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PV2D-07-POR-34

PV2D-07-POR-34 Língua Portuguesa 3 LiteraturaLiteratura ColonialColonial Capítulo 1 01. Classifique as cantigas abaixo,
PV2D-07-POR-34 Língua Portuguesa 3 LiteraturaLiteratura ColonialColonial Capítulo 1 01. Classifique as cantigas abaixo,
PV2D-07-POR-34 Língua Portuguesa 3 LiteraturaLiteratura ColonialColonial Capítulo 1 01. Classifique as cantigas abaixo,

Língua Portuguesa 3

PV2D-07-POR-34 Língua Portuguesa 3 LiteraturaLiteratura ColonialColonial Capítulo 1 01. Classifique as cantigas abaixo,
PV2D-07-POR-34 Língua Portuguesa 3 LiteraturaLiteratura ColonialColonial Capítulo 1 01. Classifique as cantigas abaixo,
LiteraturaLiteratura ColonialColonial
LiteraturaLiteratura ColonialColonial

Capítulo 1

01.

Classifique as cantigas abaixo, usando o código:

I. de amor

III.

de escárnio

II. de amigo

IV.

de maldizer

a) (

)

Pela ribeira do riso salido (1)

trebelhei (2), madre, con meu amigo:

amor ei migo, que non ouvesse; (3) fiz por amigo que non fezesse! (4) Pela ribeira do rio levado trebelhei, madre, com meu amado:

amor ei migo, que non ouvesse, fiz por amigo que non fezesse!

Vocabulário

João Zorro

1.

“Pela margem onde corre o rio”;

2.

“brinquei”;

3.

“Antes não tivesse tanto amor comigo”;

4.

“Fiz pelo meu amigo o que não devia ter feito”.

b) )

(

Ua donzela coitado

d’amor por si me fez andar;

e en sas feituras falar

quero eu, come namorado:

rostr’agudo como foron, barva no queix’eno granhon (1),

e o ventre grand’e inchado. Sobrancelhas mesturadas, grandes e mui cabeludas, Sobre-los olhos merjudas;

e

as tetas pendoradas

e

mui grandes, per boa fé;

a

un palm’ e meio no pé

e

no cós três polegadas.

 

Pero Viviães

Vocabulário: 1. bigode

c) (

)

Que razon cuidades vós, mia senhor, dar a Deus, quand’ant’El fordes, por mi, que matades, que vos non mereci outro mal se non que vos ei amor, aquel maior que vol’ eu poss’aver; ou que salva (1) lhi cuidades fazer da mia morte, pois per vós morto for?

 

D. Dinis

Vocabulário: 1. desculpa

d)

(

Pero Rodriguez, da vossa molher

non creades mal que vos ome diga,

ca entend’eu dela que ben vos quer

)

e

quem end’al disser, dirá nemiga (1);

e

direi-vos em que lhe entendi:

en outro dia, quando a fodi,

mostrou-xi-mi muito por voss’amiga.

Martim Soares

Vocabulário: 1. mentiras, falsidades.

Leia o texto a seguir e responda à questão 02.

Ai, madre, bem vos digo:

mentiu-mh o meu amigo:

sanhuda lh’and’eu’. Do que mh-ouve jurado, pois mentiu per seu grado, sanhuda lh’and’eu’.

Non foi u ir avia. mais bem des aquel dia sanhuda lh’and’eu’.

Non é de mi partido, mais por que mh-á mentido, sanhuda lh’and’eu’.

In: PINA, Julieta Moreno. O tempo e a palavra. Porto, Portugal: Areal editores, 1991, p.33.

Vocabulário

Madre: mãe

Sanhuda lh’and’eu’: ando zangada com ele

Mentiu per seu grado: mentiu porque o quis fazer

Non foi u ir avia: não foi aonde havia de ir

Non é de mi partido: não rompi (o relacionamento) com ele

02.

O paralelismo é um recurso muito utilizado no gênero lírico de várias épocas e consiste na repetição de ver- sos ou na correspondência de construções sintáticas. Transcreva da cantiga os versos que utilizam esse recurso e justifique essa utilização.

03.

Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia de Guilhade.

Unifesp

Un cavalo non comeu

á seis meses nen s’ergueu

mais prougu’a Deus que choveu,

creceu a erva,

e

per cabo si paceu,

e

já se leva!

Seu dono non lhi buscou cevada neno ferrou:

mai-lo bon tempo tornou, creceu a erva,

e

e

paceu, e arriçou, já se leva!

Seu dono non lhi quis dar cevada, neno ferrar; mais, cabo dum lamaçal creceu a erva,

e

paceu, e arriç’ar,

e

já se leva!

CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. harmonia mundi usa, 1995.

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de:

a) escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo, que dele não cuidara, mas, graças ao bom tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho.

b) amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu graças à chuva e ao bom tempo.

c) escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, ali- mentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o maltratava.

d) amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se.

e) maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixando- o entregue à própria sorte para obter alimento.

04. Mackenzie-SP

Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto afirmar que:

a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas.

b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade.

c) pode ser dividida em lírica e satírica.

d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal.

e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu lírico feminino.

05.

Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo

E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado, se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,

O

porque eu sospiro!

E

ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado porque ei gran cuidado!

E ai Deus, se verrá cedo!

Cossante

Martim Codax

Ondas da praia onde vos vi, Olhos verdes sem dó de mim,

Ai avatlântica!

Ondas da praia onde morais, Olhos verdes intersexuais.

Ai avatlântica!

Olhos verdes sem dó de mim,

Olhos verdes, de ondas sem fim,

Ai avatlântica!

Olhos verdes, de ondas sem fim, Por quem jurei de vos possuir,

Ai avatlântica!

Olhos verdes sem lei nem rei Por quem juro vos esquecer,

Ai avatlântica!

In Estrela da vida inteira, José Olympio/ INL, 1970. Manuel Bandeira

Aponte semelhanças entre a cantiga de Martim Codax e o poema do poeta modernista Manuel Bandeira.

06.

I.

(

Rui Queimado morreu com amor em seus cantares, par Sancta Maria, por a dona que gran ben queria,

e, por se meter por mais trovador,

porque lh’ela non quis [o] ben fazer, fez-s’el en seus cantares morrer, mas ressurgiu depois ao tercer dia!

)

Esto fez el por ua sa senhor que quer gran ben, e mais vos en diria:

porque cuida que faz i maestria, enos cantares que fez a sabor de morrer i e desi d’ar viver; esto faz el que x’o pode fazer, mas outro’omem per ren non [n] o faria. (

)

P. Garcia Burgalês

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II. (

)

En gran coita, senhor,

que pelor que mort’ é,

vivo, per bõa fé,

e polo vosso amor

esta coita sofr’eu

por vés, senhor, que eu

vi pelo meu gran mal

III. (

)

D. Dinis

Vaiamos, irmã, vaiamos dormir

nas ribas do lago, u eu andar vi

a las aves meu amigo.

Vaiamos, irmã, vaiamos folgar

nas ribas do lago, eu vi andar

a

las aves meu amigo

 

Fernando Esguio

IV. (

)

Ua donzela coitado

 

d’amor por si me faz andar,

e

en sas feituras falar

quero eu, come namorado:

 

rostr’agudo como foron,

barva no queix’e eno granhon,

e

o ventre grand’e inchado.

Sobrancelhas mesturadas,

 

grandes e mui cabeludas,

sobre-los olhos merjudas;

e

as tetas pendoradas

e

mui grandes, por boa fé;

a

un palm’e meio no pé

e

nos cós três polegadas.

 

Pero Viviães

V. )

(

Pero eu dizer quysesse,

creo que non saberia

dizer, nen er poderia,

per poder que eu ouvesse

a coyta que o coytado

sofre que é namorado,

nen er sey quen mh-o crevesse.

Relacione:

a) Cantiga de amor

b) Cantiga de amigo

c) Cantiga de escárnio

d) Cantiga de maldizer

D. Dinis

07.

Uma das afirmativas abaixo, feitas sobre os romances de cavalaria, não está correta nem pode ser justificada em hipótese nenhuma. Qual é ela?

a)

A

Demanda do Santo Graal pertence ao ciclo de

Carlos Magno e aos doze pares de França.

b)

Não se sabe quem é o autor do Amadis de Gaula, romance datado do início do século XVI.

c)

Um dos importantes ciclos de cavalaria é o do rei

Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda.

d)

Os romances de cavalaria têm sua origem nas can- ções de gesta (poemas com temas guerreiros).

e)

A penetração do romance de cavalaria em Portugal aconteceu no século XIII, durante o reinado de Afonso III.

08.

A Sant’lag’en romaria ven

el-rei, madr’, e praz-me (1) de coraçon por duas cousas, se Deus me perdon, eu que tenho que me faz Deus gran ben:

ca vere’i (2) el’rei nunca vi

e meu amigo, que ven con el i.

Vocabulário: 1. me dá prazer; 2. aí

Através das cantigas trovadorescas, podemos conhe- cer muita coisa sobre a Idade Média. Sobre a estrofe acima, responda:

a) A que fato comum da Idade Média ela faz referên- cia?

b) Qual a importância de tal fato para a compreensão da sociedade medieval?

09. UniCOC-SP

Ondas do mar de Vigo, Se vistes meu amigo!

E ai, Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado, Se vistes meu amado!

E ai, Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,

O

por que eu sospiro!

E

ai, Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo, Poer que hei gran cuidado!

E ai, Deus, se verrá cedo!

Martim Codax

Com relação ao texto, é incorreto dizer que:

a) justifica a presença de recursos estilísticos que contribuem para o caráter musical do poema o fato de, no contexto em que ele foi produzido, a literatura ser veiculada literalmente.

b) a musicalidade do texto é adequada, estilistica- mente, à expressão de conteúdos emotivos.

c) sua musicalidade advém apenas da regularidade das rimas emparelhadas e da presença do re- frão.

d) pertence ao gênero lírico.

e) pertence a um estilo de época vinculado, ideolo- gicamente, ao teocentrismo.

10.

São características da cantiga de amigo:

a) amor platônico e sentimento feminino.

b) amor cortês e queixa da ausência do amado.

c) amor de mulher e sentimento espontâneo.

d) queixas do poeta e diversificação de assuntos.

11.

Assinale a alternativa incorreta.

a)

Na cantiga de amor, encontramos a purificação do apelo erótico, isto é, a idealização do amor.

b)

Na cantiga de amigo, o “eu lírico” é feminino e canta

a saudade do amigo (namorado) que partiu.

c)

A cantiga de maldizer utiliza muitas vezes o ero-

 

tismo.

d)

A

cantiga de escárnio é uma sátira direta e de

humor picante.

12. Unicamp-SP

Texto I

Noutro dia, quando m’eu espedi (1)

de mia senhor, e quando mi’houv’a ir (2)

e me non falou foi que non morri,

que, se mil vezes podesse morrer, meor (3) coita me fora de sofrer!

Vocabulário: 1. despedi; 2. tive de ir; 3. menor.

Texto II

Toda gente homenageia Januária na janela Até o mar faz maré cheia

Pra chegar mais perto dela

O

pessoal desce na areia

E

batuca por aquela

Que, malvada, se penteia

E nem escuta quem apela.

Os dois textos lidos são bastante separados no tempo. O primeiro foi escrito por um nobre, D. João Soares Coelho, trovador de grande produção que viveu no século XIII, em Portugal. O segundo é uma letra de música escrita pelo compositor brasileiro contemporâ- neo Chico Buarque de Hollanda. Apesar da distância, ambos os textos abordam uma mesma postura da amada a que se referem.

a) Que postura é essa?

b) Aponte os versos em que a postura se evidencia, em cada um dos textos.

c) Qual o efeito dessa postura, para o trovador, no texto I?

