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Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA

Centro de Ciências Humanas - CCH


Curso de História 6° Período
Disciplina: História Moderna II
Acadêmico (a): Maely Mesquita

FICHAMENTO & RESENHA

A Revolução Inglesa de 1640

Christopher Hill.

SOBRAL

2018
“ ... a revolução inglesa de 1640-60 foi um grande movimento social, como a revolução
francesa de 1789” (p.11)

“A atitude ortodoxa tomada para com a revolução do século XVII é errônea porque não
procura ir além da superfície, porque considera os actores da revolução segundo o seu valor
facial e pressupõe que a melhor maneira de encontrar razões para a luta era tomar em
consideração o que os leaders diziam sobre essas razões” (p. 12)

“A explicação da revolução do século XVII mais comum, é a que foi apresentada pelos
leaders do Parlamento em 1640, nas suas declarações de propaganda e apelos ao povo. ”
(p. 13)

“... contudo a sua vitória era importante na medida em que punha alguns limites ao governo
autónomo das classes mais ricas da sociedade” (p. 14)

“As causas da guerra civil devem ser procuradas na sociedade, não nos indivíduos” (p.15)

“Ora, é verdade que a Revolução Francesa de 1789, foi uma luta pelo poder político,
econômico e religioso, empreendida pela classe média, a burguesia, que crescia em riqueza
e força à medida que o capitalismo se desenvolvia” (p.16)

“Os interesses defendidos pela monarquia do rei Carlos não eram, de modo algum, os do
povo em geral.” (p.17)

“a luta da classe média para sacudir o controlo exercido por este grupo não era meramente
interesseira; desempenhava uma função histórica progressiva.” (p.17)

“Era para vantagem da grande massa da população que o capitalismo devia possibilidade
de se desenvolver livremente” (p.17)

“Os novos progressos econômicos dos séculos XVI e XVII tornaram o velhos sistema
econômico, social e político irremediavelmente fora de moda.” (p. 17)
“Os Whigs sublinham a natureza progressiva da revolução e ignoram o facto de que a classe
que se colocou à cabeça e mais aproveitou das realizações, foi a burguesia” (p.18)

“Uma terceira teoria, mais familiar é posta em relevo por ambos os lados: que o conflito
tinha em vista decidir qual das duas religiões, o Puritanismo ou o anglicanismo, deveria ser
dominante em Inglaterra” (p.19)

“A igreja defendia, pois, a ordem vigente e era importante que o Governo mantivesse o seu
controlo sobre esta agência de publicidade e propaganda. Pela mesma razão, aqueles que
pretendiam derrubar o estado feudal tinham de atacar e de obter o controlo da Igreja. É por
isso que as teorias política tendiam a ser envolvidas numa linguagem religiosa ” (p. 21)

“Nessas circunstâncias, os conflitos sociais tornaram-se inevitavelmente conflitos


religiosos” (p. 22)

“Cada classe criava e procurava impor a perspectiva religiosa que, melhor condizia com as
suas próprias necessidades e interesses... era entre estes interesses de classes que se dava o
verdadeiro conflito: por detrás do pároco estava o nobre rural” (p.22)

“Durante séculos, a sociedade inglesa tinha sido feudal, constituída por comunidades locais
isoladas que produziam para o seu próprio consumo, sendo quase inexistente o comércio
entre elas. Mas gradualmente, entre os séculos XV e XVII, esta comunidade agrícola
começou a sofrer modificações” (p. 27)

“Todos estes acontecimentos modificavam a estrutura da sociedade rural inglesa. A terra


tornava-se um domínio extraordinariamente atraente para o investimento de capital” (p.29)
“Na Inglaterra feudal a terra passava de pai para filho, sendo sempre cultivada por meios
tradicionais... agora a lei adaptava-se as necessidades econômicas da sociedade e a terra
tornavase mercadoria, comprada e vendida num mercado competitivo... o capital
acumulado nas cidades era aplicado ao campo. ” (p.29)

“Tanto- na Idade Média como no século XVII a razão principal da importância de uma
propriedade residia no facto de proporcionar ao senhor das terras (através do seu controlo
do trabalho dos outros) os meios de subsistência” (p.30)
“...com o desenvolvimento do modo de produção capitalista dentro da estrutura do
feudalismo, muitos dos proprietários de terras começaram, quer a colocar no mercado essa
porção dos produtos que não era consumida pelas famílias, quer a arrendar as suas terras a
um agricultor, que produzia para o mercado. Assim, os proprietários encaravam os seus
domínios segundo uma nova perspectiva: como uma fonte de ganhar dinheiro, de lucros
que eram elásticos e podiam ser aumentados” (p.31)

“Efectivamente, eram os proprietários de terra que controlavam o governo local, como


senhores de vastos domínios ou juízes de paz. Apenas os aristocratas eram eleitos pelos
outros proprietários param representarem o condado do parlamento”. (p.33)

“Estas restrições mentiam-se no interesse da cora, da classe terratenente feudal, e em menor


grau da classe camponesa, desejosa de continuar na segurança dos velhos tempos, pagando
os empostos fixados há muito tempo. Esta rede legal tinha de ser despedaçada, para que o
capitalismo rural pudesse desenvolver ao máximo os recursos do interior. Os meios de
comunicação deficientes impediam, contudo, o total desenvolvimento de uma nacional,
restringiam as possibilidades da divisão do trabalho e, portanto, da evolução capitalista da
agricultura”. (p.35)

“Durante a Idade Média, o comércio e a indústria restringiam-se a acidades, onde eram


rigidamente controladas pelas guildes. Estão eram associações de produtores que
estabeleciam um monopólio sobre o mercado local e o mantinham restringindo a produção
e a concorrência, regulando os empregos e a qualidade da produção e controlando os
aprendizes e artífices [...] a teoria econômica feudal baseava-se na ideia de uma sociedade
comparativamente estável”.(p.46)

