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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

SÉRIE DE FOURIER
Aplicação na Resolução de Circuitos

© Luiz Antônio Magnata da Fonte


Maio/2015
Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

SUMÁRIO

1 FUNDAMENTOS 3

2 CASO-ESTUDO MONOFÁSICO 4

2.1 Formulação do Caso 4


2.2 Série de Fourier da Tensão 4
2.3 Metodologia da Resolução 4
2.4 Fontes de Alimentação 5
2.5 Componente Contínua 5
2.6 Componente Fundamental 6
2.7 Componente de Ordem 3 7
2.8 Componente de Ordem 5 8
2.9 Valores Eficazes da Tensão e da Corrente 9
2.10 Valores Instantâneos 9
2.11 Potências 10

2 CASO-ESTUDO TRIFÁSICO 11

3.1 Formulação do Caso 11


3.2 Metodologia da Resolução 11
3.3 Componente Contínua 13
3.4 Componente Fundamental 15
3.5 Componente de Ordem 3 17
3.6 Componente de Ordem 5 19
3.7 Valores Eficazes da Tensão e da Corrente 21
3.8 Potências 22

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

1. FUNDAMENTOS

Grande parte das investigações conduzidas em estado permanente para os sistemas elétricos
de potência está fundamentada na hipótese de que vigora o regime periódico senoidal. As
ferramentas de análise desenvolvidas com essa finalidade, além da grande eficiência,
oferecem resultados considerados perfeitamente adequados e, por isso, estão consagradas
entre os estudiosos do assunto.
Todavia, é relevante registrar que no funcionamento regular dos sistemas elétricos,
especialmente nos dias atuais, formas de ondas periódicas, mas não-senoidais, são cada vez
mais freqüentes. Vários eventos têm contribuído para esta conjuntura e talvez o mais
expressivo tenha sido os avanços verificados no segmento de eletrônica de potência. O uso
intensivo feito na atualidade de controles e de equipamentos com base nesta técnica produz
distorções nas formas de onda, afastando-as do modo senoidal. A introdução de fontes de
energia não-convencionais, como as usinas eólicas e solares, e de compensadores estáticos
para o controle do sistema são exemplos desta nova realidade do setor elétrico mundial. Neste
contexto, a Série de Fourier surge como uma ferramenta útil para o tratamento dos circuitos
elétricos submetidos a estas formas de ondas periódicas, porém não-senoidais.
Um outro aspecto relevante suscitado pela operação dos circuitos em regime não-senoidal diz
respeito aos conceitos relacionados com as potências ativa, reativa e aparente. Quando as
tensões e as correntes nos circuitos são senoidais vigoram as conhecidas relações
consolidadas no triangulo de potências:

P = VI cos θ
Q = VIsenθ
S = P 2 + Q 2 = VI

Tais grandezas e expressões, contudo, tornam-se controversas quando um regime não-


senoidal é imposto ao circuito, exigindo novas formulações capazes de atender aos requisitos
próprios deste regime operacional. As principais dificuldades residem na definição da
potência reativa e consequentemente da relação proposta pelo tradicional triângulo de
potência. A manutenção da primeira exige modificações na segunda, proposta que foi
formulada por Budeanu e que consistiu na definição de uma parcela extra denominada
Potência de Distorção e no acréscimo de uma nova dimensão ao triângulo de potência,
sumarizadas abaixo:


P = ∑ Vn I n cos θ n
n −1

Q = ∑ Vn I n senθ n
n −1

S = P 2 + Q 2 + D 2 = VI

As questões abordadas acima serão tratadas através de exercícios especialmente concebidos


com esta finalidade.

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Aplicação na Resolução de Circuitos

2. CASO-ESTUDO MONOFÁSICO

A metodologia para a abordagem dos circuitos elétricos sujeitos a fontes de forma periódica
não-senoidal será desenvolvida com o auxílio do problema formulado a seguir.

2.1 Formulação do Caso

Uma fonte de tensão periódica, formada por pulsos retangulares com intensidade de 20 V e
apresentando uma largura de 1/30 s, alimenta um circuito RLC série, tal como ilustra a Figura

Figura 1
1. Os parâmetros dos elementos deste circuito estão indicados na freqüência fundamental da
tensão de suprimento. Deseja-se determinar as grandezas deste circuito, tensão, corrente e
potências quando a Série de Fourier da tensão da fonte é truncada na harmônica de ordem 5.

