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Curso online

ABORDAGEM CLÍNICA
DA CÁRIE DENTARIA

Módulo 1
Epidemiologia
da cárie dentária
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária

MÓDULO 1:
Epidemiologia da cárie dentária
RESUMO
A cárie dentária é uma doença de elevada prevalência em Portugal e no mundo, che-
gando a afetar praticamente toda a população adulta. Embora o seu padrão de distribuição
seja variável, mostra uma tendência para a redução nos países desenvolvidos e para o
crescimento ou estabilização nos países em vias de desenvolvimento.
Em Portugal foram desenvolvidos desde 2000 vários estudos nacionais sobre prevalên-
cia das doenças orais.
Do estudo de 2000 (DGS, 2000) destacam-se as seguinte conclusões:
• A percentagem de crianças livres de cárie aos 6 anos foi de 33% e era ainda inferior
ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde (50% para o ano 2000).
• O índice CPOD, isto é, o número de dentes cariados, perdidos e obturados na dentição
permanente, aos 12 anos, foi de 2.95, tendo-se atingido as metas da OMS para 2000
(CPO inferior a 3 para o ano 2000).
• O padrão de doença aos 15 anos, avaliado através do índice CPOD, foi de 4.72, 20%
do qual se reporta a dentes obturados e sem cárie. A percentagem de jovens livres de
doença cárie é de 18,9%, apresentando 75,7% todos os dentes.
Já o último Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais (DGS, 2008), destaca
a importância de, aos 6 anos de idade, 51% das crianças portuguesas estarem livres de
cárie, quer na dentição temporária, quer na permanente.
Dos resultados, destaca-se que o índice CPOD aos 6, 12 e 15 anos, foi de respectiva-
mente de 0,07, 1,48 e de 3,04.
Utilizando como referência os valores da OMS para o índice CPOD aos 12 anos, Portu-
gal com 1,48, classificava-se no estudo de 2000 entre os países de baixa prevalência de
cárie, tendo atingido em 2008 o valor preconizado para 2020 para a Região Europeia e que
deveria ser de 1,50.
De 2000 para 2008, no grupo etário dos 12 anos, verificou-se um aumento de 30% de
jovens com os dentes tratados por motivos de doença cárie.
Graças à uniformização da metodologia na recolha de informação, agora é possível
comparar a evolução da doença em populações ou países ao longo do tempo (http://www.
mah.se/capp/). Dita metodologia foi normalizada pela OMS nos diferentes guias apresenta-
dos detalhadamente neste documento, sendo igualmente disponibilizados as ligações para
a sua visualização completa.
Contudo, a metodologia proposta pela OMS permite identificar e registar lesões cavi-
tadas, pelo que se torna necessário recorrer a outro tipo de codificação e normalização
que permita registar as consequências da doença de uma forma mais precisa. Para isso, a
fundação ICDAS desenvolveu critérios de diagnóstico normalizado para registar diferentes
fases da lesão de cárie desde o seu início como mancha branca, permitindo também a
equivalência de alguns dos seus códigos aos critérios clássicos da OMS.

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Epidemiologia
da cárie dentária
OBJETIVOS
• Descrever a evolução da cárie dentária no mundo..
• Analisar a evolução da cárie dentária em Portugal, de acordo com indicadores epidemiológicos
comparáveis.
• Identificar os grupos mais vulneráveis ao risco de padecerem de cárie dentária, de acordo com
os resultados dos estudos epidemiológicos nacionais.
• Contributo para o estabelecimento de objectivos para a saúde oral na população portuguesa,
numa futura meta temporal, de acordo com a evolução natural das doenças orais.
• Apresentar os critérios necessários para comparar dados epidemiológicos.
• Descrever as características e os requisitos para realizar um inquérito epidemiológico de saúde oral.
• Mostrar as ferramentas que a OMS coloca à disposição dos investigadores para a recolha sis-
temática da informação epidemiológica.
• Analisar outras ferramentas disponíveis para a realização de estudos epidemiológicos de saúde
oral com recurso a metodologias validadas com base na evidência científica.

INTRODUÇÃO
A cárie dentária é uma doença crónica que pode ser prevenida. A aplicação de flúor
tópico e outras medidas, pode permitir a redução do risco de aparecimento de lesões de
doença cárie dentária e, em caso de surgimento de uma lesão de cárie, existem tratamen-
tos não invasivos eficazes para prevenir que cause um dano maior e provoque a perda
dentária.
Conforme afirma o Professor Poul-Erik Petersen, na altura responsável pela Divisão de
Saúde Oral na Organização Mundial da Saúde “ignorar os procedimentos terapêuticos não
operatórios na gestão da doença de cárie é biologicamente ilógico e eticamente inaceitável”
http://www.who.int/oral_health/en/
Uma boa saúde oral é um requisito preliminar para um
completo bem-estar físico, psíquico e social. A saúde oral é
fundamental para a saúde geral, o bem-estar e a qualidade
de vida. A boca é o habitat de milhões de microrganismos.
As bactérias orais podem chegar à corrente circulatória, A saúde oral é fundamental para...
...a saúde geral,
causando problemas sistémicos, especialmente em pessoas ...o bem-estar e
com défice imunitário. Uma afeção dentária pode estar na ...a qualidade de vida
origem de uma endocardite bacteriana ao permitir a circu-
lação de bactérias orais no sangue que podem colonizar os
tecidos cardíacos ou as próteses implantadas. Uma infeção
iniciada por uma cárie dentária não tratada pode chegar a
ameaçar a vida de um doente, afetando a capacidade respi-
ratória por oclusão das vias aéreas.
Muitos problemas de saúde estão associados às doen-
ças orais. A infeção crónica das gengivas dificulta o controlo
da glicemia e aumenta as complicações da diabetes. Uma
má saúde oral está associada a uma alimentação de baixa
qualidade, a pneumonias por aspiração e a endocardite bac-
teriana. A doença periodontal pode estar associada a artrite
reumatóide, a problemas associados à gravidez e à doença
coronária, embora não tenha sido ainda possível, demons-
trar uma relação causa-efeito.

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Os doentes com diabetes apresentam o dobro das probabilidades de necessitar trata-
mentos dentários urgentes que o resto da população. Os doentes com artrite reumatóide,
enfisema ou afeções hepáticas têm entre três e cinco vezes mais possibilidades de exigi-
rem tratamentos dentários urgentes que o resto da população. Estas associações persis-
tem, ajustando os fatores de risco comum.
Adicionalmente, a incapacidade de uma mastigação correta provoca a modificação do
padrão alimentar, evitando determinados alimentos mais difíceis de mastigar como a fruta
ou a carne, o que pode provocar importantes défices nutritivos que terão o seu reflexo na
saúde do indivíduo.
Uma boca saudável permite ao indivíduo comer, falar e socializar sem dor, mal-estar ou
complexos. O impacto da doença oral não afeta apenas o indivíduo (dor, mal-estar, impacto
na saúde geral e qualidade de vida), mas também tem impacto na comunidade através
das necessidades derivadas do sistema sanitário e dos custos económicos consequentes.

