Você está na página 1de 2

Nome do acadêmico: Mariana Lima Barros RA: 157955 - Curso de Psicologia.

Turno: Matutino Semestre: 9º

Disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso I

Professor: Fernando Ulisses Rosalino

Data: 03/2018

Obra:

DEJOURS, C., ABDOUCHELI, E., JAYET, C. Psicodinâmica do Trabalho: contribuições


da Escola Dejouriana á Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. São Paulo,
1994.

De acordo com a obra, Dejours (1994) afirma ao abordar o tema equilíbrio ou


fadiga pelo trabalho que frequentemente depara-se com o paradoxo psíquico, pois o
trabalho pode ser fonte de equilíbrio para uns, porém de fadiga para outros. No entanto
é incontestável a carga psíquica e física que provém do trabalho, podendo esta ser
causadora de prazer ou sofrimento a depender da subjetividade.

O autor reflete que apesar de denominada “carga”, por ser psíquica, a tarefa de
quantifica-la se torna impossível, porém há teorias que tentam fazê-lo, como é o caso
do ponto de vista econômico da clínica baseado fundamentalmente em conceitos
freudianos (1920); tais princípios ensinam que o indivíduo tende a acumular energia em
seu interior e dispõe de muitas vias de descarga de sua energia. Logo, através da ótica
do trabalho, a tarefa que permitisse ao trabalhador uma canalização apropriada de sua
energia psíquica seria aquela que não seria fatigante ao mesmo. Em contrapartida,
quando a organização bloqueia o indivíduo em sua liberdade, impede o diálogo e a
criatividade, começa-se o processo patogênico.

Para além da carga psíquica, Dejours pondera sobre a Motivação e o Desejo no


ambiente de trabalho e quais as diferenças entre ambos; sendo o primeiro facilmente
expresso no ambiente organizacional e controlável através de salário ou gratificações
em geral; em compensação o desejo seria uma intenção de reencontrar sentimentos da
infância, ou seja, é individual e não simplesmente invocado na atuação do trabalhador.
Motivação seria algo superficial em comparação com o desejo, porém o último seria
uma forma máxima de motivação.
O autor conclui que o desejo também pode levar a processos patogênicos, tal
qual a carga psíquica, pois seguem o mesmo caminho: quando não há liberdade para a
realização, ou nem mesmo seu vislumbre, surge situações de sofrimento, alienação e
descompensação psiquiátrica. No entanto ele aponta para a escala hierárquica dentro
das organizações e sua relação com o desejo, pois quanto mais baixa for a posição do
trabalhador, mais ele estará sujeito às regras de produção que irão prendê-lo e bloqueá-
lo, o impedindo de se dedicar a sua realização desejosa.

Quando há o adoecimento de fato dos trabalhadores, uma demanda é gerada,

“A excitação, quando se acumula é a origem de uma vivência de tensão, tensão


psíquica ou tensão nervosa, e, para descarregar tal tensão, o sujeito pode utilizar três
tipos de vias: a via psíquica, a via motora e a via visceral.” (p. 23).

“Quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, quando a


relação do trabalhador com a organização do trabalho é bloqueada, o sofrimento
começa: a energia pulsional que não acha descarga no exercício do trabalho se acumula
no aparelho psíquico, ocasionando um sentimento de desprazer e tensão” (p. 29).

“Para esquematizar, poder-se-ia dizer que na base da hierarquia da empresa


não há (ou há pouco) lugar para o Sujeito e que no alto, há muito. Ou, ainda, que a
Subjetivação do Trabalho vai crescendo à medida que se sobe na hierarquia.” (p. 41)