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CURSO PREPARATÓRIO PARA O EXAME DE ACESSO AO CURSO SUPERIOR DE DIREITO – LINGUA PORTUGUESA I PARTE

Classes de Palavras.
Introdução

Existem dez classes gramaticais, nomeadamente:


I – Classes de palavras lexicais: os substantivos, adjectivos, verbo, advérbio, interjeição;
II – Classe de palavras gramaticalizadas: Pronomes, numerais, artigos, preposições e conjunções.

Podendo ainda serem:


 Variáveis - quando permitirem que se combinem a elas morfemas gramaticais
(substantivos, adjectivos, artigos e certos numerais e pronomes),
 E invariáveis - que não permitem que se lhes agregue uma desinência (advérbios,
preposições, conjunções e certos pronomes).

SUBSTANTIVO – é palavras que designam seres, como também sentimentos, estados de espírito,
sensações, conceitos filosóficos ou políticos, etc

ADJECTIVO – Os adjectivos servem para dar características aos substantivos. Refere-se sempre a
um substantivo explícito ou subentendido na frase, com o qual concorda em género e número;
Exemplo: querido, limpo, horroroso, quente, sábio, triste, amarelo, etc. é a palavra que
caracteriza os seres.

VERBO – palavras que expressam acções ou estados se encontram nesta classe gramatical.

ADVÉRBIO – palavras que se associam a verbos, adjectivos ou outros advérbios, modificando-os.


É a palavra que basicamente modifica o verbo, acrescentando
a ela uma circunstância;
Exemplo: não, muito, constantemente, sempre, etc.

INTERJEIÇÃO – pode definir as interjeições como palavras ou expressões que evocam emoções,
estados de espírito.

PRONOME – Palavra que pode acompanhar ou substituir um nome (substantivo) e que


determina a pessoa do discurso.
Exemplo: eu, nossa, aquilo, esta, nós, mim, te, eles, etc.

NUMERAL – como o nome diz, expressam quantidades, fracções, múltiplos, ordem. Exemplo:
primeiro, vinte, metade, triplo, etc.

ARTIGO – classe que abriga palavras que servem para determinar ou indeterminar os
substantivos, antecedendo-os. Exemplo: o, a, os, as, um, uma, uns, umas.

PREPOSIÇÃO – Servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo relações entre elas.
Exemplo: em, de, para, por, etc.

CONJUNÇÃO – São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de
coordenação ou subordinação.
Exemplo: porém, e, contudo, portanto, mas, que, etc.
Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014
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1. ARTIGO

Artigo é a palavra que se antepõe (precedendo-os) aos substantivos que designam seres
determinados (o, a, os, as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas).
Daí a divisão dos artigos em:
I- Artigos definidos (que são o, a, os, as);
II- Artigos indefinidos (um, uma, uns, umas).
Ex.
 Quero o livro. Quero um livro.
 O garoto pediu dinheiro. (Antecipadamente, sabe-se quem é o garoto.)
 Um garoto pediu dinheiro. (Refere-se a um garoto qualquer, de forma genérica.)

A função própria do artigo é especificar a referência designada pelo nome ( artigo definido) ou
conferir-lhe indistinção ( artigo indefinido).

O artigo ocorre, ainda, para determinar a categorização do género e do número do substantivo.

1.1. Uso e emprego dos artigos. Alguns casos.

 Ambos
Usa-se o artigo entre o numeral ambos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso.
Ex.
• Ambos os atletas foram declarados vencedores. (Atletas é substantivo que exige artigo.)
• Ambas as leis estão obsoletas. (Leis é substantivo que exige artigo.)
• Ambos vocês estão suspensos. (Vocês é pronome de tratamento que não admite
artigo.)

 Todos
Usa-se o artigo entre o pronome indefinido todos e o elemento posterior, caso este exija
o seu uso.
Ex.
• Todos os atletas foram declarados vencedores.
• Todas as leis devem ser cumpridas.
• Todos vocês estão suspensos.

 Todo
Diante do pronome indefinido todo, usa-se o artigo, para indicar totalidade; não se usa,
para indicar generalização.
Ex.
• Todo o país participou da greve. (O país todo, inteiro.)
• Todo país sofre por algum motivo. (Qualquer país, todos os países.)
 Cujo
Não se usa artigo após o pronome relativo cujo.
Ex.• As mulheres, cujas bolsas desapareceram, ficaram revoltadas. (e não cujo as bolsas.)

1.1.2. Valores estilísticos dos artigos

O emprego ou omissão do artigo podem influenciar no sentido da frase.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Os artigos que precedem o nome são determinantes, ajudando a caracteriza-lo se é
masculino ou feminino, se esta no singular ou plural.
Exemplo:
a) Camões, grande poeta português, morreu pobre.
b) Camões, o grande poeta português, morreu pobre.

Ambas as frases não têm igual valor. Na segunda frase, o artigo o veio dar maior visualidade e
familiaridade, referindo-se ao poeta como sendo conhecido por todos, enquanto que na primeira
frase, a omissão do artigo significa que Camões não é conhecido entre todos, por isso informa
quem ele é.1

1.1.2 Valor do artigo nas enumerações

Nas enumerações, o artigo desempenha um papel expressivo importante. Por exemplo, se


dissermos: Conferenciaram os chefes do exército inglês e americano, significa que havia um
só exército inglês e americano, reunidos sob o mesmo comando.

Se quisermos designar os dois exércitos separadamente, diremos: Os chefes dos exércitos


inglês e americano ou repetimos o artigo de enumeração: Os chefes do exército inglês e do
americano.

2. As preposições

As preposições (palavra invariável) servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo
relações entre elas, isto é, elementos de natureza diferente.
Isso significa que a preposição é o termo que liga substantivo a substantivo, verbo a
substantivo, substantivo a verbo, adjectivo a substantivo, advérbio a substantivo, etc.

2.1. Tipos de preposição

Essenciais: por, para, perante, a, ante, até, após, de, desde, em, entre, com, contra, sem, sob,
sobre, trás. As essenciais são as que só desempenham a função de preposição.
Exemplo: Caminhou com o filho de Matilde por montes e vales.
Acidentais: afora, fora, excepto, salvo, malgrado, durante, mediante, segundo, menos.
As acidentais são palavras de outras classes gramaticais que eventualmente são empregadas
como preposições. São, também, invariáveis.
Locução Prepositiva: São duas ou mais palavras, exercendo a função de uma preposição: acerca
de, a fim de, apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto de, para com, à procura de,
à busca de, à distância de, além de, antes de, depois de, à maneira de, junto de, junto a, a par
de...

3. As conjunções

Conjunções - São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de coordenação
ou subordinação, isto é, apenas entre elementos sintácticos da mesma natureza.

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Elsa R. dos S. D. Filho.
Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014
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Conjunções Coordenativas - São aquelas que ligam duas orações da mesma natureza, sem
subordinar uma à outra.

Conjunções Subordinativas
São aquelas que ligam orações em que há uma relação de dependência, de subordinação.
Uma oração é a principal, a outra é subordinada.

Ver folha em anexo.

4. Os Numerais

Como o nome diz, expressam quantidades, fracções, múltiplos, ordem. Exemplo: primeiro,
vinte, metade, triplo, etc.
É a palavra que indica a quantidade de elementos ou sua ordem de sucessão. Dependendo
do que o numeral indica, ele pode ser:

a) Cardinal: É o numeral que indica a quantidade de seres. Cardinais são os que exprimem a
quantidade em si mesma ou a quantidade certa dos seres. Respondem à pergunta
quantos? Quantas? - Um, dois, três, quatro, cinco, etc.

b) Ordinal: É o numeral que indica a ordem de sucessão, a posição ocupada por um ser
numa determinada série. São os que denotam o número de ordem dos seres numa série:
primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, etc.

c) Multiplicativo: É o numeral que indica a multiplicação de seres.


Numerais Multiplicativos
2 Dobro, duplo, dúplice
3 Triplo, tríplice
4 Quádruplo
5 Quíntuplo
6 Sêxtuplo
7 Séptuplo
8 Óctuplo
9 Nónuplo
10 Décuplo
11 Undécuplo
12 Duodécuplo
100 Cêntuplo

d) Fraccionário: É o numeral que indica divisão, fracção.


Numerais Fraccionários
2 Meio / metade
3 Terço
4 Quarto
5 Quinto
6 Sexto
7 Sétimo
8 Oitavo
9 Nono
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10 Décimo
11 Onze avos
12 Doze avos
100 Centésimo

OBSERVAÇÃO: ultimo, penúltimo, antepenúltimo, anterior, posterior, derradeiro, Antero -


posterior e outros que tais, ainda que exprimam posição do ser, não têm correspondência
entre os numerais e por isso devem ser considerados meros adjectivos.

6. Substantivo. Classificação e formação dos substantivos.

1. - Noção e Função do substantivo.

Substantivo é a palavra com que designamos ou nomeamos os seres em geral, é a palavra que
serve, privativamente, de núcleo do sujeito, do complemento directo, do complemento indirecto
e do agente da passiva.
Toda a palavra de outra classe que desempenhe uma dessas funções equivalerá forçosamente a
um substantivo (pronome substantivo, numeral ou qualquer palavra substantivada).

São substantivos:
- Os nomes de pessoas, de lugares, de instituições, de um género, de uma espécie ou de um dos
seus representantes.
Ex: António, Braga, Assembleia da República, flor, jasmim...
- Os nomes de noções, acções, estados e qualidades, tomados como seres. Ex.: lei, abertura,
felicidade, generosidade...

1.2. Formação e classificação dos substantivos

a) Derivados: têm origem em outra palavra portuguesa.


