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Carreira Jurídica – Módulo I

Direito Tributário
Renato De Pretto

2. TAXAS (arts. 77/80, CTN) pode cobrar IPTU de Estado estrangeiro,


embora possa cobrar taxa de coleta domiciliar
(i) Conceito – art. 145, II, CF (*). de lixo. Encontra-se pacificado na
Art. 145, II, CF: A União, os Estados, o Distrito jurisprudência do STJ o entendimento de que
Federal e os Municípios poderão instituir os os Estados estrangeiros possuem imunidade
seguintes tributos: tributária e de jurisdição, segundo os preceitos
das Convenções de Viena de 1961 (art. 23) e
(...) de 1963 (art. 32), que concedem isenção sobre

II - taxas, em razão do exercício do poder de impostos e taxas, ressalvadas aquelas


polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, decorrentes da prestação de serviços
de serviços públicos específicos e divisíveis, individualizados e específicos que lhes sejam
prestados ao contribuinte ou postos a sua prestados. Assim, em tese, a Taxa de Coleta
disposição; Domiciliar de Lixo que decorra da prestação de
serviço específico pode ser cobrada do Estado
(ii) Espécies: estrangeiro. (STJ, Segunda Turma, RO 138-
RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
a) Serviços Públicos:
25/2/2014 - Informativo nº 538).
- Específicos (unidades autônomas) e
- Taxa de expediente/emissão de guia para
divisíveis (utilização separada) – art. 79, CTN;
pagamento de tributo: inconstitucionalidade
- S. 670, STF (*); (*):

Súmula nº 670, STF: O serviço de iluminação TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL.


pública não pode ser remunerado mediante RATIFICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA. TAXA
taxa. DE EXPEDIENTE. FATO GERADOR.
EMISSÃO DE GUIA PARA PAGAMENTO DE
- limpeza pública e conservação de TRIBUTO. AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS
vias/logradouros públicos: EXIGIDOS PELO ART. 145, II, CF/88.
inconstitucionalidade (STF); INCONSTITUCIONALIDADE. 1. A emissão de
guia de recolhimento de tributos é de interesse
≠ coleta domiciliar de lixo - constitucionalidade:
exclusivo da Administração, sendo mero
SV 19 (*);
instrumento de arrecadação, não envolvendo a
Súmula Vinculante nº 19: A taxa cobrada prestação de um serviço público ao
exclusivamente em razão dos serviços contribuinte. 2. Possui repercussão geral a
públicos de coleta, remoção e tratamento ou questão constitucional suscitada no apelo
destinação de lixo ou resíduos provenientes de
extremo. Ratifica-se, no caso, a jurisprudência
imóveis, não viola o artigo 145, II, da
da Corte consolidada no sentido de ser
Constituição Federal.
inconstitucional a instituição e a cobrança de
- Taxa de Coleta Domiciliar de Lixo: taxas por emissão ou remessa de carnês/guias
possibilidade de sua cobrança de Estado de recolhimento de tributos. Precedente do
Estrangeiro (*). Plenário da Corte: Rp nº 903, Rel. Min.
Thompson Flores, DJ de 28/6/74. 3. Recurso
DIREITO TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL extraordinário do qual se conhece, mas ao
PÚBLICO. COBRANÇA DE TRIBUTO DE qual, no mérito, se nega provimento. (STF, RE
ESTADO ESTRANGEIRO. O Município não

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789218 RG, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, – criação sempre condicionada à lei (*);
julgado em 17/04/2014, PUBLIC 01-08-2014).

