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UNISOCIESC EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

ESCOLA TÉCNICA LOCAL X


CURSO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES – HÍBRIDO

EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO CERÂMICO: Sistema de clipes e cunhas

Daniel Seibert da Rosa


Luiz Carlos Ribeiro

TEX – TRABALHO EXPERIMENTAL

SÃO MIGUEL DO OESTE


AGOSTO/2017
DANIEL SEIBERT DA ROSA
LUIZ CARLOS RIBEIRO

EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO CERÂMICO: Sistema de clipes e cunhas

Trabalho experimental (TEX), apresentado ao


curso Técnico em Edificações da UNISOCIESC
Educação e Tecnologia de Joinville e Escola
Técnica Local X, de São Miguel do Oeste Santa
Catarina, como requisito parcial para a
obtenção do título de Técnico.

Orientadora: Prof.ª Carolina Gass.

SÃO MIGUEL DO OESTE


AGOSTO/2017
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Etapas de execução do revestimento cerâmico........................................ 10


Figura 2 - Revestimento cerâmico em piso e parede ................................................ 11
Figura 3 - Clipe .......................................................................................................... 16
Figura 4 - Cunha ....................................................................................................... 17
Figura 5 - Alicate de Tração ...................................................................................... 17
Figura 6 - Método Tradicional com Cruzetas............................................................. 18
Figura 7 - Inserção do Clipe ...................................................................................... 18
Figura 8 - Inserindo a Cunha ..................................................................................... 19
Figura 9 - Pressionando a cunha com o alicate ........................................................ 19
Figura 10 - Piso Nivelado .......................................................................................... 20
Figura 11 - Remoção de clipe e cunha ...................................................................... 20
Figura 12 - Edifício Professora Ebraima .................................................................... 22
Figura 13 - Clipe e Cunha Utilizados ......................................................................... 24
Figura 14 - Processo de assentamento com clipes e cunhas ................................... 24
Figura 15 - Assentamento pelo método tradicional ................................................... 25
Figura 16 - Clipes e cunhas instalados ..................................................................... 28
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Produtividade média................................................................................. 27


Tabela 2 - Comparativo Geral entre os Métodos....................................................... 29
RESUMO

O revestimento cerâmico é parte integrante da vedação de pisos e paredes,


contribuindo, entre outros, para a estética e durabilidade dos edifícios. Revestimentos
de grandes formatos de cerâmica retificados, cada vez mais ganham seguidores no
público em geral, por isso é de suma importância que se busque conhecimento sobre
novas práticas, que estão sendo usadas para o aperfeiçoamento e melhoria na
qualidade do assentamento deste revestimento, para evitar possíveis ressaltos
desagradáveis. Neste trabalho, buscou-se conceituar brevemente a evolução da
cerâmica, através de pesquisas bibliográficas. Após esta etapa, apresentou-se uma
tecnologia inovadora para o assentamento cerâmico de grandes formatos, o sistema
nivelador de pisos com clipes e cunhas que se mostrou superior em todos os aspectos,
tanto no quesito tempo, quanto na qualidade, comparado à técnicas tradicionais de
assentamento. O procedimento apresentado teve base nas normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Dessa forma, os resultados obtidos através
do histórico de uma construtora, por meio de formulários check-list de execução de
revestimentos cerâmicos foram positivos, mostrando que seu custo benefício
compensa.

Palavras - chave: Revestimento Cerâmico. Clipes e Cunhas niveladoras. Construção


Civil. Inovação.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 6
2 REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................... 7
2.1 ORIGEM DA CERÂMICA ............................................................................... 7
2.2 EVOLUÇÃO DA CERÂMICA .......................................................................... 7
2.3 TIPOS DE REVESTIMENTOS CERÂMICOS ................................................. 8
2.3.1 Azulejo ...... .................................................................................................... 9
2.3.2 Piso cerâmico ............................................................................................... 9
2.3.3 Porcelanato ................................................................................................... 9
2.4 SISTEMA DE REVESTIMENTO CERÂMICO .............................................. 10
2.4.1 Substrato ..................................................................................................... 11
2.4.2 Camada de Regularização ......................................................................... 12
2.4.3 Camada de Fixação .................................................................................... 12
2.4.4 Camada de Acabamento ............................................................................ 13
2.5 MÉTODO DE ASSENTAMENTO CERÂMICO COM CLIPES E CUNHAS ... 15
2.5.1 Componentes do Sistema .......................................................................... 16
2.5.1.1 Clipe Nivelador ............................................................................................. 16
2.5.1.2 Cunha............. .............................................................................................. 16
2.5.1.3 Alicate de Tração .......................................................................................... 17
2.5.2 Processo de execução ............................................................................... 18
2.5.3 Vantagens e Desvantagens ....................................................................... 20
3 METODOLOGIA........................................................................................... 22
3.1 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES .................................................................. 22
3.2 ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES ................................................... 23
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................. 26
4.1 ANALISE DA QUALIDADE ........................................................................... 26
4.2 ANÁLISE DA PRODUTIVIDADE .................................................................. 26
4.3 ANÁLISE DE CUSTO ................................................................................... 28
5 CONCLUSÃO .............................................................................................. 30
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 31
ANEXOS .................................................................................................................. 33
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1 INTRODUÇÃO