TEMA 1. EVOLUÇÃO DA CÁRIE DENTÁRIA NO MUNDO


Os estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) encontram-se agrupa-
dos em seis regiões. Cada região tem o seu escritório regional. O mapa mostra as regiões
da OMS e a localização dos escritórios regionais. (Fig.1).
• Escritório Regional para África
• Escritório Regional para as Américas
• Escritório Regional para o Sudeste Asiático
• Escritório Regional para a Europa
• Escritório Regional para o Mediterrâneo Oriental
• Escritório Regional para o Pacífico Ocidental

(Fig.1)

Mapa das
6 regiões
da OMS

A OMS é o organismo internacional encarregado da saúde pública. O seu papel histórico


e a sua participação nas políticas de saúde têm sido muito amplos. Desde finais da década
de 70, a saúde oral entrou decididamente no âmbito das suas preocupações. A partir de

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então, a organização fixou metas, concebeu sistemas de vigilância epidemiológica, promoveu
a realização periódica de estudos epidemiológicos que permitam conhecer o estado de saúde
oral das populações e desenvolver políticas públicas relacionadas com a saúde oral. Devido
ao problema colocado pela grande difusão da cárie dentária e às implicações económicas
relacionadas, este tem sido um dos objetivos das suas ações.
O Observatório Mundial da Saúde (GHO) é a porta de acesso da OMS para as estatísticas
mundiais relacionadas com a saúde. O objetivo deste portal consiste em proporcionar um
acesso fácil a dados e estatísticas dos países, centrados em estimativas comparáveis, a
análises da OMS para monitorizar a situação e as políticas de saúde dos países.
A seguinte ligação permite aceder ao último relatório publicado sobre saúde oral pela
OMS, cujos pontos fundamentais são resumidos a seguir.
http://www.who.int/oral_health/action/information/surveillance/en/index1.html
a) Em 1979 a OMS formulou os objetivos de saúde oral para 2000, (Fig.2), sendo um deles,
uma média de CPOD aos 12 anos inferior a 3 dentes afetados. Na Assembleia Mundial da
Saúde em 1979, esta declaração foi assinada por unanimidade como a principal prioridade
para a OMS. Em 1983 a saúde oral foi declarada como parte da Estratégia de Saúde para
Todos (WHA36.14) e em 1989 a Organização aprovou a promoção da saúde oral como parte
integral de saúde para todos em 2000 (WHA42.39). Além disso, o Dia Mundial da Saúde
em 1994 foi dedicado à Saúde Oral, o que também reflete a importância da Saúde Oral.
(Fig.2)
Objetivos em matéria de saúde bucodentária para 2000
• Uma percentagem de 50 % das crianças com 5-6 anos não deve ter cárie.

• O índice CAOD aos 12 anos não deve ultrapassar o valor de 3.

• Entre os jovens de 18 anos, 85 % devem conservar todos os dentes.

• Uma redução de 50 % do edentulismo nos adultos de 35-44 anos, em


comparação com os níveis de 1982.

• Uma redução de 25 % do edentulismo nos adultos de 65 ou mais anos,


em comparação com os níveis de 1982.

• Estabelecimento de um sistema de vigilância para monitorizar as


alterações em matéria de saúde bucodentária.
OMS, FDI.1981

b) A OMS criou sistemas de vigilância de doenças orais há vários anos, em particular rela-
tivamente à cárie dentária nas crianças. O primeiro mapa mundial com dados de CPOd
aos 12 anos de idade foi apresentado em 1969, mostrando uma elevada prevalência
de cárie nos países industrializados e valores em geral baixos nos países em vias de
desenvolvimento.
c) A OMS criou uma base de dados em que, ao longo dos anos, vão sendo introduzidos
dados que permitem conhecer a evolução da cárie nos diferentes países. Um número
crescente de estudos epidemiológicos realizados com a metodologia proposta pela OMS
demonstra os padrões de variação da cárie nos diferentes países, apresentando-se de
forma geral uma redução nos países desenvolvidos e uma estabilização ou aumento em
países em vias de desenvolvimento. (Figs.3).

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(Fig.3a)

Prevalência da
cárie dentária no
Index Teeth
mundo em crianças CPO

com 12 anos VERY LOW < 1.2

(1969) LOW 1.2-2.6

MODERATE 2.7-4.4
Realizado por Camilo Camargo da Universidade El Bosque. Faz parte HIGH 4.5-6.5
do Documento da Unidade de Saúde Bucodentária da OMS, de 7 de
abril de 1994, referência DMS94.2. VERY HIGH > 6.5

(Fig.3b)

Prevalência da
cárie dentária no
Index Teeth
mundo em crianças CPO
com 12 anos VERY LOW < 1.2

(1993) LOW 1.2-2.6

MODERATE 2.7-4.4
Realizado por Camilo Camargo da Universidade El Bosque. Faz parte HIGH 4.5-6.5
do Documento da Unidade de Saúde Bucodentária da OMS, de 7 de
abril de 1994, referência DMS94.2. VERY HIGH > 6.5

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(Fig.3c)

Índice CAOD
em crianças com
Index Teeth
12 anos (2003) CPO
VERY LOW 0.0-1.1

LOW 1.2-2.6

MODERATE 2.7-4.4
Petersen PE. Continuous improvement of oral health in the 21st cen- HIGH > 4.4
tury. The approach of the WHO Global Oral Health Programme. OMS.
Documento WHO 03.176; 2003. No data available

(Fig.3d)

Índice CAOD
dos 35 aos 44 anos
(2003)

Petersen PE. Continuous improvement of oral health in the 21st


century. The approach of the WHO Global Oral Health Programme.
OMS. Documento WHO 03.176; 2003.

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(Fig.3e)
Alterações no CAOD aos 12 anos em países desenvolvidos
e em vias de desenvolvimento
5

países desenvolvidos
3
TODOS OS PAÍSES

2
países em desenvolvimento

0
1980 1981 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998

Petersen PE. Continuous improvement of oral health in the 21st century. The approach of the WHO Global Oral Health
Programme. OMS. Documento WHO 03.176; 2003.

d) A evolução da doença de forma diferente nos vários países fez com que a OMS tivesse
avançado com novos objetivos de Saúde Oral para 2020, mas desta vez por Regiões,
de tal maneira que o Escritório Regional da OMS para a Europa especificou os objeti-
vos de saúde oro-dentária (meta 8.5) para 2020 como parte da “Política de Saúde 21”
(Figs.4). Os objetivos globais não pretendem ser prescritivos, mas o enquadramento
foi concebido principalmente para incentivar os encarregados de políticas de saúde a
nível regional, nacional e local a estabelecer normas para a saúde oral em relação à dor,
distúrbios funcionais, doenças infecciosas, cancro orofaríngeo, manifestações orais da
infeção por VIH, traumatismos, anomalias craniofaciais, cáries dentárias, anomalias do
desenvolvimento dos dentes, doença periodontal, doenças da mucosa oral, transtornos
das glândulas salivares, perda de dentes, serviços de saúde e sistemas de informação
de saúde.