Ex. Pedreiro, jornalista, cinzeiro, terreno, bondade.

b) Simples: são formados de um só radical. Ex.: tempo, sol, mármore, terreiro.

c) Substantivos próprios – designam um indivíduo de determinada espécie, nomes de


cidades, de cargos institucionais – ex.: João, Porto, Presidente da República, Portugal,
Humanidade...

d) Substantivos comuns – designam a totalidade dos seres de uma espécie ou classe e


podem designar abstracções – ex. homem, país, cidade...

e) Substantivos concretos – designam seres propriamente ditos, i.e., nomes de pessoas,


lugares, instituições, de um género, de uma espécie ou ainda de um dos seus
representantes – exs.: homem, Portugal, clero, árvore, Maria...

f) Substantivos abstractos – designam acções, estados, noções e qualidades, considerados


como seres: justiça, igualdade, beleza, glória, amor...

g) Compostos: são formados de mais de um radical. Ex.: couve-flor, girassol, fidalgo, pé-de-
moleque.

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h) Substantivos uniformes: apresentam a mesma forma para os dois géneros.


Podem classificar-se em:

 Epicenos: referem-se a animais ou plantas, e são invariáveis no artigo precedente,


acrescentando as palavras macho e fêmea, para distinção do sexo do animal.
Exemplos: a onça macho - a onça fêmea; o jacaré macho - o jacaré fêmea; a foca macho
- a foca fêmea.
 Comuns de dois géneros: Os comuns-de-dois géneros são os que têm uma só forma para
ambos os géneros, com artigos distintos.
Exemplos: o dentista - a dentista, um jovem - uma jovem, imigrante italiano - imigrante
italiana.

 Sobre-comuns: Os sobre comuns são os que têm uma só forma e um só artigo para
ambos os géneros.
Exemplos: a criança, o indivíduo (não existem formas como "o criança", "a indivíduo").

i) Substantivos biformes: apresentam duas formas originadas do mesmo radical. Exemplos:


menino - menina, traidor - traidora, aluno - aluna.

j) Substantivos colectivos – substantivos comuns que, no singular, designamos um


conjunto de seres (GRUPO DE ANIMAIS E CONJUNTO DE PESSOAS) ou coisas da mesma
espécie .
Ex: alcateia, vara, cacho, coro, manada...

NB:
Para transformar uma palavra de outra classe gramatical em um substantivo, basta
precedê-lo de um artigo, pronome ou numeral.
Artigos sempre precedem palavras substantivadas, mas substantivos (que são
substantivos em sua essência) não precisam necessariamente ser precedidos por artigos.

1.3. Flexão dos substantivos. Plural dos substantivos

Os substantivos flexionam em género (masculino e feminino), número (singular ou plural) e grau


(normal, aumentativo, diminutivo).

1.4. FORMAÇÃO DO GRAU Substantivo

É propriedade que o substantivo tem de exprimir as variações de tamanho do ser.

Grau do substantivo. - Os substantivos apresentam-se com a sua significação aumentada ou


diminuída.

Os graus do substantivo são dois:

a) Aumentativo: homenzarrão
b) Diminutivo (l): homenzinho
Homem - homenzarrão - homenzinho

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Os graus aumentativos e diminutivos têm duas formas, ou seja, a indicação gradual do
substantivo se realiza por dois processos:
a)Sintético (uma única palavra) - consiste no acréscimo de um final especial chamado sufixo
aumentativo ou diminutivo: homenzarrão, homenzinho;
b)Analítico (mais de uma palavra) - consiste no emprego de uma palavra de aumento ou
diminuição (grande, enorme, pequeno, etc.) junto ao substantivo: homem grande, homem
pequeno.

1.4.1. Formação do plural dos substantivos

 Os substantivos que no singular terminam em a, e, i, o ou u formam o plural com o


acrescentamento de um s:
Ex.: casa - casas; caiada - caiadas; pá - pás; ameixa sã - ameixas sãs; elefante grande -
elefantes grandes.

 O substantivo cuja terminação no singular seja em, im, om, um formam o plural com o
acrescentamento de um s, mas na escrita m muda-se em n:
Ex.: homem - homens; armazém - armazéns; origem - origens; botequim - botequins; jardim
- jardins; ruim - ruins; bom - bons; tom - tons; som - sons; comum - comuns; álbum - álbuns;
atum - atuns.

 Os substantivos cuja terminação no singular seja an, en e on formam o plural com


acrescentamento de –es:
Ex.: íman - ímanes; espécimen - especímenes; hífen - hífenes; líquen - líquenes; abdómen -
abdómenes; cólon - cólones; regímen - regímenes.

 Os substantivos cuja terminação no singular é a letra consoante formam o plural com o


acrescentamento de –es:
Ex.: mar - mares; particular - particulares; professor - professores; merecedor -
merecedores;

 Os substantivos graves terminados em s ou x têm a mesma forma no singular e no plural:


Ex.: um lápis — dez lápis; um pires — dois pires; um alferes — três alferes; o cálix — os cálix;
Também têm a mesma forma no singular e no plural os substantivos: cós, arrais, cais e tais
(bigorna de ourives).

 Alguns adjectivos e substantivos, que no singular terminam em ão, formam o plural com
o acrescentamento de um s:
Ex.: grão - grãos; sótão - sótãos; órfão - órfãos; aldeão - aldeãos; são - sãos;

 Alguns substantivos em ão formam o plural mudando o ão em ões:


Ex.: botão - botões; limão - limões; perdigão - perdigões; soberbão - soberbões; aldeão -
aldeões; comilão - comilões; coração - corações.

 Alguns substantivos e adjectivos que no singular terminam em ão formam o plural


mudando o ão em ães:
Ex.: alemão - alemães; pão - pães; caimão - caimães; cão - cães; capitão - capitães; capelão -
capelães; charlatão - charlatães; escrivão - escrivães; tabelião - tabeliães; guardião - guardiães;
ancião - anciães;

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 Os nomes que no singular terminam em al formam o plural mudando o l (ele) em –is:


Ex.: pardal - pardais; olival - olivais; gramatical - gramaticais; leal - leais; casal - casais;

Excepção:
As palavras mal, cujo plural é males, real (antiga unidade de moeda portuguesa), cujo
plural é réis, e cal, que na linguagem vulgar se emprega somente no singular, mas que pode ser
cales ou cais.

 Os nomes que no singular terminam em ol agudo formam o plural mudando o –l em –is e


tomando acento agudo no o, que fica átono em vocábulos graves ou esdrúxulos:
Ex.: anzol - anzóis; girassol - girassóis; espanhol - espanhóis; rouxinol - rouxinóis; álcool -
álcoois; sol - sóis.

 Os nomes que no singular terminam em ul formam o plural mudando o –l em –is:


Ex.: paul - pauis; azul - azuis, taful - tafuis.
Exceptua-se cônsul - cônsules.

 Os nomes que no singular terminam em el formam o plural mudando o –l em –is, e


tomando acento agudo no e se os vocábulos são oxítonos:
Ex.: anel - anéis; papel - papéis; maleável - maleáveis; túnel - túneis; pastel - pastéis;
agradável - agradáveis; venerável - veneráveis; cordel - cordéis.

 Os nomes que no singular terminam em il formam o plural mudando o –l em –s:


Ex.: funil - funis; peitoril -peitoris; ovil - ovis; redil - redis; ardil - ardis; juvenil - juvenis; gentil -
gentis.

 Os nomes que no singular terminam em il átono formam o plural mudando o –il em –eis:
Ex. Projéctil - projécteis; volátil - voláteis, débil - débeis; inábil - inábeis; fóssil - fósseis; têxtil -
têxteis.

Geralmente, não se usam no plural os nomes próprios, os nomes de metais, de meses, de


ventos, e os substantivos abstractos.
Contudo, alguns substantivos abstractos têm singular e plural:
Ex.: amizade, perfume, cheiro, afeição, virtude, presença, falta, alegria, tristeza, satisfação.
Alguns substantivos empregam-se mais frequentemente no plural:
Ex.: calças, ceroulas, alvíssaras, andas, núpcias, exéquias.

NB:
Muitos nomes apresentam dois e até três plurais: aldeão, aldeãos, aldeões aldeães; ancião,
anciãos, anciães; corrimão, corrimãos, corrimões; vilão, vilãos, vilões.

Plurais com deslocação do acento tónico.

Há palavras que, no plural, mudam de sílaba tónica. Por exemplo:

Carácter – Caracteres;
Espécimen – Especímenes;
Júnior – Juniores;
Júpiter – Jupíteres;

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Lúcifer – Lucíferes;
Sénior – seniores.

Plural dos substantivos compostos

- Apresentamos os seguintes critérios:

 Sem hífen: Substantivos compostos não separados por hífen seguem as mesmas regras
dos substantivos simples, como em: superegos (superego), pontapés (pontapé).
 Com hífen: Substantivos compostos separados por hífen pode não ser variado, pode
variar em um ou nos dois elementos, dependendo de cada caso.

 Nenhum (ficam invariáveis) elemento muda para o plural quando:


a) Verbo + palavra invariável como: os chora-muito, os anda-devagar etc.
b) Se formados com verbos de sentido opostos como em: pára-anda, leva-e-traz etc.

 Apenas o primeiro elemento muda para o plural quando:

a) O segundo elemento limitar a ideia do primeiro como em: bananas-maçã (banana-maçã),


pombos-correio (pombo-correio) etc.
b) Se os elementos estiverem ligados por preposição como em: pés-de-moleque (pé-de-
moleque), pães-de-açúcar (pão-de-açúcar) etc.

