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ÍNDICE

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INTRODUÇÃO AO CURSO “GANBAROU ZE! – GRAMÁTICA JAPONESA”

I. BEM VINDO AO PAÍS DO SOL NASCENTE!

II. O NIHONGO, A LÍNGUA FALADA NO JAPÃO

III. O ERRO DOS MÉTODOS CONVENCIONAIS

IV. UM MÉTODO PARA SE APRENDER A GRAMÁTICA DO IDIOMA NIPÔNICO

V. COMO REALMENTE APRENDER ALGO?

VI. COMO REALMENTE APRENDER UM IDIOMA?

VII. APRENDER GRAMÁTICA É REALMENTE NECESSÁRIO?

LIÇÃO 1: HIRAGANA

1.1. POR QUE COMEÇAR PELA ESCRITA?

1.2. A HISTÓRIA DA ESCRITA NA LÍNGUA JAPONESA

1.3. CONHECENDO OS FONEMAS

1.4. A ENTONAÇÃO

1.5. O TRAÇADO

1.6. OS SONS MODIFICADOS

1.7. OS 「や」、「ゆ」、E 「よ」PEQUENOS

1.8. O「つ」PEQUENO

1.9. O SOM PROLONGADO


LIÇÃO 2: KATAKANA

2.1. O QUE É O KATAKANA?

2.2. CONHECENDO OS FONEMAS

2.3. O TRAÇADO

2.4. O SOM PROLONGADO

2.5. OS 「ア、イ、ウ、エ、オ」 PEQUENOS

2.6. O USO DO KATAKANA

2.7. A TRANSCRIÇÃO PARA O KATAKANA

LIÇÃO 3: O USO HISTÓRICO DO KANA

3.1. A QUESTÃO PRONÚNCIA X ESCRITA

3.2. O ALINHAMENTO DA ESCRITA COM A PRONÚNCIA MODERNA 

LIÇÃO 4: KANJI I – CONHECIMENTOS BÁSICOS

4.1. O KANJI NA LÍNGUA JAPONESA ATUALMENTE

4.2. AS LEITURAS ON E KUN

4.3. COMO LER OS KANJIS: REGRA BÁSICA (E BEM BÁSICA MESMO)

4.4. LEITURAS ESPECIAIS

4.5. FURIGANA E KUMIMOJI

4.6. O TRAÇADO

LIÇÃO 5: KANJI II – ASPECTOS SOBRE SUA FORMAÇÃO E APRENDIZADO

5.1. AS CATEGORIAS DE KANJI

5.2. OS RADICAIS

5.3. COMO APRENDER KANJI?

5.4. PORQUE OS JAPONESES AINDA USAM O KANJI?

LIÇÃO 6: ROOMAJI

6.1. O QUE É O ROOMAJI?

6.2. O SISTEMA HEPBURN

6.3. O SISTEMA NIPPON


6.4. O SISTEMA KUNREI

6.5. OUTROS SISTEMAS DE ROMANIZAÇÃO

LIÇÃO 7: OS SINAIS DE PONTUAÇÃO

7.1. INTRODUÇÃO

7.2. SINAIS BÁSICOS USADOS NA ESCRITA

7.3. SINAIS DE REPETIÇÃO

7.4. COLCHETES E ASPAS

7.5. OUTROS SINAIS

7.6. O KAOMOJI

LIÇÃO 8: O IDIOMA DO MUNDO REAL

8.1. COMPREENDENDO UM NATIVO

8.2. PRINCÍPIOS DA LINGUAGUEM INFORMAL

8.3. USANDO AS PALAVRAS CORRETAS PARA SE EXPRESSAR

LIÇÃO 9: ETIMOLOGIA

9.1. A ORIGEM DAS PALAVRAS

9.2. YAMATO-KOTOBA

9.3. KANGO

9.4. KANGO, O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA?

9.5. GAIRAIGO

9.6. MORFOLOGIA DA LÍNGUA JAPONESA

9.7. OS AFIXOS

9.8. ABREVIAÇÕES

9.9. A EVOLUÇÃO DA PRONÚNCIA

9.10. O FENÔMENO “PALAVRA INVERTIDA”

9.11. O SENTIDO DAS PALAVRAS

9.12. AS PARTES DO DISCURSO

LIÇÃO 10: SUBSTANTIVOS


10.1. A DEFINIÇÃO DE “SUBSTANTIVO”

10.2. PLURALIZAÇÃO

10.3. GÊNERO E ARTIGO

LIÇÃO 11: PRONOMES

11.1. O QUE SÃO PRONOMES?

11.2. PRONOMES DE PRIMEIRA PESSOA

11.3. PRONOMES DE SEGUNDA PESSOA

11.4. PRONOMES DE TERCEIRA PESSOA

11.5. SUFIXOS DE NOMES E TÍTULOS

LIÇÃO 12: AS BASES DE CONJUÇÃO E OS VERBOS

12.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS ACERCA DOS VERBOS

12.2. A EVOLUÇÃO DAS CLASSES VERBAIS

12.3. OS VERBOS GO-DAN

12.4. OS VERBOS KAMI’ICHI-DAN

12.5. OS VERBOS SHIMO’ICHI-DAN

12.6. VERBOS GO-DAN TERMINADOS EM 「いだん」/ 「えだん」+ 「る」

12.7. VERBOS IRREGULARES

12.8. A BASE REN’YOUKEI COMO UM SUBSTANTIVO

12.9. VERBOS COMPOSTOS

12.10. VERBOS “CANIVETES SUIÇOS”

LIÇÃO 13: PARTÍCULAS – INTRODUÇÃO

13.1. DEFININDO O QUE SÃO PARTÍCULAS

13.2. UMA “NOVA” CONJUGAÇÃO VERBAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

13.3. A PARTÍCULA DE OBJETO DIRETO 「を」

13.4. 「に」COMO PARTÍCULA DE ALVO

13.5. A PARTÍCULA DIRECIONAL 「へ」

13.6. A PARTÍCULA CONTEXTUAL 「で」


13.7. LOCALIZAÇÃO: USAR 「で」OU「に」?

LIÇÃO 14: FORMAS VERBAIS BÁSICAS E O ESTADO-DE-SER

14.1. O VERBO IRREGULAR CLÁSSICO 「あり」

14.2. A PARTÍCULA 「て」

14.3. O VERBO AUXILIAR 「た」

14.4. A FORMA NEGATIVA

14.5. CÓPULAS: O ESTADO-DE-SER

14.6. RESUMO DA LIÇÃO

LIÇÃO 15: PARTÍCULAS II

15.1.「は」 COMO PARTÍCULA DE TÓPICO

15.2.「が」 COMO PARTÍCULA IDENTIFICADORA

15.3. 「は」 VS.「が」: TENTANDO CLARIFICAR AS COISAS

15.4.「も」 COMO PARTÍCULA INCLUSIVA E ENFÁTICA

15.5. PARTÍCULAS DUPLAS I

LIÇÃO 16: ORDENANDO AS PALAVRAS

16.1. ORDENAMENTO PADRÃO DAS PALAVRAS

16.2. ORDENAMENTO CASUAL DAS PALAVRAS

LIÇÃO 17: VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS

17.1. OS VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS NO PORTUGUÊS

17.2. A DEFINIÇÃO EM JAPONÊS

17.3. A FORMAÇÃO DE VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS

17.4. VAMOS TENTAR SINTETIZAR!

LIÇÃO 18: ADJETIVOS

18.1. PROPRIEDADE DOS ADJETIVOS

18.2. KEIYOUDOUSHI

18.3. KEIYOUSHI

18.4. ALGUNS CASOS QUE MERECEM ATENÇÃO


18.5. DIZENDO QUE ALGO É FACIL OU DIFÍCIL DE FAZER

18.6. TRANSFORMANDO ADJETIVOS EM SUBSTANTIVOS

18.7. A BASE REN’YOUKEI COMO SUBSTANTIVO

18.8. USANDO VERBOS COMO ADJETIVOS

18.9. DIANTE DE UM VERDADEIRO QUEBRA-CABEÇA

LIÇÃO 19: PARTÍCULAS III

19.1. 「の」COMO PARTÍCULA ATRIBUTIVA, EXPLICATIVA E SUBSTITUTIVA

19.2. 「と」COMO PARTÍCULA INCLUSIVA E COMPARATIVA

19.3. 「や」COMO PARTÍCULA VAGA

19.4. 「か」COMO PARTÍCULA DE ALTERNATIVAS

19.5. PARTÍCULAS DUPLAS II

LIÇÃO 20: ONOMATOPEIAS

20.1. OS TRÊS TIPOS DE ONOMATOPEIA

20.2. ONOMATOPEIAS COMO OUTRAS PARTES DO DISCURSO

20.3. EXISTEM MUITAS ONOMATOPEIAS

LIÇÃO 21: ADVÉRBIOS

21.1. PROPRIEDADE DOS ADVÉRBIOS

21.2. FONTES DE ADVÉRBIOS

21.3. O SUBSTANTIVO 「よう」E O SUFIXO「みたい」

21.4. O QUE ACONTECEU COM 「おなじ」?

LIÇÃO 22: NOMINALIZAÇÃO

22.1. A DEFINIÇÃO DE “NOMINALIZAÇÃO”

22.2. A NOMINALIZAÇÃO NA LÍNGUA JAPONESA

22.3. HÁ DIFERENÇAS ENTRE 「の」e「こと」?

22.4. USANDO A PARTÍCULA 「と」PARA INTUIÇÕES E CITAÇÕES

LIÇÃO 23: KOSOADO E PALAVRAS INTERROGATIVAS

23.1. O QUE É “KOSOADO”?


23.2. PALAVRAS INTERROGATIVAS

23.3. ALGUMAS EXPRESSÕES ÚTEIS

LIÇÃO 24: OS DIVERSOS USOS DO VERBO 「言う」

24.1. USANDO「言う」PARA DEFINIR

24.2. USANDO「言う」PARA DEFINIR QUALQUER COISA

24.3. USANDO 「という」PARA REFORMULAR E FAZER CONCLUSÕES

24.4. USANDO 「って」 OU 「て」 PARA 「という」

24.5. USANDO 「つ」 NO LUGAR DE 「という」

LIÇÃO 25: NUMERAIS E CONTADORES

25.1. VISÃO GERAL

25.2. OS NÚMEROS KANGO

25.3. OS NÚMEROS NATIVOS

25.4. CONTADORES

25.5. OS NÚMEROS FORMAIS

25.6. INDICANDO ORDENAMENTO DE ALGO

25.7. O CALENDÁRIO JAPONÊS

LIÇÃO 26: PARTÍCULAS IV

26.1. AS PARTÍCULAS 「だけ」E 「のみ」

26.2. A PARTÍCULA「しか」

26.3. EXPRESSANDO O OPOSTO DE 「だけ」COM 「ばかり」

26.4. PARTÍCULAS DUPLAS III

LIÇÃO 27: VERBOS SUPLEMENTARES - INTRODUÇÃO

27.1. O QUE SÃO VERBOS SUPLEMENTARES?

27.2. O VERBO 「いる」PARA FORMA TE: ESTADO DURADOURO

27.3. O VERBO 「ある」PARA FORMA TE: ESTADO RESULTANTE

27.4. VERBOS PONTUAIS: O QUE SÃO ELES?

27.5. O VERBO 「おく」PARA FORMA TE: FUTURO EM MENTE


27.6. OS VERBOS DE MOVIMENTO 「行く」E 「来る」PARA FORMA TE

LIÇÃO 28: OS VERBOS “DAR” E “RECEBER”

28.1. CONHECENDO UM COSTUME JAPONÊS

28.2. QUANDO USAR 「あげる」

28.3. QUANDO USAR 「くれる」

28.4. AGORA, TUDO FICARÁ MAIS CLARO!

28.5. QUANDO USAR 「もらう」

LIÇÃO 29: FALANDO DE FORMA POLIDA

29.1. OS DIFERENTES NÍVEIS DE POLIDEZ

29.2. USANDO「ます」 PARA FAZER OS VERBOS POLIDOS

29.3. USANDO 「です」PARA AS DEMAIS CONSTRUÇÕES

29.4. 「です」NÃO É A FORMA POLIDA DE 「だ」!

29.5. A PARTÍCULA「か」EM QUESTÕES E ORAÇÕES SUBORDINADAS

LIÇÃO 30: FALANDO DE FORMA HONORÍFICA OU MODESTA

30.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS

30.2. SUBSTANTIVOS E NOMES DE PESSOAS

30.3. FORMA PARA OS VERBOS

30.4. E QUANTO AOS KEIYOUSHI?

LIÇÃO 31: VERBOS AUXILIARES –「れる」E 「られる」

31.1. CONHECENDO OS VERBOS AUXILIARES 「れる」E 「られる」

31.2. A FORMA POTENCIAL

31.3. A FORMA PASSIVA

31.4. A FORMA HONORÍFICA

31.5. A FORMA ESPONTÂNEA

LIÇÃO 32: FAVORES E SOLICITAÇÕES

32.1. A BASE MEIREIKEI: A FORMA DE COMANDO

32.2. PEDINDO FAVORES COM 「くれる」 OU 「もらう」


32.3. FAZENDO PEDIDOS (POLIDOS)

32.4. FAZENDO PEDIDOS (HONORÍFICOS)

32.5. USANDO 「ちょうだい」 PARA PEDIR DE FORMA CASUAL

32.6. USANDO 「なさい」 PARA FAZER SOLICITAÇÕES FIRMES, MAS POLIDAS

LIÇÃO 33: VERBOS AUXILIARES II – 「せる」E 「させる」

33.1. CONHECENDO OS VERBOS AUXILIARES 「せる」E 「させる」

33.2. A FORMA CAUSATIVA

33.3. A FORMA CAUSATIVO-PASSIVA

33.4. A FUNÇÃO DE EXPRESSAR A FORMA HONORÍFICA

33.5. A ORIGEM DAS FORMAS ESPECIAIS HONORÍFICAS DOS VERBOS

LIÇÃO 34: PARTÍCULAS V – FINAL DE SENTENÇAS

34.1. DEFININDO AS PARTÍCULAS DE FINAL DE SENTENÇA

34.2. AS PARTÍCULAS MAIS COMUNS

34.3. PARTÍCULAS ESPECÍFICAS DE GÊNERO

34.4. A PARTÍCULA CLÁSSICA「もがな」

LIÇÃO 35: COMPONDO SENTENÇAS I

35.1. DEFININDO “FRASE”, “ORAÇÃO” E “PERÍODO”

35.2. REVENDO ALGUNS CONCEITOS

35.3. EXPRESSANDO A CAUSA COM 「から」, 「ので」E 「ため(に)」

35.4. EXPRESSANDO FINALIDADE COM「ため(に)」,「のに」E 「ように」

35.5. EXPRESSANDO OPOSIÇÃO COM「のに」

35.6. EXPRESSANDO CONTRADIÇÃO COM 「が」E 「けど」

35.7. EXPRESSANDO VÁRIAS RAZÕES COM 「し」

35.8. EXPRESSANDO VÁRIAS AÇÕES OU ESTADOS COM 「たり」

LIÇÃO 36: VERBOS SUPLEMENTARES II

36.1. VERBOS SUPLEMENTARES COMUNS PARA A BASE REN’YOUKEI

36.2. VERBOS SUPLEMENTARES COMUNS PARA A FORMA TE


LIÇÃO 37: O SUFIXO CLÁSSICO 「む」

37.1. O VERBO AUXILIAR CLÁSSICO「む」 E SUA EVOLUÇÃO

37.2. A FORMA OU NEGATIVA

LIÇÃO 38: CONJECTURAS E SUPOSIÇÕES

38.1. EXPRESSANDO NÍVEIS DE CERTEZA

38.2. USANDO 「はず」 PARA DESCREVER UMA EXPECTATIVA

38.3. JULGANDO ALGO COMO UMA OBRIGAÇÃO USANDO 「べき」

38.4. IMAGINANDO UM RESULTADO USANDO 「~そう」

38.5. EXPRESSANDO UM BOATO USANDO 「そう(CÓPULA)」

38.6. EXPRESSANDO UMA ESPECULAÇÃO FUNDAMENTADA OU COMPORTAMENTO USANDO 「~らし


い」

38.7. ESPECULANDO COM 「よう」E「みたい」

38.8. EXPRESSANDO SIMILARIDADE COM 「っぽい」

LIÇÃO 39: A FORMA CONDICIONAL

39.1. EXPRESSANDO CONSEQUÊNCIA NATURAL USANDO 「と」

39.2. EXPRESSANDO UMA CONDIÇÃO GERAL USANDO「ば」

39.3. CONDICIONAL CONTEXTUAL: 「なら(ば)」

39.4. EXPRESSANDO UMA CONDIÇÃO GERAL USANDO「たら(ば)」

39.5. COMO「もし」SE ENCAIXA NISSO TUDO?

39.6. EXPRESSANDO UMA CONDIÇÃO COM RESULTADO NEGATIVO: 「ては」

39.7. ALGUMAS EXPRESSÕES COLOQUIAIS / ÚTEIS COM A FORMA CONDICIONAL

LIÇÃO 40: DEVERES

40.1. USANDO 「だめ」, 「いけない」E 「ならない」 PARA COISAS QUE NÃO DEVEM SER FEITAS

40.2. EXPRESSANDO COISAS QUE DEVEM SER FEITAS

40.3. MAIS ATALHOS PARA SE EXPRESSAR DEVERES

LIÇÃO 41: EXPRESSANDO DESEJOS E SUGESTÕES

41.1. EXPRESSANDO AÇÕES QUE VOCÊ DESEJA FAZER USANDO 「たい」

41.2. INDICANDO COISAS QUE VOCÊ QUER USANDO「欲しい」


41.3. EXPRESSANDO SINAIS APARENTES DE UMA EMOÇÃO COM 「がる」

41.4. USANDO 「つもり」PARA EXPRESSAR INTENÇÃO

41.5. USANDO A FORMA OU PARA INTENÇÕES E SUGESTÕES

41.6. FAZENDO SUGESTÕES USANDO OS CONDICIONAIS 「ば」 OU 「たら」

41.7. USANDO 「方」PARA SUGESTÕES

LIÇÃO 42: COMPONDO SENTENÇAS II

42.1. USANDO 「ながら」 PARA DUAS AÇÕES SIMULTÂNEAS E CONCESSÃO

42.2. OCORRÊNCIA EM CURSO, CONCESSÃO E TENDÊNCIA USANDO 「つつ」

42.3. USANDO 「がてら」PARA FAZER DUAS COISAS DE UMA SÓ VEZ

42.4. OS SUBSTANTIVOS 「とき」, 「あと」, 「まえ」,「あいだ」, 「うち」E 「ところ」

42.5. USANDO A “FORMA OU” PARA EXPRESSAR QUE ALGO ACONTECE INDEPENDENTEMENTE DE ALGO

42.6. USANDO 「ごとし」 PARA INDICAR SIMILARIDADE

42.7. USANDO 「まじき」 PARA INDICAR ALGO IMPRÓPRIO

42.8. USANDO 「であれ」 PARA INDICAR CONCESSÃO

42.9. INDICANDO O QUE ACOMPANHA ALGO COM 「とも」

42.10. MAIS CONSTRUÇÕES COM 「もの」

LIÇÃO 43: PARTÍCULAS COMPOSTAS

43.1. O QUE SÃO PARTÍCULAS COMPOSTAS?

43.2. USANDO 「によって」 PARA EXPRESSAR DEPENDÊNCIA

43.3. FAZENDO HIPÓTESES COM 「とする」

43.4. USANDO 「にとって」PARA DISCRIMINAR

43.5. USANDO 「について」PARA EXPRESSAR CONEXÃO

43.6. USANDO「にたいして」PARA CONFRONTAR

43.7. USANDO 「につれて」PARA EXPRESSAR AÇÃO CONJUNTA

43.8. USANDO 「をもとに(して)」 PARA INDICAR A ESSÊNCIA DE ALGO

43.9. USANDO 「をつうじて」 PARA INDICAR A VIA PARA ALGO

43.10. ALGUMAS PARTÍCULAS COMPOSTAS QUE CONTÊM 「ところ」


43.11. MAIS PARTÍCULAS COMPOSTAS

LIÇÃO 44: COMPONDO SENTENÇAS III

44.1. USANDO 「べく」PARA DESCREVER O QUE SE TENTA FAZER

44.2. EXPRESSANDO A INCAPACIDADE DE NÃO FAZER ALGO USANDO「~ざるを得ない」

44.3. EXPRESSANDO A INCAPACIDADE DE PARAR DE FAZER ALGO USANDO「~やむを得ない」

44.4. DIZER QUE ALGO É PROPENSO A OCORRER USANDO「〜がち」

44.5. DESCREVENDO UMA TENDÊNCIA NEGATIVA USANDO 「きらいがある」

44.6. USANDO 「まま」 PARA EXPRESSAR FALTA DE MUDANÇA

44.7. USANDO 「っぱなし」PARA DEIXAR ALGO DO JEITO QUE ESTÁ

44.8. USANDO 「いられない」 PARA EXPRESSAR ATOS QUE OCORREM NATURALMENTE

44.9. USANDO A DUPLA「と」 E O VERBO 「ある」 PARA EXPRESSAR UM RESULTADO ESPERADO

44.10. USANDO 「あっての」 PARA INDICAR UMA PROFUNDÍSSIMA RELAÇÃO

44.11. INDICANDO O QUE ACONTECE LOGO APÓS UMA AÇÃO COM 「がさいご」

LIÇÃO 45: PARTÍCULAS V

45.1. USANDO 「ほど」 PARA EXPRESSAR A EXTENSÃO DE ALGO

45.2. USANDO 「より」PARA FAZER COMPARAÇÕES

45.3. AS PARTÍCULAS 「なんか」, 「なんて」, 「なんと」, 「こそ」E 「など」

45.4. USANDO 「(で) さえ」 E「(で) すら」PARA DESCREVER O REQUISITO MÍNIMO

LIÇÃO 46: COMPONDO SENTENÇAS IV

46.1. USANDO「おろか」 PARA DIZER QUE NÃO VALE A PENA NEM CONSIDERAR

46.2. EXPRESSANDO O QUE OCORREU IMEDIATAMENTE APÓS USANDO 「とたん」

46.3. USANDO 「が早いか」 PARA DESCREVER O INSTANTE QUE ALGO OCORREU

46.4. USANDO 「や/や否や」 PARA DESCREVER O QUE ACONTECEU LOGO APÓS

46.5. USANDO 「そばから」 PARA DESCREVER UM EVENTO QUE OCORRE REPETIDAMENTE LOGO APÓS
OUTRO

46.6. USANDO 「思いきや」 PARA DESCREVER ALGO INESPERADO

46.7. USANDO 「~あげく(挙句)」 PARA DESCREVER UM MAU RESULTADO

46.8. CHEGANDO A UMA CONCLUSÃO COM 「わけ」


46.9. INDICANDO UMA IMPOSSIBILIDADE COM 「きんじえない」

46.10. O QUE SÃO OS “ADVÉRBIOS BIKKURI”?

LIÇÃO 47: PARTÍCULAS VI

47.1. USANDO 「も」 PARA EXPRESSAR QUANTIDADES EXCESSIVAS

47.2. USANDO 「っけ」PARA INDICAR DÚVIDA

47.3. USANDO 「や」PARA INDICAR INCERTEZA OU TOM EXCLAMATIVO

47.4. USANDO 「やら」PARA INDICAR INCERTEZA

47.5. USANDO 「くらい」PARA INDICAR DIMENSÃO ESTIMADA

47.6. USANDO 「ころ」PARA INDICAR UM MOMENTO NO TEMPO

47.7. USANDO 「きり」PARA INDICAR EXTREMA RESTRIÇÃO

47.8. USANDO 「ずつ」 PARA INDICAR IGUAL DISTRIBUIÇÃO

47.9. USANDO「とも」 PARA ADICIONAR ÊNFASE

47.10. USANDO「なり」 PARA LISTAR E EXPRESSAR O MOMENTO DE ALGO

47.11. USANDO「ものの」PARA EXPRESSAR ADVERSIDADE

47.12. USANDO「ものか」PARA ENFATIZAR (PERGUNTA RETÓRICA E SARCASMO)

47.13. USANDO「もので」PARA EXPRESSAR UMA CAUSA

47.14. USANDO「ものを」PARA EXPRESSAR ARREPENDIMENTO, VERGONHA

47.15. USANDO「だの」PARA INDICAR UMA LISTA REPRESENTATIVA

47.16. USANDO 「だに」 PARA EXPRESSAR O REQUISITO MÍNIMO

LIÇÃO 48: COMPONDO SENTENÇAS V

48.1. USANDO 「だらけ」 QUANDO UM OBJETO ESTÁ REPLETO DE ALGO EM TODOS OS LUGARES

48.2. USANDO 「まみれ」 PARA DESCREVER UMA COBERTURA

48.3. USANDO 「ずくめ」 PARA EXPRESSAR TOTALIDADE

48.4. EXPRESSANDO O QUE NÃO PODE SER FEITO COM「〜かねる」

48.5. INDICAR ENTREGA TOTAL E IMPRUDENTE USANDO「まくる」

48.6. USANDO 「ばかり」 PARA AGIR COMO SE ALGUÉM PUDESSE FAZER ALGUMA COISA

48.7. USANDO 「めく」 PARA INDICAR UMA ATMOSFERA DE UM ESTADO


48.8. USANDO 「~にこしたことはない」PARA EXPRESSAR QUE ALGO É ACONSELHÁVEL

48.9. MOSTRANDO DESPREZO POR UMA AÇÃO COM 「やがる」

48.10. ALGUMAS CONSTRUÇÕES MAIS AVANÇADAS COM A FORMA NEGATIVA

48.11. KOSOADO E SUA VERSATILIDADE

48.12. EXPLICANDO EM POUCAS PALAVRAS I

LIÇÃO 49: OS DIALETOS NO JAPÃO

49.1. O QUE É UM DIALETO?

49.2. OS DIALETOS NO JAPÃO

49.3. O DIALETO KANSAI

49.4. O DIALETO DE QUIOTO

49.5. O DIALETO DE TOHOKU

49.6. A PROVÍNCIA DE OKINAWA

LIÇÃO 50: ESTUDANDO EXPRESSÕES FIXAS I

50.1. O QUE ESTUDAREMOS?

50.2. EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS

50.3. ENCONTRANDO-SE COM PESSOAS PELA PRIMEIRA VEZ

50.4. REENCONTRANDO-SE COM PESSOAS

50.5. DESCULPANDO-SE E PEDINDO LICENÇA

50.6. AGRADECENDO AS PESSOAS

50.7. SAINDO DE UM LUGAR E RETORNANDO

50.8. DESPEDINDO-SE DE PESSOAS

LIÇÃO 51: COMPONDO SENTENÇAS VI

51.1. USANDO 「じゃん」 EM VEZ DE 「じゃ ない」 PARA CONFIRMAR

51.2. USANDO 「おかげ(で)」PARA INDICAR A CAUSA DE ALGO

51.3. USANDO 「せい(で)」PARA INDICAR A CAUSA DE ALGO

51.4. EXPRESSANDO CONCESSÃO COM AR DE DESGOSTO OU DESPREZO COM 「くせに」

51.5. EXPRESSANDO O QUE ACONTECE ENQUANTO ALGO PERMANECE VÁLIDO COM 「かぎり」
51.6. EXPRESSANDO O QUE ACONTECE LOGO EM SEGUIDA A ALGUMA COISA USANDO「かとおもえば」

51.7. EXPRESSANDO INCAPACIDADE PARA TERMINAR ALGO USANDO 「きれない」

51.8. EXPRESSANDO QUE ALGO ESTÁ RESTRITO A ALGUMA COISA USANDO 「にすぎない」

51.9. EXPRESSANDO CERTEZA COM 「にちがいない」

51.10. USANDO 「そう」 PARA INDICAR A QUASE CONCRETIZAÇÃO DE ALGO

51.11. EXPLICANDO EM POUCAS PALAVRAS II

LIÇÃO 52: ESTUDANDO EXPRESSÕES FIXAS II

52.1. あがってください — POR FAVOR, ENTRE

52.2. いらっしゃいませ — SEJA BEM-VINDO

52.3. おなかがすきました — ESTAR COM FOME

52.4. のどがかわいています — ESTAR COM SEDE

52.5. はらがたつ — ESTAR CHATEADO

52.6. いただきます — DITO ANTES DAS REFEIÇÕES

52.7. ごちそうさま(でした) — DITO DEPOIS DE COMER

52.8. おせわします — DAR ASSISTÊNCIA A ALGUÉM

52.9. おせわになります — RECEBER ASSISTÊNCIA

52.10. おねがいします — POR FAVOR

52.11. たのむ — POR FAVOR

52.12. おひさしぶりです — HÁ QUANTO TEMPO!

52.13. おめでとうございます — PARABÉNS

52.14. きをつけてください — SEJA CUIDADOSO

52.15. ごめんください — POR FAVOR, DESCULPE

52.16. ごめんなさい — POR FAVOR, PERDOE-ME

52.17. もうしわけありません — PEDIDO EXTREMO DE DESCULPAS

52.18. しかたがない — NÃO HÁ COMO EVITAR

52.19. いけない — OH, NÃO!

52.20. どうした — O QUE ACONTECEU?


52.21. もしもし — ATENDENDO AO TELEFONE

52.22. もったいない — QUE DESPERDÍCIO!

LIÇÃO 53: COMPONDO SENTENÇAS VII

53.1. USANDO 「あまり」 PARA INDICAR EXCESSO DE ALGO

53.2. INDICANDO UMA CIRCUNSTÂNCIA OU OCASIÃO COM 「ばあい」

53.3. INDICANDO DUAS AÇÕES SEQUENCIAIS PLANEJADAS COM 「しだい」

53.4. USANDO 「たび」 PARA INDICAR O QUE ACONTECE TODA VEZ EM DETERMINADA CIRCUNSTÂNCIA

53.5. OUTRAS MANEIRAS DE EXPRESSAR ALTERNATIVAS

53.6. USANDO 「っこない」 PARA INDICAR IMPOSSIBILIDADE DE ALGUMA AÇÃO

53.7. INDICANDO A QUEM SE APLICA UM DETERMINADO OBJETO COM 「むき」 E 「むけ」

53.8. EXPRESSANDO CONTRARIEDADE COM 「とはいえ」

53.9. E A CÓPULA 「たる」 AINDA VIVE

53.10. INDICANDO O MELHOR A SE FAZER COM 「まで」

53.11. VAMOS ELEVAR O NOSSO KI!

53.12. EXPLICANDO EM POUCAS PALAVRAS III

SUPLEMENTO I: O TESTE DE PROFICIÊNCIA NA LÍNGUA JAPONESA (JLPT)

S1.1. O QUE É O JLPT?

S1.2. COMO É O TESTE?

S1.3. OS CRITÉRIOS PARA APROVAÇÃO

S1.4. COMO É FEITO O CÁLCULO DA PONTUAÇÃO?

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BEM-VINDO, CARO INTERNAUTA!!

Você está no blog “Ganbarou Ze! – Gramática Japonesa”.

Falando um pouco sobre mim, eu me chamo Nelson e sou descendente de japoneses.


Aos 2 anos de idade fui diagnosticado com paralisia cerebral e o médico disse que o
máximo que eu poderia fazer era ficar vegetando numa cama.

Depois de meus pais muito brigarem e correrem atrás, aos 4 anos de idade, comecei o
meu tratamento na AACD, onde permaneci por 10 anos.

Hoje, depois de muitas cirurgias (20 mais ou menos) e tratamento, estou andando de
muletas, trabalho, sou formado em Gestão Financeira e curso MBA em Controladoria
e Finanças. 

Bem, mas vamos para a língua japonesa, que é o que nos interessa: sempre fui muito
fã de seriados japoneses, animês e video-games e esse meu gosto me fez despertar
ainda mais o apreço pela língua e cultura japonesa.

Mas uma coisa me intrigava: a maioria dos melhores sites  / livros sobre a língua
japonesa estava escrita em inglês! 

Conheci o site do Tae Kim. Achei a abordagem dele excelente e inovadora, mas eu
queria conhecer mais sobre a língua japonesa. Então, passado um tempo, deparei-me
com o site Imabi e, através dele, conheci o espetacular livro Classical Japanese: A
Grammar de Haruo Shirane. A partir daí me interessei pelo Japonês Clássico e
comecei a pesquisar mais sobre o assunto na internet.
Com essas três “ferramentas” – Manual do Tae Kim, Imabi e Japonês Clássico –, as
Com essas três “ferramentas” – Manual do Tae Kim, Imabi e Japonês Clássico –, as
coisas começaram a ficar muito mais claras e o aprendizado havia se tornado ainda
mais divertido e intrigante. Resolvi, então, juntar as minhas pesquisas em um
arquivo de Word: tudo que encontrava e achava interessante, eu traduzia e colocava
nele. Depois de 3 anos de pesquisas, esse arquivo chegou à marca de 400 páginas.

Então, pensei: “por que não compartilhar as minhas pesquisas?”

Então, caríssimo, eis aqui o resultado delas. Este blog, totalmente em português e
gratuito, tem por finalidade abordar a gramática da língua japonesa partindo do
ponto de vista japonês (como o Tae Kim faz) e também mostrar a evolução da língua
e os seus porquês (através do Japonês Clássico) para que você disponha de
conhecimento para tentar entender sozinho determinado padrão gramatical, mesmo
sem tê-lo visto em um livro de gramática antes.

Aqui você encontrará 53 lições (na postagem abaixo você encontrará um índice. Se
preferir, baixe o índice em formato PDF aqui) que foram organizadas para que pouco
a pouco você acumule conhecimento da língua japonesa de modo que faça sentido.

As lições estão divididas em tópicos, e aconselhamos que você leia com calma cada
um deles até assimilar o conteúdo exposto. Não tenha pressa!

A partir da lição 12, começaremos a ver as primeiras sentenças, por isso, baixe a lista
de vocabulário neste link: lista de vocabulário.

ATENÇÃO: o blog é atualizado constantemente e, por isso, poderá haver palavras que
constam na lição, mas não na sua respectiva lista de vocabulário. Se isso ocorrer, por
favor, não deixe de nos avisar.

Caso você tenha conhecimento básico de inglês, recomendo que você baixe a
extensão Rikaichan. Assim, é só passar o mouse em cima das palavras em japonês e
aparecerá um popup com a tradução em inglês.
Para Chrome: Baixe aqui

Para Firefox: Baixe aqui

Como você deve ter notado, este blog ainda está “meio cru”. Portanto, busco pessoas
que possam colaborar com este blog, pois desejo montar uma equipe e deixá-lo cada
vez melhor! Se quiser entrar em contato, o e-mail é contato.ganbarouze@gmail.com

Por favor, procure postar suas dúvidas, sugestões ou críticas no fórum. Assim as
coisas ficarão melhor organizadas.

Como o conteúdo deste blog é muito grande (e tende a aumentar), adicionamos uma
caixa de pesquisa no lado direito, atendendo à sugestão de um de nossos leitores:

Ao utilizar a caixa de pesquisa, você será direcionado à(s) lição(ões) na(s) qual(is) a
estutura pesquisada é citada:

Por fim, quero deixar claro que não sou fluente em japonês e que este blog se
trata de material que venho pesquisando ao longo desse tempo. Portanto, sempre
que encontrar algo interessante, atualizarei algum tópico ou mesmo novas lições
poderão ser acrescentadas de acordo com as circunstâncias.

Tragam também material interessante que encontrarem. Também aprenderei muito


com vocês!
com vocês!

“Não palmilhe sempre o mesmo caminho, passando somente onde outros já passaram.
Abandone ocasionalmente o caminho trilhado e embrenhe-se na mata. Certamente
descobrirá coisas nunca vistas, insignificantes, mas não as ignore. Prossiga explorando
tudo sobre elas; cada descoberta levará a outra. Antes do esperado, haverá algo que
mereça reflexão.” (Graham Bell) 

Juntos, vamos dar o nosso melhor – GANBAROU ZE!

Brasil, 26/05/2014

Última atualização: 12/03/2016


– 10h:11min

Este blog é editado através do Open Live Writer, software de código aberto inspirado no Windows Live
Writer, cuja última versão data de 2012.

Se desejar, faça o download do Open Live Writer clicando na imagem abaixo:

5 comentários:

Leh ou Helena 3 de novembro de 2014 04:43


Olá, Nelson!
Vim aqui através da indicação da Herika, blogueira e admistradora da fanpage "Folhas soltas".
Não tenho palavras pra expressar minha admiração, pela persistência sua e de seus pais.
Também sou blogueira como você e iniciei por insistência de amigos pelos trabalhos
voluntários que fiz na época da crise de 2008, no Japão. Comecei devagar e depois passei a
compartilhar meus conhecimentos, tudo que aprendia sobre a cultura japonesa, sei que ainda
tenho muito a aprender.
Tenho total admiração por pessoas determinadas e tenho até publicado postagens sobre
vencedores como você.
Já estou curtindo sua fanpage, através do meu perfil pessoal e vou apoiá-lo, divulgando seu
trabalho através das redes sociais.
INTRODUÇÃO AO CURSO “GANBAROU ZE! – GRAMÁTICA
JAPONESA”
Bem-vindo ao curso “Ganbarou Ze!”, caro internauta. Primeiramente,
gostaríamos de agradecê-lo por nos escolher como seu guia no caminho para
domínio da língua japonesa. Recomendamos que você leia atentamente a
presente introdução ao curso (não a deixe de lado como muitos fazem com
prefácios de livros). Nela, tentamos expor de maneira clara qual será o nosso
intuito, além de dicas valiosas de como melhorar o aproveitamento de seus
estudos. Boa sorte!

I. BEM VINDO AO PAÍS DO SOL NASCENTE!

O Japão é um país insular da Ásia Oriental. Localizado no Oceano Pacífico, a leste do


Mar do Japão, da República Popular da China, da Coreia do Norte, da Coreia do Sul e
da Rússia, se estendendo do Mar de Okhotsk, no norte, ao Mar da China Oriental e
Taiwan, ao sul. Os caracteres chineses ( 日 本 ) (lição 4) que compõem seu nome
significam "Origem do Sol", razão pela qual o Japão é às vezes identificado como a
"Terra do Sol Nascente". Essa designação para o Japão vem da China devido à posição
geográfica relativa entre os dois países. Já o nome “Japão” trata-se de uma
aproximação da pronúncia chinesa para esses caracteres (“rìběn”). Ouça a
pronúnicia neste link.

O país é um arquipélago de 6.852 ilhas, cujas quatro maiores são Honshu, Hokkaido,
Kyushu e Shikoku, representando em conjunto 97% da área terrestre nacional. A
maior parte das ilhas é montanhosa, com muitos vulcões como, por exemplo, os Alpes
japoneses e o Monte Fuji. O Japão possui a décima maior população do mundo, com
cerca de 128 milhões de habitantes. A Região Metropolitana de Tóquio, que inclui a
capital de fato de Tóquio e várias prefeituras adjacentes, é a maior área
metropolitana do mundo, com mais de 30 milhões de habitantes.

Para melhor compreender a História do Japão, é comum dividi-la por Períodos (ou
Eras), e a mudança entre eles, em geral, é ditada pela ascensão de um novo
imperador. Entretanto, já houve mudanças de Períodos ditadas por eventos históricos
ou desastres. Desde 1867 na ascensão do imperador Mutsuhito foi adotado o sistema

que muda a era apenas a cada mudança de reinado, sendo iniciada uma nova era em
que muda a era apenas a cada mudança de reinado, sendo iniciada uma nova era em
1868 denominada era Meiji. A contagem das eras foi iniciada pelo imperador Kotoku
(597-654), sendo que este primeiro Período chamava-se “Taika”. A tradição não foi
mantida, mas foi retomada pelo imperador Mommu (683-707) e, desde então, tem
sido contada até os dias atuais. Vejamos:

Até 8000 a.C. - Período "Pré-Cerâmico" ou "Período Paleolítico"

É difícil determinar as origens da civilização japonesa. Há quem pense que a origem


do povo japonês é chinesa. No entanto, graças a vestígios arqueológicos, é possível
afirmar que já existiria vida no arquipélago há pelo menos 100 mil anos atrás, numa
época em que o Japão estava "colado" ao continente asiático.

8000 a.C. a 300 a.C. - Período Jomon

É nesta época que o territóro se torna um arquipélago, devido ao aumento da


temperatura e à consequente elevação do nível do mar. Nesta altura, a população
vivia em pequenas comunidades, dedicando-se à caça (uso do arco e flecha) e à
colheita, à olaria e desenvolvendo técnicas agrícolas (primeiras tentativas de plantio)
para a sobrevivência.

300 a.C. a 300 d.C. - Período Yayoi

Foi um dos períodos onde ocorreram mais mudanças, graças ao contato com outros
povos e culturas. Dos coreanos, os japoneses receberam algumas técnicas de plantio
do arroz e o trabalho com o metal (bronze e ferro). Já dos chineses receberam outras
artes e técnicas e um regime alimentar baseado em certo tipo de legumes (soja, azuki
e trigo) e de carne de animais (cavalos e gado).

300 d.C. a 593 d.C. - Período Yamato ou Kofun

O Japão dividiu-se em várias áreas com características geográficas e culturas


próprias. Novas artes e tecnologias (ferramentas agrícolas, armas,...) entram no
arquipélago, a arte de cerâmica desenvolveu-se e até a escritura chinesa entrou no
país para fins comerciais. Neste período houve uma invasão mongol, deu-se a
unificação do Japão como nação e do budismo que foi introduzido no país (538 d.C).

593 d.C a 710 d.C- Período Asuka

Foi um período conturbado, mas que trouxe muitas mudanças (Política, Filosofia,
Arquitetura) que se deveram, principalmente, ao budismo e ao confucionismo. Em
604 d.C, Shotoku cria a primeira Constituição do país. Neste período houve diversos
atentados à família imperial e muitas contendas entre famílias poderosas.

710 d.C a 794 d.C - Período Nara

Este período inicia-se com a transferência da capital para Nara. O crescimento


cultural e artístico foi enorme. A escrita chinesa (Kanji) foi adaptada para o japonês.
A sociedade em sua maioria era agrícola e dividida em aldeias. Houve um
crescimento do poder centralizado no país. O regime uji-kabane (grandes
crescimento do poder centralizado no país. O regime uji-kabane (grandes
proprietários) entra em decadência e floresce o regime Ritsurio (administrativo).

794 d.C a 1192 d.C - Período Heian

Com o Imperador Kammu, a capital muda para Heian (atual Quioto). No século X,
graças ao comando do clã Fujiwara, o Japão avançou muito na área cultural. Apesar
disso, as guerras pelo poder que opuseram alguns clãs nipónicos trouxeram
instabilidade política e o aparecimento dos samurais.

1192 d.C – 1333 d.C- Período Kamakura

A capital imperial passa a ser em Kamamura. Nesta era, destaca-se Minamoto


Yoritomo, o Xogum, que inicia uma época dominada pelos samurais cujo código de
honra é a base do governo. É nesta altura que se cria o regime militar conhecido
como Xogunato (ou bakufu). Com a família Hojo no poder, o país evolui novamente e
as relações com a China melhoram. Em 1274, o Povo Mongol tenta conquistar o Japão,
mas é derrotado pelos samurais.

1333 d.C a 1573 d.C - Período Muromachi

Ashikaga Takauji estabelece o Xogunato Muromachi, em Quioto. Apesar de violento,


este período foi marcado por grande evolução econômica e cultural (arquitetura,
pintura, poesia, canções, a cerimônia do chá (Chanoyu), o Ikebana (arte de arranjar
flores) e o teatro (Nô e Kyogen). O primeiro contato com o Ocidente dá-se com a
chegada dos portugueses ao Japão que trazem as primeiras armas de fogo e o
Cristianismo (graças ao jesuíta Francisco Xavier). O poder econômico passa para as
mãos dos daymios (senhores feudais da época) e ocorrem grandes batalhas pela
posse de territórios.

1573 d.C a 1603 d.C - Período Azuchi-Momoyama

Graças ao armamento fornecido pelos portugueses, o general Oda Nobunaga


conquista o poder, mas morre assassinado, antes de unificar o Japão num único
governo – ação que só o seu general, Toyotomi Hideyoshi, conseguiu levar a cabo. O
Japão conhece então uma grande evolução econômica e social e até faz duas
tentativas (falhadas) para conquistar a Coreia.

1603 d.C a 1868 d.C - Período Edo

Pela batalha de Sekigahara (1600), Tokugawa Ieyasu conquista o poder e o controle


total do país, estabelecendo-se na cidade de Edo (Tóquio). Emergem quatro classes
socias distintas (samurais, camponeses, artesãos e comerciantes) e os feudos são
distribuídos a pessoas de confiança do Xogum. Em 1633, o Cristianismo é proibido e
perseguido. O país fecha-se, apenas comunicando-se com o exterior através do porto
comercial de Nagasaki. Apesar disso, o Japão conhece um florescimento comercial.
Em finais do século XVIII, o Xogunato enfrenta contestações políticas internas.
Devido à Revolução Industrial do Ocidente, o Japão muda a sua política e reabre as

portas a outras culturas.


portas a outras culturas.

1868 d.C a 1912 d.C -Período Meiji

Com o Imperador Meiji deram-se grandes mudanças que trouxeram liberdade


religiosa, igualdade social, a abolição do feudalismo e um grande nacionalismo. Em
1880, devido ao investimento na industrialização do país, o Japão entra numa crise
que só será extinta com a criação do Banco do Japão. Foi nesta época que foi criada a
primeira Constituição. O Japão venceu duas guerras territoriais contra a China (1895)
e contra a Rússia (1905). Em 1910, o Japão ocupa o território coreano.

1912 d.C a 1926 d.C - Período Taisho

Neste período, o governo democrático ganhou grande força, o que permitiu que as
mulheres fossem socialmente mais participativas. Estando à mercê de tratados
anteriormente firmados, o Japão entrou na Primeira Guerra Mundial, ao lado dos
aliados. O fim da Guerra e o terremoto de 1923 agravaram a situação econômica do
país.

1926 d.C a 1988 d.C - Período Showa

A crise econômica mundial de 1929 impeliu os militares de tomar grande parte do


poder e a conquistar novos territórios, o que implicou a sua retirada da Liga das
Nações (1933). Na Segunda Guerra Mundial, o Japão alia-se à Alemanha e à Itália e
ataca a base americana Pearl Harbor no Havai (1941). Esta ação levou os EUA a
lançar bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim à guerra. Cerca de 2
milhões de japoneses morreram, parte do país ficou destruído e a economia ficou em
ruínas. O Japão foi ocupado pelas forças vitoriosas e foi criada uma nova Constituição
(1947). O imperador Hirohito perdeu o poder e surgiu uma nova forma de governo –
a monarquia constitucional, controlada por um parlamento. As relações exteriores
são reatadas em 1951. O Japão tornou-se rapidamente uma das principais potências
econômicas do mundo. Em 1973, a crise de petróleo leva o Japão a investir nas
indústrias de alta tecnologia.

1989 d.C aos dias atuais - Período Heisei

Akihito sucedeu ao seu pai, iniciando uma nova era marcada pela prosperidade e
tranquilidade. Apesar da catástrofe provocada pelo tsunami de 2011, o país soube
ultrapassar a tragédia com estoicismo e dedicação, continuando a apresentar uma
das mais altas taxas de crescimento do mundo.

II. O NIHONGO, A LÍNGUA FALADA NO JAPÃO

A língua japonesa (nihongo) é falada atualmente por cerca de 125 milhões de pessoas.
É oficial no Japão e é regional em Palau, uma república do Pacífico a leste das
Filipinas e administrada pelo Japão até a Segunda Guerra Mundial. Até pouco tempo
atrás, os linguistas classificavam o japonês como língua isolada, mas atualmente esta
faz parte da família japônica, da qual é a principal língua.

As línguas japônicas são uma família de línguas, supostamente proveniente de um


As línguas japônicas são uma família de línguas, supostamente proveniente de um
idioma comum chamado proto-japônico. Não há uma prova definitiva
universalmente aceita da relação entre as línguas japônicas e outras línguas, mas há
várias teorias apoiadas em uma série de evidências. A teoria mais aceita relaciona as
línguas japônicas com a antiga língua de Goguryeo. Outros vão mais além e incluem
uma família que inclui também os idiomas Fuyu e Baekje. Outra teoria, também
bastante aceita (embora durante muito tempo rechaçada por questões políticas) é a
correlação com o coreano, uma vez que a gramática é praticamente igual, embora o
léxico seja bastante diferente. Há uma teoria, aceita, mas ainda controversa, de que
as línguas japônicas integram as línguas altaicas. Por último, há uma teoria
relacionando as línguas japônicas às línguas do centro e sul do Pacífico, ou seja, às
línguas malaio-polinésias. Esta hipótese é considerada improvável pela maioria dos
linguistas.

Estudos lexico-estatísticos revelaram que o idioma moderno com o léxico mais


parecido com as línguas japônicas é o uigur, idioma aparentado ao turco.

Em vista da ausência de provas incontestáveis, alguns vêem nessas semelhanças um


simples "sprachbund" (do alemão Sprachbund, "união de idiomas") e que essas
semelhanças são apenas resultados da convivência entre esses povos da Ásia Central
ao longo de milênios.

Existem apenas sete línguas japônicas faladas atualmente, e estão divididas em dois
grupos: o japonês, que inclui o japonês oriental e o japonês ocidental (este, a língua
japonesa propriamente dita, falada em Tóquio), e o ryukyu, ao qual pertencem o
oquinauano (segunda língua japônica mais falada, depois do japonês), o miyako, o
amami, o yaeyama e o yonaguni.

Um grande número de dialetos locais ainda é utilizado. Enquanto o japonês padrão,


baseado na fala dos habitantes de Tóquio, foi se expandindo gradativamente pelo
país devido a influência das mídias como o rádio, a televisão e o cinema, os dialetos
falados em Quioto e Osaka, em particular, continuam se desenvolvendo e mantêm o
seu prestígio. O povo Ainu, baseado na ilha norte de Hokkaido, possui sua própria
linguagem, que constitui um grupo a parte, sem relação com o japonês.

É comum dividir a língua japonesa quanto a sua evolução em cinco períodos:

- Japonês Antigo (até o século 8): é a etapa mais antiga atestada do idioma japonês.
Através da propagação do budismo, o sistema de escrita chinesa (Kanji) foi importado
para o Japão. O fim do japonês antigo coincide com o fim do período de Nara em 794;

- Japonês Antigo Tardio ou Japonês Médio Precoce (século 9 a 11): é o japonês do


Período Heian (794-1185). Durante esse período dois novos silabários foram
inventados: Hiragana e Katakana, que eram muito mais simples que os Kanjis e
descreviam os sons existentes na língua japonesa. Livros famosos foram escritos
durante este período, como “O Conto de Genji”, “O Conto do Cortador de Bambu”, “Os
Contos de Ise” e muitos outros. Vê-se também vê uma quantidade significativa de
influência chinesa sobre a fonologia da língua. O termo"Japonês Médio Precoce " é
preferível, haja vista que aqui estamos situados mais perto Japonês Médio Tardio
preferível, haja vista que aqui estamos situados mais perto Japonês Médio Tardio
(depois de 1185) do que do Japonês Antigo (antes 794);

- Japonês Médio Tardio (século 12 a 16): é normalmente dividido em duas fases,


mais ou menos equivalentes ao Período Kamakura e ao Período Muromachi,
respectivamente. As formas posteriores são as primeiras a serem descritas por fontes
não-nativas, neste caso, os jesuíta e missionários franciscanos (por exemplo, na obra
“A Arte da Lingoa de Iapam”) . Algumas formas vez mais familiares aos falantes
japoneses modernos começam a aparecer;

- Japonês Moderno Precoce (século 17 a 19): é um período de transição em que a


língua deixa para trás muitas das suas características medievais e se aproxima de sua
forma moderna. O período durou cerca de 250 anos, estendendo-se do século 17 até a
metade do século 19. No início do século 17, o centro do governo saiu de Kamigata e
foi transferida para Edo sob o controle do shogunato Tokugawa. Até o período Edo, o
dialeto Kamigata, o ancestral do dialeto Kansai moderno, foi o dialeto mais influente.
No entanto, mais tarde, o dialeto Edo – o ancestral do dialeto de Tóquio moderno –
tornou-se o dialeto mais influente. Importante frisar que, como Tokugawa visava a
reconstrução do país, após mais de cem anos em guerra, toma medidas duras entre
1633-1639, expulsando os estrangeiros, no caso portugueses e espanhóis. O
cristianismo é proscrito e os cristãos perseguidos pelo governo. Por fim, o governo
resolve fechar os portos a todos os navios estrangeiros, exceto dos chineses e dos
holandeses. Os holandeses só podiam ficar na ilha de Dejima em Nagasaki. Essa
postura trouxe muita estabilidade e ficou conhecida mais tarde como “Sankoku” (país
acorrentado);

- Japonês moderno (século 19 até o presente): pode-se dizer que o Sankoku


permaneceu em vigor até 1853, com a chegada dos navios negros do comodoro
Matthew Perry e a abertura forçada do Japão ao comércio ocidental. Contudo, ainda
era ilegal deixar o Japão, mas com a Restauração Meiji (1868) essa restrição acabou.
Na época, o almirante Perry tinha a intenção de compartilhar tecnologia e estimular
a concorrência econômica saudável com os países asiáticos. Sua influência teria um
impacto muito mais significativo, pois elementos do inglês e outras línguas
ocidentais, como palavras e características linguísticas, começaram a ser
introduzidos na língua japonesa.

Bem, feita essa abordagem histórica, durante o nosso curso, faremos várias
referências ao “Japonês Clássico”, isto é, a forma literária da língua japonesa que era
o padrão até os primórdios do Período Showa (1926-1989).

O Japonês Clássico é baseado na língua como era falada durante o Período Heian
(794-1185), mas apresenta algumas influências posteriores. Seu uso começou a
declinar durante o fim do Período Meiji (1868-1912), quando os romancistas
começaram a escrever suas obras seguindo o padrão da língua falada.
Eventualmente, este estilo entrou começou a se generalizar, inclusive nos principais
jornais, mas muitos documentos oficiais ainda eram escritos no estilo antigo. Após a
Segunda Guerra Mundial, a maioria dos documentos mudou para o estilo falado,

embora o estilo clássico continua a ser usado em gêneros tradicionais, como Haiku
embora o estilo clássico continua a ser usado em gêneros tradicionais, como Haiku
(ou Haicai). Leis antigas também são escritas no estilo clássico, a menos que
totalmente revistas.

III. O ERRO DOS MÉTODOS CONVENCIONAIS

O erro dos métodos convencionais é que geralmente seus autores têm os seguintes
objetivos:

1. Que os leitores sejam capazes de usar um japonês funcional e polido o mais


rápido possível;
2. Não desencorajar os leitores no estudo do idioma nipônico. Para tanto, muitas
vezes evitam usar os “assustadores” fonemas japoneses (Kana) e os ideogramas
chineses (Kanji);
3. Ensinar aos leitores como dizer frases buscando uma “relação de equivalência”
entre o português e o japonês.

Tradicionalmente, se tratarmos de línguas românicas como o espanhol, por exemplo,


tais objetivos não apresentam problemas ou são inexistentes devido a sua
similaridade com a língua portuguesa. No entanto, como o japonês é diferente em
quase todos os sentidos – até mesmo nas formas fundamentais do pensar – esses
objetivos acabam por criar muitos dos livros confusos que vemos atualmente. Eles
geralmente são preenchidos com regras complicadas e incontável número de
gramática para frases específicas em português. Também não contêm quase nenhum
Kanji; e então quando finalmente se chega ao Japão, eis que se descobre que não é
possível ler os menus, mapas ou praticamente nada, porque o autor do livro estudado
pensou que o leitor não fosse inteligente o suficiente para memorizar os ideogramas
chineses.

Como exposto, a raiz deste problema está no fato de que estes livros tentam ensinar
japonês com o português; ensina-se logo na primeira página como dizer: "Oi, meu
nome é Paulo", mas não se expõe todas as decisões arbitrárias que foram feitas por
detrás de tudo isso. Muitas vezes, os autores utilizam-se da forma polida mesmo que
aprender a forma polida antes da forma do dicionário não faça sentido. Eles também
costumam abordar assuntos que muitas vezes não são necessários para o
aprendizado como um todo.

Na verdade, a maneira mais comum de dizer algo como "Meu nome é Paulo" em
japonês é dizer tão somente "Paulo". Isto porque a maior parte da informação é
entendida a partir do contexto e é, portanto, excluída. Mas será que os autores
explicam a maneira como as coisas funcionam na língua japonesa, essencialmente?
Não, pois estão muito ocupados tentando encher o leitor de frases "úteis". O resultado
disto é desastroso: o leitor cairá no “use isto se você quiser dizer aquilo”, fazendo-o
ficar com uma sensação de que nada aprendeu quando necessitar ir além destes
padrões. Tudo isso porque não aprendeu como as coisas realmente funcionam.

A solução para este problema é explicar a língua japonesa a partir de um ponto de


vista japonês; abordar a gramática e explicar como funciona a dinâmica do idioma
sem tentar buscar forçosamente uma tradução equivalente, isto é, que seja
sem tentar buscar forçosamente uma tradução equivalente, isto é, que seja
“exatamente igual” àquilo que se diz em português. E, para que o estudo seja
proveitoso, também é importante explicar as coisas em uma ordem que faz sentido
em japonês. Se você precisa saber [A] para entender [B], não abordaremos [B]
primeiro só porque você talvez precise aprender uma determinada frase.

IV. UM MÉTODO PARA SE APRENDER A GRAMÁTICA DO IDIOMA NIPÔNICO

Este método é uma tentativa de se construir sistematicamente estruturas gramaticais


que irão aos poucos tecendo a língua japonesa de um modo que faça sentido em
japonês. Pode não ser um instrumento prático para um aprendizado imediato, como
na maioria dos métodos convencionais que visam expressões úteis em japonês, como
por exemplo, frases comuns para as viagens. No entanto, este método tentará, de
uma maneira lógica, criar blocos de construções gramaticais que resultará em uma
sólida base de gramática. Para aqueles que aprenderam o idioma japonês seguindo
livros didáticos convencionais, poderá notar-se algumas grandes diferenças na forma
como o material é ordenado e apresentado. Isto porque este método não procura
criar forçosamente vínculos artificiais entre o português e o japonês através da
apresentação de um material que faça sentido em português. Pelo contrário,
exemplos com traduções demonstrarão como as ideias são expressas em japonês
resultando em simples explicações que são mais fáceis de entender.

No início, as traduções para o português dos exemplos apresentados será o mais


próximo possível do sentido destes em japonês. Por esta razão, o você poderá se
deparar com traduções “gramaticalmente incorretas” em português. Nós esperamos
que a explicação dos exemplos desperte em você um apurado senso de “o que as
sentenças significam realmente do ponto de vista japonês”. Gradativamente, uma
vez que você se tornar familiarizado e, e com isso, começar a pensar
confortavelmente em japonês, as traduções serão menos próximas do sentido em
japonês para que a leitura seja mais agradável e centrada nos tópicos mais
avançados.

Esteja ciente de que existem vantagens e desvantagens para a construção sistemática


de uma sólida base gramatical a partir do zero. Em japonês, os conceitos gramaticais
fundamentais são os mais difíceis de assimilar e as palavras mais comuns possuem
muitas exceções. Isto significa que a parte mais difícil do idioma é o que deve ser
aprendido primeiro. Os livros didáticos não costumam ter esta abordagem, temendo
talvez que isto assustará ou frustrará os interessados ​
em aprender a língua. Em vez
disso, tentam atrasar o aprofundamento nas regras de conjugação mais difíceis
usando remendos para que possam começar a ensinar expressões úteis
imediatamente. Este é o tipo de abordagem que agrada a alguns, no entanto, pode
criar confusão e problemas ao longo do caminho; seria como construir uma casa
sobre a areia. Os conceitos mais difíceis devem ser abordados, não importa quais
sejam. Se você conseguir assimilar os tópicos gramaticais mais difíceis logo no início,
então, os menos complicados que serão abordados adiante serão muito mais fáceis
porque eles se encaixam perfeitamente sobre a base que o você construiu. O idioma
japonês é sintaticamente muito mais consistente do que o português. Se você

aprender as regras de conjugação mais difíceis, grande parte da gramatica restante


aprender as regras de conjugação mais difíceis, grande parte da gramatica restante
baseia-se em regras semelhantes ou idênticas. A única parte difícil a partir daí será
ordenar e lembrar todas as várias expressões e combinações possíveis, a fim de usá-
las em situações corretas.

V. COMO REALMENTE APRENDER ALGO?

Iniciar o aprendizado de algo não é tão simples assim. Por melhor que seja o método
escolhido, se você não se utilizar daquilo que chamaremos “ferramentas de
aprendizado”, o seu aproveitamento será quase nulo. Portanto, tenha em mente que
sem elas é como querer fazer limonada sem limões, ou seja, sem o ESSENCIAL para a
limonada. Vamos a elas:

1) INTERESSE: isso parece óbvio, mas um dos maiores bloqueios para o aprendizado
é a falta de interesse naquilo que se estuda. Pessoas podem passar horas e horas
tentando decorar fórmulas matemáticas, mas se houver falta de interesse e/ou maus
pensamentos, a sua mente encarará a situação como algo danoso para você e passará
a criar mecanismos de autodefesa para afastá-lo disso, tais como distração ou
sonolência. Portanto, lembre-se: “quanto maior o interesse, maior é o poder da
memória para guardar determinada informação”. “Encontre algo que você ame
tanto fazer que você espere o sol nascer só para poder fazer de novo” (Chris Gardner)

Vamos fazer uma analogia: imaginemos que um rapaz tenha iniciado um emprego
novo e logo no primeiro dia se depara com uma menina que lhe desperta interesse à
primeira vista. Vão se passando os dias, o rapaz fica só a observando e o interesse vai
aumentando, mas ainda não tiveram a oportunidade de conversar. São convidados
então para uma dinâmica em duplas na qual um terá que expor certas informações
pessoais ao outro.

Agora, responda com sinceridade: se você estivesse no lugar do rapaz fazendo dupla
com a menina que outrora despertara seu interesse, as chances de você guardar as
informações pessoais que ela expor não são muito maiores do que se você estivesse
fazendo dupla com qualquer outra menina na qual você não estivesse interessado?

2) REPETIÇÃO: outro fator que potencializa o poder da memória é a repetição.


Analogamente, se você consegue digitar rapidamente agora, deve se lembrar de como
era um “catador de milho” no começo. Entretanto, conforme foi repetindo o ato de
digitar – e com o desejo, interesse em dominar a digitação –, gradativamente foi
ganhando velocidade, não é mesmo? Ou ainda, já parou para pensar por que não nos
esquecemos da nossa língua materna?  Lembre-se: “quanto mais você revisa, se
expõe a algo, mais o cérebro se acostuma com aquela informação e a fixa na
memória”.

3) ASSOCIAÇÃO: nossa memória usa a associação de modo espontâneo, inconsciente.


Não nos apercebemos disto. Associar é vincular uma informação a outra já
armazenada. Lembre-se: “a associação facilita a lembrança”.

4) ORGANIZAÇÃO: quanto mais organizada a mensagem, maior será a retenção. A

memória não acumula dados de qualquer maneira. Ela efetua, sem percebermos, um
memória não acumula dados de qualquer maneira. Ela efetua, sem percebermos, um
trabalho de organização. O cérebro opera uma organização inconsciente. Podemos
ajudar a memória organizando a informação de modo consciente fazendo esquemas
o que implica em comparar, selecionar, classificar, ordenar, associar, esquematizar.

5) HUMILDADE: muitos estudantes pecam ao deixar de estudar determinado assunto


por causa do “Ah, isso eu já sei”. Evite isso, usando a ferramenta da “humildade”.
Nunca se feche à oportunidade de conhecer um pouco mais sobre determinado
assunto e valorize TODAS as informações que encontrar. Acredite, você só tem a
ganhar: pode ser que você apenas achava que sabia e na realidade não sabia, mas
agora sabe de fato, ou se realmente já sabia, teve a oportunidade de rever o assunto e
fixa-lo mais – muitas vezes com informações novas a agregar. Ou ainda, se a fonte
não lhe inspirar confiança, terá a oportunidade de buscar informações em outras
fontes e confrontá-las. Com isso seu conhecimento tende a aumentar. Lembre-se do
que disse Santo Tomás de Aquino: "Temo o homem de um só livro"

6) CONCENTRAÇÃO: possuir interesse não significa necessariamente que você


estará focado sempre quando necessário. Afinal, situações “mais atraentes”, como
uma partida de futebol, ou ainda, questões de ambiente como barulho, pouca ou
muita luz, podem surgir durante o seu tempo de estudo, minando completamente a
sua concentração. Outro fator prejudicial é o desvio de foco por imaginações que
podem surgir ao vermos uma palavra ou figura durante a leitura; acabamos focando
mais nessa palavra ou figura e damos as costas para o tema estudado. Atente-se a
estes fatos e evite-os. Lembre-se: “O homem que quiser conduzir a orquestra tem
de dar as costas ao público”. (Max Lucado)

7) BEM-ESTAR: estar física e psicologicamente bem só há de potencializar as demais


ferramentas de aprendizado. Portanto, evite estudar se você não estiver bem, pois
poderá ser tempo perdido.

VI. COMO REALMENTE APRENDER UM IDIOMA?

1) AS QUATRO HABILIDADES: Ler, escrever, falar e ouvir. Estas são as habilidades a


serem desenvolvidas no aprendizado de qualquer idioma. E como desenvolvê-las?
Vemos muitos métodos que prometem milagres, mas sinceramente não cremos que
exista uma fórmula mágica para isto. Ou melhor, a fórmula é simples, porém
"trabalhosa":

- para aprender a ler, leia bastante;

- para aprender a escrever, escreva bastante;

- para aprender a falar, fale bastante;

- para aprender a ouvir, ouça bastante.

Fazendo dessas atividades uma rotina, sistematicamente, você irá notar que seu
cérebro se acostumará com tudo isso;

2) VOCABULÁRIO: Quais palavras aprender?


2) VOCABULÁRIO: Quais palavras aprender?

Para responder a essa pergunta, vamos considerar como se dá a nossa comunicação


no nosso cotidiano. Ora, com base nele, percebemos facilmente que há palavras que
usamos com mais freqüência, sendo que elas não compreendem TODAS as palavras
que conhecemos em nosso idioma materno. Em outras palavras, na nossa vida
prática, usamos apenas um número restrito de palavras.

Já que não usamos todas as palavras existentes ou que conhecemos para nos
comunicarmos, costuma-se dividi-las em dois grupos: as palavras que você conhece, e
utiliza, constituem o seu vocabulário ativo. As palavras que você conhece, mas não
utiliza, no dia a dia, constituem o seu vocabulário passivo. É de se imaginar, portanto,
que o vocabulário passivo é muito maior que o nosso vocabulário ativo, pois na
nossa vida rotineira tendemos a usar as palavras “mais simples” e comumente
usadas.

E isso é realmente verdade se levarmos em conta o modo como aprendemos a falar a


nossa língua materna: primeiro, aprendemos palavras simples e que, de certo modo,
são suficientes para nos comunicarmos e sermos entendidos pelos adultos
(aproximadamente 500 palavras ativas representam o vocabulário de uma criança
pronta para aprender a ler e escrever – 5 anos de idade). A partir daí, com os estudos
e conforme as circunstâncias exigem, vamos aprimorando nosso vocabulário,
aprendendo palavras novas e mais complexas, bem como novos sentidos das que já
conhecemos (aproximadamente 2.000 palavras são o vocabulário ativo de um
adolescente em seu idioma materno, no fim do ensino médio). E continuaremos
sempre aprendendo vocabulário até que a nossa vida termine...

Ainda assim, as palavras que usamos no nosso dia a dia, mesmo na vida adulta e
desconsiderando termos específicos dos mundos corporativo e acadêmico,
continuam a ser as “mais simples” e comumente usadas. Não vamos muito além
disso. Mesmo que conheçamos um grande número de palavras, ficamos restritos a
este grupo quando falamos com amigos, familiares, ou estamos em lojas,
restaurantes, etc. Ou você já ouviu alguém usar em português, palavras como
litossolo, coarctar, novedio, nubícogo, olente ou divulsão?

Bem, e vem à mente outra pergunta: afinal, quantas palavras devo aprender?

Costuma-se dizer que em qualquer idioma as palavras que compõem o vocabulário


ativo giram em torno de 3.000. Ou seja, essas são as palavras mais importantes e mais
comuns; aquelas que de fato serão necessárias no seu dia a dia. Isso deve equivaler
ao seu vocabulário ativo em português. Então, você deve se concentrar
primeiramente nelas.

E quanto ao vocabulário passivo? Bem, isso é algo que vamos aprender


constantemente durante nossa vida... mas em termos de números, é bom que você
tenha em seu vocabulário passivo em torno de 3.500 palavras (ou mais), a fim de
obter uma boa compreensão do idioma;

Além disso, evite aprender palavras de modo isolado. Ou seja, quando você
Além disso, evite aprender palavras de modo isolado. Ou seja, quando você
aprender, por exemplo, a palavra “porta”, tente encontrar exemplos de orações.
Assim, além de enriquecer o seu vocabulário, você entenderá melhor o sentido de
palavras que, isolodamente, podem parecer meio sombrias.

3) PENSE COMO UM NATIVO: Evite pensar uma língua estrangeira em seu idioma
nativo. Sim, isso é fundamental. Se você está tentando descobrir como dizer algo, mas
pensando primeiramente em português, não conseguirá se expressar de imediato em
quase 100% das vezes. Você deverá ter sempre em mente que “se você já não sabe
como dizer algo em outra língua, então não sabe mesmo”. Portanto, se você
puder, pergunte imediatamente a alguém como dizer a expressão desejada, incluindo
uma explicação detalhada do seu uso. Então comece você a praticar e a pensar do
ponto de vista de um falante nativo. Idiomas não são como problemas
matemáticos; você não tem que descobrir a resposta; mas se você praticar a partir da
resposta correta, desenvolverá bons hábitos que lhe ajudarão a formular natura e
corretamente sentenças;

4) ESTUDE A CULTURA: indubitavelmente, o modo de agir de um povo tem reflexos


em seu modo de falar. Conhecer tais aspectos facilita o modo de expressar-se, faz com
que muitas expressões tenham sentido e evita que você fale um idioma com “cara de
português”;

5) EXEMPLOS E A EXPERIÊNCIA: mesmo que você não consiga entender algum


fundamento gramatical completamente ou mesmo dizer algo corretamente logo na
primeira vez, continue retomando a matéria não assimilada procurando mais
exemplos referentes a ela. Isto permitirá que você adquira uma melhor aptidão em
como saber usar tais expressões/construções gramaticais em contextos diferentes.
Nenhum método é capaz de abordar todas as situações possíveis. Entretanto, para a
nossa sorte existem meios como a internet. Lá você encontrará uma grande
variedade de material, incluindo sites, salas de bate-papo e artigos específicos.
Comprar livros no idioma que ser quer aprender ou quadrinhos é também um
excelente (e divertido) meio de aumentar o vocabulário e exercitar as habilidades de
leitura;

Conhecer a origem e evolução de algo que você queira aprender é um grande passo
para o seu domínio, pois ao se deparar com o sentido e a lógica que há por trás, você
deixa de ser um robô e passa a pensar. Se você gosta de Matemática, entenderá onde
queremos chegar: não adianta você decorar fórmulas prontas se você não sabe a
razão de ser dela. Claro que a gramática não é uma ciência exata, mas ela busca
padronizar uma língua e, embora haja exceções, ela tem sua lógica de ser.

VII. APRENDER GRAMÁTICA É REALMENTE NECESSÁRIO?

Há quem defenda a ideia de que, em termos práticos, aprender gramática é perda de


tempo, afinal o intuito da comunicação é entender e ser entendido, não
importando se gramaticalmente o que é dito está correto ou não. Por exemplo, se
alguém dissesse “a gente vamo embora”, apesar de a oração estar errada
GRAMATICALMENTE, o que importaria é o ouvinte entender a mensagem como “nós
vamos embora”.
vamos embora”.

Sendo assim, você deveria ouvir as coisas até que consiga, naturalmente, dizer o que
parece certo e o que é errado. Segue um dos argumentos “contra a gramática”
(usando o inglês como base):

“Você sabe falar português, seu idioma nativo no Brasil, né? Agora será
que você sabe todas as regras gramaticais?

NÃO!

A menos que seja um entusiasta do idioma ou profissional da área, você


não sabe nem precisa conhecer todas as regras. É assim que um idioma
deve ser compreendido.

Aprender pelas regras, sem saber falar e ouvir, vai te tornar uma espécie
de “analista da língua”. Só na teoria. Na prática, não funciona! Pode ver
com qualquer pessoa que fez cursos tradicionais: mais de 99% delas não se
sentem seguras ao falar, e não compreendem todos os áudios em inglês,
mesmo depois de vários e vários anos estudando – e pagando caro!

Quando alguém te faz uma pergunta, você responde sem pensar em


regras. Sem pensar se é no passado, no futuro, em qual palavra você deve
colocar aqui ou ali… Simplesmente RESPONDE!

Num novo idioma qualquer, deveria ser assim também, pois é o processo
natural.

Ao ver um filme, você não tem tempo de ficar traduzindo o que dizem para
entender. Se tentar, perderá muitas falas!

Ao conversar com alguém também. Não há tempo para pesquisar na


cabeça as regras, muito menos na internet ou em livros.” (FONTE: Curso de
Inglês na Web)

A tese acima parece mesmo convincente, mas no fundo é um mau conselho, a menos
que você viva no Japão ou fale / ouça japonês com alguém disposto a corrigir tudo
que você diz.

Pode haver pessoas que digam “Ok , já conheci pessoas que estudaram gramática e
ainda não conseguem falar a língua” (pessoa que acha a gramática desnecessária);

Esse argumento não prova nada...

Fato é que a gramática é uma das ferramentas dentre muitas em seu arsenal e não
seria bom ignorá-la completamente. Você pode não pensar na gramática quando está
falando, mas ela é um trampolim, uma orientação que você pode usar para
chegar ao ponto no qual você não precisará mais dela. Se você aprende somente
com frases, você precisa estar exposto a todo tipo de gramática, conjugação de

verbos, e uso de vocabulário para internalizá-la naturalmente. Isso é bom para


verbos, e uso de vocabulário para internalizá-la naturalmente. Isso é bom para
aprender a sua língua materna como uma criança, mas vai demorar muito tempo
para os adultos que procuram a proficiência em uma segunda língua, especialmente
em um ambiente não-imersivo.

Aliás, você já se perguntou para que serve a gramática, vista por muitos como uma
vilã?

Como um idioma é algo comum a todos dentro de uma determinada sociedade, é


fácil enxergar a necessidade de um padrão de linguagem que seja seguido por
todos. Visto que o ser humano é um ser social, que interage com o meio em que vive,
imagine a bagunça que seria se cada habitante ou grupo de habitantes resolvesse
adotar o seu próprio padrão de linguagem. Isso não representaria um grande
problema enquanto o indivíduo estivesse dentro de seu grupo, mas ao interagir com
outros, haveria grande confusão.

O site Só Português define bem o que é a gramática:

A Gramática tem como finalidade orientar e regular o uso da língua,


estabelecendo um padrão de escrita e de fala baseado em diversos
critérios, tais como:

- Exemplo de bons escritores;

- Lógica;

- Tradição;

- Bom senso.

(…) Por ser um organismo vivo, a língua está sempre evoluindo, o que
muitas vezes resulta num distanciamento entre o que se usa efetivamente
e o que fixam as normas. Isso não justifica, porém, o descaso com a
Gramática. Imprecisa ou não, existe uma norma culta, a qual deve ser
conhecida e aplicada por todos.

A gramática pode ajudá-lo a organizar sistematicamente o idioma de tal forma que


você possa aprender novas palavras, expressões e sentenças e rapidamente
incorporá-los usando as mesmas regras que se aplicam a todas as palavras sem ter
que encontrá-las uma e outra vez. As regras são simplesmente um meio para um
fim. A gramática também pode ajudá-lo a quebrar construções que você não entende
e fornecer orientações sobre como estruturar suas próprias sentenças. Não há
como negar que há pessoas que conhecem todo o vocabulário que elas precisam para
dizer alguma coisa, mas não conseguem organizá-las, montar uma frase para
expressar o que querem dizer.

É claro que você precisa praticar muito a fala e a audição, mas não há motivos para
se impedir o aprendizado da gramática e aplicá-lo conforme necessário.
Eventualmente, com bastante prática, você chegará a um ponto que não precisará
mais pensar na gramática, ela ficará internalizada em você, mas até então, ela pode
mais pensar na gramática, ela ficará internalizada em você, mas até então, ela pode
ajudá-lo a descobrir como dizer o que quiser. Claro, pode ser lento, mas é melhor do
que não ser capaz de dizer coisa alguma.

Realmente, muitas vezes se gasta muito tempo com gramática nos cursos
convencionais, abordando-se pouquíssimo a conversação como ela é no “mundo
real” (mais detalhes na lição 8). Isso é obviamente um problema, mas isso não
significa que você não deve aprender nada de gramática.

Além disso, banir a gramática ou dar pouca importância a ela e considerar somente o
aprendizado de um idioma pela assimilação natural pode acarretar em vícios de
linguagem e erros graves como nós mesmos fazemos em português como, por
exemplo, “Para mim fazer” e “A gente vamos”. São infinitos erros que adquirimos na
linguagem falada e mesmo passando anos na escola, muitas pessoas não conseguem
readequar a linguagem. Isso pode ser um ponto negativo em situações mais formais,
como quando a pessoa participa de uma entrevista de emprego ou faz algum teste
escrito. Para ilustrar, leia esta matéria e perceba o que a falta de contato com o
idioma formal pode ocasionar:  529 mil candidatos tiraram zero na redação do Enem
2014.

Veja como não aprender gramática limita nosso poder de comunicação e também
nosso intelecto, pois estaremos “enclausurados” no linguajar do cotidiano. Em outras
palavras, quem desconhece a norma culta acaba tendo acesso limitado às obras
literárias, artigos de jornal, discursos políticos, obras teóricas e científicas, enfim, a
todo um patrimônio cultural acumulado durante séculos pela humanidade.

Tal como acontece com a maioria das coisas na vida real, a solução correta é usar
uma abordagem equilibrada e prática, isto é, gramática e o processo  de ouvir e
falar se complementam e devem ser considerados desde o início.

Fontes:

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Tae Kim’s Blog: http://www.guidetojapanese.org/blog/2012/10/11/who-needs-grammar-we-all-do/

Japão – Passado e Presente: http://japao-pp.blogspot.com.br/2012/05/historia-do-japao-dividida-por-


periodos.html

Inglês na Ponta da Língua, Denilso de Lima

Jornal do Comércio: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=85189

Inglês com Rock: http://inglescomrock.com/aprender-ingles-estudando-gramatica-mito/


LIÇÃO 1: HIRAGANA
Pode-se dizer que o sistema de escrita japonesa possui quatro meios de
expressão: Hiragana, Katakana (que conjuntamente formam o “Kana”), Kanji e
Roomaji. Por hora, nesta primeira lição aprenderemos o Hiragana, o silabário
básico.

1.1. POR QUE COMEÇAR PELA ESCRITA?

A fim de aprender japonês, o melhor caminho é começar a partir dos caracteres.


Talvez algumas pessoas não concordem com isso, porque se pensarmos na maneira
como os bebês começam a aprender a sua língua materna, eles primeiramente
pronunciam palavras, então só depois começam a aprender a escrita. Mas para os
que aprendem japonês como língua estrangeira, este método é um pouco difícil.

Em primeiro lugar, por que para um não-nativo é muito difícil encontrar toneladas
de vocábulos em seu cotidiano como acontece com os bebês japoneses, a menos que
viva no Japão ou tenha muitos amigos japoneses "conversadores".

Em segundo lugar, por que uma vez que aprendemos a nossa língua materna, torna-
se quase impossível memorizar palavras estrangeiras com sons apenas. Por esta
razão, usar todos os cinco sentidos tanto quanto possível é a forma mais eficaz de
obter o que se deseja. Então, por favor, não use apenas seus ouvidos. Use seus olhos
para ver os caracteres. Treine sua boca para pronunciá-los. Estimule o seu cérebro
para imaginá-los mesmo quando você não estiver estudando. Na rua, no trabalho,
enfim, onde quer que seja. Mova sua mão para sentir os caracteres.

Em terceiro lugar, por que saber os caracteres japoneses (especialmente o Kana), é a


mesma coisa que aprender a pronunciação da língua japonesa.

1.2. A HISTÓRIA DA ESCRITA NA LÍNGUA JAPONESA

Para compreendermos a origem do Hiragana e do Katakana (conhecidos


conjuntamente como “Kana”), precisamos voltar no tempo e entendermos o que são
Kanjis. Os Kanjis são um meio de representar diferentes conceitos materiais e
abstratos através de figuras. Tal método de escrita não é incomum na história

humana; basta olhar para os hieróglifos egípcios e você perceberá que o chinês não é
humana; basta olhar para os hieróglifos egípcios e você perceberá que o chinês não é
um caso isolado.

Existem várias teorias sobre a forma como os Kanjis foram desenvolvidos, mas
nenhuma é dada como certa. Uma dessas teorias nos diz que há cerca de 5000 a 6000
anos, um historiador chinês chamado Ts'ang Chieh teve a ideia de criar um modo de
expressar graficamente as coisas, inspirado pelas pegadas de aves em um campo de
neve. Outra teoria diz que os Kanjis foram criados quando Fu Hsi, um dos três
imperadores da época, substituiu o até então existente “método das cordas” pelo
“método de caracteres”. Ambas as teorias, entretanto, podem ser consideradas mais
mitos do que fatos históricos confiáveis​
. O fato confiável é que os caracteres mais

antigos são os que foram introduzidos durante os dias do vigésimo segundo
imperador da Dinastia Shang (Yin) (1700 a.C.- 1100 a.C.) e tratavam-se de inscrições
em ossos de animais e carapaças de tartaruga.

Obviamente, a forma dos ideogramas sofreu alterações ao longo do tempo. No início


eram figuras mais ou menos realistas e com seu uso foram sendo simplificadas. Foi
então durante a Dinastia Han (206 a.C – 211 d.C) que ocorreu a “padronização" dos
ideogramas, fato que deu ao conjunto de caracteres o nome da dinastia vigente. A
escrita chinesa passou então a ser conhecida como a “letra da Dinastia Han” (“Han zi”
em chinês). Observe o quadro abaixo que demonstra a evolução dos ideogramas:

Obviamente, os Kanjis não se limitavam a representar conceitos graficamente, mas


também a eles eram atribuídas a pronúncia da respectiva palavra que
representava o significado proposto pelo caractere. Então, podemos dizer que o
sistema de Kanjis une representação gráfica e som de um conceito. Veja a figura
abaixo:
Até o século IV, o japonês era um idioma apenas falado e não possuía qualquer forma
de expressão escrita. Então, aquele sistema de ideogramas que fora padronizado
pouco antes na China, foi introduzido no Japão por meio de escritos trazidos por
monges budistas através da península coreana, ficando conhecido como “Kanji”. No
começo, somente algumas pessoas cultas eram capazes de ler aqueles ideogramas e
tudo o que liam se restringia a tratados do budismo e da filosofia. Pouco depois,
devido à forte relação comercial existente entre os dois países, um conselho chamado
“Fuhito” foi criado pela monarquia japonesa com a tarefa de aprender a língua
chinesa para que pudessem ler os documentos chineses. Somente no século VI, com o
incentivo à difusão do budismo pelo príncipe Shotoku, filho da Imperatriz Suiko, o
conhecimento do Kanji se espalhou pelo país. O sábio coreano Wang I ensinou o
Kanji pelo Japão.

NOTA: alguns pesquisadores defendem a ideia de que já existia um "proto-alfabeto",


antes da adoção dos caracteres chineses, como por exemplo, o “Kamiyo-Moji” (Escrita
herdada dos deuses).

Pode-se dizer que o primeiro sistema de escrita japonesa foi o “kanbun”, que
consistia na realidade em técnicas para adaptar as sentenças chinesas à gramática
japonesa através do uso de sinais diacríticos juntamente com os Kanjis. Isso permitia
que os falantes japoneses interpretassem essas sentenças. Tomemos como exemplo a
oração em chinês “Um homem de Chu estava vendendo escudos e lanças.”:

Já que tanto no chinês como no português tem-se o padrão gramatical [sujeito-verbo-


objeto], mesmo com uma tradução literal, a frase é compreensível, com exceção da
partícula final “zhe 者” (aquele que, o que), que é um nominalizador que marca uma
pausa após um sintagma nominal.

NOTA: se você ficou em dúvida quanto à definição de “sintagrama”, acesse este link:
http://www.mundoeducacao.com/gramatica/classificacoes-sintagma.htm.

Em japonês, entretanto, seria necessário alterar a disposição dos termos para que a
sentença se encaixe dentro dos padrões da gramática japonesa. Vejamos um exemplo
apenas para que você tenha uma noção básica:
Ou, se usássemos números, teríamos:

O uso de sinais em escritos chineses foi bom já que a sintaxe chinesa é


extremamente diferente da japonesa. Posteriormente, o Kanji passou a ser usado ​
para escrever palavras japonesas, dando origem ao sistema que mais tarde será
chamado de “Man’yougana” e data provavelmente do início do século V. O nome
Man'yougana vem de “Man'youshuu” ( 万 葉 集 ), a mais antiga coleção de poemas
japoneses, compilada durante o Período Nara (710-794). Acredita-se que os caracteres
que compunham o Man'yougana foram colhidos nesses poemas.

A principal característica do Man'yougana é que ele utilizava um Kanji por seu


A principal característica do Man'yougana é que ele utilizava um Kanji por seu
valor fonético, em vez de por seu significado, isto é, Kanjis eram escolhidos de
acordo apenas com sua pronúncia para representar determinado som da língua
japonesa. Sendo assim, praticamente formava-se um silabário (Kana) com os Kanjis.
Um mesmo som podia ser representado por numerosos Kanjis, e, na prática, os
escritores elegiam aquele com significado mais adequado. O exemplo mais antigo de
Man’yougana é a “espada Inariyama”, que é uma espada de aço escavada em 1968 no
Inariayama Kofun, um túmulo antigo localizado em Gyouda, Saitama. Acredita-se
que esta espada foi confeccionada por volta do ano 471.

Com o decorrer do tempo, o Man'yougana foi evoluindo e dando origem aos dois
silabários, Katakana e o Hiragana. As formas do Hiragana originam-se do estilo
cursivo da caligrafia chinesa (daí o nome “Hiragana”, isto é, “silabário da palma da
mão”). A figura abaixo mostra a origem do Hiragana a partir do estilo cursivo do
Man’yougana. Observe:

A parte de cima mostra o caractere em seu formato regular, a do meio (em vermelho)
mostra a forma cursiva e a parte de baixo mostra o respectivo Hiragana. Note
também que as formas de escrita cursiva não são estritamente limitadas àquelas da
ilustração.

Dado que, como mencionamos, vários Kanjis podiam ter o mesmo som, houve casos
em que um caractere Man'yougana originou um fonema do Hiragana, mas o seu
equivalente Katakana evoluiu de um Kanji Man'yougana diferente. Por exemplo, o
Hiragana 「る」 (ru) se desenvolveu a partir do Man'yougana 「留」, a medida que o
Katakana 「ル」 (ru) procede do Man'yougana 「流」.

Algumas teorias apontam que o Kana foi inventado por um monge budista chamado
Kuukai no século IX. Kuukai certamente introduziu a escrita Siddham em seu retorno
da China em 806, e o seu interesse nos aspectos sagrados da fala e da escrita levou-o a
concluir que a língua japonesa seria melhor representada através de um alfabeto
fonético em vez dos Kanji utilizados até então. O atual Kanamoji (conjunto de Kanas)
foi codificado em 1900 e as regras para o uso, em 1946.

NOTA: Na atualidade, o Man'yougana continua sendo empregado em certos nomes


NOTA: Na atualidade, o Man'yougana continua sendo empregado em certos nomes
regionais, especialmente em Kyushu.

Quando o Hiragana foi desenvolvido, em um primeiro momento, não foi aceito por
todos, pois muitos consideravam que a língua culta ainda se restringia ao chinês.
Historicamente, no Japão, a forma regular de escrita dos caracteres (kaisho) era
usada pelos homens e chamada de otokode ( 男 手 ), literalmente “mãos masculinas”,
enquanto que o estilo cursivo (sousho) era usado pelas mulheres. Por esta razão, o
Hiragana se popularizou primeiro entre as mulheres, haja vista que a elas
geralmente não era permitido ter acesso aos mesmos níveis de educação que os
homens. Disso veio a alternativa que ficou conhecida como “onnade” ( 女 手 ),
literalmente “mãos femininas”. Por exemplo, em “O Conto de Genji” e outros
romances mais recentes à época cujos autores eram do sexo feminino, o Hiragana foi
usado extensivamente ou exclusivamente.

Autores do sexo masculino chegaram a escrever literatura com Hiragana, que por
algum tempo foi usado para a escrita não-oficial, tais como cartas pessoais, enquanto
o Katakana e chinês foram usados ​ para documentos oficiais. Nos tempos modernos, o
uso do Hiragana se misturou com a escrita Katakana, que agora está restrito a usos
especiais, tais como palavras recentemente emprestadas (ou seja, desde o século XIX),
nomes de transliteração, os nomes dos animais, em telegramas, e para dar ênfase
(mais detalhes na lição 2).

Originalmente, todas as sílabas eram escritas com mais de um fonema do Hiragana.


Em 1900, o sistema foi simplificado de modo que cada sílaba só tivesse um. O “outro”
sistema Hiragana é conhecido como Hentaigana (変体仮名).

1.3. CONHECENDO OS FONEMAS

O Hiragana é o alfabeto básico da língua japonesa e representa todos os seus sons.


Portanto, teoricamente, você pode escrever tudo em Hiragana. No entanto, como a
escrita japonesa é feita sem nenhum espaço entre as palavras, isto irá criar
praticamente um texto indecifrável. Abaixo, segue uma ilustração com os fonemas e
os respectivos sons transcritos em Roomaji. Note que diferentemente da língua
portuguesa, a ordem das vogais em japonês se dá no padrão -A, -I,- U, -E, - O.

A tabela deve ser lida de cima para baixo e da direita para a esquerda, já que a
escrita tradicional japonesa segue esse padrão. Por isso, consideram-se linhas 「ぎょ
う」 as colunas verticais, e colunas 「だん」 as linhas horizontais. Tenha em mente
também que cada linha e coluna são nomeadas de acordo com o primeiro fonema
nela disposto. Assim, por exemplo:
- a linha na qual estão dispostos os fonemas  あ, い, う, え e  お  é chamada  あぎょう 
- a linha na qual estão dispostos os fonemas  あ, い, う, え e  お  é chamada  あぎょう 
(linha A), pois o fonema que a inicia é  あ;

- a coluna na qual estão dispostos os fonemas  い, き, し, ち, に, ひ, み e  り é chamada 


いだん  (coluna I), pois o fonema que a inicia é  い;

- os fonemas que compõem  かぎょう  são:  か, き, く, け e  こ;

- os fonemas que compõem  えだん  são:  え, け, せ, て, ね, へ,  め e  れ.

Guarde estes conceitos, pois serão amplamente utilizados quando tratarmos de


verbos (lição 12).

A fim de facilitar o entendimento da pronúncia, dispusemos a tabela de modo que,


exceto pelo 「 し 」 、 「 ち 」 、 「 つ 」 、 e 「 ん 」 、 o som de cada fonema pode ser
compreendido combinando-se a consoante da linha de cima com a vogal na lateral
direita. Por exemplo, 「き」 será (K) + (I) = / ki /, e 「ゆ」 será (Y) + (U) = / yu /, e assim
por diante. Entretanto, não são todos os sons que funcionam com o sistema de
combinação das consoantes. Como escrito na tabela, 「 ち 」 é pronunciado "chi"
(semelhante a “tia”) e 「 つ 」 é pronunciado "tsu". Para ficar mais claro, assista ao
vídeo abaixo:

FONTE: programa “Let’s Learn Japanese”

Agora, vamos fazer algumas considerações:

I. Preste atenção na diferença dos sons / tsu / e / su /;

II. O som “H” do japonês tem um som aspirado como nas palavras em Inglês “house”
e “help”. O som “R” do japonês tem som do “R” do português parecido ao das palavras
“ouro” e “aura”;

III. O caractere 「ん」 é um caractere especial porque é raramente usado sozinho e


não tem um som vogal. Ele é anexado com outro caractere para adicionar um som
nasal / n /. Por exemplo, 「かん」 seria 'kan' em vez de 'ka'; 「まん」 seria 'man' em
vez de 'ma', e assim por diante;

IV. Por razões históricas que serão expostas na lição 3, o fonema 「 を 」 não é
pronunciado “wo”, mas sim “o” e é usado somente como partícula.
A disposição moderna do Kana reflete aquela da escrita Siddham, e é também usada
A disposição moderna do Kana reflete aquela da escrita Siddham, e é também usada
para fins de ordem alfabética, isto é, 「あ、い、う、え、お、か、き、く...」 e assim
por diante. Entretanto, nem sempre foi assim: até as reformas da era Meiji no século
19, a disposição dos fonemas seguia a ordem do “Iroha”, poema japonês escrito
durante a era Heian (794–1179) e famoso por ser um pangrama perfeito, contendo
cada caractere do silabário japonês sem repetições (com exceção do 「ん」, que foi
adicionado ao silabário mais tarde). Por isso, era também usado como ordem
alfabética do silabário. Vejamos:

O iroha é encontrado ainda ocasionalmente no Japão moderno. Por exemplo, é usado


para numerar assentos em teatros. Na música, o termo “iroha” é usado para nomear
as notas musicais, sendo escrito em Katakana:

Apesar de ser o estilo de escrita tradicional, a escrita vertical (たてがき) aos poucos
vem caindo em desuso no dia-a-dia do mundo japonês. Esse fato se deve à influência
ocidental e o advento da tecnologia, com computadores, celulares e etc. Hoje em dia,
é mais comum ver este estilo de escrita em alguns poucos livros, poesias,
pensamentos e trabalhos mais literários. Devido à tecnologia e a influência ocidental,
o ministério da educação japonês adotou o estilo de escrita horizontal ( お う ぶ ん )
como padrão em livros técnicos ou livros mais voltados para o ramo educacional.

O Hiragana não é tão difícil de dominar ou de ensinar e, como resultado, há uma


variedade de web sites e programas grátis que já estão disponíveis na rede.
Recomendamos que você procure por esses websites a fim de ouvir a pronúncia de
cada caractere e fazer uma comparação entre a sua pronúncia e os sons para ter
certeza que você está aprendendo corretamente.

1.4. A ENTONAÇÃO

Pode-se afirmar que cada som no Hiragana (e o equivalente em Katakana)


corresponde a uma [vogal] ou [consoante + vogal], com exceção dos fonemas 「ん」 e
「ン」 (no Katakana) e é pronunciado com igual duração em relação aos outros. Este

sistema de som faz com que a pronúncia dos fonemas seja clara e sem nenhuma
sistema de som faz com que a pronúncia dos fonemas seja clara e sem nenhuma
ambiguidade. No entanto, a simplicidade dos sons individualmente não significa que
a pronúncia de palavras seja simples. Isso por que na língua japonesa há o que é
conhecido como “acento tonal” (kootei akusento), ou seja, cada silaba de uma
palavra pode ser pronunciada com um tom alto ou baixo.

Apesar de variar muito dependendo do contexto ou do dialeto, existem quatro


padrões básicos de entonação no japonês padrão:

I. ATAMADAKA-GATA ( \ _ ): o som começa alto, cai de repente, e então continua


descendo. Como exemplo, vejamos a entonação das palavras 「うみ」 e 「いのち」
que significam “mar” e “vida” respectivamente:

II. NAKADAKA-GATA (/\): o som agudo não está nem na primeira nem na última
sílaba. Ele sobe, atinge o máximo, então cai de repente. Se for uma palavra com duas
sílabas, ele cairá na próxima. Como exemplo, vejamos a entonação das palavras 「あ
つい」 e 「くだもの」 que significam “quente” e “fruta” respectivamente:

III. ODAKA-GATA (/ ̄ -\-): o som agudo não está na primeira sílaba, mas está nas
seguintes. É alto até atingir um elemento fixo, tal como uma partícula e desce. Como
exemplo, vejamos a entonação das palavras 「 は な 」 e 「 お と こ 」 que significam
“flor” e “homem” respectivamente, juntamente com as partículas 「は」 e 「が」:

IV. HEIBAN-GATA ( /  ̄  ̄ ): literalmente plano. Se a palavra não tem um acento


tônico, a tonicidade sobe do começo ao fim. Como exemplo, vejamos a entonação das
palavras 「 む ず か し い 」 e 「 あ ら う 」 que significam “difícil” e “lavar”
respectivamente:
----

Estudantes estrangeiros de japonês muitas vezes não são ensinados a pronunciar o


acento tonal, embora isso seja certamente um aspecto crucial na fala japonesa,
porque palavras com o mesmo Kana podem ser distinguidas pelos acentos tonais
diferentes. Vejamos o quadro abaixo que ilustra tal situação:

No japonês padrão, substantivos nativos não-compostos são acentuados cerca de 30%


das vezes. Em sua maioria, o acento tônico cai sobre a antepenúltima sílaba, ou sobre
a primeira, em palavras mais curtas. Um número menor de substantivos é acentuado
em outras sílabas. Os Keiyoushi (lição 18) são normalmente acentuados, e sempre na
penúltima sílaba.

Seguir um padrão de entonação, especialmente o do japonês padrão, é considerado


essencial em trabalhos como o de radiodifusão. O padrão atual de entonação está
presente em dicionários especiais para falantes nativos, tais como o “Shin Meikai
Nihongo Akusento Jiten” e o “NHK Nihongo Hatsuon Akusento Jiten”, e âncoras de
telejornais e outros profissionais que usam a oratória devem segui-lo.

1.5. O TRAÇADO

Agora que conhecemos os 46 fonemas que compreendem o Hiragana, é essencial que


saibamos como escrevê-los, pois há uma ordem e direção no traçado que devem ser
seguidos. Atentar-se a isso é importante, especialmente para os Kanjis (que veremos
na lição 4). Você entenderá isso quando se deparar com recados apressados de outras
pessoas, que com certeza não parecerão outra coisa, se não um monte de rabiscos. A
única coisa que irá ajudá-lo é que todos escrevem na mesma ordem, e o “fluxo” dos
caracteres é consideravelmente consistente. Portanto, recomendamos que você
preste bastante atenção na ordem e direção dos traços desde o começo para não
adquirir maus hábitos.

