D) Fundação Pública.
(E) Organização Social.26

27. (2010/FCC – TCM/CE – ANALISTA CONTROLE) As


sociedades de economia mista e as empresas públicas
(A) Estão sujeitas ao mesmo regime jurídico das empresas privadas,
exceto no que diz respeito a matéria tributária e trabalhista.
(B) Estão sujeitas ao mesmo regime jurídico das empresas privadas,
inclusive no que diz respeito a matéria tributária e trabalhista.
(C) Não estão submetidas aos princípios da Administração Pública,
exceto quando prestadoras de serviços públicos.
(D) Sujeitam-se ao regime jurídico de direito público, e ao regime de
direito privado, quando exploradoras de atividade econômica.
(E) Sujeitam-se ao mesmo regime jurídico das fundações públicas,
exceto no que diz respeito à matéria de pessoal.27

28. (2011/FCC - Copergás – Analista/Administrador) As


empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividade econômica submetem-se:
(A) aos princípios aplicáveis à Administração Pública e ao regime
jurídico próprio das empresas privadas.
(B) ao mesmo regime da Administração Direta, exceto em matéria
tributária.
(C) ao regime jurídico próprio das empresas privadas, exceto em
matéria trabalhista.
(D) ao regime jurídico privado, gozando, porém, de imunidade
tributária.
(E) aos princípios aplicáveis à Administração Pública, exceto no que
diz respeito à licitação e à contratação de pessoal, obras e serviços.28

29. (2008/NCE-UFRJ – ANTT/AADM55) Ressalvados os casos


previstos na Constituição Federal de 1988, a exploração direta
de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária:

26
LETRA C.
27
LETRA B.
28
LETRA A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

a) aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse


coletivo;
b) à incorporação e compatibilização dos planos nacionais e regionais
de desenvolvimento;
c) à repressão do abuso do poder econômico que vise à eliminação da
concorrência;
d) à realização das diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado;
e) à proteção do meio ambiente, ao consumidor e à livre
concorrência.29
Gabarito: alternativa A.

30. (2008/CESPE – PGE-PB – Procurador) Constitui elemento


diferenciador entre sociedade de economia mista e empresa
pública o(a)
a) regime jurídico de pessoal.
b) composição do capital.
c) patrimônio.
d) natureza da atividade.
e) forma de sujeição ao controle estatal.30

31. (2008/CESPE – PGE-PB – Procurador) Considere-se que


o governo do estado da Paraíba tenha celebrado contrato com
uma sociedade de economia mista federal. Nessa situação,
caso exista interesse do estado da Paraíba em discutir
judicialmente alguma cláusula oriunda desse contrato, deverá
ser proposta ação contra a mencionada sociedade perante:
a) uma das varas da justiça federal.
b) uma das varas da justiça comum estadual.
c) o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região.
d) o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região.
e) o Superior Tribunal de Justiça (STJ).31

29
LETRA A.
30
LETRA B.
31
LETRA B.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

32. (2008/CESPE – OAB-SP) Recente decisão do Supremo


Tribunal Federal, levando em consideração a peculiar situação
jurídica de uma estatal (regida pelo direito privado), afirmou a
impossibilidade de se penhorarem seus bens e determinou
que sua execução só poderia ocorrer pelo regime do
precatório (art. 100 da Constituição Federal). Tal decisão
ocorreu em referência
a) ao Banco do Brasil, uma sociedade de economia mista cujos bens
são bens públicos dominicais.
b) à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), por se tratar
de empresa pública que executa serviço público.
c) à Companhia de Gás de São Paulo (COMGAS), porque, como
empresa privada e concessionária de serviço público, todos seus bens
são reversíveis.
d) ao INSS, uma autarquia federal cujos bens são todos bens
públicos de uso especial.32

33. (2008/FCC – TCE/Amazonas) Na estrutura da


Administração Pública brasileira, há distinção entre a
Administração direta e a indireta. Dentre as entidades da
Administração indireta incluem-se as:
I. sociedades de economia mista.
II. organizações sociais.
III. empresas públicas.
IV. fundações públicas.
V. agências executivas.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) I e III.
c) I, III e IV.
d) II, III e V.
e) III, IV e V.33

32
LETRA B.
33
LETRA C.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

34. (2006/FCC – ICMS/Paraíba) O regime jurídico


administrativo, aplicável às entidades da administração
indireta, resulta na:
a) atribuição de personalidade jurídica de direito público a todas
estas, independentemente da forma jurídica que adotarem.
b) obrigatoriedade da realização de licitação para a contratação de
obras, serviços, compras e alienações, de acordo com os seus
regulamentos próprios.
c) sujeição de seu pessoal às regras próprias do funcionalismo
público, notadamente ao regime jurídico único do ente público de que
fazem parte.
d) indisponibilidade dos bens de propriedade destas entidades, que
apenas poderão ser alienados por meio dos procedimentos legais.
e) obrigatoriedade de sua constituição sob a forma de sociedade
anônima de capital aberto, não sujeita à falência.34

35. (2010/FCC – TRE/AM – ANALISTA JUDICIÁRIO) Sobre as


entidades políticas, os órgãos e os agentes públicos,
considere:
I. As empresas públicas e sociedades de economia mista não são
criadas por lei, mas, a sua instituição depende de autorização
legislativa.
II. Entidades estatais são pessoas jurídicas de Direito Público que
integram a estrutura constitucional do Estado, mas, não têm poderes
políticos nem administrativos.
III. Órgãos subalternos são os que exercem atribuições de mera
execução, sempre subordinados a vários níveis hierárquicos
superiores.
IV. Órgãos públicos são centros de competência instituídos para o
desempenho de funções estatais, dotados de personalidade jurídica e
de vontade própria.
V. Agentes públicos são todas as pessoas físicas incumbidas,
definitiva ou transitoriamente, do exercício de alguma função estatal.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I, III e V.
(B) I, II e IV.
(C) III, IV e V.

34
LETRA B.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(D) III e IV.


(E) IV e V.35

36. (2010/FCC – ALESP – DIREITO) A respeito das entidades


integrantes da Administração indireta, é correto afirmar que
(A) as autarquias, as fundações, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista estão sujeitas ao regime jurídico de
direito público.
(B) as empresas públicas e as sociedades de economia mista
sujeitam-se ao regime de direito privado, exceto no que diz respeito
às obrigações tributárias e trabalhistas.
(C) as autarquias possuem as mesmas prerrogativas das pessoas
jurídicas públicas políticas, exceto no que diz respeito à
penhorabilidade de seus bens.
(D) as sociedades de economia mista são constituídas de acordo com
as regras do direito privado e submetem- se à legislação trabalhista,
tributária, civil e societária, porém a sua criação depende de prévia
autorização legislativa.
(E) todas elas submetem-se ao mesmo regime jurídico das entidades
integrantes da Administração direta, exceto para as empresas
públicas e as sociedades de economia mista no que diz respeito ao
regime trabalhista de seus empregados, que é o mesmo aplicável às
empresas privadas.36

37. (2010/FCC – APOF) A respeito do regime jurídico


aplicável às entidades integrantes da Administração indireta,
é correto afirmar que as:
(A) autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público
sujeitam-se ao regime de direito público, exceto no que diz respeito à
penhorabilidade de seus bens.
(B) autarquias, fundações e sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público sujeitam-se ao regime jurídico de
direito público.
(C) fundações instituídas e mantidas pelo poder público sujeitam-se
ao mesmo regime das autarquias, exceto no que diz respeito ao
processo seletivo de pessoal.
(D) sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito
privado, inclusive no que diz respeito à legislação tributária e
trabalhista.

35
LETRA A.
36
LETRA D.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(E) sociedades de economia mista exploradoras de atividade


econômica sujeitam-se ao mesmo regime das empresas privadas,
exceto no que diz respeito à matéria tributária.37

38. (2011/FCC – TCM/BA – Procurador) A propósito das


características e regime jurídico a que se submetem as
entidades da Administração indireta, é correto afirmar:
(A) A autarquia é pessoa jurídica de direito público, com as mesmas
prerrogativas e sujeições da Administração direta, exceto no que diz
respeito ao regime de seus bens.
(B) A criação de sociedade de economia mista e de empresa pública
depende de autorização legislativa, assim como a criação de
subsidiárias dessas entidades.
(C) A criação de sociedade de economia mista somente é possível
para exploração de atividade econômica stricto sensu.
(D) As empresas públicas podem explorar atividade econômica e
prestar serviços públicos, com a participação minoritária de
particulares em seu capital social.
(E) A autarquia é pessoa jurídica de direito privado, porém submetida
aos princípios aplicáveis à Administração Pública, o que lhe confere
um regime híbrido de prerrogativas e sujeições.38

39. (2011/FCC – PGE/MT – Procurador) O regime jurídico


aplicável às entidades integrantes da Administração indireta
(A) sujeita todas as entidades, independentemente da natureza
pública ou privada, aos princípios aplicáveis à Administração Pública.
(B) é integralmente público, para autarquias, fundações e empresas
públicas, e privado para sociedades de economia mista.
(C) é sempre público, independentemente da natureza da entidade.
(D) é sempre privado, independentemente da natureza da entidade.
(E) é o mesmo das empresas privadas, para as empresas públicas e
sociedades de economia mista, exceto em relação à legislação
trabalhista.39

40. (2008/FCC – TJURR – Juiz) A Lei federal nº 9.472/97, em


seu art. 9º, designa a Agência Nacional de Telecomunicações

37
LETRA D.
38
LETRA B.
39
LETRA A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

“autoridade administrativa independente”. Tal designação, em


termos da organização administrativa brasileira,
a) revela a criação de uma nova espécie típica de entidade integrante
da Administração Indireta, dita justamente “autoridade administrativa
independente”.
b) ressalta algumas características do regime especial dessa
entidade, tais quais independência administrativa, ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus
dirigentes, mas não afasta o seu enquadramento como autarquia.
c) refere-se ao fato de essa entidade não integrar a Administração
Indireta.
d) refere-se ao fato de essa entidade não ser sujeita a normas
decorrentes do exercício do poder regulamentar pelo chefe do Poder
Executivo.
e) implica a criação de uma nova espécie típica de entidade
integrante da Administração Indireta, dita “agência reguladora”.40

40
LETRA B.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

QUESTÕES COMENTADAS
1) (2008/FCC – MPR – Ag.Administrativo-N12)
desconcentração administrativa é:
a) terceirização de execução de serviços para empresas
permissionárias, com ou sem licitação.
b) atribuir a outrem poderes da Administração.
c) delegação de execução de serviços para empresas concessionárias,
mediante licitação.
d) repartição das funções entre os vários órgãos de uma mesma
administração.
e) descentralização das atividades públicas ou de utilidade pública.
Comentários:
A questão, em si, não nos oferece alto grau de dificuldade. É
corriqueiro nossas ilustres organizadoras nos testarem quanto à
distinção entre desconcentração e descentralização. Por isso, antes
da resposta propriamente dita, que tal um “passeio” pelos principais
conceitos?
Basicamente, devemos conhecer os conceitos de Centralização X
DesCENtralização X DesCOncentração administrativas.
Interessante notar como a formação das palavras, por vezes, pode
nos causar problemas para o integral entendimento dos conceitos
jurídicos. Por exemplo: desconcentrar e descentralizar não
poderiam ser vistas como expressões sinônimas, quase
perfeitas, etimologicamente, porque, ao fim, ambas querem
dizer retirar do centro? Contudo, juridicamente e para efeito de
concursos, as ditas expressões possuem diferenças significativas.
O conceito de centralização é, de todos, o de mais fácil assimilação.
Os amigos já devem ter ouvido falar, no dia-a-dia, em “pessoas
centralizadoras”, o que isso quer dizer?
Quer se referir àquela pessoa que realiza as tarefas sem qualquer
distribuição de parcela da atribuição a qualquer pessoa. Por
exemplo: na casa de VAN, ela é quem lava, passa, e cozinha,
logo, realiza as tarefas de forma centralizada. Já na casa de Dona
Regiane, é Fifo quem cozinha, lava, e passa, houve distribuição de
determinadas tarefas de titularidade de Regiane a outra pessoa
(garota inteligente, para que centralizar se é possível descentralizar,
tudo em nome da eficiência!).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Distinto é o conceito de desconcentração.


Essa existe quando tarefas ou atividades são distribuídas de um
centro para setores periféricos ou de escalões superiores para
escalões inferiores, dentro da MESMA entidade ou da MESMA
pessoa jurídica.
Por exemplo:
 O Poder Executivo Federal pode ser desconcentrado em
Ministérios (entre outros órgãos), como da Saúde, da
Previdência, da Cultura, dos Transportes, logo, em
diversas áreas temáticas (desconcentração por
matéria);
 Os Tribunais Federais têm órgãos espalhados em Brasília,
em Minas, no Piauí, no Acre etc. É a mesma pessoa,
União, só que as competências são realizadas por órgãos
em base geográfica distinta (desconcentração
territorial ou geográfica); e
 A Secretaria de Saúde de Divinópolis (Minas Gerais) é
órgão subordinado hierarquicamente à Prefeitura,
ambos, por sua vez, são órgãos da mesma pessoa (leia-
se: Município), é o que a doutrina denomina
desconcentração por hierarquia.
DICA: prestem atenção na última parte do conceito! A
desCOncentração (CO – Criação de Órgãos) é fenômeno interna
corporis, ou seja, ocorre em uma mesma pessoa jurídica. Além
disso, a estrutura desconcentrada é baseada na hierarquia, na
subordinação, seja entre órgãos, seja entre servidores.

Por fim a descentralização. A desCENtralização (CEN - Criação de


ENtidades, pressuposto de nova pessoa jurídica) é uma distribuição
de competência entre pessoas físicas ou jurídicas distintas,
transferindo-se a atividade decisória e não a mera atividade
administrativa.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Então, encontrou a resposta? Claro que sim! A desconcentração


refere-se à repartição das funções entre vários órgãos de uma
mesma pessoa jurídica (alternativa D).
Gabarito: alternativa D.

2) (2008/FCC – MPR - Cargo M11) No que diz respeito à teoria


de organização administrativa, analise:
I. Repartição de funções entre os vários órgãos de uma mesma
Administração.
II. Transferência, por meio de contrato ou ato administrativo
unilateral, da execução de determinado serviço público a pessoa
jurídica de direito privado.
Os conceitos acima se referem, respectivamente, a
a) descentralização por colaboração e desconcentração
administrativa.
b) descentralização territorial e descentralização por serviços.
c) autoadministração e descentralização por serviços.
d) desconcentração administrativa e descentralização por
colaboração.
e) desconcentração por colaboração e descentralização por serviços.
Comentários:
Vimos que, na desconcentração, há repartição de funções dentro da
própria pessoa jurídica, certo? Por isso, o item I, na questão ora
analisada, refere-se à técnica administrava da desconcentração.
Ao contrário da desconcentração, não há na descentralização
relação de hierarquia ou de subordinação, o que existe é um laço
de vinculação, de controle de finalidade (finalístico) ou de
supervisão Ministerial (na maior parte das vezes!). Por exemplo: a
autarquia federal Banco Central encontra-se vinculada ao
Ministério da Fazenda; a fundação pública federal FUNASA,
vinculada ao Ministério da Saúde; a sociedade de economia mista
federal Companhia Docas do Estado de São Paulo é vinculada à
Secretaria de Portos.
Assim como acontece com a desconcentração (por hierarquia, por
matéria, por território), a descentralização também comporta
classificações, sendo que, no entanto, não existe um
posicionamento unânime na doutrina, por esse motivo, será exposto,
a seguir, a mais aceita pelas bancas examinadoras, a qual, inclusive,
foi objeto na presente questão.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

São quatro as espécies do gênero descentralização: territorial;


por colaboração; funcional, técnica, ou por serviços, e a social.

Na Descentralização Territorial uma entidade local,


geograficamente delimitada, é dotada de personalidade jurídica
própria, de Direito Público, com capacidade administrativa
ampla. Este tipo de descentralização (administrativa) é vista, com
frequência, nos Estados Unitários (p.ex.: França, Portugal e
Espanha).
No Brasil, são incluídos nessa modalidade de descentralização os
territórios federais, os quais não integram a federação, mas têm
personalidade de direito público e possuem capacidade
administrativa genérica (não gozam de capacidade política!). Na
atual Constituição Federal, os territórios são mencionados, por
exemplo, no §2º do art. 18:
Os Territórios Federais integram a União, e sua
criação, transformação em Estado ou reintegração ao
Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
Daí, duas observações:
I) Hoje não mais existem, no Brasil, os territórios, como foram
os territórios de Roraima e Amapá (atuais Estados) e Fernando
de Noronha (anexado ao Estado de Pernambuco). Contudo, há
possibilidade de criação de novos territórios, segundo
estabelece a atual Constituição;
II) Os territórios integram a União, não sendo, portanto,
integrantes da federação (U, E, DF, M). Assim, territórios não
são entes federativos (ou políticos), mas sim meras
entidades administrativas. Há aqueles que os classificam como
autarquias da União.
Já a Descentralização por Colaboração se verifica quando a
execução de um serviço público é transferida à pessoa jurídica de
direito privado, ou mesmo à pessoa física, por meio de contrato ou
ato administrativo, conservando o poder público a titularidade do
serviço.
É o que ocorre, por exemplo, na concessão ou permissão de serviços
públicos (formas de delegação de serviço público), cujo
regramento geral é encontrado na Lei 8.987/1995, lei geral para
concessões e permissões de serviços públicos (o assunto será

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

estudado mais à frente, no tópico sobre serviços públicos).


Para aqui, releia o item II. Isso mesmo. Está-se diante da
descentralização por colaboração, daí a correção da
alternativa D.
Vamos prosseguir nas classificações, acreditando em eventual
ineditismo da organizadora.
A Descentralização funcional é também denominada de
descentralização por serviços ou técnica. É aquela em que o
Poder Público cria uma pessoa jurídica de direito público ou
privado, atribuindo-lhe, além da execução, a titularidade de
determinado serviço público. Por exemplo: a FUNASA (Fundação
Nacional de Saúde), pessoa jurídica de direito público (fundação
pública), serviço público de saúde; a ECT (Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos), pessoa jurídica de direito privado (empresa
pública), serviço público de correios.
No Brasil, essa criação SOMENTE se dá em virtude de lei. Por
vezes, a lei, diretamente, cria a entidade, correspondendo à
figura das autarquias e das fundações públicas de direito
público. Por outras, a lei autoriza a instituição, correspondendo às
fundações públicas de direito privado; sociedades de economia mista,
e empresas públicas.

Com relação às duas últimas (mistas e empresas públicas),


adianto que costumam ter dois campos de atuação: ora exploram
atividades econômicas, em razão do que dispõe o art. 173 da
CF/1988, sobretudo no seu §1º; ora são prestadoras de serviços
públicos (art. 175 da CF/1988).
Todavia, no caso de atividades econômicas exploradas pelo
Estado, não há que se falar de descentralização funcional, uma vez
que não há prestação de serviços públicos (a ECT é um exemplo de
descentralização funcional ou por serviços, apesar de empresa
pública, afinal de contas, é prestadora de serviços públicos).
Alguns dos amigos já estão familiarizados provavelmente com os
termos. Outros, no entanto, uma vez ou outra se questionam: o que
é autarquia? O que é uma sociedade de economia mista?
Antes de passarmos a este assunto nas questões que vêm pela
frente, vale uma última observação: alguns autores indicam somente
a autarquia como sendo o exemplo de descentralização por serviços,

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

tanto que o Dec. Lei 200/1967, apegado a essa concepção


conservadora, define apenas a autarquia como entidade que presta
serviço público típico do Estado.
Entretanto, o estudo da evolução das formas de descentralização
funcional mostra que, além das autarquias, foram criadas outras
pessoas jurídicas por parte do Estado e a elas foram transferidas a
titularidade e execução de serviços públicos. Portanto, além das
autarquias, a descentralização por serviços (funcional ou
técnica) se estende às demais entidades da Administração
Indireta.
A descentralização por serviços corresponde à Administração Indireta,
que, via de consequência, é chamada por alguns de Administração
Descentralizada. Em contrapartida, a Administração Direta é
chamada por muitos de Administração Centralizada.

Descentralização por serviços → Administração Indireta


ou Descentralizada

Administração Direta → Administração Centralizada

Síntese do aprendizado:
- O Estado pode realizar suas tarefas de forma centralizada,
desconcentrada, e descentralizada;
- A desconcentração ocorre internamente à pessoa jurídica,
representando a criação de órgãos dentro da mesma entidade;
- A desconcentração admite as seguintes classificações: territorial ou
geográfica; por matéria; e por hierarquia;
- A desconcentração, por ser interna, gera subordinação hierárquica
entre os órgãos e os agentes;
- A descentralização é movimento para fora, pressupõe, portanto, a
existência de nova pessoa (jurídica ou física);
- Na descentralização, não há subordinação, existe apenas um
vínculo;
- A descentralização admite as seguintes classificações: territorial;
por colaboração; e por serviços (técnica ou funcional);
- A descentralização por colaboração não se confunde com a por
serviços. Naquela, o Estado não transfere a titularidade
(apenas a execução); nesta, o Estado repassa tanto a
titularidade quanto execução.
Gabarito: alternativa D.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

3) (2007/Cespe – SEGER-ES) O fenômeno da descentralização


é efetivado por meio de delegação quando o Estado cria uma
entidade e a ela transfere, por lei, determinado serviço
público. (Certo/Errado)
Comentários:
Para reforço do aprendizado, recorro-me a uma questão de Cespe. O
que vale para nós é conteúdo em si. Vejamos.
Nas passagens acima, revimos que o Estado pode tanto criar uma
entidade para a execução de determinada atividade (p. ex.:
prestação de serviços públicos), bem como pode delegar a
prestação do serviço público a um particular.
Antecipo que essa última tem sido a mais empregada pelo Estado,
especialmente a partir da Reforma do Aparelho do Estado (o
denominado processo de “desestatização”).
Em ambos os casos, teremos uma forma de descentralização: POR
SERVIÇOS, no primeiro caso (o Estado cria a entidade); POR
COLABORAÇÃO, no segundo caso, em que o Estado delega a um
particular a execução do serviço público. Desse modo, fica fácil
perceber o erro dessa questão, pois a descentralização por
delegação ocorre por ato ou contrato. E mais: na
descentralização por colaboração, o Estado não cria ninguém,
simplesmente repassa a particular (pessoa física ou jurídica) já
existente.
Que tal um quadro-resumo sobre o tema? Abaixo:

POR SERVIÇOS (outorga) POR COLABORAÇÃO (delegação)

O Estado, em regra, não criará a


O Estado cria a entidade
entidade que executará a atividade

Ocorre a transferência de
Ocorre a transferência da EXECUÇÃO
TITULARIDADE e EXECUÇÃO
da atividade, mas não da
da atividade objeto da
TITULARIDADE da atividade.
descentralização

Descentralização ocorre mediante


Descentralização ocorre
CONTRATOS ou ATOS
mediante LEI
ADMINISTRATIVOS

Viram mesmo o erro da questão?

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Na Descentralização por Colaboração (na delegação de serviços


públicos), o Estado não cria a Entidade, mas sim delega ao
particular a execução, como no caso da questão examinada. O outro
erro é que, diferentemente da outorga, a delegação ocorrerá por ato
ou contrato, e não por Lei, como afirmado pela banca.
A circunstância de na descentralização por colaboração não haver
transferência de titularidade ganhará destaque no tópico de
serviços públicos, quando então falarei com mais detalhes de tão
importante atividade da Administração. Todavia, aponto desde agora
o disposto no art. 175 da CF:

Incumbe ao Poder Público, na forma da lei,


diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, sempre através de licitação, a prestação
de serviços públicos.

O negrito no texto não consta do original. Mas vejam que INCUMBE


AO PODER PÚBLICO (leia-se: Estado) a prestação de serviços
públicos. Mesmo que o Estado lance mão de uma forma de
delegação (concessões, permissões, ou, ainda, autorizações), NÃO
perderá a titularidade da atividade, dado que a prestação de
serviços públicos incumbe ao Poder Público.
Gabarito: ERRADO

4) (2008/FCC – MPR – Ag. Administrativo-N12) Assinale a


alternativa referente a órgãos ou entidades que NÃO integram
a Administração Indireta:
a) Ministérios; Secretarias de Estado; e Secretarias Municipais.
b) sociedades de economia mista; empresas públicas; e autarquias.
c) fundações instituídas pelo Poder Público; autarquias; e sociedade
de economia mista.
d) autarquias; sociedades de economia mista; e consórcios públicos.
e) sociedades de economia mista; consórcios públicos; e empresa
pública.
Comentários:
Boa questão para estabelecermos distinções iniciais quanto à
composição da Administração Direta e Indireta. Vamos lá...
Em questões “clássicas”, as bancas gostam muito de brincar com a
composição da Administração Direta, sobretudo porque, muita das

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

vezes, tem-se a equivocada impressão de que a Administração Direta


corresponde tão só aos órgãos do Poder Executivo, uma vez que a
missão administrativa de Estado é dada, especialmente, a tal Poder.
Esse viés é corroborado pelo Decreto-Lei 200, de 1967, o qual
estabelecia determinação nesse sentido. Acontece que a norma de
referência é do já distante ano de 1967 e, portanto, tem que ser
interpretada a partir da Constituição ora vigente, que é, como sabido
por nós, de 1988.
Assim, é preciso ser verificada a compatibilidade do Decreto Lei
200/1967 e a CF/1988. Com efeito, é útil a transcrição do caput do
art. 37 da CF:

A administração pública direta e indireta de


qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (...)

O trecho negritado, quando bem lido, deixa claro: TODOS os


Poderes PODEM possuir órgãos da Administração Direta, bem
como entidades da Administração Indireta. Guardem essa
informação!
A Administração Direta pode ser vista como o conjunto de
órgãos diretamente ligados às pessoas federativas (União, Estados,
DF, e Municípios), aos quais é atribuída a competência para o
exercício de determinações tarefas, de incumbência do Estado.
Como os Poderes Constituídos (o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário) não possuem personalidade jurídica própria, ligando-
se, de modo direto, a uma pessoa federativa (política, que pode
legislar – União; estados; Distrito Federal; e municípios), estes (os
Poderes Constituídos) podem ser entendidos como Administração
Pública, tomando-se esse termo em acepção ampla.
Além disso, no âmbito de cada um desses Poderes Estruturais,
existem órgãos incumbidos de atividades administrativas, sendo,
portanto, correto afirmar que a Administração Pública está
presente em todos os Poderes, e não só no Executivo.
Registre-se, ainda, que Administração Direta corresponde a cada ente
federativo. Assim é correto dizer: “Administração Direta da União”;
do Estado do Maranhão; do Distrito Federal; do Município de Aracaju
etc.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Por exemplo: o Tribunal Regional Federal, o Tribunal Regional


Eleitoral, o Tribunal de Contas da União são órgãos Federais, ou
seja, integrantes da Administração Direta.

A Administração Direta, portanto, corresponde


predominantemente, mas não exclusivamente, ao Poder
Executivo. Afinal, conforme estabelece a atual Constituição Federal,
todos os Poderes têm possibilidade de terem órgãos da
Administração Direta.
Apesar de “matarmos” a questão só com o conceito de Administração
Direta ou Centralizada, faz necessária a apresentação formal da
composição da Administração INDIRETA.
A Administração Indireta, de acordo com o atual modelo
constitucional, é composta por: autarquias; fundações públicas; e
empresas estatais ou governamentais (empresas públicas e
sociedades de economia mista) e, mais recentemente, por
associações públicas (os consórcios públicos de Direito Público).
Chegamos, portanto, à alternativa “A”, em que são listados apenas
órgãos da Administração Direta. Vejamos os demais quesitos.
Alternativas “B” e “C” – INCORRETAS. A Administração
Indireta ou Descentralizada é composta por: autarquias;
fundações; e as empresas estatais (sociedades de economia
mista e empresas públicas).
Alternativa D – INCORRETA. Quesito bem interessante. O número
de figuras da Administração Pública Descentralizada (Administração
Indireta) pode ser ampliado. Tanto é assim que, recentemente, a Lei
11.107/2005 (Lei dos Consórcios Públicos) deu autorização para
criação de consórcios públicos dotados de personalidade própria.
Tais consórcios, caso dotados de personalidade jurídica de
Direito Público, comporão a Administração Indireta de todos os
entes da Federação consorciados, na forma de associação pública,
conforme estabelece o art. 6º da norma.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Ressalte-se que tais consórcios, na formatação de associação


pública, têm natureza autárquica, uma vez que contarão com a
participação de mais de um ente da federação. O assunto consórcios
públicos tem sido pouco explorado pelos examinadores, valendo à
pena tão só uma rápida passada de olhos na Lei que trata do
assunto, para se evitar surpresas. Cautela e canja de galinha não
fazem mal a ninguém...
Alternativa E – INCORRETA. Idem item “D”. Uma última
observação. É possível a ocorrência de desconcentração na
descentralização. Exemplifique-se: na criação de uma autarquia
ocorre, efetivamente, descentralização administrativa. Contudo,
quando no interior da autarquia são criados órgãos, como
superintendências ou diretorias, está-se diante do processo de
desconcentração.

Gabarito: alternativa A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

5) (2006/FCC – TRE - Analista) É correto afirmar que os


órgãos públicos, a exemplo dos Ministérios, Secretarias
Estaduais e Municipais:
a) se distinguem do Estado, por serem autônomas.
b) são pessoas, sujeitos de direitos e obrigações .
c) não têm personalidade jurídica.
d) têm relação de representação com a vontade do agente público.
e) têm relação interorgânica e não interpessoal ou intersubjetiva.
Comentários:
Nesta questão vamos entender melhor o conceito de órgãos.
Primeiro de tudo, bom registrar que órgãos públicos não se
configuram entidades concretas, mas sim abstrações do mundo
jurídico, às quais se atribui titularidade de algumas competências.
Os órgãos são reais, uma vez que possuem existência jurídica,
contudo, abstratos (alguém aí já viu um órgão correndo em parques
ou jogando vôlei? Penso que não, órgãos não têm pernas e sequer
braços). Sinteticamente: órgãos não possuem personalidade
jurídica. Com essa informação, chegamos à alternativa correta. Isso
mesmo: alternativa “C”.

Assim, podemos concluir que os órgãos públicos são


fundamentalmente distintos das entidades. Os primeiros
(órgãos) são destituídos de personalidade jurídica própria,
enquanto as entidades possuem personalidade própria. Uma
série de consequências advirá daí.
Primeira (e talvez mais importante dessas consequências) é a
impossibilidade de os órgãos públicos assumirem direitos e
obrigações em nome próprio, pois despersonalizados. Para dita
regra, haverá exceções: em casos específicos, alguns órgãos
poderão assumir, eles próprios, direitos e obrigações (“pera” aí,
conversaremos, mais à frente, sobre isso!).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Órgãos podem ser entendidos, portanto, como centros de


competência (unidades administrativas) despersonalizados, nos
quais serão lotados agentes responsáveis pelo desempenho das
tarefas de Administração Pública.
Órgãos não podem assinar contratos administrativos (assumir
direitos e obrigações perante terceiros) e também não detêm
patrimônio próprio. Assim, é incorreto afirmar que o Tribunal
Regional Eleitoral, por exemplo, assinou contrato administrativo com
a empresa Delta, ou, ainda, que estamos no prédio do Tribunal
Regional Eleitoral. Qual o correto então? A União (pessoa
jurídica) é quem assina o contrato, por intermédio do Ministério
do Tribunal. O prédio é da União (pessoa jurídica), sendo utilizado
pelo Tribunal.
Duas alternativas merecem um carinho especial, conquanto
estejam incorretas. Vejamos.
Na alternativa D, a ilustre organizadora afirma que a relação é de
representação. Vejamos.
Como registrado, órgãos são unidades abstratas, sem existência
física. Ficção, pois, do mundo jurídico, mas com existência real.
Portanto, são necessários “seres vivos” (com seus braços e pernas)
para concretizar a atuação dos órgãos públicos.
Assim, os agentes públicos se fazem presentes, os quais têm a
atuação imputada (atribuída) aos órgãos. Com outras palavras,
o querer e o agir dos agentes funciona como se fosse do próprio
Estado, constituindo os agentes verdadeiros veículos da
expressão do Estado.
Nessa passagem, fica o seguinte resumo: TODA A CONDUTA DOS
AGENTES É IMPUTADA AO ÓRGÃO, o qual, por sua vez, encontra-
se ligado à entidade possuidora de personalidade jurídica, quem, ao
fim, acaba respondendo a eventuais questionamentos jurídicos. Essa
é uma síntese do denominado princípio da imputação volitiva,
fundamental para a compreensão da denominada “teoria do órgão”.
Legal, o erro do item então é que não se aplica a teoria da
representação, mas sim a do órgão. Mas, Sean, o que são
estas teorias? Dá pra explicar? O que você não pede chorando,
que eu não faço sorrindo! Rsrs...Vejamos.
Pela teoria do órgão (aplicada entre nós), as pessoas jurídicas
expressam sua vontade por intermédio de órgãos, os quais são
titularizados por agentes. Por essa teoria, órgãos são partes

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

componentes da entidade, com as expressões de vontade daqueles


sendo entendidas como destas (a “atuação imputada”, citada na
questão). Dessa última passagem decorre o segundo erro do quesito,
pois a imputação é para com os órgãos e não agentes.
Registro, ainda, que essa teoria (a do órgão) foi construída pelo
jurista alemão OTTO GIERKE, sendo, atualmente, universalmente
aceita pela doutrina. Teve o papel de substituir as teorias do
mandato e da representação, as quais, igualmente, pretendiam
explicar a atuação do Estado por intermédio de seus agentes.
Pela 1ª (mandato), o agente atuaria como mandatário da pessoa
jurídica à qual estaria ligado. Só que essa teoria cai por terra
quando se faz uma pergunta simples: quem outorga o mandato? A
própria pessoa jurídica? Como, se esta não tem existência concreta?
Ainda que reais no mundo jurídico, as pessoas jurídicas são
abstrações, não agindo per si. E mais: se válida a teoria do mandato,
o agente público, ao agir ilicitamente, enfim, fora dos limites da
procuração, não acarretaria qualquer responsabilidade para o
Estado. E, como sabemos, não é isso que ocorre (art. 37, §6º, da
CF/1988).
De acordo com a 2ª Teoria (Representação), o agente público
faria a representação da entidade, funcionando como uma espécie
de “tutor” desta. Esta teoria também é falha, diante da seguinte
situação: a representação, como a feita por tutores, diz respeito a
incapazes. Mas então, o Estado pode ser chamado mesmo de
incapaz? Se positiva a resposta, como poderia um incapaz
outorgar ou validar sua representação?

