Você está na página 1de 10

OLHAR MÁGICO

O olhar mágico diz respeito às formas de tratamento de doenças utilizadas


na antiguidade, desde chás, crenças e orações. Os povos primitivos explicavam
a doença dentro de uma concepção mágica, considerando que o doente é vítima
de demônios e espíritos malignos, porém, algumas vezes evocavam deuses ou
demônios na tentativa de oferecer cura ao doente.
O olhar mágico representa o período em que as construções dos saberes
acerca da doença eram obtidas a partir do pensamento mit́ ico, ou seja,
acreditavam que as doenças ocorriam em decorrência da influência de demônios
e de maldições. Assim, cabia ao feiticeiro chamar os espíritos adequados para
curar o doente. Estes feiticeiros passam por um rígido treinamento, inclusive
com abstinência alimentar e sexual, aprendendo a usar drogas alucinógenas que
são utilizadas no combate a doenças.
Com a chegada do Cristianismo, a doença era vista como um rito para a
purificação espiritual, em que a cura somente ocorreria se o doente merecesse,
desta forma, as epidemias ocorriam devido aos castigos divinos que ocorriam
como castigo para os pecadores. A doença era sinal da desobediência aos
mandamentos divinos, por exemplo, a lepra. Nestes casos o doente era isolado
até a cura.
O Brasil possui grandes ritos de cura, através de mágicas e medicina
natural, que foram herdados dos índios e dos negros trazidos como escravos.
Séculos depois, novas formas de conhecimento substituíram a magia causando
uma brecha no pensamento místico, dando lugar a medicina empírica de
Hipócrates.
A partir do olhar mágico, foi elaborado um questionário direcionado ao
médico da ESF e ao paciente.

MÉDICO

1. Você já tomou alguma decisão de tratamento de acordo com suas


convicções religiosas?
R: Não.
2. Você já aconselhou algum paciente a procurar auxílio espiritual afim de
melhorar o tratamento?
R: Não.

3. Você já orientou um paciente a tomar remédios caseiros?


R: Não

4. Você já teve algum paciente que apresentou uma melhora inesperada


sem o tratamento com a medicina tradicional?
R: Sim

5. Você acredita que algumas doenças possam ser curadas através do


tratamento com plantas, chás ou outro produto considerado natural?
R: Não

PACIENTE

1. Você acredita que remédios caseiros podem curar?


R: Sim

2. Você se importaria de ser atendido por um médico que não acredita


em Deus?
R: Não

3. Você já tomou garrafada?


R: Sim

4. Você já foi benzido ou levou algum familiar para se benzer?


R: Sim

5. Você acredita que tomar remédios de acordo com a fase da lua


resulta em maior efeito?
R: Não
OLHAR EMPÍRICO

O olhar empírico baseia-se no experimento, nas tentativas, erros e acertos


de determinada patologia que está prestes a ser desvendada. De qualquer
maneira, traduz-se uma visão racional da medicina a observação empírica como
demonstram os casos clínicos que ficaram registrados, revelando uma visão
epidemiológica do problema de saúde enfermidade.
Primeiro, o efeito das estações do ano e as diferenças entre ela. Segundo,
os ventos, quente ou frios, característicos do país ou de um lugar em particular.
O efeito da água sobre a saúde não deve ser esquecido. Por último deve-se
considerar o modo de vida das pessoas: são glutões e beberrões, e
consequentemente incapazes de suportar a fadiga, ou, apreciando o trabalho e
o exercício, comem e bebem moderadamente?
Havia um esboço de administração sanitária, com leis que dispunham
sobre a inspeção de alimentos e de locais públicos. Leprosários também
existiam. Mas não existia saúde pública. Não havia público, no sentido que hoje
damos a palavra. O corpo social, convenientemente evocado na crise
representada pela rebelião dos plebeus, não estava ainda suficientemente
organizado para tal.
Sinais de intoxicação por mercúrio e chumbo já tinham sido registrados,
bem como a curta expectativa de vida dos trabalhadores nas minas desses
metais.
Cada época histórica teve seus espectros em termos de doença. Nos
tempos bíblicos era a lepra, a peste, a cólera: na Índia e na China antigas, a
varíola: na antiguidade greco-romana, a malária, descrita por Hipócrates, tornou-
se endêmica com desastrosas consequências socioeconômicas. Ocorrendo em
regiões úmidas que são também as que prestam para a agricultura, a malária
acomete os trabalhadores rurais, que abandonam o campo e se dirigem para a
cidade.
A evidente ineficácia dos procedimentos mágicos ou religiosos era
compensada com a caridade. É na Idade Média que surgem os primeiros
hospitais - mais apropriadamente hospícios, ou asilos, nos quais os pacientes
recebiam, se não o tratamento adequado, pelo menos conforto espiritual. Em
relação à ciência aos cuidados médicos e mesmo às medidas higiênicas havia
desconfiança e até hostilidade.
A medicina leiga torna a se desenvolver, o ensino da anatomia já admitia
a dissecção, mas a prática médica ainda era rudimentar, se bem que apoiada
em farmácias baseadas no modelo árabe e nos grandes hospitais
Como se pode notar, o conceito de corpo social amadureceu entre o final
do século 17 e meados do século 19. Simultaneamente amadureceria também
o processo de formação da saúde pública. E o olhar que a saúde pública lança
agora sobre o corpo social em acelerado processo de organização é o olhar
autoritário.
A partir do olhar empírico, foi elaborado um questionário direcionado ao
médico da ESF e ao paciente.

