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UNIVERSIDADE DE UBERABA

Contabilidade intermediária

Marco Antonio de Oliveira Caetano

Edição Uniube
Uberaba
2010
© 2010 by Universidade de Uberaba

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(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Caetano, Marco Antônio de Oliveira


C116c Contabilidade intermediária / Marco Antonio
de Oliveira Caetano. – Uberaba : Universidade de
Uberaba, 2010.
107 p. : il.

ISBN 978-85-7777-362-6

1. Contabilidade. 2. Balanço (Contabilidade). 3.


Fluxo de caixa. I. Título.

CDD: 657
Sobre o autor
Marco Antonio de Oliveira Caetano
Especialista em Contabilidade e Controladoria pela Universidade Federal de
Uberlândia. Especialista em Relações Interpessoais pela Dale Carnegie. Bacharel
em Ciências Contábeis pela FCETM. Professor titular, parecerista e roteirista de
componentes curriculares para EAD da Universidade de Uberaba. Tem experiência
na área de Administração, com ênfase em Ciências Contábeis.
Apresentação
Caro(a) aluno(a)

Neste livro, Contabilidade intermediária, além de aprender como se processam os


registros das operações que alteram o patrimônio das entidades como um todo,
você também será preparado para elaborar os demonstrativos contábeis das
entidades. São elas: o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do
Exercício, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, a Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido, Balanço Social, DVA - Demonstração
do Valor Adicionado e DFC - Demonstração do Fluxo de Caixa, assim como a
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DOAR em seus aspectos
básicos, tendo em vista a sua não obrigatoriedade de acordo com a legislação
mais recente.

Nos capítulos que compõem esse livro, mediante o estudo do conteúdo relativo à
disciplina Contabilidade Intermediária, você aprenderá algumas técnicas que lhe
permitirão compreender a elaboração daqueles demonstrativos contábeis, a fim
de auxiliar-lhe na tomada de decisões, em geral.

No primeiro capítulo, você irá estudar e ampliará seus conhecimentos acerca


dos principais grupos de contas que compõem os dois dos principais relatórios
contábeis, assim como as principais operações, o Balanço Patrimonial - BP e a
Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, sempre em consonância com
a legislação societária e, sobretudo, enquanto instrumentos catalisadores de
informações econômico-financeiras.

No capítulo seguinte, você estudará a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos


Acumulados - DLPA e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido -
DMPL. Para estas duas demonstrações, você aprenderá a identificar os principais
componentes, sua estrutura e sua importância no contexto das decisões gerenciais.

No terceiro capítulo, estudaremos a demonstração das origens e aplicações de recursos,


sua estrutura e suas respectivas variações ocorridas no ativo circulante confrontado com
o passivo circulante, identificando e determinando os recursos que alteram o capital
circulante líquido, e, ainda, a importância desse relatório no contexto de tomada
de decisões.

No quarto capítulo, aprenderemos a identificar informações em outros relatórios


contábeis notadamente no balanço patrimonial e a demonstração do resultado
do exercício. E, a partir daí, conhecer os métodos direto e indireto, principalmente
a sua estrutura e a sua elaboração, assim como a sua relação com outros
demonstrativos financeiros.
Finalmente, no quinto capítulo, trataremos do balanço social sob o aspecto
apenas introdutório e aprofundaremos na demonstração do valor adicionado,
principalmente, quanto aos indicadores ambientais, humanos e econômico-
financeiros, assim como a responsabilidade social.

Ressaltamos que, além de realizar todas as atividades de aprendizado (leituras,


pesquisas, reestudos etc.) descritas neste material, você deverá organizar
da melhor maneira possível o seu tempo de estudo e aproveitar os encontros
presenciais para obter os conhecimentos abordados ao longo deste livro.

Mais uma vez, nos colocamos à sua disposição para eventuais esclarecimentos
e orientações que se fizerem necessários nessa etapa da sua formação
acadêmica.

Bom estudo e sucesso ao longo do curso.


Sumário
Capítulo 1 Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício .. 1

1.1 Uma visão panorâmica dos relatórios contábeis conforme legislação em vigor ..................3

1.2 Balanço Patrimonial..............................................................................................................5

1.2.1 Ativo Circulante ............................................................................................................8

1.2.2 Ativo Não Circulante.....................................................................................................8

1.3 Grupos, subgrupos e contas do Passivo e Patrimônio Líquido ............................................10

1.3.1 Passivo.........................................................................................................................10

1.4 Demonstração do Resultado do Exercício ...........................................................................13

1.4.1 Das noções gerais .......................................................................................................13

1.4.2 Deduções sobre a Receita Operacional Bruta .............................................................15

1.4.3 Receita Operacional Líquida ........................................................................................15

1.4.4 Custos Operacionais ...................................................................................................15

1.5 Resultado Operacional Bruto ..............................................................................................16

1.5.1 Despesas Operacionais ...............................................................................................16

1.6 Lucro antes do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social (CS) ou Prejuízo do
período ................................................................................................................................16

1.7 Provisão para o IR e a CS ....................................................................................................17

1.8 Lucro depois do IR e da CS ou prejuízo do período ............................................................17

1.9 Participações, contribuições e distribuições .........................................................................17

1.10 Lucro (ou prejuízo) líquido do período................................................................................17

1.11 Conclusão ...........................................................................................................................17

Capítulo 2 Explorando a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e a


Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL............................... 23

2.1 Aspectos gerais ....................................................................................................................25

2.2 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA..............................................25


2.2.1 Conceitos e Objetivos ..................................................................................................27

2.3 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL ............................................32

2.4 Conclusão.............................................................................................................................37

Capítulo 3 Redescobrindo a Demonstração das Origens e Aplicações de


Recursos (DOAR).................................................................................................. 43

3.1 A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos ....................................................44

3.1.1 Conceito e movimentação líquida ................................................................................45

3.1.2 Grupos Circulante e Não Circulante ............................................................................46

3.1.3 Movimentação não válida ............................................................................................47

3.1.4 Movimentação válida ...................................................................................................47

3.2 Ativo Circulante Líquido (CCL) ............................................................................................48

3.3 Das origens de recursos......................................................................................................50

3.4 Aplicações de recursos........................................................................................................52

3.4.1 Resultado ajustado negativo ........................................................................................53

3.4.2 Lucros distribuídos .......................................................................................................53

3.4.3 Aumento do Ativo Não Circulante ................................................................................53

3.4.4 Redução do Passivo Não Circulante ...........................................................................54

3.5 A estrutura das origens e aplicação de recursos .................................................................55

3.6 Conclusão.............................................................................................................................57

Capítulo 4 Demonstração do Fluxo de Caixa: uma abordagem contábil pelo


Método Indireto - DFC ........................................................................................... 63

4.1 Noções iniciais sobre a Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC ......................................65

4.1.1 Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC ................................................66

4.1.2 Desvendando a elaboração da - DFC..........................................................................70

4.2 Explorando a técnica de elaboração da - DFC....................................................................72

4.3 Conclusão.............................................................................................................................77
Capítulo 5 Introdução ao Balanço Social e à Demonstração do Valor Adicionado
- DVA .....................................................................................................................
............................................................................................................................... 83

5.1 Como se elabora a Demonstração do Valor Adicionado - DVA ...........................................85

5.1.1 Primeiro passo .............................................................................................................85

5.2 Introdução ao estudo do Balanço Social e da Demonstração do Valor Adicionado - DVA..86

5.3 O Balanço Social - BS .........................................................................................................88

5.3.1 Conceito .......................................................................................................................88

5.3.2 A história do Balanço Social .........................................................................................88

5.3.3 A construção do Balanço Social ...................................................................................89

5.4 O Balanço Social e a Contabilidade ....................................................................................92

5.5 O Objetivo............................................................................................................................94

5.6 A construção do Balanço Social ..........................................................................................95

5.6.1 Como se elabora o Balanço Social ..............................................................................95

5.6.2 As fontes de informação...............................................................................................95

5.7 Análise dos indicadores .......................................................................................................97

5.7.1 Indicadores de caráter econômico ...............................................................................97

5.7.2 Indicadores sociais.......................................................................................................97

5.8 Fases do processo de elaboração do Balanço Social ........................................................97

5.8.1 Primeira fase ................................................................................................................97

5.8.2 Segunda fase ...............................................................................................................98

5.9 Demonstração do Valor Adicionado - DVA ..........................................................................99

5.9.1 Cálculo do Valor Adicionado Bruto - VAB .....................................................................99

5.9.2 Como se elabora a Demonstração do Valor Adicionado..............................................100

5.10 Conclusão...........................................................................................................................102
Balanço Patrimonial

1 e a Demonstração do
Resultado do Exercício

Marco Antonio O. Caetano

Introdução
Seja bem-vindo ao estudo da Contabilidade intermediária.

A Contabilidade, como você já aprendeu, tem como objetivo o estudo e o


controle do Patrimônio das empresas, a fim de fornecer informações sobre
sua composição e suas variações qualitativas e quantitativas. Para isso,
as demonstrações contábeis são utilizadas e o nível de detalhamento das
análises a serem feitas sobre as mesmas difere de acordo com a necessidade
de cada um de seus usuários.

Na Contabilidade Intermediária estudaremos o Patrimônio como um conjunto


de bens e direitos, pertencentes a uma empresa ou pessoa. Como você
estudou, o Patrimônio é composto de valores a receber. Esses valores a
receber são denominados direitos. Além dos direitos, é necessário também
evidenciar as obrigações (dívidas) geradas na aquisição dos bens e até
mesmo de direitos. É importante, ainda, o estudo de conceitos dos grupos
de contas que compõem os relatórios contábeis e a sua importância como
instrumentos catalisadores de dados econômico-financeiros.

É também evidente que as demonstrações contábeis, denominadas aqui


de Demonstrações Financeiras por meio da legislação societária (Lei No.
6.404/76), e alterações posteriores, notadamente a Lei 11.638/07, são
utilizadas por vários usuários, especialmente os administradores, para
prestar contas sobre os aspectos públicos de responsabilidade social da
empresa, perante acionistas, credores, governos e a comunidade em geral.
As demonstrações contábeis têm, portanto, por objetivo, revelar a todas as
pessoas interessadas, as informações sobre o Patrimônio e os resultados da
empresa, a fim de possibilitar o conhecimento e a análise de sua situação
econômico-financeira.

Relembrando, então, que na Contabilidade, a palavra Patrimônio tem um


sentido vasto que por um lado significa um conjunto de bens e direitos e, por
outro lado, inclui as obrigações a serem pagas e a movimentação
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desses elementos resulta e proporciona as condições para geração de resultados
econômicos e financeiros nas empresas, mensuráveis e visualizáveis por meio
das Demonstrações Contábeis. Esses elementos e suas relações serão o nosso
foco de estudo neste componente chamado de Contabilidade intermediária.

Bons Estudos!

Objetivos
Ao término dos estudos propostos nesse capítulo, você estará apto a:

• revisar e aprofundar conceitos sobre os Grupos de Contas que compõem


os relatórios contábeis como: o Balanço Patrimonial e a Demonstração do
Resultado do Exercício - DRE;
• identificar a importância dos Relatórios Contábeis como instrumentos
catalisadores dos dados econômicos e financeiros;
• contribuir para um raciocínio em torno dos Relatórios Contábeis de forma
lógico-dedutiva.

Esquema

Relatórios Contábeis

Balanço Patrimonial Demonstração do


Resultado

Grupo de Contas Grupo de Contas

Textos sugeridos e atividades propostas


3 UNIUBE
1.1 Uma visão panorâmica dos relatórios contábeis conforme
legislação em vigor

A Lei das Sociedades por Ações (Lei n. 6.404/76) que dispõe sobre as sociedades
por ações e a Lei 11.638/07 que altera e revoga dispositivos daquela, estabelecem
disposições relativas aos seguintes relatórios contábeis:
• Balanço Patrimonial - BP
• Demonstração do Resultado do Exercício - DRE
• Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados -DLPA
• Demonstração dos Fluxos de Caixa - DFC
• Demonstração do Valor Adicionado -DVA

A seguir, estão os objetivos dos relatórios contábeis que serão objetos de nossos
estudos nesse capítulo:
• Balanço Patrimonial: evidencia, de forma estática, um conjunto de bens e
direitos, assim como as obrigações, determinando a natureza dos valores
que compõem o Patrimônio da empresa.
• Demonstração do Resultado do Exercício: evidencia, dinamicamente,
o resultado das operações para um determinado período e os fatores
determinantes desse resultado.

O estudo da estrutura das demonstrações contábeis e sua análise têm se mostrado


de fundamental importância no mundo corporativo, tendo em vista que é, a cada dia,
mais relevante e salutar que empresas, antes de participarem de fusões ou serem
incorporadas, sejam objetos de criteriosas avaliações financeiras ou econômicas.
Evidentemente, abrangendo esquemas de interpretação não convencionais.

A estrutura das demonstrações contábeis evidencia, particularmente, as situações


rotineiras das empresas brasileiras, permitindo uma melhor visualização e
compreensão de sua evolução.

A fim de melhorarmos a informação a ser estudada neste capítulo, é bom frisarmos


que a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) é um texto legislativo – lei
aprovada pelo Congresso Nacional, que tem o intuito de auxiliar no processo
de viabilização e entendimento contábil aplicável uniformemente a inúmeras
disposições apresentadas por essa Lei.
4 UNIUBE

Saiba mais

Para saber mais, acesse o link:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm>.

Nesse site, você irá encontrar o teor da Lei 6.404/76 que dispõe, na integra,
a legislação acerca das sociedades por ações.

Importante!

Atente-se para o artigo 176 da Lei no. 6.404, de 15/12/1976, o qual explicita
quanto à compulsoriedade da publicação pelas companhias (empresas),
ao final de cada exercício social com duração de um ano, das seguintes
demonstrações contábeis:

a) Balanço Patrimonial - BP;

b) Demonstração do Resultado do Exercício - DRE.

Parada para reflexão

A publicação das demonstrações contábeis, na sua totalidade, só é


obrigatória (compulsória) nas empresas com a forma jurídica de Sociedade
Anônima (S.A); para as outras empresas, com outra forma jurídica, como por
exemplo, a sociedade empresaria individual e Limitada, não são obrigatórias
estas publicações em jornais de alta circulação (exemplo: Folha de São
Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal Valor Econômico, O Estado de São Paulo,
dentre outros) embora seja utilizado, por elas, a mesma estrutura do Balanço
Patrimonial (BP) e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), mas
não as publicam.

Após a leitura do trecho acima, compartilhe como os colegas de sala de aula


o que você notou e percebeu acerca dos dois relatórios divulgados naqueles
referidos jornais atentando-se para a estrutura, a disposição das contas, grupos e
subgrupos de contas.
5 UNIUBE

Saiba mais

Você ainda encontrará outras publicações no link:


<http://www.bmfbovespa.com.br/cias-listadas/empresas-listadas/
BuscaEmpresaListada.aspx?idioma=pt-br>.

Nesse link, você irá consultar as principais demonstrações financeiras, fatos


relevantes comunicados.

Após conhecer algumas das principais empresas listadas na BMFBOVESPA por


meio do link acima, vamos ao estudo do Balanço Patrimonial - BP.

1.2 Balanço Patrimonial


Demonstra o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade, evidenciando
a situação patrimonial e estática de uma determinada empresa para dado momento,
encerrando a sequência dos procedimentos contábeis, ou seja, apresentando, de
forma ordenada, os três elementos componentes do Patrimônio, qual seja:
• Ativo
• Passivo e o Patrimônio Líquido

Mas, para que você possa compreender um pouco mais, observe a seguir um
modelo adaptado.

Quadro 1- Balanço Patrimonial


Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
Circulante Circulante
Disponível Fornecedores
Caixa Salários a Pagar
Bancos Impostos a Recolher
Aplicações Financeiras Passivo Não Circulante
Realizável Patrimônio Líquido
Clientes Capital Social
Estoques Reservas de Capital
Despesas Antecipadas Reserva de Lucros
Ativo Não Circulante Ajustes de Avaliação Patrimonial
Realizável a Longo Prazo (-)Prejuízo Líquido do Exercício
Permanente
Investimentos
Imobilizado
Intangível
Total Ativo Total Passivo + P. Líquido
Fonte:Acervo do autor.
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Para que possamos melhorar a estrutura apresentada no quadro anterior e


levando em consideração as alterações advindas da Lei 11.638/07, principalmente,
quanto à classificação das contas do ativo permanente, veja a seguir as novas
classificações.

Art. 178, parágrafo 1º, c. Altera a classificação das contas do ativo permanente.

Resumindo, ficaria assim, de acordo com a Lei 11.638/07:

Quadro 2- Alteração da classificação das contas do Ativo Permanente


Redação anterior Nova redação
Ativo Ativo
Circulante Circulante
Realizável a Longo Prazo Não Circulante
Permanente Realizável a Longo Prazo
Investimentos Permanente
Imobilizado Investimentos
Diferido Imobilizado
Intangível
Fonte: Acervo do autor.

E, de modo especial, o tratamento dispensado ao permanente ficará assim


distribuído:

Ativo permanente

Art.179. As contas serão classificadas do seguinte modo:

Quadro 3 - Alteração da classificação do Ativo Permanente


Redação anterior Nova redação
IV – no Ativo Imobilizado: os direitos que IV – no Ativo Imobilizado: os direitos
tenham por objeto bens destinados à que tenham por objeto bens corpóreos
manutenção das atividades da companhia destinados à manutenção das atividades
e da empresa, ou exercidos com essa da companhia ou da empresa ou exercidos
finalidade, inclusive os de propriedade com essa finalidade, os decorrentes de
industrial ou comercial. operações que transfiram à companhia os
benefícios, riscos e controle desses bens.
Fonte: Acervo do autor.
7 UNIUBE

É, ainda, importante ressaltar que a Contabilidade tem por objeto o Patrimônio


de uma determinada entidade, com objetivos claros de controlá-lo. Veja, agora,
algumas das definições de um importante autor da área:

É tão importante o estudo do ativo que poderíamos dizer que é


o capítulo fundamental da Contabilidade, porque à sua definição
e avaliação está ligada a multiplicidade de relacionamentos
contábeis que envolvem despesas e receitas. (IUDÍCIBUS,
2009:129).

E prossegue, afirmando que “é crítico o entendimento da verdadeira natureza do


ativo, em suas características gerais” (IUDÍCIBUS, 2009:129).

Note, ainda que, ativo pode ser definido como resultado de operações passadas
e do qual se espera benefícios presentes e futuros.

Alguns dos exemplos mais comuns:


• Bens: móveis, máquinas e equipamentos, instalações.
• Direitos: clientes, duplicatas a receber.

Parada para reflexão

Para que você aprofunde um pouco mais, acesse o link:

<http://www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.pdf>.

Aqui estão estabelecidos os conceitos que fundamentam a característica


fundamental de ativo que nada mais é do que a capacidade de prestar
serviços para uma determinada entidade, seja individualmente ou em
conjunto, capazes de gerar entradas líquidas de caixa.

Antes de prosseguirmos, é importante que você elabore uma lista de seus


bens, direitos, e, em seguida, compartilhe com seus colegas de sala de aula
acerca de quais bens e direitos constam de seu Patrimônio pessoal.

Após a listagem de seus ativos, vamos dar continuidade aos nossos estudos
dividindo o ativo em subgrupos, quais sejam grupos, subgrupos e contas do
ativo.
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1.2.1 Ativo Circulante


Aqui são classificados todos os bens e direitos que se convertem em dinheiro a
curto prazo. Entendese por curto prazo os valores realizáveis (conversíveis em
dinheiro) até o final do exercício seguinte, ou seja, até 12 meses. Entretanto, temos
que observar o ciclo operacional da empresa, ou melhor dizendo, é o período
compreendido entre a compra de um determinado produto e o seu recebimento.

Saiba mais
Para que você possa conhecer um pouco mais acerca do que seja ciclo
operacional, acesse o link:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ciclos.htm>.

As contas desse grupo podem ainda ser distribuídas em três subgrupos distintos,
a saber:

Disponível: são recursos financeiros que podem ser utilizados, imediatamente,


sem restrições. O exemplo mais clássico desse grupo é a conta Caixa representada
pelo numerário (dinheiro) existente na empresa, já a conta bancos representa
os recursos depositados em instituições financeiras para livre movimentação e,
por fim, as aplicações financeiras de liquidez imediata, ou melhor, as aplicações
financeiras de fácil conversibilidade em dinheiro.

Realizável: são os recursos aplicados em direitos que poderão ser convertidos


em dinheiro no prazo de um ano, ou seja, até o exercício social seguinte. Alguns
exemplos: a conta Duplicatas a Receber, os Estoques.

Despesas antecipadas: são os recursos aplicados antecipadamente, que


geram benefícios ou serviços tanto para os períodos seguintes quanto para o
subsequente, comumente conhecida como Despesas do Exercício Seguinte. A
conta Prêmios e Seguros a Apropriar, assim como dos Encargos Financeiros a
Apropriar são alguns dos exemplos mais comuns desse subgrupo.

1.2.2 Ativo Não Circulante


É sabido que o Ativo Não Circulante é composto por ativos de natureza duradoura
com fins específicos de atender às operações normais da empresa, bem como os
direitos exercidos com essa especifica finalidade.
9 UNIUBE
É importante ainda elencar os seguintes subgrupos:

• Ativo Realizável a Longo Prazo.


