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Wim Malgo

Vem a Manhã, e
Também a Noite

As profecias sobre a noite dos


tempos finais e a radiosa manhã
da volta de Jesus

Obra Missionária Chamada da Meia-Noite


Caixa Postal, 1688 - 90001 PORTO ALEGRE RS/Brasil

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Tradução do original em alemão:
“Wenn der Morgen schon kommt, so wind es doch Nacht sein”,
Publicado pela
Editora “Mitternachtsruf”,
Zurique,Suíça

Tradutor: Ingo Haake

Obra Missionária
Chamada da Meia-Noite

R Erechim, 978 - B. Nonoai


90650 - PORTO ALEGRE - RS/Brasil
Fotocomposição:
(a partir de disquetes fornecidos
Pela editora)

Impresso em oficinas próprias

ISBN: 3 85810 143 6


Número para pedidos: 19342

“Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o


noivo! Saí ao meu encontro” (Mt 25.6)

A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é uma


missão sem fins lucrativos, que crê em toda a Bíblia
como infalível e eterna Palavra de Deus (2 Pe 1.21).
Sua tarefa é alcançar todo o mundo com a
mensagem de salvação em Jesus Cristo e
aprofundar os Cristãos no conhecimento da Palavra
de Deus, preparando-os para a volta do Senhor.

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Índice

Página

Introdução .................................................................................... 4

A Crise no mundo Invisível .......................................................... 5

A Igreja de Jesus Passará pela Grande Tribulação? ................... 10

O Arrebatamento está Próximo? .................................................. 14

O Segundo da Verdade ................................................................. 19

A Hora da Verdade para Israel, as Nações e a Igreja de Jesus ... 22

A Hora da Verdade para Ti ........................................................... 24

O Que Acontecerá com os Arrebatados Após o arrebatamento ... 27

A Excitante Transformação de Israel ............................................ 33


Israel, a Estação Final ................................................................... 37

Profecia Ardentemente Atual ........................................................ 40

O Futuro dos Povos Árabes à Luz da Palavra Profética ............... 43

O Anticristo Contra o Cordeiro ...................................................... 48

Deus Não Se Cala! ........................................................................ 53

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Introdução
Tanto para Israel como para a Igreja de Jesus, vale atualmente: “Vem a manhã e também
a noite”. No que se refere a Israel, não começou raiar a manhã no ano de 1948? Seu
retorno como povo, a nova fundação do Estado...? Mas, mesmo assim, em todos os
sentidos, paira uma noite ameaçadora sobre o povo da aliança de Deus. A vontade de
Satanás, de destruir Israel, continua com o mesmo ímpeto. Sim ela até aumentou. Basta
observar o ódio crescente, não somente entre os árabes, mas também entre muitos outros
povos, através do anti-semitismo cada vez mais ousado, que em parte ainda é escondido.
Apesar disso, a manhã virá para Israel! O dia claro terá chegado com a vinda do Messias!

No mesmo ano de 1948, foi criado o Conselho Mundial de Igrejas, ou seja, o movimento
ecumênico. Para filhos de Deus, ele é uma armadilha incomparável: unidade às custas da
verdade; não somente tolerância teológica, mas um pacto com o mundo das trevas. Esse
espírito de tolerância anticristã penetra fortemente na Igreja de Jesus. As fronteiras entre o
discípulo de Jesus e o mundo são apagadas, aumenta o afastamento do Deus vivo e do
seu Filho Jesus Cristo. Mas, assim mesmo, os filhos de Deus vêem o raiar da manhã. E,
se perguntarmos com Isaías 21.11: ”... a que hora estamos da noite?”, receberemos
atualmente a resposta: “Vem a manhã, e também a noite” (v. 12). A manhã da volta de
Jesus para os Seus já está despontando, por isso a noite é agora mais escura.

Este livro pretende ser uma ajuda para manter-se firme em Jesus, que vai à nossa frente.
Em breve ele será visto como é, por todas que O esperam para a bem-aventurança.

Maranáta, vem breve,


Senhor Jesus!
Wim Malgo

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A Crise no Mundo
Invisível
Sabemos que no mundo invisível existem muito mais poderes do que no visível. Por isso,
leiamos a confissão de Paulo em 2 Coríntios 4.18: “não atentando nós nas coisas que se
vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não
vêem são eternas.”
Nessa luz, compreendemos a afirmação de Daniel 10.13 e 20,21: “Mas o príncipe do reina
da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio
para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia... E ele disse: Sabes porque eu
vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o
príncipe da Grécia . mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e
ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe.”
Temos aqui um aspecto da batalha milenar no mundo invisível. Existem, como dissemos,
muitíssimas forças e poderes que não podemos ver e há uma luta constante entre os
poderes da luz e os poderes das trevas. Essa luta constante é travada pelos corações dos
homens que andam na luz. Também neste caso há tal pessoa, um homem que ora:
Daniel! Durante vinte e um dias ele clama a Deus, e um príncipe angélico luta no mundo
invisível para chegar até ele, vencendo os poderes das trevas que lhe resistem. O espírito
Santo transmiti-nos o poder e a glória de Deus, mas às vezes nos envia os servos de
Deus, os príncipes angélicos. Está escrito, por exemplo: “O anjo do Senhor acampa-se ao
redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7), ou: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu
respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos” (Sl 91.11). Também o Novo
Testamento fala a respeito: “Não são todos eles espíritos ministradores enviados para
serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). Por essa razão, o andar na
luz é de significado decisivo. Os poderes angelicais da luz estão ao lado dos consagrados
a Deus, que experimentaram a Sua graça, lutando, protegendo, ajudando e consolando.
Quem se afasta da luz, fica sob influência dos poderes da destruição, e esses passam a
ter direito, ou seja, domínio sobre ele.
Também por Israel luta uma grande e poderosa multidão de anjos. Ela é liderada por
Miguel, que na Bíblia é repetidamente descrito como príncipe angélico de Israel (Dn 12.1 e
10.13). Depois que o anjo tinha falado a Daniel, e o havia fortalecido, antes de prosseguir,
ele disse: “Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém
há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe” (Dn 10.21). O
príncipe Miguel é, portanto, o principal combatente por Israel. Podemos supor que ele é o
mesmo príncipe de quem Deus falou a Moisés, quando Ele mesmo não quis acompanhar
o povo por causa dos seus pecados: “Enviarei o Anjo diante de ti; lançarei fora os
cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Sobe para uma
terra que mana leite e mel; eu não subirei no meio de ti, porque és povo de dura cerviz,
para que te não consuma eu no caminho” (Ex 33.2-3). E por que multidões de anjos,
liderados por Miguel, lutam por Israel? Porque, conforme Romanos 11.28, os israelitas
são, quanto à eleição, amados de Deus por causa dos patriarcas. Israel como povo é uma
prova visível da imutável fidelidade de Deus. Em outras palavras: aquilo que não vemos
de Israel, é mais forte e poderoso do que aquilo que vemos. Os árabes somente começam
a sentir algo desse poderoso exército visível de Israel, quando entram em confronto
armado com Israel. Então eles se assustam, ficam como que paralisados, e o terror de
Deus se abate sobre eles. Esse fato foi repetidamente comprovado desde a fundação do
Estado de Israel. Quem não é capaz de perceber esses poderes angelicais hoje, tem toda
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razão para temer pela sorte de Israel. Mas, nós realmente nos encontramos no estágio
inicial de Apocalipse 12.7: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra
o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos.” Eu repito: se não vemos esse
fato das poderosas multidões de anjos a favor de Israel, ficamos amedrontados. Isso já foi
assim em tempos antigos. Quando os sírios cercavam a cidade de Dotã (que
notavelmente significa “poço duplo”), o servo de Eliseu viu esse poderoso exército e está
escrito: “Tendo-se levantado muito cedo o moço do homem de Deus e saído, eis que
tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade; então o seu moço lhe disse: Ai! Meu
senhor! Que faremos?” (2Rs 6.15). O homem de Deus, o profeta, responde algo
completamente ilógico do ponto de vista matemático: “Não temas; porque mais são os que
estão conosco do que os que estão com eles” (v. 16). O servo fica admirado, ele não
consegue compreendê-lo e seu medo continua, pois ele vê somente o visível. Mas então
Eliseu ora: “Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os
olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e cavaleiros de fogo, em
redor de Eliseu” (v.17). Vemos aqui que Eliseu, o homem que andava na luz, decidiu a luta
de Israel contra os sírios pela fé. A crise no mundo invisível é vencida por homens, por
pessoas com visão, que andam na luz. Mas quem não tem essa visão de fé, também não
para sua própria vida, esse é obrigado a desanimar e ficar resignado. Também tu
sucumbirás, se não conseguir olhar além das aparências!
A fonte de poder de Paulo era que ele contava com a realidade invisível de Deus e com a
vitória de Jesus. Ele sabia dos fatos invisíveis, desses poderes angelicais, que se
apressavam em ajudá-lo. Por isso ele também diz: “não atentando nós nas coisas que se
vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não
vêem são eternas” (2 Co 4.18). E ele continua acentuando: “visto que andamos por fé, e
não pelo que vemos” (2 Co 5.7). Por isso, vamos de olhar para pessoas, circunstancias e
ameaças, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé.
A atual crise no mundo invisível aumenta em um confronto cada vez mais intenso entre os
príncipes angélicos das nações e Miguel, o príncipe angélico de Israel: “Nesse tempo se
levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do seu povo” (Dn 12.1). Como
em tempos antigos sob Daniel, quando os poderes das nações, procedentes das trevas,
nada queriam saber da restauração de Israel, também hoje todo o poder das trevas se
exalta contra o ajuntamento e a restauração de Israel. Por causa da oração de Daniel, um
príncipe angélico apressou-se a encontrá-lo, mas ele sofreu resistência durante vinte e um
dias, até que o príncipe angélico de Israel veio em sua ajuda: “Mas o príncipe do reino da
Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio
para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia” (Dn 10.13). Os mesmos
príncipes satânicos das nações querem impedir que a palavra profética seja claramente
cumprida, especialmente a profecia referente a Israel. Foi o que disse também bem o anjo
que veio a Daniel: “Agora vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos
últimos dias; porque a visão se refere a dias ainda distantes... E ele disse: Sabes porque
vim a ti?”(Dn 10.14,20ª). E então ele mesmo dá a resposta, dizendo: “... eu te declararei o
que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra
aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe” (Dn 10.21). A crise no mundo invisível torna-se
atualmente visível. Basta ler os jornais e ouvir as notícias. Verificarás que os poderes
guerreiros marcham e avançam em uma perigosa analogia dos acontecimentos.
Deixemos uma vez de lado as ameaças do Iraque; olhemos para trás e pensemos na
União Soviética! Quantas vezes ela já quis destruir Israel, pois atrás de tudo não estão
generais russos, mas exércitos das trevas, que instigam as nações contra o povo de
Israel. Em resumo: os poderes guerreiros das trevas, que estavam presos durante
milênios junto a o Eufrates, estão sendo soltos e nessa ocasião morrerá um terço da
humanidade. O Afeganistão é um exemplo para nós; em breve agora que Khomeini está
morto, os russos invadirão o Irã. Assim está escrito no último livro da Bíblia: “dizendo ao
sexto anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro anjos que se encontram atados
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junto ao grande rio Eufrates. Foram, então, soltos os quatro anjos que se achavam
preparados para a hora, o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte dos
homens” (Ap 9.14-15). Isso corresponde quase exatamente aos cálculos sobre o número
de prováveis vítimas de um confronto nuclear; e dele o mundo se aproxima hoje contra a
verdade.
Torna-se insistente a pergunta; por que toda crise no mundo invisível girava e gira em
torno de Israel? A resposta é: porque Israel, por um lado, no que se refere ao
cumprimento da palavra profética, já chegou muito próximo de Jesus, mas, por outro lado,
continua tão distante dEle. Até hoje, Israel não reconheceu que a maior crise no mundo
invisível já foi vitoriosamente encerrada em seu meio. Quando lemos Colossenses 2.15
nessa luz, entendemos muitas coisas: “despojando os principados e as potestades,
publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na luz.” Em Israel, fora dos muros
de Jerusalém, Jesus Cristo venceu a crise concentrada no mundo invisível, entre luz e
trevas, entre Deus e Satanás. E, mesmo assim, quase ninguém percebeu o que acontecia
ali na cruz do Gólgota nessas três horas de trevas. O salmista nos dá uma pequena visão,
quando Jesus fala através dele no Salmo 22: “Deus meu, Deus meu, por que me
desamparaste?” (v. 2). “Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam.
Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge” (vv. 12-13). Jesus
Cristo venceu! Ele, o Filho de Deus, que anda na luz, que é a própria luz, venceu as
trevas! Assim também tu podes superar vitoriosamente a crise que tomou conta do seu
coração, se te firmares em Jesus! A crise no mundo invisível em torno de Israel estará
solucionada no momento em que Israel conseguir olhar além das aparências, no momento
em que enxergar o próprio Jesus. “E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de
Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem
transpassaram” (Zc 12.10). Israel, como qualquer outro povo, com seus problemas
políticos, não teriam nenhum interesse para o poder das trevas no Plano de Salvação, se
não fosse sangüineamente entrelaçado com Jesus. Mas aí está o cerne da atual crise no
mundo invisível! Porque Israel e a Igreja de Jesus estão ligados, existe entre eles uma
relação orgânica, e assim ambos são uma planta em Jesus Cristo. Esses fatos nos são
ensinados claramente no Novo Testamento: “Porque, se fomos plantados juntamente com
ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6.5,
Ed. Ver. Corrigida). Portanto, se unido com Jesus, significa também ser unido com Israel.
Paulo diz na mesma epístola: “não te glories contra os ramos; porém se te gloriares, sabe
que não és tu que sustenta a raiz, mas a raiz a ti” (Rm 11.28). Com isso chegamos a um
ponto muito importante: Qual é a nossa crise? Nossa crise é a crise de Israel, pois a crise
de Israel é a nossa crise. Em outras palavras; os mesmos poderes do inferno que querem
a destruição de Israel querem também a nossa destruição. É o que quer dizer também
Pedro, quando escreve: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em
derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pe 5.8). Esses são
fatos, verdades nuas e brutais! É uma realidade, que os terroristas tentam matar e destruir
em Israel. Israel tem que vigiar dia e noite, pois o inimigo tenta sorrateiramente destruir
seu nervo vital. Assim também nós, como filhos de Deus, não podemos nos dar ao luxo de
dormir. “Ora, os que dormem, dormem de noite” (Ts 5.7ª). Tudo que acontece com o povo
de Israel, também hoje, acontece como advertência e exemplo para nós. Observa aquilo
que nunca ouve, que acontece hoje com Israel. “Porque, quem esteve no conselho do
Senhor, e viu e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a atendeu? Eis
a tempestade do Senhor! O furor saiu e um redemoinho tempestuou sobre a cabeça dos
perversos. Não se desviará a irá do Senhor, até que ele execute e cumpra os desígnios do
seu coração; nos últimos dias entendereis isso claramente” (Jr 23.18-20). O que está
acontecendo agora, também nos é predito exatamente pelo profeta Ezequiel: “Tomar-vos-
ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para vossa terra”
(Ez 36.24). Também os versículos seguintes cumprir-se-ão. Lá está escrito: “Então
aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de
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todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós
espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (vv. 25-26).
Mas, da mesma maneira como Deus cumpre sua palavra com Israel, ira, juízo e graça,
também Satanás derrama atualmente seu ódio sobre Israel e a Igreja de Deus, como
nunca antes. “Pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco
tempo lhe resta” (Ap 12.12b). Aqui temos também a resposta final, porque a Igreja de
Jesus encontra-se hoje em uma crise sem precedentes. Notemos bem: como nunca
antes! Observemos somente algumas coisas que nunca houve: nunca os cristãos foram
tão mentirosos como agora. Paulo fala que nos últimos tempos os crentes perderão o
amor à verdade (2 Ts 2.10). O cristianismo também nunca esteve tão prostituído. Tudo
gira hoje, também entre muitos cristãos, somente em torno de prazeres e sexo. Paulo diz
dos tempos terríveis nos últimos dias: “... antes amigos dos prazeres que amigos de Deus”
(2 Tm 3.4). Mas também os crentes nunca foram tão irreconhecíveis e tão difamadores,
como o apóstolo, inspirado pelo Espírito Santo, já os descreve em 2 Timótio 3.3. Dever-
se-ia estudar cuidadosamente essas três vezes seis características dos cristãos dos
tempos finais em 2 Timótio 3.1-5, pois essa é a ofensiva final do inferno, dos terroristas
infernais contra os filhos de Deus. Essa luta é a tua e a minha crise. Por um lado, o
Espírito Santo luta por ti e quer unir-te com Jesus e, por outro lado, lutam os poderes
demoníacos e atiram sua munição mortal com toda a intensidade. Por isso, no Apocalipse,
é prometido tudo aos vencedores: “O vencedor herdará estas cousas, e eu lhe serei Deus
e ele me será filho” (Ap 21.17). És um vencedor? E quem pode vencer? O Senhor Jesus o
disse muito claramente e fazendo referência ao tempo: “Aquele, porém, que perseverar
até o fim, esse será salvo” (Mt 24.13). Portanto, é preciso perseveras firmemente em
Jesus! Mas Ele diz ainda mais: “Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas
tentações” (Lc 22.28). Em outro lugar, o Senhor Jesus diz: “... na hora da provação se
desviam” (Lc 8.13b). Queres perseverar com Cristo em Suas tentações? E finalmente,
será vencedor aquele que permanecer em verdadeira obediência. “Mas aquele que
considera atentamente na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo
ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem aventurado no que realizar”
(Tg 1.25). Isso é obediência perseverante! A crise do mundo invisível é a tua crise. Torna-
te um vencedor pela graça de Deus! E Israel resultará vitorioso das suas crises milenares,
quando vir seu Messias!

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A Igreja de Jesus Passará
pela Grande Tribulação?
O cumprimento da profecia sobre a Grande Tribulação já começou com suas dores de
parto preliminares. Para o entendimento da palavra profética, é decisiva nossa atitude
interior em relação ao Senhor. Essa posição interior tem que ser sacerdotal, trata-se da
atitude de arrependimento diante de Deus pelos pecados pessoais e pelos do povo.
Quando Daniel constatou, pela leitura das Escrituras, que o exílio de Israel era somente
temporário e que a hora da libertação se aproximava, ele começou a se arrepender
(comp. Dn 9.2-3). Ele orou (v. 4), confessou o pecado e a desobediência do povo (v. 5) e
exclamou: “A ti, ó Senhor, pertence à justiça, mas a nós o corar de vergonha...” (v. 7). No
versículo 5, ele confessa: “... fomos rebeldes” e continua falando de um grave pecado de
omissão: “...não temos implorado o favor do Senhor nosso Deus...” (v. 13). E então ele
implora por misericórdia: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age;
não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são
chamados pelo teu nome.” Quando ele começou a orar dessa maneira, partiu do Senhor a
ordem para instruí-lo a respeito dos tempos vindouros (comp. vv. 20-23). Daniel recebeu
do Senhor uma terrível e ao mesmo tempo maravilhosa visão antecipada dos
acontecimentos vindouros, até à segunda ressurreição (Dn 12.2).

Como será, pois, a Grande Tribulação?