(Fig.4a)
Guia para a elaboração dos objetivos regionais
em saúde oral para 2020

• Reduzir a dor oral: diminuição de episódios de dor, perda de horas de


trabalho devido a problemas dentários, etc.

• Reduzir desordens funcionais: impacto ao comer, falar, na vida social, etc.

• Reduzir os cancros orofaríngeos.

• Reduzir a cárie: aumento da percentagem de indivíduos sem cárie no grupo


de 5-6 anos, redução do índice CAOD no grupo de 12 anos com incidência
especial no componente C, atenção especial nos grupos de risco de cárie,
redução do componente A nas populações adultas.

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(Fig.4b)
Guia para a elaboração dos objetivos regionais
em saúde oral para 2020

• Reduzir as doenças periodontais: redução das perdas dentárias devido às


mesmas, redução da prevalência de doença periodontal ativa, aumento da
proporção de sujeitos periodontalmente saudáveis, etc.

• Reduzir as perdas dentárias: redução da percentagem de edêntulos em


populações adultas, aumento da média de dentes presentes funcionais, etc.

• Em relação aos serviços de saúde oral: definição de planos de saúde oral,


aumento da acessibilidade aos serviços dentários, aumento da proporção
de população coberta por um sistema de saúde adequado, etc.

Na sua nota informativa n.º 318 de Abril de 2012, a OMS apresenta os seguintes dados
relativos a saúde oro-dentária:
http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs318/en/

• As doenças oro-dentárias mais comuns são a cárie dentária e as periodontopatias.


• De 60 % a 90 % dos jovens e quase 100 % dos adultos no mundo têm experiência de cárie
dentária.
• As cavidades nos dentes podem ser prevenidas com recurso a um nível de flúor adequado
e mantido na cavidade oral.
• As doenças periodontais graves, que podem resultar na perda de dentes, afetam 15 % a
20 % dos adultos (de 35 a 44 anos), numa incidência que varia de acordo com a região
geográfica.
• Aproximadamente só 30 % das pessoas entre 65 e 74 anos têm dentes naturais.
• As doenças orais em crianças e adultos apresentam maior prevalência em grupos de
população com baixos recursos.
• Os fatores de risco para as doenças orais incluem a alimentação inadequada, o consumo de
tabaco, o consumo nocivo de álcool, a reduzida higiene oral e as determinantes sociais.
• A incidência de cancro bucodentário é de cerca de 10 casos por 100 000 habitantes na
maioria dos países.
• Os defeitos congénitos, como o lábio leporino e a fenda palatina, ocorrem em cada 500 a
700 nascimentos; a prevalência varia substancialmente entre distintos grupos étnicos ou
entre diferentes zonas geográficas.
• Entre 40 a 50 % das pessoas VIH positivas manifestam infeções fúngicas, bacterianas ou
víricas, que costumam aparecer no princípio da infeção.
• Entre 16 a 40 % das crianças dos 6 a 12 anos sofreram traumatismos dentários e o modo
de actuação perante um traumatismo dentário ainda não está minimamente difundido
entre os diferentes profissionais de saúde que podem socorrer essas crianças.
• A tradicional assistência odontológica com um padrão de actuação essencialmente curativo re-
presenta uma importante carga económica para muitos países de rendimentos mais elevados,
em que 5 % a 10 % da despesa pública em saúde está relacionada com a saúde oro-dentária.

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TEMA 2. EVOLUÇÃO DA CÁRIE DENTÁRIA EM PORTUGAL
Em Portugal foram desenvolvidas 2 metodologias diferentes para a recolha de dados de
saúde oral. Uma delas foi através do método pathfinder (Almeida, 1999) (Almeida, 2003),
já a segunda metodologia foi adoptada pela Direcção-Geral da Saúde e recorrer a um pro-
cesso de amostragem nacional por grupos etários. (DGS, 2000) (DGS, 2005) (DGS, 2008).
O mais recente Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais e que actualmente
está em fase de finalização recorre ainda a uma 3ª metodologia de classificação das doen-
ças orais, mas poderá permitir, a eventual, comparação com estudos Nacionais publicados
no passado.
Dado que a metodologia utilizada nos referidos estudos foi diferente, poderá dificultar
a utilização dos seus dados de forma comparativa, mas o mesmo poderá ser feito, com o
cuidado de minimização de um eventual viés.
Além da informação a nível nacional proporcionada pelos inquéritos mencionados, exis-
tem outros dados de algumas populações, mas sem a abrangência dos já referenciados. A
maioria destes dados reportam-se a estudos académicos cujo principal objectivo não seria
a descrição da realidade nacional ou regional.
O presente texto não fará referência a esses dados, mas que o leitor pode consultar em
diferentes bases de dados bibliográficos nacionais.
Ditos estudos evidenciam a melhoria da saúde em numerosos indicadores. Por exem-
plo, o índice CPOd (soma de dentes permanentes cariados, perdidos e obturados) aos 12
anos de idade, que é a idade referência recomendada pela OMS para avaliar a evolução da
cárie numa comunidade, mostra uma descida.

2.1. INFORMAÇÃO RECOLHIDA NOS ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS NACIONAIS


Os estudos epidemiológicos nacionais recolheram informação das coortes propostas
pela OMS para este tipo de estudos e algumas adicionais nos últimos estudos:
• Coorte de 6 anos
• Coorte de 12 anos
• Coorte de 15 anos
As variáveis sociodemográficas estudadas foram: idade, sexo e localização, de acordo
com a seguinte distribuição:
• Urbana para zonas populacionais com ≥100 000 habitantes
• Periurbana para zonas com 20 000 a 100 000 habitantes
• Rural para zonas populacionais até 20 000 habitantes
As variáveis de saúde foram avaliadas de acordo com os critérios propostos pela OMS
no seu documento: Oral Health Surveys - basic methods nas suas 3ª e 4ª edições, publi-
cados em 1987 e 1997, respectivamente.
• Cárie em dentição temporária e permanente, cpod e CPOd, respectivamente
• Estado periodontal (componentes do IPC)
• Fluorose dentária (índice de Dean)
Além das variáveis mencionadas foram introduzidas outras informações sobre a fre-
quência de escovagem oral.
Os observadores dos inquéritos foram calibrados de acordo com as metodologias apre-
sentadas nos respectivos estudos, tendo em alguns deles sido apresentada a concordância
inter-examinador e intra-examinador.