Teoria da
Teoria do Mandato
Representação

Mandatário (Tem Tutor, Curador


Agente Público
procuração do Estado) (representa o incapaz)
Pessoa Jurídica que Incapaz (deve ser
ESTADO
outorga o mandato tutelado, representado)
Como poderia um incapaz
outorgar ou validar sua
Pessoa Jurídica não tem
Críticas à representação e ser
existência concreta, é
Teoria responsável pelos atos
abstração.
ilícitos praticados pelo
tutor?

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Não acarretaria
qualquer
responsabilidade
para o Estado se o
ato fosse ilícito

Por fim, a alternativa “E”, verdadeira pérola. Para a banca, está


incorreto afirmar que a relação é interorgânica. E, a meu ver, tem
toda razão. As ações das entidades se concretizam por intermédio
dos agentes, uma vez que os órgãos também são abstratos, em
outros termos: não existe relação interorgânica entre os
órgãos. As relações interorgânicas são, em verdade,
interpessoais ou intersubjetivas, em síntese: devem ser
exercidas pelos agentes titulares das competências atribuídas aos
mesmos. Daí incorreto afirmar que a relação é interorgânica.
Gabarito: alternativa C.

6) (2006/ESAF – AFC/CGU) Assinale, entre as hipóteses


abaixo, aquela que corresponde à competência legislativa do
Congresso Nacional, prevista na Constituição Federal, sobre a
organização administrativa do Poder Executivo.
a) Criação, extinção e atribuições de órgãos da Administração
Pública.
b) Criação, extinção e atribuições de Ministérios, órgãos e entidades
da Administração Pública.
c) Criação e extinção de órgãos da Administração Direta
d) Criação e extinção de Ministérios e órgãos da Administração
Pública.
e) Criação e extinção de órgãos e entidades da Administração Direta
e Indireta.
Comentários:
Achei interessante esta questão de ESAF e decidi postar “pra” vocês.
Tenho feito isso direto nos meus cursos aqui no curso estratégia. Por
exemplo: no meu curso de ESAF, por vezes, recorto questões de FGV
e de FCC e posto por lá. Nos meus cursos de Cespe, recorto questões
de FCC e de Cesgranrio e posto por lá. A Consuplan, como disse, tem
apenas uma questão de organização administrativa.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A intenção é “varrer” todo o conteúdo programático e, por


conseguinte, aumentar a chance de sucesso, por ser plenamente
válida entre as bancas a “Lei de Lavoisier”.
Não precisa nem pensar D++, a leitura do art. 88 da CF/1988 é
suficiente:
“A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública”.
Logo, item “D” é a resposta.
A Emenda Constitucional 32/2001 alterou o dispositivo para impor
que tão-somente a criação e a extinção de órgãos sejam
promovidas por LEI, abrindo espaço, nesse sentido, para que o
Chefe do Executivo, por meio de Decreto (autônomo), trate da
estruturação e atribuições dos órgãos (art. 84, inc. VI).
Uma última observação: a lei citada no art. 88 da CF/1988 é de
iniciativa privativa (reservada) do Chefe do Executivo, com outras
palavras, é formalmente inconstitucional a promoção do processo
legislativo para a criação de Ministério por Deputado, por exemplo, só
ao Chefe do Executivo é dado iniciar o processo.
Essa lei pode alcançar a criação e a extinção de órgãos nos
demais Poderes e Ministério Público e Tribunal de Contas?
Não, isso porque a criação depende de lei de iniciativa dos Tribunais
(art. 96, II, ‘c’ e ‘d’) e do Ministério Público (art. 127, §2º) e do
Tribunal de Contas, sendo que, no caso do Legislativo, a criação e a
extinção dispensam a edição de leis (arts. 51, IV, e 52, XIII), porque
criados e extintos por resoluções.

A quem pode
Competência Por meio de
ser delegada?

Criação e Extinção de
Lei (Privativa
Ministérios e Órgãos na CN
do PR)
Administração Pública (Art. 88)

Âmbito do Poder
Criação e Executivo Lei (Privativa Ministros, AGU
Extinção de Federal do PR) e PGR
Órgãos na (Art. 84, VI, a)
(o)
Poder Legislativo Resolução -

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Ministério Lei de iniciativa


-
Público do MP

Tribunal de Lei de iniciativa


-
Contas do TC

Decreto
Estruturação e atribuições dos Autônomo Ministros, AGU
cargos (Art. 84, inc. VI) (Privativo do e PGR
PR)

PGR: Procurador-Geral da
PR: Presidente da República
República
CN: Congresso Nacional
MP: Ministério Público
AGU: Advogado-Geral da União
TC: Tribunal de Contas

Gabarito: alternativa D.

7) (2006/FCC – Analista/TRE) Quanto aos órgãos públicos é


INCORRETO afirmar que:
a) os órgãos simples ou unitários são dotados de um único centro de
competência ou atribuições.
b) os órgãos públicos são centros de competência dotados de
personalidade jurídica própria, sendo responsáveis exclusivos por
suas ações e omissões.
c) os Ministérios, na área federal, são considerados órgãos
compostos, uma vez que possuem em sua estrutura outros órgãos
públicos.
d) o Tribunal Superior Eleitoral, de acordo com sua posição na
estrutura estatal, é um órgão independente, posto que possui origem
constitucional.
e) os colegiados são os órgãos que decidem e agem pela
manifestação de vontade da maioria de seus membros.
Comentários:
A resposta é bem tranquilinha! Isso mesmo. Órgãos são destituídos
de personalidade jurídica, daí a incorreção da letra C.
No entanto, vamos aproveitar para trabalharmos as principais
classificações de órgãos.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Quanto à posição estatal, podem ser:


 Independentes ou primários: são os órgãos que
decorrem diretamente da Constituição, sem que tenham
subordinação hierárquica a qualquer outro. São os responsáveis
por traçarem o destino da nação ou, de certa forma, contribuírem
para tanto, p. ex.: Chefia do Executivo (Presidente, Governador e
Prefeito); Casas Legislativas; Tribunais (inclusive o de Contas); e
Ministério Público. Para se identificar um órgão independente,
basta sentar na cadeira do Chefe e olhar para cima, se não há outro
órgão acima, é porque estamos diante de órgão independente.
 Autônomos: são órgãos igualmente localizados no ápice da
Administração, contudo, subordinados diretamente aos
independentes, com plena autonomia financeira, técnica e
administrativa. Por exemplo: Ministérios (e as Secretarias estaduais
e municipais) e Advocacia Geral da União. Mais uma vez, é fácil de
identificá-los, senta na cadeira do Chefe da Casa Civil, quem o chefe
vê? O Presidente, não é mesmo. E acima? Ninguém, logo, se está
diante de órgão autônomo, existe apenas uma cadeia hierárquica,
perceberam?
 Superiores: os denominados diretivos. São os órgãos
encarregados do controle, da direção, e de soluções técnicas
em geral, e, diferentemente dos autônomos e dos primários, não
gozam de autonomia financeira e administrativa. São exemplos:
as inspetorias, os gabinetes, as divisões, etc.
 Subalternos: também chamados de subordinados, são os
órgãos encarregados dos serviços rotineiros, com pouco (ou
nenhum) poder decisório, como seria o caso de atendimento ao
público, por exemplo: portarias, seções de expediente e
protocolos.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Quanto à estrutura, os órgãos são divididos em:


 Simples: são também chamados de unitários, porque não
há outros órgãos abaixo deles (leia-se: não há desconcentração do
órgão em outros órgãos). Hipoteticamente: a Presidência é órgão
composto, porque desconcentrada em Ministérios, os quais, por sua
vez, são igualmente compostos, porque desconcentrados em
gabinetes e em departamentos, já o serviço de protocolo,
localizado no departamento de pessoal, do Ministério é órgão
unitário, porque é o último da cadeia de desconcentração, não
havendo outro órgão a seguir. Síntese: são órgãos que não mais
existem divisões.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Observação: não confundir o fato de órgão ser unitário com o


número de agentes. No nosso exemplo, o protocolo, apesar de
unitário, pode contar com 10, 15, 20 ou mais servidores lotados.
 Compostos: um exemplo bastante citado é o de uma
Secretaria de Educação, a qual tem sua função principal
(atividade finalística) desempenhada por outras unidades
escolares. Percebam que estamos diante do processo de
desconcentração, sendo, portanto, o traço característico da
classificação dos órgãos em compostos.

Quanto à atuação funcional, podem ser:


 Singulares: reconhecidos como unipessoais, isso porque
a decisão do órgão (sua voz final) parte de um único agente,
como é o caso da Presidência da República. São órgãos
organizados, muitas das vezes, verticalmente, donde decorre serem
chamados por alguns estudiosos de burocráticos.
Observação: o autor Celso Antônio Bandeira de Mello troca o nome
singular por simples. Assim, cuidado, porque não existem verdades
absolutas nos concursos públicos.
 Colegiados: os chamados pluripessoais ou coletivos.
Nesses órgãos, o que vale é o quorum, não sendo suficiente a
decisão isolada do Chefe ou de um dos agentes. São órgãos
deliberativos, organizados horizontalmente (as pessoas estão em
um mesmo plano, sem hierarquia, verticalidade) em que prevalece
a decisão da maioria, para a formação de um único ato (diga-se de
passagem, simples, por decorrer da vontade de um único órgão). São
exemplos: Conselho Nacional de Justiça, Tribunais de Contas,
Conselho de Contribuintes.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Observação: o conselho de contribuinte pode, ainda, ser classificado


como órgão contencioso e o Tribunal de Contas como órgão
verificador, dentro da classificação do autor Celso Antônio Bandeira
de Mello.

Vejamos os quesitos proposta pela organizadora.


Alternativa A – CORRETA. Os órgãos simples ou unitários são
dotados de um único centro de competência ou atribuições. Adotou-
se o entendimento de Maria Sylvia Zanella Di Pietro e do pai Hely
Lopes. Levemos esta, portanto, para a prova.
Alternativa C – CORRETA. Os Ministérios, na área federal, são
considerados órgãos compostos, uma vez que possuem em sua
estrutura outros órgãos públicos.
Alternativa D – CORRETA. O Tribunal Superior Eleitoral, de acordo
com sua posição na estrutura estatal, é um órgão independente ou
primário, posto que possui origem constitucional.
Alternativa E – CORRETA. Os colegiados ou coletivos são os órgãos
que decidem e agem pela manifestação de vontade da maioria de
seus membros.
Gabarito: alternativa B.

8) (2010/FCC – TRF/4R – EXECUTOR DE MANDADOS) No que


se refere aos órgãos públicos, é INCORRETO afirmar ser

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

característica destes (algumas não presentes em todos),


dentre outras, o fato de que:
(A) não possuem personalidade jurídica e são resultado da
desconcentração.
(B) podem firmar, por meio de seus administradores, contratos de
gestão com outros órgãos.
(C) alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira.
(D) não possuem patrimônio próprio, mas integram a estrutura da
pessoa jurídica.
(E) têm capacidade para representar em juízo a pessoa jurídica que
integram.
Comentários:
Simplesmente excelente! Um sinal de que as coisas podem piorar.
Primeiro, vamos eliminar aquilo que já conhecemos. Concurso público
é assim, resolvido com calma, afinal é a definição de destinos.
A alternativa A está perfeita. Órgãos não detêm personalidade
jurídica e são resultado do processo de desconcentração.
A alternativa C está correta, isso porque certos órgãos, como os
independentes, por exemplo, gozam de autonomia financeira e
administrativa.
A alternativa D está, igualmente, correta. O patrimônio é da pessoa
jurídica e não dos órgãos.
Ficamos, assim, entre a alternativa “B” e “E”.
Primeiro, vejamos a alternativa “B”.
Órgãos assinando contratos?! Em análise apressada, o amigo
concursando seria levado a se inclinar pela INCORREÇÃO do
quesito, não é verdade?
Até porque, linhas atrás, houve a informação de que órgãos não
podem assinar contratos administrativos. Acontece que contratos
administrativos não se confundem com contratos de gestão.
De pronto, vamos nos socorrer da leitura da CF/1988 (§8º do art.
37):

A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos


órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado
entre seus administradores e o poder público, que
tenha por objeto a fixação de metas de desempenho
para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

II - os controles e critérios de avaliação de


desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade
dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.

Algumas observações podem e merecem ser feitas:


I) a CF/1988 não menciona no dispositivo citado contrato DE
GESTÃO, mas tão só contrato, contudo, a este quis se referir
(entende a doutrina). Certamente, até mesmo em razão de
experiências anteriores à atual redação do §8º do art. 37 da
CF/1988, com redação pela Emenda Constitucional 19/1998,
conhecida como “Reforma Administrativa”.
II) Outra questão importante diz respeito à assinatura do contrato
de gestão entre órgãos, o que foi (e ainda é) bastante criticado
pela doutrina. Como poderiam os órgãos firmar contratos, uma vez
que destituídos de personalidade própria? A explicação é que esses
contratos se assemelham mais a uma forma de ajuste, um acordo,
pela melhoria da gestão pública. O nome dado ao instituto é que é
muito ruim. Explique-se.
O contrato de gestão, na realidade, é tão só um pacto firmado
pela Administração Pública (uma espécie de acordo-programa),
por intermédio de um órgão supervisor com outro órgão ou entidade
Administrativa. Por meio do acordo, estabelecem-se indicadores,
metas, a serem atingidas, ao passo que se garante ao órgão/entidade
beneficiário recursos para o alcance dos resultados pretendidos.
Diante do fato de ser um pacto em que os partícipes buscam
interesses paralelos, mútuos, a doutrina costuma aproximar
os contratos de gestão aos convênios e não dos contratos, pois
esses os efeitos são contrapostos (divergentes).
Assim, é mesmo possível que órgãos firmem, entre si,
contratos de gestão. Um exemplo possível seria um contrato de
gestão firmado entre a Secretaria da Receita Federal e o
Ministério da Fazenda.
Vê-se, portanto, que os contratos de gestão funcionam mais à
semelhança de convênios do que, propriamente, contratos. E
por que da distinção (contrato x convênios)?

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Em contratos, há interesses opostos, contraditórios, o que não


acontece, evidentemente, em contratos de gestão. Em razão disso, a
doutrina crítica contundentemente o nome atribuído ao instrumento
sob exame, que poderia (e deveria) ter recebido outro nome, como:
acordo programa; ajuste pela melhoria de gestão, etc.
Veremos, mais à frente, que algumas entidades (autarquias e
fundações), ao assinarem contrato de gestão, podem ser
qualificadas, inclusive, como Agências Executivas.
Além dessas, os contratos de gestão podem ser firmados com
entidades não integrantes da Administração Pública. Nesse
sentido, a Lei 9.637/1998, a qual trata das Organizações Sociais –
OS, dá a possibilidade de assinatura de contratos de gestão.
Obviamente, o fato de uma Organização Social vir a firmar contrato
de gestão não faz com que passe a compor a Administração Pública
(direta ou indireta).

As Organizações Sociais, como veremos, ficam sim obrigadas a


atingir metas relacionadas a serviços e atividades de interesse
público. Em contrapartida, recebem auxílio da Administração,
mediante, por exemplo, transferência de recursos públicos, cessão de
bens, servidores públicos etc.
Síntese das informações:
- Os contratos de gestão constituem figura de elevada importância
no processo reforma administrativa, podendo ser firmados entre
órgãos/entidades da administração pública, ou mesmo pela
administração pública com entidades não estatais.
Legal, agora vejamos a alternativa “E”. A tal capacidade judiciária ou
processual ou personalidade judiciária.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A capacidade judiciária ou processual é atributo entregue às


pessoas (físicas ou jurídicas) de figurarem qualquer dos polos da
relação processual, com outras palavras, é a capacidade de estar
em juízo. Portanto, os órgãos estariam despidos da capacidade
judiciária, exatamente por não contarem com personalidade
jurídica.
Acontece que os Tribunais e a doutrina reconhecem que
determinados órgãos (independentes e autônomos) podem, por
exemplo, impetrar mandado de segurança, na defesa de suas
prerrogativas constitucionais, o que torna a alternativa, em
análise, correta. Perceba que o enunciado foi bem claro: algumas
não presentes em todos! A capacidade judiciária não é, de regra,
uma característica dos órgãos.

ÓRGÃOS ENTIDADES

NÃO tem patrimônio próprio Tem patrimônio próprio

REGRA: Não tem capacidade


processual, por serem
despersonalizados
Capacidade Processual
EXCEÇÃO: Alguns possuem
Possuem Personalidade Jurídica
personalidade jurídica (Ex.:
Órgãos independentes e
autônomos)

Uma última observação. O Código do Consumidor dispõe que


órgãos, ainda que sem personalidade jurídica, podem promover a
liquidação e a execução de indenizações.
Em síntese: apesar de todos os órgãos não deterem
personalidade jurídica, alguns (independentes e autônomos)
possuem personalidade judiciária, com o propósito de
defenderem seus interesses em juízo.
Gabarito: alternativa E.

As questões, a seguir, sobre os órgãos públicos, são do estilo


tiro-rápido! Questões de fixação, todas aplicadas no ano de
2011! Serve-nos para demonstrar que nada mudou!

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

9) (2011/FCC – TRF-20R – Analista/judiciária) Considere a


seguinte afirmação, acerca da classificação dos órgãos
públicos:
São os que se localizam na cúpula da Administração, subordinados
diretamente à chefia dos órgãos independentes; gozam de autonomia
administrativa, financeira e técnica e participam das decisões
governamentais.
A afirmação trata dos órgãos públicos denominados
a) dependentes.
b) independentes.
c) superiores.
d) subalternos.
e) autônomos.
Comentários:
Órgãos da cúpula da Administração sãos os independentes ou
primários (exemplo do TSE) e os autônomos (exemplo dos
Ministérios). Assim, teríamos as alternativas “B” e “E”. Porém, na
segunda parte do quesito, a banca afirma que “são subordinados
diretamente à chefia dos órgãos independentes”. Corre para o abraço
e marca alternativa E.
Gabarito: alternativa E.

10) (2011/FCC – TRF-20R – Analista/Execução de


Mandados) Quanto à classificação dos órgãos públicos,
considere as seguintes assertivas:
I. Órgãos públicos “locais” são aqueles que atuam sobre uma parte
do território, como as Delegacias Regionais da Receita Federal, as
Delegacias de Polícia, os Postos de Saúde, entre outros.
II. Os órgãos públicos denominados superiores são órgãos de direção,
controle e comando; gozam de autonomia administrativa e financeira.
III. A Presidência da República e a Diretoria de uma escola são
exemplos de órgãos públicos singulares.
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Comentários:
Opa. Não estudamos a classificação presente no item I.
Seguinte, brothers, isso sempre vai acontecer contigo. Sempre!
Ninguém consegue estudar tudo e aprender tudo! Por isso, em
concursos, conta também, ou, sobretudo, o “jogo-de-cintura”. Assim,
que tal tentarmos resolver a questão só com o que já sabemos?
O item II está incorreto, afinal os órgãos superiores, exemplo dos
Gabinetes, não gozam de autonomia administrativa ou financeira.
Apenas os órgãos independentes e autônomos gozam de autonomia
financeira e administrativa.
O item III está correto, isso porque a decisão na Presidência e na
Diretoria parte de um único agente. Na Presidência, pela nossa
Presidente; na Diretoria, pelo(a) Diretor(a).
Vejamos.
a) I, apenas. NÃO PODE SER A RESPOSTA, POIS O ITEM III
ESTÁ CORRETO. OU SEJA, NÃO PRECISEI SABER SE O ITEM I É
OU NÃO VERDADEIRO.
b) I e II, apenas. NÃO PODE SER A RESPOSTA, POIS O ITEM II
ESTÁ ERRADO.
d) II e III, apenas. NÃO PODE SER A RESPOSTA, POIS O ITEM II
ESTÁ FALSO.
e) I, II e III. O ITEM II ESTÁ FALSO.
VOILÀ. POR ELIMINAÇÃO, CHEGAMOS À ALTERNATIVA C. ITENS I E
III ESTÃO CORRETOS.
Legal, Sean, mas o que são os tais órgãos locais. Das multivariadas
classificações, destaca-se a quanto à esfera de ação. Segundo essa,
os órgãos podem ser centrais e locais.
Como o próprio nome denuncia, os órgãos centrais são aqueles que
exercem as suas atribuições de forma abrangente, por exemplo, os
Ministérios atuam em todo o território Nacional; as Secretarias
Estaduais, sobre todo o território do Estado; e as Secretarias
Municipais, sobre toda a linha do território do Município. Já os órgãos
locais atuam apenas sobre parte do território.
Gabarito: alternativa C.

11) (2011/FCC – TRT-23R – Analista/Judiciária) No que


concerne à classificação quanto à posição estatal, os órgãos
públicos autônomos são:
a) órgãos de direção, controle e comando, mas sujeitos à
subordinação e ao controle hierárquico de uma chefia; não gozam de
autonomia administrativa nem financeira.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

b) os que se localizam na cúpula da Administração, subordinados


diretamente à chefia dos órgãos independentes; gozam de autonomia
administrativa, financeira e técnica e participam das decisões
governamentais.
c) os originários da Constituição e representativos dos três Poderes
do Estado, sem qualquer subordinação hierárquica ou funcional,
sujeitos apenas aos controles constitucionais de um sobre o outro, e
suas atribuições são exercidas por agentes políticos.
d) os que se acham subordinados hierarquicamente a órgãos
superiores de decisão, exercendo principalmente funções de
execução.
e) órgãos de direção e comando, não sujeitos à subordinação e ao
controle hierárquico de uma chefia, gozando de autonomia
administrativa e financeira, como, por exemplo, as Casas
Legislativas.
Comentários:
A resposta é letra “B”. Os órgãos autônomos são os que se localizam
na cúpula da Administração, subordinados diretamente à chefia dos
órgãos independentes; gozam de autonomia administrativa,
financeira e técnica e participam das decisões governamentais.
Vejamos os demais quesitos.
A alternativa “A” fornece-nos a definição de órgãos SUPERIORES. São
os denominados diretivos. São os órgãos encarregados do
controle, da direção, e de soluções técnicas em geral, e,
diferentemente dos autônomos e dos primários, não gozam de
autonomia financeira e administrativa. São exemplos: as
inspetorias, os gabinetes, as divisões.
Nas alternativas “C” e “E”, temos os órgãos independentes ou
primários. São os órgãos que decorrem diretamente da
Constituição, sem que tenham subordinação hierárquica a
qualquer outro. São os responsáveis por traçarem o destino da
nação ou, de certa forma, contribuírem para tanto, p. ex.: Chefia do
Executivo (Presidente, Governador e Prefeito); Casas Legislativas;
Tribunais (inclusive o de Contas); e Ministério Público.
Na alternativa “D”, está-se diante dos órgãos subalternos ou
subordinados. São os órgãos encarregados dos serviços
rotineiros, com pouco (ou nenhum) poder decisório, como seria
o caso de atendimento ao público, por exemplo: portarias, seções
de expediente e protocolos.
Gabarito: alternativa B.

12) (2011/FCC – TRE – Analista/Judiciária) Os órgãos


públicos:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

a) confundem-se com as pessoas físicas, porque congregam funções


que estas vão exercer.
b) são singulares quando constituídos por um único centro de
atribuições, sem subdivisões internas, como ocorre com as seções
integradas em órgãos maiores.
c) não são parte integrante da estrutura da Administração Pública.
d) não têm personalidade jurídica própria.
e) são compostos quando constituídos por vários agentes, sendo
exemplo, o Tribunal de Impostos e Taxas.
Comentários:
Opa! De novo! Órgãos públicos são centros de competência sem
personalidade jurídica, daí a correção da letra D.
Vejamos os erros nos demais itens.
a) NÃO se confundem com as pessoas físicas, porque CONQUANTO
congreguem funções que estas vão exercer.
Órgãos podem ser entendidos, portanto, como centros de
competência (unidades administrativas) despersonalizados, nos
quais serão lotados agentes responsáveis pelo desempenho das
tarefas de Administração Pública. Os órgãos não são o conjunto de
agentes, isso porque, com a morte de todos os agentes, o órgão
não deixará de existir (a morte gerará vacância e o provimento via
concurso público. Então que morra o servidor! Brincadeirinha. Não
pensem nisso, tenho bons amigos servidores, além de estar
pensando na própria pele, é claro, rsrs...).
b) são singulares SIMPLES quando constituídos por um único centro
de atribuições, sem subdivisões internas, como ocorre com as seções
integradas em órgãos maiores. OS SINGULARES OU
UNIPESSOAIS SÃO AQUELES EM QUE A DECISÃO DO ÓRGÃO
COMPETE A UM AGENTE PÚBLICO, EXEMPLO DA PRESIDÊNCIA.
c) não são parte integrante da estrutura da Administração Pública,
DIRETA E INDIRETA.
e) são compostos COLEGIADOS quando constituídos por vários
agentes, sendo exemplo, o Tribunal de Impostos e Taxas. ÓRGÃOS
COMPOSTOS SÃO AQUELES CONSTITUÍDOS POR MAIS DE UM
CENTRO DE ATRIBUIÇÕES, COM DIVISÕES INTERNAS, COMO
OCORRE COM A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO, SUBDIVIDIDA EM
ESCOLAS.
Gabarito: alternativa D.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

13) (2011/FCC – TRE-TO – Analista/Judiciária) Os órgãos


públicos
f) São classificados como entidades estatais
g) Têm autonomia política
h) Têm personalidade jurídica
i) São soberanos
j) São centros de competência instituídos para o desempenho de
funções estatais.
Comentários:
Órgãos não são pessoas, não detêm autonomia política, não são
soberanos. A resposta é letra “E”, pois, como revimos, os órgãos são
centros de competência, destituídos de personalidade jurídica.
Gabarito: alternativa E.

Isso aí galerinha. Go ahead. Agora com questões abordando as


pessoas jurídicas integrantes da Administração Indireta do Estado.

14) (2008/FCC – PMREC – Procurador) Determinado Estado


criou, regularmente, uma autarquia para executar atividades
típicas da Administração estadual que melhor seriam
exercidas de forma descentralizada.
Em relação a esta pessoa jurídica instituída, pode-se afirmar que se
trata de pessoa jurídica:
a) de direito público, com personalidade jurídica própria, embora
sujeita ao poder de autotutela do ente que a instituiu.
b) de direito público, não sujeita a controle do ente que a instituiu
quando gerar receitas próprias que lhe confiram auto-suficiência
financeira.
c) sujeita ao regime jurídico de direito privado quando for auto-
suficiente e ao regime jurídico de direito público quando depender de
verbas públicas, sem prejuízo, em ambos os casos, da submissão à
tutela do ente que a instituiu.
d) sujeita ao regime jurídico de direito público, criada por Decreto,
integrante da Administração Indireta e, portanto, sujeita a controle
do ente que a instituiu.
e) de direito público, dotada das prerrogativas e restrições próprias
do regime jurídico-administrativo e sujeita ao poder de tutela do ente
que a instituiu.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Comentários:
As entidades da indireta desenvolvem diversas atividades. Dessas,
a principal determinará um vínculo junto a um Ministério (maior
parte das vezes), o qual será responsável pela supervisão, tratando-
se, obviamente, de uma entidade federal, isso porque, se estivermos
diante de entidades estaduais, municipais, ou distritais, a supervisão
é incumbência de órgão correspondente ao Ministério, muitas das
vezes, Secretarias estaduais e municipais, conforme o caso.
O vínculo da entidade da indireta junto a um Ministério é do tipo
não hierárquico, não subordinado, havendo, especialmente, um
controle administrativo de resultados ou finalístico. Com outras
palavras, o controle da Administração Direta sobre a Indireta
será efetuado dentro da finalidade para a qual foi criada, dentro
do que a doutrina denomina princípio da especialidade.

O vínculo em questão é tradicionalmente chamado de “tutela


administrativa”. Quer dizer: as entidades da indireta são
vinculadas e acompanhadas por um órgão supervisor, o qual, em
nível federal, costuma ser um Ministério do Poder Executivo. Dá uma
“paradinha” e leia os itens “A” e “B”, identifiquem lá os erros: no
“A”, a banca se refere à autotutela; no “B”, diz não estarem sujeitas
a controle.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Nos termos do art. 26 do Decreto-Lei 200/1967, a atividade de


supervisão ministerial visa, em síntese, zelar pelo cumprimento
dos objetivos da lei que criou (ou autorizou a criação) a
entidade da Administração Indireta, pela eficiência administrativa
e pela autonomia administrativa, operacional e financeira. Como já se
disse isso decorre em razão do que a doutrina mais autorizada
denomina “princípio da especialidade”.
Como aplicação de tal princípio, as entidades da indireta só se
justificam em razão dos fins que motivaram sua criação. Dessa
maneira, cumpre aos órgãos de supervisão verificar se tais fins vêm
sendo, efetivamente, perseguidos e atingidos pelas entidades da
Indireta.
Como dito, a Administração Indireta é composta (de regra) por:
autarquias; fundações públicas; sociedades de economia
mista; e empresas públicas. Tratemos, pois, de conceituar cada
uma dessas entidades, à luz do que estabelece o DL 200/1967, sem
entrarmos em maiores detalhes, por enquanto, o que será feito em
questões mais à frente.
Autarquias, de acordo com inciso I, do art. 5º do Decreto-Lei
200/1967 constituem:

Um serviço autônomo, criado por lei, com


personalidade jurídica, patrimônio e receita
próprios, para executar atividades típicas da
administração pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

Apesar da razoável definição dessa norma, há uma omissão relevante


quanto à personalidade jurídica das autarquias, que é de direito
público. As autarquias, diferentemente das fundações públicas (as
quais atuam em áreas como: saúde, cultura, educação),
encarregam-se de atividades típicas do Estado, como, por
exemplo, o exercício regular do Poder de Polícia (ANVISA – Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) e atividade regulatória (BACEN –
Banco Central).

AUTARQUIA

Criada por LEI

Personalidade Jurídica de Direito Público

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Autonomia administrativa

Tem patrimônio próprio

Atividades típicas do Estado (exercício regular


do Poder de Polícia e atividade regulatória, por
exemplo)

Mais uma “paradinha”, vá até o item “C”, diz que as autarquias


podem ter personalidade de direito privado, logo incorreto o quesito,
pois são, necessariamente, pessoas jurídicas de direito público.
Veja, agora, o item “D”, o erro é afirmar que podem ser criadas por
Decreto, na definição acima vimos serem criadas por LEI.
Portanto, resta-nos o item “E”.
Gabarito: alternativa E.

