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OAB XV EXAME

Direito Civil
Cristiano Sobral

DIREITOS DAS OBRIGAÇÕES (retenção de pagamento). Exemplo de


Material do professor Cristiano Sobral obrigação natural: dívida de jogo ou aposta.
www.professorcristianosobral.com.br Atenção! A obrigação propter rem (em razão da
Twitter: @profCrisSobral coisa) é direito obrigacional (confrontando
Instagram:@cristianosobral devedor e credor) e não direito real. Contudo,
FB: Professor Cristiano Sobral tem uma especificidade: é a obrigação que
surge em razão da aquisição de um direito real.
Livros Indicados Ao se adquirir um direito real, seu titular
Direito Civil Sistematizado 5ª edição. Ed. Gen. assume algumas obrigações de devedor
Direito do Consumidor para Concursos. Ed. perante credor. Exemplos: obrigação de pagar
Saraiva. condomínio quando se adquire o direito de
propriedade de um apartamento ou o dever
Sai do ócio! Valoriza a tua vida, aproveita os que o proprietário tem de indenizar o possuidor
tempos hodiernos e busca a cultura que que realiza benfeitorias em seu imóvel, nos
edifica. Estuda! Estuda muito mesmo meu termos destacados em direitos reais neste livro.
amigo e amiga. E, a maneira das árvores Como a obrigação propter rem surge por força
generosas, oferece os teus frutos de amor e da titularidade de um direito real, acompanha o
humanidade. Conte comigo nessa caminhada, bem se houver transferência dele, isto é, o
pois estou certo que sua aprovação será novo titular do direito real a assume. Exemplo:
TERMO. Evento futuro e certo de acontecer. quem compra um apartamento assume as
Um beijo para a mulherada e um abraço para a obrigações de pagar condomínio, até mesmo
macharada. aquelas que estejam em atraso.
Atenção! A obrigação propter rem não se
Cris Sobral. consubstancia apenas no pagamento de valor
pecuniário. Deve ser uma obrigação
1. INTRODUÇÃO devedor/credor, porém esta pode ser
consubstanciada em um dar (dinheiro ou
O direito das obrigações é o ramo do Direito qualquer bem), um fazer ou um não fazer.
Civil que se ocupa em estudar a relação Assim sendo, o respeito às limitações dos
jurídica que existe entre o devedor e o credor, direitos de vizinhança são obrigações propter
no qual este pode exigir daquele o rem, pois consistem em obrigações de não
cumprimento de uma prestação, que fazer do proprietário para respeito a direito de
possivelmente consiste em um dar, um fazer vizinhos.
ou um não fazer.
A obrigação tem, portanto, três elementos: 2. MODALIDADE DAS OBRIGAÇÕES (arts.
devedor, credor e vínculo jurídico. O vínculo 233 a 285, CC)
jurídico é a ligação que existe entre o devedor
e o credor, que é composta por dois elementos: As modalidades de obrigações decorrem de
débito e responsabilidade. Significa que há dois tipos de classificações: básica e especial.
duas questões ligando devedor e credor: a Em uma classificação básica, a depender da
existência de uma dívida (débito) e a natureza da prestação, a obrigação pode ser
possibilidade de cobrança judicial em caso de de três espécies: obrigação de dar, obrigação
inadimplemento (responsabilidade). de fazer e obrigação de não fazer. Em uma
Atenção! Obrigação A obrigação natural é classificação especial, a Legislação Civilista
aquela em que o vínculo jurídico é formado trata de mais três classes de modalidades:
apenas pelo débito, não existindo obrigação alternativa, obrigação divisível ou
responsabilidade. Existe uma dívida, todavia, indivisível e obrigação solidária.
se não for cumprida a prestação, o credor não
tem o poder de exigi-la judicialmente. 2.1. Obrigação de Dar
Entretanto, se adimplida espontaneamente ou
até mesmo por engano, não se pode exigir A obrigação de dar é aquela em que a
devolução, pois o débito existe (art. 882 do prestação do devedor consiste na entrega de
CC). É o que chamamos de soluti retentio um bem. A obrigação de dar pode ser de duas

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naturezas: dar coisa certa ou dar coisa incerta. aquisição da propriedade só se dá com a
Na obrigação de dar coisa certa, o devedor tem entrega do bem. Na obrigação de restituir, o
a prestação de entregar um bem específico. dono é o credor, pois ele sempre foi o dono,
Por exemplo, quando alguém vende o cavalo uma vez só ter emprestado para o devedor.
campeão de sua fazenda. Já a obrigação de Regra acessória 1: desde que, em vez
dar coisa incerta é aquela em que o devedor da perda, ocorra apenas a deterioração do
assume a obrigação de dar um gênero em bem, a solução é a mesma, no entanto com
certa quantidade - por exemplo, uma diferença: ele poderá optar entre a
quando alguém vende três cavalos de sua solução da perda supramencionada ou receber
fazenda. o bem deteriorado, abatendo-se o valor da
deterioração.
2.1.1. Obrigação de dar coisa certa Regra acessória 2: na hipótese de a
coisa perecer para o dono, ela também
É a obrigação de dar um bem específico, não melhora para o dono, quer dizer, se, em vez da
servindo outro de mesma espécie, como perda ou deterioração, houver uma melhora no
quando uma pessoa vende o cavalo campeão bem antes da entrega, quem dela se
de sua fazenda. Na verdade, há duas beneficiará será o dono.
categorias de obrigação de dar coisa certa: dar
e restituir. Vamos analisar, com base no macete
A razão é que quando disponho da obrigação apresentado, as regras dos artigos 234 a 242
de devolver um bem que recebi, não posso do Código Civil. Qual a consequência da perda,
impor a entrega de outro de mesma espécie. deterioração ou melhora do bem antes da
Portanto, tenho obrigação de dar coisa certa tradição, no caso da prestação de dar e no
tanto quando preciso entregar um cavalo que caso da prestação de restituir?
vendi quanto como sou obrigado a devolver um
cavalo que me foi emprestado. a) Prestação de dar, perda do bem, com culpa
O assunto vem previsto entre os artigos 233 e do devedor (art. 234): devedor de um carro por
242 da Lei Civil, onde uma única questão é tê-lo vendido ao credor, todavia antes da
tratada: perda ou deterioração do bem depois entrega o destrói porque provoca um acidente
que a obrigação de dar é assumida, mas antes com perda total do carro por dirigir embriagado.
da efetiva entrega. Como é obrigação de dar Será devedor no equivalente (devolve o valor
coisa certa, não sendo possível a entrega de recebido ou não o recebe) acrescido de perdas
outro bem equivalente, qual é a consequência? e danos.
Quem suporta o prejuízo? As possibilidades b) Prestação de dar, perda do bem, sem culpa
são muitas, pois pode ser com culpa ou sem do devedor (art. 234): devedor de um carro por
culpa do devedor, pode ser um dar ou um tê-lo vendido ao credor, entretanto antes da
restituir, pode ser perda ou deterioração ou até entrega o carro cai em uma ribanceira por ser
mesmo uma melhora no bem. levado pela correnteza da inundação
Para tomar ciência de todos os casos previstos provocada por violenta tempestade.
nos citados artigos, basta conhecer uma regra Consequência: resolve-se a obrigação, o que
básica, à qual são acrescentadas duas regras significa desfazer o negócio. Veja que o dono
acessórias lógicas: (devedor do carro) sofreu a perda, pois ficou
sem o carro e sem o dinheiro.
Regra básica: se o devedor teve culpa c) Prestação de dar, deterioração do bem, com
na perda do bem, a regra sempre será a culpa do devedor (art. 236): devedor de um
mesma: deverá pagar ao credor o equivalente carro por tê-lo vendido ao credor, contudo
acrescido de perdas e danos. Se o devedor antes da entrega o amassa ao bater por dirigir
não teve culpa na perda do bem, a regra será embriagado. O credor poderá escolher entre
sempre a mesma: res perit domino (a coisa receber o equivalente mais perdas e danos ou
perece para o dono), será dele o prejuízo. aceitar o bem no estado em que se acha
. E quem é o dono? Depende se a obrigação é acrescido de perdas e danos, incluindo o
de dar ou de restituir. Na obrigação de dar, abatimento do valor em razão da deterioração.
antes da entrega o dono é o devedor, pois a