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2.2. EVOLUÇÃO DA CÁRIE DENTÁRIA EM PORTUGAL
No estudo de 2000 (DGS, 2000) a percentagem de crianças livres de cárie, quer na den-
tição temporária e também na permanente, era no grupo etário de 6 anos, de 33%, contra
os 10% de 1987 (Almeida, 1987).
Avaliadas as dentições em separado, estas percentagens sobem para 36% de crianças
sem cárie nos dentes temporários e para 87% nos dentes permanentes. É neste grupo
etário que os ganhos em saúde são, à altura, mais significativos.
Já aos 12 anos, a percentagem de jovens livres de cárie, avaliada em função de todos
os dentes existentes no momento da observação, foi de 27%. Na dentição permanente,
exclusivamente, essa percentagem foi de 40%.
Aos 15 anos de idade, 75,7% dos jovens portugueses tinham todos os dentes, 18,9%
livres de cárie em ambas as dentições e 29% não apresentava doença cárie nos dentes
permanentes.
Quanto às variações regionais para este indicador, para todas as coortes de nascimento
em estudo: 6 anos, os 12 anos e os 15 anos, destacavam-se as Regiões de Lisboa e Vale
do Tejo e do Algarve, com percentagens de crianças livres de doença cárie superiores às
da média nacional, e para as Regiões do Norte, do Alentejo e dos Açores, valores abaixo da
média nacional.
Este tipo de dados admite-se ter sido resultado do facto de terem sido adoptadas es-
tratégias comunitárias para as diferentes regiões de Portugal e que em estudos posteriores
(DGS,2008) já indicavam alguns ganhos em saúde para estas regiões com maior prevalên-
cia de doença oral.
Os resultados descritivos completos, com as suas distribuições, podem ser consultados
nas respectivas publicações indicadas na bibliografia.
Ainda no estudo de 2000 (DGS,2000) a prevalência da cárie na dentição temporária,
avaliada através do índice cpo (d), aos 6 anos de idade teve uma diminuição significativa,
passando de 5,9 em 1987 (Almeida, 1987) (aos 6-7 anos) para 3,6 em 1999 (aos 6 anos),
devido essencialmente à redução dos dentes cariados, que passaram de 4,2 (1986) para
3.3 (1999), por criança, com variações entre um mínimo de 2,88 para a RA da Madeira e
um máximo de 3,82 para a Região Alentejo.
O peso relativo dos dentes temporários cariados neste indicador é de 93%, encontran-
do-se tratados apenas 3,4%. O que denotava uma importância de estratégias operatórias
a par às estratégias preventivas não operatórias.
Já aos 12 e aos 15 anos, a análise da prevalência da doença na dentição temporária
apresentava-se irrelevante, em muito devido à deiscência fisiológica dos dentes temporários.
A prevalência da cárie na dentição permanente, avaliada aos 6, 12 e 15 anos, através
do índice CPOd, revela que o peso da componente “dente com cárie” no indicador era de
91,3%, apresentando apenas 8,7% das crianças os seus dentes tratados por motivo de
lesões de cárie.
No estudo de 2000 (DGS,2000) aos 12 anos de idade, o índice CPOD era de 2.95, tendo
tido uma redução importante em relação a 1987.
Estes valores permitiram o atingir das metas da OMS para este grupo etário, previstas
para o ano de 2000.

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Destacavam-se assimetrias regionais, tendo por base as Metas da OMS, em que o Al-
garve apresentava-se com 1,2, Lisboa e Vale do Tejo com 1,4, já por outro lado o Alentejo
tinha 5,6, a RA Açores tinha 4,5 e no Norte era de 3,9.
No valor médio do índice CPOd, verificou-se que o peso da componente dentes com
lesões de cárie era de 78,6% e dos dentes tratados por motivos de cárie era de 18%.
A maior parte das crianças com dentes cariados tinha entre 1 a 3, sendo que 28,5%
apresentavam 4 a 5 dentes cariados.
Aos 12 anos, e apesar das variações regionais, a percentagem de dentes com cárie
situava-se entre 57,1% e 86,4% e a dos dentes tratados entre 9,5% e 36,5%, Para as
diferentes regiões o Algarve apresentava a maior percentagem de dentes tratados: 36,6%,
seguido da RA Madeira, com 26,5%, e da Região de Lisboa e Vale do Tejo, com 25,3%, já
as regiões com menor número de dentes tratados por criança eram os Açores, com 9,5%,
seguida da Região do Alentejo, com 10,9%.
O peso da cárie dos 1ºs e 2ºs molares permanentes era muito significativo, contribuindo
com uma média de 2.25 do número de dentes cariados, perdidos e obturados.
Aos 15 anos de idade, 75,7% dos jovens portugueses têm todos os dentes, mas apenas
18,9% estava livre de cárie e a prevalência da doença era de 4.72, devida essencialmente
à componente de dentes cariados, os quais contribuíram com 70% do valor de CPOd.
A percentagem média de dentes tratados por motivos de lesões de cárie neste grupo
etário foi de 20,5%.

2.2.1. Evolução da cárie de acordo com a procedência dos participantes no estudo 2008.
De acordo com o estudo da DGS (2008) – o último publicado com dados de saúde oral
a nível nacional, os índices cpod/CPOd aos 6 anos era de 2,10 e de 0,07 respectivamente.
Já aos 12 e aos 15 anos, o índice de CPOd era de 1,48 e 3,04, respectivamente.
Relativamente à Fluorose Dentária foi determinada através do Índice de Dean e a pre-
valência era baixa em todos os grupos etários estudados e aos 6, 12 e 15 anos a percenta-
gem de casos “duvidosos” de fluorose (classe 1) era de 7%, 14% e 13% respectivamente.
Já nas classes seguintes de fluorose graus “leve e muito leve” (classes 2 e 3) era 4%, 7,2%
e 6%, respectivamente. A fluorose de grau “moderado” (Classe 4) foi observável em 1% de
cada grupo etário e a classe “intensa ou grave” (Classe 5) já os valores foram todos infe-
riores a 0,2%. Existindo diferenças estatisticamente significativas entre as várias regiões
do país avaliadas.
Os conhecimentos sobre os determinantes de saúde oral, nomeadamente, a importân-
cia da escovagem dos dentes, durante o dia e ao deitar e, do uso do fio dentário apresen-
tavam diferenças regionais significativas.

2.2.2. Conclusões do estudo epidemiológico de 2008 em relação à evolução da doença


cárie nas crianças e adolescentes portugueses.
a) A percentagem de crianças livres de doença cárie, aos 6 anos, passou de 10% em
1986, para 33% em 2000 e para 51% em 2008.
b) Já no grupo etário dos 12 anos o índice CPOD passou de 3,97 em 1986, para 2,95
em 2000 e para 1,48 em 2006.

