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SEXUALIDADE E GÊNERO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO

FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DAS REPRESENTAÇÕES


DOCENTES
Erica Aline de Castro1; Fabiane Freire França2

Universidade Estadual do Paraná Câmpus de Campo Mourão

erika-alinecastro@hotmail.com; prof.fabianefreire@gmail.com

Resumo
Sexualidade e gênero são entendidos nesta pesquisa como construções sociais, históricas
e culturais. Nesse sentido, a escola e os professores/as têm papel fundamental na produção
das representações e compreensão destas temáticas. O objetivo desta pesquisa consiste
em investigar as representações dos/as docentes acerca de sexualidade e gênero nos Anos
Iniciais do Ensino Fundamental, na cidade de Corumbataí do Sul-PR. Problematiza-se com
essa pesquisa: qual/quais pesquisas e materiais os/as professores dos Anos Iniciais têm ou
tiveram acesso sobre sexualidade e gênero? Esses materiais são utilizados em suas aulas?
Para tanto, foram aplicados questionários com os/as docentes no ano de 2015 para
identificação de suas representações sobre os temas. A metodologia adotada nesse estudo
consistiu em estudo de caso e pesquisa bibliográfica na perspectiva dos Estudos de Gênero
e da Teoria das Representações Sociais. Os resultados coletados apontaram que estes/as
docentes não têm acesso a materiais e formação adequada e têm consciência que não estão
preparados/as para lidar com os questionamentos de seus alunos e alunas. Evidenciam
ainda que abordam estas discussões com os seus posicionamentos pessoais. Portanto, tais
ações podem se constituir como referência na consolidação das representações sociais de
seus/suas alunos/as.
Palavras-chave: Educação; Sexualidade; Gênero; Anos Iniciais.

1. Introdução

A presente pesquisa tem o objetivo de analisar as questões de gênero e sexualidade nos


Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com base nas representações docentes que
trabalham com essa etapa. Com isso analisamos como professoras compreendem o tema,
quais suas concepções, atitudes e valores.
Louro (2007) argumenta que muitos/as educadores/as defendem que sexualidade e gênero
devem ficar fora da escola. Contudo, segundo Santos e Araújo (2009) a escola não apenas
reproduz, como também produz as concepções de sexualidade e gênero. Dessa forma, as
professoras e professores tornam-se referenciais da discussão sobre a sexualidade na

1 Graduanda em Pedagogia (UNESPAR – campus de Campo Mourão); Estudante de Iniciação Científica,


bolsista da Fundação Araucária. E-mail: erika-alinecastro@hotmail.com
2 Doutora em Educação pela (UEM); Professora adjunta do Colegiado de Pedagogia da Universidade

Estadual do Paraná – campus de Campo Mourão. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação,
Diversidade e Cultura (GEPEDIC/CNPq). E-mail: prof.fabianefreire@gmail.com

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escola, pois podem optar por: não discutir o problema, discutir superficialmente ou restringir
o debate sobre a sexualidade à prevenção à gravidez na adolescência e à infecção pelo
HIV/Aids.
Com efeito, as professoras e os professores dos Anos Inicias têm influência sobre a
concepção dos alunos e alunas a respeito da sexualidade e do gênero. Portanto, a maneira
como os/as professores/as se posicionam na escola constitui-se como referência das
representações sociais no decorrer da vida dessas crianças. Neste sentido, o presente
estudo optou por analisar um grupo de docentes da cidade de Corumbataí do Sul-PR. A
seleção da cidade ocorreu pelo fato de apresentar, aproximadamente, quatro mil
habitantes, e das escolas alegarem não ter formação docente acerca de gênero.
Desse modo, o estudo das questões relacionadas ao gênero e a sexualidade durante o
processo de aprendizagem, torna-se necessário, uma vez que a escola contribui para
formar as concepções a respeito do gênero e sexualidade, justificando-se, assim, o
presente trabalho e sua relevâncias social.
O texto foi sistematizado em quatro seções: 1) a introdução, aqui apresentada; 2) a
metodologia da pesquisa que evidencia os procedimentos de coleta de dados, perfil dos
sujeitos, dentre outras características; 3) a revisão da literatura em conjunto com a análise
dos dados, e por fim; 4) as considerações finas.

