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ADVOCACIA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ DO JUIZADO ESPECIAL


CÍVEL E CRIMINAL DA CIDADE ________

Intermediado por seu mandatário ao final firmado -- instrumento


procuratório acostado -- causídico inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do
Ceará, sob o nº. 112233, com seu endereço profissional consignado no timbre desta, onde,
em atendimento à diretriz do art. 39, inciso I, da Legislação Instrumental Civil, indica-o para
as intimações necessárias, comparece, com o devido respeito à presença de Vossa
Excelência, __________, casado, empresário, inscrito no CPF(MF) sob o nº. ___________,
residente e domiciliado na Rua ________, nº. ___________, em __________, para ajuizar,
com fulcro nos arts. 186, 927e 944, todos do Código Civil Brasileiro c/c Art. 14 do Código
de Defesa do Consumidor, a presente

AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS

contra __________, inscrita no CNPJ(MF) nº. _______, estabelecida na Av. _____, nº.
_________, São Paulo (SP), em razão das justificativas de ordem fática e de direito, abaixo
delineadas.

SÍNTESE FÁTICA

O Autor contratou a Ré para transporte aéreo no trecho


Fortaleza/Miami(EUA) e Miami(EUA)/Fortaleza(CE). Esse deveria ter saído de Fortaleza
para São Paulo no voo nº 3344 às 18:45h do dia 11/22/0000. Dessa Cidade seguiria para
Miami(EUA) no voo marcado para às 22:00h do mesmo dia.

O retorno estava previsto para o Brasil em 22/00/3333, no voo


4455, às 21:45h, com destino a São Paulo. Finalmente, pegaria o voo 2277 com destino à

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Fortaleza, às 11:15h do dia 33/22/0000, conforme se denota dos bilhetes ora acostados.
(docs. 01/03)

Em que pese ter o mesmo embarcado para São Paulo no horário


previsto, tivera de dormir na cidade paulista para embarcar para Miami(EUA) somente às
07:20h do dia seguinte, conforme cartões de embarque anexados. (docs. 04/05)

Já no trecho de retorno, não foi possível o Autor viajar no voo


previsto contratualmente. Segundo a funcionária da Ré, de nome Maria da Tantas, havia um
excesso de passageiros para embarcar na mesma aeronave. Ademais, ainda segundo a
mesma, todos os passageiros já haviam feito o check in.

Por conta disso, o Autor somente embargou ao seu destino, na


mesma companhia, no dia seguinte. Nessa ocasião, tivera de hospedar-se no Hotel
Quantas, consoante comprovante anexo. (doc. 06) Além das despesas de hospedagem, o
Promovente tivera outros gastos com alimentação e táxi. (docs. 07/09)

Assim, somente às 09:25h, horário esse muito diverso daquele


contratado, conseguira retornar ao destino, no caso Fortaleza(CE), conforme prova
acostada. (docs. 10/11)

O quando fático em estudo, sem sombra de qualquer dúvida


representa a figura ilegal do “overbooking”.

Com efeito, notório que os préstimos ofertados pela Ré foram


extremamente deficitários, ocasionando danos ao Autor.

A RELAÇÃO ENTABULADA ENTRE AS PARTES É DE CONSUMO

A presente relação é claramente de consumo e, nessas


circunstâncias, a responsabilidade dos fornecedores, em decorrência de vício na prestação
do serviço, é objetiva. Com esse enfoque, urge evidenciar o que dispõe o art. 14 do CDC,
verbis:

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“Art. 14 – O fornecedor de serviços responde, independente da existência da


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação de serviços, bem como informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua função e riscos.
§ 1º - O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o
consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias
relevantes entre as quais:
I – o modo de seu fornecimento;
II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III – a época que foi fornecido; ( . . . )

A corroborar o texto da Lei acima descrita, insta transcrever as


lições de Fábio Henrique Podestá:

“Aos sujeitos que pertencerem à categoria de prestadores de serviço, que não sejam
pessoas físicas, imputa-se uma responsabilidade objetiva por defeitos de segurança
do serviço prestado, sendo intuitivo que tal responsabilidade é fundada no risco criado
e no lucro que é extraído da atividade. “(PODESTÁ, Fábio; MORAIS, Ezequiel;
CARAZAI, Marcos Marins. Código de Defesa do Consumidor Comentado. São Paulo:
RT, 2010. Pág. 147)

Nesse sentido:

RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS. PLANO


DE SAÚDE. UNIMED. ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA DOMICILIAR. DEMORA
NO ATENDIMENTO. NEGLIGÊNCIA DA PRESTADORA DE SERVIÇO AO NEGAR
O ATENDIMENTO MÉDICO. DESCABIMENTO. DESRESPEITO AO CONSUMIDOR.
DANOS MORAIS CONFIGURADOS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS.

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É incontroversa a relação jurídica entre as partes, em que o autor é beneficiário de


plano de saúde junto à ré. Da mesma forma, é pacífico entre as partes que o autor
solicitou atendimento de emergência em sua residência no dia 05.07.2013, devido a
seu estado de saúde debilitado, quando a equipe médica da ré, ao comparecer ao
local, teria se negado a prestar o serviço médico em função da atitude exaltada do
segurado, conforme relatado em contestação, e demonstrado pelo boletim de
ocorrência policial, bem como pelo boletim de atendimento pré-hospitalar de fl. 53.
Considerando o serviço contratado entre as partes, é manifesta a falha na prestação
do serviço devido à negativa de atendimento dos prepostos da ré ao segurado. Note-
se que a suposta exaltação do segurado não serve de argumento para fundamentar a
negativa de atendimento quando a saúde deste último estava em risco, sendo
negligente a conduta da equipe médica ao abandonar a residência do autor sem
realizar os procedimentos necessários para resguardar a saúde do paciente. Além
disso, é dotada de verossimilhança a tese narrada na exordial de que a médica teria
se sentido ofendida injustamente, provocando um escândalo na residência do autor, e
negando-lhe atendimento, pois não é crível que o autor, sentindo-se mal de saúde,
pudesse agredir a equipe médica a ponto de impedir o atendimento, como pretende
fazer crer a recorrente. Ademais, é razoável que o autor estivesse nervoso devido à
demora no atendimento, diante de seu estado de saúde, uma vez portador do vírus
HIV, em face da fragilidade da doença, porém tal fato não poderia servir para negar-
lhe a prestação do serviço médico. Portanto, resta evidenciado o desrespeito da ré
perante o consumidor, diante da falha na prestação do serviço, devendo indenizá-
lo com base na responsabilidade objetiva prevista no art. 14 do CDC. A situação
vivenciada pelo autor foi capaz de retirá-lo de seu equilíbrio emocional, conforme
restou comprovado pela conversa telefônica gravada, portanto inegável a existência
dos danos morais, até mesmo porque a saúde do segurado foi exposta a risco de
forma desnecessária. Aliás, é inadmissível a forma como a equipe médica tratou o
autor no momento em que mais precisava de cuidados, devido a seu estado de saúde
fragilizado, razão pela qual a indenização também deve ser aplicada com base na
função punitiva e dissuasória do instituto da responsabilidade civil. O quantum
indenizatório fixado em R$ 3.000,00 deve ser mantido, pois está de acordo com as
peculiaridades do caso em concreto, além de estar em conformidade com o
parâmetro normalmente adotado por estas turmas recursais em casos análogos, não

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comportando redução. Recurso desprovido. (TJRS; RecCv 46493-88.2013.8.21.9000;


Porto Alegre; Terceira Turma Recursal Cível; Rel. Des. Lucas Maltez Kachny; Julg.
10/04/2014; DJERS 14/04/2014)

A Ré comprometeu-se a transportar o Autor nas horas marcadas,


nos dias estabelecidos e até no lugar indicado. É consabido, além disso, que a obrigação da
Promovida não se limita apenas ao voo. Inclui-se, obviamente, a prestação de serviços
adequadamente.