O setor da construção civil, objetivando melhores desempenhos, apresenta a


cada ano diversas inovações para as diferentes etapas construtivas. São
desenvolvidas novas técnicas e equipamentos que proporcionam a racionalização de
matéria prima e da mão de obra, sempre objetivando maiores produtividades com
menores índices de desperdício. (POZZOBON et al., 2004).
Lima (2003) ressalta que além de analisar os fatores de produtividade e
desperdício, é necessário atentar-se para a qualidade dos serviços executados. Neste
sentido, se faz necessário investir no desenvolvimento de equipamentos que atendam
ambas as situações.
Sendo o acabamento cerâmico de relevante importância para o ramo da
construção civil e mesmo assim apresentar muitos problemas referentes à qualidade
no assentamento, o aprimoramento dessa prática torna-se essencial para a
otimização e diminuir o custo para a obra (SOUZA, 2010).
Especificamente tratando da execução de revestimentos cerâmicos, ocorre em
grande parte das edificações, a utilização de técnicas consideradas convencionais
que geram desperdícios de material e mão de obra, resultando em diversas situações
em serviços com baixa qualidade (LIMA, 2003).
O trabalho em questão tem como objetivo geral apresentar uma tecnologia para
nivelamento de pisos, constituída por clipes e cunhas. Para atingir o objetivo proposto,
tem-se como objetivos específicos:
a) abordar informações relevantes sobre o assunto;
b) apresentar a técnica de assentamento de revestimento cerâmico com
niveladores de piso;
c) realizar uma comparação dos diferentes métodos de assentamento de
revestimento cerâmico;
d) verificar as vantagens e desvantagens de cada método.

Desta forma, ao longo deste trabalho é apresentada uma técnica inovadora


para o assentamento de revestimentos cerâmicos, comparando-a com o método
tradicional, analisando as vantagens e desvantagens de cada caso.
7

2 REVISÃO DA LITERATURA

Nesta seção, são apresentadas informações para fundamentação teórica deste


trabalho.

2.1 ORIGEM DA CERÂMICA

A palavra cerâmica vem do grego “Kéramos” que significa terra queimada. De


acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento
– ANFACER (2017), a cerâmica é o material artificial mais antigo produzido pelo ser
humano, havendo registros de sua utilização desde a pré-história, há
aproximadamente 15 mil anos atrás.
Basicamente, a cerâmica é composta apenas por barro/argila, moldado, secado
a sombra e depois levado a altas temperaturas, otimizando assim a resistência e a
qualidade do produto. Essas características permitiram que a cerâmica fosse utilizada
na fabricação de vasilhames para uso doméstico, no armazenamento de alimentos e
até mesmo bebidas, sendo até hoje abundantemente encontrado em sítios
arqueológicos (CASA E DECORAÇÃO, 2015).
Contudo, com o passar do tempo, a indústria da cerâmica foi evoluindo,
passando a substituir a pedra trabalhada e a madeira. Porém, cerâmicas com
características industriais e para construção, só surgiram na antiguidade e eram
encontradas apenas em grandes centros comerciais. Mais recentemente, a indústria
da cerâmica passou por uma vigorosa evolução, após a revolução industrial
(ANFACER, 2017).

2.2 EVOLUÇÃO DA CERÂMICA

Segundo LUNA (2001), a arte da cerâmica se desenvolveu entre todos os


povos praticamente ao mesmo tempo, onde, dependendo da sua utilização e por qual
cultura eram feitas, suas formas e cores se diferenciavam.
Ainda na antiguidade, a cerâmica, começa a dar grande importância à estética
e juntamente com a prosperidade surgiram novos estilos e técnicas, na qual, uma
dessas técnicas, com a utilização de um finíssimo pó branco, o caulim, criou-se a
8

porcelana. Desde então essa prática vem se aperfeiçoando, e com a difusão da


porcelana, a cerâmica progrediu ainda mais (BYLAARDT, 2008).
Bylaardt (2008) complementa que após a revolução industrial, devido à
implantação de tornos e rodadeiras, as peças de cerâmicas tiveram um acabamento
mais sofisticado, havia uma maior simetria na forma e obteve-se um grande ganho de
tempo na produção.
Simultaneamente ao desenvolvimento industrial, o uso desse revestimento em
paredes e pisos tornou-se acessível para todas as classes sociais onde, até então,
somente eram usados em palácios e recintos religiosos. Deixaram de aparecer
somente em grandes obras e passaram a ser usados em fachadas de pequenos
comércios e casas (LUNA, 2011).
Conforme ANFACER (2017), sabe-se que o azulejo teve origem no Oriente
Médio, sendo amplamente difundido pelos Islâmicos. Tão grande foi a influência
árabe, que suas técnicas inovadoras e novos estilos de decoração perduraram e
espalharam-se pelo mundo.

Há controvérsias, no entanto, com relação à nacionalidade dos primeiros


revestimentos cerâmicos que chegaram ao Brasil. Sabe-se que no século
XVII azulejos em estilo barroco começaram a ser encomendados de Lisboa.
Estes eram trazidos em forma de painéis e serviam, apenas, como material
decorativo. Retratavam cenas da paisagem, do cotidiano da metrópole,
divulgando o modo de vida dos portugueses ou cenas bíblicas ajudando nas
aulas de catequese (ANFACER, 2017, pg 5).

2.3 TIPOS DE REVESTIMENTOS CERÂMICOS

Os revestimentos cerâmicos são diferenciados tecnicamente por um item, a


absorção de água. Quanto maior ela for, mais poroso e menos resistente é o material.
Um revestimento poroso possui a mesma qualidade dos demais, mas deve ser evitado
em locais de grande circulação (MOTTA, 2001).
Motta (2001) complementa que os elementos cerâmicos podem ser
classificados também com base no emprego dos seus produtos, natureza de seus
constituintes, características texturais da massa base, além de outras características
cerâmicas ou técnico-econômicas.
Segundo Eliane (2015), dentre as mais conhecidas e utilizadas, podem ser
ressaltadas três classes de revestimentos cerâmicos: o azulejo, o piso cerâmico e o
porcelanato.
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2.3.1 Azulejo

O azulejo é o revestimento cerâmico de maior absorção de água, por isso,


menos resistente e indicado apenas para utilização em paredes. Os azulejos são leves
e de fácil assentamento. Tecnicamente são chamados de monoporosos (ANICIO,
2015).

