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Embriaguez ( Teoria Ação Livre na Causa)

No caso em concreto, cumpre saber se ao sujeito se aplica o art 20/4 em virtude desta teoria,
na qual o agente provoca a anomalia psíquica com intenção (dolo direto ou dolo
necessário) de praticar o facto. Para esta teoria , a imputabilidade determinante é aquela
que existe num momento anterior à provocação da inimputabilidade, ou seja, o agente é
imputável quando se coloca na situação de inimputável, neste caso, o da ingestão do
álcool.

Ora, um exemplo clássico de aplicação desta teoria seria o da embriaguez pre-ordenada,


em que o agente, com a finalidade de cometer crime, colocando-se em estado de
inimputabilidade com a ingestão do álcool. Neste caso, aplicar-se-ia o artigo 20º/4 CP

Mas como ele no caso, não me parece que age com essa intenção de matar, há uma
embrieguez culposa, na medida em que o sujeito bebe, embriagando-se por
negligência ou imprudência, ou somente pela embriaguez propriamente dita. porém o
resultado criminoso não é querido pelo agente. Nestes casos, a aplicação desta teoria
é criticada, pelo facto de ser necessário que o elemento subjetivo do agente, que o
prende ao resultado, esteja presente na fase de imputabilidade. Ainda assim, esta
teoria aplica-se ao caso pois integra-se na mesma, como limite mínimo a possibilidade
de previsão em consequência do mesmo ou contentar-se com o risco…

Fora destes casos, na hipótese de imprevisibilidade da conduta criminosa, não há que


se falar em ação livre na sua causa, uma vez que a vontade do agente não poderia
dirigir-se a fim impossível de ser previsto. E aplicar-se-ia o artigo 295.
Em suma, para um fato ser considerado como de “actio libera in causa”, é necessário
que o resultado criminoso tenha sido querido ou previsto pelo sujeito na fase de
imputabilidade, ou ao menos que esse resultado fosse previsível para o agente.