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Aulas 39 a 41
SINAIS DE PONTUAÇÃO

USO DA VÍRGULA • Para isolar o vocativo


I — VÍRGULA ENTRE OS TERMOS DA ORAÇÃO
Exemplo: Não demores tanto, meu filho.
NÃO SE USA A VÍRGULA
• Entre termos imediatos
II — VÍRGULA ENTRE AS ORAÇÕES DO PERÍODO
1. entre sujeito e predicado
1. SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Exemplo: Todos os componentes da mesa recusaram a
proposta. Não se separam da oração principal por meio de vírgula.
2. entre o verbo e seus complementos Faz exceção a substantiva apositiva, que se separa por dois-pontos
Exemplo: O trabalho custou sacrifício aos realizadores. ou por vírgula.
3. entre o nome e o complemento nominal e o adjunto Exemplo:
adnominal. Não se imaginava que a propaganda seria tão agressiva.
Exemplo: A intrigante resposta do mestre ao aluno
despertou reações. oração principal oração subordinada substantiva

USA-SE A VÍRGULA 2. SUBORDINADAS ADJETIVAS


• Para marcar intercalação — A adjetiva restritiva não se separa da principal por meio de
vírgula.
1. do adjunto adverbial
Exemplo:
Exemplo: Ele, com razão, sustenta opinião contrária.
2. da conjunção São raros os programas de TV que trazem algum proveito.
Exemplo: Não há, portanto, nenhum risco no negócio. oração principal oração subordinada
3. das expressões explicativas ou corretivas adjetiva restritiva
Exemplo: Todos se omitiram, isto é, colaboraram com os
adversários. — A adjetiva explicativa vem sempre isolada por vírgulas.
4. do aposto
Exemplo:
Exemplo: O tempo, nosso inimigo, foge rápido.
O juiz, que era íntegro, não se vendeu.
• Para marcar inversões oração subordinada
adjetiva explicativa
1. do adjunto adverbial (no início da oração) oração principal
Exemplo: Por cautela, deixamos um depósito.
2. do complemento pleonástico antecipado ao verbo
3. SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Exemplo: Casos mais importantes, já os apresentei.
Sempre é correto o uso da vírgula entre as subordinadas ad-
3. do nome de lugar antecipado às datas
verbiais e a oração principal.
Exemplo: São Carlos, 10 de janeiro de 1961.
Exemplo:
• Para separar termos coordenados (em enumeração) Embora a situação fosse adversa, conseguimos bom
resultado.
Exemplo: O livro estava sujo, rasgado, imprestável.
oração subordinada adverbial oração principal
• Para marcar elipse do verbo
OBSERVAÇÃO
Exemplo: Nós trabalhamos com fatos e vocês, com hi- Para as subordinadas reduzidas, valem as mesmas normas
póteses. das demais orações subordinadas.

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4. ORAÇÕES COORDENADAS plicar ou esclarecer algo que está à esquerda. Dentro desse
• As assindéticas separam-se por vírgula entre si. princípio básico, usam-se os dois-pontos:
Exemplo: I — para introduzir citações.
Exemplo: O coronel respondeu logo: “Não faço
Pegou o recado, leu-o, disparou para a rua.
questão de homenagens.”
oração coordenada coordenada coordenada
II — para discriminar os componentes de uma idéia global.
assindética assindética assindética
Exemplo: Com a crise ele perdeu tudo: terras, pré-
• Quanto às coordenadas sindéticas, exceto as aditivas com e, dios, investimentos em papéis, ouro, etc.
é sempre correto o emprego de vírgula. III — para esclarecer uma noção vaga e imprecisa.
Exemplo: Exemplo: Novidade: a inflação regrediu neste mês.
Penso, logo existo. USO DAS ASPAS
oração coordenada oração coordenada sindética Função básica das aspas: indicar que tudo o que está inscrito
assindética conclusiva entre elas é alheio ou estranho ao enunciador do texto. Usam-se
OBSERVAÇÃO para:
I — marcar citações textuais.
As coordenadas sindéticas introduzidas pela conjunção e
podem separar-se por vírgula nos seguintes casos: Exemplo:
a) Se os sujeitos forem diferentes. Todos conhecem o provérbio popular: “Mais vale um
pássaro na mão do que dois voando.”
Exemplo:
II — indicar palavras ou expressões estranhas ao padrão de
Os responsáveis eram eles, e nós tivemos de assumir. linguagem adotado no conjunto do texto: gírias, arcaís-
coordenada assindética coordenada sindética aditiva mos, estrangeirismos, formas populares.
sujeito = os responsáveis sujeito = nós
Exemplo:
b) Se o e vier repetido várias vezes a título de ênfase A meninada no pátio do colégio não “tava nem aí” para
(polissíndeto). a bronca do inspetor de alunos.
Exemplo: III — indicar palavras tomadas em segundo sentido, tais
E falou, e pediu, e insistiu. como uma ironia, uma expressão maliciosa.
Exemplo:
USO DO PONTO-E-VÍRGULA
O juiz puniu com cartão vermelho a troca de “gentile-
O uso do ponto-e-vírgula pode ser resumido em três itens
zas” entre os dois jogadores.
básicos:
1. Não se usa ponto-e-vírgula separando elementos de um
período simples. Exercícios
2. Não se usa ponto-e-vírgula para separar oração subordi- Questões 1 e 2
nada da sua principal. Em cada uma das questões que seguem, são dadas três fra-
3. Usa-se o ponto-e-vírgula para separar orações coordena- ses. A primeira, por estar na ordem direta, não apresenta
das, quando algum motivo especial sugerir uma pausa mais vírgula. Nas outras duas, em que a ordem está invertida, ca-
marcante que a da vírgula. be a você usar as vírgulas convenientes.
Levando-se em conta esses dados, costuma-se usar o pon- 1. a) As coisas são diferentes aqui do mirante da Presidência.
to-e-vírgula: (Itamar Franco. Veja, 24.01.94)