15) (2008/CESPE – PGE/CE – Procurador) Assinale a opção


correta acerca das autarquias.
a) As autarquias são detentoras, em nome próprio, de direitos e
obrigações, poderes e deveres, prerrogativas e responsabilidades.
b) As autarquias são hierarquicamente subordinadas à administração
pública que as criou.
c) As autarquias são criadas e extintas por ato do chefe do Poder
Executivo.
d) Ao criar uma autarquia, a administração pública apenas transfere a
ela a execução de determinado serviço público, permanecendo com a
titularidade desse serviço.
e) As autarquias não estão sujeitas ao controle externo do Poder
Legislativo.
Comentários:
Com base nos comentários anteriores, podemos avançar direto nas
análises e acrescentarmos outras breves informações.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item A – CORRETO. O item está correto, aproveito para,


sinteticamente, expor algumas das prerrogativas extensíveis às
autarquias e às fundações públicas (de direito público):
 Imunidade tributária recíproca: não precisam pagar
impostos (não é qualquer tributo, cuidado!) sobre o
patrimônio, renda, e serviços, relativamente às
finalidades essenciais ou às que dela decorram. Por
exemplo: autarquias não pagam IPTU de seus imóveis
(ainda que alugados a terceiros);
 Bens públicos não sujeitos à usucapião: qualquer
bem público (especial, uso comum, ou dominial) não está
sujeito à aquisição prescritiva, ou seja, em razão do
tempo de permanência;
 As dívidas passivas (crédito em favor de terceiros)
prescrevem em cinco anos;
 As dívidas ativas (crédito em favor do Estado) têm
execução por um processo especial (diferenciado) – Lei
6.830/1980;
 Os bens públicos são impenhoráveis, logo, o
pagamento das dívidas (passivas) será feito mediante
sistema de precatórios, a não ser que os débitos
sejam de pequeno valor (dispensam, nesse caso, a
inscrição em precatórios);
 Os prazos nos processos no Judiciário são
diferenciados: dobro para recorrer e quádruplo para
contestar;
 Sujeitas ao duplo grau de jurisdição: se uma
autarquia perde o processo em juízo singular, não precisa
interpor recurso, porque o processo sobe, imediatamente,
para o Tribunal competente (é o que se denomina de
reexame necessário). No entanto, nem sempre isso
ocorrerá imediatamente, pois, dependendo do valor
(até 60 salários mínimos) e da existência de
jurisprudência do STF (Plenário) ou Súmula de Tribunal
Superior, se a autarquia pretender o reexame da matéria
deverá interpor o recurso (leia-se: voluntário).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item B – INCORRETO. As autarquias são entes da Administração


Indireta, essa, por sua vez, está ligada finalisticamente à
Administração Direta, havendo apenas um vínculo, tutela
administrativa, logo, inexistência de qualquer grau de subordinação
hierárquica, daí a incorreção do quesito.
Item C – INCORRETO. Mais à frente, voltaremos a falar sobre a
criação das autarquias, antecipando que o seu surgimento dar-se-
á mediante LEI, daí a incorreção do item.
Item D – INCORRETO. A Administração Indireta ou Descentralizada
é a forma de descentralização administrativa técnica ou por serviços,
enfim, aquela que o Poder Público, por lei, outorga tanto a
titularidade e a execução para o pleno exercício das competências
do Estado, daí a incorreção do quesito ao afirmar que se repassa
apenas a execução, isso é traço típico da descentralização por
colaboração (delegação), lembram?

Descentralização por Descentralização por


Serviços (Outorga) Colaboração (Delegação)

Transfere titularidade E
Transfere APENAS a execução
execução

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item E – INCORRETO. O assunto controle será trabalhado em outro


tópico. Adianto, no entanto, que TODA (sem ressalvas!) a
Administração Direta e Indireta está sujeita tanto ao controle
interno (art. 74 da CF/1988) como externo, promovido pelo
Congresso Nacional, auxiliado pelo Tribunal de Contas da União, no
âmbito federal (art. 70 da CF/1988).

Gabarito: alternativa A.

16) (2007/VUNESP – Procurador) Não é um privilégio das


autarquias:
a) imunidade de tributos sobre seu patrimônio, renda e serviços.
b) prescrição quinquenal de suas dívidas passivas.
c) ampliação do prazo para desocupação de prédio locado para seus
serviços, quando decretado o despejo.
d) impossibilidade de usucapião de seus bens imóveis.
e) recurso de ofício nas sentenças que julgarem improcedente a
execução de seus créditos fiscais.
Comentários:
Questão de fixação e, diga-se de passagem, muito maldosa. Vamos à
análise.
Item A – CORRETO. De fato, a imunidade tributária recíproca é uma
das prerrogativas das autarquias, contudo só se aplica aos impostos
sobre o patrimônio, renda e serviços, logo está incorreta a
referência ao gênero tributos (taxa; contribuição de melhoria; e
impostos, segundo o Código Tributário Nacional).
Item B – INCORRETO. Perfeito. Se você tem um crédito contra do
Estado, corra, tem o prazo de cinco anos para promover a cobrança,
sob o risco de prescrição.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item C – INCORRETO. Pura maldade. A Lei de Locações menciona


que o Estado (pessoa jurídica de Direito Público) tem o prazo em
dobro para ser despejado.
Item D – INCORRETO. A Súmula 340 do STF é clara ao estabelecer
que quaisquer dos bens públicos não podem ser usucapidos.
Item E – INCORRETO. Como regra, é isso mesmo que ocorre.

Não prossiga! Primeiro, releia a questão anterior, com o objetivo de


fixar (de vez) as prerrogativas das autarquias.
Gabarito: alternativa A.

17) (2006/FCC – Defensoria/SP) Recurso hierárquico


impróprio é:
a) aquele que é dirigido à autoridade superior na organização
federativa.
b) o pedido de reconsideração apresentado à autoridade máxima de
uma estrutura administrativa.
c) o pedido de revisão das decisões proferidas em processos
disciplinares, para a própria autoridade sancionadora.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

d) a avocação do recurso administrativo pela chefia do órgão


administrativo.
e) o recurso interposto contra a decisão de dirigente de entidade da
Administração Indireta, para a autoridade a que está vinculada, na
Administração Direta.
Comentários:
Responda rápido: existe hierarquia entre a Administração Direta
e a Indireta? Não, o que existe é vinculação e não subordinação.
Nesse sentido, apesar de a Administração Direta controlar a Indireta
(tutela administrativa), o liame (vínculo, laço) não é tão forte a
ponto de acarretar subordinação.
Mais uma pergunta: seria possível que a decisão de um dirigente
de entidade da Administração Indireta fosse revisto em sede
de recurso pela Direta? O amigo responderia, sem medo de errar,
que isso não seria possível, afinal de contas, o recurso é típico ato de
revisão por superior hierárquico.

Contudo, vem-se admitindo sim a revisão por parte da Direta e, pelo


fato de inexistir hierarquia, a doutrina denomina essa
possibilidade recurso hierárquico impróprio, com um detalhe: só
será admitido se houver lei em sentido expresso. Logo, correto
o item E.
Gabarito: alternativa E.

18) (2010/FCC – CASA CIVIL – EXECUTIVO) Além de outras,


NÃO constitui característica das autarquias, a
(A) especialização dos fins ou atividades.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(B) criação por lei.


(C) personalidade jurídica pública.
(D) capacidade de autodeterminação.
(E) isenção de controle ou tutela.
Comentários:
Vamos às análises.
Alternativa A – CORRETA. Acima, revimos que o vínculo da
entidade da indireta junto a um Ministério é do tipo não
hierárquico, não subordinado, havendo, especialmente, um
controle administrativo de resultados ou finalístico. Com outras
palavras, o controle da Administração Direta sobre a Indireta
será efetuado dentro da finalidade para a qual foi criada, dentro
do que a doutrina denomina princípio da especialidade.
Alternativas B e C – CORRETAS. Nos termos do art. 37, XIX, da
CF, de 1988, as pessoas jurídicas de direito público (exemplo das
autarquias) são criadas diretamente por meio de lei específica.
Alternativa D – CORRETA. As autarquias são pessoas
administrativas, e, por isso, detentoras de direitos e obrigações
próprios. Dentro da lei criadora, as autarquias têm capacidade de
autodeterminar.
Alternativa E – INCORRETA. Sobre as autarquias incidem o
controle interno-externo efetuado pelo Ministério Supervisor
(Administração Direta), chamado de tutela administrativa; o controle
parlamentar efetuado pelo Congresso Nacional com auxílio do
Tribunal de Contas da União; o controle judicial; o controle do
Ministério Público; e o controle social ou popular.
Gabarito: alternativa E.

19) (2011/FCC – TCE/SE – Analista de Controle Externo) As


autarquias:
(A) são necessariamente criadas por lei.
(B) organizam-se sob a forma de sociedades.
(C) possuem capacidade de autoadministração, o que as isenta do
controle administrativo.
(D) possuem personalidade jurídica de direito privado, não obstante
integrem a Administração Pública.
(E) regem-se pelas normas aplicáveis às empresas privadas.
Comentários:
Ô-ô-ô-Nada Mudou, ô - ô. Em ritmo de música!

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A resposta é letra “A”, afinal as autarquias são pessoas jurídicas de


direito público, enquanto tais devem ser criadas por lei. Vejamos os
erros.
O erro da letra “B” é que as autarquias não podem ser constituídas
sob a forma de sociedades. As autarquias são pessoas jurídicas sem
fins lucrativos e não empresárias.
O erro da letra “C” é que a sua capacidade de autodeterminação não
afasta, sobremaneira, o controle administrativo pelo Ministério da
área supervisora, a chamada tutela administrativa.
Na letra “D”, há menção de que a natureza das autarquias é o direito
privado.
E, na letra “E”, a banca peca ao afirmar que as normas reguladoras
das autarquias são as aplicáveis às empresas privadas.
Gabarito: alternativa A.

20) (2006/FCC – TRT-20ªR) Tendo em vista as entidades da


administração indireta considere:
I. Capacidade de autoadministração; especialização dos fins ou
atividades; e sujeição a controle ou tutela.
II. Sujeição ao controle estatal; vinculação aos fins definidos na lei
instituidora; e desempenho de atividade de natureza econômica.
Tais situações são características, respectivamente, das
a) organizações do terceiro setor; dos serviços sociais autônomos e
agências reguladoras.
b) fundações; das organizações do terceiro setor e serviços sociais
autônomos.
c) empresas públicas; das autarquias e agências reguladoras ou
executivas.
d) autarquias; das sociedades de economia mista e empresas
públicas.
e) sociedades de economia mista; das empresas públicas e
fundações.
Comentários:
O ponto de partida para a resolução da questão é a leitura atenta do
enunciado. Perceba que a organizadora faz destaque “às entidades da
Administração Indireta”, ou seja, autarquias, fundações, sociedades
de economia mista, empresas públicas e consórcios públicos de
direito público.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Assim, sem a leitura dos itens I e II, já somos capazes de excluir as


alternativas “A” e “B”, por fazerem alusão ao Terceiro Setor.
Façamos, agora, a análise dos itens.
Item I – A capacidade de autoadministração; especialização
dos fins ou atividades; e sujeição a controle ou tutela, são
características inerentes a todas as entidades da
Administração Indireta, de tal sorte que qualquer, entre as
alternativas, pode ser a resposta.
Item II – A sujeição ao controle estatal; vinculação aos fins
definidos na lei instituidora; e desempenho de atividade de
natureza econômica são características das empresas públicas
e sociedades de economia mista.
Combinações possíveis: a) autarquias e empresas governamentais;
b) empresas governamentais e empresas governamentais; e c)
fundações e empresas governamentais. Enfim, em qualquer das
combinações a última deve ser empresa governamental. A única
alternativa que atende ao requisito é a letra D.
Gabarito: alternativa D.

21) (2006/FCC – MP/Jurídica) Dentre as entidades da


administração indireta, a sociedade de economia mista
caracteriza-se por ser pessoa jurídica de direito:
a) público, destinada exclusivamente à prestação de serviços
públicos, dotada de autonomia administrativa e financeira, bem como
possuidora de patrimônio próprio.
b) privado, autorizada por lei para a exploração de atividades
econômicas, detentora de privilégios fiscais e constituída sob a forma
de sociedade por quotas de responsabilidade limitada.
c) público, criada por lei para a exploração de atividade econômica,
com capital exclusivamente privado e organizada sob qualquer das
formas empresariais admitidas em lei.
d) privado, criada para a prestação de serviços públicos ou
exploração de atividade econômica, contando com capital misto e
constituída sob a modalidade de sociedade anônima.
e) público, instituída por lei para a prestação de serviços públicos ou
exploração de atividades econômicas, com capital público e dotada de
autonomia administrativa e financeira.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Comentários:
As sociedades de economia mista podem assim ser definidas (DL
200/1967):
Entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a
forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a
voto pertençam, em sua maioria, à União ou a entidade da
administração indireta.

O conceito acima não está isento de críticas. A primeira é quando


informa que tais entidades serão criadas por lei, isso porque o art.
37, inc. XIX, da CF dispõe que são apenas autorizadas por lei. A
segunda é quando informa que a entidade se destina à
exploração de atividade econômica, já que existem muitas que
prestam serviços públicos, como, por exemplo, a SABESP e o
Metrô-SP.

Oi lá o “jogo-de-cintura”! Primeiro passo. As SEMs são pessoas


jurídicas de Direito Privado. Assim, excluímos as alternativas “A”, “C”
e “E”. Restam-nos as alternativas “B” e “D”. Opa, na letra “B”, diz
que são detentoras de privilégios fiscais e que são constituídas sob a
forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada! Nana-
nina-não. Não podem ter privilégios que não sejam extensíveis aos
demais do setor e são constituídas sempre sob a forma de sociedade
anônima.
Gabarito: alternativa D.

22) (2011/FCC – TRF/1R – Analista) NÃO é considerada


característica da sociedade de economia mista:
(A) a criação independente de lei específica autorizadora.
(B) a personalidade jurídica de direito privado.
(C) a sujeição a controle estatal.
(D) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei.
(E) o desempenho de atividade de natureza econômica.
Comentários:
Corre para o abraço! As sociedades de economia mista para serem
criadas depende, necessariamente, da edição de lei específica
autorizativa. Acrescento que o mesmo não ocorre com relação às
subsidiárias. As subsidiárias dependem, igualmente, de autorização
legislativa, no entanto não há necessidade de ser específica. Segundo

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

o STF, a própria lei de criação da entidade-matriz já pode conter a


autorização para a criação das subsidiárias, o que a doutrina
reconhece como autorização genérica.
Gabarito: alternativa A.

23) (2010/FCC – ALESP – LICITAÇÕES) O regime jurídico das


sociedades de economia mista que exploram atividade
econômica é o mesmo:
(A) das empresas privadas, inclusive no que diz respeito às
obrigações trabalhistas e tributárias, sujeitando-se, porém, aos
princípios que regem a Administração pública.
(B) das entidades integrantes da administração direta, exceto no que
diz respeito aos contratos de trabalho, que se regem pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
(C) das empresas privadas, exceto no que diz respeito ao processo de
execução judicial de suas dívidas, em face da impenhorabilidade de
seus bens e rendas.
(D) estabelecido na lei das sociedades anônimas, sendo vedado ao
acionista controlador orientar os negócios da companhia para fins
diversos da obtenção de lucro, sob pena de abuso de poder.
(E) das empresas privadas, exceto no que diz respeito às obrigações
tributárias, que são parcialmente afastadas em face da imunidade em
relação a impostos incidentes sobre seu patrimônio e renda.
Comentários:
A resposta é letra “A”. As empresas governamentais ou entidades
empresariais são híbridas. Ou seja, tanto devem observar o regime
das empresas privadas, sobretudo quanto às obrigações trabalhistas
e tributárias, como também devem atentar para os princípios que
regem a Administração pública, como, por exemplo, o dever de
licitar, o dever de concurso público.
Vejamos os erros nos demais itens.
O primeiro erro da letra “B” é que a Administração Direta é formada
por um conjunto de órgãos. O segundo é que o regime das empresas
privadas do Estado é o das empresas privadas em geral. O terceiro é
que as relações de trabalho são, de regra, regidas pela Consolidação
das Leis do Trabalho.
O erro da letra “C” é que os bens das empresas privadas estatais são
Privados, bem por isso não caracterizados pela impenhorabilidade.
O erro da letra “D” é que o sistema das sociedades de economia
mista é híbrido. De fato, há o interesse de obter lucro, ser
autossustentável, mas o pressuposto de criação de tais entidades é
sempre o interesse público, de tal sorte que há decisões que visam ao

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

interesse da coletividade, conquanto não haja a previsão expressa ou


implícita de lucro.
O erro da letra “E” é que as SEMs observam, inclusive, as obrigações
tributárias. Não há como cogitar, a priori, de imunidade tributária
recíproca para impostos sobre o patrimônio, renda e serviços. Na
visão do STF, a extensão da imunidade às empresas privadas deve
observar duas condições. A primeira é que sejam prestadoras de
serviços públicos. A segunda a de que os serviços sejam prestados
em caráter monopolístico.
Gabarito: alternativa A.

24) (2010/FCC – CASA CIVIL – EXECUTIVO) É certo que, as


Sociedades de Economia Mista:
(A) têm como objeto a prestação de uma atividade econômica
empresarial, vedada a realização de atividade pública.
(B) embora pertencendo à Administração direta, ostentam estrutura e
funcionamento de empresa particular.
(C) não têm, por natureza, qualquer privilégio estatal, só auferindo as
prerrogativas administrativas, tributárias e processuais concedidas
especificamente na lei criadora ou em dispositivos especiais.
(D) possuem capital exclusivamente privado e direção exclusiva do
ente estatal ao qual estão subordinadas.
(E) somente podem ser instituídas pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal, vedada a sua criação pelos Municípios.
Comentários:
Mais uma questão de fixação. A resposta é letra “C”. Vejamos, a
seguir, os erros nos demais quesitos.
(A) têm como objeto a prestação de uma atividade econômica
empresarial, vedada a NÃO SENDO VEDADA A realização de
atividade pública, INCLUSIVE, ALGUMAS SEMs SÃO
PRESTADORAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS.
(B) embora pertencendo à Administração direta INDIRETA,
ostentam estrutura e funcionamento de empresa particular.
(D) possuem capital exclusivamente privado EM SUA COMPOSIÇÃO,
E AUTODIREÇÃO, e direção exclusiva NÃO ESTANDO
SUBORDINADAS AO do ente estatal ao qual estão subordinadas.
(E) somente podem ser instituídas pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal, vedada E INCUSIVE a sua criação pelos Municípios.
Gabarito: alternativa C.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

25) (2011/FCC – TCE/SE – Analista de Controle Externo) As


empresas públicas:
(A) são pessoas jurídicas de direito público interno que
desempenham atividade econômica.
(B) possuem vínculo contratual com o Estado, notadamente por meio
de contrato de concessão.
(C) são organizadas invariavelmente sob a forma de sociedades
anônimas.
(D) exercem atividade de relevante interesse coletivo, embora não
detenham capital público.
(E) necessitam de autorização legislativa para serem criadas.
Comentários:
Vamos por partes (velho estilo “Jack”):
I) a instituição da empresa pública depende de prévia
autorização em lei específica. A criação de empresas públicas
depende de lei autorizativa. Registro que serão necessários atos
posteriores para que a empresa possa ser considerada, efetivamente,
criada;
II) a empresa pública é pessoa jurídica de direito privado. Na
Administração Indireta, empresas públicas, sociedades de economia
mista e fundações públicas de direito privado são pessoas jurídicas de
direito privado. Por conseguinte, autarquias e parte das fundações
públicas são pessoas jurídicas de direito público;

III) as empresas públicas que exploram atividade econômica


sujeitam-se, em regra, ao regime próprio das empresas
privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis,
comerciais, trabalhistas e tributários. Esse trecho merece maiores
comentários. Notem que se está falando de empresas públicas que
explorem atividade econômica, tal qual, por exemplo, a Caixa
Econômica Federal com relação a suas atividades bancárias. Há,
ainda, empresas públicas e sociedades de economia mista que

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

prestam serviços públicos, para as quais será possível um regime


diferenciado. Muito bem. Vamos lá.
Primeiro cita-se importante dispositivo constitucional que ilustra o
assunto, o inc. II do § 1º do art. 173 da CF/1988. De acordo com
este, lei estabelecerá o estatuto jurídico próprio das sociedades de
economia mista e empresas públicas que explorem atividades
econômicas ou que prestem serviços. Referido estatuto deverá
deixar claro que estas entidades se submeterão ao regime jurídico
próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.
A partir do citado dispositivo, fazem necessárias outras observações.
A referida Lei que estabelecerá o estatuto próprio das mistas e das
empresas públicas ainda não nasceu. Muitas incertezas surgem a
partir daí, em especial (para efeitos de prova de concurso público), se
mistas e empresas públicas que explorem atividade econômica se
submetem (ou não) ao processo falimentar (obrigação de natureza
comercial).
Apesar de muito interessante a discussão, temos que deixá-la de
lado, pois nosso objetivo é “conhecer a cabeça do examinador”, para
que gabaritemos a prova. Então, vamos ao que diz o Direito Positivo
(legislação) ora em vigor.
Em 2005, foi editada a Lei 11.101, a qual trata da recuperação
judicial, extrajudicial e falência das sociedades empresárias. O inc. I
do art. 2º da norma é textual ao afirmar que as mistas e as
empresas públicas não se submetem ao seu texto, e,
consequentemente, não podem ir à falência.

Destaco que a lei de falência sequer se distingue qual a área de


atuação da entidade, se prestadora de serviço público ou se
exploradora de atividades econômicas. Então, fica assim para a nossa
prova: sociedade de economia mista e empresas públicas NÃO
se submetem ao processo falimentar, independente de sua
área de atuação.
Prontos? Vejamos os itens.
(A) são pessoas jurídicas de direito público PRIVADO interno que
desempenham atividade econômica.
(B) possuem vínculo contratual LEGAL com o Estado, notadamente
por meio de contrato de concessão.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(C) são organizadas invariavelmente sob PODEM ADOTAR


QUALQUER CONFIGURAÇÃO ADMITIDA EM DIREITO,
INCLUSIVE a forma de sociedades anônimas.
(D) exercem atividade de relevante interesse coletivo, embora não
detenham DETENDO capital 100% público.
(E) necessitam de autorização legislativa para serem criadas. ESSA É
NOSSA RESPOSTA.
Gabarito: Alternativa E

26) (2010/FCC – TRE/AL – Analista Judiciário-


Administrativa) A entidade dotada de personalidade jurídica
de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo
da União, se federal, criada para exploração de atividade
econômica que o Governo seja levado a exercer por força de
contingência ou conveniência administrativa, denomina-se:
(A) Autarquia Especial.
(B) Sociedade de Economia Mista.
(C) Empresa Pública.
(D) Fundação Pública.
(E) Organização Social.
Comentários:
A questão é bem “tranquilinha”, especialmente quando feita na
comodidade do lar. Com relação às empresas públicas, o DL
200/1967 as conceitua como sendo:
Entidade de personalidade jurídica de direito privado, com
patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criada
por lei para a exploração de atividade econômica que o
Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de
conveniência administrativa, podendo revestir-se de qualquer
das formas admitidas em direito.

Chegamos, assim, à alternativa C. Vamos prosseguir.

Acrescento que o conceito acima não está isento de críticas. A


primeira é quando informa que tais entidades serão criadas por lei,
isso porque o art. 37, inc. XIX, da CF dispõe que são apenas
autorizadas por lei. A segunda é quando informa que a entidade
se destina à exploração de atividade econômica, já que existem
muitas que prestam serviços públicos, como, por exemplo, a
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, a Infraero, e o Metrô-SP.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Ainda que o DL 200/1967 diga que o capital das empresas públicas


tenha de ser exclusivamente da União, enfim, serem empresas
públicas unipessoais (leia-se: único sócio), é possível que se
tenha a combinação de diversas origens públicas de capital (são as
denominadas empresas públicas pluripessoais).
Todavia, o capital integralizado tem que ser 100% público. Por
exemplo: a TERRACAP é empresa pública do Distrito Federal, conta,
no entanto, com 49% de capital da União, sendo, portanto, exemplo
de empresa pública unipessoal. Inclusive, o STF entendeu que o
TCU não tem competência para instaurar Tomada de Contas
Especial contra a TERRACAP, mas sim o TCDF, pelo fato de a
empresa pública ser distrital, com mera participação da União.

Gabarito: alternativa C.

27) (2010/FCC – TCM/CE – ANALISTA CONTROLE) As


sociedades de economia mista e as empresas públicas
(A) Estão sujeitas ao mesmo regime jurídico das empresas privadas,
exceto no que diz respeito a matéria tributária e trabalhista.
(B) Estão sujeitas ao mesmo regime jurídico das empresas privadas,
inclusive no que diz respeito a matéria tributária e trabalhista.
(C) Não estão submetidas aos princípios da Administração Pública,
exceto quando prestadoras de serviços públicos.
(D) Sujeitam-se ao regime jurídico de direito público, e ao regime de
direito privado, quando exploradoras de atividade econômica.
(E) Sujeitam-se ao mesmo regime jurídico das fundações públicas,
exceto no que diz respeito à matéria de pessoal.
Comentários:
De novo!? Isso mesmo. A resposta é letra “B”.
Aos erros.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(A) Estão sujeitas ao mesmo regime jurídico das empresas privadas,


exceto INCLUSIVE no que diz respeito a matéria tributária e
trabalhista.
(C) Não estão submetidas aos princípios da Administração Pública,
exceto quando prestadoras de serviços públicos OU
INTERVENTORAS NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
(D) Sujeitam-se ao regime jurídico de direito público, e ao regime de
direito privado, quando exploradoras de atividade econômica, COM
DERROGAÇÕES, INTERFERÊNCIAS DO DIREITO PÚBLICO,
COMO, POR EXEMPLO, A REALIZAÇÃO DE CONCURSOS
PÚBLICOS.
(E) Sujeitam-se ao mesmo regime jurídico das fundações públicas
EMPRESAS PRIVADAS, exceto INCLUSIVE no que diz respeito à
matéria de pessoal.
Gabarito: alternativa B.

28) (2011/FCC - Copergás – Analista/Administrador) As


empresas públicas e sociedades de economia mista
exploradoras de atividade econômica submetem-se:
(A) aos princípios aplicáveis à Administração Pública e ao regime
jurídico próprio das empresas privadas.
(B) ao mesmo regime da Administração Direta, exceto em matéria
tributária.
(C) ao regime jurídico próprio das empresas privadas, exceto em
matéria trabalhista.
(D) ao regime jurídico privado, gozando, porém, de imunidade
tributária.
(E) aos princípios aplicáveis à Administração Pública, exceto no que
diz respeito à licitação e à contratação de pessoal, obras e serviços.
Comentários:
Parece que a forma é a mesma! As questões saem todas
“iguaizinhas”. A resposta é letra “A”. Vejamos, a seguir, os erros.
(B) ao mesmo regime das EMPRESAS PRIVADAS Administração
Direta, exceto INCLUSIVE em matéria tributária.
(C) ao regime jurídico próprio das empresas privadas, exceto
INCLUSIVE em matéria trabalhista.
(D) ao regime jurídico privado, E, POR ISSO, SEM GOZAR gozando,
porém, de imunidade tributária.
(E) aos princípios aplicáveis à Administração Pública, exceto
INCLUSIVE no que diz respeito à licitação e à contratação de
pessoal, obras e serviços.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: Alternativa A.

29) (2008/NCE-UFRJ – ANTT/AADM55) Ressalvados os casos


previstos na Constituição Federal de 1988, a exploração direta
de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária:
a) aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo;
b) à incorporação e compatibilização dos planos nacionais e regionais
de desenvolvimento;
c) à repressão do abuso do poder econômico que vise à eliminação da
concorrência;
d) à realização das diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado;
e) à proteção do meio ambiente, ao consumidor e à livre
concorrência.
Comentários:
A intervenção direta do Estado na economia não é a regra,
conforme o disposto no art. 173 da CF/1988:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo,
conforme definidos em lei.

A partir da leitura do dispositivo, podemos verificar que o Estado, em


três momentos, explora diretamente atividade econômica:
- Ressalvados os casos previstos na Constituição: temos aqui o
sistema monopolista, em que não há outro caminho a não ser a
intervenção do Estado, como é o exemplo do art. 177 da CF/1988;
- Segurança Nacional: acontece mais por uma questão estratégica,
como é o caso da IMBEL – empresa pública de material bélico; e
- Relevante Interesse Coletivo: muitas das vezes, a participação
do Estado dá-se para assegurar proteção (equilíbrio) aos cidadãos,
como é o caso do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Daí a
correção do item “A”.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

30) (2008/CESPE – PGE-PB – Procurador) Constitui elemento


diferenciador entre sociedade de economia mista e empresa
pública o(a)
a) regime jurídico de pessoal.
b) composição do capital.
c) patrimônio.
d) natureza da atividade.
e) forma de sujeição ao controle estatal.
Comentários:
O item distintivo na questão é a composição do capital (item “B”).
Contudo, dada a incidência desse modelo de questão em provas, que
tal um quadro resumo sobre os principais traços distintivos entre as
SEM e as EP:

Entidades
SEM EP
Federais

Composição Maioria das ações com


100% capital público (1)
do capital direito a voto do Estado

Formação Qualquer forma, admitida


Sempre S/A
societária em direito (2)

Foro de Justiça Comum Estadual Justiça Comum Federal


julgamento (3) (4)

(1) O primeiro detalhe é que se exige 100% de capital público e


não de 100% de patrimônio público. O segundo é um reforço ao
nosso aprendizado, é que as empresas públicas podem ser
pluripessoais, ou seja, pode ser constituída com vários sócios, por
exemplo: uma autarquia, um município, e, em tese, até mesmo uma
sociedade de economia mista. Sociedade de economia mista?
Como isso é possível? Não precisa pular da cadeira, basta a SEM
integralizar a parte pública de seu capital, assim, continuaremos a ter
100% de capital PÚBLICO, afinal, se a SEM é mista, é porque
também tem capital público.

(2) A formação societária nem sempre será um traço


distintivo, já que a EP pode assumir qualquer configuração admitida

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

em lei, como, por exemplo, Sociedade Anônima, oportunidade que


se igualará à SEM.
(3) As sociedades de economia mista federais, estaduais e
municipais, têm o foro de julgamento na Justiça Comum
Estadual. No entanto, temos uma exceção, tratando-se de SEM
federais – Súmula 517 do STF: as sociedades de economia mista
só tem foro na Justiça Federal, quando a União intervém como
assistente ou opoente.

SEM FEDERAL, ESTADUAL e MUNICIPAIS → Justiça Comum


ESTADUAL

SEM FEDERAL → Justiça Comum FEDERAL (EXCEÇÃO –


Súmula 517 STF)

(4) A Administração Direta, autárquica, e empresas públicas


FEDERAIS têm foro de julgamento na Justiça Comum Federal. No
entanto, para as empresas públicas municipais e estaduais, o
foro de julgamento é a Justiça Comum Estadual.

EP FEDERAL → Justiça Comum FEDERAL

EP ESTADUAL e MUNICIPAL → Justiça Comum


ESTADUAL

Gabarito: alternativa B.

31) (2008/CESPE – PGE-PB – Procurador) Considere-se que


o governo do estado da Paraíba tenha celebrado contrato com
uma sociedade de economia mista federal. Nessa situação,
caso exista interesse do estado da Paraíba em discutir
judicialmente alguma cláusula oriunda desse contrato, deverá
ser proposta ação contra a mencionada sociedade perante:
a) uma das varas da justiça federal.
b) uma das varas da justiça comum estadual.
c) o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região.
d) o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região.
e) o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Comentários:
Vamos reforçar o aprendizado. Com relação ao foro competente para
julgamento das causas em que sejam partes as mistas ou as
empresas públicas a resposta é simples a partir da CF/1988 e de
entendimentos do STF:
- Nas causas em que seja parte Empresa Pública FEDERAL,
a competência da Justiça FEDERAL (inc. I do art. 109 da
CF/1988);
- Nas que seja parte Sociedade de Economia Mista (U, E, M),
competência da Justiça Estadual (Súmula/STF 556); e
- Nas que seja parte Sociedade de Economia Mista FEDERAL,
competência da Justiça Federal, quando a União
intervém como assistente ou opoente (Súmula/STF
517).

Um erro muito comum entre aqueles que iniciam o estudo do Direito


Administrativo é confundir Justiça Comum como sendo sinônimo
de Justiça Estadual.

Peço que não cometam esse erro! Justiça Comum pode ser Federal
ou Estadual. Ao lado da Justiça Comum (federal ou estadual), lembro
que há causas também de justiça especializada (Eleitoral, penal
Militar, e Trabalho), as quais, inclusive, afastam a regra de que as
decisões sejam julgadas na Justiça Comum.

Por exemplo: caso a ação judicial seja trabalhista, a


competência será da justiça especializada, qual a seja, a Justiça
do Trabalho.

Assim, ações judiciais movidas por empregados de sociedades


de economia mista e de empresas públicas serão julgadas na
Justiça do Trabalho.
Por fim, registro que, em âmbito federal, a exploração de atividade
econômica pelo Estado por intermédio de suas entidades da
Administração Indireta, de acordo com a CF/1988, só pode ser feita
por mistas e empresas públicas, ou por subsidiárias destas.
Mais uma vez, vale citar o texto constitucional que em seu § 1º do
art. 173 assim dispõe:
A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que
explorem atividade econômica de produção ou

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo


sobre...
O trecho destacado deixa claro o que se afirmou: a exploração de
atividade econômica pelo Estado por intermédio de entidades
da Administração Indireta se dá por intermédio de Sociedades
de Economia Mista ou Empresas Públicas, podendo, ainda,
ocorrer por intermédio de subsidiárias destas.
Gabarito: alternativa B.