13.

Leia atentamente o poema abaixo. Trata-se de uma homenagem que o poeta modernista Manuel Bandeira (1886-1968) presta ao Trovadorismo.

Mha senhor, com’oje dia son,

Atan cuitad’e sen cor assi!

E par Deus non sei que farei i,

Ca non dormho á mui gran sazon.

Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,

Meu coraçon non sei o que ten.

Noit’e dia no meu coraçon

Nulha ren se non a morte vi,

E pois tal coita non mereci,

Moir’eu logo, se Deus mi perdon.

Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,

Meu coraçon non sei o que ten.

Aponte no poema elementos formais e temáticos que caracterizem o texto como uma referência ao Trovadorismo.

14.

Senhor, quando vos vi

e que fui vosco falar,

sabed’agora per mi

que tanto fui desejar

vosso ben; e pois é si,

que pouco posso duar,

e moiro-m’assi de chan;

porque mi fazedes mal,

e de vós non ar ei al,

mia morte tenho na man.

D. Dinis

Quais são os indícios que nos permitem classificar a cantiga anterior como de amor?

15. Mackenzie-SP Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trova- dorismo em Portugal.

a) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o po- ema do ponto de vista feminino.

b) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relaciona- mento entre senhor e vassalo na sociedade feudal:

distância e extrema submissão.

c) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.

d) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre a poesia e a música.

e) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.

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16.

Queixa

Um amor assim delicado Você pega e despreza Não o devia ter despertado Ajoelha e não reza Dessa coisa que mete medo Pela sua grandeza Não sou o único culpado Disso eu tenho a certeza

Princesa

Surpresa

Você me arrasou

Serpente

Nem sente que me envenenou

Senhora, e agora

Me diga onde eu vou

Senhora

Serpente

Princesa

Um amor assim delicado Nenhum homem daria Talvez tenha sido pecado

Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer Que eu fique mudo

E eu te grito essa queixa

Um amor assim violento Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água Ondas: desejos de vingança

Nessa desnatureza Batem forte sem esperança Contra a tua dureza

Princesa

Surpresa

Você me arrasou

Serpente

Nem sente que me envenenou Senhora, e agora Me diga onde eu vou

Senhora

Serpente

Princesa

Princesa

Surpresa

Você me arrasou

Serpente

Nem sente que me envenenou

Senhora, e agora

Me diga onde eu vou

Amiga

Me diga

VELOSO, Caetano: In Cores, nomes. LP Polygram nº. 6328381, 1982.

A cultura trovadoresca deixou claras influências na cultura de língua portuguesa. Aponte na canção dada características que a aproximem de uma das cantigas trovadorescas.

17.

No mundo non me sei parelha(1)

mentre(2) me for como me vai,

ca já moiro por vós – e ai,

mia senhor branca e vermelha,

queredes que vos retraia(3)

quando vos eu vi en saia!

Mau dia me levantei

que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, des aquel dia, ai,

me foi a mi mui mal,

e vós, filha de don Paai

Moniz, e ben vos semelha(4)

d’haver eu por vós guarvaia(5)

pois eu, mia senhor, d’alfaia

nunca de vós houve nen hei

valia dua correa.(6)

Vocabulário: 1. igual; 2. enquanto; 3. retrate; 4. bem vos parece; 5. roupa luxuosa; 6. coisa sem valor.

Esta é a primeira cantiga medieval portuguesa de que se tem notícia. Sua classificação não é tão simples quanto possa parecer em uma primeira leitura.

a) Quais são os argumentos que podem ser usados para defender a hipótese de se tratar de uma cantiga de amor?

b) Que outro tipo de classificação ela pode ter? Jus- tifique sua resposta.

18.

Don Meendo, vós veestes

falar migo noutro dia;

e na fala que fezestes

perdi eu do que tragia.

Ar(1) querredes falar migo

e non querrei eu, amigo.

Vocabulário: 1. novamente.

a) A cantiga anterior é de escárnio ou de maldizer? Justifique sua resposta.

b) Qual a crítica que o autor faz ao satirizado?

19. Vunesp

Estava a formosa seu fio torcendo Paráfrase de Cleonice Berardinelli Estava a formosa seu fio torcendo Sua voz harmoniosa, suave dizendo Cantigas de amigo.

Estava a formosa sentada, bordando, Sua voz harmoniosa, suave cantando Cantigas de amigo

– Por Jesus, senhora, vejo que sofreis De amor infeliz, pois tão bem dizeis Cantigas de amigo.

Por Jesus, senhora, eu vejo que andais Com penas de amor, pois tão bem cantais Cantigas de amigo.

– Abutre comestes, pois que adivinhais

In: Cantigas de trovadores medievais em português moderno. Rio de Janeiro. Org. Simões, 1953.

I.

O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca. Consiste na ênfase de uma idéia central, às vezes repetindo expressões idênticas, palavra por pala- vra, em séries de estrofes paralelas. A partir dessas observações, responda às questões abaixo.

a)

O poema se estrutura em quantas séries de estro- fes paralelas? Identifique-as.

b)

Que idéias centrais são enfatizadas em cada série paralelística?

II.

Considerando-se que o último verso da cantiga caracteriza um diálogo entre personagens; consi- derando-se ainda que a palavra abutre grafava-se avuytor, em português arcaico, e considerando-se que, de acordo com a tradição popular da época, era possível fazer previsões e descobrir o que está oculto, comendo carne de abutre, mediante essas três considerações:

a)

identifique a personagem que se expressa em discurso direto, no último verso do poema;

b)

interprete o significado do último verso, no contexto do poema.

20.

Leia o texto a seguir e indique as diferenças e as semelhanças entre este texto e as cantigas de amor e de amigo.

Cantiga sua partindo-se

João Ruiz de Castelo Branco

Senhora, partem tão tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos, tão doentes da partida, tão cansados, tão chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes, tão fora d’esperar bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém.

In S. Spina. Presença da literatura portuguesa. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1969.

Texto para as questões de 21 a 23. O trecho a seguir pertence a uma das crônicas de Fernão Lopes. Nele, D. João, Mestre de Avis, sabendo que Castela estava prestes a invadir Portugal (Revolu- ção de Avis), manda recados a cidades e aldeias, no sentido de que o povo o ajude a defender a terra.

Entre os lugares a que seu recado chegou foi a

cidade do Porto, onde suas cartas não foram ouvidas em vão. Mas, como foram vistas, com o coração, muito prestes logo se ajuntaram todos, especialmente o povo miúdo, que alguns outros dessa comunal gente, duvi-

dando, receavam muito de poer em tal feito mão. Então aqueles que chamavam arraia miúda disseram a

um, por nome chamado Álvaro da Veiga, que levasse a bandeira pela vila, em voz e nome do Mestre de Avis;

e ele refusou de a levar, mostrando que o não devia

de fazer, o qual logo foi chamado traidor, que era da parte da Rainha, dando-lhe tantas cutiladas, e assim de

vontade, que era sobeja cousa de ver. Este morto, não

se fez mais naquele dia; mas juntaram-se todos o outro

seguinte, com sua bandeira tendida, na Praça, tendo ordenado que a levasse um bom homem do lugar, que chamavam Afonso Anes Pateiro: e, se a levar não quisesse, que o matassem logo, como o outro. Afonso Anes soube desta parte, por alguns deles que

eram seus amigos, e bem cedo pela manhã, primeiro que

o convidassem pera tal obra, foi-se à praça da cidade,

) (

onde já todos eram juntos pera a trazer pelo lugar, e antes que lhe nenhum dissesse que a levasse, deitou ele mão da bandeira, dizendo ele altas vozes, que o ouviram todos: Portugal, Portugal, pelo Mestre de Avis! ( )

21.

O registro da ação popular revela-nos um Fernão

Lopes:

a) medieval.

d)

humanista.

b) regiocêntrico.

e)

satírico.

c) lírico.

22.

O trecho lido é teocêntrico ou antropocêntrico? Jus-

tifique.

23.

Após a leitura do texto anterior, responda às questões a seguir.

a) Que característica de Fernão Lopes é evidenciada no texto?

b) O texto lido pode ser caracterizado como teocên- trico ou antropocêntrico? Justifique.

24. Vunesp Então se despediu da Rainha, e tomou o Conde pela mão, e saíram ambos da câmara a uma grande casa que

era diante, e os do Mestre todos com ele, e Rui Pereira e Lourenço Martins mais acerca. E chegando-se o Mestre com o Conde acerca duma fresta, sentiram os seus que

o Mestre lhe começava a falar passo, e estiveram todos

quedos. E as palavras foram entre eles tão poucas, e tão baixo ditas, que nenhum por então entendeu quejandas eram. Porém afirmam que foram desta guisa:

– Conde, eu me maravilho muito de vós serdes homem

a que eu bem queria, e trabalhardes-vos de minha desonra e morte!

– Eu, Senhor? disse ele. Quem vos tal cousa disse, mentiu-vos mui grã mentira.

O Mestre, que mais tinha vontade de o matar, que

de estar com ele em razões, tirou logo um cutelo comprido e enviou-lhe um golpe à cabeça; porém não foi a ferida tamanha que dela morrera, se mais não houvera.

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Os outros todos, que estavam de arredor, quando viram isto, lançaram logo as espadas fora, para lhe dar; e ele movendo para se acolher à câmara da Rainha, com aquela ferida; e Rui Pereira, que era mais acerca, meteu um estoque de armas por ele, de que logo caiu em terra, morto. Os outros quiseram-lhe dar mais feridas, e o Mestre disse que estivessem quedos, e nenhum foi ousado de lhe mais dar.

O texto transcrito anteriormente é de Fernão Lopes e pertence à Crônica de D. João I. As crônicas de Fernão Lopes caracterizam-se por tentarem reproduzir a ver- dade histórica como se esta tivesse sido testemunha- da. Por outro lado, é com Fernão Lopes que a língua portuguesa inicia o percurso da sua modernidade.

Nestes termos, assinale, nas alternativas a seguir indicadas, a que melhor caracteriza o trecho transcrito da Crônica de D. João I.

a) Narração realista e dinâmica que quase nos faz visualizar os acontecimentos.

b) Fidelidade absoluta aos acontecimentos históricos.

c) Utilização de uma linguagem elevada, de acordo com a reprodução dos fatos históricos.

d) Preocupação em mencionar os nomes de todas as pessoas presentes à morte do Conde.

e) Exaltação do feito heróico do Mestre ao matar o inimigo do Reino.

25.

Apesar das diferenças entre os dois estilos, alguns temas permanecem sendo explorados na poesia do Humanismo. Leia os dois textos a seguir (o texto I é

uma cantiga de amor e o texto II é uma poesia palacia-

na) e aponte a semelhança temática entre eles.

Texto I

Ir-vos queredes, mia Senhor,

e fiqu’end’ (1) eu con gran pesar,

que nunca soube ren (2) amar

ergo (3) vós, dês quando vos vi.

E pois que vos ides d’aqui,

senhor fremosa, que farei?

Nuno Fernandes Torneol

Vocabulário: 1. por isso; 2. outra coisa; 3. exceto.

Texto II

Ó meu bem, pois te partiste

dante meus olhos, coitado,

os ledos me farão triste,

os tristes desesperado.

Diogo de Miranda

26.

Segundo é fama, el-rei de Castela trazia até cinco mil

e muitos bons besteiros, que

homens de lança (

eram bem seis mil, segundo escrevem alguns.

Fernão Lopes, Crônicas d’EI-Rei D. João, 1ª parte

Conforme podemos depreender do texto acima, Fernão Lopes tinha especial interesse pela pesquisa histórica. Qual o significado desse interesse, no contexto do Humanismo?