MÉDICO

1. Você concorda com os testes realizados em humanos através do


placebo?
R: O doutor Guilhermo respondeu que na opinião dele os melhores testes
realizados são feitos com placebo.

2. Você acredita que todo conhecimento obtido foi adquirido através


de experiências e testes?
R: Sim.

PACIENTE

1. Você participaria de algum tipo de teste com medicamentos


experimentais, para uma doença que você possui?
R: Não.

2. O senhor (a) tem preferência por um médico com maior


experiência, ou melhor, formação técnica-científico?
R: Tenho preferência por um médico com maior experiência.
OLHAR AUTORITÁRIO

No olhar autoritário verifica-se uma visão menos democrática com relação


a saúde humana, ou seja, há uma hierarquia de ordem. Essa visão surge a partir
de um contexto, a modernidade, colocando em debate o intervencionismo estatal
de modo a estabelecer a ordem.
Tal ideologia intervencionista estatal autoritária inclui a saúde pública com
políticas sanitaristas. Iniciando-se na Alemanha, com o conceito de polícia
sanitária, embasada em leis e regulamentos, abrangendo prevenção de doenças
contagiosas, higiene pré-natal, cuidados de parto e limpeza das ruas.
No brasil, tal visão autoritária de saúde pode ser inicialmente verifica-do
com Oswaldo Cruz, numa realidade de epidemia de febre amarela e diversas
doenças, estabeleceu políticas sanitaristas autoritárias, à exemplo da vacina
obrigatória, ocasionando posteriormente a guerra da vacina.
A partir do olhar empírico, foi elaborado um questionário direcionado ao
médico da ESF e ao paciente.

MÉDICO

1. O senhor julga que a opinião do paciente sobre o prognóstico é válido?


R: Sim, a opinião do paciente é sempre válida.
Comentário: De acordo com o dr. Guilhermo, indubitavelmente a opinião
do paciente sempre é válida na prática clínica, no entanto, deve haver cautela
ao utilizar as informações comunicadas pelo paciente durante a consulta. Isso
ocorre devido vários motivos, entre os estereótipos mais comuns encontra-se a
“vó do paciente”, cujo nos relatos dos sintomas exageram significativamente,
muitas vezes orientando a uma terapêutica errônea. Outro famosos estereótipo,
infelizmente comum na realidade clínica, se dá pelo paciente que procura
atenção médica apenas para obter um atestado médico com o objetivo de se
eximir de suas atividades laborais. Tal “paciente” comumentemente se apropria
de termos médicos anteriormente pesquisados na internet para descrever os
sintomas.
USUÁRIO DO SUS

1. O senhor (a) sente que o médico impõe sua opinião sobre o prognóstico
e tratamento?
R: Não considero que o médico institui sua opinião.
Comentário: A comunicação entre o médico e paciente é fundamental
para uma prática clínica eficaz. Uma boa comunicação implica,
necessariamente, em uma escuta ativa em relação ao paciente e suas dúvidas
em relação ao tratamento. Tal fato resulta, ou aparenta, em um modo não
autoritário de impor uma intervenção terapêutica, o que se faz fundamental para
boa adesão ao tratamento do paciente.