2.2 Série de Fourier da Tensão

O desenvolvimento em Série de Fourier da tensão aplicada pela fonte somente apresenta


coeficientes bn, além da componente contínua, sendo dada por:

v(t ) = 10 + 12,7 sen(ω o t ) + 4 ,24 sen(3ω o t ) + 2,55sen(5ω o t )

De acordo com a figura, o período da tensão aplicada é:

1
To = s
60

As freqüências desta forma de onda serão, portanto:

1 2π
fo = = 60 Hz e ωo = = 377 rd s
To To

2.3 Metodologia da Resolução

A hipótese básica para a resolução do problema é de que, sendo o circuito linear, o princípio
da superposição poderá ser aplicado. Com base nesse pressuposto, o seguinte procedimento
será utilizado:
ƒ Substituir a fonte periódica pela superposição pelas 4 (quatro) fontes
especificadas pela Série de Fourier até a harmônica de ordem 5;
ƒ Resolver o circuito para cada uma das fontes atuando individualmente;
ƒ Superpor os resultados obtidos para cada uma das fontes.

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2.4 Fontes de Alimentação

A fonte periódica de alimentação do circuito será substituída pelas 4 (quatro) fontes


especificadas pela Série de Fourier:

Componente Contínua → vo (t ) = 10 V
Componente Fundamental → v1 (t ) = 12 ,7 sen(ω o t )
Componente de Ordem 3 → v3 (t ) = 4 ,24 sen(3ω o t )
Componente de Ordem 5 → v5 (t ) = 2,55sen(5ω o t )

2.5 Componente Contínua

Os parâmetros do circuito original deverão ser ajustados para a freqüência nula da


componente contínua. O resistor não modifica o valor com a freqüência, logo:

R0 = 10 Ω

A reatância do indutor modifica-se diretamente com a freqüência:

X L = ωL

de sorte que, na freqüência nula, esta grandeza será nula:

X L0 = 0 Ω

No caso do capacitor, o comportamento é contrário aquele apontado para o indutor, pois:

1
Xc =
ωC

Assim, na freqüência nula, a reatância do capacitor será infinita:

X c0 = ∞

O circuito para a componente contínua será, portanto, aberto como mostra a Figura 2 e a
corrente para esta componente será, consequentemente, nula:

io (t ) = 0 A

Figura 2

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2.6 Componente Fundamental

Os parâmetros do circuito na freqüência fundamental são exatamente aqueles fornecidos no


circuito original, tal como assinala a Figura 3, de modo que a impedância oferecida pelo
circuito será:
)
Z1 = 10 + j (10 − 90) = 10 − j80 = 80,6∠ − 82,7 o Ω

Figura 3

Fasorialmente, a tensão aplicada ao circuito é dada por:

r 12 ,7
V1 = ∠0 o = 8,98∠0 o V
2

A corrente neste circuito será, portanto, na forma fasorial:

r
r V1 8,98∠0 o
I1 = ) = = 0 ,11∠82 ,9 o A
Z1 80 ,6∠ − 82 ,9 o

Instantaneamente, esta corrente será expressa como:

( ) ( )
i1 (t ) = 0,11 2sen ω o t + 82,9 o = 0,16sen ω o t + 82,9 o A

A potência ativa na freqüência fundamental será dada por:

P1 = V1 I1 cos ϕ1 = 8,98 ⋅ 0,11 ⋅ cos 82,9 o = 0,12 W

A potência reativa, determinada na forma usual dos circuitos em corrente alternada, será:

Q1 = V1 I 1 senϕ1 = 8,98 ⋅ 0 ,11 ⋅ sen82 ,9 o = 1,09 var (capacitivo)

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2.7 Componente de Ordem 3

Para esta componente, a resistência do circuito permanece invariável como antes:

R3 = 10 Ω

As reatâncias, todavia, sofrem a influência da freqüência, e serão dadas, neste caso, por:

X L3 = 3ω o L = 3 X 1L = 30 Ω

1 1 1
X c3 = = X c = 30 Ω
3ω o C 3

O circuito na freqüência tripla é mostrado na Figura 4, de modo que a impedância do mesmo


será:
)
Z 3 = 10 + j (30 − 30 ) = 10 Ω

Figura 4

A tensão fasorial aplicada ao circuito é:

r 4,24 o
V3 = ∠0 = 3,00∠0 o V
2

A corrente será, portanto:


r
r V3 3,00∠0 o
I3 = ) = = 0 ,30∠0 o A
Z3 10∠0 o

Na forma instantânea, esta corrente assume a forma:

i3 (t ) = 0,30 2sen(3ω o t ) = 0,42sen(3ω o t ) A

Este circuito por ser resistivo somente consome potência ativa dada por:

P3 = V3 I 3 = 3,00 ⋅ 0,30 = 0,90 W

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2.8 Componente de Ordem 5

Como para todas as componentes, a resistência do circuito não sofrerá alteração:

R5 = 10 Ω

As reatâncias, por seu turno, experimentam modificações com a freqüência, e, para este caso,
serão dadas por:
X L5 = 5ω o L = 5 X 1L = 50 Ω
1 1 1
X c5 = = X c = 18 Ω
5ω o C 5

O circuito na freqüência quíntupla é apresentado na Figura 5, e a impedância do mesmo será:


)
Z 5 = 10 + j (50 − 18) = 10 + j 32 = 33,5∠72,6 o Ω

Figura 5

A tensão fasorial aplicada ao circuito é:

r 2 ,55 o
V5 = ∠0 = 1,80∠0 o V
2
A corrente será, portanto:
r
r V5 1,80∠0 o
I5 = ) = = 0 ,05∠ − 72 ,6 o A
Z 5 33,5∠72 ,6 o

Na forma instantânea, esta corrente assume a forma:

( ) (
i5 (t ) = 0,05 2sen 5ω o t − 72,6 o = 0,07 sen 5ω o t − 72,6 o A )
A potência ativa neste circuito será:

P5 = V5 I 5 cos ϕ 5 = 1,80 ⋅ 0 ,05 ⋅ cos 72,6 o = 0 ,03 W

Utilizando a definição da potência reativa dos circuitos em corrente alternada:

Q5 = V5 I 5 senϕ 5 = 1,80 ⋅ 0 ,05 ⋅ sen72 ,6 o = 0 ,09 var (indutivo )

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2.9 Valores Eficazes da Tensão e da Corrente

O valor eficaz da tensão da fonte é dado por:

Vef = Vo2 + V12 + V32 + V42 = 10 2 + 8,98 2 + 3,0 2 + 1,80 2

Vef = 13,89 V

O valor eficaz da corrente solicitada pelo circuito é dado por:

I ef = I o2 + I12 + I 32 + I 42 = 0 2 + 0 ,112 + 0 ,30 2 + 0,05 2

I ef = 0 ,324 A

2.10 Valores Instantâneos

O valor instantâneo da tensão e da corrente do circuito é dado por:

v(t ) = 10 + 12,7 sen(ω o t ) + 4 ,24 sen(3ω o t ) + 2,55sen(5ω o t )

( ) (
i(t ) = 0 ,16sen ω o t + 82 ,9 o + 0,42sen(3ω o t ) + 0,07 sen 5ω o t − 72,6 o )
Graficamente essas grandezas são apresentadas na Figura 6 e como se observa a tensão e a
corrente, mesmo em estado permanente, não exibem a mesma forma, como acontece nos
circuitos de corrente contínua e alternada. Essa é mais uma diferença dos circuitos
alimentados por fontes não-senoidais.

Figura 6

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2.11 Potências

A potência ativa total consumida pelo circuito será determinada por:

P = P0 + P1 + P3 + P5 = 0 + 0 ,12 + 0 ,90 + 0,03

P = 1,05 W

Esse valor da potência ativa poderia ser calculado diretamente da potência dissipada no
resistor:

P = RI ef2 = 10 ⋅ 0 ,324 2 = 1,06 W

A potência reativa total solicitada, se adotada a mesma sistemática dos circuitos de corrente
alternada, seria dada por:

Q = Q0 + Q1 + Q3 + Q5 = 0 − 1,09 + 0 + 0,09

Q = −1,0 var

A potência aparente no circuito é dada por:

S = Vef I ef = 13,89 ⋅ 0 ,324

S = 4,50 VA

Uma constatação dos cálculos efetuados é que o triângulo de potência, Figura 7, não será
obedecido se a potência reativa for determinada da forma
tradicional, pois, de acordo com esta figura:

S PQ = P 2 + Q 2 = 1,05 2 + 1,0 2 = 1,45 VA

Figura 7
muito inferior, portanto, ao valor calculado pelos valores
efetivos. Fazendo-se uso do modelo de Budeanu, Figura 8,
tem-se:

S= (P 2
)
+ Q 2 + D 2 = S PQ
2
+ D2

onde grandeza D é denominada de Potência de Distorção. O


valor desta grandeza para o circuito em estudo será:
Figura 8
D= S − 2 2
S PQ = 4 ,50 − 1,45 = 4 ,26
2 2

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3. CASO-ESTUDO TRIFÁSICO

Para os sistemas trifásicos, a metodologia de tratamento através da Série de Fourier será


desenvolvida com o auxílio do exercício formulado a seguir.