2.3.2 Piso cerâmico

É o piso indicado para a aplicação no chão de ambientes de leve e médio


trafego, esse tipo de revestimento cerâmico possui menor absorção de água do que
o azulejo. Apesar de mais compactos e pesados, também podem ser usados na
parede com o uso de argamassas especiais. No meio técnico são conhecidos como
semigrês ou monoqueima (ANICIO, 2015).

2.3.3 Porcelanato

O porcelanato é o revestimento cerâmico de maior resistência se comparado


às classes anteriores. É produzido com matéria-prima diferenciada e baixíssima
absorção de água (ANICIO, 2015).
De acordo com Anicio (2015), em geral, os porcelanatos duram mais e resistem
melhor ao tempo e ao desgaste do que o piso comum. Podem ser usados em
ambientes comerciais e residenciais. Há porcelanatos exclusivos para áreas internas,
como os polidos e acetinados, e outros para áreas externas, como os antiderrapantes,
por exemplo.
Eliane (2015) esclarece que a diferença fundamental entre o revestimento
cerâmico e o porcelanato está na tecnologia que existe por trás da manufatura destes
produtos. O porcelanato possui um processo tecnologicamente mais complicado e um
resultado mais controlado do que a cerâmica comum. Ele é feito com uma mistura de
porcelana e diversos minerais, passando por uma queima a mais de 1200 graus
Celsius.
10

2.4 SISTEMA DE REVESTIMENTO CERÂMICO

O revestimento cerâmico vem sendo usado desde a antiguidade para revestir


pisos e paredes. A grande vantagem de sua utilização é verificada principalmente nas
características de durabilidade, facilidade de limpeza, além naturalmente do aspecto
estético agradável. Para garantir a durabilidade dos pisos cerâmicos é necessário
seguir procedimentos e instruções corretas, que vão desde a escolha do material a
ser utilizado até a limpeza final da obra (GAIL, 2014).
O sistema de revestimento cerâmico é um conjunto de elementos distintos e que
funciona como uma estrutura organizada, constituído de elementos com composições
distintas e que geram esforços diferentes, mas devem apresentar um equilíbrio de
todas as tensões que agem no sistema, para que não ocorra o comprometimento do
revestimento (BAÚ, 2006).
Segundo Rebelo (2010), de forma simplificada, o processo de execução do
revestimento cerâmico é realizada conforme a Figura 1.

Figura 1 - Etapas de execução do revestimento cerâmico

Fonte: Rebelo (2010).

De acordo com Eliane (2015), o revestimento cerâmico é composto por uma


camada de regularização (chamada de base), uma camada de fixação, uma camada
11

de acabamento (formada pelas placas cerâmicas) e as juntas. Este conjunto é


executado sobre uma parede ou piso (chamado substrato), conforme Figura 2.

Figura 2 - Revestimento cerâmico em piso e parede

Fonte: Eliane (2015).

2.4.1 Substrato

O substrato pode ser composto por paredes ou lajes/pisos. Em ambas as


situações é importante realizar a remoção de possíveis pós, graxas, óleos,
substâncias gordurosas, bolor, ou qualquer outro material que possa prejudicar a
aderência das camadas posteriores (REBELO,2010).
Antes de passar para a próxima etapa é necessário verificar se as instalações
elétricas e hidráulicas foram concluídas e testadas. Também deve ser analisada a
necessidade de execução de impermeabilizações sobre o substrato, em casos
positivos, estas também devem estar concluídas e testadas (REBELO,2010).
12

2.4.2 Camada de Regularização

Segundo Gail (2014), a camada de regularização ou base é executada sobre o


substrato e tem como função tornar a superfície regular, ou seja, aprumada e nivelada.
A camada de regularização compõe-se de chapisco e emboço quando se
tratam de azulejos instalados em paredes. Já para cerâmicas ou porcelanatos
assentados em pisos, a camada de regularização é conhecida como contrapiso
(REBELO,2010).
Tanto em pisos, quanto em paredes, a camada de regularização deve
apresentar textura áspera para aumentar a aderência do revestimento. Essa camada
também deve ser o máximo de planeza, alinhamento, nivelamento e prumo (GAIL,
2014).
Nesta etapa devem ser verificados e executados possíveis rebaixos e
inclinações previstas em projeto. Tal fato é comum em banheiros e demais áreas
molhadas (REBELO,2010).
Para Eliane (2015) o tempo mínimo de cura do contrapiso ou emboço, antes da
aplicação do revestimento, deve ser de pelo menos 21 dias.

2.4.3 Camada de Fixação

A camada de fixação é composta de uma argamassa que tem a função de fixar


a placa cerâmica sobre a base. Pode ser feita com argamassas convencionais, feitas
na obra, ou podem ser utilizadas argamassas colantes industrializadas, que hoje em
dia são a forma mais recomendada e utilizada (GAIL, 2014).
Segundo a ABNT NBR 13.755 (1996, p. 2):

A argamassa colante é uma mistura constituída de aglomerantes hidráulicos,


agregados minerais e aditivos, que possibilita, quando preparada em obra
com adição exclusiva de água, a formação de uma pasta viscosa, plástica e
aderente.