32) (2008/CESPE – OAB-SP) Recente decisão do Supremo


Tribunal Federal, levando em consideração a peculiar situação
jurídica de uma estatal (regida pelo direito privado), afirmou a
impossibilidade de se penhorarem seus bens e determinou
que sua execução só poderia ocorrer pelo regime do
precatório (art. 100 da Constituição Federal). Tal decisão
ocorreu em referência
a) ao Banco do Brasil, uma sociedade de economia mista cujos bens
são bens públicos dominicais.
b) à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), por se tratar
de empresa pública que executa serviço público.
c) à Companhia de Gás de São Paulo (COMGAS), porque, como
empresa privada e concessionária de serviço público, todos seus bens
são reversíveis.
d) ao INSS, uma autarquia federal cujos bens são todos bens
públicos de uso especial.
Comentários:
Parece mais uma questão de atualidades do que propriamente de
Direito. O concursando tem de saber qual é a entidade! Eita! Bom, no
caso, a decisão paradigmática refere-se a ECT, alternativa “B”.
Gabarito: alternativa B.

33) (2008/FCC – TCE/Amazonas) Na estrutura da


Administração Pública brasileira, há distinção entre a
Administração direta e a indireta. Dentre as entidades da
Administração indireta incluem-se as:
I. sociedades de economia mista.
II. organizações sociais.
III. empresas públicas.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

IV. fundações públicas.


V. agências executivas.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) I e III.
c) I, III e IV.
d) II, III e V.
e) III, IV e V.
Comentários:
Essa questão é um primor em maldade! Como costumo brincar, estilo
questão “gato do Gargamel”.
A Administração Indireta é composta por sociedades de
economia mista, empresas públicas, fundações e autarquias,
daí a correção dos itens I, III e IV.

E as organizações sociais? Opa! Integram o Terceiro Setor e,


pela circunstância do laço com o Estado, qualificam-se como
entidades paraestatais.
E as agências executivas? O gabarito não poderia ter sido a
alternativa “E”? Certamente, pelo menos um dos nossos amigos de
“net” ficou em dúvida, não é verdade?
As agências executivas NÃO integram a Administração
Indireta, as autarquias é que integram. Agências executivas
não são novas pessoas jurídicas, é simplesmente uma titulação
ofertada à pessoa jurídica, uma nova roupagem atribuída a antigas
autarquias e fundações. Parabéns à organizadora.
Gabarito: alternativa C.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

34) (2006/FCC – ICMS/Paraíba) O regime jurídico


administrativo, aplicável às entidades da administração
indireta, resulta na:
a) atribuição de personalidade jurídica de direito público a todas
estas, independentemente da forma jurídica que adotarem.
b) obrigatoriedade da realização de licitação para a contratação de
obras, serviços, compras e alienações, de acordo com os seus
regulamentos próprios.
c) sujeição de seu pessoal às regras próprias do funcionalismo
público, notadamente ao regime jurídico único do ente público de que
fazem parte.
d) indisponibilidade dos bens de propriedade destas entidades, que
apenas poderão ser alienados por meio dos procedimentos legais.
e) obrigatoriedade de sua constituição sob a forma de sociedade
anônima de capital aberto, não sujeita à falência.
Comentários:
O erro da letra “A” é que nem todas possuem direito público. Revimos
que há pessoas de direito privado.
A letra “B” é nossa resposta. Tirando a Petrobras, que teve
reconhecido, em caráter liminar, pelo STF o regulamento próprio, as
demais entidades devem seguir a Lei 8.666/1993. O pior de tudo é
que a organizadora entendeu que esse item está correto. Durma-se
com um barulho destes. A organizadora talvez tenha construído o
item com base no art. 119 da Lei 8.666/1993. A EC 19 é de 1998 e
exigiu a edição de lei, portanto, em tese, o art. 119 deveria ter
perdido sua aplicabilidade.
A letra C é bem interessante. Nos dias atuais, até poderíamos cogitar
de correção da presente alternativa, isso porque voltou a vigorar o
Regime Jurídico Único (RJU). No entanto, o RJU é válido para
autarquias e fundações públicas de direito público, não alcançando as
empresas governamentais (EP e SEM), as quais têm empregados
regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
O erro da letra “D” é que os bens públicos podem ou não ser
indisponíveis, no sentido de serem ou não alienáveis. Os bens
dominicais (os desafetados), por exemplo, compõem o patrimônio
disponível (fiscal) do Estado. A alienação, de toda sorte, enfrenta o
prévio procedimento de licitação.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

O erro da letra “E” é que, por exemplo, as autarquias não podem


ser sociedades. Acrescento que, de fato, nenhuma entidade da
Administração Indireta, de direito público ou privado, está sujeita ao
processo falimentar.
Gabarito: alternativa B.

35) (2010/FCC – TRE/AM – ANALISTA JUDICIÁRIO) Sobre as


entidades políticas, os órgãos e os agentes públicos,
considere:
I. As empresas públicas e sociedades de economia mista não são
criadas por lei, mas, a sua instituição depende de autorização
legislativa.
II. Entidades estatais são pessoas jurídicas de Direito Público que
integram a estrutura constitucional do Estado, mas, não têm poderes
políticos nem administrativos.
III. Órgãos subalternos são os que exercem atribuições de mera
execução, sempre subordinados a vários níveis hierárquicos
superiores.
IV. Órgãos públicos são centros de competência instituídos para o
desempenho de funções estatais, dotados de personalidade jurídica e
de vontade própria.
V. Agentes públicos são todas as pessoas físicas incumbidas,
definitiva ou transitoriamente, do exercício de alguma função estatal.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I, III e V.
(B) I, II e IV.
(C) III, IV e V.
(D) III e IV.
(E) IV e V.
Comentários:
Vamos direto às análises.
Item I - CORRETO. Na Administração Indireta, há pessoas de direito
público (autarquias e certas fundações) e de direito privado (SEM, EP
e algumas fundações). As de direito público, a lei específica cria
diretamente. As de direito privado, a lei só faz autorizar, o ato de
criação depende do registro do ato constitutivo próprio no órgão
competente (cartório, junta, registro de pessoas jurídicas, conforme o
caso).
Item II - INCORRETO. A forma de Estado, no Brasil, é Federal, ou
seja, marcada, necessariamente, pela descentralização política, pela

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

existência de entidades autônomas diversas da União. No Brasil, por


exemplo, temos a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios como entes políticos ou federados. Tais entes não são
soberanos, são autônomos. A autonomia é tríplice: auto-organização;
autoadministração e autolegislação. Daí a incorreção do quesito, ao
afirmar que as entidades estatais não têm poderes políticos nem
administrativos.
Item III - CORRETO. Item de fixação. Revimos que os órgãos
subalternos são os que exercem atribuições de mera execução, com
pouco ou nenhum caráter decisório, subordinados a vários níveis
hierárquicos superiores.
Item IV - INCORRETO. Tô “cansado” de explicar que os órgãos
públicos são destituídos de personalidade jurídica. São apenas
centros de competência dentro da própria pessoa jurídica.
Item V - CORRETO. Isso será visto mais à frente. Mas é isso
mesmo. Os agentes públicos são todas as pessoas físicas incumbidas,
definitiva ou transitoriamente, com ou sem remuneração, do exercício
de alguma função estatal.
Gabarito: alternativa A.

36) (2010/FCC – ALESP – DIREITO) A respeito das entidades


integrantes da Administração indireta, é correto afirmar que
(A) as autarquias, as fundações, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista estão sujeitas ao regime jurídico de
direito público.
(B) as empresas públicas e as sociedades de economia mista
sujeitam-se ao regime de direito privado, exceto no que diz respeito
às obrigações tributárias e trabalhistas.
(C) as autarquias possuem as mesmas prerrogativas das pessoas
jurídicas públicas políticas, exceto no que diz respeito à
penhorabilidade de seus bens.
(D) as sociedades de economia mista são constituídas de acordo com
as regras do direito privado e submetem- se à legislação trabalhista,
tributária, civil e societária, porém a sua criação depende de prévia
autorização legislativa.
(E) todas elas submetem-se ao mesmo regime jurídico das entidades
integrantes da Administração direta, exceto para as empresas
públicas e as sociedades de economia mista no que diz respeito ao
regime trabalhista de seus empregados, que é o mesmo aplicável às
empresas privadas.
Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A resposta é letra “D”. As SEMs são pessoas jurídicas de Direito


Privado, submetidas, quando interventoras no domínio econômico,
primordialmente aos princípios das empresas privadas. O ato de
criação, porém, é precedido de autorização legislativa.
Vejamos os erros.
(A) as autarquias, as fundações ESTÃO SUJEITAS AO REGIME DE
DIREITO PÚBLICO, AO PASSO QUE as empresas públicas e as
sociedades de economia mista estão sujeitas ao regime jurídico de
direito público PRIVADO.
(B) as empresas públicas e as sociedades de economia mista
sujeitam-se ao regime de direito privado, exceto INCLUSIVE no que
diz respeito às obrigações tributárias e trabalhistas.
(C) as autarquias possuem as mesmas prerrogativas das pessoas
jurídicas públicas políticas, exceto INCLUSIVE no que diz respeito à
penhorabilidade IMPENHORABILIDADE de seus bens.
(E) NEM todas elas submetem-se ao mesmo regime jurídico das
entidades integrantes da Administração direta, exceto para as
empresas públicas e as sociedades de economia mista SUBMETEM-
SE AO REGIME APLICÁVEL ÀS EMPRESAS PRIVADAS
INCLUSIVE no que diz respeito ao regime trabalhista de seus
empregados, que é o mesmo aplicável às empresas privadas.
Gabarito: alternativa D.

37) (2010/FCC – APOF) A respeito do regime jurídico


aplicável às entidades integrantes da Administração indireta,
é correto afirmar que as:
(A) autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público
sujeitam-se ao regime de direito público, exceto no que diz respeito à
penhorabilidade de seus bens.
(B) autarquias, fundações e sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público sujeitam-se ao regime jurídico de
direito público.
(C) fundações instituídas e mantidas pelo poder público sujeitam-se
ao mesmo regime das autarquias, exceto no que diz respeito ao
processo seletivo de pessoal.
(D) sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito
privado, inclusive no que diz respeito à legislação tributária e
trabalhista.
(E) sociedades de economia mista exploradoras de atividade
econômica sujeitam-se ao mesmo regime das empresas privadas,
exceto no que diz respeito à matéria tributária.
Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A resposta é letra “D”. As SEMs e EPs sujeitam-se ao regime de


direito privado, inclusive no que diz respeito à legislação fiscal,
trabalhista, tributária, civil, comercial.
(A) autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público
sujeitam-se ao regime de direito público, exceto INCLUSIVE no que
diz respeito à penhorabilidade IMPENHORABILIDADE de seus bens.
(B) autarquias, fundações e sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público sujeitam-se ao regime jurídico de
direito público, AS SEMs PRESTADORAS DE SERVIÇOS
PÚBLICOS, NOS TERMOS DO ART. 175 DA CF, O REGIME SERÁ
DEFINIDO EM LEI, DE TAL SORTE QUE NÃO PODEMOS
AFIRMAR, A PRIORI, SÊ-LO DE DIREITO PÚBLICO.
(C) fundações instituídas e mantidas pelo poder público sujeitam-se
ao mesmo regime das autarquias, exceto INCLUSIVE no que diz
respeito ao processo seletivo de pessoal.
(E) sociedades de economia mista exploradoras de atividade
econômica sujeitam-se ao mesmo regime das empresas privadas,
exceto INCLUSIVE no que diz respeito à matéria tributária.
Gabarito: alternativa D.

38) (2011/FCC – TCM/BA – Procurador) A propósito das


características e regime jurídico a que se submetem as
entidades da Administração indireta, é correto afirmar:
(A) A autarquia é pessoa jurídica de direito público, com as mesmas
prerrogativas e sujeições da Administração direta, exceto no que diz
respeito ao regime de seus bens.
(B) A criação de sociedade de economia mista e de empresa pública
depende de autorização legislativa, assim como a criação de
subsidiárias dessas entidades.
(C) A criação de sociedade de economia mista somente é possível
para exploração de atividade econômica stricto sensu.
(D) As empresas públicas podem explorar atividade econômica e
prestar serviços públicos, com a participação minoritária de
particulares em seu capital social.
(E) A autarquia é pessoa jurídica de direito privado, porém submetida
aos princípios aplicáveis à Administração Pública, o que lhe confere
um regime híbrido de prerrogativas e sujeições.
Comentários:
A resposta é letra “B”. Vou aproveitar para conversar um pouco mais
sobre as tais subsidiárias.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Além das sociedades de economia mista e das empresas


públicas, integrantes da Administração Indireta, podem existir
as subsidiárias, as quais, igualmente, podem ser componentes da
Administração Pública: subsidiárias integrantes da Administração
Indireta?! Que isso, questiona-se o concursando. Com calma.
O tema é rico em detalhes, não sendo nosso livro a arena ideal para
revelar todas as diretrizes doutrinárias e jurisprudenciais. Sou “pago”
para aprová-los nos concursos públicos, então ao “passeio”.
O termo “subsidiária” é autoexplicativo, quer se referir à
sociedade controlada por outra. Por sua vez, o art. 243, §2º, da
Lei 6.404/1976 assim conceitua sociedade controlada:

Art. 243. (...)


§ 2º Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora,
diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de
sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas
deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos
administradores.

Por vezes (ou quase sempre), casos práticos são melhores que “mil
palavras”, por exemplo: o Banco do Brasil possui 99,00% das ações
em que se subdividem o capital social da empresa “X”, tendo,
portanto, o controle majoritário da referida empresa (controle direto).
Já a União tem o controle societário do Banco do Brasil, num
total de 71,8% das ações ordinárias emitidas por esta Entidade,
assim, a União controla também a empresa “X”, só que de forma
indireta, no percentual de 71,08% (99% x 71,8%). Assim, em termos
comerciais, a empresa “X” seria tanto subsidiária do Banco do
Brasil (1º grau) como da União (2º grau).

Subsidiária (sociedade controlada) → Empresa X

Se BB e União controla Empresa X → então BB e União são


controladoras

Acontece que, em termos administrativos, a história é diferente,


vejamos. O inciso XVII do art. 37 da CF/1988 estabelece:

Art. 37. (...)


XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e
abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta


ou indiretamente, pelo poder público.

É possível perceber, claramente, que os conceitos de controlada e de


subsidiária são distintos, afinal qual seria a lógica Constitucional de
mencionar dois nomes, no lugar de apenas um, caso não fossem
diferentes? A subsidiária, diferentemente das controladas pelo
Estado, tem seu nascimento dependente de lei, nos termos do
inc. XX do art. 37 da CF/1988:

Art. 37. (...)


XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação
de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim
como a participação de qualquer delas em empresa privada.

Enfim, com a edição da lei autorizativa, se inicia o controle da


subsidiária pela entidade da Administração Indireta, diferentemente
de outras empresas, em que o controle advém da aquisição de ações
em número suficiente.
Em síntese: as subsidiárias, embora do gênero controladas, com
estas não se confundem, haja vista serem criadas por entidades da
Administração Indireta. Por exemplo: o fato de o BNDES
Participações S/A adquirir ações de outras empresas, não quer dizer
que passem a integrar a Administração Indireta, afinal o investimento
é temporário, sem interesse de o Estado manter o controle por prazo
indeterminado.
Como sabemos (inc. XIX do art. 37), uma entidade só recebe o nome
de sociedade de economia mista ou empresa pública se houver lei
específica autorizativa. Já no caso das subsidiárias o tratamento é
diverso, como percebemos com a leitura do inc. XX do art. 37 da
CF/1988 (“depende de autorização legislativa, em cada
caso...”), isso mesmo, é dispensável a autorização legislativa
específica, como, inclusive, já entendeu o STF (ADI 1649):

“instituída a sociedade de economia mista (CF, art. 37, XIX) e


delegada à lei que a criou permissão para a constituição de
subsidiárias, as quais poderão majoritária ou minoritariamente
associar-se a outras empresas, o requisito da autorização legislativa
(CF, art. 37, XX) acha-se cumprido, não sendo necessária a edição de
lei especial para cada caso.”

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Chegamos, agora, ao ponto máximo da análise: a sociedade de


economia mista (p. ex.: Petrobrás – primeiro grau), ao constituir uma
subsidiária integral, está a criar automaticamente uma sociedade de
economia mista de segundo grau? Automaticamente, não. Para que
a entidade criada seja considerada sociedade de economia
mista, a lei deve atribuir essa qualidade à subsidiária.
De acordo com o magistério de José dos Santos, o fato de uma
empresa ser subsidiária de uma sociedade de economia mista
indica apenas que não é controlada diretamente por entidade
política, de forma que, dentro dessa categoria, pode encontrar-se
não somente sociedade de economia mista e empresa pública
de segundo grau, como outra entidade que, sujeita a idêntico
controle, configura-se como mera sociedade empresarial.
O STF tem decidido que, mesmo que o Poder Público detenha a
maioria do capital da empresa, esta não poderá ser
considerada automaticamente como sociedade de economia
mista, afinal não é suficiente qualquer fato jurídico, mas sim o
advento de lei autorizativa.
Gostaram do passeio teórico? Vejamos os erros nos demais itens.
(A) A autarquia é pessoa jurídica de direito público, com as mesmas
prerrogativas e sujeições da Administração direta, exceto
INCLUSIVE no que diz respeito ao regime de seus bens.
(C) A criação de sociedade de economia mista somente é possível
para exploração de atividade econômica stricto sensu E PARA A
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS.
(D) As empresas públicas podem explorar atividade econômica e
prestar serviços públicos, com SEM CONTAR COM a participação
minoritária de particulares em seu capital social, PORQUE O
CAPITAL É 100% PÚBLICO.
(E) A autarquia é pessoa jurídica de direito privado PÚBLICO, porém
submetida aos princípios aplicáveis à Administração Pública, o que lhe
confere um regime híbrido DE DIREITO PÚBLICO de prerrogativas
e sujeições.
Gabarito: alternativa B.

39) (2011/FCC – PGE/MT – Procurador) O regime jurídico


aplicável às entidades integrantes da Administração indireta
(A) sujeita todas as entidades, independentemente da natureza
pública ou privada, aos princípios aplicáveis à Administração Pública.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(B) é integralmente público, para autarquias, fundações e empresas


públicas, e privado para sociedades de economia mista.
(C) é sempre público, independentemente da natureza da entidade.
(D) é sempre privado, independentemente da natureza da entidade.
(E) é o mesmo das empresas privadas, para as empresas públicas e
sociedades de economia mista, exceto em relação à legislação
trabalhista.
Comentários:
O item “A” está perfeito. As empresas SEMs e EPs, conquanto de
direito privado, seguem, à semelhança das autarquias e fundações,
os princípios da Administração Pública.
(A) sujeita todas as entidades, independentemente da natureza
pública ou privada, aos princípios aplicáveis à Administração Pública.
O erro da letra “B” é que o regime não é integralmente público,
mesmo para as autarquias e fundações, porque, nestas, há aplicação
subsidiária das normas de direito privado.
O erro da letra “C” é que as empresas públicas e as sociedades de
economia mista seguem, especialmente, o regime jurídico de
direito privado.
O erro da letra “D” é que o regime das autarquias e fundações
públicas é, primordialmente, de Direito Público.
O erro da letra “E” é que o regime das empresas governamentais é
semelhante ao aplicável às demais empresas privadas, inclusive no
que diz respeito à legislação trabalhista.
Gabarito: alternativa A.

40) (2008/FCC – TJURR – Juiz) A Lei federal nº 9.472/97, em


seu art. 9º, designa a Agência Nacional de Telecomunicações
“autoridade administrativa independente”. Tal designação, em
termos da organização administrativa brasileira,
a) revela a criação de uma nova espécie típica de entidade integrante
da Administração Indireta, dita justamente “autoridade administrativa
independente”.
b) ressalta algumas características do regime especial dessa
entidade, tais quais independência administrativa, ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus
dirigentes, mas não afasta o seu enquadramento como autarquia.
c) refere-se ao fato de essa entidade não integrar a Administração
Indireta.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

d) refere-se ao fato de essa entidade não ser sujeita a normas


decorrentes do exercício do poder regulamentar pelo chefe do Poder
Executivo.
e) implica a criação de uma nova espécie típica de entidade
integrante da Administração Indireta, dita “agência reguladora”.
Comentários:

Uma “palhinha” sobre as agências reguladoras, afinal, na qualidade


de autarquias, são pessoas integrantes da Administração Indireta.

As agências reguladoras não podem inovar na ordem jurídica, apesar


de deterem maior discricionariedade na descrição de suas normas.
Essa discricionariedade (técnica) decorre do fato de o legislador criar
normas com conceitos muita das vezes indeterminados (elásticos ou
plurissignificativos), a serem concretizados pelas agências
reguladoras. Embora indeterminados, tais conceitos darão o contorno
para atuação da entidade, a qual deve cumprir, efetivamente, com a
vontade da norma originária (e nunca extrapolá-la).

Sinteticamente, ficamos assim: pelo caráter diferenciado da


Reguladora, é-lhe assegurada maior margem de liberdade de atuação
(ampla discricionariedade), em razão da nova realidade verificada no
funcionamento social.

Todavia, essa maior amplitude de autuação não poderá desbordar


(ultrapassar) os limites colocados pela Lei, em razão do princípio da
legalidade, ao qual igualmente se submete a entidade reguladora. Os
amplos poderes normativos não são garantia para que as reguladoras
editem regulamentos autônomos (leia-se: independentes da Lei).

Agora, vamos às análises dos quesitos.

Item A – INCORRETO. As agências reguladoras não são novas


figuras jurídicas, são sim autarquias, logo integrantes da
Administração Indireta. Todavia, distinguem-se das demais
autarquias pelo fato de contar com regime especial, daí a incorreção
do item, ao afirmar sê-las novas figuras.

Item B – CORRETO. Dispensáveis maiores comentários, esses são


os itens citados na Lei.

Item C – INCORRETO. São autarquias, logo, integrantes da


Administração Indireta, daí a incorreção do quesito. As únicas

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

autarquias que não integram a Administração Indireta são os


conselhos profissionais (CREA, CREFITO, CRA, CRM, etc.).

Item D – INCORRETO. Uma das doutrinas mais autorizada para


efeito de concursos sinaliza que, pelo fato de todos os Poderes
administrarem (típica ou atipicamente), o enquadramento da
prerrogativa de editar normas melhor seria Poder Normativo,
assim, o Poder Regulamentar (privativo do Chefe do Executivo – art.
84, IV, da CF/1988) representaria mera espécie do gênero
Normativo, o que nos parece acertado.

O Poder Regulamentar, privativo do Chefe do Executivo, estende-


se a todos os Poderes (e suas administração indiretas, caso
existentes) e não apenas ao Executivo. Nesse sentido, as Agências
Reguladoras encontram-se, igualmente, obrigadas a seguir os
diplomas normativos editados pelo Chefe do Executivo, daí a
incorreção do item.

Uma última informação: as agências reguladoras também podem


normatizar, não é verdade? Sim, podem. Contudo, não fazem isso
no uso do Poder Regulamentar, mas sim Normativo (leia-se:
técnico), o que nos serve com sinalização de que o Poder
Normativo das Agências não se confunde com o
Regulamentar, inclusive, porque o poder das agências tem
maior discricionariedade de atuação comparativamente ao
Regulamentar.

Item E – INCORRETO. Idem item “A”.

Gabarito: alternativa B.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Opa! Não acabou não! Vejamos, a partir de agora, as tais


Agências Reguladoras e Executivas, bem como o Terceiro
Setor.

Agências: reguladoras e executivas

1) (2002/Esaf – Analista de COMEX/MDIC) A recente reforma


do Estado, empreendida pelo Governo Federal, introduziu
diversas novas figuras na Administração Pública Federal. No
rol abaixo, assinale aquela que pode ser conceituada como o
resultado da qualificação que se atribui a uma autarquia ou
fundação pública, cujo objetivo institucional seja uma
atividade exclusiva de Estado, com o propósito de dotá-la de
maior autonomia gerencial.
a) agência reguladora
b) organização social
c) serviço social autônomo
d) agência executiva
e) organização da sociedade civil de interesse público

Comentários:
As autarquias, atualmente, podem conviver sob dois regimes: o
comum e o especial. As autarquias sob o regime especial têm sido
bastante cobradas nos concursos, sendo as agências reguladoras e
as executivas as principais.

As figuras (reguladoras e executivas) são bem diferentes entre


si, apesar de ambas deterem um “regime especial”. Vamos começar
pelas agências executivas.
Parte da doutrina trata com “desprezo” as Agências Executivas. Com
todo respeito, cremos que não deva ser assim. A seguir, as principais
características dessas entidades.
As Agências Executivas, na realidade, não são “novas
entidades”, mas sim uma qualificação (nova roupagem) dada a
uma antiga autarquia ou fundação, garantindo-lhe maiores

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

prerrogativas (é como se fosse o Bruce Wayne ao vestir a roupa e


travestir-se em Batman, a pessoa é a mesma, só que com novos
poderes). Para tanto, para a aquisição de tal qualificação, deve,
CUMULATIVAMENTE, ter:
I) celebrado contrato de gestão com o respectivo
ministério supervisor; e
II) plano estratégico de reestruturação ou de
desenvolvimento institucional, ainda que em andamento.

Com essa passagem o amigo já deve ter notado qual é a resposta.


Isso mesmo. Alternativa “D”.
Continuemos nos pormenores acerca das Agências Executivas.
Bom lembrarmos que todos os órgãos ou entidades
administrativas podem firmar contratos de gestão, sob o
fundamento do §8º do art. 37 da CF/1988. Contudo, no caso das
Agências Executivas, o documento é obrigatório para que a
entidade autárquica ou fundacional possa receber a titulação.
A qualificação da entidade virá APÓS a celebração do contrato
de gestão, isto é, a entidade pretendente não é qualificada no
contrato de gestão, mas depois que o firmar. A titulação de
agência é conferida pelo Presidente da República, mediante
Decreto e, conforme o princípio da simetria, o ato de
desqualificação também via Decreto.
Interessante observar que o Plano Diretor da Reforma, documento
técnico orientador das mudanças administrativas recentes em âmbito
federal, cita o projeto das “agências autônomas” (enfim, as
executivas e reguladoras) como um dos instrumentos da
modernização da gestão pública.
Com esse propósito, fora prevista a necessidade de alteração no
arcabouço normativo (base legal), de forma a possibilitar a melhoria
da gestão, ao tempo em que algumas autarquias selecionadas seriam
transformadas em “laboratórios de experimentação” (nas palavras do

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Plano). São chamadas em Administração Pública de “ilhas de


excelência”.
Creio que, no sentido de serem instrumentos de melhoria de
gestão, é atraente o papel que poderia ser desempenhado pelas
agências executivas. Contudo, o cenário desenhado para essas
agências não é muito animador.
Muitos doutrinadores não veem, e com razão, nada de muito
diferente para as executivas no nosso atual ordenamento jurídico, a
não ser a duplicação do limite de dispensa de licitação
baseado em valor (art. 24, parágrafo único, da Lei
8.666/1993). Vejamos:

Enquanto para os órgãos e entidades administrativos, de modo


geral, as licitações são dispensáveis quando o valor
estimado é de até 8 mil reais, para compras e serviços, e de 15
mil reais, para obras e serviços de engenharia (incs. I e II do
art. 24 da Lei nº 8.666/1993), para as Executivas esses
valores alcançam 16 e 30 mil reais, respectivamente.

Essa é a “diferença” que as Executivas possuiriam com relação às


demais entidades da Indireta. Por isso, a crítica doutrinária quanto a
pouca importância da distinção de uma entidade como Agência
Executiva e uma autarquia sob regime comum.
Só um detalhe: o limite de ISENÇÃO DE LICITAR é válido para
Agências Executivas e não Reguladoras!!!
Ainda que considerada de menor relevo por boa parte da doutrina,
gostaríamos de registrar que há uma Agência Executiva que
merece ser destacada: o Instituto Nacional de Metrologia, o
INMETRO, que, efetivamente, tem se mostrado um modelo de bom
funcionamento de entidade pública.
Por fim, como se tratam de autarquias ou fundações, não há
dúvida que essas entidades compõem a Administração Indireta.
Gabarito: alternativa D.

2) (2011/FCC – Nossa Caixa – Advogado) No que concerne às


agências executivas, é correto afirmar que:
(A) tais agências não possuem autonomia de gestão, porém a lei
assegura a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros
para que possam cumprir suas metas e objetivos institucionais.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(B) trata-se de entidade preexistente, que receberá a qualificação de


agência executiva através de ato do Ministro de Estado a que estiver
vinculada.
(C) agência executiva é a qualificação dada somente às autarquias,
desde que cumpridas as exigências legais para tanto.
(D) a qualificação da entidade como agência executiva permite que
ela usufrua de determinadas vantagens previstas em lei, como, por
exemplo, o aumento dos percentuais de dispensa de licitação,
previsto na Lei no 8666/93.
(E) para a qualificação em agência executiva, é necessário o
cumprimento de apenas um desses requisitos: ter plano estratégico
de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento
ou ter celebrado contrato de gestão com o respectivo Ministério
supervisor.

Comentários:
Excelente questão de FCC! Vejamos, de pronto, a resposta, para
depois avançarmos nos erros nos demais quesitos, ok?
O art. 24 da Lei de Licitações nos fornece um rol, exaustivo, de
situações em que a modalidade prévia de licitação poderá ser
dispensável. Enfim, hipóteses que, quando ocorridas, garantem ao
administrador margem de conveniência e oportunidade para licitar ou
não licitar. Os incisos I e II do artigo, por exemplo, permite a
dispensa de licitação em razão do valor. Para obras e serviços de
engenharia, até R$ 15.000,00, e para compras e outros serviços, até
R$ 8.000,00. Isso mesmo. Até 10% do limite superior da modalidade
de licitação convite.
Legal, mas qual é a ligação do artigo mencionado com as
agências executivas?
É que, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei, o limite de
isentar a modalidade de licitação é 100% superior para as SEMs, EPs,
Consórcios Públicos, e Agências Executivas. Isso mesmo. Enquanto
uma autarquia, sob o regime comum, pode contratar diretamente,
em razão do valor, uma obra até R$ 15 mil reais, as Agências
Executivas, até R$ 30 mil reais. Daí a correção da alternativa D.
Vejamos os erros nos demais quesitos.
(A) tais agências não possuem autonomia de gestão, porém AFINAL
a lei assegura a disponibilidade de recursos orçamentários e

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

financeiros para que possam cumprir suas metas e objetivos


institucionais.
(B) trata-se de entidade preexistente, que receberá a qualificação de
agência executiva através de ato (DECRETO) do PRESIDENTE DA
REPÚBLICA, NA ESFERA FEDERAL Ministro de Estado a que estiver
vinculada.
(C) agência executiva é a qualificação dada somente às autarquias
OU ÀS FUNDAÇÕES, desde que cumpridas as exigências legais para
tanto.
(E) para a qualificação em agência executiva, é necessário o
cumprimento de apenas um desses CUMULATIVO DOS SEGUINTES
requisitos: ter plano estratégico de reestruturação e de
desenvolvimento institucional em andamento ou E ter celebrado
contrato de gestão com o respectivo Ministério supervisor.
Gabarito: alternativa D.

3) (2008/ESAF – EPPG) A Agência executiva é a qualificação


dada à autarquia ou fundação que celebre contrato de gestão
com o órgão da Administração Direta a que se acha vinculada,
introduzida no direito brasileiro em decorrência do movimento
da globalização. Destarte, assinale qual princípio da
administração pública, especificamente, que as autarquias ou
fundações governamentais qualificadas como agências
executivas visam observar nos termos do Decreto n.
2.487/98:
a) eficiência
b) moralidade
c) legalidade
d) razoabilidade
e) publicidade

Comentários:
Questão de fixação. É de se registrar que a qualificação de
autarquias e fundações como agências executivas tem como
objetivo a ampliação da autonomia dessas entidades, com as
consequentes melhorias da eficiência e redução de custos.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 89 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa A.