I — entre coordenadas marcadas por vírgulas internas. b) Aqui do mirante da Presidência as coisas são diferentes.
Exemplo: Vocês, sem exceção, basearam-se em hipóte- Aqui do mirante da Presidência, as coisas são di-
ses; eu, porém, apoiei-me em fatos.
ferentes.
II — entre coordenadas de sentidos opostos, quando se
quer enfatizar a oposição. c) As coisas aqui do mirante da Presidência são diferentes.
Exemplo: Os ricos dão pelo pão a fazenda; os pobres
As coisas, aqui do mirante da Presidência, são di-
dão pelo pão o trabalho.
III — entre segmentos coordenados de longa extensão. ferentes.
Exemplo: Os dois primeiros anos do seu rumoroso
governo foram pautados pela exibição de suas fa- 2. a) Uma parte da minha carreira chega também ao fim com a
çanhas atléticas e políticas; o terceiro (e último) foi morte de Senna. (Alain Prost, adaptada. Veja, 24.01.94)
consumido por denúncias e patifarias. b) Com a morte de Senna uma parte da minha carreira che-
ga também ao fim.
USO DOS DOIS-PONTOS
Com a morte de Senna, uma parte da minha carreira
A função básica dos dois-pontos pode ser assim descrita: tu-
do o que vem à direita dos dois-pontos serve para expandir, ex- chega também ao fim.

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c) Uma parte da minha carreira com a morte de Senna 7. Nesta questão ocorrem espaços vazios, de onde foram retira-
chega também ao fim. dos certos sinais de pontuação, que vêm indicados entre pa-
Uma parte da minha carreira, com a morte de Senna, rênteses. Procure repô-los no seu devido lugar.
chega também ao fim. Quando se trata de trabalho científico duas coisas
devem ser consideradas uma é a contribuição teórica
que ele traz a outra é o valor prático que possa
ter. (ponto-e-vírgula, dois-pontos, vírgula).
Questões 3 e 4
Quando se trata de trabalho científico, duas coisas
Alterar a pontuação de uma frase não a torna necessariamente
errada. Uma mesma frase pode ter, potencialmente, dois ou
devem ser consideradas: uma é a contribuição teórica
mais significados, a serem definidos por meio de pontuação que ele traz; a outra é o valor prático que possa ter.
adequada. Nas questões que seguem, em (I) é dada uma
pontuação, indicadora de um sentido; em (II), caberá a você 8. (FUVEST) Os sinais de pontuação foram bem utilizados em:
revelar um outro sentido, usando a pontuação adequada. a) Nesse instante, muito pálido, macérrimo, Prudente de
Modelo Morais entrou no Catete, sentou-se e, seco, declarou ao
(I) Pedro, o gerente do banco ligou e deixou um recado. silêncio atônito dos que o contemplavam: “Voltei.”
(II) Pedro, o gerente do banco, ligou e deixou um recado. b) “Mãe onde estão os nossos: os parentes, os amigos e os
3. I. A Terra não é, evidentemente, curva. vizinhos?” Mãe, não respondia.
c) Os estados, que ainda devem ao governo, não poderão
II. A Terra não é evidentemente curva.
obter financiamentos, mas os estados que já resgataram
suas dívidas ainda terão créditos.
4. I. Foi você que inventou toda aquela história, mentirosa. d) Ao permitir a apreensão, de jornais e revistas, o projeto,
II. Foi você que inventou toda aquela história men- retira do leitor o direito a ser informado pelo veículo que
tirosa. ele escolheu.
e) Assim, passa-se a permitir, condenações absurdas, des-
proporcionais aos danos causados.
5. (FUVEST) Os meninos de rua que procuram trabalho são
repelidos pela população. 9. Às vezes um defeito de pontuação induz o leitor a uma inter-
a) Reescreva a frase, alterando-lhe o sentido apenas com o pretação completamente contrária à intenção de quem redi-
emprego de vírgulas. giu o texto.
O trecho a seguir foi extraído de um jornal da cidade de
Os meninos de rua, que procuram trabalho, são re-
Campinas e contém um depoimento do ex-prefeito Jacó
pelidos pela população. Bittar sobre fatos ligados à sua carreira política:
Todos os cargos que ocupei na minha vida foram conse-
b) Explique a alteração de sentido ocorrida. qüência do meu trabalho nunca objetivo.
• A ausência de vírgulas no enunciado inicial serve para (Campinas D’Fato)

instaurar o pressuposto de que nem todos os A propósito da expressão “nunca objetivo”, considerando-se
a posição em que se encontra e a ausência de pontuação,
meninos de rua procuram trabalho. A parcela que pode-se dizer que ela dá à frase um sentido indesejado.
procura é repelida pela população. A oração que pro- a) Qual é esse sentido?
curam trabalho classifica-se como subordinada O de que o trabalho de Jacó Bittar nunca foi obje-
adjetiva restritiva. tivo, ou seja, sempre foi dispersivo, sem rumo —
• A presença de vírgulas em a estabelece o pressu- o que desfavoreceria a imagem pública do ex-
posto de que todos os meninos de rua procuram -prefeito.
trabalho. Todos eles são, pois, repelidos pela popu- b) Como se poderia evitá-lo por meio da pontuação?
lação. A oração entre vírgulas classifica-se como Usando vírgula (ou ponto-e-vírgula) depois de
subordinada adjetiva explicativa. trabalho: “Todos os cargos que ocupei na minha vida
foram conseqüência do meu trabalho, nunca obje-
tivo.”
6. (FUVEST) Em que lugar deve ser colocada a vírgula?
Note-se que outra saída seria deslocar a expressão:
As baleias (a) estão sumindo (b) mas (c) o governo (d) de-
cidiu (e) preservá-las. … foram conseqüência, nunca objetivo do meu
b trabalho.