)

27. Mackenzie-SP

Marque a alternativa incorreta a respeito do Huma- nismo.

a) Época de transição entre a Idade Média e o Re- nascimento.

b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo.

c) Fernão Lopes é o grande cronista da época.

d) Garcia de Resende coletou as poesias da época, publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro geral.

e)

A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo

assunto é religioso, desprovido de crítica social.

28. Unicamp-SP

Leia com atenção os fragmentos de poemas trans- critos abaixo.

Fragmento 1

Trova à maneira antiga

Francisco de Sá de Miranda, 1595

Comigo me desavim,

Sou posto em todo perigo; não posso viver comigo nem posso fugir de mim.

) (

Que meio espero ou que fim do vão trabalho que sigo, pois que trago a mim comigo, tamanho imigo de mim?

(imigo = inimigo)

Fragmento 2

Dispersão

Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto,

Mário de Sá-Carneiro, 1913

E

hoje, quando me sinto,

É

com saudades de mim.

(

)

E

sinto que a minha morte –

Minha dispersão total – Existe lá longe, ao norte, Numa grande capital.

Ambos os poemas tratam do tema das relações do eu consigo mesmo, mas desenvolvem-no de maneira dife- rente. Exponha em que consiste esse desenvolvimento diferenciado do tema, em cada poema.

29. UEL-PR

Não queiras ser tão senhora:

casa, filha, e aproveite; não percas a ocasião. Queres casar por prazer No tempo de agora, Inês?

) (

sempre eu ouvi dizer:

Ou seja sapo ou sapinho, ou marido ou maridinho, tenha o que houver posses Este é o certo caminho.

VICENTE, Gil. Farsa de Inês Pereira. São Paulo: SENAC, 1996. p. 82.

Com base nessas palavras e nos conhecimentos sobre o Humanismo, é correto afirmar:

a) O Humanismo procura retratar a realidade de forma ingênua, revelando uma visão idealizada do mundo expressa pelo verso “casa, filha, e aproveite”.

b) O fragmento citado trata o casamento como resul- tado de um envolvimento amoroso pleno.

c) A leitura do fragmento confirma que o Humanismo, embora dirigido a um público palaciano, adota alguns padrões do discurso popular, como se observa nos quatro últimos versos.

d) O verso “Este é o certo caminho” indica o predo- mínio de uma visão idílica e idealizada em grande parte do discurso humanista.

e) O olhar humanista, no fragmento citado, imprime à união conjugal uma motivação sentimental. Tal postura suplanta o lirismo amoroso presente em algumas cantigas trovadorescas.

30. Mackenzie-SP

Gil Vicente, autor representativo do Humanismo em Portugal, (1) revela-nos, em sua obra lírica, (2) uma ambivalência típica desse período: (3) de um lado, a ideologia teocêntrica do mundo medieval; (4) de outro, influenciado pelo antropocentrismo emergente, (5) é o analista mordaz da sociedade portuguesa do século XVI. É essa ambivalência que o situa como autor de transição: (6) entre o Humanismo e o antropocentris- mo. (7) Dos fragmentos destacados:

a) todos estão corretos.

b) todos estão incorretos.

c) apenas 4 e 5 estão incorretos.

d) apenas 2 e 7 estão incorretos.

e) apenas 2, 5 e 7 estão incorretos.

31. PUC–SP Esta questão refere-se às obras Auto da barca do in- ferno, de Gil Vicente, e Morte e vida severina (auto de natal pernambucano), de João Cabral de Melo Neto. Leia as alternativas a seguir e assinale a correta.

a) As duas obras apresentam uma crítica à sociedade de suas épocas: a de Gil Vicente, a partir das almas que representam classes sociais e profissionais de Portugal, a de João Cabral, a partir de personagens representativas de tipos sociais do Nordeste.

b) As duas obras apresentam construções poéticas diametralmente opostas, uma vez que uma empre- ga o verso decassílabo e a outra, a redondilha.

c) As duas obras apresentam aspectos em comum, como o julgamento e a condenação, isto é, em am- bas, as personagens são julgadas e condenadas após a morte.

d) As duas obras apresentam o julgamento ocorrendo na consciência de cada personagem. Entretanto, a execução da justiça, em Auto da barca do inferno, é somente realizada pelo Diabo, e, em Morte e vida severina, pela miserabilidade da vida.

e) As duas obras apresentam estrutura de auto; assi- milam, portanto, tradições populares e constroem

a realidade por meio da crítica. Como autos, são

representações teatrais que contêm vários atos.

32.

Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente:

I. O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, per- sonagem que reúne em si os vícios das diferentes categorias sociais anteriormente representadas.

II. A descontinuidade das cenas é coerente com o caráter didático do auto, pois facilita o distancia- mento do espectador.

III. A caricatura dos tipos sociais presentes no auto não é gratuita nem artificial, mas resulta da acen- tuação de traços típicos.

Está correto apenas o que se afirma em:

Fuvest-SP

a) I

d)

I e II

b) II

e)

I e III

II

c) e III

33. Mackenzie-SP

Ninguém:

Tu estás a fim de quê?

Todo Mundo:

A fim de coisas buscar

que não consigo topar. Mas não desisto, porque o cara tem de teimar.

Ninguém:

Me diz teu nome primeiro.

Todo Mundo:

Eu me chamo Todo Mundo

e passo o dia e o ano inteiro Correndo atrás de dinheiro, seja limpo ou seja imundo.

Belzebu:

Vale a pena dar ciência

e anotar isto bem,

Por ser fato verdadeiro:

que Ninguém tem consciência,

E Todo Mundo, dinheiro.

No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu, com nova linguagem, parte de um texto de importante dramaturgo da língua portuguesa. Trata-se de:

a) Gil Vicente.

d)

Sá de Miranda.

b) Dom Diniz.

e)

Fernão Lopes.

c) Luís Vaz de Camões.

34. Fuvest-SP

Indique a afirmação correta sobre o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente.

É intrincada a estruturação de suas cenas, que

surpreendem o público com o inesperado de cada situação.

a)

PV2D-07-POR-34

b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas insti- tuições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.

c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a distinção entre o Bem e o Mal.

d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais se- veramente punidas.

e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazen- do referência a qualquer exemplo de valor positivo.

35. Unitau-SP

Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que:

a) recebeu, no início de sua intensa atividade literária, influência de Juan del Encina.

b) sua primeira produção teatral foi Auto dos Reis Magos.

c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por serem primitivas e populares.

d) suas obras surgiram para entretenimento nos ambientes da corte portuguesa.

e) seu teatro caracterizou-se por observações satíri- cas às camadas sociais da época.

36. PUC-SP

Ainda sobre a peça O Velho da horta, considerando o texto como um todo, é correto afirmar-se que:

a) a reza do “Pai Nosso” que inicia a peça, prepara o leitor para o desenvolvimento de um texto funda- mentalmente religioso, confirmado, inclusive, pela ladainha proferida pela alcoviteira.

b) o velho relaciona-se, ao longo da peça, com quatro mulheres, das quais uma é a moça por quem se apaixona e com quem, correspondido, acaba se casando.

c) a farsa tem como argumento a paixão de um velho por uma moça de muito bom parecer, por causa dela (e por via de uma alcoviteira) acaba gastando toda a sua fortuna.

d) o texto se organiza a partir de uma estrutura ver- sificatória que revela ritmo poético, marcado por versos livres e por ausência de esquema rímico.

e) o diálogo estabelecido entre o velho e a moça cria condições para o arrebatamento amoroso de am- bos e revela ausência de ironia e de menosprezo de qualquer natureza.

37. UniCOC-SP

Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente:

a) retoma a análise do amor do velho apaixonado, desenvolvida em O Velho da horta.

b) mostra a humilhação da jovem que não pode esco- lher seu marido, tema de várias peças desse autor.

c) descreve a revolta de uma jovem confinada aos serviços domésticos.

d) conta a história de uma jovem que assassina o marido para se livrar dos maus-tratos.

e) aponta, quando Lianor narra as ações do clérigo, uma solução religiosa para a decadência moral de seu tempo.

38. UniCOC-SP Considere as seguintes asserções sobre o teatro de Gil Vicente.

I. Autos pastoris, autos de moralidade e farsas são gêneros cultivados pelo autor.

II. O espírito crítico do teatro vicentino não poupa o clero corrupto, que é ridicularizado.

III. As personagens do autor representam tipos so- ciais como alcoviteiras, velhos ridículos, maridos ingênuos, nobres pedantes, entre outros.

Deve-se firmar que:

a) I, II e III estão corretas.

b) apenas I e III estão corretas.

c) apenas II e III estão corretas.

d) apenas I e II estão corretas.

e) apenas II está correta.

39.

Vêm quatro cavaleiros cantando. Trazem, cada

um, a cruz de Cristo, por quem a mais por sua santa

fé católica morreram em poder dos mouros.

) (

Diabo

Cavaleiro

Outro cavaleiro

Diabo

Cavaleiro

Cavaleiros, vós passais

e não perguntais onde is?

Vós, satanás, presumis? Atentai com quem falais!

Vós que nos demandais? siquer conhece-nos bem.

Morremos das partes d’além,

E não queiras saber mais.

Entrai cá! Que coisa é essa? Eu não posso entender isso!

Quem morre por Jesus Cristo não vai em tal barca como esta!

Tornam a proseguir, cantando, seu caminho direto à barca da Glória, e tanto que chegam, diz o Anjo:

Anjo

Ó cavaleiros de Deus,

a

vós estou esperando,

que morrestes pelejando por Cristo Senhor dos céus! Sois livre de todo o mal, santos por certo sem falha, que quem morre em tal batalha merece paz eternal.

E assi embarcam.

Considerando a leitura feita, responda ao que se pede:

a) De que peça teatral de Gil Vicente foi extraído o

trecho acima?

b) Por que se pode dizer que Gil Vicente, nessa passagem, assume atitude medieval?

40.

Leia atentamente o trecho a seguir, da peça Auto da barca do inferno, de Gil Vicente. Nele, o personagem Parvo reage ao convite do Diabo para que entre na barca que o conduziria ao inferno.

PARVO

Ao Inferno, em hora-má?! Hiu! Hiu! Barca do cornudo,

) ( Entrecosto de carrapato! Hiu! Hiu! Caga no sapato, Filho da grande aleivosa! Tua mulher é tinhosa e há de parir um sapo metido num guardanapo, neto de cagarrinhosa! Furta cebolas! Hiu! Hiu! Excomungado nas igrejas! Burrela, cornudo sejas!

) ( Perna de cigarra velha, Caganita de coelha, Pelourinho de Pampulha, Rabo de forno de telha.

a) Qual a reação do Parvo?

b) Que estrato social o Parvo representa?

c) Moralmente, como se pode caracterizá-lo?

41. Fuvest-SP

Todo o Mundo

Folgo muito d’ enganar

e

mentir nasceu comigo.

Ninguém

Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar.

(Belzebu para Dinato)

Belzebu

Ora escreve lá, compadre,

Dinato

Não sejas tu preguiçoso! Quê?

Belzebu

Que Todo o Mundo é mentiroso

E

Ninguém diz a verdade.

 

Auto da Lusitânia — Gil Vicente

O texto afirma que:

a) todo o mundo é mentiroso.

b) Ninguém é mentiroso.

c) Todo o Mundo diz a verdade.

d) ninguém diz a verdade.

e) Todo o Mundo é mentiroso.