• Investimentos.
• Imobilizado.
• Intangível.

Então, vamos às explicações das contas que, a partir de então, fará parte da
composição, de acordo com a lei 11.638/07, das contas que compõem o ativo não
circulante.

Ativo Permanente
Investimentos: é composto de contas que não se destinam, especificamente, à
manutenção das atividades operacionais da empresa. Também conhecido como
Bens de Renda. Por exemplo: participação acionária em Empresas Controladas
e Coligadas (ações em outras empresas); Obras de Arte; Terrenos e Imóveis para
utilização com fins de se obter ganhos de capital.

Imobilizado: é composto de bens e direitos que se destinam à manutenção das


atividades normais da empresa. Normalmente, são reduzidas pelas respectivas
contas credoras de Depreciação, Amortização e Exaustão, conforme o caso.
Algumas contas do Imobilizado são: terrenos, edifícios, instalações, máquinas e
equipamentos, entre outras.

Intangível: é composto por bens incorpóreos destinados à manutenção das


atividades da empresa, inclusive o fundo de comércio adquirido.

Parada para reflexão

Leia o texto disponível no link: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/


guia/planodecontas.htm>.

Nele você irá ler sobre a disposição sistemática das contas dispostas por grau
de liquidez decrescente. Após a leitura do conteúdo do link, compartilhe com
seus colegas de turma nos encontros presenciais as disposições contidas
no link, tecendo pequenos comentários.
10 UNIUBE

1.3 Grupos, subgrupos e contas do Passivo e Patrimônio


Líquido

Ao elencar os grupos e os subgrupos e contas do Passivo e do Patrimônio Líquido,


encontramos:

1.3.1 Passivo: são as obrigações e deveres da empresa que representam para


um determinado período, tudo que ela deve a terceiros e aos sócios. Sendo assim,
podemos subdividi-las em:

Passivo Circulante: são as obrigações exigíveis a curto prazo, ou seja, com


vencimento até o final do exercício seguinte. A título de exemplo, temos os
fornecedores a pagar, encargos sociais a pagar, impostos a pagar, empréstimos
a pagar, entre outros.

Passivo Não-Circulante: aqui são classificadas todas as obrigações exigíveis


após o término do exercício social seguinte, ou após o ciclo operacional da
empresa, se este for superior a um ano. Por exemplo: todas as contas do passivo
circulante que se enquadrem no longo prazo.

Patrimônio Líquido: representa os recursos próprios da empresa, que pertencem


a seus acionistas ou sócios. Ele é subdividido em Capital Social, Reservas
de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em
Tesouraria e Prejuízos Acumulados.

Importante!

Ajustes de Avaliação Patrimonial: são constituídas


pela contrapartida de aumentos ou diminuições dos Valor Justo
valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, Que pode ser entendido
em decorrência da avaliação a valor justo, enquanto como o valor pelo qual
um ativo pode ser
não computadas no resultado do exercício. avaliado ou negociado
a valores de mercado
ou não, ou um passivo
liquidado, entre
partes interessadas,
conhecedoras do negócio
e independentes entre
si, com a ausência de
fatores que pressionem a
liquidação da transação
ou que caracterizem uma
transação compulsória.
11 UNIUBE

Vamos prosseguir com nosso estudo, pois ainda nos resta conhecer as subdivisões
do Patrimônio Líquido, quais sejam:
Capital Social: representa os valores efetivamente integralizados pelos acionistas
(ou sócios). É demonstrado com o valor do capital subscrito, deduzido pela conta
devedora que representa o capital a integralizar.
Reservas de Capital: são valores recebidos pelas empresas e que não são exigíveis
e nem são receitas. Por exemplo: Correção Monetária do Capital realizado; dentre
outras.
Reservas de Reavaliação: representam valores gerados pelos aumentos de valor
dos ativos reavaliados com base em laudos técnicos emitidos por peritos ou
empresas especializadas em reavaliação de ativos.

Reservas de Lucros: são constituídas com lucros retidos, aqueles apurados


conforme demonstração do resultado do exercício e para as quais têm as seguintes
finalidades:

A Reserva Legal: é constituída aplicando-se o percentual de 5% (cinco por cento)


do lucro líquido do exercício, limitada a 20% do Capital Social. Podendo, também,
ser utilizada para compensação de prejuízos e aumento de capital social.

As Reservas Estatutárias: são constituídas de acordo com o que determina


o estatuto da empresa, por exemplo: expansão da fábrica, renovação de
equipamentos.

As Reservas para Contingências: têm a finalidade de compensar prováveis perdas


ou prejuízos no futuro, por exemplo: greves, enchentes, incêndios.

Lucros ou Prejuízos Acumulados: são lucros ou prejuízos líquidos, remanescentes


do exercício social atual ou anteriores que não tiveram destinações específicas.

Saiba mais

Como é sabido, houve alterações relevantes na estrutura do Patrimônio


Líquido.
A fim de que você possa se inteirar acerca das mudanças ocorridas com o
advento da Lei 11.638/07, notadamente o art. 178, parágrafo 2º “d”, acesse o
link:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm>.

Nele você encontrará as principais disposições da nova estrutura acerca da


elaboração e divulgação das demonstrações financeiras.
12 UNIUBE
Após a leitura do conteúdo da Lei acima mencionada, observe a seguir como ficou
o Balanço Patrimonial após aquelas mudanças.

O Artigo 178, parágrafo 2º “d” – altera a classificação das contas do Patrimônio


Líquido da seguinte forma:

Quadro 4- Alteração da classificação das contas do Patrimônio Líquido

Redação anterior Nova redação


Passivo Passivo
Circulante Circulante
Exigível longo prazo Exigível longo prazo
Resultado de exercícios futuros Resultado de exercícios futuros
Patrimônio Líquido Patrimônio Líquido
Capital Social Capital Social
Reservas de capital Reservas de capital
Reservas de reavaliação Ajustes Avaliação Patrimonial
Reservas de lucros Reservas de lucros
Lucros/prejuízos acumulados Ações em tesouraria
Prejuízos acumulados
Fonte: Acervo do autor.

Veja a seguir, como ficaria um balanço patrimonial hipotético:


Quadro 5 - Balanço Patrimonial hipotético
Balanço levantado em Março de 2005
Ativo Passivo
Banco 7.000,00 Fornecedores 2.000,00
Mercadorias 2.500,00 Patrimônio Líquido
Capital Social 4.000,00
Lucro do Exercício 3.500,00

SOMA DO ATIVO 9.500,00 SOMA DO PASSIVO 9.500,00


Fonte: Acervo do autor.
13 UNIUBE

Importante!
Aqui, encerramos a abordagem dos principais grupos, subgrupos e contas
do balanço patrimonial de acordo com o proposto pela Lei 6.404 de 15 de
dezembro de 1976, com alterações da Lei 11.638/07, assim como da ordem
em que o Ativo e o Passivo e Patrimônio Líquido são apresentados.

Dando prosseguimento aos nossos estudos, vamos, a partir de agora, conhecer


outra demonstração financeira, a Demonstração do Resultado do Exercício.

1.4 Demonstração do Resultado do Exercício - DRE


1.4.1 Das noções gerais
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é também um dos Relatórios
Contábeis básicos, que estruturada em obediência à legislação societária, evidencia
de forma clara, o resultado das operações de uma determinada empresa (sociedade
empresária), ou seja, se determinada empresa apresenta lucros ou prejuízos
resultantes das operações principais e acessórias provocadas por movimentações
de compra, venda, investimentos, financiamentos, dentre outras operações.

Esses resultados das operações, lucro ou prejuízo do exercício podem de acordo


com as deliberações dos acionistas ou sócios do negócio serem retirados ou
reinvestidos.

Então, podemos afirmar que a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE


é, de fato, um instrumento valioso na condução das operações de qualquer
empresa.

Nesse mesmo sentido, podemos definir a Demonstração de Resultado do Exercício


- DRE como uma demonstração que evidencia de forma clara e resumida um
conjunto de operações de uma determinada entidade e para um determinado
período que se destina, a tornar claro, a formação do resultado.

A fim de melhorar o nosso entendimento, devemos entender que essa demonstração


aponta, por exemplo, as vendas brutas, as deduções a ela diretamente implicadas,
os custos, as despesas e, por fim, após a confrontação dos mesmos a apuração de
um resultado, resultado esse que daremos o nome de lucro do exercício quando
as receitas forem superiores aos custos e as despesas.

Note que essa demonstração é também utilizada por administradores a fim


de prestar contas perante os acionistas, credores, governos e a comunidade
em geral. Ou ainda, revelar, a todas as pessoas interessadas, determinadas
informações sobre o Patrimônio e os resultados da empresa, a fim de possibilitar
o conhecimento e a análise de sua situação econômico-financeira.
14 UNIUBE

Saiba mais
Antes de darmos prosseguimento ao nosso estudo, acesse o link a seguir para
fins de conhecermos um pouco mais acerca dos principais conceitos atinentes
a demonstração:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstracaodoresultado.
htm>.

Neste link você irá entender a estrutura conceitual de cada grupo que compõe
a demonstração do resultado do exercício.

Após a leitura acima, a qual lhe proporcionou uma melhor compreensão da


disposição daquela demonstração, continuemos.

Da estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício - DRE


Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstração contábil
que evidencia o fluxo de receitas e de gastos (custos, despesas, perdas e ganhos),
que resulta em aumento ou redução do Patrimônio líquido.

Ela deve ser apresentada de forma dedutiva, isto é, se inicia com a Receita
Operacional Bruta e dela se deduz os respectivos custos e despesas, a fim de
apurar o lucro líquido para um determinado exercício.

Veja, a seguir, como ficaria uma de Demonstração do Resultado do Exercício


(DRE), hipotética:

Quadro 6- Demonstração do Resultado do Exercício hipotético


Demonstração do Resultado do Exercício
Período de: 01/04/2005 a 30/04/2005

Empresa: XXXXX Comércio Ltda

Receita de Vendas 8.500,00


(-) Custo da Mercadoria (6.000,00)
(=) Lucro do Exercício 2.500,00
Fonte:Acervo ao autor
15 UNIUBE

Agora, vamos ao estudo das principais contas que compõem a Demonstração do


Resultado do Exercício - DRE.

Receita Operacional Bruta: apresenta o valor das vendas à vista e a prazo de


mercadorias e/ou produtos, bem como de serviços prestados, e incluem todos os
impostos. É popularmente conhecida por Faturamento Bruto.

1.4.2 Deduções sobre a Receita Operacional Bruta


Esse grupo de contas aborda as deduções da Receita Bruta, para gerar a Receita
Líquida. É composto pelas seguintes contas:

Vendas canceladas: representam as mercadorias devolvidas pelos clientes por


cancelamento;
Devoluções e abatimentos: são devoluções recebidas e/ou descontos
condicionais concedidos a clientes, por defeitos apresentados pelos produtos
vendidos;
Impostos incidentes sobre as vendas e serviços: representam os impostos
incidentes sobre as vendas e os serviços prestados, gerados por meio da emissão
de notas fiscais e faturas, tais como: IPI, ICMS, ISS, PIS.

1.4.3 Receita Operacional Líquida


Corresponde ao valor obtido pela Receita Operacional Bruta deduzida das
Vendas Canceladas, Devoluções e Abatimentos e os Impostos.

1.4.4 Custos Operacionais


Esse grupo é composto pelas seguintes contas:

Custo das Mercadorias Vendidas - CMV: representa o valor de custo


correspondente às parcelas vendidas, das mercadorias adquiridas prontas para
serem comercializadas.

E, ainda, a fim de melhorar o entendimento, vamos desmembrar a conta CMV:

CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final

Custo dos Produtos Vendidos - CPV: representa a parcela vendida dos custos
incorridos pela empresa em seu processo de fabricação de seus produtos
acabados, composto das matérias-primas e insumos (mão de obra, materiais,
etc.).

CPV = EIPA + CPP – EFPA


16 UNIUBE

em que:

EIPA = Estoque Inicial de Produtos Acabados;


CPP = Custo de Produção do Período;
EFPA = Estoque Final de Produtos Acabados.

Custo dos Serviços Prestados - CSP: representa os custos incorridos para


gerar serviços e é composto pelos custos da mão de obra utilizada, dos materiais
aplicados e outros gastos.

1.5 Resultado Operacional Bruto


O Resultado Bruto Operacional é a diferença entre a Receita Operacional Líquida
e os Custos Operacionais. É conhecido, também, como Lucro Bruto.

1.5.1 Despesas Operacionais: são necessárias para promover, vender e


distribuir os produtos, administrar a empresa e financiar operações. Os principais
subgrupos são:
Despesas administrativas: são gastos incorridos para administrar a empresa. São
constituídas de: salário e encargos sociais do pessoal administrativo, honorário do
conselho e diretoria, aluguéis de escritórios etc.
Despesas Comerciais: são compostas de gastos com pessoal de vendas,
comissões sobre vendas, propaganda e publicidade etc.

Despesas Financeiras: são compostas de contas como: juros pagos ou incorridos,


descontos concedidos, comissões bancárias, CPMF etc.

Outras Receitas e Despesas Operacionais: são receitas e despesas não


classificáveis em subgrupos anteriores, como: receitas de aplicações financeiras,
vendas de sucatas, entre outras.

Lucro (ou prejuízo) Operacional: é o valor obtido após deduzir as despesas


operacionais do Resultado Bruto Operacional.

Resultados não Operacionais: são despesas e/ou receitas não relacionadas


diretamente com o negócio da empresa. São constituídos, basicamente, de
ganhos e perdas de capitais provenientes de baixas ou vendas dos elementos do
ativo permanente, perdas incondicionais ocorridas, entre outros.

1.6 Lucro antes do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição


Social (CS) ou prejuízo do período
É a diferença entre o lucro operacional e os resultados não operacionais. Também
conhecido como LAIR.
17 UNIUBE

1.7 Provisão para o IR e a CS


O Imposto de Renda e a Contribuição Social são calculados sobre o lucro real,
que é calculado com a adição de despesas não dedutíveis e de outros valores
possíveis de tributação e dedução (compensação) de prejuízos de exercícios
anteriores, por meio do LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real).

Mas, atenção, o Imposto de Renda e a Contribuição Social são calculados sobre


o lucro real, que é calculado com a adição de despesas não dedutíveis e de
outros valores possíveis de tributação, e dedução (compensação) de prejuízos de
exercícios anteriores, por meio do LALUR.

1.8 Lucro depois do IR e da CS ou prejuízo do período


Corresponde à diferença entre o LAIR e a Provisão do IR e da CS.

1.9 Participações, contribuições e distribuições


As participações estatutárias no lucro, de empregados, administradores e
partes beneficiárias são calculadas sobre o lucro após o Imposto de Renda e a
Contribuição Social.

1.10 Lucro (ou prejuízo) líquido do período


É o resultado final do exercício social, que fica à disposição dos acionistas (ou
sócios) da empresa, para a constituição de reservas de lucros. Se o resultado final
for prejuízo líquido, poderá ser compensado com lucros acumulados de exercícios
anteriores ou reservas de lucros.

1.11 Conclusão
Neste capítulo, foram-lhe apresentados os procedimentos de apuração de
resultados econômicos das organizações com a utilização de técnicas contábeis
apropriadas.

Você teve a oportunidade de aprofundar seus estudos na composição do Balanço


Patrimonial, conhecendo detalhadamente os grupos e contas, podendo assim
identificar os elementos necessários para a apuração do resultado.

Apresentou-se a você, de forma minucios, a estrutura da demonstração do


resultado - DRE, além de outras demonstrações complementares da compreensão
e destinação dos valores apurados no processo, tais como Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido.
18 UNIUBE

Resumo

As demonstrações tidas como obrigatórias no Brasil são: Balanço Patrimonial -


BP, Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, Demonstração dos Lucros
ou Prejuízos Acumulados - DLPA, Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido - DMPL. Além de todas estas demonstrações supracitadas devemos
ressaltar a importância e necessidade da elaboração das notas explicativas como
forma de complemento das demonstrações contábeis. No entanto, este trabalho
tem por objetivo enfatizar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado
do Exercício, demonstrações estas que facilitarão a identificação e o conhecimento
contábeis das empresas.

O Balanço Patrimonial - BP é a apresentação dos saldos respectivos de


todas as contas da contabilidade de uma empresa ou entidade contábil em
uma determinada data, dispostos ou arrumados de uma forma relativamente
padronizada, com a finalidade de permitir, a quem o analisa, uma visualização
rápida da posição econômico-financeira dessa companhia naquela data.
Assim, temos a conceituação definida pelo Conselho Federal de Contabilidade.

O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a


evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada
data, a posição patrimonial e financeira da Entidade.
(PORTAL, 2010)

A estrutura do Balanço Patrimonial é formada pelo Ativo, Passivo e Patrimônio


Líquido.

O Balanço Patrimonial consiste na apresentação das contas classificadas por


grupos, segundo os elementos do Patrimônio que registrem, e agrupadas de
modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.
No Brasil, a Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por
Ações) padronizou o título de cada grupo do balanço, assim como as alterações
posteriores conforme a Lei nº 11.638/07.

A Demonstração do Resultado do Exercício - DRE destina-se a evidenciar a


composição do resultado formado num determinado período nas operações de
uma empresa, gerando informações significativas para a tomada de decisão é,
ainda, a Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo principal
apresentar de forma vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto
de operações realizadas num determinado período, normalmente, de doze meses.
19 UNIUBE

Leituras

Caro aluno, tenha em mente que nesse capítulo não esgotamos todo o assunto que
poderíamos ainda explorar. Leve em consideração que depende de você o avanço
e o aprofundamento dos dois relatórios aqui tratados, quais sejam, o Balanço
Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício aqui denominadas pelas
siglas BP e DRE, respectivamente. Para isso, você recebeu o livro customizado
anexado ao seu material: MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 15
ed. São Paulo: Atlas, 2009. Leia, dele, os seguintes capítulos:

Capítulo 3: Balanço Patrimonial – Grupo de Contas – (uma abordagem preliminar)


- páginas 7 a 31. Nesse capítulo, o autor aborda as definições, conceitos e os
respectivos grupos, subgrupos do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, contribuindo
sobremaneira para seu aprendizado.

Capítulo 06 – Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, páginas 32 a 56,


em que o autor aborda a estrutura, os grupos e subgrupos das Receitas, Custos
e Despesas, auxiliando-o na compreensão dos temas tratados neste capítulo.

Ressaltamos ainda que, de acordo com a Lei 6.404/76 <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm> com alterações de dispositivos com a publicação
da Lei 11.638/07 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/
L11638.htm>, os relatórios sofreram significativas alterações.

Cabe a você, a partir do término deste capítulo, ler a legislação proposta assim
como os textos indicados, inclusive os do comitê de pronunciamentos contábeis –
principalmente, o pronunciamento conceitual básico – estrutura conceitual <http://
www.cpc.org.br/pronunciamentosIndex.php>.

Acesse a seguinte página, do site da Secretaria da Receita Federal: <http://www.


receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2004/PergResp2004/pr268a285.
htm>. Por esta página você terá a oportunidade de aprender mais acerca desse
livro fiscal LALUR Livro de Apuração do Lucro Real.

Visite também as seguintes páginas:


<http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstracaodoresultado.htm>.
Neste site você irá compreender a composição da demonstração do resultado do
exercício.

<http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2004/PergResp2004/
pr268a285.htm>. Neste site você irá aprofundar seus conhecimentos acerca do
livro de apuração do lucro real, destinado à apuração do lucro tributário.
20 UNIUBE

Atividades
As atividades que indicamos visam a assimilação da teoria versus prática aplicada
na elaboração do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do
Exercício. Portanto, é interessante que você faça a leitura de todo o material que
preparamos para você, antes de iniciar suas atividades.

Caso encontre dificuldades na resolução das mesmas, retorne ao material e faça


a releitura, tudo isso completará sua formação profissional.

Você deverá resolver os exercícios a seguir, muito importantes para a fixação dos
conhecimentos adquiridos até o presente momento.

Boa prática!

Atividade 1

Com base na tabela a seguir, marque “X” na respectiva coluna o que você
entende por Ativo (A), Passivo (P) ou Patrimônio Líquido (PL):
A P PL N.A Valor
Duas máquinas usadas nas operações da empresa 120.000,00
Equipamento totalmente destruído 49.000,00
Matériaprima sob guarda provisória 23.000,00
A marca da empresa 100.000,00
Veículos arrendados através de leasing 50.000,00
Salários devidos aos empregados 12.600,00
Capital Social 60.000,00

Atividade 2

Considere três empresas, admitindo que possuem em ativo “fogões”:


a. Cia. “A” é fabricante de fogões industriais;
b. Cia. “B” é revendedora de fogões industriais;
c. Cia.“C” é uma fábrica de alimentos e tem uma cozinha industrial.

