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S.He.F.

Prolapso genital

Prolapso dos órgãos pélvicos (POP) é definido pela Diafragma pélvico


ICS/IUGA como a descida sintomática de um ou Músculo elevador do ânus (puborretal, pubococcígeo
mais compartimentos vaginais (anterior, posterior e e posteriormente ileococcígeo) e músculo coccígeo.
apical), projetando-se para o interior ou exterior da
cavidade vaginal. Hiato
Abertura no músculo elevador por onde passam
Assoalho pélvico uretra, vagina e reto.
- Estrutura músculo-aponeurótica que fecha a
cavidade pélvica verdadeira, sustentando as Períneo
vísceras pélvicas na sua topografia normal => Limite superior: fáscia inferior do diafragma pélvico
constituído pelo diafragma pélvico, períneo e fáscia Limite inferior: estrato lamelar da tela subcutâneo
endopélvica Divisão anterior contém a uretra e vagina e é
- O assoalho pélvico é uma estrutura dinâmica que denominada triângulo urogenital
responde ao esforço exercido sobre ele. Conforme
aumenta a pressão, há contração dessa musculatura. Fáscia endopélvica
Três elementos contribuem para o suporte: Tecido conjuntivo subperitoneal (aparelho de
integridade da fáscia, integridade da placa suspensão), muito desenvolvido e altamente
elevadora, mecanismo valvar exercido pela organizado, apresenta espessamentos que
compressão feita pelas fáscias e ligamentos, interligam as vísceras pélvicas entre si e essas às
provocando horizontalização da vagina contra a paredes pélvicas
placa elevadora do assoalho pélvico.
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- Alteração da função intestinal: constipação,
dificuldade ou desconforto para evacuar, evacuação
incompleta, auxílio de manobras manuais para
esvaziar o intestino, incontinência de flato ou fecal.
Principalmente nos prolapsos de parede posterior da
vagina
- Queixas urinárias: polaciúria, urgência urinária,
jato urinário fraco ou contínuo, sensação de
esvaziamento incompleto, redução manual do
prolapso para iniciar ou completar a micção,
incontinências urinárias de esforço (em 36-80% dos
Prolapso de órgão pélvico casos)
- É o deslocamento para baixo de um dos órgãos
pélvicos a partir de sua localização normal,
resultando em protrusão ou abaulamento da parede
vaginal.
- Prevalência de 8-28% (sintomas) e de 30-90%
(exame físico)

Classificação do prolapso
- Útero
- Parede vaginal anterior (uretrocistocele)
- Parede vaginal posterior (retocele)
- Alças intestinais (enterocele)
- Cúpula vaginal - histerectomia prévia
**Importante classificar para ver de onde é o Defeitos do compartimento anterior (ruptura nível
prolapso e fazer o tratamento adequado. II): o prolapso da parede vaginal anterior
(cistocele) é definido como descimento anormal da
Fatores de risco parede anterior e base da bexiga
- Gestação: parto vaginal
- Menopausa: envelhecimento, hipoestrogenismo
- Pressão abdominal cronicamente aumentada:
obesidade, constipação crônica, DPOC, tosse
crônica
- Traumatismo de assoalho pélvico
- Fatores genéticos: mais comum na raça branca,
pacientes com distúrbios do tecido conjuntivo
- Histerectomia
- Coluna vertebral bífida, neuropatias congênitas ou
adquiridas - atrofia ou debilidade musculofascial

Manifestações clínicas
- Sintomas locais: como pressão ou sensação de peso Defeito central - por distensão: ocorre por
vaginal e perineal ou visualização de abaulamento. enfraquecimento do tecido fascial existente entre
Nos prolapsos de longa duração podem surgir lesões a parede vaginal e a bexiga. Desaparecimento da
ulceradas no tecido prolapsado - úlcera de decúbito. rugosidade vaginal
- Queixas sexuais: são relacionadas à protrusão do
tecido vaginal ou do próprio útero, dificulta a
penetração, causa desconforto ao coito, diminuição
da excitação sexual ou orgasmo
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Defeito transverso: separação da fáscia
pubocervical do anel pericervical. Dificuldade do
esvaziamento vesical

Defeito lateral - por deslocamento, tração:


ocorre por separação da inserção normal do tecido
conectivo da vagina no arco tendíneo da fáscia
pélvica (linha branca).

Defeitos do compartimento posterior (ruptura nível


II): herniação da parede anterior do reto em
direção à vagina. Resultam de gravidezes e partos
ou aumento crônico da pressão abdominal. Fatores
raciais, congênitos, encurtamento excessivo da
vagina ou verticalização anterior da vagina pós-
colpopexia de Burch

Retocele
- Retocele alta: ruptura do septo retovaginal
- Retocele baixa: separação do septo retovaginal do
corpo perineal

Defeito distal (ruptura nível III)


- Alargamento do hiato vaginal e destruição do
corpo perineal
- Reparo do períneo frouxo ou rompido: refazer o
corpo perineal - perineorrafia
- Reparo do hiato genital alargado: plastia dos
músculos elevadores do ânus

Defeito do compartimento apical (Ruptura nível I)


- O útero repousa sobre os músculos (placa do
elevador), enquanto os ligamentos o mantém em sua
posição
- Prolapso uterino
- Prolapso de cúpula vaginal
- Diagnóstico diferencial: alongamento hipertrófico
do colo, enterocele

Tratamento: Clínico ou cirúrgico


- Clínico: exercícios perineais de Kegel, cones
vaginais, pessários, cremes de estrógeno
- Cirúrgico: construtivo ou obliterativo

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