b) Poder de Polícia:
DIREITO TRIBUTÁRIO. FUNDO ESPECIAL
- exemplos: fiscalização de anúncios; DE DESENVOLVIMENTO E
localização e funcionamento de APERFEIÇOAMENTO DAS ATIVIDADES DE
estabelecimento; TCFA (taxa de controle e FISCALIZAÇÃO – FUNDAF. São inexigíveis
fiscalização ambiental); taxa CVM (S. 665, os valores cobrados de concessionária, com
STF) (*); fundamento em atos regulamentares da
Receita Federal, a título de contribuição para o
Súmula nº 665, STF: É constitucional a taxa de Fundo Especial de Desenvolvimento e
fiscalização dos mercados de títulos e valores Aperfeiçoamento das Atividades de
mobiliários instituída pela Lei 7.940/89. Fiscalização (FUNDAF). Os valores cobrados
- exercício efetivo do poder de polícia? (*) a título de contribuição para o FUNDAF – a
qual tem por objetivo ressarcir os custos pelo
Taxa de Renovação de Alvará de Localização exercício do poder de polícia na fiscalização
e Funcionamento e Efetivo Poder de Polícia. É aduaneira em porto administrado
constitucional taxa de renovação de
funcionamento e localização municipal, desde pela concessionária – têm natureza jurídica de
que efetivo o exercício do poder de polícia, taxa (e não de preço público), tendo em vista
demonstrado pela existência de órgão e que o seu pagamento é compulsório e decorre
estrutura competente para o respectivo do exercício regular de típico poder de polícia,
exercício. Com esse entendimento, o Tribunal, conforme se afere do art. 22 do Decreto-Lei
por maioria, desproveu recurso extraordinário 1.455/1976. Nesse contexto, cabe esclarecer
no qual se alegava a inconstitucionalidade da que a taxa está sujeita às limitações
cobrança da taxa de renovação de localização constitucionais ao poder de tributar, entre as
e funcionamento quais o princípio da legalidade estrita, previsto
no art. 150, I, da CF e no art. 97 do CTN. (...)
cobrada pelo Município de Porto Velho, por Entretanto, a referida taxa encontra-se em
ausência de comprovação do efetivo exercício desconformidade com o citado princípio, tendo
do poder de polícia. Afirmou-se que, à luz da em vista que os seus elementos constitutivos
jurisprudência do STF, a existência do órgão
administrativo não seria condição para o estão previstos não em lei, mas em atos
reconhecimento da constitucionalidade da regulamentares da Receita Federal, por
cobrança da taxa de localização e fiscalização, indevida delegação de competência prevista
mas constituiria um dos elementos admitidos no Decreto-Lei 1.455/1978 e no Decreto
91.030/1985, os quais não subsistem, por
para se inferir o efetivo exercício do poder de
polícia, exigido constitucionalmente. Verificou- força do disposto no art. 25 do ADCT, o qual
se que, na expressamente revogou os dispositivos legais
que delegavam a órgão do Poder Executivo
espécie, o Município de Porto Velho seria competência assinalada pela CF/1988 ao
dotado de aparato fiscal necessário ao Congresso Nacional. (STJ, REsp 1.275.858-
exercício do poder de polícia. Vencido o Min. DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
Marco Aurélio, que provia o recurso. (STF, RE 19/9/2013 - Informativo nº 0531).
588322/RO, rel. Min. Gilmar Mendes,
16.6.2010 - informativo nº 591). (iii) Base de cálculo – art. 145, § 2º, CF

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- S. 595, STF (*); ou com a atividade de polícia desenvolvida.


(STF, RE 554951/SP, rel. Min. Dias Toffoli,
- SV 29 (*). 15.10.2013).
Art. 145, § 2º, CF. As taxas não poderão ter (iv) Competência para instituição
base de cálculo própria de impostos.
- art. 80, CTN;
Súmula nº 595, STF: É inconstitucional a taxa
municipal de conservação de estradas de - competência tributária residual para
rodagem cuja base de cálculo seja idêntica à instituição de taxas aos Estados (art. 25, § 1º,
do imposto territorial rural. CF);

Súmula Vinculante nº 29: É constitucional a - serviços públicos gratuitos - SV 12 (*).


adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou
mais elementos da base de cálculo própria de Art. 206. CF: O ensino será ministrado com
determinado imposto, desde que não haja base nos seguintes princípios:
integral identidade entre uma base e outra. (...)
- base de cálculo relacionada ao IV - gratuidade do ensino público em
número de empregados? (*) estabelecimentos oficiais.
Taxa e número de empregados Súmula vinculante nº 12: A cobrança de taxa
O número de empregados não pode ser de matrícula nas universidades públicas viola
utilizado como base de cálculo para a o disposto no art. 206, IV, da Constituição
cobrança da taxa de localização e Federal.
funcionamento de estabelecimento industrial e (v) Princípio informador: retributividade;
comercial. (...) No mérito, esclareceu-se que,
ao contrário do que ocorreria com o tamanho (vi) Taxa ≠ Preço público ou tarifa (ex.: água,
do imóvel, o número de empregados não energia elétrica e esgoto) – S. 545, STF
poderia ser elemento integrante da base de (compulsoriedade) (*);
cálculo de nenhum imposto. Destacou-se que
o legislador municipal, ao se basear no número - Regime tributário/direito público
de empregados para dimensionar a atividade (=taxa) x regime contratual/direito privado
municipal de fiscalização, teria levado em (=tarifa).
conta qualidades externas e estranhas ao
exercício do
Súmula nº 545, STF: Preços de serviços
poder de polícia, sem pertinência quanto ao
públicos e taxas não se confundem, porque
aspecto material da hipótese de incidência. (...)
estas, diferentemente daqueles, são
Recordou-se que a taxa seria tributo
compulsórias e têm sua cobrança
contraprestacional (vinculado) usado na
condicionada à prévia autorização
remuneração de atividade específica, seja
orçamentária, em relação à lei que as instituiu.
serviço ou exercício do poder de polícia e, por
isso, não se ateria a sinais presuntivos de Exemplos de cobranças qualificadas pela
riqueza. Explicou-se que as taxas se jurisprudência como preço público ou tarifa e
comprometeriam somente com o custo do não como tributos/taxas:
serviço específico e divisível que as motivaria,

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- “seguro-apagão” (Lei nº 10.438/2002 – postes, dutos ou linhas de transmissão – não


Encargo de Capacidade Emergencial); pode ser objeto de cobrança pela
Administração Pública. A cobrança é ilegal,
- compensação financeira pela pois a exação não se enquadra no conceito de
exploração de recursos minerais taxa – não há exercício do poder de polícia
(royalties - art. 20, §1°, CF); nem prestação de algum serviço público –,
- outorga onerosa do direito de criar solo tampouco no de preço público – derivado de
(STF, RE 387.047/SC) ou solo criado um serviço de natureza comercial ou
(art. 28 da Lei Federal 10.257/2001); industrial prestado pela Administração. (STJ,
- cobrança de foro anual e laudêmio; AgRg no REsp 1.193.583-MG, Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 18/10/2012).
- a tarifa aeroportuária exigida pela INFRAERO
(Lei nº 6.009/73); 3. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA (arts.
81/82, CTN e Decreto-lei nº 195/67)
- pagamento prévio da retribuição
autoral em prol do Escritório Central de (i) Conceito
Arrecadação e Distribuição (ECAD). - Fato gerador misto;
- Pedágio: não possui natureza tributária (*); - lei anterior à obra (art. 150, III, a, CF);
ADI N. 800-RS, RELATOR: MIN. TEORI - término da obra necessário (exceção:
ZAVASCKI obra por etapas – art. 9º, Decreto-lei nº 195/67)
Ementa: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. (*);
PEDÁGIO. NATUREZA JURÍDICA DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REQUISITOS PARA
PREÇO PÚBLICO. DECRETO 34.417/92, DO A INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. MELHORIA.
CONSTITUCIONALIDADE.
A instituição de contribuição de melhoria
1. O pedágio cobrado pela efetiva utilização de depende de lei prévia e específica, bem como
rodovias conservadas pelo Poder Público, cuja da ocorrência de efetiva valorização imobiliária
cobrança está autorizada pelo inciso V, parte em razão da obra pública, cabendo ao ente
final, do art. 150 da Constituição de 1988, não tributante o ônus de realizar a prova
tem natureza jurídica de taxa, mas sim de respectiva. (STJ, REsp 1.326.502-RS, Rel.
preço público, não estando a sua instituição, Min. Ari Pargendler, julgado em 18/4/2013).
consequentemente, sujeita ao princípio da
legalidade estrita. 2. Ação direta de (ii) Limites individual (valorização imobiliária –
inconstitucionalidade julgada improcedente. teto da exigência frente ao contribuinte) e
global (custo da obra) - art. 81, CTN);
- utilização das vias públicas? (*).
Art. 81, CTN. A contribuição de melhoria
DIREITO ADMINISTRATIVO. cobrada pela União, pelos Estados, pelo
REMUNERAÇÃO POR USO DE VIAS Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito
PÚBLICAS POR CONCESSIONÁRIA DE de suas respectivas atribuições, é instituída
SERVIÇO PÚBLICO. A utilização das vias para fazer face ao custo de obras públicas de
públicas para prestação de serviços públicos que decorra valorização imobiliária, tendo
por concessionária – como a instalação de como limite total a despesa realizada e como