Assinale a alternativa que apresenta sequencialmente a alternativa correta:


a) Circulante, Circulante e Circulante.
b) Circulante, Circulante e Realizável a Longo Prazo .
c) Circulante, Circulante e Imobilizado.
d) Circulante, Realizável a Longo Prazo e Imobilizado.
e) Circulante, Circulante e Investimentos.
21 UNIUBE

Atividade 3
Assinale a alternativa correta quanto à classificação de Capital de Terceiros:
a) Patrimônio Líquido.
b) Fornecedores a Pagar.
c) Capital Próprio.
d) Duplicatas a Receber.
e) Reservas de Capital.

Atividade 4
Para a correta classificação do Patrimônio Líquido, que é classificado por ordem
de exigibilidade, assinale a alternativa que identifica essa disposição.

a) Capital Social, Lucros Acumulados e Reservas de Contingência.


b) Capital Social, Reservas de Reavaliação, Reservas de Lucros.
c) Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros.
d) Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes Avaliação
Patrimonial.
e) Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial.

Atividade 5
Um empréstimo obtido com carência de 2 anos, ou seja, com início de pagamento
somente depois de 2 anos, é classificado em uma conta como:
a) Realizável a Longo Prazo.
b) Exigível a Longo Prazo.
c) Patrimônio Líquido.
d) Permanente.
e) Ajustes de Avaliação Patrimonial.

Referências
Equipe de professores da FEA/USP. Contabilidade Introdutória. 11 ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas 20
09.

PORTAL da Contabilidade. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.


com.br/guia/balancopatrimonial.htm>. Acesso em: 08-04-2010.
Explorando a Demonstração

2
dos Lucros ou Prejuízos
Acumulados - DLPA e a
Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido - DMPL

Marco Antonio de O. Caetano

Introdução
Seja bem-vindo ao estudo da Contabilidade intermediária.

Neste estágio dos nossos estudos, você já é capaz de compreender a posição


patrimonial e financeira de uma empresa, uma vez que já estudamos o Balanço
Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Lembrando-o mais
uma vez que a Lei das Sociedades Anônimas (LSA) trata da estrutura e da
função daquelas demonstrações. Ou seja, a primeira que agrega um conjunto
de bens, direitos e obrigações, assim como a participação dos acionistas/sócios
da empresa e a segunda que apura o resultado de um determinado exercício.

Naquela oportunidade, foi apresentado o balanço patrimonial, com seguinte


estrutura hipotética:

Quadro 1- Balanço levantado em março de 2005.


Balanço levantado em Março de 2005
Ativo Passivo
Banco 7.000,00 Fornecedores 2.000,00
Mercadorias 2.500,00 Patrimônio Líquido
Capital Social 4.000,00
Lucro do Exercício 3.500,00

SOMA DO ATIVO 9.500,00 SOMA DO PASSIVO 9.500,00


Fonte: Acervo do autor.

E, em seguida a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, também,


hipotética:
24 UNIUBE
Quadro 2- Demonstração do Resultado do Exercício - DRE
Demonstração do Resultado do Exercício
Período de: 01/04/2005 a 30/04/2005

Empresa: XXXXX Comércio Ltda

Receita de Vendas 8.500,00


(-) Custo da Mercadoria (6.000,00)
(=) Lucro do Exercício 2.500,00
Fonte: Acervo ao autor.

Agora, nesse capítulo, daremos prosseguimento aos nossos estudos,


conhecendo mais dois demonstrativos contábeis, quais sejam:
• Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA.
• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL.

Bons Estudos!

Objetivos
Após os estudos realizados a partir desse capítulo, você estará apto a:

• identificar e definir os componentes da Demonstração dos Lucros ou


Prejuízos Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido;
• avaliar a importância dos relatórios DLPA e DMPL;
• identificar a importância dos relatórios contábeis diante da legislação
societária.
25 UNIUBE
Esquema

Demonstração de Lucros ou
Prejuízos Acumulados – DLPA –
Modelo

Demonstração das Mutações do


Patrimônio Líquido – DMPL -
Conceito

Leituras Obrigatórias,
Complementares e atividades
propostas

2.1 Aspectos gerais


Para então darmos início ao estudo da Demonstração de Lucros ou Prejuízos
Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, é necessário
que você tenha bem claros os conceitos acerca destes dois relatórios contábeis,
tarefa a que este roteiro e esta unidade se propõem.

2.2 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados


Observe que o objetivo da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados é
o de relatar as modificações ocorridas na conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados”
em determinado exercício social, ou seja, a composição do saldo no início do
período, integralização de capital social, contribuições para a reserva de capital,
reserva legal, lucro líquido do período, dividendos propostos, dentre outros. E a
conta Lucros ou Prejuízos Acumulados tem a função de relatar as modificações
ocorridas no Patrimônio líquido para aquele mesmo período de apuração, ou seja,
transferências de parte dos lucros para reserva legal, reserva estatutária, reserva
orçamentária, dividendos propostos, aumento de capital social, assim como
reserva de reavaliação dentre outras operações.
26 UNIUBE

Parada para reflexão


Antes de prosseguir com os estudos, visite o endereço eletrônico abaixo e
leia um pouco mais sobre o Patrimônio Líquido e seus elementos, para que
possamos juntos apreender o conteúdo que iremos, daqui para frente, tratar
com maiores detalhes.

Na seguinte página, você irá compreender a composição das principais contas


do Patrimônio Líquido:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Patrim%C3%B4nio_l%C3%ADquido>.

Após a leitura do link acima, você se deparou com a


Capital Social
seguinte estrutura do Patrimônio Líquido: Representa o
• Capital Social investimento efetuado
na companhia pelos
• Reservas de Capital seus proprietários
• Ajustes de Avaliação Patrimonial e acionistas, que
• Reservas de Lucros adquiriram os títulos
denominados de ações.
• Prejuízos Acumulados Pelas leis brasileiras, o
valor do capital social
é imutável e só sofrerá
É importante relembrar de que a LSA faculta à empresa, alterações quando
houver a aprovação
elaborar uma das duas demonstrações; contudo, com a de aumentos ou
alteração advinda da Lei 11.638/07, a conta Lucros ou diminuições do mesmo.
Prejuízos Acumulados passou a ter uma característica
especial: ela só poderá ter saldo zero ou negativo.

No segundo caso, representará prejuízo. Sendo seu saldo igual a zero, ela não
figurará no Balanço Patrimonial, pois o seu saldo terá sido obrigatoriamente
distribuído. Caso contrário, este figurará no Balanço Patrimonial como Prejuízo
Acumulado, em função de o Patrimônio Líquido incluir também os lucros ou
prejuízos acumulados.

Diante dessas razões, acreditamos que as empresas estarão optando pela DMPL -
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, que conforme já salientamos,
trata-se de uma demonstração que evidencia a movimentação de diversas contas
do Patrimônio Líquido, sendo assim mais completa.
27 UNIUBE

Saiba mais

Para saber mais acerca das principais alterações acesse o link < http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm>. Nesse link, você irá se
inteirar do conteúdo da lei, em que já constam todas a mudanças pertinentes
à demonstração do lucro ou prejuízo acumulado e à demonstração das
mutações do patrimônio líquido.

Acesse também o link <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-


2010/2007/Lei/L11638.htm> para se inteirar das principais mudanças na
legislação societária, acerca da elaboração e divulgação das demonstrações
financeiras.

Importante
Após a leitura dos links acima sugeridos, é oportuno frisar que devido a uma
exigência da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, as empresas de capital
aberto, ou seja, as companhias que negociam suas ações no mercado (Bolsa de
Valores), são obrigadas a elaborar a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido - DMPL.

Vamos, a partir de agora, aprofundar nossos conhecimentos, pois já temos


condições suficientes para prosseguir.

Inicialmente, vamos dividir o Patrimônio Líquido em:


• Capital Social;
• Reservas de Capital;
• Reservas de Reavaliação;
• Reservas de Lucros;
• Lucros ou Prejuízos Acumulados.

2.2.1 Conceitos e Objetivos


A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) tem por objetivo
evidenciar os elementos que provocam mutações, para mais ou para menos, no
saldo da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Alguns exemplos que afetam o lucro ou o prejuízo acumulado:


a) acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;
b) redução por dividendos;
28 UNIUBE

c) acréscimo por reavaliação de ativos (quando o resultado for credor);


d) acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos.

Itens que não afetam o lucro ou o prejuízo acumulado:


a) aumento de capital com utilização de lucros e reservas;
b) apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros
Acumulados para formação de reservas, como Reserva Legal, Reserva
de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras;
c) reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos
Acumulados.

Saiba mais
Agora, acesse o link abaixo para saber mais a respeito da Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL, atentando-se para as mutações
que a afetam ou não.

<http://www.potaldecontabilidade.com.br/guia/demonstlucrosprejacumulados.
htm>.

Você irá identificar os principais procedimentos com fim de elaborar a


demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados.

De uma forma direta, podemos assim, afirmar que a montagem da Demonstração


do Lucro ou Prejuízo Acumulado se dá por meio da transcrição do saldo do início
do exercício (constante do balanço patrimonial/Lucros ou Prejuízos Acumulados
do exercício anterior) e que, por meio de ajustes, acréscimos e subtrações,
movimentações ou mutações, perfazem um saldo final para o exercício atual sob
elaboração.

A DLPA tem também como fim a incumbência de demonstrar de que forma foram
distribuídos o resultado do exercício mais o saldo acumulado de exercícios
anteriores e, em decorrência, qual a parcela que restou para ser distribuída, que
tem de ser destinada, em último caso, conforme preceitua a Lei 11.638/07.
29 UNIUBE

Importante
Cabe lembrar que, a Lei nº 6.404/76, no parágrafo 2º, do art.186, estabeleceu
que a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída
na demonstração das mutações do Patrimônio Líquido se elaborada e divulgada
pela empresa.

Entretanto para que você possa assimilar um pouco mais do fundamento legal
exposto acima, observe a estrutura da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos
Acumulados abaixo:

Quadro 3- Estrutura da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos


Acumulados DLPA
Saldo no início do período X
(+-) ajustes de exercícios anteriores (AEA) X
(=) Saldo contábil ajustado X
(+-) Lucro ou prejuízo líquido do exercício X
(+) Reversões de reservas X
(-) Destinações: X
Transferência para aumento de Capital X
Dividendos propostos X
Transferência para Reservas X
(=) Saldo no final do período X

Fonte: Acervo do autor

Agora, preste muita atenção, pois vamos detalhar cada item componente da
demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Vamos conhecer os principais grupos e suas respectivas fontes de informação da


Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA que ora acabamos
de apresentar.

Saldo no Início do Período


O saldo no início do período corresponde ao saldo da conta Lucros Acumulados
ou Prejuízos, evidenciados no balanço anterior.

Ajustes de Exercícios Anteriores


Aqui são consideradas aquelas modificações decorrentes de mudança de critério
contábil ou de retificação de erro imputável a exercícios anteriores. Alguns
exemplos mais comuns:

a) mudança de critérios de avaliação de estoques, investimentos etc.;


30 UNIUBE

b) adoção de outros métodos de depreciação;


c) depreciações, amortizações e exaustões contabilizadas a maior ou a menor em
anos anteriores.

Saldo inicial ajustado


É o saldo inicial corrigido, ajustado por adições e/ou exclusões, conforme modelo
apresentado acima.

Resultado do Exercício
Corresponde ao lucro ou prejuízo líquido apurado na Demonstração do Resultado
do Exercício (DRE).

Reversões de Reservas
Este grupo é de primordial e fundamental importância, tendo em vista que algumas
Reservas de Lucros não são cumulativas, ou seja, devem compulsoriamente
ser revertidas ou estornadas quando não utilizadas para o fim a que foram
destinadas.

Exemplos:
• Reserva para Contingências
• Reserva Orçamentária
• Reserva Estatutária

Importante
Aquelas reservas que são constituídas em exercícios anteriores que se destinam
a um finalidade especifica, quando não realizadas devem ser revertidas e se for
o caso constituídas novamente.

Um reserva que sofre essa constituição e reversão de exercício para exercício é


lançada na Reserva para Contingências.

Saiba mais

Acesse o link <http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstmutapl.


htm>. Você irá conhecer de forma geral quais reservas são comumente
utilizadas para elaboração da demonstração das mutações do patrimônio
liquido.
E, ainda no link <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.
htm> a fundamentação legal das respectivas reservas.
31 UNIUBE
Destinações das propostas
Baseadas em lei, as demonstrações contábeis devem evidenciar a destinação
dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração, de acordo com a
aprovação da Assembleia Geral.

Essa destinação pode ser subdividida em:

a) formação ou complementação da Reserva de Lucros, dentre elas a reserva


legal, reserva para contingências, reservas estatutárias, reservas para lucros
a realizar, entre outras;
b) propostas de dividendo mínimo obrigatório;
c) divulgação dos dividendos por ação de capital.

Saiba mais

Acesse o link <http://www.bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br> e


pesquise uma demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados de uma
empresa listada na Bolsa, e comente com seus colegas as suas primeiras
impressões quanto aos dados ali divulgados.

Chegamos ao fim de nosso estudo da Demonstração dos Lucros e Prejuízos


Acumulados - DLPA.

Caso queira aprimorar ainda mais seus conhecimentos acerca da Demonstração


dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA, leia um pouco mais sobre o assunto
no sítio:

<http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstlucrosprejacumulados.
htm>.

Antes de prosseguirmos, dê uma pausa em seus estudos e em seguida retorne à


leitura do que até aqui foi abordado.

Em seguida estudaremos a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Sugiro a você que leia previamente o texto inserido no link abaixo:


32 UNIUBE

Saiba mais

Visite o seguinte documento na web: <http://www.zccontabilidade.


com.br/arquivos/4a6613040000b.pdf>. Você encontrará definições,
tratamento dado pela Lei das SA, as mutações nas contas
patrimoniais, as técnicas de preparação e elaboração deste relatório.

2.3 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido –


DMPL
Ao contrário da DLPA (Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados),
estudada anteriormente, e que fornece a movimentação, basicamente, de uma
única e exclusiva conta do grupo Patrimônio Líquido (Lucros Acumulados),
a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia a
movimentação das diversas contas componentes e integrantes do Patrimônio
Líquido (PL), ocorridas durante um determinado exercício. Sendo assim,
poderíamos dizer, e evidenciar, que esta demonstração surge a partir do
momento em que há mutações patrimoniais para mais ou para menos em suas
contas integrantes.

A seguir você terá um modelo proposto com setas indicativas para que possa
acompanhar a princípio, o que de fato são as informações mais importantes e
pertinentes à elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
- DMPL.

Para começarmos, note que a Demonstração das Mutações apresenta um conjunto


de linhas e colunas, elaboradas para a inserção de informações, quais sejam:

1. destina-se colunas específicas para cada uma das contas que compõem
patrimônio liquido;

2. utilizase de linhas horizontais indicativas das movimentações ocorridas no


período;

3. insere-se valores monetários de acordo com as movimentações.

A fim de que você acompanhe o que foi proposto acima, observe o quadro a
seguir:
Quadro 4- Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
RESERVAS DE CAPITAL RESERVAS DE LUCROS Lucros Acumulados Total
Capital Ágio na Sub-venções Reservas Para Reserva Reserva
Histórico
Realizado Emissão de para Investi- Contingência Estatutária Legal
Ações mentos
Saldo em 31.12.x1
Ajustes de Exercícios Anteriores:
efeitos de mudança de critérios
contábeis
retificação de erros de exercícios
anteriores
Aumento de Capital:
com lucros e reservas
por subscrição realizada
Reversões de reservas:
de contigências
de lucros a realizar
Lucro Líquido do Exercício:
Proposta da Administração de Desti-
nação do Lucro:
Transferências para reservas
Reserva legal
Reserva estatutária
Reserva de lucros para expansão
Reserva de lucros a realizar
Dividendos a distribuir($_por ação)
Saldo em 31.12.X2

Fonte: Acervo do autor


33 UNIUBE
34 UNIUBE

Observe como as informações precisam ser geradas e como são construídas,


conforme setas indicativas:

a. saldo inicial extraído do balanço patrimonial anterior (grupo patrimônio


líquido);
b. aumento de capital com a utilização de metade da conta reserva legal;
c. aumento de capital com a utilização de metade dos lucros acumulados
em x1
d. lucro líquido do exercício (x2)
e. constituição da reserva legal.

Outro exemplo, um pouco mais simplificado:

Quadro 5 - DMPL consolidados em 31-12-2000


DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DOS PATRIMÔNIOS LÍQUIDOS CONSOLIDADOS
EM 31/12/2000
Discriminação $

Saldo no início do exercício............................................ XXXXX


(+) Lucro líquido consolidado......................................... XXXXX
(-) Dividendos distribuídos.............................................. (XXXXX)
(=) Saldo no final do exercícios..................................... XXXXX

Fonte: Acervo do autor.

Mais um exemplo, com dados financeiros hipotéticos:

Quadro 6- DMPL – exercício findo em 31-12-2000

Fonte: Acervo do autor


35 UNIUBE

A referida demonstração das mutações do patrimônio líquido apresentada acima


indica:

a. saldos anteriores das contas Capital, Reserva de Capital, Reserva Legal


e Lucros Acumulados;
b. valores nominais dos saldos das contas mencionadas em “a”;
c. integralização do Capital ainda durante o exercício anterior em dinheiro
no valor de 250.000,00;
d. integralização do Capital durante o exercício com utilização de parte
dos saldos das reservas de capital no valor de $109.116,00 e parte dos
lucros acumulados no valor de $186.284,00, totalizando portanto em
$295.400,00;
e. recompra de ações da companhia, surgindo aqui apenas uma dedução
da conta de Patrimônio Líquido (ações em tesouraria) no valor de
$30.000,00.

Importante
Por meio destes exemplos, você percebeu que mutações ocorrem no Patrimônio
Líquido provocando oscilações ou movimentações para mais ou para menos,
assim como ocorrem hipóteses sem efeitos diretos no Patrimônio Líquido - PL.

Para que você possa compreender, anote alguns dos exemplos mais comuns e
de fácil assimilação que, em muito, o auxiliarão na resolução de determinadas
questões propostas no final do capítulo.

Mutações que:

1) aumentam o Patrimônio Líquido - PL:


a) aumento de capital em dinheiro:
D - Caixa/bancos
C - Capital Social

b) aumento de capital com imobilizados, investimentos:


D - Máquinas/participações em outras empresas
C - Capital Social

c) lucro líquido do exercício:


D - Lucro Acumulados
C - Capital Social/Reservas de Lucros/Reserva Legal

2) diminuem o Patrimônio Líquido - PL:


a) prejuízo do exercício:
D - Prejuízos Acumulados
C - Resultado do Exercício
36 UNIUBE

b) redução do capital social:


D - Capital Social
C - Caixa/Bancos

c) dividendos:
D - Lucros Acumulados
C - Dividendos a Pagar

d) distribuição de lucros:
D - Lucros Acumulados
C - Caixa/Bancos

3) Não geram efeitos sobre o Patrimônio Líquido:


a. constituição de reserva legal:
D - Lucros Acumulados
C - Reserva Legal

b. constituição de reserva de capital:


D - Lucros Acumulados
C - Reserva de Capital

c. constituição de reserva de contingência:


D - Lucros Acumulados
C - Reserva de Contingência

d. constituição de reserva estatutária:


D - Lucros Acumulados
C - Reserva Estatutária

e. aumento de capital com utilização de saldos da conta Reserva Legal:


D - Reserva Legal
C - Capital Social

f. compensação de prejuízos com reserva legal:


D - Reserva Legal
C - Prejuízos Acumulados

Importante
De acordo com a Lei 11.638/07, a conta Lucros Acumulados não mais será
apresentada com saldo positivo. Entenda que as movimentações continuarão a
ocorrer, entretanto, os saldos positivos deverão obrigatoriamente ser distribuídos
ou destinadas para futura realização ou não.
37 UNIUBE

Observe:
Uma determinada empresa apresentou um lucro líquido do exercício para um
determinado período. A fim de atender à legislação, ela propõe a destinação do
lucro liquido do exercício da seguinte forma:
a. aumento de capital social
b. proposta de aumento futuro de capital social
c. reserva legal, para fins de salvaguarda dos acionistas minoritários,
conforme determinação legal.

Abaixo, os lançamentos contábeis propostos, a fim de que você perceba as


movimentações:
Lançamentos contábeis propostos:
D - Lucros Acumulados
C - Reserva Legal
C - Capital Social
C - Reserva para Futuro Aumento de Capital

Saiba mais

<http://contabilidade.wikidot.com/demonstracoes:demonstracao-das-
mutacoes-do-patrimonio-liquid>. Nesse site, você irá conhecer ainda mais
acerca das principais características da demonstração das mutações do
patrimônio líquido, tanto para elaboração quanto para análise de um modelo
proposto.

2.4 Conclusão
Encerramos aqui o estudo da demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados
e a demonstração das mutações do patrimônio líquido.

Você entrou em contato com os modelos e as informações atinentes ao patrimônio,


especialmente quanto aos resultados acumulados durante os exercícios, assim
como a movimentação no patrimônio líquido como um todo.

Tenho certeza de que você percebeu, durante os seus estudos, que os relatórios
aqui tratados são de fundamental importância no contexto de tomada de decisões
junto aos seus usuários da informação.

