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Universidade Federal de São Carlos

Pró-Reitoria de Pesquisa

Coordenadoria de Iniciação Científica e Tecnológica

ANÁLISE DISCURSIVA DE CHARGES POLÍTICAS: MÍDIA, MEMÓRIA,


INTERDISCURSO E INTERDISCURSIVIDADE CULTURAL

Giovanna Santurbano da Silva

Curso de Bacharelado em Lingüística

Roberto Leiser Baronas

Letras/CECH

São Carlos, UFSCar, abril de 2011


1 Introdução ao Problema

Por que uma pesquisa de Iniciação Científica 1 sobre análise discursiva de


charges? Em que medida analisar o funcionamento discursivo de charges políticas
poderia nos levar a recorrer a categorias centrais da análise do discurso, fazendo-as
ranger? A charge interessa-nos pela relação de sentidos que estabelece não só entre o
acontecimento histórico e o acontecimento discursivo dado a circular, mas também e,
principalmente, pela relação estabelecida entre o discurso e os diferentes tipos de
interdiscurso que o sobredeterminam. Questionando-nos sobre a possibilidade de um
tratamento discursivo das charges, frente às abordagens pragmáticas e discursivas
dialógicas2, principalmente, acreditamos ser possível colocar em prática um dos
ensinamentos de Pêcheux, tal como foi lembrado por Denise Maldidier (2003, p. 15) 3: o
discurso não é qualquer coisa de empírico da qual se deveria fazer análise, mas é “um
lugar teórico onde se encontram intrincadas, literalmente, todas as questões sobre a
língua, a história e o sujeito”.

1
Esta pesquisa de Iniciação Científica faz parte das atividades de pesquisa desenvolvidas no Laboratório
de Estudos Epistemológicos e de Discursividades Multimodais – LEEDIM/UFSCAr-CNPq. Esse
laboratório está organizado em torno de dois grandes programas de pesquisa. No primeiro, objetiva-se
discutir inicialmente, os deslocamentos epistemológicos e metodológicos produzidos por autores
brasileiros e franceses no domínio da Análise do Discurso de orientação francesa do final dos anos oitenta
até os dias atuais; num segundo momento, verifica-se em que medida esses deslocamentos
epistemológicos e metodológicos podem ser aplicados a diferentes corpora de diferentes geografias e, por
último, faz-se uma descrição/interpretação da escrita da história linguageira dos conceitos da Análise do
Discurso de orientação francesa tanto na geografia francesa quanto na brasileira. No segundo, busca-se
compreender o modo como os mais diversos suportes midiáticos por meio de textos multimodais
constroem uma escrita da história de campanhas presidenciais brasileiras bastante distinta da história
oficial veiculada nos editoriais, nos artigos de opinião, nas análises políticas, por exemplo. Elege-se como
corpus de análise textos multimodais: fotografias derrisórias, fotomontagens, charges impressas, charges
eletrônicas, caricaturas políticas e, textos sobre o anedotário político brasileiro, veiculados por jornais,
sites e revistas brasileiras de grande circulação nacional durante os primeiros e segundos turnos das
campanhas presidenciais brasileiras de 1998, 2002, 2006 e 2010. A Análise do Discurso de orientação
francesa em diálogo com os estudos da Nova História são as perspectivas teórico-metodológicas que
sustentam os programas de pesquisa do LEEDIM. A criação do Laboratório justifica-se entre outras
razões diante da necessidade premente de se constituir redes de pesquisa envolvendo diversas
universidades brasileiras como forma de solidificar a pesquisa no campo das Ciências da Linguagem e,
sobretudo, nos domínios da epistemologia da Análise do Discurso e das discursividades multimodais
nessas instituições. O LEEDIM congregará pesquisadores de diversas Universidades Públicas Brasileiras
tais como a Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, a Universidade Federal de Mato Grosso -
UFMT, a Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT - e a Universidade Estadual da Bahia -
UNEB.
2
Uma representação metonímica desse tipo de abordagem é o ótimo trabalho de Edson Carlos Romualdo.
Charge jornalística: intertextualidade e polifonia: um estudo das charges da Folha de S. Paulo. Maringá:
Eduem, 2000.
Neste projeto de Iniciação Científica nos propomos a analisar charges veiculadas
na mídia impressa e digital brasileira que tiveram a então candidata à Presidente da
República Dilma Rousseff como alvo. Com esta pesquisa procuraremos compreender
em que medida a ordem da cultura sobredetermina a produção dessas charges. Como
recorte temporal elegemos o período que vai de abril a outubro de 2010, momento que
compreende tanto a fase preparatória, quanto a fase da campanha eleitoral à Presidência
da República propriamente dita. Pensamos em não estabelecer de antemão os suportes
midiáticos com os quais trabalharemos, pois como assevera Dominique Maingueneau,
(2007, p. 32 – 3):
Os analistas do discurso podem ainda construir corpus de elementos de diversas
ordens (palavras, grupos de palavra, frases, fragmentos de textos, [charges,
caricaturas, videomontagens, etc]) extraídos do interdiscurso, sem buscar
construir espaços de coerência, ou seja, sem procurar constituir totalidades.
Nesse caso, deseja-se, ao contrário, desestruturar as unidades instituídas por
meio da definição de percursos inesperados: a interpretação se apóia, assim,
sobre a explicitação de relações imprevistas no interior do interdiscurso.

No texto Observações sobre interdiscurso, publicado no livro Questões para


analistas do discurso4, partindo da idéia de que não existem questões esgotadas em AD,
Possenti discute a noção de interdiscurso fazendo uma reflexão cuidadosa das
postulações de Pêcheux, Courtine e Maingueneau. O percurso é mais que esclarecedor:
toca em pontos nevrálgicos das definições e permite perceber, a partir da consideração
de algumas análises, que é preciso tanto refinar definições, quanto reconhecer com
maior propriedade o que ocorre no funcionamento discursivo. As formulações de
interdiscurso e pré-construído presentes em Semântica e Discurso (1975) de Michel
Pêcheux são o ponto de partida de toda reflexão.
Possenti inicia apresentando duas teses de Pêcheux (1975, p. 162), que
reproduzimos a seguir:
Toda formação discursiva dissimula, pela transparência de sentido que nela se
constitui, sua dependência com relação ao “todo complexo com dominante” das
formações discursivas, intricado no complexo das formações ideológicas...

E continua, afirmando que o autor francês propõe

3
Denise Maldidier. A inquietação do discurso: (re)ler Michel Pêcheux hoje. Trad. Eni Orlandi. Campinas,
SP: Pontes, 2003.
4
POSSENTI, Sírio. Questões para analistas do discurso. São Paulo: Parábola editorial, 2009.
chamar interdiscurso a esse “todo complexo com dominante” das formações
discursivas, esclarecendo que também ele é submetido à lei de desigualdade-
contradição-subordinação que (...) caracteriza o complexo das formações
ideológicas.

Dessas formulações, Possenti destaca a afirmação da dependência da FD em


relação ao “todo complexo com dominante”; a caracterização desse todo complexo
como interdiscurso; e a insistência em se afirmar que uma FD depende do interdiscurso.
Toda essa caracterização apresenta-se a princípio muito aceitável, avalia o autor, mas, à
medida que outras categorias vão sendo definidas – como é o caso da noção de pré-
construído – começam a aparecer inconsistências. Destacamos, a seguir, a definição que
Pêcheux apresenta de pré-construído, tal como citada no artigo por Possenti (2009, p.
155):
O pré-construído “corresponde ao „sempre-já-aí‟ da interpelação ideológica que
fornece-impõe a „realidade‟ e seu „sentido‟ sob a forma de universalidade („o
mundo das coisas‟)” (164).

De acordo com essa noção, os sujeitos falam a partir do já-dito; entretanto,


analisa Possenti, não é exatamente o já-dito que o interdiscurso põe à disposição (ou
impõe) aos sujeitos? Só se poderia aceitar a “convivência”, numa mesma teoria, dessas
duas definições, em certos aspectos concorrentes, se se compreender „universalidade‟
como efeito de universalidade para determinada FD, e se assumir que nem todos dos
pré-construídos estão à disposição (ou são impostos) a cada sujeito, “mas apenas
aqueles que ele pode/deve dizer” (POSSENTI, 2009, 156).
Nessa perspectiva, o pré-construído não é da ordem do interdiscurso, mas da
ordem de cada formação discursiva ou daquelas com as quais cada uma mantém uma
relação de aliança (o que fica mais evidente ainda quando os pré-construídos se
articulam na forma de discurso transverso). Em outras palavras,
o “todo complexo” põe à disposição um conjunto x de pré-construídos, mas,
para cada sujeito, ou para cada “comunidade” de sujeitos (ou, ainda, para cada
FD), só são selecionáveis os pré-construídos aceitáveis para essa FD. Dizendo
de outro modo, só estão disponíveis, para cada FD, os pré-construídos cujo
sentido é evidente para essa FD. (POSSENTI, 2009, p. 156).

Desse modo, para Possenti não parece satisfatório definir de interdiscurso como
o todo complexo com o dominante; seria mais pertinente considerá-lo, como o faz
Courtine (1981), como o exterior específico que domina uma FD, “seja este exterior
outra FD determinada, ou um conjunto delas, com a qual, ou com as quais, uma relação
específica e relevante se mantém” (POSSENTI, 2009, p. 157).
A teoria do interdiscurso exige do estudioso, que se põe a analisar um corpus,
que ele analise “um discurso que se confronta com outro (e não com todos os outros)”
POSSENTI (2009, p. 159). O trabalho de Courtine (1981) é um bom exemplo disso, e
Possenti retoma parte das análises feitas pelo autor francês, a fim de mostrar ao leitor
que os enunciados dos comunistas dirigidos aos cristãos estabelecem relações com
formulações que se podem descobrir no processo discursivo inerente à formação
discursiva que o domina, o que implica, segundo o autor da coletânea, que cada
formação discursiva fornece os elementos a serem por ela retomados. Entretanto, a rede
interdiscursiva dos enunciados não se limita ao conjunto das formulações pertencentes à
FD que domina um discurso, porque essas mesmas formulações “só têm existência
discursiva na contradição que as opõe ao conjunto das formulações (...) produzidas em
CPs heterogêneas às suas” (POSSENTI, 2009, p. 160). Cada FD, portanto, fornece os
elementos a serem retomados por ela, e a outra FD, a antagonista, fornece os elementos
a serem recusados. Nessa perspectiva, a forma de incorporação dos pré-construídos e
dos já-ditos não é a mesma segundo se trate, em cada caso, de um ou de outro discurso;
o mesmo ocorre com o processo de contra-identificação da formação discursiva, que
tem a ver com o lugar de onde derivam esses pré-construídos.
Posteriormente, Possenti apresenta as formulações de Dominique Maingueneau
em relação ao interdiscurso, mostrando que o analista de discurso francês traz uma
contribuição muito relevante para pensar a noção. Maingueneau (2008) postula o
primado do interdiscurso, questionando a concepção primária de fechamento estrutural
da formação discursiva. Esse movimento acaba por resolver uma série de
incongruências presentes nas noções anteriores, visto que a questão não é mais analisar
as relações entre diversos “intradiscursos” compactos. O primado do interdiscurso exige
que se pense a presença do interdiscurso no coração do intradiscurso. Na análise de
Possenti (2009, p. 164), é da radicalidade dessa postulação que decorrerá
o caráter essencialmente dialógico de todo enunciado do discurso, a
impossibilidade de dissociar a interação dos discursos do funcionamento
intradiscursivo. Essa imbricação do Mesmo e do Outro rouba à coerência
semântica das formações discursivas todo o caráter de “essência”, cuja inscrição
na história seria acessória; não é dela mesma que a formação discursiva tira o
princípio de sua unidade, mas de um conflito regrado.
Essas são algumas das reflexões que Possenti realiza nesse artigo. Além da fina
revisão teórica que faz, mostrando que uma tentativa de comparação entre as versões de
Pêcheux e Courtine, de um lado, e de Maingueneau, de outro, esbarraria numa espécie
de incomensurabilidade, o autor ainda aponta, como já dissemos, para a necessidade de
uma melhor especificação sobre a natureza de certos elementos presentes nos discursos,
sem falar na interessante contribuição que dá nesse sentido, ao demonstrar, por meio de
resultados de análises, que há determinadas construções que parecem pré-construídos,
mas não são:

Há construções cujo efeito é idêntico ao do pré-construído, e que, no entanto,


não se encontram no interdiscurso. Ou seja, não pertencem, a rigor, a discurso
nenhum. A única explicação para seu aparecimento é um dos efeitos da relação
polêmica, o simulacro. (POSSENTI, 2009, p. 164)

Se por um lado tal como diz Possenti “há construções cujo efeito é idêntico ao do
pré-construído, e que, no entanto, não se encontram no interdiscurso. Ou seja, não
pertencem, a rigor, a discurso nenhum”, pois são o resultado de um determinado
simulacro, defendemos que há outras construções que são da ordem da cultura5. Trata-
se na verdade de um conjunto de saberes cuja memória que os faz dizer não é nem da
ordem do acontecimento discursivo, nem da do pré-construído e nem da do simulacro.
Entendemos que nesses casos se trata de uma interdiscursividade cultural.

5
Essa expressão foi utilizada pela Professora Doutora Maria Cristina Leandro Ferreira da UFRGS
durante a sua palestra no IV SEAD, realizado em Porto Alegre – RS em novembro de 2009.
2 Objetivos

2.1) Objetivo geral


Analisar charges veiculadas na mídia impressa e digital brasileira que tiveram a
então candidata à Presidente da República Dilma Rousseff como alvo, procurando
compreender em que medida a ordem da cultura, isto é, a interdiscursividade cultural,
sobredetermina a produção dessas charges.

2.2) Objetivos específicos


a) Compreender em que medida as charges que tomam a então candidata Dilma
Rousseff como alvo recuperam estereótipos cristalizados em nossa cultura sobre
determinados papéis da mulher na sociedade brasileira;
b) Apreender como as charges que tomam a então candidata Dilma Rousseff
como alvo contribuem para a legitimação de um conjunto imagens pejorativas,
preconceituosas acerca da então candidata, tais como assassina, falsa doutora, garota de
programa, entre outras;
c) Evidenciar que a mídia por meio do uso de textos chárgicos realiza todo um
trabalho de antecipação de práticas de retomada, de transformação e de reformulação
dos acontecimentos discursivos e de seus conteúdos.
3 Metodologia

Procuraremos analisar o nosso objeto no “entremisturar” descrição e


interpretação, isto é, faremos todo um trabalho de descrição minuciosa da materialidade
lingüística, imagética dos textos selecionados e no mesmo processo evidenciaremos
como essas materialidades trabalham os acontecimentos políticos dados a circular pela
mídia e como esses acontecimentos discursivos chárgicos são sobredeterminados pela
ordem da cultura. Tal procedimento metodológico como assevera Pêcheux (1982, p.
55): “não se constitui em duas fases sucessivas, mas de uma alternância, de um
batimento, não implicando que a descrição e a interpretação sejam condenadas a se
“entremisturar” no indiscernível”. Para a análise das charges veiculadas na mídia
impressa e digital brasileira que tiveram a então candidata à Presidente da República
Dilma Rousseff como alvo, procurando compreender em que medida a ordem da cultura
sobredetermina a produção dessas charges, adotaremos os seguintes procedimentos
metodológicos:
a) Descrever-interpretar a situação de enunciação – tipo de mídia (jornal, revista,
panfleto, etc), informações acerca da mídia (história, circulação – nacional,
regional, perfil de leitores, posicionamento ideológico, periodicidade da
publicação), tipo de suporte (impresso, eletrônico), a seção do jornal ou da
revista em que está inserido; tipo de texto (verbal, visual, acústico, multimodal –
fixo, em movimento), relações intertextuais com outros gêneros e sub-gêneros
(retoma algum texto/monumento já cristalizado em nossa sociedade?); marcas
autorais (assinada ou não);
b) Descrever-interpretar os protagonistas da enunciação – locutor, destinatário,
enunciador, enunciatário e alvo (o ator político satirizado);
c) Descrever-interpretar a temática que a enunciação veicula (política, ambiental,
econômica);
d) Descrever-interpretar os procedimentos lingüísticos; modalidade de língua
empregada (padrão, popular - tempos verbais, marcas de subjetividade – pessoa
e espacialidade) e imagéticos (traços do desenho, cromática) utilizados que
fazem funcionar a enunciação;
e) Descrever-interpretar os possíveis efeitos que produzem nos interlocutores (riso,
indignação...);
f) Descrever-interpretar em qual(is) formação(es) discursiva(s) o locutor está
inscrito e a quais formações discursivas a formação discursiva do locutor esta
associada;
g) Descrever-interpretar como a enunciação enquanto acontecimento discursivo
(charge, caricatura, videomontagem) se relaciona com o acontecimento histórico
que dá a circular humorísticamente;
h) Descrever-interpretar que percursos narrativos (narrativas do acontecimento) o
acontecimento discursivo dado a circular constrói;
i) Descrever-interpretar de que maneira a ordem da cultura ou interdiscursividade
cultural sobredetermina a produção destas charges.
4 Resultados Esperados
No caso das charges brasileiras que serão analisadas, perscrutamos a hipótese de
que a interdiscursividade cultural possui um peso decisivo na sobredeterminação dos
acontecimentos discursivos dados a ler. Acreditamos que nas charges em questão a
marca cultural possui uma força grande na transformação dos atores políticos em alvo
de comentários e questionamentos pejorativos, misturando as esferas pública e privada.
A marca cultural se constituiria em mais um dos dispositivos que regem os múltiplos
planos do discurso, isto é, a sua semântica global. 6
Com isso, esperamos que o estudo proposto possa levantar entre outras questões
que ao se estudar as charges se dê importância não apenas ao estudo dos efeitos visados,
como a grande maioria dos trabalhos que se debruçam sobre este objeto tem feito, mas
principalmente dos efeitos produzidos.

6
O caráter global desta semântica se manifesta pelo fato de ela restringe simultaneamente o conjunto dos
planos discursivos: tanto o vocabulário quanto os temas tratados, intertextualidade ou as instâncias de
enunciação. Trata-se, com isso, de libertar-nos de uma problemática do signo, ou mesmo da sentença,
para apreender o dinamismo da significância que domina toda a discursividade: o enunciado, mas também
a enunciação, e mesmo além dela, como se verá. Recusamos a idéia de que há, no interior do
funcionamento discursivo, um lugar onde sua especificidade se condensaria de maneira exclusiva ou
mesmo privilegiada (as palavras, as frases, os arranjos argumentativos, etc). O que leva a recolocar o
princípio de sua disseminação sobre os múltiplos planos do discurso. Não há mais, então, lugar para uma
oposição entre superfície e profundeza, que reservaria apenas para a profundeza o domínio de validade
das restrições semânticas (MAINGUENEAU, 2005, p. 22-3)
5 Forma de Análise dos Resultados

Pretendemos avaliar os resultados de nossa pesquisa de três maneiras.

Inicialmente, submeteremos resultados parciais de nosso trabalho em forma de painel à

comissão científica do congresso de iniciação científica e tecnológica da UFSCar em

outubro vindouro. Num segundo momento, depois de concluirmos o relatório final de

iniciação científica, elaboraremos um artigo científico e o submeteremos ao conselho

editorial de uma revista científica da área de lingüística com vistas a sua publicação. E,

por último, elaboraremos um projeto de pesquisa e o submeteremos a um Programa de

Pós-Graduação em Lingüística com vistas ao ingresso no mestrado.


6 Cronograma de Trabalho

O cronograma de trabalho pretendido é descrito abaixo:


Etapas Meses
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

1. Leitura da bibliografia eleita para a fundamentação X X X X X X X X X X

das análises;
2. Constituição do arquivo da pesquisa; X X X X

3. Recorte do corpus; X X

4. Análise do recorte; X X X

5. Elaboração do relatório parcial; X X

6. Elaboração do relatório final; X X X

7. Participação em eventos; X X

8. Elaboração de artigo a ser submetido a uma revista X

científica na área de linguagem.


7 Referências Bibliográficas

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