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10. Logo no início do romance Quincas Borba, o narrador relata 11. (UFGO/2001-2ª- fase) Os Estados Unidos, há muito, desejam
a condição ambígua de Rubião, ex-professor que, ao rece- controlar a Amazônia. Não foi por outra razão que “ambien-
ber uma herança, torna-se capitalista. talistas” americanos iniciaram um movimento para declarar a
Na passagem que segue, o narrador reproduz em discurso Amazônia área de interesse mundial (essa questão foi a pauta
direto a satisfação de Rubião pela sorte de ter herdado a oficial da Eco-92, realizada no Rio, em julho de 1992).
fortuna de Quincas Borba: De acordo com as possibilidades de emprego das aspas, expli-
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa que o porquê de o autor tê-las usado em “ambientalistas”.
ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas O uso da palavra ambientalistas entre aspas tem
me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morre-
ram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia evidente intenção satírica, ou seja, tomar a palavra
uma desgraça… num segundo sentido para denunciar que, por trás
Logo a seguir, o narrador comenta:
dessa designação, existem intenções que vão além
Que abismo que há entre o espírito e o coração! O espírito do
ex-professor, vexado daquele pensamento, arrepiou cami- de defender o meio ambiente.
nho, buscou outro assunto, uma canoa que ia passando; o co-
ração, porém, deixou-se estar a bater de alegria.
(Machado de Assis, Quincas Borba)

As reticências, no final no discurso direto, indicam ruptura


da continuidade do pensamento de Rubião.
a) Levando em conta dados do contexto, essa ruptura foi ORIENTAÇÃO DE ESTUDO
provocada por um ato de censura.
Quem é o censor? Quem é o censurado?  Livro 1 — Gramática
O censor é o espírito do ex-professor. O censurado é o Caderno de Exercícios — Unidade I
coração, isto é, o lado emocional de Rubião.
Tarefa Mínima
AULA 39
b) Qual seria a continuidade do discurso, caso não houvesse
• Leia os itens 1 a 12, cap. 10.
o corte da censura?
• Resolva os exercícios 1 a 4, série 10.
… acabou sendo uma grande fortuna ou … de fato
se transformou em grande ventura. AULA 40
• Releia os itens 4 a 12, cap. 10.
• Resolva os exercícios 6 a 9, série 10.
c) Se, em vez de usar as reticências, o narrador completasse
o discurso de Rubião, produziria o mesmo efeito de AULA 41
sentido? • Leia os itens 13 a 18, cap. 10.
Evidentemente não. O uso das reticências serve pa- • Resolva os exercícios 5, 10, 13, 14 e 15, série 10.

ra indicar o constrangimento de Rubião ao perceber


que estava se deliciando com um sentimento torpe. Tarefa Complementar
A contemplação dos sentimentos de Rubião apaga- AULA 41
ria a impressão de censura. • Resolva os exercícios 11, 12, 16, 17, 18 e 21, série 10.

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Aulas 42 e 43
VARIAÇÕES LINGÜÍSTICAS