Eliane (2015) ressalta que a argamassa colante não corrige irregularidades da


base. O preparo adequado do piso ou parede é muito importante para que o resultado
final do trabalho seja o desejado tanto no nível estético como no técnico. Por isto, é
13

fundamental que as devidas correções sejam efetuadas antes do assentamento das


placas cerâmicas.
Antes de realizar a aplicação da argamassa, a base a ser revestida também
deverá passar por um processo de limpeza para remoção de pó, sujeira, gordura,
bolor e outras substâncias que possam vir a prejudicar a aderência (REBELO,2010).
O método de execução da camada de fixação de acordo com Gail (2014),
consiste em preparar a argamassa manualmente ou com misturador mecânico limpo,
adicionando água na quantidade recomendada na embalagem do produto, até que
seja verificada homogeneidade da mistura. A quantidade de argamassa a ser
preparada deve ser suficiente para um período de trabalho de no máximo 02 horas,
levando-se em consideração a habilidade do assentador e as condições climáticas. O
ideal é preparar um saco de argamassa inteiro, não fracionando. Usar um recipiente
plástico ou metálico limpo para fazer a mistura. Em seguida a argamassa deve ficar
em repouso pelo período de tempo indicado na embalagem, para que ocorram as
reações dos aditivos, sendo necessário mexer novamente a seguir.
Caso o ambiente esteja excessivamente seco e quente, é preciso umedecer a
superfície da base com o auxílio de uma brocha. Deve-se tomar cuidado para não
molhar demais e nem deixar saturada a base (GAIL, 2014).
A aplicação da camada de fixação ocorre juntamente com a aplicação das
peças cerâmicas, desta forma, será abordada na sequência.

2.4.4 Camada de Acabamento

A camada de acabamento consiste na aplicação das placas cerâmicas e têm a


função de impermeabilizar e proteger as vedações das ações internas e externas,
como por exemplo, paredes de banheiros que recebem umidade, cozinhas que
recebem gordura, paredes de fachadas de prédios, que recebem sol, chuva, etc
(REBELO,2010).
Os revestimentos cerâmicos têm como principais vantagens a
impermeabilidade e a facilidade de manutenção e limpeza, a elevada resistência
superficial, e a durabilidade, conservando a sua aparência mesmo em duras
condições de exposição. Apresentam-se também em grande diversidade de cores e
desenhos, contribuindo para valorizar esteticamente os edifícios (ELIANE, 2015).
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De acordo com Gail (2014), a aplicação das placas cerâmicas é composta pelas
seguintes etapas:
a) verificar o esquadro e as dimensões do local a ser revestido para definição
da disposição das placas cerâmicas, buscando reduzir o número de recortes e
o seu melhor posicionamento;
b) assentar as primeiras fiadas nos dois sentidos, comprimento e largura, estas
placas servirão de referência para as demais fiadas. Controlar o alinhamento
das placas com auxílio de linhas dispostas previamente no comprimento e na
largura do ambiente;
c) planejar a colocação das peças com relação à decoração destas, ao encaixe
preciso dos desenhos, às diagonais e perpendiculares. No caso de
assentamento de paisagens ou mosaicos, recomenda-se desenhar com giz as
figuras a serem formadas, colocando entre as linhas desenhadas o formato e a
cor das peças que fazem parte do desenho;
d) existem duas técnicas para a aplicação da cerâmica: colagem simples e
dupla colagem. Por norma é obrigatória a aplicação de dupla colagem quando
o revestimento tiver garras em seu tardoz (verso) com profundidade acima de
1mm e quando o revestimento tiver uma área superior a 900cm².
e) com a face lisa de uma desempenadeira dentada de 6mm ou ainda uma
colher de pedreiro, aplica-se argamassa na base. Com a face dentada, remover
o excesso de argamassa, preenchendo as “garras”, formando uma camada
uniforme. Em caso de dupla colagem, aplicar argamassa também na peça
cerâmica;
f) assentar as placas cerâmicas em pano máximo de 1m², evitando a secagem
superficial da argamassa, a formação de pele ou que fiquem “espaços ocos”,
prejudicando a aderência e diminuindo a resistência mecânica. Recomenda-se
utilizar um martelete de borracha para auxiliar o assentamento das placas
cerâmicas;
g) as juntas de assentamento devem ser feitas com a utilização de espaçadores
plásticos;
h) remover excessos de argamassa de assentamento que tenham ficado entre
as placas cerâmicas, para evitar problemas no momento do rejuntamento;
15

2.4.5 Juntas

Segundo Rebelo (2010), as juntas são divisões do edifício e da camada do


revestimento. Existem três tipos de juntas: a junta estrutural, a junta de controle e a
junta de assentamento.
As juntas estruturais e de controle são feitas respectivamente na estrutura e na
base. Na execução do revestimento cerâmico, essas juntas devem ser mantidas, isto
é, devem ser executadas e preenchidas com material apropriado (REBELO, 2010).
A junta de assentamento é específica do revestimento cerâmico, e é o espaço
que é deixado entre as placas cerâmicas, normalmente de alguns milímetros
(REBELO, 2010). As juntas de assentamento são necessárias para:
 acomodar as variações de dimensões entre as placas cerâmicas e permitir o
alinhamento entre juntas verticais e horizontais;
 acomodar a movimentação entre as placas cerâmicas e entre estas e a base;
 permitir desenhos que valorizem esteticamente o revestimento, tornando-o
mais bonito e agradável de se ver. As juntas de assentamento ajudam a compor
o desenho do revestimento cerâmico.

O processo de rejuntamento deve iniciar após decorridas 72 horas da


instalação das cerâmicas. Inicialmente deve ser realizada a limpeza das juntas e então
aplicação da argamassa de rejuntamento. Por fim, realiza-se a limpeza do
revestimento (GAIL, 2014).