 Apenas o segundo elemento muda para o plural quando:

a) O primeiro elemento é um verbo ou palavra invariável, exemplos:


 Verbo + substantivo - como em: guarda-trecos (guarda-treco)
 Advérbio + adjectivo - como em: alto-falantes (alto-falante)
 Preposição + substantivo - como em: contra-ataques (contra-ataque);

b) Nos casos em que o primeiro elemento seja composto de formas reduzidas como em
grão, grã e bel: grão-duques, grã-cruzes, bel-prazeres etc.
Caso os elementos forem palavras repetidas ou onomatopaicas como em: tico-ticos, reco-recos,
corre-corres, tique-taques etc.

Nota: se os elementos repetidos forem verbos é permitido também a flexão dos dois como
em: piscas-piscas, corres-corres etc.

 Os dois elementos mudam para o plural quando:


a) Substantivo + substantivo - como em: couves-flores (couve-flor)
b) Substantivo + adjectivo - como em: cachorros-quentes (cachorro-quente)
c) Adjectivo + substantivo - como em: más-línguas (má-língua)
d) Numeral + substantivo - como em: quintas-feiras (quinta-feira).

 ADMITEM MAIS DE UM PLURAL:

Por exemplo: Guarda-marinha: guardas-marinha ou guardas-marinhas, padre-nosso: padres-


nossos ou padre-nossos, ruge-ruge: ruges-ruges ou ruge-ruges, salvo-conduto: salvos-condutos
ou salvo-condutos.

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7. Adjectivo. Noção e função do adjectivo.

Adjectivo é a expressão modificadora que denota qualidade, condição ou estado de um ser. O


adjectivo é essencialmente um modificador do substantivo. São palavras que se relacionam com
o substantivo para lhe atribuir uma qualidade.
Ex. "Oceano terrível, mar imenso”;

Os adjectivos servem para:

a) Para caracterizar os seres, os objectos ou as noções nomeadas pelo substantivo,


indicando-lhes uma qualidade/um modo de ser/um aspecto/um estado;
b) Para estabelecer com o substantivo uma relação de tempo, de espaço, de matéria, de
finalidade, de propriedade, de procedência, etc”.
- Qualificativos - exs.: inteligência parda, rapaz bonito, carro avariado.
- De relação – exs.: jornal semanário, campus universitário, casa paterna.

1. Flexão dos adjectivos.

Os adjectivos flexionam em género (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau


(comparativo e superlativo) e concordam sempre com o substantivo que modificam.

1.1.Grau dos adjectivos.

Há três graus na qualidade expressa pelo adjectivo: positivo (normal), comparativo e superlativo.

Grau Formação Exemplos


Comparativo
mais + adjectivo + que, do que
de superioridade És mais alto que o João.
ou quanto
Ela é tão ágil como a mãe.
de igualdade tão + adjectivo + como
menos + adjectivo + que, do
de inferioridade Sou menos hábil que tu.
que ou quanto
Superlativo
belíssimo, felicíssimo,
acrescentam-se os sufixos -
Absoluto sintético (1) facílimo, libérrimo
íssimo, -imo, -rimo
muito fácil, bem pobre, assaz
Antepõem-se ao adjectivo os difícil, bastante largo,
Absoluto analítico advérbios muito, bem, assaz, imensamente bom
bastante, imensamente, etc.

É o mais antigo prédio


Antepõe-se o (a) ao Foi a mais hábil professora
Relativo de superioridade
comparativo de superioridade

Antepõe-se o (a) ao O Carlos é o aluno menos


Relativo de inferioridade
comparativo de inferioridade estudioso da turma.
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1. Grau comparativo - compara qualidade entre dois ou mais seres estabelecendo:

a) Uma igualdade;
b) Uma superioridade;
c) Uma inferioridade.
Por exemplo: O rapaz é tão cuidadoso quanto (ou como) os outros.
O rapaz é mais cuidadoso que (ou do que) os outros.
O rapaz é menos cuidadoso que (ou do que) os outros.

Contudo:

a) O comparativo de superioridade - forma-se colocando o advérbio mais antes do


adjectivo positivo; Usa-se para expressar que um ser tem um grau de superioridade a
outro ser. Pode ser determinado antepondo-se o adverbio mais e pospondo-se as
locuções que ou do que ao adjectivo. mais...que ou mais...do que.
Exemplo: "José é mais alegre que Pedro".

b) O comparativo de igualdade - forma-se colocando o advérbio tão antes do adjectivo


positivo; Usa-se para expressar que um ser tem um grau de igualdade a outro ser.
Pode ser determinado antepondo-se o adverbio tão e pospondo-se as locuções como
ou quanto ao adjectivo. tanto...quanto,..assim como,..quanto,..do mesmo jeito que...,
e outras variações.
Por exemplo: "Fulano é tão alegre quanto sicrano".

c) O comparativo de inferioridade - forma-se colocando o advérbio menos antes do


adjectivo positivo. Usa-se para expressar que um ser têm um grau de inferioridade a
outro ser.
Pode ser determinado pelas locuções: menos...que ou menos...do que.
Exemplo: "José é menos alegre que Pedro".

2. Grau superlativo

Ao contrário do Grau Comparativo, os adjectivos no Grau Superlativo não exprimem uma


comparação directa. Afirmam uma ideia de superioridade ou de inferioridade sem estabelecer
comparações.

O grau superlativo pode:


a) Ressaltar, com vantagem ou desvantagem, a qualidade do ser em relação a outros seres.
b) Indicar que a qualidade do ser ultrapassa as noções comuns que temos dessa mesma
qualidade:
O rapaz é muito cuidadoso.
O rapaz é cuidadosíssimo.

No primeiro caso, a qualidade é ressaltada em relação ou comparação com os outros


pretendentes. Diz-se que o superlativo é relativo.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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No segundo caso, a superioridade é ressaltada sem nenhuma relação com outros seres. Diz-se
que o superlativo é absoluto.

Essa ideia pode ser expressa de duas formas:


a) Duma forma absoluta (Superlativo Absoluto);
b) Ou duma forma relativa (Superlativo Relativo).

Nas frases seguintes, os adjectivo lindo e belo, precedidos do advérbio muito, e os adjectivos
lindíssimo e belíssimo, exprimem uma qualidade elevada a um alto grau. Por isso se diz que estão
no grau superlativo:

Tens um broche muito lindo.


Tens um broche lindíssimo.
Esta paisagem é muito bela.
Esta paisagem é belíssima.

a) O superlativo absoluto: não estabelece relação entre a qualidade de uma pessoa ou coisa
e a de outras.
Pode ser simples (Sintético) e composto (analítico).
a) O simples forma-se geralmente juntando ao positivo (adjectivo) – íssimo.
b) O composto forma-se colocando antes do positivo (adjectivo) o advérbio mui ou
muito.

NB: as seguintes regras:

Se o adjectivo terminar em vogal, esta desaparece ao aglutinar-se o sufixo (íssimo);


 Ex. Belo=belíssimo

a) Os adjectivos terminados em vel formam o superlativo em bilissimo.


Ex. Amável = amabilíssimo
b) Os terminados em z formam o superlativo em císsimo.
Ex. Capaz = capacíssimo.
c) Os terminados em ão formam o superlativo em aníssimo.
Ex. Vão = vaníssimos.

b) O superlativo relativo: estabelece relação entre a qualidade de uma pessoa ou coisa e a


de outras.
O grau superlativo relativo pode ser de superioridade e de inferioridade.

a) O superlativo relativo de superioridade: Exprime uma vantagem de um ser entre os


demais da mesma espécie. Forma-se colocando antes do positivo (adjectivo) o advérbio
mais.
Exemplo: "José é o mais alto de todos".

NB: Forma-se pela anteposição do artigo definido ao comparativo de superioridade.

b) O superlativo relativo de inferioridade: Exprime uma desvantagem de um ser entre os


demais da mesma espécie. Forma-se colocando antes do positivo o menos.
Exemplo: "José é o menos alto ".
Forma-se pela anteposição do artigo definido ao comparativo de inferioridade.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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OBS:
Quando se compara a qualidade de dois seres, não se deve dizer mais bom, mais mau e
mais grande; e sim: melhor, pior e maior. Possível é no entanto, usar as formas analíticas desses
adjectivos quando se confrontam duas realidades do mesmo ser.
Não se diz mais bom nem mais grande em vez de melhor e maior mas podem ocorrer
mais pequeno, o mais pequeno, mais mau, por menor, o menor, pior.
Ao lado dos superlativos o maior, o menor, figuram ainda o máximo e o mínimo que se
aplicam a ideias abstractas e aparecem ainda em expressões científicas, como a temperatura
máxima, a temperatura mínima, máximo divisor comum, mínimo múltiplo comum, nota máxima,
nota mínima.

Em lugar de mais alto e mais baixo usam-se os comparativos superiores e inferior; por o
mais alto e o mais baixo, podemos empregar os superlativos o supremo ou o sumo, e o ínfimo.
Comparando-se duas qualidades, ou acções, empregam-se mais bom, mais mau, mais
grande e mais pequeno em vez de melhor, pior, maior, menor.

Exemplo:

É mais bom do que mau (e não: é melhor do que mau);


A escola é mais grande do que pequena;
Escreveu mais bem do que mal;
Ele é mais bom do que inteligente.
Ex. Ele foi mais mau do que desgraçado.
Quatro adjectivos: bom, mau, grande e pequeno formam o comparativo e o superlativo de modo
especial.

Exercícios:

1. Dê o superlativo absoluto sintético de:


a) Feliz
b) Livre
c) Próspero
d) Mau

2. "Os homens são os melhores fregueses" - o melhor encontra-se no grau:


a) Comparativo de superioridade.
b) Superlativo relativo de superioridade.
c) Superlativo absoluto sintético.
d) Superlativo absoluto analítico de superioridade.