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d) Prestação de dar, deterioração do bem, sem h) Prestação de restituir, deterioração do bem,


culpa do devedor (art. 235): devedor de um com culpa do devedor (art. 240): devedor de
carro por tê-lo vendido ao credor, porém antes um carro por tê-lo recebido emprestado do
da entrega o carro é amassado por bater em credor, porém antes da entrega o amassa ao
um poste ao ser levado pela correnteza da bater por dirigir embriagado. O credor poderá
inundação provocada por violenta tempestade. escolher entre receber o equivalente mais
Consequência: credor poderá optar em perdas e danos ou aceitar o bem no estado em
resolver a obrigação (desfazer o negócio) ou que se acha acrescido de perdas e danos,
aceitar o carro amassado, abatendo do seu incluindo o abatimento do valor em razão da
preço o valor perdido pela deterioração. Atente- deterioração.
se que é o dono (devedor do carro) que sofre a i) Prestação de restituir, deterioração do bem,
perda, pois ficou sem dinheiro e com o carro sem culpa do devedor (art. 240): devedor de
amassado ou sem o carro pagando pela um carro por tê-lo recebido emprestado do
deterioração. credor, mas antes da entrega o carro é
e) Prestação de dar, melhora do bem (art. 237): amassado por bater em um poste ao ser
devedor de uma fazenda por tê-la vendido ao levado pela correnteza da inundação
credor, mas antes da entrega o bem se valoriza provocada por violenta tempestade. O dono é o
em razão do acréscimo de terra trazido pela credor, que sofrerá a perda, pois a lei diz que
correnteza das águas (fenômeno chamado de ele receberá o bem deteriorado sem direito de
avulsão). O vendedor poderá pedir aumento de indenização.
preço, pois é o dono e ele se beneficia com a j) Prestação de restituir, melhora do bem (art.
vantagem. Se o comprador não aceitar pagar o 241 e 242): devedor de uma fazenda por tê-la
acréscimo, poderá o vendedor resolver a recebida emprestada do credor, no entanto
obrigação, quer dizer, desfazer a venda. E se, antes da entrega o bem se valoriza em razão
em vez de melhoramento ou acrescido, o bem do acréscimo de terra trazido pela correnteza
deu frutos? das águas (fenômeno chamado de avulsão).
Os frutos percebidos ou colhidos antes da Por evidente, será do credor o ganho, pois ele
tradição são do devedor, pois ele ainda é dono é o dono do bem, recebendo-o de volta
do bem, no entanto se pendente quando da valorizado, desobrigado de indenizar. Se para
tradição, será do credor, pois o bem acessório o melhoramento ou acréscimo houve trabalho
segue a sorte do bem principal. Assim, se o do devedor, é benfeitoria, razão pela qual o
devedor vende uma cadela para entregar artigo 242 da Norma Civilista determina aplicar
tempo depois e antes da entrega fica prenha, as regras do direito de indenização que -
se na época da entrega o filhote já nasceu será o possuidor de boa-fé e de má-fé tem em razão
do vendedor, todavia se estiver na barriga da das benfeitorias que faz no bem (sobre isso,
cadela na época da entrega, será do ver o capítulo próprio na parte de direitos reais
comprador. neste livro, quando da abordagem dos efeitos
f) Prestação de restituir, perda do bem, com da posse).
culpa do devedor (art. 239): devedor de um
carro por tê-lo recebido emprestado do credor, 2.1.2. Obrigação de dar coisa incerta
entretanto antes da entrega o destrói porque
provoca um acidente de perda total do carro É a obrigação de dar um gênero em certa
por dirigir embriagado. Será devedor no quantidade, como na venda de três cavalos de
equivalente (indeniza o valor do carro) uma fazenda. Em dado momento, os bens a
acrescido de perdas e danos. serem entregues deverão ser escolhidos, o que
g) Prestação de restituir, perda do bem, sem chamamos de concentração da prestação. A
culpa do devedor (art. 238): devedor de um quem cabe a escolha? A quem definido no
carro por tê-lo em empréstimo do credor, contrato. Se nada for dito, a escolha caberá ao
contudo, antes da entrega, o carro cai em devedor, que não poderá escolher o pior nem
ribanceira levado pela correnteza da inundação ser obrigado a escolher o melhor.
provocada por uma tempestade. O dono é o Feita a escolha, a obrigação de dar coisa
credor e ele sofre a perda, ou seja, o devedor incerta se transforma em obrigação de dar
não terá de indenizá-lo da perda do carro. coisa certa, aplicando-se as regras que lhe são

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próprias. Todavia, se antes da escolha o bem Um advogado ou um médico tem obrigação de


se perder ou se deteriorar, mesmo que por meio, enquanto, de acordo com a
caso fortuito ou motivo de força maior, o jurisprudência do STJ, o cirurgião plástico,
devedor não se exime de cumprir a prestação, embora seja um médico, tem obrigação de
pois o gênero não perece, podendo o bem ser resultado, quando se tratar de intervenção
substituído por outro da mesma espécie para meramente estética ou embelezadora.
ser entregue ao credor. No direito pátrio a maioria das
obrigações contratuais dos profissionais
2.2. Obrigação de Fazer liberais é considerada de meio, no qual o
resultado esperado pelo consumidor não é
A obrigação de fazer é aquela em que a necessariamente alcançado, embora deva ser
prestação do devedor consiste na realização buscado.
de uma atividade, como na contratação da O STJ entende que “a obrigação de meio
prestação de um serviço. A obrigação de fazer limita-se a um dever de desempenho, isto é, há
pode ser de dois tipos: personalíssima o compromisso de agir com desvelo,
(infungível) ou não personalíssima (fungível). empregando a melhor técnica e perícia para
Será personalíssima quando só o devedor alcançar um determinado fim, mas sem se
puder cumprir a prestação, como na obrigar à efetivação do resultado”, sendo
contratação de um pintor famoso para pintura suficiente que o profissional liberal “atue com
do retrato do credor em um quadro. diligência e técnica necessárias, buscando a
Será não personalíssima quando não só o obtenção do resultado esperado”. São
devedor, entretanto outra pessoa também exemplos: o médico que indica tratamento para
puder cumprir a prestação, como a contratação determinada doença não pode garantir a cura
de um pintor para pintura das paredes de uma do paciente; o advogado que patrocina uma
casa. causa não tem o dever de entregar resultado
Por que diferenciar? Se for obrigação favorável ao cliente.
personalíssima e o devedor se recusa a
cumpri-la ou por sua culpa se tornou Nesses casos, caberá ao consumidor provar
impossível, responde por perdas e danos. Se que houve culpa do profissional.
for obrigação não personalíssima, poderá o
credor optar em reclamar indenização por Todavia, há obrigação de resultado
perdas e danos ou mandar executar as custas onde “o contratado se compromete a alcançar
do devedor. Como isso é feito? Ajuizamento de um resultado específico, que constitui o cerne
ação com orçamento do serviço, pedindo da própria obrigação, sem o que haverá a
condenação do devedor do fazer a pagar. inexecução desta”, ex. o cirurgião plástico que
Contudo, se for urgente, poderá o credor realiza procedimento estético. Nessa hipótese,
mandar executar o fato independente de prévia haverá inversão do ônus da prova, cabendo ao
autorização judicial, buscando em juízo depois profissional demonstrar que o insucesso se
o ressarcimento do que foi gasto. deve por culpa exclusiva daquele que o
contratou.
As obrigações de fazer podem ser classificadas
em obrigação de meio e de resultado ou de fim. Não há previsão na legislação pátria no que
Nas obrigações de resultado, o devedor se tange à distinção entre obrigações de resultado
vincula a atingir determinado resultado, sob e de meio, nem mesmo existe consenso na
pena de inadimplemento e, consequentemente, doutrina sobre a matéria. Diante da ausência
dever de indenizar perdas e danos. Já na de previsão, o STJ tem se posicionado dessa
obrigação de meio, o devedor não se vincula a forma:
atingir determinado resultado, mas sim a a) Procedimentos odontológicos, ortodônticos
corresponder no meio para atingi-lo, isto é, a em especial, e estéticos: há comprometimento
empregar a diligência na busca do resultado. do profissional quanto ao resultado;
Não responde se o resultado não for atingido, b) Fundo de investimento: não fica
apenas se não empregou a diligência caracterizado defeito na prestação de serviço
necessária. quando o gestor de negócios não garante

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ganho financeiro ao cliente. O profissional não pode o devedor obrigar o credor a receber
contratado não assume obrigação de resultado, parte em uma prestação e parte em outra.
mas de meio – de bem gerir o investimento, na Atenção! O que ocorre sempre que uma
tentativa de obter o máximo de lucro. ou todas as prestações não puderem ser
c) Perda de prazo por advogado: o profissional cumpridas? A resposta irá variar se a escolha
responde pelos erros de fato e de direito que cabia ao devedor ou ao credor.
venha a cometer no desempenho de sua
função, no entanto, ao patrocinar a causa, a) Impossibilidade de uma das prestações: se a
obriga-se a conduzi-la com toda a diligência, escolha couber ao devedor, subsiste a
não se lhe impondo o dever de entregar um obrigação com a outra prestação (art. 253 do
resultado certo. Desta forma, o fato de o CC). Mesma solução, se a escolha couber ao
advogado perder o prazo para contestar ou credor e a impossibilidade se deu sem culpa do
interpor recurso não resulta na sua automática devedor. Todavia, se por culpa dele, o credor
responsabilização civil. poderá exigir a prestação subsistente ou o
valor em dinheiro da prestação impossibilitada,
2.3. Obrigação de não Fazer acrescido de perdas e danos (art. 255 do CC).
Exemplo: devedor de um carro ou uma moto
A obrigação de não fazer é uma obrigação a destrói a moto ao dirigir embriagado.
uma abstenção, por exemplo, não levantar um Consequência: se a escolha cabe ao devedor,
muro divisório. Se o devedor descumprir a obrigação simples de dar o carro;
obrigação, fazendo o que se obrigou a não se cabe ao credor, pode cobrar o carro ou o
fazer, deverá indenizar o credor em perdas e valor em dinheiro da moto mais perdas e
danos? Nem sempre, pois às vezes se tornou danos. Se a moto foi destruída acidentalmente,
impossível, sem culpa do devedor, abster-se mesmo cabendo a escolha ao credor,
do ato. Nesse caso, apenas se resolve a obrigação simples de dar o carro.
obrigação (volta ao estado anterior do
negócio), não tendo que indenizar perdas e b) Impossibilidade de ambas as prestações:
danos. caso a seleção incumbir ao devedor e este tiver
Exemplo: a pessoa se viu obrigada a levantar o culpa, ficará obrigado a pagar o valor da
muro para impedir que a água invadisse sua prestação que se impossibilitou por último,
casa. Se, porém, simplesmente decidiu fazer o acrescido de perdas e danos (art. 254 do CC).
que se obrigara a não fazer, será condenado a Se a escolha couber ao credor e o devedor
indenizar perdas e danos e, se o fizer, consistir culpado, poderá reclamar o valor de qualquer
em uma obra, poderá o credor pedir uma delas acrescido de perdas e danos (art.
judicialmente para desfazê-la. Se for urgente, 255 do CC, in fine). Entretanto, se ambas as
poderá mandar desfazer independente de prestações tornaram-se impossível sem culpa
autorização judicial, buscando em juízo o do devedor, independe de quem cabe a
ressarcimento. escolha: extinta estará a obrigação, ou melhor,
desfeito o negócio jurídico (art. 256 do CC).
2.4. Obrigações Alternativas
2.5. Obrigações divisíveis e Indivisíveis
A obrigação alternativa é aquela que
compreende duas ou mais prestações, porém Obrigação divisível é aquela em que pode ser
se extingue com a realização de apenas uma fracionado o objeto da prestação, o que não é
delas. Exemplo: obrigação de dar um carro ou possível na obrigação indivisível. Como
uma moto. A quem cabe a escolha de que exemplo, a obrigação de dar dinheiro é
prestação cumprir? Em regra ao devedor, pois obrigação divisível e a obrigação de dar um
a obrigação se extingue com ele cumprindo cavalo é obrigação indivisível.
uma ou outra prestação. No entanto, o contrato Só há importância em determinar a espécie de
pode prever que a escolha cabe ao credor. É o obrigação quando houver pluralidade de
que diz o artigo 252 do Diploma Civil, que devedores e/ou credores. Sendo obrigação
completa: divisível, não há problema, pois cada um exige
ou é exigido em sua parte (se não for