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limite individual o acréscimo de valor que da - inciso II: EC especial (observância do


obra resultar para cada imóvel beneficiado. princípio da anterioridade anual e
nonagesimal).
(iii) Base de cálculo (*);
Art. 148, CF. A União, mediante lei
BASE. CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO. complementar, poderá instituir empréstimos
MELHORIA. compulsórios:
In casu, a cobrança da contribuição de I - para atender a despesas extraordinárias,
melhoria estabelecida em virtude da decorrentes de calamidade pública, de guerra
pavimentação asfáltica de via pública externa ou sua iminência;
considerou apenas o valor total da obra sem
atentar para a valorização imobiliária. É II - no caso de investimento público de caráter
uníssono o entendimento jurisprudencial neste urgente e de relevante interesse nacional,
Superior Tribunal de que a base de cálculo da observado o disposto no art. 150, III, b.
contribuição de melhoria é a efetiva
valorização imobiliária, a qual é aferida Parágrafo único. A aplicação dos recursos
mediante a diferença entre o valor do imóvel provenientes de empréstimo compulsório será
antes do início da obra e após a sua conclusão, vinculada à despesa que fundamentou sua
sendo inadmissível a sua cobrança com base instituição.
somente no custo da obra pública realizada. (ii) S. 418, STF (“O empréstimo compulsório
(STJ, REsp 1.076.948-RS, Rel. Min. Luiz Fux, não é tributo, e sua arrecadação não está
julgado em 4/11/2010). sujeita à exigência constitucional da prévia
(iv) Competência para instituição; autorização orçamentária”): revogação;

(v) Princípio informador: - não recepção também do art. 15, III,


retributividade/vedação ao enriquecimento CTN (“absorção temporária de poder
sem causa; aquisitivo”);

(vi) Obra pública ≠ serviço público (mero (iii) Fato gerador aberto: vinculado ou não à
recapeamento de via pública – STF, RE atividade estatal;
116.148): (iv) Aplicação vinculada (art. 148, p.ú., CF);
- predominância de serviço ou
- Empréstimo compulsório: tributo de
atividade: taxa; arrecadação vinculada;
- predominância do resultado: (v) Competência exclusiva da União e só por
contribuição de melhoria. lei complementar;
4. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS (art. (vi) Caráter restituível (art. 15, p.ú., CTN) (*);
148, CF)
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. (DL.
(i) Espécies (*):
2.288/86, ART. 10). INCIDÊNCIA NA
- inciso I: EC excepcional (sem AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEIS DE PASSEIO,
observância do princípio da anterioridade COM RESGATE EM QUOTAS DO FUNDO
anual e nonagesimal); NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO.
INCONSTITUCIONALIDADE. 1. "Empréstimo
compulsório, ainda que compulsório, continua