A negligência da Promovida no atendimento ao Autor, sobretudo


no repasse de informações desencontradas e horários divergentes do contratado,
caracteriza falha na prestação de serviços. Além do mais, como antes afirmado, vendera
passagens além da quantidade estabelecida. Há, por esse azo, o dever de indenizar.

Com efeito, a situação de espera indeterminada, a alteração do


horário de retorno, o atendimento absolutamente negligente, causou ao Autor abalo interno,
sujeitando-o à forte apreensão, sensação de abandono e desprezo da Companhia Aérea.

Não se diga, mais, que haja aplicação do Pacto de Varsóvia ao


caso em questão, nem mesmo tocantemente à Lei 7.565/86 (Código Brasileiro de
Aeronáutica).

Como dito em passagem anterior deste arrazoado, não há dúvida


de que a relação existente entre o passageiro e a empresa de transporte aéreo encontra-se
albergada na Lei 8.078/90. Desse modo, recebe agasalho de suas normas e de seus
princípios, inclusive com observância obrigatória, pois o interesse tutelado é sempre de
ordem pública e não o meramente individual.

De outra banda, visto que equacionada a questão à relação de


consumo, importante que afastemos possível conflito entre a aplicabilidade do Código de
Defesa do Consumidor em face da Convenção de Varsóvia para aplicação de possível
indenização.

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A esse respeito, prevalece em nosso sistema jurídico o


entendimento de que os tratados ou convenções internacionais não se sobrepõem à
legislação federal. Aquelas, ao serem referendadas pelo Congresso, passam a ter a mesma
força da legislação ordinária.

Convém ressaltar o magistério de Cláudia Lima Marques:

“O contrato de transporte de passageiros é um contrato de prestação de serviços,


uma obrigação de resultado. Nesse caso, a caracterização do profissional
transportador como fornecedor não é difícil, nem a do usuário do serviço, seja qual for
o fim que este pretende com o deslocamento, como consumidor A relação de
transporte é de consumo e deverá ser regulada pelo CDC em diálogo com o CC/2002
sempre que estejam presentes consumidor e fornecedor naquela relação. “
(MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo
regime das relações contratuais. 6ª Ed. São Paulo: RT, 2011, p. 473)

Nesse passo, inexiste sobreposição de normais internacionais às


leis que integram o direito positivo brasileiro, maiormente quando lhes sejam contrárias e
supervenientes.

É altamente ilustrativo transcrever as seguintes ementas de


jurisprudência:

APELAÇÃO CÍVEL. DOIS RECURSOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS. CONTRATO DE TRANSPORTE. EXTRAVIO DE
BAGAGEM. VOO INTERNACIONAL. INDENIZAÇÃO TARIFADA. CONVENÇÃO
INTERNACIONAL. INAPLICABILIDADE. RESPONSABILIDA DE OBJETIVA DA
COMPAINHA AÉREA. DANOS MATERIAIS. COMPROVAÇÃO. INDENIZAÇÃO
DEVID A. DANOS MORAIS. QUANTUM. RAZOABILIDA DE E
PROPORCIONALIDADE. MAJORAÇÃO. HONORÁRIOS. MANUTENÇÃO.