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determinada a parte que cabe a cada um, 2.6.1. Solidariedade ativa


presume-se dividida em partes iguais).
Contudo, sendo obrigação indivisível, como É a obrigação em que há mais de um credor,
cada um cobrará ou será cobrado em sua cada um deles com direito a toda a dívida. No
parte, já que o objeto não pode ser dividido? vencimento, qualquer credor pode se antecipar
Havendo mais de um devedor em obrigação e cobrar toda a dívida ou, enquanto nenhum
indivisível, cada um responde por toda a dívida, deles a reivindicar, o devedor se libera
pois não há como fracionar a cobrança. Agora, pagando a qualquer deles. Quem receber,
aquele que pagar a dívida, sub-roga-se nos responde perante os demais credores,
direitos do credor perante os demais tornando-se devedor nas partes que lhes cabe.
coobrigados (art. 259 do CC). Exemplo: se O mesmo ocorre se um dos credores remitir
duas pessoas devem um cavalo, qualquer um (perdoar) a dívida. Devedor deve trinta mil reais
deles pode ser cobrado, porém quem pagar a três credores solidários e um deles perdoa
poderá cobrar do outro, em dinheiro, metade toda a dívida. Este se tornará devedor de dez
do valor do animal. mil reais a cada um dos demais credores,
Havendo mais de um credor em obrigação como se ele tivesse se antecipado e cobrado o
indivisível, qualquer um deles poderá cobrar a devedor (art. 272 do CC).
dívida por inteiro, tornando-se devedor perante
os demais credores nas suas respectivas Atenção! É Há uma diferença quando o
partes em dinheiro (art. 261 do CC). credor solidário perdoa sua parte. Nesse caso,
subsiste a solidariedade para os demais
2.6. Obrigações Solidárias credores depois de sua parte ser descontada.
No exemplo mencionado, o devedor continua a
Na pluralidade de credores ou devedores em dever vinte mil reais a dois credores solidários.
obrigação indivisível, todos são obrigados ou A solidariedade é personalíssima, quer dizer,
têm direito a toda dívida por ser fisicamente se um dos credores falecer e deixar herdeiros,
impossível dividir o objeto da prestação. Mas é estes não se tornarão credores solidários.
possível haver obrigação divisível em que Significa que cada um de seus herdeiros só
todos são obrigados ou têm direito a toda a poderá exigir e receber a quota que
dívida por determinação da lei ou da vontade corresponder ao seu quinhão hereditário.
das partes: é a obrigação solidária. Suponha um devedor devendo trinta mil reais a
três credores solidários, sendo que um deles
Idealize dois amigos devendo vinte mil reais a morre deixando dois filhos. Os filhos não
um credor. Em tese, cada um deve dez mil poderão cobrar os trinta mil, pois não se
reais, no entanto, se for obrigação solidária, o tornam credores solidários. Cada um só poderá
credor pode cobrar toda a dívida de qualquer cobrar a parte que lhe cabe na herança, ou
deles (quem paga se sub-roga nos direitos do seja, cada um só pode cobrar cinco mil reais.
credor perante os demais devedores). Por Entretanto, em dois casos, os herdeiros
outro lado, se um devedor deve vinte mil reais poderão cobrar a dívida toda: se a obrigação
a dois amigos, em tese, deve dez mil reais para for indivisível (ex.: o devedor deve um cavalo
cada um deles, todavia, se for obrigação aos três credores solidários) ou, segundo a
solidária, qualquer dos credores pode cobrar jurisprudência do STJ, se os herdeiros
toda a dívida (quem recebe se torna devedor cobrarem juntos através do espólio, pois no
perante os demais credores). direito das sucessões aprendemos que o
Portanto, haverá solidariedade quando houver espólio se sub-roga nos direitos do de cujos.
mais de um devedor ou mais de um credor
obrigados ou com direito à totalidade da dívida. Nos termos do artigo 271 da Legislação
A solidariedade não se presume, resultando Civilista, convertendo-se a prestação em
apenas da lei ou da vontade das partes. A perdas e danos, nelas subsistem a
solidariedade pode ser ativa ou passiva, a solidariedade. Imagine um devedor de um
depender se a pluralidade está no polo ativo ou carro a três credores solidários, contudo o
passivo da obrigação. destrói ao dirigir embriagado. Trata-se de
obrigação de dar coisa certa com perda do

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bem por culpa do devedor. Consoante visto, se dividida em partes iguais). Contudo, se a
torna-se devedor no equivalente acrescido em dívida solidária interessar exclusivamente a um
perdas e danos, no que permanecerá havendo dos devedores solidários, responderá este por
a solidariedade. toda a dívida quando da ação regressiva aos
demais credores. O exemplo típico é o contrato
2.6.2. Solidariedade passiva de fiança. Quando há renúncia ao benefício de
ordem, devedor principal e fiador são
É a obrigação em que há mais de um devedor, devedores solidários.
cada um deles obrigados a toda a dívida. Se o fiador for cobrado, poderá cobrar em
Significa que o credor tem direito de exigir de regresso do devedor principal não só a metade
qualquer deles o valor total da dívida, porém da dívida, mas também sua totalidade, pois é
quem pagar se tornará credor dos demais uma dívida contraída no seu exclusivo
devedores nas suas respectivas partes interesse. Da mesma maneira, sendo caso de
(internamente não há solidariedade). Se o mais de um fiador e um deles sendo cobrado
credor optar cobrar apenas parcialmente de um pela dívida, só terá ação regressiva contra o
dos devedores solidários, os demais continuam devedor principal na totalidade da dívida, não
obrigados solidariamente pelo resto. tendo ação contra os demais cofiadores.
Se um dos devedores solidários falecer, a
solidariedade é transferida aos seus herdeiros? 3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES (arts.
Não, pois, como visto, a solidariedade é 286 a 303, CC)
personalíssima. Significa que os herdeiros só
podem ser cobrados na quota que corresponde Haverá transmissão da obrigação quando
ao seu quinhão hereditário. Mas há duas houver uma substituição subjetiva em seus
exceções: se a obrigação for indivisível (ex.: polos, ou seja, uma troca de devedor ou de
devedores solidários devem um cavalo) ou se credor. São duas as classes de transmissão
os herdeiros forem cobrados juntos através do das obrigações: cessão de crédito e assunção
espólio, pois o direito das sucessões preceitua de dívida. Na cessão de crédito há uma
que o espólio se sub-roga nos deveres do de substituição no polo ativo, isto é, há uma troca
cujos. de credores, pois o credor cede a um terceiro o
Atenção: A lei dá tratamento seu crédito.
diferenciado quanto à manutenção da Na assunção de dívida há uma substituição no
solidariedade no que se refere ao pagamento polo passivo, ou melhor, uma troca de
de perdas e danos e de juros que podem ser devedores, pois um terceiro assume a
irradiados da obrigação, pois nas perdas e obrigação do devedor.
danos não subsiste a solidariedade. No entanto
nos juros, sim. 3.1. Cessão de Crédito
Se devedores solidários têm obrigação de dar
um carro e, por culpa de um deles, este é A cessão de crédito se caracteriza pela
destruído, a obrigação se converte no substituição no polo ativo da obrigação,
pagamento do valor equivalente acrescido de havendo uma troca de credores em razão da
perdas e danos. No valor equivalente, todos alienação, gratuita ou onerosa, de um crédito a
continuam devedores solidários, todavia pelas um terceiro, que se tornará o novo credor da
perdas e danos só responde o culpado (art. obrigação. A lei permite a cessão do crédito
279 do CC). Entretanto, se um dos devedores quando a isso não se opuser a natureza da
solidários dá causa a acréscimo de juros ao obrigação, a lei ou o acordo das partes. Quem
valor devido, todos respondem solidariamente cede o crédito é chamado de cedente e quem o
pelo valor dos juros, pois o pagamento de juros recebe é chamado de cessionário.
é uma obrigação acessória e o acessório
segue a sorte do principal (art. 280 do CC). A cessão do crédito independe da
Atenção! Art. 285 do CC. Em conformidade concordância do devedor. A lei exige apenas a
com o que O devedor solidário que paga a notificação da cessão, para que ele não pague
dívida pode cobrar dos demais devedores a à pessoa errada. Caso o devedor não seja
parte que lhes cabe (se nada for dito, presume- notificado e pague de boa-fé ao antigo credor,