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empréstimo" (Victor Nunes Leal) (...) 3. não (c) de interesse de categorias


pode, sequer em tese, cogitar de dar validade, profissionais/econômicas;
como imposto federal restituível, ao que a Lei
pretendeu instituir como empréstimo (d) CIP/COSIP.
compulsório, porque "não se pode, a título de Art. 149, CF. Compete exclusivamente à União
se interpretar uma Lei conforme a instituir contribuições sociais, de intervenção
Constituição, dar-lhe sentido que no domínio econômico e de interesse das
falseie ou vicie o objetivo legislativo em ponto categorias profissionais ou econômicas, como
essencial"; (STF; RE 121336; CE; Tribunal instrumento de sua atuação nas respectivas
Pleno; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; Julg. áreas, observado o disposto nos arts. 146, III,
11/10/1990; DJU 26/06/1992; p. 10108). e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art.
195, § 6º, relativamente às contribuições a que
(vii) Cessão de crédito possível (*). alude o dispositivo.

DIREITO TRIBUTÁRIO. CESSÃO DE Art. 149, § 1º, CF. Os Estados, o Distrito


CRÉDITO DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO Federal e os Municípios instituirão
COMPULSÓRIO SOBRE ENERGIA contribuição, cobrada de seus servidores, para
ELÉTRICA. É possível a cessão dos créditos o custeio, em benefício destes, do regime
decorrentes de empréstimo compulsório sobre previdenciário de que trata o art. 40, cuja
energia elétrica. De fato, o empréstimo alíquota não será inferior à da contribuição dos
compulsório instituído em favor da Eletrobrás servidores titulares de cargos efetivos da
pela Lei 4.156/1962 e alterações posteriores União.
tem a forma de resgate disciplinada pelo Dec.-
Lei 1.512/1976. Ao estabelecer o modo de Art. 149-A, CF. Os Municípios e o Distrito
devolução do referido tributo, a legislação de Federal poderão instituir contribuição, na
regência não criou óbice à cessão do forma das respectivas leis, para o custeio do
respectivo crédito a terceiros, razão pela qual serviço de iluminação pública, observado o
não há impedimento para tanto. Precedente disposto no art. 150, I e III.
citado: STJ, AgRg no REsp 1.090.784-DF, Rel. (ii) referibilidade: custeio pelos integrantes do
Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em grupo a que a atividade estatal é dirigida; não
11/4/2013. pressupõe benefício.
5. CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS - Referibilidade no STJ: apenas para as
(i) Competência - subespécies (arts. 149, contribuições de interesse de categorias
caput e § 1º e 149-A, CF) (*); profissionais ou econômicas e não para as
CIDEs (*).
(a) Sociais:
- Exemplos: empresas urbanas
a.1- gerais; também pagam a contribuição para o INCRA
(STJ, Primeira Turma, Rel. Ministro TEORI
ALBINO ZAVASCKI, REsp 673.059, 2006);
a.2- de seguridade grande e médias empresas pagam a
social; contribuição do SEBRAE (STF, Tribunal Pleno,
(b) de intervenção no domínio Rel. Ministro CARLOS VELLOSO, EDRE
econômico; 396.266, 2004).

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“A Primeira Seção, ao apreciar a exigibilidade Desvinculação de Receitas da União - DRU em


da contribuição para o INCRA, firmou razão de sua suposta inconstitucionalidade.
orientação no sentido de que ‘as contribuições
especiais atípicas (de intervenção no domínio O Tribunal afirmou que os impostos seriam
econômico) são constitucionalmente tributos classificados como não-vinculados.
destinadas a finalidades não diretamente Assim, seria possível a exação sem
referidas ao sujeito passivo, o qual não contraprestação específica de determinado
necessariamente é beneficiado com a atuação serviço público, pois o montante arrecadado
estatal e nem a ela dá causa (referibilidade). não teria destinação predeterminada (CF, art.
Esse traço característico que as distingue das 167, IV). Todavia, a Constituição vincularia a
contribuições de interesse de categorias arrecadação de impostos a determinados fins,
conforme observado de seus artigos 158, 159,
profissionais e de categorias econômicas’ 198, § 2º, 212 e 37, XXII. As contribuições
(STJ, REsp 1121302/RS, Rel. Ministro sociais e as contribuições de intervenção no
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA domínio econômico, por outro lado, seriam
TURMA, julgado em 20/04/2010, DJe tributos com destinação de arrecadação
03/05/2010). vinculada.