1.2. Adjectivo Pátrio

É o adjectivo que Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:
1. Estados Unidos = estadunidense, norte-americano ou ianque;
2. Moçambique = moçambicano;
3. Somália = somali
4. Israel = israelense ou israelita.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Adjectivos pátrios compostos

Na formação de adjectivos pátrios compostos, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e,


normalmente, erudita. Observe alguns exemplos:
África = afro- / Cultura afro-americana
Alemanha = germano- ou teuto- / Competições teuto-inglesas
China = sino- / Acordos sino-japoneses
Espanha = hispano- / Mercado hispano-português
Europa = euro- / Negociações euro-americanas
Grécia = greco- / Filmes greco-romanos
Índia = indo- / Guerras indo-paquistanesas
Inglaterra = anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália = ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão = nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal = luso- / Acordos luso-brasileiros

1.3. A posição do adjectivo na frase e sua interferência semântica

O atributo, em geral, com o sentido denotativo vem vulgarmente posposto ao nome, podendo
vir também anteposto, mas, neste caso, muitas vezes modificando o sentido vulgar que o
adjectivo contém.
Por exemplo na frase: o Manuel é um rico homem. Significa que é um homem bom, com muitas
qualidades.
Já será diferente se dissermos: o Manuel é um homem rico. Tem exactamente o significado que é
dado pelo adjectivo, isto é, um homem com muitos bens, que possui riqueza.

Substantivação do adjectivo - Certos adjectivos são empregue sem qualquer referência a nomes
expressos como verdadeiros adjectivos. A esta passagem de adjectivos a substantivos chama-se
substantivação:
"A vida é combate que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar" (G. DIAS).

7.1.4 Plural dos adjectivos compostos

Aos adjectivos se aplicam as mesmas regras de plural dos substantivos.


Quanto aos adjectivos compostos, lembraremos que normalmente só o último varia:
Variam ambos os elementos, entre outros exemplos, surdo-mudo, verde-claro, verde-escuro:
surdos-mudos, verdes-claros, verdes-escuros.

Locução adjectiva - é a expressão formada de preposição + substantivo com valor de um


adjectivo. Essa expressão, que tem o mesmo valor e o mesmo sentido de um adjectivo, recebe o
nome de locução adjectiva.
Observe alguns exemplos:
Homem de coragem = homem corajoso
Livro sem capa = livro desencapado.
De paixão = passional
De chuva = pluvial
Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014
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De lago = lacustre
De terra = telúrico, terrestre ou terreno

8 – PRONOME

Pronome é a expressão que designa os seres sem dar-lhes nome nem qualidade, indicando-os
apenas como pessoa do discurso.

Pessoas do discurso. - Três são as pessoas do discurso:


 A que fala (1.a pessoa);
 A que se fala (2.a pessoa);
 E a pessoa ou coisa de que se fala (3.a pessoa).

Classificação dos pronomes.

Os pronomes podem ser: pessoais, possessivos, demonstrativos (abarcando o artigo


definido), indefinidos (abarcando o artigo indefinido), interrogativos e relativos.
Ver folha em anexo.

Os pronomes relativos são: qual, o qual (a qual, os quais, as quais), cujo (cuja, cujos, cujas),
que, quanto (quanta, quantos, quantas), onde.

 Quem se refere a pessoas ou coisas personificadas e sempre aparece precedido de


preposição.
 Que e o qual se referem a pessoas ou coisas.

 Que e quem funcionam como pronomes substantivos. O qual aparece como substantivo
ou adjectivo:

Exemplos: As pessoas de quem falas não vieram. O carro que esperamos está atrasado.

 Cujo, sempre com função adjectiva, exprime que o antecedente é possuidor do ser
indicado pelo substantivo a que se refere:
Ali vai o homem cuja casa comprei (a casa do homem).

 Quanto tem por antecedente um pronome indefinido (tudo, todo, todos, todas, tanto):
Exemplo: Esqueça-se de tudo quanto lhe disse.

Emprego do Pronome "si"

O pronome "si" só poderá ser empregado em frases reflexivas (em que o sujeito pratica e recebe
a acção).
Ex.: Ele só pensa em si. (reflexão)
Ele quer o filho junto a si. (há reflexibilidade)

9.1.2. Funções sintácticas dos pronomes na frase.

Os pronomes desempenham as mesmas funções que os nomes.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Os pronomes pessoais desempenham as funções sintácticas próprias do substantivo (sujeito,
vocativo, complemento indirecto e c. indirecto).
Já o pronome relativo (que), na oração que introduz, desempenha sempre a função sintáctica de
um nome, nunca podendo referir o vocativo.

Colocação Pronominal. A próclise, mesóclise, ênclise.

Este é o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as,
lhes) em relação ao verbo.
Os pronomes reflexos são sempre formas enclíticas, ligando-se com hífen ao verbo, salvo
quando precedem o verbo, ou seja, quando a oração é negativa, exclamativa ou interrogativa;
quando a oração é subordinada, com a forma de aspecto verbal precedendo o infinitivo; quando
o sujeito é ambos.
Por outro lado, torna-se mesoclítica, ocupando posição medial, com forma de futuro e de
condicional, desde que a oração não seja negativa.

Portanto, os pronomes podem ser colocados de três maneiras diferentes, de acordo com as
seguintes regras:

a) Próclise

Próclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos antes do verbo.

Usa-se a próclise, obrigatoriamente, quando houver palavras atractivas. São elas:


• Palavras de sentido negativo.
Ela nem se incomodou com meus problemas.
• Advérbios. Aqui se tem sossego, para trabalhar.
• Pronomes Indefinidos. Alguém me telefonou?
• Pronomes Interrogativos. Que me acontecerá agora?
• Pronomes Relativos. A pessoa que me telefonou não se identificou.
• Pronomes Demonstrativos Neutros.
Isso me comoveu deveras.
• Conjunções Subordinativas. Escrevia os nomes, conforme me lembrava deles.

Outros usos da próclise:


01) Em frases exclamativas e/ou optativas (que exprimem desejo):
Ex. Quantas injúrias se cometeram naquele caso!
Deus te abençoe, meu amigo!
02) Em frases com preposição em + verbo no gerúndio:
Ex. Em se tratando de gastronomia, a Itália é óptima.

03) Em frases com preposição + infinitivo flexionado:


Ex. Ao nos posicionarmos a favor dela, ganhamos alguns inimigos.
Ao se referirem a mim, fizeram-no com respeito.
04) Havendo duas palavras atractivas, tanto o pronome poderá ficar após as duas palavras,
quanto entre elas.
Ex. Se me não ama mais, diga-me.
Se não me ama mais, diga-me.

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b) Mesóclise

Mesóclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos no meio do verbo.


Usa-se a mesóclise, quando houver verbo no Futuro do Presente ou no Futuro do Pretérito, sem
que haja palavra atractiva alguma, apesar de, mesmo sem palavra atractiva, a próclise ser
aceitável.
O pronome oblíquo átono será colocado entre o infinitivo e as terminações ei, ás, á, emos, eis,
ão, para o Futuro do Presente, e as terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam, para o Futuro do
Pretérito.
Por exemplo, o verbo queixar-se ficará conjugado da seguinte maneira:

Futuro do Presente Futuro do Pretérito


queixar-me-ei queixar-me-ia
queixar-te-ás queixar-te-ias
queixar-se-á queixar-se-ia
queixar-nos-emos queixar-nos-íamos
queixar-vos-eis queixar-vos-íeis
queixar-se-ão queixar-se-iam

c) Ênclise

Ênclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos depois do verbo.


Usa-se a ênclise, principalmente nos seguintes casos:

01) Quando o verbo iniciar a oração.


Ex. Trouxe-me as propostas já assinadas.
Arrependi-me do que fiz a ela.
02) Com o verbo no imperativo afirmativo.
Ex. Por favor, traga-me as propostas já assinadas.
Arrependa-se, pecador!

Pronominalização. Pronomes e Pronominalização

Pronominalizar é substituir o complemento directo ou complemento indirecto numa


oração pelo pronome pessoal correspondente.
O pronome pessoal (complemento directo e complemento indirecto), geralmente, situa-
se a seguir a forma verbal, ligando-se a esta um hífen.

Regras para pronominalizar

a) Quando o tempo da forma verbal é composto, o pronome coloca-se a seguir ao verbo


auxiliar, ligando-se a este por um hífen.
Ex: o Mário tem comido a maça – o Mário tem-na comido.
b) O pronome intercala-se na forma verbal quando está no condicional ou no futuro. Ex: O
António dar-lhe-á o livro – O António dar-lhe-ia o livro.
c) O pronome coloca-se antes do verbo nas seguintes situações:

Nas frases negativas. Ex: Não lhe dês o livro – Nunca o dês a Ana.

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Nas frases introduzidas por que. Ex: Ela quer que o António lhe dês o livro.

d) Nas frases introduzidas por conjunção subordinativa. Ex: Quando o empregado lhe disse
tudo, o patrão ficou admirado.
e) Nas frases que transmitem ideias de dúvida, desejo ou possibilidade. Ex: Talvez o António
lhe dê o livro – Oxalá o António o dê a Ana.
• Quando o pronome obliquo da 3ª pessoa, que funciona como complemento directo, vem
antes do verbo, apresenta-se sempre com as formas o, as, os, as. Assim:
Ex: Eu não o vi; b) Tu é que as viste.
• Quando, porém, está colocado depois do verbo e se liga a este por hífen, a sua forma
depende da terminação do verbo.
• Se a forma verbal terminar em vogal ou ditongo oral, emprega-se o, a, os, as. Ex: Louvo;
louvava-a; louvei-os; louvou-as.
• Se a forma verbal terminar em r, s ou z suprime-se estas consoantes e o pronome assume
as modalidades lo, la, los, las.
Ex: Ver – Vê-lo, encontramos, encontramo-la, vende-las.
Se a forma verbal terminar em ditongo nasal, o pronome assume as modalidades no, na, nos,
nas. Ex: Dão – Dão-no; Põe – Põe-na; tem – tem – nos; trouxeram – trouxeram-na.

f) No futuro do indicativo e no condicional - o pronome oblíquo não pode ser enclítico, isto
é, não pode vir depois do verbo. Dá-se então, a mesóclise do pronome, ou seja, a sua
colocação no interior do verbo. Ex: Vendê-lo-ei - Vendê-lo-emos; Vendê-lo-ia – Vendê-lo-
iamos.