Faz parte da experiência de qualquer falante nativo a noção


de que sua língua não é falada de maneira uniforme por todos os Exercícios
membros da comunidade. Não é necessário um senso de observa- Em termos de variantes lingüísticas, os vestibulares em geral
ção muito apurado para se perceber que, no Brasil, por exemplo, têm elaborado questões visando às seguintes competências
fala-se um português repleto de diferenças: do candidato:
— há quem diga os menino folgado (com o s de plural mar-
• identificar no texto e descrever marcas de uma dada va-
cando apenas o artigo);
riante;
— há quem prefira dizer os meninos folgados (com os s de
• identificar o segmento social com que se relaciona certa
plural marcando o artigo, o substantivo e o adjetivo);
variante;
— há regiões em que se pronuncia feliz com o e aberto (é) e o
• interpretar a funcionalidade do uso de certa variante pa-
z com som de ch (é o caso dos baianos); já o carioca pro-
ra a construção do texto;
nuncia o mesmo e como i e o z como ch; em São Paulo
• reescrever variantes, traduzindo-as para a língua culta;
pronuncia-se feliz com o e fechado e o z com som de s;
• avaliar se a escolha de determinada variante está adequada
— a palavra você pode ser pronunciada com todas as suas letras
à circunstância de comunicação em que foi empregada.
ou como ocê e até mesmo cê.
É o que se propõe com as questões a seguir.
O falante nativo é capaz de citar vários outros exemplos si-
milares e identificar, por trás da maneira própria de falar, grupos 1. (UNICAMP-2ª- fase) Você habitualmente usa e reconhece vários
de pessoas específicos. Em síntese, ele tem noção das diferentes níveis de linguagem, associados a diferentes falantes, estilos ou
variações que afetam a sua língua. contextos. Você sabe também que às vezes o falante utiliza um
estilo que não é o seu, para produzir efeitos específicos, que é
VARIANTES LINGÜÍSTICAS o que faz o maestro Júlio Medaglia na carta abaixo:
Os estudiosos das variações que se dão no interior de um idio- MASSA!
ma costumam dar o nome de variantes lingüísticas a essas di- “Pô Erundina, massa! Agora que o maneiro Cazuza vi-
versas maneiras de falar a mesma língua. Definindo com mais rou nome num pedaço aqui na Sampa, quem sabe tu te ani-
propriedade, o sociolingüista Fernando Tarallo conceitua varian- ma e acha aí um point prá botá um nome de Magdalena Ta-
tes lingüísticas como “diversas maneiras de se dizer a mesma gliaferro, Cláudio Santoro, Jacques Klein, Edoardo de Guar-
coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade.” nieri, Guiomar Novaes, João de Souza Lima, Armando Belar-
Mas fiquemos com uma conceituação mais simples: variantes di e Radamés Gnattali. Esses caras não foi cruner de banda a
lingüísticas são formas distintas de falar a mesma língua. la ‘Trogloditas do Sucesso’, mas se a tua moçada não manjar
quem eles foi dá um look aí na Enciclopédia Britânica ou no
TIPOS DE VARIANTES Groves Internacional e tu vai sacá que o astral do século 20
1. Variantes históricas: a língua se altera de época para época, musical deve muito a eles.”
constituindo o que se chama de variantes históricas. Júlio Medaglia, di-jei do Teatro Municipal do Rio de Janeiro
2. Variantes geográficas: de lugar para lugar também há dife- (São Paulo, SP)
(“Painel do Leitor”, Folha de S. Paulo, 4. 10. 90)
renças significativas dentro de uma língua. A fala da zona ru-
ral, por exemplo, é muito diferente da fala urbana. a) Que grupo social pode ser identificado por este estilo?
3. Variantes sociais: entre uma classe social e outra há diferentes Transcreva as marcas lingüísticas características desse
modos de falar. Um magistrado não fala como um operário. grupo, presentes no texto.
Entre as variantes sociais, costumam-se distinguir duas gran- b) Em que campo da cultura deram contribuição importante
des divisões: os nomes mencionados na carta e que passagem(ns) do
a) variante culta (das pessoas de maior prestígio social); texto permite(m) afirmar isso?
b) variante popular (dos segmentos sociais de menor pres- c) O texto contém uma crítica implícita. Qual é, e a quem
tígio). é dirigida?
4. Variantes de situação: um mesmo indivíduo varia o próprio a) Esse estilo identifica o grupo social de jovens ur-
modo de falar, de acordo com as circunstâncias em que se si- banos, ouvintes de rádio, usuários de um verda-
tua o ato de comunicação.
deiro coquetel lingüistíco, em que se mistu-
Entre as variantes de situação (ou variantes de estilo), dis-
tinguem-se duas: ram gírias (“pô, “massa”, “maneiro”), solecismos
a) estilo informal (espontâneo, descomprometido, com baixo (“Esses caras não foi”, “eles foi”) e estrangeirismos
grau de preocupação com a linguagem);
b) estilo formal (calculado, vigiado, com alto grau de reflexão).
(“point”, “look”).

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b) Os nomes mencionados na carta deram contri- Foi aqui, “seu” moço,
Que eu, “Mato Grosso” e o Joca
buições no campo da música erudita, o que pode
Construímos nossa maloca
ser atestado pelas passagens “Esses caras não 10 Mais, um dia,
foi cruner de banda…” e “…e tu vai sacá que o — Nóis nem pode se alembrá —,
Veio os homens c’as ferramentas
astral do século 20 musical deve muito a eles.” O dono mandô derrubá.
c) Trata-se de uma crítica ao caráter demagógico e po-
Peguemos todas nossas coisas
pulista de algumas autoridades que, muitas vezes, 15 E fumos pro meio da rua
ao homenagearem representantes de um segmento Preciá a demolição
Que tristeza que nóis sentia
da cultura popular, tornam mais patente o des- Cada tauba que caía
caso com que nomes ilustres de outros segmentos Duía no coração
20 Mato Grosso quis gritá
da cultura são tratados. A crítica é dirigida à Mais em cima eu falei:
então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Os homens tá c’a razão,
Nóis arranja otro lugá.
Só se conformemos quando o Joca falô:
25 “Deus dá o frio conforme o cobertô”.
E hoje nóis pega paia nas gramas do jardim
2. (FUVEST/2003-2ª- fase-adaptada) E p’ra esquecê nóis cantemos assim:
A tua saudade corta Saudosa maloca, maloca querida, dim, dim,
como aço de navaia… Donde nóis passemos dias feliz de nossa vida.
(BARBOSA, Adoniran. In: Demônios da Garoa — Trem das 11.
O coração fica aflito
CD 903179209-2, Continental. Warner Music Brasil, 1995.)
Bate uma, a outra faia…
E os óio se enche d’água 3. (UNESP/2001) A letra de Saudosa Maloca pode ser con-
Que até a vista se atrapaia, ai, ai… siderada como realização de uma “linguagem artística” do
(Fragmento de “Cuitelinho”, canção folclórica) poeta, estabelecida com base na sobreposição de elemen-
Se a forma do verbo atrapalhar estivesse flexionada de tos do uso popular ao uso culto. Uma destas sobreposi-
acordo com a norma-padrão, haveria prejuízo para o efeito ções é o emprego do pronome oblíquo de terceira pessoa
de sonoridade explorado no final do último verso? Por quê? “se” em lugar de “nos”, diferentemente do que prescreve
a norma culta (o poeta emprega se conformemos em vez de
Se o verbo “atrapalhar” estivesse flexionado de
nos conformamos; se alembrá em vez de nos lembrar).
acordo com a norma-padrão, a sonoridade da Considerando este comentário,
quadra heptassilábica estaria comprometida, pois a) descreva e exemplifique o que ocorre, na linguagem
artística do compositor, com o –r final e com o –lh–
estaria desfeita a rima com a palavra “faia”. Além medial das palavras, em relação ao uso oral culto;
disso, vale dizer que, com a modificação, o efeito de b) estabeleça as diferenças que apresentam, em relação ao
uso culto, as seguintes formas verbais da primeira pessoa
sentido seria prejudicado, porque a troca implicaria
do plural do presente do indicativo empregadas pelo
uma incoerência lingüística, uma vez que o res- compositor: “pode” (verso 11), “arranja” (verso 23) e
tante do texto apresenta traços da variante fa- “pega” (verso 26).