OLHAR SOCIAL

O olhar social faz menção a uma visão geral da saúde frente a população.
Sabe-se que com a Revolução Industrial as cidades e as áreas industriais
cresceram rapidamente e sem planejamento. Esses locais possuíam carência
dos sistemas básicos de higiene, como abastecimento de água, sistema de
coleta de lixo e esgoto. No início as excretas eram utilizadas como adubo no
campo, mas com o tempo a quantidade era tanta que acabava ficando a céu
aberto, além disso não se tinha um destino ideal para os efluentes líquidos
contaminando os rios. Observa-se que a poluição ambiental era grandiosa e
devido a isso começaram a surgir epidemias, primeiramente nas áreas pobres
que detinham maior aglomerado, até então nenhuma medida de saúde foi
tomada uma vez que os acometidos eram os carentes, mas as epidemias
atingiram os ricos que só então passaram a investigar esse sistema. A partir
deste momento várias propostas foram apresentadas.
Um dos autores abordados é Edwin Chadwick que publicou um relatório
que culminou no surgimento da Diretoria Geral da Saúde, na Grã- Bretanha, que
era responsável por recrutar médicos sanitaristas e propor medidas de saúde.
Na Alemanha, por exemplo, Otto von Bismark instituiu um sistema previdenciário
que tornou a assistência médica um direito adquirido através do trabalho, com
isso os empresários se beneficiariam também por terem uma mão de obra mais
saudável.
A saúde pública teve um grande impulso com o auxilio da enfermagem. O
populista Getúlio Vargas criou o seguro social que proporcionou o
desenvolvimento da medicina no Brasil. Já para Illich, a sociedade precisa evitar
a medicalização da vida, voltar à natureza, aprender a viver com a dor e suportar
a morte, já que para ele uma das maiores epidemias de nosso tempo é causada
não pelos microorganismos, mas pela iatrogenia médica.
Neste olhar o autor também destaca o conceito de Cuidados Primários de
Saúde, proposto pela Organização Mundial da Saúde em 1978, segundo ele é
uma proposta racional porém política, visto que propõe uma baixa tecnologia.
Para ele um feito importante para a racionalização no Brasil é a integração dos
serviços. Moacyr cita sobre as evoluções que a saúde obteve no século 20,
dentre elas o surgimento de novas vacinas, antibióticos, quimioterápicos, obras
de saneamento básico, a fluoretação da água, aleitamento materno, estudos
epidemiológicos e cuidados às gestantes. Porém ainda existem desafios atuais
como o surgimento de novas doenças, o ressurgimento de doenças que
pareciam controladas, agravos ambientais, os riscos ocupacionais e novos
estilos de vida, dentre outros problemas.
Na visita realizada na ESF EDVINO HABLE- São Lourenço, pode-se
constatar que a unidade encontra-se no interior da cidade, o local não possui
asfalto e também não possui rede de esgoto, caracteriza-se por moradores de
campo. O médico possui dificuldade de comunicação com alguns moradores,
visto que são analfabetos e não conseguem organizar os horários dos remédios,
sendo assim o médico desenha sol e lua para a orientação do paciente. Um
ponto interessante da organização da unidade é que cada dia um público é o
alvo das consultas, por exemplo, um dia é dedicado somente as grávidas, outro
só as crianças. Foi possível perceber a proximidade do médico com a população,
já que em alguns casos ele realiza visitas domiciliares.
A partir do olhar social, foi elaborado um questionário direcionado ao
médico da ESF e ao paciente :

MÉDICO

1. Você prefere um sistema de saúde subordinado ao governo como o


SUS ou um sistema baseado em planos médicos sem subsídio governamental?
R= Sistema subordinado ao governo como o SUS.

2. Você acha que o combate aos maus governos ajudam a melhorar a


saúde pública ?
R= Sim

3. Você acha eficaz o papel dos agentes comunitários de saúde ?


R= Sim

4. Você avalia como eficaz a forma que o SUS promove saúde?


R= Sim

5. Você concorda que a condição social possa ser a causa para muitas
doenças?
R= Sim

PACIENTE

1. Você acha importante o médico da comunidade fazer mapas comunitários


para entender as doenças mais comuns na região?
R= Sim.

CONCLUSÃO

A realização da visita a ESF possibilitou correlacionar os conteúdos


expostos em aula na realidade de Mafra. Outro fator interessante, foi poder
verificar que olhares sobre a saúde provenientes de séculos atrás ainda
perduram atualmente.
UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC

ALINE HAAG
ALIANA LUNARDI ZVICKER
ERIC DIEGO TUROSSI AMORIM
GABRIEL BARUEL DE ALCÂNTARA
LAURA TOFFOLI
MÁRCIA MARA FARENZENA

DO MÁGICO AO SOCIAL

MAFRA
2017
ALINE HAAG
ALIANA LUNARDI ZVICKER
ERIC DIEGO TUROSSI AMORIM
GABRIEL BARUEL DE ALCÂNTARA
LAURA TOFFOLI
MÁRCIA MARA FARENZENA

DO MÁGICO AO SOCIAL
Entrevistas realizadas na ESF São Lourenço

Trabalho acadêmico, apresentado


como exigência para obtenção de
nota na disciplina de Cidadania e
Saúde, do curso de Medicina,
ministrado pela Universidade do
Contestado – UnC, Campus Mafra,
sob Orientação do Professor André
Lúcio de Cassias.

MAFRA
2017