Primeiramente, é importante memorizar a ordem correta de traçado, isto é, a


sequência correta para se escrever os traços individuais de cada caractere. A regra
geral é: deve-se traçar da esquerda para a direita [→] e de cima para baixo [↓]
Outro ponto importante é saber que existem três maneiras de se finalizar um traço:

I. Tome (significa “parada”): você deve trazer o lápis para um fim completo e erguê-
lo do papel no final do traço. Nos exemplos a seguir, o tome é indicado por um ponto
colocado perto do último traço:

II. Hane (significa “pulo”): o traço é finalizado com algo parecido com uma cauda
curvada. Nos exemplos abaixo, o hane está indicado por um √:

III. Harai (significa “varredura”): é feito levantando-se o lápis gradualmente no


final do traço enquanto sua mão ainda está em movimento. Nos exemplos a seguir, o
harai está indicado por uma seta pontilhada:

NOTA: perceba que alguns traços não têm indicadores de finalização. Nestes casos,
tanto tome ou hane podem ser usados.

A tabela seguinte mostra o método para a escrita de cada caracter hiragana. Os


números e as setas indicam a ordem dos traços e o sentido respectivamente:

Se preferir, assista ao vídeo abaixo:


Já que estamos falando de traçado, há vários estilos de caligrafia no Japão, mas
vamos abordar aqui os três estilos básicos. Vejamos:

1. Kaisho: literalmente significa "escrita correta". Em outras palavras, este é o estilo


em que cada um dos traços é feito de um modo deliberado e claro, sendo muito
semelhante à versão impressa do caractere que se pode ver num jornal. Esta é a
forma que os estudantes de caligrafia aprendem primeiro, uma vez que está perto
dos caracteres cotidianos escritos com os quais já estão familiarizados;

2. Gyousho: literalmente significa "escrita de viagem" e se refere ao estilo semi-


cursivo da caligrafia japonesa. Como a escrita cursiva em português, este é o estilo
que a maioria das pessoas costuma usar para escrever quando tomam notas, por
exemplo. Além disso, as pessoas de mais idade costumam usar este estilo em seu dia a
dia. Tem menos formalidade e os caracteres possuem uma aparência mais suave,
mais arredondada, com os traços individuais fluindo juntos. Um texto escrito neste
estilo geralmente pode ser lido pela maioria dos japoneses que estudaram;

3. Sousho: é o menos formal dos estilos e significa "escrita da grama", nome que, de
acordo com o mestre calígrafo Eri Takase, refere-se ao domínio de fortes traços
verticais que se assemelham à grama. O objetivo deste estilo é totalmente artístico e
altamente abstrato, permitindo que o calígrafo alcance uma expressão artística
completa. Devido a isso, os japoneses não usam esse estilo para escrever no dia a dia.
Na verdade, é tão abstrato que só pode ser lido geralmente por pessoas treinadas em
caligrafia. Aqui, quem escreve raramente permite que o pincel saia do papel,
resultando em uma forma graciosa e arrebatadora.

Agora vejamos um quadro comparativo:

Há ainda os estilos Mincho e Ming, que são os estilos normais de imprensa, o Kaku-
gótico, que é utilizado em sinais, publicidade, títulos, etc., o Reisho, que era usado
principalmente por escravos e as pessoas com educação limitada e hoje continua em
títulos de jornais e como uma forma de escultura em pedra, o estilo Koin, que é usado
na escrita religiosa e o Tensho, usado nos carimbos pessoais, de organizações, de
empresas, etc. Vejamos:
empresas, etc. Vejamos:

1.6. OS SONS MODIFICADOS

Uma vez que você memorizou todos os caracteres do Hiragana, você acabou de
aprender o alfabeto, mas não todos os sons. Há mais cinco sons consonantais que são
possíveis de se obter de dois modos:

I. Colocando-se duas linhas pequenas parecidas com as aspas no canto superior


direito de alguns fonemas. Tais linhas são chamadas de 「だくてん」;

II. Colocando-se um pequeno circulo no canto superior direito de alguns fonemas. Tal
sinal é chamado de 「はんだくてん」.

Isto essencialmente cria um som modificado da consoante – tecnicamente chamada


uma consoante sonora ou 「 に ご り 」 , que literalmente significa “tornar-se
lamacento”.

Todas as possíveis combinações dos sons modificados são dadas na tabela abaixo:

NOTAS:

1. Os caracteres 「 ぢ 」 e 「 づ 」 têm a mesma pronúncia que 「 じ 」 e 「 ず 」 ,


respectivamente. Porém, 「じ」 e 「ず」 são usados com maior frequência;

2. Na transcrição para o Roomaji, 「づ」 é escrito /dzu/ e não /zu/. Com relação aos
caracteres 「ぢ」 e 「じ」, a escrita permanece a mesma, ou seja, /ji/.

1.7. OS 「や」、「ゆ」 E 「よ」 PEQUENOS

É possível também combinar alguns fonemas de  いだん  com um som / ya / yu / yo /


colocando do seu lado direito um pequeno 「や」、「ゆ」、ou 「よ」. Tal fenômeno
é chamado 「ようおん」:
NOTAS:

1. A tabela acima é a mesma que as anteriores. Combine as consoantes de cima com o


som da vogal da direita. Ex:  きゃ = kya;

2. Em alguns métodos é possível que se encontre combinações como 「ぢゃ」、「ぢ


ゅ」 e 「ぢょ」. Porém, não são nunca usadas; no lugar é sempre usado 「じゃ」、
「じゅ」、e 「じょ」;

3. Note que como 「じ」 é pronunciado / ji /, todos os pequenos sons 「や」、「ゆ」、


「よ」 são também baseados nisso; em outras palavras ficarão / jya / jyu / jyo /;

4. O mesmo se aplica para o 「ち」 que se torna / cha / chu / cho / e 「し」 que se
torna / sha / shu / sho /.

1.8. O 「つ」 PEQUENO

O fonema 「つ」 nem sempre deve ser lido como /tsu/; em certas palavras ele aparece
entre dois caracteres e menor do que eles. Nestes casos, é chamado de 「そくおん」,
literalmente “som oclusivo”.

Mas qual a sua finalidade? Observe o exemplo abaixo:

さっか = escritor

Note que 「つ」 aparece entre os fonemas 「さ」 e 「か」, mas em tamanho menor.
Quando isso ocorrer, ele não deve ser pronunciado. O 「 つ 」 pequeno tem como
principal finalidade representar uma pausa antes da pronuncia do fonema que o
sucede. Na pratica, é basicamente a pausa que se faz “já com a língua no céu da boca”
antes de seguir para uma nova sílaba.

Dividiremos pronúncia de 「 さ っ か 」 em tempos para que você entenda melhor


como funciona essa pequena pausa:

「さ」– 1º tempo;

「 っ 」 – 2º tempo: “comece” a pronunciar o próximo fonema e então faça uma


pequena pausa “já com a língua no céu da boca”;

「か」– 3º tempo: “termine” de pronunciar o fonema que segue o 「つ」 pequeno.

Na transcrição para o Roomaji, o 「 そ く お ん 」 é representado pela duplicação da


consoante da sílaba que o precede – por isso também é conhecido como “consoante
germinada”. Observe alguns exemplos:

「さっか」– deve ser romanizado “SAKKA” e não “satsuka” ou “saka”, pois o fonema
「さっか」– deve ser romanizado “SAKKA” e não “satsuka” ou “saka”, pois o fonema
que precede o 「そくおん」 é “KA”, logo, a consoante “K” será duplicada;

「はっぱ」– deve ser romanizado “HAPPA” e não “hatsupa” ou “hapa”, pois o fonema
que precede o 「そくおん」 é “PA”, logo, a consoante “P” será duplicada;

NOTAS

1. Preste atenção na pronúncia de palavras nas quais o 「そくおん」 está presente,


pois isto pode alterar o significado de palavras aparentemente iguais. Por exemplo,
「もと」 e 「もっと」 possuem significados diferentes;

2. Certifique-se que você está fazendo esta parada com a consoante certa (a
consoante do segundo caractere);

3. O 「 そ く お ん 」 indica também que uma sentença termina abruptamente,


funcionando como um ponto de exclamação. Por exemplo, 「 だ ま れ っ 」 (cale a
boca!).

1.9. O SOM PROLONGADO

Ufa! Estamos quase terminando. Nesta última parte, veremos o “som prolongado”,
que consiste no prolongamento da duração do som de um caractere. Para tanto, basta
colocar 「あ」、「い」 ou 「う」 dependendo da coluna 「だん」 a que o caractere
pertença. Observe a tabela a seguir:

Como exemplo, vamos criar o som prolongado de 「か」. Para tanto, primeiramente
devemos saber a qual coluna 「か」 pertence:

Agora, sabemos que 「 か 」 pertence à  あだ ん , portanto, de acordo com a regra, o


fonema que usaremos para estender seu som é 「あ」.

A razão disto é bem simples: tente dizer 「か」 e 「あ」 separadamente. Então fale
sucessivamente e o mais rápido possível. Você logo perceberá que estará estendendo
o / ka / por uma duração mais longa que dizer somente / ka /. Você pode tentar este
exercício com as outras vogais. Tente lembrar, que na verdade, você está
pronunciando dois caracteres com seus limites embaçados. Na verdade, você pode
nem estar pensando conscientemente sobre vogais longas e simplesmente
pronunciar as letras juntas rapidamente para conseguir o som correto. Em
particular, enquanto que / ei / pode ser considerado som vogal prolongado, eu acho
que a pronúncia sai bem melhor simplesmente pronunciando / e / e / i /.

NOTAS:

1. Há um número pequeno de palavras em que o prolongamento de fonemas de えだ


ん se dá através da adição de 「え」 e não 「い」→ おねえさん  (irmã mais velha);

2. Por razões históricas, há também um pequeno número de palavras em que o


prolongamento de fonemas de  おだん  se dá pela adição de 「お」 e não 「う」→ と

お  (dez).
お  (dez).

É importante você se certificar que a vogal é prolongada o suficiente porque você


pode estar dizendo coisas como “aqui” (ここ) em vez de “Ensino Médio” (こうこ
う) ou “mulher de meia-idade” (おばさん) em vez de “avó” (おばあさん) se você
não esticar corretamente!

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Otaku Project: http://op.xisde.org/

Digitoshi: www.digitoshi.xpg.com.br

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

sci.lang.japan Frequently Asked Questions: http://www.sljfaq.org/afaq/afaq.html

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Let's Learn Hiragana: First Book of Basic Japanese Writing, Yasuko Kosaka Mitamura

3 comentários:

Dolesi 2 de dezembro de 2015 12:44


Muito bom, uma das melhores explicações que já vi.
Responder

Cristina Sousa 24 de dezembro de 2015 23:08


Claro, objetivo e didático. Coisas que eu não entendia estão, finalmente, fazendo sentido
Responder

Viih:3 8 de janeiro de 2016 22:07


Parabéns,vc sabe explicar direitinho estou aprendendo muito aqui.
Responder
LIÇÃO 2: KATAKANA
Provavelmente, você já dominou o Hiragana. Portanto, é hora de partirmos para
o segundo silabário: o Katakana. Após tê-lo aprendido, você possuirá um bom
domínio da escrita japonesa.

2.1. O QUE É O KATAKANA?

Como vimos na lição anterior, o Kana originou-se a partir de Kanjis que eram usados
foneticamente, apenas. Entretanto, diferentemente do Hiragana que foi desenvolvido
a partir do estilo cursivo do man'yougana, o Katakana, originou-se de partes dos
ideogramas – daí o nome “Katakana”, isto é, algo como “um pedaço de escrita
silábica”. A tabela a seguir mostra o Kanji que deu origem a cada Katakana:

A criação do Katakana foi um resultado da necessidade de se ter um sistema simples


com o qual os monges aprendizes pudessem transcrever e memorizar as sílabas de
suas sutras. De fato, este conjunto altamente modificado de caracteres fez com que o
processo de transcrição de sutras se tornasse menos tedioso. Não somente a
transcrição fora simplificada, mas o conhecimento amplo necessário para a escrita
precisa dos Kanjis – que em um primeiro momento não era ideal para a língua

japonesa – foi também evitado. Leia o significado do vocábulo “estenografia” e você


japonesa – foi também evitado. Leia o significado do vocábulo “estenografia” e você
entenderá melhor a origem do Katakana:

ESTENOGRAFIA: técnica de escrita que utiliza caracteres abreviados especiais,


permitindo que se anotem as palavras com a mesma rapidez com que são
pronunciadas; taquigrafia, logografia, pasistenografia. (Dicionário Houaiss)

2.2. CONHECENDO OS FONEMAS

O Katakana representa o mesmo conjunto fonético do Hiragana, porém, é claro, todos


os caracteres são diferentes. Vejamos:

Ao observar o Katakana Moji, atente-se aos seguintes fatos:

I. Todos os sons são respectivamente idênticos aos do Hiragana;

II. Como você verá mais adiante, já que 「 を 」 é usado somente como partícula e
todas as partículas estão em Hiragana, você nunca precisará usar 「ヲ」 e, por isso,
você poderá ignorá-lo sem problemas;

III. Preste muita atenção nos quatro caracteres 「シ」、「ン」、「ツ」、e 「ソ」 ,


pois são extremamente similares uns aos outros e facilmente confundidos.
Basicamente, a diferença é que os dois primeiros são mais "horizontais" que os outros
dois. As pequenas linhas tendem a ser mais horizontais e a linha longa é desenhada
com uma curva de baixo para cima. Os dois últimos possuem as pequenas linhas
quase verticais e a longa não é curvada tanto já que é desenhada de cima para baixo.
É quase uma barra diagonal enquanto o anterior parece mais com um arco. Estes
caracteres são difíceis de distinguir e requerem um pouco de paciência e prática;

IV. Os caracteres 「ノ」、「メ」、e 「ヌ」 também merecem um pouco de atenção,


assim como, 「フ」、「ワ」、 e 「ウ」. Sim, todos eles são parecidos.

---

O Katakana é expressivamente mais difícil de dominar se comparado ao Hiragana,


porque é usado somente para certas palavras e com isso você acaba por não praticá-
lo tanto como o Hiragana. Também, considerando-se que o japonês não possui
nenhum espaço entre palavras, algumas vezes o símbolo 「・」 é usado para mostrar
esses espaços como em 「ロック・アンド・ロール」 para "rock and roll". Usar este
símbolo é completamente opcional e, por isso, algumas vezes, nada será usado.

2.3. O TRAÇADO

Com relação à parte teórica do traçado, o que foi visto no tópico de mesmo assunto

na lição 1, se aplica ao Katakana.


na lição 1, se aplica ao Katakana.

A tabela seguinte mostra o método para a escrita de cada caractere Katakana. Os


números e as setas indicam a ordem dos traços e o sentido respectivamente:

Se preferir, assista ao vídeo abaixo:

2.4. O SOM PROLONGADO

Praticamente tudo no silabário Katakana funciona da mesma maneira que no


Hiragana, ou seja, você deverá apenas substituir caracteres Hiragana pelo
equivalente Katakana. Porém, algo que é diferente é o fato que os sons prolongados
são radicalmente simplificados aqui. Em vez de ter que pensar sobre os sons das
vogais, todos os sons de vogais longas são indicados por um traço chamado 「ちょう
おんぷ」. Ele é escrito na horizontal (ー) em texto horizontal (おうぶん) e vertical (|)
em texto vertical (たてがき).

A tabela seguinte mostra os sons prolongados equivalentes em Hiragana e Katakana


usando 「ハぎょう」 como exemplo:

O 「ちょうおんぷ」 é usado algumas vezes com o Hiragana, como por exemplo, em


O 「ちょうおんぷ」 é usado algumas vezes com o Hiragana, como por exemplo, em
placas de restaurantes de ramen, nas quais 「 ら あ め ん 」 é escrito 「 ら ー め ん 」 .
Entretanto, como você sabe, o Hiragana normalmente usa outra vogal para o
prolongamento de sons em vez do chouonpu.

2.5. OS 「ア、イ、ウ、エ、オ」 PEQUENOS

Por causa das limitações no conjunto de sons do Kana, algumas combinações novas
foram sendo criadas com o passar dos anos para representar os sons que
originalmente não faziam parte da língua japonesa. As mais notáveis limitações são a
falta dos sons “ti / di” e “tu / du” – por causa dos sons “chi” e “tsu” – e a falta do som
da consoante“F”, exceto o 「ふ」. Para as consoantes / sh / j / ch / também falta a vogal
/ e /.

A decisão para resolver estas deficiências foi adicionar versões pequenas dos sons
das cinco vogais. Isto também foi feito para o som da consoante / w / para substituir
caracteres obsoletos. Foi também estabelecido o uso de pequenas barras duplas no
fonema 「 ウ 」 ( ヴ ) juntamente com 「 ア 、 イ 、 エ 、 オ 」 pequenos para indicar a
consoante / v /, mas tal método não é muito usado, provavelmente devido ao fato de
que os japoneses continuam com dificuldades em pronunciar o / v /. Por exemplo,
enquanto você pode achar que "volume" seja pronunciado com um som de / v /, os
japoneses optaram pela simples pronuncia "bolume" ( ボ リ ュ ー ム ) . Da mesma
forma, vodka é escrito "wokka" (ウォッカ) e não 「ヴォッカ」. Você pode escrever
“violino” 「バイオリン」 ou 「ヴァイオリン」 (do inglês “violin”). Isso realmente não
importa, já que quase todos os japoneses irão pronunciá-lo com o som de / b / de
qualquer forma.

A tabela seguinte mostra em destaque os sons que faltavam e que foram adicionados.
Outros sons que já existiam são utilizados apropriadamente:

2.6. O USO DO KATAKANA

Agora que conhecemos o Katakana e suas particulariedades, neste tópico


abordaremos o seu uso concretamente. No japonês moderno, ele é usado
basicamente para a transcrição de palavras de línguas estrangeiras, chamadas
“Gairaigo” (mais detalhes na lição 9). Por exemplo, “televisão” em japonês vem do
inglês “television” e é escrito ( テ レ ビ ). De modo similar, o Katakana é utilizado
geralmente para nomes de países, lugares estrangeiros e nomes não-japoneses de
pessoas. Por exemplo, “Estados Unidos da América” é comumente escrito (アメリカ),
em vez do uso de ateji (亜米利加) (mais detalhes na lição 4). Outros usos do Katakana
incluem:

I. Onomatopéias: palavras usadas para representar sons. Por exemplo, (ピンポン), o


"ding-dong", som de uma campanhia;
"ding-dong", som de uma campanhia;

II. Termos técnicos e científicos: palavras como nomes de espécies de animais,


plantas e minerais são também comumente escritas em Katakana. Por exemplo,
Homo sapiens (ホモ・サピエンス), como espécie, é escrito (ヒト), em vez de seu Kanji
「人」;

III. Transcrição de nomes de corporações japonesas: este é um uso frequente, mas


não “dogmático”. Por exemplo, “Suzuki” é escrito (スズキ), e Toyota, (トヨタ);

IV. Ênfase: o Katakana é também usado para ênfase, especiamente em sinalizações,


anúncios publicitários e outdoors. Por exemplo, é comum encontrarmos grafias como
「ココ」 (aqui), 「ゴミ」 (lixo), ou 「メガネ」 (óculos). Palavras que o escritor deseja
enfatizar em uma sentença também são escritas em Katakana, semelhante ao uso de
itálico;

V. Documentos formais e funções gramaticais: em documentos oficiais anteriores


à Segunda Grande Guerra, o Katakana e o Kanji eram usados conjuntamente da
mesma forma que Hiragana e Kanji o são no japonês moderno, ou seja, era usado
para o okurigana (lição 4) e partículas, tais como “wa” e “wo”;

VI. Telegramas e Computação: o Katakana também foi utilizado para telegramas no


Japão antes de 1988, e para sistemas de computador – antes da introdução de
caracteres multibyte – na década de 1980. Nesta época, a maioria dos computadores
usavam Katakana em vez de Kanji ou Hiragana;

VII. Palavras chinesas-japonesas: embora as palavras emprestadas do chinês antigo


sejam geralmente escritas em Kanji, palavras oriundas de dialetos chineses
modernos que são emprestadas diretamente, são escritas em Katakana em vez de se
usar as leituras On’yomi (lição 4). Observe o quadro abaixo:

A palavra “ramen”, proveniente de empréstimo do chinês e muito comum é escrita


em Katakana como 「ラーメン」 em japonês e raramente é escrita em Kanji (拉麺).

VIII. Indicação de leitura on’yomi: o Katakana é usado para indicar a leitura


on’yomi (derivada do chinês) de um Kanji em um dicionário de caracteres chineses.
Por exemplo, o Kanji 「人」 tem uma pronúncia japonesa, escrita em Hiragana como
「ひと」, assim como uma pronúncia derivada do chinês que é escrita em Katakana
como 「ジン」;

IX. Indicação de pronúncia: o Katakana é usado ​ às vezes no lugar do Hiragana


como furigana (lição 4) para mostrar a pronúncia de uma palavra escrita em
caracteres romanos, ou de uma palavra estrangeira, que é escrita em Kanji com base
somente em seu significado, mas destinada a ser pronunciada como a original
(Gikun);
(Gikun);

X. Modos de fala: algumas vezes, o Katakana também é usado ​


para indicar palavras
faladas com um sotaque estrangeiro ou de forma incomum, por personagens
estrangeiros, robôs, etc. Por exemplo, em um mangá, a fala de um personagem
estrangeiro ou um robô pode ser representada por 「コンニチワ」 (Olá) em vez do
mais típico Hiragana 「こんにちは」;

XI. Nomes pessoais: alguns nomes japoneses pessoais são escritos em Katakana. Isto
era mais comum no passado, portanto, as mulheres idosas muitas vezes têm nomes
em Katakana;

XII. Atenuação de escrita: é muito comum se escrever em Katakana palavras


difíceis de serem lidas em Kanji. Este fenômeno é visto frequentemente na
terminologia médica. Por exemplo, na palavra 「ひふか」(皮膚科) (dermatologia), o
segundo kanji, 「膚」, é considerado difícil de ler e, assim, este termo é comumente
escrito 「皮フ科」 ou 「ヒフ科」, mesclando-se Kanji e Katakana. Da mesma forma, o
Kanji difícil 「癌」 gan ("câncer") muitas vezes é escrito em Katakana ou Hiragana;

XIII. Notação musical: o Katakana é também utilizado para notações musicais


tradicionais, como no Tozan-ryuu de shakuhachi, e em conjuntos sankyoku com koto,
shamisen e shakuhachi.

2.7. A TRANSCRIÇÃO PARA O KATAKANA

A transcrição para o Katakana de uma palavra estrangeira é baseada em seu som


original. Porém, uma vez que a maioria dessas palavras é ajustada ao conjunto de
combinações de [consonante+vogal], ao serem transcritas, elas sofrem várias
transformações radicais, resultando em casos em que, por exemplo, falantes de inglês
não conseguem entender palavras que supostamente foram derivadas de seu idioma.
Observe alguns exemplos:

THANK YOU = サンキュー (sankyuu)

MILK = ミルク (miruku)

TOILET = トイレ (toire)

Como resultado, o uso do Katakana é extremamente difícil para um nativo de outra


língua, porque é natural que ele espera que as “versões” japonesas de palavras
possuam sons parecidos com seu idioma. Portanto, esqueça completamente a palavra
estrangeira original e passe a tratá-la como uma palavra japonesa totalmente
separada, senão você pode cair no hábito de usar palavras estrangeiras com a
pronúncia original (consequentemente uma pessoa japonesa poderá ou não entender
o que você está dizendo).

Fontes:
Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Otaku Project: http://op.xisde.org/

Digitoshi: www.digitoshi.xpg.com.br

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

sci.lang.japan Frequently Asked Questions: http://www.sljfaq.org/afaq/afaq.html

Let's Learn Katakana: Second Book of Basic Japanese Writing, Yasuko Kosaka Mitamura

5 comentários:

nelson katu ichi shimabukuro 18 de fevereiro de 2015 20:01


muito bom as explicações, de hiragana katakana e kanji, e suas origens,, Parabéns.!
Responder

Kim 4 de maio de 2015 20:16


Li 2 aulas e adorei, muito obrigado. Ser[a que conseguiria disponibilizar em pdf s aulas

がんばって
ありがとう
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Blog Ganbarou Ze! 25 de maio de 2015 20:09


Muito obrigado, Kim! Por enquanto, a disponibilização do conteúdo em PDF não está
em nosso planos. Sua sugestão está anotada.

Responder

joyce dantas 18 de outubro de 2015 23:31


Ótima aula!
Simplesmente amei seu blog, pois é realmente chato de encontrar informações sobre a língua
japonesa em português. Como iniciante no japonês, agradeço muito por disponibilizar todo esse
LIÇÃO 3: O USO HISTÓRICO DO KANA
Agora que você conhece os silabários básicos da língua japonesa, vamos tratar
de um assunto que comumente é deixado de lado pelos livros didáticos
convencionais, mas que em nossa opinião é muito importante para entendermos
a evolução do idioma.

3.1. A QUESTÃO PRONÚNCIA X ESCRITA

Algo que devemos ter sempre em mente é que com o passar do tempo, a pronúncia
muda as palavras, sendo ela, portanto, uma das maiores influências nas
mudanças que ocorrem na escrita. Dificilmente se escreve como se fala, pois
cronologicamente a linguagem caminhou (e ainda caminha) da fala, para escrita, não
o inverso.

No início, o Kana e a pronúncia da língua eram bastante sincronizados, mas


inevitavelmente essa sincronia foi diminuindo ao longo do tempo. Nós discutiremos
os motivos que levam à mudança de pronúncia das palavras na lição 9, mas não se
assuste, porque isso é um processo natural de qualquer idioma, haja vista que uma
língua é algo orgânico e não estático. Pronúncia e escrita sofrem alterações no
decorrer das gerações, embora a fala evolua muito mais rapidamente que a escrita –
afinal, mais falamos do que escrevemos, não é mesmo?

Apenas para ilustrar, observe a evolução da palavra “você” em português:


Por volta do século XIX o uso do Kana se tornou confuso devido às mudanças na
pronúncia e houve então, uma tentativa de restauração do uso original dos
tempos antigos, chamada de “uso histórico do Kana” ( れ き し て き か な づ か い ),
também chamada de “uso adequado do Kana” (せいかなづかい), durante o tempo em
que foi empregado. O uso histórico do Kana em sua grande parte, representava com
precisão os sons da língua como era falada no Período Heian (794 a 1185).

Embora a medida de restaurar a ortografia clássica possa ter sido correta em termos
históricos, vale ressaltar que tal sistema já não condizia com a pronúncia
moderna. Vejamos as características do uso histórico do Kana:

A) KANAS OBSOLETOS OU DE USO RESTRITO: aqui nos referimos a fonemas que


antes da reforma ortográfica eram comuns e que atualmente são obsoletos ou
tiveram seu uso restringido.

I. Os fonemas 「 ゐ 」 e 「 ゑ 」 , que são obsoletos no uso moderno do Kana, eram


comuns no uso histórico, sendo pronunciados como 「い」 e 「え」 respectivamente:

ゐる → いる (居る)

こゑ → こえ (声) 

II. O fonema 「を」 é pronunciado como 「お」 e podia ser usado não apenas como
partícula, mas também em outros tipos de palavras:

をばさん →  おばさん 

III. Os fonemas 「ぢ」 e 「づ」, pronunciados como 「じ」 e 「ず」respectivamente,


eram usados com mais frequência:

おぢいさん →  おじいさん

まづ → まず (先ず)

B) TENKO: fenômeno no qual alguns Kanas, dada uma determinada condição,

tinham sons diferentes de seus originais.


tinham sons diferentes de seus originais.

I. Se os fonemas 「は」, 「ひ」, 「ふ」, 「へ」 e 「ほ」 estivessem localizados em


qualquer parte de uma palavra que não fosse o seu início, eram lidos 「わ」, 「い」,
「う」, 「え」, 「お」 respectivamente:

かは →  かわ(川)

あひます →  あいます

つかふ →  つかう

まへ →  まえ (前)

おほい →  おおい(多い) 

II. Sequências de Kana, tais como 「あう」, 「あふ」, 「かう」, 「かふ」, 「さう」, 「さ
ふ」・・・  eram lidas 「おう」, 「こう」, 「そう」・・・:

あふぎ →  おうぎ (扇)

いかう →  いこう

さうです →  そうです

ありがたう →  ありがとう

たふとい →  とうとい (尊い)

しなう →  しのう

まうす → もうす (申す)

だらう →  だろう

ちらう → ちろう

かうかう →  こうこう

ざふきん →  ぞうきん

III. Sequências de Kana, tais como 「きう」, 「きふ」, 「しう」, 「しふ」, 「ちう」,
「ちふ」・・・ eram lidas 「きゅう」, 「しゅう」, 「ちゅう」・・・:

きうり → きゅうり

うつくしう → うつくしゅう

えいきう → えいきゅう

じふじ → じゅう

IV. Sequências de Kana, tais como 「けう」, 「けふ」, 「せう」, 「せふ」, 「てう」,
IV. Sequências de Kana, tais como 「けう」, 「けふ」, 「せう」, 「せふ」, 「てう」,
「てふ」・・・ eram lidas 「きょう」, 「しょう」, 「ちょう」・・・:

けふ → きょう (今日)

でせう → でしょう

けうしつ → きょうしつ

てふ → ちょう

V. Além dos casos expostos acima, outros tipos de tenko são 「きやう」, 「しやう」,
「ちやう」・・・, lidos 「きょう」, 「しょう」, 「ちょう」・・・, e 「くわ」, 「ぐわ」
que eram lidos 「か」, 「が」:

きやうだい → きょうだい (兄弟)

たいしやう → たいしょう (大将)

ちやうちやう → ちょうちょう (町長) 

くわし → かし (菓子)

マングワ → まんが (漫画)

ゆくわい → ゆかい (愉快)

C) SOKUON E YOUON: letras pequenas geralmente não são utilizadas no uso


histórico do Kana. Portanto, os fonemas grandes 「 つ 」 , 「 や 」 , 「 ゆ 」 , 「 よ 」 nos
casos de sokuon e yoon são lidos da mesma maneira como 「 っ 」 , 「 ゃ 」 , 「 ゅ 」 ,
「ょ」:

あつた → あった

ちやんと → ちゃんと

D) OUTROS CASOS: aqui incluímos o caso em que, em escritos antigos, o fonema


「む」 pertencente a um verbo auxiliar é lido 「ん」:

逢はむ → あわん

~せむ → ~せん

ありけむ → ありけん

取りてむ → とりてん

給ひなむ → たまいなん

吹かむとす → ふかんとす

まかりなむずる → まかりなんずる
NOTA: A grafia histórica não deve ser confundida com o hentaigana, kana
NOTA: A grafia histórica não deve ser confundida com o hentaigana, kana
alternativo que foi declarado obsoleto com as reformas ortográficas de 1900.

3.2. O ALINHAMENTO DA ESCRITA COM A PRONÚNCIA MODERNA

A imposição do sistema ortográfico clássico naturalmente gerou um fardo sobre os


alunos, resultando em pedidos de reforma. Afinal, imagine a confusão que era
pronunciar uma palavra de um jeito, mas escrevê-la de outro. Baseados no que vimos
no tópico anterior, por exemplo, a leitura (きょう) do Kanji (京) era escrita (きゃう), e
a leitura (きょう) do Kanji (轎) era escrita (けう). Verbos que agora terminam em (う),
como (かなう), eram escritos com (ふ), ou seja, (かなふ). A mudança para o sistema
moderno de grafia, ocorrida em 1946, foi feita depois de sessenta anos de muitos
debates que visavam alinhar a escrita com a pronúncia moderna.

Apenas para traçar um paralelo, aqui notamos algo que não ocorreu na língua
inglesa, por exemplo. Nela há uma grande irregularidade no quesito “pronúncia x
escrita”, fato que é atribuído por muitos à ausência de uma autoridade central que
pusesse ordem no caos reinante na língua inglesa após a Conquista Normanda.
Durante mais de três séculos, os dialetos correram soltos, se reproduziram e
multiplicaram. O francês dos normandos acabou sendo substituido pelo inglês, mas a
anarquia continuou com o abandono de sempre, refletindo a total indiferença dos
ingleses quanto a questões de coerência na ortografia. Às vezes as pessoas usavam a
grafia de uma região e a pronúncia de outra. É por isso que as palavras busy
(ocupado) e bury (enterrar) são escritas de acordo com o dialeto da região ocidental
da Inglaterra, enquanto a pronúncia da primeira é /bêzi/, típica da região de Londres,
e a da segunda é /berry/, proveniente de Kent.

Houve um processo de padronização da língua inglesa que se iniciou em princípios


do século dezesseis com o advento da litografia, e acabou fixando-se nas presentes
formas ao longo do século dezoito, com a publicação dos dicionários de Samuel
Johnson (1755), Thomas Sheridan (1780) e John Walker (1791). Desde então, a
ortografia do inglês mudou em apenas pequenos detalhes, enquanto que a sua
pronúncia sofreu grandes transformações. O resultado disto é que hoje em dia
temos um sistema ortográfico baseado na língua como ela era falada no século 18,
sendo usado para representar a pronúncia da língua no século 20. Acredita-se que
isso se deu devido ao conservadorismo da imprensa que continuava a grafar as
palavras no sistema antigo, não se abrindo às “inovações” da pronúncia do inglês
cotidiano. Perceba como no Japão a corrente conservadora perdeu força neste
quesito. Vamos representar este comparativo através de um gráfico:
Fontes:

sci.lang.japan Frequently Asked Questions: http://www.sljfaq.org/afaq/afaq.html

Inglês no Supermercado: http://www.inglesnosupermercado.com.br/curiosidades-e-dicas-do-ingles-


escrito-ortografia-irregular-e-esquemas-previsiveis/

English Made In Brazil: http://www.sk.com.br/sk-enhis.html

OCN Page: http://www32.ocn.ne.jp/~gaido/kana/kana0e.htm

Um comentário:

Ana Carolina Nonato 5 de fevereiro de 2016 18:48


ありがとうございます!!
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LIÇÃO 4: KANJI I – CONHECIMENTOS BÁSICOS
Chegou a hora de abordarmos de maneira mais detalhada o Kanji, que é uma
das coisas mais difíceis da língua japonesa. Mas não se desespere, pois
dividiremos o assunto em duas lições, tentando fazer uma abordagem
sistemática, a fim de que você passe a encarar o seu aprendizado não como um
fardo, mas sim como um passatempo. Então, prepare-se para esta aventura que
busca desmistificar os temidos Kanji.

4.1. O KANJI NA LÍNGUA JAPONESA ATUALMENTE

Você já sabe que os Kanjis representam conceitos materiais e abstratos e que foram
introduzidos na língua japonesa por meio de escritos trazidos por monges budistas
quando ainda não havia expressão escrita nela. No sistema moderno de escrita
japonesa, o Kanji é usado em conjunto com os silabários Hiragana e Katakana e cerca
de 5.000 a 10.000 caracteres são utilizados.

Na era Meiji durante o século XIX, as reformas significativas inicialmente não


tiveram impacto sobre o sistema de escrita japonesa, no entanto a própria língua foi
mudando devido a um afluxo maciço de novas palavras, tanto emprestadas de outras
línguas ou recém-cunhadas, e também como um resultado de movimentos, tais como
o influente 「 げ ん ぶ ん い っ ち 」 que resultou que o japonês fosse escrito na forma
coloquial da língua em vez da ampla gama de estilos históricos e clássicos usados até
então. A dificuldade da escrita japonesa foi tema de debate, com várias propostas
para que o número de Kanjis em uso fosse limitado. Além disso, a exposição a textos
estrangeiros levou a propostas sem sucesso para que o japonês fosse totalmente
escrito em Kana ou Roomaji. Este período se deparou com as marcas de pontuação de
estilo ocidental sendo introduzidas na escrita japonesa.

Em 1900, o Ministério da Educação sugeriu três reformas destinadas a melhorar o


ensino da escrita japonesa:

I. Padronização do silabário Hiragana, eliminando assim o sistema Hentaigana, até


então em uso;

II. Restrição do número de Kanjis ensinados no ensino fundamental

(aproximadamente 1200 caracteres);


(aproximadamente 1200 caracteres);

III. Reforma da irregular representação por meio do Kana das leituras ON dos Kanjis,
para estarem em conformidade com a pronúncia.

As duas primeiras reformas foram bem aceitas, mas a terceira foi muito contestada,
principalmente pelos conservadores, sendo deixada de lado em 1908. O fracasso
parcial das reformas de 1900, combinado com o aumento do nacionalismo no Japão,
impediu de fato uma reforma significativa do sistema de escrita. Entretanto, devido
às inúmeras propostas para a restrição do número de Kanjis em uso, vários jornais
começaram a restringir voluntariamente o uso de Kanjis e a utilização de furigana
aumentou. Porém, sem endosso oficial à tal prática, houve muita oposição.

No período que sucedeu a Segunda Grande Guerra, houve uma rápida e significativa
reforma do sistema de escrita. Isso foi em parte devido à influência das autoridades
de ocupação, mas, principalmente por causa da remoção dos conservadores do
controle do sistema educacional, o que significava que as revisões anteriormente
paralisadas poderiam prosseguir. As principais reformas foram:

I. O alinhamento do uso do Kana com a pronúncia moderna ( げ ん だ い か な づ か い ),


substituindo o até então uso histórico do Kana;

II. A promulgação da “Touyou Kanji” ( 当 用 漢 字 ), lista de Kanjis limitada a 1850


caracteres para o uso que deveriam ser aprendidos durante os 6 anos do ensino
fundamental;

III. A simplificação de alguns Kanjis (しんじたい), fato que deu ao antigo conjunto de
caracteres o nome de “Kyuujitai” ( き ゅ う じ た い ), isto é, formas obsoletas de Kanjis
que eram utilizados antes da Segunda Grande Guerra. Logicamente, você não deve
confundir a simplificação japonesa com a chinesa, feita em 1949, embora possa haver
alguns caracteres semelhantes. Observe a figura comparativa com alguns exemplos:

IV. A promulgação da “Jinmeiyou Kanji” (人名用漢字), lista composta por Kanjis que
em conjunto com o Touyou Kanji podiam ser usados para nomes. Compreende cerca
de 2000 caracteres, mas vem sendo atualizada ao longo dos anos pelo Ministério da
Justiça.

Além disso, as placas, a prática da escrita, etc, passaram a ser em yokogaki migi
(escrita da esquerda para a direita). Por exemplo, a placa da estação de Tóquio era (駅
京東), mas passou a ser (京東駅). Entretanto, a direção tradicional de escrita ainda é
vista do lado direito (ou estibordo) de veículos, barcos, etc, de modo que o texto é
executado a partir da parte dianteira do veículo para a parte de trás (ou da proa à
popa).

Após a criação do Touyou Kanji, ainda existiam muitas palavras que continham

caracteres que não tinham sido colocados na lista. Quando isso acontecia, havia dois
caracteres que não tinham sido colocados na lista. Quando isso acontecia, havia dois
procedimentos para resolver o problema:

1. Mazegaki: procedimento com o qual o Kanji era substituído por seu som
equivalente em Kana:

2. Kakikae: procedimento com qual o Kanji era substituído por outro de mesmo som:

No ano de 1981, o governo japonês expandiu o Touyou Kanji, dando origem ao “Joyou
Kanji Hyo” (lista dos caracteres chineses para uso diário), que incluía 1945 caracteres
regulares e 166 caracteres especiais usados apenas para nomes de pessoas. Essa lista
foi revisada no ano de 2010 e passou a ter 2136 regulares (foram retirados 5
caracteres e incluídos 196). Documentos do governo, jornais, livros e outras
publicações para uso de não especialistas usam apenas esses Kanjis. Escritores de
outros materiais são livres para usar qualquer ideograma.

Normalmente a grande maioria dos japoneses já sabe Hiragana e Katakana antes de


entrar na escola de ensino fundamental, pois eles acabam aprendendo na escolinha.
Entretanto, os japoneses aprendem Hiragana e Katakana oficialmente no primeiro
ano da escola de ensino fundamental. Logo depois que os alunos aprendem o Kana,
eles começam a aprender Kanji. Para cada série escolar, há um número estabelecido
de caracteres que os alunos devem aprender. Observe a tabela abaixo:

Os caracteres aprendidos durante os seis anos da escola primária compreendem o


número mínimo de Kanjis que um japonês deve conhecer, sendo suficientes para ler
aproximadamente 90% dos utilizados em um jornal (cerca de 60% com 500
caracteres). Os outros 1130 caracteres, eles aprendem sozinhos e espera-se que ao
terminar o colegial, saibam os 2136 Kanjis.

NOTA: os 1006 Kanjis básicos formam a sub-lista do jouyou Kanji chamada “Kyouiku
Kanji”.

Os substantivos e radicais de adjetivos e verbos são quase todos escritos com


caracteres chineses. Também os advérbios são escritos em Kanji com bastante
frequência. Isso significa que você precisará aprender os caracteres chineses para ser
frequência. Isso significa que você precisará aprender os caracteres chineses para ser
capaz de ler praticamente quase todas as palavras do idioma. Porém, nem todas as
palavras são escritas em Kanji. Por exemplo, mesmo que o verbo “fazer”
tecnicamente possua um Kanji associado a si, é sempre escrito em Hiragana. Critérios
individuais e um senso de como as coisas são normalmente escritas são necessários
para decidir quando as palavras devem ser escritas em Hiragana ou Kanji. De
qualquer modo, a maioria das palavras em japonês será escrita em Kanji quase
sempre (livros infantis ou qualquer outro material direcionado a um público que não
saiba muitos Kanjis são uma exceção a isso).

A maioria dos Kanjis foi inventada pelos chineses, mas há alguns ideogramas que são
de origem japonesa. Estes são conhecidos no Japão como 「 こ く じ 」 ( 国 字 ),
literalmente "caracteres nacionais". O termo 「わせいかんじ」 (和制汉字), isto é, "Kanji
feitos no Japão" também é usado para se referir aos kokujis. Por exemplo, o
ideograma usado para escrever 「 は た ら く 」 ( 働 く ) é de origem japonesa. Estes
ideogramas são formados da maneira usual dos caracteres chineses, ou seja, através
da combinação de componentes existentes, embora utilizando uma combinação que
não é usada na China.

E para finalizar este tópico, há ainda o 「 あ て じ 」 ( 当 て 字 ) que, numa primeira


definição, são composições de ideogramas usadas apenas para valor fonético, não
tendo relação com o significado individual em si dos caracteres. São usadas para
representar palavras nativas e principalmente estrangeiras, sendo análogo ao
man'yougana ( 万 葉 仮 名 ), que como já vimos, era o sistema silabário usado na
sociedade japonesa pré-moderna. Observe o exemplo abaixo:

- “Sushi” é frequentemente escrito com o ateji 「 寿 司 」 . Mas o ideograma 「 寿 」


significa "longevidade" e 「 司 」 significa "administrar", ou seja, nenhum dos
caracteres tem algo relacionado a este prato. Entretanto, são usados para fins
fonéticos, haja vista que são pronunciados “SU” e “SHI” respectivamente.

Numa segunda definição, o termo ateji é também usado para o processo oposto, ou
seja, escrever palavras usando Kanjis em caráter de significado apenas,
desconsiderando as leituras individuais (mais detalhes nos próximos tópicos).

Embora no japonês moderno alguns atejis ainda sejam utilizados, este método de se
representar palavras tornou-se ultrapassado, sendo substituído pelo Kana ou novos
ideogramas.

4.2. AS LEITURAS ON E KUN

Um ideograma chinês pode ter várias pronúncias possíveis (em casos raros, dez ou
mais), dependendo do seu contexto, significado pretendido, uso em compostos, e
localização na frase. Estas pronúncias, ou leituras, são normalmente categorizadas
em on'yomi ou kun'yomi (frequentemente abreviado On e Kun).

1. On’Yomi (音読み): é a leitura original chinesa do caractere na época em que este foi
introduzido no Japão. Note que ela se trata apenas de uma aproximação feita pelos

japoneses devido à limitação da fonética de seu idioma.


japoneses devido à limitação da fonética de seu idioma.

Devido à limitação da fonética japonesa, as leituras On eram apenas aproximações do


som original chinês, e com isso também muitas vezes sons chineses parecidos, mas
diferentes eram introduzidos no Japão como sendo um único som. Vamos usar o
português, apenas para que você entenda como se deu mais ou menos esse processo:
imagine as palavras “só” e “sol”. São parecidas no som, mas diferentes. O que os
japoneses da época fariam se tivessem que introduzi-las em sua língua? Eles
pensariam: “Ah, como não temos o “l”, “sol” passará a ser pronunciado “só”’. Então
“só” e “sol” que originalmente são palavras distintas e possuem pronúncias
diferentes, no japonês, passam a compartilhar a mesma pronúncia.

Para fins didáticos a leitura ON, é escrita em Katakana.

NOTA: obviamente, pelo fato de a leitura On se tratar de uma aproximação da


pronúncia chinesa original, você não deve achar que aprenderá palavras em chinês
ao memorizar Kanjis em algum curso de japonês.

Muitos ideogramas possuem mais de uma leitura On. A quantidade de leituras On


para o mesmo Kanji indica o número de vezes que ele foi reintroduzido no Japão. Em
outras palavras, cada leitura On para o mesmo ideograma veio de diferentes épocas
e/ou regiões da China. Isto aconteceu porque diferentes dinastias assumiram o poder
e, como a China era muito grande, cada dinastia tinha sua própria pronúncia para os
vários ideogramas e fazia dela a leitura oficial durante seu governo. Como naquela
época a China era grande e maravilhosa aos olhos dos japoneses, quando os chineses
traziam uma “nova” pronúncia para os Kanjis que todos já conheciam, os nipônicos
tratavam de acrescentá-la ao monte.

Dado o que foi exposto, a leitura On é classificada em quatro tipos:

a) Go'on (呉音): são leituras provenientes da região de Wu, que está nas proximidades
da moderna Shangai, durante os séculos V-VI;

b) Kan'on ( 漢 音 ): são leituras provenientes da Dinastia Tang nos séculos VII-IX,


principalmente da fala padrão da capital, Chang'an;

c) Tou'on ( 唐 音 ): são leituras provenientes da pronúncia de dinastias posteriores,


como as dinastias Song e Ming; abrangem todas as leituras adotadas a partir da era
Heian ao período Edo. Também é conhecido como “Tou’sou’on;

d) Kan'you-on (慣用音): são leituras equivocadas dos Kanjis que se tornaram aceitas
no idioma. Em alguns casos, são as leituras reais que acompanharam a introdução do
ideograma no Japão, mas não coincidem com a maneira que ele "deve" ser lido
considerando-se as regras de sua construção e pronúncia.
Por exemplo, os Kanjis seguintes têm uma variedade de leituras nestes sistemas:
Por exemplo, os Kanjis seguintes têm uma variedade de leituras nestes sistemas:

A forma mais comum de leitura é a “kan’on”. Já a leitura “go’on” é comum


especialmente na terminologia budista como 「 ご く ら く 」 ( 極 楽 ) que significa
"paraíso". A leitura tou’on ocorre em algumas palavras como 「 い す 」 ( 椅 子 ) =
“cadeira”.

NOTA: uma vez que os “Kokuji” são direcionados para as palavras nativas,
geralmente possuem apenas leitura Kun.

Naturalmente, as leituras ON são agora bastante distintas da pronúncia do chinês


moderno. Isto é devido a várias razões – empréstimos de diferentes dialetos,
adaptação da pronúncia para ajustar o idioma japonês, e as mudanças em ambos os
lados ao longo dos séculos. Mas as semelhanças são bastante evidentes, uma vez que
empréstimos são feitos, e linguistas têm usado até mesmo a pronúncia japonesa
como uma ajuda na reconstrução da antiga pronúncia chinesa.

2. Kun’Yomi ( 訓 読 み ): é a leitura da palavra japonesa nativa existente antes da


introdução de caracteres chineses no Japão, que foi anexada ao Kanji com base no
significado original do ideograma. É escrita em Hiragana.

Entretanto, há Kanjis cujas leituras Kun a eles atribuídas não refletem o significado
original chinês. Estes não são considerados kokujis, mas são chamados 「こっくん」
(国訓). Observe alguns exemplos:

A leitura Kun é usada para palavras nativas, principalmente em adjetivos e verbos.


Nesse caso, geralmente há uma sequência de Kana (chamada okurigana) que vem
anexada aos ideogramas complementando a pronúncia da palavra e será a parte que
sofrerá flexões. Observe o exemplo:

Como você leria o Kanji em 「食べる」?

Vamos observar as leituras do ideograma em questão:

Primeiramente, como 「食べる」 se trata de um verbo, deve-se considerar a leitura


Primeiramente, como 「食べる」 se trata de um verbo, deve-se considerar a leitura
Kun. Mas qual é a correta, haja vista que temos quatro leituras Kun possíveis?

Basta observar o okurigana que acompanha o Kanji. Neste caso é 「 べ る 」 , logo,


segundo a tabela acima, a pronúncia correta para o ideograma em questão é 「た」.
Esquematizando, temos:

E a leitura dos caracteres chineses permanece mesmo que o verbo esteja conjugado
em diferentes formas:

「食べる」 >>> 「食べた」= 「たべる」 >>> 「たべた」(a leitura para 「食」 continua
inalterada)

NOTA: O okurigana também serve para distinguir entre os verbos transitivos e


intransitivos (mais sobre este assunto depois).

4.3. COMO LER OS KANJIS: REGRA BÁSICA (E BEM BÁSICA MESMO)

Como regra geral (mas não dogmática), a leitura Kun é usada para palavras nativas,
principalmente em adjetivos e verbos. Nesse caso, geralmente há uma sequência de
Kana (chamada okurigana) que vem anexada aos ideogramas complementando a
pronúncia da palavra e será a parte que sofrerá flexões. Quando se trata de outras
classes de palavras, geralmente quando um Kanji aparece isoladamente, é usado
kun'yomi, enquanto quando dois ou mais aparecem juntos formado uma composição
de Kanjis (じゅくご), para expressar uma única palavra, é usado on'yomi.

Como exemplo, repare nos Kanji abaixo:

Agora, observe-os no exemplo a seguir:

Na primeira ocorrência, 「新」 aparece isolado (sem outro Kanji o acompanhando),


então, a pronúncia é “Atara.shii”, lido com o Hiragana que o segue e significa “novo”
.
Na segunda ocorrência, 「 新 」 aparece acompanhado pelo Kanji 「 聞 」 , portanto,
Na segunda ocorrência, 「 新 」 aparece acompanhado pelo Kanji 「 聞 」 , portanto,
será usada a on’yomi de ambos. Desta forma, juntos formam 「 し ん . ぶ ん 」 , que
significa “jornal”.

4.4. LEITURAS ESPECIAIS

Ler Kanji requer conhecimento de vocabulário e assimilação. Isso porque, embora


seja possível estabelecer regras gerais para quando usar on'yomi e quando usar
kun'yomi, há várias exceções e nem sempre é possível, mesmo para um falante
nativo, saber como ler um ideograma (ou composição) sem o conhecimento prévio.
Nestes casos, as leituras precisam ser memorizadas individualmente. Para fins
meramente didáticos, dividiremos essas leituras especiais em quatro grupos. Vejamos
a seguir.

I. Leituras mescladas: são baseadas nas leituras individuais de cada Kanji, mas não
seguem o padrão descrito no tópico anterior. A seguir, alguns exemplos:

王 様 = お う . さ ま (rei) – on’yomi do primeiro ideograma + kun’yomi do segundo


ideograma. Esse padrão é chamado de 「じゅうばこよみ」 (重箱読み).

手 本 = て . ほ ん (modelo, exemplo) – kun’yomi do primeiro ideograma + on’yomi do


segundo ideograma. Esse padrão é chamado de 「ゆとうよみ」 (湯桶読み).

朝 日 = あ さ . ひ (manhã) – kun’yomi do primeiro ideograma + kun’yomi do segundo


ideograma.

II. Leituras extras: chamada de 「なのり」 (名乗り), é a leitura presente em alguns


ideogramas, geralmente intimamente relacionada com o kun'yomi. É usada
principalmente para nomes de pessoas e, às vezes, para nomes de lugares (quando
não se usam leituras únicas não encontradas em outro lugar). Observe o exemplo
abaixo:

III. Leituras atribuídas: são leituras que não têm correlação com as pronúncias
reais de um caractere. Porém, leva-se em consideração o seu significado individual e
se estabelece uma nova pronúncia. Dividem-se em dois tipos:

A) Jukujikun ( 熟 字 訓 ): como vimos, ao importar um Kanji, a ele era atribuída a


palavra nativa que correspondia ao seu significado original. Tomando carona neste
conceito, Jukujikun é a leitura nativa aplicada, não a um único Kanji, mas a uma

composição fixa de Kanjis adotada oficialmente para representar uma palavra


composição fixa de Kanjis adotada oficialmente para representar uma palavra
japonesa. Observe o exemplo abaixo:

Como você leria a composição 「明日」?

Esta composição é usada para representar o conceito “amanhã” na língua chinesa


(lembre-se que os Kanjis expressam conceitos). A palavra japonesa com o mesmo
significado é 「あした」 ou 「あす」, e foi aplicada a estes caracteres, já que a leitura
Kun individual não resultaria na palavra com o significado proposto pelos caracteres.

Um ponto muito importante que deve ser considerado é que uma Jukujikun é
aplicada considerando-se a composição como um todo. Portanto, não é possível
uma separação do tipo: 「明」= 「あ」, 「日」= 「す」.

Normalmente as composições em que uma Jukujikun é aplicada, ainda assim podem


ser lidas em suas leituras padrão. Observe:

Como você leria a composição 「今日」?

Pode ser de três maneiras:

1ª. 「こんじつ」 (On’yomi)

2ª. 「こんにち」 (On’yomi)

3ª. 「きょう」 (Jukujikun)

B) Gikun ( 義 訓 ): é a leitura de um Kanji (ou composição) quando este é usado de


maneira improvisada – e somente dentro de contextos muito específicos – para
substituir a grafia original de uma palavra. Evidentemente, nestes casos, ao Kanji (ou
composição) em questão é atribuída a leitura da palavra que se destina a substituir.
Observe os exemplos abaixo:

1) Como você leria a composição 「小宇宙」?

Normalmente lê-se 「しょううちゅう」. Entretanto, se estiver subentendido o animê


“Os Cavaleiros do Zodíaco”, deve-se levar em consideração que esta composição é
usada para substituir a grafia 「コスモ」 que significa, “cosmo”. Portanto, neste caso
específico, deve ser lida 「コスモ」 e não 「しょううちゅう」. Esquematizando, temos:

2) Como você leria o ideograma 「寒」?

Normalmente é lido 「かん」 ou 「さむ」, mas dependendo do contexto em que está


inserido, é usado no lugar do ideograma padrão para “inverno” 「 冬 」 . Portanto,
deve ser lido 「ふゆ」.

NOTAS:
NOTAS:

1. Gikun também aparece em alguns nomes de família japonesa, e como vimos, é


amplamente utilizada em filmes, mangás, jogos e animês para nomes de
personagens, golpes, cidades fictícias, etc...;

2. Acredita-se que muitas das composições lidas em Jukujikun foram inicialmente


Gikun;

2. Composições criadas também podem ter Gikun. É o caso do nome original de “Os
Cavaleiros do Zodíaco” (聖闘士星矢), onde 「聖闘士」 é uma combinação de 「聖」 e
「闘士」 e é lido “Saint” 「セイント」 em vez de 「せいとうし」.

IV. Leituras simplificadas: é a leitura baseada nas leituras individuais dos


caracteres, porém sutilmente alteradas para tornar a pronúncia mais fácil ou fluída.
Ocorre basicamente de três maneiras:

A) Rendaku (連濁): é o fenômeno em que a sílaba inicial do último elemento de uma


palavra composta é vozeada. Ocorre normalmente em substantivos japoneses, mas
também é visto em partículas, tais como 「 だ け 」 , 「 ば か り 」 e 「 ぐ ら い 」 ou em
Kango (lição 9). Observe:

Como você leria a composição 「手紙」?

A leitura Kun de cada caracter é 「手」=「て」 e 「紙」= 「かみ」. Entretanto, não é


lida 「てかみ」, mas sim 「てがみ」.

Mas o que causa o rendaku?

Bem, seria mais fácil reformular a pergunta para: “o que NÃO causa o rendaku?”. E
para respondê-la, vamos recorrer, em um primeiro momento, à Lei de Lyman, que é
chamada assim por que Lyman foi a pessoa que encontrou um padrão de exceções
para o fenômeno de rendaku. Existem casos estranhos em que essa lei é quebrada,
mas como essas exceções são muito poucas, normalmente não há necessidade de um
estudo profundo acerca delas. O que a Lei de Lyman afirma? Vejamos:

“O rendaku não ocorre quando o segundo elemento do composto contém uma


obstruinte vozeada em qualquer posição.”

Primeiramente, devemos definir o que é uma obstruinte vozeada. De uma forma


simples, é um som consonantal (por isso, não uma vogal), que é formado ao se
obstruir o fluxo de ar na garganta. Talvez leve um tempo para você entender isso,
mas se você pronunciar vários destes sons lentamente perceberá que sua garganta
tem que fechar um pouco (e obstruir o fluxo de ar), a fim de que som seja emitido
(também fazem uma vibração em sua garganta). Então, “obstruinte vozeadas” no
japonês são sons que possuem o dakuten. Observe os exemplos:

1. 「恋人」= 「こいびと」= amado(a), namorado(a)

A composição acima deveria ser lida 「こいひと」, mas como NÃO possui obstruinte
A composição acima deveria ser lida 「こいひと」, mas como NÃO possui obstruinte
vozeada no segundo elemento 「ひと」, o rendaku ocorre, ficando 「こいびと」.

2. 「山火事」= 「やまかじ」= incêndio florestal

O segundo elemento da composição acima 「かじ」 POSSUI uma obstruinte vozeada


「じ」. Portanto, o rendaku não ocorre, devendo ser pronunciada 「やまかじ」 e não
「やまがじ」.

Há algumas exceções, especialmente com a consoante nasal 「ん」 e certos sufixos. O


quadro abaixo mostra exemplos de Lei de Lyman em ação. Observe as exceções que
são dadas também (a coluna “causa” ilustra por que o rendaku é cancelado ou não):

Saindo da Lei de Lyman, seguem outros pontos importantes acerca do Rendaku:

I. Quando há um “dvandva”, isto é, objetos que são conectados dando um sentido de


[A e B], o rendaku não ocorre:

II. Há palavras que o rendaku ocorre dependendo da restrição de ramificação.

- Se uma palavra tem o seu significado principal presente no segundo elemento


(ramificada à esquerda), o rendaku pode ocorrer:

Note que em ambos os casos, o significado principal está no segundo elemento, mas é
restringido pelo primeiro, ou seja, não é de qualquer relógio ou rio que estamos
falando, mas de um relógio relacionado a “despertar” e de um rio relacionado à
“montanha” respectivamente.

- Se uma palavra tem o seu significado principal presente no primeiro elemento


(ramificada à direita), o rendaku não ocorre:

Entretanto, há exceções:

Nos quatro exemplos, note que o significado principal está no primeiro elemento e o
segundo é que o restringe.

III. Com nomes, a ocorrência do rendaku é bastante aleatória:


Embora 「 ず 」 ou 「 じ 」 sejam mais frequentes, quando o rendaku ocorrer em
palavras que comecem com 「つ」 ou 「ち」, use o hiragana original. Por exemplo,
“sangue” é escrito 「ち」, então, 「鼻血」 deve ser grafado 「はなぢ」 e não 「はな
じ」. Entretanto, isto não se aplica quando o segundo elemento não é considerado um
elemento separável que agregue significado. Nesses casos, deve-se substituir 「 づ 」
ou 「 ぢ 」 por 「 ず 」 ou 「 じ 」 . Por exemplo, na composição 「 稲 妻 」 o segundo
elemento  「 妻 」 (esposa) não é considerado como um sufixo separável. Por esta
razão, em Kana 「稲妻」 é escrito 「いなずま」 e não 「いなづま」. Outro ponto, é que
「づ」 e 「ぢ」 não são usados dentro de palavras de uma única parte, a menos que
os sons 「ち」 ou 「つ」 estejam dobrados e vozeados. Considere as palavras a seguir:

B) Onbin (音便): para entendermos o seu conceito, observe a definição de “eufonia”:

“Eufonia é a sucessão harmoniosa de fonemas pelo encadeamento feliz de sons


(vogais) e articulações (consoantes). No domínio fônico, a eufonia procura
evitar sons estranhos, contrastantes, discordantes ou repetições desagradáveis.”

Em japonês, as mudanças eufônicas (音便) dividem-se em quatro grupos:

I. U-Onbin = é a mudança eufônica em que fonemas são substituídos por 「 う 」 .


Ocorre principalmente com fonemas de  いだん  e  うだん. É raro com fonemas de  あ
だん, えだん  e  おだん;

II. I-Onbin = é a mudança eufônica em que fonemas são substituídos por 「 い 」 .


Ocorre principalmente com fonemas de  いだん;

III. Hatsu-Onbin = é a mudança eufônica em que fonemas são substituídos pelo


fonema nasal 「ん」. Assim como o U-Onbin, ocorre principalmente com fonemas de 
いだん e うだん  e é raro com fonemas de  あだん, えだん  e  おだん;

IV. Soku-Onbin = é a mudança eufônica em que fonemas são substituídos pelo


sokuon 「っ」. Assim como o I-Onbin, ocorre principalmente com fonemas de  いだん;

Com o termo “Onbin” definido, obeserve o exemplo:

1) Como você leria a composição 「玄人」?

Neste exemplo, deve-se usar a leitura nanori de 「玄」=「くろ」 juntamente com a


Kun’yomi de 「人」=「ひと」. Entretanto, a leitura correta da composição é 「くろう
と 」 . Não se trata, porém, de um Jukujikun ou Gikun, pois é possível decompor o
conjunto, o que resulta nas leituras individuais dos Kanjis. O que ocorre neste caso é
apenas uma “mudança eufônica para u” (U-Onbin) do que seria 「くろひと」.

---

Em muitos casos as alterações eufônicas envolvem outras mudanças sonoras que


Em muitos casos as alterações eufônicas envolvem outras mudanças sonoras que
fazem parte do fenômeno em si. Porém, para fins meramente didáticos, chamaremos
estas de “alteração derivada”. Vamos pegar como exemplo a palavra 「なこうど」 e
observar a sua origem e evolução (as partes em negrito destacam as alterações
feitas):

「中-人」: なかびと→ なかうど= なこうど「仲人」 (pronúncia e Kanji atuais)

Agora, vamos identificar alterações sofridas:

1) Rendaku: なかひと→ なかびと;

2) Mudança eufônica para u: なかびと→ なかうと;

3) Alteração derivada (como uma consoante vozeada foi retirada, vozea-se a


consoante seguinte): なかうと→ なかうど;

4) Tenko: なかうど→ なこうど

Na língua japonesa as alterações sonoras são muito comuns, mas não existem regras
quanto a isso. Com o tempo, você perceberá que elas costumam ocorrer de acordo
com o agrupamento de fonemas, sendo determinada alteração mais comum (não
regra) para um agrupamento específico. Por exemplo, é comum que o conjunto 「つ
ひ」 seja alterado para 「っぴ」:

Como você leria a composição 「月日」?

Nesta composição deve se empregar a leitura On, ou seja, 「 が つ ひ 」 . Entretanto,


neste caso, o conjunto de fonemas 「つひ」 é modificado para 「っぴ」, o que resulta
em 「がっぴ」.

C) Apofonia: existe outro fenômeno que na linguística é chamado de “apofonia”


(também conhecido como "ablaut", sendo este termo o mais comum na literatura
linguística de grande prestígio). Sem entrar em explicações detalhadas (que serão
dadas na lição 9), por enquanto, importa saber que esse fenômeno  diz respeito à
mudança de vogal da pronúncia de um Kanji dentro de uma composição. Por
exemplo, a palavra 「まぶた」 que, significa “pálpebra”, originou-se da composição
「目蓋」, onde 「目」 (め) = olho e 「蓋」(ふた) = cobertura, tampa . Veja como aqui
dois fenômenos ocorreram:

1) Apofonia, onde 「目」 (め) passa a ser pronunciado 「ま」;

2) Rendaku, onde 「蓋」 (ふた) passa a ser pronunciado 「ぶた」.

Sendo assim, o que seria 「めふた」 tornou-se 「まぶた」.

Infelizmente, parece não haver regras claras com relação a quando deve haver
apofonia ou mesmo quais as alterações que devem ser feitas, mas as ocorrências
mais comuns são a alternância de 「えだん」 para 「あだん」 e 「いだん」 para 「う
だん」 ou 「おだん」.
NOTA: é importante destacar que as mudanças sonoras apresentadas não se
NOTA: é importante destacar que as mudanças sonoras apresentadas não se
restrigem a um grupo de palavras, sendo muito comum em verbos, advérbios,
adjetivos, etc.

4.5. FURIGANA E KUMIMOJI

Baseados no tópico anterior, podemos dizer que a leitura dos Kanjis é muito
ambígua. Apenas para ilustrar essa dificuldade que até mesmo os nativos podem
encontrar na leitura de Kanjis, em novembro de 2008, a imprensa japonesa noticiou
que o Primeiro-Ministro Taro Aso frequentemente errava as leituras de alguns
Kanjis, muitos considerados de uso comum em seus discursos, questionando assim,
sua qualidade como pessoa que ocupa o cargo mais alto do Japão (leia a matéria
aqui).

Devido aos seus erros, Aso passou a ser comparado com George W. Bush, e rotulado
de "Tarō" uma provocação usada nas escolas para as crianças pouco inteligentes.

Por causa dessa ambiguidade na leitura dos Kanjis, é comum encontrarmos pequenos
Kanas, conhecidos como Furigana (também conhecido como 「ルビ」 ou 「ルビー」 =
rubi), escritos acima dos ideogramas, ou ao seu lado, chamados de Kumimoji, que
mostram como devemos pronunciá-los.

Tal recurso é usado especialmente em textos para crianças ou alunos estrangeiros e


mangá, como também em jornais para leituras raras ou incomuns e para ideogramas
não incluídos no conjunto de reconhecidos oficialmente.

4.6. O TRAÇADO

Os Kanjis são constituídos de traços, escritos em uma determinada ordem, como o


Hiragana e o Katakana. Antes de aprender as regrinhas de ordem dos traços é uma
boa ideia aprender quais são os traços possíveis de um Kanji:
Não se preocupe em decorar o nome de cada tipo de traço. Esta seção é apenas para
que você veja que existem tipos diferentes de traços. O que você precisará mesmo
saber vem a seguir:

1. Kanjis são escritos da esquerda para a direita:

2. Kanjis são escritos de cima para baixo:

3. Traços horizontais normalmente são escritos antes de verticais:

4. Em caracteres simétricos, comece pelo traço do meio, depois esquerda e então


direita:

5. Traços que envolvem outros traços são escritos primeiro, com exceção da base, que
5. Traços que envolvem outros traços são escritos primeiro, com exceção da base, que
vem por último:

6. Um traço diagonal para a esquerda é escrito antes que um traço diagonal para a
direita:

7. Se uma linha vertical atravessar todo o caractere ela é escrita por último:

8. Se uma linha horizontal cruzar todo o caractere ela é escrita por último:

9. Um traço diagonal vem antes do horizontal se for pequeno e depois do horizontal


se for grande:

Uma coisa que você precisa saber é que essas regras não são absolutas, elas irão
funcionar para a maior parte dos casos, mas não todos. Então fique avisado, se
encontrar um Kanji que não obedeça alguma dessas ordens, não é um erro na regra e
sim uma exceção.

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Otaku Project: http://op.xisde.org/


Digitoshi: www.digitoshi.xpg.com.br

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

sci.lang.japan Frequently Asked Questions: http://www.sljfaq.org/afaq/afaq.html

Let's Learn Kanji: An Introduction to Radicals, Components and 250 Very Basic Kanji, Yasuko Kosaka
Mitamura, Joyce Mitamura

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LIÇÃO 5: KANJI II – ASPECTOS SOBRE SUA FORMAÇÃO E
APRENDIZADO
Na lição anterior você aprendeu sobre a História do Kanji e o que concerne a seu
uso, leitura e traçado. Vamos agora estender esse conhecimento básico
adquirido abordando tópicos sobre sua formação e aprendizado.

5.1. AS CATEGORIAS DE KANJI

Tenha em mente que um ideograma é algo lógico e não um monte de rabiscos


aleatórios como muitos podem pensar. Porém, para que você possa compreendê-lo,
esqueça completamente o nosso tempo atual e considere os elementos da época em
que ele foi criado, tais como a vida cotidiana, cultura, objetos etc., ainda que para nós
seja praticamente impossível conhecer tais elementos a fundo, o que nos
possibilitaria entender melhor a sua lógica.

O estudo da etimologia do Kanji já é bem antigo. De fato, o primeiro “dicionário”


chinês e o mais primitivo texto a estudar a origem pictórica dos caracteres chineses é
o 「せつもんかいじ」 (説文解字), e foi escrito no século II d.C. Este "dicionário" estudou
a origem pictográfica dos Kanjis, classificando-os em 6 categorias, conhecidas como
「りきしょ」 (六書). A seguir, vamos abordá-las:

1. Shoukei Moji (象形文字): também chamados de Kanjis pictográficos, têm sua forma
semelhante àquilo que representam e são os mais primitivos, tendo origem nas
figuras de objetos ou fenômenos. Consequentemente, muitos desses caracteres são
substantivos e frequentemente são usados como componentes para ideogramas mais
complexos. Aproximadamente 3% de todos Kanjis já desenvolvidos na China
pertencem a esta categoria. Observe alguns exemplos:

2. Shiji Moji ( 指 事 文 字 ): também chamados de Kanjis indicativos, são derivados da


primeira categoria e usam pontos e linhas para expressar conceitos abstratos que
não possuem forma em especial, incluindo a noção de “dentro”, “acima”, “abaixo”,
etc...:
etc...:

3. Kaii Moji ( 会 意 文 字 ): também chamados de Kanjis ideográficos compostos, são


formados através da combinação de Kanjis pictográficos ou indicativos, a fim de
apresentar uma nova e simples ideia. Os caracteres que são combinados contribuem
para a “montagem” de seu significado final. Daremos exemplos de formações com
dois Kanjis, mas é claro que o número pode variar. Observe:

Ao observar esta categoria de Kanjis, podemos ter uma ideia de como os chineses
antigos viam o mundo e de como era a vida cotidiana. No primeiro exemplo, como o
trabalho naquela época era feito no campo, provavelmente era comum que os
trabalhadores descansassem debaixo de árvores. No segundo, podemos deduzir que
homem era praticamente sinônimo de camponês, uma vez que as mulheres ficavam
mais em casa cuidando da família, enquanto seus maridos trabalhavam. No terceiro,
consideremos que era muito comum se criar porcos em casa – assim como se cria
cachorros hoje em dia.

4. Keisei Moji (形声文字): também conhecidos como Kanjis fonético-ideográficos, são


também combinações de dois ou mais caracteres simples que apresentam um novo
significado. Mas diferentemente da categoria anterior, um componente é relacionado
ao significado do novo caractere formado, e o outro dá a pronúncia (original
chinesa). Os ideogramas desta categoria são os mais complexos, envolvendo desde os
caracteres mais primitivos (relacionados ao significado apenas) até os que são
organizados tanto por sua fonética como por seu significado. Acredita-se que 90% de
todos os Kanjis pertençam a esta categoria. Observe os Kanjis a seguir para melhor
entender o seu conceito:

Note que em cada um dos três caracteres, há o radical 「氵」 (mais detalhes acerca
dos radicais no próximo tópico), localizado à esquerda indicando que o significado
está relacionado com “água”, enquanto o componente da direita “empresta” sua
pronúncia ao conjunto.

Em cada um dos caracteres acima, o componente do lado esquerdo é diferente, por


isso, os significados variam. Mas, perceba que, como todos têm o mesmo componente
isso, os significados variam. Mas, perceba que, como todos têm o mesmo componente
à direita, todos possuem a mesma leitura On 「セイ」.

Com estes exemplos, vemos que aprendendo os componentes básicos, torna-se


possível desvendar muitos Kanjis desconhecidos, seja no significado e/ou na leitura
On. É claro que nem sempre é tão simples assim, mas o importante é ter sempre esta
linha de raciocínio.

5. Tenchuu Moji ( 転 注 文 字 ): também conhecidos como “caracteres derivados”, são


Kanjis cuja pronúncia ou significado foi alterado por empréstimo de um Kanji que
representa outro som ou ideia, dando origem a outro caractere – ou seja, modifica-se
um Kanji para originar outro – para expressar coisas semelhantes ou de mesma
natureza. Observe a figura abaixo:

Essa mudança se deu pelo fato de que antigamente algumas palavras que não tinham
o mesmo significado passaram a ser grafadas da mesma maneira. Um exemplo disso
é 「楽」, que originalmente significa “música”, mas que passou a significar também
seu efeito, o “gozo”, o “deleite”. Como o sentido não era o mesmo, algumas dessas
palavras tiveram a sua escrita diferenciada. Mas não se preocupe, pois os caracteres
que formam esta categoria são raros.

6. Kashaku Moji ( 仮 借 文 字 ): também conhecidos como “caracteres tomados


emprestados” são Kanjis que foram usados para representar outra palavra, sem
relação alguma com a que originalmente ele designava, somente por causa de
pronúncia igual ou um sentido antigo que se perdeu completamente. Por exemplo, o
caractere 「自」 (zì) originalmente era usado para “nariz” e passou a ser empregado
também para a expressão “si próprio”, pois esta tem a mesma pronúncia (zì).
Atualmente, este é o único significado que ele possui. Outros exemplos incluem
「四」, 「北」, 「要」, 「少」 e 「永」, que originalmente representavam "muco",
"costas", "cintura", "areia", e "nadar”, respectivamente, mas passaram a ser usados
para expressar "quatro", "norte", "querer", "pouco” e "eternidade".

Nesta categoria percebe-se o uso de uma técnica incomum, pois sempre existiu
resistência em mudar o sentido de um caractere existente. Porém, devido à
fragmentação de dialetos na China (o mandarim é o oficial, mas há outros como o
cantonês e dialetos próprios de Taiwan), havia ocasiões em que um dialeto possuía
palavras próprias sem escrita ainda. Então, “pegava-se emprestado” um caractere de
outra palavra que tivesse o som igual. Normalmente, quando isso ocorria, uma
versão levemente alterada do Kanji era criada para o seu lugar. Por exemplo,
atualmente as palavras “nariz”, “muco”, “costas”, “cintura”, “areia” e “nadar” são
representadas com os caracteres levemente alterados, isto é, 「鼻」, 「泗」, 「背」,
「腰」, 「砂」 e 「泳」.
5.2. OS RADICAIS
5.2. OS RADICAIS

Dos primeiros pictogramas foram selecionados 214 para que fossem usados como
radicais para outros caracteres. Radical (Bushu) é um sub-elemento de um Kanji.
Todo Kanji possui radical ou é um radical em si mesmo, no caso dos mais simples.
Sua finalidade é expressar a natureza geral do caractere, isto é, é o componente que
dá uma pista sobre a origem, grupo, significado ou pronúncia. Por isso, em muitos
dicionários de Kanji os ideogramas são organizados por radical.

Os radicais são divididos em sete grupos, de acordo com a sua posição no conjunto.
Vejamos esses grupos e alguns exemplos:

1. Hen: radical que se localiza ao lado esquerdo do conjunto:

2. Tsukuri: radical que se localiza ao lado direito do conjunto:

3. Kanmuri: radical que se localiza acima do conjunto:

4. Ashi: radical que se localiza abaixo do conjunto:

5. Tare: radical que cobre os lados esquerdo e superior do conjunto:

6. Nyou: radical que cobre os lados esquerdo e baixo do conjunto:

7. Kamae: radical que se localiza ao redor do conjunto:


-------

Observe novamente os exemplos acima. Percebeu como normalmente a forma de um


caractere é alterada sutilmente quando este funciona como radical para outro
caractere? Veja alguns exemplos:

Ao dizer "ki hen", referimo-nos ao "radical árvore", que fica do lado esquerdo. Já
"ame kanmuri" ao radical da chuva, que fica em cima.

Enfim, se você conseguir memorizar todos (ou pelo menos) alguns dos radicais mais
importantes, será capaz de dominar muitos Kanjis.

5.3. COMO APRENDER KANJI?

De fato, dominar os Kanjis não é tarefa fácil, mas isso não significa de forma alguma
que seja impossível. Usaremos Kanjis desde o começo para ajuda-lo a ler japonês
"real" o mais rápido possível. Nestas duas lições, abordamos algumas das
propriedades dos ideogramas numa tentativa de tornar seu aprendizado menos
penoso e mais divertido e, dado o que foi exposto, vamos responder a duas perguntas
que devem estar pairando na sua cabeça agora:

1. Se mesmo um nativo pode ter dificuldades em saber como ler determinada


composição de Kanjis, dada a quantidade de possiblidades de leitura e as
mudanças sonoras, qual a melhor maneira de aprender a lê-los?

Realmente, a quantidade de leituras que um único Kanji pode ter e, ainda mais, as
possíveis mudanças sonoras que podem ocorrer em alguns casos, de início, o faria
concluir que aprender as leituras individuais se torna totalmente inútil, porque na
prática, ao se deparar com uma composição desconhecida, você só teria um “poder
de suposição” no quesito qual leitura usar. Para clarificar, suponhamos que você
não conheça a composição 「行楽」, mas conhece as leituras individuais dos Kanjis
「行」e 「楽」. Com isso, a primeira imagem que viria a sua mente certamente seria
esta:
Ok, perfeito! Você sabe todas as leituras ON individuais de cada Kanji. Entretanto,
especificamente para esta composição, qual é a combinação de leituras correta?
Aí começa o grande problema! Inevitavelmente, você acaba se vendo diante de um
quebra-cabeça no qual você tem as peças, mas não sabe como encaixá-las...

Isso só considerando as leituras ON. Imagine então se esta composição tem uma
leitura mesclada, extra, atribuída, ou ainda tem a pronúncia simplificada? Veja como
há muitas, mas muitas possibilidades...

Como bem aponta Luiz Rafael em seu livro “Desvendando a Língua Japonesa”, “o que
faz o japonês realmente aprender KANJI não é o ensino deles na escola, e sim a
convivência em tempo integral, o uso massivo em praticamente todas as situações do
dia-a-dia. Na escola, o japonês aprende os KANJIS mais pela necessidade de ler textos,
copiar conteúdo da lousa referente a todas as matérias, escrever redações e resolver
exercícios, do que pelo ensino formal do KANJI.”

Esse é o lado ruim da história. Mas há o lado bom: se você memorizar leituras
individuais em grande quantidade vai, inevitavelmente, adquirir um senso de como
se dá é a formação das palavras na língua japonesa. Por exemplo, “por que há
uma Sokuon aqui?”. Perguntas assim podem ser respondidas de uma forma
sistemática – lembra-se do que dissemos quando tratamos de mudanças sonoras?

Também, não aprender as leituras individuais é desvantajoso, porque com o tempo


você perceberá que geralmente uma leitura ON de cada Kanji é usada com mais
frequência (estima-se que em 80-90% das vezes, usa-se apenas uma única leitura On
dentre as possíveis para cada Kanji). Tal afirmativa ganha força ainda mais quando
vemos que livros convencionais e métodos de memorização costumam listar 2 ou no
máximo 3 leituras On para cada Kanji! Sendo assim, geralmente a leitura On # 1,
entraria nessa faixa de 80-90% e a leitura # 2 somente seria usada em casos
específicos.

Com relação às leituras KUN, aprendê-las individualmente é bom se o Kanji


representar uma palavra por si só. Por exemplo, o Kanji 「力」 tem a leitura KUN
「ちから」, que por si mesmo (sem necessidade de se completar com o Okurigana) é a
「ちから」, que por si mesmo (sem necessidade de se completar com o Okurigana) é a
palavra para “força”. Veja como o significado do Kanji, se traduz diretamente em
uma palavra inteira que você pode realmente usar.

Falando em significado, saber o significado individual de um Kanji é certamente


muito útil para palavras e conceitos mais simples. Kanjis, tais como 「続」 ou 「連」
definitivamente vão ajuda-lo a lembrar de palavras como 「接続」、「連続」、e 「連
中」. Em conclusão, não há nada de errado em aprender o significado de um Kanji e
isso é algo que recomendamos.

Bem, agora você deve estar pensando “OK, eu vejo que há os prós e contras em se
aprender as leituras individuais. Mas, ainda assim, não seria muito mais fácil
simplesmente assimilar Kanjis e composições conforme formos nos deparando com
eles?

Isso faz muito sentido e talvez seja a opção defendida por muitos, isto é, aprendr
Kanji por meio das PALAVRAS que você for encontrando por aí, e não através de 
caracteres isolados, a menos que este seja por si só uma palavra “utilizável”. Afinal, a
fim de aprender uma palavra, você obviamente precisa aprender o significado, a
leitura, o traçado dos Kanjis e qualquer Okurigana, se for o caso. E isso com as
ferramentas disponíveis atualmente na internet, torna-se muito mais prático.

Voltemos à composição 「行楽」. Por enquanto, somente fomos capazes de supor sua
leitura e não chegamos a uma conclusão. Entretanto, se acessarmos o Denshi Jisho,
por exemplo, tudo se resolverá em poucos segundos, sem estresse. Vejamos:

E ainda, em “Kanji Details” poderá aprender o significado de cada Kanji, bem como o
traçado:

Bem prático, não é mesmo?

Concluindo, nossa sugestão é que você siga pelo caminho híbrido:

PRIMEIRO: aprenda PALAVRAS e, por meio delas, tudo o que for relacionado aos
Kanjis que as compõem (significado, leituras KUN - se representarem por si mesmo
palavras -, e o traçado);

SEGUNDO: com mais tempo e calma, para um estudo mais etimológico e mais
avançado, atente-se às leituras e veja como as palavras foram formadas, bem como as
particularidades de sua pronúncia, se houver.

2. Como memorizar o traçado dos Kanjis, já que existem muitos ideogramas


2. Como memorizar o traçado dos Kanjis, já que existem muitos ideogramas
para se aprender?

Lembra-se que no tópico de introdução “Como aprender algo realmente” uma das
ferramentas necessárias para o aprendizado é a “ASSOCIAÇÃO”? Por esta razão,
cremos que algo que lhe será útil para memorizar o traçado dos Kanjis é fazendo uso
de uma técnica muito conhecida e difundida em livros como “Kanjis Mnemonics” e
“Remember the Kanji”. Consiste em dividir os ideogramas em partes e tentar associá-
las a figuras do nosso cotidiano. Feito isto, invente uma história com essas figuras e
visualize as imagens em sua mente. Com o tempo você vai ver que ao observar o
caractere oriental, vai logo se lembrar dele. Veja os dois exemplos abaixo:

口【くち】 (significado: boca): este Kanji é uma figura que lembra uma boca aberta,
porém um pouco quadriculada;

本 【 ほ ん 】 (significado: raiz, livro): este Kanji é uma árvore e o traço no meio é a


terra onde ela está plantada. Então, abaixo da terra está sua raiz. A raiz de onde
brota o conhecimento são os livros.

Reveja como escrever os Kanjis ao menos uma vez todos os meses até que você tenha
certeza de que tenha aprendido bem. Esta é outra razão pela qual começaremos
usando Kanjis. Não há razão para deixar o imenso trabalho de aprendê-los em um
nível avançado. Ao estudar Kanjis junto com novos vocábulos desde o começo, o
imenso trabalho será dividido em pedaços pequenos e controláveis e o tempo extra
ajudará a fixar na memória permanente os ideogramas aprendidos. Além disso, isto
irá ajudá-lo a ampliar seu vocabulário, o qual geralmente terá combinações de Kanjis
que você já conhece. Se você começar a aprender Kanjis depois, este benefício será
desperdiçado ou limitado.

Há também uma grande quantidade de websites e softwares para auxiliá-lo no


aprendizado dos Kanjis. Infelizmente, a maioria dessas fontes está em inglês, ou seja,
seria bom que você soubesse o básico dessa língua para que possa tirar proveito.
Vamos citar duas fontes de estudos de Kanjis – um software gratuito e um website: o
JWPce e o Denshi Jisho.

O “JWPce” (http://www.physics.ucla.edu/~grosenth/c_download.html) é um editor de


texto e dicionário no qual você encontra o significado de qualquer Kanji rapidamente
entre os milhares do banco de dados, se souber como procurar. A busca pode ser feita
através do número de traços ou do radical. Observe:

O número de traços (strokes) e qual é o radical de um ideograma são as duas


O número de traços (strokes) e qual é o radical de um ideograma são as duas
informações mais úteis que você pode ter. Se tiver seu computador do lado, nenhum
Kanji desconhecido irá atrapalhar seus estudos.

Você já aprendeu anteriormente que durante os seis anos da escola primária, os


alunos aprendem os 1006 Kanjis básicos e os outros 1130 nos três anos posteriores.
Obviamente, os Kanjis apresentados na primeira série são mais simples que os Kanjis
da sexta série. Esse método irá seguir exatamente a ordem de aprendizado de um
aluno numa escola japonesa. Podemos concluir, portanto, que os Kanjis são
ensinados de acordo com sua simplicidade, facilidade e importância.

Então, não seria interessante que os Kanjis fossem organizados pelo uso, pelo seu
aparecimento no dia a dia?

No JWPce uma das informações que podem ser obtidas de um Kanji é a sua
frequência, ou seja, o número de vezes que este aparece no dia a dia, em jornais,
livros e qualquer fonte escrita. Observe as figuras abaixo:

Podemos notar que o Kanji "dia" 「日」é o mais frequente, ou seja, aparece toda hora,
em todos os lugares. Já o Kanji "explosão" 「爆」, não aparece tantas vezes; existem
734 Kanjis mais frequentes que ele.

Essa classificação é útil para organizar Kanjis pela sua utilidade. Se você aprender
antes os Kanjis que aparecem mais frequentemente, maior a probabilidade de
entender um texto em japonês.

NOTA: se você deseja filtrar os Kanjis de acordo com a frequência, série de ensino,
etc. acesse o site “KanjiCards” (http://kanjicards.org/). Vá até a opção “Kanji Lists” e
você encontrará filtros muito úteis.

O “Denshi Jisho” (http://jisho.org/) é um dicionário online de japonês com diversas


funções. Na aba “Kanji” é possível efetuar uma busca por Kanjis através de um filtro:

Na aba “Kanji by Radicals” é possível fazer a pesquisa por radicais:

E ao clicar em algum Kanji, é possível visualizar diversas informações, tais como


E ao clicar em algum Kanji, é possível visualizar diversas informações, tais como
frequência e número de traços:

E se você gostaria de ter acesso a algo que lhe mostrasse o traçado de forma animada,
o Draw Me a Kanji é o lugar certo. Basta inserir uma palavra ou mesmo uma
sentença para ter o traçado de cada Kana e/ou Kanji feito na sua frente!

Basicamente é isso. Essas informações têm como objetivo facilitar seus estudos,
principalmente se estiver programas de flashcards e dicionários de Kanjis, o que é
extremamente recomendado!

5.4. PORQUE OS JAPONESES AINDA USAM O KANJI?

Algumas pessoas podem achar que utilizar um sistema baseado em símbolos, em vez
de um alfabeto sensível, é ultrapassado e muito complicado. Outros podem achar que
se deveria alterar o sistema de escrita japonesa para o Roomaji (lição 6) a fim de
exterminar todos os caracteres complicados que muitas vezes desorientam os
estrangeiros. De fato, durante a Era Meiji (1868-1912), houve um movimento entre
alguns estudiosos que defendiam a abolição do sistema tradicional de escrita e a
utilização do Roomaji. Mas, por que isso não deu certo, se os coreanos, por exemplo,
adotaram com grande sucesso seu próprio alfabeto (o Hangul) para simplificar
eficazmente sua linguagem escrita?

Qualquer um que tenha vasta experiência na escrita japonesa é capaz de explicar o


porquê disso não ter dado certo: em qualquer momento, ao efetuarmos a transcrição
de uma palavra escrita em Kanji para o Hiragana (ou mesmo Roomaji), muitas vezes
deparamo-nos com pelo menos duas palavras homófonas e, às vezes, até mais de dez.
Para ilustrar, procure no dicionário o significado da palavra “kikan” e você se
deparará com pelo menos 50 vocábulos com significados diferentes!

No Kana existem poucos caracteres e entre eles não há praticamente nenhuma


interação, isto é, não é possível combinar dois ou mais para formar um novo som,
como as letras combinadas que formam sílabas diferentes em português, tornando
possível a diferenciação de palavras homofonas. Observe:

CESTA / SEXTA, SEÇÃO / SESSÃO, CONCERTO / CONSERTO...

Como resultado, o número de sons possíveis de serem reproduzidos graficamente


Como resultado, o número de sons possíveis de serem reproduzidos graficamente
com o Kana é muito limitado. Se escrevêssemos “kikan” em Hiragana, a única coisa
que teríamos é きかん, きかん, きかん, きかん, きかん...

Como seria possível diferenciar as palavras dentro de um texto, já que seus sons são
idênticos? Fica claro, portanto, que tanto os 46 fonemas do sistema Kana como o
sistema Roomaji, não são capazes de diferenciar as palavras homófonas, mesmo
graficamente.

Agora, façamos uma comparação com o Hangul: ele possui 14 consoantes e 10 vogais.
Qualquer uma das consoantes pode ser combinada com as vogais dando um total de
140 sons. Além disso, uma terceira e algumas vezes até mesmo uma quarta consoante
pode ser anexada para se criar uma única letra. Teoricamente isto nos dá cerca de
1960 sons que podem ser criados (os sons que são usados na realidade são muito
menos que isto).

Você percebe a diferença entre quantidade de sons possíveis do sistema coreano de


escrita e o número limitado de sons que tanto o Kana e o Romaji são capazes de
produzir graficamente? A partir daí, é que começamos a perceber a grande
importância que os ideogramas chineses têm na escrita japonesa.

Considerando-se que a velocidade de leitura costuma ser maior do que a de fala, são
necessárias algumas pistas visuais para que seja possível identificar
instantaneamente cada palavra – tal como ela é – dentro de um texto. Em português,
somos capazes de distinguir as palavras porque a maioria delas possui formas
diferentes quanto à grafia. Na língua coreana ocorre a mesma coisa, pois há
caracteres o suficiente para criar palavras distintas e de formas diferentes. Voltemos
ao exemplo da palavra “Kikan”, usando três significados possíveis, agora escritas com
Kanji:

Perceba como, apesar de as três palavras serem homófonas, com o uso dos Kanjis
somos capazes de diferenciá-las, pois são grafadas de forma distinta. Sem os
ideogramas chineses, mesmo que separássemos as palavras, as ambiguidades e a
falta de pistas visuais forçariam o leitor a parar freqüentemente sua leitura para
tentar adivinhar, pelo contexto, qual palavra está sendo usada, tornando assim, o
texto muito mais difícil e incômodo de ler.

Enfim, pode não ter sido uma boa ideia ter adotado o chinês no idioma japonês, haja
vista que ambas as línguas são fundamentalmente diferentes na estrutura. O nosso
propósito, por enquanto, não é debater sobre as decisões tomadas há milhares de
anos ou quais podem (ou poderiam) ser as alternativas possíveis, e sim explicar o
motivo pelo qual você precisa aprender Kanji, a fim de aprender japonês. Em outras
palavras, queremos dizer que “se assim foi feito, vamos nos esforçar para aprender
deste jeito”.
Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Universo Chinês: http://universochines.com.br/tag/kanji/

Otaku Project: http://op.xisde.org/

Digitoshi: www.digitoshi.xpg.com.br

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Tae Kim’s Blog: http://www.guidetojapanese.org/blog/2014/06/23/you-cant-learn-kanji/

Let's Learn Kanji: An Introduction to Radicals, Components and 250 Very Basic Kanji, Yasuko Kosaka
Mitamura, Joyce Mitamura

Um comentário:

cristina sousa 27 de dezembro de 2015 21:55


Metodologia excelente! Mesmo sendo mais trabalhoso e demorado, é melhor conhecer a raiz de
cada elemento do que se pretende aprender que tentar memorizar informações aleatórias, sem
conhecer suas bases e, consequentemente, algo que as conecte.
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LIÇÃO 6: ROOMAJI
Ufa! Depois de duas lições seguidas a respeito dos Kanji, vamos abordar agora o
último meio de expressão escrita da língua japonesa: o Roomaji, que com
certeza será bem mais fácil de aprender.

6.1. O QUE É O ROOMAJI?

Como você viu nas cinco primeiras lições, o método usual de escrever o idioma
japonês, usado pelos nativos em si, é uma mistura de Kanji, os caracteres chineses, e
o Kana, os caracteres nativos que representam os sons da língua japonesa. Viu
também que é possível escrever japonês completamente em Kana, embora isso
raramente aconteça na prática.

O Roomaji ( ロ ー マ 字 ), literalmente “letra romana”, é a aplicação do alfabeto latino


para escrever o idioma japonês. Este método foi inventado por Yajiro (ou Anjiro) no
século XVI e foi baseado na ortografia da língua portuguesa vigente da época.

Yajiro nasceu em Satsuma e pertencia às classes mais baixas dos samurais. Depois de
cometer um assassinato, ele foge para a província de Goa na Índia, onde conhece São
Francisco Xavier (1506-1552) e converte-se ao cristianismo. Retorna, então, ao Japão
como um intérprete junto aos missionários jesuítas portugueses, já que sua visão
única sobre os caminhos do Japão, fez com que despertasse o interesse dos
missionários em Goa. Mais tarde, passa a ser conhecido como “Paulo de Santa Fé”.

O emprego do Roomaji por parte dos jesuítas em uma série de livros católicos
impressos possibilitou que os missionários pudessem pregar e ensinar seus
convertidos sem aprender a ler a escrita japonesa, já que isso era considerada uma
grande barreira. Após a expulsão de cristãos do Japão no início do século XVII, o
Roomaji caiu em desuso, e era apenas usado esporadicamente em textos estrangeiros
até meados do século XIX, quando o Japão se abriu novamente.

Os sistemas utilizados atualmente foram todos desenvolvidos na segunda metade do


século XIX. Há três métodos principais de romanização: Sistema Hepburn, Sistema
Nippon e Sistema Kunrei.

No cotidiano, o Roomaji pode ser usado para escrever números e abreviaturas. Ele
No cotidiano, o Roomaji pode ser usado para escrever números e abreviaturas. Ele
também é usado em dicionários e livros para estudantes estrangeiros de japonês.
Para digitar em japonês nos computadores, a maioria das pessoas, sejam nativos ou
não, usam Roomaji, que é convertido em Kanji, Hiragana, ou Katakana pelo software
de entrada. Também é possível digitar em Hiragana ou Katakana se você tiver um
teclado em japonês, mas poucas pessoas estão familiarizadas com este método.

6.2. O SISTEMA HEPBURN

Em 1885, o Roomajikai (ローマ字会), grupo de japoneses e estrangeiros que estavam


interessados ​em desenvolver e promover a romanização da língua japonesa no lugar
da combinação de Kanji e Kana, foi instituido. Um de seus membros, o Dr. James
Hepburn (1815-1911), um médico e missionário americano da Filadélfia, utilizou o
sistema do Roomajikai em seu dicionário japonês-inglês. Apesar de ser seu co-
criador, o sistema de romanização levou seu nome: “Sistema Hepburn” (ヘボン式/). A
principal característica deste sistema é que a sua ortografia baseia-se na fonologia da
língua inglesa. Há muitas variantes do sistema Hepburn, mas há três estilos padrão:

I. Hepburn Tradicional: assim definido em várias edições do dicionário de Hepburn,


cuja terceira edição (1886) é frequentemente considerada de sua autoria;

II. Hepburn Revisado: é uma versão revisada do Hepburn Tradicional e foi adotada
pela Biblioteca do Congresso americano como um de seus ALA-LC, conjunto de
padrões de romanização. É atualmente a versão mais comum desse sistema;

III. Hepburn Modificado: este estilo foi introduzido na terceira edição do


“Kenkyusha's New Japanese-English Dictionary” (1954) e ainda é predominantemente
conservado pelos linguísticos.

NOTA: o termo “Hepburn modificado” pode ser utilizado para se referir ao “Hepburn
revisado”.

Agora, vamos comparar as três versões:

A) VOGAIS: nestes três estilos, algumas combinações de vogais merecem atenção.


Vejamos:

I. Vogal Dupla A:

- No sistema Ttradicional, a vogal dupla “A”, é sempre escrita “AA”:

まあたらしい = MAATARASHII

おばあさん = OBAA-SAN

- Nos outros dois estilos, entretanto, é escrita “AA” somente se o segundo “A”
pertencer à outra palavra em um termo composto:

真新しい = 真 + 新しい → ま + あたらしい = MAATARASHII

- Em outros casos, é escrita com um macro:


- Em outros casos, é escrita com um macro:

おばあさん = OBĀSAN

II. Vogal Dupla I:

- A vogal dupla “I”, é sempre escrita “II” nos três estilos:

おにいさん = ONIISAN

III. Vogal Dupla U:

- A vogal dupla “U” é escrita “UU” se o segundo “U” pertencer à outra palavra em um
termo composto ou for a terminação de um verbo:

ぬう = NUU

- em outros casos, é escrita com um macro:

すうがく = SŪGAKU

IV. Vogal Dupla E:

- Nos três estilos, a vogal dupla “E” é escrita “EE” se o segundo “E” pertencer à outra
palavra em um termo composto:

濡れ縁 = 濡れ + 縁 → ぬれ + えん = NUREEN

- Em outros casos, no estilo tradicional é escrito “E” ou “EE”, e no revisado, com o


macro:

おねえさん = ONEESAN (Tradicional)

おねえさん = ONĒSAN (Revisado)

V. Vogal Dupla O:

- Nos estilos Tradicional e Revisado, a vogal dupla “O” é escrita “OO” se o segundo “O”
pertencer à outra palavra em um termo composto:

小躍り= 小 + 躍り→ こお + どり= KOODORI

- Em outros casos é escrita com o macro:

おおさか = ŌSAKA

VI. Combinação O + U:

- Nos estilos Tradicional e Revisado, a combinação “O + U” é escrita “OU” se o “U”


pertencer à outra palavra em um termo composto ou terminação verbal:

子馬 = 子 + 馬 →こ + うま= KOUMA
おう = OU
おう = OU

- Em outros casos é escrita com o macro acima do “O”:

とうきょう = TŌKYŌ

VII. Combinação E + I:

- Nos estilos Tradicional e Revisado, a combinação “E + I” é escrita “EI”:

がくせい = GAKUSEI

NOTAS:

1. Todos os demais agrupamentos com som de vogal são escritos com cada som
individualmente. Por exemplo, かるい = KARUI;

2. No Hepburn Modificado, todas as vogais longas são indicadas duplicando-se a


vogal. Por exemplo, “O” longo é "OO". "EI" só é usado quando as duas vogais têm sons
distintos;

3. Para palavras emprestadas todas as vogais são alongadas com macros. Além disso,
variações comuns existem para O + U. Essas variantes incluem "oh", "o", "ou", "oo" e
"ô".