“Nesse tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e
haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que ouve nação até aquele tempo;
mas naquele tempo será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro”
(Dn 12.1). Também o Senhor Jesus diz o mesmo: “porque nesse tempo haverá grande
tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá
jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém seria salvo; mas por causa
dos escolhidos tais dias serão abreviados” (Mt 24.21-22). Por que ela será tão terrível?
Porque a Grande Tribulação é o juízo de Deus sobre Israel, sobre os povos e sobre a
cristandade. Trata-se do juízo sobre a mentira, porque Deus enviou seu Filho, o qual é a
verdade, e eles não o aceitaram. Por isso os homens aceitarão o outro, que é a mentira.
Como perspicácia profética incomparável, Paulo descreve esse fato: “Ora, o aparecimento
do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios de
mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor
da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhe manda a operação
do erro, para darem crédito a mentira, afim de serem julgados todos quantos não deram
crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça” (2 Ts 2.9-12). Os
homens crerão, portanto, no mentiroso, como se ele fosse à verdade. Eles aceitaram a
Satanás, com se o Espírito Santo falasse por meio dele. Esse tempo será tão horrível, que
será abreviado por causa dos escolhidos, pois do contrário ninguém se salvaria, diz o
Senhor Jesus (Mt 24.22). Conforme Daniel 8.14, o domínio do anticristo terá uma duração
de aproximadamente 7 anos.

1. A Grande Tribulação se concentrará inicialmente sobre Israel


Ao se referir a essa tribulação, o Senhor Jesus diz “... então, os que estiverem na Judéia
fujam para os montes” (Mt 24.16). O cerne da grande tribulação está contido na palavrinha
“quando”, que o Senhor Jesus falou: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação...”
(Mt 24.15). Como será esse abominável da desolação? Daniel 11.36 fala dele e também
Paulo escreve o seguinte a respeito: “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se

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chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus,
ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2 Ts 2.4).

2. A Grande Tribulação se estenderá


simultaneamente sobre todo o mundo
Ninguém escapará do juízo de Deus, nem os povos, nem Israel, e nem os santos (Ap
13.7). Além da coação política mundial (Ap 17.13) e da ditadura econômica generalizada
(Ap 13.17), todos os homens viventes na terra serão submetidos a uma coação religiosa
diabólica, pois ― e isso é uma parte do abominável da desolação ― o anticristo blasfema-
rá contra Deus (Ap 13.6) e exigirá adoração para si mesmo (Ap 13.4 e 15). Haverá, por-
tanto, ameaças de sedução e assassínio em âmbito mundial. Assim, podemos compreen-
der também as palavras de Jesus, de que esses dias terão que ser abreviados por causa
dos escolhidos.

A Igreja de Jesus também terá que passar por essa Tribulação?


Antes de respondermos a essa pergunta, temos que saber exatamente o que é a Igreja de
Jesus e não somente de que ela é composta. A igreja de Jesus se compõe de todos os
renascidos, dentre judeus e gentios. Ela é a representação da Escritura através de três
figuras:
― como templo de Deus o Pai (comp. Ef 2.20-22).
― como corpo de Jesus Cristo (Deus o Filho, Ef 1.23).
― como noiva do Cordeiro (preparada por Deus o Espírito Santo, Ap 19.7).
Se está dito que o anticristo se assentará no templo de Deus, isso deve ser entendido lite-
ralmente, pois ele se assentará no templo que será reconstruído em Jerusalém. Ao mês-
mo tempo, entretanto, deve-se entendê-lo também espiritualmente, isto é, ele se assenta-
rá também no templo da cristandade, porque então esse templo já estará abandonado.
Quando a Grande Tribulação irromper com toda a violência, somente existirá ainda a cãs-
ca do cristianismo, as denominações, igrejas e associações religiosas. Mas o conteúdo,
agora ainda oculto, o corpo de Jesus Cristo, Sua noiva, já estará então como templo de
Deus no Céu: ”Abriu-se, então o santuário de Deus, que se acha no céu” (Ap 11.19).
Assim, sabemos que a Igreja de Jesus não passará pela Grande Tribulação, mas terá que
ser arrebatada antes. A respeito desse fato vamos apresentar algumas razões bíblicas:
1. A Igreja de Jesus é o sal da terra. Onde há sal, é impedida a deterioração. Somente
quando se retira o sal, a podridão, a deterioração, pode espalhar-se. O domínio de Satã-
nás, na pessoa do anticristo, não pode irromper como juízo de Deus, enquanto o sal da
terra ainda estiver presente. Na oração de Abraão por Ló e pelos seus, isso nos é mostra-
do muito claramente, pois o Senhor lhe assegura repetidamente que, se encontrar quaren-
ta, trinta, vinte, sim, dez justos, poupará toda cidade por sua causa (Gn 18.23-33). Sim, no
dia seguinte o anjo até diz a ló que se apresse para ir a Zoar: “Apressa-te, refugia-te nela;
pois nada posso fazer, enquanto não tiveres chegado lá” (Gn 19.22). A Igreja de Jesus é
também a luz do mundo e, enquanto a luz ainda brilha, não pode ser completamente es-
curo.
2. Em contraste com a cristandade, a Igreja de Jesus não nega a Palavra; ela a guarda e
crê nela. “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da
hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam
sobre a terra. Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua
coroa” (Ap 3.10-11). Chama a atenção que a palavra “da” hora é no grego exatamente a
que Jesus utilizou ao dizer: “... que os guarde do mal” (Jo 17.15). Nesse aspecto, torna-se
cada vez mais nítida a divisão em nossos dias. A massa da cristandade começa a negar a

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Palavra, não se acredita mais na Bíblia. Mas a Igreja de Jesus guarda a Palavra de Deus
como um tesouro precioso.
3. por terem sido arrebatados repentinamente antes da Grande Tribulação, os membros
da Igreja de Jesus serão desesperadamente procurados e não serão encontrados, exata-
mente como foi antigamente com Enoque. Ele foi um homem solitário, mas andava com
Deus. Qual era a sua mensagem? “Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, pa-
ra exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as
obras ímpias que impiamente praticaram, e acerca de todas as palavras insolentes que
ímpios pecadores proferiram contra ele” (Jd 14-15). Mas os homens daquele tempo não
deram atenção a essas palavras e repentinamente Enoque tinha desaparecido, pois Deus
o tinha tomado para si. Em Hebreus 11.5 percebemos que se procurou por ele, mas em
vão. Quando Enoque, a luz que brilhava e o sal que salgava, tinha desaparecido, come-
çou a irromper o juízo no tempo de Noé. Enoque é a figura da Igreja de Jesus, pois foi ar-
rebatado antes do juízo, como ela o será. Noé é uma figura de Israel, pois, como rema-
nescente, foi salvo através do juízo. Por essa razão, no Novo Testamento, a Igreja de
Jesus é nitidamente separada da Grande Tribulação predita. Não está escrito: “Quando
andarmos dizendo: Paz e segurança”, mas se fala claramente do mundo perdido: “Quan-
do andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhe sobrevirá repentina destruição” (1 Ts
5.3). Em contraste Paulo exclama: “Mas, vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse
dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz, e filhos
do dia; nós não somos da noite, nem das trevas... porque Deus não nos destinou para a
ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (vv. 4-5, 9).
4. Também a seqüência em Hebreus 11 confirma o fato, de que a Igreja de Jesus será
arrebatada antes da Grande Tribulação: “Pela fé Enoque foi transladado para não ver a
morte; não foi achado, porque Deus o transladara. Pois, antes da sua transladação,
obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hb 11.5 = o arrebatamento da Igreja de
Jesus). “Pela fé Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos de acontecimentos
que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para salvação de
sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem pela fé”
(Hb 11.7 = Israel guardado durante a Grande Tribulação). “Pela fé Abraão, quando
chamado , obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu
sem saber aonde ia. Pela fé peregrinou na terra da promessa como em terra alheia,
habitando em tendas como Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa;
porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e o
edificador” (Hb 11.8-10 = a Jerusalém celestial, o reino de paz de 1000 anos de duração).
5. Enquanto a Grande Tribulação representará extremas trevas para os que ficarem na
terra, ela significará, ao mesmo tempo, a maior glória para a Igreja de Jesus, ou seja, o
arrebatamento. Profeticamente, este fato nos é apresentado muito claramente em Êxodo
14.19-20, quando a coluna de nuvens se colocou entre o exército dos egípcios e o exérci-
to de Israel. Para o lado dos egípcios, ela era escuridão, para o lado de Israel, esclarecia a
noite.
Não é impossível, entretanto, mas provável, que a Igreja de Jesus experimentará as dores
iniciais da Grande Tribulação. Do mesmo modo como Israel teve que permanecer no Egito
durante as primeiras três das dez pragas, ou seja, a transformação de água em sangue,
as rãs e os piolhos, também a Igreja de Jesus experimentará o início da Grande
Tribulação.
Em resumo, podemos dizer, portanto, que a Igreja de Jesus não terá que passar pela
Grande Tribulação, pelo juízo mundial, porque ela mesma é fruto do juízo do Gólgota. Aí,
entretanto, se distingue quem pertence realmente à Igreja de Jesus e quem não faz parte
dela: a posição com relação ao Crucificado e à cruz é decisiva!

12
O Arrebatamento Está Próximo?
Qual é, afinal, o objetivo de Deus com os acontecimentos no Oriente Médio? Qual a razão
de tamanha confusão? Por que as nações estão em rebuliço? O que Deus pretende com
isso? Somente uma coisa: A revelação do Seu Filho no mundo! Tudo visa a volta do
Senhor Jesus, pois todas as gerações da terra O verão vindo em grande poder e glória.
Por isso, a crise mundial tem sua origem no ponto central do mundo. Israel é chamado de
“povo que... habita no meio da terra” em Ezequiel 38.12.
Geográfica e espiritualmente,
Israel é ― o centro da terra
Jerusalém é ― o centro de Israel
o templo é ― o templo é o centro de Jerusalém
o Santo dos Santos é ― o centro do templo
a arca da aliança com o sangue espargido é ― o centro do Santo dos Santos, ou seja:
JESUS, o cordeiro de Deus!
A razão da crise no Oriente Médio, é que o acontecimento central do Plano de Salvação, a
revelação do Senhor Jesus, se aproxima rapidamente. Isso explica o grande ódio dos
povos, porque Satanás resiste à revelação do seu Vencedor. Devemos ter em mente o
objetivo de Deus. A respeito, podemos aprender algo dos judeus ortodoxos. Se bem que
ainda são cegos para o seu verdadeiro Messias, mas eles já afirmaram que após os
milagres das vitórias militares de Israel viria o seguinte, o Messias, que os salvaria.
Portanto, eles vêem claramente o alvo de vista. Tudo que passamos e sofremos nesta
vida, todas as lutas, têm somente um objetivo: a revelação de Jesus Cristo. O que Israel
está passando agora? Por um lado ele é desprezado, odiado, ameaçado e, por outro lado,
a glória de Jeová se manifesta cada vez mais através de Israel. Com os filhos de Deus
acontece algo semelhante do ponto de vista espiritual: “levando sempre no corpo o morrer
de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que
vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida
de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (2 Co 4.10-11). Porque Israel é o povo
terreno e nós o povo celestial do mesmo Deus, temos exatamente que passar pelas
mesmas lutas; Israel com os poderes visíveis, nós com os poderes invisíveis (Ef 6.12). O
objetivo final para ambos é a vinda de Jesus. Israel verá Àquele que transpassou e os
filhos de Deus verão Jesus como Ele é. Israel nos mostra o caminho, para nós, para a
Igreja de Jesus, ele é a coluna de nuvem que vai adiante. Conhecemos a “shechinah”, a
coluna de nuvem, do Antigo Testamento: quando a “shechinah”, na qual estava a glória do
Senhor, descia sobre a tenda da congregação, Israel tinha que acampar. Mas quando a
coluna de nuvem se levantava, também Israel tinha que prosseguir e seguí-la. Israel está
atualmente em movimentação mais do que em qualquer outra época e por isso também a
Igreja de Jesus é movimentada. Os acontecimentos no Oriente Médio nos mostram a
aproximação do arrebatamento: “Ora, ao começarem estas cousas a suceder, exultai e
erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.28).

A luta de Israel com as nações


Temos que ver claramente, que na luta de Israel com as nações não se trata somente de
algumas, mas de todas as nações, porque Israel atualmente está substituindo as nações.
Chegou o fim das nações. Elas não querem se entregar, mas são obrigadas, porque com
a guerra de 1967, com a tomada de Jerusalém por Israel, foi iniciado o fim das nações, o
fim dos gentios (comp. Lc 21.24). O Senhor dos Exércitos aniquilará os três círculos de
nações que envolvem Israel.

13
O primeiro círculo, mais apertado, é representado pelos milhões de muçulmanos, pelos
árabes, que vivem em torno de Israel. Eles estão mais próximos de Israel e também são
confrontados mais fortemente com Israel, de maneira que sua impotência se revela de
forma mais assustadora. Se observarmos os árabes e sua atual situação, vemos
exatamente o que foi dito através do profeta Ezequiel: “Portanto, assim diz o Senhor Deus:
Levantando eu a minha mão jurei que as nações que estão ao redor de vós, levem o seu
opróbrio sobre si mesmas” (Ez 36.7). Aqui não se fala do mundo como tal, mas do
opróbrio das nações em redor. Esse primeiro círculo das nações, os maometanos, já foi
decisivamente derrotado pela maravilhosa interferência de Deus. Se bem que já sofreram
várias derrotas, elas se preparam para uma nova guerra e assim sofrerão uma derrota
ainda maior.
Depois vem o círculo do meio, o segundo, que já é muito mais amplo. Sua derrota ainda
não pode ser vista tão claramente, apesar de já se revelar fortemente na política mundial.
Trata-se da Rússia com seus povos! “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza ainda contra
Gogue, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de
Rôs, de Meseque e Tubal. Far-ti-ei que ti volvas, e te conduzirei, far-ti-ei subir das bandas
do norte, e te trarei aos montes de Israel” (Ez 39.1-2). A Rússia não quer, mas o poderoso
“far-te-ei” de Deus triunfará; é o que ele já sente muito bem. Contra sua vontade, a União
Soviética será envolvida em uma guerra contra Israel, pois atrás dela vem uma sombra
escura ainda maior: um dos países que vem do lado do nascimento do sol (Ap 16.12): a
China, com seus mais de 1 bilhão de habitantes. Todos esses povos, toda a estrutura
comunista mundial, encontrará seu fim direto e indireto no juízo sobre os montes de Israel.
Além de todas as catástrofes que os inimigos de Israel enfrentarão nos montes de Israel
(terremotos, peste, fogo do céu, etc.), eles ainda acabarão brigando entre si: “Chamarei
contra eles a espada sobre todos os meus montes, diz o Senhor Deus; a espada de cada
um se voltara contra o seu próximo” (Ez 38.21). Esse será o aniquilamento do círculo
dos ímpios, porque atrás dele está o poderoso “far-te-ei” de Deus.
Os maometanos foram humilhados, os ímpios estão para serem destruídos e então virá a
terceira, a última e maior etapa: todas as nações! É preciso prestar atenção às
declarações de todos os seus líderes: as advertências dos ingleses, o jogo dúbio da
França e a indefinição dos Estados Unidos ― ninguém ousa apoiar Israel inteiramente,
pois todos pertencem ao terceiro círculo das nações. Quando o círculo ímpio do
comunismo mundial tiver caído, chegará a vez dos povos cristãos-anticristãos e todos se
reunirão contra Jerusalém (Zc 12.2-3; 14.1-9).

A decadência da sociedade
Ela é atualmente mais uma prova para vós, de que o tempo das nações se esgota
rapidamente e que o arrebatamento está próximo. A atual sociedade, como tal, é uma
grande mentira. Em nossos dias, aparentemente temos progressos em todas as áreas. A
vida fica sempre mais cômoda, mas no fundo vemos a decadência, pois a carne do
homem é insaciável. As necessidades, as exigências, ficam cada vez maiores, pois
quanto mais se tem, mais se deseja ter. A sociedade em nossas nações se encontra
diante de uma necessidade insaciável e chegou ao fim. Seus membros vivem em grande
medo, que foi predito por Jesus: “haverá homens que desmaiarão de terror e pela
expectativa das cousas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão
abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande
glória” (Lc 21.26-27). Medo da verdade ― medo de Jesus Cristo. O homem acossado não
quer a verdade da sua própria falência, representada por Deus No Crucificado. Dessa
forma, a vida se torna cada vez mais uma vida sem A Vida, ou seja, uma mentira e uma
imitação. Quanto mais o homem se afasta de Jesus, tanto maior se torna o medo, pois
Jesus está vindo! A verdade irromperá e destruirá toda a teia de mentiras. Podemos

14
observar diariamente esse medo crescendo. Muitos filhos de Deus têm que cuidar, para
que não sejam arrastados por essa psicose de medo, por não permanecerem em Jesus,
na verdade. O ritmo de vida é tal que, quando acontece algo especial na vida de uma
pessoa, logo se revela todo vácuo e ela imediatamente sucumbe. Em nossos dias, a vida
é tão sofisticada, que tudo está dependurado em uma mentira. Na economia, na política,
sim, até na família, se engana continuamente. Por quê? Porque as nações chegaram ao
seu fim. E quando essa grande mentira social terá seu fim? Por quanto tempo ainda será
mantido esse cenário enganador? Quando Jesus vier, estará aniquilado o poder de
Satanás, o poder do mentiroso!

A aliança para a formação do império mundial


Esse grande acontecimento se realizará por causa do desprezo da Nova Aliança com
Deus ― através do sangue de Jesus Cristo. “Os dez chifres que vistes são dez reis, os
quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta,
durante uma hora” (Ap 17.12). Esses dez reis ainda não receberam o reino, mas
observamos um ajuntamento cada vez maior em associações mundiais. Os povos se
unirão cada vez mais nessas organizações e no final oferecerão à besta o poder e a
autoridade que possuem, pois a única alternativa é Cristo ou o anticristo: “Pelejarão eles
contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis;
venceram também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (Ap 17.14).
Mas como será esse confronto entre Jesus, o Cordeiro, e o anticristo? Quando o profeta
Daniel interpretou o sonho de Nabucodonosor, ele viu não somente nosso tempo, como o
encontramos descrito em Apocalipse 17, mas também a pedra cortada sem o auxílio de
mãos, a volta de Jesus: “Como os dedos dos pés(eles correspondem profeticamente aos
dez reis em Apocalipse 17) eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma
parte o reino será forte, e por outro será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com
barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim
como o ferro não se mistura com o barro” (Dn 2.42-43). E então ele descreve a volta de
Jesus Cristo: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será
jamais destruído; este reino não passará a outro povo: esmiuçará e consumirá a todos
esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada
uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a pedra e o
ouro” (Dn 2.44-45ª).
Quando será isso? “... nos dias destes reis”, isto é, no tempo dos reinos que ― usando as
palavras que descrevem a estátua de Nabucodonosor ― serão uma mistura de ferro com
barro e, conseqüentemente, não terão ligação. Então o Deus do céu estabelecerá um
reino. Onde será o trono do Rei? No Oriente Médio! Isso já começa a tomar forma. Os
acontecimentos em Israel são como que a pista de pouso para a pedra que virá. Assa
pedra, que será cortada do monte sem auxílio de mãos, estabelecerá o reino sem poder
humano e sem exércitos. Ela é o Cordeiro de Deus!