2.5 MÉTODO DE ASSENTAMENTO CERÂMICO COM CLIPES E CUNHAS

Para deixar revestimentos cerâmicos nivelados, alinhados, com qualidade


estética e resultado profissional, principalmente nos grandes formatos, o mercado
brasileiro disponibiliza uma ferramenta inovadora, que vem facilitando, e muito, a vida
dos azulejistas: o sistema nivelador de pisos (PORTODESIGN, 2013).
O método de assentamento de revestimentos cerâmicos com clipes e cunhas
não afeta as etapas de assentamento do método tradicional. A principal diferença se
dá no momento do espaçamento e nivelamento das peças cerâmicas (CORRETA,
2014).
16

2.5.1 Componentes do Sistema

Segundo Correta (2014), o sistema nivelador de pisos é composto por três


componentes, trazendo uma série de diferenciais que endossam sua superioridade e
apresentam a melhor relação custo benefício do mercado. São eles o clipe, a cunha
e o alicate de tração.

2.5.1.1 Clipe Nivelador

Os clipes niveladores possibilitam que as peças sejam niveladas no momento


da colocação das cunhas. Também são responsáveis para determinar a largura das
juntas de assentamento, sendo disponíveis nas larguras de junta: 1 mm, 1,5 mm, 2
mm, 3 mm e 4 mm (CORRETA, 2014). Conforme Figura 3, a seguir.

Figura 3 - CLIPE

Fonte: Correta (2014).

2.5.1.2 Cunha

As cunhas são aplicadas em conjunto com o clipe nivelador e exercem força


sobre as placas cerâmicas. São responsáveis, por efetivamente, nivelar as placas e
assegurar seu perfeito nivelamento. As cunhas podem ser reutilizadas diversas vezes
(CORRETA, 2014). A Figura 4 apresenta uma cunha.
17

Figura 4 - Cunha

Fonte: Correta (2014).

2.5.1.3 Alicate de Tração

O alicate de tração proporciona pressão adequada para o ajuste entre os clipes


e as cunhas, conforme se verifica na Figura 5. O alicate à exemplo das cunhas,
também pode ser reutilizado inúmeras vezes (CORRETA, 2014).

Figura 5 - Alicate de Tração

Fonte: Correta (2014).

2.5.1.4 Espaçador Tipo Cruzeta

O método tradicional de assentamento de placas cerâmicas faz uso dos


espaçadores tipo cruzeta, que são responsáveis por garantir o alinhamento e a
18

espessura das juntas. No sistema de clipes e cunha eles não são necessários, mas
podem ser utilizados para auxiliar no controle das juntas (REBELO, 2010).

Figura 6 - Método Tradicional com Cruzetas

Fonte: REBELO (2010).

2.5.2 Processo de execução

Aplica-se a argamassa normalmente, como no sistema de assentamento


tradicional. Efetua-se a instalação da primeira peça e depois disso deve ser inserido
o clipe por baixo da peça, nos quatro lados, cerca de 5 cm da borda (CORRETA,
2014). Como mostra a Figura 6.

Figura 7 - Inserção do Clipe

Fonte: Correta (2014).

Após o posicionamento dos clipes, é preciso inserir a cunha no clipe, conforme


Figura 8 (CORRETA, 2014).
19

Figura 8 - Inserindo a Cunha

Fonte: Eliane (2015).

Posteriormente, com auxílio do alicate de tração, especifico para esta atividade,


deve-se pressionar a cunha contra o clipe, conforme Figura 9. Este processo fará com
que as peças em contato direto, se nivelem (CORRETA, 2014).

Figura 9 - Pressionando a cunha com o alicate

Fonte: Portodesign (2016).

A Figura 10 apresenta o perfeito nivelamento entre os pisos após a utilização


do sistema nivelador (CORRETA, 2014).
20

Figura 10 - Piso Nivelado


Fonte: Correta (2014).

Quando a massa estiver seca, a cunha deverá ser removida, através de um


“chute” ou utilizando um martelo de borracha, com um movimento no sentido da fuga,
atividade demonstrada na Figura 9 a seguir (CORRETA, 2014).

Figura 11 - Remoção de clipe e cunha

Fonte: Correta (2014).

2.5.3 Vantagens e Desvantagens

Segundo Bumax (2017), o sistema de clipes e cunhas pode reduzir em até 50%
o tempo de instalação de um revestimento cerâmico. Também afirma que o método
proporciona acabamento perfeito entre as peças, ou seja, elimina falhas de
nivelamento e planeza entre as peças.
21

Consequentemente a utilização de clipes e cunhas reduz a necessidade de


retrabalhos, gerando maior economia de materiais e mão de obra (BUMAX, 2017).
De acordo com Portobello (2015), o sistema nivelador com clipes e cunhas
minimiza possíveis defeitos das peças cerâmicas, tais como empenos e curvaturas.
A utilização do sistema de nivelamento traz muitas vantagens quando
comparado ao método convencional de assentamento cerâmico. Dispensa a seleção
das placas e a utilização do martelo de borracha por parte do assentador, também
dispensa a conferência, remoção e reinstalação de peças que por ventura ficam
desniveladas (PORTOBELLO, 2015).
Em se tratando de custo, Portobello (2015) explica que o sistema de clipes e
cunhas requer um investimento inicial maior, considerando a compra de um alicate de
pressão e das cunhas e clipes. As cunhas e o alicate, conforme já citado, poderão ser
reutilizadas diversas vezes, porém os clipes não são reutilizáveis.
Neste sentido, Bumax (2017) e Portobello (2017) consideram o custo benefício
do sistema de clipes e cunhas como sendo positivo, pois apesar de um maior custo,
proporciona economia de mão de obra e menos desperdício de material.
22

3 METODOLOGIA

O método utilizado para o desenvolvimento deste trabalho foi um estudo de


caso com avaliação quantitativa e qualitativa.
Para Gerhardt e Silveira (2009), o estudo de caso consiste na utilização de um
ou mais métodos de recolha de informação e não segue uma linha rígida de
investigação.
A pesquisa qualitativa visa levantar dados sobre as motivações de um grupo,
compreender e interpretar determinadas ações, verificar a qualidade de determinado
material ou serviço, buscar um caminho para solucionar possíveis problemas. Já a
pesquisa quantitativa, prioriza o apontamento numérico e a frequência de
determinadas ações e comportamentos (GERHARDT E SILVEIRA, 2009).