Entenda que não esgotamos por completo o assunto e que depende de você dar
continuidade a seus estudos.
38 UNIUBE

Até o próximo capítulo quando então estaremos tratando da Demonstração das


Origens e Aplicações de Recursos – DOAR.

Boa leitura!

Resumo
Nesta unidade de estudo pudemos conhecer duas Demonstrações Contábeis
utilizadas pelos profissionais da contabilidade e que evidenciam informações
oferecidas aos usuários da informação para fins tanto de controle quanto para
fins de tomada de decisão, sejam gestores, administradores contratados ou
proprietários, enfim, uma gama enorme de usuários.

Vimos que a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulado - DPLA é útil


para visualização do fluxo de distribuição dos resultados obtidos nas empresas
e, vimos também, que a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
- DMPL é uma ferramenta que permite um olhar mais claro e amplo do
Patrimônio Líquido e de suas alterações, sejam elas legais ou institucionais.

Para melhor entendimento sobre essas duas demonstrações, não deixe de


realizar a literatura sugerida.

O nosso próximo encontro será no capítulo III, no qual trataremos da


Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR.

Leituras
Caro aluno, leve em consideração que depende de você o avanço e o
aprofundamento dos dois relatórios aqui tratados, quais sejam, a Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido, aqui denominados pelas siglas DLPA e DMPL, respectivamente.

É oportuno ressaltar que, de acordo com a Lei 6.404/76 e a Lei 11.638/07, os


relatórios sofreram significativas alterações.

Cabe a você, a partir do término deste capítulo, ler a legislação acima proposta assim
como os pronunciamentos contábeis propostos, notadamente o pronunciamento
conceitual básico – estrutura conceitual, no site:
<http://www.cpc.org.br/pronunciamentosIndex.php>.

É necessário contextualizar as questões teóricas aliadas à prática. Para isso,


você recebeu, junto a esse material, o livro customizado MARION, José Carlos.
Contabilidade Empresarial. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2009. Dele, leia o Capítulo
39 UNIUBE

17, intitulado Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA e


Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL, páginas 57 a 80,
em que o autor aborda em todos os seus aspectos a elaboração e/ou construção
dessas demonstrações com exemplos comentados e resolvidos.

Boa Leitura!

Atividades
Caro aluno, é importante que você resolva todos os exercícios a seguir. Se em
algum momento você tiver dúvidas quanto à resolução, volte ao texto deste capítulo
e reveja o conteúdo e só depois retorne para as atividades.

Bons estudos!

Atividade 1
Escolha, a seguir, dentre as alternativas, aquela que completa a afirmação : “A
demonstração de lucros ou prejuízos acumulados de acordo com o teor da Lei
11.638/07, é ...”:

a. ( ) obrigatória, podendo ser incluída na DMPL.


b. ( ) facultativa.
c. ( ) optativa.
d. ( ) dispensável.
e. ( ) necessária.

Atividade 2
Escolha, a seguir , a resposta que completa a afirmativa: “A DLPA representa
a interligação entre ...”:

a. ( ) DLPA e DMPL.
b. ( ) BP e DLPA.
c. ( ) DRE e BP.
d. ( ) DMPL e DRE.
e. ( ) DOAR e BP.
40 UNIUBE

Atividade 3
O ajuste de exercícios anteriores, evidenciado na DLPA - Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados ocorre em virtude de certos princípios básicos.
Escolha, a seguir, a alternativa que contempla esses princípios.

a. ( ) competência e materialidade.
b. ( ) competência e conservadorismo.
c. ( ) competência e consistência.
d. ( ) competência e objetividade.
e. ( ) competência e entidade.

Atividade 4
Escolha, a seguir, a resposta que completa a afirmativa: “A demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido ...”:
a. ( ) é idêntica à DLPA.
b. ( ) é menos abrangente que a DLPA.
c. ( ) contém a DLPA.
d. ( ) é menos indicativa que a DLPA
e. ( ) contém a DRE

Atividade 5
Sabe-se que a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA
evidencia a movimentação ocorrida para uma determinada entidade e período das
movimentações ocorridas na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. Portanto,
com base nos dados a seguir, elabore a DLPA da empresa ABF S.A.

Dados:
Saldo no início do período 2.500,00
Reserva de Lucros 300,00
Reserva de Contingência 100,00
Lucro Líquido do Exercício 1.660,00
Reversão de Reserva de Lucros 230,00
Dividendos a distribuir 1.200,00
Reserva Orçamentária 600,00
Reserva para Expansão 2.190,00
Fonte: Acervo do autor
41 UNIUBE

Atividade 6
Com base nos saldos iniciais das contas de Patrimônio Líquido em 30.11.x1,
elabore a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, de acordo com os
dados adicionais 1, e, em seguida, elabore a Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido - DMPL, em dez./x1, utilizando-se dos dados adicionais 1 e 2.

Patrimônio Líquido em 30.11.x1


Capital 10.000,00
Reservas de Capital 3.800,00
Reserva de Reavaliação 0,00
Reserva de Lucros 0,00
Reserva Legal 300,00
Reserva para contingência 500,00
Reserva Orçamentária 400,00
Reserva de Lucros a Realizar 600,00
Reserva Estatutária 1.000,00
Lucros Acumulados 800,00
Fonte: Acervo do autor

Dados adicionais:

1. Operações em dezembro/x1:
a) venda à vista de mercadorias no valor de $ 11.500,00;
b) o custo da mercadoria vendida é de $ 1.500,00;
c) salários foram provisionados no valor de $ 2.000,00;
d) provisão para imposto de renda no valor de $ 1.800,00;
e) provisão para contribuição social sobre o lucro líquido no valor de $
1.200,00;
f) pró-labore no valor de $ 1.500,00;
g) despesas financeiras no valor de $ 500,00.

2. Operações Patrimônio Líquido:


a) aumento de capital com metade das reservas de capital;
b) aumento de capital com metade das reservas legal e estatutária;
c) aumento de capital em dinheiro no valor de $ 1.000;
d) proposta para distribuição de lucros:
• reserva legal 5% do lucro líquido do exercício;
• reserva estatutária 10% do lucro líquido do exercício.
42 UNIUBE

Referências
Equipe de professores da FEA/USP. Contabilidade Introdutória. 11. ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual


de contabilidade das sociedades por ações. FIPECAFI. 6. ed. São Paulo:
Atlas, 2003.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações:


(aplicável às demais sociedades). 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas,
2009.
Redescobrindo a
Demonstração das

3 Origens e Aplicações
de Recursos (DOAR)
Marco Antonio O. Caetano

Introdução
Caro(a) estudante, nesse momento, daremos mais um passo no campo dos
estudos das demonstrações financeiras, tomando como base a legislação
societária (Lei 6.404/76), alterada pela Lei 11.638/07. Este relatório contábil
de que trataremos agora é a Demonstração de Origens e Aplicações de
Recursos (DOAR).

Com a nova redação, Lei 11.638 de 27 de dezembro de 2007, a DOAR passou


a ser tratada como uma Demonstração inexistente, mas as empresas que a
utilizavam podem continuar a elaborá-la para fins gerenciais.

A Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos - DOAR visa explicar


as variações ocorridas no Circulante da empresa e identificar quais são os
recursos que alteraram o Capital Circulante Líquido (Ativo Circulante menos
o Passivo Circulante).

O Capital de Giro (Circulante) Líquido – CCL – é obtido pela diferença entre


o ativo circulante e o passivo circulante. Reflete, também, a folga financeira
da empresa e, mais ainda, dentro de um conceito mais rigoroso, o CCL
representa o volume de recursos de longo prazo (exigibilidades e Patrimônio
Líquido) que se encontra financiado pelos ativos correntes (de curto prazo).

Desta forma, vamos iniciar o processo de estudo da referida demonstração


das origens e aplicações de recursos, abordando os conceitos e a sua
movimentação líquida.

Bons estudos!
44 UNIUBE

Objetivos
Após os estudos realizados a partir desse capítulo, você estará apto(a) a:
• aprofundar os conceitos e a estrutura da DOAR - Demonstração de Origens
e Aplicações de Recursos;
• explicar as variações ocorridas no circulante da empresa, determinando os
recursos que alteram o Capital Circulante Líquido;
• identificar a importância dos Relatórios Contábeis como instrumentos
catalisadores de dados econômico-financeiros.

Esquema

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos


Conceito e Movimentação

Capital Circulante Líquido - Conceito

Estrutura da DOAR – Demonstração


das Origens e Aplicações de Recursos

Desenvolvendo a DOAR-
Demonstração das Origens e
Aplicações de Recursos

3.1 A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos -


DOAR
Nesse mesmo capítulo, estaremos diante da Demonstração das Origens e
Aplicações de Recursos abordando seu modelo ou estrutura proposta e, a partir
daí, os seus conceitos e, naturalmente, a sua movimentação líquida, assim como
da legislação pertinente.
45 UNIUBE
Mas antes, vamos fazer uma breve revisão do que estudamos nos capítulos
anteriores:
• no capítulo 1, estudamos o Balanço Patrimonial e aprendemos que o mesmo
elenca um conjunto de Bens, Direitos e Obrigações, ora representadas
pelas contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, respectivamente. E,
em seguida, estudamos a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE,
demonstração esta que evidencia a formação do resultado pelo confronto
das receitas com as despesas e custos;
• já no capítulo 2, estudamos a Demonstração dos Lucros ou
Prejuízos Acumulados - DLPA e a Demonstração das Mutações
do Patrimônio Líquido - DMPL, em que aquela demonstrava as
movimentações ocorridas na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados
para o período e esta o Patrimônio Líquido como um todo.

Portanto, neste capítulo 3, faremos uso destes quatro relatórios já estudados


como peças contábeis básicas para a análise e elaboração da Demonstração das
Origens e Aplicações de Recursos.

3.1.1 Conceito e movimentação líquida


A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR é tecnicamente
uma movimentação líquida de entrada (origem) e de saída (aplicação) de recursos.

Outros conceitos:
• origem: é toda operação que aumenta o Capital Capital Circulante Líquido
- CCL
Circulante Líquido - CCL; É a diferença entre o ativo
• aplicação: é a redução do capital circulante circulante menos o passivo
líquido. circulante.

Na Demonstração das Origens e Aplicações de


Recursos - DOAR, não aparece o montante da movimentação de recursos realizados
durante o exercício, aparecem apenas os saldos finais das movimentações de
cada um dos itens representativos de origem ou de aplicação.

Por exemplo, se você aplicou durante o ano $ 5.000,00 na


Alienar
compra de um veículo e o alienou, nesse mesmo período, Transferir para outro
por $ 5.000,00, o que irá constar no balanço patrimonial é a o domínio.
aplicação de $ 5.000,00 na aquisição de veículos.
46 UNIUBE

3.1.2 Grupos circulante e não circulante


Para que possamos aprofundar um pouco mais acerca da aplicabilidade do
presente demonstrativo, os grupos do Ativo e do Passivo devem ser classificados
nos seguintes grupos, ou seja, ativo circulante e ativo não circulante.

Como já sabemos, antes da Lei 11.638/07, estes grupos não eram apresentados
oficialmente na estrutura do Balanço Patrimonial.

Exemplificando!

Quadro1: Balanço
Balanço levantado em Março de 2005
Ativo Passivo
Banco 7.000,00 Fornecedores 2.000,00
Mercadorias 2.500,00 Patrimônio Líquido
Capital Social 4.000,00
Lucro do Exercício 3.500,00

SOMA DO ATIVO 9.500,00 SOMA DO PASSIVO 9.500,00


Fonte: Acervo do autor

Observe, a seguir, uma outra estrutura do balanço patrimonial, agora atendendo à


Lei 11.638/07, a fim de que você possa assimilar as definições de circulante e de
não circulante.
Quadro 2: Nova estrutura do Balanço Patrimonial

Fonte:Acervo do autor.
47 UNIUBE

Note na figura anterior que a nova estrutura proposta pela Lei 11.638/07 já contempla
a divisão dos grupos de contas do balanço patrimonial em circulante e não circulante,
facilitando, dessa forma, a coleta de informações a fim de elaborar a DOAR.

Saiba mais
Para saber mais acesse o link:
<http://www.cpc.org.br/pronunciamentosIndex.php>.

Nesse link você deve ler o Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura


Conceitual, assim como o CPC 13 – Adoção Inicial da Lei 11.638/07.

Após a leitura dos assuntos constantes do link indicado anteriormente, debata


com seus colegas de curso as suas impressões em função da leitura proposta.

Vamos retomar o assunto, dando continuidade ao estudo deste capítulo tratando


da movimentação não válida.

3.1.3 Movimentação não válida


Chamamos de Movimentação não válida a movimentação de valores ocorridos
dentro do Ativo Circulante ou dentro do Passivo Circulante e, ainda, a movimentação
dos grupos Circulantes entre si ou dos grupos Não circulantes.

Alguns exemplos:
a) compra e venda de mercadorias, à vista ou a prazo;
b) pagamento a fornecedores, etc.

3.1.4 Movimentação válida


A movimentação que se dá no demonstrativo são valores que ocorrem entre os
grupos Circulantes e Não Circulantes.

Alguns exemplos:

a. integralização de Capital em dinheiro;


b. lucro distribuído;
c. empréstimos obtidos a longo prazo;
d. empréstimos concedidos a longo prazo.

A fim de complementar os nossos estudos, vamos, a partir de agora, desenvolver


o conceito fundamental do que vem a ser Capital Circulante Líquido (CCL).
48 UNIUBE

3.2 Ativo Circulante Líquido - CCL


É importante que se faça algumas considerações acerca do que vem a ser o
Capital Circulante Líquido - CCL.

Primeiro, é preciso saber que o Capital Circulante Líquido é calculado da seguinte


forma:
Ativo Circulante (AC) - Passivo Circulante (PC).

Todavia, devemos saber que Ativo Circulante é um conjunto de bens e direitos


ordenados sistematicamente de acordo o grau decrescente de liquidez e que o
Passivo Circulante, por sua vez, é ordenado por exigibilidade.

Exemplificando

Balanço levantado em Março de 2005


Ativo Passivo
Banco 7.000,00 Fornecedores 2.000,00
Mercadorias 2.500,00 Patrimônio Líquido
Capital Social 4.000,00
Lucro do Exercício 3.500,00

SOMA DO ATIVO 9.500,00 SOMA DO PASSIVO 9.500,00


Fonte: Acervo do autor.

Vamos aplicar uma fórmula básica:

CCL = AC – PC
em que:
CCL= Capital Circulante Líquido
AC = Ativo Circulante
PC = Passivo Circulante

Resolução do exemplo:
CCL = AC – PC
CCL = $ 9.500,00 - $ 2.000,00
CCL = $ 7.500,00

No exemplo acima, que acabamos por desenvolver, você percebeu que o CCL
é facilmente identificado e/ou calculado confrontando o Ativo Circulante com o
Passivo Circulante.
49 UNIUBE

É a partir desse cálculo, que desenvolveremos a nossa demonstração das origens


e aplicações de recursos.

Um outro procedimento que precisamos adotar, uma vez calculado o Capital


Circulante Líquido - CCL, é a confrontação do CCL inicial com o CCL final para um
determinado período de tempo sob análise.

Exemplificando

Ativo X1 X2 Passivo+PL X1 X2
Ativo Circulante 500,00 1.800,00 Passivo Circulante 300,00 1.500,00
Total Circulante 500,00 1.800,00 Total Circulante 300,00 1.500,00

Cálculos:

X1 X2 Variação
Ativo Circulante 500,00 1.800,00 -
Passivo Circulante 300,00 1.500,00 -
CCL (AC – PC) 200,00 300,00 100,00

Portanto, a fórmula final seria:


CCL inicial - CCL final = Variação do CCL

A demonstração das origens e aplicações de recursos vêm justamente comprovar


essa movimentação de recursos que provocou essa variação positiva ou negativa.

Essa movimentação positiva ou negativa, se dá da seguinte forma:

a. quando o CCL inicial for menor do que o CCL final, a variação será positiva;
b. quando o CCL inicial for maior do que o CCL final, a variação será negativa.

A demonstração em epígrafe procura, justamente, relatar a movimentação de


valores do exercício que tenha provocado essa variação no CCL. Em outras
palavras, todo ingresso (origem) ou saída (aplicação) de recursos provenientes
de outros grupos provocam um aumento ou diminuição do Ativo Circulante ou do
Passivo Circulante.

Essa variação resulta na diferença entre a soma das Origens e das Aplicações
de recursos. Se a soma das Origens for maior, terá ocorrido um aumento do
Ativo Circulante Líquido. Se, por outro lado, a soma das aplicações for maior, terá
ocorrido uma redução do Ativo Circulante Líquido.
50 UNIUBE

Agora que você já sabe o que vem a ser as variações do capital circulante líquido,
assim como o que são origens e aplicações de recursos, vamos, a partir desse
ponto, entender quais são, de forma geral, as principais origens e aplicações.

Para melhor compreender quais movimentações provocam essas alterações para


mais ou para menos, apresentaremos, a seguir, alguns exemplos mais comuns.

3.3 Das Origens de Recursos:


a. lucro ajustado
b. integralização de Capital
c. empréstimos a Longo Prazo
d. alienação de Ativo Nãocirculante
e. ingresso de Reservas de Capital

Vamos às explicações!

Lucro Ajustado
É esquematizado da seguinte forma:

Origens das Operações


Lucro Líquido -------------------------------------------------
(+) Depreciação, Amortização -------------------------------------------------
e Exaustão
(+-) Variação Cambial -------------------------------------------------
(+-) Equivalência Patrimonial -------------------------------------------------
(=) Lucro Ajustado -------------------------------------------------

Lucro Líquido
Constitui para todas as entidades com fins lucrativos a principal fonte (origem)
de recursos. Esta informação é evidenciada na demonstração do resultado do
exercício.

Depreciação, Amortização, Exaustão, Variação Cambial, Equivalência


Patrimonial.

São parcelas lançadas a débito ou a crédito do resultado do exercício, conhecidas


por itens não monetários.
51 UNIUBE
Veja alguns dos mais comuns: Controladas
• equivalência patrimonial: método a) a sociedade que, de seu capital, outra
sociedade possua a maioria dos votos nas
de avaliação de investimentos deliberações dos quotistas ou da assembléia
realizados por uma empresa geral e o poder de eleger a maioria dos
denominada de Investidora administradores;
ou Controladora junto as sua b) a sociedade cujo controle esteja em
poder de outra, mediante ações ou quotas
Controladas ou Investidas, assim possuídas por sociedades ou sociedades
como em sua coligadas de cuja por estas já controladas.
influência seja significativa.
Coligadas
• depreciação, amortização e Sociedades coligadas são aquelas
exaustão. Sendo a depreciação vinculadas a uma ou mais empresas sujeitas
o desgaste sofrido pelo bem em à mesma relação de controle, integrantes
do mesmo grupo econômico.
função de seu uso, a amortização
consiste na alocação sistemática
de valor amortizável de ativo
Influência significativa
intangível e a exaustão se relaciona
Poder de participar de decisões ou
com a perda de valor dos bens ou deliberações operacionais ou financeiras.
direitos do ativo decorrente de sua
exploração.

Variação Cambial: refere-se a atualização ativa e passiva de contratos em moeda


estrangeira.

Saiba mais
Disponível em: <http://www.knoow.net/cienceconempr/contabilidade/
influenciasignificativa.htm>.

Neste site você irá entender melhor acerca do que vem a ser influencia
significativa.

Após a leitura do artigo acima compartilhe essas informações que você leu no
ambiente virtual de aprendizagem.

Assim que você compartilhar no ambiente virtual de aprendizagem, retome a


leitura abaixo:

Integralização de Capital
Consiste em aporte de Capital Social em dinheiro ou promessa (a prazo) pelos
acionistas ou quotistas de uma empresa.
52 UNIUBE

Empréstimos a Longo Prazo


Captação de recursos junto a instituições financeiras com carência para inicio de
pagamento com prazos superiores a 12 meses.

Alienação de Ativo Não Circulante


São aquelas vendas de itens que compõem o ativo não circulante, conforme itens
abaixo:
• venda de bens de uso (tangíveis ou Tangível
intangíveis) e de Investimentos Que pode ser tocado,
Exemplo: máquinas, equipamentos, veículos. apalpado, concreto.
• alienação de Investimentos
Exemplo: participações societárias
Intangível
• alienação de valores do Realizável a Longo
Que não pode ser tocado,
Prazo abstrato.
Exemplo: estoques de mercadorias

Saiba mais
Para saber mais acesse o link <http://www.portaldecontabilidade.com.br/
guia/demonstorigaplirecursos.htm>.

Você encontrará nesta página subsidios suficientes para a elaboração, das


origens e das variações do capital circulante liquido.

Caro aluno, chegamos ao fim do nosso estudo acerca das origens de recursos.

Agora, vejamos de que forma aquelas origens que estudamos serão aplicadas, ou
seja, vamos tratar das aplicações de recursos:

3.4 Aplicações de recursos


Para iniciarmos bem o nosso estudo, é necessário que conheçamos alguns
dos conceitos mais comuns e necessários ao entendimento das aplicações de
recursos:
a. Ágio: é a diferença para mais entre o valor de mercado de bens e direitos
do ativo e o seu respectivo valor contábil.
b. Deságio: desconto, desvalorização.
c. Alienação: transmissão de bens e direitos, que gera registros contábeis
nas contas de vendas ou de doações.
53 UNIUBE

Muito bem, entendido esses três conceitos, vamos iniciar o nosso estudo das
aplicações de recursos.