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ele estará desobrigado, só restando ao do devedor, podendo a assunção de dívida ser


verdadeiro credor cobrar do cedente, que por delegação (com consentimento do
indevidamente recebeu o pagamento. devedor) ou por expromissão (sem
consentimento do devedor).
Em regra, o cedente não responde pela O terceiro que assume a obrigação é chamado
solvência do devedor, quer dizer, caso o de assuntor. Quando ele assume a obrigação,
cessionário não consiga receber o crédito em o devedor primitivo está exonerado, pois
razão da insolvência do devedor, não poderá deixou de ser o devedor. Porém, há um caso
cobrar a dívida do cedente. Porém, ele em que o devedor primitivo não estará
responderá se vier expresso no contrato. exonerado, podendo ser cobrado pelo credor:
Quando o cedente não responde pela se a cessão foi feita a quem insolvente e o
solvência do devedor, a cessão é chamada de credor a aceitou por não saber do fato.
cessão de crédito pro soluto; quando o cedente
responde pela solvência do devedor, é Com a assunção de dívida, salvo
chamada de cessão de crédito pro solvendo. consentimento expresso do devedor primitivo,
estarão extintas as garantias dadas por ele,
Embora o cedente, em regra, não responda afinal ele não é mais o devedor. Se a
pela solvência do devedor, ele responde pela substituição vier a ser anulada, restaura-se o
existência do crédito, ou seja, se ceder um débito do devedor primitivo, com todas as
crédito que não existe, aí sim poderá ser garantias que existiam. Exceção: não
cobrado pelo cessionário. O cedente retornarão as garantias dadas por terceiros, por
responderá pela existência do crédito tendo o exemplo, hipoteca de um bem de terceiro.
cedido gratuita ou onerosamente. Se ceder de Exceção da exceção: a garantia dada por
forma onerosa, responderá tendo agido de má- terceiro poderá retornar, caso ele soubesse da
fé ou até mesmo de boa-fé, pois recebeu pela causa que gerou anulação da substituição.
cessão, devolvendo o valor auferido. No Ao ser cobrado pelo credor, o assuntor, como
entanto, na cessão gratuita, como nada novo devedor, poderá alegar qual a categoria
recebeu em troca, só responderá se tiver de defesa? Com efeito, a defesa pode ser de
procedido de má-fé, isto é, se sabia da duas naturezas: comum ou pessoal. Será
inexistência do credito que cedeu. comum quando for defesa de qualquer pessoa
Por fim, na cessão de crédito vigora o princípio que venha a ser cobrado pelo credor (ex.:
da oponibilidade das exceções pessoais contra prescrição da dívida). Por outro lado, será
terceiros. O que significa isso? Quando o defesa pessoal quando for exclusiva de uma
cessionário cobrar a dívida do devedor, este pessoa (ex.: compensação de dívida). O
poderá se defender alegando as defesas assuntor, ao ser cobrado, poderá se valer das
pessoais que cabiam contra o cedente (art. 294 defesas comuns ou das suas pessoais, não
do CC). Exemplo: o devedor comprou um carro podendo se valer das defesas pessoais que
usado do credor, Todavia não vai pagar porque cabiam ao devedor primitivo (art. 302 do CC).
apresentou vício redibitório. Justamente o
credor cedeu o crédito a um terceiro, que é 4. ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS
quem cobra a dívida. O devedor poderá se OBRIGAÇÕES (arts. 304 a 388, CC)
defender contra o cessionário alegando o vício
redibitório, mesmo sendo uma defesa pessoal O meio normal de extinção da obrigação é o
contra o cedente. devedor cumprir a prestação, o que chamamos
de pagamento. Repare que o sentido técnico
3.2. Assunção de Dívida de pagamento difere do seu sentido leigo, pois
pagamento é coloquialmente usado no sentido
A assunção de dívida se caracteriza pela de dar dinheiro. Pagamento em sentido técnico
substituição no polo passivo da obrigação, é cumprir a prestação, seja um dar (dinheiro ou
havendo uma troca de devedores. A lei permite qualquer outro bem), um fazer ou até um não
que terceiro assuma a dívida do devedor, fazer.
entretanto exige a concordância expressa do Mas a obrigação pode ser extinta por meios
credor. Contudo, independe de consentimento anormais, havendo extinção da obrigação de

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uma forma alternativa, de uma forma diferente do devedor, é considerado uma mera ajuda,
do que o cumprimento da prestação. São as não tendo direito de reaver o que pagou.
formas anormais de extinção da obrigação: A quem se deve pagar? O pagamento deve ser
pagamento em consignação, pagamento com feito ao credor ou a quem de direito o
sub-rogação, imputação de pagamento, dação represente. Se o pagamento foi feito à pessoa
em pagamento, novação, compensação, errada, pagou-se mal e quem paga mal, paga
confusão e remissão. duas vezes, pois o verdadeiro credor poderá
cobrá-lo. Mas em dois casos o pagamento feito
4.1. Pagamento a um terceiro libera o devedor: se o credor
confirmar o pagamento ou tanto quanto provar
Pagamento é o meio normal de extinção da ter se revertido ao credor.
obrigação, ou melhor, o cumprimento da
prestação (dar, fazer ou não fazer). A presente Há um caso em que o pagamento é feito a um
Lei Civil inicia o tema abordando quem deve terceiro e o devedor está liberado, mesmo que
pagar (chamado de solvens) e a quem se deve o credor não confirme nem se prove a reversão
pagar (chamado de accipiens). em seu benefício. É o caso do pagamento feito
O Código Civil trata de quem deve pagar, no ao chamado credor putativo. Putativo vem de
entanto, na verdade, o que se estabelece são putare, que significa crer, acreditar. Haverá
regras sobre quem pode pagar. A obrigação credor putativo quando se paga de boa-fé a
pode ser paga por qualquer pessoa que tenha quem não é o credor, ou seja, se pagou à
algum tipo de interesse, quer dizer, pelo pessoa errada, no entanto havia motivos para
devedor ou por um terceiro. A lei, todavia, acreditar ser ele o credor. Um exemplo já foi
estabelece consequências diferentes para o visto quando da abordagem do tema cessão de
pagamento sendo feito pelo devedor, por crédito. Vimos que o devedor não precisa
terceiro interessado ou por terceiro não concordar,
interessado. Quando se fala em terceiro todavia deve ser notificado da cessão de
interessado ou não interessado, fala-se em crédito para saber que o credor mudou. Vimos
interesse jurídico, pois, se o terceiro paga, que se não for notificado e de boa-fé pagar ao
alguma espécie de interesse ele tem. cedente, ele está exonerado e a razão é
O terceiro será interessado quando puder ser simples: pagou a credor putativo.
cobrado pela dívida. Assim, um fiador que paga No que se refere ao objeto do pagamento, este
a dívida do afiançado é um terceiro será o cumprimento da prestação. O credor
interessado, entretanto o pai que paga a dívida não é obrigado a aceitar prestação diversa da
de um filho maior de idade, embora tenha um que lhe é devida, ainda que mais valiosa,
interesse sentimental, é considerado um afirma o artigo 313 da Norma Civilista. Ainda
terceiro não interessado. que a obrigação seja divisível, como dever
Se o devedor efetuar o pagamento, extinta dinheiro, não pode o credor ser obrigado a
estará a obrigação e ele estará exonerado. Se receber nem o devedor ser obrigado a pagar
um terceiro pagar, também estará extinta, por partes, se assim não se ajustou.
contudo ele poderá reaver o valor pago, Quem paga tem direito de receber uma prova
embora de forma diferente a depender de de que pagou. É o que chamamos de quitação.
quem pagou: se terceiro interessado, sub-roga- O instrumento da quitação é o recibo, que
se nos direitos do credor; se terceiro não sempre pode ser por instrumento particular. Se
interessado, apenas tem direito de reembolso, o credor se recusar a dar quitação, o devedor
não se sub-rogando nos direitos do credor. Em pode legitimamente reter o pagamento
ambos os casos, o terceiro cobra do devedor o enquanto não lhe for concedida.
que pagou por ele, porém diferem porque, ao
se sub-rogar nos direitos do credor, terá as Assim sendo, em regra, quem prova o
garantias especiais dadas a ele, o que não pagamento é o devedor, apresentando o recibo
ocorre no mero direito de reembolso. admitido como instrumento da quitação.
Atenção! Isso ocorrerá se o terceiro Entretanto em três casos haverá presunção de
pagar em seu nome, pois se pagar em nome pagamento, dispensando o devedor de mostrar
que pagou. Ocorre que é uma presunção