Verbo. Flexão dos verbos

Verbo - é a palavra que, exprimindo acção ou apresentando estado ou mudança de um


estado a outro, pode fazer indicação de pessoa, número, tempo, modo e voz.
Um verbo exprime de forma variável uma acção, ou seja, um acontecimento representado no
tempo”.

Numa oração, é obrigatório haver um verbo (predicado), ou seja, para haver oração tem
que haver um (ou mais) verbo (s) e, havendo um verbo, há obrigatoriamente uma oração.

Os verbos flexionam em:

a) Número – singular e plural.


b) Pessoa – 1ª, 2ª e 3ª.

c) Tempo – Presente, Pretérito (imperfeito, perfeito, mais-que perfeito), Futuro.

d) Modo – Indicativo, Conjuntivo, Imperativo (+ formas nominais do verbo: Infinitivo,


Gerúndio e Particípio).

e) Vozes verbais – Activa e Passiva; Reflexiva e recíproca.

Os verbos podem ser conjugados em 3 conjugações:

1ª Conjugação - vogal temática a: amar, falar, tirar.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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2ª Conjugação - vogal temática e: temer, vender, varrer.
3ª Conjugação - vogal temática i: partir, ferir, servir.

Nota:
Para sabermos qual o tema de um verbo, retiramos ao seu infinitivo o r final.
Encontramos, então, a vogal temática que nos indica a conjugação a que o verbo pertence.
Verbo andar, tema anda, vogal temática a.
Se retirarmos ao tema a vogal temática obtemos o radical do verbo, radical and.
O verbo pôr e os seus derivados pertencem à 2ª conjugação, conforme o justifica a sua
etimologia: ponere (latim) > poer (arcaico) > pôr.

ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO VERBO

Radical - é a parte que contém o significado da palavra. É a parte que sobra quando tiramos as
terminações indicativas das conjugações (ar, er, ir).

Tempos verbais

Tempo é a variação que indica o momento em que se dá o facto expresso pelo verbo,
informa, de uma maneira geral, se o verbo expressa algo que já aconteceu, que acontece no
momento da fala ou que ainda irá acontecer.

Os tempos verbais são:

a) Presente - expressa:
- Algo que acontece no momento da fala.

- O momento do evento corresponde ao momento da enunciação.


Exemplo: Vejo, naquela praça, uma criança que corre atrás de um cachorro.

- Para expressar acção habitual.


Exemplo: Durante as férias, Eduardo viaja com os amigos.

- Para indicar algo que se realizará em um futuro próximo e certo.


Exemplo: Parto para o Rio amanhã.

- Para a afirmação de verdade.


Exemplo: Os homens são mortais.

b) Pretérito: O momento do evento é anterior ao momento da fala.

1) - Pretérito perfeito - Indica um acontecimento que se iniciou e terminou no passado


durante pouco tempo. Expressa uma acção pontual, ocorrida em um momento anterior à fala.

Exemplo: eu caí é quase imediato.

2) Pretérito imperfeito: Indica um acontecimento que se prolongou ao longo no tempo


com inicio e fim no passado (eu estudava);' 'Uma acção incompleta realizada no passado.
Expressa uma acção contínua, ocorrida em um intervalo de tempo anterior à fala.

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Exemplo: Quando era criança, Eduardo sempre nadava no riozinho da fazenda de seu avô.

3) Pretérito mais-que-perfeito - Indica um facto passado em relação a outro (ele


conjugara) ou seja contrasta um acontecimento no passado ocorrido anteriormente a outro facto
também anterior ao momento da fala.

c) Futuro: O momento do evento é posterior ao momento da fala.

 FUTURO DO PRESENTE (amarei) – expressa algo que possivelmente acontecerá em um


momento posterior ao da fala.
Exemplo: Tenho certeza de que comprarei um carro.

 FUTURO DO PRETÉRITO (amaria) – expressa uma acção que era esperada no passado,
porém que não aconteceu.

MODOS VERBAIS

Os modos verbais indicam a atitude do falante (de certeza, de dúvida, de suposição, de


ordem, de mando, etc.) em relação ao facto que enuncia ou ao conteúdo de seus enunciados.
São três os modos verbais. Caracteriza as várias maneiras como podemos utilizar o verbo,
dependendo da significação que pretendemos dar a ele.
O falante, ao enunciar o processo verbal, pode tomar várias atitudes em relação ao que
enuncia: de certeza, de dúvida, de ordem, etc.

Temos os seguintes modos verbais:

a) Indicativo: revela o facto de modo certo, preciso, seja ele passado, presente ou futuro.
Com o modo indicativo exprime-se, em geral, uma acção ou estado considerados na sua
realidade ou na sua certeza, ou seja, o conteúdo do enunciado é tomado pelo falante como
certo, real.
Ex: ele deitou na rede.
Exemplo: A Terra gira em torno do próprio eixo. / Se o cacique marchava, a tribo inteira o
acompanhava.

b) Conjuntivo: revela o facto de modo incerto, duvidoso, hipotético, incerto em termos


de probabilidade de ocorrência. Esse modo verbal é muito usado para denotar hipótese,
dúvida, concessão, desejo, vontade, sentimento, facto improvável.

Ex: Se todos estudassem, a aprovação seria maior.


Ainda que o morto se chamasse Abelardo, não seria o nosso.

Ao empregarmos o modo conjuntivo (conjuntivo), encaramos a existência ou não de um


facto como algo incerto, duvidoso, eventual ou, até mesmo, irreal.

O conjuntivo denota que uma acção, ainda não realizada, é concebida como dependente
de outra, expressa ou subentendida, daí o seu emprego em orações subordinadas.

c) Imperativo: exprime uma atitude de mando, ordem ou solicitação.

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O conteúdo do enunciado expressa uma atitude de mando, conselho, súplica.

Ex: fique quieto.


Exemplo: Faça imediatamente o que mandei. (imperativo afirmativo) / Não faça
imediatamente o que mandei. (imperativo negativo).

d) Condicional

Atenção: Essas ideias relacionadas aos modos verbais, no entanto, não podem ser
consideradas com rigidez, pois é possível:

- Usar o indicativo em situações hipotéticas. Exemplo: Se eu te ver na rua de novo,


aumento o castigo!

- Usar conjuntivo em situações reais.


Exemplo: Como estivesse de bermuda, não o deixaram entrar.

- Efectuar pedidos ou ordens sem usar o imperativo.

Exemplo: Você poderia me informar onde fica esta rua? / Eu gostaria de falar com o Sr.
Rocha.

Formação dos tempos simples

Presente do Indicativo

O presente do indicativo é usado para:

a) Exprimir uma verdade científica, um axioma. Exemplos: a Terra é redonda;


b) Para exprimir uma acção habitual. Ex: Aos domingos não saio de casa.

c) Para dar actualidade a factos ocorridos no passado. Ex: Paulo dias de Novais funda a
capitania de Luanda em 1575.

d) Para indicar facto futuro bastante próximo, quando se tem certeza de que ele ocorrerá.
Ex: Amanhã faço os exercícios.

NB: O Presente do Indicativo forma o Presente do conjuntivo e o modo Imperativo.

Pretérito Perfeito do Indicativo

NB: O Pretérito Perfeito do Indicativo forma o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo, o


Futuro do conjuntivo e o Pretérito Imperfeito do conjuntivo.

04) Pretérito Imperfeito do Indicativo

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O Pretérito Imperfeito do Indicativo é obtido pela eliminação da terminação verbal -ar, -
er, -ir do Infinito Impessoal, acrescentando-se a desinência -ava- para os verbos terminados em -
ar e a desinência –ia para os verbos terminados em -er e -ir e, depois, as mesmas desinências
número-pessoais para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m).

Na segunda pessoa do plural (vós), troca-se o -a por -e.

Cantar - ar + ava = eu cantava, tu cantavas, ele cantava, nós cantávamos, vós cantáveis, eles
cantavam.
Vender - er + ia = eu vendia, tu vendias, ele vendia, nós vendíamos, vós vendíeis, eles
vendiam.
Sorrir - ir + ia = eu sorria, tu sorrias, ele sorria, nós sorríamos, vós sorríeis, eles sorriam.

Os verbos que não seguem as regras acima são ter, pôr, vir e ser.
Ter = tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham.
Pôr = punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham.
Vir = vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis.

01) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo

O Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo é obtido pela eliminação da desinência -m da


terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se as mesmas
desinências número-pessoais para os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m).

Na segunda pessoa do plural (vós), troca-se o -a por -e.


Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - m = eu cantara, tu cantaras, ele cantara, nós cantáramos, vós cantareis, eles
cantaram;
Eles venderam - m = eu vendera, tu venderas, ele vendera, nós vendêramos, vós vendêreis, eles
venderam
Eles sorriram - m = eu sorrira, tu sorriras, ele sorrira, nós sorríramos, vós sorríreis, eles sorriram.

01) Futuro do Presente do Indicativo

O Futuro do Presente do Indicativo é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências -ei / ás /
á / emos / eis / ão.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Cantar = eu cantarei, tu cantarás, ele cantará, nós cantaremos, vós cantareis, eles cantarão.
Vender = eu venderei, tu venderás, ele venderá, nós venderemos, vós vendereis, eles venderão.
Sorrir = eu sorrirei, tu sorrirás, ele sorrirá, nós sorriremos, vós sorrireis, eles sorrirão.