As principais aplicações de recursos são:

a. resultado ajustado negativo;


b. lucros distribuídos;
c. aumento do ativo não circulante;
d. redução do passivo não circulante.

Acompanhe-me nas explicações.

3.4.1 Resultado ajustado negativo

Os valores a serem ajustados já foram citados no primeiro tópico (origens).

3.4.2 Lucros distribuídos


Dividendos
Nas sociedades anônimas, correspondem É a parcela do lucro apurado pela empresa,
aos dividendos e, nas demais sociedades, que é distribuída aos acionistas por ocasião
ao lucro retirado pelos sócios. do encerramento do exercício social.

Saiba mais
Leia o art. 202, parágrafo 2º, da Lei 6.404/76, Lei das Sociedades Anônimas,
disponível no link:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm>.

3.4.3 Aumento do Ativo Não Circulante


Corresponde à diferença de saldos entre os dois últimos exercícios. Alguns dos
exemplos mais comuns:
a. aquisição de bens de uso;

b. aplicações em investimentos;

c. aumento do Ativo Realizável a Longo Prazo;

d. aumento do Ativo Diferido.


54 UNIUBE

3.4.4 Redução do Passivo Não Circulante


Corresponde à diferença de saldos entre os dois últimos exercícios:
a. diminuição das dívidas a longo prazo;

b. redução do capital social.

Importante

A variação da conta Lucros Acumulados não é abordada na demonstração


das origens e aplicações de recursos, tendo em vista que o resultado líquido
já contempla o resultado da confrontação das receitas x custos x despesas, já
evidenciadas na demonstração do resultado do exercício.

É bom ressaltarmos que o saldo da conta lucros acumulados, de acordo com


que preceitua a Lei 11.638/07, deve ser distribuído ou destinado. Entenda-se por
destinado aqueles saldos que são deliberados para destinação à determinadas
reservas, como por exemplo, reserva orçamentária, reserva para futuro aumento
de capital, dentre outras.

Saiba mais
Para saber mais, acesse o link <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm> em que você encontrará disposições
que alteram ou revogam dispositivos da Lei 6.404/76.

Ao retornar da leitura proposta anteriormente, e sabendo o que são origens,


aplicações, variações de capital circulante líquido e as movimentações que não
a afetam, é chegado o momento de conhecermos a estrutura das Demonstração
das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR.
55 UNIUBE

Quadro 1 - Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR


Origens 31.12.x1 31.12.x2

Resultado Ajustado
Lucro Líquido do Exercício
(+) Depreciação, Amortização e Exaustão
(+) Ajustes de Exercícios Anteriores
Integralização de Capital em Dinheiro

Aumento de Resultado de Exercícios Futuros


Reservas de Capital
Fonte: Acervo do autor.

Saiba mais
Acesse o link:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstorigaplirecursos.htm>.

Nesse link, você irá conhecer a estrutura da demonstração das origens e


aplicações de recursos, assim como de um exemplo proposto.

3.5 A estrutura das Origens e Aplicação de Recursos


Quadro 2- Estrutura das Origens e Aplicação de Recursos
Origens de Recursos: 31.12.20xx
Das operações
Lucro Líquido do Exercício
+ Depreciação, Amortização e Exaustão
+- Variação cambial
+- Equivalência patrimonial
= Lucro Ajustado
Dos acionistas
Integralização de capital em dinheiro
De terceiros
Novos empréstimos
Alienação de itens do imobilizado
Venda de itens de investimentos
Total das Origens
Aplicações de recursos
56 UNIUBE

Aquisição de novos itens do imobilizado


Aquisição de novos investimentos
Pagamento de financiamentos
Distribuição de dividendos
Total das aplicações
Aumento/Diminuição do CCL (origens menos aplicações)
Mutações no Capital Circulante Líquido
Fonte: Adaptado de MARION, 2002, p.423.

Note que a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) tem


por objetivo explicar as variações ocorridas no Capital Circulante Líquido, ocorrida
para um determinado período.

Exemplificando

Grupos 31.12.x1 31.12.x2


Ativo Circulante 2.200 4.500
Passivo Circulante 1.500 3.590
CCL 700 910

Observe o exemplo resolvido:

Ativo Circulante (x1) 2.200,00


Passivo Circulante (x1) 1.500,00
CCL 700,00

Ativo Circulante (x2) 4.500,00


Passivo Circulante (x2) 3.590,00
CCL 910,00
Quadro para cálculo das variações:
X1 X2 Variação
Ativo Circulante 2.200,00 4.500,00 -
Passivo Circulante 1.500,00 3.590,00 -
CCL (AC – PC) 700,00 910,00 210,00
57 UNIUBE
Portanto, conforme o quadro anterior, podemos concluir que a variação ocorrida
gerou uma informação de capital circulante líquido de $ 210,00.

Para finalizarmos, leia, a seguir, a afirmação dos ilustres mestres Iudícibus, Martins
e Gelbcke sobre a demonstração das origens e aplicações de recursos:

“a demonstração das origens e aplicações de recursos evidenciam a procedência


de novos recursos que ingressaram na empresa durante o período contábil e que
afetaram o seu Capital Circulante” (2009, pp. 48-50).

3.6 Conclusão
Aqui terminamos o nosso estudo da demonstração das origens e aplicações de
recursos. É interessante que você dê continuidade aos seus estudos relendo este
capítulo, e que pratique a resolução de todos os exercícios propostos.

Até o nosso próximo capítulo no qual trataremos da Demonstração do Fluxo de


Caixa - DFC.

Bons estudos!

Resumo
Até 31.12.2007, a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR
era obrigatória para as companhias abertas e para as companhias fechadas com
Patrimônio Líquido na data do Balanço Patrimonial superior a $ 1.000.000,00.

Entretanto, com o advento da Lei 11.638/07, passando a vigorar a partir de 01.01.2008,


a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR tornou-se inexigível.

É importante ressaltar que a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos


- DOAR refletem as modificações na posição financeira da entidade.

A demonstração das origens e aplicações de recursos mostra, também, a aplicação


de novos recursos de diferentes formas em determinado período.

As principais origens são lucros obtidos nas operações, aumento de capital em


dinheiro, novos empréstimos, dentre outras.

Quanto às aplicações, podemos subdividi-las na aquisição de ativos não


circulantes, distribuição de dividendos, pagamento de obrigações de longo prazo,
dentre outras.

E, a partir dessas informações, as confrontá-las, encontramos ou o excesso de


origens sobre as aplicações ou a falta dela.
58 UNIUBE

Devemos considerar que a DOAR pode ser elaborada em duas etapas:


1ª) separando o ativo circulante do passivo circulante e calculando o CCL e, em
seguida, suas variações;

2ª) calculando a variação dos itens não circulantes calculando o que é origem e o
que é aplicação que afetam o CCL.

Ressalte-se que Capital Circulante Líquido - CCL é a diferença entre o ativo


circulante (disponível, contas a receber, estoques, dentre outros) e o passivo
circulante (fornecedores, contas a pagar e outras exigibilidades do exercício
seguinte) para um determinado período.

Assim, de forma mais abrangente, a Demonstração das Origens e Aplicações de


Recursos - DOAR indicará as modificações na posição financeira da companhia,
discriminando:
a) as variações ocorridas no capital circulante líquido, durante um determinado
exercício;
b) a avaliação da capacidade de pagamento das obrigações de curto prazo.

E, por fim, você aprendeu que as origens recursos representam o aumento e


as aplicações de recursos representam a redução do Capital Circulante Líquido
(CCL), respectivamente.

Leituras
Depende de você o avanço e o aprofundamento do relatório aqui tratado, qual
seja, a demonstração das origens e aplicações de recursos, denominada pela
sigla DOAR.

É oportuno ressaltar que, de acordo com a Lei 6.404/76 e a Lei 11.638/07, o


referido relatório sofreu significativa alteração.

Cabe a você, a partir do término deste capítulo, ler a legislação acima


proposta assim como os pronunciamentos contábeis emanados do comitê de
pronunciamentos contábeis – principalmente, o pronunciamento conceitual básico
– estrutura conceitual – que você encontrará no link <http://www.cpc.org.br/
pronunciamentosIndex.php>.

Além disso, você recebeu o livro customizado MARION, José Carlos. Contabilidade
Empresarial. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2009. No Capítulo 19 – Demonstração
das Origens e Aplicações de Recursos(DOAR) (Demonstração não obrigatória
por lei), páginas de 81 a 110. Nesse capítulo, o autor aborda a demonstração das
origens e aplicações de recursos mostrando a você a procedência de novos recursos
que ingressaram na entidade empresarial e que substancialmente afetaram
59 UNIUBE

o Capital Circulante. Ele ainda mostra quais aplicações de novos recursos são
utilizadas de diferentes formas naquele mesmo período, elencando as principais
Origens, assim como as Aplicações de Recursos e aquelas que não afetam. É,
também, tratado no texto sobre as fases da elaboração da DOAR.

Bom estudo.

Atividades
Caro aluno, é de fundamental importância que você resolva todas as atividades.
Caso ainda persistam dúvidas quanto às atividades aqui propostas, retorne ao
capítulo e leia-o novamente.

Atividade 1
Uma determinada empresa que possui como atividade principal de compra e
venda de móveis de luxo, apresentou os seguintes dados, do balanço patrimonial
encerrados em x0 e x1, respectivamente:
20X0 20X1
Ativo Circulante $ 400 $ 300
Passivo Circulante $ 200 $ 150

Assinale a alternativa correta que contenha a variação do Ativo Circulante


Líquido:
a) ( ) +100
b) ( ) +30
c) ( ) 50
d) ( ) +50
e) ( ) -20

Atividade 2
Sabemos que a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos evidencia
a procedência de novos recursos que ingressaram na empresa durante um
determinado período e afetam positiva ou negativamente o Capital Circulante.

Desta forma, assinale, a seguir, a alternativa que modifica para mais ou para
menos a origem ou a aplicação de recursos constantes da DOAR:
a) venda de mercadorias à vista.
b) compra de mercadorias a prazo.
c) pagamento de duplicatas.
d) venda de bens de uso à vista.
e) desconto de duplicatas.
60 UNIUBE

Atividade 3

Dentre as alternativas a seguir indique qual se trata de origem ou de aplicação:


a) aumento do Ativo Não Circulante
____origem
____aplicação

b) aumento do Passivo Não Circulante


____origem
____aplicação

c) diminuição do Ativo Não Circulante


____origem
____aplicação

d) diminuição do Passivo Não Circulante


____origem
____aplicação

Atividade 4
Elabore a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, utilizando
somente os dados dos Balanços Patrimoniais comparativos, da Cia. Vale Verde,
de capital aberto, discriminado a seguir, relativo aos anos findos em X2 e X3,
respectivamente:
BALANÇO PATRIMONIAL
Ativo 31.12.X2 31.12.X3
Ativo Circulante 1.170 2.420
Disponível 300 600
Clientes 150 450
Estoques 700 1.200
Despesas do Exercício Seguinte 20 170
Ativo não Circulante
Realizável a Longo Prazo 200 450
Ativo Permanente 2.840 3.398
Investimentos 700 745
Imobilizado 2.140 2.683
Intangível 140 210
TOTAL DO ATIVO 4.210 6.298
61 UNIUBE

Passivo + P. Líquido 31.12.x2 31.12.x3


Passivo Circulante 990 1.450
Empréstimos bancários 800 950
Fornecedores 50 150
Contas a pagar 60 100
Provisão para Imposto de Renda 80 250
Passivo não Circulante
Exigível a Longo Prazo 210 1.530
Empréstimos e financiamentos 210 1.530
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.010 3.318
Capital 1.800 2.200
Reservas de Capital 240 240
Reservas de lucros 970 878
Lucros Acumulados 410 418
TOTAL DO PASSIVO+ 4.210 6.298
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Fonte: Acervo do autor.

Atividade 5
As alternativas, a seguir, representam operações que ora afetam as origens ou
aplicações de recursos, por isso, fazem parte da Demonstração das Origens e
Aplicações de Recursos - DOAR. Sendo assim, assinale a alternativa correta, que
afeta o Capital Circulante Líquido - CCL:
a) aquisição de bens do Ativo Permanente (Investimentos ou Imobilizado)
adquiridos à vista;
b) vendas de bens do Ativo Permanente Recebível a Longo Prazo;
c) ágio (ganho) na emissão de ações, pelo valor efetivamente integralizado no
período;
d) integralização de Capital em Bens do Ativo Permanente no período;
dividendos propostos para pagamento a longo prazo.

Referências

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por


ações: aplicável às demais sociedades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas,
2009.
DFC - DEMONSTRAÇÃO

4 DO FLUXO DE CAIXA: UMA


ABORDAGEM CONTÁBIL
PELO MÉTODO INDIRETO
Marco Antonio de O. Caetano

Introdução
Seja bem-vindo a um novo capítulo da Contabilidade intermediária.

Vamos dar início nesse capítulo ao estudo da Demonstração do Fluxo de Caixa


- DFC, mostrando-lhe didaticamente o porquê da sua elaboração e quais valores
a compõem.

Por se tratar de informações que são coletadas contabilmente, essa demonstração


também é elaborada, como as demais estudadas em capítulos anteriores, a partir
da extração de dados da escrituração contábil, ou seja, do Balanço Patrimonial
- DP, da Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, e outros.

É de se notar que toda informação gerada pela empresa será medida sob a ótica
da geração de dados para fins de tomada de decisões por parte do usuário da
informação.

Dessa forma, podemos identificar a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC


como um dos relatórios contábeis obrigatórios que irão complementar o Balanço
Patrimonial - BP, a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL e Demonstração dos Lucros ou
Prejuízos Acumulados - DLPA, a fim de complementar um conjunto harmonioso
e eficaz de informações na tomada de decisões.

Portanto, a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC vem contribuir com


informações complementares às demonstrações financeiras tradicionais,
incluindo-se aí os chamados equivalentes de caixa, ou seja, as aplicações
financeiras de curto prazo e alta liquidez.

É ainda importante lembrá-lo de que a Lei 11.638/07 trouxe uma importante


alteração, qual seja, esse demonstrativo passou a ser obrigatório para as
companhias fechadas com patrimônio líquido superior a 2 milhões de reais.
Para aprofundar seus conhecimentos, propomos, ao final do capítulo,
referências que contribuirão significativamente para seu crescimento acadêmico
e profissional.
64 UNIUBE

Dessa forma, convido o a iniciarmos o estudo da demonstração do fluxo de caixa,


abordada ao longo desse capítulo.

Conto com a sua dedicação para que, juntos, possamos compreender a essência
da demonstração do fluxo de caixa.

Bom estudo!

Objetivos
Após o estudo do presente capítulo, você deverá estar apto a:

• coletar dados e informações constantes em outros relatórios contábeis,


especificamente o Balanço Patrimonial - BP e a Demonstração do Resultado
do Exercício - DRE;
• elaborar a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC pelo método indireto;
• relacionar a Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC com outros relatórios
contábeis.

Esquema
65 UNIUBE
4.1 Noções iniciais sobre a Demonstração do Fluxo de Caixa
– DFC

A DFC é uma peça contábil destinada a evidenciar as transações ocorridas em um


determinado período e que provocam modificações na posição do disponível.

Desta forma, fica evidente que esta demonstração refletirá o fluxo de dinheiro ou
de recursos na empresa, evidenciando as suas disponibilidades nas contas:
a) caixa (dinheiro disponível na empresa);
b) bancos (dinheiro em poder de estabelecimentos bancários);
c) aplicações financeiras (dinheiro destinado a aplicações no mercado
financeiro).

Portanto, a demonstração do fluxo de caixa compreende a movimentação de


entradas e saídas de dinheiro para um determinado período de tempo. Um
dos exemplos mais comuns, classificados como entrada ou saída de recursos,
são as movimentações financeiras. Um outro exemplo, também comum, são as
aplicações financeiras de curto prazo.

Para que possamos conhecer um pouco mais acerca da Demonstração do Fluxo


de Caixa - DFC, vamos dar o primeiro passo em direção ao entendimento
desta demonstração. Em primeiro lugar, vamos às movimentações possíveis no
grupo disponível.

Veja, no quadro, a seguir, os reflexos no saldo do “Disponível”, decorrentes das


movimentações ocorridas nas demais contas do Ativo Circulante e Ativo Realizável
a Longo Prazo, do grupo das contas Não Circulantes.

Quadro 1- Reflexos no saldo do “Disponível” e Movimentações

Movimentações Reflexos no “Disponível”


Aumento nas contas do Ativo Circulante e Ativo
Diminui o disponível
Não Circulante Realizável a Longo Prazo
Redução nas contas do Ativo Circulante e Ativo
Aumenta o disponível
Não Circulante Realizável a Longo Prazo
Aumento nas contas do Passivo Circulante
e Passivo Não Circulante Exigível a Longo Aumenta o disponível
Prazo
Redução nas contas do Passivo Circulante
e Passivo Não Circulante Exigível a Longo Diminui o disponível
Prazo
66 UNIUBE

Para darmos continuidade ao raciocínio proposto no quadro anterior, observe, no


esquema proposto, a seguir, uma outra forma de se enxergar as alterações que
ocorrem no “Disponível” a partir de movimentações que impactam diretamente os
grupos do Ativo e Passivo Circulante.

Esquema 1: Alterações no Disponível

Fonte: acervo do autor

4.1.1 Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC


A Demonstração do Fluxo de Caixa pode ser apresentada de dois métodos, ou
seja, pelo método indireto e pelo direto.

Ela é composta, também, por quatro grupos distintos, quais sejam:

• disponibilidades: composta por caixa, bancos, aplicações financeiras, entre


outras;
• atividades operacionais: são aquelas pertinentes à atividade fim;
• atividades de investimentos: é aquela relacionada com investimentos da
empresa;
• atividades de financiamentos: é aquela a qual se refere aos empréstimos e
financiamentos captados de terceiros.

Vale lembrar que o método indireto é a demonstração dos recursos que provêm de
atividades operacionais partindo do lucro líquido do exercício, ajustado por itens
que afetam o resultado, alguns exemplos, depreciação, amortização, exaustão e
equivalência patrimonial, conhecidos por itens não monetários.

Conforme CPC 03, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, o modelo proposto


de Fluxo de Caixa é o demonstrado, a seguir:
67 UNIUBE

Quadro 2- Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo Método Indireto

Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo


Método Indireto
20X2

Fluxos de caixa das atividades operacionais


Lucro líquido antes do imposto de renda e contribuição social 3.350
Ajustes por:
Depreciação 450
Perda cambial 40
Renda de investimentos (500)
Despesas de juros 400
3.740
Aumento nas contas a receber de clientes e outros (500)
Diminuição nos estoques 1.050
Diminuição nas contas a pagar – fornecedores (1.740)
Caixa proveniente das operações 2.550
Juros pagos (270)
Impostode renda e contribuição social pagos (800)
Impostode renda na fonte sobre dividendos recebidos (100)

Caixa líquidoproveniente das atividades operacionais 1.380

Fluxos de caixa das atividades de investimento


Aquisição da controlada X menos caixa líquido
incluídona aquisição (Nota A) (550)
Compra de ativo imobilizado (Nota B) (350)
Recebimento pela venda de equipamento 20
Juros recebidos 200
Dividendos recebidos 200

Caixa líquidousado nas atividades de investimento (480)

Fluxos de caixa das atividades de financiamento


Recebimento pela emissão de ações 250
Recebimento por empréstimos a longo prazo 250
Pagamento de obrigação por arrendamento (90)
Dividendos pagos* (1.200)

Caixa líquidousado nas atividades de financiamento (790)

110
Aumento líquido de caixa e equivalente de caixa
Caixa e equivalente de caixa no início do período 120
Caixa e equivalente de caixa no fim do período 230

(*) – Esse valor também pode ser apr esenta do no fluxo de caixa da s
atividades operacionais.

Fonte: CPC03 – Comitê de Pronunciamentos Contábeis (Abril, 2008)


(disponível em: http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_03.pdf)
68 UNIUBE

Após conhecermos a estrutura da demonstração do fluxo de caixa elaborada pelo


método indireto, acesso o link, a seguir:

Saiba mais
Acesse o link <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_03_R1.pdf> onde você irá
encontrar informações que o auxiliarão no entendimento da demonstração do
fluxo de caixa.

Importante

Sabemos que os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são


oriundos basicamente das principais atividades geradoras de receita. Sendo
assim, e só após a leitura do link anterior, descreva quais atividades são
oriundas das atividades principais, e compartilhe-as no ambiente virtual de
aprendizagem.

A partir de agora, vamos estudar as variações ocorridas no Caixa de empresa.


Vale lembrar que o termo Caixa será utilizado para fins didáticos como o grupo
de disponibilidades do Balanço Patrimonial, evidenciados no Ativo Circulante, ou
seja, será a soma das seguintes contas: caixa, bancos e aplicações financeiras.

Como sabemos, as Demonstrações Contábeis estabelecidas pela Lei 6.404/76 são:


Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração
dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, a Demonstração de Origens e Aplicações
de Recursos, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, já estudadas
em capítulos anteriores.