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relativa, isto é, aquela que admite prova em Consignação de pagamento significa o


contrário. Dessa forma, sendo um dos casos depósito judicial ou em estabelecimento
de presunção de pagamento, não se fixa uma bancário da coisa devida, o que a lei equipara
verdade absoluta de que existiu pagamento, e a pagamento, extinguindo a obrigação. O
sim uma inversão do ônus da prova, pois o devedor tem não só o dever de pagar, mas
devedor não precisa comprovar que pagou, também o direito de fazê-lo para evitar as
contudo o credor pode atestar que o devedor consequências de sua mora. A consignação
não pagou. em pagamento é, portanto, um valioso
instrumento para o devedor não suportar os
São os três casos de presunção de encargos moratórios.
pagamento:
Poderá o devedor consignar pagamento
a) Art. 322 do CC: quando o pagamento for em basicamente quando houver mora do credor ou
quotas periódicas, a quitação da última algum risco para o devedor na realização do
estabelece, até em prova em contrário, a pagamento direto. Nesse sentido, o artigo 335
presunção de estarem solvidas as anteriores; da Lei Civil arrola casos de cabimento da
consignação em pagamento: se o credor se
b) Art. 323 do CC: sendo a quitação do capital recusar sem justa causa a receber o
sem fazer reserva que os juros não foram pagamento ou não puder recebê-lo, se o
pagos, estes se presumem pagos; e devedor tiver dúvida sobre quem é o
c) Art. 324 do CC: a entrega do título firma verdadeiro credor ou se o credor for
presunção do pagamento, presunção que pode desconhecido, entre outros.
ser elidida no prazo de sessenta dias.
Feito o depósito, a princípio, suspende a
Para se efetuar o pagamento, importa incidência dos encargos moratórios, porém o
saber o lugar do cumprimento da obrigação. É devedor deverá propor ação judicial para
nesse lugar que se devem reunir credor e discussão da matéria, podendo o credor
devedor na data marcada, não podendo o impugnar o pagamento, pois só exonera o
devedor oferecer nem o credor exigir o devedor se observados os mesmos requisitos
cumprimento em lugar diverso. exigidos para validade do pagamento. Se
No direito comparado, há duas classes de julgado improcedente, o depósito não terá
obrigação: quérable ou portable. A obrigação efeito. O processo tem procedimento especial
quérable (chamada no Brasil de quesível) é previsto no CPC.
aquela que deve ser cumprida no domicílio do
devedor e obrigação portable (chamada no 4.3. Pagamento com Sub-rogação
Brasil de portável) é aquela que deve ser
cumprida no domicílio do credor. No Brasil, Pagamento com sub-rogação é a operação
conforme previsão do artigo 327 do Diploma pela qual o crédito se transfere com todos os
Civil, em regra as obrigações devem ser seus acessórios a um terceiro que paga dívida
cumpridas no domicílio do devedor, ou melhor, alheia. Sub-rogar é substituir, o que significa
são quesíveis ou quérable. Poderá ser portável que haverá aqui uma substituição de credor,
ou até em outro local a depender da vontade extinguindo a obrigação com relação ao credor
das partes, da lei, da natureza da obrigação ou originário. A ideia é: A deve a B e um terceiro C
das circunstâncias. paga essa dívida e agora A deve a C, pois este
Como exemplo, o artigo 328 da Legislação se sub-rogou nos direitos de B.
Civilista determina que se o pagamento Como é uma simples substituição no polo ativo,
consistir na entrega de um imóvel ou de o vínculo se mantém e o novo credor tem todos
prestações relativas a ele deverá ser cumprido os privilégios e garantias que tinha o credor
onde situado o bem. originário (art. 349 do CC). No entanto, é
possível que um terceiro pague dívida alheia e
4.2. Pagamento em Consignação não se sub-rogue nos direitos do credor, caso
em que terá mero direito de reembolso contra o
devedor, por não ser um dos casos de

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pagamento com sub-rogação. A diferença é substituição do credor (novação subjetiva ativa)


que poderá cobrar dele o que pagou, mas sem ou do devedor (novação subjetiva passiva).
ter os privilégios e garantias do credor Atenção! Qual a diferença entre
originário, pois surge um novo vínculo, uma pagamento com sub-rogação e novação
nova obrigação (de reembolso), extinguindo a subjetiva ativa? Em ambos os casos, ocorre a
obrigação primitiva. troca do credor, contudo diferem porque no
A sub-rogação pode ser de duas categorias: pagamento com sub-rogação o vínculo se
legal ou convencional, a depender se decorre mantém, havendo apenas a substituição de
de lei ou da vontade das partes. O Código Civil credor; enquanto na novação, extingue-se o
prevê, em seu artigo 346, os casos em que a vínculo anterior, surgindo uma nova obrigação
sub-rogação se opera de pleno direito, quer com um novo vínculo. Consequência: no
dizer, se um terceiro paga a dívida, ele se sub- pagamento com sub-rogação se mantém para
roga automaticamente nos direitos do credor o novo credor os privilégios e as garantias do
primitivo, independente da vontade das partes. credor primitivo, ao passo que na novação,
Se a lei não prevê como caso de sub-rogação, extinguem-se os privilégios e as garantias do
teria o terceiro mero direito de reembolso, credor primitivo, não as tendo o novo credor.
todavia as partes poderão prever a sub- Do exposto acerca da sub-rogação e novação,
rogação, passando o terceiro a ter os podemos chegar a uma conclusão: quando o
privilégios e garantias do credor primitivo, o pagamento é efetuado por um terceiro, seja
que não existiria no mero direito de reembolso. interessado ou não interessado, ele poderá
Como exemplo, apresento um caso visto no reaver do devedor primitivo o que por ele
estudo do pagamento. Se terceiro interessado pagou. A diferença é que quando o pagamento
paga a dívida do devedor, sub-roga-se é feito por terceiro interessado, há pagamento
automaticamente nos direitos do credor, com sub-rogação, enquanto no pagamento
mantendo-se os privilégios e as garantias (art. feito por terceiro não interessado, há novação,
346, III, do CC). Se terceiro não interessado pois se extingue o vínculo anterior, surgindo
paga a dívida do devedor, apenas terá direito uma nova obrigação com um novo vínculo (a
de reembolso, não se sub-rogando nos direitos obrigação de reembolso).
do credor (sem os privilégios e garantias do Por isso, o terceiro interessado terá os
credor originário). Entretanto, se o terceiro não privilégios e garantias do credor primitivo,
interessado pagar a dívida do devedor porém o terceiro não interessado não, a não
condicionado a sub-rogar-se nos direitos do ser que se valha do pagamento com sub-
credor, rogação convencional, ou seja, condicionando
haverá pagamento com sub-rogação o pagamento a sub-rogar-se nos direitos do
convencional e terá o novo credor os privilégios credor.
e garantias do credor primitivo (art. 347, II, do
CC). 4.5. Imputação ao Pagamento

4.4. Novação Se um devedor tem várias dívidas diferentes


com um credor, no entanto não lhe entrega
Novação é o meio de extinção da obrigação valor suficiente para pagamento de todas, é
pelo surgimento de uma nova obrigação. A preciso identificar quais as dívidas foram
novação pode ser de duas naturezas: objetiva extintas.
ou subjetiva. A novação é objetiva quando a
nova obrigação difere da obrigação anterior Imputação ao pagamento é a indicação da
pela substituição da prestação (ex.: obrigação dívida a ser paga quando uma pessoa se
de dar dinheiro transformada em obrigação de encontra obrigada por dois ou mais débitos
fazer ou obrigação veiculada em cheque com o mesmo credor, sem poder pagar todos
substituída por obrigação veiculada em nota eles. Constate que imputação ao pagamento
promissória). não é bem um meio de extinção da obrigação,
A novação será subjetiva quando a nova mas sim a determinação de que obrigação está
obrigação difere da obrigação anterior pela extinta quando nem todas forem pagas.