42. Umesp

Assinale a alternativa em que se encontra uma afirma- ção incorreta sobre a obra de Gil Vicente.

a) Sofre influência de Juan del Encina, principalmente no teatro pastoril de sua primeira fase.

b) Seus personagens representam tipos de uma vasta galeria de estratos da sociedade portuguesa da época.

c) Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos valores greco-romanos, desprezando os princípios da Idade Média.

d) Um dos maiores valores de sua obra é ter contra- balançado uma sátira contundente com o pensa- mento cristão.

e) Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Perei- ra, são escritas na terceira fase de sua carreira, período de maturidade intelectual.

43.

Em 1531, um terremoto abalou Portugal. Alguns frades de

Santarém interpretaram o fato de tal forma que desconten- tou o dramaturgo Gil Vicente. Ele então resolveu escrever uma carta ao rei D. João III, narrando o fato e mostrando sua posição. Segue-se o trecho inicial da carta:

Os frades de cá não me contentaram, nem em púlpito, nem em prática, sobre esta tormenta da terra que ora passou; porque não bastava o espanto da gente, mais ainda eles lhes afirmavam duas cousas, que os mais fazia esmorecer. A primeira, que polos grandes pecados que em Portugal se faziam, a ira

de Deus fizera aquilo, e não que fosse curso natural,

nomeando logo os pecados por que fora; em que

pareceu que estava neles mais soma de ignorância

que de graça do Spírito Santo.

a) Segundo Gil Vicente, que interpretação os frades deram ao terremoto?

b) Como Gil Vicente interpreta o terremoto?

c) Qual o sentido dessa oposição no contexto humanista?

44. Fuvest-SP

Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente.

a) Compôs peças de caráter sacro e satírico.

b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal.

c) Escreveu a novela Amadis de Gaula.

d) Só escreveu peças em português.

e) Representa o melhor do teatro clássico português.

45.

O tipo mais insistentemente observado e satirizado

é o clérigo, e especialmente o frade. Trata-se de fato

de uma classe numerosíssima, presente em todos os

setores da sociedade portuguesa, na corte e no povo,

na cidade e na aldeia.

O texto crítico refere-se a qual autor? Além do frade, cite um

outro tipo humano satirizado pelo autor em questão.

46.

O ditado popular que serviu de inspiração a Gil Vicente

para escrever a peça Farsa de Inês Pereira é: Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube. Nesse ditado, a que deve ser associado o personagem Brás da Mata? Justifique sua resposta.

47. PUC-SP

O argumento da peça Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da farsa.

a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.

b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.

c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.

d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.

e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida conjugal.

PV2D-07-POR-34

48.

Leia as três afirmações a seguir a respeito da Farsa de Inês Pereira.

I. Pode ser colocada como representante do teatro de costumes vicentino.

II. Encaixa-se na tradição da farsa medieval so- bre o adultério feminino desenvolvida por Gil Vicente.

III. Inês Pereira é uma moça que vive na vila e pre- tende subir de condição.

a) Todas estão corretas.

b) Todas estão incorretas.

c) Apenas I e II estão corretas.

d) Apenas I e III estão corretas.

e) Apenas II e III estão corretas.

49.

Leia o texto que segue para responder às três questões

posteriores.

Inês Renego deste lavrar e do primeiro que o usou ao diabo que o eu dou, que tão mau é de aturar; ó Jesus! Que enfadamento,

que cegueira e que canseira! Eu hei de buscar maneira de viver a meu contento.

Coitada, assim hei de estar encerrada nesta casa como panela sem asa que sempre está num lugar? Isto é vida que se viva? Hei de estar sempre cativa desta maldita costura? Com dois dias de amargura haverá quem sobreviva?

Hei de ir para os diabos se continuo a coser. Oh! Como cansa viver sozinha, no mesmo lugar. Todas folgam, e eu não. Todas vêm e todas vão onde querem, menos eu. Hui! E que pecado é o meu, ou que dor de coração?

a) Qual a reclamação de Inês Pereira nessa pas- sagem?

b) Que atitude ela tomaria para escapar de sua situação?

c) Quais as conseqüências dessa atitude?

50.

No trecho abaixo, do Auto da barca do inferno, de Gil Vi- cente, temos a chegada do fidalgo ao porto das almas.

Anjo

Fidalgo

Que quereis?

Que me digais, pois parti tão sem aviso, se a barca do paraíso

é esta em que navegais.

Esta é: que demandais?

Que me deixeis embarcar, sou fidalgo de solar,

é bem que me recolhais

Não se embarca tirania neste batel divinal.

Não sei porque haveis por mal que entre a minha senhoria.

Pera vossa fantesia mui estreita é esta barca.

Anjo

Fidalgo

Anjo

Fidalgo

Anjo

a) Quais são as causas da condenação do Fidalgo ao inferno?

b) Quais as razões que ele alega para ir para o céu?

51.

A cena seguinte, da peça Auto da barca do inferno, apresenta a chegada do parvo Joane no porto das almas.

Anjo

Quem és tu?

Joane

Samica alguém.

Anjo

Tu passarás, se quiseres; porque em todos os teus fazeres, per malícia non erraste, tua simpreza te abaste para gozar dos prazeres.

A expressão “samica” quer dizer “talvez”. Assim, Joane diz ser “talvez alguém”. O que essa fala indica?

a)

A

indecisão de Joane quanto à sua própria identida-

de. Ele está confuso depois da conversa mantida com o Diabo, momentos antes, que o convenceu

tornar-se um pecador. Por essa indecisão, é condenado ao purgatório.

a

b)

A

presunção de Joane quanto à sua condição

social. Apesar de simplório, ele disfarçava sua pobreza freqüentando a aristocracia e cometendo pequenos furtos para sustentar seus luxos. Por essa presunção, é condenado ao inferno.

c)

O

desprezo de Joane pelo Anjo. Conhecedor de

suas virtudes, ele acredita que seu lugar no céu

está garantido, não necessitando da aprovação do Anjo para embarcar. Esse desprezo faz com que

o Anjo se recuse a levá-lo.

d)

A desconfiança de Joane. Confundindo a barca do

céu com a do inferno, ele imagina que o Anjo é o Diabo tentando enganá-lo: por isso, teme revelar sua identidade. Ludibriado pelo Diabo, acaba indo para o inferno.

e)

A

modéstia e a simplicidade de Joane. Na sua

humildade, não se considera em condições sequer de afirmar-se como alguém, daí a dúvida que ex- pressa. Esse tipo de atributo é que o faz merecedor

do céu.

52. Unifesp

Sobre a Farsa de Inês Pereira, é correto afirmar que é um texto de natureza:

a) satírica, pertencente ao Humanismo português, em que se ridiculariza a ascensão social de Inês Pereira por meio de um casamento de conveniências.

b) didático-moralizante, do Barroco português, no qual as contradições humanas entre a vida ter- rena e a espiritual são apresentadas a partir dos casamentos complicados de Inês Pereira.

c) religiosa, pertencente ao Renascimento português,

no qual se delineia o papel moralizante, com vistas

à transformação do homem, a partir das situações

embaraçosas vividas por Inês Pereira.

d) reformadora, do Renascimento português, com forte apelo religioso, pois se apresenta a religião como forma de orientar e salvar as pessoas pecadoras.

e) cômica, pertencente ao Humanismo português,

no qual Gil Vicente, de forma sutil e irônica, critica

a sociedade mercantil emergente, que prioriza os valores essencialmente materialistas.

53. PUC-SP

Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onze- neiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brísida Vaz, Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens de Auto da barca do inferno, de Gil Vicente.

Analise as informações a seguir e selecione a alter- nativa incorreta, cujas características não descrevam adequadamente a personagem.

a) Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou melhor, leva a bolsa vazia.

b) Frade representa o clero decadente e é subjuga- do por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a amante e as armas de esgrima.

c) Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa

o embarque dos condenados; é dissimulado e

irônico.

d) Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível.

e) Corregedor representa a justiça e luta pela apli- cação íntegra e exata das leis; leva papéis e processos.

54.

O trecho a seguir retrata a fala do Anjo no julga- mento de quatro cavaleiros cristãos que tinham morrido nas guerras cristãs. Leia-o e responda o que se pede.

Anjo: Ó Cavaleiros de Deus,

a vós estou esperando,

que morrestes pelejando

por Cristo, Senhor dos Céus!

Sois livres de todo mal,

Santos por certo sem falha,

que quem morre em tal batalha

merece paz eternal.

a) Por que os cavaleiros são perdoados dos seus pecados? Justifique a sua resposta.

b) Que atitude do autor se revela através dessa passagem?

55.

Velho

– Oh coitado! A minha é!

Mocinha

Agora, má-hora, é vossa! Vossa é a treva. Mas ela o noivo a leva. Vai tão leda, tão contente,

uns cabelos como Eva; Aosadas que não se lhe atreva toda a gente!

O

noivo, moço tão polido,

não tirava os olhos dela,

e ela dele. Oh que estrela!

É ele um par bem escolhido!

Velho

– Ó roubado, da vaidade engano,

da vida e da fazenda!

Ó velho, siso enleado!

Que te meteu desastrado

em tal contenda?

Se os jovens amores os mais têm fins desastradas que farão as cãs lançadas no canto dos amadores? Que sentias, triste velho, em fim dos dias? Se a ti mesmo contemplaras, souberas que não sabias,

e

viras como não vias,

e

acertaras.

Quero-me ir buscar a morte, pois que tanto mal busquei. Quatro filhas que criei eu as pus em pobre sorte. Vou morrer. Elas hão-de padecer, porque não lhes deixo nada; de quanta riqueza e haver fui sem razão despender, mal gastada.

O trecho anterior é o diálogo final da peça O velho

da horta, que narra a seguinte história: um velho rico apaixona-se por uma jovem e apela para uma alco- viteira que possa ajudá-lo a conquistar a amada. A alcoviteira vai enganando o velho que, ao final, nem conquistou a jovem e perdeu seu dinheiro. Ao termi- nar a narrativa, ele reconhece seu erro e lamenta o abandono a que deixara a família e, assim, as coisas voltam a seus devidos lugares. A par disso, responda

às questões seguintes.

PV2D-07-POR-34

I. Aponte o item que melhor caracteriza as atitudes de Gil Vicente diante da sociedade, através dessa peça.

a) Medieval e anticlerical

b) Moralista e antropocêntrica

c) Satírica e teocêntrica

d) Anticlerical e satírica

e) Moralista e pessimista

II. Conte as sílabas poéticas e marque a opção do metro dominante.

a) 5 sílabas (redondilha menor)

b) 6 sílabas

c) 7 sílabas (redondilha maior)

d) 8 sílabas

e) 9 sílabas

56. UniCOC-SP Leia atentamente as proposições a seguir.

I.

Os cancioneiros foram os principais trovadores do período conhecido como Trovadorismo.

II.

O

humanismo é um período de transição que vai do

final da Idade Média ao início da Idade Moderna.

III.

O

caráter alegórico do teatro de Gil Vicente pode

ser tomado como exemplo de crítica social.

Assinale:

a) se I, II e III forem corretas.

b) se I e II forem corretas.

c) se I, II e III forem incorretas.

d) se II e III forem corretas.

e) se somente I for correta.

57. Unicamp-SP Leia agora as seguintes estrofes, que se encontram em passagens diversas de Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. Inês Andar! Pero Marques seja! Quero tomar por esposo quem se tenha por ditoso de cada vez que me veja. Por usar de siso mero, asno que leve quero, e não cavalo folão; antes lebre que leão, antes lavrador que Nero.

Pero

I onde quiserdes ir vinde quando quiserdes vir, estai quando quiserdes estar. Com que podeis vós folgar Que eu não deva consentir? Nota: folão, no caso, significa “bravo”, “fogoso”.

a)

A fala de Inês ocorre no momento em que aceita

casar-se com Pero Marques, após o malogrado matrimônio com o escudeiro. Há um trecho

nessa fala que se relaciona literalmente com

o final da peça. Que trecho é esse? Qual é o

pormenor da cena final da peça que ele está antecipando?

b)

A

fala de Pero, dirigida a Inês, revela uma

atitude contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro marido. Qual é essa caracte- rística?

c)

Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês, explique por que essa peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral.

peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral. Capítulo 2 58. A propósito do

Capítulo 2

58.