3.1 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

Foi acompanhada a execução da atividade de revestimento cerâmico na


Construtora e Incorporadora Cleonor Mahl. A obra verificada foi o Edifício Professora
Ebraima, uma edificação comercial e residencial, composta por 2 salas comerciais e
22 apartamentos. A Figura 1 apresenta a obra acompanhada.

Figura 12 - Edifício Professora Ebraima

Fonte: os Autores.
23

No caso analisado, foram utilizados em paredes azulejos de 31x54cm e para


pisos as cerâmicas de 54x54cm de diferentes modelos e marcas, não foram utilizados
porcelanatos. Foi utilizada para o assentamento argamassa industrializada ACII, com
juntas de assentamento de 4 e 5 mm.
Na obra em questão existem profissionais que realizam o assentamento do
revestimento cerâmico utilizando o método tradicional, com o espaçador tipo cruzeta,
e outros que adotaram o método de clipes e cunhas. Desta forma, foi possível verificar
os dois métodos em situações similares.
A empresa analisada possui profissionais destinados especificamente para
execução do revestimento cerâmico, estes são denominados azulejistas. Cada
azulejista recebe o auxílio de um servente.
A Construtora Cleonor Mahl possui certificação no PBQP-H (Programa
Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat), sendo assim, realiza inspeções e
controle de produtividade dos serviços executados em obra. Isso auxiliou na
realização deste estudo, pois foram utilizados os formulários da própria empresa para
obter os dados necessários para realizar as comparações dos métodos de execução
de revestimento cerâmico.
Foram utilizados para mensurar a qualidade da execução de pisos cerâmicos
e azulejos, respectivamente o Anexo 1 – FIS-10A (EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO
DE PISO CERÂMICO) e o Anexo 2 – FIS-11 (EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO EM
AZULEJO). Já para acompanhar a produtividade da execução dos serviços, foi
utilizado o Anexo 3 – FPG-27 (PLANILHA DE MEDIÇÃO DE SERVIÇOS).

3.2 ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES

Os materiais e equipamentos utilizados seguem as indicações dos autores e


fabricantes. Foram utilizados clipes, cunhas e o alicate de pressão. Conforme Figura
13.
24

Figura 13 - Clipe e Cunha Utilizados

Fonte: os Autores.

O procedimento de execução também ocorreu conforme mencionado no item


2.5.2. Inicialmente foram posicionados os clipes, posteriormente as cunhas, aplicado
umaforça com o alicate de tração, e após a secagem da argamassa houve a retirada
doscunhas por meio de um chute. O processo pode ser verificado na Figura 14.

Figura 14 - Processo de assentamento com clipes e cunhas

Fonte: os Autores.

Também foi verificada a execução de revestimento pelo método convencional.


Conforme Figura 15.
25

Figura 15 - Assentamento pelo método tradicional

Fonte: os Autores.

A empresa não obriga o colaborador a executar o revestimento cerâmico


através de um determinado método, ficando a critério de cada azulejista optar pelo
sistema que melhor se adapta. Isso ocorre por que alguns profissionais não aprovam
a utilização do sistema de clipes e cunhas e até o momento a empresa não possui a
certeza sobre as reais vantagens do sistema inovador.
26

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Durante o estudo, foi possível conversar com os profissionais responsáveis


pela execução do revestimento cerâmico, constatou-se que a empresa realiza
treinamentos para execução dos serviços, porém este treinamento é realizado por
colaboradores da própria empresa. Desta forma, não foram realizados treinamentos
com pessoas ou empresas especializadas na utilização do sistema de clipes e cunhas.
Os azulejistas comentam que realizam a atividade baseado na experiência
adquirida ao longo dos anos. Também foi comentado por um dos profissionais, que
adquiriu conhecimento e dicas sobre o sistema inovador, por meio de vídeos na
internet.

4.1 ANALISE DA QUALIDADE

Não foram observadas junções de peças desniveladas, sem planeza e sem


alinhamento. Também não constatou-se vazios sob as peças. Confirmando a eficácia
do sistema em relação à qualidade do serviço executado.
Verificou-se em algumas situações a existência de juntas com espessuras
diferentes do especificado pelo fabricante. Isso ocorreu devido à uma variação nas
dimensões das peças utilizadas, havendo assim, a necessidade de corrigir essa
diferença justamente nas juntas.

4.2 ANÁLISE DA PRODUTIVIDADE

Foram realizadas 16 medições de produtividade durante cerca de dois meses,


sendo 10 relacionadas ao assentamento com clipes e cunhas e outras 6 referentes ao
método tradicional. Conforme apresentado na Tabela 1.
A partir dos dados obtidos pode ser verificada uma variação de
aproximadamente 4 m² ao compararmos os dois métodos, sendo que o método
tradicional apresentou maior produtividade do que o sistema inovador com clipes e
cunhas.
27

Tabela 1 - Produtividade média


Medição Método Produtividade m²/dia
1 Clipes e Cunhas 16,71
2 Clipes e Cunhas 21,09
3 Convencional 23,75
4 Convencional 26,00
5 Clipes e Cunhas 13,41
6 Clipes e Cunhas 18,58
7 Clipes e Cunhas 18,33
8 Convencional 20,14
9 Convencional 21,34
10 Clipes e Cunhas 17,82
11 Convencional 18,78
12 Clipes e Cunhas 18,29
13 Clipes e Cunhas 22,77
14 Convencional 23,25
15 Clipes e Cunhas 15,82
16 Clipes e Cunhas 20,63

Produtividade Média Método Convencional 22,21


Produtividade Média Método Clipes e Cunha 18,35
Fonte: os Autores.