3.1 Formulação do Caso

Uma fonte trifásica equilibrada com impedância interna de 2+j2Ω conectada em triângulo
produz uma tensão na forma triangular e com freqüência fundamental de 60 Hz. A Série de
Fourier truncada até a harmônica de ordem 5 para a tensão da fase A dessa fonte é dada por:

3200 ⎛⎜ ⎛ nπ ⎞ ⎞
v a (t ) = 200 + ( )
1

π 2 ⎜⎝ n=1,3,5 n 2
sen⎜
⎝ 2 ⎠
⎟ sen nω o t ⎟

Essa fonte é utilizada para alimentar, através de uma linha de transmissão de impedância
desprezível, uma carga trifásica equilibrada conectada em triângulo que em 60 Hz exibe
uma impedância 4+j3Ω. Pede-se determinar:

ƒ O valor eficaz da tensão e da corrente em cada fase da carga;

ƒ A potência aparente e ativa em cada fase da carga;

ƒ O valor eficaz da corrente em cada fase da fonte.

3.2 Metodologia da Resolução

O problema proposto está diagramado em termos dos elementos de circuito na Figura 9, onde
as fontes exibem uma tensão expressa por uma Série de Fourier truncada.

Figura 9

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Série de Fourier
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De acordo com a Série de Fourier fornecida, a tensão da fase A da fonte apresenta a forma:

v a (t ) = 200 + 324,23sen(ω o t ) − 36 ,03sen(3ω o t ) + 12 ,97 sen(5ω o t )

Admitindo-se que a fundamental é de seqüência positiva, as tensões nas fases B e C estarão


defasadas de 120º e 240º respectivamente da fase A, de modo que serão expressas como:

( ) (
vb (t ) = 200 + 324,23sen ω o t − 120 o − 36 ,03sen(3ω o t ) + 12,97 sen 5ω o t + 120 o )
( ) (
vc (t ) = 200 + 324,23sen ω o t + 120 o − 36,03sen(3ω o t ) + 12 ,97 sen 5ω o t − 120 o )
Identificam-se nessas expressões quatro conjuntos de fontes superpostos:

⎧Va 0 = 200 V

Componente Contínua ⎨Vb0 = 200 V
⎪V 200 V
⎩ c0

⎧Va1 = 324,23sen(ω o t )

Componente Fundamental ⎨Vb1 = 324,23sen ω o t − 120 o( )

⎩Vc1 = 324,23sen ω o t + 120
o
( )

⎧v a 3 = −36,03sen(3ω o t )

Componente de 3 Harmônico ⎨Vb3 = −36,03sen(3ω o t )
o

⎪V = −36,03sen(3ω t )
⎩ c3 o

⎧Va 5 = 12,97 sen(5ω o t )



(
Componente de 5 o Harmônico ⎨Vb5 = 12,97 sen 5ω o t + 120 o )

(
⎩Vc5 = 12,97 sen 5ω o t − 120
o
)
Como o sistema é linear e, consequentemente, o Teorema da Superposição pode ser aplicado,
a resolução do circuito poderá ser obtida por superposição dos efeitos produzidos por cada
fonte atuando separadamente. Assim, inicialmente, as tensões e as correntes no circuito serão
determinadas para cada fonte atuando separadamente e, posteriormente, essas grandezas serão
adicionadas para estabelecer o valor final para as mesmas.