B) PARTÍCULAS:

C) SOM NASAL: no Sistema Hepburn tradicional, 「ン・ん」 são transcritos como [M]
antes de sons de B, P ou M. Quando aparecem antes de uma vogal ou som de Y não
contraído, são separados por um hífen:

しんばし = SHIMBASHI

ぐんま = GUMMA

じゅんいちろう = JUN-ICHIROU

しんよう = SHIN-YOU

きにゅう = KINYUU

No Sistema Hepburn Revisado, o [M] é substituído por [N] , e um apóstrofo é usado


com ele em vez do hífen para separá-lo de um som de vogal ou som de Y não
contraído:

しんばし = SHINBASHI

ぐんま = GUNMA

じゅんいちろう = JUN’ICHIRŌ
じゅんいちろう = JUN’ICHIRŌ

しんよう = SHIN’YŌ

きにゅう = KINY Ū

No Sistema Hepburn Modificado, sempre é usado “n” com um macro (n̄), da mesma
forma que é usado para indicar vogais longas no Hepburn Revisado:

ぐんま = GU NN̄
MA

しんばし = SHINN̄
BASHI

----

No Japão, apesar de o Sistema Hepburn não ser o padrão por lei, permanece como o
padrão de fato. Considerando-se algumas variantes dominantes para cada caso,
podemos dizer que praticamente todas as indicações oficiais (placas de ruas, avisos,
informações, etc.) são romanizadas pelo sistema Hepburn. A Japan Railways e todos
os outros sistemas de transporte (ônibus, metrô, outras companhias férreas,
companhias aéreas, etc.) utilizam o sistema Hepburn. Ainda, placas e informações em
prefeituras, delegacias de polícia, templos, pontos turísticos, jornais, canais de
televisão, publicações do Ministério das Relações Exteriores e guias também utilizam
o sistema Hepburn. Por fim, estudantes estrangeiros da língua japonesa quase
sempre aprendem o sistema Hepburn.

6.3. O SISTEMA NIPPON

O Sistema Nippon foi inventado pelo professor de física da Universidade de Tóquio


Aikitsu Tanakadate em 1885, sendo posterior ao Sistema Hepburn. A intenção de
Tanakadate era substituir completamente o sistema tradicional de escrita japonesa
baseado no Kanji e Kana por um sistema romanizado, pois ele acreditava que isso
poderia tornar mais fácil a competição do povo japonês com os países ocidentais. Na
época, vários textos japoneses foram publicados totalmente em roomaji, entretanto,
não se conseguiu implementar a ideia, talvez devido ao grande número de
homófonas que existem no japonês.

Já que o Sistema Nippon foi criado para que os japoneses escrevessem sua própria
língua, segue a fonética japonesa e a ordem silábica rigidamente e é, portanto, o
único grande sistema de romanização que permite a transcrição literal (sem perdas)
de e para Kana. É provavelmente o menos usado dos três sistemas principais.

Comparemos a seguir as diferenças entre os sistemas Hepburn Revisado e Nippon:


Note como o Sistema Nippon é mais consistente foneticamente do que o Sistema
Hepburn, que é mais intuitivo para os falantes da língua portuguesa, no que diz
respeito à pronúncia real.

Outras particularidades são:

1. Quando 「へ」é usado como partícula, é escrito “he” e não “e”;

2. Quando 「は」é usado como partícula, é escrito “ha” e não “wa”;

3. Quando 「を」é usado como partícula, é escrito “wo” e não “o”;

4. Vogais longas são indicadas por um sinal de circunflexo, em vez do macro. Por
exemplo, “O” longo é escrito “ô”, ao contrário de Hepburn, que utiliza um macro –
“ō”;

5. O som nasal 「ん」é escrito como [n] antes de sons de consoantes, mas como [n']
antes de sons de vogais e Y.

6. Em consoantes geminadas, dobra-se a consoante seguinte ao sokuon, sem exceção.

6.4. O SISTEMA KUNREI

No período anterior à Segunda Grande Guerra, houve um conflito político entre


partidários de romanização Hepburn e simpatizantes do Sistema Nippon. Em 1930,
uma banca examinadora, sob assistência do Ministério da Educação, foi criada para
determinar qual seria o sistema de romanização adequado. O governo japonês, por
ordem do gabinete [ 「 く ん れ い 」 ( 訓 令 )] anunciou em 21 de setembro de 1937 que
uma forma modificada do sistema Nippon seria adotada oficialmente. A forma
daquela época um pouco diferente a forma moderna. Originalmente, este sistema foi
chamado de “Estilo Kokutei” (国定式), isto é, "oficialmente autorizado" pelo gabinete
japonês.
Durante o período pós-guerra, vários educadores e estudiosos tentaram introduzir o
Durante o período pós-guerra, vários educadores e estudiosos tentaram introduzir o
Roomaji como um dispositivo de ensino e como uma possibilidade de ser uma
substituição para o Kanji. No entanto, o Sistema Kokutei tinha associações com o
militarismo japonês e as forças de ocupação dos Estados Unidos estavam relutantes
em promovê-lo. Em 9 de dezembro de 1954, a partir de um pronunciamento do
governo japonês, tal sistema de romanização foi reafirmado como sendo o oficial do
Japão para todas as situações e teve seu nome alterado para “Sistema Kunrei” (訓令
式).

Às vezes o Sistema Kunrei é citado como “Sistema Monbushō”. Tal nomenclatura veio
à tona depois que o Monbukagakushō (Ministério da Educação, Cultura, Esporte e
Tecnologia), acrescentou o seu aprendizado no currículo escolar, sendo ensinado às
crianças japonesas no 4º ano.

Tecnicamente falando, o Sistema Kunrei é uma versão do Sistema Nippon


ligeiramente alterada que elimina as diferenças entre a silábica do Kana e a
pronúncia moderna. Vejamos as diferenças entre o Sistema Nippon e o Sistema
Kunrei:

Outras particularidades são:

1. Quando「へ」é usado como partícula, é escrito “e” e não “he”;

2. Quando 「は」é usado como partícula, é escrito “wa” e não “ha”;

3. Quando 「を」é usado como partícula, é escrito “o” e não “wo”;

Atualmente, os principais usuários do Sistema Kunrei são falantes nativos de japonês


(especialmente no Japão) e linguísticos que estudam japonês. Isso por que, apesar de
seu reconhecimento oficial, o Sistema Kunrei não ganhou ampla aceitação dentro ou
fora do Japão. Como mencionado anteriormente, o governo japonês geralmente usa o
Sistema Hepburn, incluindo a romanização dos nomes japoneses nos passaportes,
sinalização rodoviária e sinalização ferroviária. A grande maioria das publicações
ocidentais e de todos os jornais de língua portuguesa também continua a usar o
Sistema Hepburn.

Observe a seguir, o quadro no qual comparamos os três métodos principais de


romanização:
6.5. OUTROS SISTEMAS DE ROMANIZAÇÃO

Além dos três sistemas de romanização mais conhecidos, existem outros menos
conhecidos. Vejamos:

I. Nippo Jisho: o Nippo Jisho (日葡辞書) ou "Vocabvlario da lingoa de Iapam" foi um


dicionário japonês-português publicado em 1603. O Kanji 「 葡 」 aqui representa
Portugal. Três ou quatro cópias do dicionário original ainda existem. A tabela a
seguir mostra a romanização do japonês utilizado nele:

II. JSL: o JSL é o sistema de romanização usado na série de livros didáticos "Japanese:
the Spoken Language", de Eleanor Harz Jorden. Ele é baseado no formato do Sistema
Kunrei, com a diferença que as vogais longas são escritas pela sua duplicação, como
"oo" ou "uu", ao invés do uso de macros ou sinais circunflexos, e a adição de
informações sobre o acento tonal, usando acentos agudos, graves e circunflexos. A
romanização JSL é destinada para ensino da língua e de seu estudo;

III. Sistema 99 (99 式 ): foi criado pela “Sociedade para a Romanização do Alfabeto
Japonês” ( 社 団 法 人 日 本 ロ ー マ 字 会 ) e é uma forma de romanização desenvolvida a
partir de uma visão de que o roomaji é uma forma de transliteração em vez de uma
ortografia estrita. Como tal, permite a romanização de formas variantes do Kana que
atualmente não têm uma forma romanizada. Ele não usa nem circunflexos nem
macros;

IV. Romanização Easy-to-read: na prática, a romanização mais usada no Japão é


uma variante sem nome do Sistema Hepburn, por vezes descrita como romanização
“Easy-to-read” (fácil de ler). Nesta forma de romanização, vogais longas e a consoante

nasal ( ん ) simplesmente não são indicadas. Este tipo de romanização é usado em


nasal ( ん ) simplesmente não são indicadas. Este tipo de romanização é usado em
estações de trem para indicar os nomes das estações, e é a forma de romanização que
nos dá, por exemplo, “Tokyo” e “Kyoto” para as cidades japonesas.

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

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LIÇÃO 7: OS SINAIS DE PONTUAÇÃO
Já aprendemos sobre os quatro meios que existem para escrever na língua
japonesa. Mas ainda não sairemos da escrita. Falta ainda aprender os sinais de
pontuação. Bons estudos!

7.1. INTRODUÇÃO

Um texto (文章) é constituído de sentenças (文), que formam paragráfos (文章). Como
você já deve saber, em japonês as palavras não são separadas por espaços,
entretanto, a pontuação (やくもの) é variada e muito parecida com o português. Isso
porque a maior parte dos sinais de pontuação foi adotada a partir da cultura
ocidental.

7.2. SINAIS BÁSICOS USADOS NA ESCRITA

Ø Supeesu (スペース): o espaço pode ser utilizado somente em textos em Kana para
separar frases a fim de evitar confusão. É visto antes do início de um novo parágrafo,
semelhante a uma tabulação. Os espaços são colocados depois dos sinais de
pontuação não-japoneses, como um ponto de exclamação. Espaços também podem
estar entre nomes e coisas em um endereço ou título:

何? [Continuação da sentença] 。= O quê? [Continuação da sentença].

大和銀行 大阪支店 = Banco Yamato, filial de Osaka

藤原 恵子 = Keiko Fujiwara

Ø Kuten/Maru (句点・円) (。): mostra o final de uma frase. Também pode ser usado
coloquialmente no final de um título;

Ø Nakaguro ( 中 黒 ) (・): pode justapor itens semelhantes, agir como um decimal e


separar palavras conjuntas estrangeiras, títulos, nomes e posições. É chamado
também de nakaten (中点), nakapochi (中ぽち), nakapotsu (中ぽつ) e kuromaru (黒丸).

3・78 = 3,78 (três ponto setenta e oito)

ヒラリー・クリントン = Hillary Clinton


ヒラリー・クリントン = Hillary Clinton

全 銀 協 会 長 ・ 永 易 克 典 = Chefe da Associação dos Banqueiros do Japão, Katsunori


Nagayasu

東京・大阪 = Tóquio-Osaka

Ø Touten (読点) (、): é usada a critério do autor para uma série de coisas. Seu uso
principal é mostrar uma pausa. Pode também mostrar a separação de números.
Quando horizontal, a vírgula pode ser vista como (,);

Ø Koron ( コ ロ ン ) ( : ): são usados para mostrar a hora em números arábicos. Por


exemplo 3:46;

Ø Semikoron ( セ ミ コ ロ ン ) (;): um ponto e vírgula é normalmente usado somente


para separar definições;

Ø Kantanfu (感嘆符) (!): também chamado de エスカレーションマーク, é usado para


mostrar grande exclamação;

Ø Gimonfu ( 疑 問 符 ) (?): também chamado de ク エ ス チ ョ ン マ ー ク , é usado para


marcar uma pergunta enfaticamente. Uma questão é normalmente criada por um
aumento na entoação, em vez da partícula final「か」;

7.3. SINAIS DE REPETIÇÃO

São muito importantes na ortografia do Kanji e Kana. Os mais comuns são:

Ø Dounojiten (どうのじてん) (々・仝): dobra um Kanji ou composição;

Ø Ichinojiten (いちのじてん) (ヽ): dobra o Katakana anterior;

Ø Katakanagaeshi ( か た か な が え し ) ( ヾ ): dobra o Katakana anterior acrescido do


dakuten;

Ø Hiraganagaeshi (ひらがながえし) (ゝ): dobra o Hiragana anterior;

Ø Hiraganagaeshi ( ひ ら が な が え し ) ( ゞ ): dobra o Hiragana anterior acrescido do


dakuten;

7.4. COLCHETES E ASPAS

Ø In'youfu (引用符) (” “): é normalmente usado como aspas em frases curtas, como
em ‘Esta é a“Torre de Tóquio”’;

Ø Kagikakko (鉤括弧) (「」): são as “verdadeiras” aspas japonesas. São vistas 「 」


em textos horizontais e em textos verticais são giradas em 90º;

Ø Futae Kagikakko ( 二 重 括 弧 ) ( 『 』 ): são as aspas duplas, que você deve usar


quando uma citação está dentro de outra;

Ø Maru Kakko/Paaren/Shoukakko ( 丸 括 弧 ・ パ ー レ ン ・ 小 括 弧 ) ( ( ) ): é o
Ø Maru Kakko/Paaren/Shoukakko ( 丸 括 弧 ・ パ ー レ ン ・ 小 括 弧 ) ( ( ) ): é o
equivalente aos parênteses. Podem ser usados para mostrar leituras, informações
adicionais, uma coordenada em geometria, mostrar o argumento de uma função em
programação, mostrar uma matriz matemática, e outras funções relacionadas à
matemática. Pode também ser dobrada quando parênteses são dentro de parênteses,
como (());

Ø Kakukakko e Daikakko (角括弧・大括弧) ([ ]) : é usado para incluir alguma coisa.


Eles podem ser usados ​ para pontuar qualquer dado perímetro em nota parentética,
mostrar uma informação escondida, fechar um intervalo matemático. Também é
utilizado em fórmulas químicas e para escrever um som em fonologia, e em outros
tipos de codificação. Esta marca pode ser dobrada;

Ø Nami Kakko/Bureesu/Kaari Buraketto/Kaaru/Chuukakko (波括弧・ブレース・カ


ーリブラケット・カール・中括弧) ({ }) : são usados ​ para delimitar palavras ou linhas
consideradas para estarem juntas;

Ø Kikkou Kakko/Kame no Kokakko (亀甲括弧・亀の子括弧) (〔 〕): É usado para


envolver abreviaturas de algum tipo e também pode ser duplicado;

Ø Yamakakko (山括弧) (〈 〉): são usados ​ em física quântica para suportes. Também
é comum ver esta marca duplicada para mostrar caracteres rubii;

Ø Sumitsuki Kakko (隅付き括弧) (【 】): existe nas versões branco ou preto. A versão
branca é usada em dicionários para marcar os Jouyou Kanji que não fazem parte dos
1006 básicos. Quando preto, envolve marcações e pode dar grande ênfase, e pode ser
utilizado nos dicionários para marcar os Kyouiku Kanji. Outros nomes usados para
este sinal são: 隅 付 き パ ー レ ン sumitsuki paaren, 太 亀 甲 futokikkou, and 黒 亀 甲
kurokikkou. Finalmente, podem ser escritos 【】e 〖〗.

7.5. OUTROS SINAIS

Ø Ioriten (庵点) : nos textos do japonês moderno indica que as palavras seguintes
são tomadas a partir de uma música ou que a pessoa que está dizendo as palavras
está cantando. Em textos mais antigos, foi usado para destacar os nomes de pessoas
ou outros elementos em poemas e canções.

É mais conhecido por mostrar o início da linha de uma pessoa no teatro Noh, forma
clássica de teatro profissional japonês, que combina canto, pantomima, música e
poesia. Executado desde o século XIV é uma das formas mais importantes do drama

musical clássico japonês.


musical clássico japonês.

Ø Nakasen (中線) (―): é essencialmente a versão japonesa de um traço. Pode colocar


coisas ao lado para dar ênfase explicativa, dando um sentido de “de... à...” e colocar
números ou nomes à parte em endereços japoneses. Ele deve ser escrito
verticalmente em texto vertical;

Ø Wakisen (脇線): é uma linha vertical que direciona a atenção do leitor a certa parte
de uma expressão ou palavra ou a totalidade de tais;

Ø Wakiten (脇点): são pontos adicionados perto dos caracteres para enfatizá-los. É o
equivalente japonês da utilização de itálico para dar ênfase em português. Também é
chamado de bouten (傍点).

Ø Piriodo ( ピ リ オ ド ): é usado na escrita horizontal para separar as partes de uma


data.

99.4.5 = 5 de abril de 1999

Ø Tensen (点線): é uma elipse de dois ou três pontos que mostram a fuga do discurso
ou o silêncio. Alguns grupos de tensen podem ser usados para conectar os títulos dos
capítulos e números de página em tabelas de conteúdos.

えっと・・・何? = Hum... o quê?

第百章......................................567ページ = Capítulo 100........................Página 567

Ø Nami dasshu/Namigata/Namisen/Nyoro (波ダッシュ・波形・波線・にょろ) (〜): é


usado em construções do tipo (de... para), para separar título e subtítulo na mesma
linha, substituir o traço, indicar a origem, mostrar enfaticamente vogais longas em
quadrinhos ou ainda indicar música tocando. Veja os exemplos:

あ〜〜〜 = Ahhhhhh

♬ 〜 = Sugere música

フランス〜 = Proveniente da frança

5時~7時 = das cinco até as sete horas

〜がいよう〜 = -Esboço-

とうきょう〜おおさか = De Tokyo até Osaka

Ø Daburu Haifun/Geta kigou (ダブルハイフン・下駄記号) (〓): às vezes é usado em


vez de um Nakaguro para justapor expressões estrangeiras. Normalmente é usado

para simbolizar a não existência de um símbolo para um Kanji que de outra forma
para simbolizar a não existência de um símbolo para um Kanji que de outra forma
seria visível;

Ø Komejirushi/Hoshi (米印・星) (※): é a versão japonesa do asterisco e é utilizado


para mostrar uma anotação;

Ø Asuterisuku (アステリスク) (*): é a versão ocidental do asterisco na pontuação


japonesa;

Ø Shime (〆): encerra uma carta;

Ø Onpu (音符) (♪♫♬♩): são notas musicais que sugerem melodia;

Ø Yajirushi ( 矢 印 ) (→←↑↓): mostram que a emoção, nota ou algo semelhante está


acontecendo ou aparecendo na direção da seta;

Ø Haato Maaku (ハートマーク) (♡ ♥): indica amor ou algum tipo de atração sexual e
é comum em conversas em geral e internet;

7.6. O KAOMOJI

Kaomoji ( 顔 文 字 ), que basicamente se traduz como "letras rosto" consiste em usar


textos para desenhar rostos que demonstrem algum tipo de emoção. Enquanto o
Kaomoji provavelmente nunca será oficialmente considerado pontuação, é visto
como tal, e não se sabe o motivo.

Quando colocados juntos, são caracteres que representam emoção, como, por
exemplo, o ponto de exclamação. Eles também podem representar confusão, ou um
tom de questionamento, como um ponto de interrogação. Em cima de tudo isso, há
provavelmente de 20 a 30 "sentimentos" diferentes que podem ser representados,
contribuindo assim para as suas frases ou parágrafos. Já que não se trata de um
único caractere, representam algo que acrescenta algum sentido à frase. Bem, isso
parece, basicamente, o que faz os sinais de pontuação, então porque não considerar o
Kaomoji como tal? Vejamos alguns exemplos:

m(*T ▽ T*)m = este Kaomoji mostra que você está triste. Ou, digamos que você está
realmente feliz com alguma coisa, você pode adicionar este Kaomoji;

ヾ(@⌒▽⌒@)ノ = demonstra muita felicidade. Há centenas, talvez milhares de outros


exemplos, mas você pode procurá-los sozinho.

Em termos de utilização, o Kaomoji costuma ser colocado no fim das frases ou


orações, assim como costumamos fazer com os emotions =)

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Japan Reference: http://www.jref.com/japan/language/


Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Tofugu: http://www.tofugu.com/

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LIÇÃO 8: O IDIOMA DO MUNDO REAL
Acabamos de abordar a escrita japonesa, mas antes de iniciarmos o
aprendizado da gramática em si, há algo que você precisa ter em mente para
não adquirir maus hábitos e se frustrar: “o idioma do mundo real”. O que
significa isso? É o que abordaremos nesta lição. São pequenos tópicos, mas que
com certeza, ajudarão muito na compreensão da língua japonesa.

8.1. COMPREENDENDO UM NATIVO

Certamente, você já se deparou com situações em que não conseguiu compreender


uma palavra ou expressão dita por um nativo, e ao vê-la no papel você se frustou ao
saber que você já a conhecia. Realmente, adquirir habilidades auditivas talvez seja a
tarefa mais difícil e desmotivante quando se está aprendendo algum idioma, porque
neste quesito não há regras, como no ensino de gramática.

Afinal, por que ouvir em outro idioma é assim tão complicado? O que torna essa
habilidade algo tão difícil de ser dominada?

Uma das primeiras coisas que você deve ter em mente ao iniciar o estudo de um
idioma, é que existem dois tipos de linguagem: a formal e a informal (ou casual):

I. Linguagem formal: é aquela gramaticalmente correta que é usada em


documentos, situações formais, etc. Também é o padrão do idioma que se aprende
em cursos convencionais;

II. Linguagem informal: é aquela que usamos no nosso dia-a-dia. Nela, padrões
corretos de pronúncia ou mesmo gramaticais muitas vezes são quebrados.

Pense que aprender uma língua estrangeira é como pegar um carro pela primeira
vez: como é algo novo, existe aquele medo natural do desconhecido e você começa a
guiá-lo numa velocidade reduzida, toma mais cuidado ao fazer as curvas, atenta-se
em demasia às placas de sinalização, etc. Entretanto, conforme o ato de dirigir vai se
tornando um hábito, a sua confiança vai aumentando e o receio diminui.
Consequentemente, você começa a pisar mais no acelerador e os cuidados diminuem,
fazendo com que aquilo que outrora era feito com receio, torne-se algo natural,

espontâneo.
espontâneo.

Ora, todos nós sabemos que no Japão – ou em qualquer país – as crianças começam a
ter um bom nível de seu idioma materno logo cedo. Por que será? Simples e óbvio! Lá
eles vivem em contato diário com o idioma; assim como nós assistimos nossos
desenhos de criança em português, as crianças em seus respectivos países assistem
todos os desenhos deles. Além disso, eles também escutam/ouvem pessoas se
comunicando sempre em seu idioma. Enfim, eles estão em contato com sua língua
materna o tempo todo. Portanto, tenha em mente que os falantes nativos estão tão
acostumados com sua língua que eles falam muito mais rápido, usam expressões
idiomáticas, pronunciam palavras de um modo “mais confortável” (que nem sempre
é correto), ao passo que os estudantes têm aquele receio de motorista iniciante e
falam mais devagar, atentando-se demais às regras gramaticais e à pronúncia clara e
correta das palavras.

Agora pensemos: OK, um nativo fala rápido. Mas, em português nós também falamos
rápido e nos entendemos bem. Então, qual o problema da velocidade da fala de um
nativo de outro idioma? Será que eles falam tão rápido assim ou é o modo como
aprendemos uma língua estrangeira nos cursos convencionais que nos deixa
mais preguiçosos?

O problema está em o que acontece dentro de nossa cabeça (cérebro) ao ouvirmos


uma língua diferente. Como assim?

Você provavelmente já ouviu falar em neurônios. No cérebro há milhares e milhares


de neurônios. Eles são responsáveis por um monte de coisas! Uma dessas coisas em
especial é a formação de memórias. Ou seja, são os neurônios que registram tudo o
que ocorre em nossa vida. Tudo o que ouvimos, lemos, vivenciamos, etc. As
informações registradas por cada neurônio são passadas de um para o outro por
meio de “sinapses”: os pontos onde os neurônios se “comunicam”. Veja a imagem
abaixo:

Você talvez esteja se perguntando “o que é que neurônios têm a ver com a habilidade
de ouvir outro idioma?” Continue lendo e você vai entender!

Seus neurônios guardam informações relevantes sobre tudo o que você aprende
(memórias). Tudo o que você vivencia e aprende é registrado na memória por causa
dos neurônios. Quando você escuta uma música e canta a música os seus neurônios
dos neurônios. Quando você escuta uma música e canta a música os seus neurônios
estão fazendo sinapses (trocando informações entre si). Em resumo, inúmeros
neurônios estão naquele momento trocando informações importantes para que você
consiga lembrar a letra da música e cantá-la sem dificuldades. Isto tudo ocorre muito
rápido! Se alguém fala com você, seus neurônios vão entender o que está sendo
falado, porque eles buscam as informações da língua portuguesa registrada em
vários neurônios! Mas, se alguém fala uma expressão ou palavra que seus
neurônios não reconhecem, eles tentarão encontrar a informação. Como a
informação não existe, eles ficarão perdidos, sem saber o que está acontecendo.
Ocorre aí aquele momento de confusão no cérebro no qual deixamos de entender o
que a outra pessoa disse. Perdemos o rumo da conversa. Com qualquer idioma
acontece justamente isso! A maioria dos estudantes quer ouvir tudo palavra por
palavra e de modo bem vagaroso. Acostumam-se a ouvir uma pronúncia mais lenta
e perfeita. Aí, ao tentarem ouvir um filme, uma conversa, etc., no ritmo natural
acabam se perdendo. Fica aquela sensação de não saber o que está acontecendo.

Percebe-se que a raiz do problema está no fato de que os neurônios estão


acostumados ao modo preguiçoso de ouvir a língua. Eles estão acostumados a
ouvir palavras e expressões simples. Estão acostumados a montar tudo palavra por
palavra e seguindo uma lógica gramatical (as regras gramaticais). Assim, quando
caem no mundo real, a coisa se complica. O modo como as informações foram
registradas e como elas estão surgindo são muito diferentes. Os neurônios não
conseguem trabalhar rapidamente e se perdem. Para ilustrar, vamos fazer mais uma
analogia. Para tanto, observe um pequeno trecho de “Tempos Modernos”, filme de
1936 do cineasta Charles Chaplin:

Imagine que o operário nessa imagem seja o nosso cérebro e cada uma das peças
passando na esteira, as palavras. Ora, devido à velocidade com que as peças passam,
um operário que não foi treinado sendo exposto à velocidade real da esteira, não
conseguiria rosquear todas, deixando passar batido várias por causa de seu
despreparo, não é mesmo? Da mesma forma, um “cérebro despreparado” para um
idioma não conseguirá reconhecer todas as palavras com que se deparar na “esteira
de palavras” do mundo real. Com isso, o estudante ficará frustrado por não ser capaz
de acompanhar uma conversa normal. A essa confusão mental somam-se o
nervosismo, a ansiedade, a preocupação e o medo. Tudo isso faz com que seu nível de
estresse aumente e sua habilidade de ouvir e entender seja prejudicada.
Para resolver isso, você deve aprender o idioma como ele realmente é desde o
Para resolver isso, você deve aprender o idioma como ele realmente é desde o
início de seu aprendizado. Ouvir a língua japonesa de modo natural, estar ciente
que o modo como eles pronunciam é geralmente diferente do modo como
aprendemos nos livros ajudará seus neurônios a se acostumarem com o japonês de
verdade. Registrar as informações da forma como ela será produzida na vida real é
muito mais eficiente do que aprender regras e palavrinhas soltas ao longo do seu
aprendizado.

Não encare como um bicho de sete cabeças o fato de você não ter compreendido uma
palavra ou expressão conhecida, afinal quantas vezes até mesmo nós que falamos
fluentemente o português precisamos que nos repitam o que foi dito ou mesmo ver
por escrito a letra de uma música para que possamos entender todas as palavras
dela? Ora, com os nativos de outros países não é diferente. O importante é não
desanimar e treinar seus ouvidos! Materiais didáticos, tais como fitas ou CDs podem
ser úteis, na medida que ensinam de forma clara e correta a pronúncia das palavras.
Entretanto, aprender a falar naturalmente com todas as peculiaridades corretas e
inconsistências existentes em um idioma é algo que requer prática e exposição a
pessoas reais em situações do mundo real. Sendo assim, exponha-se o máximo
possível ao japonês “real”. Você precisa ouvir mais e mais e mais e, assim, chegará
um momento em que de tanto se envolver com a língua, não terá problemas com
isso. Portanto, como dizem os americanos, "practice makes perfect" (a prática leva à
perfeição).

Se você não tiver como viajar ao Japão, nem tudo está perdido, pois temos a internet
como grande aliada. Nela, você tem a possibilidade de fazer amizades com nativos,
ouvir toneladas de músicas quantas vezes quiser, ou mesmo assistir aos noticiários.
Outra aliada é a TV a cabo, na qual podemos encontrar seriados nos quais se usam
muito a linguagem informal.  E se você gosta de animês, há o site “AnimeQ”, no qual
você poderá encontrar uma grande quantidade de animês legendados.

Passe horas e horas do seu dia expondo-se ao idioma do mundo real mesmo que não
consiga entender tudo, e com o tempo e paciência, seus ouvidos serão capazes de
identificar individualmente as plavras e as particularidades da língua japonesa.

Por fim, para reflexão, deixamos um trecho do artigo “Por que brasileiro não
aprende inglês?” do professor Denilso de Lima. Ele trata do inglês, mas o que é
exposto por ele aqui pode ser aplicado a qualquer idioma:

“Para encerrar, pergunto: Você já viu um italiano falando inglês? Um coreano


falando inglês? Que tal um chinês? Um grego? Um boliviano? Um venezuelano? Um
francês? Um alemão? Um argentino?

As pessoas de outros países que falam (aprendem) inglês estão pouco se lixando com
o fato de falarem igualzinho a um britânico ou a um americano. Os falantes de outros
países podem falar errado, mas se comunicam. A pronúncia deles não é perfeita, mas
ainda assim dizem o que querem.

O TH deles sai esquisito e nem por isso se acham incapazes de falar inglês. Com o
passar do tempo, eles vão aprendendo e melhorando. Já no Brasil, a maioria só se
passar do tempo, eles vão aprendendo e melhorando. Já no Brasil, a maioria só se
sente à vontade se a pronúncia for perfeita (som do th, por exemplo), a gramática for
impecável e o jeito de falar for como o de um nativo.

O resto do mundo aprende a falar inglês porque não é tão exigente consigo mesmo. A
cobrança pela perfeição lá fora não é doentia e exagerada como é aqui. O resto do
mundo sabe que fala inglês “errado“, mas fala assim mesmo. Se a mensagem não é
entendida, o resto do mundo tenta de novo. Já o brasileiro espera aprender tudo de
modo perfeito para só então se soltar. E acaba desistindo no meio do caminho por
achar inglês uma língua difícil.

Essa exigência exagerada causa frustração, tristeza, angústia, estresse, senso de


incapacidade e outros sentimentos que atrapalham a capacidade de aprender inglês.
Se você é muito exigente, cuidado!”

8.2. PRINCÍPIOS DA LINGUAGUEM INFORMAL

De fato, dominar o idioma falado no dia-a-dia exige muito mais do que apenas
aprender as diversas formas casuais das palavras ou construções gramaticais.
Falando especificamente da língua japonesa, há um número incontável de formas
nas quais formulações e pronúncias mudam, e ainda existem as diferenças entre o
discurso masculino e feminino. Entender a língua cotidiana também exige
conhecimento de vocabulário, algo que cresce a cada nova geração. Em qualquer
idioma, facilmente somos capazes de notar a dificuldade que muitos adultos têm
para entender os coloquialismos usados pelas crianças ou jovens de hoje.

Já que abordar minuciosamente a linguagem cotidiana e o vocabulário relevante


exigiria um livro em si (um livro que logo se tornaria desatualizado), citaremos, em
vez disso, alguns padrões gerais e fenômenos comuns que, pelo menos, irão auxiliá-lo
a começar a compreender mais os aspectos comuns da linguagem codiana japonesa.
Nela, vale tudo e as regras que se aplicam ao japonês escrito são muitas vezes
quebradas. A parte mais difícil é que você não pode simplesmente dizer o que quiser,
é claro. Quando você quebra as regras, você tem que quebrá-las de maneira correta.
Tomar o que você aprendeu com os livros ou aulas de japonês e aplicar isso no
mundo real não é tão fácil, porque é impossível ensinar todas as formas possíveis de
se “misturar” as coisas na língua falada.

Uma coisa que você vai logo perceber quando começar a falar com os japoneses na
vida real é que muitos sons acabam sendo unidos. Isto é especialmente verdadeiro
para os homens.

Há um fator importante por trás da linguagem casual em japonês. O principal


objetivo é fazer com que as coisas fiquem mais fáceis de serem ditas. Em outras
palavras, o objetivo é reduzir ou simplificar o movimento de sua boca. Existem dois
métodos para isso que chamaremos de “encurtamento” e “substituição”. Vejamos:

I. Encurtamento: consiste em retirar partes de palavras ou expressões. Por exemplo,


「かもしれない」 pode ser pronunciado apenas 「かも」;

II. Substituição: consiste geralmente na substituição de parte de uma palavra ou


II. Substituição: consiste geralmente na substituição de parte de uma palavra ou
expressão por sons que se encaixem melhor com os outros a sua volta, ou ainda, na
fusão de sons. Por exemplo, 「かもしれない」 pode ser pronunciado 「かもしんない」
já que 「しん」 requer menos movimento do que 「しれ」.

Você vai ver que uma grande quantidade das palavras dentro da linguagem casual
em japonês decorre deste único princípio de tornar as coisas mais fáceis de serem
ditas (lembra-se que citamos que nativos pronunciam palavras de um modo “mais
confortável”?). Isso é muito natural, porque é guiado pela forma como a sua boca se
move. Podemos exemplificar a aplicação desse princípio usando a língua portuguesa.
Basta considerar o fato que costumamos pronunciar “está”, apenas “tá”, “não” como
“num” e “você” como “cê”, afinal é bem mais fácil, não é mesmo?

Você não está com sono? = Cê num tá com sono?

Embora a oração acima esteja com as palavras encurtadas, para nós que temos o
português como língua materna, é de fácil compreensão. Mas com certeza, ela seria
um terror para um estudante estrangeiro que frequentou um curso convencional de
língua portuguesa, pois ele espera ouvir as palavras pronunciadas corretamente :
“você”, “não”, “está”, “com”, “sono”.

Outro fator que dificulta a compreensão é o que chamaremos de “fator individual”,


ou seja, pessoas se expressam de modos diferentes, seja com relação à velocidade
com que falam ou até mesmo no modo de pronunciar as palavras. Por exemplo, você
que mora no Sudeste do Brasil percebe facilmente o quão diferente é a maneira de
falar das pessoas da região Sul.

Enfim, com base no que discutimos aqui, esperamos que você pratique e se exponha
o quanto antes ao idioma do mundo real. Acostume já o seu cérebro! Escute e fale
sem medo de errar. E se errar, tente de novo. Você terá excelentes resultados!

8.3. USANDO AS PALAVRAS CORRETAS PARA SE EXPRESSAR

Você se lembra que na introdução ao curso, no tópico “como aprender um idioma”


mencionamos que você deve evitar pensar um idioma estrangeiro em sua língua
nativa?

Vamos explicar o motivo: você já se perguntou para que servem as palavras? Bem, de
forma bem simples, nós as usamos para simbolizar aquilo que se refere ao homem
e ao mundo em que ele vive, isto é, cada palavra corresponde a um conjunto de
características comuns a uma classe de seres, objetos ou entidades abstratas,
determinando como as coisas são. Por exemplo, quando usamos a palavra “gato”
estamos nos referirmos ao “pequeno mamífero carnívoro, doméstico, da fam. dos
felídeos (Felis catus), criado como animal de estimação” (Dicionário Aulete).

E da mesma forma que os portugueses nomearam as coisas que estavam ao seu


redor, assim também o fizeram os italianos, espanhóis, ingleses, japoneses e assim
por diante. Entretanto, é claro que a palavra usada para nomear algo nem sempre

(quase nunca) era a mesma. Os portugueses usaram a palavra “gato” para nomear o
(quase nunca) era a mesma. Os portugueses usaram a palavra “gato” para nomear o
pequeno mamífero carnívoro, doméstico, da fam. dos felídeos (Felis catus), criado
como animal de estimação. Já os ingleses usaram a palavra “cat”; os franceses, “chat”,
os italianos “gatto”, os alemães “katze”. Veja que, embora as palavras sejam
diferentes, o conceito, a ideia que elas trasmitem é a mesma.

Ok, então podemos dizer que é possível estabelecer uma relação de equivalência
entre palavras de nossa língua materna e uma de língua estrangeira (gato = cat, em
inglês). Até aqui, tudo parece muito simples e óbvio, mas infelizmente não é. Isso por
que, para nos comunicarmos, seja para expressar ações, estados ou mesmo alguns
conceitos, precisamos relacionar as palavras umas com as outras. E é aqui que
começa a complicação, pois a maneira como elas são relacionadas para expressar
uma mesma ideia (e quais palavras são usadas) pode variar de idioma para
idioma.

Como não começamos a abordagem da gramática japonesa nos seus aspectos básicos,
vamos tomar o inglês como exemplo, tendo em mente que o princípio vale para
qualquer idioma. Imagine um estudante iniciante de inglês; se perguntássemos a ele
como se diz “batata frita” ele provavelmente diria “fried potato”, afinal “fried”
significa “frito” e “potato”, batata. Na realidade, o que ele fez aqui foi considerar a
maneira como o conceito “batata frita” foi pensando em português (juntando-se
o adjetivo “frito” com “batata”) e procurar termos equivalentes em inglês.
Entretanto, ele está errado, por que “batata frita” em inglês é “french fries”, que
literalmente significa “fritas francesas”. Veja como, a maneira que os ingleses
pensaram “batata frita” foi diferente da nossa (provavelmente consideraram sua
origem), mas o conceito é o mesmo.

E como mencionamos, isso não se restringe a conceitos, mas também na maneira de


relacionar as palavras entre si (e quais palavras usar) para expressar ações ou
estados. Por exemplo, esse mesmo estudante iniciante de inglês provavelmente
querendo dizer “Eu uso perfume todos os dias.”, diria “I use perfume everyday”,
quando o correto é “I wear perfume everyday” (Eu visto perfume todos os dias).
Novamente, palavras diferentes para a mesma ideia.
É aqui que queremos chegar e falar sobre algo que em linguistica é chamado de
“colocação”, que é a combinação de duas ou mais palavras que são geralmente
usadas juntas; é uma combinação que soa natural para o falante nativo e que não
tem exatamente uma explicação lógica para quem não é nativo. Por exemplo, em
português falamos “tomar água” e “tomar banho”. Dizemos também “beber água”, e
porque então não dizemos “beber banho”? Não faria sentido, certo?

Para se tornar fluente em qualquer idioma, você precisa saber quais palavras
devem ser usadas juntas com as outras. Aprender a combinação correta das
palavras vai ajuda-lo a parecer mais natural na hora de falar. Como
mencionamos, é muito comum aos estudantes tentar traduzir diretamente da sua
língua mãe para a língua estrangeira, e o resultado muitas vezes soa estranho, pois
não combinam as palavras corretamente. Logicamente algumas combinações de
palavras podem até não estarem erradas e serão entendidas pelos falantes nativos,
porém não são as mais frequentemente usadas.

E como se pode aprender colocações? Isso é algo que só se aprende “vivendo o


idioma”. Por isso, leia, leia, leia e depois leia um pouco mais! Ouça, ouça, ouça e
depois ouça um pouco mais! Ao aprender uma nova palavra, procure pela internet
orações de exemplo e observe as palavras que aparecem juntas. Use um dicionário
monolíngue e sempre leia além da definição, pois bons dicionários sempre trazem as
colocações das palavras.

Fontes:

Inglês na Ponta da Língua: http://www.inglesnapontadalingua.com.br/2007/08/por-que-listening-


difcil.html (com adaptações)

CIG: http://www.cursodeinglesgratis.org/introducao-o-que-sao-e-como-estudar-as-collocations/ (com


adaptações)

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Vestibular 1: http://www.vestibular1.com.br/redacao/red022.htm

Dicionário Aulete: http://www.aulete.com.br/gato

Significados: http://www.significados.com.br/conceito/

Veja.com: http://veja.abril.com.br/130607/p_116.shtml
LIÇÃO 9: ETIMOLOGIA
Como nossa intenção não é apenas que você saiba japonês, mas também
desenvolva um modo de pensar japonês, nada mais útil do que fazermos uma
abordagem da origem das palavras do léxico japonês.

9.1. A ORIGEM DAS PALAVRAS

As palavras, assim como as línguas, sofrem ciclos semelhantes ao dos seres vivos:
nascem, quando uma pessoa ou comunidade cria uma nova palavra, crescem,
quando esta palavra é difundida e passa a ser dicionarizada, se reproduzem, quando
começam a dar origem a outras palavras, e muitas vezes morrem, quando se tornam
tão ultrapassadas que as pessoas abandonam o seu uso.

A etimologia é a parte da gramática que estuda a história ou origem das palavras e da


explicação do significado das palavras através de seus elementos (morfemas). Estuda
a composição dos vocábulos e a sua evolução. Além de ser muito interessante, a
etimologia pode demonstrar origens comuns das palavras, semelhanças entre línguas
diferentes, além de facilitar a nossa compreensão de palavras novas para nós, caso
conheçamos a sua raiz.

Basicamente, toda palavra em japonês origina-se de uma (ou mais) das três fontes
etimológicas, que são 「やまとことば」 (大和言葉), também chamada de「わご」 (和
語), 「かんご」 (漢語) e 「がいらいご」 (外来語). Observe a figura abaixo:

9.2. YAMATO-KOTOBA

“Yamato Kotoba” (大和言葉) refere-se às palavras nativas japonesas, isto é, palavras


que foram herdadas do japonês antigo, em vez de serem emprestadas de outras
línguas.

No Período Yamato (300-710 d.C.), um número razoável de pessoas cruzou ao longo


No Período Yamato (300-710 d.C.), um número razoável de pessoas cruzou ao longo
da Coréia e da China para o Japão e começou a colonização, trazendo novas
tecnologias, como a plantação de arroz (um grande negócio para manter todos os
nômades em um lugar), metal, e muito mais. As pessoas que viviam no Japão antes
disso eram conhecidos como os Jomons, que viveram no Japão de 8000 aC a 300 aC
aproximadamente. Os Jomons são tecnicamente o povo japonês “original”, mas as
coisas mudaram e as pessoas da China e Coréia migraram.

A “tribo” Yamato foi apenas uma das muitas que fizeram o seu caminho para o Japão
e o colonizaram. De alguma forma, porém, eles conseguiram se tornar muito mais
poderosos do que as outras tribos. De fato, não se sabe o porquê disso ter acontecido,
mas talvez parte disso seja por causa do seu governo estabelecido no século VI, que
foi baseado nas Dinastias chinesas Sui e Tang, o centro de influência política asiática
na época. De qualquer maneira, eles se tornaram muito lustres no círculo das tribos
do Japão e acabaram por reger grande parte do território japonês. Como a influência
Yamato se expandiu, sua língua, isto é, o Yamato Kotoba, tornou-se a língua comum –
e ainda está sendo usada hoje, apesar de consistir apenas parte do léxico japonês.

A maioria das palavras nativas japonesas é polissílaba e segue uma sequência


aproximadamente do que é para nós [consoante + vogal). Na maioria das vezes, pelos
padrões gramaticais japoneses não mistura palavras de etimologia diferente, no
entanto, existem algumas exceções. Por exemplo, 「 す る 」 é adicionado a algunas
palavras Kango para transformá-los em verbos. 「な」 é adicionado aos substantivos
Kango abstratos para torná-los adjetivos, e 「 る 」 é frequentemente adicionado a
uma contração de uma expressão estrangeira para criar um verbo coloquial, muitas
vezes, para descrever um fenômeno. A maior parte dos sobrenomes é de origem
nativa, mas os nomes dados são outra história. As palavras nativas são geralmente
escritas em Kanji ou Hiragana. Agora, é claro, inflexões gramaticais e elementos não
representados por meio de Kanji são escritos em Hiragana.

Devido à sua importância histórica como o berço da civilização japonesa, Yamato

tornou-se sinônimo de Japão em muitos usos poéticos e idiomáticos. Durante a


tornou-se sinônimo de Japão em muitos usos poéticos e idiomáticos. Durante a
Segunda Grande Guerra, a propaganda oficial apelou para o poder do "espírito
japonês", ou 「やまとだましい」 (大和魂) = o espírito de Yamato. Ao longo da história
japonesa, referências patrióticas para "o povo japonês" têm utilizado o rótulo 「やま
とみんぞく」 (大和民族) = o povo de Yamato.

9.3. KANGO

Com a entrada de textos chineses e a adoção de Kanjis para se escrever japonês, é


natural que palavras chinesas também fossem adotadas pelos japoneses. Este grupo
de palavras forma o Kango ( 漢 語 ), e são palavras que derivam das leituras On
provenientes do chinês médio (séc. V – XII). Contudo, lembre-se que, devido à
limitada fonética japonesa, as leituras On são adaptações das pronúncias originais, e,
portanto, embora os ideogramas sejam os mesmos, não soam como a palavra
chinesa. Por exemplo, a composição chinesa 「先生」, que significa “professor”, foi
adotada pelos japoneses para expressar o mesmo conceito. Entretanto, a pronúncia
japonesa é 「せんせい」 (leituras On), ao passo que a original chinesa é “xiān sheng”
(ouça a pronúncia neste link).

Aproximadamente 70% do léxico japonês são compostos por Kango, mas apenas 20%
dessas palavras correspondem às mais usadas na língua falada.

Através das leituras On, temos uma grande visão de como as versões mais antigas do
chinês podem ter soado, como por exemplo, estudando as mudanças sonoras que
tiveram que ocorrer nelas durante a transferência e a evolução subsequente desde
então. As mudanças linguísticas que as leituras On sofreram no japonês médio (séc.
XIX – XVII) foram significativas. Pela primeira vez sílabas fechadas foram permitidas,
todavia por um curto período de tempo. Estas leituras introduziram fonemas novos,
como “kw” e “gw”, que desapareceram antes do início do japonês moderno. Elas
também trouxeram o conceito de vogais longas e curtas e consoantes e o “n” uvular,
que continuaram a ser muito importantes.

A leitura On é a base para determinar se uma palavra é de origem chinesa. No


entanto, há caracteres nativos (Kokuji) que ocasionalmente têm uma leitura On
derivada de algum outro Kanji ou componente, como em 「 働 」 (dou), leitura
proveniente de 「 動 」 , e em casos raros somente uma leitura On, como em 「 腺 」
(sen), proveniente de 「 泉 」 , que é utilizado em composições técnicas ( 「 腺 」
significa “glândula”, por isso, é usado na terminologia médica). Existem também
raras exceções em que uma leitura Kun é, na realidade, de origem chinesa. Por
exemplo, 「馬」 (うま) e 「梅」 (うめ). Às vezes o ateji faz a distinção entre palavras
Kango e o vocabulário nativo japonês mais difícil de compreender.

Há ainda o conjunto 「わせいかんご」 (和製漢語) que literalmente significa "chinês


feito por japoneses", isto é, palavras japonesas criadas a partir de elementos chineses
(ao modo chinês). Tal fato ocorreu no fim do século XIX e início do século XX, quando
os japoneses usaram as leituras On a fim de descrever novos termos. Vejamos alguns:
Muitas dessas palavras criadas pelos japoneses a partir da leitura On foram
agregadas ao léxico chinês. O que é estranho é que para esses termos, na maioria das
vezes, não há um nativo equivalente.

Algumas palavras Kango criadas no Japão ainda correspondem a itens exclusivos


japoneses. Vejamos alguns exemplos:

Há outras maneiras com as quais os japoneses criaram palavras Kango. Por exemplo,
muitas derivam de expressões nativas que foram modificadas para que pudessem ser
lidas como se fossem Kango, criando assim, um termo mais técnico. Observe o
quadro abaixo:

Note como os elementos japoneses eram retirados e os Kanjis juntados. Deste modo,
poderiam ser lidos como se fossem Kango (leituras On). Se o termo já estivesse no
padrão chinês, as leituras eram apenas alteradas. Claro, há ainda as palavras que são
metades nativas e metade Kango.

Finalmente, observe a composição 「 学 校 」 ( が っ こ う ), que significa “escola”. Se o


Kanji 「 校 」 por si mesmo significa “escola”, por que está acompanhado do Kanji
「学」, que significa “aprender”? Isso não seria redundância, como dizer “subir para
cima”?

A resposta é SIM, trata-se de uma redundância, mas tem uma razão de ser. Vamos
entender: no geral, palavras chinesas (consequentemente as leituras On) são curtas, o
que consequentemente acarreta em um grande número de palavras homófonas.
Sendo assim, em muitos casos, um único Kanji não possuía uma pronúncia longa o
suficiente que fizesse com que ele pudesse ser distinguido de outros de mesmo som.
Então, a solução encontrada pelos chineses foi criar uma composição de Kanjis 「じゅ
く ご 」 , cujos significados fossem semelhantes, para que assim, a pronúncia se
tornasse mais longa e, consequentemente, distinguível na fala. Muitas composições
foram criadas devido a esse problema. Vejamos alguns exemplos:
9.4. KANGO, O VERDADEIRO VILÃO DA HISTÓRIA?

Agora, que conhecemos o Kango, vamos propor uma reflexão. Você deve se lembrar
que no tópico “5.4. Por que os japoneses ainda usam o Kanji?”, mencionamos que
qualquer um que tenha vasta experiência na escrita japonesa é capaz de explicar o
porquê do desejo de se abandonar o Kanji no pós Segunda Grande Guerra não ter
dado certo: em qualquer momento, ao efetuarmos a transcrição de uma palavra
escrita em Kanji para o Hiragana (ou mesmo Roomaji), muitas vezes deparamo-nos
com pelo menos duas palavras homófonas e, às vezes, até mais de dez. Para ilustrar,
procure no dicionário o significado da palavra “kikan” e você se deparará com pelo
menos 50 vocábulos com significados diferentes!

Como seria possível diferenciar as palavras dentro de um texto, já que seus sons são
idênticos? Fica claro, portanto, que tanto os 46 fonemas do sistema Kana como o
sistema Roomaji, não são capazes de diferenciar as palavras homófonas, mesmo
graficamente. Daí a necessidade do Kanji. Ponto.

Entretanto, você já se questionou qual o motivo para a língua japonesa ter tantas
palavras homófonas a ponto de se fazer necessário o uso do Kanji?

Bem, se analisarmos friamente, veremos que a grande maioria das palavras


homófonas usadas na língua japonesa, provém de uma fonte: o KANGO.

Vamos voltar na História: como você já sabe, o povo Yamato tornou-se muito
influente no Japão e eles tinham sua própria língua (Yamato Kotoba). No período em
que a língua de Yamato estava começando a se espalhar, a influência chinesa era
grande. A China era considerada a grande potência, possuindo, aos olhos de outros
povos, todos os mais incríveis atributos. Sendo assim, por exemplo, saber ler
caracteres chineses, era sinônimo de inteligência; agir como os chineses era sinônimo
de ser culto; se o seu governo era incrível, você o estabeleceu nos moldes chineses, e
assim por diante.

A China era a referência de nação perfeita, e os governantes Yamato queriam ser tão
bons quanto ela. Qual foi a solução encontrada? Basicamente, “vamos copiar a
China”. Daí “pedaços” da China começaram a ser introduzidos no Japão, tanto no
âmbito cultural, como na língua.

Em outras palavras, pode-se dizer que o desejo dos governantes de Yamato era fazer
com que sua língua soasse “à moda chinesa”. Cremos que o fato de começarem a
importar / criar palavras seguindo o padrão chinês, de onde nasceu o Kango, foi o
que causou a dependência do uso de Kanjis, pois no geral, palavras chinesas (assim
como as leituras On) são mais curtas, o que consequentemente acarreta em um
grande número de palavras homófonas. E para piorar ainda mais esse cenário,
considere o fato de que a fonética japonesa é muito limitada e as leituras On eram

apenas aproximações do som original chinês, ou seja, muitas vezes sons chineses
apenas aproximações do som original chinês, ou seja, muitas vezes sons chineses
parecidos, mas diferentes eram introduzidos no Japão como sendo um único som.

Apenas para que você entenda como se deu basicamente esse processo: imagine as
palavras em português “só” e “sol”. São parecidas no som, mas diferentes. O que os
japoneses da época fariam se tivessem que introduzi-las em sua língua? “Ah, como
não temos o “l”, “sol” passará a ser pronunciado “só”’. Então “só” e “sol” que
originalmente são palavras distintas e possuem pronúncias diferentes, no japonês,
passam a compartilhar da mesma pronúncia, passam a ser homófonas.

Como já sabemos, o Kango corresponde a 70% do léxico japonês, o que torna claro
que ele praticamente dominou a língua nativa dos Yamato. Entretanto, apenas 20%
aproximadamente é usada na fala (provavelmente devido a dificuldade de se
diferenciar palavras homófonas na fala).

Enfim, o Kango é o verdadeiro vilão da história? Será que não teria sido melhor que
os governantes de Yamato prezassem mais pela sua língua e a conservassem em vez
de querer copiar outro idioma, por mais que a China fosse uma superpotência na
época?

Você pode concordar com o que expusemos ou discordar, mas fica a reflexão.

9.5. GAIRAIGO

Os primeiros ocidentais a fazer negócios com os japoneses foram os portugueses e


holandeses, a partir do século XVI. Por isso, muitas palavras de seus respectivos
idiomas foram adotadas na língua japonesa. No final do século XIX e início do século
XX, muitas palavras do inglês e de e outros idiomas europeus também foram
incorporadas. Essas palavras emprestadas de línguas modernas são chamadas 「がい
らいご」 (外来語).

A preferência por usar estas palavras é um tanto discutível; algumas pessoas


preferem usá-las simplesmente por praticidade ou por que soa moderno. Por
exemplo, a palavra japonesa para “negócios” é 「しょうばい」 (商売), mas a palavra
emprestada 「ビジネス」 (do inglês ‘business’) é também usada. Outro exemplo é 「ぎ
ゅうにゅう」 (牛乳) – palavra japonesa – e 「ミルク」 (palavra emprestada – do inglês
‘milk’) para leite.

A maior parte das palavras que compõem o conjunto gairaigo são substantivos, mas
com o auxílio de 「 す る 」 , 「 な 」 , e 「 る 」 , podem ser usados como verbos ou
adjetivos. Observe alguns exemplos:

Muitas palavras emprestadas são frequentemente abreviadas de modos que não


podem ser em suas línguas originais, pois a limitada base de sons da língua japonesa
faz com que essas palavras se tornem extremamente longas. Isso é tão comum com

termos em inglês que há o termo 「わせいえいご」 (和製英語), ou seja, “inglês feito por
termos em inglês que há o termo 「わせいえいご」 (和製英語), ou seja, “inglês feito por
japoneses”. Estas palavras têm divergido de sua aparência original, significado ou
ambos. Seguem alguns exemplos:

Maiku (マイク) → microfone (origem: “microphone”)


Suupaa (スーパー) → supermercado (origem: “supermarket”)
Depaato (デパート) → loja de departamentos (origem: “department store”)
Biru (ビル) → prédio (origem: “building”)
Irasuto (イラスト) → ilustração (origem: “illustration”)
Meeku (メーク) → maquiagem (origem: “make-up”)
Daiya (ダイヤ) → diamante (origem: “Diamond”)

Palavras múltiplas também são abreviadas, geralmente em quatro sílabas:

Pasokon (パソコン) → computador pessoal (PC) (origem: “personal computer”)


Waapuro (ワープロ) → processador de textos (origem: “word processor”)
Amefuto (アメフト)→ futebol americano (origem: “American football”)
Puroresu ( プ ロ レ ス )→ lutador de luta-livre profissional (origem: “professional
wrestling”)
Konbini (コンビニ)→ loja de conveniências (origem: “convenience store”)
Eakon (エアコン)→ ar condicionado (origem: “air conditioning”)
Masukomi (マスコミ)→ mídia de massa (origem: “mass communication”)

Uma palavra emprestada pode ainda ser combinada com palavras japonesas ou
outras palavras emprestadas. Aqui estão alguns exemplos:

Shouene (省エネ) → economia de energia


Shokupan (食パン) → fatia de pão
Keitora (軽トラ) → caminhão leve
Natsumero (なつメロ) → melodia nostálgica

Nem todas as palavras que compõem o Gairaigo são derivadas do inglês. Há até
palavras emprestadas de dialetos modernos do chinês, e nas fontes do Gairaigo
incluem-se também o francês, espanhol, português, alemão, holandês e algumas
línguas indo-europeias primárias. Observe o quadro a seguir com alguns exemplos:

No japonês moderno, as palavras Gairaigo são escritas em Katakana e as palavras


nativas, geralmente escritas em Hiragana. No entanto, tal estilo de escrita é
relativamente recente. Por um longo tempo, as palavras deveriam ser escritas o
máximo possível em Kanji. Em épocas anteriores, estes Kanjis eram muitas vezes
acompanhados de Furigana. Sendo assim, as novas palavras tiradas do holandês e do
português receberam Kanjis. Abaixo estão alguns exemplos de palavras de línguas
estrangeiras que também têm uma forma com Kanji:
Aproximações mais tradicionais são comuns, por isso, muitos falantes ainda
chamarão um smart phone de 「スマートホン」 em vez de 「スマートフォン」. Porém,
há um movimento referente à terminologia eletrônica que dá preferência às novas
combinações.

Finalmente, existem as “palavras emprestadas” que na verdade foram criadas no


Japão. Por exemplo, 「サラリーマン」 (do inglês ‘salary’ + ‘man’) refere-se a alguém
cuja renda é a base salarial, geralmente as pessoas que trabalham em corporações.
Outro exemplo é 「ナイター」 (do inglês ‘night’ + sufixo ‘er’), que significa partida de
baseball que ocorre à noite.

9.6. MORFOLOGIA DA LÍNGUA JAPONESA

Em linguística, “morfologia” é o estudo da estrutura, da formação e da classificação


das palavras. Os idiomas diferem nos processos pelos quais se formam novas
palavras. A língua japonesa é aglutinante, ou seja, palavras são formadas pela união
de elementos básicos, chamados “morfemas”, que mantêm suas formas originais e
significados, com poucas alterações durante o processo de combinação. Um morfema
é a menor unidade linguística que possui significado e que não pode ser dividida em
partes significativas menores. Como regra, cada caractere chinês representa um
morfema.

Composição e derivação estão entre os mais importantes processos de formação de


palavras em japonês: Vejamos:

I. Composição: consiste na combinação de duas ou mais palavras ou elementos de


palavras que tenham o seu próprio significado lexical (um significado substancial por
si mesmo) para produzir um novo termo que funciona como uma só palavra. Uma
vez que os caracteres chineses são extremamente produtivos em sua capacidade de
gerar novas palavras, a composição desempenha um papel importante na formação
de palavras em japonês. Ao combinar alguns milhares de caracteres, centenas de
milhares de palavras compostas são criadas. Tradicionalmente, uma palavra
composta é considerada como uma combinação de duas ou mais palavras
independentes, tais como “guarda-chuva”, que consiste em “guarda” e “chuva”. Em
japonês, um composto pode ser resultado de qualquer combinação de palavras que,
juntamente com formas e afixos, funcionam como uma única palavra. O composto
resultante é distinto, mas seus componentes constituintes estão a ele relacionados.
Por exemplo, o composto 「造船所」 (ぞうせんしょ), que significa “estaleiro”, consiste
na palavra independente 「 造 船 」 (construção naval) seguida do sufixo “lugar”
「所」;

II. Derivação: é a criação de novas palavras pela adição de um elemento, tal como
um sufixo que expresse um significado gramatical e não lexical, ao radical. Por
exemplo, o substantivo 「くろ」 (黒) = cor negra é combinado com o sufixo formador
exemplo, o substantivo 「くろ」 (黒) = cor negra é combinado com o sufixo formador
de adjetivo 「し」, que devido a mudanças eufônicas que serão estudas mais adiante,
atualmente temos 「い」, para formar o adjetivo 「くろい」 (黒い) = negro.

9.7. OS AFIXOS

Antes de prosseguirmos, leia a definição de dois vocábulos:

1) RADICAL: parte da estrutura de uma palavra que contém seu significado básico
(morfema básico);

2) AFIXO: é um morfema que pode ser ligado ao radical da palavra, formando assim
uma nova palavra, chamada no português de palavra derivada. Dependendo do local
onde se encontra, o morfemas pode ser chamado de prefixo, sufixo ou infixo (que
não usaremos no japonês).

Feitas essas definições, um PREFIXO é quando o afixo é adicionado no início da


palavra. Já o SUFIXO é quando o afixo é adicionado no final da palavra. Assim,
numa palavra podemos ter:

NOTA: não esqueça de considerar possíveis mudanças sonoras que podem ocorrer ao
se juntar os elementos citados.

Os prefixos [「せっとうご」 (接頭語)]  são a chave para entender as muitas palavras


em japonês. Se você não conseguir encontrar uma palavra em um dicionário, é
provavelmente por que a palavra que você está procurando tem um prefixo ou um
sufixo.

Diferentemente dos sufixos, um prefixo nunca vai mudar a classe de uma palavra.
Em termos de etimologia, há três tipos de substantivos em japonês: palavra nativa,
Kango e Gairaigo, e isso também se reflete nos prefixos. No entanto, substantivos e
prefixos não estão limitados ao outro com base na etimologia.

Os prefixos podem ser usados com substantivos, verbos, adjetivos e palavras


emprestadas. No entanto, focaremos em alguns prefixos usados com os substantivos
e Gairaigo, apenas para que você tenha uma noção de como funcionam:
Com o afluxo de expressões estrangeiras, há também os prefixos estrangeiros.
Abaixo, segue uma lista com alguns exemplos:

Os sufixos [ 「 ご ま つ 」 ( 語 末 )] são elementos que, acrescentados a uma palavra,


podem mudar sua classe. Na língua japonesa são muito numerosos, mas por hora,
seguem alguns exemplos:

Com tudo o que foi exposto neste tópico até aqui, agora temos uma noção geral de
como se dá a formação de palavras na língua japonesa. Acontece que as coisas não
são tão simples assim. Isso porque quando afixos são anexados aos radicais, em
algumas ocasiões, podem ocorrer alterações sonoras em algum desses elementos.

Além dos já conhecidos Onbin e Rendaku, apresentaremos outro fenômeno que na


linguística é chamado de “apofonia” (também conhecido como "ablaut", sendo este
termo o mais comum na literatura linguística de grande prestígio). Em linhas gerais,
trata-se da variação de vogal da raiz ou do afixo. Por exemplo, em português temos a
palavra “difícil”, que se origina de “Di+fácil”, onde o "a" variou para "i" em função do
afixo.

Em japonês também existe este fenômeno e ele é chamado de 「母音交替」(ぼいんこ


う た い ), que numa tradução literal significa “mudança de vogal”. Por exemplo, a
palavra 「 ま ぶ た 」 que, significa “pálpebra”, originou-se da junção das palavras
「目」 (め) = olho e 「蓋」(ふた) = cobertura, tampa. Veja como aqui dois fenômenos

ocorreram:
ocorreram:

1) Apofonia, onde 「目」 (め) passa a ser pronunciado 「ま」;

2) Rendaku, onde 「蓋」 (ふた) passa a ser pronunciado 「ぶた」.

Sendo assim, o que seria 「めふた」 tornou-se 「まぶた」.

Infelizmente, parece não haver regras claras com relação a quando deve haver
apofonia ou mesmo quais as alterações que devem ser feitas, mas as ocorrências
mais comuns são a alternância de 「えだん」 para 「あだん」 e 「いだん」 para 「う
だん」 ou 「おだん」.

9.8. ABREVIAÇÕES

Abreviações [ 「 り ゃ く ご 」 ( 略 語 )] são muito importantes na língua japonesa.


Expressões e palavras tendem a ser abreviadas quando se tornam muito longas. Na
verdade, o próprio termo japonês para “abreviação” é uma abreviação de 「せいりゃ
くご」 (省略語). Algumas abreviações datam de centenas de anos atrás. Por exemplo,
o som 「ぼん」em “Festival Obon” é na realidade uma contração de 「うらぼんえ」
( 盂 蘭 盆 会 ). Como vimos você já sabe, novas expressões eram (ou são) muitas vezes
abreviadas. Outros exemplos incluem 「ハンカチ」, proveniente de “handkerchief” =
“lenço” em inglês, e 「ごりん」 (五輪), que se referia às Olimpíadas de Berlim, mas
significa apenas “Olimpíadas”. As palavras abreviadas mais comuns são Gairaigo e
Jukugo (composições de Kanjis), mas contrações em conjugações verbais e outras
palavras nativas existem.

Legendas em reportagens e artigos são conhecidos pelo uso excessivo de abreviações.


Na verdade, muitas palavras abreviadas tornaram-se populares devido a esta prática.
Há também um bom número de palavras que foram abreviadas de forma diferente
dependendo do dialeto. Também, expressões e palavras em japonês são abreviadas
de forma ligeiramente diferente uma das outras. Os quadros abaixo ilustram os
métodos relacionados com a abreviação, com as partes das expressões ou palavras
que são usadas em cada um:

No próximo quadro, seguem alguns exemplos (os caracteres vermelhos na coluna


“ORIGEM” são os que foram retirados):
9.9. A EVOLUÇÃO DA PRONÚNCIA

Depois de conhecer os fenômenos Onbin, Rendaku,


Tenko e apofonia, bem como as abreviações, você
deve estar se perguntando “por que há tantas
mudanças sonoras nas palavras”? Bem, isso se trata
de um processo natural e gradual de qualquer idioma
ao longo dos séculos. Para tentar sintetizar a causa
dessas mudanças de pronúncia, reproduziremos
abaixo um interessante artigo do professor Paulo
Hernandes (link aqui):

Você sabia... que há duas forças poderosas que impulsionam as mudanças


na forma das palavras? São elas a lei do menor esforço (ou lei da economia
fisiológica) e a analogia. Essas forças sempre atuaram e continuam
atuando nas línguas em geral e na portuguesa, em particular.

Os usuários da língua - os falantes - tendem a pronunciar as palavras da


forma mais fácil e para isso retiram ou acrescentam sons com o passar do
tempo. Foi assim que o latim legenda transformou-se no português "lenda"
e spiritu passou a "espírito".

Esse fenômeno continua a acontecer, como podemos observar em para,


que se está transformando em "pra" (na língua falada, há muito tempo e já
se começa a ver aqui ou ali na escrita). Da mesma forma, pneu já é "peneu"
na fala e sua oficialização na escrita é questão de tempo.

A analogia opera com base em formas regulares, que servem de modelo


para outras se modificarem. "Os fatos mais comuns e gerais são os que
servem de modelo para os outros; raramente se dá o contrário" e "A
servem de modelo para os outros; raramente se dá o contrário" e "A
princípio, as formas analógicas são tachadas de errôneas pelas pessoas
instruídas" (COUTINHO, 1958), mas depois muitas acabam por prevalecer.
Assim, verbos como impedir e despedir - que ainda no século XVII eram
conjugados no presente do indicativo como "eu impido", "eu despido" -, por
analogia com pedir, com o qual nada têm a ver, passaram a "impeço",
"despeço", etc. Da mesma forma, o latim stella deveria ter originado a
forma portuguesa "estela" (existe uma "estela" - coluna de pedra -, mas que
tem outra origem), mas deu "estrela". Esse "r" apareceu por analogia com
"astro".

A analogia continua agindo, mais bem observada na linguagem inculta e


na das crianças. Quando um pequenino diz fazi em vez de "fiz", está se
baseando em outro verbo da mesma conjugação, por exemplo, "correr".
Dessa maneira, correr está para corri assim como fazer está para...fazi,
claro.

O falante inculto usa "ponhar", em vez de "pôr", por analogia com verbos
de sonoridade parecida da primeira conjugação, terminados em "ar" (que
são a maioria), como "sonhar". Portanto, sonho está para sonhar assim
como ponho está para...ponhar.

Essas evoluções distinguem a oralidade da escrita sem, contudo, terem real impacto
na "gramática" dessa mesma língua. Essa evolução diária nem sempre é duradoura, e
normalmente os processos que ocorrem variam ao longo do tempo. Assim, vamos
considerar a lei do menor esforço e analogia e enumerar os fenômenos que podem
acontecer.

Esqueça por enquanto as nomenclaturas japonesas para as alterações sonoras, pois


vamos usar a língua portuguesa como exemplo, mas é claro, isso vale para qualquer
idioma e certamente as alterações sonoras japonesas poderão ser encaixadas em um
ou mais grupos.

Decorrentes da lei do menor esforço e analogia, as mudanças de pronúncia podem


ser divididas em três grupos, cada um tendo suas subdivisões. Vejamos:

I. ADIÇÃO DE SOM

Prótese: quando se acrescenta um som no início da palavra. → mostrar > amostrar;

Epêntese: quando se acrescenta um som no interior da palavra. → pneu > peneu;

Paragoge: quando se acrescenta um som no final da palavra. → amor > amore.

II. SUPRESSÃO DE SOM

Aférese: quando um som é suprimido no início da palavra. → estou > tou;

Síncope: quando um som é suprimido no interior da palavra. → poer (português

arcaico) > pôr (português atual);


arcaico) > pôr (português atual);

Apócope: quando um som é suprimido no final da palavra. → disse à Ana > diss'à
Ana.

III. ALTERAÇÃO DE SOM

Assimilação: quando sons próximos influenciam outros. → mentir > mintir;

Dissimilação: quando um som desaparece ou modifica-se para evitar que surjam


sons iguais ou semelhantes (próximos ou não) numa palavra. → ministro > ministro;

Nasalização: quando uma vogal se torna nasal devido a outro som nasal. → mesa >
mensa;

Vocalização: quando uma consoante se torna uma vogal. → animal > animau;

Ditongação: quando uma vogal dá origem a um ditongo. → coelho > coeilho;

Metátese: quando um som muda de posição numa palavra ou numa sílaba. → hás-de
> há-des;

Sinérese (contração): quando duas vogais se transformam num ditongo. →


compreender > compriender.

9.10. O FENÔMENO “PALAVRA INVERTIDA”

Neste tópico, vamos tratar de um assunto que provavelmente você nunca ouviu falar.
De forma simples, esse fenômeno trata-se de palavras invertidas e é chamado 「ぎゃ
くよみ」 (逆読み), “leitura às avessas” ou ainda 「とうご」 (倒語), “palavra invertida”.
Esse fenômeno é análogo ao “verlan”, que existe na língua francesa, caracterizado
pela inversão da posição das sílabas ou das letras da palavra. O nome vem de l'envers
(pronunciado lanver, em francês), que significa "o inverso".

É utilizado principalmente por jovens, como um conjunto de gírias, ou um método de


criação de novas gírias. Servem para serem usados como nomes artísticos, para fazer
humor e outras coisas do gênero.

Voltando para a língua japonesa, esse tipo de palavra se popularizou ainda mais
durante o Período Edo (1603 – 1868). Um exemplo que é usado até hoje é「キセル」,
que significa “cachimbo” e invertido torna-se 「セルキ」. É claro que o modo como a
palavra é invertida pode variar e também devemos considerar que essas inversões
existiram no japonês por algum tempo, apesar que esse tipo de mudança pode
acontecer em qualquer língua, independentemente da geração.

O objetivo dessas inversões é trazer algum tipo de ênfase e, embora a utilização


dessas inversões seja bastante variada, são geralmente tratadas como linguagem
restrita a um grupo. Em japonês, isso normalmente gera uma visão negativa, e quase
que certamente irão ser conhecidas e utilizadas apenas por um pequeno grupo de
pessoas. Vejamos alguns exemplos:
Também é importante notar que a “leitura às avessas” é frequentemente utilizada em
nomes de marca. Vejamos alguns exemplos:

9.11. O SENTIDO DAS PALAVRAS

Já sabemos de onde se originaram os elementos que compõem o conjunto de palavras


da língua japonesa, quais são os principais processos de interação entre eles para a
formação de novas palavras e também aspectos da pronúncia e suas alterações ao
longo dos séculos. Agora, vamos abordar mais profundamente o assunto “sentido
das palavras”.

Uma língua é um elemento vivo que também evolui e que se transforma a cada
minuto. Palavras e expressões que marcam uma geração podem facilmente ser
esquecidas na década seguinte. Algumas pessoas se espantam com a velocidade com
que o idioma assimila alguns vocábulos e com sua tendência a descartar elementos
linguísticos que, à primeira vista, pareciam eternos e imunes às mudanças.

Mesmo que cause estranheza, essa evolução da língua é parte da eterna necessidade
de renovação a que todos estão irremediavelmente atados. Não se trata, portanto, de
dizer que uma língua está sendo destruída por seus falantes atuais ou que as "pessoas
de antigamente" tinham mais cuidado com o vernáculo, ou, pior ainda, de preconizar
que "os jovens estão matando o idioma" cada vez que falam. O que há, na verdade, é
uma adequação da linguagem a uma época é às situações impostas pelo próprio
cotidiano. Pode-se dizer que essa adequação do idioma às necessidades de cada
época se dá através de um de três processos:

(1) a importação de uma palavra estrangeira que já expresse o conceito desejado;

(2) a “construção” de uma nova palavra através da junção de elementos significativos


já existentes no idioma (ou mesmo derivado de outros);

(3) a mudança semântica, isto é, a mudança de significado de uma palavra através


dos tempos. Em alguns casos, o significado da palavra mutante em nada lembra a
essência do estágio anterior da língua.

Vamos neste tópico nos focar na mudança semântica. Vejamos as “causas” mais
comuns para esse fenômeno (usaremos a língua portuguesa como exemplo, mas as
causas aqui apontadas acontecem em qualquer idioma):

A) METONÍMIA E METÁFORA: os processos mais comuns que levam à mudança no


significado de uma palavra são as metonímias e as metáforas. Metonímia consiste em
empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou
relação de sentido. Por exemplo, "Palácio do Planalto" é usado como um metônimo
relação de sentido. Por exemplo, "Palácio do Planalto" é usado como um metônimo
(uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser
localizado lá o gabinete presidencial. Já a metáfora é a comparação de palavras em
que um termo substitui outro. É uma comparação abreviada em que o verbo não está
expresso, mas subentendido. Por exemplo, ao dizer que um amigo "está forte como
um touro", obviamente não significa que ele se parece fisicamente com o animal, mas
está tão forte que faz lembrar um touro, comparando a força entre o animal e o
indivíduo.

A metonímia é bem mais produtiva do que a metáfora como processo modificador do


significado das palavras. Uma das suas ocorrências mais freqüentes é na criação de
nomes para novos objetos, conceitos ou ramos do conhecimento, e é interessante
notar que muitas vezes, embora estas novas denominações sejam extremamente
transparentes, raros são aqueles que percebem sua origem como veremos nos
exemplos abaixo:

- A palavra “músculo” designava um pequeno rato, sendo o diminutivo do latim


“mus” (que deu origem ao “mouse” do inglês); como os médicos da Idade Média, ao
olharem para o músculo exposto de um paciente, o acharam parecido com um filhote
de rato, sem pêlo, deram-lhe o nome de “musculu(m)”, que se mantém em várias
línguas até os dias de hoje.

Já as metáforas são bem menos produtivas, talvez por serem mais profundas e
poéticas, na evolução de novos significados das palavras. Também nesse caso, a
maioria dos falantes muitas vezes não faz ideia da origem da palavra, embora seja
bastante óbvio, como veremos nos exemplos seguintes:

- A palavra “porco” indicava originalmente uma espécie de animal e passou a indicar,


por um processo metafórico, as pessoas que são sujas como um porco.

B) MUDANÇAS PEJORATIVAS: muitas mudanças de significados são pejorativas, ou


seja, palavras de sentido positivo ou neutro adquirem um matiz pejorativo. Essas
palavras são importantes por retratarem os hábitos, os pensamentos e os
preconceitos de uma determinada época:

- A palavra “vilão” tinha o significado original de “habitante de uma vila”; devido ao


preconceito que as pessoas da época tinham contra os pobres, que moravam nas
vilas, a palavra vilão foi desenvolvendo, pouco a pouco, o sentido de “grosseirão”,
“malvado”;

- A palavra “rapariga” tinha (e, em Portugal, ainda tem) o sentido de “moça”, “mulher
jovem”; como muitos homens abastados de outrora tinham raparigas como
concubinas, o português do Brasil passa a diferenciar “moça” (necessariamente
virgem) de “rapariga” (que podia ou não ser virgem), ficando o termo “rapariga”,
principalmente no Nordeste, quase como sinônimo de prostituta.

Às vezes, as mudanças pejorativas têm por origem um eufemismo (palavra usada em


lugar de outra, para atenuar seu sentido negativo ou ofensivo), que perde sua razão

de ser, como é o caso dos exemplos seguintes:


de ser, como é o caso dos exemplos seguintes:

- A palavra “cretino”, usada hoje em dia para indicar uma pessoa de pouca
inteligência ou estúpida, provém de uma palavra francesa que significava “cristão”;
como era costume usar-se o eufemismo pobre cristão ou cristão para designar os
loucos, a palavra adquiriu aos poucos o sentido de “louco” e finalmente seu sentido
atual;

- A palavra “idiota” significava simplesmente “diferente”; como era usada para


indicar os deficientes, principalmente os deficientes mentais (à maneira da palavra
“especial” hoje em dia), aos poucos adquiriu esse sentido, de deficiente mental, de
estúpido.

C) MUDANÇAS AMELIORATIVAS: outro tipo de mudança de significado é aquela


que podemos chamar de ameliorativa, em que uma palavra de sentido negativo (ou
neutro) adquire um sentido positivo. Normalmente, tratam-se de termos grosseiros
ou jocosos que são atenuados com o passar dos anos, como podemos constatar
abaixo:

- A palavra “perna” indicava originalmente “perna de animal” (equivalente aos


termos atuais “pernil” ou “pata”); devido ao seu constante uso em relação às pernas
dos seres humanos, ela adquire o sentido de perna humana ou animal, que mantém
até hoje;

- A palavra “barriga” era pejorativa, significando inicialmente “barrica (pequeno


barril)”; com o tempo ela passa a indicar o ventre, seja magro ou gordo.

D) MUDANÇAS DEVIDAS AO TABU: muitas vezes, uma palavra deixa de ser usada
devido a ter-se tornado um tabu, uma palavra proibida, seja por medo, por
delicadeza ou por decência. Nesses casos, outra palavra, geralmente um eufemismo,
vem substituir a palavra que não pode ser dita, fazendo com que esta nova palavra
desenvolva um novo significado. Seguem alguns exemplos que ilustram bem esse
processo:

- A palavra “diabo”, do grego “diabolon”, possuía originalmente o sentido de


“opositor”, sendo usada em decorrência do tabu de medo para evitar que fosse dito o
nome do ente diabólico (da mesma forma que, hoje em dia, as igrejas cristãs
fundamentalistas usam o eufemismo o Inimigo); com o tempo esse eufemismo
adquire o sentido de ente diabólico;

- A palavra “miserável”, por seu caráter pejorativo muito forte, passa a ser
substituída, devido ao tabu de delicadeza, pela palavra “excluído”, que pouco a pouco
vai adquirindo o significado de miserável.

E) ESPECIALIZAÇÃO DO SIGNIFICADO: certas palavras desenvolvem um novo


sentido quando são postas num contexto diferente daquele em que costumavam ser
empregadas, naquilo que se chama de “especialização de significado”, como podemos
constatar nos exemplos abaixo:

- A palavra “companhia” significava simplesmente o oposto de solidão; quando


- A palavra “companhia” significava simplesmente o oposto de solidão; quando
utilizada no âmbito do comércio, passa ater o significado de empresa que têm vários
donos;

- A palavra “ação” indicava um movimento para realizar algo; no âmbito jurídico,


passa a indicar um tipo de processo, enquanto que no âmbito financeiro passa a
indicar um documento de uma operação de risco;

- A palavra “foca” indica um mamífero aquático; empregado no âmbito jornalístico,


significa repórter inexperiente.

F) AMPLIAÇÃO DE SIGNIFICADO: certas palavras passam de um significado


original mais restrito para um significado mais geral, como podemos constatar pelos
exemplos abaixo:

- A palavra “armário” indicava na Idade Média um lugar específico para se guardar


as armas; por um processo de ampliação de significado, ela passa a designar
qualquer móvel destinado a guardar coisas;

- A palavra “paquerar” designava especificamente observar pacas com intuito de


caçar; num processo de ampliação de significado, passa a indicar observar pessoas
com interesse;

- A palavra “clássico” indicava apenas os autores e obras que eram lidos em classe
(sala de aula); por um processo de ampliação de significado passa a indicar qualquer
autor ou obra aclamado ou famoso.

G) RESTRIÇÃO DE SIGNIFICADO: num processo inverso ao descrito no item


anterior, algumas vezes palavras de significado geral passam a ter um significado
mais restrito, como podemos verificar pelos exemplos abaixo:

- A palavra “ministério” significava originalmente o ofício de alguém, aquilo que uma


pessoa devia fazer; com o tempo, há uma restrição de significado e a palavra
ministério passa a indicar somente o ofício de um sacerdote ou o lugar dos ministros;

- A palavra “paixão” indicava qualquer emoção profunda, positiva ou negativa (daí a


Paixão de Cristo); atualmente, houve uma restrição de significado e o termo paixão
passou a indicar apenas emoção profunda positiva;

- A palavra “cachorro”, proveniente do basco, indicava qualquer tipo de filhote; por


um processo de restrição de significado, passa a indicar filhote de cão e o próprio cão.

H) EQUÍVOCOS DE INTERPRETAÇÃO: uma das causas mais estranhas e fascinantes


da mudança de significado é aquela que ocorre devido a um equívoco na
interpretação da palavra. Como neste tipo de situação cada caso é um caso, vejamos
alguns bem interessantes:

- A palavra “missa” não tinha nada a ver com a cerimônia religiosa, constituindo o
particípio passado do verbo mittere ("enviar, mandar, dispensar"). Nas igrejas

primitivas, nos primórdios do Cristianismo, o culto era dividido em duas partes: a


primitivas, nos primórdios do Cristianismo, o culto era dividido em duas partes: a
primeira, composta de orações, leituras bíblicas e de um sermão, que era aberta a
todos; a segunda (a eucaristia) era reservada somente aos já batizados e a portas
fechadas. Por isso, no final da 1ª parte, dizia-se aos não batizados a fórmula "Ite,
missa est", que significa, aproximadamente, "Podem ir, [vocês] estão dispensados".
Entretanto, o povo entendeu erroneamente que a palavra missa era o nome da
cerimônia, significado que se mantém até hoje;

- A palavra “acusativo” para designar o objeto direto deriva de um erro de leitura da


palavra causativo que perdura até hoje;

- A palavra “floresta” tinha o significado original de área do lado de fora da cidade e


era escrita “foresta” (conferir o inglês “forest” e o francês “forêt”); como a parte de
fora da cidade normalmente era arborizada, o povo entendeu que ela era derivada
de flora e significava mata, daí sua forma e significado atuais.

I) PALAVRAS QUE CONTAM HISTÓRIAS: certas palavras têm uma história tão
interessante que vale a pena contá-las; elas são parte da própria história e nos
ajudam a entender melhor o mundo em que vivemos e o mundo do qual viemos.
Deleitemo-nos, pois, com essas palavras que contam histórias:

- A palavra “escravo” serve para que tenhamos uma visão mais ampla do problema
da escravidão, muitas vezes situada apenas em termos da escravidão negra. Faz-se
necessário entender que a escravidão era uma prática plenamente aceita, assim
como a guerra e o saque, em tempos bem mais cruéis que os atuais. A escravidão
primordial, que se estendeu por toda a Antiguidade, era basicamente uma escravidão
de homens brancos, o que é cabalmente demonstrado pelo fato de a palavra escravo
ser oriunda de “sclavu(m)”, que por sua vez provém de “slavu(m)”, que significava
“eslavo”, um povo que vivia nas fronteiras do Império Romanoe era frequentemente
capturado para servir de escravo, daí a evolução do significado da palavra para o
significado que permanece até hoje;

- A palavra “rastaquera”, do francês “rastra coeur”, indicava originalmente o novo


rico, o afetado, que “arrastava o coração” (rastra coeur) pela Europa e desprezava as
coisas e costumes do Brasil; o fato de ela ter evoluído para indicar indivíduo sem
valor, sem qualidade, mostra bem o estofo de que eram feitos esses “emergentes” de
outrora.

9.12. AS PARTES DO DISCURSO

Aprendemos quais são as três fontes lexicais da língua japonesa, os principais


aspectos da formação de palavras e seus sentidos. Por fim, vamos ver como elas são
agrupadas, isto é, quais são as classes de palavras, ou como são comumente
chamadas em japonês, “partes do discurso” [ 「 ひ ん し 」 ( 品 詞 )]. Devido à fonética
limitada da língua japonesa, é muito importante que você as conheça, a fim de
interpretar as coisas. Saber quais são as partes do discurso, como usá-las e identificá-
las irá ajuda-lo muito em seus estudos.

Existem 11 partes do discurso no japonês. Vejamos:


Existem 11 partes do discurso no japonês. Vejamos:

1. Substantivos [「めいし」 (名詞)]: palavras que são uma pessoa, lugar ou coisa;

2. Pronomes [「だいめいし」 (代名詞)]: palavras que se referem a eu, você, ele, etc;

3. Verbos [「 どうし」 (動詞)]: palavras que descrevem uma ação ou processo;

4. Adjetivos [「けいようし」 (形容詞)]: palavras que descrevem uma condição;

5. Verbos-Adjetivos [「けいようどうし」 (形容動詞)]: palavras que também descrevem


uma condição;

6. Partículas [ 「 じ ょ し 」 ( 助 詞 )]: palavras que mostram certo tipo de relação


gramatical;

7. Verbos Auxiliares [「じょどうし」 (助動詞)]: alteram o sentido de partes do discurso


flexionáveis;

8. Interjeições [「かんどうし」 (感動詞)]: palavras que descrevem uma emoção;

9. Conjunções [「せつぞくし」 (接続詞)]: palavras ou frases que conectam uma oração


a outra;

10. Atributivos [「れんたいし」 (連体詞)]: palavras que modificam substantivos;

11. Advérbios [「ふくし」 (副詞)]: palavras que modificam verbos, adjetivos e verbos-
adjetivos;

As palavras podem ser independentes [「じりつご」 (自立語)] ou dependentes [「ふぞ


くご」 (付属語)], e flexionáveis ou inflexionáveis. As palavras independentes podem
ser entendidas por si mesmas, ao passo que as dependentes necessitam de um
contexto para serem compreendidas.

As únicas partes do discurso que são dependentes são as partículas e os verbos


auxiliares, e as únicas que são flexionáveis (podem ser conjugadas) são os verbos,
adjetivos, verbos-adjetivos e verbos auxiliares.

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

Tofugu: http://www.tofugu.com/

A Brief Inroduction to Japanese Morphology: http://www.kanji.org/kanji/japanese/writing/wordform.htm

SEMÂNTICA HISTÓRICA, Afrânio Garcia (UERJ)

Dicionário Etimológico: http://www.dicionarioetimologico.com.br/missa/


Só Português: http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/estil3.php

Revista Língua Portuguesa: http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-


ortografia/38/artigo273493-1.asp

Significados: http://www.significados.com.br/metafora/

Criar mundos: http://criarmundos.do.sapo.pt/index.html

Um comentário:

Cirolol 4 de novembro de 2015 20:51


Bem completo esse post, me atribuiu bastante sobre línguas.
Parabéns pelo trabalho ^^
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LIÇÃO 10: SUBSTANTIVOS
Nesta breve lição, discutiremos alguns pontos importantes a respeito dos
substantivos, as palavras básicas de qualquer idioma.

10.1. A DEFINIÇÃO DE “SUBSTANTIVO”

De acordo com o dicionário Houaiss, substantivo é a “classe de palavras com que se


denominam os seres, animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados, as
qualidades, as ações.” Geralmente, os substantivos são a coisa mais fácil de aprender
quando se está estudando uma língua estrangeira. A parte complicada é saber o que
é considerado um substantivo em outro idioma, ou seja, será mais difícil aprendê-
los em japonês, porque não será possível estabelecer uma relação cognata, como você
faria se estivesse estudando espanhol ou inglês, por exemplo. No entanto, se você
também estuda inglês, as coisas devem se tornar mais fáceis já que há uma
abundância de palavras emprestadas no japonês. Vejamos como os substantivos são
divididos na língua japonesa:

I. Substantivo próprio [ 「こゆうめいし」 (固有名詞)]: é a palavra que denomina um


ser único, específico, diferenciando-o do restante do grupo. Aqui se incluem nomes
de lugares e pessoas. Vejamos alguns dos mais comuns:

II. Substantivo comum [ 「 ふ つ う め い し 」 ( 普 通 名 詞 )]: é a palavra que designa ou


nomeia um grupo geral de objetos, animais, plantas ou quaisquer outros seres vivos
ou não, os quais possuem as mesmas características.
III. Numeral [ 「 す う し 」 ( 数 詞 )]: é a palavra que expressa quantidades, frações,
múltiplos, ordem;

IV. Substantivo formal [ 「けいしきめいし」 (形式名詞)]: funciona como substantivo


genérico e nominalizador. Expressa significado pragmático, em vez de significado
lexical. O mais frequentemente citado é 「わけ」 (訳), cujo significado é “razão”, mas
em conversas funciona quase que exclusivamente com sentido pragmático,
indicando que o falante tem conhecimento / experiência de algo que o ouvinte não
tem acesso. É usado em situações como convencer alguém, argumentar e contar
histórias.

Se não entendeu bem devido à palavra “pragmática”, observemos a sua definição:

PRAGMÁTICA: parte da linguística que estuda como os enunciados comunicam


significados diferentes num contexto (p.ex.: o enunciado “você sabe que horas são?”
pode ser interpretado como um pedido de informação, como um convite a que
alguém se retire etc.). (Dicionários Aulete e Houaiss)

Trocando em miúdos, embora 「 わ け 」 signifique por si mesmo “razão”, é


comumente usado de maneira pragmática e, neste caso, seu sentido dependerá do
contexto.

10.2. PLURALIZAÇÃO

A forma plural [「ふくすうけい」(複数形)] é um pouco irrelevante, porque na língua


japonesa os substantivos podem ser tanto singular quanto plural dependendo do
contexto. Entretanto, há alguns meios para se expressar “plural”, embora
infelizmente não possam ser aplicados a todos os casos, indiscriminadamente.

O primeiro meio que veremos é expressar uma noção de conjunto através do sufixo
「たち」(達), praticamente restrito à pessoas e animais:

子供 (こども) = criança → 子供達 (こどもたち) = crianças

犬 (いぬ) = cachorro → 犬達 (いぬたち) = cachorros

男 (おとこ) = homem → 男達 (おとこたち) = homens

Outro uso comum de 「 た ち 」 é adicioná-lo ao nome de alguém para indicar essa


pessoa juntamente com o seu grupo:

セイヤ達 (セイヤたち) = Seiya e os demais (enfatizando Seiya, mas considerando os


outros Cavaleiros de bronze que o acompanham).
outros Cavaleiros de bronze que o acompanham).

Em linhas gerais, essa forma de pluralização não é usada para substantivos materiais
(leite, manteiga, etc), nome próprio (Japão, América, etc), ou substantivos abstratos
(bondade, paz, etc.). É claro: conte sempre com as exceções.

Além de 「たち」(達), na linguagem casual também é possível usar o sufixo 「ら」


(等). Entretanto, sua utilização é muito restrita e depende da sentença e do falante.
O uso mais comum para 「ら」 é após os pronomes “Eu”, “Ele” (lição 11), ou palavras
como 「こども」 ou 「おや」 (em algumas regiões).

Algumas palavras nativas podem ser pluralizadas ao serem repetidas através do uso
do sinal 「 々 」 . Perceba que a palavra repetida tem seu primeiro fonema vozeado
para tornar a pronúncia mais fluente:

花々(はなばな) = flores

人々(ひとびと)= pessoas

所々(ところどころ)= lugares

Estas palavras são plural, sem número definido / quantidade.

10.3. GÊNERO E ARTIGO

A palvra “gênero” em linguística refere-se à distinção de palavras a partir de


contrastes como masculino/feminino. Por exemplo, em português temos “A mesa”, “O
lápis”, etc. Entretanto, em japonês não há esse tipo de distinção;  “a mesa” e “o lápis”
são iguais em termos gramaticais. Em outras palavras, os japoneses diriam tão
somente “lápis” ou “mesa”.

Com isso, convém mencionar também, que na língua japonesa não há artigo definido
ou indefinido.  A palavra “estudante” 「がくせい」 (学生), por exemplo, pode tanto se
referir a um estudante do sexo masculino como do sexo feminino.

De fato, 「 ね こ 」 ( 猫 ) em si significa gato ou gata, mas podemos fazer uma


“gambiarra”, isto é, usar algum elemento que nos possibilite especificar o gênero.
Dentre as possibilidades, para animais, podemos usar os substantivos 「おす」 (雄)

para macho ou 「めす」 (雌) para fêmea:


para macho ou 「めす」 (雌) para fêmea:

おす(の)ねこ = gato

めす(の)ねこ = gata

É claro que a necessidade de se usar outros elementos para indicar gênero não se
aplica a todos os casos. Como em todas as línguas, há substantivos específicos, como
homem ou mulher, irmão ou irmã, etc.

NOTA: Não se preocupe em saber por enquanto o que significa o 「の」 que há entre
os substantivos. Conheceremos sua finalidade na lição 19.

Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Um comentário:

mariana 4 de agosto de 2015 09:32


Parabéns MT foda tirei muitas dúvidas
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LIÇÃO 11: PRONOMES
Agora que sabemos mais sobre os substantivos, as palavras básicas, vamos subir
mais um degrau e estudarmos os pronomes japoneses. Afinal, o que há de tão
diferente neles? É o que veremos nesta lição.

11.1. O QUE SÃO PRONOMES?

Pronome [「だいめいし」 (代名詞)] é a palavra que se usa em lugar do substantivo, ou


a ele se refere, ou ainda, que acompanha o substantivo qualificando-o de alguma
forma.

CUIDADO! Os pronomes japoneses são muito diferentes se comparados a outras


línguas. Quase todos vêm de outros substantivos, não sendo, portanto,
exclusivamente pronomes. Também não há uma palavra única para um único
pronome. Em espanhol ou francês, por exemplo, temos "yo" e “je” respectivamente
para “eu”. Em japonês, não é exatamente assim. Existem muitas variantes,
especialmente para a primeira e segunda pessoa, que diferem no uso e orientação.
Esta é uma das coisas mais interessantes e estranhas na língua japonesa que o aluno
ocidental irá enfrentar.

11.2. PRONOMES DE PRIMEIRA PESSOA

Os pronomes de primeira pessoa [「だいいちにんしょう」 (第一人称)] são geralmente


deixados de lado e assumidos pelo contexto. Os mais importantes estão listados
abaixo:

Ø 私 (わたし): usado por homens e mulheres em contextos formais ou educados;

Ø 私 (わたくし): é o pronome de primeira pessoa mais formal;

Ø 我 (われ): é formal, mas arcaico;

Ø 我 ( わ ) が : tem o significado mais próximo de “meu”, “nosso”. É usado em


situações formais e frequentemente em discursos. Aparece em expressões como
“nosso país” (我が国) e “nossa empresa” (我が社);

Ø 我輩 (わがはい): muito pomposo e fora de moda;


Ø 我輩 (わがはい): muito pomposo e fora de moda;

Ø 僕 ( ぼ く ) : usado por homens, casualmente soa mais humilde, pois 「 僕 」 pode


significar também “servo”. Não é muito assertivo, e é muitas vezes visto como sendo
bonito pelas mulheres;

Ø 僕(ぼく)ちゃん: também 「ぼくちん」, é usado por meninos;

Ø 俺 ( お れ ) : frequentemente usado por homens, é bastante assertivo. Estabelece


masculinidade e às vezes pode ser considerado rude, dependendo da situação. Entre
as pessoas que você conhece, mostra familiaridade;

Ø 俺様 (おれさま): o mesmo que 「おれ」, porém muito pomposo;

Ø お い ら : variante casual de 「 お れ 」 , mas que não carrega o mesmo vigor. É


normalmente usado com espírito rústico pelos homens e é visto em paródias;

Ø おら: gíria que denota um espírito rústico para 「おれ」;

Ø 儂 (わし): é muito mais frequente em dialetos do oeste, mas não é incomum em


outras regiões. É usado principalmente por homens idosos;

Ø あたし: muito utilizado por mulheres mais jovens, é considerado gracioso;

Ø あたい: é uma gíria variante de 「あたし」. É usado por mulheres grosseiras;

Ø あ た く し : usado por mulheres e, embora seja polido, é evitado em situações


formais;

Ø 内 ( う ち ) : utilizado frequentemente no oeste do Japão e Kyushu. Comumente


usado por mulheres;

Ø 朕 (ちん): o “nós” majestático, usado pela família real;

Ø 乃公 (だいこう): arrogante, é usado por homens na literatura;

Ø 愚生 (ぐせい): humilde, é usado por homens na escrita;

Ø 小生 (しょうせい): humilde, é usado na escrita;

Ø [usar o próprio nome]: considerado gracioso.

O uso de pronomes da primeira pessoa não faz o seu discurso muito diferente, mas
eles são desnecessários na maior parte das vezes. Se você abusar do seu uso e utilizar
a cada vez que se referir a si mesmo, você pode acabar parecendo insistente e
egocêntrico.

11.3. PRONOMES DE SEGUNDA PESSOA

Se você deseja usar um pronome de segunda pessoa [「だいににんしょう」 (第二人


称)], há muitos para escolher:
Ø 貴方 (あなた): pode ser escrito 「貴女」 se a pessoa é uma mulher, e 「貴男」 se é
Ø 貴方 (あなた): pode ser escrito 「貴女」 se a pessoa é uma mulher, e 「貴男」 se é
um homem, porém o Kanji é raramente usado. Também pode ser usado em um senso
de “querido”, quando utilizado por mulheres. É o pronome de segunda pessoa mais
seguro, mas não deve ser usado diante daqueles que se deve maior respeito;

Ø 君 (きみ): é um "você" muito casual e pode ser usado para com os subordinados.
Pode ser visto como bonito e é muito semelhante em orientação a 「ぼく」. Também
é usado por homens em canções para se referir a seus amores;

Ø あんた: uma gíria variante de 「あなた」 e pode ser visto como rude;

Ø お 前 ( お ま え ) : frequentemente usado por homens, pode mostrar que o falante


tem um status mais elevado do que o ouvinte e, por isso, às vezes é rude. Contudo,
pode ser utilizado por amigos íntimos. É muito semelhante ao uso de 「おれ」 para
“eu”;

Ø おめー: uma variante mais casual de 「おまえ」;

Ø お宅(おたく): na realidade, 「おたく」 é a forma honorífica de dizer "sua casa".