02) Futuro do Pretérito do Indicativo

O Futuro do Pretérito do Indicativo é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências -ia /
ias / ia / íamos / íeis / iam.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Cantar = eu cantaria, tu cantarias, ele cantaria, nós cantaríamos, vós cantaríeis, eles
cantariam.
Vender = eu venderia, tu venderias, ele venderia, nós venderíamos, vós venderíeis, eles
venderiam.

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Sorrir = eu sorriria, tu sorririas, ele sorriria, nós sorriríamos, vós sorriríeis, eles sorriram.

Excepções: Os verbos fazer, dizer e trazer são conjugados no Futuro do Presente e no Futuro
do Pretérito, seguindo-se as mesmas regras acima, porém sem as letras ze, sendo estruturados,
então, assim: far, dir, trar.
Fazer = eu farei, tu farás, ele fará, nós faremos, vós fareis, eles farão.
Dizer = eu diria, tu dirias, ele diria, nós diríamos, vós diríeis, eles diriam.
Trazer = eu trarei, tu trarás, ele trará, nós traremos, vós trareis, eles trarão.

OBS: A desinência do mais-que-perfeito do indicativo -ra- (variante -re, difere da semelhante


que ocorre no futuro do presente, porque aquela é átona e esta é tônica: cantara (cant-a-ra) e
cantará (cant-a-rá), cantaras (cant-a-ra-s) e cantarás (cant-a-rá-s).

Presente do conjuntivo

Emprega-se o presente do conjuntivo para assinalar:


• Um facto presente, mas duvidoso ou incerto, um desejo ou um sentimento.
Ex. Talvez eles façam tudo aquilo que nós pedimos.
Talvez ele saiba sobre o que está falando.
• Um facto futuro, mas duvidoso ou incerto
Ex: talvez eles venham amanhã.
• Um desejo ou uma vontade
Ex: espero que eles façam o serviço correctamente.
Ex: Espero que tragam-me o dinheiro.

NB: O Presente do conjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -o da primeira pessoa


do singular do presente do indicativo (eu). Aos verbos de 1ª conjugação, acrescenta-se -e; aos
de 2ª e 3ª, -a, acrescentando-se, ainda, as mesmas desinências do Presente do conjuntivo para
os verbos regulares ( - / s / - / mos / is / m).
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eu canto (- o + e) = que eu cante, tu cantes, ele cante, nós cantemos, vós canteis, eles
cantem
Eu vendo (- o + a) = que eu venda, tu vendas, ele venda, nós vendamos, vós vendais, eles
vendam
Eu sorrio (-o + a) = que eu sorria, tu sorrias, ele sorria, nós sorriamos, vós sorriais, eles
sorriam

Presente. Exemplos.

Seja- Esteja – Tenha - Haja


Sejas- Estejas- Tenhas - Hajas
Seja - Esteja - Tenha - Haja
Sejamos - Estejamos - Tenhamos - Hajamos
Sejais- Estejais – Tenhais - Hajais
Sejam - Estejam - Tenham - Hajam
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Excepções:

Querer = Eu quero / queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram.


Ir = Eu vou / vá, vás, vá, vamos, vades, vão.
Saber = Eu sei / saiba, saibas, saiba, saibamos, saibais, saibam.
Ser = Eu sou / seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam.
Haver = Eu hei / haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.

02) Pretérito Imperfeito do conjuntivo

O Pretérito Imperfeito do conjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -ram da terceira


pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se a desinência do
Pretérito Imperfeito do conjuntivo -sse e as mesmas desinências número-pessoais para os verbos
regulares ( - / s / - / mos / is / m).

O Pretérito Imperfeito do conjuntivo sempre é iniciado pelas conjunções caso ou se.


Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - ram + sse = se eu cantasse, tu cantasses, ele cantasse, nós cantássemos, vós
cantásseis, eles cantassem.
Eles venderam - ram + sse = se eu vendesse, se tu vendesses, se ele vendesse, se nós
vendêssemos, se vós vendêsseis, se eles vendessem.
Eles sorriram - ram + sse = se eu sorrisse, se tu sorrisses, se ele sorrisse, se nós sorríssemos, se
vós sorrísseis, se eles sorrissem.

03) Futuro do conjuntivo

O Futuro do conjuntivo é obtido pela eliminação da desinência -am da terceira pessoa do


plural do pretérito perfeito do indicativo (eles), acrescentando-se as mesmas desinências
número-pessoais para os verbos regulares ( - / es / - / mos / des / em).

O Futuro do conjuntivo sempre é iniciado pelas conjunções quando ou se.


Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Eles cantaram - am = quando eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós
cantardes, eles cantarem.
Eles venderam - am = quando eu vender, tu venderes, ele vender, nós vendermos, vós
venderdes, eles venderem.
Eles sorriram - am = quando eu sorrir, tu sorrires, ele sorrir, nós sorrirmos, vós sorrirdes,
eles sorrirem.

Modo Imperativo:

Modo Imperativo: Exprime uma atitude de mando, ordem ou solicitação. O conteúdo do


enunciado expressa uma atitude de mando, conselho, súplica.

NB:
 No imperativo, há uma inversão: primeiro vem a forma verbal e, em seguida, o pronome
pessoal do caso recto correspondente.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Ex.: Fala TU (confirmando, não podemos começar pelo pronome "eu"..), fale VOCÊ...

 No imperativo, A 3A. PESSOA DO SINGULAR É REPRESENTADA PELO PRONOME PESSOAL


(ou de tratamento?) "VOCÊ" (para substituir "ele" ou "ela") e "VOCÊS" (para substituir
"eles" ou "elas").

Formas do modo imperativo

O modo imperativo pode ser Imperativo Afirmativo ou negativo.

a) Imperativo Afirmativo provém tanto do Presente do Indicativo, quando do Presente do


conjuntivo.
Tu e vós provêm do Presente do Indicativo, sem a desinência -s; você, nós e vocês provêm do
Presente do conjuntivo.
Por exemplo, veja a conjugação do verbo cantar.
Presente do indicativo: Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles
cantam.
Presente do conjuntivo: Que eu cante, tu cantes, ele cante, nós cantemos, vós canteis, eles
cantem.

a) Imperativo Afirmativo: Canta tu, cante você, cantemos nós, cantai vós, cantem
vocês.
Excepção: Ser = sê tu, seja você, sejamos nós, sede vós, sejam vocês.

b) Imperativo Negativo

O Imperativo Negativo provém do Presente do conjuntivo.


Por exemplo, veja a conjugação do verbo cantar:
Não cantes tu, não cante você, não cantemos nós, não canteis vós, não cantem vocês.

c) Imperativo afirmativo
Vend-e tu
Vend-a você
Vend-a-mos nós
Vend-e-i vós
Vend-a-m vocês;

Imperativo Negativo

Não cant-e-s tu Não vend-a-s tu


Não cant-e você Não vend-a você
Não cant-e-mos nós Não vend-a-mos nós
Não cant-e-is vós Não vend-a-is vós
Não cant.e.m vocês Não vend-a-m vocês.

Tempos derivados do Infinitivo Impessoal

O Infinitivo Impessoal forma o Futuro do Presente do Indicativo, o Futuro do Pretérito do


Indicativo e o Pretérito Imperfeito do Indicativo.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Infinitivo Pessoal

O Infinitivo Pessoal é obtido pelo acréscimo ao infinitivo das desinências / - / es / - / mos /


des / em.
Por exemplo, veja a conjugação dos verbos cantar, vender e sorrir.
Cantar = era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles
cantarem.
Vender = era para eu vender, tu venderes, ele vender, nós vendermos, vós venderdes,
eles venderem.
Sorrir = eu sorrir, tu sorrires, ele sorrir, nós sorrirmos, vós sorrirdes, eles sorrirem.

Tempos Compostos

Os tempos verbais compostos são formados por locuções verbais que têm como auxiliares os
verbos ter e haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles:

01) Pretérito Perfeito Composto do Indicativo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Indicativo e o


principal no particípio, indicando facto que tem ocorrido com frequência ultimamente.
Ex. Eu tenho estudado demais ultimamente.
Todos nós nos temos esforçado, para a empresa crescer.
Será que tu tens tentado melhorar?

02) Pretérito Perfeito Composto do conjuntivo.

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do conjuntivo e o


principal no particípio, indicando desejo de que algo já tenha ocorrido.
Ex. Espero que você tenha estudado o suficiente, para conseguir a aprovação.
O meu desejo é que todos nós nos tenhamos esforçado, para a empresa crescer.
Duvido de que tu tenhas tentado melhorar.

03) Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Indicativo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Indicativo
e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo
simples.
Ex. Eu já tinha namorado, quando conheci Julieta.
Eu tinha confiado naquele amigo que mentiu a mim.

04) Pretérito Mais-que-perfeito Composto do conjuntivo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do


conjuntivo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do
conjuntivo simples.
Ex. Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não estivesse trabalhando tanto.
Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014
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Eu teria estudado em Luanda, se não me tivesse mudado de cidade.
Eu teria confiado mais uma vez naquele amigo, se ele me tivesse prometido não mais me trair.

Obs.: Perceba que todas as frases remetem a acção obrigatoriamente para o passado.
A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria
aprendido.

05) Futuro do Presente Composto do Indicativo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Presente simples do
Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do
Indicativo.
Ex. Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido.

06) Futuro do Pretérito Composto do Indicativo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pretérito simples do
Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do
Indicativo.
Ex.

07) Futuro Composto do conjuntivo

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do conjuntivo simples e o
principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do conjuntivo simples.
Ex. Quando você tiver terminado sua série de exercícios, eu caminharei 6 Km.

Observe algumas frases:

Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Osvaldo.


Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Osvaldo.
Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas. No primeiro
caso, esperarei "você" praticar a sua acção para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro
praticarei a minha. Por isso o uso do advérbio "já".

Agora observe estas:

Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Osbirvânio.


Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a Osbirvânio.

Perceba que novamente o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas.


No primeiro caso, esperarei "você" praticar a sua acção para, depois, praticar a minha; no
segundo, primeiro praticarei a minha. Por isso o uso do advérbio "já".

08) Infinitivo Pessoal Composto

É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Infinitivo Pessoal simples e o
principal no particípio, indicando acção passada em relação ao momento da fala.
Ex. Para você ter comprado esse carro, necessitou de muito dinheiro.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Conjugação dos verbos derivados

Os verbos derivados ou compostos se conjugam como os seus primitivos.


Deste modo, verbos como intervir ( inter + vir) conjuga-se em todos tempos como vir, verbo a
partir do qual é formado.
O verbo predizer no presente do indicativo é: predigo, predizes, prediz, etc.

Classificação dos verbos

Quanto à flexão e função, os verbos podem ser:

a) Regulares: são os verbos que não sofrem alteração em seus radicais, obedecendo ao
paradigma (modelo) da conjugação em que forem flexionados, isto e, são verbos que mantêm o
radical em toda a flexão.
Por exemplo: cantar, vender, partir. Canta, cantava, cantaria, cantando... como, comia,
comeria, comendo... parto, partia, partiria, partindo...

d) Irregulares: são os verbos que apresentam mudança nos radicais ou nas terminações,
divergido do paradigma das conjugações, isto e, são verbos que não mantêm o radical
em toda a flexão.
Por exemplo: dar, estar, fazer, ser, pedir, ir.caibo, cabia, caberia, cabendo... faço, fazia,
faria, fazendo...sei,sabia, saberia, sabendo...

Para se saber se um verbo é irregular, deve-se conjugá-lo no presente do indicativo e no


pretérito perfeito do indicativo. Se houver qualquer irregularidade, ela se manifestará em um
desses dois tempos.

e) Defectivos: São os verbos que não possuem todas as formas das conjugações, tais
como:

f) Verbos impessoais, que só se conjugam na 3ª pessoa do singular.


Exemplo: chover, ventar, anoitecer.

 Verbos que indicam vozes de animais, que só se conjugam na 3ª pessoa (singular e


plural).
Exemplo: relinchar, latir, miar, cacarejar.

 Verbos que, geralmente, para manter a eufonia, não apresentam todas as formas. Estes
são, em sua maioria, verbos da 3ª conjugação (-ir).

Exemplo: abolir, banir, colorir, extorquir (não têm a primeira pessoa do singular do presente
do indicativo); falir, precaver (só têm 1ª e 2ª pessoas do plural no presente do indicativo).

g) Abundantes: São os verbos que possuem uma ou mais formas para uma mesma
flexão. De regra, tal abundância ocorre no particípio. Exemplo: aceitar: aceitado/
aceito/ aceite; entregar: entregado/ entregue; matar: matado/ morto.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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h) Unipessoais: só admitem sujeito na 3ª pessoa do singular ou do plural, ou porque
exprimem uma acção atribuível apenas a um determinado animal, ou porque indicam
necessidade, conveniência, sensações;

Ex.: ladrar, rosnar, galopar, convir, acontecer,...


*Eu ladro *Eu aconteço
Ele ladra (Ele) acontece
Eles ladram.

i) Impessoais: invariavelmente usados na 3ª pessoa do singular, porque exprimem


fenómenos da natureza, ou porque exprimem conveniência (+ verbo haver, fazer);
Ex.: chover, haver, bastar,...

j) Principais: É o verbo núcleo de uma oração; possui significação plena. Exemplo:


Estudo inglês. / Comi demais. / Não falei tudo.

k) Auxiliares: É o verbo que, desprovido de acepção própria, se junta a uma forma


nominal de outro verbo principal, formando locuções verbais. Exemplo: Tenho
estudado inglês. / Foi comprada muita comida. / Não tinha falado tudo.

Várias são as aplicações dos verbos auxiliares da língua portuguesa:

1 - Ter, haver (raramente) e ser (mais raramente) se combinam com o particípio do verbo
principal para constituírem novos tempos, chamados compostos, que, unidos aos simples,
formam o quadro completo da conjugação da voz activa. Estas combinações exprimem que a
acção verbal está concluída.

Complementos Verbais

Basicamente, são dois os complementos verbais: o objecto directo e o objecto indirecto:

01) Objecto Directo


Complementa um verbo transitivo directo, sem auxílio da preposição.
Ex. As professoras ajeitaram as crianças carinhosamente.
O director demitiu os funcionários corruptos.
Leio, em média, quarenta livros por ano.

02) Pronomes Oblíquos Átonos:


Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objecto directo são ME, TE, O, A, SE, NOS,
VOS, OS, AS.
Ex. Encontrei-os ontem à noite.
Meu irmão quer levar-me à sua cidade.
As provas, revisei-as há pouco.

Obs: VTD ( verbo transitivo directo), seguido de o, a, os, as:


Verbo terminado em vogal: Os pronomes não se modificam.
Verbo terminado em M, ÃO ou ÕE: Os pronomes se modificam para no, na, nos, nas.
Verbo terminado em R, S ou Z: Os pronomes se modificam para lo, la, los, las, e as terminações
desaparecem.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Ex. Revisei as provas. = Revisei-as.
Eles revisaram as provas. = Eles revisaram-nas.
Eles irão revisar as provas. = Eles irão revisá-las.

03) Objecto Indirecto

Complementa um verbo transitivo indirecto, por meio de uma preposição.


Ex. Assisto a todos os filmes de Almodovar.
Creia em mim, pois sou fiel.
Obedeça aos regulamentos da empresa.

04) Pronomes Oblíquos Átonos

Os pronomes oblíquos átonos que funcionam como objecto indirecto são ME, TE, LHE, SE, NOS,
VOS, LHES.
Ex. Não lhe paguei a dívida, por falta de dinheiro.
Eles não me obedecem.
Falta-me seu carinho.

07) Objecto Directo Preposicionado

Complementa um verbo transitivo directo, com auxílio da preposição.


Casos obrigatórios:
a) Pronomes Oblíquos Tónicos: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas.
b) O Pronome Relativo Quem.
c) A palavra Deus.
d) Evitando ambiguidade.
Ex. A mim você conhece há anos.
A garota a quem ele ama traiu-o.
"Amar a Deus sobre todas as coisas."

Casos facultativos:

a) Pronomes Indefinidos.
b) O numeral Ambos.
c) Nomes Próprios.
d) Verbos puxar, sacar, pegar, cumprir.

Ex. Conheci todos. Ou Conheci a todos.


Vi ambos. Ou Vi a ambos.
Encontrei Etevaldo. Ou Encontrei a Etevaldo.
Puxou o revólver. ou Puxou do revólver.
Verbos comer e beber.
O objecto directo desses verbos indica totalidade; o directo preposicionado, partes.
Ex. Bebi aquela garrafa de refrigerante. Indica que bebi a garrafa toda.
Bebi daquela garrafa de refrigerante. Indica que bebi apenas parte dela.

Colocação pronominal nas locuções verbais

As locuções verbais são formadas por verbo auxiliar + infinitivo, particípio ou gerúndio.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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01) Auxiliar + Infinitivo ou Gerúndio:


Quando o verbo principal da locução verbal estiver no infinitivo ou no gerúndio, há, no mínimo,
duas colocações pronominais possíveis:
Em relação ao verbo auxiliar, seguem-se as mesmas regras de em tempos simples, ou seja,
próclise, em qualquer circunstância (menos em início de frase), mesóclise, com verbo no futuro e
ênclise, sem atração, nem futuro.

Em relação ao principal, deve-se colocar o pronome depois do verbo (ênclise).


Veja os exemplos:
Eles se vão esforçar mais. Eles não se vão esforçar mais. Eles se irão esforçar mais.
Eles vão-se esforçar mais. -o- Eles ir-se-ão esforçar mais.
Eles vão esforçar-se mais. Eles não vão esforçar-se mais. Eles irão esforçar-se mais.
01) Auxiliar + Particípio: Quando o verbo principal da locução verbal estiver no particípio, o
pronome oblíquo átono só poderá ser colocado junto do verbo auxiliar, nunca após o verbo
principal.
Veja os exemplos:
Eles se têm esforçado. Eles não se têm esforçado. Eles se terão esforçado.
Eles têm-se esforçado. -o- Eles ter-se-ão esforçado.
-o- -o- -o-
Nota: Quando o pronome for colocado entre os dois verbos (ênclise no auxiliar), teremos de usar
hífen.

NB: Para se conjugar qualquer outro verbo pronominal, basta-lhe trocar o infinitivo. Por
exemplo, retira-se queixar e coloca-se zangar, arrepender, suicidar, mantendo os mesmos
pronomes e desinências: zangar-me-ei, zangar-te-ás...
Lembre-se de que, quando o verbo for transitivo directo terminado em R, S ou Z e à frente surgir
o pronome O ou A, OS, AS, as terminações desaparecerão. Por exemplo Vou cantar a música =
Vou cantá-la.
O mesmo ocorrerá, na formação da mesóclise: Cantarei a música = Cantá-la-ei.
Os verbos dizer, trazer e fazer são conjugados no Futuro do Presente e no Futuro do Pretérito,
perdendo as letras ze, ficando, por exemplo, direi, dirás, traria, faríamos. Na formação da
mesóclise, ocorre o mesmo: Direi a verdade = Di-la-ei; Farão o trabalho = Fá-lo-ão; Traríamos os
manuais = Trá-las-íamos.

Vozes Verbais

Voz verbal é a flexão do verbo que indica se o sujeito pratica, ou recebe, ou pratica e recebe a
acção verbal.