Conforme dito anteriormente, a DFC passou a ser obrigatória a partir de 2008, mas,
mesmo antes da sua instituição legal, ela já era considerada um demonstrativo de
extrema importância.

Complementando aquelas demonstrações contábeis, a DFC vem nos informar a


origem e aplicações de recursos refletidas no fluxo financeiro.
69 UNIUBE

Exemplificando!

Balanço Patrimonial
Circulante 31.12.x0 31.12.x1
Disponível 1.000.000 3.000.000

Diante desse fragmento extraído de um determinado Balanço Patrimonial, é possível


percebermos que a disponibilidade para um dado momento é, respectivamente,
de $ 1.000.000 e $ 3.000.000.

A partir da informação do quadro anterior é possível abordar a seguinte questão:


Quais foram as razões que poderiam justificar aquela variação, ou seja, o aumento
das disponibilidades de um exercício social para o outro em 2 milhões?

Para iniciarmos as explicações, precisamos calcular a variação do disponível.


Essa variação do disponível se dá a partir da confrontação dos saldos inicial com
os finais constantes do balanço patrimonial, e, a partir daí, separando-se do que
vem a ser atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de
financiamento. Desta confrontação, somam-se as entradas, subtraindo-as das
saídas.

É importante salientar que a DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa, vem também


esclarecer situações controvertidas quando comparada com a Demonstração do
Resultado do Exercício - DRE.

Para exemplificarmos, imagine uma determinada empresa que apresente a


seguinte situação hipotética, de acordo com determinados trechos do balanço
patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, hipotéticos:

Exemplificando!

Balanço Patrimonial
Ativo $
Circulante 10.000,00
Disponível 2.700,00
70 UNIUBE
Demonstração do Resultado do Exercício
$
Receita Bruta 25.000,00
(-) Custos 10.000,00
(=) Lucro Bruto 15.000,00
(-) Despesas Operacionais 20.000,00
(=) Prejuízo Líquido do Exercício (5.000,00)

Ao indagarmos acerca dos dois relatórios apresentados anteriormente, poderíamos


nos questionar acerca da seguinte situação. É possível termos saldos positivos de
disponibilidades e a empresa, mesmo assim, apresentar prejuízos?

Evidentemente, que isso é possível. Leve em consideração de que o Balanço


Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício são elaborados a partir
da aplicação do princípio da competência dos exercícios e que a Demonstração
do Fluxo de Caixa é elaborado aplicando-se o Regime de Caixa.

4.1.2 Desvendando a elaboração da DFC


Para munir você de informações, a fim de que você compreenda o que acabamos
de expor anteriormente, veja como se dá a elaboração da Demonstração do Fluxo
de Caixa - DFC.

A Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC pode ser elaborada da seguinte


forma:

Primeiro, de posse do livro Razão Geral da empresa, ordene as operações de


acordo com a sua natureza.

Segundo, de posse dos relatórios contábeis, aplique o método indireto.

Mas, atenção, em razão da praticidade, adotaremos a “segunda” forma como


método, tendo em vista que nos propicia a vantagem da elaboração da DFC para
qualquer empresa, sem necessidade de acesso à contabilidade.

Mas, é interessante notar que o Comitê de Pronunciamento Contábil - CPC aprovou


o Pronunciamento Técnico CPC 03 sobre a matéria, aprovado pela Deliberação
CVM n. 547/08 e pela Resolução CFC n. 1.125/08. Segundo esse pronunciamento
técnico, não há a exigência, mas aconselha a classificação dos juros, recebidos
ou pagos, e os dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos como fluxos de
caixa das atividades operacionais e quanto aos dividendos pagos e juros sobre o
capital próprio pagos, encorajados a serem destacados como fluxos de caixa das
atividades de financiamento.
71 UNIUBE

Importante
É importante atentar-se para o fato de que é utilizado o conceito de Equivalente
de Caixa. Equivalente de Caixa pode ser entendido como aplicações financeiras,
de alta liquidez, ou ainda que não estão sujeitas a riscos de alterações bruscas
de valor. Mas cuidado, quando as aplicações são de médio e longo prazo
quando próximas de seu vencimento não são classificadas em equivalentes
de caixa.

Entretanto, precisamos conhecer as principais transações que afetam o Caixa ou


Equivalente de Caixa:
a) transações que aumentam o Caixa (Disponível);
b) transações que diminuem o Caixa (Disponível);
c) transações que não afetam o Caixa (Disponível).
Mas, atenção!
Vale lembrar que há transações que, a princípio, não afetam o caixa, mas que, no
futuro, afetarão.
Veja alguns exemplos:
• compra de matéria-prima a prazo, que gera Fornecedores (não afeta o
caixa);
• venda de mercadorias a prazo, que gera Clientes (não afeta o caixa).

Acompanhe-me na exposição das seguintes transações, com exemplos:


a) transações que aumentam o Disponível
• Integralização do Capital pelos sócios ou acionistas.
• Empréstimos bancários e Financiamentos.
• Venda de itens do Ativo Permanente.
• Vendas a Vista e Recebimento de Clientes.

b) Transações que diminuem o Disponível


• Pagamento de Dividendos aos Acionistas.
• Pagamento de Juros, Amortização de Dívidas.
• Aquisição de Itens do Ativo Permanente.
• Pagamento de Despesas, Custos.
72 UNIUBE

c)Transações que apesar de promoverem alterações nos saldos do ativo e do


passivo não afetam o Caixa ou Equivalente de Caixa, conhecidos como itens
não monetários.
• Depreciação
• Amortização
• Exaustão
• Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa
• Diminuições ou Acréscimos de itens de investimentos avaliados pelo método
da equivalência patrimonial.

4.2 Explorando a técnica de elaboração da DFC


Caro aluno, dados os primeiros passos, vejamos agora a técnica de elaboração da
Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC pelo método indireto.

Veja um recorte das Demonstrações Contábeis hipotéticas da empresa ABC SA,


a seguir elencadas.

Vejamos como se dá a elaboração da DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa,


levando-se em consideração apenas os trechos destacados.

Aqui, os principais relatórios ou peças contábeis utilizadas para a elaboração da


Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC, pelo método indireto.

a) Balanço Patrimonial
b) Demonstração do Resultado do Exercício
c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados
73 UNIUBE
Quadro 3- Balanço Patrimonial
2º Trim/
1º Trim/X1 2º Trim/X1 1º Trim/X1 X1
Ativo Circulante 3.000,00 3.750,00 Passivo Circulante 2.000,00 3.470,00
Disponível 1.500,00 2.300,00 Fornecedores 1.000,00 2.000,00
Clientes 500,00 1.000,00 Emprest. Banc. 1.000,00 1.470,00
Estoques 1.000,00 450,00 Imp. A Recolher

Ativo não Passivo não


Circulante 3.500,00 6.820,00 Circulante 4.500,00 7.100,00
Investimentos Patrim. Líquido
Partic.
Societ. 500,00 2.640,00 Capital

Social 4.500,00 6.000,00

Imobilizado Lucros
Móv. E
Utens. 1.200,00 1.500,00 Acuml. 0,00 1.100,00

Terrenos 2.000,00 3.000,00

Deprec.
Acuml. (200,00) (320,00)

Total 6.500,00 10.570,00 Total 6.500,00 10.570,00


Fonte: Adaptado de Marion (2009, p.454).
Quadro 4- Demonstrativos Complementares
DMPL 2º Trim/X1 DRE 2º Trim/X1
Receita líquida 10.000,00
Saldo em 01/01/X1 0,00
(-) CMV (5.500,00)
(+) Lucro do período 1.950,00
Lucro Bruto 4.500,00
(-) Distr. De Dividend. (850,00)
Saldo em 31/03/X1 1.100,00 (-) Desp. Operac. (1.500,00)
Vendas (500,00)
Admin. (380,00)
Depreciação (120,00)
Outras (500,00)
Lucro Operacional 3.000,00
(-) Prov. P/ IRPJ (1.050,00)
Lucro Líquido 1.950,00

Fonte: Adaptado de Marion (2009, p.454).


74 UNIUBE
De posse dos relatórios elencados, elaboramos a Demonstração do Fluxo de Caixa
- DFC pelo método direto e indireto, a fim também de ilustrar aquele, adotando os
seguintes procedimentos:

Primeiro, apuramos a variação ocorrida no disponível de um exercício para outro, e,


em seguida, desmembramos os recebimentos de clientes; comparando-as com as
vendas realizadas durante todo o período e em seguida adicionamos ao saldo de
clientes do exercício anterior e subtraímos do saldo de clientes do exercício atual.

Em seguida, partimos para a apuração dos empréstimos bancários, comparando


o exercício anterior com o atual.

Quanto ao aumento de capital, também comparamos o exercício atual com o exercício


anterior, daí resultando a variação positiva em aumento de capital em dinheiro.

Com a aquisição de móveis e utensílios, imóveis e participações em outras


empresas, utilizamos a mesma técnica anterior.

Quanto às compras, utilizamos a fórmula do CMV=EI+C-EF, isolamos a variável


compras, e, em seguida, adicionamos ao saldo de fornecedores do exercício
anterior e deduzimos do saldo do exercício atual.

Em relação as despesas, adotamos as mesmas técnicas anteriormente


discriminadas.

Diante de tais informações, veja, a seguir, a identificação dos fluxos e respectivas


fontes de informações, assim como da Demonstração dos Fluxos de Caixa - DFC
pelo método direto e pelo indireto.

Então, vejamos:

Quadro 5- Identificação dos Fluxos e Respectivas Fontes de Informações


Saldo inicial de caixa 1.500,00

(+) ENTRADAS 11.470,00


1. Recebimento de Vendas (Vendas - Var. de Clientes) 9.500,00
2. Empréstimos bancários (Var. de empréstimos) 470,00
3. Aumento do Capital Social (Integralização) 1.500,00
(-) SAÍDAS (10.670,00)
4. Aquisição de móveis e utens. (Var. de Móveis e Utens.) (300,00)
5. Aquisição de terrenos (Var. de Terrenos) (1.000,00)
6. Investimentos e outras entidades (Var. de Partic. Societ) (2.140,00)
7. Pagamentos de Compras [(C= CMV - EI + EFS - Var. de Fornec.] (3.950,00)
8. Pgto. Desp. De Vendas (DRE) (500,00)
9. Pgto. Desp. Adm. (DRE) (380,00)
75 UNIUBE

10. Pgto. Outras desp. (DRE) (500,00)


11. Pgto. de IRPJ s/ lucro (DRE) (1.050,00)
12. Pgto. de dividendos (DMPL) (850,00)
Saldo final de caixa 2.300,00
Fonte: Adaptado de Marion (2009,p.462).

Quadro 6- Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo Método Direto


Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo Método Direto
Fluxo de caixa das atividades operacio-
nais
(+) Recebimento de Vendas 9.500,00
(-) Pagamento de Compras (3.950,00)
(-) Pgto. desp. de vendas (500,00)
(-) Pgto. desp. adm. (380,00)
(-) Pgto. outras desp. (500,00)
(-) Pgto. de IRPJ s/lucro (1.050,00)
Caixa líquido proveniente das ativida- 3.120,00
des operacionais

Fluxos de caixa das atividades de inves-


timentos
(-) Aquisição de móveis e utens. (300,00)
(-) Aquisição de terrenos (1.000,00)
(-) Investimentos e outras entidades (2.140,00)
Caixa líquido proveniente das ativida- (3.440,00)
des de investimentos

Fluxos de caixa das atividades de finan-


ciamentos
(+) Empréstimos bancários 470,00
(+) Aumento/Integralização do Capital 1.500,00
Social
(-) Pgto. de dividendos (850,00)
Caixa líquido proveniente das ativida- 1.120,00
des de financiamentos

Aumento líquido de caixa 800,00

Caixa no início do período 1.500,00


Caixa no fim do período 2.300,00
Aumento líquido de caixa 800,00

Fonte: Adaptado de Marion (2009, p.463).


76 UNIUBE

Quadro 7- Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo Método Indireto


Demonstração dos Fluxos de Caixa pelo Método Direto
Fluxo de caixa das atividades opera-
cionais
Lucro antes do IRPJ e da CSLL 3.000,00
Ajustes por:
(+) Depreciação 120,00
(=) Lucro antes do IRPJ e da CSLL 3.120,00
Ajustado
(-) Aumento do contas a receber (500,00)
(+) Diminuição dos Estoques 550,00
(+) Aumento de Fornecedores 1.000,00
(-) Pgto. de IRPJ s/lucro (1.050,00)
Caixa líquido proveniente das ativi- 3.120,00
dades operacionais

Fluxos de caixa das atividades de


investimentos
(-) Aquisição de móveis e utens. (300,00)
(-) Aquisição de terrenos (1.000,00)
(-) Investimentos e outras entidades (2.140,00)
Caixa líquido proveniente das ativi- (3.440,00)
dades de investimentos

Fluxos de caixa das atividades de


financiamentos
(+) Empréstimos bancários 470,00
(+) Aumento/Integralização do Capital 1.500,00
Social
(-) Pgto. de dividendos (850,00)
Caixa líquido proveniente das ativi- 1.120,00
dades de financiamentos

Aumento líquido de caixa 800,00

Caixa no início do período 1.500,00


Caixa no fim do período 2.300,00
Aumento líquido de caixa 800,00

Fonte: Adaptado de Marion (2009, p. 463).


77 UNIUBE

Saiba mais
Para saber mais, acesse o link:

<http://www.administracaovirtual.com/financas/downloads/apostilas/2/Fluxo_
CaixaParte_1.pdf>.

Neste link, você entenderá, passo a passo, a estruturação e montagem da


demonstração do fluxo de caixa, com exemplos didáticos que se aplicam a toda
elaboração da DFC.

Após a leitura do artigo anterior, compartilhe no ambiente virtual de aprendizagem


as informações necessárias à elaboração da DFC.

4.3 Conclusão
A Demonstração do Fluxo de Caixa resume num só relatório contábil as variações
ocorridas no grupo de disponibilidades do ativo circulante que aqui denominamos
de Caixa e Equivalente de Caixa (bancos).
Desta forma podemos evidenciar de que as entradas para o disponível são:
• recebimento de vendas
• aumento de obrigações por empréstimos ou financiamentos

E para as saídas:
• pagamento de compras
• diminuição de obrigações por empréstimos ou financiamentos

Assim a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC nos indica as movimentações


de entrada e saída, ocorridas em disponibilidades (caixa e equivalente de caixa)
subdivididas em três grupos:
• fluxo das operações
• fluxo dos financiamentos
• fluxo dos investimentos.
78 UNIUBE

Resumo

Neste capítulo, desenvolvemos o estudo da Demonstração do Fluxo de Caixa -


DFC. É importante ressaltar que essa demonstração retrata a movimentação ou
mutação ocorrida durante um determinado período de tempo. Essas movimentações
se dão sob três pontos, ou seja, sob a ótica das operações, dos financiamentos
e dos investimentos. É claro que essa movimentação se dá tanto pelas entradas
quanto saídas.

E, ainda, de forma condensada, a mesma apresenta a origem do dinheiro que


entrou no Caixa, assim como de sua aplicação, ou seja, o resultado do fluxo
financeiro. Assim como a Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, a
Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC também é uma demonstração dinâmica
que está contida no Balanço Patrimonial -BP.

Nunca é demais ressaltar que a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC é


elaborada mediante um modelo sugerido para que possamos de forma lógica no
acompanhamento das movimentações financeiras das empresas.

Logo, podemos perceber, da sua enorme importância como ferramenta de gestão,


que permite ao Gestor da empresa para que o mesmo possa acompanhar o
progresso ou não de questões financeiras da organização, e ao mesmo tempo,
utilizar das mesmas como ferramenta estratégica das ações que permitirão um
crescimento da organização.

Portanto, podemos sintetizar que a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC,


pode ser elaborada de duas formas, a primeira de posse do Caixa de acordo
com os documentos que ali estão e separados de acordo com a sua natureza e,
em seguida, condensando-os; a segunda, de posse dos relatórios contábeis ou
financeiros, lançando mão da técnica do método indireto.
79 UNIUBE

Leituras

Caro aluno, depende de você o avanço e o aprofundamento do relatório aqui


tratado, qual seja, a DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa.

É oportuno ressaltar que, de acordo com a Lei 6.404/76, que você encontrará
nesses links <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm>, assim
como do teor da Lei 11.638/07 <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/Lei/L11638.htm>, a fundamentação legal da referida demonstração
financeira.

Entretanto, a legislação anteriormente indicada não é suficiente à complementação


de seus estudos. É preciso avançar e pesquisar um pouco mais. É conveniente
que você leia, com a devida cautela e atenção, o pronunciamento do Comitê
de Pronunciamentos Contábeis, especificamente o Pronunciamento Conceitual
Básico, conforme link <http://www.cpc.org.br/pdf/pronunciamento_conceitual.
pdf> e, logo em seguida, o pronunciamento <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_03_
R1.pdf> que trata da DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa propriamente dito.

Para enriquecer seu material, você recebeu o livro customizado MARION, José
Carlos. Contabilidade Empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009. No capítulo
18 – Demonstração dos Fluxos de Caixa (Demonstração do Fluxo Financeiro),
páginas de 111 a 140, o autor aborda a Demonstração do Fluxo de Caixa,
descrevendo o relatório como catalisador das variações do Disponível da empresa
(Caixa + Bancos), que geralmente são constituídas por recebimentos de vendas,
aumento de obrigações passivas, aumento de Capital em dinheiro, diminuições de
itens de Ativo, dentre outras.

Nessa mesma obra, o autor continua abordando e identificando o que normalmente


constituem saída: os pagamentos de compras, diminuições das obrigações
passivas, aumentos de itens do Ativo quando há aquisições, dentre outras.

E, para finalizar, é preciso conhecer outras ferramentas de estudo, tais como


revistas, entrevistas, visitas a empresas, a fim de despertar-lhe a busca pelo novo
e, acima de tudo, pelo crescimento profissional e pessoal.

Boa Leitura!
80 UNIUBE

Atividades
Caro aluno, é de fundamental importância que você resolva todas as atividades
sem consultar o referencial de respostas, só o fazendo no final. Caso ainda persista
dúvidas quanto às atividades, retorne à unidade didática e, só depois, retorne às
resoluções:

Atividade 1
Com os dados do Balanço Patrimonial da Cia. Vale Verde, de capital aberto,
elabore a Demonstração do Fluxo de Caixa(DFC) para o ano findo em X3:

BALANÇO PATRIMONIAL - BP
Ativo 31.12.X2 31.12.X3
ATIVO CIRCULANTE 1.170 2.420
Disponível 300 610
Clientes (líquido) 150 450
Estoques 700 1.200
Despesas do Exercício 20 170
Seguinte
ATIVO NÃO CIRCULANTE
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 200 450

ATIVO PERMANENTE 2.840 3.398


Investimentos 700 745
Imobilizado 2000 2.473
Intangível 140 210
TOTAL DO ATIVO 4.210 6.298
81 UNIUBE

Passivo + P.Líquido 31.12.x2 31.12.x3


PASSIVO CIRCULANTE 990 1.450
Empréstimos bancários 800 950
Fornecedores 50 150
Contas a pagar 60 100
Provisão para Imposto de 80 250
Renda
NÃO CIRCULANTE
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 210 1.530
Empréstimos e 210 1.530
?nanciamentos

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.010 3.318


Capital 1.800 2.200
Reservas de Capital 240 240
Reservas de lucros 560 460
Lucros Acumulados 410 418
TOTAL DO PASSIVO+
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 4.210 6.298

DRE
RECEITA BRUTA 1.000,00
(-) CMV (720,00)
(=) Lucro Bruto 280,00
(-) Despesas Administrativas (270,00)
(=) Resultado do Exercício 10,00

Atividade 2
Nas operações que envolvem especificamente os fluxos de caixa e a sua
demonstração, enumere as principais transações que:

a. aumentam o Disponível;
b. diminuem o Disponível;
c. não afetam o Disponível.
82 UNIUBE

Atividade 3
Cite quais são as demonstrações contábeis básicas, que servirão como fonte de
informações, a fim de subsidiar a elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa.

Atividade 4
Assinale com um (x) a operação, que no momento da sua ocorrência, afeta
imediatamente o caixa de uma entidade qualquer, provocando uma variação
positiva.

a. ( ) reavaliação de ativos;
b. ( ) venda a prazo;
c. ( ) vendas à vista;
d. ( ) compra a prazo;
e. ( ) reconhecimento da depreciação.

Referências
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Introdutória. 9. ed. São Paulo:
Atlas, 1998.

MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 15. ed. São Paulo:


Atlas, 2009.
INTRODUÇÃO AO
BALANÇO SOCIAL E À

5 DEMONSTRAÇÃO DO
VALOR ADICIONADO - DVA
Marco Antonio de O. Caetano

Introdução
Seja bem-vindo, mais uma vez, ao estudo da Contabilidade intermediária.

Convido-o a iniciar seus estudos, nesse capítulo, intitulado Introdução ao


Balanço Social e à Demonstração do Valor Adicionado – DVA, mostrando-lhe
didaticamente o porquê da sua elaboração e que valores os compõem.

Será abordada ainda a formação da riqueza produzida pela empresa para


um determinado período e a sua respectiva distribuição.

Por se utilizar, também, de informações contábeis, as mesmas serão


levantadas da escrituração contábil, assim como dos relatórios contábeis já
estudados em capítulos anteriores, mas a coleta de informações requer que
sempre levemos em consideração as circunstâncias que assim o exigirem e,
sobremaneira, do acordo ainda com as normas de contabilidade em vigor.

É salutar considerarmos que toda riqueza gerada pela empresa será medida
sob a ótica de valor adicionado, ou melhor, será calculada pela diferença entre
aquilo que a empresa produz, deduzindo todos aqueles gastos necessários à
produção dessa mesma riqueza.

Isto posto, podemos definir a Demonstração do Valor Adicionado - DVA, como


uma ferramenta gerencial auxiliar e complementar dos relatórios contábeis
tradicionais, quais sejam, o Balanço Patrimonial, a Demonstração do
Resultado do Exercício - DRE, Demonstração das Mutações do Patrimônio
Líquido - DMPL e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados -
DLPA e a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC, a fim de complementar
um conjunto harmonioso e eficaz de informações na tomada de decisões.

Podemos, sem sombra de dúvida, afirmar que a DVA, ainda indica:

• a avaliação do desempenho na geração da riqueza;


• a avaliação social, tendo como medida a distribuição da riqueza
gerada;
84 UNIUBE

• a efetiva contribuição da empresa, de forma global à economia na qual está


inserida.

Diante de tantas indicações, informações que o demonstrativo nos proporciona,


é sem a Demonstração do Valor Adicionado - DVA, um instrumento que vem
contribuir, sobremaneira, com informações complementares às demonstrações
financeiras tradicionais acerca da distribuição da riqueza para com seus agentes
e usuários internos ou externos, das informações contábeis.

Vale a pena falar da importância ímpar dos seus efeitos sociais, ora produzindo,
ora gerando riqueza.

Para aprofundar seus conhecimentos, propomos, ao final do capítulo, um conjunto


de referências de leituras que contribuirão significativamente para seu crescimento
pessoal e profissional.

Dessa forma, convido-o a iniciarmos o estudo introdutório do Balanço Social -BS


e da Demonstração do Valor Adicionado - DVA.

Para isso, é preciso que você leia atentamente o texto e as respectivas resoluções
de todos os exercícios propostos, a fim de que consiga compreender o real
significado dessas duas importantes demonstrações complementares.

Bons estudos!

Objetivos
Após os estudos realizados a partir desse capítulo, você estará apto a:
• coletar informações ambientais,
humanas, econômico-financeiras; Balanço Social - BS
• elaborar o Balanço Social - BS e É um demonstrativo publicado
a Demonstração do Valor Adicionado anualmente pela empresa reunindo
um conjunto de informações sobre os
DVA; projetos, benefícios e ações sociais
• inferir da Demonstração do Valor dirigidas aos empregados, investidores,
Adicionado – DVA, a base de cálculo, analistas de mercado, acionistas e a
comunidade. É também um instrumento
os indicadores sociais interno, externos estratégico para avaliar e multiplicar o
e do corpo funcional; exercício da responsabilidade social
• obter informações relevantes quanto corporativa.
ao exercício da cidadania, ou seja, da
responsabilidade social. Demonstrativo do Valor Adicionado
- DVA
É o informe contábil que evidencia,
de forma sintética, os valores
correspondentes à formação da riqueza
gerada pela empresa em determinado
período e sua respectiva distribuição.
85 UNIUBE
Esquema
Introdução

Objetivos

Origens, definições, modelo e principais informações

Balanço Social

História do Balanço

Balanço Social e a Contabilidade

Como se elabora o Balanço Social

DVA - Demonstração do Valor Adicionado

5.1 Como se elabora a Demonstração do Valor Adicionado


- DVA
5.1.1 Primeiro passo
Primeiramente, conheceremos as origens, definições, modelo e principais
informações.

Mas, antes, algumas das indagações muito comuns que cercam o Balanço Social
- BS e a Demonstração do Valor Adicionado - DVA:
• o que é balanço social, e para que serve?
• há um modelo definido, estruturado, para inserção de dados a fim de gerar
informações?
• o que fazer com todas essas informações?
• é um relatório construído por um único profissional ou múltiplos
profissionais?

Diante de tantas indagações, e a fim de supri-las, vamos iniciar nossos estudos,


respondendo-as ao longo do desenvolvimento desse capítulo.
86 UNIUBE

5.2 Introdução ao estudo do Balanço Social e da


Demonstração do Valor Adicionado
Vamos, juntos, dar início ao estudo de dois dos instrumentos de informação
utilizados pelas principais corporações empresariais mundiais, sobretudo,
brasileiras – o Balanço Social e a Demonstração do Valor Adicionado.

O primeiro tem por objetivo demonstrar o resultado da entidade, subsidiando,


como processo de interação com o meio onde a mesma esteja inserida, ou
seja, industrial, comercial, ou agropecuário.

Desta forma, basta que selecionemos informações já evidenciadas nos relatórios


contábeis (complementados pelas notas explicativas).

A seguir, a grosso modo, algumas das informações a serem utilizadas para


elaboração do balanço social:
• a postura da empresa em relação aos recursos naturais;
• o perfil da força de trabalho;
• a contribuição da empresa para o desenvolvimento econômico e social da
região onde a mesma está inserida;
• contribuições a entidades assistenciais, a educação e a saúde dos
colaboradores, sejam eles administrativos ou de fábrica;
• impostos;
• dividendos;
• lucros reinvestidos.

Importante
PIB
Em outras palavras, DVA é o PIB da empresa, e como Produto Interno Bruto.
esse PIB é distribuído ou compartilhado.

Frise-se que, de acordo com a Lei 11.638/07, em seu artigo 1º e, também, no artigo
176 da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passa a vigorar a obrigatoriedade
da DVA, que se aplica somente às companhias abertas.

Saiba mais

Acesse os links <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.


htm> para conhecer na íntegra a Lei 6.404/76, e dê especial atenção ao
artigo 176l e <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/
Lei/L11638.htm> para conhecer na íntegra a Lei 11.638/07, e dê especial
atenção ao artigo 1º.
87 UNIUBE

Diante do exposto anteriormente, é perceptível que a divulgação do Balanço Social,


mesmo em caráter facultativo, é sobremaneira muito importante, haja vista que a
divulgação perante a sociedade como um todo tem de fato gerado resultados positivos.

Seja como for, a divulgação de informações sociais, econômicas e financeiras, que


já constam das demonstrações tradicionais, só vem complementar e enriquecer o
conteúdo das informações destinadas aos usuários da informação, seja para fins
de tomada de decisão ou não.

Quanto àqueles relatórios, vale a pena citá-los a fim de relembrá-los, o Balanço


Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício, a Demonstração dos
Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA, a Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido - DMPL, a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos
e, por fim, a DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa, todos já estudados em
capítulos anteriores.

Já é de nosso entendimento de que aquelas demonstrações contábeis evidenciam


todas as operações efetuadas por uma empresa ou entidade empresarial. É,
sobremaneira importante, realizarmos para a leitura atenta da Lei 11.638/07
quanto aos mecanismos e métodos de avaliação de ativos, que ora passam a
ser passíveis de aplicação, incluindo até sugestões de modelos matemático-
estatísticos, dentre outros.

Diante disso, há nesses relatórios contábeis uma gama enorme de informações


que podem ser coletadas e sumarizadas para variados fins, como por exemplo:

• o quanto a empresa gera de lucro para cada $ 100 investidos?


• o quanto a empresa paga de juros para cada $ 100 tomados junto às
instituições financeiras?
• o quanto os acionistas ganham para cada $ 100 investidos?
• se a empresa obteve um bom desempenho:
o em vendas?
o na redução de custos?
o no crescimento do lucro?
o houve progresso real de salários para o pessoal administrativo e de
fábrica?
o a empresa está realmente reinvestindo seu lucro?

No entanto, vale ressaltar que essas informações devem ser tratadas de uma
forma dedutiva, ou seja, dos relatórios contábeis para os casos em particular.
Vamos ver como funciona?
88 UNIUBE

5.3 O Balanço Social - BS


5.3.1 Conceito
O Balanço Social é um demonstrativo publicado anualmente pelas empresas, de
natureza não obrigatória, que reúne em seu bojo, um conjunto de informações sobre:
a) projetos;
b) benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados;
c) investidores;
d) acionistas e sócios e a comunidade.

O Balanço Social é, de fato, um instrumento estratégico, podendo ser entendida


de forma geral como uma forma de inovação de valor.
Mas, sigamos em frente, a fim de entendermos melhor a ideia central do balanço
social.

5.3.2 A história do Balanço Social


No Brasil, a ideia começou a ser discutida na década de 1970. Todavia, apenas nos
anos 80 é que surgiram os primeiros balanços sociais corporativos (empresas).
E, só a partir de 1990, algumas das corporações de diferentes setores e segmentos
passaram a apresentar anualmente o balanço social.

Você pode estar se perguntando!

Então, a partir de quando o Balanço Social passou a ganhar visibilidade nacional?

Caro aluno, esta visibilidade, ainda que incipiente, foi Incipiente


alcançada a partir do empenho de um sociólogo chamado Que está no começo.
Herbert de Souza, o Betinho. Ele lançou, em junho de 1997,
uma campanha pela divulgação voluntária do Balanço
Social. Só a partir desse momento, com o apoio de lideranças empresariais é que
a campanha alavancou. É a partir desse marco notável que pôde-se perceber
que uma nova realidade e mentalidade tem se formado, e que novas práticas
empresariais passam a surgir em pleno curso.

Saiba mais

Acesse visite o link a seguir:


< h t t p : / / w w w. b a l a n c o s o c i a l . o r g . b r / c g i / c g i l u a . e x e / s y s / s t a r t .
htm?infoid=3&sid=3>.

Nesse site, você irá conhecer um pouco mais acerca da história do balanço
social.
89 UNIUBE

5.3.3 A construção do Balanço Social - BS


A partir de agora, vamos abordar a construção do Balanço Social.

Mas antes, vamos abordar juntos alguns dos questionamentos que nos fazemos,
a fim de construirmos um bom balanço social.

Aqui, os mais comuns:


o por que fazer o Balanço Social?
o quem são os beneficiários deste conjunto de informações?
o que modelo utilizar?
Certificar
o há alguma certificação oficial de qualidade?
Atestar, confirmar, dar
como verdadeiro.

Antes de responder esses questionamentos, gostaria que você lesse o texto, a


seguir, transcrito:
A imensa maioria das empresas está publicando, e publicarão,
o “Balanço Social e Ambiental”, como documento separado,
diferente, ao Balanço Econômico. Entretanto muitas
organizações, não somente nacionais, mas, também a nível
mundial, estão trabalhando para que o esforço da publicação
se oriente a realizar em uma única peça, o “Balanço Econômico
Social e Ambiental”.
Os dados demonstrativos das estratégias sociais e ambientais
devem ter neles mesmos consistência e apresentar todos os
elementos quantitativos e de valorização pertinentes, isto é, que
não significa – pelo fato de fazer um único documento – que
podem se omitir informações quantitativas que permitam ter
uma visão clara do que e realizado nas áreas social e ambiental.

A unificação, ou não, de todos os relatórios poderá ser justificada


conforme o tamanho da empresa, e os públicos aos quais
prioritariamente estão orientados, Trata-se muito mais de um
aspecto de princípio. É importante frisar que o compromisso
empresarial não é somente econômico, é também social e
ambiental, e uma única peça caracteriza a ‘completude’ e
complexidade da gestão empresarial.

Texto disponível em:


<http://www.balancosocial.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.
htm?sid=5>. Acesso em: fev. 2010.

Vamos, agora, tratar de questões um tanto quanto curiosas:


90 UNIUBE

Por que realizar ações sociais?


Porque agrega valor, tendo em vista que empresas socialmente responsáveis
apresentam rentabilidade maior. Porque diminui riscos de descontinuidade dos
negócios. Porque é um instrumento estratégico, seja ele de curto ou longo prazo.
Porque é um instrumento de avaliação. Porque é inovador e transformador.

Os beneficiários
O balanço social oferece a oportunidade de interação de todos aqueles grupos
interessados na empresa, fornecendo informações úteis à tomada de decisões.
Entende-se que o processo de realização estimula o corpo funcional gerando um
grau mais elevado de intercâmbio e comunicação interna e externa nas relações
entre dirigentes e interessados. Há que se lembrar, obviamente que os fornecedores
e investidores estão muito interessados na responsabilidade das empresas em
relação aos recursos humanos e à natureza, o que é um bom indicador da forma
como esta é administrada.

O modelo
Para que as empresas, independentemente do tamanho e setor, sejam de fato
motivadas a divulgarem suas informações, um modelo foi elaborado em parceria
com diversos representantes de empresas públicas e privadas, por meio de
discussões, reuniões, audiências públicas para que a empresa fosse, de fato,
estimulada a divulgar o seu balanço social.

O selo
Então, em 1998, para mais uma vez estimular a participação de um número
cada vez maior de empresas na divulgação de seus balanços sociais, criouse
um reconhecimento denominado de “Selo Balanço Social Ibase/Betinho”. Este é
conferido anualmente a todas as empresas que divulgam e publicam o balanço
social no modelo sugerido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase), dentro da metodologia e dos critérios propostos.

Se nós parássemos nesse exato momento para refletirmos acerca do conteúdo


estudado até o presente momento, diríamos que:

Ø é por meio deste balanço social e a sua respectiva divulgação, atestado por
um selo, que determinadas empresas valorizam e investem em:

§ educação;
§ saúde;
§ cultura;
§ esportes;
§ meio-ambiente.
91 UNIUBE

Mas, qual é o sentido preciso do Balanço Social?

Para que possamos responder e prosseguir, é preciso conhecer um pouco mais


sobre o balanço social.

Então, vejamos:

Instituto Ibase
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, criado em 1981. É uma
instituição de utilidade pública federal, sem fins lucrativos, sem vinculação
religiosa e partidária. Sua missão é a construção da democracia, combatendo
desigualdades e estimulando a participação cidadã.

Quer conhecer mais a respeito do Instituto?


Acesse o link <http://www.ibase.org.br/>.

Usuários do Balanço Social - BS


Que informações os trabalhadores e os parceiros nos negócios das corporações,
ou seja, aqueles usuários da informação contábil e social, e assim como os
integrantes da capacidade produtiva das empresas, gostariam de receber?

Dentre as principais informações, além, é claro, daquelas que os relatórios


contábeis nos oferecem e complementados por notas explicativas, podemos citar
as seguintes:

• valor em dinheiro das vendas de bens e serviços produzidos pela empresa;


• valor em dinheiro das compras de bens e serviços intermediários;
• número de empregados na administração e na produção no início e no fim
do exercício social;
• salários praticados por pessoa e hora de produção;
• trabalhadores por faixa de qualificação, e salários;
• remuneração dos diretores e benefícios aos mesmos conferidos.

É bom lembrar que ainda há informações adicionais. A seguir, algumas das mais
comuns:

a) emprego;
b) formação de mão de obra;
c) alojamentos e transporte;
d) preservação do meio ambiente.

Vamos continuar nosso estudo sobre o Balanço Social. Mas, antes, leia o trecho,
a seguir, para reflexão:
92 UNIUBE
Num mundo globalizado, os grupos sociais de pressão estão mais
organizados e atuantes em defesa dos interesses da sociedade e
do meio ambiente. Obviamente, isto influencia os consumidores,
os quais tendem a adquirir, cada vez mais, produtos e serviços
cujas entidades produtoras respeitem normas de proteção ao
trabalho, do meio-ambiente e contribuíam com a sociedade
como um todo.

Com base nos resultados e indicadores de desempenho


apresentados no Balanço Social, a organização pode planejar e
executar um conjunto de atividades que resultem em benefícios
para os empregados, para a comunidade, para o meio ambiente
e para si própria.

A gestão dos indicadores sociais poderá propiciar à entidade os


seguintes benefícios:

1. aumento de produtividade dos seus empregados;


2. fortalecimento da sua imagem institucional (marketing
social);
3. aumento da sua fatia de participação no mercado.

(Texto disponível em:


<http://www.portaldeauditoria.com.br/tematica/contcomentada_
contabilidadeeobalanco.htm>. Acesso em: fev. 2010)

Após a leitura do trecho anterior, você perceberá que as informações geradas


a partir da contabilidade e daí para a construção do Balanço Social e a DVA,
têm como objetivo atender aos usuários da informação, sejam eles internos ou
externos, visando precipuamente à criação de dois relatórios.
Vamos ver que relatórios são esses.

Primeiro Setor
5.4 Balanço social e a contabilidade Representado pelas prefeituras
municipais, governos dos
estados e a presidência da
Após a leitura atenta ao conteúdo abordado república, além das entidades a
anteriormente, e dando continuidade, faço-lhe o estes entes ligadas. Em outras
seguinte questionamento: palavras, denominamos de
Primeiro Setor o “setor público.
Qual a razão e o sentido, que faz com que o Segundo Setor
É o mercado constituído pelo
ser humano se organize, criando empresas, conjunto das empresas que
corporações, sejam elas tanto do primeiro, quanto exercem atividades privadas,
do segundo ou terceiro setor? ou sejam, atuam em benefício
próprio e particular.
Terceiro Setor
É constituído de organizações
sem fins lucrativos, atuando nas
lacunas deixadas pelos setores
públicos e privados, buscando o
bem-estar social da população.
No caso, o Terceiro Setor não é
nem público nem privado.
93 UNIUBE

Importante

É de se notar que o grande objetivo do ser humano é atender aos seus anseios,
suas necessidades e, sobretudo, sua luta pela sobrevivência, produzindo
bens e serviços de qualidade.

Saiba mais

Para conhecer mais sobre o assunto, acesse o sítio eletrônico:


<http://www.filantropia.org/OqueeTerceiroSetor.htm>.

Neste site, você irá conhecer:


• os principais personagens do terceiro setor;
• fundações;
• empresas juniores sociais.

E a Contabilidade, como entra neste palco de anseios por qualidade nas


informações?

Para auxiliá-lo neste trabalho, leia também:

uma afirmação geral é que (...) a função fundamental


da Contabilidade tem permanecido inalterada desde seus
primórdios. Sua finalidade é prover usuários dos demonstrativos
financeiros com informações que os ajudarão a tomar decisões.
Sem dúvida, tem havido mudanças substanciais nos tipos de
usuários e nas formas de informação que têm procurado.
Todavia, esta função dos demonstrativos financeiros é
fundamental e profunda. O objetivo básico dos demonstrativos
financeiros é prover informação útil para a tomada de decisões
econômicas (IUDÍCIBUS, 1997, p.20).

Isto não quer dizer que a informação sobre o passado ou presente


não seja importante, mas significa que somente é importante se o
que foi reportado em termos contábeis no passado for relevante
para o futuro, ou, explicando melhor, ocorrendo no futuro o
mesmo conjunto de eventos ocorridos no passado, tivermos
algum tipo de segurança de que os parâmetros financeiros
passados se repetirão. (IUDÍCIBUS, 1997, p.21).
94 UNIUBE

Diante das duas citações anteriores, podemos concluir de que a Contabilidade não
só visa produzir informações que possam auxiliar na previsão de fatos futuros
e que a visão focada exclusivamente no registro do passado já está superada,
é importante ressaltar que está integralmente ultrapassada. O que resta frisar é
que os registros do passado, para a grande parte de usuários da informação
contábil, só terão importância a partir do momento em que esta puder ser utilizada
para previsões futuras.

Saiba mais

Antes de darmos prosseguimento ao nosso estudo, acesse o site, a seguir,


para fins de melhor apreensão do conteúdo até aqui explanado:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/historia.htm>.

Após a leitura do texto constante do sítio anterior, continuemos.

Um dos grandes desafios para os contadores é que a informação gerada no


Balanço Social seja relevante, útil e tempestiva à tomada de decisão para quem
se destina.

Para se resolver parte desse desafio, vamos ao objetivo do Balanço Social:

5.5 O Objetivo
O Balanço Social é dirigido à sociedade em geral, visando a atender a uma lista
não exaustiva de usuários da informação. Vejam os principais:
• gestores;
• trabalhadores;
• clientes;
• acionistas;
• sindicatos dos trabalhadores;
• fornecedores;
• instituições financeiras;
• governo.

Desta forma, a Contabilidade, como ciência, tem a responsabilidade de reportar a


informação contábil, econômica, financeira, social, produtiva e qualitativa e que,
ao mesmo tempo, seja útil, relevante, equitativa.
95 UNIUBE

5.6 A construção do Balanço Social


A partir desse momento, daremos início à construção do balanço social.

5.6.1 Como se elabora o Balanço Social


O balanço social tem por objetivo descrever uma realidade econômica e social
de uma empresa ou unidade corporativa. É bom frisar que não existe um modelo
para investidores e outro para trabalhadores e, sim, um conjunto de informações
que podem atender às possíveis necessidades de cada componente empresarial
que serão úteis no processo de tomada de decisões, seja no tocante ao pessoal,
ao econômico, ao financeiro, ao ambiental, dentre outros.