A propósito do Renascimento cultural, julgue as afir-

mações.

I. Um dos seus traços marcantes foi o raciona- lismo que atendia às aspirações da burguesia, no sentido de alcançar um domínio mais com- pleto da natureza objetivando aumentar seus lucros.

II. O Renascimento retirou da Igreja o monopólio da explicação das coisas do mundo, fato que

culminou no empirismo científico dos séculos XVII

e

XVIII.

III. arte renascentista comprometia-se predominan-

A

temente com os valores católicos, pois objetivava

legitimar o monopólio religioso católico.

Assinale a alternativa correta.

a) I e III.

b) Apenas I.

c) Apenas II.

d) Nenhuma.

e) Todas.

59.

Considerando os traços identificadores do Renasci- mento, aponte a alternativa errada.

a) Imitação dos clássicos antigos

b) Preocupação com a técnica

c) Racionalismo e universalismo

d) Atitude apaixonada diante da natureza

e) Equilíbrio, harmonia e concisão

60.

“Do que ao meu gado sobeja (1) Vou vivendo ano por ano; pouco ou muito que ele seja,

a

ninguém não faço dano,

e

não se há ao pouco enveja.”

Vocabulário: 1. sobra

Sá de Miranda

No trecho anterior, o poeta clássico português Sá de Miranda expressa uma das noções mais caras do estilo.

a) Que noção é essa?

b) Como ela aparece no texto?

61.

O Classicismo teve início em Portugal, em 1527,

quando o poeta Sá de Miranda levou para aquele país o chamado dolce stil nuovo. Quais eram as novidades formais básicas desse novo estilo?

62. Unicamp-SP Cantiga sua, partindo-se

João Roiz de Castelo Branco, 1516

Senhora, partem tão tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos, tão doentes da partida, tão cansados, tão chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes, tão fora de esperar bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém.

Soneto Aquela triste e leda madrugada, cheia toda de mágoa e de piedade, enquanto houver no mundo saudade, quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada saía, dando ao mundo claridade, viu apartar-se de uma outra vontade, que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio, que duns e doutros olhos derivadas, se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas, que puderam tornar o fogo frio

e dar descanso às almas condenadas.

Camões

Ambos os poemas desenvolvem o tema da dor da separação, mas tratam-no de forma diferente. Exponha em que consiste esse tratamento diferenciado do tema, em cada poema.

63.

Leia atentamente o texto a seguir e responda ao que

se pede.

História, coração, linguagem

Dos heróis que cantaste, que restou senão a melodia do teu canto? As armas em ferrugem se desfazem, os barões nos jazigos dizem nada.

É teu verso, teu rude e teu suave

balanço de consoantes e vogais, teu ritmo de oceano sofreado

que os lembra ainda e sempre lembrará. Tu és a história que narraste, não

o simples narrador. Ela persiste

mais em teu poema que no tempo neutro, universal sepulcro da memória.

Bardo, foste os deuses mais as ninfas, as ondas em furor, céus em delírio, astúcias, pragas, guerras e cobiças, lodoso material fundido em ouro. *** Luís, homem estranho, pelo verbo és, mais que amador, o próprio amor latejante, esquecido, revoltado, submisso, renascendo, reflorindo em cem mil corações multiplicado. *** Camões – oh som de vida ressoando em cada tua sílaba fremente de amor e guerra e sonho entrelaçados

Carlos Drummond de Andrade. A paixão medida

a) Qual é a relação entre Luís de Camões e o Clas- sicismo?

b) Retire referências do texto de Drummond relacio- nadas à obra de Camões.

64.

Conheça-me a mim mesmo: siga a veia Natural, não forçada; o juízo quero De quem com juízo e sem paixão me leia. Na boa imitação, e uso, que o fero Engenho abranda, ao inculto dá arte, No conselho do amigo douto espero. Muito, ó Poeta, o engenho, pode dar-te.

Mas muito mais que o engenho, o tempo, e [ estudo; Não queiras de ti logo contentar-te.

É necessário ser um tempo mudo!

Ouvir, e ler somente: que aproveita Sem armas, com fervor cometer tudo? Caminha por aqui. Esta é a direita Estrada dos que sobem ao alto monte Ao brando Apolo, às nove Irmãs aceita. Do bom escrever, saber primeiro é fonte. Enriquece a memória de doutrina

Do que um cante, outro ensine, outro te conte. ( ) Corta o sobejo, vai acrescentando

O que falta, o baixo ergue, o alto modera,

Tudo a ua igual regra conformando. Ao escuro dá luz, e ao que pudera Fazer dúvida aclara: do ornamento Ou tira, ou põe: com o decoro o tempera. Sirva própria palavra ao bom intento, Haja juízo, e regra, e diferença Da prática comum ao pensamento.

Antônio Ferreira

O texto é uma carta em versos escrita por Antônio Ferreira (1528-1569), dirigida a Diogo Bernardes. Nela, o autor mostra a concepção de poesia de sua época. Aponte as características clássicas presentes no texto, transcrevendo os trechos que as explicitam.

PV2D-07-POR-34

65. Inatel-MG

Uma das características a seguir não é própria do Renascimento cultural. Assinale-a.

a) O racionalismo do homem

b) A paixão pelos prazeres mundanos

c) O repúdio aos ideais medievais

d) A intensificação do monopólio cultural exercido pela Igreja

e) O individualismo do homem

66. Ufla-MG

Amor é fogo que arde sem se ver;

é ferida que dói e não se sente;

é um contentamento descontente;

é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões. Obras completas

O poeta tenta definir o amor por meio do uso de antí-

teses, que se seguem umas às outras. Indique a que expressa, com mais ênfase, o tema do texto.

a) “Um contentamento descontente”

b) O próprio amor, pois é contrário a si mesmo.

c) A invisibilidade do amor

d) O fato de o amor ferir e não causar dor.

e) Querer sempre mais, sem contentar-se.

67. Vunesp

Tanto de meu estado me acho incerto, Que em vivo ardor tremendo estou de frio; Sem causa, juntamente choro e rio,

O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;

da alma um fogo me sai, da vista um rio; agora espero, agora desconfio, agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando, num’hora acho mil anos, e é de jeito que em mil anos não posso achar um’hora.

Se me pergunta alguém por que assi ando, respondo que não sei; porém suspeito que só porque vos vi, minha Senhora.

O soneto transcrito é de Luís de Camões. Nele se

acha uma característica da poesia clássica renas- centista. Assinale essa característica, em uma das alternativas.

a) A suspeita de amor que o poeta declara na con- clusão.

b) O jogo de contradições e perplexidades que ator- mentam o poeta.

c) O fato de todos perguntarem ao poeta porque assim anda.

d) O fato de o poeta não saber responder a quem o interroga.

e) A utilização de um soneto para relato das suas amarguras.

Texto para as questões de 68 a 70.

Texto I

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

Texto II

Camões

Amor é fogo? Ou é cadente lágrima? Pois eu naufrago em mar de labaredas Que lambem o sangue e a flor da pele acendem Quando o rubor me vem à tona d’água.

E como arde, ai, como arde, Amor,

Quando a ferida dói porque se sente,

E o mover dos meus olhos sob a casca

Vê muito bem o que devia não ver.

Ilka Brunhilde Laurito

68. Mackenzie-SP

Assinale a alternativa correta.

a) O texto I, com sua regularidade formal, recupera do texto II o rígido padrão da estética clássica.

b) Os dois textos, ao negarem a concepção carnal do amor, enaltecem o platonismo amoroso.

c) O texto I e o texto II são convergentes no que se refere à concepção do sentimento amoroso.

d) O texto II contesta o texto I no que se refere ao ponto de vista sobre o amor.

e) Os dois textos convergem quanto à forma e à linguagem, mas divergem quanto ao conteúdo.

69. Mackenzie-SP

Assinale a alternativa correta sobre o texto II.

a) A liberdade formal dos quartetos, associada à contenção emotiva, é índice da influência parna- siana.

b) Por seguir os princípios estéticos clássicos, sua expressão é de teor mais universalista que indivi- dualista.

c) O caráter reflexivo das interrogativas iniciais im- pede que a linguagem seja marcada por índices de emotividade.

d) Recupera, do estilo camoniano, a preferência por imagens paradoxais, como, por exemplo, “mar de labaredas.”

e) Vale-se de recursos estilísticos conquistados pelos modernistas, por exemplo, versos decassílabos e expressão coloquial.

70. Mackenzie-SP

Assinale a alternativa correta sobre o texto I.

a) Expressa as vivências amorosas do eu lírico em linguagem emotivo-confessional.

b) Apresenta índices de linguagem poética marcada pelo racionalismo do século XVI.

c) Conceitua o amor de forma unilateral, revelando

o intenso sofrimento do coração apaixonado.

d) Notam-se, em todos os versos, imagens poéticas contraditórias, criadas a partir de substantivos concretos.

e) Conceitua positivamente o amor correspondido e, negativamente, o amor não correspondido.

71.

Em uma carta dirigida a Alcáçova Carneiro, secretário de Estado do rei D. João III, o poeta clássico português Antônio Ferreira expressa a seguinte opinião:

Santa alma, real zelo; a quem só guia Amor, justiça, e paz, cujos bons meios Em ti busca, em ti acha, em ti confia. São letras, justas armas, dois esteios Firmíssimos de Império só tenhamos.

a)

No texto, verificamos a valorização do trabalho intelectual. Quais os versos que expressam essa valorização?

b)

O

que o poeta quis dizer com esses versos?

c)

Qual é a relação entre essa valorização e o Classicismo?

72. UFRGS-RS

Leia o soneto a seguir, de Luís de Camões.

Um mover de olhos, brando e piedoso, sem ver de quê; um riso brando e honesto, quase forçado, um doce e humilde gesto, de qualquer alegria duvidoso;

um despejo quieto e vergonhoso; um desejo gravíssimo e modesto; uma pura bondade manifesta indício da alma, limpo e gracioso;

um encolhido ousar, uma brandura; um medo sem ter culpa, um ar sereno; um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura da minha Circe, e o mágico veneno que pôde transformar meu pensamento.

Em relação ao poema, considere as seguintes afir-

mações.

I. O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior, idealizando a figura feminina.

II. O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina, assumindo uma atitude de insensibilidade.

III. O poeta sugere desejo erótico ao se referir à figura mitológica de Circe.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas III.

c) Apenas I e II.

d) Apenas I e III.

e) I, II e III.

73. Unicamp-SP

Leia o seguinte soneto de Camões:

Oh! Como se me alonga, de ano em ano, a peregrinação cansada minha. Como se encurta, e como ao fim caminha este meu breve e vão discurso humano.

Vai-se gastando a idade e cresce o dano; perde-se-me um remédio, que inda tinha. Se por experiência se adivinha, qualquer grande esperança é grande engano. Corro após este bem que não se alcança; no meio do caminho me falece, mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança, se os olhos ergo a ver se inda parece, da vista se me perde e da esperança.

a) Na primeira estrofe, há uma contraposição expres- sa pelos verbos “alongar” e “encurtar”. A qual deles está associado o cansaço da vida e qual deles se associa à proximidade da morte?

b) Por que se pode afirmar que existe também uma contraposição no interior do primeiro verso da segunda estrofe?

c) A que termo se refere o pronome “ele” da última estrofe?