Israel substitui a Igreja de Jesus como organismo de salvação


Deus voltará a estabelecer Israel como detentor do mais elevado poder político, pois,
como vimos, Jesus estabelecerá seu reino de paz a partir de Israel. Assim como Israel
substitui as nações em seu poder político, também substituirá a Igreja de Jesus dentre
judeus e gentios, como portador da salvação sobre a terra. Quando o Deus eterno agiu há
milênios através de Israel, de modo que todos os povos em redor se admiravam, ainda
não existia a Igreja de Jesus. Naquele tempo, Israel era o organismo de salvação de Deus
na terra. Depois, Israel foi rejeitado temporariamente e espalhado entre todos os povos;
assim começou a era da Igreja de Jesus. Assim, a Igreja tornou-se a portadora da

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salvação na terra. Agora, entretanto, Deus retomou com Israel o fio que havia deixado
cair, e isso de maneira muito clara. Isso significa que o nosso tempo acabou. Prossegue a
linha com os judeus, apesar de agora ainda serem cegos. “Porque não quero, irmãos, que
ignoreis este mistério, para que não sejais presumidos em vós mesmos, que veio
endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado à plenitude dos gentios” (Rm
11.25). Israel se converterá em sua totalidade. Acontece agora de modo inverso aquilo
que Jesus disse antigamente a Israel: “Portanto vos digo que o reino de Deus vos será
tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos (essa foi uma
palavra de juízo que eles não quiseram ouvir)” (Mt 21.43). “O reino de Deus vos será
tirado”, aconteceu antes da última dispersão de Israel. E o que acontecerá conosco? Nós
iremos para casa! Pedro nos diz: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação
santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Mas, aquilo que ele
diz, está sendo agora novamente atribuído a Israel.

O arrebatamento realmente está próximo?


A extrema velocidade dos acontecimentos no Oriente Médio nos diz, que diz que o
arrebatamento pode ocorrer muito rapidamente e muito em breve. O que não aconteceu
tudo durante os seis dias da guerra de 1967 em Israel! A palavra “relâmpago” foi muito
utilizada. Antigamente se diz que Hitler realizou uma guerra-relâmpago, mas os
estrategistas dizem atualmente que isso não foi nada, em comparação com o que
aconteceu em Israel durante seis dias em junho de 1967. Tudo isso tão rápido que, antes
que os egípcios pudessem entendê-lo, já tinha acontecido. A respeito, Isaias 60.22 diz
algo importante também para nós: “O mais pequeno virá a ser mil, e o mínimo uma nação
forte; eu, o Senhor, a seu tempo farei isso prontamente.” Quando o Senhor começou a
fazer algo, isso aconteceu muito rapidamente. Durante dez anos, Ele permitiu os lemas de
ódio e os atos de sabotagem dos árabes, mas em seis dias os aniquilou. Já esperamos há
muito pela vinda do Senhor. O Senhor manterá o elemento de surpresa por ocasião do
arrebatamento: “Por isso ficai vós apercebidos; porque, á hora em que não cuidais, o Filho
do homem virá” (Mt 24.44). Esse elemento de surpresa teve papel decisivo também na
Guerra dos Seis Dias. No passado, as guerras sempre começavam nas primeiras horas
da madrugada. A campanha de Hitler contra a Polônia começou em setembro de 1939, às
4:45 horas. A “blitzkrieg” (guerra-relâmpago) da Alemanha contra a Bélgica e a Holanda,
iniciou no dia dez de maio de 1940, às 5:35 horas, e os russos foram atacados pelos
alemães no dia 22 de junho de 1941, ás 3:15 horas da madrugada. Mas a guerra de Israel
contra os árabes em 1967 começou de maneira diferente. Durante cinco dias antes do
início, meia hora antes do nascimento do sol, os árabes e israelitas estiveram sempre
prontos para o início do combate. Os aviões, os tanques, tudo estava preparado. Mas,
sempre quando nascia o sol, a tensão desaparecia de ambos os lados. O general Moshe
Dayan observou esse vaivém entre prontidão para o combate e afrouxamento da tensão,
e extraiu dele uma lição. Ele se decidiu a atacar os egípcios duas horas e meia depois do
nascimento do sol, enquanto seus pilotos e soldados encarregados da defesa ante-aérea
ainda estavam tomando café. A surpresa foi completa. ― Isso deve ser uma ilustração
para nós: “por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o
Filho do homem virá.”

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O Segundo da Verdade
“Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos,
num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta” (1 Co 15.51-
52ª).
O arrebatamento, pelo qual esperamos ansiosamente e que pode acontecer a qualquer
momento, é esse segundo da verdade. No momento do arrebatamento, se revelará
instantaneamente o que havia mesmo durante nossa vida terrena. O que não existir em
nós naquele segundo, quando Jesus aparecer entre as nuvens do céu, também não
existirá depois. Por isso, a santificação real é de tão grande importância, pois o seu
resultado será revelado por ocasião do arrebatamento: “manifesta se tornará a obra de
cada um; pois o dia a demonstrará” (1 Co 3.13). “Porque importa que todos nós
compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o
mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Sem considerar que o arrebatamento
pode acontecer a qualquer momento, é também importante lembrar os sete elementos
que ele contém. Eles serão deflagrados como uma poderosa reação em cadeia, quando
se fizer ouvir a última trombeta. Trata-se de sete acontecimentos, nos quais seremos
diretamente envolvidos, porque eles já aconteceram em nós.
O primeiro elemento é a instantaneidade, o momento indivisível, em que tudo se
realizará. O Senhor Jesus virá sem qualquer anúncio anterior. Certamente seria mais
cômodo e fácil para muitos filhos de Deus, se Ele anunciasse a Sua vinda uns oito dias
antes; então seria possível ainda regularizar, colocar em ordem e pagar muitas coisas.
Mas o Senhor virá inesperadamente. Por que o Senhor Jesus virá tão repentinamente? A
resposta é: porque assim se manifestará a constante prontidão dos filhos de Deus na
terra. Ao tempo, entretanto, trata-se também do segundo da verdade, porque então, por
ocasião do repentino aparecimento do Senhor, se revelará em verdade, quem realmente
está pronto e quem não.
O segundo elemento é a transformação. ”... transformados seremos todos” (Co 15.51).
Isso significa que, por ocasião da chegada do Senhor Jesus, de maneira bem pratica, se
tornará visível o que já havia há muito no íntimo. A repentina transformação dos crentes
por ocasião do arrebatamento não será um milagre, pois nesse segundo da verdade será
manifestado um milagre que já aconteceu anteriormente. Essa é a razão da importante
pergunta: Essa transformação interior, a transformação real do seu ser, já se tornou
verdade? Naquele segundo da verdade, que pode acontecer ainda hoje, isso será
manifestado. Não é em vão que o apóstolo Paulo nos diz: “... somos transformados de
glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3.18).
“transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2). “E vos renoveis no espírito
do vosso entendimento” (Ef 4.23). Essa é a transformação antecipada, que se tornará
então visível no segundo da verdade.
O terceiro elemento do arrebatamento é a revelação do novo homem interior. “Quando
Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele,
em glória” (Cl 3.4). Uma palavra poderosa! Esse segundo da verdade revelará e mostrará
num instante, o que já nos tornamos interiormente. Há muitos filhos de Deus, que já
progrediram bastante na santificação. Eles se tornaram semelhantes a Jesus, mas ainda
têm esse tesouro em um vaso de barro. Eles não têm aparência, andam curvados, têm
rugas, mas a glória já transparece do seu ser, apesar de ainda estar encoberta. Quão
maravilhoso será, entretanto, quando Jesus se manifestar, pois então seremos revelados
com Ele em glória. Daniel escreve sobre essa revelação em glória: “Os que forem sábios,

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pois, resplandecerão, como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à
justiça, como as estrela sempre e eternamente” (Dn 12.3). Também o Senhor Jesus fala a
respeito: “Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu pai. Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 13.43). Agora ainda não vemos esse resplendor; ainda está
tudo encoberto, mas se tornará visível com a manifestação do Senhor Jesus. Paulo
também fala a respeito, ao dizer: “Uma é a glória do sol, outra a glória da lua, e outra a
das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. Pois assim
também é a ressurreição dos mortos” (1 Co 15.41-42a). Isso será glorioso! Mas em
sentido negativo, tudo será então revelado. Se o Senhor Jesus não é tua vida agora, o
que se poderá manifestar então nesse segundo da verdade? Por isso, corre para Jesus;
pois nos aproximamos rapidamente do segundo da verdade!
O quarto elemento é o cerne em si, o próprio arrebatamento. Essa retirada da terra terá
que acontecer em velocidade incrível. O que acontecerá então? Serão vencidas todas as
ligações a este mundo. Também isso será revelado no segundo da verdade, pois somente
pode ser arrebatado àquele que realmente venceu pela fé as ligações ao mundo, como
está escrito: “... esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 Jo 5.4). por isso a séria
pergunta: Tua pátria já é agora realmente no céu, como diz Paulo: “Pois a nossa pátria
está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp
3.20). Já foste realmente ressuscitado juntamente com Ele e estás agora, isto é, antes do
arrebatamento, assentado nos lugares celestiais, como diz Efésios 2.6? Torna-te
verdadeiro; torna-te agora completamente verdadeiro e deixa que a verdade te convença,
pois nos aproximamos cada vez mais do segundo da verdade inevitável! Tudo se apressa
em direção a essa manifestação!
Essa manifestação da verdade de Jesus, que é Ele mesmo a verdade, será então
completamente revelada. Nós, que andamos na verdade, esperamos confiantes e
alegremente essa manifestação com ele em glória. Por isso, João exclama: “Filhinhos,
agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e
dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 Jo 2.28). Esse “afastar-se
envergonhado na sua vinda”, acontecerá se a tua vinda de fé no fundo era uma mentira.
Por isso, desperta agora, enquanto ainda o podes.
O quinto elemento do arrebatamento chama-se reencontro. Quando o Senhor Jesus se
despediu dos seus discípulos e já estava praticamente a caminho do Gólgota, Ele falou do
reencontro: “Assim também agora vós tendes tristeza, mas outra vez vos verei; o vosso
coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar” (Jo 16.22). Mas, também
nesse caso, o segundo da verdade revelará tudo, pois somente posso rever alguém a
quem já vi anteriormente. Em outras palavras: Quando Jesus aparecer, já tenho que
conhecê-LO, como também testemunharam os discípulos Pedro e João: “vimos a sua
glória”. Eles falaram não somente do seu relacionamento com Ele durante sua vida
terrena, mas também que O tinham visto em espírito na Sua maravilhosa glória. Com
nossos olhos humanos ainda não vimos a Jesus, mas todos aqueles que chegaram ao
conhecimento próprio e ao reconhecimento do pecado e sucumbiram aos intensos golpes
da Palavra de Deus, O viram. Eles viram o Cordeiro, como diz a Bíblia: “Eis o Cordeiro de
Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.290. “A ninguém viram senão só a Jesus” (Mt
17.8). Já viste e reconheceste a Jesus nesse sentido? Já te aproximaste dEle
interiormente em mais profunda purificação, como está escrito 1 João 3.3: “E a si mesmo
se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro”? Ele diz: “outra
vez vos verei.” Esse maravilhoso reencontro acontecerá no momento da última trombeta.
Como veremos a Jesus? João diz, que O veremos como Ele é. E, ninguém de nós sabe
como Ele é, pois somente O experimentamos na medida em que cremos nEle. ”Seja feito
conforme a tua fé”! Mas Jesus mesmo, em Sua elevada pessoa, em Sua majestade, em
Sua glória, em Sua magnificência, em Sua misericórdia, em Sua onipotência e em seu

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poder vitorioso, é infinitamente maior do que podemos sequer imaginar. Nós o veremos
como Ele é!
O sexto elemento do arrebatamento é o aperfeiçoamento. Isso é expresso na frase em
que João diz que agora somos filhos de Deus, mas “ainda não se manifestou o que
havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele” (1
Jo 3.2). Esse é o aperfeiçoamento triunfal, a realização do objetivo de Deus com cada um
de nós aqui na terra, ou seja, que nos tornemos semelhantes á imagem do Seu Filho;
compare Gálatas 4.19 e 2 Coríntios 3.18.O maravilhoso, é a promessa de que o Senhor
concluirá a obra começada, pois esse aperfeiçoamento, que então já terá acontecido
interiormente, se manifestará no segundo da verdade. Freqüentemente, quando penso a
respeito, tenho a impressão de que a Igreja de Jesus, os filhos de Deus, retardam a volta
do Senhor, porque resistem ao aperfeiçoamento. Mas o Senhor tem paciência conosco e
quer que todos se arrependam.
O sétimo elemento do arrebatamento é o efeito interior, desde que estejamos andando
na verdade e subsistimos nesse poderoso segundo da verdade, isto é, a alegria indizível.
Pois Pedro o diz: ”a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas
crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1 Pe 1.8). Também o Senhor
Jesus fala a respeito: “... a vossa alegria ninguém poderá tirar” (Jo 16.22). Tu te alegras
por esse segundo da verdade, que talvez acontecerá hoje? Poderás subsistir, se tudo for
revelado, se tudo for manifestado diante do mundo? Respondes: “Não, não posso me
alegrar. Tenho medo, pois em mim nem tudo é verdadeiro, há muitas coisas obscuras.”
Então, vem agora à luz e deixa que tudo seja revelado, pois está escrito: “Se, porém,
andarmos na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu
Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).

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A hora da verdade para Israel, as
Nações e a Igreja de Jesus
“Cumpridas estas cousas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e,
levantando-os de suas ruínas, restaurá-lo-ei” (At 15.16).
Vimos com admiração e vemos atualmente diante dos nossos olhos, como o Senhor já
começou a edificar o tabernáculo caído de Davi, e isso em Israel. O centro dos
acontecimentos políticos, econômicos e militares do mundo, sim, o centro dos
acontecimentos do Plano da Salvação, transfere-se cada vez mais para Israel. Aproxima-
se cada vez mais à hora da verdade para Israel. Essa é a hora em que encontrará seu
messias e se converterá a Ele. Mas, ao mesmo tempo, aproxima-se cada vez mais a hora
da verdade para as nações. Também a ONU não pode fugir dessa hora da verdade.
Quando se lê atentamente o Salmo 68, fica-se admirado como o Senhor leva todas as
nações para essa hora da verdade. Com relação a Israel está escrito: “Reinos da terra,
cantai a Deus, salmodiai ao Senhor” (v. 32). “Tributai glória a Deus; a sua majestade está
sobre Israel e a sua fortaleza nos espaços siderais. Ó Deus, tu és tremendo nos teus
santuários; o Deus de Israel, ele dá força e poder ao povo” (vv. 34-35). Com isso,
entretanto, temos a forte comprovação de que o arrebatamento, a retirada da Igreja de
Jesus (dentre judeus e gentios), está muito próximo. O Senhor está reedificando o
tabernáculo caído de Davi. Com isso chegamos à hora da verdade para a igreja de
Jesus. O que será essa hora da verdade? Ela começará com o momento indivisível do
tempo em que Jesus a buscar para si. O que precederá essa hora? Primeiro, um grande
ajuntamento e uma grande separação: “Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a
sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira,
preparados para a perdição, afim de que também desse a conhecer as riquezas da sua
glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos
nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”
(Rm 9.22-24). É um fato abalador, mas ao mesmo tempo também glorioso, que Deus tem
vasos de irá e vasos de misericórdia. A grande separação com vistas à hora da verdade já
está agora em plena realização. Os vasos de ira são aqueles que lhe resistem. Trata-se
de pessoas que em última análise não querem aceitar a verdade para si e sempre se
camuflam e se escondem. Os vasos de misericórdia são aqueles pecadores que
experimentaram o perdão, que receberam da sua plenitude graça sobre graça, dentre
judeus e gentios.
Em segundo lugar, essa hora da verdade para a Igreja de Jesus é precedida também por
uma mensagem bem especial, ou seja, que com o arrebatamento da Igreja de Jesus,
também o Espírito Santo será retirado da terra, como antigamente no tempo de Noé. O
Senhor disse: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem” (Gn 6.3, Ed.
Ver. E Corrigida). Quando Noé tinha concluído a arca, e tinha terminado sua tarefa de
pregador, entrando com sua família na arca da salvação, também o Espírito de Deus
deixou de exortar. Também nós temos que ver claramente que o Espírito Santo está
inseparavelmente unido com a Igreja de Jesus. O Espírito Santo é até mesmo o penhor
que Deus nos deu, garantindo que seremos Sua propriedade, para nossa redenção e em
louvor da Sua glória. “... em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade,
o evangelho da nossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo
Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua
propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1.13-14). Portanto, o Espírito Santo nunca pode
ser separado dos filhos de Deus.

20
Antes de deixar seus discípulos, Jesus lhes prometeu o Espírito Santo: “E eu rogarei ao
pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito
da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o
conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14.16-17). Então o Senhor
Jesus diz algo estranho, ou seja, que o Espírito Santo, que ficará eternamente com os
crentes, não poderia vir antes dele ir para o pai: “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos
que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for,
eu vo-lo enviarei” (Jo 16.7). No próximo versículo o Senhor explica a tarefa do Espírito
Santo: “Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (v. 8). Não
é esclarecedor, que se o Senhor Jesus diz que o Espírito Santo não podia vir antes dEle
ir, Paulo, falando do sentido inverso, diz que primeiro o Espírito Santo tem que ir, antes
que Jesus possa voltar? Agora Jesus voltará em breve e levará a Igreja, e com isso
também o Espírito Santo será retirado da terra. Após a saída do Espírito Santo, o mal será
completamente revelado nessa terra. “E, agora, sabeis o que detém, para que ele seja
revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o ministério da iniqüidade já opera e
aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então será de fato
revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá,
pela manifestação de sua vinda” (2 Ts 2.6-8). Tão logo, portanto, os filhos de Deus sejam
arrebatados, também o Espírito Santo terá deixado a terra.
Agora impõe-se a grande pergunta intermediária: Se o Espírito Santo tiver sido retirado da
terra, como ainda podem converter-se tantas pessoas? Pois em Apocalipse 7.14 fala-se
de uma grande multidão, que ninguém podia enumerar: “São estes os que vêm da grande
tribulação, lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro”. A resposta é:
a palavra de Deus foi semeada durante milênios e não volta vazia. Como Consolador, o
Espírito Santo foi embora, mas sua obra continua tendo efeito. Quando voltamos
nossos olhares para Israel, constatamos que hoje, sob condições antigo-testamentárias e
contornando o cristianismo, Israel é conduzido cada vez mais ao encontro de Jesus.
Justamente a nossa geração israelense começa a despertar e a perguntar pelo messias,
principalmente a partir da guerra árabe-israelense de 1967.