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2.2.3. Dados preliminares sumários do estudo epidemiológico de 2012/2013 em relação à
evolução da doença cárie nas crianças e adolescentes portugueses.
Foi o último Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais realizado em Portugal
numa parceria entre a Direcção-Geral da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas, que teve
início em 2012 e cujos dados preliminares foram divulgados no Dia Mundial da Saúde Oral
(20 de Março) em 2015, para os grupos etários dos 6, 12 e 18 anos de idade.
Trata-se de um estudo descritivo, transversal, com representatividade nacional e tam-
bém para as 5 regiões de Saúde do continente e para as regiões autónomas dos Açores e
Madeira.
A amostra foi recolhida em Jardins de Infância e Escolas do ensino básico, públicas
e privadas, para os 6 e 12 anos, com 1326 e 1309 indivíduos, respectivamente; e nos
Centros de Divulgação da Defesa Nacional para a coorte dos 18 anos em que foram obser-
vados 1075 indivíduos. A amostragem foi realizada com base em dados populacionais da
população residente (INE) e ponderada para uma precisão regional de 7% para os 3 grupos
etários e com uma precisão global total de 1,4%.
O plano de corte para fazer a correspondência entre os critérios de diagnóstico entre
o ICDAS II e os critérios de CPOd no Estudo Nacional de 2008 foi assumido entre o código
4 e 5.
Assim, enquanto se aguarda a publicação final dos resultados, foi reportado que os
valores médios de cpod aos 6 anos são de 1,62, em que a componente Cárie (cd) assume
o maior “peso” com a média de 1,37 dentes afectados, a componente “Perdido por motivo
de cárie” (pd) a média de 0,03 dentes afectados e a componente “Obturado por motivo de
cárie” (od) a média de 0,22 dentes afectados.
Os valores médios de CPOd aos 12 anos foram de 1,18, com a média de 0,37 dentes
Cariados; 0,06 dentes “Perdidos por motivo de cárie” e 0,74 dentes “Obturados por moti-
vos de cárie”.
Por último, os valores médios de CPOd aos 18 anos foram de 2,51, com a média de 0,75
dentes Cariados; 0,23 dentes “Perdidos por motivo de cárie” e 1,53 dentes “Obturados por
motivos de cárie”.
Os resultados apontam ainda para que 54,8% das crianças com 6 anos estejam livres
de cárie, enquanto que, essa condição desce para 53% para jovens aos 12 anos e 32,4%
para jovens aos 18 anos.
Igualmente é reportado que a escovagem dentária diária acontece em 78,6% das crian-
ças com 6 anos, 89,8% dos jovens com 12 anos e 96,1% dos jovens com 18 anos.
Já a experiência reportada de consulta com um qualquer profissional de saúde oral foi
de apenas 57,6% aos 6 anos, o que manifesta um valor muito reduzido face aos guidelines
para a região europeia; por sua vez, os jovens aos 12 anos já reportam essa experiência
em 96,2% dos casos e em 96,1% dos jovens com 18 anos.

13 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
TEMA 3. GRAU DE CUMPRIMENTO DOS OBJETIVOS DE
SAÚDE ORAL EM RELAÇÃO À CÁRIE PARA 2015/2020
Apesar de não estar formal e estrategicamente descrito, Portugal deverá seguir as reco-
mendações da OMS, tal como outros países europeus, em termos da necessidade de definir
objetivos concretos em matéria de saúde oro-dentária de acordo com as necessidades das
populações e esses objectivos estão definidos, numa próxima fase para o ano 2020.
Assim, todos os agentes com responsabilidades na área da Saúde Oral deverão criar
sinergias com o enfoque nos objectivos indicados pela OMS, tanto para a população infantil
como para a população adulta e com a meta para 2020.
Atendendo que este Guia tem na sua génese um consenso ibérico, verifica-se que, por
exemplo, para Espanha os objetivos propostos foram promovidos, tanto pela Sociedade Es-
panhola de Epidemiologia e Saúde Pública Oral (SESPO), como pelo Conselho Geral de Odon-
toEstomatologia, em que a exequibilidade do seu cumprimento tem por base as tendências
acumuladas dos sucessivos inquéritos epidemiológicos realizados desde 1993 naquele país.

TEMA 4. ANÁLISE ESPECÍFICA DOS INDICADORES DE SAÚDE


ORAL EUROPEUS RELATIVOS À CÁRIE (EGOHIDP, 2005)
Juntamente com os indicadores já comentados, será feita referência também à análise
específica dos indicadores de saúde oral europeus relativos à cárie (EGOHID, 2005). Em
2005, a Direção Geral da Saúde e Proteção aos Consumidores da União Europeia desen-
volveu um Catálogo de Indicadores Essenciais de Saúde Oral cuja finalidade é permitir a
análise comparativa dos estados-membros (Bourgeois, 2008) (EU,2009).
Nos gráficos (Fig.5) são incluídos os indicadores derivados do Inquérito Nacional 2010.
Entre parênteses é indicada a codificação de cada condição clínica com base no Catálogo
Europeu.

Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
(Fig.5) da cárie dentária

Indicadores Europeus para a Monitorização


da Saúde Oral em Espanha, 2010. Na População Geral.
Indicador [código] Idade N %
Escovagem diária com pasta dentífrica 12 anos 573 93,9
fluoretada [A.1] 15 anos 546 93,4
Prevalência de obturadore [A.8] 12 anos 573 22,2
15 anos 546 17,4
Cáries em primeiros molares permanentes 6 anos 294 0,05
[A.11] 12 anos 573 0,83
Fluorose dentária [A.12] 12 anos 540
Normal 80,9
Questionável 8,1
Muito ligeira 4,6
Ligeira 5,3
Moderada 0,9
Severa 0,0
Prevalência de cárie não tratada [B.9] 6 anos (temporária) 288 26,7
6 anos (permanente) 294 3,5
12 anos 573 25,5
15 anos 546 27,5
35-44 anos 512 56,5
65-74 anos 486 43,5
Aconselhamento de Saúde Periodontal [B.10] 15 anos 528 Sextantes
Saúde gengival 22,0 3,32
Gengivite 78,0 2,53
Código X IPC 0,15
35-44 anos 512
Saúde gengival 16,0 2,67
Gengivite 15,0 1,36
Bolsas 4-5 mm. 11,0 0,40
Bolsas ≥6 mm. 5,0 0,11
Código X IPC 0,24
65-74 anos 426
Saúde gengival 5,8 0,83
Gengivite 8,4 0,81
Bolsas 4-5 mm. 18,8 0,39
Bolsas ≥6 mm. 10,4 0,16
Código X IPC 2,86
Prevalência de Próteses amovíveis [B.11] 35-44 anos (superior) 512
Parcial 2,4
Completa 0,6
35-44 anos (inferior) 512
Parcial 1,4
Completa 0,0
65-74 anos (superior) 486
Parcial 12,8
Completa 22,5
65-74 anos (inferior) 486
Parcial 16,7
Completa 17,1
Libres de caries cavitada [B.12] 5-6 anos (temporária) 540 63,3
5-6 anos (permanente) 540 96,3
Llodra JC. RCOE 2012.