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RECURSO DA RÉ IMPROVIDO. RECURSO DOS AUTORES PARCIALMENTE


PROVIDO.
A responsabilidade do transportador advém da sua condição de fornecedor de
serviços, decorrendo daí que responde objetivamente pelos prejuízos causados em
caso de não cumprimento de seu dever de transportar o passageiro e a sua bagagem
incólumes até o destino final. Não se exime a empresa aérea do dever de indenizar o
passageiro pelo extravio de bagagem sob o singelo argumento de que não teve
conhecimento de seu conteúdo, haja vista que a responsabilidade de colher a
declaração descritiva dos pertences que transporta é sua. A jurisprudência
dominante se orienta no sentido de prevalência das normas do CDC, em
detrimento de convenções internacionais, em casos de extravio de bagagem,
em transporte aéreo internacional, não se aplicando a indenização tarifada. Via
de regra, a reparação de danos materiais depende da efetiva comprovação dos
prejuízos sofridos pelo lesado. Todavia, em caso de extravio de bagagem, tal
orientação deve ser atenuada, considerando-se as peculiaridades relativas ao
contrato de transporte e a impossibilidade material de exigir-se dos passageiros que
possuam as notas fiscais de todos os objetos pessoais que transportem nas malas.
Em tema de indenização por dano moral, deve o julgador estipular um valor
proporcional à lesão experimentada pela vítima, calcado na moderação e
razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do bom senso, sempre atento a
realidade dos fatos e as peculiaridades de cada caso, evitando o enriquecimento sem
causa. Mantêm-se os honorários advocatícios fixados na sentença quando forem
arbitrados consoante apreciação equitativa do magistrado, e desde que atendidas as
regras das alíneas”a”, “b”e”c”, do§3º, do art. 20, do código de processo civil. (TJMS -
APL 0043898-07.2010.8.12.0001; Campo Grande; Quarta Câmara Cível; Rel. Des.
Paschoal Carmello Leandro; DJMS 09/01/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO. EXTRAVIO DE BAGAGEM. APLICAÇÃO DO


CDC. Responsabilidade objetiva da empresa de transporte aéreo, nos termos do art.
14 do CDC e art. 734 do CC. Falha na prestação do serviço.
Após o advento do Código de Defesa do Consumidor, a tarifação por extravio
de bagagem prevista na convenção de varsóvia não prevalece, podendo a

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indenização ser estabelecida em valor maior ou menor, consoante a apreciação


do judiciário em relação aos fatos acontecidos.
II. De acordo com o art. 14 do CODEX em evidência, é objetiva a responsabilidade da
ré, como fornecedora, pelos danos causados aos seus clientes/passageiros, isto é,
independentemente da existência de culpa, por defeitos relativos à prestação do
serviço, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição.
Tal responsabilidade somente é afastada se: (1) prestado o serviço, restar
comprovado que o defeito inexiste, ou se (2) comprovada a culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiro, não é o caso. II. O extravio de bagagem, cuja entrega é
confiada à empresa transportadora, gera a reparação por dano moral, na medida em
que tal situação traz ao passageiro um abalo psíquico e intenso desconforto.
III. Não há falar em redução do quantum estabelecido na sentença eis que arbitrado
em observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em
consideração a situação econômica de quem vai pagar e a posição social do
beneficiário. Apelo conhecido e desprovido. (TJGO - AC 12959-72.2010.8.09.0051;
Goiânia; Rel. Des. Walter Carlos Lemes; DJGO 27/11/2012; Pág. 149)

Dessa maneira, a promulgação de lei posterior que contenha


divergência coma Convenção Internacional, acaba por modificar o regulamento da matéria
em comum, pelo menos na questão em que haja incompatibilidade. Assim, devem
predominar as disposições do Código de Defesa do Consumidor, maiormente quando
estejam em conflito com a Convenção de Varsóvia. Ademais, constata-se que aquela lei
federal é posterior à entrada dessa normatização no sistema jurídico pátrio (Decreto nº.
20.784/31), bem como das modificações que lhes seguiram.

Portanto, é possível o Autor receber indenização com base na Lei


nº. 8078/90 (Código de Defesa do Consumidor), sendo essa posição antes já adotada
pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRANSPORTE


AÉREO INTERNACIONAL. EXTRAVIO DE CARGA. INDENIZAÇÃO INTEGRAL.
CDC. SOBRESTAMENTO DO FEITO. DESNECESSIDADE. AGRAVO REGIMENTAL
A QUE SE NEGA PROVIMENTO.