(iii) Vinculação do produto da arrecadação Todas seriam alcançadas pela desvinculação


estabelecida pelo art. 76 do ADCT. De
- exceções só por Emenda qualquer forma, não seria possível concluir
Constitucional : ex.: art. 76, ADCT – DRU (20% que, da eventual inconstitucionalidade da
dos impostos, CS e CIDE); desvinculação parcial da receita das
contribuições sociais, decorreria a devolução
- Como tese de
repercussão geral, o Plenário fixou que o ao contribuinte do montante correspondente
disposto no artigo 76 do ADCT, ao percentual desvinculado. Sublinhou que a
independentemente de sua validade tributação não seria inconstitucional ou ilegal,
constitucional, não gera devolução de indébito hipótese em que se autorizaria a repetição do
- RE 566007, j. em 12/11/2014 (*) indébito tributário ou o reconhecimento de
inexistência de relação jurídico-tributária.
- Desvinculação de contribuição e legitimidade Portanto, faltaria legitimidade processual à
de contribuinte recorrente, pois ela não seria beneficiada pela
declaração de inconstitucionalidade.
O disposto no art. 76 do ADCT — que
desvincula 20% do produto da arrecadação da RE 566007/RS, rel. Min. Cármen Lúcia,
União em impostos, contribuições sociais e 13.11.2014. (RE-566007)
contribuições de domínio econômico de órgão,
(iv) Contribuições Sociais e CIDE: Não
fundo ou despesa, independente de sua
validade constitucional, não gera direito à incidência sobre as receitas decorrentes de
repetição de indébito. Com base nesse exportação (imunidade outorgada no art. 149,
entendimento, o Plenário desproveu recurso § 2º, I, CF).
extraordinário em que se discutia a (v) Bases econômicas: art. 149, § 2º, III, CF (*)
constitucionalidade da desvinculação tributária
levada a efeito pelas EC 27/2000 e EC Art. 149, 2º, CF. As contribuições sociais e de
42/2003. No caso, a recorrente alegava ter intervenção no domínio econômico de que
direito à restituição da denominada trata o caput deste artigo:

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(...) IV - do importador de bens ou serviços do


exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.
III - poderão ter alíquotas:
(ii) Estados, DF e Municípios: competência
a) ad valorem, tendo por base o faturamento, apenas para instituição das contribuições
a receita bruta ou o valor da operação e, no previdenciárias –§ 1º do art. 149 da CF (*).
caso de importação, o valor aduaneiro;
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COBRANÇA DA
b) específica, tendo por base a unidade de CONTRIBUIÇÃO PARA CUSTEIO DA
medida adotada. ASSISTÊNCIA MÉDICO-HOSPITALAR
1. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS COBRADA PELO PSEMG.
Inconstitucionalidade da cobrança compulsória
1.1. Contribuições de seguridade social (art. de contribuição para o custeio parcial da
195, CF) (*) assistência médica, hospitalar, odontológica,
social, farmacêutica e complementar aos
(i) Compreensão de seguridade social – art. segurados.
194, CF;
- Leading cases: ADI 3.106, Min. Eros Grau, e
Art. 195, CF. A seguridade social será RE 573.540, Min. Gilmar Mendes – com
financiada por toda a sociedade, de forma repercussão geral.
direta e indireta, nos termos da lei, mediante
recursos provenientes dos orçamentos da - Repetição do indébito no caso retro: (*)
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, e das seguintes contribuições DIREITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DO
sociais: INDÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA
CONTRIBUIÇÃO RECOLHIDA.
I - do empregador, da empresa e da entidade
a ela equiparada na forma da lei, incidentes É cabível a repetição do indébito tributário no
sobre: caso de pagamento de contribuição para
custeio de saúde considerada inconstitucional
a) a folha de salários e demais rendimentos do em controle concentrado, independentemente
trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, de os contribuintes terem usufruído do serviço
à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo de saúde prestado pelo Estado. A declaração
sem vínculo empregatício; de inconstitucionalidade de lei que instituiu
contribuição previdenciária é suficiente para
b) a receita ou o faturamento; justificar a repetição dos valores
indevidamente recolhidos. Além do mais, o
c) o lucro;
fato de os
II - do trabalhador e dos demais segurados da
contribuintes terem usufruído do serviço de
previdência social, não incidindo contribuição
saúde prestado pelo Estado não retira a
sobre aposentadoria e pensão concedidas
natureza indevida da exação cobrada. O único
pelo regime geral de previdência social de que
pressuposto para a repetição do indébito é a
trata o art. 201;
cobrança indevida de tributo, conforme dispõe
III - sobre a receita de concursos de o art. 165 do CTN. (STJ, AgRg no AREsp
prognósticos. 242.466-MG, Rel. Min. Castro Meira, julgado
em 27/11/2012 - Informativo nº 0512).