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Antes de a lei definir quais obrigações estão há sentido que os pagamentos sejam feitos
extintas (imputação legal), as partes têm o para extinção das obrigações. Compensam-se
direto de definir (imputação convencional). as dívidas e extintas estão as obrigações até
Assim, em primeiro lugar, quem define é o onde se compensarem.
devedor. No seu silêncio, o credor define em A compensação pode ser de dois tipos: legal
quais dá quitação. Se nenhum deles definir, a ou convencional, a depender se decorre da lei
lei definirá, estabelecendo a seguinte ordem: (i) ou da vontade das partes. A compensação
primeiro se pagam os juros vencidos e só legal se dará automaticamente, bastando
depois o capital; (ii) pagamento imputado às presentes os requisitos legais, quais sejam:
dívidas vencidas há mais tempo; (iii) se todas reciprocidade das obrigações (um deve ao
vencidas no mesmo tempo, a imputação será outro e vice versa), liquidez e vencimento das
na mais onerosa (maiores juros ou multas); prestações e envolverem bens fungíveis entre
(iv) se todas no mesmo tempo e mesmos ônus, si (não basta serem bens fungíveis, devem ser
a lei não dá solução, todavia a jurisprudência substituíveis entre si, ou melhor, homogêneos,
diz ser de forma proporcional em cada uma das por exemplo, dinheiro por dinheiro ou saca de
obrigações. café por saca de café, não podendo ser
dinheiro por saca de café).
4.6. Dação em Pagamento Mesmo ausentes tais requisitos, ainda sim
poderá haver compensação, contudo será
Dação em pagamento é a forma de extinção da convencional, por depender da vontade das
obrigação através da qual o credor aceita partes. Nada impede, portanto, haver
receber prestação diversa da que lhe é devida. compensação de uma dívida vencida com
De acordo com o que foi visto, nos termos do outra a termo, com bens infungíveis ou de
artigo 313 da Norma Civilista, o credor não é natureza diferente (dinheiro por saca de café),
obrigado a aceitar prestação diversa da porém será compensação convencional, onde
contratada, ainda que mais valiosa. Porém, o que importa é a vontade das partes.
nada impede que o credor aceite prestação A reciprocidade é um requisito para a
diversa, caso em que haverá extinção da compensação legal, quer dizer, devedor deve
obrigação de uma forma anormal, que não pelo ao credor e vice-versa, mas há uma exceção:
pagamento, chamada de dação em quando envolver o fiador. O devedor somente
pagamento. compensa sua dívida para o credor com a
dívida do credor contra ele, no entanto o fiador
Segundo será visto em contratos neste livro, pode compensar sua dívida para o credor (é
evicção é a perda judicial ou até administrativa dele devedor porque é fiador) com a dívida que
de um bem em razão de vício jurídico anterior à o credor tem com o afiançado, ou seja, não
alienação. Quem vende não poderia ter com ele, pois o fiador não é devedor em causa
vendido e quem compra perde para um própria, todavia mero garantidor de uma dívida
terceiro, buscando do alienante uma do afiançado (art. 371 do CC).
indenização. Se o devedor dá coisa diversa em
pagamento e o credor a perde pela evicção, 4.8. Confusão e Remissão
restabelece-se a obrigação primitiva, ficando
sem efeito a quitação dada, ressalvados os Confusão é a forma de extinção das
direitos de terceiro (art. 359 do CC). obrigações por reunirem na mesma pessoa a
qualidade de credor e devedor. Idealize um pai
4.7. Compensação que deve uma quantia em dinheiro a seu filho,
que é seu único herdeiro. Com a morte do pai,
Compensação é a forma de extinção das o filho assume o débito, entretanto ele próprio é
obrigações entre duas pessoas que são, ao o credor, gerando extinção da obrigação pela
mesmo tempo, credora e devedora uma da confusão. A confusão pode se verificar a
outra. O meio normal de extinção da obrigação respeito de toda a dívida (total) ou só de parte
é o pagamento, isto é, o cumprimento da dela (parcial). No exemplo citado, se são dois
prestação. Entretanto, quando duas pessoas filhos, tendo o credor um irmão,
são devedoras e credoras uma da outra, não

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só haverá extinção da obrigação relativa à simplesmente de inadimplemento e o


metade da dívida (espólio é devedor de metade inadimplemento relativo é chamado de mora.
do valor para o filho credor). Perceba que a diferença entre
Remissão é a forma de extinção da inadimplemento e mora reside no critério de
obrigação com o perdão da dívida pelo credor. utilidade para o credor. Em ambos os casos, a
Atenção! Não confundir remissão com prestação não é cumprida, sendo
remição. A causa de extinção da obrigação é a inadimplemento se a prestação não é mais útil
remissão, é o ato de remitir, que significa ao credor e mora se a prestação ainda é útil ao
perdão, perdoar. Remição ou ato de remir não credor.
é causa de extinção da obrigação, pois Por que diferenciar mora e inadimplemento?
significa resgate, resgatar. Se o caso é de inadimplemento, como a
Tanto na confusão quanto na remissão há um prestação não é mais útil ao credor, a única
aspecto importante sobre obrigações solução é o pagamento de indenização por
solidárias. Confusão ou remissão entre credor perdas e danos (art. 389 do CC). Por outro
e um dos devedores solidários ou entre o lado, se o caso é de mora, cabe o que
devedor e um dos credores solidários: mantém- chamamos de purgação ou emenda da mora.
se a solidariedade entre os demais, O que é isso? É cumprir a obrigação, porque
descontada a parte remitida ou da confusão ainda útil para o credor, acrescido dos
parcial. encargos moratórios. Purga-se a mora
pagando-se com retardo, acrescido de:
Exemplo: Imagine três devedores solidários em correção monetária, juros de mora, perdas e
trinta mil reais ao pai de um deles danos decorrentes da mora e eventual
(solidariedade passiva). Com a morte do pai ou honorários de advogado (art. 395 do CC).
do filho ou se o pai perdoar só a dívida do filho,
os outros dois devedores serão solidários em 5.2. Mora
vinte mil reais. Da mesma forma, suponha que
um devedor deve trinta mil reais a três credores O artigo 394 do Diploma Civil diz que se
solidários, sendo um deles o pai do devedor considera em mora o devedor que não efetuar
(solidariedade ativa). Com a morte do pai ou do o pagamento e o credor que não quiser recebê-
filho ou se o pai perdoar só a dívida do filho, os lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a
outros dois credores serão solidários em vinte convenção estabelecer. Note que há mora não
mil reais. apenas quando não se paga no tempo devido,
mas também se não se paga no lugar e na
5. INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES forma devida. Repare que ainda não existe
(arts. 389 a 420, CC) mora só do devedor, e sim do credor, que
ocorre quando este não quiser
5.1. Diferença entre Inadimplemento e Mora injustificadamente receber o pagamento,
sendo o pagamento em consignação a solução
Quando o devedor não cumpre a prestação, para o devedor se livrar dos encargos da mora.
estamos diante do inadimplemento, que pode
ser de duas espécies: absoluto ou relativo. O Consoante o artigo 395 da Legislação Civilista,
inadimplemento é absoluto quando a prestação configurada a mora, o devedor pode purgá-la,
não é cumprida e não é mais útil ao credor que cumprindo a prestação acrescida dos encargos
o devedor a cumpra - por exemplo, contratação moratórios. Porém, se a prestação tornar-se
de cantor para cantar em um casamento que inútil ao credor, este poderá enjeitá-la e pedir
não comparece à cerimônia. perdas e danos. A razão é simples: se inútil ao
O inadimplemento é relativo quando a credor, deixou de ser mora e se transformou
prestação não é cumprida, contudo ainda é útil em inadimplemento absoluto.
ao credor que o devedor a cumpra, por Como exemplo, imagine uma costureira que
exemplo, não pagamento de uma dívida em deixa de entregar o vestido de noiva no prazo
dinheiro no dia do vencimento. O estipulado. É caso de mora ou
inadimplemento absoluto é chamado inadimplemento? Depende. Se ainda não
houve a cerimônia, em razão de a data

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marcada lhe ser bastante anterior, o caso é de ato do credor, propondo ação judicial (citação
mora; se já houve a cerimônia, em razão da válida constitui o devedor em mora). No
data marcada ter sido na véspera do entanto, tal entendimento é equivocado, pois a
casamento, o caso é de inadimplemento, caso lei diz que essa mora é automática,
em que o credor poderá rejeitar a coisa e pedir independendo de qualquer ato do credor.
perdas e danos, pois ao se tornar inútil a ela, a O artigo neste momento em análise diz que,
mora se transformou em inadimplemento nas obrigações provenientes de ato ilícito, se
absoluto. considera o devedor em mora desde que o
praticou (a responsabilidade de reparar o dano
Completa a ideia de mora o artigo 396 da Lei fixada na sentença judicial retroage à data do
Civil, que preceitua não incorrer em mora o ato para aplicar os efeitos da mora).
devedor quando não haja fato ou omissão
imposta a ele. Significa que a mora é o não Os artigos 399 e 400 do Diploma Civil trazem
cumprimento culposo da obrigação. Se não há dois efeitos da mora, um para mora do devedor
culpa, não há mora. Se uma conta do devedor e outro para a mora do credor:
só pode ser paga no banco e o vencimento cai
em um domingo, ao se pagar no dia seguinte, a) Efeito da mora do devedor (art. 399 do CC):
não há de se falar em mora, tanto que se paga o devedor em mora responde pela
sem encargos moratórios. impossibilidade da prestação, ainda que esta
O artigo 397 do Código Civil nos faz perceber se dê por caso fortuito ou força maior. Se a
haver duas naturezas de mora: ex re e ex prestação do devedor se torna impossível sem
persona. A mora ex re é automática, isto é, é culpa do devedor, simplesmente se resolve a
aquela que independe de ato do credor para o obrigação sem qualquer ônus a lhe ser
devedor ser constituído em mora (interpelação imposto.
judicial ou extrajudicial, notificação, protesto ou No entanto, se a impossibilidade ocorrer
citação do devedor). Por sua vez, a mora ex durante seu atraso, o devedor ficará obrigado a
persona é aquela que precisa de um dos indenizar o credor pela impossibilidade da
citados atos do credor para o devedor ser prestação, mesmo que esta tenha se dado por
constituído em mora. Quando a mora é ex re e caso fortuito ou por força maior. Apenas em
quando é ex persona? dois casos, estará desobrigado de indenização:
Há duas classes de obrigações: com dia certo quando provar isenção de culpa no seu atraso
de vencimento e sem dia certo de vencimento. (evidente, pois nesse caso não há mora, pois a
Quando a obrigação tem um dia certo de mora é o não cumprimento culposo da
vencimento, o devedor não precisa ser obrigação) e se provar que o dano ocorreria
constituído em mora por ato do credor, pois o mesmo se a prestação tivesse sido cumprida
simples não pagamento no vencimento o no tempo, lugar ou forma devida, quer dizer,
constitui em mora (dies interpellat pro homine, mesmo se não houvesse mora.
ou melhor, o próprio dia interpela o devedor). b) Efeito da mora do credor (art. 400 do CC): a
Por outro lado, quando a obrigação não tem dia mora do credor, ou seja, se o credor se recusar
certo de vencimento, o devedor só estará em injustificadamente a receber o pagamento, gera
mora se for constituído por ato do credor. três efeitos: (i) retira do devedor isento de dolo
Assim, quando a obrigação é com dia certo de a responsabilidade pela conservação da coisa
vencimento, a mora é ex re e quando a (só indeniza perda ou deterioração do bem se
obrigação é sem dia certo de vencimento, a teve dolo, não respondendo se teve culpa
mora é ex persona. stricto sensu, isto é, imprudência, negligência
ou imperícia); (ii) obriga o credor a ressarcir o
O artigo 398 da Norma Civilista demonstra que devedor das despesas que teve para conservar
a mora é ex re quando a obrigação não o bem;
cumprida decorre de ato ilícito. Com efeito, ato e (iii) sujeita o credor a receber o bem pela
ilícito civil é causar dano a alguém, gerando ao estimação mais favorável ao devedor se o seu
causador o dever de indenizá-lo. Poderíamos valor oscilar entre o dia estabelecido para o
pensar ser caso de mora ex persona, pois o pagamento e o da sua efetivação.
devedor deve ser constituído em mora por um