lada popular e informal da língua caipira. a) Confrontada com o uso oral culto, percebe-se na
linguagem do compositor:
• quanto ao -r final: sua sistemática supressão,
independentemente da classe gramatical da pa-
Texto para a questão 3 lavra e da vogal que precede o r. Exemplos:
Saudosa Maloca “contá” por contar (verso 2)
Se o sinhô não tá lembrado, “derrubá” por derrubar (verso 13)
Dá licença de contá
Que aqui onde agora está “sinhô” por senhor (verso 1)
Esse adifício arto “cobertô” por cobertor (verso 25)
05 Era uma casa véia,
Um palacete assobradado. “esquecê” por esquecer (verso 27)

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• quanto ao -lh- medial das palavras: sua sistemá- — Pode.
— Uma saudação para a minha progenitora.
tica substituição pela semivogal i, que passa a for-
— Como é?
mar ditongo com a vogal anterior. No texto temos: — Alô, mamãe!
“véia” por velha (verso 5) — Estou vendo que você é um, um…
— Um jogador que confunde o entrevistador, pois não cor-
“paia” por palha (verso 26) responde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primi-
b) Em relação ao uso culto, as três formas de pri- tivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereo-
tipação?
meira pessoa do plural do presente do indicativo — Estereoquê?
mencionadas se caracterizam pela sistemática — Um chato?
— Isso.
supressão da desinência número-pessoal -mos.
(Luís Fernando Veríssimo. Correio Braziliense, 13 de maio, 1998.)
Nos três casos, o resultado é que a forma do pre- 4. A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser substituí-
sente do indicativo acaba coincidindo com a ter- da, sem comprometimento de sentido, em língua culta, for-
mal, por:
ceira pessoa do singular. Isso explica por que as a) pegá-los na mentira.
três vêm precedidas do pronome pessoal (“nóis” = b) pegá-los desprevenidos.
c) pegá-los em flagrante.
nós), próprio da primeira pessoa do plural. O que
d) pegá-los rapidamente.
temos é, pois: e) pegá-los momentaneamente.
“nóis nem pode” por “nós nem podemos”; 5. O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à ex-
“nóis arranja” por “nós arranjamos”; pectativa do público. São elas:
a) A saudação do jogador aos fãs do clube, no início da en-
“nóis pega” por “nós pegamos”. trevista, e a saudação final dirigida a sua mãe.
b) A linguagem muito formal do jogador, inadequada à situa-
(ENEM) Texto para as questões 4 a 6 ção da entrevista, e um jogador que fala, com desenvoltu-
Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o pa- ra, de modo muito rebuscado.
drão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da c) O uso da expressão “galera”, por parte do entrevistador,
linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este e da expressão “progenitora”, por parte do jogador.
fato, seu professor de Língua Portuguesa convida-o a ler o d) O desconhecimento, por parte do entrevistador, da pala-
texto “Aí, galera”, de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o vra “estereotipação” e a fala do jogador em “é pra divi-
autor brinca com situações de discurso oral que fogem à ex- dir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça”.
pectativa do ouvinte. e) O fato de os jogadores de futebol serem vítimas de este-
Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. reotipação e o jogador entrevistado não corresponder ao
Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo estereótipo.
“estereotipação”? E, no entanto, por que não? 6. O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é
— Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre
— Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais es- língua oral e língua escrita, assinale a opção que representa
portistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. também uma inadequação da linguagem usada ao contexto:
— Como é? a) “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direi-
— Aí, galera. to.” — um pedestre que assistiu ao acidente comenta
— Quais são as instruções do técnico? com o outro que vai passando.
— Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de con- b) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” — um jovem
tenção coordenada, com energia otimizada, na zona de prepara- que fala para um amigo.
ção, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, con- c) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma
catenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e observação.” — alguém comenta em uma reunião de
extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentâ- trabalho.
nea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do d) “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me
fluxo da ação. ao cargo de Secretária Executiva desta conceituada
— Ahn? empresa.” — alguém que escreve uma carta candida-
— É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem tando-se a um emprego.
calça. e) “Porquê, se a gente não resolve as coisas como têm
— Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro
— Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros.”
banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou — um professor universitário em um congresso interna-
ligado por razões, inclusive, genéticas? cional.

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ORIENTAÇÃO DE ESTUDO AULA 43
• Leia os itens 3 e 4, cap. 24.
 Livro 1 — Gramática • Faça os exercícios 2, 3, 4, 8 e 9, série 24.

Caderno de Exercícios — Unidade I


Tarefa Complementar
Tarefa Mínima AULA 43

AULA 42 • Leia o item 2 e os itens 5 a 18, cap. 24.


• Resolva os exercícios 5, 6, 10, 17 e 20, série 24.
• Leia o item 1, cap. 24.
• Faça o exercício 1, série 24.