01) Voz Activa


Quando o sujeito é agente, ou seja, pratica a acção verbal ou participa activamente de um facto.

Ex.
• As meninas exigiram a presença da directora.
• A claque aplaudiu os jogadores.
• O médico cometeu um erro terrível.

02) Voz Passiva

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Quando o sujeito é paciente, ou seja, sofre a acção verbal.

A) Voz Passiva Sintética

A voz passiva sintética é formada por verbo transitivo directo, pronome se (partícula
apassivadora) e sujeito paciente.

Ex.
• Entregam-se encomendas.
• Alugam-se casas.
• Compram-se roupas usadas.

B) Voz Passiva Analítica

A voz passiva analítica é formada por sujeito paciente, verbo auxiliar ser ou estar, verbo principal
indicador de acção no particípio - ambos formam locução verbal passiva - e agente da passiva.
Veja mais detalhes aqui.
Ex.
• As encomendas foram entregues pelo próprio director.
• As casas foram arrendadas pela imobiliária.
• As roupas foram compradas por uma elegante senhora.

03) Voz Reflexiva


Há dois tipos de voz reflexiva:

A) Reflexiva
Será chamada simplesmente de reflexiva, quando o sujeito praticar a acção sobre si mesmo.

Ex.
• Carla machucou-se.
• António cortou-se com a faca.
• Roberto matou-se.

B) Reflexiva recíproca

Será chamada de reflexiva recíproca, quando houver dois elementos como sujeito: um pratica a
acção sobre o outro, que pratica a acção sobre o primeiro.
Ex.
• Romeu e Julieta amam-se.
• Os jovens agrediram-se durante a festa.
• Os autocarros chocaram-se violentamente.

Passagem da activa para a passiva e vice-versa

Para efectivar a transformação da activa para a passiva e vice-versa, procede-se da seguinte


maneira:

1 - O sujeito da voz activa passará a ser o agente da passiva.


Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014
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2 - O objecto directo da voz activa passará a ser o sujeito da voz passiva.

3 - Na passiva, o verbo ser estará no mesmo tempo e modo do verbo transitivo directo da activa.

4 - Na voz passiva, o verbo transitivo directo ficará no particípio.

Voz activa
A claque aplaudiu os jogadores.
• Sujeito = a claque.
• Verbo transitivo directo = aplaudiu.
• Objecto directo = os jogadores.

Voz passiva
Os jogadores foram aplaudidos pela claque.
• Sujeito = os jogadores.
• Locução verbal passiva = foram aplaudidos.
• Agente da passiva = pela claque.

Exercícios

1- Em algumas das frases abaixo, ocorre o agente da passiva. Aponte-o.

a) Prometeu lutar pelas camadas mais pobres da população.

b) Faz muito tempo que esses animais vem sendo caçados por gente inescrupulosa.

c) As melhores teses foram apresentadas pelos representantes dos países latino-americanos.

Modos de Relato do discurso. Discurso directo e indirecto, discurso directo livre.

Discurso Directo, Discurso Indirecto e Discurso Indirecto Livre, são os três modos de reportar ou
citar um acto de enunciação.

1. O discurso directo, é processo de citação de uma voz que é introduzida por um verbo
declarativo, como: afirmar, dizer, declarar, responder, confessar, indagar, etc.

O discurso directo é assinalado por dois pontos seguidos de mudança de linha e de um


travessão para marcar outra fala, usa-se também asa aspas, vírgula e um verbo declarativo.

A pontuação no discurso directo

A fala da personagem, no discurso directo, deve vir disposta em parágrafo e introduzida por
travessão.

Virou-se para o pai e aconselhou:

Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Os verbos de elocução são pontuados de acordo com sua posição.

1ª Posição - Antes da fala - separa-se por dois pontos:

O pai chamou Pedrinho e perguntou: Quem quebrou o vidro, meu filho ?

2ª Posição - Depois da fala - separa-se por travessão ou vírgula:

Agora você se chama Teresinha, disse me beijando a face.

Agora você se chama Teresinha - disse me beijando a face.

3ª Posição - No meio da fala - separa-se por travessão ou vírgula:

A Sociedade - afirmava Simão - tem obrigação de fazer o enterro.

Nesse dia , observou Luís Garcia sorrindo levemente, há de ser tão sincera como hoje.

O discurso directo é pois uma operação que confere ao discurso vivacidade e naturalidade típicas
da oralidade, pelo recurso a interjeições, exclamações, vocativos e interrogações directas.

2. Discurso indirecto.

Estabelece-se o discurso indirecto, quando o narrador, em vez de deixar a personagem falar,


reproduz com suas palavras o que foi dito.
Exemplo: Chamou um moleque e bradou-lhe que fosse à casa do Sr. João Carneiro chamá-lo, já e
já; e se não estivesse em casa, perguntasse onde podia ser encontrado(...) ( Machado de Assis)

Se o narrador reproduzisse directamente a fala da personagem, a construção do texto seria


assim: Chamou um moleque e bradou-lhe :
Vá a casa do Sr. João Carneiro chamá-lo, já e já; e se não estiver em casa, pergunte onde pode ser
encontrado.

Na passagem do discurso directo para o indirecto ou vice-versa, importa observar algumas


transformações importantes:

1. Na passagem do discurso directo para o indirecto é necessário utilizar verbos introdutores do


discurso. Os principais são:

a) Declarativos: dizer, afirmar, declarar, comunicar, exclamar, proferir, responder...


b) De inquirição: perguntar, interrogar, pedir...
c) De opinião: acreditar, crer, julgar, considerar, achar, pensar...
d) Declarativos de ordem: ordenar, prometer...
e) De sentimento: desabafar, lamentar, lastimar...
f) Interactivos: começar, continuar, acrescentar, atalhar...
g) É também necessário fazer alterações nas categorias verbais (modo, tempo e pessoa),
nos pronomes, nos determinantes e nos advérbios:

Discurso indirecto - Só há terceira pessoa; não há travessão.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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1. Os pronomes eu, tu, nós, vós no discurso directo são substituídos por ele, ela, eles,
elas; os pronomes me, te, nos (discurso directo) são substituídos por o, a, os, as, lhes,
se (discurso indirecto); meus, teu, nosso, vosso (discurso directo) são substituídos por
seu, dele ou deles (discurso indirecto); este, esse por aquele.

2. Os advérbios aqui, cá, logo, agora, hoje ou ontem (discurso directo) são substituídos
respectivamente por ali, além, lá, depois, então, naquele dia (discurso indirecto).

3. O vocativo do discurso indirecto passa a desempenhar a função de complemento


indirecto ou verbo declarativo ou interrogativo de que depende o discurso indirecto.

4. O presente do indicativo substitui-se pelo pretérito imperfeito.

5. O pretérito perfeito do indicativo passa geralmente para o pretérito mais-que-


perfeito do indicativo.

6. O futuro do indicativo substitui-se geralmente pelo condicional.

7. O imperativo, o presente e o futuro do conjuntivo substituem-se pelo pretérito


imperfeito do conjuntivo.

Nota: o discurso indirecto implica a alteração de pessoas gramaticais, modo e tempos.

II. Discurso indirecto livre

Aqui a voz do enunciador e voz do personagem se confundem, sendo uma espécie de


intersecção entre o discurso directo e o discurso indirecto. Trata-se do acto de enunciação mais
difícil de se analisar.

Às vezes, no entanto, as falas do narrador e da personagem parecem confundir-se numa só, sem
que se saiba claramente a quem elas pertencem, Trata-se, neste caso, do discurso indirecto livre.

Observe, por exemplo, esta passagem de Graciliano Ramos, extraída do romance Vidas secas:
O suor umedeceu-lhe as mãos duras. Então? Suando com medo de uma peste que se escondia
tremendo ?
Note que a primeira frase pertence ao narrador, porém as interrogações são da personagem;
entretanto, não há indicações dessa mudança através de verbos, o que exclui também as
conjunções integrantes.
Assim, a narrativa se torna mais fluente, aproximando mais narrador e personagem.

Resumo:

Na passagem do discurso directo para o indirecto ou vice-versa, importa observar algumas


transformações importantes:
1. Discurso directo: primeira pessoa
Eles perguntaram: - O que devemos fazer?
1) Discurso indirecto: terceira pessoa
2) Eles perguntaram o que deviam fazer.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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2. Discurso directo: imperativo
O professor ordenou: - Façam o exercício!
1) Discurso indirecto: pretérito imperfeito do subjuntivo ou conjuntivo
2) O professor ordenou que fizéssemos o exercício.

3. Discurso directo: futuro do presente


A enfermeira explicou: - Com o medicamento, a criança dormirá calmamente
discurso indirecto: futuro do pretérito
A enfermeira explicou que, com o medicamento, a criança dormiria calmamente.

4. Discurso directo: presente do indicativo


Ela me perguntou : - A quem devo entregar o trabalho?
1) Discurso indirecto: pretérito imperfeito do indicativo
2) Ela me perguntou a quem devia entregar o trabalho.

5. Discurso directo: pretérito perfeito


Ele disse : - Estive na escola e falei com o director.
Discurso indirecto: pretérito mais-que-perfeito
Ele disse que estivera na escola e falara com o director.

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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Bibliografia e obras consultadas.

1. Gramática Saber Português, de Luísa Oliveira e Leonor Sardinha, 2ª. Ed., Didáctica
Editora, Lisboa, 2005, pág. 155 a 157);
2. Cipro Neto, Pasquale - Gramática da Língua Portuguesa - Editora Scipione Terra, Ernani -
Curso Prático de Gramática - Editora Scipione
3. André, Hildebrando A. de - Gramática Ilustrada - Editora Moderna

Elaborado por:
Nascimento da R. Téte

Por: Nascimento da R. Téte. Ano 2013/2014


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