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(iv) Novas fontes de contribuição à seguridade 718874/RS, com repercussão geral


social ou “outras contribuições sociais” (STF): reconhecida (DJe de 11.9.2013). (STF, RE
art. 195, § 4º, CF (*); 596177 ED/RS, rel. Min. Ricardo
Lewandowski, 17.10.2013, Informativo 724,
Art. 195, § 4º, CF. A lei poderá instituir outras Plenário, Repercussão Geral).
fontes destinadas a garantir a manutenção ou
expansão da seguridade social, obedecido o (v) Sujeição apenas ao princípio da noventena
disposto no art. 154, I. (art. 195, § 6º, CF) (*);

Art. 154, I, CF. A União poderá instituir: Art. 195, § 6º, CF. As contribuições sociais de
que trata este artigo só poderão ser exigidas
I - mediante lei complementar, impostos não após decorridos noventa dias da data da
previstos no artigo anterior, desde que sejam publicação da lei que as houver instituído ou
não-cumulativos e não tenham fato gerador ou modificado, não se lhes aplicando o disposto
base de cálculo próprios dos discriminados no art. 150, III, b.
nesta Constituição;
Repercussão Geral
- contribuição previdenciária do empregador
rural pessoa física: (*) PIS e Anterioridade Nonagesimal – Ao julgar o
Recurso Extraordinário (RE) 568503, o STF
ED e contribuição previdenciária do reafirmou a necessidade de se respeitar o
empregador rural pessoa física prazo de 90 dias (anterioridade nonagesimal)
para iniciar a cobrança do PIS (Programa de
O Plenário acolheu, parcialmente, embargos
de declaração, apenas para retificar a ementa Integração Social). No recurso, a União
do acórdão embargado de modo a suprimir o tentava afastar o prazo, previsto na
seu item I (“Ofensa ao art. 150, II, da CF em Constituição Federal, para que começasse a
contar no dia seguinte à edição da Lei
virtude da exigência de dupla contribuição
caso o produtor rural seja empregador”), sem, 10.865/2004 que, entre outros temas, alterou a
contudo, alterar o resultado do julgamento. No alíquota de recolhimento do PIS referente à
caso, o Tribunal declarara a comercialização de água mineral.
inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 1.2. Contribuições sociais gerais
8.540/92, que alterou a redação dos artigos 12,
V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei 8.212/91 e Exemplos:
instituiu
(i) salário-educação: art. 212, § 5º, CF
contribuição a ser recolhida pelo empregador
rural, pessoa física, sobre receita bruta - S. 732, STF: “é constitucional a
proveniente da venda de sua produção. cobrança da contribuição do salário-
Reputou-se que a declaração de educação, seja sob a Carta de 1969,
inconstitucionalidade formal a envolver a seja sob a Constituição Federal de
necessidade de lei complementar para a 1988, e no regime da Lei nº 9.424/96”.
instituição de nova fonte de custeio para a (ii) Contribuição da LC nº 110/01 (Contribuição
seguridade social seria suficiente. Rejeitaram- Social Adicional para Reposição das Perdas
se, porém, os embargos, quanto ao pedido de Inflacionárias do FGTS).
declaração de constitucionalidade da Lei
10.256/2001. Ressaltou-se que essa matéria 2. CONTRIBUIÇÕES DE INTERVENÇÃO NO
não teria sido discutida e seria objeto do RE DOMÍNIO ECONÔMICO (CIDE)