Aulas 44 e 45
SINTAXE DE REGÊNCIA

— Regência é o mecanismo que regula as ligações entre um b) No sentido de passar visto = T.D.
verbo ou um nome e os seus complementos. Exemplo: O professor visou os trabalhos dos alunos.
Regência verbal: c) No sentido de objetivar, ter em vista = T.I. (com a prep. a).
Exemplo: Não visamos a resultados imediatos.
— quando o termo regente é um verbo. Exemplo:

Isto pertence a todos. Observação


Os verbos: — aspirar no sentido de almejar,
termo regente termo regido — assistir no sentido de presenciar,
= verbo — visar no sentido de ter em vista,
Regência nominal: apesar de transitivos indiretos, não aceitam os pronomes oblíquos
— quando o termo regente é um nome. Exemplo: átonos lhe, lhes como complemento. Aceitam apenas as formas
tônicas: a ele, a ela, a eles, a elas.
Tenho opinião semelhante à sua Exemplo: — Aspiras ao cargo?
termo regente termo regido — Sim, aspiro a ele.
= nome
4. AGRADAR/DESAGRADAR
REGÊNCIA DE ALGUNS VERBOS
a) O verbo agradar, no sentido de causar agrado ou satis-
1. ASPIRAR
fação, satisfazer, ser do agrado, no Português contem-
a) No sentido de sorver (o ar) = T.D. porâneo culto, é transitivo indireto com a preposição a.
Exemplo: Aspiramos fumaça e gases. Exemplos: A leitura do livro agradou muito ao assessor.
b) No sentido de almejar = T.I. (com a preposição a). Não lhe agrada a tua presença.
Exemplo: Não aspiro a este posto de fiscal. • A mesma regência vale para o verbo desagradar.
2. ASSISTIR Exemplos: As indecisões do comandante desagradaram aos
a) No sentido de presenciar, ver = T.I. (com a prep. a). soldados.
Exemplo: Assistimos ao jogo de lá das arquibancadas. Não lhe desagrada a idéia de candidatar-se ao
Senado.
b) No sentido de caber, competir = T.I. (com a prep. a).
Exemplo: A revogação da lei não assiste aos deputados. b) No sentido de afagar, acariciar, o verbo agradar é transitivo
direto.
c) No sentido de dar assistência, ajudar = T.D.
Exemplo: O médico assistia os enfermos. Exemplo: O garotinho começou a agradar o seu cão (começou
a agradá-lo).
d) No sentido de morar, residir, constrói-se com a preposição em.
Exemplo: Vim do interior e hoje assisto na capital. Obs.: Tanto agradar quanto desagradar já foram transitivos
diretos no Português antigo e ainda hoje ambos aparecem co-
3. VISAR mo tais.
a) No sentido de mirar, apontar arma = T.D. Para efeito de provas e concursos, porém, é melhor seguir as
Exemplo: O arqueiro visou apenas o fruto que estava sobre prescrições rígidas segundo as quais são apenas transitivos in-
a cabeça da jovem. diretos.

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5. QUERER Obs.: A mesma regência cabe a desobedecer.
a) No sentido de desejar = T.D. Exemplo: O presidente do Senado não desobedeceu ao
Exemplo: Não quero o cargo. regimento da Casa.
b) No sentido de estimar, gostar = T.I. (com a prep. a).
11. CHEGAR
Exemplo: Não quero bem aos caluniadores.
É intransitivo e rege a preposição a antes do adjunto adver-
6. INFORMAR bial que indica o destino da ação.
Como transitivo direto e indireto, admite duas construções: Exemplo: Cheguei ao local, atrasado.
a) coloca-se o nome da pessoa como objeto direto e o da Na língua culta escrita há diferença entre chegar a e chegar
coisa como objeto indireto (com as prep. de ou sobre). em:
Exemplo: Informaram os alunos do resultado (ou sobre • o complemento precedido da preposição a indica o ponto de
o resultado). chegada, o ponto final da ação: O avião chegou ao seu
b) coloca-se o nome da coisa como objeto direto e o da destino.
pessoa como objeto indireto (com a prep. a). • o complemento precedido da preposição em indica o local
Exemplo: Informaram o resultado aos alunos. dentro do qual alguém ou algo chega: A comitiva chegou no
Obs.: Admitem a mesma construção que informar os avião da Varig.
seguintes verbos: Exemplos:
— avisar 1. O avião chegou a São Paulo (São Paulo é o ponto final
— certificar da ação).
— notificar 2. O papa chegou no avião da Alitalia (avião é o local/ o
— prevenir veículo dentro do qual o papa chegou).
7. PAGAR (PERDOAR) 3. O papa chegou a São Paulo no avião da Alitalia.
a) Quando o objeto é nome de coisa = T.D. Obs.: A mesma descrição vale para o verbo ir.
Exemplo: Não pagamos os salários de dezembro. Exemplos:
b) Quando o objeto é nome de pessoa = T.I. (com a prep. a). 1. O presidente irá ao Paraguai (Paraguai é o destino da
Exemplo: Ninguém pagou ao conferencista. ação).
Obs. 1) O mesmo verbo pode ser transitivo direto e indireto. 2. O presidente irá no avião presidencial (avião é o local/
Exemplo: Pagaram o salário ao funcionário. veículo dentro do qual o presidente vai).
Obs. 2) A mesma regência do verbo pagar cabe a perdoar. 3. O presidente irá ao Paraguai no avião presidencial.
Exemplo: Perdoaram o crime.
Perdoaram ao criminoso. OBSERVAÇÕES
Perdoaram o crime ao criminoso.
1) Não se pode dar um único complemento a verbos de
8. ESQUECER regências diferentes.
a) Não pronominal = T.D. É errado dizer: Vi e gostei do filme.
Exemplo: Esqueci os documentos. É correto dizer: Vi o filme e gostei dele.
b) Pronominal = T.I. (com a prep. de). Vi o filme do qual gostei.
Exemplo: Esqueci-me dos documentos. 2) Quando o pronome relativo funciona como complemento de
c) Pode-se colocar o nome da coisa como sujeito, e o verbo um verbo, deve respeitar a regência desse verbo.
ganha o sentido de cair no esquecimento.
Exemplo: Esqueceram-me os documentos. Exemplos:
Obs.: A mesma regência é válida para o verbo lembrar:
Gostei do filme ∅ que vi.
a) Lembro os fatos.
b) Lembro-me dos fatos. a que assisti.
c) Lembram-me os fatos.
de que falaste.
9. PREFERIR a que te opuseste.
É transitivo direto e indireto e constrói-se assim: de que te queixaste.
— coloca-se no objeto direto a coisa mais apreciada e no
objeto indireto a coisa menos apreciada (com a prep. a).
Exemplo: Todos preferem o amor ao ódio. 3) Verbo transitivo indireto não admite voz passiva.
É errado dizer: O cargo é aspirado por nós.
10. OBEDECER (DESOBEDECER) 4) Como complementos de verbo, os pronomes o, a, os, as só
Sempre transitivo indireto (com a prep. a). funcionam como objeto direto; os pronomes lhe, lhes só
Exemplo: Não se obedece aos impulsos primários. funcionam como objeto indireto.