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Aplicação na Resolução de Circuitos

3.3 Componente Contínua

Para a freqüência nula, o sistema fornecido toma a forma da Figura 10, onde apenas a parte
resistiva das impedâncias é considerada. Desde que as fontes de corrente contínua nas três
fases são exatamente iguais, somente existirá circulação de corrente no interior do Δ das
fontes. Essa assertiva poderá ser constatada com a resolução do circuito abaixo, onde a
aplicação da Lei das Malhas de Kirchhoff proporciona:

Malha 1 → 600 − 2(I1 + I 4 ) − 2(I1 + I 2 ) − 2 I1 = 0 (1)

Malha 2 → 200 − 4(I 2 + I 3 ) − 2(I1 + I 2 ) = 0 (2)

Malha 3 → 4(I 3 + I 4 ) + 4(I 3 + I 2 ) + 4 I 3 = 0 (3)

Malha 4 → 200 − 2(I1 + I 4 ) − 4(I 3 + I 4 ) = 0 (4)

Figura 10

A solução do sistema de equações acima empregando-se o método da substituição e tendo-se


eleito I2 como a incógnita de interesse segue os seguintes passos:

2×(2)−(1) ⇒ 16 I 2 + 12 I 3 − 2 I 4 = 0 (5)

2×(5)+(3) ⇒ 36 I 2 + 36 I 3 = 0 ∴ I 2 = −I3 (6)

(6)→(2) ⇒ 2 I1 + 6 I 2 − 4 I 2 = 200 ∴ I1 = 100 − I 2 (7)

(7)→(4) ⇒ 4 I 2 − 12 I 2 + 4 I 4 = 0 ∴ I 4 = 4I 2 (8)

(6),(7),(8)→(4) ⇒ 200 − 2 I 2 − 4 I 2 + 12 I 2 = 200 ∴ I2 = 0 (9)

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(9)→(6) ⇒ I3 = 0

(9)→(8) ⇒ I4 = 0

(9)→(7) ⇒ I1 = 100

As correntes serão, portanto:

⎧ I a 0 = 100 A

Fonte ⎨ I b0 = 100 A (10)
⎪ I = 100 A
⎩ c0

⎧ I A0 = 0 A

C arg a ⎨ I B 0 = 0 A (11)
⎪ I =0A
⎩ C0

A tensão de freqüência nula entre os terminais da fonte será, aplicando-se a Lei das Malhas de
Kirchhoff ao braço ab do Δ:

Vab0 = Va 0 − 2 I a 0 = 200 − 2 × 100 = 0

Resultado idêntico será obtido para os demais terminais da fonte, de modo que:

⎧ Vab0 = 0 V

Fonte ⎨ Vbc0 = 0 V (12)
⎪ V =0 V
⎩ ca 0

Na carga, como a corrente nos três resistores de 4 Ω é nula, a tensão entre os terminais da
mesma será também nula:

⎧ V AB = 0 V

C arg a ⎨ VBC = 0 V (13)
⎪ V =0 V
⎩ CA

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Série de Fourier
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3.4 Componente Fundamental

As tensões da fonte na freqüência fundamental formam um sistema trifásico equilibrado de


seqüência positiva, de modo que para obtenção da corrente circulando nas fases da mesma
uma transformação Δ→Υ será efetuada e apenas o circuito equivalente da fase A será
analisado, o qual tomará a forma da Figura 11. Como a tensão instantânea na fonte do
circuito original em triângulo é dada por:

Va1 = 324,23sen(ω o t ) .

Figura 11

No circuito equivalente, a tensão será:

r 324 ,23∠0 o
r Va1 2 = 132 ,37∠ − 30 o V
V = =
3∠30 o
3∠30 o

A impedância da fonte e da carga foi fornecida em 60 Hz, de sorte que a impedância total do
circuito equivalente será:

Ẑ a Ẑ A 2 + j 2 4 + j 3
Ẑ = + = + = 2 + j1,67 = 3,51∠39 ,81o Ω .
3 3 3 3

A corrente no circuito equivalente será:

r
r V 132 ,37∠ − 30 o
I = = = 37 ,71∠ − 69 ,81o A
Ẑ 3,51∠39 ,81o

Essa é a corrente que circula na linha de transmissão, de modo que na fonte e na carga bastará
proceder a transferência para o interior do delta:

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

r
r I
IΔ = = 21,77∠ − 39,81o A
3∠ − 30 o

As correntes nas fases da fonte e da carga serão, portanto:

r
⎧ I a1 = 21,77∠ − 39,81o A
⎪⎪ r
Fonte ⎨ I b1 = 21,77∠ − 159,81o A (14)
⎪ r
⎪⎩ I c1 = 21,77∠80,19 o A

r
⎧ I A1 = 21,77∠ − 39,81o A
⎪⎪ r
C arg a ⎨ I B1 = 21,77∠ − 159,81o A (15)
⎪ r
I C1 = 21,77∠80 ,19 o A
⎩⎪