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Direito Tributário
Renato De Pretto

- Função extrafiscal: implemento dos Súmula nº 666, STF: A contribuição


princípios da ordem econômica no art. confederativa de que trata o art. 8º, IV, da
170, CF; Constituição, só é exigível dos filiados ao
sindicato respectivo.
- ex.: INCRA (art. 170, III, CF);
SEBRAE (art. 170, IX, CF); (iii) Contribuições do Sistema “S” (art. 240, CF)

Contribuição para o Sebrae e desnecessidade Valores para expedição da Anotação de


de lei complementar: Responsabilidade Técnica (ART) dependem
de lei
A contribuição destinada ao Sebrae possui
natureza de contribuição de intervenção no Segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domínio econômico e não necessita de edição
de lei complementar para ser instituída. Com O Conselho Federal de Engenharia,
base nessa jurisprudência, o Plenário, por Arquitetura e Agronomia (Confea) não pode
maioria, negou provimento a recurso majorar o valor da expedição da Anotação de
extraordinário em que se alegava: a) indevida Responsabilidade Técnica (ART) por
exigência do pagamento da referida exação, resolução, devendo observar, para esse fim, o
pois criada por meio de lei ordinária, em princípio da legalidade tributária, previsto no
afronta ao art. 146, III, a, da CF; e artigo 150 (inciso I) da Constituição Federal.
Essa decisão, reafirmando a jurisprudência do
e b) identidade de fato gerador e base de
cálculo com outras contribuições, em violação Supremo Tribunal Federal (STF), foi tomada
ao art. 195, § 4º, c/c o art. 154, I, ambos da CF. na análise do Recurso Extraordinário com
(STF, RE 635682/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, Agravo (ARE) 748445, que teve repercussão
25.4.2013 - Informativo 703, Plenário, geral reconhecida pelo Plenário Virtual da
Repercussão Geral). Corte.

3. CONTRIBUIÇÕES DE INTERESSE DE 4. CONTRIBUIÇÕES DE ILUMINAÇÃO


CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU PÚBLICA (EC 39/02)
ECONÔMICAS (i) Competência: M e DF (*);
(i) Conselhos de fiscalização profissional (ii) contribuintes: consumidores de
(contribuição corporativa – energia elétrica (STF, RE 573.675);
“anuidades”):
(iii) Base de cálculo: possibilidade sobre o
- Entidades de natureza autárquica próprio valor da conta de energia
federal (ex.: CRM, CREA); elétrica.
- exceção: OAB (STF, ADI 3.026: - progressividade viável (reforço dos
“serviço público independente” – anuidade princípios da igualdade e capacidade
como “dívida civil”). contributiva);
(ii) Contribuição sindical (iv) Cobrança para investimento em melhorias
- ≠ contribuição confederativa: – S. 666, e ampliação da rede de iluminação pública:
STF (*). matéria com repercussão geral no STF -
verificar julgamento do RE 666.404.

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Art. 149-A, CF. Os Municípios e o Distrito


Federal poderão instituir contribuição, na
forma das respectivas leis, para o custeio do
serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da


contribuição a que se refere o caput, na fatura
de consumo de energia elétrica. (Artigo
acrescentado conforme determinado na
Emenda Constitucional nº 39, de 19.12.2002,
DOU 20.12.2002).

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