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5.3. Responsabilidade Civil Contratual Se um cantor é contratado para cantar no


casamento e propositalmente não aparece na
Responsabilidade civil é o dever de indenizar cerimônia, será responsabilizado em perdas e
um prejuízo causado. Existem duas categorias danos, mas se não cumpriu o contrato porque
de responsabilidade civil: contratual e foi sequestrado na véspera, não há de se falar
extracontratual. A responsabilidade civil em dever indenizatório.
contratual é aquela em que há um contrato Atenção! O artigo 393 do CC dispõe que “o
entre as partes, ou melhor, um contratante não devedor não responde pelos prejuízos
cumpre o contrato, causando prejuízo ao outro resultantes do caso fortuito ou de força maior,
contratante, gerando dever de indenização. A se expressamente não se houver por eles
responsabilidade civil extracontratual, também responsabilizado”. Perceba que, conforme
chamada de aquiliana, visto, a responsabilidade civil contratual é
é aquela em que não existe um contrato entre subjetiva, contudo as partes podem
quem causa e quem sofre o dano, como no expressamente prever no contrato que o
caso de alguém bater no carro de outrem, inadimplente responderá mesmo que não
tendo que indenizá-lo. Responsabilidade civil tenha cumprido o contrato por caso fortuito ou
extracontratual é tema do capítulo motivo de força maior, quer dizer, sem ter tido
responsabilidade civil. Responsabilidade civil culpa, pois caso fortuito ou motivo de força
contratual é estudada aqui em obrigações, pois maior são situações inevitáveis,
ocorre diante de mora e inadimplemento. que o inadimplente não podia impedir, como no
caso do cantor contratado para cantar em um
O contratante que não cumpre o contrato será casamento que não cumpre a obrigação por ter
civilmente responsabilizado, todavia apenas se sido sequestrado na véspera.
isso gerar um dano ao outro contratante, pois Qual a diferença entre responsabilidade civil
responsabilidade civil é o dever de indenizar contratual e responsabilidade civil
um dano causado. Em conformidade com o extracontratual subjetiva? Em ambos os casos,
artigo 402 da Legislação Civilista, o só há responsabilidade civil diante da
inadimplente deverá indenizar não só o dano existência de culpa do devedor, porém na
emergente, mas também os lucros cessantes, responsabilidade civil contratual, a culpa é
que são os dois tipos de dano material. Dano presumida. Mas é uma presunção relativa, ou
emergente: prejuízo efetivamente seja, aquela que admite prova em contrário,
experimentado; lucro cessante: o que se representando, assim, a inversão do ônus da
legitimamente se deixou de ganhar. A eles se prova. Na responsabilidade civil contratual,
acrescenta dano moral. basta ao contratante atestar que o outro não
cumpriu o contrato. Se este não teve culpa no
Diante de inadimplemento, seja absoluto ou inadimplemento, ele que prove.
relativo, quem não cumpre o contrato causando Por outro lado, se é responsabilidade civil
dano ao outro contratante deverá indenizá-lo. A extracontratual subjetiva, a vítima do dano, ao
questão é: a responsabilidade civil contratual é cobrar perdas e danos, deverá comprovar que
subjetiva (depende de culpa) ou objetiva o agressor teve culpa ao causar o dano, pois
(independe de culpa)? esta não é presumida.
Quando se diz que a responsabilidade
A responsabilidade civil contratual é subjetiva, subjetiva exige a culpa, usa-se o termo culpa
pois só há mora se o não cumprimento da em sentido amplo, isto é, é o dolo ou a culpa
prestação for culposo. Significa que não há em sentido restrito (imprudência, negligência
mora e, portanto, não há responsabilidade civil ou imperícia). A princípio, não há diferença na
contratual, se não houver culpa do contratante responsabilidade civil contratual se o
em não cumprir a prestação. O mesmo ocorre inadimplemento foi por dolo ou por culpa. O
com o inadimplemento absoluto, que pode ser artigo 404 da Lei Civil diz que não interfere no
culposo (com culpa do devedor) ou fortuito valor da indenização se por dolo ou culpa, pois
(sem culpa do devedor), entretanto, em regra, o valor da indenização será o valor do dano
só haverá obrigação de indenizar se o devedor sofrido. No entanto, a lei consagrou uma
teve culpa no inadimplemento. diferença entre inadimplemento doloso ou

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culposo no negócio jurídico benéfico, ou Cláusula penal, portanto, é um pacto inserido


melhor, no contrato gratuito. no contrato, impondo multa ao devedor que
não cumpre ou que retarda o cumprimento da
Nos termos do artigo 392 do Código Civil, se o prestação.
contrato é oneroso, o contratante inadimplente Constate que há multa tanto para o caso de
responde por não ter cumprido o contrato por mora quanto de inadimplemento. Assim, há
dolo ou por culpa, todavia, se for um contrato duas espécies de cláusula penal: moratória e
benéfico ou gratuito, a parte que não é compensatória. A cláusula penal moratória é
favorecida (aquela que não recebe nada em para prefixar perdas e danos em razão da
troca) só responde pelo inadimplemento se mora, isto é, pelo retardamento no
agiu com dolo, quer dizer, não será cumprimento da obrigação, e a cláusula penal
responsabilizado civilmente pelo não compensatória é para prefixar perdas e danos
cumprimento do contrato por culpa em sentido em caso de inadimplemento absoluto, ou
estrito. melhor, pelo não cumprimento da prestação.
Assim sendo, ao doar um bem, o doador só Como exemplo, suponhamos um contrato de
responde pela impossibilidade de entregar a locação, cuja prestação do locatário é pagar,
coisa doada, caso tenha agido dolosamente, durante três anos, mil reais por mês ao locador.
por exemplo, se destruiu intencionalmente esse Se no contrato houver uma multa no valor de
bem. Não responderá o doador, se o bem se três meses de aluguel para o caso do locatário
quebrou porque foi negligente ao usá-lo, caso devolver as chaves antes do fim do contrato,
em que simplesmente se resolverá a será uma cláusula penal compensatória, pois o
obrigação, desfazendo a doação sem qualquer locatário pagará uma multa por não ter
dever indenizatório ao doador. Se o contrato for cumprido sua prestação, pelo menos em parte.
de compra e venda e a coisa se perde com Por outro lado, se houver no contrato uma
culpa do devedor, vimos que a solução é dar o multa em razão do locatário atrasar o
equivalente acrescido de perdas e danos, pagamento do aluguel por não pagar no dia do
que será devido tanto no caso de dolo quanto vencimento,
de culpa, ou seja, se quebrou propositalmente será uma cláusula penal moratória, pois o
ou se por negligência, pois compra e venda é pagamento da multa é para o retardamento no
contrato oneroso. cumprimento da prestação.

5.4. Cláusula Penal Atente-se que há duas classes de


cláusula penal, cada uma com uma finalidade
De acordo com o que vimos, tanto o específica. A cláusula penal compensatória tem
inadimplemento quanto a mora podem gerar a função de compensar o contratante por não
responsabilidade civil contratual. Em caso de ter o outro contratante cumprido sua prestação.
inadimplemento, o contratante deverá indenizar Já a cláusula penal moratória tem a função de
o outro em perdas e danos causados pelo não intimidar, pois o contratante pagará uma multa
cumprimento do contrato e, em caso de mora, se retardar o cumprimento da prestação.
o devedor poderá purgá-la, cumprindo a O artigo 408 da Norma Civilista demonstra que
prestação com retardado, acrescida de perdas a cláusula penal é uma prefixação de perdas e
e danos causados pela mora, correção danos e que a responsabilidade civil contratual
monetária, juros de mora e honorários é subjetiva, pois diz que incorre de pleno direito
advocatícios. na cláusula penal o devedor que culposamente
O grande problema na responsabilidade civil deixe de cumprir a obrigação ou que se
contratual é provar o valor da indenização, ou constitua em mora. Significa que, em caso de
seja, a extensão do prejuízo causado pelo não inadimplemento, o outro contratante pode
cumprimento do contrato. Para resolver esse executar a multa, independente de confirmar a
problema, a lei traz como solução a cláusula extensão do dano em ação de conhecimento. E
penal, que é uma multa prefixando o valor das a lei vai mais longe ainda com o artigo 416 do
perdas e danos em razão da mora ou do presente Diploma Civil,
inadimplemento.