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Exemplos: 3. A propósito do uso dos pronomes oblíquos o e lhe, há dife-
O médico assistiu o paciente. renças nítidas entre a linguagem popular e a culta escrita. Co-
O médico assistiu-o. mo se sabe, esta variante lingüística não admite certos usos
que são comuns naquela.
O mesmo direito assiste a todos os cidadãos.
Assinale a alternativa em que o uso de um desses pronomes
O mesmo direito lhes assiste.
contraria a norma culta escrita.
Deve-se, no entanto, insistir no que já foi observado após o a) Certos médicos se recusam a assistir doentes que não lhes
item 3: agradam.
• assistir no sentido de ver, b) O FMI tem exigido um controle austero da nossa econo-
• aspirar no sentido de almejar, mia, mas esse tipo de controle o povo não o quer.
• visar no sentido de ter em vista, c) O poder é sempre sedutor; não há quem não lhe aspire.
apesar de transitivos indiretos, não admitem o pronome lhe d) O povo não pode ser impedido de protestar; assistem-lhe
(lhes) como complemento. Não admitem também o (a, os, as), razões de sobra para isso.
que funciona como objeto direto. e) Com toda a certeza, os filhos não querem aos pais como
Nos sentidos acima descritos, tais verbos só admitem como os pais lhes querem.
complemento as formas oblíquas tônicas do pronome de terceira 4. Leia o trecho que segue:
pessoa:
Fascinado pelo gorila, um visitante do zoológico tentou
— a ele agradá-lo, mas a reação histérica do animal não deixou a
— a ela menor dúvida de que o atrevimento do admirador não lhe
— a eles agradou.
— a elas Sabe-se que, como complemento do verbo, o pronome o só
Exemplos: pode ser objeto direto; na mesma função, o lhe só pode ser
objeto indireto.
• Todos assistiram ao filme.
— Todos assistiram a ele. a) Pode-se dizer que o emprego desses pronomes está cor-
reto no trecho acima transcrito?
• Todos os competidores aspiram ao título.
Estão corretos ambos os pronomes.
— Todos os competidores aspiram a ele.
• A medida do governo visa ao controle dos gastos. b) Justifique sua resposta.
— A medida do governo visa a ele. Na primeira ocorrência, o verbo agradar significa
acariciar, afagar. Nesse sentido, é transitivo direto e
admite o o como complemento.
Exercícios Na segunda ocorrência, agradar significa satisfazer,
Questões 1 e 2 causar agrado. Nesse sentido, é transitivo indireto
Assinale a alternativa em que a regência verbal está em desa- e admite o lhe como objeto.
cordo com a norma culta escrita.
1. a) Junto com a poeira da sala, a empregada aspirou um 5. No âmbito da regência, certas diferenças que a língua culta
brinco de diamante. escrita preserva, não são levadas em conta na língua popular.
b) Poucos são os que, hoje em dia, aspiram ao magistério. Por isso, certas frases do falar cotidiano dão um sentido mui-
c) Pela TV, o pai assistiu ao desabamento da casa e o deses- to estranho se forem interpretadas dentro do rigor da norma
pero da família. culta escrita. É o que ocorre com o trecho transcrito a seguir.
d) Não há advogados dispostos a assistir gratuitamente os No tempo em que se escreviam cartas, era comum um des-
detentos com pena já vencida. fecho como este:
e) Pela nova lei, assiste aos detentos o direito de receber Mãe, aqui se despede o filho que muito a quer.
suas mulheres no cárcere. a) Levando em conta nosso conhecimento de mundo, que
2. a) Felizmente, ainda existem no mundo pessoas que visam sentido se atribui a essa despedida do filho?
ao bem da coletividade. O sentido de uma despedida seguida de uma decla-
b) Os atletas deverão comparecer à Embaixada, dia 6, para
ração de afeição do filho.
visar os passaportes.
c) Atiradores de elite, de armas em punho, visavam os dois b) Interpretando ao pé da letra, dentro do rigor da língua
seqüestradores que ocupavam a cabine do avião. culta escrita, qual o sentido do trecho o filho que muito
d) Há programas deprimentes na nossa televisão: ninguém a quer?
deveria assisti-los.
e) A contragosto, assistiu em São Paulo durante os cinco
Significa: o filho que muito a deseja, que a quer ter co-
anos do curso superior. mo posse.