74. UFPA

O poema Os lusíadas traz à tona a descoberta do caminho marítimo para as Índias, apresentando in- formações que abarcam história, geografia, ciências, astronomia, mitologia etc. O episódio do Gigante Adamastor é um exemplo dessa variedade de assun- tos que o poema apresenta e sobre ele não é correto afirmar o seguinte:

a) Adamastor representa os medos de todos os navegadores que passaram, antes de Vasco da Gama, pela costa africana.

b) O episódio é uma criação poética em que se destacam referências ao passado e ao futuro das conquistas portuguesas.

PV2D-07-POR-34

c) Um dos momentos líricos, no episódio, é aquele do encontro do gigante com Thetys, relatado na estrofe 52.

d) A “alta esposa de Peleu”, Thetys, cede aos ape- los de Adamastor e isso facilita a passagem dos portugueses pelo cabo das Tormentas.

e) O episódio faz menção ao casal amoroso, Sepúl- veda e Leonor, o que ressalta a presença do lírico no poema épico camoniano.

75.

Está o lascivo e doce passarinho

Com o biquinho as penas ordenando;

O verso sem medida, alegre e brando,

Expedindo no rústico raminho.

O cruel caçador, que do caminho

Se vem calado e manso desviando,

Na pronta vista a seta endireitando,

Lhe dá no estígio lago (1) eterno ninho.

Desta arte o coração, que livre andava (Posto que já de longe destinado), onde menos temia, foi ferido. Porque o Frecheiro cego me esperava, Para que me tomasse descuidado, Em vossos claros olhos escondido.

Vocabulário: 1. Inferno

Luís Vaz de Camões

a) Comente a forma do poema mostrado.

b) Qual é a comparação feita no poema?

c) Quem é o “Frecheiro cego”? A utilização dessa imagem indica que aspecto do Classicismo?

76.

Leia o trecho a seguir, retirado do canto III de Os lusíadas:

“Tu, só tu, puro Amor, com força crua,

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar com sangue humano.”

CAMÕES, Luís de. In TUFANO, Douglas. De Camões a Pessoa. SP, Moderna, 1994, pp. 18.

Com base no trecho e no seu conhecimento sobre

a obra, responda por que o poeta atribui a culpa do assassinato ao amor.

77. UFSCar-SP

A questão adiante baseia-se no poema épico Os lusía-

das, de Luís Vaz de Camões, do qual se reproduzem,

a seguir, três estrofes.

Mas um velho, de aspeito venerando, (= aspecto) Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente,

A voz pesada um pouco alevantando,

Que nós no mar ouvimos claramente,

C’um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito:

“Ó glória de mandar, ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama!

Ó fraudulento gosto, que se atiça

C’uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas!

Dura inquietação d’alma e da vida Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo digna de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana.

Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida como O velho do Restelo. Nela, o velho:

a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atra- vessar os mares à procura de uma vida melhor.

b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama.

c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar os mares até chegar às Índias.

d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa.

e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras.

78.

Sobre Os lusíadas, é errado afirmar o seguinte.

a) Trata-se de um poema de estrito interesse na- cionalista, pois celebra fatos gloriosos da história portuguesa, que em nada se relacionam com a situação do mundo em sua época.

b) São compostos segundo modelos da epopéia clássica da Antigüidade (Homero, Virgílio) e dos poemas épicos mais recentes do Renascimento italiano (Ariosto, sobretudo).

c) O verso utilizado é o decassílabo clássico (es- pecialmente o heróico) e as estrofes, de modelo italiano, são as oitavas-rimas.

d) Os dez cantos do poema se dividem em proposição (os feitos heróicos portugueses), invocação (às Tágides), dedicatória (a D. Sebastião), narração (da viagem de Vasco da Gama) e epílogo (encer- ramento, em tom desalentado).

e) Episódios importantes do poema, como os de Inês de Castro e do Gigante Adamastor, incluem-se na longa narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde.

65

79.

UFSCar-SP

Partimo-nos assim do santo templo

Que nas praias do mar está assentado,

Que o nome tem da terra, para exemplo,

Donde Deus foi em carne ao mundo dado.

Certifico-te, ó Rei, que se contemplo

Como fui destas praias apartado,

Cheio dentro de dúvida e receio,

Que a penas nos meus olhos ponho o freio.

Camões. Os Lusíadas, Canto 4.º 87

O trecho faz parte do poema épico Os lusíadas, escrito por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da Gama para a viagem às Índias.

a) Em que estilo de época ou época histórica se situa a obra de Camões?

b) Para dizer que o nome do templo é Belém, Camões faz uso de uma perífrase: Que o nome tem da terra, para exemplo,/Donde Deus foi em carne ao mundo dado. Em que outro trecho dessa estrofe, Camões usa outra perífrase?

80. Fuvest-SP Tu, só tu, puro amor, com força crua,

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

Camões, Os lusíadas – episódio de Inês de Castro.

Vocabulário:

Molesta: lastimosa; funesta Pérfida: desleal; traidora Fero: feroz; sanguinário; cruel Mitiga: alivia; suaviza; aplaca Ara: altar; mesa para sacrifícios religiosos

a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüidade Clássica em Os lusíadas, a que se pode referir o vocábulo “Amor”, grafado com mai- úscula, no 5º verso?

b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”, relacionando-o à história de Inês de Castro.

81. Unifap

A que novos desastres determinas De levar estes reinos a esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas, Debaixo dalgum nome preminente?

Os versos de Camões são parte do(a):

a) invocação.

b) proposição.

c) episódio Batalha de Ourique.

d) dedicatória.

e) episódio O velho do Restelo.

66

82.

Apontam-se, a seguir, algumas características atribuí- das pela crítica à epopéia de Luís Vaz de Camões, Os lusíadas. Uma dessas características está incorreta. Trata-se de:

a) concepção da história nacional como uma se- qüência de proezas de heróis aristocráticos e militares.

b) apologia dos poderes humanos, realçando o orgu- lho humanista de auto-determinação e do avanço no domínio sobre a natureza.

c) efabulação mitológica.

d) contraposição da experiência e da observação direta à ciência livresca da Antigüidade.

e) eliminação do pan-erotismo, existente na parte lírica, em favor da ênfase mais objetiva na narração dos feitos lusitanos.

Vunesp

83. Fuvest-SP

No mar tanta tormenta, tanto dano,

Tantas vezes a morte apercebida;

Na terra, tanta guerra, tanto engano,

Tanta necessidade aborrecida!

Onde pode acolher-se um fraco humano,

Onde terá segura a curta vida,

Que não se arme e se indigne o Céu sereno

Contra um bicho da terra tão pequeno?

Nessa estrofe, Camões:

a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.

b) considera o quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e nas adversidades.

c) lamenta a condição humana ante os perigos, os sofrimentos e as incertezas da vida.

d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.

e) classifica o homem como um bicho da terra, dada

a

sua agressividade.

84.

Mackenzie-SP

Sobre Os lusíadas, é incorreto afirmar que:

a) quando a ação do poema começa, as naus portu- guesas estão navegando em pleno oceano Índico, portanto, no meio da viagem.

b) na invocação, o poeta se dirige às Tágides, musas do rio Tejo.

c) na Ilha dos Amores, após o banquete, Tétis con- duz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhe desvenda “a máquina do mundo”.

d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias.

e) composto por sonetos decassílabos, manten- do, em 1102 estrofes, o mesmo esquema de rima.

é

PV2D-07-POR-34

85. FCC-SP

Nem cinco sóis eram passados que de vós partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano traslato, perdía- mos a muiraquitã; que outrem grafara muraquitã, e alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraquéitã, não sorriais! Nesse fragmento da “Carta pras Icamiabas”, em Ma- cunaíma, de Mário de Andrade, encontramos:

a) uma paródia do estilo clássico lusitano.

b) um elogio à eloqüência dos parnasianos.

c) a valorização da linguagem utilizada pela estética do século XVIII.

d) uma apologia ao estilo pretensioso e à oratória vazia de conteúdo.

e) uma sátira aos romances indianistas do século

XIX.

86.

) (

Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura;

O rosto carregado, a barba esquálida,

Os olhos encovados, e a postura

Medonha e má e a cor terrena e pálida; Cheios de terra e crespos os cabelos,

A boca negra, os dentes amarelos. (

Não acabava, quando uma figura

)

Forneça o nome do episódio em que a figura descrita na estrofe anterior aparece e informe o que essa figura personifica.

87. UFPA

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

Esse poema de Fernando Pessoa retoma, no século XX, a temática da expansão ultramarina também utilizada por:

a) Gil Vicente em seus autos.

b) D. Dinis em seus poemas de amor.

c) D. Dinis em seus poemas de amigo.

d) Camões em sua épica.

e) Bocage em seus sonetos.

88.

Em Os lusíadas, Camões:

a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias.

b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonaram a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras

distantes.

c) afasta-se dos modelos clássicos, criando a epo- péia lusitana, um gênero inteiramente original na

época.

d) lamenta que, apesar de ter dominado os mares e descoberto novas terras, Portugal acabe subju- gado pela Espanha.

e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugue- ses e o faz através da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira.

89.

Pode-se afirmar que o Velho do Restelo é:

a) personagem central de Os lusíadas.

b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama.

c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambi- ção.

d) símbolo das forças contrárias às investidas marí- timas lusas.

e) a figura que incentiva a ideologia expansionista.

90.

A estrofe a seguir pertence ao canto X de Os lusíadas. Trata-se de uma fala da deusa Tétis ao capitão Vasco da Gama, na Ilha dos Amores.

Aqui, só verdadeiros, gloriosos Divos estão, porque eu, Saturno e Jano, Júpiter e Juno, fomos fabulosos Fingidos de mortal e cego engano. Só para fazer versos deleitosos Servimos; e, se mais o trato humano Nos pode dar, é só que o nome nosso Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

No trecho, Tétis:

a) afirma que os deuses gregos e latinos são supe- riores aos deuses católicos.

b) lamenta que os homens jamais se referem aos deuses em suas obras artísticas.

c) afirma que os deuses gregos e latinos só existem na imaginação dos homens.

d) mostra que a ambição dos homens se equipara aos poderes divinos.

e) narra a decadência portuguesa após a viagem de Vasco da Gama.

91.

No mais, Musa, no mais, que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a Pátria, não, que está metida

No gosto da cubiça e na rudeza Dua austera, apagada e vil tristeza.

Camões, Os lusíadas, X, 145

a) Quem é a “gente surda e endurecida” a que se refere a estrofe?

b) Qual a acusação que o poeta faz a essa gente?

c) Como se pode entender essa acusação no pano- rama português da época?

67

92.

Sobre Os lusíadas, é correto afirmar que:

a) os deuses pagãos presentes no poema represen- tam a admiração de Camões pela grandeza do mundo antigo e sua descrença no cristianismo.

b) Baco é favorável à empresa dos portugueses; Mar- te e Vênus se opõem a ela; Júpiter toma sempre

 

o

partido de Baco.

c)

o

episódio da ilha dos Amores representa a mere-

cida recompensa pelos grandes feitos portugue- ses, feitos que os elevam ao nível dos deuses antigos.

d)

Velho do Restelo representa, no poema, a opinião progressista da sociedade portuguesa.

o

e)

episódio sobre a morte de Inês de Castro é uma ficção camoniana absolutamente épica.

o

93.

A estrofe abaixo pertence ao poema Os lusíadas, de Camões. Assim lho aconselhara a mestra experta:

Que andassem pelos campos espalhadas; Que, vista dos barões a presa incerta, Se fizessem primeiro desejadas. Algumas, que na forma descoberta Do belo corpo estavam confiadas, Posta a artificiosa fermosura, Nuas lavar se deixam na água pura.