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prevendo que sequer é necessário comprovar b) Se a prestação tiver sido cumprida em parte:
que houve dano, se este foi prefixado no a função da cláusula penal compensatória é
contrato. compensar o contratante pelo fato do outro não
Uma questão pode ser levantada: se o prejuízo ter cumprido a prestação. Assim, se este
do contratante for maior do que o valor da cumpre parte da prestação, a compensação
multa, poderá ele cobrar a diferença? A deve ser apenas da parte não cumprida.
princípio não, pois o parágrafo único do artigo Exemplo: se o contrato de locação diz que o
416 da Legislação Civilista diz que só poderá locatário deve pagar multa de três meses de
cobrar eventual valor a mais, se esta aluguel se devolver as chaves antes do fim do
possibilidade estiver expressa no contrato. Se contrato, caso ele devolva tendo cumprido
assim for, metade do contrato, não deverá arcar com toda
o valor da multa já é objeto de execução e o a multa, contudo apenas metade dela.
valor a mais deverá ser provado em ação de
conhecimento para seguir a execução por título 5.5. Arras
executivo judicial. Se não houver permissivo
contratual, limita-se a executar a multa. Arras significam sinal, ou seja, é aquilo que é
Há importante diferença na cobrança da entregue por um dos contratantes ao outro
cláusula penal a depender se compensatória como princípio de pagamento quando da
ou se moratória (arts. 410 e 411 do CC): no celebração do contrato para confirmação do
inadimplemento, o credor cobra cláusula penal acordo. A vantagem do adiantamento de um
compensatória ou o cumprimento da prestação, sinal é validar o negócio, pois se houver
enquanto na mora, desistência, aquele que desistiu perderá o valor
o credor cobra cumprimento da prestação e das arras para compensar os prejuízos. Se
cláusula penal moratória. quem deu o sinal renunciar, não poderá cobrá-
No caso da cláusula penal lo de volta; se quem o recebeu desistir,
compensatória, havendo inadimplemento, esta devolverá o valor em dobro (como recebeu
se converterá em alternativa a benefício do arras, a perda efetiva será no valor das arras).
credor, quer dizer, este poderá escolher entre São duas as naturezas de arras: confirmatória
cobrar do contratante inadimplente a multa ou e penitenciais. A diferença decorre se no
o cumprimento da prestação. No exemplo do contrato existe ou não cláusula de
cantor contratado para cantar no casamento, arrependimento.
diante do não comparecimento à cerimônia,
o contratante poderá cobrar a multa ou pedir a) Confirmatórias: quando não houver previsão
para cantar depois, por exemplo, no aniversário no contrato de direito de arrependimento. É o
dele que será na semana seguinte. Sendo normal, pois as partes celebram um contrato
cláusula penal moratória, sobrevindo mora, o não esperando que a outra parte desista.
credor pode exigir o cumprimento da prestação Assim, estipulam um valor de sinal a ser pago
acrescido da multa, pois, se não pagou a dívida imediatamente para confirmar o negócio. Se
no dia, o credor a cobrará acrescido da multa quem deu arras desistir, perderá o sinal dado,
com os demais encargos moratórios. porém se quem desistir foi quem recebeu o
Para fechar o tema, é preciso saber que o juiz sinal, devolverá o dobro do valor.
pode reduzir o valor da cláusula penal b) Penitenciais: se existir previsão no contrato
compensatória em dois casos previsto no artigo de direito de arrependimento. Qualquer das
413 da Lei Civil: partes terá direito de se arrepender, mas tem
um preço para isso, ou seja, o valor das arras.
a) Se o valor é manifestamente excessivo: O Se quem desiste deu arras, perderá o sinal
artigo 412 do C estipula um valor máximo da dado, no entanto se quem desistir foi quem
cláusula penal compensatória ao afirmar que recebeu o sinal, devolverá o dobro do valor.
ela não pode exceder o valor da obrigação Ora, tanto nas arras confirmatórias como
principal. Entretanto, mesmo dentro desse penitenciais, a consequência é a mesma: se
limite, o juiz poderá reduzi-la a pedido da parte quem desiste deu arras, perderá o sinal dado,
se manifestamente excessivo segundo as todavia se quem desiste foi quem recebeu o
circunstâncias do caso.

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sinal, devolverá o dobro do valor. Então, d) cabe a João promover a escolha, se outra
pergunto: para que diferenciar uma da outra? coisa não se estipulou, restando irrevogável
quando a individuação do objeto chega ao
Para o caso do prejuízo com a desistência ser conhecimento de Maria, salvo se no contrato
maior que o valor fixado a título de arras. Se celebrado exista cláusula de arrependimento.
forem arras confirmatórias, não há previsão de
direito de arrependimento e posso cobrar o 2- (UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
prejuízo que a desistência me acarretar. Como Polícia) Questão 85 No que concerne ao
já me beneficiei do valor das arras, cobro estudo do adimplemento, são várias as
apenas o prejuízo que tive a mais. Entretanto, situações de extinção das obrigações que
se forem arras penitenciais, há no contrato não são precedidas pelo pagamento
previsão de direito de arrependimento, sendo ordinário. Diante do exposto, tem-se que:
fixado um preço para isso, isto é, o valor de
arras, não podendo o prejudicado cobrar a) no caso de o devedor ser simultaneamente
eventual valor a mais que tenha tido de devedor e credor, aplicar-se-á a modalidade de
prejuízo com a desistência do outro extinção das prestações por novação tanto
contratante. objetiva como subjetiva, de acordo com a
vontade e eticidade das partes envolvidas.
Diferença: nas arras confirmatórias (quando b) no caso da consignação em pagamento de
não há direito de arrependimento), o dívida em dinheiro, é facultativo ao solvens
contratante pode cobrar indenização respeitar os requisitos objetivos e subjetivos
suplementar, enquanto não poderá fazê-lo nas previamente ajustados para o pagamento,
arras penitenciais (quando há direito de sendo bastante o depósito efetivo para elidir
arrependimento), pois se fixou um preço para sua mora.
isso. c) sub-rogação do pagamento é prevista no
ordenamento jurídico civil nos casos de o
Vamos treinar? devedor possuir duas ou mais obrigações para
com um mesmo credor, e posteriormente paga
1- (UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de uma quantia insuficiente para liquidação da
Polícia) Questão 84 João e Maria firmaram dívida.
contrato de compra e venda, nos moldes do d) considera-se pagamento a consignação que
Código Civil. Ficou estipulado, em uma das pode ser conceituada como o meio judicial ou
cláusulas do referido contrato, que João extrajudicial adotado pelo devedor ou terceiro
pagará a dívida perante Maria, mediante a para libertar-se da obrigação depositando o
entrega de R$ 400.000,00 ou um valor devido nos casos e formas legais.
apartamento devidamente cientificado
nesse valor. Assim, tem-se que: 3- (UEG - 2013 - PC-GO - Delegado de
Polícia) Questão 86 Obrigações não
a) se todas as prestações estipuladas em executadas geram inadimplemento, ou seja,
contrato vierem a se tornar impossíveis, a falta da prestação devida ocasiona uma
mesmo com culpa do devedor, extinguir-se-á a crise na relação obrigacional, sendo
obrigação. necessária a intervenção do ordenamento
b) a categoria das obrigações plurais ou jurídico, que neste sentido, dispõe o
compostas é formada pelas obrigações seguinte:
cumulativas, facultativas e alternativas, no caso
do exemplo acima, tem-se um exemplo típico a) o Código Civil, acerca do estudo da
da modalidade das obrigações facultativas. responsabilidade civil por danos morais,
c) de acordo com o exemplo acima, sendo este obedece à matéria consoante aos estudos do
uma obrigação alternativa, de acordo com o direito da personalidade no campo do direito da
ordenamento civil atual, em se tratando da dignidade humana, segundo disposto no artigo
escolha do objeto, esta cabe ao credor, Maria, 1º, inciso III da CF, sem acrescentar diferenças
ou ao sujeito ativo da prestação, se outra coisa em relação à culpa ou não do agente
não se estipulou. inadimplente.

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b) é cabível prisão por dívida, nos moldes do


artigo 5º, inciso LXVII, da Constituição Federal,
sendo que o sistema infraconstitucional fica
mitigado em relação ao disposto neste sentido,
assim como os tratados internacionais de
direitos humanos que são absorvidos como lei
ordinária, de acordo com a corrente monista,
pela qual o direito brasileiro fez opção.
c) a legislação pátria responde ao
inadimplemento viabilizando o dever de
indenizar, sendo a reparação completa por
envolver todo o prejuízo experimentado pelo
lesado,
por isso a indenização dos danos é admitida
em lei, pois funciona como uma compensação
em prol de quem sofreu danos emergentes e
lucros cessantes.
d) os juros estão incluídos no estudo dos frutos
civis, como rendimento de capital subdividindo-
se em moratórios e compensatórios. No caso
de inadimplemento com ou sem culpa, os juros
compensatórios traduzem uma indenização
para o inadimplemento no cumprimento da
obrigação de restituir pelo devedor, sendo uma
verdadeira sanção.

4- (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz


Federal) QUESTÃO 40 Assinale a opção
correta com base no Código Civil.

A) É impenhorável o único imóvel residencial


do devedor que esteja locado a terceiros,
desde que a renda obtida com a locação seja
revertida para a subsistência ou a moradia da
sua família.
B) A prova exclusivamente testemunhal só se
admite nos negócios jurídicos cujo valor não
ultrapasse vinte vezes o maior salário mínimo
vigente no país ao tempo em que esses
negócios tenham sido celebrados.
C) A novação feita sem o consenso do fiador
com o devedor principal não importa na
exoneração daquele do encargo.
D) Os prazos de favor obstam a compensação.
E) No caso de pagamento em quotas
periódicas, a quitação da última implica
presunção absoluta de estarem solvidas as
cotas anteriores.

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Gabarito:

1- D
2- D
3- C
4- A

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