Além da comparação entre os métodos, é possível realizar uma análise dos


resultados obtidos, com relação à produtividade estimada pela TCPO (Tabela de
Composição de Preços para Orçamentos). Para o assentamento de cerâmica
segundo a TCPO o rendimento por azulejista + ajudante é de 19,27 m²/dia, desta
forma o método com clipes e cunha ficou ligeiramente abaixo da TCPO, enquanto o
sistema convencional atingiu valores maiores do que a TCPO prevê.
No entanto, essa variação não necessariamente ocorreu devido ao método
utilizado. É preciso salientar que os profissionais responsáveis pela execução das
atividades eram diferentes, podendo o fator da experiência ter interferido nos
resultados.
Também cabe ressaltar que o formato dos ambientes onde foi assentada a
cerâmica variou durante as medições, e ficou evidente que em locais onde era
necessário um número maior de cortes nas peças, houve redução do rendimento.
28

4.3 ANÁLISE DE CUSTO

Para a análise de custo serão considerados os seguintes valores unitários:


a) espaçador tipo cruzeta: R$ 0,03;
b) clipes: R$ 0,08;
c) cunhas: R$ 0,40, com reutilização de 10 vezes, gerando um custo de R$
0,04 por aplicação;
d) alicate de tração: desconsiderado, pois é reutilizado inúmeras vezes.

Foram utiliza dois espaçadores em cada lado das peças cerâmicas, conforme
Figura 16. Analisando uma área de 4x4m, totalizando 16m², utilizou-se 224 clipes e
cunhas, já descontadas as laterais, onde não foram utilizados os clipes.

Figura 16 – Clipes e cunhas instalados

Fonte: os Autores.

Desta forma, atingiu-se uma média de 14 clipes e cunhas por m² de


revestimento assentado. Considerando o valor de R$ 0,12 (clipe + cunha) por unidade,
obtém-se um custo de R$ 1,68 por m² de revestimento aplicado.
Este custo pode ser menor, pois a quantidade de reutilizações das cunhas pode
ser maior, foram consideradas 10 reutilizações, pois é a quantidade mínima
apresentada pelos fabricantes. Porém, há relatos de azulejistas que reutilizam as
cunhas por 30 e até mesmo 50 vezes.
No método de espaçadores do tipo cruzetas, foram utilizados em média 3
unidades de em cada lateral da peça. Levando em consideração a mesma área citada
29

anteriormente, seriam necessários 288 espaçadores no total, consumindo em média


18 espaçadores por m². Utilizando o valor unitário de R$ 0,03, chega-se ao custo
médio de R$ 0,54 por m².
Com isso evidencia-se que o custo em material no sistema de clipes e cunhas
e superior ao método tradicional. A economia utilizando-se os espaçadores tipo
cruzeta pode chegar a 68%, cerca de R$ 1,14 por m². Ao tratar-se de uma obra de 5
mil m², por exemplo, tem-se uma diferença de R$ 5.700,00.

4.4 COMPARATIVO GERAL

Após analisar os requisitos de qualidade, produtividade e custo, é possível


identificar as vantagens e desvantagens reais de cada método. A Tabela 2 apresenta
um resumo dos resultados obtidos.

Tabela 2 - Comparativo Geral entre os Métodos


Método de Assentamento Método mais
Item
Clipes e Cunhas Convencional adequado
Qualidade Aprovada Aprovada Clipes e Cunhas
Produtividade m²/dia 18,35 22,21 Convencional
Custo R$/m² 1,68 0,54 Convencional
Fonte: os Autores.

A Tabela 2 demostra que na situação analisada, o método de clipes não


apresentou tantas vantagens como mencionado pelos fabricantes, principalmente no
que se refere à produtividade. Quanto à qualidade, há a vantagem do sistema de
clipes e cunhas que possibilita a correção de defeitos provenientes da fabricação das
peças.
Em geral, especificamente na situação estudada o método convencional
apresenta-se como a melhor opção para a execução do revestimento cerâmico.
30

5 CONCLUSÃO

Analisando a situação especifica da obra estudada, é possível constatar que


ainda há receio por parte dos instaladores de cerâmica e até mesmo por parte da
equipe técnica, quanto a real eficiência do sistema de clipes e cunhas. Sendo que a
qualidade do serviço realizado estes equipamentos já foi comprovada, porém ainda
há dúvidas em relação à produtividade e o custo/benefício do método.
Conclui-se que o custo do sistema nivelador com cunhas e clipes é maior do
que o método convencional se comparado somente o valor do material. Entretanto,
ao levar em consideração todo o conjunto, como o fato da redução de desperdícios e
retrabalhos, o sistema inovador pode tornar-se mais econômico.
A produtividade obtida por meio do assentamento cerâmico com clipes e
cunhas foi menor do que a produtividade do método tradicional, contudo é necessário
salientar variáveis como formato do ambiente e experiência do azulejista podem ter
afetado os resultados. Visando melhorar os índices de produção do novo método
podem ser realizados treinamentos para a equipe de produção com profissionais
especializados na área.
Constata-se que a aplicação desta tecnologia, evita irregularidades no desnível
do porcelanato e/ou cerâmica, eliminando todo e qualquer relevo em suas quinas,
proporcionando um assentamento de excelência. Além disso, a utilização de
equipamentos adequados melhora as condições ergonômicas e contribui para a
ruptura da ideia de improviso e desperdício nas obras.
Quando o material a ser assentado apresentar desníveis consideráveis, que
causam transtornos, insatisfação e retrabalhos, o sistema nivelador de pisos com
clipes e cunhas surge como uma alternativa para minimizar ou eliminar esses efeitos,
proporcionando um revestimento de qualidade.
De maneira geral, apesar de um custo maior e rendimento menor, o sistema de
assentamento de revestimento cerâmico com clipes e cunhas apresenta-se como uma
boa opção para os profissionais da área da construção civil. Ainda assim, recomenda-
se a realização de um estudo com uma nova amostragem, para obtenção de maiores
informações.
31