Assinale a parte do poema a que pertence a estrofe transcrita.

a) Proposição.

b) Invocação.

c) Dedicatória.

d) Narração.

e) Epílogo.

94. UFRGS-RS

Assinale a alternativa incorreta. No canto V de Os lusíadas:

a) Adamastor representa os perigos enfrentados pe- los navegadores lusitanos na travessia do oceano Atlântico para o oceano Índico.

b) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando tentam ultrapassar a parte mais meridional da África.

c) apesar das ameaças do gigante, os navegantes prosseguem, esperando ardentemente que os perigos e castigos profetizados sejam afastados.

d)

nuvem negra que se desfaz, antes associada ao Cabo das Tormentas, abre novas esperanças em relação aos objetivos da viagem.

a

e)

a

voz de “tom horrendo e grosso” do gigante

Adamastor, ao dar lugar a um “medonho choro”, deixa ver aos navegadores que o perigo já fora afastado.

95. UFRGS-RS

Assinale a alternativa correta. No canto I de Os lusíadas, na passagem que narra o concílio dos deuses, Júpiter:

68

a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia como recompensa pelos ásperos perigos da viagem.

b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores.

c) reconhece a grandeza do povo lusitano, que enfrenta o mar desconhecido em frágeis embar- cações.

d) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à Índia.

e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a suplantar a glória dos gregos e romanos.

96. Fuvest-SP

Responda às seguintes questões sobre Os lusíadas, de Camões:

a) Identifique o narrador do episódio no qual está inserida a fala do Velho do Restelo.

b) Compare, resumidamente, os principais valores que esse narrador representa, no conjunto de Os lusíadas, aos valores defendidos pelo Velho do Restelo, em sua fala.

97. Fuvest-SP

Em Os lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum:

a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüi- dade clássica.

b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.

c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar.

d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.

e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.

98. Mackenzie-SP

Sobre Os lusíadas, é incorreto afirmar que:

a) é dividido em cinco partes e dez cantos.

b) o Canto I contém a introdução, a invocação, a dedicatória e o início da narrativa.

c) a pedido do rei de Melinde, Vasco da Gama conta partes da história de Portugal.

d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a sorte dos portugueses.

e) no Canto X, a fala do Velho de Restelo acusa os portugueses de vaidade e cobiça excessivas.

99. Unicamp-SP

Mas um velho, de aspecto venerando,

(

)

A

voz pesada um pouco alevantando,

(

)

Tais palavras tirou do experto* peito:

– Ó glória de mandar, ó vã cobiça.

Desta vaidade a quem chamamos Fama.

Ó Fraudulento gosto, que se atiça

Cua aura popular, que honra se chama.

Camões, Os lusíadas, canto IV.

PV2D-07-POR-34

e então uma grande voz se levanta, é um labrego** de tanta idade já que o não quiseram, e grita subido

a um valado***, que é púlpito dos rústicos. Ó glória de

mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça,

e tendo assim clamado, veio dar-lhe o quadrilheiro uma cacetada na cabeça, que ali mesmo o deixou por morto.

José Saramago, Memorial do convento, p. 293.

*experto – que tem experiência **labrego – indivíduo grosseiro, rude, tosco ( ) ***valado – elevação de terra que limita propriedade

rústica

Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.

Confrontando os fragmentos, percebe-se que Memorial do convento dialoga com os clássicos. O episódio do Velho do Restelo, do Canto IV de Os lusíadas, refere-se ao engajamento voluntário dos portugueses na grande empresa que foi a descoberta de novos mundos. Já no Memorial do convento, entretanto, o recrutamento para Mafra deu-se, em geral, à força.

a) Cite ao menos uma razão que levou “o rei infame” de Memorial do convento a tornar obrigatório o engajamento de todos os operários do reino, quaisquer que fossem suas profissões.

b) Quem era esse “rei infame” a que se refere o trecho citado e em que século essa ação do romance se passa?

c) Aponte, no trecho, ao menos uma passagem que indique a irreverência de Saramago em relação ao texto de Luís de Camões.

100. Mackenzie-SP

Põe-me onde se use toda a feridade,

Entre leões e tigres, e verei

Se neles achar posso a piedade

Que entre peitos humanos não achei.

Ali, co’o amor intrínseco e vontade

Naquele por quem morro, criarei

Estas relíquias suas, que aqui viste,

Que refrigério sejam da mãe triste.

O trecho evidencia características:

a) da poesia trovadoresca.

b) do Barroco português.

c) de um auto vicentino.

d) da poesia lírica de Antero de Quental.

e) da poesia épica camoniana.

101. Mackenzie-SP

O tom pessimista apresentado por Camões no epí-

logo de Os lusíadas aparece em outro momento do

poema. Isso acontece no episódio:

a) do Gigante Adamastor.

b) do Velho do Restelo.

c) de Inês de Castro.

d) dos Doze de Inglaterra.

e) do Concílio dos Deuses.

O trecho a seguir pertence a Os lusíadas. Leia-o e responda às questões 102 e 103. Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandre e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.

102. Vunesp

Uma leitura atenta da estrofe citada revela que o conte- údo dos primeiros seis versos é retomado e sintetizado nos últimos dois versos. Interprete a estrofe de acordo com esta observação.

103. Vunesp

A oitava apresentada constitui a terceira estrofe de Os lusíadas, de Luís de Camões, poema épico publicado em 1572, obra máxima do Classicismo português. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e foi introduzido na literatura portuguesa algumas décadas antes, por Sá de Miranda. Quanto ao conteúdo, o poema Os lusíadas toma como ponto de referência um episódio da história de Portugal. Baseado nesses comentários e em seus próprios conhecimentos, releia a estrofe citada e indique:

a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simples- mente o número de sílabas métricas);

b) o episódio da história de Portugal que serve de núcleo narrativo do poema.

104. Fuvest-SP

I. Eis aqui se descobre a nobre Espanha, Como cabeça ali de Europa toda

II. Eis aqui quase cume da cabeça De Europa toda, o reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa

III. A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

O

cotovelo esquerdo é recuado;

O

direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado; Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apóia o rosto.

Fita, com olhar sphyngico e fatal,

O

Ocidente, futuro do passado.

O

rosto com que fita é Portugal.

Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias 17 e 20 do canto III de Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões, e o texto III é um poema do livro Mensagem, de Fernando Pessoa.

a) A que movimento literário pertence cada um dos autores?

b) De que recurso comum aos dois textos se valem os autores para elaborar a descrição da Europa?

69

105. Fuvest-SP

Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo, e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha, não se acabavam as lamentações, tanto que os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade ( )

José Saramago. Memorial do convento.

Em muitas passagens do trecho transcrito, o narrador cita textualmente palavras de um episódio de Os lusíadas, visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal que Camões, nesse episódio, já criticava. O episódio camoniano e o aspecto criticado são, respectivamente:

a) O Velho do Restelo; a posição subalterna da mu- lher na sociedade tradicional portuguesa.

b) Aljubarrota; a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses.

c) Aljubarrota; o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos, marítimos e suntuários.

d) O Velho do Restelo; o sofrimento popular decor- rente dos empreendimentos dos nobres.

e) Inês de Castro; o sofrimento feminino causado pelas perseguições da Inquisição.

106. UniCOC-SP

Podemos afirmar que, na época da expansão mercan-

tilista, havia duas correntes de opinião em Portugal:

uma fundada em valores medievais, mais preocupada com a agricultura e com princípios da velha nobreza fundiária; outra voltada para a renovação do perfil econômico do país, mais preocupada com o comércio e com os princípios da burguesia em ascensão. Na obra Os lusíadas, uma das cenas marcantes é a do Velho do Restelo. A partir das afirmações expostas, assinale a alternativa correta.

a) O velho se identifica com a segunda corrente apresentada na afirmação.

b) O velho se identifica com a primeira corrente apresentada na afirmação.

c) O velho, como era uma pessoa estudada e de origem nobre, conhece bem a situação econômica de Portugal na época.

d) O velho não se posiciona sobre as navegações. Seu discurso é sobre questões metafísicas.

e) O velho, por sua idade e falta de sensatez, apre- senta um discurso que não deve ser avaliado.

107. UniCOC-SP

Lamentando o descaso dos portugueses, seus con- temporâneos, para com a arte da poesia, diz Camões, em Os lusíadas:

Por isso, e não por falta de natura, Não há também Virgílios nem Homeros; Nem haverá, se este costume dura, Pios Enéias nem Aquiles feros. Mas o pior de tudo é que a ventura Tão ásperos os fez, e tão austeros, Tão rudes e de engenho tão remisso, Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso.

70

1. Natura: talento, qualidade inata, índole, aptidão.

2. Virgílios nem Homeros: referência aos dois poetas épicos da Antigüidade Clássica.

3. Pios Enéias: Enéias generosos, piedosos; referên- cia ao protagonista da Eneida, de Virgílio.

4. Aquiles feros: Aquiles bravos, guerreiros; referên- cia ao protagonista da Ilíada, de Homero.

5. Ventura: destino, sorte, experiência de vida.

6. Engenho: habilidade, capacidade.

7. Tão remisso: acanhado, embotado, negligente, desleixado.

A leitura atenta da estrofe transcrita de Os lusíadas permite concluir corretamente que:

a) Camões antecipa uma das críticas que fará, mais tarde, no epílogo do poema, aos portugueses de sua época.

o poeta retoma o mesmo tom ufanista da propo-

b)

sição, na qual, logo na apresentação do poema, revela seu descontentamento com a decadência de seu país.

c) afastando-se do rigor formal dos decassílabos e da oitava-rima, o poeta vale-se de uma forma livre, criada por ele mesmo.

d) há uma reclusa explícita da influência clássica de Virgílio e de Homero, exemplos negativos que

fazem os portugueses “tão ásperos”, tão “austeros”

e)

e “tão rudes”.

a citação de heróis da cultura greco-latina, como

Aquiles e Enéias, revaloriza elementos tradicionais de cultura ibérica medieval, que remontam à época da dominação romana.

108.

Dos episódios “Inês de Castro” e “O Velho do Reste- lo”, da obra Os lusíadas, de Luiz de Camões, não é possível afirmar que:

a) “O Velho do Restelo”, numa antevisão profética, previu os desastres futuros que se abateriam sobre a pátria e que arrastariam a nação por- tuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo.

b) “Inês de Castro” caracteriza, dentro da epopéia camoniana, o gênero lírico porque é um episódio que narra os amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro.

c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém, de onde partiam as naus portuguesas nas aventuras marítimas.

d) Tanto “Inês de Castro” quanto “O Velho do Restelo” são episódios que ilustram poeticamente diferentes circunstâncias da vida portuguesa.

e) O Velho, um dos muitos espectadores na praia, engrandecia com sua fala as façanhas dos navega- dores, a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana.

PV2D-07-POR-34

Leia o texto a seguir e responda às questões de 109 a 111. As armas e os barões assinalados, Que, da Ocidental praia lusitana, Por mares nunca dantes navegados, Passaram muito além da Taprobana, Entre perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana. Entre gente remota edificaram Novo reino, que tanto sublimaram:

E também as memórias gloriosas

Daqueles reis que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e Ásia andaram devastando,

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando:

Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e a arte. Cessem do sábio grego e do troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandre e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre lusitano

A quem Netuno e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.

Camões, Os lusíadas, I, pp. 1-3.

109.

Quem são os “barões assinalados” a que se refere o poeta na primeira estrofe?

110.

Na segunda estrofe, o poeta aponta dois dos motivos que, segundo ele, teriam levado os portugueses à expansão marítima.

a) Aponte os versos em que esses motivos estão explicitados.

b) Explique os sentidos desses versos.

c) Aponte uma passagem da obra que desmente a visão expressa pelo poeta nesses versos.