“As transformações agrarias foram causadas, em parte, pela maior procura de alimentos
destinados ás novas áreas urbanas, e em parte pelas necessidades de lá para indústria têxtil
em expansão, ou pela procura de minérios; em qualquer dos casos, as necessidades das
classes mercantil eram idênticas as dos agricultores capitalista e dos proprietários de terras
progressivos”. (p.49)
“Haviam em Inglaterra, um vasto capital que os comerciantes, os pequenos proprietários
rurais e os aristocratas ansiavam por investir no desenvolvimento industrial, comercial e
agrícola livre de restrições”. (p.50)

“O presbiterianismo (que advogava a abolição da nomeação dos bispos pelo rei e o domínio
de cada igreja por deãos – personalidades locais importantes) [...] A ênfase recaia sobre a
frugalidade e a sobriedade, o trabalho duro para o qual Deus tinha chamado o homem;
sobre o trabalho sem tréguas, fosse qual fosse a vocação, comerciante ou artesão, que cada
qual tivesse, mas sem fruição extravagante dos frutos desse trabalho, e com a constante
preocupação do dever, em detrimento do prazer “mundano”. (p.62)

“O talento de Oliver Cromwell manifestou-se pela primeira vez ao superar estas fraquezas,
mostrando que a guerra revolucionaria deve ser organizada de um modo revolucionário.
[...] “prefiro ter um capitão simples e rustico... Que saiba por que luta e ame aquilo que
sabe, do que um daqueles a quem chamais gentil – homens e que não passa disso”. (p.86,87)

“Formou-se o Novo Exercito Modelo, com a carreira aberta aos talentos, organizado a nível
nacional e financiado por uma nova taxa nacional”. (p.90)

“ Acto de navegação de 1651, o qual se tornou a base da propriedade comercial da


Inglaterra do século seguinte. Visava obter para os navios ingleses o comercio de
transportes da Europa, excluir todos os rivais. ” (p.102)

Resenha
(Citação do livro )

Na obra, Hill analisa o período entre os séculos XV e XVII mediante uma


abordagem histórica e crítica que identifica a força das classes em progresso, a burguesia,
os aspectos políticos e econômicos da sociedade da época.

A obra abordar fatos essenciais para o entendimento do surgimento da burguesia e


o processo da Revolução Inglesa onde se vê a colaboração no Parlamento entre a monarquia
Tudor, a pequena nobreza e a burguesia unidas por interesses que geraram no primeiro
momento uma conscientização nacional e uma aliança contra os inimigos internos que
seriam as guerras privadas, e contra os inimigos externos como a Espanha e a Igreja
Católica Internacional.

A burguesia por sua vez necessitava de uma proteção monárquica, e a Monarquia


dependeria dos empréstimos feitos junto à burguesia (protestante) para manter o sistema
feudal e separar a Inglaterra do domínio católico. Assim, funda-se o anglicanismo. Houve
uma tentativa de conciliação durante a dinastia Tudor, entretanto durante a dinastia Stuart,
os quais são representantes do catolicismo apostólico romano, a conciliação entre burguesia
e monarquia foi quebrada.

Ao passo que as mudanças acontecem a classe burguesa torna-se cada vez mais
definida e cristalizada, não aceitando mais práticas políticas impositivas. O autor identifica
a monarquia Stuart ligada à ordem feudal, com uma necessidade de manter cada um no seu
estamento, protegendo a aristocracia e o povo dos comerciantes, mas dependendo do
capital da burguesia, que custeava a monarquia em suas guerras e dava suporte a economia
nacional.

A burguesia em um primeiro momento contribui, mas exige do rei Carlos I a


assinatura da Petição de Direitos, restringindo seu poder real referente ao aumento de
impostos, prisões arbitrárias e o comprometimento de não manutenção de um exército por
parte do rei. Assim, Carlos I assina petições e utiliza dos recursos oriundos da burguesia, e
quando não precisa mais desse parlamento, o dissolve. Os acordos são rompidos e os
documentados são assinados por ele mesmo.
A Aristocracia por sua vez que representava a Câmara dos Lordes passa também a
ter motivos de votar contra o rei, associam-se sutilmente à burguesia. Tais fatores levam a
ter uma melhor compreensão do processo que gerou a Revolução Inglesa de 1640, aonde
o rei vai ser julgado executado.

A obra de Christopher Hill é escrita sob uma perspectiva marxista da década de


1950 de se ver a História. A visão materialista da história é a que prevalece em seus
argumentos. Hill apresenta a Revolução Inglesa sob uma ótica progressista, e por vezes
possui um tom teleológico ao analisar o evento.

A visão marxista de Hill faz-se importante para se estudar e analisar os detalhes da


Revolução Inglesa na época em que a obra foi pensada, mas não servindo mais é preciso
compreender outras nuances ao tentar explicar Revolução inglesa nos dias de hoje.

É necessário pontuar que a contextualização histórica e a influência ideológica,


fazem a obra de Hill muito importante para o estudo da Revolução Inglesa. Lembrando que
o autor produziu a obra durante o contexto histórico da Guerra Fria, dentro da polarização
e embates entre os defensores do capitalismo e os defensores do socialismo. Assim, para
aquela época essa forma de se pensar, observar e discorrer sobre os eventos da Revolução
Inglesa eram satisfatórias para as novas abordagens da História.

A obra de Christopher Hill é importante para refletirmos sobre os eventos ocorridos


na Inglaterra durante o século XVII, como um local onde as grandes transformações sócias
e econômicas a partir de uma nova ordem, estabeleceria a partir daquele momento, uma
nova ordem, um novo olhar para o mundo inteiro.