4) (2003/Esaf – Especialista em Políticas Públicas e Gestão


Governamental/MPOG) O conteúdo do regime jurídico-
administrativo, considerado por alguns como muito rígido,
provocou o surgimento de um processo de flexibilização na
gestão pública, com a instituição de espécies jurídicas
institucionais não submetidas aos seus rigores. Assinale, no
rol abaixo, a espécie organizacional que se vincula ao regime
jurídico-administrativo:
a) fundações de apoio às instituições federais de ensino superior
b) agências executivas
c) organizações sociais
d) organizações da sociedade civil de interesse público
e) serviços sociais autônomos

Comentários:
Sem dificuldades. A resposta é letra “B”. “Pra” dizerem por aí que
estou um “cadinho” preguiçoso, por causa das festas de fim-de-ano,
vamos fazer algumas considerações sobre as tais fundações de apoio
e os serviços sociais autônomos.
As Fundações de Apoio são fundações de direito privado, sem
fins lucrativos, instituídas de acordo com os ditames do Código
Civil, cujo principal objetivo é dar apoio a certas instituições, como
universidades, hospitais, etc.
Regidas pela Lei 8.958/1994, há um sem-número de fundadas
críticas doutrinárias a respeito de tais instituições, sobretudo no que
diz respeito às fundações de apoio às instituições públicas federais de
ensino superior (as IFES - universidades federais, por exemplo).
Hoje para cada uma das universidades federais “gravita” uma
fundação de apoio, a qual, muitas das vezes, exerce o papel da
própria universidade, como, por exemplo, as atividades de pesquisa e
extensão. Além disso, muitas fundações de apoio têm sido utilizadas,
de maneira prática, como um meio de “burlar” regras impostas às
instituições públicas. Explique-se.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 90 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A universidade deseja contratar a prestação de um serviço. Em vez


de promover a necessária licitação, faz a contratação direta da
fundação de apoio por dispensa de licitação, com fulcro no inc.
XIII do art. 24 da Lei nº 8.666/1993, ou, ainda assina um
convênio, com o estabelecimento de determinado programa de
trabalho. A Fundação, por sua vez, subcontrata livremente, isso
mesmo, como não tem pessoal disponível, contrata livremente os
particulares (maior parte das vezes sem licitação). Daí a crítica,
com razão, da doutrina com relação a tais fundações de apoio.
A Secretaria de Educação Superior do MEC caracteriza as fundações
de apoio como:
"...instituições criadas com a finalidade de dar apoio a
projetos de pesquisa, ensino, extensão e de desenvolvimento
institucional, científico e tecnológico, de interesse das
instituições federais de ensino superior (IFES) e também
das instituições de pesquisa. Deverão estar constituídas na
forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos e
serão regidas pelo Código Civil Brasileiro. Sujeitam-se,
portanto, à fiscalização do Ministério Público, nos termos do
Código Civil e do Código de Processo Civil, à legislação
trabalhista e, em especial, ao prévio registro e credenciamento
nos Ministérios da Educação e do Ministério da Ciência e
Tecnologia, renovável bienalmente. Não são criadas por lei nem
mantidas pela União. A posição dos Ministérios da Educação e
da Ciência e Tecnologia é requerida em razão da relação entre
as instituições federais e as fundações de apoio ser de
fomento ao desenvolvimento de projetos de ensino,
pesquisa e extensão, sendo função das fundações dar
suporte administrativo e finalístico aos projetos
institucionais”.
Todavia, abstraindo maiores discussões, para fins de concurso público
deve ser registrado que as fundações de apoio são entidades
paraestatais, não integrando, portanto, a estrutura
administrativa de Estado.
Por sua vez, os Serviços Sociais Autônomos – SSA (vulgarmente
denominado “Sistema S”) são pessoas jurídicas de direito
privado, sem fins lucrativos, destinados a propiciar assistência
social, médica, ou ensino à população ou a certos grupos
profissionais. Em regra, a principal fonte de recursos são as
contribuições de empresas, arrecadadas e repassadas pela Receita

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 91 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Federal do Brasil aos SSA, são exemplos: SESC; SEBRAE; SENAI;


ABDI; APEX; SENAT, etc.
Alguns SSA celebraram contratos de gestão com órgãos da
Administração direta ou convênios com entidades
governamentais ou privadas, passando a receber recursos
públicos por intermédio destes instrumentos (p.ex.: Associação das
Pioneiras Sociais – Rede Sarah, contrato de gestão com o Ministério
da Saúde).
Seu pessoal é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho –
CLT e sujeitam-se ao controle do por parte do respectivo Tribunal de
Contas, no que se refere à parcela de recursos públicos que recebam.
Não prestam serviços públicos, mas exercem atividade privada
de interesse público.

Fundações de Apoio SSA (ou “Sistema S”)

Suporte administrativo e finalístico


Propiciar assistência social,
aos projetos das instituições
médica, ou ensino à população ou
federais de ensino superior e
a certos grupos profissionais
instituições de pesquisa

Prestação, em caráter privado, de Não prestam serviços públicos,


serviços sociais não exclusivos mas exercem atividade privada de
do Estado interesse público

Não seguem integralmente a Lei


Contratação direta (muitas vezes
das Licitações (Tem regulamento
sem licitação)
próprio de licitações)

Importante mencionar que essas entidades, apesar de gerenciarem


recursos públicos (contribuições parafiscais e não para-os-
fiscais), não seguem integralmente a Lei 8.666/1993, uma vez
que possuem regulamento próprio de licitações. De acordo com
a Decisão Plenária 977/1997 do TCU, o ‘sistema S’ deve seguir os
princípios previstos na Lei 8.666/1993.
Gabarito: alternativa B.
Então, entendeu mesmo o que são os serviços sociais autônomos,
chamados, vulgarmente, de ‘Sistema S’? Quero vê se é verdade.
Fulmina a questão de FCC, abaixo.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 92 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

5) (2010/FCC – TCE/AP – Procurador de Contas) Os Serviços


Sociais Autônomos
(A) podem ter natureza jurídica de direito público ou privado.
(B) podem se revestir da forma de fundações ou empresas estatais.
(C) prestam serviço público sob a modalidade de permissão, não se
submetendo, no entanto, ao regime de concessões.
(D) prestam atividade de cooperação e fomento, revestindo-se da
forma de entes de natureza privada.
(E) atuam exclusivamente nos setores de saúde e cultura, sob a
forma de organizações sociais.

Comentários:
Isso mesmo. A resposta é letra “D”. Parabéns, inclusive se você
errou, pois é errando que se aprende! Errar-cair-Levantar! Errar-cair-
Levantar!
Abaixo, os erros nos demais quesitos.
(A) SÓ podem ter natureza jurídica de direito público ou privado.
(B) NÃO podem se revestir da forma de fundações ou empresas
estatais, SÃO ENTIDADES PRIVADAS, SEM FINS LUCRATIVOS,
NÃO INTEGRANTES DO APARATO ESTATAL.
(C) prestam serviço público DE UTILIDADE PÚBLICA,
INCONFUNDÍVEL sob a COM AS modalidades de permissão OU
CONCESSÃO, não se submetendo, no entanto, ao regime de
concessões.
(E) atuam exclusivamente nos setores de saúde e cultura E OUTROS
SERVIÇOS COMPETITIVOS, MAS NÃO sob a forma de
organizações sociais.
Gabarito: alternativa D.

6) (2008/FCC – TJURR – Juiz) A Lei federal nº 9.472/97, em


seu art. 9º, designa a Agência Nacional de Telecomunicações
“autoridade administrativa independente”. Tal designação, em
termos da organização administrativa brasileira,
a) revela a criação de uma nova espécie típica de entidade integrante
da Administração Indireta, dita justamente “autoridade administrativa
independente”.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 93 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

b) ressalta algumas características do regime especial dessa


entidade, tais quais independência administrativa, ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus
dirigentes, mas não afasta o seu enquadramento como autarquia.
c) refere-se ao fato de essa entidade não integrar a Administração
Indireta.
d) refere-se ao fato de essa entidade não ser sujeita a normas
decorrentes do exercício do poder regulamentar pelo chefe do Poder
Executivo.
e) implica a criação de uma nova espécie típica de entidade
integrante da Administração Indireta, dita “agência reguladora”.

Comentários:
As agências reguladoras não podem inovar na ordem jurídica,
apesar de deterem maior discricionariedade na descrição de suas
normas. Essa discricionariedade (técnica) decorre do fato de o
legislador criar normas com conceitos muita das vezes
indeterminados (elásticos ou plurissignificativos), a serem
concretizados pelas agências reguladoras. Embora indeterminados,
tais conceitos darão o contorno para atuação da entidade, a qual
deve cumprir, efetivamente, com a vontade da norma originária
(e nunca extrapolá-la).
Sinteticamente, ficamos assim: pelo caráter diferenciado da
Reguladora, é-lhe assegurada maior margem de liberdade de
atuação (ampla discricionariedade), em razão da nova realidade
verificada no funcionamento social.
Todavia, essa maior amplitude de autuação não poderá desbordar
(ultrapassar) os limites colocados pela Lei, em razão do princípio da
legalidade, ao qual igualmente se submete a entidade reguladora. Os
amplos poderes normativos não são garantia para que as
reguladoras editem regulamentos autônomos (leia-se:
independentes da Lei).
Agora, vamos às análises dos quesitos.
Item A – INCORRETO. As agências reguladoras não são novas
figuras jurídicas, são sim autarquias, logo integrantes da
Administração Indireta. Todavia, distinguem-se das demais
autarquias pelo fato de contar com regime especial, daí a
incorreção do item, ao afirmar sê-las novas figuras.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 94 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item B – CORRETO. Dispensáveis maiores comentários, esses são


os itens citados na Lei.
Item C – INCORRETO. São autarquias, logo, integrantes da
Administração Indireta, daí a incorreção do quesito. As únicas
autarquias que não integram a Administração Indireta são os
conselhos profissionais (CREA, CREFITO, CRA, CRM, etc.).
Item D – INCORRETO. Uma das doutrinas mais autorizada para
efeito de concursos sinaliza que, pelo fato de todos os Poderes
administrarem (típica ou atipicamente), o enquadramento da
prerrogativa de editar normas melhor seria Poder Normativo,
assim, o Poder Regulamentar (privativo do Chefe do Executivo – art.
84, IV, da CF/1988) representaria mera espécie do gênero
Normativo, o que nos parece acertado.
O Poder Regulamentar, privativo do Chefe do Executivo, estende-
se a todos os Poderes (e suas administração indiretas, caso
existentes) e não apenas ao Executivo. Nesse sentido, as Agências
Reguladoras encontram-se, igualmente, obrigadas a seguir os
diplomas normativos editados pelo Chefe do Executivo, daí a
incorreção do item.
Uma última informação: as agências reguladoras também podem
normatizar, não é verdade? Sim, podem. Contudo, não fazem isso
no uso do Poder Regulamentar, mas sim Normativo (leia-se:
técnico), o que nos serve com sinalização de que o Poder
Normativo das Agências não se confunde com o
Regulamentar, inclusive, porque o poder das agências tem
maior discricionariedade de atuação comparativamente ao
Regulamentar.
Item E – INCORRETO. Idem item “A”.
Gabarito: alternativa B.

7) (2007/Cespe – Pref. De Vitória/Procurador) A


transferência às agências reguladoras da função de executar
objetivos e planos estatais demonstra a centralização que a
criação dessas estruturas gera na administração pública.
(Certo/Errado)
Comentários:
Tive a oportunidade de apresentar as principais informações
(para efeito de concursos) sobre as Agências Executivas, a partir
de agora trataremos de um dos mais interessantes temas de nosso

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 95 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

processo de reforma administrativa: as agências reguladoras (ou


controladoras, como preferem outros).
De pronto, que tal identificar o erro da questão: as
agências reguladoras, em nosso país, são detentoras de regime
especial, no entanto, não deixam de ser autarquias, as quais
decorrem da descentralização administrativa (e não da
centralização administrativa, como diz o comando da questão).
Quanto à “transferência” da função de executar os planos e
os objetivos estatais, não há o que discutir, esse trecho do item
está perfeito, porque as autarquias recebem as atribuições por
outorga (leia-se: por lei), havendo o repasse concomitante da
titularidade E da execução do exercício de funções públicas. Como
dito, o erro está no trecho (reguladoras demonstram centralização de
estrutura...), o que torna a resposta fácil.
Gabarito: ERRADO.

8) (2008/FGV – Senado Federal/Advogado) Das afirmativas a


seguir, apenas uma está correta. Assinale-a.
(A) O regime especial que incide sobre as autarquias qualificadas
como agências reguladoras decorre do fato de que todo o perfil
jurídico-organizacional dessas entidades está contemplado na lei
instituidora.
(B) Empresa pública, instituída sob forma societária, admite que
sociedade de economia mista ou outra empresa pública, entidades
dotadas de personalidade jurídica de direito privado, participem de
seu capital social.
(C) Sentenças proferidas contra autarquias dispensam o oferecimento
de recurso voluntário, em virtude de sua obrigatória sujeição ao
duplo grau de jurisdição por meio da remessa ex officio do processo
ao tribunal de instância superior.
(D) As fundações governamentais de direito público não estão
abrangidas pela prerrogativa da imunidade tributária, relativa aos
impostos sobre a renda, o patrimônio e os serviços federais,
estaduais e municipais, vinculados a suas finalidades essenciais.
(E) Não se considera sociedade de economia mista a sociedade
anônima cujas ações com direito a voto pertençam, em sua maioria,
a uma outra pessoa, qualificada como sociedade de economia mista,
ainda que a instituição daquela tenha sido autorizada por lei.

Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 96 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Questão fantástica, sinalização de que a “maré mansa” acabou.


Vamos à análise dos quesitos.
Alternativa A – INCORRETA. Já ouviram falar de ANP? E na
ANATEL? Isso mesmo. São agências reguladoras, e, diga-se de
passagem, são as únicas agências de fundo constitucional, com perfil
no texto constitucional. Ou seja, incorreto o quesito ao afirmar que
“todo” o perfil das agências acha-se contemplado nas leis
instituidoras.
Alternativa B – CORRETA. Excelente item. As empresas públicas
são, em regra, entidades unipessoais, ou seja, presença de um
único sócio, como é o caso da Caixa Econômica Federal, no entanto,
existe a possibilidade de as empresas públicas serem
pluripessoais (presença de dois ou mais sócios), sendo que,
nesse caso, é condição necessária a permanência em 100% do
capital em público. Um exemplo é a TERRACAP, no Distrito Federal:

Assim, em tese, é factível que uma SEM participe como sócia de


uma EP, com a condição de que a integralização do capital seja
com sua parte pública, pois uma parte do capital da SEM é,
necessariamente, pública.
Alternativa C – INCORRETA. O duplo grau de jurisdição não é
sempre automático (reexame necessário) para as autarquias.
Vimos que existem situações que dispensam a necessidade da
remessa (de ofício) do processo ao Tribunal superior, como as
ações em que os valores não ultrapassem 60 salários mínimos, daí a
incorreção do quesito.
Alternativa D – INCORRETA. O art. 150, VI, “a”, da CF/1988 (do
Sistema Tributário Nacional) indica que às autarquias e às
fundações públicas (instituídas e mantidas pelo Poder Público)
estende-se à imunidade tributária recíproca (não incidência de
impostos sobre patrimônio, renda, e serviços). Nesse caso, pouco
importa se a fundação do Estado é de direito público ou privado,

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 97 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

tais entidades fazem jus à imunidade, daí a incorreção do item, ao


falar que as fundações não gozam de privilégios tributários.
Alternativa E – INCORRETA. As SEM e as EP podem instituir
subsidiárias. A subsidiária é considerada, por muitos, como
sociedade de 2º grau. Por exemplo: a Transpetro, subsidiária da
Petrobrás (SEM), teve a instituição autorizada na própria Lei
autorizativa da Petrobrás, sendo caracterizada, portanto, como
SEM de 2º grau, daí a incorreção do item, ao frisar que essa
situação não é cabível.
Gabarito: alternativa B.

9) (2006/ESAF – AFC/CGU) Pelo sistema constitucional


brasileiro, a categoria das agências reguladoras apresentam
competência de natureza:
a) legislativa e administrativa.
b) exclusivamente administrativa.
c) exclusivamente legislativa.
d) administrativa e jurisdicional.
e) legislativa, administrativa e jurisdicional.

Comentários:
No Brasil, por decisão política (adequada, diga-se de passagem),
decidiu-se que a criação das agências reguladoras seria sob a
forma de autarquia, exatamente em razão da necessidade de se
garantir maior autonomia, independência, e não subordinação,
em relação à Administração Direta, e, assim, desempenharem
suas atribuições de forma imparcial, sem o envolvimento de questões
eminentemente políticas, centrando-se toda sua atuação (do início ao
fim) em debates técnicos.
Isso mesmo! Nunca ouve obrigatoriedade de as agências reguladoras
se configurarem sob a capa autárquica, e nem mesmo nunca se
previu que deveriam ter regime especial! Fiquem atentos a isso!
Como são autarquias, a criação de cada uma das reguladoras (e já
são muitas!) deu-se por meio de lei específica (art. 37, XIX, da
CF/1988). Assim, apesar de se travestirem de “natureza especial”, as
reguladoras (enfatize-se) não deixam de ser autarquias, devendo
ser seguido o rito constitucional para a criação desta, ou seja, lei
específica.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 98 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A natureza de autarquia é justificável para a reguladora em razão


das atividades exercidas pela entidade: típicas do Poder
Público (regulação, poder de polícia, fomento etc.), o que
demanda a natureza jurídica de direito público.
Na esfera Federal, a proliferação das Agências Reguladoras atinge
todas as áreas administrativas estratégicas e até mesmo
eminentemente privadas (em alguns casos), e não somente a
regulação de serviços públicos, como se escuta por aí, tendo sido
o modelo unissetorial, quer dizer, para cada área de atuação,
uma agência reguladora. Por exemplo: transportes terrestres
(ANTT); energia elétrica (Aneel – serviço público); petróleo (ANP –
intervenção); telecomunicações (Anatel – serviço público); saúde
(Anvisa – Poder de Polícia); cultura (Ancine – fomento); planos de
saúde (ANS – atividades privadas); entre outras.

O maior problema é definirmos (com precisão) em que consiste tal


natureza especial. Vamos por partes.
Além do perfil constitucional garantido às agências, especialmente
ANP e Anatel, as Leis que cuidam das agências têm indicado diversas
características especiais para as reguladoras. Como base para análise

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 99 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

neste ponto, tratemos da Anatel, atuante no setor de


telecomunicações e, por acaso, umas das mais conhecidas, ao lado,
por exemplo, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
De acordo com a Lei 9.472/97, a natureza especial desta Agência
(Anatel) é caracterizada por independência administrativa;
ausência de subordinação hierárquica; mandato fixo e
estabilidade de seus dirigentes; e autonomia financeira. Desses
pontos, comentemos, inicialmente, o mandato e a estabilidade dos
dirigentes, certamente a mais importante peculiaridade das
Agências Controladoras.

No caso da Anatel, o mandato fixo atribuído aos membros do


Conselho Diretor da entidade é de cinco anos, o que é bastante
diferente nas outras autarquias federais. De fato, os dirigentes do
INCRA, do IBAMA, por exemplo, não possuem mandato. Essa,
pois, uma primeira característica especial das reguladoras, sem
dúvidas.
Os dirigentes das Reguladoras possuem, ainda, estabilidade, que
é garantida pela Lei 9.986/2000, a qual aponta (art. 9º) que o
mandato dos dirigentes só será perdido em razão de renúncia, de
condenação judicial transitada em julgado ou de processo
administrativo disciplinar. Além dessas situações, a Lei específica
de criação da agência pode prever outras formas para a perda do
mandato.
Além disso, destaque-se que o próprio processo de escolha dos
dirigentes é diferenciado: em nível federal, o Presidente da
República escolhe a pessoa para dirigente da Agência
Reguladora, mas só pode nomeá-la após a aprovação do
Senado Federal (não é Congresso Nacional e sequer Câmara,
cuidado!). Sem a anuência daquela Casa Legislativa, não poderá
haver a nomeação do Dirigente.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 100 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Perceberam como essa característica é mesmo especial?


Os cargos dos dirigentes das Reguladoras são cargos de direção, de
confiança, de índole técnica, mas não são de livre provimento e
sequer exoneração (os denominados ad nutum), uma vez que o
Presidente da República só pode nomeá-los com a anuência do
Senado Federal e para a exoneração devem ser respeitados os
princípios da ampla defesa e do contraditório.
A pergunta não quer calar: qual o motivo da criação de tais
figuras? Expliquemos.
Em razão do novo cenário que se desenhou a partir do
reordenamento jurídico e social brasileiro, seriam necessárias novas
entidades administrativas, dotadas de poderes mais amplos que as
demais, de maneira a garantir a efetividade da atuação da “nova”
Administração Pública. Nesse contexto, é bom lembrar que nosso país
atravessou um amplo processo de privatização, com novos atores
(empresas multi ou supranacionais, por exemplo) ingressando no
mercado.
As estruturas de Administração Pública até então vigorantes não
suportariam a necessidade do acompanhamento mais pontual desses
novos atores. É neste quadro que surgem no nosso país as Agências
Reguladoras, as quais, efetivamente, necessitam maior margem de
liberdade, em razão mesmo daquilo que acompanham. Com efeito,
editam normas, de forma a ordenar o setor que atuam. E aí
surge uma controvérsia doutrinária: até que ponto vai o poder
normativo técnico das reguladoras? É amplo e irrestrito? Pode se
opor, ou ir além, do que dizem as Leis? Esse poder é aquele que o
nosso edital chama de Poder Regulamentar das Agências
Reguladoras, ok.
Apesar de doutrinadores de peso (100 ou mais quilos, rsrs.)
apontarem um maior grau de “discricionariedade técnica” para as
reguladoras, a própria Constituição Federal estabelece que ninguém
é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de Lei. Não podem as agências reguladoras, mesmo que
dotadas de amplos poderes normativos, criar obrigações novas,
que não contem com previsão legal. Portanto, não gozam de
função legislativa (inovadora), é uma função (quase)
legislativa, daí a incorreção dos itens “A”, “C” e “E”.
Contudo, é indiscutível que as reguladoras agem, realmente, de
forma diferenciada, sobretudo em razão da sua área de atuação,

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 101 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

quase sempre relacionada a matérias extremamente técnicas, de


sorte a demandar uma “largueza” no agir da entidade reguladora,
destacando-se, nesse sentido, o poder de dirimir (julgar)
conflitos entre as concessionárias e os usuários ou entre as
concessionárias entre si. No entanto, essa função de árbitro
(arbitragem, de resolução pacífica de conflitos) não importa em
julgamento com o mesmo colorido jurisdicional, em razão da
ausência de definitividade, por isso, não desempenham função
judicante (é um – quase – judicial), daí a incorreção do item “D”.
Resta-nos, portanto, o item “B”, exclusivamente administrativa.
Amigos, só existem (pelo que temos notícia) três funções do
Estado: administrativa, legislativa e judicial. Ora, se não
julgam (quase judicante quando funcionam como árbitros), se
não legislam (quase legislam, ao editarem normas técnicas –
Poder Normativo Técnico), sobra-nos a função exclusivamente
administrativa.

Agências Reguladoras

Autarquias → Compõem a Administração Indireta

Maior autonomia em relação à Administração Direta

Criação por Lei específica

Atividades típicas do Estado (regulação, poder de polícia,


fomento entre outras)

Natureza Jurídica de Direito Público

Atinge todas as áreas administrativas estratégicas e até


mesmo eminentemente privadas (em alguns casos)

Não legislam e Não julgam

Exclusivamente administrativa

Uma última informação: as Reguladoras, ainda que especiais, não


estão imunes ao controle dos órgãos que possuem legitimidade
para tanto. Desse modo, podem ser objeto de fiscalização por
parte dos Tribunais de Contas e do Ministério Público, por
exemplo.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 102 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa “B”.

10) (2008/FGV - Senado Federal - Anal. Legislativo -


Processo Legislativo) Analise as afirmativas abaixo:
I. As sociedades de economia mista têm personalidade jurídica de
direito privado, mas as empresas públicas poderão ter personalidade
de direito público se forem públicos os entes participantes de seu
capital social.
II. As agências reguladoras são qualificadas como autarquias de
regime especial em virtude de sua criação por lei específica e têm a
função, entre outras, de celebrar contratos de concessão com
particulares prestadores de serviço público por delegação.
III. Tendo em vista a necessidade do controle finalístico da
instituição, as fundações governamentais de direito público
submetem-se ao velamento por parte do Ministério Público, como o
exige o Código Civil.
Assinale:
(A) se apenas as afirmativas I e III forem verdadeiras.
(B) se apenas as afirmativas I e II forem verdadeiras.
(C) se todas as afirmativas forem verdadeiras.
(D) se apenas a afirmativa I for verdadeira.
(E) se nenhuma afirmativa for verdadeira.

Comentários:
Vamos às análises.
Item I - FALSO. As sociedades de economia mista e as
empresas públicas têm personalidade jurídica de direito privado.
Item II - FALSO. Não há vedação de as agências reguladoras
funcionarem como poder concedente. Dessa forma, poderão,
depois da prévia licitação, celebrar contratos de concessão com
particulares para a prestação de serviços públicos. Forçando a
barra, o erro do item está na passagem “(...) regime especial em
virtude de sua criação por lei específica (...)”. Todas as autarquias,
sem exceção, foram ou são criadas por lei específica, e, nem por
isso, todas gozam de regime especial. Ou seja, o simples fato de a
agência reguladora ter sido criada por lei específica não é condição
necessária para que seu regime seja considerado especial.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 103 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item III - FALSO. Na ADI 2794, em que §1º do art. 66 do Código


Civil de 2002 foi declarado inconstitucional, o STF afirmou
categoricamente que o MPF tem a atribuição de veladura das
fundações federais de direito público, funcionem ou não no
Distrito Federal. Sempre aprendemos exatamente o contrário, ou
seja, não é atribuição do MP velar fundações públicas, não é
verdade?!
Logo, na questão, não está incorreto afirmar que o Ministério Público
exerce velamento sobre as fundações governamentais. O erro do
quesito está em mencionar que o MP efetua o controle finalístico. O
controle finalístico é efetuado, nos termos da lei criadora, pelo
Ministério Supervisor.
Gabarito: alternativa E.

11) (2010/FCC - GOV-SP- Executivo - adaptada) Agências


reguladoras são autarquias especiais, com personalidade
jurídica de direito privado e amplos poderes normativos.
(Certo/Errado)
Comentários:
Há dois erros na sentença.
As atuais Agências Reguladoras foram criadas por lei sob a
natureza jurídica de autarquias em regime especial, portanto,
integrantes da Administração Indireta ou Descentralizada do
Estado, com a personalidade jurídica de Direito Público, não sujeitas
à subordinação hierárquica, típica dos órgãos da Administração
central. Dotadas de poder normativo técnico, porém limitado nos
termos da lei.
Gabarito: ERRADO.

12) (2002/Esaf – SUSEP) As agências reguladoras,


recentemente criadas na Administração Pública Indireta
Federal, não se caracterizam por
a) personalidade jurídica de direito público, sob a forma de autarquia.
b) autonomia para editar normas administrativas referentes ao objeto
de sua regulação, observados os limites legais.
c) independência de seu corpo diretivo.
d) exercício do poder de polícia respectivo à área de atuação.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 104 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

e) desvinculação a órgão ministerial supervisor.

Comentários:
Bom, feitos os esclarecimentos necessários, passemos aos itens da
questão, com o realce de que devemos procurar pela sentença
incorreta.
Alternativa A – CORRETA. O lugar-comum para a criação das
agências reguladoras ou controladoras foi a capa como
autarquias, ou seja, possuidoras de natureza jurídica de direito
público.
Alternativa B – CORRETA. Como dissemos, apesar de poder
normatizar, as Reguladoras, tais quais as demais entidades
administrativas, estão adstritas aos limites das Leis.
Alternativa C – CORRETA. A independência do corpo diretivo se
dá, sobretudo, em razão do mandato fixo atribuído aos seus
Diretores.
Alternativa D – CORRETA. De fato, as reguladoras, dentro da
área de atuação, podem exercer poder de polícia, limitando as
liberdades individuais em prol do coletivo.
Alternativa E – INCORRETA. As agências reguladoras são, hoje,
autarquias. Por isso, estão, inafastavelmente, ligadas (vinculadas)
a um órgão supervisor, que no caso federal costumam ser os
Ministérios.
Gabarito: alternativa E.

13) (2008/FGV - Senado Federal – Anal. Legislativo Adm.)


Assinale a afirmativa incorreta.
(A) Empresas públicas são entidades dotadas de personalidade
jurídica de direito privado.
(B) As agências reguladoras foram criadas sob a forma de autarquias
de regime especial.
(C) Os Ministérios são órgãos públicos e, portanto, destituídos de
personalidade jurídica.
(D) Municípios não podem instituir sociedades de economia mista.
(E) Os processos que envolvam sociedades de economia mista
federais são processados e julgados, em regra, na Justiça Estadual.

Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 105 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Alternativa A - CORRETA. A Administração Indireta do Estado,


resultado da descentralização administrativa por serviços, é
composto por entidades administrativas de Direito Público e
Privado. São pessoas de direito público: as autarquias e algumas
fundações do Estado. São de direito privado: as sociedades de
economia mista, as empresas públicas e algumas fundações
do Estado.

Alternativa B - CORRETA. No Brasil, por decisão política


(adequada, diga-se de passagem), decidiu-se que a criação das
agências reguladoras seria sob a forma de autarquia, exatamente
em razão da necessidade de se garantir maior autonomia,
independência, e não subordinação, em relação à
Administração Direta, e, assim, desempenharem suas atribuições
de forma imparcial, sem o envolvimento de questões eminentemente
políticas, centrando-se toda sua atuação (do início ao fim) em
debates técnicos.

Isso mesmo! Nunca ouve obrigatoriedade de as agências


reguladoras se configurarem sob a capa autárquica, e nem
mesmo nunca se previu que deveriam ter regime especial!

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 106 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Como são autarquias, a criação de cada uma das reguladoras (e já


são muitas!) deu-se por meio de lei específica (art. 37, XIX, da
CF/1988). Assim, apesar de se travestirem de “natureza especial”,
as reguladoras (enfatize-se) não deixam de ser autarquias,
devendo ser seguido o rito constitucional para a criação desta, ou
seja, lei específica.

A natureza de autarquia é justificável para a reguladora em razão


das atividades exercidas pela entidade: típicas do Poder Público
(regulação, poder de polícia, fomento etc.), o que demanda a
natureza jurídica de direito público.
Alternativa C - CORRETA. Os órgãos públicos não se configuram
entidades concretas, mas sim abstrações do mundo jurídico, às
quais se atribui titularidade de algumas competências. Os órgãos são
reais, uma vez que possuem existência jurídica, contudo abstratos
(alguém aí já viu um órgão correndo em parques ou jogando vôlei?
Penso que não, órgãos não têm pernas e sequer braços. Não vale
aqui lembrar os filmes de terror!).
Sinteticamente: órgãos não possuem personalidade jurídica, são
unidades despersonalizadas.
Assim, podemos concluir que os órgãos públicos são
fundamentalmente distintos das entidades. Os primeiros (órgãos)
são destituídos de personalidade jurídica própria, enquanto as
entidades possuem personalidade própria.
Alternativa D - INCORRETA. Questão relativamente simples. Como
é sabido, o Brasil adotou a forma de Estado Federal. Portanto, ao
lado da União, a organização político-administrativa da República

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 107 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

conta, ainda, com os Estados, Distrito Federal e Municípios,


todos autônomos nos termos da Constituição.

A aludida autonomia é tríplice: auto-organização, autogoverno e


autoadministração. Nesse contexto, os municípios são livres para
a criação de sua Administração Indireta, e, portanto, criarem
suas próprias sociedades de economia mista.
Obviamente, há restrições constitucionais que devem ser
observadas. A atuação das entidades empresariais dá-se em quatro
momentos: monopólio, segurança nacional, relevante interesse
coletivo, e prestação de serviços públicos. Neste caso, aos
municípios fica vedada a criação de tais entidades, de direito
privado, para atuarem na segurança nacional (apenas a União)
e monopólio (União – art. 177, e Estados – art. 25, §2º).

Alternativa E - CORRETA. Com relação ao foro competente para


julgamento das causas em que sejam partes as mistas ou as
empresas públicas federais:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 108 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

- Nas causas em que seja parte Empresa Pública FEDERAL,


a competência da Justiça FEDERAL (inc. I do art. 109 da
CF/1988);
- (REGRA) Nas que seja parte Sociedade de Economia
Mista (U, E, M), competência da Justiça Estadual
(Súmula/STF 556); e
- (EXCEÇÃO) Nas que seja parte Sociedade de Economia
Mista FEDERAL, competência da Justiça Federal, quando
a União intervém como assistente ou opoente
(Súmula/STF 517).
Gabarito: alternativa D.