111.

Na terceira estrofe, pode-se ler um verso que resume

o

conteúdo de todo o poema. Transcreva esse verso

e

explique-o.

112. PUC-SP

Tu só, tu, puro amor, com força crua

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes ensinando e às ervinhas,

O nome que no peito escrito tinhas.

Os lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épi- co na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho exposto faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central:

a) personifica e exalta o amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.

b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro

e o casamento solene e festivo de ambos.

c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal.

d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinan- do aos montes o nome que no peito escrito tinha.

e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português.

113. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo, em Os lusíadas:

I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acu- mulada na época em que o poema foi escrito.

II. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiências feito”.

III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões

teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou

o feito quanto o exaltou.

Está correto apenas o que se afirma em:

a) I.

d)

I e II.

b) II.

e)

I e III.

c) III.

114.

Um dos mais famosos sonetos de Camões assim se inicia:

Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho logo mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada.

Você diria que no quarteto apresentado podemos perceber a visão platônica que Camões tem do amor? Por quê?

71

115.

Camões distinguiu-se, na literatura portuguesa, entre outras razões:

a) por ter sido o primeiro escritor clássico de Portugal.

b) por ter sido o maior caricaturista da sociedade portuguesa do século XVI.

c) por ter criado o teatro popular.

d) por ter escrito a melhor interpretação poética dos valores espirituais, morais e cívicos que distin- guiam a civilização portuguesa.

116.

Quais são os temas da lírica camoniana?

117.

Sobre a lírica de Camões, é correto afirmar que:

a) é composta inteiramente segundo modelos do Classicismo renascentista.

b) é composta com versos de “medida nova”, total- mente adaptada à técnica renascentista.

c) tem em seu centro a tentativa de compreensão da natureza, do amor e do mundo.

d) tem como elemento fundamental a visão sensual do amor, sempre carregada do sentido físico,

erótico.

e) mostra uma atitude puramente emocional, sem a reflexão e o racionalismo próprios do Classicismo.

118.

Sobre a lírica camoniana, é incorreto afirmar que:

a) está escrita em medida velha e medida nova, isto é, em versos redondilhos e versos decassílabos,

respectivamente.

b) apresenta-se no estilo clássico e no estilo ma-

neirista, sendo este último uma transição para o

Barroco.

c) expressa-se em temática variada, contendo principalmente temas como o “desconcerto do

mundo”, “a mutabilidade das coisas” e o “ideal de

perfeição”.

d) estabelece, através da introspecção, um amplo painel da sociedade portuguesa do início do século

XVI.

e) busca, além da universalização, uma visão platô- nica do conceito amoroso.

119. Mackenzie-SP Desde seu descobrimento, escreveu-se sobre o Brasil. Alguns escritores, após tal evento, compuseram textos

com o propósito fundamental de retratar não só a terra recém-descoberta como também as características de seus habitantes. Trata-se, pois, de uma literatura de teor informativo, apesar de se encontrarem, às vezes, algumas passagens onde se mostram elementos artísticos. Aponte a alternativa em que se encontra o nome de um texto que não se encaixe nessa tendência.

a) Carta do descobrimento

b) Tratado da terra do Brasil

c) Tratado descritivo do Brasil

d) Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda

e) História da província de Santa Cruz, a que vulgar- mente chamamos Brasil

72

120. Mackenzie-SP

Sobre a lírica camoniana, é incorreto afirmar que:

a) boa parte de sua realização se encontra na poesia de inspiração clássica.

b) sua temática é variada, encontrando-se desde temas abstratos até tradicionais.

c) no aspecto formal, é toda construída em versos decassílabos em oitava rima.

d) sonda o sombrio mundo do eu, da mulher, da natureza e de Deus.

e) muitas vezes, o poeta procura conceituar o amor, lançando mão de antíteses e paradoxos.

121. Fuvest-SP

Qual a diferença mais significativa entre a poesia épica e a lírica: o tipo de verso empregado ou o conteúdo? Justifique sua resposta.

122.

Cara minha inimiga, em cuja mão Pôs meus contentamentos a ventura, Faltou-te a ti na terra sepultura, Por que me falta a mim consolação.

Eternamente as águas lograrão

A tua peregrina fermosura;

Mas, enquanto me a mim a vida dura, Sempre viva em minha alma te acharão.

E, se os meus rudes versos podem tanto Que possam prometer-te longa história Daquele amor tão puro e verdadeiro,

Celebrada serás sempre em meu canto; Porque, enquanto no mundo houver memória, Será minha escritura teu letreiro.

Luís de Camões

a) Aponte e explique a antítese que há no início do poema.

b) Neste poema, há referência a um acontecimento que parece ter relação com um dado da biografia de Camões: a perda da amada. Segundo o poema, em que circunstâncias se deu essa morte? Quais os versos que se referem a ela?

c) Qual o tipo de verso empregado? Trata-se da medida velha ou da nova?

d) Por que se trata de um soneto? Qual seu esquema de rimas?

123.

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor

O humano coração com mais verdade

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.

não cante

Amo-te a fim de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante.

PV2D-07-POR-34

Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente.

E de amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes. Livro dos sonetos.

A crítica costuma apontar Vinícius de Moraes como um dos herdeiros da lírica camoniana. Aponte seme- lhanças entre as duas obras tanto do ponto de vista temático quanto formal.

124.

A terra

Esta terra, Senhor, me aparece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgu- mas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. ( ) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho.( ) Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é gra- ciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

Caminha, Pero Vaz de. A carta de Caminha.

Carta de Pero Vaz

A terra é mui graciosa,

Tão fértil eu nunca vi.

A gente vai passear,

No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Banana que nem chuchu. Quanto aos bichos, tem-nos muitos, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais. Diamantes tem à vontade, Esmeralda é para os trouxas. Reforçai, senhor, a arca, Cruzados não faltarão, Vossa perna encanareis, Salvo o devido respeito. Ficarei muito saudoso Se for embora daqui.

MENDES, Murilo. História do Brasil.

Os dois textos, representantes de dois períodos literá- rios distantes, revelam duas perspectivas diferentes. Indique:

a) a diferença entre o texto original e o segundo, em função da descrição da terra;

b) o período literário a que corresponde cada texto.

125. UFBA

As manifestações literárias no Brasil do século XVI foram, fundamentalmente:

a) relatos de viajantes e missionários estrangeiros e escritos catequéticos de Anchieta.

b) poemas épicos indianistas e poesia lírica de caráter religioso.

c) teatro de sátira política e crônicas sobre o cotidiano das pequenas cidades.

d) obras de caráter pedagógico, de circulação restrita.

e) cartas dos colonos aos familiares da metrópole e documentos de protesto contra a escravização dos negros.

126. Fuvest–SP

Na lírica de Camões:

a) método usado para a composição dos sonetos é

a redondilha maior.

b) encontram-se sonetos, sátiras, odes e autos.

c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.

d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.

a mulher é vista em seus aspectos físicos, despo- jada de espiritualidade.

e)

127. Unicamp-SP

Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer;

Lírica de Camões, seleção, prefácio e notas de Massaud Moisés

Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia M. B. Andresen, Terror de amar, em Antologia poética.

Dos dois textos transcritos, o primeiro é de Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo, de Sophia M.B. Andresen (século XX).

Compare-os, discutindo, através de critérios formais

e

temáticos, aspectos em que ambos se aproximam

e

aspectos em que ambos se distanciam.

128. Vunesp

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela

Amo-te assim desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura!

73

Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”

E

em que Camões chorou, no exílio amargo,

O

gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac, Tarde (1919)

Língua

(a Violeta Gervaiseau)

Gosto de sentir a minha língua roçar

A língua de Luís Camões.

Gosto de ser e de estar

E

quero me dedicar

A

criar confusões de prosódia

E

uma profusão de paródias

Que encurtem dores

E furtem cores como camaleões.

Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa,

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade.

E

quem há de negar que esta lhe é superior?

E

deixa os portugais morrerem à míngua,

“Minha pátria é minha língua”

– Fala Mangueira!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

O que quer

O que pode

Esta língua?

Caetano Veloso, em Velô (1984)

Além de Luís de Camões, que aparece mencionado nos dois textos, o poema de Caetano menciona outros dois escritores. Cite pelo menos uma obra importante de cada um destes dois literatos.

129.

Leia o texto seguinte, retirado de um poema de Ca- mões. Aquela cativa Que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos Que para meus olhos Fosse mais fermosa.

a) Qual o tipo de verso empregado no poema?

b) Trata-se de um poema tipicamente clássico? Jus- tifique sua resposta.

c) A expressão “cativo(a)” quer dizer “escravo(a)”. Sabendo disso, responda: o que o poeta quis dizer nos dois primeiros versos?

130.

O culto à natureza, característica da Literatura Brasi- leira, tem sua origem nos textos da Literatura de In- formação. Assinale o fragmento da Carta de Caminha que já revela a mencionada característica:

a) Viu um deles umas contas de rosário, brancas;

acenou que lhas dessem, folgou muito com elas,

e lançou-as ao pescoço.

74

b) Assim, quando o batel chegou à foz do rio, esta- vam ali dezoito ou vinte homens pardos, todos nus, sem nenhuma roupa que lhes cobrisse suas vergonhas.

c) Mas a terra em si é muito boa de ares, tão frio e temperados como os de Entre-Douro e Minho, por- que, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem.

d) Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar.

e) Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali.

131. Unama-PA

Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves

E houvemos vista de terra

Os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela

E

não queriam pôr a mão

E

depois a tomaram como espantados

primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real

as meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas

E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas

Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha.

Oswald de Andrade, Poesias reunidas

A

terra é tão fermosa

e

de tanto arvoredo

tamanho e tão basto que o homem não dá conta.

No clarão matutino

os tucanos rombudos eram como figuras

a

lápis encarnado

e

que houvessem fugido

do caderno escolar em que Deus aprendia desenho, em menino.

Tupis em alvoroço,

Tribos guerreiras, mansas, troféus verdes na ponta dos chuços e das lanças. Jequitiranabóias.

PV2D-07-POR-34

Colar de osso ao pescoço,

vermelhas araçóias,

cocares multicores.

Cada qual com o seu sol

de plumas à cabeça.

Guerreiros da manhã

que haviam já descido

dos Andes à procura

da Noite, que estaria

para os lados do Atlântico.

Cassianos Ricardo, Martim Cererê

Os excertos mostrados, de poetas da 1ª fase do Mo- dernismo, têm seu referencial na origem e na formação da Literatura Brasileira. Assinale a alternativa que identifica esse referencial.

a) Literatura dos jesuítas — Auto de São Lourenço

b) Literatura dos viajantes — Carta do Descobrimento

c) Literatura dos viajantes — Tratado da terra do Brasil

d) Seiscentismo — Prosopopéia

e) Seiscentismo — Sermão da sexagésima

132. UFV–MG

Sobre José de Anchieta, é incorreto afirmar que:

a) cultivou especialmente os autos, buscando, na ale-

goria, tornar mais acessíveis às mentes indígenas os conceitos e os dogmas do cristianismo.

b) no teatro, o Auto de São Lourenço destaca-se como obra catequética de influência medieval.

c) na poesia lírica, encontram-se suas mais belas composições, expressivas de uma fé profunda.

d) apesar de pautada na língua e na cultura do índio, sua produção literária não se caracteriza como literatura já tipicamente brasileira.

e) sua obra teatral, marcadamente alegórica e anti- religiosa, moldou-se nos padrões renascentistas.

133. Ufla-MG

Todas as alternativas sobre o Padre José de Anchieta são corretas, exceto:

a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil do século XVI.