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A Hora da Verdade para ti
Para ti e para mim, o arrebatamento significará a grande hora de separação. No segundo
do arrebatamento vai revelar-se quando nos deixamos desligar de tudo que é do presente.
O Senhor Jesus diz dessa separação: “Então dois estarão no campo, um será tomado, e
deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a
outra” (Mt 24.40-41). Quem causa a separação? O próprio Senhor! “Porquanto o Senhor
mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de
Deus, descerá dos céus” (1 Ts 4.16). A Edição Revista e Corrigida diz: “... o mesmo
Senhor descerá do céu com alarido...” A quem isso se dirige? A todos os comprados pelo
sangue! A morte desaparece no momento em que surge o ressuscitado, sendo que em
primeiro lugar para os mortos em Cristo e depois para nós, que vivermos e restarmos.
Então não seremos despidos, mas revestidos. Jesus aparecerá com sua palavra de
ordem, como exclamou antigamente, quando do Seu último milagre em João 11.43:
“Lázaro, vem para fora”! E Lázaro saiu do sepulcro, o morto ressuscitou. Se o
arrebatamento acontecer hoje, a palavra de ordem valerá somente para aqueles que
pertencem a Jesus, ou dormiram nEle. Do mesmo modo como naquela época somente
Lázaro ressuscitou dos mortos ― e não igualmente todos os outros mortos ― por ocasião
do arrebatamento também os filho de Deus poderão atender ao chamado de Jesus. Então
Jesus fará com que nosso corpo de humildade seja semelhante ao seu corpo de
glorificado. Por isso é muito urgente que definas agora a tua posição, para que esse
Espírito do Ressuscitado possa habitar em ti: “Se habita em vós o Espírito daquele que
ressuscitou Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os
mortos, vivificará também os nossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que em vós
habita” (Rm 8.11). Essa é uma promessa para o presente, mas também para o futuro,
pois, por ocasião da volta de Jesus, somente poderão desfazer-se do corpo mortal
aqueles que têm a vida eterna em si.
Em 1 Tessalonicenses 4.16 vemos outro ponto importante, pois o Senhor virá “ouvida a
voz do arcanjo”. Esse arcanjo, que fará ouvir sua alta voz no arrebatamento, é Miguel.
Pois, com o arrebatamento da Igreja de Jesus, começará a batalha decisiva para Israel.
Nesse momento acontecerá a terrível situação que temos descrita em Apocalipse 12. Lá
está escrito que, ao ser retirada a igreja de Jesus da terra, Satanás será lançado sobre a
mesma. Em Apocalipse 12.1-6, o povo de Israel é descrito como a mulher que é obrigada
a fugir e dar à luz um menino. Essa é a história de Israel até agora, e então: “Houve peleja
no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e
os seus anjos” (v. 7). Há sete anjos que estão continuamente diante de Deus (comp. Ap
8.2), e eles são grandes e poderosos príncipes angelicais. Um deles é Miguel (Miguel
significa: Quem é como Deus?), “um dos primeiros príncipes” (Dn 10.13). Por ocasião do
arrebatamento, Miguel se levantará para lutar por Israel, pois, então o Espírito Santo, que
ainda impede a destruição, terá sido retirado. Por isso, podemos supor que Daniel 12.1 e
1 Tessalonicenses 4.16 coincidirão. A hora da verdade se aproxima para Israel. “Nesse
tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá
tempo de angustia, qual nunca houve, desde que ouve nação até aquele tempo” (Dn
12.1). Esse acontecimento está incluído em 1 Tessalonicenses 4.16: “Porquanto o Senhor
mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de
Deus, descerá dos céus.” Será que temos ainda qualquer outra razão bíblica para
considerar que aqui se faz realmente referencia ao príncipe Miguel, que luta pelo povo de
Israel? Sim, pois a expressão “arcanjo”, utilizada aqui, aparece somente mais uma vez na
Bíblia, em Judas 9: Contudo o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava
a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo

22
contrário, disse: O Senhor te repreenda.” Miguel agirá imediatamente e lutará com os
inimigos de Israel, tão logo o Senhor vier para a Igreja.
Depois que, em virtude da palavra de ordem do Senhor e da voz do arcanjo Miguel, a
Igreja de Jesus e Israel tiverem sido separados, se ouvirá, enquanto o Senhor descer do
céu, “a trombeta de Deus”. Até onde conseguimos entender, na Bíblia há somente duas
trombetas de Deus. Se bem que são citadas muitas trombetas de anjos, pessoa e
sacerdotes, mas estas não são de forma algumas equivalentes com as trombetas de
Deus. Da mesma forma como existe um primeiro e um último Adão ― o primeiro, que
caiu em pecado, e o último, Jesus Cristo, que venceu ― encontramos na Bíblia uma
primeira e uma última trombeta de Deus. Vemos a primeira, quando foi dada a Lei do
Monte Sinai, onde Deus expressou sua Lei diante do seu povo: “Ao amanhecer do terceiro
dia houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor
de trombetas, de maneira que todo povo que estava no arraial se estremeceu. E Moisés
levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus” (Ex 19.16-17). “E o clangor da trombeta
e a aumentando cada vez mais: Moisés falava e Deus lhe respondia no trovão” (v. 19).
“Todo povo presenciou os trovões e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte
fumegante: e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe” (Ex 20.18). Mas ali
deus ajuntou o povo e firmou a antiga aliança com ele. Ele mandou dizer ao povo, que não
devia fugir nem temer, mas: “Um altar de terra me farás, e sobre eles os sacrificaras os
teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas, e os teus bois; em todo lugar
onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti, e te abençoarei” (v. 24). Já,
então, Deus apontou o caminho da reconciliação através do sacrifício substituto. Essa foi
então a primeira hora da verdade de Israel, em que se ouviu a primeira trombeta de
Deus. A última trombeta de Deus é descrita por Paulo não somente com trombeta de
Deus (1 Ts 4.16), mas como última trombeta (1 Co 15.52).
Por meio da última trombeta de Deus, é reunido o povo celestial de Deus, sendo
arrebatado ao encontro do Senhor. Mesmo que o mundo não ouça nada da palavra de
ordem do Senhor, podemos supor que ouvirá a última trombeta de Deus e levará um
grande susto, pois então começará os juízos de Deus, com estão descritos
seqüencialmente no Apocalipse: o aparecimento do anticristo, a abertura dos sete selos e
as sete trombetas. Com a última trombeta de Deus é anunciado o dia do Senhor, então
terá chegado a hora da verdade para todo o mundo. Foi o que quis dizer também
Sofonias, quando exclamou: “Está perto o grande dia do Senhor; está perto e muito se
apressa. Atenção! O dia do Senhor é amargo e nele clama até o homem poderoso. Aquele
dia é dia de indignação, dia de angústia, e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade
e negrume, dia de nuvens e densas trevas, dia de trombeta e de rebate contra as cidades
fortes e contra as torres altas. Trarei angústia sobre os homens, e eles andarão como
cegos, porque pecaram contra o Senhor” (Sf 1.14-17). Se podemos agora constatar
objetivamente que todos esses juízos se acumulam sobre o mundo, que a gigantesca
ameaça atômica aumenta cada vez mais, que o barulho de combate em torno de Israel é
cada vez maior, e os chamados pelo homem forte ficam cada vez mais altos, quão
próximo deve está o arrebatamento da igreja de Jesus! E mais uma vez, por favor,
observa que está dito: “Cumprirás estas cousas...” “Cumprirás estas cousas, voltarei e
reedificarei o tabernáculo de Davi; e, levantando-os de suas ruínas, restaurá-lo-ei” (At
15.16). Lembremos o seguinte: “estas cousas” já começaram a se cumprir, pois o Senhor
já começou a edificar o tabernáculo caído de Davi diante dos olhos de todo povo. Mas se
ele já começou edificação, isso significa que a plenitude dos gentios não está mais
distante. Nosso Deus não começa algo “novo” no Plano de Salvação, enquanto não
completar “estas cousas”.

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O que Acontecerá Com os
Arrebatados Após o Arrebatamento?
“Depois destas cousas olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a
primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te
mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas. Imediatamente eu me achei em
espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado; e esse que se acha
assentado é semelhante no aspecto à pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do trono a
um arco-íris semelhante no aspecto a esmeralda. Ao redor do trono há também vinte e
quatro tronos e assentados neles vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas
cabeças estão coroas de ouro. Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do
trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. Há diante do trono
um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também no meio do trono, e à volta
do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O primeiro ser
vivente é semelhante a leão, o segundo semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto com
de homem, e o quarto ser vivente é semelhante a águia quando está voando. E os quatro
seres viventes, tendo cada um deles respectivamente seis asas, estão cheio de olhos, ao
redor e por dentro; não têm descanso nem de dia nem de noite, proclamando: Santo,
Santo, Santo é o Senhor Deus, o todo poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.
Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra
sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos, e depositarão as suas
coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a
glória, a honra e o poder, porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa da tua
vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.1-11).
Através dessas palavras proféticas no quarto capítulo do Apocalipse, obtivemos uma visão
do céu. Além disso, com relação ao arrebatamento, o Senhor deu aos seus discípulos
uma tríplice garantia: “E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para
mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também” (Jo 14.3). A primeira garantia
é, que o Senhor era preparar lugar. Em segundo lugar, Ele diz que voltará. E, em terceiro
lugar, “vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também”.
Que lugar é esse, que o Senhor preparou? Ele diz a respeito: “ Na casa de meu pai há
muitas moradas” ( Jo 14.2). Lá estaremos então com Jesus, e isso é algo grandioso, pois,
onde Jesus está, há inimaginável e indescritível glória.
Por que, afinal, nos ocupamos com a questão, sobre o que acontecerá com os
arrebatados após o arrebatamento? Porque é muito provável que pertenceremos aos
crentes que estarão vivos e restarão até a vinda do Senhor. “Eis que vos digo um mistério:
nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e
fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15.51-52). Se bem que os mortos em
Cristo estão no paraíso, eles ainda não têm a completa bem-aventurança. Eles somente a
receberão por ocasião da primeira ressurreição. Por isso está escrito em 1
Tessalonicenses 4.16-17: “ porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem,
ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos
em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nos os vivos, os que ficarmos, seremos
arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e
assim estaremos para sempre com o Senhor.”

24
As bodas do Cordeiro
“Então ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas, e como de
fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso.
Alegremo-nos, exultemos, e demos-lhe a glória, porque são chegadas às bodas do
Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou” (Ap 19.6-7). Nós, como igreja de Jesus, e
dizemos isso em sagrada reverência, estamos comprometidos para o casamento; mas, de
forma diferente do que ocorre com um casal humano, as atenções não estão
concentradas sobre nós. Quando chega o dia de um casamento humano, quem se
encontra no centro das atenções? Durante o casamento, alguém olha para o noivo? Não,
todos os olhos estão voltados para a noiva. No céu acontecerá o contrário: todas as
atenções estarão voltadas para o Noivo, que estará nos levando para casa. Podemos
dizer atualmente: a data do casamento não está mais distante. No céu, o Cordeiro estará
em primeiro lugar e a esposa, a noiva, ocupará o segundo lugar. É o que vemos também
em Apocalipse 12.10-11: “Então ouvi grande vós do seu proclamando: Agora veio a
salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o
acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusava de dia, e de noite, diante do nosso
Deus. Eles, pois o venceram por causa do sangue do Cordeiro”. Também aqui vemos o
mesmo: o Cordeiro de Deus ocupa o primeiro lugar! O início do reino anticristão, que está
sendo descrito aqui, é o sinal para as bodas celestiais. O arrebatamento, portanto, está
próximo! Quanto mais nos aproximamos desse grande acontecimento, tanto mais ficam as
provações. Isso não faz mal, pois após esse sofrimento virá a grande glória com o Senhor.

A visão do céu conforme Apocalipse 4


No quarto capítulo do Apocalipse, nos é relatado o que acontecerá imediatamente após o
arrebatamento com os arrebatados. Os primeiros três capítulos falaram sobre a Igreja na
terra e sobre as tarefas que ela tem aqui. O capítulo 4, entretanto, começa com as
palavras: “Depois destas cousas olhei, e eis...” João experimentou, por assim dizer, um
“arrebatamento antecipado”, uma demonstração daquilo que toda Igreja de Jesus
experimentará. Está escrito: “Depois destas cousas olhei, e eis não somente uma porta
aberta no céu, como também a primeira vós que ouvi, como de trombeta (essa é
exatamente a mesma voz que será ouvida com a última trombeta) ao falar comigo,
dizendo: sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas cousas” (Ap
4.1). Então João prossegue: “Imediatamente eu me achei em espírito” (v.2). Ele se achou
em espírito, isto é, ele já estava no céu. Observemos: “em espírito”, pois carne e sangue
não podem herdar o reino dos céus. A maioria das pessoas não consegue compreender
esse quarto capítulo. Elas não entendem as coisas que são aqui citadas: as coroas, os
anciãos, o trono, os relâmpagos e trovões. Qual a razão? É que elas se acham
insuficientemente em espírito! Quanto mais andarmos em espírito, tanto mais
aumentaremos em compreensão e entendimento e nossa visão ficará novamente clara
para as coisas celestiais.
A primeira coisa que se torna visível diante dos olhos de João após o arrebatamento, é o
trono de Deus. Esse trono é o centro da glória e de todos os juízos, pois dele saem
trovões, relâmpagos e vozes. Ao mesmo tempo, o arrebatado João vê a glória e santidade
de Deus. “E esse que se acha assentado é semelhante no aspecto a pedra de jaspe e de
sardônio (sabemos que essas são as mais belas pedras preciosas de Eretz Israel), e ao
redor do trono há um arco-íris semelhante no aspecto a esmeralda” (v. 3). Também nós
veremos em primeiro lugar a glória de Deus após o arrebatamento. Não podemos
descrevê-la em figuras e palavras humanas. Trata-se, porém, da sexta bem-aventurança:
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). No momento em
que virmos a Deus, tudo se aquietara em nós. Pois quando vejo a Deus, vejo a origem de
toda vida, de todo anseio de toda glória e de todo desejo. Por isso também Davi exclama;
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“quando acordar eu me satisfarei com a tua semelhança” (Sl 17.15). A verdadeira glória de
Deus somente nos é revelada e manifestada através do Cordeiro de Deus. Por isso,
também está dito: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem
claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21.23).
Aquele que aqui na terra era motivo de vergonha, diante de quem os homens meneavam
a cabeça, fechavam os olhos, zombavam e se afastavam, será O mais glorioso no céu.
Esse homem do Gólgota, que esteve ali dependurado cheio de dores e zombaria no
madeiro maldito, representará a glória de Deus por toda a eternidade. Não se pode
compreender isso racionalmente, e por isso são tolas as pessoas que querem analisar a
Bíblia e a palavra profética com seus raciocínios. Somente o Espírito de Deus pode nos
revelar essa glória. Nós a veremos imediatamente após o arrebatamento, quando
estivermos diante do trono e do cordeiro. “Havemos de vê-lo como ele é” (1 Jo 3.20.
Após termos visto o Cordeiro, vamos nos ocupar com a noiva. “Ao redor do trono há
também vinte quatro tronos e assentados neles vinte quatro anciãos vestidos de branco,
em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Ap 4.4). Podemos ver aqui uma séptupla
glorificação da Igreja de Jesus:
Primeiro, com relação à sua posição. Em volta do trono, que tudo domina, sobre o qual
estão assentados Deus e o Cordeiro, encontram-se vinte e quatro tronos, ocupados pelos
vinte e quatro anciãos. Esses anciãos participam agora do governo e ali se revela nossa
posição com relação à vitória em que cremos. Agora, isto é, quando estivermos
assentados com Ele no trono, trata-se da vitória glorificada. Ali poderei descansar das
minhas obras, sabendo: tudo está consumado, passei do Crer para o Ver.
Em segundo lugar, também o número é aqui um aspecto da glorificação da Igreja de
Jesus. Quantos tronos e anciãos há? Vinte e quatro. Quem são realmente estes vinte
quatro anciãos? Quando pensamos a respeito, vemos que não podem ser somente vinte
quatro pessoas, pois testemunham: “e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de
tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste
para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Devem ser,
portanto, muito mais do que vinte quatro pessoas. Encontramos uma indicação profética
disso em 1 Crônicas 24.18, onde temos o relato dos vinte e quatro turnos sacerdotais.
Vinte e quatro realizavam o ministério, mas 1 Crônicas 23.4 nos diz o seguinte: “Destes
haviam vinte quatro mil, para superintenderem a obra da casa do Senhor”. Os vinte quatro
eram somente representantes da grande massa. Cremos que também os vinte e quatro
anciãos não são anjos, apesar deles também serem citados aqui. Enquanto os anciãos
estão assentados próximo do trono, num círculo mais amplo há milhões de anjos. “Vi, e
ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo
era de milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11).
Em terceiro lugar, vamos nos perguntar, por que os vinte e quatro, os muitos milhões, são
chamados de anciãos. Será porque são idosos? Não, trata-se de um maravilhoso
segredo. Eles não são anciãos por serem dignitários, pelo contrário: eles são dignitários
por serem anciãos. Eles são os primogênitos dentre os mortos, eles já passaram pela
primeira ressurreição. Na Epístola aos Hebreus está escrito: “Mas tendes chegado ao
monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de
anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos” (Hb 12.22-23). Poderíamos
também dizer, “à igreja dos anciãos”. Como filhos de Deus, temos o direito de
primogenitura, e é importante que não o desprezemos. “Conserva o que tens, para que
ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11). Rúben foi o primogênito de Jacó. Ele desperdiçou
seus direitos de primogenitura, porque sucumbiu ao prazer da carne (comp 1 Cr 5.1-2). O
primogênito de Isaque foi Esaú. Também ele desprezou seu direito de primogenitura
(literalmente está dito: ele o perdeu), que passou para Jacó. Como crentes, temos aqui na
terra o direito de primogenitura, a dupla herança. É, pois, da maior importância, que
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preservemos o que recebemos pela graça, para que, uma vez na igreja dos primogênitos,
dos anciãos, vejamos a Jesus.
Como quarto aspecto da glorificação após o arrebatamento, vamos analisar as vestes.
“... há também vinte e quatro tronos e assentados neles vinte quatro anciãos vestidos de
branco” (Ap 4.4). Que significado tem as vestes brancas? Elas devem ser muito
importantes na glória, pois se destinam somente a vencedores. Somente aqueles que aqui
na terra venceram o poder do inimigo e do pecado, receberão essas vestes. “O vencedor
será assim vestido de vestiduras brancas” (Ap 3.5). Quando o Senhor Jesus ainda falou a
Igreja terrena, Ele a advertiu, dizendo: “Assim, porque és morno, e nem és quente nem
frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Ap 3.16). E Ele lhe fez então uma
importante recomendação: “Aconselho-te que compres ouro refinado pelo fogo para te
enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a
vergonha da tua nudez” (v. 18). Na essência, as vestes brancas são o resultado glorificado
do sangue de Jesus. “... lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro”
(Ap 7.14). E assim seremos então sacerdotes diante do Senhor, orando diante do seu
trono. Na terra começará então a Grande Tribulação e trovões, relâmpagos e vozes sairão
do trono. São anciãos, a igreja de Jesus, que estão orando. E o efeito visível dessas
orações são relâmpagos, trovões e vozes.
O quinto ponto da glorificação dos filhos de Deus após o arrebatamento, é a honra que
recebem. “... em cujas cabeças estão coroas de ouro” (A p 4.4). Do ponto de vista
humano, isso não significa muito, mas no céu é algo indescritivelmente glorioso. Trata-se
do encerramento triunfal e da realização das variadas promessas. O Senhor que nos dar a
coroa da justiça (2 Tm 4.8); a coroa incorruptível (1 Co 9.25). Como resultado da
aprovação nas provações, Ele também nos dará a coroa da vida. “Bem-aventurado o
homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado,
receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1.12).
Em sexto lugar, após o arrebatamento espera-nos a realização, isto é, a realização
através do juízo. No quarto capítulo do Apocalipse, vemos o juízo já realizado.
Anteriormente já aconteceu algo, que não é citado aqui. Outras passagens bíblicas,
entretanto, falam de maneira clara a respeito, pois as palavras do Senhor às Igrejas bem
mostram que o juízo é necessário (Ap 2 e 3). Em Apocalipse 4, nos é apresentada a
jurisdição de Deus: “Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem
sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus” (v. 5). Sete é o número da
plenitude, o que todo penetra, o que convence de tudo ― tudo tem que ser manifesto. “...
e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás” (v. 6).
Quem são os quatro seres viventes? Esses quatro seres são somente uma expressão da
glória de Deus e do Cordeiro. Cada um dos quatro seres, mostra uma característica do
Senhor Jesus: “O primeiro ser vivente é semelhante a leão” (v. 7). O leão de Judá, que
venceu. “... o segundo semelhante a novilho”. Deus entregou sua força e poder em
sacrifício, o Cordeiro de Deus. “o terceiro tem o rosto como de homem”. Deus mesmo, que
se tornou homem. E o quarto ser vivente é comparado com uma “... águia quando está
voando”, que conquistou o céu e se assentou à direita de Deus. Esses quatro seres
viventes têm olhos por todos os lados: “cheios de olhos por diante e por detrás.” No
versículo 8 nós o lemos mais uma vez: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles
respectivamente seis asa, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso
nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-
poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.” Aqui se revela o ser de Deus. Anuncia-
se que o Senhor é santo. Esses olhos, que representam a jurisdição de Deus, diante dos
quis nada pode mais ficar oculto, estão em todos os lugares. Diante dela ficaremos muito
assustados após o arrebatamento, pois ela nos enfrentará com grande poder. Nesse
ponto, ainda queremos frisar claramente: seremos julgados e não condenado! Toda a

27
nossa vida será julgada através do fogo, será realizado o julgamento do galardão: “Porque
importa que todos nos compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um
receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). “Porque
ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo
(ninguém pode ser salvo, a não ser por Jesus Cristo). Contudo, se o que alguém edifica
sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se
tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelado pelo
fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará” (1 Co 3.11-13). Ninguém
poderá escapar desta jurisdição de Deus. Após esse julgamento, após esse processo,
restará somente o essencial. O que é o essencial no céu? Deus não nos deixa ver mais
nada do pecado. Em Apocalipse 4 se vê somente ainda as vestes brancas, as coroas de
ouro, os tronos e a glória; todo o resto queimou. Se o julgamento consumidor passar sobre
tua vida, o que restará? No caso de muitos, o essencial será algo muito reduzido, porque
não foram vencedores aqui na terra.
O sétimo ponto da glorificação após o arrebatamento é o objetivo final, ou seja, Ele,
somente Ele. A noiva purificada, limpa e julgada, ajoelha-se diante dEle. A jurisdição de
Deus a precede. “Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graça ao
que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e
quatro anciãos prostar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adoração
ao que vive pelos séculos dos séculos, e depositaram suas coroas diante do trono,
proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder,
porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram
criadas” (Ap 4.9-11). Em outras palavras: eles não querem mais nada para si, tudo que lhe
interessa é ELE! Esse também é, como já dissemos, o objetivo final do arrebatamento,
para que Ele seja tudo em todos e nós nos prostremos diante dEle e lhe devolvamos até a
honra com que nos honrou. Então será verdade: não eu, mas somente ELE! E isso o
Senhor já nos ensina aqui, para que nos disponhamos a testemunhar com Paulo: “já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim... Estou crucificado com Cristo” (Gl 2.20,19)! É
o que devemos cumprir agora, para que depois sejamos capazes de depositar nossas
coroas diante do trono e de nos prostrar diante da Sua face. Veremos Jesus, como Ele é,
somente a Ele!
Como nós, que estamos lendo isso, ainda aguardamos a volta do Senhor, ainda nos
encontramos na terra, vamos nos voltar mais uma vez para o organismo de salvação de
Deus sobre a terra, que novamente se destaca: Israel!

28
A Excitante Transformação de Israel
“Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de
pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que
andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36.26-27).
A transformação de Israel está ancorada na eterna palavra de Deus. O Senhor disse
varias vezes em Ezequiel 36: “... voltar-me-ei para vós outros” (v. 9). “Multiplicarei homens
sobre vós, a toda casa de Israel” (v. 10). “Tomar-vos-ei de entre as nações” (v. 24). Na
expressa e repetida declaração da Sua vontade, o Senhor também promete a
transformação do coração do povo. Essa promessa de Deus é o fundamento. Em primeiro
lugar, é visível uma transformação exclusivamente exterior diante de todo o mundo. No
decorrer das últimas décadas, o povo judeu transformou uma transformação evidente.
Atualmente, um israelita é algo bem diferente aos olhos do mundo do que há algumas
décadas. Antigamente chamava-se os judeus de espertos, preguiçosos, bons
comerciantes e maus soldados. Agora essa imagem foi completamente transformada.
Trata-se de um povo de heróis, trabalhador com as abelhas, em resumo, contra a
vontade, o mundo está cheio de louvor para Israel. Essa transformação da imagem
exterior de Israel é um fato inegável. Mas com vistas ao que virá, ela ainda não é o
essencial. Para aquilo que está para acontecer, é importante a transformação interior de
Israel, e por isso precisamos conhecer o objetivo de Deus com esse povo. O Senhor o
revelou freqüente e claramente a Abraão: “Sê tu uma benção... em tu serão benditas
todas as famílias da terra” (Gn 12.2-3). “... certamente virá a ser uma grande e poderosa
nação, e nele (Abraão) serão benditas todas as nações da terra” (Gn 18.18). “... nela (na
descendência de Abraão) serão benditas todas as nações da terra” (Gn 22.18). Vê-se o
desejo de Deus, de abençoar decisivamente os povos através de Israel. Deus é grande e
misericordioso, pois quando o homem não queria deixar-se abençoar, afastou-se dEle e O
rejeitou, Ele escolheu um povo para si, Israel, através do qual podia abençoar os povos,
que não queriam deixar-se abençoar. Ele devia relevar a verdade, a verdade de Deus. A
mais alta preocupação por ocasião da escolha de Israel foi a veracidade. O Senhor disse
a Abraão: “... anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1). Esse era o poder de
Abraão e por isso sua fé cresceu. Ele queria aceitar a verdade, e a palavra de Deus diz:
“... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Abraão aceitou a verdade sobre si
mesmo, quando seu corpo já estava amortecido, ele não tinha mais esperança e era ímpio
em seu ser. Mas ele aceitou também a verdade de Deus. Ele creu e esperou em Deus, e
isso lhe foi imputado para justiça. A Israel, Deus confiou sua Palavra, Sua verdade (Rm
3.2). Davi exclamou: “As tuas palavras são em tudo verdade” (Sl 119.160), e o Senhor
Jesus orou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17)! Mas no
decorrer dos séculos, houve profundo revezes e terríveis juízos sobre esse povo
escolhido, porque afastou-se da verdade, realidade e santidade de Deus. Quem pode
permanecer na presença do Senhor? Já o salmista fez essa pergunta: “Quem, Senhor,
habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” E a resposta: “O
que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala verdade; o que não
difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu visinho” (Sl
15.1-3). Pode ser que tudo que dizes e tudo que fazes parece bom, mas o que importa é
se és verdadeiro de coração! A queixa de Deus sobre seu povo era: “esse povo honra-me
com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8). Mesmo assim, Deus não
abandonou seu povo, porque Ele mesmo é verdadeiro. Ele não pode negar-se a Si
mesmo. Ele guardou esse povo através do juízo. No Salmo 89 está escrito de forma tão
comovente: “A minha fidelidade e a minha bondade o hão de acompanhar, e em meu
nome crescerá o seu poder. Porei a sua mão sobre o mar, e a sua direita sobre os rios.

29
Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Fá-lo-
ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra. Conservar-lhe-ei para
sempre a minha graça e firme com ele a minha aliança... Não violarei a minha aliança,
nem modificarei o que os meus lábios proferiram” (vv. 24-28,34). Tão fiel Deus é! Israel foi
purificado através de juízos, até que na plenitude do tempo pudesse receber a Verdade
em seu meio: Jesus! O poder de convecção que procedia do Senhor Jesus, consistia do
seu caráter. Seu caráter é a Verdade. Por isso, pecadores e pecadoras sucumbiam diante
dEle. E então Ele foi para o calvário, onde representou na cruz toda verdade do teu e do
meu caráter. Essa verdade revelou tua desesperada perdição e ao mesmo tempo a maior
invenção de Deus, pois nosso Deus obteve uma eterna redenção (Hb 9.12). Trata-se de
uma redenção completa, pois realmente é a verdade, que lá na cruz do calvário o Filho de
Deus e filho de Israel tirou o pecado do mundo. Essa é a completa verdade do Amor,
santidade e justiça de Deus, que se manifestou em Israel. Que povo abençoado e
preferido, em cujo meio isso aconteceu!
Israel mesmo, o povo que teve a Verdade em seu meio, não pôde reconhecer essa
Verdade, Jesus. A respeito, Paulo escreveu à Igreja em Roma: “Irmãos, a boa vontade do
meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos.porque lhes
dou testemunho de que eles tem selo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto,
desconhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se
sujeitaram à que vem de Deus” (Rm 10.1-3). E em Romanos 10.19 Paulo pergunta: “...
não terá chegado isso ao conhecimento de Israel?” E a indizível e incompreensível
tragédia de Israel nos é descrita da seguinte maneira: “E Isaías a mais se atreve, e diz: Fui
achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim.
Quanto a Israel, porém, diz: Todo dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente”
(Rm 10.20-21). Apesar disso, Israel procurava a verdade: “que diremos, pois? O que Israel
busca isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como
está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para
não ouvir, até ao dia de hoje” (Rm 11.7-8). Justamente por causa desse fato, o Senhor
Jesus chorou amargamente: “Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou, dizia: Ah! Se
conheceras por ti mesma ainda hoje o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto a
teus olhos” (Lc 19. 41-42). Por que isso estava oculto aos seus olhos? Romanos 11.11
nos dá a clara resposta: “Pergunto, pois: porventura tropeçaram para que caíssem?” Não!
Paulo prossegue: “De modo nenhum,; mas pela sua transgressão veio a salvação aos
gentios, para pô-los em ciúmes.” Isso é grandioso e incompreensível, que Israel o povo
que tinha a verdade, em cujo o meio nasceu a Verdade, o Filho de Deus, não a
reconheceu por nossa causa. Pois o que somos nós, os cristãos gentios? Conforme
Romanos 11, nós éramos a oliveira brava, à qual não se dá valor, e fomos enxertados na
oliveira nobre, Israel: “Se, porém, alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira
brava, foste enxertado no meio deles, e te tornaste participante da raiz e da seiva da
oliveira” (Rm 11.17). Esse é um fato maravilhoso! Nós nos tornamos participante da seiva
― que é a palavra viva ― dessa oliveira nobre, plantada por Deus, cuja raiz é o próprio
Jesus, pois “a salvação vem dos Judeus”. Paulo, volta-se, então, qualquer anti-semitismo
cristão: “não te glories contra os ramos; porém se te gloriares, sabe que não és tu que
sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Rm 11.18). Em outras palavras: Nossa salvação
procede de Israel. Por isso, temos sagrado respeito diante da alta vocação de Israel
e em grande amor por esse povo, através do qual Deus nos deu a palavra, nos deu
Jesus Cristo. Deve-se observar que Paulo acentua expressamente: “Dirijo-me a vós
outros, que sois gentios” (Rm 11.13), de modo que também 11.24 é uma clara indicação é
uma clara primazia: “Pois se foste cortado da que, por natureza, era oliveira brava, e
contra a natureza enxertado em boa oliveira, quanto mais não serão enxertados quanto
mais não serão enxertados na sua própria oliveira aqueles que são ramos naturais!” Se,
portanto, fomos cortados da oliveira, que era brava por natureza, e contra a natureza
fomos enxertados na boa oliveira, quanto mais os ramos naturais ― Israel ― serão
30
enxertados em sua própria oliveira! Se dizemos que Israel ainda é cego e ainda é inimigo
da fé em Jesus, então isso procede, mas por quê? Resposta: “quanto ao Evangelho, são
eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos
patriarcas” (Rm 11.28). Paulo previu profeticamente a excitante transformação de Israel:
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais presumidos em
vós mesmos, que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude
dos gentios” (Rm 11.25). Que isso é um fato, vemos hoje de maneira maravilhosa, pois
aos poucos a cegueira e o endurecimento começam a desaparecer de Israel. ― Bem
entendido: sem atividade missionária cristã! A oliveira nobre, da qual acabamos de ler,
cresce novamente em Israel. Parece quase simbólico, que atualmente milhões e milhões
de árvores estão sendo plantadas na terra seca de Israel, pois assim o povo aproxima-se
interiormente cada vez mais da sua raiz natural: Jesus! Isso torna-se atualmente visível
em Israel!
Por que Israel se transforma? Porque o rio da misericórdia de Deus, que já durante quase
dois milênios derramou-se sobre os gentios por causa da incredulidade de Israel, começa
agora a secar lentamente e a voltar-se para Israel. “Porque assim como vós também
outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia à vista da
desobediência deles...” (Rm 11.30). Essa incredulidade começa a desaparecer em Israel
(v. 31). Agora está para acontecer o cumprimento de Ezequiel 36.26-27: “Dar-vos-ei
coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos
darei coração de carne. Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus
estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.”
Por isso a evangelização se torna cada vez mais difícil em nossos países. Nossa tarefa
consiste em recolher os últimos dentre os gentios, que deve ser salvo, muito, muito em
breve será alcançado. Deus fez tudo. Ele revelou-se a Si mesmo através de Israel com o
Deus único. Ele lhes confiou a lei e revelou Sua vontade, mostrando-se assim a completa
incapacidade do homem. O homem era incapaz de fazer a Sua vontade. Quando isso
ficou demonstrado, através de Israel Ele revelou seu Filho, Jesus Cristo, que realizou na
cruz do calvário aquilo que tu e eu não podíamos realizar. “Porquanto o que fora
impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio
Filho em semelhança de carne pecaminoso e no tocante ao pecado; e, com efeito,
condenou Deus, na carne, o pecado” (Rm 8.3). Então Ele fez anunciar essa maravilhosa
mensagem durante dois mil anos em todo o mundo, mas agora o círculo fecha-se
novamente. Agora Ele revela-se novamente diante de todo mundo através de Seu povo.
Em seu país, Seu povo é transformado para se aproximar de Jesus. Em breve Ele virá!
Toma posse da vida eterna, enquanto ainda puderes! Sim, leste bem: enquanto ainda
puderes, pois o fato de Deus voltar-se para Israel é um indiscutível sinal de alerta, de que
o tempo da graça para os gentios em breve terá chegado ao fim.

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Israel, a Estação Final
“Não temas, pois, servo meu Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; pois és que ti
livrarei das terras de longe, e à tua descendência da terra do exílio; Jacó voltará, e ficará
tranqüilo e em sossego; e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o
Senhor, para salvar-te; por isso darei cabo de todas as nações” (Jr 30.10-11ª).
Israel! Não podemos explicar esse povo, não podemos analisar sua existência e o fato de
ter sido preservado durante milênio; pois Israel é o povo de Deus! A História Mundial é
somente um meio para a realização do Plano de Salvação. Mas o plano da salvação foi e
é executado por Deus somente através de Israel, pois a salvação vem dos judeus! Israel!
O ódio, o ódio milenar contra Israel, é chamado de anti-semitismo. Já este fato é uma
prova de que Israel é bem diferente de todos os outros povos. O Senhor expressou isso
de maneira bem clara: “Agora, pois, se diligentemente ouvires a minha voz, e guardardes
a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos: porque
toda terra é minha” (Ex 19.5). O mistério final da escolha de Israel é o inescrutável amor
de Deus, que nunca pode ser explicado racional ou logicamente. Mas o Senhor diz;
“Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus: o Senhor teu Deus te escolheu, para que
lhe fosses povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o Senhor
afeição, nem vos escolheu, porque fosseis mais numerosos do que qualquer povo, pois
éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava” (Dt 7.6-8a). Aqui
temos o profundo mistério de Israel.
Israel, a estação final! Os povos estão literalmente dominados por um espírito de
agitação. A impressão que se tem, é como quando se chega no fim de uma viagem e se
ordena: “Todos devem desembarcar”, havendo grande inquietação e movimentação entre
os viajantes. Essa é exatamente a situação e a disposição de espírito no mundo atual e
também na ONU. Por que não se consegue avançar, por que a política mundial está
estagnada e chegou à sua estação final? Por causa de Israel! Todos gritam “não” para
esse povo ― mas Deus diz “sim”. Em Isaías 61.6 está escrito: “comereis as riquezas das
nações, e na sua glória vos gloriareis.” A dependência, a determinação da política mundial
por esse “vermezinho de Jacó”, eleva o ódio de certos estadistas ao extremo. Mas,
mesmo assim, deus apóia o seu povo: “Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para salvar-
te; por isso darei cabo de todas as nações entre as quais te espalhei; de ti, porém, não
darei cabo, mas castigar-te-ei em justa medida, e de todo não te inocentarei” (Jr 30.11).
No que se refere à posição de Israel da parte de Deus, não precisamos ocupar-nos com
isso, pois não se trata de assunto de nossa competência. Se educo e preciso discipliná-
los, isso não interessa ao meu vizinho. Mas, recordemos: todos os povos dependem dos
acontecimentos em e à volta de Israel! Até mesmo com relação às fronteiras dos povos, a
Escritura nos diz o seguinte: “Quando o altíssimo destribuía as heranças às nações,
quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os termos dos povos,
segundo o número dos filhos de Israel” (Dt 32.8). E, em segundo lugar: As nações são
abençoadas por Deus, na medida em que abençoam Israel. Mas, considerando que, em
nossos dias, nenhuma nação ousa mais abençoar Israel incondicionalmente, os povos são
amaldiçoados na medida em que amaldiçoam Israel e se afastam dele; pois o Senhor
disse: “abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gn
12.3). Em terceiro lugar, a Escritura nos diz através dos profetas, que todos os gentios e
nações encontraram sua estação final em Israel (comp. Ez 38-39 e também Zc 12-14).
Após esse juízo sobre os povos, Deus estabelecerá então seu reino de paz.
Em tempos antigos, o judeu Daniel, que viveu no primeiro império mundial, previu o que
aconteceria com todas as nações (Nabucodonosor era o dominador mundial), ele, Daniel,

32
foi elevado: “Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muito e grandes presentes, e o
pôs por governados de toda a província de Babilônia, como também o fez chefe supremo
de todos os sábios de Babilônia” (v. 48). A estação final do grande império mundial
babilônico foi Israel. O judeu Daniel também voltou a se elevado, quando, no capítulo 5,
revelou ao rei a escritura na parede: “Então mandou Belsazar que vestisse Daniel de
púrpura, e lhe pusessem cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem que passaria a ser
o terceiro no governo do seu reino. Naquela mesma noite foi morto Belsazar, rei dos
caldeus” (vv. 29-30). ― Os povos e a ONU não sabem o que fazer e é interessante que
hoje podemos constatar, por um lado, que especialistas militares dos mais diferentes
países do mundo vêm a Israel para ver ali mesmo como é possível livrar-se da lentidão na
mudança de mentalidade, como é muitas vezes o caso especialmente nas forças
armadas. Os especialistas militares também querem aprender de Israel como se pode
tomar decisões imediatas, aplicando-as também na prática. Por outro lado, entretanto,
condena-se Israel e ameaça-se com sanções ou outras represálias. No caso, entretanto,
acontece com as nações o mesmo que se deu com Balaão: ele queria amaldiçoar a Israel,
mas foi obrigado a abençoá-lo. Desse modo, toda arma contra Israel tem o efeito de um
bumerangue − ele fere o inimigo, mas não Israel.
Qual será o fim para todos os povos e para as superpotências? Israel! Em Israel, todas as
nações serão aniquiladas e julgadas. Por que em Israel? Porque em e através de Israel,
Deus ofereceu sua salvação a este mundo; pois ― vamos mais uma vez lembrar isso ―
“a salvação vem dos judeus”. Mas Deus não deseja a morte do ímpio, e sim que ele se
converta e viva. Jesus voltará em grande poder e glória. E então, terríveis juízos, haverá
uma mudança de mentalidade também no mundo das nações: “Mas nos últimos dias
acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se
elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão os povos. Irão muitas nações, e dirão: Vinde,
e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus
caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião procederá a lei, e a palavra do
Senhor de Jerusalém” (Mq 4.1-2). Então, a Igreja de Jesus já terá sido arrebatada e,
assim, já foram ditas as palavras de decisivas: a Igreja de Jesus e Israel. Devemos ver
também isso de maneira bem clara, pois igualmente para a Igreja de Jesus, Israel é a
estação final. Em primeiro lugar, do ponto de vista orgânico; pois Israel é a raiz, e nós
somos ramos bravos enxertados (Rm 11). Nós recebemos a raiz e a seiva, recebemos a
Palavra de salvação de Israel e não o inverso. Também do ponto de vista do Plano de
Salvação, Israel é a estação final para a Igreja de Jesus. Freqüentemente não se presta
atenção à conhecida Palavra do Senhor Jesus; “Aprendei, pois, a parábola da figueira:
quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está perto o verão.
Assim também vós: quando virdes todas estas cousas, sabei que está próximo, às portas”
(Mt 24. 32-33). Na figueira, que é, portanto, uma clara representação do povo de Israel,
começam atualmente a brotar folhas e os ramos se renovam. Uma vez, essa figueira foi
amaldiçoada: “e, vendo uma figueira à beira do caminho, (Jesus) aproximou-se dela; e,
não tendo achado se não folhas, disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira
secou imediatamente” (Mt 21.19). Isso é Israel, mas o Espírito de Deus luta atualmente
por esse povo. O Espírito age com ele de maneira diferente do que conosco. Somos
incapazes de desvendar os caminhos de Deus com o Seu povo, eles são
incompreensíveis para nós. “Continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo;
sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios
perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá” (Is 29.14). Deus ama Israel! É
comovente, como Ele fala do Seu povo: “Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-
los-ei a ribeiros de águas, por caminho reto em que não tropeçarão; porque sou pai para
Israel, e Efraim é o meu primogênito. Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas
terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o
guardará, como o pastor ao seu rebanho” (Jr 31.9-10). Em outras palavras: Deus, que
ama o seu povo, chega ao alvo através dos caminhos maravilhosos. Freqüentemente
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aparece na Bíblia o conflito de Deus por causa do seu povo. Trata-se do conflito entre Sua
santidade e sua justiça, por um lado, e seu grande amor e sua misericórdia, por outro
lado. Lemos, por exemplo, em Oséias 11.8: “Como te deixaria, ó Efraim? Como te
entregaria, ó Israel? Com te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração
está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem.” E então, na
plenitude do tempo, Deus fez aquilo que era impossível para lei: Ele solucionou o conflito
consigo mesmo, reconciliando o mundo e Israel consigo mesmo na cruz do Gólgota. Por
isso, agora, Israel é a estação final!
Não é em vão que Deus faz com que atualmente todos os olhos se voltem para Israel. É
preciso começar uma vez a ler a Bíblia a essa luz. “Reinos da terra, cantai a Deus,
salmodiai ao Senhor” (Sl 68.32). “Tributai glória a Deus; a sua majestade está sobre Israel,
e a sua fortaleza nos espaços siderais. Ó Deus, tu és tremendo nos teus santuários; o
Deus de Israel, ele dá força e poder ao povo, Bendito seja Deus!” (vv. 35-36). A ação de
Deus vai em direção a esse objetivo, para revelar-se a Israel através de Jesus Cristo. A
situação de crises, os ataques cada vez mais intensos contra Israel, o ódio intenso contra
esse povo, têm somente um objetivo: Deus, o eterno, quer revelar Jesus ao Seu amado
povo! E então o Senhor quer transformar Israel, essa estação final, em uma estação de
passagem. Israel deve tornar-se uma estação de passagem em direção ao Pai, através
de Jesus Cristo, que diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida: ninguém vem ao pai
senão por mim” (Jo 14.6).

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Profecia Ardentemente Atual
“Então José, não se podendo conter diante de todos os que estavam com ele, bradou:
Fazei sair a todos da minha presença; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a
conhecer a seus irmãos” (Gn 45.1).
Encontramos as notícias mais recentes literalmente na Bíblia. Há séculos ela já informava
aquilo que os jornais diários apresentam hoje.
A história do encontro dos filhos de Israel com seu irmão José é conhecida e comovente.
Mas ela se torna realmente comovente e clara, quando a analisamos com profecia sobre
os atuais acontecimentos em Israel: José olhava seus irmãos com grande amor e tinha
profundo desejo de revelar-se a eles; o mesmo não acontecia com os irmãos. Sua vinda a
José era uma simples questão de sobrevivência. Eles consideravam que José, seu irmão,
estava morto, e quando lhes falou amavelmente ou rispidamente não o reconheceram.
Com a mesma mentalidade os judeus voltaram agora à sua terra. Theodor Herzl nada
mais queria do que garantir a existência e o direito a uma pátria para o povo judeu. Ele
procurava um Estado que pudesse ser seu, porque os judeus tinham aprendido que não
existia passaporte, nem o alemão, nem o francês, nem o de qualquer outra nação, com o
qual podiam saber-se seguros, a não ser somente o emitido por um governo judeu.
Israel veio a “Eretz Israel” (a terra de Israel) para assegurar a sua existência, como
naquele tempo os irmãos de José foram a ele. Essa é a linha horizontal, a razão
superficial porque Israel é um fato político de primeira grandeza no Oriente Médio. Mas,
quem vê somente isso, engana-se profundamente. Pois com os filhos de Israel em tempos
antigos, havia também uma linha vertical, um motivo mais profundo porque tinham que ir
ao Egito: Deus queria abençoá-los, salvá-los e perdoar-lhes. Deus mesmo queria uní-los
com seu irmão, com o irmão com quem falavam mas que não conheciam ― José. Desse
modo, a linha vertical da existência de Israel é hoje infinitamente mais essencial, forte,
decisiva, e importante. A vontade amorosa de Deus está por trás de Israel. Ele o conduziu
e conduz de volta para Eretz Israel, porque quer uni-lo com seu grande irmão, com José
― Jesus!
Existem dois fatores que eram dominantes quando José estava se dando a conhecer aos
seus irmãos. O primeiro, o amor de José pelos seus irmãos, era invisível, mas forte e
decisivo: “Então José, não se podendo conter...” E hoje, é o elemento do amor de Deus
por Israel, que apesar de invisível, age poderosamente. Através da palavra profética,
olhamos para o mundo invisível: o José celestial ― Jesus, o grande irmão de Israel, não
poderá mais conter-se por muito tempo! Ele tem saudades dos seus irmãos, que
continuam não O conhecendo, mas aos quais ama.
O segundo fator foi naquele tempo, e é hoje, um fator visível, reconhecível por qualquer
pessoa. Trata-se do elemento político, expresso na frase que José disse antes de se dar a
conhecer: “Fazei sair a todos da minha presença; e ninguém ficou com ele, quando José
se deu a conhecer a seus irmãos” (Gn 45.1). Sem dúvida, esse elemento político causou
constrangimento entre os egípcios. Por que José os pôs agora para fora e por que esses
estrangeiros puderam entrar? Não é isso algo monstruoso? Essas perguntas se sucediam!
― Mas a vontade política de José foi feita, pois ninguém, nenhum egípcio, nenhum gentio,
estava presente quando ele se deu a conhecer aos irmãos.
O fato político dominante é atualmente visível e reconhecível para todos em Israel. O
invisível age no mundo visível: Ele afasta todos os “egípcios”, gentios e estrangeiros dos
assuntos internos de Israel. O papa também tentou imiscuir-se e queria internacionalizar

35
Jerusalém. Mas ele não teve sucesso. O conselho de segurança da ONU exortou a Israel
a não alterar o “status quo” de Jerusalém, tornando completamente israelense também a
Cidade Antiga. Israel somente teria o direito de funcionar como força de ocupação em
Jerusalém Oriental. Todas essas exigências políticas apresentadas por todo o mundo,
ricochetearam na política do Senhor invisível, que diz: “Fazei sair a todas da minha
presença” (comp. Gn 45.1; Is 62.6-12). O próprio Senhor afasta todas as nações, todas as
potências políticas e as mantém fora, como naquele tempo: “e ninguém ficou com ele,
quando José se deu a conhecer a seus irmãos”.
Estamos convencidos de que existem muitos cristãos sinceros que tentaram transformar
judeus em cristãos. Mas é interessante, que de modo geral, no decorrer dos séculos, os
judeus não se tornaram cristãos. Todos os esforços missionários entre judeus em Israel
parecem ser em vão. Israel é Israel e está agora em sua terra. Por quê? “E ninguém ficou
com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos.” Este é o acontecimento
grandioso, que está atualmente em realização (mesmo que, durante a grande tribulação,
por pouco tempo, o falso Messias, o anticristo): Jesus Cristo, o Messias, ama Israel com
um grande e incompreensível amor, o que se mostrará de maneira comovente em sua
conversão nacional (Rm 11.26).
Como cristãos gentios, cristianizamos o Messias de tal maneira, que orgulhosamente
esquecemos com facilidade, que em primeiro lugar Ele veio para Israel. Ele disse àquela
mulher gentia: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15.24).
A auto-segurança dos cristãos gentios faz esquecer que Jesus, o Messias, veio a nós e
nos foi pregado por missionários judeus; que a base da Igreja de Jesus foi exclusivamente
judaica (comp. At 2), que o Novo Testamento é um livro judaico e não por último, que
também o Messias não renunciou à sua nacionalidade judaica.
Não está mais distante o momento, em que Gênesis 45.3-5 vai cumprir-se poderosamente
no sentido profético. Israel ouvirá a voz de Jesus: “Eu sou Jesus” (cfe. v. 3a); se assustará
(cfe. v. 3b), mas a Seu convite se chegará e Ele se revelará ainda mais profundamente,
não dizendo somente: “Eu sou Jesus”, mas: “Eu sou Jesus, vosso irmão” (v. 4b). E
conforme o versículo 5, Ele afastará deles toda tristeza.
E nós? Certamente será terrível para aqueles que não forem antes arrebatados para
Jesus, pois que ficar para trás, ficará fora, como os egípcios por ocasião da revelação de
José aos seus irmãos. Sua insatisfação e seu susto não adiantaram nada. O próprio José
os mandou para fora, por eles terem “egiptizado” de tal maneira seu rei e salvador, que
tinham esquecido sua origem. Quem tem ouvidos, ouça!

36
O Futuro dos Povos Árabes à luz da
Palavra Profética
Para poder entender o futuro dos povos árabes, é preciso primeiro pesquisar sua origem e
saber das promessas de Deus a Abraão, o pai de todos os árabes. A Bíblia conhece os
árabes como tribos nômades de origem semita (Gn 10.21-30), também como
descendentes de Ismael (1 Cr 1.29-33; Gn 37.25; Jz 8.24; Gl 4:25: “Ora, Hagar é o monte
Sinai na Arábia... ) e filhos de Quetura, a segunda mulher de Abraão (1 Cr 1.32-33). Os
nomes das maiores tribos árabes, de que a Bíblia fala, são: amalequitas, edomitas,
gesuritas, girgaseus, hagarenos, horeus, ismaelitas, cadmoneus, queneus, quenezeus,
habitantes de Quedar, midianitas e nabateus.
Deve-se destacar os midianitas, descendentes de Quetura, que logo se misturaram com
os ismaelitas (Gn 37.27-28.36). Eles comerciavam com o Egito e levavam seus rebanhos
até o Sinai (Êx 3), onde, entretanto, seu príncipe-sacerdote Jetro não morava, mas visitou
Moisés (Êx 18.1). Eles eram aliados dos moabitas (Nm 22.4,7). Mais tarde eles eram
conhecidos somente como mercadores árabes (Is 60.6). Após tudo isso, eles habitaram
em volta do Golfo de Acaba até Moabe. Sua cidade, Mídia, encontrava-se, conforme
Eusébio, a cinco dias de viagem de Aila. Também Amaleque, apesar de ser um dos netos
de Esaú (Gn 36.12), já formou cedo, provavelmente pelo acréscimo de integrantes de
outras tribos, um povo poderoso e selvagem, que estabeleceu seus acampamentos no
meio do deserto do Sinai. ― As fronteiras de Ismael e seus descendentes (e, desse modo,
dos povos árabes) estão registrados em Gênesis 25.18.

O “anjo do Senhor” e a mãe dos árabes


Devemos adiantar que Jesus Cristo, antes de se fazer carne, apareceu primeiro a Hagar,
a mãe dos árabes, como o “anjo do Senhor”. A palavra “anjo” apareceu na Sagrada
Escritura pela primeira vez em Gênesis 16. Hagar, a escrava, tinha sido obrigada a
abandonar a tenda de Abraão ― ela fugiu de Sara. “Tendo-a achado o anjo do Senhor
junto a uma fonte de água no deserto, junto á fonte no caminho de Sur” (Gn 16.7). Esse
“anjo do Senhor” (em hebraico: Malach-Yahwe) não é um ser criado, mas um anjo não
criado ― é o próprio Senhor, que em diferentes épocas se manifestou em forma de anjo e
normalmente em figura humana. Esse “anjo do Senhor” não é um mensageiro enviado por
Deus, mas uma teofania, uma aparição visível de Deus. O próprio Senhor, o “Eu Sou”, é o
filho de Deus. Temos, portanto, nas diversas aparições do “anjo do Senhor”,
manifestações altamente dignas de nota, do Filho de Deus, nosso Senhor, antes de se
tornar homem. Podemos ver, que em cada caso de manifestação desse “anjo do Senhor”
estão presentes os sinais da divindade.
Chama a atenção e é muito esclarecedor, que os antigos judeus, em suas tradições, não
consideravam o anjo do Senhor, em suas diversas aparições, como um anjo qualquer,
mas como o único mediador entre Deus e o mundo, como o originador de todas as
revelações, dando-lhe o nome de Metatron. Eles o chamavam de “anjo da sua presença”
ou “anjo da sua face” (Ed. Ver. E Corrigida) (comp. Is 63.9), porque sempre vê a face de
Deus, e falam dele como da maior revelação do Deus invisível, que participa da Sua
natureza e Majestade. Eles também o chamam de shechinah (a presença divina). Uma
passagem do Talmude diz: “O Metatron, o “anjo do Senhor”, é unido ao Deus Supremo
através da identidade de caráter”, enquanto outra fonte o chama de “Soberano da

37
Criação”. O muito antigo Midrash, conhecido como “Otiot do rabino Akiba”, traz a seguinte
explicação sobre o anjo do Senhor:
“O Metatron é o Anjo, o Príncipe da face de Deus, o Príncipe da lei, o Príncipe da
sabedoria, o Príncipe do poder, o Príncipe da glória, o príncipe do templo, o Príncipe dos
reis, o Príncipe dos soberanos, altos e elevados”.
Conforme essas antigas fontes judaicas, o anjo do Senhor, chamado por eles de
“Metatron”, é, portanto, o mesmo que o Messias e o próprio Deus. Essa era também a
opinião dos judeus de tempos posteriores. Malaquias 3.1 confirma tal interpretação; o
“Anjo da aliança” é o Messias é o “Anjo de Deus”.

Aquele, que sabia tudo sobre Hagar


Antes que esse “anjo do Senhor” aparecesse a qualquer judeu, ou seja, israelita, Ele se
revelou ― como já dissemos ― à mãe de Ismael, e assim, à mãe dos árabes. Ele
apareceu primeiro a Hagar, mostrando-lhe sua bondade; trata-se da ternura dAquele que
veio buscar e salvar o perdido. Ele a encontrou junto a uma fonte de água no deserto.
Toda a sua situação e suas tristezas Lhe eram conhecidas. Ele lhe perguntou: “... donde
vens? E para onde vais?” (Gn 16.8b). Ele revelou-se como o Senhor onisciente, que
conhece os segredos da vida, e fez promessas a Hagar, que um anjo criado jamais
poderia ter feito. E Hagar citou o nome do Senhor, que estava diante dela em forma de
anjo: “Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu neste lugar para aquele que me
vê?” (Gn 16.13). Ele tinha revelado seu segredo e manifestado o futuro. Ele é o mesmo
que, muitos séculos mais tarde, quando tinha vindo como homem para está terra,
encontrou outra mulher no poço de Samaria, revelando seus segredos ― e também ela
declarou-o como o Onisciente: “Vinde comigo, e vede um homem que me disse tudo
quanto tenho feito ...” (Jo 4.29).

A oração de Abraão pelo futuro da maioria dos árabes


O pai de todos os árabes, Abraão, orou por eles. E pela resposta do Senhor a essa
intercessão do pai de todos os árabes, entendemos seu futuro. Em Gênesis 17.18 ele
orou por Ismael: “Disse Abraão a Deus: Oxalá viva Ismael diante de ti.” Aqui Abraão ora
pela primeira vez pela maioria dos árabes, pois a maior parte dos árabes é ismaelita. E o
Senhor prometeu a Abraão o atendimento à sua oração: “Quanto a Ismael, eu te ouvi:
abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze
príncipes, e dele farei uma grande nação” (v. 20).

A oração interrogadora de Abraão pelos sírios


Antes de elevar suas mãos a Deus por Ismael, Abraão orou pelos sírios. Essa primeira
intercessão de Abraão pelos sírios é, entretanto, de forma negativa. Trata-se também de
uma constatação resignada que Abraão, já com noventa e nove anos, apresenta ao seu
Deus, que apesar de lhe ter prometido um filho, até então não o tinha dado: “Respondeu
Abrão: Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos, e o herdeiro da
minha casa é o damasceno Eliezer... A mim não me concedeste descendência, e um
servo nascido em minha casa será o meu herdeiro” (Gn 15.2-3). Pela primeira vez na vida
de Abraão, é considerada aqui a possibilidade de que os sírios, que mais tarde se
revelaram os piores inimigos da sua descendência, se tornariam seus herdeiros. Abraão
analisou esse assunto com o Senhor. A resposta de Deus foi: “Não será esse o teu
herdeiro” (Gn 15.4).