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1. A jurisprudência pacífica da segunda seção é no sentido de que o transportador


aéreo, seja em viagem nacional ou internacional, responde (indenização integral) pelo
extravio de bagagens e cargas, ainda que ausente acidente aéreo, mediante
aplicação do Código de Defesa do Consumidor, desde que o evento tenha ocorrido na
sua vigência, conforme sucede na espécie. Fica, portanto, afastada a incidência da
convenção de varsóvia e, por via de consequência, a indenização tarifada. (resp
552.553/rj, Rel. Ministro Fernando Gonçalves, quarta turma, DJ 01/02/2006 p. 561). 2.
A repercussão geral reconhecida pela suprema corte, nos termos do art. 543-b do
CPC, não enseja o sobrestamento dos recursos especiais que tramitam neste
Superior Tribunal de justiça. Nesse sentido: AGRG no RESP 1.344.073/rs, Rel.
Ministro Arnaldo esteves Lima, primeira turma, dje 06/09/2013; e AGRG no aresp
244.747/sp, Rel. Ministro castro meira, segunda turma, dje 08/02/2013. (agrg no
RESP 1.415.296/rj, primeira turma, relator Min. Sérgio kukina, dje de 04/02/2014). 3.
Agravo regimental não provido. (STJ; AgRg-AREsp 407.809; Proc. 2013/0336025-6;
SP; Quarta Turma; Rel. Min. Luis Felipe Salomão; DJE 19/03/2014)

QUANTO AOS DANOS OCASIONADOS

Diante do foi exposto, não resta dúvida que a situação de


overbooking gera o dever de indenizar. A propósito, vejamos os seguintes julgados:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL.


COMPANHIA AÉREA. "OVERBOOKING". CONSTRANGIMENTO. DANO MORAL.
APLICABILIDADE DO CDC.
I. Tratando-se de relação de consumo prevalecem as disposições do Código de
Defesa do Consumidor em relação ao Código Aéreo Brasileiro. II. O fato de os
passageiros não terem embarcado no vôo contratado com a empresa aérea, em
razão do denominado "overbooking", causa transtorno e induz a reparação pelo dano
moral. III. O valor fixado para fins de indenização por dano moral há de atender o
binômio reparação e prevenção, levando em conta a intensidade da ofensa e a
capacidade econômica do ofensor. lV. O termo a quo dos juros de mora, por se tratar
de responsabilidade contratual, em ambas as condenações, (danos moral e material),

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devem ter como marco inicial de incidência a data da citação, conforme entendimento
pacífico do Superior Tribunal de Justiça. Já quanto à correção monetária, odies a quo
é a data do arbitramento da reparação, em relação à indenização pelo dano moral,
nos termos do enunciado nº 362 da Súmula/STJ, e a data do evento danoso, com
referência ao dano material a ser indenizado (Súmula nº 43 do STJ). (TJMA; Rec
0018894-56.2009.8.10.0001; Ac. 145332/2014; Primeira Câmara Cível; Rel. Des.
Jorge Rachid Mubárack Maluf; Julg. 03/04/2014; DJEMA 11/04/2014)

Apelação Transporte aéreo "overbooking" Ação indenizatória Sentença de


acolhimento parcial dos pedidos Irresignação parcialmente procedente
Responsabilidade da transportadora ré não se subordinando às disposições da
Convenção de Montreal Aplicação, sim, das normas do Código de Proteção ao
Consumidor Entendimento praticamente pacificado no âmbito do Superior Tribunal de
Justiça Dano moral bem reconhecido Exagerada, porém, a indenização arbitrada a
esse título em primeiro grau, no montante global de R$ 20.000,00 Indenização que se
reduz para R$ 14.000,00 (R$ 7.000,00 para cada uma das autoras), consideradas as
peculiaridades do caso Juros de mora devendo incidir a partir da citação, por se tratar
de responsabilidade de fundo contratual. Apelação a que se dá parcial provimento.
(TJSP; APL 0169161-82.2012.8.26.0100; Ac. 7454864; São Paulo; Décima Nona
Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Ricardo Pessoa de Mello Belli; Julg. 24/03/2014;
DJESP 09/04/2014)