REFERÊNCIAS

ANFACER - Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmicas para


Revestimentos. História da cerâmica. Disponível em:
<http://www.anfacer.org.br/historia-ceramica>. Acesso em: 27 de Abril de 2017.

ANICIO, Ana. Revestimento Cerâmico. Minas Gerais, 2015. 19p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 13753 -


Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com
utilização de argamassa colante. Rio de Janeiro, 1996.

BAÚ, Marli Teresinha. Avaliação da influência de máquinas e ferramentas nas


técnicas de assentamento de pisos cerâmicos. 2006. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Civil) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.

BUMAX. Nivelador de Pisos Bumax N5. Disponível em:


http://bumax.ind.br/nivelador-de-pisos/. Acesso em: 22 de Abril de 2017.

BYLAARDT, Marina Paulino. Argila para Artesanato. São Paulo, 2008. 76 pg.

CORRETA. Como assentar pisos, porcelanatos e revestimentos com


nivelamento e espaço perfeito? 2014. Disponível em:
<http://www.corretanet.com.br/site/solucao-correta/1001-como-assentar-pisos-
porcelanatos-e-revestimentos-com-nivelamento-e-espaco-perfeito.html>. Acesso em
30 de Abril de 2017.

ELIANE. Tipos de Revestimentos Cerâmicos. Catálogo Técnico. 2015.

GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de Pesquisa.


Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editora da UFRGS. Porto Alegre: 2009.
120p.
32

LUNA, Suely. As origens da agricultura e da cerâmica pré-histórica no Brasil.


Disponível em: <https://www.ufpe.br/clioarq/images/documentos/2003N16/2003a4>.
Acesso em: 29 de Abril de 2017.

PORTOBELLO. Manual do Cliente. Disponível em:


https://www.portobelloshop.com.br/manuais/manual-do-cliente. Acesso em 17 de
Abril de 2017.

PORTODESIGN. Sistema de Nivelamento Portodesign. 2016. Disponível em:


<http://www.portodesign.com.br/blog/sistema-de-nivelamento-de-porcellanatos-
portodesign>. Acesso em 30 de Abril de 2017.

POZZOBON, Cristina Eliza. Atualizando o levantamento de inovações


tecnológicas simples em obra. São Paulo, 2004.
33

ANEXOS
34

ANEXO 01 – EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO DE PISO CERÂMICO


Versão: 01
EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO DE PISO
Código: FIS-10A
CERÂMICO
Data de aprovação: 04/07/2015

Obra: Local: Data de Abertura da FIS:


Inspecionado Por: Responsável pela Execução: Data de Fechamento da FIS:

Item à Inspecionar Tolerância A/R Não Conformidades Ações/Correções Re-Inspeção


Utilização de EPI´s pelos
-
funcionários
Cura do Contrapiso Mínimo 7 dias
Preparo da argamassa conforme
-
orientação do fabricante
Espessura das juntas conforme
-
projeto ou fabricante
Alinhamento das juntas + 2 mm

Planeza (entre peças vizinhas) Máx. 2 mm

Integridade das peças -

Inexistência de vazios sob as peças -

Execução de Rodapés -

Rejuntamento -

Limpeza do local -

Legenda Não Inspecionado: Em branco Inexistente: - Aprovado: A Reprovado: R


35

ANEXO 02 – EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO EM AZULEJO


Versão: 02
EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO EM
Código: FIS-11
AZULEJO
Data de aprovação: 04/07/2015

Obra: Local: Data de Abertura da FIS:

Inspecionado Por: Responsável pela Execução: Data de Fechamento da FIS:

Item à Inspecionar Tolerância A/R Não Conformidades Ações/Correções Re-Inspeção


Utilização de EPI´s pelos
-
funcionários
Cura do emboço/revestimento Mínimo 07 dias

Limpeza da Superfície -
Preparo da argamassa conforme
-
orientação do fabricante
Espessura das juntas conforme
-
projeto ou fabricante
Alinhamento das juntas + 2 mm

Planeza (entre peças vizinhas) Máx. 2 mm

Integridade das peças -


Inexistência de vazios sob as
-
peças
Pontos de Elétrica e Hidráulica -

Rejuntamento -
Limpeza do local -

Legenda Não Inspecionado: Em branco Inexistente: - Aprovado: A Reprovado: R


36

ANEXO 3 – PLANILHA DE MEDIÇÃO DE SERVIÇOS


Versão: 01
PLANILHA DE MEDIÇÃO DE
Código: FPG-27
SERVIÇOS
Data de aprovação: 05/04/2017

Obra:
Mestre:
Funcionário(s):

Serviço Executado:
Data de Início: / / Hora de Início: :
Data de Término: / / Hora de Témino: :
Quantidade Executada:
Materiais Utilizados Quantidades

Observações:

Responsável pela medição:

Rendimento: