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18/03/2018 ConJur - Fábio Prieto: País não pode ser prejudicado pela patuscada sindical

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OPINIÃO

País não pode ser prejudicado pela


patuscada do sindicalismo de toga
14 de março de 2018, 16h40 Imprimir Enviar 115 0 0
APRIMORE SEU
Por Fábio Prieto ESCRITÓRIO
*Artigo originalmente publicado na edição desta quarta-feira (14/3) do jornal
O Estado de S. Paulo, com o título "Quem deve protagonizar na democracia:
sindicatos de juízes ou cortes supremas e parlamentos?"

“Eu tinha alguma coisa a dizer, mas não sei mais o quê” — o slogan criativo
da revolução de 68, na França, ganhou o mundo.

Os juízes não têm a licença poética dos revolucionários. Cuidam da


previsibilidade das relações sociais. Os magistrados podem, até, ser
curadores de direitos revolucionários. Se assim o desejar a comunidade. LEIA TAMBÉM
OPINIÃO
Seja qual for o regime político, nos julgamentos os magistrados precisam
José Munhoz: É frustrante o olhar
dizer o que acreditam tenha sido ditado pelo povo aos legisladores. Outra
passivo do STF em relação aos juízes
coisa é a engenharia do sistema de Justiça. Depende, histórica e
predominantemente, da influência decisiva de duas outras vozes: as que OPINIÃO
estão nas supremas cortes e nos parlamentos. Opinião: Boicote à Justiça tem
consequências institucionais
Nas sociedades democráticas, os juízes alimentam a justa expectativa de que
perigosas
essas instituições, ouvindo outras tantas — e os próprios magistrados —,
sejam hábeis no trato do tema público e estratégico do regime de benefícios OPINIÃO
da magistratura. Na América Latina, no final dos anos 1990, muitas Elio Gaspari: Quando um juiz apenas
correntes de pensamento estavam preocupadas com esse e outros aspectos expõe o poder que julga ter
de um projeto de modernização dos sistemas de Justiça.
OPINIÃO
O Banco Mundial disse aos juízes, no conhecido Documento Técnico 319: Prieto: Remuneração de juízes não é
“Um Judiciário independente requer padrões salariais competitivos. Em tema de sindicalismo de toga
geral, os salários permanecem baixos se comparados com setores privados e
algumas vezes com outros cargos no setor público”.
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O populismo autoritário latino-americano percebeu a importância da
questão: a organização de um Poder do Estado com quadros qualificados e Linkedin RSS Feed
remuneração competitiva. Denunciou logo, como de estilo, a voz do
imperialismo. E roubou a pauta. Correu a fazer reformas nos sistemas de
Justiça.

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O documento “imperialista” do Banco Mundial foi publicado em 1996.


Depois de superado o voluntarismo de coturno do tenente-coronel Hugo
Chávez e a perspectiva ingênua da tentativa do golpe de Estado de 1992.

Em 1998, já por dentro da democracia, Chávez vence as eleições contra a


elite corrupta e insensível. Convoca Assembleia Nacional Constituinte. Com
a métrica da democracia populista, converte o escrutínio, de 52% (chavista)
contra 48% (oposição) dos votos, em esmagadoras 125 cadeiras
situacionistas, das 131 disponíveis. A Constituinte edita decreto
centralizando todos os poderes na pessoa do novo e sempre velho
representante do caudilhismo continental.

A Suprema Corte da Venezuela capitula — com os votos de 8 de seus 15


juízes — e se associa ao poder militar discricionário. Coube à primeira
mulher presidente de Suprema Corte, no continente, a corajosa Cecília Sosa,
ditar o epitáfio: “Sinceramente, a Corte Suprema de Justiça da Venezuela se
suicidou para evitar ser assassinada. O resultado é o mesmo: está morta”.

No Brasil, o mandato presidencial de 2002 elegeu a primeira de suas


reformas: a do Judiciário. Os velhos vícios — do Brasil e, portanto, de seu
sistema de Justiça — foram institucionalizados. O clientelismo. O pouco-caso
com a independência funcional dos juízes. A preguiça premiada. A
burocratização. A falta de decoro. A aversão ao mérito. O assembleísmo
corporativo.

Para acomodar a nova elite judiciária, o contribuinte brasileiro foi


convocado a sustentar quatro conselhos de Justiça — nem o presidente Hugo
Chávez foi tão imodesto com o dinheiro público. O Poder Executivo, por sua
vez, assumiu a violência institucional de introduzir, no Ministério da Justiça,
uma certa Secretaria de Reforma do Poder Judiciário, ato inusitado na
história do Brasil. O experimento precário das escolas de juízes foi ampliado
e ganhou orçamento próprio — verdadeira temeridade com as contas
públicas —, para abrir a porta ao dirigismo intelectual dos juízes.

A nova elite judiciária foi premiada com “penduricalhos” e dispensada do


trabalho pesado. Por outro lado, a magistratura silenciosa e trabalhadora foi
sufocada com relatórios e tarefas descabidas ou inúteis.

A intimidação difusa e desmoralizante contra a magistratura silenciosa e


trabalhadora foi feita com cálculo. O juiz, como qualquer profissional, não
pode atrasar o serviço. Salvo se houver justificativa, é elementar.

O Conselho Nacional de Justiça criou um tipo de expediente pelo qual era


possível acusar juízes de negligência, sem considerar, no primeiro momento,
as circunstâncias do fato. Da noite para o dia, foi possível dizer, com
estardalhaço, que centenas ou milhares de juízes respondiam a
investigações no CNJ, quando isso nunca foi verdade.

Não obstante este cenário na América Latina, em vários países, o Brasil


incluído, os magistrados começaram a reagir contra o populismo autoritário
incrementado com o método gramsciano. Por aqui, o arranjo populista entre
juízes e militares não prosperou.

As Forças Armadas cultivaram silenciosa resistência. Só depois do


impeachment o comandante do Exército, o hábil general Villas Bôas, deixou
saber que, sondado para a artificial decretação do Estado de Defesa contra o
povo nas ruas, recusou o cálice de veneno.

Agora, diante do fracasso bilionário dos quatro conselhos de Justiça no


controle do teto constitucional, as boas intenções de alguns e as más
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motivações de outros levaram o tema da remuneração dos juízes ao palco


iluminado.

Neste momento, sem que nada tenha sido decidido, o sindicalismo de toga
convoca greve inconstitucional contra a população. Não há autenticidade
em quem cerrou fileiras com a reforma do Judiciário feita contra o país e a
magistratura séria e trabalhadora.

Há algo a dizer-lhes e todos sabem bem o quê: a sociedade brasileira não


pode ser prejudicada pela patuscada sindical, só para dar rumo a quem quer
navegar nos ventos que estão a mudar.

No Estado Democrático de Direito, o sindicalismo de toga é parte — grave —


do problema, não de sua solução. Vamos aguardar a resposta institucional
do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

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Fábio Prieto é desembargador e ex-presidente do TRF-3, desembargador do TRE-SP e


diretor conselheiro da International Association of Tax Judges.

Revista Consultor Jurídico, 14 de março de 2018, 16h40

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COMENTÁRIOS DE LEITORES
5 comentários

ESTADO DE DIREITO
Rivadávia Rosa (Advogado Autônomo)
15 de março de 2018, 16h15

O fato é que o fortalecimento institucional e democrático, de qualquer instituição não


pode afrontar justamente o Estado, sobretudo quando alinhada com a militância
ideológica forjada pelo bolivarianismo, que primeiro se utiliza das instituições formais e,
depois as destrói [naturalmente, por serem ‘burguesas’].

Assim, a independência e a liberdade, não podem ser sacrificadas pelos seus próprios
integrantes quando enveredam para movimentos paredistas ou de qualquer outro viés
que afrontam justamente o Estado de Direito.

MEMÓRIA auto destruitiva:

"Os ativistas judiciais são nada menos que radicais em vestes - desdenhosos do estado de

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direito, subvertendo a Constituição à vontade e usando sua confiança pública para impor
suas preferências políticas à sociedade. Na verdade, nenhum movimento político radical
foi mais efetivo em minar nosso sistema de governo do que o judiciário. E com cada
mandato da Suprema Corte, mantemos a respiração coletiva esperando que os juízes não
façam mais danos, sabendo muito bem que decepcionarão. Tal é a natureza da tirania
judicial. "
- MARK R. LEVIN , Men in Black: como os juizes estão destruindo a América

VALORES
Holonomia (Juiz Estadual de 1ª. Instância)
15 de março de 2018, 12h59

O artigo traz a tona valores esquecidos.


Nossa visão de mundo carece melhorar, para compreendermos o que é o Estado de
Direito e a importância de juízes nesse contexto social.
No Estado Constitucional, então, o conteúdo da chamada democracia é controlado, a
partir da Constituição, pelos magistrados, especialmente os da mais alta corte de Justiça, e
não pelo legisladores.
Infelizmente, realmente, o sindicalismo de toga pode perder o rumo, fugindo da
realidade e da importância também simbólica da imagem da magistratura.
www.holonomia.com

LINHA DE PRODUÇÃO
senso incomum e outras (Advogado Assalariado - Empresarial)
15 de março de 2018, 11h00

Tanto fizeram que hoje os os Juízes cumprem jornada de trabalho rígida.


Hoje não se vê mais, Juízes levando processos para casa ou sentenciando fora do horário
de expediente.
Hoje Juízes terceirizam a elaboração de sentenças, se limitam a assina-las.
Juízes apenas presidem as audiências de instrução, estamos vendo terceiranistas de
direito sentenciando em processos complexos.
O que não dizer das audiências públicas no Judiciário. Nos tribunais Desembargadores
tomam conhecimento do seu voto somente na sessão de julgamento.
Antes toda decisão era justificada pelo " princípio da dignidade da pessoa humada", agora
as decisões mais absurdas são justificadas pela "princípio da moralidade pública".
Juízes dizem decidir atendendo o clamor popular pelo fim da corrupção; mas defendem o
recebimento do "auxilio moradia" mesmo residindo em imóvel próprio na localidade em
que trabalham.
Há situações em que o casal recebe o referido benefício e duplicidade.
Em nome da Lava Jato tudo é permitido e tudo é justificado.
Não conseguem acabar com a morosidade judicial, inicie o cumprimento da pena após o
julgamento em segunda instância. O Peluso, ainda sugeriu a Edição de uma EC para
tratar do assunto, não ousou violentar a constituição pela simples
interpretaçãovoluntarista.

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