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Sobre as regras dos acordos coletivos e convenções coletivas há o seguinte questionamento:

aderem essas de forma permanente ao contrato de trabalho?

(1ª Teoria) De acordo com Vólia Bomfim Cassar, não existem dúvidas de que para os
empregados admitidos após o término da vigência da norma, os empregadores não estarão
obrigados ao cumprimento das cláusulas. Entretanto, quanto àqueles empregados que
receberam as benesses de forma habitual durante a vigência do instrumento coletivo, a
doutrina e a jurisprudência são pendulares e ainda não se posicionaram num só sentido.

(2ª Teoria) Alguns afirmam que os benefícios podem ser suprimidos em face
do término da vigência, pois criados de forma condicional, isto é, há aderência somente
enquanto vigente a norma, mesmo que não tenha sido efetuada outra norma posterior.
Posicionam-se neste sentido: Wilson Campos Batalha, Antônio Álvares da Silva e Gabriel
Saad. Godinho denomina esta corrente de "aderência limitada pelo prazo".

(3ª Teoria) Pelos motivos defendidos por Cassar, as cláusulas normativas das
convenções coletivas e dos acordos coletivos, assim como as das sentenças normativas, só
integram o contrato de trabalho durante a vigência da norma. Extinta a norma, mesmo que
outra não seja ajustada, as benesses podem ser suprimidas, salvo quanto ao reajuste
salarial concedido, já que o salário não pode sofrer redução (art. 7º, VI, da CRFB), a menos
que outra norma coletiva o faça.
Ainda de acordo com a explicação de Bomfim, de outro lado, autores como Arnaldo
Süssekind, Orlando Gomes, Arion Romita e Valentin Carrion sustentam a ultra-atividade das
cláusulas normativas, no sentido de que o direito normativo vigorará para aqueles empregados
até que outra norma expressamente o suprima, modifique ou altere.

Atenção!
O TST adota a teoria da ultra-atividade, com se pode
verificar na súmula 277:

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA.


ULTRATIVIDADE
As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos
individuais de trabalho e somente poderão ser modificadas ou suprimidas mediante negociação
coletiva de trabalho.

 Posicionamento do STF:

O Ministro Gilmar Mendes, concedeu, aos 14.10.2016, medida cautelar para suspender
todos os processos e efeitos de decisões no âmbito da Justiça do Trabalho que discutam
a aplicação da ultratividade de normas de acordos e de convenções coletivas. A
decisão, a ser referendada pelo Plenário do STF, foi proferida na Arguição de
Descumprimento de Preceito

Fundamental (ADPF) 323, ajuizada pela Confederação Nacional dos


Estabelecimentos de Ensino (Confenen), questionando a Súmula 277 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST). Ao conceder a liminar o ministro justificou que “da análise
do caso extrai-se indubitavelmente que se tem como insustentável o entendimento
jurisdicional conferido pelos tribunais trabalhistas ao interpretar arbitrariamente a norma
constitucional”. Ele ressaltou que a suspensão do andamento de processos "é medida
extrema que deve ser adotada apenas em circunstâncias especiais", mas considerou
que as razões apontadas pela Confederação, bem como a reiterada aplicação do
entendimento judicial consolidado na atual redação da Súmula 277 do TST, "são
questões que aparentam possuir relevância jurídica suficiente a ensejar o acolhimento
do pedido".