12 anos 573 55,0


15 anos 546 45,2
35-44 anos 512 8,2
65-74 anos 486 5,8
Gravidade da cárie [B.13] c/C a/A o/O
5-6 anos (temporal) 540 1,17 0,85 0,03 0,29
5-6 anos (permanente) 540 0,06 0,05 0,00 0,01
12 anos 573 1,12 0,51 0,02 0,59
15 anos 546 1,72 0,66 0,02 1,04 a
Inclui os códigos
35-44 anos 512 6,75 0,97 1,39 4,39 1 (gengivite)
e 2 (cálculo) do CPI.
65-74 anos 486 14,66 0,96 11,9 1,80 b
Com 21 ou mais
Prevalência de oclusão funcional [B.16]b 35-44 anos 512 96,6 dentes naturais
em oclusã.
67-74 anos 486 44,3

15 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
TEMA 5. CRITÉRIOS PARA COMPARAR DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
Os estudos epidemiológicos apresentados anteriormente podem ser comparados entre
si, graças ao facto de ter sido utilizada a mesma metodologia na realização. Os métodos
utilizados para o seu desenvolvimento são descritos num manual publicado pela OMS inti-
tulado: “Inquérito de saúde oro-dentária”.
Este manual foi publicado pela primeira vez em 1971 e desde então já tem cinco edi-
ções. Para os inquéritos nacionais realizados desde 1993 até 2010, foram utilizados os
critérios da terceira e quarta edições. Por último, em 2013, foi publicada a quinta edição,
disponível apenas em inglês na seguinte ligação:
http://www.icd.org/content/publications/WHO-Oral-Health-Surveys-Basic-
Methods-5th-Edition-2013.pdf
Este manual, serviu também para preparar e treinar a avaliação dos estados de Saúde
Oral a partir do qual se proporciona uma base sólida para estimar as necessidades atuais
e futuras de assistência da saúde oro-dentária da população, tecnicamente proporciona
dados mais fiáveis para o desenvolvimento de programas de saúde oro-dentária de caráter
nacional ou regional e serve para o planeamento do número e dos tipos apropriados de
recursos para a assistência oro-dentária.

5.1. CONCEÇÃO DO INQUÉRITO DE SAÚDE ORAL DA OMS


“Oral Health Country/Area Profile Project” (CAPP), é um órgão colaborativo da OMS,
sediado na Universidade de Malmö. Na página web, disponível na seguinte ligação:
http://www.mah.se/CAPP/
Encontra-se toda a informação relativa a inquéritos epidemiológicos de saúde oral e a
sua metodologia.
De acordo com a recomendação da OMS, é utilizado um sistema normalizado de infor-
mação, os dados são apresentados por grupos de idade uniformes para proporcionar com-
parações inter e intranacionais do estado de saúde oral. Serão revistos os riscos essenciais
para a saúde oral e é incorporado um Banco de Ideias sobre programas de saúde oral nos
diferentes países e regiões.
Dispõe também de uma folha Excel que permite auxiliar na organização dos dados e
fazer os cálculos dos índices epidemiológicos mais usuais.

5.1.1. Características essenciais que definem um estudo epidemiológico de saúde oral


com a metodologia OMS.
Os inquéritos de saúde oro-dentária da OMS podem ser de tipo piloto ou nacional,
dependendo do número de sítios de amostragem e os grupos etários. Um inquérito-piloto
inclui unicamente os subgrupos mais importantes da população e somente um ou dois
grupos de idades índice, geralmente 12 anos e outro grupo de idade. Este tipo de inquérito
proporciona a quantidade mínima de dados necessária para a planificação de um pro-
grama. Um inquérito nacional incorpora suficientes lugares de exame para cobrir todos
os subgrupos importantes da população onde pode haver diferentes níveis de doença ou
necessidades de tratamento e pelo menos três grupos etários. Este tipo de inquéritos é
indicado para a recolha de dados para planeamento e monitorização de serviços em todos
os países ou regiões, qualquer que seja o nível de doença, disponibilidade de recursos, ou
complexidade dos serviços.

16 Formação
5.1.2. Métodos de amostragem. MÓDULO 1:
Epidemiologia
A OMS desenvolveu um método de amostragem chamado “Pathfinder” para inquéritos
da cárie dentária
básicos de saúde oral. Consiste numa técnica de sondagem estratificada que permite in-
cluir os principais subgrupos populacionais afetados em graus diversos pelos processos
bucodentários a estudar. Isto permite, com um baixo custo, conhecer dados estatistica-
mente representativos da população estudada. Por isso, a OMS recomenda os seguintes
subgrupos etários:
• 5 anos para os dentes temporários: O exame deve ser realizado entre o quinto e sexto
aniversários. Em muitos países é a idade em que as crianças começam a escola. Nos pa-
íses onde o ingresso na escola for posterior, por exemplo, aos seis ou sete anos, podem
ser utilizadas estas idades, embora se deva assinalar a idade média nos resultados.
• 12, 15, 35 - 44 e 65 - 74 para os dentes permanentes.
- 12 anos. Esta idade é fundamental já que, em muitos países, é a idade em que as
crianças saem da escola primária e, portanto, a última idade em que é possível obter
facilmente uma amostra, aproveitando a escolarização. É a idade de eleição para as
comparações internacionais de tendência de cárie.
- 15 anos. Resulta de utilidade para comparar com o grupo anterior e estudar a ten-
dência da cárie. É uma idade crítica para a avaliação dos indicadores de periodonto-
patias em adolescentes.
- 35 - 44 anos. É o grupo normalizado de vigilância do estado de saúde dos adultos. Os
dados obtidos neste grupo de idade proporcionam informação sobre o efeito total da cá-
rie dentária, o nível de periodontopatias e os efeitos gerais da assistência proporcionada.
- 65 - 74 anos. Este grupo de idade ganhou mais importância com o envelhecimento
populacional ao ocorrer atualmente em todos os países variações da distribuição de
idades e aumentos da longevidade. Deve ter-se cuidado para o facto da amostra de-
ver incluir pessoas com diferentes graus de autonomia e funcionalidade.
O número e a distribuição dos locais de amostragem dependem dos objetivos do estudo.
Os resultados devem estar relacionados com as divisões administrativas de uma região ou
país, cidade capital, os principais centros urbanos e as cidades pequenas ou zonas rurais.
Nos países em que há várias zonas geofísicas diferentes, é usual incluir pelo menos um
subgrupo da amostra em cada tipo de área.
Se houver vários grupos étnicos na população, pode haver diferenças na expressão de
doença e vai ser útil incluir amostras separadas de cada um destes grupos nas subdivisões
principais do inquérito.
Entre 10 e 15 pontos de amostragem costumam ser suficientes para os países com
pequenas populações. No entanto, se houver grandes centros urbanos no país, poderia ser
necessário localizar vários pontos de amostragem adicionais, em pelo menos duas cidades
importantes.
Os grupos da amostra para cada idade ou grupo de idade podem ser divididos da
seguinte maneira:

URBANA 4 locais na cidade capital ou da área metropolitana (4 x 25 = 100)

URBANA 2 locais urbanos em cada uma das duas grandes cidades (2 x 2 x 25 = 100)