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c) Levando em conta a intenção de um filho normal, qual b) No rigor da língua culta escrita, a última fala do diálogo
seria a redação desse trecho na língua culta escrita? teria um sentido muito estranho. Qual é esse sentido?
Mãe, aqui se despede o filho que muito lhe quer. O de que o Atílio foi em cima do Zé, montado no Zé,
algo assim.
6. Para resolver esta questão, lembre-se de que os verbos
avisar e prevenir têm a mesma regência de informar.
c) Considerando a intenção do irmão de Atílio, como ficaria
Assinale a alternativa em que a regência de um deles não está a fala final na língua culta escrita?
de acordo com a norma culta escrita.
Não. Ele foi ao José (ou até o José).
a) Um grande painel no estádio informava os torcedores so-
bre os resultados dos demais jogos.
14. “Quero antes um asno que me carregue do que um cavalo
b) Nas ditaduras são comuns os alcagüetes, delatores que in-
que me derrube.”
formam tudo ao governo.
c) A queda das folhas informa ao camponês a chegada do Permute quero por prefiro e reescreva o trecho, fazendo
outono. as adaptações exigidas pela norma culta da língua.
d) Chegam notícias prevenindo os brasileiros do risco de Prefiro um asno que me carregue a um cavalo que me
uma epidemia de gripe. derrube.
e) Três tiros avisaram-lhe da chegada da polícia ao morro.
15 . Observe:
Questões 7 a 12
a) Eu gosto e estudo música. (Errado)
Nas frases que seguem, a regência verbal está de acordo com b) Eu gosto de música e a estudo. (Certo)
as normas da língua popular. Transcreva-as, fazendo as alte-
rações exigidas pela língua culta escrita. De acordo com o exemplo acima, corrija:
a) A maioria dos deputados vai e volta de Brasília toda se-
7. Deixei com a empregada o dinheiro para pagar o jornaleiro.
mana.
Deixei com a empregada o dinheiro para pagar ao jor-
A maioria dos deputados vai a Brasília e volta de lá
naleiro.
toda semana.
8. Que Deus perdoe esses pobres coitados! b) O autor da resenha disse que leu e não gostou do livro.
Que Deus perdoe a esses pobres coitados!
O autor da resenha disse que leu o livro e não gostou
9. Prefiro mais o frio que o calor. dele.
Prefiro o frio ao calor. Melhor ainda:
O autor da resenha disse que não gostou do livro que
10. Ninguém esquece do primeiro amor.
Ninguém esquece o primeiro amor/ Ninguém se esquece leu.

do primeiro amor. 16. Vovô bebe mas não gosta de vinho tinto.
Um falante normal do Português, fazendo uso de sua intuição,
11. Ele não lembra nem do próprio nome pode dar duas interpretações distintas para esse fragmento.
Ele não lembra nem o próprio nome/ Ele não se lembra a) Quais são as duas interpretações?
nem do próprio nome. Primeira: Vovô bebe vinho tinto mas não gosta dessa
bebida. No caso, o termo de vinho tinto seria objeto
dos verbos bebe e gosta.
12. O carro não obedeceu o comando do piloto.
O carro não obedeceu ao comando do piloto. Segunda: Vovô ingere bebida alcoólica mas não gosta
de vinho tinto. No caso, o termo de vinho tinto seria
13. Observe este diálogo: considerado como objeto apenas do verbo gosta. O ob-
— Alô! Quem fala?
— Aqui é o irmão do Atílio. jeto de bebe ficaria implícito e seria preenchido por nos-
— Aqui é a Fernanda! O Atílio está? so conhecimento de mundo (conhecimento pragmá-
— Não. Ele foi no Zé.
tico).
a) Nos padrões da fala coloquial popular, o que o irmão de
Atílio quis dizer para Fernanda?
Que o Atílio foi até a casa do Zé.

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b) Considerando o modo como está redigida, essa frase só é
ORIENTAÇÃO DE ESTUDO
considerada correta pelos gramáticos numa das duas
versões. De qual das duas se trata?
 Livro 1 — Gramática
A redação só é considerada correta pelos gramáticos Caderno de Exercícios — Unidade I
na segunda versão.

17. É muito comum, na fala popular, uma frase desse tipo: Tarefa Mínima
Eu voto no político que confio. AULA 44
a) Reescreva-a, adaptando-a às normas da língua culta • Leia os itens 1 a 7, cap. 13.
escrita. • Resolva os exercícios 1 a 4, série 13.
Eu voto no político em que confio.
AULA 45
b) Permute confio por
• Leia os itens 8 a 22, cap. 13.
• gosto
• Resolva os exercícios 8, 9, 10, 11 e 25, série 13.
• me identifico
e reescreva a frase com as adaptações necessárias.
Eu voto no político de que gosto. Tarefa Complementar
Eu voto no político com que me identifico. AULA 45
• Resolva os exercícios 13, 14, 16, 19, 20 e 21, série 13.
18. A regência é um dos mecanismos de estruturação da frase.
Em outros termos, serve para estabelecer correlações entre
as palavras do enunciado.
Nos trechos a seguir, a alteração da regência verbal produz al-
teração sintática e semântica no enunciado. Descreva a di-
ferença de sentido entre eles:
I. A escultura retrata uma serpente que o jovem dá aos ratos
como alimento.
II. A escultura retrata uma serpente a que o jovem dá os ratos
como alimento.
Em I, a presença da preposição a antes de os ratos e
sua ausência antes do que serve para dizer que os
ratos são beneficiários da ação e a serpente (que) é a
vítima, o paciente da ação.
Em II se dá exatamente o inverso.

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