Também pode ser usado para se referir a alguém indiretamente, e como os nerds
foram os que mais fizeram isso, a palavra acabou por ser associada a eles;

Ø 手前(てまえ)e てめー: 「てめー」 é mais rude que 「てまえ」, mas ambos são
usados quando o falante está muito nervoso;

Ø 貴様 (きさま): mostra hostilidade e é muito vulgar;

Ø 貴下 (きか): usado para com os inferiores, principalmente na escrita;

Ø 己 (おのれ): originalmente significa "eu". É usado por homens e é muito rude;

Ø 御身 (おんみ): respeitoso, literalmente significa "o seu corpo honroso";

Ø われ: usado para com pessoas abaixo de você, muitas vezes de forma crítica.

Vimos os principais pronomes de segunda pessoa, mas é bom lembrar que, quando
você for se dirigir diretamente a uma pessoa, há três níveis de polidez:

1) Chamar alguém pelo título ou nome (geralmente o sobrenome) com o sufixo


apropriado (tópico 5 desta lição);

2) Não usar nada;

3) Usar 「あなた」.

Na verdade, a partir do momento que você começa a usar muito a opção 3, passa a
correr um grande risco de parecer rude. Na maioria das vezes, não é necessário usar
nada, porque você está se dirigindo diretamente a pessoa. Martelar o ouvinte com
“você” em cada frase soará como uma acusação. Ainda, suponhamos que você tenha
achado uma caneta e queira perguntar a Makoto se tal objeto é dele; em vez da

pergunta “Esta caneta é sua?”, você ouvirá “Está caneta é de Makoto?”.


pergunta “Esta caneta é sua?”, você ouvirá “Está caneta é de Makoto?”.

11.4. PRONOMES DE TERCEIRA PESSOA

Os pronomes de terceira pessoa [「だいさんにんしょう」 (第三人称)] em japonês são


“ele” e “ela”. Claro que é sempre bem-vindo o uso do nome real de uma pessoa.
Vejamos:

Ø 彼 (かれ): pronome “ele”. É normalmente usado em referência a amigos do sexo


masculino ou conhecidos, mas pode ser usado indiferentemente para se referir a um
homem;

Ø 彼女(かのじょ): pronome “ela”. É normalmente usado em referência a amigas ou


conhecidas, mas pode ser usado indiferentemente para se referir a uma mulher;

Ø 奴 (やつ): significa “aquele sujeito”;

Ø こいつ: significa “aquele sujeito”;

Ø そいつ: significa “aquele sujeito”;

Ø あいつ: significa “aquele sujeito ali”;

Ø あの人(あのひと): significa “aquela pessoa”;

Ø あの男(あのおとこ): significa “aquele homem”;

Ø あの女(あのおんな): significa “aquela mulher”;

NOTAS:

1. 「 か れ 」 e 「 か の じ ょ 」 são usados frequentemente para “namorado” e


“namorada”, respectivamente;

2. Em situações formais, anexe 「 の 人 ( ひ と ) 」 à “aquela mulher” e “aquele


homem”. Ex. 「あの女の人」;

3. 「こいつ」, 「そいつ」 e 「あいつ」podem ser usados para indicar uma "pessoa


próxima a você", uma "pessoa próxima a um ouvinte", e "uma pessoa distante"
respectivamente de forma um tanto vulgar. Podem ser variantes vulgares de 「 こ
れ 」 , 「 そ れ 」 e 「 あ れ 」 , que significam "isto", "isso" e "aquilo", respectivamente
(mais detalhes na lição 23).

11.5. SUFIXOS DE NOMES E TÍTULOS

Os japoneses evitam usar o nome da pessoa a quem estão se dirigindo quando


possível, pois, para eles, chamar alguém pelo nome soa bastante íntimo. Por isso, tal
prática se restringe a amigos, colegas, namorados e familiares. Em outras situações,
os japoneses se direcionam pelo título, como “chefe” “presidente”, etc sem usar
nomes. Quando isso não é possível, usam o nome (ou sobrenome) da pessoa com o

sufixo apropriado.
sufixo apropriado.

Em japonês, os sufixos de nomes são usados ​ para expressar a honra, respeito ou


amizade do falante com relação ao outro e, por isso, nunca devem ser usados para
se referir a si mesmo. São de gênero neutro (podem ser usados para homens e
mulheres), embora alguns sejam mais usados para homens ou para mulheres. Títulos
ou profissões também podem ser usados como um sufixo, ou ainda, é possível utilizar
a profissão da pessoa juntamente com um sufixo de nome. Omitir um sufixo soará
muito amigável ou muito ofensivo, dependendo da situação. Vejamos os sufixos de
nomes mais conhecidos:

Ø さ ん : serve como uma marca de respeito. Uma pessoa pode ser tratada com este
sufixo se o falante não a conhece bem e não quer ser rude, ou quando o indivíduo
tem uma posição social mais elevada do que o falante. Praticamente ninguém se
sentirá ofendido com esse sufixo. Meninas começam a ser tratadas com 「さん」 ao
entrarem no colegial, e os meninos, ao saírem. Obviamente, as pessoas podem ter
experiências diferentes, mas estamos falando de uma regra de ouro;

Ø さま (様): é usado como um termo educado de se dirigir a alguém visivelmente mais


velho ou de um status mais elevado que o falante. Por isso, balconistas, garçons e
funcionários de outros serviços tratarão quase todo mundo com este sufixo –
provavelmente como 「おきゃくさま」 (お客様), isto é, “Sr(a). visitante”. 「おさま」
também é usado como um título independente e é muito educado. Demonstra que a
pessoa a quem o falante se dirige o supera em larga margem e é muito mais velho, ou
o falante está em uma situação muito formal – ou talvez não saiba o nome e precisa
ser educado. Também é usado quando se refere a 「かみさま」 (神様) (「神」 = deus).
Outro bom exemplo é quando uma empregada doméstica chama seu mestre de 「た
ろうさま」 (太郎様);

NOTA: 「たろう」 (太郎) é usado como um nome genérico japonês.

Ø くん (君): geralmente é usado para crianças do sexo masculino. Também pode ser
usado quando se dirige a um homem de menor status. Meninos do colegial são
tratados com este sufixo, mas também pode ser usado por um homem mais velho ao
se dirigir a um homem mais jovem, ou entre amigos e iguais. Por isso, um chefe pode
se dirigir a um funcionário com 「 く ん 」 , mas o empregado irá tratar o chefe com
「かちょう」 (課長) ou talvez 「さん」 ou 「さま」, dependendo da situação;

Ø ち ゃ ん : é uma versão informal de 「 さ ん 」 , ainda bastante comum no Japão e


geralmente considerado aceitável. Comumente é usado para tratar crianças e
familiares do sexo feminino. Crianças com menos de 10 anos de idade são tratadas
com este sufixo, mas continua a ser usado como um termo carinhoso, especialmente
para as meninas, na idade adulta. Os pais costumam sempre tratar suas filhas com
「ちゃん」 e seus filhos com 「くん」. Adultos vão usar 「ちゃん」 como um termo
carinhoso para as mulheres com quem eles estão próximos e homens pervertidos
sexualmente também vão usá-lo ao se dirigir a garçonetes e outras mulheres jovens.
「ちゃん」 também é usado com animais de estimação e animais em geral. Também é
usado como uma forma de descrever alguém por quem se tem sentimentos fortes,
como uma namorada;
como uma namorada;

Ø せんせい (先生): pode ser usado como um sufixo ou como um título independente.
Você chama alguém que ensina um assunto particular de 「 せ ん せ い 」 . É usado
geralmente para qualquer pessoa que tenha conhecimento significativo e experiência
em alguma coisa. Por exemplo, as pessoas costumam usar 「せんせい」quando falam
diretamente com médicos ou professores (obviamente);

NOTA: como 「せんせい」 se trata de um sufixo ou título de respeito nunca deve ser
usado para si, mesmo que a pessoa seja professor. Caso a pessoa queira dizer, por
exemplo, que sua profissão é professor, deve usar 「きょうし」 (教師).

Ø せ ん ぱ い ( 先 輩 ): é utilizado para se dirigir a membros seniores em um ambiente


acadêmico ou em clubes desportivos. Às vezes, é ouvido em ambientes corporativos.
Significa "estudante mais velho do sexo masculino" – note que o Kanji para 「せん」 é
o mesmo que em 「せんせい」 (先生). Originalmente significa algo como "assistente".
Um 「せんぱい」 é especificamente um estudante mais experiente do que o falante.
Os alunos mais velhos têm um papel de liderança com alunos mais novos e ao
utilizarmos este sufixo, reconhecemos isso. No entanto, nem todos os jovens mostram
a maturidade e conhecimento que resulta em ser chamado de 「せんぱい」. Um 「せ
んぱい」 pode ser tratado com 「くん」 ou 「さん」, dependendo de sua idade e sua
relação. Um homem mais velho nunca trataria com 「 せ ん ぱ い 」 um homem mais
jovem, isto é, é sempre usado de um estudante júnior para um estudante mais sênior.
Recentemente, alunas começaram a usar este sufixo, mas isso ainda não é comum;

Ø こ う は い ( 後 輩 ): é a versão oposta de 「 せ ん ぱ い 」 , usada para se dirigir a


estudantes mais novos;

Ø し ( 氏 ): é usado na escrita formal pelo autor para se referir a uma pessoa


desconhecida. É frequentemente utilizado no meio jornalístico, documentos legais e
periódicos acadêmicos. Também, podemos nos referir a uma pessoa usando 「 し 」
somente, sem nome, desde que haja apenas uma pessoa a ser referida;

Ø どの / との (ambos escritos 「殿」): é o título que significa literalmente "Senhor" ou


"Senhora", e também "milorde" e "minha senhora". É obsoleto e se você tentar usá-lo
com um japonês jovem, ele vai pensar que você ficou alienado por assistir filmes de
samurai em demasia. Algumas pessoas, querendo um termo de polidez intermediário
entre 「さん」e「さま」adotam「どの」, mas isso não é correto. O sufixo「どの」,
bem como os títulos independentes 「 ど の 」 e 「 お ど の 」 ( お 殿 ), são muito mais
elevados em status que 「 さ ま 」 . Aliás, 「 さ ま 」 e 「 さ ん 」 são palavras
relativamente modernas;

Ø う え ( 上 ): literalmente significa "acima". Assim como 「 さ ん 」 , é usado para


demonstrar respeito por alguém. Já não é muito comum e às vezes é usado para se
referir a própria mãe ou de outra pessoa;

Ø いえもと(家元): é uma versão mais formal de 「せんせい」 usada para se referir a


pessoas importantes, em eventos relacionados com as formas tradicionais de arte

japonesas, tais como caligrafia ou uma cerimônia do chá.


japonesas, tais como caligrafia ou uma cerimônia do chá.

---

É comum que mulheres jovens, porém mais velhas ou mais experientes do que o
falante sejam tratadas por "irmã mais velha" [ 「 お ね え さ ん 」 ( お 姉 さ ん )],
principalmente no círculo familiar Da mesma forma, “irmão mais velho” [ 「 お に さ
ん」 (お兄さん)] é usado para homens.

Um homem que pertença a uma geração anterior a do falante pode ser tratado como
“tio” [「おじさん」 (伯父さん)], e quando se trata de uma mulher,"tia" [「おばさん」
(伯母さん)]. Note que "tia" não é aceitável para muitas mulheres jovens, porque elas
sentem que isso implica uma figura bastante matrona. Os termos "pai" [ 「 お と う さ
ん 」 ( お 父 さ ん )] e "mãe" [ 「 お か あ さ ん 」 ( お 母 さ ん )] são raramente usados e os
homens e mulheres desta geração são geralmente tratados como “tio” e “tia”. No
entanto, é comum tratar pessoas idosas como “avô” [「おじいさん」 (お祖父さん)] e
“avó” [「おばあさん」 (お祖母さん)].

Alguns termos são usados ainda para as mulheres: 「おじょうさん」 (お嬢さん), que
seria equivalente a “senhorita” ( 「 じ ょ う 」 ( 嬢 ) era utilizado como título para
solteiras e foi substituído por 「 さ ん 」 ), sendo que as pessoas mais velhas ainda o
usam. 「 お ね え ち ゃ ん 」 ( お 姉 ち ゃ ん ), também pode significar “senhorita”, mas é
muito informal, soando praticamente como "menina". Entretanto, é comum que os
homens mais velhos se dirijam a uma garçonete com 「 お ね え ち ゃ ん 」 . O título e
sufixo 「ふじん」 (夫人) costumava ser usado para mulheres casadas, mas também
tem sido substituído por 「さん」, exceto para pessoas mais velhas. 「おじょうさん」,
uma vez que possui 「さん」é aceitável para se direcionar a uma mulher adulta. 「お
ねえちゃん」 é aceitável como forma de tratamento para uma menina (menor de 10
anos).

Aprender a usar títulos corretamente depende do desenvolvimento de uma


sensibilidade para o status e como ele é influenciado pelo sexo, idade, emprego,
situação, e assim por diante. Esta sensibilidade é de valor inestimável para lidar com
o povo japonês, desde assentos a negociações comerciais. As pessoas mais jovens são
menos preocupadas com esses detalhes e são suscetíveis a serem casuais, enquanto
pessoas mais velhas e pessoas tradicionais vão estar mais preocupadas com isso.
Além disso, note que se você se aventurar muito além do padrão 「さん」, 「さま」,
「 く ん 」 e 「 ち ゃ ん 」 , correrá o risco de ofender alguém usando os sufixos/títulos
errados.

NOTAS:

1. É muito comum para os japoneses a utilizar a primeira sílaba do nome de alguém e


combiná-lo com um sufixo. Por exemplo, "Mi-chan" pode ser a forma abreviada de
Miki, Michiko, Miko, Misa, Minato, Mickey, Minnie, etc;

2. Sufixos também podem ser combinados de uma forma mais ou menos lúdica,
como "Chama-" (chan + sama), como em "OBAA-Chama", que é ao mesmo tempo

afetuoso e respeitoso.
afetuoso e respeitoso.

A complicação adicional é que em japonês, você deve se referir aos membros da


família de outras pessoas mais educadamente do que se estivesse falando de alguém
da própria família. Observe alguns exemplos:

NOTA: outra palavra para “esposa” é 「 か な い 」 ( 家 内 ), mas é considerada


politicamente incorreta, porque os Kanjis utilizados são "casa" e "dentro", o que
implica que as mulheres fiquem dentro de casa. Amém! (Brincadeirinha)

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Senseis: http://senseis.xmp.net/?JapaneseNameSuffix

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LIÇÃO 12: AS BASES DE CONJUGAÇÃO E OS VERBOS
Esta será uma das mais importantes lições do nosso curso. Nela, você aprenderá
como os verbos são dividos e as bases de conjugação, que infelizmente
costumam ser deixadas de lado nos cursos convencionais.

12.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS ACERCA DOS VERBOS

Verbo [ 「どうし」 (動詞)] é toda palavra que encerra ideia de ação ou estado e, em
japonês, são muito regulares, se comparados a outros idiomas, pois não flexionam
de acordo com o sujeito. Também, os tempos verbais básicos são “não-passado” e
“passado”. A base Shuushikei é o tempo não-passado, isto é, funciona como tempo
presente ou tempo futuro dependendo do contexto. Os verbos são sempre colocados
no final de uma sentença. Considerando que nós ainda não aprendemos como criar
uma oração, por enquanto isto significa que qualquer sentença na qual exista um
verbo, esta deve obrigatoriamente terminar com o verbo.

Antes de iniciarmos o estudo dos verbos em sua classificação moderna, há alguns


princípios muito importantes que você deve fixar:

PRINCÍPIO 1: uma sentença gramaticalmente completa requer um verbo somente


(incluindo o estado de ser).

A única coisa que precisará ser feita para tornar a sentença gramaticalmente
completa é um verbo e nada mais! Entender esta propriedade fundamental é
essencial para compreender o japonês. Este é o motivo de mesmo a mais básica
sentença japonesa não poder ser traduzida para o português! Todas as conjugações
começarão a partir da forma do dicionário (como elas aparecem no dicionário). Uma
sentença gramaticalmente completa, por exemplo, é 「 食 べ る 。 」 (traduções
possíveis incluem: Eu como/ele(a) come/eles(as) comem).

PRINCÍPIO 2: com exceção dos irregulares, todo verbo é composto por duas partes:
uma invariável [「ごかん」 (語幹)] e outra variável [「かつようごび」 (活用語尾)], que
é aquela que sofrerá alterações nas conjugações.

É muito fácil fazermos um comparativo deste conceito com os verbos da língua

portuguesa, pois funcionam da mesma forma. Por exemplo, o verbo regular “cantar”
portuguesa, pois funcionam da mesma forma. Por exemplo, o verbo regular “cantar”
possui seu radical “CANT-” que é a parte invariável e o sufixo “-AR”, do qual surgirão
todas as terminações quando flexionado. Vejamos sua conjugação no presente do
indicativo:

· Eu canto

· Tu cantas

· Ele canta

· Nós cantamos

· Vós cantais

· Eles cantam

Veja que o radical CANT- permanece inalterado em todas as flexões que o verbo
sofre, e o que muda é tão somente o que se segue depois dele, isto é, a terminação.

Na língua japonesa, as diferentes flexões que um verbo pode ter são denominadas
“BASES” e há tão somente seis bases de conjugação. Aprendê-las é um passo
fundamental para o domínio das classes de palavras que são flexionadas no
japonês, embora infelizmente costumam ser deixadas de lado nos cursos
convencionais.

Segundo o blog Japonês em Porto Alegre, “ao chegar o 5ºano no ensino fundamental,
os japoneses aprendem a gramatica japonesa pela primeira vez na sua vida escolar.
Aí eles vão conhecer termos linguísticos tais como verbo, adjetivo, substantivo,
sujeito e predicativo, entre outras coisas. Além disso, vão descobrir que há 6 tipos de
conjugações e 6 formas nos verbos.”

Nós vamos nos referir a essas bases por seus nomes em japonês. Observe:

1. Mizenkei (未然形) [de 「みぜん」 = “não feito ainda” e 「けい」 = “forma/tipo”]: é a


base que, salvo exceções que veremos mais adiante, é utilizada para formas verbais
que expressam fatos que ainda não ocorreram;

2. Ren'youkei (連用形)  [de 「れん」 = "conectar", 「よう」 , que é uma abreviação de


「ようげん」 , que significa "grupo de palavras que conjugam sua forma.”. Em outras
palavras, 「 よ う げ ん 」 refere-se a todas as classes flexionáveis, e 「 け い 」 =
“forma/tipo”]: é a base utilizada para unir elementos a outros elementos flexionáveis,
tais como outros verbos, adjetivos;

3. Shuushikei ( 終 止 形 )   [de 「 し ゅ う 」 = “fim”, 「 し 」 = “parada” e 「 け い 」 =


“forma/tipo”]: é o verbo na forma infinitiva. Este tipo de conjugação também é
chamado de "forma básica / forma de dicionário". Sendo assim, quando você quiser
procurar por um verbo no dicionário, deve procurá-lo nesta forma, pois as outras
bases não aparecem no dicionário. Tem esse nome porque era a forma utilizada no

Japonês Clássico para encerrar as sentenças;


Japonês Clássico para encerrar as sentenças;

4. Rentaikei (連体形) [de 「れん」 = "conectar", 「たい」 , que é uma abreviação de 「た


い げ ん 」 , termo que se refere a todas as palavras que podem funcionar como um
substantivo, e 「けい」 = “forma/tipo”]: conecta-se a substantivos ou outras palavras
que funcionam como substantivos, tais como pronomes;

5. Kateikei (仮定形) [de 「か」 = “provisório/temporal”, 「てい」 = “decidir/arranjar” e


「 け い 」 = “forma/tipo”]: é a base usada com partículas que dão noção de algo
hipotético, como em “se isso acontecer...”. É conhecida também como “Izenkei (已然
形)”, pois no Japonês Clássico e especialmente no Antigo, era utilizada como uma base
para ações concluídas;

6. Meireikei (命令形) [de 「めいれい」 = “ordem” e 「けい」 = “forma/tipo”]: é  a forma


de comando.

Segundo o site “The Japanese Page”, etimologicamente, a Base Meireikei na verdade


pode ser simplesmente uma utilização especial da Base Izenkei (ação concluída).
Portanto, estaríamos dizendo aqui algo como "Eu quero que a ação [X] seja feita e
concluída". Se essa teoria estiver correta, teríamos cinco bases e não seis. Contudo,
em nossas abordagens continuaremos a considerar seis bases.

Um ponto muito importante, é que a Base Shuushikei tecnicamente não existe


mais no japonês moderno. Durante a fase do Japonês Médio Tardio, nos períodos
Kamakura (1185-1333) e Muromachi (1336-1573), a Base Shuushikei foi gradualmente
perdendo espaço para a Base Rentaikei, que passou a ser usada para ambos os papéis
gramaticais, realinhando as conjugações. Contudo, vamos continuar citando-a em
nossas abordagens, para um melhor entendimento quanto à evolução do idioma.

Conhecidas as bases, vamos pegar como exemplo o verbo “falar” [ 「はなす」 (話す)],
em suas flexões clássicas (entre parênteses está a pronúncia do Kanji):

Perceba como o Gokan [ 「はな」 (話)] do verbo em questão permanece inalterado,


enquanto sua terminação 「す」 sofre alterações de acordo com a base. Contudo, ao
contrário do português, estas flexões não se tratam de concordância com o
sujeito, mas sim de bases para outras formas verbais ou usos gramaticais, que
estudaremos ao longo do curso.

PRINCÍPIO 3: existem os “verbos auxiliares” [ 「じょどうし」 (助動詞)], que exercem


funções gramaticais e não podem ser usados de forma independente, e os “verbos
suplementares” [ 「ほじょどうし」 (補助動詞)], que mostram algum tipo de significado

adicional ou propósito.
adicional ou propósito.

Como mencionamos no princípio anterior, no japonês as bases de conjugação servem


na realidade como base para outras formas verbais ou usos gramaticais. Em linhas
gerais, isso significa que verbos auxiliares ou verbos suplementares são unidos a
uma base para formar outras formas do verbo, como passiva ou causativa, ou apenas
para complementar ou alterar seu sentido. Por exemplo, se unirmos o verbo auxiliar
「た」à base Ren’youkei de um verbo, obteremos sua forma passada (mais detalhes
na lição 14):

Aliás, muitos verbos usados atualmente são resultado dessa união de bases clássicas
com outros elementos.

12.2. A EVOLUÇÃO DAS CLASSES VERBAIS

No Japonês Clássico, havia nove categorias verbais. Vamos mencionar cada uma
delas, dando um verbo e suas bases como exemplo. Antes, porém, lembre-se dos
conceitos que abordamos na lição 1, na qual citamos que na disposição tradicional de
escrita japonesa denomina-se 「ぎょう」 (linha), o que está disposto verticalmente, e
「だん」 (coluna), o que é disposto horizontalmente. Como exemplo, peguemos 「さぎ
ょう」, isto é, linha 「さ」:

Veja que em 「 さ ぎ ょ う 」 (assim como em qualquer outra linha de fonemas), há


cinco colunas, cada qual com seu caractere, seguindo o padrão A-I-U-E-O. Além disso,
tomaremos também a coluna U como referencia.

Agora, vejamos quais eram as classes verbais clássicas:

1. Verbo Yo-dan [「よだんどうし」 (四段動詞)]: literalmente significa “verbo de quatro


colunas. Por motivos que serão expostos no tópico 12.4, atualmente, são chamados de
Verbo Go-dan [ 「ごだんどうし」 (五段動詞)] , que literalmente significa “verbo de
cinco colunas”:
Percebeu o motivo do nome “verbo de quatro colunas”? É assim chamado por que a
parte variável dos verbos desta classe “passa” por quatro colunas da linha a qual
pertence sua terminação infinitiva (Shuushikei) – A, I, U e E.

2. Verbo Kami’ichi-dan [「かみいちだんどうし」 (上一段動詞)]: literalmente “verbo de


uma coluna acima”. Havia apenas um punhado de verbos nesta categoria (dez
verbos):

O motivo do nome “verbo de uma coluna acima”, estava no fato de que todos os
Gokans dos verbos pertencentes a esta classe perteciam à coluna I. Ora, se
partimos da coluna do meio (coluna U) e formos “uma coluna acima”, teremos a
coluna I, como mostra a ilustração abaixo:

E se você ficou curioso em saber quais eram os dez verbos pertencentes a esta classe,
eles eram:

3. Verbo Kami’Ni-dan [「かみにだんどうし」 (上二段動詞)]: literalmente “verbo de


duas colunas acima”. Havia muitos verbos nesta categoria:
O motivo do nome “verbo de duas colunas acima”, provavelmente estava no fato de
que os verbos pertencentes a esta classe possuíam terminações levemente alteradas
em suas bases Rentaikei e Kateikei, ambas na coluna U, como destacado. Isso fazia
com que passassem por duas colunas (I e U).

4. Verbo Shimo’ichi-dan [「しもいちだんどうし」(下一段動詞)]: literalmente “verbo de


uma coluna abaixo”. Havia apenas um verbo Shimo-Ichidan no Japonês Clássico: 「け
る」(蹴る) = chutar:

O motivo do nome “verbo de uma coluna abaixo”, estava no fato de que o Gokan do
verbo pertencente a esta classe pertecia à coluna E.

5. Verbo Shimo’ni-dan [「しもにだんどうし」(下二段動詞)]: literalmente “verbo de


duas colunas abaixo”. Havia muitos verbos nesta categoria:

De forma semelhante aos verbos Kami’Ni-dan, o motivo do nome provavelmente


estava no fato de que os verbos pertencentes a esta classe possuíam também
terminações levemente alteradas em suas bases Rentaikei e Kateikei, ambas na
coluna U, como destacado. Isso fazia com que passassem por duas colunas (E e U).

6. Verbo Sahen [「サへんどうし」(サ変動詞)]: literalmente “verbo irregular (na linha)


SA”. Havia somente um verbo nesta categoria: 「 す 」 ( 為 ) = fazer, e todos os seus
derivados, pois era (e ainda é) geralmente adicionado a substantivos Kango para a

construção de verbos:
construção de verbos:

7. Verbo Kahen [「カへんどうし」(カ変動詞)]: literalmente “verbo irregular (na linha)


KA”. Havia somente um verbo nesta categoria: 「く」 (来) = vir:

8. Verbo Rahen [「ラへんどうし」(ラ変動詞)]: literalmente “verbo irregular (na linha)


RA”. Existiam apenas quatro verbos nesta categoria: 「あり」 (有り) = existir, 「おり」
(居り) = estar sentado / estar em, 「はべり」 (侍り) = forma honorífica de ser / fazer, e
「いますがり」 (坐すがり) = forma honorífica de 「あり」:

9. Verbo Nahen [「ナへんどうし」(ナ変動詞)]: literalmente “verbo irregular (na linha)


NA”. Havia apenas dois verbos nesta categoria: 「しぬ」(死ぬ) = morrer, e 「いぬ」(往
ぬ) = desparecer, ir embora:

No japonês moderno, os verbos passaram por uma “simplificação” quanto a sua


classificação, e atualmente temos apenas quatro classes de verbos:
classificação, e atualmente temos apenas quatro classes de verbos:

1. Verbo Go-dan [ 「ごだんどうし」 (五段動詞)] ;

2. Verbo Kami’ichi-dan [ 「かみいちだんどうし」 (上一段動詞)];

3. Verbo Shimo’ichi-dan [ 「しもいちだんどうし」 (下一段動詞)];

4. Verbo Irregular [ 「へんかくどうし」 (変格動詞)].

Como regra geral e por motivos que explicaremos nos próximos tópicos, aquelas
nove classes clássicas de verbos, podem ser encaixadas da seguinte maneira com
base na classificação moderna (desconsiderando-se possíveis exceções):

Os métodos convencionais costumam simplificar ainda mais esta classificação


moderna, chamando os verbos Kami’ichi-dan e Shimo’ichi-dan apenas de “verbos
ichi-dan”. Normalmente os dicionários seguem essa classificação simplificada, e os
verbos são acompanhados de “(v5)”, se Go-dan, e “(v1)”, se Ichi-dan.

Feita esta abordagem histórica, vamos ver nos próximos tópicos a classificação dos
verbos atual.

12.3. OS VERBOS GO-DAN

Nós vimos no tópico anterior, que no Japonês Clássico, havia os chamados “verbos
Yo-dan” [ 「よだんどうし」 (四段動詞)], literalmente “verbo de quatro colunas”. Tal
nomenclatura vinha do fato de que suas flexões “passavam” pelas quatro colunas da
respectiva linha à qual pertencia a terminação de um verbo.

Tomemos como exemplo o verbo 「はなす」 (話す). Repare que seu fonema final é
「 す 」 . Então, o verbo 「 話 す 」 pertence à 「 さぎょう」 , pois 「 す 」 pertence a tal
linha. Assim, temos:

Para entendermos o motivo de chamar esse padrão de flexão de Go-dan no japonês


moderno, teremos que citar a “forma volitiva” (lição 37). Originalmente, ela é
moderno, teremos que citar a “forma volitiva” (lição 37). Originalmente, ela é
formada pela base Mizeikei + o verbo auxiliar「む」, que com o decorrer do tempo se
tornou 「う」. Por exemplo, a forma volitiva de 「話す」era formada por 「話さ」+
「 う 」 = 「 話 さ う 」 . A partir disso, lembre-se que no japonês moderno, houve
mudanças de pronúncia, fazendo com que a grafia através do Kana fosse alinhada a
estas alterações. Veja que aqui temos um caso de Tenko, e 「話さう」 é pronunciado
atualmente 「 話 そ う 」 , sendo escrito desta forma. Ora, se considerarmos essa
mudança moderna de pronúncia, todos os verbos flexionados no padrão Yo-dan
passarão a ter uma flexão na “coluna O”. Observe:

Por esta razão, prefere-se chamar esses verbos de Go-dan, ainda que isso seja
discutível, haja vista que a terminação na coluna O não se trata de uma base do
verbo propriamente dita, mas sim de uma forma verbal.

Os verbos Go-dan modernos podem ter nove terminações infinitivas diferentes. São
elas: 「う」, 「く」, 「す」, 「つ」, 「ぬ」,「む」, 「る」, 「ぐ」 e 「ぶ」. Vejamos um
quadro com exemplos:

Agora, baseados nas possíveis terminações dos verbos Go-dan, vejamos como ficam
as bases de conjugação (considerando-se somente a terminação da forma infinitiva e
suas mudanças):

Como exemplo, conjuguemos os verbos 「使う」 (usar) e 「運ぶ」 (carregar):


Perceba que nos verbos terminados em 「う」 há uma quebra na sequência padrão
dos fonemas de 「 あ ぎ ょ う 」 . Espera-se que a base Mizenkei tenha a terminação
「あ」, mas ela termina em 「わ」. Tal fato é explicado pelo uso histórico do Kana
que vimos na lição 3. Lembra-se que uma das características dessa antiga ortografia é
que os verbos que atualmente terminam em 「う」 eram escritos com 「ふ」? Com
base nisso e considerando-se que 「 ふ 」 pertence a 「 は ぎ ょ う 」 , vejamos como
ficariam as bases clássicas:

Usemos como exemplo o verbo 「かなふ」:

Agora, relembremos uma das regras do Tenko:

“Se os fonemas 「は」, 「ひ」, 「ふ」, 「へ」 e 「 ほ 」 estivessem localizados em


qualquer parte de uma palavra que não fosse o seu início, eram lidos 「 わ 」 ,
「い」, 「う」, 「え」, 「お」respectivamente.”

Logo, como nenhum desses fonemas está localizado no início da palavra, o fenômeno
Tenko é aplicado, e a pronúncias das bases fica assim:

12.4. OS VERBOS KAMI’ICHI-DAN


12.4. OS VERBOS KAMI’ICHI-DAN

O segundo grupo de verbos que abordaremos é o chamado “Kami’ichi-dan” [ 「かみい


ちだんどうし」 (上一段動詞)]. Se você procurar em um dicionário o significado dos
Kanjis que formam esse termo, verá que ele significa algo como “verbo de uma
coluna acima”. Para entendermos isso, observemos 「あぎょう」:

Tomando a coluna 「 う 」 como referência, se formos uma coluna acima,


encontraremos a coluna 「い」. Então, todo verbo pertencente a esta categoria terá o
seu Gokan (parte invariável) terminado em algum fonema de 「いだん」 , e o seu
gatsuyougobi na forma infinitiva será sempre 「 る 」 . Se ficou curioso em saber o
motivo disso, nós explicaremos no tópico 6 desta lição.

De fato, o termo utilizado para esta categoria de verbos (e a próxima a ser abordada)
pode confundi-lo em um primeiro momento, pois, enquanto o termo “Go-dan” refere-
se às cinco terminações distintas da parte variável, tanto “Kami’Ichi-dan” como
“Shimo’Ichi-dan” referem-se à terminação da parte invariável. Vejamos alguns
exemplos:

Agora, vejamos como ficam as bases de conjugação (considerando somente a


terminação):

Para ilustrar, vamos ver como fica a base do verbo 「悔いる」:


Perceba que, diferentemente dos verbos Go-dan, o gatsuyougobi não passa por todas
as colunas, aparecendo em quatro bases. Nas outras bases, ele é deixado de lado. O
Meireikei 「 よ 」 é o original e o uso de 「 ろ 」 é um recurso do Leste do Japão
(japonês padrão). O Meireikei 「ろ」 é o mais comum, e a utilização de 「よ」pode
dar uma sensação nostálgica.

12.5. OS VERBOS SHIMO’ICHI-DAN

Uma vez que você assimilou o tópico anterior, fica fácil de entender o que são os
verbos Shimo’ichi-dan [ 「 し も い ち だ ん ど う し 」 ( 下 一 段 動 詞 )], cujo significado é
“verbo de uma coluna abaixo”. Vejamos 「あぎょう」novamente:

Partindo-se da a coluna 「う」 , uma coluna abaixo se localiza coluna 「え」. Então,
todo verbo desta categoria tem sua parte invariável terminada em algum caractere
de「えだん」 e também sua terminação infinitiva será sempre 「る」. Vejamos alguns
exemplos:

Com exceção da diferença na terminação da parte invariável, tudo nesta categoria de


verbos funciona da mesma forma que a anterior:

Para ilustrar, vejamos as bases do verbo 「入れる」:


12.6. VERBOS GO-DAN TERMINADOS EM 「いだん」/ 「えだん」 + 「る」

Um ponto muito importante é que os verbos Godan também podem terminar em


「 る 」 precedido de fonemas de 「 い だ ん 」 ou 「 え だ ん 」 . Vejamos alguns
exemplos:

Então, como saber neste casos, se um verbo é Go-dan, Kami-ichi’dan ou Shimo-


Ichi’dan?

O problema começou há centenas de anos, é claro. Nos tempos antigos, dos milhares
de verbos japoneses que tinham a terminação [- えだん + る] e [- いだん + る], poucos
eram realmente Kami ou Shimo Ichidan. Como vimos, nas classes verbais originais
havia apenas um verbo Shimo-ichidan 「ける」 (chutar), e dez verbos Kami-ichidan.
Também existiam duas classes verbais chamadas Kami-Nidan, cujas bases eram
flexionadas parte em 「いだん」 e parte em 「うだん」, e Shimo-Nidan, cujas bases
eram flexionadas parte em 「うだん」 e parte em 「えだん」. Essas duas classes eram
recheadas de verbos. Peguemos como exemplo os verbos 「落ちる」 e 「食べる」em
suas formas originais 「 落 つ 」 e  「 食 ぶ 」 , verbos Kami-Nidan e Shimo-Nidan
respectivamente:

A partir do Período Kamakura (1185 – 1333), começou-se a “confundir” as bases


Shuushikei e Rentaikei na língua falada. Por exemplo, por algum tempo 「食ぶる」
(Rentaikei) passou a ser usado no lugar de 「 食 ぶ 」 (Shuushikei). No decorrer do
tempo, houve então o desejo de simplicar a forma de classificar os verbos. Uma das
atitudes tomadas foi inserir alguns verbos (Kami-nidan e Shimo-nidan)  dentro 
do padrão de conjugação Ichidan (seja Kami ou Shimo). Consequentemente,
algumas mudanças tiveram que ocorrer. Então, 「る」foi retirado da base Rentaikei e

acrescententado à base Ren’youkei. Observe o quadro abaixo:


acrescententado à base Ren’youkei. Observe o quadro abaixo:

Com essas mudanças, os verbos Kami-nidan tornaram-se verbos Kami-Ichidan, e os


verbos Shimo-nidan foram transformados em Shimo Ichidan. Houve ainda alguns
que foram reclassificados como verbos Godan, mas não são usados com frequência.
Também, há algumas variantes regionais do leste do Japão, que se tornaram padrão
hoje. Tenha isso em mente.

Com base nisso tudo, a melhor maneira para saber se um verbo terminado em [- えだ
ん + る ] ou [- い だ ん + る ] é Godan ou Kami, Shimo Ichidan, é saber como ele era
classificado no Japonês Clássico. Um meio de diferenciar é pensar que, como a maior
parte dos verbos Kami e Shimo Ichidan atuais segue o padrão ([base Ren’youkei da
forma clássica] + る ), o fonema de 「 い だ ん 」 ou 「 え だ ん 」 que antecede 「 る 」
sempre aparecerá escrito em Hiragana, caso contrário, pode ser verbo Godan.
Observe:

1) 「走る」 é lido 「走」(はし) る.Veja que o fonema 「し」 está “dentro” do Kanji, não
sendo escrito em Hiragana. É verbo Godan;

2) 「漲る」 é lido 「漲」(みなぎ) る. O fonema 「ぎ」 também está “dentro” do Kanji. É


verbo Godan;

3) 「投げる」 é lido 「投」(な) げる. O fonema 「げ」 é escrito em Hiragana. É verbo


Shimo-Ichidan. Sua forma clássica é 「投ぐ」.

Grifamos “pode ser”, porque obviamente este é apenas um meio de se distinguir as


classes verbais e, por isso, não se aplica a todos os casos. Outros fatores
etimológicos (ou mesmo obscuros) também devem ser levados em consideração. Por
exemplo, os verbos 「見る」 e 「出る」não seguem o padrão descrito acima, mas são
verbos Kami-ichidan e Shimo-Ichidan respectivamente. O verbo 「 見 る 」 é assim
classificado atualmente por que ele já pertencia ao grupo dos dez verbos Kami-
Ichidan clássicos. Já 「出る」 deriva do verbo Shimo-Nidan clássico「いづ」 (出づ),
que depois evoluiu para 「いでる」 (出でる) e de alguma forma o 「い」 inicial foi
deixado de lado, dando origem à forma moderna 「 で る 」 ( 出 る ). Curiosamente, o
verbo 「ける」, único verbo Shimo-Ichidan no Japonês Clássico, agora é classificado
como Godan.

De fato, muitos estudantes não têm acesso ao estudo do Japonês Clássico e/ou
etimológico. Por isso, em caso de dúvida é aconselhável olhar em um dicionário,
perguntar a um professor ou a um nativo.

12.7. VERBOS IRREGULARES

Os verbos irregulares são assim chamados por que suas bases não seguem o padrão
das outras classes verbais. Como felizmente há apenas dois verbos irregulares na

língua japonesa, trataremos deles em um único tópico.


língua japonesa, trataremos deles em um único tópico.

O primeiro verbo tem suas bases em 「 さ ぎ ょ う 」 e por isso é chamado “Verbo


Sahen” [ 「サへんどうし」 (サ変動詞)], algo como “verbo irregular em SA” Trata-se do
verbo 「する」 (為る), cuja forma original era 「す」 (為). Este é o mais importante
verbo em japonês, porque é o verbo para "fazer", sendo utilizado para construir
muitos outros verbos a partir de palavras. Vejamos suas bases:

Vemos que a base Rentaikei tornou-se a forma infinitiva atual.

Como já sabemos, o verbo 「する」 é adicionado a algunas palavras Kango ou mesmo


Gairaigo para transformá-las em verbos. Entretanto, há teorias que apontam que a
terminação 「じる」 dos verbos, como em 「信じる」 seja na verdade uma “versão
modificada” de 「する」, proveniente do Leste do Japão. Ela teria se desenvolvido a
partir do fenômeno Rendaku que transformava 「す」 em 「づ」, quando anexado a
alguns termos (lembre-se que 「づ」 e 「ず」 têm a mesma pronúncia). Mais tarde,
com a confusão que houve das Bases Shuushikei e Rentaikei, a terminação  「 づ 」
tornou-se 「 づ る 」 . Então, para que estas construções verbais pudessem ser
encaixadas no padrão Ichidan de conjugação, 「づる」 foi transformado em 「じる」.

Sendo assim, por exemplo, a possível origem de 「信じる」, seria:

信 + す = 信 づ (Rendaku) → 信 づ る → 「 信 じ る 」 = forma moderna, encaixada no


padrão Ichidan de conjugação.

O segundo verbo irregular tem suas bases em 「かぎょう」 e por isso é chamado de
“verbo Kahen” [「カへんどうし」 (カ変動詞)], ou se preferir “verbo irregular em KA”
Trata-se do verbo 「来る」 que significa "vir" e sua forma original era 「く」. Observe
suas bases:

Aqui, vemos também que a base Rentaikei tornou-se a forma infinitiva atual.

12.8. A BASE REN’YOUKEI COMO UM SUBSTANTIVO


12.8. A BASE REN’YOUKEI COMO UM SUBSTANTIVO

A base Ren'youkei de um verbo pode funcionar como um substantivo. Na verdade,


em casos muito raros, ela acaba sendo usada mais frequentemente do que o verbo
em si. Por exemplo, temos o verbo「休む」(やすむ), que significa “descansar”. Se
pegarmos sua base Ren’youkei, isto é, 「休み」, teremos o substantivo “descanso”.

Vale lembrar que você não poderá usar este processo em todos os verbos (no sentido
de obter um significado de substantivo relacionado ao verbo). Também, existem
muitas combinações de verbos (Base Ren’youkei + Base Ren’youkei) que são
utilizadas principalmente como substantivos. Vejamos alguns exemplos:

Ø 読み書き: leitura e escrita ( 「読む」 + 「書く」 );

Ø 買い上げ: compra ( 「買う」 + 「上げる」 );

Ø 受け付け: recepção (de hotel, etc.) ( 「受ける」 + 「付ける」 ).

Ocasionalmente em substantivos formados a partir desse processo (simples e


compostos) o okurigana é retirado na forma substantiva:

Ø 「話」 (はなし), proveniente do verbo 「話す」 (はなす) – “falar” – e que significa


“história”, “fala”;

Ø 「係」(かかり), proveniente do verbo 「係る」 (かかる) – “concenir”, “envolver” – e


que significa “oficial”, “pessoa encarregada de algo”.

Ø 「受付」 (うけつけ) – forma simplificada.

Outro modo comum de se obter substantivos de verbos é anexar 「 物 」 ( も の ),


substantivo genérico que significa “coisa (tangível)”, à base Ren’youkei do verbo.
Provavelmente, o exemplo mais conhecido desta formação seja 「着物」 (きもの), que
significa literalmente “coisa que se veste”, originado do verbo 「着る」 (きる) = vestir
e 「物」 (もの) = coisa. Aqui vão mais alguns exemplos:

Ø 「食べ物 」(たべもの): comida (proveniente do verbo 「食べる」 (たべる) = comer);

Ø 「生き物」 (いきもの): ser vivo; criatura (proveniente do verbo 「生きる」 (いきる) =


viver);

Ø 「買い物」 (かいもの): compra (proveniente do verbo 「買う」 (かう) = comprar);

Ø 「 詰 め 物 」 ( つ め も の ): enchimento, recheio, incluindo a obturação de um dente


cariado (proveniente do verbo 「詰める」 (つめる) = comprimir);

Infelizmente, não se pode anexar 「 も の 」 a qualquer verbo. Portanto, verifique o


dicionário antes de usá-lo.

NOTA: não confunda 「物」 (もの) = coisa com 「者」 (もの) = pessoa, usado para se
referir a si mesmo ou a pessoas próximas.

Finalmente, algumas formas substantivas de verbos podem ser usadas como sufixos.
Finalmente, algumas formas substantivas de verbos podem ser usadas como sufixos.
Por exemplo, 「付き」, proveniente do verbo 「付く」, que significa “estar anexado
a”, pode ser colocado em um substantivo [X] para expressar que algo está anexado
a [X]. Sendo assim, 「 カ メ ラ つ き ... 」 , significa, em uma tradução menos literal,
“[algum equipamento, dispositivo] que contenha uma câmera”, como um
smartphone (smartphone com câmera).

12.9. VERBOS COMPOSTOS

Ocasionalmente, você pode se deparar com construções que chamaremos de “verbo


composto”. Trata-se de um verbo anexado à base Ren’youkei de outro, tornando-se
uma combinação fixa e com significado próprio. Vejamos alguns exemplos:

Ø 「抱き締める」 (だきしめる), proveniente dos verbos 「抱く」 (だく) – “segurar nas


mãos” e 「 締 め る 」 ( し め る ) – “amarrar”, “apertar”. Juntos significam “abraçar
apertadamente”;

Ø 「思い出す」 (おもいだす), proveniente dos verbos 「思う」 (おもう) – “pensar” e


「出す」 (だす) – “emitir”. Juntos significam “recordar”;

De forma semelhante aos substantivos formados a partir do processo “Base


Ren’youkei + Base Ren’youkei” que vimos no tópico anterior, ocasionalmente o
okurigana do primeiro verbo é retirado:

Ø 抱き締める → 抱締める;

Ø 思い出す → 思出す.

Não confunda este tipo de verbo com os verbos suplementares que estudaremos a
partir da lição 27.

12.10. VERBOS “CANIVETES SUIÇOS”

O canivete suíço é um tipo especial de canivete


inventado pelo cuteleiro Karl Elsener em 1894, que,
além do canivete em si, oferece uma gama de opções,
isto é, ferramentas como chave de fenda, tesoura, lixa
de unha, abridor de latas e de garrafas, dentre muitas
outras coisas. O exército suíço pretendia, para uso
exclusivo dos seus soldados, um canivete que fosse
versátil, leve e fácil de transportar, mas que
simultaneamente fosse bastante resistente.

Dado esse conceito, quando dizemos que algo é um canivete suíço, referimo-nos à
possibilidade de haver várias opções dependendo da circunstância. Assim, usaremos
o termo “verbo canivete suíço” para rotular alguns verbos existentes na língua
japonesa que possuem diversos significados e por isso podem ser usados em diversas
ocasiões.

Apenas para facilitar o entendimento de um “verbo canivete suíço”, se consultarmos


Apenas para facilitar o entendimento de um “verbo canivete suíço”, se consultarmos
no Dicionário Michaelis Inglês-Português o verbo “get”, obtermos mais de vinte
traduções possíveis.

Na língua japonesa, também há verbos que possuem inúmeras traduções. Entretanto,


destacaremos apenas três que julgamos importantes. São eles: 「 か け る 」 ( 掛 け る ),
「つける」(付ける) e o já conhecido 「する」(為る) .

Segundo o dicionário online Nippo, os significados de 「かける」(掛ける) são:

[1] pendurar;

[2] multiplicar;

[3] causar;

[4] custar [dinheiro, tempo]; levar [tempo]; demorar;

[5] pôr [óculos, etc.]; colocar; aplicar;

[6] utilizar (um utensílio); ligar;

[7] apanhar [numa armadilha, numa burla, etc.];

[8] fechar; trancar;

Já 「つける」(付ける) tem os seguintes significados:

[1] colar; marcar;

[2] acender (fogo, luz, etc.); ligar [o interruptor];

[3] afixar; prender; anexar;

[4] juntar;

[5] pôr; aplicar;

[6] deixar marca; marcar;

[7] adquirir; ganhar;

[8] colocar; dar

Por fim, o verbo 「する」(為る), que é rotulado como o verbo “fazer” em japonês. Essa
informação não está incorreta, mas também não é toda a verdade. Se consultarmos
dicionários online como o Tangorin, veremos que 「する」 pode ter pelo menos treze
significados. Observe:
Você se lembra do conceito de “colocação” (lição 8)? Algumas vezes, um verbo
canivete suiço é usado, podendo ele ter diversos sentidos na construção como um
todo. Por exemplo, 「こえをかける」 significa “cumprimentar”. Outro exemplo é 「き
がする」 que significa “ter (uma certa) sensação”. Ainda como exemplo, poderíamos
citar 「はなしをつける」, que significa “negociar”, “resolver uma questão”.

NOTA: 「を」 e 「が」 são partículas. Tal conceito será abordado a partir da lição 13.

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Anthony J. Bryant: http://www.sengokudaimyo.com/bungo/bungo.html

Zoltan Barczikay: http://www.classical-japanese.net/Grammar/index.html

Classical Japanese: http://classicaljapanese.wordpress.com

Handbook of Japanese Grammar, Harold G Henderson

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

3 comentários:
LIÇÃO 13: PARTÍCULAS – INTRODUÇÃO
Você já conhece os verbos e também os substantivos. Nesta lição, começaremos
o estudo das partículas, aprendendo primeiramente algumas que são essenciais
para usar os verbos. Basicamente aprenderemos como especificar qual é o
objeto direto do verbo, e onde ele é executado (física ou abstratamente). 

13.1. DEFININDO O QUE SÃO PARTÍCULAS 

Embora haja muitos pontos gramaticais difíceis que um estudante deve dominar, as
partículas merecem uma atenção especial. Partículas são um ou mais caracteres do
alfabeto Hiragana que são anexados sempre ao final de uma palavra basicamente
para definir a função gramatical desta palavra dentro da sentença. Uma pessoa
pode ter um grande conhecimento de vocabulário e de conjugação verbal, mas se não
souber utilizar corretamente as partículas, ela não conseguirá construir sentenças
como espera, porque o significado da oração pode ter um sentido completamente
diferente.  Por exemplo, a sentença “Come peixe.” pode transformar-se em “O peixe
come”, por causa da mudança de uma partícula, apenas. 

Note que sublinhamos o “basicamente” no parágrafo anterior por que é claro que as
partículas não se limitam a mostrar a função sintática de um elemento dentro da
oração. Elas podem ter outras funções também e, baseados nisso, gramáticos
dividiram as partículas em oito classes, sendo que muitas delas podem cair em mais
de uma categoria, dependendo da situação. Estima-se que haja cerca de 200 usos
relacionados às partículas, aqui incluindo diferentes partículas, usos e partículas
duplas.  

Embora não usaremos estas nomenclaturas em nossas abordagens, vejamos quais


são as classes de partículas apenas para conhecimento: 

1. Partículas Indicativas de Caso [ 「かくじょし」 (格助詞)]: esta classe de partículas


pospõe-se ao substantivo, indicando a sua função sintática; 

2. Partículas paralelas [ 「へいりつじょし」 (並立助詞)]: partícula que lista os itens; 

3. Partículas de final de sentença [ 「しゅうじょし」 (終助詞)]: como o próprio nome


diz, são partículas finalizadoras de orações. Essas partículas determinam o sentido,
tom da oração; 
4. Partículas de interjeição [ 「 か ん と う じ ょ し 」 ( 間 投 助 詞 )]: mostram grande
4. Partículas de interjeição [ 「 か ん と う じ ょ し 」 ( 間 投 助 詞 )]: mostram grande
exclamação; 

5. Partículas adverbiais [ 「ふくじょし」 (副助詞)]: traduzidas como advérbios, elas


mostram uma analogia / restrição; 

6. Partículas de vinculação [ 「かかりじょし」 (係助詞)]: mostra ênfase; 

7. Partículas conjuntivas [ 「せつぞくじょし」 (接続助詞)]: esta classe de partículas


corresponde às das conjunções, porém com a restrição de que jamais devem iniciar
uma frase ou oração. 

8. Partículas frasais [ 「じゅんたいじょし」 (準体助詞)]: partícula que é anexada a uma


frase e a abrange inteiramente. 

Como já mencionamos uma partícula pode aparecer em mais de uma categoria. Por
exemplo, a partícula 「から」  é partícula de caso, quando indica qual a origem de
algo ou o que acontece depois de alguma coisa. Porém, quando descreve uma causa, é
uma partícula conjuntiva. 

Há também as “partículas duplas”, quando duas são combinadas e as “partículas


compostas”, quando uma partícula aparece em conjunto com uma palavra ou verbo,
e em português tem sentido de uma só palavra (geralmente uma preposição). 

Existem também partículas que derivam de substantivos e, portanto, portam-se de


forma semelhante a um substantivo dentro da oração.

Finalmente, nas primeiras lições sobre partículas vamos abordar somente o uso
básico. No decorrer deste curso, quando necessário, expandiremos o conhecimento a
respeito delas. 

13.2. A “NOVA” CONJUGAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA  

Como mencionamos na lição passada, os verbos não flexionam de acordo com o


sujeito, e os tempos verbais básicos são “não-passado” e “passado”. Sendo assim, para
fins meramente didáticos e que explicaremos depois, vamos fazer de conta que no
português também seja assim (seria uma maravilha, não é mesmo?), ou seja,
imagine que “na língua portuguesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos
não flexionam de acordo com o sujeito”.  

Agora que entramos no mundo do “faz de conta”, imagine que a forma não passada
seja o verbo na forma infinitiva e a forma passada seja a terceira pessoa do
pretérito perfeito. Assim, a nossa conjugação imaginária, tomando como exemplo o
verbo “beber” seria: 
Não saia desse mundo imaginário ainda e continue lendo os próximos tópicos e
lições. 

13.3. A PARTÍCULA DE OBJETO DIRETO  「を」 

A primeira partícula que aprenderemos é a “partícula de objeto direto”, porque é


uma partícula bem simples. Em gramática, “objeto” se refere à coisa física ou
abstrata para a qual se dirige a ação descrita por um verbo. Consideremos a sentença
em português: 

Comer a maçã. 

Nesta oração, a ação expressa pelo verbo “comer” é direcionada a um objeto, isto é, a
“maçã”. Repare como este elemento serve como complemento do significado do
verbo.  

Vamos fazer uma associação: imagine que temos uma caixa e uma bola; a bola
representa o verbo e a sua embalagem (caixa) – para onde se direciona esta bola –, o
objeto. Assim temos: 

Na língua portuguesa, em linhas gerais, um objeto pode ser indireto, quando o verbo
necessita de uma preposição (Ir a + o teatro) ou direto, quando nenhuma preposição
é necessária entre o verbo e seu objeto (Comer _ + a maçã). Usemos estes conceitos
para nos auxiliar a entender a partícula 「 を 」 , que é anexada ao final de uma
palavra para indicar que esta é o objeto direto do verbo. Este caractere não é
utilizado, em princípio, em nenhum outro lugar. É por isso que o Katakana
equivalente   「 ヲ 」   raramente é usado, uma vez que as partículas são sempre
escritas em Hiragana. O caractere  「を」 , embora tecnicamente seja pronunciado /
uo /, soa / o / na conversação (uso histórico do Kana). A seguir estão alguns exemplos
da partícula de objeto direto em ação:

魚を食べる。= Comer o peixe.


魚を食べる。= Comer o peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco.

雑誌を読む。= Ler a revista.

日本語を教える。= Ensinar japonês.

Veja que nos quatro exemplos, as ações “comer”, “beber”, “ler” e “ensinar” recaem
sobre os substantivos “peixe”, “suco”, “revista” e “japonês”. De ínicio, você pode
pensar na pergunta “O QUE [verbo]?”. Por exemplo, em  「魚を食べる。」 , “O QUE
comer?” A resposta será “peixe”.

Quando se usa   「 す る 」   com um substantivo, a partícula   「 を 」 é opcional e o


conjunto [substantivo + する] pode ser tratado como se fosse um verbo:

毎日、日本語を勉強する。= Estudar japonês todos os dias.

メールアドレスを登録する。= Registrar o endereço de e-mail.

Vimos que a base Ren’youkei dos verbos pode ser usada como um substantivo
regular. Contudo, observe a frase a seguir:

飲みをする。= Beber (?)

Embora, a sentença faça sentido, ninguém fala desse jeito. Portanto, não use este
recurso de modo indiscriminado.

Em um uso distinto do que vimos até agora, a partícula  「を」  pode ser usada para
mostrar basicamente o perímetro em que uma ação está ocorrendo (mais detalhes na
lição 17):

町を歩く。= Passear pela cidade

高速道路を走る。= Correr pela autoestrada.

吹雪の中を捜索をする。= Buscar (dentro) da nevasca.

13.4.  「に」 COMO PARTÍCULA DE ALVO

Bem, a maioria dos verbos tem um objeto direto, mas esta ação posta em prática
(verbo + objeto direto) pode ter também um destinatário. Considere a associação
que fizemos no tópico anterior, na qual a bola representa um verbo e a caixa, o
objeto direto. Agora, temos um pacote que pode ter um destinatário ou não. Bem, se
levarmos em conta que queremos dá-lo de presente a alguém, é aqui que a partícula
「 に 」 entra em ação, pois ela pode especificar o destino desse pacote, isto é, de
uma ação (verbo + objeto direto). Como forma de memorização, neste uso de 「に」
, você pode considerar que está implícito o sentido de “ter como alvo [algo]”.  Para
exemplificar, observe o próximo exemplo:

生徒に日本語を教える。= Ensinar japonês ao aluno. (Ensinar japonês tendo como alvo


o aluno)
Neste exemplo, indica-se que o aluno é o alvo da ação “ensinar japonês”. Enfatizamos
a uma ação como sendo o verbo e seu objeto direto, mas é claro que podemos omitir
o objeto, se ele estiver subentendido pelo contexto:

生徒に教える。= Ensinar (japonês) ao aluno.

Por causa dessa função, a partícula 「 に 」 é comumente chamada de “partícula de


objeto indireto”, ainda que essa nomenclatura possa causar confusão, se
considerarmos alguns de seus empregos. Por hora, vejamo-la em ação marcando o
elemento que, para nós, seria o objeto indireto:

日本に行く。= Ir ao Japão. (ir tendo como alvo o Japão)

家に帰る。= Voltar à casa. (Voltar tendo como alvo a casa)

部屋にくる。= Vir ao quarto. (Vir tendo como alvo o quarto)

彼女をデートに誘う。= Chamar ela para um encontro (Chamar ela tendo como alvo o
encontro).

Outra função da partícula  「に」 é marcar o objeto (direto ou indireto) de um verbo


intransitivo 「 じ ど う し 」 ( 自 動 詞 ). Isso parece estranho já que em português os
verbos intransitivos não necessitam de objeto, mas por enquanto, observe o próximo
exemplo:

私に見える。= Ser visto por mim. (objeto indireto)

友達に会う。= Encontrar o amigo. (objeto direto)

Falando especificamente da segunda oração, se pensássemos em português primeiro,


certamente construiríamos  「友達を会う」 . Entretanto, perceba que, diferentemente
do português, em que “encontrar” requer um objeto direto, em japonês, isso não
acontece, pois  「会う」 é um verbo intransitivo e, por isso, a partícula 「に」 é usada.
Vamos consultar o “DenshiJisho.org” para confirmar:

  

Outro exemplo em que vemos essa diferença entre os idiomas é  「彼にキスする。」


(Beijá-lo). Explicaremos isso mais detalhadamente quando tratarmos sobre a
transitividade dos verbos. 

Vimos que a partícula   「 に 」   marca o destino de uma ação. Entretanto, ela pode

também aparecer fazendo o inverso, isto é, marcando a origem de algo: 


também aparecer fazendo o inverso, isto é, marcando a origem de algo: 

先生に日本語を覚える。= Aprender japonês do professor. 

Nesta oração expressamos que “o professor” é a fonte do ensinamento de japonês.


Todavia, essa função que denota origem de algo, é comumente exercida pela
partícula   「から」 : 

先生から日本語を覚える。= Aprender japonês do professor. 

アメリカから来る。 = Vir da América.

A partícula 「 か ら 」   é frequentemente colocada juntamente com   「 ま で 」 , que


significa "até":

宿題を今日から明日までする。= Fazer lição de casa de hoje até amanhã.

Para descrever essa extensão de algo podemos também utilizar o verbo「いたる」(至


る), que significa “chegar a”, “alcançar”. Neste caso, frequentemente é usado com 「ま
で」:

九州から北海道にいたるまで雨。 = De Kyushu a Hokkaido, (é) chuva. (Lit. De Kyushu


até chegar à Hokkaido, (é) chuva).

No Japonês Clássico, a partícula 「を」 podia também ser usada para indicar origem,
assim como 「から」. Esse sentido de 「を」 ainda pode aparecer em textos antigos,
com alguns tipos de verbos (lição 17) e em partículas compostas (lição 43):

部屋を出た。= Saiu do quarto.

O local de um objeto é definido como o objetivo do verbo de existência (ある e   い


る ) . O tempo é outro objetivo muito comum (espaços de tempo, etc). Aqui estão
alguns exemplos de verbos que não são de movimento e seus objetivos:

部屋にいる。= Estar no quarto.

台所にある。= Estar na cozinha.

来週に図書館に行く。= Ir à biblioteca na semana que vem.

NOTA: Não se esqueça de usar  「ある」 para objetos inanimados (Ex: cadeira) e  「い
る」 para objetos animados (Ex: gato).

Enquanto a partícula 「 に 」   não é necessária para indicar tempo, há uma sutil


diferença de significado entre uma frase na qual se usa a partícula de objetivo e uma
frase na qual não se usa. Nos exemplos seguintes, a partícula de objetivo faz da data
um objetivo específico, enfatizando que irão ao Japão naquela data específica. Sem a
partícula, não há nenhuma ênfase em especial.

来年、日本に行く。= Ano que vem, ir ao Japão.

来年に日本に行く。= Ir ao Japão no ano que vem.

Pode-se ainda utilizar a base Ren’youkei de praticamente qualquer verbo como o


Pode-se ainda utilizar a base Ren’youkei de praticamente qualquer verbo como o
alvo de um verbo de movimento (nestes casos, quase sempre  「行く」 e 「来る」 ).
Tal construção significa “ir” ou “vir” para fazer (algum verbo) e é muito comum:

映画を見に行く。= Ir (para) assistir ao filme.

ケーキを食べに来る。= Vir (para) comer o bolo.

Lembre-se que o verbo    「 す る 」 pode ter vários significados dependendo do


contexto. Quando ele aparece em conjunto com a partícula  「に」 , o significado que
geralmente deve ser considerado é “decidir por [X]”, sendo sinônimo do verbo  「決
め る 」 . Aliás, esta é uma construção usada com freqüência, por exemplo, quando
você solicita itens de um menu:

ハンバーガーにする。= Decidir pelo hambúrguer.

Finalmente   「に」 pode juntar dois ou mais substantivos para indicar uma lista de
itens:

新郎に新婦。= Noivo e noiva.

13.5. A PARTÍCULA DIRECIONAL  「へ」

Enquanto  「へ」  é normalmente pronunciado /he/, quando está sendo usado como
partícula, é sempre pronunciado como /e/ (え)(uso histórico do Kana). A diferença
principal entre as partículas   「 に 」 e   「 へ 」 é que a partícula   「 に 」 vai a um
objetivo que é o objetivo final que se deseja alcançar, seja físico ou abstrato. Por
outro lado, a partícula  「へ」 é usada pra expressar o fato de que alguém está indo
em direção ao objetivo. Como resultado, é usada apenas em verbos de movimento
direcionais. Ela também não garante se o objetivo apontado é o destino final, mas
apenas que alguém está indo naquela direção. Em outras palavras, a partícula  「に」
foca o destino final, enquanto a partícula   「 へ 」 é muito vaga e não deixa claro
aonde se deseja chegar como objetivo final. Por exemplo, se decidirmos trocar  「に」
por  「へ」 nos primeiros exemplos do tópico anterior, o sentido muda sutilmente:

日本へ行く。= Ir em direção ao Japão.

家へ帰る。= Voltar em direção a casa.

部屋へくる。= Vir em direção ao quarto.

Note que não podemos usar a partícula   「 へ 」 com verbos que não têm direção
física. Por exemplo, a sentença seguinte está incorreta:

 「医者へなる。」 é a versão gramaticalmente incorreta de 「医者になる。」

Mas isso não quer dizer que a partícula 「 へ 」 não possa ir em direção a algum
conceito abstrato. De fato, por causa de seu significado vago, pode ser usada também
para se falar sobre ir em direção à expectativas ou metas futuras.

勝ちへ向かう。= Ir em direção à vitória.

Finalmente, vimos no tópico anterior que é possível usar a base Ren’youkei dos
Finalmente, vimos no tópico anterior que é possível usar a base Ren’youkei dos
verbos como alvo de um verbo de movimento por meio da partícula 「 に 」 . Isso
implica que você está indo ou vindo com o propósito de fazer algo. Se usássemos a
partícula 「 へ 」 isso soaria que você está indo ou vindo em direção a algo
literalmente, o que é meio estranho:

遊びへ来る。= Vir (em direção) a brincar.

13.6. A PARTÍCULA CONTEXTUAL  「で」

A partícula  「で」 nos permitirá especificar o contexto no qual a ação é efetuada.


Por exemplo, se uma pessoa comeu peixe, onde ela comeu? Se uma pessoa foi à
escola, foi por meio de quê? Com o que você vai comer a sopa? Todas estas questões
podem ser respondidas com a partícula  「で」. Aqui estão alguns exemplos.

映画館で見る。= Ver no cinema.

バスで帰る。= Retornar de ônibus.

レストランで昼ご飯を食べる。= Comer almoço no restaurante.

Na verdade, a partícula  「で」 é a versão coloquial de  「にて」, partícula clássica


derivada de   「 に 」 +   「 て 」 , partícula importante que estudaremos na próxima
lição. Embora seja antiga,  「にて」 continua a ser usada no japonês moderno:

船にて川を渡る。= Atravessar o rio de barco.

筆にて書く。= Escrever de pincel.

Algo que pode ajudá-lo é pensar em  「で」 com o significado de "por meio de". Desta
maneira, o mesmo significado vai "se traduzir" naquilo que a sentença realmente
significa. Os exemplos, então, serão lidos: "Ver por meio de cinema", "Retornar por
meio de ônibus" e "Comer almoço por meio de restaurante".

Devido ao sentido de mostrar o contexto no qual a ação é efetuada, a partícula  「で」


pode ser usada com os verbos de existência, dependendo do contexto. Por exemplo,
se alguém perguntasse “Onde a conferência acadêmica será realizada na próxima
vez?”, você poderia responder:  「 ニ ュ ー ヨ ー ク で あ る 」 , isto é, ocorrerá em Nova
Iorque.

Temos ainda a possibilidade de usar a partícula  「で」 com a palavra "o que" (何).
Ela é bem irritante porque enquanto é normalmente lida como  「 な に 」 , algumas
vezes é lida como  「 な ん 」 , dependendo de como é usada. Uma vez que é sempre
escrita em Kanji, não podemos dizer de qual se trata a cada momento. Sugerimos que
você fique com  「なに」 até que alguém o corrija. Com a partícula  「で」, também
se lê  「なに」.

何で来る?= Vem por meio de quê?

バスで来る。= Vem por meio de ônibus.

Aqui começa a parte complicada. Há uma versão coloquial da palavra "por que" que
é usada muito mais frequentemente do que a versão menos coloquial  「どうして」
Aqui começa a parte complicada. Há uma versão coloquial da palavra "por que" que
é usada muito mais frequentemente do que a versão menos coloquial  「どうして」
ou a mais enérgica  「なぜ」. Também é escrita  「何で」, mas a leitura é 「なんで」.
Esta é uma palavra totalmente independente e não tem nada a ver com a partícula
 「で」.

何で来る? = Por que você vem?

暇だから。= Porque sou livre (no sentido de não ter o que fazer).

Aqui o 「 か ら 」 significando "por que" é diferente do   「 か ら 」 que acabamos de


aprender e será discutido na lição de frases compostas. Basicamente, o ponto é que as
duas sentenças, apesar de escritas da mesma maneira, são lidas de maneiras
diferentes e possuem significados completamente distintos. Mas não se preocupe.
Isso causa menos confusão do que você imagina porque em 95% das vezes, a segunda
forma é usada em vez da primeira. E mesmo quando a intenção seja usar  「なにで」,
o contexto não deixa dúvidas de qual está sendo usado.  Até neste pequeno exemplo,
você é capaz de fazer a diferenciação ao olhar a resposta da pergunta.

13.7. LOCALIZAÇÃO: USAR 「で」OU「に」?

De fato, muitos podem confundir as partículas 「 で 」 e 「 に 」 quando se trata de


localização, pois 「 に 」 também pode ser usada para tal finalidade. Como regra
geral, é comum se ensinar que se deve usar 「に」 para indicar o local de verbos de
estado (existir, morar, etc), enquanto 「 で 」 , para verbos que expressam ação
(comer, dormir, falar, etc.), mas parece que as coisas não são tão simples assim.

Segundo este artigo do site “Nihon Bunka Kenkyuukai”, com 「 に 」 foca-se o lugar,
enquanto que com 「で」, o foco está na ação. Observe os exemplos:

(1) 駅に財布を忘れた。= Esqueceu a carteira na estação.

(2) 駅で財布を忘れた。= Esqueceu a carteira na estação.

Embora tecnicamente possamos traduzir as duas orações da mesma forma, há uma


diferença a ser considerada: em (1), o falante foca-se no ponto (a estação), enquanto
que em (2), seu foco está na ação em si (esqueceu a carteira). Este é o mesmo
entendimento do site “Nihongo Resources”:

“§ 4.2.1.4. (...) “Nós brincamos no parque” e “As facas estão no armário”


usam a mesma preposição “no”. Em japonês, são duas coisas bem
diferentes: a primeira sentença se concentra em um evento, enquanto a
segunda se concentra em um local. Consequentemente, a primeira
sentença requer 「 で 」 , enquanto que a segunda usa outra partícula,
「に」.”.

Também, há verbos que só aceitam uma dessas partículas. Por exemplo, o verbo 「働
く」 tem sua localização indicada por 「で」. Já o verbo 「務める」, por「に」.

Fontes:
Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Nihon Bunka Kenkyuukai: http://www014.upp.so-net.ne.jp/nbunka/04jun.htm

Nihongo Resources: http://pomax.github.io/nrGrammar/#section-4-2-1-Essential_particles

2 comentários:

Taina Fernada 7 de fevereiro de 2016 17:45


Boa tarde, não entendi a tradução dessa frase :De Kyushu a Hokkaido, (é) chuva. Por que "(é)
chuva"?
Responder

Blog Ganbarou Ze! 7 de fevereiro de 2016 21:06


Boa noite,

É apenas uma tradução mais técnica. Se preferir, pode-se entendê-la como "Chove (ou choverá)
de Kyushuu à Hokkaido".
Responder

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LIÇÃO 14: FORMAS VERBAIS BÁSICAS E O ESTADO-DE-SER
Você aprendeu como os verbos são classificados atualmente e as suas bases de
conjugação. Depois conheceu as primeiras partículas. Contudo, os exemplos
usados estavam na forma não-passada somente. Agora, vamos estender este
conhecimento, estudando as formas verbais básicas, isto é, as formas TE,
passada e negativa. No final, vamos abordar o estado-de-ser.

14.1. O VERBO IRREGULAR CLÁSSICO  「あり」

No Japonês Clássico, havia nove categorias de verbos, e uma delas era a classe dos
verbos Rahen. Dentre eles, havia o verbo  「あり」. Vejamos suas bases:

Nota-se que o verbo moderno 「ある」 originou-se da base Rentaikei de  「 あ り 」 .


Com este verbo expressa-se a existência de algo.

O motivo de dedicarmos um breve tópico ao verbo 「あり」 é por que ele é um verbo
suplementar muito importante e que tende a fundir-se com outros itens léxicos para
dar origem a construções importantes.

14.2. A PARTÍCULA  「て」

A partícula 「 て 」 é muito importante e é uma das terminações mais usadas na


língua japonesa. É tão importante que é chamada de forma TE. Historicamente
falando, a partícula 「て」 era colocada após a base Ren’youkei de partes flexionáveis
do discurso. Esse tipo de construção já não é uniforme ao longo das regiões do Japão,
mas no padrão japonês há algumas construções gramaticais importantes que devem
ser abordadas. É evidente que você precisa saber a base Ren’youkei das difrentes
classes de palavras flexionáveis da língua japonesa. Por enquanto, vamos nos atentar
classes de palavras flexionáveis da língua japonesa. Por enquanto, vamos nos atentar
somente à forma TE dos verbos:

FORMA TE (REGRA BÁSICA)

[BASE REN’YOUKEI] + [PARTÍCULA TE]

A seguir, vejamos a regra sendo aplicada:

Chamamos a regra apresentada de básica, porque ao longo do tempo na língua


coloquial do japonês padrão, mudanças eufônicas foram padronizadas para os
verbos Godan na forma TE e derivados, exceto para os terminados em 「 す 」 .
Podemos dividir essas alterações em quatro grupos considerando-se a terminação da
base Ren’youkei + TE. Obeserve:

Vamos identificar as mudanças eufônicas ocorridas:

1. No primeiro grupo ocorreu o Soku-onbin;

2. No segundo grupo temos a mudança eufônica para i;

3. No terceiro grupo temos a mudança eufônica para i e uma alteração derivada


comum: como se retirou uma consoante vozeada, vozea-se a seguinte;

4. No quarto grupo temos o hatsu-onbin e outra alteração derivada comum: como se


acrescentou a consoante nasal, vozea-se a seguinte.

NOTA: como mencionamos na lição 4, as alterações sonoras são comuns em


determinados grupos de fonemas, mas não são regra e, quando ocorrem, possuem
variações.

A exceção à regra de contração apresentada fica por conta do verbo 「行く」, que em
vez de ser contraído   「 行 い て 」 , torna-se simplesmente 「 行 っ て 」 . Isso faz a
pronúncia mais fácil. Também,   「 行 ( い ) く 」 pode ser 「 行 ( ゆ ) く 」 e ambos são
usados há muito tempo. A forma 「行(ゆ)いて」 costumava ser usada, mas  「行(い)っ
usados há muito tempo. A forma 「行(ゆ)いて」 costumava ser usada, mas  「行(い)っ
て」 tem a preferência atualmente. Finalmente,  「行(ゆ)く」 pode dar uma sensação
mais literária e é a leitura de escolha em poesias.

Perceba que nós usamos o termo “forma TE padrão”. Isso por que de acordo com a
região do Japão, as alterações sonoras podem variar. Por exemplo, no dialeto Kansai
(parte oeste do Japão),  「読みて」, é contraído 「読うで」.

A partícula 「て」 deriva da base Ren’youkei do verbo clássico 「つ」, que era usado
para expressar o modo perfectivo. Vejamos a definição de “perfectivo” segundo o
dicionário Houaiss:

PERFECTIVO: diz-se de ou aspecto verbal que indica uma ação realizada e concluída;
acabado [No português são perfectivas as formas do indicativo fiz, tinha feito, terei
feito, por oposição às formas fazia, estava fazendo, estarei fazendo etc., que são
imperfectivas.].

Em outras palavras, quando  「つ」 era anexado à base Ren’youkei de um verbo, ele
expressava algo como “determinada ação foi (será) feita e está (será) concluída”.

No japonês moderno,  「て」 passou a servir também como partícula conjuntiva, isto
é, para conectar orações. Observe o quadro abaixo:

Este é o uso básico da partícula 「て」. Nestes casos, o tempo verbal de construção é
determinado pelo último verbo. Note que devido à sua origem, alguns preferirão
traduzir estas orações como “Comer o peixe (concluir esta ação) e (depois) beber o
suco”, e “Ir ao Japão (concluir esta ação) e (depois) estudar japonês”, o que faz
sentido. Contudo, não fixe este sentido clássico de   「 て 」 como sendo único, pois
parece que esta partícula pode transmitir outros sentidos.

Esta prática de usar a partícula  「て」 para conectar orações, no entanto, é utilizada
apenas na linguagem cotidiana. Discursos formais, narração e publicações escritas
empregam a base Ren’youkei em vez da forma TE para descrever ações sequenciais.
Particularmente, artigos de jornal (ou mesmo cantores), por questões de brevidade,
preferem a base Ren’youkei à forma TE:

魚を食べジュースを飲む。= Comer o peixe e beber o suco.

NOTA: como a partícula 「て」 é muito versátil, pode transmitir significados diversos
de acordo com o contexto (pelo menos na tradução para o português).

Algo muito comum no japonês falado é terminar uma oração com o verbo na forma
TE. Veja o exemplo abaixo:

ごめん、魚を食べて。= Desculpe por comer o peixe.

Na verdade, os elementos da oração estão invertidos. Na fala muitas vezes as pessoas


Na verdade, os elementos da oração estão invertidos. Na fala muitas vezes as pessoas
tendem a dizer aquilo que mais importante primeiro, (me desculpe) e depois o resto
(por comer o peixe), independentemente das regras gramaticais. A versão correta da
oração acima é  「魚を食べてごめん」.

Também, dependendo do contexto, a forma TE no final de uma oração pode indicar


uma oração incompleta, muitas vezes transmitindo um ar reticente por parte do
falante, isto é, uma hesitação em dizer expressamente o seu pensamento, em dar um
parecer etc. Tal recurso é muito comum em canções:

魚を食べて。= Comer o peixe (e...) (oração incompleta e reticente).

14.3. O VERBO AUXILIAR  「た」

O desenvolvimento histórico do sistema japonês moderno de tempo e aspecto não


pode ser traçado sem dificuldades, e as incertezas permanecem. A falta de textos
coloquiais genuínos ou mesmo de descrições ou referências a respeito da língua
falada é um grande obstáculo para as pesquisas. A teoria mais provável é que o verbo
auxiliar  「 た 」 surgiu no Período Insei (1089-1192) como uma forma contraída de
 「たる」, que por sua vez originou-se da junção da partícula  「て」 + 「ある」, base
Rentaikei de 「あり」. 

No início  「た」 provavelmente não expressava passado, mas sim um estado estático
resultante. Isso faz sentido: como vimos, quando   「 つ 」 era anexado à base
Ren’youkei de um verbo, ele expressava algo como “determinada ação foi (será) feita
e está (será) concluída”. Se anexarmos o verbo   「 あ る 」 , que significa “existir”,
poderíamos pensar em algo como “existe determinada ação que foi realizada e está
concluída”, ou seja, de fato um estado resultante. Por exemplo:

食べてある。= Existe a (ação de) comer (que foi realizada e está concluída) = estado
estático resultante.

Por volta do século XIV, é que passou a ser o sufixo dominante para expressar o
tempo passado, fato que fez com que outros sufixos como  「たり」 e  「けり」, que
até então exerciam esta função tivessem seu uso extinto ou extremamente limitado.
A esta altura o significado de  「た」 já não era totalmente igual ao de  「てある」 e
certamente foi bem estabelecido como sufixo de tempo passado na época da
“Amakusaban Feique Monogatari” (1592), impresso pela primeira vez pelos
missionários portugueses em Kyushu, utilizando um sistema de romanização até
então recente.

Como é derivado da partícula 「て」, o verbo auxiliar 「た」 segue o mesmo padrão,
tanto na regra básica, quanto nas contrações sonoras para os verbos Godan:

VERBO AUXILIAR TA (REGRA BÁSICA)

[BASE REN’YOUKEI] + [VERBO AUXILIAR TA]

Vejamos os mesmos verbos Godan do tópico anterior com o verbo auxiliar  「た」 e
as contrações sonoras:
as contrações sonoras:

Observe alguns exemplos de verbos com o auxiliar  「た」, mostrando a mudança da


forma não-passada para o passado:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べた。= Comeu o peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲んだ。= Bebeu o suco.

魚を食べてジュースを飲んだ。= Comeu o peixe e bebeu o suco.

日本に行く。= Ir ao Japão. → 日本に行った。= Foi ao Japão.

日本語を勉強する。= estudar japonês → 日本語を勉強した。= Estudou japonês.

日本に行って日本語を勉強した。= Foi ao Japão e estudou japonês.

バスで来る。= Vir de ônibus. → バスで来(き)た。= Veio de ônibus.

Nos exemplos 3 e 6 vimos o verbo auxiliar 「 た 」 em ação juntamente com 「 て 」


como partícula conjuntiva. Como dissemos, nestes casos, o tempo verbal de toda
oração e expresso pelo último verbo, que estão no passado.

O verbo auxiliar 「 た 」 também expressa o modo perfectivo, que, como vimos,


refere-se à conclusão de uma ação em determinado ponto de referência – ou
previamente a ele – que é especificado por outros seguimentos da sentença. Como
ainda não aprendemos elementos suficientes para utilizarmos um exemplo em
japonês, observe a seguinte oração em português:

Assim que meu pai retornar, abrirei a garrafa.

O conceito pode ser difícil de ser entendido em um primeiro momento, mas o sentido
aqui expresso é que a ação descrita por “chegar” já deverá ter ocorrido antes da ação
de abrir a garrafa, isto é, a ação de “chegar” estará concluída. Observe a ilustração:

Veja que o verbo está no presente, mas em japonês esta noção é expressa pela adição
do auxiliar  「た」 ao verbo da primeira oração.

Segundo alguns estudiosos, há cinco usos distintos que diferem substancialmente de


sua função básica como um marcador de tempo passado, e que expressam
primeiramente estado em vez de tempo. O verbo auxiliar  「た」 pode expressar:

1. A descoberta da existência de um estado ou situação:


1. A descoberta da existência de um estado ou situação:

あ~、台所にいた! = Ah, está na cozinha!

2. A recordação de um evento futuro:

あ~、明日日本に行った!= Ah, amanhã irei ao Japão!

3. Um pedido para que o ouvinte confirme um fato:

明日日本に行った? = Irá ao Japão amanhã?

4. Anúncio antecipado da realização futura de uma ação ou situação:

よし、買った! = Tudo bem, comprarei!

5. Um comando urgente:

退いた! 退いた! = Saiam! Saiam!

14.4. A FORMA NEGATIVA

No Japonês Clássico, o verbo auxiliar  「ず」 era anexado à base Mizenkei de verbos
para expressar negação e continuou a ser usado para tal durante todo o Período
Kamakura. Ele tinha três conjuntos de bases (vamos nos referir a eles pela base
Ren’youkei):

É provável que no Japonês Antigo,  「な」 tenha sido o primeiro auxiliar de negação a
ser usado. Seja como for, acredita-se que   「 ず 」 desenvolveu-se a partir de
mudanças eufônicas de 「にす」, combinação da base Ren’youkei  「に」 + 「 す 」 ,
forma antiga do verbo 「する」. As mudanças eufônicas que 「にす」 sofreu foram
「んす」 → 「んず」 → 「ず」. Já o terceiro conjunto deriva de  「ず」 + o verbo 「あ
り」.

Não se preocupe em decorar estes conjuntos de bases. Apenas tenha em mente que,
devido à “confusão” que houve entre as bases Rentaikei e Shuushikei iniciada no
Período Kamakura, durante o Período Muromachi (1336-1573), 「 ず 」 foi sendo
gradualmente substituído por 「 ぬ 」 , base Rentaikei de   「 ず 」 . Então,   「 ぬ 」 ,
evoluiu para 「ん」 na parte Oeste do Japão, e na parte Leste transformou-se em 「な
い」 , proveniente de 「なし」 (無し), que era flexionado no padrão de conjugação dos
Keiyoushi.

Nós ainda vamos aprender sobre os Keiyoushi na lição 18, mas como eles possuem
dois conjuntos de base – a base  「く」 , e a base  「かり」 , proveniente de  「~く」 +
「 あ り 」 –, consequentemente   「 な し 」 era conjugado dessa forma. Perceba que,
embora as bases sejam as mesmas, elas são conjugadas de modo um pouco diferente
embora as bases sejam as mesmas, elas são conjugadas de modo um pouco diferente
dos verbos:

Ocorreu então uma mudança eufônica para i na terminação da base Rentaikei do


conjunto  「く」, fazendo com que 「なき」 se transformasse em  「ない」 , forma
atual.

Vejamos a regra de construção da forma negativa não-passada dos verbos:

FORMA NEGATIVA NÃO-PASSADA (REGRA PARA OS VERBOS)

[BASE MIZENKEI] + [VERBO AUXILIAR NAI]

Observe o quadro com os exemplos:

Vejamos alguns exemplos mostrando a transformação da forma infinitiva para a


negativa:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べない。= Não comer o peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲まない。= não beber o suco

雑誌を読む。= Ler a revista. → 雑誌を読まない。= Não ler a revista.

日本語を教える。= Ensinar japonês → 日本語を教えない。= Não ensinar japonês.

バ ス で 来 る 。 = Vir por meio de ônibus. → バ ス で 来 (こ) な い 。 Não vir por meio de


ônibus.

日本語を勉強する。= Estudar japonês → 日本語を勉強しない。= Não estudar japonês.

Podemos usar também os verbos auxiliares clássicos  「ぬ」 e 「ん」 no lugar de  「な
い 」 . Contudo, atente-se ao fato de que não podemos fazer uso deles em orações
destinadas a modificar outras. Observe alguns exemplos:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べぬ。= Não comer peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲まん。= Não beber suco

Com relação ao verbo  「する」, quando usarmos  「ぬ」 ou 「ん」 devemos usar a
Com relação ao verbo  「する」, quando usarmos  「ぬ」 ou 「ん」 devemos usar a
base Mizenkei clássica 「せ」 e não  「し」:

日本語を勉強する。= Estudar japonês → 日本語を勉強せぬ。= Não estudar japonês.

メールアドレスを登録する。= Registrar o endereço de e-mail. → メールアドレスを登録


せん。= Não registrar o endereço de e-mail.

NOTA: no japonês moderno  「ず」, continua a ser usado, porém tem outro sentido.
Veremos com mais detalhes ainda neste tópico.

E se quiséssemos expressar a forma negativa no passado? Você deve estar supondo


que basta colocarmos o verbo no passado e depois acrescentamos  「 な い 」 – algo
como  「食べたない」. NÃO! Devemos colocar o auxiliar 「ない」 na forma passada e
não o verbo. Vejamos a regra:

FORMA NEGATIVA PASSADA (REGRA PARA OS VERBOS)

[BASE MIZENKEI DO VERBO] + [BASE REN’YOUKEI DO CONJUNTO CONJUNTO か


り DE NAI] + [VERBO AUXILIAR TA]

Observe o quadro de exemplos:

Lembra-se das mudanças eufônicas ocorridas com a forma TE e derivados? Já que


acrescentamos o verbo auxiliar  「 た 」 à base Ren’youkei do verbo 「 あ る 」 , pois
 「なかりた」 nada mais é do que a contração de (なく +  あり + た), o fragmento sofre
a mesma alteração sonora apresentada nos tópicos iniciais, isto é, fica 「なかった」.

Observe a transformação da forma negativa não-passada para a negativa passada


nos exemplos a seguir:

魚を食べない。= Não comer o peixe. → 魚を食べなかった。= Não comeu o peixe.

ジュースを飲まない。= não beber o suco. → ジュースを飲まなかった。= Não bebeu o


suco.

雑誌を読まない。= Não ler a revista. → 雑誌を読まなかった。= Não leu a revista.

日本語を教えない。= Não ensinar japonês. → 日本語を教えなかった。= Não ensinou


japonês.

バスで来(こ)ない。Não vir de ônibus. → バスで来(こ)なかった。= Não veio de ônibus.

日 本 語 を 勉 強 し な い 。 = Não estudar japonês. → 日 本 語 を 勉 強 し な か っ た 。 = Não


estudou japonês.

É possível também construir a forma TE negativa, mas perceba que a regra de


É possível também construir a forma TE negativa, mas perceba que a regra de
formação é um pouco diferente da que vimos para a forma passada negativa:

FORMA TE NEGATIVA (REGRA PARA OS VERBOS)

[BASE MIZENKEI DO VERBO] + [BASE REN’YOUKEI DO CONJUNTO CONJUNTO  く


DE NAI] + [PARTÍCULA TE]

Observe o quadro de exemplos:

Novamente, vejamos algumas orações de exemplo, considerando o uso básico da


partícula TE, isto, partícula conjuntiva:

魚を食べる。= Comer peixe. → 魚を食べなくて。→  魚を食べなくて映画を見た。= Não


comeu o peixe e assistiu ao filme.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲まなくてケーキを食べた。= Não bebeu


o suco e comeu o bolo.

日本に行く。= Ir ao Japão. → 日本に行かなくて。= Não ir ao Japão (e...).

日本語を勉強する。= estudar japonês → 日本語を勉強しなくて。= Não estudar japonês


(e...).     

バスで来る。= Vir de ônibus. → バスで来(こ)なくて。= Não ir de ônibus (e...).

Existe a forma contraída da forma TE negativa que se trata de  「ないで」. Contudo,


você não deve achar que ela funciona exatamente da mesma forma:

魚を食べなくて。≠ 魚を食べないで。

Com a forma TE abreviada da negativa, se expressa explicitamente que a ação


principal é executada sem alguma outra. Observe:

魚を食べないでジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem comer o peixe.

Para expressarmos a mesma coisa, podemos usar o verbo auxiliar clássico de


negação  「ず」, sucedido ou não de  「に」:

魚を食べずジュースを飲んだ。 → 魚を食べずにジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem


comer o peixe.

14.5. CÓPULAS: O ESTADO-DE-SER

Um dos aspectos mais complicados do idioma japonês é que não há um verbo para se
expressar o “estado-de-ser” de algo como o verbo “ser” no português. Se usarmos, por
exemplo, o verbo clássico 「 あ り 」 , o máximo que conseguiremos expressar é que
exemplo, o verbo clássico 「 あ り 」 , o máximo que conseguiremos expressar é que
“algo existe”, mas não que “algo é [X]”. Neste caso, precisamos de um tipo de
construção gramatical, que chamaremos de cópula.

No Japonês Clássico, havia duas cópulas:  「なり」, contração de  「に」 +  「あり」 e


 「たり」, combinação de  「と」 +  「あり」, contudo, vamos nos focar em  「なり」.
Primeiramente, vejamos suas bases:

Então, se quisermos dizer, por exemplo, que “algo” é estudante   「 学 生 」 , basta


acrescentar  「なり」. Observe:

学生 = Estudante → 学生なり。= (algo) é estudante.

A cópula   「 な り 」 aparecia frequentemente no Período Nara (710-794), mas nos


tempos medievais começou a sofrer alterações. Surgiu então a variante 「 に て 」 -
derivada de sua base Ren’youkei 「 に 」 + a partícula   「 て 」 – que costumava
aparecer em conjunto com verbos, tais como 「あり」 e  「ござる」.

山なり。→ 山にてあり。= É montanha.

No Período Kamakura (1185-1333),  「 に て 」 transformou-se em   「 で 」 na língua


falada, dando origem à  「である」 e  「でござる」 (tenha sempre em mente a perda
de diferenciação que houve entre as bases Shuushikei e Rentakei a partir deste
período):

山にてあり。→ 山である。= É montanha.

Especula-se que o  「で」 da cópula  「 であ る 」 seja a mesma partícula contextual


 「で」. Embora incerta, esta teoria faz sentido, já que  「で」 pode marcar o meio
como algo é feito e o verbo 「ある」 significa “existir”. Sendo assim em  「山である」
estamos dizendo literalmente “existe como montanha”, isto é, em outras plavras “é
montanha”.

Deixando especulações de lado, no Período Muromachi (1336-1573),   「 で あ る 」


tornou-se   「 じ ゃ 」 na parte Oeste do Japão e   「 だ 」 no Leste, base do japonês
padrão:

山にてあり。→ 山である。→ 山だ。= É montanha.

Finalmente, 「 じ ゃ 」 e   「 だ 」   se tornaram padrões no Período Edo (1603-1868),


fazendo com que 「なり」 caísse em desuso.
NOTA: tem em mente que as cópulas não são como o verbo “to be” (ser / estar) em
NOTA: tem em mente que as cópulas não são como o verbo “to be” (ser / estar) em
inglês. Portanto, indicam que “algo é [X]” e não que “algo ESTÁ em [X]”, como muitos
podem pensar.

No japonês moderno, além de 「である」 e  「だ」, existe 「です」, contração de  「で


あります」. As três formas da "mesma coisa", porém, diferenciam-se no sentido e na
utilização. Por hora, vamos nos focar em 「 だ 」 , que deve ser usado somente após
um substantivo ou um Keiyoudoushi (lição 18):

魚 = peixe →  魚だ。 = É peixe

人 = pessoa → 人だ。= É pessoa.

学生 = estudante →  学生だ。= É estudante

Parece muito fácil. Aqui está o verdadeiro problema: um estado-de-ser pode ser
subentendido, sem o uso do  「だ」!

Tal como se apresenta, o exemplo 1 é simplesmente a palavra “peixe” e não significa


nada, além disso. Porém, veremos na próxima lição que com a partícula de tópico,
podemos pressupor que algo é um peixe pelo contexto, sem declarar nada. Por esta
razão, a pergunta que deve estar passando na sua cabeça é, “Se você pode dizer que
algo é [X] sem usar  「だ」, então, qual o motivo de isto existir?”.

Bem, a principal diferença é que uma declaração afirmativa faz com que a sentença
soe mais enfática e convincente de modo a torná-la... bem declarativa. Portanto, é
mais comum você ouvir homens usando  「だ」 no fim das sentenças. Este é também
o motivo de via de regra você não poder usar  「だ」 ao fazer uma pergunta, porque
parecerá que está fazendo uma afirmação e uma pergunta ao mesmo tempo.

O 「だ」 declarativo também é necessário em várias estruturas gramaticais nas quais


um estado-de-ser precisa ser declarado explicitamente. Há também o caso em que
não se deve anexá-lo. Enfim, tudo isso é realmente muito incômodo, mas você não
deve se preocupar ainda.

Vamos apresentar as seis bases de  「である」,  「だ」 e  「です」 para que você possa
entender a lógica de formação dos tempos verbais da cópula  「だ」. Observe a tabela
abaixo:

Podemos conjugar o estado-de-ser tanto para a forma negativa quanto para o tempo
passado para dizer que algo não é [X] ou que algo era [X]. Isso pode ser meio difícil de
entender à primeira vista, mas nenhuma destas conjugações do estado-de-ser
afirmam algo como o   「 だ 」 faz. Aprenderemos, em outra lição, como criar estas
declarações afirmativas colocando 「だ」 ao fim da frase.

I. Forma Negativa: é formada anexando-se o verbo auxiliar    「 な い 」 à base


I. Forma Negativa: é formada anexando-se o verbo auxiliar    「 な い 」 à base
Mizenkei do verbo da cópula  「ある」. Assim, temos:

Nós não colocamos “(??)” à toa. Isso porque a regra estaria correta se  「ある」 não
fosse irregular quando colocado juntamente com o verbo auxiliar 「 な い 」 . Sendo
assim,   「 あ ら な い 」 torna-se simplesmente   「 な い 」 . Talvez o motivo dessa
irregularidade esteja no fato de que   「 な い 」 já expressa por si mesmo uma
existência nula e possivelmente os gramáticos pensaram que não haveria
necessidade, pois seria uma redundância, ter uma forma negativa do verbo de
existência, no caso    「 あ る 」 . Tanto que com outros auxiliares deve-se usar
normalmente a base Mizenkei de  「ある」.

Bem, seja qual for o motivo para a irregularidade, então, a forma negativa de  「であ
る」 é  「でない」? A resposta é: sim e não!

A construção   「 で な い 」 é gramaticalmente correta, e possível encontrar alguns


japoneses que a usam. Porém, talvez por que a pronúncia soe muito brusca, a
partícula   「は」 é colocada entre  「で」 e  「ない」, dando origem à  「ではない」.
Pode-se, então, contrair o fragmento  「では」 para   「じゃ」, o que resulta em 「じゃ
ない」, forma casual.

友達じゃない。 = Não é amigo (a).

魚じゃない。 = Não é peixe.

 学生じゃない。 = Não é estudante.

II. Tempo Passado: agora, vejamos expressar o tempo passado para dizer que algo
era alguma coisa. Para tanto, tenha em mente que o passado da cópula  「だ」 deriva
do passado de  「である」. Portanto, o tempo passado é feito adicionando-se o verbo
auxiliar  「た」 à base Ren'youkei de  「である」. Assim, temos:

 「でありた」 é então contraído para  「であった」 que por sua vez é contraído para 
 「だった」.

魚だった。 = Era peixe.

人だった。= Era pessoa.

学生だった。= Era estudante

III.  Tempo Passado Negativo: aprenderemos agora a forma passada negativa do


estado-de-ser para que possamos dizer que algo não era alguma coisa. Para tanto,
lembre-se que 「ない」 é conjugado como um Keiyoushi e basta acrescentar o verbo
auxiliar  「た」 a sua base Ren’youkei (do conjunto かり). Assim temos:
Como vimos no tópico anterior,  「なかりた」 é contraído para  「なかった」, dando
origem à  「なかった」.

友達じゃない = Não é amigo (a). → 友達じゃなかった = Não era amigo.

魚じゃない = Não é peixe. → 魚じゃなかった = Não era peixe.

学生じゃない = Não é estudante. → 学生じゃなかった = Não era estudante.

Por fim, também é possível unir estados-de-ser basicamente através do uso da base
Ren’youkei  「で」 da cópula   「だ」. Observe:

NOTA: os livros didáticos convencionais geralmente chamam a construção acima de


“forma TE para substantivos e Keiyoudoushi (lição 18)”, pois, como vimos, este
 「で」 pode exercer a mesma função sintática que a partícula  「て」 exerce quando
usada com verbos e Keiyoushi. Sendo assim, também a chamaremos de forma TE.

14.6. RESUMO DA LIÇÃO

Nós aprendemos muito nesta lição. Agora, sabemos como expressar ações ou estados
nas quatro formas básicas, isto é, não-passado afirmativo (infinitivo do verbo),
passado afirmativo (verbo com auxiliar TA), não-passado negativo, e passado
negativo. Além disso, vimos a forma TE e sua forma negativa. 

Supondo que você já tenha assimilado tudo o que foi explicado nesta lição, seguem
dois quadros-resumo das formas que vimos:

I. FORMAS VERBAIS BÁSICAS:

II. O ESTADO-DE-SER: A CÓPULA  「だ」:


Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

Axel Svahn, The perfective imperative in Japanese - A further analysis

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LIÇÃO 15: PARTÍCULAS II
Já temos um poder de expressão relativamente bom, pois conhecemos os tempos
e formas verbais básicas, além de saber como direcionar ou aplicar uma ação
diretamente em um substantivo. Agora, veremos mais três partículas: a de
tópico, a identificadora e a inclusiva e suas possíveis combinações.

15.1.「は」 COMO PARTÍCULA DE TÓPICO

Como já mencionamos em lições passadas, os verbos em japonês não flexionam de


acordo com o sujeito, e os tempos verbais básicos são “não-passado” e “passado”.
Lembra-se que na lição 13 pedimos que você fizesse de conta que igualmente na
língua portuguesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos não flexionam
de acordo com o sujeito? Você se recorda também dessa conjugação imaginária: a
forma não passada seja o verbo na forma infinitiva e a forma passada seja a
terceira pessoa do pretérito perfeito? Se não, vamos vê-la novamente:

Agora, pense e responda:

“Se na língua portuguesa, os verbos fossem conjugados dessa maneira, como


saberíamos de quem se está falando, se todas as flexões são iguais,
independemente do sujeito?”

Bem, a primeira resposta que deve ter vindo a sua mente é “com base no sujeito”, ou
seja, se estivesse escrito “Os cachorros beber água”, é de cachorros que estamos
falando.

Veja como numa língua em que os verbos não são flexionados de acordo com o
sujeito, o sujeito é de extrema importância para saber do que se está falando.
Talvez por isso, por exemplo, é que na língua inglesa formal toda oração deve ter um
Talvez por isso, por exemplo, é que na língua inglesa formal toda oração deve ter um
sujeito explícito PORÉM, em japonês é diferente: mesmo os verbos não flexionando
de acordo com o sujeito, não é obrigatório ter um sujeito explicito. Pode-se dizer
tão somente “Beber o suco” e tudo está certo. Entretanto, como saberíamos do que
estão falando, já que isso soa muito vago? É aqui que entra uma segunda resposta
possível...

Bem, na língua japonesa existem várias maneiras e todas elas envolvem fazer
suposições a partir do contexto. Por exemplo, se de repente eu perguntasse a você:

EU:  ジュースを飲んだ?  

Você suporia que estou perguntando se VOCÊ bebeu o suco, porque não estou
falando de outra pessoa. Então, você poderia responder:

VOCÊ:  ジュースを飲んだ。

Com isso, eu iria supor que você está falando DE SI MESMO, porque eu acabei de lhe
fazer uma pergunta e agora sei que você bebeu o suco. Da mesma forma, se por acaso
estivéssemos falando de Midori quando eu lhe fiz a pergunta, você provavelmente
pensaria que eu estivesse perguntando se MIDORI bebeu o suco, porque é dela que
nós estávamos falando.

Se tomarmos uma língua como o japonês, na qual o assunto é tão fortemente baseado
no contexto, precisamos ser capazes de identificar algumas coisas. Enquanto fazer
suposições a partir do contexto funcionaria no caso de perguntas e respostas simples,
algo mais complicado, em breve se tornaria uma bagunça, já que todo mundo
começaria a perder a noção de quem ou do que estão falando. Portanto, temos de ser
capazes de dizer ao ouvinte quando queremos mudar o assunto atual, alertando-o
mais ou menos assim: "Ei, eu vou falar sobre isso agora. Portanto, não suponha
que eu ainda esteja falando sobre a coisa antiga”. Isto é especialmente importante
quando se inicia uma nova conversa e você precisa dizer ao ouvinte do que você está
falando. Isto é o que a partícula 「 は 」 faz; introduz um tópico diferente do atual,
delimitando o restante da sentença a este novo tópico. Por essa razão, é também
referida como a "partícula de tópico". Você pode pensar que 「は」 tem o sentido de
“falando de (assunto)”.

Vamos retomar o exemplo inicial no qual eu quis perguntar se você bebeu o suco. O
diálogo seria assim:

EU:  ジュースを飲んだ? = VOCÊ tomou o suco?

VOCÊ:  ジュースを飲んだ。= EU bebi o suco.

Agora, e se eu quisesse perguntar se Midori tomou o suco? Neste caso, eu preciso usar
a partícula 「 は 」 para indicar que eu estou falando sobre “Midori”, porque do
contrário, você assumiria que eu estou falando de você.

EU: みどりはジュースを飲んだ? = MIDORI tomou o suco? (Falando de “Midori”, ela


tomou o suco?)
tomou o suco?)

VOCÊ:  ジュースを飲んだ。= MIDORI tomou o suco.

Observe como, uma vez que eu que eu estabeleci “Midori” como o novo tópico, a
conversa está limitada a ela e, por isso, podemos continuar a assumir que estamos
falando sobre “Midori” até que alguém altere o tópico novamente.

A noção de delimitação da sentença é muitto importante. Suponhamos que você


costuma ir a uma festa que aconteça todos os sábados à noite. Em determinada
semana, ao final da festa, chega ao anfitrião e diz:

今晩はパーティーを楽しんだ。= Está noite apreciei a festa.

Você correrá o risco de fazê-lo pensar “puxa, e as outras, você não apreciou?”, já que
a sentença está limitada a “esta noite”. Perceba que até em português isso soaria
ambíguo.

Note também que, devido à função da partícula 「 は 」 de destacar o tópico,


delimitando o restante da sentença a ele, poderíamos dizer que, de certa maneira,
ela dá ênfase e/ou contraste ao(s) elemento(s) que a precedem. Esta noção de
ênfase e claramente notada quando 「 は 」 aparece anexada à base Ren’youkei de
todas as classes de palavras flexionáveis:

約束を忘れはしない。= Não esquecerei a promessa. (Lit. Esquecer a promessa, não


farei) (anexada à base Rei’youkei do verbo「忘れる」).

Perceba que poderia ser dito 「約束を忘れない」, mas 「約束を忘れはしない」é muito


mais enfático e restrito. É como se disséssemos “Eu posso fazer absolutamente de
tudo nesse mundo, mas não esquecerei a promessa”. Aqui fica claro, então, o sentido
de ênfase e/ou contraste que, devido a sua essência, 「 は 」 pode carregar. Por essa
razão, não raramente presenciamos frases que parecem ser “um tópico dentro do
outro”. Por exemplo, a oração acima poderia ser rescrita assim:

僕は約束を忘れはしない。= Não esquecerei a promessa.

Na oração acima, o que temos é apenas o estabelecimento do tópico “eu” e a criação


do sub-tópico “esquecer a promessa” a fim de dar ênfase a “esquecer a promessa” ou
contrasta-lo dentro desse contexto já indicado (eu). Uma tradução literal seria
“Falando de “eu”, (agora) “falando de esquecer a promessa”, não farei”.

Neste sentido, a partícula 「は」torna-se muito versátil, podendo até mesmo aparecer
depois de outras partículas.

Vejamos mais um diálogo:

MAKOTO:  ひろしは明日?= Falando de Hiroshi, é amanhã?

MIDORI:  明日じゃない。= Amanhã, não.

Neste exemplo, já que não temos nenhum contexto, não possuímos informação
Neste exemplo, já que não temos nenhum contexto, não possuímos informação
suficiente para que possamos dar algum sentido a essa conversa. Obviamente não há
sentido algum em “Hiroshi ser amanhã”. Dado um contexto, e como a oração tem
algo a ver com Hiroshi e amanhã, pode significar qualquer coisa. Por exemplo, eles
podem estar falando de quando um exame será feito:

MIDORI: 今日は試験だ。= Hoje é exame.

MAKOTO: ひろしは?= E o Hiroshi?

MIDORI :   ひ ろ し は 明 日 。 = Hiroshi, é amanhã. (Para Hiroshi, o exame será


amanhã).

O exemplo acima mostra quão genérico o assunto de uma oração pode realmente
ser. Este pode estar se referindo a qualquer ação ou objeto de qualquer lugar,
incluindo até mesmo outras sentenças. Por exemplo, na última frase da conversa
acima, mesmo que o assunto da sentença seja sobre quando Hiroshi fará o exame, a
palavra "exame" não aparece em nenhum lugar na frase.

Também na última frase fica claro que “tema” não é a mesma coisa que “sujeito”,
pois pelo contexto assumido, aquilo que seria para nós o sujeito não é o que está
marcado pela partícula 「は」 (Hiroshi), mas é algo que está subentendido, isto é, “o
exame”. Portanto, são coisas completamente distintas.

Para ficar mais claro que “tema” não é a mesma coisa que “sujeito”, vamos recorrer
a nossa língua. Observe a sentença abaixo:

Falando de praia, a água está impropria para banho hoje.

Com esta sentença fica muito claro. Estamos falando de “praia”, mas na afirmação
que se segue, o sujeito não é “praia”, mas sim “água”. Note mais uma vez que, embora
o tópico seja “praia”, não precisamos necessariamente falar de “praia” em si, mas
podemos estender nossa afirmação a algo relacionado a ela. Em outras palavras, a
algo delimitado,  que esteja no contexto de “praia” dentro da conversa.

15.2.「が」 COMO PARTÍCULA IDENTIFICADORA

Então, podemos introduzir um novo tópico à conversa através da partícula 「 は 」 .


Contudo, e se durante o diálogo surgir algo incógnito? Para ilustrar, observe o
seguinte diálogo:

EU: ジュースを飲んだ? = VOCÊ bebeu o suco?

Pelo contexto, você suporia que eu estou perguntando se você bebeu o suco. Você
responde:

VOCÊ: ジュースを飲まなかった。= EU não bebi o suco.

Você responde que não bebeu o suco. Porém, o copo está vazio e eu quero saber
quem o bebeu. Neste caso, o que preciso é de um tipo de identificador, haja vista que
eu não sei quem bebeu o suco. Perceba que se eu usar a partícula 「 は 」 para
eu não sei quem bebeu o suco. Perceba que se eu usar a partícula 「 は 」 para
perguntar “quem tomou o suco?” 「 誰 は ジ ュ ー ス を 飲 ん だ ? 」 , a pergunta se
transforma em “o QUEM tomou o suco?”, algo que não faz nenhum sentido, porque
"quem" não é uma pessoa.

É aqui que a partícula 「 が 」 entra em campo. Ela também é conhecida como


“partícula de sujeito”, mas esse nome mais atrapalha do que ajuda. Por isso, vamos
chama-la de “partícula identificadora” porque indica que o falante deseja
especificar algo até então desconhecido.

A conversa sobre o “bebedor” de sucos oculto poderia prosseguir assim (os elementos
entre colchetes são apenas para enfatizar o sentido das frases):

EU: 誰がジュースを飲んだ? = Quem [é que] bebeu o suco?

VOCÊ: みどりが飲んだ。= Midori [é a aquela] que bebeu o suco.

Repare como a partícula 「が」 é usada duas vezes, porque você precisa identificar
quem tomou o suco na resposta. Por esta razão, dizer 「みどりは飲んだ。」não seria
uma boa escolha, haja vista que não estamos falando de Midori, mas sim tentando
identificar a pessoa desconhecida que tomou o suco.

Um ponto importante aqui é que não se deve usar「が」 para identificar um objeto
direto, pois esta função já é exercida pela partícula 「 を 」 , e essas duas partículas
são mutuamente exclusivas. Observe a seguinte sentença:

昨日、すしを食べた。= Ontem, comi sushi.

Se quiséssemos mudar o foco para “sushi” como a coisa que foi comida, teríamos que
mudar a oração para a passiva como em português. Em outras palavras, como 「が」
identifica algo, você pode pensar que está especificando que “o sushi é a coisa que foi
comida”. Ora, isso em português é a voz passiva e, neste caso, no japonês funciona da
mesma forma.

Como fazer a voz passiva em japonês? Veremos na lição 31.

15.3. 「は」  VS. 「が」: TENTANDO CLARIFICAR AS COISAS

À primeira vista, as partículas 「は」 e 「が」 podem parecer idênticas. Isto se deve
ao fato de que não é possível traduzir a diferença que há entre elas diretamente para
o português. Para ilustrar, dê uma olhada nos exemplos abaixo:

A) みどりは学生。= Midori é estudante.

B) みどりが学生。= Midori é estudante.

Devido à falta de contexto, bem tecnicamente, a tradução mais próxima para ambas
as sentenças pode ser “Midori é estudante”. Porém, elas parecem iguais, somente,
por que não é possível expressar em português a informação, o contexto tão
claramente como é possível algumas vezes em japonês. A lição mais importante aqui
é ter em mente a diferença entre falar sobre algo e especificar algo. Na afirmação
é ter em mente a diferença entre falar sobre algo e especificar algo. Na afirmação
(A), uma vez que 「 み ど り 」 é o assunto da frase, a sentença significa: "Falando
sobre ‘Midori’, Midori é uma estudante". Já na sentença (B), 「 み ど り 」 está
especificando quem é o “estudante”  「 学 生 」 . Se quisermos saber quem é o
“estudante”, a partícula 「が」 nos informa: o estudante é “Midori” 「みどり」.

Você pode imaginar a partícula 「 が 」 como sempre respondendo uma pergunta


escondida. Observe as afirmações abaixo:

A) ひろしが魚だ。

B) これが車。

Para a sentença (A), estaremos respondendo a uma pergunta do tipo "Quem é o


peixe?" ou "Que pessoa é o peixe?" ou talvez "Qual comida Hiroshi gosta?”. Já para a
oração (B), podemos responder à pergunta "Qual carro?" ou "Qual é o carro?”.

Outro recurso que você pode usar, para perceber o quão diferentes são essas duas
partículas, é pensar que 「は」 funciona como os “dois pontos (:)”. Considere o fato
que quando colocamos os dois pontos após um termo, é como se de certa forma
fizéssemos um anuncio sobre aquilo que os antecede. Observe:

(Vou falar do) suco: bebi.

Em japonês, poderíamos expressar a oração assim:

ジュースは飲んだ。= (Vou falar do) suco: bebi.

Ora, não poderíamos dizer 「ジュースが飲んだ」 para expressar o mesmo, pois na


verdade isso se traduziria como “o suco bebeu”, como se o suco tivesse executado a
ação de beber. Estranho não é mesmo?  . 

Mais uma maneira que pode ajudá-lo a distinguir essas duas partículas: vimos na
seção anterior a oração em português “Falando de praia, a água está imprópria para
banho”, no qual podemos dizer que “praia” é o tópico. O que será dito a seguir está
girando em torno de “praia”, mas não necessariamente precisamos falar
especificamente de “praia” (no exemplo, seguimos o tópico “praia” afirmando que
a “água” que está imprópria para banho). Sendo assim, se em português
precisássemos usar a partícula de tópico, ficaria assim:

Praia は, a água está imprópria para banho.

Veja como o tópico nos dá uma amplitude maior, pois, de novo, não
necessariamente precisamos falar dele especificamente, mas podemos estender
nossa afirmação a algo relacionado a ele ou mesmo subentendido pelo contexto. Por
outro lado, a partícula 「が」 é muito limitadora, específica, restrita ao elemento
que ela segue. Por essa razão, se tivéssemos Praia が , o que fosse dito a seguir se
aplicaria ao elemento “praia” especificamente (e somente a ele). Poderíamos
afirmar, por exemplo, que a praia é bonita, a praia está cheia, etc. e só. Nada de

afirmar outra coisa que não seja especificamente se referindo ao elemento “praia”
afirmar outra coisa que não seja especificamente se referindo ao elemento “praia”
(como seria possível com a partícula 「は」, com a qual falamos sobre “praia”, mas
afirmamos algo sobre “água”).

Poderíamos representar a diferença da seguinte forma:

Vamos ver os exemplos a seguir referentes às aplicações da partícula 「は」:

ひろしはこない。= Falando de Hiroshi, ele (Hiroshi) não virá (afirmação se referindo


ao próprio Hiroshi).

ひ ろ し は 妹 が こ な い 。 = Falando de Hiroshi, a irmã mais nova (dele) não virá


(afirmação se referindo a algo dentro do universo de Hiroshi).

ひろしは明日。= Falando de Hiroshi, o exame será amanhã (afirmação se referindo a


algo subentendido pelo contexto, ou seja, “o exame” de Hiroshi).

Agora, vejamos um exemplo de aplicação da partícula 「が」:

ひろしがこ な い 。 = Hiroshi (é quem) não virá (“Hiroshi” identifica, especifica quem


não virá).

Enfim, as partículas 「は」 e 「が」 são diferentes se você pensar da forma correta. A
partícula 「が」 identifica uma propriedade específica de algo, enquanto a partícula
「は」 é usada somente para trazer um novo assunto à conversa. Esta é a razão de,
em orações longas, ser comum separar o assunto com vírgulas para remover
qualquer ambiguidade sobre a qual parte da oração o assunto se refere.

15.4.「も」 COMO PARTÍCULA INCLUSIVA E ENFÁTICA

A partícula 「も」 essencialmente tem o sentido de “também”. Seu uso será melhor
explicado nos exemplos abaixo:

MAKOTO: みどりは学生?= Você (Midori) é estudante?

MIDORI: うん、ひろしも学生。= Sim, e Hiroshi também é estudante.

Repare que ao incluir a partícula 「も」, Midori precisa ser coerente na resposta. Não
faria muito sentido ela dizer "Eu sou uma estudante, e Hiroshi também não é um
estudante." Em vez disto, Midori poderá usar a partícula 「 は 」 para remover o
sentido adicional da inclusão, como demonstra o próximo exemplo.

MAKOTO: みどりは学生?= Você (Midori) é estudante?


MAKOTO: みどりは学生?= Você (Midori) é estudante?

MIDORI: うん、でもひろしは学生じゃない。= Sim, mas Hiroshi não é estudante.

O exemplo seguinte demonstra outra possibilidade (inclusão com negativa).

MAKOTO: みどりは学生?= Você (Midori) é estudante?

MIDORI: ううん、ひろしも学生じゃない。= Não, e Hiroshi também não é estudante.

Mas por que Midori, do nada, fala sobre Hiroshi quando Makoto está perguntando
sobre ela? Talvez, Hiroshi esteja próximo a ela e ela queira incluir Hiroshi na
conversa.

A partícula 「も」 não é usada em conjunto com 「は」, 「が」 e 「を」, mas sim os
substitui. Veja:

ひろしは学生じゃない。→ ひろしも学生じゃない。 (não はも)  = Hiroshi tanbém não é


esudante.

ひろしが学生じゃない。→ ひろしも学生じゃない。 (não がも) = Hiroshi tanbém não é


esudante.

ひろしはジュースを飲まない。→ ひろしはジュースも飲まない。(não をも) = Falando de


Hiroshi, ele não bebe também o suco.

Em sentenças negativas, 「も」 pode ser interpretado como “nem (sequer)”:

ひろしはジュースも飲まない。= Hiroshi não bebe nem (sequer) o suco.

A partícula 「も」 também pode ser usada para dar ênfase, sendo esse uso comum
em orações negativas:

朝ご飯を食べずにも学校に行った。 = (Eu) fui à escola sem tomar o café da manhã.

No exemplo acima, 「も」 está apenas dando ênfase à oração 「朝ご飯を食べずに」

15.5. PARTÍCULAS DUPLAS I

Partícula dupla é o fenômeno em que duas partículas são combinadas.

Começando nossa abordagem, há casos em que o lugar da ação é também o tópico da


sentença. Você pode anexar as partículas de tópico ( 「 は 」 e 「 も 」 ) às três
partículas que indicam localização (「に」、「へ」、「で」) quando o local for o
tópico. Vamos ver como o lugar pode se tornar o tópico no pequeno diálogo abaixo:

MAKOTO: 学校に行った?= (Você) foi à escola?

MIDORI: 行かなかった。= Não fui.

MAKOTO: 図書館には?= E à biblioteca?

MIDORI: 図書館にも行かなかった。= Também não fui à biblioteca.


MIDORI: 図書館にも行かなかった。= Também não fui à biblioteca.

Durante o diálogo Makoto trouxe um novo assunto (biblioteca), então, o lugar virou o
tópico. A sentença é na verdade uma versão abreviada de 「図書館には行った?」,
como você pode supor pelo contexto.

Também, a partícula dupla 「 に も 」 pode ter um sentido de “mesmo (que)”. Como


sempre, tudo dependerá do contexto. Observe o exemplo a seguir:

ひろしは昼休みにも勉強をする。= Falando de Hiroshi, mesmo na hora do almoço, ele


estuda.

Agora, veja o próximo diálogo:

MAKOTO: 寿司を食べない?= (Você) não comerá sushi?

MIDORI: いいえ、レストランでは食べない。= Não, no restaurante não comerei.

Makoto pergunta a Midori se ela não comerá sushi e ela responde que no
restaurante não. Talvez, Midori não goste de restaurante e sabe que Makoto poderá
sugerir tal lugar. Então, nesse caso, Midori traz “restaurante” à conversa para dizer
que não comerá nesse lugar.

A partícula de objeto direto é diferente das partículas relacionadas com lugares, pois
você não pode usar nenhuma outra partícula ao mesmo tempo. Por exemplo, talvez
você tenha achado que seria possível dizer   「 を は 」 para expressar que o objeto
direto é também o tópico, mas esse não é o caso. Um tópico pode ser um objeto direto
sem usar a partícula 「を」. De fato, colocar a partícula 「を」 seria errado.

日本語を習う。= Aprender japonês.

日本語は、習う。= Sobre japonês, (vou) aprender.

Por favor, tome cuidado para não cometer esse tipo de erro:

日本語をは、習う。- [Isso é incorreto.]

No Japonês Moderno essa combinação não é possível, mas nos tempos antigos ela
existia como 「をば」 e era usada para dar maior ênfase ao objeto direto.

É possível também juntar「て」à partícula「も」para expressarmos o contraste entre


situações. Esta partícula dupla tem um sentido de “mesmo que” ou “não importa
que”, dependendo do contexto. Observe os exemplos:

熱があっても仕事に行く。= Mesmo que esteja com febre, irei ao trabalho. (Lit. Mesmo
se febre existir, irei ao trabalho.)

薬を飲なくても元気になる。= Mesmo se não tomar o remédio, ficarei bem.

急いでも仕方がない。= Mesmo se me apressar, de nada adiantará.

Podemos enfatizar o sentido de contrariedade de 「 て も 」 usando 「 た と え 」 , um


Podemos enfatizar o sentido de contrariedade de 「 て も 」 usando 「 た と え 」 , um
advérbio (mais detalhes na lição 21), no começo da sentença à qual o verbo + 「ても」
pertence:

たとえ薬を飲なくても元気になる。= Mesmo se não tomar o remédio, ficarei bem.

Agora, vamos rever um quadro da lição 14:

Lembre-se que mencionamos que os livros didáticos convencionais geralmente


chamam a construção acima de “forma TE para substantivos e Keiyoudoushi
(lição 18)”, pois, como vimos, este 「で」pode exercer a mesma função sintática que
a partícula 「て」exerce quando usada com verbos e Keiyoushi:

学生でも勉強しない。= Mesmo sendo estudante, não estuda.

Não confunda este 「でも」 com a conjunção 「でも」. Embora pareça que realmente
sejam a mesma coisa, a conjução 「 で も 」 não pode ser usada para conectar
sentenças, isto é, ela é usada geralmente depois de uma pausa em outra sentença,
para contradizer o que foi dito anteriormente ou está subentendido na conversa:

私は熱がある。でも仕事に行く。Eu estou com febre. Mas irei ao trabalho.

Podemos também combinar as partículas 「て」e「から」para expressar uma ação


que será feita após o término de outra:

食べてからトイレに行く。= Depois de comer, irei ao banheiro.

Vamos entender a construção acima: com 「 て か ら 」 é como se o término de uma


ação fosse o ponto de partida para a ação que segue (lembre-se que o verbo auxiliar
clássico「つ」, que deu origem a 「て」indica a conclusão de uma ação – lição 14).
Observe a figura abaixo:

Então, 「食べてからトイレに行く」 poderia ser traduzido como “A partir da conclusão


da ação de comer, irei ao banheiro”.

É possível combinar 「 て 」 à partícula 「 は 」 para se expressar, dependendo do


contexto (mais detalhes na lição 39), uma situação hipotética ou ainda, a repetição de
ações contrastantes:

まことは漢字を書いては消し。。。= Falando de Makoto, ele escreve Kanji e apaga... (e


まことは漢字を書いては消し。。。= Falando de Makoto, ele escreve Kanji e apaga... (e
faz isso repetidamente)

食べなくては痩せる。= Se não comer, vai perder peso.

Este tipo não muito comum de condicional pode ser usado somente em situações em
que, se algo acontecer (ou não), o resultado será negativo ou se ficará em apuros.

Podemos combinar as partículas 「 ま で 」 e 「 も 」 para indicar uma dimensão


extrema:

[X] までもする? = Até o grau de [X], (você) fará?

E finalmente, podemos usar 「までも」com「ない」 para indicar que uma ação não
é necessária, normalmente devido a uma circustância insignificante:

ジ ュ ー ス を 飲 む ま で も な い 。 = Não é necessário beber o suco (Lit. Não existe nem 


sequer até o ponto de beber o suco).

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Tae Kim’s Blog: www.guidetojapanese.org/blog

Japan Reference: http://www.jref.com/japan/language/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

The Japanese Page: http://thejapanesepage.com/grammar/chapter_seven/temo

Um comentário:

Evandro Braz 18 de março de 2015 20:25


Gostei muito do modo "novo" de encarar as aplicações da partícula "de" em seu contexto, as
utilizações da mesma acima citada, deixa muito mais claro não só sua utilização, como também
seu correto entendimento semântico. Obrigado!
Responder
LIÇÃO 16: ORDENANDO AS PALAVRAS
Agora que já conhecemos praticamente todas as partículas básicas, convém
abordarmos o “ordenamento das palavras numa sentença”. Será uma breve
lição, mas que irá ajuda-lo a compreender ainda mais o japonês real.

16.1. ORDENAMENTO PADRÃO DAS PALAVRAS

Há um mito que ainda existe sobre o ordenamento das palavras numa sentença em
japonês e que continua a assombrar muitos estudantes iniciantes. Poderíamos dizer
que a estrutura mais básica de uma sentença em português pode ser descrita como
[sujeito] [verbo] [objeto]. Por outro lado, os estudantes irão dizer que, na língua
japonesa, esta ordem é invertida. Mesmo alguns professores poderão dizer que a
estrutura básica de uma sentença em japonês é [sujeito] [objeto] [verbo]. Este é um
exemplo clássico de tentar encaixar a língua japonesa em um meio de pensar
português.

Em japonês, a ordem de uma sentença fundamental é [verbo]. Qualquer coisa que


venha antes do verbo não precisa estar em uma ordem específica e nada mais do
que o verbo é necessário para se construir uma sentença completa. Além disso, em se
tratando da língua padrão, o verbo deve estar sempre no final. Claro que nada nos
impede de construir uma sentença com [Objeto] [Sujeito] [Verbo] ou apenas [Objeto]
[Verbo]. As seguintes construções estão todas completas e corretas porque o verbo
está no final da sentença:

私は公園で弁当を食べた。

公園で私は弁当を食べた。

弁当を私は公園で食べた。

弁当を食べた。

食べた。

Não importa o lugar que uma palavra está na sentença, pois sua função gramatical
é identificada pela partícula que a sucede. A partir disso, somos capazes de
entender a grande importância que tem o uso correto das partículas.
entender a grande importância que tem o uso correto das partículas.

16.2. ORDENAMENTO CASUAL DAS PALAVRAS

Conversações costumam ser caóticas em qualquer idioma, e é comum que as pessoas


digam a primeira coisa que vem em suas mentes sem pensar na sentença como um
todo. Por isso, na linguagem casual, o padrão que vimos no tópico anterior é
quebrado. Por exemplo, se você quisesse perguntar “o que é feijoada?”, o modo
normal seria 「フェジョアーダは何?」. Entretanto, se a primeira coisa que viesse a
sua mente fosse "o que?", então seria mais natural dizer 「 何 」 primeiro. Porém,
como 「何はフェジョアーダ?」 não faz nenhum sentido (é o “o que” a feijoada?), os
japoneses simplesmente quebram a sentença em dois fragmentos, perguntando “o
que” primeiro e clarificando em seguida a respeito de que estão falando (「フェジョ
アーダ」 neste caso). Por uma questão de conveniência, as palavras são aglomeradas
no que parece ser uma sentença:

フェジョアーダは何?= O que é feijoada?

何フェジョアーダ?= O quê? Feijoada. (duas palavras aglomeradas em uma sentença)

Às vezes, a primeira coisa que vem a sua mente é o verbo principal. Mas se o verbo
principal já saiu de sua boca, você terá o resto da frase sem um verbo para completar
o pensamento. No japonês casual, é perfeitamente aceitável ter o verbo em primeiro
lugar usando a mesma técnica que acabamos de ver, quebrando-se o que está sendo
dito em duas sentenças. A segunda frase é incompleta, claro, mas esse tipo de coisa é
comum na fala de qualquer idioma:

見た?映画?= (Você) viu? O filme?

食べた?アイス。= (Você) comeu? O sorvete?

Vimos que a partícula 「 を 」 foi omitida nos dois exemplos. De fato, embora as
partículas desempenhem um papel crucial para que uma sentença tenha sentido, há
algumas que são muitas vezes omitidas no japonês casual, sendo que as mais
comuns de serem omitidas são 「は」, 「が」, 「を」 e 「に」. Isso realmente pode
dificultar o estudante iniciante, mas lembre-se de que nessas horas o contexto e um
senso de gramática são nossos fortes aliados e eles nos ajudarão a esclarecer o papel
dos elementos dentro da sentença.

Vale lembrar que canções também se encaixam no que acabamos de ver, seja por
inversão de elementos ou omissão de partículas:

「 ふ た り を 夕 闇 が つ つ む こ の 窓 辺 に 。 。 。 」 = Nas proximidades desta janela, o


crepúsculo (é o que) envolve nós dois.

Veja que neste pequeno trecho da famosa canção 「 君 と い つ ま で も 」 de Kayama


Yuzo, os elementos não seguem o dito padrão [sujeito] [objeto] [verbo], mas podemos
entender perfeitamente a sentença.  A partícula 「 を 」 nos mostra qual é o objeto
direto (ふたり) do verbo 「つつむ」,  「が」 especifica o que envolve os dois (夕闇) e
「に」 indica o alvo da ação, mais precisamente, o local (この窓辺) onde o crepúsculo
「に」 indica o alvo da ação, mais precisamente, o local (この窓辺) onde o crepúsculo
envolve o casal. Que fique claro, entretanto, que estamos analisando esse trecho
isoladamente apenas para fins didáticos, tentando demostrar o fenômeno de
inversão de elementos. Em outras palavras, dentro do contexto geral, ele pode ser
interpretado de outro modo, o que, neste momento, não vem ao caso.  Vamos abordar
isso no tópico 18.9.

Observe agora o próximo exemplo:

心をつき刺す 必死の悲鳴。。。= Apunhalar o coração, gritos de desespero (??)

Neste trecho da música de abertura da série tokusatsu Winspector, podemos notar


um ordenamento casual das palavras e a omissão da partícula 「 が 」 ,
provavelmente. Sendo assim, a sentença deve ser entendida como segue:

必死の悲鳴が心をつき刺す。。。= Gritos de desespero apunhalam o coração.

NOTAS:

1. 「この」é um Kosoado Kotoba, que veremos mais detalhadamente em um tópico


da lição sobre advérbios;

2. 「の」 é uma das partículas mais importantes da língua japonesa e será estudada
na lição 19. Por hora, não se preocupe com sua função no exemplo dado e considere
apenas a tradução que demos.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

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LIÇÃO 17: VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS
Já temos conhecimento suficiente para tratar sobre um dos assuntos mais
confusos da língua japonesa: a transitividade dos verbos.

17.1. OS VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS NO PORTUGUÊS

Você já deve saber o que são verbos transitivos e intransitivos, mas vamos relembrar
um pouco o assunto: verbos transitivos são verbos que precisam de um complemento
para que a frase tenha um sentido completo, enquanto os verbos intransitivos
carregam um sentido completo, dispensando complementos. Por exemplo, na
construção: "Você fuma?", o verbo é intransitivo, ou seja, seu sentido está completo –
deseja-se saber apenas se a pessoa em questão é ou não fumante. Não importa saber
se fuma, por exemplo, cachimbo ou charuto. Caso isso fosse relevante, as perguntas
seriam: "Você fuma cachimbo?" ou "Você fuma charuto?" – e o verbo seria transitivo
direto. Aquilo que se fuma é o objeto direto, ou seja, o alvo do processo verbal.

Agora, observe as orações a seguir:

(1) O aluno quebrou o vaso.

(2) O vaso quebrou.

Note que ambas as ações são expressas pelo mesmo verbo, neste caso o verbo
“quebrar”. Na primeira oração, ele é transitivo direto e na segunda, intransitivo. O
que permite classificar um verbo como transitivo ou intransitivo é o contexto da
frase. No caso, a forma como a frase foi construída, pois o verbo não sofre alteração
em sua ortografia, ou seja, ele é escrito da mesma forma tanto em frases nas quais ele
é transitivo como nas que ele é intransitivo – mas lembre-se de que alguns verbos da
língua portuguesa são, por natureza, transitivos (pegar, remover...) e outros,
intransitivos (morrer...).

17.2. A DEFINIÇÃO EM JAPONÊS

Na língua japonesa, os verbos transitivos são chamados de 「たどうし」 (他動詞), e os


verbos intransitivos de 「じどうし」 (自動詞). Embora haja também verbos que são
transitivos por natureza, como 「殺す」 (matar), e outros que são intransitivos, como
「死ぬ」 (morrer), há alguns verbos que possuem duas formas diferentes. A diferença
「死ぬ」 (morrer), há alguns verbos que possuem duas formas diferentes. A diferença
entre as duas formas do mesmo verbo está no fato de que uma expressa que a ação é
imposta por um agente ativo sobre algo ou alguém, necessitando, portanto, de um
objeto direto, enquanto a outra forma, exprime uma ação que ocorre sem agente
direto, ou seja, espontaneamente.

Sendo assim, como as frases-exemplos do primeiro tópico ficariam em japonês?


Observe:

(1) 生徒が花瓶を壊した。= O aluno quebrou o vaso. (lit. É o aluno aquele que quebrou
o vaso)

(2) 花瓶が壊れた。= O vaso quebrou.

Na oração (1), “o aluno” é quem agiu provocando a ação de quebrar sobre “algo” (o
vaso). Portanto, o verbo usado é transitivo, pois é necessário especificar este “algo”
que sofreu diretamente a ação expressa (objeto do verbo). Já em (2), fica claro que o
fato ocorreu automaticamente sem que ninguém o provocasse.

Às vezes, para colocar as frases em português, usam-se verbos diferentes: “Colocar na


caixa”  (箱に入れる) e “entrar na caixa” (箱に入る), mas isso é somente por causa
das diferenças entre os idiomas. Se você pensar em japonês, os verbos transitivos e
intransitivos têm o mesmo significado e diferenciam-se apenas por um indicar que
alguém teve participação direta na ação (agiu sobre o objeto direto), enquanto o
outro, não.

生徒が教室に入った。= O aluno entrou na sala de aula.

Na sentença acima, foi usado o verbo intransitivo 「 入 る 」 , porque ninguém


provocou a entrada do aluno na sala de aula, ou seja, a entrada dele foi algo
espontâneo. 

先 生 が 教 室 に 生 徒 を入れた。= É o professor aquele que colocou o aluno na sala de


aula.

Neste exemplo, foi usado o verbo transitivo 「入れる」, porque alguém, o professor,
provocou a ação de colocar o aluno na sala de aula. Sem a permissão do professor, o
aluno não poderia ter entrado.

O mais importante desta lição é aprender como usar a partícula correta para o tipo
correto de verbo. Pode ser difícil no começo fazer esta diferenciação enquanto estiver
aprendendo novos verbos, ou mesmo se há num determinado verbo a distinção de
transitividade.  A boa notícia é que existem dicionários na internet (em inglês) como
o “WWWJDIC” ou o “Yahoo! 辞書” que agora indicam se um verbo é transitivo (vt) ou
intransitivo (vi) quando a distinção se aplica. Por exemplo, olhando as frases-
exemplo para o verbo 「 つ け る 」 você verá que é ele é transitivo e que usa a
partícula   「を」. Observe os exemplos a seguir:

私が電気をつけた。= Eu sou aquele que ligou as luzes. (ação provocada)


電気がついた。= As luzes ligaram. (ação automática)
電気がついた。= As luzes ligaram. (ação automática)

電気を消す。= Desligar as luzes. (ação provocada)

電気が消える。= As luzes desligaram. (ação automática)

誰が窓を開けた?= Quem abriu a janela? (ação provocada)

窓がどうして開いた?= Porque a janela abriu? (ação automática)

Lembre-se que os verbos intransitivos não podem ser acompanhados da partícula


「を」, porque não há ação direta de um agente sobre algo. Sendo assim, as sentenças
abaixo estão gramaticalmente incorretas:

電気をついた。- (「を」 deve ser trocado por 「が」 ou 「は」)

電気を消える。- (「を」 deve ser trocado por 「が」 ou 「は」)

どうして窓を開いた?- (「を」 deve ser trocado por 「が」 ou 「は」)

Até aqui, tudo parece funcionar de forma semelhante ao português. Entretanto, em


japonês a noção de transitividade não corresponde exatamente aos conceitos da
língua portuguesa. E podemos notar isso se consideramos o fato de que alguns verbos
intransitivos japoneses necessitam de um objeto para terem seus sentidos
completados – pelo menos, quando a frase é traduzida (corretamente) para o
português, a palavra equivalente será considerada um objeto do verbo. Nestes casos,
porém, como a partícula 「 を 」 não pode ser usada, 「 に 」 exerce a função de
marcador do objeto de um verbo intransitivo:

友達に会った。= Encontrar o amigo. (“o amigo” = objeto direto)

私は勉強に疲れた。 = Falando sobre eu, cansei dos estudos. (“dos estudos” = objeto
indireto)

試験に受かる。 = Passar no exame. (“no exame” = objeto indireto)

Os verbos formados pelo padrão [palavra emprestada] + 「 す る 」 têm algo


interessante quanto à transitividade, pois alguns podem ser transitivos e outros
intransitivos:

母は喫煙に反対する。= Falando sobre minha mãe, ela desaprova o fumo.

彼女に賛成する。= Concordar com ela.

彼にキスする。= Beijar ele.

日本語を勉強する。= Estudar japonês.

Agora, vamos relembrar um trecho da lição 13:

“Em um uso distinto do que vimos até agora, a partícula 「を」  pode ser
usada para mostrar basicamente o perímetro em que uma ação está
usada para mostrar basicamente o perímetro em que uma ação está
ocorrendo (mais detalhes na lição 17):

町を歩く。= Passear pela cidade

高速道路を走る。= Correr pela autoestrada.

吹雪の中を捜索をする。= Buscar (dentro) da nevasca.”

Bem, agora podemos ser mais específicos: como regra geral (há sempre exceções.
Cuidado!) com verbos intransitivos, a partícula「を」 pode ser usada para  indicar:

(1) o ponto de partida, origem, tendo um sentido semelhante à partícula 「 か ら 」 .


Vejamos o que menciona Haruo Shirane em seu livro “Classical Japanese: A
Grammar”, página 160:

部屋を出た。= Saiu do quarto.

(2) o ambiente  em que algo é feito ou acontece (comumente com o sentido de “pelo”,
“através de”). Vejamos o que menciona Haruo Shirane em seu livro “Classical
Japanese: A Grammar”, página 160:

高速道路を走る。= Correr pela autoestrada.

吹雪の中を捜索をする。= Buscar (dentro – através) da nevasca.

De fato, devido a estas particularidades, alguns podem achar que os termos


“transitivo” ou “intransitivo” são incorretos para esses tipos de verbos. Seja como for,
o que queremos é que você entenda o seu funcionamento.

Uma vez que o significado básico do Kanji é o mesmo, você poderá aprender dois
verbos pelo preço de apenas um ideograma! Vejamos a seguir uma lista de amostra
de verbos transitivos e intransitivos:

17.3. A FORMAÇÃO DE VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS


17.3. A FORMAÇÃO DE VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS

Originalmente, a distinção entre verbos transitivos e intransitivos era menos


prevalente no japonês antigo e havia verbos básicos, como 「染む」 ( し む ) = tingir,
que podia ser usado em ambos os sentidos. Entretanto, muitos deles são agora
arcaicos e caíram em desuso, e, através de vários meios, verbos mais longos e
específicos foram sendo criados ao longo do tempo.

A língua japonesa tem uma morfologia verbal aglutinante altamente regular, com
elementos tanto produtivos quanto fixos. Ora, quando um mesmo verbo tem formas
distintas quanto a sua transitividade, nota-se pela tabela do tópico anterior que a
diferença entre eles está no okurigana, o que nos faz supor que eles são produtos da
aglutinação de outros elementos aos verbos na sua forma inicial. Sendo assim, vamos
fazer uma tentativa para compreendermos o que está por trás destas mudanças. 
Para tanto, temos que voltar no tempo e considerar as mudanças sonoras ocorridas
ao longo da História, algo que é comum em qualquer idioma, e as formas antigas
dos verbos, muitas das quais se tornaram obsoletas, o que torna o nosso estudo
ainda mais difícil, já que não existem muitas referências a seu respeito.

Ora já que a forma inicial de um verbo consistia geralmente de um Kanji e um Kana,


que era sua terminação, como regra geral, podemos chegar à forma original dele
considerando-se o fonema da coluna U referente ao fonema que segue
imediatamente o Kanji e retirando-se sua terminação Isso nos casos em que há mais
de uma Kana seguindo o Kanji, é claro. Assim temos:

É claro que como de costume, há exceções. Por exemplo, o verbo 「出る」 não se trata
de uma forma inicial. Ele deriva do verbo Shimo-Nidan clássico 「いづ」(出づ), que
depois evoluiu para 「いでる」(出でる) e de alguma forma o 「い」 inicial foi deixado
de lado, dando origem à forma moderna 「でる」(出る). Também, verbos que têm o
fonema 「 え 」 após o Kanji, geralmente derivam de verbos cuja terminação era
「ゆ」, como no caso de 「冷える」, cuja forma inicial era 「冷ゆ」 e não 「冷う」.

Consciente destas particularidades, agora considere também os verbos


auxiliares「う」, 「あり」e「す」, que provavelmente se trate do auxiliar clássico
「す」 (lição 33) e não do verbo irregular「す」. Sustentando esta hipótese, vejamos
as bases dos verbos em questão:
Além destes três verbos, considere também os verbos auxiliares clássicos 「 る 」 e
「ゆ」. Vejamos quais eram suas bases:

I. O verbo 「得」 (う): ao que parece, era adicionado à base Ren’youkei dos verbos
Godan não terminados em 「 る 」 , transformando verbos intransitivos em verbos
transitivos e vice-versa:

Apesar de as formas transitiva e intransitiva serem idênticas na escrita nestes casos,


com a adição de「う」, a forma 2 do verbo passava a ser conjugada no padrão Shimo-
Nidan. Tendo isso em mente, lembre-se de que a maior parte dos verbos clássicos que
seguiam o padrão Nidan, sofreu a mudança [base Ren’youkei +「る」], fato que deu
origem as suas formas atuais. Também, devido à perda da diferenciação entre as
bases Shuushikei e Rentaikei, 「う」 aparecia frequentemente como 「うる」:

Quando houve o colapso das classes verbais clássicas, 「 得 ( う ) る 」 passou a ser


pronunciado 「得(え)る」, mas há ainda algumas construções atuais que conservam
sua pronúncia antiga.

ATENÇÃO! para o verbo 「 折 れ る 」 . Embora pareça que este verbo intransitivo


tenha surgido do mesmo processo, haja vista que 「 折 る 」 é atualmente Godan e
transitivo, vamos considera-lo uma exceção. Isso por que 「折る」 era inicialmente
Shimo-Nidan e apenas passou pelos processos evolutivos desta classe. Veja no
Daijirin Online:

NOTA: O Kanji 「文」na imagem acima refere-se à forma clássica, chamada de 「文語
NOTA: O Kanji 「文」na imagem acima refere-se à forma clássica, chamada de 「文語
形」 (ぶんごけい).

Provavelmente, o que ocorreu aqui é que preservaram sua forma original,


reclassificando-a como Godan e como  necessitavam de duas versões para o mesmo
verbo, ficou estabelecido que 「 折 る 」 seria transitivo, enquanto 「 折 れ る 」 ,
intransitivo.

II. O verbo 「 あ り 」 : era adicionado provavelmente à base Ren’youkei dos verbos


Shimo-Nidan transitivos para transformá-los em intransitivos:

Alguns verbos que eram Shimo-Nidan nos tempos antigos foram reclassificados como
Godan no japonês moderno, mas ainda assim, antes disso, passaram pela
transformação [base Ren’youkei +「る」]. Portanto, teremos três versões do mesmo
verbo, sendo duas transitivas (uma seguindo o padrão Shimo-Ichidan e outra,
Godan), e uma versão intransitiva. Observe:

NOTA: ainda que válida, a forma inicial reclassificada como Godan, é pouco
frequente no japonês moderno.

III. O verbo 「 す 」 : vamos considerar a hipótese de que este 「 す 」 seja o auxiliar


causativo clássico 「す」 (lição 33) e não o verbo irregular 「す」, forma clássica de
「する」. Sendo assim, comparemos suas bases:

O verbo auxiliar 「す」 era adicionado aos verbos intransitivos para transformá-los
em transitivos. Como mencionado, consideraremos que este 「 す 」 seja o mesmo
usado no Japonês Clássico para criar a forma causativa dos verbos de padrão
Godan (Lição 33), mesmo que a regra de anexação neste caso fuja dos padrões
gramaticais. 

Sem entrar em detalhes por enquanto quanto à forma causativa, ela expressa que
alguém causa algo, e 「す」 era anexado à base Mizenkei. Neste caso, contudo, 「す」
apenas substitui a terminação do verbo (geralmente verbos terminados em 「る」–
apenas substitui a terminação do verbo (geralmente verbos terminados em 「る」–
de classificação Godan – e alguns com terminação 「ゆ」).  Vejamos:

Isto parece se aplicar também aos verbos do padrão Shimo-Nidan terminados em


「る」:

Devido à reclassificação dos verbos no japonês moderno e as transformações sofridas


pelos verbos Shimo-Nidan (que você já conhece), temos o seguinte quadro
atualmente:

Mas nem tudo é tão simples assim: a maioria desses verbos que que recebiam a
terminação 「 す 」 para a criação de sua versão transitiva eram conjugados no
padrão Yo-dan. Mas havia exceções (de motivos incertos) como 「 載 る 」 , cuja sua
forma transitiva 「載す」era conjugada no padrão Shimo-Nidan, como podemos ver
no Daijirin online:

Por causa disso, no japonês moderno, os verbos que receberam este 「 す 」 e eram
conjugados no padrão Shimo-Nidan, tiveram suas formas encaixadas no padrão
Ichidan ([Base Ren’youkei] + 「る」), sendo três as formas possíveis atualmente:

Bem, seja como for, auxiliar 「 す 」 ou verbo 「 す 」 , o sentido é essencialmente o


mesmo, isto é, “causar (ou) fazer determinada ação”.

Devemos considerar também que há verbos transitivos Godan clássicos terminados


em 「 す 」 que provavelmente derivem realmente da forma causativa clássica
(Base Mizenkei + 「す」):

Interessante notar que, há casos em que a forma causativa moderna é aceita como

uma versão transitiva para o verbo. Por exemplo, a versão transitiva usual de 「 驚
uma versão transitiva para o verbo. Por exemplo, a versão transitiva usual de 「 驚
く」 é  「驚かす」, forma causativa clássica. No japonês moderno,「す」 evoluiu para
「せる」, e 「驚かせる」é válido, embora seja pouco comum.

CUIDADO! a forma causativa moderna foi padronizada como versão transitiva para
alguns verbos, portanto, não a use para tal finalidade de forma indiscriminada, pois
poderá gerar confusão com a forma potencial (lição 31) ou mesmo causativa
propriamente dito (lição 33). 

Finalmente, há casos que são considerados como irregularidades. São verbos que
tinham a terminação da base a qual 「す」era anexada alterada. Observe:

Vemos que, apesar da irregularidade, há um padrão de mudança para o último


fonema da base, isto é, para os verbos Kami-nidan, a terminação da forma inicial é
trocada pelo seu equivalente em  「おだん」 antes do acréscimo de 「す」, e para os
verbos Shimo-Nidan, por 「あだん」. Assim, nos exemplos acima, 「ち」 e 「げ」 são
substituídos por 「と」 e 「が」, respectivamente. Outro fato importante é que alguns
desses verbos foram reclassificados para Godan no japonês moderno.

Quanto à mudança para 「おだん」 antes do acréscimo de 「す」, acredita-se que ela
se trate de uma variante arcaica da base Mizenkei dos verbos Godan, proveniente
do Japonês Antigo. Sendo assim, será que os verbos que sofreram essa alteração, no
ínicio (entenda-se, logo que foram criados), foram classificados como verbos Godan?
Ou os gramáticos consideraram essa variante apenas para uso nestes casos? Lembre-
se: “gramática não é como a matemática” e estamos lidando com decisões humanas,
algumas vezes tomadas por conveniência e desconsiderando possíveis padrões. Bem,
não sabemos ao certo a resposta...

Nos casos como o de 「 逃 が す 」 , a teoria mais provável é que se trate de uma


abreviação da forma causativa clássica da respectiva forma inicial. Para
construirmos a forma causativa, o auxiliar 「 す 」 era adicionado à bases Mizenkei
terminadas em fonemas de  「 あ だ ん 」 somente. Em outros casos, deveria se
adicionar 「さす」. Ora, o verbo 「 逃 ぐ 」 seguia o padrão Shimo-nidan e sua base
Mizenkei era 「逃げ」. Como não terminava em um fonema de 「あだん」, recebia
「 さ す 」 . Então, 「 逃 げ さ す 」 provavelmente tenha sido abreviado ao longo do
tempo, dando origem à 「 逃 が す 」 . Esta teoria faz sentido se pensarmos que o
significado de 「 逃 が す 」 (“fazer / deixar fugir”), é o mesmo que o de sua forma
causativa clássica 「逃げさす」.

Ainda, podemos levantar outra hipótese. Para tanto, relembremos um trecho da lição
9, em que mencionamos a “apofonia”:

“Infelizmente, parece não haver regras claras com relação a quando deve
haver apofonia ou mesmo quais as alterações que devem ser consideradas,

mas as ocorrências mais comuns são a alternância de 「えだん」 para 「あ


mas as ocorrências mais comuns são a alternância de 「えだん」 para 「あ
だん」 e 「いだん」 para 「うだん」 ou 「おだん」.”

A apofonia parece explicar definitivamente essas irregularidades. Vamos imaginar


que, como a maioria dos verbos auxiliares e excepcionalmente para os verbos de
padrão Nidan, 「す」 fosse anexado à Base Ren’youkei. Assim, teríamos:

逃げす→ 逃がす (alternância de 「えだん」 para 「あだん」).

落ちす→ 落とす(alternância de 「いだん」 para 「うだん」 ou 「おだん」).

IV. Os verbos 「る」 e 「ゆ」: os verbos Shimo-Nidan 「る」 e 「ゆ」 eram anexados à
Base Mizenkei. Sem nos preocuparmos com o sentido que davam ao verbo quando
anexados a ele, importa saber por hora que transformavam verbos transitivos em
intransitivos. Vejamos:

Nestes casos, as versões intrasitivas eram conjugadas no padrão Shimo-Nidan,


motivo pelo qual temos formas atuais como 「埋もれる」 e 「聞こえる」, embora haja
exceções como 「積もる」, que é conjugado no padrão Godan. Note aqui também a
variante arcaica da base Mizenkei em 「おだん」.

Há também verbos que derivam da junção convencional com 「る」(Base Mizenkei +


「る」), como é o caso de 「生まれる」. Sua forma original é 「生む」, conjugada no
padrão Godan. Então, com a anexação de 「る」, tornava-se 「生まる」, que, seguindo
o padrão de 「 る 」 , era conjugado como Shimo-Nidan. Devido a isso, no japonês
moderno, tornou-se 「生まれる」.

17.4. VAMOS TENTAR SINTETIZAR!

Finalmente, vamos resumir tudo o que vimos no complicado tópico anterior,


tentando buscar um padrão quanto às principais mudanças entre os verbos
transitivos e intransitivos considerando o okurigana. Primeiramente, vamos
considerar os verbos auxiliares estudados no tópico anterior, considerando apenas
sua finalidade quanto à transitividade:

Verbo 「う」: transforma verbos transitivos em intransitivos e vice-versa;


Verbo 「あり」: transforma verbos transitivos em intransitivos;
Verbo 「す」: transforma verbos intransitivos em transitivos;
Verbo 「る」: transforma verbos transitivos em intransitivos;
Verbo 「ゆ」: transforma verbos transitivos em intransitivos.

Sendo assim, poderíamos classificar esses cinco verbos auxiliares em três grupos
quanto à transitividade:
Agora, observe o próximo quadro e tente ao máximo considerar / imaginar a forma
original do verbo para cada situação e as possíveis mudanças sonoras:

A versão transitiva de 「出る」, isto é, 「出す」 pode ser encaixada no padrão 6. Ao


que parece, passou pelos mesmos processos de 「逃がす」: a forma inicial de 「出る」
era o verbo Shimo-Nidan clássico 「 い づ 」 ( 出 づ ). Então, o que seria 「 出 で す 」 ,
passou a ser 「 い だ す 」 ( 出 だ す ). Como já sabemos, 「 出 で る 」 perdeu seu 「 い 」
inicial, e isto ficou valendo para as demais formas usadas até então.

NOTA: para uma lista mais completa, você pode acessar estes links (em inglês):
Monash e Wikibooks.

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Nihongo Resources: http://grammar.nihongoresources.com/doku.php

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

UOL Vestibular: http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/ult2772u30.jhtm

Excite Daijirin: http://www.excite.co.jp/dictionary/japanese/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

Handbook of Japanese Grammar, Harold G Henderson

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.


LIÇÃO 18: ADJETIVOS
À esta altura, espera-se que você já tenha um domínio dos verbos e um
conhecimento básico das partículas mais importantes. Que tal agora dar
qualidades aos substantivos? É o que aprenderemos nesta lição.

8.1. PROPRIEDADE DOS ADJETIVOS

Adjetivo é a palavra que se junta ao substantivo para modificar o seu significado,


acrescentando-lhe noções de qualidade, natureza, estado etc. Na língua japonesa há
dois tipos de adjetivos, que são comumente conhecidos por “Adjetivo-NA” e
“Adjetivo-I”. Contudo, como essa nomenclatura pode causar confusão, vamos nos
referir a eles pelos nomes originais, isto é,  「けいようどうし」 (形容動詞) e  「けいよう
し」 (形容詞) respectivamente.

A razão para esta divisão é principalmente histórica. Em um primeiro momento, os


Keiyoushi derivavam diretamente do japonês antigo (Yamato Kotoba), enquanto os
Keiyoudoshi podiam derivar tanto do Yamato Kotoba, como de palavras chinesas. Por
algum motivo, os japoneses permitiam que novos Keiyoudoushi fossem criados, mas
não acrescentavam nada à classe dos Keiyoushi. O resultado disso é que palavras
básicas como "grande" e "bom" tendem a ser Keiyoushi, e palavras mais complexas
ou abstratas são quase sempre Keiyoudoushi. É claro que ao longo do tempo, foram
surgindo exceções a este padrão de tratamento, sendo difícil dizer que uma classe
deriva só disso ou daquilo.

Algo que pode causar estranheza é o fato de que os Keiyoushi são flexionados. Por
isso, as seis bases de conjugação que nós vimos anteriormente aplicam-se a eles
também. Além disso, os adjetivos em japonês são sempre colocados antes da palavra
que se destinam a modificar, tal como é no inglês: “big eyes” = olhos grandes.  

18.2. KEIYOUDOUSHI

O primeiro grupo de adjetivos que abordaremos são os  「けいようどうし」 (形容動


詞), também chamados de “pseudo-adjetivos”. Trata-se de uma das mais controversas
classes de palavras da língua japonesa, e alguns gramáticos preferem tratar essas
palavras como uma sequência de duas palavras, devido à sua forma clássica original,
isto é, um substantivo-adjetivo juntamente com as cópulas clássicas  「なり」 ou  「た
り 」 . Por causa destes padrões, os Keiyoudoushi eram divididos em “tipo Nari” e
“tipo Tari”. Vejamos os exemplos a seguir:
“tipo Tari”. Vejamos os exemplos a seguir:

静かなり。= É quieto.

朦朧たり。= É obscuro.

Você pode encontrar em algum lugar a informação de que todos os Keiyoudoushi


derivam de palavras emprestadas de outras línguas, mas isso não é verdade.
Geralmente, os Keiyoudoushi do tipo Nari eram criados com a adição dos sufixos
nativos 「か」 ,  「やか」 ,  「らか」 ou  「げ」 a substantivos também nativos. Por
exemplo, o substantivo nativo 「 静 」 ( し ず ) nos tempos antigos tinha sentido
semelhante a “quietude” e foi encaixado na classe dos Keiyoudoushi do tipo Nari
através do acréscimo do sufixo nativo  「か」 , tornando-se  「 静 か 」 . É claro que
havia também adjetivos derivados do Kango. Já os Keiyodoushi do tipo Tari vinham
todos do Kango e eram raramente vistos em obras no Período Heian (794-1185), mas
se tornaram muito freqüentes nos contos militares e na escrita ao estilo chinês do
Período Edo (1603-1868).

Para entendermos melhor a evolução dos Keiyoudoushi, vamos rever as bases da


cópula clássica 「なり」 , juntamente com as bases da cópula  「たり」 :

Em 「 静 か な り 」 expressamos que “algo” é quieto. Se quiséssemos dizer, por


exemplo, “floresta quieta”, atribuindo diretamente uma qualidade a “floresta”,
teríamos que usar a base Rentaikei para podermos modificar o substantivo. Assim,
temos:

静かなる森。 = Floresta quieta (Lit: Floresta que é quieta.)

A partir do Período Muromachi, a cópula  「なり」 foi sendo substituída por  「だ」
que, como vimos, tem 「な」 como base Rentaikei.  Observe o quadro com  「静か」
como exemplo:

Então, a versão moderna de 「静かなる森。」 é 「静かな森。」 .

No japonês moderno, a maioria dos Keiyoudoushi do tipo Nari foi reclassificada


como Keiyodoushi no japonês moderno. Entretanto, alguns foram reclassificados
como Rentaishi, se terminados em  「なる」 :

聖なる = Sagrado (Rentaishi)

Já os Keiyoudoushi do tipo Tari foram reclassificados como Rentaishi, e podem ser


acompanhados de 「たる」 para servir como atributivos de substantivos:
堂々= Magnífico → 堂々たる態度 = Atitude (que é) magnífica.
堂々= Magnífico → 堂々たる態度 = Atitude (que é) magnífica.

NOTA: “rentaishi” é o termo utilizado para descrever as formas arcaicas dos


adjetivos padrão. Atualmente, só podem ser usados antes de substantivos ou verbos
como modificadores e nunca na predicação de uma sentença.

De fato, já não havia muitos adjetivos do tipo Tari no Japonês Clássico e poucos
sobreviveram como Rentashi no japonês moderno. Como essas palavras geralmente
são consideradas difíceis ou arcaicas, os livros didáticos para alunos de língua
estrangeira não costumam abordá-las. Também, atualmente o Gairaigo –
principalmente palavras inglesas, alemãs ou francesas, tem sido fonte de
Keiyoudoushi.

Como mencionamos no tópico anterior, a diferenciação dos adjetivos é histórica. No


japonês antigo, não se tinha os Keiyoudoushi como uma categoria diferente. Isto por
que quando novas palavras foram adicionadas ao idioma, elas foram classificadas
como substantivos. Então, a categoria dos Keiyoudoushi foi desenvolvida como uma
maneira dessas novas palavras servirem de adjetivos na língua japonesa, seguindo
um padrão gramatical. Portanto, considere que algumas dessas palavras podem ser
originalmente adjetivos propriamente ditos ou não, mas independentemente de sua
natureza, para que possam modificar diretamente o termo que o segue, é necessário
anexar  「な」  ao Keiyoudoushi. Eis o motivo do nome “adjetivo-NA”.

Para ilustrar, tomemos a palavra inglesa “modern” (moderno) que é um adjetivo e


tem uma versão japonesa  「モダン」 . Se quisermos modificar o substantivo “carro”
 「車」 , a seguinte sentença está incorreta:

モダン車。= Carro moderno. (sentença incorreta)

Mesmo que 「 モ ダ ン 」 seja originalmente um adjetivo, em japonês é necessário


anexar o fonema  「な」 para que possa modificar um substantivo. A versão correta
para a frase acima é:

モダンな車。= Carro moderno. (sentença correta)

NOTA: nem todas as construções acompanhadas de 「 な 」 são Keiyoudoushi.


Algumas são Rentaishi. É o caso de 「ひょんな」 = inesperado.

Uma vez quer no Japonês Clássico era necessário anexar a cópula   「 な り 」 ao


Keiyoudoushi para dizer que “Algo é [qualidade]”, no japonês moderno basta anexar
a cópula usada atualmente. Vamos ilustrar usando  「だ」 :

人は正直だ。= A pessoa é honesta.

Os Keiyoudoushi são bem simples de aprender por que funcionam essencialmente


como um substantivo.  As regras de conjugação de ambos são as mesmas. De fato, é
tão similar que podemos dizer que se comporta da mesma maneira a menos que
especificamente se apontem as diferenças. Portanto, é basicamente a mesma coisa
que o estado-de-ser com substantivos que vimos na lição 14:

人は正直だ。= A pessoa é honesta.


人は正直じゃない。= A pessoa não é honesta.
人は正直じゃない。= A pessoa não é honesta.

人は正直だった。= A pessoa era honesta.

人は正直じゃなかった。= A pessoa não era honesta.

Cuidado para não cometer o seguinte erro:

静かが人。 = A “quieta” é pessoa. – ERRADO

Não faz sentido um substantivo, por si mesmo, ser adjetivo. Por isso, você não pode
ter uma sentença do tipo [Adjetivo] [Partícula] [Substantivo]. Isto é óbvio, pois,
enquanto uma pessoa pode ser quieta, não faz sentido que “quieta” seja uma pessoa,
isto é, um ser.

Veja mais dois exemplos:

友達は親切。= O amigo é gentil.

友達は親切な人。= O amigo é uma pessoa gentil.

Bem fácil, não é mesmo?

Também podemos unir características:

部屋はきれいで静か。= O quarto é limpo e silencioso.         

Uma particularidade da língua japonesa é que “gostar” não é um verbo como no


português, mas um keiyoudoushi 「好き」 :

まことは魚が好きだ。= Makoto gosta de peixe.

まことは魚が好きじゃない。= Makoto não gosta de peixe.

まことは魚が好きだった。= Makoto gostava de peixe.

まことは魚が好きじゃなかった。= Makoto não gostava de peixe.

Se o fato de “gostar” em japonês ser um adjetivo e não um verbo lhe causa


estranheza, você pode imaginar que   「 好 き 」   significa "gostável". Além disso, os
exemplos acima mostram as partículas de tópico e identificação trabalhando em
harmonia. As sentenças tratam de "Makoto", e "peixe" é identificado claramente
como aquilo que Makoto gosta.

18.3. KEIYOUSHI

Os Keiyoushi  「 け い よ う し 」 ( 形 容 詞 ) são originalmente adjetivos nativos e eram


construídos com a adição do sufixo  「し」 a um substantivo:

Gramáticos afirmam que as terminações em  「いだん」 dos Keiyoushi tem o verbo

  「 あ り 」 implícito, indicando, neste caso, um estado ou condição de algo. Sendo


  「 あ り 」 implícito, indicando, neste caso, um estado ou condição de algo. Sendo
assim,   「 青 し 」   não significa apenas “azul”, mas a condição/estado de “ser azul”
(literalmente, “existir como a cor azul”). Daí uma possível explicação do porque se
flexionar os Keiyoushi.

No Japonês Clássico, os Keiyoushi eram divididos em dois grupos (Shiku e Ku), de


acordo com a flexão de suas bases Ren’youkei do conjunto く (lembre-se que os
Keiyoushi possuem dois conjuntos de bases). Vejamos essas duas categorias com suas
respectivas bases:

I. Keiyoushi do tipo SHIKU (usando como exemplo 「楽し」 ):

II. Keiyoushi do tipo KU (usando como exemplo 「高し」 ):

NOTA: Para alguns autores, não existe a Base Mizenkei do conjunto く . Entretanto,
decidimos mantê-la em nossas abordagens. 

Já que tanto os Keiyoushi do tipo Shiku quanto os do tipo Ku têm a forma infinitiva
terminada em   「 し 」 como saberíamos como se deve conjugar determinado
Keiyoushi se não soubermos sua classificação? Bem, via de regra, os Keiyoushi que
representam aspectos emotivos, subjetivos são classificados no tipo Shiku; já os que
apresentam aspectos físicos, concretos, caem no tipo Ku. Veja que “ser divertido” é
algo subjetivo, enquanto “ser alto” é algo concreto, físico. Note também que os
Keiyoudo do tipo Shiku possuem o fonema  「し」 em todas as bases, ao passo que os
do tipo Ku, não.

Ainda dentro da esfera do Japonês Clássico, para que um Keiyoushi pudesse


modificar diretamente um substantivo, deveríamos utilizar as bases Rentaikei.
Observe:

楽し = divertido (Lit: ser divertido) → 楽しき旅 ou 楽しかる旅 = Viagem divertida. (Lit:


Viagem que é divertida.)

高し = alto (Lit: ser alto) → 高き山 ou 高かる山 = Montanha alta. (Lit: Montanha que é
alta.)

Agora, lembre-se da perda de diferenciação entre as bases Shuushikei e Rentaikei


que houve a partir do Período Kamakura, e também das mudanças eufônicas.
Foquemo-nos nas bases Rentaikei do conjunto  く de ambos os tipos de Keiyoushi
Foquemo-nos nas bases Rentaikei do conjunto  く de ambos os tipos de Keiyoushi
usados como exemplos, isto é,  「楽し」 e  「高し」 :

Concluímos que houve uma “mudança eufônica para i” no último fonema  「き」 da
base Rentaikei do conjunto く em ambos os casos, fato este que deu origem às formas
modernas dos Keiyoushi. Sendo assim, os que eram do tipo Shiku atualmente
terminam em  「~しい」 e os que eram do tipo Ku, em  「~い」 .

Uma vez que conhecemos como se deu a evolução dos Keiyoushi ao longo do tempo,
vamos vê-los em ação, isto é, modificando substantivos, em suas formas modernas:

面白い本。= Livro interessante. (Lit: Livro que é interessante.)

美しい虹。= Belo arco-íris. (Lit: Arco-íris que é belo.)

新しい自転車。= Bicicleta nova. (Lit. Bicicleta que é nova.)

狭い部屋。= Quarto estreito. (Lit. Quarto que é estreito.)

A seguir, seguem exemplos de Keiyoushi aparecendo no predicado da oração:

た も つ は 面 白 い 本 を 買 っ た 。 = Falando de Tamotsu, ele comprou um livro que é


interessante.

みやこが美しい虹を見た。= Miyako (é quem) viu o arco-íris que é belo.

みどりも新しい自転車で学校に行く。= Falando de Midori, ela também irá à escola por


meio de bicicleta que é nova.

ひろしが狭い部屋にいる。= Hiroshi (é quem) está no quarto que é estreito.

NOTA: é importante frisar que nem todas as palavras que você encontrar com o
okurigana  「い」 é um Keiyoushi. Por exemplo,  「 嫌 い 」 é um Keiyoudoushi que
termina em hiragana 「 い 」 . Isto se deve ao fato de que   「 嫌 い 」 é na verdade
derivado do verbo 「嫌う」 .

Você também pode unir vários adjetivos de forma sucessiva em qualquer forma:

静かな高いビル。= Edifício que é alto e calmo.

高くない静かなビル。= Edifício que não é alto, mas calmo.

細くて長い道。= Caminho que é estreito e longo.

Lembra-se que, assim como a forma negativa do estado de ser, você não pode anexar
o declarativo  「だ」 aos Keiyoushi na forma afirmativa:

本は面白いだ。= Falando de livros, são interessantes (SENTENÇA INCORRETA)

Com relação às formas e tempos verbais dos Keiyoushi, algumas regras se


diferenciam das que vimos até agora. Vejamos:
diferenciam das que vimos até agora. Vejamos:

A) Forma negativa não-passada: é construída anexando-se 「 な い 」   à base


Ren’youkei do conjunto く . Note que isto é diferente dos verbos, nos quais se deve
usar a base Mizenkei.

A seguir, vejamos alguns exemplos:

りんごが美味しい。= A maçã é o que é saboroso. → りんごが美味しくない。= A maçã é


o que não é saboroso.

空は青い。= Falando do céu, é azul. → 空は青くない。= Falando do céu, não é azul.

Evidentemente, podemos usar a base Rentaikei – que como sabemos é igual à base
Shuushikei (infinitiva) no japonês moderno – de   「 な い 」 para modificar
diretamente um substantivo, isto é, expressar “algo que não é [qualidade]”:

美しい虹。= Arco-íris que é belo. → 美しくない虹。= Arco-íris que não é belo.

狭い部屋。= Quarto que é estreito →  狭くない部屋。= Quarto que não é estreito.

たもつは面白くない本を買った。= Falando de Tamotsu, ele comprou um livro que não


é interessante.

みどりも新しくない自転車で学校に行く。= Falando de Midori, ela também irá à escola


por meio de bicicleta que não é nova.

B) Forma passada afirmativa: Na lição 14, vimos que 「 な い 」 é conjugado da


mesma forma que os Keiyoushi e que sua forma passada é construída anexando-se o
verbo auxiliar  「た」 a sua base Ren’youkei do conjunto  かり. Sendo assim, esta é a
regra para se colocar os Keiyoushi no passado. Considere também as mudanças
eufônicas ocorridas. Observe:

Abaixo, alguns exemplos:

りんごが美味しい。= A maçã é o que é saboroso. → りんごが美味しかった。= A maçã (é


o que) era saborosa.

空は青い。= Falando do céu, é azul. → 空は青かった。= Falando do céu, era azul.

Como vimos na lição 14, o verbo auxiliar 「た」  é uma forma contraída de  「たる」 ,
que por sua vez originou-se da junção da partícula   「 て 」 + 「 あ る 」 , base
Rentaikei de 「あり」 . Uma vez que é possível usar a base Rentaikei para atribuir
algo à outra coisa, também podemos utilizar o Keiyoushi no passado para modificar
diretamente um substantivo, isto é, expressar “algo que não era [qualidade]”:
美しい虹。= Arco-íris que é belo. → 美しかった虹。= Arco-íris que era belo.
美しい虹。= Arco-íris que é belo. → 美しかった虹。= Arco-íris que era belo.

狭い部屋。= Quarto que é estreito → 狭かった部屋。= Quarto que era estreito.

みやこが美しかった虹を見た。= Miyako (é quem) viu o arco-íris que era belo.

ひろしが狭かった部屋にいる。= Hiroshi (é quem) está no quarto que era estreito.

C) Forma passada negativa: para construir a forma negativa, devem-se seguir os


seguintes passos:

I. Conjugar 「ない」 no passado:

II. Anexar à construção resultante, isto é, 「なかった」 à base Ren’youkei do conjunto 


く do Keiyoushi:

Vejamos alguns exemplos:

美しい虹。= Arco-íris que é belo. → 美しくなかった虹。= Arco-íris que não era belo.

狭い部屋。= Quarto que é estreito → 狭くなかった部屋。= Quarto que não era estreito.

みやこが美しくなかった虹を見た。= Miyako (é quem) viu o arco-íris que não era belo.

ひ ろ し が 狭 く な か っ た 部 屋 に い る 。 = Hiroshi (é quem) está no quarto que não era


estreito.

Existe um Keiyoushi que significa "bom" que age de forma ligeiramente diferente de
todos os outros. Este é um caso clássico de como aprender japonês é difícil para
iniciantes, por que as palavras mais comuns têm as maiores exceções. A palavra para
"bom" era originalmente 「よい」 (良い). Porém, com o tempo, devido à mudança
eufônica para i, tornou-se   「 い い 」 . Quando escrito em Kanji, é geralmente lido
como  「よい」 , e 「いい」  aparece quase sempre em Hiragana. Entretanto, todas as
conjugações ainda derivam de  「よい」  e não de  「いい」 . Outro adjetivo que age
assim é  「かっこいい」  por que é uma versão abreviada de duas palavras unidas:
「 格 好 」  e  「 い い 」 . Consequentemente, tem as mesmas conjugações. Observe o
quadro a seguir:

値段がよくない。= O preço não é bom.


値段がよくない。= O preço não é bom.

彼はかっこよかった! = Ele estava muito bonito!

Falando no Keiyoushi  「いい」 , observe a próxima oração:

寿司を食べてもいい?= Posso comer sushi? (Lit. Mesmo se comer sushi, é bom?)

O padrão acima é muito utilizado para se pedir permissão para fazer algo. Ele nada
mais é do que a junção das partículas 「て」 e 「も」 que possibilita expressarmos o
contraste entre situações. Na linguagem casual é comum omitir-se a partícula  「も」
:

寿司を食べていい?= Posso comer sushi? (Lit. (eu) vou comer sushi e é bom?)

Note que, embora a tradução literal tenha mudado um pouco, o sentido é o mesmo.
Aliás, podemos usar 「宜しい」 no lugar de  「いい」 se quisermos soar mais formais:

車を使ってもよろしい。 = (Você) pode usar o carro (Lit. Mesmo se usar o carro, é bom)

Agora, observe o próximo exemplo:

まことがきてよかった。= (Eu) estou feliz por Makoto ter vindo. (Lit. Makoto veio e foi
bom).

Embora livros convencionais costumem abordar esta expressão como se fosse algo
novo, não há nenhum segredo nela se traduzirmos literalmente. É apenas uma
sequência de ações/estados, em que usado a forma tradicional de  「 い い 」 , isto é,
 「よい」 .

18.4. ALGUNS CASOS QUE MERECEM ATENÇÃO

É natural pensar que para os adjetivos existentes em nossa língua materna deva
existir um equivalente em japonês. Certamente com a maioria é assim; mas com
alguns, não. Nestes casos, a “ideia de adjetivo” nos é dada através dos verbos.

お腹が空いた。= faminto (literal: o estômago está esvaziado).

喉が乾いた。= sedento (literal: a garganta está seca).

E se, por exemplo, quisermos dizer que [A] é magro ou que [B] é gordo? De fato,
existem adjetivos propriamente ditos para "gordo" e "magro" –  「太い」 e      「細い」
–, mas podem soar ofensivos a um japonês. Portanto, use verbos:

みどりは太た。 = Midori engordou.

まことは痩せた。 = Makoto emagreceu.

Os falantes nativos, muitas vezes, retiram o 「い」 final de alguns Keiyoushi, quando
usados como exclamações simples:

さむ!= Está frio!

あつ!= Está quente!


あつ!= Está quente!

まず!= É desagradável!

Agora, observe os três adjetivos a seguir:

エロい = Erótico

グロい = Grotesco

ナウい = Moderno

Estes adjetivos derivam diretamente de [エロ(チシズム)], [グロ(テスク)] e [ナウ] (do


inglês "now").

Perceba que estes adjetivos terminam com 「い」 , embora não tenham sua origem
em palavras nativas. Na realidade, eles não foram agregados ao léxico japonês como
Keiyoushi, mas sim como substantivos e/ou Keiyoudoushi, e posteriormente foram
transformados em Keiyoushi. Esse fenômeno é recente e tem ocorrido na linguagem
coloquial, de onde nascem também verbos como  「タクる」 , que significa “pegar um
táxi” e  「マクる」 , cujo significado é “comer no McDonalds”.

Responda agora: qual é o correto:  「大きい」 ou  「大きな」  (grande)?   「小さい」 ou


 「小さな」  (pequeno)?

Bem, ambas as formas de cada adjetivo são aceitáveis. A diferença é que a versão
Keiyoudoushi soa mais poética, sendo muito comum na poesia e canções.

Um elemento interessante é 「め」 (目). Em si ele significa “olho”, mas pode ser usado
como sufixo, sendo comum em Keiyoudoushi, no lugar do 「い 」final.

Essencialmente, o “sufixo” 「 め 」 funciona de forma semelhante ao sufixo inglês


“ish”. Para melhor compreender, vamos observar uma definição para “ISH”:

Quando usamos o sufixo ISH estamos indicando uma ideia estimada. Com as horas eu
posso falar que vou chegar lá às nine o’clock-ish (nove horas-ish). Adicionando o ISH
sugere-se à pessoa que eu estou apenas estimando a hora. Podemos fazer isso com
qualquer hora e usando O’clock não é necessário, 1ish/2ish/5.30ish etc. Então
brasileiros, Se você quer uma boa desculpa para sua pontualidade estereotipada isto
poderia realmente ajudá-lo. Uma vez eu fui à festa de um amigo que começou à
21horas, logo, a que horas eu cheguei lá? Às nove e quinze, pensando que a festa já
tinha começado, mas meu amigo nem tinha chegado ainda, e a festa era na casa dele!

-ISH com cores e características pessoais também é muito útil para ser vago para
descrever pessoas e coisas. Se eu quisesse descrever um amigo com o cabelo
vermelho, mas não exatamente vermelho, eu poderia falar que ele tem cabelos
REDDISH (avermelhados). É a mesma situação para alto ou gordo, Ele é TALLISH ou
FATTISH. Então, meu amigo é meio alto e meio gordo, mas ele não é nem um gigante
nem um lutador de sumô. Pense sobre quando tenta-se descrever alguém que você
não consegue lembrar muito bem, por exemplo: “ahh sim, eu conheço ele, ele é mais
ou menos baixo/alto (shortish/ tallish) e tem cabelo mais ou menos loiro/moreno

(lightish / darkish)”, poderia ser qualquer pessoa. (http://reallifeglobal.com/como-ser-


(lightish / darkish)”, poderia ser qualquer pessoa. (http://reallifeglobal.com/como-ser-
vago-falando-ingles)

Voltando para o japonês, trocando em miúdos poderíamos dizer que 「 め 」 não


muda o significado da palavra; apenas dá a ela um sentido muito vago, estimado,
no meio termo:

早い → 早め

Ambos os elementos significam “cedo”. Porém, 「早め」 tem um sentido mais “solto”,
vago.

“Se você não puder ser gentil, pelo menos, seja vago”. (C.S. Lewis)

Finalmente, com relação aos Keiyoushi e Keiyoudoushi alguns coloquialismos são


comuns à maioria dos dialetos (lição 49) da língua japonesa. Assim como toda língua
falada, ocorrem contrações utilizadas no cotidiano. Um padrão normalmente visto é:

「~(あだん)い」 ou 「~(おだん)い」 → [~ fonema respectivo em「えだん]+


「え]].

Por exemplo, 「 た べ な い ] → 「 た べ ね え ] e 「 す ご い ] → 「 す げ え ] (mais


comumente usado com 「ない]).

Em animês este padrão costuma ser usado com frequência. Em um dos episódios de
Dragon Ball Super, Goku diz 「嘘がきれえ], forma coloquial de 「嘘がきらい].

18.5. DIZENDO QUE ALGO É FACIL OU DIFÍCIL DE FAZER

Vamos tratar agora de uma das maneiras de descrever se uma ação é fácil ou difícil
de fazer. Basicamente, trata-se apenas de anexar à base Ren’youkei 「やすい」  para
fácil e  「にくい」  para difícil. A constução, logicamente, em termos de conjugação
transforma-se em um Keiyoushi regular. Muito fácil, não é? Vejamos o quadro
abaixo:

Agora, vejamos alguns exemplos práticos:

漢字は読みにくい。= Falando de Kanji, é difícil de ler.

日本語が話しやすい。= É fácil falar japonês.

O Kanji para  「にくい」 na verdade vem de  「難い」 , que também pode ser lido
como  「かたい」 . Como resultado, você também pode adicionar uma versão vozeada
 「~がたい」  à base Ren’youkei de um verbo para expressar a mesma coisa que  「に
くい」 :

漢字は読みがたい。= Falando de Kanji, é difícil de ler.

Por falar em 「かたい」, há uma maneira arcaica, clássica de se dizer que algo não é
difícil. Para tanto, basta anexar a forma negativa de 「かたい」, isto é, 「かたくない」
difícil. Para tanto, basta anexar a forma negativa de 「かたい」, isto é, 「かたくない」
a uma ação ou substantivo através da partícula 「に」:

察するにかたくない。= É fácil de presumir (Lit. Presumir não é difícil).

Pode parecer estranho o fato da partícula 「 に 」 ser anexada diretamente a um


verbo. Entretanto, lembre-se que na lição 12 mencionamos que a Base Shuushikei
teoricamente não existe mais no japonês moderno. Durante a fase de Japonês Médio
Tardio nos períodos Kamakura (1185-1333) e Muromachi (1336-1573), a Base
Shuushikei foi gradualmente perdendo espaço para a Base Rentaikei, que passou a
ser usada para ambos os papéis gramaticais, realinhando as conjugações. E uma das
possibilidades da Base Rentaikei era ser seguida por partículas. Tal recurso é bem
mais restrito na língua moderna, entretanto, tenha sempre em mente que há
expressões arcaicas, usadas principalmente na escrita (ainda que raramente),
oriundas do Japonês Clássico.

 「にくい」  é mais comum na fala, enquanto  「がたい」  é mais adequado para o


meio escrito.  「にくい」  tende a ser usado para ações físicas, ao passo que 「がた
い」  é geralmente reservado para ações menos físicas que realmente não requerem
movimento. No entanto, não parece haver nenhuma regra rígida sobre o que é mais
apropriado para um determinado verbo. Você também deve sempre escrever o
sufixo em Hiragana para evitar ambigüidades na leitura.

Ainda, outra variação mais grosseira de 「 に く い 」   é   「 づ ら い 」 , versão


ligeiramente transformada de 「つらい」  (辛い). Este sufixo não deve ser confundido
com  「からい」 (辛い), que significa “picante”:

漢字は読みづらい。= Falando de Kanji, é difícil de ler.

18.6. TRANSFORMANDO ADJETIVOS EM SUBSTANTIVOS

Vamos agora aprender como indicar uma quantidade de algum adjetivo através do
sufixo 「さ」 . Por exemplo, podemos pegar o adjetivo "alto" a fim de obter "altura".
Em vez de olhar para a altura, podemos até mesmo pegar o adjetivo "baixo" para
focarmos na quantidade de baixeza em oposição à quantidade de alteza.

Na verdade, não há nada que nos impeça de usar isso com qualquer adjetivo para
indicar uma quantidade desse adjetivo. O resultado torna-se um substantivo comum.

A regra de anexação de  「さ」 é simples: no caso dos Keiyoushi, basta anexá-lo ao


Gokan; no caso dos Keiyoudoshi, simplesmente anexe-o:

Vejamos alguns exemplos:

優しさが怒りを鎮める。= O carinho (é que) apazigua a fúria.

彼は静けさを好む。= Falando de ele, (ele) prefere o silêncio.

NOTA: para o grau correspondente a “silêncio” em português, podemos usar  「静か


NOTA: para o grau correspondente a “silêncio” em português, podemos usar  「静か
さ」 ou  「静けさ」 , porém,  「静けさ」 parece ser mais comum.

Entretanto, há algo ambíguo nos substantivos que dão origem a adjetivos em


português. Por exemplo: o adjetivo “profundidade” pode tanto se referir à
profundidade de um rio (sentido objetivo), como também à profundidade de um
poema (sentido figurado, emotivo). Felizmente, no japonês não existe esta
ambiguidade, bastando, anexar  「み」 para indicar a segunda opção. De fato, poderá
ser difícil assimilarmos esta sutileza, já que em português parecem idênticos, mas
observe o quadro abaixo:

O sufixo  「み」 é baseado principalmente na percepção direta, ao passo que  「さ」 é


mais analítico e descreve de forma mais analítica o grau, quantidade do estado
representado pelo adjetivo. Normalmente,   「 み 」 não é usado com Keiyoudoushi.
Compare as orações:

彼は深みがない。= Falando de ele, não existe profundidade. (sentido figurado)

深さは5フィートだ。= Falando da profundidade, é de 5 pés. (sentido objetivo)

Além desses dois sufixos, há também  「け」 ,  「げ」 ou  「 き 」 (todas leituras de


  「 気 」 ), que cria um substantivo que tem sentido de "ter a
impressão/sensação/aparência de". Por exemplo,   「 寒 げ 」 ( さ む げ ), significa a
“aparência de frio”.

18.7. A BASE REN’YOUKEI COMO SUBSTANTIVO

Na lição 12, mencionamos que podemos usar a base Ren’youkei de um verbo para
transformá-lo em substantivo (ou pelo menos para que se porte como tal). Isso
também seria válido para os Keiyoushi?

Observe o quadro abaixo:

Há teorias que apontam que a terminação 「く」da Base Ren’youkei dos Keiyoushi
seja na verdade uma versão mais curta do substantivo arcaico 「 あ く 」 , que nos
tempos antigos funcionava como o substantivo genérico 「こと」, cujo significado é
“coisa”. Por essa razão, alguns podem imaginar que esse procedimento “transforme”
todos os Keiyoushi em substantivo. Bom, poderíamos dizer que sim tecnicamente,
mas na prática não é o caso. Em outras palavras, nem  todos se tornarão substantivos
autônomos “utilizáveis”, pois tal recurso não é comum e é aplicado apenas a alguns
casos.

18.8. USANDO VERBOS COMO ADJETIVOS

Vimos que se usa a base Rentaikei dos adjetivos para se atribuir algo à outra coisa.
Consequentemente, por lógica é natural pensar que é possível usar verbos, já que
eles também possuem base Rentaikei. Considere a seguinte oração em português:
eles também possuem base Rentaikei. Considere a seguinte oração em português:

“A pessoa que morre.”

A oração acima pode não fazer muito sentido, mas o importante aqui é que você
perceba que o fragmento “que morre.” descreve o tipo de pessoa da qual estamos
falando. Em japonês, podemos construir esse tipo de oração usando a base Rentaikei
dos verbos, a fim de fazer com que eles modifiquem diretamente outro termo:

死ぬ。= Morrer. → 死ぬ人。= pessoa que morre.

No japonês moderno as bases Shuushikei e Rentaikei são idênticas, mas no Japonês


Clássico, antes do Período Kamakura, obviamente, era usado   「 死 ぬ る 」 , base
Rentaikei clássica de  「死ぬ」 :

死ぬ。= Morrer. → 死ぬる人。= pessoa que morre.

Voltando para o japonês moderno, essa simples construção nos permitirá modificar
um termo com qualquer verbo singelo. Observe mais exemplos:

映画を見る。= Ver o filme. → 映画を見る人。= Pessoa que vê o filme.

まことがする。= Makoto (é quem) faz. → まことがする仕事。= O trabalho que Makoto


faz.

学校に行った。= Foi à escola. → 学校に行った学生。= Aluno que foi à escola.

学生じゃない。= Não é estudante. → 学生じゃない人。= Pessoa que não é estudante.

友達じゃなかった。= Não era amigo. → 友達じゃなかったひろし。= Hiroshi, que não


era amigo.

A partir daqui, seremos capazes de construir frases mais complexas, tratando toda a
oração que descreve o substantivo como um simples substantivo (afinal é do
substantivo que estamos falando; apenas estamos o descrevendo). Por exemplo,
podemos fazer de toda a oração um assunto ou algo especificado, como nos próximos
exemplos:

まことがする仕事は難しい。= Falando do trabalho que Makoto faz, é difícil.

みどりが愛する人は弁護士になった。= Falando da pessoa que Midori ama, tornou-se


advogado.

Um ponto extremamente importante é que usamos o pronome relativo “que” na


tradução para ligar o substantivo ao restante da oração. É claro que isso não é regra,
e podemos usar outros termos na tradução, dependendo do contexto. O importante
aqui é você entender o conceito, ou seja, que o verbo está atribuindo uma
característica ao substantivo.

Agora, observe as seguintes orações:

彼女が見た映画。vs. 彼女は見た映画。
Por meio das duas orações acima, podemos notar mais uma vez como as partículas
Por meio das duas orações acima, podemos notar mais uma vez como as partículas
「は」 e 「が」 são diferentes. A primeira oração significa “O filme que ela viu”, ao
passo que, tendo em mente que a partícula 「 は 」 tem um sentido de “falando
de...”, a segunda é traduzida como “Falando dela, o filme que foi visto.”.

Notou a diferença?

Sendo assim, o sujeito de orações subordinadas adjetivas será sempre marcado


pela partícula 「が」.

Vale ressaltar também que, ao modificamos um substantivo com um verbo, às vezes


nos depararemos com uma certa ambiguidade. Por exemplo, 「 見 な い 人 」 por si
mesmo pode significar tanto “pessoa que não vê” como “pessoa que não se vê”. Aqui
novamente o contexto será o nosso aliado para esclarecer as coisas.

Lembre-se de anexar 「 な 」 aos Keiyoudoushi para a forma positiva não-passada.


Agora, observe a oração a seguir:

彼女が好きな人。= ?

Esse tipo de oração, em si, torna-se ambíguo pela falta de contexto, podendo ser
traduzido tanto como “Ela é a pessoa que gostam”, “pessoa que ela gosta” ou ainda
“pessoa que gosta dela”. Basicamente, a partícula 「 が 」 especifica “ELA”, mas não
nos diz quem está exercendo a ação de gostar. Talvez visando remover esta
ambiguidade, em algumas ocasiões as pessoas usam 「を」  com o Keiyoudoshi  「好
き」 , no japonês casual:

彼女を好きな人。= Pessoa que gosta dela.

Seja como for, esse tipo de ambiguidade não ocorre em frases como a seguinte:

彼女が見た人。= Pessoa que ela viu.

Note que não podemos traduzir a frase acima como “Pessoa que a viu”, porque, neste
caso, “ela” se tornaria o objeto direto do verbo e, como vimos em lições passadas, a
partícula   「 が 」 não pode ser usada para especificar tal elemento. Portanto, se
quiséssemos dizer “Pessoa que a viu”, teríamos que usar a partícula exclusiva de
objeto direto  「を」 :

彼女を見た人。= Pessoa que a viu.

Alguns podem supor por lógica que seja possível utilizar a base Rentaikei da cópula
「 だ 」 , para fazer com que o estado-de-ser sirva de adjetivo para um substantivo.
Sendo assim, teríamos algo do tipo:

学生な人。= Pessoa que é estudante. (??)

Na verdade, tal construção é gramaticalmente incorreta. Se quisermos modificar um


substantivo usando o estado-de-ser como adjetivo, podemos usar a base Rentaikei da
cópula 「である」 , embora isso seja raramente usado:

学生である人。= Pessoa que é estudante.


Entretanto, esta restrição quanto à 「だ」 não se aplica as suas outras formas e, por
Entretanto, esta restrição quanto à 「だ」 não se aplica as suas outras formas e, por
isso, as orações a seguir estão corretas:

学生じゃないたもつは、学校に行かない。= Falando de Tamotsu, que não é estudante,


não vai à escola.

友達じゃなかったひろしは、いい友達になった。= Falando de Hiroshi que não era um


amigo, tornou-se um bom amigo.

先週に医者だったみやこは、仕事を辞めた。= Falando de Miyako que era uma doutora


semana passada, desistiu de seu emprego.

Agora observe o próximo exemplo:

りんごも食べる人。= Pessoa que também come maçã.

Ok, a oração acima é de fácil construção e compreensão, mas a citamos aqui porque o
uso de 「も」 nesse tipo de construção pode causar confusão no estudante iniciante.
Por exemplo, e se quiséssemos construir a oração “coração que também queima”?
Obviamente, não poderíamos dizer 「 も 燃 え る 心 」 , pois como já mencionamos,
「も」 funciona basicamente como a partícula de tópico com um sentido a mais de
"também". Sendo assim, ela deve sempre estar precedida de algum elemento.

O que fazer, então? Bem, o que podemos fazer nesses casos é usar um advérbio que
tenha sentido de “também”. Como só vamos abordá-los na lição 21, aguarde o
exemplo prático até lá.

Podemos também modificar um substantivo com outro através da partícula 「の」 ,


que abordaremos no primeiro tópico da próxima lição.

18.9. DIANTE DE UM VERDADEIRO QUEBRA-CABEÇA

Agora que somos capazes de construir sentenças mais elaboradas através da


utilização de verbos para modificar substantivos, já será possível abordar algo muito
importante: você se lembra que na lição 16 tratamos do ordenamento casual das
palavras e citamos dois “fenômenos” – a inversão de elementos e a omissão de
partículas? Bem, mas o que isso tem a ver com o que aprendemos no tópico anterior?
Para ilustrar, observe a sentença abaixo:

犬は無くした骨を見つけた。= O cachorro encontrou o osso que perdeu.

A sentença acima é de fácil entendimento. Note que, mesmo se omitíssemos as


partículas, ainda assim, ela seria compreensível:

犬無くした骨見つけた。= O cachorro encontrou o osso que perdeu.

Agora imagine se, com as partículas omitidas, ainda invertêssemos os elementos


dessa oração, por exemplo, do seguinte modo:

見つけた犬無くした骨。= ???

Sem um contexto, não somos capazes de indicar ao certo o sentido desta frase, pois
não sabemos por onde ela deve começar, ou qual a função de cada elemento
não sabemos por onde ela deve começar, ou qual a função de cada elemento
dentro dela. Por exemplo, será que 「 見 つ け た 」 está modificando o substantivo
「 犬 」 , e esta construção pode ser traduzida como “o cachorro que (eu) encontrei
perdeu o osso”? É uma possibilidade, mas será esse o sentido que o “autor” quis
expressar? Veja como a ocorrência em conjunto da omissão de partículas e da
inversão de elementos pode causar uma ambiguidade extrema (e olha que ainda
nem aprendemos construções mais complexas, pois pode ficar ainda mais ambíguo).
Apenas pra reforçar, observe agora o próximo trecho:

骨を見つけた犬。

Na lição 16 mencionamos que em qualquer idioma, conversações costumam ser


caóticas e é comum que as pessoas digam a primeira coisa que vem em suas
mentes sem pensar na sentença como um todo. É claro que o trecho acima pode
ser entendido como “cachorro que encontrou o osso”, mas é importante que você
considere outras possibilidades; tudo dependerá do contexto. Por exemplo, nada
impediria que o entendêssemos como 「 犬 は 骨 を 見 つ け た 」 , isto é, “falando do
cachorro, (ele) encontrou o osso”.

Infelizmente, a ocorrência em conjunto da omissão de partículas e da inversão de


elementos não é rara. Particularmente, em músicas ela é extremamente comum.
Isso é compreensível, uma vez que o compositor muitas vezes se vê obrigado a usar
estes recursos para fazer rimas, encaixar a letra na melodia ou mesmo fazer as
palavras soarem mais legais e/ou harmoniosas dentro do conjunto, algo que seria
impossível de ser alcançado se ele seguisse os “padrões corretos” da língua. Sendo
assim, com certeza, ao ler letras de música, você frequentemente se perguntará
“Onde essa frase começa?”, “Qual a função de cada elemento desta parte e como ela
deve ser traduzida?”. Enfim, um verdadeiro quebra-cabeça.

E como juntar as peças corretamente?

Como sempre, o contexto e conhecimento de gramática serão nossos maiores aliados.


E mais: neste caso, entenda “contexto” como sendo também, além da letra como um
todo, a melodia, a atmosfera da canção, o tom no qual as palavras são cantadas, os
instrumentos usados ou mesmo a personalidade do cantor. Use seu conhecimento de
gramática de forma criativa, isto é, enquanto estiver traduzindo a letra, use sua
imaginação dentro dos limites gramaticais.

Por falar nisso, relembremos um trecho da lição 16:

“Vale lembrar que canções também se encaixam no que acabamos de ver,


seja por inversão de elementos ou omissão de partículas:

「ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に。。。」= Nas proximidades desta janela,


o crepúsculo (é o que) envolve nós dois.

Veja que neste pequeno trecho da famosa canção 「君といつまでも」 de


Kayama Yuzo, os elementos não seguem o dito padrão [sujeito] [objeto]
[verbo], mas podemos entender perfeitamente a sentença. A partícula
「 を 」 nos mostra qual é o objeto direto ( ふ た り ) do verbo 「 つ つ む 」 ,

「 が 」 especifica o que envolve os dois ( 夕 闇 ) e 「 に 」 indica o alvo da


「 が 」 especifica o que envolve os dois ( 夕 闇 ) e 「 に 」 indica o alvo da
ação, mais precisamente, o local ( こ の 窓 辺 ) onde o crepúsculo envolve o
casal. Que fique claro, entretanto, que estamos analisando esse trecho
isoladamente apenas para fins didáticos, tentando demostrar o fenômeno
de inversão de elementos. Em outras palavras, dentro do contexto geral,
ele pode ser interpretado de outro modo, o que, neste momento, não vem
ao caso. Vamos abordar isso no tópico 18.9.”

Primeiramente, vamos ver o trecho completo:

ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に明日も素晴らしい幸せが来るだろう。

Será que 「この窓辺」 está na verdade sendo modificado pela oração 「ふたりを夕
闇がつつむ」, e devemos traduzir esse trecho como “Nas proximidades desta janela
em que o crepúsculo envolve nós dois”? Bem, isso faz sentido considerando o
restante da frase, isto é, 「明日も素晴らしい 幸せが来るだろう」 .

Nós vamos ver 「 だ ろ う 」 na lição 38, mas por hora, saiba que ele é usado para
expressar alguma certeza sobre algo. Sendo assim, o segundo trecho da frase pode
ser traduzido como “amanhã também uma maravilhosa felicidade virá certamente”.

Claro que nada impede de interpretarmos as duas partes de forma autônoma, como
“Nas proximidades desta janela, o crepúsculo (é o que) envolve nós dois” e “Amanhã
também uma maravilhosa felicidade virá certamente”, mas também é plausível
pensar que provavelmente 「この窓辺」 esteja sendo modificado pela oração 「ふた
りを夕闇がつつむ」 e seja o alvo do verbo 「来る」. Assim, teríamos:

ふ た り を 夕 闇 が つ つ む こ の 窓 辺 に 明 日 も 素 晴 ら し い 幸 せ が 来 る だ ろ う 。 = Às
proximidades desta janela em que o crepúsculo envolve nós dois, amanhã também
uma maravilhosa felicidade virá certamente.”

Aliás, que tal fazermos um paralelo com a língua portuguesa disso tudo que
acabamos de abordar? Assim, você notará que esse tipo de ambiguidade pode
acontecer em qualquer idioma. Para tanto, responda sinceramente:

“Alguma vez você já parou para analisar a letra do Hino Nacional Brasileiro?”

Recomendamos que você leia o artigo “Entenda a letra do Hino Nacional” do blog
“Português na Rede”. Particularmente, destacamos um trecho:

“O que complica mesmo na interpretação do Hino Nacional é o grande número


de inversões.”

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#
Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Nihongo Resources: http://grammar.nihongoresources.com/doku.php

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

Handbook of Japanese Grammar, Harold G Henderson

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

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LIÇÃO 19: PARTÍCULAS III
Vimos como modificar substantivos através dos adjetivos e da base Rentaikei
dos verbos. Como de costume, vamos estender este conceito aprendendo mais
partículas, além de aprender como enumerar substantivos.

19.1.  「の」 COMO PARTÍCULA ATRIBUTIVA, EXPLICATIVA E SUBSTITUTIVA

No penúltimo tópico da lição anterior, mencionamos que é possível modificar um


substantivo por meio de outro, através da partícula 「の」 . Em muitos métodos, ela é
chamada de partícula de posse, mas essa nomenclatura pode gerar confusão. Na
verdade, dentre outras funções,   「 の 」 pode transformar um substantivo em
atributo, isto é, um qualitativo que se acrescenta ao significado de um substantivo,
sem alterá-lo basicamente. Observe o quadro a seguir:

No exemplo acima, a partícula 「の」 permitiu que transformássemos o substantivo


「友達」 em um atributo do substantivo 「車」 , isto é, não é de carros em geral que
estamos falando, mas sim um carro cujo atributo é “do amigo”. Perceba que, da
mesma forma que os adjetivos ou verbos usados como adjetivos, o termo que
descreve virá sempre antes. Vejamos mais exemplos:

まことの本。= Livro do Makoto.

大学の住所。= Endereço da faculdade.

鋼の魂。= Alma de aço.

図書館の近く。= Perto da biblioteca (Lit. Proximidade da biblioteca).

課長のあきら。= Akira, chefe da seção.

No terceiro, quarto e quinto exemplos, vemos claramente por que chamar 「の」 de
partícula de posse pode gerar confusão, afinal “alma” não é posse de “aço”, mas “aço”
é atributo de “alma”, assim como “biblioteca” é atributo de “proximidade” e “chefe da
é atributo de “alma”, assim como “biblioteca” é atributo de “proximidade” e “chefe da
seção” é atributo de “Akira” (o que seria para nós neste caso um aposto).

Também pode haver uma sequência de substantivos colocados juntos, sem que
estejam destinados a modificar o outro. Por exemplo, em expressões como
"Internacional Educação Centro”, temos apenas uma seqüência de substantivos sem
quaisquer modificações gramaticais entre eles. Não é um "Centro de Educação, que é
Internacional" ou um "Centro para Educação Internacional", etc, é apenas
"Internacional Educação Centro”. Em japonês, pode-se expressar isso simplesmente
como 「 国 際 教 育 セ ン タ 」   (ou   「 セ ン タ ー 」 ). Você verá esse encadeamento de
substantivos em muitas combinações. Às vezes, uma determinada combinação é tão
comumente usada que praticamente se torna uma palavra separada, sendo até
listada como uma entrada em alguns dicionários. Alguns exemplos incluem:  「登場人
物」 、 「立入禁止」 、or  「通勤手当」 .

Aproveitando esse ponto, lembra-se que na lição 16, mencionamos que partículas são
comumente omitidas na linguagem casual? Isso também se aplica a  「の」 :

未来(あした)予報はいつも晴れ = a previsão do tempo de amanhã é sempre tempo


limpo.

Nesse título da música de encerramento do seriado “Jiban”, nota-se que  「 の 」 foi


omitido, devendo aparecer em  「未来(あした)の予報」 . Aliás, aqui temos um caso
de Gikun. Olhe a composição  「未来」 (み らい ) , sendo usada de improviso para
grafar a palavra  「明日」 (あした).

Há palavras que em japonês são classificadas como substantivos, mas podem ser
traduzidas como adjetivos em outras línguas. Por esta razão, alguns métodos
preferem chama-las de “adjetivo-NO”. Entretanto, isso pode ser encarado apenas
como uma tentativa de encaixar o japonês nos moldes das línguas ocidentais, pois
etimologicamente falando, esta classe não existe em japonês. Vejamos alguns
exemplos:

特別の人。= Pessoa importante.

特定の文脈。= Contexto específico.

不明の鍵。= Chave desconhecida.

Como essas palavras são consideradas essencialmente substantivos, livros ensinam


que se deve usar   「 の 」 , e em documentos oficiais segue-se este padrão. Em
contrapartida, na vida cotidiana, é comum que os falantes nativos usem 「な」 nestes
casos e isso é perfeitamente aceitável. Por isso não se preocupe com isso, até que você
tenha que ser formal. Mais exemplos:

緑の傘。= Guarda-chuva verde.

紫の花。= Flor roxa.

鼠色の帽子。= Chapéu cinza.


鼠色の帽子。= Chapéu cinza.

Como estamos tratando da função atributiva da  partícula 「 の 」 , será oportuno


mencionar uma particularidade muito importante de dois Keiyoushi. São eles:「おお
い 」 ( 多 い ) e 「 す く な い 」 ( 少 な い ), que significam “vários” e “poucos”
respectivamente. Segundo este post do blog do Tae Kim, embora sejam Keiyoushi,
não devem ser usados para modificar diretamente um substantivo, como, por
exemplo, 「多い車」 e 「少ない車」. Sendo assim, devem ser usados no predicado
somente. Observe:

車は多い。= Há vários carros.

車が少ない。= Há poucos carros.

Entretanto, podemos nos valer da possibilidade de transformá-los em substantivo


através da Base Ren’youkei do conjunto く (que pode funcionar como um
substantivo) e, então, usar a partícula 「の」, apesar de isso soar arcaico:

多くの車

少なくの車

A partícula 「の」 anexada ao final da última sentença de uma frase também pode
transmitir um tom explicativo para sua sentença. Por exemplo, se alguém lhe
perguntasse se você tem tempo disponível para fazer algo, você poderia responder:
"O fato é que eu estou ocupado agora." A expressão abstrata e genérica que dá o tom
explicativo (neste caso, “o fato é que”) também pode ser expressa com  「の」 . Este
tipo de frase tem um significado embutido que explica o motivo(s) para outra coisa:

今は忙しいの。= (O fato é que) estou ocupado agora.

Isto soa muito suave e feminino. Na verdade, os homens adultos, quase sempre
adicionarão um declarativo 「 だ 」 , a menos que eles querem soar graciosos por
algum motivo:

今は忙しいのだ。= (O fato é que) estou ocupado agora.

No entanto, já que o declarativo   「 だ 」 não pode ser usado via de regra em uma
pergunta, o mesmo  「の」 em questões não carrega um tom feminino e é usado tanto
por homens e mulheres:

今は忙しいの?= (O fato é que) (você) está ocupado agora?

Para expressar o estado-da-estar, quando a partícula  「の」 é usada para transmitir


esse tom explicativo, precisamos adicionar  「な」 , base Rentaikei de 「だ」  , para
distingui-lo de sua função atributiva:

ひろしのだ。= É do Hiroshi.

ひろしなのだ。(O fato é que) é Hiroshi.


Excluindo-se este único caso, todas as conjugações do estado-de-ser permanecem as
Excluindo-se este único caso, todas as conjugações do estado-de-ser permanecem as
mesmas. Também é importante lembrar que nestes casos  「の」 pode ser contraído
para  「ん」 :

学生なんだ。= (O fato é que) é estudante.

ジュースを飲むんだった。= (Era o fato de) beber o suco.

学生なんじゃない。 = (Não é o fato que) é estudante.

ジュースを飲むんじゃなかった。= (Não era o fato de) beber o suco.

É claro que usamos a expressão em português “o fato é que” apenas para ilustrar. O
importante aqui é você ter em mente o tom explicativo da frase. A diferença crucial
entre o uso de   「 の 」 como partícula explicativa e não usar nada é que você está
dizendo ao ouvinte: "Veja, aqui está a razão", em vez de simplesmente transmitir
novas informações. Voltando ao exemplo inicial, se alguém lhe perguntasse: "Você
está ocupado agora?" você poderia simplesmente responder:  「今 は 忙しい。」 . No
entanto, se alguém lhe perguntasse: "Como é que você não pode falar comigo?", já
que obviamente você precisa dar algumas explicações, você responderia 「今 は 忙し
いの。」 ou  「今 は 忙しいん だ。」 . Em um mesmo sentido, podemos usar  「の」 se
quisermos expressar que procuramos explicações ao perguntar algo. Por exemplo, se
você quiser perguntar: "Ei, não é tarde?" você não pode simplesmente perguntar:
 「遅くない?」  porque isso significa apenas “Não é tarde?". Você precisa indicar que
está procurando explicação, isto é,  「遅いんじゃない?」 .

É oportuno mencionar que, quando colocada ao final de uma sentença, a partícula


「の」 pode indicar um comando leve, sendo usado por mulheres:

嘘は言わないの。 = Não diga mentiras.

Outro uso importante de  「の」 é aquele que chamaremos de “função substitutiva”,


isto é, ele pode substituir um termo subentendido pelo contexto. Observe o
diálogo a seguir:

MIYAKO:新しい靴を買った? = (Você) comprou um sapato novo?

HIROSHI:ええ、白いのを買った。= Sim, comprei um (sapato) branco.

Veja como  「の」 substitui o substantivo  「靴」 , já que este está subentendido, não
sendo necessário repeti-lo. Temos o que seria  「ええ、白い靴を買った。」 .

Em termos históricos, na antiguidade 「 が 」 exercia a função de 「 の 」 , como


partícula atributiva. O exemplo mais claro disso é o título do Hino Nacional Japonês:
「君が代」= Sua geração (reinado), que na versão moderna poderia soar 「君の代」.
Já a partícula 「の」, fazia as vezes de 「が」. Perceba, então, que houve uma troca de
funções entre as duas partículas na língua moderna. Entretanto, ainda no Japonês
Moderno 「の」 pode ser usado “à moda antiga”, no lugar da partícula 「が」 em
alguns casos, sendo mais comum em orações que servem de adjetivos, quando 「が」

especifica o sujeito da oração adjetiva. Retomemos alguns exemplos:


especifica o sujeito da oração adjetiva. Retomemos alguns exemplos:

まことがする仕事は難しい。= Falando do trabalho que Makoto faz, é difícil.

みどりが愛する人は弁護士になった。= Falando da pessoa que Midori ama, tornou-se


advogado.

Perceba que em ambas as orações adjetivas,   「 が 」 está especificando o sujeito,


então, poderíamos reconstruí-las deste modo:

 まことのする仕事は難しい。= Falando do trabalho que Makoto faz, é difícil.

みどりの愛する人は弁護士になった。= Falando da pessoa que Midori ama, tornou-se


advogado.

Outro exemplo dessa substituição é  「心配のない」 , que seria dito normalmente 「心


配がない」 .

NOTA: há construções gramaticais antigas e específicas que ainda são usadas no


Japonês Moderno em que 「の」 e 「が」são usados “à moda antiga”.

Aliás, podemos aproveitar esse conceito para reforçar nosso entendimento sobre a
partícula identificadora 「 が 」 . Ora, já que nos tempos antigos 「 が 」 e 「 の 」
podiam ser usadas como partículas atributivas, podemos dizer que 「 が 」 indica,
então, a “posse” de uma ação. Por exemplo, considere a oração 「ひろしが来る」 e
observe a figura abaixo:

Observe que 「 が 」 funciona como uma corrente que prende a ação a Hiroshi.
Portanto, é como se disséssemos “a ação de vir de (pertence a) Hiroshi.”. Em outras
palavras, Hiroshi é quem pratica a ação de vir.

19.2.  「と」 COMO PARTÍCULA INCLUSIVA E COMPARATIVA

Basicamente, a partícula  「と」 é semelhante à  「 も 」 na medida em que contém


um significado de inclusão. Ela pode combinar dois ou mais substantivos juntos para
significar "e":

ナイフとフォークでステーキを食べた。= Comeu bife por meio de garfo e faca.


ナイフとフォークでステーキを食べた。= Comeu bife por meio de garfo e faca.

本と雑誌と葉書を買った。= Comprou livro, revista e cartão postal.

 「 と 」 também indica que uma ação que foi feita em conjunto com alguém ou
alguma outra coisa:

友達と話した。= Conversou com amigo.

先生と会った。= Encontrou com professor.

Outro uso comum de  「と」 é indicar um elemento que está sendo comparado:

世界は昔とは違う。= O mundo (atual), comparado com tempos antigos, é diferente.

Neste exemplo o termo “tempos antigos”   「 昔 」 está sendo posto em comparação


com algo (neste caso, subentende-se “o mundo atual”). A partícula  「は」 aqui está
apenas enfatizando.

19.3.  「や」 COMO PARTÍCULA VAGA

A partícula 「や」  , assim como  「と」 , é usada para listar um ou mais substantivos,
com a diferença que ela é muito mais vaga. Isso implica que pode haver outras coisas
que não estão listadas e que nem todos os itens da lista podem ser aplicados. Em
português, você pode pensar nisso como uma lista do tipo "e / ou, etc":

飲み物やカップやナプキンは、いらない? = Falando de (coisas como) bebida, copo, ou


guardanapo, etc, (você) não precisa?

靴やシャツを買う。= Comprar (coisas como) sapatos e camisa, etc..

19.4.  「か」 COMO PARTÍCULA DE ALTERNATIVAS

A partícula   「 か 」   pode expressar a alternância entre termos, isto, um de seus


significados é “ou”:

靴かシャツを買う。= Comprar sapatos ou camisa.

先生かあなたが行く。= O professor ou você irá.

19.5. PARTÍCULAS DUPLAS II

Continuando a série em que abordamos as combinações básicas de partículas,  「 と


か」  tem o mesmo significado de  「や」 , mas é ligeiramente mais coloquial:

飲み物とかカップとかナプキンは、いらない? = Falando de (coisas como) bebida, copo,


ou guardanapo, etc, (você) não precisa?

Podemos juntar as partículas  「へ」 e  「の」 para expressar que o estar direcionado
a algo é atributo de outro elemento. Para tornar mais claro, observe o exemplo
abaixo:
彼への手紙。= Carta para ele. (Lit. Carta que é direcionada a ele.)
彼への手紙。= Carta para ele. (Lit. Carta que é direcionada a ele.)

Nesta construção, expressamos simplesmente que “ele” é para onde está direcionada
a carta e este fato é atributo dela, ou seja, não é uma carta para qualquer um, mas
para “ele”.

De forma semelhante, é possível combinar as partículas   「 で 」 e   「 の 」 para


expressar que o local onde determinada ação ocorre é atributo de outro elemento:

日本での活動。= Atividade que ocorre no Japão.

Outra combinação possível é com as partículas  「 て 」 e   「 の 」 . Essencialmente,


pode expressar que uma ação é atributo do elemento que segue:

ボールを使っての遊び。= Jogo em que se usa bola.

Embora possível gramaticalmente, note que isso pode não soar natural.

Podemos combinar a partícula  「と」 e  「の」 para mostrar basicamente que “com
[X]” é atributo de um substantivo:

忍者との戦い。= Batalha com o ninja.

Podemos também combinar   「 と 」 e   「 は 」 para indicar que uma palavra ou


expressão será definida. Esta partícula é frequentemente usada, por exemplo, em
enciclopédias para definir palavras:

Ubuntuとは。。。 = Ubuntu (significa) [definição...].

Quando usada sozinha com uma palavra 「 と は 」   denota o significado de "esta


palavra é definida como?" e pode ser traduzida como "O que é...":

Ubuntuとは?= O que é Ubuntu?

Cuidado para não confundir este uso de  「とは」 com 「と」 sendo acompanhado de 
  「 は 」 como partícula enfática. Neste caso, o contexto será nosso aliado para
sermos capazes de diferenciar:

ひろしとはスポーツをする。= (Eu) pratico esportes com Hiroshi.

Finalmente, pode indicar também surpresa ou choque:

彼が嘘を言ったとは。= Ele disse uma mentira.

Fontes:

Jgram.org: http://www.jgram.org

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/


Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Wiktionary: http://en.wiktionary.org/wiki/%E3%81%A8%E3%81%AF

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LIÇÃO 20: ONOMATOPEIAS
Nesta lição, aprenderemos um tipo de palavras as quais não damos muita
importância no português, mas que são muito comuns na língua japonesa.

20.1. OS TRÊS TIPOS DE ONOMATOPEIA

O que é onomatopeia? Segundo o dicionário Houaiss, “onomatopeia” é a formação de


uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que a língua
dispõe, de um som natural a ela associado. Por exemplo, “Din-don” é a reprodução do
som da campainha, bem como “Atchim” a do som de espirro.

Na língua japonesa, as onomatopeias 「 オ ノ マ ト ペ 」 constituem uma parte muito


importante no idioma; são usadas em tudo, desde brincadeiras casuais entre amigos
até contextos formais. Além disso, o uso de onomatopeias é um grande indicador de
fluência, pois sua aprendizagem é uma boa maneira de fazer o seu japonês soar mais
natural e fluente.

Há tantas onomatopeias em japonês que elas são divididas em três tipos diferentes:
「ぎせいご」(擬声語), 「ぎおんご」(擬音語) e 「ぎたいご」(擬態語).

I. Giseigo [「ぎせいご」(擬声語)]: se olharmos para os significados dos Kanjis, veremos


que 「 ぎ せ い ご 」 significa algo como “palavra que imita voz”. Então, esse tipo de
onomatopeia é aquela que descreve sons emitidos por pessoas e animais. É o tipo
de onomatopeia mais fácil de entender e é provavelmente por isso que muitas vezes
as crianças aprendem ruídos de animais muito cedo. Abaixo, segue um quadro com
alguns exemplos:
II. Giongo [「ぎおんご」(擬音語)]: literalmente “palavra que imita sons”. Ou seja, sons
que não se encaixam no grupo dos Giseigo são classificados aqui como, por exemplo,
efeitos sonoros como o vento soprando, uma explosão, ou chuvas. Dos três tipos de
onomatopéia, o 「 ぎ お ん ご 」 é o mais inconsistente, e o tipo da palavra que você
menos encontrará no dicionário. Pense os 「ぎおんご」 como palavras de ação que os
artistas usam em quadrinhos:

III. Gitaigo [ 「 ぎ た い ご 」 ( 擬 態 語 )]: literalmente “palavra que imita condição”. São


palavras que não imitam sons, mas sim descrevem sentimentos, qualidades e
atitudes. Veja que claramente não são onomatopeias se considerarmos sua definição
na língua portuguesa.
As onomatopeias são geralmente escritas em Katakana ou Hiragana, havendo uma
sutil diferença: com Katakana, se passa um ar mais ríspido, ao passo que com
Hiragana, um ar mais suave.

20.2. ONOMATOPEIAS COMO OUTRAS PARTES DO DISCURSO

Curiosamente, as onomatopeias japonesas podem ser transformadas em muitas


outras partes do discurso. Isso nem sempre é algo que você pode fazer em português,
mas em japonês, elas são muito mais flexíveis. Por exemplo, elas podem aparecer no
predicado, funcionando basicamente como um adjetivo:

ひろしは日本語がぺらぺら。= Falando de Hiroshi, o japonês é blá-blá (fluente).

お腹がぺこぺこだ。= O estômago é ronc (faminto).

ピカピカの新製品。= Nova linha de produtos que é plim-plim (Algo que brilha supõe
algo novo)

Podem ainda ser transformadas em advérbios e verbos. Contudo, veremos isso na


próxima lição.

20.3. EXISTEM MUITAS ONOMATOPEIAS

Este foi apenas um guia de onomatopeias e, é claro, muitas existem na língua


japonesa. Para saber mais, você pode conferir o “Dicionário de Giongo e Gitaigo” do
site em inglês NihongoResources.com ou confira o “Dicionário japonês ALC de
onomatopeias”.

Enfim, a melhor forma de aprender as onomatopeias é através da observação e não


através de um livro ou site. Então, da próxima vez que você estiver assistindo à TV
japonesa, lendo, ou falando com alguém, mantenha seus olhos e suas orelhas atentos
às onomatopeias!
Fontes:

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Nihongo Resources: http://www.nihongoresources.com/dictionaries/onomatopoeia.html

Dicionário japonês ALC de onomatopeias: http://home.alc.co.jp/db/owa/s_kaydic?


ctg_in=4&char_in=adictionary

Everything2: http://everything2.com/title/Japanese+onomatopoeia

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_sound_symbolism

Wikibooks: http://en.wikibooks.org/wiki/Japanese/Vocabulary/Onomatopoeia

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LIÇÃO 21: ADVÉRBIOS
Vimos como modificar substantivos com os adjetivos, Rentaishi, verbos e
onomatopeias. Agora, vamos estender esse conceito, aprendendo a modificar
outras classes de palavras por meio dos advérbios.

21.1. PROPRIEDADE DOS ADVÉRBIOS

Em português, advérbio é a classe gramatical das palavras que modificam um verbo,


um adjetivo ou mesmo outro advérbio. Nunca modificam um substantivo. É a palavra
invariável que indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal. Por exemplo,
comparemos as orações a seguir:

O ônibus chegou.

O ônibus chegou ontem.

A palavra ontem acrescentou ao verbo chegou uma circunstância de tempo: ontem


é um advérbio.

Marcos jogou bem.

Marcos jogou muito bem.

A palavra muito intensificou o sentido do advérbio bem: muito, aqui, é um advérbio.

A criança é linda.

A criança é muito linda.

A palavra muito intensificou a qualidade contida no adjetivo linda: muito, nessa


frase, é um advérbio.

21.2. FONTES DE ADVÉRBIOS

Há discordância entre os gramáticos japoneses com relação à definição e


classificação dos advérbios [ 「 ふくし」  (副詞)]. Alguns defendem a tese de que na
língua japonesa não existem advérbios propriamente ditos, mas somente um uso
adverbial de outras partes do discurso. Talvez por isso os Fukushi derivem de
adverbial de outras partes do discurso. Talvez por isso os Fukushi derivem de
várias fontes. Seja como for, vamos usar a nomenclatura “advérbio” para facilitar o
estudo. Além disso, uma vez que o sistema de partículas torna o ordenamento das
palavras em uma sentença flexível, eles podem ser colocados em qualquer lugar,
desde que estejam antes do verbo ao qual se referem. Vejamos:

I. Advérbios verdadeiros: são aqueles que, desconsiderando-se sua origem


etimológica, podem ser rotulados de advérbios puros, sendo encontrados como tais
no dicionário. Observemos 「 もう」  (já),  「 たくさん」  (muito) e 「 全然」  (nem um
pouco) nos exemplos a seguir:

もう暗い。= Já está escuro.

彼はもう出た。= Falando sobre ele, já saiu.

映画をたくさん見た。= Viu muitos filmes.

最近、全然食べない。= Ultimamente, (ele) não come nem um pouco.

II. Keiyoushi: a base Ren'youkei do conjunto   く dos Keiyoushi pode ser usada
também como advérbio:

彼女は優しく弟を抱きしめた。= Falando de ela, ela abraçou carinhosamente o irmão


mais novo.

ひろしは朝ご飯を早く食べた。= Falando de Hiroshi, ele rapidamente comeu o café da


manhã.

O advérbio 「 早 く 」     pode ter sentido tanto de velocidade quanto de tempo. Em


outras palavras, Hiroshi pode ter tomado seu café da manhã rapidamente ou ter
tomado cedo. Tudo isso depende do contexto. 

Cuidado para não confundir a forma substantiva dos Keiyoushi (Base Ren’youkei)
com a forma adverbial (também a Base Ren’youkei). Nestes casos, o contexto será o
nosso aliado para mostrar como devemos interpretar a Base Ren’youkei de um
Keiyoushi.

III. Rentaishi: vimos na lição sobre adjetivos que os Keiyoudoushi do tipo Tari foram
reclassificados como Rentaishi. Eles podem ser usados também como advérbios. Para
tanto, devem ser acompanhados de  「 と」  , base Ren’youkei da cópula clássica 「 た
り」  :

堂々 = Magnífico → 堂々と戦う。= Lutar magnificamente.

Isso faz todo sentido, afinal, como iremos conectar um Rentaishi que é usado com  「
たり」   a um verbo, já que a cópula é flexionável, isso só é possível através de sua

base Ren’youkei.
base Ren’youkei.

IV. Keiyoudoushi: Keiyoudoushi podem ser usados como advérbios adicionando-se


「 に」  a eles:

Não confunda esse  「に」   com a partícula 「に」  . Como mencionamos acima, para
conectar uma plavra flexionável a um verbo, é necessário o uso da base Ren’youkei,
que neste caso é da cópula  「 だ」  . Abaixo, seguem alguns exemplos:

たもつは静かに歩く。= Falando de Tamotsu, ele caminha silenciosamente.

みやこは部屋をきれいにした。= Falando de Miyako, ela limpou o quarto.

Podemos ainda interpretar a sentença acima como "Miyako fez o quarto limpo." Ou,
ainda, como   「 き れ い 」   literalmente significa "bonito", podemos traduzir como
"Miyako embelezou o quarto”.

V. Partes do discurso variáveis: alguns advérbios são usados ​ como tal, mas são
classificados como outras partes do discurso, quando utilizados de forma diferente.
Por exemplo,  「 まあまあ」  , pode significar "mais ou menos", como um advérbio,
mas também pode ser usado como um Keiyoudoushi para significar o mesmo, ou
ainda, como uma interjeição para significar "agora, agora".

VI. A forma TE: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados ​
como advérbios
também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem como a
ação do verbo principal está sendo feita:

歩いて行く。= Ir caminhando.

怒って言う。= Dizer com raiva.

O importante aqui é considerarmos o contexto, pois como vimos em lições passadas,


o uso básico de forma TE consiste em unir sentenças. Sendo assim, poderíamos
tranduzir literalmente os exemplos acima como “Caminhar e ir” e “Ficar com raiva e
dizer”, o que de certo modo pode ter o mesmo sentido.

Também, há alguns verbos específicos cuja forma TE, quando usada como
advérbio, pode ter sentido diferente daquele proposto pelo verbo. É o caso, por
exemplo, de 「 初 め て 」 , que como advérbio normalmente é traduzido como “pela
primeira vez” ou “somente depois de” e não “começando”. Claro que tudo dependerá
do contexto.

VII. Duplicação de elemento: há alguns advérbios que se originam da duplicação de


um mesmo elemento. Por exemplo, se duplicarmos o verbo 「見る」, obtendo assim
「見る見る」, teremos um advérbio. É claro que a construção ganhará outro sentido,
nesse caso, “muito rapidamente”, “em um piscar de olhos”:
水は見る見る流れた。= Falando de água, (ela) correu num piscar de olhos.
水は見る見る流れた。= Falando de água, (ela) correu num piscar de olhos.

Outro exemplo é o substantivo 「 時 」 , que quando duplicado, sendo transformado


em 「ときどき」, passa a significar “às vezes”:

彼女は時々水を飲む。= Falando dela, às vezes (ela) bebe água.

VIII. Onomatopeias: frequentemente as onomatopeias aparecem colocadas antes de


verbos, sendo mais comum com o verbo  「する」  , mas podem aparecer com outros.
Por isso, são palavras que formam uma categoria bem desenvolvida de advérbios,
constituindo uma grande percentagem do montante total dessas palavras em
japonês.

テストでどきどきする。= Estar nervoso por causa da prova.

頭ががんがん痛む。= A cabeça dói de forma latejante.

目がぐるぐる回る。= Os olhos giram em círculos.

Há algumas onomatopeias às quais os nativos costumam acrescentar um  「 っ と 」


 final para tornar a pronúncia mais fluida. Veja:

ひろしはぴたっと止まった。= Hiroshi parou de repente.

IX. Partículas: algumas partículas são traduzidas como advérbios, mostranso uma
analogia / restrição. Como exemplo, podemos citar a partícula  「 まで」  :

家まで送る。= (Eu) acompanharei (você) até sua casa.

Finalmente, vamos retormar uma questão que deixamos na lição 18:

“Agora observe o próximo exemplo:

りんごも食べる人。= Pessoa que também come maçã.

Ok, a oração acima é de fácil construção e compreensão, mas a citamos


aqui porque o uso de 「も」 nesse tipo de construção pode causar confusão
no estudante iniciante. Por exemplo, e se quiséssemos construir a oração
“coração que também queima”? Obviamente, não poderíamos dizer 「も
燃える心」, pois como já mencionamos, 「も」 funciona basicamente como
a partícula de tópico com um sentido a mais de "também". Sendo assim, ela
deve sempre estar precedida de algum elemento.

O que fazer, então? Bem, o que podemos fazer nesses casos é usar um
advérbio que tenha sentido de “também”. Como só vamos abordá-los na
lição 21, aguarde o exemplo prático até lá.”

Já estamos aqui. Como tínhamos mencionado, o que podemos fazer nesses casos é
usar um advérbio que tenha sentido de “também”. Dentre as opções, podemos usar
「また」, que tanto pode significar “novamente” como “também”. Tudo dependerá do

contexto. Então, nosso exemplo ficará:


contexto. Então, nosso exemplo ficará:

また燃える心。= Coração que também queima.

21.3. O SUBSTANTIVO  「 よう」  E O SUFIXO 「 みたい」  

O substantivo   「 よ う 」   ( 様 ) e o sufixo   「 み た い 」   são muito úteis para


construirmos orações mais complexas. Literalmente,  「 よう」   significa algo como
“aparência” ou “maneira”, e   「 み た い 」   , “similaridade com...” e é usado
coloquialmente.

Podemos usar   「 よ う 」     como substantivo simplesmente ou, ainda, como


Keiyoudoushi ou advérbio. Para tanto, basta anexar     「 な 」   ou   「 に 」
 respectivamente. Observe os exemplos:

川のよう。= Aparência de rio. (usado como substantivo)

学 生 のよ うな人 を 見 た 。 = (Eu) vi pessoa que tem aparência de aluno. (usado como


Keiyoudoushi)

彼は次のように答えた。= Falando de ele, ele respondeu como o seguinte. (usado como


advérbio)

時 は 飛 ぶ よ う に過ぎる。= O tempo avança como se estivesse saltando (usado como


adverbio)

Veja como no último exemplo transformamos a oração subordinada “saltar” em


adverbio. Prático, não é mesmo?

Agora, observe os próximos exemplos:

覚えるようにする。= (Eu) tentarei lembrar (Lit. (Eu) farei como se fosse lembrar)

豆腐を食べるようになった。= (Eu) adquiri o hábito de comer tofu. (Lit. (Eu) me tornei


como se comesse tofu)

Os dois padrões acima são muito comuns e os livros convencionais costumam


traduzi-los com “tentar fazer [X]” e “adquirir o hábito de [X]”, respectivamente.
Contudo, veja que mesmo se pensarmos literalmente, seremos capazes de supor um
sentido semelhante.

Como podemos ver, 「ように」 é muito versátil. Outa construção básica é usá-lo com
o verbo 「 い う 」 ( 言 う ), que significa “dizer”, a fim de expressar algo que é dito a
alguém:

医 者 は 彼 に 酒 の 量 を 減 ら す よ う に 言 っ た 。 = O doutor disse a ele para diminuir na


quantidade de bebida.

Um aspecto muito útil de 「ように」 é que ele pode ser usado para iniciar uma idéia
que é completada (mentalmente) pela outra parte. Observe o exemplo a seguir:

明日勉強するように。。。 = Para que (você) estude amanhã...


明日勉強するように。。。 = Para que (você) estude amanhã...

Apesar de ser uma frase inacabada, pelo contexto é fácil supor o que vem a seguir.
Este tipo de sentença "adicione o seu próprio fim" é muito visto em cartões de
aniversário e de fim de ano, cujo sentido é "os melhores votos de ...", "Eu espero que
você ...", etc. Neste caso, então, a construção pode ser considerada uma frase inteira:

楽 し い 誕 生 日 で あ る よ う に 。 。 。 = (Eu espero que você tenha um) aniversário


divertido.

Podemos também usar a expressão「~ような気がする」para indicar que algo pode


ser de algum modo, especialmente quando se trata de coisas naturais ou que podem
ser experimentadas pelos sentidos, como sabores, odores, sons, sentimentos, etc:

明日雨が降るようなきがする。 = Parece que pode chover amanhã.

話は本当のようなきがする。 = Algo me diz que a história é verdadeira.

O substantivo 「 気 」 , além de “espírito”, pode significar “sentimento”, “atmosfera


(ambiente)”. Já o verbo 「 す る 」 aqui não significa “fazer”. Dentre muitos outros
significados que ele pode ter, está o de “ser sentido”, conforme o Denshi Jisho:

Sendo assim, podemos traduzir os exemplos como “É sentida uma atmosfera como se
fosse chover amanhã”, e “Falando da história, é sentida uma atmosfera como se fosse
verdade”, respectivamente.

É claro que é possível usar a expressão 「気がする」 sem 「よう」:

もう終わった気がする。= (Eu) tenho a sensação de que já terminou.

Outra construção útil é usar a partícula 「か」 seguida de 「の」 e 「よう」 para se
indicar similaridade com algo. É semelhante a o que 「 よ う 」 em si faz, com a
diferença de que com 「~かのよう」 se dá um ar explícito de metáfora:

まるで夏になったかのようだ。= É como se o verão já tivesse chegado.

Obviamente, as formas 「~かのような」 e 「~かのように」 são possíveis:

彼女は知らないかのような顔をした。= Falando dela, (ela) fez uma cara como se não


soubesse.

彼 は まる で先生 で あるか の よ うに 話 す 。 = Falando dele, (ele) fala como se fosse um


professor.

Ao contrário de   「 よ う 」   que é um substantivo,   「 み た い 」   é um sufixo, não


Ao contrário de   「 よ う 」   que é um substantivo,   「 み た い 」   é um sufixo, não
necessitando de nada para ser ligado a outro termo. De resto, gramaticalmente
funciona de forma similar a  「よう」  :

川みたい。= Aparência de rio. (usado com um substantivo)

学 生 みた いな人 を 見 た 。 = (Eu) vi pessoa que tem aparência de aluno. (usado como


Keiyoudoushi)

あ き ら は 犬 み た い に 眠 っ た 。 = Falando de Akira, (ele) dormiu como um cachorro.


(usado como advérbio)

Cuidado com o sentido de   「 み た い 」   . Geralmente, este sufixo implica que algo


somente tem a aparência de [X], mas não é [X]. É diferente de   「 よ う 」   , que
implica dizer que algo tem a aparência de [X], podendo ser [X] ou não. Notou a
diferença? Por isso você não pode usar, por exemplo,   「 おいしいみたい」  , por que
significaria dizer que a comida só tem a aparência de ser saborosa.

Também,  「 みたい」  é usado principalmente para a conversação. Não deve usá-lo


em ensaios, artigos, ou qualquer coisa que precise soar formal. Em vez dele, você
pode usar  「 よう」   nestes casos.

21.4. O QUE ACONTECEU COM 「おなじ」?

Nos tempos antigos, havia um grupo de Keiyoushi que em vez de serem formados
pelo sufixo 「し」, por algum motivo desconhecido, receberam uma versão vozeada
dele, isto é, 「 じ 」 , sendo conjugados no padrão SHIKU. Vejamos como exemplo a
conjugação de 「すさまじ」(凄じ):

Vistas as bases, a evolução desse seleto grupo aconteceu da mesma forma que os
outros Keiyoushi. Com relação ao nosso exemplo, 「すさまじ」 tornou-se 「すさまじ
き」 até chegar à forma atual 「すさまじい」. Porém, como em tudo tem que haver o
“do contra”, com 「おなじ」(同じ), que significa “o mesmo”, “idêntico”, não aconteceu
o mesmo. No lugar da forma 「おなじい」, atualmente usa-se tão somente 「おなじ」.

Já no Japonês Clássico 「おなじ」 era visto tendo duas Bases Rentaikei: a correta 「お
なじき」 e outra que chamaremos de variante, 「おなじ」. Foi essa variante, então, a
“escolhida” para permanecer válida até os dias atuais.

O grande problema não é tanto qual Base Rentaikei prevaleceu, mas sim, como 「お
な じ 」 é classificado no Japonês Moderno. Você poderia pensar que ele continua
sendo um Keiyoushi e, sim, pode haver ainda algumas construções e expressões
em que ele é usado à moda antiga. Entretanto, se consultarmos o DenshiJisho, com
certeza nos surpreenderemos como 「おなじ」 deve ser encarado:
certeza nos surpreenderemos como 「おなじ」 deve ser encarado:

Veja, então, que 「 お な じ 」 passou a ser tratado como substantivo (ou mesmo
advérbio) na língua moderna. Mesmo com essa mudança, ele continua com o seu
significado inalterado, isto é, “o mesmo”, “idêntico” e é usado para indicar
similaridade entre duas ou mais coisas, sendo geralmente precedido pela partícula
「と」:

ひろしと私は同じ年齢だ。= Falando de Hiroshi e eu, (temos) a mesma idade.

君と同じ考えをする。= (Eu) penso assim como você (Lit. Com você, penso o mesmo).

部屋は隣のと同じです。= Falando do quarto, é idêntico ao do vizinho.

Algo interessante, é que a Base Ren’youkei do conjunto く de 「おなじ」 ainda pode


ser usada:

彼は私とおなじく背が高い。= Falando dele, (ele) é alto como você.

Fontes:

Só Português: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf75.php

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Handbook of Japanese Grammar, Harold G Henderson

A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

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LIÇÃO 22: NOMINALIZAÇÃO
Já temos um grande poder de expressão. Vamos aprender agora sobre a
nominalização.

22.1. A DEFINIÇÃO DE “NOMINALIZAÇÃO”

Existem situações em que um verbo precisa ser pensado como se fosse um


substantivo, e é aqui que entra em campo o processo de nominalização.
“Nominalizar” significa fazer com que orações exerçam a mesma função que um
substantivo na estrutura sintática da frase. Para compreendermos melhor, observe o
exemplo a seguir e preste atenção no complemento verbal:

O estudante esqueceu-se dos estudos. (período simples)

O estudante = sujeito;

Esqueceu-se de = verbo transitivo indireto;

Os estudos = objeto indireto;

Considere que nessa mesma posição do complemento verbal pode aparecer, em um


período composto, orações subordinadas, ou simplificando, verbos. Sendo assim,
vamos ao próximo exemplo:

O estudante esqueceu-se de estudar. (período composto)

O estudante = sujeito;

Esqueceu-se de = verbo transitivo indireto;

Estudar = Oração subordinada (substantiva Objetiva indireta)

Veja como o verbo “estudar” funcionou como objeto indireto da oração principal.
Pode-se dizer que estamos falando de “ato de [verbo]” (o aluno esqueceu-se do ato
de estudar). Logicamente, poderíamos completar o seu sentido:

O estudante esqueceu-se de estudar a matéria para a prova. (o aluno esqueceu-se do


ato de estudar a matéria para a prova.)
ato de estudar a matéria para a prova.)

Agora, observe o próximo exemplo:

A leitura é importante.

Foque-se substantivo “leitura”. Um verbo também pode ocupar a posição do sujeito


de uma oração. Por exemplo, poderíamos reescrever a oração acima como segue:

Ler é importante. (o ato de ler é importante).

NOTA: há outros tipos de orações subordinadas substantivas em português, mas não


será necessário seu estudo para a presente matéria em japonês.

22.2. A NOMINALIZAÇÃO NA LÍNGUA JAPONESA

Em japonês, há uma maneira muito simples de se nominalizar orações. Basta


escrever a oração subordinada e em seguida, anexar a partícula  「の」 a ela. Assim,
a oração será “transformada” em um elemento de mesmo valor de um substantivo.
Então, como ficaria a oração “O estudante esqueceu-se de estudar” em japonês?
Vejamos:

学生は勉強するのを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

Veja como a oração subordinada   「 勉 強 す る 」 foi “transformada” em um


substantivo, e pudemos usar a partícula 「 を 」 . Também, lembre-se da expressão
“ato de [verbo]” que citamos no tópico anterior, pois a fim de facilitar o aprendizado
destas construções, você pode pensar que   「 の 」 faz o papel desta expressão.
Obviamente, o importante é você entender o conceito, afinal nem sempre será
melhor traduzir como “ato de”; às vezes será melhor usar “o fato de” ou até mesmo
“a coisa que”, por exemplo. Enfim, tudo dependerá do contexto.

Podemos também completar o sentido da oração subordinada. Observe o quadro


abaixo:

Vejamos um exemplo de oração completa:

学生はジュースを飲むのを忘れた。= O aluno esqueceu-se do ato de tomar o suco.

Lembre-se que em português, as orações subordinadas substantivas podem também


ocupar a posição de sujeito. Em japonês, também:

漫画を読むのは面白い。= Falando do ato de ler mangás, (isso) é interessante.

Podemos também usar a palavra   「 こ と 」 , que significa “coisa”, no lugar da


partícula  「の」 :

学生はジュースを飲むことを忘れた。= O aluno esqueceu-se de tomar o suco.

Se o que queremos nominalizar é o estado-de-ser, devemos usar a base Rentaikei da


Se o que queremos nominalizar é o estado-de-ser, devemos usar a base Rentaikei da
cópula  「だ」 ,  ou seja,  「な」 antes de   「の」 :

彼が先生なのを思い出した。= (Eu) me lembrei (do fato de) que ele é professor.

Para as demais cópulas, devemos usar  「こと」 :

彼が先生であることを思い出した。= (Eu) me lembrei (do fato de) que ele é professor.

Nos exemplos acima, as duas orações têm o mesmo significado. Entretanto, a versão
com  「の」 soa mais casual, ao passo que  「こと」  é mais apropriado para a escrita.

Outra forma ainda mais casual para a nominalização do estado-de-ser é usar a


forma TE de 「だ」na oração subordinada:

彼が先生だって思い出した。= (Eu) me lembrei (do fato de) que ele é professor.

O uso de 「 の 」 e 「 こ と 」 como nominalizadores parece ser um recurso que


começou a ser adotado no Japonês Moderno. Antes disso, uma prática comum para se
nominalizar uma oração era usar a base Rentaikei simplesmente. Sendo assim, por
exemplo, a oração 「学生は勉強するのを忘れた」 seria nominalizada assim:

学生は勉強するを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

Veja como a partícula 「を」 é colocada logo após a base Rentaikei do verbo 「する」
fazendo com que 「勉強する」 se torne objeto do verbo 「忘れる」. Simples, não?

Embora tal recurso tenha se tornado obsoleto, há algumas construções gramaticais


antigas que ainda são usadas no Japonês Moderno que se tratam da nominalização “à
moda antiga”, isto é, através da base Rentaikei. Veremos mais adiante.

22.3. HÁ DIFERENÇAS ENTRE  「の」 e 「こと」 ?

Embora em alguns casos 「 の 」 e 「 こ と 」 possam ser usados sem distinção,


estudiosos afirmam que o nominalizador 「の」 geralmente é usado para indicar que
um evento é algo concreto, perceptível pelos cinco (ou seis) sentidos, isto é, algo
que o falante (ou a pessoa cujo ponto de vista é tomado) pessoalmente sente ou
experimenta, ao passo que   「 こ と 」 é usado para indicar que algo é abstrato ou
genérico, ou seja, o falante esta mais “distante” da ação. Logo, é o verbo da oração
principal que nos auxiliará na escolha dos nominalizadores. Para que você entenda
melhor, observe a seguinte oração:

あきらはひろしがピアノを弾くのを聞いた。= Akira ouviu Hiroshi tocar piano.

Neste exemplo, o verbo da oração principal é “ouvir” e como ele indica percepção,
usamos   「の」 em vez de 「こと」 , pois expressamos que Akira ouviu Hiroshi tocar
piano. Em outras palavras, “o ato de tocar piano” foi algo que realmente aconteceu,
foi algo concreto e perceptível (foi ouvido). Daí a preferência por  「の」 a  「こと」 .
Note que, se usássemos   「 こ と 」 , a existência do ato de Hiroshi seria algo vago,
embora para o falante tenha sido real.
De fato, os conceitos de perceptível e abstrato/genérico usado em japonês podem ser
De fato, os conceitos de perceptível e abstrato/genérico usado em japonês podem ser
confusos se pensarmos os verbos em português. Portanto, para auxiliá-lo, considere
que os gramáticos costumam dividir os verbos em sete grupos, de acordo com o tipo
de ação ou estado que expressam. Tendo isso em mente, observe o quadro abaixo:

Podemos combinar uma oração nominalizada por   「 こ と 」 com   「 あ る 」 , para


expressar que uma ação existe ou não:

宿題することはある。= (Eu) faço a lição de casa (Lit. Falando do ato de fazer lição de
casa, (ele) existe).

Usando o tempo passado do verbo com  「こと」 , você pode falar se um evento já
ocorreu. Esta é essencialmente a única maneira que você pode dizer "já [verbo no
passado]" em japonês, por isso, é uma expressão muito útil. Você precisa usar esta
construção a qualquer momento quando você quiser saber se alguém já fez alguma
coisa em tempos passados:

寿司を食べたことがある。= (Eu) já comi sushi (Lit. O evento em que (eu) comi sushi
existe).

Aproveitando, podemos ainda fazer uma oração nominalizada por   「 こ と 」 como


objeto do verbo  「する」 , através da partícula  「に」 . Lembre-se que quando  「す
る」 tem seu objeto marcado por  「に」 , normalmente tem significado de “decidir”:

寿司を食べることにした。= (Eu) decidi comer sushi (Lit. (Eu) decidi pelo ato de comer
sushi).

Contudo, atente-se que esta construção é usada para expressar suas próprias
decisões. Se você quiser indicar uma decisão que não é sua, deve usar o verbo 「 な
る」 no lugar de  「する」 :

寿司を食べることになった。= Decidiram comer sushi (Lit. Tornou-se o ato de comer


sushi).

22.4. USANDO A PARTÍCULA  「と」 PARA INTUIÇÕES E CITAÇÕES

No Japonês Moderno, parece haver uma regra geral que nos diz que algumas das
principais partículas podem ser anexadas somente a substantivos ou a elementos que
tenham valor sintático de substantivo. Este seria o motivo que torna necessário o uso
dos nominalizadores  「 の 」 e 「 こ と 」 se quisermos aplicar uma ação sobre uma
oração subordinada. Contudo, parece que a partícula 「 と 」 é uma exceção a essa
regra: podemos anexá-la diretamente  ao final de uma oração subordinada e segui-la
de um verbo para assim aplicar uma ação sobre ela. Tenha em mente, porém, que
 「と」 não é um nominalizador. Observe:

(1) あきらが犯罪を犯したのを見た。= (Eu) vi o fato em que Akira cometeu o crime.


(1) あきらが犯罪を犯したのを見た。= (Eu) vi o fato em que Akira cometeu o crime.

(2) あきらが犯罪を犯したと見た。= (Eu) vi que Akira cometeu o crime.

Nestas duas orações há uma diferença a ser considerada. Ao se utilizar  「の」 e 「こ


と」, o falante indica que de certa forma está seguro de que aquilo que ele expressa
se refere a uma situação real ou pelo menos potencialmente real do seu ponto de
vista. Em contrapartida, a partícula 「と」 é usada com alguns verbos para dar um
sentido de intuição. Em outras palavras, o falante  deixa claro que o que ele está
dizendo se origina unicamente de seu consciente, ou seja, ele não é realmente aquele
que concretamente conhece o fato e está apenas intuindo. Para ficar mais claro,
observe o próximo exemplo:

雨が降ると思う。= Penso que vai chover (mas isso estou intuindo).

Tal uso se origina talvez no fato de que os japoneses de modo geral não gostam ser
categóricos em suas afirmações. Mesmo quando sabem alguma informação com
certeza, encontrarão um meio de expressa-la com alguma dúvida.

Para a forma negativa, há duas possibilidades: ou coloca-se a oração subordinada na


negativa ou colocamos o verbo 「思う」 na negativa. Vejamos:

(1) 雨が降らないと思う。

(2) 雨が降ると思わない。

Há uma diferença sutil: na oração (2) há um sentido mais forte de dúvida e se


aproximaria em português a “Eu duvido que vai chover”.

Aliás, por falar do verbo 「思う」, uma construção muito útil é usá-lo com 「ように」,
obtendo assim 「思うように」. Provavelmente, você deve ter deduzido facilmente que
seu significado é algo como “como se pensa”. De fato, literalmente é isso que 「思う
ように」 significa, e com base nisso, podemos extrair outras traduções menos literais,
mas de sentido próximo, tais como “como se quer”, “como se prefere”, etc:

君の思うようにする。= (Eu) farei como você deseja.

Agora, voltando ao uso de 「 思 う 」 com a partícula 「 と 」 , você deve estar se


perguntando: “não seria mais fácil nominalizar a oração em vez de usar 「 と 」 ?” 
Assim, teríamos:

雨が降ることを思う。= Penso no fato que choverá. (??)

Bem, pode-se dizer que a construção acima é válida gramaticalmente. Entretanto, é


preciso ter em mente que, nem sempre aquilo que é válido gramaticalmente é de
uso na vida real. Não se usa a nominalização com esses tipos de verbo, pois talvez
com 「 こ と 」 o falante soaria mais direto, como se aquilo que ele afirma fosse um
fato realmente e, como já mencionamos, os japoneses de modo geral não gostam de
ser categóricos em suas afirmações. Veja o que Kanako Nishizumi afirma em seu

artigo “The pragmatics of nominalization in Japanese: the n(o) da construction and


artigo “The pragmatics of nominalization in Japanese: the n(o) da construction and
participant roles in talk”, página 22:

“Quanto mais parecido a um substantivo o complemento for, mais certo o


falante está sobre a realidade da proposição expressa no complemento.
Esta generalização se aplica aos tipos de complemento japoneses também.”

Além disso, é importante ressaltar que estamos  tratando de construções


específicas. O verbo   「 思 う 」 é transitivo direto e, portanto, pode ser usado com
 「を」 . Veja os exemplos a seguir:

あなたを思う。= (Eu) penso em você. (CORRETO)

あなたと思う。= (Eu) penso em você. (INCORRETO)

Segundo o site “About.com – Japanese”,  「思う」 sempre é usado para expressar os


pensamentos do falante, nunca de terceiros. Entretanto, há uma maneira para se
indicar pensamentos de terceiros, que se trata de usar o verbo suplementar para a
forma TE 「いる」junto com 「思う」 (mais detalhes na lição 27) .

Veja que é necessário adicionar   「 だ 」 para explicitar o estado-de-ser no caso de


substantivos ou Keiyoudoushi:

私たちはあきらが正直だと考える。= Nós consideramos que Akira é honesto.

Outro ponto a se destacar é que 「 と 」 pode ser usado para descrever a maneira
como algo é feito, muitas vezes de forma alegórica. Veja o que G. B. Sansom afirma
em seu livro “An Historical Grammar of Japanese”, página 245 e 246:

“ 「 と 」 desenvolveu uma utilização correlativa, que pode de uma forma


abrangente ser definida como a expressão de uma paridade ou
semelhança entre duas coisas. (...) Os gramáticos japoneses antigos
distinguiram "Os cinco tos", referindo-se ao emprego de cinco verbos
(miru, kiku, omou, iu, e suru). Entretanto, o emprego desses verbos é
meramente acessório à função de expressar paridade ou semelhança, e é
devido ao fato de que estas relações devem ser percebidas ou criadas por
um ou todos os sentidos que os verbos descrevem na operação.”

Segue um exemplo desse uso adverbial de「と」:

恋する心は炎と燃える。= Falando do coração que é apaixonado, (ele) queima como se


fosse (igual a) uma chama.

O sentido adverbial pode nos auxiliar a entender a oração abaixo. Observe:

世界はそれを愛と呼ぶ。= No mundo, chamam isto de amor.

O padrão acima pode parecer meio confuso, mas vamos desmembra-lo para
analisarmos: 「 世 界 」 é o tópico da oração; 「 そ れ 」 é o objeto direto do verbo
transitivo 「呼ぶ」. Você pode imaginar que 「と」 está indicando a maneira como
“chamam isto”, ou seja, “chamam isto de amor” ou ainda, “[amor], assim chamam
“chamam isto”, ou seja, “chamam isto de amor” ou ainda, “[amor], assim chamam
isto”.

Mais um exemplo deste padrão:

イギリスでは「 地 下 鉄 」 を 「 u n d e r g r o u n d 」 という。 = No Reino Unido,


chamam “metrô” de “underground” (Lit. Falando do Reino Unido, chamam metrô de
underground).

Outro uso comum de   「 と 」 é destacar citações, isto é, expressar o que outras


pessoas dizem, ouvem, etc. Podemos dividir as citações em “diretas e “indiretas”.
Imaginemos que na escola Hiroshi ouve do professor:

PROFESSOR:  今日は授業がない。= Não haverá aula hoje.

Então, mais tarde, Hiroshi encontra Makoto e reporta o que ouviu do professor:

HIROSHI:   「 今 日 は 授 業 が な い 」 と 先 生 か ら 聞 い た ん だ 。 = Isso é o que ouvi do


professor “Não haverá aula hoje.”.

No exemplo acima, Hiroshi reporta a Makoto exatamente o que ouviu professor.


Este tipo de citação é chamado de “citação direta”. Em português, colocam-se citações
diretas entre aspas. Mais um exemplo:

 「海まで」 と叫んだ。= “Até o mar”, gritaram.

O segundo tipo de citação é a citação baseada naquilo que alguém realmente disse.
Não é uma reportação palavra por palavra. Uma vez que esta não é uma citação
direta, não há necessidade de aspas. Você também pode expressar pensamentos
como uma citação indireta.

先生から今日は授業がないと聞いたんだ。= Ouvi do professor que hoje não haverá


aula.

Não é necessário que o verbo principal esteja logo após   「と」 . Como o verbo que se
aplica à oração subordinada vem antes de qualquer outro verbo, você pode ter
quantos adjetivos, advérbios ou substantivos entre os dois:

 「寒い」 とまことがひろしに言った。= "Frio", Makoto disse a Hiroshi.

Seja qual for o tipo de citação, ainda segundo G. B. Sansom, página 245, neste uso
estaria o sentido original de 「 と 」 , ou seja, parece que ele era originalmente um
pronome demonstrativo correspondente à palavra “isto”. Sendo assim, poderíamos
até mesmo traduzir as orações acima como “’Até o mar’, isto gritaram”, “’Não haverá
aula’, isto eu ouvi do professor” e ”’Frio’” isto Makoto disse a Hiroshi”.

Aliás, como forma de memorização, podemos pensar que 「 と 」 é como um dedo


indicador que aponta pra uma oração subordinada dando um sentido de “é isto que
penso”, “é isto que digo”, etc. Vejamos:
Você pode se surpreender ao saber que existe uma versão mais curta e casual de
citação, uma vez que ela já é apenas um fonema do Hiragana,  「と」 . No entanto, o
ponto importante aqui é que, ao usar esse atalho casual, você pode deixar de lado o
restante da frase e esperar que o ouvinte possa entender tudo a partir do contexto.
Esta versão casual é 「って」 :

あきらは来年、海外に行くんだって。= Com relação a Akira, ele disse que ano que vem
irá ao exterior.

先生から今日は授業がないって。= Ouvi do professor que hoje não haverá aula.

もうお金がないって。= (Eu) já lhe disse que não tenho dinheiro.

今、時間がないって、本当? = (Você) não tem tempo agora (eu ouvi), é verdade?

 「って」 ainda pode ser usado para falar sobre praticamente qualquer coisa, e não
apenas para citar algo que foi dito. Você pode ouvir   「 っ て 」   sendo usado em
praticamente qualquer lugar no discurso casual. Na maioria das vezes ele é usado no
lugar da partícula 「は」  simplesmente para trazer um tópico à conversa:

明日って、雨が降るんだって。= Falando de amanhã, eu ouvi que vai chover.

まことって、すごくいい人。= Falando de Makoto, ele é uma pessoa muito boa.

Finalmente, uma construção útil é usar 「といっても」 para expressar contrariedade:

たくさん勉強しったといっても、先週末は楽しかった。= Apesar de ter estudado muito,


falando do último final de semana, foi divertido (Lit. Mesmo que eu diga que estudei
muito, falando do último final de semana, foi divertido).

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar/

Nihongo Resources: http://grammar.nihongoresources.com/doku.php

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Nishizumi, Kanako (2008) The pragmatics of nominalization in Japanese: the n(o) da construction and
participant roles in talk. Doctoral thesis, Durham University. Available at Durham E-Theses Online:
http://etheses.dur.ac.uk/2922/
Learn Japanese Page: http://www.learnjapanese.com/author/japanese/page/7/

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LIÇÃO 23: KOSOADO E PALAVRAS INTERROGATIVAS
Chegou a hora de aprendermos um pouco de vocabulário aliado à gramática.
Nesta lição abordaremos dois conjuntos de palavras: o Kosoado e as palavras
interrogativas, muito comuns na língua japonesa.

23.1. O QUE É “KOSOADO”?

Na língua japonesa, há um conjunto de palavras que são baseadas na distância física


entre o falante e o ouvinte. Este conjunto é chamado “Kosoado Kotoba”, nome
derivado da primeira sílaba dessas palavras. Observe:

こ(此) = para algo perto do falante;

そ (其) = para algo perto do ouvinte;

あ (彼) = para algo distante do falante e do ouvinte;

ど (何) = refere-se a pessoa ou coisa dentre outras (qual...)

O Kosoado tem sete formas, dependendo de sua terminação:

Em termos de etimologia, no início   「 こ 」 ( 此 ) era usado raramente e acabou


perdendo espaço para sua versão “estendida”   「 これ」 ; 「 ここ」 origina-se de  「
此所」 , literalmente “este lugar”. A forma pessoal  「 こいつ」 origina-se de  「 此奴」
, que literalmente significa “este indivíduo”.

Já  「 こっち」 e  「 こなた」 derivam da expressão  「 此 方 」 , que significa “esta


direção”. O demonstrativo  「 この」 originou-se da junção de  「 此」 e a partícula
atributiva  「 の」 e, por esta razão, no Japonês Clássico era considerado como sendo
dois elementos distintos.

Com relação às formas adverbiais 「 こ う 」 provavelmente se trate do fenômeno


Com relação às formas adverbiais 「 こ う 」 provavelmente se trate do fenômeno
Tenko sofrido por 「かく」, isto é,  「かく」→ 「かう」→ 「 こう」 , da mesma forma
que 「そう」:  「さく」→ 「さう」→ 「そう」. Já o grupo 「 あ」 é uma exceção – sua
forma adverbial é  「 ああ」– e 「どう」 parece ter relação com o interrogativo antigo
「た」, que por vezes era pronunciado 「だ」. Aliás, provavelmente daí que surgiu a
palavra “quem” 「だれ」.

Finalmente,   「 こ ん な 」 é uma abreviação da expressão   「 こ の よ う な 」 (deste


modo). Estes critérios de formação valem para os demais grupos. Finalmente, em
relação aos grupos “direção” e “pessoal”, a segunda versão é polida, enquanto a
primeira é casual.

Ainda no campo do Japonês Clássico, os demonstrativos para algo distante eram


iniciados com  「 か」 (彼). Portanto, havia palavras como  「 かれ」 e  「 かの」 . Na
língua coloquial,  「 か」 passou a ser pronunciado  「 あ」 , como ainda se faz hoje e
  「 か れ 」 passou a ser usado como um pronome pessoal. Na verdade, a grande
maioria dos demonstrativos usada atualmente servia como pronomes pessoais
antigamente.

NOTAS:

1. Tornou-se mais comum grafar os Kosoados referentes a lugares com 「処」 em vez
de 「所」. Por exemplo, costuma-se escrever “aqui” desta forma: 「 此処」;

2. O pronome de segunda pessoa 「 あ な た 」 (você) era originalmente usado como


pronome de terceira pessoa e continuou a ser usado assim até por volta do final do
século 18;

Aprendendo as formas do Kosoado, praticamente revisamos o que aprendemos até


agora e não será necessário explicar detalhadamente cada forma. Pode parecer
confuso, mas com o tempo você dominará esse conjunto.

Vejamos um exemplo para cada forma:

それは猫だ。= Falando de isso, é um gato.

猫はここにいる。= Falando do gato, está aqui.

猫はあっち。= Falando do gato, é naquela direção.

あなたの猫。= Gato de você (seu gato).

この猫は白い。= Falando de este gato, é branco.

あきらの猫がこう食べる。O gato de Akira (é que) come deste modo.

あきらがそんな猫を買った。= Akira (é quem) comprou um gato como esse.

Voltemos nossa atenção para o grupo   「 ど 」 ( 何 ), que pode gerar um pouco de


confusão no início. Tenha em mente que  「 ど」 (何) carrega um sentido de “qual...”,
isto é, que coisa ou que pessoa, dentre outras (em interrogação direta e indireta):
isto é, que coisa ou que pessoa, dentre outras (em interrogação direta e indireta):

どれが君の本? = Qual é o seu livro?

それはどの劇場? = Falando disso, qual (é o) teatro?

23.2. PALAVRAS INTERROGATIVAS

Como fazer perguntas básicas em japonês? Bem, aquilo que chamaremos de


“palavras interrogativas” refere-se ao conjunto de palavras que inclui dentre outras
“quem”, “o quê”, “quando”, “onde”, etc. Ao aprender esse onjunto, você será capaz de
expressar suas perguntas, mesmo sem um vocabulário extenso.

Primeiramente, vamos aprender algumas palavras interrogativas em japonês:

1. Onde: どこ;

2. O que: なに;

3. Quem: だれ;

4. Quando: いつ;

5. Como: どう.

Repare que as palavras acima de certa forma apontam para algo. Por exemplo,
quando perguntamos “Onde Hiroshi está?”, o alvo da dúvida é o lugar no qual ele
está; se perguntamos “Quando Hiroshi veio?”, desejamos saber qual o momento,
tempo em que ele veio, e assim por diante.  Observe o esquema abaixo, no qual
chamaremos essas associações para cada palavra de “alvo”:

1. Onde: どこ (refere-se a LUGAR);

2. O que: なに (refere-se a COISAS);

3. Quem: だれ (refere-se a SERES);

4. Quando: いつ (refere-se a TEMPO);

5. Como: どう (refere-se a MODO, MANEIRA).

Na lição 19, aprendemos um dos usos básicos da partícula   「 か 」 , isto é, de


partícula alternadora. Agora neste tópico veremos como ela será útil para formar as
palavras interrogativas, pois todas terminam com   「 か 」 , dando a ideia de
“algum(a) [alvo]”. Observe:

Você verá nos exemplos a seguir, que podemos tratar essas palavras como qualquer
substantivo regular:
substantivo regular:

誰かがおいしいクッキーを全部食べた。= Alguém comeu todos os biscoitos deliciosos.

犯人をどこかで見た? = (Você) viu o criminoso em algum lugar?

Já sabemos que 「 何」 pode ser lido  「 なに」  ou  「 なん」  dependendo do vem a
sua frente, como em  「 何色」 (なにいろ) e  「 何人」 (なんにん). No caso de  「
何か」 , embora  「 なにか」  seja a leitura correta, tal composição é frequentemente
contraída para  「 なんか」  na linguagem informal:

なにか食べる?→ なんか食べる?= Comer algo?

NOTA:   「 な ん か 」 também pode ter outro sentido, sendo considerado neste caso
como partícula. Veremos mais detalhes na lição 45.

Podemos também combinar algumas palavras interrogativas com a partícula  「 も」


para dar sentido de “todo [alvo]”, em orações sem negação, ou “nenhum [alvo]”, em
orações negativas. Observe o quadro abaixo e atente-se a algumas particularidades:

Como podemos perceber pelo quadro, as coisas não são tão consistentes como seria
de se esperar. Por exemplo,   「 な に も 」 não é geralmente usado para significar
"tudo", e 「 い つ も 」   sempre significa "sempre" para ambas as formas positiva e
negativa. Veja os exemplos a seguir:

私は何も飲まない。= Falando de eu, não beberei nada.

この質問の答えは、誰も知らない。= Ninguém sabe a resposta desta pergunta.

友達はいつも遅れる。= Falando do amigo, ele está sempre atrasado.

Outras palavras podem ser usadas para expressar conceitos semelhantes:

皆 【みんな】 = Todos

皆さん 【みなさん】= Todos (polido)

全部 【ぜんぶ】 = Tudo

全然 【ぜんぜん】 = De modo nenhum (quando usado com negação)

絶対 【ぜったい】 = Absolutamente, incondicionalmente, ou “nunca” quando usado


com negativa.

As mesmas palavras interrogativas podem ser usadas com sentido de “qualquer


[alvo]”, se combinadas com 「でも」 :
NOTA: fique atento ao fato de que  「 何でも」  é lido  「 なんでも」  e não  「 なにで
も」 .

Observe os exemplos a seguir:

この質問の答えは、誰でも分かる。= Qualquer um entende a resposta desta questão.

昼ご飯は、どこでもいい。= Falando do almoço, qualquer lugar é bom.

あの人は、本当に何でも食べる。= Aquela pessoa realmente come qualquer coisa.

Algo interessante é que, ao que parece, podemos usar a partícula dupla 「にも」 no
lugar de 「でも」 em alguns casos. Observe:

今週末は、どこにも行かなかった。= Falando desta semana, não fui a lugar nenhum.

どの家にも庭があった。= Toda (qualquer) casa tinha um jardim.

Nesta oração também temos o sentido de “todo”. Entretanto, como 「 ど の 」 é um


Rentaishi, deve ser seguido de um substantivo e, por isso, 「にも」aparece depois
de “casa”.

Não tome isto como dogma, mas geralmente 「 に も 」 aparece em sentenças


negativas, ao passo que 「でも」é usado em sentenças não negativas. Isso explica a
diferença, por exemplo, entre 「誰でも」 e 「誰にも」, isto é, o primeiro é usado em
orações não negativas; o segundo, em orações negativas:

誰でもわかる。= Qualquer um entende.

誰にもわからない。 = Ninguém entende.

Podemos ainda combinar também  「 どこ」 e  「 い つ 」  com   「 ま で も 」 . Essa


combinação dá um sentido de amplitude e pode ser traduzido como “seja qual for o
[alvo]”:

Vejamos os exemplos:

どこまでも行く!= Irei, seja qual for o lugar.

あの婦人はいつまでも若い。= Aquela senhora será jovem seja qual for o tempo (para
sempre).

23.3. ALGUMAS EXPRESSÕES ÚTEIS

Ambos  「 どんな」 e  「 い く ら 」 , podem transmitir o sentido de “não importa o


Ambos  「 どんな」 e  「 い く ら 」 , podem transmitir o sentido de “não importa o
quanto se faça [X], [Y] acontece.” Para tanto, basta usar uma dessas palavras com o
verbo + a partícula dupla    「 て も 」 , que como já sabemos, expressa uma
contradição. Veja os exemplos:

こ れ は い く ら 高 く て も 買 う 。 = Quanto a isto, não importa o quanto seja caro, (eu)


comprarei.

どんなに急いでも、汽車には間に合わない。= Não importa o quanto (você) se apresse,


não vai chegar a tempo para o trem. 

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar/

Nihongo Resources: http://grammar.nihongoresources.com/doku.php

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

A History of the Japanese Language, Bjarke Frellesvig

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LIÇÃO 24: OS DIVERSOS USOS DO VERBO 「言う」
Na lição 22, aprendemos como fazer citações com a partícula 「 と 」 . Isso nos
permitiu falar sobre coisas que as pessoas disseram, ouviram, pensaram e
muito mais. Agora, aprenderemos que com o uso conjunto de   「と」 e o verbo
 「言う」 , podemos definir, descrever e, de modo geral, apenas falar sobre algo
em si.

24.1. USANDO 「言う」 PARA DEFINIR

Vimos na lição 22 que a partícula   「 と 」 pode servir também como marcador de


objeto para alguns verbos (pelo menos do ponto de vista da língua portuguesa).
Agora, considere também que  「言う」 pode significar “dizer”, “chamar-se”, ou “ser
conhecido como”, dependendo do contexto. Com base nisso, observe a sentença
abaixo:

この魚は、鯛と言う。= Este peixe é conhecido como “Tai”.

Podemos então tratar  「という」  como uma expressão fixa que servirá para definir
e identificar essencialmente qualquer coisa que quisermos, como no exemplo acima.
Como você pode imaginar, isso é útil particularmente para nós por que nos permite
perguntar como as coisas são ditas em japonês, e para a definição de palavras que
nós não sabemos ainda.

これは、日本語で何と 言 う ? = Falando disto, como se diz em japonês? (Lit: Falando


disto, o que vocês dizem por meio do japonês?).

これは、なんという魚? = Falando disso, como este peixe é conhecido? (Lit: Falando


disto, peixe que se chama o quê?).

 「友達」 は、英語で 「friend」 という意味。= O significado de “tomodachi” em inglês


é “friend”. (Lit: Falando de “tomodachi”, o significado que em inglês se diz “friend”.).

ルミネというデパートはどこにある? = Falando do departamento que é conhecido como


Lumine, onde existe?

As traduções podem parecer estranhas, mas veja que nestes exemplos pudemos
revisar o conceito de oração subordinada adjetiva, no qual o verbo   「 言 う 」 dá
revisar o conceito de oração subordinada adjetiva, no qual o verbo   「 言 う 」 dá
alguma característica ao substantivo que o segue.

24.2. USANDO 「言う」 PARA DEFINIR QUALQUER COISA

Aprendemos a usar  「という」  para descrever como algo é conhecido ou referido.


Podemos levar essa idéia ainda mais longe, anexando duas orações. Neste ponto,
  「 い う 」   é tão abstrato que sequer tem um significado. Quando uma oração
subordinada é seguida de  「 と 」 , é necessário que haja um verbo para segui-lo, e
  「 い う 」   está simplesmente sendo usado como um verbo genérico para que
possamos falar sobre qualquer oração subordinada. Isso nos permite descrever e
explicar qualquer coisa, desde uma palavra única à sentenças completas. Como você
pode imaginar, esta construção é bastante útil e empregada muitas vezes em japonês.

主人公が犯人だったというのが一番面白かった。= O fato de que o personagem principal


era o criminoso foi o mais interessante.

日本人はお酒に弱いというのは本当?= O fato que os japoneses são frágeis ao álcool é


verdade?

独身だというのは、嘘だったの? = Era mentira que você era solteiro?

リブートというのは、パソコンを再起動するということ。= “Reboot” significa o ato de


reiniciar o computador.

Também, é quase um consenso de que a partícula dupla     「 と は 」 se trate da


abreviação de  「というのは」 :

リブートとは、パソコンを再起動するということ。= “Reboot” significa o ato de reiniciar


o computador.

Podemos abstrair ainda mais, substituindo a oração subordinada por uma forma
genérica de fazer algo. Neste caso, usamos  「こう」 ,  「そう」 ,  「ああ」 ou  「どう」
, combinado com  「いう」 :

あんたは、いつもこういう時に来るんだ。= Você sempre vem em tempos como este.

そ う い う 人 と 一 緒 に 仕 事 を す る の は 、 嫌 だ 。 = É desagradável trabalhar junto com


pessoas como essas.

ああいう人と結婚する。= (Eu) vou me casar com uma pessoa como aquela.

大学に行かないって、どういう意 味 なの ? = O que você quer dizer com “Não vou à


faculdade”?

24.3. USANDO  「という」 PARA REFORMULAR E FAZER CONCLUSÕES

Podemos fixar a partícula 「か」  a  「という」 , a fim de adicionar um elemento de


interrogação. Esta construção é usada quando você quer reformular ou redefinir algo
como no seguinte diálogo:
HIROSHI: みどりは、あんたの彼女?= Midori é sua namorada?
HIROSHI: みどりは、あんたの彼女?= Midori é sua namorada?

AKIRA: う~ん、彼女というか、友達というか、なんというか・・・ = Hum, poderia


dizer namorada, ou amiga, ou seja o que for.

Esta construção é usada o tempo todo, especialmente em conversas casuais. Ela pode
ser usada para corrigir algo, chegar a uma conclusão diferente, ou mesmo como uma
interjeição.

多 分 行 か な い と 思 う 。 と い う か 、 お 金 が な い 。 = Talvez, eu acho que não irei. Ou


melhor, não tenho dinheiro (e por isso não irei).

というか、もう帰る。= Melhor que isso, voltarei a minha casa já.

Em vez de usar   「 か 」 para reformular uma conclusão, podemos também


simplesmente usar  「こと」  para sintetizar algo sem reformular nada:

MAKOTO: み ど り が あ き ら と 別 れ た ん だ っ て 。 = Eu ouvi que Midori se separou de


Akira.

HIROSHI: ということは、みどりは、今彼氏がいないということ? = Isso (que foi dito por


você) quer dizer que Midori não tem namorado agora?

MAKOTO: そう。そういうこと。= Sim. É isso mesmo.

24.4. USANDO  「って」  OU  「て」  PARA  「という」

Você aprendeu em lições passadas que 「って」  é frequentemente usado na língua


casual no lugar de   「 と 」 , porque ele nos permite deixar de lado o restante da
sentença, que ficará por conta da suposição pelo contexto. Já vimos também que
podemos usar  「って」  para substituir  「という」 . Entretanto, como aprendemos a
usar  「という」  para fazer muito mais do que simplesmente dizer algo, há um limite
naquilo que você poderá deixar de lado na sentença. Em todos os casos,  「って」  nos
permitirá desconsiderar não somente  「いう」 , mas também qualquer partícula que
o estiver acompanhando, como nos próximos exemplos:

来年留学するというのは、みどりのこと? = O fato de estudar no exterior ano que vem,


é a Midori?

来 年 留 学 す る ってみ ど り の こ と ? = O fato de estudar no exterior ano que vem, é a


Midori?

「 だ っ て 」 é uma construção que também deixa de lado praticamente tudo. Por


convenção, é usada para expressar desacordo ou insatisfação, geralmente para
lastimar-se, reclamar ou para desculpar-se. Significa “mesmo se esse for o caso”.
Observe o diálogo.

AKIRA: 行かなくてもいい。= Mesmo se não for, está bem.

HIROSHI: だって、みんな行くって。= Mas (mesmo assim) todos disseram que irão.


Em termos etmológicos, 「だって」 é a versão vozeada de 「たって」, que tem origem
Em termos etmológicos, 「だって」 é a versão vozeada de 「たって」, que tem origem
incerta. Tae Kim afirma ser uma abreviação de algo como 「とはいっ ても」. Outras
fontes apontam que 「 た っ て 」 é uma junção do verbo auxiliar de passado 「 た 」
com 「 っ て 」 e tem sentido semelhante ao da partícula dupla 「 て も 」 , sendo sua
versão bem casual. O importante é que, independente de quem está correto, em
ambas possibilidades temos o mesmo sentido final.

Agora, considerando a segunda teoria, teríamos:

「だって」 também pode ser usado como uma versão para o estado-de-ser, como no
diálogo acima. Por essa razão, uma versão completa do que Hiroshi disse seria 「行か
なくてもいいだって、みんな行くって」.

É possível também usar 「たって」 com os Keiyoushi. Observe:

Provavelmente, você deve ter pensado que a versão para 「高くても」, por exemplo,
seria 「 高 か っ た っ て 」 , não é mesmo? Mas, considerando que 「 た っ て 」 tenha
mesmo o auxiliar 「た」, sua anexação aos Keiyoushi é bem mais simples e inusitada:
basta usar a Base Ren’youkei do conjunto く.

CUIDADO! Não confunda o 「たって」 que acabamos de ver com o caso em que um
verbo na forma passada é seguido pela forma casual 「って」 de「と言う」:

彼は昨日、ブラジルから帰ったって。= Ele disse que voltou do Brasil ontem.

Nesses casos o contexto será nosso maior aliado para diferenciar as coisas.

Em alguns casos, o pequeno  「つ」  é deixado de fora e apenas  「て」  é usado em


vez de  「って」 . Isso é feito (como é geralmente o caso de gíria), a fim de facilitar a
pronúncia. Em geral, isto ocorre quando não existe nada antes do  「て」  ou quando
o som que vem antes não necessita da separação explícita que  「っ」  nos dá, a fim
de ser compreendido.

てことは、みどりは、今彼氏がいないてこと?= Isso (que foi dito por você) quer dizer


que Midori não tem namorado agora?

ていうか、もう帰る。= Melhor que isso, voltarei a minha casa já.

Uma vez que a gíria tende a ser usada de qualquer maneira que a pessoa se sinta
melhor, não há regras que definem se você deve usar   「 っ て 」   ou   「 て 」 . No
entanto,  「て」  geralmente não é usado para expressar o que as pessoas realmente
disseram ou ouviram, e é por isso que não foi abordado na lição 22.

みどりが、明日こないて。 = Midori disse que não virá amanhã. (INCORRETA. Não se


pode usar 「て」  para algo que foi realmente dito).
pode usar 「て」  para algo que foi realmente dito).

みどりが、明日こないって。= Midori disse que não virá amanhã.

A última coisa que mencionaremos brevemente é que em conversas, é normal se


dizer   「 ゆ う 」   em vez de   「 い う 」 .   「 ゆ う 」   é mais fácil de dizer, porque é
simplesmente uma letra com uma vogal longa, em vez dos dois sons vocálicos
diferentes  「い e う」 :

てゆうか、もう帰る。= Melhor que isso, voltarei a minha casa já.

そうゆうことじゃないって! = Disse que não é isso.

24.5. USANDO  「つ」  NO LUGAR DE  「という」

De fato,  「という」 é usado o tempo todo e, portanto, não é muito surpreendente que
uma série de variações e gírias foram sendo criadas ao longo do tempo. Neste tópico,
vamos aprender uma versão bem casual.

Pode parecer difícil de acreditar, mas se você realmente juntar  「 と い う 」 , ele se


torna algo parecido com  「つ」 . Bem, pelo menos é o que alguém pensou, quando
começou a substituir  「という」  por  「つ」  ou, em alguns casos  「つう」 .

Alguns podem achar que 「つ」  é muito mais difícil de pronunciar do que  「 と い
う」 , então usá-lo como um nativo pode demandar um pouco de prática. Em vez de
fazer as coisas mais fáceis de dizer, como é geralmente o caso, o verdadeiro objetivo
dessa substituição é o som mais áspero por que  「つ」  tem um som mais forte. Isto é
ideal para quando você está chateado ou quer passar a imagem de jovem, por
exemplo. Como você poderia esperar, esta variante é geralmente usada por homens
ou mulheres muito ásperas.

つうか、なんでお前がここにいん!= Ou melhor, por que (você) está aqui?

Se você quiser ainda mais ênfase, você ainda pode adicionar um pequeno  「 つ 」 .
Isso geralmente significa que você está realmente à beira de sua paciência.

違うんだっつうの!= Como eu disse, você está errado!

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar/

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LIÇÃO 25: NUMERAIS E CONTADORES
Os números e a contagem em japonês são difíceis o suficiente para exigir a sua
própria lição. Além disso, existem os chamados “contadores”, que são
necessários para contar diferentes tipos de objetos, animais ou pessoas.  Vamos
lá.

25.1. VISÃO GERAL

Há duas maneiras de escrever os números em japonês: em algarismos arábicos (1, 2,


3), ou em algarismos chineses ( 一 , 二 , 三 ). Os algarismos arábicos são mais
frequentemente usados na escrita horizontal, e os números chineses são mais
comuns na escrita vertical. Uma das particularidades do sistema numérico japonês e
que pode tornar a conversão difícil, é que, seguindo a tradição chinesa, grandes
números são criados pelo agrupamento de dígitos em miríades (a cada 10.000) em
vez dos milhares ocidentais (1.000), portanto, possuem quatro dígitos. Observe:

No entanto, graças à forte influência do mundo ocidental e a padronização de


números, quando os números são realmente escritos, a cisão parcial é de três dígitos.
Aqui estão os primeiros 10 números:

Com relação à leitura, a maioria dos números tem duas leituras, uma derivada do
chinês (Kango), usada para números cardinais, e uma leitura nativa (Yamato Kotoba),
usada para números ordinais, apesar de existirem algumas exceções em que a versão
japonesa é a preferida para ambos.

Finalmente, para melhor entendermos como os números japoneses são formados,


vamos fazer uso do conceito de ordens, ou seja, a divisão que se faz dos números em
unidade, dezena, centena, milhar etc. Assim, temos:

Seguindo a tabela acima, por exemplo, o número 632, seria representado assim:
Seguindo a tabela acima, por exemplo, o número 632, seria representado assim:

Ou seja, o número 632 vem da soma (600 + 30 + 2). Perceba como sempre vamos da
ordem maior para ordem menor.

Vamos a mais um exemplo, agora com o número 2.009. Primeiramente, vejamos a


divisão deste número em ordens:

Veja que, se considerarmos a maior ordem que compõe o número em questão,


começaremos pela unidade de milhar, que temos 2, ou seja, 2.000. Depois, a ordem
seguinte é a centena, que não temos nenhuma, bem como a dezena que também não
temos. Finalmente, na primeira ordem temos 9 unidades. Sendo assim, somando-se
as ordens, 2.009 é (2.000 + 0 + 0 + 9). Tendo estes conceitos em mente, será muito fácil
você entender a lógica dos números japoneses.

25.2. OS NÚMEROS KANGO

Com o grande número de palavras chinesas adaptadas e integradas à língua


japonesa, vieram os números chineses. As leituras On dos números são as mais
importantes e são usadas principalmente para números cardinais, isto é, que indicam
o número ou quantidade dos elementos constituintes de um conjunto. Vejamos as
leituras On de 0 a 10:

Nos tempos antigos, os números 4 e 9 costumavam ser renomeados para 「よん」 e


 「きゅう」 ,    porque  「し」 e  「く」 eram homófonos de “morte” [ 「し」 (死)] e
“agonia” [ 「く」 (苦)]. Tal prática continua até hoje, exceto para 9 em alguns casos. Já
o número 7 é renomeado   「 な な 」 nos números acima de 10 para que não haja
confusão com o som  「いち」 .

Você pode contar de 1 a 99 se simplesmente aprender os números até 10. O

japonês é mais fácil neste quesito, porque você não tem que memorizar as palavras
japonês é mais fácil neste quesito, porque você não tem que memorizar as palavras
separadas, como "vinte" ou "cinquenta". Para formar números de 1 a 19, lembre-se do
conceito de ordem e que os números são originados das somas entre elas. Portanto,
por exemplo, 11 nada mais é do que (10 unidades + 1) e assim por diante. Sendo
assim, temos:

11 = じゅういち (10  「じゅう」 + 1  「いち」 )

12 = じゅうに (10  「じゅう」 + 1  「に」 )

Simples, não é mesmo? Agora, para formar os números de 20 a 90, basta “contar os
dez”. Por exemplo, 20 é “dois dez” (2x10) e assim por diante:

20 = にじゅう (2 「に」 x 10  「じゅう」 )

30 = さんじゅう (3  「さん」 x 10  「じゅう」 )

E se quiser dizer, por exemplo, 21, basta pensar que este número nada mais é do que
(20 + 1). Assim, temos:

21 = にじゅういち (20  「にじゅう」 + 1  「いち」 )

83 = はちじゅうさん (80  「はちじゅう」 + 3  「さん」 )

Agora, observe os números maiores de 99:

Para formar números de 100 a 999, basta “contar os cens”. Por exemplo, 200 nada
mais é do que “dois cens” (2 x 100), e assim por diante:

200 = にひゃく(2  「に」 x 100  「ひゃく」 )

Para formar os números do meio, basta desmembrar o número tendo em mente a


divisão por ordens e soma-los. Por exemplo, veja como fica o número 283:

283 = にひゃくはちじゅうさん (200  「にひゃく」 + 80  「はちじゅう」 + 3  「さん」 )

Em números acima de 100, ocorrem mudanças sonoras em alguns números, podendo


ser Rendaku ou Onbin (e alterações derivadas). Vejamos alguns:

300 = さんびゃく(e não 「さんひゃく」 )

600 = ろっぴゃく (e não 「ろくひゃく」 )

Para formar números de 1.000 a 9.999, basta contar os milhares. Por exemplo, 2.000
são “dois mil” (2 x 1.000):

2.000 = にせん (2  「に」 x 1.000  「せん」 )


2.000 = にせん (2  「に」 x 1.000  「せん」 )

Para os demais números, o conceito é o mesmo que vimos para o número 283. Por
exemplo, veja como fica o número 2.283:

2.283 = にせんにひゃくはちじゅうさん (2.000  「にせん」 + 200  「にひゃく」 + 80  「は


ちじゅう」 + 3  「さん」 )

A partir de 10.000, entramos no sistema de miríades. Sendo assim, por exemplo,


20.000 é “duas miríades” (2 x 10.000):

20.000 = にまん (2  「に」 x 10.000  「まん」 ) ( e não  「にじゅうせん」 ).

Para as centenas ou milhares, basta somar às unidades de dez mil:

20.283 = にまんにひゃくはちじゅうさん (20.000  「にまん」 + 200  「にひゃく」 + 80


 「はちじゅう」 + 3  「さん」 )

32. 283 = さんまんにぜんにひゃくはちじゅうさん (30.000  「さんまん」 + 2.000  「にせ


ん」 + 200  「にひゃく」 + 80  「はちじゅう」 + 3  「さん」 )

No sistema ocidental, após chegar a 1.000, basta multiplicar 1.000 por 1.000 para
saber qual a próxima ordem. Assim, 1.000 (mil) → [1.000 x 1.000] = 1.000.000 (milhão)
→ [1.000.000 x 1.000] = 1.000.000.000 (um bilhão), etc. No sistema japonês, fazemos
este cálculo depois de ter passado para 10.000, ou seja, devemos multiplicar por
10.000 para saber qual a próxima ordem. Tendo isso em mente, observe a tabela
abaixo:

Para formar números maiores, basta seguir os conceitos que aprendemos até agora.
Veja os exemplos a seguir:

245.000.000 = におくよんせんごひゃくまん (200.000.000 「におく」 + 45.000.000  「よん


せんごひゃくまん」 ). → [4.500 x 10.000 = 45.000.000]

245.352.476 = におくよんせんごひゃくさんじゅうごまんにせんよんひゃくななじゅうろ
く(200.000.000 「におく」 + 45.350.000  「よんせんごひゃくさんじゅうごまん」 + 2.000
 「にせん」 + 400  「よんひゃく」 + 70  「ななじゅう」 + 6  「ろく」 ). → [4.535 x 10.000
= 45.350.000]

Outras ordens existem, mas não são muito práticas e você não precisa memoriza-las.
Entretanto, vamos mostra-los na tabela abaixo:
Os números são sempre escritos em Kanji ou números arábicos, porque, como você
pode observar, com o Hiragana podem ficar bastante longos e difíceis de decifrar:

11 = 十一

33 = 三十三

NOTA: se você ainda tiver alguma dificuldade com os números japoneses, acesse este
conversor de números: http://www.sljfaq.org/cgi/numbers.cgi (em inglês).

25.3. OS NÚMEROS NATIVOS

A língua nativa japonesa possuía seus próprios números antes da influência dos
chineses, porém só tinha meios para a contagem até 99.999. Vejamos os números
nativos:

Seguindo a tabela acima, por exemplo, o numeral “30” é  「みそ」 (três dez), e para
formar os números de 11 a 19 se usava o sufixo 「 あ ま り 」   para expressar “[X]
passados de 10”. Por exemplo, “11” era   「 と お あ ま り ひ と 」 . Atualmente, esses
números nativos são raramente utilizados depois de 10. Entretanto, há exceções
como 20, usado para idade, e 1.000 e 10.000, utilizados em várias expressões.

Os números de 1 a 9 podem ser usados como substantivos através do acréscimo do


Os números de 1 a 9 podem ser usados como substantivos através do acréscimo do
sufixo   「 つ 」 , recurso provavelmente originado devido à influência da língua
chinesa que usava o Kanji   「 箇 」 , encontrado nos escritos mais antigos. Alguns
acreditam que este caractere representava originalmente um substantivo referindo-
se a hastes de bambu, e gradualmente teve o seu uso expandido, sendo transformado
em um contador para muitas coisas, tornando-se um contador genérico, porque era
usado freqüentemente com substantivos comuns. Atualmente, os números nativos
normalmente são usados com  「つ」 .

25.4. CONTADORES

Em japonês, contar objetos é um pouco mais difícil, porque não podemos usar
somente o número e o objeto a ser contado, como fazemos em português (ex. dois
cachorros). É necessário usar os “contadores” [ 「じょすうし」 (助数詞)] e isso vale
para virtualmente todos os substantivos japoneses.

O que tornará ainda mais difícil é que os contadores variam de objeto para objeto,
então, você terá que memoriza-los. Isso por que no japonês antigo, ao se atribuir um
contador, basicamente se considerou a aparência externa dos objetos, e eles são
contados de acordo com uma ou outra característica.

A utilização dos contadores provavelmente começou no Período Nara, devido à


influência chinesa, pois a língua japonesa, assim como a língua chinesa, é deficiente
em diferenciar singular e plural. Então, começou-se a empregar certos elementos
que, anexados aos objetos a serem contados, expressavam a ideia de que a unidade
de tal objeto era repetida “X vezes”.

Para melhor entendermos este modo de pensar dos japoneses, achamos que será
conveniente usarmos o conceito de substantivo incontável da língua inglesa. Os
falantes de inglês entendem que algumas coisas não podem ser contadas
diretamente. Os substantivos que se referem a estas coisas são chamados de
substantivos incontáveis (uncount nouns). Os substantivos incontáveis não são
usados com números. Por exemplo, “money”não se conta: one money, two moneys.
O que se conta é a moeda: one dollar, two dollars. No caso das comidas e líquidos, o
que se conta é o recipiente: a cup of coffee (um copo de café), a glass of water (um
copo de água), three loaves of bread (três fatias de pão), four bars of chocolate
(quatro barras de chocolate).

Neste sentido, você pode considerar praticamente que todos os substantivos


japoneses são incontáveis, necessitando, portanto, de uma unidade que permita a
medição de sua quantidade. Por exemplo, “dois cachorros” em japonês será [ 「にひき
のいぬ」 (二匹の犬)]. Veja como  「にひき」 passa a ser um atributo do substantivo
  「 い ぬ 」 e uma tradução aproximada poderia ser algo como “Cachorro em
(quantidade de) dois animais pequenos”. Seria mais ou menos como dizer em
português “café em dois pacotes (dois pacotes de café).”, onde “pacote” exerceria a
função de um contador, isto é, uma unidade para contar a quantidade de café.

Acredita-se que há cerca de 150 contadores, mas apenas 30 aproximadamente são


usados com mais frequência. Vejamos alguns dos mais comuns:
usados com mais frequência. Vejamos alguns dos mais comuns:

Note como novamente temos as mudanças sonoras em alguns casos. Como já


mencionamos anteriormente, elas visam tornar a pronúncia mais fácil e fluente.
Essas mudanças são seguidas com bastante consistência, mas exceções e variações
entre falantes existem.

Alguns dos contadores mais comuns podem substituir os menos comuns. Por
exemplo,   「ひき」 é muitas vezes usado para os animais, independentemente de seu
tamanho. No entanto, muitos falantes irão preferir usar o contador correto  「とう」
quando estiverem falando de animais grandes, como cavalos. Isso gera uma série de
contadores possíveis, com diferentes graus de uso e aceitabilidade. Por exemplo,
quando alguém pede um kushikatsu, é possível que peçam dizendo 「ふたくし」 (二
串) – dois espetos –,  「にほん」 (二本) – dois palitos –, ou  「ふたつ」 (二つ) – dois itens.
Aqui apresentamos uma ordem decrescente de precisão.

Em termos de gramática, os contadores podem aparecer antes do substantivo que


contam ou mesmo depois dele. Geralmente, eles são colocados depois dos
substantivos (seguindo as partículas), e se usados antes, são para enfatizar a
quantidade; esta sutileza comumente não é percebida pelos estudantes não-nativos.
Observe os exemplos abaixo:

1. ビールを二本飲んだ。= (Eu) bebi duas garrafas de cerveja.

2. 二本のビールを飲んだ。= (Eu) bebi duas garrafas de cerveja.

As duas orações tecnicamente expressem a mesma coisa, e o padrão da oração (1) é


mais comum. Entretanto, a oração (2) transmite um sentido de ênfase na quantidade
de garrafas tomadas e seria mais apropriada para enfatizar o número, por exemplo,
como resposta à pergunta “Quantas cervejas você bebeu?”.

25.5. OS NÚMEROS FORMAIS

Para alguns números, Kanjis alternativos [ 「 大 字 」 ( だ い じ )] são utilizados em


documentos legais e financeiros para evitar que indivíduos inescrupulosos
adicionem um traço ou dois e mudem os valores (transformem um 1 em um 2 ou 3) .
Vejamos alguns:
25.6. INDICANDO ORDENAMENTO DE ALGO

Tecnicamente,   「 目 」 ( め ) não é um contador, mas ele pode ser adicionado para


ordenar contadores para indicar ordenamento – isto é, indica a posição de um item
em algum tipo de ordenamento. Sendo bem específico, adicionando   「 目 」   à um
contador altera-se a contagem de número cardinal para número ordinal. Por
exemplo,  「目」  pode ser usado em combinação com  「日」  para criar o contador
 「日目」 , a fim de mudar o significado de [X] dia para [º] dia. Vejamos:

三日にホテルで泊まった。= Nós ficamos no hotel por três dias.

三日目にホテルで泊まった。= Nós ficamos no hotel no terceiro dia.

  「 目 」 também é frequentemente combinado com   「 番 」 ( ば ん ) para criar o


contador  「番目」 (ばんめ), que muda o significado de um número para uma posição
para ordenar uma aparência. Por exemplo, um corredor que tenha o número “214”
nas costas pode ser a primeira pessoa a começar numa volta. Neste caso, o corredor
seria indicado como sendo o corredor número 214 (214番のランナー ou 214号のランナ
ー), mas como ele é o primeiro colocado é indicado como  「一番目のランナー」 .
Outro exemplo dessa diferença pode ser mostrado no contexto de espera por um
ônibus:

この停留所から5番のバスに乗る。= (Eu) tomarei o ônibus número 5 neste ponto de


ônibus.

この停留所から5番目のバスに乗る。= (Eu) tomarei o quinto ônibus neste ponto de


ônibus.

「 第 」 ( だ い ) é um prefixo ordinal usado com bastante freqüência, por isso é


importante que você aprenda isso, e é relativamente fácil de entendê-lo: se alguma
importante que você aprenda isso, e é relativamente fácil de entendê-lo: se alguma
declaração do contador diz "[X] algumas coisas", então, o prefixo   「 第 」 criará a
afirmação "a [º] alguma coisa”. Observe os exemplos:

この本が17課がある。= Este livro tem 17 capítulos.

第10課は難しい。= O décimo capítulo é difícil.

25.7. O CALENDÁRIO JAPONÊS

As eras do Japão [ 「 元 号 」 ( げ ん ご う ) ou   「 年 号 」 ( ね ん ご う )] são um meio de


contagem de tempo no Japão, no qual um ano é identificado por uma combinação
do nome dado à era e ao ano dentro desta era. Por exemplo: 2008 é o vigésimo ano
da era Heisei. Apesar de o Japão usar o calendário gregoriano desde o século 19, a
forma tradicional de contagem dos anos ainda está presente no cotidiano do país,
sendo requerido em documentos oficiais do governo. Frequentemente aparece
também em filmes, notícias, músicas, literatura e outras obras.

Em geral a mudança entre eras é ditada pela ascensão de um novo imperador


como ocorreu no início da era Heisei, porém já houve mudanças de era ditadas por
eventos históricos ou desastres. Desde 1867 na ascensão do imperador Mutsuhito foi
adotado o sistema que muda a era apenas a cada mudança de reinado, sendo iniciada
uma nova era em 1868 denominada era Meiji. A contagem das eras foi iniciada pelo
imperador Kotoku, sendo a primeira era de nome Taika. A tradição não foi mantida,
mas foi retomada pelo imperador Mommu e desde então tem sido contada até os dias
atuais.

De modo geral, os japoneses conseguem identificar rapidamente os anos em ambos


os sistemas. Para quem não está acostumado, é preciso saber um pouco de história e
fazer algumas contas. Para converter um ano régio japonês para o calendário
gregoriano ou sistema ocidental, encontre o primeiro ano da Era e subtraia 1 dessa
data (isso por que o início da Era em si já é considerado ano 1). Feito isso, adicione o
número do ano japonês que se deseja descobrir. Por exemplo, o vigésimo terceiro ano
da era Shouwa (Shouwa 23) é 1948:

Exemplo: 1926 (primeiro ano da era Shouwa) − 1 = 1925 ...e então 1925 + 23 = 1948 ...
ou Shouwa 23.

Fontes:

InfoEscola: http://www.infoescola.com/ingles/uncount-nouns-substantivos-incontaveis/

Wikipedia:

http://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_numerals

http://pt.wikipedia.org/wiki/Numerais_japoneses

Sci.lang.japan Frequently Asked Questions: http://www.sljfaq.org/afaq/afaq.html


Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Guide to Japanese (Tae Kim): www.guidetojapanese.org

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G

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LIÇÃO 26: PARTÍCULAS IV
Nesta quarta lição sobre partículas vamos aprender vários meios para
expressar diferentes graus de quantidades. Por exemplo, frases como: "Eu comi
somente um", "Isso foi tudo o que restou" e "Há apenas pessoas de idade aqui"
indicam se há muito ou pouco de alguma coisa. A maioria dessas expressões é
criada com partículas e não com palavras separadas como você vê em
português.

26.1. AS PARTÍCULAS  「だけ」 E   「のみ」

A partícula  「だけ」  é usada para expressar que determinada quantidade de algo é


tudo o que existe. Assim como as outras partículas que já aprendemos, ela é
diretamente ligada ao fim de qualquer palavra que a que se refira:

りんごだけ。= Somente maçãs (e nada mais)

これとそれだけ。= Somente isto e isso (nada mais)

Em termos de etimologia a partícula  「だけ」 se originou do substantivo clássico


「 た け 」 ( 丈 ) , que significava “comprimento”, “extensão”. Talvez por isso,
diferentemente de algumas partículas, podemos também anexar 「だけ」  a verbos e
outros elementos que possuem base Rentaikei:

これからは食べるだけだ。= A partir de agora, comerei somente.

ここに名前を書くだけでいい?= Está bem somente escrever o nome aqui?

好きなだけいてもいい。 = (Você) pode ficar o tempo que quiser.

Ainda tendo em mente que  「だけ」 se originou de um substantivo, quando uma das
principais partículas é aplicada também a uma palavra, ela deve figurar após  「だ
け」 , assim como aconteceria com qualquer outro substantivo. De fato, a ordem de
partículas múltiplas geralmente começa a partir do mais específico para o mais geral:

それだけは、食べない。= Não comerei somente isso (o restante está subentendido que


tudo bem)

この歌だけを歌わなかった。= Não cantei somente esta canção.


この歌だけを歌わなかった。= Não cantei somente esta canção.

その人だけが好きだったんだ。= É essa pessoa somente que eu gostei.

ローマ字だけの辞書。= Dicionário somente Roomaji.

O mesmo vale para partículas duplas. Novamente,  「だけ」 deve figurar antes:

こ の 販 売 機 だ け で は 五 百 円 玉 を 使 わ な い 。 = Não usarei uma moeda de 500 ienes


somente nesta máquina de venda automática.

Entretanto, com partículas “menos importantes”, tais como  「から」  ou  「まで」 , é
difícil dizer qual deve figurar primeiro, portanto, se você ficar em dúvida, tente usar
o Google para verificar o nível de popularidade de cada combinação. Por exemplo, o
resultado que se obtém é que 「からだけ」  é quase duas vezes mais popular do que
 「だけから」 :

まことからだけは、返事が来なかった。= Uma resposta não veio somente de Makoto.

Agora observe a oração seguinte:

君だけではなく僕も悪かった。= Não só você, mas eu também era o culpado.

O padrão acima é muito comum e se considerarmos que  「だけ」 se originou de um


substantivo, faz todo sentido: ela nada mais é do que uma sequência em que usamos
o estado-de-ser na negativa e cuja partícula  「て」 é deixada de lado.

Uma partícula que é essencialmente idêntica a 「 だ け 」 , tanto gramaticalmente


como no significado, é  「のみ」 . No entanto, ao contrário de 「だけ」 que é usado
em conversas regulares,   「 の み 」   normalmente é utilizado somente na escrita. É
frequentemente usado para explicações relacionadas a condutas, em manuais e
outras coisas dessa natureza. Esta gramática pertence à seção de linguagem formal,
que ainda não abordamos, mas como é essencialmente idêntico a 「だけ」 faremos
uma abordagem aqui nesta lição:

外用のみ。= Uso externo somente

勇者のみが尊敬に値する。= Somente os corajosos merecem respeito.

Agora, vamos olhar para 「 の み な ら ず 」 , que é comumente traduzido como “além


de”. Provavelmente se trate de 「のみ」 em conjunto com a forma negativa da cópula
clássica 「なり」. Se essa teoria estiver correta, seu significado literal seria “sem ser
somente”:

彼女のみ ならず 彼 女 の 息 子 達 も 幸 せ だ っ た 。 = Além dela, seus filhos também eram


felizes (Lit. Sem ser somente ela, os filhos dela também eram felizes).

26.2. A PARTÍCULA 「しか」

A partícula 「 し か 」 deve ser utilizada para indicar a ausência de qualquer outra

coisa. Algo interessante com relação a esta partícula é que o verbo deve estar sempre
coisa. Algo interessante com relação a esta partícula é que o verbo deve estar sempre
na forma negativa.

これしかない。= Não há nada mais que isto.

A próxima sentença está incorreta:

これしかある。= Não há nada mais que isto (INCORRETA. Deveria ser usado  「だけ」
).

Como verá nos próximos exemplos,   「 し か 」   tem um significado negativo


incorporado enquanto  「だけ」  não tem qualquer nuance particular:

これだけ見る。= Verei somente isto.

これだけ見ない。= Não verei somente isto.

これしか見ない。= Verei somente isto (e isso é ruim).

朝ご飯しか食べなかった。= Comi somente o café da manhã (e isso é algo negativo).

Convém mencionar que, devido ao fato de 「しか」 sempre exigir o verbo na forma
negativa, alguns preferem atribuir a ela o significado de “com exceção de [X]”, o que
deixaria claro o seu sentido, isto é, essa ausência de qualquer outra coisa. Sendo
assim, observe como ficariam as traduções dos exemplos anteriores:

これしか見ない。= Com exceção disto, não vejo (nada).

朝ご飯しか食べなかった。= Com exceção do café da manhã, não comi (nada).

Observe que, ao contrário de 「だけ」 , com 「しか」  é necessário terminar a frase:

全部買うの? = (Você) comprará tudo?

(1) ううん、これだけ。= Não, somente isto.

(2) ううん、これしか買わない。= Não, não comprarei nada além disto.

(3) う う ん 、 こ れ し か 。 = Não, não comprarei nada além disto. (INCORRETA. Na


sentença, a forma negativa deve estar indicada explicitamente).  

No caso de múltiplas partículas, como as principais sempre figuram após as “menos


importantes”,  「しか」  deve aparecer depois de  「から」  e  「まで」 . Uma pesquisa
no Google mostra que 「からしか」 é bem mais popular do que  「しかから」 :

先生からしか日本語を習わなかった。= Eu não aprendi japonês, exceto pelo professor


(eu aprendi japonês pelo professor somente e isso de algum modo foi algo negativo).

Você também pode usar essa gramática com verbos:

これから頑張るしかない!= Não há nada a fazer, mas tentamos o nosso melhor! (Lit.

com exceção (do ato) de nos esforçarmos, não há nada)


com exceção (do ato) de nos esforçarmos, não há nada)

 「っきゃ」 é outra versão de 「しか」 , que significa essencialmente a mesma coisa e


funciona exatamente da mesma maneira. Basta substituir 「しか」 por  「っきゃ」 e
está tudo bem. Esta versão é um pouco mais forte do que  「しか」 no quesito ênfase,
mas não é utilizada com tanta frequência e, por isso, você não precisa se preocupar
muito com isso. Vou abordá-la brevemente aqui apenas para o caso de você se
deparar com esta expressão:

これは買うっきゃない!= Não há nada além disso para comprar.

これから頑張るっきゃない!= Não há nada a fazer, mas tentamos o nosso melhor!

26.3. EXPRESSANDO O OPOSTO DE  「だけ」 COM  「ばかり」

 「ばかり」 é usado para expressar a condição em que há tanto de algo a ponto de


não haver mais nada. Note que isto é fundamentalmente diferente de  「しか」 , que
exprime uma falta de tudo, exceto o item em questão. Em situações mais casuais,
 「ばかり」  geralmente é pronunciado  「ばっかり」 ou simplesmente  「ばっか」 .
Por exemplo, digamos que Hiroshi só fique jogando mahjong e não faça mais nada
além disso. Você pode dizer o seguinte:

ひろしは麻雀ばかり。= Hiroshi é só mahjong (e ele se limita a isso).

彼らは不平ばかり言う。= Eles só reclamam (e não sabem fazer nada além disso)

Em termos de etimologia, assim como  「だけ」 ,  「ばかり」 também se originou de


um substantivo clássico: trata-se de   「 許 り 」 ( は か り ), que significava “limite”,
“estimativa”, que por sua vez derivava do verbo  「 許 る 」   = calcular. Somente no
Período Kamakura (1185-1333) começou a ser usado para expressar limitação.

Sendo assim, também podemos usar o padrão a seguir:

彼女は親切なばかりではなく正直な人。= Falando de ela, (ela) não é só carinhosa, mas é


(também) honesta.

A diferença entre usar  「だけ」 e 「ばかり」 neste padrão é que 「だけ」 é preferível
quando se precisa definir uma limitação de modo mais rígido. Observe:

彼は勉強だけではなく運動も好きだ。= Falando de ele, ele não gosta só de estudar,


mas também gosta de esportes.

Podemos anexar  「ばかり」 à forma passada dos verbos para indicar que uma ação
acabou de ser realizada:

あきらは帰ったばかり。= Akira acabou de retornar à casa.

この傘を買ったばかり。= (Eu) acabei de comprar este guarda-chuva.

Na verdade, é mais comum em japonês usar   「買ったばかり」 em vez de dizer que

algo é “novo”  「新しい」 . Em outras palavras, se você quiser dizer que “este guarda-
algo é “novo”  「新しい」 . Em outras palavras, se você quiser dizer que “este guarda-
chuva é novo”, o caminho mais natural é usar 「買ったばかり」 , enquanto usar  「新
しい」 soará mecânico, como algo memorizado a partir de um livro de gramática.

Outro modo de expressar algo parecido é anexar o substantivo   「 と こ ろ 」 ( 所 ) à


forma passada do verbo:

この傘を買ったところ。= (Eu) acabei de comprar este guarda-chuva.

A principal diferença entre usar  「ばかり」 e  「ところ」 é que  「ばかり」  tem um


sentido de "relativamente falando", isto é, pode ser que você tenha comprado o
guarda-chuva há uma semana, mas, relativamente falando, “acabou de comprar”. Já
com  「ところ」 significa realmente que você comprou o guarda-chuva agora mesmo.

26.4. PARTÍCULAS DUPLAS III

A partícula dupla  「 て ば か り 」 , é usada coloquialmente para expressar que uma


ação é tudo que alguém sabe fazer:

まことは食べてば か り 。= Falando de Makoto (ele) só come (e não sabe fazer outra


coisa além disso).

Também podemos usar  「ばかりに」 para indicar que uma única e simples causa
provoca uma situação negativa:

寝過ごしたばかりに学校に遅刻した。= Eu me atrasei para a escola só porque eu dormi


demais.

私がきれいなばかりにたくさんの男の人を苦しめた。= Só porque eu sou bonita, eu


causo dor em muitos homens.

ATENÇÃO: não confunda  「 ば か り に 」 com     「 と ば か り に 」 , que é usado para


enfatizar a razão, mas não é necessariamente ruim, podendo refletir uma
oportunidade positiva:

彼女はこの時とばかりに不満をぶち撒けた。 = Ela, aproveitando este tempo, desabafou


sua frustração.

Podemos também combinar  「ばかり」 com a partícula  「か」 . É uma versão mais
forte de  「ばかりではなく」 :

気温ばかりか湿度も高い。= Não só a temperatura, mas também a umidade é alta.

A combinação 「だけに」 pode indicar a causa de algo, dependendo do contexto:

フランスで勉強しただけに、彼女のフランス語は発音がきれいだ。= Como ela estudou na


França, a pronúncia do francês dela é encantadora.

Segundo métodos convencionais, na verdade neste caso,  「 だ け に 」 teria um forte


sentido de “como resultado esperado (de uma causa)”. Sendo assim uma tradução

melhor seria: “Como ela estudou na França, a pronúncia do francês dela é


melhor seria: “Como ela estudou na França, a pronúncia do francês dela é
encantadora (como se espera).”. Mais um exemplo:

一生懸命働いただけに、彼に促成をしました。= (Ele) trabalhou duro e, por isso, (como


esperado), foi promovido. 

Para expressar o mesmo, podemos ainda usar a construção 「~だけ(のことは)ある」,


que geralmente é usada no final de uma frase separada:

そ の 映 画 は 面 白 か っ た 。 Woody Allen が 作 っただ け の こ と は あ る 。 = Esse filme foi


interessante. (Isso é por que) Woody Allen fez (e era esperado que fosse interessante
mesmo).

Se quiséssemos usar essa construção na oração subordinada, teríamos:

Woody Allenが作った映画だけあって、面白かった。 = É um filme que Woody Allen fez


(e como esperado), foi interessante.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

JLPT Grammar: http://www.wattpad.com/170627-jlpt-grammar

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LIÇÃO 27: VERBOS SUPLEMENTARES – INTRODUÇÃO
Nesta lição, daremos início ao estudo dos verbos suplementares. Será muito
importante você aprender tal conceito, haja vista que este tipo de construção é
muito comum na língua japonesa.

27.1. O QUE SÃO VERBOS SUPLEMENTARES?

Os verbos suplementares [ 「ほじょどうし」 (補助動詞)] são verbos independentes


que podem ser anexados a outros, a fim de alterar o seu sentido. Sendo assim, um
verbo quando serve de suplementar pode acrescentar o seu sentido individual ao
verbo que é anexado ou perder seu significado, tendo neste caso outro sentido.

Existem verbos suplementares que são fixados à base Ren’youkei de outro verbo, e
outros que são anexados à forma TE. Para fins meramente didáticos, chamaremos os
verbos que são anexados à base Ren’youkei de “verbos para Ren’youkei” e os que
são anexados à forma TE, de “verbos para forma TE”. Observe o quadro abaixo com
um exemplo para cada possibilidade:

Infelizmente, as coisas não são tão simples assim. Há alguns verbos que podem
parecer estar fixados a verbos suplementares, mas na verdade se tratam de um
único verbo. É o caso, por exemplo, de   「 お も い だ す 」 ( 思 い 出 す ), que significa
“recordar” e não “começar a pensar”. Além disso, existem muitos verbos que podem
servir de suplementares e não seria possível abordar todas as combinações possíveis.
Portanto, este é um caso em que somente o tempo de estudo e a experiência no
idioma farão você aprendê-los. Contudo, vamos abordar ao longo das lições as
construções mais comuns.

27.2. O VERBO  「いる」 PARA FORMA TE: ESTADO DURADOURO

Nós já sabemos como expressar o estado-de-ser através da cópula 「だ」 . No entanto,


ela só indica algo pontual, isto é, ou algo é ou não é. Esta construção que
aprenderemos, porém, descreve um estado contínuo de um verbo de ação. Isso
geralmente se traduz em português na forma do gerúndio, mas não fixe isso como
geralmente se traduz em português na forma do gerúndio, mas não fixe isso como
regra, pois nem sempre é assim e o contexto deverá ser considerado. Para tanto,
basta anexar o verbo  「いる」 à forma TE de qualquer verbo. Observe:

EXPRESSAR UM ESTADO DURADOURO (REGRA GERAL)

[FORMA TE DO VERBO] +  「いる」

Observe alguns exemplos de aplicação:

Vejamos um diálogo de exemplo:

MAKOTO: 何をしているの?= O que (você) está fazendo?

HIROSHI: 昼ご飯を食べている。= (Eu) estou comendo o almoço.

Este   「 い る 」   é o mesmo verbo Kami-Ichidan que indica existência. No entanto,


neste caso, você não tem que se preocupar se o sujeito é animado ou inanimado.
Também, como ele está exercendo a função de verbo suplementar, é ele é que deve
ser conjugado para as demais formas. Assim, temos:

Como as pessoas são geralmente muito preguiçosas para mexer suas línguas, o
  「 い 」   muitas vezes é omitido no japonês casual. Entretanto, se você estiver
escrevendo um documento ou artigo, você deve sempre incluir o  「い」 . Veja como
ficará o diálogo anterior:

MAKOTO: 何をしてるの?= O que (você) está fazendo?

HIROSHI: 昼ご飯を食べてる。= (Eu) estou comendo o almoço.

Agora, observe a próxima oração:

たもつは広島に住んでいる。= Tamotsu mora em Hiroshima.

Note como o japonês é mais "gramaticalmente verdadeiro" do que o português em


alguns casos, como quando se usa o verbo   「 す む 」 ( 住 む ), tal como no exemplo
acima. Apesar de a ação de “morar em um lugar” ser presente e progressiva, no
português usamos apenas o presente do indicativo do verbo "morar", assim como
traduzimos. Devido a isso, é natural que os estrangeiros escorreguem e usem 「 住
む」 em vez de 「住んでいる」 .

Existe também uma ambiguidade em saber se a pessoa está em um estado de fazer


uma ação e estar em um estado que resultou de alguma ação. Isso geralmente é

clarificado pelo contexto e práticas comuns. Por exemplo, embora  「結婚している」


clarificado pelo contexto e práticas comuns. Por exemplo, embora  「結婚している」
 tecnicamente pode significar que alguém está em uma capela se casando AGORA, é
geralmente usado para se referir a alguém que já é casado e está nesse estado
conjugal (mais detalhes no tópico 27.4).

Por fim, é natural assumir que as ações 「行っている」 e 「来ている」 signifiquem


“indo” e “vindo”, respectivamente. Mas, infelizmente, este não é o caso. Quando  「い
る」  está acompanhando a forma TE de verbos de movimento, tem mais um sentido
de uma sequência de ações, função básica da partícula  「て」 , que vimosem uma
das lições passadas. Sendo assim, o sujeito completou o movimento, e agora existe
nesse estado. (Lembre-se que  「いる」 é o verbo da existência de objetos animados).
 Pode ajudar a pensar nele como duas acções distintas e sucessivas:  「行って」 、 e
então  「いる」 . Observe os exemplos:

もう、家に帰っている。= (Ele) já está em casa (foi para casa e está lá agora).

先に行っている。 = Eu vou à frente. (Eu vou e estar lá antes de você).

みやこは、もう来ている。= Miyako já está aqui. (Ela veio e está aqui).

Mas, e se quiséssemos expressar que alguém está vindo ou indo?

Temos uma boa noticia, pois é possível sim expressar “indo” e “vindo”, através de
uma, digamos, “gambiarra” gramatical ou ajuda do contexto. Por exemplo,
poderíamos usar algum elemento que tenha um significado de “em progresso de” ou
coisas do tipo e que funcione (sintaticamente) como um substantivo. Assim seria
possível modifica-lo com os verbos 「 行 く 」 e 「 来 る 」 . Um desses elementos
possíveis é 「とちゅう」(途中), que significa “em meio a”, “no caminho de”, “metade
do caminho” e é classificado como substantivo:

友達は来る途中。= (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de (meu) amigo, é metade do
caminho (do ato) de vir).

Ou até mesmo usar um verbo na forma infinitiva e entender o sentido de ação em


progresso pelo contexto:

友達は来る。= (Meu) amigo está vindo (entendido pelo contexto).

Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade de a
oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como 「いま」:

友 達 は い ま 来 る 。 = (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de meu amigo, (ele) vem
agora).

27.3. O VERBO  「ある」 PARA FORMA TE: ESTADO RESULTANTE

O verbo  「ある」 , quando serve de verbo suplementar, também tem um significado


especial. Ao substituirmos  「いる」 por  「 あ る 」 , em vez de uma ação contínua,
temos um estado resultante após a ação já ter acontecido. Talvez ajudará pensar

que 「てある」  é que deu origem ao verbo auxiliar de passado   「た」 , então estará
que 「てある」  é que deu origem ao verbo auxiliar de passado   「た」 , então estará
sempre relacionado a uma ação passada. Em outras palavras, alguém fez uma ação
(passado) e como consequência dessa ação, há um estado resultante (presente).
Para fixar ainda mais este conceito, vamos rever um dos trechos da lição 14 a
respeito do verbo auxiliar  「つ」  que deu origem à partícula  「て」 :

“Quando   「 つ 」 era anexado à base Ren’youkei de um verbo, ele


expressava algo como “determinada ação foi (será) feita e está (será)
concluída”. Se anexarmos o verbo   「 あ る 」 , que significa “existir”,
poderíamos pensar em algo como “existe determinada ação que foi
realizada e está concluída”, ou seja, de fato um estado resultante. Por
exemplo:

食べてある。= Existe a (ação de) comer (que foi realizada e está concluída)
= estado estático resultante.”

Note que citamos “alguém fez uma ação”, porque esta construção somente é válida
para verbos transitivos, pois estes, como vimos, têm um sentido de que há um
agente que exerceu uma ação sobre algo.

Geralmente, essa expressão é usada para explicar que algo está em um estado de
conclusão. A ação que foi concluída também carrega uma nuance de estar concluída
em preparação para outra coisa. Observe o diálogo:

TAMOTSU: 準備はどう? = Como estão os preparativos?

MIYAKO: 準備は、もうしてある。= Já aconteceu de os preparativos serem feitos. (Os


preparativos já estão feitos).

Perceba que o que Miyako diz é o estado atual dos preparativos, resultante da ação
de prepará-los no passado. Não poderíamos traduzir “Já fiz os preparativos” (embora
faça sentido dado o contexto), porque 「てある」 destaca o estado atual e não a ação
anterior que resultou nele.

Para verbos transitivos usamos 「てある」 para indicar um estado resultante. Mas, e
se quiséssemos expressar o mesmo usando verbos intransitivos? Bem, nestes casos
podemos usar 「ている」 . Compare:

窓が開けてある。 = A janela está aberta. (por que alguém (ou algo) a abriu)

窓が開いている。 = A janela está aberta. (sem agente ou razão implícita)

E como diferenciar? Como sempre, o contexto será nosso maior aliado, juntamente
com conhecimento gramatical. Por exemplo, se você se deparar com 「開けてある」,
deve considerar um estado resultante, já que 「 開 け る 」 é um verbo transitivo.
Agora, se você se deparar com 「開いている」, já que 「開く」 é intransitivo, 「開いて
い る 」 pode tanto significar um estado resultante, como um estado duradouro,
progressivo dependendo do contexto. E mais: 「開けている」 pode somente significar
um estado duradouro. Afinal, ele é transitivo e um estado resultante para esse tipo de
verbo só pode ser indicado com 「てある」.
verbo só pode ser indicado com 「てある」.

Para clarificar as coisas, observe o quadro abaixo:

NOTA: essa regra não se aplica ao verbo irregular 「する」.

27.4. VERBOS PONTUAIS: O QUE SÃO ELES?

Já sabemos que tanto verbos transitivos como os intransitivos podem ser combinados
com 「ている」. Como vimos no quadro do tópico anterior, com verbos transitivos,
「 て い る 」 expressa uma ação em progresso. Já com os intransitivos, pode haver
ambiguidade, pois pode indicar tanto um estado resultante como também um sentido
de ação em progresso.

Neste tópico, vamos abordar uma questão importante e polêmica que costuma gerar
confusão entre os estudantes. Segundo este artigo de Taeko Tomioka, há um grupo de
verbos (em sua maioria intransitivos) que podemos chamar de “verbos pontuais”
[「しゅんかんどうし」(瞬間動詞)], cuja principal característica é não ter duração, isto
é, um verbo pontual ocorre em um único instante, fato que representa uma
transição de um estado antigo para um novo estado resultante. Para melhor ilustrar,
observe a figura abaixo:

A luz se acende no ponto "A", e, em seguida, apaga-se no ponto "B". O processo de a


luz se acender não leva tempo, é instantâneo. Veja como o fato de a luz se acender
no ponto “A” representa uma transição de um estado antigo (luz apagada) para um
novo estado resultante (luz acessa).

Sendo assim, 「ついている」, não poderia ser interpretado de maneira progressiva,


como “está acendendo”, mas somente como “acendeu e está nesse estado” (estado
resultante). Em outras palavras, “está acessa”.

Você pode pensar: “Ok, mas isso não exclui a possibilidade de, por exemplo, a luz se
acender vagarosamente por estar com defeito. Se alguém visse essa cena, diria  “A
luz está se acendendo”. E aí?”

Neste caso, para expressar o fato de “estar se acendendo”, poderíamos agir da mesma
forma que fazemos com os verbos 「行く」 e 「来る」, ou seja, uma opção seria usar
algum elemento que tenha um significado de “em progresso de” ou coisas do tipo e
que funcione (sintaticamente) como um substantivo para que ele seja modificado
que funcione (sintaticamente) como um substantivo para que ele seja modificado
por este verbo:

電気は点く途中。= A luz está se acendendo (lit. Falando da luz, é metade do caminho


(do ato) de se acender).

Ou até mesmo usar o verbo na forma infinitiva e entender o sentido de ação em


progresso pelo contexto:

電気が点く。= A luz está se acendendo. (entendido pelo contexto)

Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade de a
oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como 「いま」:

電気がいま点く。= A luz está se acendendo agora (Lit. A luz é o que se acende agora).

Note que, mesmo em português, seria possível entender uma ação em progresso sem
usar o gerúndio. A última oração é um exemplo disso.

Um exemplo de verbo transitivo é 「しる」 (知る), que significa “saber”, “conhecer”.


Em japonês, quando alguém nos dá uma informação que já sabemos, dizemos 「知っ
ている」, que, por ser um verbo pontual, só pode ser interpretado como “(Eu) sei” e
não “Eu estou sabendo” (se bem que em português ambas interpretações fariam
sentido).

Como já mencionado no tópico 2, com o verbo irregular 「 す る 」 poderá haver


ambiguidade. Por exemplo, embora 「結婚している」, tecnicamente possa significar
que alguém está em uma capela se casando AGORA, é geralmente usado para se
referir a alguém que já é casado e está nesse estado conjugal.

27.5. O VERBO  「おく」 PARA FORMA TE: FUTURO EM MENTE

Enquanto  「ある」  como suplementar traz um nuance de uma ação completa, em


preparação para outra coisa,  「おく」 deixa claro que a ação é feita (ou vai ser feita)
com o futuro em mente. Imagine isto: você fez uma torta deliciosa e vai coloca-la no
parapeito da janela para esfriar para que possa comê-la mais tarde. Esta imagem
pode ajudar a explicar porque o verbo   「 お く 」 ( 置 く ), que significa "deixar (em
algum lugar)", pode ser usado para descrever uma preparação para o futuro.
Enquanto   「 置 く 」 por si é escrito em Kanji, é costume usar Hiragana quando
exerce a função de verbo suplementar:

晩ご飯を作っておく。= (Eu) farei o jantar (com vistas ao futuro).

電池を買っておく。= (Eu) comprarei baterias (com vistas para o futuro)

No japonês casual,   「 て お く 」 é por vezes abreviado como 「 ~ と く 」   por


conveniência:

晩ご飯を作っとく。= (Eu) farei o jantar (com vistas ao futuro).

電池を買っとく。= (Eu) comprarei baterias (com vistas para o futuro).


電池を買っとく。= (Eu) comprarei baterias (com vistas para o futuro).

27.6. OS VERBOS DE MOVIMENTO  「行く」 E   「来る」 PARA FORMA TE

Você também pode usar os verbos de movimento "ir" 「行く」 e "vir" 「来る」 como
suplementares para a forma TE, para mostrar que uma ação é orientada em direção
ou originada de algum lugar. O exemplo mais comum e útil desta utilização é o
verbo  「 も つ 」 ( 持 つ ) (ter posse de). Enquanto 「 持 っ て い る 」 significa estar em
estado de ter algo , quando 「いる」  é substituído por  「いく」 ou  「くる」 , isso
significa que você está levando ou trazendo alguma coisa. Naturalmente, a
conjugação é a mesma que os verbos indepemdentes 「行く」 e  「来る」 . Observe os
exemplos:

鉛筆を持っている?= (Você) tem um lápis?

鉛筆を学校へ持っていく?= (Você) está levando um lápis para a escola?

鉛筆を家に持ってくる?= (Você) está trazendo um lápis de casa?

Para os exemplos acima, pode fazer mais sentido considera-los como uma sequência
de ações: “ter em posse e ir”, ou “ter em posse e vir”. Aqui estão mais alguns
exemplos:

あきらは、早く帰ってきた。= Akira voltou para casa cedo.

駅の方へ走っていった。= Foi correndo na direção da estação.

Os verbos de movimento também podem ser usados para expressões de tempo, isto é,
para avançar ou vir até o presente. Neste caso, dá um sentido de “vir fazendo algo” e
de “estará fazendo algo”:

日本の歴史を勉強してくる。= (Eu) estudo a História do Japão (até o presente).

一生懸命、頑張っていく!= (Eu) Vou tentar o meu melhor (para o futuro) com todas as
minhas forças!

No japonês casual,  「~ていく」 é por vezes abreviado como 「~てく」 :

一生懸命、頑張ってく!= (Eu) Vou tentar o meu melhor (para o futuro) com todas as
minhas forças!

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/


Miyano-Sama Japanese: http://www.angelfire.com/planet/miyanosama/Japanese_verbs.htm

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

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LIÇÃO 28: OS VERBOS “DAR” E “RECEBER”
Por alguma razão, o uso correto dos verbos “receber” e “dar” em japonês têm
assombrado os estudantes da língua japonesa e encarado como algo
tremendamente complexo. Daí a razão para dedicar uma lição inteira a eles.

28.1. CONHECENDO UM COSTUME JAPONÊS

Algo interessante sobre a cultura japonesa é que os japoneses adoram dar presentes.
Existem muitos costumes diferentes que envolvem dar e receber presentes (お歳暮、
お中元、etc.), e quando um japonês viaja você pode ter certeza que ele retornará com
lembranças para levar como presente. Mesmo quando estiver assistindo a
casamentos ou funerais, é esperado que as pessoas deem certa quantidade de
dinheiro como um presente para ajudar a financiar a cerimônia. Você pode ver por
que aprender corretamente a expressar os atos de “dar” e “receber” favores e itens é
uma habilidade muito importante e útil.

28.2. QUANDO USAR  「あげる」

 「あげる」  é a verbo japonês que expressa "dar" visto a partir do ponto de vista de
quem fala. Você deve usar este verbo quando VOCÊ estiver dando algo ou fazendo
algo para alguém. Observe os exemplos:

私が友達にプレゼントをあげた。= Eu dei o presente a um amigo.

これは先生にあげる。= Darei isto à professora.

Para expressar a concessão de um favor (verbo) seu, você deve usar sempre  「あげ
る」 como verbo suplementar para a forma TE:

車を買ってあげる。= Vou dar-lhe o favor de comprar um carro.

代わりに行ってあげる。= Vou dar-lhe o favor de ir em seu lugar.

Para ações de terceiros, esse verbo é usado quando o falante está olhando para o ato
a partir do ponto de vista de quem dá. Vamos ver o significado disso quando
examinamos o verbo  「くれる」 no próximo tópico. Observe:

学 生 が こ れ を 先 生 に あ げ る 。= O estudante dá isto ao professor (olhando a ação do


学 生 が こ れ を 先 生 に あ げ る 。= O estudante dá isto ao professor (olhando a ação do
ponto de vista do estudante).

友達が父にいいことを教えてあげた。= O amigo deu o favor de ensinar algo bom ao


meu pai (olhando a ação do ponto de vista do amigo).

O verbo  「 や る 」 , que usualmente significa “fazer” pode ser usado com o mesmo
sentido de 「あげる」 normalmente quando se fala de animais de estimação, animais
em geral, etc. Nunca use 「 や る 」   nesse sentido para as pessoas. Incluímos esta
forma para que você não seja confundido com frases como a seguinte:

犬に餌をやった? = Você deu a comida ao cão?

Aqui,  「やる」 não significa “fazer”, mas “dar”. Você pode dizer “fazer comida para
cão”, mas não fará nenhum sentido.

28.3. QUANDO USAR  「くれる」

 「くれる」  também é um verbo que significa "dar", mas, ao contrário de 「あげる」 ,


expressa “dar” visto a partir do ponto de vista de quem recebe. Você deve usar este
verbo quando UM TERCEIRO está dando algo ou fazendo algo a você (efetivamente,
o oposto de  「あげる」 ). Observe os exemplos:

友達が私にプレゼントをくれた。= O amigo deu presente a mim.

これは、先生がくれた。= O professor me deu isto.

Para expressar a concessão de um favor (verbo) de um terceiro, você deve usar


sempre  「くれる」 como verbo suplementar para a forma TE:

車を買ってくれるの?= Você vai me dar o favor de comprar um carro para mim?

代わりに行ってくれる?= Você vai me dar o favor de ir no meu lugar?

Da mesma forma, quando  「 く れ る 」 é utilizado na terceira pessoa, o orador está


falando do ponto de vista do receptor e não do doador:

先 生 が こ れ を 学 生 に く れ る 。= O professor dá isto ao estudante (olhando a ação do


ponto de vista do aluno).

友達が父にいいことを教えてくれた。= O amigo deu o favor de ensinar algo bom ao


meu pai (olhando a ação do ponto de vista do pai).

28.4. AGORA, TUDO FICARÁ MAIS CLARO!

A ilustração seguinte mostra a direção de dar do ponto de vista do falante:


Ao observarmos o desenho, percebemos que, se partimos do ponto de vista do
falante, toda a ação de dar a outros vai para cima em direção ao resto do mundo,
enquanto toda ação de dar feita pelos outros vai para baixo em direção ao falante.
Esta restrição nos permitirá fazer certas deduções a partir de orações vagas como a
seguinte:

ひろしが教えてあげる? = Hiroshi, será você aquele que dará o favor de ensinar à...
(qualquer outro, que não seja o falante)?

Como é 「くれる」 que deve ser sempre usado em todo ato feito ao falante, sabemos
que Hiroshi deve estar fazendo isso à outra pessoa. O falante também está olhando
para a ação do ponto de vista de Hiroshi como fazendo um favor para outra pessoa.
Observe a próxima oração:

ひろしが教えてくれる? = Hiroshi, será você aquele que dará o favor de ensinar à...
(qualquer outro, incluindo o falante)?

Uma vez que quem está dando algo não é o falante, Hiroshi pode estar doando para o
falante ou qualquer outra pessoa. O falante está vendo a partir do ponto de vista de
receber um favor feito por Hiroshi. Vamos ver alguns erros para você tomar cuidado:

友達がプレゼントを私にあげた。= O amigo me deu o presente.

A oração acima está incorreta, porque  「あげる」 está sendo usado para um ato de
doar ao falante. A versão correta seria:

友達がプレゼントを私にくれた。= O amigo me deu o presente.

Veja o próximo exemplo:

私が全部食べてくれた。= Eu dei o favor de comer tudo.

A oração acima está incorreta, porque 「くれる」 está sendo usado para um ato de
doar do falante. A versão correta seria:
私が全部食べてあげた。= Eu dei o favor de comer tudo.
私が全部食べてあげた。= Eu dei o favor de comer tudo.

28.5. QUANDO USAR  「もらう」

O verbo “receber” em japonês é  「もらう」 e tem uma versão somente, ao contrário


de  「あげる/くれる」 . Por isso, não temos muito que explicar a seu respeito. Uma
coisa a salientar é que, já que se recebe algo de alguém, as partículas apropriadas
são   「から」 ou  「に」 , que, como vimos em lições passadas, pode também indicar
a origem de algo. Observe:

私が友達にプレゼントをもらった。= Eu recebi presente do amigo.

友達からプレゼントをもらった。= Eu recebi presente do amigo.

 「もらう」 é visto a partir da perspectiva de quem recebe, de modo que, no caso de


primeira pessoa, os outros geralmente não recebem coisas de você. Entretanto, você
pode usar  「私からもらう」 para enfatizar o fato de que a outra pessoa recebeu algo
de você. Por exemplo, se você quisesse dizer “Ei, eu lhe dei isso!”, você usaria 「あげ
る 」 , mas poderia usar   「 も ら う 」 , se quisesse dizer “Ei, você recebeu isso de
mim!”.

その時計は私からもらった。= (Ele) recebeu esse relógio de mim

Podemos também usar o verbo  「もらう」 como suplementar para a forma TE, a fim
de indicar que alguém recebeu um favor (verbo) de alguém. Veja os exemplos:

これは友達に買ってもらった。= Sobre isso, recebi o favor do amigo de comprá-lo.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

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LIÇÃO 29: FALANDO DE FORMA POLIDA
Nós aprendemos o fundamento básico da língua japonesa. Agora que temos um
conhecimento geral de como o idioma funciona podemos estender o
aprendizado, abordando uma gramática específica para várias situações. Nesta
lição veremos como dizer as coisas numa forma mais polida.

29.1. OS DIFERENTES NÍVEIS DE POLIDEZ

Em qualquer idioma existem maneiras diferentes de se dizer as coisas quando se


trata de polidez. Mesmo em português, somos capazes de notar a diferença entre um
pedido como “Eu posso ir ao banheiro?” e “Eu poderia ir ao banheiro?”. Você fala de
um jeito com o seu professor e de outra maneira com seus amigos. No entanto, o
japonês é diferente, já que não só o tipo de vocabulário muda, mas também a
estrutura gramatical para cada frase dita.

Há uma linha clara e distinta entre a língua casual e a polida. Por um lado, as regras
claramente nos mostram como estruturar suas frases para diferentes contextos
sociais. Por outro lado, cada frase que você fala deve ser conjugada com o nível
adequado de polidez.

Com base no que explanamos, a língua japonesa pode ser dividida em quatro níveis
quanto à polidez:

1. Coloquial [ 「ぞくご」 (俗語)];

2. Usual / Casual [ 「じょうたいご」 (常体語)];

3. Polido [ 「ていねいご」 (丁寧語)];

4. Honorífico [ 「そんけいご」 (尊敬語)] e Modesto [ 「けんじょうご」 (謙譲語)].

Nos próximos tópicos desta lição, vamos abordar a versão polida do japonês [ 「てい
ねいご」 (丁寧語)], que é necessária para falar com pessoas de maior posição social ou
com pessoas que você não conhece. Mais adiante, vamos aprender uma versão ainda
mais polida, isto é, as formas honorífica e modesta (ou humilde). Estas serão mais
úteis do que você pode imaginar, porque pessoas como balconistas de lojas ou
recepcionistas irão falar com você usando estas formas. Por hora, vamos nos
recepcionistas irão falar com você usando estas formas. Por hora, vamos nos
concentrar somente na forma polida, que é base para as demais formas que veremos
em outras lições.

Felizmente, não é difícil de mudar do discurso casual para o discurso polido. Pode
haver algumas pequenas mudanças no vocabulário (por exemplo, "sim" e "não"
tornam-se   「 は い 」   e 「 い い え 」 , respectivamente no discurso polido), e
terminações de frases muito coloquiais não são usadas. Portanto, essencialmente, a
diferença principal entre o discurso polido e o casual está no final da frase. Você
não pode sequer dizer se uma pessoa está falando em discurso polido ou casual até
que a sentença seja concluída.

29.2. USANDO 「ます」  PARA FAZER OS VERBOS POLIDOS

Primeiramente, vamos conhecer as bases do verbo auxiliar   「 ま す 」   e revisar as


bases da cópula  「です」 :

Para transformar os verbos em verbos polidos, basta anexar o auxiliar  「 ま す 」 à


base Ren’youkei:

FORMA POLIDA DOS VERBOS

[BASE REN’YOUKEI] + [VERBO AUXILIAR  「ます」 ]

Observe o quadro com a regra sendo aplicada:

Agora vamos a alguns exemplos de verbos em suas versões polidas:

犬は肉を食べます。= Falando do cachorro, ele come carne.

あきらが明日、大学に行きます。= Akira (é quem) vai à faculdade amanhã.

Um verbo em sua forma polida deve sempre estar no fim da oração e nunca dentro
de uma oração subordinada adjetiva, como segue abaixo:

肉を食べます犬。= Cachorro que come carne (INCORRETA).

Quanto à origem de  「ます」  há duas teorias: a primeira diz que ele deriva do verbo
auxiliar   「 ま い ら す 」 , existente no japonês antigo, cujo significado seria
“humildemente fazer algo a alguém superior” e, portanto, foi usado por muito tempo
como sufixo para transformar verbos em verbos modestos.  Era um uso idiomático
como sufixo para transformar verbos em verbos modestos.  Era um uso idiomático
que se originou da forma causativa clássica (lição 33) do verbo 「まいる」 (参る). No
decorrer do tempo, sua forma evoluiu para  「まらする」 →  「まっする」 →   「ます
る 」 → 「 ま す 」 , passando a ser utilizado para transformar verbos em verbos
polidos. Já a segunda afirma que  「ます」 se trata do mesmo verbo clássico  「ます」
, que tinha o mesmo sentido de  「ある」 .

Para obter as formas negativa, passada e negativa passada de  「ます」 , basta aplicar
os conceitos já ensinados em lições passadas, com algumas particularidades. Observe
o quadro:

Como podemos ver, a forma negativa é obtida através da junção da base Mizenkei e
 「ん」 , forma abreviada do auxiliar clássico de negação  「ぬ」 . Podemos também
utilizar 「 ぬ 」 , como em   「 食 べ ま せ ぬ 」 , ainda que seja arcaico. Um fato
interessante é que não é possível usar  「ない」 , como em  「食べませない」 . Já para
negativa passada, ela é formada pela forma negativa de   「ます」  e a forma passada
de  「です」 (でし +  「た」 ). Veja alguns exemplos:

犬は肉を食べません。= Falando do cachorro, ele não come carne.

犬は肉を食べました。= Falando do cachorro, ele comeu carne.

犬は肉を食べませんでした。= Falando do cachorro, ele não comeu carne.

Se você achou estranha a forma negativa passada polida 「 ~ ま せ ん で し た 」 ,


segundo este tópico do fórum “StackExchange – Japanese” (em inglês), havia
originalmente outras formas passada negativas polidas “concorrendo”, como  「~ま
せんかった」, 「~ませんだった」 e 「~ませんでした」. Citações iniciais de 「~ません
で し た 」 aparecem em torno de 1860. Como 「 で す 」 (próximo tópico) se tornara
mais comum, a forma negativa passada 「~ませんでした」 passou a ser o padrão por
volta de 1890.

29.3. USANDO  「です」 PARA AS DEMAIS CONSTRUÇÕES

Se quisermos transformar qualquer tipo de construção em que não haja verbos no


final em uma sentença polida, tudo o que temos que fazer é acrescentar  「です」 ao
final. É importante lembrar que se há um declarativo  「だ」 , ele deve ser removido.
Ao ser polido, você não deve ser tão ousado em declarar as coisas com tanta ênfase
como  「だ」 faz.  Vejamos os quadros abaixo:
NOTA: lembre-se que  「じゃ」 é a forma abreviada de  「では」 , portanto, pode-se
dizer também  「静かではない」 .

Atente-se para a forma passada dos substantivos e Keiyoudoushi. É a única ocasião


em que o passado é formado pelo acréscimo de   「でした」 .  Um erro muito comum
é fazer o mesmo para os Keiyoushi, como em  「かわいいでした」 . Lembre-se que isto
é errado, haja vista que um Keiyoudoshi é uma classe de palavra flexionável,
portanto, deve ser flexionado. Como substantivos e Keiyoudoushi são
inflexionáveis, é a cópula que deve sofrer a flexão.  Vejamos alguns exemplos a
seguir:

子 犬 は と て も 好 き で す 。= Falando sobre cachorrinhos, gosto muito (o sentido mais


natural é que alguém goste muito de cachorrinhos; não há contexto suficiente que
indique que são os cachorrinhos que gostam muito de algo).

その部屋はあまり静かじゃないです。= Falando sobre esse quarto, não é muito quieto.

先週に見た映画は、とても面白かったです。= O filme que (eu) vi na semana passada foi


muito interessante.

Você também pode usar 「 で す 」 se o verbo estiver sucedido da partícula 「 の 」 (


「ん」 ), que, como vimos, gramaticalmente funciona como um substantivo regular:

昨日、時間がなかったんです。= (O fato é que) não houve tempo ontem.

Segundo estudos, 「 で す 」 teria surgido do linguajar das gueixas de Edo (atual


Tóquio) por volta do século 18. Os samurais que as visitavam teriam acreditado que
「です」 era proveniente do dialeto dominante na época e foi sendo espalhado pelos
guerreiros por todo o país. Entretanto, foi durante o Período Meiji (1868 - 1912) que
「 で す 」 passou a ser usado de maneira generalizada. Vemos aqui um exemplo de
que como elementos que hoje são considerados pertencentes ao linguajar “baixo”
podem ser promovidos à língua culta no futuro.

Um fato importante é que a conjugação para a forma negativa (não-passada e


passada) apresentada por nós pode gerar debate, pois alguns podem considera-la
incorreta. Por exemplo, afirmam que o correto seria substituir  「~ないです」 por
 「~ありません」 , já que  「ない」 é usado como forma negativa de  「ある」 , cuja
forma negativa polida não é  「ないです」 , mas  「ありません」 . Por esta razão,  「か
わいくない」 na realidade seria  「かわいくありません」,  e  「静かじゃない」  torna-se
 「静かじゃありません」 .

Bem, a realidade do japonês contemporâneo é que o que se supõe ser a conjugação


"oficial" soa bastante rígido e formal. Em conversas diárias normais, a conjugação
apresentada aqui por nós será utilizada quase sempre. Enquanto você deve usar as

conjugações mais formais para obras escritas usando a forma polida, você raramente
conjugações mais formais para obras escritas usando a forma polida, você raramente
vai ouvi-la no discurso real. Portanto, recomendamos estudar e se familiarizar com
os dois tipos de conjugações.  Vejamos no quadro abaixo as conjugações mais
formais:

その部屋はあまり静かじゃないです。= Falando sobre esse quarto, não é muito quieto.

そ の 部 屋 は あ ま り 静 か じ ゃ あ り ま せ ん 。 = Falando sobre esse quarto, não é muito


quieto.

29.4.「です」 NÃO É A FORMA POLIDA DE  「だ」 !

Muitas pessoas que tiveram aulas de japonês provavelmente foram ensinadas que
「です」 é a versão polida de 「だ」. De fato, podemos supor isso se considerarmos a
etimologia, pois o primeiro origina-se de 「であります」, forma polida de 「である」,
de onde veio 「だ」. No entanto, isso não é verdade!

Vamos apontar algumas diferenças chaves e as razões por que eles são de fato coisas
completamente diferentes, no sentido que não podemos usá-los de “forma vice-
versa” em todos os casos. Vejamos:

A) O FINAL DE UMA ORAÇÃO: antes de tudo, lembre-se do que mencionamos no


primeiro tópico desta lição:

“... essencialmente, a diferença principal entre o discurso polido e o casual está no


final da frase.”

Agora, observe a seguinte oração:

犬は肉を食べます。= Falando do cachorro, ele come carne. (forma polida)

Como faríamos para reescrever a oração acima de uma forma não-polida? Bastaria
usar a forma casual de  「食べます」 , que é  「食べる」 . Assim, temos:

犬は肉を食べる。= Falando do cachorro, ele come carne. (forma casual)

Por essa razão, podemos estabelecer a seguinte relação sobre os verbos:

Agora observe a construção abaixo:

あきらは学生です。= Falando de Akira, ele é estudante. (versão polida)

Se formos considerar   「 で す 」 como a versão polida de   「 だ 」 , então a versão


casual da oração acima é 「あきらは学生だ」 ?
A resposta é NÃO!
A resposta é NÃO!

Como já explicamos anteriormente,  「だ」 no final oração principal é usado para se


declarar algo que se acredita ser um fato. Transmite força ao que está sendo dito,
podendo até ser rude.

Então, qual a forma casual de  「あきらは学生です」 ? Ora, é simplesmente  「あきら


は学生」 . Logo:

Percebemos, então que, nestes casos, substituir 「 で す 」 por 「 だ 」 , pensando que


um é a versão polida do outro ou vice-versa é totalmente incorreto. Você deve
pensar que 「です」 é para transmitir polidez à frase, enquanto 「だ」 transmite
força; coisas completamente distintas. Se você quiser ser casual, simplesmente não
adicione nada.

B) O MEIO DE UMA ORAÇÃO: em alguns casos de período composto que veremos


adiante com mais detalhes, 「だ」se faz até necessário para explicitar o estado-de-ser
na oração subordinada. Por outro lado, 「です」 deve ser usado somente no final
da oração principal para designar um estado-de-ser polido. Por exemplo, considere
as duas orações abaixo:

(1) 学生だと思います。= (Eu) acho que é estudante.

(2) 学生ですと思います。= (Eu) acho que é estudante. (INCORRETA)

A oração (1) 「学生だと思います」é válida, enquanto que a (2)「学生ですと思います」


não, porque 「です」 só pode ser usado no final da oração principal e aqui aparece
no meio (oração subordinada). 「です」 pode aparecer assim somente nos casos em
que se está reproduzindo exatamente o que foi dito, como no exemplo abaixo:

「学生です」と言った。 = (Ele) disse “é estudante”.

Outro ponto importante que vale relembrar é que você não pode anexar o
declarativo 「 だ 」 aos Keiyoushi na forma não passada (e isso vale para a forma
negativa não passada):

本は面白いだ。= Falando de livros, são interessantes (SENTENÇA INCORRETA).

Já isso não ocorre com 「です」, que tem a função de adicionar polidez apenas:

本 は 面 白 い で す 。 = Falando de livros, são interessantes (SENTENÇA CORRETA E


POLIDA).

Enfim, substituir 「 で す 」 por 「 だ 」 , pensando que um é o equivalente polido do


outro ou vice-versa resultará potencialmente em orações gramaticalmente
incorretas. É melhor pensar que são coisas totalmente diferentes (porque de fato

são!).
são!).

29.5. A PARTÍCULA 「か」 EM QUESTÕES E ORAÇÕES SUBORDINADAS

A partícula  「 か 」 é usada também para indicar explicitamente uma pergunta em


sentenças polidas. Embora seja perfeitamente possível expressar uma questão
mesmo de forma polida usando apenas a entonação, o marcador de questão é muitas
vezes anexado ao fim da frase para indicar uma pergunta. O marcador de questão é
simplesmente o fonema 「 か 」 e não é necessário adicionar um ponto de
interrogação, como fazemos em português. Por razões anteriormente explicadas,
você não deve usar o  「だ」 com o marcador de questão.

犬はどこにいますか。= Falando do cachorro, onde ele está?

イタリア料理を食べに行きませんか。= (Você) não vai comer comida italiana?

Faz sentido concluir que o marcador de questão funcione exatamente da mesma


forma no discurso casual, assim como ele o faz no discurso polido. No entanto, este
não é o caso. O marcador de questão 「 か 」 geralmente não é usado no discurso
casual para fazer perguntas propriamente ditas. Ele é frequentemente utilizado para
considerar se algo é verdade ou não. Dependendo do contexto e entoação, ele
também pode ser usado para fazer perguntas retóricas ou para expressar
sarcasmo. Pode soar bastante rude, então você deve ser cuidadoso com o uso de
  「か」 para perguntas na forma casual.

Bem, se você ficou na dúvida quanto ao conceito de “pergunta retórica”, recorramos


ao site Significados:

“Uma pergunta retórica é uma pergunta que nem sempre exige uma resposta. Muitas
vezes, a pessoa que faz a pergunta retórica, pretende simplesmente enfatizar
alguma ideia ou ponto de vista.

Por exemplo: "Você acha que eu nasci ontem?" Neste caso, a pessoa que ouve a
pergunta já sabe a resposta, no entanto, a pergunta é feita apenas para causar um
impacto. No exemplo anterior, a pessoa que pergunta pretende informar o ouvinte
que ela não é burra ou ingênua, e que não pode ser enganada facilmente.”

Agora, vejamos alguns exemplos:

こんなのを本当に食べるか? = (Você acha que) ela realmente vai comer uma coisa
como esta?

そんなのは、あるか!= (E você é alguém para) ter uma coisa como essa?

No discurso casual, em vez de  「か」 , questões propriamente ditas geralmente são


formuladas com a partícula explicativa 「 の 」 ou nada, simplesmente com um
aumento na entonação, como já vimos anteriormente:

こんなのを本当に食べる? = Ela vai realmente comer uma coisa como esta?

そんなのは、あるの?= Você tem uma coisa como essa?


そんなのは、あるの?= Você tem uma coisa como essa?

Outro uso de   「か」 é simplesmente gramatical e não tem nada a ver com polidez.
Um marcador de questão ligado à extremidade de uma oração subordinada formula
uma mini-questão dentro de uma sentença maior. Isso permite que o falante fale
sobre a questão. Para clarificar, considere o mini diálogo abaixo em português:

Akira: O que Makoto disse?

Hiroshi: (o que Makoto disse), eu não sei.

No diálogo Hiroshi expressa que não sabe a resposta para a pergunta de Akira. Como
o contexto está claro, ele dá uma resposta curta com um simples “não sei”. É evidente
que o que ele não sabe é “o que Makoto disse” e, por isso, ele poderia responder de
forma mais longa “O que Makoto disse, eu não sei” ou ainda, na ordem direta, “Eu
não sei o que Makoto disse.” Seja como for, note que na forma longa, uma oração
subordinada semelhante à pergunta é construída para se tornar o “assunto” da
resposta e é usada como o objeto do verbo principal da oração, "saber". Assim,
temos:

Vejamos como esse tipo de construção ficará em japonês:

Pergunta: まことは何を言った? = O que Makoto disse?

Resposta curta: 知らない。= Eu não sei

Resposta longa: まことは何を言ったか知らない。= Eu não sei o que Makoto disse.

Utilizamos um diálogo apenas para facilitar a compreensão deste uso da partícula 


  「 か 」 . Para facilitar ainda mais, considere que uma das particularidades da
partícula 「か」 é jogar um ar de dúvida no elemento que a antecede, portanto,
você pode imaginar que está perguntando e respondendo ao mesmo tempo. Sendo
assim, evidentemente, você poderia perguntar e responder a si mesmo ou até mesmo
formular uma pergunta baseado numa dúvida anterior. Vejamos:

先生が学校に行ったか教えない?= (Você) não informará se o professor foi à escola?

No exemplo acima, a duvida é “o professor foi à escola?” e uma pergunta é formulada


baseada nela. Também, em construções como estas, nas quais a questão a ser
considerada tem como resposta “sim” ou “não”, é comum (mas não necessário)
anexar  「どうか」 . Isto é equivalente a dizer: “se... ou não” em português:

先生が学校に行ったかどうか知らない。= Não sei se o professor foi à escola ou não.

Você também pode incluir a alternativa para dizer o mesmo:


Você também pode incluir a alternativa para dizer o mesmo:

先生が学校に行ったか行かなかったか知らない。= Não sei se o professor foi à escola ou


não foi.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Significados: http://www.significados.com.br/retorica/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

A Japanese Grammar, J.J Hoffmann

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LIÇÃO 30: FALANDO DE FORMA HONORÍFICA OU MODESTA
Na lição passada aprendemos o discurso polido, usando  「です」   e  「ます」  .
Agora vamos abordar o próximo nível respeitoso usando as formas honorífica e
humilde. Muitas vezes você vai ouvir este tipo de linguagem em situações do
tipo cliente / consumidor, como atendentes de fast food, restaurantes, etc.

30.1. PRINCÍPIOS BÁSICOS

Por enquanto, a primeira coisa a lembrar sobre essas duas formas é que o falante
sempre se considerará estar no nível mais baixo com relação a quem o escuta
ou se refere. Assim, todas as ações executadas pelo falante serão na forma humilde
(colocando-se abaixo de quem o escuta / terceiro), enquanto as ações realizadas por
alguém, vistas do ponto de vista do falante, serão na forma honorífica (colocando
quem escuta / terceiro acima). Para memorizar este princípio observe a figura
abaixo:

O súdito sempre se dirige ao rei com humildade, ao mesmo tempo em que o venera,
exalta (honra = honorífico). Com base nesta figura, você pode fixar este importante
princípio das formas honorífica / humilde: sempre seremos “súdito” ao passo que
terceiros, o “rei”.

A parte difícil de aprender esses dois tipos de linguagem é que muitas vezes são
utilizados verbos diferentes e palavras específicas para as formas honorífica e
humilde. Qualquer coisa que não tenha a sua própria expressão, será regido pelas
humilde. Qualquer coisa que não tenha a sua própria expressão, será regido pelas
regras gerais de conjugações que abordaremos a seguir.

Primeiramente, vejamos os verbos que mudam sua forma nesse tipo de linguagem.
Para fins meramente didáticos, as chamaremos de “forma especial”:

Os verbos  「なさる」  、 「いらっしゃる」  、 「おっしゃる」  、 「下さる」  、 e 「ご


ざる」   (que abordaremos logo em seguida) seguem o padrão Godan de conjugação,
entretanto, sofrem uma mudança eufônica para i em suas bases Ren’youkei e
Meireikei. Vamos observar as bases de  「なさる」  , que servirá de modelo para os
outros verbos em questão:

Veja que, em vez da terminação  「る」  se tornar  「り」  e  「れ」  , respectivamente
como esperado se seguirmos o padrão Go-dan, ele se torna simplesmente  「 い 」   .
Assim, se quisermos anexar  「ます」  teremos:

NOTA: ficou curioso em saber qual a origem dos verbos  「なさる」  、 「いらっしゃ
る」  、 「おっしゃる」  、 「下さる」  、 e 「ござる」  ? Nós vamos estudar isso na
lição 33.

Vejamos alguns exemplos de orações na forma honorífica:

もう召し上がりましたか。= (Você) já comeu?

どちらからいらっしゃいましたか。= De onde (você) veio?


どちらからいらっしゃいましたか。= De onde (você) veio?

今日は、どちらへいらっしゃいますか。= Aonde (você) vai hoje?

Agora, os exemplos a seguir se referem a ações feitas pelo falante e, por isso, usam a
forma humilde:

私はたもつと申します。= Falando de mim, sou chamado de Tamotsu.

失礼致します。= Com licença.

Além deste conjunto de expressões, existem também algumas palavras que têm
homólogos mais polidos. Provavelmente, o mais importante seja a versão mais polida
de   「 あ る 」   , que é   「 ご ざ る 」   . Este verbo pode ser usado tanto para objetos
inanimados e animados. Não é nem uma forma honorífica ou humilde, mas é um
passo acima de  「ある」   no quesito polidez. Porém, se você não quiser soar como
um samurai,  「ござる」   é sempre usado na forma polida 「ございます」  :

お手洗いはこのビルの二階にあります。= O banheiro é no segundo andar deste prédio.

お 手 洗 い は こ の ビ ル の 二 階 に ご ざ い ま す 。 = O banheiro é no segundo andar deste


prédio.

Por extensão, a versão mais polida de   「 で す 」     é   「 で ご ざ い ま す 」   , que é


essencialmente a forma polida de   「 で ご ざ る 」     que vem de   「 で あ る 」     que
significa literalmente "existir como":

こちらは、私の部屋です。= Aqui é meu quarto.

こちらは、私の部屋でございます。= Aqui é meu quarto.

Também, é possível usar 「でいらっしゃいます」 como forma honorifica da cópula:

社長、こちらは藤原常務でいらっしゃいます。= Presidente, este é o diretor Fujiwara.

30.2. SUBSTANTIVOS E NOMES DE PESSOAS

Em japonês, há uma prática de fixação de um prefixo honorífico a certos


substantivos (não todos) para mostrar polidez. Este processo é chamado  「びかご」
 (美化語), literalmente “embelezamento de palavras” e o prefixo em questão é  「御」
 , que pode ser lido  「お」  ,  「ご」  ou  「み」  . De modo geral, é lido  「お」  quando
sucedido de palavras nativas ou Wasei Kango e 「 ご 」   , quando serve de prefixo
para palavras Kango. Já o a leitura 「み」  é usada com palavras em geral para dar
um sentido religioso ou de grande importância. Vejamos alguns exemplos:

NOTA: é um pouco difícil saber se um conjunto de Kanjis que é lido em On’yomi se

trata de Wasei Kango sem que lhe digam. No entanto, uma ótima dica é que a maioria
trata de Wasei Kango sem que lhe digam. No entanto, uma ótima dica é que a maioria
destas palavras se relaciona com coisas da era moderna. Outra maneira de descobrir
é se um Kango tem um equivalente nativo. Se não, então é muito provável que seja
Wasei Kango e leve  「お」  .

Vejamos alguns exemplos com o sufixo  「み」  :

Alguns substantivos Kango acabaram recebendo um rótulo de serem naturalmente


formais. Vejamos alguns exemplos:

NOTA: algumas das palavras têm também suas versões casuais. Mas, quando se trata
de decidir qual variante de uma palavra você deve usar ao se falar respeitosamente,
deve escolher essas palavras.

Há outros meios de demonstrar o discurso honorífico e humilde nos substantivos.


Para a forma honorífica dos substantivos, o prefixo  「 き 」  ( 貴 ) pode acompanhar
muitos Kangos respeitosos. Entretanto, tal método é raramente usado, com exceção
de  「きしゃ」  (貴社), literalmente “sua honorável companhia”.

Vários substantivos na forma humilde começam com  「そ」  (粗),  「せつ」  ( 拙 ) e


 「 へ い 」  (弊). Todos esses três prefixos possuem conotação negativa / humilde. O
prefixo   「 ぐ 」   ( 愚 ) é usado para a forma humilde em leituras On de caracteres
usados para termos familiares. Para a mesma finalidade se utiliza os sufixos 「うえ」
 (上) ou 「けん」  (賢). Observe o quadro a seguir:

Para tratar pessoas de forma formal, existem os títulos e sufixos abordados na lição
11.

30.3. FORMA PARA OS VERBOS

Para todos os outros verbos, sem forma especial, existem regras de conjugação para
Para todos os outros verbos, sem forma especial, existem regras de conjugação para
mudá-los para formas honorífica e humilde. Ambos envolvem uma prática comum
de fixar o prefixo honorífico  「御」  .

A. FORMA HONORÍFICA: se um verbo não possui forma especial, sua forma


honorífica pode ser construída de duas formas diferentes. Para auxilia-lo, você pode
pensar assim: já que vamos anexar o prefixo   「 御 」   , e ele é anexado aos
substantivos, então, qual a base dos verbos que pode ser usada como substantivo?
Exato, a Base Ren’youkei. Depois, é só usarmos o verbo  「なる」  ou 「です」  .

Sendo assim, os dois padrões são:

I. お + Base Ren’youkei + に + なる: esta construção faz sentido se você pensar nela
como uma pessoa se tornando o estado honorífico de um verbo. Observe o exemplo:

先生はお見えになりますか。= (Você) vê o professor?

II. お + Base Ren’youkei + です. Observe os exemplos:

もうお帰りですか。= (Você) já vai retornar à casa?

店内でお召し上がりですか。= (Você) fará a refeição aqui dentro?

Estas regras não se aplicam aos verbos  「する」  . Para eles, basta substituir  「する」
 por  「なさる」  = 勉強する → 勉強なさる.

Funcionários que fazem atendimente geralmente tentam ser extremamente


educados e usam um tipo de “estilo formal dobrado”, chamado 「にじゅうけいご」
 (二重敬語) – neste exemplo, uma forma honorífica de um verbo honorífico 「召し上が
る」  ). Se isso é necessário ou gramaticalmente correto é outra história.

Você também pode usar  「下さい」   com um verbo honorífico, substituindo   「にな
る」   por  「ください」  . Isso é útil quando você quer pedir que alguém faça algo,
ainda usando um verbo honorífico:

少々お待ちください。= Por favor, espere um pouco.

De forma semelhante, com  「ご覧になる」  , simplesmente substituímos  「になる」


  por  「ください」  :

こちらにご覧下さい。= Por favor, olhe nesta direção.

Isso funciona para outros substantivos também. Por exemplo, ao entrar em um


trem...

閉まるドアにご注意下さい。= Por favor, cuidado com as portas que se fecham.

B. FORMA MODESTA (OU HUMILDE): ela é formada de maneira parecida à forma


honorífica. Porém, em vez de usarmos o verbo  「なる」  ou  「です」  , anexaremos
 「 す る 」  ou 「 い た す 」   , para ser mais formal, diretamente à Base Ren’youkei.

Assim, temos:
Assim, temos:

FORMA MODESTA = お + Base Ren’youkei + する ou いたす

Vejamos alguns exemplos:

私はあなたをお守りします。= Eu protegerei você.

私はあなたをお守りいたします。= Eu protegerei você.

Note, porém, que usar  「 い た す 」   é um caso de “estilo formal dobrado” e alguns


japoneses podem dizer que isso não faz sentido.

Esta regra não se aplica aos verbos  「する」  . Para eles, basta substituir  「 す る 」
 por  「いたす」  = 勉強する → 勉強いたす.

30.4. E QUANTO AOS KEIYOUSHI?

Há também uma forma de criar versões formais dos Keiyoushi usando 「 ご ざ い ま


す 」 . Esse recurso é considerado arcaico, mas você ainda poderá se deparar com
essas construções na literatura, e o livro não precisa ser tão antigo assim. Também,
algumas expressões fixas usadas atualmente originam-se desse padrão (e com
certeza, ao terminar de ler este tópico, você vai se lembrar!).

Para criar formas formais dos Keiyoushi, basta considerar que「ございます」é um


verbo, então, necessitaremos da forma adverbial do referido Keiyoushi:

Colocamos o (?), pois nestes casos devemos considerar também que quando os
Keiyoushi são combinados com verbos clássicos como 「ござる」 e 「いでる」, deve-
se fazer a mudança eufônica para U na forma adverbial, algo comum no Japonês
Clássico:

Essas formas eufônicas o fazem lembrar de algo? Sim, do fenômeno Tenko. Vejamos
duas de suas condições:

1) “Sequências de Kana, tais como 「きう」, 「きふ」, 「しう」, 「しふ」, 「ちう」,


「ちふ」・・・ eram lidas 「きゅう」, 「しゅう」, 「ちゅう」・・・”.

2) “Sequências de Kana, tais como 「あう」, 「あふ」, 「かう」, 「かふ」, 「さう」,


「さふ」・・・ eram lidas 「おう」, 「こう」, 「そう」・・・”.

Sendo assim, 「うれしう」 torna-se 「うれしゅう」, e 「たかう」 transforma-se em


「たこう」.

Consideradas essas mudanças sonoras, agora sim podemos combiná-los com「ござい


ます」:
ます」:

Importante lembrar que os Keiyoushi cuja forma adverbial depois da mudança


eufônica para U fique com a terminação「う」precedido de algum fonema da coluna
U ou da coluna O, não sofrem o fenômeno Tenko. Por exemplo, 「 悪 い 」 ( わ る い ) e
「面白い」(おもしろい), ficarão assim:

Como mencionamos no início deste tópico, as construções apresentadas soam


arcaicas. Atualmente, se costuma usar 「 で す」 após o Keiyoushi apenas, ou ainda,
anexar o prefixo honorífico 「お」 ao Keiyoushi em questão, seguindo-o de 「です」:

忙しいです。 = (Ele) está ocupado.

お忙しいです。 = (Ele) está ocupado.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

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LIÇÃO 31: VERBOS AUXILIARES – 「れる」 E 「られる」
Nesta lição, abordaremos os verbos auxiliares   「 れ る 」   e 「 ら れ る 」   , que
possuem várias funções importantes. Vamos a eles.

31.1. CONHECENDO OS VERBOS AUXILIARES  「れる」  E  「られる」  

Como vimos na lição 12, os verbos auxiliares  「じょどうし」  (助動詞) são verbos que
não funcionam como verbos independentes e que são geralmente chamados
simplesmente de terminações verbais ou formas conjugadas. Nesta lição,
abordaremos os verbos auxiliares   「 れ る 」   e 「 ら れ る 」 . Tradicionalmente se
ensina  que eles são anexados à base Mizenkei dos verbos regulares, sendo que 「れ
る」  é usado quando a última sílaba da base Mizenkei do verbo em questão não
terminar com um fonema da coluna do A. Caso contrário,   「 ら れ る 」   deve ser
utilizado:

ANEXAÇÃO DOS VERBOS AUXILIARES  「れる」  e 「られる」  (VERBOS


REGULARES):

 「れる」  DEVE SER USADO SE A BASE MIZENKEI DO VERBO NÃO TERMINAR


COM FONEMA DA COLUNA DO A. NOS DEMAIS CASOS, USAR 「られる」  .

Vamos ver a aplicação prática da regra:

Com relação aos verbos irregulares 「来る」  e 「する」  , como as bases Mizenkei são
 「こ」  e 「せ」  respectivamente, devemos anexar  「られる」  :

Note que colocamos (??) na construção  「せられる」  , pois quando 「 ら れる」     é


unido à  「する」  temos  「さ れ る 」     .Vamos explicar: primeiramente, os verbos
auxiliares  「れる」  e 「られる」  se originaram dos auxiliares clássicos 「る」  e 「ら
る 」   respectivamente, que eram conjugados no padrão Shimo-Nidan. Vamos
る 」   respectivamente, que eram conjugados no padrão Shimo-Nidan. Vamos
observar as suas bases somente para entendermos sua evolução:

Como mencionamos na lição 12, a maioria dos verbos que eram Shimo-Nidan no
Japonês Clássico sofreu a alteração [Base Ren’youkei] +  「る」  , fato que deu origem
às formas atuais. Com relação ao verbo  「する」  espera-se que quando anexado a
 「られる」  , sua forma seja  「せられる」  , entretanto, é 「される」  . Isso por que a
forma   「される」  originou-se da forma clássica  「せらる」  , na qual os fonemas
 「せ」  e  「ら」  eram contraídos para   「さ」  , ficando  「 さ る 」   . No japonês
moderno   「 ら る 」   deu lugar a   「 ら れ る 」   , e a regra de contração continua a
mesma, isto é, o que seria  「せられる」  torna-se simplesmente  「される」  .

Agora que sabemos a origem de 「れる」  e 「られる」  , vamos conhecer suas bases.
Ambos são conjugados no padrão Shimo-Ichidan:

Destacamos “tradicionalmente se ensina”, pois alguns gramáticos afirmam que, tanto


「れる」 como 「られる」 tratam-se, na verdade, da contração de 「あり」+「える」
(あれる) – logicamente, o mesmo vale para as formas clássicas. Sendo assim, 「あれ
る 」 seria anexado à base Ren’youkei dos verbos, sofrendo algumas alterações
sonoras para tornar a pronúncia mais fluida. Vejamos os exemplos a seguir:

食べる = 食べ + あれる→ 食べられる (troca-se o 「あ」 de 「あれる」 por 「ら」 );

飲む = 飲み + あれる → 飲まれる (se junta o último fonema da base Ren’youkei com o


「あ」 de 「あれる」 , produzindo sempre um fonema de あだん correspondente à
terminação do verbo).

Os verbos 「来る」  e 「する」seriam exceções a esta regra.

Quanto à utilização de ambos os verbos, eles são muito úteis, podendo ser usados
para quatro formas:
Potencial;
Passiva;
Honorífica;
Espontânea.

Vejamos cada uma dessas formas nos tópicos seguintes.

31.2. A FORMA POTENCIAL

A forma potencial [ 「 か の う 」   ( 可 能 )] é usada para expressar que existe a


possibilidade de se fazer uma ação. Em português normalmente se usa uma
locução verbal como “pode fazer X”, ou “ser capaz de X”, e em japonês basta anexar
「れる」  ou 「られる」  ao verbo. Observe:

漢字は書かれる?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

寿司は食べられる。= Falando de sushi, (eu) posso comer.  

Obviamente, como  「れる」  e 「られる」  são conjugados no padrão Shimo-Ichidan,


basta aplicar as regras que você já conhece para obtermos outras formas:

漢字は書かれた?= Falando de Kanji, (você) foi capaz de escrever?

寿司は食べられない。= Falando de sushi, (eu) não posso comer. 

A forma potencial do verbo  「する」    (significando “fazer”) é uma das exceções à


regra e não é  「される」  , mas sim  「できる」(出来る):

日本語は勉強できる。Falando da língua japonesa, (eu) posso estudar.

Percebeu que para os verbos Go-dan, como todas as bases Mizenkei terminam na
coluna do A, devemos anexar  「れる」  ? Observe:

漢字は書かれる?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

日本語は話される。= Falando da língua japonesa, (eu) posso falar.

Contudo, o processo de anexação de   「 れ る 」   aos verbos Go-dan para se obter a


forma potencial (e somente neste caso), tornou-se arcaica, embora seja considerada
formal. Atualmente, usa-se o verbo suplementar   「 え る 」   ( 得 る ) para a base
Ren’youkei do verbo em questão. Esta versão é chamada de “forma potencial
curta”.  Note que quando ocorre a junção dos verbos, algumas mudanças sonoras
ocorrem e estas se tornaram padrão:

Se considerarmos o último fonema da base Ren’youkei, podemos dizer que a

contração é o fonema da coluna E na linha em que pertence a terminação da base,


contração é o fonema da coluna E na linha em que pertence a terminação da base,
acrescido de  「る」  . Por exemplo, a base Ren’youkei de  「話す」  é  「話し」   ; o
fonema   「 し 」   pertence à linha do SA, cujo respectivo fonema na coluna do E é
 「せ」  . Portanto, a forma potencial será  「話せ」  +  「る」  . Observe os exemplos:

漢字は書ける?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

日本語は話せる。= Falando da língua japonesa, (eu) posso falar.

Já que citamos a forma potencial curta para os verbos Go-dan, é oportuno mencionar
que existe a forma curta para os verbos do padrão Ichidan, que vem sendo usada
pelos jovens. Para tanto, basta retirar o fonema  「ら」  de  「られる」  :

寿司は食べられる。→  寿司は食べれる。= Falando de sushi, (eu) posso comer. 

Este fenômeno é conhecido como   「 ら ぬ き こ と ば 」   ( ら 抜 き 言 葉 ), literalmente


“palavra sem o  「ら」  ”. Entretanto, ao contrário da forma curta para os verbos Go-
dan, esta forma para os verbos Ichidan é considerada gíria. Portanto, não a use de
modo desenfreado.

Ainda sobre as formas potenciais curtas, provavelmente elas se orginaram devido à


ambiguidade que as formas convecionais com  「れる」  e 「られる」  podem causar,
já que, como vimos no primeiro tópico desta lição, eles podem transmitir quatro
significados.

Com o acréscimo dos verbos  「れる」  ,  「られる」  ou  「える」  para construir a
forma potencial, a composição torna-se um verbo intransitivo. Isso nos levaria a
imaginar que não seja possível usar a partícula   「 を 」   , mas esse não é o caso.
Embora o uso de  「を」  não seja o padrão, tal prática vem se tornando aceitável na
língua moderna. Há discussão com relação a diferença entre os dois usos, mas no
geral, com o uso da partícula  「が」  se enfatiza o objeto do verbo, enquanto que com
a partícula  「を」  se destaca a ação inteira. Observe:

たもつは日本語が話せる。= Falando de Tamotsu, (ele) sabe falar japonês (em oposição


a algum outro idioma).

たもつは日本語を話せる。= Falando de Tamotsu, (ele) sabe falar japonês (em oposição


a alguma outra ação).

Vamos nos atentar agora ao verbo   「 あ る 」   . Você pode dizer que algo tem a
possibilidade de existir, combinando  「ある」   e  「 得 る 」   (sem contraí-los) para
produzir  「 あ り 得 る 」  . Esta composição verbal pode ser lida tanto 「 あ り う る 」
  como  「ありえる」  no infinitivo. Em outras formas como  「ありえない」  、 「あり
えた」  、e  「ありえなかった」  , deve-se considerar a pronúncia com 「え」  :

彼が寝坊したこともありうる。= É também possível que ele dormiu demais (Lit. O fato


em que ele dormiu demais também possivelmente exista).

それは、あり え ない 話だ。= Quanto a isto, é uma história impossível (Lit. Quanto a

isto, é uma história que não há possibilidade de existir).


isto, é uma história que não há possibilidade de existir).

E já que estamos tratando da forma potencial de  「ある」  , é oportuno mencionar


que também podemos fazer esse mesmo processo com outros verbos, ou seja, anexar
 「得る」  à base Ren’youkei sem contrair. Também, aqui  「 得 る 」   pode ser lido
tanto  「うる」   como  「える」  :

こんな事、日本では起こり得ない。= Coisas como esta não podem acontecer no Japão.

Há também dois verbos  「 見 え る 」     e   「 聞 こ え る 」     que significam que algo é


visível e audível, respectivamente. Quando quiser dizer que você pode ver ou ouvir
alguma coisa, use esses verbos. Se, no entanto, você quiser dizer que lhe foi dada a
oportunidade de ver ou ouvir alguma coisa, você deve usar a forma potencial
regular:

富士山が見える。= O Monte Fuji é visível.

映画はただで見られた。= Eu pude ver o filme de graça.

久しぶりに彼の声が聞けた。= Eu fui capaz de ouvir a voz dele pela primeira vez em


muito tempo.

彼が言っていることがあんまり聞こえなかった。= Eu não pude ouvir muito bem o que


ele estava dizendo.

Há ainda a possibilidade de se nominalizar uma oração e dizer que tal ato ou fato é
possível, usando  「できる」  :

映画をただで見るのができた。= Eu pude ver o filme de graça.

映画をただで見ることができた。= Eu pude ver o filme de graça.

Algo interessante a se mencionar é que a partícula dupla 「にも」 por vezes funciona
de forma similar a 「 で も 」 , porém, somente com o verbo principal na forma
negativa, conforme podemos constatar no Jisho.org:

「にも」 geralmente é usado sucedido da forma potencial de um verbo, para, então,


indicar a impossibilidade de se fazer algo mesmo que se tente. Vejamos:

泳ぐにも泳げない。= (Eu) não sou capaz de nadar mesmo que tente (Lit. Mesmo se
nadar, não conseguirei nadar).

Aliás, provavelmente esse 「にも」 tenha se originado da Base Ren’youkei da cópula


clássica 「なり」 em conjunto com 「も」.

31.3. A FORMA PASSIVA

Você já deve ter ouvido falar sobre “voz passiva”, mas vamos relembrar: na língua
portuguesa há duas vozes verbais principais: a voz ativa e voz passiva. A diferença
portuguesa há duas vozes verbais principais: a voz ativa e voz passiva. A diferença
principal é que na voz passiva, o sujeito é o paciente da ação verbal em vez de agente.
 Observe o exemplo em português:

Makoto comeu o sushi. (voz ativa)

O sushi foi comido por Makoto. (voz passiva)

Na segunda oração, observe como o sujeito da voz passiva tem o mesmo papel em
relação ao verbo principal que o objeto da voz ativa, ou seja, “o sushi” é o objeto na
voz ativa e passa a ser o sujeito na voz passiva e “Makoto”, o agente da passiva.

Agora, indo para a língua japonesa, a voz passiva é formada pela anexação de  「 れ
る 」   e 「 ら れ る 」   , e os conceitos expostos nos ajudarão a entender seu
funcionamento, já que funciona praticamente da mesma forma que o português,
exceto pelo fato de existirem dois tipos de voz passiva: a passiva simples e a passiva
adversativa:

I. Passiva simples: funciona da mesma forma que na língua portuguesa e é


frequentemente utilizada em artigos:

まことが寿司を食べた。= Makoto comeu o sushi. (voz ativa)

すしがまことに食べられた。= O sushi foi comido por Makoto. (voz passiva)

O agente da passiva (Makoto) sempre será marcado pela partícula 「 に 」   . Na voz


passiva direta, o sujeito ou tópico (no caso “o sushi”, marcado pela partícula  「が」  )
sofre a ação diretamente (foi comido). Evidentemente, não é necessário que sempre
haja explicitamente um agente da passiva:

すしが食べられた。= O sushi foi comido.

II. Passiva adversativa: este tipo de passiva não existe em português e de início pode
ser de difícil compreensão. Neste tipo de passiva, o sujeito não é objeto e nem agente,
mas é afetado indiretamente pela ação. Em japonês, esse tipo de passiva traz uma
conotação negativa, indicando que a pessoa foi prejudicada de alguma forma pela
ação. Observe os exemplos:

私は姉にケーキを食べられた。= Quanto a mim, o bolo foi comido por minha irmã (e


isso me prejudicou).

Note que o verbo não afeta diretamente o sujeito, ou seja, a irmã não comeu a pessoa,
e sim o bolo. A passiva adversativa dá o sentido que a pessoa considera determinado
ato uma adversidade, ou seja, algo que a prejudica. Observe o próximo exemplo:

私は雨に降られた。= Quanto a mim, choveu.

A tradução direta para o português não faz muito sentido.  A frase poderia ser escrita
na voz ativa em japonês, mas na voz passiva ela traz o sentido que essa chuva foi um
incômodo de alguma forma, uma adversidade.
31.4. A FORMA HONORÍFICA
31.4. A FORMA HONORÍFICA

Os verbos auxiliares  「れる」  e 「られる」  podem ser usados para tornar os verbos
ainda mais polidos do que quando usamos 「 ま す 」   . Em japonês, uma oração é
geralmente mais educada quando é menos direta. Por exemplo, é mais educado se
referir a alguém pelo seu nome e não pelo pronome direto "você". Também é mais
educado fazer uma pergunta na negativa do que na positiva (por exemplo, 「します
か?」   vs.  「しませんか?」  ). Partindo deste princípio, usar a forma passiva torna a
sentença menos direta, porque o sujeito não executa diretamente a ação. Isso fará
você soar mais polido.

No geral, será entendido a partir do contexto da frase quando essa forma deve ser
interpretada como sendo a forma passiva e quando deve ser considerado como a
forma respeitosa. Observe que, no exemplo seguinte, o verbo deve ser entendido
como honorífico e não passiva:

先生は今日の会議に来られない。= O professor não virá à reunião de hoje.

Este uso está bem estabelecido, sendo comum na língua moderna, tanto na formal
como na coloquial.

31.5. A FORMA ESPONTÂNEA 

A forma espontânea [ 「じはつ」  (自発)] em japonês transmite o sentido de uma ação


que não ocorre de maneira involuntária, mas sim natural e espontânea sob uma
condição apropriada. Observe o exemplo:

最近、 冬の気配が感じられる。= Nestes dias, eu sinto a atmosfera do inverno.

A oração acima exprime que dada determinada condição (nestes dias) o sentir a
atmosfera do inverno é algo que acontece naturalmente ao sujeito.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

Kei Sensei: https://sites.google.com/a/keisensei.com/kei-sensei/

Imabi: http://www.imabijapaneselearningcenter.com/

The japanese Page: http://thejapanesepage.com/w/index.php?title=Potential_verb


Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

A Japanese Grammar, J.J Hoffmann

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LIÇÃO 32: FAVORES E SOLICITAÇÕES
Nesta lição, vamos aplicar o que aprendemos anteriormente para pedir favores,
dar ordens, etc.

32.1. A BASE MEIREIKEI: A FORMA DE COMANDO

Antes de tudo, como você deve se lembrar, a base Meireikei (命令形) [de    「 め い れ
い」   = “ordem” e 「 け い 」   = “forma/tipo”] é a forma de comando. Por isso vamos
rever como ela é formada:

I. Verbos Godan: a base Meireikei se trata da coluna do E, considerando-se a


terminação do verbo:

Veja alguns exemplos:

水を飲め! = Beba a água!

早く名前を書け。= Escreva (seu) nome depressa.

II. Verbos do padrão Ichidan (Kami e Shimo): é formada anexando-se  「ろ」  ou


 「よ」  ao Gokan do verbo:

これを見ろ!= Veja isto!

寿司を食べよ! = Coma o sushi!

O Meireikei  「よ」   é o original e o uso de  「ろ」   é um recurso do Leste do Japão


(japonês padrão). O Meireikei  「ろ」  é o mais comum, e a utilização de  「よ」   pode
dar uma sensação nostálgica.

III. Formas de comando irregulares: ao se tratar da forma de comando, há três


verbos que merecem atenção. São os verbos  「する」  ,  「くる」  e  「くれる」  :

Agora, observe alguns exemplos:


Agora, observe alguns exemplos:

好きにしろ。= Faça como você gosta.

早く酒を持ってきてくれ。= Apresse-se e traga-me um pouco de álcool.

A forma do comando negativa é muito simples: basta anexar   「 な 」     à forma


infinitiva de qualquer tipo de verbo. Não confunda isso com a partícula final
「な」   que aprenderemos na lição 34; a entonação é totalmente diferente:

それを食べるな! = Não coma isso!

変なことを言うな!= Não diga tais coisas estranhas!

Tratamos neste tópico da forma de comando no interesse de abranger todas as


possíveis conjugações verbais. Na realidade, a forma de comando em si é raramente
usada, pois os japoneses tendem a ser demasiado educados para usar imperativos.
Além disso, este tipo grosseiro de expressão é no máximo usado por mulheres que
ainda assim tendem a usar  「なさい」   ou um exasperado  「くれる」   (veremos nos
próximos tópicos) quando estão zangadas. Esta forma só é realmente útil para ler ou
ver obras de ficção. Muitas vezes você pode ver ou ouvir  「 死 ね !」    ("Morra!") na
ficção que, é claro, nunca vai ouvir na vida real (esperamos!).

32.2. PEDINDO FAVORES COM   「くれる」   OU  「もらう」 

Você pode pedir favores usando os verbos suplementares para forma TE  「くれる」 
e  「もらう」  , quando não houver necessidade de polidez. Como os favores são feitos
ao falante, você não poderá usar  「あげる」  nesta situação. Observe os exemplos:

ペンを貸してくれる? = Você me dará o favor de me emprestar a caneta?

ペンを貸してもらう?= Eu receberei o favor de você me emprestar a caneta?

Observe que as duas orações significam essencialmente a mesma coisa. O doador e o


receptor foram omitidos, porque isso é óbvio a partir do contexto. Se fôssemos
escrever as orações completas, elas seriam parecidas a estas:

あ な た が 、 私 に ペ ン を 貸 し て く れ る ? = Você me dará o favor de me emprestar a


caneta?

私が、あなたにペンを貸してもらう?= Eu receberei o favor de você me emprestar a


caneta?

Não é comum incluir explicitamente o sujeito e o alvo ao se direcionar a alguém, mas


fizemos isso apenas para ilustrar a mudança de assunto e de destino, dependendo do
verbo usado.

No caso de   「 も ら う 」   , podemos usar a sua forma potencial   「 も ら え る 」   em


situações que exijam maior polidez:

ペンを貸してもらえる? = Eu poderei receber o favor de você me emprestar a caneta?


ペンを貸してもらえる? = Eu poderei receber o favor de você me emprestar a caneta?

Você pode usar a negativa para fazer o pedido um pouco mais suave. Você vai ver
que isso é verdade em muitos outros tipos de gramática:

ペンを貸してくれない? = Você não me dará o favor de me emprestar a caneta?

ペ ン を 貸 し て も ら え ま せ ん か 。 = Eu não poderei receberei o favor de você me


emprestar a caneta?

É natural imaginar que, para pedir que alguém não faça algo, devemos usar a forma
TE na forma negativa, isto é, 「~なくて」  , mas esse não é o caso. Para tanto, deve-se
usar sua forma contraída  「~ないで」  :

全部食べないでくれますか。= Você pode me dar o favor de não comer tudo?

高い物を買わないでくれる?= Você pode me dar o favor de não comprar coisas caras?

32.3. FAZENDO PEDIDOS (POLIDOS)

Podemos usar   「 く だ さ い 」   , base Meireikei de   「 く だ さ る 」   , que é a forma


honorífica de 「くれる」  . Entretanto,  「ください」   tem uma pequena diferença
com relação à  「くれる」   e sua forma honorífica  「くださる」  , quando se refere a
substantivos. Observe os exemplos:

それをください。= Dê-me isso, por favor.

それをくれる? = (Você) me dará isso?

Como você pode ver 「ください」   é utilizado para se fazer um pedido direto por
algo, enquanto que 「くれる」  é usado como uma questão pedindo para que alguém
dê algo. No entanto,   「 く だ さ い 」     é similar a   「 く れ る 」   no sentido que você
também pode usa-lo como verbo suplementar para a forma TE, a fim de solicitar que
uma ação seja feita:

漢字で書いてください。= Escreva em Kanji, por favor.

ゆっくり話してください。= Fale devagar, por favor.

As regras para pedidos negativos é a mesma que vimos no tópico anterior:

名前を書かないでください。= Não escreva (seu) nome, por favor.

ここにこないでください。= Não venha aqui, por favor.

Na linguagem casual é comum se omitir  「ください」  :

日本語で話して。= Fale em japonês, por favor.

遠い所に行かないで。= Não vá a um lugar longe.

32.4. FAZENDO PEDIDOS (HONORÍFICOS)


32.4. FAZENDO PEDIDOS (HONORÍFICOS)

Como já vimos, você também pode usar  「ください」  no lugar de  「になる」   no


caso da forma honorífica dos verbos. Tal processo é muito útil para pedir
diretamente a alguém que faça algo, usando um verbo na forma honorífica. Observe:

少々お待ちください。= Espere um pouco, por favor.

De forma semelhante, com  「ご覧になる」  , você simplesmente substitui  「になる」 


 por  「ください」  :

こちらにご覧ください。= Olhe nesta direção, por favor.

Isso vale para os substantivos também. Por exemplo, ao entrar no trem...

閉 ま る ド ア に ご 注 意 く だ さ い 。 = Tenha cuidado com as portas que se fecham, por


favor.

Há ainda outra forma de fazer solicitações usando a base Meireikei de  「 ま す 」   .


Entretanto, isso se aplica somente aos verbos honoríficos especiais cuja base
Ren’youkei sofre uma alteração eufônica para i. Lembre-se, são 「下さる」  、 「いら
っしゃる」  、 「なさる」  e  「おっしゃる」  . Para tanto, basta usar a base Meireikei
de  「ます」  :

1.         下さる → 下さいます → 下さいませ

2.         いらっしゃる → いらっしゃいます → いらっしゃいませ

É possível se construir uma versão abreviada e menos formal. Para isso, basta usar a
Base Meireikei, que, como vimos, nestes verbos também sofre uma mudança
eufônica para i:

1.         下さる → 下され → 下さい

2.         いらっしゃる → いらっしゃれ → いらっしゃい

Agora, finalmente você sabe de onde vêm construções do tipo  「 し て く だ さ い 」   .


Vamos ver mais alguns exemplos:

いらっしゃいませ! = Entre, por favor!

Você provavelmente vai ouvir isso um milhão de vezes a cada vez que entrar em
algum tipo de loja no Japão. No entanto, um chef de sushi de meia-idade,
provavelmente vai usar a versão abreviada:

いらっしゃい!= Entre, por favor!

Mais alguns exemplos:

あ り が と う ご ざ い ま し た 。 ま た お 越 し く だ さ い ま せ 。 = Muito obrigado. Venha


novamente, por favor.
どうぞ、ごゆっくりなさいませ。= Fique a vontade e descanse, por favor.
どうぞ、ごゆっくりなさいませ。= Fique a vontade e descanse, por favor.

32.5. USANDO  「ちょうだい」   PARA PEDIR DE FORMA CASUAL

Uma alternativa casual para  「ください」   é  「ちょうだい」  . Esta alternativa pode


ser usada por qualquer um, embora tenha um leve sentido infantil ou feminino, e é
sempre escrita em Hiragana. Quando aparece escrita em Kanji, é usada em
expressões muito formais, como  「頂戴致します」  . Gramaticalmente,  「ちょうだ
い」  é usado exatamente da mesma forma que  「ください」  :

スプーンをちょうだい。= Dê-me a colher, por favor.

ここに名前を書いてちょうだい。= Escreva seu nome aqui, por favor.

32.6. USANDO  「なさい」   PARA FAZER SOLICITAÇÕES FIRMES, MAS POLIDAS

Como já vimos, 「 な さ る 」     é a forma especial honorífica do verbo   「 す る 」   .


Podemos usar sua Base Meireikei   「 な さ い 」   para emitir um comando de uma
maneira suave, mas firme. É usado, por exemplo, quando uma mãe está
repreendendo seu filho ou quando um professor quer que o aluno bagunceiro preste
atenção. Ao contrário de   「 く だ さ い 」   ,   「 な さ い 」   se aplica apenas a verbos
positivos e utiliza a base Ren’youkei do verbo, em vez da forma TE. Também não
pode ser utilizado de forma independente, devendo ser ligado a outro verbo. Observe
os exemplos:

よく聞きなさい!= Escutem bem.

ここに座りなさい。= Sente-se aqui.

Podemos retirar  「さい」   de  「なさい」   para produzir uma versão casual desta
gramática:

たくさん食べな。= Coma bastante.

ここに座りな。= Sente-se aqui.

Este 「 な 」 não deve ser confundido com forma negativa de comando 「 な 」 , que
vimos no tópico 32.1. A diferença mais óbvia (além da clara diferença no tom) é que
 「なさい」   é anexado à base Ren’youkei do verbo, enquanto a forma negativa de
comando é anexada à forma infinitiva. Por exemplo, para  「する」  ,  「しな」   é a
versão abreviada de  「し なさい」  , enquanto  「する な」   é um comando negativo.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#
Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

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LIÇÃO 33: VERBOS AUXILIARES II – 「せる」 E 「させる」
Nesta lição veremos mais dois verbos auxiliares:  「せる」  e 「させる」 

33.1. CONHECENDO OS VERBOS AUXILIARES  「せる」  E  「させる」 

Da mesma forma que  「れる」  e 「られる」  , os verbos auxiliares  「せる」  e 「させ


る」  são anexados à base Mizenkei dos verbos, sendo que 「せる」  é usado quando a
última sílaba da base Mizenkei do verbo em questão não terminar com um
fonema da coluna do A. Caso contrário,  「させる」  deve ser utilizado:

ANEXAÇÃO DOS VERBOS AUXILIARES  「せる」  E  「させる」  (REGRA GERAL):

 「せる」  DEVE SER USADO SE A BASE MIZENKEI DO VERBO NÃO TERMINAR


COM FONEMA DA COLUNA DO A. NOS DEMAIS CASOS, USAR 「させる」  .

Vamos ver a aplicação prática da regra:

Com relação aos verbos irregulares 「来る」  e 「する」  , como as bases Mizenkei são
 「こ」  e 「せ」  respectivamente, devemos anexar 「させる」  :

Note que colocamos (??) na construção  「せさせる」  , pois quando 「 さ せる」    é


unido à  「する」  temos  「さ せ る 」    .Vamos explicar: primeiramente, os verbos
auxiliares  「せる」  e 「させる」  se originaram dos auxiliares clássicos 「す」  e 「さ
す 」   respectivamente, que eram conjugados no padrão Shimo-Nidan. Vamos
observar as suas bases somente para entendermos sua evolução:
Como mencionamos na lição 12, a maioria dos verbos que eram Shimo-Nidan no
Japonês Clássico sofreu a alteração [Base Ren’youkei] +  「る」  , fato que deu origem
às formas atuais. Com relação ao verbo  「する」  espera-se que quando anexado a
 「させる」  , sua forma seja  「せさせる」  , entretanto, é 「させる」  . Isso por que a
forma   「さ せ る」   originou-se da forma clássica  「 せ さ す 」   , na qual o fonema
 「せ」  era deixado de lado, ficando  「さす」  . No japonês moderno , o auxiliar 「さ
す」  deu lugar a  「させる」  , e a regra continua a mesma, isto é, o que seria  「せさ
せる」  torna-se simplesmente  「させる」  .

Agora que sabemos a origem de 「せる」  e 「させる」  , vamos conhecer suas bases.
Ambos são conjugados no padrão Shimo-Ichidan:

33.2. A FORMA CAUSATIVA

Os verbos auxiliares  「せる」  e 「させる」  são usados para a formação da forma


causativa, que é utilizada para indicar uma ação que alguém faz acontecer. Em
outras palavras, esta forma expressa que "alguém faz alguém fazer algo" ou "alguém
deixa alguém fazer algo". Observe os exemplos:

全部食べさせた。= Fez / deixou (alguém) comer tudo.

全部読ませた。= Fez / deixou (alguém) ler tudo.

Na verdade, a forma causativa pode confundi-lo de início, devido a este duplo


sentido, mas lembre-se sempre que o contexto será nosso melhor amigo. A boa
notícia é que, quando ela é usada com os verbos suplementares para a forma TE 「あ
げる」   e 「くれる」  , quase sempre significará “deixar alguém fazer algo”. Uma vez
que você se acostumar com esta forma, o significado que deverá ser considerado em
cada caso se tornará claro.

全部食べさせてくれた。= Deixou (alguém) comer tudo.

今日は仕事を休 ま せ て く だ さ い 。= Por favor, deixe-me descansar do trabalho hoje.


今日は仕事を休 ま せ て く だ さ い 。= Por favor, deixe-me descansar do trabalho hoje.
(Por favor, deixe-me tirar o dia de hoje.).

Quanto às partículas que devem ser usadas, com verbos intransitivos, a pessoa
induzida ou obrigada a fazer a ação é indicada com a partícula  「を」  :

子供を学校へ行かせました。= Deixei / fiz meu filho ir à escola.

Segundo gramáticos, existe a possibilidade de se usar 「に」para se marcar a pessoa


induzida. Esta mudança daria um sentido mais ameno à sentença, isto é, com 「を」
há um sentido coercitivo, ao passo que com 「 に 」 , um sentido de permissão.
Considerando esta possível sutil diferença, vejamos:

(1) 子供を学校へ行かせました。= Fiz meu filho ir à escola. (coerção)

(2) 子供に学校へ行かせました。= Deixei meu filho ir à escola. (permissão)

Com verbos transitivos, a pessoa induzida ou obrigada a praticar a ação é indicada


com  「に」  , e o objeto da ação com 「を」  :

先生が学生に宿題をたくさんさせた。= O professor fez os estudantes fazerem muita


lição de casa.

Em nossa opinião, o motivo dessas particularidades com relação às partículas


possivelmente se deve ao fato de que 「せる」/「させる」 transformam os verbos em
transitivos (lição 17), então, passariam a ter um objeto direto, que é marcado pela
partícula 「を」:

子供を学校へ行かせる。= Fazer a criança ir à escola. (onde 「行かせる」 é um verbo


transitivo, cujo objeto direto 「子供」é marcado pela partícula 「を」).

Ok, agora imagine a seguinte oração em português:

Eu fiz a pessoa ver o cachorro.

Note que há dois objetos diretos: o do verbo “fazer” (a pessoa) e do verbo “ver”
(cachorro). Perceba então, que um verbo transitivo em si, que por natureza pode ter
um objeto direto, passa a ter outro quando transfomado na forma causativa:

人を犬を見させる。

Ora, já que na língua japonesa a ordem dos elementos é bem flexível, você concorda
que em construções como esta haveria uma grande ambiguidade? A oração acima
deve ser interpretada como “Fazer a pessoa ver o cachorro” ou “Fazer o cachorro ver
a pessoa”?

Por isso, cremos que a adoção de 「に」 para marcar a pessoa induzida, no caso dos
verbos transitivos em si, é meramente por conveniência para que não haja esse tipo
de ambiguidade, o que não acontece com os verbos intransitivos, pois eles não
necessitam em si de um objeto direto.
Como você deve ter notado nos primeiros exemplos, podemos omitir aquele que é
Como você deve ter notado nos primeiros exemplos, podemos omitir aquele que é
induzido a fazer algo:

そ の 部 長 は 、 よ く 長 時 間 働 か せ る 。 = Esse chefe frequentemente faz (as pessoas)


trabalharem longas horas.

先生が質問をたくさん聞かせてくれた。= O professor deixou (alguém) perguntar várias


questões.

Há uma versão abreviada da forma causativa que geralmente não é abordada pelos
livros didáticos. Na verdade se trata em usar os auxiliares clássicos  「 す 」   e 「 さ
す」   no lugar de   「せる」  e 「させる」  . No entanto, tal construção passou a ser
considerada muito informal, e você está livre para ignora-la até que tenha tido tempo
para se acostumar com a forma regular. Além disso, obviamente,  「す」  e 「さす」 
 foram encaixados no padrão Godan de conjugação no japonês moderno:

全部食べさす。= Fazer / deixar (alguém) comer tudo.

全部読ます。= Fazer / deixar (alguém) ler tudo.

同じことを何回も言わすな! = Não me faça dizer a mesma coisa de novo e de novo!

なんか食べさしてくれ。= Deixe-me comer algo.

33.3. A FORMA CAUSATIVO-PASSIVA

A forma causativo-passiva é simplesmente a combinação das conjugações causativa e


passiva e expressa que a ação de fazer alguém fazer algo foi feita para essa
pessoa. Isso efetivamente se traduz por "[alguém] é feito a fazer [algo]". A coisa
importante a lembrar é da ordem de conjugação, isto é, o verbo é primeiro conjugado
na causativa  depois na passiva; nunca o contrário.

FORMA CAUSATIVO-PASSIVA (REGRA GERAL):

[BASE MIZENKEI DO VERBO] + [BASE MIZENKEI DE  「せる」  / 「させる」  ] +  「ら


れる」  ]

Vejamos a regra na prática:

Note que, embora a forma final seja longa, sua formação não é nenhum segredo se
você tem acompanhado as lições. Vejamos alguns exemplos:

あいつに二時間も待たせられた。= Eu fui feito esperar 2 horas por aquele rapaz.