Um local em cada uma das quatro aldeias


RURAL (4 x 25 = 100)
de diferentes regiões

TOTAL 12 locais x 25 sujeitos = 300

17 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
5.1.3. Recolha dos dados.
Os dados são recolhidos em condições normalizadas em termos de equipamento, zona
de exame, posição do examinador e do examinado, fonte de luz e formulário de recolha de
dados, tudo isso descrito no manual e importante para a consistência das observações.
O formulário de recolha de dados pretende agrupar toda a informação necessária para
a avaliação da saúde oro-dentária da população explorada. Em todas as secções do for-
mulário devem ser utilizados códigos normalizados para ser possível tratar os dados com
um programa informático. Estes códigos devem ser anotados, correspondente ao dado
que está a ser recolhido, identificada a respectiva localização no ficheiro do computador e
sempre com o cuidado de minimizar eventuais erros de registo. Se algumas das avaliações
da ficha não puder ser realizada, ou se não forem aplicáveis ao grupo de idade examinado,
as secções sem utilizar do formulário devem ser anuladas traçando uma linha diagonal ou
escrevendo o código 9 na quadrícula correspondente não registada. Na seguinte ligação
é fornecido o formulário de 1997 que está traduzido para espanhol. (Fig.6). O documento
de 2013 e os seus códigos estão disponíveis apenas em inglês na ligação do documento
completo.

(Fig.6)
Recolha dos dados
FORMULÁRIO OMS DE EVOLUÇÃO DA saúde oro-dentária (1997)

Organización Mundial de la Salud 1997.

18 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
O sistema de nomenclatura utilizado nesta ficha de exploração corresponde ao da Fe-
deração Dentária Internacional (FDI). Caracteriza-se por ser um sistema de dois dígitos em
que o primeiro dígito se refere ao quadrante da boca e o segundo ao dente em questão.
Ao designar os dentes, o examinador deve pronunciar primeiro o número do quadrante e
depois o número do dente: por exemplo, o segundo incisivo superior direito permanente,
12 «um-dois» em vez de «doze» ou de «um ponto dois». (Fig.7).

(Fig.7) Recolha dos dados


Nomenclatura de los dientes según la FDI

CÓDIGOS DOS DENTES PERMANENTES


SUPERIOR

18 17 16 26 27 28
15 14 13 12 11 21 22 23 24 25

48 38
47 46 45 44 43 42 41 31 32 33 34 35 36 37

DIREITA ESQUERDA

INFERIOR

CÓDIGOS DOS DENTES PRIMÁRIOS


SUPERIOR

55 54 53 52 51 61 62 63 64 65

85 84 83 82 81 71 72 73 74 75

DIREITA ESQUERDA
INFERIOR
Organização Mundial da Saúde 1997.

A informação referente à recolha de dados sobre cada uma das patologias a explorar,
encontra-se com detalhe no manual, tanto no relativo à metodologia a seguir, como no que
concerne aos índices utilizados para a classificação dos diferentes graus ou estádios da
doença. É possível encontrar também informação detalhada na seguinte hiperligação:
http://www.mah.se/CAPP/Methods-and-Indices/for-Measurement-of-dental-
diseases/Extracts-from-WHO-Oral-Health-Surveys/Dentition-status/

5.1.4. Licenças e autorizações.


Deve ser obtida autorização por escrito das autoridades locais, regionais ou nacionais
para examinar os distintos grupos de população. Por exemplo: para o caso da realização do
exame em estudantes é necessário dirigir-se às autoridades da escola para explicar a fina-
lidade do inquérito e obter a sua aprovação e igualmente obter consentimento informado,
livre e esclarecido dos participantes ou representantes legais.

O organizador local do inquérito tem a responsabilidade de conhecer as práticas locais


em relação à autorização e ser a salvaguarda que todas as Normas são observadas.

19 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
5.1.5. Fiabilidade e validade dos dados.
É primordial que os examinadores participantes no inquérito epidemiológico sejam for-
mados e treinados antes da realização de um trabalho de campo, de modo que as suas
avaliações clínicas sejam coerentes para minimizar a variabilidade diagnóstica. A essa
formação e treino é designada de “Calibração”.
A formação tem três objetivos:
• Assegurar critérios uniformes de diagnóstico para todos os examinadores.
• Treinar os examinadores para que possam repetir o seu diagnóstico, isto é, medir a
coerência intraexaminador.
• Reduzir ao máximo as possíveis diferenças entre os examinadores, isto é, medir a
coerência interexaminador.
Deve ser utilizado para a formação e para a avaliação de um epidemiologista experiente
com formação na metodologia recomendada pela OMS para estes inquéritos. A OMS pode
facultar assistência para a formação e a avaliação dos examinadores.
A calibração dos futuros examinadores é complementar à formação e permite medir o
grau de acordo entre os examinadores com o calibrador-padrão ou Golden Standart, que é
quem marca o critério para o qual todos devem convergir, e de cada examinador consigo
próprio.
A forma mais simples de determinar o grau de acordo é a percentagem de concor-
dância entre os graus, por exemplo, a percentagem de sujeitos a que dois examinadores
atribuíram o mesmo valor. No entanto, no caso da cárie, se a prevalência da doença for
baixa, este método não proporciona uma medida exata da reprodutibilidade. Uma maneira
mais fiável de avaliar a concordância entre examinadores consiste em encontrar o valor
Kappa, que relaciona a concordância real com o nível de concordância que teria sido obtida
aleatoriamente (Figs.8).

(Fig.8a)
Fiabilidade e validade dos dados
Calibração de examinadores
O índice Kappa pode ser calculado a partir do seguinte quadro de 2x2.

Examinador 2
Examinador 1
Saudável Cariado Total

Saudável A C A+C
Cariado B D B+D
Total A+B C+D A+B+C+D
A: Proporção de dentes que os dois examinadores consideram saudáveis.
B: Proporção de dentes que segundo o examinador 1 estão cariados e que segundo o examinador 2 estão saudáveis.
C: Proporção de dentes que segundo o examinador 1 estão saudáveis e que segundo o examinador 2 estão cariados.
D: Proporção de dentes que os dois examinadores consideram cariados.
Organização Mundial da Saúde 1997.

20 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
(Fig.8b)
Fiabilidade e validade dos dados
Calibração de examinadores
P0 - Pe Quando existir
A fórmula do índice Kappa é a seguinte: K= concordância total
1 - Pe K=1

Em que:
P0 = proporção de concordância observada (A+D).
Pe = proporção de concordância previsível se o processo
tivesse sido aleatório (A+C) x (A+B) para os dentes saudáveis e
(B+D) x (C+D) para os dentes cariados.

Portanto:

(A+C) x (A+B) + (B+D) x (C+D)


Pe=
(A+B+C+D)2
Organização Mundial da Saúde 1997.

(Fig.8c)
Fiabilidade e validade dos dados
Valoração do índice Kappa

Valor Grau de concordância

< 0,00 Pobre


0,00 – 0,20 Ligeiro
0,21 – 0,40 Razoável
0,41 – 0,60 Moderado
0,61 – 0,80 Substancial
0,81 – 1,00 Quase perfeito

Escala de Landis e Hoch

TEMA 6. OUTRAS FERRAMENTAS DISPONÍVEIS PARA A


REALIZAÇÃO DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS BASEADOS
NA EVIDÊNCIA CIENTÍFICA
Embora os critérios diagnósticos de cárie propostos pela OMS sejam atualmente os
mais utilizados para a realização de estudos epidemiológicos, não é menos verdade, que
grande parte da doença não fica registada, já que apenas as lesões cavitadas serão inclu-
ídas. Especialmente nos países em que a prevalência da doença mostra uma tendência
decrescente e com critérios de atuações minimamente invasivas, é necessário identificar
as lesões de cárie a partir de idades mais precoces e conhecer, desde um ponto de vista
epidemiológico o alcance do problema desde estádios evolutivos mais precoces da doença.
Com base nisso e com uma perspetiva muito mais ampla que a epidemiológica, a Fun-
dação ICDAS desenvolveu procedimentos para identificar a doença em estádios precoces
e até para estabelecer o grau de atividade das lesões. Toda a informação está disponível na
seguinte ligação: www.icdas.org.

21 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária
No módulo correspondente ao diagnóstico de cárie será desenvolvido com detalhe o ín-
dice ICDAS para o diagnóstico clínico das lesões, mas neste capítulo pretende-se adiantar
a utilização que já está a ser realizada do dito índice em estudos epidemiológicos e a cor-
relação estabelecida entre os códigos propostos pelo sistema ICDAS e a sua transposição
para o índice CPOD utilizado pela OMS.
O ICDAS é definido pelos seus autores como um sistema lógico simples, baseado na
evidência para a deteção e a classificação de cárie em educação dentária, prática clínica,
investigação e saúde pública.
Dispõe de uma aplicação para iPAD de grande utilidade na sua vertente de aplicação
em epidemiologia, que pode ser descarregado na seguinte hiperligação:
https://itunes.apple.com/gb/artist/healthcare-learning-company/id404543997
Permite uma série de funções, tais como a transformação dos dados nos diferentes
índices: ICDAS, ICDAS modificado e OMS, obtenção de gráficos, exportação dos dados
para efetuar cálculos e opção de obter informação sobre a atividade das lesões. Para o
desenvolvimento deste software, a Fundação ICDAS contou com o apoio da Colgate Europa.

6.1. USO DO SISTEMA ICDAS-II EM ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS


A aplicação do ICDAS em estudos epidemiológicos é confirmada pela atual utilização em
diferentes estudos deste tipo, bem como por estudos de calibração de observadores, realiza-
dos in vitro e in vivo.
O artigo de Ismail e col., descreve com detalhe cada um dos códigos de 0 a 6 do sis-
tema ICDAS. De forma resumida, é mostrado na seguinte imagem, que também apresenta
um modelo em espanhol, aplicável em uso manual com a possibilidade de dois dígitos, um
correspondente ao estádio da lesão de cárie e outro referente à situação de tratamento
(Figs.9).

(Fig.9a)
Códigos ICDAS

Códigos de restauração Códigos de cáries


e obturação
0= Superfície saudável
0= Não obturado ou restaurado 1= Primeira alteração visual no esmalte
1= Obturação parcial 2= Alterações distintas visuais no esmalte
2= Obturação completa 3= Rutura de esmalte sem dentina visível
3= Restauração estética 4= Sombra escura da dentina sob o
4= Restauração de amálgama esmalte (não cavitária na dentina)
5= Coroa de aço 5= Cavidade com dentina visível
6= Coroa de porcelana, ouro ou 6= Cavidade extensa na dentina
revestimento
7= Restauração partida ou perdida Dente perdido
8= Restauração temporária
97= Extraído por cárie
É utilizado um código de dois dígitos 98= Perdido por outras causas
99= Não eruptivo

22 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária

(Fig.9b) SUPERIOR SUPERIOR

SUPERFÍCIE
DIREITO 55 54 53 52 51 61 62 63 64 65 ESQUERDO

18 17 16 15 14 13 12 11 21 22 23 24 25 26 27 28
M
O
D
B
L

SUPERIOR SUPERIOR
SUPERFÍCIE

DIREITO 85 84 83 82 81 71 72 73 74 75 ESQUERDO

48 47 46 45 44 43 42 41 31 32 33 34 35 36 37 38
M
O
D
B
L

Para utilizar os critérios ICDAS em estudos epidemiológicos são essenciais as seguintes


condições para que os exploradores consigam avaliar cada um dos códigos de cárie com
precisão: Uma fonte de luz; os dentes limpos e ar comprimido para secagem. Os códigos
ICDAS podem ser utilizados para examinar os dentes limpos sem possibilidade de seca-
gem, mas os dados registados desta maneira podem não ser comparáveis de forma fiável
com outros dados recolhidos com o sistema ICDAS, ficando comprometida a sensibilidade
da exploração. Neste caso os códigos 1 não podem ser detetados e devem ser omitidos
da lista de códigos. Para esta aplicação, sugere-se introduzir novos códigos ICDAS que
utilizam letras em vez de números para destacar que os códigos não são totalmente com-
paráveis com dados ICDAS obtidos em condições ideais. Neste caso, os códigos 1 e 2 são
recolhidos como “a”.
Para o cálculo dos índices de cárie clássicos, baseados nos critérios OMS, concreta-
mente o CPOD, está permitido, tanto pelos próprios autores do ICDAS, como por estudos
independentes, utilizar como ponto de corte o valor “3” do índice, referente à gravidade da
lesão. A seguinte figura extraída da página web da colaboração ICDAS mostra uma imagem
representativa daquilo que se acaba de descrever. (Figs.10).

(Fig.10a)

23 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária

(Fig.10b)

24 Formação
MÓDULO 1:
Epidemiologia
da cárie dentária

REFERÊNCIAS
1. Almeida, CM; Emílio, MC; Moller, I; Marthaler, T; «Inquérito Nacional de Prevalência e Necessidades de
Tratamento das Doenças da Cavidade Oral (Fase 1). Conversão em Tempos de Trabalho e Recursos
Humanos», ESMDL, Lisboa 1987.
2. Guía de práctica clínica para la prevención y tratamiento no invasivo de la caries dental (parte 1).
3. Petersen PE. The World Oral Health Report 2003: continuous improvement of oral health in the 21st
century – the approach of the WHO Global Oral Health Programme. Community Dent Oral Epidemiol
2003; 31 (suppl.1): 3-24.
4. Organisation Mondiale de la Santé. Global Oral Health Data Bank. Genève: Organisation mondiale de
la Santé, 2002.
5. Hobdell M, Petersen PE, Clarkson J, Johnson N. Global goals for oral health 2020. Int dent Jour
(2003) 53, 285-288.
6. Nelson S, Eggertsson H, Powell B, Mandelaris J, Ntragatakis M, Richardson T, Ferretti G. Dental
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