Para que possamos ter segurança na construção do balanço social, vamos recorrer
à seguinte citação:

a responsabilidade (accountability),
Accountability
como se vê, corresponde sempre à
É um termo da língua inglesa,
obrigação de executar algo, que sem tradução exata para
decorre da autoridade delegada e o português, que remete à
ela só se quita com a prestação de obrigação de membros de
contas dos resultados alcançados um órgão administrativo ou
e mensurados pela contabilidade. representativo de prestar contas
a instâncias controladoras
A autoridade é a base fundamental ou a seus representados.
da delegação e a responsabilidade Outro termo usado numa
corresponde ao compromisso e possível versão portuguesa é
obrigação de a pessoa escolhida responsabilização.
desempenhálo eficiente e
eficazmente. (NAKAGAWA, 1993,
p.18)

Saiba mais

Note que Accountability, corresponde, nesse capítulo, à elaboração e


à publicação do Balanço Social pelos gestores, tendo em vista que se
trata de um dos melhores exemplos de evidenciação e transparência
dos resultados alcançados.

5.6.2 As fontes de informação


Três departamentos funcionam como fontes para elaboração do Balanço Social,
quais sejam:
• pessoal;
• contabilidade;
• sistema de informação.
96 UNIUBE

As explicações

Pessoal
Está relacionado com os talentos humanos, ou melhor, este departamento
é responsável pela vida dos funcionários na empresa, desde sua admissão
até seu desligamento, abordando entre outros os seguintes registros, anote os
exemplos:
• salários;
• número de horas e dias de trabalho; Absenteísmo
• movimentação; Hábito de estar frequentemente
ausente de um local (de trabalho,
• absenteísmo. estudo).

Contabilidade
Este setor é responsável pelos registros referentes aos fatos administrativos
mensuráveis financeiramente, assim como, pela divulgação dos relatórios
contábeis. Por exemplo: balanço patrimonial, demonstração do resultado do
exercício, demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, demonstração das
origens e aplicações de recursos, demonstração das mutações do patrimônio
líquido.

A Contabilidade tem por fim reportar à situação patrimonial da entidade utilizando-


se destes relatórios contábeis e descreve as origens e aplicações dos recursos
visando atender às necessidades de seus usuários internos e externos.

Há de se notar que este setor fornece uma gama de informações gerenciais, dentre
elas, podemos citar o detalhamento das receitas e despesas, os cálculos de preço
de venda e o custo dos produtos fabricados, a produção e a produtividade. Calcula
e evidencia a Demonstração do Valor Adicionado - DVA.

Sistema de informação contábil

Este é o setor que tem como função prover informações qualitativas e quantitativas
destinadas às decisões operacionais e movimentos estratégicos. Atende a usuários
internos e externos da organização, auxiliandoos nas abordagens sistêmicas. Veja
alguns exemplos:

• unidades físicas de produtos vendidos;


• produção, processos e horas trabalhadas;
• customização e minimização de perdas e de desperdícios.
97 UNIUBE

5.7 Análise dos indicadores


A função primordial dos indicadores é proporcionar uma melhor aglutinação de
informações e darlhe um tratamento adequado em termos de transparência para
os agentes sociais.

Veja exemplos de uma série de indicadores possíveis que se pode extrair do


Balanço Social, seja a informação qualitativa ou quantitativa:

5.7.1 Indicadores de caráter econômico:


• valor adicionado por talento humano (trabalhador);
• relação entre salários pagos ao trabalhador em relação às receitas brutas
da corporação;
• contribuição do valor adicionado da empresa para o PIB (produto interno
bruto);
• carga tributária da empresa em relação a seu valor adicionado etc.

5.7.2 Indicadores sociais:

• evolução do emprego na empresa;


• promoções na escala salarial;
• participação e evolução do pessoal por sexo e instrução;
• classificação por faixa etária;
• nível de absenteísmo;
• benefícios concedidos ( médico, odontológico, educação);
• política de proteção ambiental etc.

Caro aluno, a grosso modo podemos elaborar o Balanço Social a partir daquelas
informações, no entanto, antes de iniciarmos o processo, vamos conhecer um
pouco mais de algumas das principais fases:

5.8 Fases do processo de elaboração do Balanço Social


A elaboração do Balanço Social é realizada em duas fases:

5.8.1 Primeira fase


Coordenação e promoção da confecção do documento, ou seja:
• escopo;
• meios;
• objetivos.
98 UNIUBE

5.8.2 Segunda fase:


• execução do trabalho planejado.

Até aqui, você estudou e compreendeu que o Balanço Social contempla os


relatórios contábeis tradicionais, dentre eles:
• balanço patrimonial;
• demonstração do resultado do exercício;
• demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
• demonstração das mutações do patrimônio líquido;
• demonstração do fluxo de caixa;
• demonstração das origens e aplicações de recursos (não obrigatório,
conforme determina a Lei 11.638/07).

Lembre se de que todos eles estão condicionados aos princípios fundamentais de


Contabilidade e divulgados em conformidade com o art. 176, da Lei das Sociedades
por Ações, Lei n. 6.404/76 e alterada pela Lei 11.638/07.

Dando prosseguimento aos nossos estudos, é hora de iniciarmos o estudo da DVA


– Demonstração do Valor Adicionado, integrante do balanço social.

Mas, antes, uma reflexão:

Se pudéssemos conhecer todas as necessidades de nossos usuários internos


e externos, e se pudéssemos ampliar, ainda, a capacidade de analisar o
desempenho econômico e social das organizações, evidenciaríamos o que de
fato agrega resultados na empresa. Seria possível reconhecermos os bens e
serviços adquiridos de terceiros, valor
este que aqui denominaremos de Valor Valor Adicionado
É o valor total da produção de bens e
Adicionado. serviços de determinado período, menos o
custo dos recursos adquiridos de terceiros,
necessários a essa produção, além da
Essa necessidade pode ser suprida, com forma com que essa riqueza é distribuída a
a Demonstração do Valor Adicionado diferentes grupos sociais.
- DVA, ou seja é a demonstração que
evidencia a criação da riqueza e a sua
respectiva distribuição.

Cumpre mais uma vez salientar que com o advento da Lei 11.638/07, a
Demonstração do Valor Adicionado - DVA passou a ser obrigatória a todas as
companhias de capital aberto.

Você estudou em capítulos anteriores que a DVA só é obrigatória quando a


companhia ou empresa for de capital aberto. Ser de capital aberto significa que
99 UNIUBE
essa mesma empresa negocia suas ações no mercado financeiro, ou melhor, no
mercado de ações.

Para tanto, é preciso aprofundarmos um pouco mais. Vejamos:

5.9 Demonstração do Valor Adicionado - DVA


Segundo Tinoco (2001, p. 64), a noção de valor adicionado é utilizada em
macroeconomia como elemento da Contabilidade Nacional e é também denominado
valor agregado.

Valor agregado nada mais é, por simplificação, o valor bruto da produção e


os consumos intermediários nessa etapa. Desta forma, podemos concluir que,
para encontrarmos o PIB - produto interno bruto, basta somarmos os valores
agregados.

Fácil, não é mesmo?

Quer um exemplo? Então, observe:

Vejam alguns dos questionamentos mais comuns a fim de levantar informações


para elaboração da Demonstração do Valor Adicionado - DVA.

1. A empresa utiliza equipamentos? Resposta: sim.


2. A empresa investe ou reinveste seus capitais, assim como seus colaboradores
para realizar outros bens e serviços, que por seu lado serão vendidos? Resposta:
sim.

Antes de avançarmos, leia atentamente sobre a Demonstração do Valor Adicionado


- DVA em:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/demonstracaodovalor.htm>.

Neste site, você irá conhecer fundamentos importantes, assim como de um modelo
proposto para a elaboração da DVA.

Após a leitura do texto inserido no link anterior, vamos aos cálculos:

5.9.1 Cálculo do Valor Adicionado Bruto - VAB


Vendas X
(-)Compras Y
(=) VAB Z
100 UNIUBE

5.9.2 Como se elabora a Demonstração do Valor Adicionado

Saiba mais
Acesse o link <http://www.vale.com/vale/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=125>
aqui, você encontrará as principais demonstrações financeiras, assim como
das complementares, incluindo o Balanço Social e a DVA.

Saiba mais

No cálculo da DVA - Demonstração do Valor Adicionado, a base da


mensuração é a produção e as vendas.

Observe um exemplo adaptado de Tinoco(2001), em que de forma singela, porém


didática, ele nos mostra como elaborar uma DVA a partir de uma empresa “A” que
se utilizava de materiais próprios para gerar suas vendas.

Exemplo:

Empresa “A” - Demonstração do Resultado


Vendas 10.000,00
(-) Mão de Obra 5.000,00
(-) Juros 2.000,00
(=) Lucro 3.000,00

A partir dessa demonstração de resultado da empresa “A”, podemos elaborar a


seguinte DVA:

Empresa “A” - Geração do Valor Adicionado

Vendas 10.000,00 %
Distribuição do Valor Adicionado
(-) Mão de obra 5.000,00 50
(-) Remuneração de Capital de terceiros 2.000,00 20
Remuneração do Capital Próprio 3.000,00 30
Total Adicionado 10.000,00 100
Fonte: Acervo do autor.

Assim, dando continuidade ao exemplo didaticamente apresentado, vamos


introduzir outra empresa que aqui a denominaremos de “B”, que utiliza dos
101 UNIUBE

materiais comprados da empresa “A” e, em seguida, os processa e os revende no


mercado local.

Com a constituição da empresa “B”, eis que surge o governo, impondo a esta o
recolhimento de impostos.

Para que você possa entender a sistemática, acompanhe-me no desenvolvimento


do exemplo:

Empresa “B” - Demonstração do Resultado

Vendas 25.000,00
(-) Mão de Obra 5.000,00
(-) Juros 3.000,00
(-) Materiais 10.000,00
(-) Impostos 3.000,00
(=) Lucro 4.000,00
Fonte: Acervo do autor.

Agora, vamos elaborar a Geração do Valor Adicionado:


Empresa “B” - Geração do Valor Adicionado

Vendas 25.000,00 %
Distribuição do Valor Adicionado Bruto
(-) Materiais adquiridos 10.000,00 40
(=) VAB 15.000,00 60
Distribuição do Valor Adicionado
(-) Mão de Obra 5.000,00 33
(-) Remuneração de Capital de Terceiros 3.000,00 20
(-) Governo 3.000,00 20
(-) Remuneração de Capital Próprio 4.000,00 27
(=) Total Adicionado 15.000,00 100

Agora, que você já sabe como elaborar a DVA, acesse o seguinte documento de
web.:
<http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_09.pdf>. Você terá a oportunidade de aprofundar
seus conhecimentos acerca da DVA.

Chegamos ao fim de mais um capítulo, e para que você tenha um bom


aproveitamento do assunto aqui tratado, revise o conteúdo e resolva todos os
exercícios propostos, a fim de acelerar o seu aprendizado. No entanto, caso ainda
persista dúvidas quanto ao que aqui foi estudado leia novamente as referências
sugeridas.

É importante ainda destacar e prestar uma atenção toda especial aos tributos não
cumulativos, quais sejam, o IPI, ICMS, PIS e COFINS.
102 UNIUBE

5.10 Conclusão
Para concluir, a chave do sucesso para todo e qualquer empreendimento, seja
ele comercial, industrial, serviços, é, com certeza, a necessidade proeminente de
informações que o façam conhecer suas peculiaridades, seus pontos fortes e fracos
assim como da utilização a mesmas a fim de subsidiá-lo na tomada de decisões.

O Balanço Social e a Demonstração do Valor Adicionado fazem exatamente


isso, ou seja, auxilia na busca de um conjunto harmonizado e sistematizado de
informações, auxiliando os outros demonstrativos contábeis.

Lembre-se, também, de que, cada vez mais, uma governança corporativa é


necessária e de preferência que ela seja da máxima qualidade.

Resumo
A Demonstração do Valor Adicionado - DVA desenvolve um conceito puramente
econômico, evidenciando de forma clara e transparente o quanto a empresa
agrega de valor durante o processo de industrialização.

E ainda fornece aos usuários, informações sobre a riqueza gerada pela empresa e
como a mesma é distribuída. É, ainda, importante observar que a DVA é elaborada
a partir da Demonstração do Resultado do Exercício - DRE. Nesta demonstração,
é evidenciado o valor adicionado e a distribuição deste mesmo valor, indicando a
contribuição da empresa para a formação do lucro e para outros itens, como por
exemplo, impostos, taxas e contribuições, folha de pagamento e seus respectivos
encargos, juros, juros sobre o capital próprio e dividendos.

Na Demonstração do Resultado do Exercício - DRE, são computados como


Custo dos Produtos Vendidos, todos os gastos referentes à produção dos bens
vendidos. Está contido, portanto, neste montante, a mão-de-obra direta, indireta,
as matérias-primas e gastos gerais de fabricação.

É necessário que, na DVA, haja a discriminação destes custos. Uma vez que, parte
deles é considerada como insumos adquiridos de terceiros, daí a necessidade de
seu detalhamento.

A depreciação, em especial, deve obrigatoriamente ser identificada. Os gastos com


pessoal e os encargos são considerados como distribuição do valor adicionado.

Para que efetivamente a contabilidade contribua para a identificação e a


participação de cada empresa no Produto Interno Bruto - PIB, é necessário que
seja evidenciado na Demonstração do Valor Agregado - DVA, o Valor Adicionado
ou Agregado, ou seja, o efetivamente gerado pela entidade, independentemente
que sua produção tenha sido vendida ou não, daí o conceito econômico.
103 UNIUBE

Assim, a empresa deverá apresentar na DVA - Demonstração do Valor Adicionado,


além dos dados contidos na DRE, os dados que possam efetivamente evidenciar
qual a riqueza gerada pela empresa, incluindo a produção que ainda não foi
vendida.

Leituras
Caro aluno, tenha em mente que nesse capítulo não esgotamos todo o assunto
que poderíamos ainda explorar. Leve em consideração que depende de você o
avanço e o aprofundamento dos relatórios aqui tratados, quais são: o Balanço
Social e a Demonstração do Valor Adicionado, aqui os denominamos pelas siglas
BS e DVA, respectivamente.

Cabe a você, a partir do término deste capítulo, ler os textos e os materiais


propostos, como:
• o livro customizado SANTOS, Ariovaldo dos. Demonstração do Valor
Adicionado: como elaborar e analisar a DVA. 2. ed. São Paulo: Atlas,
2007;
• os Pronunciamentos contábeis emanados do Comitê de pronunciamentos
contábeis (CPC) – principalmente o pronunciamento conceitual básico
– estrutura conceitual – que você encontrará no link <http://www.cpc.org.
br/pronunciamentosIndex.php> e também <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_
09.pdf> que trata, especificamente, dos procedimentos contábeis da DVA.

No livro customizado leia:

Capítulo 01 – Contabilidade Social e o Balanço Social: aspectos conceituais e


referências bibliográficas, páginas de 7 a 28;

Capítulo 02 – Demonstração do Valor Adicionado: aspectos conceituais e práticos,


páginas de 29 a 37;

Capítulo 03 – Como Fazer a DVA, páginas de 38 a 201.

Entretanto, com toda essa gama de informações, só cabe a você não se limitar
apenas aos conteúdos até aqui estudados e nem aos textos sugeridos, mas
também a contextualização das questões teóricas aliadas à prática.

Sendo assim, é preciso navegar em outras ferramentas de estudo, tais como


revistas, entrevistas, visitas a empresas, a fim de despertar-lhe a busca pelo novo
e, acima de tudo, pelo crescimento profissional e pessoal.

Boa leitura!
104 UNIUBE

Atividades
Caro aluno, é de fundamental importância que você resolva todas as atividades
sem consultar o referencial de respostas, só o fazendo no final. Caso ainda persista
dúvidas quanto às atividades, retorne ao capítulo, e, só depois, dê prosseguimento
às resoluções.

Atividade 1
Com base nas informações, a seguir, responda às atividades 1, 2, 3, 4 e 5. A
companhia MCA S.A, apresentou, para fins de divulgação, informações acerca
das atividades do período encerrado em 31.12.x 8, a seguir explanadas:

RELATÓRIO DA DIRETORIA
Prezados Acionistas,

Atendendo às disposições legais e estatutárias, submetemos à apreciação de V.


Sas. as demonstrações contábeis relativas ao exercício x8.

Apesar de termos tido uma inflação de 12% (medida por índices oficiais do
governo), tivemos uma melhora significativa para este ano, ou seja:
a) aumentamos as vendas;
b) reduzimos nossos custos drasticamente;
c) houve crescimento no lucro de 15%.

Ainda há de se ressaltar que o nosso Balanço Social evidencia de forma clara e


inconteste o zelo e o cuidado com a categoria de recursos humanos, ainda que
a participação do governo seja evidentemente relevante na riqueza bruta gerada
para o mesmo período. Veja, a seguir, a demonstração através dos anexos:
$
BALANÇO SOCIAL X7 X8
Vendas 160,00 590,00
(-) Compras 60,00 290,00
Valor adicionado 100,00 300,00

Destino do Valor Adicionado:


X7 X8
Juros 10,00 75,00
Pessoal administrativo 10,00 25,00
Pessoal Fábrica 20,00 53,00
Diretoria 15,00 90,00
Impostos 10,00 25,00
Lucro reinvestido 10,00 02,00
105 UNIUBE
A empresa está preocupada com a assistência médica a seus funcionários. O
item Assistência Médica está incluso em pessoal de fábrica e administrativo no
Balanço Social.

Nós, na qualidade de presidente da empresa e principal acionista, colocamo-nos


à disposição para qualquer outro esclarecimento:
Demonstrações Contábeis
Em milhares
Balanço Patrimonial
Ativo Passivo + P.L
Data Data
X8 X9 X8 X9
Xx Xx Xx Xx Xx Xx
Xx Xx Xx Xx Xx Xx
Xx Xx xx Xx Xx Xx

Total 80 500 80 500

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO


Data
Discriminação
X8 X9
Receita Bruta 160 590
(-) Custos 40 250
(=) Lucro Bruto 120 340
Xxxxx Xx Xx
Xxxxx Xx Xx
Xxxxx Xx Xx
Xxxxx Xx Xx
Lucro Líquido 20 22

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO OU


DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
Data
X8 X9
Saldo Exercício Anterior Xx 10
Lucro Líquido 20 22
(-) Dividendos (10) (25)
Saldo Final 10 7

PARECER DA AUDITORIA
• Examinamos as Demonstrações Financeiras da Cia. X, em 31.12.x9.
• Nossos exames foram efetuados de acordo com as normas de Auditoria
geralmente aceitas.
106 UNIUBE

• Os valores referentes ao ano anterior foram auditados pelo Grupo C, empresa


multinacional de auditoria.
• Ressaltamos a excelente iniciativa da empresa em publicar também o
Balanço Social, bem como seu excelente desempenho financeiro como
consequência de uma administração eficiente e democrática.

NOTAS EXPLICATIVAS

a) .............................. (informação não utilizável)


b) .............................. (informação não utilizável)
c) O total de nosso ativo até 30.12.x9 era de $ 158. Em 31.12.x9, foi contabilizado
um acréscimo de $ 342 referente à um estudo de recuperabilidade dos ativos
imobilizados (impairment). A empresa especializada pertence ao grupo “C”,
considerada a terceira maior multinacional de Auditoria.

Pede-se:

1. Você concorda que a empresa teve um bom desempenho

a. Nas vendas?
b. Na redução de custo?
c. No crescimento do lucro?

Atividade 2
De acordo com as informações dos dados divulgados na atividade 1(um) anterior,
responda às seguintes perguntas:

1. A empresa valoriza e demonstra um “carinho especial” com recursos


humanos?

2. Houve um progresso para o pessoal de fábrica e administrativo em termos


salariais?

3. O Governo é realmente a causa da redução da participação de diversos


setores no que condiz com o valor agregado ou adicionado?

Atividade 3
De acordo com as informações dos dados divulgados na atividade 1(um) anterior,
responda às seguintes perguntas:
1. A empresa está realmente reinvestindo seu lucro?
2. O Ativo cresceu em termos reais?
3. Se o Governo não for a causa, qual é, efetivamente?
107 UNIUBE

Atividade 4
De acordo com as informações dos dados divulgados na atividade 1(um) anterior,
responda às seguintes perguntas:

1. O estudo de recuperabilidade (impairment) é de boa qualidade, confiável?


2. O auditor afirma que a empresa é “democrática”. Podemos concordar com
essa afirmação?
3. É possível a essa empresa que teve lucro de $ 22, distribuir $ 25 de
dividendos?

Atividade 5
De acordo ainda com as informações dos dados divulgados na atividade 1(um)
anterior, responda às seguintes perguntas:

1. Por que a empresa distribuiu tantos dividendos?


2. A troca de auditores pela empresa foi positiva?

Referências
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações:
aplicável às demais sociedades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 20
09.

SANTOS, Ariovaldo dos. Demonstração do Valor Adicionado: como elaborar


e analisar a DVA. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

TINOCO, João Eduardo Prudêncio. Balanço Social: uma abordagem da


transparência e da responsabilidade pública das organizações. São Paulo:
Atlas, 2001.