2. Metodologia

A metodologia utilizada nesse estudo pode ser classificada como um estudo de caso. O
método de estudo de caso, segundo Gil (2008) é caracterizado pelo estudo profundo e
exaustivo de um ou de poucos objetos, de modo a permitir conhecimentos amplos e
detalhados do mesmo. Além do estudo de caso, foi utilizada a pesquisa de cunho
bibliográfico, por meio de referenciais teóricos, livros e artigos científicos (GIL, 2008).
Dessa forma, um grupo de docentes da escola do município de Corumbataí do Sul-PR foi
convidado a responder um questionário com o objetivo de analisar suas concepções sobre
gênero e sexualidade. Apesar do contato direto com a escola, somente quatro docentes
responderam ao questionário. Embora a equipe escolar tenha apresentado interesse na
pesquisa, foram várias as tentativas para a aplicação do questionário e conseguimos um
número reduzido de respostas. As justificativas dos/as docentes em não nos receber era a
quantidade de atividades que tinham na escola.
Para compreender qual/quais materiais e pesquisas os(as) professores(as) dos Anos
Iniciais têm ou tiveram acesso para tratarem de sexualidade e gênero, investigamos por
meio do questionário o que e como os/as docentes entendem as relações de gênero e
sexualidade, a partir de suas falas, posturas e representações. A escola foi selecionada
mediante a indicação da Secretaria Municipal de Educação da região.
O questionário foi organizado em duas etapas: na primeira constavam questões para definir
o perfil dos sujeitos da pesquisa, a segunda parte do questionário apresentava sete
questões acerca de gênero e sexualidade, tendo como o objetivo: investigar as
representações docentes sobre gênero e sexualidade na mídia e suas proposições para
trabalhar estas temáticas.

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Quadro 1: Questionário referente ao perfil das participantes.
1 – Nome:

2 – Sexo

3 – Gênero

4 – Sexualidade

5 – Profissão

6 – Tempo de trabalho

7 – Tempo que trabalha nesta instituição

8 – Disciplinas

9 – Escolas em que atua

10 – Nível em que atua: ( ) Educação Infantil ( ) Fundamental ( ) Médio ( ) Superior

11– Idade:

12 – Formação:

13 – Religião:

14 – Na sua opinião, de quem é a responsabilidade de orientações acerca das dúvidas sobre gênero e sexualidade? Por
quê?

15 – A quem os alunos e alunas recorrem para esclarecimentos referentes a gênero e sexualidade?

16 – Você considera que a disciplina que ministra tem espaço para discussões a respeito das temáticas de gênero e
sexualidade? Por quê?

17 – Qual o seu posicionamento quando aparecem questionamentos que envolvem gênero e sexualidade na sala de
aula?

18 – Como você analisa os estudos de gênero e sexualidade como parte integrante da formação/educação de seus alunos
e alunas? Justifique sua resposta.

20 – Você conhece alguma mídia que aborda as questões de gênero e sexualidade? Como analisa?

21 – Em sua percepção quais os limites e potencialidades da utilização de mídias em sala de aula que abordem gênero
e sexualidade?

Fonte: As pesquisadoras

Após a aplicação dos questionários foi possível mapear o perfil dos/as participantes e
realizar a tabulação de suas respostas. Os/as quatro docentes que foram entrevistados,
demostraram interesse em participar e compreender melhor a temática. Os/as demais
docentes da escola demonstraram receio ao falar sobre o assunto. Consideramos que a
conjuntura de uma suposta “ideologia de gênero” nos planos municiais, estaduais e
nacional de educação tenha gerado um desconforto e receio de alguns docentes em
participar da pesquisa.
No ano de 2014 em todo o país ocorreram diversos debates acerca da inserção da
terminologia de gênero no plano nacional de educação. Grupos religiosos, católicos e
evangélicos alegaram que o uso da teoria de gênero seria uma “ideologia” e um perigo para
a “família brasileira”, pois apresentava outras possibilidades de identidades e famílias. Tais
discursos foram também reverberados nas discussões dos planos estaduais e municipais
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de educação, ocasionando a retirada dos termos gênero desses documentos em diversos
estados e municípios do Brasil. Pensamos que essas discussões tenham influenciado em
nossa coleta de dados e por isso um número pequeno de sujeitos aceitou fazer parte da
pesquisa. Na sequência apresentamos o perfil dos/as participantes que responderam os
questionários.

Quadro 2: Dados de identificação das participantes da pesquisa com base nas respostas
do questionário.
Professor Sexo Gênero Sexualidade Profissão Idade Tempo de Disciplinas
(a) trabalho

PA Feminino Feminino Não responde Professor 43 anos 24 anos Português,


matemática,
Arte, Historia,
Ciências.
PB Masculino Masculino Heterossexual Professor 39 anos 24 anos História

PC Feminino Feminino heterossexual Professora 40 anos 12 anos Não responde

PD Feminino Feminino heterossexual Professora 35 anos 17 anos Português,


(mulher) matemática,
Arte, Historia,
Ciências
Fonte: As pesquisadoras

Analisando a tabela que os/as docentes responderam sobre seu perfil, percebemos que
todos disseram a qual sexo pertencia, mas com a indagação sobre qual gênero e
sexualidade os docentes tiveram um pouco de dificuldade para responder. A Professora A
não respondeu sua sexualidade, os/as demais professores/as B, C e D responderam
feminino/masculino e heterossexual. Mas, percebe-se que os professores tiveram dúvidas
ao distinguir gênero e sexualidade.

3. Revisão de literatura e análise dos dados

O gênero é uma ferramenta analítica que visa rejeitar o determinismo biológico encontrado
nas diferenças entre homens e mulheres. O gênero pode ser definido de duas formas: “[...]
(1) o gênero é um elemento constitutivo das relações sociais baseadas nas diferenças
percebidas entre os sexos e (2) o gênero é uma forma primária de dar significado às
relações de poder” (SCOTT, 1990, p. 86).
A sexualidade constitui uma ampla categoria de análise, que considera as relações de
poder, os referencias de classe, as relações entre os gêneros, a diversidade sexual, os
aspectos sociais, históricos, políticos, econômicos, éticos, étnicos e religiosos. A
sexualidade compreende também os conceitos de linguagem, corpo e cultura (SANTOS e
ARAUJO, 2009).
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Ainda de acordo com Santos e Araújo (2009 p. 15) as discussões sobre a sexualidade são
polêmicas, pois envolvem conceitos científicos diversos, tais como: os conceitos
dogmáticos, especulativos, preconceituosos, limitados e conservadores, que, somados a
uma formação incipiente por parte dos/as educadores/as, gera a apropriação de um
currículo que geralmente ignora, analisa com superficialidade ou desconsidera tal
perspectiva. Nogueira (2010, p.14) salienta que:

Ao longo da história ocorreram mudanças de comportamentos e crenças


relacionadas à sexualidade. Em diferentes culturas essa foi se tornando
questionável em todos os campos de conhecimentos, que inicialmente eram
encarados como natural e posteriormente certos relacionamentos eram
tidos como anomalias e inclusive com tratamentos clínicos, como a
homossexualidade que era considerada doença.

E mesmo tendo ocorrido algumas mudanças na concepção que a sociedade tem sobre
gênero e sexualidade, ainda existe muito preconceito e tabus ao se falar em gênero e
sexualidade, e o espaço escolar é um exemplo. Percebe-se que a escola atribui à família a
responsabilidade da formação da identidade sexual e de gênero. O foco da escola está no
discurso biológico e científico, e não procura propor discussões sobre a sexualidade e o
gênero para esclarecer as dúvidas que os/as alunos e alunas expressam. Tanto as falas
dos/as participantes da pesquisa, quanto a literatura especializada (LOURO, 1997;
FRANÇA, 2009) evidencia que as famílias dos/as estudantes apresentam resistência em
relação a escola abrir espaço para essas discussões. Louro (1997) argumenta que a escola
sempre foi reprodutora de desigualdades e diz que:

Diferenças, distinções, desigualdades... A escola entende disso. Na


verdade, a escola produz isso. Desde seus inícios, a instituição escolar
exerceu uma ação distintiva. Ela se incumbiu de separar os sujeitos —
tornando aqueles que nela entravam distintos dos outros, os que a ela não
tinham acesso. Ela dividiu também, internamente, os que lá estavam,
através de múltiplos mecanismos de classificação, ordenamento,
hierarquização. A escola que nos foi legada pela sociedade ocidental
moderna começou por separar adultos de crianças, católicos de
protestantes. Ela também se fez diferente para os ricos e para os pobres e
ela imediatamente separou os meninos das meninas (LOURO, 1997, p. 57).

Para a autora, a escola delimita espaços, ela afirma o que cada um pode fazer ou não, ela
institui e separa, e com isso ela vai informando o lugar dos meninos e das meninas. Por
isso, a necessidade da formação docente para rever esse papel da escola e possibilitar o
diálogo com a diversidade e as diferenças. É o que propomos na sequência.
É possível perceber que os/as professores/as que responderam ao questionário
apresentaram opiniões diferentes quanto às questões de gênero e sexualidade nas escolas.
Dois dos/as professores/as entrevistados/as, B e D assinalam a família como a principal
responsável pelos esclarecimentos das dúvidas acerca da sexualidade e do gênero. O
professor B, diz que “são os pais os responsáveis, pois a família é a base de tudo, espaço

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para a formação da criança” (Dados questionário). A professora D argumenta que “as
primeiras dúvidas são reponsabilidade dos pais, pois estão ligadas com a criança desde o
nascimento” (Dados do questionário). Já as professores A e C mencionaram que todos são
responsáveis (escola e família).
A professora A justifica que “todos são responsáveis, devido ao fato de serem professores
e estar diretamente ligados aos questionamentos dos alunos, por isso é importante o
professor estar preparado para qualquer indagação” (Dados do questionário). A professora
C, descreve que “é responsabilidade dos pais, mas diz que a escola exerce um papel
relevante para esclarecer tais dúvidas” (Dados do questionário).
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação sexual (PCN; BRASIL,
1998), as manifestações da sexualidade podem ser observadas em todas as idades, sendo
assim, não devemos ignorar, ocultar ou reprimir as questões que aparecem no espaço
escolar. Todavia, o que muitas vezes os/as profissionais da escola fazem é invisibilizar
essas discussões acreditando na ideia de que a sexualidade é um assunto para ser lidado
apenas pela família, como expresso por algumas das falas apresentadas e a negação de
alguns/mas dos/as docentes em fazer parte da pesquisa.
É também papel da família dialogar acerca de gênero e sexualidade com suas crianças.
Entretanto, estes assuntos ainda são tratados como tabus, pois o comportamento dos pais
e mães em a relação aos seus filhos, suas filhas e com os outros integrantes da família tem
grande influência, nos “cuidados” que são recomendados, em seus gestos, proibições e
expressões. Todas estas orientações estão carregadas de valores associados à
sexualidade que a criança aprende – ou não – em seu cotidiano: “isso é proibido para você”;
“você ainda não tem idade para ver, saber ou falar sobre isso”, geralmente são as
orientações familiares.
São por estes e outros motivos que as discussões acerca de gênero e sexualidade
“invadem” o ambiente escolar. Crianças e adolescentes com as mais diversas curiosidades
e dúvidas acerca de seu corpo e sua sexualidade externalizam atitudes em sala de aula,
no pátio, da biblioteca, na quadra de esportes, dentre outros espaços, e geralmente são
reprimidas, não atendidas, afinal, na percepção da maioria dos/as docentes, estes assuntos
devem ser abordados fora da escola. Ocorre que nos espaços escolares, sejam nos
escritos das carteiras e nas portas dos banheiros, nas conversas no recreio ou mesmo nos
espaços das salas de aulas as representações da identidade de gênero estão presentes,
afinal não há como deixar o corpo fora da escola.
Os/as professores/as foram indagados/as com a seguinte questão, “a quem os alunos e
alunas recorrem para esclarecimentos referentes a gênero e sexualidade?”. Os/as
professores/as A, B, C e D, acreditam que os/as alunos/as recorrem aos professores/as
para o esclarecimento das dúvidas. Os/as professores/as D e C argumentam que os/as
alunos/as também recorrem aos/às próprios/as colegas.
Para a professora A, os/as alunos/as “costumam levar suas dúvidas e questionamentos
diretamente aos/às professores/as” (dados do questionário). O Professor B também
mencionou que “os alunos muitas vezes recorrem aos/as professores/as, pois na maioria
das vezes os pais não dão abertura para estes esclarecimentos” (Dados do questionário).
A professora C respondeu que “os/as alunos/as recorrem aos colegas e aos/às
professores/as que tem uma maior intimidade para tirarem suas dúvidas” (Dados do
questionário). A Professora D menciona que “vai depender da idade dos/as alunos/as,
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quando menores recorrem aos/às professores/as e quando maiores recorrem aos
próprios/as colegas” (Dados do questionário).
Se a família e a escola não dialogam acerca destes assuntos, a quem as crianças e os
jovens recorrem? Em pesquisa recente (QUADROS; FRANÇA, 2014), foi constatado que
os/as estudantes entre a faixa-etária de 12 aos 18 anos procuram amigos/as e colegas mais
próximos para tiraram suas dúvidas. E geralmente quando não conseguem sanar a dúvida
com os/as colegas consultam sites na internet, tais como blogs, notícias apresentadas por
especialistas, etc.
Louro (1997) argumenta que “a escola delimita espaços, servindo-se de símbolos e
códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa
o "lugar" dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas” (LOURO, 1997, p.58).
Desde os primeiros anos de vida da criança, instâncias sociais, sobretudo a escola e a
família, fazem um investimento contínuo e cuidadoso para a legitimidade da
heterossexualidade (LOURO 2000).
Segundo Lima et al (2010), a família é o primeiro grupo que a criança tem contato e é nela
que a criança recebe as primeiras orientações e normas dos padrões sexuais. Diversos
fatores impedem que a família aborde esse assunto e que o trate como tabu. Abordar
assuntos sobre a sexualidade não é fácil para os pais e as mães que sempre acreditam
não ser o momento certo para o diálogo. Sentem dificuldades em falar naturalmente sobre
sexo, gênero e sexualidade.
De acordo com Almeida (2005), questões ligadas a sexualidades ainda provocam tremores
nos pais e mães, também pelo fato de serem de diferentes gerações. Pais e mães têm
dificuldades em compreender que seus valores e ideias não vão mais ao encontro das
representações de seus filhos/as. O assunto sexualidade, por exemplo, tem uma carga
enorme de preconceitos e com isso são criadas determinadas imposições sociais que
obstaculizam o diálogo entre pais/mães e filhos/as. Famílias alegam que os motivos que
impedem de falar com seus/suas filhos/as sobre esses temas estão ligados a vergonha,
falta de tempo, insegurança, dificuldades em abordar o tema, pois sentem-se
despreparadas e incomodadas em tocar nesse assunto.
Observamos que tanto a escola como os/as professores/as influenciam na sexualidade
dos/as alunos/as, com os seus silenciamentos ou proibições. Tais posicionamentos podem
reforçar atitudes preconceituosas, pois nunca se pode falar ver ou conviver com o “outro”
que é diferente.
De acordo com os PCN (BRASIL, 1998) é comum às crianças terem curiosidades a respeito
de gênero e sexualidade, curiosidades expressas de forma direta, expressam também
muitas vezes dúvidas a respeito da sexualidade por meio de brincadeiras erotizadas. É
possível observar também que as crianças reproduzem algumas manifestações da
sexualidade adulta presenciadas por elas ou mesmo vistas em programas de televisão. É
muito comum crianças apresentarem alguns comportamentos relacionados a estes
assuntos na escola e ser repreendidas por seus/suas professores/as.
As crianças em geral passam a maior parte do seu tempo nas escolas, então é comum que
apresentem alguns comportamentos em sala de aula que envolva as questões de gênero
e sexualidade, e também é na escola que a meninas tem mais contato com os meninos e
os meninos com as meninas, e muitas vezes é devido a esse contato que começam a
surgir as primeiras dúvidas e questionamentos sobre seus corpos.
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Ainda no questionário aplicado apresentamos e indagamos as professoras e o professor se
nas disciplinas que ministram dão espaços para essas discussões. Para a Professora A:
“sim, sempre quando surge algum questionamento, ou a oportunidade de estar abordando
o tema, ele é discutido e oportunizado o debate com os alunos” (Dados questionário). Do
mesmo modo o Professor B responde que “sim, toda disciplina deve dar abertura para as
perguntas levantadas pelos alunos, ainda mais quando contribui para o esclarecimento do
aluno” (Dados questionário). A Professora C compreende que “toda formação pedagógica
atende esses quesitos, uma vez que as discussões acerca desses temas são bem atuais e
cabem ao contexto escolar, mas o professor precisa está preparado para tal abordagem”.
(Dados questionário). A Professora D responde que “nem sempre, mas no possível se faz
uma discussão sobre o assunto” (Dados questionário). Nessa direção, Furlani (2009, p.39)
explica algumas das justificativas dos/as educadores/as para a não realização do trabalho
com gênero e sexualidade na escola.

Para muitos/as educadores/as, a opção em não discutir as sexualidades e


os gêneros pode ser apoiada pela “providencial” inexistência da temática
nos currículos escolares (que justificaria sua recusa na discussão e o
conveniente apego aos conteúdos curriculares propostos). Ou ainda poderia
estar favorecida pela ausência da temática nos seus cursos de formação (o
que se somaria à admitida dificuldade pessoal com o assunto).

Sobre os posicionamentos dos/as professores/as, quando aparecem as dúvidas e


questionamentos dos/as alunos/as sobre gênero e sexualidade, apresentam distintas
opiniões. A professora A responde que “se os questionamentos são coerentes e isso que
costumo avaliar, e aí direciono um diálogo e exponho minhas opiniões” (dados do
questionário). Para o professor B é preciso “instruir conscientizar, orientando-os de como
prevenir e como deve agir diante de tal situação” (Dados do questionário). A Professora C
diz, “como trabalho com a educação infantil considero esses questionamentos ainda
inocentes, nos trabalhamos de uma forma lúdica, para que a criança compreenda e
relacione as atitudes a respeito dessa temática: mostrar a diferença entre meninos e
meninas e sua relação com os demais colegas” (Dados do questionário). Para a professora
D, “é preciso ter bastante polidez ao se posicionar sobre os questionamentos, pois
dependendo do que se fala pode trazer constrangimento em sala de aula” (Dados do
questionário). Sobre a educação sexual Furlani (2010, p.45) argumenta que,

A educação sexual deve começar na infância e, portanto, fazer parte do


currículo escolar as temáticas discutidas na educação sexual são
conhecimentos imprescindíveis à formação integral da criança e do/a jovem.
O sexo, o gênero, a sexualidade, a raça, a etnia, a classe social, a origem,
a nacionalidade, a religião, por exemplo, são identidades culturais que
constituem os sujeitos e determinam sua interação social desde os primeiros
momentos de sua existência. A sexualidade se manifesta na infância, na
adolescência, na vida adulta e na terceira idade. Esperar para abordar a
sexualidade, apenas na adolescência, reflete uma visão pedagógica
limitada, baseada na crença de que a “iniciação sexual” só é possível a partir
da capacidade reprodutiva (puberdade). Com isso, a Escola está sempre
atrasada: em relação às expectativas e as vivências das crianças e jovens,
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em relação a sua capacidade de mudar comportamentos com a informação
que oferece.

O/a educador/a deve identificar as manifestações de curiosidades da criança e dialogar e


intervir permitindo que as dúvidas dos/as alunos/as sejam esclarecidas. Para que o/a
docente consiga atender às dúvidas dos/as alunos/as e para fazer discussões sobre gênero
e sexualidade é necessário que ambos tenham uma relação de confiança. O/a professor/a
tem que abordar essas questões de forma nítida para os/as alunos/as. É importante que
responda as dúvidas de seus/suas alunos e alunas ou questões trazidas por eles/as do
ponto de vista científico, não de seu próprio ponto de vista (BRASIL, 1998).
Nesta mesma direção, a escola deve informar debater e problematizar os diferentes tabus
existentes na sociedade. Para a realização desta tarefa é necessário um distanciamento
das opiniões e aspectos pessoais dos/as professores/as, pois ocupa um lugar de referência
para o/a aluno/a. As opiniões pessoais de professores/as podem ocupar um espaço de
incertezas e ambivalências (BRASIL, 1998).
É muito comum quando aparecem situações, dúvidas sobre gênero e sexualidade,
professores/as expressarem suas próprias opiniões, muitas vezes carregadas de atitudes
preconceituosas, e ideias inadequadas por falta de informações e de orientação sobre como
tratar desde assunto em sala de aula. Foi possível identificar em umas das respostas do
questionário que quando surgem dúvidas sobre gênero e sexualidade na escola os/as
docentes expõem suas próprias opiniões em suas respostas. Que foi o caso do professor
A, “se os questionamentos são coerentes e isso que costumo avaliar, e aí direciono um
diálogo e exponho minhas opiniões” (Dados do questionário).
Em vista disso, é necessário que os/as professores/as tenham formação adequada e
continuada, participem de grupos de estudos, de palestras e cursos para estabelecer um
diálogo mais seguro com seus alunos/as sobre o tema e ter suas opiniões baseadas na
literatura especializada e não no senso comum, naquilo que a sociedade considera certo
ou errado, possibilitando a desconstrução de preconceitos que foram e são produzidos ao
longo dos anos. Nesse sentido, Louro (1997, p. 64) argumenta que

Currículos, normas, procedimentos de ensino, teorias, linguagem, materiais


didáticos, processos de avaliação são, seguramente, loci das diferenças de
gênero, sexualidade, etnia, classe — são constituídos por essas distinções
e, ao mesmo tempo, seus produtores. Todas essas dimensões precisam,
pois, ser colocadas em questão. É indispensável questionar não apenas o
que ensinamos, mas o modo como ensinamos e que sentidos nossos/as
alunos/as dão ao que aprendem.

Ainda, segundo Louro (1997, p. 81),

É indispensável que reconheçamos que a escola não apenas reproduz ou


reflete as concepções de gênero e sexualidade que circulam na sociedade,
mas que ela própria as produz, podemos estender as análises de Foucault,
que demonstraram o quanto as escolas ocidentais se ocuparam de tais
questões desde seus primeiros tempos, aos cotidianos escolares atuais, nos
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quais podemos perceber o quanto e como se está tratando (e constituindo)
as sexualidades dos sujeitos. Essa presença da sexualidade independe da
intenção manifesta ou dos discursos explícitos, da existência ou não de uma
disciplina de "educação sexual", da inclusão ou não desses assuntos nos
regimentos escolares. A sexualidade está na escola porque ela faz parte dos
sujeitos, ela não é algo que possa ser desligado ou algo do qual alguém
possa se "despir".

É possível perceber que em atividades, jogos e brincadeiras nas escolas, meninos e


meninas muitas vezes são separados, meninas não podem participar de determinada
brincadeira ou atividade da mesma forma que em algumas brincadeiras meninos não
podem participar. São nestas práticas rotineiras que se constroem as desigualdades de
gênero, as crianças crescem com determinados conceitos sobre o que a mulher ou o
homem “podem” ou não fazer. Sobre esse assunto Louro (1997, p. 63-64) assinala,

É "natural" que meninos e meninas se separem na escola, para os trabalhos


de grupos e para as filas? É preciso aceitar que "naturalmente" a escolha
dos brinquedos seja diferenciada segundo o sexo? Como explicar, então,
que muitas vezes eles e elas se misturem" para brincar ou trabalhar? É de
esperar que os desempenhos nas diferentes disciplinas revelem as
diferenças de interesse e aptidão "características" de cada gênero? Sendo
assim, teríamos que avaliar esses alunos e alunas através de critérios
diferentes? Como professoras de séries iniciais, precisamos aceitar que os
meninos são "naturalmente" mais agitados e curiosos do que as meninas?
E quando ocorre uma situação oposta à esperada, ou seja, quando
encontramos meninos que se dedicam a atividades mais tranquilas e
meninas que preferem jogos mais agressivos, devemos nos "preocupar",
pois isso é indicador de que esses/as alunos/as estão apresentando
"desvios" de comportamento?

No decorrer da pesquisa e com a análise dos questionários constatamos que os/as


docentes não têm acesso a materiais e uma formação continuada. Evidenciaram que têm
consciência que não estão preparados/as para trabalhar com os questionamentos de
seus/suas alunos/as sobre as questões voltadas para gênero e sexualidade. É comum ouvir
falas de professores/as dizendo que não possuem uma formação adequada para falar e
esclarecer dúvidas sobre o tema, mas há também uma resistência por parte de alguns/mas
deles/as quando é oferecido algum tipo de formação sobre o assunto. Percebemos isso no
decorrer desta pesquisa, pois poucos sujeitos aceitaram participar e discutir o assunto e
sabemos que na graduação pouco se vê sobre as questões ligadas ao gênero e a
sexualidade.
Leão (2013) em uma pesquisa com 40 gestores/as e professores/as de ambos os sexos,
questionou os participantes se receberam algum tipo de informação sobre a sexualidade
em sua graduação, os dados obtidos por ela evidenciam que 66,65% dos/as participantes
não receberam nenhum tipo de informação durante a graduação, 32,35 % disseram que
sim, 1% não respondeu. Os PCN sugere que:

Orientação Sexual oferecida pela escola aborde com as crianças e os jovens


as repercussões das mensagens transmitidas pela mídia, pela família e
pelas demais instituições da sociedade. Trata-se de preencher lacunas nas
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informações que a criança e o adolescente já possuem e principalmente,
criar a possibilidade de formar opinião a respeito do que lhes é ou foi
apresentado. A escola, ao propiciar informações atualizadas do ponto de
vista científico e ao explicitar e debater os diversos valores associados à
sexualidade e aos comportamentos sexuais existentes na sociedade
possibilita ao aluno desenvolver atitudes coerentes com os valores que ele
próprio eleger como seus (BRASIL, 1998, p. 16).

No entanto percebe-se que nas práticas pedagógicas de muitos/as professores/as existe


uma resistência aos assuntos relacionados à sexualidade, e de acordo com eles é preciso
sempre ter cautela e cuidado ao abordar o tema. Como diz a Professora D, “é preciso tem
bastante polidez ao se posicionar sobre os questionamentos, pois dependendo do que se
fala pode trazer constrangimento em sala de aula” (Dados do questionário).
Os/as professores/as também foram questionados/as sobre a utilização das mídias para a
abordagem da temática gênero e sexualidade. Todos/as argumentaram que é necessário
ter cautela para a utilização das mídias que abordem essa temática. Para a professora A,
“a utilização das mídias deve ser muito bem preparada e é necessário ciência dos
conteúdos de tais mídias, muita cautela e objetividade no momento de seu uso” (Dados do
questionário). Já o professor B acredita que deve haver a “utilização de vídeos e palestras
para a comunidade escolar sempre tendo objetividade e cautela” (Dados do questionário).
A professora C responde que “como esse tema e difícil para estar trabalhando em sala de
aula, deve ter cuidado e limites para a utilização das mídias em sala de aula” (Dados do
questionário). Para a professora D “tem que ser muito bem elaborado e respeitando a faixa
etária dos alunos” (Dados do questionário).
Nesta pesquisa, mesmo com uma amostra pequena, foi possível perceber o quanto os/as
professores/as resistem em falar sobre gênero e sexualidade na escola, assim como
reverberam outras pesquisas em que os/as professores/as são entrevistados/as e suas
atitudes e suas respostas são carregadas de preconceito, e ao tratar desses assuntos com
seus alunos e suas alunas dão o enfoque ao discurso biológico.
Foi solicitado para que os/as professores apresentassem algumas sugestões para se
trabalhar como gênero e sexualidade e a professora C, fez suas sugestões e argumentou
que na educação infantil se aborda somente a diferença do ser masculino e feminino.
Professor C sugere “atividades que envolvam o bom relacionamento das crianças em
grupo, podendo ser de competição recreação ou pedagógicas, porém com a educação
infantil a abordagem desta temática envolve a compreensão do ser masculino e feminino e
se identificar” (Dados do questionário).
Mesmo sem perceber os/as professores/as podem influenciar constantemente
seus/suas alunos/as, estimulando e incentivando diversas formas de comportamentos
dizendo o que eles e elas podem ou não fazer de acordo com o seu sexo, podendo gerar
práticas sexistas. Na educação infantil as crianças estão passando por um período de
construção de seu comportamento, ações e de suas opiniões, portanto as ações dos
professores em sala de aula terá grande contribuição para a formação de seus alunos e
alunas.

4. Considerações Finais

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Como foi exposto no decorrer desta pesquisa pouco se fala de gênero e sexualidade na
sala de aula em uma cidade interiorana do Paraná, com poucos habitantes. Os docentes
apresentam um discurso de dúvida e incertezas, e justificam que não têm uma formação
adequada para fazer essas discussões, por isso mencionam atender aos questionamentos
dos/as alunos com base em suas opiniões e representações.
Vale ressaltar que os objetivos desta pesquisa foram parcialmente alcançados, pois foi
possível a aplicação de quatro questionários apenas. Os resultados coletados ao longo
desta pesquisa apontam que os/as docentes investigados reclamam da falta de formação
continuada e materiais e metodologias para atender às dúvidas dos/as alunos/as. É preciso
maior investimento de formação docente em todos os âmbitos para que os/as
educadores/as não permaneçam com um discurso único ou de resistência ao novo, pois,
suas ações são como referências na consolidação das representações sociais de
seus/suas alunos/as.

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