14) (2005/Esaf – Juiz do Trabalho Substituto/TRT 7ª Região)


A gestão das agências reguladoras mereceu um tratamento
legislativo especial, tendo em vista a complexidade de suas
atividades. Entre as inovações constantes de seu regramento,
está a figura da denominada “quarentena” de seus ex-
dirigentes.
Sobre esse instituto, assinale a opção falsa.
a) O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades no
setor regulado pela respectiva agência por um período de quatro
meses, contados da exoneração ou término do mandato.
b) A quarentena aplica-se, também, ao ex-dirigente que tenha sido
exonerado a pedido, desde que tenha cumprido pelo menos um ano
de seu mandato.
c) O ex-dirigente que violar o impedimento de exercer as atividades
no respectivo setor, no período da quarentena, incorrerá na prática
do crime de advocacia administrativa.
d) No período de impedimento, o ex-dirigente fará jus à remuneração
compensatória equivalente à do cargo que exerceu e aos benefícios a
ele inerentes.
e) Tratando-se de ex-dirigente servidor público, pode o mesmo optar
pela quarentena ou pelo retorno ao seu cargo efetivo, desde que não
haja conflito de interesse.

Comentários:

O papel desempenhado por muitas das Agências Reguladoras


não é dos mais fáceis, especialmente devido à complexidade e
à dinâmica dos assuntos tratados, bem como, aos valores
envolvidos, exigindo-se, portanto, ótimas qualificações tanto

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 109 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

dos servidores (administrativos) de seus quadros como dos


Dirigentes (conselheiros e diretores).

Relativamente à conquista da excelência dos servidores,


sabemos ser atingida a partir de rígidos concursos públicos e
rotineiros treinamentos internos e, por vezes, contratações
temporárias. Já a perfeição na composição dos Dirigentes fica
a depender de dois movimentos: pertinente escolha pelo
Presidente da República e detida sabatina pelo Senado
Federal, antecipando que, nos dias atuais, o grupo de
Dirigentes tem sido integrado por excelentes profissionais,
com a observação de que podem ser brasileiros (natos ou
naturalizados); devem ter reputação ilibada; formação
universitária; e amplo conhecimento técnico nas respectivas
áreas de atuação.

A necessidade de um ótimo grupo de servidores e de


Dirigentes não é à-toa. Essas entidades cumprem o papel de
fiscalizar e de regular setores em que, muitas das vezes,
milhares de reais circulam (por mês), sendo, assim,
comumente alvo de tentativas de “captura” pela iniciativa
privada, com o propósito de subordinarem à conduta da
Agência a interesses outros (que não públicos, obviamente).

Para que seja evitada a entrada de particulares na Agência e


sua “captura”, nosso legislador foi preventivo (profilático) ao
instituir a “quarentena”, ou seja, ao fixar prazo no qual o
dirigente, ao sair da Agência, ficará impedido de exercer
atividades correlatas àquelas então desempenhadas. Assim,
com a quarentena, evita-se que indivíduos, ao assumirem
funções públicas relevantes, preparem terreno para a fruição
de benesses profissionais na área privada regulada e
fiscalizada pela Entidade a qual pertencera, aplicando-se à
risca o princípio da moralidade administrativa.

Antes de passarmos aos detalhes gerais sobre a quarentena, é


oportuno esclarecer que a direção das Reguladoras é
colegiada e os mandatos fixos são, preferencialmente, não
coincidentes com do Presidente da República e serão fixados
pelas leis específicas de criação (caso a caso). Observamos
que a não-coincidência dos mandatos é vista com “bons
olhos”, isso porque impõe a independência da Agência à frente
da Administração Direta, evitando-se o controle indireto pelo
Executivo, além de se inibir mudanças acentuadas nas
políticas regulatórias do país, tão indesejadas no cenário
externo.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 110 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Quanto à aplicação da quarentena em concursos públicos, são


suficientes as seguintes informações:

 Prazo: o ex-dirigente ficará impedido de exercer


qualquer cargo ou função como controlador ou consultor
de empresas operadoras dos serviços regulados ou
fiscalizadas pela Agência, pelo período mínimo de quatro
meses (Cuidado! Esse prazo é mínimo, leis específicas
de criação de agências podem prever prazo superior);
 Aplicação: o instituto da quarentena tem por objetivo
impedir a ingerência do ex-dirigente (no final do
mandato ou afastado) na condução da Agência.
Acontece que para conseguir influenciar deve conhecê-
la, não é verdade? Então, a Lei diz que a quarentena só
será aplicada depois de seis meses de mandato, logo, se
houver o afastamento antes desse prazo, não há porque
cogitar da quarentena, daí a incorreção do item “B”, ao
afirmar ser o prazo de um ano (pura “maldade” da
banca);

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 111 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

 Advocacia administrativa: se durante o prazo de


quarentena, o ex-dirigente defender interesses privados
em desfavor dos interesses públicos, incorrerá em crime
de advocacia administrativa;
 Remuneração: durante esse período moralizador, o ex-
dirigente permanece vinculado à Agência, fazendo jus,
obviamente, à remuneração do cargo, como se em
exercício estivesse. Agora, se o ex-dirigente é servidor
público, poderá optar pela vinculação à Agência (quando
receberá remuneração e benefícios pela Agência) ou
pelo retorno ao desempenho das funções de seu cargo
efetivo ou emprego público, desde que não haja conflito
de interesses.

Por fim, destacamos decisão do STF sobre o tema:

ADI 3244

Prerrogativa estabelecida pelo parágrafo único do art. 9º da Lei


Complementar 66 do estado de Mato Grosso, de que os ex-
diretores da AGER/MT, "aos seus exclusivos critérios",
fiquem vinculados à Agência, mas prestando serviços em
outros órgãos da Administração estadual, com exceção
da própria AGER/MT, recebendo a remuneração que
recebiam enquanto eram dirigentes. Prerrogativa que não se
enquadra em nenhuma das hipóteses que esta Corte tem
estabelecido para o ingresso no serviço público sem concurso.
Descaracterização da prerrogativa como disponibilidade no
serviço público. Dispositivo que, em última análise, contraria
o sentido da própria ideia de "quarentena". Pedido julgado
procedente.

Gabarito: alternativa B.

15) (FGV/2008 - Senado Federal – Anal. Suporte de


Sistemas) Assinale a afirmativa incorreta.
(A) Sociedades de economia mista podem explorar atividades de
natureza econômica.
(B) Empresas públicas não podem ter personalidade jurídica de
direito público, mesmo quando prestam serviços públicos.
(C) Os serviços sociais autônomos não integram a administração
indireta como entidades especiais.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 112 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(D) Fundações governamentais podem assumir a forma de entidade


autárquica, sendo pessoas de direito público.
(E) Agências reguladoras são autarquias ou fundações de regime
especial e têm personalidade jurídica de direito público.

Comentários:
Vamos direto aos quesitos.
Alternativa A - CORRETA. As sociedades de economia mista
podem assim ser definidas (DL 200/1967):
Entidade dotada de personalidade jurídica de direito
privado, criada por lei para a exploração de
atividade econômica, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam,
em sua maioria, à União ou a entidade da
administração indireta.
Acrescento que o conceito acima não está isento de críticas. A
primeira é quando informa que tais entidades serão criadas por lei,
isso porque o art. 37, inc. XIX, da CF dispõe que são apenas
autorizadas por lei. A segunda é quando informa que a entidade
se destina à exploração de atividade econômica, já que existem
muitas que prestam serviços públicos, como, por exemplo, a
SABESP e o Metrô-SP.
Alternativa B - CORRETA. A empresa pública é pessoa jurídica
de direito privado. Na Administração Indireta, empresas públicas,
sociedades de economia mista e algumas fundações públicas são
pessoas jurídicas de direito privado.
Alternativa C - CORRETA. Os Serviços Sociais Autônomos – SSA
(vulgarmente denominado “Sistema S”) são pessoas jurídicas de
direito privado, sem fins lucrativos, destinados a propiciar
assistência social, médica, ou ensino à população ou a certos
grupos profissionais. Não integram a Administração Direta e
sequer Indireta. São classificados como entidades paraestatais,
localizadas no Terceiro Setor do Estado.
Em regra, a principal fonte de recursos são as contribuições de
empresas, arrecadadas e repassadas pela Receita Federal do Brasil
aos SSA, são exemplos: SESC; SEBRAE; SENAI; ABDI; APEX; e
SENAT.
Alguns SSA celebraram contratos de gestão com órgãos da
Administração direta ou convênios com entidades

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 113 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

governamentais ou privadas, passando a receber recursos


públicos por intermédio destes instrumentos (p.ex.: Associação das
Pioneiras Sociais – Rede Sarah, contrato de gestão com o Ministério
da Saúde).
Seu pessoal é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho –
CLT e sujeitam-se ao controle do por parte do respectivo Tribunal de
Contas, no que se refere à parcela de recursos públicos que recebam.
Não prestam serviços públicos, mas exercem atividade privada
de interesse público.
Alternativa D - CORRETA. Vamos nos socorrer ao DL 200/1967. O
inciso IV do art. 5º do DL define a fundação pública como:

Entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de
autorização legislativa, para o desenvolvimento de
atividades que não exijam execução por órgãos ou
entidades de direito público, com autonomia
administrativa, patrimônio próprio gerido pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado
por recursos da União e de outras fontes.

Apesar de a norma prever a personalidade jurídica de direito privado


para as fundações públicas, a doutrina majoritária admite ainda a
existência de fundações com personalidade de direito público.
Esse, inclusive, tem sido o entendimento do STF, no sentido de que,
caso uma fundação pública seja dotada de personalidade jurídica de
direito público, constituirá uma “espécie” do gênero autarquia (RE
101.126 – RJ).
Ainda que objeto de severas críticas doutrinárias, a matéria deve ser
incorporada para fins de concurso público. Então, para esse fim,
pode-se falar, tranquilamente, em uma “fundação autárquica” ou
“autarquia fundacional”, como de vez em quando se fala por aí...
O DL 200/1967 destaca que a lei criará todas as entidades da
Administração Indireta, à exceção das fundações públicas (lei
autorizará).
Contudo não é mais assim. Segundo a CF/1988, a única entidade
da indireta que é CRIADA diretamente pela LEI é a
AUTARQUIA ou FUNDAÇÕES DE DIREITO PÚBLICO. Apenas para
ilustrar, vejamos o inc. XIX do art. 37 da CF/1988:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 114 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Somente por lei específica poderá ser criada autarquia


e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação,
cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as
áreas de sua atuação.

Só a título de reforço, cumpre lembrar que, para o STF, a fundação


pública de direito público é espécie de autarquia. Logo, será
criada, também, por lei específica (e não simplesmente
autorizada).
Alternativa E - INCORRETA. No Brasil, por decisão política
(adequada, diga-se de passagem), decidiu-se que a criação das
agências reguladoras seria sob a forma de autarquia e não como
FUNDAÇÃO, exatamente em razão da necessidade de se garantir
maior autonomia, independência, e não subordinação, em
relação à Administração Direta, e, assim, desempenharem suas
atribuições de forma imparcial, sem o envolvimento de questões
eminentemente políticas, centrando-se toda sua atuação (do início ao
fim) em debates técnicos.
Isso mesmo! Nunca ouve obrigatoriedade de as agências reguladoras
se configurarem sob a capa autárquica, e nem mesmo nunca se
previu que deveriam ter regime especial!
A natureza de autarquia é justificável para a reguladora em razão
das atividades exercidas pela entidade: típicas do Poder Público
(regulação, poder de polícia, fomento etc.), o que demanda a
natureza jurídica de direito público.
Gabarito: alternativa E.

16) (2005/Esaf – EPPGG – MP) Sobre a organização


administrativa do Estado brasileiro é incorreto afirmar:
a) no plano federal, as fundações governamentais apresentam
personalidade jurídica de direito público, com as mesmas
características das autarquias.
b) as sociedades de economia mista que exploram atividade
econômica não se sujeitam à teoria da responsabilidade objetiva
pelos atos de seus agentes.
c) as autarquias territoriais são entidades conhecidas no direito
brasileiro.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 115 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

d) as empresas públicas prestadoras de serviços públicos vinculam-se


ao regime de direito privado, mas sujeitam-se, também, a regras do
regime jurídico-administrativo.
e) as agências reguladoras podem-se organizar sob qualquer forma
de direito público - órgão da administração direta, autarquia ou
fundação.

Comentários:
As várias passagens teóricas são suficientes para “matarmos” (com
um só tiro) a presente questão, portanto, direto às análises.
Item A – CORRETO. No plano federal, todas as fundações
governamentais, então existentes, detêm personalidade jurídica
de Direito Público (Funasa, Funai, IBGE etc.), logo, seguindo o
precedente do STF, todas as fundações federais possuem
natureza de autarquias, com outras palavras, suas características
as aproximam das autarquias, daí a correção do item.
Item B – CORRETO. O tema responsabilidade civil é objeto de outro
tópico do livro. Adianto, no entanto, que só há responsabilidade
objetiva do Estado (art. 37, §6º), quando as entidades privadas
forem prestadoras de serviços públicos e não interventoras do
domínio econômico, daí a correção do quesito.
Item C – CORRETO. Os extintos territórios são chamados de
autarquias federais por parte da doutrina. Portanto, as autarquias
territoriais são, de fato, figuras conhecidas, com a particularidade de
que os territórios hoje não estão entre nós (nada impede o retorno,
obviamente), daí a correção do quesito.
Item D – CORRETO. Por exemplo, a Infraero é empresa pública e
prestadora de serviços públicos, apesar de seguir normas de
direito privado, não se afasta mesmo de cumprir normas de
direito público, como realização de concursos públicos e licitações,
por exemplo, representativo de verdadeiro sistema híbrido, daí a
correção do quesito.
Item E – INCORRETO. O item não está falso, está falso ao cubo,
isso porque as agências reguladoras detêm personalidade
jurídica de direito público e, por desempenharem atividade típica
de Estado (fiscalização e regulação), estão sendo criadas com a capa
de AUTARQUIAS, daí a correção do item.
Gabarito: alternativa E.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 116 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

17) (2008/FGV – Senado Federal - Operador de TV) No que


concerne à administração indireta, é correto afirmar que:
a) as agências reguladoras são instituídas por lei sob a forma de
fundações governamentais.
b) as autarquias integram a estrutura da administração direta da
União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
c) sociedades de economia mista e empresas públicas são entidades
dotadas de personalidade jurídica de direito privado.
d) é constitucionalmente vedada às empresas públicas a exploração
de atividade econômica de natureza empresarial.
e) o capital social da empresa pública é constituído exclusivamente
pela pessoa federativa que a instituiu.

Comentários:
Alternativa A - INCORRETA. No Brasil, por decisão política,
decidiu-se que a criação das agências reguladoras seria sob a
forma de autarquia, exatamente em razão da necessidade de se
garantir maior autonomia, independência, e não subordinação,
em relação à Administração Direta, e, assim, desempenharem suas
atribuições de forma imparcial, sem o envolvimento de questões
eminentemente políticas, centrando-se toda sua atuação (do início ao
fim) em debates técnicos.
Isso mesmo! Nunca ouve obrigatoriedade de as agências
reguladoras se configurarem sob a capa autárquica, e nem
mesmo nunca se previu que deveriam ter regime especial!
Como são autarquias, a criação de cada uma das reguladoras (e já
são muitas!) deu-se por meio de lei específica (art. 37, XIX, da
CF/1988). Assim, apesar de se travestirem de “natureza especial”,
as reguladoras (enfatize-se) não deixam de ser autarquias,
devendo ser seguido o rito constitucional para a criação desta, ou
seja, lei específica.
A natureza de autarquia é justificável para a reguladora em razão
das atividades exercidas pela entidade: típicas do Poder Público
(regulação, poder de polícia, fomento etc.), o que demanda a
natureza jurídica de direito público.
Alternativa B - INCORRETA. Dispensa maiores comentários. As
autarquias são entidades administrativas integrantes da
Administração Indireta.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 117 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Alternativa C - CORRETA. Na Administração Indireta, são sempre


pessoas de Direito Privado: sociedades de economia mista e
empresas públicas.
Alternativa D - INCORRETA. As empresas estatais (SEMs e EPs)
foram criadas, inicialmente, para a intervenção no domínio
econômico. São exemplos: Banco do Brasil e Caixa Econômica
Federal. Apesar disso, começou o processo de proliferação de
entidades empresariais do Estado também prestadoras de serviços
públicos, exemplo da ECT.
Alternativa E - INCORRETA. De fato, as empresas públicas são,
em regra, entidades unipessoais, ou seja, presença de um único
sócio, como é o caso da Caixa Econômica Federal.
No entanto, existe a possibilidade de as empresas públicas serem
pluripessoais (presença de dois ou mais sócios), sendo que,
nesse caso, é condição necessária a permanência em 100% do
capital em público. Um exemplo é a TERRACAP, no Distrito Federal:
Gabarito: alternativa C.

18) (2009/Esaf - ANA - Analista Administrativo) “No setor de


atividades exclusivas de Estado, deverão ser introduzidas as
Agências como novo modelo institucional, na forma de
Agências Executivas e Agências Reguladoras, que revitalizarão
as autarquias e fundações, resgatando a sua autonomia
administrativa e assimilando novos instrumentos e
mecanismos de gestão voltados para a assimilação em
profundidade da administração gerencial, por meio da
introdução da avaliação de desempenho, do controle por
resultados, da focalização da satisfação do usuário e do
controle de custos.” (In: BRASIL. Ministério da Administração
Federal e Reforma do Estado. Os avanços da reforma na
administração pública: 1995- 1998. Brasília: MARE, 1998. 127
p. – Cadernos MARE da reforma do estado; Caderno 15, p. 18-
19.) Quanto às características das agências reguladoras
federais no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a opção
correta.
a) Como integrantes da administração publica federal direta, as
agências reguladoras surgiram no Brasil com a finalidade primeira de
regular e controlar os serviços públicos que passaram a ser prestados
pela iniciativa privada na década de 1990.
b) Sem uma legislação que discipline as características gerais das
agencias reguladoras brasileiras, as leis especiais que instituíram

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 118 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

cada uma delas acabaram por conferi-las as mais diversas naturezas:


empresas publicas, sociedades de economia mista, autarquias e
fundações.
c) Entre as garantias asseguradas a fim de conceder as agências
reguladoras maior autonomia e independência, estão, em regra, a
formação de quadro próprio de servidores, receitas próprias e
dirigentes escolhidos pelo chefe do Poder Executivo, aprovados pelo
Senado Federal e com mandato fixo.
d) A independência decisória conferida as agências reguladoras no
Brasil trouxe o conceito de jurisdição administrativa ao ordenamento
jurídico brasileiro, de maneira que, em seu âmbito de atuação, essas
instituições possuem competência para dirimir conflitos de interesses
que envolvam a administração pública, com forca de coisa julgada.
e) Enquanto entidades da administração pública federal indireta, as
relações de trabalho das agencias reguladoras são regidas pela
Consolidação das Leis de Trabalho – CLT, em regime de emprego
público.

Comentários:
Vamos direto às análises.
Item A – INCORRETO. Só uma parte do quesito está perfeita
(“surgiram no Brasil com a finalidade primeira de regular e
controlar os serviços públicos que passaram a ser prestados pela
iniciativa privada na década de 1990”). O erro do quesito é afirmar
que as atuais agências são integrantes da Administração Direta.
Item B – INCORRETO. O lugar-comum foi a constituição na
qualidade de autarquias e não como SEM, EP, ou fundações, daí a
incorreção do item.
Item C – CORRETO. Dispensa maiores comentários.
Item D – INCORRETO. As agências reguladoras podem funcionar
na qualidade de árbitras, na resolução de litígios surgidos entre as
concessionárias e, ainda, entre essas e os usuários. Todavia, as
decisões de tais entes são suscetíveis de tutela jurisdicional,
sendo inaplicável a jurisdição administrativa, suas decisões não
formam coisa julgada, daí a incorreção do item.
Item E – INCORRETO. A relação de seus servidores é
estatutária, afinal de contas, desempenham atividade típica de
Estado, daí a incorreção da alternativa.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 119 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa C.

19) (2009/Esaf – ANA – Administração) Sobre as Agências


Reguladoras, é correto afirmar que integram a:
a) Administração Direta e são obrigadas a adotar a forma de
autarquia.
b) Administração Direta e são obrigadas a adotar a forma de
autarquia em regime especial.
c) Administração Indireta e são obrigadas a adotar a forma de
autarquia.
d) Administração Indireta e são obrigadas a adotar a forma de
autarquia em regime especial.
e) Administração Indireta e, embora esse tenha sido o lugar-comum
até hoje, não são obrigadas a adotar a forma de autarquia, muito
menos em regime especial.

Comentários:
Questão de alto nível de complexidade. Com o Plano Diretor da
Reforma do Estado, houve o redesenho do Estado, mas precisamente
sua repartição em setores (três, para sermos mais exatos), tudo com
o afã de enxugamento da máquina Estatal, em caminho à
racionalidade administrativa, ao cumprimento mais completo do
princípio da eficiência (a convencionada reforma gerencial).
Naquele instante (meados de 1990), percebeu-se que o Estado
deveria, então, concentrar-se na definição de políticas públicas
(Primeiro Setor – Núcleo Estratégico) e na execução dos serviços tão-
somente exclusivos (Primeiro Setor – atividades exclusivas,
como os realizados pelas agências autônomas, exemplo:
executivas), contando, portanto, com os particulares, seja para o
exercício dos serviços sociais (Terceiro Setor – atividade de
fomento do Estado – atividade paralela – paraestatal), seja para os
serviços comerciais e industriais (os geradores de renda,
lucrativos – Segundo Setor – mercado).
No entanto, para que o Estado se certificasse da prestação adequada
dos serviços (especialmente, os comerciais), houve a ideia de se criar
estruturas no interior do Estado para a fiscalização, regulação,
normatização dos serviços por particulares (exemplo das
concessionárias).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 120 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Os primeiros monopólios quebrados, ainda que parcialmente, foram


das telecomunicações e do petróleo (art. 21, inc. XI, e art. 177, § 2º,
inc. III, da CF/1988), no ano de 1995, vejamos as redações:

Art. 21, inc. XI – explorar, diretamente ou mediante


autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a
organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e
outros aspectos institucionais;(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

Art. 171, §2º, III – a estrutura e atribuições do órgão regulador


do monopólio da União; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 9, de 1995)

Perceba que o constituinte fez menção à criação de órgãos


reguladores e não de agências reguladoras, na qualidade de
autarquias sob o regime especial. Enfim, o lugar-comum até hoje foi
a criação das agências como autarquias, embora não houvesse a
obrigação de se adotar a forma de autarquia, muito menos em
regime especial.
Por que então a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a
ANP (Agência Nacional de Petróleo), únicas agências de fundo
constitucional, foram criadas como autarquias e não como órgãos
reguladores? Amigos, antecipo que foi tudo mera opção política do
Estado, para dizer, verdadeira imposição estrangeira, vejamos.
Os investimentos necessários para a criação de infraestrutura são
sempre volumosos e, maior parte das vezes, são advindos do
mercado externo. Quando os investidores (externos) souberam que
seriam fiscalizados, normatizados, e regulados por órgãos, houve
certa resistência, isso porque, historicamente, o Estado Brasileiro,
mas precisamente a Administração Direta, foi sempre suscetível a
mudanças políticas bruscas.
Com efeito, partiu-se para novas “negociações”, sendo entabulado
com os investidores que a fiscalização não seria efetuada pela
Administração Direta, mas sim pela Indireta e, pela circunstância de
ser atividade típica de Estado, por autarquias.
Bom, a controvérsia estava quase finalizada, não fosse a
desconfiança dos investidores com relação aos dirigentes das
autarquias, dirigentes esses que, no Brasil, são escolhidos, de uma

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 121 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

forma geral, tão-somente pelo Presidente da República e exoneráveis


a qualquer instante, sem qualquer motivo plausível.
Assim, depois de novas reuniões, a opção política foi pela criação de
autarquias, sob o regime especial, em que a escolha dos dirigentes
passaria também pelo crivo do Senado Federal e gozariam de
mandato fixo (preferencialmente não coincidente com o mandato
Presidencial).
Gabarito: alternativa E.

20) (2007/Esaf – TCE/GO - Procurador do Ministério Público)


As chamadas Agências Reguladoras
a) integram a administração direta, vinculadas que estão a órgãos do
Poder Executivo.
b) poderão constituir-se como autarquias ou fundações, públicas ou
privadas.
c) têm natureza jurídica de autarquias.
d) integram o chamado Terceiro Setor, assumindo atividades de
interesse público.
e) têm natureza jurídica de fundação privada, subsidiada com
recursos públicos, em face da independência que devem possuir
frente ao Estado.

Comentários:
Questão de fixação.
As atuais Agências Reguladoras foram criadas por lei sob a
natureza jurídica de autarquias em regime especial, portanto,
integrantes da Administração Indireta ou Descentralizada do
Estado, não sujeitas à subordinação hierárquica, típica dos
órgãos da Administração central. Daí a correção da alternativa “C”.
Vejamos os erros nos demais quesitos.
a) integram a administração direta INDIRETA, vinculadas que estão
a órgãos do Poder Executivo.
b) poderão constituir-se como autarquias ou fundações, públicas ou
privadas.
d) integram o chamado Terceiro Setor PRIMEIRO SETOR,
assumindo atividades de interesse público DE NATUREZA
EXCLUSIVA DO ESTADO.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 122 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

e) têm natureza jurídica de fundação privada AUTARQUIA,


subsidiada EM PARTE com recursos públicos DA ADMINISTRAÇÃO
DIRETA E EM PARTE COM RECURSOS PRÓPRIOS, em face da
independência que devem possuir frente ao Estado.
Gabarito: alternativa C.

21) (2006/Esaf - ANEEL - Analista Administrativo-Recursos


Humanos/2006) As agências reguladoras podem ser
caracterizadas pelos seguintes aspectos, exceto:
a) Independência política dos gestores.
b) Ausência, preferencialmente, de recursos hierárquicos impróprios.
c) Independência gerencial, orçamentária e financeira.
d) Presença da discricionariedade técnica.
e) Total independência normativa.

Comentários:
Com a política de transferência para o setor particular da execução
dos serviços públicos, as atividades de regulação, de controle e
de fiscalização ficaram reservadas à Administração. Nesse contexto,
houve a necessidade de criação de entidades para a promoção,
com eficiência, dessas atividades: as Agências Reguladoras.
Tais Agências são criadas diretamente por lei específica com a
natureza jurídica de autarquias sob o regime especial, portanto,
integrantes da Administração Pública Indireta, sendo-lhes
conferidas maiores prerrogativas comparativamente às
autarquias comuns.
Diante da realidade em que a autonomia e a independência são
condições indispensáveis à atividade reguladora, há prerrogativas e
características especiais para garantir a eficácia da atividade
de fiscalização pelas Agências, são exemplos: a independência
administrativa, a especialização técnica, e o poder normativo.
Relativamente à independência administrativa, as Agências
gozam de autonomia reforçada em relação aos Poderes centrais do
Estado e, em especial, em face da Administração Pública Direta do
Poder Executivo, nesse caso principalmente em razão da
estabilidade de seus dirigentes, os quais não podem ser
exonerados “ad nutum” por possuírem mandato fixo, sendo a
exoneração precedida de contraditório e de ampla defesa. De

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 123 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

maneira geral, essa autonomia administrativa garante às Agências


atuação imparcial, não se sujeitando a interferências e
flutuações político-partidárias.
Outro traço dessa independência pode ser percebido no fato de as
normas e as decisões das Agências não serem revistas ou alteradas
pela Administração central, enfim, ressalvada previsão expressa em
lei, não cabe recurso hierárquico impróprio das decisões das
Agências junto à Administração a que se acham vinculadas. As
Agências podem “julgar” litígios surgidos entre os usuários e as
concessionárias ou entre estas, não resultando, todavia, em coisa
julgada material, pois sujeita à tutela do Poder Judiciário.
Além da autonomia administrativa, destacam-se a autonomia
orçamentária e a financeira, esta que pode ser incrementada a
partir da instituição de taxas de fiscalização. Em todo caso, importa
salientar que a multicitada autonomia é relativa, afinal as Agências
Reguladoras, apesar de especiais, não passam de autarquias, logo
são controladas tanto internamente, supervisão Ministerial,
como externamente, controle legislativo, judicial, do
Ministério Público e social.
A especialização técnica, por sua vez, revela-se por meio de
requisitos de formação técnica de seus servidores, a começar pelos
dirigentes, os quais, além de reputação ilibada, devem ser profundos
conhecedores da área regulada, pela circunstância lógica de os atos e
as normas de regulação demandarem o saber técnico e científico
especializado para que possam ser aplicados.
Em igual medida, os servidores das áreas estratégicas devem gozar
do mínimo de estabilidade para viabilizar o emprego do conhecimento
técnico. Inclusive, é reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a
necessidade da adoção de Regime Jurídico Estatutário para o corpo
técnico das Agências Reguladoras por exercerem atividade típica do
Estado, exemplo da Lei 8.112/1990, na esfera federal.
Já o poder normativo – que não se confunde com o
regulamentar privativo do Chefe do Executivo – é a
prerrogativa que as Agências possuem para regular amplamente
determinado segmento de atuação do Estado ou do mercado,
serviços públicos, poder de polícia, fomento e atividade econômica,
com maior discricionariedade técnica das decisões, sem que isso
signifique invasão ao princípio da reserva legal relativa, ou seja, não
compete às Agências inovar primariamente no ordenamento. Daí a

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 124 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

incorreção da alternativa E, afinal não é total a independência


normativa.
Enfim, o poder normativo técnico é a chave de uma desejada
atuação célere e flexível para a solução, em abstrato e em
concreto, de questões em que predomina a escolha técnica,
distanciada e isolada das disputas partidárias e dos complexos
debates congressuais em que preponderam as escolhas abstratas
político-administrativas.
Gabarito: alternativa E.

22) (2010/Esaf – Susep – Administração e Finanças) Acerca


do tema “Agências Executivas e Agências Reguladoras”, é
correto afirmar:
a) a denominação “Agência Executiva” designa um título jurídico que
pode ser atribuído a autarquias e fundações públicas, não traduzindo
uma nova forma de pessoa jurídica pública.
b) as Agências Reguladoras gozam de uma autonomia precária,
conferida pela simples contratualização de suas atividades.
c) as Agências Executivas surgem da descentralização do Estado e da
substituição da sua função empreendedora, o que requer o
fortalecimento das funções de fiscalização.
d) na União, o título de Agência Reguladora é conferido mediante
decreto do Presidente da República.
e) em geral, as Agências Reguladoras implementam as políticas
públicas, sem se ocuparem de disciplinar a atuação de outras
entidades.

Comentários:
Questão de reforço. Revimos que as agências executivas são,
metaforicamente, o “Homem de Ferro”. O cara, sem aquele “troço”
de ferro, não é assim tão forte, né? A roupa de ferro não cria uma
nova pessoa, mas dá uma nova roupagem à antiga pessoa. Daí a
correção da alternativa “A”.
Vejamos, abaixo, os erros nos demais quesitos.
b) as Agências Reguladoras gozam de uma autonomia precária
INDEPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA, conferida pela simples
contratualização de suas atividades POR LEI.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 125 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

c) as Agências Executivas surgem da descentralização do Estado e da


substituição da sua função empreendedora, o que requer o
fortalecimento das funções de fiscalização, SENDO DECORRENTE
DA FUNÇÃO EMPREENDORA DO ESTADO, ALGO DO TIPO: NO
LUGAR DE REMAR, NAVEGAR.
d) na União, o título de Agência Reguladora AGÊNCIA EXECUTIVA é
conferido mediante decreto do Presidente da República. JÁ O
TÍTULO DE AGÊNCIA REGULADORA DECORRE DA PRÓPRIA LEI
CRIADORA.
e) em geral, as Agências Reguladoras implementam as políticas
públicas, sem se ocuparem OCUPANDO-SE de disciplinar a atuação
de outras entidades.
Gabarito: alternativa A.

23) (2008/ESAF – CGU – Prova 1) Segundo o Plano Diretor


de Reforma do Aparelho do Estado de 1995, instituiu-se novos
modelos organizacionais visando à modernização da gestão da
administração pública: agências executivas e agências
reguladoras. Selecione, do ponto de vista conceitual, a opção
correta.
a) Agências reguladoras são criadas por determinação do Presidente
da República.
b) As atividades das agências executivas são definidas por Lei pelo
Congresso Nacional.
c) Agências reguladoras estão sujeitas à mudança de governo.
d) A finalidade das agências executivas é prestar serviços públicos
exclusivos do Estado.
e) Os dirigentes das agências reguladoras são de livre nomeação e
exoneração do Presidente da República.