As tensões nos terminais da fonte e da carga serão iguais já que a linha de interligação das
mesmas não exibe qualquer impedância. Assim bastará determinar a tensão carga:

r r
( )
V AB = Ẑ A I A = (4 + j 3) 21,77∠ − 39,81o = 108,85∠ − 2,94 o V

Portanto, as tensões entre os terminais da fonte e da carga na freqüência fundamental serão:

r
⎧ Vab1 = 108,85∠ − 2,94 o V
⎪⎪ r
Fonte ⎨ Vbc1 = 108,85∠ − 122,94 o V (16)
⎪ r
⎪⎩ Vca1 = 108,85∠117 ,06 o V

r
⎧ V AB1 = 108,85∠ − 2,94 o V
⎪⎪ r
C arg a ⎨ VBC1 = 108,85∠ − 122,94 o V (17)
⎪ r
VCA1 = 108,85∠117 ,06 o V
⎩⎪

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3.5 Componente Harmônica de Ordem 3

As tensões e as impedâncias de terceiro harmônico na fonte são exatamente iguais, de modo


que proporcionarão o mesmo sistema de equações montado para a componente contínua,
adaptadas para os valores ora complexos das grandezas e, obviamente, com resultados
similares. Portanto, somente circulará corrente dessa freqüência no interior do delta da fonte,
como assinala a Figura 12.

Figura 12

A tensão nessa freqüência é, conforme a Série de Fourier fornecida:

r r r
Va3 = Vb3 = Vc3 = 25,48∠0 o V

Como a impedância foi dada na freqüência fundamental, no 3o harmônico tem-se;

Ẑ 3 = 2 + j 2 ⋅ 3 = 6,32∠71,57 o Ω

A aplicação da Lei das Malhas de Kirchhoff no delta da fonte proporciona:

r r r 25,48∠0 o
3Va 3 − 3Ẑ 3 I 3 = 0 ∴ I3 = = 4 ,03∠ − 71,57 o A
6 ,32∠71,57 o

As correntes na fonte nessa freqüência serão, portanto:

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

r
⎧ I a3 = 4,03∠ − 71,57 o A
⎪⎪ r
Fonte ⎨ I b3 = 4 ,03∠ − 71,57 o A (18)
⎪ r
⎪⎩ I c3 = 4,03∠ − 71,57 o A

Na carga, naturalmente, as correntes de terceiro harmônica serão nulas:

r
⎧ I A3 = 0 A
⎪⎪ r
C arg a ⎨ I B3 = 0 A (19)
⎪ r
⎩⎪ I C3 = 0 A

Também do mesmo modo que foi estabelecido para a componente contínua, as tensões de
terceiro harmônico serão nulas tanto nos terminais da fonte como na carga:

r
⎧ Vab = 0 V
⎪⎪ r
Fonte ⎨ Vbc = 0 V (20)
⎪ r
⎪⎩ Vca = 0 V

r
⎧ V AB = 0 V
⎪⎪ r
C arg a ⎨ V BC = 0 V (21)
⎪ r
⎪⎩ VCA = 0 V

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

3.6 Componente Harmônica de Ordem 5

As tensões da fonte nessa freqüência constituem um sistema trifásico equilibrado de


seqüência negativa, de maneira que a obtenção da tensão e da corrente na fonte e na carga
será conduzida tal como foi feito para a fundamental. O circuito equivalente para a fase A é
mostrado na Figura 13, sendo a tensão fornecida pela Série de Fourier dada por:

Va5 = 12,97 sen(5ω o t )

Figura 13

A tensão do circuito equivalente será:

r 12 ,97∠0 o
r Va 5 2 = 5,29∠30 o V
V = =
3∠ − 30 o
3∠ − 30 o

A impedância da fonte e da carga convertida para 300 Hz e adicionadas fornecem para a


impedância total do circuito equivalente:

Ẑ a 5 Ẑ A5 2 + j10 4 + j15
Ẑ = + = + = 2 + j8,33 = 8,57∠76 ,50 o Ω .
3 3 3 3

A corrente no circuito equivalente será:

r
r V 5,29∠30 o
I = = = 0 ,62∠ − 36 ,50 o A
Ẑ 8,57∠76 ,50 o

Como essa é a corrente na linha de transmissão, no interior do delta da fonte e da carga


circulará a corrente:

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

r
r I
IΔ = = 0,36∠ − 66,50 o A
3∠30 o

As correntes nas fases da fonte e da carga serão, portanto:

r
⎧ I a 5 = 0 ,36∠ − 66 ,50 o A
⎪⎪ r
Fonte ⎨ I b5 = 0,36∠54,50 o A (22)
⎪ r
⎪⎩ I c5 = 0 ,36∠ − 186 ,50 o A

r
⎧ I A5 = 0,36∠ − 66,50 o A
⎪⎪ r
C arg a ⎨ I B5 = 0,36∠54,50 o A (23)
⎪ r
⎪⎩ I C 5 = 0,36∠ − 186,50 o A

As tensões nos terminais da fonte e da carga serão iguais já que a linha de interligação das
mesmas não possui impedância, de modo que na carga tem-se:

r r
( )
V AB5 = Ẑ A5 I A5 = (4 + j15) 0 ,36∠ − 66,50 o = 5,59∠8,57 o V

Portanto, as tensões entre os terminais da fonte e da carga na freqüência fundamental serão:

r
⎧ Vab 5 = 5,59∠8,57 o V
⎪⎪ r
Fonte ⎨ Vbc1 = 5,59∠128,57 o V (24)
⎪ r
⎪⎩ Vca1 = 5,59∠ − 111,43o V

r
⎧ V AB1 = 5,59∠8,57 o V
⎪⎪ r
C arg a ⎨ V BC1 = 5,59∠128,57 o V (25)
⎪ r
⎪⎩ VCA1 = 5,59∠ − 111,43 o V

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

3.7 Valores Eficaz da Tensão e da Corrente

O valor eficaz da tensão tanto nos terminais da fonte como da carga será dada por:

V = V12 + V52

uma vez que as componentes contínua e de terceiro harmônico não contribuem com qualquer
valor. Utilizando-se os valores especificados em (16) e (24), o valor eficaz da tensão entre os
terminais da fonte e também da carga será:

V = 108,85 2 + 5,59 2 = 109 V

Portanto:

Fonte : Vab = Vbc = Vca = 109 V

C arg a : V AB = VBC = VCA = 109 V

Corrente Eficaz na Fonte e na Carga - O valor eficaz da corrente nas fases da fonte será
dada por:

I = I o2 + I12 + I 32 + I 52

de modo que substituindo os valores dados por (10), (14), (18) e (22) obtêm-se:

I = 100 2 + 21,77 2 + 4 ,03 2 + 0 ,36 2 = 102 ,42 A

Portanto:

I a = I b = I c = 102,42 A

Na carga, as componentes contínua e de terceiro harmônico não oferecem qualquer


contribuição, de modo que;

I = 21,77 2 + 0 ,36 2 = 21,77 A

Logo:

I A = I B = I C = 21,77 A

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

3.8 Potências

Potência Aparente - A potência aparente é dada por:

S = Vef I ef

Numa fase da carga tem-se:

S = 109 × 21,77 = 2.372,93 VA

e para cada uma das três fases:

S A = S B = S C = 2.372 ,93 VA

Na fonte, a tensão eficaz será:

2 2 2
⎛ 324 ,23 ⎞ ⎛ 36 ,03 ⎞ ⎛ 12 ,97 ⎞
Vef = 200 2 + ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ +⎜ ⎟ = 230 ,86 V
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

A potência aparente numa das fases da fonte será, portanto:

S = 230 ,86 × 102,42 = 23.644 ,68 VA

e para cada uma das três fases:

S a = S b = S a = 23,64 kVA

Potência Ativa - A potência ativa é dada pelo somatório da potência ativa demandada por
cada componente harmônica, de modo que, em geral, para o caso sob exame tem-se:

P = rI o2 + rI12 + rI 32 + rI 52

Numa das fases da fonte, essa potência será:

P = 2 × 100 2 + 2 × 21,77 2 + 2 × 4 ,03 2 + 2 × 0 ,36 2 = 20.980 ,61 W

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Série de Fourier
Aplicação na Resolução de Circuitos

Nas três fases serão:

Pa = Pb = Pc = 20,98 kW

Numa das fases da carga, a potência ativa será:

P = 4 × 21,77 2 + 4 × 0 ,36 2 = 1.896 ,25 W

Nas três fases da carga serão:

PA = PB = PC = 1,90 kW

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