親に毎日宿題をさせられる。= Eu sou feito pelos meus pais a fazer a lição de casa todos
os dias.

Como a construção se trata da forma passiva da causativa, o agente da passiva


Como a construção se trata da forma passiva da causativa, o agente da passiva
sempre será marcado pela partícula 「に」  .

No tópico anterior, aprendemos que é possível usar os verbos auxiliares clássicos


「す」  e 「さす」  como forma abreviada da forma causativa. Sendo assim, é natural
pensar que podemos usá-los também na forma causativo-passiva. Entretanto, não é
bem assim, pois podemos utilizar somente  「す」   nestes casos.  Não vamos fazer
uma abordagem muito detalhada, porque a utilidade dessa forma é bastante
limitada, assim como a própria forma causativa mais curta. O conceito é o mesmo:
simplesmente utilizar a forma causativa abreviada em vez da forma regular, e o resto
é o mesmo que antes. Observe:

あいつに二時間も待たさられた。= Eu fui feito esperar 2 horas por aquele rapaz.

親に毎日寿司を食べさされる。= Eu sou feito pelos meus pais a comer sushi todos os


dias. (INCORRETA!)

O segundo exemplo está incorreto, pois no japonês moderno 「さす」  não pode ser
usado para a forma causativo-passiva.

33.4. A FUNÇÃO DE EXPRESSAR A FORMA HONORÍFICA

No Japonês Clássico, uma das funções de 「す」  e 「さす」  era intensificar o sentido
honorífico de um verbo dentro de uma oração em que havia outras palavras
formais. Perceba que neste uso eram diferentes de 「る」  e 「らる」  , que podiam
expressar a forma honorífica de fato. Tal uso começou no Período Heian (794-1185),
mas isso não é mais válido no japonês moderno.

33.5. A ORIGEM DAS FORMAS ESPECIAIS HONORÍFICAS DOS VERBOS

Na lição 30, quando estudamos as formas honorífica e modesta (ou humilde), vimos
que alguns verbos possuem formas especiais. Para algumas dessas formas, pudemos
dar uma explicação quanto a sua origem na própria lição. Para outras, como não
tínhamos conhecimento gramatical suficiente até então, preferimos deixar para mais
adiante. Bem, chegou a hora! Vamos ver qual a origem dessas tais formas.

O verbo honorífico   「いらっしゃる」  origina-se do verbo 「入る」  . Trata-se de sua


forma causativo-passiva clássica, isto é,  「入る」  +  「す」  +  「らる」  = (入ら + せ +
らる)  → いらせらる. Então, o fragmento  「せら」  foi abreviado para  「っしゃ」  ,
dando origem à 「いらっしゃる」  .

Já o verbo    「おっしゃる」  é uma contração de  「おおせある」  , que parece ser


simplesmente a combinação do verbo obsoleto   「 仰 す 」   , que era conjugado no
padrão Shimo-Nidan e  「有る」  →  「仰せ」  + 「有る」  . Então, o fragmento  「おせ
あ」  foi abreviado para  「っしゃ」  , dando origem à  「おっしゃる」  .

Em seguida, vamos analisar o verbo  「くださる」  : este parece originar-se da junção


do verbo 「下す」  com o verbo auxiliar clássico  「る」  (lição 31). Então, teríamos
 「下さ」  +  「る」  .

A origem de  「なさる」  é incerta, mas este parece derivar da junção do verbo 「為


A origem de  「なさる」  é incerta, mas este parece derivar da junção do verbo 「為
す」  com o auxiliar  「る」  , isto é, (為す→為さ) +  「る」  .

Lembre-se que, como vimos na lição 31, uma das funções de  「らる」  e  「られる」  e
tornar um verbo honorífico e, logicamente, suas formas clássicas –  「 る 」   e   「 ら
る」  – também tinham esta função.  Então, o que temos aqui, na maioria das formas
verbais, é apenas a “honorificação” de alguns verbos clássicos.

Finalmente, o verbo  「ござる」  é uma abreviação de  「御座在る」  (ござある). Aqui


temos o prefixo honorífico   「 御 」   ( ご ) – lição 30 – embelezando o substantivo
  「 座 」   ( ざ ), que significa “assento”, em conjunto com o verbo   「 在 る 」   ( あ る ).
Literalmente, temos, então, o significado “existir assento”, que pode ser interpretado
como “existir um assento (em que um ser vai sentar)”, isto é, vai existir uma
presença neste assento.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

StackExchange – Japanese: http://japanese.stackexchange.com/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

A Japanese Grammar, J.J Hoffmann

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LIÇÃO 34: PARTÍCULAS V – FINAL DE SENTENÇA
Nesta quinta lição sobre as partículas, vamos abordar as que são usadas para
terminar uma sentença, recurso muito comum nas conversas diárias e animês e
mangás.

34.1. DEFININDO AS PARTÍCULAS DE FINAL DE SENTENÇA

Na língua japonesa, há muitas partículas que são adicionadas ao fim de uma frase.
Normalmente as partículas de final de sentença são separadas em dois grupos:

1. Exclamatórias [ 「かんとうじょし」  (間投助詞)]: indicam o tom da sentença;

2. Finais [ 「しゅうじょし」  (終助詞)]: adicionam à sentença um sentido de dúvida,


cuidado, emoção, etc.

Como você pode ver, mais do que ter um significado propriamente dito, elas agregam
algum sentido à oração. Além disso, algumas partículas também distinguem o
discurso masculino do feminino. Outro ponto importante é que algumas delas podem
ser combinadas.

Por questão de praticidade, não vamos usar estas nomenclaturas e vamos nos referir
a estas partículas apenas como sendo “partículas de final de sentença”, fazendo uma
abordagem das mais comuns e das menos comuns, mas que podem ser vistas em
dado momento.

34.2. AS PARTÍCULAS MAIS COMUNS

Até aqui, praticamente vimos duas partículas de final de sentença:   「 か 」   , que


indica uma pergunta polida, e  「の」  , que serve como partícula explicativa, sendo
mais usada por mulheres e também para se fazer perguntas, independentemente do
sexo. Agora, vamos nos focar especificadamente nas partículas que aparecem no
final das orações.

As pessoas costumam acrescentar   「 ね 」     ao fim de sua sentença quando estão


procurando (e esperando) acordo para o que estão dizendo. Seria como dizer em
português “não é?”, “correto?”:
MIE: おもしろい映画だったね。= Foi um filme interessante, não foi?
MIE: おもしろい映画だったね。= Foi um filme interessante, não foi?

AKIRA: 全然おもしろくなかった。= Não, não foi interessante mesmo.

Quando 「 よ 」   é anexado ao final da sentença, indica moderada ênfase e também


pode expressar convicção. É especialmente útil quando o falante oferece uma nova
informação:

あの映画はすごく良かったよ。 = Aquele filme foi muito bom.

彼は煙草を吸わないよ。 = Ele não fuma, já sabe.

Depois de  「よ」   e  「ね」  , as partículas 「さ」   e  「な」   são as mais comumente


usadas ao final de uma sentença.  「さ」  é basicamente uma forma muito casual de
 「よ」  , e algumas pessoas a colocam no final de quase todas as frases simples. Claro
que isso não significa que seja necessariamente uma forma muito sofisticada de
expressão, mas não podemos negar que isso é um hábito fácil de adquirir. Nesse
sentido, devido ao seu uso em excesso,  「 さ 」    quase perdeu qualquer significado
específico. Você pode ouvir uma conversa como a seguinte:

AKIRA: あのさ・・・ = Ei...

MAKOTO: うん。 = Sim.

AKIRA: この間さ・・・= Neste período...

MAKOTO: うん。= Sim.

E o diálogo vai continuando assim e às vezes a outra pessoa pode interromper para
dizer algo relacionado ao tema.

Você pode usar  「な」   no lugar de  「ね」   quando achar que  「ね」   soará muito
suave e reservado para algo que você dizer ou para o público a quem você está
falando. O som áspero de  「な」  geralmente se aplica ao sexo masculino, mas não é
necessariamente restrito aos homens:

それは間違っていると思うな。 = Eu acho que isso é errado.

ひろしはばかだな = Hiroshi é bobo.

A partícula  「な」   é usada frequentemente em conjunto com a partícula  「 か 」  


para indicar que o falante não tem certeza de algo:

今日は雨が降るかな? = (Será que) vai chover?

いい大学に行けるかな? = (Será que) poderei ir a uma boa universidade?

O substantivo genérico para objetos   「 も の 」     pode ser usado como uma forma
casual e feminina de enfatizar alguma coisa. Este uso é idêntico à ênfase feminina
explicativa expressa pela partícula 「 の 」   . Assim como o   「 の 」     explicativo, o

fonema 「の」  em 「もの」   é muitas vezes transformado em  「ん」  , resultando


fonema 「の」  em 「もの」   é muitas vezes transformado em  「ん」  , resultando
em  「 も ん 」   . Usar  「 も ん 」     soa muito feminino e um pouco atrevido (de uma
maneira bonita):

どうしてこなかったの? = Por que (você) não veio?

1.  授業があったの。= Eu tinha aula (explicativa feminina)

2. 授業があったのだ。= Eu tinha aula (explicativa masculina)

3. 授業があったもの。= Eu tinha aula (explicativa feminina)

4. 授業があったもん。= Eu tinha aula (explicativa feminina)

Agora, observe o próximo exemplo:

男だもんな 若さだもんな。= (O fato é que) (você) é homem, é a juventude.  (explicativa


masculina)

Neste trecho da música de abertura do seriado Jaspion, vemos a partícula  「もの」 


abreviada combinada com   「 な 」   . Já que temos o declarativo   「 だ 」   , não soa
feminino e aqui está se dando um ar explicativo à sentença.

「かい」   e  「だい」   são partículas que expressam questionamento de um modo


fortemente masculino.   「 か い 」     é usado para perguntas do tipo “sim/não”,
enquanto  「だい」   é usado para perguntas abertas:

み ど り っ て 呼 ん で も い い かい? = Posso chamar a Midori? (Lit. Mesmo se chamar a


Midorí, está bem?).

おい、どこに行くんだい? = Ei, aonde (você) vai?

Na verdade, essas duas partículas se orignaram da combinação da partícula 「か」 e


da cópula 「 だ 」 respectivamente unidos com 「 い 」 , partícula arcaica usada nos
tempos medievais, sendo possivelmente uma variante de 「 よ 」 . Sendo assim, 「 か
い 」 e 「 だ い 」 podem ser usadas somente nos casos em que 「 か 」 e 「 だ 」 são
possíveis. Portanto, 「おい、どこに行くだい」 está incorreto, pois nesse caso「だ」 só
poderia ser usado com o 「の」 explicativo, isto é, 「おい、どこに行くのだ」.

Vamos nos atentar agora para 「ことか」, que é considerada uma expressão oriunda
da junção do substantivo 「 こ と 」 com a partícula 「 か 」 , sendo usada mais
comumente na língua escrita. Entretanto, como ela geralmente aparece no final de
sentenças, vamos classificá-la como partícula de final de sentença.

A função de 「ことか」 é indicar forte emoção, como que uma exclamação. Vejamos:

彼が帰って来るのを何年待ったことか。 = Nossa! Esperei quantos anos pelo retorno


dele!!

Por fim, vamos observar 「とか」, encontrada principalmente em livros, que é usada

quando se indica uma informação que você ouviu ou leu. É importante ressaltar que
quando se indica uma informação que você ouviu ou leu. É importante ressaltar que
ela não é considerada uma partícula de final de sentença, mas como geralmente
ela é usano no final, resolvemos abordá-la aqui:

田 中 さ ん の 犬 が お じ さ ん を 噛 ん だ と か 。 = (Eu) ouvi que o cachorro do Sr. Tanaka


mordeu um homem de idade.

Com substantivos e Keiyoudoushi, devemos usar 「だ」 para explicitar o estado-de-


ser:

彼は大金持ちだとか。 = (Eu) ouvi que ele é rico.

34.3. PARTÍCULAS ESPECÍFICAS DE GÊNERO

As próximas partículas são usadas principalmente para enfatizar algo, apenas e não
possuem um significado propriamente dito. No entanto, elas podem fazer aquilo que
está sendo dito soar muito mais forte e/ou muito específico quanto ao gênero. A
partícula  「わ」   é como  「よ」  , exceto que vai fazer você parecer muito feminino
(este é um som diferente do  「わ」   usado no dialeto Kansai).  「かしら」   também é
uma versão muito feminina de   「 か な 」   , que acabamos de abordar.   「 ぞ 」     e
 「ぜ」   são idênticos a  「よ」  , exceto que faz você parecer viril, ou, pelo menos,
essa é a intenção. Estes exemplos podem não ser muito úteis, sem que você os ouça
realmente:

もう時間がないわ。= Não há mais tempo.

おい、行くぞ! = Ei, (nós) estamos indo.

これで、もう終わりだぜ。= Com isso, está terminado.

いい大学に入れるかしら? = (Será que) eu poderei entrar numa boa faculdade?

Existe também a partícula 「 ぞ い 」 , combinação de 「 ぞ 」 com a partícula


arcaica 「 い 」 , que, como mencionamos no tópico anterior, era usada nos tempos
medievais, sendo possivelmente uma variante de 「 よ 」 . Costuma ser utilizada por
homens mais velhos, pelo menos na ficção, sendo um pouco mais suave do que
「ぞ」:

おい、行くぞい! = Ei, (nós) estamos indo.

34.4. A PARTÍCULA CLÁSSICA「もがな」

Uma partícula que pode ser vista, ainda que raramente, na escrita ou eventualmente
no JLPT 1 é 「もがな」. Ela é uma sobrevivente do Japonês Clássico e é usada para
indicar desejo ou esperança a respeito de algo geralmente difícil de acontecer:

友がくるもがな。= (Ah, se) (meu) amigo viesse.

Também, 「 も が な 」 é usada em algumas expressões como 「 言 わ ず も が な 」 , que


literalmente tem o sentido de “(Eu) desejo que (eu) não diga isso”, que incluiria o caso
de arrependimento por ter dito algo inconveniente.
de arrependimento por ter dito algo inconveniente.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

kWhazit Oddities: http://kwhazit.ucoz.net/ranma/g_part.html

StackExchange – Japanese:
http://japanese.stackexchange.com/questions/14398/%E5%A4%8F%E7%9B%AE%E6%BC%B1%E7%9F%B3
-s-use-of-question-marker-%E3%81%8B%E3%81%84-for-an-open-instead-of-closed-ie-yes-no-quest

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LIÇÃO 35: COMPONDO SENTENÇAS I
Esperamos que o seu japonês esteja melhorando progressivamente a cada dia.
Dado o caminho que percorremos até aqui, chegou a hora de nos focarmos na
construção de sentenças ainda mais complexas.

35.1. DEFININDO “FRASE”, “ORAÇÃO” E “PERÍODO”

Antes de começar a compor orações mais complexas, é importante que você saiba
como a estrutura de textos e da comunicação oral é formada. É aqui que entram em
campo, “frase”, “oração” e “período”, que são fatores constituintes de qualquer meio
de comunicação, pois ela deve se compor de uma sequencia lógica de ideias para que
possa haver entendimento. Por isso, é importante saber o conceito de cada um deles.
Então vamos lá!

I. FRASE: é todo enunciado dotado de significado. Em outras palavras, a frase se


define pelo seu propósito comunicativo, isto é, pela sua capacidade de, num
intercâmbio linguístico, transmitir um conteúdo satisfatório para a situação em que é
utilizada, seja na língua falada ou escrita. Ela pode ter verbos ou não, existindo,
portanto, a frase nominal, quando não é constituída por verbo, e frase verbal,
quando há presença de um verbo.

Ex: Que dia lindo!

Já na frase verbal há a presença do verbo.

Ex: Preciso de sua ajuda.

II. ORAÇÃO: é todo enunciado dotado de sentido, porém há, necessariamente, a


presença do verbo ou de uma locução verbal. Este verbo, por sua vez, pode estar
explícito ou subentendido.

Ex: Os garotos adoram ir ao cinema e depois ao clube.

Podemos perceber a presença do sujeito e do predicado.

III. PERÍODO: é um enunciado que se constitui de uma ou mais orações. Um

período pode ser classificado de duas maneiras, sendo:


período pode ser classificado de duas maneiras, sendo:

A) Período Simples: formado por apenas uma oração, também denominada de


oração absoluta.

As crianças BRINCAM no jardim.

“Brincam” é a oração que indica o que as crianças estão fazendo no jardim, o que já é
o suficiente para entendermos a mensagem que se deseja passar.

B) Período Composto: é aquele constituído por duas ou mais orações.

O ônibus ainda não CHEGOU, mas não DEVE DEMORAR, pois já SÃO sete horas.

Os períodos compostos podem ser formados das seguintes maneiras: podem ser
compostos por coordenação, compostos por subordinação, ou ainda compostos por
coordenação e subordinação, simultaneamente. Vejamos:

B.1) Período Composto por Subordinação: são períodos que, sendo constituídos de
duas ou mais orações, possuem sempre uma oração principal e pelo menos uma
oração subordinada a ela.

Então, vamos defini-las: oração principal é a parte que contém a informação


principal e aquela que se liga a qualquer oração subordinada, ou seja, é completada
por uma oração subordinada, pois lhe falta uma função sintática. Já a oração
subordinada, também chamada de “oração dependente”, é aquela que não vai
formar um pensamento completo, fazendo com que o leitor ou ouvinte queira
informações adicionais para concluir o pensamento (assim, desempenha alguma
função sintática que falta na principal, completando-a). Existem três tipos de orações
subordinadas:

- substantivas: são aquelas que desempenham as funções sintáticas próprias do


substantivo;

- adjetivas: são aquelas que desempenham as funções próprias do adjetivo;

- adverbiais: são aquelas que desempenham as funções próprias do advérbio.

Dadas as definições, observe o exemplo a seguir:

Como eu não fui ao parque...

A oração subordinada não pode estar sozinha, pois não fornece um pensamento
completo. O leitor ficaria se perguntando: "Então, o que aconteceu?" (a menos que
isso esteja subentendido). Agora, observe o próximo exemplo:

Aguardo que você chegue.

Nessa frase há duas orações: "Aguardo" e "que você chegue". A oração "que você
chegue" está completando o sentido do verbo transitivo direto "aguardo". Sendo

assim, a oração subordinada está sintaticamente vinculada à oração principal


assim, a oração subordinada está sintaticamente vinculada à oração principal
(dependente dela), podendo funcionar como termo essencial, integrante ou
acessório da oração principal. Neste caso, exerce a função sintática do objeto direto, e
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Então, podemos dizer que, de certo modo, em um período composto por


subordinação, ambas as orações (principal e subordinada) em alguns casos são
mutuamente dependentes, já que a oração principal não teria sentido sem o
complemento (oração subordinada), bem como a oração subordinada também não
teria sem ser concluída (ideia principal) – é claro que, principalmente na fala, se uma
ou outra estiver subentendida, pode ser omitida.

B.2) Períodos Compostos por Coordenação: são os períodos que, possuindo duas ou
mais orações, apresentam orações coordenadas entre si. Cada oração coordenada
possui autonomia de sentido em relação às outras, e nenhuma delas funciona
como termo da outra. As orações coordenadas, apesar de sua autonomia em relação
às outras, complementam mutuamente seus sentidos. Veja o seguinte exemplo:

A Grécia seduzia-o, mas Roma dominava-o. (oração coordenada sindética


adversativa)

Neste exemplo, temos duas orações independentes (de sentido completo em si): (1) A
Grécia seduzia-o, e (2) Roma dominava-o, que são conectadas por meio da
conjunção “mas”, dando um sentido de adversidade.

A conexão entre as orações coordenadas podem ou não ser realizadas através de


conjunções coordenativas. Sendo vinculadas por conectivos ou conjunções
coordenativas, as orações são coordenadas sindéticas. Não apresentando conjunções
coordenativas, as orações são chamadas orações coordenadas assindéticas.

Chegou, falou, saiu.

35.2. REVENDO ALGUNS CONCEITOS

A partícula 「 て 」   deriva da base Ren’youkei do verbo clássico 「 つ 」   , que era


usado para expressar o modo perfectivo. Vejamos a definição de “perfectivo”
segundo o dicionário Houaiss:

PERFECTIVO: diz-se de ou aspecto verbal que indica uma ação realizada e concluída;
acabado [No português são perfectivas as formas do indicativo fiz, tinha feito, terei
feito, por oposição às formas fazia, estava fazendo, estarei fazendo etc., que são
imperfectivas.].

Em outras palavras, quando  「つ」  era anexado à base Ren’youkei de um verbo, ele
expressava algo como “determinada ação foi (será) feita e está (será) concluída”.

No japonês moderno,  「 て 」     passou a servir também como partícula conjuntiva,


isto é, para conectar orações. Observe o quadro abaixo:
Este é o uso básico da partícula 「て」  . Nestes casos, o tempo verbal de construção é
determinado pelo último verbo. Note que devido à sua origem, alguns preferirão
traduzir estas orações como “Comer o peixe (concluir esta ação) e (depois) beber o
suco”, e “Ir ao Japão (concluir esta ação) e (depois) estudar japonês”, o que faz
sentido. Contudo, não fixe este sentido clássico de   「 て 」   como sendo único, pois
parece que esta partícula pode transmitir outros sentidos.

Esta prática de usar a partícula  「て」  para conectar orações, no entanto, é utilizada
apenas na linguagem cotidiana. Discursos formais, narração e publicações escritas
empregam a base Ren’youkei em vez da forma TE para descrever ações seqüenciais.
Particularmente, artigos de jornal (ou mesmo cantores), por questões de brevidade,
preferem a base Ren’youkei à forma TE:

魚を食べてジュースを飲む。 → 魚を食べジュースを飲む。= Comer o peixe e beber o


suco.

君はひざ抱えて一人震えてた。 → 君はひざ抱え一人震えてた。= Você segurava seus


joelhos entre os braços e tremia sozinho.

Tal recurso se origina, provavelmente, da possibilidade de omissão de partículas,


que é comum no japonês. Ora, como  「て」  se une à base Ren’youkei, ao ser omitida,
o resultado é tão somente a referida base – aqui desconsidera-se as mudanças
eufônicas. Logo, podemos usar tal recurso com os Keiyoushi também:

細く長いこのみち。= Esta estrada estreita e longa.

Neste pequeno trecho da música “Kawa no Nagare no You ni” de Misora Hibari, veja
que a partícula  「 て 」   é omitida. O elemento   「 細 く 」   aqui não se trata de um
advérbio, mas está inserido em uma sequência de características do termo “esta
estrada”.  Gramaticalmente a construção deveria ser  「細くて長いこのみち」  .

Um ponto importante é que para a construção 「 ~ て い る 」 (lição 27), a forma


abreviada se torna 「~てい」, porém, como isso não soa muito bem no meio de uma
sentença, é comum se usar a versão humilde de 「いる」 que é 「おる」(lição 30). Isso
é simples e você poderá usar 「おり」 para conectar orações subordinadas, em vez de
usar somente 「い」. Lembrando que isso não tem nada a ver com o aspecto humilde
de 「おる」:

封筒には写真が数枚入っており、手紙が添えられていた。= Várias fotos estavam dentro


do envelope, e uma carta foi anexada.

Algo muito comum no japonês falado é terminar uma oração com o verbo na forma
TE. Veja o exemplo abaixo:

ごめん、魚を食べて。= Desculpe por comer o peixe.

Na verdade, os elementos da oração estão invertidos. Na fala muitas vezes as pessoas


Na verdade, os elementos da oração estão invertidos. Na fala muitas vezes as pessoas
tendem a dizer aquilo que mais importante primeiro, (me desculpe) e depois o resto
(por comer o peixe), independentemente das regras gramaticais. A versão correta da
oração acima é  「魚を食べてごめん」  .

Também, dependendo do contexto, a forma TE no final de uma oração pode indicar


uma oração incompleta, muitas vezes transmitindo um ar reticente por parte do
falante, isto é, uma hesitação em dizer expressamente o seu pensamento, em dar um
parecer etc. Tal recurso é muito comum em canções:

魚を食べて。= Comer o peixe (e...) (oração incompleta e reticente)

Também é possível unir estados-de-ser basicamente através do uso da base


Ren’youkei  「で」    da cópula   「だ」  . Observe:

NOTA: os livros didáticos convencionais geralmente chamam a construção acima de


“forma TE para substantivos e Keiyoudoushi”, pois, como vimos, este  「で」  pode
exercer a mesma função sintática que a partícula  「て」  exerce quando usada com
verbos e Keiyoushi. Sendo assim, também a chamaremos de forma TE.

A forma TE é muito versátil e pode transmitir significados diversos de acordo com o


contexto (pelo menos na tradução para o português). Existem pelo menos três
sentidos que ela pode ter:

I. De conjunção: une orações, descrevendo ações seqüenciais:

魚を食べてジュースを飲む。= Comer o peixe e beber o suco.

時間がありまして映画を見ました。= Houve tempo e eu assisti ao filme.

このケーキがおいしくてきれいです。= Este bolo é gostoso e grande.

ジュースを飲まなくてケーキを食べた。= Não bebeu o suco e comeu o bolo.

II. De causa: A forma TE pode expressar a causa da ação principal:

本を忘れて学校に行かなかった。= Eu não fui à escola porque esqueci o livro.

雨で友達がパーティーにこない。= Por causa da chuva, (meu) amigo não virá à festa.

Note que poderíamos traduzir estes dois exemplos como ações sequenciais e
pressupor que estamos falando de causa e efeito. Isso faz sentido mesmo em
português quamdo, por exemplo, dizemos: “Estou doente e não irei trabalhar.” (=
Como estou doente, não irei trabalhar.). É tudo questão de contexto.

III. De advérbio: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados ​


como advérbios
também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem como a
ação do verbo principal está sendo feita:
ação do verbo principal está sendo feita:

歩いて行く。= Ir caminhando.

怒って言う。= Dizer com raiva.

O importante aqui é considerarmos o contexto, pois como vimos em lições passadas,


o uso básico de forma TE consiste em unir sentenças. Sendo assim, poderíamos
traduzir literalmente os exemplos acima como “Caminhar e ir” e “Ficar com raiva e
dizer”, o que de certo modo pode ter o mesmo sentido.

Para terminar nossa pequena revisão, existe a forma contraída da forma TE negativa
que se trata de   「 な い で 」   . Contudo, você não deve achar que ela funciona
exatamente da mesma forma:

魚を食べなくて。≠ 魚を食べないで。

Com a forma TE abreviada da negativa, se expressa explicitamente que a ação


principal é executada sem alguma outra. Observe:

魚を食べないでジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem comer o peixe.

Para expressarmos a mesma coisa, podemos usar o verbo auxiliar clássico de


negação  「ず」  , sucedido ou não de  「に」  :

魚を食べずジュースを飲んだ。 → 魚を食べずにジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem


comer o peixe.

35.3. EXPRESSANDO A CAUSA COM  「から」  ,  「ので」  E  「ため(に)」 

Você pode expressar a causa de algo usando a partícula   「から」  . A causa e efeito
estarão sempre ordenados no padrão “[causa]  「から」  [efeito]”. Quando a causa se
tratar de um substantivo ou Keiyoudoushi, você deve adicionar a cópula    「 だ 」  
  para declarar explicitamente a causa   「 (substantivo / Keiyoudoushi) だ か ら 」   .
Nestes casos, se você esquecer-se de adicionar  「だ」   antes de 「から」  , vai acabar
soando como o  「から」   que significa "de", que foi introduzido na lição 13.

時間がなかったからパーティーに行きませんでした。= Não hove tempo, por isso, não fui


à festa.

友達からプレゼントが来た。= O presente veio de um amigo.

友達だからプレゼントが来た。= O presente veio, porque (a pessoa é) um amigo.

Tanto a razão como o resultado podem ser omitidos se estiverem claros a partir do
contexto. No caso do discurso educado, você trataria   「 か ら 」     apenas como um
substantivo comum e adicionaria  「です」  . Observe o diálogo:

MAKOTO: どうしてパーティーに行きませんでしたか。= Por que (você) não veio à festa?

AKIRA: 時間がなかったからです。= Porque (eu) não tive tempo (omitindo-se o efeito)


AKIRA: 時間がなかったからです。= Porque (eu) não tive tempo (omitindo-se o efeito)

Quando se omite a causa, você deve incluir o declarativo  「だ」  :

TAMOTSU: 時間がなかった。= Eu não tive tempo.

MIYAKO: だからパーティーに行かなかった?= É por isso que não foi à festa? (omitindo-


se a causa)

Você pode usar também  「です」  ou  「である」  se quiser ser mais formal:

ですからあきらは慌てることはありません。= é por isso que falando de Akira, (ele) não


tem nada a temer.

私は彼が正直で気さくであるから彼が好きだ。= Eu gosto dele por que ele é honesto e


sincero.

Podemos ainda usar 「 か ら 」 com a forma TE da construção 「 と 言 う 」 , obtendo


assim 「 か ら と い っ て 」 a fim de indicar uma razão para uma ação ou ideia,
transmitindo desaprovação. A oração que precede 「からといって」 geralmente é
contraditória à oração que a antecede:

忙しいからといって連絡してくれないのは怠慢だ。 = Só porque ele está ocupado, não


entrar em contato comigo é imprudência.

彼は子供だからといってここで遊ない。= Só porque ele é uma criança, não brincará


aqui.

Outra possibilidade é usar 「から(に)は」 para indicar uma forte conexão entre a
sentença que precede 「から(に)は」 e a que vem depois. Pode-se até dizer que há de
certa forma uma relação de causa e efeito, como se o resultado fosse algo esperado,
natural ou um dever (na opinião do falante):

わたしがここに来たからには、心配することはない。= Como eu vim aqui, não precisa se


preocupar (Lit. Eu vim aqui, por isso, não existe o fato de se preocupar).

Voltando no diálogo entre Miyako e Tamotsu, perceba que Tamotsu poderia ter usado
a partícula explicativa  「の」  e dizer  「時間がなかったのです」   ou  「時間がなかっ
たんです」  . Considerando esta possibilidade, digamos que você queira combinar a
causa e o efeito, isto é,  「時間がなかったのだ」   e  「パーティーに行かなかった」  .
Lembre-se de que podemos tratar a partícula  「の」   como um substantivo, e então
poderemos aplicar o que aprendemos no primeiro tópico desta lição:

時間がなかったのだ+パーティーに行かなかった = 時間がなかったのでパーティーに行か
なかった。

Agora sabemos de onde provavelmente surgiu a partícula  「 の で 」   . Na verdade,


 「ので」   é quase intercambiável com  「から」   com algumas diferenças sutis: 「か
ら」   afirma explicitamente que a sentença anterior é a razão para algo, enquanto
 「ので」  apenas coloca duas frases juntas, com a primeira com um tom explicativo.
Isso é algo que chamamos de causalidade, ou seja, [X] aconteceu, portanto, [Y]
Isso é algo que chamamos de causalidade, ou seja, [X] aconteceu, portanto, [Y]
aconteceu. Este é um pouco diferente do   「 か ら 」     onde [Y] aconteceu
explicitamente porque [X] aconteceu. Essa diferença tende a fazer  「ので」   soar
mais suave e um pouco mais educado e é preferido no lugar de  「から」   ao explicar
a razão para fazer algo que é considerado descortês:

ちょっと忙しいので、そろそろ失礼します。= Como estou um pouco ocupado, sairei em


breve.

NOTA:   「 失 礼 し ま す 」   , que significa literalmente “eu estou fazendo uma


descortesia”, é comumente usado como uma forma educada para você se retirar ou
interromper alguém.

Não se esqueça de que para substantivos e Keiyoudoshi é necessário adicionar


「な」  , a base Rentaikei da cópula 「だ」   antes de  「の」  :

私は学生なので、お金がないんです。= Como sou estudante, não tenho dinheiro.

な の で 、 友 達 に 会 う 時 間 が な い 。 = É por isso que não há tempo para encontrar o


amigo. (omitindo-se a causa)

Do mesmo modo que o  「の」  explicativo pode ser abreviado para  「ん」  na fala,
 「ので」   pode ser transformado em 「んで」  , pois é mais fácil de ser pronunciado:

時 間 が な か っ た んでパ ー テ ィ ー に 行 か な か っ た 。 = Não fui à festa, porque não tive


tempo.

私は学生なんで、お金がないんです。= Como sou estudante, não tenho dinheiro.

な ん で 、 友 達 に 会 う 時 間 が な い 。 = É por isso que não há tempo para encontrar o


amigo. (omitindo-se a causa)

Por fim, vamos nos atentar ao substantivo  「ため」  (為), que pode ser combinado
opcionalmente com   「に」   e tem vários significados. Por hora, vamos considerar
aqui o significado de “efeito”. Com isso, dentre outros usos,  「ため」  pode indicar a
causa de algo:

熱があるために会社に行かない。= (Eu) não irei à empresa, porque estou com febre.

彼は雪のため遅れた。= Ele se atrasou por causa da neve.

Ficaria meio estranho tentarmos traduzir literalmente os exemplos acima, mas você
pode considera-los como sendo algo como “como efeito de estar com febre, não irei à
empresa” e “como efeito da neve, ele se atrasou”, respectivamente.

35.4. EXPRESSANDO FINALIDADE COM 「ため(に)」  , 「のに」  E  「ように」 

Considerando o significado de “benefício” do substantivo   「 た め 」   , ele pode


também ser usado para indicar que aquilo que está na oração subordinada é a
finalidade da ação principal. Observe:
これは君のためなんだ。= Isto é por você.
これは君のためなんだ。= Isto é por você.

健康のために体操する。= Faço ginástica para a saúde.

日本に行くために日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao Japão.


(Lit. Tendo como alvo o benefício de ir ao Japão, (eu) vou estudar japonês.).

A partícula 「のに」  também pode ser usada para indicar finalidade:

日本に行くのに日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao Japão.

Note que a partícula  「のに」  , neste caso, provavelmente se trata da combinação do


nominalizador 「の」  com a partícula  「に」  . Sendo assim, poderíamos traduzir
literalmente a oração acima como “Tendo como alvo o ato de ir ao Japão, (eu) vou
estudar japonês.”.

O sentido de finalidade também pode ser expresso por  「ように」  :

日本に行くように日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao Japão.

35.5. EXPRESSANDO OPOSIÇÃO COM 「のに」

Em português, há as conjunções subordinativas concessivas que são elementos que


introduzem uma oração que exprime uma ideia de concessão, isto é, um fato
contrário à ação ou à verdade expressa na oração principal, sem, no entanto a
impedir (oposições coexistentes). Veja o exemplo a seguir:

Midori não emagreceu, apesar de ter se exercitado todos os dias.

Neste exemplo a oração subordinada introduzida pela conjunção é chamada de


“oração subordinada adverbial concessiva”. Assim temos:

ORAÇÃO PRINCIPAL (FATO): Midori não emagreceu.

ORAÇÃO SUBORDINADA (CONCESSÃO): Apesar de ter se exercitado todos os dias.

Em japonês é possível construirmos algo semelhante através do uso da partícula  「の


に 」   . Atente-se, entretanto à ordem dos elementos que será sempre ([concessão] 
 「のに」  [fato]). Sendo assim, o exemplo dado acima ficará assim em japonês:

みどりが毎日運動したのに、全然痩せなかった。= Apesar de ter se exercitado todos os


dias, Midori não emagreceu.

Quando a oposição for um estad-de-ser, devemos explicita-lo com a cópula  「だ」  ,


que será usada em sua Base Rentaikei:

学生なのに、彼女は勉強しない。= Embora seja estudante, ela não estuda.

さっき食べたばかりなのに、まだおなかがすいています。= Embora eu tenha acabado de


comer, eu ainda estou com fome.

Também é possível colocar   「 の に 」   no final das frases para expressar um


Também é possível colocar   「 の に 」   no final das frases para expressar um
sentimento de insatisfação por um resultado inesperado ou indesejado:

あそこに行くなと言ったのに!= Apesar de eu ter dito para não ir lá!

あんなに努力したのに。= Apesar de todos os meus esforços.

O uso de  「のに」  no final das sentenças é muito comum na linguagem casual, mas
você não encontrará isso em documentos ou livros. Na realidade, quando  「のに」 
termina uma oração, ela está incompleta e o seu final está implícito. Observe
atentamente os exemplos e você perceberá que esse tipo de construção também faz
sentido em português, como quando dizemos desolados por não passar no vestibular
depois de tanto estudar: “apesar de ter estudado tanto...”. 

No Japonês Clássico, esse sentido de concessão era frequentemente indicado pela


base Izenkei (atual Kateikei), seguida comumente pelas partículas 「ど」ou 「ども」:

行(ゆ)けど。= Embora (ele) vá.

35.6. EXPRESSANDO CONTRADIÇÃO COM  「が」  E  「けど」 

Podemos usar as partículas 「 が 」     e   「 け ど 」     para conectar orações a fim de


expressar contradição:

デパートに行きましたが、何も欲しくなかったです。= Eu fui à loja de departamentos,


mas nada era interessante.

金はないけど夢はある。= Não tenho dinheiro, mas tenho sonhos.

Assim como   「 か ら 」   , o declarativo   「 だ 」     é necessário para substantivos e


Keiyoudoushi:

彼は、金持ちだが兄は貧乏だ。= Ele é rico, mas o irmão é pobre.

この車は素敵だけど高い。= Este carro é maravilhoso, mas é caro.

Semelhante à diferença entre  「から」   e  「ので」  ,  「が」   tem um tom mais suave
e é um pouco mais educado do que   「 け ど 」   . Embora isso não seja uma regra,
geralmente é comum ver  「が」   ligado a um final com 「~ます」   ou  「~です」  ,
e   「けど」  ligado a um final casual regular. A versão mais formal de  「けど」    é
 「けれど」   e a ainda mais formal é  「けれども」  .

Da mesma forma que  「 か ら 」    e   「 の で 」   , qualquer uma das partes pode ser


omitida e subentendida pelo contexto:

だけど、みえがまだ好きなのだ。= (Pode ser isso), mas é que ainda gosto da Mie.

デパートに行きましたが。= Eu fui à loja de departamentos (mas...).

Agora, observe o próximo exemplo:

友達に聞いたけど、知らなかった。= Eu perguntei a um amigo, mas ele não sabia.


友達に聞いたけど、知らなかった。= Eu perguntei a um amigo, mas ele não sabia.

Parece estranho, mas   「 聞 く 」   pode significar tanto “ouvir” como “perguntar”.


Talvez, você pense que isso torne as coisas difíceis, mas o devido significado é
geralmente claro pelo contexto. Na sentença acima, estamos assumindo que o amigo
não sabia, então o falante provavelmente estava perguntando ao amigo. Novamente
nós vemos a importância do contexto na língua japonesa, porque essa sentença pode
significar também “Eu ouvi de um amigo, mas eu não sabia”, já que não há sujeito
nem tópico. 

Diferentemente das palavras para expressar contradição que temos em português,


como “mas” ou “porém”, as partículas 「けど」   e  「が」  não indicam sempre uma
contradição direta. Frequentemente, especialmente ao se introduzir um novo tópico,
elas são usadas como um conector genérico de sentenças indepentendes. Por
exemplo, nas próximas construções não indicam realmente uma contradição, e
「が」  e  「けど」  estão sendo usados simplesmente como conectores. Em português,
poderíamos traduzi-los como “e”:

デ パ ー ト に 行 き ま し た が 、 い い 物 が た く さ ん あ り ま し た 。 = Eu fui à loja de
departamentos e havia várias coisas boas.

マトリックスを見たけど、面白かった。= Eu assisti Matrix e foi interessante.

Podemos ainda usar partículas  「が」  ou  「けど」  no final das sentenças:

マトリックスを見たけど。= Eu assisti Matrix (e...).

Na verdade, a oração está incompleta, mas no japonês tal recurso tem um aspecto
menos direto e transmite um ar mais suave e polido.

Agora, observe o próximo exemplo:

逃げるがいい。

Em um primeiro momento, alguém poderia interpretar a oração acima como “Fugirá,


mas é bom”, ou “Fugirá e é bom”. Entretanto, segundo Tae Kim neste post de seu blog,
o padrão (Verbo + が い い ) “é um daqueles casos raros em que a partícula é ligada
diretamente ao verbo”. Partindo dessa afirmação, então, o padrão citado pode ser
visto como uma nominalização (lição 22) à moda antiga. Vamos relembrar:

O uso de 「の」 e 「こと」 como nominalizadores parece ser um recurso


que começou a ser adotado no Japonês Moderno. Antes disso, uma prática
comum para se nominalizar uma oração era usar a base Rentaikei
simplesmente. Sendo assim, por exemplo, a oração 「学生は勉強するのを忘
れた」 seria nominalizada assim:

学生は勉強するを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

Portanto, (Verbo + が い い ), que aparece com certa frequência em animês, é usado

para expressamos uma ação que é recomendada em certa circunstância:


para expressamos uma ação que é recomendada em certa circunstância:

逃げるがいい。= (Você) deve fugir (Lit. O ato de fugir será bom).

35.7. EXPRESSANDO VÁRIAS RAZÕES COM  「し」 

Quando você quiser listar razões para vários estados ou ações, poderá fazer isso
adicionando   「 し 」     ao final de cada oração subordinada. É muito semelhante à
partícula   「 や 」   , exceto que   「 し 」   enumera razões para verbos, Keiyoushi e
estado-de-ser. Observe:

MIDORI: どうして彼が好きなの? = Por que (você) gosta dele?

MIE: 優 し い し 、 か っ こ い い し 、 面 白 い か ら 。 = Porque ele é carinhoso, atrativo e


interessante (entre outras coisas).

Perceba que  「優しくて、かっこよくて、面白いから。」  também faria sentido, mas


assim como a diferença entre as partículas  「と」   e  「や」  ,  「し」   implica que há
outras razões além das enumeradas.

Novamente, 「だ」   deve ser utilizado para declarar explicitamente o estado-de-ser


para qualquer substantivo ou Keiyoudoushi. Vejamos o próximo diálogo:

TAMOTSU: どうして友達じゃないんですか?= Por que (ele) não é amigo?

HIROSHI: 先生だし、年上だし・・・。= Bem, (ele) é o professor, é mais velho (entre


outras coisas).

35.8. EXPRESSANDO VÁRIAS AÇÕES OU ESTADOS COM  「たり」 

O verbo auxiliar  「たり」  se origina da contração da partícula  「て」  +  「あり」  ,


base Ren’youkei do verbo   「 あ る 」   , e tanto as suas regras de anexação como as
mudanças sonoras sofridas são exatamente iguais a 「 た 」   , auxiliar de tempo
passado (lição 14). Quanto ao seu uso, trata-se da versão para verbos da partícula
 「 や 」   , isto é, você pode fazer uma lista parcial de ações, na qual existam mais
ações. Ao final da sentença é preciso adicionar o verbo   「 す る 」   , que também
indicará o tempo verbal:

映画を見たり、本を読んだり、昼寝したりする。= Eu faço coisas como assistir ao filme,


ler o livro e tirar cochilos à tarde (entre outras coisas).

映画を見たり、本を読んだりしなかった。Eu não fiz coisas como assistir ao filme e ler o


livro (entre outras coisas).

Em canções ou mesmo na língua informal, o verbo  「する」  às vezes é omitido:

背中を向けたりはできないのさ。= Não podemos (fazer) coisas como virar as nossas


costas (entre outras coisas).

Neste trecho da música de abertura do seriado tokusatsu Changeman, como em  「た

り」   há a base Ren’youkei, que tem também valor de substantivo, a partícula  「は」 
り」   há a base Ren’youkei, que tem também valor de substantivo, a partícula  「は」 
pode ser usada, fazendo da ação, neste caso, o tópico da oração. A parir desse
exemplo se percebe também, que é possível usarmos apenas um verbo com   「 た
り 」   para expressar “a ação X e outras do tipo”. Apenas para reforçar esta ideia,
observe os próximos exemplos:

寿司を食べたりする。= Eu farei coisas como comer sushi (e outras coisas mais).

恋に落ちたりするのはあぶない。= O ato de se apaixonar (entre outros) é perigoso

Você também pode usar  「たり」   com o estado-de-ser para expressar que algo, em
momentos diferentes, é uma série de coisas, dando a entender que há ainda uma lista
de coisas ainda maior:

この大学の授業は簡単だったり、難しかったりする。= As aulas dessa faculdade são


fáceis e às vezes são difíceis (e às vezes é alguma coisa mais talvez).

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

Brasil Escola: http://www.brasilescola.com/gramatica/frase-oracao-periodo.htm

Educação: http://www.educacao.cc/lingua-portuguesa/diferencas-entre-periodo-frase-e-oracao-na-
gramatica/

Só Português: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint1.php

Algo Sobre: https://www.algosobre.com.br/gramatica/periodo.html

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_subordinada /
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_principal

Mundo Educação: http://www.mundoeducacao.com/gramatica/oracao-subordinada.htm

Colégio Web: http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/portugues/oracoes-


cooordenadas/oracoes-coordenadas-assindeticas.html

Grammar Bytes: http://www.chompchomp.com/terms/

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.


A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

A Japanese Grammar, J.J Hoffmann

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LIÇÃO 36: VERBOS SUPLEMENTARES II
Nesta lição, vamos abordar mais verbos suplementares comuns, sejam eles para
a forma TE ou para a base Ren’youkei.

36.1. VERBOS SUPLEMENTARES COMUNS PARA A BASE REN’YOUKEI

Como vimos na lição 27, a base Ren’youkei pode ser seguida por outros verbos.
Algumas destas construções são relativamente fáceis de entender e podem ser usadas
com bastante liberdade, como é o caso da [Base Ren’youkei] +  「始める」   (começar
a) ou 「終る」   (terminar de):

赤ちゃんは昨日歩き始めた。= O bebê começou a andar ontem.

寿司を食べ終った。= (Eu) terminei de comer o sushi.

Outro verbo suplementar comum é  「過ぎる」  , que quando exerce essa função, tem
o significado de “fazer algo em excesso”:

飲みすぎないで。= Não beba demais.

みどりはいつも喋りすぎる。= Midori sempre conversa demais.

 O verbo suplementar 「 過 ぎ る 」   é muitas vezes abreviado para   「 す ぎ 」   , mas


cuidado por que isso não pode ser feito indiscriminadamente com todos os verbos:

みどりは喋りすぎ。= Midori conversa demais.

Este verbo auxiliar pode ser anexado aos Keiyoushi também. Entretanto, a regra de
anexação é diferente, devendo-se adicionar 「 過 ぎ る 」     ao Gokan (retirar a
terminação  「い」  ). Assim, temos:

高い → 高 → 高すぎる

おいしい → おいし → おいしすぎる

Com isso, aprenderemos a anexar  「過ぎる」  à forma negativa, já que  「ない」  (無


い ) trata-se na verdade de um Keiyoushi. Neste caso, somente, duas formas são
possíveis:
possíveis:

I. Forma Tradicional: retira-se a terminação  「い」  e depois se adiciona 「過ぎる」 


:

喋る → 喋らない → 喋らな → 喋らなすぎる

II. Forma Padrão: substitui-se o    「 い 」   de   「 な い 」   por   「 さ 」     antes de


acrescentarmos  「過ぎる」   à forma negativa. Assim, temos:

喋る → 喋らない → 喋らなさ → 喋らなさすぎる

A forma tradicional originou-se no Período Meiji (1868 - 1912), enquanto a forma


padrão surgiu no Período Shouwa (1926 - 1989), sendo, portanto, mais recente e
consequentemente a mais popular.  As duas formas são toleradas, embora ainda
haja discordância entre os linguísticos. Atente-se ao fato de que os Keiyoushi que
possuem o mesmo 「 無 い 」   que usamos para a forma negativa como parte
integrante na sua formação (e somente eles), podem ser usados na forma padrão:

勿体無い → 勿体無さ → 勿体無さすぎる

情け無い → 情け無さ → 情けさすぎる

Já para os Keiyoushi que possuem a terminação  「ない」  , mas que não se trata de
 「無い」  , a única forma possível é a que serve para os demais Keiyoushi:

危ない → 危な  → 危なすぎる

少ない→ 少な  → 少なすぎる

Outro verbo suplementar comum é 「 治 す 」   , que significa “curar”, “consertar”.


Quando ele é usado como suplementar significa fazer algo de novo, porque a
primeira vez foi feito com descuido ou de forma insatisfatória:

こ れ が 読 め な い か ら 書 き な お し て く れ る ? = (Eu) não consigo ler isto, por isso,


reescreva, por favor?

やりなおし。= Faça novamente.

NOTA:   「 や り な お し 」   é uma expressão fixa que indica comando suave, muitas


vezes utilizada de professores para os alunos ou chefes aos subordinados.

Note que não deve ser usado para pedir uma repetição de algo bem feito. Neste caso,
use expressões como 「もういちど (verbo na forma TE)  ください」  :

これをもういちど書いてください。= Por favor, escreva isto mais uma vez.

Nosso próximo convidado é o verbo  「続ける」  , que significa “continuar”, e, quando


usado como verbo suplementar, tem o mesmo sentido:

読みつづけてくだい。= Por favor, continue lendo.


ひろしは十時まではたらきつづけた。= Hiroshi continuou trabalhando até às 10:00.
ひろしは十時まではたらきつづけた。= Hiroshi continuou trabalhando até às 10:00.

O próximo verbo suplementar que entrará em campo é 「 付 け る 」   , que significa


“anexar”, e, quando usado como verbo suplementar, tem o sentido de “estar
acostumado a fazer [X]”:

毎日学校に行きつける。= (Eu) estou acostumado a ir à escola todos os dias.

Pode-se usar o verbo  「合う」  , que significa “unir” como suplementar para indicar
uma ação mútua. Vejamos:

助け合うことは大切である。= O ato de ajudar mutuamente é importante.

Agora, observe o próximo exemplo:

けがれを知らぬ人の心は なぜいつか汚れて憎しみ合うの。= Falando de corações de


pessoas que não conhecem a impureza, por que em algum tempo se tornam
maculados e se odeiam mutuamente?

Neste trecho inicial da canção “Beautiful Child” do animê “Os Cavaleiros do Zodíaco”,
além de podermos revisar muitos conceitos já aprendidos, encontramos o verbo 「会
う 」   no verbo composto   「 憎 し み 合 う 」   , dando essa ideia de mutualidade. Ele
significa “odiar-se mutuamente”. Note, porém, que aqui não se trata de um verbo e o
verbo suplementar, pois não existe um verbo   「 憎 し む 」   , que poderia significar
“odiar”. É tão somente o substantivo   「憎しみ」  , que significa “ódio” em conjunto
com  「合う」  . Apesar disso, o sentido desse verbo suplementar é o mesmo, isto é,
indica ação mútua.

NOTA: não confunda o verbo  「合う」  , que significa “unir” com o verbo 「会う」  ,
que significa “encontrar-se”. Realmente são muito parecidos.

O verbo 「 掛 け る 」 tem muitos significados, conforme podemos constatar ao


consultar o DenshiJisho:

Aqui importa o signicado “3. Ser parcialmente (verbo); começar (mas não
completar)”. Sendo assim, 「 掛 け る 」 pode ser usado como suplementar para
expressar um estado-de-ser inacabado, feito pela metade:

雨が降りかけたが、また天気になった。 = Choveu (e a chuva não parou), mas o tempo


ficou bom novamente.
Podemos usar também a sua Base Ren’youkei, que como já sabemos, funciona
Podemos usar também a sua Base Ren’youkei, que como já sabemos, funciona
sintaticamente (pelo menos) como um substantivo:

やりかけの仕事。= Trabalho feito (de forma incompleta).

Em sentido oposto, o verbo 「抜く」, que por si mesmo significa “extrair”, “omitir”,
pode ser usado para indicar uma ação feita do começo até o fim realmente:

やりぬく。= Fazer (até o fim, completamente).

Podemos ainda usar a Base Ren’youkei do verbo 「抜く」, isto é 「ぬき」 como sufixo
para expressar seu sentido real, isto é, que se faz algo sem alguma coisa que
normalmente estaria presente:

昼飯ぬきで仕事をした。 = Eu trabalhei sem ter o almoço.

A versão intransitiva do verbo 「 掛 け る 」 , isto é, 「 掛 か る 」 , também tem vários


significados. Vamos consultar o DenshiJisho novamente:

Vamos nos atentar ao significado “7. Ter começado a; estar à beira de”. Portanto,
pode ser usado para indicar que algo está prestes a acontecer, tendo um tom muito
iminente:

彼女は死にかかる! = Falando dela, está à beira de morrer!

O verbo 「上る」 também tem muitos significados, conforme o DenshiJisho:

Vamos nos atentar para o significado “1. Subir, ascender, erguer-se, ser levantado”
e para o segundo significado de 23, isto é, “indica conclusão”. Portanto, 「 上 る 」
pode ser usado para indicar o ato de concluir algo completamente, ou também,
pode ser usado para indicar o ato de concluir algo completamente, ou também,
como seu sentido principal (subir, ascender), algo com um movimento ascendente:

彼 は 仕 事 が で き あ が っ て た ち あ が っ た 。 Falando dele, foi capaz de fazer


(completamente) o serviço e se levantou.

O verbo 「抜ける」 tem dentre seus significados “sair, “cair”, “escapar”, ser omitido”.
Como verbo suplementar, entretanto, indica uma ação que é feita “atravessando”
algo:

彼は廊下をはしりぬけた。= Falando dele, (ele) correu (atravessando) o corredor.

O verbo 「込む」 significa, dentre outras coisas, “estar cheio”, “entrar”. Como verbo
suplementar, porém, expressa uma ação que, digamos, enclausura completamente
alguém nela. Em outras palavras, o agente está envolvido de corpo e alma nesta
ação, ou faz algo intensamente, até o fim:

彼はいつも近所の噂を話し込んでいる。= Falando dele, (ele) sempre fala os rumores da


vizinhança (e está intensamente envolvido por esta ação).

Bem é isso. Como já mencionamos, não seria possível fazer um estudo de todas as
combinações existentes, mas o conceito está aí. Agora, passemos para os verbos
suplementares para a forma TE no próximo tópico.

36.2. VERBOS SUPLEMENTARES COMUNS PARA A FORMA TE

Podemos anexar o verbo suplementar  「見せる」  , que significa “mostrar”, à forma


TE, para indicar uma ação que é feita de tal modo para ser vista, às vezes puramente
pela aparência, podendo ser neste caso traduzido literalmente:

大げさに驚いてみせた。= Ele se surpreendeu exageradamente e mostrou (isso).

O outro significado é talvez um uso mais flexível de "mostrar" e indica uma


determinação para realizar uma ação. Tem um sentido de "eu vou mostrar que
farei a ação [X]!". Vejamos:

守る!俺が守ってみせる!= Protegerei! Eu (juro que) te protegerei! (retirado do jogo


Final Fantasy 6)

O verbo seguinte que veremos é  「堪る」  , que significa “persistir”. Quando anexado
à forma TE, tem um sentido de fazer alguma coisa, ou permitir que tal coisa aconteça,
sem apresentar qualquer tipo de oposição. Vejamos:

死んでたまるか!= (Eu) morrerei? (sem que haja uma oposição para isso)

Nesta oração, por exemplo pode-se dizer que o herói está indicando que não morrerá
sem lutar. Vejamos mais um exemplo:

誰 が 宝 を 取 ら せ て た ま る ん で す か 。 = Quem deixaria (você) pegar o tesouro? (sem


nenhuma oposição)
Na oração acima, o próprio falante se coloca como oposição ao ato do ouvinte pegar o
Na oração acima, o próprio falante se coloca como oposição ao ato do ouvinte pegar o
tesouro. Ele está dizendo algo como “Quem deixaria (você) pegar o tesouro?” (por que
eu não vou deixar).

O verbo  「 堪 る 」   raramente é escrito em Kanji e também dificilmente aparecerá


tendo outro sentido, exceto se estiver na forma negativa (não-passada e passada), que
podemos traduzir como algo próximo a “insuportável"ou “irresistível", dependendo
do contexto:

ニューヨークへ行ってたまらない。= (Eu) estou ansioso para ir a Nova Iorque (isso é


irresistível).

Podemos ainda usar 「ならない」no lugar de 「たまらない」, o que torna a oração um


pouco mais formal. Entretanto, para verbos “espontâneos”, tais como 「思える」, 「思
い出される」 etc, 「たまらない」 não pode ser substituído:

明日のプレゼンのことが心配でならない。= Eu não consigo parar de me preocupar com


a apresentação de amanhã.

O verbo 「 仕 舞 う 」   que significa “finalizar”, pode ser usado de duas maneiras. A


primeira indica que a ação é realizada com determinação, geralmente o que significa
que a ação está completamente terminada:

部屋を掃除してしまいました。= Eu terminei (completamente) de limpar o meu quarto.

Note que neste uso, poderíamos até traduzir como uma sequência de ações, isto é,
“Eu limpei meu quarto e finalizei.”

O segundo uso de   「 し ま う 」   é expressar uma ação que ocorreu de forma não


intencional, muitas vezes com resultados insatisfatórios. Vejamos um exemplo:

AKIRA: 宿題をやった? = (Você) fez a lição de casa?

MAKOTO: :しまった!Oh não! (me dei mal)

Quando  「しまう」   é usado neste sentido, é normal anexá-lo à forma TE de outro


verbo para expressar uma ação que é feita ou aconteceu sem ter sido pretendida.
Como é comum com esse tipo de gramática, o tempo verbal é apontado por 「 し ま
う」  :

そのケーキを全部食べてしまった。= Opa, (eu) comi todo esse bolo (sem intenção).

金魚がもう死んでしまった。= O peixe dourado já morreu (e eu não queria que isso


acontecesse).

仲間とはぐれてしまった。= (Eu) me perdi dos meus companheiros (e eu não queria


isso) (retirado do jogo Final Fantasy 6)

Este uso de   「 し ま う 」   é bom para usar quando se quer pedir desculpas, já que
indica que você não queria que algo acontecesse da forma que foi:
ごめん、待たせてしまって!= Desculpe por (sem intenção) fazer (você) esperar!
ごめん、待たせてしまって!= Desculpe por (sem intenção) fazer (você) esperar!

Para os dois sentidos de   「しまう」  , podemos substitui-lo por  「も(う)た」  . Tal
recurso é restrito ao dialeto de Kansai, mass você pode se deparar com ele:

そのケーキを全部食べても(う)た。= Opa, (eu) comi todo esse bolo (sem intenção).

部屋を掃除しても(う)た。= Eu terminei (completamente) de limpar o meu quarto.

Voltando a   「 し ま う 」   , no discurso casual, o   「 ~ て し ま う 」     é muitas vezes


substituído por  「ちゃう」   enquanto  「~でしまう」   é substituído por  「じゃう」  .
Ambos  「~ちゃう」   e  「~じゃう」   continuam a ser conjugados no padrão Go-
dan:

そのケーキを全部食べちゃった。= Opa, eu comi todo esse bolo (sem intenção).

金 魚 が も う 死 ん じ ゃ っ た 。 = O peixe dourado já morreu (e eu não queria que isso


acontecesse).

Existe ainda outra versão muito coloquial de  「~てしまう」   e  「~でしまう」  」  ,


na qual são substituídos por  「 ~ ち ま う 」    e 「 ~ じ ま う 」     respectivamente. Ao
contrário da versão mais graciosa  「~ちゃう」   e 「~じゃう」  , esta versão evoca
uma imagem de homem de meia-idade áspero e grosseiro:

そのケーキを全部食べちまった。= Opa, eu comi todo esse bolo (sem intenção).

金 魚 が も う 死 ん じ ま っ た 。 = O peixe dourado já morreu (e eu não queria que isso


acontecesse).

Finalmente, podemos usar o verbo 「見る」 a fim de indicar uma tentativa de fazer
algo casualmente apenas para ver o que vai acontecer ou só para ver como é. Veja
que não é um esforço para se fazer algo, mas somente um teste, um
experimento. Também é usado quando você está tentando fazer algo que deveria
produzir determinados resultados esperados:

日本語を教えてみる。= (Eu) vou tentar ensinar japonês (vou experimentar isso, como
um teste, e ver como vai ser).

Para ajudar a lembrar o sentido dessa combinação, você pode pensá-la como uma
sequência de ações em que fará algo e depois verá o resultado. Outra coisa
importante, é que ela é sempre escrita em Hiragana.

Fontes:

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

kWhazit Oddities:  http://kwhazit.ucoz.net/ranma/index.html

Jgram.org: http://www.jgram.org
Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#

Tim Sensei’s Corner: http://ww8.tiki.ne.jp/~tmath/home/

Maggie Sensei: http://maggiesensei.com/2014/05/12/how-to-use-


%E3%80%9C%E3%81%A6%E3%81%BF%E3%82%8B%E3%80%80-te-miru%E3%80%80/

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LIÇÃO 37: O SUFIXO CLÁSSICO 「む」
Nesta lição faremos um estudo do sufixo clássico  「む」  . Você pode achar isso
desnecessário de início, mas ao longo da lição, você provavelmente mudará de
ideia, haja vista que ele é muito importante ainda hoje.

37.1. O VERBO AUXILIAR CLÁSSICO 「む」   E SUA EVOLUÇÃO

No Japonês Clássico, havia um grupo de verbos auxiliares conhecidos como “sufixos


flexionáveis de conjectura”, que eram anexados a uma ação ou estado para indicar,
de modo geral que tais fenômenos podiam ser algo suposto ou pretendido. Estes
sufixos figuravam normalmente em três tipos de sentenças:

I. Que descreviam um estado ou ação futura;

II. Nas quais o falante supunha que uma ação havia acontecido, ou estava
acontecendo no momento;

III. Que descreviam uma intenção ou ação abstrata.

Dentre estes sufixos flexionáveis de conjectura   「 む 」   era o usado com mais


frequência. Vejamos suas bases:

O verbo auxiliar  「む」  era anexado à base Mizenkei dos verbos. Vejamos seus três
usos:

I. Conjectura: embora   「 む 」   seja frequentemente chamado de sufixo de futuro


pelos gramáticos japoneses e ocidentais, este rótulo de algum modo é enganoso, já
que   「 む 」   pode denotar conjectura ou probabilidade a respeito de uma ação ou
estado tanto no presente como também no futuro;
estado tanto no presente como também no futuro;

II.  Intenção: algumas vezes,  「 む 」    indicava intenção, em vez de conjectura e a


interpretação apropriada dependia do contexto. Em alguns casos, entretanto, era
difícil determinar se 「 む 」   estava expressando uma conjectura ou uma intenção.
Este tipo de ambiguidade de certa forma pode existir em português como quando
alguém diz: “Eu vou pintar a casa.” Será que isso se trata de uma intenção ou de uma
ação futura de fato?

III. Incitamento: o sufixo   「 む 」   podia também denotar incitamento, ou como


preferem alguns gramáticos, “exortação”. Basicamente era quando o falante
expressava seu desejo para que o ouvinte fizesse uma ação, ou fosse um estado. 
Podia por vezes, soar como um incitamento, isto é, uma sugestão, sendo uma
tradução de seu sentido algo como “é aconselhável que...” ou ainda “é melhor que...”.

Poderíamos dizer que  「む」  é ainda largamente usado no japonês moderno, porém
sob “nova aparência”. Isso por que, devido a mudanças eufônicas  「む」  tornou-se
apenas  「う」  . Veja como exemplo, o verbo  「なる」  :

O sufixo  「む」  costuma ser pronunciado tanto  「む」  ,  「ん」  ou  「う」  e sua
evolução se deu nesta ordem. Agora, tomando  「なる」  como exemplo, vamos nos
atentar à última forma, ou seja,  「ならう」   e recordar do fenômeno chamado Tenko
que mencionamos quando estudamos o uso histórico do Kana (lição 3). Tragamos
aqui uma de suas regras:

“Sequências de Kana, tais como  「あう」  ,  「あふ」  ,  「かう」  ,  「かふ」  ,  「さ


う」  ,  「さふ」  ・・・ eram lidas  「おう」  ,  「こう」  ,  「そう」  ・・・”.

Devido a isso, o fragmento  「らう」   era pronunciado  「ろう」  , fato que dá origem
à forma atual  「なろう」  , quando houve o alinhamento da escrita com a pronúncia
moderna. Esta forma é normalmente chamada de “forma volitiva”, entretanto, em
nossa opinião, esta nomenclatura é muito restritiva, haja vista que, como vimos, ela
não se restringe a expressar somente intenção, embora atualmente haja outras
maneiras de expressar conjetura. Então, para fins meramente didáticos, vamos
chamar esta forma de “Forma OU”. Vejamos alguns exemplos:

ATENTE-SE aos verbos Godan terminados em 「 う 」 . Considerando-se que esses


verbos em sua forma clássica terminavam em 「ふ」, a forma OU tornava-se 「~は
う」. Com o fenômeno Tenko, tornou-se então, 「~ほう」. Agora, vejamos mais uma
das regras do fenômeno Tenko:

“Se os fonemas 「は」, 「ひ」, 「ふ」, 「 へ 」 e 「 ほ 」 estivessem localizados em


qualquer parte de uma palavra que não fosse o seu início, eram lidos 「 わ 」 ,
「い」, 「う」, 「え」, 「お」respectivamente.”
Com isso, o fragmento 「 ~ ほ う 」 passou a ser pronunciado 「 ~ お う 」 . Então, a
Com isso, o fragmento 「 ~ ほ う 」 passou a ser pronunciado 「 ~ お う 」 . Então, a
evolução da forma OU do verbo clássico 「かなふ」, por exemplo, seria:

かなふ → かなはむ → はなはう → はなほう → はなおう (forma OU atual)

Na maior parte das vezes, a forma OU expressa incitamento. Vejamos alguns


exemplos práticos:

空高くかかげよう。 = Salte para o mais alto do céu. (expressando incitamento).

果てない闇から飛び出そう。= Saltemos das trevas sem fim. (expressando incitamento).

Com relação aos verbos do padrão Ichidan, temos o final 「 よ う 」 anexado à Base
Mizenkei. Vejamos:

Na verdade, o que temos aqui é uma alteração baseada no fenômeno Tenko.


Observe duas de suas condições:

1) “Sequências de Kana, tais como 「けう」, 「けふ」, 「せう」, 「せふ」, 「てう」,


「てふ」・・・ eram lidas 「きょう」, 「しょう」, 「ちょう」・・・”.

2) “Sequências de Kana, tais como 「きう」, 「きふ」, 「しう」, 「しふ」, 「ちう」,


「ちふ」・・・ eram lidas 「きゅう」, 「しゅう」, 「ちゅう」・・・”.

Sendo assim, por exemplo,「食べう」 passou a ser pronunciado 「食びょう」, que no


japonês moderno se transformou em 「 食 べ よ う 」 . O mesmo vale para os verbos
Kami-Ichidan, onde 「落ちう」 passou para 「落ちゅう」 e posteriormente, 「落ちよ
う」.

NOTA: muito cuidado para não confundir a terminação  「よう」  da forma OU dos
verbos Ichidan com terminação da base Meireikei   「 よ 」   desta mesma classe de
verbos.

Com relação ao verbo irregular   「 す る 」   , sua forma OU é   「 し よ う 」   , e com


relação a  「来る」  a forma OU é obtida através do acréscimo de   「よう」  , à base
Mizenkei  「こ」  :

電話しよう。= Façamos um telefonema.

もっと早く来よう。= Vamos vir mais cedo.

Com relação aos Keiyoushi, era possível construir a forma OU. A única ressalva a se
fazer é que 「む」   era anexado à base Mizenkei do conjunto Kari. De resto, tudo
era igual aos verbos:

37.2. A FORMA OU NEGATIVA


37.2. A FORMA OU NEGATIVA

No Japonês Clássico, uma das maneiras de expressar a forma OU negativa era através
do auxiliar 「まじ」  , que possuía uma conjugação no padrão Shiku dos Keiyoushi e
era anexado à base Shuushikei. Vejamos suas bases:

Quanto à origem de  「まじ」  , há duas teorias. A primeira o relaciona com o auxiliar


 「まし じ」   , existente no Período Nara (710-794), que derivava da combinação de
 「まし」  e  「じ」  . O auxiliar 「まし」  expressava especulação e  「 じ 」   , uma
intenção ou especulação negativa. Sendo assim, a tradução de   「 ま し じ 」   seria
“provavelmente não...”. Então, no decorrer do tempo,    「 ま し じ 」   teria sido
abreviado para 「まじ」  .

Já a segunda teoria, nos diz que   「 ま じ 」   teria se originado da base Mizenkei


“arranjada” do verbo auxiliar  「む」  , ou seja,  「ま」  , em conjunto com o auxiliar
clássico  「じ」  . Dizemos “arranjada” por que  「む」  não tinha uma base Mizenkei
de fato, mas nada impede que os gramáticos tenham decidido arranjar uma, apenas
para que fosse gramaticalmente possível anexar   「じ」  a  「む」  , criando assim
「まじ」  .

Seja qual for sua origem, devido às mudanças sonoras que já conhecemos,   「 ま じ
き」  tornou-se  「まじい」  . Entretanto,  「まじい」  se tornou arcaico e sua versão
abreviada,   「 ま い 」   , tornou-se padrão. Sendo assim, no japonês atual devemos
anexar  「まい」  à base Shuushikei:

Pode-se dizer que a regra apresentada acima é a clássica. Contudo, um idioma muda
constantemente e a anexação de 「まい」 ao Gokan, no caso dos verbos de padrão
Ichidan, tornou-se a preferencial. Sendo assim, podemos ter 「食べまい」 e 「落ちま
い 」 . Adicionalmente, para os verbos irregulares 「 す る 」 e 「 く る 」 , além das
formas 「するまい」 e 「くるまい」, pode-se usar 「しまい」 , 「すまい」 e 「せまい」
para 「する」, e 「こまい」 para 「くる」.

Lembrando que 「まい」 pode ser anexado a um verbo na forma polida:

Com relação aos adjetivos, simplesmente substitua a forma negativa de 「ある」 por
sua forma OU negativa, isto é, 「あるまい」:

(A) Keiyoudoushi: 静かじゃない → 静かじゃあるまい


(A) Keiyoudoushi: 静かじゃない → 静かじゃあるまい

(B) Keiyoushi: おいしくない → おいしく(は)あるまい

Nós já aprendemos que a forma OU pode ser usada para expressões do tipo “vamos
estudar agora!”. Com isso, é natural que pensemos que com 「~まい」, estaríamos
expressando a forma negativa desse tipo de expressão. Entretanto, 「~まい」 dá um
ar de forte determinação para não se fazer algo, como você poderá ver nos
exemplos seguintes:

決 し て 彼 に 会 う ま い と 心 に 決 め て い た 。 = (Eu) tinha decidido no meu coração não


encontrá-lo jamais.

あの人は、二度と嘘をつくまいと誓ったのです。= Aquela pessoa tinha jurado nunca


mentir novamente.

Para expressar algo como “não vamos estudar agora”, você pode usar o verbo 「やめ
る」 na sua respectiva forma OU:

明日に行くのをやめよう。= Vamos desistir (do ato) de ir amanhã.

Finalmente, para expressar um esforço para não se fazer algo, você pode usar o
verbo  「ようにする」, seguindo um verbo na negativa:

肉を食べないようにしている。= (Eu) estou tentando não comer carne.

Na lição 35, vimos que quando você quiser listar razões para vários estados ou ações,
poderá fazer isso adicionando 「し」 ao final de cada oração subordinada. É muito
semelhante à partícula 「 や 」 , exceto que 「 し 」 enumera razões para verbos,
Keiyoushi e estado-de-ser. Observe:

MIDORI: どうして彼が好きなの? = Por que (você) gosta dele?

MIE: 優 し い し 、 か っ こ い い し 、 面 白 い か ら 。 = Porque ele é carinhoso, atrativo e


interessante (entre outras coisas).

Perceba que 「優しくて、かっこよくて、面白いから。」também faria sentido, mas


assim como a diferença entre as partículas 「 と 」 e 「 や 」 , 「 し 」 implica que há
outras razões além das enumeradas.

Pegando carona nesse conceito, é possível anexar 「 し 」 à “forma OU” negativa da


cópula 「である」, obtendo assim, 「ではあるまいし」 a fim de indicar uma razão
pela qual algo não deve ser como é:

芝生があるのではあるまいし、何でこの芝刈り機がまだあるの? = (Nós) não temos um


gramado, então, por que ainda temos este cortador de grama? (Lit. Não é o fato no
qual temos um gramado (então) por que ainda temos este cortador de grama?).

É claro que possível usar 「ではあるまい」 sozinho:

内部の者の犯行ではあるまい。= Não é um crime de uma pessoa interna.


内部の者の犯行ではあるまい。= Não é um crime de uma pessoa interna.

「 で は あ る ま い 」 também pode aprecer em conjunto com a partícula 「 だ け 」 .


Quando usado com verbos, essencialmente, significa o mesmo que se usássemos 「で
はあるまい」 sozinho:

忘れただけではあるまい。= (Você) não se esqueceu.

Neste caso, você pode pensar que 「だけ」 está sendo empregado com o seu sentido
original de substantivo. Lembremo-nos da lição 26:

Em termos de etimologia a partícula 「 だ け 」 se originou do substantivo


clássico「たけ」(丈), que significava “comprimento”, “extensão”. Talvez
por isso, diferentemente de algumas partículas, podemos também
anexar「だけ」 a verbos e outros elementos que possuem base Rentaikei.

Sendo assim, poderíamos traduzir o exemplo literalmente como “Não é a extensão


em que (você) se esqueceu”.

Importante destacar que, segundo o site Renshuu.org, a forma OU negativa dá um ar


de forte determinação para não se fazer algo SOMENTE quando alguém está se
referindo a si mesmo. Nos demais casos, teria um sentido de probabilidade. Já Tae
Kim não faz essa distinção.

Considerando o que foi exposto pelo Renshuu.org, teríamos então:

忘れただけではあるまい。= Provavelmente, (você) não se esqueceu. (não se refere à


ação própria).

あ の 人 は 、 二 度 と 嘘 を つ く ま い と 誓 っ た の で す 。 = Aquela pessoa tinha jurado


(provavelmente não) mentir novamente. (não se refere à ação própria).

Fontes:

An Introduction to Classical Japanese, Akira Komai e Thomas H. Rohlich

Classical Japanese: A Grammar, Haruo Shirane

An Historical Grammar of Japanese, G. B. SANSOM, C.M.G.

A Grammar of Classical Japanese, Akira Komai

A Japanese Grammar, J.J Hoffmann

Guide to Japanese (Tae Kim): http://www.guidetojapanese.org/learn/grammar

Jgram.org: http://www.jgram.org

Renshuu.org: http://www.renshuu.org/index.php?page=grammar/main#
Japan Reference: http://www.jref.com/japan/language/

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LIÇÃO 38: CONJECTURAS E SUPOSIÇÕES
Depois de fazermos uma abordagem histórica na lição anterior, vamos nos focar
na função de expressar conjectura da forma OU e aprender outros meios de
expressarmos isso.

38.1. EXPRESSANDO NÍVEIS DE CERTEZA

De fato, a função de denotar conjectura da forma OU para verbos em si


praticamente se perdeu no japonês moderno. Atualmente, uma das maneiras de se
fazer isso é através da forma OU das cópulas  「だ」  ,  「です」  e  「である」  , isto é,
 「だろう」   ,   「でしょう」   e 「であろう」   respectivamente.

 「でしょ う」   é usado para expressar alguma certeza sobre algo e está perto de  「多
分」  quanto ao significado. Assim como  「~です/ ~ ます」  , deve vir no final de
uma frase completa. Ele não tem quaisquer outras conjugações. Você também pode
substituir  「~ですか」   por  「~でしょうか」   para fazer a pergunta soar um pouco
mais educada e menos afirmativa, adicionando um ligeiro nível de incerteza:

明日も雨でしょう。= Chuva amanhã também provavelmente.

学生さんでしょうか。= (Você) é estudante?

どこへ行くんでしょうか? = Aonde (você) irá?

A base Mizenkei de  「です」  era  「でせ」  ,  contração de  「でありませ」  , base


Mizenkei de 「であります」  , forma que deu origem à  「です」  . Sendo assim, a sua
forma OU era  「でせう」  . Dizemos isso baseados em uma das regras do Tenko:

“Sequências de Kana, tais como  「けう」  ,  「けふ」  ,  「せう」  ,  「せふ」  ,  「て


う」  ,  「てふ」  ・・・ eram lidas  「きょう」  ,  「しょう」  ,  「ちょう」  ・・・”

Por isso,  「でせう」  tornou-se  「でしょう」  .

Se você quiser soar realmente muito educado, pode ainda adicionar   「 ~ で し ょ う


か」   ao final de um verbo na forma polida:

休 ま せ て い た だ け ま す で し ょ う か 。 = Posso receber o favor de descansar,


休 ま せ て い た だ け ま す で し ょ う か 。 = Posso receber o favor de descansar,
provavelmente?

O equivalente casual de  「でしょう」   é surpreendentemente  「 で し ょ う 」   . No


entanto, quando você está falando de uma maneira educada,   「 で し ょ う 」     é
enunciado como tal, enquanto no discurso casual, ele tem uma entonação ascendente
e pode ser encurtado para  「でしょ」  . Além disso, uma vez que as pessoas tendem a
ser mais assertivas em situações casuais, a versão informal tem um sentido muito
mais forte, muitas vezes soando mais como um "Veja, eu te avisei!". Veja o dialogo a
seguir:

HIROSHI: あっ!遅刻しちゃう! = Ah! (Nós) nos atrasaremos!

MAKOTO: だから、時間がないって言ったでしょう!= É por isso que eu te disse que não


havia tempo!

E mais um exemplo:

掃除、手伝ってくれるでしょう。= (Você) vai me ajudar a limpar, certo?

 「だろう」   significa essencialmente o mesmo que  「でしょう」  , exceto pelo fato de


que soa mais masculino e é usado mais pelos homens:

AKIRA: みどりはどこだ? = Onde está Midori?

HIROSHI: もう寝ているだろう。= Provavelmente já esteja dormindo.

  「 で し ょ う 」     já pode ser usado como uma forma polida, mas se quisermos dar
ainda um passo acima em formalidade, podemos usar  「であろう」  :

それは嘘であろう。= Isso é mentira, provavelmente.

私 は 彼 の 感 情 を 傷 付 け た で あ ろ う か 。 = Eu feri os sentimentos dela? (Com tom de


incerteza)

Perceba que quando as cópulas estão na forma OU, podemos coloca-las


diretamente após um verbo na forma usual, fato que não é possível quando as
cópulas estão em outras formas, a menos que se use um   「 の 」   explicativo, pois,
como já vimos, este tem valor sintático de substantivo:

みやこが寿司を食べるんだ。= Miyako comerá o sushi. (CORRETA)

みやこが寿司を食べるだろう。= Miyako comerá o sushi, provavelmente. (CORRETA)

みやこが寿司を食べるだ。= Miyako comerá o sushi. (INCORRETA)

Para uma suposição negativa, podemos simplesmente anexar uma das cópulas na
forma OU a um verbo na negativa, como em  「 食 べ ないだ ろ う 」   ou ainda, como
maneira menos usual, conjugar 「 な い 」   , que é um Keiyoushi, para a forma OU.
Assim, temos:
Vejamos alguns exemplos práticos:

Podemos expressar uma dúvida com relação a uma ação passada usando a forma OU
do verbo auxiliar   「 た 」   . Isso mesmo. Recordemos que   「 た 」   origina-se da
contração de  「てある」  , cuja forma OU é  「てあろう」  . Esta forma foi contraída
para   「たろう」  e pode ser usada no japonês moderno:

私は彼の感情を傷付けたろうか。= Eu feri os sentimentos dela? (Com tom de incerteza)

たもつは水を飲んだろう。= Tamotsu bebeu a água. (Com tom de incerteza)

38.2. USANDO  「はず」   PARA DESCREVER UMA EXPECTATIVA

O substantivo 「はず」  é usado quando queremos expressar uma expectativa sobre


o que algo era ou deve ser. Expressa a expectativa do falante, não no sentido de
esperar ou estar ansioso para alguma coisa, mas no sentido de que a proposição
expressa deve ser verdade ou realidade. Assim, quando o falante usa  「はず」  , ele
não está apenas supondo em si, mas afirmando algo com base em informações ou
conhecimento confiável.

O significado original de  「はず」  é “ranhura (especialmente de flecha)”, através da


qual ela é encaixada no arco. O sentido de expectativa veio provavelmente do fato de
que, uma flecha encaixada no arco está prestes a ser lançada. Note, porém, que
embora se tenha tudo pronto, não é certeza de que a flecha será lançada, afinal o
arqueiro pode desistir. O que temos aqui então é apenas uma expectativa de que
algo aconteça, dada a situação que se vê.

Como vemos, para fins meramente de fixação, você pode ter como significado de
 「はず」  “expectativa”, então poderá modifica-lo como qualquer outro substantivo,
através de uma oração subordinada adjetiva:

色々予定してあるから、今年は楽しいクリスマスのはず。= Como vários planos foram


feitos, este ano é expectativa de Natal divertido.

これで十分なはずです。= (Eu) espero que isto seja suficiente (= é expectativa de ser


suficiente.)

彼は漫画マニアだから、これらをもう全部読んだはずだよ。Como ele tem mania por

mangás, (eu) espero que ele já tenha lido todos estes. (= é expectativa que ele já tenta
mangás, (eu) espero que ele já tenha lido todos estes. (= é expectativa que ele já tenta
lido todos estes.)

彼は8時に来るはずだったが、10時になるまで姿を現さなかった。= Era esperado que


ele viesse às oito, mas não apareceu até às 10. (= Era expectativa de vir às 8, mas não
apareceu até as 10.).

A única coisa que precisamos ter cuidado é com o fato de expressar uma expectativa
de que algo não aconteça. Para fazer isso, você deve usar  「ない」  , como faria com
qualquer outro substantivo inanimado, para dizer que tal expectativa não existe.
Assim, ficaria  「~はずがない」   ou  「~はずはない」  , dependendo da partícula que
você queira usar:

彼が来るはずはない。= (Eu) não espero que ele venha. (= expectativa de ele vir, não
existe.)

Note que se usarmos a forma negativa do estado-de-ser, o sentido mudará; seria


como se você quisesse confirmar em um sentido positivo:

打合せは毎週2時から始まるはずじゃないですか? = A reunião começará toda semana


às duas horas, não é? (= Falando da reunião, não é expectativa de começar toda
semana às duas horas?)

38.3. JULGANDO ALGO COMO UMA OBRIGAÇÃO USANDO  「べき」 

 「べき 」  é um sufixo anexado à base Shuushikei usado para descrever algo que
deve ser feito. Em termos históricos, 「べき」   deriva de  「 べ し 」   , que era um
Keiyoushi que seguia o padrão Ku de conjugação. Vejamos quais eram suas bases:

Veja que 「べき」 é na verdade a base Rentaikei de 「べし」. De fato, é difícil atribuir
um significado a ele, mas o que se sabe é que 「べし」provavelmente se originou do
advérbio 「うべ」(宜), que significa “certamente”, “verdadeiramente”.

NOTA: com relação ao verbo 「する」, a versão clássica 「すべき」 é mais comum e
formal. Já 「 す る べ き 」 pode ser usado na língua cotidiana, mas é bem menos
frequente e considerado coloquialismo.

Costuma-se atribuir ao sufixo 「 べ き 」 o significado de "deveria", no entanto, é


preciso perceber que ele não pode ser usado para fazer sugestões, como em frases
como: "Você deveria ir ao médico." Ao usar 「 べ き 」 , a frase soa mais como "Você
deve ir ao médico." Sendo assim, 「 べ き 」 tem um tom muito mais forte e é
normalmente definido como um sufixo que indica um tom de obrigação –
geralmente moral ou social. Em outras palavras, ao contrário de「はず」,  não há
uma expectativa de que algo aconteça, mas sim uma afirmação daquilo que o
uma expectativa de que algo aconteça, mas sim uma afirmação daquilo que o
falante julga que se deva fazer em uma determinada circunstância, com base em
argumentos lógicos ou na experiência. Seria como dizer: “Dado que você quer
dirigir, é sua obrigação (você deve) tirar carteira de motorista antes (pois isso é o
lógico, o costume). Vamos comparar duas orações:

こ の レ ポ ー ト は ひ ろ し が 書 き 直 す は す 。 = (Eu) espero que Hiroshi reescreva este


relatório.

このレポートはひろしが書き直すべき。= Hiroshi reescreverá este relatório (porque é


responsabilidade dele fazer isso).

Neste exemplo, a oração “reescrever o relatório” é ilustrada como sendo algo que o
falante julga ser obrigatório, logicamente esperado dentro do contexto desta frase.
Podemos assumir que Hiroshi seja o responsável pelos relatórios de seu
departamento na empresa, então esta tarefa não é uma coisa facultativa, mas sim
obrigatória para ele. Veja que é diferente de quando usamos 「はず」, pois com ele
estamos apenas descrevendo nossa expectativa, tornado a oração mais amena,
isto é, a tarefa de Hiroshi reescrever o relatório é esperada (com base em fatos), mas
não é necessariamente uma obrigação. Note que poderiamos até usar o significado
do advérbio que provavelmente deu origem a 「べき」, a fim de ajudar a fixar este
conceito de obrigatoriedade:

こ の レ ポ ー ト は ひ ろ し が 書 き 直 す べ き 。 = Hiroshi (certamente) reescreverá este


relatório (porque é responsabilidade dele fazer isso).

Em termos de conjugação, 「べき」 é tratado como um substantivo, portanto, veja


como ficará a forma negativa:

こ の レ ポ ー ト は ひ ろ し が 書 き 直 す べ き じ ゃ な い 。 = Hiroshi (certamente) não


reescreverá este relatório (porque não é responsabilidade dele fazer isso).

Outra possibilidade para a forma negativa é usar a base Mizenkei do conjunto Kari
「べから」em conjunto com o auxiliar clássico de negação「ず」 :

このレポートはひろしが書き直すべからず。= Hiroshi (certamente) não reescreverá


este relatório (porque não é responsabilidade dele fazer isso).

E já que mencionamos o auxiliar clássico de negação「ず」, vamos nos lembrar que


no Japonês Clássico, o verbo auxiliar 「ず」 (lição 14) era anexado à base Mizenkei de
verbos para expressar negação e continuou a ser usado para tal durante todo o
Período Kamakura. Ele tinha três conjuntos de bases (vamos nos referir a eles pela
base Ren’youkei):

Se você notou, 「 ず 」 não possui base Rentaikei, o que nos impossibilita de usá-lo
Se você notou, 「 ず 」 não possui base Rentaikei, o que nos impossibilita de usá-lo
como atributo para um substantivo. Especificamente falando das construções que
estamos abordando neste tópico, não seria possível algo como 「無視すべからず犯罪」
para “crime que (certamente) não será ignorado”. Em vez disso, podemos usar a base
Rentaikei do conjunto Zari. Então...

無視すべからず犯罪。= Crime que (certamente) não será ignorado. (INCORRETA)

無視すべからざる犯罪。= Crime que (certamente) não será ignorado. (CORRETA)

NOTA: a forma「べからぬ」 até é possível gramaticalmente falando, mas dificilmente


alguém a usará. 「べからざる」 por si só já é arcaico.

38.4. IMAGINANDO UM RESULTADO USANDO  「~そう」 

Neste tópico, vamos aprender a expressar que um resultado é provável dada uma
certa situação.  Para tanto, basta simplesmente anexar   「 そ う 」   , levando em
consideração que sua anexação segue basicamente as mesmas regras do verbo
auxiliar  「すぎる」  :

ANEXAÇÃO DE  「そう」: 

1. Para verbos, anexe  「そう」   à base Ren’youkei;

2. Para Keiyoushi, anexe  「そう」   ao Gokan (parte invariável – sem o  「い」  final);

2.1. A exceção à regra acima fica por conta de 「いい」  , que se torna  「よさ」  ;

3. Para todas as construções em que  「 な い 」    ( 無 い ) estiver presente (e somente


nestes casos), seja na forma negativa dos verbos, seja como elemento integrante nos
Keiyoushi, substitua o  「い」  final por 「さ」  antes de anexar  「そう」  .

Em termos de etimologia,  「そう」  deriva do verbo clássico e obsoleto  「さう」  ,


que tinha o mesmo sentido de   「 あ る 」   e às vezes era usado em seu lugar nas
cópulas. Devido ao fenômeno Tenko,  「さう」  tornou-se  「そう」  .

Vamos aos exemplos práticos:

バランスが崩れて、一瞬倒れそうだった。= Perdendo o equilíbrio, eu parecia propenso


a cair por um momento.

Por este exemplo, vemos que o tempo verbal é indicado pela cópula.

この辺りにありそうだけどな。= Parece que existe nesta vizinhança.

この寿司はおいしそう!= Este sushi parece ser gostoso.

これも結構よさそうだけど、やっぱり高いよね。= Este também parece ser bastante


bom, mas, como esperado, é caro, não?

これはただの試合じゃなさそうだ。= Esta não parece ser uma mera partida.


Tenha cuidado com o uso de  「そう」  com o Keiyoushi  「かわいい」  , pois 「かわい
Tenha cuidado com o uso de  「そう」  com o Keiyoushi  「かわいい」  , pois 「かわい
そう」   é uma palavra completamente diferente, usada quando você se sente triste
por algo ou alguém:

この犬はかわいそう。= Oh, pobre deste cachorro.   

 「かわいい」   já significa "parecer gracioso", então, você nunca precisará usar  「そ
う」  para dizer que alguma coisa parece graciosa:

この犬はかわいい。 = Este cachorro é (parece) gracioso.

Podemos também usar  「そう」   com Keiyoudoushi. Neste caso, basta simplesmente
anexá-lo ao Keiyoudoshi em questão, não sendo necessário alterar nada:

金髪の女が好きそうだな。= Parece que (você) gosta de mulheres loiras.

O mesmo não ocorre com substantivos. Sendo assim, a construção a seguir está
incorreta:

その人は学生そう。= Essa pessoa parece ser estudante. (INCORRETA)

Existem outros métodos já abordados que podem ser usados para indicar que algo
parece ser outra coisa:

その人は学生でしょう。= Essa pessoa provavelmente seja estudante.

Finalmente,  「 そ う 」     pode ser usado como um Keiyoudoushi para modificar um


substantivo. Observe:

おいしそうな寿司。= Sushi que parece ser gostoso.

雨が降りそうな空。= Céu que parece que vai chover.

38.5. EXPRESSANDO UM BOATO USANDO  「そう(CÓPULA)」 

Primeiramente, chamaremos este uso de  「そう」  de 「そう(cópula)」  apenas para


diferenciá-lo da gramática que vimos no tópico anterior. [ 「そう(cópula)」  ] é útil
para falar sobre coisas que não têm a ver necessariamente com aquilo que você
mesmo pensa ou sente. Ao contrário das gramáticas que aprendemos nos tópicos
anteriores, você pode simplesmente anexar 「 そ う 」   diretamente ao final dos
verbos e Keiyoushi. Para Keiyoudoushi e substantivos, entretanto, você deve indicar
o estado-de-ser adicionando  「だ」   antes de  「そう(cópula)」  . Também, perceba
que   「 そ う 」     em si deve sempre terminar com uma das cópulas. Vejamos os
exemplos:

明日、雨が降るそうだ。 = (Eu) ouvi que choverá amanhã.

毎日会いに行ったそうです。 = (Eu) ouvi que ele foi encontrar todos os dias.

Não se esqueça de adicionar  「だ」   para substantivos e Keiyoudoushi:

彼は、高校生だそうです。 = Eu ouvi que ele é um estudante de colegial.


彼は、高校生だそうです。 = Eu ouvi que ele é um estudante de colegial.

Para ficar mais clara a explicação, 「そう(cópula)」  é usado quando o falante apenas
transmite uma informação que ele obteve de alguma fonte tem sem alterá-la.

Ao iniciar uma sentença com esta gramática, é necessário também adicionar  「だ」 
 assim como se faz com  「だから」  :

AKIRA: 今日、ひろしはこないの? = Hiroshi está vindo hoje?

MAKOTO: だそうです。 = Foi isso que eu ouvi.

A razão para a existência de tantas regras estranhas de anexação para  「~そう」   é


provavelmente para distingui-lo do uso de 「そう(cópula)」  . Veja:

この辺りにありそう。= Parece que existe nesta vizinhança. (uso de  「~そう」  )

こ の 辺 り に あ る そ う だ 。 = (Eu) ouvi que existe nesta vizinhança. (uso de 「 そ


う(cópula)」  )

38.6. EXPRESSANDO UMA ESPECULAÇÃO FUNDAMENTADA OU


COMPORTAMENTO USANDO  「~らしい」 

 「らしい」   pode ser anexado diretamente aos substantivos, adjetivos ou verbos e,


em termos de conjugação,   funciona como um Keiyoushi. Ele é usado para mostrar
que as coisas aparentam ser de algum jeito devido às informações que o falante tem. 
Veja que é diferente de  「そう(cópula)」  , porque com 「 そ う (cópula)」 o falante
está  apenas repassando determinada informação recebida. Em outras palavras,
com 「らしい」, o falante indica que sua suposição está fundamentada nas coisas
que ele soube sobre o assunto, ao mesmo tempo que demonstra que não tem
certeza daquilo que está afirmando. Comparemos dois diálogos:

AKIRA:今日、ひろしはこないの? = Hiroshi não virá hoje?

MAKOTO:こないそうだ。 = Eu ouvi que (ele) não virá.

Com 「そう(cópula)」  é como se Makoto afirmasse “Foi isso extamente que ouvi: ‘ele
(Hiroshi) não virá’”.  Em outras palavras, Makoto está apenas reafirmando o que foi
dito (ou lido) anteriormente. Agora, veja o próximo diálogo:

AKIRA:今日、ひろしはこないの? = Hiroshi não virá hoje?

MAKOTO:こないらしい。 = Parece que não virá.

Neste diálogo, Makoto diz a Akira que Hiroshi não virá, por que deve ter recebido
alguma informação a respeito. Ao usar 「 ら し い 」   , Makoto indica que sua
afirmação está fundamentada em algo que ele soube previamente, entretanto, ele
não quer dar 100% de certeza, transformando-a, assim, em especulação sua. Seria
como ele dissesse: “Bem, Hiroshi não virá (pois há informações que recebi a respeito
e que me levam a crer nisso), mas não posso garantir.”. 
Outro modo de usar  「らしい」   é para indicar que uma pessoa aparenta ser certa
Outro modo de usar  「らしい」   é para indicar que uma pessoa aparenta ser certa
coisa devido ao seu comportamento:

あの子は子供らしくない。 = Esta criança não age como uma criança.

Por fim, em termos de etimologia  「らしい」  parece ter se originado de  「あら」  ,


base Mizenkei do verbo  「ある」  em conjunto com o sufixo  「し」  , tornando-se
 「らし」  , que significava algo como “existir como se…”. No Japonês Clássico,  「ら
し」  tinha um padrão de conjugação especial. Vejamos suas bases:

Ao que tudo indica,  「らし」   passou por uma evolução diferente da que estamos
acostumados traçar até chegar em sua forma atual, sendo reclassificado como
Keiyoushi com padrão Shiku de conjugação.

38.7. ESPECULANDO COM  「よう」  E 「みたい」   

Nós já abordamos um dos usos do substantivo 「よう」  e  de 「みたい」  na lição 21.


Podemos relembrar a definição de “aparência” para nos ajudar a entender a
utilização que aprenderemos neste tópico. De forma similar a  「そう」  ,  「よう」  e
 「 み た い 」   também expressam uma suposição do falante a respeito de algo, mas
com a diferença de que o falante supõe baseado em um conhecimento prévio ou
informação confiável. Por exemplo, ao ver um belo bolo, ao dizer  「おいしそう」  , o
falante está apenas supondo sem motivos plausíveis, afinal ser belo não indica
necessariamente que o bolo seja gostoso. Agora, suponhamos que você esteja numa
casa e começa a ver uma grande quantidade de fumaça pela janela. Baseado em um
conhecimento prévio (fumaça pode ser associada a fogo), é plausível se imaginar
que está havendo um incêndio, ou seja, há motivos razoáveis para se supor algo.
Então:

火事のようだ。= Parece que há um incêndio (por que a meu ver há indícios concretos
que me levam a supor isso).

Como outro exemplo, imagine que você está na sua casa e está havendo uma grande
tempestade com muitos trovões. Em dado momento, você não ouve mais o barulho
da chuva e dos trovões. Todos esses fatos concretos, levarão a supor que a
tempestade cessou. Sendo assim,

嵐はやんだようだ。= Parece que a tempestade cessou (por que hà indícios concretos


que me levam a supor isso).

Com base nisso, poderíamos dizer que  「そう」  é meramente subjetivo, enquanto
 「よう」  dá um sentido objetivo, concreto, ou seja, não se supõe apenas por supor,
 「よう」  dá um sentido objetivo, concreto, ou seja, não se supõe apenas por supor,
mas há evidências reais que levam a acreditar em algo.

Outra maneira considerada mais casual que   「 よ う 」   de expressar aparência é


através do sufixo  「みたい」  , que vem originalmente da expressão  「見たよう」  e
signifca apenas “aparentar (ser)”. Ele pode ser anexado diretamente a substantivos,
adjetivos e verbos assim como as partículas:

制服を着ている人は学生みたいです。= A pessoa que está vestindo uniforme parece ser


estudante.

 「みたい」  é usado principalmente para a conversação. Não deve usá-lo em ensaios,


artigos, ou qualquer coisa que precise soar formal. Em vez dele, você pode usar  「よ
う」   nestes casos:

制服を着ている人は学生のようです。= A pessoa que está vestindo uniforme parece ser


estudante.

Cuidado com o sentido de   「 み た い 」   . Geralmente, este sufixo implica que algo


somente tem a aparência de [X], mas não é [X]. É diferente de  「よう」  , que implica
dizer que algo tem a aparência de [X], podendo ser [X] ou não. Notou a diferença? Por
isso você não pode usar, por exemplo,   「 お い し い み た い 」   , por que significaria
dizer que a comida só tem a aparência de ser saborosa.

Bem, para tentar sintetizar as diferenças entre 「そう(cópula)」  ,  「~そう」   「~ら


しい」  e  「よう」  , observe a figura abaixo:

Observando a figura e considerando de onde se origina a suposição, podemos


resumir a diferença entre as formas estudas deste modo:

I. Apenas repassar uma informação (sem supor nada a respeito). Use   「 そ


う(CÓPULA)」  ;

II. Formular uma suposição (que se origina de informações previamente obtidas que
o levam a crer nela, mas sem ser categórico). Use  「らしい」  ;

Para exemplificar I e II, suponhamos que você tenha lido em um website a seg