Comentários:
As agências executivas são antigas autarquias ou fundações,
agora com nova roupagem. As autarquias são pessoas
administrativas que realizam serviços exclusivos do Estado, daí a
correção da alternativa “D”.
Vejamos, a seguir, os erros nos demais itens.
a) Agências reguladoras são criadas POR LEI por determinação do
Presidente da República.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 126 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

b) As atividades das agências executivas são definidas por Lei pelo


Congresso Nacional E DELINEADAS NO CONTRATO DE GESTÃO.
c) Agências reguladoras NÃO estão sujeitas à mudança de governo,
GARANTIDA, SOBRETUDO, PELO MANDATO FIXO DOS
DIRIGENTES.
e) Os dirigentes das agências reguladoras NÃO são de livre
nomeação e exoneração do Presidente da República, POSSUINDO
MANDATO FIXO, PREFERENCIALMENTE NÃO COINCIDENTE
COM O MANDATO PRESIDENCIAL.
Gabarito: alternativa D.

24) (2007/Esaf – PGDF) No tocante às agências reguladoras


no Direito Brasileiro:
I. As agências reguladoras são autarquias sob regime especial;
II. Entre as atividades afetas à disciplina e controle de tais entidades
destacam-se os serviços públicos relacionados à energia elétrica,
transportes terrestres, transportes aquaviários, aviação civil,
atividades de fomento e fiscalização de atividade privada;
III. A Constituição Federal de 1988 prevê expressamente a criação de
um órgão regulador;
IV. As agências reguladoras exercem a atividade de regulação,
abrangendo competência para estabelecer regras de conduta, para
fiscalizar, reprimir, punir, resolver conflitos, não só no âmbito da
própria concessão, mas também nas relações com outras prestadoras
de serviço;
V. Nos termos da Lei n. 9.986/2000, as agências reguladoras podem
utilizar o pregão para as contratações referentes a obras e serviços
de engenharia.
A quantidade de itens incorretos é igual a:
a) 4
b) 2
c) 3
d) 1
e) 5

Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 127 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Vamos às análises.
Item I - CORRETO. Quanto ao regime, as autarquias podem ser
comuns ou especiais. São exemplos de autarquias sob o regime
especial: as agências executivas e as agências reguladoras.
Daí a correção do quesito.
Item II - CORRETO. Entre as atividades afetas à disciplina e
controle de tais entidades destacam-se os serviços públicos
relacionados à energia elétrica (exemplo da ANEEL), transportes
terrestres (exemplo da ANTT), transportes aquaviário (exemplo da
ANTAQ), aviação civil (exemplo da ANAC), atividades de fomento
(exemplo da ANCINE) e fiscalização de atividade privada (exemplo da
ANS).
Item III - CORRETO. Os primeiros monopólios quebrados, ainda
que parcialmente, foram das telecomunicações e do petróleo (art. 21,
inc. XI, e art. 177, § 2º, inc. III, da CF/1988), no ano de 1995,
vejamos as redações:

Art. 21, inc. XI – explorar, diretamente ou mediante


autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a
organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e
outros aspectos institucionais;(Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

Art. 171, §2º, III – a estrutura e atribuições do órgão regulador


do monopólio da União; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 9, de 1995)

Perceba que o constituinte fez menção à criação de órgãos


reguladores e não de agências reguladoras, na qualidade de
autarquias sob o regime especial. No entanto, por opção política, a
Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a ANP (Agência
Nacional de Petróleo), únicas de fundo constitucional, foram
criadas como autarquias e não como órgãos reguladores.
Item IV - CORRETO. De fato, as agências reguladoras exercem a
atividade de regulação, abrangendo competência para estabelecer
regras de conduta, para fiscalizar, reprimir, punir, resolver
conflitos, não só no âmbito da própria concessão, mas também nas
relações com outras prestadoras de serviço. Esta última função
é de arbitragem.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 128 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item V - INCORRETO. De fato, nos termos da Lei 9.986/2000, as


agências reguladoras podem utilizar o pregão para as
contratações. O erro é que o pregão não pode ser utilizado para
obras.
Gabarito: alternativa D.

Terceiro Setor
No presente item, vamos aprofundar o assunto entidades de
colaboração/cooperação com o Poder Público, especialmente as
paraestatais, as quais são integrantes do Terceiro Setor (3º
setor). Isso mesmo, não são entidades componentes da
Administração Pública (direta ou indireta). É tema da “moda”
(valor de maior frequência em uma distribuição) em provas recentes.
Façamos, então, breve “passeio” pela paraestatalidade.
Etimologicamente, paraestatal é aquela que se coloca ao lado do
Estado, mas não o integra, assim, não são integrantes da
estrutura do Estado. As paraestatais se localizam no chamado 3º
setor (o 1º é o Estado – núcleo estratégico e serviços exclusivos; o
2º, o mercado), logo, chamado por ser composto por sociedades
civis de fins públicos não lucrativos (atividades competitivas ou
serviços não exclusivos, como saúde, cultura, educação etc.).

No Plano Diretor da Reforma, as entidades paraestatais são


designadas por “públicas não estatais”: públicas, por que
prestam atividades de interesse público e não estatais por não
comporem a Administração Pública direta ou indireta.
Trata-se, na realidade, de verdadeiros parceiros públicos (e não
delegatários de serviços públicos. De olho nisso em prova!).
Desse modo, são regidas por normas do direito privado, parcialmente
derrogadas por normas do direito público em situações específicas

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 129 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(leia-se: há influências de normas de direito público no âmbito


dessas Entidades), quando, por exemplo, sujeitam-se ao controle
pelo Tribunal de Contas, conforme a origem dos recursos. Destaque-
se que, como requisito para ser uma paraestatal, a entidade em
questão não pode ter o intuito lucrativo e a atividade dever
ser lícita.
De acordo com a doutrina majoritária, as paraestatais são divididas
em:
I) Serviços Sociais Autônomos (o sistema “S”);
II) Organizações Sociais – OS;
III) Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público – OSCIP; e
IV) Fundações de Apoio.

Vamos restringir nossa conversa, neste instante, às OSs e às


Oscips.
As Organizações Sociais (OS) são pessoas jurídicas de direito
privado, sem fins lucrativos, instituídas, em regra, por iniciativa
de particulares, qualificadas pelo Poder Executivo como OS e cujas
atividades se destinem taxativamente às seguintes atividades:
pesquisa científica; desenvolvimento tecnológico; meio
ambiente; cultura; preservação e conservação do meio
ambiente; e saúde. Isso mesmo, o rol é taxativo, fechado,
portanto, leia o “esqueminha” abaixo e guarda com carinho tais
atividades.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 130 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Para a qualificação como OS, a entidade é declarada de interesse


social e de utilidade pública, mediante decreto do Chefe do Poder
Executivo, podendo receber recursos orçamentários,
permissão de bens públicos, e cessão de servidores, para o
cumprimento de contratos de gestão que venham a firmar.
O instrumento normativo que dá possibilidade do contrato de
gestão com a OS é a Lei 9.637/1998 (art. 5º), sendo que a entidade
poderá perder a qualificação como OS quando descumprir as normas
do contrato de gestão. Opa! Os contratos de gestão não são
assinados exclusivamente entre órgãos e entidades da Administração
Pública. Fica de olho nesta informação!
Nos termos da Lei de Licitações (Lei 8.666, de 1993), as OSs,
qualificadas pela União, por esta poderão ser contratadas
diretamente, sem a prévia modalidade própria de licitação, para a
prestação de serviços contidos no contrato de gestão. Isso mesmo. A
contratação direta não é para a qualificação ou para a assinatura de
contrato de gestão, mas para os serviços integrantes do contrato de
gestão.
Com especial destaque, ainda, para os seguintes pontos:
- Fundações Públicas podem ser “transformadas” em
Organizações Sociais. Nesse caso, deixam de ser da
Administração Indireta e passam para a
paraestatalidade.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 131 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Então, uma fundação pública, quando extinta e qualificada como OS,


deixa de fazer parte da Administração Pública e passa para a
paraestatalidade, logo, as OS não integram a administração, mas
se colocam ao lado desta;
- As Organizações Sociais podem receber servidores
públicos por cessão especial por parte do Poder Executivo.
Nesse caso, o ônus (o dever de pagar a remuneração do
servidor) é para a origem (para o Estado! Podem
acreditar);
- a qualificação de uma entidade como OS é ato
discricionário. Com efeito, a Lei 9.637/98 afirma em seu art. 1º: O
Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas
jurídicas de direito privado.
Já as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público
(Oscip) são constituídas por iniciativa de particulares, sob o
regime jurídico de direito privado e sem o intuito de lucro. Tais
entidades prestam serviços sociais não exclusivos do Estado, os
tais serviços competitivos, com incentivo e fiscalização do Poder
Público, com vínculo jurídico junto a este por meio de termo de
parceria. Verifica-se, pois, que as Oscip possuem conceito
assemelhado ao das OS.
Contudo, essencial diferença é verificada quanto ao vínculo jurídico
junto ao Poder Público (para a formação da parceria): enquanto para
as OS, o vínculo ocorre por meio de contrato de gestão, para as
Oscip o vínculo se dá por meio de termo de parceria.
A doutrina registra, ainda, que as Oscip, quando comparadas com as
OS, encontram-se melhores estruturadas, inclusive com requisitos de
maior rigidez para a obtenção da qualificação, conforme comandos
emanados da Lei 9.790/99, que trata da matéria. Tanto que o ato
de qualificação das Oscip, diferentemente do da OS, é ato
VINCULADO.
Com relação às OSCIP destaquem-se os seguintes pontos:
- A Lei 9.790/1999 veda, expressamente, a qualificação, entre
outras figuras, de OS e fundações públicas como OSCIP
(art. 2º). A vedação não atinge as OSCIP, ou seja, podem ser
qualificadas como OS. Síntese: nenhuma OS pode ser
OSCIP; mas alguma OSCIP pode ser OS;

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 132 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

- Na norma, não há previsão de cessão de servidores


públicos. Porém, a doutrina não entende que fica afastada,
totalmente, tal cessão, apenas não existe previsão...
Síntese: ante o princípio da legalidade, a cessão de servidores
não seria cabível. No entanto, conforme a doutrina, embora não
haja previsão na Lei, seriam até possível futuras cessões.
- a qualificação de uma OSCIP é ato vinculado, como diz a
própria Lei 9.790/99 (§ 2º do art. 1º), sendo feita perante o
Ministério da Justiça (arts. 5º e 6º da mesma norma). Síntese:
o ato de qualificação da OS é discricionário, já o ato da
OSCIP é vinculado.
- Enquanto a Organização Social firma contrato de gestão
com o Ministério Supervisor, sendo qualificada
discricionariamente por ato do Chefe do Executivo, as
OSCIP são qualificadas, de forma vinculada, pelo
Ministério da Justiça, e, por conseguinte, podendo
assinar Termos de Parceria com o Ministério Supervisor,
por exemplo.
Síntese: a parceria da OS e da OSCIP assume nomes distintos.
Observação importante é que não são os contratos de
gestão e os termos de parceria responsáveis pela
qualificação das entidades como OS e Oscip,
respectivamente (cuidado!).
- Última observação: enquanto a participação do Poder
Público no Conselho de Administração das OS é
obrigatória; nas Oscip, se existente Conselho de
Administração, a participação será facultativa. Ressaltamos
que as Oscip não estão obrigadas a constituir Conselho
de Administração, apenas Conselho Fiscal.

OS OSCIP

Contrato de Gestão Termo de Parceria

Serviço público de interesse Serviços sociais não exclusivos


social do Estado

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 133 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Ato Discricionário Ato vinculado

PODEM receber servidores Não há previsão de cessão de


públicos por cessão especial servidores públicos

Podem receber APENAS recursos Podem receber recursos públicos


públicos e privados

Qualificada por Decreto do Chefe Qualificada por Portaria do


do Executivo Ministério da Justiça

Desqualifica-se por lei, processo


Desqualifica-se pelo
administrativo ou judicial, de
descumprimento no Contrato
iniciativa popular ou Ministério
de Gestão
Público

Conselho Fiscal

Conselho de Administração Conselho de Administração (se


existente, a participação do
Poder Público é facultativa)

A seguir, algumas questões sobre o tema.

25) (2010/FCC – TRE/AC – Analista Judiciário) A respeito


das entidades políticas e administrativas, considere:
I. Pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura
constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos.
II. Pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza meramente
administrativa, criadas por lei específica, para realização de
atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal
que as criou.
III. Pessoas jurídicas de Direito Privado que, por lei, são autorizadas
a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou
público, mas não exclusivos do Estado.
Esses conceitos referem-se, respectivamente, a entidades:
(A) autárquicas, fundacionais e empresariais.
(B) estatais, autárquicas e paraestatais ou de cooperação.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 134 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(C) estatais, paraestatais ou de cooperação e fundacionais.


(D) paraestatais ou de cooperação, autárquicas e estatais.
(E) estatais, empresariais e fundacionais.

Comentários:
Vamos direto às análises.
No item I, inicia-se com a expressão “pessoas jurídicas de direito
público”. Assim, de pronto, o bom candidato relembra das autarquias,
algumas fundações governamentais e os entes políticos. Depois, na
afirmativa, a banca informa: “(...) têm poderes políticos (...)”. Voilà!
Só os entes políticos ou federados detêm poderes políticos, afinal as
entidades integrantes da Administração Indireta gozam de
capacidade exclusivamente administrativa. Assim, ficamos entre as
alternativas “B”, “C” e “E”.
No item II, a banca alude à pessoa de Direito Público com natureza
meramente administrativa. Logo, temos as autarquias e as fundações
públicas de Direito Público. A questão está “morta”, afinal a única
alternativa que faz menção à autarquia é a letra B.
No item III, a banca destaca os entes de cooperação ou paraestatais,
localizados no Terceiro Setor do Estado, ou seja, do lado de fora da
Administração Direta e Indireta do Estado, prestadores de serviços ou
atividades de interesse coletivo, sendo destituídos de finalidade
lucrativa, e dotados de personalidade jurídica de Direito Privado.
Gabarito: alternativa B.

26) (2001/Esaf – Prefeitura de Natal/RN) Em relação à


Organização Social, nova categoria de entidade surgida com a
reforma do Estado, assinale a afirmativa falsa.
a) A Organização Social tem personalidade jurídica de direito privado.
b) Sua qualificação resulta de um ato administrativo.
c) A lei de licitação, expressamente, inclui como hipótese de dispensa
a celebração do contrato de gestão com Organização Social.
d) A Organização Social não integra a Administração Pública Indireta,
classificando-se como entidade de colaboração com o Poder Público.
e) Pode haver cessão de servidores da pessoa política para a
Organização Social, bem como de bens e equipamentos.
Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 135 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Nos termos da Lei de Licitações (Lei 8.666, de 1993), as OSs,


qualificadas pela União, por esta poderão ser contratadas
diretamente, sem a prévia modalidade própria de licitação, para a
prestação de serviços contidos no contrato de gestão. Isso mesmo. A
contratação direta não é para a qualificação ou para a assinatura de
contrato de gestão, mas para os serviços integrantes do contrato de
gestão. Daí a incorreção da letra C.
Gabarito: alternativa C.
27) (2009/FCC – PGERJ – Cargo 8) Sujeitos e organizações
privadas que se comprometem com a realização de interesses
coletivos e a proteção de valores supraindividuais, mediante
contratos de gestão, integram
(A) o terceiro setor.
(B) as fundações públicas.
(C) as empresas públicas.
(D) o primeiro setor.
(E) o segundo setor.

Comentários:
Com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, em meados
de 1990, houve o redesenho do Estado, com a sua repartição em
quatro setores, com o objetivo de promover o enxugamento da
máquina estatal, em caminho à racionalidade administrativa e ao
efetivo cumprimento do princípio da eficiência.
Naquele instante, percebeu-se que o Estado deveria concentrar-se na
definição de políticas públicas, por meio do Primeiro Setor, o seu
Núcleo Estratégico (órgãos políticos); bem como, na execução dos
serviços exclusivos, mediante atuação do Segundo Setor (as
atividades exclusivas), como as realizadas pelas agências autônomas,
a exemplo das agências executivas.
De outro lado, para atividades competitivas e não lucrativas,
incentivou-se a participação dos particulares na prestação de serviços
sociais, do Terceiro Setor (a atividade de fomento do Estado),
atividade paraestatal, com a presença das organizações privadas,
sem fins lucrativos, comprometidas coma realização de interesses
coletivos e a proteção de valores metaindividuais/supraindividuais,
exemplo clássico das organizações sociais, as quais com o Estado
acham-se aptas à celebração de contratos de gestão. Daí a correção
da alternativa A.
Por fim, para as atividades lucrativas, os serviços comerciais e
industriais, contou-se com a participação de entidades da iniciativa
privada com fins lucrativos, os geradores de renda, as quais

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 136 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

compõem o Quarto Setor – mercado.


Em termos de características, no núcleo estratégico, a efetividade é
mais importante que a eficiência, ou seja, é fundamental para a
população que as decisões sejam as melhores, e, em seguida, sejam
efetivamente cumpridas. Há a presença de misto de administração
gerencial e burocrática, esta com a finalidade de se garantir maior
segurança e efetividade às decisões.
Nos demais setores, o critério da eficiência torna-se fundamental,
buscando-se uma relação ótima entre qualidade e custo dos serviços
postos à disposição do público, sendo a administração
necessariamente gerencial.
Os setores são quatro, mas os tipos de propriedade são subdivididos
em três: pública, privada e pública não estatal. Nos dois primeiros
setores, núcleo estratégico e serviços exclusivos, a propriedade é
necessariamente pública estatal, tendo em vista a presença do poder
extroverso. Já para o setor não exclusivo do Estado, a propriedade
ideal é a pública não estatal, porque mais fácil e direto o controle
social, sendo favorecida a parceria entre a sociedade e o Estado.
Por fim, no setor de produção de bens e serviços para o mercado, a
propriedade privada é a regra, por ser a coordenação mais
eficientemente realizada pelo mercado, sendo que a intervenção
estatal só se justifica quando não existirem capitais privados
disponíveis ou haja monopólio natural.
Gabarito: alternativa A.

28) (2009/FCC – PGERJ – Cargo 1) O Plano Diretor para a


Reforma do Aparelho do Estado de 1995 definiu novos
modelos de organização para a Administração Pública Federal.
São eles:
(A) as parcerias público-privadas, as autarquias e as fundações.
(B) os consórcios públicos, as organizações federais e as autarquias
executivas.
(C) as organizações sociais, as agências reguladoras e as parcerias
público-privadas.
(D) as organizações sociais, as agências executivas e as agências
reguladoras.
(E) as agências executivas, as fundações e as organizações públicas
não-estatais.

Comentários:
Questão de reforço.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 137 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Com a transferência a execução dos serviços públicos para os


particulares, por meio de permissão, concessão ou autorização,
houve a necessidade de o Estado, titular dos serviços públicos,
visualizar a criação dos órgãos reguladores, os quais, como sabemos,
emergiram, em verdade, em agências reguladoras.
Com o retrocesso burocrático provocado pela CF, de 1988, como, por
exemplo, a extensão das rígidas regras da Administração Direta para
a Indireta, houve por bem o Estado garantir que antigas autarquias
ou fundações se qualifiquem como agências executivas, e, por
conseguinte, submetam-se a um regime especial, com maior
flexibilidade e autonomia gerencial, financeira e orçamentária.
Serviços competitivos, porém deficitários, não lucrativos, estão sendo
repassados para o Terceiro Setor. Destaca-se, neste setor, o trabalho
das entidades paraestatais, exemplo das Organizações Sociais,
entidades privadas, sem fins lucrativos, que com o Estado celebram
contrato de gestão.
Gabarito: alternativa D.

29) (2004/Esaf – MRE – Oficial de Chancelaria) Não se inclui


entre as atividades legalmente previstas para serem
desenvolvidas pelas organizações sociais:
a) a saúde.
b) o desenvolvimento tecnológico.
c) a cultura.
d) a proteção e a preservação do meio ambiente.
e) a assistência social.
Comentários:
Então, não pedi que guardasse o rol de atividades? O problema é
todo seu, volta lá e releia! Brincadeirinha! Abaixo, reforço o nosso
aprendizado.
A doutrina ensina que o rol de atividades das OS é taxativo, ou
seja, as atividades de atuação são apenas aquelas citadas no art. 1º
da Lei 9.637/1998, são elas: ensino; pesquisa científica;
desenvolvimento tecnológico; proteção e preservação do meio
ambiente; cultura; e saúde. Aqui não tem remédio, o negócio
mesmo é chorar e, também, decorar.
Ao compararmos os itens apresentados pela banca com o rol listado
de prováveis atribuições das OSs, identificamos que a única
atividade não constante é assistência social, daí a correção da
alternativa “E”.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 138 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa E.

30) (2010/FCC – TJ/PI – Assessor) No que diz respeito às


Organizações Sociais, assinale a alternativa INCORRETA.
(A) As Organizações Sociais podem atuar nas áreas de ensino,
pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e
preservação do meio ambiente, cultura e saúde.
(B) O Poder Executivo poderá qualificar como “organizações sociais”
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, para o
desempenho de determinadas atividades de caráter social.
(C) As Organizações Sociais devem realizar licitação, na modalidade
concorrência, para aquisição de bens ou serviços de interesse
comum, adquiridos em decorrência de recursos repassados pela
União.
(D) O órgão de deliberação superior das Organizações Sociais precisa
ter representantes do Poder Público e de membros da comunidade,
de notória capacidade profissional e idoneidade moral.
(E) O Poder Público poderá destinar às Organizações Sociais recursos
orçamentários e bens públicos necessários ao cumprimento do
contrato de gestão; a destinação dos bens públicos dar-se-á com
dispensa de licitação e mediante permissão de uso.

Comentários:
Vamos direto às análises.
Alternativa A - CORRETA. São previstas as seguintes atividades no
rol taxativo do art. 1º da Lei 9.637/1998: ensino; pesquisa
científica; desenvolvimento tecnológico; proteção e
preservação do meio ambiente; cultura; e saúde.
Alternativa B - CORRETA. As Oss são, necessariamente, pessoas
jurídicas de Direito Privado e sem fins lucrativos. O ato de
qualificação fica a cargo do chefe do Executivo. Na esfera federal, a
qualificação discricionária é de competência do Presidente da
República, que a faz mediante Decreto. Nas demais esferas, há a
necessidade da edição de lei própria, afinal a Lei 9.637, de 1998, foi
editada pela União como norma tipicamente federal e não como
norma federal com status de norma nacional, isto é, válida para todos
os entes políticos.
Alternativa C - INCORRETA. Na esfera federal, o tema é
tormentoso. Com a edição do Decreto Federal 5.504, de 2005,
tornou-se obrigatório o uso do pregão para as entidades de direito
privado que recebam recursos públicos voluntários da União. Referida

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 139 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

obrigatoriedade, inclusive, foi repetida na LDO 2012.


Todavia, o Decreto 6.170, de 2007, as entidades de direito privado,
desprovidas de intuito lucrativo, quando receberem recursos públicos
federais por meio de convênios ou outras transferências voluntárias,
obrigam-se a proceder, no mínimo, a cotações prévias de preço para
firmarem contratos com recursos públicos recebidos da União, mas
não a licitarem na forma da Lei 8.666/1993 ou da Lei 10.520/2002.
Independentemente da discussão acima, uma coisa é certa: as Oss
não precisam licitar por meio de concorrência!
Alternativa D - CORRETA. O órgão de deliberação das Oss é o
Conselho de Administração (CONSAD). O CONSAD reúne-se
ordinariamente, no mínimo, três vezes, a cada ano, detendo
formação bastante heterogênea, isso porque mistura membros natos
do Poder Público (de 20 a 40%); representantes da sociedade civil
(de 20 a 30%); 10% a 30% escolhidos pelo próprio Conselho; até
10% conforme o estatuto;
Alternativa E - CORRETA. Revimos que a Lei das OSs, na esfera
federal, permite a cessão de servidores e de bens.
Gabarito: alternativa C.

31) (2005/Esaf – AFRFB) Assinale entre o seguinte rol de


entidades de cooperação com o Poder Público, não integrantes
do rol de entidades descentralizadas, aquela que pode resultar
de extinção de entidade integrante da Administração Pública
Indireta.
a) Organização social.
b) Fundação previdenciária.
c) Organização da sociedade civil de interesse público.
d) Entidade de apoio às universidades federais.
e) Serviço social autônomo.

Comentários:
Questão de fixação. De acordo com o Plano Diretor da Reforma do
Estado, órgãos e fundações públicas do Estado poderiam ser
extintas e convertidas em Entidades do Terceiro Setor, mais
precisamente em Organizações Sociais (o chamado processo de
publicização), daí a correção do item “A”.
Gabarito: alternativa A.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 140 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

32) (2011/FCC – TCM-BA – Procurador) As denominadas


entidades do terceiro setor caracterizam-se como pessoas
jurídicas:
(A) privadas, sem fins lucrativos, que desempenham serviço não
exclusivo do Estado e que atuam em colaboração com este,
recebendo alguma espécie de incentivo do poder público.
(B) privadas, que atuam em caráter subsidiário ou complementar à
atuação estatal, mediante permissão ou concessão de serviço público
de interesse social.
(C) híbridas, constituídas na forma do direito civil, como associações
ou fundações, porém com personalidade de direito público, que
desempenham serviço público de forma subsidiada pelo Estado.
(D) de natureza comercial, que atuam mediante delegação do Estado
no desempenho de serviço público essencial.
(E) públicas não integrantes da Administração indireta, que prestam
serviço público mediante vínculo de colaboração, na forma de
convênio ou contrato de gestão.

Comentários:
As entidades integrantes do Terceiro Setor, como, por exemplo, os
entes de cooperação (‘Sistema S’, p. ex.), chamados de para-
administração, são pessoas de direito privado, sem fins lucrativos,
atuando em colaboração com Estado. Daí a correção da alternativa
“A”.
Vamos aos erros nos demais quesitos.
(B) privadas, que atuam em caráter subsidiário ou
complementar à atuação estatal, mediante permissão ou
concessão de serviço público de interesse social. ESSA É A
DEFINIÇÃO PARA O SETOR MERCADO, EM QUE AS ATIVIDADES
NÃO SÃO SOCIAIS, SÃO SIM INDUSTRIAIS E ECONÔMICAS,
COM VISTAS AO LUCRO.

(C) híbridas, constituídas na forma do direito civil, como associações


ou fundações, porém com personalidade de direito público
PRIVADO, que desempenham serviço DE UTILIDADE pública de
forma subsidiada FOMENTADA pelo Estado.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 141 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(D) de natureza comercial NÃO EMPRESÁRIA, que atuam mediante


delegação INCENTIVO do Estado no desempenho de serviço público
essencial DE ATIVIDADE DE INTERESSE PÚBLICO.

(E) públicas PRIVADAS, SEM FINS LUCRATIVOS, não integrantes


da Administração indireta, que prestam serviço público DE
INTERESSE COLETIVO mediante vínculo de colaboração, na forma
de convênio ou contrato de gestão OU TERMO DE PARCERIA.
Gabarito: alternativa A.

33) (FGV/2008 - Senado Federal - Téc. Legislativo/Adm.)


Assinale a alternativa correta.
(A) Empresas públicas podem ter personalidade jurídica de direito
público quando prestam serviços públicos.
(B) Sociedades de economia mista podem ter a sua instituição
autorizada por decreto do Chefe do Executivo.
(C) Fundações governamentais não podem assumir a forma de
entidade autárquica.
(D) Agências reguladoras são autarquias de regime especial e têm
personalidade jurídica de direito público.
(E) Os serviços sociais autônomos integram a administração indireta
como entidades especiais.

Comentários:
Vamos direto às análises.
Alternativa A - INCORRETA. As empresas públicas, sociedades
de economia mista e algumas fundações governamentais são
pessoas jurídicas de direito privado.
Alternativa B - INCORRETA. Segundo a CF/1988, nenhuma
entidade da Administração Indireta é criada ou autoriza por Decreto.
A Lei cria diretamente é a AUTARQUIA ou FUNDAÇÕES DE
DIREITO PÚBLICO. E autoriza a instituição de sociedade de
economia mista, empresa pública e fundações governamentais
de direito privado. Apenas para ilustrar, vejamos o inc. XIX do art.
37 da CF/1988:

Somente por lei específica poderá ser criada autarquia


e autorizada a instituição de empresa pública, de

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 142 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

sociedade de economia mista e de fundação,


cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as
áreas de sua atuação.

Alternativa C - INCORRETA. Apesar de o Decreto Lei 200/1967


prever a personalidade jurídica de direito privado para as
fundações públicas, a doutrina majoritária admite ainda a
existência de fundações com personalidade de direito público.
Inclusive, esse tem sido o entendimento do STF, de que, caso uma
fundação pública seja dotada de personalidade jurídica de direito
público, constituirá uma “espécie” do gênero autarquia (RE
101.126).
Alternativa D - CORRETA. As atuais Agências Reguladoras foram
criadas por lei sob a natureza jurídica de autarquias em regime
especial, portanto, pessoas jurídicas de Direito Público integrantes
da Administração Indireta ou Descentralizada do Estado, não
sujeitas à subordinação hierárquica, típica dos órgãos da
Administração central.
Alternativa E - INCORRETA. No Plano Diretor da Reforma, as
entidades paraestatais são designadas por “públicas não estatais”:
públicas, por que prestam atividades de interesse público e não
estatais por não comporem a Administração Pública direta ou
indireta.
Trata-se, na realidade, de verdadeiros parceiros públicos (e não
delegatários de serviços públicos. De olho nisso em prova!).
Desse modo, são regidas por normas do direito privado, parcialmente
derrogadas por normas do direito público em situações específicas
(leia-se: há influências de normas de direito público no âmbito
dessas Entidades), quando, por exemplo, sujeitam-se ao controle
pelo Tribunal de Contas, conforme a origem dos recursos. Destaque-
se que, como requisito para ser uma paraestatal, a entidade em
questão não pode ter o intuito lucrativo e a atividade dever
ser lícita.
De acordo com a doutrina majoritária, as paraestatais são divididas
em:
I) Serviços Sociais Autônomos (o sistema “S”);
II) Organizações Sociais – OS;
III) Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público – OSCIP; e
IV) Fundações de Apoio.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 143 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa D.

34) (2008/ESAF – CGU – Prova 2) Sobre as Organizações da


Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, julgue as
assertivas a seguir:
I. a outorga da qualificação como OSCIP é ato discricionário.
II. as entidades de beneficio mútuo destinadas a proporcionar bens
ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios são passíveis
de qualificação como OSCIP prevista na lei.
III. a promoção da segurança alimentar e nutricional é uma das
finalidades exigidas para a qualificação como OSCIP, instituída pela
lei.
IV. as organizações sociais são passíveis de qualificação como OSCIP.
V. as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado
criadas por órgão público ou por fundações públicas não poderão ser
qualificadas como OSCIP.
Assinale a opção correta.
a) I, II e III são verdadeiras e IV e V são falsas.
b) II e III são falsas e I, IV e V são verdadeiras.
c) I e III são verdadeiras e II, IV e V são falsas.
d) I, III e V são verdadeiras e II e IV são falsas.
e) I, II e IV são falsas e III e V são verdadeiras.

Comentários:
Não há um santo concursando (e não santo concursando, rsrs.) que
não aprecie um quadro-resumo, não é verdade?
A partir de agora, façamos um paralelo entre as OS e as Oscip,
levando em consideração todas as informações já transmitidas até o
momento.

Organizações da
Organizações Sociedade Civil de
Sociais – OS Interesse Público –
OSCIP

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 144 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Lei 9.637, de Lei 9.790, de


Diploma Legal (1)
15/5/1998 23/3/1999

Personalidade Direito Privado Direito Privado

Contrato de Gestão
Acordo Termo de Parceria
(2)

Natureza do
Convênio (3) Convênio
Acordo

Entidade sem fins Entidade sem fins


Finalidade
lucrativos lucrativos

Decreto do Executivo
Qualificação Portaria Ministerial (5)
(4)

Cessão de servidores,
permissão de uso de Não há previsão legal
Prerrogativas
bens e repasses (6)
orçamentários

Remuneração de Vedada Garantida


dirigentes (art. 3º, VII) (7) (art. 4º, VI)

Participação do
Obrigatória (8) Facultativa (9)
Poder Público

Ensino, Cultura,
Promoção: educação,
Saúde, Pesquisa
saúde, cultura,
Científica,
assistência social,
Área de Atuação Desenvolvimento
assistência jurídica
Tecnológico e
complementar e outras.
Preservação do Meio
(11)
Ambiente (10)

Podem provir da Não são provenientes


Criação extinção de órgãos de órgãos da
da Administração Administração, é
entidade com

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 145 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

patrimônio pré-
existente

Controle pelo Processos específicos Processos específicos


Tribunal (12) (12)

Responsabilidade Solidária (13) Solidária (13)

Licitação Regulamento Próprio Regulamento Próprio

(1) Tais diplomas legais são apenas Federais, ou seja, não


obrigam aos demais entes políticos, os quais, se entenderem
conveniente, podem se utilizar das normas federais;
(2) O contrato de gestão NÃO se confunde com o termo de
parceria. A primeira distinção é que os contratos de gestão são
celebrados com OS e os termos de parceria com Oscips. A
segunda é que as OS, ao assinarem contrato de gestão, não
desempenham outro papel a não ser aquele previsto do acordo
programa; já as Oscips, mesmo ao assinarem o termo, não
deixam de realizar outras tarefas institucionais, participando ao
lado do Estado a título de promoção, de subsídio, e não absorção
integral das atividades;
(3) Os interesses buscados pelas entidades são mútuos,
paralelos ao do Estado, não sendo o caso, portanto, de os
pactos denominarem contratos administrativos, pois nesses os
interesses são opostos. Por isso, a doutrina prefere qualificá-los como
verdadeiros convênios, com a observação de que a Instrução
Normativa dos Convênios não se aplica às Oscips;
(4) Enquanto a qualificação das OS é ato discricionário, o da
Oscips é vinculado. A desqualificação (administrativa ou judicial,
conforme o caso) dessas entidades é sempre precedida do
contraditório e da ampla defesa;
(5) O Ministério da Justiça é responsável pela qualificação das
Oscips, tendo o prazo de trinta dias para deferir ou não o
pedido. No caso de deferimento, o Ministro emitirá, no prazo de
quinze dias da decisão, o certificado de qualificação. Indeferido o
pleito, será dada ciência da decisão mediante publicação no Diário
Oficial;
(6) Apesar de a Lei silenciar a respeito, há entendimento na
doutrina de que pode o Estado, dentro de sua conveniência
administrativa, garantir o repasse de bens e de servidores,
conforme o caso;

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 146 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(7) Os conselheiros não devem receber remuneração pelos


serviços que, nesta condição, prestarem às OSs, no entanto,
podem fazer jus à ajuda de custo por reunião da qual participem;
(8) O Conselho de Administração (CONSAD) reúne-se
ordinariamente, no mínimo, três vezes, a cada ano, detendo
formação bastante heterogênea, isso porque mistura membros natos
do Poder Público (de 20 a 40%); representantes da sociedade civil
(de 20 a 30%); 10% a 30% escolhidos pelo próprio Conselho; até
10% conforme o estatuto;
(9) O único órgão de constituição obrigatória é o Conselho Fiscal;
(10) O rol de atividades das OS é fechado, exaustivo, taxativo, ou
seja, as entidades sem fins lucrativos só podem ser qualificadas para
atuarem nessas áreas;
(11) As seguintes entidades não podem ser qualificadas como
Oscip, entre outras: sociedades comerciais; sindicatos;
instituições religiosas; organizações partidárias; entidades de
benefício mútuo (se o círculo de associados for restrito);
entidades que comercializam planos de saúde; escolas privadas
de ensino não gratuito; cooperativas; fundações públicas; e
organizações sociais; e
(12) Quanto à submissão ao Tribunal de Contas, tanto as OS, com
as Oscip estão sob o crivo do controle externo, de acordo com a
origem dos recursos geridos. Por exemplo: se o recurso é de origem
federal, a competência para acompanhar e fiscalizar será do TCU; se
de origem Estadual, a competência será do TCE.
Informo que existem Tribunais de Contas dos Municípios (Ceará;
Pará; Goiás e Bahia). Nesse caso, a competência para controlar, caso
o recurso seja de origem municipal, será dos TCMs.
Ah – e para complicar um pouquinho mais – os municípios de São
Paulo e do Rio de Janeiro tem um Tribunal de Contas MUNICIPAL, ou
seja, só do município. Quanto a recursos originários desses dois
municípios, então, a competência será do TCM.
Um último detalhe, apesar de tanto as OSs como as Oscips
prestarem contas do contrato de gestão e do termo de
parceria, respectivamente, junto ao Ministério Supervisor, não são
encaminhadas, posteriormente, para o julgamento anual pelo
TCU. Esta Corte de Contas Federal poderá atuar, no entanto, em
processos específicos, exemplo da tomada de contas especial.
(13) Os responsáveis pela fiscalização dos pactos (contrato de gestão
e termo de parceria), ao tomarem conhecimento de qualquer
irregularidade na utilização dos dinheiros públicos, devem dar

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 147 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

imediata ciência ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público,


sob pena de responsabilidade solidária (não é subsidiária).
Com essas informações, estamos preparados para “fulminar”
qualquer item sobre OS e Oscips. Vamos aos itens.
Item I – FALSO. O ato de qualificação é vinculado, daí a
incorreção. Vejam que interessante. Com a análise desse único
quesito, o candidato chegaria à resposta (item “E”), afinal é o único
que traz a assertiva “I” como falsa. Tem que ter coragem, né? O tal
medo controlado...
Item II – FALSO. Se o circulo é restrito, não podem se
qualificar como Oscip, daí a incorreção do item.
Item III – VERDADEIRO. O item está perfeito. Registro que a Lei
enumera, de forma exemplificativa, outras áreas de atividades,
como por exemplo: promoção gratuita da educação e de saúde;
promoção do voluntariado e de assistência social; assessoria jurídica
gratuita de interesse suplementar; experimentação, não-lucrativa, de
novos sistemas alternativos de produção, comércio e emprego.
Item IV – FALSO. OS não podem ser Oscip, daí a incorreção do
item.
Item V – VERDADEIRO. O item está perfeito, acrescenta aí ao rol
de entidades já citadas.
Gabarito: alternativa E.

35) (2009/FCC – MP-SED – Cargo 8) As organizações da


sociedade civil de interesse público (OSCIPs) são entidades:
(A) criadas pelo Poder Público em parceria com entes particulares,
visando à celebração de Contratos de Gestão nas respectivas áreas
de atuação, podendo integrar ou não as respectivas administrações
indiretas.
(B) qualificadas como tal por ato do Ministério da Justiça e que
podem celebrar termos de parceria com órgãos de qualquer ente da
federação, para o exercício de atividades definidas na lei como de
interesse público.
(C) integrantes da administração indireta da União, dos Estados ou
dos Municípios e que podem exercer, por ato de delegação,
atividades de interesse público definidos na lei de sua instituição.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 148 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(D) registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e cadastradas


perante o Ministério da Justiça ou órgão equivalente nos Estados e
Municípios, para exercício das atividades de relevante interesse
público previstas nos seus estatutos.
(E) autorizadas pelo Poder Executivo da União, dos Estados ou dos
Municípios, mas não integrante da respectiva administração indireta,
para exercício de atividades públicas sem sujeição ao regime jurídico
da Administração.

Comentários:
Então, encontrou a resposta? Claro que sim. As OSCIP são pessoas
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, qualificadas por
Portaria do Ministro da Justiça, achando-se aptas à celebração de
termos de parceria, donde decorre a correção da alternativa “B”.
A seguir, os erros nos demais quesitos.
(A) criadas pelo Poder Público em parceria com entes PELOS
particulares, visando à celebração de Contratos de Gestão TERMO
DE PARCERIA nas respectivas áreas de atuação, podendo integrar
ou não as NÃO INTEGRANTES DAS respectivas administrações
indiretas, SENDO RECONHECIDAS, DOUTRINARIAMENTE, COMO
ENTIDADES PARAESTATAIS.

(C) integrantes da administração indireta da União, dos Estados ou


dos Municípios DO TERCEIRO SETOR e que podem exercer, por ato
de delegação POR TERMO DE PARCERIA, atividades de interesse
público definidos na lei de sua instituição.

(D) registradas AS PESSOAS DE DIREITO PRIVADO, NA


QUALIDADE DE ASSOCIAÇÕES, SÃO CRIADAS A PARTIR DA
ENTREGA DO ATO CONSTITUTIVO AO Registro Civil das Pessoas
Jurídicas, E, PARA A QUALIFICAÇÃO COMO OSCIP, DEVEM SER
CERTIFICADAS e cadastradas perante o Ministério da Justiça ou
órgão equivalente nos Estados e Municípios, para exercício das
atividades de relevante interesse público previstas nos seus estatutos
EM LEI, NA ESFERA FEDERAL, LEI 9.790, DE 1999.

(E) autorizadas QUALIFICADAS pelo Poder Executivo da União (NO


CASO: MINISTÉRIO DA JUSTIÇA), dos Estados ou dos Municípios,

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 149 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

mas não integrante da respectiva administração indireta (NO CASO:


INTEGRANTES DO TERCEIRO SETOR), para exercício de
atividades públicas DE INTERESSE PÚBLICO sem COM sujeição
PARCIAL ao regime jurídico da Administração.
Gabarito: alternativa B.

36) (2006/Esaf – Fazenda/União - Procurador da


Fazenda/2006) Sobre as pessoas jurídicas qualificadas como
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assinale
a opção incorreta.
a) Não podem ser fundações públicas.
b) Prestam contas, na sistemática adotada para o controle externo
pela Constituição Federal, de todos os bens e recursos que tenha
recebido de terceiros.
c) Devem possuir conselho fiscal ou órgão equivalente.
d) O vínculo de cooperação com o Poder Público é estabelecido por
meio de termo de parceria.
e) Necessariamente não têm fins lucrativos.

Comentários:
As Oscips, certamente, podem ser fiscalizadas pelo Tribunal de
Contas da União, porém não há a necessidade de
encaminhamento de prestação de contas anuais, conforme a
sistemática adotada para o controle externo pela Constituição
Federal, daí a incorreção da alternativa “B”.
Há, ainda, um segundo erro na alternativa B, contudo mais sutil. A
OSCIP é entidade privada, e, como tal, ao lado dos dinheiros
públicos administrados, conta com verbas próprias.
Obviamente, o dever de prestar contas para o Ministério da área
temática não recairá sobre as verbas privadas.
Gabarito: alternativa B.

37) (2008/FCC – TCE/CE – Cargo 1) Um dos aspectos


importantes das mudanças na implementação das políticas
públicas é o da contratualização com as entidades do chamado
3o Setor. Com isso, a administração pública pode contratar
uma organização para executar serviços públicos e viabilizar a
atuação do particular na execução de suas atividades. Uma
dessas entidades é a Oscip − Organização da Sociedade Civil

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 150 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

de Interesse Público. O instrumento pelo qual se concretiza a


contratualização entre o Poder Público e a Oscip é
(A) o termo de parceria.
(B) o contrato de gestão.
(C) a concessão de serviço público.
(D) o acordo de Programa.
(E) o convênio.

Comentários:
Questão de reforço. Enunciado “enorme”, só “pra” assustar os
desavisados! Turma, o acordo celebrado entre a Oscip e o Estado é o
Termo de Parceria.
Gabarito: alternativa A.

38) (2005/Esaf - Analista de Finanças e Controle – AFC/STN)


Tratando-se da Administração Pública brasileira, assinale a
afirmativa falsa.
a) É possível a constituição de uma empresa pública federal, regida
pelo direito privado, tendo a União Federal a totalidade de seu capital
social.
b) Em virtude da Emenda Constitucional nº 32/2001, introduziu-se a
figura do decreto autônomo na organização administrativa brasileira.
c) As organizações sociais, uma vez celebrado o respectivo contrato
de gestão com o órgão supervisor, passam a integrar a administração
descentralizada.
d) As agências reguladoras têm natureza autárquica, sob o regime
jurídico-administrativo.
e) As fundações públicas de direito público, de natureza autárquica,
não se submetem aos órgãos de controle fundacional do Ministério
Público.

Comentários:
Mais uma questão de fixação. Vamos às análises.
Item A – CORRETO. Os amigos já tiveram contato com a
classificação em empresa pública unipessoal (presença de um
único sócio) e em pluripessoal (dois ou mais sócios).

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 151 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Ao estudamos o Direito Empresarial, deparamo-nos com o conceito


de empresa, de haver duas ou mais pessoas em torno de um
objetivo. No entanto, o próprio ordenamento jurídico abre exceções,
sendo as empresas públicas do Estado uma delas, ou seja, podem
contar com um único sócio subscritor das ações, daí a correção do
item.
Item B – CORRETO. Em, pelo menos, três passagens de nossos
comentários, registrei a reinserção dos decretos autônomos ou
independentes no ordenamento jurídico brasileiro. Com a EC
32/2001, alterou-se a redação do inc. VI do art. 84 da CF/1988,
garantindo-se, a partir daí, a edição de Decretos pelo Chefe do
Executivo, daí a correção do quesito.
Item C – INCORRETO. Credo! A banca, por vezes, dá umas
“colheres de chá”. O fato de as OS assinarem contrato de gestão
não as tornam integrantes da Administração Indireta, continuam na
qualidade de entidades paraestatais, daí a incorreção do item.
Item D – CORRETO. Impecável, questão “maré mansa”. As
agências reguladoras são verdadeiras autarquias. Assim, apesar
do regime especial, submetem-se, integralmente, ao regime
jurídico-administrativo, entendido, por sua vez, como o conjunto
de regras e de princípios que orientam o alcance da finalidade pública
pelo Estado, portanto, perfeito o quesito em análise.
Item E – CORRETO. À época, a doutrina majoritariamente entendia
que as fundações de direito público não precisam se sujeitar à
veladura do Ministério Público. Contudo, no ano de 2007, o STF, ao
declarar a inconstitucionalidade do art. 66, §1º, do CC/2002 (ADI
2794-DF), afirmou categoricamente que o MPF tem a atribuição de
veladura das fundações federais de direito público, funcionem
ou não no Distrito Federal. Exatamente aqui é que mora o
perigo! Sempre aprendemos exatamente o contrário, ou seja, não é
atribuição do MP velar fundações públicas, não é verdade?! Fiquem
de olho nessa alteração.
Gabarito: alternativa C.

39) (2008/FCC – TCERR/Procurador) Pessoas jurídicas com


personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos,
que exerçam atividades de interesse público previamente
definidas em lei e que se qualifiquem perante o Ministério da
Justiça para a celebração de termos de parceria visando à
execução dessas atividades são legalmente definidas como

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 152 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(A) organizações sociais (OS).


(B) organizações não-governamentais (ONGs).
(C) entidades filantrópicas.
(D) entidades beneficentes.
(E) organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs).

Comentários:
Adivinha quem sou eu! As dicas, abaixo, foram extraídas do livro da
Di Pietro.
1ª Dica: pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos;
2ª Dica: Criada por particulares, devendo habilitar-se perante o
Ministério da Justiça para obter qualificação;
3ª Dica: Vínculo com a Administração Pública por termo de
parceria;
4ª Dica: Supervisão pelo órgão do poder público da sua atuação;
5ª Dica: O ato de qualificação é vinculado;
6º Dica: Desempenha serviços sociais não exclusivos do Estado com
incentivos do Poder Público.
Então, já sabe quem eu sou?
Meu nome inicia com “O” e termina com “P” e tenho cinco letras!
Agora ficou mole, né: OSCIP. Alternativa “E”.
Gabarito: alternativa E.

40) (2002/Esaf – ATE/MS) Em relação à organização


administrativa brasileira, assinale a afirmativa verdadeira.
a) A recente figura das organizações sociais reveste-se da
personalidade jurídica de direito público.
b) Após a Emenda Constitucional 19/98, ficou vedado ao Poder
Público criar fundações sob regime de direito privado.
c) Empresas públicas e sociedades de economia mista têm,
exclusivamente, como objeto institucional atividades relativas a
serviços públicos.
d) No momento, somente existem no Brasil autarquias classificadas
como de serviço.
e) Caracteriza o órgão autônomo a personalidade jurídica própria.

Comentários:

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 153 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

A presente questão serve-nos a título de fixação, vamos, portanto,


direto às análises.
Item A – INCORRETO. As organizações sociais são entidades
integrantes do Terceiro Setor, na qualidade de paraestatais, e,
como tais, são pessoas jurídicas de Direito Privado, daí a incorreção
do item.
Item B – INCORRETO. A redação do art. 37, inc. XIX, da CF, de
1988, deixa-nos evidente a existência de dois tipos de
fundações: as de direito público, criadas diretamente por lei,
sendo, por isso, qualificadas como verdadeiras entidades
autárquicas (entendimento do STF); e as de direito privado, as
quais são simplesmente autorizadas por Lei (a exemplo de
qualquer pessoa privada, SEM e EP, por exemplo), daí a incorreção
do quesito.
Item C – INCORRETO. As empresas estatais, também chamadas
empresas governamentais ou entidades empresariais, são criadas
comumente com a finalidade de intervenção direta do Estado na
economia. Contudo, não há impedimento constitucional de,
igualmente, atuarem na prestação de serviços públicos, como
podem ser citados os exemplos da Infraero e do Metrô-SP
(prestadoras de serviços públicos), daí a incorreção do item.
Item D – CORRETO. Os amigos já ouviram falar que a Caixa
Econômica Federal (CEF) tinha natureza autárquica? É verdade,
foi mesmo. Todavia, autarquias são entidades de direito público,
criadas para o desempenho de atividades exclusivas do Estado, e
intervenção na economia (papel da CEF) não diz respeito à
atividade finalística do Estado.
Por esse motivo, houve alteração na natureza jurídica da CEF,
passando de autarquia para empresa pública, tendo sido a
última autarquia econômica existente na esfera federal.
Portanto, está correto o item ao afirmar termos, nos dias atuais,
apenas autarquias de serviço (leia-se: na esfera federal).
Item E – INCORRETO. Não precisa falar mal! A repetição é sempre
necessária: órgãos não têm personalidade jurídica, daí a
incorreção do item.
Gabarito: alternativa D.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 154 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

41) (2011/FCC – PGE-RO - Procurador) Organizações Sociais,


Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público e
Serviços Sociais Autônomos são espécies do gênero
denominado entidades de colaboração com a Administração
Pública. É característica comum dessas três espécies,
conforme legislação federal,
(A) estarem sujeitas ao controle dos Tribunais de Contas, embora
tenham personalidade jurídica de direito privado.
(B) serem beneficiárias de prerrogativas processuais semelhantes às
das entidades de direito público, quando houver questionamento dos
atos praticados no exercício de atividades consideradas de interesse
público.
(C) contarem obrigatoriamente com a participação de representantes
do Poder Público em seus órgãos internos de deliberação superior.
(D) serem beneficiárias de contribuições parafiscais, estabelecidas
para custeio de suas atividades de interesse público.
(E) celebrarem obrigatoriamente contrato de gestão, com a
Administração Pública, para desempenho de suas atividades.

Comentários:
O dever de prestar contas é princípio constitucional, encontrado,
implicitamente, no parágrafo único do art. 70 da CF, de 1988.
Vejamos:

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou


jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde,
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma
obrigações de natureza pecuniária.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 155 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Para Hely Lopes, o dever de prestar contas é decorrência natural da


administração como encargo de gestão de bens e interesses alheios.
Se o administrar corresponde ao desempenho de um mandato de zelo
e conservação de bens e interesses de outrem, manifesto é que quem
o exerce deverá contas ao proprietário.
No caso do administrador público, esse dever ainda mais se alteia,
porque a gestão se refere aos bens e interesses da coletividade e
assume o caráter de um múnus público, isto é, de um encargo para
com a comunidade. Dai o dever indeclinável de todo administrador
público - agente político ou simples funcionário - de prestar contas de
sua gestão administrativa, e nesse sentido é a orientação de nossos
Tribunais.
A prestação de contas não se refere apenas aos dinheiros públicos, à
gestão financeira, mas a todos os atos de governo e de
administração.
Assim, no caso concreto, todas as entidades paraestatais, por
firmarem acordos com o Estado, e, por conseguinte, receberem
dinheiros públicos, sujeitam-se ao controle interno do Estado,
mediante supervisão do órgão repassador, e, também, ao controle
externo dos Tribunais de Contas. Daí a correção da alternativa A.
Abaixo, os erros nos demais quesitos.

(B) serem NÃO SÃO beneficiárias de prerrogativas processuais


semelhantes às das entidades de direito público, AINDA quando
houver questionamento dos atos praticados no exercício de atividades
consideradas de interesse público. AS PRERROGATIVAS
PROCESSUAIS SÃO APLICÁVEIS À FAZENDA PÚBLICA, ASSIM
ENTENDIDA AS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO.

(C) APENAS AS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS contarem CONTAM


obrigatoriamente com a participação de representantes do Poder
Público em seus órgãos internos de deliberação superior. A
PARTICIPAÇÃO NAS OSCIP É FACULTATIVA.

(D) O ‘SISTEMA S’ serem É beneficiário de contribuições


parafiscais, estabelecidas para custeio de suas atividades de interesse
público.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 156 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

(E) AS OSs É QUE DEVEM CELEBRAR celebrarem obrigatoriamente


contrato de gestão, com a Administração Pública, para desempenho
de suas atividades.
Gabarito: alternativa A.

42) (2007/ESAF - PGDF - Procurador) Com pertinência à


Estrutura da Administração Pública, assinale a proposição
incorreta.
a) Para Celso Antônio Bandeira de Mello, as denominadas Entidades
Públicas Não-Estatais (pós-reforma do Estado – EC n. 19 e EC n. 20)
são pessoas privadas que colaboram com o Estado e que, entre os
privilégios que recebem do Poder Público, está o conceito tributário
da parafiscalidade.
b) À luz da teoria da Reforma do Estado, o que caracteriza o Terceiro
Setor é o desenvolvimento de atividades sem fim lucrativo e voltadas
a fins públicos.
c) De acordo com a clássica classificação dos órgãos públicos de Hely
Lopes Meirelles, os denominados órgãos singulares ou unipessoais
são aqueles integrados por um único agente administrativo, por
existir neles um único cargo em sua estrutura.
d) O Termo de Parceria é definido na Lei n. 9.790/99 como o
instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, destinado à
formação do vínculo de cooperação entre as partes para o fomento e
a execução de atividades de interesse público.
e) À idéia de descentralização administrativa está estreitamente
ligado o Princípio da Especialidade, segundo o qual, quando o Estado
cria uma entidade autárquica, seus administradores não podem
afastar-se dos objetivos definidos em lei, ainda que sob o argumento
de que sua atuação (fora dos objetivos legais) se dê com vistas a
atender interesse público, fim maior da atividade administrativa.

Comentários:
Questão de fixação. A resposta é letra C. Os órgãos singulares ou
unipessoais são aqueles em que a atuação ou as decisões são
atribuições de um único agente, como, por exemplo, a Presidência
da República. No caso, a decisão advém de um único agente, o que
não significa, sobremaneira, que o órgão é integrado por um único
agente administrativo.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 157 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Gabarito: alternativa C.

43) (2008/FGV - Senado Federal – Policia Legislativa)


Assinale a afirmativa correta.
(A) Situam-se na administração indireta as organizações sociais e as
organizações da sociedade civil de interesse público.
(B) A administração indireta das pessoas federativas é constituída de
entidades dotadas de personalidade jurídica própria.
(C) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito público e
sempre se destinam à prestação de serviços públicos.
(D) As sociedades de economia mista só podem explorar atividade
econômica com autorização expressa em decreto do Chefe do
Executivo.
(E) É inviável a participação de pessoas do setor privado no capital
social das sociedades de economia mista.

Comentários:
Vamos às análises.
Alternativa A - INCORRETA. As organizações sociais e as
organizações da sociedade civil de interesse público integram o
Terceiro Setor, sendo reconhecidas, doutrinariamente, como
entidades paraestatais. Já a Administração Indireta é composta
por: autarquias, fundações, sociedades de economia mista e
empresas públicas. Mais recentemente, ao rol de entidades da
Administração Indireta, foi introduzido o Consórcio Público de
Direito Público (as associações públicas).
Alternativa B - CORRETA. A administração direta é formada por
um conjunto de órgãos, logo unidades despersonalizadas. A
Administração Indireta, por sua vez, é composta por entidades
administrativas, todas dotadas de personalidade jurídica
própria, seja de direito público (exemplo das autarquias), seja de
direito privado (exemplo das empresas públicas).
Alternativa C - INCORRETA. As empresas públicas são pessoas
jurídicas de direito público PRIVADO e sempre se destinam à
prestação de serviços públicos ou à intervenção no domínio
econômico.
Alternativa D - INCORRETA. As sociedades de economia mista
só podem explorar atividade econômica com autorização

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 158 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

expressa em decreto do Chefe do Executivo como determina o texto


constitucional (art. 173).
Alternativa E - INCORRETA. É inviável a participação de pessoas
do setor privado no capital social das sociedades de economia mista
EMPRESAS PÚBLICAS, AFINAL O CAPITAL SOCIAL DESTAS É
100% PÚBLICO. JÁ AS SEMs NECESSARIAMENTE CONTAM COM
CAPITAL PRIVADO EM SUA CONSTITUIÇÃO, CASO
CONTRÁRIO, NÃO SERIAM MISTAS.
Gabarito: alternativa B.

44) (2009/Esaf – ATRFB/Analista) Marque a opção incorreta.


a) O contrato de gestão, quando celebrado com organizações sociais,
restringe a sua autonomia.
b) Quanto à estrutura das autarquias, estas podem ser fundacionais e
corporativas.
c) Os serviços sociais autônomos são entes paraestatais que não
integram a Administração direta nem a indireta.
d) Organização social é a qualificação jurídica dada a pessoa jurídica
de direito privado ou público, sem fins lucrativos, e que recebe
delegação do Poder Público, mediante contrato de gestão, para
desempenhar serviço público de natureza social.
e) A Administração Pública, ao criar fundação de direito privado,
submete-a ao direito comum em tudo aquilo que não for
expressamente derrogado por normas de direito público.

Comentários:
Vamos direto às análises dos quesitos propostos.
Item A - CORRETO. Uma autarquia, ao celebrar um contrato de
gestão, qualificando-se como agência executiva, há incremento de
autonomia. No entanto, as Organizações Sociais (entidades
privadas), ao assinarem o contrato de gestão, submetem-se, ainda
que parcialmente, ao rito de direito público, havendo, portanto,
restrição na anterior autonomia, daí a correção da alternativa.
Item B - CORRETO. As autarquias tanto podem ser corporativas
(como é o caso dos Conselhos Profissionais) como fundacionais
(exemplo da Funasa), daí a correção da alternativa.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 159 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

Item C - CORRETO. As entidades paraestatais não integram a


Administração Direta e Indireta, daí a correção da alternativa.
Item D - INCORRETO. As organizações sociais são pessoas
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, e não de direito
público, daí a incorreção da alternativa.
Item E - CORRETO. As fundações do Estado tanto podem assumir
a configuração pública como privada. Neste último caso, o Estado
submete-se às normas de direito privado, no entanto, não
integralmente, daí a correção do quesito.
Gabarito: alternativa A.

45) (2008/FCC – TCE/CE – Cargo 1) NÃO são entidades


integrantes da administração indireta da União:
(A) os serviços sociais autônomos.
(B) as associações públicas das quais seja parte.
(C) as empresas públicas por ela constituídas.
(D) as sociedades de economia mista por ela controladas.
(E) as autarquias federais.

Comentários:
Integram a Administração Indireta: autarquias, fundações,
sociedades de economia mista, empresas públicas e, mais
recentemente, os consórcios públicos de Direito Público (no caso:
associações públicas). Já os SSA integram o Terceiro Setor, daí a
correção da letra “A”.
Gabarito: alternativa A.

46) (2010/Esaf – MPOG/APO) Acerca da contratualização de


resultados, pela administração pública, é correto afirmar:
a) segundo alguns doutrinadores do Direito Administrativo, o
Contrato de Gestão não seria o termo adequado para a pactuação
entre órgãos da administração direta.
b) como área temática, a contratualização de resultados tem por
objetivo maior a redução das amarras burocráticas impostas à
administração direta.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 160 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

c) o Contrato de Gestão, quando firmado com OSCIPs, prescinde do


estabelecimento de padrões de desempenho.
d) a contratualização de resultados nada mais é que um dos
processos de terceirização preconizados pelo Plano Diretor da
Reforma do Aparelho do Estado, de 1995.
e) o Termo de Parceria, quando firmado com Organizações Sociais,
obriga ao estabelecimento de padrões de desempenho.

Comentários:
Questão de fixação. Revimos que, para parte da doutrina, o termo
contrato de gestão é impróprio, afinal os órgãos são unidades
administrativas despersonalizadas e, portanto, inábeis para a
assinatura de contratos. Daí a correção da letra “A”. Abaixo os erros.
O erro da alternativa “B” é que o processo de contratualização dirige-
se, especialmente, à redução das amarras da Administração Indireta.
Com a CF, de 1988, os mestres da Administração Pública informam
que houve um “verdadeiro retrocesso burocrático”, como, por
exemplo, extensão das regras da Administração Direta à Indireta. Daí
a necessidade de, com as Reformas, o Estado reafirmar-se eficiente,
renovando as estruturas, mormente na Administração Indireta.
O erro da letra “C” é que o contrato de gestão costuma ser firmado
com as Oss. Agora, o maior erro do quesito é afirmar que “prescinde”
de padrões de desempenho. Ora, a figura do contrato de gestão é um
acordo operacional tendente exatamente à fixação de metas de
desempenho.
O erro da letra “D” é que o processo de contratualização vai além da
simples terceirização. A terceirização é a contratação pelo Estado de
particulares para o desempenho de atividades não finalísticas. A
contratualização, por meio de termos de parcerias e contratos de
gestão, por exemplo, tem um escopo mais abrangente, alcançando,
inclusive, atividades inerentes à Administração, como, por exemplo, a
prestação de serviços de utilidade pública.
O erro da letra “E” é que Oss não assinam termos de parceria!
Gabarito: alternativa A.

47) (2008/CESPE – OAB-SP) Assinale a opção correta a


respeito dos conselhos de fiscalização profissional.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 161 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

a) Os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas não


constituem atividade típica de Estado.
b) Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas têm
natureza jurídica de associações.
c) As relações que abrangem esses conselhos e as pessoas físicas ou
jurídicas podem ser equiparadas à relação de trabalho.
d) A fiscalização desses conselhos sobre as pessoas físicas ou
jurídicas é uma expressão do poder de polícia.

Comentários:
Finalmente os tais conselhos profissionais, as autarquias
corporativas.
Os Conselhos de Fiscalização Profissionais, na visão do STF (ADI
1717), são entidades autárquicas sui generis, portanto dotadas
de personalidade jurídica de Direito Público. Daí a incorreção do
item “B”.
Esse entendimento do Tribunal deveu-se, sobretudo, às atividades
prestadas por tais entidades, exclusivas do Poder Público, vale frisar,
o regular exercício do Poder de Polícia (fiscalização) incidente
sobre o exercício de um direito individual: a profissão. Daí a
correção da alternativa “D” e incorreção das letras “A” e “C”.
O tema de maior relevância nos atuais concursos é a alocação da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O STF, na ADI 3026, afirmou, com todas as letras, que a OAB, só a
OAB, não é uma Autarquia, sem negar a natureza dos demais
Conselhos de Fiscalização, os quais são autarquias
corporativas.
Para o Supremo, a Ordem é uma categoria ímpar no elenco das
personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. Em razão da
função constitucional privilegiada, não poderia haver qualquer relação
de dependência da OAB com órgãos públicos.
Assim, a OAB não pode, portanto, ser entendida como congênere dos
demais Conselhos de Fiscalização, no entendimento dos doutos
Ministros da Suprema Corte. Ok, sem maiores discussões, dado que,
dito pelo STF, para nós, concursandos, é quase que verdade absoluta,
um dogma. Mas ficam duas perguntas:
I) Se a OAB não é uma autarquia, não possui natureza jurídica
de direito público, dado que, no nosso ordenamento, quem possui tal

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 162 de 163


Curso de Direito Administrativo para TRE MG
Profº Cyonil Borges – Aula 01

natureza são os entes políticos, integrantes da federação, ou


entidades autárquicas. Se não possui natureza de direito público,
poderá a OAB exercer Poder de Polícia, para o qual, pois, conforme já
se decidiu, é necessária a natureza jurídica de direito público?
II) Não sendo de direito público, poderá a OAB gozar de
prerrogativas típicas das pessoas de direito público, como imunidade
tributária relativa a seus bens, possibilidade de cobrança de créditos
por meio de execução fiscal, etc.? Fica a indagação para que o STF
nos responda...
Destaco, ainda, que os Conselhos de Fiscalização também podem
ser entendidos como autarquias especiais, sempre com
personalidade jurídica de direito público. Seu caráter
“especial” está no fato de que não integram a Administração
Pública, dispondo de ampla liberdade administrativa, gerencial no
desempenho de suas funções, tendo por limite, dentre outros, os
princípios constitucionais de Administração Pública, bem como as
disposições legais a respeito de suas áreas de atuação.
Ressalvada a OAB, as demais entidades de fiscalização estão
sujeitas ao dever de prestar contas ao TCU (hoje dispensados
de prestar contas) e ao concurso público.
Recentemente, em recente julgado do STJ, entendeu-se que, com a
liminar concedida na ADI 2135, o regime jurídico dos servidores
dos conselhos profissionais, antes celetistas, voltou a ser
estatutário, portanto Lei 8.112, de 1990.
Gabarito: alternativa D.

Uma coisa é certa. Não será por falta de material que poderemos
atribuir eventual derrota na batalha.
Forte abraço e bons estudos a todos,
Cyonil Borges.

Prof. Cyonil Borges www.estrategiaconcursos.com.br Página 163 de 163