APELAÇÃO CÍVEL. TRANSPORTE AÉREO. OVERBOOKING. EMBARQUE DE


RETORNO TRÊS DIAS APÓS A DATA PREVISTA. TRANSTORNOS QUE
TRANSCENDEM O MERO INCÔMODO OU DISSABOR. DANO MORAL
CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO. RESSARCIMENTO DOS DANOS
PATRIMONIAIS. SENTENÇA MANTIDA.
O descumprimento do contrato de transporte ou falha na prestação do serviço
contratado dá ensejo ao dever de indenizar o dano moral causado ao passageiro,
cumulado com o ressarcimento pelos danos patrimoniais responsabilidade objetiva do
transportador. Art. 14 do Código de Defesa do Consumidor. O impedimento do
embarque em vôo contratado em razão da comercialização de passagens aéreas em

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ADVOCACIA

quantidade superior ao número de assentos existentes na aeronave configura prática


abusiva de overbooking, dando azo ao direito indenizatório. Segundo precedentes do
STJ, a prática do overbooking gera a presunção de ter causado danos morais,
prescindindo de prova, sendo que a responsabilidade do causador se opera in re ipsa.
A quantificação pecuniária a título de dano moral deve corresponder à justa reparação
à vítima, além de chancelar o infrator com desembolso financeiro pedagógico/punitivo,
para que se sinta desestimulado a reiterar práticas lesivas, sem perder de vista a
moderação e a proporcionalidade do quantum a ser fixado para não fomentar o
enriquecimento injustificado. Indenização fixada na sentença em R$ 6.000,00.
Decisão mantida. Apelação desprovida. (TJRS; AC 426694-77.2013.8.21.7000; Santo
Ângelo; Décima Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Guinther Spode; Julg. 27/03/2014;
DJERS 31/03/2014)

Com essa mesma esteira de entendimento, estas são as lições de


Yussef Said Cahali:

“Em função de o transportador não cumprir de forma satisfatória a obrigação que


agora a lei expressamente lhe impõe (ou se deixar de cumpri-la integralmente),
eventuais danos morais causados ao passageiro frustrado, em razão de desconforto,
desatenção, intranquilidade, poderão sujeitá-lo à responsabilidade indenizatória.
“(CAHALI, Yussef Said. Dano Moral. 4ª Ed. São Paulo: RT, 2011, p. 490)

Dessarte, cabível a condenação da Ré ao pagamento de


indenização por dano moral, mormente com o objetivo de dissuadi-la da prática ilícita
perpetrada e, ao mesmo, tempo, indenizar o Autor do constrangimento que tivera de
suportar.

EM CONCLUSÃO

Em arremate, requer o Promovente que Vossa Excelência


se digne de tomar as seguintes providências:

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a) Determinar a citação da Requerida, por carta, com AR, para, querendo, apresentar
defesa em audiência;

b) pede, mais, sejam os pedidos JULGADOS PROCEDENTES, condenando a Ré a


pagar ao Autor:

(1) a quantia de R$ 497,00(quatrocentos e noventa e sete reais), a título de danos


materiais, correspondente à devolução dos valores pagos(repetição indébito) pagos
para aguardar o voo seguinte;

2) à guisa de danos morais, o valor mínimo de R$ 15.000,00(quinze mil reais);

3) incidirão sobre os valores acima juros moratórios legais de 12% a.a., a contar do
evento danoso(00/11/2222), além de correção monetária pelo IGP-M;

Súmula 43 do STJ – Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a
partir da data do efetivo prejuízo.

Súmula 54 do STJ – Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em


caso de responsabilidade extracontratual.

4) com o pedido de inversão do ônus da prova, protestar provar o alegado por todos
os meios de prova em direitos admitidos, por mais especiais que sejam, sobretudo
com a oitiva de testemunhas, depoimento pessoal dos representante legal da Ré, o
que desde já requer, sob pena de confesso.

Dá-se à causa o valor de R$ ________

Respeitosamente, pede deferimento.

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