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Deus, portanto, não rejeitou Eliezer, cujo nome significa “Deus auxilia”, mas o exclui como
herdeiro. Será que, por isso, a Síria não tem promessas? Pelo contrario, ela tem
promessas indizivelmente grandiosas. Sem dúvida foi Eliezer que foi à parentela de
Abraão na Mesopotâmia, para buscar uma esposa para Isaque, o filho de Abraão que
mais tarde nasceu (comp. Gênesis 24.1ss). Portanto, um sírio procurou uma moça síria
para o filho de Abraão, pois lemos em Gênesis 22.20-21: “Passadas essas cousas, foi
dada notícia a Abraão, nestes termos: Milca também tem dado à luz filhos a Naor, teu
irmão: Uz, o primogênito, Buz seu irmão, Quemuel, pai de Arã (dos sírios).” Quando
Eliezer descreveu o encontro com a noiva de Isaque, está dito: “Daí lhe perguntei: De
quem és filha? Ela respondeu: Filha de Betuel, filho de Naor e Milca. Então lhe pus o
pendente no nariz e as pulseiras nas mãos” (Gn 24.47).
Aqui de Gênesis 24 resplandece uma maravilhosa profecia: o nome de Eliezer não é
citado, quando saiu para buscar uma noiva para o filho de Abraão. No novo Testamento, o
Espírito Santo igualmente é sem nome e passa por todo mundo para preparar a noiva do
Cordeiro e leva-la ao encontro do noivo nos ares. Baseados na posição de Eliezer e na
intercessão de Abraão, podemos considerar que a Síria também terá um grande e
maravilhoso futuro no Plano de Deus. Pois ambos são intimamente aparentados, razão
porque os israelitas confessavam em Deuteronômio 26.5: “Arameu (sírio), prestes a
perecer, foi meu pai, e desceu para o Egito, e ali viveu como estrangeiro com pouca
gente; e ali veio a ser nação grande, forte e numerosa.”

A comovente oração de Abraão pelos jordanianos


Deus revelou seus mistérios em Israel, Ele os confiou a Abraão: “Disse o Senhor:
Ocultarei a Abraão o que estou para fazer? Visto que Abraão certamente virá a ser uma
grande e poderosa nação, e nele serão benditos todas as nações da terra?” (Gn 18.17-
18). E então Deus lhe revelou sua intenção de julgar e destruir Sodoma e Gomorra,
porque o pecado dessas cidades clamava ao céu. Nesse ponto começou então a
comovente intercessão de Abraão, porque ele lembrou de Ló, o filho de seu falecido irmão
Naor, e da sua família, que ele tinha uma vez deixado acompanhá-lo ― sem ordem do
Senhor.
Chama a atenção, entretanto, que Abraão não cita o nome de Ló em sua oração, como o
tinha feito no caso de Eliezer e Ismael: “Disse ainda Abraão: Não se ire o Senhor, se lhe
falo somente mais uma vez: Se, porventura, houver ali dez? Respondeu o Senhor: Não a
destruirei por amor de dez” (Gn 18:32). Mas Deus atendeu à oração de seu servo, mesmo
sem que ele citasse os nomes daqueles que lhe eram tão caros: “Ao tempo que destruía
as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio das ruínas,
quando subverteu as cidades em que Ló habitará” (Gn 19.29). Portanto, Ló e suas filhas
devem sua salvação à intercessão de Abraão.
Os descendentes de Ló de suas filhas são os moabitas e amonitas: “A primogênita deu à
luz um filho, e lhe chamou Moabe: é o pai dos moabitas, até ao dia de hoje. A mais nova
também deu à luz um filho, e lhe chamou Bem-Ami: é o pai dos filhos de Amom, até aos
dias de hoje” (Gn 19.37-38). Por isso a capital da atual Jordânia (a antiga região dos
moabitas e amonitas) até ao dia de hoje se chama Amã.
Mais tarde uma moabita, Rute, foi incluída na família de Deus. Ela é uma das ancestrais
de nosso Senhor Jesus, porque se voltou bem decididamente para o Deus de Israel.
Para estes tempos finais, está predito que o Senhor mudará a sorte dos filhos de Moabe e
Amom. Se bem que a Jordânia terá que passar por terríveis juízos, a Palavra de Deis diz:
“Contudo mudarei a sorte de Moabe, nos últimos dias diz o Senhor” (Jr 48.47a). E no
capítulo 49.6 lemos: “Mas depois disto mudarei a sorte dos filhos de Amom, diz o Senhor”.

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Sim, a Palavra de Deus nos diz ainda mais, ou seja, que os israelitas convertidos (comp.
Rm 11.25-26), estenderão suas salvadoras mãos fraternais para Moabe: “Quando o
anticristo entrar na terra gloriosa, com fúria e destruição, moabe e Amom escaparão” (Dn
11.41, traduzido diretamente do texto original).
A grande tragédia entre os judeus e os árabes, é o caminho da unidade ainda lhes está
oculto. Os judeus têm seu Muro das Lamentações e os árabes tem sua mesquita de Omar
― mas eles não vêem o Gólgota. Pelo contrário, os judeus aceitarão primeiro o falso
messias, pelo que pagarão caro. Jesus Cristo predisse isso, quando disse: “Eu vim em
nome de meu Pai e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome (= o falso
messias), certamente o recebereis” (Jô 5.43). Para uma parte dos povos árabes, esse
falso promotor da “paz” se chama “mahdi” ou “machdi” (m’axdi, em árabe, “o guiado por
Deus”). Trata-se do redentor esperado pelos sunitas para os tempos finais, da
descendência de Fátima, que deverá restabelecer a justiça na terra. A idéia do “mahdi”
surgiu em grupos piedosos, que eram inimigos dos omíadas, fundindo-se com a espera
dos judeus pelo messias e dos cristãos pela parousia. O aparecimento do “mahdi” seria
precedido pela vinda do anticristo (daddshal) e de Jesus Cristo, que é um profeta também
para os muçulmanos. Golpistas já tentaram diversas vezes se impor como “mahdis”
através de revoltas. Também o criador do babismo* se apresentou “mahdi”.
Mas virá o momento em que acontecerá aquilo que atualmente ainda é inimaginável: que
todos verão a Jesus Cristo como único Salvador, Rei e Messias e muitos se converterão a
ele. E:

A Síria, o Egito e Israel se unirão!


Entretanto, essa unidade não será produzida por decisões políticas, mas (como dissemos)
ela se realizará quando esses povos reconhecerem a Jesus e se converterem a Ele. O
profeta Isaías já previu essa união há quase 2800 anos: “Ferirá o Senhor os egípcios,
ferirá, mas os curará; converter-se-ão ao Senhor, e ele lhes atenderá ás orações, e os
curará. Naquele dia haverá estrada do Egito até à Assíria; e os egípcios adorarão com os
assírios ao Senhor. Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e assírios, uma
benção no meio da terra; porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito
seja o Egito, meu povo, e a Assíria, abra de minhas mãos, e Israel, minha herança” (Is
19.22-25).
Isso será glorioso, quando esses três povos se converterem ao Senhor! Todos os atuais
conflitos em torno de Israel são uma tolice e um grande desperdício de vidas humanas. E
tudo isso somente acontece, porque eles ainda não conhecem Jesus Cristo! Oremos por
Israel e pelos árabes: pois Deus atenderá maravilhosamente também a oração de Abraão
pelos árabes, porque o mesmo Jesus Cristo, que na figura do “anjo do Senhor” encontrou
primeiro a mãe dos árabes no deserto (como citamos no início), voltará em breve,
especialmente também para esses povos!

*Babismo = Doutrina religiosa Persa, criada em 1844 por Sayyid Ali Muhammad, que se fazia chamar “Bab” (“porta ao imã oculto”).
Nascido em 1820 em Chiraz, educado no espírito xiita, Bab se apresentou como reformador religioso. Seu apelo pela renovação d o
Islamismo e pela igualdade da mulher, obteve inicialmente muito sucesso, do mesmo modo como sua interpretação alegórica de muitos
versos do Corão, uma nova orientação na oração e a referencia a um vindouro profeta. Suas pregações e escritos divulgaram uma
revelação que ia além da de Maomé. Dessa maneira, ele desafiou os xiitas ortodoxos e o governo, foi preso e fuzilado em Tabriz em
9/7/1850. Atualmente o número de babistas (não reformados) é calculado em menos de 50.000.

40
O Anticristo Contra a Cordeiro
“Têm estes um só pensamento, e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.
Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá” (Ap 17.13-14).
Em nossos dias, fala-se e escreve-se muito sobre o anticristo. Entretanto, é muito melhor
falar da maravilhosa vitória de Jesus. Mas, para reconhecer essa vitória do Cordeiro,
precisamos também saber com qual inimigo estamos tratando e qual inimigo o Senhor
venceu. Podemos resumir da seguinte maneira o caráter e a área de ação do anticristo:
“seduz os que habitam sobre a terra” (Ap 13.14). Constatamos, portanto: sedução
mundial. Se a respeito analisamos a Palavra de Deus mais detidamente, reconheceremos
três tenazes, com as quais o anticristo pretende atrair os homens a si:
Seu objetivo primário foi e é Israel! O Deus eterno, o Deus de Israel, não tem problemas
militares para Seu pequeno povo de Israel. Ele abate seus inimigos diante dele. Mas
Satanás, o espírito do anticristo, que até terá domínio por curto tempo em Israel, faz Israel
negar que Jesus Cristo, o Ungido, é o Messias. João previu isso profeticamente, quando
exclamou: “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o
anticristo” (1 Jo 2.22). Israel admite sem problemas a existência de Jesus, pois Ele é um
grande filho do povo. Mas Israel nega que Ele é o Messias, o Cristo. Para essa
maravilhosa realidade, Israel continua cego. As trevas cegaram seus olhos, e parece que
também atualmente Satanás alcançará a vitória em Israel. Mas isso é só aparente, pois o
que levaria o diabo ao triunfo sobre o Cordeiro, tornar-se-á sua maior derrota! ― Atrás de
tudo está o Deus eterno, o Pai de Israel: “como está escrito: Deus lhes deu espírito de
entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje” (Rm
11.8). “Escureçam-se-lhes os olhos para que não vejam, e fiquem para sempre
encurvadas as suas costas” (v. 10). E então Paulo pergunta no versículo 11: “Porventura
tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas pela sua transgressão veio a
salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes.” O espírito do anticristo, que pretende
manter Israel cego para Jesus como Messias, é o espírito do diabo. E esse pensou que,
se Israel ficasse cego para seu Messias, todo o mundo continuaria cego, pois “a salvação
vem dos judeus” (Jo 4.22)! Mas Satanás estava completamente enganado; aconteceu
exatamente o oposto!
Então o espírito do anticristo se dirigiu as nações, novamente através de judeus. Se a
salvação vem dos judeus, também a maldição a destruição, tem que vir deles. Satanás
tentou utilizar os mesmos métodos de Deus e concentrou-se sobre os gigantescos reinos
do Norte (visto de Israel). Esses reinos, inspirados pelo espírito do anticristo, negam o Pai
e o Filho. Esse é o ateísmo, que foi que foi levado ao hemisfério Oriental por Karl Marx,
um judeu. Mas, esse foi um erro ainda maior do espírito do anticristo, pois justamente nos
países comunistas existe atualmente uma fome nunca vista pelo Deus vivo e pela Sua
Palavra. Todos os esforços ateístas, é o que se mostra, foram golpes no ar. Na
Tchecoslováquia, um filósofo comunista lançou um livro intitulado: “Deus não está
completamente morto”, para vergonha dos “teólogos cristãos no Ocidente. Ele diz
literalmente: “O comunismo não tem uma solução definitiva para a morte.” No fundo, os
ateus são os maiores insensatos, pois a Bíblia afirma: “Diz o insensato no seu coração:
Não há Deus” (Sl 14.1). Ao mesmo tempo, entretanto, os ateus são uma forte prova da
existência de Deus, pois Satanás não teria necessidade de negar o Pai e o Filho, se Eles
realmente não existissem. Alguém que não existe, não precisa ser negado.
Mas também o terceiro ataque do espírito anticristão em nossas regiões, nos paises
ocidentais, está fadado ao fracasso, apesar de seu avanço. De que consiste a negação

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nesse caso? “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não
confessam Jesus Cristo vindo em carne: assim é o enganador e o anticristo” (2 Jo 7). A
respeito, sabemos o que ensina a teologia moderna: Jesus Cristo não veio em carne, Ele
não foi gerado pelo Espírito Santo, Ele não é o Filho de Deus. Mas, quanto eles gritam
que isso não é verdade, tanto mais a verdadeira Igreja de Jesus é atualmente despertada
e ajuntada para a partida final, para o arrebatamento. Devemos ver claramente: não são
os homens, não são os teólogos, não são os comunistas, não é Israel, que ainda não
reconhecem seu Messias, pois todas essas resistências procedem de uma só fonte, que é
a resistência de Satanás a Deus. Trata-se do anticristo contra o Cordeiro. Essa disputa
entrará em fase decisiva por ocasião do aparecimento pessoal do Cordeiro e do anticristo
em Israel, quando os pés de Jesus estarão sobre o Monte das Oliveiras (Zc 14.4).
Atualmente ainda é uma luta espiritual, uma luta invisível. Ela se realiza no coração dos
crentes. Trata-se de uma batalha de vida ou morte, pois temos agora não somente a
negação, mas também a sedução. Em outras palavras: a negação global, do Pai e do
Filho, através do espírito do anticristo, tem como equivalente a sedução dos crentes. Se o
anticristo dividiu seus ataques em três setores, temos também em Mateus 24, uma tríplice
advertência do Senhor Jesus contra sua sedução. Em primeiro lugar, Ele diz ali, com
relação à sua volta: Israel ainda está seduzido, enganado, em relação à volta do Senhor;
Israel não sabe e não quer saber que é Jesus que está vindo. Lemos: “No Monte das
Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em
particular e pediram: Dize-nos quando sucederão essas cousas, e que sinal haverá da tua
vinda e da consumação do século. E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane”
(vv. 3-4). Em segundo lugar, o Senhor constata o vindouro engano com respeito às
dificuldades de relacionamento entre os homens, também dos crentes entre si: Nesse
tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos
falsos profetas e enganarão a muitos” (vv. 11-12). Em terceiro lugar, Ele também adverte
contra a sedução com relação à Sua obra realizada: “porque surgirão falsos cristos e
falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível os próprios
eleitos. Vede que vo-lo tenho predito” (vv. 24-25). Ele adverte, portanto, a respeito que
impressionam com seus milagres e sinais, mas contornam a cruz, a obra realizada de
Jesus. Agora apresenta-se a pergunta: Como podemos resistir vitoriosamente à
sedução do espírito anticristão nestes tempos finais? Primeiro, entretanto,
verifiquemos porque o engano é tão forte e perigoso em nossos dias. Também aí existem
três razões.
Em primeiro lugar, simplesmente por uma questão de tempo. Satanás e seu exército de
Demônios, principados e potestades, estão sendo pressionados. “... o diabo desceu até
vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Ap 12.12). Sua
atividade se acelera, até que se manifestará personificado no anticristo. A segunda razão,
porque a sedução anticristã é tão perigosa e dura, está na receptividade dos crentes.
Muitos filhos de Deus desconhecem a maldade de seu próprio coração, pois a maldade
está encoberta por uma camada piedosa. Há maldade do coração, sempre que não
queremos a cruz e nos desviamos do Cordeiro. Nossa vida de fé fica sem poder e sem
frutos, quando somos sem cruz! Evitar há cruz é, na essência, a rebeldia anticristã contra
Deus, e assim, concordância com o inimigo. Não podes passar por cima desse terrível fato
existente em teu coração, cantando, ouvindo pregações ou freqüentando reuniões. O
Senhor diz através do profeta Amós: Aborreço, desprezo as vossas festas, e com as
vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais
holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as
ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos;
porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (cap. 5.21-23). Em terceiro lugar, a
sedução anticristã também é tão terrível nestes tempos finais, por se tratar de uma peste,
que contamina todo ambiente à tua volta. “Mas os homens perversos e impostores irão de

42
mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Assim, ela passa de um para
outro. Essa sedução do pecado, utiliza como meio a piedade aparente: difamar de
maneira piedosa; permitir no coração o espírito de prostituição em camuflagem piedosa;
arrancar pessoas da unidade dos filhos de Deus de maneira piedosa, aparentemente
cristã, por meio de maledicência; impor pesos e cargas, que tu mesmo não estás
dispostos a carregar, a irmãos de maneira piedosa, por desejos egoístas. Não te queixas
de injustiças que resultam em vantagem para ti, somente não admites as supostas
injustiças dos outros. Desse modo, por causa da tua maldade, teu coração está cheio de
inquietação. Através do engano do espírito anticristão, tu te tornaste errante e não tens
mais descanso. “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-
te”, diz o Senhor elevado em Apocalipse 3.19.

Como o Cordeiro vencerá o anticristo?


Lembremos o Cordeiro venceu, Ele pisou a cabeça da serpente e venceu Satanás, a
morte e o inferno na cruz do Gólgota. Novamente por três razões, o Senhor permite que
Satanás encarnado se manifeste no anticristo: Primeiro, como juízo sobre os povos.
Segundo, como disciplina para Israel, para que seja levado a Jesus, seu Messias. E, em
terceiro lugar, o espírito do anticristo pode provar atualmente os filhos de Deus, para que
eles manifestem a vitória do Cordeiro nessa provação. Essa é também a explicação de
Hebreus 2.8: “Todas as cousas sujeitou debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe
sujeitou todas as cousas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não
vemos todas as cousas a ele sujeitas.” Temos que apropriar-nos, demonstrar e proclamar
na fé essa vitória do Cordeiro, até que o próprio Senhor venha. E, por isso, o anticristo não
será exterminado por força ou violência, mas “com o sopro de sua boca” (2 Ts 2.8).
Portanto, quando Jesus voltar, ele aniquilará o poder, a força e o domínio do anticristo
com o espírito da Sua boca. Pois as palavras do Senhor são espírito e são vida, também
agora, e vamos recordar: também tu podes vencer o inimigo, que enfrenta agora com
grande poder, somente com a espada da Palavra de Deus. És incapaz de vencer sozinho.
Por isso: “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra
de Deus” (Ef 6.17). Por essa razão, é tão importante que nos familiarizemos cada vez
mais com a Palavra de Deus, que guardemos a Palavra em nosso coração, pensemos
nele dia e noite e não nos afastemos dela. João diz aos discípulos espirituais: “Jovens, eu
vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido
o maligno” (1 Jo 2.14). Além disso, está escrito em 2 Tessalonicenses 2.8, que o Senhor
Jesus destruirá o anticristo pela manifestação da sua vinda, isto é, basta que Ele venha. É
suficiente que Ele apareça, e o anticristo estará paralisado. Onde Jesus chega, o poder de
Satanás está vencido! Isso vale também para tua vida pessoal: se Jesus ocupa todo o
lugar do teu coração, o poder de Satanás acabou; então a maldade, todo ódio, a impureza
e a semelhança com o mundo têm que desaparecer. Jesus diz: “Eis que estou à porta, e
bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele
e ele comigo” (Ap 3.20). A tranca da porta do coração está pelo lado de dentro. Tu tens
que abrir!
Apocalipse 17.14 nos oferece outra resposta, sobre como será destruído o anticristo:
“Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores
e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e féis que se acham com ele.”
Por favor, observemos essas duas importantes palavras: “com ele”. “Aquele que não
poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará
graciosamente com ele todas as cousas?” (Rm 8.32). Essa é a maravilhosa realidade da
vitória de Jesus! Quem se apropria agora, em obediência de fé, da vitória de Jesus, esse é
vencedor e terá parte da grandiosa vitória do Cordeiro sobre o anticristo. E com ele, os
chamados, eleitos e fiéis! Todos os filhos de Deus têm esses três títulos. Foste chamado a
ser vitorioso! Também foste escolhido para a glória eterna, desde que sejas crente no
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Cordeiro de Deus, em Jesus Cristo. Por essa razão, é tão importante que reconheças o
ser do Cordeiro e o caráter do anticristo, provando-te diante de Deus em verdade. De
quem tens o caráter? Quem tem a vitória em tua vida? Quem tem a vitória agora, será
vencedor em tua vida e através da tua vida também no futuro. Será que Jesus Cristo, o
Cordeiro de Deus, tem a vitória em tua vida, ou pertences ao anticristo? Tens a aparência
do Cordeiro em teu ser, és humilde de coração, ou és como o anticristo, orgulhoso,
melindroso e arrogante? Se é assim, então retrocede hoje! Volta-te agora, neste
momento, em que ainda é possível retroceder, para Jesus Cristo. Hoje ainda é o dia da
graça, hoje ainda podes escolher. Também tu, cristão sem cristo, que és influenciado pelo
espírito do anticristo, que nega tudo em teu coração, de modo que tudo se tornou morto e
seco, volta atrás. Jesus vive e Jesus vence! Pode vencer com Ele pó toda a eternidade.
Volta-te agora para Ele todo o coração!
É isso que tanto movimenta estes tempos finais. Desse modo, vamos resumir tudo o que
foi citado neste livro:

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Deus não se cala!
“Por amor de Sião me não calarei e por amor de Jerusalém não me aquietarei; até que
saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação com uma tocha acesa” (Is 62.1).
Essa é uma poderosa palavra profética do Senhor através da boca de um homem! O
profeta Isaías ― seu nome já significa muito, isto é: “a salvação de Jeová” ―, é um
profeta real. É dito que ele procedia da família real. Isso não pode ser verificado com
segurança; mas, de qualquer forma, ele se apresentava corajosamente, mesmo em
círculos reais. Por isso, Deus também pôde falar através dele de maneira real. Dificilmente
encontraremos na Bíblia outro profeta além de Isaías, que nos descreva tão gloriosamente
o Rei dos reis. Se, como crentes, andássemos de acordo com nossa dignidade real,
quanto mais o Senhor poderia dizer através de nós, pois também nós somos, se já
renascemos, “reis e sacerdotes”, segundo Apocalipse 1.6 (Ed. Ver. E Corrigida). Mas, aqui
em Isaías 62, vemos também o poder grandioso, profético, dessa palavra, que em nossos
dias encontra seu cumprimento literal. Parece que Deus não permite mais a todo mundo,
que se cale a respeito de Jerusalém. Não passa um dia, sem que não haja manchetes
sobre Jerusalém na imprensa. Também as noticias diárias do rádio e na televisão falam
dela. Mesmo os árabes, ainda que serrando os dentes, falam dessa cidade. Pretende-se
silenciá-la, mais isso não é possível. O que em outra cidade é noticiado em poucas linhas
na coluna de “Notícias Locais” da imprensa, em Jerusalém passa a ter importância
supradimensional, sim, influencia histórica mundial. Por qual cidade do mundo se faria
uma gritaria mundial como aquela que se fez quando a mesquita El-aksa em Jerusalém foi
incendiada em 1969? Não ocorrem incêndios em muitos lugares? Durante muito tempo,
Deus se calou sobre essa cidade. Ele encerrou Seu falar sobre e para Jerusalém, com
Seu falar final através do Filho, como diz Hebreus 1.2: “... nestes últimos dias nos falou
pelo Filho”. O Filho de Deus estendeu suas mãos chorando sobre essa cidade e
exclamou: “Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram
enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus
pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mt 23.37). Deus se calou sobre essa
cidade, desde que nela se gritou: “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19.14) e:
“Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!” (Mt 27.25b). Aí se interrompeu o
falar de Deus. É o que reconhecemos pelo que Jesus fez. No início, Ele falou alto, nítida e
claramente: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Mas eles
não Lhe deram ouvidos. Então, a partir de Mateus 12, Ele começou a falar somente ainda
em parábolas. Seu falar ficou mais baixo. Somente no círculo intimo Ele ainda flava
diretamente, mas ao povo falava indiretamente. Comovente é o majestoso silêncio de
Jesus diante da autoridade religiosa, o sumo sacerdote, da autoridade romana (Pilatos) e
da autoridade nacional (Herodes). Ele não lhes deu mais resposta (Mt 26.63; 27.14; Lc
23.8-9). Entretanto, através do Seu profundo silêncio fora dos muros de Jerusalém, Deus,
o Eterno, falou mais alto. Quando ninguém ficou ao Seu lado, quando todos O
abandonaram, Ele agiu, lutou e falou completamente sozinho! Nesse contexto, Isaías
59.16 é muito esclarecedor: “Viu que não havia ajudador algum, e maravilhou-se de que
não houvesse um intercessor; pelo que seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua
própria justiça o susteve.” Este é o milagre do Gólgota: “Deus estava em Cristo,
reconciliando consigo o mundo” (2 Co 5.19). Isso ainda está atualmente encoberto para
Israel. Os israelitas dizem: “Não temos dois deuses, temos somente um Deus.” Mas, um
dia eles reconhecerão que Jeová e Jesus são O mesmo. Jesus disse: “quem me vê a
mim, vê o Pai” (Jo 14.9) e “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Mas ninguém O ajudou. Ele

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consumou tudo completamente sozinho. Deus fez calado o maior por nós em Sião,
quando o Filho de Deus exclamou morrendo: “Está consumado!” (Jo 19.30). Mas depois
ele se calou por longo tempo. A cidade de Jerusalém foi destruída, pisada, reconstruída,
novamente destruída, etc.
Há cem anos, Jerusalém era dominada pelos turcos e os judeus eram um grupinho digno
de pena. No ano de 1866, alguém escreveu:
“Esse povo faz o que fazia há três mil anos. Dezessete vezes ele viu Jerusalém cair em
ruínas, mas nada pode roubar-lhe a coragem, nada pode impedi-lo de voltar se olhar cheio
de esperança para Sião. Fica-se tomado de maravilhosa admiração, quando se vê os
judeus em Jerusalém; como eles, apesar de toda a pressão que sofrem, esperam um rei,
que deverá libertá-los. Abatidos pela cruz, que os maldiz e que foi erguida sobre suas
cabeças, vivendo escondidos nas proximidades do templo, do qual não restou pedra sobre
pedra, eles permanecem em estranha serenidade. Persas, gregos e romanos
desapareceram da face da terra, e um pequeno povo, cuja origem é muito anterior à
época de surgimento daqueles grande povos, continua vivendo, sem se misturar, sobre os
escombros da sua pátria. Se algum fenômeno entre os povos da terra tem a
características de um milagre, então certamente a encontramos nesse caso. Às sextas-
feiras eles se reúnem junto ao muro ocidental do monte Moriá, diante do atual Muro das
Lamentações, no lugar das queixas, para chorar a sorte do seu povo e da sua cidade em
cânticos fúnebres profundamente comoventes. Dos turcos, eles compram a permissão
para isso. Nós os encontramos, conta o missionário F., sentados no chão próximos ao
muro. Eles liam seus livros hebraicos. Era extremamente comovente ver esses
descendentes de Abraão, em sua maior parte pobres e maltrapilhos, sentados no pó. Eles
têm que pagar pelo privilégio, além de chorar, onde seus pais cantaram, se alegraram e
triunfaram; miseráveis escravos são eles, no mesmo lugar onde seus pais foram reis
poderosos.”
Até aqui, a citação do ano de 1866. Deus se calou não por cem mas por mais de mil e
novecentos anos. Então, porém, no dia 7 de junho de 1967, Deus rompeu Seu silêncio
sobre essa cidade, devolvendo-a ao Seu povo. Por que ele se calou durante tanto tempo?
O profeta Sofonias o viu e disse: “O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te
salvar; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor” (Sf 3.17), Ed. Ver. E
Corrigida). E então segue a frase: “regozijar-se-á em ti com júbilo”. Essa mudança está
atualmente em realização! Deus se calou, porque amou o mundo. Ele se calou, quando
seu povo estava cego para seu Messias, para que nós pudéssimos ver, porque gentios
tinham que ser salvos. Ele se calou durante muito tempo, mas agora, em nossos dias, Ele
rompe seu silêncio sobre Jerusalém; agora se cumpre a palavra de Isaías 62.1: “Por amor
de Sião me não calarei e por amor de Jerusalém não me aquietarei; até que saia a sua
justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa.” Agora vem a última
frase de Sofonias 3.17: “regozijar-se-á em ti com júbilo”. O regozijo jubiloso de Deus sobre
Jerusalém torna-se cada vez mais audível desde o céu, pois em breve virá o Rei!
Agora observamos Jerusalém ainda de outro ângulo, ou seja, como figura do nosso
coração. Tudo o que acontece em e à volta de Jerusalém, é para exemplo nosso, para
nós dentre os gentios que nos tornamos crentes. Como Igreja de Jesus, somos
espiritualmente uma unidade inseparável com Israel, e assim também com Jerusalém.
Nessa luz, apresentamos a pergunta: por que Deus fala atualmente? Está escrito no
versículo que acabamos de citar: “por amor de Sião...”, por amor de Jerusalém. Os
pensamentos de Deus, a vontade e o planejamento de Deus, estão voltados atualmente
para Jerusalém, para o centro da terra, lá onde Ele quer habitar, onde estabelecerá sua
residência, onde Jesus voltará. Exatamente por isso, Deus nos fala atualmente. O falar de
Deus a nós tem sempre somente um único motivo e um único objetivo. Interessa-Lhe o
centro da nossa personalidade, o nosso, o teu coração, no qual Ele quer habitar.
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Assim chegamos à segunda pergunta: E o que Deus pretende, falando atualmente por
causa de Jerusalém? A resposta é dada em Isaías 62.2a: “As nações verão a tua justiça,
e todos os reis a tua glória”. Não é assim? Os olhos de todas as nações, de todos os
estadistas, estão voltados para Jerusalém. Sem duvida, trata-se do espetáculo que mais
prende as atenções em toda a História Mundial! As conferências de cúpula, as reuniões
do “Conselho de “In”- Segurança da ONU”, no fundo giram em torno de Jerusalém. Em
Israel sente-se literalmente o ódio dos árabes, porque Jerusalém está novamente nas
mãos dos israelenses. Deus fala! A vontade forte de Gaulle, quando presidente da França,
sucumbiu diante de Jerusalém. O general, já falecido a bastante tempo, era contra a
soberania israelense sobre a Jerusalém unificada. A revista francesa “Aurore” escreveu,
que de Gaulle resistiu ao status atual da Jerusalém unificada sob soberania israelense.
Desse modo, ele resistiu ao Deus vivo. Deus fala, Ele não continuará calado para sempre.
Nas Nações Unidas sucedem-se os debates. Freqüentemente o tema é: “Para fora de
Jerusalém com os israelenses.” Quando o papa Paulo VI sobrevoou o Oriente Médio em
1969, a caminho de Uganda, ele enviou saudações a Nasser, o então presidente do Egito.
Para Israel, ele não encontrou nenhuma palavra! O mesmo tem sido o comportamento de
João Paulo II. Repetimos mais uma vez: O objetivo de Deus é, como está escrito em
Isaías 62.2, que os gentios vejam a justiça de Jerusalém e todos os reis vejam sua glória.
Mas, o que é essa justiça e essa glória? Trata-se da Pessoa de Jesus.
Ainda Ele é invisível e não é palpável, mas o falar de Deus é o inicio da manifestação do
Rei. O falar de Deus é todo poderoso. Ele é o Verbo, pois a Palavra de Deus é Jesus. “E o
Verbo se fez carne” (Jo 1.14), e essa é a razão dessa verdade humanamente
inconcebível, que o profeta Zacarias nos apresenta, dizendo, entre outras coisas: “Eis que
eu farei de Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor, e também para
Judá, durante o sítio contra Jerusalém. Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada
para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente” (Zc 12.2-3a). Isso
explica porque todos os esforços da ONU, dos árabes, da União Soviética e do papa são
em vão. Deus fala agora também ao nosso coração. O que é tua justiça e tua glória? O
Jesus ressuscitado! As crescentes resistências em tua vida de fé são resistências contra a
manifestação do Senhor Jesus em tua vida. Por isso, a tensão de Jerusalém é nossa
tensão, a luta de Jerusalém é nossa luta. Os ataques terroristas a essa cidade, são
ataques do inimigo ao nosso coração. Oh! Se percebêssemos a mesma linha, o
paralelismo, entre Jerusalém e o nosso coração! Como Deus tinha Seu santuário em
Jerusalém, Ele quer também ter Seu santuário em nosso coração. Se reconhecêssemos
isso, não continuaríamos cochilando e deixando-nos embalar, mas exclamaríamos com o
profeta: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite
jamais se calarão; vós os que fareis lembrado o Senhor, não descanseis, nem deis a ele
descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Is 62.6-
7). Assim como Deus fala atualmente cada vez mais alto por causa de Jerusalém, Ele
também o faz por causa do nosso coração. Uma coisa não pode ser separada a outra. É o
que mostra, por exemplo, Isaías 52.8: “Eis o grito dos teus atalaias! Eles erguem a voz,
juntamente exultam; porque com seus próprios olhos distintamente vêem o retorno do
Senhor a Sião.” Com retorno do Senhor, Israel se converterá. Trata-se, portanto, da
transformação do coração. Nos versículos 9-11 continuamos lendo: “Rompei em júbilo,
exultai à uma, ó ruínas de Jerusalém; porque o Senhor consolou o seu povo, remiu a
Jerusalém. O Senhor desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações; e todos os
confins da terra verão a salvação do nosso Deus. Retirai-vos, retirai-vos, saí de lá, não
toqueis cousa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, os que levais os utensílios do
Senhor.” Esse apelo é feito à cidade e ao povo de Israel, mas também a nós, que somos
parte integrante de Israel: “convertei-vos, purificai-vos, não toqueis cousa imunda.”
Vivemos em um tempo maravilhoso, mais também muito perigoso, pois se deixarmos que

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os acontecimentos relacionados a Jerusalém continuem, sem que aconteça algo com o
nosso coração, perderemos as oportunidades de Deus.

E, com relação aos atalaias de Jerusalém, crio que em Isaías 56.10-11 é descrita
profeticamente a situação da Igreja de Jesus: “Os seus atalaias são cegos, nada sabem;
todos são cães mudos, não podem ladrar; sonhadores preguiçosos, gostam de dormir.
Tais cães são gulosos nunca se fartam; são pastores que nada compreendem, e todos se
tornam para o seu caminho, cada um para sua ganância, todos sem exceção.” Palavras
terríveis, mas verdadeiras para o nosso tempo! Deus fala hoje, Ele fala agora! Enquanto
Ele fala cada vez mais alto ao mundo através de Jerusalém, os inimigos ficam cada vez
mais furiosos e Sua glória se aproxima cada vez mais, Ele também fala cada vez mais alto
ao teu e ao meu coração. Tu O ouves? Ouves as batidas na porta do teu coração, para
que os gentios vejam finalmente tua justiça e tua glória, à medida que finalmente Jesus
também se torne visível através de ti? Assim como Ele fala atualmente por amor de
Jerusalém, Ele fala ao teu coração. Por isso, leiamos mais uma vez Isaías 62.1 em seu
significado espiritual direto: “Por amor de Sião me não calarei e por amor de Jerusalém
não me aquietarei; até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como
uma tocha acesa.” Durante quanto tempo Deus fará por amor de Jerusalém? Bem, isso
está dito claramente: “até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação
como uma tocha acesa.” Deus falará aos povos e chamará os pecadores. Joel chega a
dizer: “O Senhor brama de Sião, e se fará ouvir de Jerusalém...” (Jl 3.16). Até quando?
“Até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa”
(Is 62.1b). E a justiça de Jerusalém é Jesus Cristo! Ele falará, portanto, até que Jesus
retorne a Jerusalém em grande poder e glória. Isso é descrito de maneira impressionante
em Zacarias 12.8-10: “Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o
mais fraco dentre eles será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do
Senhor diante deles. Naquele dia procurarei destruir todas as nações que vierem contra
Jerusalém. E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o
espírito de graça e de súplicas; olharão para mim a quem transpassaram; pranteá-lo-ão
como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente
pelo primogênito.” Naquele dia, os lamentos de Jerusalém serão profundos, mas a
salvação e redenção serão tanto mais gloriosas para Israel. É o que já diz o versículo 9:
“Naquele dia procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém.” Com isso,
entretanto, fecha-se para nós um circulo, no qual estamos inevitavelmente incluídos. O
que acontecerá, se o falar de Deus por amor de Jerusalém não atingir nosso coração?
Então ficaremos para trás! É o que o autor de Hebreus pretende dizer com sua
advertência: “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no
descanso de Deu, suceda parecer que alguns de nós tenha falhado” (Hb 4.1). Se o falar
de Deus por amor de Jerusalém é realmente ao mesmo tempo um falar ao nosso coração,
então Ele não continua calado diante dos teus pecados. Ele também não se cala diante da
tua falta de oração, nem diante da tua idolatria. Assim como fala atualmente a todo o
mundo através de Jerusalém reunificada, Ele deseja a reunificação contigo, que estás
separado dele por causa do pecado. Vê, assim como fala através da nova vida de
Jerusalém reconquistada, Ele quer dar-te nova vida, pois assim diz o Senhor: “Lavrai para
vós outros campo novo” (Jr 4.3)! As palavras de Isaías 57.11 são abaladoras: “Mas de
quem tiveste receio ou temor, para que mentisses, e não se lembrasses de mim, nem de
mim te importasses? Não é, acaso porque me calo, e isso desde muito tempo, e não te
temes?” Toda nossa vida de fé é, como está dito aqui, receio, temor, sim, uma mentira, se
não damos ouvidos ao que Deus fala! Jerusalém esteve durante muito tempo afastada do
Senhor. O Senhor Lamenta sobre está cidade em Ezequiel 16 e Isaías 1.21: “Como se fez
prostituta a cidade fiel!” Agora, entretanto, a restauração de Jerusalém está às portas. O
Muro das Lamentações, no centro de Jerusalém, é o centro de um despertamento, de
uma volta ao Senhor. Isaías 40.1-2 se torna realidade: “Consolai, consolai o meu povo, diz

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o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua
milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor,
por todos os seus pecados.”
Por isso, precisamos dizer mais uma vez: O que acontece atualmente em Jerusalém, tem
relação com o teu e o meu coração. O Senhor quer despertar-te; Ele está despertando
Jerusalém. E tu, queres ficar para trás? O que diz o Senhor através do profeta Isaías?
“Por muito tempo me calei, estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como
a que está de parto, e ao mesmo tempo ofegarei e estarei esbaforido” (Is 42.14). Por que
o Todo-poderoso grita? “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala:
Criei filhos, e os engrandeci, mas eles estão contra mim” (Is 1.2), ou, em outras palavras:
Ouçam a Palavra de Deus, vocês que perderam o primeiro amor! E então, no versículo 4:
“Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos
corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás.”
Finalmente, no versículo 18, Ele convida a vir: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor;
ainda que os vossos pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos como a
neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.”

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